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Um estudo do Capital Social gerado a partir de Redes
Sociais no Orkut e nos Weblogs1
Raquel da Cunha Recuero2
Universidade Católica de Pelotas
raquel@pontomidia.com.br
Resumo: O presente artigo parte de u ma reconstrução dos
conceitos de capital social, dentro de u ma abordagem de rede
social, buscando compreender co mo o mesmo é encontrado em
comunidades do Orkut e dos weblogs. Através de um estudo de
caso, procura-se compreender co mo as interações sociais
podem auxiliar a constituir diferentes formas de capital social e
como essas formas podem trazer à tona aspectos relevantes no
estudo de grupos na Internet.
1. Introdução
O presente trabalho visa verificar que tipo de capital social é gerado em redes sociais na
Internet, tomando como estudo de caso três comunidades do Orkut e uma rede de weblogs,
observados ao longo do ano de 2004. Através da abordagem de rede social, buscou-se reconstruir
conceitos básicos, como o de laço, interação e relação social, tentando compreender como esses
conceitos relacionam-se com a produção de capital social e como esta pode ser verificada nos
grupos selecionados. Após o estudo de caso, onde é verificado que tipo de capital encontra-se
nas redes, busca-se fazer uma relação entre a teoria e a prática, construindo algumas linhas que
poderão ser desenvolvidas em estudos futuros de agrupamentos sociais na Internet. Ao final, é
discutida a importância da interação, bem como do sistema de comunicação mediada por
computador, para que as redes sociais possam tornar-se densas e produzir mais capital. Trata-se
de um estudo exploratório, que não tem a pretensão de generalização, mas unicamente, de
constribuir para o debate em torno da sociabilidade no ciberespaço.
2. A Abordagem de Redes Sociais e o Capital Social
Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas,
instituições ou grupos) e suas conexões (Wasserman e Faust, 1994, Degenne e Forsé, 1999).
1
Trabalho apresentado na Compós 2005, no GT de Tecnologias da Informação e da Comunicação.
Professora da Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pelotas. Doutoranda pelo
PPGCOM/UFRGS.
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Trata-se, assim, de uma abordagem focada nas estrutura social, onde “individuals cannot be
studied independently of their relations to others, nor can dyads be isolated from their affiliated
structures”(Degenne e Forsé, 1999:3). A abordagem de rede é importante porque enfatiza as
conexões entre os indivíduos no ciberespaço, como explicam Garton, Haythornthwaite e
Wellman (1997:1): “when a computer network connects people and organizations, it is a social
network”.
A conexão apresentada entre dois atores em uma rede social é denominada laço social, de
acordo com Wasserman e Faust (1994:18), ou seja, aquilo que “establishes a linkage between a
pair of actors”. Um laço é composto por relações sociais, que por sua vez, são constituídas por
interações sociais. Uma interação social é aquela ação que tem um reflexo comunicativo entre o
indivíduo e seus pares. Ou seja, trata-se de uma manifestação comunicacional (Watzlavick,
Beavin e Jackson, 2000:18), com reflexo social. Essas interações repetidas constituem relações
sociais.
Garton, Haythornthwaite e Wellman (1997, online) afirmam que uma relação social é
caracterizada pelo seu conteúdo, direção e força. O conteúdo de uma relação social refere-se
àquilo que é trocado pelos pares envolvidos nos processos de interação. A direção é entendida
como uma relação que pode ser dirigida a alguém específico ou ao grupo como um todo. Por fim,
o conteúdo de uma relação é aquilo que é trocado entre os pares através das interações sociais,
como a quantidade de informação, sentimento, suporte, conhecimento e etc., que vamos discutir
aqui como capital social.
O conceito de laço social, desenvolvido até agora, passa pela idéia de interação social.
Trata-se de um laço social constituído a partir dessas interações suas relações, sendo denominado
laço relacional. Entretanto, Breiger (1974: 183-185), inspirado nos trabalhos de Goffman,
explica que o laço social pode ser constituído de outra forma: através de associação. Goffman
explicava que os individuos eram conectados a outros indivíduos através de relações sociais.
Entretanto, a conexão entre um indivíduo e uma instituição ou grupo tornava-se um laço de outra
ordem, representado unicamente por um sentimento de pertencimento. Tratava-se de um laço
associativo. Entretanto, Breiger (1974:184) afirma que “I see no reason why individuals cannot
be linked to other individuals by bounds of common membership (as in interlocking directorates)
or to collectivities through social relationships (as in “love” for one’s country or “fear” of a
bureaucracy)”. Para o autor, portanto, o laço social não depende apenas de interação. Laços
relacionais, portanto, são aqueles constituídos através de relações sociais, apenas podem
acontecer através da interação entre os vários atores de uma rede social. Laços de associação,
por outro lado, independem dessa ação, sendo necessário, unicamente, um pertencimento a um
determinado local, instituição ou grupo. Neste trabalho, entenderemos os laços associativos
como meras conexões formais, que independem de ato de vontade do indivíduo, bem como
investimento social. Esses laços associativos podem emergir da existência dos laços sociais,
constituindo-se num pertendimento relativo à existência de um grupo social mais denso, mas
podem também não ser resultado de nenhuma interação social e nem representar a conexão de um
indivíduo com um grupo, mas sendo um mero reconhecimento formal da existência de um vínculo
material entre um indivíduo e, digamos, um país. Neste sentido, não interferem na estrutura
social, tratando-se, simplesmente, de uma classificação. Por conta disso, esses laços não serão
considerados sociais, mas serão levados em conta por sua característica formal de agregação.
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Os laços sociais também podem ser fortes e fracos. De acordo com Granovetter
(1973:1361), “the strength of a tie is a (probably linear) combination of the amount of time, the
emotional intensity, the intimacy (mutual confiding) and the reciprocal services which
characterize the tie”. Laços fortes são aqueles que se caracterizam pela intimidade, pela
proximidade e pela intencionalidade em criar e manter uma conexão entre duas pessoas. Os laços
fracos, por outro lado, caracterizam-se por relações esparsas, que não traduzem proximidade e
intimidade. Laços fortes constituem-se em vias mais amplas e concretas para as trocas sociais
(Wellman, 1997), enquanto os fracos possuem trocas mais difusas.
Os laços sociais podem ainda ser denominados multiplexos quando são constituídos de
diversos tipos de relações sociais (Degenne e Forsé, 1999; Scott, 2000), como por exemplo, um
grupo de colegas que interage não apenas no ambiente de trabalho, mas também em eventos de
lazer. Os laços fortes, de acordo com Granovetter (1973:1361) de um modo geral constituem-se
em laços multiplexos e essa característica pode, inclusive, indicar a existência de um laço forte.
Entretanto, o autor ressalta, citando Simmel, que alguns laços não multiplexos podem igualmente
denotar força. Além disso, quanto maior o número de laços, maior a densidade da rede, pois
mais conectados estão os indivíduos que fazem parte dela.
