EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O SERVIÇO SOCIAL
CATEGORIA: Pesquisa
ÁREA: Serviço Social
Karlla Stricker
Universidade Estadual de Ponta Grossa
Praça Santos Andrade
[email protected]
Profª. Ms. Sandra Maria Scheffer
Universidade Estadual de Ponta Grossa
Praça Santos Andrade
[email protected]
Resumo: O processo de desenvolvimento da humanidade implicou em inúmeros
impactos ambientais que tem como consequência indicadores de má qualidade de vida e
de riscos à população. Uma das alternativas para isso é a educação ambiental, a qual
tem objetivos em consonância com os princípios e diretrizes da profissão de Serviço
Social, podendo desta forma se aliar para trabalharem em conjunto para um planeta
mais sustentável. Nesse sentido centramos nosso enfoque na educação ambiental com
ênfase no Serviço Social com o objetivo de clarificar a ligação entre ambos. Na
contemporaneidade, não raro, vemos e ouvimos questões relacionadas ao meio
ambiente. Pois, além disso, estamos diante de uma crise, não só ambiental, mas
civilizatória provocada por um modelo econômico preocupado exclusivamente com o
lucro. As metodologias empregadas para se alcançar os objetivos propostos neste
trabalho estão sendo a pesquisa bibliográfica através dos referenciais teóricos e a
pesquisa documental com amparo nas legislações da profissão de serviço social e da
educação ambiental. Também se refle sobre o pensamento dissociado que existe entre
meio ambiente e o social como algo impeditivo para compreendermos que na verdade
fazemos parte do meio ambiente e que alteramos diariamente com todas as nossas ações
algo nele e que este reflete as consequências de nossas atitudes. Nesse sentido
centraremos o enfoque na educação ambiental com ênfase no Serviço Social como
sendo uma fonte de ligação para o alcance de objetivos voltados para esta temática. Esse
tema foi despertado ao participar das reuniões do Grupo de Estudo Pesquisa em Meio
Ambiente e Gênero (GRUPEMGE) da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
Palavras Chaves: Serviço Social, educação ambiental, meio ambiente.
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O SERVIÇO SOCIAL
CATEGORIA: Pesquisa
ÁREA: Serviço Social
Resumo: O processo de desenvolvimento da humanidade implicou em inúmeros
impactos ambientais que tem como consequência indicadores de má qualidade de vida e
de riscos à população. Uma das alternativas para isso é a educação ambiental, a qual
tem objetivos em consonância com os princípios e diretrizes da profissão de Serviço
Social, podendo desta forma se aliar para trabalharem em conjunto para um planeta
mais sustentável. Nesse sentido centramos nosso enfoque na educação ambiental com
ênfase no Serviço Social com o objetivo de clarificar a ligação entre ambos. Na
contemporaneidade, não raro, vemos e ouvimos questões relacionadas ao meio
ambiente. Pois, além disso, estamos diante de uma crise, não só ambiental, mas
civilizatória provocada por um modelo econômico preocupado exclusivamente com o
lucro. As metodologias empregadas para se alcançar os objetivos propostos neste
trabalho estão sendo a pesquisa bibliográfica através dos referenciais teóricos e a
pesquisa documental com amparo nas legislações da profissão de serviço social e da
educação ambiental. Também se refle sobre o pensamento dissociado que existe entre
meio ambiente e o social como algo impeditivo para compreendermos que na verdade
fazemos parte do meio ambiente e que alteramos diariamente com todas as nossas ações
algo nele e que este reflete as consequências de nossas atitudes. Nesse sentido
centraremos o enfoque na educação ambiental com ênfase no Serviço Social como
sendo uma fonte de ligação para o alcance de objetivos voltados para esta temática. Esse
tema foi despertado ao participar das reuniões do Grupo de Estudo Pesquisa em Meio
Ambiente e Gênero (GRUPEMGE) da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
Palavras Chaves: Serviço Social, educação ambiental, meio ambiente.
