IV CONALI - Congresso Nacional de Linguagens em Interação
Múltiplos Olhares
05, 06 e 07 de junho de 2013
ISSN: 1981-8211
LITERATURA JUVENIL CONTEMPORÂNEA: AS MANIFESTAÇÕES DO ROMANCE
DE FORMAÇÃO NA NARRATIVA TODOS CONTRA [email protected], DE LUÍS DILL
Andressa FAJARDO[1]
1. Introdução
O reconhecimento do campo literário destinado ao público jovem tem apresentado, nos
últimos anos, um processo de consolidação semelhante aquele pelo qual vivenciou a literatura
infantil no século XVII. Entretanto, alguns pesquisadores avaliam a literatura juvenil pela
importância que deve ser dada ao leitor, pelo fator editorial, buscando apontar diferenças entre a
literariedade presente em textos destinados à categoria juvenil e infantil bem como diferenciar a
literatura juvenil da literatura geral, ou simplesmente, negar a existência do gênero, por acreditar que
esse seja de caráter menor ao compará-lo com aqueles tidos como „consagrados‟ pela crítica
literária.
Nessa perspectiva, as obras literárias voltadas ao jovem leitor buscam, cada vez mais, inserir
temas que proporcionem ao seu público consumidor, por meio da leitura, um certo crescimento
pessoal como também preparar o ser para viver integrado ao mundo e, desse modo, ser capaz de
vislumbrar um equilíbrio com a realidade. A partir desse novo caráter assumido pelos textos
literários é que este artigo buscou observar na literatura juvenil contemporânea alguns traços que se
aproximam do chamado romance de formação – ou Bildunsgroman – que, de forma simplificada,
pode ser compreendido como um romance marcado pela apresentação da trajetória de vida de um
protagonista jovem, que deve cumprir certas etapas em direção a sua formação. Logo, a ideia de
pensar essa relação existente entre o romance juvenil contemporâneo e o gênero alemão
Bidunsgroman, criado na segunda metade do século XVIII, parte do pressuposto de que o romance
de formação tem como parâmetro literário a educação de um indivíduo a partir do embate com
obstáculos e a vitória sobre eles, que conduz a uma aprendizagem para a vida.
_____________________
[1]
Mestranda (bolsista CAPES) em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).
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Para tanto, como forma de sustentar o presente texto utilizamos uma metodologia de caráter
bibliográfico. Dessa forma, consideramos durante a sua produção alguns aspectos primordiais para o
seu desenvolvimento tais como: leitura de textos teóricos sobre o gênero romance de formação –
Bildungsroman; estudos de teorias específicas sobre os elementos fundamentais da estrutura
narrativa – narrador/focalização, personagens, temática, linguagem, etc. – e seleção do corpus que
serviu como base para a análise e comprovação das teorias estudas e levantadas durante a pesquisa.
Além disso, para apresentarmos nossas hipóteses do trabalho, estruturaremos o texto em duas
partes. Em um primeiro momento, serão revisadas questões a respeito da abordagem correta do
termo Bildungsroman com base em seu contexto histórico e, também do seu formato de construção,
o qual permite ao jovem leitor, a partir do cotejamento entre dois mundos – real e ficcional –, ser
capaz de compreender a sua própria realidade. Para tanto, as abordagens teóricas advêm de leituras
de Maas (2000), Lukács (2004), Cruvinel (2009) e Delbrassine (2006), textos que funcionarão como
subsídio para a verificação das manifestações do romance de formação na narrativa juvenil
analisada.
Dessa forma, após traçarmos um panorama geral a respeito do gênero romance de formação,
daremos especial atenção à maneira como a narrativa juvenil contemporânea recupera, em seu
contexto de produção, características do Bildungsroman. Desenvolveremos, então, num segundo
momento, a partir de aspectos teóricos, já apreendidos, sobre os elementos fundamentais da
estrutura narrativa, a verificação de como a construção e o processo de inserção desses são de
grande importância durante o levantamento de traços que aproximam o romance juvenil
contemporâneo do chamado romance de formação.
Selecionamos como corpus de análise, a obra juvenil Todos contra [email protected] (Cia. Das Letras,
2008), do escritor e jornalista gaúcho Luís Dill para que assim pudéssemos não apenas discutir
questões que se voltassem a analisar os pontos em comum entre a narrativa juvenil e o romance de
formação – ou Bildungsroman –, mas também observar o reflexo que esses aspectos possam vir a
proporcionar ao jovem leitor, durante a leitura, como a identificação com o universo ficcional e,
principalmente, com os personagens, os quais contribuirão no seu processo de formação e na
organização de sua visão do mundo.