2.1. Capital Social
O capital social, de acordo com Putnam (2000:19), “refers to connection among
individuals - social networks and the norms of reciprocity and trustwothiness that arise from
them”. Para o autor o capital social refere-se principalmente às conexões e tem como elementos
a reciprocidade e a confiança.
Bourdieu também estabelece uma definição de capital social:
social capital is the aggregate of the actual and potential resources which are linked to
possession of a durable network of more or less institucionalized relationships of
mutual acquaintance and recognition - in other words, to membership of a group which provides each of the members with the backing of the collectivity-owned
capital(...) (1983:248-249).
Para o autor, o capital socialé relacionado, à um determinado grupo (rede social). O
capital social, para Bourdieu, não se encontra nos indivíduos, mas ao contrário, encontra-se
embutido nas relações sociais das pessoas.
Putnam (2000) e Bourdieu(1983) têm dois conceitos diferenciados. Para Putnam, o
capital é um conjunto de recursos possuído pelo grupo, enquanto para Bourdieu, ele é uma
conseqüência das relações sociais, que é percebida pelos envolvidos in abstracto (e que é, deste
modo, passível de ser transformado por eles em outra forma de capital). O conceito de Bourdieu
é muitas vezes criticado por ter um caráter individualista, a partir do momento que se foca na
capacidade de um indivíduo em contribuir e utilizar os recursos coletivos para seus próprios fins,
através da transformação desse capital em outro (Flora, 1998:282-284). Trata-se de um conceito
de fundo marxista, influenciado pela divisão de classes e pelo capital em si. Já Putnam acredita
que o capital social pode ser possuído tanto pelos indivíduos, quanto pelo grupo já levando em
conta as relações entre o grupo para a produção desses recursos (reciprocidade e confiança).
Bertolini e Bravo (2004) trabalham com o capital social a partir de uma perspectiva de
recursos dos quais dispõe um grupo de indivíduos, representados por aspectos específicos da
estrutura social que os auxiliam a atingir objetivos e interesses. Gyarmati e Kyte (2004:3) têm
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idéia semelhante, e explicam que o capital social constitui-se no conteúdo das relações sociais
em uma rede. É neste sentido que também entendemos este capital: trata-se do conteúdo
embutido nas interações que constituem os laços sociais, que pode ser acumulado, aprofundando
um determinado laço e aumentando o sentimendo de grupo.
O capital social tem, deste modo, dupla faceta: coletivo e individual. Diz respeito ao
indivíduo, a partir do momento que este é que pode alocar esses recursos e utilizá-los. É
coletivo, porque faz parte das relações de um determinado grupo ou rede social e somente existe
com ele. O capital social, portanto, apenas existe enquanto recurso coletivo, mas por ter
capacidade de ser alocado e utilizado individualmente, tem este caráter duplo.
O capital social depende ainda de investimento dos indivíduos. Isso porque “the network
of relationships is the product of investment strategies, individual or collective, consciously or
unconsciously, aimed at establishing or reproducing social relationships that are directly usable
in the short or long term (...)” (Bourdieu, 1983: 249). Como uma relação social, que constitui a
forma de produção do capital existe através de investimento e custo para os envolvidos, o
capital social que transita e que é produzido através dela, também depende desses investimentos
para que possa ser acumulado nos laços sociais (Gyarmati e Kyte, 2004:3). Sem investimento,
os laços sociais tendem a enfraquecer com o tempo, depreciando o capital social de um
determinado grupo. Bourdieu explica que a reprodução do capital social também exige um
esforço de sociabilidade, ou seja, de dispêndio de tempo e energia e de outras formas de capital
de modo indireto (por exemplo, capital econômico), (1983:250). Além disso, o capital social
também depende da capacidade de interação (e interesse) dos indivíduos envolvidos: “individual
connections in a social network can also vary in their ability to accumulate social capital based
on how well the individuals interact” (Gyarmati e Kyte, 2004:2).
Deste modo, o capital social constitui-se em um conjunto de recursos de um
determinado grupo, obtido através da comunhão dos recursos individuais, que pode ser usufruido
por todos os membros do grupo, e que está baseados na reciprocidade. Ele está embutido nas
relações sociais (como explica Bourdieu,1983) e baseia-se no conteúdo delas (Gyarmati e Kyte,
2004; Bertolini e Bravo, 2004). Portanto, para que se estude o capital social dessas redes, é
preciso estudar não apenas suas relações, mas igualmente, o conteúdo que provém delas.
Mas como se apresenta capital social? Bertolini e Bravo (2004:1-5), partem da definição
de Coleman (1988), que explica que o capital social é heterogêneo, e constróem categorias que
constituiriam aspectos nos quais o capital social pode ser encontrado. Essas categorias seriam: a)
relacional - que compreenderia a soma das relações, laçose trocasque conectam os indivíduos de
uma determinada rede; b) normativo - que compreenderia as normas de comportamento de um
determinado grupo e os valores deste grupo; c) cognitivo - que compreenderia a soma do
conhecimento e das informações colocadas em comum por um determinado grupo; d) confiança
no ambiente social - que compreenderia a confiança no comportamento de indivíduos em um
determinado ambiente; e) institucional - que incluiria as instituições formais e informais, que
constituem-se na estruturação geral dos grupos, onde é possível conhecer as “regras” da interação
social, e onde o nível de cooperação e coordenação é bastante alto.
Tais aspectos do capital social seriam divididos entre os aspectos de grupo (que eles
também chamam de segundo nível de capital social), ou seja, aqueles que apenas podem ser
desfrutados pela coletividade, como o a confiança no ambiente social (d) e a presença das
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instituições (e); e os aspectos individuais, como as relações (a), as leis ou normas (b) e o
conhecimento (c), que variam de acordo com os invidíduos (primeiro nível de capital social). A
existência de capital social de primeiro nível é requisito para a constituição do capital de segundo
nível (que representa uma sedimentação do primeiro) (Bertolini e Bravo, 2004:5-10). Deste
modo, um segundo nível de capital demonstra uma maior maturidade da rede social, além de
maior densidade e existência no tempo de seus laços. O capital de segundo nível é
importantíssimo, porque aumenta a qualidade e a produção do de primeiro nível, criando um
círculo de produção constante de recursos pelo grupo.
Flora (1998:483) tem idéia semelhante à essa, pois assume que o capital social é um
resultado direto da estrutura social e baseada em Woolcock (1998), explica que a integração e a
conexão entre o grupo são formas diretas de capital social (que poderiam ser compreendidas a
partir de Bertolini e Bravo, 2004, como capital relacional). Quanto mais conectados, mais
integrados, mais cooperativos são os grupos, e maior é a quantidade de desenvolvimento
adquirido através do capital social. A contribuição de cada indivíduo ao coletivo é um presente
que, no entanto, baseia-se numa relação de reciprocidade.
