Relatório de Atividades
Ano 2004
2004
Uma organização de interesse público.
Março/2005.
Apresentação
O presente relatório descreve as ações realizadas pelo
INSTITUTO MAYTENUS para o desenvolvimento da Agricultura
Sustentável no decorrer do ano de 2004.
Estas ações, na sua grande maioria foram realizadas a partir
de uma metodologia desenvolvida especialmente para grupos
de agricultores familiares, que desejavam fazer o denominado
processo de conversão da produção convencional para a
Agricultura Orgânica Sustentável. Este conjunto de ações
resultou em efeitos satisfatórios, no que se refere a questões
sociais, ambientais e econômicas, bem como preconizou o
surgimento de Associações de Agricultores Orgânicos.
A finalidade maior deste relatório é apresentar resultados que
justificam a existência de organizações que atuam
diretamente com grupos informais ou formais de agricultores,
planejando e desenvolvendo projetos que promovem o
desenvolvimento local.
Este relatório também pretende ser um facilitador da avaliação
do INSTITUTO MAYTENUS, o qual se submete a opinião do seu
público beneficiário e sociedade em geral, para cada vez ser
mais reconhecido enquanto organização que tem uma função
social a ser desempenhada.
3
Agradecimentos
As atividades desenvolvidas pelo Instituto Maytenus, que
estão descritas nesse documento, somente foram possíveis
devido a grande mobilização de atores sociais e parceiros que
acreditaram nas nossas idéias e apoiaram das mais diversas
formas, todas as ações aqui relatadas.
Nesse contexto, destacamos e agradecemos:
• A todos os agricultores/produtores empenhados nos
projetos;
• O SEBRAE/PR, principal agente de desenvolvimento que
acreditou e investiu nas nossas idéias;
• As Prefeituras Municipais, que disponibilizaram apoio e
suporte local, especialmente profissionais empenhados;
• Ao SENAR e EMATER, que complementaram e reforçaram
o time de parceiros;
• A competente e comprometida Equipe de Trabalho,
rabalho que
abraçou a causa e não mediu esforços no auxilio aos
grupos de agricultores, na busca dos resultados;
Nossos agradecimentos também se estendem a todos aqueles
não nominados, mas que de forma direta ou indireta,
contribuíram para o sucesso de realizações em 2004.
4
ÍNDICE
SOBRE O INSTITUTO MAYTENUS
MAYTENUS ...............................................................................................................................6
ATIVIDADES SOCIAIS.....................................................................................................................................................8
SOCIAIS
I.
FORMAÇÃO DE PRODUTORES EM AGROECOLOGIA ..................................................................................8
2. FORMAÇÃO DE APICULTORES – PRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO ..........................................................9
3. CAPACITAÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA O PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO..........................................10
CERTIFICAÇÃO
4. ASSESORIA À ORGANIZAÇÃO RURAL .............................................................................................................10
5. ASSESSORIA À CERTIFICAÇÃO DE ÁREAS E CULTURAS ORGÂNICAS......................................................12
ORGÂNICAS
6. SENSIBIIZAÇÃO DE CONSUMIDORES ..............................................................................................................12
7. EVENTOS E EXPOSIÇÕES ....................................................................................................................................13
8. ENCONTROS REGIONAIS DE PRODUTORES...................................................................................................14
PRODUTORES
9. ASSESSORIA TECNOLÓGICA .............................................................................................................................14
12. REPRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL ...............................................................................................................17
13.
13. FORMAÇÃO DE FACILITADORES ...................................................................................................................18
14. PUBLICAÇÕES.....................................................................................................................................................18
PUBLICAÇÕES
15. PROJETOS ESPECÍFICOS ...................................................................................................................................19
16. ASSESSORIA A COMERCIALIZAÇÃO..............................................................................................................19
COMERCIALIZAÇÃO
17. CASOS DE DESTAQUE ......................................................................................................................................24
18. APLICAÇÃO DOS RECURSOS ..........................................................................................................................31
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................................................31
5
Sobre o Instituto Maytenus
Nossa Missão
“Promover o Desenvolvimento sustentável através de ações
que Valorizem o Ser Humano e Respeitem o Meio ambiente.”
A Instituição
O Instituto Maytenus Para o Desenvolvimento da Agricultura Sustentável é
uma instituição do terceiro setor, sem fins lucrativos, da iniciativa privada,
fundada em 16 de abril de 2001, com independência administrativa e
financeira, inscrita no CNPJ sob nº 04.401.102/0001-70, caracterizada como
Organização da Sociedade Civil de Interesse Publico-OSCIP, e rege-se pelo
presente estatuto, pela Lei Federal n° 9.790/99, de 23/03/99 e pelo Decreto
Federal n° 3.100/99, de 30/06/99 e pela legislação que lhe for aplicável. Sua
sede está situada no Município de Toledo, na Rua J.J. Muraro, 1208 possuindo
Escritório Regional na Cidade de Londrina, na Rua Harry Prochet.
Reúne uma experiente equipe multidisciplinar que respeita o saber
popular e utilizam os avanços do conhecimento tecnológico para a promoção
do
desenvolvimento
sustentável.
Compõem
nosso
quadro
profissional
Agricultores Mestres, Engenheiros Agrônomos, Técnicos em Agropecuária,
Engenheiros Agrícolas, Zootecnistas, Administradores Rurais, Pedagogos,
Nutricionistas e Economistas Domésticos.
Objetivos Sociais:
O Instituto Maytenus tem por objetivos sociais:
I.
Promover a qualidade de vida e da saúde do ser humano e a defesa e
preservação do meio ambiente pelo desenvolvimento da Agricultura Sustentável;
II.
difundir conhecimento e apoiar a implantação de sistemas orgânicos de
produção agropecuária e industrial que otimizem o uso de recursos naturais e sócioeconômicos, respeitem a integridade cultural, promovam a maximização dos benefícios
sociais e a minimização da dependência de energia não renovável;
6
III.
promover
estudos,
pesquisas,
conhecimento
e
projetos
científicos
e
socioeconômicos nas áreas da ecologia e biologia, atendendo as demandas da
Agricultura
Orgânica,
Agroecologica,
Ecológica,
Biológica,
Natural,
Biodinâmica,
Permacultura e outras a fins;
IV.
oferecer
apoio
técnico
e
estimulo
à
implantação
de
programas
de
desenvolvimento sustentável que atendam as necessidades das comunidades locais,
regionais, do Estado e do País;
V.
dirigir, administrar e manter instituições educacionais, promovendo a oferta de
programas regulares de capacitação através de cursos, seminários, palestras e atividades
correlatas;
VI.
promover a formação e a requalificação profissional dos cidadãos para a sua
inserção e reinserção no mercado de trabalho;
VII.
promover e apoiar debates que incentivem o questionamento de idéias, teorias
e modelos visando o aperfeiçoamento da visão holística do ser humano;
VIII. promover a assistência social através de programas de alimentação e
segurança alimentar e nutricional, baseados na utilização de produtos orgânicos de
origem vegetal e animal;
IX.
produzir, organizar, manter e divulgar literatura, informações, estatísticas e
conhecimentos técnico-científicos de comprovado valor elucidativo e científico para o
desenvolvimento da agricultura sustentável e seus efeitos na melhoria da qualidade de
vida e da saúde humana;
X.
promover exposições, conferências, debates, feiras, festividades populares e
outros eventos relacionados com o desenvolvimento socioeconômico e técnico-científico
regional e nacional;
XI.
promover o voluntariado para atuação nas atividades mencionadas neste
estatuto ou em outras de interesse público;
XII.
promover a experimentação não-lucrativa de novos modelos socioprodutivos e
de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito;
XIII. promover e prestar assistência técnica integrada e consultoria através de
programas de cooperação e prestação de serviços nas áreas que digam respeito às
atividades mencionadas neste artigo;
XIV. promover ajuda e cooperação financeira a programas e projetos sociais e
suprir demandas ocasionadas pela expansão das atividades da entidade, captando
recursos por intermédio de acordos, intercâmbios e convênios.
Para consecução dos seus objetivos, o Instituto Maytenus poderá
articular-se
e firmar convênios, contratos, termos de parceria e de cooperação com
outras entidades sócio-culturais, com órgãos ou entidades públicas e privadas, nacionais
e estrangeiras, pela forma conveniente, de modo a assegurar a coordenação e execução
de seus objetivos sociais.
7
Atividades sociais
Em consonância com os objetivos propostos em seus estatutos, o Instituto Maytenus apresenta
neste relatório as contribuições sociais e ambientais que vem desenvolvendo através da
implementação de programas e estratégias descritas a seguir:
I.