1. CONCEPÇÃO SOBRE MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
A mais bela de todas as certezas
é quando os fracos e desencorajados
levantam suas cabeças e deixam de crer
na força de seus opressores.
Bertold Brecht
Para se entender a concepção de Meio Ambiente e Educação Ambiental,
traremos alguns conceitos e definições no qual o geógrafo francês Jorge apud Reigota
(2006, p. 20):
.
[...] ao mesmo tempo o meio ambiente é um sistema de relações existentes
onde a existência e a conservação de uma espécie são subordinados aos
equilíbrios entre os processos destrutores e regeneradores seu meio – o meio
ambiente é o conjunto de dados fixos e de equilíbrio de forças concorrentes
que condicionam a vida de um grupo de biológico.
Já para o ecólogo belga Duvigneaud apud Reigota (2006 p. 20) “[...] é evidente
que o meio ambiente é composto por dois aspectos: 1) o meio ambiente abiótico¹ físico
e químico, e 2) o meio ambiente abiótico”.
Para o psicólogo segundo Silliany apud Reigota (2006 p. 20) “é o que cerca um
indivíduo ou um grupo, englobando o meio cósmico, geográfico, físico e o meio social
com as suas instituições, sua cultura, seus valores”.
Como podemos notar, há inúmeras definições para meio ambiente, que diferem
entre si em algumas características, podendo ser focadas na natureza e outras
relacionando com demais aspectos da vida. Podemos formular nossas próprias
definições, baseados na nossa cultura, política, religião, classe, filosofia, etc.
Reigota também nos trás uma definição muito rica para o meio ambiente, onde
ele faz a interação do meio ambiente com o social, “um lugar determinado e/ou
percebido onde estão em relações dinâmicas e em constante interação os aspectos
naturais e sociais. Essas relações acarretam processos de criação cultural e tecnológica e
processos históricos e políticos de transformação da natureza e da sociedade” (2006,
p.21). Aspectos são notados nessa citação, como a não dissociação do social com o
ecológico, onde um está diretamente ligado ao outro.
Junto com as evoluções dos conceitos de meio ambiente tem-se também os
conceitos de Educação Ambiental. Segundo A IUCN (Internacional Union for the
Conservation of Nature) em 1970, “definiu a Educação Ambiental como um processo
de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos, voltando para o
desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias à compreensão e apreciação das
interrelações entre homem, sua cultura e seu entorno biofísico” (DIAS, 2000, p.98).
Para Mellows apud Dias (2000 p.98) “apresentava a Educação Ambiental como
um processo na qual deverá ocorrer um desenvolvimento progressivo e um senso de
preocupação com o meio ambiente, baseado em um completo e sensível entendimento
das relações de homem com o meio a sua volta”.
Na ECO-92, elaborou uma outra definição de educação ambiental, “ a Educação
Ambiental deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e
interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conformam o ambiente,
com vistas a utilizar racionalmente os recursos do meio, na satisfação material e
espiritual da sociedade, no presente e no futuro”. (DIAS, 2000, p.99).
Perante essas exposições de conceitos sobre o Meio Ambiente e Educação
Ambiental, nota-se que os mesmos sofrem modificações relacionadas a quem os
elabora, como já foi dito acima.
Diante destas concepções, faz-se necessário compreender características do
processo sócio histórico que discute e reformula os conceitos e os efeitos da ação o
homem sobre o Meio Ambiente.
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2- DISCUSSÕES MUNDIAIS SOBRE MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
Discussões mundiais sobre o meio ambiente permearam a década de 1960, onde
começaram a pensar os danos causados pelo ser humano no meio ambiente, mas não de
uma maneira assídua, em passos lentos, iniciaram-se então para pensar sobre isso
Conferências sobre essa temática.
Tivemos então em 1968 a primeira reunião de cientistas em Roma para tratar do
consumo excessivo dos bens naturais não renováveis e o crescimento da população.
