AUTOMANIA
Brasil e EUA derrubam
Volkswagen na briga pelo
mercado mundial. P17
TWITTER
Trident Brasil lança ferramenta
que permite aos usuários
postagens de 560 toques. P10e11
CARLOS THADEU
Taxas de juros elevadas
impactam a confiança de
comércio e consumidores. P7
OCTÁVIO COSTA
Especulação não falta para o
novo governo. Certo mesmo,
só o ajuste fiscal. P32
INDICADORES
Brasil
Econom ico
Ações da
Cielo CIEL3
42,00
(em R$)
40,10
39,12
39,07
38,78
www.brasileconomico.com.br
12/11
13/11
14/11
17/11
18/11
PUBLISHER RAMIRO ALVES . CHEFE DE REDAÇÃO OCTÁVIO COSTA . EDITORA CHEFE SONIA SOARES . QUARTA E QUINTA-FEIRA, 19 E 20 DE NOVEMBRO DE 2014 . ANO 6 . Nº 1.312 . R$ 3,00
Gali Tibbon/ AFP
Terror
global
aumenta
e mata
mais
Instituto de Economia
pela Paz revela que o número de mortes por atos
terroristas aumentou
61% entre 2012 e 2013.
Quase 10 mil ataques no
ano passado mataram
cerca de 18 mil pessoas.
Estado Islâmico, Talibã,
Al-Qaeda e Boko Haram
foram responsáveis por
70% das ações. P26e27
MEDO EM JERUSALÉM
No pior ataque desde 2008, dois palestinos
mataram quatro fiéis numa sinagoga. P28
EM BUSCA DE PAZ
O número de refugiados no Brasil saltou em
quatro anos de 4.357 para 7.289. P26
Ricardo Moraes/ Reuters
Governo quer
criar ações para
Petrobras ficar
fora do Planalto
NO BANCO DOS RÉUS
Acusado de manipulação
de mercado e uso de informação privilegiada,
Eike Batista começou a ser
julgado na 3ª Vara Criminal Federal, no Rio. P23
Ministérios fazem levantamento de tudo de positivo que
tem para acontecer até o fim do ano. O objetivo é trabalhar
bem a divulgação dessa agenda, enquanto Dilma Rousseff
se dedica à escolha de seu novo ministério, que deve começar pela Fazenda. Em paralelo, a presidenta encomendou a
Guido Mantega medidas para redução de despesas, como
forma de sinalizar mais austeridade scal. P4
ENERGIA
Leilão de
transmissão
só teve 4 lotes
arrematados
Nove lotes foram ofertados pela Aneel ontem na
BM&FBovespa, mas não houve propostas para cinco deles.
Localizado no Rio Grande do
Sul, o lote A, de 2,1 mil quilômetros de linha de transmissão, foi o mais disputado
e acabou nas mãos da Eletrosul, com investimento total
de R$ 3,1 bilhões. P9
2 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
MOSAICO POLÍTICO
GILBERTO NASCIMENTO
gilberto.nascimento@brasileconomico.com.br
COM LEONARDO FUHRMANN
ALCKMIN: OPOSIÇÃO LEVE
“
Será indicada a
responsabilização.
Se será afastada a
a aplicação da Lei
de Anistia,
reinterpretada ou
modificada, caberá
ao MP, Judiciário e
Legislativo”
V
isto como um potencial presidenciável tucano para 2018, o governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin (PSDB), tem dado sinais de que vai manter sua estratégia política bem sucedida nos
últimos quatro anos. De olho nas parcerias com o governo federal, acena com uma oposição
menos contundente do que alguns colegas, como o senador Aécio Neves (MG), o ex-presidente Fernando
Henrique e, principalmente, o senador Aloysio Nunes (SP), que foi a manifestações contra a presidenta
Dilma no último sábado. Participaram desse ato, defensores de uma intervenção militar e da recriação do
Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Mais contido como opositor, Alckmin afirmou que protestos por
golpe militar são “inaceitáveis” e não há fato que justifique um impeachment de Dilma.
Wilson Dias/ABr
Mas o governador terá dificuldade
de combinar o clima ameno com
os adversários. Em reuniões recentes, líderes do PT paulista apontaram a oposição fraca a Alckmin na
Assembleia Legislativa como um
fator decisivo para o desempenho
desastroso de Dilma no Estado e
os fracassos das candidaturas de
Eduardo Suplicy, ao Senado, e do
ex-ministro Alexandre Padilha ao
Palácio dos Bandeirantes. Os petistas de São Paulo avaliam ainda
que a mudança de atitude será fundamental para manter as prefeituras administradas pelo partido no
Estado, como a da capital, comandada por Fernando Haddad. Há
uma constatação de que a imagem do PT desgasta o prefeito. Líderes do partido em outras regiões também cobram uma solução para o problema de São Paulo.
Além de ser o maior do colégio
eleitoral do País, o local é simbólico por ser o berço do petismo.
Pedro Dallari, da
Divulgação
Comissão da Verdade, sobre
pedido de responsabilização
de militares por violações
aos direitos humanos
MST nas terras de Eunício
Um grupo de militantes sem-terra iniciou ontem uma greve de fome na
Assembleia Legislativa de Goiás contra a reintegração de posse,
autorizada pelo Tribunal de Justiça, de imóvel rural pertencente ao
senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), líder do partido na Casa. Segundo
o MST, o parlamentar é dono de “mais de 24 mil hectares de terras
autodeclaradas improdutivas” na região. Estão ameaçadas de despejo
três mil famílias acampadas em uma das propriedades desde agosto.
PT quer cargo para ajudar em 2016
A Liberdade dos bolivianos
Rede se organiza
A Prefeitura de São Paulo lançou ontem um projeto para regularizar a
feira dos bolivianos da Rua Coimbra, no Brás (região central). A ideia é
tornar o lugar uma referência da cultura dos imigrantes desse país na
cidade. O secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania,
Rogério Sottili, afirmou que pretende tornar a rua uma atração turística
da cidade, como é a Liberdade, bairro símbolo da presença dos povos
orientais. Para isso, foi apresentado um projeto arquitetônico para a
construção de um pórtico na rua, sinalização bilíngue, arborização e a
caracterização das imediações com símbolos típicos bolivianos.
A Executiva Nacional da Rede
Sustentabilidade, de Marina Silva,
fará um encontro no final de
semana, em Brasília, para avaliar
os resultados da última eleição e
organizar a campanha de coleta
de assinaturas para legalizar o
partido. Também será discutida a
organização da Rede no País.
FALE CONOSCO
Para começar a recuperar a
força e o prestígio do PT em
seu Estado, o líder do partido
no Senado, Humberto Costa,
quer que a presidenta eleita
Dilma Rousseff garanta um
cargo federal de projeção ao
deputado João Paulo Lima derrotado na disputa ao
Senado na última eleição -, a
fim de fortalecer o nome dele
para concorrer à prefeitura de
Recife em 2016. Petistas estão
de olho em importantes cargos
federais no Estado que eram
ocupados pelo PSB, ex-aliado.
Divulgação
Colaborou Patrycia Monteiro Rizzotto
E-mail: redacao@brasileconomico.com.br Cartas para a redação: Rua dos Inválidos, 198, 1º andar,
CEP 20231-048, Lapa, Rio de Janeiro (RJ). As mensagens devem conter nome completo, endereço, telefone e assinatura.
Em razão de espaço ou clareza, Brasil Econômico reserva-se o direito de editar as cartas recebidas. Mais cartas em www.brasileconomico.com.br
Estatal vai ter que
suar para resgatar
a credibilidade
Situação da
Lacunas no caso
Amazônia aflige
Petrobras deixam
público estarrecido em curto prazo
Esta história da Petrobras
ainda vai render muitos
desdobramentos. Quando os
envolvidos diretamente
resolverem relatar o que sabem,
muita lama ainda vai surgir. E
acredito que nem assim ficaremos
a par de tudo o que acontece de
extraoficial na empresa. Será
preciso muito trabalho para a
estatal recuperar a credibilidade.
A Petrobras só admitiu que
sua auditoria interna é falha após
o vazamento do escândalo de
corrupção. Os processos e
procedimentos não tinham a
menor fiscalização? Até que
ponto a empresa é conivente com
os implicados? Como tanto
dinheiro passou pelas suas
operações sem que nada fosse
notado? É estarrecedor.
O desmatamento da
Amazônia é criminoso. Existir um
crescimento de mais de 400% em
um ano é inexplicável. Me parece
que o monitoramento, seja lá
como for realizado, está mais que
furado. Os governos se omitem há
anos na questão. Ou isso começa
a ser prioridade ou chegará o
tempo em que não teremos como
recuperar este patrimônio.
Luis Pedro Varela
Cátia Bastos
Melissa Vergueiro
Rio de Janeiro, RJ
Rio de Janeiro, RJ
São Paulo, SP
INDICADORES
Interrompendo a sequência de três quedas, o Ibovespa encerrou em alta
de 1,57 %, a 52.061 pontos, voltando azul no acumulado do ano, com
ganho de 1,08 %. O volume financeiro do pregão somou R$ 6,4 bilhões.
TAXAS DE CÂMBIO
▼ Dólar comercial (R$ / US$)
COMPRA
VENDA
2,5891
2,5903
▼ Euro (R$ / E)
3,2457
3,2475
JUROS
■ Selic (ao ano)
META
EFETIVA
11,25%
11,15%
BOLSAS
▲ Bovespa - São Paulo
▲ Dow Jones - Nova York
▲ FTSE 100 - Londres
VAR. %
ÍNDICES
1,57
52.061,86
0,34
17.707,28
0,56
6.709,13
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 3
▲
BRASIL
ABr
INFLAÇÃO
BC admite ampliar aperto monetário
O Banco Central poderá ampliar o aperto monetário, caso seja
necessário para domar a inflação, sinalizou ontem o diretor de
Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo. Ele disse que a inflação
tende a entrar em convergência para a meta em 2016, acrescentando
que, com as mudanças de preços relativos, a composição dos
indicadores de preços tende a melhorar ao longo do tempo. Reuters
Editor: Paulo Henrique de Noronha
paulo.noronha@brasileconomico.com.br
Edla Lula
elula@brasileconomico.com.br
Brasília
Na última semana de funcionamento da Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras a oposição conseguiu aprovar a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro do
PT, João Vaccari Neto, supostamente apontado como operador
de esquema de corrupção na estatal. Logrou também aprovar a convocação, para depor, do ex-diretor de Serviços da empresa Renato
Duque, que está preso, e do presidente licenciado da Transpetro,
ex-senador Sérgio Machado, também citado nas investigações da
Operação Lava Jato.
O prazo para o funcionamento
da Comissão se encerra no dia 23.
A oposição trabalha agora para coletar assinaturas suficientes para
prorrogar as atividades por mais
um mês. Já alcançou as 27 necessárias no Senado. Na Câmara, até ontem à noite, ainda faltavam 70 nomes para chegar aos 171 deputados necessários.
Ao comemorar as convocações
aprovadas ontem, o líder do PPS na
Câmara, deputado Rubens Bueno
(PR) afirmou que, até sexta-feira,
quando se encerra o prazo para o
pedido de prorrogação, a oposição
terá a lista completa. Ontem, antes
mesmo da reunião da CPMI, Bueno, juntamente com os demais líderes dos partidos da oposição, reuniram-se com o líder do PMDB,
Eduardo Cunha (RJ). Discutiram a
coleta de assinaturas para a prorrogação da CPMI atual e a criação de
uma nova Comissão de Inquérito
na próxima legislatura. “Ele nos declarou que podemos contar com o
seu apoio”, disse Bueno.
O deputado avaliou a reunião
de ontem como o resgate do “prestígio” da CPMI que, segundo ele,
havia sido perdido desde abril,
com constantes boicotes da base
aliada. “O governo sempre trabalhou para protelar as convocações
aprovadas hoje. Agora, acuado, teve que mandar seus representantes”, comentou.
Parlamentares governistas tentaram evitar a quebra de sigilo de
Vaccari, aprovada por apenas um
voto de diferença — 12 e 11. Sob o
argumento de que o tesoureiro do
PT não teria relação direta com o
caso Petrobras, o senador Welligton Dias (PT-PI) sugeriu a convocação dos tesoureiros de outros
partidos. “Porque convocar o tesoureiro de apenas um partido?
Devemos ter uma mesma regra”,
indagou, apontando que todos os
outros partidos, com exceção do
Psol, receberam dinheiros das
empreiteiras objeto de investigação. O presidente da comissão, Vital do Rego informou que encaminhará ainda hoje os pedidos de
quebra do sigilo.
A CPMI aprovou também a
realização de acareação entre os
CPMI quebra sigilo
de tesoureiro do PT
Enquanto a oposição conseguia quorum para aprovar requerimentos, Comissão de
Orçamento teve que adiar discussão do projeto que libera governo do superávit primário
Jefferson Rudy/Ag. Senado
Parlamentares da oposição acertam na CPMI formas de criar “um Saara” no caminho do governo, para impedir suas propostas
Como reação ao pedido
de quebra de sigilo
de Vaccari Neto,
PT quer que o mesmo
seja feito com
os tesoureiros de
todos os partidos que
receberam doações
das empreiteiras
ex-diretores da estatal Nestor
Cerveró e Paulo Roberto Costa.
O autor do requerimento, deputado Enio Bacci (PDT-RS), argumentou que em depoimento na
CPMI, Cerveró negou qualquer
relação com supostos casos de
corrupção na Petrobras. Costa,
por sua vez, teria descrito, na delação premiada, o envolvimento
do então colega com o esquema
de propina.
Vital do Rego aguarda a aprovação da prorrogação do prazo para
adaptar o calendário da CPMI às
novas convocações.
Estas não foram as únicas vitórias da oposição ontem. Num movimento oposto ao da reunião da
CPMI, os líderes conseguiram esvaziar a reunião da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), que discutiria o Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN 36-2014) que libera o governo para abater investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deso-
nerações tributárias da meta de superávit primário de 2014.
“A nossa intenção é impedir
que o governo aprove essa proposta, que significa o desmando nas
contas públicas. Mas se aprovar,
terá que atravessar um Saara, porque vamos trabalhar para impedir”, ameaçou o líder do DEM na
Câmara, Mendonça Filho (PE).
O relator da matéria, senador
Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou o seu parecer, com a rejeição a todas as 80 emendas apresentadas. A única alteração que
fez foi, segundo argumentou, técnica, trocando a expressão “meta de superávit” por “meta de resultado”, já que o resultado poderá ser negativo.
Sobre a reação da oposição, Jucá afirmou se tratar do “rescaldo”
do processo eleitoral e disse que
os debates são normais. “Não existe uma economia do PT. A economia é do Brasil, diz respeito à vida
das pessoas, e não se pode brincar
com isso”, declarou.
Romero Jucá disse
que a ação da
oposição é “rescaldo”
do processo eleitoral.
“Não existe uma
economia do PT. A
economia é do Brasil,
e não se pode brincar
com isso”, declarou
4 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
▲
BRASIL
Divulgação
Depois de acompanhar
Dilma na reunião do
G-20, Tombini ganhou
força como candidato
à Fazenda. Seu nome
mostraria ao mercado
comprometimento
com o resgate da
austeridade fiscal
O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, participou da reunião reservada com a presidenta Dilma para defenir a estratégia
Contra a crise, uma
‘agenda positiva’
Estratégia de reação do Palácio do Planalto ao escândalo da Petrobras prevê também o
apoio de Dilma à investigação da Polícia Federal e o anúncio da nova equipe econômica
Sonia Filgueiras
sonia.filgueiras@brasileconomico.com.br
Brasília
O governo está em um esforço concentrado para manter a crise gerada pela Operação Lava-Jato longe
do Palácio do Planalto e da presidenta Dilma Rousseff. De um lado,
está em preparação uma “agenda
positiva” com o reforço da divulgação de ações previstas para até o final do ano. De outro, Dilma seguirá afirmando que apoiará as investigações da Polícia Federal “doa a
quem doer”, e deixará a corporação seguir seu trabalho. Além disso, a presidenta está debruçada sobre a definição da primeira leva de
seu novo ministério, que deverá
trazer os nomes da equipe econômica. Alguns desses temas foram
debatidos ontem numa longa reunião de Dilma, com a presença do
ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, no Palácio da Alvorada.
AequipedoPaláciofezumminucioso levantamento de todas as
ações relevantes previstas para
ocorrer em todos os ministérios até
o final do ano. A estratégia é reforçar a divulgação dos fatos com potencialrepercussão positiva, estabelecendo uma espécie de competição com o noticiário negativo.
Além dessa agenda positiva, há um
conjunto de tarefas urgentes ligadas à área econômica: a aprovação
da mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, de forma a regularizar o descumprimento da meta de superávit primário
neste ano; e o anúncio de medidas
de redução de despesas, encomendadas por Dilma ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. O objetivo,
nesse caso, é avançar na sinalização
de maior austeridade fiscal. Mantega já adiantou que trabalha em mudanças capazes de conter as despesas do governo com o seguro-desemprego, que deram um salto neste ano, e normas que reduzam as
despesas na área da Previdência Social, fonte do maior déficit nas contas do governo. Uma das propostas,
já apontada pela equipe da Previdência, é tornar mais rígidas as normas para concessão da pensão por
morte ao cônjuge ou companheiro.
Além da agenda
positiva, há tarefas
urgentes na área
econômica: a
aprovação da mudança
na Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO)
e as medidas
de redução de despesas
No Congresso, a estratégia do
governo e do PT para lidar com a
CPMI da Petrobras a tarefa é tentar evitar convocações de pessoas
ligadas ao governo e, ao mesmo
tempo, aprovar a convocação de
nomes ligados à oposição, em
uma tática de revide e redistribuição do desgaste.
Dilma está fechando os nomes
da sua cota pessoal mais próxima
— as equipes econômica e palaciana. Há especulações em torno dos
nomes do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, do ex-presidente da autarquia, Henrique
Meirelles (preferido do ex-presidente Lula) e do ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda,
Nelson Barbosa. Esse último é visto
como uma espécie de “coringa”:
poderia ocupar tanto a Fazenda,
quanto o Ministério do Planejamento. Depois de acompanhá-la na reunião do G-20 e retornar da Austrália, viajando a seu lado no jatinho
presidencial, Tombini ganhou força. O nome do presidente do BC
mostraria comprometimento com
o resgate da austeridade fiscal. Por
outro lado, argumentam alguns interlocutores, tirá-lo do BC seria mexer em uma área que está funcionando bem. No grupo palaciano, algumas tendências parecem cada
vez mais firmes: o atual Ministro
da Reforma Agrária, Miguel Rosseto iria para a Secretaria Geral da Presidência, no lugar de Gilberto Carvalho; e o atual secretário do Tesouro, Arno Augustin, cuja imagem está desgastada pelas prática de “contabilidade criativa”, não deve ficar
na Fazenda, já que sua imagem desgastada. A presidenta tende a acomodá-lo em outro cargo.
Empresário
confirma que
pagou propina
O empresário Sérgio Cunha
Mendes, vice-presidente da
empreiteira Mendes Júnior,
confirmou ontem em
depoimento à Polícia Federal
o pagamento de propina ao
doleiro Alberto Youssef.
A informação foi do advogado
da empresa, Marcelo
Leonardo. Ontem à tarde,
mais investigados ligados
à empreiteira prestaram
depoimento na investigação
da Operação Lava Jato.
Segundo o advogado,
Mendes relatou aos delegados
da PF que foi obrigado a pagar
propina de R$ 8 milhões ao
doleiro Alberto Youssef.
Segundo ele, Youssef exigiu o
pagamento da quantia para que
a Mendes Júnior recebesse os
valores a que tinha direito em
contratos de serviços licitamente
prestados e para continuar
participando das licitações da
Petrobras. De acordo com a
defesa, foram feitos quatro
pagamentos seguidos, de julho a
setembro de 2011.
A defesa de Youssef disse
que não vai comentar o
depoimento. A PF prossegue
nesta terça-feira com a
tomada de depoimentos dos
24 presos na operação.
As oitivas começaram no
último sábado (15), um dia
após as prisões da sétima fase
da Operação Lava Jato. ABr
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 5
Divulgação
RISCO
Moodys rebaixa rating da Mendes Júnior
A agência de classificação de risco Moodys rebaixou ontem o rating
corporativo atribuído à Mendes Júnior Comércio e Engenharia S/A, de
para B3 de B2, e mudou a perspectiva do rating de estável para
negativa. O rebaixamento foi motivado pela percepção da agência do
aumento do risco de liquidez para a Mendes Júnior, pelo envolvimento
da empresa no escândalo da Petrobras. Redação
Empreiteiras na mira do CGU
Processo administrativo será instaurado para investigar empresas do setor envolvidas com a Operação Lava jato.
Algumas, segundo o órgão, teriam solicitado acordo de leniência, que levaria a ressarcimento do dinheiro desviado
A Controladoria-Geral da União
(CGU) vai instaurar processo administrativo nas empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato,
que investiga irregularidades envolvendo a Petrobras e o suposto
superfaturamento de contratos para pagamento de propina a parlamentares e partidos políticos.
“Estamos só aguardando completar o compartilhamento de informações, que solicitamos à Polícia Federal. Concluída a análise
desses elementos, vamos instaurar processos, muito provavelmente contra várias dessas empresas, senão todas”, disse ontem o
controlador-geral da União, ministro Jorge Hage, em entrevista
coletiva após participar da Conferência Lei da Empresa Limpa, promovida pela Fundação Getulio
Vargas (FGV) na capital paulista.
Na entrevista, Hage descartou
a instauração de processo na empresa petrolífera. “A Petrobras é vítima nessa história, tanto de empresas, pessoas físicas, como de
agentes públicos dentro dela que
se deixaram corromper”, afirmou
o controlador-geral.
Ele informou que algumas das
empreiteiras brasileiras investigadas na Operação Lava Jato já entraram em contato com a CGU para
um possível acordo de leniência,
que implicaria ressarcimento do
dinheiro desviado. Jorge Hage
não revelou, porém, quais são essas empresas, nem quando os contatos foram feitos.
