A CONDUÇÃO DE GRUPOS DE DISCUSSÃO FOCALIZADA (“FOCUS GROUP”)
O que é um grupo de discussão focalizada (“focus group”)?
Um grupo de discussão focalizada é um grupo, geralmente com um número mínimo de seis ou sete participantes, e um número máximo entre oito e quinze participantes, conforme o tema focalizado, que se
reúne para uma discussão aberta sobre um tema/problema.
Esta ferramenta fornece uma pesquisa qualitativa subjectiva, não estatisticamente válida, sobre as percepções, crenças ou atitudes da maioria de uma comunidade educativa, sobre um tema/problema.
Comparados com outras técnicas de inquirição, os grupos de discussão focalizada: visam a compreensão
da problemática, enquanto os outros métodos procuram encontrar as suas regularidades; permitem ter
uma visão mais social do que individual; o produto é mais homogéneo do que diversificado e o processo
é mais flexível do que padronizado e assenta nas palavras integrantes dos discursos e não nos números.
Porquê grupos de discussão focalizada?
Nestes grupos, um facilitador objectivo pode encorajar os participantes a discutir livremente os seus
sentimentos e preocupações sobre a sua escola e os seus planos para uma escola de melhor qualidade.
Existem várias vantagens para a realização de grupos de discussão focalizada (“focus group”):
1. Os participantes vão partir para a interacção com mais informações sobre a sua escola;
2. O facilitador do grupo e os participantes vão ganhar uma compreensão mais profunda da
forma como eles percepcionam a escola e os seus planos para o futuro, e
3. O facilitador e/ou porta-voz do grupo pode usar a experiência desses pequenos grupos de discussão para se preparar para a dinâmica de um grupo maior.
A realização de uma série de 3 a 5 grupos de discussão focalizada (“focus group”) irá assegurar a audição
de um amplo espectro da comunidade educativa. Cada grupo de discussão deve ser o mais homogéneo
possível, por exemplo, o grupo só deve incluir professores ou só pais, e não uma mistura de actores.
Os grupos de discussão não devem durar, em média, mais do que uma hora e meia a duas horas.
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Fases para a realização de grupos de discussão
1. Elaborar uma questão-chave para cada grupo de discussão
Ter um propósito específico em mente irá ajudar a:
- Reunir as informações mais relevantes;
- Identificar melhor os participantes a convidar para as discussões
- Elaborar um guião de discussão adequado.
Um exemplo do conteúdo de uma questão-chave pode ser:
Realizar um grupo de discussão "Para melhor compreender as atitudes dos pais e dos membros da
comunidade educativa, face ao estado actual da nossa escola e explorar as estratégias possíveis, para
incentivar maiores níveis de participação na escola. "
2. Determinar os melhores participantes para a discussão
Para isso é necessário responder às seguintes questões:
- Quem tem os laços mais fortes com a escola?
- Quem são os apoiantes e os opositores do tema específico a discutir?
- Quem são os “líderes de opinião” ou aqueles que mais influenciam os outros?
Como sugestão de grupos de actores para integrar os grupos de discussão, indicam-se:
- Professores
- Gestores de topo e intermédios
- Pais e encarregados de educação
- Pessoal não docente (administrativos, assistentes operacionais, psicólogos, etc.)
- Membros influentes da comunidade educativa, externos à escola
3. Escolha dos participantes
Elaborar uma lista de potenciais participantes e convidar pelo menos o dobro do número de pessoas
que se pretende ter em cada grupo de discussão (por exemplo, convidar 12 a 16 pessoas, para garantir
seis a oito participantes, principalmente no caso daqueles actores que não têm uma vinculação administrativa com a escola).
Enviar uma circular-convite (ou carta-convite) onde se descreve a razão pela qual a escola está a realizar
esse grupo de discussão e os efeitos esperados com a sua realização, com a data / hora / local da sua
realização, e uma forma expedita para a confirmação da presença ou da ausência (e-mail, telefone,
telemóvel, etc.).
4. Escolha do local e do horário para o grupo de discussão
O local mais adequado será na escola, numa sala com dimensão suficiente para caberem confortavelmente todos os participantes e uma iluminação e climatização adequadas.
O horário deve ser conveniente para que, as pessoas externas à escola, possam vir sem ter que sair do
trabalho mais cedo ou chegar a casa muito tarde.
