Editorial
Decretado extermínio do
servidor público
Alardeiam que a corrupção campeia desenfreada nas Policiais Civil
e Militar, paralelamente à prática da arbitrariedade e da falta de
respeito às leis. Hipocrisia das mais deslavadas, pois a corrupção funcionários fantasmas -, a arbitrariedade, a falta de respeito, e a
subserviência são hospedeiras cativas da Assembleia Legislativa,
onde se aprova tudo o que o Executivo encaminha, sem um exame
aprofundado das questões, atropelando a lei e a ética, e o que é
mais grave, extinguindo direitos adquiridos e esmagando, com
atitudes criminosas, conquistas asseguradas dentro dos preceitos da
democracia.
Exemplo flagrante dessa subordinação insana e criminosa é o que
aconteceu durante a apreciação do Projeto de Lei Nº 19.702/2012,
pós greve, para os pagamentos de GAPs IV e V, do policiais militares.
O relator do projeto, deputado Adolfo Menezes (PSD) rejeitou as
25 emendas propostas pela oposição, além das apresentadas pelo
Capitão Tadeu e Sargento Isidório (exceções).
Ficou comprovado que se o Poder Executivo encaminhar um projeto
de lei decretando o extermínio puro e simples do servidor público,
certamente será aprovado pelos deputados do bloco do Governo,
sem o menor constrangimento. Deputados estaduais que agem
como verdadeiros integrantes de grupos de extermínios prontos
para liquidar ou tornar nulos os direitos dos servidores públicos. Uma
aberração que continua acontecendo na Bahia, ao arrepio da lei e do
respeito.
Deputados da base aliada do governo estão agindo impiedosamente,
sem oferecer condições de defesa às suas vítimas, no caso os
servidores públicos, que veem os seus direitos serem abatidos sem
misericórdia, num processo negligente e pecaminoso de votação.
Projetos
equivocados
são
aprovados
despudoradamente, sem qualquer apreciação
ou exame, com parlamentares dizendo
“amém” mesmo antes da hora. Aprovam
tudo como verdadeiros Al Capones a serviço
do Governo, jogando no ralo do esgoto
os direitos de uma categoria
que é a mola propulsora da
administração pública da
Bahia.
Carlos Nascimento
Editor
EXPEDIENTE
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uma publicação da TOCK de
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Edição
Maio/ Junho de 2012
Impressão
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Onde segurança é o foco!
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Entrevista Exclusiva
Página de Polícia
Prisco abre o jogo!
foto: Gilberto Junior / Bocão News)
Por Gustavo Medeiros
“A minha prisão causou um dano ao movimento”
Lider das greves da PM em 2001 e em 2012, Marco
Prisco é uma figura polêmica. Sem papas na língua, ele
liderou os doze dias que parou a Bahia no inicio do ano.
De personalidade forte e dura, o ex-soldado do Corpo
de Bombeiros criticou a ação do governo Wagner contra
o movimento, analisou a repercussão e a perspectiva
de greve em outros estados da federação. Além disso,
comentou a manipulação de informações feitas por
veículos da grande mídia e, sobretudo, à gravação
de escutas produzidas pela Rede Globo de Televisão
com quem trava um processo judicial. “Não tiveram
a preocupação de mostrar as verdades dos fatos,”
afirma.
Prisco ainda não confirmou a sua participação na vida
pública como pré- candidato a vereador por Salvador nas
eleições deste ano. Atualmente ele luta pela reabertura
da ASPRA (Associação dos Policiais, Bombeiros e
Familiares do Estado da Bahia), lacrada pela justiça, e
pela sua reintegração à corporação.
Principal protagonista do movimento grevista no estado,
Prisco entrou para a corporação em 1999. Após a greve
ocorrida em 2001, na gestão do então governador Cesar
Borges, ele foi exonerado e expulso. A partir daí, o exsoldado do Corpo de Bombeiros se envolve em outros
movimentos de policiais militares no país. Em 2010, se
candidata a deputado estadual pelo PTC, porém não foi
eleito.
Em entrevista ao Pagina de Polícia ele destaca a atuação
do movimento e a relação entre a Polícia Militar e a
sociedade após o período da greve, expondo também a
sua fé em Deus e na justiça. Além disso, o ex-soldado do
Corpo de Bombeiros também torce para que o estado
possa retomar as negociações que ficaram pendentes.
“Esperamos que o governo sente a mesa, convoque e
publique no Diário Oficial para a gente continuar essa
negociação”, comenta.
Página de Polícia - Quais foram os motivos para a eclosão
da Greve da PM na Bahia?
Prisco - A gente estava cansado de tanta promessa
de um governo que foi eleito pelos trabalhadores e
que no período da campanha eleitoral utilizou o nosso
contracheque, prometendo que iria reintegrar os
policiais demitidos na greve de 2001. E com o passar
do tempo, fomos vendo as frustrações. Com isso, a
categoria passou a sofrer demais. Nós tínhamos uma
lei, a de nº7145 (Criada em 1997 no governo de Paulo
Souto), a lei da GAP (Gratificação por Produção) que
não foi cumprida por Wagner. E de lá para cá vemos as
mesmas práticas: Tirar 20% da GAP e colocar no soldo,
não tínhamos reajuste nem ganho real. A questão
da reintegração, o governo não reintegrou ninguém.
Ganhamos na justiça por três vezes e o governo não
cumpriu, além de não ter cumprido a lei de anistia (Lei
5
nº 12191, sancionada em 2010 pelo Governo Lula). Dos
26 estados da federação, a Bahia ainda não cumpriu
essa lei. Em 2011, Dilma sancionou outra Lei de Anistia
e o estado, mais uma vez, não está cumprindo. Foram
vários fatores que levaram a eclosão deste movimento
e pela falta de dialogo do Governo do Estado com a
categoria.
PdP - Além do Pagamento das GAPS IV e V, principais
pontos da pauta de reivindicação, existem também outras
a serem feitas e não cumpridas pelo Governo Wagner?
Prisco - Até agora estamos esperando o cumprimento
do acordo para o movimento ser encerrado, que é
a questão do pagamento das GAPS IV e V de forma
parcelada. A anistia não está sendo cumprida, mesmo
ainda com policiais presos e perseguidos. Wagner
falou que logo após o movimento iria estabelecer uma
mesa de negociação para negociar as outras pautas
que é o plano de carreira para a categoria, a criação do
código de ética, a regulamentação dos adicionais de
salubridade, periculosidade e do auxilio acidente, que
está na lei, e nada disso foi cumprido. È uma lacuna
que ainda está aberta. Esperamos que o governo sente
a mesa, convoque e publique no Diário Oficial para a
gente continuar essa negociação e não haver uma outra
insatisfação podendo, futuramente, voltar a haver um
outro movimento, uma vez que não há um cumprimento
do acordo.
PdP - Dependendo do resultado dos rumos do movimento,
você acha que a greve teria repercutido em outros estados,
como no caso do Rio de Janeiro?
Prisco - O Rio de Janeiro, historicamente, é um estado
que nunca teve luta nessa categoria. Estamos satisfeitos
com o pessoal que entrou agora no movimento lá do Rio.
6
Tentaram fazer uma ligação entre o movimento daqui e
a do Rio. É uma mentira, uma falácia. Não há ainda uma
organização nacional para isso. Estamos trabalhando
essa organização não por questões salariais. Agora a
nossa luta maior é pela desmilitarização e unificação
das policias. Futuramente, o movimento pode até ser
estendido a nível de Brasil com o objetivo de transformar
a nossa polícia, pois não queremos mais esse modelo
militarizado, que é um modelo falido. Queremos um
novo modelo de policia para a sociedade. Apesar de
terem errado ao esperar muito, poderia ter parado
antes, o Rio de Janeiro despertou outras lideranças no
Brasil. A nossa luta nunca foi corporativista, mas sim
por uma segurança pública melhor para a sociedade,
que paga os nossos salários e não suporta essa violência
estabelecida no país. Está acontecendo agora no Mato
Grosso do Sul uma greve com a PM de lá e isso prova que
os movimentos vão continuar eclodindo. Essas lutas não
vão parar, pois a gente entende que a segurança pública
é um bojo e tem que haver uma melhora e não apenas
propaganda.
