SUMÁRIO
CAPA
JUNHO 2008
PRODUÇÃO
Performance CG
FOTOS
Caju: Sindicaju
Goiaba: Predilecta
Banco de Imagens do Ibraf
27
07
14
ENTREVISTA
33
07 COM CRESCIMENTO, SEM UNIÃO
Silvio Tavares de Melo, diretor-presidente da
indústria de sucos DaFruta, analisa o setor de sucos
e seus principais desafios.
FRUTAS FRESCAS
14 SUPERFRUTAS
Categorizadas como superalimentos, as superfrutas
podem se tornar uma nova oportunidade de negócio
para produtores e agroindústrias nacionais.
COOPERATIVISMO
18 ASSOCIAÇÕES FRUTÍFERAS
O cooperativismo fortalece a fruticultura e o fruticultor nas localidades onde atua, agindo como
norteador de ações desde a produção até a venda
dos produtos.
SEÇÕES
04
06
10
Panorama dos principais acontecimentos do trimestre.
12
30
Polinizadores são essenciais na formação dos frutos
e precisam de habitat para permanecer na
propriedade agrícola.
opinião
Diretor Executivo da Aenda (Associação Brasileira dos
Defensivos Genéricos), Tulio Teixeira de Oliveira, analisa
a questão dos limites máximos de resíduos em hortifrutis.
37
agenda
Acontecimentos do trimestre.
38
eventos
Novos mercados nas feiras Gulfood e FHA.
41
artigo técnico
Novas técnicas de enxertia aceleram produção de mudas
da figueira e facilitam introdução de novas variedades em
alternativa ao monocultivo do “Roxo de Valinhos”.
MEIO AMBIENTE
33 DE FLOR EM FLOR
tecnologia
Uso de fitorreguladores pode mudar características,
acelerar ou retardar o crescimento de frutas.
AGROINDÚSTRIA
Além da produção de castanhas, o caju oferece
outras alternativas para a agroindústria, como pasta, hambúrguer e até ração.
no pomar
Novas opções de citros e maracujás, hora de cuidar do
melão, Brasileiríssima, uvaia.
36
27 NEGÓCIOS DO CAJU
editorial
espaço do leitor
campo de notícias
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45
46
campo & cultura
classificados
fruta na mesa
Laranja, pura vitamina.
editorial
COLHEITA E PLANTAÇÃO
Caros leitores,
Aqui na redação, o clima é de alegria com a colheita dos resultados
da pesquisa de satisfação respondida por vocês. Foi bom saber que
estamos levando as informações que vocês precisam e receber suas
sugestões. Agora, nossa responsabilidade com a próxima safra de notícias fica muito maior. Mas vamos lá!
Nesta edição, trazemos na entrevista um ícone da agroindústria no
Brasil, Sílvio Tavares de Melo, da Dafruta, mostrando os principais
desafios do setor. Vamos mostrar que a beleza de insetos pousando
de flor em flor precisa ser ampliada para que a polinização natural
aconteça em benefício da produtividade do pomar, que terá seus custos
de produção reduzidos. A natureza preservada em suas diversas características ajuda – e sempre – o próprio homem, que é parte dela
e sem ela não vive. De olho no futuro, mostramos a tendência internacional de consumo de sucos e frutas com poderes nutricionais excepcionais: as superfrutas, entre elas, as nativas goiaba e açaí. Por
falar em fruta nativa, nada mais brasileiro que o caju e toda sua
agroindústria do suco, da polpa, da castanha e as novas possibilidades
de uso, como hambúrgueres, pastas e até ração. A fruticultura, que
movimenta a economia e fixa o homem no campo, traz bons exemplos de associativismo e cooperativismo. De norte a sul, casos de
sucesso de pequenos produtores que, reunidos, conseguiram comprar insumos mais baratos, ganharam competência profissional com
técnicas e orientações e, principalmente, conseguiram vender melhor seus produtos. Plantaram união e colheram resultados, colocando na prática o velho e verdadeiro ditado popular de que a “união faz
a força”.
Um forte abraço a cada um de vocês. Boa leitura e até a próxima
edição, se Deus quiser.
Marlene Simarelli
Editora
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REDAÇÃO
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Daniel Marçal
Coordenador da Biblioteca Cefet Faz.
Palmital - Zona Rural, Urutaí – GO
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ESCREVA PARA
Endereço:
Av. Ipiranga, 952 • 12º andar
CEP 01040-906 • São Paulo/SP
Fax:
(11) 3223-8766
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Darana Kelly Tramujas da Silva
Monte Castelo – SC
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“G ostaria de parabenizar toda a
equipe da revista Frutas e Derivados
pelo seu aniversário. É uma
publicação muito importante para
mim, já que sou engenheira
agrônoma e trabalho com assistência técnica em fruticultura.”
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“Tomei conhecimento da revista
Frutas e Derivados pela professora
Gizelda, do Centro Federal de
Educação Tecnológica, de Urutaí.
Segundo o colegiado dessa
instituição, a revista é de grande
importância para compor o acervo
de periódicos de nossa biblioteca,
para fornecer mais informações
sobre fruticultura e processamento de frutas aos nossos
professores e alunos.”
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Jean-Jacques Gallon
Engenheiro Agrônomo, Valinhos – SP
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“É com grata surpresa que venho
recebendo a revista Frutas e Derivados. Considero-a um veículo amplo e plurirregional, com matérias interessantes a toda cadeia produtiva. Simples e objetiva, vem ao
encontro do principal objetivo da
extensão rural, com artigos atualizados a respeito da realidade que
o País luta incessantemente para
consolidar: uma fruticultura brasileira forte e competitiva dentro
e fora de suas fronteiras.”
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Lilian Cruz
Engenheira Agrônoma, Cuiabá – MT
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“Achei a revista Frutas e Derivados muito interessante. A publicação é uma rica fonte de informações para minha profissão.”
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Marco Antônio Karam Lucas
Professor da Universidade
Estadual do Rio Grande do Sul,
Bagé – RS
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“ F iquei encantado com o
conteúdo e o visual da Frutas e
Derivados. A revista será uma
das minhas principais fontes
de consulta para elaboração
das aulas de Gestão do Agronegócio na área de fruticultura e
para a minha constante atualização na área.
Será fonte de consulta dos alunos para trabalhos relacionados
à análise das cadeias produtivas
na área de fruticultura e nos estudos de caso.”
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ESPAÇO DO LEITOR
E-mail:
redacao@frutasederivados.com.br
ENTREVISTA
DAFRUTA
SILVIO TAVARES DE MELO
COM CRESCIMENTO,
SEM UNIÃO
Marlene Simarelli
A trajetória profissional e a vida de Silvio Tavares
de Melo estão intimamente ligadas à indústria de
sucos no Brasil. Em 1953, sua família fundou a
Maguary, em Pedras de Fogo, Paraíba. Um ano
depois, ele começou a trabalhar na empresa, onde
permaneceu até a sua venda, em 1984. No mesmo
ano, fundou a Dafruta. Com sede em Recife (PE),
representação comercial em 18 Estados, a Dafruta
possui capacidade instalada para 50 milhões de litros
em suas fábricas de Aracati (CE) e Araguari (MG), e
um faturamento anual de cerca de R$ 90 milhões. O
foco da empresa é levar ao consumidor sucos com
sabor de frutas nacionais, como pitanga, tamarindo,
graviola, caju, maracujá, abacaxi, além de outros
oito sabores. A linha de produtos divide-se em sucos integrais, sucos prontos para beber e polpas e
sucos semi-elaborados, destinados principalmente
à exportação. A empresa possui selo ISO 9001/
2000; participa do SGF (sistema de controle SGF)
e do Manhattan Internacional Kansas, programa de
melhoramento e de manutenção da segurança ali-
mentar. A Dafruta emprega 400 pessoas, gerando
empregos indiretos para 3 mil, desde produtores,
colhedores, transportadores, entre outros. Nesta
entrevista, Tavares de Melo faz uma análise do setor de sucos e seus principais desafios.
Frutas e Derivados - Como analisa o crescimento da indústria de sucos?
Silvio Tavares de Melo - A indústria tem tido
muito crescimento, principalmente no segmento de
sucos prontos para beber. Cresceu também em
relação aos produtos à base de soja e frutas, embora não sejam considerados sucos. Quanto a nós,
também tivemos um aumento na demanda por sucos integrais. De modo geral, a indústria cresce de
15% a 20% ao ano.
Frutas e Derivados - O crescimento foi prejudicado com a entrada de grandes empresas?
Silvio Tavares de Melo - Em minha opinião,
não. Ao contrário, fazem uma pressão muito grande no mercado, impulsionando o crescimento.
7
ENTREVISTA
JOÃO SAMPAIO
SILVIO TAVARES DE MELO
Logicamente, isto implica mais concorrência, mas
que traz benefícios.
Frutas e Derivados - E a variação do dólar, como
influencia o setor?
Silvio Tavares de Melo - Com a queda do dólar, a situação está muito ruim, o que acaba influenciando e destruindo o trabalho que fazemos no
Exterior. Temos matérias-primas, cujos preços foram corrigidos em dólar. Os produtos manufaturados sofreram aumento de custo com redução de
preços. Com este panorama de custos subindo e o
dólar baixando, imagine que pressão a gente sente!
Frutas e Derivados - O mercado de sucos tende
a crescer ou a estagnar?
Silvio Tavares de Melo - Tende a crescer muito. Primeiro, porque o uso de frutas e dos sucos
está sendo muito divulgado, levando ao menor consumo de refrigerante. O apelo para uma vida mais
saudável, com o incentivo ao uso de bebidas funcionais, é um dos fatores do crescimento. Mesmo assim,
o percentual de consumo no Brasil é muito pequeno
ainda – apenas 3 a 4 litros por habitante/ano, em
média. Na Argentina, o consumo é de mais de 10
litros por habitante/ano, que é pequeno também quando comparado com a quantidade consumida na Alemanha, que é mais de 40 litros por habitante/ano.
“No Brasil, suco e fruta sempre foram
tratados em segundo plano.”
Frutas e Derivados - Porque o Sr. acredita que
a indústria continuará crescendo?
Silvio Tavares de Melo - À medida que a qualidade do suco pronto para beber vai melhorando,
o consumo vai crescendo. O mercado dispõe de
uma variedade muito maior do que há alguns anos,
quando só havia o suco de laranja. Começaram a
emergir outros sabores, como manga, uva, pêssego, caju, maracujá; light, sem ser light, e assim o
mercado vai crescendo.
Frutas e Derivados - Qual o principal problema
que o setor enfrenta?
Silvio Tavares de Melo - Está havendo uma
guerra com o surgimento de muitas marcas novas.
Os preços são totalmente aviltados. Veja o caso do
suco de caju. É o suco com preço mais aviltado no
8
mundo. Temos uma garrafa de suco de caju concentrado, que rende cinco litros de refresco, sendo vendida em alguns lugares a menos de R$ 1,00
a garrafa. Em termos de custo/benefício, para o
consumidor, não há suco mais barato no mundo. Há
cinco anos não há aumento de preço na hora da empresa vender. E ele está num processo incrível: quanto mais barato vende, mais estimula a venda, em detrimento de outros sucos, que são bons também.
Frutas e Derivados - E esse aumento de vendas
não é bom?
Silvio Tavares de Melo - Não é bom porque
dá prejuízo para a empresa.
Frutas e Derivados - Então por que continuar
vendendo a preços baixos?
Silvio Tavares de Melo - Porque não se pode
vender outros sucos, sem vender o de caju - estou
falando de suco concentrado. É o que vende mais,
em volume. Há empresas que vendem mais de
70% de seus sucos somente de caju.
Frutas e Derivados - Quais desafios o Brasil enfrenta para aumentar o consumo de sucos?
Silvio Tavares de Melo - Acredito que é preciso fazer mais marketing, embora as empresas já façam. Também precisamos de ajuda das autoridades. Veja a questão dos sucos tropicais. Tínhamos
conseguido junto ao Ministério da Agricultura a criação de um suco tropical por conta de frutas, como
goiaba, maracujá e manga, para isenção de impostos, como ocorre com os sucos. Agora, a Receita (Federal) não quer aceitar mais a formulação de sucos
tropicais porque alega que a composição leva água e,
por isso, temos que pagar IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Com alguns tipos de frutas tem
que se fazer o néctar, onde temos incidência de 5%
de IPI, encarecendo o produto. No Brasil, suco e
fruta sempre foram tratados em segundo plano. Se
as autoridades deste País compreendessem que a
cadeia de frutas ocupa muita gente no campo e na
indústria, isto desapareceria. No tempo em que
estava na Maguary, os técnicos da Sudene demonstraram que para um emprego direto na indústria de
sucos eram gerados oito empregos indiretos, para se
ter uma idéia. A fruticultura gera empregos e fixa o
homem no campo. Mas quem vai pensar assim?
Frutas e Derivados - O que deve ser feito para
resolver este problema?
Silvio Tavares de Melo - Primeiro, a Receita
deve eliminar a cobrança deste imposto, que é prejudicial à indústria de suco. Mas como mudar? Não
ENTREVISTA
tem quem tenha força e lidere um movimento deste. No Brasil, ninguém se une. Quer um exemplo?
A ASTN (Associação das Indústrias Processadoras
de Frutas Tropicais) está com problema. Ela representa os produtores de sucos tropicais. Foi fundada
há mais de 30 anos. Algumas empresas criaram uma
nova associação, mas que não é reconhecida como
representante do grupo pelo Ministério da Agricultura, pois o Ministério trata a ASTN como representante. Queremos unir e formar um todo. Já tentamos juntar as duas associações, mas não se consegue.
Frutas e Derivados - Como analisa a cadeia produtiva de sucos?
Silvio Tavares de Melo - Ainda falta organização e estratificação. Quem é produtor deve ser só
produtor; processador deve ser só processador.
Compramos alguns tipos de sucos para reprocessar
e também compramos frutas porque falta processador
para mais frutas. A Dafruta processa muita fruta, mas
não deveria fazer isso. Somos reprocessadores e deveríamos fazer só isso. Falta esta estratificação ainda,
que é importante para a cadeia se juntar, para ter
um intercâmbio e solidariedade uns com os problemas dos outros. Precisamos nos juntar para garantir compras e garantir que esta cadeia de produtores rurais e processadores cresça, tendo uma
indústria reprocessadora como um lastro para eles
venderem o seu produto. Neste elo está faltando
entendimento e dedicação. Todo mundo quer tirar
vantagem de todo mundo. É uma loucura.
Frutas e Derivados - Em seu ponto de vista,
como se pode organizar a cadeia, reunindo produtores, processadores e indústria?
Silvio Tavares de Melo - Só pode haver organização da cadeia com decisão e interesse. Senão
fica como o camarada que deixa de fumar e nunca
deixa. Hoje falta atitude e comprometimento.
Frutas e Derivados - O consumidor diferencia
bem o néctar do suco?
Silvio Tavares de Melo - Não. O consumidor
nem sabe o que é isso. Ele pensa que néctar é
melhor do que suco. Tanto que o Carrefour queria
que fizéssemos um produto com a marca dele,
mas usando a nomenclatura néctar, preferindo pagar o imposto, exatamente por causa do que o consumidor pensa.
Frutas e Derivados - Qual a forma do consumidor saber a diferença?
Silvio Tavares de Melo - É preciso uma campanha, mas quem vai gastar dinheiro para explicar
DAFRUTA
SILVIO TAVARES DE MELO
Silvio Tavares de Melo,
na fábrica da Dafruta
o que é néctar e o que é suco? Tem até aquela
expressão “néctar dos deuses”. A palavra néctar dá
a impressão do supra-sumo das coisas, crema da
crema, como dizem os italianos.
Frutas e Derivados - As indústrias de sucos têm
matéria-prima suficiente para produção?
Silvio Tavares de Melo - Há dúvidas. Como o
consumo e o volume dos sucos são pequenos, então, fica a dúvida. Diferente do suco de laranja, que
é um volume enorme. O maracujá vive uma situação instável desde a época da fundação da Maguary:
com muita produção em um ano e pouca em outro, levando o preço na estratosfera. Hoje, a situação está melhor. Mas, às vezes, há falta por conta
das condições da natureza, o que é muito sério. O
pêssego é um exemplo. De dois anos para cá, o preço dele na Argentina e no Chile subiu 100%. Por que
houve falta? É porque o clima, às vezes, não ajuda e
cai a produção. O maracujá, este ano, está bem mais
caro. O caju é um produto que sobra, porque ninguém planta para o suco, mas para a castanha.
Frutas e Derivados - Como é a oferta de matéria-prima para os sucos de graviola e pitanga que a
Dafruta produz?
Silvio Tavares de Melo - Estas são frutas
de balaio, como se diz no folclore. Fizemos o primeiro plantio de pitanga do Brasil em Bonito (PE),
perto de Bezerros, há muitos anos. Lá, a Maguary
chegou a ter uma fábrica com mil funcionários, que
foi desativada após a venda. A Dafruta compra
polpa de pitanga daquela região, mas a polpa de
graviola vem do Ceará. Nesses casos, nós processamos as frutas.
Frutas e Derivados - O que o setor precisa fazer
para melhorar?
Silvio Tavares de Melo - É tanta coisa...
Mas primeiro precisa organização e união. Cooperativas, aqui no Brasil, até a de Cotia, que era
fortíssima, faliu.
9
CAMPO DE NOTÍCIAS
Daniela Mattiaso
Morango é Fruta com Maior
Quantidade de Agrotóxicos,
Segundo Anvisa
Dentre as frutas analisadas pelo
Programa de Análise de Resíduos de
Agrotóxicos em Alimentos (Para),
coordenado pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), em
parceria com as Secretarias Estaduais
de Saúde, o morango apresentou o
maior número de amostras irregulares
referentes aos resíduos de agrotóxicos,
durante 2007. Segundo dados da
pesquisa, os problemas detectados na
análise das amostras da fruta foram
teores de resíduos acima do permitido
e o uso de agrotóxicos não autorizados,
como a presença do metamidofós.
