Impresso
Especial
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FAPEPI
CORREIOS
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DE
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ÃO
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
DR/PI
ISSN 1809-0915
Informativo Científico da FAPEPI
SAÚDE
BUCAL
Flúor
Água de Teresina
apresenta alta
prevalência de fluorose
a
c
s
u
b
m
E novo
do iso
sorr
Deficiência
Faltam profissionais
especializados para atender
a pacientes especiais
Assistência
CEOs não cumprem
metas de atendimento
à população
02
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
EDITORIAL
Pesquisa: a alternativa para a melhoria da qualidade de vida
H
á menos de 30 anos, a Odontologia brasileira já foi considerada ineficaz, ineficiente,
de altos custos, mutiladora, enfim, uma área essencial para a saúde era tida como
caótica e, por isso, fizeram-se iminentes as mudanças para se atingir uma meta
importante: dar uma nova cara e, por que não, proporcionar um novo sorriso a um povo com a
saúde bucal comprometida.
Desobstruir caminhos até então intransponíveis, facilitar o acesso aos futuros centros de
especialidades públicos e gratuitos, enfim, criar um programa de prevenção da saúde bucal
foram as primeiras metas traçadas, a partir da criação de políticas públicas, a maioria partindo
de ações do Governo Federal para serem efetivadas nos estados. Estas ações, obviamente, não
foram específicas para a Odontologia, mas estavam voltadas para a saúde geral. Em 2001,
houve a inserção da saúde bucal na Estratégia Saúde da Família e, três anos mais tarde, foi
criado o Programa Brasil Sorridente.
No entanto, somente a criação de programas e metas não bastam. Os problemas
existem e muitas ações vêm sendo feitas em busca de soluções. Nesse sentido, a ciência é a
grande alternativa. O Piauí, aos poucos, vem apresentando respostas para muitos problemas
regionais. Uma prova é a ampliação do número de projetos de pesquisa e qualificação de
profissionais da área e docentes, especialmente, com a criação, em 2011, do primeiro
Programa de Pós-Graduação em Odontologia, pela Universidade Federal do Piauí. E, nesta
edição, o Sapiência ressalta a nova visão desenvolvimentista dos pensadores dessa área.
O Estado do Piauí conta com 223 municípios e somente três possuem sistema de
abastecimento de água à população com adição de flúor: Teresina, Parnaíba e Floriano.
Tal ação é considerada uma das mais eficazes no combate à cárie, e pesquisadores
admitem que é necessária uma atenção maior das autoridades públicas, no sentido de
aplicação de investimentos dessa ação ao restante do Estado. Questões outras são
abordadas aqui, como pesquisas nos centros especializados em saúde bucal de Teresina,
com crianças e jovens com paralisia cerebral e com Síndrome de Down, bem como o
Programa de Prevenção para Gestantes e Bebês, implantado em 1997, que conta com
apoio financeiro da FAPEPI.
Em um ponto todos concordam - e aí se incluem pesquisadores, governos e iniciativa
privada: a prevenção é a melhor ação contra as doenças de saúde bucal e aquela velha
recomendação de que, com sucesso, deve-se o mérito das políticas públicas implantadas,
continuamente, é de que a escovação com creme dental fluoretado, o uso de fio dental e todas
as outras formas de higienização, além da alimentação adequada, são as medidas mais
eficazes contra toda essa problemática, destacando-se ainda o papel dos pais e cuidadores, no
sentido de estimularem as crianças, desde bebês, a essa prática mais barata que traz
excelentes resultados.
Impacto da internação hospitalar
sobre os hábitos de higiene bucal
O
ambiente hospitalar pode configurar-se em um
ambiente traumático e hostil que afeta o
processo terapêutico de pacientes internados.
A hospitalização pode gerar redução da
autoestima, provocando a diminuição da vontade de
realizar os cuidados diários de higiene, incluindo os da
cavidade bucal (DESLANDES, 2005; SIQUEIRA,
2004). Consequentemente, esta falta de higienização pode
promover o acúmulo de microrganismos na forma de
biofilme, associados a doenças, como a cárie e as doenças
periodontais (CARRILHO NETO, 2011; TEN CATE,
2006). São observados casos de negligência, de
desestímulo ou de impossibilidade física, mental ou
ambiental que comprometem os cuidados de higiene
bucal (FERNANDES et al, 2008).
A associação entre periodontite e doenças
sistêmicas vem sendo pesquisada, delineando um novo
campo conhecido como Medicina Periodontal, que
defende que os problemas bucais podem contribuir
diretamente para o surgimento ou agravamento de
problemas de saúde em outras partes do organismo.
Acredita-se na relação entre os problemas bucais e as
doenças cardíacas, respiratórias, renais e metabólicas
(MORAES, 2001; WEIDLICH et al 2008).
A precariedade da higienização bucal acarreta o
desequilíbrio da microbiota residente e aumenta a
possibilidade de aquisição de doenças infecciosas,
comprometendo a saúde integral do indivíduo (PACE et
al, 2008). A odontologia hospitalar visa aos cuidados das
alterações bucais que exigem procedimentos de equipes
multidisciplinares. Porém, existe uma carência na
realização da higiene bucal dos pacientes internados, pela
equipe de enfermagem e acompanhantes. Há, assim, a
necessidade permanente de acompanhamento do paciente
pelo cirurgião-dentista (GODOI, 2009).
A pesquisa, aprovada pelo CEP da
UFPI, intitulada “Efeito do tempo de
internação hospitalar sobre a condição de
saúde bucal” foi realizada no Hospital de
Terapia Intensiva (HTI), instituição da
rede privada na cidade de Teresina-PI,
considerada um centro de referência
estadual para pacientes das mais diversas
enfermidades. Participaram do estudo
160 pacientes, que estavam internados
nas enfermarias da clínica médica entre
dezembro de 2010 e março de 2011.
A maioria dos pacientes (47%)
tinha entre 28 e 54 anos de idade.
Predominou o gênero feminino (62,5%);
21,3% apresentavam ensino superior
completo e 33,8%, ensino médio. A
Vinícius Aguiar Lages
distribuição da amostra por renda
Raimundo Rosendo Prado Júnior
Cirurgião-dentista da Fundação Municipal
familiar mensal mostrou que 5,6% dos
Prof. Dr.dos Programas de Pós-graduação em
de Saúde de Teresina e mestrando em
Odontologia e Ciências e Saúde da UFPI
pacientes tinham renda familiar acima
Ciências e Saúde pela UFPI
[email protected]
de 20 salários mínimos. O impacto da
[email protected]
internação sobre os hábitos de higiene
foi evidente, pois a escovação com
dentifrício diária foi reduzida de 95,6%
também subiu para 34,8% após a internação. A frequência
antes da internação para 82,1% durante a estada no
de escovação de duas ou mais vezes por dia decresceu de
hospital. Da mesma forma, o uso do fio dental caiu de 40,9
87,5 para 41,7%. Não havia nenhuma atenção profissional
para 12,2% pelos pacientes após a internação, e a higiene
voltada para a promoção de saúde bucal no hospital. É
da prótese dentária caiu de 90,7 para 74,3% após a
fundamental a supervisão dos pacientes internados por
internação.
profissionais da Odontologia, já que existe uma
bidirecionalidade entre as doenças sistêmicas e doenças da
A frequência de higiene oral também diminuiu:
boca e, também, porque o paciente internado negligencia
enquanto somente 3,8% dos pacientes não escovavam os
seus hábitos de higiene orais, ficando mais suscetível às
dentes; no hospital, esse número subiu para 23,7%. A
infecções orais.
porcentagem de pacientes que escovavam uma única vez
AO LEITOR
PARA CRÍTICAS, SUGESTÕES E CONTATO:
EXPEDIENTE
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Nº 29 • Ano VIII
Dezembro de 2011
ISSN - 1809-0915
SAPIÊNCIA
Informativo produzido pela Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí FAPEPI
PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL
CONSELHO EDITORIAL:
Bárbara Olímpia Ramos de Melo
Geraldo Eduardo da Luz Júnior
Francisco Laerte J. Magalhães
Wellington Lage
Adriana Nadja Lelis Coutinho
EDITORA:
Márcia Cristina
REDAÇÃO E FOTOS:
Márcia Cristina (MTB - 1060)
Roberta Rocha (MTB - 1856)
REVISÃO DE TEXTOS
Raimundo Isídio de Sousa
IMPRESSÃO
Gráfica Apollo
TIRAGEM
8 mil exemplares
DIAGRAMAÇÃO
Invista Publicidade
03
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
ARTIGO
Saúde bucal de deficientes visuais
O
Luciene de Moura Alves Gomes
Cirurgiã-Dentista e Mestre em
Ciências e Saúde pela UFPI
[email protected]
Raimundo Rosendo Prado Júnior
Prof. Dr. dos Programas de
Pós-graduação em Odontologia
e Ciências e Saúde da UFPI
número de pessoas com
deficiência visual em todo o
mundo em 2002 foi superior
a 161 milhões, de acordo
com a Organização Mundial de Saúde
(OMS). Países onde os dados são
escassos, como é o caso do Brasil, são
incentivados a realizar pesquisas de
base populacional periódicas. Porém, a
escassez da produção sistemática de
dados impede o dimensionamento do
problema. Estimativas periódicas da
magnitude de deficiência visual são
essenciais para o uso na definição de
prioridades e alocação de recursos
(RESNIKOFF et al., 2004). De acordo
com o Censo de 2000, há 24,5 milhões
de brasileiros com algum tipo de
deficiência e 48,1% destes são
deficientes visuais.
As informações sobre a saúde
bucal de pessoas com deficiência e os
estudos sobre a autopercepção da saúde
bucal de deficientes visuais também são
escassos (MAHONEY; KUMAR;
PORTER; 2008). A deficiência visual
parece não ter efeito direto na saúde
bucal, porém os deficientes visuais
podem ter dificuldade em detectar sinais
das doenças bucais nos primeiros
estágios, que são tipicamente
reconhecidos por meio da visão
(JACCARINO, 2009). Além disso, o
deficiente é um cidadão que pode ser
acometido de doenças e agravos
comuns aos demais, carece de serviços
não relacionados estritamente com a sua
deficiência e necessita, portanto, de uma
atenção integral à saúde (BRASIL,
2008). Estão assegurados os direitos aos
portadores de deficiências, segundo a
Constituição Federal de 1988, em
diferentes campos e aspectos (BRASIL,
1998). De acordo com a Política
Nacional de Saúde da pessoa portadora
de deficiência (2008), é necessária a
proteção à saúde desse segmento
populacional.
A saúde bucal e a assistência
odontológica são elementos da saúde
geral de qualquer indivíduo. A saúde
bucal de pacientes especiais ainda é
precária. Vários são os motivos para isso,
por exemplo, há poucos centros
especializados na assistência desses
pacientes e a falta de educação,
motivação e interesse da família em
relação à saúde bucal (AGUIAR et al.,
2000). Estudos sobre a saúde bucal de
deficientes no Brasil, especialmente
deficientes visuais, mostram que essas
pessoas são expostas a uma prática
odontológica predominantemente
curativa, com alta ocorrência de perda
dental, problemas periodontais,
associados a uma higienização bucal
precária (CERICATO; FERNANDES;
2008; MACIEL et al., 2009). Existe
também a necessidade de motivação e
prevenção da higiene bucal (ABREU et
al., 2005; BATISTA et al., 2003;
CARVALHO et al., 2010) e a saúde bucal
autopercebida foi avaliada em poucos
estudos (GOULART; VARGAS, 1998;
SOUZA FILHO; NOGUEIRA;
MARTINS, 2010).
