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COCHONILHAS ASSOCIADAS À CULTURA DA OLIVEIRA
NO RIO GRANDE DO SUL
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Wolff, V. R. S.* ; Silva, D. C. ; Souza, G. C. ; Paes, C. C. ; Oliz, C. B.
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* Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária, Rua Gonçalves Dias, 570, CEP.: 90130-060, Porto Alegre, RS.
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E-mail: [email protected] ; Pós-graduação Fitotecnia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Avenida Bento Gonçalves, 7712, CEP 91540-000, Porto Alegre, RS. E-mail: [email protected]
RESUMO: A presença de cochonilhas (Hemiptera; Coccoidea) foi verificada em
amostragens ocasionais realizadas em 2010 e 2011, em alguns cultivos de Olea europaea
L. (Oleaceae), no Rio Grande do Sul. Em 2012 foi iniciada uma pesquisa para realizar o
levantamento e a identificação das cochonilhas e dos parasitoides a elas associados no
Estado. Até o momento, foram realizadas amostragens em Caçapava do Sul, Cacequi,
Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul, Veranópolis e Viamão. Foram observadas
cochonilhas na fase reprodutiva, com ovos e ninfas, e com perfurações provocadas pela
emergência de parasitoides, indicando algum controle natural destas populações. Foram
identificadas: Saissetia oleae (Olivier) e S. coffeae Walker da família Coccidae; Acutaspis
paulista (Hempel) e Aonidiella aurantii (Maskell) de Diaspididae. No Brasil é o primeiro
registro de A. aurantii em oliveira.
PALAVRAS CHAVE: Coccidae, Diaspididae, insetos-praga, Olea europaea, parasitóides.
ABSTRACT: The presence of scale insects (Hemiptera, Coccoidea) was detected in
occasional samples taken in 2010 and 2011, in some cultures of Olea europaea L.
(Oleaceae), in Rio Grande do Sul, Brazil In 2012 a study was initiated to survey and
identification of scale insects and parasitoids associated with them in the State. So far,
samples taken in Caçapava do Sul, Cacequi, Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul and
Viamão. Scale insects were observed in the reproductive phase, with eggs and nymphs, and
perforations caused by the emergence of parasitoids, indicating some natural control of
these populations. Were identified: Saissetia oleae (Olivier) and S. coffeae Walker family
Coccidae; Acutaspis paulista (Hempel) and Aonidiella aurantii (Maskell) from Diaspididae. In
Brazil it is the first record of A. aurantii in olive.
KEY WORDS: Coccidae, Diaspididae, insect pests, Olea europaea, parasitoids.
INTRODUÇÃO
A produção de mudas e o desenvolvimento das plantas podem ser afetadas pela
infestação de cochonilhas. Além do dano pela sucção da seiva, as cochonilhas excretam
grande quantidade de substância açucarada, que atrai formigas e favorece o
desenvolvimento da fumagina, que dificulta a fotossíntese depreciando a árvore, diminuindo
a brotação e a produção (Coutinho et al., 2009).
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No Brasil são conhecidas em oliveira, da família Coccidae, as espécies Coccus
hesperidum Linnaeus, Saissetia coffeae (Walker), S. oleae (Olivier), e de Diaspididae,
Acutaspis paulista (Hempel), Aspidiotus nerii Bouché, Hemiberlesia lataniae (Signoret), H.
rapax (Comstock), Parlatoria oleae (Colvée) (Claps & Wolff, 2003, Ben-Dov et al., 2012).
As informações sobre as espécies de cochonilhas que ocorrem em oliveira no Rio
Grande do Sul foram obtidas em amostragens casuais.
Objetivou-se inventariar e identificar as cochonilhas associadas às oliveiras nas
principais regiões de cultivo comercial no Rio Grande do Sul; avaliar a riqueza, a diversidade
a dominância e o desenvolvimento das espécies de cochonilhas ao longo de um ano,
possibilitando indicar a melhor época de realizar o controle destas espécies nas oliveiras.
MATERIAL E MÉTODOS
Amostragens mensais foram realizadas em dois pomares comerciais, em Caçapava
do Sul (pomar 1: 30º 56' 31'' S ; 53º 40' 36'' W; pomar 2: 30º 33' 30'' S; 53º 24' 09'' W), com o
método da parcela ao acaso em 10 oliveiras (Arbequina), de cada um, por data de
amostragem. De cada quadrante das árvores, foram cortados com tesoura de poda, dois
ramos de 20 a 30 cm com folhas, ao acaso, um interno e outro externo na copa, e um ramo
direcionado com cochonilhas. Os ramos foram individualizados em sacos com etiquetas de
identificação e transportados ao laboratório de Entomologia da FEPAGRO, em Porto Alegre,
para triagem.
