R E V I S TA
SET/OUT 2013 • ANO II • Nº 07
A REVISTA DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
o espetáculo das
superações
O esporte como
protagonista
da sustentabilidade
bate-papo
Marco Lentini,
presidente do FSC
greenB
revista
ÍNDICE
4
Carta ao Leitor
5
Agenda / Cartas
8
Vitrine e Produtos
14Mercado
16
Copa e Olimpíadas
20 Especial
24 Retrofit
28 GBC Brasil
30
Caso I – Park Office
38
Caso III – RecNov
42Notas
44
Produtos e Serviços
48
Softwares e Ferramentas
54 Pesquisa e Desenvolvimento
56Tendências
58
Soluções Verdes
60Internacional
Ilustração: Divulgação Ecoconstruct Brazil
62Arquitetura
Foto: WWF-Brasil/Frederico Brandão
10
Bate–papo
Marco Lentini,
do FSC Brasil, e
as questões do
manejo florestal
responsável
6
34
50
olho mágico
As superárvores de Cingapura colaboram
com a preservação de recursos naturais
caso II – TETUM
Loja transmite a sustentabilidade
aliada à decoração
OPERAÇÃO E MANUTENÇão
Localizado em uma área de mata
preservada, o prédio da Siemens
recebe o selo LEED
www.revistagreenbuilding.com.br | green building | 3
carta ao leitor
greenB
Vamos pisar fundo!
N
os diversos setores da cadeia produtiva
brasileira em que circulo, devido aos títulos que
publicamos, tenho percebido uma insatisfação
generalizada com a nossa economia. A alta do dólar,
a inflação que não para de crescer, as baixas
expectativas para o nosso Produto Interno Bruto (PIB),
entre outros fatores. Até do mercado editorial tenho
escutado rumores de insatisfação.
Ora, mas o que de fato vem acontecendo com
a nossa economia? Na minha humilde sabedoria,
eu poderia explicar isto em muitas páginas desta
revista, mas o espaço não seria suficiente. Prefiro, neste
caso, dizer que muitas vezes uma crise é o suficiente
para crescermos e mostrarmos que somos diferentes.
Respondendo pelo meu mercado, o editorial, posso
dizer que realmente o setor passa por mudanças.
E qual é o diferencial para nos destacarmos? É simples:
investir muito e, além de tudo, não apostar nos ovos de
apenas uma “galinha”.
O que quero dizer com tudo isso é que a revista
Green Building está em pleno processo de aceleração,
com ou sem crise econômica brasileira. É com crises
como esta que devemos investir. Para os próximos
meses, estaremos lançando para o mercado da
construção sustentável diversas novidades. Duas delas,
já nas próximas edições. Em novembro/dezembro,
teremos a publicação da primeira pesquisa realizada
para levantar as marcas mais lembradas do setor green
building. Será a edição Especial - Marcas de Destaque
2013, na qual nossos leitores vão apontar as principais
marcas verdes do mercado. Para a edição janeiro/
feveiro, teremos uma nova pesquisa, só que voltada ao
mercado em geral. Junto com os dados obtidos, faremos
o Anuário 2014 Green Building.
Queremos e vamos entregar ao mercado os principais números do setor. Queremos e vamos contar
com a sua participação. No próximo ano, vocês
leitores vão caminhar ao lado da revista. Resumindo:
em 2014 vamos crescer juntos!
Desejo uma ótima leitura!
Alan Banas
Diretor executivo e Publisher
[email protected]
4 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
revista
www.revistagreenbuilding.com.br
A revista da Construção Sustentável
Tel.: (11) 3586-4199
Diretor executivo e Publisher: Alan Banas – MTB 53.808
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Sócio-Diretor: João Marcello Gomes Pinto
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Assistente Administrativa: Taynara Holanda
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Redação:
Amanda Santana - [email protected]
Andrea Padovan - [email protected]
Juliana Barbosa - [email protected]
Tiago Martinelli - [email protected]
Colaboradores da edição
Marcos Casado e Marta Adriana Bustos Romero
Comercial
Gerente de contas: Deborah Twidale
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Gerente de contas: Ivete Gramm
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A Revista Green Building é publicada pela:
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Projeto Gráfico e Design
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Foto de capa: Lucas Freitas/Rio 2016
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É permitida a divulgação das informações contidas na revista desde que citada
a fonte. A Revista Green Building reserva-se o direito de publicar somente
informações que considerar relevantes e do interesse dos seus leitores.
A revista não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados.
Apoio:
A Editora Nova Gestão,
consciente das questões
ambientais e sociais, utiliza
papéis com certificado FSC
(Forest Stewardship Council)
para a impressão deste material.
A certificação FSC garante que
uma matéria-prima florestal
provenha de um manejo
considerado social, ambiental e
economicamente adequado e
outras fontes controladas.
AGENDA 2013
NACIONAL
Data
Evento
Local
Organização
26 a 28 de setembro de 2013
Feicon Batimat
Nordeste
Centro de Convenções
de Pernambuco
Recife/PE
Reed Exhibitions Alcantara
Machado
(11) 3060-5000
www.feiconne.com.br
2 a 5 de outubro de 2013
Intercon - Feira
e Congresso da
Construção Civil
Megacentro Wittich
Freitag - Expoville
Joinville/SC
Messe Brasil
(47) 3451-3000
www.feiraintercon.com.br
30 e 31 de outubro de 2013
Exponorma 2013
Congresso e Exposição
Centro de Convenções
Frei Caneca
São Paulo/SP
Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT)
(11) 3017-3634
www.abnt.org.br/exponorma
Data
EVENTO
Local
Organização
16 a 19 de outubro de 2013
SAIE - International
Building Exhibition
Bologna Exhibition
Centre
Bolonha/Itália
Bologna Fiere
+39 (0)5 12 82 111
www.bolognafiere.it
20 a 22 de novembro de 2013
Greenbuild
International
Conference and Expo
Pennsylvania
Convention Center
Philadelphia/EUA
USGBC
+1 (800) 795-1747
www.greenbuildexpo.org
Data
Evento
Local
Organização
29 de outubro a 1 de novembro de 2013
55º Congresso
do Concreto
Centro de Eventos
ExpoGramado
Gramado/RS
IBRACON
(11) 3735-0202
www.ibracon.org.br/eventos/55cbc
INTERNACIONAL
CURSOS E CONGRESSOS
cartas e e-mails
SUGESTÃO
Olá, gostaria de apresentar nosso empreendimento hoteleiro sustentável para ser exposto
como caso na revista. Em toda nossa operação, temos a sustentabilidade inserida no projeto.
Como devo proceder? Grato.
Fabricio Konno – Drus’s Hotel
Resposta: Olá Fabricio. Primeiramente, ficamos grato pelo seu e-mail e interesse na
revista Green Building. Todos os cases são bem-vindos por nossa equipe e analisados
separadamente para levantar os aspectos sustentáveis, entre outras características necessárias para
sua publicação. Solicitamos que envie um e-mail para [email protected].
Redação – Revista Green Building
ASSINATURA
Gostaria de obter informações para assinar a revista Green Building e recebê-la
em meu endereço.
Mario Usai – Sam Marco Engenheria
Agradecemos os elogios, as críticas e as
sugestões endereçados à última edição
da Revista Green Building.
Tenham certeza de que todos os
comentários serão contemplados
na formação das futuras pautas da
revista. Para participar desta seção,
envie sua carta para redacaogb@
editoranovagestao.com.br ou pelo
site www.revistagreenbuilding.com.br.
Por motivos de espaço ou clareza, a
redação reserva-se o direito de publicar
as cartas resumidamente.
Resposta: Mario, agradecemos seu contato. A revista Green Building é gratuita somente para
profissionais do setor. Os pedidos podem ser feitos pelo nosso site.
Acesse www.revistagreenbuilding.com.br
Redação – Revista Green Building
www.revistagreenbuilding.com.br | green building | 5
OLHO Mágico
Parque sustentável >>
Superárvores fazem parte de ciclos
sustentáveis d​​ e energia e água
Supertrees
Foto: Gardens by the Bay
Site: www.gardensbythebay.com.sg
Localização: Bay South Garden, Gardens by the Bay, Cingapura
Início da construção: 2007
Inauguração: 2012
Custo do Bay South Garden: 1 bilhão de dólares de Cingapura
Proprietária: Gardens by the Bay
Projeto: Grant Associates
Altura das árvores: 25 a 50 m
Fatos e curiosidades:
• 162.900 plantas cobrem as Supertrees, sendo mais de 200 espécies e variedades de
bromélias, orquídeas, samambaias e trepadeiras floridas tropicais;
• As Supertrees têm diferentes esquemas de plantação em relação às cores, que vão de tons mais
quentes – como vermelho, marrom, laranja e amarelo – até cores frias, como prata e rosa;
• As plantas foram escolhidas de acordo com as características adequadas para o plantio
vertical e para o clima da região, leveza, resistência e fácil manutenção. Também optou-se por
espécies não comuns em Cingapura e visualmente interessantes.
6 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Árvores gigantes enfeitam um dos parques mais
charmosos do mundo. As Supertrees são uma das
atrações da baía sul do Gardens by the Bay, em
Cingapura. Ao todo são 18 árvores com altura de
25 a 50 metros, o que corresponde a prédios de 9 a 16
andares, sendo que seis estão divididas em trios nos
jardins Golden e Silver. As outras 12 estão situadas
no Supertree Grove​​.
Algumas delas têm células fotovoltaicas para
coletar energia solar e outras integram conservatórios
de refrigeração, estes capazes de proporcionar 30%
de economia no consumo de energia na iluminação das
árvores. Na extensão do parque, há também o Lake
System, que engloba dois lagos principais – Dragonfly
e Kingfisher – e atua como um sistema de filtragem
natural, realizada por plantas aquáticas, para a água que
é utilizada no sistema de irrigação embutido dos jardins.
As Supertrees são compostas por quatro partes
principais: o reforço de concreto, uma estrutura vertical
interna que sustenta a superárvore; o tronco, feito
de uma estrutura de aço; plantio de painéis da pele viva;
e a copa, em forma de um guarda-chuva invertido.
Vitrine e Produtos
Colaborador: Henrique Benites
ACQUAMATIC DO BRASIL
Produto: Vaso sanitário basculante
Descrição: Utiliza plástico ABS reciclado como matéria-prima, conforme orientação do GBC Brasil.
Pesa menos de 7 quilos e é cinco vezes mais leve do que os vasos comuns, por isso não agrega
peso à obra. Possui caixa acoplada que aciona com apenas 2 litros de água. Tem vida útil de 50 anos.
Site: www.acquamaticdobrasil.com - Contato: (11) 2100-2872
Este produto contribui com os requistos de certificação green building:
LEED: LEED 2009 BD+C | WEp1 Water use reduction | WEc3 Water use reduction | LEED 2009 BD+C | MRc4 Recycled content
AQUA: AQUA Edifícios do setor de serviços: 2.2.3 Escolher os produtos de construção de forma a limitar sua contribuição aos impactos
ambientais da construção; 5.1.2 Garantir economia de água potável nos sanitários | AQUA Edifícios Habitacionais: 2.2.1 Escolha de
produtos de modo a contribuir para a diminuição da emissão de gases do efeito estufa, diminuição dos resíduos dispostos no ambiente,
aumento do aproveitamento por reúso/reciclagem de materiais, aumento do uso de recursos renováveis e escolhas que evitem o
esgotamento de recursos naturais; 5.1.2 Instalação de sistemas economizadores – bacia sanitária
Foto: Divulgação Hel
iotek
Heliotek (Grupo Bosch)
Produto: Coletor Solar MC Evolution
Descrição: O coletor MC Evolution tem seu processo
de produção 100% automatizado, contando com solda
por ultrassom ultrarresistente, garantindo um padrão
de qualidade ao produto. Com estrutura robusta e
bem acabada, reduz a circulação de ar melhorando a
condução do calor para o fluido na tubulação. Ainda
tem classificação “A” do Inmetro e conta com garantia
de cinco anos.
Site: www.heliotek.com.br - Contato: 0800 14 8333
Este produto contribui com os requistos de certificação green building:
LEED: LEED 2009 BD+C | EAp1 Minimum Energy Performance
EAc1 Optimize Energy Performance
AQUA: AQUA Edifícios do setor de serviços: 4.2.1 Reduzir o consumo de energia primária devida ao
resfriamento, ao aquecimento, à iluminação, ao aquecimento de água, à ventilação e aos equipamentos
auxiliares; 4.2.6 Recorrer às energias renováveis locais; 4.3.1 Quantidades de CO2 equivalentes
gerados pelo uso de energia | AQUA Edifícios Habitacionais: 4.2.1 Uso de energias renováveis locais:
energia solar para aquecimento de água; 4.7.3 Desempenho do sistema de aquecimento de água:
Eficiência do sistema de aquecimento solar de água
Foto: Divulgação Acquamatic do Brasil
Indústrias Tosi
Produto: Bombas de calor HOT 70WW
Descrição: Nova solução térmica
para aquecimento de água da Jelly
Fish utiliza a condensação do líquido
do próprio chiller para aquecimento
Foto: D
ivulgaç
ão Indú
de água para banho a até 70ºC. Não
strias T
osi
determinando o calor da temperatura
ambiente, as bombas da linha WW têm o rendimento no circuito
de alta pressão potencializado, além de uma redução no número
de máquinas e aumento da performance no sistema, gerando
eficiência e economia.
Site: www.industriastosi.com.br - Contato: (11) 3643-0433
Este produto contribui com os requistos de certificação green building:
LEED: LEED 2009 BD+C | EAp1 Minimum Energy Performance
EAc1 Optimize Energy Performance
AQUA: AQUA Edifícios do setor de serviços: 4.2.1 Reduzir o consumo de
energia primária devida ao resfriamento, ao aquecimento, à iluminação, ao
aquecimento de água, à ventilação e aos equipamentos auxiliares; 4.3.1
Quantidades de CO2 equivalentes gerados pelo uso de energia | AQUA
Edifícios Habitacionais: 4.7.3 Desempenho do sistema de aquecimento de
água: Eficiência do sistema de aquecimento de água por bomba de calor
ITAIM ILUMINAÇÃO
Produto: Luminária D’art
Descrição: Com um design clean e leve, a luminária pendente possui tecnologia LED e é dimerizável. Quando posicionada a 0,8 m do plano de tarefa,
ilumina de forma homogênea e elimina os ângulos críticos de ofuscamento. Pode ser aplicada em forro de gesso ou modulado e apresenta três opções de
temperatura de cor: 2700K, 4000K e 5000K. A D’art tem corpo em alumínio extrusado com acabamento em pintura eletrostática na cor branca, cromada ou
anodizada chumbo e difusor em acrílico prismático ou translúcido.
Site: www.itaimiluminacao.com.br - Contato: (11) 4785-1010
Este produto contribui com os requistos de certificação green building:
LEED: LEED 2009 BD+C | EAp1 Minimum Energy Performance |EAc1 Optimize Energy Performance
F
ção
ulga
Div
oto:
Itaim
ão
Il
aç
umin
AQUA: AQUA Edifícios do setor de serviços: 4.2.1 Reduzir o consumo de energia primária devida ao resfriamento, ao aquecimento, à
iluminação, ao aquecimento de água, à ventilação e aos equipamentos auxiliares; 4.4.1 Redução do consumo de energia para os sistemas de
iluminação; 10.2.3 Evitar o ofuscamento devido à iluminação artificial e buscar um equilíbrio das iluminâncias do ambiente luminoso interno;
10.2.4 Garantir uma qualidade agradável da luz emitida
8 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
11 3807-2823 | 11 3467 4499
21 3736-7235 | 21 3736 7236
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Av. Via Parque da Lagoa, 7200 - bloco 5 cj. 241
Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - Brasil
Av. Brig. Faria Lima, 1903 - 5ºandar
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Sede: São Paulo
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Somos muito mais que uma consultoria para certificação de sustentabilidade.
Realizamos um trabalho de consultoria de resultado!
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Soluções em Empreendimentos
e Edificações Sustentáveis
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Acompanhe mais sobre sustentabilidade
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Isso porque a Sustentech é especializada, com excelência, em soluções sustentáveis para projeto, execução e operação
de edificações novas e existentes, com larga experiência nos processos de certificação LEED, AQUA, BREEAM
e PROCEL de empreendimentos no Brasil e no exterior. Utilizamos ferramentas de ponta no desenvolvimento
dos trabalhos de Simulação Energética e Comissionamento.
O empreendimento sustentável atende à demanda da sociedade atual preservando o meio ambiente
para as futuras gerações. E com a Sustentech ele é economicamente viável!
Por que não construir sustentavelmente?
BATE-PAPO
Foto: WWF-Brasil/Frederico Brandão
Marco Lentini,
presidente do
FSC, mostra que a
construção civil é um
desafio à organização
de manejo florestal
10 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Matéria-prima
Por Redação
O
certificada
Brasil abriga uma joia: mais de 60% dos 5,5
milhões de quilômetros quadrados da Amazônia,
a maior floresta tropical do mundo. Ocorre que,
ano a ano, o desmatamento ilegal na região aumenta. O último Boletim do Desmatamento (SAD), vinculado ao
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia
(Imazon), publicado em junho, revela que o desmatamento na
Amazônia Legal aumentou 437% em relação ao mesmo
período no ano passado. É neste cenário de contradição,
no qual colocamos em risco o próprio patrimônio nacional,
que se insere o Forest Stewardship Council (FSC), uma
Organização Não Governamental (ONG) que tem atuação
mundial e tem como objetivo promover o manejo das
florestas no mundo todo de maneira ambientalmente correta,
socialmente benéfica e economicamente sustentável.
No Brasil, o escritório do FSC é comandado por Marco
Lentini, presidente do Conselho Diretor da instituição, que
trabalha há 13 anos no setor florestal da Amazônia, nas
áreas de manejo e certificação florestal. Além disto, é mestre
em Economia de Recursos Florestais pela Universidade
da Flórida (Gainesville, EUA), graduado em Engenharia
Florestal pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz,
da Universidade de São Paulo, e coordenador do Programa
Amazônia do WWF-Brasil.
Lentini fala, nesta entrevista, sobre as atividades da
organização e o desafio do FSC no Brasil de tornar o uso da
madeira certificada um padrão na construção civil.
Como o FSC atua no Brasil e de que forma busca
resultados?
A atuação do FSC Brasil difunde e facilita o bom
manejo das florestas brasileiras seguindo princípios
e critérios para salvaguardas ecológicas, benefícios
sociais e viabilidade econômica. As decisões da
organização são determinadas pelo voto da maioria dos
membros das câmaras social, ambiental e econômica,
nas assembleias anuais ou nas reuniões das instâncias
diretivas. Buscamos alcançar, de maneira geral,
representar o sistema FSC no Brasil, consolidando-se
como centro de referência de boas práticas de manejo
florestal; equilibrar a participação das diferentes
câmaras do FSC nas instâncias políticas, públicas e
privadas e fomentar o consumo responsável de produtos
certificados FSC, potencializando, assim, a oferta e a
demanda dos mesmos. Além de tudo, buscamos ser
sustentáveis do ponto de vista econômico, com padrões
e procedimentos transparentes e confiáveis.
O crescimento do green building pode impulsionar a demanda por
madeira certificada FSC, o que tem um efeito em toda a cadeia
produtiva certificada”
www.revistagreenbuilding.com.br | green building | 11
BATE-PAPO
Quantos hectares de terra são certificados no Brasil?
E quantos são os empreendimentos certificados?
Atualmente, o País ocupa o quinto lugar no ranking total
do sistema FSC, com 7,280 milhões de hectares certificados
na modalidade de manejo florestal, envolvendo 96 operações de manejo entre áreas de florestas nativas e plantadas.