Em 1972, a ONU, realizou na Suécia, em Estocolmo, a primeira Conferência
Mundial de Meio Ambiente Humano, no qual tratava a poluição das Indústrias, essa
preocupação era considerada de luxo, e cabia só aos países “ricos”, mas o Brasil estava
na época do “milagre econômico”, e defendeu a idéia que “A poluição é o preço que se
paga pelo progresso” ( REIGOTA, 2006, p.14).
Uma resolução importante tratado nessa conferência citada acima é que se deve
educar o cidadão para “[...] solução dos problemas ambientais. Podemos então
considerar que aí surge o que se convencionou chamar de educação ambiental”
(REIGOTA, 2005, p.15).
Após esse encontro a UNESCO (Organizações das Nações Unidas para a
Educação a Ciência e a Cultura) ficou responsável pela divulgação dessa nova temática,
onde realizou em todo mundo vários seminários. E logo após esses encontros foi
publicado em vários países, artigos, livros e textos. Temos como destaque desses
encontros, em Belgrado, na Iugoslávia, em 1975, onde se definiu os objetivos da
Educação Ambiental, no qual se publicaram um documento que ficou conhecido como
“A Carta de Belgrado”.
Nossa geração tem testemunhado um crescimento econômico e um progresso
tecnológico sem precedentes, ao quais, ao tempo em que trouxeram
benefícios para muitas pessoas, produziram também sérias conseqüências
ambientais e sociais. As desigualdades entre pobres e ricos, nos países, estão
crescendo, e há evidências de crescente deterioração do ambiente físico,
numa escala mundial. Essas condições embora primariamente causadoras por
um número relativamente pequeno de países afetam toda humanidade (DIAS,
2000, p.101).
Em Tbilisi, na Geórgia (ex-URSS), em 1977, foi realizado o primeiro Congresso
Mundial de Educação Ambiental, organizado pela UNESCO, em colaboração com o
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma):
[...] a conferência de Tbilisi constitui-se em ponto de partida de um
programa internacional de Educação Ambiental, contribuindo para precisar a
natureza da Educação Ambiental, definindo seus objetivos e suas
características assim como as estratégias pertinentes no plano nacional e
internacional. É considerado em nossos dias o evento decisivo para os rumos
da Educação Ambiental em todo mundo. (DIAS, 2000, p.40).
Desde o primeiro congresso até o segundo, passaram-se dez anos, e em Moscou,
aconteceu o segundo congresso de Educação Ambiental, o CEI (Congresso
.
Internacional da UNESCO-Pnuma) sobre educação e formação ambientais. Foram
ponderadas conquistas e dificuldades desde a conferencia de Tbilisi, ate a de Moscou, e
para a partir desses relatórios estabelecer metas para os anos de 1990, onde cada país
deveria colocar o seu, “O Brasil como era de se esperar, não apresentou o seu relatório
oficial”. (DIAS, 2000, p.45).
Desde Estocolmo, onde ocorreu à primeira conferencia ate acontecer no Brasil a
ECO-92, que foi um marco em relação ao meio ambiente. Nessa conferência percebe-se
que devemos ter um novo modelo de desenvolvimento, no qual seria o desenvolvimento
sustentável. “Nomeia-se a Agenda 21 como um Plano de Ação para a sustentabilidade
Humana. Reconhece-se a Educação Ambiental como processo de promoção e
estratégico desse novo modelo de desenvolvimento” (DIAS, 2000, p.50). Essa
conferencia é considerada um marco internacional muito importante, desde que o ser
humano se arranjou em sociedade e ao decorrer do tempo, tem-se uma mudança na
concepção desse assunto, pois se começo a pensar na preservação do meio ambiente de
uma forma planetária.
Estas conferências e encontros se debateram sobre a temática do Meio
Ambiente, foram fundamentais para dar visibilidade para estes assuntos, como também
propor tratados e possibilidades para os países serem responsáveis pela vida planetária.
Dessa forma, no Brasil inicia-se a discussão sobre a temática focalizando a
Educação Ambiental como um caminho para solidificar formas de agir e pensar sobre o
Meio Ambiente.
3- EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL
No Brasil a Educação Ambiental assim como a nível mundial é recente. Pois na
década de 1970, com o boom da industrialização, não se teve um apreço sobre esse
assunto.
Nessa mesma década, tivemos a primeira secretaria relacionada ao meio
ambiente, SEMA (Secretaria Especial do Meio Ambiente), meio contraditório porque
estava vinculado ao Ministério dos Transportes, pois nessa época não se tinha a
preocupação do progresso aliado com a preservação. Temos como exemplo a
construção da estrada Transamazônica, onde o Brasil não estava preocupado com as
catástrofes ambientais, no qual se destruiu um trecho da Floresta Amazônica.
O Presidente da República João Figueiredo sancionou no ano 1981, a lei nº6.
938/81, que “dispões sobre a política nacional do Meio Ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação. Constitui-se em importante instrumento de
amadurecimento e consolidação da política ambiental do país”.(DIAS, 2000, p.41).
Porém no Brasil, o primeiro evento registrado sobre Educação Ambiental,
segundo Reigota (2006), foi em Sorocaba no ano de 1984 que contou com poucos
praticantes e pesquisadores que apresentaram trabalhos realizados sobre o tema.
Demonstrando assim o pouco interesse sobre a temática, ou a não popularização desse
assunto.
Em 1988 com a nova Constituição Brasileira, no seu capítulo VI art.225,
dedicado ao meio ambiente, no qual diz que “Todos tem direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem como de uso comum do povo e essencial à sadia
.
qualidade de vida imponde-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (BRASIL, 2006).
Em fevereiro de 1989, tem-se a criação do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), coma finalidade de “formular,
coordenar e executar a política nacional do meio ambiente. Compete-lhe a preservação,
conservação, fomento e controle dos recursos naturais renováveis em todo território
federal, proteção dos bancos genéticos da flora e fauna brasileiras e estímulo à
Educação Ambiental, nas suas diferentes formas. O IBAMA foi formado pela fusão do
SEMA, SUDEPE, SUDHEVEA e IBDF (DIAS, 2000, p.46-47).
Isto demonstra que já existiam outros órgãos responsáveis pela preservação do
Meio Ambiente, porém o IBAMA veio para centralizar e conduzir as ações referentes a
política e a legislação referente ao mesmo.
Um grade marco na Educação Ambiental no Brasil ocorreu com a realização da
ECO92, um encontro internacional que reuniu 170 países, secretariada por Maurice
Strong. A partir deste evento, como aponta Reigota (2006), verificamos o surgimento
de duas correntes na Educação Ambiental. Uma muito grande orientada pelo viés do
modismo e do oportunismo. A outra é a que traduz da ECO-92 todo o movimento
educativo para a sociedade atuando pela linha emancipatória da Educação Ambiental.
Vale registrar a ampliação que ocorreu nos lançamentos de revistas, livros e artigos
especializados sobre a temática.
Em 1995, foi criada a Câmara Técnica Temporária de Educação Ambiental no
Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA).
A lei n° 9.795 de 1999, que dispõe sobre a Política Nacional de Educação
Ambiental, reza que todos os cidadãos têm direitos a Educação Ambiental, o que é
referendado pela Constituição Brasileira de 1988, em seu capítulo VI, art. 225, inciso
VI, discorre sobre quem será responsável pela Educação Ambiental no país: “Cabe ao
Poder Público promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente” (BRASIL, 2006).
O Decreto nº 4.281, de 25/06/02 regulamenta a Lei nº 9.795/99, sendo
implantado o órgão gestor responsável pela coordenação da PNEA (Política Nacional de
Educação Ambiental), o qual constituiu sua diretoria de Educação Ambiental através do
Ministério do Meio Ambiente (DEA/MMA), e pela Coordenação-Geral de Educação
Ambiental do Ministério da Educação (CGEA/MEC). Dessa forma, os dois ministérios
ficaram responsáveis pela educação ambiental no Brasil.
