Spread Bancário no Brasil
Assessoria Técnica - Comissão da Crise do Senado
Apresentação: Marcos Köhler
Instituto de Estudos de Política Econômica / Casa das Garças
Rio, 3/12/2009
Spread Bancário
 Comissão de Acompanhamento da Crise Financeira e da
Empregabilidade do Senado Federal (CACFE):
 Presidente: Senador Francisco Dornelles
 Relator: Senador Tasso Jereissati
 Assessoria Técnica: Marcos Köhler, Paulo Springer, José Roberto
Afonso e Samuel Pessoa
 Relatório da Comissão – Jun09 (parecer e anexo técnico):
http://www.tassojereissati.com.br/artigos/120-comissao-da-crisefinanceira-apresenta-relatorio
 Texto para Discussão Senado/Consultoria:
 n.61 – Evolução e Determinantes do Spread Bancário, Afonso,
Kohler e Springer, ago/2009.
http://www.senado.gov.br/web/conleg/textos_discussao/texto61spreadban
c%E1riospringerkohlereafonso.pdf
Spread Bancário
Sumário da apresentação




a evolução do spread
observações sobre a metodologia do Bacen
o banco como firma multiproduto
recomendações
ju
no l/9
4
m v/9
ar 4
/
ju 95
l
/
no 9
5
m v/9
ar 5
/
ju 96
no l/9
6
m v/9
ar 6
/
ju 97
no l/9
7
m v/9
ar 7
ju /98
no l/9
8
m v/9
ar 8
ju /99
no l/9
9
m v/9
ar 9
/
ju 00
no l/0
0
m v/0
ar 0
/
ju 01
no l/0
1
m v/0
ar 1
/
ju 02
no l/0
2
m v/0
ar 2
/
ju 03
no l/0
3
m v/0
ar 3
ju /04
no l/0
4
m v/0
ar 4
ju /05
no l/0
5
m v/0
ar 5
/
ju 06
no l/0
6
m v/0
ar 6
/
ju 07
l
/
no 0
7
m v/0
ar 7
/
ju 08
no l/0
8
m v/0
ar 8
ju /09
l/0
9
pontos percentuais ao ano
Spread Bancário
Evolução do spread operações prefixadas por tomador (1994/2009)
Operações "referenciais" - Circular nº 2.957/99
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
meses
geral
jurídica
física
Spread Bancário
 1994-1997
 forte queda do spread, em função da estabilidade proporcionada pelo Plano
Real. determinação macroeconômica.
 1997-1999
 nova elevação do spread, em função das crises da Ásia e da Rússia e que
culminaram com o fim do regime cambial e fiscal anterior. determinação
macroeconômica.
 1999-2001
 redução adicional do spread em termos históricos. Estabilidade
macroeconômica + mudanças microeconômicas.
 2003-2009
 ganhos contínuos das mudanças microeconômicas, mas
 mudança de portfólio é mais importante que redução intra-operações
 redução pouco relevante na pessoa jurídica a partir de 2003
 redução de 30 p.p. na pessoa física
Spread Bancário
Principais mudanças microeconômicas
 implementação do novo Sistema de Pagamentos
(SPB);
 ampliação da alienação fiduciária (bens imóveis);
 introdução do patrimônio de afetação;
 crédito consignado;
 novo regime falimentar (Lei nº 11.101, de 2005);
 possibilidade de penhora eletrônica (BACENJud);
 melhoria do grau de garantia da Cédula de Crédito
Bancário.
Spread Bancário
O spread PJ e PF entre 2003 e 2007
 mudanças microeconômicas não afetaram
significativamente spread pessoa jurídica
 redução do spread para pessoas físicas foi fortemente
influenciada pela alteração do mix de modalidades e não
pela redução dos juros em cada modalidade.