2. O romance de formação e sua relação com o desenvolvimento da narrativa juvenil
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Conforme estudos realizados por Wilma Patricia Maas, em seu livro, O cânone mínimo: o
Bildungsroman na história da literatura (2000) a circunstâncias de origem do termo
Bildungsroman[2] surge pelo esforço de atribuir um caráter nacional à literatura de expressão alemã.
Trata-se de uma forma literária de cunho eminentemente realista, com raízes fortemente vincadas
nas circunstâncias históricas, culturais e literárias dos últimos trinta anos do século XVIII europeu.
Desse modo, o conceito passa a ser compreendido pela crítica como sendo
um fenômeno “tipicamente alemão”, capaz de expressar o “espírito alemão”, em seu mais
alto grau, o Bildungsroman firmou-se como um conceito produtivo em quase todas as
literaturas nacionais de origem europeia, tendo sido assimilado também nas literaturas mais
jovens, como as americanas (MAAS, 2000, p. 13).
Além disso, a formação do termo coincide com a formação do jovem da família burguesa,
seu desejo de aperfeiçoamento como indivíduo e, também enquanto classe. Nesta perspectiva, a obra
Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1ª parte publicada em 1795 e a 2ª parte em 1796), de
Johann Wolfgang von Goethe, que retoma a questão de um aprendizado humano, é considerado
como uma obra paradigmática do Bildungsroman. Nesse romance de Goethe, o tema da formação
do jovem é marcado pelos ideais do século XVIII, alicerçados na crença no progresso do sujeito e na
possibilidade de harmonia do homem com a coletividade (MAAS, 2000, p. 45). O jovem
protagonista, Wilhelm Meister, procura, ao longo de sua trajetória, uma formação mais ampla em
vista dos ensinamentos comumente proporcionados à sua classe social – a burguesia. Desse modo,
destaca-se, em Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, a Sociedade da Torre, como sendo uma
união de homens conscientes de seu papel educador na sociedade e que será um exemplo para
configuração de ideias sobre a educação, ao mesmo tempo, que atuará na formação do jovem
aprendiz.
Já segundo Georg Lukács (2000, p. 139), o tema por detrás do conceito de Bildungsroman “é
a reconciliação do indivíduo problemático, guiado pelo ideal vivenciado, com a realidade social
concreta”. A partir dessa perspectiva, no romance de educação, o herói deve passar por um processo
_____________________
[2]
[...] sob a perspectiva morfológica, o termo Bildungsroman passou por um processo de justaposição, formando-se por
meio da união dos radicais Bildung – formação – e Roman – romance (MAAS, 2000, p. 13).
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de formação para estar preparado a realizar ações na sociedade e para isso, não basta apenas
contemplar o mundo em que vive, mas sim, partir de um estágio de conflito para, ao final de sua
trajetória, poder reconciliar-se com o meio social (LUKÁCS, 2000, p. 132). Aliás, a relação entre
homem e mundo consiste em “lapidar-se e habituar-se mútuos de personalidades antes solitárias e
obstinadamente confinadas em si mesmas, o fruto de uma resignação rica e enriquecedora, o
coroamento de um processo educativo, uma maturidade alcançada e conquistada” (LUKÁCS, 2000,
p, 140). Nesse modelo de romance, a experiência do herói deve apresentar um caráter universal,
humano, não se encerrando em um desenvolvimento apenas individual. Deve haver, portanto, uma
ruptura com a configuração de um destino privado, para vislumbrar a humanidade buscando “um
equilíbrio entre atividade e contemplação, entre vontade de intervir no mundo e capacidade
receptiva em relação à ele” (CRUVINEL apud LUKÁCS, 2009, p. 26).
Dessa forma, Cruvinel (2009) ressalta que tanto no Bildungsroman como nos ritos iniciais há
a ideia de que o homem não é um ser acabado e, por isso, é suscetível a passar por diversas
transformações ao logo de sua vida, isto é, ambos os conceitos busca “um equilíbrio entre o eu e o
mundo, partindo da noção de que o homem não nasce pronto e deve alcançar uma formação para
encontrar a harmonia com a coletividade” (CRUVINEL, 2004, p. 56-57). Logo, notamos que as
narrativas juvenis contemporâneas apresentam, cada vez mais, uma realidade social, a qual não
possui subsídios para que haja uma integração harmônica, de modo que as personagens passe
constantemente por obstáculos para que assim, consigam fortalecer o eu e serem capazes de, ao final
de sua trajetória, alcançar uma fase mais satisfatória da existência e transformar o mundo ao seu
redor.
