Clipping Nacional
de
Educação
Segunda-feira, 09 de Setembro de 2013
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Valor Econômico
09/09/13
EMPRESAS
2047
Grupos privados
dominam cursos técnicos
Por Beth Koike | De São Paulo
As empresas de educação estão
apostando em cursos técnicos,
motivadas pelo programa do
governo que está concedendo
bolsas de estudo. Cerca de 80
grupos privados de ensino superior
já se cadastraram no Ministério da
Educação e Cultura (MEC) para
participar da iniciativa batizada de
Pronatec.
Das 240 mil vagas de cursos
técnicos, 82% estão sendo ofertadas
pelas instituições particulares.
Kroton, Cruzeiro do Sul, Anima e
Ser Educacional já estão
matriculando alunos e outros grupos
como Anhanguera, Laureate e FMU
têm planos de entrar nesse nicho a
partir de 2014. A Abril Educação
também criou um sistema de ensino
voltado para cursos técnicos que já
foi comprado por 90 instituições
particulares e públicas.
Segundo dados do MEC, em
apenas uma semana, 388 mil alunos
que fizeram o exame do Enem se
inscreveram no Pronatec. Como
nem todos os interessados efetivam
a matrícula, as vagas remanescentes
estão sendo ofertadas até o próximo
dia 17 aos interessados que não
fizeram o Enem.
"No ano passado, havia 1,4
milhão de alunos em cursos técnicos.
Metade estuda no ensino privado e
a outra parte, no público. Com o
Pronatec esse número pode dobrar
em cerca de dois anos", disse Mark
Essle, sócio da consultoria Performa
Partners. Essle também é fundador
da etb (escolas técnicas do brasil),
empresa de sistema de ensino de
cursos técnicos vendida para a Abril
Educação em 2011.
Segundo Essle, há um públicoalvo para essa modalidade de curso
de 7,6 milhões de jovens, com idade
entre 18 e 24 anos, que concluíram
o ensino médio, mas não
prosseguiram os estudos. Ainda de
acordo com dados da consultoria
Performa, o segmento de cursos
técnicos movimentou R$ 1,3 bilhão
no ano passado.
Pelas regras do Pronatec, as
faculdades particulares só podem
oferecer cursos técnicos nas mesmas
áreas curriculares em que atuam no
ensino superior. Além disso, são
exclusivos para quem já tem o
diploma do ensino médio. Algumas
instituições como as Etecs permitem
que alunos do ensino médio estudem
concomitantemente o curso técnico,
que tem duração de um a dois anos.
O Ser Educacional, que
protocolou na semana passada
pedido de oferta inicial de ações, tem
disponível 42,8 mil vagas de cursos
técnicos e preencheu na primeira
etapa de inscrições cerca de 15 mil.
"A oferta dos cursos técnicos poderá
ter um impacto significativo no
crescimento da nossa empresa
através do Pronatec", informa
prospecto do Ser Educacional.
O Anima, que também vai fazer
um IPO, abriu 200 vagas no Una,
de Belo Horizonte. "Nossas aulas
começam em setembro com a
totalidade das vagas preenchidas",
disse Ana Carolina Miranda
Sarmento, diretora do Una. Essa é
uma etapa piloto e a meta é abrir
cursos nas outras duas instituições do
grupo, Unimonte e Uni-BH.
A Kroton abriu 19 mil vagas para
10 tipos de cursos técnicos. Os três
mais procurados até o momento são
informática, segurança do trabalho e
redes de computador. "Tivemos uma
procura excelente e nos surpreendeu
porque cerca de 90% das vagas são
para os períodos matutino e
vespertino. No horário da noite,
oferecemos menos vagas por causa
do ensino superior que já tem forte
demanda", disse Paulo de Tarso,
diretor geral de pós-graduação e
cursos técnicos da Kroton, sem
revelar o número exato de
matrículas.
"Com Copa e Olimpíadas, haverá
uma demanda para mão de obra de
nível técnico. Nossa expectativa é
atingir 10 mil matrículas em dois
anos", disse Arthur Sperandeo, vicereitor acadêmico da FMU, que
começa a oferecer essa modalidade
de ensino em 2014.