Spread Bancário
O spread PJ e PF entre 2003 e 2007
Poder explicativo da queda do spread intra-modalidade
para a queda geral do spread
Pessoa Física
Período
Pessoa Jurídica
Total
Critério Novos
Critério Banco Critério Novos Critério Banco Critério Novos Critério Banco
Financiamentos Central
Financiamentos Central
Financiamentos Central
2003:I a 2004:I
79
92
78
141
84
121
2004:I a 2007:II
12
63
65
128
23
95
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
 decomposição contábil ex-post em 5 componentes:





custo administrativo
inadimplência
compulsório
tributos e taxas
resíduo
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
 custo administrativo considerado para rateio no spread é resultado
da subtração das receitas de tarifas e de administração de fundos das
despesas administrativas totais
 Críticas:
como as operações com tarifas e administração de fundos se supõem
lucrativas, houve superestimação desses fatores na subtração,
consequentemente houve subestimação das despesas administrativas a
serem rateadas para os demais centros de receita considerados: câmbio,
crédito livre, crédito direcionado e tesouraria
 algoritmo de Auman-Shapley requer desconsiderar tarifas e
administração de fundos como fontes de custos e de receitas
 subestimação dos custos administrativos nos spreads pode mascarar
ineficiências administrativas exatamente no momento de concentração de
operações e ganhos de escala
 a busca de uma metodologia geral impõe a escolha de muitas hipóteses
simplificadoras
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
 Uso da taxa dos CDB como custo mínimo de captação
 Crítica:
 como a metodologia é de caráter contábil – e não econômico –
considerar custos implícitos de captação maiores para os depósitos a
vista pode gerar dupla contagem, uma vez que todas as despesas
administrativas são rateadas no cálculo do spread.
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
 Avaliação superficial das operações compulsórias ou direcionadas
 hipótese implícita de subsídio cruzado nas operações compulsórias,
justificando custo elevado das operações livres
 tratamento homogêneo das operações ativas e PASSIVAS
direcionadas (base de cálculo do direcionamento)
 Críticas:
 regulamentação de operações passivas podem trazer ganhos não
considerados nos cálculos e nos custos de captação
 por exemplo, custo dos depósitos de poupança são inferiores aos do
CDB
 além disso, a regulamentação das operações ativas reduz muito o
caráter compulsório dessas operações
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
14%
25
12%
10%
20
8%
15
6%
10
4%
2%
0
0%
ês
ar
/0
ju 5
n/
0
se 5
t/0
de 5
z/
0
m 5
ar
/0
ju 6
n/
0
se 6
t/0
de 6
z/
0
m 6
ar
/0
ju 7
n/
0
se 7
t/0
de 7
z/
0
m 7
ar
/0
ju 8
n/
0
se 8
t/0
de 8
z/
08
5
m
Recursos livres da poupança - art. 1, § 1º do RA
% sobre o saldo
percentual liberado sobre o total
de depósitos
30
m
Valores liberados em R$ (bilhões)
depósitos de poupança liberados como de llivre aplicação pelo
art. 1º, § 1º do RA da Resolução 3.347
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
25,0
10,0%
9,0%
8,0%
em R$ bilhões
20,0
7,0%
6,0%
5,0%
4,0%
3,0%
15,0
10,0
5,0
2,0%
1,0%
0,0%
abr/09
mai/09
jun/09
jul/09
ago/09
set/09
out/09
meses
valores liberados além do percentual regulamentar
percentual sobre o saldo total da poupança SBPE
em % do total de
depósitos
depósitos liberados em função do art. 1º § 1º do RA à
Resolução 3.347
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
 Avaliação superficial das operações compulsórias ou direcionadas
 mais exemplos:
 Outras rubricas atualmente negligenciadas pelo BACEN: a) 15% de
aplicações livres; b) o floating das cartas de crédito concedidas no
âmbito do SFH; c) os efeitos dos multiplicadores previstos nos arts.
12, 13, 14 e 15 do Regulamento Anexo e que criam sobras adicionais
de recursos de poupança para aplicação em operações livres.
 noção de subsídio cruzado não é argumento sólido. Por exemplo, os
bancos relevantes hoje praticam juros abaixo dos tabelados não só no
SFH, mas também na carteira hipotecária! (TR + 12%). Além disso, os
bancos não são obrigados a oferecê-las.