Este processo histórico da educação ambiental demonstra alterações e um
caminhar de constante aperfeiçoamento de acordo com a ampliação do entendimento
sobre a temática entre os diversos segmentos populacionais.
4- QUAL O CONTEXTO PARA ENSINAR EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Após esse caminho descrito que a Educação Ambiental vem percorrendo, a nível
mundial e Brasil, várias maneiras de se entender e se ensiná-la tem se apresentado. Uns
dos métodos para se chegar a Educação Ambiental, deve se começar nas escolas de
ensino regular, pois as crianças têm que ser apresentadas a educação ambiental desde o
inicio de sua vida escolar.
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Mas qual a maneira ideal de se ensiná-la? Para Reigota (2006) cada professor
deve ter o seu método para que se possa ir de encontros com as características dos
alunos.
Têm-se métodos passivos, ativos, descritivos e analíticos. A metogologia que
melhor se tem sucesso é a qual o professor faz que com que o aluno questione, reflita
sobe a temática, seria o método ativo, “[...] o aluno participa das atividades, desenvolve
progressivamente o seu conhecimento e comportamento em relação ao tema, de acordo
com sua idade e capacidade” (REIGOTA, 2006,p. 38).
A Educação Ambiental também pode ocorrer em qualquer cenário, seja na
escola, igreja, instituições, universidades. Porém, em meados dos anos 1980, houve uma
discussão para se saber se a matéria Educação Ambiental, deveria ser colocado no
currículo escolar, no qual foi vetada e decidido pelo não, pois foi alegado que Educação
Ambiental deveria permear todas as matérias, e não ter uma específica.
[...] nos anos 80 o Ministério da Educação e da Cultura inicia, de fato, uma
campanha que visa à inclusão de conteúdos ecológicos a serem explorados
nas propostas curriculares das escolas de ensino fundamental e médio
(Oliveira, et al 2008, p 105).
Em relação a essa Educação nas escolas ela deve ser feita pelos professores onde
devem levar seus alunos para fazer as aulas ao ar livre, em um parque, ou campo, e
refletir sobre ele, mas também levá-los a lugares desmatados, com problemas
ambientais onde possam buscar solucionar, ou tentar solucionar problemas ali
existentes, esse método chama-se de “Método Ativo” (REIGOTA, 2006, p.39). Com
esse problema também pode ser trabalhado a interdisciplinaridade de professores. Em
outros países é feito “A Pedagogia do Projeto”, é um método que “[...] envolve toda a
escola, inclusive os pais de alunos, no estudo de um tema específico.” (
REIGOTA,2006, p.41).
Dias (2000),também nos elenca formas de trabalho nas escolas:
Que tenha como objetivos sensibilizar e conscientizar; Que busquem uma
mudança comportamental; Que formem um cidadão mais atuante; Que
sensibilizem o professor principal agente promotor da Educação Ambiental.
(DIAS, 2000, p.159).
Atualmente temos o Decreto nº 4.281, de 25/06/02 regulamenta a Lei nº
9.795/99, sendo implantado o órgão gestor responsável pela coordenação da PNEA
(Política Nacional de Educação Ambiental), o qual constituiu sua diretoria de Educação
Ambiental através do Ministério do Meio Ambiente (DEA/MMA), e pela CoordenaçãoGeral de Educação Ambiental do Ministério da Educação (CGEA/MEC). Dessa forma,
os dois ministérios ficaram responsáveis pela educação ambiental no Brasil.
Em relação ao ensino superior, temos mais dificuldade em se empregar a
Educação Ambiental.
Então esse assunto está apenas iniciando-se nas universidades, ou seja, para
formação de universitários/professores específico nessa temática.
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5- A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL
Em relação a pratica profissional, para se entender porque ela é capaz de
trabalhar Educação Ambiental, tem que entender o que, como e com quem ela trabalha.
A prática profissional se manifesta através da pratica social quando se faz crítica
ao senso comum, ou seja, essa crítica se pressupõe quando “o conhecimento é um
processo embebido pelo concreto e pelo real, imerso num horizonte temporal, espacial e
histórico mais amplo” (FAUSTINI, 1995, p.17).
