ARCÍLIA MARIA LARANJEIRA DA COSTA
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE
DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Vila Real, Julho de 2007
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE
DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
De:
Arcília Maria Laranjeira da Costa
Orientador:
Prof.º Doutor Luís Filipe Sanches Fernandes
Vila Real, Julho de 2007
Este trabalho foi expressamente elaborado como tese original
para o efeito de obtenção do grau de Mestre em Engenharia
e
Planeamento
Municipal,
sendo
apresentada
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
na
Dedico esta dissertação à pessoa que é para
mim maior exemplo de vida e de coragem. À pessoa
que mais me incentivou na candidatura deste grau
académico, e que sempre me deu força para enfrentar
todos os obstáculos ao longo da minha existência.
A ela devo o facto de ser o que hoje sou. Pelo
apoio e pelo amor que me dedicou toda a vida, a ela
ofereço, com todo o carinho e admiração, esta minha
conquista. Sem ela não teria chegado até aqui.
É a ti, mãe, em especial, que dedico esta
dissertação como testemunho do meu profundo
reconhecimento e gratidão.
À minha mãe, Teresinha Martins Laranjeira.
AGRADECIMENTOS
Este estudo, fruto de um trabalho intenso e dedicado, realizado nas horas que ficam para
além das horas do dia, roubando tempo ao descanso e, acima de tudo, à família, não teria sido
possível sem a contribuição e preciosa ajuda de muitos, a quem quero deixar aqui expressa a
minha eterna gratidão.
Ao corpo docente do Mestrado de Engenharia e Planeamento Municipal, na pessoa do
Director – Professor Doutor Luís Manuel Morais Leite Ramos, pelo notável curso de
Mestrado. A todos eles agradeço o apoio e amizade que sempre me prestaram.
Ao Professor Doutor Luís Filipe Sanches Fernandes, mais do que um orientador, foi
para mim um amigo, que desde o início me apoiou nas minhas ideias. O seu estímulo e
confiança no meu trabalho foram imprescindíveis para a realização do mesmo. O meu sincero
reconhecimento pela sua amizade, presteza, apoio e dedicação dispensados durante o
desenvolvimento deste estudo.
Ao Eng. José Carlos Fernandes, professor de quem tive a sorte de ser aluna e que
sempre demonstrou respeito e interesse pelo meu trabalho. Pessoa de grande valor, partilhou a
sua experiência profissional com os alunos de mestrado, enriquecendo os nossos
conhecimentos.
Á EMARVR – Empresa Municipal de Água e Resíduos, na pessoa do Sr. Presidente
do Conselho de Administração, Eng. Miguel Matos Esteves, mais do que um superior
hierárquico foi, sem dúvida, um verdadeiro amigo. Pessoa de visão entusiasta, motivadora,
não economizou esforços para me ajudar desde o início deste projecto. Pela sua confiança no
meu desempenho profissional, por ter proporcionado um ambiente de trabalho favorável,
pelos dados fornecidos, pelo lado humano que teve presente em todos os momentos,
expresso-lhe aqui e desta forma, a minha eterna gratidão.
Ao Sr. Director Executivo da EMARVR – Empresa Municipal de Água e Resíduos,
Eng. José Alberto Borges Amaral, o meu muito obrigado pelo carinho e por ter propiciado as
condições necessárias para a elaboração deste estudo. Um homem de valor, com quem
interajo profissionalmente, em trabalhos que me enriquecem e dão maturidade.
A todos os meus colegas e amigos, que de alguma forma me apoiaram na realização
deste trabalho, em particular a: Lucília Lage; Francisco Silva; Adelaide Carpinteiro; Anabela
Rebelo; Cristina Pais; Cláudia Fonte; Andreia Cabral; João Basto e a tantos outros cuja
listagem seria fastidiosa mencionar. Bem Hajam.
IX
Ao Sr. Saavedra da Costa e a todos os Senhores Presidentes das Juntas de Freguesia do
Município de Vila Real, pela colaboração demonstrada ao terem assegurado a distribuição dos
questionários pela população residente nas diferentes localidades. O meu agradecimento
especial às respectivas populações que tão prontamente colaboraram no preenchimento dos
inquéritos.
À Divisão dos Serviços Urbanos (Jardins) da Câmara Municipal de Vila Real; às
Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública de Cruz Branca e
Cruz Verde de Vila Real, nas pessoas dos seus Comandantes; à Empresa Focsa - Serviço de
Saneamento Urbano de Portugal, SA, prestadora de Serviços de Recolha, Transporte e
Limpeza de Resíduos Sólidos Urbanos do Concelho de Vila Real, na pessoa do meu amigo
Sérgio Correia e à Associação de Municípios de Vale do Douro Norte, pelos dados
fornecidos, o meu sincero reconhecimento, assim como à D.ª Teresa Lobato (Teresuca),
funcionária dos Serviços Académicos – Repartição Pedagógica da UTAD, por toda a atenção,
simpatia e cordialidade com que sempre fui atendida.
Aos meus pais, em especial à minha mãe, pelo exemplo de força e determinação, pelo
apoio incansável durante toda a minha vida.
Ao meu marido José, que está sempre do meu lado, apoiando-me nos bons e maus
momentos, ajudando-me em tudo quanto lhe é possível. Por todo o amor, carinho, ajuda,
motivação, companheirismo, paciência e compreensão, um agradecimento muito especial.
Às minhas queridas sobrinhas e afilhada, Sofia e Mafalda, que representam a renovação
da nossa família e assumiram-se como verdadeiras fontes de motivação; pelos seus sorrisos
ternos e encorajadores que tanta força me deram no decurso desta tese, o meu carinho em
especial.
Por fim, mas não menos importante, aos meus irmãos Carla e Jacinto, pelo carinho e
amizade incondicional com que sempre me ouviram e apoiaram em todas as situações da
minha vida.
A todos agradeço o contributo para a concretização deste sonho.
A vocês ofereço esta página.
X
RESUMO
O presente trabalho constitui o estudo de avaliação do desempenho do Sistema Público
de Distribuição de Água do Município de Vila Real, através da realização de balanços
hídricos globais e de indicadores de diagnóstico, correspondentes ao período anual de 2005 e
2006, constatando-se uma taxa de perdas inferior à média nacional e uma redução do número
de roturas de 2005 para 2006, ocorridas quer em ramais quer na conduta geral.
Através do recurso à técnica do questionário, pretendeu-se avaliar a percepção dos
utentes sobre esta problemática das perdas de água, bem como analisar a opinião dos mesmos
relativamente ao desempenho da empresa gestora, tendo-se concluído que a avaliação é
globalmente positiva.
Palavras-chave: redes de distribuição de água, estado de conservação da rede, práticas
de manutenção, cadastro, perdas, fugas, roturas, balanço hídrico, sectorização da rede.
ABSTRACT
The present research aims to evaluate the performance of the Water Distribution Mains
in the municipality of Vila Real, through the carrying out of global water balances and
diagnostic indicators, referring to the period between 2005 and 2006. The level of losses came
out to be lower than the country’s average and the number of ruptures occurring in laterals
and in the general main decreased from 2005 to 2006.
By means of a questionnaire, it was intended to evaluate the consumers’ awareness in
relation to water loss, as well as to analyse their opinions regarding the performance of the
managing company, coming to the conclusion that the outcome was globally positive.
Keywords: water distribution networks, state of preservation of the network,
maintenance actions, cadastre, losses, leakages, ruptures, water balance, network
sectorization.
XI
ÍNDICE GERAL
DEDICATÓRIA
VII
AGRADECIMENTOS
IX
RESUMO / ABSTRACT
XI
ÍNDICE GERAL
XIII
ÍNDICE DE FIGURAS
XVII
ÍNDICE DE GRÁFICOS
XIX
ÍNDICE DE TABELAS
XXI
ÍNDICE DE SIGLAS / ABREVIATURAS
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO 1
XXIII
1
ÁGUA
3
1.1
ÁGUA NO MUNDO
3
1.1.1
1.1.2
1.1.3
1.1.4
Quadro Legal
Reservas Mundiais de Água
Consumo de Água
Stress Hídrico
4
7
10
12
1.2
PLANEAMENTO E GESTÃO DA ÁGUA - SUA APLICAÇÃO EM PORTUGAL 14
1.2.1
1.2.2
1.2.3
1.2.4
Situação Nacional
Água e Desenvolvimento Sustentável
Utilização eficiente da Água
Economia da Água
1.2.4.1 Directiva–Quadro da Água
1.2.4.2 Regime económico e financeiro
1.2.4.3 Mercado da água
1.2.4.4 Política de Preços
CAPÍTULO 2
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA
16
18
21
24
25
25
26
26
29
2.1
ENQUADRAMENTO GERAL
29
2.2
DIAGNÓSTICO DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO
31
2.2.1
2.2.2
2.2.3
2.2.4
31
34
35
39
2.3
Caracterização de Perdas - Factores Determinantes
Indicadores de Desempenho
Modelação de Redes de Distribuição de Água (EPANET)
Necessidades de Reparação do Sistema
ESTUDOS EFECTUADOS SOBRE PERDAS
41
XIII
2.4
RECENTES AVANÇOS NO DOMÍNIO DA DETECÇÃO E CONTROLO
DE PERDAS
44
2.4.1 Actuação Internacional na Redução das Perdas de Água
2.4.2 Estratégia de Redução das Perdas de Água
2.4.2.1
Controlo de Perdas na Austrália
2.4.2.2
Controlo de Perdas na América do Norte
2.4.2.3
Controlo de Perdas na Europa
45
45
49
51
54
CAPÍTULO 3
57
ENTIDADES GESTORAS EM PORTUGAL
3.1
ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 57
3.2
ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DOS SISTEMAS PÚBLICOS
DE ABASTECIMENTO
3.2.1 Cobertura do Serviço de Água
3.2.2 Número de Consumidores
CAPÍTULO 4
METODOLOGIA
57
60
61
63
4.1
APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
63
4.2
HIPÓTESE DE INVESTIGAÇÃO
64
4.2.1 Objectivos específicos
4.3
MÉTODOS E TÉCNICAS
CAPÍTULO 5
5.1
SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO
CONCELHO DE VILA REAL: CASO PRÁTICO
CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO EM ESTUDO
5.1.1 Quadro Geográfico: o Concelho e a Cidade
5.1.2 Quadro Demográfico
5.2
XIV
64
65
67
67
67
69
CARACTERIZAÇÃO DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA AO CONCELHO
E SUAS INFRA-ESTRUTURAS BÁSICAS
71
5.2.1 Evolução do Abastecimento – Breve Resenha Cronológica
5.2.2 Gestão do Abastecimento
5.2.3 Caracterização da Entidade Gestora – EMARVR, EM
5.2.3.1
Criação da Empresa – Base Legal
5.2.3.2
Transição SMAS / EMARVR
5.2.3.3
Domínios de Actividade
5.2.4 Dados do Sistema de Abastecimento
5.2.4.1
Origens de Água, Sistemas de Abastecimento
71
77
82
82
82
83
84
85
5.2.4.2
5.2.4.3
Consumidores e Consumos
Volume produzido / facturado
5.2.4.4 Caracterização das infra-estruturas do Sistema
5.3
86
92
97
AVALIAÇÃO E ANÁLISE DAS PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO
DE DISTRIBUIÇÃO
104
5.3.1 Cálculo do Balanço Hídrico e Indicadores de Desempenho
5.3.2 Intervenções efectuadas na Rede no Período 2005 e 2006
5.3.2.1
Resultados relativos a 2005
5.3.2.2
Resultados relativos a 2006
5.3.2.3
Análise dos Resultados
5.3.3 Indicadores da Ocorrência de Roturas
5.3.4 Avaliação e Percepção dos Munícipes sobre as Perdas de Água
104
111
113
118
129
139
147
CONSIDERAÇÕES FINAIS
159
RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS ESTUDOS
161
BIBLIOGRAFIA
163
ANEXOS
171
XV
ÍNDICE DE FIGURAS
FIGURA 1.1
Stress hídrico no planeta
13
FIGURA 2.1
Estruturação de rede em Zonas de Medição e Controlo
37
FIGURA 2.2
Sondagem acústica directa
39
FIGURA 2.3
Sondagem acústica indirecta
39
FIGURA 3.1
Formas organizativas do serviço de água
59
FIGURA 3.2
Entidades gestoras de sistemas multimunicipais
60
FIGURA 3.3
Cobertura do abastecimento de água
61
FIGURA 5.1
Mapa do Concelho de Vila Real
68
FIGURA 5.2
Aguadeiras de Vila Real, séc. XIX
72
FIGURA 5.3
Reservatório do Arcabuzado
73
FIGURA 5.4
Estação elevatória de Codessais
74
FIGURA 5.5
Barragem do Alvão (Cimeira)
75
FIGURA 5.6
Barragem do Alvão (Fundeira)
75
FIGURA 5.7
ETA do Alvão (Freguesia de Borbela) e reservatórios a jusante da ETA
75
FIGURA 5.8
Barragem do Sôrdo
77
FIGURA 5.9
Torre de captação
77
FIGURA 5.10 Estação de Tratamento de Água do Sôrdo
77
FIGURA 5.11 Plano Director de Abastecimento de Água "em Alta"- Grandes Sistemas até
80
2009
FIGURA 5.12 Plano Director de Abastecimento de Água "em Baixa"- Grandes Sistemas até
81
2009
FIGURA 5.13 Exemplos de obras de substituição da rede de água em conjunto com a execução
99
da rede pública de drenagem de esgotos domésticos
FIGURA 5.14 Exemplo de um ramal antigo e mal concebido
100
FIGURA 5.15 Reservatório de Vila Seca, 1500 m3
101
FIGURA 5.16 Contador doméstico a substituir
103
FIGURA 5.17 Ligação directa à rede pública sem contagem (clandestina)
106
FIGURA 5.18 Ligação ilícita à rede pública
106
FIGURA 5.19 Uso fraudulento de hidrantes
106
FIGURA 5.20 Identificação dos locais de medição do sistema
107
FIGURA 5.21 Equipa do sector da exploração da EMARVR
112
FIGURA 5.22 Viaturas do sector da exploração da EMARVR
112
FIGURA 5.23 Número de roturas ocorridas nos ramais e na conduta geral, nas diferentes
115
freguesias do Concelho
XVII
FIGURA 5.24 Número de substituições efectuadas nos ramais e na conduta geral, nas
116
diferentes freguesias do Concelho
FIGURA 5.25 Número de roturas ocorridas nos ramais e na conduta geral, nas diferentes
123
freguesias do Concelho
FIGURA 5.26 Número de substituições efectuadas nos ramais e na conduta geral, nas
124
diferentes freguesias do Concelho
FIGURA 5.27 Ocorrência de roturas - diferenças de comportamentos
143
FIGURA 5.28 Rotura de água
144
FIGURA 5.29 Reparação de rotura
144
XVIII
ÍNDICE DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1.1
Consumos de agua no mundo (%)
11
GRÁFICO 2 1
Ineficiência de sistemas de abastecimento de agua (%)
30
GRÁFICO 5.1
População residente por freguesia ( hab)
69
GRÁFICO 5.2 Densidade populacional das freguesias do Concelho de Vila Real (hab/km2)
70
GRÁFICO 5.3
Categorização de consumidores e respectivos consumos (m3 )
87
GRÁFICO 5.4
Consumos de água por tipo de clientes (média dos últimos seis anos)
87
GRÁFICO 5.5
Evolução do consumo doméstico por escalões
88
GRÁFICO 5.6
Evolução do número de leituras nos últimos seis anos
89
GRÁFICO 5.7
Evolução do número de clientes (aldeias e cidade)
89
GRÁFICO 5.8
Evolução do número de consumidores no Concelho – Período compreendido
90
entre 1970 e 2006
Evolução do consumo total por contagem ao longo do ano/aldeias (m3)
90
GRÁFICO 5.10 Evolução do consumo total por contagem ao longo do ano/cidade (m3)
91
GRÁFICO 5.11 Evolução do consumo total, por contagem, no período compreendido entre
92
GRÁFICO 5.9
2001 e 2006
GRÁFICO 5.12 Evolução do volume de água facturada e produzida
93
GRÁFICO 5.13 Volume de água facturado em 2006 – Distribuição por tipo de consumidores
95
GRÁFICO 5.14 Evolução das perdas de água - volume de água não facturado
96
GRÁFICO 5.15 Intervenções efectuadas nos ramais (%)
113
GRÁFICO 5.16 Intervenções efectuadas na conduta geral em 2005 (%)
114
GRÁFICO 5.17 Distribuição de frequências da duração média das intervenções
117
GRÁFICO 5.18 Justificação das Intervenções efectuadas nos ramais em 2006
120
GRÁFICO 5.19 Empresas que provocaram reparações de rede nos ramais
121
GRÁFICO 5.20 Empresas que provocaram reparações de rede na conduta geral
122
GRÁFICO 5.21 Intervenções efectuadas nos ramais aos fins-de-semana e feriados
125
GRÁFICO 5.22 Intervenções efectuadas na conduta geral aos fins-de-semana e feriados
126
GRÁFICO 5.23 Distribuição das intervenções por duração da suspensão do abastecimento (%)
129
GRÁFICO 5.24 Gráfico de perfil (ramais)
130
GRÁFICO 5.25 Gráfico de perfil (conduta geral)
130
GRÁFICO 5.26 Gráfico de perfil
131
GRÁFICO 5.27 Gráfico de perfil
132
GRÁFICO 5.28 Gráfico de perfil
133
GRÁFICO 5.29 Roturas de ramal por ano
135
GRÁFICO 5.30 Distribuição dos inquiridos por níveis de escolaridade (%)
149
XIX
GRÁFICO 5.31 Avaliação do desempenho da EMARVR no controlo e redução perdas de água
por freguesia
XX
151
ÍNDICE DE TABELAS
TABELA 1.1 Quantidade de água no mundo
8
TABELA 1.2 Disponibilidade de água no mundo (m3/dia/pessoa)
9
TABELA 1.3 População versus recursos hídricos (%)
9
TABELA 1.4 Consumo de agua por habitante (l/hab/dia)
10
TABELA 1.5 Listagem dos países com maior e menor quantidade de agua
12
TABELA 1.6 Listagem de programas por eixo de actuação e intervenção
20
TABELA 1.7 Hábitos domésticos para racionalização hídrica
23
TABELA 2.1 Indicadores de desempenho recomendados pelo IWA
35
TABELA 2.2 Fases da reabilitação
40
TABELA 2.3 Algum software disponível para calculo do balanço hídrico e dos indicadores do
46
desempenho para serviços de abastecimento de agua
TABELA 2.4 Atribuição de ILIs ao sistema World Bank Institute Banding (Bandas do sistema
47
do instituto do Banco Mundial
TABELA 2.5
Actividades prioritárias para as bandas WBI de A a D
48
TABELA 5.1
Evolução do número de leituras nos últimos seis anos
88
TABELA 5.2
Redes de distribuição de água
98
TABELA 5.3
Ramais de água existentes
100
TABELA 5.4
Componentes do balanço hídrico de 2005
108
TABELA 5.5
Componentes do balanço hídrico em 2006
109
TABELA 5.6
Medidas de tendência central e de dispersão
118
TABELA 5.7
Medidas de tendência central e de dispersão
126
TABELA 5.8
Distribuição de frequências dos meios humanos envolvidos
127
nas intervenções de 2006
TABELA 5.9
Medidas de tendência central e de dispersão
128
TABELA 5.10 Substituições de rede efectuadas por ano
136
TABELA 5.11 Roturas em ramais, ocorridas em 2005
139
TABELA 5.12 Roturas na conduta geral, ocorridas em 2005
140
TABELA 5.13 Roturas nos ramais, ocorridas em 2006
140
TABELA 5.14 Roturas na conduta geral, ocorridas em 2006
140
TABELA 5.15 Substituições de ramais, efectuadas em 2005
141
TABELA 5.16 Substituição da conduta geral, efectuada em 2005
141
TABELA 5.17 Substituições de ramais, efectuadas m 2006
141
XXI
TABELA 5.18 Substituição da conduta geral, efectuada em 2006
142
TABELA 5.19 Indicadores de ocorrência de roturas
142
TABELA 5.20 Plano de redução de perdas de água
146
XXII
ÍNDICE DE SIGLAS / ABREVIATURAS
ADP
Águas de Portugal
AEPSA
Associação das Empresas Portuguesas para o Sector do Ambiente
APESB
Associação Portuguesa para Estudos de Saneamento Básico
APRH
Associação Portuguesa de Recursos Hídricos
ARH
Administrações de Região Hidrográfica
ATMAD
Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro
AWWARF
American Water Works Association Research Foundation
AZP
Average Zone Point (Valor Médio da Zona)
BI
Boca de incêndio
CARE-W
Computer Aided Rehabilitation of Water Networks
CCDR
Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional
CEE
Comunidade Económica Europeia
CNA
Conselho Nacional da Água
CmN
Caudal Mínimo Nocturno
CRH
Conselho Região Hidrográfica
DL
Decreto Lei
DQA
Directiva Quadro da Água
DRA
Direcção Regional do Ambiente
DVGW
A Deutsche Vereinigung des Gas- und Wasserfaches (Associação Alemã de Peritos
em Gás e Água)
EMARVR
Empresa Municipal de Água e Resíduos de Vila Real
EPAL
Empresa Portuguesa de Águas Livres
ETAR
Estações de Tratamento de Águas Residuais
EUA
Estados Unidos da América
hab
Habitante
IA
Instituto do Ambiente
INAG
Instituto Nacional da Água
INE
Instituto Nacional de Estatística
INSAAR
Inventário Nacional de Sistemas de Abastecimento de Água e de Águas Residuais
IRAR
Instituto Regulador de Águas e Resíduos
IST
Instituto Superior Técnico
XXIII
IWA
International Water Association (Associação Internacional da Água)
IWSA
International Water Supply Association
km2
Quilómetros quadrados
l
Litro
LNEC
Laboratório Nacional de Engenharia Civil
LQA
Lei-quadro da Água
MADRP
Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
MAOT
Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território
MCOTA
Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente
m3
Metro cúbico
n. º
Número
NDFs
Night Day Factors (Factores Noite / Dia)
ONU
Organização das Nações Unidas
PEAASAR
Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Água Residuais
PNA
Plano Nacional da Água
QUERCUS
Associação Nacional de Conservação da Natureza
SMAS
Serviços Municipalizados de Água e Saneamento
UE
União Europeia
UNESCO
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (United Nations
Educational, Scientific and Cultural Organization)
UNICEF
Fundo das Nações Unidas para a Infância (United Nations Children‘s Fund)
UN/WWAP
Organização das Nações Unidas/ Programa de Avaliação da Água Mundial (United
Nations/World Water Assessment Program)
UTAD
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
USEPA
United States Environmental Protection Agency
WBI
World Bank Institute (Intituto do Banco Mundial)
WBWC
Wide Bay Water Corporation
WLTF
Water Loss Task Force
WSAA
Water Services Association of Austrália (Associação dos Serviços de Água da
Austrália)
WWC
World Water Council (Conselho Mundial da Água)
ZMC
Zonas de Medição e Controlo
XXIV
INTRODUÇÃO
A água assume-se como a riqueza natural mais valiosa do próximo milénio. Assim,
num mundo cada vez mais necessitado deste líquido precioso, justifica-se a imediata detecção
e neutralização de fugas e roturas, evitando a perda desnecessária de um bem escasso e
essencial à vida.
Constituindo um dos problemas sérios da actualidade, a falta de eficiência na gestão
dos sistemas de abastecimento de água limita o desenvolvimento económico, tem efeitos
profundos no meio ambiente e afecta o conforto da sociedade. As perdas de água em sistemas
de adução e distribuição representam um dos principais exemplos dessa situação.
Actualmente, as sociedades desenvolvidas esperam não só o acesso fácil a este recurso,
mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência subentende
a garantia do fornecimento contínuo de água em quantidade e qualidade. Contudo, estes
requisitos dependem do comportamento hidráulico de cada sistema, uma vez que, muitos
deles apresentam deficiências operacionais motivadas, entre outros factores, pela falta de
manutenção adequada.
É certo que nas últimas décadas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, o
sector de abastecimento de água em Portugal e as Autarquias Locais têm reunido esforços na
construção de novas infra-estruturas, com o objectivo de garantir a distribuição de água
potável para consumo doméstico. Consequentemente, foram canalizados grandes
investimentos para este sector num período demasiado curto, que limitou, a longo prazo, um
adequado planeamento operacional assim como o controlo de qualidade efectiva dos sistemas
que se construíram. Este desfasamento poderá pôr em causa a qualidade e a longevidade de
algumas destas infra-estruturas. A falta de resposta às questões ligadas ao planeamento, à
operação e à manutenção dos sistemas, poderá ser a causa das deficiências actualmente
existentes.
Perante esta realidade e cientes da complexidade dos sistemas públicos de abastecimento
de água, bem como da diversidade de órgãos e juntas existentes, é inevitável a ocorrência de
perdas de água que podem atingir uma percentagem importante do consumo total, com
consequências económicas e ambientais muito negativas (Alegre et al, 2005).
Perspectivando a melhoria da qualidade do serviço prestado aos seus clientes, no intuito
de contribuir para o aumento da eficiência, as entidades gestoras portuguesas, públicas ou
privadas, enfrentam novos desafios colocados pela Directiva-Quadro e pelo Plano Estratégico,
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
1
procurando atender a múltiplos aspectos da gestão operacional e estratégica dos sistemas, de
modo a alcançar níveis de qualidade existentes nalguns dos países mais avançados da Europa.
Para a realização desta dissertação houve a preocupação de conhecer a realidade do
desempenho do sistema de distribuição de água do Município de Vila Real e apontar caminhos
para a resolução de alguns dos seus problemas.
2
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
CAPÍTULO 1
ÁGUA
Antes de analisarmos na íntegra a problemática em estudo, pensa-se que será deveras
enriquecedor sintetizar os conhecimentos actuais que possuímos sobre este recurso.
1.1
ÁGUA NO MUNDO
“A água é a seiva do nosso planeta.
Ela é condição essencial de vida de todos os seres vivos (…)”
(ONU, 1992)
Se este pressuposto estiver sempre presente em cada ser humano, então ele próprio será
capaz de recriar as condições necessárias para a água que ele mesmo destruiu. A nossa
colaboração é preciosa para que a água nunca falte.
Tal como disse Leonardo da Vinci, a água é um dom divino da Natureza. Este recurso,
desde os primórdios, é considerado fundamental para a sobrevivência das civilizações
humanas e, em geral, para a manutenção do equilíbrio da Natureza. Nas artes, sempre foi
usado como símbolo de vida. Actualmente, a procura de vida noutros planetas do sistema
solar passa pela investigação da existência de água revelando, uma vez mais, o valor deste
bem na origem da vida. É um elemento vital que devemos preservar, já que a maior parte do
peso de um organismo é formado por água. No organismo humano, por exemplo, cerca de
70% do corpo corresponde a água. Dela, depende a nossa alimentação, a própria qualidade de
vida e todas as actividades humanas, desde a agricultura, indústria, saúde, desporto, cultura,
produção de energia, transportes, entre outros. Este elemento é o principal componente do
ambiente onde habitam as plantas e os animais. É, por isso, decisiva para todas as dimensões
do desenvolvimento sustentável do planeta (Gunston, 1981).
Com a pretensão de centrar a atenção de todos os cidadãos em algo essencial, de
importância em termos mundiais, a Organização das Nações Unidas - ONU decretou em 22
de Março de 1992 o “Dia Mundial da Água”, declarando os seus direitos universais.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
3
Todavia, reconhecida a sua importância a vários níveis, esta data deveria ser
comemorada todos os dias do ano. O ano de 2003 foi declarado “Ano Internacional da Água
Doce” de modo a sensibilizar os cidadãos para a racionalização do seu uso e consumo. Pela
sua importância à escala mundial, a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e Cultura - definiu o período compreendido entre 2005 e 2015, como
sendo a década internacional para Acção “Water for Life” (UN/WWAP, 2003a).
1.1.1
QUADRO LEGAL
Ao longo dos últimos anos assistiu-se a um período de transformação no que diz
respeito à matéria institucional dos recursos hídricos.
Em Portugal, a consagração constitucional do ambiente como direito do cidadão deu-se
em 1976 culminando com a entrada em vigor da nova lei-quadro da água. Recorde-se que a
Directiva Quadro 2000/60/CE da Água, entrou em vigor em Dezembro de 2000 e foi
transposta em 2005, reflectindo uma nova abordagem da política de gestão da água, centrada
na protecção do ambiente: “a água não é um produto comercial como outro qualquer, mas
um património que deve ser protegido, defendido e tratado como tal” - (DQA, 2005).
Do ponto de vista jurídico, a legislação aplicável promulgada pelos organismos da
União Europeia é cada vez mais determinante. Um dos princípios mais importantes da nova
geração normativa é, sem dúvida, a importância de manter saudáveis os ecossistemas
aquáticos, como forma de garantir a qualidade da água para os diversos usos humanos. Assim,
através da legislação, cada vez mais o Estado Português regulamenta e define os usos da água.
Não é suficiente ter água em quantidade disponível, no tempo ou no lugar, é necessário ter a
quantidade e a qualidade compatível com o uso.
A facilidade de dissolução de substâncias na água implica uma malha legal cada vez
mais apertada sobre as rejeições, pelo que faz todo o sentido fazer uma resenha da moldura
legal sobre usos e protecção da água que, total ou parcialmente, estão em vigor desde o início
da década de noventa. Assim, de acordo com o artigo “Gestão Sustentável dos Recursos
Hídricos: A Situação Portuguesa e os Desafios da União Europeia” (Costa et al, 2006)
efectuado e apresentado no Congresso do Douro, realizado em Zamora, nos dias 27, 28 e 29
de Abril de 2006, expõe-se a legislação mais relevante no domínio da água:
y DL n.º74/90 de 7 de Março: Norma de qualidade a que as águas superficiais
devem obedecer em função dos respectivos usos (Revogado parcialmente pelo DL nº
236/98);
4
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
y DL n.º45/94 de 22 de Fevereiro: Define o processo de planeamento dos recursos
hídricos. Está na origem do Plano Nacional da Água e na origem dos Planos de Bacia
Hidrográfica;
y DL n.º46/94 de 22 de Fevereiro: Define o regime de licenciamento das utilizações
do domínio hídrico;
y DL n.º47/94 de 22 de Fevereiro: Define o regime económico e financeiro das
utilizações do domínio público hídrico;
y DL n.º207/94 de 6 de Agosto: Define a responsabilidade das entidades gestoras dos
sistemas de distribuição pública de água e de drenagem pública de águas residuais;
y DL n.º23/95 de 23 de Agosto: Estabelece as normas relativas à concepção dos
sistemas de distribuição de água e drenagem de águas residuais;
y DL n.º152/97 de 19 de Junho: Tem como objecto a protecção das águas dos efeitos
das descargas de águas residuais urbanas, e identifica as “zonas sensíveis” e “zonas menos
sensíveis”. Trata-se da transposição para direito interno a Directiva n.º 91/271/CE;
y DL n.º235/97 de 3 de Setembro: Transpõe para o direito interno a Directiva n.º
91/676/CE, também conhecida por Directiva Nitratos, relativa à protecção das águas contra a
poluição por nitratos de origem agrícola;
y Portaria n.º 1037/97, de 1 de Outubro: Enuncia as “zonas vulneráveis” previstas na
transposição da Directiva Nitratos e estabelece zonas sujeitas a posteriores portarias: Portaria
n.º 546/98 de 18 de Agosto cria o programa de acção para a Zona Vulnerável n.º 1 do
Aquífero de Esposende a Vila do Conde; Portaria n.º 622/98, de 28 de Agosto, cria o
programa de acção para a Zona Vulnerável n.º 2 do Aquífero Quaternário de Aveiro;
y Portaria n.º 704/2001, de 11 de Julho: Cria o programa de acção para a Zona
Vulnerável n.º 3 do Aquífero Miocénico e Jurássico da Campina de Faro;
y DL n.º236/98, de 1 de Agosto: Normas, critérios e objectivos de qualidade com a
finalidade de proteger o meio aquático e melhor qualidade das águas em função dos seus
principais usos. Transpõe para o direito interno a Directiva n.º 75/440/CEE (relativa à
qualidade das águas doces superficiais destinadas à produção de água para consumo humano)
e a Directiva n.º 79/869/CEE (relativa aos métodos analíticos e frequência de amostragens
para as mesmas águas. Também transpõe as Directivas do uso balnear e fins piscícolas).
Revoga o DL n.º74/90, mas mantém o regime de licenciamento na CCDR (ex-DRA) DL
n.º46/94. Este decreto está parcialmente revogado pelo DL n.º 243/2001 de 5 de Setembro;
y Decreto-Lei n.º 56/99, de 26 de Fevereiro: Transpõe para o direito interno a
Directiva n.º 86/280/CEE, relativa aos valores limite e aos objectivos de qualidade para a
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
5
descarga de certas substâncias perigosas, e a Directiva n.º 88/347/CEE, que altera o anexo II
da Directiva n.º 86/280/CEE. (Declaração de Rectificação nº 10-S/99, de 30 de AbrilSuplemento);
y Resolução da Assembleia da República n.º 66/99, de 17 de Agosto: Aprova,
para ratificação, a Convenção sobre Cooperação, para a Protecção e o Aproveitamento
Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas e o Protocolo Adicional,
assinados em Albufeira em 30 de Novembro de 1998;
y Portaria n.º 462/2000, de 25 de Março: Aprova o Plano Nacional Orgânico
para a melhoria das origens superficiais de água destinadas à produção de água potável;
y Decreto-Lei n.º 194/2000, de 21 de Agosto: Transpõe para a ordem jurídica
interna a Directiva 96/61/CE relativa à prevenção e controlo integrados da poluição, também
conhecida como Directiva IPCC;
y Directiva 2000/60/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho: Estabelece um
quadro de acção comunitária no domínio da política da água, também designada DirectivaQuadro da Água;
y Decreto-Lei n.º 112/2002 de 17 de Abril: Aprova o Plano Nacional da Água,
documento central de gestão da água.
O enquadramento institucional da água assume um cariz fundamental para o bom
desempenho do sector, uma vez que define responsabilidades dos intervenientes, regras de
funcionamento e adequada articulação com sectores próximos, como a drenagem e tratamento
de águas residuais, os recursos hídricos e o ordenamento do território. Contudo, para além da
complexidade legislativa acima citada, existem ainda várias publicações com impacto nas
práticas correntes das entidades gestoras de água e saneamento. Entre estas publicações
destacam-se: Código de Boas Práticas Agrícolas, (M.A.D.R.P., 1997); Plano Estratégico de
Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais (M.A.O.T., 2000); Controlo da
Qualidade da Água para Consumo Humano (M.C.O.T.A., 2002); Indicadores de
Desempenho para Serviços de Abastecimento de Água (Alegre et al, 2004b); Programa
Nacional para o Uso Eficiente da Água (M.A.O.T., 2001).
No Âmbito dos trabalhos desenvolvidos nos finais da década de 80, inícios de 90, ao
nível do planeamento físico, nomeadamente os Planos Directores Municipais, foi criada uma
malha reguladora estruturante de todo o território, com toda a informação necessária ao
cidadão sobre as actividades económicas legais e legalizáveis. Este esclarecimento e
transparência assumiram-se cruciais para o despertar da consciência ambiental a que hoje se
6
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
assiste. Tanto ao nível dos Planos Directores Municipais bem como a outros níveis, a
articulação do ordenamento do território com a gestão dos recursos hídricos deve ser rigorosa.
O rápido desenvolvimento económico de Portugal, no contexto da adesão à União
Europeia, assim como a constante e progressiva escassez de água, tem obrigado o nosso País a
uma agilização da evolução legal. Além do que, a pressão económica e ambiental que
actualmente se vive é também acompanhada por um crescente rigor nos padrões de qualidade,
que se encontram traduzidos e avaliados por uma complexidade analítica desses mesmos
parâmetros. O factor qualidade tornou-se mensurável (Santo, 1983).
1.1.2 RESERVAS MUNDIAIS DE ÁGUA
Contrariamente ao que se pensa, a quantidade total de água no planeta tem permanecido
imutável, por sua vez, o que se tem alterado é a sua distribuição e o seu estado. A mudança do
estado da água na natureza (sólido, líquido e gasoso) designa-se por ciclo hidrológico,
correntemente designado por ciclo da água. Sem querer cair numa explicação exaustiva do
seu funcionamento, culturalmente conhecido por todos, refere-se apenas que se trata de uma
sequência de maravilhas da natureza, pelas quais a água percorre da superfície terrestre para a
atmosfera, na fase de vapor, e regressa, nas fases líquida e sólida, percorrendo desde o mais
simples ao mais complexo dos caminhos.
Embora não existam dados rigorosos sobre a percentagem de água presente no planeta,
devido à dificuldade no rigor da sua quantificação, admite-se actualmente, de acordo com os
dados pesquisados no I.N.A.G, que os oceanos, os mares, os pólos, a neve, os lagos e os rios
cubram, aproximadamente, cerca de dois terços da superfície terrestre, daí, a conotação de
Planeta Azul. Todavia, 97% dessa água é salgada, uma vez que está concentrada em mares e
oceanos. A quantidade de água restante, menos de 3%, representa água doce, encontrando-se
distribuída pelos continentes, quer à superfície sob a forma de gelo ou neve, quer abaixo da
superfície terrestre, pelo que a quantidade de água doce existente não se encontra disponível
na sua totalidade. Cerca de 2% encontra-se nos glaciares do Pólo Norte e Sul sob o estado
sólido, portanto inacessível, permanecendo uma pequena porção na atmosfera sob a forma de
vapor.
Conclui-se assim que apenas 1% da água doce existente nos lagos, rios, barragens e na
atmosfera está disponível para ser utilizada pelo homem, para consumo próprio e para as suas
actividades, pelos animais e pelas plantas. Contudo, mesmo esta porção carece de tratamento
antes de ser consumida, por se encontrar habitualmente poluída. A água superficial,
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
7
distribuída pelos rios, canais, ribeiras, lagos, bacias de retenção e albufeiras, está por isso mais
susceptível à poluição, bem como a subterrânea, que se encontra infiltrada no subsolo em
aquíferos ou lençóis freáticos. Ambas carecem de tratamento prévio para poder ser consumida
pelo homem (Gunston, 1981).
A tabela 1.1 mostra como a água se encontra distribuída na Terra, em termos
percentuais. Dela se constata que existem no Mundo cerca de 1.300 milhões de m3 de água, o
que traduz ser um recurso abundante, em termos globais. No entanto, só uma percentagem
muito reduzida está disponível para consumo humano.
Tabela 1.1 - Quantidade de água no mundo
(Adaptado de KORZOUN et al, 1978)
ÁREA
(106 km2)
VOLUME
(km3)
361,3
1.338.000.000
96,5
Doce
134,8
10.530.000
0,76
Salina
143,8
12.870.000
0,93
Humidade no solo
82,0
16.500
0,0012
0,05
Gelo Polar
16,0
24.023.500
1,7
68,6
Gelos não polares e neves
0,3
340.600
0,025
1,0
Doce
1,2
91.000
0,007
0,26
Salina
0,8
85.400
0,006
2,7
11.470
0,0008
0,03
Rios
148,8
2.120
0,0002
0,006
Água biológica
510,0
1.120
0,0001
0,003
Água atmosférica
510,0
12.900
0,001
0,04
ÁGUA TOTAL
510,0
1.385.984.610
100
ÁGUA DOCE
148,8
35.029.210
2,5
ÁGUA
Oceanos
Subterrânea
Lagos
Pântanos
ÁGUA TOTAL ÁGUA DOCE
%
%
30,1
100
Segundo a ONU, a quantidade de água necessária por habitante é de 2.500 m3 por ano.
Atendendo que esta se encontra irregularmente distribuída pelas diferentes regiões do Mundo
e que grande parte dessas regiões carece deste recurso, o pressuposto da ONU revela-se
preocupante (Tabelas 1.2 e 1.3).
8
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Tabela 1.2 – Disponibilidade de água no mundo (m3/dia/pessoa)
(Adaptado de UN/WWAP, 2003b)
CONTINENTE
ÁREA (103km2)
POPULAÇÃO
DISPONIBILIDADE
(milhões de
(m3/dia/pessoa)
habitantes)
Europa
10 500
498
18
Ásia
43 475
3 108
13
África
30 120
648
19
América do Norte
24 200
426
53
América do Sul
17 800
297
108
Tabela 1.3 – População versus recursos hídricos (%)
(Adaptado de UN/WWAP, 2003b)
POPULAÇÃO
(%)
RECURSOS HÍDRICOS
(%)
Europa
13
8
Ásia
60
35
África
13
11
América do Norte
8
15
América do Sul
6
26
Oceânia
<1
5
CONTINENTE
Acreditava-se que a reduzida parcela de água doce existente no planeta seria suficiente
para abastecer os 6 biliões de habitantes em todo o mundo. Contudo, segundo a UNICEF
(Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos de metade da população mundial tem
acesso a água potável. É devido à falta de água que vastas regiões da África, Ásia, América
do Sul e Austrália são despovoadas, ao invés de serem produtivas e prósperas. A situação
também é crítica no México, Hungria, Índia, China e Tailândia. A estes países cabe
desenvolver urgentemente tecnologias que permitam a captação, armazenamento e
preservação da água. Segundo o geólogo Pedro Jacobi (2006), Brasil, Rússia, China e Canadá
são os países que dispõem de stocks hídricos invejáveis. Contudo, dentro dos próprios países
também se verifica uma distribuição desigual da água no espaço e no tempo. As cheias e as
secas ocorridas em Portugal são manifestações extremas desta desigualdade.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
9
1.1.3 CONSUMO DE ÁGUA
O homem não sobrevive muitos dias sem água. Tendo por base esta premissa, não
admira que o primeiro acto de gestão consciente das utilizações da água se centre no seu uso
directo para o homem, o que levou a comunidade a fixar-se em redor das zonas com água.
Londres, Paris, Barcelona e Nova Iorque são exemplos de grandes capitais mundiais que se
desenvolveram nas margens dos rios. O mesmo se verificou em Portugal com as cidades de
Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, entre outros. Deste modo, a presença de cursos de água no
território constitui uma condição de localização e implantação urbana. Além disso, a transição
de uma sociedade rural para uma sociedade urbana é acompanhada de um aumento
significativo do consumo de água, consequente da expansão urbanística e da industrialização,
elevando desta forma o nível de vida das sociedades. Para Peixoto (1977), o consumo de água
por habitante é um dos indicadores mais importantes para avaliar o nível de vida de uma
sociedade. O consumo por habitante é significativamente maior nos países desenvolvidos do
que nos países em via de desenvolvimento, tal como é evidenciado na tabela 1.4.
Tabela 1.4 – Consumo de água por habitante
(Adaptado de Jacobi, 2006)
PAÍS
Continente Africano
Nova Iorque
CONSUMO DE ÁGUA
(per capita)
10 a 15 l/hab/dia
2 000 l/hab/dia
Portugal
161 l/hab/dia
Escócia
410 l/hab/dia
Estados Unidos/Canadá
300 l/hab/dia
Austrália
270 l/hab/dia
A tabela 1.4 mostra a grande amplitude de variação do consumo doméstico per capita
em diferentes países. Note-se que o consumo mínimo necessário à sobrevivência de cada ser
humano é de dois litros de água potável por dia, o que representa menos de um metro cúbico
por ano.
Segundo alguns dados estatísticos do crescimento demográfico e atendendo às taxas de
crescimento dos consumos de água registadas no último século, verifica-se que estas são
consideravelmente superiores às da evolução populacional, apresentando grandes diferenças
nos consumos médios por habitante, variando entre os 300 l/hab/dia nos Estados Unidos e
10
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
menos de 20 l/hab/dia em alguns países do Continente Africano. Perante esta desigualdade
social, a gestão da água gerou de uma ou outra forma, escassez e insuficiência para os
processos naturais. Parafraseando Coelho (2001)., “(…) prevê-se que a procura da água
excederá o abastecimento sustentável a curto prazo(…)”.
Há pelo menos trinta anos que a ONU tem vindo a alertar para uma crise de
abastecimento de água potável. Actualmente, a procura da água já supera a oferta, mas a
situação poder-se-á tornar ainda mais crítica no futuro, atingindo proporções inéditas,
consequência dos padrões de vida cada vez mais elevados. Prevê-se que o uso da água
aumente em 40% e sejam necessários mais 17% para a produção de alimentos em 2025 (IA,
2005b). É pois necessário que a gestão da água se oriente de forma a assegurar o bom
funcionamento dos ecossistemas aquáticos e terrestres. A gestão da oferta de água tem de ser
completada com gestão da procura de água (Henriques, 2003).
Em Portugal, de acordo com os valores dos consumos de água manifestos no Plano
Nacional da Água e disponibilizados pelo Instituto Nacional da Água – INAG, a agricultura é
o sector que apresenta o maior consumo, perfazendo 75% do total nacional. O sector
energético consome cerca de 14%, o sector doméstico não utiliza mais do que 7% e a
indústria 4%. A percentagem utilizada no sector do turismo não é significativa.
