FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
CAMPUS DE ARIQUEMES
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE ALIMENTOS – DENGEA
ELIANE DOS SANTOS GONÇALVES DE SOUSA
MARCIANA APARECIDA DOS SANTOS
AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA E FÍSICO-QUÍMICA DO LEITE DAS
AGROINDÚSTRIAS DE ARIQUEMES
Ariquemes-RO
2014
ELIANE DOS SANTOS GONÇALVES DE SOUSA
MARCIANA APARECIDA DOS SANTOS
AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA E FÍSICO-QUÍMICA DO LEITE DAS
AGROINDÚSTRIAS DE ARIQUEMES
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Departamento de Engenharia de Alimentos da
Universidade Federal de Rondônia – UNIR, como
requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Engenharia de Alimentos.
Orientadora: Profa. Dra. Gabrieli Oliveira.
Ariquemes-RO
2014
Dados de publicação internacional na publicação (CIP)
Biblioteca setorial 06/UNIR
S725a
Sousa, Eliane dos Santos Gonçalves de.
Avaliação microbiológica e Físico-Química do leite das agroindústrias
de Ariquemes. / Eliane dos Santos Gonçalves de Sousa, Marciana Aparecida
dos Santos. Ariquemes-RO, 2014.
52 f.
Orientador (a): Prof.(a) Dra. Gabrieli Alves de Oliveira.
Monografia (Bacharelado em Engenharia de Alimentos) Fundação
Universidade Federal de Rondônia. Departamento de Engenharia de
Alimentos, Ariquemes, 2014.
1. Leite. 2. Agroindústria. 3. Controle de qualidade - leite. I. Fundação
Universidade Federal de Rondônia. II. Título.
CDU: 664.7
Bibliotecária Responsável: Fabiany M. de Andrade, CRB: 11-686.
Dedicamos a nossa família, professores, amigos e colegas.
Muitos obstáculos nos foram impostos durante esses últimos
anos, mas graças a Deus não fraquejamos.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos primeiramente a Deus por mais esse sonho concretizado, ao apoio de
nossos familiares, amigos que nos fizeram manter o foco e não desistir dos nossos ideais.
À equipe da Secretaria Municipal de Agricultura do município de Ariquemes pelo
apoio na coleta das amostras nas agroindústrias de leite.
Aos professores do departamento de Engenharia de Alimentos da UNIR, em especial
para a Profa. Dra. Tânia Maria Alberte e Prof. Me. Jean Peres Costa por ceder os reagentes
para que as análises microbiológicas fossem realizadas.
Ao laticínio DANY LTDA, em especial ao Normando da Silva Santiago, que cedeu o
laboratório, reagentes e soluções para realização das análises físico-químicas.
A professora Dra. Gabrieli Oliveira que nos orientou neste trabalho e não mediu
esforços para que pudéssemos realiza-lo.
E a todos que contribuíram de alguma forma para a elaboração deste trabalho, o
nosso muito obrigada.
RESUMO
O crescimento das agroindústrias no país foi observado nos últimos anos. Na região norte, do
pais as agroindústrias produtoras de leite e derivados têm destaque e possuem fundamental
importância econômica. O controle de qualidade do leite é essencial para que este avanço seja
significativo e adequado. As análises físico-químicas e microbiológicas do leite devem
constituir-se num procedimento rotineiro. Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi analisar a
qualidade do leite das Agroindústrias do município de Ariquemes, por meio de análises físicoquímicas: teste do alizarol, acidez em graus Dornic, crioscopia, densidade e gordura,
determinações de fraudes como o peróxido de hidrogênio, amido e hidróxido de sódio e
também, de igual importância as análises microbiológicas; TRAM (tempo de redução do azul
de metileno), contagem total de microrganismos e coliformes totais. Um total de 9
agroindústrias foram avaliadas. Os resultados foram confrontados com os estabelecidos pela
Instrução Normativa MAPA n°. 62 de 29 de dezembro de 2011. Em todas as análises,
algumas ou todas as agroindústrias estavam fora dos parâmetros. Pode-se perceber que ainda
há muito para melhorar, principalmente em relação a contaminação microbiológica. A
melhoria da qualidade do leite vai decorrer de uma série de fatores: atenção ao manejo correto
no momento da ordenha, cumprimento das medidas higiênico sanitárias, bem como, cuidados
com a manipulação e conservação do leite. Essas melhorias nas etapas de produção,
processamento e distribuição diminuem o risco a saúde dos consumidores pela veiculação de
doenças, para as agroindústrias reduzindo para as agroindústrias os prejuízos relacionados ao
processamento dessa matéria prima.
Palavra-chave: leite, agroindústria, controle de qualidade.
ABSTRACT
In recent years, the country could see the development in agroindustries. In Northern region,
the production of milk and derivative products was highlighted and have great importance in
the economy. The physic-chemical and microbiological analysis of the milk should constitute
a routine procedure. Thus, the aim of this study was to analyze the milk quality of Ariquemes
agroindustries, through physical and chemical analyzes: alizarin, in dregrees acidity Dornic,
freezing point, density and fat, as well as determinations of fraud, like hydrogen peroxide,
starch and sodium hydroxide; and also the microbiological analysis, which are proof of
TRAM, the total microorganisms and total coliforms. The results were compared with was
stablished by Instruction number 62. In all analyzes there were agroindustries out of the
stablished parameters, and with this results, it was observed that there are many problems,
specially in relation to microbiological contamination. The improvement of milk quality will
occur by observing a series of factors, such as the attention to correct handling of the milk, the
hygienic sanitary performance as well as care for the handling and storage of the milk. These
improvements in stages of the production, processing and distribution of the milk, decrease
the risk to consumers health and, for agroindustries, reduces the damages associated with the
processing of the material.
Keywords: milk. agroindustries. quality control.
LISTAS DE ABREVIAÇÕES
CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IAL- Instituto Adolfo Lutz
PROVE – Programa de Verticalização da Pequena Produção Agrícola
TRAM – Tempo de redução do Azul de Metileno
RIISPOA – Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária dos Produtos de Origem Animal
LISTAS DE SÍMBOLOS
°C – Graus Celsius
°D – Graus Dornic
°H – Graus Horvert
% - Porcentagem
mL – Mililitros
g – Gramas
g/cm3- Gramas por centímetro cubico
L – Litros
US$ - Dólares
UFC/mL – Unidade Formadora de Colônia por Mililitros
pH – potencial de hidrogênio
LISTAS DE TABELAS
Tabela 1 - Composição quantitativa do leite de vaca ............................................................... 17
Tabela 2-Características físico químicas do leite. .................................................................... 22
Tabela 3 – Resumo dos testes de controle do grau de aquecimento do leite. ........................... 28
Tabela 4 - Resultados das análises (físico-químicas, detecção de fraudes, microbiológicas e
controle do tratamento térmico). .............................................................................................. 38
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 14
2 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 16
2.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................................ 16
2.1.1 Objetivos específicos ....................................................................................................... 16
3 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................. 17
3.1 LEITE ................................................................................................................................. 17
3.1.1 Composição química do leite .......................................................................................... 17
3.1.2 Característica microbiológica do leite ............................................................................ 20
3.2 QUALIDADE DO LEITE ................................................................................................... 21
3.3 CONTROLE DE QUALIDADE DO LEITE ....................................................................... 22
3.3.1 Análises físico-químicas .................................................................................................. 22
3.3.1.1 Teste de alizarol ................................................................................................. 23
3.3.1.2 Determinação da acidez em graus Dornic (ºD) ................................................. 23
3.3.1.3 Crioscopia .......................................................................................................... 24
3.3.1.4 Determinação da densidade ............................................................................... 24
3.3.1.5 Índice de gordura Método de Gerber ................................................................. 24
3.3.2 Detecção de fraudes ........................................................................................................ 25
3.3.2.1 Teste de peróxido de hidrogênio ....................................................................... 25
3.3.2.2 Teste do amido .................................................................................................. 25
3.3.2.3 Teste de hidróxido de sódio ............................................................................... 26
3.3.3 Análises microbiológicas do leite .................................................................................... 26
3.3.3.1 Tempo de redução do azul de metileno (TRAM). ............................................. 26
3.3.3.2 Contagem Total de Microrganismos mesófilos ................................................. 27
3.3.3.3 Contagem de Coliformes totais ......................................................................... 27
3.3.4 Controle do tratamento térmico do leite ......................................................................... 28
3.3.4.1 Prova de fosfatase alcalina ................................................................................ 28
3.3.4.2 Prova de Peroxidase .......................................................................................... 29
4 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................... 30
4.1 ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS ......................................................................................... 30
4.1.1 Teste de alizarol .............................................................................................................. 30
4.1.2 Determinação da acidez em graus Dornic (ºD) .............................................................. 31
4.1.3 Crioscopia ....................................................................................................................... 31
4.1.4 Determinação da densidade ............................................................................................ 32
4.1.5 Índice de gordura Método de Gerber .............................................................................. 32
4.2 DETECÇÃO DE FRAUDES ............................................................................................... 32
4.2.1 Teste de peróxido de hidrogênio ..................................................................................... 32
4.2.2 Teste de amido ................................................................................................................. 33
4.2.3 Teste de hidróxido de sódio ............................................................................................. 33
4.3 ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS ...................................................................................... 34
4.3.1 Tempo de redução do azul de metileno (TRAM). ............................................................ 34
4.2.2 Contagem total de microrganismos mesófilos ................................................................ 34
4.2.3 Contagem de coliformes totais ........................................................................................ 35
4.3 CONTROLE DO TRATAMENTO TÉRMICO DO LEITE .................................................. 36
4.3.1 Prova de Fosfatase alcalina ............................................................................................ 36
4.3.2 Prova de peroxidase ........................................................................................................ 36
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................................... 37
5.1.1 Teste de alizarol .............................................................................................................. 39
5.1.2 Determinação da acidez em graus Dornic (ºD) .............................................................. 39
5.1.3 Crioscopia ....................................................................................................................... 40
5.1.4 Determinação da densidade ............................................................................................ 41
5.1.5 Índice de gordura Método de Gerber .............................................................................. 41
5.2 RESULTADOS DAS ANÁLISES DE DETECÇÃO FRAUDES .......................................... 42
5.2.1 Teste de peróxido de hidrogênio ..................................................................................... 42
5.2.2 Teste de amido ................................................................................................................. 42
5.2.3 Teste de hidróxido de sódio ............................................................................................. 42
5.3 RESULTADOS DAS ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS .................................................... 43
5.3.1 Tempo de redução do azul de metileno (TRAM) ............................................................. 43
5.3.2 Contagem Total de Microrganismos mesofilos aeróbio ................................................. 43
5.3.3 Contagem de coliformes totais ........................................................................................ 45
5.4 CONTROLE DO TRATAMENTO TÉRMICO DO LEITE .................................................. 45
5.4.1 Prova de Fosfatase alcalina ............................................................................................ 45
5.4.2 Prova de Peroxidase ........................................................................................................ 46
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 47
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 49
1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento das agroindústrias é um assunto que vem sendo discutido nos
últimos anos em muitas áreas de pesquisa, por ser uma das forças econômicas do país.
