Orientação Técnica: Cuidado com o Material
1 – EM RELAÇÃO AO AÇO INOXIDÁVEL
1.1 – Os produtos marca RICHTER são fabricados com aços inoxidáveis que seguem a norma
NBR ISO 7153-1. Esta norma brasileira foi baseada nas normas internacionais (DIN e ISO).
1.2 – Embora todos os tipos de aços inoxidáveis sejam bem adequados às finalidades de uso,
isso não significa que “INOXIDÁVEL”, seja uma palavra mágica, como inalterável ou
indestrutível. Na realidade, não existe uma composição química ideal que possa evitar todos os
tipos de ataques que poderiam causar manchas, falta de brilho ou mesmo corrosão.
1.3 – É muito comum ouvirmos no nosso dia-a-dia que os instrumentos cirúrgicos de
antigamente eram muito superiores aos atuais. Isso não é verdade. A evolução tecnológica na
fabricação de aços inoxidáveis tem promovido a fabricação de aços de qualidade superior aos
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que eram fabricados há 30/40 anos. Acontece que hoje em dia, a água utilizada para a
limpeza e esterilização do instrumental cirúrgico é muito mais agressiva do que a de
anos atrás. Além disso, os novos produtos utilizados para a limpeza (desincrostantes,
desengraxantes, desinfetantes, etc) também são muito mais agressivos que os produtos de
antigamente.
2 – EM RELAÇÃO À ÁGUA
2.1 – Em qualquer tipo de água há concentração de sais. Mesmo em uma água considerada
como potável, existe a possibilidade de concentração de certos elementos químicos, que
poderiam
deteriorar
os
instrumentos
cirúrgicos
durante
os
processos
de
limpeza
e
esterilização. De todas essas impurezas encontradas na água o cloro é a mais crítica. A
experiência tem demonstrado que quando há uma concentração superior a 120 mg/l, o risco
de corrosão por “pitting” é alto.
2.2 – Se na água houver uma certa concentração de: ferro, cobre, manganês, magnésio ou
silílcio, poderá haver a formação de “MANCHAS” em cores diversas: marrom, azul ou arcoíris. Nesse caso não se trata de corrosão e sim de manchas. É conveniente ressaltar que as
manchas podem ter origem devido outras razões, como por exemplo:
2.2.1. Resto de produtos de limpeza;
2.2.2. Dosagens erradas na preparação dos produtos de limpeza;
2.2.3. Produtos de limpeza de qualidade duvidosa;
2.2.4. Má qualidade do vapor da autoclave.
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2.3 – Se a água utilizada para gerar o vapor tiver concentrações de elementos químicos e Íons
de materiais pesados acima do especificado na norma ISO 11134, teremos influência destas
impurezas na qualidade do vapor, ocasionando manchas e pontos de corrosão.
2.4 – A manutenção regular dos equipamentos envolvidos na esterilização (caldeiras, autoclaves) também tem influência direta na qualidade do vapor.
2.5 – O vapor super saturado também deve ser evitado pois o excesso de condensação irá
provocar manchas nos instrumentos cirúrgicos, além de aumentar o tempo de secagem e
muitas vezes invalidar a esterilização.
OBS.: Qualidade da água e do vapor interferindo na conservação
Do instrumental.
Autora: Enf. Rosa Maria Pelegrini Fonseca.
Publicado na revista da SOBECC –Vol. 2 no. 3 jul/set - 1997
Síntese do trabalho:
As manchas nos intrumentais poder ser provocadas por:
1) Limpeza inadequada com resíduos de produtos químicos;
2) Enxagüe deficiente;
3) Água e vapor contendo impurezas em suspensão, alteração de pH, minerais,
condutividade e dureza acima de limites aceitáveis. As manchas podem ter diversas
cores: marrom, azul e tipo arco-íris.
As manchas de coloração marrom lembram a cor de ferrugem e dão a impressão de
que possam existir resíduos de matéria orgânica. A concentração de minerais como: ferro,
cobre e outros pode levar ao aparecimento de manchas e pontos de oxidação nos
instrumentais.
A International Standard Organization (Norma ISO 11134) diz que a qualidade da água
pode causar pontos de oxidação nos instrumentais. Através de testes laboratoriais pode
detectar se a qualidade da água e do vapor estão fora do preconizado pela ISO 11134.
As sugestões para solucionar o problema em questão são:
A) Instalar filtro de vapor em todas as autoclaves (Obs. esses filtros deverão ter uma
capacidade de filtragem de 98% de partículas tamanho de 0,1 mícron);
B) Instalar filtros de água na área de lavagem de material;
C) Verificar a tubulação que sai das caldeiras para a autoclave
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3 – EM RELAÇÃO À ESTERILIZAÇÃO
3.1 – O aquecimento e o esfriamento dos instrumentais provocam dilatações e contrações. A
fim de evitar a perda de elasticidade (pinças e porta agulhas em geral) é recomendado
proceder a esterilização com fechamento no primeiro dente da cremalheira.