Gráfico 1.1 – Consumos de Água no Mundo
(Adaptado de UN/WWAP, 2003b)
74,4
80
73
Portugal
70
Europa
Mundo
60
50
40
33
40
30
20
10
0
16
6,7
6
21
11
4,4
Doméstico Comércio
Industria
14
0,4
Agricultura Energia
Turismo
Do gráfico 1.1 conclui-se que o consumo agrícola verificado em Portugal está muito
próximo do nível mundial. Os restantes consumos encontram-se abaixo dos níveis registados
na Europa e no mundo. Contudo, nem toda a água consumida chega a ser utilizada devido a
deficiências no sistema, como acontece por exemplo no sistema de rega do sector agrícola,
onde 60% da água consumida é desperdiçada (UN/WWAP, 2003b).
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
11
1.1.4 STRESS HÍDRICO
No século XX, o consumo mundial duplicou comparativamente ao crescimento
populacional. Atendendo que a população universal no ano 2000 era de 6,1 mil milhões de
pessoas, concentrando-se a sua maioria em países em desenvolvimento com problemas de
stress hídrico, as Nações Unidas previram que em 2050 haverá mais três mil milhões de
pessoas a sofrer do mesmo, totalizando mais de 9,2 mil milhões de pessoas a sofrer de
escassez hídrica (UN, 2005).
Em Março de 2003, as Nações Unidas apresentaram uma relação dos países com maior
e menor quantidade de água, conforme ilustra a tabela 1.5.
Tabela 1.5 – Listagem dos países com maior e menor quantidade de água
(Adaptado de ONU, 2003)
PAÍSES COM MAIOR QUANTIDADE
PAÍSES COM MENOR QUANTIDADE
DE ÁGUA
DE ÁGUA
Guiana Francesa
Kuwait
Islândia
Faixa de Gaza
Guiana
Emirados Árabes Unidos
Suriname
Bahamas
Congo
Qatar
Dos países com menor quantidade de água destacam-se o Kuwait com 10 m³ anuais por
habitante, seguido da Faixa de Gaza (52m³) e dos Emirados Árabes Unidos (58m³). Por outro
lado, excepto a Gronelândia e o Alasca, a Guiana Francesa é o país com maior oferta (812.121
m³), seguida por Islândia (609.319 m³), Guiana (316.698 m³) e Suriname (292.566 m³).
Regiões como o Médio Oriente, o Norte de África e o Sul da Ásia, enfrentam uma
escassez crónica de água. Segundo o relatório do quarto fórum mundial da água, efectuado na
Cidade do México e produzido pelo Worl Water Council - WWC (Conselho Mundial da
Água), no qual estiveram presentes representantes de 121 países, a situação africana revela-se
a mais crítica do mundo. Stress Hídrico é um conceito que se refere à diferença entre a água
utilizada e a disponível em recursos naturais, manifestando-se sempre nas situações em que a
água existente não é suficiente para toda a procura, quer seja para uso doméstico, agrícola ou
industrial. Por isso, o stress hídrico encontra-se em regiões fortemente povoadas, onde a
procura é grande. O continente africano tem 300 milhões de habitantes, o que representa cerca
de 5% da população mundial e utiliza cerca de 3,8% do total de água doce disponível no
12
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
planeta. De acordo com o mapa da figura 1.1, extraído da própria página web do WWC, a
situação universal de stress hídrico é heterogénea.
Figura 1.1 – Stress Hídrico no planeta
(Adaptado de http://www.worldwatercouncil.com, 1999)
Nenhum
0
Baixo
Médio
0.1
0.2
Elevado
0.4
Muito Elevado
0.8
Sobre esta questão existem algumas divergências entre os dados publicados, uma vez
que a informação contida neste mapa contradiz o relatório anteriormente citado.
É certo que alguns países africanos, têm feito rápidos progressos na cobertura de água
potável. A Tanzânia e a Namíbia são exemplos dessa situação (WHO/UNICEF, 2004).
Factores como o crescimento populacional e a expansão desordenada das cidades, entre
outros, são responsáveis pela saturação de reservas naturais de água, exigindo a procura de
fontes de captação alternativas. O stress hídrico é, portanto, o resultado do aumento do
consumo, da sobre-exploração das águas superficiais e subterrâneas, do ressecamento de rios,
da eutrofização, da poluição, más práticas de rega, do desperdício, fugas em sistemas de
distribuição de água, utilização ineficiente pela indústria, da falta de sensibilização para o seu
uso sustentável, da educação ambiental, entre outros.
A degradação da qualidade da água subterrânea e superficial tem aumentado em níveis
alarmantes, nos últimos cinquenta anos. A urbanização, a agricultura intensiva, a rejeição das
águas residuais, a deposição de dejectos animais, agro-industriais e de detritos de actividades
extractivas, ameaçam seriamente a qualidade da água, podendo gerar graves problemas para a
saúde pública.
Estima-se que até 2025, em determinadas regiões, dois terços da população mundial,
viva em situação grave de escassez de água.
Os líderes mundiais, aquando da Cimeira do Milénio das Nações Unidas, realizada em
Setembro de 2000, na cidade de Nova Iorque, comprometeram-se a reduzir para metade a
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
13
percentagem de pessoas que não dispõem de acesso a água potável ou não dispõem de meios
financeiros para a adquirir. E, em 2002, foi aprovada pela Cimeira Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável, efectuada em Joanesburgo, a redução para metade, da
percentagem de cidadãos sem serviço de saneamento básico até 2015 (UN, 2003). Trata-se de
um desafio que deve ser coordenado pelos governos, consumidores e investidores de forma a
se tornar real. Será, certamente, o grande desafio da humanidade para o futuro próximo.
Do prescrito pelo director geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, sobressai que "(…)
de todas as crises sociais e naturais que os seres humanos devem enfrentar, a dos recursos
hídricos é a que mais afecta a nossa própria sobrevivência e a do planeta".
1.2
PLANEAMENTO E GESTÃO DA ÁGUA - SUA APLICAÇÃO EM
PORTUGAL
Este estudo será fundamentalmente centralizado nas questões ligadas a perdas de água nos
sistemas públicos de adução e distribuição. Ainda assim, ter-se-ão em conta as questões
ambientais em geral e as questões ligadas à gestão dos recursos hídricos em particular,
agregando ainda as questões económicas e sociais.
Na questão de desenvolvimento económico-social, a água foi objecto de diversos estudos,
principalmente no que diz respeito aos problemas de irrigação, produção de energia
hidroeléctrica, abastecimento às populações e regularização fluvial, ficando por se avaliar
outras das suas utilizações. Relativamente ao planeamento regional e ordenamento do território,
as bacias hidrográficas não foram devidamente consideradas para a determinação das regiões de
planeamento, tal como é analisado na obra “A Gestão da Água” (Cunha et al, 1980).
Além das questões ligadas à quantidade e qualidade, distribuição espacial e temporal, os
problemas dos recursos hídricos são ainda agravados por situações de utilização partilhada de
bacias hidrográficas, tal como acontece em Portugal, que partilha com Espanha cinco bacias
hidrográficas: Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. Os problemas referidos têm-se vindo a
agravar com o passar dos anos, à medida que foram aumentando as solicitações referentes à
utilização deste recurso. Com efeito, revela a necessidade de implementação de uma adequada
política de gestão de recursos hídricos que tenha em vista um melhor aproveitamento da água
disponível e um planeamento prudente da utilização deste recurso. Os acordos com o país
vizinho são fundamentais na consideração de todas as utilizações da água, bem como na fixação
dos caudais e níveis de qualidade das águas que entram em Portugal. Em suma, uma eficiente
gestão passa pelo reconhecimento da água como factor de desenvolvimento dos diversos
14
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
sectores de actividades económicas e sociais: agricultura, indústria, comércio, pescas,
saneamento básico, ambiente, obras públicas, turismo, navegação, entre outros (Cunha et al,
1980).
As alterações climáticas globais, intensificadas nas últimas décadas, causadas
principalmente pela actividade humana, irão potenciar a intensidade das situações de escassez e
de carência de água, devido à alteração do padrão de distribuição da precipitação, causado pela
diminuição da quantidade disponível e pela degradação da qualidade da água existente,
aumentando os problemas de planeamento e gestão dos recursos hídricos com impactos
significativos sobre a agricultura, entre outras actividades económicas (Baptista et al, 2001).
Desta forma, o planeamento e gestão dos recursos hídricos constituem uma das
actividades de maior relevância para assegurar uma gestão sustentável da água, baseada na
poupança, na eficiência e no respeito pela manutenção da qualidade das nossas águas
subterrâneas e superficiais. Saliente-se alguns pensamentos de estudiosos quanto a esta
problemática:
y “O planeamento de recursos hídricos constitui uma das actividades de maior
relevância para assegurar uma gestão sustentável da água…” (Correia, 2000).
y “Existe uma necessidade gradual e premente de planear o uso da água. Essa vontade
culmina no processo de elaboração do PNA (Plano Nacional da Água) e PBH (Plano
de bacia Hidrográfica), envolvendo equipas pluridisciplinares, que, aplicando
processos e metodologias, reflectem e delineiam estratégias conducentes ao
planeamento aplicado à água…” (Fernandes, 2002).
A água é um recurso cada vez mais escasso. Segundo Vieira1 (1999), a sua escassez,
associada à enorme progressão do crescimento da população, aponta para que o sector do
abastecimento de água seja um sector de grande complexidade. Por esse motivo a gestão de
recursos hídricos tende a ser uma área de grande importância neste século. Segundo o mesmo,
embora Portugal esteja claramente atrasado em relação à média dos países da Comunidade
Europeia, tem vindo a progredir a bom ritmo nos últimos cinco anos, época em que se
verificou um progresso notável, influenciado pelas políticas da União Europeia. Este assumese como o grande desafio para Portugal no quadro da tendência da Europa, onde se deve
planear e gerir os recursos hídricos num quadro cada vez menos local, cada vez menos
casuístico e cada vez menos “reactivo” a situações de remediação de danos.
1
Presidente do Concelho Directivo da Associação Portuguesa para Estudos de Saneamento Básico - APESB
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
15
Perante esta necessidade e, volvidos cerca de trinta anos desde a década de 70, foi
aprovada a nova Lei Quadro da Água de Portugal, que veio consolidar a legislação existente,
cujo objectivo se prende, exclusivamente, em alcançar até 2015, uma optimização, a nível
ecológico, das águas nos países da União Europeia e, por conseguinte, das águas em Território
Nacional. Para tal, torna-se obrigatório estabelecer bases para a gestão sustentável das águas. A
lei aponta para se fazer uma gestão por regiões hidrográficas, agrupadas em bacias
hidrográficas, de acordo com a elaboração dos novos planos, programas e medidas a serem
aplicados a este nível (bacias hidrográficas). Nesta Lei-Quadro estão definidas oito regiões
hidrográficas no continente e duas nas regiões autónomas, constituídas por conjuntos contíguos
de bacias hidrográficas, obrigando a uma gestão integrada da bacia, assim como, a criação de
cinco Administrações de Região Hidrográfica (ARH) responsáveis pela gestão da água e das
zonas costeiras (Correia, 2005).
Resumidamente, esta lei-quadro reúne, de forma sistematizada, um conjunto de
normativos sobre gestão de águas, através da consolidação e clarificação de toda a malha
legislativa existente, relativa à protecção e gestão sustentada dos recursos hídricos. Por sua vez,
o Plano Nacional da Água delimita o actual processo de planeamento de recursos hídricos,
cooperando na reorganização do sistema normativo e institucional destes recursos, orientando a
sua utilização na íntegra e a prossecução de uma política coerente e eficaz dos recursos hídricos.
1.2.1 SITUAÇÃO NACIONAL
Se tivermos em conta as disponibilidades e usos da água que o nosso País dispõe
relativamente aos restantes países da UE, reparamos, numa perspectiva positivista, na
abundância deste recurso. Todavia, sucedem-se situações críticas de seca, sazonais ou
localizadas, quer de carácter quantitativo, como se verifica na bacia do Guadiana quer de
carácter qualitativo, como acontece com a contaminação da Ria Formosa. Em termos
geográficos, os recursos hídricos são mais abundantes no Norte e mais escassos no Sul do
Território Nacional (IA, 2005b).
De acordo com a mesma fonte, a linha da Costa Continental apresenta uma extensão de
cerca de 950 km. Ao longo da mesma desenvolveram-se a maior parte das grandes cidades de
hoje, como Porto, Aveiro, Lisboa, Setúbal, Faro, absorvendo cerca de 75% da população
portuguesa. Verifica-se uma maior procura de água, nas bacias de maior dimensão e com mais
população, nomeadamente no Tejo e Douro, uma vez mais nos deparamos com a constatação
clássica de proximidade entre água e progresso.
16
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
O regime de escoamento nacional é caracterizado por uma grande variabilidade sazonal,
com níveis de concentração da precipitação e escoamento em períodos relativamente curtos.
Cerca de 70 a 80% da precipitação ocorre de Novembro a Abril verificando-se um máximo em
Fevereiro. Verifica-se, por outro lado, ocorrência de períodos prolongados de seca,
predominantemente no Verão, condicionando o escoamento dos cursos de água relativamente
pequenos. Para além do exposto, surgem ainda elevados consumos sazonais, consequência das
actividades agrícolas e turísticas, muitas das vezes nos períodos em que as disponibilidades se
encontram mais reduzidas, impondo-se por isso, condicionalismos especiais à gestão dos
recursos hídricos (IA, 2005b).
Além disso, como já se referiu, uma larga percentagem dos recursos hídricos que afluem
ao território português provém de Espanha, com quem partilha as cinco bacias hidrográficas dos
rios Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. Estas cinco bacias ocupam, no seu conjunto, cerca
de 45% do território da Península Ibérica, o que equivale a 2,5% da área total da Europa e cerca
de 18% do território da União Europeia. Da área total das bacias hidrográficas, cerca de 22%
ocupa o território Nacional Continental, correspondente às zonas baixas dessas bacias e 78% do
território Continental Espanhol, o que significa que qualquer acção na parte espanhola tem
repercussões e impactos nos ecossistemas e usos das águas em Portugal. Tendo por referência o
Plano Nacional da Água, estas bacias repartem-se de uma forma heterogénea entre Portugal e
Espanha na seguinte proporção: Minho (5%P2 / 95% E3.), Lima (48% / 52%), Douro (19% /
81%), Tejo (31% / 69%) e Guadiana (22% / 78%); o que significa que 61% da fronteira
terrestre portuguesa é materializada em linhas de água. A história mostra que a escassez sempre
foi palco de disputas e conflitos, relativamente ao uso partilhado de bacias hidrográficas. De
forma a se dissolverem os conflitos gerados, estabeleceram-se acordos entre Portugal e Espanha
centrados no direito dos recursos hídricos compartilhados, consignados na Convenção de
Albufeira, assinada em 1998. Os objectivos centrais desta Convenção prendem-se com a criação
de acções que contribuam para dissipar os efeitos das cheias e das situações de seca ou
escassez. Muito embora não se verifiquem situações graves de escassez no território nacional,
as preocupações em relação à qualidade e quantidade foram minimamente acauteladas. Assim,
pelo referido anteriormente e na opinião de Correia4 (2005), é notório que Portugal carece de
uma melhor gestão dos seus recursos hídricos, ou seja, regularizar caudais, prevenir e limitar os
efeitos das cheias e das secas, criar reservas estratégicas de água, incentivar a produção
2
Portugal
Espanha
3
4
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
17
hidroeléctrica, de estimular a prática e a eficácia da rega, reduzir o volume de água perdida,
combater as várias formas de poluição, entre outros. A sociedade civil em geral, consciente
desta situação tem de conjugar esforços para a adopção de medidas de gestão adequadas dos
recursos hídricos. A colaboração de todos pode iniciar-se desde já pela mudança de
comportamentos perante o ambiente e, em particular, perante este recurso tão precioso.
Comportamentos que visem a redução dos consumos, bem como a utilização racional
dos equipamentos de consumo, constituem exemplos de um leque vasto de possíveis atitudes
comportamentais a adoptar. Medidas preventivas como, por exemplo, o estabelecimento de
regras claras para a utilização de água em fins agrícolas, revelam-se essenciais uma vez que
este sector absorve 75% do consumo total nacional. Torna-se, de igual forma, fundamental
impor regras rigorosas e adoptar os meios de fiscalização adequados ao nível da utilização de
águas subterrâneas, assim como combater as fugas de água nos sistemas de abastecimento
públicos e privados, que em termos nacionais atingem um valor médio de 30%. Fomentar a
aquisição de medidas para o aproveitamento de águas alternativas, como efluentes de ETAR´s
(Estações de Tratamento de Águas Residuais), águas recicladas e águas das chuvas, são cada
vez mais necessárias. Dentro das suas possíveis utilizações podem mencionar-se os sistemas
de rega, lavagens e alguns tipos de consumos domésticos que não exijam uma qualidade
semelhante à da água potável (Baptista et tal, 2001).
Estes esforços devem ser conducentes à monitorização da quantidade, qualidade e
utilização deste recurso natural e ao desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias
dirigidas para um melhor uso das águas. Assim, o uso eficiente confere maior actualidade à
necessidade de uma gestão adequada, promovendo a sustentabilidade, manutenção da sua
qualidade e disponibilidades no presente e no futuro.
Em termos de documentos legais, orientadores e estratégicos, o Plano Estratégico de
Abastecimento de Água e Saneamento de Água Residuais (PEAASAR), resultante da Lei da
Água e elaborado para o período de programação dos fundos comunitários entre 2007 e 2013,
constitui o novo quadro institucional para a gestão dos recursos hídricos, clarificando o sector
da água em Portugal. Este Plano juntamente com o novo regime económico e financeiro,
tratado no ponto 1.2.4.2 deste capítulo, condicionará a evolução deste sector.
1.2.2 ÁGUA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
A água não é somente um elemento essencial para a sobrevivência das civilizações
humanas e para a manutenção do equilíbrio da Natureza, mas também um recurso de elevada
18
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
importância económica e de extrema relevância social. Neste contexto, uma correcta utilização
e gestão da água são realidades fundamentais para a sustentabilidade local e global. De acordo
com Desai5 (2003) “(…) Melhorar a utilização dos recursos hídricos é decisivo para todas as
outras dimensões do desenvolvimento sustentável”).
Tendo em consideração que os sistemas de recursos hídricos são considerados
sustentáveis quando satisfazem as necessidades presentes da nação, sem comprometer a
possibilidade de satisfação das necessidades futuras, garantindo a integridade ambiental destes
sistemas, cada país, cada região, cada cidade e cada pessoa têm a principal responsabilidade de
agir de forma racional. Considerando as recomendações dos ministros e chefes de delegação,
presentes no 3º Fórum Mundial da Água, realizado em Kyoto, no Japão, no dia 23 de Março de
2003, os esforços efectuados para a gestão deste recurso devem ser mantidos e reforçados,
comprometendo-se a promover a gestão integrada de recursos hídricos.
Do exposto, parece evidente que o recurso hídrico é património mundial em equilíbrio
precário. Desta forma, atendendo ao número crescente de pressões a que os recursos hídricos
estão expostos, é vital criar instrumentos legislativos eficazes que abordem os problemas de
forma clara e ajudem a preservar os recursos para as próximas gerações.
A Directiva Quadro da Água, documento legal que estabelece um quadro de acção
comunitária no domínio da política da água, recomenda que os Estados Membros promovam
programas específicos de melhoria de utilização deste recurso. Apresentamos neste sentido
alguns dos instrumentos de gestão da água:
5
y
Plano Nacional da Água (Instrumento central) e Planos da Bacia Hidrográfica;
y
Planos de Ordenamento de Albufeiras;
y
Planos de Ordenamento da Orla Costeira;
y
Programa Nacional Para o Uso Eficiente Da Água;
y
Programa Nacional de Monitorização das Águas;
y
Inventário Nacional dos Sistemas de Abastecimento de Água e Águas Residuais;
y
Inventário Nacional dos Usos da Água em Portugal;
y
Segurança de Barragens e Exploração de Albufeiras;
y
Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos;
y
Quadro Legal e Institucional, entre outros.
Secretário-geral da Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
19
O Plano Nacional da Água e os Planos de Bacia Hidrográfica assumem-se como
instrumentos reguladores, estratégicos e programáticos do planeamento de recursos hídricos
do século XXI. O Plano Nacional da Água está organizado em Eixos, Programas e Medidas.
Os Eixos representam as áreas de trabalho e de intercessão para cada objectivo desde já
definido no Plano. Os Programas de acção estruturam-se em dezasseis (P1 a P16) e
caracterizam um conjunto de medidas idênticas e complementares, coerentes com os
objectivos definidos e associados com os Eixos, conforme evidencia a tabela 1.6.
Tabela 1.6 – Listagem de programas por eixo de actuação e intervenção
(Adaptado do PNA, 2002)
EIXOS
DESIGNAÇÃO
Sustentabilidade Ambiental
Eixo 2
Gestão Integrada do
Domínio Hídrico
Eixo 3
Gestão Sustentável
da Procura
Eixo 4
Sustentabilidade Económica e
Financeira
Eixo 6
Eixo 7
MEDIDAS
P1
Protecção, Recuperação e Promoção da Qualidade
dos Recursos Hídricos
Redução e Controlo da Poluição Tópica
Conservação Ambiental e da Integridade
Biológica
Valorização do Domínio Hídrico
Ordenamento e Gestão do Domínio Hídrico
Garantia do Abastecimento de Água às
Populações e Actividades Económicas
P2
P3
Eixo 1
Eixo 5
SIGLA
Racionalização, Optimização e
Eficácia do Quadro Legal e
Institucional
Informação e Participação dos
Cidadãos
Conhecimento, Estudo e
Investigação Aplicada dos
Recursos Hídricos
P4
P5
P6
P7
P8
P9
P10
P11
P12
P13
P14
P15
P16
Conservação dos Recursos Hídricos
Promoção e Consolidação do Mercado da Água
Aplicação do Regime Económico e Financeiro
do domínio público hídrico
Implementação da Convenção de Albufeira
Adequações do Quadro Legal e do Quadro
Institucional
Divulgação e Sensibilização
Promoção da Participação dos Utilizadores
Sistemas de Monitorização e de Informação
Estudos e Investigação
Avaliação do PNA e dos PBH
De acordo com esta tabela, o PNA faz apostas de sustentabilidade na melhoria da
qualidade da água, de promoção da sustentabilidade ambiental e recuperação dos
ecossistemas ribeirinhos e litorais; de racionalização e optimização do quadro legal e
institucional vigente; de garantia de informação para a participação das populações; de
aceleração e sustentação técnica do processo de cooperação do planeamento e da gestão das
bacias hidrográficas luso-espanholas.
20
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
1.2.3 UTILIZAÇÃO EFICIENTE DA ÁGUA
Face à importância deste recurso, surgiu nos últimos tempos, uma nova noção de gestão
de água orientada para uma elevada eficiência do seu uso, sob pena de estarmos a destruir o
capital natural e a pôr em causa a própria sobrevivência do Homem. Sendo a água um
elemento insubstituível, não será possível garantir a preservação do ambiente, da economia e
da própria sociedade sem uma gestão adequada que se baseie neste novo conceito.
Embora seja um recurso natural vital para a preservação da vida no planeta, a verdade é
que estamos de tal forma habituados à água, que acabamos por nos esquecer de como ela é
escassa e esgotável. Tornaram-se frequentes determinados hábitos de má utilização,
conduzindo ao desperdício, ao esbanjamento ou ao desaproveitamento desta preciosidade. Os
efeitos que há bem pouco tempo se julgavam longínquos estão actualmente à vista de todos,
agravando-se em situações de escassez. Para colmatar esta situação, tende-se a adoptar
medidas de contenção e de racionalização do seu uso a nível mundial.
Perante a necessidade de se proceder ao uso cada vez mais eficiente da água disponível,
sem pôr em causa a eficácia da sua utilização, ou seja, utilizar menos água para alcançar os
mesmos objectivos, surge o Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água, mediante
Resolução do Conselho de Ministros n.º 113/2005, de 30 de Junho6. O Programa descreve
detalhadamente 87 medidas, 50 das quais se destinam ao uso urbano, 23 ao uso agrícola e 14
ao uso industrial, sendo que 26 medidas do uso urbano se aplicam, conjuntamente, ao uso
industrial, perfazendo um total de 40 medidas que regulam este último. Estas medidas/acções
são dirigidas a consumidores domésticos, colectivos e comerciais, entre outros.
De acordo com o Programa, os maiores níveis de desperdício de água são detectados na
agricultura, correspondendo a 88% do total das perdas. O abastecimento para consumo
humano e indústria são responsáveis por 8% e 4% respectivamente, das restantes perdas.
Quase 90% da área actual de regadio é privada e os proprietários não pagam pela utilização
deste recurso, não medem o volume de água utilizado e não implementam as medidas
necessárias para a redução das perdas e aumento da eficiência do uso da água. Conclui-se, por
isso, que o sector agrícola será o alvo prioritário do Programa, apostando em acções de
6
Programa integrado nas acções de planeamento relatadas no Plano Nacional da Água e nos Planos de Bacia
Hidrográfica, (através do Programa 7: Conservação dos recursos hídricos, Eixo 3: Gestão sustentável da procura
- Medida P7M1: Uso eficiente da água - Abastecimento público e industrial e Medida P7M2: Eficiência da rega
e controlo das perdas – Rega) e, em parte, no Plano Estratégico de Abastecimento e Saneamento de Águas
Residuais (PEAASAR), com a medida (Promoção da poupança / uso eficiente da água) e ainda na Directiva
Quadro da Água, expressando a necessidade de “medidas básicas e suplementares” de utilização eficaz e
sustentável, de gestão da procura, de reutilização e uso eficiente da água.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
21
sensibilização para a poupança, desafiando o desenvolvimento de novas metodologias e
promovendo tecnologias que visem uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos
disponíveis.
Portugal tem ao seu dispor o Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água que visa, num
período de dez anos, promover o bom uso deste recurso, de forma a assistirmos a uma
diminuição dos consumos, reduzindo as taxas de perdas observadas nos sistemas descritos e
aumentando a taxa de eficiência, de modo a contribuir para minimizar os riscos de escassez
hídrica, assim como melhorar as condições ecológicas dos meios hídricos. As medidas a
adoptar visam elevar os actuais 58% para uma taxa de eficiência a rondar os 80% em termos
de consumo urbano; aumentar no que ao sector da agricultura diz respeito dos actuais 60 para
65% (embora as medidas para este sector sejam mais difíceis de implementar); e passar dos
70% para os 80% no sector industrial.
Todavia, este projecto pondera apenas os usos consumptivos deste recurso e não
abrange os aspectos relativos à sua conservação. Este, avalia a eficiência actual e propõe
metas para o futuro. Menciona diversas sugestões para um uso mais eficiente nos sectores
urbano, agrícola e industrial, as quais são analisadas em termos técnicos, económicos e
sociais, sendo as medidas do sector urbano as que têm maior potencial em termos
económicos. Partindo deste pressuposto, será pertinente reagruparmos em classes as medidas
identificadas para este sector: a) Medidas ao nível dos sistemas públicos; b) Medidas ao nível
dos sistemas prediais e de instalações colectivas; c) Medidas ao nível dos dispositivos em
instalações residenciais, colectivas e similares; d) Medidas ao nível dos usos exteriores.
Para cada medida citada é elaborado, pelo referido Programa, um esboço, onde consta a
caracterização da referida medida/acção, uma estimativa do potencial de redução de
consumos, a caracterização dos mecanismos de implementação, a análise de viabilidade, a
definição de prioridade de aplicação, entre outras.
Dentro destas medidas e, em termos técnicos, pode salientar-se o indispensável controlo
de fugas, a instalação de sistemas de poupança de água nas redes prediais, a racionalização do
consumo doméstico privilegiando a reutilização da água, assim como a aplicação de novas
tecnologias de gestão de informação e controlo à distância, que permitem conhecer em tempo
real o estado dos sistemas de produção, tratamento e distribuição de águas. Em termos
económicos, realça-se a aplicação de uma adequada política de preços, que incentive os
utilizadores ao uso eficiente dos recursos hídricos e consequente diminuição do seu consumo.
Relativamente às medidas sociais e na convicção de que a água não dura para sempre, poupar
e garantir o seu uso com eficiência, é uma tarefa de todos, pelo que é urgente passar à fase de
22
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
implementação do Programa, adoptando desde já, medidas de protecção das origens da água,
bem como alguns hábitos domésticos para racionalização hídrica, tal como ilustra a tabela 1.7.
Tabela 1.7 – Hábitos domésticos para racionalização hídrica
(Adaptado de APRH, 2007)
OPERAÇÃO
CONSUMO
ECONOMIA
Chuveiro
6 a 25 l/min
Banheira
150 a 200 l
Lavatório
9 l/min
Autoclismo
10 l/descarga
Lava-Louça
100 l/15min
Fechar a torneira enquanto se ensaboa;
Reduzir o tempo do duche.
Optar pelo duche ou encher apenas, até metade,
da capacidade da banheira.
Lavar os dentes usando um copo e a torneira fechada;
Fechar o lavatório ao fazer a barba (reduz para 2litros).
Colocar uma garrafa de 1,5 l dentro do depósito; (reduz para
8,5 l).
Encher a pia de modo a não utilizar água corrente.
Máq. de Lavar
40 l
Utilizar com a carga máxima.
Tanque
200 l./15min
Máq. de Lavar
100 l/lavagem
Deixar as roupas de molho e usar a mesma água para lavar e
ensaboar.
Utilizar com a carga máxima ou escolher o programa meia
carga.
Louça
Roupa
Mangueira
Piscina
230 l. para lavar o carro Utilizar uma esponja e um balde para lavar o carro e regar o
260 l. para regar o jardim ao fim do dia ou durante a noite.
jardim durante 15 min
até 3800 l. de água Aplicar uma cobertura na piscina (reduz cerca de 90%).
/mês/evaporação.
Com a alteração de alguns hábitos domésticos e com o uso de equipamentos mais
eficientes, tais como chuveiros de menor consumo, autoclismos de dupla acção, pode-se
alcançar a redução de consumos tão desejada. Com custos pouco superiores aos modelos
tradicionais, a adopção destes equipamentos em novas instalações e/ou a sua substituição em
instalações existentes é recomendável, pois implicam uma redução significativa nas contas de
água e de energia.
A noção clara de que a escassez também deriva do uso indevido de cada um, e que a
mesma pode ser diminuída por controlo de poluição, por controlo de uso e devolução ao meio
hídrico adequado, prova-nos que para atingirmos a mudança esperada, cada um de nós terá
que passar por uma educação ambiental de forma a alcançarmos uma regulação legal de todos
os usos.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
23
1.2.4 ECONOMIA DA ÁGUA
Nos nossos dias, é com facilidade que se abre a torneira e a água corre com qualidade e
à pressão adequada, não sendo necessário, por isso, recorrer diariamente aos fontanários,
como era no passado. No entanto, por trás deste gesto relativamente simples, existem infraestruturas dispendiosas constituídas em instalações de produção de água potável e redes de
distribuição, destinadas a satisfazer a sua procura no espaço e no tempo e a manter o
equilíbrio do meio hídrico. As necessidades actuais geradas pela concentração das populações
em meios urbanos e pela intensidade da vida moderna, justificam os investimentos
necessários para estas facilidades. Além disso, o aumento generalizado do seu consumo, a
degradação acelerada destes recursos e as mudanças profundas nos ciclos climáticos,
fomentam situações de escassez e, logicamente, a valorização económica deste bem tão
precioso e essencial à vida. Todas estas circunstâncias conduziram à integração da utilização e
do uso da água no contexto de um mercado económico, visto a sua disponibilização e
aplicação serem capazes de gerar receitas razoáveis para recuperar a maioria dos custos de
exploração, manutenção e gestão, incluindo o custo de escassez (PNA, 2002).
Tanto a legislação Portuguesa como a adequada gestão da água, evoluem no sentido de
reconhecer este líquido como um bem económico e como património protegido, beneficiando,
de modo geral, todos os agentes intervenientes.
Apesar de ser um bem de primeira necessidade, essencial para a existência da vida
humana, a água tem um preço que é e deverá ser suportado pelos seus utilizadores, ainda que
estes sejam pouco receptivos à fixação de preços reais de custos, uma vez que esta é entendida
como um bem gratuito. Relativamente aos custos com a água, sabendo que “preços
reduzidos”
conduzem
a
consumos
excessivos,
estipularam-se
preços
subsidiados,
direccionados aos consumidores com dificuldades financeiras e preços em que apenas se
recupera parte dos respectivos custos (PNA, 2002).
Cada vez mais a procura da água pelos diversos serviços tende a aumentar –
Agricultura, Indústria, Rede Urbana, Produção Eléctrica, Turismo e outros – sendo
imprescindível, por isso, actuar quer do lado da procura (a nivel da utilização) quer do lado da
oferta (a nível da disponibilização de água), estimulando a poupança e a sua utilização
racional. Importa assegurar que cada utilização esteja adequada à qualidade da água
necessária para o uso em causa.
24
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Além da dicotomia Utilizador / Pagador importa também que a relação entre Poluidor e
Pagador seja um dado considerado, privilegiando-se uma economia da água assente na gestão
da oferta e da procura.
1.2.4.1 DIRECTIVA QUADRO DA ÁGUA
A Directiva Quadro da Água é sobretudo uma Directiva de âmbito ambiental. Surge
com um sentido político, estratégico e integrador da gestão da água, cujo objectivo se prende
com a garantia de uma utilização eficaz e eficiente da mesma. Esta norma prevê a
implementação de uma política de tarifação que incentive o uso sustentável dos recursos
hídricos e que tenha a capacidade de gerir as receitas necessárias ao custeamento dos seus
serviços. A mesma reconhece os preços da água como uma garantia do cumprimento dos
objectivos ambientais e obriga à recuperação dos custos dos serviços da água, dos custos
ambientais e de escassez, por parte dos Estados-Membros até 2010.
1.2.4.2 REGIME ECONÓMICO E FINANCEIRO
O regime económico e financeiro da utilização do domínio hídrico é estabelecido pelo
Decreto-Lei n.º 47/94 de 22 de Fevereiro.
Em conformidade com as exigências da Directiva da Água, o Regime Económico e
Financeiro dos recursos hídricos existente em Portugal é apreciado na nova Lei da Água,
garantindo legalmente o equilíbrio entre as necessidades dos utilizadores e a sustentabilidade
dos recursos utilizados. Este regime tem por base a aplicação do princípio do Utilizador /
Pagador e possui, entre outras, características específicas relacionadas com o tipo de
utilização, o regime de propriedade e a natureza do prestador de serviço. Assim, a utilização
de bens públicos está sujeita a um sistema de taxas aprovadas no citado Decreto (taxa de
captação de água, de recolha de águas residuais, de extracção de inertes, ocupação de
terrenos, regularização de caudais, em suma, representam taxas de utilização do domínio
público hídrico), distintas das tarifas cobradas pela utilização simultânea de bens públicos e
da prestação de serviços complementares, como por exemplo, tarifa de consumo de água e
tarifa de recolha e tratamento de águas residuais (PNA, 2002).
Para além do exposto e de acordo com o novo Regime em vigor, as utilizações da água
correspondem ao pagamento de uma taxa específica, que varia de sector para sector. Por
exemplo, a captação de água para abastecimento doméstico tem uma taxa diferente da
captação para a produção de energia hidroeléctrica. Estas taxas foram estabelecidas com o
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
25
intuito de poder gerar receitas para reinvestir na qualificação e potencialização das bacias
hidrográficas, melhorando a utilização da água. Os utilizadores abastecidos por uma
determinada bacia hidrográfica deverão ter todo o interesse na sua manutenção, no seu bom
estado e na qualidade do produto que pagam.
1.2.4.3 MERCADO DA ÁGUA
Tendo presente que aquilo que está em causa é o aproveitamento de um recurso natural,
por vezes escasso, ainda que renovável, o mercado da água deverá ser caracterizado
atendendo a três aspectos fundamentais, que exigem um constante equilíbrio entre eles: a
procura, que, através do volume consumido nos diferentes sectores de actividade, identifica
os níveis de água necessários a cada aplicação; a oferta, que se refere às disponibilidades
hídricas de origem superficial e/ou subterrânea afectas aos variados sectores de utilização; e
os custos de utilização, onde se destacam os custos dos serviços de distribuição de água, em
contraste com as receitas geradas. Constata-se assim, que a oferta deve ser equilibrada, no
espaço e no tempo, através da avaliação constante da procura e das suas verdadeiras
motivações.
Os custos de utilização envolvem os custos dos serviços de utilização da água, nos quais
estão incluídas as despesas de exploração, manutenção e reabilitação dos sistemas de
captação, tratamento, transporte e armazenamento; os custos associados à escassez; os custos
ambientais, assim como as despesas de “recuperação da água”, com o propósito de a devolver
aos utilizadores com a qualidade apropriada.
Os custos de escassez, que reflectem os custos da degradação quantitativa e qualitativa,
têm um efeito dissuasor do desperdício e estimulam o seu uso eficiente. Os custos ambientais
estão associados aos custos necessários à reposição do meio hídrico no seu estado natural,
tanto em quantidade como em qualidade (PNA, 2002). Incluem também, entre muitos outros,
os custos de recuperação de linhas de água, custos de remodelação de caudais, custos de
fiscalização e gestão do domínio hídrico.
1.2.4.4 POLÍTICA DE PREÇOS
Em Portugal, os preços da água praticados pelas entidades gestoras sofrem, actualmente,
enormes variações, devido à adopção de diferentes políticas de preços. A título de exemplo, e
tendo por base a informação pesquisada na página web do grupo Águas de Portugal (ADP),
uma família gasta em média uma quantia aproximada de doze euros por mês relativa aos
26
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
serviços de água e saneamento. Todavia, dependendo da região do país, a factura pode,
mensalmente, atingir valores máximos de trinta e cinco euros a valores mínimos na ordem dos
dois euros.
É certo que, para assegurar o abastecimento domiciliário às populações, as entidades
produtoras / distribuidoras são obrigadas a realizar importantes investimentos, recorrendo a
meios financeiros próprios ou externos. Além da construção de todas as infra-estruturas, é
preciso investir na exploração e manutenção das redes existentes; na renovação das
instalações antigas; no controlo da qualidade da água e no tratamento das águas residuais,
necessário ao equilíbrio do meio hídrico e da vida aquática. Num critério de equidade e
razoabilidade, estas despesas devem ser suportadas por todos. Por consequência, as receitas
devem cobrir os custos dos serviços que se prestam, de acordo com a nova legislação
comunitária – Directiva Quadro da Água (art. 9º), permitindo a recuperação das despesas
incorridas em serviços de utilização da água, dos custos de escassez e dos custos ambientais.
Além do que, os tarifários devem descriminar os preços por tipo de utilização e sinalizar
atitudes comportamentais correctas em termos de uso racional e justo do recurso água (PNA,
2002).
Em suma, tendo por base o plano mencionado, conclui-se que os preços da água devem
assegurar o funcionamento eficiente dos serviços e garantir a sua sustentabilidade económica.
Contudo, é necessário um enquadramento politico-legal para estabelecer quem paga e quanto
se paga, por determinada utilização. Da mesma forma que é preciso ajustar o diferencial entre
o custo total e o preço que o utilizador pode suportar, é necessário decidir se os utilizadores
com maior capacidade financeira devem ou não pagar mais. De igual modo, é urgente adoptar
os princípios do Utilizador / Pagador e Poluidor / Pagador, nos quais o utilizador suporta os
custos de disponibilização do recurso, orçados de acordo com os volumes consumidos e/ou do
quanto polui.
O Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento - PEAASAR aprovado
para o período compreendido entre 2007 e 2013, o novo quadro institucional para a gestão dos
recursos hídricos resultante da lei da Água e a promulgação do novo regime económico e
financeiro dos recursos hídricos, são realidades que irão condicionar a evolução do sector da
água, nos próximos anos, em Portugal. Com estas três medidas, as matérias relacionadas com
a Economia da Água em geral, e com os custos e preços dos serviços, em particular, ganharão
uma nova dinâmica.
Comparativamente com outros produtos e, apesar dos aumentos de preços que se têm
verificado e continuarão certamente a verificar, o custo da água é aquele que menos pesa no
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
27
orçamento doméstico. É um produto barato quando comparado com outros face à qualidade e
à disponibilidade permanente.
28
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
CAPÍTULO 2
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA
2.1
ENQUADRAMENTO GERAL
A consciencialização de que os recursos hídricos não são ilimitados e a percepção real da
situação de escassez deste bem precioso, bem como a importância da sua preservação para as
gerações futuras, constituem, actualmente, uma oportunidade para se incrementar uma mudança
nos comportamentos, através do reforço das competências das entidades administradoras em
termos de gestão, planeamento, operacionalização e manutenção dos sistemas, tendo em vista o
progresso do seu desempenho. Uma das preocupações fulcrais das entidades responsáveis pela
distribuição de água é o controlo das perdas no sistema, perspectivando a garantia do
cumprimento das disposições legais, do aumento da rentabilidade e da melhor utilização deste
recurso natural cada vez mais escasso. Acontece que, nem toda a procura de água é
verdadeiramente bem aproveitada visto que, uma parte importante está associada à ineficiência
do uso e uma outra, associada aos sistemas de abastecimento, sob a forma de perdas e
desperdícios (Baptista et al, 2001). Note-se, que num país desenvolvido, o volume de água
dispendido para a descarga de um autoclismo é o mesmo que um habitante consome, em média,
num dia inteiro para sua higiene, limpeza e alimentação, num país em desenvolvimento.
Poder-se-á concluir que o aumento de eficiência na gestão da água deverá passar pela
utilização de tecnologias menos poluentes e mais centradas na racionalização do seu uso e
consumo (IA, 2005b).
O conceito de perdas de água abarca em si, o volume de água captado, tratado e
transportado, mas não facturado, devido quer a erros de medição quer à ausência de
medidores, assim como ao uso ilícito ou à existência de fugas e roturas, que podem ser
determinadas pela diferença entre o volume de água entrado no sistema e o consumo
autorizado.
Os sistemas de abastecimento de água deparam-se sempre com um certo nível de perda
da produção devido à sua complexidade e características próprias. Por essa razão, neste sector
é impensável conseguir obter um nível nulo de perdas. Contudo, as entidades gestoras
encontram índices elevados de perdas por falta de gestão adequada, desperdiçando, muitas das
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
29
vezes, água tratada. Esta falta de gestão manifesta-se, entre outros factores, pela falta de
manutenção dos sistemas, pela existência de redes envelhecidas ou mal dimensionadas, pela
ineficiência ou inexistência de um sistema de gestão de fugas e roturas, por sistemas pouco
eficientes de leitura e cobrança, pela existência de contadores avariados, parados ou mal
dimensionados. Para além disto, as despesas com o volume de água produzida, que é
posteriormente perdida, podem impedir o investimento noutras vertentes, como por exemplo,
na reparação, substituição ou reabilitação das redes de abastecimento existentes.
Para além da percentagem reduzida de água potável existente no planeta, estima-se que
as perdas ocorridas nos países em desenvolvimento representam cerca de 50% da água para
consumo e, 60% da água para irrigação (IA, 2005b). Em Portugal, o valor médio estimado
para o volume de perdas encontra-se na ordem dos 30%, relativamente à água que é
aproveitada. Porém, nesta média nacional estão incluídos sistemas com níveis de perdas na
ordem dos 50% e outros com valores inferiores a 20%, fruto da implementação de projectos
nesta área como acontece, por exemplo, nos sistemas de Mafra e Gaia. Reduzir esta média
nacional para 20% apresenta-se como um dos objectivos para o ano 2015, de acordo com o
PEAASAR e grupo ADP (Águas de Portugal).
Conforme ilustra o gráfico 2.1, o valor das perdas de água nos países da União Europeia
está compreendido entre 15 e 20%. Na Áustria e na Dinamarca ronda os 10% e diminui para 4
a 5% na Holanda.
Gráfico 2.1 – Ineficiência de sistemas de abastecimento de água (%)
(Adaptado do IA, 2005a; AEA, 2003).
50
40
30
20
10
0
30
Alguns
sistemas em
Portugal
M édia
Nacional
PEAASAR
EU
Dinamarca
Holanda
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
A redução de perdas de água apresenta benefícios a vários níveis:
•
A nível ambiental - pelo impacto positivo em termos de redução do caudal captado nos
meios hídricos;
•
A nível económico - pela redução de custos de energia, de reagentes ou da eventual
aquisição de água a entidades produtoras;
•
A nível técnico - pela melhoria do estado de conservação dos sistemas;
•
A nível social e de saúde pública - pela garantia de qualidade de um serviço prestado.
Pelas razões mencionadas, a implementação de um plano de controlo de perdas é uma
medida com interesse para o desenvolvimento económico e para o uso eficiente da água por
parte das entidades gestoras, melhorando de forma significativa o seu desempenho. Os
benefícios de um projecto desta natureza vão além do benefício económico, realçando o
impacto positivo a nível ambiental assim como a oportunidade de organização interna da
Empresa, factores que já permitem visíveis melhorias dos serviços prestados aos utentes. Tratase de uma tarefa complexa mas necessária para garantir a distribuição pública de água de forma
mais eficiente.