Uma vez discutido os aspectos e as definições de capital social, passamos agora, à
discussão do capital social gerado pelas redes sociais na Internet, a partir de dois estudos de
caso, em duas ferramentas de comunicação mediada por computador: O Orkut e uma rede de
weblogs. O Orkut, enquanto sistema, vem sendo observado sistematicamente desde fevereiro de
2004, e desde abril, através da comunidade “Pesquisa em Comunicação” e “Eu Odeio SegundaFeira”. A comunidade “Ciberidea” apenas foi acrescentada à pesquisa em julho do mesmo ano. Já
o grupo de blogueiros em questão é acompanhado pela pesquisa desde 2002, com trabalhos
anteriores (Recuero, 2002 e 2003).
2. O Capital Social nas Redes Sociais no Orkut
O Orkut é um software social que alcançou grande popularidade entre os internautas
brasileiros. Apresentado em janeiro de 2004, por Orkut Buyukkokten, e criado enquanto o
mesmo era aluno da Universidade de Stanford e funcionário do Google (Recuero, 2004), o
sistema apenas permite a entrada de quem foi convidado por alguém já cadastrado nele.
Atualmente, existem cerca de 3,7 milhões de pessoas cadastradas. Desse total, uma parcela de
62,13%, pelo menos, são brasileiros. O Orkut funciona basicamente através de perfis e
comunidade. Os perfis são criados pelas pessoas ao se cadastrar, que indicam também quem são
seus amigos. As comunidades são criadas pelos indivíduos e podem agregar grupos, funcionando
como fóruns, com tópicos (nova pasta de assunto) e mensagens (que ficam dentro da pasta do
assunto).
O Orkut é um sistema que proporciona duas formas de interação social mediada por
computador: a interação mútua (Primo, 1998 e 2003), que pode ser observada nos posts das
comunidades (em estilo de fórum), onde cada um pode escrever o que deseja e receber
manifestações em retorno; bem como nos scrapbooks dos perfis (uma espécie de caderno de
notas, onde é possível deixar recados para os amigos e receber deles recados) e testemunhos;
além de mensagens enviadas para uma comunidade ou para alguém em particular (existia
inicialmente a opção de envio para os “amigos dos amigos” que foi desabilitada devido ao grande
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número de spam no sistema). A interação reativa (Primo, 1998 e 2003) pode ser considerada
social quando alguém solicita a outrem que seja seu amigo (pedido de amizade), pedido este que
pode ser aceito ou negado unicamente; nas classificações que podem ser dadas aos amigos (que se
dá sob a forma de concessão de estrelas, corações e gelos no sentido de “classificar” o amigo –
denomina-se karma, no sistema - como legal, sexy, confiável e, até mesmo, declarar-se fã do
amigo em questão); bem como classificar o indivíduo como “amigo”, “conhecido”, “não
conhecido ainda”, “melhor amigo”; e, por fim, no âmbito das comunidades moderadas, quando
alguém solicita a entrada e o moderador aceita ou não. Trata-se de reação porque a ação, embora
com reflexos sociais, constitui-se unicamente em um apertar de botões, sem que a outra parte
possa manifestar-se a este respeito.
Nas comunidades, foco deste artigo, existe interação reativa quando alguém associa-se a
elas (basta clicar em um botão “quero fazer parte desta comunidade” ou, no caso de uma
comunidade não-pública, esse botão envia uma mensagem ao moderador que clica em outro botão
– “aceito ou não você na minha comunidade”) e mútua quando alguém manifesta-se no sistema de
fórum (mensagens e tópicos).
Para fins desse artigo, foram estudadas três comunidades do Orkut, de três tamanhos
diferentes. O objetivo é perceber que tipo de relações e laços sociais podem ser construídos
através do sistema e que tipo de capital social é produzido através das interações nestes espaços.
Deste modo, ao final, será possível traças algumas premissas sobre como essas formas de
interação podem influenciar esse capital e a própria constituição da rede social.
1) Pesquisa em Comunicação
A comunidade “Pesquisa em Comunicação” (2150 membros em 05 de janeiro de 2005) é
uma comunidade pequena em relação às maiores comunidades brasileiras do Orkut. Foi criada em
abril de 2004 pela autora (que é também a moderadora) e trata-se de uma comunidade pública
(qualquer um pode entrar) e não anônima (não são permitidas manifestações em anonimato).
Entretanto, muito pouca interação acontece no seu meio. De sua fundação até dezembro de 2005,
por exemplo, foram enviadas aproximadamente 733 mensagens, divididas entre 201 tópicos, em
uma média de 3,64 mensagens por tópico. Ou seja, se cada membro da comunidade escreveu
apenas uma mensagem durante todo o período de existência da comunidade, teríamos que mais
da metade deles (1417 membros, 65,9%) jamais participou das discussões. Se, entretanto,
levarmos em conta que uma grande parcela dessas 733 mensagens foi feita, muitas vezes, pela
mesma pessoa (apenas para dar um exemplo, o tópico “Esta é uma comunidade?” teve nove
mensagens, duas da mesma pessoa), a participação dos membros na comunidade é ainda menor.
A maior parte dos tópicos da comunidade possui poucas respostas (menos de quatro, como se
depreende pela média geral), a maioria feita por pessoas diferentes. Além disso, tópicos como
“apresentações” em que cada membro deu uma breve descrição de si são os que aumentam a
média, com 131 mensagens. Essa falta de interação resulta em laços sociais fracos entre os
membros, que acaba perdendo o próprio senso de grupo e de comunidade. Um exemplo disso é
que, recentemente, a comunidade sofreu um ataque de um membro do grupo dos chamados
“Semeadores da Discórdia”, onde um indivíduo manifestou-se de maneira agressiva, dizendo que
a pesquisa era uma bobagem.
Pesquisa não serve pra nada 12/17/2004 3:14 PM
Meu nome ta feito seus fudido, não preciso de fazer pesquisinha de merda se eu
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encontro com vcs na rua, encho a cara de cada um!
O comentário passou vários dias sendo ignorado pelos membros da comunidade, até que
dois membros manifestaram-se solicitando o apagamento do mesmo, por sentirem-se agredidos.
Ora, dos mais de dois mil membros da comunidade, apenas dois defenderam a comunidade após
o ataque. O exemplo reforça a falta de sentido de grupo, considerado característico das redes
sociais mais densas, como as comunidades (Weber, 1987; Tönies, 1985; Wellman 1997). Neste
ambiente, o capital social observado nas interações pôde ser classificado em:
a) Informação (cognitivo) – A informação é, eventualmente, colocado em comum. Apesar da
grande maioria dos pedidos de ajuda com trabalhos e pesquisas ser sumariamente ignorada pela
comunidade, tópicos que possibilitam a discussão (como o tópico “esta é uma comunidade? ”,
que até o dia 09 de janeiro tinha onze posts, quase quatro vezes a média geral da comunidade)
tendem a ter mais participação e debate. Entretanto, praticamente todos os tópicos solicitando
ajuda com relação à temas de pesquisa, dicas de bibliografia, ou mesmo informações sobre
pesquisa, não são respondidos pelos membros mais aptos. Alguns, inclusive, enviaram
mensagem ao moderador reclamando da quantidade de pedidos de ajuda, já que o objetivo da
comunidade, alegam, é debater temas de pesquisa e não auxiliar alunos da graduação com suas
dúvidas. Logo, o capital de informação presente na comunidade não é facilmente acessível pelos
membros, pois as pessoas que detêm o conhecimento sobre os assuntos discutidos sentem-se
ressabiadas e irritadas para colocar o que sabem em comum. O tópico abaixo, por exemplo, está
desde o dia 16/12/2004 sem receber resposta.