O grupo de pesquisa do Centro de
Ciências da Saúde (Programa de Mestrado
em Ciências e Saúde/Departamento de
Odontologia Restauradora) da Universidade Federal do Piauí, que avalia o
estado da saúde bucal de deficientes
visuais na Associação dos Cegos do Piauí
(ACEP), em Teresina, realizou um
levantamento sobre a condição e a
autopercepção da saúde bucal desse
público.
O estudo foi do tipo transversal, do
qual participaram 103 pessoas selecionadas aleatoriamente, entre 15 e 74 anos
de idade. Dados sobre características sóciodemográficas, condições clínicas da
cavidade bucal e autopercepção da saúde
bucal foram coletados.
A boa autopercepção de saúde
bucal da população de deficientes visuais
do estudo contrastou com as inadequadas
condições clínicas, com os resultados
dos índices de saúde bucal mensurados e
com a necessidade de cuidados
odontológicos preventivos e curativos.
Isso demonstra que há falta de
informação sobre o real estado de sua
saúde, o que configura um obstáculo para
a mudança da realidade.
Juventude rural de Pedro II
A
pesquisa sobre juventude rural do
município de Pedro II, localizado ao
Norte do Piauí, foi fruto de uma parceria
entre a Fundação Santa Ângela,
mantenedora da Escola Família Agrícola Santa
Ângela (EFASA), a Universidade Estadual do
Piauí, por meio do projeto extensionista
“Humanismo Caboclo” e a FAPEPI (Programa
PIBIC- Jr.), tendo transcorrido no período de julho
de 2010 a junho de 2011.
A pesquisa teve como universo empírico os
jovens de uma importante comunidade rural (Lagoa
do Sucuruju). Partiu-se da constatação dos jovens
pesquisadores (a pesquisa foi construída
coletivamente), também moradores da comunidade,
da ausência dos jovens nos diversos movimentos da
comunidade (políticos e religiosos). Então,
surgiram as questões iniciais que motivaram a
pesquisa: afinal, a que se deve essa ausência dos
jovens? O que estará afastando os adolescentes e
jovens da vida comunitária?
A partir dessas questões motivadoras iniciais,
trilhou-se o percurso da pesquisa: 1) revisão de
bibliografia para compreensão conceitual e teórica
do fenômeno social “juventude”; 2) caracterização
inicial da juventude da comunidade (total da
população, população masculina e feminina jovem,
número de imóveis da comunidade com projeção do
número de famílias etc.); 3) elaboração de
questionário que levou em conta seis grandes temas:
como os jovens concebem a juventude, a família, os
estudos, as políticas públicas, o trabalho e a
cidadania; 4) teste do questionário que o levou a
sofrer novas alterações (ao final, o questionário ficou
com 50 questões divididas nos mesmos seis grandes
temas); 5) aplicação do questionário com 79 jovens
entre 14 e 29 anos de um total aproximado de 90
jovens residentes, naquele momento, na comunidade
(janeiro e fevereiro de 2011); 6) análise do
questionário com a posterior interpretação dos dados
tabulados e 7) a redação final.
Algumas conclusões da pesquisa são bastante
reveladoras da juventude da comunidade Lagoa do
Sucuruju, apresentando similitudes entre jovens de
outras comunidades rurais do Nordeste, tais como: 1)
a divisão sexual é bastante determinante no
comportamento dos jovens e na formação de seus
projetos de vida; 2) as mulheres dedicam mais tempo
aos estudos, mas, contraditoriamente, casam mais
novas que os homens e, geralmente, tornam-se donas
de casa; 3) os jovens maiores de idade do sexo
masculino frequentemente se deslocam para São
Paulo, o que faz com que a comunidade tenha uma
população feminina maior que a masculina entre 19 e
29 anos (há migração feminina, mas em menor
número); 4) os jovens consideram a organização
política importante, mas a sua grande maioria não
tem participação ativa nos grupos organizados da
comunidade; 5) ambos os gêneros demonstram
pequeno interesse pelas atividades agrícolas e
pecuárias.
Luciano de Melo Sousa
Cientista social e Prof. Msc. da UESPI
[email protected]
04
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
REPORTAGEM
Mestrado celebra os 50 anos
da graduação em Odontologia
curso de Odontologia da
Universidade Federal do Piauí
(UFPI) obteve a aprovação, em
2011, junto à Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES/MEC), do primeiro Programa de PósGraduação stricto sensu do Piauí em nível de
Mestrado Acadêmico em Odontologia, com área
de concentração em Clínica Odontológica, para
coroar a comemoração dos 50 anos do curso. O
novo mestrado da UFPI abrange duas linhas de
pesquisa: Análise de situação de saúde em
Odontologia e Estudo de materiais e técnicas
odontológicas, sendo destinadas 10 vagas para
profissionais em Odontologia na primeira turma.
A primeira linha tem como objetivo pesquisar
eventos biológicos e epidemiológicos que acometem
o complexo buco-maxilo-facial, bem como traçar
estratégias de promoção de saúde, sob uma
perspectiva analítica e reflexiva. A ênfase recai sobre:
etiopatogenia, características clínicas, radiográficas e
histopatológicas e métodos laboratoriais avançados
de diagnósticos e tratamento. Um objetivo
secundário é conduzir revisões sobre padrões de
doenças e de tratamento e obter estimativas da
prevalência de doenças menos comuns.
A segunda linha de pesquisa tem como
finalidade pesquisar o uso e o desempenho
laboratorial e clínico dos materiais, substâncias,
instrumentos e técnicas utilizados em
Odontologia, na rotina da prestação de cuidados
de saúde oral e contribuir para a solução de
problemas e desafios na prática clínica.
A aula inaugural do Mestrado
em Odontologia aconteceu no dia
15 de Agosto de 2011 e foi
ministrada pela Profª. Drª.
A l t a i r D e l B e l C u r y,
renomada pesquisadora
brasileira. A Profª. Drª.
Lúcia de Fátima Almeida de
Deus Moura coordena o
Mestrado, que iniciou com
O
10 professores orientadores e já selecionou oito
candidatos ao Programa de Pós-Graduação em
Odontologia para ingresso em março de 2012.
Em comemoração aos 50 anos de fundação
do curso de Odontologia da UFPI, Teresina
sediou, pela primeira vez, a XIII Reunião da
Sociedade Nordeste Norte de Pesquisa
Odontológica. O evento, que teve como tema "A
Pesquisa Odontológica na Qualidade de Vida",
ocorreu em novembro passado. O encontro teve
organização conjunta das Instituições de Ensino
Superior (IES) do Piauí (FACID, NOVAFAPI,
UESPI e UFPI) por meio dos seus cursos de
Odontologia. Os principais objetivos da
Sociedade Nordeste e Norte de Pesquisa
Odontológica são promover a integração regional
em pesquisas e sua divulgação e realizar
anualmente a reunião itinerante da sociedade.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do
Piauí (FAPEPI) esteve representada pela
presidente, a Profª. Bárbara Olímpia Ramos de
Melo, que participou da programação do evento e
de uma mesa redonda que reuniu os órgãos de
fomento para pesquisa: CAPES, representada por
Isabela Pordeus, e o Programa RENORBIO,
representado por Maria Acelina
Martins de Carvalho. A mesa
debateu as ações de Odontologia
relacionadas à pesquisa científica.
O evento foi um fórum de divulgação das
variadas atividades científicas desenvolvidas nos
cursos de graduação e programas de pósgraduação existentes nas regiões Norte e
Nordeste.
Entre os pesquisadores que tiveram suas
pesquisas fomentadas pela FAPEPI na área da
Odontologia, destacaram-se Maria Ângela Arêa
Leão Ferraz, que apresentou a pesquisa
“Avaliação da resolubilidade nos centros de
especialidades odontológicas em TeresinaPiauí”; José Roberto de Souza de Almeida Leite,
que trabalhou a elaboração de dentifrício
fitoterápico contendo óleo nim indiano
(Azadirachta Indica) e a avaliação clínica de sua
efetividade na melhoria da saúde bucal em
indivíduos de Parnaiba-PI e Lucia de Fátima
Almeida de Deus Moura, que avaliou a correlação
entre o grau de saúde periodontal de gestantes
atendidas no Instituto de Perinatologia Social do
Piauí com o nascimento de bebês prematuros e\ou
com baixo peso ao nascer, dentre outros
pesquisadores.
Por Roberta Rocha
05
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
REPORTAGEM
* Marcoeli Silva de Moura
Profª Drª do Depto. de Patologia e Clínica
Odontológica da UFPI
[email protected]
* Camila do Vale Matos
Acadêmica e bolsista do curso de Odontologia da UFPI
N
as últimas décadas, a cárie dentária,
principal problema de saúde bucal no
Brasil, vem diminuindo em prevalência e
severidade em todo o mundo, mesmo em
países de economia de mercado não estabilizada.
Tal fato está diretamente relacionado ao uso de
fluoretos em suas diversas formas; dentre elas,
destacam-se a fluoretação das águas de
abastecimento público e os cremes dentais
fluoretados. A fluoretação da água de consumo
público tem sido considerada a medida de saúde
pública mais próxima do ideal no controle da cárie
dentária, sendo reconhecida como uma das dez
maiores medidas de saúde pública do século
passado, mas, para isso, é necessário que a
concentração da fluoretação seja contínua e sem
interrupções.
Pesquisas para melhorar essas questões vêm
sendo desenvolvidas. A pesquisadora Marcoeli
Silva de Moura, Profª. Drª. do Depto. de Patologia e
Clínica Odontológica da Universidade Federal do
Piauí, desenvolve um estudo que visa monitorar,
mensalmente, durante dois anos, a concentração de
fluoreto na água de abastecimento público de
municípios piauienses que possuem sistema de
fluoretação da água (Floriano, Parnaíba e Teresina).
O estudo objetiva também validar a importância do
heterocontrole, que consiste na vigilância sanitária
das concentrações de flúor realizada na empresa
responsável pelo tratamento e pela fluoretação, no
caso do Piauí a Companhia de Água e Esgoto do
Piauí S/A – Agespisa, bem como prevenir a
toxicidade crônica pela ingestão de doses maiores
que a recomendada, o que vem a provocar defeito
de desenvolvimento do esmalte dentário
denominado fluorose dentária (distúrbio de
desenvolvimento dentário que ocorre quando o
flúor está presente em excesso no organismo,
durante a formação dos dentes).
Marcoeli Moura revela que poucas cidades da
região Nordeste têm um sistema de heterocontrole
presente. A linha de pesquisa teve como observação
o controle da fluoretação da água de Teresina e a
realização das análises da água em convênio com o
Departamento de Bioquímica da Faculdade de
Odontologia de Piracicaba – UNICAMP, onde as
amostras de água eram analisadas, sob a
coordenação do Prof. Dr. Jaime Aparecido Cury,
pioneiro no estudo do flúor no Brasil e pesquisador
conceituado internacionalmente sobre o tema.
Somente em 2010, foi possível desenvolver a
análise no Piauí, a partir da aquisição de um
eletrodo específico e de um analisador de íons, por
meio do Programa de Pesquisa para o Sistema
Único de Saúde – PP-SUS, através de um edital de
financiamento da FAPEPI.
“Em 2004, realizava a pesquisa sobre o
controle de fluoretação da água de Teresina, mas
não havia o aparelho necessário para realizar a
medição da quantidade de flúor na água; em
laboratório de Piracicaba, constatou-se que não
havia um controle efetivo por parte da Agespisa.
