PINKFISH: UMA LOJA CONCEITO
Margarita Demarche Mello
Orientação: Prof. Ms. Ricardo Poli
Prof. Ms. Sérgio Pio Bernardes
Mais do que lojas, as concept stores entraram no mercado
inovando as formas de varejo. Desde os anos 90 vem causando
burburinho, ampliando o conceito de loja e vendendo muito
além de mercadorias, mas estilos de vida.
Introdução
Este trabalho tem por objetivo comentar a introdução de uma marca no mercado de
moda com a implantação de uma loja conceitual de varejo na cidade de São Paulo, bem como
a distribuição para lojas multimarca. Será apresentado um plano de negócio estruturado de
modo a considerar todos os aspectos relevantes aos processos de decisão para investimentos
no novo negócio.
A proposta surgiu a partir da constatação da tendência de crescimento de lojas
conceituais, segmento surgido recentemente e que já se faz notar em algumas operações
existentes no mercado.
Entende-se por loja conceitual um espaço que reúne diversos produtos, de
características diferentes, para comercialização direta ao varejo: roupas, objetos de design ou
casa, restaurante/café e até mesmo revistas, livros e CDs.
Para esse gênero de loja, o importante é que os produtos sigam as tendências de moda
e design e estejam sempre ligados ao que há de mais novo em roupas, livros e objetos de arte.
Esta nova onda de comércio fashion já pode ser vista nas cidades mais badaladas do
mundo, como Paris, Londres ou mesmo São Paulo. No Brasil, a tendência está proliferando-se
como concept stores, onde é possível comprar mais do que produtos; é possível comprar um
estilo de vida.
Nessas lojas, tudo tem personalidade e é oferecido em quantidade limitada: quem
comprou, comprou; quem deixou para depois, provavelmente encontrará novas opções, mas
não a mesma da semana anterior. Por isso – e também por ditarem estilo/tendências e ainda
esbanjarem charme em suas instalações –, as lojas conceituais atraem visitantes, que não
pretendem comprar nada.
Uma das mais bem conceituadas concept stores do mundo, a parisiense Colette, recebe
turistas de todo o planeta. Oferece uma galeria de arte e um restaurante além, é claro, de
roupas, acessórios, móveis, objetos de decoração e CDs assinados por nomes consagrados ou
jovens artistas selecionados por sua curadoria.
A filosofia da Colette foi seguida em diversas partes do mundo por investidores de
grandes cidades. A DKNY, de Nova York, e a Paul Smith, de Londres, estão entre as concepts
stores mais conhecidas. A grife francesa Chanel recentemente inaugurou sua unidade no
Soho, em Nova York. No Brasil, especialmente em São Paulo, várias lojas inspiradas nessa
tendência conceitual foram abertas nos últimos meses – com espaço, propostas e instalações
diferenciados. Recentemente, houve a inauguração, na Oscar Freire, em São Paulo, de uma
loja denominada Hotel Lycra®, que reúne restaurante, espaço para eventos, objetos, CDs,
sapatos e roupas de várias marcas e estilistas.
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AntennaWeb nº.1: jan/mar 2005
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Toda a administração está a cargo do estilista Jum Nakao e sua mulher, Lelê.
“Trabalho no desenvolvimento e na edição das peças, e Lelê cuida da parte comercial”, conta
Jum. De acordo com a filosofia dessa loja, a cada mês o ambiente muda totalmente: tema,
decoração e peças. Como está dentro de um hotel, Jum decidiu fazer da loja um espaço
especializado em coisas para viagens. "Aqui mostramos uma seleção de peças indispensáveis
em uma bagagem. Selecionamos peças de vários estilistas e marcas, de acordo com o tema de
cada mês", explica. Na primeira viagem proposta por Jum e Lelê, o destino é o Japão.