FORMAÇÃO DE PRODUTORES EM AGROECOLOGIA
Realizado em parceria com o SEBRAE-PR, EMATER, SENAR, Prefeituras e outras entidades
municipais , o programa visa estimular o desenvolvimento local em bases sustentáveis com ações
que promovam o Capital Social, Ambiental e Econômico.
Nesse contexto o Instituto Maytenus participa do programa atendendo, capacitando e
organizando grupos de agricultores em torno da Agricultura Orgânica, pois entende que esse
modelo de produção, além de resgatar a auto-estima dos envolvidos, atua melhorando e
potencializando
as
dimensões
sociais,
ambientais
e
econômicas,
principais
pilares
da
sustentabilidade.
Na tabela abaixo estão descritas as atividades de formação ocorridas no Estado de São Paulo:
Município
Número de Produtores
Carga Horária
Parceiros
Barretos
27
56
SEBRAE - ABD
Bebedouro
16
40
SEBRAE - ABD
Guaira
16
56
SEBRAE - ABD
Olímpia
20
24
SEBRAE - ABD
Colômbia
13
8
SEBRAE - ABD
São José do Rio Preto
20
8
SEBRAE - ABD
Bady Bassit
12
8
SEBRAE - ABD
124
200
SEBRAE - ABD
TOTAL
8
Durante o ano de 2004, foram inúmeras as ações que beneficiaram comunidades de diversas
regiões do Paraná, conforme pode ser observado no quadro abaixo:
Município
Número de Produtores
Carga Horária
Altônia
Altônia 1 e 2
16
669
SEBRAE –EMATER - SENAR
Alto Piquiri
08
466
SEBRAE –EMATER - SENAR
Parceiros
Barbosa Ferraz 1 e 2
30
674
SEBRAE –EMATER - SENAR
Campina Da Lagoa
08
426
SEBRAE –EMATER - SENAR
Campo Mourão
25
207
SEBRAE –EMATER - SENAR
Cianorte
20
207
SEBRAE –EMATER - SENAR
Corumbataí Do Sul
08
412
SEBRAE –EMATER - SENAR
Cruzeiro D'oeste
47
100
SEBRAE –EMATER - SENAR
Diamante Do Norte 2
15
187
SEBRAE –EMATER - SENAR
Esperança Nova
08
419
SEBRAE –EMATER - SENAR
Francisco Alves 1 e 2
14
628
SEBRAE –EMATER - SENAR
Goioerê 1 e 2
13
631
SEBRAE –EMATER - SENAR
Iporã 1e 2
19
662
SEBRAE –EMATER - SENAR
Jandaia Do Sul
08
470
SEBRAE –EMATER - SENAR
Paranavaí 1 e 2
28
624
SEBRAE –EMATER - SENAR
Pérola
28
240
SEBRAE –EMATER - SENAR
São Jorge Do Patrocínio 1 e 2
14
672
SEBRAE –EMATER - SENAR
Tamboara
14
196
SEBRAE –EMATER - SENAR
Terra Rica
15
203
SEBRAE –EMATER - SENAR
Umuarama 1 e 2
30
163
SEBRAE –EMATER - SENAR
Querencia Do Norte
15
56
SEBRAE –EMATER - SENAR
Colorado
15
180
SEBRAE –EMATER - SENAR
Marialva
18
221
SEBRAE –EMATER - SENAR
Maringá 1 e 2
31
753
SEBRAE –EMATER - SENAR
Nova Esperança
08
436
SEBRAE –EMATER - SENAR
Planalto
15
32
SEBRAE e Prefeitura Municipal
445
9.934
TOTAL
2. FORMAÇÃO DE APICULTORES – PRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO
Município
Número de
Carga Horária
Parceiros
Produtores
Diamante do Norte 1
20
196
SEBRAE –EMATER - SENAR
Porto Rico 1
30
928
SEBRAE –EMATER - SENAR
São Pedro do Pr
25
148
SEBRAE –EMATER - SENAR
Diamante do Norte 3
18
72
SEBRAE –EMATER - SENAR
Porto Rico 2
15
462
SEBRAE –EMATER - SENAR
Porto Rico 3
15
24
SEBRAE –EMATER - SENAR
123
1.830
SEBRAE –EMATER - SENAR
TOTAL
9
3. CAPACITAÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA O PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO
Município
Número de
Carga Horária
Parceiros
Profissionais
UmuaramaUmuarama-PR
25
12
BebedouroBebedouro-SP
9
16
34
28
TOTAL
SEBRAE - IBD
IBD
SEBRAE - IBD
SEBRAE - IBD
4. ASSESORIA À ORGANIZAÇÃO RURAL
O desenvolvimento associativo nos grupos de agricultores acompanhados pela Maytenus, tem
como fundamentação básica a inclusão social e a disseminação de atitudes colaborativas e
cooperativas entre membros dos grupos, visando a sustentabilidade coletiva.
Nesse contexto, durante o ano de 2004 a Maytenus colaborou diretamente na organização e
no planejamento de 16 grupos associativos, os quais destacamos abaixo:
SÓCIOS
PRINCIPAIS CULTURAS
Associação dos Produtores Orgânicos de Alto Piquiri
11
Hortaliças, cana, soja.
Agro Orgânica Ilha Grande (Altônia)
15
Café, hortaliças, algodão, feijão,
NOME
NOME
pupunha.
Associação dos Produtores Agroecológicos de Barbosa
24
Ferraz (Apraecol)
Hortaliças, feijão, milho, soja, café,
leite, maracujá, mandioca, arroz,
frango.
Assoc. dos Produtores Orgânicos de Francisco Alves
08
Café, hortaliças, leite, frutas, grãos.
Assoc. de Prod. Orgânicos de Goioerê (Organovida)
15
Hortaliças, soja, café, cana.
Associação dos Produtores Orgânicos de Iporã
16
Hortaliças, café, coco, urucum.
Assoc. dos Prod. Orgânicos de Jandaia do Sul (Apojas)
10
Hortaliças, café, frutas.
Assoc. dos Prod. Org. Luz do Sol (Apolus - Nova Esperança)
10
Café, hortaliças.
Assoc.de Produtores Orgânicos de Paranavaí (Apropar)
22
Hortaliças, café, mandioca, pecuária,
Associação Sanjorgense de Produtores Orgânicos (São Jorge
13
Café, frutas.
15
Hortaliças, grãos.
10
Café, acerola, hortaliças.
Terra Viva Orgânicos (Corumbataí do Sul)
12
Café, frutas, mandioca, cana.
Assoc. de Produtores Orgânicos de Maringá (Pomar)
17
Hortaliças, uva, tilápia.
Assoc. Portoriquense de Apicultores (Apa - Porto Rico)
32
Mel, própolis, cera, pão de mel.
Grupo de Prod. Orgânicos Assentados (Querência do Norte)
10
Leite, arroz.
soja, girassol.
do Patrocínio)
Associação de Produtores Orgânicos Terra Amiga (Campina
da Lagoa)
Associação dos Produtores Orgânicos Vida e Saúde
Esperança Nova (Aprovisen)
Total
240
10
Também trabalhou na assessoria para criação, formalização e planejamento estratégico
participativo das Associações/Grupos listados abaixo, que além dos trabalhos descritos receberam
assessoria constante do Instituto Maytenus:
Associação/Grupo
Associação de Agricultores
Município
Sócios
Pérola D’Oeste
23
Formalização. Atestado de utilidade
Palmas
18
Formalização. Atestado de utilidade
Pato Branco
18
Formalização. Atestado de utilidade
Flor da Serra do
14
Formalização. Atestado de utilidade
Orgânicos de Pérola D’Oeste
Associação de Agricultores
pública. Assessoria ao planejamento.
Orgânicos de Palmas
Associação de Agricultores
pública. Assessoria ao planejamento.
Orgânicos de Pato Branco
Associação de Agricultores
Orgânicos de Flor da Serra do
Assessoria Realizada
pública. Assessoria ao planejamento.
Sul
pública. Assessoria ao planejamento.
Sul
Associação Municipal de
Santo Antônio do
Agricultores Orgânicos de
Sudoeste
20
Formalização. Atestado de utilidade
pública. Assessoria ao planejamento.
Santo Antônio do Sudoeste
Grupo de Agricultores
Clevelândia
10
orgânicos de Clevelândia
Grupo de Agricultores
Assessoria à formalização e
planejamento.
Realeza
9
Inácio Martins
12
Articulação do grupo.
Orgânicos de Realeza
Assentamento José Dias
Formalização da Associação.
Atestado de Utilidade publica.
Formalização
Projeto CONAB
Associação de Produtores
Ivai
8
orgânicos de Ivai
Formalização
Projeto CONAB.