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
 Considerar como cunha fiscal os impostos diretos
 não parece consistente considerar os tributos sobre o lucro como
cunha fiscal ou parte do spread.
 a tributação direta incide sobre o conjunto das atividades do banco, as
operacionais e as não-operacionais, enquanto a tributação indireta afeta de
forma imediata o resultado das operações de captação e de empréstimo
 duas instituições com o mesmo spread ex-ante, mesma estrutura de custos
e de captação podem ter distintas tributações em função de diferentes níveis
de perdas não-operacionais
 a tributação pode sofrer a influência de incidentes como amortizações de
ágio e impactos de ativos diferidos e compensações tributárias sobre
provisões
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
 custo de depósitos compulsórios não parece fazer sentido dentro da
metodologia escolhida.
 a metodologia escolhida é a contábil, não a econômica ou
comportamental. Sob essa perspectiva, não cabe computar custos de
oportunidade, uma vez que alocações alternativas não fazem parte do
universo de eventos observado ex-post.
 isso não quer dizer que compulsórios mais altos não induzam a
custos mais altos para o consumidor final, quer dizer apenas que a
redução da disponibilidade para empréstimos em relação ao montante
captado (e que gerou custos) já aparece na contabilidade ex-post como
custos administrativos unitários maiores. Do lado da oferta de crédito,
por exemplo, isso pode levar a custos maiores de captação, em função
de maior agressividade na competição por recursos de clientes na
ponta passiva. Esses custos podem ser de publicidade, de tratamento
diferenciado, etc.
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
 seria recomendável abandonar o elevado grau de agregação
hoje utilizado nos estudos
 seria mais viável, mais útil e mais preciso o cálculo do spread
por instituições e por segmentos representativos
 considerar uma avaliação “abaixo da linha”, como, por exemplo,
avaliar a performance de rentabilidade no tempo.
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
Retorno sobre o patrimônio líquido de instituições selecionadas de 2001 a 2008 (taxa anualizada)
BB
CEF
BRADESCO
ITAU
UNIBANCO
SANTANDER BANESPA
ABN AMRO
Média Simples
BB
BRADESCO
ITAU
Média Simples
UNIBANCO
SANTANDER BANESPA
ABN AMRO
Média Simples
Diferencial
2001
13,4%
-34,5%
25,5%
37,9%
17,4%
1,3%
7,7%
9,8%
2002
25,7%
27,8%
20,2%
21,4%
16,8%
57,4%
17,7%
26,7%
2003
22,9%
33,2%
19,4%
19,0%
16,2%
24,0%
5,0%
20,0%
2004
24,6%
24,5%
24,3%
38,3%
17,6%
21,4%
8,0%
22,7%
2005
28,8%
31,7%
34,5%
36,1%
22,7%
21,9%
11,9%
26,8%
2006
35,1%
30,5%
25,1%
34,6%
19,8%
16,3%
18,1%
25,6%
2007
24,2%
27,4%
31,6%
19,5%
34,8%
21,3%
24,9%
26,2%
2008*
34,9%
50,0%
27,0%
28,6%
25,9%
16,9%
14,8%
28,3%
13,4%
25,5%
37,9%
25,6%
25,7%
20,2%
21,4%
22,5%
22,9%
19,4%
19,0%
20,4%
24,6%
24,3%
38,3%
29,1%
28,8%
34,5%
36,1%
33,1%
35,1%
25,1%
34,6%
31,6%
24,2%
31,6%
19,5%
25,1%
34,9%
27,0%
28,6%
30,1%
17,4%
1,3%
7,7%
16,8%
57,4%
17,7%
16,2%
24,0%
5,0%
17,6%
21,4%
8,0%
22,7%
21,9%
11,9%
19,8%
16,3%
18,1%
34,8%
21,3%
24,9%
25,9%
16,9%
14,8%
8,8%
30,6%
15,1%
15,7%
18,8%
18,1%
27,0%
19,2%
16,8%
-8,2%
5,4%
13,4%
14,3%
13,5%
-1,9%
10,9%
Para 2008, o cálculo é feitoa apenas para os dois primeiros trimestres
Fonte: Banco Central do Brasil: Resumo dos Resultados Contábeis das 50 maiores instituições financeiras
Spread Bancário
Cálculo do spread pelo Banco Central
RoE em função do patrimônio líquido - 1S09* - sem 4 outliers
y = 0,0117x - 0,1245
R2 = 0,0876
25,0%
20,0%
RoE anualizado do 1S09
15,0%
10,0%
5,0%
0,0%
-5,0%
7,0
9,0
11,0
13,0
-10,0%
-15,0%
-20,0%
-25,0%
log n do patrimônio líquido
15,0
17,0
19,0
Spread Bancário
Banco como firma multiproduto
 Analisar e intervir no problema do spread só é possível abordando o
banco como firma multiproduto que tem ganhos de escopo e escala
 especialmente sob a base tecnológica atual, os bancos oferecem os
seguintes serviços:




meios de pagamento e híbridos (numerário, cartões de débito, cartões de crédito e cheques)
captação de poupança
concessão de crédito
serviços como pagamento de boletos e contas de utilities
 a fusão desses serviços gera ganhos de escopo para o banco e para o cliente (racionalidade e
tempo limitados)
 as plataformas tecnológicas geram economias de rede (quanto mais ATMs, mais valorizada a rede
de ATMs) e de escala (custo unitário de homepages é muito menor para bancos maiores).