Na modalidade de cadeia de custódia, o Brasil conta com aproximadamente 968 certificados, com uma taxa de crescimento de um
novo empreendimento certificado a cada dia.
Princípios do manejo
florestal responsável,
de acordo com o FSC:
• Garantia sobre posse e uso da terra;
• Respeito aos direitos dos povos
indígenas e tradicionais;
• Manutenção ou ampliação do bemestar de comunidades e trabalhadores;
Quais são as diferenças entre madeira ilegal, madeira legal e a
madeira certificada pelo FSC?
A madeira ilegal é aquela conseguida sem autorização de exploração e se caracteriza pela sua ação rápida, predatória e devastadora
de grandes áreas de floresta nativa. Já a madeira legal é extraída
dentro das exigências legais do nosso País, que possui o documento de licença de transporte e armazenamento, acompanhada
da nota fiscal. É importante enfatizar que a madeira legal possui as
salvaguardas de licenciamento, mas também pode incluir práticas
ilegais devido ao nosso sistema institucional frágil. Com relação
à madeira certificada, é aquela que segue os princípios e critérios do
FSC, que vão além das exigências legais para também contemplar
direitos sociais das comunidades vizinhas, equidade entre homens
e mulheres, proibição de conversão de áreas naturais para plantio
de árvores, proibição do uso de químicos e defensivos agrícolas nas
plantações florestais, entre outros. Portanto, a madeira certificada
sempre é mais rigorosa e abrangente no cumprimento de requisitos
sociais e ambientais.
• Uso múltiplo dos produtos e serviços da
floresta;
• Manutenção das funções ecológicas e
da integridade da floresta;
• Elaboração de plano de manejo
apropriado à escala e intensidade das
operações propostas;
• Monitoramento e avaliação do manejo
florestal e dos seus impactos;
• Manutenção de áreas de alto valor de
conservação;
• Florestas plantadas devem
complementar o manejo, reduzir a
pressão e promover a conservação das
florestas naturais;
• Implementação das atividades de
gestão de acordo com as políticas
econômicas, ambientais e dos
presentes princípios e critérios.
Foto: Divulgação A Mata
Como é o processo de manejo florestal responsável?
O manejo florestal responsável é um conjunto de boas práticas
de planejamento e de técnicas especiais na exploração das florestas.
Existe para conciliar o aproveitamento responsável dos recursos
naturais e sua conservação. Para isso, a floresta é mapeada e
intervenções são feitas para extrair produtos madeireiros e não
madeireiros, como frutos, resinas, óleos, sementes, entre outros.
12 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Qual é a importância do trabalho do FSC para o mercado de
construção civil sustentável?
O setor é estratégico em função dos empreendimentos para a
Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016, além das obras de
habitação e infraestrutura em execução no contexto do crescimento
econômico e a crescente inserção de critérios de sustentabilidade
nas compras públicas. Então, a partir de uma pesquisa realizada
em 2012 para mapear a oferta de madeira certificada no Brasil e a
necessidade imediata de que a oferta e a demanda cresçam juntas,
o FSC lançou a campanha de madeira certificada para o setor
de construção civil. O objetivo da campanha é criar uma estratégia
de comunicação integrada que atinja os diversos atores da cadeia
da madeira certificada no setor da construção civil, respondendo
às suas demandas específicas e sensibilizando-os para a importância
Cada espaço,
um traço
da adoção de boas práticas de compra e uso deste material, aumentando
o consumo de madeira certificada FSC dentro do setor, agregando valor para
a madeira certificada e aumentando o nível de conhecimento e envolvimento
com o universo da madeira certificada.
Como você avalia o crescimento do setor green building no Brasil? Como este
crescimento impacta no trabalho do FSC?
O crescimento do green building pode impulsionar a demanda por madeira
certificada FSC, o que tem um efeito em toda a cadeia produtiva certificada.
Existem mais de 180 milhões de hectares de florestas certificadas pelo FSC em
todo o mundo, que fornecem 10% de toda a madeira e de todos os produtos
de madeira comercializados. No Brasil, o Estado de São Paulo consome cerca
de 25% da madeira extraída da Amazônia, e destes, 70% são consumidos pelo
setor da construção civil.
Quais os principais desafios que o FSC enfrenta no País?
O uso de madeira certificada tornou-se, nos últimos anos, um tabu no
setor de construção civil. De um lado, as empresas afirmam que falta oferta
do produto com essas características no mercado. De outro, produtores florestais argumentam que não investem na extração mais controlada, com selo
socioambiental, porque não há demanda em escala necessária. Portanto,
o maior desafio do FSC hoje é fazer a madeira com o selo FSC extrapolar a atual
condição de nicho de mercado, tornando-se um padrão, assim como já acontece
em certa medida com o papel. A força-tarefa, incluindo também empresas
madeireiras, ONGs e indústrias transformadoras, avalia que a exigência deste
critério de sustentabilidade em licitações públicas pode multiplicar a escala
de práticas sustentáveis na floresta.
Como designers de multi escalas,
funções e ambientes, sempre
Como é o processo de certificação para produtos e para empreendimentos?
Para obter o direito de uso da logomarca FSC, é necessário passar pelo processo de certificação, que envolve a adoção de procedimentos e regras por parte
do empreendimento que busca ser certificado e uma auditoria realizada pelo
FSC. Ao contatar a certificadora credenciada, a operação florestal é avaliada.
A análise inclui documentação, operações de campo e análise geral do manejo.
Após passar por uma auditoria, a operação florestal pode receber a certificação.
Nessa etapa, a certificadora deve elaborar e disponibilizar um resumo público
para stakeholders, e nós monitoramos anualmente a operação, para que ela
esteja sempre de acordo com as normas FSC.
Quais são os planos do FSC para o futuro?
Para que o FSC possa cumprir sua função, os membros definem os rumos
da organização durante as assembleias gerais que ocorrem a cada três anos.
É definido, por exemplo, a criação do fundo para apoio de pequenos produtores,
que pode ajudá-los a se prepararem para a certificação FSC, arcarem com os
custos de conformidade com os princípios e critérios, fortalecerem e capacitarem
as organizações geridas por pequenos produtores e comunitários, melhorarem
a gestão da cadeia de suprimentos, investirem em novas máquinas e aumentarem
o acesso ao mercado para produtos certificados. Também é preciso citar a forte
tendência do sistema em fazer mais divulgação para o aumento do consumo de
produtos certificados em diferentes mercados, como o da construção civil. GB
almejamos em cada ideia e solução
a melhor qualidade técnico-criativa,
baseada em pesquisas e profunda
análise das infinitas variáveis que
compõem o meio biológico e antrópico.
Desta forma, entendemos que as
premissas de sustentabilidade
naturalmente se incorporam, de forma
multidisciplinar, ao ato de projetar.
Portanto, conceitos únicos, específicos
e diferenciados para cada situação são
resultados naturais do nosso processo.
Esta é a nossa essência!
mercado
Sustentabilidade na cadeia
da Construção Civil
Foto: Divulgação
O
João Marcello Gomes Pinto
Engenheiro civil pela Escola Politécnica da
USP, mestre em Engenharia Ambiental pela
Universidade de Karlsruhe, na Alemanha, e
pós-graduado em Gerenciamento de Riscos
Ambientais pela Universidade da ONU, no
Japão. É presidente da Sustentech, empresa
de consultoria em sustentabilidade urbana.
www.sustentech.com.br
Tel.: (11) 3807-2823
mercado de materiais de
construção ecológicos vive um
boom no mundo todo, chegando
à marca de US$ 116 bilhões este ano.
A demanda por edifícios sustentáveis
é o principal estímulo para o setor,
que deverá atingir US$ 254 bilhões
até 2020, segundo relatório feito pela
consultoria Navigant Research. No
Brasil, país que já ocupa o quarto lugar
em empreendimentos sustentáveis em
processo de certificação LEED, o mercado
de materiais de construção também
procura responder à crescente demanda
por produtos que atendam aos requisitos
das certificações de green building.
Desde o início do uso das certificações LEED e AQUA, os principais
produtos da cadeia da construção
civil como aço, concreto, mobiliário,
carpete, esquadrias, revestimentos,
lâmpadas, tintas, adesivos, selantes,
sistemas de piso, argamassas, produtos
de madeira, isolantes térmicos, isolantes acústicos, carpetes, blocos cerâmicos, elementos de fachada, painéis
de drywall, vidros, dentre tantos outros,
vêm buscando formas de comprovar
o atendimento aos requisitos das certificações. No entanto, o descruzamento
de informações, o número elevado de
certificados e as dúvidas sobre a legitimidade das autodeclarações demandavam uma posição do mercado na
definição de uma ferramenta única que
avaliasse e permitisse a homologação
destes produtos para poderem ser
utilizados com credibilidade nas edificações sustentáveis.
Nesse sentido, a Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT) assumiu o
desafio de reunir em sua rotulagem
ambiental para produtos da construção
civil todos os requisitos sob os quais
determinada categoria de produto
14 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
deve ser avaliada para aplicação com
credibilidade nos green buildings.
A ABNT abriu diálogo com os principais agentes do setor para entender
e incorporar nos seus Procedimentos
Específicos da Rotulagem Ambiental
os requisitos específicos de cada tipo
de produto, levando em consideração
todas as metodologias de ensaios,
testes de laboratório e necessidade de
análise do ciclo de vida que cada tipo de
produto / processo produtivo demanda.
Além de facilitar a aplicação do
produto em projetos que estão buscando
uma certificação ambiental, o rótulo
ambiental traz vantagens competitivas
para fornecimento a todo e qualquer
evento ou estrutura relacionada aos
Jogos Olímpicos de 2016, o qual o Rio de
Janeiro se engaja para ser o mais verde
de todos os tempos. O guia da Cadeia
de Suprimentos Sustentável, elaborado
pela Rio 2016, comitê organizador dos
jogos olímpicos no Rio, dá prioridade
a fornecedores que possuam produtos
com a rotulagem ambiental Tipo I de um
órgão associado ao Global Ecolabelling
Network (GEN).
Outros benefícios que o Rótulo
Ecológico da ABNT pode trazer para
o produto certificado são: garantia de
que o produto da empresa tem menor
impacto ambiental do que seu similar
que não tem o rótulo; garantia ao
mercado de que a empresa está comprometida com os impactos ambientais do
seu processo; redução de desperdícios
(reciclagem de resíduos); melhoria em
processos produtivos com aumento de
eficiência e eventual ampliação da receita
(venda de refugos para reciclagem, etc.);
visibilidade da empresa no mercado;
e aumento das possibilidades de exportação pelo reconhecimento internacional do selo. GB
Vem aí uma edição mais do que especial!
Você sabe quais sÃO as marcas mais
lembradas do setor Green Building?
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Materiais de construção Qualidade do ambiente interno
Uso racional da água
Estatísticas, comportamento, dados e desempenho das marcas. Quem anuncia na Edição Especial
Prêmio Green Building está mais do que bem posicionado. A publicação une informações e
dados do mercado, situação de cada marca campeã, relação da marca com cada certificação e muito
mais. Uma edição que é uma ferramenta de consulta importante para os profissionais e as empresas
do setor da construção sustentável.
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Copa e Olimpíadas
Atmosfera
olímpica
Preparativos do maior evento esportivo do mundo despertam o desenvolvimento
sustentável das áreas que receberão os jogos
16 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Por Amanda Santana
S
altos, corridas, pedaladas, braçadas, arremessos.
O espetáculo dos esportes está cada vez mais perto de
sua edição brasileira. Mas os Jogos Olímpicos de 2016
levarão ao Rio de Janeiro muito mais do que as apresentações
das diversas modalidades. A organização do evento aposta
na transformação sustentável por meio do esporte.
Nessa busca, o Rio 2016, Comitê Organizador dos Jogos
Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro, integra critérios
de sustentabilidade em todo o ciclo de gestão dos jogos,
desde a concepção e o planejamento até as atividades de
implementação, revisão e pós-evento. Inovações importantes serão introduzidas com base nos exemplos dos de
Vancouver (2010) e de Londres (2012), que foram os primeiros
a trabalhar a sustentabilidade de sua cadeia de suprimentos
de forma estruturada.
Os Jogos de Londres também foram inspiração para a
gestão de sustentabilidade do Parque Olímpico no projeto
do Rio. Isso ocorreu por meio do intercâmbio com empresas
que estiveram envolvidas na implementação de medidas e
definição de estratégias de sustentabilidade.
A infraestrutura da cidade também está sendo preparada
para receber este grande evento e a sustentabilidade tem
sido o norteador desse processo.
Foto: Rio 2016/ LUMO Arquitetura
Guia da Cadeia de Suprimentos Sustentável
Objetivos estratégicos baseados nos três
pilares do desenvolvimento sustentável
• Planeta: redução do impacto ambiental causado
pelos projetos relacionados aos Jogos Rio 2016,
imprimindo uma pegada ambiental reduzida.
• Pessoas: planejamento e execução dos Jogos Rio
2016 de forma inclusiva, entregando jogos para todos.
• Prosperidade: contribuição para o desenvolvimento
econômico do Estado e da cidade do Rio de Janeiro,
planejando, gerindo e relatando os projetos envolvidos
nos jogos com responsabilidade e transparência.
O Rio 2016 lançou, em agosto deste ano, o seu Plano de
Gestão da Sustentabilidade, que descreve objetivos estratégicos baseados nos três pilares do desenvolvimento sustentável: planeta, pessoas e prosperidade. Com isso, é esperado
a redução do impacto ambiental, a inclusão das pessoas e
o desenvolvimento econômico a partir desse evento esportivo.
Junto a fatores determinantes como custo total,
qualidade, prazo e riscos, a sustentabilidade é um dos critérios
considerados em todos os processos decisórios do comitê.
Por ser uma regra básica, a sustentabilidade também
é levada em conta para a aquisição e o licenciamento de
produtos e serviços, considerando-se aspectos ambientais,
sociais, éticos e econômicos presentes ao longo do ciclo de
vida desses itens. “Mais do que atingir níveis de excelência
na organização dos jogos, o Rio 2016 tem o desafio
de demonstrar liderança e inspirar ao estabelecer um
novo modelo de gestão da sustentabilidade. Os exemplos
de práticas sustentáveis aplicados aos diversos aspectos
da organização ficarão como legado para o mercado após
a realização do evento”, afirma Tania Braga, gerente geral
de sustentabilidade, acessibilidade e legado do Rio 2016.
Incentivado pela visão do Comitê Olímpico Internacional
(COI), que objetiva a evolução na gestão de sustentabilidade
nas edições dos jogos, o Rio 2016 implementou, em julho do
www.revistagreenbuilding.com.br | green building | 17
“
Foto: Rio 2016/ LUMO Arquitetura
Copa e Olimpíadas
Mais do que atingir níveis de excelência na organização dos Jogos,
o Rio 2016 tem o desafio de demonstrar liderança e inspirar ao
estabelecer um novo modelo de gestão da sustentabilidade”
Tania Braga, gerente geral de sustentabilidade, acessibilidade e legado do Rio 2016
ano passado, o Guia da Cadeia de Suprimentos Sustentáveis,
para garantir que os produtos ou serviços adquiridos
agreguem maior valor a longo prazo, garantindo o uso de
tecnologias, produtos, processos e serviços sustentáveis.
traslado da organização, atletas e expectadores; produção,
transporte e armazenamento de alimentos; confecção
e montagem de adereços e sinalização; fabricação e
montagem de estruturas móveis, etc.
Para a elaboração do guia, foram criados requerimentos
organizados a partir dos pilares planeta, pessoas e prosperidade. Com isso, é garantido que tudo que for adquirido esteja
de acordo com os direcionadores estratégicos de cada um
dos pilares: planeta – o impacto no meio ambiente oriundo
dos produtos e serviços contratados, ao longo de todo o ciclo
de vida, foi minimizado e gerido adequadamente; pessoas –
os produtos e serviços contratados são produzidos e comercializados por meio de práticas éticas e responsáveis que
conduzem a ganhos sociais para toda a população; prosperidade
– os processos de aquisição colaboram para o crescimento
econômico perene, por meio da elevação do nível de qualidade
do mercado fornecedor e da mão de obra local e nacional.
Diante de várias empresas diferentes envolvidas em um
evento, que produzem impactos ambientais variados e que
muitas vezes não estão diretamente relacionadas, Jeann
ressalta que “uma norma que auxilie na gestão do evento e
também as várias empresas a identificar os danos ambientais
da sua atividade, ajuda a reduzir os impactos diretos e indiretos da sua realização.”
Certificação de eventos
A certificação de eventos é um dos itens que constam no
Guia da Cadeia de Suprimentos Sustentáveis. Jeann Cunha
Vieira, diretor da Sustentech, consultoria que presta serviços
de certificação ambiental – inclusive de eventos –, explica que
um evento representa uma aglomeração de pessoas que
consomem recursos e geram impactos de forma relevante
em um período concentrado de tempo. E para que seja
realizado, existe ainda uma logística que movimenta também
muitas pessoas e recursos. Alguns impactos associados são:
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No caso da Olimpíada no Rio, todos os fornecedores especializados no setor de eventos serão encorajados a obter uma
certificação pela norma ABNT NBR ISO 20121 – sistemas de
gestão para sustentabilidade, que é aplicável a todos os tipos
e tamanhos de organizações envolvidas no projeto e na execução. Eventos esportivos, concertos musicais, treinamentos
e palestras, coletivas de imprensa, etc. poderão objetivar a
certificação, bem como as partes interessadas, como a alta
direção, os organizadores, proprietários, parceiros, patrocinadores, funcionários, voluntários, catering, segurança,
empresas de transporte, montagem de palco, etc.
O consultor da Sustentech explica que uma empresa interessada na certificação tem que desenvolver um sistema de
gestão que contemple suas principais atividades e identificar
os principais impactos ambientais associados. A partir disso,
devem ser estabelecidas as medidas para reduzir os impactos
identificados. “Dentro de uma empresa, a norma descreve
como montar uma matriz de responsabilidades para identificar funções e
autoridades na implementação das medidas ambientais identificadas no
sistema de gestão ambiental”, completa.
Tania, do Rio 2016, ressalta que os demais fornecedores, ou seja, aqueles
que não estão diretamente ligados ao setor de eventos – que também
podem ser pequenas ou médias empresas –, são incentivados a buscarem
outras certificações importantes, como: a ISO 9001, para a Gestão da Qualidade; a ISO 14001, para a Gestão Ambiental; a NBR 16001 ou SA 8000 e/
ou a comprovação da adoção das diretrizes da ISO 26000, para a Gestão da
Responsabilidade Social; a OHSAS 18001 para a Gestão da Saúde e Segurança do Trabalho. “Essas certificações são um diferencial positivo que será
considerado durante todos os processos de aquisição”, explica.
Jeann Vieira, da Sustentech, afirma que, embora não seja obrigatória
a existência de uma certificação, ela poderá ser o diferencial na contratação de uma empresa para executar ou fornecer equipamentos ou algum
tipo de serviço. “A valorização de empresas com um sistema de gestão
ambiental certificado é uma atitude muito louvável da organização da
Olimpíada, pois irá deixar um ótimo legado, uma vez que irá ajudar muitas
empresas a elevar o seu nível de qualidade ambiental na prestação de
serviços. Uma vez desenvolvido e implementado um sistema de gestão
ambiental, as medidas para minimizar os impactos irão entrar na rotina
da empresa e muitos destes procedimentos deverão ser mantidos após a
Olimpíada de 2016”, afirma. GB
Outras certificações
incentivadas pelo Rio 2016
•Rotulagem Ambiental Tipo I (selos
verdes), estabelecidas por órgãos
associados à Global Ecolabelling
Network (GEN);
•Forest Stewardship Council (FSC);
•Programa Brasileiro de Certificação
Florestal (Inmetro/Cerflor);
•Rainforest Alliance;
•Fairtrade International (FLO).
