CADERNO 4
ADMINISTRAÇÃO, ARQUITETURA E URBANISMO.
•
P R O V AS :
LÍNGUA
PORTUGUESA
E
LITERATUR A
P O R T U G U E S A, P R O D U Ç ÃO D E T E X T O ,
H I S T Ó R I A e L Í N G U A E S T R AN G E I R A
EM
LÍNGUA
M AT E M ÁT I C A,
1.
ESTE CADERNO DE PROVAS CONTÉM 40 (QUARENTA) QUESTÕES DE
MÚLTIPLA ESCOLHA, UMA PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE TEXTO E 21
PÁGINAS NUMERADAS.
2.
COM RELAÇÃO À PROVA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA, RESOLVA AS QUESTÕES
REFERENTES À LÍNGUA DE SUA OPÇÃO.
3.
NÃO PERCA TEMPO EM QUESTÕES CUJA RESPOSTA LHE PAREÇA DIFÍCIL.
VOLTE A ELAS SE LHE SOBRAR TEMPO.
4.
A PROVA TERÁ 04 (QUATRO) HORAS DE DURAÇÃO, INCLUINDO O TEMPO
DESTINADO À TRANSCRIÇÃO DE SUAS RESPOSTAS.
5.
ESTE CADERNO DEVERÁ SER DEVOLVIDO AO FISCAL, JUNTAMENTE COM A
FOLHA DE RESPOSTA DO COMPUTADOR.
6.
VOCÊ PODE TRANSCREVER SUAS RESPOSTAS NA ÚLTIMA FOLHA DESTE
CADERNO E A MESMA PODERÁ SER DESTACADA.
2
Prezado(a) candidato(a):
Assine e coloque seu número de inscrição no quadro abaixo. Preencha, com traços firmes, o espaço
reservado a cada opção na folha de resposta.
Nº de Inscrição
Nome
PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA EM LÍNGUA PORTUGUESA
PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 3, LEIA O QUE SE SEGUE.
[...] Por duas ou três vezes fingira falhar, isso fazia parte de seu número; e seria, talvez, o que o aniquilara;
falseara um movimento qualquer e, ao procurar retificá-lo, era tarde demais [...]
No entanto, como prosseguir, se tivesse de narrar sua história? Como falar, sem parecer covarde, na
incomum excitação que se apoderara dele, nas entranhas amarras que o haviam tolhido quando iniciara os
exercícios na manhã seguinte? Como determinar a natureza daquela ameaça invisível, que parecia envolvê-lo?
Seria igualmente difícil relatar o que lhe sucedera, quando confessara a Aline a impossibilidade de participar
naquela manhã e ela o indagara, quase com alegria:
— Você também está com medo?
Sem dar resposta, voltara colérico ao circo, fizera as acrobacias de costume [...]
(Osman Lins, Os gestos, 1994, p.65)
QUESTÃO 1
As considerações sobre o trecho acima estão corretas, EXCETO:
a)
b)
c)
d)
Reproduz-se um diálogo entre duas pessoas.
Identifica-se nesse trecho apenas um exemplo de discurso direto.
Um dos traços característicos dessa narrativa é predominância do discurso indireto.
O uso de perguntas, no curso da narrativa, reflete um diálogo interno do narrador personagem consigo
mesmo.
QUESTÃO 2
Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE os verbos que, no trecho em exame, fazem referência à
ação da fala.
a)
b)
c)
d)
Narrar, confessar, prosseguir, indagar
Relatar, indagar, suceder, falar
Narrar, confessar, retificar, relatar
Relatar,confessar, indagar, narrar
3
QUESTÃO 3
Leia os enunciados retirados do trecho em estudo:
I. Como falar, sem parecer covarde [...]
II. Seria igualmente difícil relatar o que lhe sucedera [...]
III. [...] quando confessara a Aline a impossibilidade de participar naquela manhã e ela o indagara, quase com
alegria [..]
IV. Como determinar a natureza daquela ameaça invisível, que parecia envolvê-lo?
Fica clara a posição do narrador personagem em relação ao seu modo de narrar em:
a)
b)
c)
d)
I e II, apenas.
I, III e IV, apenas.
II, III e IV, apenas.
I, II, III, IV.
PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 4 E 5, LEIA O TRECHO ABAIXO, RETIRADO DE UMA REPORTAGEM
PUBLICADA NA VEJA ON LINE, EM 08 DE ABRIL DE 1998 – NÚMERO 1541.
Os mafiosos são conhecidos por andar armados e pelas barulhentas bebedeiras no cassino de Puerto Iguazú —
só as autoridades paraguaias insistem em negar a existência da organização. "Aqui há criminosos como em toda
parte", ameniza Carlos Barreto Sarubbi, governador do Departamento de Alto Paraná. A polícia paraguaia tem a
mesmíssima visão rósea do lugar. "O maior problema é o trânsito caótico em Ciudad del Este", desconversa o
chefe de polícia, comissário Abrahán Acuña Lugo. Um fato que explica os problemas da tríplice fronteira é a
debilidade do sistema policial em ambos os lados da Ponte da Amizade. A Polícia Nacional destacou um
contingente de 150 homens para patrulhar o tumultuado centro de Ciudad del Este. Os dez maiores shopping
centers da cidade dispõem de uma milícia de vigilantes cinco vezes maior e mais bem armada, com
metralhadoras, escopetas e pistolas automáticas.