2.2
DIAGNÓSTICO DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO
2.2.1
CARACTERIZAÇÃO DE PERDAS - FACTORES DETERMINANTES
Para além da pequena parcela de água disponível para consumo humano, na superfície
terrestre, ocorrem ainda tal como já vimos, perdas de água devido a fugas, roturas, ligações
clandestinas, erros de medição e outros desperdícios, que representam, na realidade, cerca de
50% da água potável existente nos países em desenvolvimento. De acordo com estudos
efectuados pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil - LNEC, em Portugal registam-se
perdas de água na ordem dos 30%, relativamente à água que é aproveitada.
Perante estes valores, o controlo das perdas constitui uma das áreas de intervenção mais
importantes num sistema de distribuição de água, uma vez que, a sua constante análise técnica
e económica permite melhorar a eficiência da gestão dos sistemas de abastecimento. O
desenvolvimento de acções nesta área poderá, fundamentalmente, contribuir para o
desenvolvimento sustentável do sector, evitando-se investimentos vultuosos sem garantia dos
benefícios esperados.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
31
Realçada uma vez mais a importância deste tema, e de forma a facilitar a compreensão
do mesmo, inclui-se de seguida uma síntese dos conhecimentos existentes sobre esta matéria,
em particular no que toca aos factores determinantes das perdas.
Segundo Covas (1998), o conceito de perdas de água é entendido como “(…) sendo o
volume de água perdido, avaliado pela diferença entre o volume de água entrado no sistema
de abastecimento e o volume de água medido e estimado à saída, para os diferentes serviços
de percurso(…)”
Por sua vez, estas perdas de água subdividem-se em perdas reais e perdas aparentes.
A parcela real corresponde às perdas físicas verificadas na rede até ao contador do utilizador e
inclui as fugas, dificilmente detectáveis, devido ao pequeno caudal presente na origem de
cada fuga, e as roturas, facilmente detectáveis devido aos elevados volumes envolvidos. A
parcela aparente contabiliza os erros de medição e de estimação, bem como as ligações
clandestinas e os consumos não facturados, tais como combate a incêndio, lavagem de
condutas e colectores, lavagem de ruas, rega de jardins municipais, alimentação de fontes e
fontanários, entre outros (Alegre, 2005).
São vários os factores que influenciam, directa ou indirectamente, as perdas de água
num sistema de distribuição. Elementos como o estado de conservação das condutas e seus
componentes, a frequência de fugas e roturas, a densidade e comprimento médio dos ramais, a
pressão média do serviço, a localização do medidor domiciliário, o tipo de solo e as condições
do terreno caracterizam, entre outros, as perdas reais. Por sua vez, as perdas aparentes devemse a factores como ligações ilícitas, uso fraudulento de bocas-de-incêndio e erros associados à
medição.
Tendo em mente a problemática desta dissertação e tomando por referência o estudo
efectuado por Covas (1998), torna-se relevante proceder a uma análise pormenorizada dos
inúmeros factores que influenciam as perdas reais de uma rede de distribuição.
y
Estado de conservação das condutas e elementos acessórios da rede, o seu
material, idade e forma de operação. Registando-se um número maior de ocorrência de
perdas (fugas) nas redes mais antigas por motivos de falta de estanquidade das tubagens,
válvulas, juntas e restantes elementos acessórios da rede, devido ao envelhecimento das
borrachas das juntas, ou à presença de fendas, ou devido ao mau estado de conservação;
y
Pressão disponível na rede em condições normais de funcionamento.
Recomenda-se que esta não ultrapasse os valores máximos necessários à prestação de um bom
serviço aos consumidores. A probabilidade de ocorrência de perdas através das juntas é muito
32
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
superior numa rede sujeita a pressões elevadas e, atingindo níveis indesejáveis, a pressão
poderá causar graves prejuízos na tubagem e nos dispositivos de protecção, como a rotura por
sobrepressão, avarias em bombas e válvulas, colapso de tubos, entre outros, aumentando o
caudal perdido;
y
Frequência da ocorrência de roturas. Uma rede com roturas frequentes é
mais passível de sofrer outras roturas, uma vez que ao ser reparada a conduta pode não ser
eliminada a origem da rotura. Tal como acontece com o fenómeno transitório mais comum,
denominado por golpe de aríete. Esta perturbação no sistema ocorre de uma forma tão rápida
que dá origem a ondas de pressão, as quais ao propagarem-se ao longo da conduta, podem
levá-la à fadiga, abrindo fendas e desencaixando os tubos pelas juntas em outras zonas da
rede;
y
Tipo de solo e condições de assentamento das tubagens. O caudal perdido
por fugas numa conduta assente num terreno de características geológicas arenosas, aumenta
em cerca de 10 a 15%, por ser formado em grande parte por grãos de areia espaçados,
proporcionando uma passagem maior de água e circulação de ar, sendo por isso muito
permeável. Assim, uma pequena fuga pode, através da infiltração da água no solo e
consequente desprendimento e arraste das partículas mais finas, provocar diferentes
assentamentos da conduta e por conseguinte dar origem a grandes roturas, por fendilhação ou
torção das juntas. Pelo exposto, devem ser respeitadas as características do terreno e as
condições técnicas a empregar no assentamento da tubagem. Da mesma forma, devem ser
respeitados os recobrimentos da conduta, de forma a assegurar a sua resistência a cargas
exteriores, derivadas da circulação de veículos pesados sobre a tubagem. Estas, são razões
mais do que suficientes para cumprir todas as disposições construtivas definidas no projecto e
caderno de encargos;
y
Existência de um sistema de medição zonada. Consiste na divisão da
rede em zonas de medição de caudal e pressão, o que possibilita a detecção e minimização do
agravamento das perdas em redes de distribuição de água, através de um balanço hídrico entre
as entradas de água na rede e os diferentes tipos de consumos ocorridos nos várias sectores de
medição.
Relativamente aos factores que influenciam as perdas aparentes numa rede de
distribuição, salientam-se as ligações clandestinas, as quais se devem eliminar, o uso
fraudulento de hidrantes, nomeadamente o enchimento de tanques de veículos para rega ou
lavagem de ruas nos marcos de incêndio por parte de pessoas não autorizadas, uma vez que
estes só poderão ser operados pelos bombeiros; erros de medição, que estão relacionados
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
33
com a instalação, manutenção e leitura de contadores de clientes domiciliários; bem como
com os procedimentos de leitura, processamento dos dados e facturação pela entidade gestora,
entre outros.
2.2.2 INDICADORES DE DESEMPENHO
Num contexto actual e global de crescente competitividade, os indicadores de
desempenho assumem-se como instrumentos comuns em muitos sectores da indústria, em
todo o mundo, sendo inquestionáveis as suas potencialidades na indústria da água. No final da
década de 90, membros da então IWSA (International Water Supply Association), actual IWA
(International Water Association), reuniram esforços no sentido de definirem directrizes
relativas à adopção de indicadores no contexto do abastecimento de água e à recolha de
informação relevante para a sua avaliação. Consolidou-se, assim, a importância da qualidade
do serviço nas suas várias vertentes e conquistou-se uma importante dimensão de
internacionalização, nomeadamente, com a publicação de manuais de boa prática pela IWA,
no âmbito dos sistemas de abastecimento de água, em 2000, e de águas residuais, em 2003
Alegre et al (2004b) definem os indicadores de desempenho como uma medida quantitativa
de auto-avaliação de um determinado elemento de desempenho da entidade gestora ou do seu
nível de serviço, de forma a sustentar a tomada de decisões mais adequadas à melhoria da
gestão. Constitui, portanto, um instrumento de apoio à monitorização da eficiência e da
eficácia da entidade gestora. A eficiência avalia até que ponto os recursos disponíveis são
utilizados de modo optimizado para a produção do serviço. A eficácia avalia até que ponto os
objectivos de gestão definidos, foram cumpridos.
O uso de indicadores permite, desta forma, identificar pontos fortes7 e fracos8 dos
diversos sectores das entidades gestoras e, neste sentido, adoptar medidas correctivas para a
melhoria contínua da produtividade, dos procedimentos e das rotinas de trabalho.
De forma a obter uma avaliação de desempenho adequada, o número de indicadores a
utilizar deve ser cuidadosamente ponderado. É por vezes enganador e não tem significado
utilizar apenas um único indicador para fazer um diagnóstico. Contudo, é possível reunir um
conjunto coerente de indicadores relacionados com um determinado elemento, que
possibilitem a análise e compreensão do seu desempenho (Alegre et al, 2004b).
7
8
Áreas de funcionamento eficiente;
Áreas de funcionamento deficiente.
34
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
O documento bibliográfico do LNEC e do IRAR (Instituto Regulador de Águas e
Resíduos), incorpora 158 indicadores no total, divididos em seis grupos: indicadores de
recursos hídricos, de recursos humanos, infraestruturais, operacionais, de qualidade de serviço
e económico-financeiros.
Feita a auditoria de perdas, a dimensão do problema pode ser avaliada através do
cálculo dos indicadores de desempenho sob as vertentes Económico-financeira: Indicador de
água não facturada em termos de volume; Técnica: Indicadores operacionais; e Ambiental:
Ineficiência do uso dos recursos hídricos.
Em síntese, na questão das perdas de água em sistemas de abastecimento, o IWA
aconselha o cálculo do seguinte conjunto de indicadores, conforme ilustra a tabela 2.1.
Tabela 2.1 - Indicadores de desempenho recomendados pelo IWA
(Adaptado de Alegre et al, 2004b)
VERTENTES DE
INDICADORES
Ambiental
(indicador de recursos
hídricos)
INDICADORES
Ineficiência na utilização dos
recursos hídricos
Perdas de água por ramal
Perdas aparentes
Perdas reais por ramal
(indicadores operacionais) Índice infraestrutural de fugas
Água não medida
Técnica
Económico-financeira
(indicadores financeiros)
UNIDADES
%
m³/ramal/ano
%
l/ramal/dia
%
Água não facturada em termos de volume
%
Água não facturada em termos de custo
%
2.2.3 MODELAÇÃO DE REDES DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA (EPANET)
Dado que o funcionamento hidráulico de um sistema não é intuitivo, o apoio à
modelação matemática é indispensável. Os modelos matemáticos de simulação hidráulica são
os instrumentos computacionais mais utilizados e consagrados no campo do projecto e do
diagnóstico dos sistemas de distribuição de água em todo o mundo, e permitem calcular os
caudais nas condutas e as alturas piezométricas (pressões nos pontos notáveis) na rede. Os
simuladores de qualidade da água permitem calcular as concentrações de determinada
substância contida na água em qualquer ponto da rede, assim como o tempo de percurso da
água entre dois pontos, entre outras grandezas (Alegre, 2002).
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
35
Um dos programas mais adequados a uma introdução eficaz à simulação de sistemas de
abastecimento é o programa de computador EPANET, desenvolvido pela U.S. Environmental
Protection Agency (USEPA), dos Estados Unidos da América e traduzido pelo LNEC. Pode
ser utilizado na análise de planos estratégicos de desenvolvimento, como seja a alteração de
origens de água num sistema composto por múltiplas origens, modificação do funcionamento
operacional de grupos elevatórios e reservatórios para minimização de custos energéticos e
tempos de percurso, selecção de pontos de recloragem, avaliação do custo-benefício de
programas de limpeza e substituição de tubagens, planeamento de campanhas de amostragem
ou estudos de decaimento do desinfectante e formação de sub-produtos da desinfecção. O
EPANET pode também ser utilizado para planear e melhorar o desempenho hidráulico de um
sistema, seja no projecto, seja na operação diária ou no estudo de cenários de emergência, em
particular, o combate a incêndios e a vulnerabilidade a falhas de elementos do sistema. Este
pode ser obtido gratuitamente pela rede Internet.
A modularização das redes requer a separação entre as componentes de adução e de
distribuição; a criação de andares de pressão independentes, quando as diferenças de cotas
topográficas o justificarem; e a sectorização da rede em zonas de reduzida dimensão, da
ordem de grandeza de 6000 a 9000 habitantes-equivalente cada uma (Alegre, 2002).
Com um cadastro de infra-estruturas representativo das redes de abastecimento em
serviço, uma das medidas de rotina mais eficaz para controlo das perdas de água passa pela
estruturação da rede em sectores, conhecida por Zonas de Medição e Controlo (ZMC),
exemplificada na figura 2.1, cujo conceito surgiu no Reino Unido “district metering”
(medição por sector). O objectivo é viabilizar a transferência entre sectores em situações de
emergência e, simultaneamente, criar unidades de dimensão relativamente pequenas,
facilmente operáveis e controláveis. Esta técnica consiste em definir os sectores da rede;
instalar medidores de caudal com equipamento de registo em todos os nós de fronteira de cada
sector; registar ou ler directamente os caudais medidos, de forma sistemática; analisar as
medidas e, se for justificável, empreendem-se acções suplementares para detecção e reparação
de fugas, para instalação, calibração ou substituição de contadores domiciliários, ou para
sensibilização dos consumidores (Alegre, 1999).
36
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Figura 2.1 - Estruturação da rede em Zonas de Medição e Controlo
(Adaptado de Alegre et al, 2005)
zmc 2.2
zmc 2.1
zmc 2
zmc 1
Medidor de caudal
zmc 3
Válvula fechada
Actualmente, já existem no mercado sistemas de gestão de informação e controlo
remoto, em tempo real, que podem ser aplicados aos equipamentos de medição instalados nos
nós da rede, enviando as medições de caudal para uma central de despacho. Com este
equipamento obtêm-se curvas-tipo de consumos, que permitem identificar situações anómalas
de funcionamento. Salienta-se a identificação de roturas com a possibilidade de posterior
quantificação dos volumes de água perdida, bem como a utilização de hidrantes pelas
corporações de bombeiros permitindo aferir as informações sobre consumos, por estas
remetidas periodicamente. A curva de consumos diários, permite obter os caudais nocturnos,
com especial destaque para a obtenção do seu valor mínimo. Teoricamente, sabe-se que o
caudal nocturno representa a soma das perdas reais (fugas) com os consumos legítimos
nocturnos. Estes últimos serão a soma dos consumos registados em clientes especiais, através
de medidores de caudal previamente instalados, com o valor estimado dos consumos
legítimos nocturnos dos clientes domésticos. O cálculo e consequente análise dos caudais
mínimos nocturnos (CmN) diários nessa ZMC permitem identificar facilmente novas fugas de
água. Aumentos progressivos ou bruscos do CmN indiciam a existência de fuga de água,
sendo distintos os modos de actuação. Esta técnica permite a identificação de novas fugas de
água bem como a quantificação dos caudais de fugas detectadas por outras vias. A instalação
de medidores de pressão em pontos estratégicos das ZMC, permitem a medição contínua de
pressões na rede. De acordo com os resultados obtidos de outros países, esta técnica tem-se
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
37
revelado eficaz, tanto na prevenção como na localização de fugas de água. Estes
equipamentos permitem detectar desajustes em válvulas redutoras de pressão, identificando as
respectivas causas, bem como recolher informação que cruzada com os CmN, e perante a
identificação de uma situação anómala, permite reduzir o raio de actuação para a detecção de
fugas.
Além do referido, na presença de uma rede sectorizada, a programação de obras de
manutenção, seja ela preventiva ou correctiva, pode ser muito mais eficaz, porque a área de
influência de qualquer órgão do sistema de distribuição é mais restrita. Assim, o diagnóstico a
fazer perante sintomas de deficiências torna-se mais célere e simples, tratando-se de zonas
perfeitamente delimitadas. As informações de exploração ajudam a diagnosticar as causas dos
problemas e a analisar estratégias de operação ou obras de manutenção a pôr em prática para
minimizar os efeitos ou para corrigir os defeitos detectados.
A utilização de quaisquer modelos de simulação e a (in)existência de sectorização não
são, necessariamente, dependentes. Contudo, a sua associação constitui uma excelente ajuda
para viabilizar uma gestão técnica eficiente dos sistemas de distribuição de água (Alegre,
1999).
Realce-se ainda o facto que o Sistema de Medição Zonada utilizado para a detecção de
fugas num determinado sector da rede e os métodos acústicos para a sua localização exacta,
representam as metodologias correntemente utilizas na detecção e localização de fugas em
redes de distribuição de água em Portugal. De acordo com o LNEC, existem sobretudo duas
técnicas de localização exacta: as acústicas, mais comuns e de grande eficácia; e as nãoacústicas. A sondagem acústica directa, (figura 2.2), consiste em sondar directamente a
tubagem a partir de pontos de fácil acesso, tais como a partir de acessórios metálicos, bocasde-incêndio e bocas de rega, utilizando um equipamento adequado, dotado de um
amplificador e de um filtro de ruído. Na sondagem acústica indirecta, (figura 2.3), a
sondagem é efectuada à superfície do solo, por cima da conduta, onde as características do
terreno o permitam. Esta técnica é mais limitada do que a anterior, uma vez que em muitas
das situações se desconhece quer a localização exacta da conduta ou, simplesmente, porque
existem outras condutas na proximidade (Covas, 1998).
38
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Figura 2.2 - Sondagem acústica directa
(Adaptado de EMARVR)
2.2.4
Figura 2.3 - Sondagem acústica indirecta
(Adaptado de AWWA)
NECESSIDADES DE REPARAÇÃO DO SISTEMA
As intervenções de reparação consequentes da localização de fugas são pontuais e
realizáveis por métodos idênticos a outras pequenas avarias. Contudo, perante um elevado
nível de perdas reais, ou uma taxa de roturas que indique um mau estado de conservação,
poderá ser aconselhável proceder a operações de reabilitação9. Estas podem ser de cariz
hidráulico, estrutural ou de qualidade da água e incluem a renovação10, a substituição11 e, no
caso da reabilitação hidráulica, também o reforço12 das componentes do sistema.
As fases da reabilitação podem ser sintetizadas da seguinte forma (Tabela 2.2):
9
Reabilitação é qualquer intervenção física que prolongue a vida útil de um sistema existente e ou melhore o
seu desempenho hidráulico, estrutural e/ou de qualidade da água, envolvendo a alteração da sua condição e/ou
especificação técnica (Alegre et tal, 2005).
10
Renovação é uma intervenção de reabilitação - estrutural, hidráulica ou de qualidade da água - sobre um
componente do sistema existente, com o seu aproveitamento funcional e sem aumento da capacidade de
utilização original (Alegre et tal, 2005).
11
Substituição é uma intervenção de reabilitação - estrutural, hidráulica ou de qualidade da água - sobre um
componente do sistema existente, com a sua desactivação funcional e construção ou instalação de um novo
componente, tendo este último funções e capacidade semelhantes ou distintas às do existente. (Alegre e tal,
2005)
12
Reforço é uma intervenção de reabilitação hidráulica sobre um componente do sistema existente, com a
construção de um componente adicional, que complementa a capacidade do componente existente ou constitui
uma alternativa a ele (Alegre et tal, 2005).
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
39
Tabela 2.2 - Fases da reabilitação
(Adaptado de Alegre et al, 2005)
BREVE CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA
IDENTIFICAÇÃO DO(S) PROBLEMA(S)
DIAGNÓSTICO
y Caracterização detalhada do sistema dirigida para o(s) problema(s) existente(s)
y Identificação das causas das deficiências e limitações
y Previsão das tendências de evolução dos sintomas e da fiabilidade do sistema
PROCESSO DE DECISÃO
y Avaliação de factores de decisão adicionais (ex: tráfego, restrições de abertura de
valas, disponibilidades financeiras)
y Definição da estratégia de reabilitação a adoptar (reabilitar onde, quando, o quê,
quanto e como / tecnologias?)
IMPLEMENTAÇÃO DE SOLUÇÕES
MONITORIZAÇÃO
O diagnóstico das deficiências passa por uma caracterização detalhada dos sistemas,
pelo que é fundamental dispor de dados importantes como o cadastro, com os principais
dados sobre as características geométricas da rede; a manutenção, com as informações
inerentes à intervenção directa na rede; a contabilidade, com os ficheiros de clientes e os
respectivos dados de consumo, entre outros. O diagnóstico das deficiências e o apuramento
das soluções requerem experiência, conhecimentos e criatividade (Alegre et al, 2005).
Perante os volumosos investimentos que são precisos neste processo, torna-se
imprescindível fundamentar as decisões que, por sua vez, são difíceis de tomar, visto tratar-se
de infra-estruturas instaladas em locais de difícil acesso e, portanto, dificilmente
inspeccionadas. Por essa razão surgiu o projecto europeu de investigação aplicada “CAREW” (Computer Aided Rehabilitation of Water Networks), no âmbito do 5º Programa do
Quadro da União Europeia, com o objectivo de ajudar a responder à pergunta: onde, quando e
quanto reabilitar redes de distribuição de água. A aplicação computacional “CARE-W”
integra um conjunto de ferramentas de avaliação do desempenho da rede, análise do histórico
de roturas e perdas de água (falhas da rede) e planeamento detalhado das intervenções de
reabilitação de redes de distribuição de água, permitindo definir prioridades e avaliar
estratégias de investimento (Alegre et al, 2004a).
40
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Todavia, a entidade gestora do sistema em estudo não dispõe de um sistema integrado
como o “CARE-W”. As intervenções de reabilitação são programadas de uma forma primária,
baseando-se no histórico de registos de falhas do sistema. No entanto, e sempre que possível,
procura-se levar a cabo uma reabilitação de carácter preventivo, detectando e corrigindo
anomalias em tempo oportuno, de modo a evitar problemas de funcionamento com
inconvenientes para os consumidores, ainda que seja praticamente impossível evitar a
reabilitação de carácter curativo ou reactivo, devido ao aparecimento de falhas imprevisíveis.
As taxas de rotura e as práticas de manutenção e reabilitação evidenciam a necessidade
de alterar os procedimentos tradicionalmente utilizados, substituindo-os por critérios técnica e
cientificamente bem fundamentados e fiáveis.
2.3
ESTUDOS EFECTUADOS SOBRE PERDAS
São vários os estudiosos que se debruçaram sobre o tema. Desde estudos académicos à
elaboração de projectos-piloto, a bibliografia assume-se vasta. Dá-se aqui nota de alguns
destes trabalhos.
Em 1998, no Instituto Superior Técnico (IST), deu-se início a um projecto da União
Europeia SMT: Transient Project, com o tema “Transient Pressures in Pressurised Conduits
for Municipal Water Supply and Sewage Water Transport”, da qual Dídia Covas, professora
deste Instituto, na área de hidráulica e Recursos Hídricos, fez parte da equipa.
Baseando-nos em Covas (1998), e em Almeida et al (1995) o projecto SPRINT é um
outro projecto-piloto posto em prática por um conjunto de entidades de vários países da
Europa13, com a finalidade de fomentar estratégias de procedimentos no controlo das fugas de
água em redes de distribuição, utilizando as metodologias integradas e as modernas técnicas
de detecção/localização. Em Portugal, o projecto foi realizado em três áreas piloto da rede da
EPAL – Empresa Portuguesa de Águas Livres. Estas foram subdivididas em Zonas de
Medição e Controlo (ZMC), de pequena extensão, através do fechamento de válvulas de
seccionamento existentes nos limites das zonas assim constituídas, sem pôr em risco o
abastecimento, ou seja, sem que o fechamento das válvulas provocasse variações
significativas de pressão na rede e consequente diminuição do caudal distribuído. Foram ainda
instalados dataloggers com medidores de caudal em todas as entradas e saídas das ZMC.
Fixaram-se, também, medições de pressão em alguns pontos.
13
Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda e Alemanha
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
41
Uma das áreas seleccionadas, deveu-se ao facto de ser uma rede antiga, com cerca de
cinquenta anos, constituída por condutas de fibrocimento cuja substituição por condutas de
Ferro Fundido Dúctil estava prevista para o ano de 1995. Neste caso efectuou-se apenas o
registo de caudais. Com base na análise dos caudais mínimos nocturnos, pretendia-se efectuar
o balanço dos ganhos na redução das perdas, através da substituição das condutas face aos
custos de investimento inerentes.
Numa das outras áreas seleccionadas, cujo sistema era constituído por condutas de
fibrocimento, com cerca de cinquenta anos, foi utilizado o método de detecção de fugas “Step
Testing” – Fechamento Sequencial de válvulas, e a técnica de correlação acústica uma única
ZMC, para a localização das mesmas. O controlo das fugas foi efectuado por comparação do
registo dos caudais mínimos nocturnos entrados na Zona, antes e durante os testes e depois da
reparação.
A área do Castelo de S. Jorge, constituída por condutas de Ferro Fundido Dúctil, com
cerca de setenta anos, foi subdividida em três ZMC’s, de modo a permitir efectuar a detecção
de fugas pelo método “Step Testing”. A subdivisão da Zona e os testes realizados foram
acompanhados pela modelação da rede até ao nível das condutas com o diâmetro de 50mm e
pela simulação do seu funcionamento hidráulico.
Tendo por base os dados recolhidos em 1993 de um estudo efectuado no Reino Unido,
em trinta e uma empresas distribuidoras de água, cerca de 50% da água distribuída não era
medida, sendo paga por estimativa e, efectivamente, 20% era perdida em fugas e roturas.
Já nos Estados Unidos, a AWWARF (American Water Works Association Research
Foundation) promoveu em 1998/1999 o projecto “Develop decision criteria to prioritise
replacement and rehabilitation of mains and appurtenances”, onde em parceria com o LNEC,
se realizou um inquérito a vinte e oito entidades gestoras de sistemas de abastecimento de
água europeias, com o objectivo de identificar os vários tipos e causas de roturas, o estado das
condutas e a influência das características geográficas e climatéricas. O mesmo questionário
foi também aplicado a cerca de trinta entidades gestoras da América do Norte (EUA e
Canadá).
Os resultados obtidos são de certo modo preocupantes para Portugal, pois põem em
evidência, entre outros aspectos, que o número médio de roturas na rede pública (por km de
conduta instalada e por ano) é muito superior em três casos de estudo portugueses do que a
média europeia ou americana.
Sendo a taxa de roturas na rede pública um dos indicadores de desempenho mais
importantes, considerou-se necessário esclarecer até que ponto estes resultados exprimiam
42
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
uma tendência nacional. Nesse sentido, o LNEC convidou duzentas e noventa entidades
gestoras de sistemas de abastecimento de água portuguesas a participar num inquérito, com o
objectivo de verificar se, em Portugal, as taxas de roturas eram efectivamente superiores às
médias europeias e americanas. Todavia, a adesão ao inquérito revelou-se muito baixa, visto
que, das entidades convidadas, apenas trinta e nove responderam favoravelmente, o que não
permite generalizar os resultados obtidos.
Um dos principais factores para tão baixa adesão ao inquérito teve a ver com as
deficiências existentes em termos de recolha, processamento e arquivo de dados de base
indispensáveis a uma boa gestão técnica dos sistemas de abastecimento de água, tais como, o
comprimento total das redes, o número de ramais, caracterização aproximada dos
consumidores por cada ramal; inexistência de registos estruturados de informação de operação
e manutenção, como por exemplo, registo de ocorrência de roturas e outras avarias. Em
Portugal, se a frequência de roturas é cerca de cinco a dez vezes superior à que se regista
noutros países, é natural que as equipas de campo estejam absorvidas, quase na totalidade, por
trabalhos não programados de reparação, o que significa que a manutenção é
predominantemente do tipo reactivo, ou seja, procede-se à reparação após evidência de
ocorrência de falha.
A manutenção preventiva necessita de uma programação detalhada. Contudo, em
Portugal, a percentagem de entidades gestoras com programas formais de controlo de perdas
de água, redução de consumo de energia e investimentos para melhoria do sistema é muito
inferior ao resultado do conjunto dos países da Europa estudados pela AWWARF, o que
poderá estar directamente relacionado com a maior incidência de roturas verificadas. Esta
situação justifica-se em grande parte pelo facto da grande prioridade dos últimos anos ser a
construção de novas infra-estruturas. Contudo, nos últimos anos, as engenharias estão cada
vez mais sensibilizadas para a importância da manutenção de cadastros actualizados, tendo o
cuidado de os conceber para as redes que vão sendo construídas. Um bom cadastro, capaz de
espelhar a constituição do sistema de abastecimento e o seu estado de conservação, permite
uma actuação mais rápida e eficiente no combate às perdas de água.
Nos Estados Unidos e no Canadá verifica-se que as taxas de roturas tendem a ser
ligeiramente inferiores às que se registam na Europa. Em Portugal, revelou-se uma tendência
para taxas elevadas, que chegam a ultrapassar uma centena.
Os casos europeus em que se verificam valores mais elevados correspondem a três taxas
de roturas de entidades portuguesas (165, 175 e 250 roturas/100 km) e a dois casos
particulares daquele estudo:
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
43
1. O primeiro (mais de 275 roturas/100 km) correspondente a uma galeria técnica onde
as roturas, por menores que sejam as suas dimensões, são facilmente detectadas e por isso
registadas em maior número.
2. O segundo diz respeito a uma rede de abastecimento que, segundo a entidade gestora,
tem deficiências graves de construção e os materiais usados são de muito fraca qualidade.
Esta comparação não foi feita para as taxas de roturas em ramais pelo facto de este
indicador não ter sido determinado no estudo da AWWARF (Alegre e Dória, 1998).
Em Abril de 2002 o LNEC desenvolveu um projecto de investigação científica e de
desenvolvimento tecnológico, intitulado “Metodologias para a Mitigação do Risco Associado
à Degradação das Construções”,onde foram contemplados diversos tipos de construções que
incluem sistemas de saneamento básico, particularmente sistemas de abastecimento de água e
sistemas de drenagem de águas residuais.
2.4
RECENTES AVANÇOS NO DOMÍNIO DA DETECÇÃO E CONTROLO DE
PERDAS
Nos sistemas de distribuição de água, as perdas de água atingem valores muito
significativos, originando perdas económicas abundantes das respectivas entidades gestoras.
No presente sub capítulo pretende-se analisar os progressos que têm sido alcançados nos
últimos anos, no que respeita ao desenvolvimento de métodos e práticas de gestão de controlo
de perdas, incluindo, nomeadamente, a gestão activa da pressão em redes de distribuição, o
cálculo das perdas a nível económico e a situação desejável de intervenções preventivas.
Os avanços substanciais neste domínio foram conseguidos pela International Water
Association (IWA) - Associação Internacional da Água, através de um grupo de elite,
representante das indústrias da água (entidades públicas de água) designada por Water Loss
Task Force (WLTF) - Força de Intervenção sobre Perdas de Água, constituída por mais de
dozentos operacionais oriundos de mais de 35 países em todo do mundo, com o objectivo de
verificar a gestão da procura, o controlo das perdas e a gestão da pressão. Tais avanços
sucederam nos últimos anos, com o desenvolvimento de métodos práticos de gestão das
perdas de água, incluindo os benefícios da gestão activa da pressão e o cálculo do valor
económico das perdas. Fantozzi et al (2006) dá-nos a conhecer as experiências de casos como
os da Austrália, da Europa e da América do Norte, relativamente ás actividades desenvolvidas
no âmbito da divulgação destes avanços, a nível internacional.
44
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
2.4.1
ACTUAÇÃO INTERNACIONAL NA REDUÇÃO DAS PERDAS DE ÁGUA
No período compreendido entre 1996 e 1999, a WLTF evoluiu de um conjunto pequeno
de cinco membros para um grupo interactivo de dozentos membros de 35 países, espalhados
em cinco continentes. Este grupo desenvolveu, através de uma série de equipas
especializadas, diversos conceitos e as melhores práticas de gestão (BMP’s), relacionados
com o controlo de perdas de água em sistemas municipais de distribuição, os quais estão,
internacionalmente, a ser promovidos através de seminários, workshops, artigos científicos e
de contactos pessoais. As primeiras recomendações consistiram na utilização de indicadores
de desempenho mais adequados para o cálculo das perdas reais anuais, incluindo o índice ILI
(índice infra-estrutural de fugas) e o balanço hídrico padrão (Lambert et al, 1999; Alegre et al
2000).
Durante o período compreendido entre Junho de 2003 a Dezembro de 2004, os
membros da WLTF publicaram, bimensalmente, artigos sobre as abordagens práticas à
redução das perdas de água, na revista “Water 21” (“Água 21”), publicação da IWA.Os
membros da WLTF organizaram diversos cursos de formação e workshops em diferentes
países, com o objectivo de difundir as novas metodologias. Estas acções internacionais
resultaram numa abordagem consistente e racional da gestão das perdas de água, com
resultados comprovados em diversos países. Desta forma, conseguem-se reduções
significativas dessas perdas em sistemas municipais de distribuição. Os exemplos publicados
da execução bem sucedida de iniciativas da gestão da pressão e da gestão das perdas
incentivam outras entidades da água a controlar mais eficazmente as suas perdas.
2.4.2 ESTRATÉGIA DE REDUÇÃO DAS PERDAS DE ÁGUA
Tomando por referência os casos práticos da América do Norte, Europa e Austrália,
Fantozzi et al (2006), destaca o carácter simplista e prático da abordagem utilizada nos
encontros com funcionários dos serviços públicos, de forma a começar a levar a cabo uma
estratégia eficaz de redução das perdas de água, dividindo-a em quatro etapas:
ƒ 1ª Etapa: Avaliar as perdas em termos de volume, aplicando o balanço hídrico
anual padrão das melhores práticas internacionais da IWA;
ƒ 2ª Etapa: Identificar o “como nos estamos a sair?”, usando os indicadores de
desempenho mais adequados (PIs);
ƒ 3ª Etapa: Analisar os dados, identificar as prioridades e a estratégia;
ƒ 4ª Etapa: Começar e aprender como se progride.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
45
A 1ª etapa tornou-se muito mais fácil de se realizar durante o ano de 2006, devido ao
aparecimento de diversos pacotes gratuitos de software disponíveis, desenvolvidos ou
financiados por membros do grupo WLTF, tal como se encontra ilustrado na tabela 2.3. Este
software permite ao usuário completar o balanço hídrico básico e avaliar o volume anual do
consumo autorizado, facturado e não facturado, de perdas aparentes e de perdas reais.
Tabela 2.3 - Algum software disponível para cálculo do balanço hídrico e dos indicadores de
desempenho para serviços de abastecimento de água (Adaptado de Fantozzi et al, 2006)
SOFTWARE
INFORMAÇÃO
ADICIONAL
Quase concluído.
Actualmente disponível.
Atribui os ILI ao Sistema de
Banda
WBI,
identifica
prioridades.
AquaLite
Benchleak
CheckCalcs
Identifica probabilidades e
benefícios da gestão da
pressão.
Os cálculos são feitos
directamente na página da
TILDE, uma vez que o
download do software não é
permitido.
LeaKage
CheckUp
WaterAudit
W-B Easy
Calc
DISPONIBILIDADE
Internacional
África do Sul
Europa
Médio Oriente
Austrália e Nova
Zelândia
Canadá e USA
Restantes países
Europa
E-MAIL OU ENDEREÇO
WEB SITE
[email protected]
www.studiomarcofantozzi.it
[email protected]
[email protected]
[email protected]
www.leakssuite.com
www.waterportal.com
Versões
em
unidades
Página web americana da www.awwa.org/WaterWiser/water
Americana e metrica, adaptado
associação das entidades loss/Docs/WaterAuditSoftware.cf
à
terminologia
nortede água (AWWA)
m
americana.
Atribui os ILI ao Sistema de
Banda
WBI,
identifica
prioridades.
Internacional
www.liemberger.cc
A 2ª etapa também se mostrou acessível uma vez que todos estes pacotes gratuitos de
software permitem ao usuário calcular os melhores indicadores de desempenho para a gestão
operacional das perdas reais, que são:
ƒ O PI simples e tradicional: Perdas por serviço (comprimento total das condutas,
incluindo o comprimento do ramal) e por unidade de tempo (Litros/serviço/dia), ou
perdas por unidade de comprimento da conduta e por unidade de tempo (m3/km/dia de
condutas principais, se o sistema tiver menos de 20 ligações do serviço por quilómetro
de condutas principais);
46
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
ƒ O melhor PI detalhado: Índice infra-estrutural de fugas ILI (= CARL/UARL),
sendo CARL = perdas reais anuais actuais e UARL = perdas reais anuais inevitáveis e
específicas do sistema.
As perdas reais anuais inevitáveis, UARL, são calculadas através das equações
desenvolvidas por Lambert et al (1999), baseadas no comprimento das condutas principais, no
número de ligações do serviço, na posição do medidor do cliente e na pressão média.
No que concerne à 3ª etapa, também a identificação inicial das prioridades para a
gestão das perdas, é agora mais simples devido ao sistema de bandas do World Bank Institute
(Seago et al, 2005). A tabela 2.4 mostra como, uma vez que o índice infra-estrutural de fugas
(ILI) foi calculado para um sistema particular, pode ser colocada dentro das bandas A a D,
cada qual ligando a uma descrição geral do desempenho de gestão das perdas reais. Note-se
que as larguras das bandas para países em desenvolvimento são duas vezes as dos países
desenvolvidos.
Tabela 2.4 - Atribuição de ILIs ao sistema World Bank Institute Banding (Bandas do Sistema
do Instituto do Banco Mundial) (Adaptado de Fantozzi et al, 2006)
Países em
Países
desenvolvimento desenvolvidos
Escala de ILI
Banda
Escala de ILI
Menos de 4
Menos de 2
A
4a<8
2a<4
B
ILI calculad
para este
sistema
1.4
Descrição geral de categorias do
desempenho de gestão de perdas reais em
países em desenvolvimento e desenvolvidos
Uma redução adicional da perda pode ser não
económica, a menos que haja falta de água; a análise
cuidadosa necessita identificar a melhoria do custo
efectivo
Potencial para melhorias marcadas; considera gestão
da pressão, melhores práticas activas do controlo de
perdas, e melhor manutenção da rede
8 a < 16
4a<8
C
Registro pobre de perdas; tolerado somente se a água
for abundante e barata; mesmo assim, deve ser
analisado ao nível e natureza das perdas e intensificar
esforços na sua redução
16 ou mais
8 ou mais
D
Uso muito ineficiente dos recursos; é imperativo e de
elevada prioridade o uso de programas de redução de
perdas
Uma vez identificada a banda apropriada, a tabela 2.5 identifica imediatamente as
prioridades prováveis a serem tidas em conta. No software CheckCalcs, o sistema calculado
ILI é comparado também com o ILI para o país ou a região geográfica.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
47
Tabela 2.5 - Actividades prioritárias para as bandas WBI de A a D
(Adaptado de Fantozzi et al, 2006)
RECOMENDAÇÕES WBI PARA AS BANDAS
A
B
C
Investigar opções de gestão de pressão
Sim
Sim
Sim
Investigar a velocidade e a qualidade de reparação
Sim
Sim
Sim
Verificar a frequência económica da intervenção
Sim
Sim
Introduzir/melhorar o controlo activo das perdas
Sim
Sim
Identificar opções para melhorar a manutenção
Sim
Sim
Avaliar o nível económico das perdas
Sim
D
Sim
Rever a frequência de roturas
Sim
Sim
Revisão das vantagens da política de gestão
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Tratar das deficiências dos recursos humanos, no treino
e nas comunicações
Um plano de 5 anos para conseguir atingir a seguinte
banda mais baixa
Revisão fundamental de todas as actividades
Sim
Usando os últimos métodos de prognóstico da gestão da pressão, desenvolvidos pelos
membros da equipa da WLTF (Thornton e Lambert, 2005), é agora possível fazer
prognósticos gerais em relação às possibilidades de gestão da pressão e o efeito provável
desta nas taxas de perda de fluxo, em novas ocorrências de roturas e no consumo residencial.
As tabelas atrás expostas demonstram que qualquer serviço público, ao utilizar este
software gratuito disponível, pode na realidade:
•
Calcular o balanço hídrico padrão e avaliar o volume anual de perdas reais;
•
Avaliar os indicadores simples (litros/km/dia) e detalhados do desempenho
(ILI) para a gestão operacional de perdas reais, do sistema ou sistemas;
•
Categorizar o ILI calculado dentro do sistema de bandas do WBI; obter uma
visão geral do desempenho actual, e identificar prioridades prováveis nas
acções;
•
Categorizar provisoriamente as oportunidades da gestão da pressão, e fazer
predições gerais das mudanças prováveis nas taxas de perdas, números de
novas roturas, e no consumo residencial.
48
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
A eficácia destas actividades de divulgação realizadas na Austrália, na América do
Norte e na Europa, resume-se aos seguintes aspectos:
•
Indicadores de desempenho e balanço hídrico padrão da IWA para perdas
reais;
•
Gestão activa da pressão;
•
Controlo activo das perdas, sectorização, e intervenção económica;
•
Cálculo dos níveis económicos das perdas.
2.4.2.1 CONTROLO DE PERDAS NA AUSTRÁLIA
Aspectos gerais da indústria da água Australiana
A indústria de água Australiana é constituída por trezentas entidades gestoras de água.
A Water Services Association of Austrália (WSAA) - Associação dos Serviços de Água da
Austrália, representa a indústria de água urbana, e conta com cerca de vinte empresas que
abastecem, de imediato, 60% da população e as restantes (cerca de 270) servem os 40% da
restante população. Nos últimos cinco anos, a Austrália tem vindo a sofrer longas e severas
secas e a gestão das perdas de água adquiriu assim um carácter de prioridade nacional.
A Wide Bay Water Corporation - WBWC, uma companhia pública com sede em
Queensland, tem vindo a divulgar e a promover as melhores práticas e metodologias da IWA
junto da indústria Australiana da água e criou um centro de formação, onde se desenvolveram
inúmeros workshops com sessões de formação para mais de cinquenta entidades.
Desenvolveram ainda uma colecção de dez manuais intitulada “Managing and Reducing
Losses from Water Distribution Systems” - Gestão e Manutenção de Perdas nos Sistemas de
Distribuição de Água (2004). Fornecem uma variedade de serviços de apoio e de consultoria
que visam promover a gestão da pressão, o controlo activo de perdas, a sectorização e outras
práticas a quaisquer entidades que requeiram assistência especializada.
Indicadores de desempenho e balanço hídrico padrão da IWA para perdas reais
A WSAA rapidamente reconheceu os benefícios dos indicadores de desempenho e do
balanço hídrico padrão da IWA para perdas reais e, em 2000, utilizou um software autorizado
(Benchloss) para que estes cálculos fossem feitos de uma forma consistente. A WSAA
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
49
adoptou também o índice infra-estrutural de fugas (ILI) como o indicador do desempenho
para a gestão das perdas reais, e publica esses indicadores ILI para a maioria dos seus
membros em ‘WSAA Facts’, desde 2003. Estabeleceram directrizes consistentes para avaliar
componentes do balanço hídrico que antes eram imensuráveis.
Também a WBWC promove os indicadores de desempenho e o balanço hídrico padrão
da IWA para perdas reais, através da formação e da distribuição de cem exemplares
personalizados do programa informático ‘PIFastCalcs’ de indicadores de desempenho e de
balanço hídrico. A WBWC adoptou igualmente as directrizes da WSAA, o que lhe permitiu
avaliar componentes, até então imensuráveis, do balanço hídrico, e começou a construir uma
base de dados nacional de valores ILI.
Gestão activa da pressão
Durante vários anos, a WBWC promoveu o conceito da gestão activa da pressão, para
reduzir as taxas de rotura e a frequência de ocorrência de novas roturas, prolongando, desta
forma, o tempo de vida das infra-estruturas. Os procedimentos adoptados no próprio sistema
produziram excelentes resultados. Apesar dos projectos-piloto bem sucedidos no Hunter
Valley nos anos 80 e em Brisbane no ano de 1994, a maioria da indústria Australiana da água
mostrava-se relutante em arriscar a gestão da pressão. Contudo, a aplicação deste recurso
revelou-se indispensável no combate à seca prolongada dos anos recentes. Os excelentes
resultados da gestão planeada da pressão durante os últimos dois anos, com reduções
significativas dos caudais nocturnos e a diminuição do número de novas roturas, resultaram
numa enorme mudança de atitude. Nesse sentido, a Yarra Valley Water (Melbourne) instalou
quinze válvulas de redução da pressão e a Gold Coast e outras entidades estão, também elas, a
adoptar planos de gestão da pressão.
Existem diversos conceitos específicos e parâmetros associados às melhores práticas de
gestão da pressão, como por exemplo o Average Zone Point (AZP) – Valor Médio da Zona,
os Night Day Factors (NDFs) – Factores Noite-Dia e os exponentes FAVAD N1, entre
outros. Estes conceitos e parâmetros foram apresentados em workshops da WBWC, e estão
incluídos na versão-padrão do software didáctico para entidades, disponível na Austrália,
através da WBWC.
50
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Controlo activo das perdas, sectorização e intervenção económica
Muitas entidades australianas não consideraram necessário fomentar o controlo activo
das perdas. Todavia, a WBWC tem promovido o controlo activo de perdas e a sectorização
dos sistemas, com sucesso crescente. No entanto, as dificuldades surgiam no cálculo da
intervenção económica e do orçamento anual apropriado para suportar tais actividades. Com o
intuito de solucionar essas dificuldades, em Outubro de 2006, a WBWC organizou cursos de
formação para a aplicação do software apropriado de cálculo. Apresentaram um ponto de
partida simples mas eficaz, para calcular o valor de uma intervenção económica, baseado em
três parâmetros - custo variável da água, custo da intervenção, taxa de crescimento das perdas
não participadas (Fantozzi e Lambert, 2005; Lambert e Lalonde, 2005).