PdP - No que resultou a sua prisão para os rumos do
movimento?
Prisco- Eu vi minha prisão como uma forma arbitraria
e absurda. A prática que o governo fez na Assembleia
Legislativa era coisa que a gente tinha visto na época
da Ditadura Militar. Não só a Assembleia, mas todo
o Centro Administrativo (CAB) foi sitiado e cercado
pelas forças do exercito. O direito de ir e vir do cidadão
foi desrespeitado. O ato da prisão foi outro absurdo,
arbitrário. A minha prisão, de fato, causou um dano
ao movimento, mas ele continuou. Naquele momento
estavam prendendo um trabalhador, um líder sindical.
Até o Tribunal de Justiça foi fechado. Eu vi atiradores
de elite em cima do TJ. Houve uma intervenção federal
no estado. Vimos cenas que nos reportam à 1964 e que
jamais esperaríamos ver. A força militar
bélica que veio foi maior do que a que ocupou
o Complexo do Alemão, e olha que aqui eles
estavam lhe dando com trabalhador. Para a
gente foi uma forma absurda e frustrante.
Mas essa é uma luta continuada.
PdP - Agora a sua luta é pela reabertura da
ASPRA, que foi lacrada pela justiça, e pela
reintegração à corporação Você já tem apoio
suficiente para poder dar inicio a esses dois
processos?
Prisco - Nós estamos buscando apoio de
todos os seguimentos da sociedade. Como
é que pode uma entidade de classe, em
pleno século XXI e protegida pelo artigo 7
da Constituição de 1988, ser fechada e ter
a sua conta bloqueada pelo Governo do
estado. É uma verdadeira aberração. Nós
queremos a volta da nossa entidade que é de
classe e legalmente constituída e não pode
ficar fechada até hoje. Quanto à tentativa
de barrar a minha reintegração é outra
aberração jurídica, nós tivemos três pedidos
impetrados no Poder Judiciário mandando
me reintegrar a corporação, mas o governo
não cumpre. Temos buscado apoio da
sociedade e cobramos para que ela clame
e grite contra essa aberração porque essa
prática já foi abolida do nosso país. Pedimos
apoio a vários deputados aqui na assembleia e estamos
fazendo um documento oficial meu e da entidade para
entregar a cada deputado em mãos para oficializar,
porque eles acham um absurdo o que
está ocorrendo. Estamos fazendo este
documento e vamos protocolar em cada
gabinete, ao presidente da assembleia,
aos lideres do governo e da oposição para
que seja cobrada uma posição em relação
a isso.
PdP - Como você considera os resultados
que o movimento trouxe para a relação
entre a polícia e a sociedade?
Prisco - Para a visão que a gente teve
da sociedade foi que movimento saiu
vitorioso. Toda a sociedade baiana
nos apoiou, após as mentiras e farsas
produzidas pela Rede Globo que tinha o
interesse pelo Carnaval do Rio de Janeiro
e tentou criminalizar o movimento, já que
a sociedade estava toda do nosso lado. A
Globo não se preocupou com a segurança
da população. Essa fraude caiu e estamos
entrando com uma ação na justiça contra
a emissora e está provado que a sociedade
aprovou o nosso movimento, pois ela quer
uma segurança melhor.
PdP - Você está processando a Rede Globo
pela manipulação em gravações de escutas
telefônicas? Como anda o processo e como
você vê o papel da mídia durante a greve?
7
Prisco - Eu vi com tristeza. Quase 90% da grande mídia
mentiu, enganou e tentou comprar a mente das pessoas.
Não tenho duvida nenhuma que para o termino da
greve teve interesse da mídia, dos grandes empresários
e só não pensaram naqueles que deveriam se preocupar
mais que é a sociedade. Não tiveram a preocupação
de mostrar as verdades dos fatos. Fico triste porque
confio muito na Imprensa Brasileira e nós temos o
quarto poder que é a mídia que tem a capacidade de
mudar e transformar esse país. Espero que depois
desse movimento aqui, muitas delas não fiquem como
apêndice do governo, já que ele gasta quatro vezes mais
em propaganda do que em segurança pública. Espero
que a mídia faça o seu verdadeiro papel, como rege a
Constituição deste país, que ela fique independente,
que ela mostre a verdade. Mas parte da mídia também
mostrou a verdade. As redes sociais estão de parabéns,
pois essa mídia ninguém consegue calar.
PdP - Você foi candidato a deputado estadual em 2010.
Ainda há uma perspectiva de voltar a política como
candidato a vereador em 2012?
Prisco - Todo cidadão brasileiro tem o direito de ser
candidato ou não. Eu sou um ser político. Lógico que eu
não faço essa avaliação que eu serei candidato ou não
ainda. Estou lutando pela soltura de três companheiros
que se encontram presos e pela reabertura da sede
da nossa entidade. E o futuro a Deus pertence, fica na
vontade do Senhor e da categoria. A gente vai analisar
mais sobre isso.
PdP - Como líder de um movimento que parou o estado,
você se sente como um herói?
Prisco- Não me vejo não. Infelizmente, nos dias de hoje,
é impossível você ser honesto. Mas vendo a política
brasileira em si, o povo quer alguém que grite. Eu não
quero me servir de herói, quero, sim, uma transformação
social neste país e que o povo faça enxergar que nós
podemos mudar a realidade deste país não só no lado
da política, pois se não for pela política que seja nas ruas
para transformar este país.
PdP - Você está lutando para reabrir a ASPRA. Como as
pessoas podem fazer para contribuir?
Prisco - As redes sociais estão aí, as pessoas podem
gritar através delas, podem reclamar sobre isso. Estamos
passando também por uma dificuldade financeira
muito grande. Por isso peço a todos os segmentos da
sociedade que puder contribuir para a nossa luta que
contribuam, pois ela é uma luta continuada. (Para
ajudar na reabertura da ASPRA a Agencia é Banco do
Brasil 3457-6 e o numero da conta é 36021-x)
Por Gustavo Medeiros
Jornalista DRT-BA 3890
8
Um desfecho bem no estilo “só se vê na Bahia”
Telefone toca.
- Alô? Jurandir?
- Colé.
- A porra inchou. Falei agora com Pé de Bode, que
tá na cela da Mata Escura preso com o Prisco.
- E daí?
E daí que o cara é quente, véi…e disse que
a PM não vai recuar não e que não vai ter
carnaval mermo.
- Puta que pariu! Tá maluco, esse viado?
- É mermão. Fudeu.
- Fudeu o caralho. É assim, é? Que porra é
essa de acabar com o carnaval? Quem
esse fdp pensa que é?
- Já tá foda se virar nessa greve…
o movimento caiu. Os bares
vazios, a rua vazia…lojista se
queixando de faturamento…
nosso faturamento também
caiu! Não tem gente na rua pra gente
roubar... Na Ilha do Rato não tem
câmera de vídeo nem fotografia pra
vender…não tem turista, véi…
- Não mexa no meu carnaval, não…
Porra ! Vamo perder dinheiro pra
carai…
- Foda que a gente não vai pular, né,
véi? Porque a gente trabalha mas
também se diverte nessa porra.