Ajuda para TCC!!! 12/16/2004 6:18 PM
Vi que só tem feras por aqui, então vou pedir SOCORRO: quero dicas para meu tcc,
que é sobre como a história é tratada pela produções televisivas e filmes Agradeço
muuuuuito as dicas. Beijo a todos!
Entretanto, algumas informações circulam com maior facilidade. Tópicos informando
sobre assuntos pertinentes à comunidade, como o portal de periódicos da CAPES, participação
em congressos e revistas científicas, que não exigem, necessariamente, uma interação, mas que
são colocados em comum gratuitamente acrescem capital de conhecimento a essa comunidade.
b) Possibilidade de relacionar-se com pessoas de mesmos interesses (relacional) - Um
aspecto que parece ser importante é a possibilidade de conhecer mais pessoas com interesses em
comum. O tópico de apresentações dos membros da comunidade é o que tem maior número de
participação dos membros da comunidade (131 posts até o dia 05 de janeiro de 2005). Isso
demonstra que existe um interesse em conhecer e dar-se a conhecer. A possibilidade de associarse à comunidade para conhecer pessoas que tenham interesses de pesquisa semelhante faz com
que esse potencial, que é também um recurso da comunidade, seja importante. Muitos, inclusive,
declaram este interesse nesta apresentação.
A “Pesquisa em Comunicação” é portanto uma comunidade que possui mais laços
associativos (já que a maioria de seus membros não interage dentro da comunidade, resultado em
um reduzido sentido de grupo), mas que, ainda assim, através do sistema, que proporciona uma
conexão sem desgaste entre os membros (uma conexão que, socialmente, não tem custo) consegue
manter algum capital social, embora unicamente de primeiro nível.
2) Ciberidea
A comunidade “Ciberidea” foi fundada em julho de 2004, com o objetivo de tornar-se
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uma comunidade que representasse o grupo de pesquisa de mesmo nome. Trata-se de uma
comunidade moderada (é preciso ser convidado ou autorizado pelo moderador para entrar), que
permite a participação de pessoas de modo anônimo. Tem 131 participantes, todos interessados
ou atuantes na área da pesquisa em comunicação.
Inicialmente, é preciso perceber que se trata de uma comunidade substancialmente menor
que a “Pesquisa em Comunicação” (131 contra mais de dois mil membros). Além disso, a
“Ciberidea” tem um forte fundamento em laços sociais pré-existentes (já que o grupo de pesquisa
que lhe empresta o nome atua e se conhece no espaço concreto, embora isso não aconteça com
todos os seus membros no Orkut), o que não acontece com a “Pesquisa em Comunicação”. É
também uma comunidade moderada (a associação precisa ser autorizada), o que indica que
aqueles que pertencem a ela já possuem algum laço, se não entre si, ao menos com o moderador,
enquanto a “Pesquisa” é livre para quem desejar associar-se. Um outro fator importante é a
destacada atuação do moderador, que sempre responde os tópicos iniciados e manifesta-se de
forma a convidar os demais participantes a responder.
E aí Rico? 7/30/2004 12:14 AM
Desanimou? Fala mais um pouco pra nós como vc está vendo essa questão. Pega
aquilo q tá te interessando e desenvolve um pouco mais. Não precisa ser muito
genérico, pode falar de casos e exemplos q te chamam a atenção.
No exemplo acima, percebe-se a atuação do moderador, que estimula e convida ao diálogo
o autor de um tópico que passou sem comentários por quinze dias. Imediatamente após essa
manifestação, várias pessoas da comunidade começaram a debater o assunto proposto pelo autor
[Rico].
A interação social na “Ciberidea” dá-se de maneira mais ampla. A comunidade tem um
total aproximado de 48 tópicos, com 620 mensagens, ou seja, uma média de 12,91 mensagens por
tópico. Trata-se, evidentemente, de uma participação bem maior do que na “Pesquisa em
Comunicação”. Além disso, a proximidade dos membros (já que muitos se conhecem também
fora da comunidade) é evidente em várias mensagens. A “Ciberidea” tem maior quantidade de
interação social e relações sociais, apontando, como conseqüência, a existência de laços sociais
mais fortes do que na “Pesquisa em Comunicação”. Entretanto, talvez esse aprofundamento dêse nesta comunidade porque seus laços são mais multiplexos (possuem uma quantidade de
relações sociais mais variada, já que os seus membros atuam em vários virtual settlements, já que,
como foi explicado, muitos membros atuam também no grupo de pesquisa). Essa qualificação do
laço social reflete-se também na qualidade do capital social encontrado.
a) Informação (cognitivo) - O acesso à informação se dá de maneira mais fácil na “Ciberidea”. É
possível obter informações de qualidade e debates interessantes. Tópicos que contém debates
sobre aspectos diversos da cibercultura, bem como dicas de artigos e leituras são comuns e têm
grande participação. Ao contrário da “Pesquisa em Comunicação”, tópicos solicitando ajuda são
rapidamente respondidos e discutidos. Além disso, a expressiva maioria dos tópicos trabalha
com discussão, debate e informações e relaciona-se com essa forma de capital social.
b) Possibilidade de relacionar-se com pessoas de mesmos interesses (relacional)- Apesar
de ser uma riqueza óbvia para uma comunidade de pesquisadores, a “Ciberidea” não parece ter
uma concentração muito grande de capital nesse sentido. A maioria das pessoas não se preocupa
em dar-se a conhecer ou mesmo de estabelecer relações sociais com desconhecidos, o que é muito
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mais comum na “Pesquisa em Comunicação”.
A “Ciberidea”, talvez por ser uma comunidade pequena e moderada, o que aumenta a
possibilidade de laços mais fortes entre seus associados, é uma comunidade com uma grande
quantidade de capital social voltado para o conhecimento e a informação. Em comparação com a
“Pesquisa em Comunicação”, tratam-se de recursos mais ricos e mais profundos e, sobretudo,
colocados em comum mais facilmente. Isso pode se dar porque a comunidade não é pública, ou
seja, seus membros são selecionados pelo moderador, ou pela possível pré-existência de laços
relacionais anteriores ao Orkut. Encontram-se, portanto, laços fundamentalmente relacionais,
embora a existência de laços associativos possa ser emergente a partir do grupo no espaço
concret. Outros recursos, como a possibilidade de complexificar as redes individuais também
podem ser utilizados, embora não apareçam com força nas interações. A comunidade mantém,
assim, um capital social principalmente cognitivo de primeiro nível.