Nível económico de perdas
O cálculo dos níveis económicos resultantes das perdas a curto prazo, com base em
sistemas complexos desenvolvidos no Reino Unido para sectorizar sistemas de distribuição de
água com medidas contínuas de caudais nocturnos, não encontrou muitos adeptos na
Austrália. Uma das principais diferenças é que, ao contrário do que sucede no Reino Unido,
na Austrália há ainda um longo caminho a percorrer no que respeita à gestão da pressão, tal
facto reflecte-se, de imediato, na frequência das roturas, nas perdas indetectáveis, na
intervenção económica etc. O método bastante pragmático adoptado na Austrália de combate
aos prejuízos financeiros, baseou-se na rápida e eficaz reparação de todas as fugas e roturas,
na gestão da pressão nos locais que o permitem, no cálculo e na aplicação de investimentos
para o controlo activo de perdas, através do software padrão do serviço público, que permite
uma avaliação adequada das prioridades (Fantozzi et tal, 2006).
2.4.2.2 CONTROLO DE PERDAS NA AMÉRICA DO NORTE
Aspectos gerais da indústria da água norte-americana
A indústria de água norte-americana (Canadá e EUA) conta com milhares de entidades
públicas de água, que variam amplamente nas suas dimensões. As actividades de gestão das
perdas tendem a ser limitadas no que concerne à reparação das roturas participadas pelos
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
51
clientes e à substituição das condutas, uma vez que os clientes detêm também as ligações
desde o limite das suas propriedades até aos contadores. O contador de água de um cliente
pode ficar situado no limite da propriedade (frequente nos Estados do sul) ou no centro da
propriedade (em Estados com climas mais frios).
O controlo das perdas e a gestão activa da pressão não são uma prática corrente, e onde
o são, não seguem necessariamente um raciocínio económico sadio (Fantozzi et al, 2006).
Indicadores de desempenho e balanço hídrico padrão do IWA para perdas reais
No Canadá, a metodologia do balanço hídrico do IWA foi recomendada para os
sistemas de distribuição de água através da publicação no Guia ‘Water Use and Loss in Water
Distribution Systems’ - Uso e perda de água em sistemas da distribuição (CRC-NRC, 2003),
mas não fizeram nenhuma recomendação relativa às melhores práticas em indicadores de
desempenho. Segundo Fantozzi et al, (2006), desde Dezembro de 2005 foram distribuídas
mais de cem cópias gratuitas do software ‘CheckCalcs’ para realizar cálculos do balanço
hídrico, com uma resposta de 15% dos visados a requererem mais informações sobre o
produto.
Nos EUA, a comissão de controlo das perdas da água da associação americana para os
recursos hídricos, American Water Works Association (AWWA), recomendou o balanço
hídrico e os indicadores do desempenho da IWA, incluindo o índice infra-estrutural de fugas
ILI, no seu relatório como sendo as melhores práticas da actualidade da indústria para avaliar
perdas de água (Kunkel et al, 2004). Tal como acontecia no Canadá, a falta de software
disponível para realizar o balanço hídrico e os cálculos do PI limitou a adesão a cerca de vinte
entidades, uma vez que a maioria utiliza uma primeira versão do software PIFastCalcs.
No entanto, as organizações em diversos Estados estão a adoptar a metodologia a nível
estatal (por exemplo, no Texas e na Califórnia). Igualmente, foram disponibilizados em 2006,
dois tipos de software introdutório gratuitos; um de balanço hídrico e de PIs na água,
desenvolvido pela comissão de controlo das perdas da água da AWWA em unidades
americanas e canadianas, e uma versão americana da CheckCalcs.
52
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Gestão activa da pressão
A importância da gestão da pressão, em termos de redução da frequência do
aparecimento de novas roturas e de perdas reais, não foi, até ao momento, universalmente
reconhecida na América do Norte. A maioria das entidades da água faz a gestão da pressão
baseada em condicionamentos hidráulicos do projecto (por exemplo estabelecendo zonas de
pressão), ao invés de efectuar o controlo activo da pressão para minimizar perdas de água. Os
avançados procedimentos da gestão da pressão, que utilizam PRVs (válvulas de libertação de
pressão) para o controlo do caudal, foram implementados com sucesso em diversas entidades
canadianas, e apresentados como parte do estudo da fundação de investigação da AWWA
para determinar as exigências do projecto para sistemas norte-americanos. Os membros do
grupo WLTF do Canadá e dos EUA estão agora a reunir dados sobre o efeito da gestão da
pressão aplicada à frequência de novas roturas para aumentar a exactidão dos cálculos
(Fantozzi et al, 2006).
Controlo activo das perdas, sectorização e intervenção económica
Existe um número limitado de entidades norte-americanas que empreenderam o
controlo activo de perdas. Geralmente, é efectuada uma inspecção, em intervalos não muito
frequentes (habitualmente uma vez em cada quatro anos, ou todos os anos em 25% dos
grandes sistemas) e sem fundamentação económica claramente definida. Contudo, existe um
contrato de investigação quase concluído, para a fundação de investigação da AWWA, de
forma a avaliarem como aplicar as melhores práticas de gestão das perdas na América do
Norte.
A sectorização e as zonas de medição e controlo estão a aumentar. As maiores entidades
do Canadá procedem à sectorização da rede através de zonas de medição e controlo num
sistema piloto ou num sistema base. As zonas de medição que fornecem a informação
necessária para avaliar as zonas prioritárias para o controlo activo de perdas encontraram
grande aplicação nos EUA, nos anos 50/60, mas desapareceram nos anos 70, até que surgiram
as recentes acções da WLTF da IWA e da comissão de controlo das perdas da água da
AWWA.
O método simplificado da intervenção económica, baseado na `Rate of Rise' (Taxa de
crescimento de perdas não participadas), foi introduzido na América do Norte em 2005
(Lambert e Lalonde, 2005) com o objectivo de permitir às entidades que não empreendem
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
53
nenhum controlo de perdas, calcular rapidamente a frequência da intervenção e do orçamento
anual, numa base racional. Esta metodologia foi testada em duas entidades canadianas,
utilizando o software padrão adequado do serviço público, e utilizado em diversos projectos
de consultoria, para obter uma abordagem mais eficaz do controlo de perda da água.
Nível económico de perdas
Na opinião de Fantozzi, com a revisão do manual de melhores práticas no controlo de
perdas de água M36 da AWWA e o exemplo das principais entidades estatais, as futuras
decisões relativas à executação de medidas de controlo das perdas de água devem basear-se
em princípios económicos mais sadios (Fantozzi et al, 2006).
2.4.2.3 CONTROLO DE PERDAS NA EUROPA
Aspectos gerais da indústria de água na Europa
A Deutsche Vereinigung des Gas- und Wasserfaches – DVGW (Associação Alemã de
Peritos em Gás e Água) adoptou e aplicou as metodologias da IWA, nomeadamente as
referentes ao balanço hídrico, aos indicadores de desempenho e conceitos da pressão da IWA
(Liemberger, 2005). No Chipre, a entidade Lemesos aplicou estes conhecimentos e alcançou
resultados impressionantes (Charalambous, 2005).
O interesse mais recente e mais extensivo nas metodologias surge na Europa, mais
precisamente, em Itália. Das 8000 entidades activas no sector da água, a maioria é pública,
com menos de 5% de operadores privados. O volume de água não facturada varia entre os 1560%, relativamente ao volume total do sistema, sendo a média de 42%. A maioria das
entidades repara somente as roturas detectadas e não fazem planos de gestão da pressão ou do
controlo activo de perdas, excepto em situações de emergência durante períodos de seca. De
acordo com a lei existente (Decreto-Lei 99/97), as entidades são obrigadas a calcularem o
balanço hídrico para cada um de seus sistemas de água. Os indicadores de desempenho ILI,
frequentemente entre três e doze, demonstram que muitas entidades italianas poderiam fazer
reduções substanciais em perdas reais.
A Fundação AMGA é uma organização científica e cultural, sem fins lucrativos, que
promove e divulga programas no sector hídrico, a nível nacional e internacional. A
FederUtility é uma organização que representa quatrocentas entidades de água e de gás que
54
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
fornecem água a cerca de 36 milhões de pessoas. Estas organizações em conjunto, promovem
a aplicação de melhores práticas internacionais na gestão de perdas de água. Para conseguir
este objectivo, criaram um grupo de trabalho responsável pelas perdas de água. A actividade
do grupo, constituído por mais de oitenta membros, pertencentes a diversas entidades,
universidades e instituições da água, começou oficialmente em Outubro de 2004, em Génova,
num workshop da FederUtility intitulado “Towards More Effective Management of Water
Losses in Distribution Systems” (A caminho de uma gestão mais eficaz de perdas de água em
sistemas da distribuição). Este grupo responsável pelas perdas de água é um veículo para:
•
a crescente consciência da importância do serviço público da água e dos benefícios
económicos da gestão melhorada da pressão;
•
agir como um centro nacional para promover a informação dos especialistas da IWA
junto da indústria de água italiana;
•
divulgar a abordagem prática da IWA a um vasto número de utilizadores finais;
•
lidar com metodologias disponíveis e técnicas inovadoras para a gestão eficiente da
perda de água, permitindo a troca de ideias e experiências.
A Fundação AMGA promoveu fortemente o balanço hídrico e os indicadores de
desempenho da IWA através de acções de formação e da distribuição de cópias de uma versão
simplificada do software ‘PIFastCalcs’, adaptado à situação e à língua italianas. Os workshops
são organizados em colaboração com a FederUtility, para estimular a aplicação de
metodologias eficientes para a gestão de perdas de água (Fantozzi et al, 2006).
Gestão activa da pressão
Um projecto piloto bem sucedido aplicado em Turim - Itália em 1998, resultou na
redução de 10% da pressão média nocturna, numa das principais zonas da cidade. Já no que
concerne aos custos anuais de reparação, a redução foi de cerca 50%, e as perdas reais lógica
e consequentemente, foram menores.
No workshop de Outubro de 2004, foram mencionados outros projectos bem sucedidos
(por exemplo, em Salerno), e debatidas as teorias em desenvolvimento sobre a pressão: as
relações da frequência de roturas e exemplos internacionais da redução das roturas através da
gestão da pressão, estimulando outras entidades a empregar com sucesso os procedimentos da
gestão da pressão, já relatados no workshop de Génova, em Abril de 2005. Os excelentes
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
55
resultados dos esquemas da gestão da pressão foram conseguidos entre 2004 e 2005, através
da mudança de atitude na gestão de pressões, obtendo reduções significativas dos caudais
nocturnos e reduções no aparecimento de novas roturas (Fantozzi et al, 2006).
Controlo Activo das Perdas, Sectorização e Intervenção Económica
As poucas entidades italianas que empreenderam o controlo activo de perdas, fazem
inspecções não muito frequentes. O método simplificado de intervenção económica, baseado
na ‘Rate of Rise’ foi introduzido em Itália em 2005 (Lambert e Fantozzi, 2005). Esta
metodologia foi utilizada por duas entidades italianas no ano de 2006 e as ligações directas
aos sistemas de zonas de medição estão a ser desenvolvidos activamente.
Nível económico de perdas
O cálculo económico das perdas a curto prazo não foi aplicado com sucesso em Itália. O
método prático para atingir níveis económicos consiste em reparar todas as fugas e roturas de
forma célere e eficaz, assim como introduzir a gestão da pressão nos locais que o permitem, e
calcular intervenções económicas para o controlo activo de perdas (Fantozzi et al, 2006).
56
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
CAPÍTULO III
ENTIDADES GESTORAS EM PORTUGAL
3.1
ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS
De acordo com a nova Lei n.º 58/2005 de 29 de Dezembro referente à água, a gestão
sustentada dos recursos hídricos foi imputada ao Estado português, com a colaboração e
intervenção do Instituto Nacional da Água - INAG, em representação do Estado a nível
nacional e das Administrações das Regiões Hidrográficas - ARH, em representação do Estado
a nível de região hidrográfica, com competências de planeamento, licenciamento e
fiscalização.
Por sua vez, os diferentes sectores de actividade e os utilizadores dos recursos hídricos
são representados pelos seguintes órgãos consultivos: o Governo - Conselho Nacional da
Água (CNA), com funções consultivas em assuntos de recursos hídricos; as administrações da
região hidrográfica - Conselhos da Região Hidrográfica (CRH), com funções consultivas nas
respectivas bacias hidrográficas nela integradas.
As Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional - CCDR são os órgãos
descentralizados do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do
Desenvolvimento Regional, a quem compete a articulação dos documentos que dizem
respeito ao ordenamento do território com a presente lei e com os planos de água vigentes.
Visam, igualmente, a inclusão da política da água nas políticas transversais de ambiente,
participando numa conjuntura de desenvolvimento regional e, consequentemente, económicosocial do País.
3.2
ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DOS SISTEMAS PÚBLICOS
DE ABASTECIMENTO
O Decreto-Lei n.º 379/93 de 5 de Novembro estabelece a forma de concessão,
regulando a exploração e gestão dos sistemas de captação, tratamento e distribuição de água
para consumo público; a recolha, tratamento e rejeição de efluentes; e a recolha e tratamento
de resíduos sólidos, por entidades privadas. Mais tarde, o Governo Constitucional deu início à
reestruturação do sector público empresarial, concretizada com a publicação da Lei 58/98 de
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
57
18 de Agosto, passando a ser concedida a constituição de empresas municipais, que podem
ser encaradas numa perspectiva de gestão empresarial. Assim, de acordo com Decreto-Lei n.º
362/98 de 18 de Novembro, existem, actualmente, cinco formas organizativas de entidades
gestoras para a administração e exploração dos sistemas anteriormente referidos:
1)
Os municípios;
2)
As associações de municípios;
3)
Os serviços municipalizados de água e saneamento;
4)
As empresas públicas municipais;
5)
As empresas concessionárias de sistemas multimunicipais e municipais.
Nos termos do Decreto-Lei n.º 379/93 de 5 de Novembro, os sistemas multimunicipais
são distintos dos municipais, representando os primeiros sistemas em «alta» (a montante da
distribuição de água ou a jusante da colecta de esgotos e sistemas de tratamento de resíduos
sólidos), que circunscrevam a área de pelo menos dois municípios e imponham um
investimento preponderante do Estado, e os segundos todos os sistemas em «baixa»,
independentemente de a sua gestão poder ser municipal ou intermunicipal, onde se incluem os
sistemas geridos pelas associações de municípios. Assim, as empresas municipais podem ser
constituídas por um único município, por mais do que um município (empresa intermunicipal)
e/ou por um ou mais municípios em parceria com uma terceira entidade, pública ou privada,
sendo que esta terá de dispor de um capital minoritário, ou seja, inferior a 50%. Nos últimos
anos, mais precisamente até ao final de 2005, foram constituídas catorze empresas municipais,
abrangendo uma população de 1,5 milhões de habitantes (cerca de 16% da população),
revelando-se a forma organizativa mais explorada. Espera-se ainda que evolua nos próximos
anos, tal como se prevê que o número de serviços concessionários aumente. Além disso, até
finais de 2005, concretizaram-se 24 concursos de concessão de sistemas municipais de
abastecimento de água e de águas residuais em «baixa» (Marques e Levy, 2006).
Na figura 3.1 apresenta-se a forma organizativa dos serviços de água em Portugal
Continental no final de 2005. Desta figura depreende-se que as Autarquias são, directa ou
indirectamente, as principais gestoras dos sistemas de abastecimento de água.
58
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Figura 3.1 - Formas organizativas do serviço de água
(Adaptado de Marques e Levy, 2006)
Forma Organizativa por Concelho
Empresa Concessionária
Empresa Pública
Empresa Municipal
Serviços Municipalizados
Serviço Municipal
(24)
(1
(12)
(31)
(207)
Dos 308 concelhos portugueses existentes, aos quais correspondem trezentos serviços
de água, 199 das entidades gestoras compram água em “alta” a sistemas vizinhos. No início
de 2005, cerca de 45 % da população era abastecida através de serviços de água que
compravam água em “alta” aos sistemas vizinhos. Esta percentagem será superior quando
todas as obras dos sistemas multimunicipais estiverem concluídas.
Tal como exibe a figura 3.2, o grupo Águas de Portugal, em parceria com o sector
privado, gere a concessão de sistemas municipais de abastecimento de água e saneamento de
águas residuais.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
59
Figura 3.2 - Entidades gestoras de sistemas multimunicipais
(Adaptado de ADP, 2006)
3.2.1 COBERTURA DO SERVIÇO DE ÁGUA
De acordo com o estudo sobre a "A Qualidade do Serviço de Abastecimento de Água: O
parecer do consumidor", editado pela Associação das Empresas Portuguesas para o Sector do
Ambiente (AEPSA), em finais de 2005, o abastecimento domiciliário de água era uma
realidade em 93 % do território nacional, fruto de investimentos efectuados nos últimos anos.
Segundo o mesmo estudo, Braga e Porto representam os distritos mais problemáticos em
termos de abastecimento.
60
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Acredita-se que o grau de cobertura actual esteja próximo de 95%, o que significa que
Portugal apresenta valores próximos dos da média da Europa Comunitária. A figura 3.3
ilustra o grau de cobertura do serviço de abastecimento de água por concelho.
Figura 3.3 - Cobertura do abastecimento de água
(Adaptado de Marques e Levy, 2006)
C o b e rt u r a
p o r C o n c e lh o
> 95
85 a
75 a
65 a
< 64
%
(1 9 1 )
9 4 % (4 3 )
8 4 % (1 5 )
74 %
(8 )
%
(1 8 )
3.2.2 NÚMERO DE CONSUMIDORES
Tendo por referência os dados publicados no trabalho anteriormente citado, o país
dispunha, no final de 2005, de cerca de 4,9 milhões de contadores instalados, sendo que 89%
pertenciam a clientes domésticos, 7% a clientes industriais e 4% às restantes classes. A
parcela correspondente ao consumo não doméstico obteve os valores mais elevados nos
distritos de Aveiro, Lisboa e Porto.
Em Portugal, o número médio de habitantes por contador doméstico é de 2.3, com
valores máximos nos distritos de Braga e Faro.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
61
CAPÍTULO 4
METODOLOGIA
4.1
APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
Este trabalho de avaliação constitui o estudo de uma das mais importantes áreas de
intervenção de um sistema de distribuição de água – o combate às perdas de água - de modo
a assegurar a gestão sustentada do Sistema.
No caso de estudo da Empresa Municipal de Água e Resíduos de Vila Real –
EMARVR, esta matéria é de extrema importância dado que grande parte da água fornecida
aos utentes é adquirida em massa à Empresa Multimunicipal Águas de Trás-os-Montes e Alto
Douro, com custos significativos, pelo que o controlo e a redução das perdas de água assumese de extrema importância sob o ponto de vista económico. Por essa razão, parte do custo de
produção representa um factor não controlável e os elevados investimentos necessários para
aumentar a cobertura do serviço, bem como para a manutenção e melhoramento dos sistemas
em exploração, obrigam a reflectir sobre todas as formas possíveis de aumentar a eficiência
do serviço.
Sublinhamos, neste sentido, a problemática deste estudo que trata de um aspecto
paradigmático do desempenho do sistema de distribuição de água alusivo ao estado de
conservação das infra-estruturas, no abastecimento de água ao Município de Vila Real. Esta
realidade será traduzida pelo número de roturas ocorridas e pelo número de substituições de
rede, e a sua relação com as práticas de manutenção. O número médio de roturas e a quantidade
de água perdida constituem importantes indicadores de diagnóstico quanto ao desempenho de
uma rede, o que reflecte o nível de eficiência da entidade gestora.
Em suma, conhecer as principais deficiências do sistema público de abastecimento de
água no concelho em análise, irá permitir, numa perspectiva futura, actuar sobre as suas perdas,
reais e/ou aparentes, e alcançar ganhos de eficiência traduzidos em termos económicos,
ambientais e sociais.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
63
4.2
HIPÓTESE DE INVESTIGAÇÃO
“Será que a Empresa Municipal de Água e Resíduos de Vila Real (EMARVR), enquanto
empresa gestora do sistema público de distribuição, controla de forma eficaz as perdas de água
no Concelho de Vila Real?”
4.2.1 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS
Para a análise e avaliação da problemática exposta, o presente estudo desenvolveu-se de
acordo com os seguintes objectivos específicos:
a) Caracterizar a entidade gestora do sistema de abastecimento de água no Concelho de
Vila Real;
b) Identificar os sistemas / zonas de abastecimento do Concelho, retratando as trinta
freguesias inerentes, incluindo origens, reservatórios, redes, ramais, entre outros;
c) Analisar e avaliar o desempenho do sistema de distribuição de água existente através de
balanços hídricos, sendo o período de análise correspondente aos anos 2005 e 2006, inclusive;
d) Avaliar o estado de conservação das infra-estruturas de distribuição de água do
Município, traduzido pelo número de roturas e número de substituições de rede, no domínio da
reabilitação, bem como a sua relação com as práticas de manutenção;
e) Auscultar a percepção e opinião dos clientes da entidade gestora sobre as perdas de
água em sistemas públicos de distribuição no Concelho;
f) Definir uma metodologia com base em técnicas e métodos existentes que permitam
detectar, num dado sector da rede, as zonas com maior susceptibilidade de ter fugas, visando a
elaboração de um plano de controlo preventivo de perdas de água para uma gestão mais
eficiente do sistema de abastecimento de água ao Município de Vila Real.
64
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
4.3
MÉTODOS E TÉCNICAS
Para que o estudo se torne pertinente e válido, é necessário escolher os métodos mais
adequados, ou seja, aqueles que nos permitem apreender melhor a realidade em análise
(Quivy, 1998).
Dada a complexidade de preparação e da natureza do universo escolhido, optou-se por
fazer uma análise extensiva deste recurso hídrico e, em seguida, fazer a extrapolação para a
análise intensiva dos sistemas de distribuição, no que às perdas e roturas diz respeito, no
concelho de Vila Real.
Por se tratar de um tema que exigia de antemão um cunho de investigação cientifica e
de observação, ainda que indirecta, pensa-se que a melhor forma de chegar a conclusões reais
será proceder ao cálculo do balanço hídrico, contabilizando os volumes de água entrados e
saídos no(s) sistema(s) de abastecimento(s) para avaliação da quantidade de água perdida,
bem como proceder ao levantamento dos registos das várias intervenções efectuadas na rede
pública de distribuição de água, patentes nas fichas de actividade dos operários do sector de
exploração da empresa gestora EMARVR, de modo a conhecer o número médio de roturas.
Em complemento, e de forma a avaliar a dimensão social desta problemática, procedeu-se à
técnica do inquérito, aplicado à população residente nas diferentes freguesias do Concelho,
que fornecerá percepções reais da satisfação dos munícipes.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
65
CAPÍTULO 5
SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO CONCELHO DE VILA
REAL
5.1
CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO EM ESTUDO
5.1.1 QUADRO GEOGRÁFICO: O CONCELHO E A CIDADE
O concelho de Vila Real situa-se na “concha geológica” do rio Corgo e afluentes e é
limitado a Norte pela serra da Padrela e pelos concelhos de Ribeira de Pena e Vila Pouca de
Aguiar; a sul pelas encostas da margem direita do rio Douro e pelos concelhos do Peso da
Régua e Santa Marta de Penaguião; a nascente pelos planaltos da Azinheira, concelho de
Sabrosa; a poente pelas serras do Marão e Alvão e pelo concelho de Amarante; por último, a
Noroeste pelo concelho de Mondim de Basto (Parente, 2001).
A cidade em estudo assume-se como sede de um Município com 377,67 km² de área e
com, aproximadamente, 49 957 habitantes, segundo o resultado dos últimos censos de 2001.
Este concelho encontra-se geograficamente subdividido em 27 freguesias rurais, sendo elas,
Abaças, Adoufe, Andrães, Arroios, Borbela, Campeã, Constantim, Ermida, Folhadela,
Guiães, Justes, Lamares, Lamas de Ôlo, Lordelo, Mateus, Mondrões, Mouçós, Nogueira, ,
Parada de Cunhos, São Miguel da Pena, Quintã, São Tomé do Castelo, Torgueda, Vale de
Nogueiras, Vila Cova, Vila Marim e Vilarinho da Samardã e três freguesias urbanas, Nossa
Senhora da Conceição, São Pedro e São Dinis (conforme ilustra a figura 5.1).
A nível de rede rodoviária encontra-se devidamente ligada, quer ao litoral quer ao
interior, com acessos rápidos a Chaves, a Bragança, ao Porto, e às terras do Sul, o que permite
um crescimento sustentado.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
67
Figura 5.1 - Mapa do Concelho de Vila Real
(Adaptado de www.radiopopular.pt, 2007)
LEGENDA:
1. Abaças
2. Adoufe
3. Andrães
4. Arroios
5. Borbela
6. Campeã
7. Constantim
8. Ermida
9. Folhadela
10. Guiães
11. Justes
12. Lamares
13. Lamas d’Olo
14. Lordelo
15. Mateus
16. Mondrões
17. Mouçós
18. Nogueira
19. Nª Sr.ª da Conceição
20. Parada de Cunhos
21. S. Miguel da Pena
22. Quinta
23. São Dinis
24. São Pedro
25. São Tomé do Castelo
26. Torgueda
27. Vale de Nogueiras
28. Vila Cova
29. Vila Marim
30. Vilarinho da Samardã
Um estudo recente, efectuado pela revista Única do Jornal “O Expresso”, e divulgado
pelo Boletim Municipal de Vila Real, atribuiu a Vila Real o sétimo lugar no ranking das
cinquenta melhores cidades portuguesas para se viver em 2007. Esta pesquisa baseou-se em
vinte critérios elaborados por arquitectos, urbanistas e geógrafos.
68
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
5.1.2 QUADRO DEMOGRÁFICO
População Residente
Os Censos apresentam-se como valiosos instrumentos de diagnóstico, planeamento e
intervenção, nos mais variados domínios do social. Em Portugal, os Censos são realizados de
dez em dez anos, o que permite uma actualização exaustiva, tanto do parque habitacional
como das características da população residente. Naturalmente, com o decorrer do tempo, tais
bases de dados vão ficando desactualizadas. A actualização das mesmas vai sendo assegurada
através da realização de inquéritos por amostragem.
Neste contexto, de acordo com os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE), relativos aos Censos da População, obtidos em 2001, o Concelho
apresentava uma população residente de 49 957 habitantes, com a seguinte distribuição por
freguesia (gráfico 5.1).
Gráfico 5.1 - População residente por freguesia
(Adaptado do INE, 2001)
8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
Vilarinho da Samardã
Vila Cova
Vila Marim
Vale de Nogueira
Torgueda
S. Tomé do Castelo
S. Dinis
S. Pedro
Quintã
S. Miguel de Pena
Parada de Cunhos
Nogueira
N. Sª Conceição
Moucós
Mateus
Mondrões
Lordelo
Lamares
Lamas d' Olo
Guiães
Justes
Ermida
Folhadela
Campeâ
Arroios
Adoufe
Andrães
Abaças
0
Constantim
1000
Borbela
População Residente (Hab)
9000
Freguesia
A título de curiosidade, poder-se-á referir que no ano de 1795, o concelho contabilizava
3.600 habitantes e em 1530 contava apenas com 480 habitantes. É de se realçar o crescimento
populacional registado neste Município desde os seus primórdios. Este acréscimo
populacional progressivo permitiu que Vila Real adquirisse, no século XX, o estatuto de
capital de província.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
69
Em 1922 foi criada a diocese de Vila Real, por desanexação das de Braga, Lamego e
Bragança-Miranda. Em 1925 foi elevada a cidade.
Da análise do gráfico 5.1 conclui-se que as freguesias pertencentes à área urbana,
denominadas por freguesias urbanas14, são aquelas que apresentam valores mais elevados de
população residente. Esta situação justifica-se pela procura de uma vida mais estável e com
um maior leque de oportunidades, assumindo-se como verdadeiros pólos de atracção
demográfica. Os valores apresentados pelas freguesias de Quintã (148) e Lamas d`Olo (177)
justificam o raciocínio anterior.
Densidade Populacional
Tendo em mente que a densidade populacional ou densidade demográfica é um cálculo
expresso pela relação entre a população e a superfície de um determinado lugar, o gráfico 5.2
traduz esta questão nas diversas freguesias do concelho.
Gráfico 5.2 – Densidade populacional das freguesias do Concelho de Vila Real
3000
2500
2000
1500
1000
Vilarinho da Samardã
Vila Cova
Vila Marim
Vale de Nogueira
Torgueda
S. Tomé do Castelo
S. Dinis
S. Pedro
Quintã
S. Miguel de Pena
Parada de Cunhos
N. Sª Conceição
Moucós
Nogueira
Mateus
Mondrões
Lordelo
Lamas d' Olo
Justes
Lamares
Guiães
Ermida
Folhadela
Constantim
Borbela
Arroios
Adoufe
Andrães
0
Campeâ
500
Abaças
2
Densidade Populacional (Hab/Km )
(Adaptado do INE, 2001)
Freguesia
14
A Direcção Geral de Ordenamento do Território considera como freguesias urbanas aquelas “que possuem
densidade populacional superior a 500 hab./Km2 ou que integrem um lugar com população residente superior ou
igual a 5000 habitantes”; como freguesias semi-urbanas as “freguesias não urbanas que possuem densidade
populacional superior a 100 hab./Km2 e inferior ou igual a 500 hab./km2, ou que integrem um lugar com
população residente superior ou igual a 2000 habitantes e inferior a 5000 habitantes”; e como freguesias rurais,
todas as restantes.
70
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Da leitura do gráfico exposto é notória a concentração da população na sede do
município, o que significa que as freguesias urbanas são aquelas que apresentam níveis de
densidades populacionais mais elevadas, com destaque para as freguesias da Nª Srª da
Conceição e S. Dinis. Trata-se de um fenómeno globalmente conhecido, o do êxodo rural.
5.2
CARACTERIZAÇÃO DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA AO CONCELHO E
SUAS INFRA-ESTRUTURAS BÁSICAS
5.2.1 EVOLUÇÃO DO ABASTECIMENTO – BREVE RESENHA CRONOLÓGICA
A rede pública de distribuição de água foi construída à medida das necessidades e à
medida que foram surgindo novos povoados, aumentando os seus limites geográficos, numa
política de reacção e adaptação.
Contudo, para compreendermos a evolução do abastecimento de água a este município,
tornar-se-á imprescindível traçar uma breve, mas explicativa, resenha cronológica de todo o
processo envolvido.
No século XIII, aquando da fundação de Vila Real, os problemas da falta de água à
população residente na actual “Vila Velha” foram atenuados com a construção de uma
cisterna, denominada o “Poço do Alcácer”. A partir do século XIV erigiu-se o chafariz do
largo do Tabulado, alimentado por uma mina aberta na Quinta do Seixo (Sousa e Gonçalves,
1987).
Ao longo dos séculos outras fontes e chafarizes espalhados pela cidade, com origens
próprias, apareceram e desapareceram. Nogueira (2001), apresentou algumas destas estruturas
medievais, enumerando o Chafariz do Rossio e o da Fonte do Chão (séc. XIV); o da Praça
Velha (séc. XV); os Chafarizes do Tabulado, da Fonte Nova, do Cabo da Vila e de Santa
Margarida, as Fontes do Calvo, de D. Pedro e de S. Francisco (séc. XVI); a Fonte de Santa
Clara ou das “Três Bicas”, como era conhecida, as da Biquinha ou do Cano, da Teneria e da
Carreira (séc. XVIII); a fonte monumental do Jardim da Carreira, as Fontes de Almodena e de
S. Pedro (séc. XIX).
No século XIX o abastecimento era assegurado pelas aguadeiras (figura 5.2) que
recolhiam, das fontes públicas, a água em cântaros e a transportavam até às casas dos
fregueses, mediante o pagamento estabelecido, em 1905, de 120 réis mensais por um cântaro
de trinta litros, por dia.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
71
Figura 5.2 - Aguadeiras de Vila Real, séc. XIX
(Adaptado da EMARVR, 2006)
Segundo Nogueira (2001), o primeiro estudo do abastecimento de água em Vila Real é
datado de 1905 e foi efectuado pelo Eng. Gaudêncio Pacheco, Engenheiro da Circunscrição
Mineira do Norte.
Genericamente, o processo de abastecimento de água a Vila Real remonta a 1907,
quando a autarquia instalou um depósito - fontanário na Avenida da Estação e outro na Rua
do Jazigo, onde recebiam água oferecida pelo Monsenhor Gerónimo Amaral, através da
canalização instalada a partir da Quinta de Prados.
Em 1915, preconizou-se a instalação do reservatório no Arcabuzado.
Em 1927, executou-se uma planta cotada da cidade, precisando a localização das
condutas, dos marcos fontanários, das bocas-de-incêndio. À mesma data, deu-se um avanço
dos trabalhos, sob a direcção de Alfredo Amaral, engenheiro da Câmara.
Em 1928, iniciou-se, próximo da aldeia de Relva, a abertura de vala para assentamento
do tubo adutor que trouxe à cidade a água proveniente das captações exploradas nas minas,
chamadas Vale do Paraíso e Regato. Ao mesmo tempo, começou-se a construir o reservatório
de distribuição do Arcabuzado (no actual Bairro de S. Vicente de Paula), ilustrado na figura
5.3.
Em 1929, foi lançada a água das nascentes na tubagem de adução e estabelecida a
ligação à tubagem de distribuição.
72
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Figura 5.3 - Reservatório do Arcabuzado
(Adaptado da EMARVR, 2006)
Estação Elevatória de Codessais
Em 1929 redigiu-se a primeira acta da Comissão Administrativa dos Serviços
Municipalizados e, em 1933, foi aprovado o regulamento destes Serviços pela Câmara
Municipal, onde os Serviços Municipalizados ficaram encarregues da instalação e exploração
do abastecimento de água potável à população, assim como da electricidade e saneamento de
esgotos. Dispondo de orçamentos separados, os Serviços Municipalizados passaram a ser
considerados serviços autónomos. É assim, à data referida, que entra em funcionamento o
primeiro grande abastecimento de água à cidade de Vila Real, que constava de:
y
Captações em minas do Alvão: minas do Vale do Paraíso e do Regado;
y
Adutora em Aço Mannesman com diâmetro de 125mm na extensão de 5,3Km;
y
Reservatórios apoiados, localizados no Bairro S. Vicente de Paula com capacidade
de 2x375m3;
y
Rede de distribuição em aço Mannesman, com uma secção inicial de 250mm, que
servia inicialmente o triângulo definido pelo Bairro do Pioledo, Igreja de S. Pedro e
Cemitério de Santa Iria. Em anos seguintes chegou-se à Av. Carvalho Araújo e
Câmara Municipal.
Na zona rural proliferavam as pequenas captações, a maioria sem redes de distribuição.
Ao longo dos anos 30 e 40, ampliou-se a rede de distribuição inicial e, em 1939, passou-se a
debitar à autarquia a água consumida pelos diferentes serviços da Câmara Municipal.
Até aos anos 50, foram realizadas novas captações, mais cinco minas e dois drenos nas
zonas de Seara e Lagoa do Alvão, contudo, estas mostravam-se, ainda, insuficientes.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
73
Nesta sequência, na década de 50, dá-se a saturação das novas minas e dunas exploradas
no Alvão e a cidade começa a pensar no Rio Corgo para responder ao rápido crescimento de
consumo.
Em resposta a este problema, mediante resolução municipal de 14 de Maio de 1958, a
câmara comprou um terreno situado no lugar de Codessais, junto ao rio Corgo, para a
instalação da Central Elevatória (figura 5.4), destinada ao abastecimento de água à cidade em
conjunto com as minas do Alvão. A captação de Codessais passa a explorar galerias de mina e
furos horizontais, abertos no sub-leito do rio Corgo, que drenam para um poço central, onde a
água é bombeada para o depósito do Bairro de S. Vicente de Paula, o local mais elevado da
cidade.
Figura 5.4 - Estação elevatória de Codessais
(Adaptado da EMARVR, 2006)
Sistema Do Alvão
Entre 1974 e 1980, o aumento de população citadina provocou um acréscimo (quase o
dobro) do número de consumidores ligados à rede de distribuição, tornando insuficiente a
quantidade de água fornecida.
Para reforçar o abastecimento de água dá-se em 1980, o início às obras no Sistema do
Alvão. Este, é constituído por:
y Duas Barragens (figuras 5.5 e 5.6), Cimeira e Fundeira (ligadas entre si por uma
canalização elevatória), situadas perto de Lamas de Olo, que no conjunto têm capacidade para
armazenar um milhão e seiscentos e quarenta e cinco mil metros cúbicos (1.645.000m3);
y Uma adutora com uma extensão superior a 4 km, que leva a água até uma Estação de
Tratamento de Água (ETA);
y Uma ETA, construída em Borbela, com capacidade de tratamento de 360m3/h (figura
5.7);
74
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
y Dois reservatórios (figura 5.7) gerais com uma capacidade unitária de 750m3,
construídos a jusante da ETA de forma a receberem e conduzirem a água tratada para a rede
de distribuição em alta, que numa primeira fase apenas chegava aos depósitos do Bairro de S.
Vicente de Paula.
É em 1984, que este entra em funcionamento tornando possível o fornecimento de água
a mais de 30 mil habitantes.
A partir desta data, assiste-se ao prolongamento sucessivo da rede de distribuição,
totalizando uma extensão aproximada de cinquenta quilómetros e à construção gradual de
diversos reservatórios do sistema, passando a armazenar 4.500m3 de água, entre os quais se
destacam os reservatórios de Borbela e do Pisco, com capacidade de 1500m3/cada.
Por conseguinte, em 1999, procede-se à desactivação da Estação Elevatória de
Codessais, em virtude da entrada em funcionamento do Sistema do Sôrdo.
Figura 5.5 - Barragem do Alvão
(Cimeira)
Figura 5.6 – Barragem do Alvão
(Fundeira)
Figura 5.7 - ETA do Alvão (Freguesia de Borbela) e reservatórios a jusante da ETA
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
75
Sistema do Sôrdo
Na década de 1980, assiste-se a uma nova duplicação do número de consumidores
ligados à rede e, no final destes mesmos anos, de forma a reforçar o abastecimento ao
Município de Vila Real e a fornecer, simultaneamente, água a todo o concelho de Santa Marta
de Penaguião, decide-se construir um novo sistema:
y Uma Barragem no rio Sôrdo (figura 5.8) com capacidade para armazenar um milhão
de metros cúbicos (1.000.000m3).
y Uma torre de captação (figura 5.9), a partir da qual se eleva a água para a estação de
tratamento.
y Uma ETA, com duas linhas de tratamento, cada uma com capacidade de produção de
330m3/h (figura 5.10).
y Da ETA partem duas condutas adutoras, uma para o concelho de Santa Marta de
Penaguião e outra para servir o Concelho de Vila Real.
y A conduta adutora que abastece o concelho de Vila Real tem uma extensão superior a
13Km, com diâmetros que chegam aos 500mm, existem quatro válvulas redutoras,
localizando-se a primeira no nó de ligação aos novos reservatórios do Corisco (capazes de
armazenar 5000m3), em Parada de Cunhos, e as restantes nos nós de ligação às redes
existentes, permitindo nesses locais interligar o sistema do Sôrdo com o Sistema do Alvão.
Em 1991, iniciaram-se as obras de construção da barragem no rio Sôrdo, entrando em
funcionamento em 1999.
76
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Figura 5.8 - Barragem do Sôrdo
Figura 5.9 - Torre de captação
Figura 5.10 - Estação de Tratamento de Água do Sôrdo
A articulação entre estes dois sistemas (Alvão e Sôrdo) foi projectada de forma a
permitir, desde o início, abastecer todo o concelho de Vila Real, Santa Marta de Penaguião e,
ainda, uma parte importante do Concelho do Peso da Régua. Actualmente, está previsto o seu
alargamento de modo a abastecer no futuro algumas zonas do Concelho de Mesão Frio.
5.2.2 GESTÃO DO ABASTECIMENTO
Entende-se por sistema público de distribuição de água ou sistema de abastecimento de
água, o conjunto de instalações, que vai desde a captação até à rede de distribuição, incluindo
os ramais de ligação, que permite o fornecimento de água aos consumidores e que funciona
sob a responsabilidade de uma entidade gestora (Portaria nº. 762/2002, de 1 de Junho). Deste
modo, e de acordo com a região em estudo, os sistemas de abastecimento de água, desde a sua
origem até ao consumidor, subdividem-se em dois tipos:
Sistema de abastecimento de água “em Alta”
Os sistemas de abastecimento de água em alta são constituídos pelas infra-estruturas das
duas empresas que as gerem:
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
77
• Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro (ATMAD) – garante o abastecimento de água
aos concelhos da sua área de influência, nomeadamente, o Concelho de Vila Real e,
compreende: a captação (barragem); uma estação de tratamento de água; algumas condutas de
adução (condutas adutoras e estações elevatórias) e o armazenamento (reservatório da ETA e
reservatório de entrega: Corisco), pertencentes ao sistema do Sôrdo, criado no âmbito do
contrato de concessão.
• Empresa Municipal de Água e Resíduos de Vila Real (EMARVR) – garante o
abastecimento de água ao Concelho de Vila Real e compreende: a captação; uma estação de
tratamento de água a adução (condutas adutoras e estações elevatórias) e o armazenamento,
pertencentes ao sistema do Alvão, na esfera de responsabilidade municipal.
Sistemas de abastecimento de água “em Baixa”
A responsabilidade pela gestão e exploração dos Sistemas Públicos de Captação e
Distribuição de Água “em Baixa”, constituídos por múltiplos sistemas autónomos formados
por pequenas origens (minas, furos, nascentes) e pelas origens dos sistemas em alta atrás
referidos, é da autarquia local, através da EMARVR, com competências para o planeamento,
gestão de equipamentos e realização de investimentos no domínio dos sistemas municipais,
concedidas pela lei 159/99. Os sistemas “em baixa” são constituídos pelas componentes da
distribuição, incluindo os correspondentes ramais de ligação e pelos reservatórios de entrega
que não fazem parte da “alta”.
De referir, no entanto, que existe um sistema de abastecimento de água cuja gestão e
exploração tem sido da responsabilidade da Junta de Freguesia: Sistema de Constantim, com
as inerentes limitações técnicas, particularmente, no cumprimento das regras estabelecidas
pelo Instituto Regulador de Água e Resíduos (IRAR).
Existe ainda um número significativo de utilizadores que recorrem, quase
exclusivamente, a sistemas privados de captação de água de origem subterrânea, construídos
dentro das suas propriedades, com especial incidência nas zonas rurais.
Plano Director do Abastecimento de Água “em Alta” ao Concelho de Vila Real Grandes Sistemas - Até 2009
O primeiro Plano Director do Abastecimento de Água “em Alta” no Concelho de Vila
Real, foi proposto em 1998, pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento e
78
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
aprovado pela Câmara Municipal. A partir de então, este tem vindo a ser ajustado e,
actualmente, ostenta o abastecimento “em alta” do Concelho a partir de sistemas distintos,
incluindo ainda as futuras linhas de abastecimento a realizar em zonas ainda debilitadas,
assim como os reservatórios e estações elevatórias já construídas ou a construir, como nos
mostra a Figura 5.11.
A empresa concessionária Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro (ATMAD), criada
para a gestão de um sistema multimunicipal de abastecimento de água “em alta” aos 38
municípios da região, passou a deter, em regime de exclusividade, a captação e o
abastecimento aos municípios ligados ao sistema. Assim, a EMARVR passou a adquirir parte
da água aquela empresa, proveniente do sistema do Sôrdo, a uma tarifa fixada em contrato,
procedendo posteriormente à sua distribuição “em baixa” pelos consumidores. Apesar da
ATMAD ter sido criada como Empresa de Distribuição de Água “em Alta”, na realidade, esta
empresa não cobre, quer em termos de produção quer em termos de adução, toda a alta do
concelho. O Município continua a contar com o importante sistema “em Alta” do Alvão que
se procurará desenvolver para a zona Norte/Nordeste do Concelho. Essenciais apresentam-se
também outros sistemas, como o da Campeã, Rebordolongo, S. Tomé do Castelo, assim como
toda uma série de outros pequenos sistemas.
A interligação do sistema do Alvão com o sistema do Sôrdo é efectuada no lugar de
Abambres, pertencente à freguesia de Mateus, através de uma instalação elevatória, cuja
regulação de válvulas permite o reforço da área de abastecimento do Alvão e de toda a zona
sudeste, alternado por um ou outro sistema, ou por ambos, sempre que se mostre necessário.
Assim, desde a sua entrada em funcionamento, o sistema do Sôrdo permite, em conjunto com
outros sistemas já existentes, que o Concelho disponha de água em quantidade e qualidade
durante um período superior a 25 anos.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
79
Figura 5.11 - Plano Director de Abastecimento de Água "em Alta" Grandes Sistemas até 2009 (Adaptado de EMARVR, 2004)
Plano Director de Abastecimento de Água “em Baixa” ao Concelho de Vila Real
Até 2009
O abastecimento domiciliário “em baixa” continua a ser feito pela autarquia, através da
empresa Municipal – EMARVR, de acordo com as áreas de abastecimento previstas no Plano
Director (figura 5.12). Um dos objectivos globais desta gestão é diminuir, o mais possível, o
número de origens locais, substituindo-as pelos grandes sistemas, de modo a conferir maior
garantia na quantidade e qualidade da água distribuída.