- Porra, vai todo mundo se fuder…
Minha tia Nalva, que me criou
passou 8 horas num sol da porra pra
se cadastrar pra ambulante, meu
primo Nel tá com um sucesso pra
estourar numa banda de pagode
e aquela prima gostosa de Nova
Brasília, sabe? Tá concorrendo a
Musa do Carnaval…Essa greve
vai fuder com a cadeia produtiva
da minha família.
- Porra, véi: Ivete broca… Tem que cantar nessa porra!
Como é que a gente fica sem a pipoca do Chiclete, véi?
Meus menino querem ir ver Carla Perez, mermão. Essa
porra vai quebrar minha guia…
- Porra, mermão, eu sou baiano nessa porra; não mexa
no meu carnaval, não… essa porra é patrimônio.
Esses fdp tão querendo roubar a gente… perái…
sou bandido, mas sou baiano: ninguém acaba com
o meu carnaval, não.
- Resolve essa porra, Jurandir… liga pros caras
e negocia. Você conhece quase todo mundo da
polícia. Liga pro Muqueta, pro Quebra-Cela… a
galera do governo não tá acertando…
- Peraí, que eu tive uma ideia do
caralho. A PM mostrou o lado
bandido e, pra salvar o negócio,
agora a bandidagem vai mostrar
seu lado cidadão…
- Hã?
- Para garantir o carnaval de
Salvador a bandidagem vai entrar
em greve. Pronto. Sem bandido,
esses filhos da puta não vão fazer falta
nenhuma. Golpe de marketing.
- Porra, Jurandir, você é o cara. Fala
bonito pra porra… Já tô até vendo o
Willian Bonner dando a notícia…
- Porra de Willian Bonner… já tô vendo
aquela morena gostosa nova falando:
“Bandidos entram em greve e salvam
carnaval de Salvador”.
- Porra, me arrepiei … fechado.
- Deixa de viadagem e desliga logo essa
disgrama, que eu vou ligar pros caras. Tá
resolvido. Pode avisar pra galera que, se
depender dos bandidos, o carnaval tá
salvo.
Por Ana Luisa Almeida
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POLICIAIS MORTOS DURANTE GREVE
10
Policial civil é assassinado com 15 tiros
durante greve da PM
Policial militar é morto em pizzaria próxima à
Assembleia Lgeislativa da Bahia
O policial civil João Carvalho Filho, 48 anos, foi
morto próximo ao Hiper Posto, no bairro do Itaigara
na manhã de sábado (04/02).
O investigador João Carvalho, 48 anos, estava em
seu carro na avenida ACM, quando um grupo de
criminosos chegou e efetuou os disparos.
De acordo com a assessoria da Polícia Civil, o policial
levou a mulher ao médico e aguardava o retorno
dela, dentro do carro do casal nas proximidades
do shopping Iguatemi, quando foi abordado pelos
bandidos. A polícia não informou se o policial reagiu
ou se foi morto após os bandidos descobrirem que
ele era policial. Os criminosos também roubaram a
pistola do policial antes de fugirem do local do crime.
O policial foi socorrido por uma viatura da PM e de
acordo com o posto policial do HGE, não resistiu
aos ferimentos e morreu depois de dar entrada na
unidade médica.
O policial militar Lenildo Costa, de 37 anos, foi
morto no fim da noite de terça-feira, 7, em uma
pizzaria localizada nas proximidades do Centro
Administrativo da Bahia (CAB), onde PMs grevistas
estão acampados desde a terça-feira passada.
Costa participava do movimento desde o primeiro
dia e, ontem à noite, decidiu encontrar a mulher e
dois filhos para comer uma pizza, a pouco mais de
dois quilômetros do local. Segundo testemunhas,
dois homens chegaram em um carro, anunciaram
um assalto ao estabelecimento, atiraram contra o
PM e levaram a arma de Costa antes de fugir.
“É uma tristeza muito grande perder um
companheiro assim, mas é para que fique claro que
a gente também sofre com a falta de segurança na
Bahia”, diz um amigo do policial morto, também PM
grevista. A Polícia Civil trabalha com as hipóteses de
latrocínio ou vingança.
Desinformação, redes sociais e o caos em Salvador
Há quase 11 anos atrás uma greve da Polícia Civil da
não-associados, a PM não desmentiu em tempo hábil a
Bahia, organizada pelo então sindicalista Crispiniano
greve. Talvez para forçar o diálogo com o Governo.
Daltro, acabou incentivando uma paralisação por parte
Resultado, o pânico se instalou nas redes sociais. A cada
da Polícia Militar da Bahia, também. Mesmo à frente do
minuto boatos sobre arrastões, assaltos a pontos de
comando da greve das polícias, Daltro não conseguiu
ônibus, tiros, assassinatos, desmandos dos grevistas,
controlar os PMs baianos, com a mesma habilidade
passaram a ilustrar as páginas do Twitter e Facebook,
com a qual liderava os civis. Surgiu a figura do Soldado
misturando-se a fatos verídicos.
Prisco.
Porém era difícil separar a verdade dos boatos, devido
Prisco passou a coordenar algumas “ações de greve” e
à falta de confirmação por parte da imprensa dos fatos.
acabou virando alvo do então Governador César Borges
Em busca de informações procurávamos em sites de
e da cúpula da Secretaria de Segurança Pública
alta confiabilidade, e não achávamos. Resultado: as
do Estado, que pediram a exoneração e
mídias sociais geraram um pânico tão grande,
prisão do soldado grevista. Exonerado,
quanto os policiais de capuz e armas em
“as
Prisco conseguiu escapar da prisão
punho atirando para o alto em frente a
mídias sociais
com a ajuda de um certo partido de
um shopping de grande circulação da
geraram
um
pânico
tão
oposição, o PT.
cidade.
Hoje, sob o comando do PT, a
grande, quanto os policiais O caos gerado pela greve começou a
Bahia viveu dias de horror. Mais de
de capuz e armas em punho mudar a opinião pública. Antes a favor
160 assassinatos em apenas dez
da PM e contra o governo Wagner, no
atirando para o alto em
dias, mais de 200 carros roubados,
final da greve a população começou a
frente a um shopping de
saques,
arrombamentos,
mudar de ideia, devido aos prejuízos
arrastões e incêndios criminosos.
causados à economia local.
grande circulação da
Policiais encapuzados ordenando o
A Bahia parou. Contudo as imagens de um
cidade.”
fechamento do comércio dos bairros,
Estado sem comando viajou o mundo inteiro.
rasgando na faca pneus de viaturas,
Com isso, o carnaval de Salvador, principal
invadindo a Assembleia Legislativa da Bahia,
manifestação popular e turística do mundo, foi um
travando avenidas com ônibus e atirando para o alto
dos mais fracos dos últimos anos. Economicamente
para gerar o pânico em algumas regiões do Estado.
foi um fracasso e turistas que viriam para Salvador
O Governador, daquele certo partido de oposição do
escolheram outros destinos, como Fortaleza e Recife.
passado, agora disse não tolerar o vandalismo e os
Nem a Força Nacional e a Polícia do Exército conseguiu
desmandos do grupo de policiais grevistas, e se recusou
proteger a imagem da Cidade da Folia, Capital da Alegria
a aceitar em uma audiência, quem diria, o ex-soldado
e Coração do Mundo. Só a imprensa, e muito marketing,
Prisco e seu grupo de policiais grevistas.
ajudou a minimizar os prejuízos da minha Salvador,
A greve da PM foi considerada ilegal pela justiça. Porém,
nesse carnaval. E passado a folia dos “arrastões de
os grevistas não voltaram ao trabalho e quase 80% da
bandidos” e dos cidadãos de bem
cidade parou nesses dias sem PMs nas ruas. Até um
saqueando lojas como ladrões,
jogo do Campeonato Baiano de Futebol, teve grevistas
ficamos numa quarta-feira-deà frente do estádio impedindo o time do Bahia de entrar
cinzas permanente, nessa terra,
no estádio, com o seu ônibus.
que já foi, da felicidade.