Outras quatro frutas foram avaliadas pelo
programa, entre elas maçã, banana,
mamão e laranja. A pesquisa revelou
redução no número de amostras com
resíduos de agrotóxicos na maçã. A fruta,
que chegou a apresentar índice de
5,33%, fechou 2007 com incidência de
2,9%. O objetivo do Para, criado em
2001, é manter a segurança alimentar
do consumidor e a saúde do trabalhador
rural. O Programa também avaliou
verduras e legumes em 16 estados. Há
previsão de que até 2009, a pesquisa seja
feita em todo o País. A escolha dos itens
considera a importância destes alimentos
na cesta básica do brasileiro, o consumo
in natura, o uso de agrotóxicos e a
distribuição das lavouras pelo território
nacional. O programa funciona a partir
de amostras coletadas em pontos de
venda pelas vigilâncias sanitárias dos
estados e municípios. As equipes enviam
o material para os laboratórios de
resíduos de agrotóxicos. Caso a
utilização de agrotóxicos esteja acima dos
limites permitidos pela Anvisa, os órgãos
responsáveis pelas áreas de agricultura
e meio ambiente são acionados para
rastrear e solucionar o problema. As
medidas em relação aos produtores são
de orientação para adoção de boas
práticas agrícolas. Para saber
mais sobre os resultados do relatório acesse: www.anvisa.gov.br/
toxicologia/residuos/index.htm
Produtores Querem Criar
Pólo de Uvas Especiais
A Associação de Produtores de Uva de
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Mesa de Cultivo Protegido (Apup), de
Caxias do Sul (RS) pretende criar o
primeiro pólo de uvas de mesa protegidas (cultivo sob lona plástica) no Estado para atender a demanda de consumo regional. A criação da Apup foi
impulsionada pelo “Programa Juntos
para Competir”, ação desenvolvida
pelo Sebrae no Rio Grande do Sul, pela
Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
A consultora do “Programa Juntos para
Competir” e responsável pelo atendimento das propriedades, Miriam
Amaro, afirma que “o processo de
cultivo sob lona plástica garante qualidade superior às frutas. Com o método, é possível obter uvas mais saborosas e saudáveis, reduzindo o uso de
insumos, como agrotóxicos”.
Segundo ela, “a produção de uvas de
mesa finas é feita em propriedades familiares de forma artesanal e cuidadosa,
o que exige a especialização do produtor no manejo”. O Programa Juntos para
Competir busca organizar e aprimorar
as cadeias produtivas do agronegócio no
Rio Grande do Sul. Mais informações
pelo telefone do Sebrae Serra Gaúcha: (54) 3215-5069
Clínica de Citros do IAC é
Credenciada pelo Ministério
da Agricultura
A Clínica Fitopatológica do Centro Apta
Citros Sylvio Moreira, do Instituto
Agronômico de Campinas (IAC) é o
primeiro laboratório a ser credenciado
pelo Mapa (Ministério de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento) na área de
Diagnóstico Fitossanitário de mudas
cítricas, atendendo aos requisitos da
Instrução Normativa do Mapa (IN 01/
2007) e aos da ISO 17025:2005. Com
o credenciamento, a Clínica do Instituto Agronômico passa a fazer parte
da Rede Nacional de Laboratórios
Agropecuários do Sistema Unificado de
Atenção à Sanidade Agropecuária. O
centro, situado em Cordeirópolis (SP),
realiza análises para viveiristas e
citricultores. Em São Paulo, há cerca
de 580 viveiristas credenciados e cerca de 30 mil propriedades com citros.
Neste ano, outros cinco laboratórios
do IAC receberão investimentos com
vistas ao credenciamento. No total,
a Instituição receberá R$ 1,8 milhão
direcionado à modernização e
revitalização. Para contato com a
Clínica de Citros do IAC, ligue
para (19) 3546-1399.
Sebrae e Abpel Investem
R$ 1,7 mi em Produtores
de Limão Taiti
O Sebrae de São José do Rio Preto
(SP), em parceria com a Associação
Brasileira de Produtores e Exportadores de Limão (Abpel), está capacitando produtores de limão taiti para adotarem boas práticas de produção,
exigidas pela União Européia (UE). O
investimento é de R$ 1,73 milhão,
em dois anos. A idéia é capacitar 200
produtores de seis cidades da região
de Catanduva - Itajobi, Urupês,
Pindorama, Uchoa, Sales e Novo Horizonte – que produzem 6,8 milhões
de caixas ao ano. Para conseguir a
certificação Eurepgap, da UE, os produtores precisam adequar a plantação
mediante normas de segurança alimentar, proteção ambiental, condições de trabalho, segurança e higiene dos catadores e bem-estar de animais usados no plantio e coleta. Entre os principais benefícios está a aceitação maior do produto, que garante
um preço diferenciado ao produtor.
O projeto, iniciado em 2006, já preparou 87 produtores, que conseguiram a certificação Eurepgap. Até junho, cerca de 130 novos produtores
estarão aptos a conseguir a
certificação, que permite garantir a
qualidade do produto e rastrear sua
origem. A capacitação também dá
noções de marketing para promover
o consumo da fruta dentro e fora do
País. A certificação ainda não é exigida,
apesar da pressão de importadores
para que os produtores a tenham.
Câmara Aprova
Nacionalização do
Cupuaçu
A Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou o
Projeto de Lei 2639/03, do Senado,
que classifica o cupuaçu como fruta nacional. O objetivo é evitar seu uso
indevido por outros países. O projeto
segue para sanção presidencial.
O cupuaçu é uma fruta nativa da
Amazônia, da família do cacau, usado
na fabricação de polpa, sucos, sorvetes,
chocolates e doces. Na década de 90,
empresas japonesas registraram a
patente do cupuaçu. Em 2004, o Brasil
retomou o domínio popular da fruta,
depois que o Escritório de Patentes do
Japão cancelou o registro da marca
feito pelas empresas japonesas Asahi
Foods e Cupuaçu Internacional. Foi
necessária uma representação do
governo brasileiro na Organização
Mundial de Comércio (OMC) para
garantir ao País o direito de uso do
nome do cupuaçu. Segundo o autor,
o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM),
“o cupuaçu é detentor de riqueza
biológica extraordinária e a população conhece pouco sobre a
diversidade nacional e o potencial que
essa riqueza pode trazer ao
desenvolvimento econômico”.
Capacitação em Gestão
Empresarial no Tocantins
Aconteceu em maio o curso de
capacitação “Plano de Negócio para
Gestão Empresarial: Mercado
Frutícola” em Miracema do Norte no
Tocantins, para capacitar cooperados e
direção da Cooperativa dos Fruticultores da Região Central do Tocantins Cooperfruto, bem como lideranças do
Projeto de Assentamento União e técnicos de instituições estaduais e federais, a fim de desenvolver e aplicar Planos de Negócio voltados à fruticultura
na região.
O evento faz parte do Plano de
Desenvolvimento Setorial de Frutas
Processadas desenvolvido pelo
Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), em
parceria com a Agência Brasileira de
Desenvolvimento Setorial (Abdi), que
envolve diversos projetos visando
organizar e desenvolver o setor de
agroindustrialização de frutas. Conta
também com o apoio direto do MDAMinistério do Desenvolvimento Agrário
e Secretaria de Agricultura do Tocantins.
Mais informações no site:
www.frutasprocessadas.org.br
ABPM e Mapa Distribuem
Maçãs às Embaixadas
Com o intuito de estreitar relações
e difundir o sabor da maçã brasileira
aos países importadores e consumidores, a Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), em conjunto com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), enviou maçãs da safra 2007/2008 às embaixadas dos países importadores e
consumidores da fruta. Receberam as
frutas: Alemanha, Canadá, China, Colômbia, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Países Baixos, Japão, México, Portugal, Rússia,
Ucrânia, União Européia, Venezuela,
Índia, Itália, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Suécia, Reino Unido, Polônia,
Tailândia, Panamá, Costa Rica, Argélia, Irlanda, Arábia Saudita, Emirados
Unidos, Oman, Qatar, Bahrein,
Kuwait, Indonésia, Malásia, Cambodia
e Filipinas. As maçãs foram
distribuidas às embaixadas em
março,acompanhadas de uma carta
assinada por ABPM e Mapa com informações sobre sistema de cultivo,
dados sobre a produção e exportação da fruta no País. Em agradecimento, os embaixadores, secretários e
conselheiros agradeceram a iniciativa
por meio de cartaselogiando a qualidade e o sabor da maçã brasileira,
com muitos votos de que as exportações sejam boas este ano.
Financiamento para
Tratores em São Paulo
O governo do Estado de São Paulo
vai incentivar a compra de 6 mil tratores, por meio do Programa Agricultura Moderna, criado para impulsionar a safra 2008/2009. Os agricultores terão prazo de cinco anos para
pagamento e taxa de juro zero. O
subsídio do juro, inédito no Brasil, integra um pacote de ações voltadas ao
setor, anunciadas em abril. A iniciativa pretende incentivar a modernização da agricultura, o aumento da produtividade e o fortalecimento do pequeno e médio produtores. A escolha poderá ser feita entre três modelos de trator, de 50 CV, 70 CV e 90
CV,, conforme o tamanho da propriedade. O governador José Serra anun-
ciou ainda outras três medidas para o
setor que passam a valer a partir de
julho: financiamento para aquisição de
notebooks e equipamentos de
informática e recursos para obras de
infra-estrutura nas propriedades com
o propósito de incrementar a produção e garantir qualidade dos produtos. O último item do pacote anunciado é a desburocratização, com maior agilidade no processo de repasse
da subvenção ao produtor rural. Com
isso, ao contratar o seguro, o produtor não terá mais que pagar para a
seguradora o valor correspondente à
subvenção estadual, uma vez que o
pagamento será feito pela Nossa Caixa diretamente às seguradoras, mediante autorização da Secretaria de
Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Primeira Colhedora
de Laranja do Brasil
A Jacto Máquinas Agrícolas S/A acaba
de lançar a primeira colhedora de laranja totalmente desenvolvida no Brasil, específica para lavouras nacionais,
caracterizadas por espaçamentos reduzidos. A colheita é feita por sistema que movimenta a copa da planta
em sentido vertical e permite a retirada dos frutos com facilidade. A máquina é automotriz, estreita, recomendada para desníveis de terreno
de até 15%, com velocidade de colheita em torno de 900 metros por
hora. O rendimento operacional depende de fatores como o estande de
plantio, área de manobra, carga do
pomar, grau de maturação dos frutos,
logística de colheita etc. A colhedora
tem sistema copiador, que ‘enxerga’
a forma da árvore e dois computadores CLP (Controlador Lógico
Programável), que fazem a leitura do
perfil da planta, calculando a trajetória, para obter o máximo de eficiência, colhendo os frutos sem causar
danos. Em testes, chegou a colher
800 caixas por hora, com um conjunto direito/esquerdo.
Colaboração: Luciana Pacheco
11
NO POMAR
Daniela Mattiaso
Os produtores de maracujá acabam de ganhar três novas variedades desenvolvidas pela
Embrapa Cerrados, com base no melhoramento genético: a BRS Ouro Vermelho, a BRS
Gigante Amarelo e a BRS Sol do Cerrado. O destaque é para a BRS Ouro Vermelho,
com maior teor de vitamina C, em comparação às demais encontradas no mercado. A
nova cultivar apresenta maior resistência ao transporte, alto rendimento de polpa e maior longevidade. Os frutos pesam de 120 a 350 gramas, têm coloração de polpa amarelo
forte e maior tempo de prateleira. A nova variedade também é a mais tolerante às
viroses e, em algumas áreas, também é tolerante às doenças do solo. A BRS Ouro
Vermelho é indicada para altitudes de 376 a 1100 metros, diferentes tipos de solo e
plantio em qualquer época do ano, com o uso de irrigação. Sua produção gira em torno
de 40 toneladas por hectare, nas condições de clima do Distrito Federal. É ideal para
sucos, pois apresenta melhor equilíbrio dos teores de açúcar e ácido.
A BRS Gigante Amarelo tem boa tolerância à antracnose e viroses, doenças encontradas
em todas as regiões produtoras da fruta, e ainda é tolerante à bacteriose. A produtividade observada no Distrito Federal está em torno de 42 toneladas por hectare, com uso
de irrigação e plantio feito no período de maio a julho. Já, a BRS Sol do Cerrado, é um
híbrido de maracujazeiro para mesa e indústria. É tolerante a doenças, como bacteriose,
antracnose e virose. O pesquisador Pedro Abel adianta que as três variedades de
maracujá, lançadas no final de maio, têm previsão de comercialização de sementes a
partir de junho.
Os produtores deverão fazer reservas de sementes no Escritório de Negócios de
Campinas da Embrapa Transferência de Tecnologia, pelos telefones (19) 37498888, fax (19) 3749-8890 ou pelo e-mail sac@campinas.snt.embrapa.br
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De cima para baixo:
BRS Sol do Cerrado, BRS Gigante
Amarelo e BRS Ouro Vermelho
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HORA DE CUIDAR DO MELÃO
RUI SALES JÚNIOR/UFERSA
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EMBRAPA CERRADOS
MARACUJÁ COM MAIS
VITAMINA C
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O plantio do melão nas principais regiões produtoras do País, localizadas nos Estados do
Rio Grande do Norte e Ceará, coincide com o término das chuvas, entre final de maio
e meados de junho. “Por ser escalonado, ou seja, semanal, neste período do ano é
possível ver a fruta no campo em todos os seus estados vegetativos, desde o plantio de
sementes ou mudas até a colheita”, explica Rui Sales Júnior, professor da Universidade
Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e pesquisador em Fitopatologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Segundo ele, os principais
cuidados neste período são com as pragas e doenças, já que um descuido pode prejudicar a produção toda. “Como exemplo, podemos citar a mosca minadora, que vem
sendo a grande vilã entre as pragas na região. Mesmo com grande quantidade de
agrotóxicos para seu combate, não está havendo redução. Já, a mosca branca, apesar de
ter tido menor ocorrência, ainda provoca a disseminação do amarelão, doença virótica
transmitida pela praga, que reduz de forma considerável o teor de açucares dos frutos.”
Manuseio dos frutos deve ser
Quanto às doenças, Sales Júnior chama a atenção para o oídio, fungo que ataca a área foliar
cuidadoso, evitando ferimentos e
dos meloeiros, atingindo-os a partir da raiz. “O oídio é um inimigo oculto, que somente se
instalação de doenças pós-colheita
expressa momentos antes da colheita, onde são visualizados os sintomas de declínio ou
morte da planta”, explica ele. Outro cuidado especial, de acordo com o pesquisador, é no manuseio das frutas, evitando ferimentos
e a instalação das doenças pós-colheita, pois quando fungos e bactérias encontram algum ferimento por onde possam entrar no fruto,
ocasionam podridões. A recomendação é que seja realizado um bom manejo nutricional da cultura, pois aumentam as defesas
naturais, químicas e estruturais, garantindo maior resistência na planta e, conseqüentemente, no fruto.
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NOVAS OPÇÕES DE CITRUS
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BRASILEIRÍSSIMA,
UVAIA
Quem já experimentou, não esquece a refrescância e o sabor
do suco e do sorvete. Fruta nativa, pouco conhecida, seu
gosto e cheiro são inigualáveis: superdelicada, grande, amarelinha e suculenta. Esta é a uvaia, cujo nome científico é
Eugenia pyriformis e faz parte da família Myrtaceae. Quem conhece, sabe da beleza que produz suas flores brancas, espalhadas pela cidade em ruas
e parques, mas por que não a vemos nos
supermercados?
O pesquisador de silvicultura de espécies
arbóreas não-tradicionais, da Embrapa Florestas, Paulo Ernani Ramalho Carvalho, explica “que há poucos dados de crescimento
da fruta em plantios” e dá dicas de como trabalhar com ela: “A uvaia é uma espécie que
tolera baixas temperaturas, mas deve ser
plantada a pleno sol, em plantio puro ou misto. No plantio por semeadura, as sementeiras devem ser sombreadas e conservadas úmidas. Contudo,
quando semeadas diretamente em recipientes, devem ser
repicadas logo após a germinação. O mais recomendado é
semear diretamente em embalagens individuais, pois facilita o
plantio no local definitivo, já que a pega de raiz nua nem sempre é boa. Essa espécie tem um alto desempenho germinativo
e a emergência inicia de 20 a 40 dias após a semeadura”,
enfatiza o pesquisador.
A uvaia é uma espécie muito usada para engorda de animais domésticos. Sua madeira é utilizada,
apenas localmente, para mourões e cercas com tábuas lascadas. Na região metropolitana de Curitiba (PR), é utilizada para
cabos de ferramentas ou de utensílios domésticos. Trata-se,
também, de uma espécie melífera, pois produz néctar e pólen. É, ainda, muito indicada
para plantio ao longo dos rios e das margens
dos reservatórios das hidroelétricas. Outro
ponto bastante interessante é sua dispersão.
Suas sementes são dispersas por gravidade
ou por animais, como aves e alguns mamíferos. O gênero Eugenia distribui-se em regiões tropicais e subtropicais, com maior diversidade nas Américas, onde ocorrem mais
de mil espécies, das quais cem estão no Brasil. “Existem três variedades de Eugenia
pyriformis: a uvalha, a riograndensis Mattos, encontrada apenas em Veranópolis, no Rio Grande do Sul, e a
argentea Mattos, existente em Santa Catarina”, explica Carvalho.
Para mais informações sobre onde adquirir as sementes e
formas de produção, contate a Embrapa Clima Temperado pelo telefone (53) 3275-8100, no setor de atendimento ao cidadão (SAC).
EMBRAPA FLORESTAS
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ROGÉRIO DE SÁ BORGES/CNPSO EMBRAPA
Duas novas opções de citrus estão sendo apresentadas aos produtores
pela Embrapa Clima Temperado de Pelotas (RS), em parceria com o
Instituto Agronômico (IAC), no interior do Estado de São Paulo. São
elas: a tangerina Satsuma Okitsu (Citrus unshiu Marcovitch) e o tangelo
Nova [Citrus clementina x (C. paradisi x C. tangerina)]. A Okitsu, muito
popular no Japão, de onde é originária, é bastante tolerante ao frio e sua
principal característica é a precocidade, além de não ter sementes. “A
variedade tem boa produtividade e traz uma vantagem comercial: a de
chegar ao mercado antes que as outras, entre fevereiro e março”, explica o pesquisador Rogério de Sá Borges, da Embrapa Transferência de
Tecnologia. Já, o tangelo Nova é um híbrido, gerado do cruzamento
entre a tangerina e o pomelo. O fruto é de tamanho médio a grande,
com coloração forte e sabor agradável. “A casca do tangelo Nova é mais
presa ao fruto, o que lhe confere boa resistência ao transporte”, conta o
pesquisador. Desde que cultivada isoladamente, também produz frutos
sem sementes. É considerada uma variedade de meia estação e nas
Precoce, a Tangerina Okitsu é bem tolerante ao frio
condições do Sul e Sudeste do País, a colheita ocorre no mês de junho.
Os viveiristas e produtores interessados no material para enxertia podem entrar em contato com a Embrapa Clima Temperado
pelo telefone (53) 3275-8100 ou com o Centro Apta de Citros Sylvio Moreira do IAC pelo telefone (19) 3546-1399.
Colaboração: Samara Monteiro
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SUPERFRUTAS
Variedades com propriedades nutricionais, que prometem incrementar
a saúde dos consumidores, podem se tornar uma nova oportunidade
de negócio para produtores e agroindústrias
Daniela Mattiaso
A busca por alimentos que apresentem características muito mais especiais do que as normais para
a alimentação é uma tendência mundial na atualidade. Cresce a procura, principalmente, por frutas
com poderes nutricionais elevados, que além de
nutrir, tenham em sua composição, benefícios para
a saúde humana em curto, médio e longo prazos.