A Laureate entrou nesse
Continua
Continuação
09/09/13
segmento no início do ano, antes de
o governo liberar o Pronatec para os
grupos privados. A Universidade
Potiguar, do grupo americano, criou
em janeiro 10 cursos técnicos pagos
e atraiu 1,5 mil alunos. Porém, com
o Pronatec não está definido se o
curso técnico particular será mantido,
uma vez oferecerá cursos com as
bolsas do governo a partir de 2014.
Mas não são todos que colheram
frutos na largada do Pronatec. O
Grupo Cruzeiro do Sul registrou
apenas 1,4 mil inscrições. "O número
de matriculados foi bem abaixo de
nossas expectativas. Nós
acreditamos que houve falta de
publicidade sobre o programa.
Acreditamos que no próximo
período de ingresso, em 2014, o
processo será mais eficiente", disse
Janice Valia Santos, coordenadora
geral do Pronatec e pró-reitora de
extensão da Universidade Cruzeiro
do Sul. Segundo Janice, o prazo para
cadastramento das instituições,
escolha dos cursos a serem
oferecidos e inscrições para os
candidatos foi muito curto.
Valor Econômico
09/09/13
2048
EMPRESAS
Evasão no ensino
a distância vai a 42%
Por De São Paulo
Capelato, do Semesp: "É um
alerta para os grupos de ensino
sobre a metodologia aplicada nesse
tipo de curso"
A evasão nos cursos de ensino
superior a distância no país em 2011
atingiu 42%, o que representa um
crescimento de 8,1 pontos
percentuais em relação ao ano
anterior. Os dados são da pesquisa
"Mapa do Ensino Superior"
elaborado pelo Semesp, sindicato
das instituições de ensino superior
privado de São Paulo.
Esse percentual pode ser ainda
maior se forem desconsiderados os
alunos de pedagogia, que
representam 30% dos estudantes de
ensino a distância e cuja taxa de
desistência é bem baixa. A maior
parte deles é professor da rede
pública e precisa do diploma para
atender a uma exigência do governo.
"Os alunos alegam que o principal
motivo da desistência é a falta de
disciplina para estudar. Muitos
iniciam um curso de EAD [ensino a
distância] achando que é fácil, mas
não conseguem se adaptar", disse
Rodrigo Capelato, diretor-executivo
do Semesp.
Também chama atenção o fato
de que em 2010 o índice de evasão
nos cursos a distância era de 33,9%,
semelhante ao do presencial, que foi
de 33,2%. Porém, essa semelhança
não se manteve em 2011. Nos cursos
em que os alunos frequentam
diariamente as salas de aulas, a taxa
de desistência foi de 35,9% e na
modalidade em que o curso é
ministrado pela internet o percentual
saltou para 42%.
"É um alerta para os grupos de
ensino sobre a metodologia aplicada
nesse tipo de curso", disse o diretor
do Semesp. Na maior parte desses
cursos, as aulas são todas
ministradas pela web. Há um modelo
em que os alunos vão aos polos uma
ou duas vezes por semana. Segundo
Capelato, a taxa de evasão neste
segundo formato é menor.
O modelo ideal a ser adotado no
ensino a distância é um dos maiores
debates no setor. A carioca Estácio
já adota cursos a distância 100%
online. A Anhanguera criou neste
segundo semestre um curso neste
mesmo formato, que é oferecido em
paralelo àqueles em que há aulas uma
vez por semana nos polos. Já na
Kroton, o maior grupo do setor, há
aulas presenciais duas vezes por
semana.
O diretor do Semesp defende o
modelo pedagógico adotado nos
Estados Unidos. Lá os cursos são
oferecidos tanto no formato
presencial quanto a distância. O
aluno pode, por exemplo, assistir a
algumas aulas a distância e a outras
na sala de aula. (BK)
09/09/13
2049
EDITORIAL
Filtro eficiente
Apesar das melhoras dos últimos anos, a qualidade
do ensino nas universidades brasileiras ainda é medida,
em grande parte dos cursos, por avanços pontuais. De
um modo geral, o desempenho acadêmico tem atendido
mais a malabarismos estatísticos do que a demandas do
mundo real.