A confusão começou quando uma associação de
policiais militares, liderados pelo ex-soldado Prisco,
Erick da Silva Cerqueira
Publicitário, filho, sobrinho e neto de policial.
decretaram a greve. Mesmo sem o apoio, declarado, dos
www.erickcerqueira.com
11
O dia 9 de fevereiro de 2012 será lembrado por muito tempo como
a data que entrou para a história da Bahia e do Brasil. Quando
um aglomerado de policiais militares deixou as dependências
da Assembleia Legislativa da Bahia, depois que Marco Prisco,
presidente da Aspra (Associação dos Policiais, Bombeiros e
Familiares do Estado da Bahia), aceitou desocupar o local em
troca da sua prisão e do ex-cabo Paulo Hohenfeld, para evitar um
derramamento de sangue.
Apesar do que foi dito por grande parte da imprensa, pouca gente
sabe o que realmente aconteceu nos bastidores da greve da PM,
que durou dez dias com a ocupação da parte externa da Assembleia
Legislativa da Bahia. O que foi dito até então não passa de boatos
de pessoas que nem sequer estiveram na câmara dos deputados
baianos, onde nós pensávamos que se tratava da “Casa do Povo”.
A assembleia dos policiais militares foi organizada pela Aspra
que tinha como pautas principais o cumprimento da lei 7.145 de
1997, com pagamento imediato da GAP IV, incorporação da GAP
V ao soldo, regulamentação do pagamento de auxílio acidente,
periculosidade e insalubridade, cumprimento da lei da anistia e a
criação do código de ética, além da criação de uma comissão para
discutir um plano de carreira para a categoria.
Durante o ato, os representantes das diversas entidades e
associações da categoria em nível nacional e local explicaram
os problemas enfrentados pelos policiais militares da Bahia,
mostrando que o estado não é diferente de outras unidades da
Federação. E que o atual governo do PT, na Bahia, ajudou na greve
de 2001, com apoio logístico e financeiro para desestruturar o
12
então governo de César Borges.
Após os aplausos e gritos de ordem, Prisco reiniciou seu discurso,
informando a presença esperada do deputado Cap. Tadeu. O que
os policiais desejavam naquele momento não passava de cinco
letras. Contudo os mais de cinco mil militares presentes queriam
muito mais. O que naquele momento nem Prisco, e nem os demais
representantes da categoria imaginavam era a decisão de greve
por partes dos policiais. Os ânimos se encontravam à “flor da pele”
e o “Zarário” iria ser feito.
Naquele momento ninguém em sã consciência iria se opor a dizer
que não era hora de fazer greve. Decisão tomada pela plenária
e agora o que fazer? Surge então, a proposta de Prisco ocupar a
ALBA, e assim pressionar o governo.
Uma grande carreata foi organizada até a Assembleia Legislativa
da Bahia no CAB (Centro Administrativo da Bahia). Passava pouco
mais das 20h, quando os PMs chegaram na ALBA, os poucos
funcionários presentes se assustavam com tantas pessoas no
local.
Não demorou muito as dependências da “Casa do Povo” estava
repleta de repórteres e cinegrafistas, registrando a ocupação
pacífica dos servidores da segurança pública.
O presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo, convidou uma
comissão de policiais para uma conversa e convocou os jornalistas
para acompanhar a reunião. O que seria o início de um diálogo para
abrir um canal de negociação entre os policiais e o deputado serviu
apenas para mostrar uma faceta de um legislador subserviente ao
Executivo.
Após quarenta minutos de desconforto por parte do deputado
diante da comissão dos policiais, o parlamentar disse que não
iria mediar qualquer negociação junto ao
governador.
Foi o início da intransigência por parte
da uma pessoa que se diz representante
do povo. Sem expressar qualquer tipo de
compreensão, o parlamentar alegou não
entender os pleitos dos policiais e, por
isso, não iria intervir ou se posicionar a
respeito, até por que acabava de saber
que o presidente da ASPRA, Marco Prisco,
não era mais policial militar. Os PMs se
retiraram do gabinete da presidência
e se dirigiram até a parte externa da
Assembleia, onde permaneceriam por
toda a greve.
Os jornais e sites de Salvador cobriram os
primeiros dias da greve dando apenas a
versão do governo sobre a greve da PM e a
ocupação naALBA. Alguns apresentadores
clamavam das autoridades uma solução,
já que o chefe do executivo estava fora do
país em visita diplomática.
A cúpula da SSP argumentava que a
paralisação dos militares era minoritária
e não havia motivos para a população
se preocupar, pois a segurança estava
garantida. Os noticiários anunciavam que
estavam acontecendo saques e arrastões
em várias partes da cidade e a população
começava a ficar preocupada com as
notícias. Encontrava-me desde início da
tarde do dia 2 na ALBA, quando recebemos
a informação de que o Comando da
PM ordenaria a desocupação através
do Batalhão de Choque, com apoio de
policiais civis do Centro de Operações
Especiais (COE).
Os policiais decidiram fazer várias
barricadas com ônibus na entrada do CAB,
para evitar uma possível desocupação.
Alguns policiais que estavam se deslocando
até o CAB fecharam parte da via com
dois ônibus na Paralela. Por todo cidade
só se ouvia falar em saques e arrastões.
Bancos foram metralhados, o número de
homicídios quintuplica, passam da média
de cinco por dia, em menos de 24 horas
para 26 assassinatos e até o final da greve
passaria de mais duzentos homicídios.
Por todo o dia as notícias nos telejornais
e rádios da cidade eram apenas sobre a
greve dos PMs, não se tinha outro assunto
em voga, naquela semana. Naquela noite
dia 3, eu era demitido da TV Aratu. Após
a demissão, sem nenhuma justificativa,
tomei uma decisão que mudaria minha vida
para sempre. Cheguei à ALBA e informei
o que tinha acontecido aos policiais.
Para minha surpresa, fui acolhido como
um membro da família. Diante daquela
recepção pedi ao líder do movimento a
palavra, nem sequer sabia o que ia dizer, apenas deixaria o meu
coração falar. Minha mente processava as ideias e meu espírito o
guiava, meu sentimento era de raiva por ter procurado a verdade e
saber que os homens que estavam ali queriam melhores condições
de trabalho e a oportunidade de estar
bem com suas famílias.
Os policiais dormiam no chão, outros
dentro dos seus carros. Pela manhã o
clima da ALBA era muito bom, os policiais
acordavam como se fosse o primeiro dia
da ocupação, o rancho foi improvisado
na parte externa da Assembleia. O
comentário entre os policiais era se o
governo aceitaria ou não negociar com a
Aspra.
As horas se passavam e nenhum
resposta por parte do governo, apenas
a imprensa reproduzia as notícias da
Secom (Secretaria de Comunicação
do Estado), que ditava o que sairia nos
jornais. Mesmo com presença de vários
profissionais de imprensa acompanhando
ocupação da ALBA, as noticias vinculadas
aos meios de comunicação era que os
policiais eram intransigentes e que só
estavam preocupados com o aumento
salarial. Prisco se mantêm à frente em
contatos com outras unidades e policiais
no interior para que a greve fosse
fortalecida, mesmo que muitos policiais
participassem da ocupação nas horas de
folga, e depois iam trabalhar.