Especial
Expo GBC
supera expectativas
Visitantes, congressistas e expositores se reuniram no principal evento de
construção sustentável da América Latina
Por Redação
Os dados da economia verde foram apresentados durante
a 4ª Conferência Internacional & Expo Greenbuilding Brasil,
que aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de agosto, no Expo Center
Norte, em São Paulo. Foram três dias de discussões sobre as
melhores práticas de construção sustentável e apresentações
das principais tendências para o mercado.
“Os números mostram sucesso. Hoje somos um dos
principais eventos de sustentabilidade no mundo e contamos
com a presença de 29 países. No ano que vem, faremos no
Brasil o World Green Building e esperamos reunir 97 países”,
declara Felipe Faria, diretor gerente do GBC Brasil, em nota,
revelando os próximos planos da organização.
Os 1.600 congressistas conferiram 120 palestras, entre
elas a de Paul Hawken, ambientalista e empreendedor
norte-americano, Roberto Loeb, que falou sobre projetos
urbanísticos sustentáveis, Gunnar Hubbard, LEED Fellow
norte-americano, o premiado arquiteto Siegbert Zanettini,
entre muitos outros profissionais importantes para o setor.
Já os mais de 9 mil visitantes tiveram a possibilidade
de conhecer os 113 expositores. Dentre as novidades
encontradas nos estandes estavam produtos do segmento
20 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
de ar-condicionado, irrigação, jardins verticais, consumo
e geração de energia, tintas, arquitetura, engenharia,
economia de recursos hídricos, etc.
Confira a seguir, com mais detalhes, algumas das novidades levadas à Expo GBC:
DECA
Pensando no valor da água, a Deca
apresentou duas novidades que ajudam
a evitar o desperdício. O Deca PróÁgua
é um programa inteligente, criado
para melhor conservação e uso mais
eficiente da água. Garante a redução
do desperdício nos diversos tipos
de edificações por meio da mudança
dos hábitos dos usuários e de ações
planejadas. Seu diagnóstico vai da
implementação de medição setorizada,
eliminação de vazamento até emprego
de produtos e tecnologias eficientes.
Foto: Divulgação Deca
E
stamos em uma época de incertezas sobre
o desempenho da economia brasileira, mas a alta
de 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo
trimestre deste ano surpreendeu muitos empresários.
O setor de construção civil, que registrou crescimento de
3% no mesmo período, ajudou a puxar este índice. Inseridos
neste cenário, o GBC Brasil, a Reed Exhibitions Alcantara
Machado e a Ernest & Young divulgaram dados sobre o PIB
da construção verde, que chegou à marca de R$ 22 bilhões
em 2012. As construções sustentáveis apresentaram uma
composição de 9% no PIB da construção civil no ano passado,
alta de 3% em relação a 2011 e de 6% em relação a 2010.
O Deca BIM, outra novidade apresentada na feira, é uma
biblioteca desenvolvida para projetos com o uso de louças
e metais sanitários que se enquadram no conceito BIM
(Building Information Modeling). Oferece maior agilidade,
sofisticação e facilidade ao desenvolver o projeto, permitindo
a detecção de erros durante cada fase de construção.
Em outra linha, a empresa lançou o Mictório Save,
solução ecológica que economiza 100% de água e não
tem descarga. É mais higiênico e prático: o detergente faz
a limpeza da válvula e tubulação e o desodorizador mantém o ambiente livre de mau cheiro, possibilitando a menor
proliferação de bactérias.
www.deca.com.br
Rain Bird
www.rainbird.com.br
Otis
Com um conceito simples, sustentável
e seguro, a Otis apresentou o elevador
Gen2 Switch, que elimina a necessidade
de energia elétrica trifásica, pois pode
ser operado à energia solar, e utiliza
tecnologia à bateria, segura durante
falhas ou falta de energia elétrica.
O elevador residencial também conta
com a tecnologia regenerativa, que, em
vez de consumir energia, devolve-a para
utilização no edifício. Assim, necessita
de 12 vezes menos potência do que
um elevador comum e é até 75% mais
eficiente.
Foto: Divulgação Otis
A fabricante de equipamentos de irrigação apresentou
o Tubo Gotejador XFS. Para uso enterrado, o tubo utiliza
o tradicional Gotejador Auto Compensante – ideal para irrigar
qualquer tipo de vegetação, como arbustos, árvores, sebes
ou solos cobertos – com a adição da tecnologia patenteada
Escudo de Cobre™, que protege o emissor contra a intrusão
de raízes em aplicações enterradas. Otimiza a aplicação
e raciona o uso da água em até 40%.
www.otis.com.br
Foto: Divulgação Rain Bird
Hitachi
Já o VRF Set Free, é um sistema de climatização que
possui estabilidade, confiabilidade e economia graças à alta
eficiência dos compressores Scroll Inverter Hitachi. Evita
o impacto no meio ambiente ao utilizar o fluido refrigerante
amigável R-410A e tem um dos COPs mais altos do mercado
para ambientes de pequeno, médio e grande porte.
Foto: Divulgação Hitachi
www.hitachi.com.br
Foto: Divulgação Cebrace
Em busca de inovação, a empresa levou dois produtos
para os visitantes: o Split Hi Wall Inverter R 410-A e o
VRF Set Free. O primeiro é um sistema de ar-condicionado,
desenvolvido na nova fábrica de Manaus, que possui
um design inteligente que não interfere na decoração.
Seu sistema ALL DC Inverter proporciona alto nível
de eficiência e máxima economia de energia.
Cebrace
Considerando o vidro o elemento de maior interação com
o ambiente externo em um edifício, a Cebrace exibiu sua linha
de produtos de altíssimo desempenho, o Cool Lite KNT e o Cool
Lite SKN. O primeiro é um produto de proteção solar seletiva
e temperável, produzido pela deposição de uma camada de
óxidos metálicos por meio de pulverização a vácuo, realizada
sobre o vidro transparente ou colorido. Oferece proteção
solar, baixa emissividade e aparência neutra. O Cool Lite SKN,
como um vidro de alta seletividade, combina performance
com neutralidade e garante um desempenho 50% superior ao
KNT. Quando utilizado como vidro duplo, isola termicamente
até cinco vezes mais do que um vidro transparente monolítico.
www.cebrace.com.br
Em busca da elaboração de edificações mais amigáveis com
o meio ambiente, foi apresentado o Sky Garden Biodiversidade,
o telhado verde com vegetação nativa. Sua proposta
é levar para cima dos prédios a biodiversidade perdida com
a urbanização, trazendo biomas como a Mata Atlântica.
São árvores, arbustos e epífitas de 300 a 400 quilos por metro
quadrado, até 3,5 metros de altura e reservatório de água
da chuva de 80 litros por metro quadrado.
www.skygarden.com.br
Foto: Divulgação Sky Garden
Sky Garden
www.revistagreenbuilding.com.br | green building | 21
Especial
Universo Tintas
Foto: Rogério Voltan
Pela terceira vez participando da Expo
GBC, a Universo Tintas apresentou a Tinta
Higiênica Universo, feita à base de água.
É um produto ideal para ser utilizado
na área interna de residências, escritórios
e hospitais, ou qualquer local com grande circulação de pessoas,
pois impede a proliferação de microrganismos no ambiente.
Isto acontece porque o produto conta com uma tecnologia que
desnatura a parede e a membrana celular destes seres, impedindo
a sua divisão. Está disponível em três versões: látex acrílico,
esmalte à base de água e epóxi à base de água.
A empresa apresentou a Linha FIT, que consiste em
luminárias a LED com arremate sem bordas aparentes,
o que permite que elas fiquem totalmente embutidas no forro,
tornando a iluminação totalmente integrada à arquitetura.
Produzidas em alumínio, estão disponíveis em duas variações
de tamanho – 700lm, 1100lm ou 2000lm – e temperatura
de cor de 3000K e 4000K.
www.lumicenter.com
Foto: Boyband
Hydronorth
Com 32 anos de atuação, a empresa levou para a Expo
GBC sua linha Ecopintura. O principal produto da linha,
o Telhado Branco, proporciona conforto térmico ao reduzir a
temperatura interna da construção em até
5ºC, refletindo 90% do calor emitido pelos
raios solares. Atende às normas nacionais da
ABNT: NBR 13321 e possui a tecnologia BioPruf™, que combate o crescimento de microorganismos, como mofo, algas e bactérias
em superfícies externas e internas, dando
maior vida útil ao local em que foi aplicado.
Foto: Luís Simione
www.hydronorth.com.br
www.universotintas.com.br
Aubicon
Criando novas possibilidades para pneus
usados, a Aubicon levou à Expo GBC a Manta
Acústica SoundSoft, fabricada com borracha
de pneus reciclados, sendo 100% sustentável.
Atendendo à Norma de Desempenho 15575-3
da ABNT, a manta funciona como um piso flutuante
de sistema vibratório com amortecimento por
meio do conceito “massa/mola/massa”.
O Impactsoft Play 50, piso ecológico feito com grânulos
de borracha de pneu, é indicado para locais que não tenham
contrapiso e áreas externas que precisam de alto nível de
amortecimento contra impactos. Para a fabricação de cada
10 metros quadrados, são retirados 70 pneus do meio ambiente.
www.aubicon.com.br
Quadro Vivo
Midea Carrier
Com o objetivo de transformar as cidades em Oásis,
a empresa lançou a linha Beija-flor, um serviço prime,
com composição artística assinada
por Gica Mesiara, que contempla
todos os produtos de telhados verdes
e jardins verticais da Quadro Vivo.
Possibilita ao cliente comprar um kit
básico e incluir outros elementos, como
irrigação automática, diversas plantas e
substratos, no estilo “faça você mesmo”.
A Carrier levou três produtos diferentes para a Expo GBC.
O Carrier EcoSplit Inverter, tecnologia para sistemas de expansão
direta que opera com um estagiamento com até seis compressores
por sistema, o que eleva os padrões de eficiência no mercado, superando em até 47% os níveis de eficiência
da ASHRAE 90.1.
Outra novidade apresentada foi o
Planta Certa, um software de consultoria
botânica online. Por meio dele, o cliente
pode questionar sobre o ambiente
a ser feito o jardim vertical ou telhado
verde. Os especialistas, então, indicam
as espécies compatíveis e ideais para
o espaço e apontam os cuidados necessários à manutenção
das plantas.
www.quadrovivo.com
22 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Foto: Divulgação Aubidon
Lumicenter
O Midea MDV4, que contempla
condensadoras Super 100% Inverter,
equipamentos com condensação a
água, linha com recuperação de calor e
condensadoras Mini, tem até 25% mais
eficiência em relação aos modelos tradicionais.
Por último, o Carrier AquaForce, chiller com alto desempenho
em cargas parciais, baixo custo operacional e área de instalação
30% menor na comparação com outros modelos. Utiliza gás
refrigerante ecológico R-134a, livre de cloro e não tóxico, além
de ser menos nocivo à camada de ozônio. A linha de trocadores
Microchannel Novation® da Carrier reduz as cargas de refrigerante
e aumenta a eficiência da troca de calor de forma considerável.
www.linhamidea.com.br
Foto: Divulgação Midea Carrier
Foto: Divulgação Lumicenter
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R E V I S TA
Retrofit
Destaque
reconquistado
Por Amanda Santana
O
som que ecoava por meio dos rádios na cidade maravilhosa na década
de 1940 tinha um ponto de partida: o número 43 da Rua Venezuela,
na região portuária carioca. Lá, estavam instalados os estúdios
da Rádio Tupi – hoje chamada Super Rádio Tupi –, fundada em 1935 por Assis
Chateaubriand, sob a frequência 1280 AM. Anos depois, mais precisamente em
1951, no mesmo prédio foi inaugurada a TV Tupi, o canal 6.
O prédio, que recebeu diversos artistas nacionais e internacionais durante
os programas, tem grande importância histórica, contudo, sofreu o desgaste
do tempo. A região da cidade, durante anos, esteve em estado de degradação
que vem sendo superado graças ao projeto de requalificação urbana Porto
Maravilha. Nesse contexto de melhorias, diversos edifícios estão sendo
recuperados e modernizados.
O Venezuela 43, erguido na década de 1930, no entanto, se antecipou. Depois
de passar por um retrofit, nos anos 2011 e 2012, já está pronto e totalmente
renovado. “O edifício está inserido em uma área em transformação. A região do
porto passa neste momento por um grande processo de reurbanização, sendo
que o retrofit do Venezuela 43, sem dúvida, agrega valor a esta mudança”,
diz o engenheiro Wagner Oliveira, coordenador de pesquisa e desenvolvimento
do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).
Arquitetura
Área interna do prédio durante as obras de retrofit
24 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Foto: Divulgação RRA - Ruy Rezende Arquitetura
Hoje, internamente adequado às demandas e aos valores atuais, o prédio
manteve as características de sua identidade arquitetônica externamente, como
a antiga fachada principal em estilo Art Déco. “Todas as fachadas ganharam
novas janelas, que vão praticamente do chão ao teto, visando um ambiente
clean e favorecido pelo day light”, diz o arquiteto Ruy Rezende, do escritório
RRA - Ruy Rezende Arquitetura, responsável pelo projeto.
Edifício Venezuela, que abrigou
no passado a Rádio e TV Tupi,
foi retrofitado e recebeu uma
certificação ambiental
Ficha Técnica
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Localização: Av. Venezuela, 43 - Região Portuária - Rio de Janeiro - RJ
Área locável: 4.488 m²
Investimento total: R$ 19 milhões
Data de finalização: outubro de 2012
Expectativa de consumo anual de energia: 706.535,43 kWh
Proprietário: São Carlos Empreendimentos e Participações
Arquitetura: RRA - Ruy Rezende Arquitetura
Projetos de elétrica e hidráulica: AQ Projetos de Instalações
Projetos de ar-condicionado: Vetor Projetos
Luminotécnica: Senzi Luminotécnica
Paisagismo: RRA - Ruy Rezende Arquitetura
Consultoria de sustentabilidade: CTE - Centro de Tecnologia de Edificações
Construtora: Sinco Engenharia
Infraestrutura
• Número de salas: 14
• Número de banheiros: 42
• Número de bacias sanitárias: 53
• Número de vagas na garagem: 14 vagas cobertas para veículos + 14 vagas para bicicletas
Fotos: Divulgação São Carlos
Vista do core do edifício
Proteção colocada na fachada para evitar impactos no entorno
www.revistagreenbuilding.com.br | green building | 25
Retrofit
A mudança na estrutura do core foi proposta pela equipe
de arquitetura, assim como o novo sistema de transporte
vertical, o conjunto de banheiros, as áreas de serviço e as
áreas técnicas. Essas alterações, segundo Ruy, adequaram
a edificação às mais modernas soluções de tecnologia
e garantiu aos novos usuários acessibilidade, segurança
e todo o conforto das novas edificações Triple A.
Sustentabilidade
Cada passo dado no Venezuela 43 foi referenciado na
certificação LEED, desde o projeto até a gestão da obra,
para que o edifício conquistasse o selo expedido pelo United
States Green Building Council (USGBC), em nível Gold.
“Essa certificação foi escolhida porque representa elevado
padrão de certificação para edifícios sustentáveis, de acordo
com os critérios específicos de racionalização de recursos
naturais atendidos por um edifício inteligente”, afirma Fabio
Itikawa, diretor de relação com investidores da São Carlos
Empreendimentos e Participações, empresa de investimentos
e administração de imóveis comerciais, proprietária do prédio.
Pensando na sustentabilidade do edifício, foi elaborado
um projeto eficiente de iluminação e reúso de água
e um jardim no terraço, além de implantados um bicicletário
e vestiário para incentivo da locomoção dos usuários
por bicicletas. Mas para o arquiteto Ruy Rezende, os pontos
positivos desse projeto vão além das intervenções realizadas.
“A própria recuperação de um edifício reafirma o conceito
de sustentabilidade, pois, além do benefício social, não
se descarta a energia e os materiais já gastos na primeira
construção”, opina.
Já do lado de fora do edifício é possível notar a fachada
composta por vidros maiores e com alta eficiência energética,
que permitem baixa transmissão de radiação solar para
o ambiente interior e favorecem a entrada de luz natural.
Para complementar a iluminação do prédio, lâmpadas de alta
eficiência (T5) foram instaladas, proporcionando economia
de energia, bem como o equilíbrio entre conforto visual
e nível de iluminância.
Já o sistema de ar-condicionado funcionará por meio
do “sistema Variable Refrigerant Flow (VRF) eficiente, com
Gestão de Resíduos
5.000 m³ de
resíduos
]
= 1,7 mil caçambas de
lixo = 1 caçamba por dia
770 m³ de madeiras reaproveitadas
Meta de 75% dos resíduos
destinados à indústria da
reciclagem
]
= alcançado o índice de
93% de reutilização
26 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
drivers de frequência variável nos compressores elétricos
das unidades condensadoras, modulando a expansão
do refrigerante de acordo com a demanda da temperatura
na zona climática, contribuindo para a eficiência energética
do sistema”, conforme explica Wagner, do CTE.
Equipamentos com sensores de presença e restritores de
vazão constante, além de descargas sanitárias com sistema
de duplo acionamento, ajudam na economia de água. O uso de
água não potável no abastecimento das descargas e do sistema
de irrigação também contribui nesse sentido. Isso é possível
devido ao sistema de tratamento que capta a água da chuva
e a água condensada do sistema de ar-condicionado.
A sustentabilidade do edifício também é percebida
na preocupação com a inserção de uma área verde, que
soma mais de 180 metros quadrados na cobertura do edifício
e pode ser acessada pelos ocupantes.
Fase de obra
Recuperar os 4.488 metros quadrados do edifício para
locação exigiu um investimento de R$ 19 milhões, sendo
que aproximadamente R$ 600 mil foi destinado à adequação
do prédio para receber a certificação LEED, de acordo com Fabio
Itikawa, da São Carlos. Ele conta que o imóvel foi adquirido por
R$ 6 milhões e ao final da obra, antes mesmo de receber o selo
LEED, foi avaliado em R$ 35 milhões. “O projeto de retrofit
promoveu a modernização estrutural da edificação, alinhada
aos padrões econômicos, sociais, estéticos e ambientais
da sociedade contemporânea”, ressalta Ruy Rezende.
Além de todo este investimento financeiro, foram
necessários 22 meses de obras para que o projeto fosse
concluído. De janeiro de 2011 a outubro de 2012, diversos
profissionais participaram do processo. A principal adversidade,
segundo o arquiteto da RRA, foi a falta de informações sobre
o prédio existente. “Isso nos levou praticamente a um projeto
correndo um pouco à frente da obra, na medida da permanente
descoberta durante a fase de demolições, embora tendo sido
realizadas diversas prospecções preliminares”, conta.
Executar a obra mantendo um canteiro limpo e seguro era
o objetivo desde o início, contudo, foram encontradas dificuldades para isso devido ao espaço disponível. “Com o espaço
Economia estimada
57% de redução de água para dispositivos
sanitários
100% de redução de água potável para irrigação
do paisagismo
15% do custo anual de energia
“
A própria recuperação de um edifício reafirma o conceito de
sustentabilidade, pois, além do benefício social, não se descarta a
energia e os materiais já gastos na primeira construção”
Ruy Rezende, arquiteto do escritório RRA
exíguo, entre três ruas, praticamente sem área externa,
a gestão do canteiro desafiou arquitetos, engenheiros e operários. Sem local para armazenamento, a entrada e a saída de
materiais precisaram ser meticulosamente controladas para
evitar o risco da formação de estoques e desperdícios”, conta
o arquiteto Ruy Rezende.