Já a empresa holandesa SBM
Offshore, que não tem ligação
com a Operação Lava Jato, mas
foi denunciada por pagamento
de propina a empregados da Petrobras, procurou a Controladoria em busca do acordo. “Estamos em negociação de um possível acordo de leniência”, disse o
ministro.
Segundo Hage, as provas contra a SBM Offshore foram colhidas
diretamente pela CGU. Embora o
processo tenha sido aberto ontem, conforme portaria publicada
no Diário Oficial da União, a Controladoria-Geral da União mantém-se aberta a negociações, informou o ministro.
O ministro avaliou positivamente o trabalho desenvolvido
pela comissão interna criada na
Petrobras para apurar denún-
cias de pagamento de propina
envolvendo a SBM Offshore. “A
comissão fez o que era possível
no prazo que tinha, de 30 dias.
Ela não tem o instrumental investigativo que a CGU tem. A comissão fez um trabalho de excelente qualidade, dentro das possibilidades, e nos encaminhou
um relatório que serviu como
um dos pontos de partida do
nosso trabalho, foi muito útil. A
Petrobras está colaborando em
tudo, com as investigações da
CGU”.
Deflagrada em março deste
ano pela Polícia Federal, a Operação Lava Jato desmontou um esquema de lavagem de dinheiro e
evasão de divisas que, segundo autoridades policiais, movimentou
cerca de R$ 10 bilhões. ABr
Elza Fiúza/ABr
O controlador-geral da União, ministro Jorge Hage, não revelou o nome das empreiteiras
Deflagrada em março
deste ano pela PF,
a Operação Lava Jato
desmontou esquema
de lavagem de dinheiro
e evasão de divisas que,
segundo autoridades
policiais, movimentou
cerca de R$ 10 bilhões
Justiça do Paraná quebra sigilo de empreiteiros
Dados bancários de
presos na Operação Lava
Jato serão investigados
pelo Banco Central
A Justiça Federal no Paraná determinou ontem, ao Banco Central
(BC), a quebra de sigilo bancário
dos executivos de empreiteiras
presos na última sexta-feira, na sétima fase da Operação Lava Jato
da Polícia Federal (PF). A decisão,
assinada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações, alcança 15 presos. Entre eles, o exdiretor de Serviços da Petrobras
Renato Duque e o lobista Fernando Soares, também conhecido co-
mo Fernando Baiano, contra
quem existe mandado de prisão,
mas continua foragido.
De acordo com o pedido enviado ao BC, também terão as contas
bancárias rastreadas João Ricardo
Auler, presidente do Conselho de
Administração da Camargo Correa; Ildefonso Colares Filho, diretor presidente da construtora
Queiroz Galvão; Sérgio Cunha
Mendes, diretor da Mendes Júnior; e Agenor Franklin Magalhães, diretor da OAS, entre outros dirigentes de empreiteiras.
O juiz Sério Moro deve decidir
se 17 presos, temporariamente
por cinco dias, terão o tempo de
prisão prorrogado. O juiz aguar-
da manifestação da PF e do Ministério Público Federal para decidir a questão.
A Polícia Federal (PF) pediu ontem ao juiz federal Sérgio Moro, a
prorrogação da prisão temporária
de seis investigados na sétima fase
da operação. Entre eles está o exdiretor de Serviços da Petrobras
Renato Duque.
A PF também pediu a prorrogação da prisão de três executivos ligados à empreiteira OAS e mais
dois dirigentes da UTC. No mesmo pedido, a Polícia Federal solicitou ao juiz que mais nove investigados sejam soltos, todos ligados
às empresas Engevix. Iesa e Queiroz Galvão. ABr
Fernando Baiano se entrega
Mais um investigado na
Operação Lava Jato, da Polícia
Federal, se entregou ontem na
Superintendência da Polícia
Federal em Curitiba. Fernando
Antonio Falcão Soares,
conhecido como Fernando
Baiano, se apresentou esta
tarde aos delegados que
investigam o caso.
Fernando era considerando
foragido pela Polícia Federal
desde a última sexta-feira (14),
quando as prisões foram
determinadas pela Justiça
Federal no Paraná. Durante as
investigações, delatores do
suposto esquema de corrupção na
Petrobras afirmaram em
depoimentos que Fernando
Baiano cobrava propina em nome
do PMDB. O partido nega as
acusações e afirma que não tem
ligações com o investigado.
Até o momento, dos 25
mandados de prisão emitidos pela
Justiça Federal, somente um
ainda não foi cumprido. Adarico
Negromonte Filho continua
foragido. ABr
6 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
Divulgação
▲
BRASIL
CARNE BOVINA
China e Arábia Saudita retomam compra
China e a Arábia Saudita devem voltar a comprar carne bovina
brasileira até dezembro, segundo o ministro da Agricultura, Neri
Geller. O embargo é de 2012, em função da ocorrência de um caso
atípico da doença da vaca louca. No caso da China, o acordo é que o
país volte a importar na próxima semana, enquanto uma delegação
da Arábia Saudita fará visitas a frigoríficos brasileiros. ABr
Setor de serviços
tem recuperação
e cresce 6,4%
Retomada da produção industrial com o Natal pode estar por trás
da expansão das receitas em setembro, puxada pelos transportes
RECEITA NOMINAL
DO SETOR DE SERVIÇOS
Variação mensal (mês / igual mês do ano anterior)
10,1
BRASIL
8,8
6,4
4,5
OUT/13 NOV
DEZ JAN/14 FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
Serviços prestados às famílias
Aline Salgado
aline.salgado@brasileconomico.com.br
Após dois meses consecutivos de
crescimento tímido, de 4,6% em
julho e 4,5% em agosto, o setor de
serviços conseguiu se recuperar e
atingiu expansão de 6,4% na receita nominal em setembro, na comparação com igual período do ano
passado, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mais animador pode ter relação direta
com o reaquecimento da produção industrial nacional que, com
vistas a atender à demanda do Natal, contrata mais os serviços de
transporte — item que registrou
forte expansão no mês.
Com peso de 30,7% na PMS, a
atividade saiu de um crescimento
de 3,2% em agosto, para 6,5% em
setembro. Dentro do grupo, os
transportes terrestres foram os
que tiveram maior aceleração, passando de uma alta de 0,9%, em
agosto, para 4,9% em setembro.
“Tradicionalmente, setembro
e outubro são meses em que há
um aumento da produção industrial para atender à demanda de
Natal. É claro que nem todas as atividades respondem no mesmo ritmo, mas o crescimento das receitas dos transportes terrestres é
um sinal de que a indústria está
consumindo e demandando mais
matéria-prima”, avalia o técnico
da Coordenação de Serviços do
IBGE, Roberto Saldanha.
A alta do dólar — na casa dos
R$ 2,50 — também pode ter colaborado para o aumento da demanda por produtos industriais
nacionais, e, assim, pelos serviços de transportes. Para o economista da Confederação Nacional
do Comércio (CNC), Fabio Bentes, diante de um dólar mais alto, os comerciantes tendem a se
Mesmo com o
resultado mais
favorável registrado em
setembro, a atividade
deve fechar 2014 com
um crescimento abaixo
do obtido no ano
passado, que ficou em
8,5%, segundo o IBGE
voltar para o produto nacional.
“Em 2013 o comércio podia
comprar a um dólar de R$ 2,35,
agora ele está perto dos R$ 2,60”,
pontua Bentes, que não acredita
em uma recuperação do setor de
serviços no ano, apesar do Natal.
“Comparado com 2013, a tendência é de que os serviços fechem o ano em desaceleração
(abaixo dos 8,5% obtidos no acumulado de 2013). Se a receita bruta nominal fosse deflacionada,
não teríamos uma expansão e sim
uma retração da receita nominal”, avalia o economista. Nos últimos 12 meses o setor de serviços
tem crescimento de 7,1%, bem
abaixo do obtido em 2013, quando
teve alta de 8,8%.
Outra atividade que registrou
expansão no mês foram os serviços ligados à informação e comunicação, com peso de 35,7% na
PMS. O segmento, que tinha alcançado crescimento de 1,7% em
agosto, aumentou suas receitas
em 2,7%. Saldanha, do IBGE, enxerga nos números mais um sinal
de aquecimento da economia. “As
empresas estão demandando
mais por esse tipo de serviços. Indicativo de recuperação”, diz.
13,3
12,6
7,7
Serviços de informação e comunicação
7,9
8,7
2,7
Serviços profissionais,
administrativos e complementares
11,1
7,3
14,7
5,2
9,9
6,5
Transportes, serviços
auxiliares aos transportes e correio
9,7
Outros
serviços
9,0
1,1
OUT/13 NOV
DEZ JAN/14 FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
Fonte: IBGE
Confiança dos empresários ainda em queda
Indicador da CNI atinge
nível mais baixo da série
histórica, que começou
há 15 anos
Redação
redacao@brasileconomico.com.br
A definição do cenário político
com o fim das eleições não foi suficiente para garantir que o empresariado se sentisse mais confiante
no futuro do país e aberto a investir. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), medido
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontou para nova
queda em novembro.
O indicador saiu dos 45,8 pontos em outubro para 44,8 pontos
neste mês, atingindo, assim, o menor patamar da série histórica do
indicador, iniciado em 1999. Os
valores da pesquisa variam de zero a 100 Abaixo de 50 indicam falta de confiança.
Segundo a CNI, foi observada
que a falta de confiança é maior
na indústria de transformação. O
segmento registrou um ICEI de
44,3 pontos em novembro, valor
9,1 pontos menor do que o observado no mesmo mês de 2013. Na
indústria extrativa, o índice caiu
para 44,6 pontos e, na de constru-
INDICADOR
44,8
É o número de pontos que o Índice
de Confiança do Empresário
Industrial (ICEI) atingiu em
novembro. Abaixo de 50 o índice
indica falta de confiança.
2.807
É o número de empresas que
participaram da pesquisa
realizada pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI).
ção, recuou para 45,0 pontos.
Conforme a pesquisa, os índices de confiança nas médias e nas
grandes empresas são os mais baixos desde 1999, quando começou
o levantamento. Nas médias empresas, o indicador ficou em 43,7
pontos e, nas grandes, em 45,4
pontos. Nas pequenas empresas
caiu para 44,6 pontos no mês.
Gerente executivo de Política
Econômica da CNI, Flávio Castelo
Branco aponta que a confiança do
empresário vem recuando desde
o primeiro semestre.
“O ano de 2014 tem sido a tônica de um desempenho industrial
muito fraco. A queda na produção
se reflete em uma falta de confiança dos empresários. É claro que o
ambiente de incertezas e indefinições quanto a ajustes que irão se fazer na economia brasileira, que
ainda não foram anunciados e portanto não são conhecidos, termina também afetando a confiança
e dificulta um pouco a recuperação”, afirma o economista. Para
ele, com a definição dos ajustes pelo governo, um cenário de recuperação da confiança dos empresários pode surgir.
O levantamento da CNI foi feito com 2.807 empresas, das quais
1.078 são de pequeno porte, 1.059
médias e 679 de grande porte.
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 7
PONTO DE VISTA
CARLOS THADEU DE FREITAS
carlos.thadeu@brasileconomico.com.br
OS JUROS E A CONFIANÇA
Editoria de Arte/Paulo Esper
E
m outubro, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio
(Icec) registrou queda mensal de 1,6% na série com ajuste
sazonal. A correção de -2,6% no subíndice que mede as
expectativas foi a principal causa do resultado mensal negativo.
As intenções de investimentos e a avaliação das condições
correntes também oscilaram negativamente, embora em menores
magnitudes (-1,0% e -0,9%, respectivamente). No comparativo
anual, a queda de 11,1% foi a segunda maior do ano, afastando, pelo
menos no curto prazo, a percepção de retomada no nível de
atividade no comércio. Aos 111,5 pontos, restando menos de dois
meses para o final do ano, o resultado de outubro consolidou 2014
como o ano de menor confiança por parte dos empresários do
comércio desde a criação do índice, em 2011.
A queda de 0,9% em relação ao
mês anterior levou o subíndice
que mede a percepção das condições correntes a registrar o patamar mais baixo da série histórica
do Icaec. Embora o nível de satisfação com as condições atuais do setor e das empresas dos entrevistados tenham registrado as primeiras altas mensais desde o último
mês de julho, a forte deterioração
na avaliação das condições econômicas correntes (-4,1%) impediu
um resultado positivo do Icaec.
Em relação a outubro de 2013, houve queda de 16,9%.
De acordo com os últimos dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br),
as regiões Sul e Sudeste acumularam as menores taxas de crescimento econômico nos últimos 12
meses (+1,9% e -0,1%, respectivamente). Ao longo do ano, a proxy
do Bacen para o nível de atividade
econômica desacelerou, passando dos 2,9% registrados em janeiro para os atuais 0,9%.
Após registrar recuperação
por três meses consecutivos, as
expectativas voltaram a ser corrigidas para baixo tanto no comparativo mensal (-2,6%) quanto no
anual (-9,0%). A retração em relação a setembro se deu, principalmente, em decorrência da queda
no item que mede as perspectivas
para a economia brasileira
(-3,8% ante setembro).
A tendência de redução nas expectativas em relação à economia
brasileira no ICEC vem coincidindo com a mesma trajetória da mediana das expectativas registrada
semanalmente pelo Focus (Bacen). Há um ano, por exemplo, a
perspectiva de aumento do PIB
brasileiro em 2014 era de 2,15%, e
atualmente encontra-se próxima
de 0,25%. Para 2015, a mediana recuou de 2,50% para 1,00% nos últimos 12 meses.
Assim como o índice de expectativas vem acompanhando as
perspectivas menos favoráveis
em relação à economia, a tendência declinante do subíndice relativo às intenções de investimentos
guarda relação com a desacelera-
ção das vendas do comércio. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio, do IBGE, em setembro, a
taxa de variação acumulada pelo
volume de vendas do varejo nos últimos 12 meses (+3,4%) é significativamente menor do que aquela
verificada um ano atrás (+4,8%).
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apresentou queda de
0,8% (120,6 pontos) na comparação com o mês imediatamente anterior, e recuo de 6,1% em relação
a novembro de 2013. O encarecimento do crédito, a persistência inflacionária, com manutenção de
um patamar mais elevado do nível
de preços, e um menor otimismo
em relação ao mercado de trabalho impactou negativamente a Intenção de Consumo no mês atual.
No entanto, mesmo com o recuo, o
índice ainda permanece acima da
zona de indiferença (100,0 pontos), indicando um nível favorável, conforme o gráfico abaixo.
O item Momento para Duráveis apresentou queda de 3,0% na
comparação mensal. Em relação a
2013, o componente obteve queda
de 15,4%. Nesse mês o componente atingiu o menor valor da série
histórica. Um novo patamar de taxa de câmbio, aliado à taxa de juros para o consumidor, representada pela taxa média de juros das
operações de crédito com recur-
O encarecimento do
crédito, a persistência
inflacionária,
e um menor otimismo
em relação ao mercado
de trabalho impactou
negativamente
a Intenção de Consumo
no mês atual
sos livres para pessoas físicas e divulgada pelo Banco Central, vem
atingindo os maiores níveis desde
2011, o que gera encarecimento de
empréstimos e diminuição na disposição para aquisição de duráveis. A inflação oficial voltou a aumentar, afetando de maneira intensiva o orçamento das famílias.
Os demais componentes do
ICEC e do ICF também reagiram
negativamente, tanto na comparação mensal quanto na anual.
Além das expectativas menos favoráveis para os próximos meses,
contribuem decisivamente para a
menor intenção de investimentos
na contratação de funcionários e
na aquisição de máquinas e equipamentos o nível mais fraco de ati-
O elevado custo
do crédito
e o alto nível
de endividamento
ainda são
os motivadores
do desaquecimento
na intenção
de compras a prazo
vidade do setor e o custo do crédito para pessoas físicas e jurídicas.
Oelevado custodo créditoe o alto nível de endividamento ainda são
os motivadores do desaquecimento
na intenção de compras a prazo. Por
sua vez, o aperto monetário iniciado no ano passado continua impactando as perspectivas dos empresários docomércio,que,parasetornarem positivas, demandam melhorescondições econômicas enovociclo de baixa de taxa de juros.
Coluna publicada às quintas-feiras
*Carlos Thadeu de Freitas é chefe da Divisão
Econômica da Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)
e ex-diretor do Banco Central
8 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
Patricia Stavis
▲
BRASIL
SIMPLES
Indústria pode ter teto aumentado
O teto do Simples — regime especial de tributação para pequenas
empresas — poderá chegar a R$ 14 milhões para indústrias, caso a
Presidência e o Congresso Nacional acatem proposta da Secretaria
da Micro e Pequena Empresa. De acordo com o ministro da pasta,
Guilherme Afif Domingos, os novos valores para enquadramento
serão graduais e, por isso, bem recebidos pelo setor. ABr
Interior de São Paulo sofre
com as demissões da indústria
Sertãozinho, Jundiaí, Itu e Diadema são os municípios mais impactados pela extinção de postos de trabalho
Dado Galdieri/Bloomberg
Patrycia Monteiro Rizzotto
pmonteiro@brasileconomico.com.br
São Paulo
Sertãozinho, Jundiaí, Itu e Diadema estão entre as cidades paulistas mais impactadas pelas demissões da indústria este ano. Cruzando os dados demográficos dos municípios com o do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados
(Caged) do Ministério do Trabalho
e Emprego, observa-se que o caso
mais grave é o de Sertãozinho, onde as demissões do setor já atingem 8% população. Em Jundiaí a
proporção é de 4,6%; em Itu é de
3,9%; e em Diadema, 3,7%.
Segundo o empresário Adézio
José Marques, diretor regional de
Sertãozinho do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), os segmentos metalúrgico e o sucroalcooleiro são os que mais vem contribuindo para aumentar o saldo
negativo do emprego industrial
na região. “As usinas e destilarias
são as maiores forças propulsoras
da economia local, que inclui Ribeirão Preto, Sertãozinho e mais
cinco municípios. Desde que esse
setor entrou em crise, a partir de
2008, a indústria metal mecânica
da região também entrou em declínio por causa da queda nas encomendas da agroindústria canavieira”, explica, mencionando que só
no mês de outubro foi registrado
um saldo negativo de 850 postos
de trabalho no entorno de Sertãozinho. “E são esperadas cerca de 4
mil demissões a mais nos dois últimos meses do ano por causa do
fim da safra de cana-de-açúcar
na região”, frisa Marques.
De acordo com ele, as demissões da indústria têm estabelecido um clima de desânimo no meio
empresarial e no mercado de trabalho da circunvizinhança de Sertãozinho. “Mesmo sem demitir
em massa, o próprio comércio dá
sinais de pessimismo. Empresários do setor de Ribeirão Preto,
que detém cinco shoppings centers, falam que vão reduzir o volume de contratações sazonais para
o final do ano”, diz. Marques relembra que há dois anos a Companhia Albertina, uma usina destilaria, fechou as portas, extinguindo
cerca de 600 empregos diretos.
“Na semana passada, uma fábrica
de caldeiras de médio porte também encerrou suas atividades, demitindo cerca de 170 trabalhadores, contribuindo para deprimir
ainda mais a economia da região”, afirma.
O empresário, que é dono de
uma indústria de equipamentos
para portos e para o setor de petróleo e gás, diz a suspensão de investimentos da Petrobras e o atraso
no pagamento de alguns contratos da estatal tem gerado incertezas para outras empresas da região.“Aqui há cinco empresas em
recuperação judicial de pequeno,
médio e grande porte. Os empresários estão muito apreensivos com
a situação geral”, comenta.
Já o empresário Mauritius
Reisky, diretor da regional de Jundiaí da Ciesp, que engloba outros
dez municípios como Itatiba, Vinhedo e Campo Limpo Paulista,
afirma que em sua localidade foram extintos 8 mil empregos nos
últimos 12 meses. “No acumulado
do ano, são cerca de 5,3 mil demissões. Só em outubro foram 1,3 mil
postos de trabalhos fechados”,
contabiliza. “A redução de investimentos do setor de máquinas e
equipamentos e da indústria automotiva tiveram impacto direto no
segmento industrial da região,
tanto que aqui os segmentos que
mais demitem são a indústria metal mecânica e a de autopeças",
afirma, mencionando que em média são registrados dois pedidos
de recuperação judicial de empresas no entorno de Jundiaí.
Em Jundiaí, onde há
diversos fabricantes de
autopeças, a indústria
foi prejudicada pela
queda de encomendas
das montadoras.
Lá, é crescente o
número de pedidos de
recuperação judicial
Crise de usinas prejudica indústria metalúrgica de Sertãozinho
MUNICÍPIOS COM MAIOR
DESEMPREGO EM SÃO PAULO
Na indústria, acumulado de janeiro a outubro de 2014
São Paulo
São Bernardo do Campo
Campinas
Jundiaí
Diadema
Sertãozinho
Em Sertãozinho, as
demissões da indústria
atingiram 8% da
população. Em
novembro e dezembro
são esperadas 4 mil
demissões no entorno
do município por causa
do fim da safra de cana
Santo André
Mauá
São José dos Campos
Itu
Taubaté
Indústria da Transfr.
do Estado
Geral Estado
de São Paulo
Fonte: Caged, Ministério do Trabalho
ADMISSÕES
DEMISSÕES
159.261
16.181
18.594
17.317
11.755
7.719
8.387
6.972
7.109
5.436
3.548
889.576
166.346 -7.085
-3.921
20.102
-994
19.588
-1.003
18.320
-3.213
14.968
-2.083
9.797
-991
9.378
-1.564
8.536
-1.261
8.370
-1.078
6.514
-1.499
5.047
912.061
-22.485
5.369.544 5.176.599
SALDO
+192.945
De acordo com Reisky, na cadeia produtiva regional é forte a
presença de fabricantes de autopeças que produzem artigos automotivos de matéria-prima metálica,
mas também de plásticos, borracha, além de componentes como
freios e eixos de automóveis. “A
atividade tímida das montadoras
reduziu as encomendas dos seus
fornecedores que, por sua vez, fizeram ajustes nos seus quadros de
funcionários. Ainda não podemos
falar de aumento do desemprego
na região, já que alguns trabalhadores conseguem colocações em
outras fábricas, utilizam as indenizações para abrir seus próprios negócios, ou migram para o setor terciário, perdendo poder aquisitivo
— já que o comércio não oferece salários e benefícios compatíveis
com os da indústria”, diz.