Diante desse fato, a pesquisa visa fazer o
heterocontrole, que consiste no controle externo da
empresa de abastecimento para saber se, de fato, o
flúor está sendo inserido adequadamente e se
esse benefício está sendo oferecido à
população, pois, para que o flúor tenha o
efeito almejado, é preciso que esteja
presente numa certa concentração
diariamente”, explica.
Com os dados, foi possível
montar, na UFPI, um serviço de
monitoramento da concentração
de flúor nas águas de
abastecimento dos
municípios piauienses
que disponibilizam esse
beneficio à população,
como medida de
vigilância sanitária.
“Assim, é possível
trabalharmos para que a
medida exerça o maior
impacto possível na
prevenção e controle da cárie
sem aumentar a prevalência de fluorose”, aponta.
Dados mostram que o Piauí é o penúltimo no
Índice de Desenvolvimento Humano - IDH entre os
estados brasileiros, sobrepondo apenas o
Maranhão, fato que expõe a população a privações
sociais e a fatores de risco. No Piauí, a fluoretação
de águas existe desde 1978, quando iniciou o
benefício à população da capital, utilizando-se o
Fluorsilicato de Sódio. Em 1986, a fluoretação foi
interrompida e reiniciada apenas em 1997, com a
utilização de ácido fluorsilícico. Nos municípios de
Parnaíba e Floriano, não existem documentos
públicos disponíveis sobre a implantação do flúor
na água e nem registros científicos sobre o tema.
Para desenvolver a pesquisa, foi necessária a
coleta das amostras que compõem os municípios
contemplados com fluoretação da água. A coleta foi
realizada nos bebedouros de escolas públicas da
rede municipal de ensino, sendo proveniente
diretamente da rede de abastecimento e não de
caixas d'água, refletindo a fluoretação do dia. As
coletas são realizadas mensalmente, e as análises
executadas utilizam eletrodo específico, acoplado a
analisador de íons.
Durante os meses de agosto a outubro de 2011,
verificou-se, a partir da análise dos resultados
parciais da pesquisa, que do total de 15 amostras
avaliadas da água de abastecimento de Parnaíba
nenhuma apresentou valor aceitável de flúor para o
controle da cárie dentária; Segundo documento
FOTO: DIVULGAÇÃO
FOTO: ROBERTA ROCHA
Concentração de flúor na água do Piauí
não apresenta doses recomendadas
06
Grau severo de cárie
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL
aprovado no Seminário de Fluoretação do
Ministério da Saúde, em julho de 2011, para
cidades nas quais a média das temperaturas
máximas é superior a 32,5o, a concentração de
flúor deve ser de 0,45 a 0,74 ppmF (partes por
milhão de flúor).
No caso do município de Floriano, a análise
dos resultados parciais da pesquisa mostrou que,
do total de 9 amostras avaliadas da água, três
(33,3%) apresentaram valores aceitáveis de flúor
para o controle da cárie dentária, três (33,3%)
tiveram valores acima do recomendado para o
município e três (33,3%) tinham valores abaixo do
recomendado. Já, em Teresina, a análise dos
resultados parciais constatou que, do total de 15
amostras avaliadas da água de abastecimento de
Teresina, 12 (80%) continham valores aceitáveis
de flúor para o controle da cárie dentária, uma
(6,7%) teve valor acima do recomendado para o
município e duas (13,3%) revelaram valores
abaixo do recomendado.
Marcoeli Moura ressalta que o uso de um
teor ótimo de flúor na água depende do clima da
região e deve seguir um valor padrão. Em
Teresina, a temperatura mínima registrada é 22o C,
com concentração de flúor recomendada de 0,7
ppm, com variação para controle entre 0,6 e 0,8.
Discussões realizadas no Seminário de
Fluoretação do Ministério da Saúde, em julho de
2011, atualizaram essas medidas para uma
variação de 0,45 a 0,74 ppmF, em virtude de
climas quentes propiciarem uma maior ingestão
de água. Dessa forma, o principal objetivo da
utilização do flúor é maximizar seus benefícios,
minimizando seus riscos e a existência de
mecanismos que viabilizem sua adequada
concentração na água, para que a medida exerça o
maior impacto possível na prevenção e no controle
da cárie, sem aumentar a prevalência de fluorose,
que ocasiona alterações nos esmaltes dos dentes
em desenvolvimento.
Forma de escovação
Higienização em crianças com dentes em
fase de formação
Prevalência de fluorose em crianças
não acarreta prejuízo estético
Paralelo à pesquisa sobre concentração de
fluoreto na água de abastecimento público,
Marcoeli Moura avaliou a prevalência e a
severidade de fluorose dentária em crianças de 12
anos, de Teresina-PI. A fluorose dentária é um
defeito de desenvolvimento do esmalte dentário
quando exposto ao flúor durante a formação do
dente. A fluorose se caracteriza por manchas que,
na forma leve, são esbranquiçadas e aparecem nos
dentes por excesso de flúor ingerido, podendo
acometer crianças que estão em fase de formação
dentária, de um a seis anos de idade.
Segundo a pesquisadora, clinicamente,
observa-se o esmalte opaco e/ou com manchas de
diferentes colorações, que variam de branco opaco
ao castanho-escuro (fluorose severa). Tal variação
depende do grau de severidade e distribuição da
fluorose. Com o uso controlador no
desenvolvimento da cárie, o flúor vem sendo
utilizado cada vez mais pelos municípios em seu
sistema de abastecimento e pela população por
meio de cremes dentais fluoretado. Mesmo não
sendo capaz de interferir na formação de placa
dental bacteriana (agente etiológico da cárie
dentária) e na transformação do açúcar em ácidos
pelas bactérias bucais, o flúor é capaz de controlar o
processo de desmineralização e de remineralização
do esmalte dentário. Por outro lado, a doutora
considera necessário revisar os níveis de flúor
colocados na água e o controle da quantidade de
cremes dentais fluoretados utilizados por crianças
menores de seis anos.
“Quando surgiu o flúor na água para se beber
e controlar a cárie, pouca importância era dada para
a fluorose, pois era melhor ter um dente com
algumas manchas brancas do que com cárie;
entretanto, hoje a população apresenta menor
prevalência de cárie e as manchas começam a
incomodar. Para avaliar o fato, realizamos um
levantamento sobre fluorose em Teresina. A
pesquisa selecionou por sorteio 374 alunos da rede
municipal de ensino”, citou.
Cada criança teve os seus dentes limpos e
secos com gaze e, em seguida, foi aplicado o índice
Thylstrup e Fejerskov (TF) para determinar a
presença e a severidade de fluorose dentária. Além
disso, os alunos foram questionados quanto ao
número de escovações diárias, à última visita ao
dentista e à satisfação em relação à aparência do
sorriso. A partir dos exames clínicos, constatou-se
que a prevalência de fluorose foi 61,5% e que não
houve diferença entre gêneros. A maioria das
crianças apresentou: TF = 1 (70,9%), que equivale
à fluorose leve diagnosticada apenas pelo cirurgião
dentista, e apenas TF = 4 (1,7%) tiveram casos de
fluorose moderada, o que corresponde a manchas
brancas em quase 100% da superfície dentária e a
um desgaste observado junto a pequenas manchas
acastanhadas. Além disso, o dente menos afetado
foi o primeiro molar, e os mais afetados foram os
premolares, segundos molares e incisivos
superiores.
Outro ponto importante da pesquisa revelou
que apenas 5% dos escolares nunca haviam visitado
cirurgião-dentista e que 63% o fizeram no ano
anterior. Quanto à frequência de escovação, 30,3%
das crianças afirmaram escovar os dentes duas
vezes ao dia e 57,5% três vezes. A fluorose dentária,
nos graus de severidade
encontrados, não teve
impacto na satisfação com
a aparência do sorriso.
Apesar da prevalência de
fluorose ter alcançado altos
níveis entre os alunos, o
grau de severidade foi
baixo, fato que sugere que a
fluorose dentária não
caracteriza um problema de
saúde pública na amostra
avaliada. “A alta
prevalência da fluorese não
acomete prejuízo estético,
mostrando que a medida
está sendo efetiva no
controle da cárie”, afirma a
pesquisadora.
Índices de Fluorese (TF) em crianças com 12 anos de idade Gráfico dos resultados da fluorese dentária em alunos de escolas municipais de Teresina
FOTO: DIVULGAÇÃO
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
07
Programa de atenção ao grupo maternoinfantil avalia fluorose dentária em crianças
Gestantes e crianças recebem
orientação sobre higiene bucal
A
atenção odontológica maternoinfantil tem-se consolidado
como uma iniciativa eficiente
no controle das doenças bucais,
que depende da adoção de medidas simples,
mas que necessitam ser realizadas com
frequência e disciplina. Para que essas
ações sejam incorporadas à rotina familiar,
é preciso conscientização e adoção de
hábitos de higiene e dietéticos desde a
infância.
Nessa perspectiva, um grupo de
professoras do curso de Odontologia da UFPI
implantou, em 1997, um projeto de extensão
universitária – Programa Preventivo para
Gestantes e Bebês (PPGB) -, cujas metas estão
centradas na recuperação e na manutenção da
saúde bucal de gestantes e de crianças na faixa
etária de 0 a 36 meses. As ações do programa
são desenvolvidas no Instituto de Perinatologia
Social do Piauí, ambulatório integrado de saúde,
por alunos do curso de graduação em
Odontologia da UFPI, sob a supervisão da Drª
Lúcia de Fátima Almeida de Deus Moura e
orientação das professoras da instituição.
O objetivo do estudo foi determinar a
prevalência de fluorose dentária em crianças que
frequentaram um programa odontológico de
atenção materno-infantil, no qual pais e
responsáveis eram orientados desde o
nascimento dos primeiros dentes à utilização de
cremes dentais fluoretados, em cidades que tém
água de abastecimento público fluoretada.
Foram avaliadas 256 crianças que
nasceram e que sempre residiram em Teresina,
divididas em igual proporção em dois grupos:
um experimental, formado por crianças que
frequentaram o PPGB no período de 1997 a
2002 e um grupo de controle, composto por
crianças com características sociodemográficas
semelhantes às do grupo experimental e que
procuraram a Clínica Infantil da UFPI, em
primeira consulta, para ter acesso ao
atendimento odontológico e que não
participaram do PPGB.
A coleta de dados foi realizada por meio de
questionário aos responsáveis e por meio de
exame clínico da cavidade bucal. O exame foi
realizado na Clínica Infantil da UFPI por duas
examinadoras previamente treinadas e
calibradas (índice kappa > 0,80), sendo a
fluorose dentária determinada por meio do
Índice Thylstrup-Ferjeskov (TF).
Os resultados encontrados demonstraram
baixa condição socioeconômica dos grupos em
estudo. As crianças do grupo experimental
apresentaram prevalência significativamente
menor (p<0,05) de fluorose dentária (42,2%) do
que aquelas que não pertenciam ao grupo de
controle (60,9%). Com efeito, a fluorose se
manifestou de forma mais severa no grupo
controle do que no experimental.
Segundo Marcoeli Moura, as crianças
cujos pais foram orientados quanto ao uso de
cremes dentais fluoretados desde o irromper
dos primeiros dentes em um programa de
atenção odontológica materno-infantil
apresentaram menor prevalência e severidade
de fluorose dentária. Por outro lado, o estudo
faz um alerta para a importância do papel do
dentifrício fluoretado (creme dental) no
controle da cárie em crianças, levando em
conta um aumento esperado na prevalência de
fluorose dentária nas populações. Muitos
médicos pediatras têm prescrito dentifrício
sem flúor para crianças menores de seis anos,
fato preocupante, uma vez que a última
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
(PNAD) apontou que 80% das crianças
brasileiras de 0 a 4 anos nunca consultaram um
dentista, ao passo que fizeram, pelo menos, uma
consulta ao médico pediatra, exatamente no
período de risco para o desenvolvimento da
fluorose, no qual os dentes permanentes estão
em formação.