Comercialização em mercado local
Associação de Produtores
Porto Vitória
8
Agroecológicos de Porto
Assessoria a comercialização com
restaurante industrial.
Vitória
Vila Rural
Inácio Martins
6
Assessoria
a
comercialização
no
comercialização
no
mercado local
Assentamento Bananas
Guarapuava
15
Assessoria
a
mercado local.
Planejamento da produção
Grupo Água Mineral
Irati
Organização
e
rearticulação
do
grupo.
Assentamento José Dias
Inácio Martins
12
Formalização da Associação.
Atestado de Utilidade publica.
Projeto CONAB
11
Outra grande ação resultante dos trabalhos do Instituto Maytenus, com relação às associações,
foi a articulação junto aos produtores para a criação de três grandes associações regionais,
visando principalmente a integração das ações, redução de custos de certificação e maior
representatividade territorial. Após 14 reuniões nos mais diversos municípios do projeto, ficou
decidido pala criação das seguintes associações regionais:
•
APROAP – Associação dos
Produtores Orgânicos das Águas dos Rios Paraná/Piquiri,
Paraná/Piquiri,
abrangendo os produtores dos municípios de Alto Piquiri, Francisco Alves, Iporã, Altônia,
São Jorge do Patricínio, Pérola, Esperança Nova e Cruzeiro do Oeste;
•
ASSOCIAÇÃO ALTERNATIVA PÉ NA TERRA, abrangendo os municípios de Maringá, Nova
Esperança, Jandaia do Sul, Goioerê, Barbosa Ferraz, Campina da Lagoa e Corumataí do Sul;
•
APOMOP – Associação dos Produtores Orgânicos do Médio Oeste do Paraná, abrangendo os
municípios de Palotina, Iracema do Oeste e Assis Chateaubriand.
Junto ao Território do ProCaxias houve trabalho de acompanhamento e assessoria ao Grupo
Gestor de Agricultores Orgânicos,
rgânicos instância deliberativas de agricultores orgânicos dos municípios
de São Jorge do Oeste, Cruzeiro do Iguaçu, Salto do Lontra, Capitão Leônidas Marque s e Nova
Prata do Iguaçu.
5. ASSESSORIA À CERTIFICAÇÃO DE ÁREAS E CULTURAS ORGÂNICAS
A assessoria aos processos de certificação realizados pelo Instituto Maytenus, ocorre quando
os grupos de produtores decidem oficializar a opção pelas causas relativas a agroecologia e expor
essa condição ao reconhecimento público.
Nesse sentido, durante o ano de 2004, foram conduzidos 16 projetos de certificação de
grupos de produtores orgânicos, dos quais mais de 100% das propriedades tiveram suas áreas
inspecionadas muitos já estão em vias de receber o Selo de Qualidade de Orgânico.
6. SENSIBIIZAÇÃO DE CONSUMIDORES
Na
Região Sudoeste do Paraná, com o objetivo de divulgar os benefícios da alimentação
orgânica para a saúde do consumidor foram organizados jantares orgânicos, promovidos pelas
Associações locais de agricultores orgânicos. Ocorreram jantares nos municípios de Santo Antônio
do Sudoeste, Pato Branco e Flor da Serra do Sul.
12
7. EVENTOS E EXPOSIÇÕES
Expor nos principais eventos realizados no do Paraná tem se constituído em uma excelente
vitrina para mostrar, divulgar a variedade do plantio e sensibilizar a sociedade sobre a importância
de se consumir alimentos mais nutritivos e saudáveis. A cada nova edição é maior o número de
visitantes nos espaços reservados para associações de orgânicos.
Nesse contexto, a Maytenus esteve presente em 3 grandes eventos de exposições
que
ocorrem no Noroeste do Paraná
•
5° Show Tecnológico do Arenito Caiuá – Fev./04.Fev./04.- Umuarama
•
Exposição Agropecuária de Londrina 20042004- Abr./04 - Londrina
•
Expo Agropecuária de Maringá 2004 – Mai./04 - Maringá
Além do Instituto Maytenus estar presente nos eventos como expositor, também assessorou
Associações de Agricultores orgânicos na participação em feiras como expositores, na Região
Sudoeste do Paraná houveram participações no seguintes eventos:
•
ExpoSanto – Exposição Feira de Santo Antônio do Sudoeste – participação da APROSANTO
APROSANTO
•
ExpoPato - Exposição Feira de Pato Branco – participação da APROVIDA
•
ExpoPalmas - Exposição Feira de Palmas–
Palmas– participação da APROPAL
•
Salão Mundo Orgânico - Exposição Feira de Alimentos Orgânicos em Cascavel.
13
8. ENCONTROS REGIONAIS DE PRODUTORES
Promover encontros regionais foi outro mecanismo colocado em prática para incentivar e
fortalecer os grupos de orgânicos. Em 2004, foram realizados diversos eventos do gênero, que
reuniram, ao todo, mais de 1500 participantes. O Instituto Maytenus esteve presente em todos
eles como um dos principais organizadores.
Encontros regionais
Participantes
I Encontro Regional de Agricultura Orgânica da ExpoLondrina 2004
450
I Encontro de Produtores Orgânicos do 5° Show Tecnológico do Arenito Caiuá
600
I Encontro Regional de Agricultores Orgânicos da ExpoMaringá 2004
730
I Encontro Encontro Regional de Apicultores de Porto Rico
310
I Seminário de Apicultura da Região da Ilha Grande
150
I Seminário de Apicultores de Porto Figueira
190
I Seminário pro Pró – Amusep – Agricultura Orgânica
650
9. ASSESSORIA TECNOLÓGICA
Para produtores que buscam especializar a produção, o Instituto Maytenus aciona o Programa
de Modernização Tecnológica do Sebrae e disponibiliza seu corpo técnico para o repasse
tecnológico da produção. Nesse aspecto, atendemos os seguintes municípios e regiões no ano de
2004:
o
Região Norte do Paraná: Programa de Modernização Tecnológica da Produção de Soja
Orgânica, beneficiando 07 famílias de agricultores do município de Cornélio Procópio.
o
Região Sudoeste do Paraná: Programa de Modernização Tecnológica da Produção de
Hortaliças Orgânicas, beneficiando 09 famílias de agricultores do município de Santo
Antônio do Sudoeste;
o
Região Sudoeste do Paraná: Programa de Modernização Tecnológica da Produção de
Morango Orgânico, beneficiando 09 famílias de agricultores do município de Palmas;
o
Região Sudoeste do Paraná: Clínica Tecnológica de Nutrição de Plantas no Sistema
Orgânico de Produção, beneficiando 12 famílias de agricultores do município de Pato
Branco;
o
Região Oeste do Paraná: Clínica Tecnológica de Transformação da Cana, beneficiando 6
famílias de agricultores do município de Capitão Leônidas Marques;
o
Região Litoral do Paraná: Adequação de produto as normas de produção orgânica,
beneficiando 2 famílias de Morretes-PR;
14
o
Região Centro Sul do Paraná: Cana Orgânica de Bituruna, beneficiando 19 famílias de
agricultores;
o
Região Centro Sul do Paraná: Cana Orgânica de Cruz Machado, beneficiando 14 famílias
de agricultores;
o
Clínica Tecnológica sobre Derivados da Cana em Prudentópolis, beneficiando 20
famílias de agricultores;
Na região Oeste do Paraná foi desenvolvida Consultoria Tecnológica para diversos agricultores
conforme descrito no quadro abaixo:
Nome do Projeto
Objetivo
Municípios
N. Produtores
Beneficiados
Beneficiados
Cascavel
2
Promover a adequação tecnológica da
Nova Aurora
2
estrutura de produção da cana, com
Tupãsi
1
vistas
Assis Chateaubriand
1
Palotina
2
a
garantir
melhoria
de
produtividade e de qualidade;
Toledo
2
Projeto Derivados da
Promover a adequação tecnológica da
Guaraniaçu
1
Cana Oeste II
estrutura de processamento da cana
Santa Helena
1
SEBRAETEC
com vistas a garantir o padrão físico e
Itaipulândia
1
as
Missal
1
características
organolépticas
e
sanitárias do produtos;
Santa
Teresinha
do
1
Itaipu
1
Adequar os sistemas de produção da
Céu Azul
1
cana e o processamento de derivados
Matelândia
2
em conformidade com as normas e
São Miguel do Iguaçu
1
diretrizes de produção orgânica.
Nova Santa Rosa
1
Bragabey
10. CARAVANAS DE AGRICULTORES
AGRICULTORES
Caravanas
são
instrumentos
metodológicos
utilizados
pelo
Instituto
Maytenus
para
aprofundamento e aprimoramento do aprendizado dos agricultores, permitindo a vivência em
situações concretas e a troca de experiências com outros grupos de agricultores.