FRONTEIRA SEM LEI
A divisa com o Paraguai é a dor de cabeça do Mercosul
http://veja.abril.com.br/080498/p_044.html
QUESTÃO 4
Todas as considerações sobre o trecho estão corretas, EXCETO:
a)
b)
c)
d)
O uso das aspas enfatiza a reprodução literal da fala de outrem.
O uso das aspas expressa um distanciamento de quem traz o discurso de outrem para o interior de seu texto.
A construção verbal insistem em negar poderia ser substituída por insistem em não aceitar, sem
comprometer o efeito de sentido pretendido pelo jornalista.
Ameniza e desconversa são verbos que fazem referência à fala.
QUESTÃO 5
Sobre o emprego das formas verbais insistem em negar, ameniza e desconversa, considere as seguintes
observações:
I.
As formas verbais insistem, ameniza e desconversa estão no presente do indicativo, mas reportam a um
tempo anterior ao tempo do fato narrado.
II. São formas verbais que expressam, da parte do jornalista, uma avaliação da fala das autoridades paraguaias.
III. As formais verbais refletem uma ausência de avaliação das autoridades paraguaias em relação ao fato
narrado.
A alternativa está CORRETA em:
a)
b)
c)
d)
I, apenas.
I e II.
II e III.
I e III.
4
EXAMINE AS TRÊS CHARGES A SEGUIR, BEM COMO AS AFIRMATIVAS CONTIDAS NAS QUESTÕES 6 E 7.
APÓS ISSO ASSINALE, PARA CADA QUESTÃO:
a)
b)
c)
d)
Se todas as afirmativas estiverem corretas.
Se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
Se apenas a afirmativa III estiver correta.
Se nenhuma das afirmativas estiver correta.
Charge 2
Charge 1
Charge 3
Retiradas de http://dukechargista.com.br/, acesso em 25/10/2012.
QUESTÃO 6
I.
Na charge 1, o humor se constrói a partir do recurso de metáforas emanadas de um mesmo campo
semântico.
II. Na charge 3, o adjetivo gratuito é usado com duas acepções diferentes.
III. Na charge 2, o humor advém do uso do verbo “investir”, tomado de forma irônica.
QUESTÃO 7
I.
II.
Na charge 2, a pergunta feita pelo do enunciador deve ser compreendida como resposta ao mendigo.
Na charge 1, a fala do primeiro enunciador tem uma orientação positiva, de qualificação do poder do voto, o
que é destruído pela fala do segundo enunciador.
III. Na charge 3, o sentido do adjetivo gratuito é definido, sobretudo, pela natureza de cada item que ele
qualifica na charge.
5
RESPONDA ÀS QUESTÕES 8 e 9 COM BASE NA LEITURA DO CONTO ABAIXO, DO ESCRITOR BRASILEIRO
MOACYR SCLIAR.
“Trem fantasma”
Afinal se confirmou: era leucemia mesmo a doença de Matias, e a mãe dele mandou me chamar.
Chorando, disse-me que o maior desejo de Matias sempre fora passear de trem fantasma; ela queria satisfazêlo agora, e contava comigo. Matias tinha nove anos. Eu, dez. Cocei a cabeça.
Não se poderia levá-lo ao parque onde funcionava o trem fantasma. Teríamos de fazer uma
improvisação na própria casa, um antigo palacete nos Moinhos de Vento, de móveis escuros e cortinas de
veludo cor de vinho. A mãe de Matias deu-me dinheiro; fui ao parque e andei de trem fantasma. Várias vezes. E
escrevi tudo num papel, tal como escrevo agora. Fiz também um esquema. De posse destes dados,
organizamos o trem fantasma.
A sessão teve lugar a 3 de julho de 1956, às 21 horas. O minuano assobiava entre as árvores, mas a
casa estava silenciosa. Acordamos o Matias. Tremia de frio. A mãe o envolveu em cobertores. Com todo o
cuidado colocamo-lo num carrinho de bebê. Cabia bem, tão mirrado estava. Levei-o até o vestíbulo da entrada e
ali ficamos, sobre o piso de mármore, à espera.
As luzes se apagaram. Era o sinal. Empurrando o carrinho, precipitei-me a toda velocidade pelo longo
corredor. A porta do salão se abriu; entrei por ela. Ali estava a mãe de Matias, disfarçada de bruxa (grossa
maquilagem vermelha. Olhos pintados, arregalados. Vestes negras. Sobre o ombro, uma coruja empalhada.
Invocava deuses malignos).
Dei duas voltas pelo salão, perseguido pela mulher. Matias gritava de susto e de prazer. Voltei ao
corredor.
Outra porta se abriu – a do banheiro, um velho banheiro com vasos de samambaia e torneiras de bronze
polido. Suspenso do chuveiro estava o pai de Matias, enforcado, língua de fora, rosto arroxeado. Saindo dali
entrei num quarto de dormir onde estava o irmão de Matias, como esqueleto (sobre o tórax magro, costelas
pintadas com tintas fosforescentes; nas mãos, uma corrente enferrujada). Já o gabinete nos revelou as duas
irmãs de Matias, apunhaladas (facas enterradas nos peitos; rostos lambuzados de sangue de galinha. Uma
estertorava).
Assim era o trem fantasma, em 1956.