Nessa perspectiva, se observarmos a concepção trabalhada pela crítica literária francesa,
diversos termos são utilizados para conceituar a literatura juvenil – “romance de iniciação”,
“romance de aprendizagem”, “romance de formação”. Entretanto, segundo Delbrassine (2006), o
romance juvenil contemporâneo representa uma fração do Bildungsroman, já que não se preocupa
em descrever o caminho percorrido pela personagem em direção ao seu amadurecimento e à idade
adulta. Além disso, no decorrer da narrativa juvenil, dá-se mais importância a um problema decisivo
e à forma como o herói irá encontrar a solução para suas dificuldades do que para a etapa de
formação da(s) personagem(s). Desse modo, o estudioso acrescenta que as narrativas juvenis
contemporâneas são configuradas por meio de motivos e de uma estrutura iniciática, a qual torna o
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romance contemporâneo destinado ao jovem com o aspecto de “um avatar frequentemente
fragmentário do romance de formação ou de aprendizagem, que toma emprestado algumas vezes do
romance de iniciação seus motivos e sua estrutura” (DELBRASSINE apud CRUVINEL, 2006, p.
380)[3].
Na verdade, uma grande parcela das obras voltadas ao público juvenil preocupa-se com o
amadurecimento da personagem, feito por meio de motivos e de uma estrutura parecida com a vista
no chamado romance de formação – Bildungsroman. No entanto, não podemos deixar de relacionar
esse aspecto presente nas narrativas juvenis contemporâneas ao caráter formador da literatura, já que
conforme Candido em seu texto A literatura e a formação do homem (1972), os textos literários são
responsáveis por estabelecer relações profundas entre o mundo em que vivemos e sua capacidade de
configurar de forma complexa a experiência humana. Logo, a literatura é capaz de atuar como algo
que exprime o homem e depois atua na sua própria formação, além de proporcionar ao leitor o
contato com as mais abrangentes formas de configuração da realidade, levando-o a questionar as
convenções estipuladas pelo meio social.
No que concerne à literatura juvenil, a produção da obra literária lida não apenas com sua
eficiência estética, responsável por aumentar o modo do receptor ver e sentir o mundo, mas como a
arte literária lida também com a recepção de um leitor em processo de formação. Para que isso
aconteça, o escritor deve ser capaz de criar uma obra de arte que, ao mesmo tempo, possa por em
questionamento tanto o fenômeno artístico, mercadológico e estético que permeiam o gênero juvenil
quanto corresponder aos anseios do público jovem. Desse modo, o que marcaria o romance juvenil
enquanto experiências juvenis a partir da ótica do jovem que o escritor foi um dia. Isto é, o escritor
deve saber “conciliar a contradição de ser ele mesmo e de ser o outro que ele já foi, e só pode voltar
a ser, no jogo ficcional, por meio da memória e da imaginação” (TURCHI, 2004, p. 39).
A partir dos estudos abordados sobre o romance de formação – Bildungsroman – passamos,
neste momento, a avaliar com base na narrativa juvenil Todos contra [email protected] (Cia. Das Letras,
2008), de Luís Dill como essa instituição literária e cultural pode vir a influenciar na construção do
romance juvenil contemporâneo, já que é cada vez mais frequente, nas narrativas destinadas ao
jovem leitor, a tematização de um aprendizado vivido pela personagem.
_____________________
[3]
“[...] un avatar souvent fragmentaire du roman de formation ou d‟apprentissage, qui emprunte parfois au roman
d‟initiation ses motifs et sa structure” (DELBRASSINE, 2006, p. 380).
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4. Todos contra [email protected], de Luís Dill: aproximação entre a narrativa juvenil contemporânea e o
romance de formação
De acordo com Silva em seu artigo intitulado “Uma escrita de transição. Contributos para
uma reflexão sobre a literatura juvenil”, de 2012 os textos de caráter realista constituem, na
literatura para adolescentes, uma significativa parte do conjunto das obras que nela se incluem. A
tendência geral dessas obras é a da representação de personagens e situações muito próximas do
quotidiano dos próprios leitores. A crise do crescimento, as relações familiares, a integração no meio
escolar e social, o entendimento da amizade, do amor, da sexualidade e do mundo em geral são
temas constantes na literatura destinada aos jovens. Nesse sentido, a proximidade com a real
vivência juvenil abre espaço para que o jovem leitor, ao ter contato com a obra literária, por meio da
leitura, questione-se sobre si e sobre o mundo que o rodeia.
Além disso, os temas da atualidade utilizados para preencher as narrativas juvenis
funcionam, muitas vezes, como fator uniformizador de expectativas, “embora os pontos de vista
possam variar, é objeto de discussão, se considerarmos a heterogeneidade de leitores, podendo ser
também lida como motor de massificação” (SILVA, 2012, p. 20). No entanto, a ideia de manter
apenas a realidade nas obras destinadas ao público jovem acaba aproximando a literatura juvenil ao
chamado romance de formação, já que a origem do termo pode ser compreendido, como visto
anteriormente, como “o resultado de um mecanismo social auto-reflexivo desenvolvido por uma
classe que quer ver espelhado seus próprios ideais na ficção de cunho realista que começa a firmarse como gênero” (MAAS, 2000, p. 44).