Em Setembro de 2004, com o apoio do SEBRAE/PR e da EMATER, organizamos uma importante
caravana com 120 produtores e técnicos para o maior evento de Agricultura Orgânica da América
Latina - Biofach América Latina 2004, realizado no Rio de Janeiro no mês de Setembro. Foram
mobilizados agricultores de todas as regiões do Estado do Paraná. Foram 3 dias de muitos
contatos e apresentação dos produtos orgânicos produzidos no Paraná, além da participação
regular dos agricultores nas diversas palestras que ocorreram no período.
15
Também foi organizada caravana para a Feira dos Sabores em Curitiba com agricultores da
Região Oeste do Paraná.
11. PARCERIAS DE COOPERAÇÃO
O Instituto Maytenus tem como estratégia de operação, agregar parceiros aos projetos
desenvolvidos, visando assim o reforço
no atendimento aos grupos de agricultores e a
disseminação do espírito colaborativo.
Da mesma forma que temos parceiros em projetos da Maytenus, também colaboramos em
projetos de outras entidades.
Em 2004, unimos força com as seguintes entidades cooperadoras:
A) Para desenvolvimento do projeto : Café Orgânico de Lerroville
•
IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná
•
, EMATER - Londrina
•
ACAL - Associação dos Cafeicultores da Água da Limeira,
•
APRALA - Associação dos Produtores Rurais da Água da Laranja Azeda,
•
IAP, Instituto Ambiental do Paraná
•
Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento do Município de Londrina
O objetivo do Acordo de Cooperação: Implementação de atividades voltadas para o
desenvolvimento rural em sistemas de produção de café orgânico para o comércio ético e
solidário, visando o fortalecimento da agricultura familiar, o aumento de oportunidades de
trabalho e de renda no meio rural e a sustentabilidade dessa atividade, com conseqüente melhoria
das condições de vida das populações beneficiadas pelas ações previstas neste instrumento.
Data:
Data: Março
Março 2004
B) Para o fortalecimento das ações de desenvolvimento da produção orgânica no Estado de
São Paulo:
•
Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica - ABD
O objetivo do Acordo de Cooperação: Implementação de atividades voltadas para o
desenvolvimento rural sustentável, pautado nos sistemas de produção orgânico e biodinâmico,
visando o fortalecimento da agricultura, o aumento de oportunidades de trabalho e de renda no meio
16
rural e a sustentabilidade dessa atividade, com conseqüente melhoria das condições de vida das
populações beneficiadas pelas ações previstas neste instrumento.
Data Junho de 2004
C) Para a formação profissional:
•
Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET
O objetivo do convênio está na recepção e acompanhamento de formandos do curso de
Agronomia em estágios curriculares, dando aos egressos condições de dialogarem com a realidade
aprimorando sua formação profissional, no campo do conhecimento da agroecologia;
D) Para Articulação Territorial
•
Secretaria de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário
O objetivo do convênio é promover a articulação local na Região do Vale do Ribeira no Paraná
para a configuração do Território do Vale do Ribeira.
12. REPRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
Visando promover as relações do Instituto Maytenus e a manutenção da qualificação técnica
dos profissionais instrutores/consultores, participamos nos mais importantes eventos técnicos
realizados no ano de 2004, onde além das apresentações, também participamos das reuniões de
discussões que ocorreram em torno da atividade de produção orgânica e desenvolvimento
sustentável. Entre os eventos e reuniões, destacamos:
Como Participantes:
o
Biofach América Latina 2004 – Rio de Janeiro/RJ
o
III Encontro de Produtores IBD/ Poços de Caldas/MG
o
Salão Mundo Orgânico – Cascavel/PR
o
Seminário Liderança e Emprendendorismo – Curitiba/PR
o
Seminário Biofach América Latina – Curitiba/PR
o
Seminário Pró- Orgânico – Jaguariúna/PR
o
Slow Food - Torino – Itália
17
Como Palestrante:
o
I Encontro Regional de Agricultura Orgânica – Londrina/PR
o
I Seminário de Agricultura Orgânica de Paranapuã/SP
o
Semana de Educação a Mundialidade – Ancona Itália
o
X Encontro Regional de Estudantes de Agronomia – Pato Branco-PR
o
Seminário Nacional de Projeto Político Pedagógico da Agronomia – Viçosa-MG
o
Semana Acadêmica da Agronomia – Pato Branco - PR
Como membro:
o
Comissão de Agricultura Sustentável – Agenda 21 de Londrina – Londrina/PR
o
Comissão de Organização
Organização do I Encontro de Produtores Orgânicos do Norte do Paraná –
Londrina/PR
13. FORMAÇÃO DE FACILITADORES
No ano de 2004, dois importantes cursos foram promovidos e realizados pelo Instituto
Maytenus, para formação de facilitadores de treinamento. Focados para o desenvolvimento da
equipe de trabalho, os cursos proporcionaram o aprendizado sobre técnicas de moderação de
reuniões e desenvolvimento do auto-conhecimento. Realizados em várias regiões para
proporcionar a participação de todos os consultores:
•
Técnicas de Visualização Móvel – 16 hs, realizado em Guarapuava no mês de Março
de 2004;
•
Formação de Facilitadores de Treinamento – 32 hs, realizados em Londrina e
Toledo, nos meses de Junho, Agosto, Setembro e Novembro:
14. PUBLICAÇÕES
Através das ações do Instituto Maytenus, foi possível a viabilização um jorrnal/tablóide que
reporta as atividades desenvolvidas pelo Projeto de Agricultura Orgânica do Paraná, promovido
pelo Sebrae, Senar e Emater, com execução do Instituto Maytenus:
•
Jornal Terra Forte
Forte – Lançado em Maio de 2004 na região Noroeste – 16 páginas;
18
15. PROJETOS ESPECÍFICOS
Além dos projetos de desenvolvimento da Agricultura orgânica, a Maytenus desenvolveu um
importante papel em projetos de Apicultura na região Noroeste:
•
Nas áreas do entorno do Parque Nacional da Ilha Grande, o foram mobilizados os
apicultores para construção de um novo modelo de produção apícola , prevendo a
capacitação para a melhoria de produtividade e a relocação das colméias para as áreas do
entorno do Parque, juntamente com um plano de recuperação da mata ciliar e de reserva
legal. Esse projeto, abrange os núcleos de apicultores dos municípios de Pérola, Altônia,
Guaíra e Alto Paraíso.
•
Na região do Médio Paraná, outro projeto de importância apícola que está sendo
estabelecido, foca no Arranjo Produtivo Local – APL , que está promovendo a integração de
ações de diversos parceiros nesse território, que abrange os municípios de Diamante do
Norte, Porto Rico, São Pedro do Paraná e Marilena.
•
Na região Sudoeste do Paraná o Instituto Maytenus deu suprte tecnológico à agricultores
familiares produtores de cachaça artesanal, importante fonte de renda para o público
beneficiário.
16. ASSESSORIA A COMERCIALIZAÇÃO
No atendimento aos grupos de produtores onde o Instituto Maytenus assessora a
comercialização de produtos orgânicos, diversos resultados foram conquistados no ano de 2004,
como os que relatamos abaixo.
Nos municípios da tabela abaixo a assessoria foi focada na organização dos grupos para o
comércio local e institucional com participação no programa de Compra Antecipada da Agricultura
Familiar e para a comercialização local em Feiras Livres e Quiosques.
19
Grupo
Antes da assessoria
Depois da assessoria
Assentamento Bananas
Não
Dispõem de mix minímo de produtos para
Guarapuava-PR
produtos
venda
Assoc. de produtores
Não participava do programa
Participação do programa
orgânicos de Ivai
de compra governamental.
Assoc.
Comércio
Agricultores
Agroecológicos
de
Porto Vitória
vendia
regularmente
irregular
restaurante
com
industrial
Regularidade da produção e acordo trimestral
de
de preços.
União da Vitória.
APROPAL-Palmas
Não possuía local definido
Inaugurou
para comercialização;
Orgânica no centro da cidade em func. toda
Tinha
quinta-feira e todo sábado pela manhã.
poucos
produtos
o
Quiosque
da
Agricultura
disponíveis;
Possui um mix variado de produtos.
