SISTEMAS AGROFLORESTAIS COM A SERINGUEIRA
1 A Seringueira em Sistemas Agroflorestais
A cultura da seringueira tem se expandido em várias regiões do Brasil,
devido a sua importância em termos de mercado, sobretudo pela perspectiva
de demanda futura da borracha natural. A tecnologia disponível tem dado
suporte a essa expansão, mas ressente-se da necessidade de
desenvolvimento e difusão de sistemas de produção adaptados às
condições edafo-climáticas distintas, de maneira que assegurem a
competitividade do negócio em qualquer situação.
Na exploração da seringueira, o longo período entre a fase de plantio e
o início de exploração é um fato que desestimula a atração de investidores,
sendo também a razão do manejo ineficiente em alguns plantios. Uma
alternativa à solução deste problema é o emprego de sistemas agroflorestais
que envolvam o plantio de culturas intercalares de ciclo curto e semi-perene.
Na fase adulta do seringal é oportuna à consorciação come culturas perenes,
a fim de adicionar receitas ao sistema explorado. Tais estratégias são
eficazes por antecipar a fase produtiva, adicionar valor, permitir um melhor
desenvolvimento dos cultivos e assegurar o incremento da renda na fase
adulta (Virgens Filho, 2003).
Os sistemas agroflorestais (SAFs) com a seringueira, quando
devidamente planejados, permitem a exploração dos recursos naturais com
menores impactos ao meio ambiente. Esse fato se reveste de importância,
uma vez que a agricultura comercial, quase sempre focada na produção e na
renda, relega a um plano secundário a sustentabilidade dos recursos
naturais.
Como se reporta Raintree (1990), os SAFs tem o potencial de
combinar os benefícios conservacionistas de longo prazo com os benefícios
na produção a curto prazo, em sistemas adequadamente desenhados com o
emprego de árvores de uso múltiplo, a exemplo da seringueira que produz
látex, madeira e ainda apresenta outras funções, como quebra-vento, e
sombreamento.
Principalmente nas regiões tropicais, onde os fatores edáficos,
climáticos e biológicos não são favoráveis às monoculturas, os sistemas
agroflorestais são mais benéficos. Uma experiência nesse sentido são os
insucessos de plantios industriais de seringueira na Amazônia (PEREIRA et
al, 1997).
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De acordo com Alvim, Virgens Filho e Araújo (1989), os sistemas
agroflorestais com a seringueira apresentam as seguintes vantagens sobre
os monocultivos:
 incremento das receitas por unidade de área;
 fluxo de caixa mais favorável pela complementaridade das receitas
de mais de uma cultura;
 uso diversificado e mais racional dos fatores espaço, luz e mão-deobra;
 efeitos benéficos múltiplos entre consortes ao partilharem recursos;
 maior reciclagem de nutrientes e melhor aproveitamento residual
dos fertilizantes exógenos;
 redução dos riscos ecológicos e incertezas de mercado,
amenizando crises causadas pela ocorrência de pragas ou doenças
e variações dos preços de uma ou outra cultura.
2 Conceito de Sistemas Agroflorestais
“Os sistemas agroflorestais são formas de uso e manejo dos recursos
naturais, nas quais espécies lenhosas (árvores e arbustos e palmeiras) são
utilizadas em associações deliberadas com cultivos agrícolas e/ou animais,
na mesma área, de maneira simultânea ou seqüencial (OTS/CATIE), para se
obter vantagens das interações ecológicas e econômicas resultantes
(LUDGREN e RAITREE, 1982; NAIR, 1983; YOUNG, 1991).
Trata-se de “um arranjo ou conjunto de componentes, unidos ou
relacionados de tal maneira, que formam uma entidade ou um todo”.
(BECHT, 1974, citado por HART, 1980).
3 Sistemas agroflorestais como alternativa de exploração sustentável
Nas regiões tropicais, as intempéries climáticas contribuem para a
acidificação do solo, aumento do teor de alumínio trocável e redução da
capacidade de troca catiônica. Essas alterações se dão devido às altas
temperaturas e ao elevado índice pluviométrico que favorecem a aceleração
das perdas de nutrientes através da erosão e lixiviação. Nessas condições,
as principais fontes de nutrientes para os ecossistemas naturais são as
precipitações da atmosfera e a fixação de nitrogênio. A maior quantidade de
nutrientes dos horizontes mais superficiais desses solos se encontra na
vegetação.
Nas áreas onde o ambiente natural se mantém preservado, observase um balanço nutricional positivo, quando o sistema se mantém fechado. Ao
3
ser aberto esse sistema com substituição da vegetação nativa por plantas
cultivadas, verifica-se a perda de nutrientes por volatilização devido à queima
dos resíduos, além da erosão, lixiviação e colheita. A conseqüência imediata
é a quebra do processo de ciclagem de nutrientes, além da perda e
desestruturação do solo.
Com a continuidade da degradação do solo, a área vai perdendo o seu
potencial produtivo, reduzindo a oferta de alimentos e produtos florestais de
interesse comercial (frutos, madeira, lenha, borracha, castanha e outros), o
que contribui para diminuir a renda do produtor.
A derrubada da mata, seguida da queima e dos ciclos sucessivos de
exploração agrícola, provocam um processo de degradação ambiental, com
conseqüências desastrosas sobre a sustentabilidade dos recursos naturais.
n° de ciclos ?
Flor. primaria
Queima
Cultivo
Pousio
Degradação (?)
Figura 1 Sistemas seqüenciais e agricultura migratória (extraído de Muller, 2006)
Para minimizar esses efeitos são utilizados modelos de exploração
que possibilitam o uso da terra, assegurando a sua sustentabilidade e entre
essas alternativas estão os sistemas agroflorestais.
De acordo com o ICRAF (1982), a agrofloresta se constitui numa
interface entre a agricultura e a floresta, em resposta a demandas especiais e
condições dos países tropicais em desenvolvimento.
A natureza como são concebidos os sistemas agroflorestais, a busca
de interações entre os componentes dos sistemas, a preocupação com os
valores sociais e culturais, criam uma condição especial para a convivência
harmônica com o meio ambiente.
Se os SAFs não replicam exatamente as interações existentes nos
sistemas naturais, pelo menos buscam a prática de funções moderadoras,
mitigando os impactos decorrentes da intervenção antrópica.
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4. Atributos de um Sistema Agroflorestal
Teoricamente, a maioria dos SAFs, se não todos, possui os atributos
a saber (ICRAF, 1982):
- Produtividade: o aumento da produção e da produtividade são
atributos especiais de um SAF, podendo ser alcançado por meio do
incremento de produção dos cultivos intercalares e das plantas arbustivas ou
arbóreas. Também ocorre a redução dos insumos e a melhoria da eficiência
no uso da mão-de-obra.
- Sustentabilidade: o plantio de espécies em estratos arbóreos em
associação com plantas herbáceas e com funções complementares no
ambiente, conserva a fertilidade do solo de forma duradoura.
- Aceitabilidade: qualquer que seja o modelo proposto é de fundamental
importância que o sistema agroflorestal seja aceito e melhorado pela
comunidade local.
5 Componentes dos sistemas agroflorestais
Um sistema agroflorestal, como qualquer outro sistema é formado
pelos seguintes componentes: a) elementos físicos (terra, água, ar, radiação
solar); b) elementos biológicos (floresta, culturas agrícolas, animais); c) e
sócio-econômicos (homens e mulheres); d) limites (definem suas bordas
físicas); e) entradas (energia solar, mão-de-obra e insumos) e saídas
(alimento, madeira, borracha e outros produtos agrícolas ou animais) que
constituem a energia ou matéria trocada entre os sistemas; f) interações que
são representadas pelas relações entre os componentes do sistema (fixação
de N, competição ou alelopatia); g) hierarquia indica a posição do sistema
com relação a outros sistemas (gleba, agrossistema, bacia hidrográfica)
(OTS/CATIE, 1986).
5.1 Classificação dos sistemas agroflorestais com a seringueira
A partir da classificação proposta por Nair (1985; 1993) para a
agrofloresta, podem-se classificar os sistemas agroflorestais com a
seringueira de acordo com os seus objetivos, conforme a seguir:
5.1.1 Pela sua base estrutural:
5.1.1.1 Segundo a natureza dos componentes:
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a) Componente florestal: associação com árvores (algumas essências
nativas e/ou exóticas em meio ao sistema), palmeiras (seringueira com
pupunha, açaí ou palmeira real);
b) Componente herbáceo-arbustivo: plantas herbáceas (feijão, milho,
sorgo, soja, trigo, batata-doce, inhame), e arbustivas (cacau, café,
citros, cupuaçu);
c) Componente animal: pequeno porte (carneiros) e grande porte
(bezerros, bois, vacas).
5.1.1.2 Segundo o arranjo dos componentes:
a) Stands abertos – seringueira como árvore de sombra em pastagem;
b) Sistema contínuo - seringueira e cacau, seringueira e café;
c) Sistema zonal - seringueira e cacau, seringueira e café, seringueira
e cupuaçu, seringueira e graviola;
d) Arranjo temporal – simultâneo (seringueira, banana e cacau);
seqüencial (seringueira e mamão, seguido de café);
Figura 3 Modelo de arranjo dos sistemas contínuo e zonal de acordo com
Alvim (1988).