Como praticamente toda a edificação foi mantida, uma
das etapas que gerou maior volume de entulho foi a demolição
do auditório da antiga Rádio Tupi, que tinha capacidade para
1.500 pessoas sentadas. Isso foi necessário para que o espaço
desse lugar aos últimos três pavimentos da atual construção.
Esses resíduos, assim como os equipamentos retirados para substituição, foram enviados para reciclagem
ou reaproveitamento. A obra gerou mais de 5 mil metros
cúbicos de resíduos, o equivalente a 1,7 mil caçambas de
lixo, uma caçamba por dia. Só de madeiras, 770 metros
cúbicos foram reaproveitados. Segundo Ruy Rezende,
a meta de destinar 75% dos resíduos à indústria
da reciclagem foi superada, alcançando o índice de 93%
de reutilização. A coleta seletiva, com a separação de
madeira, aço, plástico e entulho, facilitou a destinação
do material para a indústria da reciclagem. O processo
de gestão de resíduos foi documentado e monitorado
pelo CTE. Com isso, foi possível o controle total dos
resíduos retirados, com frete e destinos conhecidos.
Uma das características de um retrofit é a economia de
recursos naturais que seriam utilizados para construção das
estruturas que foram mantidas. No caso do Venezuela 43,
é esperada também a redução de 57% de água para dispositivos sanitários e 100% para irrigação do paisagismo, além de
economia de 15% do custo anual de energia, durante o uso
do prédio. Mas, além da redução dos custos operacionais
para os usuários, será proporcionado um ambiente de
trabalho mais saudável e responsável. GB
GBC Brasil
São Paulo é a capital líder em construções
sustentáveis na América Latina
Com 195 empreendimentos em processo de certificação e 47
certificados com o selo LEED, a cidade impulsiona o setor na região
Foto: Divulgação
A
Marcos Casado
Engenheiro civil, especialista na
certificação de Green Building pelo
sistema LEED do USGBC, e, atualmente,
diretor técnico do GBC Brasil (Green
Building Council Brasil).
www.gbcbrasil.org.br
(11) 4191-7805
cidade de São Paulo há tempos é
a capital brasileira dos negócios,
da gastronomia e da moda. Com
o passar dos anos tornou-se, também,
a capital da construção sustentável no
País. Nesse cenário, a cidade obteve,
este ano, destaque para mais um de seus
pontos altos e foi reconhecida como
principal polo de empreendimentos sustentáveis da América Latina.
cenário, o Brasil vem se destacando
mundialmente e, este ano, subiu mais
um degrau rumo à liderança mundial
em construções sustentáveis. Atualmente, o País já ocupa o quarto lugar
no ranking mundial de construções
verdes e vislumbra atingir o terceiro
lugar até o final deste ano, o que significaria ultrapassar os Emirados Árabes
e ficar atrás apenas dos EUA e da China.
De acordo com números divulgados
pelo Green Building Council (GBC)
Brasil, mais de 11% dos 1.765 empreendimentos que foram registrados na
América Latina em busca do selo LEED
estão localizados na capital paulista.
Já os números de empreendimentos certificados pela instituição,
mostram um resultado ainda mais
representativo: das 254 construções
certificadas em toda a América
Latina, 18% estão em São Paulo.
O mesmo levantamento aponta uma
liderança ainda maior dentro do País.
Desde o início da certificação LEED no
Brasil, foram registrados 769 empreendimentos, dos quais 195 estão localizados na capital, o que corresponde
a 25% das construções cadastradas.
Em relação ao número de empreendimentos que já obtiveram o selo LEED,
considerando dados coletados até
o mês de julho deste ano, no País
somam-se 109 construções certificadas, sendo que 43% estão na cidade. Os números da capital paulista são
representativos devido ao tamanho do
seu mercado imobiliário, mas poderiam
ser ainda maiores se houvesse, em São
Paulo, os mesmos incentivos de legislações voltadas à construção sustentável que ocorrem no Rio de Janeiro,
cidade que hoje se destaca no mercado
por ações de estímulo.
O número de projetos certificados
no País cresceu expressivamente, registrando nos primeiros meses de 2013 um
aumento de 16% em relação ao mesmo
período do ano passado. Diante desse
28 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Com o objetivo de fortalecer cada
dia mais as cidades sustentáveis, o GBC
Brasil, em parceria com a UNICID e
o INBEC, lançou um novo curso de MBA
em Cidades, Bairros e Condomínios
Sustentáveis, que visa preparar profissionais e gestores públicos nas áreas
de planejamento, desenvolvimento,
projeto e gestão urbana para promoverem soluções e iniciativas voltadas ao
crescimento sustentável das cidades.
Um dos desafios deste século, não
apenas para as grandes cidades, mas
também para as médias e pequenas,
é o planejamento apropriado para
o desenvolvimento urbano, de forma
que ele seja sustentável, proporcionando a geração de riqueza e qualidade
de vida aos habitantes. É, portanto,
a vez e a hora de projetarmos cidades
para as pessoas que nelas vivem. GB
Caso I – certificado
PROJETO: Curitiba Office Park
Office Park
consolida Curitiba
A primeira
certificação LEED
Silver da cidade mais
sustentável do País
30 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Ficha Técnica
• Localização: BR 116 X João Marchesini - Curitiba - PR
• Área total construída: Torre Central - 14.989 m²
Torre Norte - 24.266 m²
• Investimento total estimado: Torre Central - R$ 28 milhões
Torre Norte - R$ 39 milhões
• Data de finalização: Torre Central - Maio de 2009
Torre Norte - Fevereiro de 2014
• Proprietárias: BP Empreendimentos Imobiliários e Top Imóveis
• Consultoria de sustentabilidade: Cushman & Wakefield
• Construtora: Thá Engenharia
• Arquitetura: Baggio Schiavon Arquitetura
• Projetos de hidráulica e elétrica: Jaguarê Projetos
• Projetos de ar-condicionado: Michelena Climatização
• Luminotécnica: Conforto Visual
Fotos: Divulgação Top Imóveis
• Paisagismo: Felipe Reichmann Paisagismo
Por Redação
C
uritiba, a quarta cidade mais rica do Brasil, segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerada
também a mais sustentável do País. Uma prova disso são os
prêmios e as citações internacionais em seu currículo verde. Em 2010,
a capital paranaense conquistou o Global Sustainable City Award,
prêmio mundial conferido para as cidades que se notabilizam em
planejamento urbano. Entre as muitas justificativas para o prêmio,
estava a de que Curitiba incentiva o retrofit de edifícios, ajudando
a manter o patrimônio cultural e histórico da cidade, além de evitar
resíduos de construções.
deixa a desejar em construções sustentáveis. Assim
surgiu o Curitiba Office Park.
Em 2012, Curitiba foi citada pelo Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente (Pnuma) como modelo de economia verde.
A cidade foi apontada como referência em sustentabilidade urbana,
transporte e meio ambiente. Entre tantas premiações, também não
Para Antonio Macêdo Filho, gerente sênior de
green building da Cushman e Wakefield, a conquista
do primeiro LEED para Curitiba “é uma evidência clara
de que a sustentabilidade é um caminho sem volta
O empreendimento recebeu a primeira certificação
LEED Core & Shell - CS em nível Silver do Paraná, em
2011, após a construção da Torre Central, finalizada em
2009 ao custo de R$ 28 milhões. Agora, com a construção da Torre Norte, orçada em R$ 39 milhões, que
ficará pronta em fevereiro de 2014, os proprietários, BP
Empreendimentos Imobiliários e Top Imóveis, buscam
a segunda certificação, desta vez no nível Gold.
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Caso I – certificado
Instalado no centro do Tecnoparque de Curitiba – polo que
reúne empresas de diferentes setores e pretende alavancar
o desenvolvimento da tecnologia de ponta, além de revitalizar
as regiões envolvidas – o Office Park tem acesso à Linha Verde,
projeto ainda em acabamento, por meio do qual é possível
acessar 22 bairros da cidade usando transporte público. Ali há,
ainda, espaços verdes para pedestres e ciclovia.
Porém, como a Torre Central inovou e foi pioneira na cidade,
não foi fácil concluir o projeto. Lucélia Fernandes Monteiro,
gerente de Operações da BP Empreendimentos Imobiliários,
lembra que o maior desafio foi conscientizar todos os envolvidos
no projeto da certificação. O aprendizado foi lento: “Durante o
período de execução das obras, vários aspectos tiveram de ser
amplamente discutidos pela nossa equipe técnica em conjunto
com a Cushman & Wakefield, com o objetivo de buscar
soluções e superar os obstáculos. Nossa maior preocupação
foi o processo de submissão junto ao United States Green
Building Council (USGBC), pois em alguns momentos fomos
questionados a respeito dos sistemas e das soluções adotadas
antes, durante e depois da conclusão da obra.”
Além disso, a arquiteta Paula Morais diz que encontrar
produtos e materiais com a certificação que garantiriam
as solicitações do selo LEED foi uma grande dificuldade.
À época, em 2007, poucos projetos tinham esta demanda, por
isso, poucas empresas garantiam a qualidade dos produtos.
Contudo, segundo dados do GBC Brasil, hoje os prédios verdes
já são quase metade dos lançamentos comerciais em Curitiba
(48,3%), e isso deixou de ser um problema para o mercado de
construção civil local.
Lucélia conta que o custo adicional da construção
sustentável foi de 8%, mas o retorno do investimento é certo.
“O retorno se dará com a valorização do imóvel ao longo dos
anos e, por se tratar de um empreendimento certificado,
continuará sendo moderno por muito tempo”, afirma. A gerente
de Operações da BP Empreendimentos Imobiliários se refere
Expectativa de
consumo anual
de energia
]
Aviso de incentivo aos colaboradores
ao fato de que o prédio leva conforto e bem-estar, foi pensado
nos aspectos de iluminação, ar-condicionado, qualidade interna
do ar e na vista externa, que é levada para quase a totalidade
dos espaços ocupados.
Tanto na Torre Central quanto na futura Torre Norte,
a arquiteta Paula Morais conta que a Baggio Schiavon
preocupou-se em levar iluminação natural e a climatização
do ambiente com vidros de alta performance energética, que
minimizam a troca de energia externa com o ambiente interno.
Racionalização no consumo
Para a racionalização de água na Torre Central, utilizou-se o
reaproveitamento de águas residuais, as chamadas águas cinzas,
para o abastecimento dos vasos sanitários e mictórios, que
também têm seu uso racionalizado devido à utilização de equipamentos elétricos e hidráulicos com alto rendimento – descarga
dual-flush, torneiras Presmatic e redutores de pressão.
A captação da água da chuva reduziu em 100% o consumo
de água potável que seria utilizada para rega do jardim e limpeza
das áreas comuns. Espera-se economia de 30% em relação ao
consumo de um edifício convencional, aponta Lucélia.
Para reduzir o uso de energia e aumentar a sua eficiência,
os sistemas hidráulico e energético do prédio serão controlados
pelo sistema Buildings Management System (BMS), que
monitora os níveis de água nos reservatórios e em todos os
pontos de energia elétrica no prédio 24 horas por dia. Junto com
o sistema Variable Refrigerant Flow (VRF) de ar-condicionado
e os vidros refletivos de alto desempenho, os ocupantes terão
uma sensação de temperatura sempre agradável, com redução
da variação térmica. Estima-se uma economia de 19% no
consumo de energia elétrica.
1.159.202 kWh ano
32 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Fotos: Divulgação Top Imóveis
A arquiteta Paula Fraiz Morais, da Baggio Schiavon, empresa
responsável pelo projeto arquitetônico do empreendimento,
diz compreender que a redução do impacto ambiental é uma
responsabilidade dos profissionais do setor da construção civil.
Por isso, desde o início, o projeto foi pensado sustentavelmente,
incluindo sua localização.
Foto: Paula F. Morais
e a evolução nos processos proporcionada por um primeiro
empreendimento certificado permanece e se incorpora na
prática diária de muitos dos envolvidos, incluindo proprietários
e projetistas”.
>
77,33 kWh ano/m2
Mobilidade sustentável
em Curitiba
A capital do Paraná se mostrou
pioneira no País ao disponibilizar
ônibus elétricos para transporte
público coletivo. Estão em operação 30 veículos híbridos, que
são movidos por dois motores, um
abastecido por energia elétrica e
outro por biodiesel.
Em estudos técnicos, esses
ônibus demostraram consumir
35% menos combustível, reduzir
35% a emissão de gás carbônico
e diminuir 80% de óxido de
nitrogênio e 89% de fumaça, com
relação a veículos a diesel.
Desenvolvimento
Tanto Lucélia Monteiro quanto
Paula Morais afirmam que, durante
a construção do empreendimento,
houve grande preocupação em interferir o mínimo possível no dia a dia da
região e no seu entorno, o que amplia
a sustentabilidade dentro de um canteiro de obras. As medidas básicas
tomadas para que isso não acontecesse foram: lavagem de pneus
dos caminhões que transitavam no
canteiro de obras, reduzindo a condução de resíduos para a malha viária
e consequente obstrução de cursos
d’água e galerias pluviais; limpeza da
área externa ao empreendimento;
cuidados com a iluminação externa
– ou seja, menos poluição luminosa;
e implantação de calçadas com superfícies com alto índice de reflexão solar
que reduzem o efeito ilha de calor.
Já para evitar desperdícios, improvisações e impactos ambientais no
canteiro da construção, 57% dos
materiais utilizados foram comprados
em um raio de, aproximadamente,
800 quilômetros, o que contribui
para o crescimento do empreendedor regional, reduz o percurso
de transporte e, consequentemente,
a emissão de gás carbônico (CO2).
Foi desenvolvido um Plano de
Gestão de Resíduos, que projetou
o envio de 85% das sobras de materiais
como aço, alumínio, vidro e papelão
para reciclagem. Durante a obra, o
terreno exigiu o controle de sedimentação e erosão, esse último dominado
principalmente com a cobertura dos
taludes com lona plástica.
Por último, para diminuir o trânsito
e a emissão de CO2 em Curitiba, o
estacionamento, com 488 vagas,
tem espaços exclusivos para motoristas que optam por dar carona aos
colegas. Além disso, um bicicletário
com estrutura de vestiários permite
conforto aos trabalhadores que optam
por este meio de transporte.
Torre Norte
Apesar de ainda não estar pronta,
o diretor da Top Imóveis, Eduardo
Schulman, explica como será o
funcionamento da Torre Norte do
complexo. Segundo ele, “uma das
preocupações das empresas corporativas é a flexibilidade, uma vez que
estão sempre sujeitas a mudanças
para adaptação de layout”. Devido
a esse motivo, todos os espaços da
segunda torre serão equipados com
piso elevado em placas com 15 centímetros de altura, forro em placas
modulares, luminárias móveis e
grelhas de ar-condicionado com terminais flexíveis. Tais características
permitem uma mudança rápida e eficiente, sem ruídos ou sujeira.
A edificação também apresenta
algumas características pouco vistas,
como as dimensões da laje: cada um
dos quatro pavimentos tem 2.410
metros quadrados de área privativa,
o equivalente a dez quadras de tênis,
o suficiente para abrigar 400 postos
de trabalho. Eduardo complementa
dizendo que a circulação será feita
por elevadores de última geração,
além de uma inovadora e confortável
escada central que agrega praticidade
e beleza ao futuro edifício. GB
Caso II - em certificação
PROJETO: Tetum
Um espaço
para se
inspirar
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A Tetum está prestes
a inaugurar sua nova
loja em Belo Horizonte
e quer ser exemplo de
sustentabilidade na capital
Por Redação
N
ão são só as delícias culinárias e os costumes culturais de Minas Gerais
que caracterizam esse Estado do sudeste do País. Elementos rústicos
nos ambientes, rodeados por um clima caipira, também são marcas
fortes do estilo mineiro. Com influências do interior do Estado, a decoração
mineira se caracteriza por ser simples, confortável e acolhedora.
é na capital mineira que está sendo construída a matriz de uma loja de
varejo que contribuirá para que móveis e itens de decoração típicos estejam
à disposição da população: a Tetum. Mas, além da nova loja ter ares mineiros,
a sua conduta construtiva é bastante moderna e, o melhor, sustentável.
O interesse em usar uma estrutura metálica, devido à sua agilidade de
montagem, praticidade e possibilidade de vencer grandes vãos facilmente,
fez com que o projeto arquitetônico pensasse em dois grandes galpões,
interligados por uma passarela de vidro. Contudo, os projetistas encontraram
como desafio a implantação da estrutura sem interferir nas grandes árvores
existentes no terreno, pois a manutenção delas foi uma das exigências iniciais
da proprietária, Sandra Corrêa. “Eu sempre gostei de plantas, sempre gostei
de colocar as mãos na terra. Essa minha paixão pela natureza me levou
a fazer questão absoluta da preservação das árvores existentes no terreno.
Sustentabilidade é algo de dentro para fora, e não o contrário”, conta.
Para superar esse obstáculo, foram construídos mais de 12 metros
de altura de contenção para a preservação das três árvores originais
do terreno, entre elas um ipê amarelo.
Ficha Técnica
• Localização: Rua Grão Mogol, 678
Belo Horizonte - MG
• Área: 1.779,73 m2
• Investimento total estimado: R$ 6 milhões
• Data de finalização: novembro de 2013
• Arquitetura: Escritório Eduarda Corrêa Arquitetura
• Projetos de elétrica e hidráulica: Effatá Projetos
e Soluções Integradas
• Comissionamento: Comis Engenharia
• Luminotécnica: Studio IX
• Responsáveis pelo paisagismo: Droysen Tomich e
Rubens Haddad
• Consultoria de sustentabilidade: Ecoconstruct Brazil
• Construtora e gerenciadora da obra: Construtora
Kaquende
Os traços sustentáveis do projeto surgiram naturalmente, mas só
ficaram evidenciados na fase executiva. No momento em que o potencial
para a certificação ambiental foi percebido, a equipe de arquitetura buscou
orientação com uma consultoria do setor. A Ecoconstruct Brazil, consultoria
de sustentabilidade, confirmou esse potencial para a busca do selo LEED.
“Percebemos que um projeto ‘bem intencionado’ já nasce com os prérequisitos necessários para se tornar um projeto sustentável. Basta depois
uma boa assessoria, aparando as arestas e orientando corretamente”, conta
Eduarda Côrrea, arquiteta responsável pelo projeto.
A engenheira Cristiane Silveira de Lacerda, diretora geral da Ecoconstruct
Brazil, conta que a sustentabilidade do projeto foi sendo consolidada a
cada reunião, mantendo o que já havia de positivo. “Colocamos luz sobre
as características naturais do empreendimento e pensamos a certificação
sem perder de vista o equilíbrio entre o investimento realizado e os benefícios
de operação e manutenção”, diz.
Ilustração: Divulgação Ecoconstruct Brazil
Infraestrutura
• Número de elevadores: 1
• Número de banheiros: 2 para clientes (também
para uso de pessoas portadoras de necessidades
especiais), 2 para funcionários (tipo vestiário)
e 1 para a diretoria
• Número de vagas na garagem: 19 vagas cobertas
Sustentabilidade
A certificação de lojas de varejo ainda é pouco comum, em Minas Gerais
o projeto da Tetum é o primeiro em andamento. A categoria LEED New
Construction – NC RETAIL – v2009 é o objetivo da consultoria e, de acordo com
Cristiane Lacerda, o projeto está na segunda fase do processo de certificação,
que corresponde à coleta e preparação de documentos da fase de construção.