De acordo com ele, também é
observada a migração de mão-deobra da região para outros municípios como Campinas e São Paulo.
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 9
Divulgação
ATIVIDADE ECONÔMICA
Norte e Nordeste derrubaram IBC-Br
As regiões Norte e Nordeste foram as principais responsáveis pelo
recuo de 0,7% do Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) de
junho a agosto, informou ontem o BC. A maior queda foi registrada
no Nordeste, com recuo de 1,1% no trimestre terminado em agosto.
O Norte registrou queda de 0,7% no período. A menor atividade,
no entanto, não teve impacto no mercado de trabalho no Norte. ABr
Patrícia Büll
OS VENCEDORES DO LEILÃO DE TRANSMISSÃO
pbull@brasileconomico.com.br
São Paulo
Apenas quatro dos cinco lotes oferecidos pela Agência Nacional de
Energia Elétrica ( Aneel) foram arrematados no Leilão de Transmissão 04/2014, realizado ontem na
sede da BM&FBovespa, em São
Paulo. As empresas Eletrosul,
Celg Geração e Transmissão, Isolux e o consórcio Paraíso (Elecnor, Eletrosul e Copel) arrematarm os lotes A, E, F e H.
O objetivo do leilão era a contratação de serviço público de
transmissão de energia elétrica
nos estados de Rio Grande do
Sul, Pará, Mato Grosso, Minas
Gerais, Mato Grosso do Sul,
Goiás, Tocantins e Amapá. Os leilões são realizados por meio da
Receita Anual Máxima Permitida (RAP), determinada pela
Aneel — levam os lotes as empresas que apresentam maiores descontos sobre a RAP.
Mais disputado do certame,
o lote A foi arrematado pela Eletrosul Centrais Elétricas, subsidiária da Eletrobras em Santa
Catarina. Os empreendimentos
desse lote compreendem 2,1 mil
quilômetros de linhas de transmissão, oito subestações e ampliação de 13 unidades existentes, com investimento total de
R$ 3,1 bilhões e Receita Anual
Permitida de R$ 336 milhões. A
Eletrosul levou o lote A com deságio de 14,01% em relação à
RAP inicial, que era de R$ 390,7
milhões. O lote A está localizado no Estado do Rio Grande do
Sul e tem a função de viabilizar
a conexão de futuros parques eólicos na região.
Pelo Consórcio Paraíso, formado em parceria com a Elecnor e Copel, a Eletrosul arrematou também o lote E, localizado no Mato
Grosso do Sul. “Com a implementação desses empreendimentos,
mais de 11 mil empregos diretos serão gerados no Rio Grande do Sul
e Mato Grosso do Sul, contribuindo de forma efetiva para incrementar o potencial econômico
dessas regiões e para o desenvolvimento do país”, celebrou em comunicado o presidente da Eletrosul, Eurides Mescolotto.
Mesmo sem ter sucesso em todos os lotes ofertados, o diretor
da Aneel André Pepitone classificou o resultado do leilão como
“satisfatório”, citando o deságio
médio de 13,39%. “O certame foi
satisfatório, já que conseguimos
um deságio médio de 13,39%.
Além disso, o lote A, de maior investimento, foi arrematado com
sucesso”, afirmou.
O executivo lembrou que o deságio significa que a receita dos
empreendedores para exploração dos investimentos ficará menor que o previsto inicialmente,
contribuindo para a modicidade
tarifária de energia.
Dividido em nove lotes, apenas quatro tiveram vencedores
Deságio
Lote H
Isolux Projetos
e Instalações
Lotes B e I
Sem proposta
0,60%
Lote G
Sem proposta
AP
“
Os lotes que não foram
arrematados de fato
não despertaram muito
interesse na forma
como foram ofertados.
São linhas de difícil
gerenciamento,
mas ainda assim
muito necessárias”
Guilherme Schmidt
PA
Especialista em energia e sócio do
L.O. Baptista-SVMFA
TO
MT
Lote C
Sem proposta
GO
MG
MS
Lote E
Consórcio Paraíso
(Elecnor, Eletrosul e Copel)
3,62%
Lote D
Sem proposta
RS
Fonte: Aneel
Lote A
Eletrosul Centrais
Lote F
Celg Geração
e Transmissão
14,01%
0,32%
Transmissão:
só quatro lotes
arrematados
De nove lotes ofertados em leilão, cinco encalharam. Ainda assim,
Aneel considerou resultado “satisfatório”, por conta do deságio
Para o advogado especialista
em energia e sócio do L.O. Baptista-SVMFA, Guilherme Schmidt,
os lotes arrematados representam cerca de metade do total ofertado, ou seja, 50% de sucesso.
“Os lotes que não foram arrematados de fato não despertaram muito interesse na forma como foram
ofertados. São linhas de difícil ge-
renciamento, mas ainda assim
muito necessárias”, disse.
Segundo Schmidt, um dos motivos para o pouco interesse foi justamente o preço teto da RAP. Ele
lembra que a RAP é a remuneração que as transmissoras recebem
para disponibilizar o sistema ao
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Ele explicou que a
Aneel até tentou reajustar a RAP
para tornar os lotes disponíveis
mais atraentes. “Mas mesmo depois da RAP rediscutida, eles não
se tornaram competitivos. Talvez
o preço não seja interessante de
forma isolada. Para atrair o investidor privado, pode ser preciso lotes mais próximos, para que um
compense o outro”, afirmou.
Segundo a Aneel, os empreendimentos leiloados deverão demandar R$ 3,6 bilhões em investimentos, com geração de 21.051
empregos diretos. O prazo das
obras vai variar de 30 a 42 meses e
as concessões são de 30 anos a partir da celebração dos contratos.
O advogado da L.O. BaptistaSVMFA lembra que o país passa
por um momento sensível em relação à energia, por conta da estiagem sem precedentes, que impactou nas hidrelétricas. “Por isso,
qualquer mudança em qualquer
planejamento estratégico neste
momento pode implicar um risco
maior de racionamento.”
Ainda assim, disse Schmidt,
o problema maior neste e no próximo ano em relação ao racionamento ainda hídrico ainda é a
falta de água: “Ou seja, é preciso chover muito acima da média
nos próximos meses para afastar o risco. Em relação às linhas
de transmissão, havendo uma
nova licitação no ano que vem,
que seja atrativa também para o
investidor privado, acredito
que ainda haja tempo para a
construção, de forma a não impactar no consumo”.
10 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
▲
EMPRESAS
Editora: Flavia Galembeck
flaviag@brasileconomico.com.br
Gabriela Murno
gmurno@brasileconomico.com.br
Todo usuário do Twitter já teve
vontade de escrever mais de 140
caracteres na rede social. Pensando nisso, e alinhado a sua campanha para a linha Unlimited, que
tem como mote “dura muito
mais”, a Trident — marca de gomas de mascar da Mondelez Brasil
— lançou uma ferramenta que possibilita publicações de até 560 caracteres na rede social.
Disponível em www.duramuitomais.com e criada pela Trident
em parceria com a agência digital
Espalhe MSL Group, a ferramenta
transforma o texto do usuário em
imagem, que aparece na plataforma em forma de tweet. Segundo o
gerente de Marketing de Trident,
Daniel Silber, a expectativa é que
o serviço esteja disponível para
qualquer usuário da rede social
até o final de 2015.
“Aparece apenas uma nota de
rodapé dizendo: ‘este tweet é
igual ao sabor do Trident Unlimited #duramuitomais’. Uma das
principais vantagens é que pode
ser acessado de qualquer dispositivo: desktop, tablet ou smartphone”, disse ele, acrescentando que
a empresa, que fez a primeira coletiva de imprensa pelo microblog
para anunciar a ferramenta, esteve em contato com o Twitter durante todo o processo.
Segundo a assessoria de imprensa do microblog, não houve
nenhuma mudança no Twitter
em relação ao tamanho das postagens e não há nenhuma ferramenta oficial da companhia para
tweets com mais de 140 caracteres. Entretanto, na internet há
aplicativos e ferramentas, que extraoficialmente, utilizam imagens, corte da mensagem em diversos posts sequenciados de 140
caracteres, e até HTML para aumentar o tamanho dos tweets na
“
Aparece apenas uma
nota de rodapé dizendo:
‘este tweet é igual
ao sabor do Trident
Unlimited
#duramuitomais’.
Uma das vantagens
é que pode ser
acessado de qualquer
dispositivo”
Daniel Silber
Gerente de Marketing de Trident
Um Twitter
rede social. Um dos mais famosos é o site “TwitLonger”.
Perguntado se há espaço para
mudanças na mídia social, o diretor de Estratégia de Marcas do Twitter Brasil, Pedro Porto, afirmou
que a plataforma é aberta e ao vivo, o que traz várias possibilidades
de inovação. “O Twitter é uma ponte entre as pessoas e o que mais interessa a elas”, completou ele.
A nova ferramenta vai ao encontro com a proposta do Twitter
de criar novas formas de interação
e aplicativos móveis adicionais, para tentar conter a queda de engajamento dos usuários e voltar a cres-
além dos 140 caracteres
Trident Brasil lança
ferramenta que
permite postagens
com até 560 toques.
Microblog promete
aos usuários novas
funcionalidades
cer. O microblog tem hoje cerca
de 284 milhões de usuários, número considerado pequeno com comparação aos 1,3 bilhão do seu principal concorrente, o Facebook.
Em reunião com investidores
nessa semana, o CEO da empresa,
Dick Costolo, apresentounovas ferramentas e aplicações para o microblog,emrespostaaosmesesde dúvida dos acionistassobre a desaceleraçãodocrescimento equedadovolu-
me de negócios. Segundo ele, se os
planos derem certo, serão gerados
mais de US$ 11 bilhões em receitas
nos próximos de cinco a oito anos.
Para um analista, no entanto, é
difícil prever se as novas funcionalidades darão certo. “É difícil saber quão significativas suas novas
iniciativas são”, disse Brian Wieser, analista da Pivotal Research.
Entre as promessas estão uma
linha do tempo instantânea e per-
sonalizada para novos usuários
que não querem passar muito tempo cultivando-a por conta própria; a possibilidade de gravar, editar e compartilhar vídeos nativamente, usando o aplicativo do
Twitter, já no primeiro semestre
de 2015; uma ferramenta que mostre às pessoas os tweets mais importantes, postados desde última
vez que o usuário fez login na rede; entre outros. Com agências
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 11
Divulgação
ENTRETENIMENTO
Sony projeta aumentar receitas da divisão
A Sony pretende aumentar suas receitas com entretenimento
cinematográfico em mais de um terço nos próximos três anos, disse ontem
seu presidente-executivo, Kazuo Hirai. A empresa luta para compensar
as fracas vendas de smartphones. Hirai enfrenta pressão para mostrar que
o entretenimento pode contribuir para a receita após de rejeitar proposta
do fundo americano Third Point para desmembrar o segmento. Reuters
O FUTURO DO TWITTER
■ Uma linha do tempo instantânea
e personalizada para novos
usuários que não querem passar
muito tempo cultivando-a por
conta própria;
■ No primeiro semestre de 2015, os
usuários poderão “gravar, editar e
compartilhar” vídeo nativamente,
usando o aplicativo de Twitter;
■ Ferramenta que mostre às
pessoas os tweets mais
importantes, postados desde
última vez que o usuário fez login
na rede;
■ A partir da próxima semana, uma
atualização permitirá que as
pessoas compartilhem os tweets
públicos dentro de mensagens
privadas;
■ Alterações à página inicial do
Twitter, que atrai 125 milhões de
pessoas por mês;
■ Interações com aplicações
móveis, além do Twitter e Vine;
■ Conteúdo organizado de acordo
com geolocalização do usuário;
■ Opção para que os usuários
possam transformar seus tweets
em propagandas em segundos.
Dick Costolo
apresentou aos
acionistas do
Twitter novas
ferramentas e
funcionalidades
que devem
entrar no ar
em breve
NÚMEROS
US$
361 mi
Receitas do
Twitter no terceiro
trimestre de 2014,
acima da previsão
de US$ 351,4
milhões.
7%
Queda no
principal
indicador que
mede o
engajamento dos
usuários do
Twitter no 3º
trimestre.
Sites estendem os tweets
dos usuários do microblog
Apesar de ter sido criado
para permitir apenas
postagens com 140
caracteres, muitos usuários
consideram o espaço muito
pequeno e encontram
dificuldades para resumir
seus pensamentos, mesmo
usando abreviações como
“vc” para você e “fds” para
fim de semana.
Apesar de não haver
ferramentas oficiais que
permitam tweets maiores,
segundo a companhia, na
internet é fácil encontrar
sites e aplicativos que
estendem os posts.
Entre eles está o
Twishort.com, em que o
usuário acessa o site com seu
login do Twitter, escreve sem a
preocupação com os 140
caracteres e o próprio site
publica a postagem criando um
link encurtado para uma página
no próprio Twishort. Outra
ferramenta bem conhecida é o
Twitlonger, que além do site,
pode ser acessado por
dispositivos móveis com iOS, da
Apple, e Android, do Google.
Já o ezTweets oferece uma
maneira fácil de escrever textos
com mais de 140 caracteres no
Twitter, pois ele divide
automaticamente o texto em
dois ou mais tweets, e os publica
de forma ordenada na página do
usuário na rede social.
Redes americanas
investem no apetite
dos brasileiros
De restaurantes casuais a
a uma rede de rosquinhas,
eles não acreditam na
recessão do país
Os consumidores brasileiros, apertados pelo crescimento estagnado
e por uma moeda mais fraca, estão comprando menos produtos
estrangeiros. Mas isso não se aplica quando o assunto é alimentação fora de casa.
Depois que algumas redes fracassaram em suas tentativas anteriores de entrar na maior economia da América Latina, as operadoras dos chamados restaurantes
casuais dos EUA estão se expandindo novamente. Cadeias como
a Red Lobster estão surgindo para
atender a demanda de consumidores de classe média que não podem pagar o jantar em restaurantes de padrão mais alto, mas que
buscam uma noite com um pouco
mais de classe. Outras, como a
TGI Fridays, retornam em busca
do desempenho do passado.
A Red Lobster Seafood Co., que
foi adquirida pela Golden Gate Capital Corp. em julho, abriu seus dois
primeiros restaurantes no Brasil
neste ano, no Itaim Bibi e no Aeroporto Internacional de São Paulo, e
tem planos para mais 12. A bandeira está inaugurando lojas com a International Meal Co., a única operadora de redes de restaurantes de capital aberto do Brasil, disse o CEO
da Red Lobster, Kim Lopdrup.
“O Brasil é um dos mercados
mais atrativos da América Latina
devido ao seu tamanho, perspectivas de crescimento de longo prazo
e forte aceitação dos restaurantes
americanos casuais”, disse Lopdrup, por e-mail.
Um prato de lagosta no Red Lobster custa de R$ 79 a R$ 169, ou
cerca de US$ 30 a US$ 65, em São
Paulo, contra US$ 27 a US$ 41 na
Times Square, em Nova York.
Já a TGI Fridays está voltando
após uma ausência de quatro
anos. A empresa, que foi adquirida neste ano pela Sentinel Capital
Partners e pela TriArtisan Capital
Partners, deixou o Brasil por causa de “algumas preocupações financeiras relacionadas ao nosso
sócio de franquia”, disse Jean Baudrand, vice-presidente para Desenvolvimento de Negócios Internacionais. O Brasil era “uma região de alto desempenho” para a
rede, disse Baudrand.
Outra que está fazendo o caminho de volta ao país é a Dunkin’
Brands Group, que está planejando
até 150 cafeterias com iluminação
ambiental, wi-fi e sofás. A rede está voltando ao Brasil após fechar
suas franquias cerca de uma década atrás por causa de problemas na
cadeia de abastecimento, disse
Scott Murphy, diretor de Abastecimento e vice-presidente de Operações para a América Latina da Dunkin’ Donuts. Desta vez, a sócia é a
OLH Group — um grupo com sede
em Brasília que anteriormente operou franquias do Subway—, que planeja ter um estoque de seis meses
de insumos importados e está tentando encontrar produtores locais
de itens como copos, disse o presidente da OLH, Leandro Oliva.
“Esta ainda é uma das maiores
economias do mundo e está repleta de oportunidades”, disse Murphy. “As principais delas estarão
na classe média”, complementou.
O impulso renovado no Brasil
surge em um momento em que o
país tenta sair da recessão do primeiro semestre do ano. Enquanto
essa situação poderia significar
uma desaceleração para os clientes americanos, isso não acontece
no Brasil, disse Renato Meirelles,
presidente do Data Popular, instituto de pesquisa focado na classe
média, faixa da população que o órgão define pelas famílias com uma
renda mensal média de R$ 1.694 a
R$ 3.094. Comer fora regularmente faz parte da cultura dos brasileiros e os 40 milhões de pessoas que
ascenderam à classe média na última década não são uma exceção.
“Elas não desistem de comer fora, mas trocam restaurantes melhores por pizzarias ou reduzem a
frequência de saídas”, disse Meirelles. “É que nem viajar de avião:
aqueles que começam não vão
mais viajar de ônibus. As pessoas
não voltam para trás.” Bloomberg
Comer fora
regularmente faz
parte da cultura
dos brasileiros e os
40 milhões de pessoas
que ascenderam à
classe média na última
década não são uma
exceção
12 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
▲
EMPRESAS
Distribuidor de TI sofre com
dólar alto e economia em baixa
Faturamento estimado para este ano é de R$ 12,6 bilhões, o que representa retração de 5,2% em relação a 2013
Rodrigo Carro
rodrigo.carro@brasileconomico.com.br
O baixo nível de crescimento econômico no país e a cotação do dólar em alta frente ao real deixaram o segmento de distribuição
de TI com poucos motivos para comemorar o Natal. Levantamento
encomendado pela Associação
Brasileira dos Distribuidores de
Tecnologia da Informação (Abadisti) estima que o faturamento total do setor terminará o ano no patamar de R$ 12,6 bilhões, uma retração de 5,2% em relação ao resultado registrado em 2013 (R$
13,3 bilhões). As vendas de hardware em queda têm forçado os distribuidores nacionais a ampliarem seu mix de produtos, com
participação crescente dos games. Paralelamente, as revendas
apostam cada vez mais na prestação de serviços para clientes corporativos como forma de compensar a queda nas margens de lucro,
chamuscadas pela concorrência
dos grandes varejistas.
“Somos um setor intermediário. Fatores como o dólar alto ou o
crescimento econômico mais tímido geram um efeito cascata que
NÚMEROS
R$ 13,3 bi
Foi o faturamento do segmento de
revenda de produtos de Tecnologia
Informação no ano passado,
segundo pesquisa da Abradisti.
71%
É a participação estimada da
categoria de hardware no
faturamento das revendas de TI
para este ano. No ano passado,
esse percentual foi de 74% e, em
2012, de 81%.
sempre acaba na ponta do distribuidor e do varejista”, justifica
Mariano Gordinho, diretor executivo da Abradisti. “A diferença é
que o varejista trabalha com uma
variedade maior de produtos no
seu mix”. Variedade, neste caso,
pode significar melhores margens. Não foi à toa que a participação dos jogos no faturamento das
revendas aumentou em um quinto, passando de 5%, em 2013, para 6%, neste ano.
Principal produto dos distribuidores de TI brasileiros, os
componentes eletrônicos tiveram sua participação no bolo do
faturamento reduzida de 16% para 1 5 % na c om p a raç ão
2013/2014. A redução de um ponto percentual é resultado direto
do encolhimento do segmento
de pequenas e médias montadoras nacionais de PCs. “Cinco
anos atrás, o país tinha uma indústria pujante de montagem de
computadores. Eram máquinas
distribuídas regionalmente por
empresas que estavam mais perto do cliente. Com a queda brutal
nos preços dos computadores, a
margem diminuiu muito, o que
desestimula quem monta computadores”, explica Gordinho.
Em linhas gerais, a categoria
hardware vem perdendo market
share ao longo dos últimos anos.
Em 2014 representou 71% do faturamento das revendas, contra
uma participação de 74% no ano
passado e de 81% em 2012. A trajetória descendente é explicada
— segundo o diretor executivo da
Abradisti — pela importância
crescente dos smartphones. Os
telefones inteligentes absorveram uma variedade de funções
antes restritas aos computadores. Outro fator determinante para a “decadência” do hardware
foi a evolução das tecnologias de
armazenamento de dados em nuvem, disponíveis hoje gratuitamente ou a um custo baixo.
Pressionados por um cenário
de margens menores e inadimplência em alta, os distribuidores de TI enveredam cada vez
mais pelo mercado corporativo.
Em 2006, a participação do segmento na receita das revendas
era de 30%. Já em 2014 esse percentual é de 48%, conforme projeção que consta da 5ª Pesquisa
Inédita Setorial dos Distribuidores de TI. Para o próximo ano, a
previsão é de que os clientes cor-
O MERCADO DO SETOR DE
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
FATURAMENTO DOS DISTRIBUIDORES POR PRODUTO
2014
15%
13%
12%
12%
Componentes
PCs e servidores
Produtos de rede
Software
7%
6%
6%
5%
4%
3%
3%
2%
0,5%
0,5%
Suprimentos
Monitores e TVs
Games (hardware e software)
Impressão
Mobilidade (celulares, tablets, etc)
Acessórios
Telefonia (fixos, centrais, etc)
Energia
Cine e foto
Cloud computing
“
Somos um setor
intermediário. Fatores
como o dólar alto ou o
crescimento econômico
mais tímido geram
um efeito cascata
que sempre acaba na
ponta do distribuidor
e do varejista”
Mariano Gordinho
Diretor executivo da Abradisti
11%
Outros
PARTICIPAÇÃO DO SEGMENTO
CORPORATIVO NO FATURAMENTO DAS REVENDAS
48%
51%
42%
35%
37%
30%
2006 2007 2008 2009
2010
2011
2012
2013
2014* 2015*
*Previsão
PANORAMA DOS DISTRIBUIDORES (FATURAMENTO)
R$ bilhões
13,1
13,3
12,6
12,6
11,8
10,7
10,6
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014*
*Previsão
Fonte: “Análise do Setor de Distribuição e Revendas no Brasil e Perspectivas para 2015”, IT Data Consultoria
porativos respondam por 51% do
faturamento. A aproximação entre distribuidores e companhias
ganhou força nos últimos dois
anos, com ênfase na prestação
de serviços. “O grande concorrente do revendedor é o varejo. A
solução para o distribuidor é buscar cada vez mais a proximidade
com as empresas. Cliente corporativo quer treinamento, consultoria, serviços”, diz Gordinho.