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Figura 4 Sistema agroflorestal formado com o plantio simultâneo de
seringueira, banana e cacau (Fazenda Tiriri, Ituberá, Bahia).
5.1.1.3 Segundo a base funcional
a) Produção de madeira – seringueira em SAF para a produção
de látex, seguida da exploração de madeira;
b) Produção de frutos – seringueira e açaí; seringueira e mamão;
seringueira e graviola; seringueira e palmeira real;
c) Produção de Sementes – seringueira e cudzu;
d) Produção de forragem – seringueira e pastagem;
e) Quebra-vento – seringueira e café;
f) Sombreamento – seringueira e cacau;
Fig, 3 Móveis com madeira de seringueira
Fig. 5 Seringueira e café
Fig. 4 Seringueira e mamão
Fig. 6 Seringueira e cacau
5.1.1.4 Segundo a base sócio-econômica
a) Nível tecnológico – alto, médio e baixo (relativo ao uso de
tecnologia e insumos);
b) Escala de produção – subsistência, intermediária e industrial;
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6. Aspectos a serem considerados na escolha de um Sistema
Agroflorestal com a Seringueira
Pereira et al. (1996) e Fancelli (1990) propõem a análise de alguns
fatores no planejamento de um sistema agroflorestal com a seringueira. Tais
informações são apresentadas a seguir com algumas modificações
a) Na escolha da espécie consorte deve-se levar em conta a existência
de mercado, análise financeira favorável, experiência com o cultivo e
disponibilidade de tecnologia;
b) As culturas devem apresentar adaptabilidade às condições de solo e
clima da região;
c) A cultura consorte deve apresentar tolerância ao sombreamento da
seringueira, beneficiar-se dele ou no caso em que não tolere a
sombra, ser plantada a pleno sol, entre as linhas da seringueira,
modificando-se o espaçamento desta;
d) O clone de seringueira deve ser tolerante às principais doenças,
apresentar baixo índice de copa, ramificação simpodial e ser
conduzido visando a abertura natural da copa acima de 2,5 m de
altura; o crescimento médio do tronco deve ser de 7,0 cm/ano ou mais
e a produção superior a 4,0 kg de borracha seca/árvore/ano;
e) O sistema agroflorestal deve ser implantado e explorado de acordo
com as recomendações técnicas;
f) O espaçamento deve ser planejado em função dos objetivos do
produtor, podendo-se dar mais ênfase para a seringueira (400 a 550
plantas por hectare) ou menor ênfase (220 a 300 plantas por hectare);
a distância mínima da seringueira deve ser igual a do próprio
espaçamento do consorte nas entrelinhas, de modo a reduzir o efeito
de competição;
g) No consórcio com culturas perenes, o espaçamento da seringueira
deve ser modificado de maneira a possibilitar a manifestação do
potencial dos consortes em caráter permanente. Para tanto, devem-se
adotar modelos em renques duplos ou em mosaico para a seringueira;
h) A cultura consorte deve desenvolver-se em estratos de parte aérea
e radicular diferentes daqueles ocupados pela seringueira, a fim de
reduzir a competição e possibilitar melhor aproveitamento do solo e da
radiação solar;
i) A cultura consorte não deve apresentar efeito alelopático;
j) Não devem ter períodos coincidentes de máxima exigência por
fatores de produção;
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k) As culturas não devem ter suscetibilidade a pragas e doenças que
possam aumentar seus danos em decorrência do consórcio;
l) Na possibilidade de plantio e manejo com mecanização parcial ou
total, dimensionar os espaços para permitir o acesso de máquinas e
implementos;
m) Sob condições de plantio de culturas intercalares de ciclo curto,
deixar um espaço de 1,0 a 1,5 m da seringueira, crescendo essa
distância até o terceiro ano, na medida em que aumentar o
sombreamento;
n) Orientar o plantio do seringal no sentido leste-oeste, a fim de reduzir
o sombreamento da seringueira sobre o consorte, e tentar coincidir as
linhas de plantas com a direção dos ventos dominantes, favorecendo
a ventilação em todos os estratos da vegetação, reduzindo a umidade,
e consequentemente, os problemas fitossanitários;
7 Práticas de Manejo dos Sistemas Agroflorestais (SAFs)
7.1 Manejo do Solo
No manejo do solo em modelo SAF se deve levar em conta que os
nutrientes distribuem-se entre os componentes bióticos (espécies vegetais e
animais) e abióticos (solo). O aporte de fertilizantes químicos e orgânicos, as
entradas através das precipitações atmosféricas e as saídas através das
colheitas, além da erosão e lixiviação, formam um sistema mais próximo do
ecossistema natural e, portanto, com maior potencial produtivo.
A combinação entre as espécies animais e vegetais, o arranjo espacial
planejado e as práticas de manejo contribuem para que as perdas sejam
mais reduzidas, fato que torna o sistema mais próximo do ambiente natural.
Contudo, é desejável que os nutrientes sejam aportados por meio de práticas
de manejo com foco nos aspectos ecológico, econômico e social.
Conforme é reportado no trabalho da OTS/CATIE (1986), as práticas
de manejo no SAF são desenhadas para cumprir os seguintes objetivos: i)
promover a cobertura do solo o máximo de tempo possível; ii) manter o
conteúdo de matéria orgânica nas camadas superficiais do solo; iii) promover
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a distribuição do sistema radicular nas camadas superficiais do solo, a fim de
melhorar a estrutura física e a ciclagem de nutrientes; iv) evitar queimadas.
7.1.1 Preparo do Solo
Um princípio básico como prática de manejo dos SAFs é a restrição às
queimadas e ao uso de equipamentos que promovem a compactação do
solo. Para tanto, pode-se adotar práticas como o plantio direto e de cultivo
mínimo. A realização freqüente de aração e gradagem, pode levar a
compactação do solo. As atividades deverão dar ênfase à manutenção das
propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.
Práticas de conservação do solo como abertura de terraços,
construção de bacias de infiltração, cobertura morta e cobertura com
leguminosas, reduzem os riscos de erosão. O aumento na densidade de
plantas,
sobretudo
de
espécies
arbóreas
que
contribuem
para
a
interceptação das chuvas, e a formação de uma densa camada de raízes
diminuem a lixiviação.
7.2 Fertilidade do Solo
O manejo do SAF com ênfase para o aumento da produtividade tem
como princípio a elevação da fertilidade do solo por meio da ciclagem de
nutrientes, controle de erosão e da lixiviação e reposição dos nutrientes
exportados. Árvores fixadores de nitrogênio contribuem nesse sentido, mas
retiram outros nutrientes do sistema.
Árvores eficientes na ciclagem de
nutrientes aumentam o teor der nutrientes nas camadas superficiais do solo
por estabelecer um fluxo de nutrientes das camadas mais profundas para as
mais superficiais do solo.
A correção da acidez do solo e aumento da disponibilidade de
nutrientes deve ser feita por calagem e gessagem. O aumento do teor de
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matéria orgânica pode ser feito tanto pela incorporação de restos vegetais
dos componentes do sistema como pela adubação orgânica.
7.2.1 Distribuição dos Fertilizantes
Nos anos iniciais do plantio da seringueira e dos consortes, a
adubação é direcionada individualmente para cada cultivo, sendo colocada a
lanço em círculos crescentes, compatíveis com o raio de distribuição das
raízes. Com o passar dos anos, com a ampliação do sistema radicular dos
cultivos, os fertilizantes são aplicados em lastro, tendo em vista o
crescimento lateral das raízes da seringueira e sua distribuição em camadas
logo abaixo das raízes da cultura consorte.
7.2 Manejo Fitossanitário
Os ecossistemas naturais se caracterizam pela existência de um
equilíbrio dinâmico entre plantas e animais. Quando o ambiente é modificado
este equilíbrio é alterado, resultando em modificações na composição das
comunidades, o que leva a desequilíbrios.
8 Modelos de Avaliação dos Sistemas Agroflorestais com a Seringueira
A metodologia proposta por Pinheiro (1997) para avaliação dos
sistemas agroflorestais em geral, se aplica à seleção dos SAFs com a
seringueira com poucas modificações, conforme apresentado a seguir.
8.1 Avaliação da Produção
A produção por unidade de área deve ser o mais importante parâmetro
de avaliação do SAF seringueira, uma vez que agrega o valor econômico,
além da produção comercial seja de látex ou madeira. Nessa análise podem
ser considerados os produtos primários do consorte (frutos, palmito, grãos,
11
raízes) e secundários tais como palha de cereais, forragem, proteína e
outros.
a) Relação de área equivalente
A relação de área equivalente, também chamada de taxa de
equivalente agrário é estabelecida ao ser considerada a área de terreno que
requer a monocultura para produzir a mesma quantidade obtida em 1,0
hectare de SAF Seringueira. Ela é calculada mediante a seguinte fórmula:
TEA – Taxa de Equivalente Agrário
TEA = Produção da seringueira no SAF + Produção do cultivo intercalar no SAF
Prod. da seringueira no monocultivo + Prod. do cult. intercalar no monocultivo
A TEA expressa a produção numa base relativa e, portanto, permite a
comparação de diferentes combinações. No sul da Bahia, Virgens Filho,
Alvim & Araújo (1988), analisando o consórcio de seringueiras, plantadas no
espaçamento de 7,0 x 3,0 (476 plantas/ha) e consorciadas nas entrelinhas
com cacaueiros distribuídos em uma a duas linhas no espaçamento de 3,0 x
3,0 m (500 a 750 plantas/ha), encontraram uma produção média de 750 kg
de borracha seca/ha/ano e 780 kg de amêndoas secas de cacau.