Segundo dados do IBGE (2013) em relação ao setor externo, as exportações do agronegócio
no primeiro semestre de 2013 atingiram o montante recorde de 49,6 bilhões de dólares,
aumento de 10,7 % em relação ao mesmo período de 2012 (US$ 44,8 bilhões).
Neste cenário as agroindústrias processadoras e beneficiadoras de leite e derivados
têm grande destaque e possuem fundamental importância para a sociedade na produção de
alimentos. De acordo com a CONAB (2013), Rondônia é o maior produtor de leite da região
norte do país, com produção em 2012 de 768,650 mil litros. O município de Ariquemes,
localizado na região do vale do Jamari, apresentou um aumento no número de agroindústrias
registradas como beneficiadora de leite e derivados. Atualmente são 11 agroindústrias
devidamente registradas no Programa de Verticalização da Pequena Produção Agrícola –
PROVE (ARIQUEMES, 2014).
Essas agroindústrias, contam com auxílio técnico fornecido pela Secretaria de
Agricultura do Município, entretanto, as análises de rotinas para verificação da qualidade do
leite e derivados ainda não estão implantadas. Tronco (2008), destaca que o controle de
qualidade do leite é essencial para garantir a saúde da população e ressalva que as análises
físico-químicas e microbiológicas do leite devem constituir-se num procedimento rotineiro.
As análises se dividem em dois grupos de igual importância: (i) análises de detecção de
fraudes como, por exemplo, a adição de água, formol, água oxigenada, desnate,
superaquecimento, entre outros; (ii) e as análises físico-químicas, enzimáticas e
microbiológicas, que avaliam a qualidade do leite cru e pasteurizado, possibilitando a
identificação e correção das prováveis falhas de beneficiamento (NADER et al., 1997).
A busca crescente pelo aumento da qualidade do leite e derivados tem despertado
grande interesse nas agroindústrias, que tem como principal objetivo fornecer produtos com
qualidade para competir no mercado regional. Boas práticas de manejo associadas a cuidados
no processamento e aplicação de tratamentos térmicos com temperatura e tempo adequado
são fundamentais para obtenção de produtos e subprodutos com qualidade físico-química e
microbiológica.
Vale ressaltar que o leite é um alimento de composição rica em proteína, gordura,
carboidratos, sais minerais e vitaminas (SOUZA et al., 1995). Estes constituintes determinam
14
a qualidade nutricional do leite, e podem ser influenciados pela alimentação, manejo, genética
e raça do animal, bem como por fatores ligados a cada animal, como o período de lactação, o
escore corporal ou situações de estresse e condições climáticas (TRONCO, 2013). Quando há
retirada ou adição de algum de seus componentes a integridade é afetada, caracterizando a
ação como tentativa de fraude.
Os referenciais de qualidade estão fixados em lei (Instrução Normativa MAPA nº 62,
de 29 de dezembro de 2011) e determinam os níveis aceitáveis que classificam o leite dentro
da normalidade. Em 1º de julho de 2014, as novas regras para cumprimento desta Instrução
Normativa, passaram a valer para a produção do leite nas regiões brasileiras do Sul, Sudeste e
Centro-Oeste. Nos estados do Norte e Nordeste do país, as novas regras serão exigidas a partir
de 2015. Até 2016 todos os estabelecimentos processadores de leite e derivados deverão se
adequar para atender a nova legislação que substituiu a Instrução Normativa MAPA nº 51, de
18 de setembro de 2002.
O exposto, evidência a necessidade de implementação dessas análises nas
agroindústrias de leites e derivados de Ariquemes-RO. Em adição, o acompanhamento da
qualidade do leite favorece os produtores, as indústrias que processarão este leite como
matéria prima e ainda o consumidor, que estará recebendo um produto com maior qualidade.
15
2 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
O objetivo geral deste trabalho foi avaliar a qualidade do leite proveniente de nove
agroindústrias da região de Ariquemes através de testes físico-químicos e microbiológicos.
2.1.1 Objetivos específicos
Para que o objetivo geral deste trabalho fosse alcançado com êxito, os seguintes
objetivos específicos foram realizados:

Coletar assepticamente o leite cru de nove agroindústrias da região de
Ariquemes;

Coletar o leite pasteurizado de duas agroindústrias da região de Ariquemes;

Realizar análises físico-químicas e microbiológicas das amostras de leites das
agroindústrias da região de Ariquemes;

Analisar a qualidade das amostras de leite das agroindústrias da região de
Ariquemes através dos resultados obtidos.
16
3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1 LEITE
Entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da ordenha
completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e
descansadas. O leite de outras espécies deve denominar-se segundo a espécie da qual proceda
(BRASIL, 2011).
O leite por ser um alimento de excepcional valor nutritivo sendo amplamente
comercializado e consumido pela população mundial. No Brasil, segundo as recomendações
do Ministério da Saúde, o consumo de leite deve ser de 146 a 256 litros/ano de leite fluido ou
equivalente na forma de derivados, variando de acordo com a idade das pessoas (BRASIL,
2006).
É considerado um dos alimentos de maior importância na alimentação humana. É
rico em proteína, gordura, carboidratos, sais minerais e vitaminas dentre outros (GALVÃO,
2009). Na Tabela 1 encontra as porcentagens das composições quantitativa do leite de vaca.
Tabela 1 - Composição quantitativa do leite de vaca
Componente
Agua
Sólidos totais
Gordura
Proteínas
Lactose
Minerais
Limite de variação (%)
85,5 -89,5
10,5 – 14,5
2,5 – 6,0
2,9 -5,0
3,6 -5,5
0,6 – 0,9
Valor médio (%)
87,5
13,0
3,9
3,4
4,8
0,8
Fonte: ALFA LAVAL (1990) apud GRADELLA (2008).
3.1.1 Composição química do leite
a) Proteína
As proteínas são encontradas na proporção de aproximadamente (3,4-3,6%) no leite,
em torno de 80 % das proteínas do leite são caseínas, que por sua vez estão constituídas por
17
uma mistura de 10 tipos de proteínas diferentes e o restante 20% são as proteínas do soro.
(VIEIRA, 2010). As proteínas do soro são formadas pela albumina do soro, α-lactoalbumina,
β-lactoglobulina, imunoglobulinas e protease-peptonas. Estas se desnaturam somente com
temperaturas superiores a 80ºC. Quando desnaturalizadas podem atuar como agentes
emulsificantes devido à facilidade de interagir com as partículas hidrofóbicas e com as
moléculas do solvente (TRONCO, 2008).
A caseína é a maior parte da matéria azotada, formando uma solução coloidal, está
associada ao cálcio e ao fósforo, e pode ser coagulada por ação de ácidos, coalhos ou álcool.
Normalmente encontra dispersa em grande número na forma de partículas sólidas que são tão
minúsculas que não conseguem assentar e assim permanecem em suspensão. Essas partículas
são chamadas micelas e a dispersão das micelas no leite é conhecida como uma suspensão
coloidal (WATTIAUX, 2006). Já as proteínas do soro não se coagulam pela ação do coalho,
mas pela ação do calor e ácidos (MAGANHINI, 2012).
De acordo com Vieira (2010), as proteínas do leite constituem ingredientes dos mais
valorizados, devido ás suas excelentes propriedades nutritivas, tecnológicas e funcionais. As
características físico-químicas que proporcionam propriedades funcionais de grande interesse
tecnológico são: solubilidade, absorção e retenção de água e de gordura, capacidade
emulsificante e estabilidade das emulsões e geleificação (MODLER, 2000; WONG et al.,
1996 apud MAGANHINI, 2012; DAMODARON; PARKIN; FENNEMA, 2010).
b) Gordura
Segundo Brasil (2011), o teor mínimo de gordura no leite é em média 3,0 g.100g-1
podendo variar de acordo com alimentação, sanidade, idade e raça do animal. A matéria gorda
esta constituída fundamentalmente por triglicerídeos, e seus ácidos graxos apresentam cadeias
carbônicas de 2 até 20 átomos de carbono com diferentes graus de saturação, e pequenas
quantidades de outros lipídeos como fosfolipídios, colesterol, ácidos graxos livres e
diglicerídeos (VIEIRA, 2010).
A gordura do leite é composta principalmente de ácidos graxos saturados
triglicerídeos. São eles que conferem ao leite e seus derivados as características sensoriais
(odor, sabor e cor) típicas dos produtos derivados lácteos. Ela é utilizada na indústria para
fabricação de: manteiga, creme, queijo, chantilly, sorvetes entre outros. Apresenta-se como
uma emulsão (partículas em suspensão no meio aquoso) na forma de um conjunto de
18
pequenos glóbulos, rica em vitaminas lipossolúveis – A, D, E, K (SILVA; SILVA;
FERREIRA, 2012).