3) Eu odeio Segunda-Feira
A comunidade “Eu odeio Segunda-Feira” é uma das maiores comunidades do Orkut. Tem
hoje 95.657 membros, trata-se de uma comunidade pública que permite que seus usuários
manifestem-se de forma anônima. A comunidade foi criada em abril de 2004 e tem 1714 tópicos
abertos com aproximadamente 14.703 mensagens, com uma média de 8,57 mensagens por tópico.
Entretanto, apesar da média alta, não é uma comunidade com grande interação. Essa média
ocorre por causa da ocorrência de tópicos com um grande número de comentários (inclusive
“supertópicos” com mais de 600 mensagens). Esses “supertópicos” são principalmente jogos
com uma certa carga de sedução. São tópicos como “Dê uma nota para a pessoa acima” (263
posts), onde os associados são convidados a avaliar o último comentarista do tópico; “No rosto
ou na boca” (636 posts), tópico que indica onde cada participante deveria ser beijado; ou mesmo
o “Pé na bunda ou mão na bunda” (577 posts), indicando um possível relacionamento ou não
com o último comentarista; ou mesmo o “Jogo Novo” (444 posts) com onde os participantes
devem dizer se “correm, beijam ou levam pra casa” os demais.
BETH !!!! QUE BUNDINHA !!! 11/27/2004 2:42 AM
COM TODA CEEEERTEZA MÃO NA BUNDA, SÓ PARA LEMBRA SE VC
QUISER MUITO MAIS QUE MÃO NA BUNDA !!!
É SÓ VC QUERER !!!
11/29/2004 3:35 PM
Oiiii gatinha apesar de vc ter dois irmãos eu lhe daria um baita beijo na boca e
chamaria seus manos de cunhado. beijuuusssssssss
Os exemplos acima demonstram o quanto a característica da sedução está presente como
motivação da interação dos participantes desses tópicos. Apenas esses quatro tópicos possuem
1920 comentários, ou seja, mais de 10% do total de mensagens da comunidade. Além disso, se
levarmos em conta que cada associado, em todo o tempo de existência da comunidade, tenha
manifestado-se, pelo menos uma única vez, temos, novamente que 15%, apenas, utilizaram a
comunidade como espaço de interação. Tão pouca interação demonstra a predominância de laços
associativos dos indivíduos com o grupo. A grande maioria das pessoas associadas a essa
comunidade não a utiliza como um espaço de interação.
a) Possibilidade de relacionar-se com pessoas de mesmos interesses (relacional) Novamente, o objetivo da comunidade, ou do grupo, parece ser apenas encontrar-se e poder
conhecer-se. O aspecto da sedução é muito importante, pois os jogos que mais atraem a interação
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na comunidade são, justamente, os que permitem aos seus associados se darem a conhecer. Os
jogos trabalham com classificação (“bonito/feio”, “ficaria/não ficaria” e etc.) dos associados,
como uma medida de sua capacidade de sedução ou de arrecadar amigos/interessados. O valor
agregado do grupo é o mesmo de uma festa: quanto mais pessoas, maior a possibilidade de
conhecer pessoas interessantes.
O acesso às informações, no caso da “Odeio Segunda-Feira” é extremamente complicado,
pois basta que cinco pessoas abram novos tópicos para que outro tópico importante saia da lista
sem, sequer, ter sido lido pelos demais associados. (A lista de tópicos que aparece na página
inicial da comunidade tem sempre os últimos cinco tópicos mais comentados.) Logo, a
informação que o grupo detém dificilmente será compartilhada e usufruida pelos membros. Além
do mais, por ser uma comunidade muito grande e com uma grande variedade de tópicos, e
pública, é comum que sofra ataques, como o dos “Multiplicadores”, que acabam silenciando ou
mesmo criando situações de dificuldade de participação dos membros, que precisam procurar
entre várias dezenas de tópicos de “flood” aquele no qual desejam participar. Levando-se em
conta que o sistema do Orkut enfrenta problemas de tráfego, a dificuldade de acompanhar a
interação é ainda aumentada. Além disso, muito daquilo que é produzido na comunidade, muitas
vezes, é boato e, por isso, as informações geram desconfiança e não são aproveitadas pelos
membros da comunidade. Essa desconfiança demonstra a inexistência de laços de confiança
Essa quantidade de novos tópicos com poucas respostas, uma importante contribuição é
fornecida pelo trabalho de Lilia Efimova (2005:3) a respeito da “visibilidade social”em sistemas
de fóruns. Para a autora, as pessoas competem pela atenção dos demais através da abertura de
novos tópicos. Essa competição poderia ser entendida como uma forma de se sobressair e
conquistar confiança e reputação junto aos demais membros, bem como uma possibilidade de
maior número de “amigos”. Essa visibilidade pode ter várias conseqüências, com o o efeito “rich
get richer” (Barabási, 2003), onde apenas aqueles indivíduos que já detêm alguma visibilidade
terão suas mensagens respondidas, enquanto os demais continuarão sendo ignorados pelo grupo.
A competição pela atenção e pelo ganho de “status” (confiança, reputação e atenção da
comunidade), é visível tanto na participação das pessoas quanto na abertura de novos tópicos,
mas acaba prejudicando a interação do grupo como um todo.
A comunidade “Eu odeio Segunda-Feira” com pouca interação social entre os quase cem
mil membros, possui uma prevalência de laços mais associativos, embora laços relacionais
possam ser observados em alguns tópicos. Como a quantidade de novos tópicos é grande, devido
à competição por visibilidade social (há dias em que a comunidade tem mais de 50 novos
tópicos), torna-se difícil que as pessoas consigam acompanhar o que é discutido. Por isso, muito
pouca informação é difundida na comunidade. O capital social encontrado é fundamentalmente
relacional. Não foi observado espírito de grupo ou cooperação coletiva, uma vez que a
comunidade e seus os membros também são atacados publicamente com freqüência, sem
manifestações de suporte ou indignação dos demais.
O capital social constituído pelas comunidades do Orkut é associado a um nível, em geral,
pequeno de interação social, o que se reflete nos laços sociais. Talvez por conseqüência da
facilidade de associação a um grupo (já que trata-se de uma interação reativa), que não implica em
custo (uma vez associado, o laço associativo se mantém sem a necessidade de interação, por
tempo indefinido). Nas comunidades estudadas, o capital social constituído é fundamentalmente
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de primeiro nível, com alguma exceção da comunidade “Ciberidea”, por conta das características
especiais desta. Talvez o caso da “Ciberidea” demonstre que comunidades que surjam como
espelho de comunidades offline ou com moderação possam ter mais sucesso na criação e
sedimentação de capital social através da interação mediada. As demais comunidades, com
espaço de interação apenas no Orkut, não conseguem ampliar o capital e criar e aprofundar os
laços coletivos. Além disso, comunidades menores tendem a ter um capital de informação e
conhecimento de maior qualidade, talvez porque a interação não seja tão caótica devido à
visibilidade social. O grande capital agregado do sistema, entretanto, parece ser, principalmente,
relacional, presente na possibilidade de conhecer pessoas e estabelecer novas relações.