Ao
compararem essas produções com aquelas obtidas por plantios de baixa
tecnologia, encontraram uma TEA de 2,45 ha, enquanto na comparação com
plantios de alta tecnologia, obteve-se uma TEA de 1,41 ha. Com esses
resultados concluíram que seria necessária uma área de 2,45 ha de
monocultura de cacau ou seringueira para equivaler a 1,0 ha de consórcio
entre seringueira e cacau nas condições de baixa tecnologia das
monoculturas e 1,41 ha na condição de alta tecnologia das monoculturas.
12
8.2 Vantagem Monetária
A produtividade do intercultivo pode ser expressa em termos de valor
econômico mediante a seguinte fórmula.
Vantagem monetária = Valor do intercultivo combinado x ((TEA –
1)/TEA)
Existe uma TEA efetiva quando o agricultor quer comparar qualquer
proporção de área cultivada, se o mesmo tiver consciência da proporção
específica da colheita.
Normalmente a TEA é comparada com a mais alta produção do
monocultivo, no caso de serem avaliadas diferentes densidades de plantio ou
diferentes padrões tecnológicos. Numa análise mais rigorosa, se forem feitas
comparações entre os genótipos para identificar as características ideais das
plantas para intercultivo, deve-se fazer a comparação com estes genótipos
no monocultivo. Se o objetivo for identificar o genótipo de melhor produção,
as comparações para todos os genótipos deverão ser com a melhor
produção do monocultivo.
Nos assuntos relativos à adubação deve-se calcular a TEA para cada
nível de adubação, usando-se a correspondente produção da monocultura no
correspondente nível de adubação, a fim de determinar a vantagem do
intercultivo nos diferentes níveis desses insumos.
8.3 Índice de Competição
Existe uma grande variedade de relações para serem usadas no
sentido de avaliar a competição entre os cultivos. Entre os exemplos podemse citar: densidade relativa, índice de competição e relação competitiva. Para
se verificar a relação competitiva deve-se usar a fórmula seguinte:
Cra = TEA do cultivo A / TEA do cultivo B
13
Tal relação é baseada em equivalente área dos componentes e pode
quantificar o número de vezes que um componente é mais ou menos
competitivo do que o outro.
Se o produtor deseja tomar uma decisão sobre consorciar seringueira
com cacau ou seringueira com café, deve calcular a TEA dos respectivos
SAFs nas densidades e tecnologias desejadas e depois calcular a relação
competitiva entre ambos os consortes.
8.4 Relação equivalente tempo-área
A TEA não leva em consideração o espaço de tempo para uma
comparação entre o monocultivo versus o intercultivo e, desse modo, não
pode ser precisamente extraída a eficiência do uso da terra, especialmente
quando os monocultivos são explorados como uma alternativa ao intercultivo.
Hiebsch (1978) sugeriu a relação eqüivalente terra-área para quantificar a
produção do cultivo em diferentes sistemas por unidade de área e por
unidade de tempo, conforme a fórmula a seguir:
ATER = (Rya x ta) + (Ryb x tb) ....................(Ryn x tn) / T
Onde, Ry = produção relativa; t = tempo de duração do componente
em dias cultivos a, b, ................n.; e T – duração do sistema de intercultivo.
Isso é usado normalmente quando as condições climáticas favorecem mais
de um cultivo em sucessão.
8.5 Análise financeira
Na análise financeira calcula-se a taxa interna de retorno do
investimento em monocultivo e em intercultivo, considerando o custo de
oportunidade do capital, o valor presente líquido e a relação benefício/custo.
Tendo em vista que o investimento em intercultivo é sempre maior do que no
monocultivo é recomendável fazer uma análise de sensibilidade no sentido
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de verificar até que nível de redução dos preços o investimento é
compensador. No caso dessa análise deve-se ter o cuidado de não
extrapolar coeficientes de uma pequena parcela para uma área maior.
A análise financeira também possibilita a determinação do tempo de
retorno do investimento que no caso da seringueira é uma informação
importante, em face ao seu longo período de imaturidade econômica,
sobretudo na monocultura.
8.6 Adaptabilidade e estabilidade de produção
Normalmente considera-se que o SAF oferece produções mais
estáveis, isto é, com menos riscos, comparados aos monocultivos. Essa é
uma das razões pelas quais os produtores adotam sua prática mais sob
condições marginais, a exemplo das regiões de ocorrência do mal-das-folhas
(Microcyclus ulei P. Henn) da seringueira. Outros dois importantes aspectos a
serem considerados são: a performance de um sistema ao longo do tempo
(estabilidade) e a adaptabilidade.
A falta de conhecimento sobre a concepção, manejo e exploração da
seringueira em SAF tem levado alguns curiosos a julgá-lo como inviável.
Estudos pioneiros sobre o consórcio seringueira e cacau em renques duplos
com números variáveis de plantas de cacau nas entrelinhas da seringueira
foram realizados na Costa do Marfim (HUNTER & CAMACHO, 1961), Djalma
Bahia na Experimental de Una, Bahia e por et al em Rondônia.
Em Ouro Preto do Oeste, Rondônia, comparou-se o cacaueiro com a
seringueira em monocultivo com o SAF seringueira e cacau, sendo a
seringueira plantada em renques duplos de 6,0 x 3,0 m intercaladas com 2, 3
e 4 linhas de cacau, respectivamente,m nos espaçamentos de 3,0 x 2,5 m,
3,0 x 3,0 m, e 3,5 x 3,0 m. Os melhores resultados em relação a produção de
amêndoas secas de cacau e desenvolvimento da seringueiras foram obtidos
com linhas triplas de cacaueiros no espaçamento de 3,0 x 2,0 m e e linhas
quádruplas de cacaueiros no espaçamento de 3,0 x 2,5 m que produziram
60 % a mais em amêndoas secas de cacau em relação ao monocultivo.
15
O trabalho de Virgens Filho & Midlej (1993) mostrou a asssertividade
dos produtores, ao concluírem a viabilidade do plantio de cacaueiros no subbosque de seringais vitimados pelo ataque de Microcyclus ulei, causador da
doença mal-das-folhas da seringueira, os quais apresentavam um índice de
enfolhamento em torno de 60 % de uma copa densa, o que permitia o
crescimento e a produção dos cacaueiros, nas áreas em que os clones de
seringueira eram suscetíveis a enfermidade citada.
Os cacaueiros eram implantados no espaçamento de 7,0 x 3,0 m (uma
linha) quando a seringueira estava com o espaçamento de 7,0 m de largura,
passando a duas linhas quando o espaço entre estas se abria nas curvas de
nível, compondo, desse modo, um estande de 750 plantas de cacaueiros por
hectare e 450 seringueiras por hectare.
9 SAF Seringueira e Café
Vários autores têm apresentado trabalhos sobre o sistema
agroflorestal seringueira e café (RIBEIRO et al., 1982; MATIELLO et al.,
1985; FERNANDES, 1986, FANCELLI, 1990; PEREIRA et al., 1997;
PEREIRA, 2007); destacando-se entre os mais completos, o de Pereira et al.
(1998). As contribuições apresentadas nos referidos trabalhos nos permitem
a abordagem a seguir.
9.1 Exigências edafo-climáticas do cafeeiro e da seringueira
No planejamento de um SAF seringueira e café, a primeira tarefa é
analisar as exigências edáfo-climáticas dessas culturas. De acordo com Rena
& Maestri (1987), a espécie de cafeeiro Coffea arábica L. não tolera
variações muito amplas de temperatura, sendo que as médias abaixo de 16º
C e acima de 24º C não são adequadas, sendo o ótimo na faixa entre 18º e
21º C. Condições de ventos e calor excessivos podem ser amenizadas com o
uso de quebra-ventos. O cafeeiro apresenta tolerância a intensidade de
chuvas, sendo a faixa ótima entre 1200 e 1800 mm, contudo é explorado sob
condições de precipitação de 800 mm como nas montanhas do Quênia, e a
2000 mm, a exemplo da Costa Rica. A cultura suporta déficit hídrico de até
150 mm, principalmente antes da floração. Em solos com boa capacidade de
retenção de água chega a suportar deficiência hídrica de 200 mm.
16
O cafeeiro (Coffea arábica L.) é uma espécie adaptada à sombra,
condição que lhe permite apresentar taxas fotossintéticas superiores àquelas
obtidos quando plantado a pleno sol. Esse fato contribui para a sua boa
resposta em sistemas adensados, onde o sombreamento mútuo contribui
para que a temperatura seja mais amena em torno da folha e a intensidade
luminosa seja mais reduzida. Essa característica favorece o consórcio com a
seringueira.