Segundo Ordóñez (2005), os triglicerídeos são os componentes majoritários dos
lipídeos (95%). Os outros 5% constituem-se de ácidos graxos como o butírico, capróico,
caprílico, láurico, mirístico, esteárico e oléico.
A gordura está presente no leite em glóbulos pequenos suspensos em água. Cada
glóbulo é revestido por uma camada de fosfolipídios que previne os glóbulos de se agregarem,
por repulsão dos outros glóbulos de gordura e atração de água (WATTIAUX, 2006). A
homogeneização leva à redução do tamanho dos glóbulos de gordura (SILVA et al, 2010),
aumenta a estabilidade e consistência dos produtos fermentados, proporcionando um melhor
corpo e brilho, aumentando a firmeza do gel em iogurtes, além de melhorar o sabor e a
digestibilidade (ROBERT, 2008). Tronco (2008) ressalta que a gordura é menos densa que a
água, portanto, a matéria lipídica flutua quando o leite fica em repouso, e assim torna-se
possível separar a nata, (principal componente da manteiga, e creme) do leite e realizar a
padronização (VENTURINI; SARCINELLI; SILVA, 2007).
c) Carboidratos
Os carboidratos são a principal fonte de energia de nossa dieta, sendo a lactose um
dissacarídeo encontrado somente no leite. Este é formado pela união de dois
monossacarídeos, a galactose e a glicose (PAULA; CARDOSO; RANGEL, 2010). Sendo
responsável pelo sabor adocicado do leite e fundamental para o desenvolvimento da
fermentação láctica, responsável pela transformação da lactose em ácido láctico (JUNIOR,
2002).
As bactérias lácticas como (Lactobacillos e Streptococcus) possuem uma aptidão
particular para a produção de ácido láctico a partir da degradação da lactose. O resultado é um
abaixamento do pH do leite, indispensável para obter a coagulação na fabricação de leites
fermentados ou de queijos frescos, que é a prévia acidificação antes da coagulação enzimática
para a fabricação dos queijos maturados (ROBERT, 2008).
Quando submetido ao processo de aquecimento ocorre uma reação em presença das
proteínas conhecida como Reação de Maillard. Essa reação de pardeamento é um fenômeno
frequente nos leites evaporados e esterilizados (TRONCO, 2013).
19
d) Sais minerais
O leite é uma excelente fonte da maioria dos minerais necessários para o crescimento
(WATTIAUX, 2006). Os minerais de maior importância no leite são cálcio e fósforo. Estes se
encontram ligados à caseína na forma de um complexo fosfocaseinato de cálcio. Existem
ainda outros minerais, como magnésio, flúor, sódio, potássio, cobre zinco, ferro, entre outros
Representam cerca de 0,6 - 0,8 % do peso do leite, são importantes pois e governam a
termoestabilidade do leite, além de processos de coagulação (cálcio) (TRONCO, 2008).
A estabilidade das proteínas do leite depende dos sais em solução, principalmente no
que diz respeito aos íons cálcio, magnésio, fosfatos e citratos. Qualquer desequilíbrio entre os
níveis dos cátions bivalentes e dos ânions polivalentes reduz a estabilidade da caseína. A
estabilidade do leite pode diminuir devido a uma alta da atividade do cálcio, uma baixa
atividade de fosfatos e citratos e sucessivos tratamentos térmicos. Com o aquecimento do
leite, ocorre o deslocamento de parte do cálcio e do fosfato solúvel para a fase coloidal. Isso
leva à precipitação do fosfato tricálcico, devido à sua pouca solubilidade a altas temperaturas
(ROCHA, 2004).
e) Vitaminas
O leite contém diversas vitaminas, classificadas como lipossolúveis (A, D, E e K) e
hidrossolúveis (complexo B e C). Estas são susceptíveis à destruição por diversos fatores
como tratamento térmico, ação da luz, oxidações, entre outros (TRONCO, 2013).
As alterações no leite durante o processo de pasteurização se limitam à perda de 5%
das proteínas do soro e pequenas mudanças no conteúdo de vitaminas (FELLOWS, 2006).
3.1.2 Característica microbiológica do leite
Um leite de boa qualidade deve estar livre de todos os microrganismos patógenos;
possuir baixa contagem de células somáticas; ser livre de sedimentos e matérias estranhas;
possuir sabor levemente adocicado livre de sabores e aromas estranhos; estar de acordo com
os padrões estabelecidos pela legislação, descrito na Tabela 02 (GALVÃO, 2009).
Devido à riqueza nutricional, o leite torna-se um meio ideal para o crescimento de
diferentes microrganismos. Assim, uma das principais preocupações está relacionada ao
20
controle do desenvolvimento microbiano no leite desde a matéria prima ao produto
industrializado final. Este controle é de extrema importância, já que permite assegurar a
qualidade do alimento, para que este não ofereça riscos à saúde do consumidor e tenha a suas
características físico-químicas e sensoriais garantidas no consumo (FRANCO &
LANDGRAF, 2008).
A contaminação do leite se inicia durante a ordenha pelos microrganismos presentes
no teto da vaca, e depois do meio ambiente, pela ordenha realizada de forma manual ou
ordenha mecânica por meio dos equipamentos e utensílios utilizados sem a higienização
correta, também pode ocorrer durante o transporte, o armazenamento e a distribuição
(SALVADOR, et al 2012).
A higiene e o controle do leite e de produtos lácteos têm como finalidade principal
garantir a inocuidade deste produto ao consumidor. A contaminação com microrganismos ou
com suas toxinas constituem as causas mais frequentes de problemas sanitários, além das
perdas econômicas (PADILHA et al, 2001)
De acordo com Tronco (2013), as provas microbiológicas recomendáveis para o leite
cru consideradas de rotina são: contagem total de microrganismos mesófilos; provas baseadas
na redução de corantes azul de metileno (redutase), contagem de células somáticas (CCS) que
indica, de maneira quantitativa, o grau de infecção da glândula mamária e o CMT utilizado no
diagnóstico da mastite subclínica tem como vantagem poder ser empregado no momento em
que os animais são ordenhados.
3.2 QUALIDADE DO LEITE
A busca crescente pela qualidade do leite e seus derivados tem despertado interesse
nas agroindústrias. Atualmente, em todas as áreas profissionais observa-se uma preocupação
comum: a qualidade. Se por um lado, este fator é responsável pela busca do aperfeiçoamento
contínuo, por outro assegura a sobrevivência na competitividade entre mercados (TRONCO,
2013).
Segundo Dürr (2004) a qualidade do leite pode ser dividida em integridade
microbiológica e composição química. Sendo um leite íntegro aquele que não sofreu a adição
de substâncias nem a remoção de componentes, bem como que não tenha sofrido deterioração
física, química ou microbiológica, e que seja livre de patógenos.
21
Para usufruir os benefícios de um alimento tão rico, o homem aprendeu que é
necessário ordenhar vacas sadias da forma mais higiênica possível, conservar o leite a baixas
temperaturas para evitar sua deterioração e tratar termicamente o produto antes de consumi-lo,
a fim de eliminar possíveis agentes patogênicos. Assim como qualquer outro alimento
comercializado no país, a qualidade do leite e de seus derivados é regulamentada pelos órgãos
oficiais responsáveis por garantir a segurança alimentar da população (DÜRR, 2004).
O controle da qualidade físico-química e microbiológica do leite nas unidades de
beneficiamento ou nas indústrias deve ser um procedimento de rotina sendo fundamental para
assegurar a sua integridade e garantir sua qualidade (TRONCO, 2013). Na Tabela 2
encontram os padrões físicos químicos e microbiológicos estabelecidos de acordo com a
Instrução Normativa do MAPA n° 62 de 29 de dezembro de 2011.
Tabela 2-Características físico químicas do leite.
Características físico-químicas
Valores
Estabilidade ao Alizarol 72 (%)°GL
Estável para todas as variedades quanto ao teor de gordura
Acidez dornic °D
14-18
-0,530 –0,550
Índice Crioscopio °H
-1
Densidade g.100g
1028-1034
-1
Gordura g.100g
Mínimo 3,0
Contagem Padrão em placas (UFC.mL-1)
n = 5; c = 2; m = 4,0x104; M = 8,4x104
Coliformes NMP.mL-1 (30/35 °C)
n = 5; c = 2; m = 2; M = 4
-1
Coliformes NMP.mL (45 °C)
Salmonella ssp. 25 mL
-1
n = 5; c =1; m = 1; M = 2
n = 5; c = 0; m = ausência
Fonte: Instrução Normativa do MAPA n° 62 de 29 de dezembro de 2011.
3.3 CONTROLE DE QUALIDADE DO LEITE
3.3.1 Análises físico-químicas
A qualidade físico-química do leite in natura é fundamental para assegurar seu
consumo pela população e para favorecer seu aproveitamento como matéria prima. Por meio
das análises físico químicas, pode-se observar a composição química do leite, bem como, as
22
condições higiênico sanitárias empregadas durante a ordenha, armazenamento e transporte
(TRONCO, 2013).
O controle de qualidade permite verificar o estado de conservação do leite em
relação à sua integridade (POLEGATO; RUDGE apud PANCOTTO, 2011). Neste sentido, as
análises físico-químicas visam avaliar o valor alimentar e rendimento industrial e ainda
detectar possíveis fraudes (PAULA; CARDOSO; RANGEL, 2010). Dentre as análises
destacam-se as descritas a seguir
3.3.1.1 Teste de alizarol
O princípio deste teste baseia-se na ocorrência de coagulação do leite por efeito da
elevada acidez ou do desequilíbrio salino, causado pela desestabilização das micelas de
caseína pelo álcool. O alizarol atua como indicador de pH, auxiliando a diferenciação entre o
desequilíbrio salino e a acidez excessiva (BRASIL, 2006).