Elas estão sendo chamadas de superfrutas ou
superfruits, em inglês, uma nova categoria de mercado criada para promover frutas comuns ou raras,
com alto valor nutricional, poder antioxidante, que
ajudam a combater os radicais livres e trazem benefícios para a saúde humana, como a prevenção
contra doenças. “A palavra superfrutas é, na verdade, um conceito mercadológico no sentido de agru14
par estas características nutricionais das frutas aos
seus derivados. A denominação surgiu dentro do
conceito de alimentos funcionais, já bastante conhecido, embora para frutas seja mais recente e ainda
desconhecido no Brasil. Internacionalmente, as
superfrutas estão em evidência devido, principalmente, aos seus processados, entre eles, os sucos,
que são oferecidos ao público como receita de saúde”, explica o presidente do Instituto Brasileiro de
Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes.
As superfrutas fazem parte do mercado mundial
de superalimentos, que deve dobrar de 2008 a
2011, atingindo o patamar de 10 bilhões de euros.
“Todas as frutas que compuserem esta cesta e seus
derivados vão se valorizar muito. Acredito que o
FRUTAS FRESCAS
ras demais ou de menos, ou porque estão muito
azedas, sem açúcar ou, ainda, porque possuem sementes e precisam ser descascadas, etc. “A tendência moderna são os derivados. Esta
é a única saída atual que atende
às necessidades de conveniência
dos consumidores. Na Europa,
o consumo de frutas frescas está
caindo em detrimento dos derivados, apesar de um pequeno aumento no consumo de frutas tropicais, motivado pelo fator
Mercado externo
apresenta crescimento
constante para
derivados da goiaba
vermelha,
Antonio Carlos
Tadiotti,
da Predilecta
PREDILECTA
conceito de superfrutas veio para ficar, porque atende aos anseios da sociedade, que busca alimentos
menos artificiais, com menos aditivos para uma vida
mais saudável, com maior longevidade e melhor
qualidade de vida”, avalia o presidente do Ibraf. Segundo ele, a idéia deste novo mercado começou
na Europa, com um trabalho de marketing. “Levaram ao consumidor que estas frutas são melhores
e, portanto, valem mais. Mas as superfrutas estão
sendo estudadas com muito critério pela comunidade técnico-científica para que as estratégias de
marketing estejam, de fato, baseadas em suas qualidades nutricionais.” Vale lembrar que, por enquanto, não há nenhum órgão que regulamente, reconheça ou classifique as superfrutas; o que existe são
alguns estudos científicos e bioquímicos encomendados por parte da iniciativa privada. De acordo com
Jean Paul Gayet, diretor do Ibraf e consultor da ACF
Assessoria e Consultoria em Fruticultura, além do
marketing, toda essa tendência tem se consolidado
também por conta do crescente desinteresse das
pessoas pelas frutas frescas, que para elas, sempre
estão cheias de defeitos, seja porque estão madu-
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‘novidade’. Iogurtes, sobremesas à
base de polpa de frutas e saches de
frutas frescas são os produtos ‘da vez’
nos supermercados”, afirma o consultor em fruticultura. Segundo ele,
só os sucos prontos para beber crescem mais de 15% ao ano. Apesar
disso, Jean Paul ressalta que mesmo
assim as frutas frescas têm um apelo
muito forte para as pessoas. “A referência com a fruta fresca presente
nos produtos industrializados é muito importante para os consumidores.
Apesar de quererem alimentos mais
convenientes, eles precisam ter a
certeza que de alguma forma estão
consumindo aquela fruta. Por isso, os
derivados que fizerem as pessoas reconhecer a fruta no gosto e no visual, devem ter muito sucesso durante
os próximos anos”, afirma ele. Para o
consultor, a aposta principal das
agroindústrias deve ser no sabor. “O consumidor
só opta pelo produto se ele for prazeroso, esta é a
justificativa que o impulsiona a comprar. O fato do
produto ser saudável ainda fica em segundo plano.”
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Frutas, a maior parte das frutas deste novo grupo são
realmente agroindustriais e a melhor forma de consumo ocorre na forma de polpas, sucos, etc. Este é
o caso do açaí e da maior parte das cerejas, apresentadas somente como processadas, porque são
muitos delicadas para o transporte. “Mas, embora
processadas, seus derivados mantêm os benefícios
nutricionais para a saúde. Este é o caso da uva tinta,
cujos benefícios são reconhecidos há muito tempo
devido ao consumo do suco e do vinho”, ressalta o
presidente do Instituto.
Internacionalmente, as superfrutas estão
em evidência devido aos seus processados,
entre eles, os sucos, oferecidos ao
público como receita de saúde
Na agroindústria, já são reconhecidas como
superfrutas a cereja negra (blackcurrant ou blackdes
- encontrada na Europa e Ásia), mirtilo, açaí, romã,
morango, ameixa, cranberry, redcurrant (variedade de cereja encontrada em vários países da Europa), uva tinta, laranja, maçã, mangustão, noni, romã,
16
PREDILECTA
FRUTAS FRESCAS
Exportação brasileira da goiaba cresceu em função do
reconhecimento internacional de suas propriedades
shagi e gogi. Outras ainda estão na lista de candidatas
a superfrutas, como acerola, goiaba vermelha,
camu-camu, cereja amarga, cupuaçu, framboesa
negra, durian e vacínio.
No mercado brasileiro, a fruta que mais vem
sendo explorada é a polpa de goiaba vermelha, em
função da elevada presença de licopeno em sua
composição. Nos últimos anos, só a exportação brasileira para os Estados Unidos, que era de 50 toneladas, passou para 500 toneladas anuais, segundo o
diretor do Ibraf, Jean Paul Gayet. O grande crescimento tem explicação, dentre outras causas, no reconhecimento internacional de suas propriedades. “Em
muitos países, a polpa de goiaba é utilizada para elaboração de sucos multivitaminados prontos para beber, como aditivo natural de vitamina C”, explica
Antonio Carlos Tadiotti, sócio-diretor da Predilecta,
empresa que processa 55 mil toneladas de goiaba
por ano. De acordo com Tadiotti, o mercado externo apresenta um crescimento constante para os
derivados da goiaba vermelha. A previsão de crescimento é de 5% a 7% ao ano e estima-se para os
próximos anos uma demanda ainda maior pela entrada de novos produtos à base de goiaba. “Hoje, o
cultivo da goiaba é um ótimo negócio para o produtor que não seja aventureiro. Aquele que tiver
uma parceria ou fidelidade com a empresa
processadora, sempre terá a colocação da fruta e o
seu ganho garantidos”, afirma ele.
Outro caso foi a explosão do açaí, tanto no mercado brasileiro como no internacional, em função
EMBRAPA
do seu poder energético. A empresa Sucasa, que transforma as frutas em
polpas, sucos concentrados e xaropes, é exemplo disso. O seu carrochefe é o açaí. “É a polpa mais exportada por nós”, afirma a proprietária,
Solange Mota. A empresa processa ainda cupuaçu, acerola, abacaxi,
carambola, graviola, goiaba, manga, maracujá, laranja, taperebá, bacuri,
murici e buriti. De acordo com Solange, cerca de 65% a 70% de toda a
produção vai para o mercado internacional, sendo, em média, 30% para
o mercado nacional e 5% para consumo regional. Entre seus clientes estão empresas e agroindústrias de sorvetes, cremes e sucos. Em sua avaliação, a perspectiva de crescimento para este ano é de 20% a 25%, principalmente por conta do interesse pelas frutas nativas com propriedades
para a saúde, ainda pouco conhecidas. Segundo ela, muitas empresas já
estão adquirindo lotes de frutas para testes laboratoriais. “Há uma tendência muito forte por parte da indústria em relação às novidades, porque as
pessoas desejam que sejam criados novos sabores e, inclusive, possam
ser feitos com alimentos que sejam nutricionalmente complementares. Nós
já vendemos aqui uma polpa que é a combinação de guaraná com açaí.”
Mais recentemente, o Brasil começou a produzir também outra
superfruta, o cranberry, no Estado do Rio Grande do Sul. Muito delicada, a fruta tem sido comercializada congelada ou na forma de sucos.
De acordo com Edson Antônio Mazeto Júniorr, diretor da Juxx, empresa que tem como único e exclusivo produto o suco de cranberry, a
fruta tem sido uma ótima oportunidade de cultivo. “Ela está em uma
categoria de frutas que são muito valorizadas pelo mercado mundial.
Só o cranberry, de dois anos para cá, valorizou quase 300%”, conta
Mazeto Júniorr. Segundo ele, isso valoriza muito as terras produtoras
dessas frutas e melhora o rendimento do produtor. A Juxx importa o
concentrado de cranberry dos Estados Unidos, Canadá e Chile. “Mas
estamos formando nossa plantação e para 2010 já teremos colheita”,
diz ele. Desde o início da produção e comercialização dos sucos de
cranberry no Brasil, a Juxx já cresceu 1.200% na demanda do produto
e está presente nas maiores redes varejistas do Brasil. Segundo alguns
estudos realizados por empresas internacionais, a cranberry é considerada uma das frutas mais saudáveis do mundo. ”Se comparada com
outras, é uma das que possui a maior quantidade de antioxidantes por
grama. Além do efeito dos antioxidantes no organismo, a fruta ainda é
rica em substâncias antiaderentes, chamadas de proantocianidinas (taninos condensados), que ajudam a inibir a aderência de certas bactérias no organismo, sendo estas bactérias, as principais causadoras de
infecções urinárias e gastrites”, conta Mazeto Júnior. Outro suco de
superfruta que estava sendo comercializado no País era o da fruta noni,
produzido pela Tahiti Noni Internacional. Segundo Leandro Zambon,
que estava comercializando o
suco importado, em Araçatuba
(SP), as vendas estão temporariamente suspensas, pois o suco
está sendo analisado para registro
na Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).
O açai ganhou fama pelo seu poder
energético e, hoje, é item importante
da economia da Amazônia
17
Embora repleto de exemplos mal-sucedidos
no Brasil, o cooperativismo na fruticultura
apresenta iniciativas positivas, que motivam
outros a trilhar a estrada, cujo lema é
compartilhar para fortalecer
Maria Finetto
18
COOPERATIVISMO
Maria era doméstica, hoje é doceira e construiu
sua casa com o dinheiro da nova atividade. Pedro,
quando garoto plantava uva e agora é dono de uma
famosa adega de vinhos. Francisco, produtor que
usava agrotóxico sem saber a medida certa, transformou-se em ‘doutor’ no cultivo orgânico. Ele, que nunca
havia saído do interior, foi à Alemanha para se aperfeiçoar. Como eles conseguiram? Eles entraram para
cooperativas. São exemplos de que pela ‘força da
união’ e engajamento é possível mudar e vencer.
Iniciativas de associações e cooperativas de produtores de norte a sul do Brasil têm apresentado
resultados surpreendentes – seja com o exemplo
de organização e com a venda da fruta in natura ou
processada. Muitas dessas entidades mudaram realidades locais e até regionais ao profissionalizar o produtor, prestar orientação técnica eficiente para diversificar ou incrementar a produção: e, assim, agregar
valor ao produto e, em conseqüência, aumentar o retorno financeiro. Cooperados, a maioria micro e pequenos produtores – juntos com um fim específico, já
colhem os frutos do sucesso. E até bênçãos.
VINHO PARA VISITA DO PAPA
ROSQUINHAS E DOCE
DE BANANA
“Consegui construir uma casa depois que comecei a trabalhar aqui”. As palavras são de Maria
da Glória Paulo, 44 anos, que deixou de ser do-
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO/EMATER-MG
Pedro Maziero, produtor de uvas, forneceu o
vinho usado pelo papa Bento XVI na celebração
eucarística realizada no Campo de Marte, em São
Paulo, em 2007. O vinho saiu da sua vinícola, no
bairro Caxambu, Jundiaí (SP). O fato aconteceu
quando a comissão encarregada de cuidar da liturgia
e do cerimonial da missa saiu pelo Brasil afora em
busca do melhor vinho para servir ao Santo Padre.
Foram a 23 lugares diferentes e escolheram o vinho
rose suave da família Maziero, que atua no ramo há
quase 130 anos, passando a arte a cada geração.
O vitivinicultor trabalha no
plantio de uva desde garoto e
se lembra da produção daquela época: 500 litros. Hoje, ele,
sua família e mais seis funcionários produzem em torno de
45 mil a 50 mil litros de vinho
por ano. O vinho é vendido somente na adega para turistas.
Maziero é uma das famílias
de pequenos produtores de
uva na região de Jundiaí, que
trouxeram o vinho como origem e tradição familiar com a
imigração italiana. O seu sítio
é sede da mais nova Cooperativa Agrícola dos Produtores
de Vinho Jundiaí (AVA) - a primeira cooperativa vinícola do
Estado de São Paulo. Inicialmente já são 21 cooperados, que totalizam 13 adegas familiares e uma
produção de vinagre de vinho. “No futuro, além do
vinho, planejamos obter também outros derivados
da uva, como vinagre e suco”, diz o presidente, José
Antonio Boschini. Hoje, cada produtor fabrica seu
vinho e a cooperativa envasa o produto
comercializado, somente nas adegas das famílias, para
os turistas que visitam ou procuram as propriedades.
O vinho leva a marca do produtor e da cooperativa.
Não há resultados ainda porque a cooperativa está
em fase de registro no Ministério da Agricultura, aguardando para início das operações. A produção prevista
é de 120 mil a 150 mil litros de vinho por ano. A
cooperativa também vai custear a compra dos insumos
para o plantio da uva e produção do vinho.
Boschini explica que com a cooperativa acabou
a informalidade. “O cooperado vai trabalhar de forma legal. E terá um vinho com padrão de qualidade
atestado por nós”, diz o presidente. Parte do dinheiro da venda volta à cooperativa para bancar os
custos. Os cooperados terão orientação técnica para
a produção, com assessoria desde a fase de colheita da fruta até o envase do vinho. “É a salvação de
todos os pequenos produtores”, argumenta
Boschini. Ele explica: Se cada produtor tivesse que
abrir uma empresa para regularizar a produção, a
maioria acabaria desistindo e deixando a atividade.
Juntos, ganham escala.
Associativismo
mudou a vida de
Maria da Glória
Paulo, em
Governador
Valadares (MG)
19
MILTON DALMOLIN
COOPERATIVISMO
méstica para fazer parte da
agroindústria Produtos da Nossa
Terra, na comunidade do Bugre, em
Governador Valadares (MG). Ela e
um grupo de mulheres rurais conseguem, além da renda de R$ 450
reais mensais por família, resgatar a
cultura local com o trabalho coletivo.
O trabalho delas serve de referência para implantar uma padaria
comunitária em Capelinha, município no Vale do Jequitinhonha. A
inauguração da padaria está prevista
para setembro. Agricultoras familiares
já estão em fase de capacitação, orientadas pela equipe local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão
Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).
“Além dos cursos, eram necessários exemplos
de trabalho coletivo e também idéias sobre as formas de escoamento da produção. Então, resolvemos visitar alguns locais que começaram com a ajuda de programas do governo e, hoje, já geram renda para as famílias rurais”, explicou a extensionista
da Emater-MG, Nágila Salman Pimenta.
“O produtor deve ter interesse. Não é só
esperar pelo governo, tem que ir atrás, se
informar, participar, se envolver.”
Francisco Carlos Muzatti, cooperado
A padaria comunitária vai gerar trabalho e renda para cerca de 20 famílias, que moram em uma
comunidade rural a 30 quilômetros da sede do
município. Outras 35 famílias também estão envolvidas indiretamente no projeto. Depois de quase
11 anos de dedicação e trabalho, as produtoras de
Governador Valadares agora comemoram a oportunidade de fornecer parte da merenda escolar do
município, conquistada por licitação pública. O desafio é fornecer mensalmente 1,6 mil quilos de doce
de banana e 1,4 mil quilos de rosquinhas. Além das
escolas municipais, elas têm como clientes o comércio local, penitenciárias e hospitais da região.
REFERÊNCIA E PRODUÇÃO
DIVERSIFICADA
Outro exemplo de sucesso é a Cooperativa dos
Agricultores Solidários (Coagrosol) – referência em
20
Caju e maracujá são culturas fortes dentro da Coopernova
Itápolis (SP) e região, fundada em 2000. No início,
queriam processar e vender suco de laranja, buscando novos mercados. Hoje, a produção é
diversificada: tem laranja, limão, manga e goiaba,
além de hortaliças para o mercado interno. A cooperativa trabalha com limão in natura e sucos. Funciona assim: ela ajuda o cooperado a organizar a
produção e a vender. “São realizadas reuniões onde
se explica para o produtor como está o mercado,
as condições de venda e a remuneração. É firmado
o contrato com os clientes e com as fábricas. No
caso dos sucos, a cooperativa processa através de
terceiros”, diz Reginaldo Vicentim, gerente de Negócios da cooperativa.
Ele explica que na compra da produção dos sócios normalmente paga o preço de mercado. São
calculados os custos de operação, a compra dos
insumos e, ao final, se houver sobra, é feito o rateio. O produtor, segundo Vicentim, tem lucrado
um pouco mais do que se ele comercializasse sozinho seu produto. “O lucro tem sido entre 10% a
20% maior no período de safra”, afirma.
Os pequenos produtores estão distribuídos num
raio de 100 quilômetros do município de Itápolis,
envolvendo mais dez cidades. O tamanho médio
das propriedades é de 20 a 30 hectares. Com o
suco é o mesmo processo – a cooperativa contrata
a fábrica e exporta. Hoje, 90% da produção é exportada. O maior mercado é a Europa, seguido da
Ásia e Canadá, mas a cooperativa vem
redirecionando a venda para o mercado interno. O
diretor explica que por causa do câmbio, o custo
da produção está subindo vertiginosamente enquanto o preço de venda cai.
Cerca de 300 famílias sobrevivem da fruticultura
na cooperativa. A produção em 2007 está assim divi-
FÁBIO B. BUTTARELLO
dida: 1 mil toneladas de concentrado de laranja, 400 toneladas
de polpa de manga, 300 toneladas de polpa de goiaba e 250
toneladas de suco de limão. Este
volume, segundo Vicentim, tem
aumentado de 10% a 15%, em
média, por ano.
O diretor argumenta que
com as vendas para o Comércio Justo Europeu, os produtores recebem um preço que,
via de regra, deve cobrir seu custo de produção e de
vida, além de receberem um prêmio, que é empregado em programas sociais.
RESULTADO PARA O
COOPERADO
Francisco Carlos Muzatti produz limão, goiaba e
murcotte em seu sítio Santa Inês, em Taquaritinga
(SP). O limão é vendido in natura para a indústria
de processamento. São 2.500 caixas por ano. Com
a goiaba é o mesmo processo. A produção é, em
média, de 20 a 30 toneladas por ano. Seo Chico,
como é conhecido, também trabalha para sua cunhada que tem uma outra propriedade onde são
cultivadas laranja, goiaba e pitaya. Ambos são cooperados da Coagrosol. Para ele, foi a decisão mais
acertada da sua vida. “Passei a ter melhor conhecimento de manejo, trato e certificação”, argumenta.