De acordo com o estudo encomendado pela Abradisti, há 30
mil revendas de TI no Brasil, sendo que 25% delas possuem apenas
um funcionário e 68% contam
com até cinco empregados. A
maioria — 66% — possui site, mas
somente 20% estão engajados no
comércio eletrônico. A associação
abrange 78% dos distribuidores
brasileiros de TI, com faturamento previsto de R$ 9,8 bilhões para
este ano. “Este Natal não vai ser
apocalíptico, mas com certeza será conservador”, acredita o diretor executivo. “O setor não está
preocupado com quem vai ser o
próximo ministro da Fazenda. Os
empresários estão aguardando
uma sinalização clara do que vão
ser os próximos anos em termos
de política econômica.”
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 13
Divulgação
SISTEMAS FERROVIÁRIOS
Hyundai Rotem terá fábrica no Brasil
A Hyundai Rotem, fabricante de sistemas ferroviários, anunciou ontem
que irá construir em Araraquara (SP) sua primeira unidade no Brasil.
Serão investidos cerca de R$ 100 milhões e criados 300 empregos na
planta, que vai produzir trens. A nova fábrica será a segunda maior da
empresa no mundo. A expectativa é que as obras sejam concluídas até
o final de 2015 e a produção comece já no primeiro semestre de 2016.
Piervi Fonseca
“
Vamos continuar
anunciando alguns
modelos de vestíveis
próprios, mas
a prioridade nessa
área será a oferta
de componentes para
dispositivos de outras
marcas e fabricantes”
David González
Diretor-geral da Intel no Brasil
Os novos horizontes da Intel
Após crescer em tablets e recuperar parte do terreno perdido com a queda nas vendas de PCs, a nova via de
expansão da gigante de chips inclui a Internet das Coisas, os dispositivos vestíveis, os PCs híbridos e os smartphones
Moacir Drska
mdrska@brasileconomico.com.br
“Não se deve colocar todos os ovos
numa única cesta”. O velho ditado
popular se aplica perfeitamente ao
momento da Intel. Após perder espaço pela demora em estender sua
atuação para além do mundo dos
PCs, a gigante americana de chips
recuperou parte do tempo perdido
ao alcançar neste ano a liderança
no mercado mundial de processadores para tablets. Sob o impulso
dessa conquista, a companhia está
reforçando a diversificação do seu
portfólio e prepara uma nova escalada em diferentes segmentos.
“Continuamos atendendo aos
parceiros tradicionais, mas estamos ampliando nosso leque”, diz
David González, diretor-geral da
Intel no Brasil. “Os resultados que
atingimos nos tablets nos mostram que temos um bom potencial
em categorias que estão logo à frente, como os vestíveis, os celulares e
a internet das coisas”, afirma.
No vasto campo da Internet das
Coisas — conceito que sintetiza a
conexão dos mais variados dispositivos à internet —, González diz enxergar as principais oportunidades nas aplicações industriais,
sem perder de vista, no entanto,
os exemplos dessa abordagem em
dispositivos voltados aos consumidores. Hoje, os projetos globais da
Intel nessa vertente incluem segmentos como manufatura, saúde e
energia, e em tendências como os
carros conectados, por meio de
parcerias com montadoras como a
Ford e a BMW. Globalmente, a divisão de Internet das Coisas da Intel
registrou uma receita de US$ 530
milhões no terceiro trimestre, alta
de 14% na comparação anual.
No Brasil, uma das iniciativas ligadas a esse campo foi a instalação, em abril, de um centro de inovação no Rio de Janeiro. Como parte de um investimento de R$ 300
milhões firmado com o governo federal, a unidade tem como prioridade criar inovações baseadas na
Internet das Coisas e em conceitos
como big data voltadas às áreas de
óleo e gás e de cidades inteligentes.
No plano dos dispositivos vestíveis, um dos passos recentes da Intel foi a aquisição da start-up americana Basis Science, que passou a
integrar a divisão de novos dispositivos da empresa. Segundo González, mais que uma linha de produtos que marcou a entrada da Intel
na categoria, o acordo traz como
benefício o acesso às tecnologias e
sensores desenvolvidos pela novata. “Vamos anunciar alguns modelos de vestíveis próprios, mas a
NÚMEROS
US$ 14,5 bi
Foi a receita global apurada pela
Intel no terceiro trimestre, 7,9%
superior ao montante registrado
pela companhia americana no
mesmo intervalo em 2013.
100 milhões
Foi o volume de chips embarcados
pela Intel entre julho e setembro.
Essa foi a primeira vez que a
empresa atingiu essa marca em
um trimestre.
prioridade nessa área será a oferta
de componentes para dispositivos
de outras marcas e fabricantes”,
observa. Em setembro, por exemplo, a Intel anunciou uma parceria
com o Fossil Group para desenvolver produtos na categoria.
Os esforços incluem ainda o desenvolvimento de chips ultra-pequenos — “do tamanho do botão
do meu paletó”, diz González —
com alta eficiência energética para
serem embarcados em relógios e
pulseiras conectadas. Batizada de
linha Quark, a novidade tem previsão de chegar ao mercado entre o
fim de 2015 e o início de 2016.
A busca por parcerias que acelerem a entrada em novos segmentos é também a aposta no mercado
de smartphones, uma categoria na
qual, assim como os tablets, a Intel
encontrou dificuldades anteriormente para igualar o desempenho
obtido nos PCs, seja pela questão
do consumo de energia ou mesmo
pelo desafio de atingir custos de
produção mais baixos. No mercado brasileiro especificamente, um
dos exemplos recentes e bem-sucedidos foi o lançamento local do
Zenfone, smartphone da taiwanesa Asus equipado com processador
Intel Atom e que vendeu mais de
10 mil unidades em suas primeiras
24 horas no mercado.
Outra grande aposta global e
também no Brasil são os chamados
2 em 1 — híbridos de notebook e tablet. A categoria já é a de mais rápido crescimento no país e a expectativa é que ela represente 14% das
vendas locais da empresa no segmento de computadores. Segundo
Mauricio Ruiz, diretor de vendas
da Intel, a venda desse modelo de
produto para empresas é uma frente que começa a se tornar atrativa.
À medida que os preços desses
equipamentos caem gradativamente, eles surgem como uma opção para a renovação dos parques
das companhias. “As linhas novas
estão chegando ao mercado na faixa de R$ 2 mil. Antes, como a maioria era importada, o preço variava
entre R$ 5 mil e R$ 6 mil”, diz.
Hoje, no Brasil, os chips da Intel
já estão embarcados em 23 modelos diferentes de híbridos. Já no segmento de tablets, os processadores
da marca estão em 20 modelos,o
que inclui nomes como Lenovo,
Dell e Samsung, e também fabricantes locais, como a DL. Parte do
sucesso da Intel na categoria pode
ser explicado por parcerias similares ao acordo com a DL. A empresa
é a líder no mercado brasileiro, como resultado da estratégia de investir em tablets de entrada e de preços intermediários.
14 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
▲
EMPRESAS
Embratel e Net
aprovam nova
reorganização
societária
Portugal Telecom
é atrativa, afirma CEO
A operação contempla
a incorporação da Net,
da Embratel e da
Embrapar pela Claro
Segundo Almeida, resultados do terceiro trimestre mostram que a empresa está “viva”
Diário Económico
O negócio da Portugal Telecom é
sólido e sua liderança no país a torna “obviamente atrativa”, disse o
presidente-executivo Armando
Almeida ontem, ao anunciar uma
nova oferta da operadora, que se
fundiu com a Oi.
Em evento para a imprensa, Almeida declarou que os resultados
do terceiro trimestre mostraram o
reforço da liderança no mercado
português e que a Portugal Telecom está “viva”. “Somos obviamente atraentes para várias empresas”, disse o executivo.
“Apesar de tudo o que se falava, que a empresa estava passando por dificuldades, nossas receitas trimestrais e de nove meses
mostraram que ganhamos market
share”, disse Almeida, que está há
três meses no cargo.
As receitas da operadora caíram 3,3%, para ¤ 610 milhões no
terceiro trimestre, com as vendas
do segmento empresarial particularmente pressionadas. No final
de setembro, a Portugal Telecom
tinha 2,65 milhões de unidades ge-
“Ganhamos market share”, disse Armando Almeida, CEO da PT
radoras de receitas no segmento
corporativo, crescimento frente
aos 2,56 milhões de um ano antes. Nesse segmento, as receitas
líquidas caíram 5,5%, para ¤ 183
milhões. A PT lançou ontem no-
va oferta convergente tendo como alvo pequenas empresas e focada na integração de serviços
de voz, móvel, nuvem e dados,
que visa a 30 mil adesões no
“curto prazo”.
No dia 12, os fundos de private
equity Apax Partners e Bain Capital fizeram oferta conjunta de ¤
7,07 bilhões pelos ativos portugueses da Portugal Telecom, valor
mais elevado que a proposta de ¤
7,02 bilhões da francesa Altice. A
empresa de Correios de Portugal
CTT também disse que acompanha o processo de venda da PT e
analisava oportunidades que
criem valor a seus acionistas.
Ontem, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários
(CMVM), órgão regulador do mercado de capitais português, informou que, diante das condições estabelecidas pela Terra Peregrin para lançar sua Oferta Pública de
Aquisição de Ações (OPA) pela PT
SGPS, será necessário que o preço
oferecido seja justo, numa decisão que caberá à própria CMVM. A
PT SGPS detém 25,6% do capital
da Oi, enquanto a Terra Peregrin é
uma holding da angolana Isabel
dos Santos. A oferta inicial de Isabel foi de ¤ 1,35 por ação, num total de ¤ 1,2 bilhão. Com Reuters
Nokia reativa sua marca com novo tablet parecido com iPad
A finlandesa Nokia lançou um novo dispositivo da marca ontem,
que é projetado para rivalizar com
o iPad Mini, da Apple, apenas seis
meses depois de a empresa vender
sua divisão deficitária de telefones
celulares para Microsoft por mais
de US$ 7 bilhões.
A Nokia — um nome que já foi sinônimo de telefones móveis até que
Apple e,emseguida,SamsungElectronicseclipsaramaempresafinlandesa com o advento dos smartphones —,disse quea fabricação,distribuição e a venda do novo tablet N1
serãofeitaspela Foxconn de Taiwan,
que tem a licença para usar a marca.
Com a superfície em alumínio, o
N1 usa o software operacional Lollipop Android, do Google, mas apresenta nova interface de tela inteligente Z Laucher, da Nokia, e deve
chegar às lojas na China no primeiro trimestre do próximo ano por
um preço estimado de US$ 249 antes de impostos, com vendas para
outros mercados a seguir.
Sebastian Nystrom, diretor de
produtos na unidade de Tecnologias da Nokia, disse que a empresa
estava estudando lançar mais dispositivos e também pode voltar para o negócio smartphones com o licenciamento da marca.
“Com o acordo com a Microsoft,
como é habitual, temos essa transição e não podemos fazer
smartphones por um tempo. Mas em 2016 nós podemosnovamenteentrarnesse negócio”, disse Nystrom. “Seria loucura não
olhar para essa oportunidade. É claro que vamos
olhar para ela.”
A Microsoft, na semana
passada, retirou o nome de
Nokia de seu mais recente smartphone, o Lumia 535, que roda
em seu sistema operacional Windows Phone 8, mas a americana
ainda usa a marca finlandesa em
telefones mais básicos.
Após a venda para a Microsoft, a
Nokia ficou com seu core business
—os equipamentos e serviços de rede, além de sua unidade menor de
mapeamento e navegação, chamada de HERE, além da Nokia Technologies, que gerencia o licenciamento de seu portfólio de patentes e desenvolve novos produtos, como o
N1 e o Z Launcher.
Questionado sobre os rumores
de que a Nokia estava olhando para
voltar ao mercado de celulares, o
Chefe do Executivo Rajeev Suri disse na semana
passada que ele estava
olhando em maneiras de
trazer a marca de volta ao
mercado consumidor
através de acordos de licenciamento. Reuters
Sebastian Nystrom,
diretor da Nokia
Technologies,
apresenta o
tablet N1
REUTERS/Heikki Saukkomaa/Lehtikuva
Dispositivo será fabricado,
distribuído e vendido pela
Foxconn, em acordo de
licenciamento
Os conselhos de administração
da Embratel Participações e da
Net aprovaram na segunda-feira
a proposta de reorganização societária que também envolve a operadora Claro, dentro do processo de
consolidação das empresas em
uma única sociedade.
As três companhias pertencem ao grupo América Móvil, do
bilionário mexicano Carlos Slim.
A operação contempla a incorporação da Net, da Embratel e da Embrapar pela Claro, enquanto fatias
desmembradas de Embratel e Embrapar denominadas Nova Embratel e Nova Embrapar serão incorporadas pela Telmex Solutions Telecomunicações.
Conforme fato relevante divulgado ontem, a incorporação deverá se tornar eficaz, caso aprovada
pelos acionistas das companhias,
em 31 de dezembro deste ano.
A relação de troca proposta no
âmbito da operação é de um lote de
mil ações de emissão da Embrapar
por 0,0308 ações da Claro, uma
ação de emissão da Embratel por
0,0031 ações da Claro e uma ação
da Net por 0,0884 ações da Claro.
Acionistas detentores de
ações ordinárias de Net, da Embratel e da Embrapar, além de
ações ordinárias da Claro, também poderão receber papéis da
Nova Embratel ou da Nova Embrapar. Por sua vez, detentores
de ações preferenciais da Net e
da Embrapar receberão ações preferenciais da Claro e poderão receber papéis da Nova Embrapar.
O valor dos ativos a serem cindidos do patrimônio da Embrapar serão equivalentes a R$ 1,612
bilhão, o que reduzirá seu patrimônio para R$ 9,170 bilhões, enquanto o valor separado da Embratel será de R$ 1,547 bilhão, ficando seu patrimônio após a cisão em R$ 4,863 bilhões.
O patrimônio da Net era de R$
6,812 bilhões em 30 de setembro
de 2014, data base considerada para as avaliações.
O capital social da Claro passará a R$ 12,043 bilhões, dividido
em 16.750.449 ações ordinárias e
33.500.898 ações preferenciais.
Acionistas da Embrater, Embratel e Net terão direito de recesso. As companhias informaram
estimar que o custo total da operação seja de cerca de R$ 8 milhões. Reuters
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 15
Divulgação
TELECOMUNICAÇÕES
Até 2020, 90% da população terá celular
O levantamento Mobility Report, da Ericsson, revela que 90% da
população mundial terá telefone celular até 2020. No mesmo
período, os smartphones devem chegar a 6,1 bilhões. Em 2014, foram
800 milhões de smartphones vendidos em todo o planeta. O tráfego
de vídeo móvel deve aumentar dez vezes e chegar a 55% de todo o
tráfego de dados móveis até 2020. Redação
ENTREVISTA MAURÍCIO MAGALHÃES Presidente da Agência Tudo, do Grupo ABC
‘O ERRO É NÃO TER FÔLEGO PARA
APROVEITAR O PATROCÍNIO’
Piervi Fonseca
Os Jogos Olímpicos de
2016, no Rio de Janeiro,
vão movimentar US$ 1,2
bilhão em ações publicitárias. São mais de 30
marcas envolvidas com
acompetição. A Agência
Tudo, do Grupo ABC, fez
umestudosobreestratégias e oportunidades de
patrocinadorasenãopatrocinadoras. Sem driblar a lei, vale tudo, até
ser contra o evento,diz
Maurício Magalhães.
“
Os grandes eventos
sempre devem ser
plataformas de
interlocução das
marcas com as
pessoas, hoje mais
abertas a novas
oportunidades”
Nos Jogos de Londres, a Procter&
Gamble, uma patrocinadora mundial,foimuitointeligenteao direcionar seu foco para as mães dos atletas, criando a campanha Celebrating Mums e a casa da família P&G.
O objetivo era destacar os cuidados
da marca com a família. A grande
fórmula olímpica das empresas é
contextualizar a marca dentro do
universo da competição. A causa é
o que a aproxima de seu público . E
esse ciclo olímpico precisa começar muito antes da competição.
Erica Ribeiro
eribeiro@brasileconomico.com.br
Por que a ideia de desenvolver
esta pesquisa?
Temos pesquisado bastante a evolução das marcas em grandes eventos. Esse é um movimento que só
tem crescido, diante de um novo
consumidor. Os grandes eventos
sempre devem ser plataformas de
interlocução das marcas com as
pessoas, hoje mais abertas às novas oportunidades. Estamos em
um século em que é preciso entender o que quer esse novo cidadão.
Se quem começa antes sai na
frente, que exemplos de marcas
patrocinadoras você cita como
promissoras para 2016?
Qual é o principal erro das
marcas ao se ligar a um evento
como as Olimpíadas?
Já vemos um movimento bem consistente da Nike. O Bradesco e os
Correios também estão se posicionando fortemente. Todos estão se
apresentando nessa fase.
Oerroé nãoterfôlego para aproveitar
o patrocínio. O valor deste patrocínio.Dependendodopropósitodopatrocinador com o evento, há em alguns casos a necessidade de se gastar
omesmo valorcomativações.Ouseja, para cada um real gasto com a cota
de patrocínio, outro real precisa ser
gasto em ativação da marca.
E as não patrocinadoras?
Como agir sem infringir a lei?
As possibilidades são muitas. As
mais tradicionais partem da apropriação de atributos olímpicos,
sem usar marcas ou o símbolo dos
anéis e demonstrar o orgulho brasileiro,oorgulhocomoesporte.Espa-
Então, como acertar o caminho
em um evento com tantas
possibilidades?
Fundo de private equity dedicado
à maconha cria a primeira
marca global de cannabis
Acordo para criar a Marley
Natural foi feito com
os herdeiros do cantor
jamaicano de reggae
Com a legalização do uso recreacional da maconha em diversos
estados dos Estados Unidos e no
Uruguai, era uma questão de tempo até que surgisse a primeira
marca a comercializar a erva. Não
é mais. Anteontem, o fundo de
private equity Privateer Holdings, sediado em Seattle, anunciou
um acordo com os herdeiros do
cantor jamaicano Bob Marley pa-
ra criar a Marley Natural, que almeja ser a primeira marca global
de cannabis. “Estamos nos juntando com a Privateer Holdings
porque eles compreendem e respeitam o legado de nosso pai”,
disse Rohan Marley, filho de Bob.
Um dos maiores defensores do
uso da maconha, a chama de Bob
Marley permanece acesa, apesar
de ele ter morrido há mais de trinta anos. Seu disco “Legend”, lançado em 1984, ainda está entre os
mais vendidos da lista da Billboard (em setembro, ele ocupava
a quinta colocação) e seu espólio
gerou US$ 20 milhões no ano pas-
sado, segundo a revista
Forbes.
No port fó l i o d e
pro d u t o s ,
q u e d e ve
che ga r ao
mercado provavelmente no
segundo semestre do ano que vem,
apenas nos lugares onde seu
consumo é devidamente legalizado, segundo o comunicado da
companhia, cepas de maconha jamaicana inspiradas naquelas que
Bob Marley apreciava. Além do cigarrinho, a empresa planeja comercializar loções pós-sol com
infusão de cânhamo e cremes hidratantes de aloe vera e coco, assim como acessórios, incluindo
edições limitadas inspiradas nos
apetrechos usados por Marley.
Não se trata de um negócio de doidões. Segundo
o “Financial Times”, a
economia da cannabis, recreacional e
médica, deve movimentar US$ 2,6
bilhões nos EUA
neste ano. Mas segundo estimativas
da Rand Corp, instituição sem fins lucrativos que realiza pesquisas para contribuir
com a tomada de decisões e a
implementação de políticas no setor público e privado, o mercado
ilegal de maconha na terra do Tio
Sam teria movimentado US$ 40
bilhões em 2010.
ços de convivência não oficiais,
usando os mesmos atributos são
um outro caminho. E há também,
como seviu em outros países,atitudesmais ousadas. Marcas podem se
apropriardosentimentoantipropaganda que gira em torno dos jogos e
ganhar a simpatia do público dando descontos para quem usar marcas não-olímpicas. Sem contar o
movimento dos excluídos. Muitos
esportes, com milhões de fãs apaixonados, não terão espaço dentro
dos Jogos Olímpicos — ainda mais
no Brasil. Levantar a bandeira em
defesa e divulgação desses esportes
pode ser uma ótima oportunidade
para ganhar a simpatia do público e
sair na frente na corrida olímpica.
As regras legais são mais
rigorosas nos jogos?
Há algumas diferenças e, para isso,
patrocinadores ou não devem ficar
atentos. Principalmente a Regra
40, que restringe a participação
dos atletas que competem em campanhaspublicitáriasdurante acompetição, assim como 15 dias antes e
depois dos jogos. As demais regras
são semelhantes. Ehá ainda oTratadodeNairóbi, para proteçãodo símbolo olímpico. As demais regras
são semelhantes.
Ainda segundo o comunicado
da companhia, a Privateer Holdings está construindo um portfólio
de empresas tradicionais com o intuito de elevar a discussão sobre a
cannabis. Ela reúne a Tilray, uma
produtora de erva para uso medicinal com atuação no Canadá (que
já pediu uma licença para começar a produzir no Uruguai) e o Leafly, uma espécie de rede social,
com ferramenta de geolocalização que, com quatro milhões de visitantes ao mês, reúne uma ampla
base de variedades de cannabis,
com comentários, avaliações, endereços de lojas de acessórios,
além de temas relacionados ao
uso recreacional da maconha.
Segundo o FT, o Privateer já levantou US$ 22 milhões, por meio
de financiamento de capitais próprios e um empréstimo-ponte
conversível. E está no meio de
mais uma rodada de financiamento, que deverá ser concluída antes
do final deste ano, e que deve adicionar mais US$ 50 milhões. F.G.