Segundo Tronco (2013), este teste é uma combinação da prova do álcool com a
determinação colorimétrica do pH através do indicador alizarina (dioxiantraquinona) e
permite observar de forma simultânea a floculação da caseína, devido à formação de grumos e
a mudança de pH pela viragem da cor.
3.3.1.2 Determinação da acidez em graus Dornic (ºD)
A determinação da acidez do leite em graus Dornic tem por objetivo detectar
aumentos na concentração de ácido láctico pela ação das bactérias mesófilas quando
fermentam a lactose, caracterizando a qualidade microbiológica da matéria prima como
inadequada. A acidez indica o estado de conservação do leite. Uma acidez elevada (>18 ºD) é
o resultado da acidificação da lactose, provocada por microrganismos em multiplicação no
leite (BRASIL, 2006).
Para calcular a acidez é realizado à titulação com solução Dornic. A determinação da
acidez por titulometria fundamenta-se na neutralização das funções ácidas do leite, até o
ponto de equivalência e em presença de um indicador, a fenolftaleína (PANCOTO, 2011).
23
3.3.1.3 Crioscopia
Segundo Tronco (2013), o ponto de congelamento do leite ou determinação do índice
crioscópio é a temperatura em que o leite passa do estado liquido para o estado sólido na
análise qualitativa do leite. Tem por finalidade a detecção de fraudes, pois a diminuição do
ponto de congelamento pode ser decorrente de aumento da acidez, congelamento do leite no
tanque de expansão ou do aumento da concentração de solutos, tais como sal, açúcares e
uréia. Já seu aumento pode estar relacionado com a adição de água ou características
relacionadas com o rebanho.
3.3.1.4 Determinação da densidade
Densidade é o peso específico do leite, determinado por dois grupos de substâncias:
de um lado a concentração de elementos em solução e suspensão e de outro a porcentagem de
gordura (BRASIL, 2006). Pode-se determinar facilmente a densidade do leite pela imersão de
um tipo especial de densímetro, chamado lactômetro ao leite. Na parte superior deste
densímetro existe uma escala que indica o grau lactométrico. Como a densidade depende da
composição de gordura, o leite deve ser aquecido a 40 ºC e resfriado a 15 ºC. Se a temperatura
não for exatamente 15 ºC, deve-se ajustar a resultados de acordo com tabelas ou cálculos que
consiste em adicionar 0,2 para cada grau de temperatura acima de 15 ºC, até 20 ºC, acima de
20 ºC adicionar 0,3. Abaixo de 15 ºC diminui 0,2 para cada grau (TRONCO, 2013).
3.3.1.5 Índice de gordura Método de Gerber
Segundo Behmer (1999) é essencial conhecer a qualidade de um leite, com relação á
riqueza em matéria gorda, pois o valor comercial está relacionado a este componente e pela
dosagem deste elemento ao leite. A matéria gorda do leite é determinada por diversos
processos, porem a determinação pelo método de Gerber é o mais conhecido. O princípio
deste método é a destruição do estado globular da gordura e a dissolução da caseína. O álcool
isoamílico diminui a tensão na interfase entre a gordura e a mistura ácido-leite, facilitando a
separação da gordura. Essa diminuição na interfase facilita a ascensão dos glóbulos de
gordura menores, durante a centrifugação (TRONCO, 2013).
24
3.3.2 Detecção de fraudes
Fraudes são substâncias adicionadas intencionalmente ao leite para tentar disfarçar a
sua qualidade. O uso não permitido pode causar perdas para os produtores e para as indústrias.
As mais comuns de serem encontradas são: Conservantes (peroxido de hidrogênio; formol;
hipoclorito de sódio, água sanitária, entre outros) que são substâncias que eliminam os
microrganismos iniciais do leite conservando-o por mais tempo. Reconstituintes da densidade
e crioscopia (sal; ureia; açúcares; amido) são substâncias adicionadas em conjunto com a água
para mascarar o índice crioscopio e a densidade do leite. Neutralizantes: (hidróxido de sódio;
bicarbonato de sódio; cal virgem; carbonato de potássio, entre outros), essa substancias
diminui a acidez do leite e inibem o crescimento de microrganismos e da fermentação
(TRONCO, 2013). Ressaltando que neste trabalho foi realizado apenas um teste para cada
tipo fraudes (peroxido de hidrogênio; hidróxido de sódio; reconstituinte da crioscopia e
densidade) apresentados a seguir.
3.3.2.1 Teste de peróxido de hidrogênio
A análise de peróxido de hidrogênio é feita para detectar fraudes isso porque, esse
reagente químico é usado como conservante do leite, pois possui ação bactericida e/ou
bacteriostática (detém o crescimento de bactérias) na microbiota presente. O teste baseia-se na
propriedade que o iodeto de potássio tem de reagir com o peróxido de hidrogênio, liberando
iodo, que confere uma cor amarela ao líquido (TRONCO, 2013).
3.3.2.2 Teste do amido
O teste de amido é realizado para detectar fraude pois o amido é adicionado ao leite
como reconstituinte da densidade. O teste verifica o desenvolvimento de coloração azulada
após aquecimento do leite e adição de solução iodo (solução de Lugol) a amostra, em
presença de amido. O aquecimento promove a abertura da cadeia helicoidal da molécula do
amido, permitindo a absorção do iodo com o desenvolvimento da coloração característica
após resfriamento (IAL, 2008).
25
3.3.2.3 Teste de hidróxido de sódio
Segundo Brasil (2006) o uso fraudulento do hidróxido de sódio que é um agente
neutralizante
da
acidez
tem
a
finalidade
de
substituir
as
boas
práticas
na
produção/processamento do leite, pois a intenção é enquadrar um leite fora do padrão em
relação a acidez, em um leite padronizado. Durante o processo fermentativo do leite as
bactérias lácticas fermentam a lactose com produção de ácido láctico e outros compostos.
Esse ácido láctico é responsável pelo aumento da acidez. Processo que não pode ser reduzido
ou eliminado, a não ser por adição de agentes neutralizantes (TRONCO, 2013).
3.3.3 Análises microbiológicas do leite
Uma das principais preocupações com as análises microbiológicas de alimentos
relaciona-se ao controle do desenvolvimento microbiano no monitoramento da matéria prima
e do produto industrializado. Esse controle é de extrema importância, já que permite assegurar
a qualidade do alimento, para que este não ofereça riscos à saúde do consumidor, e tenha a
suas características físico-químicas e sensoriais garantidas no consumo. O ideal é que os
microrganismos não tenham acesso aos alimentos. Entretanto, uma vez que tal fato é
praticamente impossível é necessário adoção de medidas para controlar o seu
desenvolvimento (FRANCO & LANDGRAF, 2008).
3.3.3.1 Tempo de redução do azul de metileno (TRAM).
O fundamento do teste (TRAM) baseia-se na ação das bactérias presentes no leite,
que ao se multiplicarem, utilizam o oxigênio livre ou fracamente combinado do leite,
modificando as condições do produto, que passam de levemente oxidantes para levemente
redutoras. É um método indireto de estimar a população bacteriana do leite em intervalos de
tempo, desde que iniciada a incubação com o corante azul, trocando de tonalidade para o
branco. O azul de metileno é um corante reduzível com possibilidade de reversão: apresenta
cor azul quando oxidado e incolor na forma reduzida (TRONCO, 2013).
A velocidade de reação de óxido redução depende do número de bactérias presentes
e sua taxa de consumo de oxigênio. Pode-se estabelecer alguns critérios para classificação do
26
leite: leite de muito boa qualidade quando a descoloração ocorre após cinco horas; leite bom
quando a descoloração ocorre após três horas; leite ligeiramente contaminado quando a
descoloração ocorre entre uma e três horas; leite bastante contaminado quando a descoloração
ocorre entre uma e duas horas; leite de péssima qualidade a descoloração ocorre em menos de
uma hora (TRONCO, 2013).
3.3.3.2 Contagem Total de Microrganismos mesófilos
As análises microbiológicas de produtos alimentícios podem ser conduzidas para
investigar a presença ou ausência de microrganismos nesses produtos a contagem total de
microrganismos é comumente utilizada para indicar se a limpeza e desinfecção e o controle da
temperatura durante o processo de tratamento industrial, transporte e armazenamento foram
realizados de forma adequados. O método convencional de contagem total de microrganismos
mesófilos consiste no plaqueamento de alíquotas do alimento homogeneizado e de suas
diluições em meios de cultura sólidos adequadamente selecionados em função dos
microrganismos mesófilos a serem enumerados (FRANCO & LANDGRAF, 2008).
3.3.3.3 Contagem de Coliformes totais
As provas para determinar coliformes totais, no caso do leite cru permitem avaliar o
grau de contaminação do próprio leite. No caso de leite e produtos pasteurizados, serve para
detectar uma pasteurização ineficiente ou possível recontaminações posteriores, pois esses
microrganismos não resistem às temperaturas de pasteurização (TRONCO, 2013).
Pertence ao grupo de coliformes totais os gêneros bacterianos Eschirichia,
Enterobacter, Klibsiela e Cirrobacter, incluindo cerca de 20 espécies, dentre as quais
encontram tanto bactérias originárias do trato gastrointestinal de humanos e outros animais de
sangue quente, O significado da presença da E. coli em um alimento deve ser avaliado sob
dois ângulos inicialmente, E. coli por ser uma entero bactéria, uma vez detectada no alimento
indica que o mesmo apresenta uma contaminação microbiana de origem fecal e portanto, em
condições higiênicas insatisfatórias (FRANCO & LANDGRAF, 2008).
