Durkheim - Marx - Weber
Karl Marx (1818 – 1883)
Durkheim (1858-1917)
Max Weber (1864-1920)
• No capitalismo há uma relação
de conflito e contradição entre
os grupos envolvidos no sistema
produtivo.
• Baseia-se no positivismo (Ideia de
que a sociedade caminha sempre
em direção a um progresso
humano).
• Possui o indivíduo e sua ação como
base dos estudos sociológicos.
• Luta de classes como resultado
da propriedade privada dos
meios de produção pelos
burgueses.
• Sociedade como um sistema
orgânico em que os indivíduos
agem em cooperação para o bom
funcionamento social.
• Materialismo dialético: método
que caracteriza a realidade a
partir do mundo material,
infraestrutura ou da economia.
•
Fato Social: estruturas sociais são
externas e independem dos
indivíduos.
• Ação social: ação individual que é
orientada pelo coletivo. Ação
dotada de sentido que possui
finalidade e feita no coletivo.
• O indivíduo realiza escolhas e
orienta suas condutas com
referência à ação de outros
indivíduos.
Karl Marx (1818 a 1883)
• Parte do Paradoxo
• Igualdade perante a lei X igualdade do ponto vista social
• Materialismo Histórico Dialético
• Questionamento do idealismo;
• Método de compreensão crítica da realidade material e de
ação transformadora.
• Humano = caracteriza-se pela forma como reproduz
suas condições de existência
• Foco na dinâmica do modo capitalista:
• Relações de produção econômicas
• Proprietários dos meios de produção (burgueses) X não
proprietários dos meios de produção (proletariado)
• Infra estrutura e superestrutura
• Economia como base das relações sociais entre indivíduos
• Define a posição do indivíduo na sociedade
↓
• Superestrutura
• Demais relações existentes na sociedade → reflexo das
relações sociais econômicas ou de produção.
• Política, cultura e direito
▼
• Desigualdade na infraestrutura = desigualdade na
superestrutura
• Marx procura colecionar situação negativa da
opressão ao explicitar a lógica da produção capitalista
• Mercadoria é central nesse processo:
• Duplo ponto de vista:
• Qualidade - Valor de uso
• Quantidade - Valor de troca
• Mercadoria
• Valor de uso: material/ corpo + trabalho concreto
• só tem valor de uso se for útil.
• Para servir como valor de troca é necessário abstrair seu
valor de uso → desaparecimento das formas concretas de
trabalho
• Relação visível dos indivíduos com mercadoria = relação
alienada → estranhamento/ fetiche da mercadoria
• Estranhamento da mercadoria
• Trabalhador não sente que é parte no que produz e não
se expressa nela
• Capitalismo – separa o trabalhador dos meios de
produção
• Mais valia = lucro → exploração do tempo do trabalhador.
↓
mais valia = processo de exploração (excedente da produção)
• Mais valia
• Absoluta – aumento do tempo de trabalho
• Relativa - aumento da produtividade do trabalho
• Fetichismo
• Necessidade de consumo da mercadoria
• Produção ganha status autônomo
• Caráter social do trabalho é ocultado
• Mercadoria vira objeto de adoração,;ganha vida desconsiderando
seu caráter social
• Inversão : sujeito X objeto
↓
De objeto para sujeito X de sujeito para objeto
(trabalhador coisificado/ reificado)
Materialismo Histórico e Dialético
• Materialismo Histórico e Dialético é o método de Karl Marx para analisar a sociedade.
• Materialismo: doutrina filosófica que afirma que a matéria existe independente da consciência
dos indivíduos.
• Materialismo Histórico: interpretação dos acontecimentos históricos a partir das condições
materiais e econômicas da sociedade. Assim, produção da vida social e política é condicionada
e determinada pela vida material. Para compreender a sociedade é preciso partir da matéria.
Para ele, tudo que existe vem dos próprios humanos, do trabalho. Trabalho não apenas como
emprego. Mas trabalho como ação humana transformadora da natureza. Ação do homem
sobre a natureza. A realidade se funda na matéria. Tudo começa na matéria. Não é apenas uma
ideia como acreditava Platão.
• Antes se acreditava que haveria um progresso conduzido naturalmente pela razão.
Chegaríamos a um progresso inevitavelmente pela razão. Para Marx, a história também é feita
na matéria (condições materiais de existências) é feita por homens e mulheres, por isso, pode
ser mudada.
• A estrutura de uma sociedade depende da forma como os homens produzem seus bens; ou
seja, depende das forças produtivas e das relações de produção. As forças produtivas são as
matérias primas, os instrumentos, as técnicas de trabalho. As relações de produção são as
formas pelas quais os homens se organizam para executar as atividades produtivas. Essas
relações se referem às diversas maneiras que são apropriados e distribuídos os elementos
envolvidos no processo de trabalho. Estas podem ser cooperativistas, escravistas, servis ou
capitalistas.