Matias estava exausto. O irmão tirou-o do carrinho e, com todo o cuidado, colocou-o na cama.
Os pais choravam baixinho. A mãe quis me dar dinheiro. Não aceitei. Corri para casa.
Matias morreu algumas semanas depois. Não me lembro de ter andado de trem fantasma desde então.
In: SCLIAR, Moacyr. Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 316-317.
QUESTÃO 8
Considere a seguinte passagem: “Não se poderia levá-lo ao parque onde funcionava o trem fantasma. Teríamos
de fazer uma improvisação na própria casa, um antigo palacete nos Moinhos de Vento, de móveis escuros e
cortinas de veludo cor de vinho”. Assinale o que motivou a improvisação do trem fantasma.
a)
b)
c)
d)
O diagnóstico da doença.
O sofrimento dos parentes.
A fragilidade física de Matias.
A falta de dinheiro da família.
QUESTÃO 9
Quanto ao tema e à estruturação da narrativa, verifica-se que o conto:
a)
b)
c)
d)
apresenta uma visão peculiar sobre a morte, por meio do relato de um narrador diretamente envolvido com os
fatos narrados.
é narrado em terceira pessoa, com uma linguagem simples, que busca refletir a pouca maturidade dos
protagonistas.
possui enredo não linear e linguagem direta, por meio da qual o narrador onisciente expressa a angústia dos
personagens.
faz uma crítica social implícita, ao retratar o drama familiar diante da falta de perspectiva de uma criança com
leucemia.
6
A QUESTAO 10 DEVE SER RESPONDIDA COM BASE NO TEXTO DO POETA BRASILEIRO FERREIRA
GULLAR.
“Agosto 1964”
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro – Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida
eu a compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira.
In: GULLAR, Ferreira. Toda poesia (1950-1999). Rio de Janeiro: José Olympio, 2000. p. 170.
QUESTÃO 10
Esse texto foi publicado originalmente em 1975, no livro Dentro da noite veloz, que reuniu os trabalhos de
Ferreira Gullar escritos entre 1962 e 1974. Considerando-se o contexto social e histórico de sua produção, é
possível notar, no poema:
a)
b)
c)
d)
uma crítica ao consumismo.
o engajamento político do fazer poético.
uma reflexão sobre a vida nas grandes cidades.
o caráter patriótico da literatura do período.
7
RESPONDA ÀS QUESTÕES 11 E 12 COM BASE NO TEXTO ABAIXO, DO POETA PORTUGUÊS FERNANDO
PESSOA.
“Mar português”
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador*
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
*Bojador: referência a Cabo Bojador, também conhecido como “Cabo do medo”, situado na costa ocidental do Saara, região conhecida
pelos perigos que representava para as grandes navegações.
In: PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 82.
QUESTÃO 11
Nesse texto, o poeta:
a)
b)
c)
d)
dirige-se ao povo português nos versos iniciais, com o intuito de cantar os feitos heroicos da nação.
manifesta tristeza e pesar pela progressiva decadência do império português, especialmente na segunda
estrofe.
encerra o poema lamentando a perda dos que contribuíram para as conquistas marítimas de Portugal.
na primeira estrofe, fala em nome do povo português, tendo o mar como interlocutor.
QUESTÃO 12
No verso “Mas nele é que espelhou o céu”, o termo destacado refere-se a:
a)
b)
c)
d)
Bojador.
Deus.
mar.
abismo.
RESPONDA ÀS QUESTÕES DE 13 a 15 COM BASE NA LEITURA DOS TEXTOS A SEGUIR, DO ESCRITOR
ANGOLANO ONDJAKI, E DO ESCRITOR MOÇAMBICANO MIA COUTO, RESPECTIVAMENTE.
Fragmento do romance Bom dia camaradas, de Ondjaki.
“Mas, camarada António, tu não preferes que o país seja assim livre?”, eu gostava de fazer essa pergunta quando
entrava na cozinha. [...]
– Menino, no tempo do branco isso não era assim...
Depois, sorria. Eu mesmo queria era entender aquele sorriso. Tinha ouvido histórias incríveis de maus tratos, de
más condições de vida, pagamentos injustos, e tudo mais. Mas o camarada António gostava dessa frase dele a
favor dos portugueses, e sorria assim tipo mistério. [...]
8
– Mas, António... Tu não achas que cada um deve mandar no seu país? Os portugueses tavam aqui a fazer o
quê?
– É!, menino, mas naquele tempo a cidade estava mesmo limpa... tinha tudo, não faltava nada...
– Ó António, não vês que não tinha tudo? As pessoas não ganhavam um salário justo, quem fosse negro não
podia ser diretor, por exemplo...
– Mas tinha sempre pão na loja, menino, os machimbondos [ônibus de transporte público] funcionavam... – ele só
sorrindo.
– Mas ninguém era livre, António... não vês isso?
– Ninguém era livre como assim? Era livre sim, podia andar na rua e tudo...
– Não é isso, António – eu levantava-me do banco. – Não eram angolanos que mandavam no país, eram
portugueses... E isso não pode ser...
O camarada António aí ria só.
In: ONDJAKI. Bom dia camarada. Rio de Janeiro: Agir, 2006. p. 17-18.
Fragmento do ensaio “Língua que não sabíamos que sabíamos”, de Mia Couto.