A seringueira é uma planta que se desenvolve bem a pleno sol, sendo
considerada um eficiente sistema conversor de energia solar em produção de
carboidratos (CASTRO & VIRGENS FILHO, 1987). Ela comporta-se bem em
clima quente e úmido, temperatura variando de 20º a 28º C, precipitação de
1200 a 2500 mm, com mínimo de 60 mm/mês e umidade relativa do ar
superior a 80 %.
Quanto ao solo, para que o cafeeiro possa vegetar e produzir
adequadamente deve-se fazer a calagem de maneira elevar a saturação por
bases a 70 %; quando a presença de Ca na CTC foi inferior a 60 % e a
saturação de Al foi maior do que 20 % na profundidade entre 21 e 40 cm,
recomenda-se fazer a gessagem (PEREIRA et al., 1998).
A seringueira desenvolve-se bem em solo de textura média,
profundidade mínima de 120 cm, bem drenado e de fertilidade moderada.
9.2 Problemas fitossanitários comuns à seringueira e ao cafeeiro
Analisando as informações de diversos autores1, Pereira et al (1998)
verificaram que além das pragas cosmopolitas que ocorrem nas lavoras de
café e seringueira, como saúvas, cupins e gafanhotos, existe um problema
potencial relativo ao parasitismo das raízes por nematóides dos gêneros
Meloidogyna spp. e Paratylenchus sp. Apesar dos nematóides causarem
danos severos na lavoura do café, a sua ocorrência na seringueira é em
casos isolados, principalmente nas áreas em que o seringal foi implantado
visando à sucessão de cafezais decadentes, devido a este problema.
Mesmo nas regiões onde a seringueira sofreu ataque de nematóides
do gênero Meloidogyne incógnita, como no caso do Mato Grosso, os
problemas foram amenizados com a realização de medidas de controle
cultural, tais como a suspensão de gradagens nas entrelinhas da seringueira,
cujas áreas foram cultivadas sucessivamente com soja; plantio de crotalária;
e adubações.
_____________________________
1/
RODRIGUES, 1977; REIS & SOUZA, 1986; CAMPOS e LIMA, 1986; ALMEIDA, 1986: GASPAROTTO
et al, 1990, JUNQUEIRA, 1990, 1992; SHARMA & JUNQUEIRA, 1992, BARRÉ, 1992).
17
Em muitas plantas de seringueira, cujas raízes apresentavam a
presença de nematóides, não havia sintomas de doenças, limitações no
crescimento, nem alterações no aspecto vegetativo. Contudo, recomenda-se
que no plantio do SAF seringueira e café devem-se escolher áreas sem
histórico desse problema, utilizar mudas sadias e livres de nematóides, fazer
uso racional da mecanização, evitando o controle de plantas invasoras por
meio de gradagens superficiais e enxada rotativa (PEREIRA et al, 1998).
9.3 Distribuição do sistema radicular
A raiz da seringueira é do tipo pivotante e quando adulta, chega a
atingir 10 m de profundidade, sob condições de solo de textura média
(MORAES, 1977). Lateralmente pode ser encontrada até a distância de 9,0 m
do tronco. As Raízes secundárias com diâmetro em torno de 0,5 cm,
concentram-se nos primeiros 20 cm do solo, enquanto na faixa entre 20 e 40
cm encontram-se raízes de maior calibre com diâmetro de 4 a 9 cm
(VIRGENS FILHO & MIDLEJ, 1983).
O cafeeiro possui uma raiz pivotante que em geral fica entre 30 a 45
cm de comprimento, embora possa atingir até 2,5 m como no solo terra-roxa
em Baurú (GODOY & CANECHIO FILHO, 1973). Raízes axiais, em número
de três a oito atingem maiores profundidades, enquanto as radicelas
estendem-se na faixa dos primeiro 30 cm de profundidade do solo em torno
da projeção dos ramos laterais mais longos (PEREIRA et al, 1998).
O sistema radicular da seringueira é mais desenvolvido do que o do
cafeeiro. Em um sistema agroflorestal, existe a tendência das raízes
secundárias do cafeeiro se concentrarem na camada superficial do solo (0 a
20 cm), em meio a algumas raízes da seringueira, ficando as raízes desta
distribuídas na camada sub-superficial, sobretudo as de maior calibre. Tal
situação contribui para o maior aproveitamento de água e nutrientes do solo,
inclusive dos elementos que sofrem o processo de lixiviação e não estão
mais acessíveis ao cafeeiro (PEREIRA et al, 1998).
O sistema radicular pivotante da seringueira contribui para que a
mesma atenda plenamente as suas necessidades hídricas, mesmo em se
tratando de um consórcio com o cafeeiro. Soma-se a isso o fato de que a
seringueira é tolerante a seca. Quanto ao cafeeiro, Pereira et al (1998)
reportam que não há indícios de competição hídrica relevante entre as
culturas mencionadas. Todavia, concluem: “mesmo que possa haver
competição, não seria maior do que a que ocorre no cafeeiro em
monocultura”.
18
9.4 Modelos de sistemas agroflorestais com seringueira e café
9.4.1 SAF Seringueira e Café na fase de formação do seringal
Consiste no plantio simultâneo de seringueira e café. Os cafeeiros são
plantados no modelo adensado, no espaçamento de 1,5 a 2,0 m entre linhas
e 0,5 a 1,0 m entre plantas, distando-se de 2,0 m das linhas de seringueira
espaçada de 8,0 x 2,5 m ou 7,5 x 2,6 m. Através desse sistema podem-se
colher três a quatro safras de café com alta produtividade. Após três
colheitas, poda-se alternadamente as linhas de cafeeiro, eliminado inclusive a
linha mais próxima da seringueira, se a produção for muito baixa. O
inconveniente é que o custo de implantação do cafeeiro é relativamente
elevado e considerando-se que o cafeeiro pode ter uma vida útil de vinte
anos ou mais, deve-se buscar outra alternativa de espaçamento da
seringueira (Pereira et al, 1998).
9.4.2 SAF com substituição do Cafezal velho por Seringal
Trata-se de uma situação em que a cultura do café já está
estabelecida e devido à ocorrência de problemas fitossanitários ou
necessidade de mudança no tipo de exploração, a seringueira é implantada
no espaçamento de 7,0 a 8,0 m entre linhas por 2,5 a 3,0 m na linha. As
seringueiras são plantadas externamente à saia do cafeeiro velho, garantindo
as condições de luminosidade para o seu desenvolvimento e a mecanização
das entrelinhas ou próxima às linhas recepadas, mantendo o seu
espaçamento normal (PEREIRA et al, 1994). A seringueira aproveita-se do
efeito residual dos fertilizantes e da proteção contra ventos e oscilações
térmicas.
Com o desenvolvimento da seringueira, aumenta o sombreamento do
cafeeiro e, por volta dos quatro a cinco anos, o sombreamento excessivo
limita a produção do cafeeiro, quando então se faz a eliminação do mesmo
(PEREIRA et 1997). Essa prática foi muito comum no município de Garças
em São Paulo e em São José do Rio Preto, onde a ocorrência de nematóides
no cafeeiro levou a sua substituição pela seringueira, sendo o plantio
custeado pela produção de café.
Pereira (2007), pesquisando a consorciação temporária da seringueira
com café no estado do Paraná, observou que o cafeeiro apresentou efeito de
quebra-vento sobre a seringueira em desenvolvimento. A seringueira
antecipou o período de entrada em sangria, aumentou o índice de
aproveitamento na fase inicial de exploração, incrementou a produção do
estande e acresceu a espessura de casca nos clones IAN 873 e GT 1. O
cafeeiro apresentou um sobrevida de sete anos, sendo que a produção
19
alcançou 2.650 a 2.800 kg de café por hectare no segundo e terceiro anos,
passando a 39,0 kg no sétimo ano.
9.4.3 SAF Seringueira e Café em caráter permanente
No consórcio da seringueira e café em caráter permanente, deve-se
alterar o espaçamento desses cultivos, de maneira que possam manifestar
seu pleno potencial em termos de desenvolvimento e produção. Para tanto,
as seringueiras devem ser plantadas em renques duplos de 3,0 a 4,0 m entre
linhas espaçadas de 2,5 m nas linhas. Por sua vez, os cafeeiros podem ser
plantados nos espaçamentos adensados de 2,0 m entre linhas e 0,5 a 1,0 na
linha, mantendo afastamento mínimo de 2,0 m da seringueira. No decorrer
dos anos, como aumenta o sombreamento dos cafeeiros mais próximos das
linhas de seringueira, deve-se fazer a eliminação das linhas de cafeeiros que
passarão a ter a distância de 4,0 m da seringueira (PEREIRA et al, 1998).
No plantio de cafeeiros não adensados, utiliza-se o espaçamento de
4,0 m entre linhas e 0,5 a 1,0 m na linha, visando facilitar a mecanização;
neste caso as plantas mais próximas da seringueira deverão ter uma
distância de 4,0 m.