A seleção do método em placas ou em tubos para contagem de coliformes totais
depende em grande parte do número de coliformes que se espera encontrar, recomendam-se
27
os meios sólidos devido a maior reprodutibilidade e a maior confiança, pois permitem uma
confirmação rápida de qualquer colônia duvidosa em meios liquido (TRONCO, 2013).
3.3.4 Controle do tratamento térmico do leite
A escolha do tratamento térmico para o leite vai depender da qualidade da matéria
prima, do grau de destruição bacteriana que se deseja alcançar, bem como o tipo de alteração
que pode ocorrer com os componentes do leite. Os processos de aquecimento são os mais
amplamente utilizados no âmbito industrial, podendo variar conforme valores do binômio
tempo-temperatura, com o objetivo de aumentar a vida de prateleira do produto, sua
estabilidade, condições de envasamento e estocagem (TRONCO, 2013).
A fosfatase alcalina e a peroxidase são enzimas uteis para diferenciar se o leite foi
submetido ao processo de pasteurização o a outros processos como a esterilização. Na tabela 3
apresenta um resumo dos testes de controle do grau de aquecimento do leite.
Tabela 3 – Resumo dos testes de controle do grau de aquecimento do leite.
Fosfatase alcalina
Peroxidase
Leite cru
Positiva
Positiva
Leite pasteurizado
Negativa
Positiva
Leite esterilizado, superaquecido ou fervido.
Negativa
Negativa
Tronco (2013).
3.3.4.1 Prova de fosfatase alcalina
A fosfatase alcalina é uma enzima naturalmente presente no leite cru e destruída pelo
calor produzido no processo de pasteurização (72 ºC por quinze segundos) ou (63-65 ºC por
30 minutos) é utilizada como indicador para assegurar que o processo de pasteurização foi
realizado adequadamente (BRASIL, 2011). A verificação da atividade enzimática é feita
mediante a adição à amostra do substrato específico da enzima em condições ideais para sua
atuação o processo se baseia na liberação do fenol, o fenilfosfatodissódico, em presença de
fosfatase, libera fenol detectado mediante reações colorimétricas (cor amarelada) (BRASIL,
2006).
28
A presença desta enzima em uma amostra de leite pasteurizado constitui indicativo
de que o leite não sofreu tratamento térmico adequado podendo ter ocorrido mistura ou
recontaminação de leite cru (TRONCO, 2013).
3.3.4.2 Prova de Peroxidase
A Peroxidase é uma enzima naturalmente encontrada no leite cru, que e destruída
quando o leite é aquecido a 85-90 ºC por 20 segundos. Após o tratamento térmico, a
peroxidase permanecer ativa apresentando uma coloração (anel róseo salmão) e serve de
indicadores para assegurar que o processo de pasteurização foi realizado adequadamente
(TRONCO, 2013).
29
4 MATERIAL E MÉTODOS
As amostras (leite cru e pasteurizado) utilizadas neste estudo foram coletadas
diretamente dos tanques refrigerados das agroindústrias de Ariquemes, no período de 18 a 23
de setembro de 2014.
Foi coletada uma amostra para cada agroindústria, sendo que neste estudo, foi
verificado a qualidade do leite de um total de 9 (nove) agroindústrias. As agroindústrias foram
enumeradas de acordo com a ordem de coleta de 01 a 09. Apenas duas realizavam o
processamento térmico do leite (pasteurização) as demais utilizavam o leite na fabricação de
queijos doces e iogurtes sem a realização de nenhum processo térmico.
Para a coleta das amostras, utilizou-se embalagem de vidro previamente esterilizadas
em autoclaves. Homogeneizou-se o leite no tanque e em seguida coletou-se aproximadamente
300 mL. A embalagem contendo a amostra foi armazenada em caixa térmica e transportada
rapidamente até o laboratório de biologia da Universidade Federal de Rondônia, para
realização das análises microbiológicas e posteriormente para o laboratório do Laticínio
DANY LTDA, onde foram realizadas as análises físico-químicas. Todas estão descritas a
seguir.
4.1 ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS
4.1.1 Teste de alizarol
O teste do alizarol foi analisado de acordo com a Instrução Normativa do MAPA n°
68 de 12 de dezembro de 2006.
Material: Tubo de ensaio; estante para tubos de ensaio s/rosca; pipeta graduada de
10 mL; pipetador automático; solução de alizarol 72 °GL.
Métodos: Misturou-se partes iguais (2 mL) da solução de alizarol e da amostra (leite)
em um tubo de ensaio, agitou-se e observou-se a coloração e o aspecto (formação de grumos,
flocos ou coágulos grandes). Interpretação dos resultados:
30
i - Leite com resposta normal: coloração vermelha tijolo. Aspecto das paredes do
tubo de ensaio sem grumos ou com uma ligeira precipitação, com poucos grumos
muito finos.
ii - Leite ácido: tendência a um esmaecimento da cor, passando para uma tonalidade
entre o marrom claro e amarelo. Na acidez elevada ou no colostro, a coloração é
amarela, com coagulação forte.
iii - Leite com reação alcalina (mamites, presença de neutralizantes): coloração lilás a
violeta (BRASIL, 2006).
4.1.2 Determinação da acidez em graus Dornic (ºD)
A determinação da acidez em graus dornic (°D) foi analisada de acordo com as
normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz (2008).
Material: Pipeta volumétrica de 10 mL; pipetador automático; béquer de 100 mL;
acidimetro de Dornic; solução Dornic, solução fenolftaleína (1 %).
Métodos: Pipetou-se 10 mL da amostra e transferiu-se para um béquer de 100 mL,
adicionou-se 4 gotas da solução de fenolftaleína, titulou-se com a solução Dornic, até o
aparecimento de uma coloração levemente rósea. A leitura do resultado foi expressa em graus
Dornic. Nota: cada 0,1 mL da solução Dornic gasto equivale a 1°D.
4.1.3 Crioscopia
O teste de crioscopia foi analisado de acordo com a Instrução Normativa do MAPA
n° 68 de 12 de dezembro de 2006.
Material: Crioscópio eletrônico; tubo de ensaio para crioscópio; estante para tubos
de ensaio; pipeta graduada de 10 ml; pipetador automático; papel absorvente; solução padrão
0,621 °H; solução padrão 0,422 °H; banho anti-congelante.
Métodos: Transferiu-se 2,5 mL da amostra de leite devidamente pipetada para um
tubo de ensaio que foi colocado no aparelho e realizada a leitura do ponto de congelamento
medida em ºH.
31
4.1.4 Determinação da densidade
A determinação da densidade foi analisada de acordo com a Instrução Normativa do
MAPA n° 68 de 12 de dezembro de 2006.
Material: Proveta de 250 mL; papel toalha absorvente; termolactodensímetro.
Métodos: Transferiu-se a amostra para uma proveta de capacidade correspondente,
evitando incorporação de ar e formação de espuma. Introduziu-se o termolactodensímetro
perfeitamente limpo e seco na amostra. Esperou-se estabilizar e realizou-se a leitura da
densidade na cúspide do menisco.
4.1.5 Índice de gordura Método de Gerber
O índice de gordura método de Gerber foi analisado de acordo com a Instrução
Normativa do MAPA n° 68 de 12 de dezembro de 2006.
Material: Centrifuga 8 provas, 1200 a 1400 rpm; bico de papagaio 1 e 10 mL; pipeta
volumétrica de 11 mL; butirômetro; rolha de butirômetro; estante para butirometro; álcool
isoamílico; ácido sulfúrico densidade 1,820 – 1,825 g/cm3.
Métodos: Com auxílio do bico de papagaio adicionou-se 10 mL de ácido sulfúrico
em um butirometro. Transferiu-se vagarosamente pela parede do butirometro sobre o ácido
sulfúrico 11 mL da amostra (leite), em seguida com auxílio de um bico de papagaio
adicionou-se 1 mL de álcool isoamílico. O butirômetro foi fechado com uma rolha própria,
agitou-se até a dissolução da amostra em seguida colocou-se na centrifuga por 5 minutos.
Realizou-se a leitura na escala do próprio butirometro.
4.2 DETECÇÃO DE FRAUDES
4.2.1 Teste de peróxido de hidrogênio
O teste de peroxido de hidrogênio foi analisado de acordo com Tronco (2008).
32
Materiais: Estante para tubo de ensaio, tubo de ensaio; pipeta graduada de 10 mL;
pipetador automático; solução de guaiacol.
Métodos: Pipetou-se 10 mL de leite transferiu para o tubo de ensaio, adicionou-se 1
mL de guaiacol vagarosamente pela parede do tubo de ensaio e observou a coloração.
Resultados (+) coloração é salmão.
4.2.2 Teste de amido
O teste do amido foi realizado de acordo com as normas analíticas do Instituto
Adolfo Lutz (2008).
Material: Estante para tubo de ensaio; tubos de ensaio s/rosca; pinça para tubos
(inox); bico de bunsen; pipetas graduadas de 1 e 10 mL; pipetador automático; conta gotas;
solução de Lugol.
Métodos: A amostra de leite (10 mL) foi pipetada e transferida para um tubo de
ensaio que foi aquecido até ebulição em um bico de Bunsen. Após resfriamento foram
adicionadas 2 gotas de solução de Lugol e observou-se a coloração, Resultado (+) coloração
azulada.
4.2.3 Teste de hidróxido de sódio
O teste de hidróxido de sódio foi avaliado de acordo com a Instrução Normativa do
MAPA n° 68 de 12 de dezembro de 2006.
Material: Pipeta graduada de 10 mL; tubo de ensaio; estante para tubo de ensaio;
azul de bromotimol; conta gotas.
Métodos: Pipetou-se 5 mL da amostra, transferiu-se para um tubo de ensaio e
adicionou-se 4 gotas azul de bromotimol, observando a coloração. Resultado: (+) coloração
esverdeada; (-) coloração amarelada.
33
4.3 ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS
4.3.1 Tempo de redução do azul de metileno (TRAM).
O tempo de redução do azul de metileno (TRAM) foi analisado de acordo com
Tronco (2008).