Figura 1 - Hotel Lycra®
Fonte: Folha de SP, 2003
Podemos citar ainda em São Paulo a Dasloca, loja multimarca que vende roupas de
jovens estilistas e também oferece um pequeno restaurante aos clientes. Em um sobradinho
charmoso, café e revistaria funcionam no térreo. No primeiro andar estão roupas, acessórios e
objetos de criadores de diversos cantos do Brasil. A loja também oferece serviço de
consultoria de imagem, feito com hora marcada. Não há coleção fixa: semanalmente, o
mercado de moda passa por cuidadosa garimpagem que resulta em uma permanente grade de
novidades.
Na Vila Beatriz, Adriana Dias e Eduardo Kathalian montaram a Vila Bia, ponto de
compras com este conceito. Além de escolher roupas e acessórios de variadas confecções
brasileiras, nesse espaço é possível degustar um dos pratos elaborados pela chef Giselle
Makinde.
Figura 2 – Vila Bia
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fonte:Jornal da Tarde,2003
O conceito de loja moderna está mudando; vai muito além de mero recinto para compras.
Hoje percebe-se a grande preocupação em se criar uma atmosfera agradável e convidativa,
que permita aos clientes relaxar ao som de boa música, navegar na internet, tomar champanhe
e até degustar bons pratos.
Sob o comando de Rogério Fasano, o Empório Armani Caffè, na rua Haddock Lobo,
segue o conceito aplicado às lojas da grife em outros países, como a França e a Itália. Com
capacidade para 40 pessoas, o salão é decorado com monitores de TV que exibem os desfiles
da grife. Freqüentado por gente jovem e bonita, o espaço serve almoço e jantar de segunda a
sábado, com opções de saladas, sanduíches, massas e sobremesas.
Figura 4– Armani Café
fonte:Jornal da Tarde,2003
A loja da empresária Joëlle Nasser reúne, em 750 metros quadrados, cerca de 500
itens, entre jóias, peças de decoração e mobiliário, roupas, livros e CDs. Entrar na Joëlle dá a
sensação de visitar um museu: cada objeto exposto tem ao lado um pequeno texto que explica
sua origem e história. Lá, fica-se sabendo, por exemplo, que os japoneses do século VIII a.C.
revestiam frascos medicinais com pele de tubarão ou arraia – técnica conhecida como
shagreen, hoje utilizada em objetos de decoração, como os belos vasos filipinos à venda na
loja.
Figura 5– Joëlle
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Fonte: Jornal da Tarde,2003
A Colette, em Paris, além de vender objetos de design, CDs e revistas, comercializa
roupas e acessórios das marcas e dos estilistas mais renomados do momento: Prada, YSL,
Gucci e outros.
Figura 6– Colette
fonte:.colette,2003
A Pinkfish, como será chamada a nova marca, se propõe a fazer parte deste novo conceito
de comércio, porém oferecendo roupas e acessórios de fabricação própria, além de revistas e
objetos de design que formarão o mix de produtos. O espaço terá ainda café e local para
eventos ligados a arte e moda, que serão realizados mensalmente.
Por que a escolha de uma loja-conceito?
A pesquisa sobre este tema nos permite concluir que se trata de um assunto atual, de uma
nova atitude para o varejo. A região onde se pretende implantar a loja abriga um grande
número de conhecidas marcas de roupas, o que já caracteriza o bairro como um local com
excelente vocação para receber a nossa concept store. Muito embora o conceito ainda esteja
em fase embrionária para o público consumidor e o próprio empresariado, acreditamos que o
potencial deverá ser naturalmente explorado e conseqüentemente desenvolvido. Em pouco
tempo, acreditamos que lojas com tal atitude poderão vir a nortear e dar novos significados à
aquisição de produtos, pois o consumo estará ligado de forma efetiva à visão de mundo e ao
comportamento social. A concorrência não deverá ser uma ameaça desde que a Pinkfish
consiga, em determinado tempo, associar os produtos disponíveis a atitudes, estilo de vida e
comportamento do público-alvo.
Referências Bibliográficas
www.antennaweb.com.br
AntennaWeb nº.1: jan/mar 2005
www.ibmoda.com.br
Site: www.uol.com.br/modabrasil/sp_link/mania_sp/index2.htm
Site: www.jt.estadao.com.br/editorias/2002/01/07/var016.html
Site: www.erikapalomino.com.br
Site: www.collette.com
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