Um outro método de plantio consiste na disposição da seringueira em
renques duplos reticulados ou boxes. Neste caso, os retângulos ou
quadrados passam a ser múltiplos do espaçamento da linha de plantio,
podendo ficar no intervalo entre 30 e 50 m, a depender da largura do terraço
ou da curva de nível. Tal situação contribui para otimizar o número de
seringueiras por hectare sem aumentar demasiadamente a competição com
a planta consorte. Uma outra vantagem é que se presta para aproveitar
melhor o terreno sob condições variadas de relevo. Pereira et al. (1998)
recomenda que as menores distâncias entre renques sejam coincidentes com
o sentido leste-oeste.
9.5 Experiências com o SAF Seringueira e Café
Em Ouro Preto do Oeste, estado de Rondônia, um trabalho realizado
pela Embrapa por Veneziano et al. (1984), testando as variedades catuaí e
mundo novo (Coffea arábica L) em comparação a variedade robusta (Coffea
canephora), plantadas em três distâncias da seringueira (3,0, 4,0 e 5,0 m) e
três densidades de cafeeiro (2, 3 e 4 linhas de cafeeiro entre as linhas de
seringueira), sendo a seringueira plantada em linhas duplas divergentes,
espaçadas de 4,0 x 3,0 m, mostrou que a variedade robusta apresentou
melhores resultados em relação as outras duas.
20
Os autores concluíram que na situação em que o produtor priorize a
produção de borracha, deve optar duas linhas de cafeeiro entre linhas duplas
de seringueira (12,0 x 4,0 x 3,0 – 416 plantas/ha), deixando-se a distância de
4,0 m entre o cafeeiro e a seringueira. Produtores que priorizem a produção
de café devem optar por quatro linhas de cafeeiro entre as linhas duplas de
seringueira (20,0 x 4,0 x 3,0 – 277 plantas/ha), respeitando uma distancia de
4,0 m entre as duas culturas.
Fernandes (1986) enfatiza a necessidade de maiores espaçamentos
da seringueira para se obter melhor retorno econômico com o cafeeiro. Sob a
visão financeira, tal situação se justifica enquanto o mercado de café for mais
promissor do que o da seringueira, pois o fator mais importante para a
tomada de decisão é a relação benefício/custo do sistema, juntamente com a
taxa interna de retorno. O mesmo autor enfatiza a necessidade de dispor o
plantio no sentido leste-oeste, quando o terreno for plano ou suave ondulado,
objetivando prover maior luminosidade para o desenvolvimento e produção
do cafeeiro, o que é consenso de vários autores (Pereira et al., 1998; Pereira,
2007, Marques et al. 2007).
Ainda Fernandes (1986) sugere que os troncos da seringueira devem
ficar livres de ramificações laterais até 2,0 m de altura, visando possibilitar o
deslocamento da brisa noturna, reduzindo os riscos de geada. Os renques
devem ser posicionados adequadamente em relação aos ventos dominantes,
uma vez que têm o papel de quebra-vento, além de proporcionar
sombreamento aos cafeeiros.
10 SAF Seringueira e Cacau
10.1 Exigências edafo-climáticas do cacaueiro
O cacaueiro é uma planta umbrófila que comporta-se bem Clima
quente e úmido, temperatura entre 22º e 28º C, precipitação 1200 a 2000
mm, com mínimo mensal de 60 mm e umidade relativa do ar superior a 80 %.
O solo deve ter textura média, profundidade mínima de 80 cm, bem drenado
e de boa fertilidade (ALVIN, 1997).
10.2 Distribuição do sistema radicular
Virgens Filho & Midlej (1983) realizando o diagnóstico dos sistemas de
cultivo em consorciação com a seringueira em consórcio com o cacau
observaram que a distribuição dos sistemas radiculares da seringueira e do
cacaueiro , quando em consórcio, possibilitam um melhor aproveitamento dos
fertilizantes, uma vez que há maior superfície ocupada pelas raízes. Assim,
21
na adubação do cacaueiros, os fertilizantes inicialmente perdidos por esta
cultura, e a parcela perdida por lixiviação pode ser absorvida pela
seringueira, cujo sistema radicular se encontra disperso abaixo e em menor
proporção, em meio às raízes dos cacaueiros.
10.3 Modelos de Sistemas Agroflorestais com Seringueira e Cacau
10.3.1 SAF com plantio de Cacaueiro no sub-bosque de Seringais
Tradicionais
Essa prática, muito comum na região sul da Bahia, onde existe uma
área consorciada estimada em 8.000 hectares, consiste no plantio de
cacaueiros no sub-bosque dos seringais tradicionais, plantados no
espaçamento de 7,0 x 3,0 m. O plantio de cacau sob seringais tradicionais
foi difundido no final dos anos 1970, quando o cacau alcançou bons preços
no mercado. Em alguns seringais adultos, muitas vezes depauperados, os
produtores realizaram o plantio de cacau, motivados pela tradição deste
cultivo na região e facilidade de instalação do cacaueiro sob sombra préexistente (VIRGENS FILHO et al. 1988).
Os cacaueiros foram implantados em linha simples no espaçamento
de 7,0 x 3,0 passando a duas linhas quando havia abertura das curvas de
nível nas entrelinhas da seringueira. A densidade variava, portanto de 450 a
700 cacaueiros por hectare. Quando em linhas duplas, os cacaueiros eram
plantados à distância de 2,0 m da seringueira, 3,0 m entre filas duplas e 3,0
m na linha, totalizando um estande médio de 900 plantas por hectare.
A filosofia é que estava se substituindo um seringal com clones
altamente suscetíveis ao mal-das-folhas (Microcyclus ulei P. Henn) por um
plantio de cacau com sombra de seringueira. Contudo, na medida em que
eram realizados os tratos culturais necessários ao cacaueiro, as seringueiras
melhoravam o índice de enfolhamento, e em alguns casos, chegava a
sombrear excessivamente o cacaueiro, limitando a sua produção.
Alvin & Pinto, citados por Alvim (1970) registraram uma densidade
média de 735 cacaueiros e 76 árvores de sombra de espécies diversas no sul
da Bahia, o que corresponde a uma proporção de nove cacaueiros por árvore
de sombra. Nas plantações tecnicamente formadas há uma proporção de 32
cacaueiros por árvore de sombra. No plantio de cacaueiros sob bosque de
seringais tradicionais existe uma proporção de 1 a 3 cacaueiros por árvore de
sombra, número que teoricamente aparente uma situação de sombreamento
excessivo, o que na prática não ocorre devido aos desfolhamentos sofridos
pelas seringueiras nas áreas marginais, o que favorece a penetração de luz
no sub-bosque do seringal.
22
Esse sistema, quando devidamente manejado, permite produções de
cacau compatível àquelas obtidas na maioria das áreas com monocultura. Na
Fazenda Batalha em Porto Seguro Bahia, o cacaueiro foi implantado em
linhas simples alternadas entre linhas de seringueiras espaçadas de 7,0 x
3,0, o que totaliza uma densidade de 450 plantas por hectare. No sub-bosque
do clone Fx 2261 que apresenta alta suscetibilidade ao M. ulei, o cacaueiro
apresenta uma produtividade média de 35 arrobas/ha/ano. Sob o clone MDF
180, tolerante ao M. ulei, o cacaueiro produz entre 18 arrobas/ha/ano.
Aumentando-se a densidade de cacaueiros por hectare com o plantio em
todas as entrelinhas do seringal, as produções serão superiores a 60 e 30
arrobas/ha/ano, respectivamente.
10.3.2 SAF com plantio simultâneo de Seringueira e Cacau
Esse sistema consiste no plantio da seringueira, preferencialmente em
renques duplos, onde são introduzidas as linhas de cacaueiros. Na fase
inicial faz-se o plantio de banana concomitantemente a seringueira visando
ao sombreamento provisório do cacaueiro, o que contribui para o ingresso de
recursos financeiros a partir dos dezoito meses. O cacau inicia a produção
econômica aos quatro anos e a seringueira entre seis e sete anos. A
perspectiva é que a produção e a renda de ambos o cultivos supere a dos
respectivos monocultivos.
Marques et al. (2007) se reportam ao SAF em renque duplo como uma
forma de a seringueira atingir uma densidade populacional equivalente a do
monocultivo, facilitar práticas de manejo, favorecer interações biológicas e
contribuir para uma produção de cacau compensadora. Em experimento
realizado no Centro de Pesquisas do Cacau, esses autores vêm testando o
plantio de seringueira no espaçamento de: i) 13,0 x 3,0 x 2,5 m com 4 filas de
cacaueiros a 3,0 x 3,0 m; ii) 14,0 x 3,0 x 2,5 m com 4 filas de cacaueiros a 3,0
x 2,5 m; iii) 13,0 x 3,0 x 3,0 m com 5 filas de cacaueiros a 2,0 x 3,0 m; i) 14,0
x 3,0 x 3,0 m com 4 filas de cacaueiros a 3,0 x 2,0 m. Dados preliminares de
produção mostraram que não houve diferença significativa no crescimento do
tronco da seringueira, nem sobre a produção de frutos do cacaueiro. O
experimento também objetiva a avaliação de clones de cacaueiro no modelo
SAF com a seringueira (MARQUES et al., 2005).
