II ENCONTRO DE PROJETOS DE PROXIMIDADE
OFICINAS DE PARTILHA
Conclusões da Oficina de Gestão de Apoios de Proximidade
A oficina iniciou-se com um icebreaker, que teve como objetivo criar na sala um
ambiente acolhedor para a aprendizagem e a partilha de experiências relativas à
temática.
Os participantes começaram por identificar as suas experiências individuais, as quais
foram debatidas tendo em conta as etapas da gestão de casos tendo sido iniciado o
debate sobre a referenciação dos beneficiários aos projetos.
A referenciação é feita de formas distintas quer através de atividades socioculturais
que são promovidas para potenciais beneficiários do projeto, quer através da
sinalização pelas entidades parceiras ou ainda por familiares ou pessoas a título
individual.
Foram referidos vários exemplos de referenciação:
• Através das técnicas de apoio domiciliário;
• Através da família da pessoa que precisa de apoio;
• Através de ações de rua promovidas na comunidade;
• Através da polícia de proximidade;
• Através das farmácias de bairro;
• Através das paróquias;
• Através das juntas de freguesia;
• Através de atividades promovidas pelas entidades, encontros de Natal,
visitas a locais de interesse;
• Através dos centros de saúde, dos médicos e dos enfermeiros;
• Porta-a-porta após referenciação pela polícia ou união de freguesia.
Em alguns casos a recetividade para receber apoio dos voluntários é imediata, noutros
é necessário um acompanhamento prévio por parte dos técnicos, que vão
“oferecendo” serviços existentes na comunidade à medida das necessidades dos
beneficiários até que exista uma familiarização com o projeto, uma relação de
confiança e proximidade que leva posteriormente à aceitação de mais um serviço,
concretizado através do voluntariado de proximidade.
Aquando do conhecimento da condição social dos beneficiários, a maioria dos
presentes referiu que não existe um guião previamente estruturado para a
concretização desse diagnóstico ao beneficiário, tendo-se referido que é a partir da
observação e do diálogo com a pessoa, que se identificam as suas necessidades.
Em alguns projetos as respostas são dadas pelo grau de necessidade que é
percecionado por quem faz o diagnóstico, e os casos são categorizados por cores de
acordo com a intensidade das necessidades. Noutros projetos aquando da visita de
diagnóstico, é também preenchida uma ficha de pedido de apoio pelos beneficiários.
Algumas entidades referiram ter muita dificuldade em implementar o apoio no
domicílio, tendo por isso solicitado o apoio das paróquias para a referenciação de
pessoas e o encaminhamento dos seus voluntários para os casos identificados.
Os voluntários têm também uma papel importantíssimo na identificação das
necessidades dos beneficiários aos técnicos dos projetos de voluntariado de
proximidade, quer seja pela observação, pela linguagem simbólica ou pelo pedido
explicito do próprio beneficiário.
Referiu-se a importância de existir 1 mediador comunitário que conhecendo bem o
terreno, as entidades, os voluntários e os beneficiários poderá fazer a interligação
entre todos os envolvidos por forma a serem dadas respostas mais ajustadas a cada
situação, assim como a relevância que deve ser dada ao trabalho em parceria para a
resolução dos casos através da partilha de serviços existentes na comunidade.
Relativamente ao processo de recrutamento e enquadramento dos voluntários em
apoios junto dos idosos, referiu-se que este é também um processo com muitos riscos
para todos os envolvidos, beneficiários, organização enquadradora e voluntários e por
isso é muito importante e imprescindível a passagem dos voluntários por algumas
etapas: inscrição, entrevista com técnicos e formação.
Em alguns projetos de voluntariado de proximidade os voluntários passam por estas
etapas e são enquadrados em função de terem o perfil necessário e disponibilidade,
após a sua inscrição numa oportunidade de voluntariado promovida por um Banco de
Voluntariado.
Noutros projetos de voluntariado de proximidade após este processo há ainda lugar a
uma segunda entrevista e a formação específica para as funções que vão ser exercidas.
O enquadramento depende também muito do pedido que é solicitado pois o apoio a
ser prestado pode também exigir voluntariado de competências e nesse caso é dada a
prioridade aos voluntários que têm essa faculdade.
Há projetos em que é o técnico da organização quem acompanha os voluntários no
primeiro mês de voluntariado, há casos em que o voluntário é acompanhado pelos
técnicos e pelos seus pares nas primeiras vezes que tem de ir a casa de alguém.
Normalmente os voluntários são enquadrados em equipas de 2 pessoas, uma forma de
proteger os voluntários, de promover o trabalho em equipa, de evitar dependências
dos beneficiários junto de um voluntário.
É no momento de apresentação dos voluntários aos beneficiários que são
estabelecidas as normas de funcionamento do apoio. Em quase todos os casos de
enquadramento de um voluntário num apoio em casa de um beneficiário, os técnicos
têm o cuidado de limitar e exemplificar o que pode ou não ser feito pelos voluntários,
para que o apoio seja complementar e não substituto de um apoio que exige funções
realizadas por um profissional.
Há também situações em que o beneficiário pode não se adaptar ao voluntário ou o
voluntário ao beneficiário, para que isso não aconteça é sempre prestado um grande
apoio técnico na implementação do apoio de voluntariado de proximidade.
Nos projetos em que há a figura do conselheiro de proximidade este apoia os
voluntários no exercício da sua atividade, um projeto exemplificou uma boa prática, há
uma rotatividade dos conselheiros de 2 em 2 anos e findo esse período é escolhido um
novo voluntário dentro dos pares que também fazem voluntariado de proximidade.
O registo da atividade dos voluntários é feito por todos, quer seja através de email,
mensagem ou registo de ficha de atividade voluntaria. Em alguns casos a ficha é
enviada por email, em outros é recebida na reunião mensal dos voluntários. Como boa
prática foi também referida a receção via email do registo da atividade voluntária, que
serve para complementar a informação do processo dos utentes pelos técnicos
gestores de caso.
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