Num conto que nunca cheguei a publicar acontece o seguinte: uma mulher, em fase terminal de doença, pede ao
marido que lhe conte uma história para apaziguar as insuportáveis dores. Mal ele inicia a narração, ela o faz parar:
— Não, assim não. Eu quero que me fale numa língua desconhecida.
— Desconhecida? — pergunta ele.
— Uma língua que não exista. Que eu preciso tanto de não compreender nada!
O marido se interroga: como se pode saber falar uma língua que não existe? Começa por balbuciar umas palavras
estranhas e sente-se ridículo como se a si mesmo desse provas da incapacidade de ser humano.
Aos poucos, porém, vai ganhando mais à-vontade nesse idioma sem regra. E ele já não sabe se fala, se canta, se
reza. Quando se detém, repara que a mulher está adormecida, e mora em seu rosto o mais tranquilo sorriso. Mais
tarde, ela lhe confessa: aqueles murmúrios lhe trouxeram lembranças de antes de ter memória. E lhe deram o
conforto desse mesmo sono que nos liga ao que havia antes de estarmos vivos.
[...]
Moçambique é um extenso país, tão extenso quanto recente. Existem mais de 25 línguas distintas. Desde o ano
da Independência, alcançada em 1975, o português é a língua oficial. Há trinta anos apenas, uma minoria
absoluta falava essa língua ironicamente tomada de empréstimo do colonizador para negar o passado colonial. Há
trinta anos, quase nenhum moçambicano tinha o português como língua materna. Agora, mais de 12% dos
moçambicanos têm o português como seu primeiro idioma. E a grande maioria entende e fala português
inculcando na norma portuguesa as marcas das culturas de raiz africana.
In: COUTO, Mia. E se Obama fosse africano? e outras interinvenções. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 11-18.
QUESTÃO 13
A colonização portuguesa na África perdurou até o fim do século XX, com as guerras de independência. As
tensões políticas e sociais repercutiram e ainda repercutem fortemente na produção literária desses países,
especialmente nas literaturas angolana e moçambicana. Levando-se em consideração o contexto histórico do
período pós-colonial, é possível verificar que, para o narrador-menino do texto de Ondjaki, bem como para Mia
Couto, em seu ensaio, a colonização portuguesa é vista como:
a)
b)
c)
d)
autoritária e impositiva, oposta à autonomia das nações dominadas.
vantajosa para a economia e para a comunicação entre os povos.
importante para as tradições locais e para a língua das colônias.
repressora dos direitos à liberdade de pensamento e expressão.
QUESTÃO 14
No texto de Ondjaki, o diálogo entre António e o narrador permite identificar um conflito fundamentalmente:
a)
b)
c)
d)
racial.
filosófico.
educativo.
ideológico.
9
QUESTÃO 15
Segundo o texto de Mia Couto, o português falado em Moçambique:
a)
b)
c)
d)
suscita a lembrança de tempos imemoriais.
traz as marcas da cultura africana.
busca negar o passado colonial.
é uma língua desconhecida e de pouca influência.
P R O D U Ç Ã O
D E
T E X T O
Assumindo o ponto de vista de um estudante do ensino médio motivado pelas discussões ocorridas na disciplina
Língua Portuguesa e tomando como mote as reflexões que se seguem, você deverá produzir um artigo de
opinião, a ser publicado em revista de uma universidade. O tema central de sua produção escrita é a
multiplicação de línguas e linguagens na sociedade contemporânea. Você deverá deixar claro não só o seu
ponto de vista como os argumentos que o sustentam. Seu texto deverá ser escrito em registro culto.
LEIA OS TRECHOS
O mito de Babel
Torre de Babel (Pintura de Pieter Bruegel – 1563)
http://www.historiadomundo.com.br/babilonia/torre-babel
A Torre de Babel, segundo a narrativa bíblica no Gênesis,
foi uma torre construída por um povo com o objetivo que o cume
chegasse ao céu, para tornarem o nome do homem célebre. Isto
era uma afronta dos homens para Deus, pois eles queriam se
igualar a Ele. Embora não tenha parado o projeto, Deus depois
castigou os homens de maneira que estes falassem várias línguas
para que eles não se entendessem e não pudessem voltar a
construir uma torre com esse propósito.
Esta história é usada para explicar a existência de muitas
línguas e etnias diferentes. A localização da construção teria sido
na planície entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia (atual
Iraque), uma região célebre por sua localização estratégica e pela
sua fertilidade.
A palavra distingue os Homens dos animais; a linguagem distingue as nações entre si. Não se sabe de onde é um
Homem antes que ele tenha falado. A linguagem nasce de uma profunda necessidade de comunicação: Desde
que um Homem foi reconhecido por outro como um ser sensível, pensante e semelhante a si próprio, o desejo e a
necessidade de comunicar-lhe seus sentimentos e pensamentos fizeram-no buscar meios para isso.
(Rousseau, 1981)
O universo de falantes do Português Brasileiro é, via de regra, sociolinguisticamente heterogêneo, composto por
indivíduos de classe social e de nível sociocultural diferenciados. Por isso, as diferentes variedades standart
(padrão) e não standard podem apresentar-se mais ou menos marcadas e, em geral, distribuídas num continuum.