“Durante nossa pesquisa, muitas mães
revelaram que os filhos usavam o creme dental
sem flúor por indicação do pediatra. Verificamos
que o dentifrício com baixa concentração de flúor
foi similar ao convencional quando utilizado sem
cárie, portanto, a criança que não está exposta ao
risco até pode fazer uso, entretanto, em crianças
com lesões ativas, o dentifrício de baixa
concentração foi menos efetivo em controlar a
progressão das lesões. Assim, não pode haver uma
indicação, em nível coletivo, do creme dental com
flúor ou com concentração reduzida, visto que as
indicações são limitadas e é necessária uma
avaliação junto ao paciente, mas de todo modo o
creme dental fluoretado é o indicado porque
haverá proteção”, explica a pesquisadora.
Com os altos índices de fluorose dental
constatados nos últimos anos, tem havido
indicação de uso de dentifrícios sem flúor ou com
concentração reduzida para crianças em idade préescolar. Com isso, a pesquisadora realizou, por
meio de questionário, uma avaliação das condutas
de 100 pediatras de Teresina em relação à saúde
bucal, bem como estimulou os médicos a
aprofundarem seus conhecimentos na área,
enfatizando a importância da interação entre
pediatras e odontopediatras na promoção de saúde
bucal para o paciente bebê.
“Quem tem dente e está exposto à cárie
precisa usar flúor, no entanto, os pediatras indicam
creme dental sem flúor, o que é um equívoco, pois
tira a proteção da criança, visto que, nos primeiros
anos de vida de uma criança, há dificuldades
inerentes à idade para a correta higienização dos
dentes, daí a necessidade da utilização de
dentifrício fluoretado para compensar uma
escovação deficiente”, ratifica.
Durante a análise das condutas dos pediatras,
o dado que chama mais atenção é o período correto
para a indicação de dentifrício fluoretado. A
pesquisa constatou que 27% dos pediatras
recomendaram a indicação até 1 ano; 58,7% após 1
ano e 14,3% sem resposta, sendo que somente
64% indicaram o uso do creme dental. “Quase
30% dos pediatras indicam creme dental sem flúor
e os que indicam o dentifrício com flúor
recomendam só a partir dos dois anos, ou seja,
existem crianças com menos de dois anos que já
têm cárie e, a partir dessas constatações,
preparamos um folder com o resultado da pesquisa
de forma a orientar os pediatras”. E acrescenta: “a
melhor maneira de se evitar cárie é através do uso
de creme dental fluoretado. Não é à toa que a
medida foi incluída no Programa de Saúde da
Família desde 2009, pelo seu grande impacto,
sendo distribuído gratuitamente creme dental e
escovas para a população carente, através do
Programa Brasil Sorridente”.
Por Roberta Rocha
Pesquisa financiada
pelo edital
FAPEPI/PP-SUS
Nº 006/2009
08
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
ENTREVISTA
Mestrado surge com visão
oordenadora do curso de Mestrado em Odontologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI),
Lúcia de Fátima Almeida de Deus Moura é graduada em Odontologia pela UFPI, especialista
em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba (UNICAMP), mestre em
Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia de Araraquara - Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade
de Brasília (UnB). Atualmente é professora do Departamento de Patologia e Clínica
Odontológica (DPCO) da UFPI nas disciplinas Odontopediatria e Clínica
Integrada Infantil. Além disso, a professora coordena um projeto de extensão
universitária da UFPI - Programa Preventivo para Gestantes e Bebês (PPGB)
desde 1997 e desenvolve pesquisas nas áreas de Odontologia MaternoInfantil e promoção de saúde bucal. Em entrevista para o SAPIÊNCIA, ela
ressalta a importância da aprovação do Programa de Mestrado que
coordena e comemora os 50 anos do curso de Odontologia da UFPI.
C
SAPIÊNCIA – O curso de Odontologia
comemorou este ano 50 anos. Para celebrar o
feito, a CAPES/MEC aprovou o primeiro
programa de pós-graduação stricto sensu do
Piauí em nível de Mestrado Acadêmico em
Odontologia da UFPI. Como a Senhora avalia a
Odontologia nestes 50 anos e por que a
aprovação do Programa de Mestrado tardou?
FOTO: ROBERTA ROCHA
FOTO: ROBERTA ROCHA
Lúcia de Deus Moura - A princípio, a
liberação do funcionamento do curso de
Odontologia da UFPI se deu no dia 15
de Julho de 1960 (decreto presidencial
No. 48.525). A Odontologia, nas
últimas décadas, passou a pautar
suas ações com bases em
evidências científicas, e o curso
de Odontologia da UFPI
acompanhou as evoluções
técnico-científicas através de
diversas reformulações
curriculares que visaram
adequar-se às Diretrizes
Curriculares Nacionais,
ações que exigiram do
corpo docente empenho,
dedicação e tempo
disponível para a
implementação das
mudanças propostas.
Paralelamente a
essas alterações, os
professores doutores
orientavam também alunos em projetos de extensão
universitária e de iniciação científica. O curso
ingressou na era da pós-graduação no início do
século XXI com a implantação de cursos de
especialização em Odontologia em Saúde Coletiva,
Cirurgia Buco-Maxilo-Facial e Ortodontia, embora
a criação de um programa de mestrado fosse um
projeto antigo. No entanto, com o acúmulo de
atividades didático-pedagógicas, além de funções
burocráticas, ocorreram a sobrecarga de funções e o
tempo dos professores os impossibilitava de ter
maior dedicação à produção científica, exigência da
CAPES para aprovação de cursos de pós-graduação
stricto sensu. No transcorrer da última década,
alguns professores se deslocaram para outros
centros em busca de doutoramento. Ao retornarem,
eles formaram grupos com objetivos de melhorar a
produção científica. Associado às condições
mencionadas, houve abertura de concursos para
novos professores doutores, tornando possível a
elaboração do projeto de mestrado acadêmico
(Aplicativo para Proposta de Cursos Novos - APCN)
e apreciação junto à CAPES, tendo sido aprovado
em junho de 2011 e o programa iniciado em agosto
passado, com 10 alunos, sendo que seis desses são
bolsistas da CAPES.
SAPIÊNCIA – O que a coordenação e os docentes
estão realizando para obter um bom desempenho no
conceito de avaliação da CAPES e quais as metas
para 2012? Existe a perspectiva da chegada do
doutorado na área?
Lúcia de Deus Moura – A meta é melhorar a
produção científica do curso para que, no final da
avaliação trienal da CAPES, possamos alcançar a
nota quatro e assim pleitearmos a implantação do
curso de doutorado. Nós, professores, estamos
organizando-nos para submetermos projetos
estruturantes a órgãos de fomento à pesquisa,
visando à aquisição de equipamentos e a melhorias
físicas do espaço disponível ao programa de
mestrado. Trabalhamos também na elaboração de
09
TERESINA-PI, DEZEMBRO DE 2011
o ampliada em saúde bucal
projetos em parcerias com outros programas de pósgraduação stricto sensu já estabelecidos em outras
universidades brasileiras – CASADINHO/PROCAD
- do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
(MTCI), Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da
Educação (MEC), os quais estimulam a mobilidade
docente e discente, visando promover o
fortalecimento e a consolidação de novos programas.
Na última reunião do colegiado do curso, foi
aprovada a ampliação do corpo docente de 10 para 14
professores doutores, com formações diversificadas,
no intuito de fortalecer nossas linhas de pesquisa e
possibilitar elaboração de projetos de dissertações
voltados para a inserção social.
SAPIÊNCIA – O Programa oferece o ingresso no
Mestrado somente para profissionais da área de
Odontologia em duas linhas de pesquisa distintas.
Tais linhas têm atendido a demanda do mercado?
Lúcia de Deus Moura – Sim, as linhas de pesquisa
são amplas e possibilitam estudos que contemplam
as diversas especialidades, tendo em vista que a área
de concentração é Clínica Odontológica. O mestre
contemporâneo em Odontologia deve ter uma visão
integral do paciente e, com isso, poder orientar o
alunado dentro da proposta de formação de um
clínico geral com visão ampliada de saúde. O grande
desafio do mestrado é formar professores capazes de
extrapolar o modelo de ensino tradicional centrado
na doença para um novo modelo, tendo como meta a
prevenção e cura de pessoas doentes, atuando de
forma multiprofissional, interdisciplinar e
transdisciplinar, com ênfase na promoção da saúde e
com base em evidências científicas.
SAPIÊNCIA – A Senhora desenvolve pesquisa nas
áreas de Odontologia materno-infantil desde 1997,
por meio de um projeto de extensão da UFPI. No que
consiste esta pesquisa e quais os resultados já
encontrados?
Lúcia de Deus Moura – As ações do Programa
Preventivo para Gestantes e Bebês (PPGB) são
desenvolvidas no Instituto de Perinatologia Social
do Piauí por alunos do curso de graduação da UFPI.
Consideramos a extensão universitária como um
pilar forte do tripé de sustentação de uma Instituição
de Ensino Superior – ensino – pesquisa e extensão –,
pois é a via de comunicação da universidade com
seu meio, buscando modificar realidades e melhorar
a qualidade de vida das populações assistidas. Por
outro lado, professores e alunos, ao se deslocarem
para fora dos muros da universidade, descobrem
novas realidades e a convivência e a interação com
as comunidades possibilitaram maior pluralidade e
flexibilidade à pesquisa e ao ensino que ali se
constroem. Esta linha de pesquisa parte da hipótese
de que povo educado pode prevenir as duas doenças
bucais prevalentes: cárie dentária e doença
periodontal e com isso fortalecer a autonomia dos
indivíduos na promoção de saúde. Nesta linha, já
foram publicados sete artigos em periódicos
especializados, uma tese de doutorado defendida na
Universidade de Brasília (UnB), em 2006, e outra
está em andamento a ser defendida, no próximo ano
por uma professora do curso de odontologia da UFPI
através de um programa de doutorado
interinstitucional com a Universidade de Campinas
(UNICAMP) e ainda um projeto de dissertação a ser
defendido na primeira turma do nosso mestrado. Já
participaram do PPGB cerca de 400 alunos do curso
de Odontologia da UFPI e muitos deles já
implantaram projetos semelhantes nos municípios
onde atuam como profissionais. Os resultados
encontrados nos estudos com dados do PPGB
confirmaram nossa hipótese de que mães que são
orientadas durante a gravidez e crianças que
recebem atendimento odontológico precoce
apresentam melhor saúde bucal do que aquelas que
não receberam os mesmos cuidados. No programa,
já foram atendidos mais de 15 mil crianças menores
de três anos, faixa etária não priorizada nos
programas odontológicos de saúde pública.
SAPIÊNCIA – Como a Senhora avalia os
programas de saúde bucal desenvolvidos pelo
Governo Federal para atender as classes menos
favorecidas?
Lúcia de Deus Moura – Entre os programas de
saúde desenvolvidos pelo governo, destacamos ‘‘O
Brasil Sorridente’’, uma política nacional de saúde
bucal do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem
como objetivo a reorganização da atenção básica em
saúde, comprometendo-se em prestar atenção
pautada no atendimento integral, contínuo, com
equidade e resolutividade, por meio de prática
humanizada, e que busca desenvolver ações de
prevenção e promoção de saúde. Além da atenção
básica, foram implantados também os serviços
odontológicos especializados (Centros de
Especialidades Odontológicas – CEOs),
possibilitando ao usuário do SUS acesso a
tratamentos odontológicos de maior complexidade.