Material: Tubo de ensaio esterilizado c/rosca 16x150mm; estante p/ tubos de ensaio;
pipetador automático; pipeta graduada de 10 ml esterilizada; pipeta graduada de 1 mL;
termômetro (-1 + 110 °C); banho maria 37°C; solução de azul de metileno.
Métodos: Em um tudo de ensaio foram transferidos 10 mL da amostra de leite cru
(devidamente pipetada) e 1 mL de azul de metileno. O tudo foi invertido três vezes, para que
houvesse uma homogeneização, porém, foi realizado de maneira que evitasse a entrada de ar.
O tubo foi incubado em banho Maria a 37 ºC. Realizou-se a visualização em intervalos de 30
minutos em seguida de 60 em 60 minutos, até que, no mínimo 2/3 do tubo apresentaram
descoloração ou descoloração total (cor branca do leite). Os resultados foram interpretados
utilizando como parâmetros o tempo de descoloração, como segue:
a)
Leite de excelente qualidade: descoloração ocorre após 5 horas;
b)
Leite bom (qualidade satisfatória): descoloração ocorre após 3 horas, a
microbiota total provavelmente e inferior a 106 UFC .mL-1;
c)
Leite ligeiramente contaminado: descoloração ocorre entre 1 a 3 horas;
d)
Leite bastante contaminado: descoloração ocorre entre 1 a 2 horas;
e)
Leite altamente contaminado (péssima qualidade): descoloração ocorre em
tempo inferior à uma hora. A microbiota pode representar cerca de 107 UFC . mL-1.
4.2.2 Contagem total de microrganismos mesófilos
A contagem total de microrganismos mesofilos foi analisada de acordo com Tronco
(2013).
Material: Placas de pétri (estéreis em autoclave 115 ºC / 15 minutos); pipeta;
ponteiras para pipeta (estéreis em autoclave 115 ºC / 15 minutos); frascos diluidores (estéreis
em autoclave 115 ºC / 15 minutos); (água peptonada; estéreis em autoclave 115 ºC / 15
34
minutos); PCA (plate count Agar), (estéreis em autoclave 115 - ºC / 15 minutos); estufa para
incubação.
Métodos: As amostras coletadas nos tanques de refrigeração foram diluídas e
posteriormente plaqueadas. As diluições utilizadas foram 10-1, 10-2, 10-3, 10-4, 10-5, 10-6.
Transferiu-se 1 ml das diluições para as placas de Petri. Após a inoculação no centro
de cada placa, adicionou-se 12-15 mL do meio ágar (PCA), a uma temperatura entre 40 – 45
ºC. Homogeneizou-se fazendo movimento circulares (semelhantes ao número oito em dois
sentidos), de forma a misturar adequadamente o inóculo e o meio de cultura. Alguns minutos
foram aguardados para que se solidificasse e só após foram incubadas em estufa a 35 ºC ±1 ºC
por 24 horas. As placas foram colocadas na estufa em forma invertida (para não dessecar o
meio), e estavam devidamente identificadas com o tipo de produto, número de amostra,
diluições e data de análises. Esta análise foi realizada em duplicata.
Para contagem total em placa de pétri, escolheu-se as diluições que tinha crescimento
entre 30 e 300 colônias.
4.2.3 Contagem de coliformes totais
A contagem total de coliformes totais foi analisada de acordo com Tronco (2008).
Materiais: Placas de pétri (estéreis em autoclave 115 ºC / 15 minutos); pipeta;
ponteiras para pipeta (estéreis em autoclave 115 ºC / 15 minutos); frascos diluidores (estéreis
em autoclave 115 ºC / 15 minutos); (água peptonada; estéreis em autoclave 115 ºC / 15
minutos); VRBL (violeta vermelho neutro lactose e bile), (estéreis em autoclave 115 ºC / 15
minutos); estufa para incubação.
Métodos: O procedimento para a semeadura do meio é semelhante ao realizado para
contagem total de microrganismos. Após a semeadura homogeneizou-se, as placas em
movimentos de oito. Deixou-se solidificar. Incubou-se a 35 ºC por 24 horas. Após a
incubação fez-se a contagem das colônias. Aqui, não há necessidade de diluição pois esperase não encontrar coliformes na amostra.
35
4.3 CONTROLE DO TRATAMENTO TÉRMICO DO LEITE
4.3.1 Prova de Fosfatase alcalina
A prova de fosfatase alcalina foi analisada de acordo com Tronco (2008).
Material: Tubo de ensaio13x100mm; estante para tubos de ensaios; kit p-nitrofenilfosfato.
Métodos: Foi transferido 1 mL do reativo de trabalho para o tubo de ensaio e
adicionadas 2 gotas de leite pasteurizado. A solução ficou em repouso a temperatura ambiente
por 6 minutos. Interpretação dos resultados: leite cru ou mal pasteurizado: produzirá pnitrofenol de cor amarela; leite pasteurizado: não produzirá mudança de cor.
4.3.2 Prova de peroxidase
A prova de peroxidase foi realizada de acordo com Tronco (2008).
Material: Tubos de ensaio; estantes p/tubos de ensaio; pipetas graduadas de 2 e 10
mL; contas gotas; solução de guaiacol (1%); peróxido de hidrogênio (20 vol.).
Métodos: Pipetou-se 10 mL de leite, transferiu-se para um tubo de ensaio. Foi
adicionado 2 mL da solução de guaiacol (1 %) vagarosamente pela parede do tubo de ensaio e
com auxílio de conta gotas 3 gotas de peróxido de hidrogênio.
36
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados das análises físico-químicas, fraudes e microbiológicas para as nove
agroindústrias da região de Ariquemes-RO estão apresentados na Tabela 4, e discutidos na
sequência. Vale ressaltar que das nove agroindústrias, duas, as de número 1 e 6 realizavam a
pasteurização do leite, portanto foram coletadas nestas agroindústrias uma mostra de leite cru
e uma amostra de leite pasteurizado. Porém, durante a realização dos testes, foi necessário
coletar uma segunda amostra da agroindústria de número 1 (leite pasteurizado) para a
confirmação de resultados.
37
Tabela 4 - Resultados das análises (físico-químicas, detecção de fraudes, microbiológicas e controle do tratamento térmico).
-0,567
3,4
Neg.
Neg.
Neg.
02:00
1,08x107
Past. 1º
Conf.
16
1,030
-0,565
3,4
Neg.
Neg.
Neg.
-
6,4x106
4
Alizarol*
Past. 2º
Conf.
16
1,030
-0,565
3,4
Neg.
Neg.
Neg.
-
7,0x10
02
Cru
Conf.
10
1,030
-0,533
2,8
Neg.
Neg.
Neg.
Não reduz em 05:00
Ausência
03
Cru
Conf.
14
1,032
-0,525
2,9
Neg.
Neg.
Neg.
02:00
6,45x106
04
Cru
ñ.conf.
16
1,032
-0,533
4.2
Neg.
Neg.
Neg.
00:20
1,19x107
05
Cru
Conf.
13
1,030
-0,526
3,2
Neg.
Neg.
Neg.
Não reduz em 05:00
3,95x103
Cru
Conf.
14
1,030
-0,530
3,0
Neg.
Neg.
Neg.
01:00
7,9x106
Past.
Conf.
15
1,030
-0,530
3,0
Neg.
Neg.
Neg.
-
3,7x106
06
Peroxidase***
Hidróxido. de
sódio**
1,033
Fosfatase
alcalina***
Teste de
Amido**
12
Cont. de t.
térmico
Coliformes
Totais(UFC.m
L-1)
Peróxdo de
hidrogênio**
Contagem
Total de MO
mesófilos(UFC
.mL-1)
Gordura (%)
Conf.
Acidez °D
Crioscopia °H
TRAM (Hora:
Minuto)
Microbiológicas
Densidade
01
Detecção de fraudes
Cru
Tipo de leite
Agroindústria
Físico-químicas
10x101
Pres.
Pres.
Aus.
Aus.
Aus.
Aus.
9x10
1
Incontáveis
6
07
Cru
Conf.
14
1,032
-0,523
3,1
Neg.
Neg.
Neg.
05:00
3,25x10
08
Cru
Conf.
16
1,033
-0,532
2,5
Neg.
Neg.
Neg.
03:30
3,3x106
09
Cru
Conf.
15
1,031
-0,517
2,6
Neg.
Neg.
Neg.
03:30
4.55x106
Fonte: Autores (2014).
*conforme e não conforme. ** Positivo ou negativo. ***Ausente ou presente.
38
5.1.1 Teste de alizarol
De acordo com a Instrução Normativa MAPA n° 62 de 29 de dezembro de 2011, o
leite cru refrigerado deve apresentar no mínimo estabilidade ao alizarol 72 ºGL para ser
recebido na indústria e após ser submetido ao tratamento térmico deve apresentar estabilidade
ao alizarol 72 ºGL. Observando os resultados apresentados na Tabela 4 as amostras de leite de
8 agroindústrias apresentaram estabilidade ao alizarol 72 °GL, apenas a agroindústria nº 04
não estava dentro do padrão estabelecido, pois apresentou uma coloração amarelada
sinalizando que leite estava ácido (BRASIL, 2006).
Segundo Tronco (2008), a elevação da acidez do leite pode representar ineficiência
na refrigeração que deve ocorrer logo após a ordenha. Pode ser atribuída ainda a utensílios e
equipamentos mal higienizados, contaminando o leite. Estes procedimentos se não realizados
de maneira adequada, acarretam diretamente na perda de qualidade do produto.
Segundo Behmer (1999), à medida que a contagem microbiana fica mais alta, mais
difícil do leite apresentar estabilidade no teste de alizarol.