80
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Figura 5.12 - Plano Director de Abastecimento de Água "em Baixa" até 2009
(Adaptado da EMARVR, 2007)
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
81
5.2.3 CARACTERIZAÇÃO DA ENTIDADE GESTORA – EMARVR, EM
Neste capítulo apresenta-se a entidade responsável pela gestão e exploração dos
sistemas públicos de captação e distribuição de água para consumo público, incluindo o
suporte legal para a sua criação e os domínios de actividade.
5.2.3.1 CRIAÇÃO DA EMPRESA – BASE LEGAL
A partir dos anos 90, a actividade municipal tornou-se mais complexa, gerada, em
grande parte, pelo aumento de competências das autarquias, pelos inúmeros trâmites
burocráticos, sobretudo ao nível da contratação de bens e serviços, pela diversidade e
complexidade jurídica existente e pela crescente exigência dos consumidores. Por estas
razões, aliados à crescente necessidade de respostas céleres às solicitações dos clientes,
enveredou a Câmara municipal pela transformação dos então Serviços Municipalizados de
Água e Saneamento numa Empresa Municipal, ao abrigo da Lei n.º 58/98 de 18 de Agosto “Lei das Empresas Municipais, Intermunicipais e Regionais”, após dois anos de vários
procedimentos burocráticos para a sua criação, nomeadamente, ao nível de estudos técnico
económicos, tendo sido aprovada em reunião da Câmara a 20 de Agosto e em Assembleia
Municipal a 19 de Setembro de 2003.
Assiste-se, então, a uma proliferação de empresas públicas de âmbito municipal,
fenómeno esse que configura a estas organizações relevo na vida económica e jurídica do
País. O Município de Vila Real não foi excepção, constituindo recentemente quatro empresas
municipais: EMARVR - Água e Resíduos de Vila Real, E.M.; CULTURVAL - Gestão de
Equipamentos Culturais de Vila Real, E.M.; MERVAL - Gestão de Mercados e de Promoção
de Projectos de Desenvolvimento Local, E.M.;VILA REAL SOCIAL - Habitação e
Transportes, E.M.
Tal como as restantes, a criação da EMARVR institui novos desafios à actividade
municipal, pelo que se torna relevante estudar o seu desempenho na prestação do serviço
público de abastecimento de água.
5.2.3.2 TRANSIÇÃO SMAS / EMARVR
O ano de 2004 notabilizou-se como ano de transição dos Serviços Municipalizados de
Água e Saneamento (SMAS) para a EMARVR. Fruto desta transição foram várias as
82
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
alterações efectuadas, nomeadamente, ao nível da gestão mais desburocratizada e agilização
do serviço prestado, entre outros, tendo em conta maiores e novas exigências da actualidade.
Nesse ano, a empresa passou a assumir também a actividade de recolha de resíduos urbanos,
bem como a gestão do sistema de drenagem pluvial, que até então eram da competência da
Câmara Municipal. Pioneira no interior norte do país, a Empresa em questão, é uma pessoa
colectiva pública, constituída como empresa municipal dotada de personalidade jurídica e
autonomia administrativa, financeira e patrimonial, ficando sujeita à superintendência da
Câmara Municipal de Vila Real.
Tendo em conta que a nova Empresa é herdeira dos antigos SMAS, a sua gestão garante
aos actuais e futuros clientes cada vez mais uma melhoria na prestação de serviço do
saneamento básico, a custos mais reduzidos, incrementando a aproximação do público no
sentido de prontamente atender as suas necessidades e reclamações; assegura a sua
estabilidade económica e financeira e ao mesmo tempo assegura a manutenção dos postos de
trabalho e regalias dos trabalhadores. É também política da Empresa, recorrer sempre que
possível, à subcontratação de tarefas a empresas da especialidade, no sentido de não aumentar
os custos fixos, reservando para os seus trabalhadores as funções de controlo, fiscalização e
intervenção rápida.
5.2.3.3 DOMÍNIOS DE ACTIVIDADE
Esta Empresa tem como missão a gestão e exploração dos sistemas públicos de captação
e distribuição de água para consumo público, dos sistemas de drenagem de águas residuais
domésticas e pluviais, assim como a recolha e deposição de resíduos sólidos urbanos e de
higiene pública na área do Município. Na execução desta missão, visa a prestação de um
serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental de
forma a proporcionar aos munícipes de Vila Real uma contínua melhoria das suas condições
de vida. Sucintamente, tem a seu cargo a prestação de serviços ambientais essenciais em áreas
extremamente sensíveis, com reflexos profundos na qualidade de vida da população e na
competitividade da região, tendo sempre como orientação básica o interesse público ao
serviço do município.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
83
Sistemas de captação e distribuição de água
Actualmente a água distribuída pela EMARVR a praticamente toda a população do
concelho, com taxas na ordem dos 99,5%, provém, principalmente, de três grandes sistemas:
um com origem na Barragem do Alvão, outro com origem no Aquífero da Campeã e um
terceiro com origem na Barragem do Sôrdo. Os dois primeiros são da responsabilidade da
Empresa Municipal e o terceiro da responsabilidade da ATMAD.
O sistema do Sôrdo é o resultado da união de esforços das Câmaras Municipais de Vila
Real e Santa Marta de Penaguião para solucionarem as carências sentidas na obtenção de
água. Face à cobertura da rede de água, praticamente em todo o Concelho, o investimento
efectuado nesta vertente destina-se essencialmente a obras de remodelação e reabilitação dos
sistemas.
Assim, com uma taxa de cobertura próxima dos 100%, superior à média nacional
(92%), conclui-se que o concelho, em geral, cumpre as metas estipuladas no Plano Estratégico
de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais - PEAASAR (95% de
cobertura).
Qualidade da água distribuída
A esta empresa é-lhe incumbido o objectivo de garantir o fornecimento permanente de
água, dentro dos padrões de qualidade exigidos na lei. Para tal, despende mensalmente uma
verba considerável, destinada a análises de água, de forma a garantir as características
necessárias ao consumo humano. Dos dados resultantes dessas análises, são elaborados
relatórios, que se encontram disponíveis na página web desta empresa (http://www.emar.pt),
para que os munícipes possam estar informados quanto à qualidade da água que consomem.
5.2.4 DADOS DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO
Os sistemas de abastecimento de água constituem infra-estruturas de distribuição e
produção, com diversos componentes parcelares. São eles, os sistemas de captação, elevação,
tratamento, adução, armazenamento, distribuição pública e predial, dos quais, de seguida, se
fará referência.
Para o controlo de perdas de água num sistema público de distribuição é fundamental a
recolha minuciosa de informação, no seio da entidade. Por exemplo, a existência de dados de
84
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
medição domiciliária para efeitos de facturação, dados de operação, manutenção (ocorrência
de roturas), informação de cadastro, é crucial para o cálculo dos balanços hídricos. É neste
sentido que neste capítulo serão apresentados e processados alguns dos dados recolhidos, de
modo a obter parte dos componentes constituintes do balanço hídrico.
5.2.4.1 SISTEMAS DE ABASTECIMENTO
Os sistemas de maior dimensão têm como principal origem águas superficiais
armazenadas em albufeiras, pelo facto de na Bacia Hidrográfica do Douro15, onde se insere
Vila Real, predominarem as rochas compactas fissuradas. Estas condições hidrogeológicas
não são, de todo, favoráveis à captação de caudais significativos de água subterrânea (PBH,
1999). Por esta razão, apenas os sistemas locais de menor dimensão recorrem a águas de
origem subterrânea, através de furos, poços, minas e nascentes. Porém, em épocas de
estiagem, os caudais disponíveis a partir destas origens sofrem uma redução notória,
provocando situações de interrupção ou restrição nos fornecimentos de água, tal como
sucedeu num ano de seca extrema como foi o de 2005. Nessa altura, os problemas que
surgiram no abastecimento e na qualidade deste, foram resolvidos recorrendo unicamente aos
reservatórios locais, obrigando ao seu reforço com água proveniente dos grandes sistemas,
transportada em autotanques dos bombeiros. Vila Real demonstrou, por isso, estar preparada
para dar resposta a todos os consumidores. Por outro lado, é de se referir que estes pequenos
sistemas, que já eram fonte de abastecimento antes da construção das barragens,
complementam as origens superficiais. Assim, a albufeira do Alvão é complementada com as
minas do Alvão e a barragem do Sôrdo, classificados como grandes sistemas. Já as minas de
Rebordolongo, o aquífero da Campeã e as minas de S. Tomé do Castelo, classificam-se como
sistemas médios. No entanto, apenas o aquífero da Campeã possui um poço central e drenos
que captam a água de lençóis freáticos inferiores. Deste poço, a água, através de uma
elevatória com cerca de 950m de extensão e uma secção de 125mm, é bombeada para os
reservatórios principais do Alto do Sarnado, que têm uma capacidade de 300m3. Aqui é
submetida a um tratamento de desinfecção. Destes reservatórios partem ainda, duas redes de
distribuição em alta com secções de 160mm em PVC. A primeira, destina-se a abastecer as
freguesias da Campeã e Quintã, e a segunda abastece as freguesias de Torgueda e S. Miguel
da Pena. Este sistema entrou em funcionamento em 1997, pondo termo a uma série de
15
Entende-se por bacia hidrográfica a área terrestre a partir da qual todas as águas fluem, através de uma
sequência de ribeiros, rios e eventualmente lagos para o mar, desembocando numa única foz, estuário ou delta
(Directiva 2000/60/CE, de 23 de Outubro);
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
85
pequenas captações artesanais que eram insuficientes ou deficientes. Por sua vez, os pequenos
sistemas locais são constituídos por 47 minas, oito drenos, vinte furos e quatro poços. Alguns
destes, não têm qualquer interesse em aderir aos grandes sistemas, quer pelo facto de
disporem de água com excelente qualidade para consumo humano, quer por inviabilidade
técnico-económica para assegurar o abastecimento a certas localidades, a partir dos principais
sistemas de abastecimento.
Através do novo Plano Director de Abastecimento de Água em Alta ao Concelho de
Vila Real, acordado em 2003 e definido em 2005, em conjunto com a empresa multimunicipal
Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro (ATMAD), algumas zonas de abastecimento, deverão
ser integradas no sistema do Pinhão16, que pertencerá a esta mesma empresa, a partir de 2009.
5.2.4.2 CONSUMIDORES E CONSUMOS
A leitura de contadores, a facturação e a cobrança desempenham um papel crucial na
gestão de perdas de água. Foi feita uma recolha destes elementos junto da entidade em estudo
e os dados obtidos foram trabalhados de modo a apresentarem, grosso modo, os resultados
principais.
A estrutura de consumidores/clientes desta Empresa tem-se vindo a manter
sensivelmente constante durante os últimos anos e inclui consumidores domésticos, comércio
e indústria, serviços do Estado, autarquias locais, instituições de beneficência e de carácter
social e obras. Nos consumos domésticos inclui-se a utilização da água no interior e na
periferia envolvente das habitações dos vila-realenses. Os consumos por parte do comércio e
indústria referem-se à utilização de água associada a variadas actividades económicas,
sobretudo aquelas que se inserem na malha urbana e loteamento industrial. Algumas destas
actividades apresentam consumos similares aos consumos domésticos. Os consumos
referentes a serviços do Estado e Autarquias Locais incluem os gastos de água associados às
actividades municipais, tais como, a rega de alguns jardins e limpeza de arruamentos,
consumos em escolas do primeiro ciclo e chafarizes, entre outros. Estes consumidores
encontram-se categorizados no gráfico 5.3.
16
Constituído pela barragem do rio Pinhão, actualmente em construção, vai abastecer cerca de 75 mil habitantes
dos concelhos de Sabrosa, Alijó, Vila Real, Peso da Régua, e Santa Marta de Penaguião uma vez que funcionará
em colaboração com a barragem do Sôrdo, numa gestão integrada dos recursos hídricos.
86
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Gráfico 5.3 - Categorização de consumidores e respectivos consumos (m3)
2.500
3
Consumo (m )
2.000
1.500
Doméstico
1.000
Estado
Comércio/Indústria
500
Outros
Autarquias
0
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Uma análise à evolução do consumo de água por tipo de consumidor permite concluir
que o maior volume de água consumida se verifica na actividade doméstica, apresentando
uma redução dos consumos nos últimos dois anos, comparativamente com o ano de 2004. Foi
necessário recorrer a campanhas de sensibilização para a poupança deste bem tão precioso,
promovidas junto da população pela própria empresa. Analisando a evolução do consumo de
água por escalões, ilustrada nos gráficos 5.4 e 5.5, constata-se que o maior volume de água
consumida ocorre no consumo doméstico, em especial no 2.º escalão. Nos últimos seis anos o
consumo doméstico absorveu, em média, 72 % do consumo anual, seguindo-se o comércio e a
indústria com 11 %, e os restantes 17 % repartem-se pelos consumos em actividades do
estado, municipais e outros.
Gráfico 5.4 - Consumos de água por tipo de clientes
(média dos últimos seis anos)
CO NSUMO S MÉDIO S
Outros
2%
Autarquias
6%
Estado
9%
Comércio/
Indústria
11%
Doméstico
(72%)
2.º Escalão
48%
1.º Escalão
12%
5.º Escalão
1%
4.º Escalão
12%
3.º Escalão
27%
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
87
O gráfico 5.4 vem confirmar os resultados anteriores, destacando uma notória evolução
dos consumos correspondentes ao segundo escalão, consequência do aumento do número de
clientes. Relativamente ao terceiro e quinto escalões, é ainda visível uma redução
considerável dos consumos. Registe-se que os clientes com escalões mais elevados consomem
grandes volumes, pelo que pagam tarifas mais elevadas, de forma a surtir um efeito dissuasor
ao desperdício, penalizando aqueles que mais utilizam ou abusam deste bem de primeira
necessidade.
Gráfico 5.5 - Evolução do consumo doméstico por escalões
1.400.000
Consumo (m3)
1.200.000
1.000.000
600.000
1.º Escalão
2.º Escalão
400.000
3.º Escalão
200.000
4.º Escalão
0
5.º Escalão
800.000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Da leitura do gráfico 5.5 construído com base nos valores da tabela 5.1, resulta que o
número de leituras de volumes consumidos tem aumentado progressivamente, o que também
significa o aumento do número de habitantes ligados à rede geral de abastecimento de água
(Gráfico 5.6).
Tabela 5.1 - Evolução do número de leituras nos últimos seis anos
TIPO DE
CONSUMIDOR
Doméstico
1.º Escalão
2.º Escalão
3.º Escalão
4.º Escalão
5.º Escalão
Comércio/Indústria
Estado
Autarquias
Outros
TOTAL
MÉDIA
88
2001
2002
2003
2004
2005
2006
126.009
59.961
32.509
27.031
4.960
1.548
130.920
62.475
47.111
17.224
3.804
306
134.208
62.996
55.103
12.709
3.400
137.997
63.466
57.760
13.299
3.472
140.367
67.128
58.732
11.666
2.841
142.869
69.819
59.826
10.722
2.502
10.680
642
1.641
1.588
11.240
627
1.747
1.715
11.693
553
1.621
1.753
12.165
614
1.752
1.626
12.501
600
1.852
1.675
12.440
604
1.922
2.032
140.560 146.249 149.828 154.154 156.995 159.867
23.427 24.375 24.971 25.692 26.166 26.645
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Gráfico 5.6 – Evolução do número de leituras nos últimos seis anos (Nº)
165.000
Leitiuras (N.º)
160.000
155.000
150.000
145.000
140.000
135.000
130.000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Referindo-se aos valores totais da tabela 5.1, o gráfico 5.6 expõe a evolução do número
médio de leituras efectuadas, nas aldeias e na cidade. No final de 2006 registou-se uma média
de 26.645 leituras, o que significa que em finais de 2006, existia uma média de 26.645
contadores (Tabela 5.1). Naturalmente, e devido à vasta densidade populacional que possui, é
na cidade que se concentra o maior número de contadores, manifestando uma evolução
praticamente gradual nos últimos seis anos, tal como sucede proporcionalmente nas aldeias.
Salienta-se que o número de contadores instalados engloba o comércio, serviços, indústria,
habitações e outros.
Gráfico 5.7 - Evolução do número de clientes (aldeias e cidade)
Clientes (N.º)
30.000
25.000
20.000
15.000
10.000
Clientes Aldeias
5.000
Clientes Cidades
T ot al
0
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Recuando mais um pouco, cronologicamente, no gráfico 5.8, que traduz a evolução do
número de consumidores desde 1970 a 2006, lê-se que na década de 70 o número de
consumidores duplicou, sendo este aumento mais acentuado nas zonas rurais, consequência da
implementação da rede pública para abastecimento domiciliário. O acréscimo próximo do
triplo foi verificado na década de 80. Na década de 90, o número total de consumidores subiu
de 15.203 para cerca de 23.000, quase duplicando nas áreas rurais. No início do século 20,
notou-se um decréscimo parcial na zona urbana, devido à redefinição das áreas urbanas e
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
89
semi-urbanas (periurbanas), de que são exemplo as freguesias de Lordelo, Parada de Cunhos,
Arroios, Mateus e Borbela.
Gráfico 5.8 - Evolução do número de consumidores no Concelho
(Período compreendido entre 1970 e 2006)
30.000
25.000
15.000
10.000
5.000
0
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Consumidores (N.º)
20.000
Consumidores Cidade
Consumidores Aldeias
De seguida, analisa-se separadamente a evolução anual dos consumos quer por aldeias e
cidade, quer por contagem. Atendendo a que as leituras nas aldeias são feitas nos meses
ímpares e na cidade nos meses pares, estas leituras irão obrigatoriamente reflectir-se na
facturação do mês seguinte. De acordo com os gráficos 5.9 e 5.10, podemos verificar que a
variação ao longo do ano não é grande. Atingem-se os pontos máximos nos mesmos meses e
com valores muito próximos. Assim, nas aldeias os menores consumos acontecem nas
primeiras contagens do ano reflectindo-se nas facturações de Fevereiro e Abril, com valores
por volta dos 14 m3 por contagem (Gráfico 5.9). Os valores máximos são registados na
facturação de Outubro, que corresponde logicamente aos consumos efectuados durante os
meses de Agosto e Setembro.
Gráfico 5.9 - Evolução do consumo total por contagem ao longo do ano – aldeias (m3)
25
20
(m3)
Consumo por contagem
30
2001
2002
2003
2004
2005
2006
15
10
5
0
Fevereiro
Abril
Junho
Agost o
Out ubro
Dezembro
Período de facturação
90
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Na cidade, e de acordo com o gráfico 5.10, o consumo ao longo dos meses é mais
homogéneo, ainda assim é possível assinalar um mínimo na facturação de Maio, que
corresponde aos consumos efectuados nos meses de Março e Abril e um máximo na
facturação de Setembro e Novembro, que corresponde aos consumos efectuados nos meses de
Julho e Agosto, Setembro e Outubro, com valores inferiores a 22 m3 por contagem.
Gráfico 5.10 - Evolução do consumo total por contagem ao longo do ano - cidade (m3)
25
20
(m3)
Consumo por contagem
30
2001
2002
2003
2004
2005
2006
15
10
5
0
Janeiro
Março
Maio
Julho
Set embro Novembro
Pe ríodo de facturação
Em termos globais foram feitas, neste período, cerca de 908.000 contagens, a que
correspondem consumos na ordem dos 17.000.000 m3 de água facturados. Este número
poderá variar conforme os meses a que se referem as contagens, atingindo valores mais altos
nos meses mais quentes.
Atendendo ao desenvolvimento do consumo por contagem, exposto no gráfico 5.11,
demonstra-se que o número total de metros cúbicos consumidos nas aldeias tem diminuído ao
longo dos anos, ao contrário da cidade, onde aquela medida aumenta substancialmente. No
período compreendido entre 2001 e 2002, os consumos por contagem apurados nas aldeias
são ligeiramente superiores aos da cidade, pelo facto de, naquela época, haver um maior
número de freguesias não urbanas e, consequentemente, mais consumidores nas aldeias. A
partir de 2002, com a redefinição das freguesias, o cenário inverteu-se.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
91
Gráfico 5.11 - Evolução do consumo total, por contagem, no período compreendido
entre 2001 e 2006
Consumo por contagem(m3)
140,00
120,00
100,00
80,00
60,00
40,00
Cidade
20,00
Aldeias
0,00
2001
2002
2003
2004
2005
2006
A média bimensal facturada nos últimos seis anos foi de mais de 193.000 m3 nas aldeias
e de cerca de 273.000 na cidade. Relativamente ao número médio de leituras / contagens
efectuadas por mês, este é de cerca 11.246 contagens nas aldeias e perto 14.000 na cidade, no
mesmo horizonte temporal.
5.2.4.3 VOLUME PRODUZIDO / FACTURADO
Concluída a apreciação geral da evolução dos consumidores e dos consumos nos
últimos seis anos, pretende-se agora desenvolver uma análise do volume produzido/facturado
correspondente ao período em análise, 2005 e 2006, tendo em vista a avaliação das perdas de
água através do cálculo do balanço hídrico. Todavia, serão feitos comentários à evolução dos
volumes referidos desde a época em que iniciou o seu registo.
Consumo de água por habitante
O consumo de água per capita corresponde à quantidade de água utilizada, em média,
por cada habitante, expressa-se em litros por dia (l/hab/dia). Com base nos valores da
população residente em cada freguesia e do seu consumo total de água, incluindo as perdas,
registadas naquela fase pelos serviços de exploração da empresa gestora, estima-se que no
período decorrido entre 2005 e 2006 cada habitante consumiu, em média, 160 litros de água
por dia. Este valor é bastante próximo da média nacional, que é de 161 l/hab/dia (INSAAR,
2006). O consumo total referido engloba os demais consumos satisfeitos pelas redes
(domésticos; administração pública; beneficência; comércio e serviços, entre outros), à
92
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
excepção do consumo industrial. Todavia, neste caso a variação da capitação é explicada com
base no peso significativo do consumo doméstico, conforme comprovado nos valores gráficos
anteriores. As diferenças significativas no consumo doméstico propriamente dito sucedem-se,
entre outras razões, devido às desigualdades de hábitos sanitários, à frequência no uso de
máquinas de lavar, à rega de jardins assim como pela possibilidade de em certas localidades
recorrer-se a origens próprias complementares. Estes valores devem-se, sobretudo, à elevada
taxa de cobertura da rede de abastecimento e, portanto, ao facto das pessoas que se encontram
ligadas a esta rede terem adquirido hábitos de consumo que satisfaçam as suas necessidades
básicas, assim como, os seus níveis de conforto mínimo. Apesar de não haver uma
quantificação para os valores de referência desejados, relativos à capitação de água, pretendese que este valor seja o mais baixo possível, desde que respeite as necessidades básicas do
cidadão.
Os consumos associados à indústria têm um peso pouco expressivo em relação aos
consumos totais na região em estudo.
De acordo com os volumes de água produzida, apresentados no gráfico 5.12, obteve-se
o valor médio da capitação da água produzida, entre 2005 e 2006 de, aproximadamente, 332
l/hab/dia, cujo resultado é inferior à média nacional, que ronda os 560 l/hab/dia.
Gráfico 5.12 - Evolução do volume de água facturada e produzida
4.000.000
Volume (m3)
3.500.000
3.000.000
2.500.000
2.000.000
1.500.000
1.000.000
500.000
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
0
Água Produzida (m3)
Água Facturada (m3)
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
93
Evolução do Volume de Água Produzido / Facturado
Da interpretação do gráfico 5.12 conclui-se que apenas existem registos de água
facturada desde 1976. Verifica-se um decréscimo nos três primeiros anos, um acréscimo a
partir de 1979 e uma ligeira descida em 1981. Tais oscilações podem dever-se à existência de
perdas não contabilizadas. Os consumos facturados voltaram a aumentar no espaço de tempo
entre 1982 e 1987, tendo ocorrido posteriormente uma ligeira queda. Desde 1990 é visível um
incremento da água facturada devido ao aumento do número de consumidores, à excepção do
ano 2003, quando se constata uma pequena diminuição. Mas, de modo geral, a água
efectivamente facturada apresenta um ligeiro padrão de estabilidade ao longo dos últimos
anos com uma tendência de subida, tendo atingido um valor próximo de 2,9 milhões de m3 em
2006.
Desde 1986, altura em que se começa a contabilizar a água, a produção desta para
consumo humano tem-se mantido relativamente estável, com tendência de subida, atingindo
em 2006, um valor próximo de 3,2 milhões (m3). É notória uma evolução crescente ano após
ano, fruto da exploração ininterrupta de novos sistemas de captação, nos quais se encontram
incluídos os sistemas do Alvão e do Sôrdo.
Porém, é de realçar a queda na produção de água do ano 2005, por se tratar de uma área
do território nacional com uma situação de seca meteorológica extrema (100 %), a mais grave
dos últimos 60 anos. Até à data, os valores mais elevados registaram-se em 1945 com uma
taxa de 77% (INAG, 2005).
Em 2005, o volume produzido de àgua foi de 3.180.812 m3, o volume facturado foi de
2.895.621 m3, o que corresponde a uma percentagem de água não facturada de 9%. Do
volume facturado, 72% era fornecido a consumidores domésticos, enquanto 13% era
usufruído por consumidores industriais, 8% utilizado em actividades do estado, 6% em
autarquias, e a parcela restante 1% corresponde a outros consumidores. Já em 2006, o volume
produzido foi de 3.226.621 m3 e o volume facturado foi de 2.852.821 m3, o que corresponde a
uma percentagem de água não facturada de 11%. Em 2006, o volume facturado foi distribuído
pelos diferentes tipos de consumidores nas percentagens anunciadas no gráfico 5.13, seguinte.
94
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Gráfico 5.13 - Volume de água facturado em 2006 –
Distribuição por tipo de consumidores
CO NSUMO S 2006
Outros
1%
Autarquias
6%
Doméstico
(71%)
Estado
9%
1.º Escalão
13%
Comércio/
Indústria
13%
2.º Escalão
57%
5.º Escalão
0%
4.º Escalão
10%
3.º Escalão
20%
Perdas de água no sistema público de abastecimento
Através dos valores apresentados no gráfico 5.14, é possível calcular-se a taxa de
eficiência de um sistema de abastecimento público de água pela diferença entre o volume de
água captada e o de água distribuída.
Relativamente aos volumes de água captada mas não facturada, temos que ter em conta
alguns factores, tais como: os consumos não medidos, tecnicamente designados por perdas
comerciais (fugas e roturas de água na distribuição e adução, consumo municipal das bocas de
rega e de incêndio, entre outros); o consumo não autorizado; os erros de medição e os
volumes de água contabilizados mas não facturados.
Do cálculo das perdas, baseado apenas nos volumes de água produzida e facturada
(Gráfico 5.12), resultam os valores expostos no gráfico 5.14, no qual é visível o seu
crescimento, motivado pela proliferação de espaços verdes regados com água da rede pública,
pelo abastecimento de autotanques dos bombeiros através das bocas-de-incêndio, pelo uso
fraudulento de hidrantes, pelas fugas e roturas da rede pública, ligações ilícitas, entre outros.
Em 2000, o volume de água não facturada (considerado como perdas comerciais)
representava cerca de 33% do volume de água entrado no sistema de distribuição, ainda que
inferior à média nacional (35%). Este valor motivou a tomada de medidas imediatas,
desenvolvendo-se trabalhos conducentes à redução das perdas de água, tais como, correcta
gestão do parque de contadores e do serviço de leituras de consumos, instalação de contadores
em grande parte das redes de rega e de certas bocas-de-incêndio, criteriosamente escolhidas
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
95
para uso exclusivo dos bombeiros, reabilitação e remodelação de redes de abastecimento e
reservatórios, sensibilização de todos os colaboradores da Empresa para a necessidade de
combater estas situações, entre outras medidas, das quais resultou uma redução significativa,
com valores mínimos obtidos em 2005 e 2006. Os esforços são efectuados no sentido de
reduzir a percentagem de perdas até ao limite possível, conduzindo a benefícios económicos,
ambientais e de saúde pública, tanto para a entidade gestora como para os seus clientes. De
acordo com o Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais
(PEAASAR) assume-se como objectivo para o ano de 2015 que a percentagem de perdas do
sistema de distribuição não ultrapasse os 20%, valor de referência nas melhores práticas a
nível europeu. Salienta-se que a nível comunitário o volume de água perdido está estimado
entre os 15 e 20%, destacando-se a Holanda com valores entre 4 e 5% (IA, 2006), o que
implica um esforço continuado na reabilitação e/ou substituição dos órgãos mais antigos dos
sistemas. De salientar que, na Bacia Hidrográfica do Douro, os valores mais elevados de
perdas encontram-se nos concelhos de Chaves (40%), Porto (37%) e Vila Nova de Gaia
(35%) (MAOT, 1999).
Gráfico 5.14 - Evolução das perdas de água - volume de água não facturada
4.000.000
3.500.000
3.000.000
2.500.000
2.000.000
1.500.000
1.000.000
500.000
1970
1971
1972
1973
1974
1975
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
0
Água Produzida (m3)
Água Facturada (m3)
Perdas (m3)
Tal como se verá justificado com o cálculo do balanço hídrico, o volume de água não
facturada difere do volume das perdas por contabilizar a parcela dos fornecimentos gratuitos,
que pode atingir na situação mais desfavorável, cerca de 5% do total (Marques et al, 2005).
96
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
5.2.4.4 CARACTERIZAÇÃO DAS INFRA-ESTRUTURAS DO SISTEMA
O presente estudo pretende analisar o sistema de distribuição pública de água,
constituído pelas várias infra-estruturas, que vão desde as condutas até aos elementos
especiais, passando pelos elementos acessórios e ramais de ligação que têm por finalidade
assegurar a condução da água potável até aos consumidores. Contudo, a sua análise poder-seá estender ao sistema de adução, por ser assimilável ao primeiro.
As condutas são infra-estruturas que têm por finalidade transportar a água em pressão,
entre um ou mais pontos de alimentação e os diversos pontos de consumo. Os elementos
especiais, por sua vez, são dispositivos que condicionam o escoamento nas condutas, tais
como reservatórios, instalações elevatórias, instalações sobrepressoras, redutores de pressão,
válvulas de retenção e válvulas de seccionamento. Os elementos acessórios dizem respeito a
juntas de ligação de tubagens e válvulas de seccionamento e, por isso, não têm efeito
significativo no comportamento hidráulico do sistema.
Estas infra-estruturas, com o passar do tempo, vão-se deteriorando, de forma natural ou
acelerada, originando um acréscimo nas perdas de água e um aumento nos custos de operação
e conservação, suportados pela entidade e pelos consumidores. Por este motivo, um dos
maiores objectivos da empresa gestora é, naturalmente, preservar e manter as suas redes nas
melhores condições, prolongando a sua vida útil pelo maior período de tempo possível. No
entanto, a experiência de outros países tem-nos mostrado que, em média, o limite de vida
técnica dos sistemas de abastecimento, mesmo quando bem concebidos, construídos e
explorados é de cem anos.
Redes de Distribuição de Água
Da informação existente sobre a rede de distribuição, foi possível apurar alguns dados
sobre as suas características físicas. A idade, a extensão da rede e o estado de conservação,
são exemplos de factores que explicam, em parte, alguns dos resultados obtidos nos capítulos
posteriores e que atempadamente serão abordados.
Pela sua natureza, a rede de distribuição de água é alvo de constantes aperfeiçoamentos,
de forma a adaptar-se ao desenvolvimento urbanístico dos aglomerados urbanos. Por isso, é
natural que um mesmo sistema tenha componentes que foram construídas em épocas distintas
e que apresentem estados de conservação bastante diferenciados. Em termos gerais, dada a
expansão, nos últimos anos, da rede no concelho, parte considerável das infra-estruturas
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
97
existentes são de épocas recentes ou com menos de vinte anos, encontrando-se portanto, em
bom estado de conservação (Tabela5.2). Os materiais que constituem estas redes são o PVC,
Hostalene e Polietileno de Alta Densidade (PEAD), com um período de vida útil de,
aproximadamente, trinta anos. Outras das recentes redes foram executadas em Ferro Fundido
Dúctil (FFD), podendo atingir a idade média de 30 a 50 anos.
Contudo, ainda que em menor escala, algumas freguesias do concelho, possuem infraestruturas envelhecidas, construídas na sua maioria em Aço Manesman, com secção
insuficiente para as actuais necessidades e em estado degenerativo, conduzindo a perdas
elevadas.
Tabela 5.2 - Redes de distribuição de água
REDES
IDADE
(Anos)
MATERIAIS
SECÇÃO
(mm)
Condutas de distribuição
≤20
PVC; Hostalene; P.E.A.D.
várias
Condutas de distribuição
40
Aço Manesman
várias
Condutas de distribuição
≤20
Fibrocimento
várias
Condutas de distribuição
≤20
F.F.D.
várias
Conduta adutora de Rebordolongo
20
P.V.C.
90 e 110
Conduta adutora do Alvão
22
F.F.D.
350 e 300
O estado de conservação de uma rede depende muito do tipo e qualidade dos materiais
utilizados. A escolha destes deve ser feita de acordo com as condições locais, atendendo aos
factores agressivos em presença. (Baptista e Alegre, 2000; Moreira et al, 2000).
Para estas situações, foram programadas obras de substituição de modo a prolongar a
vida do sistema existente e melhorar o seu desempenho estrutural, hidráulico e de qualidade
da água. O mesmo acontece com todas as redes existentes em fibrocimento e outros materiais,
com redes de secção reduzida, menor ou igual a uma polegada e meia que, pelo seu estado e
sua capacidade de transporte, implicam a sua substituição. Caso existam redes localizadas em
aldeias que não tenham mais do que quinze a vinte anos e se encontrem ainda num estado
operacional, é possível, de forma a aproveitar a intervenção em domínio público para
construção de redes de drenagem de águas residuais domésticas, realizar-se nesses mesmos
locais uma profunda reabilitação, que contempla a substituição, renovação e o reforço de
98
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
elementos do sistema, assim como uma expansão das redes de distribuição de água (Figura
5.13).
Figura 5.13 - Exemplos de obras de substituição da rede de água em conjunto com a
execução da rede pública de drenagem de esgotos domésticos
Quanto ao seu funcionamento, verifica-se a existência de pressões elevadas em certos
pontos da rede e insuficientes noutros, ainda que em número bastante diminuto, devido ao
terreno acidentado, característico da região. Porém, na generalidade, as pressões são
controladas dentro das flutuações regulamentares entre as horas de ponta e de menor
consumo, pelo que o abastecimento de água tem sido regular e suficiente em termos de caudal
e pressão para suprir as necessidades da população. As capacidades das condutas encontramse em níveis razoáveis.
Relativamente às condutas do sistema adutor, que abastecem vários aglomerados, pode
dizer-se que têm capacidade suficiente para garantir o transporte da totalidade dos caudais
fornecidos e são relativamente recentes, à excepção da adutora com origem no sistema de
Rebordolongo, que tem cerca de vinte anos.
A rede de distribuição e adução do concelho tem uma extensão de, aproximadamente,
500 Km.
Ramais
Após um árduo trabalho de campo quer dentro como fora da entidade gestora, de forma
a obter-se um levantamento exaustivo dos ramais de ligação existentes, estima-se, que,
segundo um nível de aproximação credível, que existam cerca 17.000 ramais com mais de
cinco anos e 3.000 ramais com menos de cinco anos, num total de 20.000 ramais, com uma
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
99
extensão média de três metros. Ainda que seja difícil avaliar com exactidão o número de
ramais, o erro não parece longe da realidade, atendendo que existem 26.645 contadores. A
diferença é justificada pela predominância de habitações do tipo unifamiliar nas aldeias, onde
são instalados um contador e um ramal por habitação, podendo acontecer que duas habitações
geminadas disponham de um único ramal. Pelo contrário, nas cidades, perante a existência de
habitações do tipo multifamiliar (colectiva), são colocados tantos contadores quantas as
fracções habitacionais e apenas um ramal por cada edifício habitável.
A secção dos ramais varia entre meia polegada e duas polegadas e meia. No entanto, o
número de ramais com três quartos de polegada e uma polegada, representam cerca de 78%
da totalidade dos ramais (Tabela 5.3). O período de vida útil médio destes é de 30 anos.
Tabela 5.3 - Ramais de água existentes
RAMAIS
QUANTIDADES
Número
Ramais com mais de 5 anos
17 000
Ramais com menos de 5 anos
3 000
Percentagem
Ramais com secção de 3/4" e 1"
78% do total
Ramais com secção de 1/2" e 2 1/2"
22% do total
TOTAL GERAL
20 000
100%
Atendendo que o período de vida útil médio destes ramais é de 30 anos, a entidade
gestora procede à substituição e/ou renovação dos ramais de ligação, preferencialmente, em
simultâneo com a intervenção nas obras de saneamento básico, de forma a minimizar o
impacto no quotidiano provocado pelas obras (Figura 5.14).
Figura 5.14 - Exemplo de um ramal antigo e mal concebido
100
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Reservatórios
Os reservatórios encontram-se distribuídos pelo espaço geográfico de forma a
possibilitar a cobertura total do concelho. Na totalidade do sistema de abastecimento foram
inventariados 75 depósitos, dos quais cinco com uma capacidade compreendida entre 500m3 e
2 000m3 e setenta com uma capacidade inferior a 500m3 (treze deles com menos de 50m3).
Constata-se que a capacidade destes, na sua maioria têm um grau de satisfação superior à
metade do exigido pela regulamentação em vigor. No entanto, existe uma pequena
percentagem de reservatórios antigos com capacidade de reserva inferior a metade da mínima
decretada. Os maiores, com 2 000m3, encontram-se localizados em Parada de Cunhos e em
Constantim e pertencem à ATMAD (Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro) e à junta de
freguesia de Constantim, respectivamente. Merece também referência o reservatório de Vila
Seca, com 1500 m3 (figura 5.15), entre outros mencionados e quantificados na tabela 1 do
Anexo I. São ainda destacados, na mesma tabela, aqueles que pertencem ao sistema do Alvão
– Sistema “em alta” da responsabilidade da entidade gestora. Na generalidade dos casos, estas
infra-estruturas encontram-se apoiadas e/ou enterradas,
Figura 5.15 - Reservatório de Vila Seca, 1500 m3
Em forma de síntese afigura-se um quadro resumo (tabela 2 do Anexo I) das principais
infra-estruturas de abastecimento público de água, no domínio da gestão da EMARVR.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
101
Parque de contadores
Para uma avaliação mais precisa dos componentes do balanço hídrico sublinhe-se a
importância de uma correcta medição dos volumes de água entrados no sistema e distribuídos
ao consumidor, possível apenas através da correcta gestão do parque de contadores e do
serviço de leitura de consumos. A percentagem de leituras reais dos contadores, deverá ser
realizada em maior número possível, pois esta aliada à fiabilidade da informação produzida
pelo sistema de gestão de clientes17, são factores que nos levam a acreditar nos resultados do
balanço. Mediante o exposto, uma das acções que a empresa gestora está a desenvolver no
sentido de reduzir as perdas dos sistemas de produção, transporte e distribuição de água,
prende-se com as perdas na medição (subcontagem), por ser uma das parcelas das perdas
totais com algum interesse económico. As perdas de receita são mais acentuadas quanto maior
for a subcontagem, esta aumenta com a idade dos contadores e com a menor classe de
consumo. É certo que a inexactidão integra não só os erros de medição mas também as fugas
nas redes domiciliárias dos clientes, que correspondem a um caudal inferior relativo ao
mínimo do contador (limite inferior de exactidão). A título de exemplo pode referir-se que um
contador DN 15 (doméstico), com um caudal de arranque na ordem dos 3 a 4 l/h e com um
caudal mínimo de 15 l/h, numa situação de fuga sucedida num autoclismo, pode atingir em
média entre 5 a 8 l/h, cujo registo de consumo tem grandes probabilidades de não ocorrer ou,
na melhor das hipóteses, obter-se apenas um registo parcial. É de realçar que aquela fuga pode
representar num ano, mais de 40 m3 por contador, ou seja, cerca de um terço do consumo
normal de um cliente doméstico.
Ciente que todo o trabalho efectuado para controlo e redução das perdas de água tem
como base a rigorosa medição dos volumes de água consumidos, a entidade gestora tem vindo
a fazer a renovação do parque de contadores em serviço.
De acordo com os dados recolhidos, elaborou-se um quadro resumo com os contadores
em serviço, instalados até final de 2006, (Tabela 3 do Anexo I) e outro com o movimento
anual dos contadores (Tabela 4 do Anexo I).
Até ao final de 2006, o parque de contadores existente no concelho em análise era
composto por 26.645 unidades, com uma durabilidade média de doze a quinze anos18. Estes,
têm vindo a ser renovados embora não de uma forma planeada, devido à inutilização desses
17
Este sistema tem a função de gerir a informação associada aos contratos estabelecidos com os diversos tipos de
clientes.
18
O prazo de quinze anos é o máximo estipulado pelo Regulamento do Controlo Metrológico dos Contadores de
Água Potável Fria para verificação periódica.
102
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
mesmos equipamentos. Sempre que são detectadas anomalias de funcionamento nos
contadores, tais como a ausência de vedação ou paragem do registo, processa-se à sua
substituição, sendo colocado no seu lugar outro contador novo ou reparado (Figura 5.16). Tais
anomalias podem ser provocadas por factores ligados às condições hidráulicas do
abastecimento, à qualidade da água na distribuição e à qualidade do próprio instrumento de
medição. A entidade gestora faz apenas a substituição dos contadores, na sua maioria do tipo
volumétrico e mecânico e a sua gestão administrativa, já que a reparação e verificação
metrológica é feita pela fábrica fornecedora daqueles equipamentos, conforme sintetizado na
tabela 5 do Anexo I.
Figura 5.16 - Contador doméstico a substituir
Cadastro
A actualização do cadastro tem vindo a ser efectuada, ainda que de uma forma simples,
contendo apenas a localização em planta das condutas e instalações complementares sobre
carta topográfica, secções, profundidades e materiais.
Salienta-se, no entanto, que a actividade da empresa gestora está a ser orientada no
sentido de recorrer, em larga medida, a novas técnicas informatizadas de produção de
cadastros e tratamento de informação georeferenciada, que facilitam a consulta e
manuseamento dos dados que actualmente são armazenados em AUTOCAD19. A empresa
está, portanto, sensibilizada para a importância da actualização dos cadastros, tendo o cuidado
de os criar para as novas redes que vão sendo construídas. Se pensarmos em termos futuros, a
posse de um cadastro representativo das redes de abastecimento em funcionamento com toda
a informação a elas associada, tais como os dados de operação (caudais, pressões,
posicionamento de válvulas, estado de conservação, registo de avarias e dados da qualidade
da água), os dados relativos aos consumidores (número de clientes, tipo de clientes e clientes
19
Programa informático de desenho, actualmente utilizado para actualização do cadastro.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
103
especiais), bem como os dados associados aos consumos (valores facturados a clientes e
consumos autorizados não facturados), será possível ter uma actuação mais rápida e eficiente
no que ao controlo das perdas de água é referente.
Para além da providência de um cadastro fidedigno e a sua inclusão num sistema de
informação geográfica, já se iniciaram os primeiros estudos de implementação de modernas
técnicas de apoio à gestão dos sistemas, designadamente a telegestão20, que permitirá uma
análise do funcionamento dos mesmos e uma programação de intervenções adequadas com
vista à resolução dos problemas detectados. Assim, a telegestão visa não só minorar faltas de
água e custos energéticos, como também as perdas de água através da detecção precoce e
localização de roturas e fugas de água. Contudo, por enquanto, dado tratar-se de uma
tecnologia dispendiosa, aqueles estudos referem-se apenas aos principais sistemas “em alta”,
ou seja, à instalação de equipamentos em locais estratégicos, como sejam reservatórios e
instalações elevatórias, que permitam a monitorização à distância e em tempo real dos
seguintes parâmetros: nível da água nos reservatórios, caudal fornecido, teor de cloro, ph,
estado de funcionamento das bombas (ligado/desligado), de modo a automatizar o
funcionamento destas instalações.
Nesta fase pretende-se implementar um projecto de monitorização e controlo global,
abarcando os restantes sistemas de abastecimento, após o processo de integração de um
cadastro georeferenciado.
5.3
AVALIAÇÃO E ANÁLISE DAS PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO
DE DISTRIBUIÇÃO
5.3.1 CÁLCULO DO BALANÇO HÍDRICO E INDICADORES DE DESEMPENHO
Entre a captação e a distribuição de água ao consumidor final poderão ocorrer inúmeras
situações de perdas, por razões que vão desde as fugas nos diferentes elementos dos sistemas
até à água que é efectivamente distribuída mas não facturada, podendo incluir outros motivos
de diferente natureza, definidos no Plano da Bacia Hidrográfica do Douro, dos quais se
podem destacar os seguintes:
•
Erros de macromedição por deficiência de funcionamento dos contadores gerais que
medem os volumes de água introduzidos no sistema;
20
Entende-se por telegestão um sistema de gestão de informação e controlo à distância, em tempo real, dos
sistemas de produção, tratamento e distribuição de água.