Não possuía local definido
Criação da Feira Municipal da Agricultura
para comercialização;
Familiar;
APROVIDA-Pato
A produção orgânica não era
A produção recebeu selo de certificação
Branco
valorizada
orgânica. A produção é comercializada com
APROC-Clevelândia
como
tal
pelos
consumidores.
destaque na Feira Livre Municipal;
ECOFLOR-Flor da Serra
Não
comercializava
do Sul
produção orgânica
a
Passou a comercializar em quiosque em
Supermercado. Teve projeto elaborado para
comercialização junto à CONAB; Está se
especializando na produção de medicinais;
APROSANTO-Santo
Poucos
produtores
Antônio do Sudoeste
comercializando
na
feira
municipal
APOP-Pérola d’Oeste
Cada
Dobrou o número de feirantes. Hoje 50% das
hortaliças comercializadas no município são
orgânicas.
produtor
negociava
individualmente
sua
Fizeram
negociação
coletivas
da
soja,
comercializando a saca de soja a US$2,50 a
produção de soja orgânica.
mais.
Assoc. dos Produtores
Estoque de 30 T.
Venda do estoque
Orgânicos de Capitão
limão e Hortelã – sem venda,
Venda CADAF R$ 2.500,00.
Leonidas Marques
Vendas
Pré-venda de 200toneladas das essências.
da
de capim
Associação
R$
300,00 mês
Venda CADAF 20% a mais
Assoc. dos produtores
Vendas locais da associação
Venda CADAF R$ 4.500,00.
Orgânicos
no
Vendas Regional mais 45%
de
Nova
mercado
local
de
R$
Prata do Iguaçu
800,00 mês
Assoc. dos Prod. Org.
Vendas da assoc. no mercado
de Salto do Lontra
local de R$ 400,00 mês
Associação
dos
produtores Orgânicos
Venda CADAF R$ 2.500,00.
Vendas da assoc. no mercado
Venda CADAF R$ 1.500,00.
local de R$ 800,00 mês
Vendas Regional mais 20%
de São Jorge do Oeste
Associação
Vendas da associação
no
Venda CADAF R$ 3.00,00.
produtores Orgânicos
dos
mercado
R$
Vendas Regional mais 15%
de Cruzeiro do Iguaçu
2.000,00 mês
local
de
20
Na Região Oeste do Paraná e no Território do Pró-Caxias foram desenvolvidas as seguintes
atividades de consultoria à comercialização:
Projeto
Ações Realizadas
Realizadas
Café - Território Médio
Avaliação quanto a participação em eventos realizados para comercialização;
Oeste
Foi incentivado a divulgação das ações em cada comunidade com palestras e
trabalhos como projetos em escola municipal ;
Palotina,
Terra
Roxa,
Assis
Chateaubriand, Tupãssi, Jesuítas,
Formosa do Oeste, Iracema do
Assessoria e realização de palestras educacionais para públicos específicos
nos municípios de Santa Helena, pato Bragado, Quatro pontes;
Oeste, Nova Aurora, Corbélia,
Analise junto com cada associação quanto ao
Anahy e Iguatu
ofertados aos mercados locais e regionais;
Orgânicos
Território
ProCaxias
atual portfólio de produtos
Foi criado e implementado uma planilha (mapa) de produção preenchida pelo
produtor;
Implementação de um mix
Capitão Leônidas das Marques,
Nova Prata do Iguaçu, Salto do
nos Pontos Fixos de vendas, com incremento de
novos produtos ;
Lontra, Boa Vista da Aparecida,
Foi definido cronograma de produção anual, conforme perfil dos produtores
Cruzeiro do Iguaçu, São Jorge do
escolhidos
Oeste, Três Barras do Paraná e
Foi Incluido a comercialização de insumos orgânicos básicos nos Pontos fixos
Quedas
do
Iguaçu,
Boa
Esperança, do Iguaçu
de vendas;
Capacitação dos produtores
envolvidos no processo de atendimento dos
municípios de Santa Helena, Salto do Lontra, capitão L. Maruqes;
Orgânicos
Território
Médio Oeste
Assessoria junto com a associação de Palotina para capacitação de merendeiras
de Palotina minsitrado pela associação de Assis Chateaubriand;
Assessoria para a Realização de caravanas para Curitiba, Cascavel, Rio de janeiro
Palotina, Assis Chateaubriand e
para participação das Feiras referente comercialização junto com as associações;
Iracema do Oeste
Orgânicos Território Bacia
Assessoria junto ao SEBRAE na realização do Salão Mundo Orgânico em
do Rio Paraná III
Cascavel;
Assessoria na abertura de novos pontos e associações em Santa
Quatro Pontes, Nova Santa Rosa,
Helena,
Capitão, Salto do Lontra;
Mercedes, Pato Bragado, Santa
Helena, Missal, São Miguel do
Iguaçu e Medianeira
Assessoria na Venda coletiva do soja orgânico pelos municípios de palotina,
Assis, Iracema, Nova Santa Rosa.
21
Após 6 meses de reuniões de debates sobre um nome e uma logomarca que identificasse
as iniciativas dos produtores em ofertar para o mercado um produto saudável , ocorreu o
lançamento oficial da marca BIO SABOR, em um grande evento realizado durante a
ExpoMaringá.
Essa marca surgiu da seleção de várias propostas dos agricultores, sendo portanto hoje,
motivo de orgulho de todos eles, pois estão apresentando seus produtos para os
consumidores, identificado com algo que eles ajudaram a criar.
Várias ações já ocorreram em 2004, para divulgar a marca BIO SABOR e assim ganhar
aceitação dos consumidores. Dentre essas ações , destacamos a presença na Biofach América
Latina 2004, no Rio de Janeiro/RJ e o Salão Mundo Orgânico, realizado em Cascavel/PR..
Mercearia dos agricultores
No dia 27 de março de 2004, foi inaugurada, em Barbosa Ferraz, a Central de Produtos
Orgânicos. A “mercearia” é um ponto fixo, de venda permanente de alimentos produzidos sem
o uso de agrotóxicos e adubos químicos.
Com a oferta de cerca de 80 itens, a Central é administrada pela Associação dos
Produtores Agroecológicos de Barbosa Ferraz, a Apraecol. A entidade, criada em 2003, reúne
24 agricultores.
A proposta dos integrantes da Associação foi a de oferecer um local de referência, onde a
população tivesse acesso a alimentos mais saudáveis e saborosos. Na “mercearia”, pode-se
encontrar conservas artesanais; mel; café torrado e moído; arroz; feijão; soja; milho de
pipoca; e hortigranjeiros.
Para se ter uma idéia da repercussão do início das atividades da Central, logo no primeiro
dia a “mercearia” foi visitada por mais de 150 pessoas, que deixaram R$ 670,00, no “caixa”.
Isso, em quatro horas de funcionamento, pois a inauguração ocorreu em um sábado.
Transformação dos Produtos Apícolas no Município de Porto Rico
Com o início do projeto de apicultura orgânica do Sebrae/Maytenus, em 2002, e com o
aumento da produtividade e profissionalização da atividade ao longo do período, os
apicultores sentiram necessidade também de ampliar a diversidade de produtos apícolas, até
então sendo o mel responsável pela maior receita.
22
Assim, a partir de julho de 2003 com o apoio do Sebrae/Maytenus, um grupo de 15
mulheres, composto por esposas e filhas dos apicultores, passou a receber orientações sobre
a transformação do mel e os produtos que poderiam ser fabricados tendo o mel como
ingrediente principal, de forma que pudessem agregar mais valor ao produto e melhorar a
renda familiar.
Apesar do pouco tempo de trabalho, e com reuniões quinzenais, o grupo tem alcançado
grandes resultados. Os temas dos trabalhados foram nas áreas de panificação e de cosmética.
Previamente o grupo foi treinado nas tecnologias de manipulação dos produtos, e
posteriormente os trabalhos foram iniciados com a área de Panificação, onde as participantes
do grupo foram instruídas a preparar extratos e matérias primas, Pão de Mel, Granolas,
Biscoitos de Mel.
Na fase atual o grupo inicia a parte de Cosmético, já tendo preparado cera depilatória,
Xampus e Condicionadores de Mel e de Própolis e Sabonetes de Mel. Para todos os produtos
estão sendo apresentadas as embalagens e rotulagens adequadas para a comercialização.
A partir do mês de janeiro de 2004 até março de 2004, foi iniciado um levantamento dos
produtos que o grupo já fabrica e os valores de comercialização obtidos com estas vendas
(quadro 1), mostrando que em pouco tempo o resultados já são positivos, considerando
limitações de cada participante do grupo.
A agregação de valor dos produtos transformados em função do trabalho e da tecnologia
empregada, possibilita um aumento na receita familiar. Para exemplificar, enquanto o quilo do
mel é vendido a R$ 5,00 a granel, quando utilizado na confecção de pão-de-mel, o quilo
passa para R$ 18,00; no caso do composto, para R$ 20,00.