A timidez dos progressos acadêmicos do país, em
comparação com outras nações, está expressa em
números. Num ranking divulgado em fevereiro pelo
Conselho Superior de Investigações Científicas, da
Espanha — o Webometrics Ranking of World
Universities, uma listagem dos mais importantes centros
de ensino superior do planeta — a instituição brasileira
mais bem colocada, a USP, aparece em 19® lugar.
Segunda colocada, a UFRGS, fica em 129^ lugar num
quadro em que o Brasil tem apenâs 12 universidades
entre as 500 mais bem credenciadas do mundo. A
pesquisa, avalizada pela União Europeia, cobre mais de
21 mil universidades e institutos de ensino superior.
Resultados como estes ajudam a expor a ainda tíbia
reação do país ao desafio de melhorar o seu perfil
acadêmico, mas, meramente estatísticos, pouco apontam
quais os caminhos para incrementar mais qualidade no
ensino nas universidades. É preciso buscar as razões em
fatores como as crônicas deficiências do ensino
fundamental, currículos nem sempre à altura dos desafios,
tibieza nos critérios de aferição dos alunos etc.
Iniciativa importante nesse sentido ocorre na área do
Direito, com a obrigatoriedade da prestação das provas
de aferição de saber organizadas pela Ordem dos
Advogados do Brasil A aprovação nesses exames é
pressuposto para o bacharel exercer a prática advocatícia. As enormes taxas de reprovação nessas medições
são um eficiente termômetro: elas indicam que o ensino
jurídico na maioria das faculdades brasileiras destoa das
demandas do mercado.
De novo, os números ajudam a compor um quadro
de crise. Há no país 1.200 cursos de Direito, com 800
mil alunos matriculados — seis vezes mais do que há
vinte anos. Há, ain da, problemas como a exploração
do ensino jurídico como mero negócio lucrativo,
prática nociva acobertada por interesses corporati-vistas
ou mesmo eleitoreiros. De tal forma é a situação que o
MEC anunciou recentemente que pretende adotar
medidas para com bater a ineficiência de cursos de
Direito em funcionamento. Não é de estranhar que, em
algumas edições dos exames, o percentual de reprovação
tenha alcançado mais de 90% dos candidatos.
Se os exames são ou não rígidos demais, é uma
questão a ser debatida no âmbito de uma eventual
discrepância entre o que se ensina nas faculdades e o
conteúdo que a Ordem julga fundamental para manter a
qualidade da atividade advocatícia. Mas não se discute
a importância desse termômetro, um filtro que contribui
para preservar a profissão e o mercado das deficiências
acadêmicas do setor.
09/09/13
2050
OPINIÃO
Um equívoco
Carmen Fontenelle
No último dia 11 de agosto
comemoraram-se os 186 anos do
advento dos cursos jurídicos no
Brasil Nestes quase dois séculos de
história, milhões de jovens puderam
escolher a carreira de advogado sem
qualquer barreira a não ser concluir
o curso universitário. Nessas
condições, a advocacia brasileira
gerou ilustres profissionais, diversos
dos quais alcançaram inclusive a
Presidência da República.
Até o início dos anos 60, os
bacharéis jamais foram obrigados a
prestar qualquer prova para
ingressar na profissão, sendo sua
"banca examinadora" apenas o
próprio exercício da advocacia, que
separa o joio do trigo. Depois disso
a Faculdade de Direito "virou moda"
já que nela havia supostamente um
curso rápido, fácil — e, quiçá,
barato. Tal situação provocou uma
avalanche de profissionais do Direito
de baixíssima qualidade.