104
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
•
Erros de micromedição por falta de aferição ou avaria dos contadores domiciliários;
•
Volumes consumidos na operação corrente dos órgãos do sistema, como sejam os
resultantes de limpeza de reservatórios e canalizações, lavagens das canalizações,
funcionamento de bombas, etc.;
•
Volumes perdidos através do funcionamento acidental dos órgãos de segurança do
sistema, como sejam descarregadores de superfície, válvulas de segurança, etc;
•
Água distribuída gratuitamente para combate a incêndios, lavagem de pavimentos,
consumos não registados ou isentos de pagamento, etc;
•
Água utilizada clandestinamente;
•
Perdas nas instalações prediais a jusante dos contadores, que só parcialmente são
sujeitas a facturação por falta de sensibilidade dos contadores;
No que diz respeito às perdas aparentes, na componente que quantifica o uso não
autorizado de água, é fundamental adoptar uma abordagem que passe pela sensibilização de
todos os colaboradores da Empresa, bem como dos seus clientes/utilizadores, para a
necessidade de combater estas situações. É essencial que compreendam que as ligações
ilícitas ao sistema, para além de poderem transmitir uma imagem de tratamento desigual por
parte do prestador de serviço aos utentes cumpridores, origina despesas ou perdas de receita
que se reflectem nos resultados operacionais que, por sua vez, se poderão espelhar na factura
dos consumidores, assim como condicionar a melhoria do desempenho do sistema. Aos
leitores, aos técnicos de operação e manutenção da rede e aos fiscais, no contacto diário com
as instalações e demais infra-estruturas do sistema, cabe o papel importante de denunciar as
situações ilícitas de abastecimento. A componente de perdas aparentes, que permite obter
dados relativos aos erros de medição, deve ser ultrapassada através de uma criteriosa
campanha de substituição de contadores. As figuras 5.17, 5.18 e 5.19 ilustram algumas
ligações não autorizadas à rede pública, detectadas no concelho.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
105
Figura 5.17 - Ligação directa à rede pública sem contagem (clandestina)
Figura 5.18 - Ligação ilícita à rede pública
Figura 5.19 - Uso fraudulento de hidrantes
Entre as várias técnicas existentes, o primeiro passo para um controlo eficaz de perdas
de água consiste na realização de balanços hídricos anuais, ou seja, balanços reais e
actualizados de volumes de água entrados e saídos no sistema, tais como o volume total
produzido; o fornecido a cada sistema de distribuição; o adquirido ao exterior (importado); o
vendido ao exterior (exportada e consumida internamente); a água facturada aos
consumidores/clientes de cada rede, de forma a determinar com o maior rigor possível o nível
de perdas. A figura que se segue, ilustra os principais pontos de controlo de caudal, onde,
idealmente, a medição deveria ser fiável. Os pontos de entrada e saída de água, identificados a
cor azul na figura 5.20, são os mais pertinentes para o caso de estudo. De acordo com o que
foi anteriormente referido, e apesar de possuir captações próprias, a empresa gestora em
questão compra grande parte da água ao fornecedor “em alta”, Águas de Trás-os-Montes e
Alto Douro, e fornece a água “em baixa”.
106
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Figura 5.20 - Identificação dos locais de medição do sistema
Água fornecida à Distribuição
Contadores instalados à saída dos
reservatórios
Água fornecida para distribuição directa
Consumoo e perdas
Consum
Distribuiçção
Distribui
distribuiçção
na distribui
Aduçção
Adu
Consumo operacional e
reservatóórios
perdas nos reservat
Consumoo e perdas
Consum
aduçção
na adu
Água fornecida à adução
Água produzida: Alvão
Armazenamento
Água tratada importada:
Sôrdo (**)
Tratamento
atamento
Tr
Consumoo de processo e
Consum
perdas no tratamento
Água fornecida ao tratamento
Consumoo operacional e
Consum
perdas de água bruta
Condutas de água bruta
Água bruta importada
(*)
Água bruta exportada
(*)
Água captada
Contador instalado à
Entrada da ETA do Alvão
Captaçção
Capta
Água tratada exportada:
Santa Marta de Penaguião (a
cargo da ATMAD) (**)
(Adaptado de Alegre et al, 2005)
Água entregue aos
consumidores
(*) - podem localizar-se em qualquer
ponto entre a captação e o tratamento
(**) - podem localizar-se em qualquer
ponto a jusante do tratamento
O cálculo dos balanços hídricos anuais globais de 2005 e 2006 e dos indicadores de
perdas atrás apresentados, baseiam-se na folha de cálculo da Microsoft Excel, desenvolvidos
por Alegre (2005) no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, embora a exactidão do
cálculo seja apenas aproximada, dada a dificuldade em avaliar todas as componentes com o
rigor requerido. No presente capítulo descrevem-se os resultados mais relevantes, tratados em
folhas de cálculo desenvolvidas pelo LNEC, cujo modelo se apresenta no Anexo II.
Assim, nas tabelas 5.4 e 5.5 apresentam-se os resultados do balanço hídrico relativo aos
anos de 2005 e 2006, bem como os indicadores de perdas reais e financeiras, recomendados
pela IWA.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
107
Tabela 5.4 - Componentes do balanço hídrico de 2005 (Adaptado do LNEC, 2004)
Gama de
exactidão
Componente do balanço hídrico:
Água entrada no sistema (contabilização em termos
operacionais)
3.180.812
(contabilização
em
termos
económico-financeiros)
m3/ano
Consumo facturado medido
2.895.771
m3/ano
Consumo facturado não medido
0
m3/ano
Água facturada (contabilização em termos económico2.895.771
financeiros)
Consumo autorizado facturado (contabilização em termos
2.895.771
operacionais)
Água não facturada (contabilização em termos económico285.041
financeiros)
0-3 %
0-3 %
0-4 %
m3/ano
0-5%
m3/ano
0-4 %
m3/ano
0-50 %
Consumo não facturado medido
49.745
m3/ano
94-281 %
Consumo não facturado não medido
4.500
m3/ano
5-19 %
Consumo autorizado não facturado
54.245
m3/ano
87-258 %
Consumo autorizado
2.950.016
m3/ano
1-6 %
Perdas de água
230.796
3
20-88 %
3
m /ano
Uso não autorizado
1.650
m /ano
71-213 %
Erros de medição
206.636
m3/ano
20-49 %
Perdas aparentes
Perdas reais (1)
208.286
22.510
m3/ano
m3/ano
20-49 %
279-1018 %
Fugas nas condutas de adução e/ou distribuição
100.000
m3/ano
21-50 %
Fugas e extravasamentos nos reservatórios de adução e/ou
5.000
distribuição
m3/ano
51-100 %
Fugas nos ramais (a montante do ponto de medição)
m3/ano
51-100 %
Perdas reais (2)
20.000
3
125.000
m /ano
18-43 %
1
N/A
12
N/A
7
N/A
3
0
9
10
7
%
m3/km/dia
m3/ramal/ano
%
%
l/km/dia
l/ramal/dia
(-)
%
%
%
279-1018 %
N/A
20-90 %
N/A
20-49 %
N/A
279-1018 %
279-1019 %
0-50 %
25-75 %
Indicadores de Desempenho:
Ineficiência na utilização dos recursos hídricos (%)
Perdas de água por comprimento de conduta (m3/km/dia)
Perdas de água por ramal (m3/ramal/ano)
Perdas aparentes por volume de água entrada no sistema (%)
Perdas aparentes (%)
Perdas reais por comprimento de conduta
Perdas reais por ramal (l/ramal/dia com sistema em pressão)
Índice infra-estrutural de fugas (-)
Água não facturada em termos de volume (%)
Água não facturada em termos de custo (%)
Água não medida (%)
108
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Tabela 5.5 - Componentes do balanço hídrico em 2006 (Adaptado do LNEC, 2004)
Gama de
exactidão
Componente do balanço hídrico:
Água entrada no sistema (contabilização em termos
operacionais)
3.226.621
(contabilização
em
termos
económico-financeiros)
m /ano
Consumo facturado medido
2.381.628
m3/ano
Consumo facturado não medido
0
m3/ano
Água facturada (contabilização em termos económico2.381.628
financeiros)
Consumo autorizado facturado (contabilização em termos
2.381.628
operacionais)
Água não facturada (contabilização em termos económico844.993
financeiros)
0-3 %
3
0-3 %
0-4 %
m3/ano
0-5%
m3/ano
0-4 %
m3/ano
0-14 %
Consumo não facturado medido
6.795
m3/ano
82-246 %
Consumo não facturado não medido
4.350
m3/ano
8-27 %
Consumo autorizado não facturado
11.145
m3/ano
50-150 %
Consumo autorizado
2.392.773
m3/ano
0-4 %
Perdas de água
833.849
3
0-16 %
3
m /ano
Uso não autorizado
7.580
m /ano
74-222 %
Erros de medição
167.625
m3/ano
20-49 %
3
Perdas aparentes
Perdas reais (1)
175.205
658.644
m /ano
m3/ano
20-48 %
5-24 %
Fugas nas condutas de adução e/ou distribuição
75.000
m3/ano
21-50 %
Fugas e extravasamentos nos reservatórios de adução e/ou
1.500
distribuição
m3/ano
51-100 %
Fugas nos ramais (a montante do ponto de medição)
m3/ano
51-100 %
5.000
3
81.500
m /ano
19-46 %
Ineficiência na utilização dos recursos hídricos (%)
Perdas de água por comprimento de conduta (m3/km/dia)
Perdas de água por ramal (m3/ramal/ano)
Perdas aparentes por volume de água entrada no sistema (%)
Perdas aparentes (%)
Perdas reais por comprimento de conduta
Perdas reais por ramal (l/ramal/dia com sistema em pressão)
20
N/A
42
N/A
5
N/A
90
%
m3/km/dia
m3/ramal/ano
%
%
l/km/dia
l/ramal/dia
5-24 %
N/A
6-26 %
N/A
20-48 %
N/A
7-31 %
Índice infra-estrutural de fugas (-)
Água não facturada em termos de volume (%)
Água não facturada em termos de custo (%)
2
26
15
(-)
%
%
20-55 %
0-14 %
6-22 %
Água não medida (%)
26
%
Perdas reais (2)
Indicadores de Desempenho:
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
109
Análise Económica do Controlo de Perdas
O investimento em procedimentos para a redução e controlo de fugas assume-se como
uma forma eficaz de responder aos crescentes consumos de água e à necessidade de um
desenvolvimento sustentável. Todavia, as fugas têm diversos custos associados, tais como,
custos de água perdida, de interrupção do abastecimento, de reparação das condutas e
acessórios, da limpeza das zonas afectadas, bem como os correspondentes aos prejuízos
causados aos moradores da zona, muitas vezes não quantificáveis. As fugas e as roturas numa
rede de distribuição implicam custos elevados quando comparados com os custos associados à
introdução e operação de um sistema eficiente de detecção, que não só controle a sua
evolução mas que também evite o seu agravamento em termos de frequência e importância
das ocorrências. Neste contexto, podemo-nos interrogar se será ou não rentável a
implementação de um sistema de controlo de fugas numa determinada rede de distribuição.
Esta análise de custo-benefício define o nível económico de perdas, a partir do qual deixa de
ser rentável dar continuidade ao projecto.
Entende-se por nível óptimo de perdas, quando o investimento no controlo de perdas
iguala o custo efectivo dessas mesmas perdas de água. Qualquer outra combinação de custos
resultará, certamente, em encargos mais elevados (Covas, 1998).
Saliente-se que não existe um valor universal para o nível óptimo de perdas, este pode
depender, entre muitos outros factores, da zona de abastecimento, do custo da mão-de-obra
local, da pressão de funcionamento, do estado de conservação da rede e da localização das
roturas (trechos principais ou ramais secundários).
Todavia, dos resultados obtidos em 2005, o indicador de ineficiência de utilização dos
recursos hídricos apresentou uma percentagem excelente, traduzindo uma eficácia do ponto
de vista ambiental, uma vez que as perdas reais se revelam pouco significativas. Já em 2006,
este indicador obteve valores superiores ao máximo recomendado pelo IRAR (15%). Tendo
em conta o elevado grau de incerteza destes indicadores, a diferença entre ambos poderá ser
justificada pela seca extrema que avassalou o país no ano de 2005. Como consequência, a
entidade gestora viu-se obrigada a lançar uma séria campanha de sensibilização junto da
população apelando à redução dos consumos e uso eficiente deste recurso. Para além disso,
controlou-se de forma mais eficiente a rede de distribuição em termos de pressão, evitando
valores excessivos desnecessários, que apenas contribuem para um maior consumo, quer ao
nível da utilização doméstica quer pelas roturas existentes no sistema. Estas medidas tomadas
pela empresa revelaram-se bastante positivas, uma vez que os indicadores operacionais como
110
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
as perdas aparentes, as perdas reais por ramal e ainda o indicador de água não facturada
(indicador financeiro) também se demonstraram bastante reduzidos. Ao analisar estes
indicadores em 2006, verifica-se uma diferença expressiva. Contudo, os resultados obtidos
nesse ano são, de igual modo, gratificantes para a entidade gestora, obtendo uma percentagem
de água não facturada a rondar os 26%. Um dos mais importantes indicadores, o de perdas
reais por ramal, mostra que o sistema não apresenta graves problemas estruturais.
Comparativamente, o indicador infraestrutural traduz a mesma mensagem que a comparação
do indicador de perdas reais, pelo que não acrescenta dados significativos.
Em suma, da análise efectuada torna-se evidente que a entidade gestora está a progredir
num sentido adequado, embora ainda tenha de melhorar face ao controlo dos usos ilícitos e
fraudulentos. Note-se que, alguns países como Israel e Suiça, conseguiram níveis de perdas na
ordem dos 9%.
5.3.2 INTERVENÇÕES EFECTUADAS NA REDE NO PERÍODO 2005 e 2006
Perante a inexistência de registos estruturados de informação, referentes à
operacionalização e manutenção dos sistemas, indispensáveis para uma boa gestão técnica,
procedeu-se à recolha de dados de exploração dos sistemas de distribuição de água, patente
nas fichas de actividade dos operários do sector de exploração21. Só desta forma foi possível
determinar alguns indicadores, tais como o tipo de intervenções efectuadas na rede geral e nos
ramais, a duração das intervenções, o número de roturas e o número de substituições no
período compreendido entre 2005 e 2006. Os elementos recolhidos foram processados através
de uma matriz de registo de dados e tratados estatisticamente através do software SPSS 14.0
(Pereira, 2003).
Todos os elementos foram trabalhados separadamente para condutas e ramais. Ressalvase, no entanto, que todos os cálculos são aproximados, dada a dificuldade de preenchimento
das fichas de actividade, com exactidão, pelos operários do sector de exploração, cujas
equipas se apresentam na figura que se segue (Figura 5.21). Ao lado afigura-se alguns dos
meios utilizados pelas equipas na exploração dos sistemas (Figura 5.22).
21
É da competência do sector de exploração a realização de todos os trabalhos de manutenção e operação dos
vários sistemas de distribuição de água, incluindo a execução de ramais.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
111
Figura 5.21 - Equipa do sector da
Figura 5.22 - Viaturas do Sector da
exploração da EMARVR
exploração da EMARVR
Por detrás de um simples gesto como abrir uma torneira, existe um conjunto complexo
de tarefas, realizadas por profissionais que actuam na gestão do ciclo da água, num esforço
constante e com vigilância permanente.
Os colaboradores desta empresa têm um verdadeiro cuidado com a limpeza das instalações e
são sensibilizados para a obrigatoriedade do rigoroso cumprimento das normas de segurança.
Deslocando-se pelo concelho, zelam pelo bem-estar das populações, realizando sem demora
as tarefas, de modo a minimizar ao máximo o incómodo das pessoas. Desta forma, a
EMARVR recorre, preferencialmente, aos seus funcionários para garantir a distribuição de
água, num total de 51 funcionários afectos a este sector de actividade, invocando somente
uma baixa percentagem ao serviço prestado por terceiros, reflectindo-se num baixo nível de
“outsourcing”, cerca de 16,76%. Salienta-se, no entanto, que nem todos os funcionários da
empresa estão ligados apenas a uma actividade. Em suma, a força da empresa e o seu
crescimento, a sua modernidade e a qualidade do seu trabalho no município, depende em
absoluto, da qualidade do trabalho conjunto das suas equipas e dos seus colaboradores. Fazer
parte desta empresa significa colaborar no percurso deste bem tão precioso que é a água,
desde a sua fonte até à sua distribuição ao consumidor, num esforço conjunto de várias
equipas.
Apresentam-se, em seguida, os resultados relativos ao tipo de intervenções efectuadas,
em 2005 e 2006, nos ramais e na conduta geral (registo de ocorrência de roturas, substituições
e outras intervenções).
112
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
5.3.2.1 RESULTADOS RELATIVOS A 2005
A - Intervenções efectuadas
Relativamente às intervenções efectuadas em 2005, constatou-se que a maioria (61,5%)
decorreu na conduta geral. A percentagem de intervenções ocorridas nos ramais foi de 38,5%
(Tabela 1 do AnexoIV).
B - Tipo de Intervenções efectuadas nos ramais e na conduta geral
O gráfico 5.15 ilustra os diferentes tipos de intervenções efectuadas nos ramais, sendo
que a reparação de rede (64,8%) foi a intervenção mais frequente.
Gráfico 5.15 – Intervenções efectuadas nos Ramais (%)
A maioria das intervenções efectuadas na conduta geral, verificaram-se ao nível das
condutas de distribuição (95,7%), conforme evidencia o gráfico 5.16.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
113
Gráfico 5.16 – Intervenções efectuadas na conduta geral (%)
C - Roturas ocorridas nos ramais e na conduta geral
Das intervenções efectuadas nos ramais, 85,6% foram realizadas devido à ocorrência de
rotura nos ramais. Relativamente às intervenções efectuadas na conduta geral, verificou-se
rotura de rede em 99,4% das intervenções.
C1- Roturas nos Ramais e na Conduta Geral por Freguesia
Apresenta-se, na Figura 5.23, o número de roturas ocorridas nos ramais e na conduta
geral, por freguesias do Concelho de Vila Real.
114
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Figura 5.23 – Número de roturas ocorridas nos ramais e na conduta geral, nas diferentes
freguesias do Concelho
10/55
5/4
16/68
45/103
31/69
24/26
22/119
41/148
20/0
15/0
37/100
14/25
217/157
10/5
58/46
23 / 37
7/104
39/90
59/33
34/19
59/60
2/43
14/75
Legenda:
x / y , em que:
x corresponde ao número de roturas ocorridas
nos ramais;
y corresponde ao número de roturas ocorridas
na conduta geral.
22/ 97
1/7
5/36
39/80
0/5
Desta figura, lê-se que as freguesias com maior incidência de roturas nos ramais são as
freguesias urbanas22, Arroios, Mondrões, Mateus, Adoufe, Mouçós, Abaças e Torgueda. Por
sua vez, as roturas na conduta geral ocorreram com maior frequência nas freguesias da Cidade
de Vila Real, Mouços, Borbela, Campeã, Adoufe e Lordelo.
22
S. Dinis, S. Pedro, Nª Sª Conceição
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
115
D - Substituição dos ramais e da conduta geral
Do total das intervenções efectuadas nos ramais, cerca de 21% corresponde a trabalhos
de substituição. Já a percentagem de substituições da conduta geral, na globalidade das
intervenções nela sucedidas, não ultrapassa os 6,4%.
D1 - Substituições dos Ramais e da Conduta Geral por Freguesia
Apresenta-se na figura 5.24, o número de substituições de ramais que aconteceram em
cada uma das freguesias do Concelho.
Figura 5.24 – Número de substituições efectuadas nos ramais e na conduta geral, nas
diferentes freguesias do Concelho
0/19
5/0
6/0
5/5
18/0
6/12
5/0
7/5
0/0
0/5
9/0
10/0
84/ 4
0/0
15/10
0/0
12/25
0/ 0
5/0
10/0
7/0
0/0
0/ 0
0/0
Legenda:
z / t , em que:
- z corresponde ao número de substituições
efectuadas nos ramais;
- t corresponde ao número de substituições
efectuadas na conduta.
116
1/0
5/15
0/0
0/0
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Da leitura do mapa, resulta que as freguesias urbanas são aquelas onde se regista um
maior número de substituição de ramais, seguida de Adoufe e Mondrões. Em termos de
substituições de rede, Mouçós, Vilarinho da Samardã e Nogueira são as freguesias onde se
regista maior número de substituições.
E - Duração das Intervenções
O estudo da variável quantitativa ‘Duração da Intervenção’23, inicia-se com o quadro de
distribuição de frequências, apresentado na tabela 2 do Anexo III e com as representações
gráficas (Gráfico 5.17), seguido das estatísticas necessárias ao tratamento dos dados (Tabela
5.17).
Gráfico 5.17 – Distribuição de frequências da duração média das intervenções
Observa-se que grande parte das intervenções (47,7%), demoraram entre três a seis
horas a ser realizadas. De referir que, apenas, 10,4% das intervenções tiveram uma duração
superior a doze horas.
23
Nº de Operários
× Tempo de serviço de cada operário
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
117
Tabela 5.6 – Medidas de tendência central e de dispersão
Duração da
Intervenção
Média
Intervalo de Confiança a 95%
Limite Inferior
Limite Superior
Média Aparada a 5%
Mediana
Variância
Desvio Padrão
Mínimo
Máximo
Amplitude
Amplitude Interquartil
Skewness
Kurtosis
Estatística
5,9148
5,7181
6,1114
5,2917
4,2000
24,748
4,97469
,40
42,00
41,60
4,00
2,387
7,319
Erro
Padrão
,10030
,049
,099
Do tratamento estatístico resulta que a duração média das intervenções é de,
aproximadamente, 6 horas. O estudo da simetria e do achatamento permitem ver se a
distribuição é respectivamente, simétrica e mesocúrtica, que são condições necessárias mas
mão suficientes para a distribuição ser considerada normal.
A medida de assimetria utilizada pelo SPSS é dada pelo quociente entre a
ESTATÍSTICASKEWNESS e o seu ERRO24. Neste caso, a ESTATÍSTICASKEWNESS / ERRO =
2,387 / 0,049 > 1,96, pelo que a distribuição é assimétrica positiva ou enviesada à esquerda.
Por sua vez, a ESTATÍSTICAKURTOSIS / ERRO = 7,319 / 0,099> 1,96, pelo que a distribuição
diz-se leptocúrtica25.
5.3.2.2 RESULTADOS RELATIVOS A 2006
A - Intervenções efectuadas
No respeitante às intervenções efectuadas em 2006, observa-se que a maioria (61,1%)
aconteceu na conduta geral, em número de 615 operações. A percentagem de intervenções
ocorridas nos ramais foi de 38,9%, a que correspondem 391 operações.
De entre as intervenções efectuadas na rede geral, 89,6% (551) sucederam nas condutas
de distribuição, sendo que apenas 10,4% verificaram-se em condutas adutoras.
24 Este quociente é usado para não rejeitar a simetria, o que acontece se o seu resultado for menor que 1,96 em
valor absoluto
25
Distribuição menos achatada do que a Normal
118
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
B - Tipo de intervenções efectuadas nos ramais e na conduta geral
Os diferentes tipos de intervenções efectuadas nos ramais neste período encontram-se
descritos na tabela 3 do Anexo III. As operações mais efectuadas equivalem a trabalhos de
reparação de rede (60,1%), de substituição de ramal (14,3%), de reparação de rede incluindo
reposição de pavimento em tapete/ calçada à portuguesa/ betonilha esquartelada/ cubos/
paralelos (11,0%), e de reparação de Boca de Incêndio (B.I.) e/ou ramal de B.I. (9,0%).
No tocante à natureza das intervenções realizadas na conduta geral, descritas na tabela 4
do Anexo III, o tipo de intervenções mais representado é a reparação de rede na conduta geral
de distribuição (67,8%). Quanto às restantes intervenções, cabe ainda destacar, a reparação de
condutas adutora/elevatória (9,9%) e a reparação de condutas de distribuição com reposição
de pavimento (8,5%).
C - Justificação das intervenções efectuadas nos ramais e na conduta geral
Na larga maioria das situações (90,6%) não foi mostrada qualquer justificação para a
realização das intervenções efectuadas nos ramais e na conduta geral. No entanto,
apresentam-se no gráfico 5.18 algumas das explicações apontadas.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
119
Gráfico 5.18 – Justificação das intervenções efectuadas nos ramais em 2006
Da leitura deste gráfico constata-se que as justificações mais frequentes são: ramal
rebentado/partido (21,2%), tubo partido (18,2%), tubo envelhecido (15,2%) e acessórios
partidos (9,1%).
De entre as 59 justificações apresentadas no âmbito das intervenções efectuadas na
conduta geral, expostas na tabela 5 do Anexo III, o destaque vai para as intervenções
motivadas por tubos partidos/ lascados/ rebentados (39,0%).
120
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
D - Reparações de rede, provocadas por Empresas
Apresenta-se, no gráfico 5.19, a listagem das empresas responsáveis pelas intervenções
efectuadas nos ramais.
Gráfico 5.19 – Empresas que provocaram reparações de rede nos ramais
Das 23 reparações em ramais provocadas por empresas, 87,0% foram causadas pela
Pacosam - Pavimentos e Construção, Lda. Conforme evidencia o gráfico 5.20, também esta,
foi a empresa que mais reparações provocou ao nível da conduta geral (29,4%).
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
121
Gráfico 5.20 – Empresas que provocaram reparações de rede na conduta geral
E - Roturas ocorridas nos ramais e na conduta geral
Das 391 intervenções efectuadas nos ramais, 355 foram realizadas devido a situações de
rotura nos ramais (90,8%). Em termos do número total de intervenções, cerca de 35,0% foram
motivadas por situações de ocorrência de roturas nos ramais.
Relativamente às intervenções efectuadas na conduta geral, verificou-se rotura de rede
em 613 das situações (99,4%).
122
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
E1 - Roturas nos ramais e na conduta geral por freguesia
Apresenta-se, na figura 5.25, o número de roturas ocorridas nos ramais e na conduta
geral, por cada uma das freguesias do Concelho de Vila Real.
Figura 5.25 – Número de roturas ocorridas nos ramais e na conduta geral, nas diferentes
freguesias do Concelho
7 / 10
1/2
7 / 38
24 / 36
32 / 52
4 / 13
19 / 24
21 / 44
0/9
19 / 40
21 / 28
41 / 20
17 / 16
24 / 30
2/ 2
3 / 20
0/0
6 / 15
12 / 15
16 / 38
8 / 15
1/1
8 / 18
6/0
10 / 8
14 / 43
Legenda:
x / y , em que:
x corresponde ao número de roturas ocorridas
nos ramais;
y corresponde ao número de roturas ocorridas na
conduta geral.
3 / 16
6 / 13
18 / 32
4/5
Da figura resulta que as freguesias com maior incidência de roturas nos ramais são
Borbela, S. Dinis, S. Pedro, Vila Marim, Nossa Sr.ª Conceição, Mouços, Lordelo, Mateus,
Nogueira, Adoufe, Abaças, Campeã e Andrães. Ao nível da conduta geral, as freguesias de
Borbela, Mouçós, Andrães, Lordelo, Campeã, S. Tomé do Castelo, Vila Marim, Abaças e S.
Pedro são as que exibem maior número de roturas.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
123
F - Substituição dos ramais e da conduta geral
A percentagem de intervenções, em que ocorre a substituição dos ramais é de 16,8%, e a
substituição da conduta geral é de, apenas, 3,9%.
F1 - Substituições dos ramais e da conduta geral por Freguesia
A figura 5.26 esclarece sobre o número de substituições de ramais e da conduta geral,
efectuadas em cada uma das freguesias do Concelho.
Figura 5.26 – Número de substituições efectuadas nos ramais e na conduta geral, nas
diferentes freguesias do Concelho
1/0
0/1
6/1
12/1
3/0
8/0
3/3
4/4
0/0
0/0
1/0
2/0
5/0
1/2
2/0
4/1
0/0
7/3
2/2
0/0
3/0
0/1
0/0
0/0
1/1
0/3
1/0
Legenda:
z / t , em que:
- z corresponde ao número de substituições
efectuadas nos ramais;
- t corresponde ao número de substituições
efectuadas na conduta.
124
1/1
0/0
0/0
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Assim, torna-se visível que as freguesias com maior número de substituições de ramais
são Adoufe, Borbela e S. Dinis, e as freguesias com maior número de substituições de rede
são Mouços, Vila Marim, S. Dinis, S. Pedro e Andrães.
Os quadros sínteses relativos ao número de roturas e substituições ocorridas nos ramais
e na conduta geral, nos anos de 2005 e 2006, em cada uma das freguesias, encontram-se
identificados pelas tabelas 6 e 7 do Anexo III.
G - Tipo de intervenções efectuadas nos ramais e na conduta geral aos fins-de-semana e
feriados
O gráfico 5.21 ilustra os diferentes tipos de intervenções efectuados nos ramais aos finsde-semana e feriados. Esta questão não foi analisada em 2005 por falta de informação relativa
a estas variáveis.
Gráfico 5.21 – Intervenções efectuadas nos ramais aos fins-de-semana e feriados
Intervenções nos ramais
60,5%
Reparação de rede incluindo reposição de Tapete/
Calçada à Portuguesa/ Betonilha Esquartelada/
Cubos/ Paralelos
23,3%
9,3%
Outra (Avaria nas Bombas)
2,3%
2,3%
Substituição de Ramal
2,3%
Percentagem
Num total de 116 dias não úteis26, registaram-se 93 intervenções (43 em ramais e 50 na
conduta geral). De realçar, que as intervenções mais efectuadas dizem respeito a reparações
de rede (60,5%). No que diz respeito às intervenções realizadas na conduta geral aos fins-desemana e feriados, anunciadas no gráfico 5.22, o tipo mais representado é a reparação de rede
na conduta distribuidora (42,0%).
26
Fins-de-semana e feriados de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2006
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
125
Gráfico 5.22 – Intervenções efectuadas na conduta geral aos fins-de-semana e feriados
Reparação de Rede na Conduta Distribuidora
42,0%
Reparação de Rede na Conduta Distribuidora, incluindo reposição de
32,0%
Intervenções na conduta geral
tapete
Reparação de Rede na Conduta Adutora/Elevatória
8,0%
Reparação de rede na Conduta Distribuidora, incluindo reposição de
6,0%
calçada/paralelos/betonilha
Detecção de Fuga na Conduta Distribuidora
4,0%
Detecção de Fuga na Conduta Adutora
4,0%
Substituição de rede, incluindo reposição de tapete
2,0%
Sinalização de rede
2,0%
Percentagem
H - Duração das intervenções
A variável quantitativa duração da intervenção vai ser analisada neste ponto (Tabela 5.7).
Tabela 5.7 – Medidas de tendência central e de dispersão
Duração da Intervenção Média
Intervalo de Confiança a 95%
Limite Inferior
Limite Superior
Média Aparada a 5%
Mediana
Variância
Desvio Padrão
Mínimo
Máximo
Amplitude
Amplitude Interquartil
Skewness
Kurtosis
Estatística
12,2386
11,8230
12,6542
11,8397
10,3000
43,502
6,59562
,40
50,20
49,80
6,00
1,218
2,754
Erro
Padrão
,21177
,079
,157
A duração média das intervenções é de, aproximadamente, 12 horas. A mediana
corresponde a uma duração de dez horas e 30 minutos.
No respeitante ao estudo da simetria e do achatamento conclui-se que a distribuição é
126
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
simétrica e mesocúrtica. Neste caso, a ESTATÍSTICA
SKEWNESS
/ ERRO = 1,218 / 0,079 =
15,417. Como este resultado é positivo e maior que 1,96, a distribuição é assimétrica positiva
e leptocúrtica27, esta pela ESTATÍSTICA KURTOSIS.
I - Meios humanos envolvidos
O estudo da variável quantitativa Meios Humanos Envolvidos28, iniciar-se-á com o
quadro de distribuição de frequências (tabela 5.8), seguido das estatísticas necessárias ao
tratamento dos dados (Tabela 5.9).
Tabela 5.8 – Distribuição de frequências dos meios humanos
envolvidos nas intervenções de 2006
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
ACUMULADA (%)
1
2
3
4
5
6
7
8
45
133
462
316
41
10
1
1
4,4
13,1
45,5
31,1
4,0
1,0
0,1
0,1
4,5
13,2
45,8
31,3
4,1
1,0
0,1
0,1
4,5
17,6
63,4
94,7
98,8
99,8
99,9
100,0
TOTAL
1009
99,4
100,0
NS/NR (intervenções
em que não há registo
do nº de operários)
6
0,6
1015
100,0
Nº DE OPERÁRIOS
AFECTOS
TOTAL
As frequências absolutas do quadro anterior indicam o número de vezes que cada valor da
variável “meios envolvidos” se repete. Observa-se que a maioria das intervenções (462)
contou com a participação de três operários (Moda). A frequência relativa acumulada dá para
cada valor da variável “Meios envolvidos” a frequência de observações até esse valor. Realcese que, apenas, 1,2% das intervenções contou com a participação de mais de 5 operários.
27
28
Distribuição menos achatada do que a Normal
Operários afectos às intervenções
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
127
Tabela 5.9 – Medidas de tendência central e de dispersão
Meios envolvidos
Média
Intervalo de Confiança a 95%
Limite Inferior
Limite Superior
Média Aparada a 5%
Mediana
Variância
Desvio Padrão
Mínimo
Máximo
Amplitude
Amplitude Interquartil
Skewness
Kurtosis
Estatística
3,21
3,15
3,27
3,21
3,00
,872
,934
1
8
7
1
,050
1,249
Erro
Padrão
,029
,077
,154
O número médio de operários afectos a cada intervenção é de 3 operários. A
semelhança entre as duas medidas de tendência central (média e média aparada a 5%), mostra
que o enviesamento da distribuição é muito pouco pronunciado. O número de operários
afectos a cada intervenção varia entre 1 e 8 operários, sendo a amplitude do intervalo de
variação de 7 operários.
No respeitante ao estudo da simetria e do achatamento conclui-se que a distribuição é
simétrica e mesocúrtica. Neste caso, a ESTATÍSTICA
SKEWNESS
/ ERRO = 0,050 / 0,077 =
0,649. Como este resultado é positivo e menor que 1,96, a distribuição é simétrica positiva e
leptocúrtica29, esta pela ESTATÍSTICA KURTOSIS..
J - Duração da suspensão de abastecimento
A tabela de distribuição de frequências da variável “Duração da suspensão do
abastecimento” encontra-se patente na tabela 8 do Anexo III. Da distribuição de frequências
efectuada, verifica-se que na larga maioria das situações em que ocorreu suspensão de
abastecimento, a duração da suspensão não ultrapassou as 3 horas (85,8%). Além disso, em
446 das 1015 intervenções realizadas em 2006, não chegou a ser efectuada a suspensão do
abastecimento, sendo que em 32 das intervenções não foi feito qualquer registo relativo a este
parâmetro. De seguida, apresenta-se o gráfico de barras da variável em análise (Gráfico 5.23).
29
Distribuição menos achatada do que a Normal
128
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Gráfico 5.23 – Distribuição das intervenções por duração da suspensão
do abastecimento (%)
Do gráfico 5.23 é visível que o escalão com maior expressão é aquele que compreende
as situações em que a suspensão do abastecimento teve uma duração entre 1 a 2 horas
(45,9%). Do cálculo efectuado, não apresentado por razões de saturação desta dissertação,
resultou uma duração média de suspensão do abastecimento de, aproximadamente, 2 horas.
5.3.2.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS
A – Pretende-se analisar se existem diferenças significativas, na duração média da
intervenção, no ano de 2005, consoante o tipo de intervenção efectuada nos ramais e na
conduta geral
Os gráficos 5.24 e 5.25 foram preparados com o intuito de saber se as diferenças
observadas na duração média dos vários tipos de intervenções efectuadas ao nível dos ramais
e da conduta geral, são ou não estatisticamente significativas.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
129
Gráfico 5.24 – Gráfico de Perfil (ramais)
O gráfico de perfil 5.24 sugere que a duração das operações de substituição de ramais é
superior à duração das restantes intervenções.
Gráfico 5.25 – Gráfico de Perfil (conduta geral)
130
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
O gráfico de perfil 5.25 sugere que a duração das intervenções de reparação de rede na
conduta adutora é superior à duração das restantes intervenções.
Efectuados os testes estatísticos One-Way ANOVA e post-hoc, cujos modelos de tabelas
são apresentados nas tabelas 9 e 10 do Anexo III, permite-nos concluir que:
a) As intervenções em que ocorre substituição de ramal demoram, aproximadamente,
mais uma hora que as intervenções em que ocorrem reparações de ramal. Esta
diferença é estatisticamente significativa, como se pode ver não só pelo nível de
significância associado ao teste, como ainda pelo intervalo de confiança a 95% não
conter o valor zero, o qual corresponde à igualdade das médias.
b) As intervenções em que ocorre reparação de rede na conduta de adução demoram,
aproximadamente, mais sete horas do que as reparações de rede na conduta de
distribuição e mais cinco horas que as substituições de rede, sendo estas diferenças
estatisticamente significativas.
B – Pretende-se analisar se existem diferenças significativas no número médio de
operários consoante a intervenção, em 2006, é efectuada nos ramais ou na conduta geral
O gráfico de perfil 5.26 sugere que o número médio de operários afectos às intervenções
em ramais é, ligeiramente, superior aos necessários nas intervenções ao nível da conduta
geral.
Gráfico 5.26 – Gráfico de Perfil
A inferência da relação observada na amostra sobre as médias é feita através do teste t
(Tabela 11 do Anexo III), enquanto que a inferência sobre as dispersões é feita através do
teste de Levene para a igualdade das variâncias, cujas hipóteses são:
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
131
H0: A variância dos meios humanos envolvidos não difere consoante a
intervenção é efectuada em ramais ou na conduta geral;
H1: A variância dos meios humanos envolvidos difere consoante a intervenção é
efectuada em ramais ou na conduta geral.
O nível de significância do teste t, 0,544 (Tabela 11 do Anexo III), leva para p=0,05, à
não rejeição da hipótese nula que diz que o número médio de meios humanos envolvidos não
diferem consoante a intervenção é efectuada em ramais ou na conduta geral.
Além da situação anteriormente analisada, pretende-se saber se as diferenças no número
médio de operários afectos a cada um dos diferentes tipos de intervenções efectuadas nos
ramais30 (3,50; 3,25; 3,25; 3,24), são ou não estatisticamente significativas. O facto das
observações serem independentes umas das outras, juntamente com a verificação da simetria e
da homocedasticidade permite prosseguir com o One-Way ANOVA.
Como sig = 0,983 >0,05, não se rejeita a hipótese nula que diz que o número médio de
operários envolvidos não difere consoante o tipo de intervenção efectuada nos ramais.
O mesmo se conclui para o número médio de operários afectos a cada um dos diferentes
tipos de intervenções efectuadas na conduta geral, através da análise do gráfico 5.27 e
respectivos testes estatísticos (One-Way ANOVA), cujas tabelas modelo já foram
apresentadas.
Gráfico 5.27 – Gráfico de Perfil
30
Detecção de fuga, reparação de rede, substituição de ramal, reparação da boca-de-incêndio e/ou ramal da bocade-incêndio.
132
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
C – Pretende-se analisar se existem diferenças significativas na duração média da
intervenção, correspondente ao ano 2006, consoante é efectuada nos ramais ou na
conduta geral e por tipo de intervenção efectuada
Começa-se por avaliar se a diferença entre a duração média das intervenções efectuadas
nos ramais e na conduta geral, que com valores aproximados de 12h e 13h, respectivamente, é
estatisticamente significativa.
Do tratamento estatístico, resultou o nível de significância do teste t de 0,114
conduzindo, para um nível de significância de p=0,05, à não rejeição da hipótese nula. O que
traduz que a duração média das intervenções não difere consoante a intervenção é efectuada
em ramais ou na conduta geral. Deste modo, embora a duração média das intervenções nos
ramais, em 2006, tenha sido inferior à duração média das intervenções na conduta geral, tal
diferença não é estatisticamente significativa.
Em seguida procura-se saber se, dentro dos diferentes tipos de intervenções efectuadas
em ramais, as diferenças observadas na duração média de cada uma, são ou não
estatisticamente significativas.
Considerando o gráfico 5.28 e o teste One Way ANOVA, do qual resultou um nível de
significância F 0,000 (≤0,05), que conduz à rejeição da hipótese nula, permitem concluir que
existe pelo menos um tipo de intervenção, efectuada nos ramais, cuja duração seja diferente
das restantes.
Gráfico 5.28 – Gráfico de Perfil
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
133
Os resultados dos testes post-hoc permitem chegar à conclusão que as operações de
substituição de ramal demoram, aproximadamente, mais sete horas do que as reparações de
rede, e mais oito horas do que as reparações das bocas-de-incêndio e/ou respectivos ramais,
pelo que estas diferenças são estatisticamente significativas.
Adoptando o mesmo procedimento para os diferentes tipos de intervenções efectuadas
na conduta geral, conclui-se que as operações de substituição de rede demoram,
aproximadamente, mais sete horas do que as operações de reparação efectuadas na conduta
geral. Assim, pelos níveis de significância associados aos testes, esta diferença é
estatisticamente significativa. O teste de Bonferroni identifica, ainda, que a duração das
reparações de rede na conduta de adução é significativamente superior à duração das
reparações de rede na conduta de distribuição.
D – Pretende-se analisar se existem diferenças significativas na duração média da
suspensão de abastecimento, em 2006, consoante a intervenção é efectuada nos ramais
ou na conduta geral e por tipo de intervenção
Assim, em primeiro lugar, procura-se saber se as durações médias da suspensão de
abastecimento consequente das intervenções realizadas nos ramais e na conduta geral, são ou
não estatisticamente significativas.
O nível de significância associado ao teste t, 0,048, leva para p=0,05, à rejeição da
hipótese nula que diz que a duração média das suspensões de abastecimento não difere
consoante a intervenção é efectuada em ramais ou na conduta geral. Por conseguinte, a
duração média das suspensões de abastecimento nas intervenções efectuadas ao nível da
conduta geral é, assim, significativamente superior à duração média das suspensões de
abastecimento nas intervenções efectuadas em ramais.
De igual modo, interessa conhecer se, dentro de cada um dos diferentes tipos de
operações realizadas em ramais31, existem diferenças em termos de duração média das
suspensões de abastecimento (2h; 1h; 2h). Do teste One-Way ANOVA resulta sig = 0,886 >
0,05, pelo que não se rejeita a hipótese nula. O que equivale dizer que a duração média da
suspensão de abastecimento não difere consoante o tipo de intervenções efectuadas nos
ramais, tal como logicamente esperado.
31
Reparação de rede do ramal, substituição de ramal, reparação da boca-de-incêndio e/ou ramal da boca-deincêndio.
134
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Seguindo este procedimento para os diversos tipos de intervenções efectuadas na
conduta geral, chega-se à mesma conclusão, ou seja, a duração média da suspensão de
abastecimento não difere consoante o tipo de intervenções efectuadas na conduta geral.
E – Pretende-se analisar se existem diferenças significativas nas intervenções motivadas
pelo aparecimento, ou não, de rotura nos ramais e na conduta geral, por ano
No que diz respeito aos ramais, analisando o gráfico 5.29, constata-se que nos dois anos
em análise, a larga maioria das intervenções são efectuadas por motivos de rotura do ramal.
Gráfico 5.29 – Roturas de ramal por ano
Consultando a tabela da distribuição do Qui-Quadrado (Tabela 12 do Anexo III), com
um grau de liberdade e α = 0,05 , obtém-se a região crítica ou de rejeição da hipótese nula
definida por: [3,84,+∞[ . Esta região contém o valor de teste 6,713, pelo que se rejeita a
hipótese de independência das variáveis, o que sugere uma relação de dependência entre o ano
em que as intervenções se realizam e o facto de ocorrer rotura do ramal ou não (p = 0,010
≤ 0,05; rejeita-se H0).
Relativamente à conduta geral, uma análise descritiva da tabela de contingência
resultante do cruzamento das intervenções mencionadas no ponto E, indica que em 2005 e
2006, praticamente todas as intervenções ocorridas na conduta geral são efectuadas por
motivos de rotura de rede.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
135
Do teste do Qui-Quadrado, resultou sig = 0,933 > 0,05, então não se rejeita a hipótese
nula, que nos diz que as variáveis são independentes, o que sugere não existir qualquer tipo de
relação entre o ano de intervenção e o facto de ocorrer rotura na conduta geral ou não.
F – Pretende-se analisar se existem diferenças significativas nas intervenções em que
ocorre substituição do ramal e da conduta geral, ou não, por ano
No que se refere aos ramais, efectuada a análise diferencial destas variáveis nominais,
concluiu-se que o número dos trabalhos de substituição de ramal varia entre um máximo de
210 substituições (2005) e um mínimo de 67 substituições (2006).
Do teste do Qui-Quadrado, resultou sig = 0,084 > 0,05, logo não se rejeita a hipótese
nula, que nos diz que as variáveis são independentes, o que sugere não existir qualquer tipo de
relação entre o ano de intervenção e o facto de ocorrer substituição de ramal ou não.
Quanto à conduta geral, a análise descritiva da tabela de contingência, tabela 5.10,
indica que em praticamente todas as intervenções realizadas na conduta geral, nos dois anos
em análise, não ocorre substituição de rede.