O programa ainda não atingiu os objetivos
almejados, mas está evoluindo, apesar de muitos
brasileiros nunca terem tido acesso a tratamentos
odontológicos, fato comprovado por dados da
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
(PNAD). Dois pontos relevantes merecem destaque
nos programas de saúde do governo federal: a
implementação de linha de financiamento de
pesquisas voltadas para a saúde bucal coletiva e a
deliberação do Ministério da Educação sobre as
novas diretrizes curriculares nacionais dos cursos de
graduação da área de saúde, nas quais fica evidente a
preocupação com o estabelecimento de uma
articulação entre a educação superior e a saúde,
objetivando a formação de profissionais com ênfase
na promoção, na prevenção, na recuperação e na
reabilitação da saúde, de acordo com os princípios e
diretrizes do SUS.
SAPIÊNCIA – Sabe-se que muitos estrangeiros
procuram tratamento dentário em consultórios
brasileiros. Em Portugal, por exemplo, os
profissionais brasileiros são muito requisitados,
porém costuma-se ouvir que o Brasil ainda é um país
de desdentados, desde crianças até idosos. Com
tanto prestígio lá fora, por que os brasileiros ainda
temem em abrir 'aquele' sorriso?
Lúcia de Deus Moura – Procedimentos
odontológicos realizados em clínicas privadas
brasileiras são ainda muito caros e inacessíveis a
pacientes de classes sociais menos favorecidas. O
fato de os estrangeiros acharem “tratamento dentário
mais barato e de qualidade” no Brasil do que em
outros países pode-se dever à valorização das
moedas ou outros fatores de ordem econômica. A
Reforma Sanitária Brasileira, movimento social
amplo, que traz, entre seus pontos estratégicos, a
criação do Sistema Único de Saúde (SUS), pretende
garantir a saúde como um direito do cidadão. A
Estratégia Saúde da Família ainda não produziu o
impacto almejado, pois existe uma demanda
reprimida grande por tratamento odontológico
cirúrgico/restaurador no Brasil. Talvez por isso os
dentistas brasileiros ocupem o patamar dos
profissionais mais preparados tecnicamente quando
comparados aos dentistas europeus, pois ainda é
rotina executarem procedimentos/cirúrgicos
restauradores diariamente em seus ambientes de
trabalho, enquanto os europeus exercem a
Odontologia basicamente para solucionar
problemas relativos a maloclusões, a traumatismos,
a problemas estéticos e a procedimentos cirúrgicorestauradores de baixa complexidade. Outro fato que
pode também contribuir para nossa excelência
técnica é o fato de, no Brasil, os cursos de
Odontologia terem duração de cinco anos, enquanto,
no continente europeu, Odontologia é especialidade
médica e tem duração média de dois anos.
10
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
TESES
Estrutura do sistema subterrâneo e da casca da raiz e caule
de três espécies de Erythroxylum P. Browne do Cerrado
Composição florística e estrutural da vegetação de restinga
do estado do Piauí
Análise fitoquímica, farmacológica e toxicológica das
sementes de Platonia insignis Mart. (Bacuri)
Alexandre Antonio Alonso
Prof. da UFPI – Campus Bom Jesus-PI
Defesa:Universidade Estadual Paulista, 2007
[email protected]
Francisco Soares Santos Filho
Prof. da Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
Defesa: Universidade Federal Rural de Pernambuco, 2009
[email protected]
Joaquim Soares da Costa Júnior
Prof. do Instituto Federal do Piauí - IFPI
Defesa: Universidade Luterana do Brasil, 2011
[email protected]
Foi feita a caracterização estrutural do sistema subterrâneo e da
casca da raiz e do caule aéreo de espécies subarbustivas
(Erythroxylum nanum A. St.- Hil. e E. campestre A. St. - Hil.) e de
uma espécie arbustiva (E. tortuosum Mart.) As coletas do
material vegetal foram feitas em espécimes obtidos por
germinação de sementes e em espécimes adultos coletados em
áreas de Cerrado senso lato de Botucatu, Estado de São Paulo,
Brasil. Foram identificados sóboles, raízes primárias axiais e
raízes adventícias em E. nanum, xilopódio com estrutura
caulinar e radicular e raízes primárias axiais em E. campestre e
raízes primárias fibrosas em E. tortuosum. Gemas foram
formadas nos órgãos subterrâneos após injúria. A casca das raízes
apresenta periderme pouco desenvolvida e difere entre as
espécies quanto ao aspecto externo. No floema secundário das
raízes, o esclerênquima é formado por fibroesclereídes em E.
nanum e E. campestre e esclereídes colunares em E. tortuosum.
Elementos de tubo crivado com placas crivadas inclinadas
escalariformes, séries parenquimáticas axiais e células eretas,
procumbentes e quadradas de raio são características comuns
entre as espécies. Ressalta-se a ocorrência de alguns elementos
de tubo crivado com apêndices em E. tortuosum. A casca dos
caules aéreos é constituída por periderme única em E. nanum e E.
campestre e periderme sequenciais em E. tortuosum, sendo a
formação das peridermes sequenciais precedida pela
diferenciação de súber estratificado nesta espécie. No floema
secundário, o esclerênquima é formado por fibroesclereídes em
E. nanum e E. campestre, e fibroesclereídes e braquiesclereides
em E. tortuosum. Elementos de tubo crivado com placas crivadas
inclinadas escalariformes, séries parenquimáticas axiais e
células eretas, procumbentes e quadradas de raio são
características comuns para o caule aéreo destas espécies. Os
resultados mostraram uniformidade no floema secundário das
raízes e caules aéreos das três espécies estudadas, sendo que a
composição e abundância do esclerênquima no floema
secundário desses órgãos sugerem algum tipo de relação com o
hábito das espécies.
A tese traz dois trabalhos realizados nas restingas do Piauí, cujo
litoral pertence à porção setentrional do litoral nordestino. O
primeiro traz o levantamento das áreas situadas em Ilha
Grande, Parnaíba e Luiz Correia, pertencentes à APA do Delta
do Parnaíba. As coletas foram realizadas entre Julho/2005 e
Junho/2007. No estudo sobre distribuição de espécies lenhosas,
foram utilizadas listas de pesquisas realizadas em restingas
nordestinas. Montou-se uma matriz de ausência/presença para
calcular análises multivariadas (UPGMA) e o índice de
Jaccard, determinando a similaridade, comparando-se com
dados de outras restingas e ecossistemas adjacentes. Foram
encontradas 213 espécies pertencentes a 53 famílias botânicas,
das quais 11,4% de lenhosas exclusivas às restingas estudadas.
A forma de vida predominante (43,65%) foi a de
nanofanerófitos, similar ao que ocorre em outras restingas
brasileiras. As famílias mais representativas foram Fabaceae
(45 spp.), Euphorbiaceae (15) e Bignoniaceae (10). O estudo da
similaridade apontou que existe maior semelhança com as
restingas nordestinas, intrinsecamente relacionadas à floresta
atlântica em sua composição, do que com os ecossistemas a elas
adjacentes. O segundo trabalho tratou sobre a estrutura da
vegetação e sua relação com a composição química e física do
solo, para as mesmas áreas utilizadas no estudo florístico. A
hipótese testada foi de que os fatores edáficos influenciam na
estrutura de cada uma das restingas piauienses, de modo
diferente, além de estas apresentarem padrão estrutural
semelhante as demais restingas nordestinas. Para este estudo,
foi utilizado o método dos quadrantes. Foram coletadas
amostras do solo para determinação das variáveis químicas e
físicas. Utilizando-se a Análise de Correspondência Canônica
foram comparadas variáveis edáficas com as espécies
encontradas. As restingas estudadas apresentaram fisionomias
similares às demais restingas nordestinas (campos, fruticetos e
florestas), com um índice de diversidade de Shannon menor. A
análise canônica permitiu concluir que a distribuição de
espécies foi influenciada por alguns fatores edáficos.
Caracterização imunofenotípica de células dendríticas diferenciadas a partir
de monócitos de indivíduos sintomáticos e assintomáticos para PET/MAH
infectados pelo HTLV-1
Estudo etnofarmacognóstico de plantas medicinais popularmente
indicadas para tratamento de doenças tropicais em nove
comunidades ribeirinhas no trecho Coari-Manaus-AM
O papel de inibidores salivares e intestinais do complemento
humano na proteção do intestino médio de triatomíneos
France Keiko Nascimento Yoshioka
Profª. da UFPI- Campus Parnaíba
Defesa:Universidade Federal do Pará, 2007
[email protected]
Ressiliane Ribeiro Prata Alonso
Profª. da UFPI – Campus Bom Jesus
Defesa: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 2011
[email protected]
Veruska Cavalcanti Barros
Profª. da UFPI – Campus Teresina
Defesa: Universidade Federal de Minas Gerais, 2009
[email protected]
O vírus linfotrópico de células T humanas do tipo 1 (HTLV-1) é
um retrovírus humano, agente causador da leucemia de células
T do adulto e da paraparesia espástica tropical/mielopatia
associada ao HTLV-1 (PET/MAH). O objetivo deste estudo foi
gerar CD imaturas e maduras, a fim de caracterizá-las
imunofenotipicamente e detectar a expressão do mRNA do
DC-SIGN em indivíduos assintomáticos e em pacientes
sintomáticos para PET/MAH infectados pelo HTLV-1. Para
quantificar a expressão do mRNA do DC-SIGN, utilizou-se o
PCR quantitativo em tempo real. As CD imaturas e maduras
foram geradas a partir de monócitos do sangue periférico e
obtidas após o cultivo, por 5 dias, com 100 ng/mL GM-CSF e
50 ng/mL IL-4 in vitro, e as CD maduras foram obtidas após
mais 48 h de cultivo com 20 ng/mL TNF- and 20 ng/mL PGE2.
O fenótipo das CD foi determinado por citometria de fluxo.
Neste estudo, a carga proviral foi 1,14 vez menor em indivíduos
assintomáticos do que em pacientes sintomáticos para
PET/MAH. A expressão do marcador CD209 nas CD imaturas
foi mais alta nos pacientes sintomáticos e assintomáticos do
que nas CD maduras dos indivíduos do grupo controle, apesar
de essa expressão não ter sido estatisticamente significativa.
Além disso, nenhuma correlação foi encontrada entre o mRNA
do CD209 e a expressão imunofenótipica do CD209 na
superfície das CD. A análise imunofenotípica das CD monstrou
um aumento significativo apenas da expressão do marcador
CD86 (p=0,0042), nas CD maduras dos indivíduos
assintomáticos, após o estímulo de maturação, diferente das
expressões dos marcadores CD80 (p=0,0025), CD86
(p=0,0012), CD11c (p=0,0062), observadas nas CD maduras
dos indivíduos do grupo controle. Nos pacientes PET/MAH, o
estímulo de maturação não foi estatisticamente significativo.
De modo geral, apesar dessas diferenças encontradas, a
expressão dos marcadores em ambos os grupos (assintomáticos
e sintomáticos) revelou níveis mais baixos de expressão do que
nos indivíduos do grupo controle.
