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AGRICULTURA ORGÂNICA: AVALIAÇÃO DAS TÉCNICAS
SUSTENTÁVEIS DE CULTIVO E DAS VARIANTES QUE
ESTIMULAM O CONSUMO DE ALIMENTOS ORGÂNICOS NA
CIDADE DE LAGOA SECA-PARAÍBA
Bárbara Eveline Alves COELHO¹; Elisângela de Assis LUCENA ¹; Josivaldo de Lima
FERREIRA ¹; Priscilla Cordeiro de MIRANDA ²;
1.Alunos do Curso de Licenciatura em Biologia da UVA/UNAVIDA.barbaraevelly@hotmail.com
2. Orientadora. Bióloga. Professora de Biologia da UVA/UNAVIDA. priscillacordeirom@outlook.com
RESUMO: O modelo de produção da agricultura familiar e orgânica tem ganhado espaço no mercado mundial
nas ultimas décadas. Destacam-se como variantes que estimulam o consumo desses alimentos a melhoria da
saúde, os aspectos físicos e o alto teor de nutrientes em relação as variedades produzidas em sistemas
convencionais.Na cidade de Lagoa Seca- PB a produção e o consumo de alimentos orgânicos tem se destacado,
neste contexto o presente trabalho objetivou identificar as práticas de cultivo e adubação utilizados pelos
agricultores dos sítios Almeida, Oiti, Jucá e Boa Vista todos no município de Lagoa Seca - PB e avaliar a
percepção dos consumidores desses produtos a respeito dos aspectos que estimulam seu consumo. A pesquisa foi
realizada através de um estudo de campo e foram aplicados questionários com oito (8) produtores e vinte (20)
consumidores. Através dos resultados observou-se que os produtores são rigorosos a respeito da produção destes
alimentos, utilizando produtos naturais (como biofertilizantes, compostagem, barreira de vento e inseticidas
naturais) e conhecem os benefícios da produção orgânica assim como os malefícios ocasionados pela agricultura
convencional. Os consumidores abordados demonstram ter conhecimentos a cerca do benefício desses alimentos
e visam a melhoria da saúde além de avaliarem como satisfatórios o sabor, a conservação e o aspecto físico do
produto orgânico ( em relação ao alimento produzido de forma convencional).
Palavras- Chave: Alimentos orgânicos. Saúde. Agricultura Familiar.
ABSTRACT: The family and organic farming has gained space in the world market in recent decades. Stand out
as variants that stimulate the consumption of these foods: the health benefits, the physical aspects and the high
nutrient content compared to the varieties produced in conventional systems. In Lagoa Seca (PB), the production
and consumption of organic foods has excelled. Thus, the present study aimed to identify the practices of
cultivation and fertilization used by farmers in the cottages Almeida, Oiti, Jucá and Boa Vista and understands
consumer’s perceptions of these products about the aspects that stimulate its consumption. The research was
conducted through a field study and questionnaires with eight (8) producers and twenty (20) consumers. The
results allowed to observe that the producers are rigorous about the production of these foods, using natural
products (like biofertilizers, composting, wind barrier and natural insecticides) and know the benefits of organic
production as well as the harms caused by conventional agriculture. The consumers demonstrated knowledge
about the benefits of these foods, searching for health improvement and evaluating as satisfactory the flavor, the
conservation and the physical aspect of organic produce.
Keywords: Organic foods. Health. Family Farming.
INTRODUÇÃO
Em 1970 começou a se manifestar no Brasil o movimento alternativo e neste tempo
iniciava a “modernização da agricultura” o governo pretendia aumentar a produção e a
produtividade da agricultura no país substituindo as práticas agrícolas tradicionais por práticas
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tecnológicas, incluindo sementes geneticamente melhoradas, fertilizantes químicos,
agrotóxicos com maior poder biocida, irrigação e motomecanização, com isso os
pesquisadores passavam a questionar os impactos ambientais produzidos pela intensificação
do uso da tecnologia mecânica e química em larga escala na agricultura (ARCHANJO,
BRITO; SAUERBECK, 2001).
Na década de 80 já era visível a consequência da transformação da agricultura e o
crescimento das críticas a agricultura convencional, assim aumentou o interesse pelas práticas
agrícolas consideradas alternativas. A partir desta época cresceu consideravelmente a
produção e o consumo destes alimentos orgânicos.