Ele conta que, no passado, não havia assistência. “Um vizinho usava tal produto e a gente copiava. Usava uma dosagem sem rumo, sem saber a
quantidade certa e, pior, se era também o momento certo. Fazer o quê? Quando você é pequeno,
ninguém se importa”. Perdeu muito dinheiro vendendo sua produção para aventureiros. “Quando
Fábio B. Buttarello,
gerente comercial
para mercado
externo da
Coagrosol, e
produtor
Francisco Carlos
Muzatti (à direita)
na feira Biofach,
Alemanha
eles têm uma oferta melhor, eles somem e você
fica com o prejuízo.” Não havia controle da produção, de volume e nem de preço e custo. A situação
mudou quando conheceu a cooperativa. “Ficou mais
profissional.” Tanto que ele partiu para a produção
orgânica. Está tão envolvido na nova atividade que
participa de todos os cursos e feiras desse setor. A
última foi internacional, na Alemanha. A cooperativa fez um sorteio de uma passagem para a Biofach,
em Nuremberg, em fevereiro último e ele ganhou.
“Fiquei impressionado com tudo que vi e vivi.
Não tenho dúvidas que estou no caminho certo”,
avalia. A viagem foi em companhia de Fábio
Buttarello, gerente comercial para o mercado externo da Coagrosol, que tinha a missão de realizar
contatos para futuras relações comerciais e abrir espaço no mercado internacional. “Digo que o
produtor deve ter interesse. Não é só esperar
pelo governo, tem que ir atrás, se informar, participar, se envolver.”
NÓS TEMOS BANANA
Caminhões carregados de banana saem de pequenos sítios rumo à cooperativa da cidade. São
classificadas, embaladas e depois vendidas in natura
21
COOFRULAPA
COOPERATIVISMO
para atacadistas de
grandes centros. Assim
trabalha a Cooperativa
dos Produtores de Frutas de Bom Jesus da
Lapa (Coofrulapa) -,
município que fica a 800
quilômetros de Salvador, às margens do Rio
São Francisco. Lá se encontra Formoso, distrito conhecido pelas suas
bananas prata e nanica.
A Coofrulapa foi fundada em setembro de 2004,
mas começou a funcionar, de fato, um ano depois.
Tem hoje 38 associados ativos e mais 16 empresas
sócias. A cultura da banana do Formoso movimentou
617 caminhões/mês ou 7.167 toneladas por mês,
em 2007.
A banana é vendida pela cooperativa que paga
preço de mercado, segundo Clériston Teixeira
Duarte, diretor administrativo da Coofrulapa. É
comercializada para atacadistas distribuídos em 16
estados. Em 2005, explica o diretor, o cooperado
lucrou 7,3% a mais no preço da caixa da banana
vendendo pela cooperativa ao invés de fazer a venda pelo atravessador. No ano seguinte, esse lucro
foi de 6.49%, porque a cada ano a margem de preço
da cooperativa e do atravessador diminui. Isto ocorre porque a cooperativa, com o passar do tempo,
tem sido balizadora do preço da banana na região. A
cooperativa também é balizadora de venda de insumos
na comunidade, fazendo com que comércios locais
diminuam suas margens de lucros. Marlene Marques
Boa Sorte, presidente da Coofrulapa, diz que ser cooperado tem a vantagem de comprar, em conjunto,
insumos mais baratos. Ela prova em números: “Em
2005, um saco de adubo químico custou, em média,
30% mais barato quando adquirido pela cooperativa.
Em 2006, foi 20% e, em 2007, 18%”, compara.
ANO DIFÍCIL
O ano de 2007, diz Marlene, foi muito difícil
para a cooperativa e por isso a diretoria, em conjunto com os associados, passou a buscar alternativas para manter o grupo coeso. Um caminho foi
buscar apoio com o Sebrae (Serviço de Apoio as
Pequenas e Micros Empresas) e o BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
para um projeto de construção de uma
agroindústria. O valor do empreendimento é de R$
927 mil e está em fase final de análise pelo banco. A
agroindústria vai processar a banana que se perde 22
A banana é
vendida pela
Coofrulapa que
paga preço de
mercado, segundo
Clériston Teixeira
Duarte, diretor
administrativo
entre 5% a 10% do volume, que não atinge a classificação exigida.
Clériston Duarte explica a intenção: “A cooperativa pretende fazer o papel do atacadista, distribuir direto a supermercados, quitandas, etc. Para
isso precisamos ter um ponto com câmaras
para climatização, o que exigirá uma outra estrutura e um novo aprendizado. Na verdade, é um
novo negócio.”
O projeto-piloto deverá iniciar em Salvador a
partir deste ano e terá a parceria de outras cooperativas da Bahia. Outra função da agroindústria, segundo Clériston, é estocar o produto nos períodos
críticos - quando o preço não está dos melhores.
BENEFÍCIOS PARA ATRAIR
NOVOS COOPERADOS
Calcula-se que 300 pessoas estão envolvidas diretamente e 600, indiretamente, no processo de
produção, colheita e carregamento das bananas dos
sócios da Coofrulapa. Há também produtores investindo em novos frutos. É o caso do cacau, que é
tradição no sul da Bahia, e do abacaxi, que está em
fase de experimento.
Clériston Duarte diz que o diferencial da
Coofrulapa é o seu processo participativo. Nas reuniões mensais, segundo Marlene, a participação dos associados chega a 80%. Outra conquista da Coofrulapa
foi a assistência técnica própria ao cooperado a partir
deste ano. A cooperativa é referência de boas práticas
de gestão dentro dos projetos de fruticultura desenvolvidos pelo Sebrae em todo o Brasil.
‘SOZINHO NÃO VAI AVANTE’
Ari Ângelo Piccini ainda se lembra quando, há
24 anos, deixou Santa Catarina para fixar raízes em
Terra Nova do Norte, em Mato Grosso. Ele chegou ao sítio Sepé Tiaraju, na Comunidade da 8 a
Agrovila, onde hoje planta 15 variedades de frutas,
entre elas, acerola, graviola, maracujá, manga,
COOFRULAPA
Cooperado tem a
vantagem de
comprar insumos
mais baratos,
Marlene Marques
Boa Sorte,
presidente da
Coofrulapa
cupuaçu, açaí, goiaba, caju, jabuticaba e as menos
conhecidas: bacaba, taperebá, murici, buriti,
marrombá e uvaia. “De lá para cá, muita coisa mudou para melhor”, garante. O fruticultor se prepara
para receber o registro da agroindústria que instalou na propriedade para produção de polpas, que
congela e distribui na região.
Piccini é associado-fundador da Cooperativa
Agropecuária Mista Terranova (Coopernova), localizada no município de mesmo nome, distante 650
quilômetros da capital Cuiabá, no extremo norte
do Estado. É a maior cooperativa em número de
associados no Estado do Mato Grosso. São 2.170
associados atualmente, todos agricultores familiares.
Deste total, 1,7 mil está na atividade leiteira, 300
na fruticultura e 50 na ovicultura. Tem produtores
que tem a cadeia completa.
“O caju-anão precoce, variedade pertencente à
Embrapa, é o destaque, cultivado em 500 hectares
(dados até final de 2007), com o objetivo de produção da castanha”, explica Milton José Dalmolin,
vice-presidente e diretor comercial da Coopernova.
Ele conta que o projeto de fruticultura começou
em 2002, com o caju, como uma opção para aqueles que queriam complementar a renda familiar e
ter uma atividade paralela, além da leiteira.
Nesse meio-tempo, os produtores cooperados também decidiram plantar o maracujá. O cultivo
do maracujazeiro foi incentivado pela cooperativa pela
precocidade da produção e bom rendimento. “Começou com 40 hectares em 2004 e, hoje, chega a
350 hectares”, diz Milton Dalmolin. Juntos, caju e
maracujá somam 850 hectares.
Segundo Dalmolin, em 2004, o quilo do maracujá era vendido a R$ 0,60 (o mercado estava ótimo!). E, hoje, a R$ 0,40. A produção de maracujá
é de até 30 a 40 toneladas por hectare. Um hectare de maracujá pode render R$ 10 mil na safra de
dez meses. Desse valor, são descontados os insumos
(financiados pela cooperativa) e outros custos. “É
uma atividade que se bem tocada, é rentável”, ar-
COOPERATIVISMO
gumenta Dalmolin. Para
efeito de comparação,
um hectare de milho
pode render R$ 1,5 mil
e a pecuária de corte
R$ 500,00 por ano. Já,
o caju chega a R$ 2,5
mil a R$ 3 mil, com a
produção de castanha
e polpas por ano por
hectare. “Esse valor é
melhor que o Nordeste, que paga em torno
de R$ 1,00 o quilo da castanha”, compara ele.
AGROINDÚSTRIA PARA
DIVERSIFICAR
Por causa do maracujá, a Coopernova implantou uma fábrica de beneficiamento da polpa. A
capacidade de beneficiamento é de três toneladas
de frutas por hora. “Hoje recebemos de 20 a 30
toneladas de frutas por dia”, explica o diretor comercial da cooperativa. A expectativa é fechar o
ano com 2,5 mil toneladas.
Do caju, explica Dalmolin, o que interessa é a castanha e a polpa - uma parte para fabricação de sucos
e outra para a alimentação de ovinos. Os planos são
para inaugurar esse mês de junho uma fábrica de castanhas beneficiadas do Mato Grosso. A fábrica está em
fase de acabamento e para o início do processamento
já estão estocadas 70 toneladas de castanhas.
O próximo passo é ter um concentrador para
todas as frutas da região e assim abastecer os maiores mercados: São Paulo, seguido de outros estados. A Coopernova é considerada pioneira em Mato
Grosso, estado tradicional no cultivo de grãos. O
começo não foi fácil, lembra Dalmolin. “Fizemos
experimentos, já trouxemos variedades de frutas que
não deram certo”, diz. “Até chegar a consolidação
da cooperativa, os produtores ‘apanharam muito’”.
A Coopernova tem 20 anos de história. Inicialmente atuou no recebimento, secagem e
armazenamento de produtos agrícolas (arroz e milho). A área de ação da cooperativa estende-se a
oito municípios. A cooperativa faz parte, juntamente com entidades de 15 outros municípios, do território portal da Amazônia, criado pela Secretaria
de Desenvolvimento Territorial do Ministério do
Desenvolvimento Agrário.
Milton Dalmolin diz que os produtores contaram
com a ajuda do departamento técnico da Embrapa
para ajudar no projeto de fruticultura. Hoje, 90% da
produção é voltada para extração da polpa, vendida
ao mercado interno, cujo destino principal é o Estado
23
MILTON DALMOLIN
Ari Ângelo Piccini,
um dos fundadores
da Coopernova e
um dos pioneiros
no estado em
fruticultura
de São Paulo. Não há exportação. As frutas in natura,
20 toneladas por mês, são vendidas para supermercados da região norte do Mato Grosso. A cooperativa
presta serviços aos associados, vistoriando as propriedades freqüentemente e fazendo análise de solo. O
técnico também acompanha o plantio e o crescimento vegetativo das frutas. “Também é ela que adquire
todos os insumos (arame, adubos), além de comprar
a produção, pagando o preço do mercado e ‘até um
pouco mais’. Há ainda um viveiro próprio de mudas
para plantio,” afirma o diretor.
A Coopernova também direciona sua atuação
para o lado social. A razão? “A fruticultura é para o
pequeno produtor e tem o seu papel social de manter o homem no campo. Os 300 produtores de
frutas geram empregos diretos a 1.7 mil pessoas. A
renda média é de R$ 1 mil por mês por família.”
Para Milton Dalmolin e a diretoria da cooperativa, o progresso da ovinocultura, fruticultura e atividade leiteira passa primeiro pela educação. Tanto
que está nos planos do biênio 2008/2009 da
Coopernova a construção de um colégio agrícola
para formar os filhos dos produtores. “O colégio
trará os cursos técnicos para a região, hoje distantes. Este colégio fecha o ciclo para formar mão-deobra”, explica o diretor.
MODELO COPIADO,
INGRESSO ANALISADO
Ingressar no quadro de cooperados não é simples. Quem tem problemas na comunidade, está
fora. O produtor passa pelo crivo dos comitês
educativos da Coopernova, que são em número de
40. Precisa participar de três reuniões, preencher
um cadastro e passar por uma votação para poder
entrar ou não na cooperativa. O associado também
24
não pode desviar a produção
da fruta para outra indústria.
“Todas essas exigências
pautam o trabalho sério da entidade”, justifica Dalmolin. O
modelo tem dado certo. Na
assembléia anual da cooperativa, a freqüência é de 900 associados. O número de empregados diretos na cooperativa é de 150. A cooperativa
recebe caravanas de outros
municípios, interessados em
copiar o modelo. Ano passado, foram 20 municípios. O
produtor cooperado Ari Piccini
acrescenta: “Todo agricultor
deve ter a consciência de que
o associativismo está em primeiro lugar, porque
sozinho não vai avante.”
Em sua trajetória na agricultura naquele Estado,
ele relembra o início difícil, quando contou com a
cooperativa na divulgação dos seus produtos, em
empréstimos para compra dos primeiros freezeres,
na obtenção de financiamentos junto ao Banco do
Brasil, que a cooperativa mantém para todos.
ABACAXI DO TOCANTINS
Maior produtora de abacaxi pérola do Tocantins,
a Cooperfruto conta com cerca de 50 produtores
cooperados. A cooperativa, sediada em Miranorte,
completa dois anos, em agosto, com motivos para
comemorar. Seus cooperados têm conseguido grandes avanços na comercialização do abacaxi. A negociação da produção é feita por meio da entidade
com redes atacadistas e varejistas do norte do Estado e já começam a direcionar para as praças de São
Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Brasília.
A cooperativa cobra uma taxa de manutenção
pela comercialização do fruto e paga preço do mercado. “Essa taxa é 10% mais 2,3% sobre o preço
de venda do abacaxi. Hoje, o preço é
comercializado em torno R$ 1,70, dependendo do
mercado”, diz o diretor-presidente Marco Antonio
Kfouri.Ele explica que se os cooperados vendessem
para atravessadores, o preço seria de R$ 1,10 a R$
1,30. “Se não existisse a cooperativa, pelo histórico
de preço que temos em anos anteriores, os valores
seriam de R$ 0,70 a R$ 0,80”, compara. A cooperativa, segundo ele, é um regulador de preços no
mercado. E, por conta disso, outros produtores que
não são associados, acabam se beneficiando.
O técnico da cooperativa acompanha e orienta
o processo de produção e ajuda na programação
COOPERATIVISMO
de venda. Os planos futuros incluem uma loja de
insumos e implementos para a próxima safra. E
melhor: uma indústria de suco para processar a sobra do abacaxi, extrair o óleo e também para ração
animal dos subprodutos.
Kfouri diz que a cooperativa tem vencido barreiras na região. A fruticultura é a terceira atividade
econômica, depois da pecuária e da soja. A maior
parte dos fruticultores tem, em média, de 30 a 60 mil
plantas. A cooperativa faz parte do Projeto de Desenvolvimento do Abacaxi Pérola do Tocantins, desenvolvido pelo Sebrae e parceiros. A produção da fruta no
Estado, em 2007, foi de 1,1 milhão de frutas. A previsão é dobrar esse volume este ano. Motivo: os preços
estão melhores e o abacaxi tocantinense tem conquistado mercado e confiança em outros mercados que
não acreditavam no produto.
SUL CAMPESTRE
A Cooperativa Agroindustrial Pradense foi fundada em 1974 por 264 associados. Hoje, são 1.740
distribuídos nos municípios de Antônio Prado, Ipê,
Nova Roma do Sul Campestre da Serra e Flores da
Cunha. Os principais produtos comercializados pela
cooperativa são uva, maçã, pêssego, ameixa, caqui,
kiwi, citros, leite e grãos. O vinho é o setor mais
importante porque responde por 30% do
faturamento. A cada ano são processadas 7 mil toneladas de uvas que produzem 5,6 milhões de litros de vinho. O setor de frutas possui a maçã como
principal cultura, mas as frutas de caroço também
são importantes, sendo que o destaque é o pêssego. A Pradense foi a primeira a conseguir a
certificação da produção integrada para a cultura de
pêssego da variedade chimarrita. Na safra 2007/
2008 foram comercializadas 10 toneladas da fruta
certificada e para 2008/2009, a meta é superar as
80 toneladas de pêssego chimarrita certificado.
Todas as frutas in natura, com exceção da uva,
respondem por 25% do faturamento e a cada ano
são processadas até 5 mil toneladas de frutas frescas sendo maçã 70%, pêssego 20% e outras frutas
10%”, diz Osvaldo Raimundo Conte, presidente da
cooperativa. Os clientes são supermercados e
Ceasas de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás,
Distrito Federal e Santa Catarina.
A cooperativa possui uma loja de insumos, sementes, ferragens e produtos veterinários para atender à necessidade das propriedades. São mais de 2
mil itens à disposição dos cooperados, que são responsáveis por 15% do faturamento total. O esquema de funcionamento da cooperativa consiste em
receber a produção do cooperado, avaliar peso e
qualidade individual de cada um; armazenar, em-
balar, vender e, após receber pela venda, abater os
custos de processamento e repassar a sobra ao produtor, que recebe de acordo com a quantidade,
qualidade e época que entrega sua produção. No
caso da uva, que é transformada em vinho e é
comercializado até com mais de um ano após a
entrega da produção, a cooperativa se utiliza de
crédito bancário para pagar o produtor.
A vantagem maior do cooperado é a garantia de
local para entrega da produção. Os preços repassados pela cooperativa são os preços de mercado, sendo bem próximos aos pagos por outras empresas do
setor. “Convém destacar que a cooperativa funciona
como um regulador de preços e certamente os produtores receberiam menos pela produção, caso ela
não existisse. A venda para outras empresas do ramo
ocorre porque historicamente a cooperativa não tinha capacidade para receber toda a produção”, diz
Conte. Com a reforma estatutária ocorrida em 2007,
a reestruturação buscada é no sentido de fidelizar o
cooperado, sofrendo menos influência de variações
de safras e preços.
25
COOPERATIVISMO
Cooperativismo
contemporâneo
As frutas são produzidas por pequenos agricultores com mão-de-obra familiar em propriedades com 10 a 30
hectares que são assistidos pela equipe
de agrônomos, veterinários e técnicos
agrícola do quadro funcional, que repassam as tendências e evoluções do
sistema produtivo. A cooperativa
Pradense é a segunda empresa do município de Antônio Prado em arrecadação de tributos, gera 75 empregos permanentes e 50 temporários. “Temos
que considerar também que são mais
de mil famílias de pequenos agricultores; se cada família for composta de
três pessoas, são mais de 3 mil pessoas
envolvidas no processo produtivo”,
diz Conte.
Gestão profissionalizada com foco nos negócios, intercooperacão, valorização e investimento no capital humano e preocupação com a comunidade. Estas são as quatro tendências que
norteiam o cooperativismo contemporâneo e
retratam a força e a representatividade do setor hoje na economia do País, segundo Márcio
Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB Organização das Cooperativas Brasileiras.