O movimento paredista pecava pela
falta de informação e a falta de apoio
das companhias especializadas, que se
comportavam como outra polícia por
causa das gratificações diferenciadas
dos demais policiais. Começava ali a
entender que o que estava acontecendo
era um verdadeiro “vale tudo”. Se por
um lado o governo utiliza a imprensa
comprometida com as propagandas, por
outro, a omissão dos policiais que não
queriam se envolver na greve para não
perder a moral com os peixes (oficiais).
A APPM e Força Invicta estavam no
meio de um impasse. Nunca houve
negociações, apenas a imposição do
governo em querer que Prisco desistisse
do movimento. Nos bastidores até o
Sindpoc foi colocado como interlocutor
do impasse. Uma questão de honra para
o governo era a devolução das viaturas
que foram trazidas para frente da ALBA
nos primeiros dias da greve. Para muito
policiais as viaturas eram o símbolo
da greve, para Prisco a devolução das
viaturas abriria um canal de negociação
e mostraria para a sociedade que os
policiais grevistas queriam sim o diálogo.
Ficou acertado que até a manhã de
domingo as viaturas seriam entregues.
O problema foi a má fé do governo em
dizer à imprensa que a devolução das
viaturas estava sendo feita por força de
um mandado judicial. Mesmo depois de ser dito aos jornalistas
que se tratava de um acordo para abrir o canal de negociação
13
com a Aspra, a imprensa mais uma vez escondia a verdade da
população.
O domingo foi bastante animado entre os policiais por causa de suas
esposas e filhos que foram passar o dia. Um pula-pula foi instalado
em frente à ALBA, palhaços, brinquedos, doces, pipocas e um bolo
para comemorar o aniversário de Prisco e do filho de um policial
que estava acampado. Um verdadeiro dia no parque. Mesmo com
toda alegria sabíamos das intenções do governo que anunciava
que Forças Federais do grupamento de paraquedistas estavam
se deslocando para Salvador. No local era tudo improvisado, foi
criado um suporte de alimentação para passar os dias, embora
alguns alimentos já se encontrassem no QG, uma pequena sala
abaixo das escadas que dava acesso a galeria das ex-deputadas.
Por todo o dia, mais policiais chegavam à Assembleia, a fim de
ver como estavam os seus colegas e amigos.
A noite chegava e alguns policiais deixavam a ALBA para ir
para suas casas, enquanto outros nem pensavam em sair
do local. As 19h era servido o café para um batalhão de
policiais. Um televisor foi colocado ao lado do busto do
ex-deputado Luis Eduardo Magalhães. Os policiais assistiam
a todos os noticiários atentamente, as notícias eram as
mesmas, falava do medo da população
e intransigência por parte dos PMs,
o clima de terror nos bairros
causado pelo vandalismo
de bandidos que pintavam
o terror, de certa forma
os noticiários indicavam
que eram os policiais
grevistas
eram
os
responsáveis pelo que
estava acontecendo.
A
cada
comercial
nos
questionávamos
como
estavam
sendo
manipuladas as informações
pela imprensa para população.
As
notícias
vinculadas
nos
telejornais deixavam os policiais
apreensivos. Principalmente com a
informação de que o exército mandaria
mil paraquedistas com intuito de realizar a
desocupação. As ditas negociações vinham se
arrastando há quatro dias, as repostas eram
sempre as mesmas. Dormimos aquela noite
apreensivos. Eu sabia que não estava
havendo nenhuma negociação apenas a
intenção de convencer Prisco a abandonar
a ideia da greve por causa da proximidade do
carnaval.
Um grupo de 30 policiais se revezava na guarda
14
para a segurança dos demais policiais. Mesmo sabendo que
ninguém dormia tranquilamente. Já passavam da 5h30min, quando
fomos acordados com um ALFA11. O clima de tranquilidade passou
para estado de terror, a iminência de uma invasão agora era real
e o confronto era certo. Em menos de 20 minutos, o exército
começa a tomar o perímetro. Alguns policiais infiltrados entre nós
desde o início da ocupação debandaram como ratos em um navio
a pique, fugiram pegando suas motos ou correndo para os carros
que estavam à espera fora do estacionamento da ALBA, outros
permaneceram. Assistimos toda movimentação sem falar uma
palavra sequer. Naquele momento sabíamos se alguém avançasse
em direção até nós, aconteceria um confronto sem precedentes
nos dias atuais.
Em meio àquela tensão Prisco pega o celular e começa a
pedir apoio a outros policiais que estavam em casa ou
nos quartéis para que viessem para o CAB. Se Prisco
soubesse não teria pedido ajuda e certamente não
acabaria caindo na armadilha do Guardião (grampo).
Com o cerco do exército começava a guerra psicológica
de força contra os policiais da ALBA, a guerra passava
a
ser declarada pelo governo. Dois
helicópteros faziam voos rasantes
para mostrar os atiradores de
elite.
Centenas de familiares se
deslocaram para o CAB,
jornalistas começavam a digerir
as versões oficiosas do governo.
Como esperado, houve o
primeiro confronto com soldados
do exército. O clima ficou muito
tenso. A imagem de vários policiais
chegando correndo todos juntos no
“hope” fez com que todos os policiais
se emocionarem e voltamos a cantar
“Ohhh a PM parooou”. Por trás das
linhas do Exército, outro exército de
policiais militares a paisana cantavam
também “Ohhh a PM paroou”.
O exército teve que reforçar o seu
contingente devido aos policiais que
ameaçavam invadir e engrossar ainda mais
o número dos acampados. Dois policiais
conseguiram furar o cerco do exército e entrar
na ALBA, sendo recebidos como heróis. Mas
em todo momento de alegria a de tristeza, no
meio da confusão dois policiais saíram feridos por
causas das balas de borrachas e gases lacrimogêneos
atirados pelos paraquedistas. A violência por parte
do exército foi encarado pela imprensa como necessária e
oportuna.
O rancho improvisado passaria a fornecer duas refeições por dia.
As poucas frutas se tornaria um item de luxo. Os biscoitos creme
crack, seriam servidos no café da noite e os últimos pães com café,
leite e chocolate. À noite assistíamos os telejornais e ficávamos
mais revoltados com a forma como a situação era tratada. A
segunda-feira nem tinha amanhecido somos acordados por um
novo ALFA 11. Os policiais que estavam de guarda perceberam
a movimentação dos soldados do exército e deram o sinal de
alerta, ficamos todos sobressaltados com o informe e ninguém
mais dormiu. O dia clareou, mas sabíamos que não podíamos
vacilar. Por volta das 9h mantive contato com Marcos Mauricio,
presidente do Sindpoc, que me informou já estar a caminho. Disse
para ele que precisávamos de alimentos e água. “Levarei para
vocês, só não sei como passar pelos soldados”, falou. Disse para
Marcos jogar por cima deles. Depois de 30 minutos as garrafas de
água mineral foram jogadas por cima dos soldados do exército,
depois disso, os alimentos começaram a chegar. E com a liberação
do general Gonçalves Dias, recarregamos o estoque do rancho
com quase meia tonelada de alimentos e muitas frutas, até uma
churrasqueira foi entregue, que acabou não sendo usada.
O cardápio do dia tinha feijão tropeiro, arroz, marcarão, frango
assado e calabresa. Aquele gesto de caridade do general não
passava de uma tática de guerra para ganhar a confiança do
inimigo. Assim que os repórteres ficaram sabendo da liberação o
general foi desqualificado pela sua atitude ao ponto de perder o
comando da missão. O único civil a ter acesso a entrar na ALBA
cercada pelo exército foi Marcos Mauricio, que pôde conversar
com Prisco e comigo também e a sua preocupação era sobre a
iminência de uma invasão que era dita como certa.
Na terça-feira, depois do jantar, recebemos a visita do cabo do
Corpo de Bombeiros carioca Benevenuto Daciolo, junto com o juiz
militar José Barroso Filho, e Cap. da PM baiana que não quis se
identificar para conversar com Prisco, por mais de quatro horas.