Foram analisadas informações a respeito de plantas medicinais
utilizadas para doenças tropicais por comunidades ribeirinhas e
identificadas substâncias quimicamente ativas em células e/ou
tecidos em espécies selecionadas a partir do cálculo de
concordância de uso principal de uma espécie (CUP). A pesquisa
foi realizada em nove comunidades ribeirinhas ao longo do trecho
Coari-Manaus/AM. Para as entrevistas, utilizou-se um formulário
semiestruturado com perguntas abertas e fechadas, cujas questões
se referiram ao uso de plantas para o tratamento de doenças
tropicais. Os informantes foram escolhidos por amostragem não
probabilística e intencional de informantes que conhecem e usam
plantas medicinais, por meio do método “bola de neve”. Para a
análise dos dados, foi aplicado cálculo da porcentagem de
concordância quanto ao uso principal de uma espécie (CUP).
Análises anatômicas, histoquímicas e fitoquímicas foram feitas
segundo metodologias usuais. A malária foi a única doença, entre
as doenças tropicais, para a qual os entrevistados conhecem
plantas para seu tratamento. Das 17 espécies citadas, destacam-se
duas que apresentaram maior CUP. Essas espécies foram coletadas
e identificadas como Senna occidentalis (manjerioba) e Senna
reticulata (mata-pasto). A alta CUP de S. occidentalis refere-se à
importância do seu uso somente para o tratamento de malária,
diferente das outras espécies que possuem diferentes indicações de
uso. S. reticulata obteve alta CUP, por ser a espécie mais indicada
pelos ribeirinhos. A análise anatômica revelou que as folhas de S.
occidentalis e S. reticulata são semelhantes em relação à estrutura
anatômica, diferenciando-se na presença de tricomas glandulares
em S. occidentalis, papilas na epiderme de S. reticulata e na
composição histoquímica. As raízes das duas espécies analisadas
também se assemelham, destacando-se a presença de fibras
gelatinonsas e cristais prismásticos e drusas. A prospecção
fitoquímica revelou cumarinas, flavanonas, catequinas, esteroides
livres, saponinas e bases quaternárias. Os ribeirinhos conhecem e
usam plantas para o tratamento e profilaxia da malária, sendo que
S. occidentalis e S. reticulata possuem diversos metabólitos que
podem estar relacionadas à atividade terapêutica das mesmas.
A saliva de artrópodes hematófagos contém biomoléculas
envolvidas no processo de hematofagia, entre as quais,
moléculas inibidoras do sistema complemento. A função mais
óbvia para estes inibidores seria a proteção do intestino médio
contra danos causados pelo complemento. Para investigar
esta hipótese, ninfas de Triatoma brasiliensis foram forçadas a
ingerir soro humano em condições, nas quais os inibidores
eram incapazes de proteger o intestino. Nestas condições, o
epitélio do intestino médio anterior foi marcado e danificado
pelo complemento, causando morte celular. Uma vez que a
saliva de Aedes aegypti não contém inibidores do
complemento, foi formulada a hipótese da possível existência
destes inibidores no intestino médio. Assim, foram
investigadas moléculas presentes no intestino de A. aegypti, na
saliva e no intestino de triatomíneos (T. brasiliensis, T.
infestans e Rhodnius prolixus), capazes de inibir o
complemento por meio de um método imunológico que
determina o nível de deposição de alguns fatores do
complemento (C1q, C3b, ou C4b) na superfície de moléculas
ativadoras em microplacas. Foi verificado que tanto a saliva
quanto o conteúdo intestinal das espécies de triatomíneos
estudadas não inibiram a deposição de C1q pela via clássica. A
deposição de C4b, pela via clássica, foi inibida pelo conteúdo
intestinal das três espécies de triatomíneos. Por outro lado, só
a saliva de T. brasiliensis inibiu a deposição de C4b. Ambos,
saliva e conteúdo intestinal das três espécies de triatomíneos,
puderam inibir a deposição de C3b nas vias clássica e
alternativa. Como esperado, o conteúdo intestinal solúvel de
A. aegypti foi capaz de inibir a deposição de C3b pelas vias
clássica e alternativa. A existência de inibidores de
complemento pode apresentar consequências biológicas
importantes tanto para o sucesso na hematofagia dos insetos
quanto para o seu papel na interação com seus parasitos.
A planta Platonia insignis pertence à família Clusiaceae e é
popularmente conhecida como "bacuri" no Brasil. Neste estudo,
foram avaliados a composição química, as atividades
antioxidante, leishmanicida, citotóxica e genotóxica, bem como
os efeitos sobre o Sistema Nervoso Central (SNC) de extratos e
frações de sementes de P. insignis. A avaliação antioxidante
mostrou que as frações acetato de etila (FAE) e de diclorometano
(FDM) têm uma alta atividade in vitro, quando avaliados pelos
métodos ABTS e DPPH, bem como in vivo, avaliado por meio
das linhagens de Saccharomyces cerevisiae proficientes e
deficientes em defesas antioxidantes expostas a peróxido de
hidrogênio. Os ensaios de toxicidade revelaram que o extrato
hexânico inibe significativamente o crescimento de formas
promastigotas de Leishmania amazonensis e mostrou uma
toxicidade significativa contra os microcrustáceos de Artemia
salina Leach e apresenta citotoxicidade e genotoxicidade em
linhagens celulares de V79 (fibroblasto de hamster chinês). A
fração do FDM foi a mais ativa em A. salina e em promastigotas
de L. amazonensis. Uma citotoxicidade moderada foi observada
nos ensaios de MTT em células V79 tratadas com FAE e FDM. O
EE demonstrou ação anticonvulsivante e possíveis efeitos
estimulatórios no cérebro de ratos. Em ratos, a administração do
EE associado à pilocarpina reduziu significativamente o nível de
peroxidação lipídica e conteúdo de nitrito após convulsões. O
composto isolado GFC em alta dose apresentou atividade
antioxidante contra o óxido nítrico (NO) e radicais hidroxila
gerados in vitro. O EE foi capaz de promover o aumento da
latência para o desenvolvimento de convulsões induzidas por
PTZ e PIC nas doses testadas. Da mesma forma, os efeitos da EE
não foram afetados pelo pré-tratamento com flumazenil em
modelos de epilepsia. O FDM, quando administrado em
associação com P400 em ratos, reduziu significativamente o
nível de peroxidação lipídica e o conteúdo de nitrito após
convulsões. Portanto, os resultados apresentados neste trabalho
demonstram que diferentes extratos e frações das sementes de
bacuri têm significativas atividades antioxidante, leishmanicida
e efeitos anticonvulsivantes, provavelmente devido à presença
de ácidos graxos, xantonas e benzofenonas polipreniladas.
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
11
REPORTAGEM
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL
Centros de Especialidades Odontológicas não atingem metas
e o atendimento ao público jovem feminino ainda é maioria
Maria Ângela Arêa Leão Ferraz
Profª do Curso de Odontologia da UESPI-Parnaíba
[email protected]
A
pesar de ter completado 50 anos,
somente de uma década para cá, as
pesquisas na área de Odontologia no
Piauí passaram a fazer importantes
descobertos, trazendo à luz dados significantes
para o conhecimento e o melhoramento da
qualidade dos serviços oferecidos no Piauí,
devido ao aumento do número de profissionais
cada vez mais especializados, com titulação de
mestres e doutores, tendo como reforço o
financiamento de cursos de qualificação e de
projetos, por orgãos públicos governamentais.
A FAPEPI é uma das instituições que
apoiam os profissionais pesquisadores, por meio
de bolsas e de financiamento de projeto de
pesquisa, bem como o crescimento e o
desenvolvimento de cursos em diversas áreas do
conhecimento. A professora do curso de
Odontologia da UESPI da cidade de Parnaíba,
Maria Ângela Arêa Leão Ferraz, é uma das
beneficiadas pelo Programa de Bolsas da
FAPEPI. Com esse importante apoio, ela
concluiu uma pesquisa, que lhe deu o título de
mestre, pelo Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Saúde da UFPI, uma opção para
muitos odontologistas que só agora passam a ter o
mestrado na área.
A sua pesquisa, intitulada “Avaliação da
referência e contrarreferência nos Centros de
Especialidades Odontológicas em Teresina-PI”,
concluída em 2008, teve como orientadores os
professores doutores Regina Ferraz Mendes e
Raimundo Rosendo Prado Júnior. O relatório
final abre precedentes para que muitos problemas
no atendimento básico de saúde nos Centros de
Especialidades Odontológicas, os CEOs,
vinculados à Prefeitura Municipal de Teresina,
fossem apresentados e discutidos, como forma de
melhorar o atendimento à população. A avaliação,
por meio de entrevistas com cirurgiões-dentistas
das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e da
análise das fichas clínicas usadas como
instrumento de encaminhamento, no período de
um ano, permitiu concluir que a dinâmica de
atendimento difere do recomendado pelo
Ministério da Saúde (MS) e que a
contrarreferência não ocorre de maneira
adequada.
“As recomendações para atendimento do
Programa de Saúde da Família são baseadas no
levantamento epidemiológico de cada região, ou
seja, de acordo com a realidade local e suas
demandas. Nossas considerações a respeito dos
CEOs de Teresina basearam-se na normatização
do MS sobre quantidade de atendimentos e, na
pesquisa, foi evidenciado que ainda não
atingimos a meta de pacientes nas especialidades
ofertadas”, concluiu Maria Ângela Ferraz, que
está em doutoramento na área de Endodontia pela
Universidade de Ribeirão Preto-SP, também
contando com auxílio de bolsa da FAPEPIUESPI.
Em meados dos anos 80, o Programa
Nacional de Saúde Bucal entrou no rol de
prioridades do governo federal, tendo em vista
que a odontologia no Brasil foi caracterizada
como ineficiente, entre outros aspectos
negativos. Reformular as políticas públicas na
área tornou-se uma prioridade, até para tirar a
imagem popular de que o Brasil era país dos
desdentados. Segundo estudos publicados, a
inserção da saúde bucal na Estratégia Saúde da
Família, em 2001, representou a possibilidade de
criar um espaço de práticas e relações a serem
construídas para a reorientação do processo de
trabalho e para a própria atuação da saúde bucal
no âmbito dos serviços de saúde. Dessa forma, o
cuidado em saúde bucal passou a exigir a
conformação de uma equipe de trabalho, a
Equipe de Saúde Bucal (ESB), que se
relacionasse com o usuário, que participasse da
gestão dos serviços, dando respostas às
demandas da população e ampliando o acesso às
ações e aos serviços de promoção, prevenção e
recuperação da saúde bucal. Assim, o MS
lançou, em 2004, o projeto Brasil Sorridente,
estando articulado com o PSF, com três frentes
de atuação: ampliação das equipes de saúde
bucal, incentivo à
criação dos CEOs e
à fluoretação da
água.
Os CEOS oferecem serviço especializado de
Odontologia, para realizar, no mínimo, as
atividades de diagnóstico bucal, com ênfase no
diagnóstico e detecção do câncer bucal;
periodontia especializada; cirurgia oral menor
dos tecidos moles e duros; endodontia de dentes
anteriores e posteriores e atendimento a
portadores de necessidades especiais.
A pesquisa constatou que, apesar do
atendimento de crianças até idosos, a maioria do
público atendido nos CEOs tem perfil feminino e
jovem, o que indica a necessidade de uma política
de saúde bucal voltada também ao trabalhador
que, na dificuldade de se ausentar do trabalho,
acaba por não procurar um atendimento mais
conservador e opta com frequência por
atendimento de urgência e de resolubilidade
imediata, chegando até a sugerir, em algumas
situações, o procedimento de exodontia. A
pesquisa aponta que o tratamento odontológico
ainda é construído por uma demanda reprimida e
com atendimento fragmentado, o que fere o
princípio norteador das ações da política nacional
de saúde bucal.