Guardiã da categoria, a Ordem
dos Advogados do Brasil, em 1963,
instituiu uma avaliação dos
diplomados, concebida apenas para
o estudante que optasse por não se
submeter a um estágio de prática
forense, quando de sua inscrição nos
quadros da entidade, requisito legal
para ã prática de profissão. Em
1994, o Exame de Ordem foi então
regulamentado e definido como via
exclusiva do bacharel em Direito
para ingressar em sua profissão.
Prova mais polêmica do Brasil,
o Exame da Ordem ganhou
notoriedade menos por seus méritos
do que por seus altíssimos e
assustadores índices de reprovação.
Com isso ficou violado o
fundamental direito ao livre exercício
da profissão, previsto no art. 5%
inciso XIII de nossa Constituição,
porque o Exame criou uma barreira
para os bacharéis.
O diploma válido em mãos é, por
excelência, o comprovante de
habilitação para a advocacia. Qual
a razão de ter-se que revalidá-lo
para poder trabalhar? Contra a
própria essência da profissão, tolhese a escolha de uma carreira liberal,
impondo-lhe uma espécie de
concurso público.
Em vez de criar um critério
discricionário de seleção, com perfil
de reserva de mercado, já que
efetivamente limita o número de
profissionais de forma até arbitrária,
a Ordem dos Advogados poderia
exercer suas atribuições e atuar de
maneira preventiva ou manifestar-se
quanto aos pedidos de criação,
reco-nhecimento e credenciamento
de cursos jurídicos. Poderia também
atuar na defesa da qualificação do
ensino jurídico e combater as
"fábricas de diplomas" Ou seja,
cortar pela raiz a má qualidade do
ensino jurídico.
Hoje, o jovem que deseja seguir
a carreira de advogado no Brasil,
antes mesmo de entrar na faculdade,
não pensa mais em seus ideais, mas
sim no apavorante Exame da Ordem,
agora mais notório que a própria
OAB. Exame tão difícil e nada
qualificativo que certamente seria um
desafio até para advogados
militantes, mesmo os mais
renomados e caros.
O Exame da Ordem é um
paliativo equivocado contra
advogados mal formados.
Carmen Fontenelle é advogada
09/09/13
2051
O PAÍS
ENTREVISTA Viviane Mosé
‘Nossa educação hoje é
castradora e elimina líderes’
Continua
Continuação
09/09/13
09/09/13
2052
RIO
09/09/13
2053
SUL E SUDESTE TÊM 19 DAS
25 MELHORES UNIVERSIDADES
CAPA
09/09/13
ESPECIAL
2054
Sul-Sudeste tem 19 das 25
melhores universidades
Ranking incorpora novidades
como a avaliação da qualidade de
ensino nas 30 carreiras com maior
número de matriculados
FÁBIO
TAKAHASHI
SABINE RIGHETTI
A s regiões Sul-Sudeste
concentram 19 das 25 melhores
universidades do país. São Paulo
aparece à frente, com cinco
instituições, seguido por Rio de
Janeiro (quatro), Minas Gerais,
Paraná e Rio Grande do Sul (três
cada) e Santa Catarina (uma). O
Nordeste tem quatro (Bahia, Ceará,
Paraíba e Pernambuco) e o CentroOeste, duas (Goiás e Distrito
Federal).
USP, UFRJ e UFMG
encabeçam o ranking. A região
Norte não aparece no grupo
principal.
A título de comparação, a nota
média do grupo de elite do RUF
(86,79) é 27% superior à média das
25 instituições que vêm a seguir no
ranking de universidades (68,40).
Essa radiografia regionalizada do
ensino superior brasileiro emerge da
edição 2013 do RUF, cujo ranking
geral, publicado integralmente nesse
suplemento, classifica as 192
instituições reconhecidas como
universidades pelo Ministério da
Educação.
Em sua segunda edição, o RUF
manteve a filosofia e aperfeiçoou a
metodologia para contemplar duas
grandes áreas de interesse: a
produção científica -aferida com
base em indicadores de pesquisa,
inserção internacional e inovação- e
a graduação, calcada na avaliação da
qualidade de ensino e na ressonância
da instituição no mercado de
trabalho.