5.1.2 Determinação da acidez em graus Dornic (ºD)
Segundo BRASIL (2011), o leite é considerado normal e apto para o consumo (cru
ou pasteurizado) com acidez titulável entre 0,14 e 0,18 g de ácido lático. 100 mL-1, ou seja,
entre 14 e 18 ºD. Está análise permite verificar também se, após o processo de pasteurização,
o leite mantém suas características de qualidade.
De acordo com a Tabela 4, observou-se que a quantidade de álcali necessárias para
neutralizar os compostos ácidos do leite das agroindústrias de número 02 e 05 estavam abaixo
do aceitável pela legislação (10 e 13 ºD respectivamente).
A acidez superior a 18°D se deve a acidificação do leite pela quebra da lactose por
microrganismos presentes e a acidez inferior a 14°D se deve provavelmente a adição de
neutralizantes da acidez. O resultado da acidez Dornic deriva das reações entre componentes
ácidos e alcalinos presentes no leite, e não da concentração real de ácido lático, este pode ser
adulterado pela adição de substâncias alcalinas que se ligam ao ácido lático presente no leite,
neutralizando-o (BHEMER, 1999; TRONCO, 2008).
39
Neste estudo foi verificado e somente o teste de fraude para neutralizantes, o
hidróxido de sódio, mas existem outros (bicarbonato de sódio, cal virgem, carbonato de
potássio, entre outros) que poderiam estar presentes. Estas substâncias (neutralizantes) visam
ocultar a elevação da acidez Dornic do leite.
As demais agroindústrias apresentaram acidez Dornic dentro dos limites exigidos
pela Instrução Normativa do MAPA nº 62 de 2011. Porém, como a agroindústria de número
04 apresentou instabilidade ao alizarol (cor amarelada), sugere-se que há uma elevada
concentração de ácidos. A elevação da acidez desta agroindústria em questão, não foi
detectada pela determinação Dornic. Esta inconsistência de resultado foi atribuída a possível
erro analítico.
5.1.3 Crioscopia
De acordo com a Instrução Normativa MAPA n° 62 de 29 de dezembro de 2011,
para que o leite cru refrigerado seja considerado normal o índice crioscópio é de -0,530 ºH a 0,550 °H.
De acordo com os resultados apresentados na Tabela 4 obtidos, observou-se que as
amostras dos leites das agroindústrias 02, 04, 06 e 08 estão dentro dos padrões exigidos pela
Instrução Normativa MAPA nº 62 de 2011.
As agroindústrias 03, 05, 07, 09 apresentaram resultados inferiores ao mínimo
estabelecidos pela legislação (-0,530 °H). Segundo Tronco (2013), leite fraudado, com adição
de água, altera o ponto de congelamento fazendo com que este se aproxime de zero (ponto de
congelamento da água). Vale ressaltar que diante dos resultados apresentados na Tabela 03, os
valores encontrados para as agroindústrias de número 03, 05 07 e 09 (abaixo do estabelecido
pela legislação), não podem ser considerados como fraudes, pois o índice crioscópio do leite
pode variar de acordo período de lactação, estação do ano, clima, alimentação, raça animal,
doenças dos animais e processos de pasteurização (lenta ou rápida) ou esterilização, estado de
conservação da matéria prima, entre outros. Já a agroindústria 01 apresentou resultado acima
do estabelecido pela normativa isto se deve possivelmente adição de substância que aumenta
o teor dos sólidos solúveis no leite.
40
5.1.4 Determinação da densidade
A legislação brasileira define como densidade aceitável para o leite cru refrigerado,
os valores compreendidos entre 1,028 a 1,034 g.mL-1 a uma temperatura 15 °C (BRASIL,
2011).
Segundo Tronco (2013), valores fora do intervalo permitido pela legislação podem
ser derivados de ações fraudulentas. Densidades maiores são indicativas de desnate prévio do
leite, enquanto que densidades menores pode ser um indício de adição de água (FOSCHIERA,
2004 apud PANCOTTO, 2011).
Observando os resultados apresentados na Tabela 4 os encontrados para a densidade
do leite atendem aos requisitos legais de classificação de qualidade do leite para esta prova,
estando de acordo com a legislação. A análise de densidade por lactodensimetro vem sendo
frequentemente substituída pelo índice crioscópio, pois, como foi possível observar,
resultados inadequados foram detectados pela análise de crioscopia e não foram percebidas
pela densidade aparente (TRONCO, 2013).
5.1.5 Índice de gordura Método de Gerber
De acordo com a Instrução Normativa MAPA n° 62 de 29 de dezembro de 2011,
deve apresentar o teor de no mínimo 3,0 g.100g-1 de gordura para leite cru refrigerado e leite
pasteurizado.
Na Tabela 4 encontram-se os resultados da análise de gordura das amostras de leite.
Nota-se que as agroindústrias 02, 03, 04, 08 e 09 apresentaram valores fora do intervalo
determinado pela legislação (mínimo 3 %). Está variação pode ser consequência da má
alimentação e desequilíbrio na dieta dos animais, é preciso considerar também a raça, a idade
o estado de saúde. O meio ambiente também influi: deve-se levar em conta a estação do ano
(variações sazonais) e a temperatura ambiental (TRONCO, 2013).
41
5.2 RESULTADOS DAS ANÁLISES DE DETECÇÃO FRAUDES
5.2.1 Teste de peróxido de hidrogênio
Segundo IAL (2008), quando houver coloração salmão na amostra de leite, o teste é
positivo e então há peróxido de hidrogênio no leite. De acordo os resultados apresentados na
Tabela 4 não foi observada a coloração róseo salmão nas amostras de leite analisadas. Não
houve a adição deste tipo de conservante que são utilizados a fim de mascarar a acidez do
leite, pois, o mesmo possui ação bactericida elimina os microrganismos presente e
bacteriostático inibem o crescimento de microrganismos e a fermentação.
5.2.2 Teste de amido
O resultado positivo para este teste é a coloração azul, e neste caso o leite deve ser
condenado (TRONCO, 2013). Observando os resultados apresentados na Tabela 4 foram
todos negativos, portanto, não houve adição de amido ao leite que é considerado um
reconstituinte da densidade e da crioscopia.
5.2.3 Teste de hidróxido de sódio
O hidróxido de sódio é identificado quando o leite apresenta uma coloração
esverdeada como resultado, sendo considerado impróprio para o consumo. A coloração
amarelada significa prova negativa (BRASIL, 2006). De acordo com os resultados
apresentados na Tabela 4 resultados negativo para todas agroindústrias. Em relação ao
resultado das agroindústrias 2 e 5 que apresentou resultado abaixo do estabelecido pela
legislação 14 °D, sendo suspeita de fraudes com neutralizantes, mas neste trabalho realizou-se
apenas o teste de peroxido de hidrogênio que apresentaram resultados negativos para todas as
amostras leite, apresentando (cor amarelada). Porém não foi possível realizar o teste de
(bicarbonato de sódio, cal virgem, carbonato de cálcio) para confirmar se houve fraudes com
outro tipo de neutralizante.
42
5.3 RESULTADOS DAS ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS
5.3.1 Tempo de redução do azul de metileno (TRAM)
Segundo Tronco (2013), a velocidade da reação óxido–redução depende do número
de bactérias presente e de sua taxa de consumo de oxigênio e refletem os cuidados com a
higiene, manipulação e conservação do leite em todo o processo: desde a ordenha, o
transporte, até a chegada à recepção da agroindústria. Sendo assim, quanto mais rápido for o
tempo de descoloração do corante de azul para branco, maior é o número de microrganismos
existentes. Diante dos resultados apresentados na Tabela 4 observou-se que o resultado da
análise TRAM para agroindústria nº 4, foi insatisfatório, pois apresentou um tempo de óxidoredução de 20 minutos, corroborando com o resultado obtido para a análise de Alizarol (cor
amarelada).
Segundo Behmer (1999), o leite é considerado bom quando não descolore em 5h e 30
minutos. As agroindústrias de número 02 e 05 não reduziam no tempo de 5 horas. Estas são as
mesmas agroindústrias que apresentaram acidez Dornic abaixo do estabelecido pela
legislação. As agroindústrias de número 01, 03, 06, 08 e 09 enquadram-se no parâmetro
regular. A Instrução Normativa MAPA nº 62 de 2011 não determina um período mínimo para
esta prova.
5.3.2 Contagem Total de Microrganismos mesofilos aeróbio
Segundo a Instrução Normativa MAPA nº 62 de 2011, o Leite Cru Refrigerado deve
possuir até 2016 Regiões: N / NE Máximo de 6,0x105 UFC. mL-1, e para o leite pasteurizado
máximo de 8,0x104 UFC.mL-1.
Esta análise é normalmente realizada em leites crus, para verificar se houve
contaminação durante a ordenha, armazenamento e transporte e qual o grau de contaminação.
Já no leite pasteurizado, o objetivo é verificar se o tratamento térmico foi eficiente para
reduzir a população de microrganismos (TRONCO, 2013).
Para as amostras de leite cru, optou-se por realizar a análise apenas nas três últimas
diluições (10-4, 10-5 e 10-6) por se tratar de leite cru esperava-se encontrar números elevados de
43
microrganismos, mas não foi o ocorrido, pois a amostra nº 2 apresentou resultado (ausente)
para esta análise. Em contrapartida, para as amostras de leites pasteurizados (agroindústrias de
nº 1 e nº 6) foram realizadas todas as diluições (10-1, 10-2, 10-3, 10-4, 10-5 e 10-6).
De acordo com os resultados apresentados na Tabela 4, observou-se que a
agroindústria nº 01 (leite cru refrigerado e a primeira amostra de leite pasteurizado)
apresentaram resultados acima do valor máximo permitido pela legislação. Como o leite
pasteurizado recebeu um tratamento térmico, e mesmo assim apresentou valores muito acima
(6,4x106 UFC. mL-1) do estabelecido pela legislação (8,0x104 UFC. mL-1), optou-se por
coletar uma segunda amostra de leite pasteurizado (agroindústria, nº 01), para realizar a
confirmação dos resultados. Os resultados desta segunda amostra foram abaixo de (8,0x104
UFC. mL-1).