Tabela 5.10 - Substituições de rede efectuadas por ano
Ano
2005
2006
Total
N
%
N
%
N
%
Substituição da
conduta
não
sim
1517
104
93,6%
6,4%
593
24
96,1%
3,9%
2110
128
94,3%
5,7%
Total
1621
100,0%
617
100,0%
2238
100,0%
Do teste do Qui-Quadrado obteve-se sig = 0,021 ≤ 0,05, então rejeita-se a hipótese nula,
que nos diz que as variáveis são independentes. É, assim, provável, que exista uma relação de
dependência entre o ano em que as intervenções se realizam e o facto de ocorrer, ou não,
substituição na conduta geral.
136
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Síntese dos Resultados
Das intervenções efectuadas em 2005, 61,5% foram executadas na conduta geral e
38,5% nos ramais. A larga maioria das intervenções realizadas na conduta geral, em 2005,
verificaram-se ao nível das condutas de distribuição (95,7%).
Das intervenções efectuadas em 2006, 61,1% ocorreram ao nível da conduta geral. De
entre as 615 intervenções efectuadas na Conduta geral, 551 (89,6%) verificaram-se ao nível
das condutas de distribuição.
Das intervenções efectuadas nos ramais em 2005, cerca de 85,6%, foram realizadas
devido à ocorrência de rotura dos ramais (869 roturas). Relativamente às intervenções
efectuadas na conduta geral em 2005, verificou-se rotura de rede em, aproximadamente,
99,4% das intervenções (1611 roturas).
Das 391 intervenções efectuadas nos ramais em 2006, 355 foram realizadas devido a
situações de rotura nos ramais (90,8%). Relativamente às intervenções efectuadas na conduta
geral, verificou-se rotura de rede em 613 das situações (99,4%).
As freguesias com maior incidência de roturas de ramais, em 2005, são as freguesias da
Cidade de Vila Real, Arroios, Mondrões, Mateus, Adoufe, Mouçós, Abaças e Torgueda. No
caso das roturas de rede, as freguesias da Cidade de Vila Real, Mouçós, Borbela, Campeã,
Adoufe e Lordelo são as que apresentam maior número de roturas.
As freguesias com maior incidência de roturas de ramais, em 2006, são as freguesias de
S. Dinis, Borbela, S. Pedro, Vila Marim, Nossa Srª Conceição, Mouçós, Lordelo, Mateus,
Nogueira, Adoufe, Abaças, Campeã e Andrães. No caso das roturas de rede o destaque vai
para as freguesias de Borbela, Mouçós, Andrães, Lordelo, Campeã, S. Tomé do Castelo, Vila
Marim, Abaças e S. Pedro.
A percentagem de intervenções em que ocorre a substituição dos ramais em 2005 é de,
aproximadamente, 21% (210 substituições). As freguesias onde ocorrem maior número de
substituição de ramais foram as freguesias da Cidade de Vila Real, Adoufe e Mondrões. De
referir, que a percentagem de substituições de rede ocorridas em 2005 não ultrapassa os 6,4%
(104 substituições), sendo que as freguesias de Mouçós, Vilarinho da Samardã, Nogueira,
Vila Marim e Mondrões foram aquelas em que ocorreram maior número de substituições de
rede.
A percentagem de intervenções em 2006, em que se verifica a substituição dos ramais é
de 16,8% (67 substituições). As freguesias que apresentam maior número de substituições de
ramais são as freguesias de Adoufe, Borbela e S. Dinis.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
137
A percentagem de substituições de rede ocorridas em 2006 é de, apenas, 3,9% (24
substituições), sendo que as freguesias com maior número de substituições de rede são as
freguesias de Mouçós, Vila Marim, S. Dinis, S. Pedro e Andrães.
O número médio de operários afectos a cada intervenção, em 2006, é de 3 operários,
sendo que apenas 1,2% das intervenções contaram com a participação de mais de 5 operários.
O número médio de operários afectos às intervenções em ramais, em 2006, é
ligeiramente superior aos necessários nas intervenções ao nível da conduta geral, não sendo,
no entanto, tal diferença estatisticamente significativa. Também, não foram encontradas
diferenças estatisticamente significativas por tipo de intervenção efectuada nos ramais e na
conduta geral.
A duração média das intervenções, efectuadas em 2005, é de, aproximadamente, 6
horas. A duração das intervenções, em 2005, em que ocorre substituição de ramal é
significativamente superior à duração das intervenções em que ocorrem reparações de ramal.
A duração das intervenções em 2005, em que ocorre reparação de rede na conduta de
adução é significativamente superior à duração das intervenções em que ocorre reparação de
rede na conduta de distribuição. Também, a duração das reparações de rede na conduta de
adução, em 2005, é significativamente superior à duração das reparações em que ocorre
substituição de rede.
A duração média das intervenções realizadas em 2006 é de, aproximadamente, 2 horas.
Embora a duração média das intervenções nos ramais, em 2006, tenha sido inferior à duração
média das intervenções na conduta geral, tal diferença não é estatisticamente significativa. A
duração das intervenções em que ocorre substituição de ramal é significativamente superior à
duração das intervenções em que ocorrem reparações de rede ou reparações da B.I. e/ou ramal
da B.I.. A duração das intervenções em que ocorre substituição de rede é, significativamente
superior, à duração das intervenções em que ocorre reparação de rede na conduta de
distribuição. Também, a duração das reparações de rede na conduta de adução é
significativamente superior à duração das reparações de rede na conduta de distribuição.
Em 446 das 1015 intervenções executadas em 2006, não chegou a haver suspensão do
abastecimento. De referir, que na larga maioria das situações em que houve suspensão de
abastecimento, a duração da mesma não ultrapassou as 3 horas (85,8%). Registou-se uma
duração média de suspensão do abastecimento de, aproximadamente, 2 horas.
A duração média das suspensões de abastecimento nas intervenções efectuadas em
2006, ao nível da conduta geral é significativamente superior à duração média das suspensões
138
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
de abastecimento nas intervenções efectuadas em ramais. A duração média da suspensão de
abastecimento não difere consoante o tipo de intervenções efectuadas nos ramais ou na
conduta geral.
Na larga maioria das situações (90,6%), não foi apresentada qualquer justificação para a
realização das intervenções efectuadas nos ramais e na conduta geral em 2006. De entre as
justificações apresentadas no âmbito das intervenções na conduta geral, o destaque vai para as
intervenções motivadas por tubos partidos/ lascados/ rebentados (39,0%). Ramal
rebentado/partido (21,2%), tubo partido (18,2%), tubo envelhecido (15,2%) e acessórios
partidos (9,1%) são as justificações mais frequentes, no caso das intervenções realizadas em
ramais.
Das 23 reparações de rede em ramais provocadas por empresas, em 2006, 87,0% foram
causadas pela Pacosam - Pavimentos e Construção, Lda. A empresa que provocou mais
reparações de rede ao nível da conduta geral foi igualmente a Pacosam - Pavimentos e
Construção, Lda (29,4%).
5.3.3 INDICADORES DA OCORRÊNCIA DE ROTURAS
Atendendo que a taxa de roturas verificada nas condutas e ramais é um dos principais
indicadores de diagnóstico de desempenho operacional dos sistemas de distribuição de água,
procedeu-se à sua determinação com base no número médio de roturas ocorridas por ano e no
comprimento total da rede (número/100 km tubagem). Este número, por sua vez, foi obtido
através do tratamento estatístico dos dados do serviço de exploração (fichas de actividade),
cujos resultados foram apresentados no título anterior. Neste sentido, expõem-se as tabelas
resumo (tabelas 5.11 a 5.14) com os resultados essenciais do cálculo deste indicador,
permitindo avaliar de forma segura o estado da rede.
Tabela 5.11 - Roturas em ramais, ocorridas em 2005
Não ocorrência de rotura
Ocorrência de rotura em ramais
Total
NA (intervenções não efectuadas nos
ramais e/ou sem registo)
Total
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
(%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES VÁLIDA
(%)
146
5,9
14,4
869
34,8
85,6
1015
40,7
100,0
1479
59,3
2494
100,0
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
139
Tabela 5.12 - Roturas na conduta geral, ocorridas em 2005
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
(%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES VÁLIDA
(%)
10
0,4
0,6
Ocorrência de rotura na rede
1611
64,6
99,4
Total
1621
65,0
100,0
NA (intervenções não efectuadas
na conduta geral e/ou sem registo)
873
35,0
Total
2494
100,0
Não ocorrência rotura
Tabela 5.13 - Roturas nos ramais, ocorridas em 2006
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
ACUMULADA
(%)
Não ocorrência rotura
36
3,5
9,2
9,2
Ocorrência de rotura em
ramais
Total
355
35,0
90,8
100,0
391
38,5
100,0
624
61,5
1015
100,0
NA
(intervenções
não
efectuadas nos ramais e/ou
sem registo)
Total
Tabela 5.14 - Roturas na conduta geral, ocorridas em 2006
Não ocorrência rotura
Ocorrência de rotura na
rede
Total
NA (intervenções não
efectuadas na conduta
geral e/ou sem registo)
Total
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
0,6
FREQUÊNCIA
RELATIVA
ACUMULADA
(%)
0,6
60,4
99,4
100,0
617
60,8
100,0
398
39,2
1015
100,0
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
4
0,4
613
Utilizando a mesma fonte de informação e os resultados do título anterior respeitantes à
substituição de condutas, obtém-se a taxa de substituição de condutas, que também constitui
140
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
um bom indicador de ocorrência de roturas e da manutenção realizada nos sistemas (Tabelas
de 5.15 a 5.18).
Tabela 5.15 - Substituições de ramais, efectuadas em 2005
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
ACUMULADA
(%)
Não ocorre substituição de
ramal
Substituição de ramal
797
32,0
79,1
79,1
210
8,4
20,9
100,0
Total
1007
40,4
100,0
1487
59,6
2494
100,0
NA
(intervenções
não
efectuadas nos ramais e/ou sem
registo)
Total
Tabela 5.16 - Substituição da conduta geral, efectuada em 2005
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
Não ocorre substituição de rede
1517
60,8
93,6
Substituição de rede
104
4,2
Total
1621
65,0
6,4
100,0
873
35,0
2494
100,0
NA (intervenções não efectuadas na
conduta geral)
Total
Tabela 5.17 - Substituições de ramais, efectuadas em 2006
Não ocorre substituição de
ramal
Substituição de ramal
Total
NA
(intervenções
não
efectuadas nos ramais e/ou sem
registo)
Total
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
ACUMULADA
(%)
332
32,7
83,2
83,2
67
399
6,6
39,3
16,8
100,0
100,0
616
60,7
1015
100,0
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
141
Tabela 5.18 - Substituição da conduta geral, efectuada em 2006
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
Não ocorre substituição de rede
593
58,4
96,1
Substituição de rede
24
2,4
Total
617
60,8
3,9
100,0
398
39,2
1015
100,0
NA (intervenções não efectuadas na
conduta geral e/ou sem registo)
Total
Resultados
Dos cálculos efectuados anteriormente resulta uma tabela resumo (Tabela 5.19) dos
indicadores de ocorrência de roturas.
Tabela 5.19 - Indicadores de ocorrência de roturas
INDICADORES
2005
2006
Indicador de desempenho operacional da rede
Conduta geral
1611
613
Ramais
869
355
Taxa de roturas = Número de roturas/100Km de conduta Conduta geral
99,4
99,4
instalada
85,6
90,8
Conduta geral
104
24
Ramais
210
67
Taxa de substituições = Número de roturas/100Km de Conduta geral
6,4
3,9
conduta instalada
20,9
16,8
Número de roturas
Ramais
Indicador da ocorrência de roturas e da manutenção
Número de substituições
Ramais
Da interpretação da tabela conclui-se que as intervenções efectuadas na conduta geral e
nos ramais são, maioritariamente, justificadas pela ocorrência de roturas. Estas, por sua vez,
são reparadas de forma pontual, através de métodos idênticos aos utilizados na reparação de
pequenas avarias, uma vez que o número de substituições obtido é consideravelmente inferior
ao número de roturas. É igualmente evidente que o número de roturas ocorridas tanto na
conduta geral como nos ramais, assim como o número de substituições diminuiu
significativamente de 2005 para 2006. O mesmo se verifica relativamente às taxas de roturas e
de substituições, à excepção da coincidência da taxa de roturas ocorridas em 2005 e 2006 na
conduta geral, ser praticamente igual. Contudo, este acaso tem de ser interpretado em função
142
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
do número de roturas e do número de intervenções ocorridas isoladamente em 2005 e 2006,
resultando em 2006 uma redução significativa de ambos os factores. Assim, obtiveram-se
taxas de roturas em condutas na ordem dos 99 por cada cem quilómetros de rede e em ramais
taxas ligeiramente inferiores que rondam os 85 – 90 por cada cem quilómetros. Estes valores
encontram-se acima da média das taxas de roturas mencionadas no estudo realizado pelo
LNEC para a AWWARF (American Water Works Association Research Foundation) (Alegre
e Dória, 1998). No entanto, notabiliza-se que a região em estudo apresenta taxas de roturas
inferiores a outros casos de entidades nacionais, como por exemplo entidades que chegam a
ultrapassar a centena, 165, 175 e 250 roturas/100km, representadas na Figura 5.27, numa
mancha de cor castanho. Nos Estados Unidos e no Canadá verifica-se que as taxas de roturas
tendem a ser ligeiramente inferiores às que se registam na Europa. A figura que se segue
evidencia esta diferença de comportamentos (Deb et al, 2000).
Figura 5.27- Ocorrência de roturas - diferenças de comportamentos
(Adaptado de LNEC, 2002)
PORTUGAL
1998
E.U.A. e CANADÁ
1993 a 1997
EUROPA
1993 a 1997
300
Galeria técnica
275
Outras fontes
N.º roturas / 100 km conduta
250
225
200
175
150
Inquérito
125
Casos
portugueses
Rede antiga, s/ manutenção,
materiais de má qualidade
100
75
50
25
0
Redes muito jovens
Redes estabilizadas
De acordo com o inquérito realizado pelo LNEC às entidades gestoras portuguesas entre
outras fontes, existem seis situações de redes estabilizadas em termos de idade e todas as
restantes correspondem a redes jovens, onde prevalece o PVC. Porém, também estas
apresentam taxas de roturas da mesma ordem de grandeza ou até um pouco superiores à
média Europeia e Americana, o que se revela preocupante. Da leitura da figura 5.27, constata-
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
143
se ainda que as entidades gestoras da Europa e dos Estados Unidos da América têm taxas de
roturas inferiores a 50/100 km de conduta. Saliente-se ainda que não foi possível fazer esta
comparação para as taxas de roturas em ramais, pelo facto deste indicador não ter sido
calculado no estudo da American Water Works Association Research Foundation -AWWARF
(Alegre e Dória, 1998).
As figuras que se seguem ilustram uma situação de rotura (fuga) numa das condutas
principais da rede de distribuição de água da cidade de Vila Real.
Figura 5.28 - Rotura de água
Figura 5.29 - Reparação de rotura
No caso em estudo, a redução do número de roturas de 2005 para 2006 é justificada
pelas obras de renovação das redes de distribuição de água que a empresa tem vindo a fazer,
em simultâneo com as obras de drenagem de águas residuais domésticas nos locais ainda não
servidos por este sistema de drenagem. Para além do descrito, grande parte da rede de
distribuição é relativamente recente ou estabilizada em termos de idade (o que significa, ter
uma idade média de condutas igual a cerca de metade da vida útil dos materiais utilizados),
pelo que se encontra em razoável estado de conservação, tal como já foi justificado aquando
da caracterização das infra-estruturas do sistema. Pelo exposto, concluímos que neste caso, o
estado de conservação não constitui o factor preponderante da ocorrência de roturas. O
número de substituições e as respectivas taxas, também diminuíram consideravelmente neste
período, pelos mesmos motivos. Contudo, ainda assim, a elevada taxa de roturas obtida
merece algumas reflexões. É certo que nas últimas décadas, a Autarquia local através dos
serviços municipalizados e agora através da empresa municipal, reuniu esforços na construção
de novas infra-estruturas, com o objectivo de garantir a distribuição de água potável para
consumo humano. Todavia, por vezes, após a realização das obras, não é dada a devida
144
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
importância ás questões ligadas com o planeamento das operações de manutenção dos
sistemas, o que explica as deficiências actualmente encontradas. Além deste motivo
preponderante, é muito frequente o aparecimento de roturas provocadas pela execução de
outras infra-estruturas no solo, nomeadamente pelas redes de gás, cujas entidades
responsáveis não têm total conhecimento quanto ao cadastro existente, nem avisam a entidade
gestora (EMARVR) da sua intervenção, para o devido acompanhamento. Muitas vezes,
também são provocadas por outras obras em curso, quer sejam particulares ou públicas, ou até
mesmo por corrosão das tubagens, envelhecimento, pressão excessiva, deficiências na
construção das redes, cargas à superfície, ou mesmo pela presença de raízes de árvores.
Apesar de surgirem sempre acidentes imprevisíveis, estes apenas devem representar uma
pequena parte da actividade da equipa de manutenção. Isto será somente possível se for
efectuada uma manutenção preventiva dos sistemas, uma vez que a falta de programação
detalhada das intervenções, a ausência de procedimentos escritos de forma a uniformizar as
formas de actuação e o recurso ao improviso são os factores mais comuns deste tipo de
acidentes. Conclui-se assim, que só com a adopção de técnicas de reabilitação e manutenção
bastante rigorosas se poderá colmatar esta situação. Neste sentido, de forma a ter maior
conhecimento da realidade em análise, procedeu-se à elaboração de um diagnóstico das
operações de inspecção e manutenção efectuadas nos sistemas em estudo, apresentado nas
tabelas 1 e 2 do Anexo IV.
Plano de Acção para Controlo Preventivo de Perdas de Água
Ainda que o número de roturas tenha diminuído de 2005 para 2006, com valores entre
os 41% na conduta geral e 38% nos ramais, verifica-se um maior volume de perdas de água
nas roturas ocorridas em 2006, consequência por exemplo do colapso da conduta.
Os resultados obtidos esclarecem dúvidas e apontam caminhos para o futuro. Caberá
agora à entidade gestora nos próximos anos, reforçar as suas competências em termos de
gestão, de modo a melhorar progressivamente o seu desempenho. Para tal estabelece-se, na
tabela seguinte, algumas das medidas correctivas para o caso concreto, no formato de Plano
de redução de perdas de água.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
145
activo de perdas
perdas
apoio
Ferramentas de Metodologia de controlo activo de
Estratégia de controlo
Tabela 5.20 - Plano de redução de perdas de água
ª
Rápida localização e imediata reparação (ou isolamento) das fugas declaradas
ª
Pesquisa de fugas não declaradas
ª
Renovação de condutas, reparação e/ou substituição de acessórios, substituição de
contadores antigos, substituição de bocas-de-incêndio por marcos de água, etc
ª
Identificar os usos ilícitos de água, através da criação de brigadas de fiscalização
ª
Envolver toda a Empresa no projecto
ª
Atendimento permanente das participações de fugas
ª
Monitorização dos volumes horários aduzidos pelos reservatórios às redes de
distribuição
ª
Comparação dos volumes horários com valores de referência
ª
Visualização gráfica dos caudais mínimos e dos volumes diários aduzidos pelos
reservatórios às redes de distribuição
ª
Pesquisa (detecção e localização) acústica de fugas
ª
Definição e criação de zonas de medição e controlo (ZMC)
ª
Análise de caudais e pressões em ZMC
ª
Instalar caudalímetros (contadores em pontos estratégicos da rede de distribuição)
ª
Simulação hidráulica (EPANET)
ª
Simulação da qualidade da água (EPANET)
ª
Sistemas de Informação: sistemas de gestão de clientes; sistemas com referenciação
geográfica; telemedição / telegestão; informação para apoio à manutenção;
informação para apoio aos laboratórios, de forma interligada
O objectivo destas acções é implantar uma solução definitiva e sustentável,
sensibilizando os trabalhadores da empresa gestora para a importância da actuação individual
e colectiva, de cada um e de todos, na resolução deste problema, bem como mobilizar os
consumidores e usuários no sentido de os convidar a participar num movimento de construção
e consolidação de cidadania nesta cidade. Além de resultar em economia e melhoria da
produtividade, o sucesso de um projecto desta natureza, está intimamente ligado ao empenho
de cada um dos departamentos da Empresa.
Para além de todos os componentes técnicos que certamente engloba, um programa de
redução de perdas de água e de eficiência energética passa, sobretudo, por uma mudança de
comportamentos e de mentalidade te todos os elementos que compõem a empresa prestadora
de serviços e da sociedade em geral.
146
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
5.3.4 AVALIAÇÃO E PERCEPÇÃO DOS MUNÍCIPES SOBRE AS PERDAS DE
ÁGUA
Foi realizado um estudo sociológico, fundamentado num inquérito (Anexo VI), para
avaliar a dimensão social das perdas de água no concelho, de modo a obter uma ideia sobre a
percepção que os cidadãos têm das perdas, o papel que desempenham e em que medida
estariam dispostos a participar activamente no sistema de controlo de perdas. A caracterização
da amostra inquirida encontra-se no Anexo V.
No presente capítulo descrevem-se os resultados mais relevantes e tratam-se os quadros
referentes aos testes efectuados, cujos diferentes tipos são apresentados no Anexo VII, para
tornar as respostas mais claras e permitir tirar conclusões com maior facilidade.
A - Enquadramento geral
O processo de pesquisa por inquérito envolve diversas etapas: planeamento, desenho do
questionário, recolha de dados, preparação dos dados, tratamento estatístico dos dados,
elaboração do relatório e distribuição dos resultados.
Na fase de planeamento começou-se por delinear o problema e especificar os
objectivos (geral e específicos). Nesta fase, tornou-se fundamental identificar os elementos
sobre quem incidiria o inquérito, ou seja, a definição da população-alvo. Em seguida, tendo
em conta os objectivos e tempo disponíveis, procedeu-se à determinação da dimensão da
amostra. A técnica de amostragem escolhida foi a probabilística32. O objectivo de qualquer
processo de amostragem deve ser, antes de mais, a obtenção de uma amostra representativa da
população. Posteriormente, escolheu-se o método de inquirição (inquéritos preenchidos pelo
inquirido).
Na fase de desenho/concepção do questionário, procurou-se assegurar que através das
perguntas que nele constavam iria ser possível obter informação necessária que permitisse dar
resposta aos objectivos do estudo. De modo a garantir a eficiência do questionário procurouse ter em consideração:
ª O tipo de inquiridos (é importante ter em conta o contexto sócio-económico e cultural
em que os indivíduos que irão ser contactados se inserem);
32
Só com a utilização de amostras aleatórias é possível conhecer o grau de confiança dos resultados. A amostra
deve ser probabilística (deve permitir efectuar extrapolações), deve ser suficientemente grande (deve ter potência
estatística suficiente para identificar efeitos ou diferenças) e deve ser não enviesada (evitar a sub ou a sobre
representação de unidades da amostra).
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
147
ª A dimensão/ duração do questionário (deve-se procurar obter o equilíbrio entre a
dimensão e a informação);
ª O fim a que se destina o inquérito (deve ser verificado o correcto ajustamento entre os
objectivos do projecto e o questionário);
ª O formato das perguntas (é importante escolher os formatos de perguntas mais
adequados)
Depois de formuladas todas as questões, tornou-se necessário garantir que o
questionário era de facto aplicável e que respondia efectivamente aos objectivos do estudo. O
questionário foi, assim, objecto de um pré-teste33 afim de se confirmar a sua operacionalidade
e efectividade práticas.
Na fase de recolha de dados procurou-se obter a maior taxa de resposta possível,
procurando minimizar as diferenças entre os respondentes e os não respondentes.
Na fase de preparação dos dados procurou-se assegurar que os dados recolhidos
estavam correctos e formatados de modo a facilitar o trabalho de análise de dados.
Inicialmente averiguou-se se as respostas dadas eram legíveis, consistentes e se estavam
completas. Desta inspecção resultou uma filtragem dos dados. Após a codificação das
perguntas abertas e validação total do ficheiro informático, este ficou apto a ser tabulado e
tratado com base em software concebido para o efeito34 (análise dos dados).
O estudo percorreu três fases: Exploratória, Descritiva e Verificativa, cumprindo em
cada fase, objectivos específicos. A fase exploratória, permitiu aumentar a compreensão do
fenómeno em estudo. Na fase descritiva, procurou-se descrever a amostra, tentando
evidenciar as características principais e na fase verificativa procuraram-se tirar conclusões
para a população (Explicar/Prever).
Procurou-se que a apresentação dos resultados constantes do relatório se centrassem na
sua importância teórica, relevância gerencial e, não apenas, na apresentação de resultados
estatísticos.
33
A realização do pré-teste permitiu avaliar a atitude dos inquiridos perante o questionário, a compreensão das
perguntas, a coerência do questionário e a consistência das respostas. Procurou-se que a amostra a utilizar no
estudo piloto fosse similar em características à população prevista para o inquérito.
34
SPSS 14.0
148
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
B – Resultados dos inquéritos
A apresentação dos resultados não segue a ordem das questões do questionário.
Apresenta-se, em seguida, uma breve caracterização sócio-demográfica da amostra
considerada.
B1 - Caracterização sócio-demográfica da Amostra
Do total inquiridos, 63,6% são do sexo masculino e 36,4% do sexo feminino.
Em termos de distribuição dos inquiridos por grupos etários, os escalões com maior
expressão são os que compreende as idades entre os “35 e os 44 anos” (26,3%) e os “45 e os
54 anos” (24,9%) (Tabela 1 do Anexo VII).
No que diz respeito ao perfil dos inquiridos, em termos de níveis de escolaridade, foi
construído o gráfico 5.30, que evidencia o Ensino Secundário como o conjunto de maior
expressão (29,7%) em termos de habilitações dos inquiridos. Em termos dos níveis de
habilitações mais elevados, o peso dos indivíduos com instrução superior35 é de 16,2%.
Gráfico 5.30 – Distribuição dos inquiridos por níveis de escolaridade (%)
35
Curso Superior; Mestrado/ Doutoramento
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
149
Relativamente à situação ocupacional, observa-se que a maioria dos respondentes
pertence à categoria dos trabalhadores activos (58,9%). A percentagem de trabalhadores
inactivos é de 41,1%. Relativamente aos trabalhadores não activos, verifica-se um predomínio
de respondentes reformados (38,5%). Quanto às restantes categorias, cabe ainda destacar, a
dos desempregados (30,8%), estudantes (15,4%) e domésticas (15,4%).
Ainda no que se refere à caracterização dos inquiridos, e neste caso concreto, no que
toca à natureza das profissões exercidas36, o grupo profissional mais representado na amostra
recolhida é o do Pessoal dos Serviços e Vendedores (21,8%), seguido pelo grupo dos
Administrativos (21,0%) e pelo grupo dos trabalhadores não qualificados (20,2%). (Tabela 2
do Anexo VII).
B2 - Avaliação da percepção dos clientes da EMARVR, sobre as perdas de água no
sistema público de distribuição
Quando confrontados com a seguinte questão: “Avalie a situação actual da sua área
de residência no que diz respeito à ocorrência de perdas de água no sistema de
distribuição de água”, apenas 10,0% dos respondentes afirma não ocorrerem quaisquer
perdas de água. A percentagem de respondentes que afirma que as situações de perdas de
água são raras ronda os 24%. Cerca de 23,2% dos inquiridos respondeu que ocorrem poucas
perdas de água, 30,0% afirmam que surgem algumas perdas de água, respondendo 12,6% que
aparecem muitas perdas de água.
Ainda dentro da mesma temática, foi colocada a seguinte questão: “Diria que o papel
desempenhado pela EMARVR, no controlo e redução das perdas de água tem sido
muito fraco, fraco, bom ou muito bom?”.
A maioria dos inquiridos (61,6%) afirma que a EMARVR tem tido um bom
desempenho no controlo e redução de perdas de água, sendo que 16,3% referem que a
EMARVR tem tido um desempenho mesmo muito bom. A percentagem de inquiridos que
avalia negativamente o desempenho da EMARVR ao nível do controlo e redução de perdas
de água é de 21,1%.
Apresenta-se, no gráfico 5.31, o resultado da avaliação do desempenho da EMARVR ao
nível controlo e redução das perdas de água, efectuada pela população residente em cada uma
das freguesias do Concelho de Vila Real.
36
Classificação Internacional de Profissões
150
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Gráfico 5.31 – Avaliação do desempenho da EMARVR no controlo e redução perdas de água
por freguesia
Vilarinho da Samardã
Vila Marim
75,0%
42,9%
14,3%
42,9%
Vila Cova
100,0%
Vale de Nogueiras
Torgueda
20,0%
40,0%
14,3%
S. Dinis
11,1%
33,3%
61,1%
85,7%
100,0%
50,0%
Parada de Cunhos
50,0%
37,5%
62,5%
15,4%
46,2%
Nogueira
11,1%
88,9%
100,0%
Mateus
33,3%
66,7%
10,0%
40,0%
Lamas de Olo
50,0%
100,0%
Lamares
50,0%
50,0%
Justes
100,0%
Guiães
33,3%
Folhadela
66,7%
22,2%
Ermida
55,6%
33,3%
22,2%
66,7%
Campeã
Borbela
38,5%
100,0%
Mondrões
Lordelo
27,8%
14,3%
S. Miguel de Pena
Mouços
28,6%
66,7%
Quintã
Nossa Srª Conceição
40,0%
57,1%
S. Tomé do Castelo
S. Pedro
25,0%
87,5%
7,7%
69,2%
Arroios
Abaças
23,1%
66,7%
Andrães
Adoufe
12,5%
33,3%
85,7%
60,0%
50,0%
14,3%
40,0%
50,0%
Legenda:
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
151
Outras das questões colocadas aos clientes da EMARVR, era que indicassem se tinham
conhecimento de algum caso de ocorrência de perdas de água. A maioria dos respondentes
(53,1%) afirma não ter conhecimento de situações de ocorrência de perdas de água nos
Sistemas Públicos de Distribuição de Água.
De entre os inquiridos que respondem ter conhecimento de casos de ocorrência de
perdas de água nos sistemas públicos de distribuição, 40,8% afirma não ter comunicado tais
situações à EMARVR.
Dos inquiridos que responderam ter conhecimento de situações de ocorrências de perdas
de água, 46,3% afirmam não ter comunicado tais situações por não existir uma linha de
telefone gratuita. A percentagem de inquiridos que afirma não denunciar tais casos à EMRVR
por não saber a quem se dirigir é de 14,6%. Uma pequena percentagem dos inquiridos (9,8%)
afirma não dispor de meios para o fazer, como por exemplo, telefone. As outras razões
referidas pelos inquiridos, foram as seguintes: a situação já tinha sido comunicada à
EMARVR (50,0%); informar o Presidente da Junta para que este comunique à EMARVR
(16,7%); não ter tempo/ disponibilidade (16,7%); não lhes diz respeito (8,3%); pagam o
suficiente na factura para ainda terem essas preocupações (8,3%).
Colaborar na detecção de fugas e roturas (54,8%) e colaborar na detecção de ligações
clandestinas (38,1%) constituem o “núcleo” dos contributos que no entender dos inquiridos
levariam a uma diminuição das perdas de água. Das outras sugestões apresentadas, salienta-se
a criação de uma linha telefónica; a racionalização do consumo e o aumento da fiscalização
aos contadores.
C - Análise dos resultados
C1 - Avaliação da actual situação das áreas de residência dos utentes da EMARVR, no
que respeita à ocorrência de perdas de água nos sistemas públicos de distribuição, por
género
Enquanto o teste paramétrico compara as médias de duas amostras independentes, o
teste de Mann-Withney37 compara o centro da localização das duas amostras, como forma de
detectar diferenças entre as duas populações correspondentes. Para se aplicar o teste não
37
Este teste é de utilização preferível ao t quando há violação da normalidade ou, ainda, quando as variáveis são
de nível pelo menos ordinal. Neste caso, estamos perante uma variável ordinal em que 1-ocorrência de muitas
perdas de água; 2- ocorrência de algumas perdas de água; 3- ocorrência de poucas perdas de água; 4- ocorrência
de raras perdas de água; 5- nenhuma ocorrência de perdas de água.
152
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
paramétrico de Mann-Withney, tem de se verificar a igualdade da forma das duas
distribuições.
O teste de Levene, com sig=0,656, mostra para um erro tipo I de 0,05, que as
distribuições têm a mesma dispersão.
As duas distribuições não diferem em tendência central, conforme teste de MannWithney com sig=0,747, apresentado na tabela 3 do Anexo VII. Este resultado já era de
esperar dada a semelhança verificada nas medidas de tendência central das duas distribuições.
Assim sendo, embora os utentes da EMARVR do sexo feminino tenham uma opinião
mais favorável em relação à actual situação das suas áreas de residência, no que diz respeito à
ocorrência de perdas de água, tal diferença não é estatisticamente significativa.
C2 - Avaliação da actual situação das áreas de residência dos utentes da EMARVR, no
que respeita à ocorrência de perdas de água nos sistemas públicos de distribuição, por
nível de escolaridade
O teste de Kruskal-Wallis é um teste não paramétrico aplicado a variáveis de nível, pelo
menos ordinal, e é uma alternativa ao One-Way ANOVA quando não se encontram reunidos os
pressupostos da normalidade e igualdade de variâncias. Este teste é utilizado para testar a
hipótese de igualdade no que se refere à localização. Para se aplicar o teste não paramétrico de
Kruskal-Wallis ter-se-á de verificar se as distribuições têm igual forma.
Verificando-se a igualdade da forma das distribuições38, vai utilizar-se o teste não
paramétrico Kruskal-Wallis, cuja tabela tipo se encontra no Anexo VII (Tabela 4).
Com o sig=0,885, então para um caso tipo I de 0,05, não se rejeita a hipótese nula de
homogeneidade de avaliação da actual situação das áreas de residência dos utentes da
EMARVR, no que diz respeito à ocorrência de perdas de água, por grau de escolaridade.
38
As dispersões são semelhantes (teste de Levene com sig= 0,240 > 0,05).
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
153
C3 - Avaliação da actual situação das áreas de residência dos utentes da EMARVR, no
que respeita à ocorrência de perdas de água nos sistemas públicos de distribuição,
consoante a situação perante o trabalho
As duas distribuições não diferem em tendência central, conforme teste de MannWithney com sig=0,860. Deste modo, embora os trabalhadores não activos tenham uma
opinião mais favorável em relação à actual situação das suas áreas de residência, no que diz
respeito à ocorrência de perdas de água, do que os trabalhadores activos, tal diferença não é
estatisticamente significativa.
C4 - Avaliação da actual situação das áreas de residência dos utentes da EMARVR, no
que respeita à ocorrência de perdas de água nos sistemas públicos de distribuição,
consoante os utentes têm ou não conhecimento de algum caso de ocorrência de perdas
As duas distribuições diferem em tendência central, conforme teste de Mann-Withney
com sig=0,000. Concluiu-se, assim, que a opinião dos utentes da EMARVR que afirmam ter
conhecimento de algum caso de ocorrência de perdas de água nos sistemas públicos de
distribuição é significativamente menos favorável em relação à actual situação das suas áreas
de residência em termos de ocorrência de perdas de água.
C5 - Avaliação do papel39 desempenhado pela EMARVR, no controlo e redução das
perdas de água, por género, e situação perante o trabalho
As hipóteses do teste de Mann-Withney são:
H0: As duas populações são iguais em tendência central
H1: As duas populações não são iguais em tendência central
Para se aplicar o teste não paramétrico de Mann-Withney, tem de se verificar a
igualdade da forma das duas distribuições.
O teste de Levene, representado no quadro anterior, com sig=0,732, mostra para um erro
tipo I de 0,05, que as distribuições têm a mesma dispersão.
39
Muito fraco, Fraco, Bom e Muito bom
154
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
As duas distribuições não diferem em tendência central, conforme teste de MannWithney com sig=0,870.
Deste modo, embora na avaliação do papel desempenhado pela EMARVR, no controlo
e redução das perdas de água, se tenham observado valores mais elevados nas mulheres do
que nos homens, tal diferença não é estatisticamente significativa.
Também se regeita a hipótese da homogeneidade na avaliação do papel desempenhado
pela EMARVR por situação perante o trabalho, conforme o teste não paramétrico de MannWithney, com sig= 0,299. Assim, embora a opinião dos trabalhadores não activos, em relação
ao papel desempenhado pela EMARVR, no controlo e redução das perdas de água, tenha sido
mais favorável que a dos trabalhadores activos, tal diferença não é estatisticamente
significativa
C6 - Avaliação do papel desempenhado pela EMARVR, no controlo e redução das
perdas de água, por grupo etário e grau de escolaridade
Não se rejeita a hipótese nula de homogeneidade na avaliação do papel desempenhado
pela EMARVR por grupo etário, quer por nível de escolaridade, conforme testes de KruskalWallis, com sig´s =0.889 e 0.407, respectivamente.
C7 - Avaliação do papel desempenhado pela EMARVR, no controlo e redução das
perdas de água consoante os utentes têm ou não conhecimento de algum caso de
ocorrência de perdas nos sistemas públicos de distribuição
A opinião dos utentes da EMARVR que afirmam ter conhecimento de algum caso de
ocorrência de perdas de água nos sistemas públicos de distribuição é significativamente
menos favorável em relação ao papel desempenhado pela EMARVR que a dos utentes que
afirmam não ter conhecimento de nenhum caso de ocorrência de perdas de água, conforme
teste de Mann-Withney, com sig= 0,000.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
155
C8 - Analisar se existem diferenças significativas entre os utentes que comunicam ou não
à EMARVR os casos de aparecimento de perdas, por género, grupo etário e situação
perante o trabalho
Os cruzamentos da intenção de comunicar as situações de ocorrência de perdas de água
pelas variáveis sócio-profissionais (género, grupo etário e situação perante o trabalho),
revelam não existir diferenças estatisticamente significativas. Assim sendo, não existe
qualquer tipo de relação entre o sexo do utente, o grupo etário, a situação perante o trabalho, e
o facto de comunicar ou não à EMARVR, os casos de ocorrência de perdas de água de que
afirma ter conhecimento.
D - Síntese de resultados dos inquéritos
A percentagem de respondentes que afirma que as situações de perdas de água são raras,
ronda os 24%, sendo que 10,0% dos respondentes afirma não ocorrerem quaisquer perdas.
Cerca de 23,2% respondem ocorrerem poucas perdas de água, 30,0% que ocorrem algumas
perdas de água, respondendo 12,6% que ocorrem muitas perdas de água.
Embora os clientes da EMARVR do sexo feminino tenham uma opinião mais favorável
em relação à actual situação das suas áreas de residência, no que diz respeito à ocorrência de
perdas de água, tal diferença não é estatisticamente significativa. Também, não se rejeita a
hipótese de homogeneidade de avaliação por nível de escolaridade.
Os trabalhadores não activos têm uma opinião mais favorável em relação à actual
situação das suas áreas de residência, no que diz respeito à ocorrência de perdas de água, do
que os trabalhadores activos. Contudo, tal diferença também não é estatisticamente
significativa.
De referir, ainda, que a opinião dos utilizadores que afirmam ter conhecimento de
algum caso de ocorrência de perdas de água nos sistemas públicos de distribuição é
significativamente menos favorável em relação à actual situação das suas áreas de residência,
no que diz respeito à ocorrência de perdas de água, que a dos utentes que afirmam não ter
conhecimento de nenhum caso de ocorrência de perdas de água.
A maioria dos inquiridos (61,6%) afirma que a EMARVR tem tido um bom
desempenho no controlo e redução de perdas de água, sendo que 16,3% referem que a
EMARVR tem tido um desempenho mesmo muito bom. A percentagem de inquiridos que
156
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
avaliam negativamente o desempenho da EMARVR ao nível do controlo e redução de perdas
de água é de 21,1%.
Embora na avaliação do papel desempenhado pela EMARVR, no controlo e redução
das perdas de água, se tenham observado valores mais elevados nas mulheres do que nos
homens, tal diferença não é estatisticamente significativa. Também, não se encontraram
diferenças estatisticamente significativas de opinião por grupo etário, nem por nível de
escolaridade.
Ainda que a opinião dos trabalhadores não activos, em relação ao papel desempenhado
pela EMARVR, no controlo e redução das perdas de água, tenha sido mais favorável que a
dos trabalhadores activos, tal diferença não é estatisticamente significativa.
A opinião dos inquiridos que afirmam ter conhecimento de algum caso de ocorrência de
perdas de água nos sistemas públicos de distribuição é significativamente menos favorável em
relação ao papel desempenhado pela EMARVR que a dos utentes que afirmam não ter
conhecimento de nenhum caso de ocorrência de perdas de água.
A maioria dos respondentes (53,1%) afirma não ter conhecimento de situações de
ocorrência de perdas de água nos sistemas públicos de distribuição. De entre os inquiridos que
respondem ter conhecimento de casos de ocorrência de perdas de água nos Sistemas Públicos
de Distribuição de Água, 40,8% afirma não ter comunicado tais situações à EMARVR.
Em relação à análise efectuada, conclui-se que a maioria dos respondentes (53,1%)
afirma não ter conhecimento de situações de ocorrência de perdas de água nos Sistemas
Públicos de Distribuição. Ainda que de forma pouco significativa, as populações rurais
apercebem-se mais facilmente deste tipo de situações do que os inquiridos residentes em
meios urbanos. Esta diferença poderá encontrar justificação no facto das populações rurais em
geral, serem mais atentas, preocupadas e interventivas, no que respeita os problemas
existentes nas suas freguesias. Ainda falando em termos genéricos, a população urbana
desliga-se facilmente deste tipo de questões, por ter actividades mais absorventes, e por
consideram que não lhes diz respeito directamente.
Relativamente às respostas obtidas, 54,8% dos inquiridos estão na disposição de
colaborar na detecção de fugas e roturas, e 38,1% estão intencionados em cooperar na
detecção de ligações clandestinas. Com base nestes valores, a disponibilidade, ou pelo menos
a sua intenção, constituem os “comportamentos”, que no entender dos inquiridos levariam a
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
157
uma diminuição das perdas de água. A criação de uma linha gratuita, a intensificação da
fiscalização dos contadores e a racionalização do consumo são outras das sugestões
apresentadas pelos inquiridos. Desta forma, conclui-se que a predisposição dos utilizadores
para apoio e participação profícuos, fica dentro do desejável, constatando-se o alheamento de
apenas 5,2% da população.
Os utilizadores desempenham um papel importante e o seu envolvimento deverá ser
fomentado com base numa abordagem participativa. Para tal, é fundamental que se promovam
campanhas de sensibilização da população, o que de certa forma aconteceu na realização
deste inquérito. A sensibilização (educação) é uma componente vital para que os cidadãos
possam compreender a importância da água e do desenvolvimento sustentável e fiquem em
condições de colaborar activamente no controlo das perdas, como por exemplo, na detecção
de ligações directas, roturas e fugas.
158
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No final deste estudo podem ser extraídas as seguintes conclusões:
O controlo das perdas de água constitui um dever de todos, por ser a riqueza natural
mais preciosa deste novo milénio. Temos de saber cuidar, gerir e preservar este bem escasso,
utilizando-o dentro do estritamente necessário para a sobrevivência humana, no sentido de
assegurar a sua disponibilidade para a sustentabilidade do planeta.
Para a preservação deste bem económico de grande valor, os sistemas de abastecimento
que representam infra-estruturas de produção e distribuição de água devem ser devidamente
projectados e mantidos em boas condições, de modo a reduzir ao mínimo possível o nível das
suas perdas. As perdas económicas traduzem-se ainda na factura dos clientes, já que os custos
reais do sistema se reflectem na facturação, ao abrigo da nova legislação comunitária.
Nesta perspectiva, o cidadão comum pode efectivamente desempenhar um papel activo
no controlo das perdas de água, prestando um auxílio de grande valor na localização de fugas
visíveis, e na racionalização doméstica mais eficaz deste recurso natural, evitando o
desperdício, numa busca conjunta da melhoria da eficiência global do sistema. Contudo, é
necessário criar os devidos canais de informação, tornando-o consciente e motivando-o a
participar.
Ao longo dos últimos anos, tem sido feito um grande investimento na expansão das
redes públicas de abastecimento de água. No entanto, ainda é possível identificar algumas
dificuldades na gestão e exploração dos sistemas da região em estudo, como por exemplo ao
nível da medição dos consumos por diferentes sectores de actividade, exigindo o
desenvolvimento e a aplicação de técnicas e instrumentos de medição cada vez mais sensíveis
e precisos. Além disso, existem deficiências em termos de recolha, processamento e
arquivamento de dados indispensáveis para uma boa gestão técnica dos sistemas de
abastecimento de água. Na generalidade, não existem procedimentos por escrito para as
operações de manutenção ou inspecção e não existem programas de controlo de perdas de
água.
Conforme foi demonstrado ao longo do trabalho, os níveis de perdas obtidos em alguns
países, mostram que é possível reduzir esta percentagem de forma significativa, através de
diversas medidas, como por exemplo: a boa manutenção e reabilitação de condutas, de ramais
domiciliários e equipamentos, quando necessário; o controlo de pressões; o zonamento das
redes; a medição de volumes; a vigilância e utilização de sistemas de detecção de fugas; a
actuação imediata em caso de fugas; a exploração cuidadosa, quer “em alta” quer “em baixa”;
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
159
a formação de pessoal; a realização de balanços hídricos; o apoio aos utentes para a
manutenção, reparação e eventual substituição de redes interiores.