“A cooperativa é uma ‘empresa’ que tem uma
forma societária diferente, mas, infelizmente,
como outros setores da economia já tivemos
casos de insucesso por causas diferenciadas, sejam, por exemplo, por políticas públicas não
adequadas, até falta de comprometimento e
profissionalização. Estamos trabalhando para
que isso não ocorra”, argumenta.
Freitas diz que por suas características intrínsecas, as cooperativas promovem justiça social
e desenvolvimento econômico simultaneamente. “São organizações diferentes, sociedades de
pessoas e não de capital. É esse conjunto de
fatores que faz do cooperativismo uma força
econômica transformadora e traz para o setor
um número cada vez maior de adeptos”.
As cooperativas brasileiras têm consolidado cada
dia mais seu papel e sua força representativa
como movimento organizado. A OCB tem sua
representação há 37 anos, pela Lei 5.764/71.
Freitas lembra que os associados têm também
no Serviço Nacional de Aprendizagem do
Cooperativismo (Sescoop) uma ferramenta para
capacitação e desenvolvimento do capital humano, o que contribui diretamente para o crescimento do setor.
Esse é o nome de um programa de
desenvolvimento do agronegócio gaúcho, uma parceria do Sebrae Rio Grande do Sul, Senar/RS e Federação da
Agricultura do Estado. Hoje, a atuação
é em nove cadeias produtivas,
estruturadas por meio de 33 projetos.
Entre elas, está a fruticultura, que representa sete projetos, contemplando
36 grupos e 910 produtores.
A atuação no programa é 100% capitaneada por meio de um trabalho
coletivo, integrado com todos os demais
parceiros regionais, resultando em trabalho estruturado, com resultados e
metas de curto, médio e longo prazos.
“Sem dúvida, hoje, sendo nossa premissa a coletividade, as associações e cooperativas são uma realidade de trabalho em nossos grupos, além de muitas
delas terem sido criadas através dos
grupos”, explica Alessandra Loiacono
Loureiro de Souza, coordenadora
setorial de Agronegócios do Sebrae-RS.
“Acreditamos, sim, que em qualquer
modelo coletivo, seja ele formal ou informal, os produtores têm muito a ganhar, desde o processo de capacitação
tecnológica até o acesso a mercado,
como, por exemplo, garantir uma escala de produto, realizar uma diferenciação de produto seja por padrão,
certificação e até embalagens adequadas”, ressalta Alessandra.
26
S E R V I Ç O
JUNTOS PARA COMPETIR
Cooperfruto: (63) 3355-1427
E-mail: cooperfruto@uol.com.br
Coagrosol: (16) 3263.9393
E-mail: coagrosol@coagrosol.com.br
Coopernova: (66) 3534-1033
E-mail: cooperativa.agrope@terra.com.br
Coofrulapa: (77) 3498.4245
E-mail: coofrulapa@coofrulapa.com.br
Cooperativa Agrícola dos Produtores de Vinho- Jundiaí- AVA
E-mail: contato@vinhoartesanaljundiai.com.br
Cooperativa Pradense: (54) 3293.1309/1055
E-mail: cooperativapradense@nol.com.br
OCB/Sescoop: (61) 3325-2260
Site: www.brasilcooperativo.coop.br
AGROINDÚSTRIA
NEGÓCIOS DO
CAJU
Apesar de seu carro-chefe ser a produção de castanhas, o
cajueiro produz frutos e possibilidades de renda para os
produtores do Nordeste brasileiro, que lançam mão de
pesquisa, incentivo e criatividade, garantindo bons resultados
MILTON DALMOLIN/COOPERNOVA
Fabiana Guedes
Árvore tropical originária do Brasil, o cajueiro
mantém-se concentrado no Nordeste. Sinônimo de
identidade regional, é dos Estados do Ceará e do
Piauí que sai a maioria de produtos elaborados a
partir da árvore, fazendo do país o terceiro maior
produtor mundial de amêndoa de castanha de caju,
segundo Antônio José Carvalho, diretor presidente
do Sindicaju.
O Brasil possui também o maior exemplar de
cajueiro e o maior plantador mundial de cajus. Constando no Guiness Book, o cajueiro gigante está em
Parnamirim (RN), Rio Grande do Norte, a 14 quilômetros da capital Natal. A árvore cobre uma área
de cerca de 7.500 m2, com um perímetro de cerca de 500 metros. Já o maior plantador do mundo,
Jaime Tomaz de Aquino, tornou-se um exemplo vivo
da capacidade empreendedora do empresário nordestino, graças à introdução do cajueiro-anão. Tal
espécie permite uma produção mais precoce e ocupa menos espaço, otimizando a colheita.
Jaime Aquino era caminhoneiro quando descobriu que levar castanhas de caju
do Ceará para São Paulo era
um bom negócio. Começou, então, a vender sacas de castanhas nas confeitarias e fábricas de
chocolates. Incentivado pela clientela
paulista, teve a
idéia de instalar
uma indústria
de beneficia-
mento de castanha de caju, que fundou em 1962, sob
o nome de Companhia Industrial de Óleos do Nordeste-Cione. Para encerrar o ciclo, o empresário entrou para a área da produção, sendo hoje quem mais
planta caju no mundo, numa área de aproximadamente
60/70 mil hectares, distribuídos em 12 fazendas nos
Estados do Ceará e Piauí. Sua indústria gera hoje mais
de 7 mil empregos diretos, com uma exportação que
atinge cerca de US$ 16 milhões anuais.
A indústria do caju tem se desenvolvido e criado alternativas interessantes pelo Nordeste do Sr.
Jaime e dos pequenos produtores. Para sentir o
peso dos cajueiros, dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), em 2007, apontam
uma área plantada de 741.607 hectares, com
1.332.110 toneladas colhidas, envolvendo 300 mil
produtores, dos quais 255 mil são agricultores familiares. No mesmo ano, segundo ainda o IBGE, a
produção de castanha de caju foi de 132.885 toneladas. Para este ano, a previsão é que a área cultivada passe a 753.919 hectares, com a produção de
castanha alcançando 271.561 toneladas.
De acordo com Antônio José Carvalho, o parque industrial de castanha de caju está concentrado
no Ceará, com dez plantas industriais, representando 85% do processamento da matéria prima.
As outras plantas industriais estão localizadas no Piauí
e Rio Grande do Norte. Para ele, “a cadeia produtiva do caju tem importância significativa para o Nordeste. As atividades de produção agrícola, industrialização, comercialização, transporte e serviços
correlatos, envolvem cerca de 200 mil empregos,
gerando mais de R$ 600 milhões no agronegócio e
27
contribuindo para a preservação ambiental com a
manutenção e expansão dos pomares”, enfatiza.
BENEFÍCIOS NUTRICIONAIS
EMBRAPA AGROINDÚSTRIA TROPICAL
Apesar de grande parte desse negócio se concentrar em torno da amêndoa, nem só de castanhas se faz um bom negócio. Pesquisas e incentivos
têm impulsionado o setor e criado alternativas de
produtos à base do pedúnculo, que é a parte utilizada em casa para fazer sucos e doces e se trata, na
verdade, de um pseudo-fruto. Segundo a pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical, Janice
Ribeiro Lima, “cerca de 88% da produção do
pedúnculo não é utilizada”, totalizando uma perda
significativa em todo o Nordeste.
A pesquisa de Janice consiste na produção de
hambúrgueres de caju. A Embrapa Agroindústria
Tropical, em parceria com o Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural e a Prefeitura Municipal de
Beberibe (CE), desenvolveu o estudo para analisar
a viabilidade de produção desse hambúrguer produzido a partir da fibra do pedúnculo de caju em
substituição à proteína animal, acrescido de temperos e outros ingredientes. A caracterização físicoquímica do produto, a aceitação sensorial do hambúrguer de caju e a avaliação microbiológica para
acompanhamento das suas características
nutricionais durante armazenamento congelado fizeram parte do trabalho, que resultou num produto com alto teor de fibras e baixo teor de gordura.
As muitas possibilidades do caju: pasta, barra,
suco e até hamburguer
28
Numa região marcada
pela desnutrição, “a divulgação da forma
de produção
do hambúrguer
e de suas características são
resultados importantes, pois
Pesquisadora da Embrapa,
fazem com que
Janice Ribeiro Lima
a população
conheça uma
forma diferente de consumo”, avalia Janice, que já
pode medir o resultado do seu produto. Numa escala que varia de 0 a 9, que vai do não aceitável ao
excelente, o hambúrguer recebeu avaliação 6. “A
incorporação de temperos da culinária local e o hábito de consumo podem melhorar a aceitação”, diz.
Muitos outros produtos têm sido testados pela
instituição. Um exemplo de utilização completa do
fruto é a barra de caju. Altamente nutritiva, concentra um grande aporte de carboidratos, proteínas, vitaminas e fibras, e supre um crescente interesse pelo mercado de barras de frutas e cereais.
Para a formulação da barrinha, são usados, além da
amêndoa (castanha), fibra do pedúnculo, mel de caju
e óleo da amêndoa. O resultado é um produto com
alto teor de vitamina C, seis vezes maior do que a
laranja, e com o triplo de teor de proteína encontrado nas barras de frutas tradicionais. O produto
também é uma excelente fonte de fibras e possui
vida de prateleira em torno de um ano.
Já, a pasta de amêndoa é uma alternativa para
aproveitar castanhas quebradas, que não seguem para
venda por não alcançarem preço competitivo no mercado. A Embrapa desenvolveu o produto a partir dessas amêndoas moídas com açúcar, lecitina de soja e
sal, que pode ser consumida da mesma maneira que
a manteiga de amendoim, acompanhando pães e biscoitos. O resultado é um produto com maior valor
agregado e altos teores energético e protéico, que
pode ser armazenado por até dez meses.
A barra de caju e a pasta de amêndoa ainda não
estão sendo industrializadas. A tecnologia da barrinha
está disponível na Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica
Agropecuária e à Transferência de Tecnologia –
Proeta. Mais informações estão no site do programa http://www.cnpat.embrapa.br/proeta
Outro destino interessante para a fibra é a ração para ruminantes. Para o desenvolvimento, a
Embrapa levou em conta que o resultado do
EMBRAPA AGROINDÚSTRIA TROPICAL
AGROINDÚSTRIA
agronegócio dos ruminantes passa, necessariamente, pela diminuição dos custos de produção. Em
vários sistemas de criação de animais, a alimentação é responsável por mais de 40% dos custos.
Dentro deste enfoque, a pesquisa tem investido na
busca de ingredientes que aliem qualidade
nutricional, preços acessíveis e disponibilidade. Resíduos agroindustriais e perdas nas áreas de plantio
de frutas podem se transformar em alternativas viáveis para compor rações balanceadas para ruminantes, especialmente ovinos e caprinos.
Atualmente, a ração à base de caju é fabricada
pela Franbel, que está situada na zona rural de Pacajus
(CE). Os interessados em mais informações podem
entrar em contato pelo telefone (85)3348-0081
ou pelo e-mail industriafranbel@terra.com.br
BENEFÍCIOS SOCIAIS
Outros produtos interessantes e inimagináveis à
base de caju têm sido desenvolvidos pelos estados
do Nordeste. A Emater PI – Empresa de Assistência e Extensão Rural do Piauí -, atua junto aos produtores e suas famílias desde 1966. Para o atual diretor
geral do órgão, o Engenheiro Agrônomo Francisco
Guedes Filho, “a intenção da Emater é tirar as famílias
da linha de pobreza”. Para que isso ocorra, é preciso
que cada indivíduo receba R$ 100,00/mês. Pela média, as famílias do Piauí são compostas por 5 pessoas.
Baseada nessa realidade, a Emater realizou um
estudo e concluiu que seria possível alcançar a meta,
se cada família cultivasse cinco hectares de caju. “Daí
a importância de trabalhar com a diversidade de
produtos, que sempre foi sinônimo de desenvolvimento”, avalia o diretor. Por isso, produtos como
sopa, patê, moqueca, carne, além da tradicional
cajuína, são desenvolvidos por uma equipe
multidisciplinar junto aos agricultores familiares, buscando, segundo Guedes, “aumentar a renda, a produção e a produtividade agrícola, melhorando as
condições de vida dos pequenos produtores”.
A cajuína é um produto típico do Piauí e é definida pela Instrução Normativa IN 01, de 07/01/
2000, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento como o suco de caju clarificado, sendo
uma bebida não fermentada e não diluída, obtida
da parte comestível do pedúnculo por meio de processo tecnológico adequado. A agroindústria de
cajuína está disseminada no estado, caracterizandose como atividade de administração familiar, que
foi iniciada para atender ao consumo próprio, transformado-se posteriormente em uma opção de negócio, que chega a representar uma importante fatia da renda familiar.
A Embrapa Agroindústria Tropical começou, em
1994, a articular agentes produtivos da cadeia produtiva
do caju para
ajudar no processo de concepção e implantação das
primeiras
minifábricas de
beneficiamento
de castanha,
Cursos
ensinam o
dentro de um conceito moderno de agronegócio. Em
parceria com a Companhia de Produtos Alimentícios aproveitamento
integral da
do Nordeste (Copan), do grupo J. Macedo, e a F. A.
fruta
Chagas, foi desenvolvida uma linha de equipamentos
de baixo custo para o processamento da castanha de
caju. Isso incluiu a capacitação de mão-de-obra por
meio de uma fábrica-escola de beneficiamento,
construída no Campo Experimental da Embrapa, em
Pacajus (CE), com financiamento do Banco Mundial.
Esse modelo apresenta índices que alcançam até 85%
de amêndoas inteiras, contra 55% do índice alcançado no corte mecanizado das indústrias tradicionais.
EMATER/PIAUÍ
AGROINDÚSTRIA
ALTERNATIVAS PARA
APROVEITAMENTO
Antônio José Carvalho, do Sindicaju, cita outras
formas de aproveitamento do caju:
- O restolho da madeira, decorrente dos tratos
culturais, é fonte de energia primária em padarias, cerâmicas, caldeiras, etc.
- O LCC (Líquido da Casca da Castanha) é
usado como base de tintas, lonas de freios e
composição de aglomerado de madeira. Pesquisadores estudam outras aplicações desse
líquido, com isolamento de moléculas especiais para formações de aditivos, para substituição do óleo mineral usado em transformadores elétricos pelo LCC. O produto não
deve ser confundido com o óleo da amêndoa. Este é um óleo precioso e de igual qualidade ao azeite de oliva, porém não existe
aplicação como tal. Atualmente, o óleo de
castanha de caju é usado em larga escala nas
indústrias de tintas e automotiva e está em
estudo por pesquisadores da Universidade de
Brasília para ser inserido na composição de
protetores solares.
FONTES INTERESSANTES PARA O CAJU:
http://www.emater.pi.gov.br/index.php
www.cnpat.embrapa.br
29
FITORREGULADORES
EM AÇÃO
Uso de hormônios vegetais sintéticos pode mudar características,
acelerar ou retardar o crescimento de frutas nas mais variadas etapas
de desenvolvimento
Daniela Mattiaso
“Os fitorreguladores são substâncias sintéticas
que, aplicadas externamente nas plantas,
provocam efeitos fisiológicos semelhantes aos
hormônios naturais. Por serem substâncias bastante instáveis nas condições ambientais, são feitas fórmulas sintéticas com ação hormonal”, explicam os
pesquisadores Idemir Citadin, Dr. em Engenharia
Agronômica da Universidade Tecnológica Federal do
Paraná (UTFPR) e Manoel Teixeira de Castro Neto,
professor adjunto e PhD em Engenharia Agronômica da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
(UFRB). Essas substâncias agem em pequenas quantidades e têm o poder de desencadear respostas
fisiológicas, como mudar, acelerar ou retardar o
crescimento e desenvolvimento de uma planta. Entre os fitorreguladores mais utilizados estão o etileno,
conhecido como hormônio da maturação e
senescência (indução da floração); a giberelina, conhecida como hormônio do crescimento, e produ-
Ramos da mangueira compactando a panícula
MANOEL TEIXEIRA DE CASTRO/UFRB
Efeito do PBZ, inibidor de crescimento, na floração
tos com ação de auxina, como o ácido indolácetico
e indolbutírico, que são promotores de raízes em
materiais lenhosos (veja box na página 32).
Os hormônios vegetais sintéticos podem ser
aplicados via pulverização, irrigação, imersão ou
mesmo na forma sólida, em concentrações previamente testadas e definidas em pesquisa, e nas fases
e tecidos vegetais também pré-estabelecidos. Segundo os pesquisadores, “a princípio, qualquer fruteira pode receber aplicação de qualquer regulador de crescimento, mas é preciso que se tenha
em mente a função e modo de ação deste
fitorregulador”. Para eles, outra questão importante a ser avaliada é a real necessidade de aplicação.
”Os fitorreguladores trazem alguns riscos à saúde e
ao meio ambiente e precisam ser tratados como se
fossem remédios.”Como são produtos que agem
rapidamente, é necessário ter cuidado para não usar
uma fórmula ou dosagem errada”, explica Castro
30
TECNOLOGIA
QUANDO VALE A PENA USAR
UM FITORREGULADOR?
“Sempre que o fruticultor tiver necessidade de
alcançar bons preços na entressafra, ou melhorar a
qualidade do fruto quanto a sua aparência e tamanho,” afirma o pesquisador Castro Neto. “Quando
seu emprego resulta em melhoria na qualidade do
produto e também em estabilidade produtiva, sem
causar danos às pessoas e ao meio ambiente, com
aumento de renda para o produtor, vale a pena”,
acrescenta Citadin. Segundo eles, a aplicação dos
fitorreguladores, apesar de aumentar custos de produção, melhora produtividade e qualidade das frutas, características bem remuneradas pelo mercado. “Os custos com o produto a ser aplicado vari-
Fitohormônios podem
ajudar no aumento do
percentual de
enraizamento de
porta-enxertos, segundo
pesquisador Idemir
Citadin
ARQUIVO PESSOAL
Neto. Citadin ressalta que “o processo deve seguir
todos os protocolos internacionais para testes de
produtos, que devem estar devidamente registrados
no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), respeitando-se as legislações nacional e estadual para o registro de agrotóxicos.” Ele explica a
razão: “Embora usados em concentrações e doses muito mais baixas que outros agroquímicos, como inseticidas, herbicidas e fungicidas, podem permanecer resíduos nas plantas, inclusive nas partes comestíveis. Os
riscos de efeitos negativos sobre a saúde humana e o
meio ambiente são pequenos, mas existem.”
A fabricação e o uso de fitorreguladores devem
seguir legislação pertinente, que prevê teste de resíduos e intervalo de segurança durante o período
que vai desde a aplicação do agrotóxico até a colheita. Assim como outros agroquímicos, os
hormônios sintéticos também se enquadram em
tabelas de toxicidade. “Conforme o potencial de risco, são incluídos em classes toxicológicas que vão
de I a IV, de maior a menor toxicidade, respectivamente”, explica Citadin.