16 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 17
AUTOMANIA
MARCELLUS LEITÃO
marcellus.leitao@brasileconomico.com.br
Fotos Divulgação
A VW PRECISA DE UM ‘UP’
Pablo Tavares
Ainda nas
alturas
O
s últimos números da Jato Dynamics
sacudiram o board da Volkswagen.
Os Doutores de Wolfsburg pularam ao
ver a queda mundial de 0,9% no mercado, o que
distancia a marca alemã do seus planos de
ultrapassar a líder Toyota. As duas marcas
mantêm uma disputa cabeça com cabeça na
totalização anual, mas na comparação dos
meses de setembro de 2013 com setembro de 2014
a VW caiu quase 1%. Para nós, nos trópicos, o
significado pode ser maior ainda. A Jato atribui
ao desempenho de vendas nos Estados Unidos
e Brasil, com quedas de 19% e 17%,
respectivamente, os motivos do freio travado
da marca do povo em todo o planeta.
No nosso mercado, a troca de modelos de entrada,
como a do Gol pelo up!, carro de insuspeitas virtudes
e qualidades, não encontrou , ainda, respaldo nas
vendas e 2014 terminará como o primeiro ano
sem o Gol na liderança, depois de 27 anos na ponta.
A situação é mais estranha quando se fala que
a VW não terá nenhum carro na liderança de seu
respectivo segmento, algo inédito para a marca
instalada no Brasil há 60 anos. E ainda, em
consequência disso, pode amargar a perda do
segundo lugar em vendas totais para a GM, que
cresce em vários segmentos, como o dos hatchs
e sedãs compactos Onix e Prisma e dos
monovolumes grandes, como a Spin,
com mais de 93% do mercado
onde a VW não atua.
Neste cenário, a Fiat já conta as favas da vitória do
Palio, o sucessor do Gol nas vendas nacionais, com
vendas mensais em ritmo de ultrapassagem do
antigo líder. Hoje, o Palio acumula 145.390
unidades em 2014 (até outubro) contra 147.186 do
Gol. Gol na frente. Só que mês a mês o Palio, com
sacrifício de margens, tem aberto diferença de 4 mil
carros sobre o Gol. Conta simples: o Palio vai
terminar o ano como líder. A conta das vendas
diretas a governo e frotistas também
impressiona: ela é melhor para o Gol.
Mas nas vendas no varejo o Palio vence,
o que reflete a preferência do mercado.
O up!, que provocou este movimento, vem em
quarto lugar entre os carros de entrada. Nada
mau para quem foi lançado em fevereiro.
As novas versões Cross up! , já
apresentada, GT e Taigun (este um SUV),
ambas a caminho, devem melhorar essa conta.
Mas a VW precisa se movimentar nos
demais segmentos. A picape Saveiro, com
a nova cabine dupla na gama vem em
segundo lugar, atrás da líder Strada.
Só que a diferença é o dobro a favor da Fiat.
Entre as picapes grandes, a Amarok amarga
um quarto lugar, depois da S10, Hilux e L200,
a despeito de sua rede concessionária ser
imensa no país. A ausência na briga dos
monovolumes talvez pese para a marca
alemã, assim como o quinto lugar do Passat,
atrás de Mercedes e BMW entre os sedãs de
luxo. Nas stations wagons pequenas, a VW
está em segundo com a SpaceFox, atrás,
de novo, da Fiat, sua pedra no sapato.
A Fiat apanha feio em algumas frentes,
como a dos sedãs médios, onde o Linea
capenga em décimo lugar, segmento onde
a VW mantém o Jetta em sétimo.
Entre os sedãs compactos, o Polo
Sedan vem em quarto, depois do Cobalt,
City e New Fiesta. Entre os pequenos, o
outrora líder Voyage aparece em terceiro,
com 16,31% de participação, atrás de
quem? Do Siena que entra na conta
com o Grand Siena. No mercado da
hora, o dos SUVs, a VW tem só o Tiguan,
médio, importado e caro, que mantém o
décimo sexto posto no grid. A marca
promete lançar o Taigun, sobre a
plataforma do up!. O que se pode
esperar em curto prazo é que a
Fiat estabilize participação, a GM
ultrapasse a VW no segundo lugar
e o Gol perca o posto de mais vendido
no país para o Palio. Para o ano que
vem, dependendo das novas apostas,
a marca de São Bernardo pode
reconquistar um lugar melhor no pódio,
sem deixar de olhar no retrovisor, pois
bons produtos como os Renault, Ford e
Hyundai, estão querendo seu quinhão.
A Ford apresenta no Salão de Los
Angeles, que começa dia 21, o novo
SUV médio Everest. Produzido na
Tailândia, usa partes comuns às da
nova Ranger. Isso nos força a
levantar a dúvida, sempre
desmentida pela marca, sobre a
produção do modelo na Argentina,
para confronto direto com
a Chevrolet Trailblazer.
Adrenalina
confirmada
A VW deverá produzir o Golf R400,
modelo esportivo, duas portas com
motor de 400 cv a 420 cv, segundo
alardeou a revista britânica Car. Se
confirmado, o conceito exibido no
Salão de Pequim, em abril passado,
ganhará as ruas no lugar do Golf
300, topo de linha oferecido ao
mercado europeu hoje. A exibição
do R400 será em Frankfurt 2015.
Dias
rápidos
Estamos testando hoje, no
autódromo de Goiânia, o
apimentado Fiat 500 Abarth, que a
marca está produzindo no México e
venderá no Brasil por preços abaixo
de R$ 80 mil. Em fim de ano
animado, estamos ainda com o
Mégane RS, recordista do laço
norte de Nurbürgring e, em
dezembro, o Nissan GT-R.
Coluna publicada às quartas-feiras
18 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
▲
FINANÇAS
CONTA SIMPLIFICADA
Limite sobe de R$ 2 mil para R$ 3 mil
O Banco Central aumentou de R$ 2 mil para R$ 3 mil o limite máximo
de saldo mensal permitido para as contas simplificadas. As contas
simplificadas foram criadas para estimular a inclusão financeira; têm
abertura facilitada, limites na movimentação; sem talão de cheques,
têm restrições à cobrança de tarifas. Há 8 milhões de contas
simplificadas de depósitos à vista, e 3 milhões de poupanças.
Editora: Eliane Velloso
eliane.velloso@brasileconomico.com.br
Alessandra Taraborelli
ataraborelli@brasileconomico.com.br
São Paulo
O Sistema Registrato do Banco
Central (BC) pode funcionar como uma espécie de cadastro positivo e se tornar uma importante ferramenta de negociação de juros
entre os clientes e as instituições financeiras. A afirmação foi feita pelo chefe adjunto do departamento
de atendimento institucional do
BC, Carlos Eduardo Gomes.
O novo sistema, lançado na segunda-feira pela autoridade monetária, permite ao cidadão ter
acesso de forma rápida e segura,
pela internet, às informações sobre suas operações de crédito e outros relacionamentos com o sistema financeiro. Agora, o cidadão
não precisará mais se deslocar às
representações do BC ou remeter
pelo correio solicitação com firma
reconhecida em cartório e cópias
de documentos pessoais também
autenticadas.
Eduardo Gomes ressalta que
as informações podem ser usadas em favor do cliente que terá
mais um instrumento de negociação junto aos bancos. No entanto, ele observa que as instituições financeiras têm sua política
de cobrança de taxa de juro e não
significa que a negociação será
efetiva. “Pode, sim, beneficiar o
cidadão. É um relatório detalhado de todo o histórico bancário
do cidadão”, diz.
O executivo do BC avalia ainda
que o cadastro também vai beneficiar o cidadão no sentido do planejamento financeiro e, se, eventualmente, alguém fez alguma
operação usando documentos falsos, o cliente terá acesso à informação e condições de regularizar
sua situação. “Até aquela conta
que está aberta e o cidadão não
lembra mais dela constará no relatório”, explica.
De acordo com Eduardo Gomes, o Registrato irá trazer informações desde 2001 que estão disponíveis no Cadastro de Clientes
do Sistema Financeiro (CCS) e no
Sistema de Informações de Crédito (SCR). No primeiro caso, são
apresentadas informações de todos os bancos com as quais o cliente possui algum relacionamento
(como conta corrente, poupança
e empréstimos). Já no SCR, contém informações do conjunto dos
empréstimos, financiamentos e
outras modalidades de crédito
que o cliente tiver obtido em cada
instituição financeira, acima de
R$ 1.000,00. “No SCR, o relatório
será uma fotografia do último dia
de cada mês. Todas as dívidas que
tinha com o sistema financeiro
nesta data – financiamento imobiliário, veículos e cartão de crédito, por exemplo. Vai mostrar se a
situação está normal, se tem dívida, se esta pagando, se deixou de
pagar, independente do prazo que
a dívida esteja vencida”, explica.
BC dará poder de
negociação a cliente
Registrato fornecerá relatório detalhado do cidadão, que poderá usar o instrumento
como ferrramenta de negociação de taxa de juros junto às instituições financeiras
Divulgação
O analista sênior da consultoria Austing Rating Luis Santacreu, também concorda que o
sistema do BC será um concorrente do cadastro positivo dos birôs de crédito. Ele ressalta, no
entanto, que o Registrato, ao
contrário do cadastro positivo,
não contempla informações de
crédito fora do sistema bancário, como o pagamento de contas de luz, telefone, água, ou internet, por exemplo.
“
O cadastro positivo
passou pelo Congresso
porque envolve sigilo
bancário e demorou
para ser sancionado
pela presidente.
O cliente tem que
autorizar o banco a
fornecer a informação”
Luis Santacreu
Analista sênior Austing Rating
No entanto, Santacreu, observa
que o cadastro positivo ainda esta
engatinhando e que muitas pessoas não autorizam o uso de suas informações no sistema. “O cadastro positivo passou pelo Congresso
porque envolve sigilo bancário e
demorou para ser sancionado pela
presidente (Dilma Rousseff). O
cliente tem que autorizar o banco a
fornecer a informação. As pessoas
ficam com um pouco de medo de
passar as informações, por isso,
ainda não decolou. Há uma certa
frustração na adesão”, diz, ressaltando ainda, que um não inviabiliza o outro. “Não mata, mas pode
ser um forte concorrente”, avalia.
Santacreu também chama a
atenção para o fato de no sistema
do BC as instituições financeiras
serem isentas de custos. “Será que
os bancos avaliaram que estão gastando muito dinheiro com Serasa
e SCPC? Pode ser que tenham se
reunido para facilitar a vida do sistema, e o BC virou uma espécie de
birô, e isso pode gerar uma economia para os bancos”, pondera. Segundo Eduardo Gomes, o Registrato não tem custo para os bancos e
nem para os clientes.
Para Santacreu, um dos objetivos do BC foi dar maior transparência ao sistema. “A autoridade
monetária sempre busca melhorar a transparência para que as informações fluam”, avalia.
Sistema do BC
permite acesso
de forma rápida
e segura, pela
internet, às
informações
de operações
de crédito
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 19
O MERCADO COMO ELE É...
LUIZ SÉRGIO GUIMARÃES
luiz.sergio@brasileconomico.com.br
MEIRELLES NO BC? DÓLAR APROVA
Editoria de Arte
M
esmo diante de uma onda global de enfraquecimento da
moeda americana, o dólar oscilava no mercado doméstico
sem rumo certo até um pouco depois das 15 horas.
Foi nesse momento que as mesas de operações começaram a
comentar nota da colunista política Tereza Cruvinel que, em seu blog,
informava a inclinação da presidente Dilma Rousseff em recorrer a
uma fórmula para resolver o impasse na nomeação da nova equipe
econômica ainda não cogitada pelo mercado e pela mídia capaz de
satisfazê-la pessoalmente e também de agradar investidores e
empresários: Alexandre Tombini na Fazenda, Henrique Meirelles
no Banco Central e Nelson Barbosa no Planejamento. Foi só então
que o dólar assumiu uma tendência declinante, mas ainda relutante.
Fechou cotado a R$ 2,5903, em desvalorização de 0,42%,
quebrando uma sequência de cinco altas.
Já foram tantas as duplas e trincas formadas desde o dia 27 de
outubro que o mercado recusase a abandonar o seu ceticismo.
O tom comum dos últimos dias é
a irritação com a demora. Afora
a incredulidade, a fórmula noticiada ontem foi vista como um
Frankenstein cujas partes não
conversariam muito amistosamente entre si. Seria um passo
enorme para a reedição da antiga rixa entre desenvolvimentistas e conservadores que apimentou a gestão Lula. De janeiro de
2003 a março de 2006, sob a gestão de Antonio Palocci na Fazenda, o convívio com Meirelles foi
fraterno. De abril de 2006 a dezembro de 2010, sob Mantega,
as rusgas eram periódicas.
A volta ao BC de um Meirelles
blindado por Lula daria ao mercado a tranquilidade de saber que,
se o plano fiscal bolado por Tombini e Barbosa não fosse suficiente para corrigir as distorções, a taxa de juros subiria o que tivesse
de subir para fazer o ajuste pela
via mais dolorosa. Não foi por outra razão que as ações de bancos lideraram as altas de ontem na Bovespa. Os papéis PN do Bradesco
subiram 4,49%, enquanto Banco
do Brasil ON avançou 3,66% e
Itaú PN, 2,91%. Os analistas têm
dúvidas se Meirelles aceitaria retornar ao BC. Só se o cargo fosse
uma ponte para a Fazenda com
Lula em 2018.
Maior pregão do país em volume de negócios, o mercado futuro
de juros da BM&F desacelerou
mais ainda ontem. Os juros caíram porque Meirelles resgataria a
credibilidade da autoridade monetária e porque as expectativas para o crescimento da economia estão cada vez mais negativas. As taxas dos contratos mais líquidos,
com vencimento em janeiro de
2017 e janeiro de 2021, cederam de
12,73% para 12,64% e de 12,71%
para 12,63%, respectivamente.
Não é somente a falta de definição dos nomes da próxima equipe econômica que inviabiliza a tomada mais consistente de posi-
ções e a fixação de prêmios. O escândalo envolvendo a Petrobras e
as empreiteiras ameaça retardar
ou paralisar obras e concessões.
Se antes dele já se previa um 2015
muito difícil na área econômica,
depois então as projeções de crescimento do PIB ficaram ainda
mais incertas.
As estimativas do Boletim Focus para o PIB do ano que vem foram sendo rebaixadas continuamente ao longo deste ano. Ao final
do primeiro trimestre, as cem instituições participantes da pesquisa previam expansão de 2% em
2015. A projeção caiu para 1,5%
no final do segundo e depois para
1,01% ao cabo do terceiro trimestre. Pelo Focus divulgado na segunda-feira está agora em 0,8%.
O Banco Fator revisou ontem sua
expectativa de expansão do PIB
no ano que vem de 0,7% para
0,5%. Com um detalhe altamente
significativo, conforme explicitou
o seu economista-chefe José Francisco de Lima Gonçalves: “O viés,
porém, é de desaceleração, pois
não incluímos eventual racionamento de energia elétrica nem
efeitos explícitos de queda na produção e investimentos da Petrobras e de projetos de infraestrutura em geral”.
Antes do Juízo Final – nome dado pela Polícia Federal à sétima
etapa da Operação Lava Jato --, o
mercado já trabalhava com dois
cenários possíveis, ambos ingratos ao crescimento de curto prazo.
O primeiro incorporava a expectativa de uma guinada ortodoxa da
política econômica: um ajuste recessivo seria feito para reorganizar as finanças públicas e trazer a
inflação à meta de forma a reconquistar a confiança dos empresários e fazer o País voltar a crescer
dois anos depois. O segundo supunha a continuidade em suas linhas essenciais da atual política
econômica. O ajuste não seria recessivo. O governo tentaria obter
um superávit primário que fosse
pelo menos suficiente para escapar de um rebaixamento de rating. Nessa hipótese, a credibilida-
de não seria recuperada e os próximos anos seriam de perpetuação
do baixo crescimento, com inflação rondando o teto da meta.
Depois do Juízo Final não há
mundo visível. A Petrobras e as
empreiteiras estão sob suspeição
e os investimentos podem sofrer
atrasos. Frente à perspectiva de
um abalo no PIB, a tentação de
um governo de matriz desenvolvimentista é, de novo, atuar com
medidas localizadas visando incentivar o consumo. E, para evitar o desemprego, novas desonerações tributárias para irrigar o
caixa das empresas. Esse novo cenário pode levar o Banco Central
a desistir do seu plano de utilizar
a taxa de câmbio como linha auxiliar do ajuste. O BC permitiu que
o dólar subisse livremente de R$
2,2396 no dia 5 de setembro – o
início da escalada pré-eleitoral –
para R$ 2,60 na sexta-feira, dia
em que deu um basta na alta ao
anunciar a sua disposição de rolar todos os contratos de swap
que irão vencer.
Ou seja, o BC fez uma maxidesvalorização cambial de 16%. Deliberadamente, o BC mudou o câmbio de patamar, assumindo as inevitáveis consequências inflacionárias. Foi por isso que teve de iniciar um novo ciclo de alta da Selic
no dia 29 de outubro. O objetivo
da máxi foi: aumentar a competi-
tividade da indústria brasileira ao
encarecer os importados e reduzir o custo unitário do trabalho
em dólar. O primeiro objetivo preserva empregos e o segundo reduz o seu custo. Mas se o câmbio
depreciado retira poder de compra dos assalariados, atua por essa senda indireta para esfriar o
consumo e derrubar a inflação.
Como essa estratégia poderá ampliar a debilidade do PIB, tornase incompatível se o governo reincidir em medidas pró-consumo
para suavizar os efeitos da crise
política e econômica desencadeada pelo “petrolão”.
Este novo cenário pode solapar a incipiente retomada da economia brasileira, já constatada
por índice de atividade do BC e
por indicadores de confiança. Divulgada ontem pelo IBGE, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS)
relativa a setembro apontou uma
leve recuperação deste setor que,
embora algoz implacável do IPCA, tem a virtude de ser profícuo
criador de empregos. A receita
nominal dos serviços cresceu em
termos interanuais 6,36% em setembro, o maior avanço deste
maio, ante 4,47% em agosto. Em
termos reais, a queda diminuiu
de 3,65% para 2,05%. Os resultados para o último trimestre do
ano ficam comprometidos pelo
quadro de incertezas.
20 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
▲
FINANÇAS
Murillo Constantino
Cheques sem fundo
sobem 1,97%em
outubro, diz Serasa
De acordo com indicador,
em igual mês do ano
passado o crescimento
era de 1,96%
Eletrobras teve queda de mais de 4%, com temores de que operação Lava Jato respingue na estatal
Bovespa rompe
série de quedas
e sobe 1,6%
Com rumores sobre equipe econômica de Dilma Rousseff e
desempenho de Wall Street, Ibovespa encerrou aos 52.061 pontos
A Bovespa fechou em alta nesta
terça-feira, interrompendo uma
sequência de três quedas, amparada em novas especulações sobre a equipe econômica no segundo mandato da presidente
Dilma Rousseff e no avanço de índices acionários em Wall Street.
O pregão foi marcado por forte volatilidade dos papéis da Petrobras, que acabaram fechando
no menor nível desde março, enquanto ações consideradas defensivas e do setor bancário ajudaram a blindar o Ibovespa da
pressão negativa do declínio da
mineradora Vale.
O Ibovespa encerrou em alta
de 1,57%, a 52.061 pontos, voltando azul no acumulado do
ano, com ganho de 1,08%. A
primeira etapa da sessão foi volátil, com índice caindo a
51.067 pontos, na mínima. Na
máxima, à tarde, marcou
52.122 pontos. O volume financeiro do pregão, somou R$ 6,4
bilhões, dentro da média em novembro, mas abaixo da média
de R$ 7,2 bilhões do ano.
Na parte da tarde, repercutiu
no mercado nota do site 247 de
que a presidente Dilma estaria
avaliando o nome do atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para a Fazenda, e
de Meirelles para o comando do
BC. Além das especulações sobre
a equipe econômica, a bolsa também encontrou impulso em Wall
Street, onde o índice Standard &
Poor's 500 renovava máxima histórica, ajudado pelo setor de saú-
A Petrobras ameaçou
trégua na trajetória
de baixa, mas suas
ações preferenciais
fecharam em queda
de 1,2%, a R$ 12,45,
renovando a mínima
de fechamento
em oito meses
de após a aquisição da Allergan
pela Actavis.
A Petrobras ameaçou pela manhã uma trégua na trajetória de
baixa. As ações preferenciais da
petroleira, que chegaram a subir
quase 2% e a cair quase 5% durante a sessão, fecharam em queda de 1,2%, a R$ 12,45, renovando a mínima de fechamento em
oito meses. As ordinárias caíram
1,6%, também para o menor nível desde março deste ano.
Eletrobras também registrou
declínio expressivo, de mais de
4%, por temores de que a operação Lava Jato respingue na empresa. Vale foi outra pressão negativa, após o minério de ferro no
mercado à vista da China cair para perto de U$S 72 por tonelada
pela primeira vez em mais de cinco anos. Os papéis da mineradora trabalham em níveis de 2009.
A ajuda dos chamados papéis
defensivos, como Cielo, Ambev,
Kroton e BB Seguridade, e o avanço em Itaú Unibanco, Bradesco e
Banco do Brasil, contudo, ajudaram a blindar o Ibovespa. Reuters
O percentual de devoluções de cheques por insuficiência de fundos
apresentoualtaemoutubro,deacordo com o Indicador Serasa Experian
de Cheques Sem Fundos. No mês, o
indicador apontou crescimento de
1,97% no total de devoluções — no
mesmo período do ano passado este
percentual foi de 1,96%.
Em setembro desse ano, o indicador alcançou aumento de
1,84%. Já no período acumulado,
que reúne os primeiros dez meses
deste ano, o mesmo percentual
atingiu 2,06%, contra 2,01% alcançados no mesmo período do
ano passado.