Na área de cosmético, podemos usar o exemplo da cera de Abelhas usada na cera de
Depilação passa de R$ 15,00/kg vendida normalmente para R$ 35,00/kg. Para o extrato de
própolis o ganho é considerável, já que antes de iniciar o curso, o Própolis produzido não era
aproveitado. Com estes pequenos resultados queremos demonstrar o imenso potencial que é
possível desenvolver em grupos que trabalham agregando valores aos produtos apícolas.
A Expansão da Acerola – Ouro Verde
Os produtores orgânicos de acerola assistidos pela Maytenus, especialmente os produtores
das Associações de Pérola e Cruzeiro do Oeste, estão comemorando.
Apesar de todas as dificuldades que ocorreram no período, conseguiram o feito de
comercializar 200 toneladas de acerola orgânica ao valor de R$ 960,00 a Ton., o que
proporcionou uma considerável renda para esses agricultores.
Essa acerola foi comercializada verde, para industria farmacêutica de extração de Vitamina
C, que segundo os produtores, somente foi possível esse volume de comercialização porque o
produto era orgânico, caso contrário teriam muita dificuldade em conseguir a venda.
23
17.
17. CASOS DE DESTAQUE
Porto Rico - Prepara para Conquistar Grandes Mercados
Com a atividade da pesca passando por momentos difíceis pela diminuição na oferta do
pescado no Rio Paraná, os moradores ribeirinhos e ilhéus começaram a investir em outra
atividade, a apicultura, para que pudessem aumentar a renda familiar.
Como a região possui condições climáticas e ambientais favoráveis, a atividade foi crescendo
gradativamente. Entretanto, apesar de produzir um mel de altíssima qualidade, com um
“bouquet” de flores naturais silvestres, vinha sendo comercializado no município ou a grande
atacadistas.
Depois de 20 meses de muita dedicação dos apicultores, e apesar das condições
meteorológicas não colaborarem com a apicultura neste período na região Noroeste do
Paraná, ainda assim o grupo tem alcançado produtividade crescente.
Como resultado dos investimentos de aproximadamente R$60.000,00 neste período,
podemos perceber que os apicultores mais antigos, que já possuíam suas colméias habitadas
desde o início de 2002, e por conseqüência, adotaram algumas das práticas de manejo
recomendadas, alcançaram índices de produtividade de 23,47 Kg de mel por colméia
habitada, contra os 21,30 Kg alcançados na safra 2002, e 14,81 Kg que produziam antes do
início do projeto. Isto representa um aumento de 60 % na produção de mel em relação à
produtividade inicial e 10% sobre a safra anterior.
Entretanto se considerarmos apenas os apicultores que têm dedicação exclusiva ao
empreendimento constatamos que passaram de uma produtividade de 14,81 Kg por colméia
habitada no início de 2002, para 35,29 Kg em 2004, um aumento de 240%. Já a produção dos
produtores iniciantes ocorreu em enxames novos, capturados a partir de novembro de 2003,
não podendo assim ser avaliada por enquanto. Do investimento feito no período, cerca de 43%
foi feito por apicultores iniciantes, mostrando que a atividade está crescendo e os apicultores
se profissionalizando.
Outra etapa importante para ser vencida é a construção da “casa do mel”, local onde o
produto é processado e embalado antes de seguir para os pontos de venda. A partir da seção
de uso de um terreno feita por um produtor do município, e com apoio do Sebrae e da
Prefeitura Municipal, os apicultores elaboraram o projeto da construção do barracão. O projeto
foi apresentado ao Governo Federal, que irá destinar aproximadamente R$ 100.000,00 para a
obra, que beneficiará os 32 sócios da APA.
ALTÔNIA - NOVO PERFUME NO AR
Dois anos e meio atrás quando foi convidado a participar do grupo de agricultores que
deixaria de usar agrotóxicos e adubos químicos na lavoura e adotaria o método de produção
24
orgânica de alimentos, o casal Aílton José e Augusta Silveira Gouveia nem imaginava o tamanho da
transformação prestes a ocorrer na vida dele. Residentes em Altônia, desde 1976, marido e
mulher vivem em uma propriedade rural de 7,3 hectares, localizada a oito quilômetros da cidade.
Na área, o casal cultiva hortaliças, café, amora para alimentar a criação de bicho-da-seda, e
“tem um pouco de pasto”. Quando aplicavam herbicidas, inseticidas e fungicidas, para fazer o
controle de pragas e “ervas daninhas”, era comum Aílton se queixar de dor de estômago e de
cabeça. Em conseqüência, as visitas aos consultórios médicos eram freqüentes. Agora, livres dos
efeitos maléficos dos produtos tóxicos, dizem estar “muito satisfeitos e felizes” com a opção que
fizeram.
“Foi um renascer. O Orgânico exige uma dedicação maior. Mas é uma atividade
realizada com prazer”, justificam. A recuperação da saúde pessoal é um dos sinais
evidentes provocados pelo novo sistema. A lista se completa com o “fortalecimento” da
terra, o reforço no “caixa da empresa” e a melhora no sabor de verduras e legumes. “A
reação do solo é incrível. Inclusive, o cheiro é outro. Igual a um perfume. É como se a
natureza agradecesse o fim da agressão. O visual, então! Dá gosto de ver”, comentam.
Na feira, onde, há 11 anos, Aílton e Augusta vendem o que colhem, pode-se comprovar a
mudança no comportamento da população. “Eles querem saber se as verduras são da horta lá de
casa. Afirmam que o sabor mudou, preferem o atual e têm mais confiança no que consome. Nossa
banca fica vazia. Falta mercadoria e sobra gente para comprar”, revelam. Além de acabar com o
“estoque”, os Gouveia produzem a custo inferior ao registrado no modelo tradicional, pois
preparam a maioria dos insumos na propriedade.
Com tantas novidades, o sítio do casal passou a ser uma atração na cidade. Alunos das escolas
visitam o local para conhecer como funciona e como é o trabalho do casal. Agricultores de
municípios vizinhos e de várias regiões do Paraná interessados em saber mais sobre Agricultura
Orgânica chegam em caravanas técnicas para verificarem os resultados alcançados pelo casal. “É
um orgulho receber as pessoas. Abrir nossa casa e mostrar que é possível ter uma vida mais
saudável, em harmonia com a natureza”, destacam.
Animados e dispostos a produzir quantidades maiores, Aílton e Augusta têm muitos planos
para o futuro. As prioridades são a compra de um sistema de irrigação e tela suficiente para
sombrear os canteiros das hortaliças. Por causa de estar próxima às margens do Rio Paraná, a
região sofre com a grande incidência de raios solares e das altas temperaturas. “Tudo para
oferecer um tratamento especial para a terra e dar as condições necessárias para a colheita de
bons frutos”, frisam.
Alto Paraná - “Roça” urbana
Um terreno do perímetro urbano, com um hectare, onde existia um viveiro de mudas de café,
é, hoje, a principal fonte de alimentos orgânicos de Alto Paraná. Na segunda metade da década de
noventa do século passado, com a cotação do “ouro verde” em baixa, José Dadalto, concluiu que
havia chegado a hora de mudar. Meio perdido, sem saber o que fazer, começou a participar dos
25
cursos preparatórios para migrar do sistema convencional para o de produção de alimentos sem o
uso de agrotóxicos e adubos químicos.
Filho de uma família, com tradição no cultivo do café, Dadalto ingressou no grupo como uma
“experiência a mais”. “Foi pela curiosidade, porque nem pensei em como ia vender os produtos”,
revela. O agricultor foi atraído, justamente, pelo fato de o cultivo ser feito sem a adição “dos
químicos”. Ele que, no passado, amargara a experiência de ficar em coma durante três dias, vítima
de uma intoxicação, depois de manusear cinco mil quilos de veneno, buscava uma alternativa para
ficar livre dos herbicidas, inseticidas e fungicidas.
Aos poucos Dadalto colocou o aprendizado em prática e a “roça urbana” dele se transformou
em uma bela horta. Próximo da primeira colheita, teve a idéia de comprar um carrinho de mão e
contratar uma pessoa para vender as verduras pelas ruas dos bairros vizinhos. A iniciativa foi um
sucesso. Com o comércio em alta e decidido a ampliar a variedade de produtos, o agricultor
aproveitou o vendedor ambulante para fazer uma pesquisa com a população. “Assim, ficou mais
fácil de escolher o quê plantar”, resume.
Os novos canteiros produziram. Outro carrinho, com vendedor, foi incorporado à frota.
Dadalto, que desde o início contava com a companhia de um ajudante, remanescente do antigo
viveiro de mudas, contratou mais duas pessoas. É que, além da venda em domicílio, a “sede da
empresa” se transformou em um ponto de comercialização. “Muitas pessoas gostam de ir à horta.