Nessa perspectiva, a narrativa juvenil Todos contra [email protected] (Cia. Das Letras, 2008), de Luís
Dill, nasce tanto com o intuito de comercialização, fruto do mercado editorial juvenil que cresce de
forma intensa, quanto da tentativa de diferenciar a literatura de caráter infantil e adulta, da literatura
para jovens que permite ao seu público consumidor por meio da leitura seu altoconhecimento. Dessa
maneira, as mudanças sociais marcadas na grande maioria das vezes, pelo modo de organização
familiar e social são aspectos decisivos na própria formação do público jovem. Daí a necessidade de
fazer com que esse público leitor se identificasse com as mudanças e encontrasse seu próprio
caminho. A literatura, portanto, tornou-se um meio para que muitas questões, as quais se fazem
presente na nossa realidade, fossem vistas e discutidas de maneiras diferentes.
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Lançado em 2008, pela editora Companhia das Letras, o livro Todos contra [email protected], do
escritor e jornalista gaúcho Luís Dill, desenvolve o enredo a partir de um fato real (como o próprio
autor nos revela ao final da obra) a respeito de um caso de bullying escolar, em que o protagonista, o
adolescente Dante se torna vítima de violência física e moral por partes dos colegas. Dill tenta
retratar a realidade, muitas vezes dramática, de uma juventude impiedosa. A história apresenta uma
linguagem ágil que torna a arquitetura ficcional, inovadora no campo da literatura juvenil
contemporânea. Além disso, não só o tema e a linguagem, mas também a estrutura do texto busca
trazer uma cuidadosa reflexão sobre a nossa sociedade atual ao inserir em seu projeto gráfico um
formato, o qual se assemelha ao universo digital[4] tão conhecido e utilizado pelo público jovem.
Na verdade, os temas tidos como tabus são explorados, segundo Delbrassine (2006), pela
literatura juvenil contemporânea tendo em vista três objetivos, todos esses ligados ao tema da
formação. O primeiro objetivo é o de “abrir os olhos sobre o mundo”
(p. 367), para levar o leitor a refletir sobre o mundo, sobre si mesmo e sobre os outros; o segundo é
o de “partilhar uma experiência” (p. 367) e o terceiro é o da “transmissão de valores” (p. 368),
mesmo que não haja na obra literária um certo moralismo evidente. Dessa forma, os conteúdos
ideológicos inseridos no decorrer da narrativa juvenil são transmitidos de maneira implícita, ou seja,
o texto funde o universo imaginário com o real, com o intuito de se tornar o mais próximo possível
do seu leitor e assim, “confundi-lo” em relação às fronteiras construídas.
Em Todos contra [email protected], o protagonista Dante, adolescente de treze anos, de classe média,
se muda para uma nova escola, uma escola na zona sul, onde começa a ser
diariamente hostilizado pelos novos “amigos” de classe, os quais fazem uso das redes sociais para
denegrir e ofender o garoto. No decorrer da história, os demais adolescentes criam no espaço virtual
uma comunidade denominada “Eu sacaneio o Dante”, e por meio dela passam a fazer comentários
maldosos a respeito, principalmente, de sua aparência por não se encaixar em um modelo de beleza
valorizado pelos jovens e do seu nível socioeconômico
descrição: comunidade dos colegas do dante, aquele pirralho magrinho, mirrado, com cara
de esmoleiro, um nariz que mais parece uma tromba e dois olhos pretos esbugalhados. tipo o
cara parece coadjuvante de um b movie de terror, daquelas criaturas que quando aparecem
_____________________
[4]
O projeto gráfico da obra juvenil é preenchido por estruturas típicas do universo digital, como blogs, comunidades de
sites de relacionamento, chats e links que tornam a narrativa juvenil inovadora no estilo e na linguagem.
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metem o maior susto na galera. é o legítimo koisafeia. além de tudo, o cara é da zona norte e
fez um pouso forçado e não autorizado na nossa área. por isso, nada melhor e mais justo do
que sacanear o espantalho. vambora, mostra tua criatividade, colabora pra avacalhar com
essa figurinha. quem sabe ele não volta pra maloca dele? (DILL, 2008, p. 11).