Eu sabia que Prisco não aceitaria se entregar, a proposta era de
ele ser escoltado por agentes da polícia federal em duas pick-ups
pelo fundo para que os demais policiais saíssem da ALBA. A saída
de Daciolo junto com o juiz federal de cabeça baixa era um sinal de
que terminavam as negociações naquela noite.
Iniciava mais um dia de apreensão e muito nervosismo por todos
nós. Há três dias eu vinha elevando a moral da tropa, chamando
para correr e cantar a música da greve, até Prisco não resistiu e
acabou indo correr conosco e cantar. A apreensão aumentava.
A quarta-feira, dia 8 de fevereiro, estava terminando. No início
da noite recebia várias ligações informando que a invasão não
passaria daquela noite. Falei com alguns policiais que sempre
estavam em contato e avisei a eles, falei também com Prisco e
mais outros policiais que faziam a segurança dele. Não tinha muito
tempo, eu teria que fazer alguma coisa, nos dias anteriores vinha
mantendo contato com o repórter Marcelo Sperandio da revista
Veja, que prometeu fazer uma matéria contando toda a verdade
sobre a greve da PM na Bahia. O problema era que teria que sair
da ALBA e levar todo material que tinha para da a ele. Porém eu
temia pela minha integridade física e por isso seria necessário ir
para um lugar seguro. Falei que podíamos ir para São Paulo. Só
assim, ele também não sofreria pressão do governo. Ele concordou
e marcamos nos encontrar no aeroporto para ir para São Paulo.
Depois de tudo acertado, gravei vários vídeos com os policiais e
também com Prisco. Sabia que se eu não fizesse alguma coisa
poderia acontecer uma tragédia no local, iria contar para o mundo
a verdade. Antes de sair da ALBA liguei para outros policiais que
estavam do lado de fora do cerco do exército, avisando que ia sair
e precisava de ajuda para me escoltar até o aeroporto onde me
encontraria com o repórter. Depois de tudo acertado saí da ALBA
e logo fui cercado por vários jornalistas que me perguntavam por
que estava saindo. Respondi que era para evitar uma tragédia que
estava prestes a acontecer, que eu estaria indo para São Paulo,
para contar a verdade sobre a greve.
Assim que eu falei com os jornalistas fui levado por policiais que
me levaram até o aeroporto onde me encontrei com Marcelo
Sperandio e passei todo o material que tinha feito durante a greve,
embora ele alegasse que não poderia voltar para São Paulo, por
que não se tinha nenhum voo naquele horário. Ele me garantiu
que iria publicar tudo o que falei e o que eu entreguei a ele, o que
não aconteceu.
Voltei para casa e mantive contato com Prisco, sem resposta por
que nossos celulares estavam grampeados. Tive então que ligar
para o celular de um policial que o avisou. Sabia que se Prisco
optasse a manter o movimento ele não sairia vivo como os demais
policiais. E naquele momento a prudência teria que colocar em
jogo as vidas de todos. Depois de desligar o celular entendi que
a decisão estava nas mãos do líder do movimento. Já passava das
4h, quando recebo uma nova ligação me avisando que Prisco iria se
render como parte de um acordo, no qual Prisco e Paulo Hohenfeld
sairiam presos pelo fundo da ALBA e os demais policiais sairiam
sem ser revistados, e todos salvos.
Quinta-feira 9 de fevereiro, chegava o fim do movimento paredista
de 2012. Até hoje escuto pessoas que não estiveram na ALBA
dizerem que não haveria invasão. Eu respondo que o que você
e toda Bahia não sabe é que o COT (Centro de Operação Tática
da Polícia Federal) já tinha invadido a
ALBA. A decisão de Prisco se entregar
se baseou na minha saída e no pedido de
um dos policiais que fazia sua segurança.
Ao fazer a ronda nos corredores depois
de sair o policial que fazia a segurança
de Prisco se deparou com um grupo de
federais a vinte metros de onde Prisco
se encontrava. Não dava para avançar,
apenas recuar e avisar a Prisco.
Texto e fotos
Valdeck Filho
Exclusivo para a Revista
Página de Polícia
15
Acordo acontece após um mês do fim da greve dos
militares do Estado
Menos de um mês
após o fim da greve
da Polícia Militar, a
Assembleia Legislativa
do Estado aprovou, na
madrugada de quartafeira (07/03), em regime
de urgência, o Projeto
de Lei Nº 19.702/2012,
para os pagamentos
de Gratificações por
Atividade Policial nas
referências níveis 4 e 5
(GAPs 4 e 5).
Após mais de 14 horas de
sessão, iniciada às 14h45
de terça-feira (6) e acompanhada por representantes
de associações dos policiais militares, os textos, que
preveem pagamentos fracionados das gratificações
até 2015, foram aprovados praticamente na íntegra.
A única alteração foi a retirada de um inciso que
determinava o pagamento a cada policial apenas após
a aprovação de seu superior hierárquico. A bancada de
oposição tentou incluir 25 emendas ao projeto, como
uma que beneficiava os policiais aposentados com a
incorporação das GAPs, mas não obteve sucesso.
O deputado Adolfo Menezes (PSD), relator do projeto,
apresentou seu parece favorável ao projeto, e deixou
de fora das gratificações os militares da reserva e
pensionista. Apenas parte do inciso terceiro do artigo
oito, que dispõe sobre decisão de conceder a GAP
apenas aos policiais escolhidos pelos seus hierárquicos
foi modificada. A avaliação para quem receberá a
gratificação será de desempenho coletivo para a
corporação.
A Assembleia também aprovou o reajuste linear dos
salários do funcionalismo baiano, incluindo os PMs, em
6,5%, retroativo a janeiro. Outra emenda apresentada
16
pela oposição e vetada
na Assembleia visava a
corrigir os valores das
GAPs com o índice de
reajuste salarial.
Com os pagamentos, de
acordo com o governo,
os salários dos PMs terão
reajuste de 38,89% até
2015. O depósito da GAP
4 será realizado em duas
parcelas, em novembro e
abril próximos, e o da GAP
5, entre 2014 e 2015. O
impacto dos pagamentos
no orçamento do Estado
é estimado em R$ 365,5 milhões por ano. Os projetos
agora voltam ao executivo, para sanção do governador
Jaques Wagner.
O Capitão Tadeu (PSB) declarou que o projeto aprovado
vais suscitar a apresentação de 12 mil processos
originários dos policiais da reserva, que buscaram a
garantia dos seus direitos. “Lutei 15 anos pelas GAPs
4 e 5 e sempre escutei do governo que não havia
dinheiro para pagar. Como posso acreditar agora que
não há recursos para pagar aos
aposentados?”, questionou.
Policiais militares protestaram
nesta terça-feira, em Salvador.
Eles se concentraram em frente
à Assembleia Legislativa, onde
ficaram acampados por duas
semanas durante uma greve no
início deste ano. Eles acompanharam toda a votação.
Confira a Lei na íntegra no site
paginadepolicia.com.br
A macabra dança dos números
Governo baiano comemora redução de homicídios em Salvador e RMS; taxa de 51,53 mortes para
100 mil habitantes supera a média nacional, que é de 22/100 mil.
Ao contrário do que deixa transparecer o governo
do Estado, com uma taxa de 53,51 homicídios para
cada grupo de 100 mil habitantes, Salvador e região
metropolitana (RMS) não têm o
que comemorar. O índice supera
a taxa nacional (22 para 100 mil)
e fica muitíssimo acima do limite
aceitável segundo os parâmetros
da Organização das Nações Unidas
(ONU), que é de 10 homicídios para
cada 100 mil habitantes.