Até o ingresso na escola, o nativo de português possui domínio completo do coloquial da língua e é no processo
de letramento que passa a incorporar o padrão culto, os estilos e gêneros formais na fala e na escrita. Sem a ação
da educação formal, o falante tende a manter tão somente o padrão vernacular, de modo que deixá-lo de fora do
processo de sistematização dos saberes letrados pode excluí-lo socialmente, alijando-o e condenando-o a
permanecer estagnado na escala social.
(Souza Lima, 1988)
10
R A S C U N H O
D O
T E X T O
11
PROVA DE MATEMÁTICA
QUESTÃO 16
Na primeira fase de um campeonato de futebol, cada time joga uma vez contra todos os demais. Se nessa
primeira fase foram realizados 190 jogos, o número de times participantes desse campeonato é igual a:
a)
b)
c)
d)
17
18
19
20
QUESTÃO 17
O número natural n é tal que
igual a:
a)
b)
c)
d)
3888n é o cubo de um número inteiro. Nessas condições, o menor valor de n é
12
15
18
24
QUESTÃO 18
Em certo clube, 45% dos sócios são crianças, 35% são adolescentes e os 600 sócios restantes são adultos.
Nessas condições, pode-se afirmar que o número total de sócios desse clube é igual a:
a)
b)
c)
d)
1.200
2.400
3.000
3.100
QUESTÃO 19
Somando-se o número x a cada um dos termos da fração
valor de x é igual a:
a)
b)
c)
d)
1
2
3
4
2
2
, obtém-se um valor 20% maior do que
. Então, o
3
3
12
QUESTÃO 20
No teste aplicado a um grupo de 30 estudantes, a metade obteve nota 3,4, um terço conseguiu nota 2,8 e os
demais atingiram nota 4,0. Nessas condições, a média aritmética das notas de todo esse grupo, alcançada nesse
teste, é igual a:
a)
b)
c)
d)
3,2
3,3
3,4
3,5
QUESTÃO 21
Considere a função
f (x) = 1 −
3x
a
4
, com x ≠ 1 . Se a = f   e b = f ( −2 ) , então, o valor da razão
2
b
(x − 1)
3
é igual a:
a)
b)
c)
d)
–21
–7
14
28
QUESTÃO 22
∆ABC da figura é igual a
AB de tal modo que a área do triângulo ∆APB vale 2 .
A medida da área do triângulo equilátero
Nessas condições, a distância de P ao segmento AB é igual a:
a)
b)
c)
d)
√2
√3
2√2
2√3
3 . O ponto P pertence à mediatriz do lado
13
QUESTÃO 23
O vértice da parábola de equação y = (3 − x)(2x − 1) é o ponto V = (m,n). Nessas condições, o valor de m + 2n é
igual a:
a)
b)
c)
d)
2
4
6
8
QUESTÃO 24
Uma barra de ferro, com temperatura inicial de 50 C , é esfriada até −14 C . O gráfico representa a variação da
temperatura dessa barra em função do tempo, medido em minutos.
0
0
Com base nessas informações, pode-se estimar que essa barra deve atingir a temperatura de zero graus
centígrados depois de:
a)
b)
c)
d)
6 min 05 s
6 min 10 s
6 min 15 s
6 min 25 s
QUESTÃO 25
Certo estudante do Ensino Médio, após assistir a aulas sobre equações, escreveu as três afirmativas a seguir:
I. O produto das raízes da equação 6 8 3 0 é 24.
II. A equação || não tem solução.
III. Se 2 32, então 25.
O número de afirmativas CORRETAS é:
a)
b)
c)
d)
0
1
2
3
14
PROVA DE HISTÓRIA
QUESTÃO 26
A liberdade pouco valia para o indivíduo pobre que o mundo da produção e os aparelhos de poder esmagavam
sem trégua, e no entanto ele era homem livre numa sociedade escravista. A formulação dessa inutilidade
justificava o sistema escravista, e o atributo da vadiagem passava a englobar toda uma camada social,
desclassificando-a: no meio fluido dos homens livres pobres, todos passavam a ser vadios para a ótica dominante.
Vadios e inúteis, era como se não existissem, como se o país não tivesse povo – pois, cativo, o escravo não era
cidadão. E assim inexistindo ou sendo identificado à animalidade, o homem livre pobre permaneceu esquecido
através dos séculos.
(Adaptado de SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do Ouro. Rio de Janeiro: Graal, 1986. p. 222.)
Laura de Mello e Souza discutiu em sua obra o homem livre, geralmente miserável, que vivia numa sociedade
escravista, que é apresentado como desclassificado, porque:
a)
b)
c)
d)
mesmo sendo homens livres, porém sem posses, título ou trabalho definido, eram considerados como vadios
pela camada dominante e acabavam sem uma localização definitiva na sociedade, fadados ao esquecimento.
constituíam um grupo incômodo para a elite política, já que circulavam pelas cidades, levando ideias
subversivas e ameaçando a ordem estabelecida.
dentro de uma sociedade escravista, que negava a contratação de homens sob pagamento de salários,
tornavam-se completamente inúteis e, sem serventia aos líderes da sociedade, eram expulsos das cidades.
eram homens pobres e relegados à marginalização pelo preconceito, já que não existia trabalho para homens
livres na sociedade colonial impondo concorrência legítima com o próprio cativo para ser cidadão.