Teixeira et al. (1988) realizou dois experimentos por um período de 13
anos no estado do Pará, nos municípios de Altamira e Itaiatuba, avaliando
seringueiras em linhas duplas espaçadas de 7,0 x 3,0 m e com distância
entre renques de 12,5, 17,5 e 22,5 m, onde foram plantados cacaueiros no
espaçamento de 2,5 x 2,5 m em 4, 6 e 8 linhas, respectivamente. Os autores
observaram que as produtividades dos cacaueiros incrementaram com o
23
aumento no número de linhas de cacau, sendo que as seringueiras não
tiveram suas produtividades alteradas em decorrência do consórcio. Ailton
Vitor Pereira (PEREIRA et al. (1998), observando este experimento in loco,
verificou que os cacaueiros estavam bastante sombreados, mesmo na
distância de 22,5 m entre renques de seringueiras.
Em experimento realizado em Ouro Preto do Oeste, reportado por
Medrado et al. (1988); Souza et al. 1988) e Medrado et al. (1994), avaliou-se
a seringueira em consórcio com o cacau nos seguintes espaçamentos: 3,0 x
2,5 m com 2, 3 e 4 linhas entre as linhas duplas de seringueira nos
espaçamento de 6,0 x 3,0 m; 3,0 x 3,0 m com 2, 3 e 4 linhas entre as linhas
duplas de seringueira; e 3,5 x 3,0 m com 2, 3 e 4 linhas entre as linhas
duplas de seringueira. Adicionalmente incluíram dois tratamentos, sendo um
com a monocultura do cacaueiro no espaçamento de 3,0 x 2,5 m e da
seringueira no espaçamento de 6,0 x 3,0 m. A distância entre linhas duplas
da seringueira variou de 9,0 m a 17,5 m. A maior produção de cacau ao final
de 10 anos foi obtida no sistema com duas linhas de cacaueiros no
espaçamento de 3,5 e 3,0 m, entre seringueiras espaçadas de 10,5 x 6,0 x
3,0. O sistema agroflorestal favoreceu o desenvolvimento e a produção da
seringueira. Contudo, verifica-se que a distância muito larga no renque duplo
(6,0 m) promoveu perda de área útil tanto para a seringueira como para o
cacau.
Virgens Filho, Alvin & Araújo (1992), trabalhando com o sistema
agroflorestal seringueira e cacau, avaliaram os seguintes tratamentos: i)
monocultura de seringueira no espaçamento de 7,0 x x 3,0 m; ii) monocultura
do cacau no espaçamento de 3,0 x 3,0 m; iii) seringueira em mosaico
constituído de um xadrez formado pelo cultivo do cacau a 2,0 x 2,0 m,
cercado de quebra-vento da e sem sombra de topo, alternadamente a áreas
de seringueira a 7,0 x 3,0 m, mantendo em cada entrelinha 2 fileiras de cacau
a 2,0 x 2,0 m e distanciadas de 2,5 m da seringueira. iv) retículo formado de
30,0 x 30,0 m contendo 100 cacaueiros a 2,0 x 2,0 m contornados por
seringueiras a 5,0 x 2,5 m; v) cinco filas de cacau a 2,0 x 2,0 m entre renques
duplos de seringueira a 19,0 x 5,0 x 3,0 m; vi) seis filas de cacau a 2,0 x 2,0
m entre renques de seringueira de 19,0 x 5,0 x 3,0 m; vii) nove filas de cacau
a 2,0 x 2,0 m entre renques duplos de seringueira de 19,0 x 5,0 x 3,0.
Os resultados obtidos na fase de desenvolvimento revelaram que o
crescimento da seringueira foi maior no tratamento em mosaico, sendo
estatisticamente diferente da testemunha só seringueira e do tratamento com
cinco filas de cacau entre renques de seringueira. Por sua vez, o cacaueiro
apresentou maior crescimento em circunferência do caule no tratamento em
retículo, o qual foi estatisticamente superior à monocultura de cacau e ao
tratamento com sete filas de cacau entre renques duplos da seringueira.
24
Marques et al. (2007) Recomenda que o plantio da seringueira seja
feito sempre que possível no sentido leste-oeste, a fim de permitir a
incidência de luz nos cacaueiros por períodos mais prolongados, favorecendo
a produção.
10.3.3 SAF com substituição de Eritrina por Seringueira nas Plantações
de Cacau
O emprego da seringueira na renovação e clonagem de plantios de
cacau vem sendo preconizado com o objetivo de substituir a eritrina por um
sombreamento que propicie retornos econômicos, melhore a distribuição do
fluxo de caixa e não implique na necessidade de incorporação de novas
áreas ao processo produtivo (MARQUE & MONTEIRO, 2003; MARQUES et
al., 2007).
Trata-se da clonagem e adensamento de cacaueiros visando elevar o
estande a um número de 900 a 1000 plantas por hectare, eliminando a
eritrina e recompondo o sombreamento provisório com bananeira, quando
necessário, e definitivo com seringueira.
Tal proposta prevê densidades que variam de 222 a 444 seringueiras
por hectare. A adoção de um ou outro espaçamento está na dependência da
situação topográfica e das condições da área de cacau a ser renovada. Em
área de baixada deve-se adotar menores densidades de plantio da
seringueira, evitando com isso reduzir as condições favoráveis à ocorrência
de doenças (MARQUES et al 2005).
De acordo com MARQUES (2007), as práticas consistem na
derrubada manual ou mecânica das eritrinas das eritrinas evitando-se ao
máximo causar danos aos cacaueiros. Segue-se a retirada das eritrinas da
área, balizamento das espécies de sombra provisória e da seringueira. Os
cacaueiros mais próximos da seringueira devem ser podados, a fim de
possibilitar o seu desenvolvimento. O estande de cacaueiros deve ser
recomposto. As eritrinas podem ser comercializadas para caixote visando à
embalagem de frutas e para a confecção de urnas funerárias.
Marques et al. (2007), citando outros autores (VINHA & SILVA, 1982;
NASCIMENTO, 1994), reporta que a área com Erythrina glauca corresponde
a 1/3 dos 660 mil hectares de cultivados com cacaueiros no sul da Bahia.
Essa espécie, além de ser exótica ao ecossistema da Mata Atlântica concorre
com o cacaueiro em água e nutrientes, provém um sombreamento excessivo,
além de não agregar renda ao sistema. Com bases nesses argumentos os
referidos autores propõem a sua substituição pela seringueira numa área de
80 mil hectares da referida região.
25
11 Seringueira em sistemas Silvipastoris
Os sistemas silvipastoris (SSP) caracterizam-se pela incorporação de
árvores e arbustos à criação de animais. Eles conciliam a produção
simultânea ou seqüencial de animais, madeira, frutos, borracha e outros bens
e serviços, ao criarem condições ambientais mais propícias ao
desenvolvimento simultâneo dessas atividades (FRANKE & FURTADO,
2001).
Os sistemas agrossilvipastoris derivam dos SSP, sendo caracterizados
pela exploração de árvores e arbustos, cultivos agrícolas, mais pastagens e
animais, num esquema seqüencial.
Os SSPs são uma alternativa para incrementar a produção de carne,
leite, lã e outros produtos, otimizando o uso do solo e a restauração de áreas
degradadas.
De acordo com Franke & Furtado (2001), o SSP ameniza os impactos
ambientais decorrentes da adoção dos métodos tradicionais de exploração
pecuária, favorecendo a restauração de pastagens degradadas.
Adicionalmente, diversificam a produção, reduzem a dependência de
insumos externos, geram produtos, agregam receitas e melhoram a
equivalência no uso da terra, aumentando o seu potencial produtivo.
Alguns sistemas silvipastoris são mencionados por (Franke & Furtado,
2001), sendo os mesmo descritos a seguir e analisados quanto à
conveniência de um sistema de pastagem com seringueira:
11.1 Modelos de Sistemas Silvipastoris com a Seringueira
11.1.1 Bosquetes na pastagem
Consiste na formação de bosques que servem como refúgio para os
animais; quando bem manejados destinam-se a produção de lenha, madeira,
frutos e outros produtos. Pode ser uma modalidade aplicável a seringueira,
contanto que o bosque tenha um número de plantas representativo para
justificar a organização de uma tarefa de sangria, mesmo que esta seja um
pouco abaixo do número convencional de plantas (900 plantas).
11.1.2 Árvores em faixas na pastagem
Trata-se do plantio de espécies arbóreas em faixas, recortando toda a
pastagem, preferencialmente em curva de nível. Além de prover sombra,
serve para a produção de madeira, frutos e outros produtos. É um sistema
26
plenamente aplicável à seringueira, visando a produção de borracha e
futuramente de madeira.
11.1.3 Plantios florestais e/ou frutíferos com a criação de animais
Associa a criação de animais em áreas de reflorestamento, fruticultura
ou atividades similares. O objetivo é custear o investimento com a criação de
gado e diminuir os riscos de incêndio. É um sistema muito utilizado visando à
produção de madeira para celulose/lenha e frutos, o que aumenta o potencial
de uso da terra. No caso da seringueira deve ser empregado quando as
plantas apresentarem altura superior a 2,0 m, normalmente no segundo ano
após o plantio.