• O modo de produção: como ela produz e distribui as coisas necessárias à produção. Primitivo,
escravista, feudal e capitalista. O modo de produção que vai determinar as características da
sociedade. As pessoas não são iguais no modo de produzir as mercadorias. A sociedade é
inerentemente exploradora. A raiz da exploração é uns terem os meios de produção (capital) e
outros não.
• A evolução de um modo de produção para outro ocorreu a partir de desenvolvimento das
forças produtivas e da luta entre as classes sociais predominantes em cada período. Assim, o
movimento da história possui uma base material econômica e obedece a um movimento
dialético. Este movimento explica as mudanças ocorridas na história da humanidade através
dos tempos. Ao estudar determinado fato histórico ele procurava seus elementos
contraditórios. Buscando encontrar aquele elemento responsável pela sua transformação em
um novo fato dando continuidade ao processo histórico. Marx desenvolveu uma concepção
materialista da história afirmando que o modo pelo qual a produção material de uma
sociedade
é realizada constitui fator determinante da organização política e das
representações intelectuais de uma época. Assim, a base econômica ou material constitui a
infraestrutura da sociedade que exerce influencia na superestrutura, nas instituições políticas e
jurídicas (ideologia, moral, religião, artes).
• DIALÉTICA = Teste + antítese = síntese
• A classe de capitalistas é a tese – status quo – classe dominante possui pensamento da classe
dominante e querem manter tudo como está.
• A classe de operários são a antítese – foram expropriados, estão em uma situação precária
sempre. Sempre vão ser a fonte do conflito, porque sempre vão querer que algo mude. Sempre
vão ser a classe transformadora da realidade.
• Assim, a luta entre eles vai gerar uma síntese. Uma mudança. Por isso que o
motor da história é a luta de classe.
• O conflito inerente entre essas duas classes vai gerar uma nova sociedade. Que
ele vai chamar de comunismo. Marx jamais escreveu em detalhe o que deveria
ser o comunismo. O socialismo seria a passagem. O socialismo, a ditadura do
proletariado, é necessária porque os proletários são muito explorados que
precisam tomar o poder de forma radical para mudar radicalmente também as
condições estruturais da infraestrutura.
• Explica também as relações entres os sujeitos. Temos durante o feudalismo os
servos que teriam sido oprimidos pelos senhores. Enquanto que no capitalismo
seria a classe operária pela burguesia. Os modos de produção são históricos e
devem ser interpretados como uma maneira que os homens encontraram em
suas relações para se desenvolverem e darem continuidade à espécie. As ideias
são reflexos e imagens construídas pela classe social dominante. Isto é, a elite,
impõe a sua verdade construindo essa ideia de verdade na mente dos
dominados. Transformando-os em objetos de exploração. Para Marx, a
manutenção da estrutura econômica se dá mediante essa inversão da realidade
que se encontra no direito, na religião e nas mais diversas formas de controle
mental e social.
Luta de classes como motor da história
“A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classe. Homem livre e escravo patrício e plebeu,
barão e servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos estiveram em constante
oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta, ora aberta, uma luta que de cada vez acabou
por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta. (...) A
moderna sociedade burguesa, saída dos declínio da sociedade feudal, não aboliu as oposições de classes. Apenas,
pôs novas classes, novas condições de opressão, novas configurações de luta, no lugar das antigas.” Manifesto
Comunista, 1848.
• Marx sintetiza essa análise na afirmação de que a luta de classes é o motor da história, isto é, a luta de classes
faz a história se mover. : De acordo com Marx, caberia a uma classe social específica em cada momento
histórico intervir por meio de ações concretas, práticas, para que transformações ocorressem na sociedade. Foi
o que aconteceu, por exemplo, na passagem do feudalismo ao capitalismo, com a revolução burguesa. Assim,
Marx prevê que somente a luta de classes entre proletários (operários) e capitalistas (patrão) poderia acabar
com essa exploração e mudar novamete a sociedade. Isso ocorre, porque, de acordo com Marx, o capitalismo
criou uma classe revolucionária que, em virtude de suas condições de existência, deve se organizar para, no
momento oportuno, fazer a revolução social rumo ao socialismo. Essa classe revolucionária seria o proletariado.
Na sociedade capitalista, a raiz da exploração, o motivo da desigualdade, é que uns tem acesso aos meios de
produção (capital) e outros não, com a instauração do socialismo pelos proletários, não teríamos mais a
desigualdade, pois os meios de produção seriam redistribuídos (de forma igualitária) pelo Estado.