A agroindústria nº 02 não apresentou nenhuma colônia nas diluições avaliadas 10-4,
10-5 e 10-6, não sendo possível identificar a causa desse resultado, pois tratava-se de um leite
cru. Vale lembrar que os resultados encontrados para as análises de acidez Dornic e para o
teste de azul de metileno da amostra desta mesma agroindústria (nº 02), também foram
incomum: acidez Dornic igual a 10 ºD (considerada imprópria) e para o teste de azul de
metileno, não houve redução em 5 horas (caso improvável para um leite cru). Tais resultados
podem ser atribuídos a adição de algum neutralizantes (TRONCO, 2008; BHEMER, 1999).
Retomando mais uma vez, que neste trabalho, foi verificado apenas o teste de hidróxido de
sódio. Para afirmar, se houve fraudes com neutralizante deveria ter realizado também o teste
de bicarbonato de sódio e outros, mas não foi possível realiza-los.
A agroindústria nº 05 o leite cru refrigerado e agroindústria n° 01 (2° amostra leite
pasteurizado) apresentaram valores inferiores ao máximo permitido, estando de acordo com a
legislação. A agroindústria nº 06 as amostras de leite cru refrigerado e pasteurizado
apresentaram valores próximos, podendo indicar contaminação pós-processamento térmico
para o leite pasteurizado ou ineficiência da pasteurização. As demais agroindústrias
apresentaram valores acima do máximo permitido pela legislação, o que pode ser atribuído a
falhas nos processos de obtenção, transporte e refrigeração do leite.
Segundo Tronco (2013), a contagem total de microrganismos em leite cru pode
variar desde inferior a 1000 UFC.mL-1, quando a contaminação durante a obtenção for
mínima, até valores maiores que 106 UFC.mL-1. No caso de leite pasteurizado e produtos
similares, a contagem total de microrganismos reflete um índice de boas práticas de
fabricação.
44
5.3.3 Contagem de coliformes totais
Observou-se na Tabela 4 que houve presença de colônia em todas as amostras.
Segundo Tronco (2013), as provas para determinar coliformes no caso de leite e produtos
pasteurizados serve para detectar uma pasteurização ineficiente ou possível recontaminação
posteriores, pois, normalmente as bactérias não resistem às temperaturas de pasteurização.
Ainda de acordo com o autor, a presença de coliformes em leite considerado devidamente
pasteurizado, mesmo que geralmente indique recontaminação, não implica necessariamente
que o leite seja perigoso. Sua presença significa que medidas necessárias devem ser tomadas
para descobrir e eliminar toda fonte de recontaminação.
5.4 CONTROLE DO TRATAMENTO TÉRMICO DO LEITE
5.4.1 Prova de Fosfatase alcalina
De acordo com a Instrução normativa MAPA n° 68 de 12 de dezembro de 2006, o
teste é considerado positivo quando há a formação de uma cor amarelada. A fosfatase alcalina
é encontrada no leite cru e destruída pelo calor produzido no processo de pasteurização
(TRONCO, 2013).
De acordo com os resultados apresentados na Tabela 4 a primeira amostra de leite
pasteurizado da agroindústria nº 01 foi constado a presença da fosfatase alcalina. A presença
desta enzima em uma amostra de leite pasteurizado constitui indicativo de que o leite não
sofreu tratamento térmico adequado (tempo e temperatura), ou ainda, pode ter ocorrido
mistura ou recontaminação com leite cru (TRONCO 2013). Já a segunda amostra de leite
pasteurizado desta mesma agroindústria, o resultado foi fosfatase ausente. Os resultados
observados tanto para a fosfatase alcalina como para a contagem de microrganismos totais,
apresentado na seção anterior, comprovam que o processo térmico aplicado não segue uma
padronização, não está sendo controlado. Para a agroindústria de nº 06 a enzima estava
ausente, portanto, dentro do estabelecido.
45
5.4.2 Prova de Peroxidase
De acordo com a Instrução normativa MAPA n° 68 de 12 de dezembro de 2006, o
teste é considerado positivo quando há a formação de um de um anel róseo salmão. Esta
enzima é destruída quando o leite é aquecido a 70 ou 80 °C variando com o tempo de
aquecimento (BEHMER, 1999), Portanto, a enzima deve estar presente nos leites
pasteurizados que receberam tratamento térmico adequado: pasteurização lenta (62 a 65ºC /
30 minutos) ou pasteurização rápida (72 a 78ºC / 15 segundos) (ORDÓNEZ, 2005). Leite
com peroxidase negativa deve ser condenado, pois trata-se de um leite que teve um
superaquecimento não podendo ser empregado na fabricação de queijos e outros subprodutos.
De acordo com a Tabela 4, a enzima estava presente na primeira amostra de leite da
agroindústria nº 01 e ausente na segunda. Assim, sugere-se mais uma vez a hipótese de não
ter um controle no processo térmico, e corroborando com os resultados apresentados
anteriormente. Para a agroindústria de nº 6 o resultado do teste foi ausente.
46
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos resultados obtidos das análises de controle de qualidade realizadas em
leites das agroindústrias da região de Ariquemes, pode-se entender que existem falhas em
relação aos processos de obtenção, transporte, armazenamento e processamento do leite,
promovendo uma grande contaminação e afetando diretamente a qualidade do mesmo.
A avaliação da qualidade do leite cru refrigerado e do leite pasteurizado, mediante as
análises físico-químicas, de fraudes e complementadas pelas análises microbiológicas
atestaram que a maioria das amostras não atendiam aos requisitos mínimos previstos pela
legislação, estando a maior parte dos resultados fora dos padrões exigidos pela instrução
normativa MAPA n° 62 de 2011.
Do total de 9 agroindústrias analisadas, todas apresentaram alguma alteração dos
padrões quanto às análises microbiológicas ou físico-químicas, ou as duas. Um resumo das
análises pode ser verificado abaixo:

Agroindústria nº 1: crioscopia (valor inferior ao estabelecido pela legislação);
coliformes totais para o leite pasteurizado; fosfatase alcalina presente; peroxidase ausente;
contagem total de microrganismos elevada.

Agroindústria nº 2: acidez Dornic (inferior a 14ºD); Gordura (valor inferior ao
estabelecido pela legislação), contagem total de microrganismos (isento de microrganismos).

Agroindústria nº 3: crioscopia (valor inferior ao estabelecido pela legislação);
Gordura (valor inferior ao estabelecido pela legislação); contagem total de microrganismos
elevada.

Agroindústria nº 4: teste de alizarol (cor amarelada, contaminação
microbiológica elevada); redutase (redução do azul de metileno em 20 minutos); contagem
total de microrganismos elevada.

Agroindústria nº 5: acidez Dornic (inferior a 14 ºD); crioscopia (valor inferior
ao estabelecido pela legislação); contagem total de microrganismos elevada.

Agroindústria nº 6: coliformes totais para o leite pasteurizado; peroxidase
ausente; contagem total de microrganismos elevada.

Agroindústria nº 7: crioscopia (valor inferior ao estabelecido pela legislação);
contagem total de microrganismos elevada.

Agroindústria nº 8: gordura (valor inferior ao estabelecido pela legislação);
contagem total de microrganismos elevada.
47

Agroindústria nº 9: crioscopia (valor inferior ao estabelecido pela legislação);
gordura (valor inferior ao estabelecido pela legislação); contagem total de microrganismos
elevada.
A alta contaminação microbiológica observada tanto para o leite cru como para o
pasteurizado, ressalta a importância de aplicação de boas práticas de fabricação desde o
momento da ordenha até o armazenamento sob refrigeração do produto final.
A falta de padronização do tratamento térmico deve receber uma atenção especial,
pois o produto (leite) pode estar sendo comercializado inadequadamente, com alta
concentração de microrganismos ou superaquecido, como foi constatado pela agroindústria nº
01, primeira amostra indicava ineficiência na pasteurização e a segunda amostra revelava que
leite tinha recebido uma pasteurização excessiva (ausência da peroxidase).
Vale destacar também que as análises realizadas para detecção de fraudes (peróxido
de hidrogênio, amido e hidróxido de sódio) foram negativas, mas, que seria importante a
realização de outras determinações.
Enfim, entende-se que a ordenha e o processamento de leite de boa qualidade são
condições que beneficiam tanto aos produtores, as agroindústrias, como também aos
consumidores. A melhoria da qualidade do leite vai decorrer de uma série de fatores:
treinamentos específicos para os produtores e ordenadores, cumprimento das medidas
higiênico sanitárias, cuidados com a manipulação, transporte e conservação do leite, bem
como adequações de processos térmicos, embalagens e armazenamento. Essas melhorias nas
etapas de produção, processamento e distribuição, diminuem os riscos de contaminações e
transmissões de doenças aos consumidores. Além disso, a melhoria da qualidade para as
agroindústrias é sinal de diminuição de prejuízos relacionados a perdas da matéria prima,
aumento da produção e vendas e ainda atendimento a legislação vigente. A adoção dos
princípios que norteiam a instrução normativa MAPA n° 62 de 2011 para a produção,
transporte e qualidade do leite requer investimentos fundamentais em infraestruturas e
principalmente a aplicação de conhecimentos técnicos específicos para que as agroindústrias
do município de Ariquemes possam crescer aumentar a produção e expandir com produtos de
qualidade.
48
REFERÊNCIAS
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Cria o programa de verticalização da pequena produção agropecuária do município de
Ariquemes/RO – PROVE, Ariquemes, RO, 2009. Disponível em:
http://ariquemes.ro.gov.br/new/. Acesso em: 30 de maio de 2014
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TCC Eliane e Marciana - Departamento de Engenharia de Alimentos