Bontempo (1999) ressalta que apesar do interesse pela alimentação orgânica estar
ainda restrito a uma pequena parcela da população, lentamente, a crítica ao uso de agrotóxico
vem ganhando espaço entre produtores agrícolas e consumidores. Os consumidores destes
produtos destacam a melhor qualidade e durabilidade dos produtos orgânicos. A busca por
alimentos provenientes de sistemas de produção mais sustentáveis, que fazem uso de métodos
orgânicos de produção, são tendências que vem se fortalecendo e se consolidando
mundialmente (Souza, 2003)
A agricultura orgânica oferece numerosas vantagens ambientais, visa melhorar a
biodiversidade, restabelecer o equilíbrio ecológico natural, conservar o solo e os recursos
hídricos. Também oferece vantagens ao produtor e o consumidor, pois utiliza matéria
alternativa disponíveis em nível local e normalmente requer mão-de-obra aumentando as
oportunidades de emprego (FAO, 2002).
Segundo Abreu et al.(2012) a Agricultura orgânica pode conduzir a uma participação
significativa de pequenos agricultores e de seus familiares, garantindo a manutenção e o
crescimento da renda familiar, bem como maior acesso à educação e treinamento técnico e
maior diversificação produtiva, proporcionando segurança alimentar, possibilitando a
evolução das relações comerciais e dos agroecossistemas.
Gusmão; Silva Filho (2012) sugerem que o agricultor orgânico respeite o meio
ambiente, pois, produz alimentos considerados orgânicos, obtidos dentro dos princípios e
normas da agricultura orgânica, livres de agrotóxicos e de adubos químicos. Por isso, nas
áreas de agricultura orgânica existem várias ações com finalidade de preservar o solo, as
fontes de água, os animais e os vegetais.
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Na Paraíba uma das regiões de destaque na produção de alimentos orgânicos é o
Agreste, em especial a microrregião Brejo, no qual se destaca o município de Lagoa Seca,
sendo a agricultura familiar uma atividade de grande evidência em relação aos outros sistemas
agrários desenvolvidos na região. (SANTOS, 2010).
Desta forma é necessário realizar pesquisas que possibilitem informar a população a
cerca dos benefícios dos produtos orgânicos e da importância de desenvolver técnicas de
manejo sustentável das produções agrícolas não apenas como forma de conservar o solo e as
fontes de abastecimento, mas também como alternativa saudável de alimentação.
Nessa perspectiva o presente trabalho objetivou verificar as práticas dos agricultores
dos Sítios Almeida, Oiti, Jucá e Boa Vista no município de Lagoa Seca-PB, e levantar dados
acerca da percepção dos produtores e consumidores a respeito da produção/ consumo de
alimentos orgânicos.
METODOLOGIA
Caracterização da pesquisa
Este trabalho foi desenvolvido seguindo um modelo descritivo exploratório com
abordagem quali-quantitativa. Segundo Gil (2008), a principal meta de um estudo descritivo é
verificar e conhecer as características de uma determinada região, bem como seus costumes
diários na prática e consumo de algo, já o exploratório nos passa uma visão mais ampla de
determinados fatos e costumes.
Caracterização da área pesquisada
A pesquisa de campo foi realizada nos sítios Oiti, Almeida, Jucá e Boa Vista e no
centro da cidade de Lagoa Seca – PB. Esta cidade se localizada a 129 km da capital João
Pessoa, apresenta uma área total de 109km², altitude de 634 metros, possui 25.911 habitantes,
uma parte significativa da população reside na zona rural. Tendo como principal centro
urbano em uma de suas proximidades a cidade de Campina Grande localizada a 7 km.
(IBGE, 2010).
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Figura 1: Mapa do Estado da Paraíba, em destaque a cidade de Lagoa Seca – PB.
Fonte: Google Maps, 2014.
Caracterização da coleta de dados
A pesquisa de campo foi realizada com oito agricultores que fazem o cultivo de
leguminosas, hortaliças, frutas e plantas medicinais, a partir da prática e manejo orgânico. Os
questionamentos para os consumidores foram com vinte frequentadores da feira orgânica que
se realiza todos os sábados no centro da cidade de Lagoa Seca- PB.
A coleta dos dados quali-quantitativos foi feita por meio de questionários com
perguntas subjetivas e objetivas, específicos para produtores e consumidores. Com os
agricultores buscou-se perceber técnicas e práticas de manejo sustentável do solo e dos
recursos naturais. Com os consumidores foram avaliadas as percepções a cerca dos produtos
orgânicos, quem decide pelo consumo desses alimentos, percepção a cerca dos benefícios
nutricionais, profissional que o incentivou esse consumo, bem como o seu grau de
escolaridade.