11.1.4 Quebra-vento ou fileira de árvores
Consiste no plantio de árvores em sentido contrário à direção dos
ventos dominantes, com o propósito de diminuir a sua velocidade ou alterar a
trajetória. Além do aspecto paisagístico, altera a paisagem dando-lhe uma
beleza diferenciada. Uma experiência bem sucedida com quebra-vento de
seringueira em cafezal foi empregada na fazenda Café Norte, em Itamaraju,
Bahia, onde a seringueira alcançou produtividade superior a 6,0 kg de
borracha seca/árvore/ano.
O quebra-vento pode atingir uma extensão de até dez vezes a altura
da maior árvore utilizada. Esse mesmo princípio é adotado por Fancelli &
Bernardes (1990), ao orientarem o uso da seringueira como quebra-vento em
plantios de citros.
11.1.5 Cerca viva
Consiste no uso de fileiras de plantas como cerca, visando delimitar a
propriedade ou dividir pastos. Tem a vantagem de diminuir gastos com
estacas de espécies lenhosas mortas, reduzindo o impacto sobre a floresta.
Além da contenção dos animais, a cerca viva fornece folhas e frutos para o
gado ou madeira para lenha. Marques (informações pessoais) vem testando
essa alternativa com a seringueira no sul da Bahia, visando a produção de
látex.
Há outros modelos que não se aplicam a um sistema com a
seringueira, tais como: a) árvores dispersas ou isoladas na pastagem não se aplica a seringueira quando o objetivo é agregar valor pela produção
de látex, uma vez que reduz o rendimento do seringueiro na sangria, pois o
mesmo tem que se deslocar por distâncias acentuadas. b) banco
27
forrageiro – é um modelo exclusivo para culturas anuais durante a estação
chuvosa, a fim de prover forragem de alto valor nutritivo e, portanto, não é
aplicável a seringueira.
11.2 Interações no sistema silvipastoril
11.2.1 Interações árvore-pastagem
Os componentes, árvore e pastagem, formam os estratos superior e
inferior do sistema, sendo o animal o seu componente básico. No estágio
inicial de desenvolvimento a árvore e a pastagem ocupam o mesmo estrato
e, desse modo, concorrem por água, luz e nutrientes. Em sistemas
silvipastoris tanto a produção como a qualidade da pastagem pode ser
afetada. Na fase jovem, a competição da seringueira com as gramíneas da
pastagem prejudica o seu desenvolvimento (FRANKE & FURTADO, 2001).
A competição por luz só ocorre na interface seringueira-pastagem,
sendo que nos plantios planejados a exposição da pastagem à luz é
garantida pelo largo espaço existente entre as seringueiras. O grau de
tolerância da forrageira à sombra determinará o povoamento das áreas sob
as copas.
A inclusão de um componente arbóreo/arbustivo na propriedade
agrícola representa uma contribuição para minimizar/solucionar problemas de
erosão hídrica e perda de potencial produtivo (NAIR, 1989; PEREIRA &
RAMOS, 2004).
As plantas arbóreas reduzem a evaporação do solo, diminuem a
velocidade dos ventos, atenuando a transpiração das plantas no sub-bosque;
esse efeito faz com que as plantas herbáceas localizadas à sombra de
plantas arbóreas, tenham um melhor desempenho nas épocas mais secas,
quando comparadas àquelas que ficam a pleno sol. As plantas arbóreas, por
desenvolverem raízes em camadas mais profundas do solo, compensam a
competição por água com as plantas herbáceas.
O componente pastagem desempenha um papel importante na
cobertura do solo. No caso de leguminosas como a puerária (Puerária
phaseolóides), por exemplo, observa-se um efeito benéfico, sobretudo na
fase de desenvolvimento do seringal. As árvores também exercem papel
importante na conservação do solo, amenizando o impacto das águas de
chuva sobre a superfície do solo, aumentando a infiltração da água e
reduzindo a erosão hídrica e eólica em pastagens em início de degradação.
A sombra pode reduzir a proporção de tecido mais digerido da folha
(mesófilo) e aumentar o tecido menos digerido (epiderme). Por essa razão as
gramíneas mais tolerantes à sombra são mais palatáveis comparando-se
28
àquelas que crescem a céu aberto (Garcia & Couto, 1997; Baumer, 1991;
citados por FRANKE & FURTADO, 2001).
As árvores também favorecem a atividade microbiológica do solo,
aumentando a mineralização do nitrogênio.
11.2.2 Interações Seringueiras-Animais
As seringueiras, assim como outras espécies arbóreas, servem de
abrigo aos animais, reduzindo os impactos das chuvas e dos ventos, lhes dá
conforto e melhora o desempenho produtivo e reprodutivo. Os animais
contribuem com o sistema “seringueira x pastagem”, acelerando o processo
de ciclagem de nutrientes, retornando ao solo a biomassa consumida na
forma de fezes e urina. De acordo com Franke & Furtado (2001), o pastejo de
animais em plantios florestais tem o propósito de reduzir custos com o
controle de plantas invasoras, assim como diminuir os riscos de incêndio.
Sob condições de tempestade, os animais agrupam-se ao longo das
cercas de arame, à procura de proteção. Isso aumenta os riscos de morte
devido à queda de raios.
A introdução de animais na pastagem deve ser planejada, a fim de que
os mesmos não provoquem danos às plantas, como o consumo de folhas,
brotos terminais, casca do tronco e, até mesmo, o caule.
Franke & Furtado, (2001) reporta que os prejuízos causados por
bovinos parecem ser maiores do que aqueles provocados por ovinos, uma
vez que alcançam maior altura, quebrando galhos e caules, ou simplesmente,
se coçando nas árvores. Por esse motivo só é recomendável o pastejo
quando as árvores atingem uma altura em que a folhagem fica fora do
alcance dos animais.
No sistema “seringueira x pastagem” só é recomendável o pastejo
quando as plantas ultrapassem a altura em que os animais não alcancem a
sua parte aérea, o que acontece aos dois a três anos após o plantio
(FANCELLI, 1990). Carneiros e bovinos mais jovens são mais recomendáveis
para esse sistema por apresentarem menor porte. Por sua vez, bovinos
leiteiros são mais indicados do que os bovinos de corte, sendo mais
preferidos os lotes mais freqüentemente manejados (FRANKE & FURTADO,
2001).
Na Malásia, segundo Embong & Abrahan (1976), as culturas anuais
são implantadas com fins econômicos nos dois a três primeiros anos de
formação do seringal, quando então se inicia a criação de cabras, carneiros e
aves e bovinos, mediante manejo adequado, por serem mais vantajosos.
Ainda na Malásia, Tajuddin (1986) promoveu a integração de carneiros
em áreas de seringueira, alternando o pastejo a intervalos de seis a oito
29
semanas. Essa prática provocou o crescimento da circunferência do tronco
da seringueira, enquanto os carneiros foram beneficiados por condições
microclimáticas mais favoráveis devido a redução da insolação e da
temperatura. Djimde et al. (1989) e Baumer (1991), citados por Franke &
Furtado (2001), ressaltaram que esse ambiente favorece a termoregulação,
consumo e utilização de água e alimentos, melhorando o crescimento, a
produção de leite e a performance reprodutiva dos animais.
11.3 Implantação e manejo do sistema
A seringueira pode ser implantada antes da pastagem ou durante a
formação desta. No processo de formação da pastagem faz-se o plantio da
seringueira em consorciação com culturas anuais, planejando-se o plantio do
pasto, de maneira que os animais comecem o pastejo quando a seringueira
ultrapassar os 2,0 m de altura e mais de 15 cm de diâmetro.
Quando a pastagem já está formada pode-se programar o plantio da
seringueira de maneira gradual, manejando-se alguns anos, de maneira que
ao final de seis a dez anos toda a área já esteja com o sistema silvipastoril
“seringueira x pastagem”. Neste caso é preciso um ajuste de manejo
temporal e espacial de maneira que torne o sistema sustentável.
Medrado et al (2000) recomendam a formação de bosquetes de
árvores quando da reforma da pastagem, período em que os piquetes ficam
sem animais por um a dois anos. Para tanto, sugerem a proteção da área
com cercas, plantio das espécies, desbaste para a exploração de lenha fina
ou outros produtos e liberação da área para pastoreio.
Nos plantios em faixas as seringueiras podem ser plantadas no
espaçamento de 3,0 x 2,5 m distante de 12, 20, 50 ou 100 m. Também podese utilizar desenhos em retículos.
Os melhores clones de seringueira para este sistema são os que
apresentam copa pouco densa, tendo em vista que a passagem de luz facilita
o crescimento das forrageiras no sub-bosque. O direcionamento das plantas
em terrenos planos a suave-ondulados deve ser no sentido leste-oeste.
12 SAF Seringueira com cultivos de Ciclo Curto
O plantio da seringueira com cultivos de ciclo curto é uma prática
bastante difundida no Brasil e no sudeste asiático. Entre os cultivos utilizados
destacam-se arroz, feijão, feijão caupi, milho, amendoim, soja, melancia,
batata-doce, gengibre e mandioca (SENANAYAKE, 1968; EMBRATER, 1980;
PINHEIRO, 1982; VIRGENS FILHO, ALVIM & ARAÚJO, 1988, FIALHO,
30
1982; FANCELLI, 1990; PEREIRA et al., 1997; MRB, 2005; MARQUES,
2007; PEREIRA, 2007).