O terreno tornou-se uma atração turística”, comenta, com um certo exagero.
Sobre o trabalho, o agricultor confessa que a atividade anterior era mais exigente. A atual,
Dadalto, considera “mais tranqüila, menos complicada, mais compensadora”. O futuro? Continuar
com a horta. Ampliá-la e incluir mais itens na relação da lista de compras dos clientes. “Quanto
maior a diversidade, melhor. Evita-se problemas com pragas e a safra gira mais rápido”,
argumenta, com a expectativa de ter os produtos nas gôndolas de um supermercado, que
recentemente inaugurou uma loja em Alto Paraná.
Alto Piquiri
Piquiri - Solo recuperado
Quando aceitou o convite para participar do grupo de agricultores que converteriam as
propriedades para o sistema de produção de alimentos orgânicos, Carlos Inácio dos Santos, de
Alto Piquiri, tinha duas preocupações. A primeira era com a saúde, motivada por três intoxicações,
provocadas por agrotóxicos, sendo que uma o deixou inativo por dias, em uma cama de hospital.
A segunda era com o solo, pobre em nutrientes e com problemas de degradação. “Uma terra
‘sofrida’. Explorada de forma irresponsável, por trinta e cinco anos. Com erosão e sem
microorganismos”, acentua.
Depois dos primeiros cursos, Santos estabeleceu que em quatro ou cinco anos seria possível
recuperar a área de meio hectare, localizado na Vila Rural. Era final do ano de 2001. Para a
surpresa do agricultor, a reação foi mais rápida do que imaginava. Em 30 meses, a “propriedade”
se transformou. “Foi trabalhoso. Mas compensador. Tenho orgulho”, confessa. A receita? Seguir as
26
orientações técnicas; mudar o comportamento, “abrir a cabeça”, nas palavras do produtor; ter
confiança no que faz; e saber onde vai chegar. Santos revela ainda que, em princípio, pensava
apenas em produzir para a subsistência. Nem esperava o reforço de caixa, que pode variar de 300
a 600 reais, por mês, fruto da venda das hortaliças, do feijão, da mandioca, do milho verde e do
mamão cultivados por ele e a mulher. A comercialização é feita na Feira do Produtor e no próprio
“sítio”. “Tem muitas pessoas que vão lá em casa para ver os canteiros. Inclusive, algumas até
pedem para fazer a colheita”, enfatiza.
Os clientes são atraídos também pelo “clima” da propriedade. Santos afirma que a Agricultura
Orgânica “deixa o ar mais fresco”, por causa dos sistemas de barreiras contra o vento e o sol em
abundância. “A terra fica mais protegida. Por exemplo, ao fim de 30 dias sem chuva, o solo com
cobertura terá mais umidade do que o do modelo convencional. É um diferencial importante para
a nossa região”, frisa.
Barbosa Ferraz - Economizar
Luiz Carlos Cafisso é um dos fundadores da Apraecol. O agricultor trabalha com o pai em uma
propriedade com 20,6 hectares, localizada a 13 quilômetros da cidade. Na área existem seis mil
pés de café adensado; mandioca; e gado de corte.
De acordo com Cafisso, duas foram as razões que o motivaram a abandonar o modelo
convencional e ingressar na Agricultura Orgânica. Primeiro, o alto custo de produção. “Os insumos
estão muito caro”, destaca. Segundo, os problemas de sensibilidade no manuseio dos “venenos”. O
agricultor conta que teve três graves crises de intoxicação, provocadas pelos “tóxicos”. Em uma
delas, ficou 15 dias internados, em um hospital. “Sou alérgico. Se permaneço no sistema anterior,
seria obrigado a mudar da roça”, resume. Sem conhecimento sobre o assunto, Cafisso buscou nos
livros, a fonte de inspiração para converter a propriedade. Por coincidência, na época, surgiu a
oportunidade de fazer os cursos e ter o acompanhamento dos técnicos do Programa de
Agricultura Orgânica. Após seguir os passos recomendados pelo Programa, logo na primeira safra
de café, o agricultor sentiu a diferença. No bolso, na plantação e na qualidade do fruto colhido. O
custo “despencou” de R$ 1.500, 00, para R$ 250,00. A economia foi possível porque pararam as
despesas com os “químicos”. Nos grãos de café, o cheiro está diferente. Muito mais encorpado. A
secagem, que antes era feita em 12 dias, em média, agora leva oito. Em relação ao teor de bebida,
as amostras revelam mais concentração, o que pode render um preço melhor no mercado. Sobre
as dificuldades no manejo da cultura, Cafisso declara que houve, inclusive, uma menor incidência
de pragas. “Chega a ser engraçado. Quanto mais veneno jogava, mais a cultura sofria.
Principalmente com o bicho mineiro. Agora, tanto eu, quanto a lavoura temos mais saúde”,
confessa, orgulhoso.
Esperança Nova - Frutos da persistência
O sonho da maioria dos trabalhadores rurais é comprar “um pedaço de chão”. Em 2000,
Antônio Cichocki, depois de um longo período como “bóia-fria” em Iguatemi, distrito de Maringá,
27
viu seu desejo materializado. Ele nem acreditou quando o caminhão da mudança parou em frente
ao terreno de meio hectare, localizado na Vila Rural 21 de Dezembro, no município de Esperança
Nova. “Foi uma grande emoção”, lembra.
Quatro anos passados, quem visita a “propriedade” de Cichocki nota que ali reside alguém
preocupado em viver “de bem” com a terra. Na área, existem pés de pimenta, de maracujá, de
café, de caqui e hortaliças. Tudo produzido pelo sistema orgânico. “Sempre imaginei plantar, sem
usar veneno. No início, meu filho, que é funcionário de uma loja de produtos agropecuários, falou
que era ‘uma fria’”, recorda.
Apesar dos comentários contrários, o agricultor decidiu continuar. Fruto da persistência,
“teimosia”, nas palavras de Cichocki, hoje, o “herdeiro” tem uma moto para ir trabalhar, comprada
com o dinheiro da venda da colheita, principalmente, de pimentas, cultivadas em um solo livre de
agrotóxicos e adubos químicos. “Nem penso em abandonar a atividade. Pretendo, sim, é ampliar a
produção”, frisa.
Iporã - Cafezal em flor
A família Foganholo, de Iporã, vive momentos de expectativa para contabilizar o resultado da
colheita do café. É que este ano, os agricultores vão oferecer ao mercado, os frutos da primeira
safra, produzida de acordo com os padrões da Agricultura Orgânica. Na área convertida de 14
hectares, são 35 mil pés, no sistema adensado, e quatro mil, no tradicional.
Em uma avaliação preliminar, José Roberto, um dos Foganholo mais entusiasmados com a
oportunidade de abandonar o uso de agrotóxicos e de adubos químicos na lavoura, prevê um bom
lucro. “Tivemos problemas com a seca e com ataque de fungos, na parte do tradicional, por causa
da falta de experiência, mas ainda assim, teremos uma quantidade de sacas acima do esperado”,
adianta. Outro motivo, que justifica o otimismo da família, é a possibilidade de se conseguir uma
remuneração melhor, se comparada ao valor pago pelo produto do sistema convencional. Para
vender a um preço maior, além de a cultura estar livre dos “venenos” e dos “químicos”, a colheita,
a secagem e a armazenagem são obrigadas a cumprirem as rigorosas normas do processo
orgânico. José Roberto recorda que a família deixou de aplicar adubos industrializados, herbicidas,
fungicidas e inseticidas em 2000. “Tudo ficou caro demais. A cotação em baixa, inviabilizou a
compra desses itens”, comenta. O primeiro contato com o orgânico, no entanto, ocorreu em 2002,
quando recebeu o convite para freqüentar os cursos, onde seriam apresentados os conceitos e as
técnicas de manejo. Na família, só um irmão de José Roberto demonstrou resistência. No início.
Depois aderiu ao projeto. O pai, incentivou-o a continuar. Ao pontuar a trajetória dos dois anos de
conversão, o agricultor revela um comportamento comum entre os envolvidos com o resgate do
método usado por gerações anteriores. “O trabalho é dobrado, mas gratificante. É surpreendente
acompanhar a transformação da propriedade”, declara.
Mais do que nos pés de café, os reflexos da mudança estão espalhados por toda à parte. Na
terra e no ar. O solo está revigorado. A coloração; o volume de massa orgânica; a facilidade para
se encontrar minhocas, caramujos, pequenos organismos vivos, dão a impressão de renascimento.
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Nas árvores plantadas, para servirem de barreira natural, pássaros, há muito ausentes, cantam e
se esbaldam com os alimentos em abundância.