QUESTÃO 27
Dentre as manifestações revolucionárias no Segundo Reinado no Brasil, é correto destacar, EXCETO:
a)
b)
c)
d)
a Revolta Liberal de São Paulo.
a Revolução Praieira de 1848/1850 em Pernambuco.
a Revolta de Canudos.
a Revolta Liberal de Minas Gerais na cidade de Santa Luzia.
QUESTÃO 28
A expansão territorial norte-americana no final do século XVIII, denominada Marcha para o Oeste, tinha como
objetivo:
a)
b)
c)
d)
fortalecer a produção sulista, que tinha como carro chefe a industrialização capitalista.
aumentar seu território no sentido do Oceano Pacífico em busca de novas áreas ricas em minerais e
alimentos.
garantir um novo curso para o desenvolvimento americano nesse momento totalmente associado ao
capitalismo Inglês.
aumentar a área plantada do norte do país, rica em algodão e milho, insuficiente para manter o ritmo
demográfico nacional.
QUESTÃO 29
Sobre as alterações das relações de trabalho no Brasil no século XIX, é CORRETO afirmar:
a)
b)
c)
d)
Até a metade do século XIX, a força de trabalho era constituída basicamente pelo trabalho escravo.
A imigração italiana contribuiu com 70 % da força de trabalho na produção cafeeira.
O imigrante asiático foi utilizado principalmente no Nordeste brasileiro para a produção de açúcar.
A Inglaterra incentivava a manutenção do trabalho servil na economia brasileira como meio de preservar o
consumo de seus produtos em nosso mercado interno.
15
QUESTÃO 30
A crise da monarquia e o golpe republicano postularam para nossa história um regime político caracterizado por:
a)
b)
c)
d)
pelo lema positivista, tão caro ao exército de “ordem e progresso” estampado em nossa bandeira.
pela possibilidade ampla e irrestrita de participação do povo no poder com direitos iguais aos golpistas
republicanos.
pela criação do federalismo como forma de manter a coesão nacional em torno de um único ideal, ou seja,
desenvolvimento e prosperidade.
pela eliminação dos últimos redutos monarquistas acastelados nos rincões do norte do País.
QUESTÃO 31
O Volkswagen (carro do povo, em português), o Fusca como o modelo ficou conhecido, foi um projeto hitlerista de
carro popular alemão. A propaganda do Fusca na época dizia: Casamento entre o transporte motorizado para
todos e a beleza das paisagens da Pátria, como símbolo da modernidade tecnocrata alemã. Para o
desenvolvimento do carro, Hitler preparou uma lista de exigências:
•
•
•
•
•
•
O carro deveria carregar dois adultos e três crianças (típica família alemã da época).
Deveria alcançar e manter a velocidade média de 100 km/h.
O consumo de combustível, mesmo com a exigência acima, não deveria passar de 13 km/litro (devido à
pouca disponibilidade de combustível).
O motor que executasse essas tarefas deveria ser refrigerado a ar, pois muitos alemães não possuíam
garagens com aquecimento, e se possível a diesel e na dianteira.
O carro deveria ser capaz de carregar três soldados e uma metralhadora.
O preço deveria ser menor do que mil marcos imperiais (o preço de uma boa motocicleta na época).
O ideal do Fusca que acabou utilizado como carro de guerra explicita o contexto e os valores do mundo alemão às
vésperas da Segunda Guerra. Tais valores estão corretamente relacionados em todas as alternativas a seguir,
EXCETO:
a)
b)
c)
d)
O automóvel deveria alcançar e manter 100 km por hora para atender à possibilidade de trafegar nas recéminauguradas autoestradas alemãs.
O propósito do carro era ter o tamanho, necessidade e preços concebidos como ideais para carregar o
modelo de família típica da Alemanha.
O preço do automóvel tinha que ser acessível para, como investimento estatal, atender aos habitantes de um
Estado em plena crise econômica.
Como proteção à sociedade violenta às vésperas da guerra, o carro deveria atender mais aos soldados do
que às pessoas de maneira geral.
QUESTÃO 32
A Guerra Fria tinha como ideia básica:
a)
b)
c)
d)
combater os inimigos da Europa após a Segunda Guerra Mundial.
consolidar o domínio do mundo pela antiga URSS ou pelos EUA.
restaurar a economia dos países subdesenvolvidos nos anos 50.
criar um mecanismo multilateral de manutenção da paz e segurança mundial.
16
QUESTÃO 33
O hábito de comer fora compõe o dia a dia de muitos brasileiros no nosso tempo. Restaurantes no modelo selfservice, com preço fixo ou “a quilo”, são vistos por todas as cidades brasileiras como alternativa à alimentação
realizada no espaço doméstico. Esse hábito se difundiu no Brasil entre 1950 e 1979, traduzindo um estilo novo de
consumo: dos almoços e jantares para o empresariado, dos executivos, a cúpula da burocracia de Estado, os
políticos e a classe média alta, para os novos-ricos, os novos-poderosos e os novos-cultos, em restaurantes
elegantes, preferidos os de comida italiana ou francesa (... ) ao lado da churrascaria ou da pizzaria elegante, os
remediados certamente encontrariam onde comer mais barato: o rodízio, a pizzaria sem sofisticações, as cadeias
de venda de comida árabe, especialmente quibe e esfiha, a cantina italiana, o restaurante mais popular. Para as
refeições rápidas, os privilegiados se dirigiam a lanchonetes badaladas e, depois, aos fast-foods. Os outros, nos
dias de trabalho, aos bares, às lanchonetes baratas, onde comiam o prato feito, conhecido como PF, ou um
sanduíche, moda que também foi se arraigando: as pastelarias se multiplicam. As crianças passaram a adorar o
hot dog, as batatas chips, o sorvete com cobertura, depois o cheese-burguer.