A leitura da narrativa de Dill nos leva à compreensão das atitudes das personagens e, por
consequência, do comportamento e da formação do jovem do século XXI, modelos da criação do
texto. Em todo o decorrer da narrativa, o protagonista Dante, é humilhado pelos colegas de escola
por não corresponder aos padrões estéticos impostos pela mídia, por não ter um nível financeiro
como os outros alunos, por precisar pegar ônibus para ir à escola e por não ter meios de manter uma
vida consumista como os demais. Dessa maneira, a narrativa prende a atenção do leitor; ao tentar
mostrar o processo de construção da identidade das personagens, sobretudo através da tensão criada
durante os depoimentos deixados na comunidade “Eu sacaneio o Dante” e, também nas reflexões
feitas pelo próprio Dante, em um blog, no qual é utilizado pelo adolescente como uma espécie de
diário.
Aliás, é por meio desse blog, que o adolescente revela o que aconteceu com ele e os seus
sentimentos ao ser agredido pelos demais colegas da escola. Em alguns trechos, o narrador faz
intertextualidade com a obra de Dante Alighieri. Por ser fã do poeta italiano, o menino Dante
compara, em seu blog, as agressões que sofre na internet ao percurso de penitência e salvação,
descrito pelo autor na obra A divina comédia. É nessa parte da obra que o adolescente descreve os
tormentos sofridos na escola, promovendo a intertextualidade explícita com a obra do escritor
italiano Dante Alighieri, como podemos ler no primeiro texto do blog:
Olá, meu xará florentino. Estou aqui de novo. Por quantos tormentos tiveste de passar até
chegar ao Paraíso? O Inferno, depois o Purgatório, não é mesmo? Seiscentos e oitenta e
cinco anos após tua morte, meu velho amigo, estou aqui em pleno Inferno. Tenho treze
anos, o que me faz ter esperança de que, em breve, pule pra minha próxima etapa e
conquiste o que todos buscam. Pelo visto, minha jornada não será fácil. [...] (DILL, 2008, p.
15).
Outro aspecto responsável em estabelecer pontos em comum entre o romance de formação e
o romance juvenil contemporâneo diz respeito à predominância de um eu narrador que fala com tom
de confidência ao leitor, como se esse fosse um amigo próximo que compartilha, aqui e agora, suas
experiências, daí a denominação “estratégia de proximidade” (CRUVINEL, 2009). Além disso,
busca-se ainda retratar um herói à imagem do jovem leitor para conseguir sua adesão afetiva. Essa
estratégia, ainda segundo Cruvinel (2009) está intimamente ligada com a chamada “hipertrofia da
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função da comunicação”, que nada mais é do que a adoção de um tom confidencial por parte do
narrador, estabelecendo assim, a ilusão de um contato privilegiado com o leitor. No que diz respeito
ao narrador do texto, notamos que a exploração do foco narrativo é fundamental para construir a
narrativa de maneira inovadora, além de aproximá-la de seus possíveis leitores e fazer com que
esses possam ter contato ainda mais com a trajetória do protagonista em direção ao seu processo de
formação.
Nessa perspectiva, no que concerne à voz narrativa da obra juvenil Todos contra [email protected],
observamos que a exploração do foco narrativo é fundamental para construir a narrativa de maneira
inovadora, além de proporcionar a aproximação de seu público leitor e fazer com que esse possa ter
contato ainda mais com a trajetória do protagonista e com o seu processo de formação. Para
Zilberman (1982), o narrador de uma obra pode alcançar efeitos artísticos bastante complexos, pois
sua atuação no decorrer da história pode ser mais arbitrária, introduzindo comentários e
manipulando emoções, ou quem sabe, mais emancipadora, permitindo que o leitor reflita
criticamente tanto sobre o universo ficcional como sobre o seu próprio. Logo, a diversidade de vozes
narrativas que aparece durante a história sendo alternadas entre narrador-personagem (autodiegético,
que, às vezes, faz uso da técnica de fluxo de consciência) e narrador em 3ª pessoa – onisciente
(heterodiegético) auxilia no enriquecimento do texto literário e permite ao leitor maior liberdade na
interpretação dos fatos narrados
Blog 03
Hoje, meu xará florentino, vi no mural da sala de aula o endereço de uma comunidade
eletrônica sobre mim. Em casa acessei e li uma porção de coisas idiotas, bestas e sem
sentido. Tive vontade de dar um soco no computador, umas máquinas que usamos aqui no
século XXI, muito boas, tão boas que através delas consigo ler tua Comédia, meu velho
amigo [...] (DILL, 2008, p. 31).
Link 1
Manuela olhou para a mesa posta. A claridade vinda da rua penetrava fácil pelas amplas
janelas em L da sala, parecia ressaltar a cor e a textura dos pratos: suflê de legumes, salada
de alface roxa com cubos de ricota e aipo, carne de frango ao molho de nata e alecrim.