Alienação e Mais-Valia
• Com o capitalismo temos o surgimento do trabalho assalariado e
consequentemente o fortalecimento dos processos de alienação e mais-valia.
• Alienar-se é distanciar-se. O trabalhador se distancia do produto de seu
trabalho quando seu salário representa apenas uma parte do valor de seu
trabalho e quando o trabalhador não domina e nem controla todo o processo
da produção de uma mercadoria.
• Mais-valia é a diferença entre o que o trabalhador produz e o seu salário, ou
seja, o salário equivale a apenas uma parte do valor produzido pelo
trabalhador e o restante é a mais-valia, apropriada pelo capitalista.
• Os capitalistas podem lançar mão de duas estratégias para ampliar sua taxa de
lucro. Aumentar a duração da jornada de trabalho, mantendo o salário
constante - mais-valia absoluta; ou ampliar a produtividade do trabalho pela
via da mecanização e das tecnologias - mais-valia relativa.
Alienação
• Classe Trabalhadora não domina todas as etapas da produção devido a divisão
do trabalho.
• Essa classe também perde o controle dos seus meios de produção.
• Essas duas situações geram um estranhamento do trabalhador com o produto
de seu trabalho.
• Trabalhador (operário) não enxerga na mercadoria o seu trabalho.
• Trabalhador não se reconhece no produto produzido.
Mais-valia
• O trabalhador se distância do seu próprio trabalho, pois o produto do seu
trabalho pertence ao capitalista em vez de pertencer ao conjunto de operários
que produziram uma determinada mercadoria.
• Esse trabalho não pago ao trabalhador é apropriado na forma de lucro pelo
capitalista. Marx denomina esse trabalho não pago como mais-valia.
Durkheim
Da Divisão Social do Trabalho (1893)
Perguntas levantadas pelo autor:
• Como pode uma coleção de indivíduos constituir uma sociedade?
• Como se dá a coesão social?
• O que nos une?
Durkheim
Da Divisão Social do Trabalho (1893)
• Coesão social  integração e união dos membros de uma
sociedade.
• Durkheim buscou esclarecer que a existência de uma sociedade,
bem como a própria coesão social, está baseada no grau de
consenso produzido entre os indivíduos.
• Esse consenso produzido ele chamou de solidariedade.
Durkheim
Da Divisão Social do Trabalho (1893)
• Solidariedade social  responsável pela coesão entre os homens.
A solidariedade varia de acordo a presença mais forte ou mais fraca
da divisão do trabalho e de uma consciência entre os membros da
sociedade.
• Para Durkheim existem dois tipos de solidariedade: a mecânica e a
orgânica.
Durkheim
Da Divisão Social do Trabalho (1893)
• Consciência Coletiva  conjunto formado por crenças e sentimentos comuns à
média dos membros de uma mesma sociedade.
• Tipo psíquico da sociedade.
• A consciência coletiva limita e delimita os atos individuais. É ela que define o que
é considerado normal ou reprovável.
• Pode ter uma maior ou menor extensão ou força dependendo da sociedade e do
desenvolvimento da divisão do trabalho.
Solidariedade Mecânica (por
semelhança)
• Os indivíduos diferem pouco um dos
outros
• Os indivíduos se assemelham porque
partilham dos mesmos valores, regras,
normas.
• Os indivíduos não se percebem como
indivíduos.
• “O todo” que importa.
Solidariedade por semelhança
• Cada indivíduo é o que são os outros;
• Predomínio dos sentimentos coletivos
• Há pouco espaço para a
individualidade;
• A consciência coletiva exerce forte
poder de coesão entre os membros de
uma sociedade.
Solidariedade
mecânica
• Pouco Desenvolvimento da
Divisão do Trabalho;
• Alta consciência Coletiva.
Durkheim
Da Divisão Social do Trabalho (1893)
Nas sociedades de solidariedade mecânica o direito existente é o
REPRESSIVO.
• Tem como objetivo causar uma DOR
• Privar o agente do crime de algo
• Ideia de castigo e de punição
Assim, a sanção não possui a finalidade de prevenir a repetição do
crime. O objetivo não é amedrontar. O castigo seria a reparação feita à
Consciência Coletiva, aos sentimentos de todos.
Durkheim
Da Divisão Social do Trabalho (1893)
Solidariedade Mecânica possui uma alta consciência coletiva. Mas
como Durkheim percebeu essa força?
 Pelo rigor dos castigos impostos a quem viola as proibições
sociais.
 Quanto maior a consciência coletiva maior a indignação contra a
violação de uma regra ou norma social.
Solidariedade Orgânica
• Seria uma analogia com os órgãos de
um ser vivo. Cada órgão tem uma
função, mas todos são igualmente
indispensáveis.