No total, são avaliados 5
indicadores, subdivididos em 16
subindicadores, que geram rankings
independentes e podem ser
consultados separadamente (veja a
metodologia na pág. ao lado).
É na área de graduação que está
a maior novidade deste ano: o
ranking de ensino, uma análise
extensiva inédita dos indicadores dos
cursos ministrados em 2.358
instituições.
A avaliação contempla as 30
carreiras com maior número de
estudantes matriculados em 2011
(último dado disponível no instituto
de pesquisa do MEC, o Inep).
Conduzido pelo Datafolha, o
levantamento usa basicamente os
mesmos critérios de ensino e
mercado do ranking geral de
universidades, mas com adaptações
metodológicas para atender às
diferenças de propósitos das
instituições -que nesse caso incluem
também os centros universitários e
faculdades (veja quadro na pág. 19).
Dada a extensão do universo
pesquisado, o ranking de cursos é
publicado em versão limitada aos dez
primeiros colocados. As tabelas
completas podem ser consultadas no
site do RUF.
RESULTADOS
A USP aparece com destaque
nesse levantamento pormenorizado,
com o maior número de cursos no
top 10 das 30 carreiras analisadas.
A maior universidade estadual
paulista só não pontua em serviço
social porque não tem essa
graduação.
A ampliação da avaliação do
ensino por curso permitiu ainda
identificar destaques entre
instituições que não são classificadas
como universidades. As faculdades
Insper e a FGV-SP, por exemplo,
ficaram entre as dez melhores nas
duas carreiras de seus portfólios
analisadas pelo RUF.
Outra novidades do RUF 2013
é a criação do ranking de
internacionalização, liderado na
estreia pela Universidade Federal do
ABC. Criada em 2005 e com um
modelo inovador de ensino, a
instituição tem 100% de docentes
com doutorado e desponta no 21º
lugar do ranking de pesquisa científica
do RUF.
Colaboraram
BRUNO
FÁVERO e BRUNO LEE,
colaboração para a Folha
09/09/13
2055
ESPECIAL
Análise
Fazer ranking implica estar
aberto à ideia de retoques constantes
Mudança nos indicadores
permitiu avaliar não só as instituições,
mas cursos oferecidos por
universidades, faculdades e centros
universitários
HÉLIO SCHWARTSMAN
Rankings universitários,
principalmente em suas primeiras
edições, são uma obra em
construção. Se a própria ideia de
traduzir num único indicador
numérico a enorme teia de
complexidades que caracterizam as
atividades universitárias já é
problemática, definir quais
indicadores utilizar e qual peso
atribuir-lhes apenas amplia o leque
de dúvidas e questionamentos.
A única certeza que desponta do
exercício de elaborar um ranking é
a de que haveria outros caminhos
igualmente válidos, o que na prática
implica aceitar a ideia de que esse
tipo de empreitada deve estar aberta
a constantes aperfeiçoamentos.
Essa, aliás, é a regra nos rankings
internacionais. Um dos mais
reputados, o THE (Times Higher
Education), criado em 2004,
promoveu mudanças em todas as
versões exceto a de 2012.
À primeira edição do RUF, em
2012, seguiu-se a esperada chuva
de críticas, que foram debatidas em
âmbito externo e interno. Muitas
delas foram incorporadas pela
equipe, outras, descartadas e houve
ainda problemas que foram
considerados momentaneamente
insolúveis.
Tudo isso resultou numa série de
mudanças que aparecem agora no
RUF 2013.
A mais notável delas é a
reformulação do indicador de ensino.
No RUF 2012, para tentar capturar
essa dimensão, o Datafolha havia
entrevistado 597 pesquisadores
cadastrados no CNPq que opinaram
sobre quais eram as melhores
graduações.
Havia, contudo, um problema e
ele estava no fato de a base ser
composta por pesquisadores que
não necessariamente estavam
familiarizados com questões de
ensino. Na versão 2013, após
entendimentos com o Inep, o
Datafolha passou a utilizar como
base os professores universitários
que fazem a avaliação de graduações
para o MEC. De um total de 4.354
especialistas,
464
foram
entrevistados e deram sua opinião
sobre os melhores cursos do país,
em suas áreas.