Os dados foram analisados através da estatística descritiva, sendo os resultados
representados por meios de tabelas, utilizando para esta finalidade o programa Microsoft
Word 2010.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Resultados das entrevistas com os produtores e observação de campo.
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Serão discutidos nesta primeira parte dos resultados os dados obtidos através das
entrevistas com os produtores orgânicos e com as visitas de campo.
Os dados foram coletados a partir dos questionários aplicados com oito produtores de
alimentos orgânicos. Sendo dois do sexo feminino e seis do sexo masculino.
TABELA 01: Distribuição, por gênero, dos produtores de alimentos orgânicos na cidade de Lagoa
Seca - PB.
Sexo dos Produtores
Quantidade
Feminino
Masculino
Porcentagem
2
6
15%
85%
Para Heredia (1979) a casa é o lugar de domínio da mulher, da mãe de família, que
realiza as atividades de organização e controle desse espaço. Já o trabalho ligado a terra é de
domínio do homem, que provém e garante o sustento da família. Mesmo na atualidade esse
quadro permanece em vigência quando se trata das comunidades rurais e da produção de
alimentos no campo, as mulheres dedicam-se ao lar, ou as atividades como a colheita e o
armazenamento dos alimentos, já o homem se dedica ao trabalho braçal, o preparo da terra,
plantio e limpeza das variedades coletadas.
TABELA 02- Nível de escolaridade dos produtores de alimentos orgânicos na cidade de Lagoa SecaPB
Grau de escolaridade dos produtores
Nº
Porcentagem
Alfabetizados(semi alfabetizados)
2
25%
Fundamental I
2
25%
Fund. II incompleto
2
25%
Ensino médio
1
12,5%
Superior (Agroecologia)
1
12,5%
.
Observou-se no decorrer das entrevistas que o nível mais básico de escolaridade é a
alfabetização, dos produtores que participaram da pesquisa apenas 25% são alfabetizados os
demais possuem um nível de escolaridade maior. Esse fato contrasta com a proposição de
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Santos; Santos e Dantas (2012) em uma pesquisa realizada na Paraíba onde apontaram que o
analfabetismo no sertão Paraibano ainda é uma realidade em relação ao restante do Brasil.
Esta pesquisa ainda demonstrou que a maior parte dos entrevistados possui pelo menos
o nível fundamental I e II (50%), este fato pode ser favorável na escolha por práticas
sustentáveis de trato com o solo e as plantas, uma vez que essa prática e a sua execução
exigem certo grau de entendimento por parte dos executores.
Dos agricultores questionados apenas um concluiu o ensino médio (12,5%), e outro
(12,5%) possui nível superior completo (bacharelado em Agroecologia).
TABELA 03- Avaliação temporal da produção de orgânicos em propriedades privadas na cidade de
Lagoa Seca-PB.
Tempo de produção
0 a 10 anos
Quantidade
Porcentagem
2
25%
11 a 20 anos
2
25%
Mais de 30 anos
4
50%
Quando questionados em relação ao tempo em que utilizam práticas de manejo
sustentável e cultivo de alimentos orgânicos, identificou-se que dois deles (25%) fazem uso
dessas técnicas há pelo menos dez anos, 25% dos entrevistados cultivam orgânicos há
aproximadamente vinte anos, e 50% desses agricultores estão manejando alimentos
genuinamente orgânicos a mais de trinta anos.
As técnicas sustentáveis de produção agrícola voltada para as propriedades rurais tem
se evidenciado nas ultimas décadas, entretanto em algumas comunidades de Lagoa Seca - PB
as técnicas de produção de alimentos orgânicos têm sido implantadas e aperfeiçoadas a mais
de 30 anos, esse fato demonstra que as percepções e o uso racional dos recursos naturais estão
presentes no cotidiano dos agricultores dessa região, os ensinamentos passam de geração para
geração sendo a cada ciclo acrescentado ajustes que aumentam a produção de forma
ambientalmente correta e segura.
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Tabela 04 – O que levou os agricultores da cidade de Lagoa Seca –PB a optarem pela prática de
produção orgânica
Motivação para pratica de produção orgânica
Nº
Porcentagem
Lucro
1
12,5%
Bem estar (saúde)
6
85%
Prática familiar
1
12,5%
Nos últimos anos tem se percebido uma mudança de percepção a cerca do manejo
sustentável e da produção de alimentos orgânicos no país.