3.2 – Autoclaves desreguladas poderão criar umidade residual a qual poderá
provocar manchas e/ou corrosão nos instrumentos cirúrgicos.
4 – EM RELAÇÃO AO DIA A DIA
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4.1 – Manipular o instrumental cuidadosamente, em todas as etapas evitando batidas ou
quedas.
4.2 – As sujeiras que se depositam no instrumental (sangue, secreções, etc) não devem secar
no próprio instrumental pois isso irá dificultar a limpeza dos mesmos. Se a cirurgia for de
paciente portador de algum tipo de infecção, haverá necessidade de se proceder a uma
descontaminação antes da limpeza.
4.2.1 Ao se lidar com instrumental contaminado, sempre é necessário o máximo de
cuidado, afim de se evitar riscos à saúde pessoal.
4.2.2 Se for o caso, o instrumental deverá ser totalmente desmontado, para que a ação
da limpeza e desinfecção possa atingir toda a superfície do mesmo.
4.3 – O instrumental não deverá ficar imerso, em nenhuma hipótese, dentro de uma solução
fisiológica (cloreto de sódio), pois o contato prolongado com esta solução poderá provocar
pontos de corrosão e formação de óxido.
4.4 – Logo após a cirurgia o instrumental deverá ser mergulhado em uma solução
combinada de desinfetante e detergente enzimaticos. Tais produtos deverão estar em
concentrações adequadas de acordo com as recomendações dos fabricantes.
Sempre deverão ser utilizadas soluções recentemente preparadas, pois soluções usadas por
longos períodos, poderão provocar danos no instrumental, como por exemplo:
4.4.1 Corrosão por aumento da concentração da solução, ou
4.4.2 Perda da ação da desinfecção por excesso de sujeira na solução.
4.5 – Lavar escrupulosamente o instrumental, com atenção especial para as articulações,
serrilhas e cremalheiras.
4.6 – Para os locais onde a lavagem é feita manualmente, recomenda-se que a água esteja
morna (+ ou – 30o), limpa (destilada ou desmineralizada) e corrente.
4.7 – Para os locais que dispõe de equipamentos para limpeza e desinfecção (ultra-som,
máquinas de lavagem ou autoclave tipo lavadora) recomendamos seguir as instruções do
fabricantes, lembrando apenas que a água utilizada deverá ser destilada ou desmineralizada e
corrente.
4.8 – Enxaguar muito bem o instrumental em água limpa, abundante e aquecida (+ ou – 50o).
As peças devem ser muito bem enxaguadas, para se evitar quaisquer tipos de resíduos. A
prática tem demonstrado que um enxágue com água quente favorece a secagem posterior.
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4.9 – Secar completamente o instrumental. O instrumental deverá ficar “literalmente
seco”.
4.10 – Revisar cuidadosamente o instrumental. Após a secagem e antes de montar as caixas,
o instrumental deve ser rotineiramente revisado.
4.11 – Finalmente, montar as caixas adequadamente, tomando cuidado para que os
instrumentos maiores e mais pesados fiquem embaixo.
5. CONSELHOS, MACETES E DICAS DIVERSAS
5.1 Não armazenar instrumental perto de produtos químicos que possam desprender gases
corrosivos (Ex. cloro, Iodo).
5.2 Caso por alguma razão haja vapor de água nas embalagens plásticas do instrumental é
aconselhável abrir a embalagem, e a seguir lavar e secar o instrumental cuidadosamente.
5.3 O instrumental novo de fábrica deve ser limpo, exatamente da mesma forma que o
instrumental que acabou de sair de uma cirurgia.
5.4 Cada instrumento foi criado e desenvolvido para executar uma determinada
tarefa, portanto ele ”não deve ser utilizado fora destas condições”. Os instrumentos
utilizados fora dessas condições normais de trabalho podem quebrar ou ter sua vida
útil reduzida.
5.4 Não utilizar “NUNCA” esponjas ou escovas metálicas para limpar o instrumental.
5.5 Lubrificar regularmente as articulações.
5.6 Esterilização não susbstitui limpeza.
A Richter Ltda. teve o maior cuidado em fabricar instrumentos de alta qualidade para suas
necessidades. Esperamos que vocês sigam nossas instruções para preservar a qualidade e
longa vida de seu material.
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Manutenção: Todo instrumento que necessitar conserto ou ajustagem é melhor ser
encaminhado ao nosso departamento de manutenção:
Richter Ltda.
Rua Boaventura Pereira, 143/145
05158-240 São Paulo - SP
Fone: 11 3908-7000 Fax: 11 3908-7007
E-mail: [email protected]
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