Entre os benefícios que os reguladores podem
proporcionar à produção de frutas estão a antecipação ou o retardo do florescimento; o aumento
da frutificação efetiva; diminuição do porte da planta, facilitando a colheita; aumento do tamanho da
fruta; melhora da aparência em relação ao formato
da fruta; promoção do desfolhamento da planta,
diminuindo custos com mão-de-obra; e aumento
da conservação pós-colheita. Para os viveiristas, os
fitohormônios podem ajudar no aumento do
percentual de enraizamento de porta-enxertos, o
que segundo o pesquisador Idemir Citadin, é muito
vantajoso, já que a rapidez na formação, no número e comprimento de raízes é fundamental para que
a muda absorva mais água e nutrientes, ficando
melhor nutrida e com mais qualidade.
am muito, existem casos que ultrapassam
R$ 1.500,00 por hectare. No caso da indução floral do abacaxi, por exemplo, o custo é de cerca de
R$ 400,00 por hectare, representando cerca de 4%
do custo de produção por hectare. O produtor só
deve adotar a tecnologia, se esta reverter em aumento na renda, ou para minimizar perdas por
eventuais adversidades, como a antecipação ou o
retardo da colheita, que poderá fugir de períodos
de chuva, por exemplo”, ressaltam eles.
Atualmente, muitos produtores já usam
fitorreguladores, principalmente na produção de
abacaxi, manga, banana, uva e maçã. “O melhor
exemplo é a cultura do abacaxi. Sem a aplicação do
etileno, a produção fica mais tardia e desuniforme.
A cultura da banana é outro caso: , aplica-se regulador de crescimento para que fique toda amarelinha”, explica Castro Neto. Há nove anos, o produtor Francisco Cleanto de Castro cultiva abacaxi Pérola, usando fitorregulador. São 45 hectares de área
plantada, que produzem cerca de 30 toneladas de
frutos médios por hectare. A fazenda fica em
Itapororoca, na Paraíba. Segundo o produtor, o uso
de substâncias artificiais para induzir a floração é
muito mais vantajoso do que o natural. “É possível
uniformizar a plantação e fazer a colheita em um
período só. Economicamente é muito melhor, pois
a colheita é feita em apenas uma semana, o que
gasta menos tempo e diminui a mão-de-obra. Depois, comercializa-se toda a produção de uma vez
só, num curto espaço de tempo, aumentando o
poder de barganha, além de disponibilizar o terreno para outras finalidades. A fruta também fica com
um porte físico ideal, uniforme e com qualidade,
sendo mais valorizada pelo mercado”, explica ele.
Outra vantagem, de acordo com o produtor, é que
por meio do fitorregulador é possível determinar
que as frutas fiquem prontas para os melhores períodos de comercialização. “O que é muito bom, já
que o preço do abacaxi flutua muito“, afirma ele.
31
TECNOLOGIA
“Hoje em dia temos bons técnicos para orientar produtores quanto ao uso de reguladores
de crescimento. Mas o mais importante é o interessado ter conhecimento do que o produto
realmente pode causar na cultura,” observa o
pesquisador Castro Neto. Ele sugere aos interessados para buscar informações com professores ou pesquisadores em Fisiologia Vegetal ou
Ecofisilogia em universidades e centros da
Embrapa. Outra dica importante para quem
quer começar é seguir as recomendações técnicas de um engenheiro agrônomo, que conheça bem os estágios fenológicos da cultura (fases
da cultura com repouso, crescimento vegetativo,
pré-florescimento, floração, frutificação, etc), que
deve orientar as fases para aplicação. “Os cuidados devem ser obedecidos, rigorosamente,
sempre respeitando dosagens, concentrações e
Manoel Teixeira
de Castro Neto,
da Universidade
Federal do
Recôncavo da
Bahia (UFRB)
ARQUIVO PESSOAL
PASSOS PARA QUEM
QUER COMEÇAR
intervalos de segurança. Os reguladores de crescimentos são tóxicos como qualquer fungicida, inseticida ou
herbicida, portanto, é preciso cautela com a aplicação.
O uso do equipamento de proteção individual (EPI) pelo
aplicador é indispensável. É necessário ficar atento também ao prazo de carência”, alertam os pesquisadores.
Como agem alguns fitorreguladores
ETILENO - A substância promove indução de floração em algumas frutas. O uso de produtos como etrel (Etefon) e carbureto
de cálcio em plantações de abacaxis induz a produção de
etileno, que age induzindo a diferenciação floral. A substância é mais conhecida como hormônio do amadurecimento, pois
está associado aos mecanismos que induzem o fruto a amadurecer. Em alguns casos, como nas bananas, quando chegam ao
local de distribuição, introduzem etileno em câmaras fechadas com a fruta para uniformizar a maturação, que acontece
cerca de três dias depois. No caso da maçã, para armazenar a
fruta por longo período, o recurso é aplicado para inibir o
amadurecimento. Para isso, emprega-se substâncias inibidoras
de síntese de etileno como o AVG (amino-etoxi-vinil-glicina)
nas maçãs ainda no pomar. Ou, na maioria dos casos, usa-se
substâncias absorvedoras do etileno produzido dentro das câmaras, cuja atmosfera interior passa por um filtro com
permanganato de potássio para absorver o etileno produzido.
O carvão ativado também tem eficiência.
AUXINAS - As auxinas, ou produtos com ação de auxina, promovem divisão celular. Em cultura de tecidos, são empregadas juntamente com as citocininas, em proporções diferenciadas para indução de calos e formação de brotos. Para alongar estes brotos, acrescenta-se ao meio de cultivo, uma
giberelina. Para enraizamento, os brotos são colocados novamente em meio de cultivo contendo auxina (sem giberelina
ou citocinina). Produtos com ação auxinas ou auxinas sinté32
ticas, como o ácido Naftalelo Acético, também são empregados para o raleio químico. Substâncias de ação auxínica empregadas no final do ciclo, próximo ao início da maturação
dos frutos, agem prolongando a vida útil, inibindo a produção
de etileno e, conseqüentemente, a maturação. Os raleantes
químicos, à base de auxina, são amplamente empregados para
reduzir custos com mão-de-obra, quando existe exigência de
raleio. Algumas já são utilizadas comercialmente e outras estão em teste.
CITOCININAS - As citocininas também são empregadas para prolongar a vida de frutos. Alguns experimentos demonstram que
o ácido giberélico em citrus (tangerinas) pode retardar a
maturação em até um mês. O fato é comercialmente importante, para prolongar a oferta de frutos, evitando sazonalidades
e queda de preços. No caso de caquis e de kiwis, substâncias
de ação citocinínica promovem aumento do tamanho dos frutos.
ÁCIDO GIBERÉLICO - No caso das uvas sem sementes, o emprego
do ácido giberélico tornou-se obrigatório. A produção desse
hormônio ocorria na semente; sua função é aumentar o tamanho da baga. Sem a aplicação, a baga não se desenvolve e
fica pequena.
Os únicos casos de hormônio dependentes são as uvas sem
sementes e o cultivo “in vitro” (cultura de tecidos), cujas plantas são totalmente heterotróficas, isto é, não são capazes de
sintetizar o próprio alimento.
Fonte: Pesquisador Idemir Citadin, Dr. em Engenharia Agronômica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
MEIO AMBIENTE
Os polinizadores são essenciais na formação dos frutos e
precisam de habitat para permanecer na propriedade
agrícola, que deve ter paisagem diversificada para sua
procriação e manutenção
ANTÓNIO SCARPINETTI/UNICAMP
Marlene Simarelli
Numa fração de segundos, eles tocam as flores, uma a uma, e deixam no caminho uma nova
fruta. Podem ser beija-flores e outras pequenas aves,
abelhas, mamangavas, morcegos, besouros, mariposas e outros insetos. Eles são os polinizadores,
cuja presença é essencial para a reprodução das fruteiras, de maneira geral, que não se beneficiam da
ação do vento, como o arroz, o trigo e o milho.
Mas a falta de habitat na propriedade agrícola os
expulsa para outras áreas e reduz a produção. “A
polinização é essencial para as plantas produzirem
frutos e tem uma importância econômica enorme.
Boa parte da produção agrícola depende de
polinização por animais”, explica o biólogo
Bráulio Ferreira de Souza Dias, do
Ministério do Meio Ambiente (MMA).
O processo de fecundação das plantas
ocorre de duas
Bráulio Ferreira
de Souza Dias,
polinizadores
têm grande
importância
econômica para
frutas
maneiras distintas. A primeira, através das plantas
denominadas autocompatíveis, feita a partir do
pólen da mesma planta. A outra, com maior ocorrência, depende do pólen vindo de outras plantas,
cujo transporte é feito por animais.
Bráulio Dias observa que não há uma receita
única para todas as fruteiras e não existe um
polinizador universal. “A abelha Europa, a apis
melifera, é a que mais se aproxima dele, mas mesmo assim não atua em todas as plantas”. Ele
exemplifica: “o maracujá, com suas flores grandes,
somente as abelhas mamangavas conseguem
polinizar. A Europa apenas visita a flor do maracujá
– é uma espécie de ladrão de pólen, mas não
poliniza a flor. A presença de abelhas Europa no
maracujá é negativa. Já, a flor do caju oferece pouca atração para o polinizador – o mais interessante
para esta fruteira são algumas abelhas solitárias, que
precisam também de uma fonte de óleo para abastecer seu ninho. Se houver somente a plantação de
caju, não haverá polinização, portanto o cajueiro
precisa de uma consorciação, por exemplo, com a
acerola. Ambas, são exemplos da situação complexa da polinização.” Segundo Dias, falta ainda muita
informação para o produtor em relação aos insetos
importantes para a polinização das culturas. “A família das anonáceas (graviola, araticum, atemóia,
pinha, fruta do conde) precisa da presença de besouros. O agricultor desavisado vê besouros na planta, pensa que é praga e aplica inseticida, matandoos, por falta de informação.”
O déficit da polinização pode acarretar frutos
33
pequenos, frutos defeituosos ou, até mesmo,
causar ausência total de frutos. Estudos mostram também que a baixa fecundação pode
afetar a qualidade e o sabor. Dias relata
que “freqüentemente agricultores detectam problemas de produção de
frutos e imaginam que as causas estão relacionadas à falta de água, de
fertilização etc, mas raramente se perguntam se não é falta de polinização.
Quando o morango não é polinizado fica
com a ponta do fruto dura, por exemplo”.
Na falta de polinizadores, o serviço de extensão agrícola recomenda a polinização manual,
principalmente, em regiões desmatadas. Segundo o biólogo, este processo “funciona, mas é
caro. Com elevação de custos de mão-de-obra
no Brasil, cada vez vai ficar mais caro”. Ele avalia que, além da produção, a oferta de
polinizadores em abundância é importante, pois
reduz custos de mão-de-obra.
MANGA E MARACUJÁ
O estudo sobre o tema no Brasil começou há
50 anos com a cultura do café, sendo retomado
nos anos 70, em Santa Catarina, com pesquisas em
maçãs e nos anos 80, com o melão, no Nordeste.
O grande avanço aconteceu a partir dos anos 70,
com a criação dos cursos de pós-graduação sobre
polinizadores nos institutos de Biologia. Recentemente, as escolas de Agronomia introduziram o
tema, mas ainda de maneira tímida. Há dois anos,
o Ministério do Meio Ambiente, por meio do Probio,
investiu em projetos pilotos sobre o comportamento
de polinizadores, em parceria com universidades e
órgãos de pesquisa em diferentes regiões e culturas, entre elas cupuaçu, açaí, murici, mangaba,
acerola, manga, maracujá, goiaba, umbu, maracujá, araticum, tomate em estufas e em campo.
O aumento do número de polinizadores reflete
na produção das mangueiras, assim como na do
maracujá. Essas são as conclusões do projeto com
ambas as fruteiras, coordenado pela pesquisadora
Lúcia Kiill, da Embrapa Semi-Árido,parte da iniciativa de Polinizadores do Probio que contou com a
participação de colaboradores, como a Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O projeto analisou
os polinizadores presentes em mangueiras Tommy
Atkins e Haden e em três espécies de maracujá
(amarelo, doce e o maracujá-do-mato, nativo da
caatinga). Desenvolvida no pólo frutícola Petrolina
(PE)/Juazeiro(BA), a pesquisa foi conduzida, no caso
da mangueira, em três fazendas empresariais (de
50 a 120 hectares), voltadas para a exportação da
34
CUPUAÇU: ALDENORA LIMA QUEIROZ
MANGA E MARACUJA: LÚCIA KIILL/EMBRAPA SEMI ÁRIDO
MEIO AMBIENTE
Abundância de polinizadores elimina
polinização manual e influi na produção
fruta in natura. Destes, cinco hectares eram de
mangas em cultivo orgânico. Para o maracujá, os
estudos ocorreram em áreas de agricultores familiares (6 a 10 hectares) dos projetos de Irrigação Senador Nilo Coelho e Maniçoba, com produção destinada ao mercado local, e em áreas experimentais
da Embrapa Semi-Árido.
Para o maracujá, a produção de frutos em condições naturais indicou que há limitação de seus
polinizadores, as mamangavas. Lúcia Kiill afirma que
“houve necessidade de se incrementar o número
de visitantes e a freqüência de visita para o sucesso
da cultura sem a utilização de técnicas manuais de
polinização”. Já no cultivo de mangas, a pesquiadora
destaca: “abelhas melíleras tiveram um comportamento ativo nas estações seca e chuvosa, mas as moscas
estiveram presentes apenas em uma delas”. Ela acrescenta que “as plantas invasoras de cultivo servem como
recurso alimentar alternativo para os polinizadores,
favorecendo a permanência deles. Porém a aplicação
de agroquímicos interferiu no comportamento reduzindo a diversidade e freqüência de visitas”.
PESQUISA COM CUPUAÇU
A cultura do cupuaçu é de grande importância
para a região Amazônica e está presente em praticamente todos os sistemas agroflorestais, bem como
o açaí. O projeto para estudos com a planta foi
implementado na região de Manaus e seu entorno,
em pomares de pequenos agricultores e em uma
área experimental do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). De acordo com o coordenador do projeto e pesquisador do Inpa, Rogério
MEIO AMBIENTE
Gribel, apesar de ser nativo, o cupuaçu não ocorre
espontaneamente na região da Amazônia central.
“Os experimentos mostraram que árvores saudáveis, em boas condições nutricionais, produziam número de frutos abaixo do potencial. Atribuímos este
comportamento à deficiência de polinização, pois
quando polinizadas manualmente, estas árvores aumentam muito sua produção”, explica. O cupuaçu
é polinizado por pequenas abelhas nativas, sem ferrão. “Sem elas, a produção da cultura é zero, pois
nesta planta há necessidade de polinização cruzada
(ou seja, o pólen deve ser levado da flor de uma
árvore para a flor de outra) para formação de frutos. Polinização entre flores da mesma árvore não
resulta em fecundação e não há produção”, ressalta
Gribel. A pesquisa mostrou que as pequenas abelhas, normalmente, são desprezadas pelo agricultor, pois ele ainda não está informado sobre a importância delas e não as relaciona com a fecundação das flores e à formação de frutos do cupuaçu e
de outras fruteiras tropicais. ”Estas pequenas abelhas, que ocorrem mesmo em áreas de vegetação
secundária e onde já houve interferência do homem,
são agentes de grande importância econômica”,
observa. Para o pesquisador, os produtores estão
mais cientes da polinização feita por abelhas criadas
em cativeiro, como a européia (Apis melífera) e as
jandaíras (gênero Melípona), mas ambas não
polinizam o cupuaçu. Gribel afirma ter encontrado
algumas áreas com deficiência destes agentes
fecundadores em função do uso de inseticidas em
demasia, embora haja flora nativa relativamente
preservada em torno das fazendas e dos pomares.
Segundo artigo assinado pelos pesquisadores da
Embrapa Amazônia Oriental, Giorgio C. Venturieri,
Silvane T. Rodrigues e Charles A. B. Pereira, “o
açaizeiro, por ser uma planta que oferta razoável
quantidade de pólen e néctar e, por possuir seu
pico de floração no período de menor oferta de
recursos florais por outras espécies botânicas, constitui-se também como uma importante espécie apícola
para a região Amazônica”. Para sanar a deficiência
dos polinizadores da cultura do cupuaçu, instituições
estão desenvolvendo tecnologia de manejo das colônias de abelhas nativas a exemplo do que já existe para
as melíferas. O Inpa possui um meliponário com 50
colônias para cruzamento. Os interessados podem
obter informações na Coordenação de Extensão
pelo telefone (92) 3643-3135.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) está
desenvolvendo programa de longo prazo em parceria com a FAO (Food and Agriculture
Organization), o Ministério da Agricultura, universidades e órgãos estaduais, para estabelecer uma
rede de experimentação e polinização na agricultura com culturas de importância nacional e regional.
Segundo Bráulio Dias, “estudos mostram que o
produtor pode ter ganhos de 20%a 50% de produtividade com oferta adequada de polinizadores
na laranja, maçã, uva e melão”. Para conhecer os
projetos pilotos, visite o site www.mma.gov.br/
probio e acesse subprojetos apoiados.
Para não limitar os polinizadores
Eles precisam ter condições favoráveis de se manter no ambiente a fim de visitar as fruteiras e demandam, também, um
local para seus ninhos. Muitas abelhas nativas brasileiras fazem
ninho em árvores ocas. Há abelhas que precisam de areia, de barranco; outras que fazem ninhos nas raízes de plantas epífitas (aquelas que se apóiam em outras para viver, como as orquídeas).
Já os besouros, na fase larval, vivem no solo se alimentando de
raízes de gramíneas. Em culturas com épocas de floração bem
definidas, como a maçã, é preciso manter fontes de alimentos
para que sobrevivam e completem seu ciclo de vida ao longo do
ano. O fruticultor pode tomar cuidados simples como:
- Manter remanescentes de florestas, áreas de cerrado, de campo, áreas gramadas, com solo exposto e plantas complementares (como o exemplo do caju e da acerola)
- Não atear fogo
- Reduzir e até eliminar agrotóxicos, substituindo-os por controle biológico e outros manejos, pois polinizadores são muito sensíveis a eles. (Estudos comprovam que no cultivo orgânico há maior diversidade)
- Ao usar agroquímicos, optar pelos menos tóxicos aos
polinizadores, particularmente, abelhas nativas e melíferas.
- Ter muita atenção para não coincidir horário de abertura das
flores e visitação dos polinizadores com horário da aplicação.
- Evitar aplicação no período da manhã, quando ocorre maior
visitação. Aplicações devem ser feitas, de preferência, no final da tarde.
- Manejar plantas invasoras da cultura para que sirvam de fonte
alimentar e de abrigo aos inimigos naturais.
- Suplementar a visitação dos polinizadores colocando colméias, no caso do plantio de mangas, ou substrato para a construção de ninhos, em maracujá.
- Identificar os ninhos (que ocorrem em ambientes específicos
como cupinzeiros, troncos de palmeiras, troncos ocos) e não
destruí-los
- Facilitar a introdução de ninhos nos plantios para aumentar a
taxa de polinização.