(Texto adaptado de MELLO, João Manuel Cardoso de, NOVAIS, Fernando A. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna. In.
História da Vida Privada do Brasil. V. 4. p. 567.)
O trecho traduz novos estilos de vida, que mais de cinquenta anos depois, ainda marcam o cotidiano do meio
urbano. Em relação ao conhecimento histórico do período, o trecho confirma:
a)
b)
c)
d)
a aproximação brasileira aos hábitos dos países mais desenvolvidos, mais modernos, associados ao requinte
de um estilo de vida urbano e mais confortável, mesmo que esse estilo fosse ampliado para as classes mais
populares.
a transformação da sociedade brasileira, que suspendeu os encontros familiares na hora do almoço como
forma de integração à vida moderna nas cidades, elaborada na coletividade e diminuindo a importância da
privacidade.
a revolução capitalista na vida das pessoas. Comer fora significa não despender tempo com o preparo dos
alimentos, valorizando o tempo nas atividades produtivas e maior possibilidade de ascensão econômica para
as famílias.
a afirmação da igualdade na modernidade brasileira, visto que a diferença das classes que também se fazia à
mesa foi suprimida com a popularização do hábito de comer fora, conquista da igualdade advinda do
crescimento econômico promovido pela modernização.
QUESTÃO 34
Atualmente é possível descrever a estrutura econômica do capitalismo como um sistema globalizado/nacional
hierarquizado. Assinale a opção que NÃO tem relação com essa definição.
a)
b)
c)
d)
O dólar ainda é a principal moeda de troca entre os países.
A gobalização maior gira hoje em torno da economia americana e chinesa.
Não existe mais a prática de exportação de capitais e tecnologias.
Os países emergentes como Brasil se aproveitam completamente desse modelo.
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QUESTÃO 35
Corrupção política, como tudo mais, é fenômeno histórico. Como tal, ela é antiga e mutante. Os republicanos da
propaganda acusavam o sistema imperial de corrupto e despótico. Os revolucionários de 1930 acusavam a
Primeira República e seus políticos de carcomidos. Getúlio Vargas foi derrubado em 1954 sob a acusação de ter
criado um mar de lama no Catete. O golpe de 1964 foi dado em nome da luta contra a subversão e a corrupção. A
ditadura militar chegou ao fim sob acusações de corrupção, despotismo, desrespeito pela coisa pública. Após a
redemocratização, Fernando Collor foi eleito em 1989 com a promessa de caça aos marajás e foi expulso do
poder por fazer o que condenou.
(CARVALHO, José Murilo. Passado, Presente e Futuro da Corrupção Brasileira. In.: AVRITZER, Leonardo, et. al. (orgs). Corrupção:
ensaios e críticas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008. p. 237.)
O segundo semestre deste ano foi marcado pelo julgamento do esquema do Mensalão, como ficou conhecido o
pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio político. Corrupção está novamente na boca do povo e,
como afirma José Murilo de Carvalho, é um fenômeno histórico. Diante das acusações de corrupção enumeradas
por Carvalho no trecho acima, é CORRETO afirmar:
a)
b)
c)
d)
Quanto mais se avança no tempo, percebe-se a corrupção como uma cultura política do Brasil. No século
XXI, ainda se configura exatamente o mesmo modelo político do Império.
A corrupção é mutante. A corrupção dos nossos tempos não possui relação direta com o passado político
brasileiro, hoje introduzimos novas formas e novos atores sem repetir velhas fórmulas.
Os avanços políticos da redemocratização promoveram maior transparência dos processos políticos e
administrativos, o que tornou ultrapassadas denúncias de lavagem de dinheiro e compra de votos.
Corrupção no Brasil está ligada à falta de compromisso com a coisa pública, seja pelo favorecimento,
compensação financeira, eleitoral ou outra forma que subverta a ordem estabelecida pela democracia.
PROVA DE ESPANHOL
Lea el texto atentamente y a continuación escoja la alternativa adecuada para cada una de las siguientes
cuestiones.
Crónicas desde las orillas
“No hay malas hierbas ni hombres malos. No hay más que malos cultivadores.” Dijo Víctor Hugo en el siglo
XIX al hablar sobre los pobres y desamparados. Un clásico es reconocido como tal cuando se convierte en una
referencia a la que regresar cuando los tiempos se tuercen. Esos tiempos regresaron a España en forma de crisis
económica y desempleo galopante en 2007, y todavía no han remitido. Tras casi cinco años de malas noticias
económicas, la factura que la sociedad madrileña está pagando ha empezado a traducirse en una mayor
desigualdad y en menores niveles de formación.
“Si el ministro de Economía viene a preguntarme yo se lo explico. La crisis empezó en el verano de 2007” ,
afirma Pilar López, que regenta un videoclub y oficina de loterías en el barrio madrileño de Entrevías. Licenciada
en Derecho, decidió abandonar su trabajo en un banco y apostar por el videoclub en 2005. “Antes daba dinero”,
lamenta Pilar. Pero la burbuja estalló y las cuentas de los vecinos del barrio dejaron de cuadrar. “Los
establecimientos del barrio sobreviven gracias a las pensiones de los jubilados”. De momento, el negocio de Pilar
no corre peligro, pero confiesa que el videoclub es deficitario y se mantiene a flote gracias a las quinielas.