Foram preparadas lâminas com fêmeas adultas de cochonilhas, para exame em
microscópio óptico, seguindo método adaptado por Claps & DeHaro (1995). Na identificação
das cochonilhas utilizaram-se chaves sistemáticas e bibliografia especializada (Ferris, 1942;
Claps & Wolff, 2003).
No Centro de Pesquisa da FEPAGRO Serra do Sudeste, em Encruzilhada do Sul e no
Centro de Pesquisa em Viamão foram realizadas observações mensais, nas coleções de
oliveiras, com 10 cultivares (‘Alfafara’, ‘Arbequina’, ‘Arbosana’, ‘Cipressino’, ‘Coratina’,
‘Frantoio’, ‘Koroneiki’, ‘Leccino’, ‘Manzanilla’, ‘Picual’). Selecionou-se uma planta de cada
cultivar, sendo marcado um ramo infestado, onde mensalmente realizou-se contagem das
cochonilhas identificadas, estado de desenvolvimento e localização na planta.
Amostragens ocasionais foram realizadas em outras regiões do Rio Grande do Sul
para ampliação da diversidade e distribuição das cochonilhas em oliveiras no Estado. As
amostragens deverão continuar pelo menos durante um ano para que os dados sejam
submetidos à análise estatística. A intensidade de ataque de cochonilhas será estimada com
base no número de indivíduos presentes (jovens e adultos) nas porções de ramos coletados
ou observados.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram identificadas S. oleae e S. Coffeae da família Coccidae; e, A. paulista e
Aonidiella aurantii (Maskell) de Diaspididae. Em todas elas foram encontrados indivíduos na
fase reprodutiva, com ovos e ninfas, bem como perfurações provocadas pela emergência de
parasitoides.
Aonidiella aurantii ocorre em 256 espécies de plantas hospedeiras no mundo,
incluindo a oliveira (Ben-Dov et al., 2012). Esta cochonilha tem registro em oliveira na
Argentina, porém no Brasil ocorre em mais de 20 plantas hospedeiras, não havendo
registros em oliveiras (Claps & Wolff, 2003).
CONCLUSÕES
Foram confirmadas as ocorrências de S. oleae, S. coffeae, A. paulista, e o primeiro
registro de A. aurantii, em oliveira no Brasil.
Os vestígios de parasitismo indicam a ação de inimigos naturais, os quais devem ser
preservados. A presença de ninfas caracteriza a fase em que as cochonilhas estão mais
vulneráveis, podendo indicar a melhor época de realizar o controle destas espécies nas
oliveiras, no Rio Grande do Sul.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BEN-DOV, Y.; MILLER, D. R.; GIBSON, G. A. P. ScaleNet, scales on a host, natural
enemies
and
associates
of
a
scale
query
results.
Disponível
em:
<http://www.sel.barc.usda.gov/scalecgi/scaleson.exe?family=oleaceae&scalefamily=All&gen
us=olea&scalegenus=&species=europaea>. Acesso em: 04 junho 2012.
CLAPS, L. E.; De HARO, M. E. Conociendo nuestra fauna IV. Familia Diaspididae (Insecta:
Homoptera). Morfologia y biologia. Serie Monografica y Didactica Facultad de Ciencias
Naturales e Instituto Miguel Lillo UNT, San Miguel de Tucuman, v. 20, p. 1-21, 1995.
CLAPS, L. E.; WOLFF, V. R. S. Cochinillas Diaspididae (Hemiptera: Coccoidea) frecuentes
en plantas de importancia económica de la Argentina y Brasil. Revista de La Sociedad
Entomológica Argentina, San Miguel de Tucumán, v.3, p.1-59, 2003.
COUTINHO, E. F.; RIBEIRO, F. C.; CAPPELLARO, T. H. (Ed.). Cultivo de Oliveira (Olea
europaea L.). 1.ed. Pelotas, RS, 2009. 125p.
FERRIS, G. F. Atlas of the Scale Insects of North America. Serie IV. Stanford, Stanford Univ,
1942, 243p.
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