II – As Principais
características do Romantismo
O Romantismo foi um movimento que
ocorreu em quase todo o mundo
ocidental. Há, porém, traços comuns que
podem ser verificados em todos os lugares
onde o movimento floresceu.
•Manifestação do choque com o
cotidiano e com a realidade.
• As grandes transformações que vêm
acontecendo desde o “século das luzes”
guardam contradições. Ao lado da queda do
poder das aristocracias, da crescente e eufórica
burguesia, do progresso, surgem desequilíbrios
que o liberalismo e o socialismo utópico
prometeram resolver e não cumpriram. Os ideais
de liberdade – igualdade – fraternidade tão
decantados continuaram apenas no papel e
longe das ruas onde campeavam as injustiças
sociais.
• Na literatura romântica manifesta-se um
sentimento de insatisfação com o mundo,
uma atitude de rebeldia profunda em
relação a todas as convenções.
•Predomínio da imaginação:
• O artista revela incrível capacidade de criar
•
mundos irreais. Há como um desejo obsessivo
de evadir-se para épocas remotas no passado e
lugares exóticos e pitorescos. Esse aspecto do
romantismo é uma das manifestações do choque
do “eu” com o mundo.
A natureza aparece como que personificada,
transcendente e divina. A imaginação faz o
transporte da realidade física para a mais pura
abstração.
“Eu amo a noite taciturna e queda!
Amo a doce nudez que ela derrama.
E a fresca aragem pelas densas folhas
do bosque murmurando;
Então malgrado o véu que envolve a terra,
A vista do que vela, enxerga mundos,
e apesar do silêncio, o ouvido escuta
Notas de etéreas harpas.”
(Gonçalves Dias)
• Subjetivismo:
• É essa característica a própria alma do
Romantismo. Toda a realidade do mundo
é traduzida segundo a ótica pessoal do
autor. Não há modelos nem regras a
seguir, o que se manifesta é o mundo
interior, a liberdade criadora.
• Evasão:
• Há no poeta o desejo de evadir-se no
espaço e no tempo, indo para um mundo
imaginário de sonhos e fantasias onde se
revelam emoções pessoais. A morte, o
suicídio, as imagens macabras podem
ocorrer aqui. Mais uma vez manifesta-se o
choque do “eu com o mundo”.
“Por isso, ó morte, eu amo-te e não temo.
Por isso, ó morte, eu quero-te comigo.
Leva-me à região da paz horrenda.
Leva-me ao nada, leva-me contigo.”
•Senso de Mistério:
• A presença constante do sobrenatural e do
terror levam a uma manifestação de
mistério, de imagens evanescentes,
fugazes e até apavorantes. Trata-se de
uma faceta da visão excessivamente
pessoal da realidade.
“Quem és tu? quem é tu? Vulto gracioso,
Que te elevas da noite na orvalhada?
Tens a face nas sombras mergulhadas...
Sobre as névoas te livras vaporoso...
Quem é tu? Quem és tu? És minha sorte!
És talvez o ideal que est’alma espera!
És a glória talvez! Talvez a morte!...
(Castro Alves)
• Consciência da Solidão:
• Essa característica decorre também do
choque do “eu” com o mundo. Não há
lugar para o poeta, a saída é a fuga ou a
morte.
“Vivi na solidão – odeio o mundo.
E no orgulho embucei meu rosto pálido
como um astro na treva...
Senti a vida um lupanar imundo –
Se acorda o triste profano esquálido
- A morte fria o leva.”
(Álvares de Azevedo)
•Reformismo:
• Ao invés de isolar-se do mundo, o artista
pode quere transformá-lo. É nessa trilha
que encontramos Castro Alves, ligado à
causa abolicionista ou à luta por justiça
social.
“Quebre-se o cetro do papa,
Faça-se dele uma cruz!
A púrpura sirva ao povo
Pra cobrir os ombros nus”
(Castro Alves)
•Religiosidade e Fé:
• O Artista crê em si mesmo, no mundo que
cria e sobretudo em Deus. Quanto à
religiosidade cabe-nos ressaltar que não é
uma constante.
•Culto da Natureza:
• A natureza é vista pelos românticos como o local
de alívio para todos os males da alma, de
perfeita tranqüilidade. O “mito do bom
selvagem” é de essência romântica: o homem
em estado natural ainda não contaminado pela
civilização. A natureza no romantismo não é
apenas pano de fundo, é participativa e se funde
à própria alma do artista. O culto à natureza e
ao homem natural produziu-se no romance
brasileiro através de obras como O Guarani,
Iracema, etc.
•Predomínio de Sentimento sobre a
Razão:
A paixão e o amor são a medida de todas as
coisas. No Romantismo a poesia passa a
ser auto-retrato de paixão é sincera e
emocionada. Revela extremos de
sacrifícios, de tristeza, bem como de
alegria plenas.
•Idealização da Mulher:
• A mulher entre os românticos é divinizada,
inatingível e de estonteante beleza.
“Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.
Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o
cetro: foi proclamada a rainha dos salões.
Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo
dos noivos em disponibilidade.
Era rica e formosa.
Duas opulências que se realçam como a flor em vazo de
alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio
de sol no prima do diamante.
Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que se
atravessou o firmamento da corte como o brilhante
meteoro, e apagou-se de repente no meio do
deslumbramento que produzira o seu fulgor?
(Trecho de Senhora, de José de Alencar).
• Quanto aos aspectos estéticos, o
Romantismo inovou a poesia. As formas
poéticas até então conhecidas como: a
ode, o soneto, a elegia e outras deram
lugar a formas livres e inéditas. O poeta
passa a gozar também de liberdade de
escolha da metrificação e no ritmo.
• Os românticos começaram na poesia um
processo de libertação estética que vem a
culminar na grande explosão modernista
do século XX.
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O Romantismo