Ela afirma que a unidade da Teoria- Prática é a Práxis, é a ação, o modo de
fazer, e não a alienação, segundo Pereira apud Faustini (1995, p.18) “Não há como
idealizar uma prática se ele (homem) já não se encontra jogado nessa prática”. É
também compreender as tendências prático-teóricas do Serviço Social, para construir
novos caminhos.
A prática profissional do Serviço Social vai se construindo, geralmente na “[...]
produção e/ou reprodução do universo simbólico e concreto dos sujeitos – atores
sociais, que constroem essas diversas práticas, do que, diretamente, nas bases estruturais
que lhes dão origem” (FAUSTINI,1995,p.22).
Para contextualizar a prática profissional, a produção, aparece como atividade
social, que como conseqüência tem as relações sociais.
Portanto, a prática profissional do Serviço Social, se situa no contexto das
relações sociais, na consequencia do capital/ trabalho, num cenário contraditório, de um
lado os que detêm o capital, e do outro das classes trabalhadoras.
A pratica profissional também se realiza na intervenção na dinâmica dos
cidadãos, e se “legitima enquanto agente de uma prática profissional dos possíveis
históricos no embate entre a clientela e as normas institucionais” (FAUSTINI,
1995,p.38).
O Assistente Social trabalha de uma forma interventiva, agindo como mediador
do trabalho dos agentes sociais, segundo Freire apud Faustini, 1995, p.44 “[...] o sujeito
que conhece, só conhece porque participa desse ato, se apropria dele e o transforma,
transformando-se”.
Pode se então ter como destaca da pratica profissional do Serviço Social:
As práticas profissionais devem auxiliar a população no resgate e apropriação
de sua trajetória histórica enquanto indivíduos e coletivos, a fim de que
possam melhor compreender o espaço que ocupam na sociedade. A
estimulação das tentativas de reflexão-ação da identidade cultural.
(FAUSTINI,1995, p.61).
Para finalizar, alerto que devemos não apenas trabalhar nossos instrumentos,
mas também sermos propositivos, teórico-críticos, intelectuais que produzam novas
relações sociais, que contribua para uma “nova era histórica” (FAUSTINI, 1995, p.62)
Como se pode notar, o serviço social tem aparato técnico instrumental, e
técnico-operacional, para trabalhar com os cidadãos, ou seja, colaborando assim para
um planeta mais sustentável através da educação ambiental.
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6 -EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O SERVIÇO SOCIAL
Chegamos agora onde a educação ambiental se entrelaça com o serviço social,
pois ambos tem os mesmos princípios.
Nos primeiros encontros internacionais promovidos pela ONU (Organização das
Nações Unidas), para discutirem as causas e as possíveis medidas para conter a
degradação ambiental, um dos fatores apontados como sendo causador dessa
degradação era a pobreza, mas, através de estudos e pesquisas, sabemos que isso é uma
relação de fatores, tais como: sociais, políticos, econômicos e culturais. A Educação
Ambiental entra neste contexto como uma das alternativas de reduzir a degradação do
meio ambiente. É preciso haver uma mudança de como vemos a realidade e
principalmente de como agir sobre ela. Também é preciso transformar o estilo de vida e
da saúde, mas, isso terá que ser feito primeiramente em nível individual para depois
conquistar o coletivo.
Os Assistentes Sociais buscam pela justiça social e pela segurança da cidadania
que são colocadas como princípios no código de ética da categoria. “Ampliação e
consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda sociedade, com vistas
à garantia dos direitos civis sociais e político [...]” (CÓDIGO DE ÉTICA, 1993, p.2).
Percebemos, constantemente, uma dificuldade entre os Assistentes Sociais em
relacionar a Educação Ambiental com sua profissão. Porém, refletindo um pouco mais
sobre questões apresentadas anteriormente, temos clara esta ligação.