Segundo o economista da Serasa Experian Luiz Rabi, a data comemorativa do Dia das Crianças
contribuiu para a elevação da
inadimplência com cheques durante o mês de outubro. “Além
disso, no acumulado deste ano, o
percentual de devolução de che-
ques por insuficiência de fundos
está maior devido ao agravamento do quadro conjuntural: inflação elevada, juros altos e estagnação econômica com reduções localizadas do nível de emprego”,
explica o especialista.
No ranking estadual apresentado pelo indicador, Roraima liderou
com mais cheques sem fundos nos
primeiros dez meses do ano, com
11,36% de devoluções. Na Paraíba,
a devolução de cheques no mesmo
período somou 6,83%. O Amazonas, por sua vez, foi o estado com o
menor percentual, atingindo
1,22% no acumulado do ano.
Entre as regiões, a Norte foi a
que liderou o ranking do acumulado do ano, com 4,45% de cheques devolvidos, ao passo que a
região Sudeste foi a que apresentou o menor percentual com
1,52%. No Sudeste, a devolução
de cheques no mês de outubro foi
de 1,16% do total de cheques compensados, menor que a devolução de 1,29% registrada em setembro. Já em outubro de 2013, a
devolução havia sido de 1,49% do
total de cheques compensados.
Inadimplência cresce mais
nas regiões Norte e Nordeste
Porém, levantamento do
SPC Brasil aponta que a
alta é menor do que a
média nacional
O indicador regional de inadimplência do Serviço de Proteção ao
Crédito (SPC Brasil) apontou em
seu último levantamento que o
número de consumidores com
parcelamentos em atraso nas regiões Norte, com 2,89%, e Nordeste, com 3,15%, cresceu em ritmo
menor do que o apresentado na
média nacional, que foi de
3,95%. Os dados comparam a
quantidade de inadimplentes em
outubro deste ano em relação a outubro do ano passado.
Seguindo a tendência observada nos últimos meses, no mês de
outubro, o Sudeste apresentou o
maior crescimento de consumidores inadimplentes, ao atingir crescimento de 5,60%, entre as cinco regiões pesquisadas. O Sudeste foi
acompanhado de perto pelo Centro-Oeste, cuja variação foi a se-
gunda maior: um aumento de
5,58% no número de CPFs inadimplentes em relação a outubro do
ano passado. Já o Sul mostrou o terceiro maior avanço, alcançando
4,06%, e se manteve com um crescimento levemente superior ao da
média nacional.
Além de apresentar a maior alta, a região Sudeste possui também
a maior participação junto ao total
de consumidores inadimplentes
no Brasil — um total de 40,34% da
população. “O Sudeste é sem dúvida a região mais ativa do país e responde pela maior parte do PIB brasileiro. Portanto é natural que concentre a maior fatia de consumidores inadimplentes do país”, explica
a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
A segunda maior contribuição
veio da região Nordeste que, apesar
de apresentar uma variação modesta em comparação com as demais
regiões com 3,15%, possui a segunda maior participação junto ao total de inadimplentes brasileiros,
concentrando 25,93% destes.
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 21
INCLUSÃO FINANCEIRA
Brasil é o país mais avançado na A. Latina
Piervi Fonseca
Pesquisa global sobre inclusão financeira divulgada ontem pela
MasterCard apontou o Brasil como o país mais avançado da América
Latina. Aqui, 63% dos adultos têm acesso a algum produto financeiro,
mas apenas 15% das transações são realizadas sem dinheiro. Mas, de
acordo com levantamento, o Brasil ainda precisa crescer a oferta
destinada a pagamentos e compras; e estimular a poupança.
“
“
O dispositivo móvel
para vendas com
cartões via celular
facilita a gestão do
negócio, reduzindo filas
em caixas tradicionais
e melhorando a relação
com clientes nas
grandes empresas”
Os segmentos de
vendas diretas e de
pequeno varejo
representam quase
60% dos nossos
usuários. Temos hoje
135 mil e esperamos
atingir 150 mil até o
final deste ano”
Renato Rocha
Anders Norinder
Diretor da Visa do Brasil
Léa De Luca
lluca@brasileconomico.com.br
São Paulo
Considerando pequenas e grandes empresas de diversos setores,
as vendas com cartões no Brasil
poderiam alcançar R$ 106 bilhões. Os números, apresentados
ontem pelo diretor de negócios
com comércios na Visa do Brasil,
Renato Rocha, são baseados no
volume anual de transações pagas com dinheiro, cheque ou
transferências.
Do total de US$ 106 bilhões,
US$ 51 bilhões seriam transacionados por pequenos negócios e o restante, pelos grandes. O cálculo do
potencial é baseado no volume financeiro de vendas anuais pagos
em dinheiro, cheque ou outros
meios que não cartões. São US$ 51
bilhões no caso dos pequenos negócios, e US$ 55 bilhões para os
grandes, segundo a consultoria
Euromonitor.
Rocha não previu em quanto
tempo os cartões estariam dominando o mercado. Mas acredita
no poder crescente dos dispositivos móveis para ampliar a aceitação dos cartões — até mesmo para
grandes empresas. Segundo o executivo, 65% de quem usa os dispositivos móveis para cartões são
“apreendedores”. Mas a Visa vê
vantagens para as maiores que
vão além da solução de pagamento, segundo Rocha.
Essas maquininhas móveis,
que substituem os tradicionais
POS (points of sale, ou pontos de
venda, na sigla em inglês) são conhecidas como mPOS porque se
acoplam a smartphones e tablets
Presidente da iZettle
Vendas com
cartões podem
girar US$ 106 bi
Estimativa foi apresentada pela Visa , tendo como base o valor
movimentado por empresas no país que ainda é feito em “cash”
para permitir a venda de produtos
e serviços com cartões. Entre os
pequenos negócios e autônomos,
Rocha estima que são os setores
de vendas diretas e de serviços para casa os que mais tem potencial
para crescer.
Hoje, o volume financeiro transacionado com a ajuda desses dispositivos móveis é de apenas US$
1 bilhão (cerca de R$ 2,5 bilhões),
segundo pesquisa encomendada
pela Visa à Timetric. “Para grandes empresas, o dispositivo pode
facilitar a gestão do negócio, servindo tanto para reduzir filas em
caixas tradicionais, para demonstrar produtos, vender fora do estoque da loja e, principalmente, administrar o relacionamento com
clientes”, acredita.
A pesquisa da Timetric foi divulgada pela Visa ontem durante
evento promovido pela iZettel. A
empresa, criada na Suécia há pou-
co mais de quatro anos, fabrica dispositivos mPOS e entrou no Brasil
em 2013 por meio de uma joint
venture com o banco Santander.
Os mPOS — “mobile point of
sale” (ponto de venda móvel, nome do aparelho que permite o pagamento com cartões) — substi-
tui os POS tradicionais. De acordo com o presidente da iZettel no
Brasil, Anders Norinder, a empresa oferece algumas vantagens para o pequeno empresário, que começam pelo custo mais baixo e
passam pelo prazo mais curto de
repasse dos recursos ao usuário
— dois dias, em vez dos tradicionais 30.
“Os segmentos de vendas diretas e de pequeno varejo representam quase 60% dos nossos usuários. Temos hoje 135 mil e esperamos atingir 150 mil até o final deste ano”, diz Norinder.Na cadeia
dos pagamentos móveis, a iZettle
é uma facilitadora de pagamentos, ou “subcredenciadora” tem contrato com credenciadora
GetNet e subcredencia estabelecimentos e autonômicos para aceitar cartões de bandeiras Visa e
MasterCard.
“O Brasil é o segundo maior
mercado de cartões do mundo e
tem potencial para se tornar um
dos protagonistas globais dos pagamentos móveis. Estamos no
país há pouco mais de um ano e
conquistamos 10 mil usuários por
mês”, afirma Norinder.
Os comerciantes de vendas diretas (33,7%) e os pequenos varejistas (25,5%) são os principais usuários da solução iZettle
no Brasil, informa Norinder. Rocha, da Visa, disse também que
está focando na ampliação da
aceitação de cartões em outras
frentes, além dos dispositivos
móveis. Uma das novidades é a
aceitação de cartões por máquinas de vendas automáticas. “Estamos atualmente com duas delas em teste”, informou.
22 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 23
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FINANÇAS
Mariana Pitasse
mariana.pitasse@brasileconomico.com.br
Teve início ontem a primeira audiência de instrução e julgamento
do empresário Eike Batista, promovida pela 3ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro no auditório
do Tribunal do Juri da Justiça Federal do Rio de Janeiro. A ação foi originada da denúncia de manipulação de mercado e uso indevido de
informações privilegiadas, também conhecida como “insider trading”, elaborada pela Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) e encaminhada ao Ministério Público
Federal do Rio de Janeiro (MPFRJ) em 19 de março deste ano.
Após referendado pela Justiça Federal, em 16 de setembro, o processo foi acrescido de outras denúncias de ex-investidores das
empresas de Eike Batista.
Na segunda-feira, véspera da
audiência, o desembargador Messod Azulay, do Tribunal Regional
Federal da 2ª Região, negou o pedido de habeas corpus feito pelos advogados de defesa do empresário
Eike Batista, que tentavam suspender o processo. Com o pedido
indeferido, a audiência aconteceu
na última terça-feira, com início
às 14h30 e encerramento por volta das 17h30.
Durante a sessão, o empresário não deu depoimento. Apesar
de o juiz Flavio Roberto de Souza
informar no início da audiência
que seriam ouvidas cinco testemunhas de acusação, somente
três delas testemunharam. Após
o encerramento da audiência, o
juiz esclareceu que uma das testemunhas não teria sido intimada a
tempo, mas não informou o motivo pelo qual a quinta testemunha
não prestou depoimento.
A primeira testemunha de acusação a depor foi o Superintenden-
Ação que investiga Eike
Batista tem início no Rio
No processo, empresário responde por manipulação de mercado e “insider tranding”
Ricardo Moraes/Reuters
No final da sessão o juiz ressaltou que as testemunhas de defesa
do empresário, Marcio de Melo Lobo, Oscar Falhgren, Armando Ferreira e José Firmo, serão ouvidas
na próxima audiência, agendada
para o dia 10 de dezembro. Outras
testemunhas, que foram incorporadas ao processo Ministério Público Federal de São Paulo, serão ouvidas no dia 17 de dezembro por teleconferência.
Advogados pedem retirada
da imprensa
O empresário não se manifestou na primeira audiência, apenas testemunhas de acusação do processo
te de Relações com Empresas da
CVM, Fernando Soares Vieira, que
enumerou detalhes do relatório
de acusação elaborado pela autarquia. Procurada pelo Brasil Econômico, a CVM não quis fazer comentários a respeito do julgamento. Em seguida, o economista especializado em mercado de capitais José Aurélio Valporto, que foi
um dos investidores em ações das
empresas de Eike, afirmou que en-
dossou as denúncias ao MPF no
início do ano devido as falsas informações divulgadas por Eike Batista sobre a descoberta de barris de
petróleo recuperáveis em outubro
de 2009. Por último, o engenheiro
e ex-funcionário da OGX Mauro
Coutinho Fernandes deu seu depoimento sobre as atividades que
testemunhou serem colocadas em
prática na época em que trabalhou na empresa.
Na véspera da sessão, o
desembargador Messod
Azulay, negou o pedido
de habeas corpus feito
pela defesa de Eike
Batista, que tentava
suspender o processo
No início da sessão, os advogados
de defesa do empresário pediram
ao juiz Flavio Roberto de Souza
para que os jornalistas que cobriam a audiência fossem retirados do local. Porém, o juiz da 3ª
Vara Federal Criminal, não aceitou a proposta, sob o argumento
que os fatos apresentados na audiência são públicos.
“Os documentos sigilosos que
dizem respeito estão todos no processo, a imprensa não teve acesso
a eles, e os fatos que serão discutidos aqui na denúncia, são fatos
públicos. Indefiro segredo de Justiça. Mantenho segredo dos documentos que constam, mas não
em relação à publicidade dos fatos que estão sendo atribuídos na
denúncia”, concluiu o juiz ao negar o pedido.
24 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
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FINANÇAS
Cielo planeja
emissão de R$ 4,5 bi
em debêntures
Objetivo é financiar o
provável acordo com o BB
para administrar a área
de cartões do banco
A Cielo, maior processadora de pagamentos com cartões do Brasil,
deverá emitir aproximadamente
R$ 4,5 bilhões (US$ 1,7 bilhões)
em debêntures para financiar um
possível acordo com o Banco do
Brasil para administrar a área de
cartões de crédito e débito do banco, de acordo com duas fontes próximas à operação.
A empresa usaria recursos para
financiar o negócio, que pode girar
em torno de R$ 9 bilhões, segundo
fontes que pediram para não serem
identificadas porque as discussões
não são públicas. O acordo prova-
velmente será fechado na próxima
semana, disse uma das fontes.
A Cielo disse ontem que está
mantendo negociações com o Banco do Brasil, que tem sede em Brasília, para administrar as áreas
com os objetivos de diversificação
de receita, impulso ao crescimento e aumento de eficiência. A Cielo
disse que nenhum acordo foi fechado e não revelou o valor potencial do negócio.
A Cielo é controlada pelo Banco
do Brasil, maior banco da América
Latina em valor de ativos, e pelo
Banco Bradesco SA, segundo
maior banco da região em valor de
mercado. Membros do conselho da
Cielo nomeados pelo Banco do Brasil se absterão de votar sobre a transação, disse ontem a empresade pagamentos com cartões. Bloomberg
Citação, Prazo 20 dias, Proc. 0025453-05.2011.8.26.0004. O Dr Rodrigo de Castro Carvalho, Juiz de
Direito da 2ª Vara Cível Regional da Lapa. Faz Saber a Eco Paper Distribuição e Comércio de Embalagens de Papelão Ltda EPP, CNPJ 09.624.656/0001-50 e José Costa Amaral, CPF 013.333.428-70 que
Banco Bradesco S/A, lhes ajuizou Ação Ordinária, para cobrança de R$24.946,90 (21/11/2011), oriundo da Cédula de Crédito Bancário emitida em 09/02/2011. Estando os réus em lugar ignorado, foi deferida a citação por edital, para que no prazo de 15 dias a fluir após o prazo supra, contestem a ação, sob
pena de presumirem aceitos os fatos alegados pela autora. São Paulo,
Intimação, Prazo 20 dias, Processo nº 0170713-24.2008.8.26.0100. O Dr. Felipe Poyares Miranda, Juiz
de Direito da 17ª Vara Cível da Comarca da Capital. Faz saber o Walter Aparecido Candido ME, CNPJ
06.096.890/0001-63 que Catel-Hidraulicos, Louças e Metais Ltda EPP lhe ajuizou ação Monitória ora em
fase de execução, expede-se o presente edital de intimação para que em 15 dias, a fluir após o prazo
supra, pague o débito no valor de R$ 26.456,67 (06/2013), sob pena de multa de 10% conforme disposto
no “caput” do art. 475-J do CPC. Caso necessário a fase executória fica fixado os honorários de 10%
sobre o valor da execução. Será o presente afixado e publicado na forma da lei.
Edital de Citação - Prazo de 20 Dias. Processo nº 0012653-84.2012.8.26.0011 O(A) Doutor(a) Luciana Bassi de Melo, MM. Juiz(a) de
Direito da 5ª Vara Cível, do Foro Foro Regional XI - Pinheiros, da Comarca de de São Paulo, do Estado de São Paulo, na forma da Lei,
etc. Faz Saber a(o) ABS Comércio de Móveis e Representação Comercial Ltda, Rua George Smith, 357, aptº 186-B, Lapa - CEP
05074-010, São Paulo-SP, CNPJ 12.723.767/0001-28, que lhe foi proposta uma ação de Procedimento Sumário por parte de Simone
Martins, alegando em síntese: Em 13 de março de 2011 a autora firmou com a ré contrato de compra e venda de produtos e serviços
tendo por objeto a confecção e entrega de móveis planejados. A ré incluiu a autora no cadastro de inadimplentes. A autora requer a
restituição das prestações pagas. Encontrando-se o réu em lugar incerto e não sabido, foi determinada a sua CITAÇÃO , por EDITAL,
para os atos e termos da ação proposta e Intimação para audiência de conciliação a ser realizada aos 27/11/2014 às 10:40h, Rua
Jericó s/n, São Paulo. Nos termos dos artigos 277, § 2º e 278 e seus parágrafos, ambos do CPC, não obtida a conciliação, deverá
oferecer na própria audiência, contestação oral ou escrita, por seu advogado, acompanhada de documentos e rol de testemunhas, e, se
requerer perícia, formular seus quesitos desde logo, podendo indicar assistente técnico, ficando ainda, advertido(s) de que, deixando
injustificadamente de comparecer ou, comparecendo, e não havendo conciliação nem contestação, presumir-se-ão verdadeiros os fatos
articulados pelos(s) requerente(s). Será o presente edital, por extrato, afixado e publicado na forma da lei, sendo este Fórum localizado
na Rua Jericó s/n, Sala 210, Vila Madalena - CEP 05435-040, Fone: (11) 3813-5564, São Paulo-SP. São Paulo, 14 de outubro de 2014.
Edital de Citação - prazo de 20 dias. Processo nº 0003272-44.2010.8.26.0101 O(A) Doutor(a) José Aparecido Rabelo, MM.
Juiz(a) de Direito da 1ª Vara, do Foro de Caçapava, da Comarca de de Caçapava, do Estado de São Paulo, na forma da Lei, etc.
Faz Saber a Gildomar Fonseca Flores, portador do CPF 484.983.510-49, nascido aos 21/06/1.969, filho de Arminda Fonseca
Flores, foi-lhe proposta Ação de Busca e Apreensão - Alienação Fiduciária requerida por B.V. Financeira S/A CFI, constando da
inicial que o autor efetuou transação comercial com o requerido, entregando-lhe a importância de R$ 10.385,00, obrigando-se a
restitui-lo em 36 parcelas mensais, acrescidas de remuneração e juros em conformidade com as Resoluções 1044, 1568, 1299,
1606, do Banco Central, dando como garantia de pagamento o veículo marca Chrisler, modelo Neon LE, ano 1996/1997,
gasolina, verde, placas CHI-0600, deixando o requerido de pagar as prestações vencidas desde 27/01/2010, obrigando o requerente a protestar os títulos, a fim de caracterizar a mora, nos termos do Dec Lei 011/69, art 2º, § 2º. E, esgotados todos os meios
para localização do requerido, determinou-se a expedição do presente edital de CITAÇÃO, do requerido para os atos e termos
da presente ação proposta e para que No Prazo De 15 Dias, conteste ação, sob pena de serem presumidos como verdadeiros
os fatos articulados na inicial, nos termos do artigo 285 do CPCivil. Será o presente edital, por extrato, afixado no local de
costume e publicado pela imprensa na forma da lei. Caçapava, 28 de janeiro de 2014.
Braço suíço do banco
Safra aposta em bônus
de risco mais alto
Para diretor de investimento da instituição, mesmo com os juros
americanos mais altos, papéis de dívida soberana continuarão atrativos
Divulgação
O banco J. Safra Sarasin, do bilionário brasileiro Joseph Safra,
avalia a estratégia de manter
suas posições em bônus de risco
mais alto, numa aposta de que
eles continuarão atrativos independentemente do aumento da
taxa de juros que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, promoverá em 2015.
“Estamos mais otimistas em
relação aos bonds com rendimentos altos” depois de uma recente
corrida de venda de títulos melhorar a cotação deles, disse o diretor de investimentos para clientes privados em Zurique, Philipp
Bärtschi. “Normalmente, observa-se que eles mantém boa performance mesmo quando as taxas começam a subir nos EUA”.
Apesar de os bônus de grau
especulativo terem caído no
mês passado depois de o FMI reduzir a perspectiva de crescimento econômico mundial e
em virtude dos conflitos na
Ucrânia e no Oriente Médio, o
retorno desses papéis chega a
4,4% neste ano. Apostar contra
os títulos tem sido uma decisão
perdedora nos últimos anos, já
que a dívida deu retorno de cerca de 153% desde o fim de 2008,
apesar de recuos acentuados durante alguns períodos EM 2011 e
novamente em 2013.
“O crédito de nota mais baixa
se tornou mais interessante nesses níveis”, disse Bärtschi. “Normalmente, observa-se que eles
continuam se desempenhando
bastante bem quando as taxas começam a subir nos EUA”.
O Safra Sarasin está avaliando
a possibilidade de vender algumas ações após um rali recente,
segundo Bärtschi. O Standard
Poor’s 500 Index atingiu um recorde na segunda-feira, recuperando-se de um período de seis
meses de baixa alcançado em outubro. O Stoxx Europe 600 Index
da Europa cresceu 8,8% desde
que chegou ao piso deste ano, em
16 de outubro.
“Estamos procurando reduzir
riscos e esperando a próxima
oportunidade”, disse Bärtschi.
“Durante a corrida para venda
em outubro compramos algumas
ações nos EUA e algumas na Europa, mas agora os mercados se recuperaram muito bruscamente.
O banco de Joseph Safra está otimista em relação ao
desempenho dos títulos com rendimento alto
Apesar de os bônus de
grau especulativo
terem caído depois de
o FMI reduzir a
perspectiva de
crescimento mundial,
o retorno desses
papéis chega
a 4,4% no ano
Teremos alguns lucros provavelmente daqui até o fim do ano”.
O Sarasin também vendeu algumas ações de empresas japonesas neste mês, segundo Bärtschi.
O índice Topix cresceu até atingir seu máximo em seis anos depois que o Banco do Japão aumentou os estímulos no dia 31 de outubro e o fundo de pensões do país
disse que comprará mais ações.