Jandaia do Sul - Herança ecológica
Dois séculos antes de a preservação do meio ambiente se tornar o assunto da moda, na
Alemanha, a bisavó de Lauro Wittmann já era uma defensora das causas ecológicas. Hoje, em
Jandaia do Sul, a herança trazida da Europa é um dos exemplos mais destacados de convivência
harmoniosa entre homem e natureza. Em 12,1 hectares, há mata ciliar e reserva legal acima do
estabelecido por lei; uma coleção de 80 espécies de ervas medicinais; a colheita de diversos tipo
de cereais, só de feijão são 20 variedades; uma “bela” plantação de morangos, a principal fonte de
renda; entre outras culturas. Considerada modelo, a propriedade dos Wittmann é visitada, com
freqüência, por alunos, agricultores, pesquisadores e, até, por funcionários de empresas químicas.
Apenas de estudantes, o livro de registro indica que o número ultrapassa os dois mil. São grupos
interessados em conhecer, em ver de perto, como a família vive e como é possível plantar, colher
e, principalmente, sobreviver do cultivo, sem o uso de agrotóxicos e adubos químicos. “Nunca nos
adaptamos aos ‘venenos’. O que nós fizemos foi resgatar os ensinamentos dos nossos
antepassados”, diz Lauro.
Os Wittmann são pioneiros na atividade da Agricultura Orgânica. Os primeiros passos foram
dados cinco anos atrás. Com pouco material técnico disponível em Jandaia, a família buscou
informações em revistas especializadas, livros, cursos em outras localidades, e, em testes
realizados por conta própria. “A mata ciliar e a reserva legal, meu pai, que foi madeireiro, fez
questão de preservar. Na década de sessenta, enquanto a maioria derruba árvores, meu pai
plantava mudas de peroba, por exemplo. Foi chamado de louco”, recorda. O resulta são belos
exemplares e um reflorestamento, que mais parece mata nativa.
O plantio dos cereais, do morango, foi, de acordo, com o tempo. “Sofremos muito, por causa
do desconhecimento. Atualmente, desenvolvemos as mudas e, inclusive, formas para antecipar a
colheita”, revela. Grande parte da produção é comercializada na Feira do Produtor de Jandaia do
Sul. E, é comum faltar “mercadoria” para atender a demanda. Tanto que para este ano, a área de
morangos foi ampliada. De cinco mil, a família passou a cultivar dez mil pés. O investimento R$
300,00. Se fosse no convencional o custo seria de três mil reais.
Segundo, o agricultor, as visitas dos alunos foram responsáveis pelo aumento das vendas. “As
crianças são excelentes divulgadoras”, destaca. A idéia de abrir a propriedade para o público
surgiu nas reuniões do Fórum de Desenvolvimento. “Nunca havíamos pensado em receber
pessoas”, afirma. Além dos métodos de cultivo e tratamento das plantações, os “turistas”
conhecem parte da história da família. São equipamentos e objetos usados pelos Wittmann desde
a chegada à Jandaia. A trilhadeira, precursora das colheitadeiras da atualidade, em perfeito estado
de conservação e funcionamento, é uma raridade. “Foi a segunda unidade da região”, afirma
Lauro.
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Todas as atividades no campo são realizadas por Lauro, a esposa, os dois filhos do casal, uma
irmã e o pai. Para os Wittmann o trabalho em família só é possível por causa do sistema orgânico,
que pressupõe a fixação do homem no campo. “No modelo convencional fica difícil manter todos
unidos”, opina. Perguntado se os morangos exigem muito, o agricultor explica ter uma
preocupação maior com os fungos. Mas, confessa que o melhor remédio é tratar bem do solo.
“Bem nutrida, a terra é igual ao ser humano: cria uma imunidade maior e fica mais resistente às
doenças”, filosofa.
Paranavaí - De filho para pai
Antônio Rodrigues divide um sítio de 1,5 hectares (15 mil metros quadrados), localizado na cidade
de Paranavaí, com o filho Augusto. Em 80% da área há canteiros, onde são cultivadas hortaliças.
Até março de 2002, o método de produção era o convencional. Foi quando o jovem resolveu
implantar o sistema orgânico, na parte do terreno (cinco mil metros quadrados) dele.
Em um primeiro momento, Antônio preferiu continuar no modelo tradicional. Depois,
convencido pelos fatos e pelos resultados observados na “terra” do filho, rendeu-se à realidade e,
também, interrompeu o uso de agrotóxicos e adubos químicos. Para explicar a decisão, o pai
recorre ao ditado popular: “contra os números não há argumentos”. Ao adotar a nova técnica, os
agricultores começaram a notar que o investimento na horta era cada vez menor. As perdas? Na
“roça” eram semelhantes ou inferiores, se comparadas ao plantio convencional. Nas gôndolas dos
supermercados, no entanto, a diferença era considerável. Enquanto o desperdício dos orgânicos
era de apenas dois por cento, o dos “concorrentes” variava de 10 a 30%. Outro diferencial foi a
mudança de atitude do consumidor. “O cliente passou a optar pelos produtos orgânicos. Hoje, só
compram do tradicional, após minha banca estar vazia”, comenta, orgulhoso, o agricultor.
Conclusão? Aumento nas vendas de 20%, sem “mexer” nos preços. A tabela é única; para as
verduras livres dos “venenos” e para as que recebem aplicação química. Com o cenário favorável e
toda a propriedade convertida, houve uma inversão de papéis na Família Rodrigues. Filho
transformou-se em “professor” do “antigo mestre”. “É uma experiência ‘esquisita’. Eu me
espelhava no trabalho do meu pai. Seguia as recomendações dele. Daí, ensinar quem sempre me
orientou, foi complicado”, revela Augusto. Respeitados e admirados pelos clientes, os dois têm o
compromisso de entregar, durante seis dias da semana, alface, almeirão, cheiro-verde e couve
folha, a três supermercados da cidade. Eventualmente, de acordo com a época do ano, vendem
almeirão branco, beterraba, cenoura e coentro. “É uma responsabilidade gratificante, mas exige
muito esforço e dedicação”, declaram. A preferência da população levou ainda a dupla a ganhar
uma gôndola, com direito a identificação visual exclusiva, para expor os produtos orgânicos. “Ao
escolher as verduras colhidas lá em casa, o consumidor sabe a origem, porque a placa tem o
nosso nome, telefone e um selo próprio”, finaliza Augusto.
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18. APLICAÇÃO DOS RECURSOS
DESPESAS 2004 - POR AGRUPAMENTO
8,59%
10,55%
PROGRAMAS E PROJETOS
REPRESENTAÇÃO
INSTITUCIONAL
DESPESAS ADMINISTRATIVAS
78,20%
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados observados, no que se refere às questões econômicas, sociais e ambientais, têm
proporcionado ao INSTITUTO MAYTENUS o reconhecimento dos seus beneficiários, principalmente
dos agricultores e das Associações de Agricultores Orgânicos. Esta aceitação e os resultados que
são constantemente apresentados pelos consumidores, agricultores e técnicos locais que
acompanham o processo de conversão da produção convencional para a Agricultura Orgânica, tem
permitido que os profissionais que atuam através do INSTITUTO MAYTENUS, desenvolvam a sua
formação voltada para o Desenvolvimento Local Sustentável.
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A mudança do padrão tecnológico na produção agrícola está acontecendo com resultados
satisfatórios quanto à produtividade e redução nos custos de produção, sendo que se nota uma
certa dificuldade na oferta de insumos principalmente para controle de insetos pragas e doenças, e
maquinário, o que move agricultores e técnicos locais a desenvolverem “maneiras” simples de
contornar situações difíceis.
Os projetos das Associações de Agricultores Orgânicos idealizados até o momento, e alguns
sendo implementados, demonstram ter uma ”vida própria”, animando o processo que se
retroalimentará com resultados cada vez mais satisfatórios. Estes “Projetos de Vida” das
Associações de Agricultores Orgânicos, desde já se demonstram referencias municipais e
regionais, principalmente no que se refere à agricultura, influenciando outros setores da
sociedade.
A aceitação é grande por parte da população em geral, tanto do ambiente rural quanto urbano,
gerando um certo “conflito social” que estimula a todos a evoluírem. Provavelmente a conseqüência
será o fortalecimento e surgimento das organizações municipais e regionais que darão cada vez
mais suporte aos projetos de Agricultura Orgânica em andamento.
O INSTITUTO MAYTENUS, em dialogo próximo e harmonioso com estas inúmeras organizações
voltadas para o Desenvolvimento Local Sustentável, também evoluirá gradativamente, cada vez
mais sofisticando seus métodos e formando o ser humano para pensar e fazer o futuro de toda a
vida da Terra algo maravilhoso.
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Relatório de Atividades