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5. Seleccionar o facilitador e um auxiliar
O facilitador deve:
- Assegurar que todas as intervenções e materiais apresentados estão no contexto da discussão;
- Pedir aos participantes feedback e informações pertinentes sobre o que se está a debater;
- Incentivar os membros do grupo menos interventivos para entrarem na discussão;
- Manter o grupo centrado na tarefa e tratar de todas as questões, sem exceder o tempo previsto
- Ser percepcionado pelos participantes como objectivo, bem como fazer com que os participantes se sintam à vontade na partilha das suas opiniões.
Uma segunda pessoa deve secretariar a reunião, anotando ou gravando os comentários do grupo, desde
que combinado com o assentimento de todos, no caso da gravação.
6. Elaborar um guia de discussão
O guia deverá:
- Servir de “roteiro” para o facilitador. Deve conter perguntas gerais de introdução, fáceis de responder, para colocar as pessoas à vontade. Depois, a discussão deve orientar-se em direcções mais
específicas, com questões de aprofundamento e, finalmente, o encerramento do debate com uma
súmula do mesmo.
- Orientar o facilitador para a seguir a questões gerais fazer perguntas específicas. Por exemplo,
após a pergunta “De que gosta mais do edifício da escola?” poderia perguntar: "Se pudesse construir
uma nova escola de raiz, o que faria para ter certeza de que é a melhor possível? "
- Orientar o facilitador para fazer perguntas de comprovação ou demonstração de evidências. Por
exemplo, se alguém responde que a escola actual é boa, o moderador pode perguntar: "Quando diz que
a escola é boa, especificamente, em que aspectos concretos está a pensar para dizer que é boa? "
O guia não deve ser um documento rígido. O facilitador deve estar preparado para seguir o seu instinto
e colocar questões adicionais ou pedidos de "comprovação", conforme o desenrolar da discussão.
7. Preparar materiais para usar durante a discussão
O facilitador, sempre que adequado e necessário, pode aproveitar a oportunidade de introduzir e partilhar dados disponíveis relacionados com outros contextos escolares, que tenham, por exemplo, maiores
taxas de procura e de conclusão de estudos, ambientes mais seguros, etc. Isto pode ser feito por uma
informação oral ou através de um curto documento com esses dados ou pela apresentação da cópia de
um artigo de informação recolhido dos media.
No entanto o facilitador não deve apresentar esses dados de forma a parecer que eles reflectem a sua
opinião. Em vez disso, eles devem ser apresentados como exemplos do que acontece noutras situações
e contextos.
Esses dados poderão levar os participantes a responder de forma mais impessoal, e por isso vão ser
mais honesto nas suas críticas do que seriam se simplesmente os considerarem como uma ideia ou
mensagem do facilitador.
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8. Tarefas do facilitador
O facilitador deve lembrar-se que os participantes dispuseram voluntariamente do seu tempo para
colaborar, pelo que deve:
- Fazer todos os esforços para se sintam bem;
- Cumprir o horário (início e fim)
- Agradecer pela colaboração.
Outros aspectos a levar em contar:
- Assinalar sempre de forma clara qual o participante a quem dá a palavra;
- Trazer identificadores com o nome para ajudar os participantes e o facilitador na discussão;
- Levar papel e canetas para os participantes usarem caso não tenham o seu próprio material;
- Ter água e copos, conforme as circunstâncias;
- Ter casas de banho próximas e informar no início da sua localização;
- Agradecer por escrito aos participantes externos, logo após os trabalhos.
Análise dos dados obtidos na discussão
Embora de forma não quantificável, os grupos de foco podem ser muito esclarecedores. Para se ter uma
ideia dos seus resultados, em primeiro lugar deve-se resumir e ordenar o que foi dito.
Em seguida, identificar as partes sobre o tema geral e/ou os diversos segmentos da discussão.
Destacar as principais conclusões e anotar os pontos positivos ou negativos.
Se foram partilhados dados e documentos, determinar como os participantes percepcionaram as mensagens, de forma a melhorar futuras comunicações com base no que ouviu.
Em geral, os trabalhos destes grupos darão uma compreensão mais clara da forma como cada grupo de
actores educativos percepciona o objecto do grupo de discussão focalizado. Este entendimento vai ajudar a planear os trabalhos futuros.
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