2.2. O Capital Social em Redes de Weblogs
As redes de weblogs (Recuero, 2002 e 2003) são compostas por blogueiros (e seus blogs,
que funcionam como espaço de interação) que lêem-se uns aos outros e que interagem com
alguma freqüência. Trata-se de uma rede social constituída através desses blogs, que atuam como
uma representação do blogueiro, que interage através dele com outras pessoas.
Weblogs, de um modo geral, possuem ferramentas de troca muito populares: (a)
ferramentas de comentários, que permitem que os leitores possam manifestar-se a respeito do
que é discutido no blog; (b) blogrolls, que são as listas de blogs “recomendados” pelo blogueiro e
(c) trackbacks, que são ferramentas que permitem que um post de algum blog que está sendo
discutido em outro blog possa ser referenciado pelos dois. A única ferramenta que proporciona
interação mútua (Primo, 1998 e 2003) são os comentários (Primo e Recuero, 2003), que
permitem que qualquer um escreva o que quiser. Marlow (2004:3) considera essas ferramentas
importantes através de um processo de leitura, escrita e referência e destaca a importância dos
links neste contexto. Para ele, todo o processo social nas redes de blogs baseia-se nas trocas de
hiperlinks. No entanto, o autor considera todos os links presentes em um blog como evidências
de um laço social, o que nem sempre acontece (Primo e Recuero, 2003). Os links podem sim
indicar a existência de relações e interações sociais, mas precisam ser analisados no tempo para
que se verifique se são meras referências ou se realmente produto de trocas comunicativas.
Para efeitos deste trabalho, utilizamo o grupo Blogueiros_Pel, que já foi analisado
anteriormente a respeito dos seus aspectos como grupo. O grupo, constituído de cerca de 35
blogs, existe há mais ou menos dois anos. Mas no que as interações sociais, em uma rede de
blogs, diferenciam-se das de uma comunidade no Orkut?
A primeira diferença que se percebe é que uma rede de weblogs é constituída basicamente
de interações sociais. Ao contrário do Orkut, não existe um sistema formal que mantenha a
comunidade mesmo quando os indivíduos não interagem nela. Portanto, os laços aqui são
eminentemente relacionais, uma vez que dependem da interação social e do investimento na
mesma. É necessário investir tempo e forças para interagir em uma ferramenta de comentários, e
é preciso retornar para ver o que foi discutido em cima de uma opinião. Este debate com outros
blogueiros e com o próprio dono do blog gera laços sociais, que freqüentemente são traduzidos
pela inclusão do blog do interagente no blogroll do blogueiro (como Marlow, 2004, indicou em
seu trabalho). Como conseqüência, os laços em blogs são mais fortes e costumam ser mais ricos
em capital social.
a) Suporte Social (relacional e de confiança no ambiente social) – A primeira forma de
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capital social verificada nos blogs é o suporte. Ao contrário do Orkut, onde pedidos de ajuda, nas
comunidades estudadas são sumariamente ignorados pelos demais, nos blogs o suporte do grupo
aos membros acontece com freqüência, como podemos ver no exemplo abaixo:
(...) Será que eu sou tão ruim assim que ninguém quer me empregar? Tá certo que eu
não tenho experiência profissional... Só de estágio e olhe lá. Mas se ninguém me der
uma chancezinha que for, não vou ter experiência nunca na vida. Droga mesmo. Às
vezes essa situação explode na minha cabeça e eu fico chateadíssima. (...).
O post acima é do blog Actea, a Fada de Botas. Relata um problema comum, a busca de
um emprego. A dificuldade da autora é imediatamente solidarizada pelos leitores do blog e
membros da rede:
é assim de início, dani. mas acho que, mais que currículo, á que se ter persistência e
cara de pau. e bancar a chata. largar o currículo e insistir, mas insistir mesmo. as vezes,
mais do que o currículo, os empregadores valorizam o interesse que o candidato
demonstra na vaga. não deixa os animos baixarem.
nisia || Dec 06 2004, 09:24 am
É um saco mesmo ter que ficar pedindo dinheiro pro pai e pra mãe, mas um dia isso
acaba. Espero que 2005 seja um ano bom pra todo mundo. Abraços e boa sorte! :P
GuiRC || [www] Dec 04 2004, 02:15 pm
Tem que meter a cara, ninguem vai vir oferecer emprego, tem que mandar o curriculo
pra deus e o mundo. quem for esperto vai perceber que tens muito talento, mana. go
girl!
Renata || [@] [www] Dec 03 2004, 11:42 pm
Quanto mais fortes os laços, maior o suporte dos membros da comunidade a alguém que
passa por dificuldades. Esse suporte, aqui visto sob a forma de mensagens de apoio, pode
acontecer também de outras formas. O grupo já registrou ataques de stalkers e a posterior
organização de todos para descobrir quem era e revidar os ataques a um membro. Além disso, o
suporte é dado, muitas vezes, sem que exista um pedido mais evidente.
fiz uma promessa de ano novo: não vou mais assistir filme de terror... pelo menos não
à noite....
A mensagem acima relata uma observação da blogueira, sam, que é respondida pelos
demais membros, com um comentário final da dona do blog:
eu sou igual! eu sou igual! eu fico com medo de levantar do sofá depois de ver filme
de terror. tenho pânico!!! uma vez eu assisti um filme (não lembro bem qual) e depois
fui na cozinha. quando apaguei a luz pra voltar pra sala, eu tive a nítida sensação de que
estava sendo perseguida por "alguma coisa"!! que medo!!!
By Ana Paula, at 2:26 PM
os personagens malditos de o grito me atormentam toda hora que eu deito para dormir.
no noite que vi o filme, tive que dormir vendo popeye.
By pirs, at 7:23 PM
LEGAL nao sou a única \o/ a gente devia se reunir um dia e passar a madrugada vendo
filmes de terror! e depois desenhos animados! \o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/
By sam, at 8:03 PM
A existência de pedidos de suporte indica também uma expectativa de comportamento
dos outros membros do grupo. Esse pedido só é colocado porque o blogueiro tem a confiança de
que será compreendido e que os demais membros agirão de uma determinada maneira. Neste
sentido, representa a constituição de capital social já de segundo nível (confiança no ambiente
social), de acordo com a classificação de Bertolini e Bravo (2004).
