Romantismo
Contexto no Brasil
1832 - 1889
ROMANTISMO NO BRASIL
CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL
O Romantismo brasileiro nasce das possibilidades que surgem com a
Independência política e suas conseqüências sócio-culturais: o novo
público leitor, as instituições universitárias e, acima de tudo, o
nacionalismo ufanista que varre o país, após 1822, e do qual os
escritores são os principais intérpretes.
ROMANTISMO NO BRASIL
CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL
Contribuir para a grandeza da nação através de uma literatura que fosse
o espelho do novo mundo e de sua paisagem física e humana, eis o
projeto ideológico da primeira geração romântica. Há um sentimento de
missão: revelar todo o Brasil, criando uma literatura autônoma que nos
expressasse.
A adaptação de um movimento
artístico europeu
Os valores do Romantismo europeu adequavam-se
às exigências ideológicas dos escritores brasileiros,
O Romantismo se opunha à arte clássica, e
Classicismo aqui significava dominação portuguesa.
O Romantismo voltava-se para a natureza, para o
exótico; e aqui havia uma natureza exuberante.
Tudo se ajustando para o desenvolvimento de uma
literatura ufanista. O nacionalismo romântico
encontrará a sua representação nos seguintes
elementos:
Indianismo
No "bon sauvage" francês sedimenta-se o
modelo de um herói que se deveria tornar o
passado e a tradição de um país desprovido
de sagas exemplares. O nativo - ignorada
toda a cultura indígena - converte-se no
herói inteiriço, feito à imagem e semelhança
de um cavaleiro medieval.
Natureza
A terra é identificada como pátria.
Assim, os fenômenos naturais tornam-se
representativos da grandeza do país. A
natureza jovem, vital, exuberante, serve de
compensação para a pobreza social ao
mesmo tempo que simboliza as
potencialidades do Brasil.
Procura da língua brasileira
Os escritores românticos - José de Alencar,
em especial - reivindicam uma língua
brasileira. Em Iracema, o autor tenta criar
esta língua através do estilo poético, da
utilização de vocábulos indígenas, de um
novo ritmo de frase. Mas não são os
escritores que criam um idioma.
Continuamos falando e escrevendo o
português. Porém, graças ao esforço de
Alencar e outros, começa a se estabelecer
uma forma brasileira de escrever a língua
portuguesa.
O passo decisivo para a deflagração do movimento é a publicação da revista
Niterói, em Paris, 1836, que trazia como epígrafe: "Tudo pelo Brasil e para
o Brasil". A revista, elaborada por intelectuais que estudavam na Europa,
propunha a investigação "das letras, artes e ciências brasilienses". No grupo,
destaca-se Gonçalves de Magalhães, que ainda em 1836 lançaria um livro
de poemas: Suspiros poéticos e saudades. Esta obra introduziu o espírito
romântico no Brasil. O projeto de autonomia dos autores românticos não se
realizou integralmente. Todos os princípios "nacionalistas" que defenderam
estavam, em maior ou menor grau, comprometidos com uma visão européia
de mundo. Além disso, o nacionalismo era feito de exterioridades, mais
paisagem do que substância humana. Aquele "sentimento íntimo de
brasilidade", de que falou Machado de Assis, não existe nas obras do
período. Por fim, o fato de todos os escritores da primeira geração viverem à
sombra do poder (foram ministros, secretários, embaixadores, burocratas do
alto escalão) comprometeu-os irremediavelmente com a classe dominante.
Fugiram da escravidão e da pobreza, escamotearam a ferocidade das elites
e a miséria das ruas, ignoraram a violência que se espalhava pelo cotidiano.
Em troca, celebraram o idílio e a natureza, mitificaram as regiões,
teatralizaram o índio, criando assim uma arte conservadora.
A DIVISÃO DIDÁTICA DA POESIA ROMÂNTICA EM GERAÇÕES
Geração
Denominação
Componentes
Modelos Poéticos
Temas
1ª
Nacionalista
Gonçalves de
Magalhães e
Gonçalves Dias
Chateaubriand e
Lamartine
- O índio
- A saudade da Pátria
- A natureza
- A religiosidade
- O amor impossível
2ª
Individualista
ou Subjetivista
Álvares de Azevedo, Byron e Musset
Casimiro de Abreu,
Fagundes Varela e
Junqueira Freire
- A dúvida
- O tédio
- A orgia
- A morte
- A infância
- O medo do amor
- O sofrimento
3ª
Liberal ou
Social ou
Condoreira
Castro Alves
- Defesa de causas
humanitárias
- Denúncia da escravidão
- Amor erótico
Vitor Hugo
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