Analisando os objetivos da Educação Ambiental e nos reportando ao código de
ética que norteiam as práticas do profissional de Serviço Social, percebemos uma
semelhança em seus discursos, pois o código de ética traz no seu artigo nº 12 que o
Assistente Social deve “apoiar e/ou participar dos movimentos sociais e organizações
populares vinculados à luta pela consolidação e ampliação da democracia e dos direitos
de cidadania” (CÓDIGO DE ÉTICA, 1993) Dessa forma, o profissional que vincula-se
a ações de Educação Ambiental tem uma amplitude da visão de cidadania da
população.
A relação da divisão do social e ecológico, que na verdade não pode existir, pois
elas são indissociáveis. Segundo Libero:
“[...] uma floresta aqui [...], um homem ali [...], o cosmo mais adiante [...],
como peças de um quebra cabeças que não se encaixam, com dinâmicas
próprias, como se fossem compartimentos estanques, lineares e não
integrados.” (LIBERO 2006, p.49).
Pois muitas vezes, temos a descortesia de separá-los, de um lado, colocamos o
meio ambiente, a natureza, o ecológico, e do outro lado, o social, as pessoas, nossa
cultura, etc. Essa divisão é chama de analítica, porque “Não é justa, porque separa,
divide,analisa e, sobretudo, exclui”, (p.11). Pois o contexto em que elas ocorrem, são o
mesmo.
E o entendimento só surgirá quando “[...] o sujeito (ser humano) se torna
presente no objeto (biosfera) e o contemplar como unidade indissociável na qual ele
mesmo está incluído”. ( LIBERO, 2005, p.55).
O meio ambiente é a nossa casa, o pano de fundo das nos relações sociais.
Essa separação provavelmente tenha sido herdada do positivismo, aonde veio
fundamentada nas ciências sociais e as ciências naturais.
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Por causa dessa divisão adquirida, é que nós assistentes sociais, podemos fazer
parte de equipes multi e interdisciplinares, sendo o mediador, entre o “ecológico” e o
“social”,
“[...] a mediação consistiria em criar pontes, em guiar as novas formas de
relação entre o ‘ecológico’ e o ‘social’, entre o humano e seu meio ambiente,
entre o cidadão e a sociedade. Em suma, em facilitadores sociais de uma
nova cultura: a participação social” (IRIGALBA, 2006, p 17).
Com isso consideremos o desenvolvimento da cultura, e segundo Ana,“ [...]
participação cultural é uma cultura emergente” (IRIGALBA,2006,p 25). Com a
educação ambiental e a participação social, ferramentas para uma possível solução para
a crise ambiental.
Não basta apenas estudar a natureza, mas sim, temos de, “[...] intervir nelas,
uma vez mais através de relações, o que nos remete de novo ao papel de mediação
social dos assistentes sociais” (IRIGALBA,2006, p 21).
A idéia central seria a participação social como a cultura emergente, onde os
melhores profissionais para realização dessa temática seriam os assistentes sociais, no
qual “[...] precisam analisar seu próprio papel e buscar formação necessária em matéria
ambiental ou em metodologia de participação social, para poder intervir com o máximo
rigor e profissionalismo”. (IRIGALBA, 2006, p. 25).
Devemos nos perguntar, que modelo de educação queremos deixar a gerações
futuras, uma educação em que se preocupe mais com o sistema social do que com o
sistema ecológico. Sair dessa visão conservadora e ampliar para uma visão de totalidade
da realidade social propiciará que o profissional esteja capacitado para atuar com os
indivíduos que estão expostos a injustiça social e a catástrofes naturais.
Segundo o princípio nº 4 do “Tratado de Educação Ambiental para Sociedades
Sustentáveis e Responsabilidade Social” a “Educação Ambiental não é neutra, mas
ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social”
E não possamos esquecer que todos nós somos atingidos com a não Educação
Ambiental.