Cristiane ainda ressalta que é muito importante a sensibilização dos
clientes sobre a viabilidade e a efetividade da certificação de sustentabilidade construtiva e suas contribuições para a redução dos custos
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Caso II - em certificação
de operação e manutenção de empreendimentos. “Um ponto
importante é o alinhamento estratégico empresarial às
causas da sustentabilidade. A certificação confere licença
poética às iniciativas que agregam valor à marca, muitas
vezes ainda intangíveis para a organização e que apenas
a experiência poderá materializar os inúmeros benefícios”,
explica a engenheira.
Com isso, foi facilitado o reaproveitamento dos materiais
(que estavam organizados) e a manutenção da limpeza do
local. “Os investimentos são mínimos, podemos dizer apenas
organizacionais. O maior se dá em estruturação da gestão
e em mudanças de hábitos, além das necessárias quebras
de paradigmas”, explica a engenheira da Ecoconstruct.
Nesse quesito, as baias para a separação dos materiais e
o reaproveitamento da ferragem foram fundamentais.
Obra
Além da gestão dos resíduos, outras ações sustentáveis
estão sendo realizadas durante a obra, como a gestão da
qualidade interna do ar. Para isso, os cuidados são: a varrição
umidificada; o armazenamento de materiais em pallets;
a proibição do fumo no canteiro; a limpeza dos pneus dos carros,
caminhões e equipamentos; a proteção dos solos expostos
e o uso de bandejas plásticas para evitar a contaminação por
vazamento de óleo por parte dos equipamentos.
Preparar uma equipe para enfrentar 20 meses de obras
foi uma empreitada necessária e que coube à Construtora
Kaquende. Como as técnicas ainda estão em expansão no País,
a capacitação dos profissionais que atuaram no canteiro de
obras foi fundamental e exigiu uma mudança, primeiramente,
na visão de mundo em relação à preservação do meio ambiente.
O engenheiro Luiz Eduardo Coelho Batista, diretor presidente
da Construtora Kaquende, conta como foi a experiência que
presenciou: “Essa obra mudou a cabeça dos funcionários,
para que percebessem a importância do reaproveitamento,
da limpeza e da reciclagem. Você vê que dá para fazer, é só
incentivar o pessoal para trabalhar junto. Todos que entram no
canteiro hoje elogiam a limpeza e organização.” Escolha de materiais
Como as bases da construção da loja foram erguidas por
meio de um processo de industrialização, que incluiu a estrutura
metálica e as lajes em Steel Deck – compostas por uma telha
de aço galvanizado e uma camada de concreto –, foi possível a
mitigação de desperdícios e maior organização no canteiro.
A consultoria ambiental foi a responsável pela preparação
dessa equipe e para isso realizou treinamentos. “A turma abraçou
rápido a ideia. E a presença diária da Elizangêla Lacerda, nossa
agente LEED e técnica de segurança, no canteiro foi também
essencial na sensibilização e implementação das estratégias
sustentáveis”, conta Luiz Eduardo.
A busca por materiais que causam menor impacto no
meio ambiente foi uma das preocupações da construtora.
Por isso, foram usados cimento com escória de alto
forno (que emite menos gás carbônico); tintas, selantes,
vernizes, colas e adesivos com baixo teor de Compostos
Orgânicos Voláteis (COVs) e madeiras com selo do Forest
Stewardship Council (FSC).
Parte do treinamento com os profissionais tinha
como objetivo a gestão de resíduos durante a obra,
compreendendo as etapas de segregação e destinação
adequadas. Houve a preocupação de trabalhar apenas com
empresas licenciadas e realizar o rastreamento por Controle
de Transporte de Resíduos (CTR).
Mas comprar esses materiais não foi uma tarefa fácil.
O diretor presidente da Construtora Kaquende conta
que a maior dificuldade encontrada foi no contato com
os fornecedores para o envio das licenças ambientais
e informações técnicas, pois não detinham o hábito de
atendimento a esse tipo de exigência. “A insistência para
a solução das necessidades tem sido o nosso caminho a fim
de viabilizarmos o atendimento aos créditos e a desejada
sustentabilidade do empreendimento”, afirma.
Ilustração: Divulgação Ecoconstruct Brazil
A priorização da aquisição de materiais regionais também
é um requisito importante para a certificação ambiental, por
isso materiais como aço, massa pronta, cimento e tijolos
foram comprados próximo ao canteiro de obras, o que
também incentivou o desenvolvimento da economia local.
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Economia de recursos naturais
Visando à economia de água, foram instalados torneiras e
equipamentos economizadores, como arejadores e válvulas
duplo fluxo, nos banheiros e na cozinha, além da coleta de água
da chuva para a irrigação do paisagismo.
“
Um projeto ‘bem intencionado’ já nasce com os pré-requisitos
necessários para se tornar um projeto sustentável. Basta depois uma
boa assessoria, aparando as arestas e orientando corretamente”
Eduarda Côrrea, arquiteta do escritório Eduarda Côrrea Arquitetura
Já a busca por eficiência energética, foi favorecida pela
arquitetura da loja, que trouxe aberturas para a utilização
da iluminação natural em grande parte do período de
funcionamento da loja, como a passarela de vidro que une
os dois módulos de estrutura metálica. Contudo, para que
a entrada de luz seja favorecida sem prejudicar o conforto
térmico dos ambientes, serão utilizados vidros de eficiência
energética, que bloqueiam até 70% a incidência do calor.
Revestimentos minerais nas fachadas, que permitem
a evaporação da umidade e melhoram a troca de calor,
também contribuem para o conforto térmico.
Talvez a característica mais importante desse projeto,
pensando em eficiência energética, seja a ausência de
aparelhos de ar-condicionado, grandes vilões do consumo
de energia. Isso será possível graças ao recurso de ventilação
cruzada, proporcionado pelas aberturas laterais voltadas
para os jardins.
Dia a dia sustentável
Para que a rotina dos colaboradores e clientes seja
também sustentável, outros itens foram implantados, como
o bicicletário, o kit de emergência para manutenção de
bicicletas, vagas preferenciais para veículos com combustível
eficiente e de baixa emissão, coleta seletiva de resíduos e
comunicação para a gestão ambiental.
Uma construção sustentável traz inúmeros benefícios
para o proprietário e os operadores de um edifício, e, sem
dúvida, possibilita muito aprendizado. Em outros casos,
serve também como exemplo. “Excelência não é algo restrito às empresas grandes, multinacionais. Envolve, principalmente, pessoas ousadas, comprometidas e capacitadas.
Não podemos e não devemos apequenar a vida e a nós
mesmos. A tecnologia está aí para todos, basta saber lançar
mão, com responsabilidade, cuidado e coerência”, ressalta a
engenheira Cristiane Silveira de Lacerda, da Ecoconstruct. GB
Caso III - certificado
PROJETO: RecNov
Record na era
da sustentabilidade
Complexo de estúdios de novela preza pelo conforto
e bem-estar dos usuários
Por Redação
N
ovelas são consideradas uma das formas de entretenimento preferidas dos brasileiros. Comentários
em casa, no trabalho e nas ruas fazem parte do nosso dia a dia. Para uma novela de sucesso, não
é somente a trama que precisa ser bem feita. Um estúdio de gravação moderno e de qualidade
também é necessário. Por isso, a Rede Record resolveu inovar no RecNov, como é chamado o polo de teledramaturgia da emissora, localizado em uma área com cerca de 260 mil metros quadrados no Rio de Janeiro,
e buscar uma certificação ambiental.
O núcleo conta com dez estúdios para a produção de conteúdo audiovisual, o que torna possível a
produção simultânea de seis telenovelas. É considerado o segundo maior polo de teledramaturgia da América
Latina, com 2.500 funcionários. Dos dez estúdios, dois foram certificados.
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Ficha Técnica:
• Localização: Estrada dos Bandeirantes, 23.505
Jacarepaguá - RJ
• Área do terreno: 258.634,73 m²
• Data de finalização: outubro de 2010
• Proprietária: Rede Record
• Projeto: Edo Rocha Arquitetura e Planejamento
• Estruturas: EGT Engenharia / Precon e Projetec
• Luminotécnica: Godoy Luminotécnica
• Conforto ambiental: Waytech
• Paisagismo: EKF Arquiteta Paisagista
• Consultoria de sustentabilidade: Grupo Sustentax
• Construtora: Efer Construtores Associados
A empresa empenhou-se ao máximo para realizar um projeto
certificado e ambientalmente correto, pois, para Paola Peterle
Figueiredo, diretora do Grupo Sustentax, consultoria para certificações sustentáveis, “por se tratar do Rio de Janeiro (cidade que
vem aumentando o número de edificações LEED), nos vimos na
obrigação de fazer um projeto que se enquadrasse com todos os
empreendimentos da região”.
Foto: Carlos Gueller
A Record contratou a Edo Rocha Arquitetura e Planejamento
para realizar um projeto que atendesse à demanda de fluxo de informações, pessoas e materiais de forma eficiente, com a perspectiva de
expansão em médio prazo. Assim, o projeto foi elaborado com base
em três conceitos: otimização do sistema operacional, melhoria do
ambiente de trabalho e respeito e integração com o meio ambiente.
RecNov em números
• 78% dos resíduos da obra foram enviados à
reciclagem com o objetivo de desviá-los de
aterros sanitários, incineração ou depósito
de lixo. Retorno do material reciclável ao processo de manufatura como matéria-prima;
• 14% do custo de material de obra foi gasto
na aquisição de produtos manufaturados
com conteúdo reciclado para auxiliar na redução dos impactos resultantes da extração
e do processamento de matérias-primas;
• 57% do custo de material de obra foi gasto
com produto extraído, manufaturado, ou
reciclado dentro de um raio de 800 km de
distância do local da obra, incentivando o
crescimento da economia regional e reduzindo impactos ambientais resultantes do
transporte;
• 2,7% do total de material utilizado na obra
veio de produtos rapidamente renováveis,
ou seja, com ciclo de manejo florestal igual
ou menor a dez anos, para minimizar o impacto no ecossistema e reduzir o apelo aos
produtos de ciclo de cultura longo;
• 100% das madeiras instaladas permanentemente na construção provêm de florestas
certificadas pelo selo FSC.
O empreendimento foi certificado na categoria New Construction
- NC com o LEED Gold após a construção e implementação total.
Os ambientes de trabalho foram elaborados para garantir
conforto, qualidade e satisfação aos usuários por meio de “espaços
integrados com a natureza, sombreamento por meio de elementos
de fachada, controle e individualização do sistema de iluminação,
plano de gerenciamento de qualidade interna do ar, instalação do
fumódromo distante das entradas e o contato visual sempre que
possível com a paisagem”, descreve Arnaldo Lima, gerente de
projetos e obras da Edo Rocha.
As fachadas foram concebidas por volumes de alturas e tratamentos arquitetônicos diferenciados, segundo Arnaldo Lima, “de
modo a destacar os edifícios e possibilitar leituras e sensações diferentes conforme cada ângulo de visão”. Por se tratar de uma rede
complexa de comunicação, mídia e TV, os sistemas complementares
garantem grande eficiência e segurança.
A construção
O RecNov começou a ser erguido em novembro de 2008 e foi
concluído em outubro de 2010. Para Rubens de Sousa Coelho, supervisor de obras da Efer Construtores Associados, construtora responsável, o maior desafio para a obra foi a obtenção de materiais e
a parceria com fornecedores que atendessem aos critérios do LEED.
Para contornar essa dificuldade, foi preciso orientar os fornecedores
e afirmar o compromisso com o objetivo desejado.
Essa dificuldade é relatada também por Paola Peterle,
da Sustentax: “No processo, por ser a primeira certificação
de vários agentes envolvidos, tivemos dificuldades na obtenção
das características e dos certificados de certos produtos e no
comprometimento de alguns fornecedores e terceirizados, que não
respeitavam os princípios apresentados”, conta. Problemas como
esses dificultam o controle de materiais empregados nas obras,
o que pode acarretar a perda de alguns pontos do LEED.
Coelho, da Efer, destaca o alto desempenho construtivo como
um diferencial no empreendimento, que se distinguiu por meio
da otimização e redução dos custos de manutenção e operação
na pós-construção. Os sistemas adotados foram o pré-moldado
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e as estruturas metálicas, que visam à otimização do tempo de
obra, redução de resíduos, baixa interferência nas atividades
que estão em andamento e racionalização das instalações
e baixo custo, além da qualidade estrutural.
As outras ações sustentáveis, segundo ele, englobam:
• treinamento dos funcionários da obra para a melhor
utilização das soluções adotadas;
Foto: Divulgação Phytorestore
Caso III - certificado
Sistema de tratamento de esgoto com aparência de um jardim
• construção de uma Central de Resíduos;
• coleta seletiva de resíduos;
• controle de poeira por meio da aspersão da água de reúso;
• controle de erosão e sedimentação.
Bem-estar interno
Todo o conjunto foi pensado para garantir o conforto dos
ocupantes da forma mais eficiente possível. Primeiramente,
foram adotados produtos que possuem baixos níveis
de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) e práticas de
manutenção da qualidade do ar durante a construção.
Também foram inseridas no processo diretrizes que previnem
a existência de materiais particulados em suspensão, que são
os poluentes constituídos de poeiras e fumaças com fontes
de emissão, como carros, processos industriais e processos
de combustão, entre outros. Ainda foi introduzido um controle
individual da temperatura em 56% das estações de trabalho.
Pedro Luiz de Freitas, gerente de infraestrutura da Rede
Record, explica que questões de localização e a preocupação
com o entorno foram essenciais. “Foi importante a implantação
do empreendimento dentro de um raio de desenvolvimento
que permita ao usuário o acesso a serviços básicos no entorno,
bem como a criação de vagas preferenciais para veículos
com baixa emissão de carbono, instalação de bicicletário
e pavimentação que reduz o efeito ilha de calor”, diz.
O projeto paisagístico foi pensado para transmitir, segundo
Paola Peterle, “fluidez e conforto, respeitando as características da região, sensação térmica agradável e gerar algumas
sombras em espaços de convívio”, tudo integrado com o jardim
filtrante do tratamento de esgotos e com o lago de reúso
de água, lugar onde é possível a contemplação de peixes e aves
nativas da região. Um bom projeto paisagístico ajuda a garantir
que as mudanças no terreno não prejudiquem o ciclo ambiental
local e medidas simples, como uma vegetação nativa com
o regime de regas substituído pelas chuvas, tomadas no projeto
do RecNov, ajudam a manter uma bela paisagem.
Economia de recursos
Para proporcionar o menor consumo de energia,
a principal característica buscada foi a relação com a luz
natural, ou seja, a busca pela melhor posição do prédio
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Espaço Sustentável
• Redução do impacto ambiental e preservação de
recursos naturais com a proteção de 92.000 m2 de
áreas verdes;
• Aumento das áreas de infiltração, implantando
captura e tratamento de águas pluviais;
• Redução do efeito ilha de calor com o uso de
materiais de alta reflexividade e concreto poroso
em 58% das áreas pavimentadas e 98% da área
de cobertura.
em relação ao nascer do sol. Foram utilizados brises
de alumínio, que possuem baixa emissão de calor, fixados em
estruturas metálicas leves para otimização da refrigeração
interna. Instalações neste sistema podem reduzir de 30%
a quase 100% a incidência de raios solares.
Todos os motores das máquinas são de alta eficiência,
que reduzem os custos operacionais, são mais silenciosos
e, geralmente, seu investimento pode ser recuperado em
menos de dois anos. Com estas ações, incluindo as luminárias
de baixo consumo, a economia de energia esperada é de 25%.
O estimado na redução do consumo total de água é
da ordem de 20%. Para isso, foi criado um sistema de reúso
com o qual é possível captar toda a água da chuva e tratar todo
o esgoto produzido na área. Este último projeto foi feito pela
empresa Phytorestore e está em processo de implantação.
O procedimento não utiliza produtos químicos, trata-se de um
espaço de área verde, similar a um jardim, porém, plantado
sobre a brita, conforme explica Arnaud Fraissignes, diretor
da companhia. “É um jardim bonito, e, no caso da Record,
a lagoa servirá também como cenário para novelas”, diz.
O sistema de tratamento de esgoto funciona em três
fases: o esgoto bruto atravessa, sucessivamente, um filtro
vertical e um filtro horizontal, dois jardins diferentes (com
substratos e plantas distintos) com cerca de 30 espécies
de vegetação nativa, aquáticas ou semiaquáticas, onde
são feitos a filtração física e o tratamento com as raízes
das plantas. Ao final, os efluentes chegam à terceira fase,
Estúdio de gravação das telenovelas
Foto: Carlos Gueller
a lagoa, já na forma de água transparente, que pode
ser reutilizada para irrigação, lavagem de ruas, torre
de resfriamento, etc.
O processo não tem cheiro e não prejudica a natureza:
a rizosfera, local onde o solo e a raiz das plantas entram
em contato, é responsável pela despoluição dos efluentes,
quebrando as moléculas. “É importante notar que
o resultado da poda dos jardins filtrantes também não
é contaminado ou polido e pode ser destinado normalmente como qualquer poda dos outros espaços verdes”,
conclui Fraissignes.
Uso dos produtos
Os produtos utilizados foram, em parte, desenvolvidos
especialmente para as necessidades do projeto. O piso
foi feito com 98% de conteúdo reciclado em Polietileno
de Alta Densidade (PEAD), oriundo das embalagens
de produtos de limpeza que seriam descartadas no
meio ambiente, substituindo o tradicional, de madeira,
poupando assim o corte de cerca de 100 árvores. O PEAD
atende aos exigentes regulamentos internacionais de
proteção ambiental e facilita a instalação. Seus benefícios
são a resistência ao calor e à degradação, imunidade
aos raios ultravioletas emitidos pelo sol (aumentando
sua vida útil), leveza, impermeabilidade e durabilidade.
A pavimentação é de blocos intertravados – versão
moderna dos antigos paralelepípedos –, que foram
confeccionados com granulometria especial para prover
maior capacidade drenante e, consequentemente,
o aumento do índice de permeabilidade do solo.
Outros materiais utilizados foram os painéis de
concreto pré-moldados com características físicas que
permitem menor ganho de calor e telhas em chapas
de aço com acabamento pintado, com alto índice
de refletância, minimizando o efeito ilha de calor,
ou seja, que contribui para redução da carga térmica
a ser debelada pelo sistema de condicionamento de ar.
Além destes, o acabamento contou com revestimentos,
adesivos e selantes com baixo índice de COVs e madeiras
certificadas pelo selo Forest Stewardship Council (FSC),
que garante o manejo responsável das florestas. GB
Notas
Em julho deste ano, entrou em vigor a nova norma de desempenho para construção de
casas e prédios, criada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As regras já
valem para imóveis que serão construídos em 2013.
O objetivo da norma é garantir que as construtoras tenham mais responsabilidade no
planejamento e na execução de uma obra. Apesar das regras não terem força de lei, servirão
como parâmetros para que o consumidor que se sentir prejudicado procure os órgãos de
defesa do consumidor ou a Justiça.
A ABNT recomenda que cada parte do imóvel tenha uma duração mínima assegurada, contudo, o proprietário fica
responsável por realizar a manutenção do imóvel e conservar bem o local.
Publicação de inventários
Em agosto deste ano, o Programa Brasileiro
GHG Protocol divulgou um balanço recente sobre
a participação de seus membros que publicaram
inventários de emissões de gases de efeito estufa
(GEE) em 2013: ao todo 106 organizações, que
representam 48 setores da economia. Este número
retrata um aumento de 450% em relação aos dados
divulgados em 2009, primeiro relatório feito, quando
23 organizações participaram. O GHG Protocol já
é o programa voluntário com maior número de
participantes na América Latina.
A construção ocupa o terceiro lugar no ranking dos
setores com maior participação no programa, ao lado
das organizações de eletricidade e gás (7%), e ficou
atrás apenas das indústrias de transformação (35%)
e empresas de atividades financeiras, de seguros e
serviços relacionados (11%).