De uma forma global, demonstrou-se a forma ideal para contabilizar, a nível
quantitativo e económico, as perdas de água, definindo-se o balanço hídrico como a
ferramenta essencial de apoio à avaliação da dimensão do problema.
Os objectivos propostos para este projecto foram alcançados, pelo que acredita-se que
os resultados deste estudo poderão vir a contribuir decisivamente para uma abordagem mais
correcta e tecnicamente sustentada do controlo de perdas de água no Concelho de Vila Real,
melhorando significativamente o desempenho global do sistema.
160
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS ESTUDOS
Concluída a primeira fase do presente projecto, é preciso assegurar a sustentabilidade de
acções futuras. Desta forma, pretende-se produzir um cadastro fidedigno de infra-estruturas,
capaz de reflectir a composição do sistema de abastecimento e o seu estado de conservação,
de modo a proceder à criação de Zonas de Medição e Controlo (ZMCs), com vantagens
directas no combate eficiente às perdas de água e na gestão da oferta deste recurso em
situações de escassez. Para tal, será necessário instalar medidores de caudal em todos os nós
de fronteira de cada zona, cujos registos serão enviadas para uma central de despacho, através
de um sistema de telemetria40 ou telegestão que, simultaneamente, permitirá identificar as
fugas e roturas, com a possibilidade de quantificar os volumes de água perdida, e aferir as
informações sobre consumos (valores facturados a clientes e consumos autorizados, não
facturados), actuando, portanto, mais rapidamente e aumentando a fiabilidade dos dados
recolhidos. Passará a ser possível efectuar o controlo das variáveis de maior relevância para o
controlo das perdas de água em tempo real, nomeadamente dos caudais que entram no sistema
e das pressões em pontos estratégicos da rede de distribuição.
O possível estudo a ser efectuado sobre a divisão da rede em Zonas de Medição e
Controlo, deverá ser apoiado na simulação do comportamento hidráulico das novas condições
da rede de distribuição, utilizando a modulação matemática como ferramenta de trabalho
(programa informático EPANET). Este programa, numa sequência iterativa, irá permitir a
procura e redução do impacto das alterações no seu funcionamento e maximização da eficácia
do sistema de medição zonada. Este, eventualmente, auxiliado, por um sistema de informação
geográfica e por novas plataformas de gestão informatizada, irá permitir a supervisão em
tempo real do sistema, facilitando a intervenção imediata em caso de anomalia.
40
Telemetria é uma das tecnologias mais sofisticadas para a obtenção e processamento de dados à distância, a
partir de uma rede de medidores instalada em lugares de difícil acesso, como o subsolo, e permite tanto a recolha
fidedigna de informação (por exemplo, caudais e pressões) como a transmissão a uma estação central, para
sustentar as decisões da entidade gestora ao nível das intervenções nas condutas e tubagens.
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
161
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169
ANEXOS
ANEXO I - DADOS DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DA EMARVR
ANEXO II - AUDITORIAS DE PERDAS NO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE
VILA REAL – FOLHA DE CÁLCULO (Balanço hídrico)
ANEXO III - CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DAS INTERVENÇÕES EFECTUADAS NO
SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
ANEXO IV - PRÁTICAS DE INSPECÇÃO E MANUTENÇÃO DO SISTEMA PÚBLICO DE
DISTRIBUIÇÃO DE VILA REAL
ANEXO V - CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA INQUIRIDA
ANEXO VI – INQUÉRITO
ANEXO VII - CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DOS MUNÍCIPES SOBRE AS
PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA
REAL
171
ANEXO I
DADOS DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DA EMARVR
Tabela 1 - Reservatórios em serviço
CAPACIDADE
(M3)
QUANTIDADES
CAPACIDADE
TOTAL (M3)
PERTENCENTES
SISTEMA ALVÃO
2000
1
2000
1
1500
2
3000
2
800
2
1600
2
300
2
600
1
150
6
900
5
100
9
900
6
75
8
600
1
50
32
1600
4
150
6
900
5
100
9
900
6
75
8
600
1
50
32
1600
4
Total Geral
75
11 510
23
Tabela 2 - Quadro resumo das infra-estruturas de abastecimento público de água,
pertencentes à EMARVR
INFRA-ESTRUTURAS
EXISTENTES
QUANTIDADE
OBSERVAÇÕES
1 unidade
Alvão - Origem superficial
79 unidades
Locais - Origem subterrânea
(SOB GESTÃO DA EMARVR)
Captação
Estação de tratamento de água
1 unidade
Rede de distribuição de água
±500Km
Ramais
±20 000
unidades
Alvão - Com tratamento de floculação,
decantação, filtração e desinfecção.
Parte considerável com menos de vinte anos,
em PVC, Hostalene e PEAD.
Extensão média de 3 metros
Apoiados e enterrados, com capacidade total
Reservatórios
75
Estações elevatórias e
16 unidades
Estações elevatórias
hidropressoras
5 unidades
Estações hidropressoras
de 11.510 m³.
173
Tabela 3 - Contadores em serviço até ao final de 2006
DIÂMETRO
NOMINAL
(DN)
QUANTIDADE TECNOLOGIA
TOTAL
UTILIZADA
13 ou 15
20
25
32
40
50
65
80
100
TOTAL
16.980
9.341
134
9
130
14
21
10
6
26.645
Volumétricos
Mecânicos
Tabela 4 - Movimento anual de contadores
MOTIVO
Adquiridos
Colocados por novos
contratos
Retirados por rescisão do
contrato
Troca por motivos de
rendimento
Substituídos
Reparados
2005
2006
518
341
1689
1662
1112
1173
0
2117
2071
0
925
788
Nota: alguns dos itens acima poderão ser
cumulativos, isto é, o mesmo contador, pode
figurar por exemplo como "substituído por
avaria" e como "reparado".
Tabela 5 - Gestão do parque de contadores em serviço
GESTÃO DO PARQUE DE CONTADORES EM SERVIÇO
Tempo médio dos contadores em serviço
12 a 15 anos
Ficheiro informatizado do parque de contadores em serviço
Sim
Práticas de caracterização do consumidor
Sim
Análise do comportamento metrológico dos
contadores instalados
Análise das reclamações apresentadas pelos consumidores
174
OBSERVAÇÃO
É feito pela fábrica
fornecedora
Sim
ANEXO II
AUDITORIAS DE PERDAS NO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE
VILA REAL – FOLHA DE CÁLCULO
(Balanço hídrico)
Tabela 1 - Dados complementares do balanço hídrico
Dados complementares do balanço hídrico necessários ao cálculo dos indicadores de perdas
Valor Unidade
Comprimento total da rede
Número total de ramais
Altura piezométrica média de serviço
Fiabilidade Exactidão
430
km
***
0-5%
20.000
(n.º)
**
6-20%
m c.a.
*
21-50%
35
Água bruta exportada
0
m /ano
***
0-5%
Comprimento médio dos ramais prediais (entre o limite
de propriedade e o contador)
3
m
**
21-50%
dias
***
0-5%
***
0-5%
Duração do período a que se refere o balanço hídrico
Tempo de pressurização do sistema
365
24 horas/dia
3.300.404
Custos correntes
3
Tarifa média para consumidores directos
0,86
Custo unitário assumido das perdas reais
0,53
***
0-5%
3
***
0-5%
3
***
0-5%
€/ano
€/m
€/m
Tabela 2 - Indicadores de perdas recomendados pela IWA
Sistema de abastecimento de água a Vila Real
Período: 1 de Janeiro de 2006 - 31 de Dezembro de 2006
Exactidão
Indicadores de recursos hídricos
Ineficiência na utilização dos recursos hídricos
20 %
5-24 %
WR1 = A19 / A3 x 100
A3 - Água entrada no sistema
A19 - Perdas reais
3
3.226.621 m /ano
3
658.644 m /ano
0-3 %
5-24 %
Indicadores operacionais
Perdas de água por ramal
3
42 m /ramal/ano
6-26 %
Op23 = (A15 x 365 / H1) / C24 (válido para sistemas de distribuição)
A15 - Perdas de água
C24 - Número de ramais
H1 - Duração do período de referência
Perdas de água por comprimento de conduta
3
833.849 m /ano
20.000 n.º
365 dias
3
N/A m /km/dia
0-16 %
6-20 %
0-5 %
N/A
Op24 = (A15 / 365) / C8 (válido para sistemas de produção e adução)
A15 - Perdas de água
C8 - Comprimento de condutas
3
833.849 m /ano
430 km
0-16 %
0-5 %
175
Perdas aparentes por volume de água entrada no sistema
N/A %
N/A
Op26 = A18 / A3 x 100 (válido para sistemas de produção e adução)
A3 - Água entrada no sistema
A18 - Perdas aparentes
Perdas aparentes
3
3.226.621 m /ano
3
175.205 m /ano
5 %
0-3 %
20-48 %
20-48 %
Op25 = A18 / (A3-A5-A7) x 100 (válido para sistemas de distribuição ou completos)
A3 - Água entrada no sistema
A5 - Água bruta exportada
A7 - Água tratada exportada
A18 - Perdas aparentes
Perdas reais por comprimento de conduta
3
3.226.621 m /ano
3
0 m /ano
3
5.573 m /ano
3
175.205 m /ano
N/A l/km/dia
0-3 %
101-300 %
20-48 %
N/A
Op28 = A19 x 1000 / (C8 x H2 x 365 / 24) (válido para sistemas de produção e adução)
A19 - Perdas reais
C8 - Comprimento de condutas
3
658.644 m /ano
430 km
5-24 %
0-5 %
H2 - Tempo de pressurização do sistema
24 horas/dia
0-5 %
Perdas reais por ramal
90 l/ramal/dia
7-31 %
Op27 = A19 x 1000 / (C24 x H2 / 24) (válido para sistemas de distribuição ou completos)
A19 - Perdas reais
C24 - Número de ramais
3
658.644 m /ano
20.000 n.º
5-24 %
6-20 %
H2 - Tempo de pressurização do sistema
24 horas /dia
Índice infra-estrutural de fugas (-)
2,0 (-)
20-55 %
90 l/ramal/dia
430 km
7-31 %
0-5 %
Op29 = Op27 / (18 x C8 / C24 + 0,8 + 0,025 x C25) / (D34/10)
Op27 - Perdas reais por ramal
C8 - Comprimento de condutas
C24 - Número de ramais
C25 - Comprimento médio dos ramais prediais
D34 - Pressão média de operação
20.000 n.º
3 m
0-5 %
6-20 %
21-50 %
350 kPa
21-50 %
26 %
0-14 %
Indicadores financeiros
Água não facturada em termos de volume (%)
Fi46 = A21 / A3 x 100
A3 - Água entrada no sistema
A21 - Água não facturada
Água não facturada em termos de custo (%)
3
3.226.621 m /ano
3
844.993 m /ano
15 %
0-3 %
0-14 %
6-22 %
Fi47 = ((A13 + A18) x G57 + A19 x G58) / G5 x 100
A13 - Consumo autorizado não facturado
A18 - Perdas aparentes
G57 -Tarifa média para consumidores directos
A19 - Perdas reais
G58 - Custo unitário assumido das perdas reais
G5 - Custos correntes
3
11.145 m /ano
3
175.205 m /ano
3
0,86 €/m
3
658.644 m /ano
3
0,53 m /ano
3.300.404 €/ano
20-49 %
20-48 %
0-5 %
5-24 %
0-5 %
0-5 %
Indicador de água não medida
Indicador operacional
Água não medida
26 %
#DIV/0!
Op39 = (A3 - A8 - A11) / A3 x 100
A3 - Água entrada no sistema
A8 - Consumo facturado medido
A11 - Consumo não facturado medido
176
3
3.226.621 m /ano
3
2.381.628 m /ano
0-3 %
0-4 %
3
6.795 m /ano
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Tabela 3 - Componentes do Balanço Hídrico (m3/ano)
ÁGUA
ENTRADA NO
SISTEMA
CONSUMO
AUTORIZADO
CONSUMO
AUTORIZADO
FACTURADO
CONSUMO
FACTURADO
MEDIDO
ÁGUA
FACTURADA
3226621 m3/ano
2392773 m3/ano
2381628 m3/ano
2381628 m3/ano
2381628 m3/ano
Erro relativo: 0-3 %
Erro relativo: 0-4 %
Erro relativo: 0-4 %
Erro relativo: 0-4 %
Consumo facturado
não medido
0 m3/ano
Erro relativo: 0-5%
Consumo autorizado
não facturado
11145 m3/ano
Erro relativo: 50-150 %
Perdas aparentes
175205 m3/ano
Erro relativo: 20-48 %
Perdas de água
833849 m3/ano
Perdas reais
658644 m3/ano
Erro relativo: 0-16 %
Erro relativo: 5-24 %
ou
81500 m3/ano
Erro relativo: 19-46 %
Erro relativo:
Consumo não
facturado medido
6795 m3/ano
Erro relativo: 82-246
%
Consumo não
facturado não medido
4350 m3/ano
Água não facturada
844993 m3/ano
Erro relativo: 0-14 %
Erro relativo: 8-27 %
Uso não autorizado
7580 m3/ano
Erro relativo: 74-222
%
Erros de medição
167625 m3/ano
Erro relativo: 20-49 %
Fugas nas condutas de
adução e/ou
distribuição
75000 m3/ano
Erro relativo: 21-50 %
Fugas e
extravasamentos nos
reservatórios de
adução e/ou
distribuição
1500 m3/ano
Erro relativo: 51-100
%
Fugas nos ramais (a
montante do ponto de
medição)
5000 m3/ano
Erro relativo: 51-100
%
177
Tabela 4 - Cálculo da água entrada no sistema
Valor
Água captada
Água importada (tratada ou não tratada) facturada por terceiros
(contab. em termos operac.)
Água importada (tratada ou não tratada) não facturada por
terceiros
Água entrada no sistema
(contabilização em termos operacionais)
(contabilização em
termos económico-financeiros)
Fiabilidade
Exactidão
***
0-5%
m3/ano
***
0-5%
m3/ano
**
0-5%
1.897.407 m3/ano
1.329.214
0-3 %
3.226.621 m3/ano
0-3 %
Tabela 5 - Cálculo do consumo facturado
CÁLCULO DO CONSUMO FACTURADO MEDIDO
Distribuição directa:
Consumo doméstico
Consumo de comércio e de indústria
Consumo público
Consumo para limpeza urbana
Outros consumos facturados medidos
Água exportada:
Água transferida para outros sistemas da mesma entidade
(facturada)
Água vendida a outras entidades gestoras
Consumo facturado medido:
CÁLCULO DO CONSUMO FACTURADO NÃO MEDIDO
Volume facturado por estimativa relativo a:
Consumo doméstico, comercial e de serviços de clientes sem
contador
Consumo para rega de espaços verdes
Consumo para lavagem de ruas
Consumo em marcos e bocas de incêndio
Outros consumos facturados não medidos
Consumo facturado não medido:
Fiabilidade
2.381.628
1.685.742
312.213
354.231
150
29.292
3
m /ano
m3/ano
m3/ano
m3/ano
m3/ano
m3/ano
m3/ano
m3/ano
Exactidão
0-4 %
***
***
**
***
**
*
*
0-5%
0-5%
6-20%
0-5%
6-20%
101-300%
101-300%
*
*
101-300%
101-300%
0 m3/ano
m3/ano
m3/ano
2.381.628 m3/ano
0-4 %
Fiabilidade
0
0
0
0
0
0
m3/ano
m3/ano
m3/ano
m3/ano
m3/ano
m3/ano
***
***
***
***
***
***
Exactidão
0-5%
0-5%
0-5%
0-5%
0-5%
0-5%
0 m3/ano
CONSUMO FACTURADO (m3/ano)
(contabilização em termos operacionais)
(contabilização em termos económico-financeiros)
178
2.381.628 m3/ano
0-4 %
0-5%
Tabela 6 - Cálculo do consumo facturado não autorizado
CÁLCULO DO CONSUMO AUTORIZADO NÃO FACTURADO MEDIDO
Distribuição directa (não facturada medida):
Fiabilidade
m3/ano
Consumo próprio da entidade (medido e pago)
Água exportada (não facturada medida):
Água transferida para outros sistemas da mesma entidade
Água transferida para outras entidades gestoras
Consumo autorizado não facturado medido:
Número de consumidores
2
Consumo de rega por m de área irrigada
Área irrigada
Número de enchimentos de autotanques por dia
Capacidade média de cada autotanque
Número de dias de utilização por ano
Consumo para serviço de combate a incêndio (autorizado não
facturado não medido)
*
21-50%
*
6-20%
m3/ano
*
6-20%
m3/ano
*
101-300%
101-300 %
5.573 m3/ano
5.573 m3/ano
*
101-300%
0 m3/ano
*
101-300%
82-246 %
6.795 m3/ano
Fiabilidade
Exactidão
0 (nº)
*
101-300%
0 m3/ano
*
101-300%
6-21 %
4.200 m3/ano
0 m3/mês
*
6-20%
2
*
0-5%
*
0-5%
4 meses/ano
174-519 %
150 m3/ano
1 n.º/dia
**
101-300%
***
101-300%
**
101-300%
**
6-20%
m
***
0-5%
dias/ano
**
6-20%
3
1 m
200 dias/ano
0 m3/ano
Número de enchimentos de autotanques por dia ( é medido e pago)
n.º/dia
3
Capacidade média de cada autotanque
Número de dias de utilização por ano
Consumo próprio da entidade (não medido)
0-5%
m3/ano
5.000 m
Número de meses de rega por ano
Consumo para lavagem de ruas (autorizado não facturado não
medido)
*
1.222 m3/ano
CÁLCULO DO CONSUMO AUTORIZADO NÃO FACTURADO NÃO MEDIDO
Estimativa de consumo consumo doméstico, comercial e de serviços
de clientes sem contador (autorizado não facturado não medido)
0 m3/ano
Capitação média por consumidor
Consumo para rega de espaços verdes (autorizado não facturado não
medido)
6-20 %
1.222 m /ano
Consumo público
Combate a incêndio
Exactidão
3
0 m3/ano
Consumo de processo no tratamento (excluindo volume reutilizado)
m3/ano
*
0-5%
Consumo para lavagem de condutas e reservatórios
m3/mês
***
6-20%
Consumo nas instalações e espaços verdes da entidade
m3/ano
***
51-100%
Total
m3/ano
*
101-300%
m3/ano
*
6-20%
*
101-300%
Outros consumos autorizados não facturados não medidos
3
0 m /ano
m3/ano
Consumo autorizado não facturado não medido:
CONSUMO AUTORIZADO NÃO FACTURADO (m3/ano)
4.350 m3/ano
8-27 %
11.145 m3/ano
50-150 %
Tabela 7 - Cálculo das perdas aparentes
179
Fiabilidade
CÁLCULO DAS PERDAS APARENTES
7.580 m3/ano
Uso não autorizado:
Consumo relativo a utilização fraudulenta de
marcos e bocas de incêndio e de rega
Consumo relativo a ligações ilícitas
Estimativa dos erros sistemáticos da água
entrada no sistema
Água captada (m3)
Água importada (tratada ou não tratada) facturada
por terceiros (m3)
Água importada (tratada ou não tratada) não
facturada por terceiros (m3)
Estimativa dos erros sistemáticos do consumo
autorizado
Estimativa do erro sistemático da micro-medição
(erro do contador, da leitura e do registo)
Estimativa do erro sistemático da água autorizada
não medida
Exactidão
74-222 %
2.580 m3/ano
5.000 m3/ano
*
*
101-300%
101-300%
0 m3/ano
0 %
0 m3/ano
*
101-300%
0 %
0 m3/ano
*
101-300%
0 %
0 m3/ano
*
101-300%
167.625 m3/ano
20-49 %
7 %
167.190 m3/ano
*
21-50%
10 %
435 m3/ano
*
101-300%
PERDAS APARENTES (m3/ano)
175.205 m3/ano
20-48 %
Tabela 8 - Cálculo das perdas reais
Fiabilidade
Fugas nas condutas de adução e/ou distribuição
Fugas e extravasamentos nos reservatórios de adução e/ou
distribuição
Fugas nos ramais (a montante do ponto de medição)
Perdas reais
180
Exactidão
75.000 m3/ano
**
21-50%
1.500 m3/ano
*
51-100%
5.000 m3/ano
*
51-100%
3
81.500 m /ano
19-46 %
CONTROLO DE PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
ANEXO III
CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DAS INTERVENÇÕES EFECTUADAS NO
SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO DE VILA REAL
Tabela 1 – Intervenções efectuadas em 2005
Respostas
Intervenções
Intervenção conduta geral
Intervenção ramal
Total
N
1621
1015
2636
Percentagem
61,5%
38,5%
100,0%
Percentagem
de casos
65,0%
40,7%
105,7%
Tabela 2 – Distribuição de frequências da Duração média das intervenções ocorridas em 2005
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
ACUMULADA
(%)
até 3 horas
624
25,0
25,4
25,4
3 a 6 horas
1173
47,0
47,7
73,0
6 a 9 horas
222
8,9
9,0
82,1
9 a 12 horas
184
7,4
7,5
89,6
12 a 15 horas
89
3,6
3,6
93,2
15 a 18 horas
67
2,7
2,7
95,9
mais de 18 horas
101
4,0
4,1
100,0
TOTAL
2460
98,6
100,0
34
1,4
2494
100,0
DURAÇÃO DA
INTERVENÇÃO
NS/NR
TOTAL
181
Tabela 3 – Intervenções efectuadas nos Ramais em 2006
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
2
0,2
0,5
235
23,2
60,1
43
4,3
11,0
56
5,5
14,3
11
1,1
2,9
35
3,4
9,0
2
0,2
0,5
Reparação de Boca de Rega partida
1
0,1
0,3
Reparação de rede na rede interna
2
0,2
0,5
Reparação de Contador Rebentado
1
0,1
0,3
Eliminação de ramal
2
0,2
0,5
1
0,1
0,3
391
38,6
100
10
1,0
614
60,5
1015
100,0
Detecção fuga – Sondagens
Reparação de Rede
Reparação de rede e Reposição de Tapete/
Calçada à Portuguesa/ Betonilha Esquartelada
/Cubos/ Paralelos
Substituição de Ramal
Substituição de Ramal e Reposição
tapete/Calçada/ Betonilha Esquartelada
Reparação da B.I. e/ou ramal da B.I.
Reparação de B.I. e/ou ramal da B.I. e
Reposição Betonilha Esquartelada
Outra (Bombas desligadas devido à
Tempestade)
TOTAL
NR (intervenções sem registo)
NA (intervenções não ocorridas em ramais)
TOTAL
182
Tabela 4 – Intervenções efectuadas na Conduta Geral em 2006
Reparação de Rede na Conduta Distribuidora
Detecção de Fuga na Conduta Adutora
Reparação de Rede na Conduta
Adutora/Elevatória
Reparação de Fuga na rede da ETAR
Reparação de Fuga na Rede Predial
Substituição de rede
Detecção de Fuga na Conduta Distribuidora
Reposição de Terras
Sinalização de rede
Reparação de Rede na Conduta Distribuidora e
Reposição de tapete
Reparação de Rede na Conduta Distribuidora e
Reposição de calçada/paralelos/betonilha
Substituição de rede e Reposição de tapete
Total
NR (intervenções sem registo)
NA (intervenções não ocorridas na conduta geral)
Total
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
416
2
41,0
0,2
67,8
0,3
61
2
1
15
17
1
1
6,0
0,2
0,1
1,5
1,7
0,1
0,1
9,9
0,3
0,2
2,4
2,8
0,2
0,2
52
5,1
8,5
37
9
614
10
391
1015
3,6
0,9
60,5
1,0
38,5
100,0
6,0
1,5
100,0
183
Tabela 5 – Justificação das Intervenções efectuadas na Conduta Geral em 2006
Abertura de alguns buracos, para detecção da
fuga
Alteração do nó antigo de acesso ao
reservatório velho e montagem do novo nó
Rotura que originou falta de pressão na parte
alta da Localidade
O empreiteiro não comunicou à EMAR
Taco que fazia de junta cega saltou da união de
aperto rápido
Reparação adiada por motivos de hora tardia
Avaria causada por obras da junta da Freguesia
Conduta envelhecida
Curva partida
Tê partido
Remoção de ar da conduta
Tubo estalado, devido à passagem de um
veículo pesado (máquina), sobre a conduta
Tubo partido/ lascado/ rebentado
Água que não chega à totalidade ao reservatório
Reparação da rede interna
Rede velha
Rede obstruída
Reparação da rotura, provocada pela
terraplanagem
Conduta rebentada
Reparação de fuga na câmara de perda de carga
Afluência de pouco caudal
Falta de água na Localidade
Disco da junta cega furado
Reparação numa junta da conduta de
distribuição
Reposição de terras devido a abatimento
Substituição de válvula de corte geral
Total
NA (intervenções não ocorridas na conduta
geral e/ou sem justificação)
Total
184
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES
VÁLIDA (%)
1
0,1
1,7
2
0,2
3,4
1
0,1
1,7
1
0,1
1,7
1
0,1
1,7
1
1
1
1
3
2
0,1
0,1
0,1
0,1
0,3
0,2
1,7
1,7
1,7
1,7
5,1
3,4
3
0,3
5,1
23
1
1
2
2
2,3
0,1
0,1
0,2
0,2
39,0
1,7
1,7
3,4
3,4
1
0,1
1,7
3
1
1
1
1
0,3
0,1
0,1
0,1
0,1
5,1
1,7
1,7
1,7
1,7
1
0,1
1,7
1
2
59
0,1
0,2
5,8
1,7
3,4
100,0
956
94,2
1270
100,0
Tabela 6 – Síntese do número de roturas ocorridas nos ramais e na conduta geral, nos anos de
2005 e 2006
2005
Freguesia
Abaças
Adoufe
Andrães
Arroios
Borbela
Campeã
Constantim
Ermida
Folhadela
Freg. Cidade
Guiães
Justes
Lamares
Lamas de Olo
Lordelo
Mateus
Mondrões
Mouços
Nogueira
Parada de Cunhos
Quintã
S. Miguel de Pena
S. Tomé do Castelo
Torgueda
Vale de Nogueiras
Vila Cova
Vila Marim
Vilarinho da Samardã
NÚMERO DE
ROTURAS
OCORRIDAS
NOS RAMAIS
39
45
22
59
22
7
2
1
14
217
0
24
20
5
37
58
59
41
5
34
10
14
16
39
23
15
31
10
2006
NÚMERO DE
ROTURAS
DE REDE
80
103
97
60
119
104
43
7
75
157
5
26
0
4
100
46
33
148
36
19
5
25
68
90
37
0
69
55
NÚMERO DE
ROTURAS
OCORRIDAS
NOS RAMAIS
18
19
14
12
32
16
6
3
10
86
4
4
1
1
19
17
3
21
18
8
0
2
7
8
6
0
24
7
NÚMERO DE
ROTURAS
DE REDE
32
24
43
15
52
38
0
16
8
78
5
13
1
2
40
16
20
44
13
18
0
2
38
15
15
9
36
10
185
Tabela 7 – Síntese do número de substituições efectuadas nos ramais e na conduta geral, nos
anos de 2005 e 2006
2005
2006
Abaças
NÚMERO DE
SUBSTITUIÇÕES
DE RAMAIS
0
NÚMERO DE
SUBSTITUIÇÕES
DE REDE
0
NÚMERO DE
SUBSTITUIÇÕES
DE RAMAIS
0
NÚMERO DE
SUBSTITUIÇÕES
DE REDE
0
Adoufe
18
0
12
1
Andrães
0
4
0
3
Arroios
0
0
0
1
Borbela
7
5
8
0
Campeã
0
0
4
1
Constantim
0
0
0
0
Ermida
1
0
1
0
Folhadela
7
0
1
1
Freg. Cidade
84
4
13
5
Guiães
0
0
0
0
Justes
5
5
3
0
Lamares
0
0
0
0
Lamas de Olo
5
0
0
1
Lordelo
0
5
1
0
Mateus
10
0
3
0
Mondrões
15
10
2
2
Mouços
12
25
4
4
Nogueira
5
15
1
1
Parada de Cunhos
5
0
2
0
Quintã
0
0
0
0
S. Miguel de Pena
9
0
2
0
S. Tomé do Castelo
6
0
6
1
Torgueda
10
0
0
0
Vale de Nogueiras
0
0
0
0
Vila Cova
5
0
3
0
Vila Marim
6
12
3
3
Vilarinho da Samardã
0
19
1
0
Freguesia
186
Tabela 8 – Distribuição das intervenções por duração da suspensão de abastecimento
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
SIMPLES (%)
83
261
144
36
22
7
5
1
1
2
3
4
569
32
446
8,2
25,7
14,2
3,5
2,2
0,7
0,5
0,1
0,1
0,2
0,3
0,4
56,1
3,2
43,9
1015
100,0
menos de 1 hora
entre 1 a 2 horas
entre a 2 a 3 horas
entre 3 a 4 horas
entre 4 a 5 horas
entre 5 a 6 horas
entre 6 a 7 horas
entre 7 a 8 horas
entre 8 a 9 horas
entre 9 a 10 horas
entre 10 a 11 horas
mais de 11 horas
Total
NR (intervenções sem registo)
NA (intervenções em que não
ocorreu suspensão do
abastecimento)
Total
FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA
RELATIVA
RELATIVA
SIMPLES
ACUMULADA
VÁLIDA (%)
(%)
14,6
45,9
25,3
6,3
3,9
1,2
0,9
0,2
0,2
0,4
0,5
0,7
100,0
14,6
60,5
85,8
92,1
96,0
97,2
98,1
98,2
98,4
98,8
99,3
100,0
Tabela 9 – One-Way ANOVA
Duração da Intervenção
Entre Grupos
Dentro dos Grupos
Total
Soma dos
Quadrados
209,814
23757,685
23967,499
gl
3
991
994
Média dos
F
quadrados
69,938 2,917
23,973
Sig.
,033
187
Tabela 10 – Testes post-hoc
Intervalo de Confiança
a 95%
Limite
Limite
Inferior
Superior
-2,1961
-,1209
-1,6217
,9079
-3,4271
2,5986
,1209
2,1961
-,6672
2,2705
-2,3598
3,8483
-,9079
1,6217
-2,2705
,6672
(I) Tipo de Intervençã
Diferença
ramal
Média (I-J)
(J) Tipo de Intervenção ramal
Reparação de Rede Substituição de Rede
-1,15851*
Reparação da B.I. e/ou ramal da B.I.
-,35689
Reparação de contadores e ramais rebentados com o -,41424
Substituição de Rede Reparação de Rede
1,15851*
Reparação da B.I. e/ou ramal da B.I.
,80162
Reparação de contadores e ramais rebentados com o
,74427
Reparação da B.I. e/o Reparação de Rede
,35689
ramal da B.I.
Substituição de Rede
-,80162
Reparação de contadores e ramais rebentados com o
-,05735
Erro
Padrão
,39250
,47843
1,13968
,39250
,55564
1,17418
,47843
,55564
Sig.
,019
1,000
1,000
,019
,897
1,000
1,000
,897
1,20563
1,000
-3,2445
3,1298
Reparação de
Reparação de Rede
contadores e ramais Substituição de Rede
rebentados com o gel Reparação da B.I. e/ou ramal da B.I.
1,13968
1,17418
1,20563
1,000
1,000
1,000
-2,5986
-3,8483
-3,1298
3,4271
2,3598
3,2445
,41424
-,74427
,05735
*
Tabela 11 – Teste t para amostras independentes
Teste de Levene
F
Sig.
t
Pressuposto de iguald
Meios
,002 ,967 ,607
envolvido de variâncias assumido
Pressuposto de iguald
de variâncias não assu
Teste t
gl
tervalo de Confianç
a 95% para a
Desvio
iferença
de Médias
Sig. DiferençaQuadrático
(bilateral) Média
Médio Inferior Superior
1007
,544
,037
,060
-,082
,155
,615 83,446
,538
,037
,059
-,080
,153
Tabela 12 – Teste do Qui-Quadrado
Qui-quadrado de Pearson
Correcção de Continuidade a
Rácio Likelihood
Teste de Fisher
Associação Linear-por-Linear
Nº casos válidos
Valor
6,713b
6,262
7,126
gl
1
1
1
Assimp. Sig.
(bilateral)
,010
,012
,008
1
,010
,010
6,709
1406
a. Calculada apenas para tabelas 2x2
b. 0 células (,0%) têm frequência esperada inferior a 5 unidades.
188
Exact Sig.
(bilateral)
Exact Sig.
(unilateral)
,005
ANEXO IV
PRÁTICAS DE INSPECÇÃO E MANUTENÇÃO
DO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DE VILA REAL
Actividades de inspecção do sistema:
- Inspecção periódica das redes;
- Inspecção periódica dos equipamentos de
medição;
- Inspecção e operação regular de marcos de
incêndio, bocas-de-incêndio, de rega e
válvulas do sistema de distribuição;
- Inspecção dos reservatórios de água e
válvulas associadas;
- Limpezas periódicas dos reservatórios;
Realizado aquando das operações de leitura
dos contadores
Cumprido quando necessário
Efectuado uma vez por ano, em
simultâneo.41
- Revisão periódica das instalações
elevatórias;
Praticado pelo menos uma vez por ano,
aquando da verificação do equipamento
- Inspecções simples e expeditas das
instalações elevatórias;
Efectuado aleatoriamente pelos
electricistas, numa visita à instalação
- Verificações mais pormenorizadas das
Instalações Elevatórias;
41
Não realizado
Efectuado após sinal de avaria (manutenção
reactiva)
Não existem procedimentos escritos de inspecção dos
sistemas!
Tabela 1 – Práticas correntes de inspecção dos sistemas (EMARVR)
Os reservatórios foram objecto de recentes acções de conservação.
189
É feita programação das operações de manutenção nos nós
da rede e de substituição da rede
Actividades de manutenção do sistema
- Reparação de avarias
- Reparações pontuais de redes;
São efectuadas
- Controlo de pressões
Realizado para que estas não sejam mais elevadas do que o
necessário
- Manutenção do equipamento
de elevação;
Os equipamentos de elevação das grandes estações
elevatórias mantêm-se próximos do ponto de
funcionamento óptimo; já nas pequenas estações, os
equipamentos estão ligeiramente afastados42
A empresa estabeleceu uma potência contratada, em função
dos equipamentos instalados
Maioritariamente gravítico
Tipo de abastecimento
42
É registado o estado das ordens de trabalho respeitantes a
cada tarefa de manutenção
Elevatório nos lugares de Nogueira, Sabroso, Vila Seca; B.º
S. Vicente de Paula; Abambres; Couto; Portela
Não existem procedimentos escritos de manutenção dos sistemas
Tabela 2 - Práticas correntes de manutenção dos sistemas (EMARVR)
Nas pequenas estações elevatórias, essa preocupação não é peremptória. Por vezes é preferível que a curva se
aproxime mais de outras variações, como por exemplo da altura manumétrica ou do caudal, do que da potência,
uma vez que o consumo energético não se altera de forma tão tão significativa que justifique esse cuidado.
190
ANEXO V
CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA INQUIRIDA
Objectivo do Estudo
Universo em estudo
Instrumento de
Medida
Técnica de
Amostragem
Método Probabilístico
Erros
máximos
Determinação da
dimensão da amostra
Questionário
Técnica de Recolha da
Informação
Trabalho de Campo
Taxa de Resposta45
Tratamento e
Apresentação de
Resultados
Controlo de Qualidade
Este estudo tem como principal objectivo aferir a percepção dos clientes da EMARVR, sobre as
perdas de água em Sistemas Públicos de Distribuição de Água.
Além de ser uma forma de avaliar a dimensão social desta problemática, pretende-se com este
questionário sensibilizar e alertar a população do concelho de Vila Real, para a questão paradigmática
das perdas de água.
O Universo é constituído pelos indivíduos com 18 anos ou mais, utentes da EMARVR, residentes no
concelho de Vila Real.
Quantitativo
Escolheu-se o método de amostragem probabilístico43.
O método probabilístico de amostragem estratificada.
A amostra foi estratificada por Freguesia44 – Abaças (2,2%), Adoufe (4,2%), Andrães (3,1%), Arroios
(1,9%), Borbela (5,2%), Campeã (3,3%), Ermida (1,1%), Folhadela (3,9%), Guiães (1,2%), Justes
(0,9%), Lamares (0,9%), Lamas de Olo (0,4%), Lordelo (5,9%), Mateus (5,2%), Mondrões (2,4%),
Mouços (5,9%), Nogueira (1,4%), N. Sª Conceição (16,0%), Parada de Cunhos (3,8%), S. Miguel de
Pena (1,1%), Quintã (0,3%), S. Dinis (7,9%), S. Pedro (9,0%), S. Tomé do Castelo (2,0%), Torgueda
(3,2%), Vale de Nogueira (2,1%), Vila Cova (0,5%), Vila Marim (3,4%) e Vilarinho da Samardã
(1,6%).
O erro máximo da amostra é de 6,1% para um grau de confiança de 95%.
O procedimento utilizado no cálculo da amostra encontra-se no separador 1.
Para a construção do questionário, recorreu-se, para além duma consulta bibliográfica, à realização de
um estudo piloto, tendo-se obtido as informações necessárias à selecção das principais variáveis a
incluir no questionário.
O texto integral das questões encontra-se no separador 2.
Não documental (Observação indirecta - administração de um questionário)
A recolha de informação decorreu entre os dias 7 e 26 de Fevereiro de 2007.
Trata-se de um intervalo de resposta curto, que só foi possível através de um acompanhamento
sistemático e permanente do estudo.
Os questionários foram distribuídos pelos Presidentes de Junta de cada uma das freguesias. No sentido
de obter uma taxa de resposta tão grande quanto possível, forma utilizadas técnicas de “follow-up”. De
referir, que foram efectuados segundos e terceiros contactos para alguns Presidentes de Junta, no
sentido de acelerar o processo de preenchimento dos questionários.
A taxa de resposta foi de 81,4%. As recusas não provocaram enviesamento significativo.
Foram efectuados diversos testes e análises estatísticas: Teste de independência do Qui-Quadrado,
Teste não paramétrico de aderência à normal Kolmogorov-Smirnov (K-S), com a correcção de
Lilliefors; Teste de Levene; Teste não paramétrico de Mann-Whitney e Teste de Kruskal-Wallis.
Em relação ao desenho do questionário, foi verificado o correcto ajustamento entre os objectivos do
projecto e o questionário, bem como identificadas as perguntas que respondiam a cada um dos
objectivos. Foi igualmente feita uma revisão da consistência entre as perguntas e as categorias de
resposta, da sequência lógica das respostas e dos filtros.
O questionário foi objecto de um breve pré-teste afim de se confirmar a sua operacionalidade e
efectividade práticas.
Após a codificação das perguntas abertas e validação total do ficheiro informático, este ficou apto a
ser tabulado e tratado com base em software concebido para o efeito46.
43
Só com a utilização de amostras aleatórias é possível conhecer o grau de confiança (grau de certeza que se tem a respeito da precisão da
estimativa) dos resultados.
44
De acordo os Censos da População de 2001, do INE. Os Censos são valiosos instrumentos de diagnóstico, planeamento e intervenção, nos
mais variados domínios: estudos de mercado e sondagens de opinião, investigações em Ciências Sociais. Em Portugal, os Censos são
realizados de dez em dez anos o que permite uma actualização exaustiva, tanto do parque habitacional como das características da população
residente. Naturalmente, com o decorrer do tempo, tais bases de dados vão ficando desactualizadas. A actualização das mesmas vai sendo
assegurada através da realização de inquéritos por amostragem.
45
Nesta fase procurou-se obter a maior taxa de resposta possível e minimizar as diferenças entre os respondentes e os não respondentes.
46
Para o tratamento estatístico dos dados, utilizou-se o software SPSS 14.0
191
ANEXO VI
INQUÉRITO
CONTROLO DAS PERDAS DE ÁGUA EM SISTEMAS PÚBLICOS DE DISTRIBUIÇÃO
_______________________________________________________________
O presente estudo tem como principal objectivo aferir a percepção dos clientes da
EMARVR, sobre as perdas de água em Sistemas Públicos de Distribuição de Água.
A sua colaboração é fundamental para a concretização do objectivo a que se propõe este
estudo.
As suas respostas serão tratadas de forma estritamente confidencial.
Nota Técnica: na resposta a este questionário, deverá assinalar com uma cruz
× , a resposta que melhor traduza
a sua avaliação ou o seu ponto de vista.
_______________________________________________________________
Q1 Avalie a situação actual da sua área de residência no que diz respeito à ocorrência de
perdas de água nos Sistemas de Distribuição de Água.
Muitas Perdas de Água
Algumas Perdas de Água
Poucas Perdas de Água
Raras Perdas de Água
Nenhumas Perdas
Não Sei / Não Respondo
Q2 Diria que o papel desempenhado pela EMARVR, no controlo e redução das perdas de água
tem sido:
Muito fraco
Fraco
Bom
Muito bom
Não Sei / Não
Respondo
Q3 Tem conhecimento de algum caso de ocorrência de perdas de água nos Sistemas Públicos
de Distribuição de Água?
Não
Sim
Se respondeu não, passe para a questão Q6.
193
Q4 Comunicou tal situação à EMAR?
Não
Sim
Q5 Se Respondeu Não à questão Q4, diga porquê.
Não sei a quem me dirigir
Não me interessa
Não disponho de meios para o fazer (Ex.
Telefone)
Não existe uma linha telefónica gratuita
Outro
Especifique:
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Q6 Qual poderá ser o seu contributo para a diminuição das perdas de água?
Colaborar na detecção de ligações clandestinas
Colaborar na detecção de fugas e roturas
Colaborar em ambas as situações anteriores
Outro
Especifique:
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Apenas para efeitos de tratamento estatístico, indique-nos por favor:
Q7 A sua idade:
Menos de 24 anos
25 a 34 anos
35 a 44 anos
45 a 54 anos
55 a 64 anos
Mais de 64 anos
194
Q8 Sexo:
Masculino
Feminino
Q9 Grau de escolaridade:
Ensino Básico (1º ciclo – 4º ano)
Ensino Básico (2º ciclo – 5º/6º
ano)
Ensino Básico (3º ciclo – 7º-9º
ano)
Ensino Secundário
Curso Superior
Mestrado/Doutoramento
Sem Escolaridade
Q10 Exerce alguma actividade profissional?
Não
Sim
Se sim, qual a sua profissão? _______________________________________
Q11 Freguesia onde reside: ___________________________________________
_______________________________________________________________
Muito obrigado pelo tempo que dispensou colaborando neste estudo.
_______________________________________________________________
195
ANEXO VII
CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DOS MUNÍCIPES SOBRE AS
PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DO CONCELHO
DE VILA REAL
Tabela 1 – Distribuição dos Inquiridos por Grupo Etário
FREQUÊNCIA
ABSOLUTA
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
RELATIVA
SIMPLES (%)
ACUMULADA (%)
menos de 24 anos
14
6,7
6,7
25 a 34 anos
38
18,2
24,9
35 a 44 anos
55
26,3
51,2
45 a 54 anos
52
24,9
76,1
55 a 64 anos
31
14,8
90,9
mais de 64 anos
19
9,1
100,0
209
100,0
Total
Tabela 2 – Distribuição dos inquiridos por profissão exercida
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
RELATIVA
RELATIVA
SIMPLES
ACUMULADA
VÁLIDA (%)
(%)
0,8
0,8
Especialistas das Profissões intelectuais e científicas
10,9
11,8
Técnicos e profissionais de nível intermédio
14,3
26,1
Pessoal administrativo e similares
21,0
47,1
Pessoal dos Serviços e Vendedores
21,8
68,9
7,6
76,5
1,7
78,2
1,7
79,8
20,2
100,0
Quadros superiores da Administração pública, dirigentes e
quadros superiores de Empresas
Agricultores e Trabalhadores qualificados da agricultura e
pescas
Operários, artífices e trabalhadores similares
Operadores de instalações e máquinas e Trabalhadores
montagem
Trabalhadores não qualificados
Total
100,0
197
Tabela 3 – TESTE DE MANN-WHITNEY
Ocorrência de perdas
de água nos Sistemas
de Distribuição de Água
sexo
Masculino
Feminino
Total
Mann-Whitney U
Wilcoxon W
Z
Significância Bilateral
N
123
67
190
Classificação
Média
94,58
97,19
Soma das
Classificações
11633,00
6512,00
Ocorrência de perdas de
água nos Sistemas de
Distribuição de Água
4007,000
11633,000
-,323
,747
Tabela 4 – Teste de Kruskal-Wallis
Ocorrência de perdas
de água nos Sistemas
de Distribuição de Água
Grau de escolaridade:
Ensino Básico ( 1º ciclo - 4º ano)
Ensino Básico ( 2º ciclo - 5º/6º ano)
Ensino Básico ( 3º ciclo - 7º-9º ano)
Ensino Secundário
Curso Superior
Mestrado/Doutoramento
Sem escolaridade
Total
Qui-quadrado
gl
Sig.
198
Ocorrência de perdas de
água nos Sistemas de
Distribuição de Água
2,351
6
,885
N
45
27
31
51
28
3
5
190
Classificação
Média
98,93
91,72
91,39
93,09
101,52
127,50
82,20
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controlo de perdas de água no sistema público de distribuição do