Quando questionados sobre as motivações que levaram a adoção das práticas
sustentáveis de plantio, um dos agricultores (12,5 %) afirmou que optou por essa técnica
porque é rentável, tendo em vista o fato de o consumo desses alimentos ter crescido nos
últimos anos (FONTANÉTTI et al., 2006). Os próprios produtores que também são
consumidores estão preocupados com a sua saúde e de seus familiares, somando a maior
parcela de entrevistados (75%) associou a escolha pelo comercio de orgânicos aos benefícios
que esses produtos trás, pois consomem os alimentos que comercializam na feira. Um dos
produtores afirmou que é uma prática que já começou com seus pais e ele deu continuidade.
O aspecto econômico mais importante que não é contabilizado, mas deve ser levado
em conta, é a saúde. Os alimentos orgânicos apresentam um melhor sabor, uma composição
mais diversificada em minerais, proporciona nutrição ideal ao corpo humano. Além disso,
apresenta maiores teores de carboidratos e matéria seca, além de beneficiar a saúde dos
consumidores (FRANCE, 2013).
Resultados obtidos com questionários aplicados com os consumidores de produtos
orgânicos.
Nesta segunda fase da discussão dos resultados serão expostas e avaliadas as
percepções dos consumidores que frequentam a feira de alimentos orgânicos da cidade de
Lagoa Seca- PB. Buscou-se uma compreensão a cerca das principais variáveis que incentivam
o consumo desses alimentos. Segundo Bourn e Prescott (2002) quando comparados aos
alimentos produzidos do meio do sistema convencional o orgânico se destaca em três
principais aspectos: valor nutricional, qualidade sensorial e segurança do alimento.
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Tabela 05 – Faixa etária dos consumidores de alimentos orgânicos entrevistados na feira municipal de
Lagoa Seca-PB
Faixa etária
Quantidade
Porcentagem
24 – 34
2
10%
35 – 44
1
5%
45 – 54
6
30%
55 -64
5
25%
65 -78
6
30%
De acordo com a tabela é possível perceber que 85% dos consumidores de produtos
orgânicos tem uma faixa etária mais elevada, isto demostra que são pessoas amadurecidas e
com maior conhecimento e poder de escolha.
Algumas pesquisas têm revelado propensão maior ao consumo de alimentos orgânicos
entre pessoas mais velhas, em torno dos 40 anos de idade (RUCINSKI, 1999)
Tabela 06– Qual profissional ou meio de comunicação que influenciou o consumo de alimentos
orgânico entre os consumidores entrevistados na feira verde de Lagoa Seca-PB
Qual profissional influienciou
o consumo dos alimentos orgânicos
Nutricionista
Quantidade
Porcentagem
2
10%
Médico
5
25%
Ambientalistas
1
5%
Professor
2
10%
10
50%
Outros (tv, internet )
Os dados demonstram que 50% dos entrevistados afirmam que, o maior incentivador
deste tipo de alimentação é a mídia e o acesso a sites sobre a importância da alimentação
orgânica e benefícios, uma pesquisa na área de comunicação, segundo Matos; Veiga (2002),
revelam que os meios de comunicação e de marketing influenciam consideravelmente o
conhecimento e a opinião do público. como também podem interferir nos hábitos de consumo
da população.
Outros dizem que são os nutricionistas os responsáveis por aderir a um hábito sadio
10%, alguns relata que os médicos por considerarem saudáveis e com maior concentração de
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nutrientes 25%, e o restantes afirmam que tanto professores como ambientalistas influenciam
de alguma maneira no consumo deste alimentos 15%, pois abraçam a causa por uma
alimentação segura e sem males tornando um mundo melhor e com menos impacto ao solo e
o meio ambiente preservando assim a natureza.
Tabela 07 – Local de residência dos consumidores de alimentos orgânicos entrevistados na feira verde
de Lagoa Seca-PB
Local de Residência dos Entrevistados
N°
Porcentagem
Lagoa Seca – PB
18
90%
Campina Grande – PB
02
10%
De acordo com a tabela acima é possível perceber que os consumidores de produtos
orgânicos demonstram certo interesse nos produtos e os consideram mais saudáveis que os
convencionais, pois os dados demonstram que 90% residem na cidade onde se situa a feira
verde, e 10% se desloca de sua cidade em busca desses produtos, ou seja não importa-se com
o deslocamento para adquirirem alimentos com referência e qualidade.