35
OPINIÃO
AENDA
RESÍDUOS NEM TANTO PERIGOSOS
Tulio Teixeira de Oliveira
Diretor Executivo da Aenda (Associação
Brasileira dos Defensivos Genéricos)
A Anvisa divulgou recentemente o resultado anual do último levantamento em
todo o país do Para (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos) e a imprensa destacou com alarde que tomates, morangos e alfaces estavam contaminados com teores acima
de 40%. No espaço desse artigo queremos tranqüilizar agricultores e consumidores, em duas abordagens:
1ª Abordagem – Dados Desvirtuados
As irregularidades apontadas são oriundas
de duas situações: uma é a detecção de
resíduos acima do LMR (Limite Máximo de
Resíduo) e outra é o uso de agrotóxico sem
a devida recomendação no rótulo/bula para
determinada cultura agrícola.
• A maior parte dos altos índices encontrados no levantamento da Anvisa
está relacionada com o uso irregular
de agrotóxico não indicado para uma
determinada lavoura. Ora, a praga não
espera pelo registro e o agricultor
precisa salvar seu patrimônio e recorre a produtos eficazes contra o inseto,
o fungo ou a erva daninha em questão,
mesmo que em seus rótulos apareçam
outras culturas e não aquela que está
cultivando. Não se pode rotular de contaminação esse uso, pois não há risco
explicitado de ultrapassagem do LMR.
Os rótulos/bulas não indicam todas as
culturas, porque o sistema brasileiro é
irracional, nesse particular, e exige estudo de resíduos em cada cultura e não
36
em grupos de culturas, como recomenda a FAO. E um estudo de resíduo custa
cerca de R$ 60 mil, para cada uma das
muitas pragas em uma cultura.
• Uma pequena parte da irregularidade
é originada do uso, pelo agricultor,
de dosagem acima da recomendada ou
por aplicação mais perto da colheita
que o definido no Intervalo de Segurança, também informado no rótulo/
bula. Os levantamentos de anos anteriores indicavam contaminação bem
baixa de resíduos acima do LMR. Esse
ano a Anvisa não divulgou a tabela
completa e o público não pode aferir
a real participação do abuso na aplicação. As autoridades preferiram somar
as duas irregularidades, o que no nosso entender é o mesmo que somar abacaxi com banana. Só dá salada! Essa
divulgação da forma que aconteceu não
foi uma atitude responsável.
2ª Abordagem – As Margens de Segurança
Mesmo esses usos indevidos, que ocasionam resíduos acima do LMR estabelecidos,
não são tão perigosos como à primeira vista pode parecer ao público. É disso que
trataremos agora. Os cientistas já prevendo esses erros humanos na hora de aplicar
os pesticidas consideraram grandes margens de segurança no estabelecimento de
um Limite Máximo de Resíduo.
Começa em qualquer teste toxicológico.
Como não podem usar uma infinidade de
animais de experimentação para reduzir a
incerteza estatística, eles aumentam a
dose maior testada. São, portanto, administradas doses fora da realidade do uso
do pesticida. Aí surge o primeiro e grande
fator de segurança.
Um incrível acervo de estudos toxicológicos,
farmacocinéticos e de metabolismo em toda
a vida dos animais de experimentação serve
para fixar qual a dose que não apresenta
qualquer efeito adverso no animal mais sensível (se os efeitos em ratos forem maiores
que em cães, os dados dos ratos é que serão
utilizados). Percebam que, aqui, foi introduzido mais um fator de segurança.
Nesses estudos os resultados diferem de
animal para animal, entre os da mesma
espécie. Logo é bem possível que isso vá
ocorrer nos humanos. Os cientistas, então,
introduziram um fator de segurança da
grandeza de 10 vezes. Não esqueça que os
fatores vão se acumulando.
Na dúvida se os resultados em cobaias serão os mesmos nos humanos, foi agregado
mais um fator de grandeza 10, em razão
da comparação dos perfis farmacológicos
entre espécies. Desta maneira surge a fórmula NOAEL / 10 x 10 = Ingestão Diária
Aceitável (ADI) para humanos. Observe que
esses fatores de segurança não foram somados, mas multiplicados...por segurança.
O LMR acima comentado é a concentração
máxima permitida de um resíduo de
pesticida aceito em cada tipo de alimento. O LMR é obtido com testes reais em
campo, seguido de análise do alimento
colhido com casca e nó, como se diz prosaicamente. No entanto é sabido que desse alimento só é aproveitado 70% em média. Por segurança, os cientistas não dão
esse desconto na fixação do LMR. Além
disso, é realizada uma curva de resíduo
correspondente a aplicações do produto em
diversos estágios do ciclo da planta para
definição do Intervalo de Segurança em um
determinado ponto antes da colheita; pois
bem, para o LMR é levado em conta o maior resíduo detectado nessa curva e não
aquele do ponto definido como Intervalo
de Segurança. É mais um sobre-fator de
segurança. No Brasil, adiciona-se um outro componente de segurança, qual seja a
dose dobrada em testes de campo, fato que
alarga e muito a faixa de segurança.
Completada essa operação, compara-se o
valor de resíduos obtido da soma das
ingestões diárias versus a ADI, obtida nos
testes toxicológicos acima relatados. Se o
valor de resíduos for menor ou igual a ADI,
tudo bem; se for maior, sinal vermelho.
Talvez o correto fosse amarelo, porque na
verdade trata-se de uma superestimação.
É preciso ressaltar que (a) apenas uma
parte da safra colhida é tratada com
pesticida; (b) a maior parte da cultura tratada contém resíduo abaixo do LMR; (c)
os resíduos geralmente são reduzidos no
armazenamento, na preparação dos alimentos ou no processamento industrial (inclusos aí: lavagem, secagem, fermentação,
refinamento, cocção, etc.).
Releia o artigo, caro leitor, por favor, e agora
some quantos fatores de segurança foram
agregados. Com toda essa vasta barreira de
segurança, os cientistas dormem tranqüilos.
Pode dormir você também!
Ver nota relacionada em “Campo de Notícias”
na página 10.
AGENDA
15 a 18 • FRUTAL 2008 - 15ª SEMANA INTERNACIONAL DA
FRUTICULTURA, FLORICULTURA E AGROINDÚSTRIA (Instituto
de Desenvolvimento da Fruticultura e Agroindústria)
Centro de Convenções (Fortaleza/CE)
Info: Inst. Frutal (85) 3246-8126 • geral@frutal.org.br • www.frutal.org.br
set
08
ago
08
11a 20 • FENAIVA - 22ª FEIRA DE NEGÓCIOS DO VALE DO ACARAÚ
(Sebrae/CE)
Centro de Convenções de Sobral (Sobral/SP)
Info: Organização do Evento (88) 3611-8300
hugo@ce.sebrae.com.br • www.ce.sebrae.com.br
23 a 26 • FENAGRI 2008 – FEIRA NACIONAL DA AGRICULTURA
IRRIGADA (Prefeitura Municipal de Petrolina e Valexport)
Porta do Rio (Petrolina/PE)
Info: (87) 3862.9261 • sedectur@hotmail.com
www.fenagri2008.com.br
10 a 15 • XVII REUNIÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA (Embrapa e UFRRJ)
Hotel Glória (Rio de Janeiro/RJ)
Info: Organização do Evento (21) 2179-4577
rbmcsa2008@cnps.embrapa.br • www.rbmcsa.com.br/index.php
10 a 12 • EXPOTRAN 2008 - FEIRA INTERNACIONAL DE TRANSPORTE INTERMODAL E LOGÍSTICO (Ferrari Feiras e Eventos)
Centro de Eventos Expoara (Arapongas/PR)
Info: Organização do Evento (41) 3233-7643
ferrari@ferrarieventos.com.br • www.ferrarieventos.com.br/expotran
14 a 18 • FOOD EXPO
Hong Kong Convention & Exhibition Centre (Hong Kong/China)
Info: Mr. Ng Hei Man, Ms. Wengel Fung, Mr. Chris Lo
(852) 2240-4907 / (852) 2240-4056 / (852) 2240-4584
hm.ng@tdc.org.hk ou wengel.fung@tdc.org.hk ou
chris.yf.lo@tdc.org.hk • http://hkfoodexpo.com
23 a 26 • WORLD FOOD 2008
Expocentr (Moscow/Russia)
Info: Ibraf (11) 3223-8766 • eventos@ibraf.org.br
www.worldfood-moscow.com • www.brazilianfruit.org.br
24 a 26 • IFE AMERICAS (Montgomery Exhibitions Limited)
Miami Beach Convention Center (Miami/USA)
Info: Organização do Evento +(44)-(207)-8863000/8863013
ifefreshproduce@montex.co.uk • www.ifefreshproduce.co.uk
www.americasfoodandbeverage.com
20 a 22 • EXPOPRAG 2008 – 7ª FEIRA INTERNACIONAL DE PRODUTOS E SERVIÇOS PARA CONTROLE DE PRAGAS (Associação
Paulista dos Controladores de Pragas - APRAG)
International Trade Mart (São Paulo/SP)
Info: Organização do Evento (11) 3876-4015 • aprag@aprag.org.br
www.aprag.org.br
09 a 11 • 7ª EDIÇÃO - TECNOBEBIDA LATIN AMÉRICA 2008
(Nielsen Business Media Ltda)
Transamérica Expo Center (São Paulo/SP)
Info: (11) 4613-2019 • ana.elia@nielsen.com ou
maria.a.silva@nielsen.com • www.tecnobebida.com.br
01 e 02 •COOLOGISTICS 2008 (Navigate Conferences)
City Conference Centre (Londres/Inglaterra)
Info: Mike Elsom 44 (0)20 7369-1656 • melsom@navigatepr.com
www.navigateconferences.com
15 a 18 • POLAGRA FOOD 2008 (Polagra Food)
Pavilhão de Exposições de Poznan (Poznan/Polonia)
Info: Ewa Bartkowiak +48 61 869 21 39
ewa.bartkowiak@mtp.pl • www.polagra-food.pl/en
set
08
jul
08
25 A 28 • 3ª FRUTAL AMAZÔNIA E VIII FLOR PARÁ (Instituto
Frutal e Governo do Pará)
Hangar do Centro de Convenções e Feiras da Amazônia (Belém/PA)
Info: Organização do Evento (85) 3246-8126 • geral@frutal.org.br
www.frutal.org.br
internacionais
jul
08
23 a 26 • FISPAL FOOD SERVICE 2008 - 24ª FEIRA INTERNACIONAL
DE PRODUTOS E SERVIÇOS PARA ALIMENTAÇÃO FORA DO LAR
Expo Center Norte (São Paulo/SP)
Info: (11) 3234-7725/4003-3004 • fispal.sp@fispal.com
www.fispal.com
15 a 18 • NOVA EQUIPOTEL 2008 (Grupo Equipotel)
Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi (São Paulo/SP)
Info: Organização do Evento (11) 5574-5166 / (21) 2235-5486
feiras@equipotel.com.br • www.novaequipotel.com.br
30/09 a 02/10 • EXPOPORTOS 2008 – 5ª FEIRA DE LOGÍSTICA,
TRANSPORTE E COMÉRCIO EXTERIOR (Rota Service Ltda)
Pavilhão de Exposições de Carapina (Serra/ES)
Info: Organização do Evento (27) 3319-8110
rotaeventos@rotaeventos.com.br • www.rotaeventos.com.br
ago
08
11 a 13 • 15ª HORTITEC - EXPOSIÇÃO TÉCNICA DE HORTICULTURA,
CULTIVO PROTEGIDO E CULTURAS INTENSIVAS (RBB Promoções &
Eventos)
Recinto de Exposições de Holambra (Holambra/SP)
Info: RBB Promoções e Eventos (19) 3802-4196
hortitec@hortitec.com.br • www.hortitec.com.br
08 a 09 • WORLD FRUIT AND VEGETABLE SHOW
ExCeL London (Londres/Inglaterra)
Info: Green World Exhibitions 0044 1429 864466
enquiry@wfvexpo.com • www.wfvexpo.com
out
08
jun
08
04 a 06 • EXPOFRUIT 2008 - FEIRA INTERNACIONAL DA FRUTICULTURA IRRIGADA (COEX - Comissão Executiva de Fitossanidade)
Sede da UFERSA (Mossoró/RN)
Info: João Manoel e Laura (84) 3312-6939
expofruit@mikrocenter.com.br • www.expofruit.com.br
set
08
nacionais
19 a 23 • SIAL - PARIS (Promosalons Brasil)
Paris Nord Villepinte Exhibition (Paris/França)
Info: Organização do Evento (11) 3168-1868
brazil@promosalons.com • www.sial.fr • www.promosalons.com
24 a 27 • PMA – FRESH SUMIT
Orange County Convention Center (Florida/USA)
Info: Ibraf (11) 3223-8766 • eventos@ibraf.org.br
www.pma.com/freshsummit • www.brazilianfruit.org.br
37
novos
MERCADOS
Ações nos Emirados Árabes, na Coréia do Sul e em
Cingapura buscam ampliar mercado para as frutas
brasileiras e seus derivados
Luciana Pacheco / Fotos Ibraf
Novas fronteiras estão se abrindo para as frutas
brasileiras e seus derivados. Oriente Médio, Coréia
do Sul e Cingapura são importantes mercados, que
estão sendo desbravados pelos empresários brasileiros, interessados em diversificar seus clientes e
países de destino. Atualmente, mais de 70% das
exportações brasileiras de frutas têm como destino
a União Européia, causando grande dependência
deste bloco, que vem aumentando cada vez mais
as exigências para importar frutas do Brasil.
Para conhecer esses mercados ainda pouco explorados pelo setor de frutas, o Instituto Brasileiro
de Frutas (Ibraf), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos
(Apex-Brasil), realiza missões de prospecção desde
2003, tendo iniciado ações de promoção em 2005
com a participação na feira Saudi Food, na Arábia
Saudita. Este ano, a participação de empresas brasileiras nos eventos internacionais Food and Hotel
38
Ásia (FHA), em Cingapura, e na Gulfood, em Dubai, nos Emirados Árabes, possibilitou a geração de
US$ 4,4 milhões em negócios e previsão de futuros
negócios na ordem de US$ 34 milhões.
O gerente de Projetos da Apex-Brasil, Marcos
Soares, ressalta que “a abertura de novos mercados de exportação para os produtos brasileiros é
um dos objetivos gerais da atuação da Agência. No
caso da promoção de exportação de frutas, este
também é um objetivo específico do projeto, de
forma a reduzir a concentração das exportações de
frutas para Europa e Estados Unidos”. Soares acrescenta que “no caso do Oriente Médio, as empresas
brasileiras envolvidas já participam de ações desde
2005, com resultados comerciais muito promissores,
a despeito das dificuldades de logística, sobretudo em
razão da longa distância e das características dos produtos, que são perecíveis. A participação de empresas
do projeto na Ásia é mais recente e os resultados ini-
EVENTOS
ciais deverão ser avaliados para a definição de uma
estratégia de ação diferenciada para a região”.
ORIENTE MÉDIO
Impulsionada pelo petróleo, a economia de alguns países vem crescendo a taxas maiores que a
mundial, gerando maior consumo de produtos e
crescente demanda de alimentos, inclusive de frutas e seus derivados.
Dubai, localizado nos Emirados Árabes, é o 3º
maior porto de re-exportação do mundo – 72%
das importações são re-exportadas para 160 países.
Abu Dhabi investirá US$ 11 bilhões em turismo até
2015. O Qatar possui a 3ª maior reserva de gás natural e a maior renda per capita do mundo: US$ 50 mil.
A Arábia Saudita tem a maior economia do Golfo com
70% de sua população abaixo dos 30 anos, com imensa capacidade de consumo de novos produtos.
“Estes são alguns dos fatores que impulsionaram
a intensificação de ações de promoção nesta região,
como a participação em feiras de negócios, como a
Gulfood”, explica Valeska de Oliveira, gerente executiva do Ibraf. A feira obteve um crescimento de
250% no volume de negócios comparado com primeira participação em 2007 - US$ 400 mil –, assim
como ações de degustação em redes de varejo em
Dubai, que estão sendo negociadas.
CORÉIA DO SUL
A Coréia do Sul se apresenta como uma das
mais promissoras economias mundiais, com projeções de crescimento, em médio prazo, em torno
de 15% ao ano e tem a finalidade de se tornar uma
líder mundial e ingressar no G10, proporcionando
a países fornecedores de produtos, como o Brasil,
um atrativo mercado. Além das mudanças no padrão de consumo, influenciadas por aumentos salariais, sociais, culturais e de estilo de vida, que elevam o consumo de alimentos de alta qualidade e
características de produto fresco, a Coréia também
vem se mostrando aberta para diminuir suas barreiras e facilitar o acesso ao seu mercado.
Visando conhecer este mercado, o Ibraf, em
parceria com a Apex-Brasil, realizou uma
prospecção neste país, em janeiro deste ano, com
o objetivo de analisar oportunidades de acesso ao
39
EVENTOS
mercado sul-coreano, bem como apresentar o mercado brasileiro de frutas e seus
derivados. Foram realizadas visitas a grandes indústrias sul-coreanas de bebidas, importadoras de sucos de frutas e de concentrados, além de lojas de varejos no país, em
embaixada e multinacionais, como a Yakult.
De acordo com o Ibraf há demanda
para frutas frescas, como abacaxi, banana,
laranja e uva de mesa, e para produtos processados, como sucos prontos e concentrados. Entretanto, Rogério Demarchi, diretor agroindustrial do Ibraf, responsável
pela prospecção, alerta que “o imposto de
importação para produtos processados está
entre 30% e 54%, porém a Coréia tem
firmado acordos comerciais com alguns
países com grande redução de impostos,
como o Chile, por exemplo, que o Imposto de Importação está em 17,1% para alguns tipos de sucos concentrados”.
Moacyr Saraiva Fernandes, presidente
do Ibraf, explica que “para as frutas frescas
também há uma forte taxação, além de ser
possível a exportação somente de abacaxi,
banana e coco”. Fernandes ressalta que
“necessitamos de acordos para acessarmos
este mercado, pois não podemos competir com alíquotas de 50%”.
A Gulfood teve um crescimento de 250% no volume de
negócios comparado com a primeira participação em 2007,
que foi de US$ 400 mil
CINGAPURA
Cingapura é conhecida como maior
entreposto comercial do Sudeste Asiático,
atuando como distribuidor para outros países da região – 40% das frutas importadas
são re-exportadas para países vizinhos, –
inclusive Japão e Austrália.
Como o país não tem uma produção
comercial de frutas, há um grande potencial de ampliação da exportação de frutas brasileiras, principalmente para maçã, uva, melão e citrus, sendo laranja para Cingapura e
tangerina para os países vizinhos. As frutas são
bastante demandadas pela população local,
que consome cerca 82 kg/ano.
“Acreditamos no potencial deste mercado e por isso participamos pela terceira
vez na FHA, levando empresas brasileiras
para apresentar seus produtos”, afirma
Valeska Oliveira. O volume de negócios
realizados durante esta feira foi de US$ 3
milhões, bem superior à participação anterior, que rendeu US$ 450 mil.