Maria Ângela Ferraz
analisa material ortodôntico
em laboratório
12
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
Falhas nas fichas comprometem diretrizes do Programa
Segundo informações fornecidas pela
Secretaria de Saúde do Piauí (SESAPI), em 2011, o
Piauí contava com 26 municípios com CEOs
incluindo a capital, onde funcionam dois desses
centros. Em Teresina, até dezembro de 2011,
existiam 220 Equipes de Saúde da Família; em
todo o Piauí, 1.092 equipes. A SESAPI não soube
precisar quantas UBS existem em Teresina. Sabese, porém, que nestas unidades estão registradas
175 Equipes de Saúde Bucal. Em 2007, as
informações eram de que Teresina possuía 160
Equipes de Saúde Bucal funcionando em 62 UBS
da capital, que, ao todo, possuía 99 unidades.
Diante da mudança no perfil de atendimento
odontológico brasileiro, Maria Ângela Ferraz
afirmou que surgiu a necessidade de
monitoramento desses serviços implantados, para
a identificação de possíveis problemas que limitam
o acesso e o tratamento integral da população, para
adequação de estratégias e para a garantia das
diretrizes do SUS.
Do universo estudado, verificou-se que 172
fichas dos pacientes apresentavam datas de início
e término de tratamentos coincidentes, o que pode
demonstrar resolução imediata, inviabilidade no
tratamento encaminhado ou erro no
preenchimento da ficha. “Merece destaque o fato
de que 56,7% das fichas não apresentarem data
final de conclusão do tratamento, o que nos
impede de avaliar adequada resolubilidade, já que
não se pode afirmar se ocorreu conclusão do caso,
desistência do paciente ou apenas falta de
preenchimento deste documento”, afirma a
pesquisadora que ainda informou outros dados
negativos da pesquisa quanto à elaboração de
relatório de referência e contrarreferência, uma
Estudantes visitam o CEO do Centro Integrado de
Saúde Lineu Araújo, em Teresina
recomendação para acompanhamento do fluxo de
pacientes encaminhados aos CEOs.
“A identificação dos pacientes, a
especialidade encaminhada, bem como a conclusão
do tratamento deveriam ser descritas e relatadas à
regional responsável, para levantamento
epidemiológico da demanda apresentada,
avaliação da resolubilidade e para estabelecimento
de metas para universalidade da atenção. Mas não
é rotina para os profissionais da ESB a elaboração
deste relatório. Entre os 15,1% dos cirurgiõesdentistas que constroem este relatório, 9,45% o
fazem por iniciativa própria. Apenas 3,8% afirmam
ter recebido orientação para elaboração deste
relatório que permitiria maior acompanhamento da
resolubilidade dos CEOs de Teresina. Destes 3,8%,
apenas 35,8% afirmam anotar apenas na ficha
clínica do paciente o encaminhamento ao CEO e a
maioria (45,3%) não elabora este relatório, nem
Livros
• A percepção da mulher idosa sobre sua sexualidade: uma contribuição
para a Enfermagem
notifica na ficha do paciente”.
Outra pesquisa coordenada por Maria Ângela
Ferraz foi sobre biossegurança, na qual se
averiguaram medidas de prevenção e condutas
pós-acidentes com material biológico entre os
profissionais de Odontologia. A pesquisa foi
vinculada ao Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação Científica da UESPI de Parnaíba, tendo o
auxílio de Thalles Anthony Chaves Leal, aluno de
graduação dessa Instituição. O objetivo do trabalho
foi avaliar a conduta dos profissionais quanto à
prevenção e à realização dos procedimentos após
acidentes com materiais de uso da prática diária.
Foram avaliados 35 profissionais, sendo 16
assistentes de saúde bucal, quatro técnicos de saúde
bucal e 15 cirurgiões-dentistas.
“Nossa intenção foi fazer um diagnóstico da
atuação profissional, para identificarmos os
possíveis problemas no exercício profissional e
poder ajudar no preenchimento destas lacunas,
além de fazer com que nosso corpo discente
conheça e se faça conhecer no mercado de trabalho
da região. Somos um dos profissionais mais
sujeitos à infecção durante o serviço; aerosóis,
material perfuro-cortantes, áreas contaminadas
próximas são indiscutivelmente fontes de
contaminação para o cirurgião dentista, bem como
para o pessoal auxiliar. Sem dúvida, a atenção aos
protocolos de biossegurança é vista, hoje, de
maneira mais responsável”, considera.
Por Márcia Cristina
• Lero Lero
Autoras: Jaqueline Carvalho e Silva e Maria do Livramento Fortes
Figueiredo
R$25,00
128 páginas
[email protected]
Autora: Maria Dilma Ponte de Brito
166 páginas
R$ 20,00
[email protected]
A obra constitui um aporte à produção de conhecimento na área de
enfermagem em geral e das políticas públicas em saúde da mulher
na terceira idade. As autoras analisam de uma forma original e
inédita a multidimensionalidade das objetividades e subjetividades
decorrentes das experiências e vivências de mulheres idosas
piauienses, com influência das diferentes formas de sentimentos.
A autora, professora da UFPI, reúne nesta obra 50 crônicas
inspiradas em fatos do cotidiano contadas com uma pitada
de humor. São registros de uma estudiosa sobre a
trivialidade e o hedonismo de nossos dias. As histórias
tratam de amor, de saudades, de espertalhões, de ética, de
normas de comportamento, entre outros temas.
• Biodiversidade do Piauí: pesquisas & perspectivas
• Saberes e Práticas de cuidadores familiares de idosos com doença de
Alzheimer
Organizadores: Francisco Soares Santos Filho e Ana Flávia Cruz
Leite Soares
190 páginas
R$ 39,90
[email protected]
Autoras: Eronice Ribeiro de Morais e Maria do Livramento
Forte Figueiredo
R$ 25,00
100 páginas
[email protected]
Este livro traz dez trabalhos acadêmicos desenvolvidos no âmbito
das universidades Estadual e Federal do Piauí, escrito por
pesquisadores, egressos e estudantes destas instituições, totalizando
31 autores. Seus capítulos foram desenvolvidos por pesquisadores
nas áreas de Microbiologia, Ficologia e Botânica, abrangendo as
subáreas de Anatomia vegetal, Vegetação urbana, Florística,
Fitossociologia, Taxonomia vegetal e Macrófitas aquáticas.
O livro é resultante de dissertação de Mestrado e, embora seja
um livro acadêmico, torna-se acessível a todos os profissionais
de saúde e a qualquer leitor interessado na problemática. A
obra é composta por seis capítulos que relatam uma
experiência pedagógica a partir de diálogos com os cuidadores
dos portadores de Alzheimer.
• Educação Nutricional: um novo olhar sobre o processo educativo em
alimentação e nutrição na escola
• Avenida Frei Serafim: lembranças de um tempo que não acaba
Organizadoras: Marize Melo Santos e Ivonete Moura Campelo
130 páginas
R$ 30,00
[email protected]
Autor: Matias Augusto de Oliveira Matos
290 páginas
R$ 40,00
[email protected]
Graças ao apoio da FAPEPI e da SEDUC, esta obra, dividida em
quatro capítulos, surgiu com o objetivo de avaliar um modelo de
intervenção educativa em alimentos, alimentação e nutrição, tendo
em vista o consumo frequente de dietas inadequadas de escolares,
que muitas vezes têm como consquências a obesidade e a
desnutrição.
A Avenida Frei Serafim é o logradouro mais conhecido de
Teresina. Ela começa nas praças da Liberdade e São Benedito e
se estende até a ponte JK, que atravessa o rio Poti. A obra faz
relatos de lembranças, complementadas pelas recordações de
outros que também passaram pela avenida, reforçadas pelas
pesquisas de documentos e acervos fotográficos garimpados
por lugares, revistas, livros, jornais e arquivos públicos.
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
13
REPORTAGEM
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL
Comprometimento motor interfere na saúde bucal
de crianças e adolescentes com paralisia cerebral
Profª. Drª. Maria Teresa Botti Rodrigues dos Santos (Membro
externo da Banca Examinadora), Profª. Dra. Regina Ferraz
Mendes (orientadora), Profª. Reyjanne Barros de Carvalho
(Autora da pesquisa)
R
esultado de um trabalho conjunto de
pesquisadores da Universidade
Federal do Piauí, sob orientação da
Profª do Departamento de
Odontologia Restauradora da UFPI, Drª. Regina
Ferraz Mendes, tendo como autora de dissertação
Reyjanne Barros de Carvalho, conquistou, em
abril de 2011, importante espaço
na revista Special Care in
Dentistry, especializada na
publicação de artigos sobre
pacientes especiais. O estudo foi
realizado em Teresina, em 2009,
e teve como tema “Saúde bucal e
função motora oral de pacientes
com paralisia”.
O objetivo geral foi avaliar
a saúde bucal de crianças e
adolescentes portadores de
Paralisia Cerebral (PC) e
correlacionar com o tipo de
paralisia cerebral e grau de
comprometimento motor. As
crianças foram avaliadas em
duas instituições públicas de
referência do Piauí para
atendimento aos pacientes com
disfunção neuromuscular,
característica da Paralisia
Cerebral: o Centro Integrado de
Educação Especial (CIES) e o
Centro Integrado de
Reabilitação (CEIR), que fazem
parte do Complexo de
Reabilitação em Saúde e
Educação do Estado do Piauí. Entre os objetivos
específicos, a pesquisa avaliou o nível
socioeconômico, os hábitos de higiene bucal, a
experiência de cárie, a oclusão, os defeitos de
formação de esmalte dentário, o traumatismo
dentário e a onsistência alimentar.
O estudo foi desenvolvido sob uma
abordagem observacional, dentro do programa de
Mestrado em Ciências e Saúde e fez parte da área
de concentração II - Política, planejamento e
gestão em saúde. A autora e a orientadora
encontraram, logo no início da pesquisa, a falta de
levantamentos precisos quanto à prevalência de
pessoas com paralisia cerebral no Piauí. Porém, a
Coordenadoria Estadual de Inclusão e Apoio à
Pessoa com Deficiência (CEID), em 2007,
apontou que Teresina possuía 106.301 pessoas
com algum tipo de deficiência, seja mental, física
ou motora, o que correspondia a 13,72% da
população, estimada na época em 780 mil
habitantes.
Uma das principais conclusões foi a de que
somente os pacientes quadriplégicos, ou seja, com
comprometimento motor dos quatro membros,
possuíam uma deficiência motora oral avançada,
comprometendo dessa forma as condições de
saúde bucal. Participaram da amostra 52 pacientes
na faixa etária entre 7 e 17 anos, sendo que 65,4%
dos examinados possuíam dentição mista e 34,6%
dentição permanente. Na amostra, 17 crianças e
adolescentes eram vítimas de diplegia
(envolvimento de ambas as pernas e com
comprometimento mínimo de ambos os braços),
11 tinham hemiplegia (envolvimento de um lado
do corpo) e 24 apresentaram quadriplegia.
Mestre e doutora em Dentística pela
Faculdade de Odontologia de Bauru-USP,
professora e orientadora do Mestrado em
Odontologia e do Mestrado em Ciências e Saúde
da UFPI e Pró-Reitora de Ensino de Graduação da
UFPI, Regina Ferraz Mendes explicou que não é
difícil estabelecer uma rotina de higiene bucal
para crianças especiais, mas é extremamente
importante a orientação e o envolvimento dos pais
e demais cuidadores nesse processo. “É
necessário que o cuidador se conscientize de que
somente com promoção de saúde é possível evitar
tratamentos restauradores mais invasivos que, no
caso de pacientes com PC, muitas vezes, é de
difícil condicionamento e acesso, tendo em vista
que nem sempre os profissionais que atendem em
unidades básicas de saúde, ou mesmo em
consultórios particulares, sentem-se seguros para
este tipo de atendimento. Também são
fundamentais a participação do dentista em
equipe multidisciplinar, para o acompanhamento
de pacientes com necessidades especiais, e a
implantação de programas de promoção de saúde
bucal direcionados a esse público”.