Tabela 08 – Justificativa dos consumidores pela opção de consumo de alimentos entre os
entrevistados na feira verde de Lagoa Seca-PB
Por que consomem alimentos
orgânicos
Quantidade
Porcentagem
Aparência e sabor
2
10%
São mais saúdaveis
16
80%
Não tem preferência
2
10%
Durante a aplicação do questionário com os consumidores buscou-se identificar as
características que motivam a escolha por orgânicos, o aspecto considerado mais importante
pelos entrevistados foi a saúde, pois 80% dos consumidores afirmaram fazer uso desses
alimentos por acreditarem que são mais saudáveis. 10% dos entrevistados compram os
produtos orgânicos por avaliarem que sua aparência e sabor são mais agradáveis que os
produtos comuns e 10% não têm a preferência apenas pela comodidade de estar próximo ao
centro da cidade.
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De acordo com Karan; Zoldan (2003), a demanda por produtos orgânicos está
crescendo não só no Brasil como em todo o mundo. De acordo com esses autores, as
principais motivações dos consumidores para desejarem esses produtos estão relacionadas
com a qualidade de vida, principalmente no que tange à saúde e a preservação do meioambiente.
Tabela 09- Responsável pela opção de compra de orgânicos entre os consumidores entrevistados na
feira verde de Lagoa Seca - PB
Quem decide por as compras de
alimentos orgânicos na casa
Mãe/ Mulher
Quantidade
Porcentagem
12
60%
Pai
6
30%
Filhos
2
10%
Os dados revelam que as mulheres são mais influentes do que os homens na compra
de alimentos. Num total 60% afirma que, quem decide pela escolha desses alimentos é a
mulher. Kotler (2003) destaca o papel da mulher e mãe na escolha dos alimentos para a
família. Ottman (1993) argumenta que, além de compradoras, as mulheres influenciam nas
decisões de compra do restante da sociedade e da geração seguinte, (30%) desse total diz que
o homem, o pai de família que opta pela compra, enquanto (10%) diz que os filhos
influenciam na hora da aquisição de alimentos orgânicos.
CONCLUSÕES
Observou-se que a principal motivação em relação a produção e consumo de alimentos
orgânicos, está relacionado à ausência de substâncias químicas que podem fazer mal à saúde
humana. Os agricultores entrevistados adotam o cultivo orgânico em busca de alimentos
saudáveis e para melhoria na qualidade de vida. Identificou-se que a maioria dos produtores
mesmo possuindo um grau de escolaridade baixo possui grande conhecimento sobre as
práticas orgânicas.
Os meios de comunicação têm divulgado as vantagens da alimentação orgânica, o que
vem contribuindo para aumentar o número de consumidores desses produtos. Esse
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crescimento não está diretamente relacionado ao valor nutricional dos alimentos, mas aos
diversos significados que lhes são atribuídos pelos consumidores. Tais significados variam
entre a busca por uma alimentação individual mais saudável e de melhor qualidade e sabor.
Entre os frequentadores da “Feira Verde” é possível distinguir consumidores eventuais de
produtos orgânicos e consumidores que adotaram a alimentação orgânica como parte de um
estilo de vida diferenciado dos padrões atuais.
Os entrevistados acreditam que as mulheres compram mais produtos orgânicos do
que os homens em virtude de terem uma maior preocupação com a saúde de toda família, bem
como na maioria das vezes são as responsáveis pelas compras de alimentos para toda a
família. Há também dificuldades de acesso aos produtos orgânicos, pois os locais de venda
ainda permanecem restritos e os preços sofrem grandes variações conforme o local de
aquisição.
A procura por uma alimentação considerada natural vem sendo orientada por
conhecimentos científicos relacionados à saúde do homem e do planeta. O consumo
sistemático, portanto, permanece restrito a uma parcela da população que, devido a seu nível
socioeconômico e cultural, partilha desses conhecimentos.
Finalizando, pode-se afirmar que a produção e o consumo de alimentos orgânicos
estão inseridos em um movimento que propõe mudanças não apenas no comportamento
alimentar, mas também, e especialmente, na forma de se atuar com relação ao meio ambiente.
A divulgação dos perigos dos agrotóxicos e demais produtos usados na agricultura
convencional é apenas um dos aspectos de um programa mais amplo de educação ambiental.
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