Nos próximos meses, de acordo com a coordenadora
do Programa Brasileiro GHG Protocol, Beatriz Kiss, será
lançado um guia para o setor de construção civil com
especificidades que ajudarão as empresas do ramo a
contabilizarem suas emissões e buscarem informações.
TECNOLOGIA BRASILEIRA
O Brasil foi um dos países participantes do Congresso Mundial
de Infraestrutura Verde, que ocorreu no início de setembro
em Nantes, na França, nomeada em 2013 a capital verde
europeia. O engenheiro agrônomo e diretor da Ecotelhado,
empresa especializada em infraestrutura verde, João Manuel
Feijó, representou o País ao apresentar uma palestra sobre o
Ecoesgoto, um sistema integrado de infraestrutura verde e
reciclagem de água e resíduos orgânicos, desenvolvido por ele e
também apresentado na Expo Greenbuilding Brasil deste ano.
Inédito no mundo e já reconhecido pela ONU, o Ecoesgoto
prioriza o reaproveitamento de água, a economia de energia
e o tratamento dos efluentes, permitindo conforto térmico
interno, promovendo a biodiversidade e reduzindo o efeito
ilha de calor urbano. Segundo Feijó, o sistema pontua nas sete
dimensões do selo LEED.
O funcionamento ocorre por meio de um digestor biológico a
base de minhocas, que digere os resíduos orgânicos oriundos
de descargas e restos de alimentos. Este efluente pré-tratado
é bombeado para o telhado verde na laje da edificação,
de forma que os microorganismos existentes nas raízes
das plantas tratem o efluente e a água da chuva, que
posteriormente é direcionada para uso interno no
empreendimento, como nas descargas e na jardinagem.
Fotolia © soleilc1
Bairros sustentáveis brasileiros
Duas importantes instituições voltadas ao desenvolvimento sustentável no mundo, a
Fundação Clinton e o Green Building Council, destacaram dois condomínios brasileiros entre
os 18 projetos mais sustentáveis do mundo.
Os bairros sustentáveis Parque da Cidade, localizado em São Paulo, e o Pedra Branca, que
fica em Palhoça, em Santa Catarina, estão em fase de construção e são caracterizados por
reunirem áreas comerciais e residenciais, incentivarem o deslocamento sem carro e oferecerem
áreas públicas abertas à população, além de contarem com fontes de energia renováveis e
aproveitamento da água da chuva.
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Fotolia © Onidji
Normas para a construção
Produtos e Serviços
Energia
inteligente
Fotolia © ls_design
Produção de energia solar cresce
a cada ano no mundo e começa a
ser economicamente mais acessível
Por Andrea Padovan
U
m dos grandes desafios atuais da humanidade é gerar,
de maneira sustentável para o planeta, energia suficiente
para atender a demanda de consumo. Mesmo sabendo
desta necessidade, hoje, o petróleo, de origem fóssil e esgotável,
continua sendo a maior fonte de energia utilizada no mundo.
A popularização da produção de energia a partir de fontes renováveis é fundamental para superar este desafio.
Diversos países no mundo já potencializam o uso da energia
solar. A Associação Europeia da Indústria Fotovoltaica (Epia, na
sigla em inglês), por exemplo, apontou, em 2012, que a geração
de energia solar foi, pela segunda vez consecutiva, a energia
renovável mais estabelecida na Europa. Além disso, a associação
também concluiu que o mercado pode alcançar a produção de
48 gigawatts em 2017.
Mas, no Brasil, o cenário é outro. Considerando o seu
potencial, a radiação solar é pouco aproveitada: recebemos
energia solar da ordem de 1013 megawatts-hora anualmente,
cerca de 50 mil vezes o consumo anual de eletricidade.
44 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Conforme dados do relatório “Um Banho de Sol para o Brasil”,
do Instituto Vitae Civilis, a radiação solar do País é uma das
melhores do mundo.
Para Penélope Valente, consultora de sustentabilidade da Windeo, empresa belga que atua no Brasil com
geração fotovoltaica, analisando o potencial solar brasileiro, o mercado de energia renovável é um caminho
certo. “Temos cerca de 7,5 megawatts instalados, o
que representa 0,01% do potencial proporcionado pela
radiação solar no País”, diz ela.
A maior parte deste potencial está nas regiões Nordeste e
Oeste de Minas Gerais, que têm as maiores médias anuais de
radiação, segundo Bruno de Lima Soares, engenheiro responsável pelos projetos de energia solar no Centro de Tecnologias
do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER).
Bruno Soares destaca ainda o fato de que o Brasil é privilegiado em radiação solar em todo o seu território: “Na Alemanha,
país com maior quantidade de potência fotovoltaica instalada
no mundo, as médias anuais de radiação solar são 40% menores
que as piores médias anuais brasileiras”.
Diante de tanto potencial, a energia solar apresenta algumas
características que a faz única entre as alternativas de energias
renováveis. Por exemplo, é modular, ou seja, o usuário pode
desenhar seu sistema da maneira que desejar. “Ela pode ser
usada em pequenos dispositivos, como calculadoras, mas
também em usinas fotovoltaicas de dezenas de megawatts”,
indica Lima Soares.
Além, é claro, da sua vantagem ambiental quando comparada com a extração, geração, transmissão, distribuição
e o uso final de fontes fósseis: evita a emissão de gases que provocam o efeito estufa, não produz resíduos, é inesgotável e não
gera poluição sonora.
Seus benefícios econômicos também são importantes, pois,
a partir do investimento inicial, como a compra e instalação do
equipamento, não existem mais custos (a não ser de eventual
manutenção do equipamento) e o prazo de retorno do investimento está cada vez menor.
De indústria a residências
“É possível instalar um sistema em praticamente qualquer
edificação, pois qualquer consumo de eletricidade permite o uso
de energia solar,” afirmam Thiago Mendes, engenheiro, e Renato
Mangussi, diretor de negócios da Tecnometal, uma das únicas
fabricantes brasileiras de placas fotovoltaicas (representada
pela Dya Energia Solar). Penélope Valente, da Windeo, completa dizendo que “residências, comércios, indústrias, fazendas,
comunidades ribeirinhas, tribos indígenas, zonas urbanas ou
rurais, todos podem instalar um sistema fotovoltaico”.
Resolução da Aneel
traz oportunidades
Estabelecida em 2012, esta norma criada pela
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
institui um sistema de compensação de energia
que permite ao consumidor instalar pequenos
geradores em sua unidade consumidora e trocar
energia com a distribuidora local. é válida para
sistemas hídricos, solares, de biomassa, eólicos
e de cogeração. A resolução estabelece as
condições gerais para o acesso dos sistemas de
microgeração – com até 100 quilowatts de potência
– e minigeração – de 100 quilowatts a 1 megawatt.
Projeta-se que os sistemas de geração distribuída
acrescentarão 30 mil megawatts de capacidade
instalada à matriz energética até 2020. Segundo a
Associação da Indústria de Cogeração de Energia
(Cogen), cerca de 7,5 mil megawatts do total será
proveniente da energia solar.
Entretanto, a maior procura está em edificações comerciais
“devido, principalmente, à paridade tarifária e à possibilidade de
financiamento por meio do Finame (linha de crédito do BNDES)”,
dizem Thiago e Renato. No entanto, não descartam o uso para
o mercado residencial, que acreditam ter muito potencial. Um
dos motivos para a tardia adoção da energia solar em casas,
acredita Penélope, é a falta de incentivos fiscais. “Em alguns
países já existem vantagens financeiras tangíveis, como redução
de impostos e formas vantajosas de financiamento”, conta ela.
Os instaladores precisam ter alguns cuidados na hora de
manejar os painéis fotovoltaicos. Os módulos têm de estar com
a inclinação compatível com a latitude do local – quanto mais
longe da linha do Equador, maior será a inclinação necessária.
É importante também sempre estarem voltados para a direção
Norte, pois a geração de energia diminui com o sombreamento.
Mendes e Mangussi lembram que a instalação deve ser feita
por uma equipe especializada, para que seja obtida a montagem
correta, para evitar riscos de acidentes.
Foto: Gustavo Lovalho\GL Fotografia
Já Eduardo Konze, sócio-diretor de marketing da Energia
Pura, empresa que implementa projetos com placas fotovoltaicas,
diz que, principalmente em locais sem acesso à rede elétrica, essa
é uma solução altamente eficiente e economicamente viável.
Produtos e Serviços
Tecnologia dos painéis fotovoltaicos
Viabilidade dos
projetos fotovoltaicos
Os módulos solares são constituídos, basicamente, por células fotovoltaicas,
encapsulamento, vidro e esquadria. As células fotovoltaicas são compostas por uma
fina camada de um material semicondutor, sendo o mais comum o silício cristalino.
Conheça o consumo de
Apesar das diversas tecnologias existentes, os painéis de silício são, atualmente, os mais comercializados, principalmente devido às vantagens do material:
é resistente a ácidos, a elementos químicos e à oxidação em ambiente externo.
Além disso, é o segundo elemento mais abundante no Planeta, constituindo
27% da crosta terrestre.
energia do imóvel ou
equipamento;
Veja se há conexão à rede
O encapsulamento (proteção que envolve a placa de vidro) é feito com
Etileno Acetato de Vinila (EVA) transparente, para evitar a contaminação
da célula fotovoltaica. O vidro funciona como proteção mecânica da célula e
necessita de tratamento superficial antirreflexo. A esquadria é produzida,
na maioria dos modelos, em alumínio, para garantir boa rigidez sem aumento
elevado do peso do módulo.
elétrica ou se é necessário o
uso de bateria;
Analise o potencial de
radiação solar no local;
A manutenção dos módulos é eventual, segundo Eduardo Konze, da Energia
Pura. Ele diz que as placas têm vida útil estimada em mais de 30 anos, porém,
para gerar o máximo de energia, elas precisam estar limpas e a água da chuva
se encarrega dessa limpeza. O monitoramento se dá de acordo com a produção
de energia esperada: se está abaixo do previsto, uma equipe técnica é enviada
ao local para averiguar a razão da alteração.
Faça estimativas de
investimento;
Avalie o espaço físico para
instalação das placas.
Foto: Gustavo Lovalho\GL Fotografia
Sistemas isolados e em rede
Placa fotovoltaica - Tecnometal
Inmetro define normas
A fim de zelar pela eficiência energética, estabelecer requisitos mínimos
de desempenho e segurança e fornecer conhecimento público, o Inmetro
baixou a portaria nº 004, em 04 de
janeiro de 2011. A norma define os
Requisitos de Avaliação da Conformidade para Sistemas e Equipamentos
para Energia Fotovoltaica por meio do
mecanismo de etiquetagem. Para ser
produzido e comercializado no Brasil,
todo equipamento deve atender, no
mínimo, a esta portaria.
46 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
Os sistemas fotovoltaicos são classificados como isolados (off-grid) ou
conectados à rede (on-grid). Para os sistemas isolados, o armazenamento
da energia é feito por meio da utilização de baterias. Elas, porém, são caras, têm
uma vida útil média de dois a cinco anos e necessitam de manutenção periódica.
O sistema off-grid abastece diretamente os aparelhos que utilizarão a energia
e é geralmente construído em locais remotos.
Seguindo a Resolução nº 482, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),
qualquer cliente do Sistema Interligado Nacional – sistema de coordenação
e controle que congrega a produção e transmissão de energia elétrica do
Brasil – pode instalar um sistema fotovoltaico em área própria e conectá-lo
à rede elétrica (on-grid),o que os torna cerca de 30% mais eficientes. Isso traz
benefícios ao consumidor, pois ele só paga parte da energia consumida, ou seja,
o que ele produzir em seu sistema fotovoltaico será abatido. O consumidor
que eventualmente produzir mais do que consumir poderá utilizar o excedente
da produção como “crédito” de energia por até 36 meses.
Indústria e crescimento
O governo federal tem atuado com o intuito de criar um ambiente favorável
ao desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva fotovoltaica. Primeiramente,
a Aneel realizou uma chamada para projetos na área em 2011, a Chamada Estratégica
nº 13, de arranjos técnicos e comerciais para inserção da geração solar fotovoltaica
na matriz energética brasileira. Foram cadastrados 24 projetos, os quais prevêem
a instalação de aproximadamente 24 megawatts.
As organizações normalizadoras também contribuem com a indústria.
O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), por exemplo,
definiu um sistema de etiquetagem para equipamentos fotovoltaicos, enquanto a
Associação Brasileira de Normas (ABNT) recentemente incluiu normas específicas
“
Temos cerca de 7,5 megawatts instalados, o que representa 0,01%
do potencial proporcionado pela radiação solar no País”
Penélope Valente, consultora de sustentabilidade da Windeo
para inversores conectados à rede. “Todas essas iniciativas
demonstram que a energia solar possui um futuro promissor”,
diz o engenheiro da CTGAS-ER.
Apesar de pouco debatida com a sociedade pelas
autoridades do setor de energia, basta apenas romper a
barreira do custo de aquisição do sistema fotovoltaico.
Este entrave pode ser superado por meio de medidas
como a criação de fundos de financiamento específicos,
redução de carga tributária dos equipamentos e maior
disseminação da tecnologia para o grande público.
Bruno Soares acredita que a energia solar tem um custo
elevado para geração em grande escala, por meio de usinas,
quando comparado ao de outras fontes. “No entanto, para
pequenos sistemas distribuídos, instalados mais próximos
aos consumidores, o custo da energia produzida pelo sistema
fotovoltaico é menor que o valor do quilowatt-hora cobrado
pela concessionária local”, conclui.
Cenário do setor
Os Emirados Árabes, um dos maiores produtores de
petróleo do mundo, inaugurou, em março deste ano, a maior
usina de concentração solar do mundo, com investimento
de US$ 600 milhões e capacidade de gerar 100 megawatts,
o suficiente para atender 20 mil residências.
Também neste ano, a Nicarágua colocou em operação
o maior parque fotovoltaico da América Central, com capacidade de produzir 1,38 megawatts. No país, as fontes renováveis já respondem por 41% da matriz energética.
No Brasil, a CPFL Energia inaugurou, em 2011, a Usina
Tanquinho (Campinas - SP), a primeira de energia solar do Estado
de São Paulo, com capacidade para gerar 1,6 gigawatts-hora
por ano. Em março deste ano, a SunEdison fechou acordo com
a Petrobras para a construção e operação da maior usina solar
brasileira, no Rio Grande do Norte, que terá capacidade de
geração de 1,65 gigawatts-hora por ano. GB
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Medindo o próprio
desempenho
Programas online ajudam as empresas na elaboração
de relatórios de sustentabilidade
Por Redação
O
sucesso de qualquer empresa depende do bom
funcionamento de todos os setores. A preocupação
com cada área é algo fundamental para assegurar
o desempenho social, ambiental e econômico da organização. Uma forma bastante comum de consultar e analisar
a situação dos diversos departamentos é por meio da elaboração de relatórios de sustentabilidade. Com esta ferramenta,
as empresas garantem a continuidade de seus trabalhos e
possibilitam o seu bom posicionamento no mercado.
Organizações responsáveis ambiental e socialmente já
são a escolha de muitos clientes. Assim como para investidores, o lugar mais seguro para se depositar a sua confiança
48 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
é onde a questão econômica está sob controle. Em 2007,
o Global Reporting Initiative (GRI) criou a metodologia mais
aceita e usada em relatórios de sustentabilidade, que até hoje
ajuda as empresas a atingirem seus objetivos de medição de
desempenho em diversas áreas.
No Brasil, a metodologia GRI se consolidou e colaborou
para que o País assumisse a terceira colocação no ranking
mundial de países que divulgam seus relatórios de sustentabilidade, ficando atrás apenas da Espanha e dos Estados
Unidos, de acordo com o resultado de uma pesquisa divulgado
em julho deste ano. Para José Pascowitch, diretor executivo
da Visão Sustentável, consultoria de sustentabilidade, este
“
O Brasil sempre foi um país de ponta em termos de
sustentabilidade. Hoje, as empresas já têm departamentos
específicos. Por isso, temos um cenário favorável”
José Pascowitch, diretor executivo da Visão Sustentável
fato está atrelado à estrutura que as empresas construíram
no País. “O Brasil sempre foi um país de ponta em termos de
sustentabilidade. Hoje, as empresas já têm departamentos
específicos. Por isso, já temos um cenário favorável”, analisa.
Coletar dados das diferentes áreas, selecionar os indicadores e mandar planilhas em Excel para todos que vão responder algum indicador são os procedimentos que costumam
fazer parte da primeira etapa de elaboração de um relatório.
Este processo costuma demorar entre 30 e 40 dias, sendo que
o relatório todo pode levar até seis meses para ficar pronto.
Neste período, a empresa aguarda a devolução das planilhas
preenchidas. Contudo, apenas ao receber as planilhas de
volta é possível verificar quais áreas já colaboraram, além da
forma e qualidade do preenchimento das informações.
Pensando em garantir o acompanhamento deste processo, algumas empresas desenvolveram softwares online
que possibilitam a visualização das informações inseridas em
tempo real. Eles são utilizados para fazer a coleta de dados e
a gestão de diversos indicadores de sustentabilidade na primeira fase da elaboração do relatório.
É o caso do software Around, lançado em março
de 2012 pela Keyassociados, que é definido como um
Software as a Service (SaaS), traduzindo “Software como
Serviço”, conforme explica Fernando Pereira, consultor
Quem é a GRI?
​ Global Reporting Initiative (GRI) é uma
A
Organização Não Governamental (Ong) fundada
em 1997 pela Coalition for Environmentally
Responsible Economies (CERES) e pelo Programa
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma),
que criou um padrão para elaboração de relatórios
de sustentabilidade que pode ser adotado por
todas as organizações.
Um dos papéis da GRI, atualmente sediada em
Amsterdã, na Holanda, é difundir diretrizes para
a elaboração de relatórios, que estabelecem os
princípios e indicadores que as organizações em
todo o mundo podem usar para medir e comunicar
seu desempenho econômico, ambiental e social.
]
O Brasil é o
3º país
]
no mundo que mais publica relatórios
de sustentabilidade
da empresa, que desenvolve soluções sustentáveis.
A ferramenta está estruturada em um banco de dados
com uso totalmente via web, fornecendo uma estrutura
hierárquica de coleta, análise e gestão de informações.
“Após definidos quais temas são relevantes e qual a
forma de monitora-los, parametrizamos o Around com
a hierarquia específica de cada organização”, descreve
Alexandre Lopez Hernandez, diretor da Keyassociados.
Devido à sua forma hierarquizada, a empresa não precisa
preparar uma infraestrutura para operar o software
e qualquer profissional da organização pode utilizá-lo.
Lançado em novembro do ano passado, o Sistema de Gestão
de Relatório de Sustentabilidade (S-GRS), pertencente à consultoria Visão Sustentável, pode ser usado por outras empresas
que não realizarão a elaboração do relatório completo por meio
da consultoria, mas que obtêm a licença do software.
“Transformamos esse processo de coleta em planilhas em
Excel em um software baseado na Internet. Este é um site
seguro, certificado pela Certisign, e que tem níveis hierárquicos de acesso que permitem que, ao invés de eu mandar
uma planilha, eu abra um sistema no qual visualizo todas as
alterações que são feitas e sou notificado por e-mails automáticos, tanto eu quanto meu cliente, de cada alteração
que foi feita no indicador”, explica o diretor executivo, José
Pascowitch. Diante disto, ele garante que pode, também em
tempo real, orientar os seus clientes se as informações têm
a profundidade e aderência necessárias ao indicador ou se
é preciso buscar novas informações.