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b) Informação (cognitivo) – Apesar da informação disponibilizado nos blogs ter um rápido
espraiamento, já que as relações de confiança são maiores, é possível obtê-las também de forma
altamente especializada. Como os blogueiros do grupo em questão possuem as mais diversas
especialidades e interesses, é possível encontrar soluções para dúvidas e problemas mais
comuns. Um exemplo são os “blogs de pesquisa” surgidos entre os membros do grupo que
começaram mestrados e doutorados ou mesmo outros trabalhos de pesquisa. Com os blogs, esses
membros começaram a partilhar com a comunidade seus estudos e trabalhos. Além disso, outras
informações são disponibilizadas. Um post do blog “dot.dot.dot”, por exemplo, fez uma análise
do lançamento de dois novos browsers, o Firefox 1.0 e o Ópera. Colocando pontos positivos e
negativos, o blogueiro testou e informou o que pensava dos dois softwares. Nos comentários do
mesmo post, é possível observar uma discussão sobre as facilidades dos programas com outro
blogueiro, demonstrando o fluxo de conhecimento.
c) Empenho para solucionar os problemas do grupo (institucional) – Um outro aspecto
interessante do capital social da comunidade é o empenho dos membros em construir soluções
para as dificuldades da comunidade. Um dos problemas comuns, por exemplo, era a dificuldade
de conseguir utilizar os serviços de SMS (envio de mensagens pelo celular). Um dos membros da
comunidade construi um software, chamado Agenda SMS, que foi depois melhorado pelo O
blogueiro Teivan, dono do blog “JSMS”, que fez ampliou o sistema de modo a possibilitar às
pessoas enviarem mensagens para várias operadoras de celular de modo gratuito, que foi
disponibilizado aos usuários interessados. O sistema difundiu-se rapidamente e foi melhorado
pela atuação dos membros da comunidade que relatavam os problemas e solicitavam correções.
Trata-se de um capital institucional porque depende da pré-existência de laços de
confiança e reciprocidade, partindo de um capital relacional muito forte. É, evidentemente,
capital social de segundo nível, demonstrando maturidade e alto nível de capital social no grupo.
d) Institucionalização das relações (institucional) – Através do fortalecimento dos laços
sociais dos blogueiros como um grupo e do fortalecimento dos laços sociais, existe a
possibilidade de construção de estruturas sociais mais complexas, como as comunidades virtuais
(Recuero, 2002 e 2003). Essas instituições, de acordo com Bertolini e Bravo (2004, online),
aumentam o nível de confiança entre os membros da instituição e as redes sociais dos blogs, de
forma a ampliar a ação coletiva, além de ampliar a cooperação entre todos.
e) Possibilidade de relacionar-se com pessoas de mesmos interesses (relacional) – É
inegável, em um blog, a possibilidade de conhecer novas pessoas (novos blogueiros) e ampliar o
rol de relações através de comentários e leituras de outros blogs, além de interação com seus
autores. É, certamente, o capital mais evidente nas redes sociais na Internet.
Percebe-se, na rede estudada, portanto, sinais de interação social mais freqüente, o que
demonstra a nítida existência de laços relacionais de forma prioritária. Além disso, a rede
estudada demonstra pluralidade e riqueza de capital social, bem como acúmulo e sedimentação
(através da presença de capital social de segundo nível). Os laços sociais também demonstram
mais força, bem como uma coerência no tempo, gerados, principalmente, através de interação
mútua, através dos sistemas de comentários dos blogs. Também percebe-se um maior custo para
manter e criar essas relações, já que o blogueiro precisa investir sempre na sua rede social, para
que continue tendo acesso ao capital do grupo. Um outro fator importante é que um blog, ao
contrário de um perfil no Orkut, é dinâmico e necesita de constante investimento de seu dono
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também na sua manutenção. Talvez por isso tenha maior interação.
3. Capital Social e Interação nas Redes Sociais na Internet
A partir do que foi estudado nos casos acima, percebe-se que o capital social constituído
no caso do Orkut estaria basicamente nas categorias de “relacional” e “cognitivo” (com a exceção
já explicada de alguns aspectos da comunidade “Ciberidea”), de acordo com a classificação de
Bertolini e Bravo (2004, online), enquanto o do grupo de blogs estudado estaria, compreenderia,
além dessas categorias a “confiança no ambiente” (referente à possibilidade de solicitar suporte
emocional e na confiança do mesmo por parte dos demais) e “institucional”(no
comprometimento com o grupo e do surgimento de comunidade). Portanto, já se pode perceber
alguma diferença na composição do capital social dos grupos estudados. A que se deve tal isso?
Inicialmente é importante perceber as diferenças com relação às possibilidades de
interação social nos sistemas estudados. Enquanto o sistema do Orkut proporciona várias
formas de interação social reativa, ele permite que as redes sejam formadas sem dispêndio de
energia para a manutenção dos laços. Uma vez criada a rede, ela se manterá no tempo,
independentemente da existência de interação entre os agentes, porque o sistema mantém essa
estrutura. Trata-se, portanto, de uma conexão que não perde força com o tempo, o que, em se
tratando de relações sociais, demonstra uma certa artificialidade nas estruturas sociais
apresentadas. Além disso, no Orkut, como não é necessária a interação na comunidade, muitos
dos laços que conectam os indivíduos às elas são meramente associativos (Breiger, 1974), sem
que esses indivíduos interajam e, portanto, tenham laços relacionais com os demais. Como
conseqüência, há poucos laços relacionais, a maioria, fracos (Granovetter, 1983; Wortley e
Wellman, 1990). Com pouca interação e laços fracos, há pouco capital social sendo gerado.
Bourdieu explica que o capital social só pode ser compreendido como “being based on
indissolubly material and simbolic exchanges” (Granovetter, 1983:249) e sem trocas, ele se
torna fluído. Apesar do sistema do Orkut proporcionar, por exemplo, interação mútua no fórum,
grande parte da interação, nas comunidades de médio e grande porte (como os casos
demonstram) pode ser perdida devido à própria dinâmica da visibilidade social, impedindo que a
discussão seja acompanhada e não gerando resposta. Na rede de blogs, entretanto, os laços são
mais fortes e constituem-se principalmente em relacionais. Talvez porque o blogueiro já tenha
seu próprio espaço de visibilidade e a interação aconteça de modo descentralizado (não em um
único virtual settlement, mas em vários – em todos os blogs das pessoas que participam da rede),
a interação seja mais rica e mais social, proporcionando laços mais fortes, relacionais, multiplexos
e com mais variedade de capital social acumulado. Quanto mais a parte coletiva do capital social
estiver fortalecida, maior a apropriação individual deste capital.
O capital social encontrado nessas redes também demonstrou uma forte conexão com o
custo de manutenção dos laços sociais. Nos blogs, onde os laços são espontâneos (no sentido de
que não são mantidos pelo sistema, como no Orkut), há mais custo para que eles sejam
mantidos. É preciso interagir e interagir várias vezes no tempo. O capital social resultante dessas
relações é mais amplo e sedimentado. No Orkut, as conexões são mantidas sem custo para os
indivíduos, gerando falta de interesse na participação e baixo capital social. Além disso, o capital
é volátil, já que pode ser facilmente retirado (apagado) do grupo ou mesmo influenciado pelos
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grupos que buscam desestabilizar o sistema e os boatos que confundem os usuários. Nota-se,
pois, uma maior confiança relacionada a uma maior profundidade no laço social e a esta
confiança, uma maior capacidade de gerar capital. Essas conclusões vão ao encontro dos
trabalhos de Gyarmati e Kyte (2004:2-10), que explicam, baseados no modelo de formação de
Johnson (2003), que o capital social somente pode ser acumulado a partir das conexões ativas
(ou seja, aquelas nas quais se investe), enquanto as conexões que não recebem esse investimento
implicam em depreciação do capital.