Esforçava-se para conter a tontura [...] (DILL, 2008, p. 8).
A utilização do discurso direto, por sua vez, funciona com o intuito de atribuir dinamicidade
à narração e, ao mesmo tempo, deixar o jovem leitor mais próximo dos personagens, sem que haja a
necessidade da mediação do narrador entre eles. Essa estratégia narrativa pode ser denominada,
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conforme Cruvinel como “estratégia de tensão”, a qual possibilita que diferentes perspectivas sejam
apresentadas ao leitor – alternando-se entre o protagonista e a entrada de novos personagens
Diálogo 5
Cauã liga para o celular de Manoela.
― Oi Cauã, beleza?
― Eu é que te pergunto, Manu.
― Como assim?
― Meu, tá tudo bem contigo? Falei com o James, ele me disse que tu tá atrás de alguma
informação sobre aquele trouxa lá do colégio.
― O Dante? Não, não, quer dizer...
― Olha só, Manu. Eu não quero saber de nada sobre o Koisafeia. Aliás, nunca me interessei
pelo cara, não sei nada da vida dele, nem quero saber. A única coisa que sei é que a vida
segue.
[...] (DILL, 2008, p. 25).
A focalização feita por diversas personagens, abordando as aventuras centradas na vida
íntima, contribui tanto para que haja uma aproximação do leitor com a história narrada quanto para a
identificação do leitor com as personagens, de forma que o romance destinado ao adolescente opera
duas formações simultaneamente: “a do herói, representado na ficção, e a do leitor, realizado no
curso da leitura” (DELBRASSINE apud CRUVINEL, 2006, p. 30). No entanto, o modo como o
narrador insere a violência e as atitudes e sentimentos do protagonista e dos demais personagens,
auxiliam na formação do conjunto de perspectivas da narrativa e possibilitam a imersão do jovem
leitor no objeto estético. O trabalho do leitor, ao promover a interação dessa gama de perspectivas
do texto, “é a elaboração do objeto estético, que se constitui a partir da orientação oferecida pelos
diversos pontos de vista” (ISER, 1999, p. 180).
Nesse sentido, à medida que as angústias, o sofrimento e a maldade dos personagens são
colocadas a prova por meio das diferentes perspectivas inseridas na obra Todos contra [email protected], o
leitor consegue reconhecer e refletir sobre suas próprias experiências. Na verdade, a leitura da
narrativa de Dill proporciona ao jovem leitor a compreensão das atitudes dos personagens e, por
consequência, o seu próprio comportamento
Diálogo 13
Manoela e Rosália no banheiro do colégio.
― Um amor essa sua blusinha, Rô.
― Ah, obrigada, comprei semana passada no shopping, nem lembro a loja.
[...]
― Ah, sei. Pois é. Ouvi dizer que a direção vai atrás de quem fez isso,
― Será? Pô, briguinha de recreio...
― Desta vez parece que não vão deixar por isso mesmo.
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― Sempre tem uma briguinha.
― É que a mãe do guri foi na polícia. (DILL, 2008, p. 57)
Em relação aos personagens da obra juvenil analisada, notamos que além do protagonista
Dante (alvo das agressões dos colegas de escola), destacam-se, dentre os personagens secundários, o
grupo formado pelos adolescentes James, Cauã, Davi e Manoela, responsáveis pelo espancamento e
morte do garoto no banheiro do colégio. O conflito instaurado entre os personagens parte,
principalmente, em torno da questão da formação da identidade juvenil, pois, por ser „diferente‟ dos
demais alunos da nova escola, Dante acaba sofrendo bullying de princípio no ambiente escolar e,
depois no espaço digital como podemos ver nos trechos a seguir retirados da obra:
Link 10
Ele se viu obrigado a formar dupla com Dante. A professora determinou. Pessoal, disse ela,
o tem é a Campanha da Legalidade, os principais acontecimentos, os principais
personagens, linha do tempo, e eu quero para semana que vem. Sentiu o olhar de Dante. Que
que é?, perguntou, com hostilidade instantânea. Nada, foi a resposta, eu só queria saber
como é que a gente vai fazer, a gente vai se reunir?, ou... Tá maluco, cara? Sai fora, não
enche. Em seguida pensou: não faço trabalho com esse otário da zona norte nem amarrado
(DILL, 2008, p. 26).
Fórum: defina o nariz de dante.
euzinha9000: tipo muuuuuito feio. o cara parece ter uma quilha no meio da cara.
[...]
mo-ny-ka-2006: sem chance. o nariz do cara não é de verdade. é postiço. aliás, toda a feiúra
dele é uma maquiagem. na verdade ele é o brad pitt disfarçado. o brad pitt tá fazendo
laboratório pro próximo filme: o monstro da oitava (DILL, 2008, p. 19).