• Surgimento dos indivíduos e da
individualidade. O indivíduo nasce da
sociedade.
• O indivíduo depende da sociedade,
porque depende das partes que a
compõem;
Solidariedade Devida à Divisão do
Trabalho
Solidariedade orgânica
• Muita divisão do trabalho;
• Os indivíduos são diferente entre si.
• Só é possível se cada um tem uma
esfera própria de ação.
• Muita interdependência entre os
indivíduos e suas funções;
• Pouca consciência coletiva.
A PRINCIPAL FUNÇÃO DA DIVISÃO DO TRABALHO NÃO É AUMENTAR A
PRODUTIVIDADE OU O DESENVOLVIMENTO MATERIAL DAS SOCIEDADES.
A PRINCIPAL FUNÇÃO DA DIVISÃO DO TRABALHO NÃO É, PORTANTO, MELHORAR AS
SOCIEDADES, MAS SIM TORNÁ-LAS POSSÍVEIS.
Durkheim
Da Divisão Social do Trabalho (1893)
Nas sociedades de solidariedade orgânica o direito existente é o
Restitutivo.
• Tem como objetivo RESTAURAR o estado das coisas, a ordem
• É o restabelecimento das relações perturbadas
MAX WEBER (1864-1920)
• A explicação sociológica visa compreender e interpretar o sentido, o
desenvolvimento e os efeitos da conduta de um ou mais indivíduos referida a
outro ou outros.
• Compreender uma ação social é captar e interpretar seus sentidos.
• A sociologia deve analisar o conjunto das ações individuais para se entender o
social.
• Objeto de Estudo: Ação Social
Para o alemão Max Weber, a sociedade existe concretamente, mas não é algo externo e
acima das pessoas, e sim o conjunto das ações dos indivíduos relacionando-se. Partindo
do indivíduo e de suas motivações, Weber pretende compreender a sociedade.
Max Weber (1864 – 1920)
• A presença muito significativa de protestantes de várias vertentes entre
empresários e entre os trabalhadores qualificados nos países capitalistas mais
industrializados.
• Relação entre certos valores presentes na época do surgimento do capitalismo
moderno e valores disseminado pelo calvinismo (protestantismo).
• Em seu livro A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber relaciona o
desenvolvimento do capitalismo com a ética religiosa protestante. Esta ética era
baseada em uma vida regrada de autocontrole que possuía a poupança como
característica central.
Max Weber (1864 – 1920)
• Para os puritanos: “ A perda de tempo (...) é o primeiro e o principal de todos os
pecados. (...) A perda de tempo, através da vida social, conversas ociosas, do
luxo e mesmo do sono além do necessário para a saúde – seis, no máximo oito
horas por dia – é absolutamente dispensável do ponto de vista moral”
• O operário ou o capitalista puritano passavam a viver em função de sua
atividade ou negócio e só assim têm a sensação da tarefa cumprida. O
puritanismo condenava o ócio, o luxo, a perda de tempo, a preguiça.
Max Weber (1864 – 1920)
• Para estarem seguros quanto à sua salvação, ricos e pobres deveriam trabalhar
sem descanso. Deveriam glorificar Deus por meio de suas atividades produtivas.
• Para o praticante do protestantismo, do final do século XIX, o sucesso nos
negócios era uma comprovação de ter sido escolhido por Deus. Assim, o
trabalho árduo, disciplinado, uma vida regrada e sem excesso lhe trariam, além
do o êxito profissional, sua salvação espiritual.
Max Weber (1864 – 1920)
• O encontro entre a ética protestante e a necessidade capitalista de se obter
sempre mais lucro (espírito empreendedor do capitalismo) fez com que o
trabalho ocupasse um lugar central na sociedade da época.
• Weber identificou a presença desse conjunto de valores nos EUA, na Holanda e
na Alemanha e notou que o seu desenvolvimento favoreceu uma vida econômica
racional e burguesa.
Importante! A doutrina católica, dominante na época, condenava a ambição do
lucro e a usura.
Max Weber (1864 – 1920)
Ação dos protestantes que tinham como objetivo ter êxito em sua vida
material e espiritual é uma ação social orientada por um objetivo racional.
Essa ação social junto com o espírito empreendedor possibilitou a formação
histórica do capitalismo.
Ao longo do tempo, o lucro passou a direcionar o capitalismo das sociedades
contemporâneas.
Max Weber (1864 – 1920)
Importante!
• A doutrina católica, dominante na época, condenava a ambição do lucro e a
usura. Para os calvinistas, desejar ser pobre era algo tão absurdo como desejar
ser doente. O mal não encontrava-se na posse da riqueza, mas no seu uso para o
prazer, o luxo, o gozo espontâneo e a preguiça.
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Alienação e Mais-Valia