O banco privado pertence a Safra, que é o segundo homem
mais rico do Brasil, dono de uma
fortuna líquida de US$ 11,8 bilhões. Bloomberg
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 25
Citação e Intimação - Prazo 20 dias - Proc. 0147926-35.2007.8.26.0100 controle 636. O(A) Doutor(a) Maria Carolina de Mattos
Bertoldo, MM. Juiz(a) de Direito da 21ª Vara Cível, do Foro Foro Central Cível, da Comarca de de São Paulo, do Estado de São
Paulo, na forma da Lei, etc. Faz Saber a 3 Stars Internacional Comercio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 67.623.611/000167, Jonatas Correa Damazo, CPF 326.311.438-76, RG 345865029, Luiz Carlos de Oliveira da Silva, CPF 245.914.245-53, RG
38086194, que, Banco do Brasil S.a.(sucessor de Banco Nossa Caixa S/A, lhe ajuizou ação de Execução de Titulo Extrajudicial,
para cobrança de R$ 36.302,89 (Maio/2005), referente ao contrato de empréstimos firmado em 07.11.2006 e não cumprido pelos
executados. Estando os executados em local ignorado, foi deferida a citação e intimação por edital, para efetuar o pagamento da
dívida no prazo de 03 dias, a fluir após os 20 dias supra, caso em que os honorários serão reduzidos pela metade; sem
pagamento proceda-se imediata penhora e avaliação de bens; ficando Intimada acerca do bloqueio via BACENJUD, no valor de
R$ 611,16, bem como do prazo de 15 dias para oposição de embargos; no mesmo prazo, reconhecendo seu débito, o devedor
poderá depositar 30% do montante do principal e acessórios e requerer o pagamento do restante em 6 parcelas mensais com
juros e correção monetária .Será o presente edital, por extrato, afixado e publicado na forma da lei, sendo este Fórum localizado
na Praça João Mendes s/nº, 9º andar - salas nº 923/925, Centro - CEP 01501-900, Fone: 2171-6165, São Paulo-SP.
CÃMBIO
Diretor do BC defende swap cambial
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton
Araújo, disse ontem que o programa de intervenção do Banco
Central, com a oferta diária de swap cambial “ tem ajudado os
mercados domésticos a se ajustarem a esse cenário de transição que
vemos doméstica e externamente”. O diretor do BC também disse
que o câmbio é flutuante e não fez projeções para a taxa. Reuters
Reuters
Chefes de Estado na reunião do G-20: pressão para fazer a economia voltar a crescer
Economia global
em marcha lenta
preocupa mercado
Política expansionista do Japão e da União Europeia é alvo
de críticas de especialistas, que pedem mais rigor fiscal
Os líderes do G-20 prometeram
no fim de semana fazer tudo o
que puderem para impulsionar a
recuperação global. A queda do
Japão em uma recessão é o último lembrete de que essa meta é
bastante vaga.
Menos de 24 horas depois que
os dirigentes reunidos em Brisbane, Austrália, concordaram em
tomar medidas que impulsionariam suas economias pelo total
de US$ 2 trilhões até 2018, o governo do Japão anunciou que o
PIB anualizado do país encolheu
inesperadamente 1,6% no terceiro trimestre do ano, a segunda
contração consecutiva.
A decepção está se tornando
corriqueira para a economia
mundial. O FMI reduziu no mês
passado a perspectiva de crescimento mundial para 2014 pela
sexta vez desde janeiro de 2013.
A estimativa do FMI no mês passado de uma expansão global de
3,3% para este ano se compara
com a previsão de 3,6% publicada há um ano e de 4,1% há dois
anos. A instituição, que publicará em janeiro a próxima atualização da Perspectiva Econômica
Mundial, já havia realizado ajustes similares às previsões de crescimento para 2012 e 2013 à medida que os dados entrantes ficavam abaixo das expectativas.
A expansão mais fraca aumentará a pressão sobre os responsáveis pela política econômica, como o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que
já está desafiando os limites com
o estímulo monetário, e sobre os
governos que relutam em aumentar os gastos.
“As pessoas não estão entendendo bem a força dessas economias”, disse Steven Ricchiuto,
economista-chefe da Mizuho Securities, em Nova York. “A política monetária não pode lidar com
um mundo de ofertas excedentes. São necessárias políticas fiscais adequadas, e não estamos
aplicando-as em nenhum lugar
do mundo”.
A expansão mais fraca
aumentará a pressão
sobre dirigentes como
o presidente do BCE,
Mario Draghi,
que já está
desafiando os limites
com o estímulo
monetário
O plano do G-20 inclui quase
mil modificações de políticas específicas no intuito de elevar o
crescimento, e os países disseram que supervisionariam uns
aos outros a fim de garantir a implementação. Embora a diretoragerente do FMI, Christine Lagarde, tenha dito que apoia “firmemente” o esforço, a empresa de
pesquisa Capital Economics,
com sede em Londres, disse que
a proposta “com certeza entrará
na longa lista” de planos de ação
“esquecidos” que surgiram em
cúpulas anteriores do G-20.
“Não tivemos as reformas”,
disse Paul Donovan, diretor administrativo de economia mundial da UBS Ltd. em Londres,
em entrevista por telefone. “O
que tivemos foi a impressão de
mais dinheiro”.
O “bando de irmãos” das economias desenvolvidas que impulsionou o crescimento global neste ano parece estar se desfazendo, já que o Japão e a Alemanha
estão tendo dificuldades, disse
Gustavo Reis, economista do
Bank of America em Nova York.
“A desaceleração do impulso global destaca quão imperiosa é a necessidade dos ventos favoráveis
surgidos da queda dos preços do
petróleo”, disse Reis. Bloomberg
Edital de Citação - prazo de 30 dias. Processo nº 0008504-60.2006.8.26.0268 O(A) Doutor(a) Alena Cotrim Bizzarro, MM. Juiz(a)
de Direito da 2ª Vara, do Foro Foro de Itapecerica da Serra, da Comarca de de Itapecerica da Serra, do Estado de São Paulo, na
forma da Lei, etc. FAZ SABER a(o) Maria Aurineide Moreira Pereira, Rua Adalberto Pereira Gomes, 187, Jardim Valo Velho CEP 06856- 790, Itapecerica da Serra-SP, CPF 171.452.818-99, RG 286055600, que lhe foi proposta uma ação de Procedimento Sumário por parte de Instituição Paulista Adventista de Educação e Assistência Social-região Administ Sul, alegando em
síntese que é credora da executada no valor de R$1.885,41, decorrente de prestação de serviço educacional pactuado entra a
autora e a requerida, tendo esta deixado de efetuar o pagamento das mensalidades no período de fevereiro, março, abril, maio,
setembro, outubro, novembro e dezembro/2005 e esgotando-se todos os meios amigáveis de solução do problema, requer a
autora sejam julgados procedentes os pedidos, devidamente atualizados e acrescido de multa de 2% e juros de mora de 1%,
além das custas e despesas judiciais, bem como verba honorária em 20%. Encontrando-se a ré em lugar incerto e não sabido,
foi determinada a sua Citação, por Edital, para os atos e termos da ação proposta, e com antecedência mínima de dez dias para
comparecer à audiência de conciliação designada para o dia 26 de novembro de 2014, às 15h30h, ocasião em que poderá se
defender, desde que por intermédio de advogado, ficando ciente de que, não comparecendo e não se representando por preposto com poderes para transigir ou não se defendendo, inclusive por não ter advogado, presumir-se-ão como verdadeiros os fatos
alegados na inicial, salvo se o contrário resultar da prova dos autos (C.P.C., art. 277, §§2º e 3º). Será o presente edital, por
extrato, afixado e publicado na forma da lei, sendo este Fórum localizado na Rua Major Matheus Rotger Domingues, 155, Jardim
Santa Isabel - CEP 06850-850, Fone: (11) 4666-7277, Itapecerica da Serra-SP.
CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO
CNPJ/MF nº 33.649.575/0001-99
ASSEMBLEIA GERAL
REUNIÃO ORDINÁRIA - ELEIÇÃO
Ficam convocados os associados do CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO,
quites com o Clube, e que constem da Relação de Eleitores, conforme o artigo 80, § único, inciso IV, c/c artigos 151, 153 do Estatuto, encaminhada pelo
Conselho de Administração, para a reunião ordinária a realizar-se no próximo
dia 08 de dezembro de 2014, segunda-feira, no horário das 8h às 21h, no
salão nobre, situado na Av. Borges de Medeiros, 997, Lagoa, para a seguinte
ORDEM DO DIA:
Eleger e empossar 75 membros Efetivos e 40 Suplentes para o Corpo
Transitório do Conselho Deliberativo para complementação do mandato
eletivo, triênio 2013/2015.
A votação será realizada na forma do Estatuto e do Regimento Interno.
O sócio deverá estar em dia com suas contribuições sociais e apresentar
cédula de identidade, independentemente da carteira social.
Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2014.
Gil Bernardo Borges Leal
Presidente da Assembleia Geral do Clube de Regatas do Flamengo
EDITAL DE CITAÇÃO
O MM. Juiz de Direito, DR. (a) Maria Cristina Barros Gutierrez Slaibi – Juiz
titular, do Cartório da 3ª Vara Cível da Comarca da Capital, Estado do Rio de
Janeiro, FAZ SABER aos que o presente edital com o prazo de vinte dias virem ou dele conhecimento tiverem e interessar possa, que por este Juízo, que
funciona a Erasmo Braga,115 sala 321D CEP: 20020-903 – Castelo – Rio de
Janeiro – RJ, Tel: 2588-2243 e-mail: cap03vciv@tjrj.jus.br, tramitam os autos
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que se encontra em lugar incerto e desconhecido, para no prazo de TRÊS
H7N K /XI + ?`%" 'N><N =H6
NHN><N N>7 N ?7HN N >7L<N* ciente de que: a) caso não efetue o pagamento naquele prazo, ocorrera a
/k w '%"x /yXK II X*{
b) poderão oferecer embargos no prazo de quinze após a juntada do mandado
'%$& / *{ * X /XI
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/yXK ~*% / ?  de outubro de dois mil e quatorze. Eu, Priscila Guedes de Oliveira – Técnica de
7 y =%€$$ X% ‚ ; ?/y / / =%€ x&! w%
26 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
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MUNDO
Editora: Florência Costa
florencia.costa@brasileconomico.com.br
Terror
Redação
redacao@brasileconomico.com.br
O terrorismo está em alta no mundo, com mais ataques e maior número de vítimas em todos os tempos. Quatro principais grupos são
responsáveis por quase 70% destas ações: o Talibã, no Afeganistão
e no Paquistão, a transnacional alQaeda, o Estado Islâmico (EI), na
Síria e no Iraque, e o Boko Haram,
na Nigéria. O Índice Global do Terrorismo 2014 revelou que o número de mortes em decorrência de
ataques terroristas aumentou 61%
entre 2012 e 2013, segundo relatório divulgado pelo Instituto de
Economia e da Paz (IEP, na sigla
em inglês), um centro de estudos
baseado nos EUA e na Austrália,
que investiga as tendências do terrorismo mundial. O levantamento analisou 162 países onde vivem
99.6% da população do mundo.
Os indicadores incluem númerosde incidentes terroristas, de mortos, de feridos, e de prejuízo a propriedades.
O alvo principal do terrorismo
tem sido os cidadãos e as propriedades privadas. Houve quase 10
mil ataques em 2013, 44% mais
do que no ano anterior. Praticamente 18 mil pessoas morreram
em consequência desses ataques
no ano passado, bem mais do que
os cerca de 11 mil mortos registrados em 2012. Hoje, essas mortes
são cinco vezes mais numerosas
do que em 2000, afirma o relatório. Desde aquele ano, ocorreram
48 mil ataques que mataram 107
mil pessoas. “Não apenas a intensi-
dade do terrorismo que está aumentando, mas também sua amplitude”, observa o relatório. O
conflito na Síria (país que hoje é
um dos alvos preferenciais do EI e
que amarga uma guerra civil desde 2011), e os ataques do Boko Haram na Nigéria são as principais
causas do aumento expressivo deste tipo de violência. Quase 15 mil
mortes (80% do total) aconteceram em apenas cinco países: o Iraque, a Síria, o Afeganistão, o Paquistão e a Nigéria. Mas 55 outros
nações também registraram uma
ou mais mortes decorrentes das
ações de terroristas.
De todos, o país mais atingido
é o Iraque (com mais de 6.300
mortes). A Índia, a Somália, as Filipinas, o Iêmen e a Tailândia são os
outros cinco países de uma lista
de 10 com maior número de mortes por terrorismo. Em 2013, 87
O Índice Global do
Terrorismo 2014
revela que o
número de mortes
no mundo
resultantes de
ações do terror
aumentou 61%
entre 2012 e 2013
PIORES PAÍSES E ATAQUES EM 14 ANOS
80% dos grupos que
abandonaram o
terrorismo desde 2000,
o fizeram após
processos de
negociação. Apenas
10% conseguiram
alcançar seus objetivos
e só 7% foram
eliminados pela ação
puramente militar
Em destaque, os dez países mais afetados pelo terrorismo desde 2000 e o número de mortes
(a ordem é estabelecida pelo Índice Global de Terrorismo, do Instituto para Economia e Paz)
Ataques desde 2000
Justiça e presidente do
Conare, Paulo Abrão. Os
refugiados pertencem a 81
nacionalidades. Os principais
grupos são da Síria, da
Colômbia, de Angola e da
República Democrática do
Congo. “Não vivemos no Brasil
nenhuma crise de volume de
entrada”, ressaltou Abrão.
Segundo ele , nos países
desenvolvidos o percentual
de imigrantes varia entre 15 a
20% da população. Na
Argentina, esse percentual
é 5%, enquanto no Brasil não
alcança 1% da população. ABr
Piores ataques em 2013
5
Ataque
de 11 de
setembro
de 2001
2.996
mortos
Em busca de refúgio no Brasil
Nos últimos quatro anos, o número
de refugiados no Brasil passou de
4.357 para 7.289 até outubro deste
ano, segundo o Comitê Nacional
para os Refugiados (Conare). No
mesmo período, o percentual de
pedidos de refúgio aceitos pelo
governo brasileiro saltou 1.240%:
de 150 , em 2010, passou a 2.032
até outubro de 2014.
“O Brasil passa a ser um
destino de proteção dos
refugiados e as causas da
elevação dos pedidos se devem a
melhoria da visibilidade
internacional do nosso país”,
disse o secretário Nacional de
EM
ALTA
PAÍSES QUE
CORREM
RISCO DE
ATAQUES
TERRORISTAS
Angola, Bangladesh,
Burundi, República
central Africana,
Costa do Marfim,
Etiópia, Irã, Israel,
Mali, México,
Mianmar, Sri Lanka
e Uganda
SÍRIA
1.078
mortos
4
NIGÉRIA
1.826
mortos
1
IRAQUE
6.362
mortos
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 27
COLÔMBIA
FARC confirmam sequestro de general
Os rebeldes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia) confirmaram ontem que sequestraram o general Ruben
Dario Alzate, mas disseram que pretendem discutir a situação para
retomar o diálogo. A ação fez com que o governo colombiano
suspendesse as negociações de paz em Havana. O conflito já matou
200 mil pessoas em 50 anos. Reuters
Desde o ano 2000, houve mais de
Pesquisa mostra que
em 2013 houve
48 mil ataques
terroristas que
mataram mais de
107 mil pessoas
61% mais mortes
relacionadas a ataques
terroristas do que no ano anterior
9.814 ataques
em 87 países,
com 17.958
mortos
Cinco vezes mais pessoas morrem
hoje por ataques terroristas do
que em 2000
Desde 2000, mais de 90% dos
ataques suicidas aconteceram no
Oriente Médio, no Norte da África
e no Sul da Ásia
82% dos mortos em ataques
terroristas estavam em cinco
países: Iraque, Afeganistão,
Paquistão, Nigéria e Síria
HOMICÍDIOS
E ATAQUES
OS GRUPOS
MAIS PERIGOSOS
Homicíos atingiram 40 vezes
mais pessoas que terrorismo em 2012
Das mortes por atentados
em 2013, 2/3 foram causadas
por quatro grupos*
Homicídios
Al-Qaeda
437 mil mortos
Talibã
8.585
8.763
Ataques terroristas
11 mil mortos
66%
Boko
Haram
PODER DE FOGO
do total
3.440
Número de combatentes
de cada grupo terrorista
Exército
Islâmico
3.111
Talibã
36.000
60.000
Exército Islâmico
30.500
20.000
Al-Qaeda
3.700
Estimativa baixa
Estimativa alta
19.000
Boko Haram
9.000
500
2
3
*Mortes com autoria conhecida
AFEGANISTÃO
PAQUISTÃO
3.111
mortos
2.345
mortos
6
ÍNDIA
404
mortos
9
FILIPINAS
292
mortos
8
IÊMEN
291
mortos
7
SOMÁLIA
405
mortos
10
TAILÂNDA
131
mortos
CAUSAS DO
TERRORISMO
Países com alto
nível de atividades
terroristas
apresentam alguns
fatores principais,
como:
• Grande
hostilidade social
entre diferentes
grupos étnicos,
religiosos e
linguísticos
• Violência
promovida pelo
Estado, como
assassinatos
extra-judiciais,
terrorismo político
e muitos abusos
dos direitos
humanos
Fotos Reuters
países registraram incidentes terroristas (em 2012 foram 81). Apenas 5% das mortes desde 2000
aconteceram no âmbito das 34 democracias que seguem os valores
do livre mercado e que compõem
a Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico
(OECD). Apesar da baixa percentagem de mortes nas nações da
OECD, foram em alguns destes
países que ocorreram os ataques
mais mortais, como o do 11 de setembro de 2001, nos EUA (com
3.029 mortes).
A maioria dos atentados registrados desde 2000 aconteceram
com o uso de explosivos. Apenas
5% deles foram ações de terroristas suicidas. Dos quatro principais
grupos terroristas , o Talibã provocou o maior número de mortes até
2013: 8.763 no Afeganistão e no Paquistão. Apesar destas organizações usarem interpretações radicais do Islamismo sunita, nem
sempre o que motiva o terrorismo
é a religião, ressalta o relatório.
Em muitas partes do mundo, o terror é insuflado por disputas políticas, sentimentos nacionalistas e
movimentos separatistas. Os ataques na Índia — o sexto país mais
afetado pelas ações terroristas —
cresceram 70% em 2013 devido
aos atentados promovidos por insurgentes comunistas.
“Para se contrapor à ascensão
do extremismo religioso, teologias sunitas moderadas devem ser
cultivadas dentro do Islã”, aconselha o estudo. "Não há dúvidas de
que este é um problema crescente. As causas são complexas, mas
os quatro principais grupos terroristas têm suas raízes no fundamentalismo islâmico”, disse Steve Killelea, fundador do IEP. “Estes grupos estão particularmente
focados em lutar contra a educação ocidental. E isso torna qualquer tentativa de mobilização social particularmente difícil”, constatou. A pobreza e outros fatores
econômicos, diz o relatório, tem
pouca relação com o terrorismo.
Ações policiais e militares
acompanhadas de atos que desrespeitam os direitos humanos tornam o problema mais acirrado, segundo Killelea. O relatório mostra
que 80% dos grupos que abandonaram o terrorismo desde 2000, o
fizeram após processos de negociação. Apenas 10% das organizações terroristas conseguiram alcançar seus objetivos e somente
7% delas foram eliminadas pela
ação puramente militar.
Embora o terrorismo esteja em
alta no mundo, metade dos ataques não fazem vítimas. Os homicídios matam 40 vezes mais do que
as ações do terror, segundo levantamento das Nações Unidas, divulgado em 2012. Em 2013, 437 mil pessoas morreram assassinadas contra 17.958 vítimas do terrorismo.
No caso dos EUA, por exemplo, os
homicídios são 64 vezes mais mortais do que o terror. Com Reuters
Ataques terroristas já são ações
cotidianas nos lugares mais violentos do
mundo, como Afeganistão, Iraque, e Síria
28 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
MUNDO
Gali Tibbon, Ahmad Gharabli, Jack Guez/AFP
▲
Judeus ortodoxos dentro
da sinagoga atacada por
dois palestinos ontem
Terror e medo em sinagoga
Redação
redacao@brasileconomico.com.br
No pior ataque a Jerusalém desde
2008, quatro judeus foram mortos
durante a reza matinal de ontem
dentro de uma sinagoga por dois
palestinos armados com um cutelo e uma arma de fogo. A ação terrorista levantou temores de um novo conflito na região, que foi alvo
de uma guerra durante 50 dias,
em julho e agosto, entre Israel e
Gaza, enclave palestino. O primeiro ministro Benjamin Netanyahu
prometeu agir com “mão pesada”
e ordenou a demolição das casas
dos dois terroristas, mortos pela
polícia israelense.
Dos quatro fiéis, três tinham cidadania americana, além da israelense, e um, o passaporte britânico. O serviço de emergência de Israel disse que pelo menos nove
pessoas foram gravemente feridas, cinco delas gravemente. Netanyahu disse que “mentiras” sobre intenções de Israel de querer
destruir locais sagrados para os
muçulmanos levaram aos ataques. A sinagoga fica no bairro ultra-ortodoxo judeu de Har Nof,
considerado um reduto do Shass,
um partido religioso. O atentado
aconteceu um dia após um moto-
Dois palestinos
com um cutelo e
uma arma de fogo
mataram quatro
judeus dentro
de sinagoga
de Jerusalém
Ocidental,
no pior ataque
da cidade sagrada
desde 2008
rista palestino, Yusuf Ramuni, ter
sido encontrado enforcado dentro
do ônibus que dirigia.
Um fiel que estava na celebração matinal da sinagoga de Kehillat Bnei Torah contou que cerca
de 25 pessoas estavam rezando
quando o tiroteio começou.“Eu
olhei para cima e vi alguém atirando à queima-roupa. Então alguém
entrou com algo que parecia uma
faca de açougueiro”, disse Yosef
Posternak à Rádio Israel. Fotos distribuídas por autoridades israelenses mostraram um homem com
vestimentas judaicas morto, um
cutelo de açougueiro ensanguentado, e diversas mesas de orações reviradas, com livros cheios de sangue. “Escutei tiros e um dos fiéis
saiu do local gritando ‘É um massacre!’”, disse uma outra testemunha. Na frente da sinagoga, o clima era de luto e perplexidade.
Sarah Abrahams, uma judia ortodoxa, começava a sua caminhada matinal quando viu as pessoas
correndo para fora da sinagoga.
“Um homem estava sentado na
calçada, sangrando. Ele parecia
ter sido esfaqueado”, lembrou ela.
“A polícia já estava no local e quando um terrorista saiu, eles atiraram nele nas escadas", relatou essa moradora do bairro de Har Nof.