RESULTADO: AMBIENTE GERA BARREIRA À ENTRADA DE COMPETIDORES
Spread Bancário
Banco como firma multiproduto
 discussão sobre spread só é relevante para os pequenos e os
médios tomadores
 para os grandes tomadores, mercado é contestável
 no próprio universo do mercado bancário
 em face do mercado de capitais
 em face do mercado externo
 spread médio não é representativo nem dos grandes nem dos
pequenos e médios
 spread cai em operações nas quais a rigidez imposta por ganhos
de escala e escopo torna-se pouco significativa, ou seja, switching
costs e custos de procura não são suficientes para deter a
competição.
Spread Bancário
Banco como firma multiproduto
 Evidência: operações com menor spread são as com maior valor
unitário
veículos e crédito habitacional
comparativo spreads pessoas física e veículos
70
50
40
30
20
10
0
ju
n/
00
de
z/
00
ju
n/
01
de
z/
01
ju
n/
02
de
z/
02
ju
n/
03
de
z/
03
ju
n/
04
de
z/
04
ju
n/
05
de
z/
05
ju
n/
06
de
z/
06
ju
n/
07
de
z/
07
ju
n/
08
de
z/
08
ju
n/
09
pontos percentuais
60
meses
Spread geral pessoa física
spread veículos
Spread Bancário
Banco como firma multiproduto
 o senso comum atribui o menor spread dessas operações
exclusivamente à maior robustez das garantias. Essa
explicação deixa escapar o aspecto essencial do problema:
os spreads são menores principalmente porque a
competição é mais acirrada nessas operações. Os fatores
que restringem a competição em operações de baixo valor
unitário – elevados switching costs e elevados custos de
procura – não são capazes de deter a competição nas
operações de maior valor unitário. Nelas, os ganhos de
procura e de mudança superam os custos.
Spread Bancário
Banco como firma multiproduto
 tecnologia atual é concentradora
Economias de escopo
economias de escala
economias de rede
 Gestão prudencial é concentradora
 absorções e fusões como mecanismo de saneamento
 too big to fail visto como garantia implícita pelo
público
Spread Bancário
Banco como firma multiproduto
 CONCLUSÃO
 concentração é incentivada pela tecnologia e pela regulação
 concentração é fatal para a competição no sistema bancário
para os pequenos e médios, pois:
 mercado não é contestável
 switching costs são elevados
 custos de procura são elevados
Spread Bancário
Banco como firma multiproduto
 RECOMENDAÇÕES
Incentivo ao surgimento de uma rede de bancos médios
 regulação forte em tarifas
 Exemplo: proibição de cobrança de transferência
entre bancos (portabilidade real)
 compartilhamento compulsório de ATMs
 compulsórios diferenciados como política permanente
 FGC diferenciado como política permanente
 permissão de abertura de casas de empréstimos sem
direito a captação do público
 cadastro positivo (aprovado ontem na CCJ – PLS 263/04)
Obrigado
Para contatos
 Marcos Kohler: kohler@senado.gov.br
 Paulo Springer: springer@senado.gov.br
 José Roberto Afonso: zeroberto@joserobertoafonso.ecn.br
 Samuel Pessoa: Samuel.Pessoa@fgv.br
(como de praxe, opiniões expressas são pessoais e não das instituições a
que estão vinculados)
Outros Textos para Discussão do Senado:
 Inter-relações entre políticas fiscal x monetária, cambial
e credíticia: Afonso
e Higa, n.66, nov/09
http://www.senado.gov.br/web/conleg/textos_discussao/texto66anapaulahigaeos%E9robertoafonso.pdf
 Evolução e estrutura da receita administrada federal: Afonso, Castro e
Junqueira, n.63, set/09
http://www.senado.gov.br/web/conleg/textos_discussao/texto66anapaulahigaeos%E9robertoafonso.pdf
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