Apesar desse fiasco, o governo do
estado prefere jogar para a plateia.
Mostra o que interessa – a ligeira
redução nos índices de homicídios
dolosos na capital e RMS – e protela
a divulgação de assuntos incômodos,
como a elevação nos dados referentes
a roubo de veículos, por exemplo. E
no interior do estado, como andam
as estatísticas referentes a crimes
contra a pessoa?
Tem mais. O fato de Salvador ter
reduzido as ocorrências de homicídios em quase 13
pontos percentuais não impressiona. Alguma relação
direta com o aumento nesse tipo de crime nas cidades
vizinhas? Quem assistiu ao filme Tropa de Elite (primeira
versão) pôde ver como, às vezes, nem sempre as
estatísticas são o que parecem ser: numa cena em que a
ficção se aproxima da realidade, uma guarnição policial
desova um cadáver fora de sua jurisdição para maquiar
os números referentes à violência.
Um total de 2.037 homicídios dolosos em um ano é um
número expressivo: quase 170 por mês, quase seis por
dia. Isso, admitindo-se que todos os crimes de morte
tenham sido notificados e devidamente registrados
pela SSP-BA. E desses, quantos tiveram a autoria
determinada? Quantos desses autores foram indiciados,
denunciados e aguardam julgamento perante um júri
popular?
Quando busca explicar os números
astronômicos da violência na Bahia,
o governo tem um discurso pronto:
trata-se de uma consequência
direta do tráfico de drogas, mais
especificamente
da
epidemia
que configura o vício do crack.
Que o narcotráfico tem influência
no aumento da criminalidade é
indiscutível. Mas não é o único fator.
A certeza da impunidade e a falta
de oportunidades para crianças e
jovens são outros dos ingredientes
desse caldo de cultura em que viceja
o crime.
Enquanto isso, assistimos a mais
uma encenação em que novos atores
recitam textos velhíssimos Não é a
primeira vez que um gestor da SSPBA comemora uma modesta redução
no índice de homicídios, esquecendo que, quando se
trata de morte (e morte violenta) não há o que festejar.
Afinal, se para as autoridades, a dança dos números
é motivo de júbilo, para milhares de pessoas, trata-se
da perda de filhos, pais, irmãos,
amigos. Não de uma, mas de 2.037
vidas humanas.
Jaciara Santos ([email protected]
aqueimaroupa.com.br) é sergipana
de Aracaju, atua como jornalista
profissional em Salvador-BA, já há
quase três décadas.
17
12 dias que pararam a Bahia
A greve dos policiais militares teve início na noite de 31
de janeiro, quando os policiais acamparam em frente
à Assembleia Legislativa e posteriormente
ocuparam o prédio. Cerca de 10 mil
PMs, do efetivo de 32 mil homens,
aderiram ao movimento.
A paralisação provocou uma
onda de violência na capital
e região metropolitana,
dobrando o número
de
homicídios
em
comparação ao mesmo
período do ano anterior.
Shows e eventos foram
cancelados, a ausência
de policiamento motivou
saques e arrombamentos.
Centenas de carros foram
roubados e dezenas de lojas
destruídas.
Os manifestantes reivindicavam
pagamento da GAP nas referências
IV e V, adicionais de periculosidade e
insalubridade, anistia para policiais punidos,
revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores
condições de trabalho, entre outros pontos.
O governador Wagner solicitou o apoio do governo
18
federal para reforçar a segurança e cerca de 3 mil homens
das Forças Armadas e Força Nacional foram enviados
a Salvador. Dois dias após a paralisação, a
Justiça decretou a ilegalidade da greve
e determinando que a Associação
de Policiais e Bombeiros da
Bahia (ASPRA) suspendesse o
movimento. Doze mandados
de prisão contra líderes
grevistas foram expedidos.
Em 9 de fevereiro, Marco
Prisco, o principal líder do
movimento grevista, foi
preso após a desocupação
do prédio da Assembleia.
A decisão ocorreu um
dia após divulgação de
gravações
telefônicas
que mostravam lideranças
do movimento planejando
ações de vandalismo na capital
baiana. Um dos trechos mostrava
Prisco ordenando a um homem que ele
bloqueasse uma rodovia federal.
Confira a Linha do Tempo da Greve, com fotos e
videos, no site paginadepolicia.com.br
Pensionistas reivindicam ao
Deputado Damasceno
VIÚVAS DE POLICIAIS CLAMAM POR JUSTIÇA!
As viúvas dos policiais baianos estão vivendo em
estado famélico. Não só elas, todos que dependem
diretamente da pensão deixada pelos profissionais da
Segurança Pública da Bahia sobrevivem, literalmente,
com os “pires na mão”.
O descaso dos Poderes Públicos é evidente quando
se observa, mais atentamente, o Projeto de Lei nº
19.702 / 2012, cujo conteúdo exclui, ou melhor, esquece
dos direitos das viúvas, pensionistas e reservas ao
recebimento das pensões na sua integralidade.
Seria justo deixar as viúvas, as pensionistas e os reservas
que clamam por justiça fiquem aquém de uma vida
digna? Seria justo conceber que as famílias daqueles
que deram sua vida para proteger o próximo fiquem
sem receber as suas pensões atualizadas ou recebendo
valores não condizentes com o cargo ocupado pelo
falecido? Exemplo: viúvas de coronéis recebendo valores
de um sargento; viúvas de um soldado recebendo um
salário mínimo e assim sucessivamente.
Essa situação vivida pelas viúvas, reservas e pensionistas
não é algo novo no cenário baiano, basta lembrar, por
exemplo, dos movimentos das viúvas vestidas de preto
na Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, clamando
por atenção e justiça. Esse grito de socorro não cessou.
Ele ecoa, se multiplica nas vozes das viúvas, reservas e
pensionistas e atravessa o tempo, sem êxito.
Não deixemos mais essa situação perdurar por
muitos anos. Vamos pleitear aos Deputados para que
juntamente ao Governador possamos restabelecer a
dignidade, os valores das pensões e vencimentos sem
constrangimento, sem essa dor.
Maria da Paixão de F. Pereira
Presidente da APRASPEBA
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FOTO VALDECK FILHO
Greve da Polícia Militar na Bahia
Por Walter Takemoto
O “Jornal Nacional” divulgou conversas telefônicas
entre o Prisco e outros dirigentes de associações de
PMs e Bombeiros, articulando apoios para greve e
ações voltadas para criar confusão e pânico nas cidades.
A partir da divulgação dessas gravações voltaram com
mais força as ofensas ao Prisco e outras lideranças da
greve. Bandidos. Criminosos. Terroristas. Tucanos. Ao
mesmo tempo, nas redes sociais circulam cartazes
com “Desocupa Prisco”, “Fora Prisco”, entre outros. E
alguns lançam desafios aos que defendem a greve para
se manifestarem após a matéria do JN.
Pois bem, eu me manifesto pois a defesa que faço não
tem nada a ver com a matéria do JN ou de qualquer outro
órgão de imprensa. Defendo a partir dos princípios que
sempre defendi e que acreditava que os companheiros
que estão no governo também compartilhavam.
Em primeiro lugar, pergunto a quem ataca os grevistas
por articularem uma greve nacional: qual é a categoria
de trabalhadores que não se articula nacionalmente
para elevar sua capacidade de luta e de negociação?
20
Principalmente quando até os postes sabem que os
policiais estão lutando para aprovar a PEC que institui
o piso salarial nacional. Estranho seria se eles não
organizassem nacionalmente suas lutas. Mas o pior,
o estranho e a burrice é a surpresa dos governantes
diante das greves que ocorreram e estão ocorrendo nos
estados. Será fruto da prepotência ou da incompetência
mesmo?