Uma das vítimas, o rabino Moshe Twersky, 59 anos, era diretor
de um seminário em Jerusalém e
filho da fundadora do Centro de
Estudos Judeus da Universidade
de Harvard. Os outros dois judeus
israelenses-americanos mortos
no ataque foram identificados como sendo os rabinos Arieh Kupinsky, 43 anos, e Kalman Ze’ev
Levine, 55 anos. O britânico, também rabino, era Avraham Shmuel
Goldberg, 68 anos. Os dois palesti-
O primeiro ministro
Benjamin Netanyahu
prometeu agir com
“mão pesada” e
ordenou a demolição
das casas dos dois
terroristas palestinos,
mortos pela polícia
israelense
nos terroristas foram identificados como sendo primos: Ghassan
e Uday Abu Jamal, moradores de
Jerusalém Oriental, área predominantemente árabe. A Frente Popular para a Libertação Palestina
(FPLP) reivindicou o ataque. “Declaramos total responsabilidade
da FPLP pela execução desta heróica operação conduzida por nossos
heróis”, disse Hani Thawbta, um
líder do movimento em Gaza.
Em 2008, um atirador palestino havia assassinado oito pessoas
em uma escola religiosa da cidade
sagrada. Netanyahu acusou o presidente palestino, Mahmoud Abbas, de incitar a violência em Jerusalém. Abbas condenou o ataque,
que aconteceu após um mês de
tensões motivadas, em parte, por
uma disputa sobre o santuário
mais sagrado de Jerusalém. Abbas
disse que “a Presidência condena
o ataque sobre fiéis judeus em um
de seus lugares de oração em Jerusalém Ocidental e condena a morte de civis, independentemente
de quem esteja cometendo os
atos.” O presidente dos EUA, Barack Obama, condenou o ataque, pedindo a judeus e palestinos que
evitem mais violência, “para reduzir as tensões” e “buscar um caminho para a paz”. Com Reuters e AFP
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 29
INDONÉSIA
Testes de virgindade para policiais
Toru Hanai/Reuters
A ONG Human Rights Watch (HWR) exigiu que a polícia da Indonésia
suspenda os testes de virgindade aplicados às candidatas a agentes .
As mulheres que desejam ser policiais no maior país muçulmano do
mundo devem ser solteiras e virgens, segundo a HRW. Os agentes as
obrigaram a se despir diante de médicas que as submeteram ao
“teste dos dois dedos”, uma prática arcaica e muito criticada. AFP
Recessão faz
Abe convocar
eleições para
o Legislativo
Premiê japonês diz que, se perder a maioria,
pedirá demissão, mas partido crê em vitória
O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe convocou eleições antecipadas numa tentativa de estender
o mandato e salvar seu pacote de
políticas econômicas, o “Abenomics”. A decisão foi tomada após
a constatação de que o país entrou
em recessão, com a contração de
0,4% do PIB no terceiro trimestre.
Abe também atrasou por 18 meses um aumento nos impostos sobre o consumo (IVA), depois que o
primeiro aumento, lançado em
abril, levou o gasto do consumidor
a estagnar e à contração da economia por dois trimestres consecutivos. O Parlamento será dissolvido
em 21 de novembro, anunciou
Abe. O pleito adiantado não tem
uma data certa, mas virá antes do
premiê completar dois anos de um
mandato de quatro anos.
Na segunda-feira, dados preliminares mostraram que, em comparação com o mesmo período do
ano passado, a terceira maior economia do mundo contraiu 1,6%
no terceiro trimestre. Mas, segundo Abe, a recessão não significa
que o “Abenomics” foi um fracasso. Para ele, a acolhida do pacote
de afrouxamento monetário, gastos de estímulo e reformas estrutu-
rais será avaliada nas urnas. “Devemos testar a vontade do povo.
Se a coalizão LDP-Komeito não
manter a sua maioria, o que seria
uma rejeição do Abenomics, não
poderíamos avançar com as três
diretrizes do programa e eu teria
que pedir demissão”, disse Abe.
De acordo com políticos do Partido Liberal Democrático (LDP),
de Abe, o premiê deve escolher o
dia 14 de dezembro para a realiza-
Abe também adiou por
18 meses a nova alta
nos impostos sobre o
consumo. Vista por
governistas como a
saída para a crise
fiscal, a medida teria
deflagrado a estagnação
econômica recente
ção do pleito. Hoje, a legenda detém mais de 60% dos assentos na
mais poderosa câmara do Parlamento. Ele aposta que uma oposição dividida lhe permitirá manter
o domínio sobre o Legislativo.
Com isso, Abe poderia ficar no cargo até 2018 e acelerar seu programa econômico para acabar com
duas décadas de deflação, impulsionando o crescimento. Mas caso
o LDP perca muitos lugares, Abe
poderá enfrentar o desafio de uma
eleição pela liderança do partido
em setembro do ano que vem.
“A oposição terá potencial para
fazer uma campanha negativa,
ajudada pela recessão”, opinou
Jun Okumura, professor-visitante do Instituto Meiji de Relações Internacionais, em Tóquio. As políticas de Abe, apoiadas pelo Banco
do Japão, que promoveram a flexibilização monetária, levou a uma
queda no iene que alimentou as exportações e o aumento nos lucros
das empresas. Desde novembro
de 2012, o índice Topix, da bolsa
de Tóquio, saltou 93%, o maior
avanço entre os mercados desenvolvidos. Mas é consenso entre
analistas que esses ganhos não foram transferidos para o cidadão
comum, que tem sofrido com a alta de preços e 15 meses de queda
nos salários reais.
Abe herdou do governo anterior o plano de aumento de impostos sobre as vendas. Agora, ao atrasar o aumento programado e ir para as urnas, o primeiro-ministro
manda um recado para os falcões
fiscais de seu próprio partido, que
continuam a apoiar o aumento
dos tributos como um meio de diminuir a maior dívida pública do
mundo, calculada em 250% do
PIB.“Não há um distanciamento
do nosso compromisso com a consolidação fiscal. Manteremos a meta para 2020 a fim de alcançar a
saúde fiscal. Estou convencido de
que não haverá perda da confiança internacional”, disse. Isabel Reynolds e Maiko Takahashi,Bloomberg
■ Seguidores de Satguru
Rampalji Maharaj, um
auto-denominado “homem
santo” acusado de assassinato,
enfrentam policiais indianos
durante protesto contra a
tentiva de prisão do religioso
hindu. Armados com pedras,
os apoiadores do guru
enfrentaram os homens da força
de segurança do estado indiano
de Haryana, que atiravam
bombas de gás lacrimogêneo. A
polícia tentou, mas não
conseguiu, dispersar a corrente
humana, formada também por
mulheres e crianças, que
cercava o ashram (retiro
espiritual) onde o guru, de 63
anos, se escondia. Reuters
Reuters
SEGUIDORES DE GURU HINDU ACUSADO DE ASSASSINATO ENFRENTAM POLÍCIA, QUE NÃO CONSEGUE PRENDÊ-LO
30 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
OPINIÃO
Editoria de Arte
Notícia
histórica
Saturnino Braga
redacao@brasileconomico.com.br
emos efetivamente uma notícia
histórica; nunca antes na história deste país isto havia ocorrido:
a prisão, como agentes de corrupção, de vários dirigentes de
algumas das maiores empreiteiras do Brasil. O crime de corrupção tem
de fato duas faces, mas só a do corrupto, político ou funcionário, aparecia e
sofria punição. Algo mudou muito profundamente, apareceu finalmente o corruptor, e é primordial que se discuta o
acontecido em busca dos fatores que determinaram ou possibilitaram sua ocorrência, assim como dos desdobramentos deste fato histórico.
Cumpre desde logo reconhecer
que a partir dos primeiros anos deste
século, a Polícia Federal e o Ministério
Público tiveram um desempenho muito superior ao observado anteriormente no que respeita ao desbaratamento
de quadrilhas ligadas a todo tipo de
corrupção. É inegável, ninguém falou
mais em engavetamento de investigações; as críticas voltaram-se para o Judiciário, por morosidade ou leniência:
o chamado “mensalão mineiro”, anterior, até hoje não foi julgado.
Com certeza essas relevantes instituições tiveram mais recursos para
desenvolver sua ação. Não parece, entretanto, o bastante para um comportamento tão mais eficaz. Parece evidente que elas gozaram de mais liberdade nesta ação, isto é, seus chefes
não tiveram de consultar superiores
sobre o prosseguimento de determinada investigação, nem receberam ordens de engavetar qualquer processo
ou congelar qualquer ação.
Esta eficiência maior atingiu mais,
no campo político, os partidos que estão no poder, o que não é de todo surpreendente já que é em torno do poder
vigente que se abrem as maiores fontes de corrupção. E a resposta do Poder é clara: queremos que todos sejam
investigados, não importa a que partidos pertençam. Inegavelmente, uma
resposta que se soma ao crédito de ter
aberto o grau de liberdade dos órgãos
investigadores.
Mas vamos ao outro lado, o das consequências das investigações que finalmente atingiram os corruptores. Preliminarmente, devemos admitir que podem ter havido equívocos e erros nessas investigações, e que alguns dos
atingidos não sejam realmente culpados. Só o julgamento decide sobre a
culpa. De qualquer maneira, a primeira consequência será a de uma cautela
redobrada das empresas no trato com
políticos e com o poder público.
T
O PT pode sofrer forte
impacto negativo se
comprovadas as acusações,
mas pode também ganhar
reconhecimento público
pela abertura que deu a
essas investigações
Ademais, os fatos apurados devem
pesar fortemente contra os atuais mecanismos do financiamento das eleições que, no meu juízo, formado em
larga experiência de vida política,
constitui a mais caudalosa fonte de corrupção em nosso país. Esse mecanismo de financiamento alimentado por
grandes doações de empresas a partidos e candidatos é altamente viciador:
em paralelo às contribuições abertas
do caixa 1, vêm os conluios e as propinas fechadas do caixa 2. E de eleição para eleição, os gastos de campanha sobem a somas cada vez mais fantásticas, propiciando a deformação grave
no juízo do eleitor sobre os candidatos.
Uma alteração importante pode vir
da decisão do Supremo sobre a ilegalidade das doações eleitorais de empresas,
praticamente já tomada pela maioria
que votou, e interrompida pelo pedido
de vista de um ministro, com uma demora dificilmente explicável. Mas as
mudanças podem e devem ir além da
decisão do Supremo, movidas pela pressão popular em favor da reforma política, da qual a questão do financiamento
das campanhas é o item principal.
A outra consequência importante
será sobre os futuros resultados eleitorais. O PT, principal partido do poder
hoje, pode sofrer forte impacto negativo se comprovadas as acusações, mas
pode também ganhar reconhecimento público pela abertura que deu a essas investigações.
Previsões eleitorais, o melhor, entretanto, é não fazê-las.
Saturnino Braga é ex-senador
e presidente do Centro Celso Furtado
Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014 Brasil Econômico 31
MARCELO MEDEIROS
GUY ALMEIDA ANDRADE
Pesquisador do Ipea e professor da UnB
Presidente do Conselho
de Administração do Instituto
dos Auditores Independentes do Brasil
Desigualdade é mais alta e
permanece estável no Brasil
Empresas que são auditadas
têm vantagens no mercado
Dois estudos concluídos recentemente por nós, Marcelo Medeiros, Pedro HGF Souza e Fabio A. Castro mostram que a desigualdade no Brasil é mais alta do que se pensava e permanece
estável desde, pelo menos, 2006. Isso vai de encontro à ideia
quase consensual de que havia uma queda sistemática da desigualdade ocorrendo desde 2001. Vários pesquisadores sérios
se dedicaram a estudar esse assunto. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, a PNAD, havia uma queda que começava em 2001 e parava em 2011.
Várias empresas pequenas têm sido alvo de aquisição ou assédio por fundos de private equity. O que as torna tão interessantes é o fato de serem criadoras de negócios inovadores,
trabalharem em nichos específicos do mercado e apresentarem boas margens, boa presença e ótimo potencial. Para
seus fundadores, trata-se de uma excelente oportunidade para colocarem dinheiro no bolso, no caso de uma venda, ou para receberem aporte dos recursos tão necessários para a expansão e a consolidação do negócio.
Outras pesquisas, como a Pesquisa
de Orçamentos Familiares, a Pesquisa
Mensal de Emprego e o Censo, também indicavam queda. Havia, portanto, razão para o consenso. Muitos, inclusive nós três, estavam convencidos disso, pois tínhamos dados limitados, que não nos diziam o que acontecia no topo da distribuição.
A novidade chegou com o uso de informações do imposto de renda, mais
detalhadas sobre a renda dos ricos
que as das pesquisas convencionais.
Agora que temos dados melhores, precisamos revisar nossas conclusões. É
assim que funciona pesquisa. Ao que
tudo indica, há de fato estabilidade e
não queda da desigualdade no país.
Ocorre que muitas vezes as negociações são frustradas pela falta de
controles robustos e de uma contabilidade que apresente a adequada expressão da situação patrimonial e financeira da empresa, bem como dos
resultados realizados.
Essa descoberta costuma surgir
nas fases iniciais do processo de due
diligence e gera alto grau de incerteza
quanto aos riscos a serem encontrados. Investidores aceitam risco, mas
primeiro precisam conhecê-los e
quantificá-los para decidir se vão eliminá-los, reduzi-los ou aceitá-los.
A renda é extremamente
concentrada. Quase
metade da renda é
recebida pelos 5% mais
ricos, um terço dela, pelos
2% mais ricos, um
quarto, pelo 1% no topo
Nisso o Brasil não é exceção. Em todo o mundo, o uso de dados tributários muda, ao menos um pouco, o que
se sabe sobre a desigualdade. Onde parecia haver estabilidade, nota-se aumento, como na Europa Continental.
Onde a desigualdade aumentava, como nos Estados Unidos, esse crescimento mostra-se ainda mais acelerado. O que parecia uma queda rápida
no Uruguai mostrou-se uma redução
lenta. Chile e Colômbia apresentaram
estabilidade na última década.
A renda no Brasil é extremamente
concentrada. Quase metade da renda
do país é recebida pelos 5% mais ricos, um terço dela pelos 2% mais ri-
cos, um quarto pelo 1% no topo. A
concentração é tamanha que um quinto de toda a renda de 2012 foi apropriada pelos 0,5% mais ricos, um grupo
que tem cerca de 700 mil pessoas, em
uma população que chega a 140 milhões de adultos. E isso não vem mudando, apesar do crescimento da economia. O 1% mais rico apropriou-se
de 28%de todo o aumento de renda
que houve entre 2006 e 2012.
Esses estudos ainda não permitem
dizer porque a desigualdade é tão alta
e estável. O mais provável é que as causas que conhecemos até agora continuem importantes. Mercado de trabalho e previdência continuam sendo
duas fontes muito importante de renda no país e seu comportamento ainda deve determinar se a desigualdade
sobe ou desce. O que deve mudar no
que sabemos são os pesos de cada
uma dessas causas. De agora em diante, também devemos dar mais atenção a fatores que determinam a concentração no topo da distribuição:
rendimentos de capital e propriedade
de empresas, por exemplo.
Porém, se há algo que seguramente precisa receber mais atenção daqui
para frente é aquilo conhecido como
macro-determinantes da desigualdade: infraestrutura, política industrial,
comércio exterior e muitos outros. Políticas nessas áreas não afetam apenas
o nível de crescimento do país mas,
também, quem se apropria desse crescimento. Sobre isso, infelizmente, ainda sabemos muito pouco.
O que não há dúvida é de que temos um sinal de que é importante entender os ricos para se entender a desigualdade no Brasil. Até agora medíamos bem os pobres. Agora podemos
medir melhor o outro lado da desigualdade brasileira, os ricos.
Cada organização
enfrenta desafios
que dependem de
seu tamanho,
da complexidade
das operações e
dos riscos da atividade
Sem uma boa contabilidade e um
ambiente de controle adequado, essas informações tornam-se difíceis
de serem obtidas e administradas, alimentando o temor de que o negócio
não seja viável.
O resultado, no mais das vezes, é
uma redução no valor da negociação,
que desagrada os proprietários e acaba por inviabilizar a operação.
O ambiente contábil ruim não indica que esses empreendedores sejam
maus administradores. Apenas não foram treinados para isso. Aliás, como
disse Peter Thiel, cofundador do
PayPal e do Palantir, “empreendedores não são sortudos ganhadores da loteria, mas pessoas que possuem uma
visão clara do futuro e um bem elaborado plano para chegar lá”.
Focados nos seus planos de negócios, na busca de clientes e na solução
de problemas que surgem a todo instante, os empreendedores acabam relegando as questões de controles e informações contábeis a planos secundários, preocupando-se tão somente
com a adequação da prática fiscal.
Mas problemas poderiam ser evitados se contratassem uma auditoria
das suas demonstrações contábeis. A
auditoria tem o condão de apontar as
fraquezas dos ambientes de controle e
de indicar a melhor prática contábil
para cada atividade. O diferencial de
qualidade observado após o primeiro
ano de auditoria é enorme.
A contratação de uma auditoria é
um avanço nas melhores práticas e
nem sempre representa custos elevados. Além das lideres de mercado, há
inúmeras firmas menores, com bons
processos e equipes treinadas, acostumadas com o ambiente de controle
menos formal das empresas de porte
médio e pequeno. Essas firmas têm
custos mais baixos, que não comprometem o orçamento das clientes em
início de processo.
Cada organização enfrenta desafios que dependem de seu tamanho,
da complexidade das operações e dos
riscos da atividade. É preciso tratálos com objetividade e senso de realidade, mas garantir como produto final informação de boa qualidade e segurança. Um bom ambiente de controle e informação contábil confiável
são fundamentais para a tranquilidade de administradores e investidores.
Não existe desculpa razoável para
negligenciar a qualidade das informações contábeis. Nos casos potenciais de venda da empresa ou de
aporte de recursos, essa negligência
poderá ser fatal.
Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas
Diretor Presidente José Mascarenhas
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32 Brasil Econômico Quarta e Quinta-feira, 19 e 20 de novembro de 2014
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PONTO FINAL
OCTÁVIO COSTA Chefe de Redação
ocosta@brasileconomico.com.br
A
presidente Dilma Rousseff fez um longo e atípico percurso na
viagem de volta da Austrália. Em lugar da escala na Califórnia –
que poderia ser em Los Angeles ou em São Francisco, a
tripulação do Airbus oficial optou por uma parada técnica em Seattle,
bem mais ao Norte, quase na fronteira dos Estados Unidos com o
Canadá. A bordo do avião, estavam, além de Dilma, o ministro das
Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e o presidente do Banco
Central, Alexandre Tombini. Com o voo mais longo do que o habitual e
uma segunda escala no Panamá, a presidente teve tempo de sobra para
acertar os últimos detalhes nas mudanças que vai anunciar na equipe
econômica do seu segundo mandato. Coincidência ou não, depois que
Dilma convocou Tombini com urgência para a reunião do G-20 em
Brisbane, dá-se como certo que ele será o novo titular da Fazenda.
Ontem, o ex-secretário executivo
do Ministério da Fazenda, Nelson
Barbosa, negou que tenha sido convidado para o cargo de Guido Mantega. Seu nome foi bastante citado
nas últimas semanas, pois Barbosa
teria sido uma das alternativas sugeridas pelo ex-presidente Lula,
que, segundo os rumores, apontou
também o ex-presidente do BC
Henrique Meirelles e o presidente
do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco.
Dilma confirmou apenas que, logo
após a eleição, conversou com Trabuco, mas negou que tivesse feito
qualquer sondagem para o futuro
Ministério. Em Brasília, comentase que as chances de Meirelles são
Enquanto o anúncio
da nova equipe
econômica não vem,
economistas dizem
que mais importante
do que os nomes
é o ajuste fiscal
mínimas por vários motivos. O
principal seria o relacionamento difícil com Dilma quando ela ocupava a Casa Civil no governo Lula. O
nome de Tombini passou a correr
por fora e agora desponta como favorito. Nas apostas, Nelson Barbosa ficaria com o Planejamento, no
lugar de Miriam Belchior.
Há muita especulação, mas a
presidente Dilma mantém sua escolha guardada a sete chaves. Afinal,
falta mais de um mês para o início
do segundo mandato. Mesmo assim, acredita-se que ela pode abreviar o cronograma com o objetivo
de criar um fato novo que desvie as
atenções do escândalo da Petrobras. A reforma ministerial – a começar pelo titular da Fazenda – faria parte da agenda positiva defendida pelos assessores da Presidência. Da eleição para cá, as investigações da Polícia Federal sobre a rede
de corrupção na estatal do petróleo dominaram completamente a
pauta dos meios de comunicação.
Para sair deste atoleiro, Dilma sofre pressões para queimar etapas e
AROEIRA
bater o martelo nos próximos dias.
Enquanto o anúncio dos novos
nomes não vem, os especialistas
continuam a se debruçar sobre os
pontos frágeis da economia brasileira e afirmam que não basta mudar a equipe de governo. Em entrevista ao jornal “O Globo, a ex-diretora do Fundo Monetário Internacional Teresa Ter-Minassian, que
comandou missões ao Brasil no final dos anos 90, disse que, em sua
visão, o desempenho da atual política fiscal “é bastante negativo”.
Para a italiana, a política fiscal expansionistas aprofundou os gargalos na economia, com perda de
competitividade externa e incertezas de empresários e consumidores. A exemplo de outros economistas, ela espera que o novo governo anuncie fortes ajustes a curto prazo. O mais importante, diz
Teresa, é resgatar a credibilidade
da política fiscal ,“prejudicada pela contabilidade criativa dos últimos anos”. Essa é a visão dominante fora do governo. Mais importante do que os nomes é o ajuste fiscal.
SOBE E DESCE
Fotos ABr
A HORA DO AJUSTE FISCAL
■ A Controladoria-GeraldaUnião,
comandadaporJorge Hage, vai
instaurarprocessoadministrativo
sobre asempreiteirasenvolvidasna
OperaçãoLava-Jato,queinvestiga
asdenúncias desuperfaturamento
epropinas naPetrobras.
■ A Frente Nacional de Prefeitos,
que é presidida por José
Fortunati, insiste em adiar o
fechamento dos lixões e as demais
determinações da Política
Nacional de Residuos Sólidos,
que foi sancionada em 2010.
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