Do total dos pacientes examinados, 42,3%
passaram por atendimentos nas duas instituições
ao mesmo tempo, o que demonstrou a
preocupação dos cuidadores (80,8% eram a mãe,
com média de idade de 37,5 anos) em buscarem
terapias reabilitadoras que promovam uma
melhoria na qualidade de vida dos pacientes. A
14
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
escolaridade do cuidador variou de 0 a 17 anos de
estudo, com média de 9 anos, confirmando um
baixo grau de escolaridade. Dos 52 pacientes
examinados, 47 já haviam tido algum contato
prévio com o atendimento odontológico e, desses,
78,8% ocorreram no serviço público.
Durante a pesquisa, 75% dos pacientes
estavam em tratamento odontológico com tempo
médio de 5,6 meses. Regina Mendes diz que,
infelizmente, este elevado índice quanto a busca
ao tratamento não é uma realidade para portadores
de paralisia cerebral em geral, mas foi
considerada neste estudo, pelo fato de que as duas
instituições possuem atendimento odontológico
especializado.
Alguns estudos revelam uma baixa
cobertura de serviços odontológicos a pacientes
especiais e, quando ocorre, essa assistência limitase a procedimentos cirúrgicos e/ou curativos.
Cuidados preventivos são pouco identificados.
Reyjanne Barros de Carvalho informou que,
dos pacientes avaliados, 9 (17,3%) apresentavam
diagnóstico de autismo e grau de retardo mental
avançado; por esse motivo, não foi possível avaliar
o desempenho motor oral. A função motora oral
dos pacientes examinados estava entre moderada e
severamente comprometida na maioria dos casos
(61,5%).
“Entre os pacientes diplégicos, a função
motora oral apresentou, frequentemente, um
comprometimento de moderado a leve e, entre os
quadriplégicos, essa função variou de moderada a
severa. Cabe ressaltar que a habilidade oral
motora é frequentemente alterada em pacientes
com PC. A disfunção lingual é consistentemente
observada, assim como reflexos de mordida
prolongados e exagerados. A mastigação é
limitada a movimentos de abertura e fechamento,
sem movimento de lateralidade da mandíbula. A
função inadequada da musculatura jugal e labial
pode impedir o selamento adequado do lábio, no
momento da alimentação, levando à perda de
alimento e à inibição da propulsão distal do bolo
alimentar. A persistência dessas respostas
anormais pode limitar severamente a habilidade
de o indivíduo com PC mastigar, posicionar e
deglutir o bolo alimentar, prejudicando, dessa
forma, a sua nutrição”.
Profissionais capacitados proporcionam
sorriso bonito aos pacientes
Paciente com paralisia recebe
atendimento
Segundo dados do Ministério da Saúde (MS),
somente 2% da população com deficiência têm
acesso aos serviços de saúde e, por essa razão, a
necessidade de tratamento é maior. E, quando há
atendimento odontológico desses pacientes, os
procedimentos geralmente são cirúrgicos, não
proporcionando um controle das doenças bucais.
Entre as principais causas da negligência no
atendimento odontológico a pessoas com algum
tipo de deficiência, estão o baixo número de
profissionais capacitados para atender esse
contingente e a falta de conhecimento da família
quanto à importância da prevenção e da
manutenção da saúde bucal.
Com relação à pesquisa em questão, tanto o
Centro Integrado de Educação Especial (CIES)
quanto o Centro Integrado de Reabilitação (CEIR)
possuem equipe multidisciplinar. No CIES,
observou-se a participação de alunos e docentes da
UFPI por meio do Projeto de Extensão “Programa
de Promoção de Saúde Bucal para Pacientes
Especiais - PROSBE”, o que facilita o acesso das
crianças e cuidadores às informações acerca da
manutenção da saúde bucal. O CIES é uma
instituição especializada no atendimento a crianças
especiais e funciona desde 2006. Desenvolve um
trabalho, sem fins lucrativos, atende crianças na
faixa etária de 0 a 14 anos, tem como metas a
promoção das reabilitações física e psicossocial do
15
paciente e o desenvolvimento de estudos e
pesquisas na área de reabilitação.
Reyjanne Carvalho ressaltou que o PROSBE
favorece o convívio entre os profissionais e o
binômio aluno/professor universitário, abrindo a
possibilidade para pesquisas e uma relação social
de impacto entre a Universidade e a sociedade,
como agentes transformadores. “Ações
educativas em projetos de extensão desenvolvem
competência e estímulo aos responsáveis pelos
pacientes e propiciam aos estudantes maior
segurança e familiaridade no atendimento aos
pacientes especiais. Além disso, este trabalho
comprova e enaltece a indissociabilidade ensinopesquisa-extensão dentro da Universidade,
evidenciando o processo acadêmico de formação
e de geração de conhecimentos”.
O CEIR, inaugurado em 2008, presta
atendimento multidisciplinar. As patologias que
podem ser tratadas na instituição são doenças
neuromusculares, lesão medular, lesões
encefálicas adquiridas (causadas por traumatismo
crânioencefálico, acidente vascular encefálico,
anóxia cerebral, tumores, cerebrais e infecções no
sistema nervoso), malformações congênitas,
mielomeningocele, paralisia cerebral e sequelas
de poliomielite. Os pacientes selecionados para o
estudo frequentam regularmente as instituições
mencionadas.
A Profª. Regina Ferraz Mendes afirmou
ainda que as crianças com PC avaliadas
apresentam algum grau de disfunção motora que
pode representar um risco maior de quedas,
podendo provocar algum trauma
dentário. “Entre os sujeitos
pesquisados, o trauma dentário
mais frequente encontrado foi a
fratura de esmalte, que pode variar
de extensão e, na maioria das vezes,
causa uma deficiência apenas
estética. Entretanto, os casos em
que há uma perda maior de
estrutura dentária, ou quando a
força do trauma for muito
significativa, pode levar à
sensibilidade, comprometendo a
função e até a vitalidade pulpar,
sendo, nesta última situação,
indicado o tratamento endodôntico
ou até mesmo, em casos extremos,
levar à perda dentária. Se
considerarmos o transtorno, que é a realização de
procedimentos mais invasivos e que exigem um
tempo clínico maior, compreende-se a
importância que tem a prevenção de quedas e
traumas em pacientes com PC”.
Estudos já publicados apontam que os
programas de saúde bucal deveriam ter
participação ativa da criança, resultando em
satisfação e confiança diante da participação da
higiene bucal e do conhecimento a respeito da
obtenção e da manutenção de um belo sorriso. O
sucesso para uma boa condição de saúde bucal nas
crianças com paralisia cerebral estaria associado a
projetos de educação em saúde bucal e à
manutenção de bons hábitos de higiene. É papel
FOTO: DIVULGAÇÃO
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
dos profissionais de Odontologia, agindo junto
aos profissionais nutricionistas, orientar quanto
aos hábitos saudáveis de alimentação e higiene
bucal, considerando que o atendimento
odontológico adequado a pacientes especiais visa
a melhorar a qualidade de vida desses indivíduos.
Por mais que haja campanhas que apontem
que a educação seja o método mais eficaz e
econômico contra as doenças e problemas do
sistema bucal, a cárie e a doença periodontal,
segundo Regina Mendes, ainda são as mais
comuns entre os brasileiros. Ambas são evitáveis
com hábitos simples, como a escovação dentária
com creme dental fluoretado, uso do fio dental e
uso racional do açúcar na dieta.
Hábitos alimentares de cuidadores refletem-se
nos portadores de Síndrome de Down
FOTO: MÁRCIA CRISTINA
Outra pesquisa coordenada pela
pesquisadora Regina Ferraz Mendes, também
relacionada a pessoas com necessidades
especiais, foi resultado de dissertação de
mestrado da odontóloga Karinn de Araújo
Soares, que tratou da “Relação entre as
condições de saúde bucal de portadores de
síndrome de Down e as de seus cuidadores”.
Com poucos estudos literários abordando a
saúde bucal e os portadores da síndrome, a
pesquisa avaliou a importância que a pessoa
cuidadora tem na manutenção da saúde bucal de
seus protegidos, visto que, geralmente, estes
são dependentes de maiores cuidados e
possuem limitações diárias.
“Por serem estatisticamente significantes, os
resultados reforçam a ideia de que o cuidador, em
especial a mãe, tem uma influência direta no
Crianças com Síndrome de Down se divertem
na hora da escovação no CIES; profissionais
bem orientados refletem em bons resutados
TERESINA-PI, OUT/NOV/DEZ DE 2011 • Nº 29 • ANO VIII
FOTO: ARQUIVO PESSOAL
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Profissionais usam técnicas para relaxar
criança durante sessão de limpeza dos
dentes
padrão de consumo de sacarose daqueles que são
cuidados, como afirma Chen (2002), com relação
a esta associação entre mães e filhos”,
complementa a pesquisadora.
A síndrome de Down, mutação genética
caracterizada pela tríplice cópia do cromossomo
21, acomete oito mil crianças por ano no Brasil.
Entre as doenças bucais que mais afetam os
portadores de síndrome de Down, está a doença
periodontal de rápida progressão.
O estudo avaliou a relação entre os índices
CPOD (Índice de Dentes Cariados, Perdidos e
Obturados), IPC (Índice Periodontal Comunitário)
e IPV (Índice de Placa Visível) dos portadores de
síndrome de Down e de seus cuidadores. Os
métodos foram baseados em estudo analítico e
transversal que avaliou 57 portadores de síndrome
de Down na faixa etária de 1 a 35 anos e, em igual
número, os seus cuidadores, que apresentaram
faixa etária de 18 a 68 anos, de ambos os gêneros.
A análise do IPV foi determinada pelo exame das
faces vestibular e lingual dos elementos dentários.
Para determinar o CPOD, os portadores e os
cuidadores foram submetidos ao exame clínico e,
para determinar o IPC, foi realizada a sondagem
periodontal, conforme preconiza a OMS (1978).
A orientadora atesta que se constatou a
transmissão de hábitos alimentares na população
estudada, isto é, portadores de síndrome de Down
com dieta rica em sacarose eram cuidados por
pessoas com também dieta rica em sacarose. O
inverso também foi observado: portadores que
ingeriam sacarose menos de seis vezes ao dia
eram cuidados por pessoas que também tinham
dieta semelhante. “Os hábitos e comportamentos
adquiridos no dia-a-dia tornam-se rotinas e ficam
internalizados e, portanto, difíceis de mudar na
vida adulta. Considerando, por um lado, o papel
da ingestão excessiva de açúcares, em especial de
sacarose, no aumento da incidência de cárie e, do
outro lado, a transmissão de costumes entre
cuidadores e portadores, tornam-se importantes a
instalação de hábitos dietéticos saudáveis desde a
infância e o uso racional do açúcar na
alimentação”.
O principal aspecto verificado foi a
necessidade urgente de implantação de políticas
que facilitem o acesso de pacientes especiais ao
serviço odontológico, incluindo a capacitação de
profissionais para o atendimento e o aumento na
disponibilidade de serviços públicos voltados para
os pacientes especiais, assim como a necessidade
de orientar e sensibilizar os cuidadores sobre a
importância de ações de promoções de saúde para
as pessoas portadoras da síndrome.
Por Márcia Cristina
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