Apesar dos softwares disponíveis no mercado terem
suas características específicas, eles contribuem para
a modernização dos relatórios, além de possibilitarem
o cumprimento do cronograma e a redução dos custos
de auditoria no processo de verificação, devido à qualidade
e segurança nas informações. GB
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Um pedacinho preservado
Foto: Divulgação Siemens
Operação e Manutenção
da Mata Atlântica
Siemens
Anhanguera
conquista selo
de operação e
manutenção e
amplia sua ação
sustentável
Por Redação
T
rabalhar em um ambiente agradável é o sonho dos profissionais de hoje.
Um espaço que atenda esta expectativa normalmente oferece uma boa infraestrutura e ações voltadas ao bem-estar. Os prédios mais novos costumam sair
na frente quando o assunto é infraestrutura, pois já foram planejados e construídos
com conceitos modernos. Contudo, já é algo comum que as empresas que ocupam
edifícios mais antigos busquem se modernizar, sobretudo nas suas áreas internas, em
benefício dos usuários.
A modernização da operação e manutenção dos edifícios atende também às ações que
oferecem bem-estar aos profissionais das empresas, pois a partir das alterações estruturais
50 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
é proporcionado mais conforto nos espaços, opções de locomoção e sensação de colaboração com o meio ambiente.
A unidade Anhanguera da empresa Siemens em
Pirituba, São Paulo, preenche estes requisitos. E vai além.
No terreno em que o prédio está construído, há uma área
preservada que constitui uma das raras manchas de Mata
Atlântica remanescentes na Grande São Paulo, na qual
foi implantada uma trilha ecológica. O projeto foi coordenado pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz
(ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP).
Com isso, os colaboradores estão envolvidos dentro de um
contexto de preservação, de melhoria contínua, de minimização de desperdícios e de prevenção da poluição. Esta consciência de preservação do meio ambiente é, com certeza, um
motivo de orgulho para aqueles que vivenciam isso no dia a dia.
O pedaço da Mata Atlântica, que funciona como o grande
jardim do prédio, está dentro de um terreno com 109 mil
metros quadrados, que possui apenas 18 mil metros quadrados de área construída. Dentro da imensa área, menos de
10% da área verde existente é irrigável, o que corresponde a
quase 7% da área total. Um ponto positivo para a empresa,
pois a vegetação existente não exige sistemas de grande tecnologia para a realização da irrigação na localidade.
A sustentabilidade do prédio tem outras características de
destaque e foram elas que permitiram que ele fosse certificado
pelo United States Green Building Council (USGBC) na categoria LEED Operação e Manutenção - EB_OM, no nível Gold,
no primeiro semestre deste ano. “Uma gestão de excelência
que contribua com o meio ambiente é o critério que a certificação LEED impõe à gestão de facilities”, explica Monique
Evelyn Godoi, consultora em sustentabilidade e certificação
LEED da Otec, empresa que presta consultorias para a construção civil e acompanhou o projeto da Siemens Anhanguera.
Sustentabilidade
Bem antes de pensar no selo LEED, e até mesmo antes
do selo ter sido criado, a Siemens já se preocupava com
questões ambientais. Quando o prédio foi erguido, em
1977, também foi construída uma estação de tratamento
de esgoto. Além disso, há mais de 40 anos, foi criado o
Programa de Proteção Ambiental, que monitora e define
planos de ação com metas, principalmente para o consumo
e insumos naturais. “A Siemens é uma empresa que possui
a questão de sustentabilidade em seu DNA. Isto demonstra
que a empresa sempre se preocupou com a questão
ambiental. A sustentabilidade é nosso dia a dia. A certificação veio ‘selar’ este conceito”, afirma Patrícia de Souza,
gerente de administração da Siemens.
Para ela, o gestor tem papel fundamental na sustentabilidade de um edifício, pois ele é o responsável por contratar
as empresas prestadoras de serviços que deverão utilizar
materiais e equipamentos eficientes. “É ele quem controla
Ficha Técnica
• Localização: Av. Mutinga, 3.800 - Pirituba - SP
• Área de terreno: 109.000 m²
• Área construída: 18.000 m²
• Data de finalização da obra: prédio principal em 1977
• Proprietário: Siemens
• Consultoria de sustentabilidade: Otec - Otimização Energética
para a Construção
Consumo Mensal
• 540.000 kW de
energia elétrica
• 1.850 m³ de água
• 30.000 kg de
resíduos
“
Infraestrutura
• Dia a dia sustentável: trilha
ecológica, reciclagem, incentivo ao
transporte coletivo e carona solidária.
• Quantidade de linhas de ônibus:
7 fretados
• Quantidade de bicicletários: 1
É gratificante ouvir o
pessoal da limpeza e da
manutenção comentar
durante um treinamento
que já implantaram algumas
sistemáticas de consumo
consciente em suas casas”
Patrícia de Souza, gerente de administração
da Siemens
e monitora o consumo dos recursos naturais, a qualidade do
ar e o descarte de resíduos; implanta projetos de melhorias;
exige a utilização de sistemas eficientes e atende às necessidades de seus clientes internos com relação ao conforto
e à saúde do edifício”, completa.
Como o prédio já possuía características que favoreciam
a sustentabilidade, alguns itens puderam ser mantidos, como
os processos de manutenção preventivas, corretivas e seus
respectivos controles, além dos sistemas de gerenciamento
de consumo de energia elétrica e água.
O sistema de ar-condicionado também não foi alterado,
pois havia passado por um retrofit em 2001, já buscando a eficiência energética, e possui o sistema de controle de conforto
como diferencial. Ele se caracteriza pela divisão dos andares
do prédio em duas partes: a área periférica – fachada (onde
ocorre o controle de temperatura com a variação da vazão
de ar e temperatura constante) e o centro do andar (com
vazão de ar constante e temperatura variável). Com 36 controladores de Vazão de Ar Variável (VAV) por andar, sem fio
(Wireless), e chiller movido a fluido refrigerante ecológico e
totalmente automatizado, o sistema é comandado por um
software da Siemens. A empresa também é a fabricante dos
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Operação e Manutenção
“
Uma gestão de excelência que contribua com o meio ambiente é o
critério que a certificação LEED impõe à gestão de facilities”
Monique Evelyn Godoi, consultora em sustentabilidade e certificação LEED da OTEC
demais dispositivos periféricos, como sensores de temperatura, pressão e válvulas.
e as roçadeiras elétricas, com baterias e potência compatíveis
com a necessidade da empresa. Já os produtos de limpeza
tiveram que ser trocados por um produto alternativo e, após
continuar a procura, em julho deste ano a empresa passou a
usar produtos com o selo Green Seal.
Para facilitar o trabalho dos operadores, foram criados
manuais e o mapeamento dos sistemas, a fim de diminuir os
riscos operacionais. Com isso, as equipes são treinadas sobre
esta base e conhecem toda a instalação.
Mudança de atitudes
Entre as principais adaptações realizadas no prédio
estão a redução no consumo de água potável nas torres de
resfriamento do sistema de ar-condicionado, a pintura do
telhado com tinta reflexiva de cor branca (para diminuir
a temperatura nos centros urbanos) e a troca de equipamentos e utensílios elétricos por procedimentos manuais
na manutenção dos jardins.
Vivenciar um dia a dia sustentável requer diversas
mudanças na rotina de uma empresa. A gestão de resíduos
é uma delas. A Siemens assumiu o compromisso de destinar cada tipo de resíduos para o lugar certo. Assim, papel,
plástico, papelão, vidro e metais são enviados à reciclagem,
enquanto os resíduos orgânicos vão para aterros licenciados.
Os resíduos perigosos recebem atenção especial. Óleos lubrificantes, graxas, pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes
são encaminhados para empresas homologadas pelos órgãos
governamentais competentes para a reciclagem.
Garantir uma boa qualidade do ar no interior da edificação também é uma exigência da certificação LEED.
A Siemens realiza o controle da qualidade do ar por meio de
análises semestrais e pelo uso de um sistema que permite
a mínima vazão de renovação de ar externa, regulado conforme a norma ASHRAE 62.1:2007.
A empresa, que já comprava papel com selo FSC, adotou
uma política de compras baseada nos critérios do LEED
e estuda implantá-la em toda a organização.
A substituição de equipamentos e produtos convencionais por sustentáveis foi uma das tarefas mais difíceis no
processo de adaptação da operação a critérios de sustentabilidade. A gerente de administração da Siemens conta que
os equipamentos para a jardinagem só foram encontrados
depois do envio da documentação ao GBC, pois a empresa
não estava encontrando produtos com as características exigidas. Em janeiro deste ano, foram adquiridos os sopradores
Foto: Divulgação Siemens
O aumento da produtividade dos colaboradores é propiciado graças aos benefícios que um ambiente sustentável detém, assim como dos incentivos que a empresa
presta a eles. A Siemens disponibiliza ônibus fretados
com saídas de estações do metrô e possui um programa
de carona solidária instituído desde 2003, que por meio de
uma ferramenta na intranet permite que os colaboradores
pesquisem as rotas e os horários de outros funcionários
e combinem a caronas entre si.
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Diante das vantagens de uma operação e manutenção
sustentável, como o conforto, a qualidade do ar, a melhoria
da qualidade de vida, o consumo consciente e o menor
impacto possível ao meio ambiente, todas as pessoas que
utilizam a edificação têm um papel fundamental nesse
processo. A conscientização dos usuários dos escritórios
é feita por meio de comunicação corporativa, divulgada
pela intranet. Já os colaboradores que não possuem acesso
à rede, como manobristas e a equipe do operacional, da
manutenção e do restaurante, passam por treinamentos
constantes. “É gratificante ouvir o pessoal da limpeza e
da manutenção comentar durante um treinamento que já
implantaram algumas sistemáticas de consumo consciente
em suas casas, como por exemplo, identificar vazamentos
de torneiras e bacias sanitárias”, comemora a gerente
de administração da Siemens. GB
Pesquisa e Desenvolvimento
Mais ecoefiência
para a construção
Cimento desenvolvido no Laboratório de Microestruturas
e Ecoeficiência da Poli-USP emite menos CO2 na
atmosfera e tem bom desempenho garantido
Por Redação
B
asta juntar um pouco de cimento e água para formar a
pasta que se unirá a blocos para que sejam levantados
casas, prédios e uma porção de possibilidades
urbanísticas. Esta antiga técnica da construção civil não
mudou e não deverá mudar nos próximos tempos, mas
a forma de se produzir este material tão fundamental para as
construções já está sendo alterada em prol do meio ambiente.
Devido à grande emissão de gás carbônico (CO2)
resultante da produção do cimento, pesquisas no Brasil e em
outros países buscam alternativas para a redução do impacto
ambiental causado por parte deste setor. É o caso dos estudos
que, nos últimos cinco anos, vêm sendo desenvolvidos no
Laboratório de Microestruturas e Ecoeficiência de Materiais
(LMEF) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
(Poli-USP), coordenados pelo Prof. Rafael G. Pileggi e Prof.
Vanderley M. John, com a colaboração de Bruno L. Damineli,
que desenvolveu sua tese de doutorado sobre o tema.
O intuito do grupo de pesquisadores do LMEF é produzir
produtos com baixa emissão de CO2 e com melhor eficiência.
Na linha de pesquisa do laboratório também estão outros
materiais da indústria, como o amianto, a argamassa e
o concreto. O professor da Escola de Engenharia Civil da
Poli-USP, Rafael Pileggi, conta que a descoberta do cimento
ecoeficiente é uma consequência dos estudos desenvolvidos
no LMEF com esses outros materiais há mais de dez anos e
que os projetos sempre estão atrelados a alguma indústria,
pois o laboratório faz a pesquisa, mas não faz a consultoria.
No caso do cimento ecoeficiente, a parceria foi firmada
com a Intercement, empresa brasileira do setor de cimento
controlada pela Camargo Corrêa, no final do ano passado,
para a realização da última etapa. A pesquisa, que tem dois
níveis, já está com os conceitos validados e agora segue
junto com a Intercement para a fase que demonstrará como
transferir o novo processo para escala industrial, garantindo a
durabilidade do produto.
Hoje, a produção de cimento corresponde de 5% a 6% do
CO2 emitido na atmosfera do mundo. No Brasil, representa
12%. Há a tendência de que as emissões cresçam para 20% no
mundo inteiro, se a demanda da produção de cimento seguir
os padrões de hoje, de acordo com estudos da Poli-USP.
A busca pelo cimento ecoeficiente se justifica pela
necessidade de se modificar seu processo de produção.
“O produto mais consumido pela humanidade depois da água
é o concreto. O consumo per capita de concreto é dez vezes
maior do que de comida. O volume é imenso. Lembrando que
um dos materiais que compõem o concreto é o cimento, o
produto industrializado de maior volume no mundo é o cimento
portland. E por ser o produto mais produzido, é também
o maior emissor de CO2”, afirma o professor Rafael Pileggi.
Produção de cimento no Brasil
HOJE
• 1ª fase – queima de argila e carbonato
de cálcio = clínquer
• 2ª fase – moagem do clínquer e escória
de alto forno
FUTURO
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54 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
lia ©
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• 1ª fase – queima de argila e
carbonato de cálcio = clínquer
• 2ª fase – moagem do clínquer
e matérias-primas que não
foram ao forno
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“
O produto
industrializado de maior
volume no mundo é o
cimento portland.
E por ser o produto
mais produzido, é
também o maior
emissor de CO2”
Foto
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S
lia ©
Rafael Pileggi, professor da Escola de
Engenharia Civil da Poli-USP
e coordenador do LMEF
de partículas, que, de acordo com o professor Rafael Pileggi,
é o conhecimento da proporção das partículas e o tamanho
delas. A partir disso, ele diz que pode ser usado menos
clínquer e ainda assim se obter o mesmo efeito.
Os caminhos da pesquisa
Produção atual de cimento
Para entender porque o cimento emite tanto CO2 na
atmosfera é importante saber que a liberação do gás ao meio
ambiente ocorre por duas razões, além de conhecer o seu
processo de produção. O combustível queimado no forno
durante a produção de cimento é o primeiro responsável
pela emissão de CO2. A outra fonte de emissão são as
matérias-primas que fazem o cimento, que ao passarem
pelo forno em alta temperatura, sobretudo o carbonato de
cálcio, liberam o gás.
Essa primeira fase da produção do cimento resulta em um
produto chamado clínquer, que é, portanto, o grande emissor
do gás. Para que a indústria reduza suas emissões neste
processo, foi encontrada, há mais de 50 anos, uma alternativa
brasileira, que agora outros países utilizam, que é substituir
parte do clínquer por outras matérias-primas. O padrão do
cimento portland, produzido sobretudo nos EUA até hoje, é
de 95% e de 5% sulfato de cálcio (gesso). A solução brasileira,
conhecida como cimento CP 3 (no Brasil, a categorização do
cimento vai de CP 1 a CP 5), contudo, consegue reduzir
a presença do material para 30%, substituindo-o por
escória de alto forno, que é um resíduo da indústria do
aço que possui a mesma propriedade de reagir
e endurecer quando misturada à água, assim
como o clínquer.
O segredo desta substituição está em
algo que se chama distribuição de tamanho
Apesar do cimento CP 3 emitir menos CO2 que o cimento
portland original, os pesquisadores da Poli-USP descobriram
que é possível utilizar matérias-primas que não foram ao
forno e que, portanto, são mais benéficas que a escória de
alto forno, pois esta provoca emissão durante a produção
na indústria do aço. Desta forma, a produção de cimento
poderia ocorrer com apenas 30% a 50% do produto que foi ao
forno e o restante com matéria-prima natural, que pode ser o
próprio carbonato ou outras adições, que será apenas moída.
O objetivo conceitual da pesquisa já foi comprovado por
meio da obtenção de um produto com a mesma ação do
cimento convencional. Contudo, a produção comercial ainda
esbarra em alguns obstáculos. Um deles é que o mercado
brasileiro é regulado com questões de durabilidade e o
cimento com baixo teor de clínquer não está dentro destas
normas. Por esse motivo, as pesquisas seguem no sentido
de comprovar isso.
Outro fator que impossibilita este processo é a mudança
necessária na estrutura das fábricas, já que será preciso trocar
fornos por moinhos avançados. Desta forma, a indústria
passaria a ser “menos pendurada no forno e mais pendurada
na moagem”, conforme explica o pesquisador.
Essa mudança na indústria será possível assim que
as normas brasileiras aceitarem o produto. Quando
isso acontecer, a indústria de cimento será beneficiada
porque poderá dobrar de tamanho sem ter que por um
forno novo já que produzirá o dobro sem emitir mais CO2
do que ela produz hoje. GB
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Tendências
Produtos
Verdes
Empresas assumem
compromisso com o meio
ambiente e a procura por
selos verdes cresce
Por Redação
E
m menos de dois anos, entre 2010 e 2012, o número
de selos verdes ao redor do mundo cresceu cerca
de 10%. Saltou de 400 para 450 o número de certificações que atestam a qualidade ambiental de um produto.
A procura dos consumidores por serviços e produtos que se
apresentam como ecologicamente corretos provocou uma
corrida ao mercado de empresas interessadas em assumir
o compromisso sustentável.
Com um vasto campo de oportunidades, a tendência
verde pode influenciar empresas a associarem seus produtos
com funções ecológicas duvidosas e propagandas enganosas.
Como garantir que esses selos são confiáveis? A partir dessa
demanda, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
relançou, em 2008, seu programa de Rotulagem Ambiental
– o programa foi lançado na década de 1990, mas, devido
a crises na indústria, não houve procura pelo serviço.
Fotolia © Francesco De Paoli
A função da ABNT no Brasil, segundo Guy Ladvocat,
gerente de certificação de sistemas da associação, é ser
o organismo responsável por fazer a gestão do processo de
normatização no País: “Todas as normas técnicas são feitas
pela sociedade, mas quem gerencia esse processo é a ABNT.
Fazemos a gestão, editamos as normas e as disponibilizamos para o uso da sociedade.”
A rotulagem segue a norma ISO 14024 Tipo I, que recomenda a Análise do Ciclo de Vida de um produto para então
definir os critérios de avaliação, incluindo uma seleção de
categoria, critérios ambientais e características funcionais.
A avaliação
Não existe um critério padrão de avaliação, segundo
Ladvocat, e cada produto tem um conjunto de critérios a
Além da exigência ambiental básica do produto, avaliamos se
ele é bom para aquilo que pretende, sua qualidade. Não adianta
certificarmos um produto dizendo que ele é bom ecologicamente
se ele não funciona”
Guy Ladvocat, gerente de certificação de sistemas da ABNT
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atender para receber a certificação. “As análises procuram
os principais impactos ambientais do produto ao longo
do seu ciclo de vida, como pede a ISO 14024, para desenvolver procedimentos específicos, que consideram quais
matérias-primas são utilizadas para fabricação, sua distribuição, utilização e o descarte”, diz o gerente da ABNT.
De maneira geral, as categorias de impactos ambientais
englobam o esgotamento de recursos, a saúde humana e as
consequências ecológicas. Esta análise, junto com a certificação, tem validade de três anos.
Porém, Guy destaca que existem alguns critérios gerais,
por parte da empresa de fabricação, que avalia seu dia a dia:
soluções e redução no consumo de água e energia e controle de resíduos e efluentes. “Além da exigência
ambiental básica do produto, avaliamos se
ele é bom para aquilo que pretende,
sua qualidade. Não adianta certificarmos dizendo que ele é
bom ecologicamente se ele
não funciona”, alerta Ladvocat,
provando que o selo da ABNT
tem exigências e garantias.
São vários procedimentos tomados
para conceder a certificação, como análise
de documentação, visita técnica, avaliação de
laboratório, auditorias, coleta de amostras e acompanhamento de ensaios.
A vantagem para empresas que procuram e obtêm esses
selos são inúmeras: confiança em seus produtos, apoio ao
meio ambiente, proveito para exportação, diferencial competitivo, aumento da receita com venda de resíduos para
reciclagem, viabilidade no mercado, entre muitas outras.