Em segundo lugar, como parte dos que estão
chamando de bandidos e criminosos os PMs por
atravessarem ônibus nas ruas, mostrarem armas em
vias públicas, entre outros atos violentos, não são
desinformados ou alienados, muito pelo contrário,
são muito bem esclarecidos, parte militante do PT ou
da estrutura partidária, cabe umas perguntas: Irão
chamar os militantes do MST de bandidos e criminosos
quando invadirem a sede das empresas e depredarem
laboratórios? Irão chamar os militantes do MST de
invasores de propriedade privada e criminosos quando
matarem bois, destruírem plantações?
Eu sinceramente
espero que não, pois o MST é um dos raros movimentos
E para os que gritaram “Desocupa Prisco”, “Fora
que se mantém organizado nas bases, vinculado aos
Prisco”, quero dizer que não o conheço, nunca vi e assim
trabalhadores rurais, organizando-os e formando-os
continuará sendo. No entanto é engraçado como o
politicamente. E o MST radicaliza suas ações e formas
sujeito que algum tempo atrás era bem quisto por parte
de luta diante da radicalidade da direita retrógrada
do PT, inclusive fazendo campanha para o partido, agora
ruralista e da incompetência dos governos em tratar a
é demonizado, o novo ACM da Bahia. E cabe ressaltar
questão rural com a prioridade que merece.
que esse Prisco, que o governo diz não ser nem mesmo
Voltando à greve da Bahia. Não sou favorável a destruir
policial, foi expulso da PM na greve de 2001 e anistiado
o patrimônio público, incendiar ônibus ou disseminar o
por lei sancionada pelo Lula e ainda ganhou na Justiça o
pânico como forma de luta em uma greve. Esses
direito de ser reincorporado à PM. E qual o motivo
não são os métodos mais apropriados, em
de ainda não ter sido reincorporado? Só J.
Em
especial em uma conjuntura na qual
Wagner pode responder!
nome da
existem espaços possíveis de luta
Esse é o método mais odioso de se
coerência
política
e
política e sindical mais amplos e que
fazer a luta política, que visa destruir
ideológica, e da repercussão
permitem articular outros setores
o sujeito sem a necessidade de
da sociedade no embate com o
responder ao que defende. É
que as ações que fizermos hoje
governo.
terão nos enfrentamentos futuros simples: Prisco é tucano, quer
No entanto, e sempre cabe
ser eleito vereador, mandou
com
a
direita,
não
posso,
e
não
um porém, em nome da
assassinar moradores de rua (ouvi
coerência política e ideológica, consigo admitir que companheiros isso sem que fosse apresentada
o façam, tratar trabalhadores, uma única prova ou indício de
e da repercussão que as ações
que fizermos hoje terão nos
veracidade!), ordenou saquear
mesmo fardados, como
enfrentamentos futuros com a
lojas, etc. Difundida a calúnia, deixa
criminosos e bandidos
direita, não posso, e não consigo
de ser necessário combater suas ideias
admitir que companheiros o façam,
e o que defende na condição de dirigente
tratar trabalhadores, mesmo fardados, como
de uma entidade e de uma greve que parou a
criminosos e bandidos, pois no limite isso significa
PM no estado.
Se as calúnias não destruírem a pessoa,
criminalizar uma luta sindical que é justa nas suas
sempre será possível recorrer a uma picareta!
reivindicações e que chegou no limite da radicalização
Espero, sinceramente, que os companheiros que estão
por incompetência do governo em se relacionar com
contra a greve continuem sendo, mas que pelo menos
os trabalhadores do serviço público, como já se viu nas
revejam o método que estão utilizando para tentar
greves dos professores e de outras categorias.
combater um movimento que
Já ouvi alguns dizerem que esses policiais são truculentos,
reivindica as mesmas questões
bandidos, corruptos e que o governo tem que ser
desde o início do governo J.
duro mesmo com eles. Ora, se são tudo isso, quem
Wagner e, como outras categorias,
os mantém na ativa? Quem ainda não implementou
ouvem promessas que nunca se
políticas voltadas para requalificar a corporação
concretizam.
Como já se disse
profissionalmente? Quem é responsável pela política de
antes, a história nos julgará.
segurança pública? É o PM que além da jornada como
policial faz outra como bico para aumentar o salário de
Walter Takemoto é psicólogo e consultor
educacional de secretarias de Educação.
fome que ganha e com a autorização velada de seus
comandantes?
21
Saúde com segurança
Saúde cardiovascular
No ranking dos avanços médicos da década, os
cientistas assinalam a redução da mortalidade por
doença cardiovascular, através de recursos como
drogas capazes de desbloquear a circulação
do sangue nas coronárias e Angioplastia
com colocação de stent, espécie de prótese
inserida na artéria obstruída que
mantém o fluxo sanguíneo livre. “A
Angioplastia com a introdução do
stent no local da obstrução da
coronária é a opção terapêutica
primordial nas primeiras horas
do infarto agudo”, afirma o
especialista em cardiologia
intervencionista,
com
experiência em hospitais
de referência em Salvador,
Nilson Ramos. Ela alerta que,
diante dos sintomas típicos de
um ataque cardíaco, a rapidez
na busca do atendimento de
emergência é decisiva para
minimizar os danos causados
ao músculo cardíaco e o risco de morte.
“Os procedimentos realizados em modernas
unidades de hemodinâmica permitem diagnosticar e
tratar diversas doenças vasculares cerebrais, torácicas,
cardíacas, na região abdominal e nos membros
superiores e inferiores”, diz o hemodinamicista Nilson
Ramos. Ele acrescenta que o equipamento disponível
nesta unidade é dotado de softwares de última
geração capazes de visualizar os vasos com grande
nitidez e sob diversos ângulos. No exame é possível
identificar anomalias congênitas e adquiridas, tais
como aneurismas, obstruções e estreitamentos em
qualquer segmento do sistema circulatório.
De uma forma simplificada, o método consiste na
introdução de um fino cateter na artéria do paciente
para a realização do procedimento. Esta técnica
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possibilita diversas intervenções como as cirurgias
endovasculares, que exigem mínimas incisões ou cortes
e proporcionam ao paciente ter alta hospitalar com mais
rapidez.Também é empregada no cateterismo cardíaco,
exame diagnóstico através de imagens de contraste
que permitem observar a presença de placas
de gordura nas artérias ou outras
anormalidades no interior
do coração. É utilizada,
ainda, na angioplastia
coronária,
destinada
ao tratamento das
obstruções coronárias.
Novos
tratamentos
farmacológicos também
são aliados no tratamento
dos males que comprometem
o sistema circulatório, com a
diminuição do risco de eventos
cardiovasculares e maior sobrevida do paciente, entre
outros ganhos. “Houve um extraordinário avanços
no tratamento e prevenção de cardiopatias, com
o suporte de recursos de diagnóstico por imagem
de alta precisão e novos estudos e protocolos
que subsidiam as condutas médicas”, informa o
cardiologista Nilson Ramos.
Estimativas da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab)
indicam que, na Bahia, 30% dos óbitos são decorrentes
de doenças cardiovasculares, dos quais 11% são
resultantes de acidente vascular cerebral (AVC). As
doenças cardiovasculares continuam na liderança como
a principal causa de morte dos brasileiros. Entretanto,
a taxa de mortalidade por enfartes, derrames e
problemas coronarianos vem caindo gradativamente,
em função da assistência especializada e da melhoria
no atendimento prestado. Esta tendência se confirma
na Bahia, onde o AVC causou a morte de 3.695 homens,
em 2006, e 3.014, em 2007, e levou ao óbito 1.909
mulheres, em 2006, e outras 1.545, em 2007.
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Edição 08 - Pagina de Policia