Dessa forma, o Serviço Social é uma profissão que possui capacidade técnicaoperacional como também compromisso ético e social na busca de uma sociedade mais
justa, dessa forma percebe-se a necessidade de mostrar o elo que o Serviço Social tem
com as questões ambientais. É uma profissão que tem potencial para trabalhar com a
educação ambiental através do desenvolvimento de práticas democráticas, etapa
fundamental para o estabelecimento de uma nova ordem econômica e ecológica.
Os princípios da política de educação ambiental casam com os princípios da
profissão de Serviço Social, onde ambos buscam o fortalecimento do sentimento de
cidadania para a população o que reflete na vida cotidiana, quando cada pessoa passa a
ser portadora de direitos e deveres convertendo-se, portanto, em ator co-responsável na
defesa da qualidade de vida.
Atividades que envolvam ações sócio-educativas pelos profissionais de
serviço social poderão estimular o pensamento crítico sobre educação ambiental a partir
do entendimento que o processo de responsabilidade com a vida planetária é individual
e coletivo, instigando na formação de cidadãos com consciência local e coletiva.
As ações propostas pelo Serviço Social poderão através de uma metodologia
crítica, buscar a efetiva participação e organização dos grupos envolvidos, promovendo
o conhecimento e as responsabilidades de cada cidadão frente aos problemas sociais
referente ao meio ambiente. Esta metodologia contempla a visualização de que a
.
educação ambiental sem reflexão não é possível. Educar não significa repassar e sim
levar as pessoas a refletirem.
Nos mais diversos campos de atuação profissional do serviço social são
possíveis desenvolver projetos na construção de uma nova sociedade pautada no
respeito ao meio ambiente e a todas as formas de vida.
Faz-se necessário repensar as práticas sociais e o papel dos profissionais de
Serviço Social como mediadores e transmissores de um conhecimento necessário para
que os usuários de seus serviços adquiram uma base adequada de compreensão
essencial do meio ambiente global e local, da interdependência dos problemas e
soluções e da importância da responsabilidade de cada um para construir uma sociedade
mais eqüitativa e ambientalmente sustentável.
UM DIA A VIDA SURGIU NA TERRA
A Terra tinha como a vida um cordão umbilical.
A vida e a Terra. A Terra era grande e a vida pequena. Inicial.
A vida foi crescendo e a Terra ficando menor, não pequena.
Cercada, a Terra virou sorte de alguns e a desgraça de tantos.
Na história foi tema de revoltas, revoluções, transformações.
A Terra e a cerca.
Muitas reformas se fizeram para dividir a Terra, para torná-la de
muitos e,
quem sabe, até de todas as pessoas.
Mas isso não aconteceu em todos os lugares.
A democracia esbarrou na cerca e se feriu nos seus arames
farpados.
O mundo está evidentemente atrasado.
Onde se fez a reforma, o progresso chegou.
Mas a verdade é que até agora a cerca venceu,
o que nasceu para todas as pessoas, em poucas, em
poucas mãos ainda está.
No Brasil, a Terra, também cercada, está no centro da
história.
Os pedaços que foram democratizados custaram muito sangue,
dor e sofrimento.
Virou poder de Portugal, dos coronéis, dos grandes grupos,
virou privilégio, poder político, base da exclusão, força de Apartheid.
Nas cidades, viraram mansões, favelas. Virou absurdo sem limites,
tabu.
Mas é tanta, é tão grande, tão produtiva, que a cerca treme, os
limites se rompem, a história muda e ao longo do tempo, o momento
chega para pensar diferente:
a Terra é bem planetário, não pode ser privilégio de ninguém,
é bem social e não privado,
é patrimônio da humanidade,
e não arma de egoísmo particular de ninguém.
É para produzir, gerar alimentos, empregos, viver.
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É bem de todos para todos.
Esse é o único destino possível para a Terra.
Hebert de Sousa (Betinho)
.
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Ed. 38. São Paulo:
Saraiva, 2006.
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Lei 8662/93 - Código de ética do
Assistente Social. Disponível em: www.cfess.org.br, acesso em 19 maio, 2009.
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