Brito (1989) descreveu a experiência do Planalto de São Paulo com o
consórcio da seringueira em larga escala com soja, milho e arroz, e em
menor escala com amendoim, algodão e sorgo, acrescentando que o feijão
só é plantado quando não há extensas áreas cultivadas com soja, em
decorrência da ocorrência de mosca branca (Bemisia tabaci) que é vetora do
vírus causador do mosaico dourado do feijoeiro. Ressaltou ainda que soja,
milho e arroz, quando implantados tecnicamente, dão resultados favoráveis
sem comprometer o desenvolvimento da seringueira. A soja é uma
leguminosa que apresenta tolerância à seca, dá bom retorno econômico
sendo uma das melhores opções no intercultivo da seringueira.
A favorabilidade a respeito da soja também foi registrada por Fancelli
et al. (1984), o qual estimou que a renda proporcionada por esse intercultivo
custeava os gastos dos dois primeiros anos de plantio do seringal em José
Bonifácio, São Paulo.
Pereira et al. (1997) confirmam esse ponto de vista, ao destacar a
consorciação praticada pelas plantações Eduardo Michelin em Itiquira, Mato
Grosso, com o cultivo de mais de 8.000 hectares de área contínua de
seringueira com culturas anuais (arroz, feijão, milho e especialmente soja) até
o terceiro ou quarto ano, em solos sob Cerrados, sendo essa iniciativa de
grande importância para o sucesso do empreendimento (Furtado, 1992;
Plantações Eduardo Michelin, 1991 e s.d.; citados por PEREIRA, 1997).
A EMPAER (2005), no Mato Grosso, analisando as experiências
desenvolvidas por produtores, recomenda o intercultivo da seringueira com
as seguintes culturas: milho, arroz, melancia, algumas hortaliças, batatadoce, amendoim e soja.
Na Costa do Marfim, Keli & Dela Servi (1988) reportam que o uso de
técnicas adequadas em plantios consorciados, melhora o desenvolvimento
da seringueira, além de antecipar o período de imaturidade econômica.
Na Ásia as tradicionais culturas visando à obtenção de renda no
consórcio com a seringueira são: abacaxi, banana, gengibre, curcubitáceas,
citronela e patchouli. Arroz, feijão e milho são cultivadas para subsistência
(PEREIRA, 2007).
Fancelli (1990), respaldado em experiência prática e resultados de
pesquisa, recomenda que no primeiro ano o cultivo intercalar deve ser
plantado à distância de 1,0 m a 1,5 m da seringueira. Contudo, em
decorrência do desenvolvimento da seringueira deve-se ampliar
gradualmente a largura de faixa livre para facilitar o manejo e a exploração da
colheita da cultura intercalar, mesmo reconhecendo que a proximidade da
seringueira não afetaria o seu desenvolvimento (FANCELLI, 1986).
31
Uma observação é feita por Fancelli (1986) que só recomenda o
consórcio de guandu, girassol, mandioca, mamona e milho, a partir do
segundo ano do seringal, pelo fato dessas culturas apresentarem rápido
crescimento e alcançarem porte elevado, prejudicando o desenvolvimento da
seringueira. Entretanto, a partir do segundo ano, não há restrições.
Pereira et al. (1997), baseados na experiência das plantações Eduardo
Michelin, recomendam a rotação de culturas de modo a usufruir de todas as
suas vantagens, incluindo espécies que não tenham problemas de
nematóides ou que não sirvam de plantas armadilhas, uma vez que o uso
intensivo de máquinas de preparo de solo, plantio e manejo corta as raízes
do seringal, podendo causar sérios danos ao disseminar nematóides.
13 SAF Seringueira e Palmáceas
13.1 Seringueira e pupunha
A combinação seringueira com palmáceas pode ser feita visando a
produção de palmitos e frutos. Entre as espécies produtoras de palmito
destacam-se a pupunheira (Bactris gasipaes) que tem a vantagem de
produzir perfilhos, iniciar a produção a partir dos dezoito meses após o
plantio, e dar uma produção de uma e meia a duas hastes por planta/ano,
sendo o rendimento industrial em torno de 1,5 a 2,5 hastes por pote de 300 g,
quando o plantio é bem manejado.
Um dos equívocos na exploração de palmito para a indústria está na
baixa densidade. O espaçamento da pupunheira deve ser adensado, o que
aumenta a produtividade do plantio (VIRGENS FILHO, 2003). A pupunheira
deve ser glabra (sem espinho).
A pupunheira é uma cultura perene, a qual pode ser explorada por
muito tempo, desde quando seja feito o replantio das touceiras mortas e a
substituição daquelas que reduzem a capacidade de perfilhar.
A cultura da pupunheira exige luminosidade para seu pleno
desenvolvimento e produção, desse modo o plantio com a seringueira pode
ser feito com sete filas espaçadas de 1,85 x 0,75, mantendo-se a mesma
distância das linhas de seringueira. Com o passar do tempo erradica-se a
linha mais próxima da seringueira, quando houver queda no rendimento
industrial de palmito. Nesse caso a seringueira terá o espaçamento de 14,80
x 3,0 x 2,5 m, ficando com 449 plantas por hectare, enquanto a pupunheira
ficará com 5.243 plantas por hectare.
Um dos problemas fitossanitários mais encontrados com a pupunheira
é a ocorrência de Methamasius, o qual deve ser controlado com armadilhas
espalhadas em torno do plantio. Nas regiões superúmidas há ocorrência de
32
Phythophthora sp., fungo que provoca a mortalidade de plantas, sendo esse
um problema agravante no consórcio com a seringueira.
13.2 Seringueira e palmeira real
A palmeira real (Arconthopoenix sp.) é uma palmácea comercialmente
explorada em Santa Catarina, sendo a segunda em competitividade para a
produção de palmito, depois da pupunheira. A palmeira imperial apresenta
desvantagem em relação a pupunheira, por iniciar a produção a partir do
quarto ano, sendo o corte da palmeira feito por um período de dois a três
anos. Ela produz em média 300 g de palmito por planta no monocultivo, onde
é plantada no espaçamento de 0,40 x 1,25 m (25.000 plantas/ha). As
variedades comerciais mais utilizadas são Cuningamiana e Alexandra
(PEREIRA, 2007).
No consórcio com a seringueira, Pereira (2007) recomenda o plantio
entre renques duplos, espaçados de 10 m, utilizando-se três plantas por cova
no espaçamento de 0,75 x 1,5 m, o que corresponde de 20 mil a 25 mil
plantas por hectare.
14 SAF Seringueira e Guaraná
O sistema seringueira x guaranazeiro (Paullínia cupana var. sorbilis
Mart.) é citado na literatura, mas sem exemplos que permitam um julgamento
sobre a sua viabilidade (Alvin & Nair, 1988; Medrado et al. 1994; citados por
PEREIRA et al., 1997).
Esse sistema foi praticado por colonos japoneses no município de
Uma, Bahia que implantavam guaranazeiro no sub-bosque de seringais
espaçados de 7,0 x 3,0, tendo ambos uma densidade de 476 plantas/ha,
sendo a produção por planta equivalente a metade da obtida nos plantios em
monocultura, mesmo com adubações excessivas.
Essa prática foi desestimulada com os baixos preços do produto no
mercado, entretanto recente aumento de preço promovido pelas indústrias de
refrigerantes tem levado os produtores a se interessarem pelo consórcio do
guaraná com a seringueira. Neste caso é desejável o plantio da seringueira
em renques duplos com a instalação do guaranazeiro em linhas múltiplas
entre as linhas de seringueira.
15 SAF Seringueira e Abelhas
Esse sistema é muito difundido na Índia, onde pequenos agricultores
produzem borracha e completam a renda com a produção de mel. A sua
33
vantagem consiste no fato de que a seringueira apresenta nectários extraflorais na inserção dos pecíolos, sendo o néctar produzido, muito apreciado
pelas abelhas.
Apesar do amplo crescimento e profissionalização da apicultura no
Brasil, o seu emprego com em associação com a seringueira ainda está
restrito a alguns apicultores no estado de São Paulo. Pereira (2007)
menciona experiências com o clone RRIM 600 no Instituto Agrônomico de
Campinas pelo pesquisador Paulo Gonçalves, sendo este clone considerado
como um dos mais indicados para pasto apícola por produzir néctar por sete
a nove meses, o que permite que um apiário com 15 colméias por hectare
produza em média 150 kg de mel por ano.
O desejável neste sistema é a associação com abelhas sem ferrão.
Os sistemas agrícolas simplificados, fundamentados em extensas
áreas, altas densidades de composições homogêneas, não apresentam
mecanismos eficientes de auto-regulação e equilíbrio. Por isso, exigem na
sua exploração, estabilidade e produção, manipulações conscientes,
previsíveis, além de contínuos subsídios energéticos (FANCELLI, 1990).
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SISTEMAS AGROFLORESTAIS COM A SERINGUEIRA