40
Empresas brasileiras presentes na FHA realizaram negócios de
US$ 3 milhões, este ano, contra US$ 450 mil na edição anterior
ARTIGO TÉCNICO
DIVERSIFICAÇÃO
DE VARIEDADES EM
FIGOS
Pesquisa aponta novas técnicas de enxertia para acelerar
produção de mudas da figueira, abrindo espaço para
introdução de novas variedades e solução de problemas
decorrentes do monocultivo do ‘Roxo de Valinhos’
Fotos e Texto: Rafael Pio* e Edvan Alves Chagas**
A figueira (Ficus carica L.) é uma frutífera pertencente à família Moraceae, originária da região arábica mediterrânea, Mesopotâmia, Armênia e Pérsia,
havendo relatos de cultivos até mesmo a 639 a.C.
Na atualidade, constitui-se uma das mais importantes frutíferas de clima temperado cultivadas, devido a sua larga adaptação climática, rusticidade e
aproveitamento de seus frutos e subprodutos (aproveitamento das folhas na fabricação de bebidas fermentadas, ramos como propágulos e a extração da
ficcina, enzima proteolítica com propriedade
hidrolisante da proteína usada para amaciar carnes).
Há registros de seu cultivo, no Brasil, desde as regiões temperadas do Rio Grande do Sul até mesmo
nas regiões semi-áridas nordestinas.
Turquia, Egito, Argélia, Irã e Marrocos são considerados os maiores produtores e consumidores
mundiais de figo. Já, o Brasil é considerado o maior
produtor do Hemisfério Sul, situando-se como o
14º maior produtor mundial de figos, em área
(3.020 ha), detendo a sétima maior produção
(26.476 t) e a quinta maior produtividade mundial
Pesquisador Rafael Pio, da Unioeste (PR),
durante simpósio sobre figo, em Tavira, Portugal
(8,76 t.ha-1). Esse fato faz com que o País seja o
maior exportador de figos frescos do Hemisfério Sul,
locando sua produção na entressafra dos maiores
produtores e consumidores de figos.
41
ARTIGO TÉCNICO
São Paulo é o único Estado brasileiro
exportador e o maior produtor de figos voltados para a produção de fruta fresca.
Tecnologias e pesquisas foram intensificadas, potencializando o Estado como o maior detentor mundial da produtividade de
figos (24,82 t.ha-1), maior que a Macedônia,
Líbia e Israel, países que detêm as maiores
tecnologias na ficicultura. Porém, analisando a área de cultivo no Estado, nota-se que
houve acentuado decréscimo nos últimos
anos, com redução da área cultivada em
aproximadamente 21% nos últimos 12
anos, passando de 487 hectares em 1994
Enraizamento de toletes 90 dias
Enraizamento de toletes, preparo
para 386 hectares, em 2006. O decrésciapós a estaquia
do nó para transplantio
mo decorre dos sérios problemas
fitossanitários associados à elevada exploração imobiliária ocorrida no principal pólo
ficícula de São Paulo, a região do Circuito das Frutas em relação ao ataque de nematóides. Já, as espécida região metropolitana de Campinas.
es F. cocculifolia, F. pumila e F. racemosa são consideradas tolerantes a nematóides. Essas duas últimas
espécies são encontradas facilmente no Brasil; F.
PROBLEMAS FITOSSANITÁRIOS
Nas regiões produtoras brasileiras, o ‘Roxo de pumila, conhecida como falsa-hera, é uma planta
Valinhos’ é o único cultivar utilizado comercialmen- comum nos muros das residências, conhecida pote, caracterizado pelo seu elevado vigor, rusticida- pularmente como “agarra-agarra”; já, F. racemosa
de e produtividade. Na década de 60, o Instituto se encontra na coleção de Moraceae do Jardim
Agronômico (IAC) detinha cerca de 25 cultivares de Botânico, no Rio de Janeiro.
F. carica, oriundos do Programa de Melhoramento
Genético liderado pelo Pesquisador Orlando
Rigitano, da antiga Seção de Fruticultura Temperada (hoje, Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica
do Agronegócio de Frutas). Porém esses cultivares
foram se perdendo frente ao baixo interesse pelos
ficicultores em diversificar o ‘Roxo de Valinhos’.
Novo método de enraizamento de toletes
pode aumentar em cinco vezes o
rendimento de mudas a partir de estacas
Esse cultivar possui sérios problemas, no que tange aos aspectos fitossanitários. Um deles é o ataque
por nematóides, principalmente Meloidogyne
incognita, denominado nematóide das galhas; e o
Heterodera fici, denominado nematóide dos cistos,
que são responsáveis pela diminuição significativa da
produção das plantas, chegando a limitar o cultivo
da figueira em áreas infestadas. Outros problemas
enfrentados pelo ‘Roxo de Valinhos’ são a ferrugem
da figueira (Cerotelium fici) e a seca-damangueira(Ceratocystis fimbriata Ell. & Halst.).
Quanto à resistência varietal, outras espécies,
como o F. glomerata, possuem imunidade satisfatória
42
NOVAS TÉCNICAS DE ENXERTIA
A Universidade Estadual do Oeste do Paraná
(Unioeste) e o Instituto Agronômico de Campinas
(IAC) iniciaram um programa de medidas de ações,
frente aos problemas considerados emergenciais,
para a ficicultura nacional. Como medida de ação
em curto prazo, estão sendo desenvolvidos ensaios
relacionados ao domínio de técnicas de enxertia da
figueira ‘Roxo de Valinhos’ e ainda técnicas alternativas para o aumento do rendimento de mudas
oriundas de estacas.
Quanto ao enraizamento de toletes (colmo-semente, onde cada nó do ramo origina uma muda),
não há registro na literatura da multiplicação de frutíferas por esse método, que consiste em colocar estacas caulinares totalmente submersas na posição
horizontal, em leito de enraizamento, igualmente
adotado no cultivo de mandioca e cana-de-açúcar.
Como em cada nó da porção mediana do caule da
figueira são encontradas gemas vegetativas, em estado de dormência e o enraizamento da porção
caulinar ocorre em toda a extensão da estaca, e não
somente na base, esse método poderá aumentar o
número de mudas em cinco vezes. Isto porque em
estacas medianas, a distância entre nós é de quatro
centímetros. Enquanto em uma única estaca de 20
ARTIGO TÉCNICO
ção da técnica de propagação da figueira
por tolete, quanto ao aumento de rendimento de mudas em três vezes.
Com o intuito de desenvolver um protocolo de enxertia de mesa em figueira, foram desenvolvidos dois experimentos com
diferentes técnicas de enxertias por borbulhas (borbulhia) e por garfos (garfagem).
No primeiro experimento, estacas lenhosas
de 20 cm de comprimento, da porção mediana dos ramos, coletadas em junho, julho, agosto e setembro, foram enxertadas
por borbulhia tipo placa e “T” normal. No
segundo experimento, os propágulos foEnxertia de figo para mesa, por
Enxertia de figo para mesa, por
ram coletados em julho e as estacas foram
garfagem, após 90 dias
borbulhia, após 150 dias
enxertadas pelo método da garfagem,
imergindo-se metade das estacas em solução de 2000 mg L-1 de AIB por 10 seguncm pelo método convencional da estaquia, em lei- dos e a outra metade permaneceu ausente de tratato de enraizamento, consegue-se uma única muda, mento. Os enxertos foram protegidos com sacos pláspelo enraizamento de toletes poderá se conseguir ticos transparentes (18 x 3 cm), mantidos por diferencinco mudas.
tes tempos: 0, 15, 30, 45 e 60 dias. Posteriormente,
O sucesso dessa metodologia de propagação po- as estacas dos dois experimentos foram enterradas a
derá auxiliar na rápida multiplicação de estacas de 2/3 de seu comprimento em leito de areia, sob telado
novos cultivares de figueira introduzidos de outros (sombrite com 50% de luminosidade). Com os resulpaíses. Em programas de melhoramento genético tados dos experimentos, comprovou-se a validação
para introdução e avaliação de novos cultivares, ge- da técnica de enxertia de mesa em figueira. Para o
ralmente a quantidade de propágulos vegetativos tipo borbulhia, deve-se realizar enxertias em agosto
cedidos é em número reduzido, o que onera os pelo método “T” normal e para a enxertia por
trabalhos de seleção varietal, frente ao longo perí- garfagem, deve-se tratar as estacas com AIB e proteodo demandado na multiplicação dos cultivares. O ger os garfos por 60 dias. A enxertia por garfagem
sucesso da multiplicação de propágulos caulinares sobressaiu em relação à enxertia por borbulhia.
de figueira pelo método de toletes, visando o auEm um segundo passo do programa, novos culmento no rendimento de mudas, irá auxiliar os pro- tivares de figueira serão introduzidos, neste ano,
gramas de introdução e avaliação agronômica de pelo Professor e Pesquisador Rafael Pio, em connovos cultivares no Brasil, para diversificar o cultivo junto com o Pesquisador Rui de Souza, do Instituto
do único cultivar em escala comercial, o ‘Roxo de Nacional de Investigação Agrária de Portugal. Os
Valinhos’, e minimizar os sérios problemas novos cultivares serão utilizados como portafitossanitários atuais da cultura.
enxertos e testados em campo e em ambiente conEstacas caulinares da porção mediana de figuei- trolado, para estudo da performance quanto à
ra ‘Roxo de Valinhos’ foram coletadas na poda fenologia, aspectos produtivos e tolerância a
hibernal (feita em julho), padronizadas com 20 cm nematóides. Esses novos materiais serão dispode comprimento, diâmetro de 12 mm e cinco nós. nibilizados aos produtores, a médio prazo, após
Em metade das estacas, realizou-se um ferimento finalização dos ensaios de competição, adaptação
entre os nós (cortes quadrados com dimensões de e definição do manejo cultural.
um centímetro). As estacas foram tratadas com diferentes concentrações de AIB (0, 1000, 2000 e
* Rafael Pio
3000 mg L-1). As estacas foram enterradas na posi- Engenheiro Agrônomo,
ção horizontal, a cinco centímetros de profundida- D.Sc., professor adjunto da Universidade Estadual do Oeste
de, permanecendo totalmente imersas, em leito de do Paraná-Unioeste, Marechal Cândido Rondon (PR).
areia umedecido, sob telado (sombrite com 50% e-mail: rafaelpio@hotmail.com
de luminosidade). No preparo das estacas, deve-se ** Edvan Alves Chagas
causar ferimento entre os nós e aplicar a concen- Engenheiro agrônomo,
tração de 2000 mg L-1 de AIB. Com os resultados D.Sc., pesquisador científico do Instituto Agronômico (IAC),
do presente experimento, comprovou-se a valida- Jundiaí-(SP)
43
artigos técnicos podem ser enviados para redacao@frutasederivados.com.br
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RECOMENDAÇÕES
TÉCNICAS PARA
PRODUÇÃO DE MANGA
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A nova publicação lançada
pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e
Extensão Rural (Incaper) é
um guia completo sobre a produção de manga no Estado do
Espírito Santo. O livro foi lançado com o objetivo de divulgar o conhecimento para o
cultivo da fruta e contribuir para a geração de renda por
meio da diversificação da pequena propriedade rural,
com novas tecnologias, assistência técnica e formas de
comercialização. Entre os temas de destaque estão
aspectos da produção, seleção de áreas, variedades, plantio, manejo, solos, nutrição, adubação, irrigação, controle de pragas e doenças, além de técnicas de colheita e
custo da produção. O texto foi organizado pelos pesquisadores do Incaper.
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Autores (fotos e textos): Aureliano Nogueira da Costa, Adelaide de F.S. da Costa, Luiz Carlos S. Caetano
e José Aires Ventura
Preço: R$ 5,00
Onde encontrar: pelo telefone (27) 3137-9847, pelo
e-mail biblioteca@incaper.es.gov.br ou por carta para
Incaper: Rua Afonso Sarlo, 160 - Bento Ferreira - Vitória, ES - CEP 29052-010
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Organizadores: Sarita Leonel e Aloísio Costa Sampaio
Editora: Fundação Editora da Unesp
Preço: 28,00
Onde Encontrar: www.editoraunesp.com.br ou
telefone (11) 3242-7171
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O potencial do maracujá-doce
e suas diferentes utilizações no
mercado são tratados no
lançamento da Editora Unesp,
Maracujá-doce – Aspectos
técnicos e econômicos. Do
maracujá-doce quase tudo se
aproveita: das folhas e ramos
do maracujá-doce, espécie
nativa do Brasil, extrai-se a passiflorina, utilizada na
indústria farmacêutica; as suas flores coloridas e atrativas
são usadas para fins ornamentais; e os frutos são
destinados exclusivamente ao mercado de frutas frescas,
no qual têm os melhores preços.
Organizado por Sarita Leonel e Aloísio Costa Sampaio, o
livro contém informações que abrangem diversos aspectos
relacionados à cultura do maracujá, desde a caracterização
botânica, técnicas de plantio e identificação de pragas e
doenças, passando pelo uso fitoterápico até um
panorama econômico do mercado nacional e
internacional.
○
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MARACUJÁ-DOCE
ASPECTOS TÉCNICOS
E ECONÔMICOS
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CAMPO E CULTURA
RECOMENDAÇÕES BÁSICAS PARA APLICAÇÃO DAS BOAS PRÁTICAS
AGROPECUÁRIAS E FABRICAÇÃO NA AGRICULTURA FAMILIAR
O livro Recomendações Básicas para Aplicação das Boas Práticas
Agropecuárias e Fabricação na Agricultura Familiar destaca os processos que
garantem a qualidade e a segurança dos alimentos produzidos e processados. Organizado pelo pesquisador Fenelon do Nascimento Neto, da Embrapa Agroindústria
de Alimentos, o livro é dirigido a técnicos ligados à agroindústria familiar e está
disponível para download gratuito no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário (http://smap.mda.gov. br/documentos/Documento.aspx?IDDoc=7).
Exigências legais, recomendações técnicas de boas práticas agropecuárias e de fabricação (BPA e BPF), rotulagem, transporte e armazenamento são alguns dos tópicos abordados. O livro também traz recomendações para o processamento mínimo
de vegetais e a pós-colheita de frutas e hortaliças, áreas sensíveis e agregadoras de
valor à produção familiar.
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Organizador: Fenelon do Nascimento Neto (Embrapa Agroindústria de Alimentos)
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Preço: Gratuito
CLASSIFICADOS
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FRUTA NA MESA
Daniela Mattiaso
Cítrica, doce e levemente azeda. Assim é a laranja,
uma das frutas mais consumidas, cultivadas e estudadas
no mundo, com cultivo em mais de 60 países. A planta
tem como origem provável o continente Asiático - Índia,
China e países vizinhos de clima subtropical úmido. A
mais antiga descrição do citros aparece na literatura chinesa por volta do ano 2000 a.C. e foi trazida ao Brasil
por portugueses no século 16. No País, a citricultura tornou-se significativa, principalmente para São Paulo,
Sergipe, Bahia e Minas Gerais. Em 1928, houve a criação do primeiro pólo de pesquisas em citros do País, o
Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio
de Citros Sylvio Moreira, vinculado ao Instituto Agronômico (IAC), inicialmente chamado Serviço de Citricultura e depois, Estação Experimental de Limeira. Dali nasceram todas as variedades copa e porta-enxerto da atual citricultura
brasileira, e também, pesquisas pioneiras sobre nutrição de
citros, adensamento de plantio e novas variedades. Na década de 60, foi organizado o banco de matrizes sadias, que
fornece material de propagação para o País e para o Exterior. No final da década de 70, a instituição do Dia do
Citricultor iniciou a consolidação do maior evento dedicado
à difusão da tecnologia ao citricultor: a Semana da Citricultura.
Aspectos nutricionais - a laranja é bastante conhecida por suas qualidades nutricionais. “Ela é fonte de vitamina C, tem antioxidantes, que auxiliam contra os radicais livres e melhoram a qualidade de vida. Contém cálcio, potássio e fósforo. Se ingerida junto com as refeições, auxilia
na absorção do ferro e na formação dos dentes. Protege
contra doenças cardiovasculares e ajuda na diminuição dos
níveis de colesterol”, conta Silvia Honorato da Silva,
nutricionista da Divisão de Alimentação do Sesi-São Paulo
e do Programa Alimente-se Bem. Para o aproveitamento
integral da fruta Sílvia dá algumas dicas:a casca branca
deve ser deixada de molho em água durante dois dias,
sob refrigeração. A água precisa ser trocada para que a
casca perca o sabor amargo. Esta parte da fruta é indicada
para fazer geléia. Já, a casca amarela-esverdeada, rica
em potássio, tem que ficar de molho por um dia e depois
ser aferventada. Pode ser utilizada picada em saladas ou no
arroz e também processada para molho de carne. “Fonte
de fibras, a casca melhora as funções digestivas e o trato
intestinal”, afirma ela.
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RECEITAS DO PRODUTOR
JOAQUIM TRINDADE
DOCE DE CASCA DE LARANJA
Ingredientes: casca de 8 laranjas, 1 litro de água e 1
xícara de açúcar.
Calda: 3 xícaras de açúcar e 2 xícaras de água.
Modo de Preparo: Lave bem as cascas e corte-as em
tiras finas. Depois coloque-as na panela com um litro
de água e deixe cozinhar por 15 minutos,
aproximadamente. Depois de cozidas, lave-as
novamente e deixe descansar. Para a calda, coloque as
três xícaras de açúcar junto com água na panela e deixe
ferver. Quando engrossar, vá colocando as cascas e deixe
tudo junto por alguns instantes. É necessário esfriar antes
de colocar na geladeira. Depois é só servir.
BOLO DE LARANJA
Massa: 1 laranja com casca sem sementes, 4 ovos, 2
xícaras de chá de açúcar, 1/2 xícara de óleo, 2 xícaras
de chá de farinha de trigo, 1 colher de sopa de fermento em pó, 1/2 colher de chá de canela em pó.
Cobertura: 2 xícaras de chá de suco de laranja e 4
colheres de sopa de açúcar.
Modo de preparo: Bata os quatro primeiros
ingredientes para a massa e depois misture com os
quatro últimos. Leve para assar em forno previamente
aquecido. Quando o bolo estiver pronto, pegue os
ingredientes para a calda, misture-os e despeje por cima.
Há mais de 20 anos, o fruticultor Joaquim Trindade produz laranjas nos
municípios de Boquim e Umbaúba, no Estado de Sergipe. Entre as
variedades cultivadas em suas duas propriedades estão a Pêra, a Natal e
a Valência. Ao todo são 100 hectares de área cultivada. Segundo o
produtor, o clima na região, situada no litoral Sul de Sergipe, próximo ao
Estado da Bahia, é muito favorável por causa da boa luminosidade e das
temperaturas médias, sem grandes oscilações. “Os solos de tabuleiro,
planos e férteis, também contribuem para a cultura”, afirma ele. De tudo
o que produz, cerca de 25 toneladas por ano, 30% são destinados à indústria de sucos e o restante comercializado para consumo da fruta fresca.
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Revista Frutas e derivados - Edição 10