A narrativa de Dill, por meio da inserção da temática violenta, aborda a questão da formação da
identidade dos jovens, a qual tem ocupado um espaço importante na sociedade contemporânea, já
que vivemos hoje em uma realidade cercada por incertezas, seja ela de ideias, de valores, de
escolhas, de afeto, etc., as quais, sem dúvida, influenciam diretamente na construção do caráter
juvenil.
Segundo Campbell (2007), a trajetória heroica do ser humano tem o objetivo de superação e
crescimento, sendo que, para isso, o herói necessita enfrentar ritos de passagem, já que esses são
estágios fundamentais para o entendimento do mundo e do próprio interior do herói. Nessa
perspectiva, observamos que os personagens da obra juvenil Todos contra [email protected] identificam-se
com o herói contido no Bildungsroman, na medida em que esses também buscam seu lugar no mundo e
sua identidade. Além disso, a leitura da narrativa não se configura como simples deleite; ao contrário,
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funciona como uma experiência de vida para o jovem, na qual ele irá tratar suas emoções e sentimentos,
vivendo-os na figura do herói, como um processo catártico. Assim, os personagens da obra de Dill, no
decorrer da história, ganham importância para o leitor, na medida em que o auxilia a organizar sua visão
de mundo, seu interior, suas relações afetivas e familiares.
Outra característica observada na narrativa juvenil que a aproxima do romance de formação
é a linguagem utilizada pelo autor na construção da obra. O romance de formação, assim como a
narrativa juvenil contemporânea, traz no seu enredo a representação do jovem em sua época, como
ele vive, seu comportamento, sua linguagem e, também, após enfrentar muitas adversidades, suas
conquistas, sua autonomia, seu espaço na sociedade e no mundo. Desse modo, a construção da
linguagem na obra torna-se uma marca da contemporaneidade da obra e do retrato da juventude do
século XXI, já que no decorrer da história verificamos a utilização de linguagem coloquial/informal:
“Hoje tá chovendo. Chuvinha, na verdade. Dá pra enxergar os pingos flutuando pra lá e pra cá com
o vento” (DILL, 2008, p. 55); linguagem típica dos ambientes digitais: estrangeirismos (“movie”),
ausência de letra maiúscula (“dante”), linguagem coloquial (“vambora”), trocas propositais de letras
(“koisafeia”), abreviações (“vc”), repetição de vogais e de pontuação como forma de intensificar
algo (“tuuuuudo”, “monstro!!!”), além da inserção de traços regionais: “[...] ― Se tu não for na aula
amanhã vão desconfiar, vão inventar mais um monte de coisa ― garante James. ― Bah, guris, tô
superinsegura. [...]” (DILL, 2008, p. 53).
Em Todos contra [email protected], verificamos que além da linguagem próxima do universo juvenil
responsável em fazer com que o jovem leitor identifique-se ainda mais com o universo ficcional, o
adolescente Dante, protagonista da obra, passa por várias provas durante a história, ao suportar, a
partir da mudança de escola, as aflições e as adversidades da vida. No decorrer da história, o leitor
consegue acompanhar os dias terríveis vividos por Dante, no ambiente escolar, ao conviver com
outros jovens que são exemplos reais da juventude consumista e preconceituosa do século XXI.
Todas as experiências vividas pelo garoto, no decorrer da história, corroboram a ideia de que o
protagonista vive em busca de algo, de uma meta que nem sempre será concretizada. Porém, em
meio ao sofrimento e as decepções diárias, a maturidade nasce como forma de suportar os desafios
que serão contínuos e infindáveis até o fim trágico do protagonista.
5. Considerações finais
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A partir das teorias abordadas a respeito do gênero alemão romance de formação – ou
Bildungsroman -, o qual encontra na obra literária Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, de
Goethe, o melhor e o único exemplar, já que nela o protagonista, o jovem Meister, está em confronto
com o mundo e com isso, personifica a configuração de um ideal social para que ocorra a integração
do homem ao coletivo, observamos que há uma forte influência desse gênero nas produções
literárias contemporâneas destinadas ao público jovem. Desse modo, por meio do levantamento de
aspectos como: tema, linguagem e disposição dos elementos fundamentais da estrutura narrativa –
narrador, personagens, focalização, etc. –, pudemos acompanhar que o desenvolvimento da narrativa
juvenil Todos contra [email protected] (Cia Das Letras, 2008), do escritor gaúcho Luís Dill possui alguns
pontos em comum com o gênero romance de formação –, uma vez que esse tipo de narrativa
possibilita que haja, como ocorre no Bildunsgroman, a identificação do jovem leitor com a trajetória
vivida pelo protagonista no universo ficcional.