Con una tasa de paro del 20%, Puente de Vallecas, alrededor de la capital española, es el distrito con más
parados de Madrid; un total de 25.224 sobre 240.988 habitantes, de los que 4.528 pertenecen al sector de la
construcción (un 17,95%). Dentro de este distrito, Entrevías es el barrio que más parados concentra, con una tasa
del 23,67%. “Este es un barrio obrero, de albañiles, carpinteros, fontaneros… si la construcción se para, todos se
quedan sin trabajo”, explica Miguel Pérez, responsable de una tienda de electrodomésticos en el barrio. En su
negocio las ventas se han ido reduciendo paulatinamente desde el inicio de la crisis. De hecho, Miguel no se ha
planteado cerrar, pero reconoce que, aunque ofrece neveras y lavadoras “de primera”, la gente busca los
productos más baratos.
Menárguez, Ana Torres. www.elpaís.com. Acceso: 19 ago 2012.
18
CUESTIÓN 36
En el texto, ‘clásico’ es
a)
b)
c)
d)
un modelo al que se debe seguir.
una conversión a la que se debe olvidar.
una referencia a la que se puede volver.
un estilo que puede ser imitado.
CUESTIÓN 37
De acuerdo con el texto, en 2007
a)
b)
c)
d)
el paro entre los españoles se desarrolló muy rápidamente.
España regresa al nivel más bajo de la crisis económica.
la economía española vuelve al nivel de la del siglo XIX.
el desempleo alcanzó el nivel más alto de la historia económica española.
CUESTIÓN 38
Se puede inferir que Pilar López abandonó el trabajo en el banco
a)
b)
c)
d)
a causa de la crisis económica española.
para invertir en un negocio propio.
porque el videoclub le proporcionaba más dinero que el banco.
para ayudar a los jubilados del barrio.
CUESTIÓN 39
Según el texto, el desempleo se concentra
a)
b)
c)
d)
en las zonas pobres de España.
entre los jóvenes con menos formación.
en la periferia de Madrid.
en las tiendas de electrodomésticos.
CUESTIÓN 40
A partir del texto, se puede inferir que la expresión “mantenerse a flote” (segundo párrafo) significa
a)
b)
c)
d)
tener suerte.
obtener perjuicio.
acercarse al peligro.
estar a salvo.
19
PROVA DE INGLÊS
Read the following passage and choose the option which best completes each question, according to the
text:
Thousands expected in Liverpool for Brazil-themed festival
There are clearly many differences between Liverpool and Rio de Janeiro. However, there are a number of
similarities, as the organizers of the three-day Brazilica festival will show this weekend.
The festival is a celebration of all things connected with Brazil and culminates in a carnival parade through
the city centre. Liverpool's position as a port city means it has a decent sized Latin American community. This year,
for the fifth time, there will be a night-time samba parade on the streets.
A series of events occur before the festival weekend. A Carnival Queen competition takes place and there
will be showcases of Brazilian art, film and Bossa Nova music. Football will be celebrated in the Soccer Zone.
Such is the popularity of samba, there are more than 300 schools spread across the UK. Liverpool's samba
school was opened in 1995 and it played at the Millennium Carnival in Rio five years later.
The performance led to a determination "to bring this splendid spectacle home to Liverpool and create the
first Brazilian samba carnival in the UK," the Liverpool Carnival Company's spokesperson said.
Adapted from: http://www.guardian.co.uk/uk/the-northerner/2012/jul/12/. Access: 25/07/2012)
QUESTION 36
The Brazilica festival finishes with a
a)
b)
c)
d)
showcase of Brazilian art.
football match.
carnival parade.
Bossa Nova music show.
QUESTION 37
The word However in “However, there are a number of similarities…” (paragraph 1) indicates
a)
b)
c)
d)
contrast.
addition.
reason.
condition.
QUESTION 38
Liverpool has a decent sized Latin American community because it
a)
b)
c)
d)
has a samba school.
is a port city.
has carnival parades.
is similar to Rio.
QUESTION 39
The word it in “…and it played...” (paragraph 4) refers to
a)
b)
c)
d)
Liverpool Carnival Company.
The Millennium Carnival.
Liverpool's samba school.
The Brazilica festival.
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QUESTION 40
According to the Liverpool Carnival Company's spokesperson, the performance at the Millennium Carnival in Rio
resulted in the
a)
b)
c)
d)
organization of a Carnival Queen competition.
opening of Liverpool's samba school in 1995.
formation of the fifth night-time samba parade.
creation of the first Brazilian carnival in the UK.
21
VESTIBULAR PUC – MINAS – ARCOS/ POÇOS/ SERRO
1º SEMESTRE DE 2013
PARA VOCÊ DESTACAR E CONFERIR O SEU GABARITO.
01
11
21
31
02
12
22
32
03
13
23
33
04
14
24
34
05
15
25
35
06
16
26
36
07
17
27
37
08
18
28
38
09
19
29
39
10
20
30
40
CONHECIMENTO QUE TRANSFORMA.
www.pucminas.br
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CADERNO 4