Aplicação na construção civil
A parceria da ABNT com a Sustentech, empresa de consultoria que busca soluções sustentáveis para empreendimentos, mostra que a construção civil tem muito interesse
pela Rotulagem Ambiental. Jeann Vieira, gerente geral de
certificações da consultoria, afirma que “já foi solicitado à
Sustentech certificações de produtos. Porém, por entender
que a empresa deve ter postura de imparcialidade em
relação ao mercado, foi resolvido que utilizaria parceria
com sistemas de certificação de instituições com reconhecimento e credibilidade na área”. Como a ABNT é o único
membro da Global Ecolabelling Network (GEN) na América
do Sul – uma entidade internacional que reúne e promove
rotulagem ambiental do tipo I ao redor do mundo – a
Sustentech reconheceu a eficiência da ABNT.
Como o mercado da construção civil já adotou o conceito de sustentabilidade, a certificação de produtos
também foi muito bem aceita. No entanto, Jeann diz
A gama de produtos exigidos em
certificações green building que podem ser
rotulados é ampla e praticamente qualquer
produto pode ser certificado, como:
Produtos de aço – treliças, pregos, telas
para cercamento urbano, vergalhões, telas,
perfis, fios, barras e arames;
Mobiliário de escritório – carpetes,
tampos, módulos, painéis divisórios,
mesas, estações de trabalho,
biombos, armários, gaveteiros
e bancadas.
que alguns fabricantes não conseguem comprovar seu
desempenho ambiental, o que pode fazer com que um
bom produto não seja especificado e indicado para uma
empresa que implementa um projeto ou empreendimento
de certificação, já que alguns sistemas pedem comprovação de desempenho.
Marcos Casado, diretor técnico e educacional do Green
Building Council (GBC) Brasil, confirma que, com um selo
verde, não é preciso gerar evidências exigidas pelos selos de
green building para cada ação. Ele indica que, dentro do selo
LEED, por exemplo, as categorias que mais demandam produtos com certificação são Materiais, Qualidade Ambiental
e Eficiência Energética.
Marcos lembra também que o GBC Brasil está procurando parcerias com a ABNT para a adoção de padrões
exigidos pelo selo LEED para validação de suas rotulagens
ambientais e de eficiência energética para tê-los regularizados e fomentar a busca destes produtos.
Ampliação à vista
“Temos como plano ampliar bastante esse programa.
Hoje, temos 250 produtos certificados no Brasil”, diz o gerente
de certificações da ABNT, sobre o futuro da rotulagem.
A organização quer dar atenção especial para a questão social
em seus critérios: “Hoje já fazemos um pouco disso, como
verificar contratos trabalhistas, se não há trabalho escravo ou
infantil na fabricação dos produtos. Já é um primeiro passo.”
Guy fala também sobre um projeto com o Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID) que auxiliará
pequenas e médias empresas a medirem e gerenciarem
suas emissões de gás carbônico e abrir caminho para que
elas participem do mercado de crédito de carbono. Serão
contempladas, a princípio, 200 empresas. “Ainda temos
muita coisa para ser feita”, finaliza. GB
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Soluções Verdes
Construção eficiente
Baseada no uso de frames, a Construção
Energitérmica Sustentável possibilita obras mais
rápidas, limpas e econômicas
Por Redação
P
alha, madeira ou tijolo? Qual material é mais resistente para a construção de uma casa? Refletindo sobre
a clássica fábula que permeou a infância de muitas
gerações, que sempre levou todos a acreditarem que uma
casa feita com tijolos era a opção mais segura, a construção
civil atual demonstra que outros materiais podem tornar
uma edificação não só mais resistente como mais eficiente.
Na atual realidade do setor, esses novos materiais possibilitam obras mais rápidas, limpas e econômicas, e trazem
como resultado edifícios com maior eficiência energética e
conforto termoacústico.
De construções populares a construções de alto padrão,
o sistema CES é uma solução tanto para aqueles que procuram por técnicas industrializadas, nesse caso conhecida
como “seca”, quanto para aqueles preocupados com a sustentabilidade. “Por serem sistemas leves, são excelentes
opções para ampliar residências, comércios ou indústrias,
sem necessitar de amplas mudanças estruturais, quando
é preciso adicionar um novo pavimento, por exemplo, em
uma edificação de alvenaria”, ressalta Pablo Marton do
Nascimento, diretor administrativo da Globalwood, fornecedora de chapas estruturais para sistemas construtivos.
Um conceito bastante difundido fora do País, que vêm
ganhando espaço por aqui, é o sistema CES (Construção
Energitérmica Sustentável). Nesse sistema, destacam-se dois
produtos: o steel frame – perfis leves de aço formados a frio,
feitos a partir de chapas de aço galvanizados, com espessuras
que variam entre 0,8 e 1,25 milímetros – e o wood frame
– perfis leves de madeira de reflorestamento, como
pinus, que deve ser utilizada seca, reta, livre
de grandes nós e receber tratamento
preservativo ao ataque de insetos
xilófagos, aqueles que consomem
madeira e materiais celulósicos.
A aplicação do sistema nos diferentes tipos de construção basicamente se distingue por aliar, ou não, outros
sistemas complementares. Por exemplo: em obras residenciais e empresas de pequeno porte, pode ser usada alvenaria
para as áreas externas e frame para a divisão dos cômodos.
Enquanto nas obras de médio e grande porte, o uso de
algum sistema construtivo seco tende a ser o mesmo utilizado em toda a obra.
A escolha do tipo de perfil a ser usado deve ser baseada
na avaliação do projeto desejado, levando-se em consideração o local, terreno e clima. Outros motivos que podem
influenciar essa decisão é o resultado pretendido. Para uma
construção mais rápida, o steel frame é bastante vantajoso,
devido à sua leveza, sobretudo para ampliações sobre estruturas pré-existentes. Já para projetos que buscam melhor
isolamento termoacústico, o wood frame é a melhor opção.
Pensando nas vantagens do sistema CES, destacam-se o
menor prazo de execução de uma obra, a exatidão nos prazos, a
racionalização da mão de obra e de materiais, a maior produtividade por metro quadrado, uma obra mais limpa, a perfeita
geometria de paredes e pisos e o acabamento superior
à alvenaria tradicional. “O sistema CES possui maior
velocidade na execução da obra e proporciona
precisão nas dimensões, permitindo um acabamento com maior qualidade estética.
Além disso, proporciona conforto
58 | green building | www.revistagreenbuilding.com.br
lobalwood
ulgação G
Foto: Div
“
O sistema CES possui maior velocidade na execução da obra e
proporciona precisão nas dimensões, permitindo um acabamento
com maior qualidade estética”
Rubens Campos, diretor comercial da LP Brasil
térmico, reduzindo os gastos com energia elétrica, e uma
obra que emite aproximadamente cinco vezes menos gás
carbônico, quando comparado ao processo construtivo convencional”, ressalta Rubens Campos, diretor comercial da
LP Brasil, fornecedora de materiais para o sistema CES.
etapas em paralelo. Tudo isso com menos mão de obra.
Em um mesmo dia, é possível levantar paredes, realizar
a instalação elétrica, hidráulica e o isolamento termoacústico”, revela Pablo. De acordo com ele, o tempo de
obra representa menos da metade do tempo de uma
construção convencional.
Como é uma construção com frames?
Com o planejamento antecipado de montagem, a execução se torna mais precisa, evitando o desperdício de
materiais e a geração de resíduos desnecessários, o que possibilita uma redução expressiva na quantidade de entulho
produzido durante a obra, chegando a índices abaixo de 1%,
segundo Rubens da LP Brasil.
A técnica de construção com frames utiliza cimento,
areia e brita apenas na etapa de fundação, o que reduz
a presença desses materiais, além de madeiras e ferragens,
no canteiro. Os materiais para fechamento da estrutura são
compensados, chapas OSB (Oriented Strand Board), placas
cimentícias e gesso acartonado.
Para uma construção em sistema CES, basicamente são
usadas ferramentas como furadeira, parafusadeira, nível,
prumo, serra circular estacionária e portátil, conta Pablo
da Globalwood. Para armazenar os perfis e as chapas no
canteiro, é necessário um barracão e, para obras com mais
de um pavimento, um pequeno elevador de cargas para
o transporte dos materiais.
Diversos fatores possibilitam que a construção seja mais
rápida, como materiais mais leves – apesar das grandes
dimensões –, utilização de sistemas de fixação mecânica
ao invés de cimento, facilidade nas instalações elétricas
e hidráulicas com a utilização do sistema PEX e outras técnicas e produtos de alta tecnologia. “Por não dependermos
do clima para secar a argamassa e/ou o concreto, como na
construção convencional, conseguimos estimar o prazo com
uma margem pequena de erro e aliar a execução de várias
O custo de uma construção com frames pode equivaler
a uma construção convencional ou até mesmo ser 30%
menor. Isso é possível devido ao curto prazo de execução
– que proporciona retorno mais rápido ao investidor –, à
racionalização da mão de obra, das ferramentas e dos
materiais utilizados, ao menor custo de fundação, à
redução de custos indiretos e ao orçamento fixo. Outro
fator importante é que os fabricantes que fornecem para
o sistema já estão instalados no Brasil, o que evita gastos
com a importação de produtos.
Além de proporcionar a redução do investimento
em sistemas de climatização do imóvel, há redução nos
custos de manutenção em um terço, quando comparado
ao sistema convencional, devido à garantia e durabilidade
dos materiais empregados, produtos de alta tecnologia
com garantias estendidas de até 30 anos, conforme explica
Rubens da LP Brasil. GB
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Internacional
A cidade que
renasceu verde
De comunidade rural devastada por tornado a cidade modelo em
sustentabilidade: conheça a história de Greensburg
Por Andrea Padovan
A
té 2007, Greensburg, cidade no centro-oeste dos EUA,
era conhecida mundialmente pelo Big Well, nome dado
ao maior poço de água cavado com as mãos do mundo,
com 109 metros de profundidade e 30 metros de diâmetro.
Era uma comunidade pacata, conservadora, com 1.400 habitantes, isolada do mundo e de economia baseada em agricultura.
Seis anos depois, Greensburg é modelo internacional
de cidade sustentável e a comunidade líder no mundo em
certificações LEED per capita. Porém, uma tragédia precisou
devastá-la para que ela renascesse verde. Em 4 de maio de 2007,
um tornado de categoria F5, que tem a velocidade dos ventos
entre 420 e 511 quilômetros por hora, destruiu a comunidade,
dizimando 95% das estruturas e dos edifícios.
A maioria da população perdeu tudo. “As pessoas tiveram
a vida virada de cabeça para baixo”, conta Daniel Wallach,
diretor da Fundação Greensburg Greentown, Organização Não
Governamental que hoje é a central de informações da cidade.
A ajuda para a recuperação veio do Governo Federal e de
empresas privadas, que se uniram para reconstruir a cidade e auxiliar
a população. “Somos agora uma comunidade onde todos são mais
próximos. Justamente por perdermos tudo, tivemos que contar
com o suporte e a ajuda de cada um”, diz Bob Dixson, atual prefeito
Hospital Municipal Memorial Kiowa
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de Greensburg. Foi decidido que semanalmente a população se reuniria com os grupos de apoio para discutir os novos rumos da cidade.
Logo na primeira reunião, Daniel Wallach, que ajudou a fundar
a Greensburg Greentown, trouxe a ideia e a proposta de reconstrução com a adoção de um modelo verde. “Nossa iniciativa verde
tem dado à comunidade muitos significados que não existiam antes.
Há mais turismo e passamos a ser um modelo internacional de sustentabilidade e de cidade do futuro”, diz ele com orgulho.
Nas reuniões, por exemplo, foi decido que todos os edifícios
públicos de Greensburg, de tamanho superior a 4 mil metros
quadrados, deveriam atender aos padrões da certificação LEED
Platinum do United States Green Building Council (USGBC)
e utilizar fontes de energia renovável. O prefeito, Bob Dixson,
garante que os próximos edifícios construídos pela prefeitura
continuarão sustentáveis e assegurados com o selo LEED.
Reconstruindo a cidade
Wallach enfatiza que o turismo na cidade ganhou um novo
apelo após a reconstrução. E o processo continua: “As pessoas
vêm a Greensburg, do mundo todo, conhecer a cidade que
se reergueu das cinzas”, conta. Mas os desafios que a comunidade
impôs para si mesma estavam longe de ser facilmente alcançados.
“
Bob Dixson, prefeito de Greensburg
O primeiro passo para a reconstrução foi garantir
energia para abastecer a cidade. Uma fazenda com dez
turbinas eólicas de 1,25 megawatts cada, projeto que
custou US$ 23,3 milhões, abastece toda Greensburg.
Residências também entraram no modelo de sustentabilidade, o que comprova a consciência adquirida pela
população. Nelas são usadas fontes renováveis como
a solar e a eólica e plantadas espécies de árvores que
necessitam de menos água para sobreviver. Após dois
anos de estudos, foi comprovado que as casas economizam 42% de energia quando comparadas a uma casa
que usa fontes convencionais.
Hoje, há oito empreendimentos com certificação
LEED Platinum e muitos mais na lista de espera. Entre
os já certificados estão:
Foto: Greg Henshall
Somos agora uma
comunidade onde todos são
mais próximos. Justamente
por perdermos tudo, tivemos
que contar com o suporte e
a ajuda de cada um”
A cidade devastada após tornado em 2007
o calor armazenado a pouca profundidade do solo, é utilizada para
proporcionar aquecimento e arrefecimento para o edifício.
Hospital Municipal Memorial Kiowa
O novo edifício foi feito para aproveitar ao máximo a luz natural
por meio da otimização dos ângulos solares e da última geração de
vidros de alto desempenho, que garantem o controle da intensidade
da luz e do calor transmitidos para o ambiente interno. Uma turbina
de vento gera 220 mil quilowatts por hora de energia. O resto vem
da fazenda de energia eólica ao sul da cidade. O consumo de água
em chuveiros, lavanderia e banheiros foi reduzido em 50% com
o uso de um sistema natural de filtração. O projeto procurou manter
a natureza e vegetação na maior parte do terreno, principalmente
para oferecer uma paisagem agradável aos pacientes.
Escola Municipal de Kiowa
Centro de Artes
Concebido e construído por 22 estudantes da
Universidade do Kansas, foi a primeira edificação
da cidade erguida após o tornado e o primeiro LEED
Platinum do Estado. Para a construção, foi utilizado
cimento com alto teor de cinzas, um subproduto da combustão do carvão. As tábuas de madeira para o exterior
da edificação, reaproveitadas de um prédio abandonado,
foram pré-fabricadas pelos estudantes da Universidade.
O isolamento das paredes foi feito de jornal reciclado. Uma
bomba de calor geotérmico, que aproveita e transfere
Centro de Artes
Com um valor de US$ 52 milhões, a construção foi feita com
painéis isolados estruturais, que são duas camadas de placa estrutural com uma camada de espuma no meio. As estratégias para
integrar o terreno e a construção reduziram os custos de operação
da escola e adicionaram vitalidade ao local por meio da restauração do habitat, trilhas ecológicas, reúso das águas da chuva para
irrigação, solo permeável, plantação de árvores para sombrear o
estacionamento e telhado verde. Há espaço para futura instalação
de energia solar, mas 100% da energia usada vêm de turbinas
de vento. A madeira utilizada na estrutura do edifício foi recuperada
de edifícios abandonados após o furacão Katrina, em 2005. GB
Escola Municipal de Kiowa
Fotos: Divulgação Greensburg Greentown
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Arquitetura
Projetos arquitetônicos como mediadores
entre o homem e o meio ambiente
A arquitetura bioclimática promove um ambiente confortável, adaptado ao
clima local e que minimiza o consumo de energia e a produção de poluição
Por Marta Adriana Bustos Romero*
A
Fotolia © determined
cultura e o clima de um lugar têm sido, ao longo de
todas as épocas, constantes geradoras de ideias originais e de vitalidade, assim como de preservação
dos mais profundos valores humanos. O clima cria o cenário,
se expressa em dados de temperatura, umidade, chuvas,
velocidade e direção do vento e insolação. Na arquitetura
bioclimática e no bioclimatismo em geral, há consenso na
atribuição de um papel central ao lugar. O lugar incorpora um
conteúdo poético que é definido pelas qualidades dos elementos e pelos valores simbólicos e históricos. Ele é o elo que
relaciona o ambiente e o corpo humano. Espera-se que seja
ele que determine a propriedade e a adequação de uma resposta arquitetônica às necessidades do homem. A arquitetura
bioclimática é uma forma de desenho lógico que reconhece
a persistência do existente, é culturalmente adequada ao
lugar e aos materiais locais e utiliza a própria concepção arquitetônica como mediadora entre homem e meio.
O objetivo do projeto de arquitetura bioclimática é prover
um ambiente construído com conforto, adaptado ao clima
local, que minimize o consumo de energia convencional – de
forma que seja necessária a instalação da menor potência elétrica possível – e minimize a produção de poluição. A transição
entre exterior e interior fica por conta das características da
envoltória do edifício. Quanto mais um filtro seja transpirável,
móvel, praticável e modificável, melhor será para produzir
espaços com condições otimizadas de conforto ambiental,
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com mínima ou nenhuma dependência de sistemas ativos de
resfriamento ou aquecimento. A prevalência da luz natural, das
vistas e da ventilação natural, evitando-se o tratamento dos
edifícios altos como se fossem subterrâneos, com climatização
e iluminação artificiais, são aspectos que contribuem para essa
transição e abrangem o esvaecimento das fronteiras entre a
exterioridade e a interioridade no espaço urbano.
Assim, é princípio do bioclimatismo a incorporação de elementos que conduzam a uma arquitetura que proporcione sensações prazerosas, muito além das visuais, que seja capaz de
despertar os sentidos. Para tanto, necessita-se de uma concepção
sensorial polivalente, na qual a água, a vegetação, a luz, o som e a
cor sejam elementos que entrem para ordenar o espaço como estímulos dimensionais, com a possibilidade de modelar o ambiente.
A resposta do espaço é mais adequada na medida em que os
materiais da envoltória não ficam ocultos e respondem segundo o
solicitado, uma vez que as reverberações, a absorção e a reflexão
dependerão, em grande medida, da forma dessas superfícies.
A arquitetura contemporânea internacional hoje fala de
fachadas dinâmicas, edifícios que respiram, tetos vivos, para
se referir às estratégias e aos dispositivos da arquitetura bioclimática que buscam controlar os ganhos de calor (minimizando
a energia solar que entra pelas aberturas e aquela absorvida
pela envoltória), dissipar a energia térmica do interior do edifício (antes que emita mais energia infravermelha para os outros
elementos de construção), remover a umidade em excesso e
promover o movimento de ar (especialmente no clima tropical
úmido), promover ainda o uso da iluminação natural e controlar
o ruído. Assim, a construção da arquitetura bioclimática é o
resultado de uma pequena parte de experiência geral e de uma
grande parte de um unicum, que expressa o conjunto específico
criado para um fim, numa localização determinada e cuja combinação dificilmente é transferível. GB
* Doutorada em Arquitetura pela Universitat Politècnica de Catalunya e
pós-doutorada em Landscape Architecture pela PSU. Atualmente, é professora
titular da Universidade de Brasília (UNB), líder do grupo de pesquisa
“A Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo” e coordenadora do
Laboratório de Sustentabilidade Aplicada à Arquitetura e ao Urbanismo (LaSUS)
da UNB, além de desenvolver outras atividades nas áreas de sustentabilidade,
bioclimatismo, desenho urbano, espaço público e arquitetura e clima.
[email protected] | www.lasus.unb.br
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o espetáculo das