Verificamos, a partir de certas particularidades pertencentes ao romance juvenil
contemporâneo, que, assim como o romance de formação, essa narrativa apresenta a maneira pela
qual o jovem protagonista entra em conflito com as duras realidades do mundo, amadurecendo dessa
forma, por meio das “diferentes experiências da vida, encontrando-se a si mesmo e tornando-se cada
vez mais consciente de sua missão na terra” (MAAS, 2000, p. 48). Aliás, os personagens do
Bildungsroman e na narrativa juvenil de Luís Dill são responsáveis por impulsionar o movimento do
jovem leitor para diante, isto é, para a jornada do autoconhecimento. Assim, a literatura juvenil
“criaria um espaço de diálogo com o leitor adolescente que, num processo de espelhamento” com o
caminho de provas e, muitas vezes, de penitência e sofrimento do personagem, alcançaria um
acréscimo de experiência por meio do imaginário (DELBRASSINE apud CRUVINEL, 2009, p.
164).
No mais, a inserção da temática violenta na obra de Dill – bullying –, infelizmente, ainda é
um retrato recorrente no mundo atual e que tem atingido milhares de jovens todos os dias. Durante a
leitura da narrativa, o leitor se depara com as exigências que o mundo pós-moderno impõe na vida
do adolescente – ditadura da beleza, a importância do nível social e econômico –, além do uso
constante do espaço digital, o qual deixa de ser utilizado enquanto ferramenta que proporciona
benefícios na vida daqueles que fazem uso dela para se transformar em uma verdadeira arma de
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promoção à violência. Acompanhando os diferentes momentos da trajetória do garoto Dante e da
agressão sofrida por ele no ambiente escolar e, principalmente, nas redes sociais, o leitor toma
conhecimento do desenvolvimento emocional e do processo de amadurecimento desse personagem
em meio à violência. Para tanto, a linguagem usada acompanha o universo juvenil e é um dos
fatores, junto com o projeto gráfico editorial, responsável em instigar e atrair a atenção do leitor
como também, aproximá-lo do universo narrado.
Enfim, Todos contra [email protected], de Luís Dill é um exemplo de narrativa juvenil de qualidade,
pois traz inovações tanto do ponto de vista do seu conteúdo, por trabalhar um tema, voltado ao
núcleo de problemas juvenis, quanto da estrutura e do apelo visual da narrativa, aspectos
responsáveis em dar a essa um status de mercadoria atraente frente ao seu público consumidor.
Além disso, a narrativa produzida por Dill é adequada ao jovem leitor na medida em que contribui
para formação do ser em plenitude. Isto é, os personagens criados permitem ao adolescente uma
identificação com a trajetória percorrida pelo protagonista da obra o que eleva seu padrão de
discernimento, mostrando-lhe outros modos de ser e de viver no mundo pós-moderno.
Referências:
CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. São Paulo: Pensamento/Cultrix, 2007.
CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. Ciência e Cultura, v. 24, nº. 9, p. 803809, set. 1972.
CRUVINEL, Larissa Warzocha Fernandes. Narrativas Juvenis Brasileiras: em busca da
especificidade do gênero. 2009. Tese (Doutorado em Letras e Linguística) – Faculdade de Letras Universidade Federal de Goiás, Goiânia.
DELBRASSINE, Daniel. Le roman pour adolescents aujourd’hui: écriture, thématiques et
réception. Paris: Academie de Créteil, 2006.
DILL, Luís. Todos contra [email protected] São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
ISER, Wolfang. O ato da leitura (Vol 2). Trad. Johannes Kretschmer. São Paulo: Editora 34, 1999.
LUKÁCS, Georg. A teoria do romance. São Paulo: Duas cidades; Ed. 34, 2000.
MAAS, Wilma Patricia. O cânone mínimo: O Bildungsroman na história da literatura. São Paulo:
Editora UNESP, 2000.
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SILVA, Maria Madalena Marcos Carlos Teixeira. Uma escrita de transição. Contributos para uma
reflexão sobre a literatura juvenil. In: RECHOU, B. A. R.; LÓPEZ, I. S.; RODRÍGUEZ, M. N. A
narrativa xuvenil a debate. Edicións Xerais de Galicia, 2012, p. 13-35.
TURCHI, Maria Zaira. O estético e o ético na literatura infantil. In: CECCANTINI, João Luís
(Org.). Leitura e leitura infanto-juvenil: memória de Gramado. São Paulo: Cultura Acadêmica;
Assis: ANEP, 2004.
ZILBERMAN, Regina (Org.). A produção cultural para a criança. Porto Alegre: Mercado
Aberto, 1982.
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