O capital social, nas redes do Orkut estudadas, tem também características de primeiro
nível, de acordo com a classificação de Bertolini e Bravo (2004), vinculado basicamente ao
contato social (Quan-Hasse e Wellman, 2002) (capital relacional) e ao conhecimento e
informação (cogntivo). O capital de primeiro nível, no entender dos autores é central no
desenvolvimento do capital social de segundo nível, que demonstra uma maior sedimentação das
relações sociais. Já nos blogs estudados, encontra-se presente o capital social de segundo nível,
que é relacionado com o aspecto coletivo e de grupo. De acordo com Bertolini e Bravo (2004:5),
ele possibilita “higher levels of coodination and cooperation”. Enquanto o capital social de
primeiro nível estimula o crescimento do capital social de segundo nível, este aumenta o senso de
grupo. Apesar do capital social de primeiro nível (conhecimento e informação, relações sociais,
suporte) ser comum nos quatro exemplos analisados, as redes sociais no Orkut mostraram-se
incapazes de sedimentar essas relações de forma a criar um capital social de segundo nível. Neste
sentido, a prevalência dos laços associativos no Orkut demonstra sua principal fraqueza. Tratase de uma rede social artificial, já que a manutenção e a criação das conexões entre as pessoas e
das pessoas com os grupos dá-se através de uma mera interação reativa (Primo,1998 e 2003)
onde, uma vez conectado, o indivíduo não precisa mais dispendar energia para manter a conexão
com a rede.
Esse fato poderia levar a um questionamento da capacidade do Orkut em gerar
comunidades virtuais, já que esses agrupamentos, por manter um alto nível de cooperação e
coesão, possuem igualmente muito capital social tanto de primeiro, quanto de segundo nível.
Apesar de funcionar bastante bem para o estabelecimento de relações sociais, essas parecem não
conseguir evoluir nas comunidades estudadas, talvez por conta de sua própria dinâmica, talvez
porque sejam transferidas para outros sistemas de interação (como e-mail, ICQ, AIM, MSN,
blogs e fotologs, por exemplo) que permitam isso. O capital social é também, deste modo,
associado à densidade de uma determinada rede. Quando mais densa, maior a quantidade de
capital gerado pelas relações.
Para Wellman (1997:180) é justamente na força dos laços sociais que reside a diferença
entre um grupo e uma rede social. Quanto mais conectada e mais fortes forem os laços dentro de
uma rede, maios a possibilidade de se encontrar um. Esses grupos são partes de redes sociais,
que apresentam um padrão diferenciado, devido, em grande parte, à maneira através da qual “the
characteristics of computer supported social networks affect the behavior of people using them
and the social systems in which these networks are embedded”.
Essa discussão é importante porque muitos estudiosos (vide Castells, 2003; Lévy, 1999,
Rheingold, 1994) consideram a comunicação mediada por computador como uma forma de
conexão entre as pessoas e aumento do senso de comunidade, através do surgimento de
comunidades virtuais. Embora isso possa acontecer, o exemplo do Orkut leva-nos a inferir que
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possivelmente o surgimento de comunidades dependa, diretamente, da forma através da qual as
pessoas utilizam as ferramentas (se de forma relacional ou não), e não apenas de forma
individual, mas igualmente, da apropriação coletiva da tecnologia. A mera existência de um
espaço coletivo, ou de uma rede social artificial (pessoas conectadas por um sistema que as
mantêm juntas) não garante a existência de laços fortes e, muito menos, a criação de capital social
e a sedimentação desse capital entre os envolvidos. Além disso, como explicam Quan-Haase e
Wellman (2002, online), o capital social é emergente, ou seja, seu surgimento depende apenas
da ação coletiva, não podendo ser determinado externamente pelo sistema ou pelos
administradores deste.
4. Conclusões
O presente trabalho buscou determinar que tipo de capital social era produzido nas redes
sociais de dois sistemas de interação mediada por computador: O Orkut e os Weblogs. Definindo
o capital social como o conjunto de recursos resultante do conteúdo das trocas sociais na rede,
que possui aspectos coletivo e individual de modo simultâneo, ele também é diretamente
relacionado à capacidade de interação social de um grupo e de seus laços sociais. Assim, é
possível dizer que, nos casos estudados, o sistema de interação mediada por computador
proporcionado pelos softwares influencia diretamente no surgimento do capital social desses. No
Orkut, há laços associativos (Breiger, 1974), tanto entre os indivíduos quanto entre os indivíduos
e as comunidades, criados através de interação reativa (Primo, 1998 e 2003). Esses laços são
mantidos pelo sistema sem custo para os envolvidos que não precisam interagir socialmente se
não desejarem. Como conseqüência, o capital social das redes torna-se, justamente, a
possibilidade de fazer parte dessas redes, mais do que informação (que também estão presentes,
como demonstra a comunidade “Ciberidea”, mas de maneira mais difusa e, possivelmente,
ancorado em outros virtual settlements – outros espaços de interação- que proporcionam um
aprofundamento dos laços). Na rede de blogs há laços relacionais (Breiger, 1974), que necessitam
de manutenção e investimento. O sistema aqui, não mantém os laços artificialmente. Como
resultado, é possível encontrar capital social já sedimentado (de segundo nível) (Bertolini e
Bravo, 2004), através de instituições e grupos fortes e mais densos do que os estudados no
Orkut, além de maior variedade e qualidade.
Essas diferenças podem ter influência no surgimento de comunidades virtuais (QuanHaase e Wellman, 2002, online; Wellman e Wortley, 1990), prejudicando diretamente a dinâmica
de evolução da rede social, tanto nos seus aspectos de crescimento, quando na sua dinâmica de
formação. Ora, tomando o capital social como um indicativo da densidade da rede (e, por
conseqüência, da existência de grupos e comunidade – Wellman, 1997, Bertolini e Bravo, 2004),
o sistema do Orkut pareceria ser incapaz de sedimentar laços sociais, de forma a acumular,
igualmente, capital social, e torná-lo institucionalizado.
Por fim, gostaríamos de salientar que os apontamentos levantados neste estudo são
resultado de três casos específicos, e, portanto, são conclusões limitadas, que não podem ser
generalizadas de modo total, sob pena da perda da variedade e da riqueza da sociabilidade no
ciberespaço. Outros estudos, que abranjam grupos maiores ou menores de forma mais específica
podem auxiliar a dirimir as questões levantadas neste trabalho.
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Agradecimentos: A autora gostaria de agradecer a Alex Primo, Érico Assis e Ricardo Araújo pelas
leituras, observações, debates e contribuições no sentido aperfeiçoar, aclarar e melhorar as idéias
contidas neste trabalho.
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Um estudo do Capital Social gerado a partir de Redes