Também se agregou ao módulo
de ensino três indicadores objetivos:
o percentual de professores com
doutorado, com dedicação integral
e a nota dos cursos de graduação
no Enade. Este último recebeu,
entretanto, uma pontuação baixa
(2% do total da nota de cada
universidade, contra 4% para os
anteriores). A ideia aqui é que esse é
um exame promissor, mas que ainda
apresenta problemas, notadamente
os boicotes organizados por alunos
e as retenções de formandos, de que
algumas escolas se utilizam para
melhorar suas notas.
Tão logo as dificuldades sejam
resolvidas, espera-se aumentar o
peso do Enade no RUF.
A mudança da base de
entrevistados e a inclusão de
indicadores objetivos permitiram ao
RUF 2013 avaliar não apenas
universidades, como em 2012, mas
também cursos individuais oferecidos
não só por universidades mas
também por centros universitários e
faculdades. Foram ranqueadas
2.358 escolas que disponibilizam
graduação nos 30 cursos com mais
matrículas. Essa é a grande novidade
do RUF 2013.
Outro módulo que mereceu
críticas em 2012 foi o do mercado
de trabalho. Para definir quais eram
as melhores instituições aos olhos do
mercado, o Datafolha entrevistou
responsáveis pela área de recursos
humanos de empresas. Um dos
problemas aqui é que os resultados
carregam muito do tamanho das
instituições. Uma universidade
grande, que forme muita gente, tende
Continua
Continuação
09/09/13
a receber mais menções do que uma
escola menor, mesmo que esta seja
de melhor qualidade.
Infelizmente, não foi encontrada
uma fórmula para eliminar ou ao
menos reduzir esse efeito (se alguém
tiver uma sugestão, procure o blog
do RUF). Decidiu-se, entretanto,
por manter a avaliação, com um peso
um pouco menor (18% contra 20%
em 2012), já que o mesmo viés
provavelmente aparece também nas
contratações, fazendo assim parte do
mundo real.
Diferentemente de 2012, quando
foi avaliada a inserção de egressos
dos 20 cursos que mais formam,
neste ano foram considerados os 30
cursos com mais matrículas no ano
de 2011.
Os blocos que praticamente não
sofreram alterações foram o de
inovação e de pesquisa, visto que são
áreas nas quais existem indicadores
objetivos à profusão e que já foram
bastante discutidas na literatura
internacional. As mudanças aqui se
limitaram a pequenas alterações no
peso dos subindicadores de
pesquisa.
Vale ainda mencionar a
internacionalização, que aparecia de
forma embrionária no bloco de
pesquisa em 2012 e se tornou um
módulo independente com mais
subindicadores em 2013.
A justificativa é que o grau de
inserção internacional de uma
universidade é um item que vem
recebendo cada vez mais atenção em
todo o mundo.
Uma descrição mais detalhada da
metodologia empregada no RUF
2013, bem como as diferenças em
relação à edição de 2012, pode ser
encontrada no site do ranking.
Embora seja possível conferir a
evolução de uma universidade de um
ano para o outro, vale lembrar que
as mudanças metodológicas não
recomendam que se dê muita
atenção a essa comparação.
09/09/13
2056
ESPECIAL
Pesquisa
São Paulo tem 5 das 10 líderes
em produção científica
Estabilidade no financiamento e
recursos garantidos fazem estado
predominar no indicador; união tenta
desconcentrar a produção
REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A
FOLHA
O RUF 2013 confirma: apesar
dos esforços do governo federal
para disseminar a produção
científica por outras regiões do país,
a maior parte da pesquisa nacional
de qualidade continua concentrada
no Estado de São Paulo.
Das dez primeiras colocadas
nesse indicador, cinco são paulistas
-todas as universidades estaduais
(USP, Unicamp e Unesp) e duas
federais em São Paulo (Unifesp e
UFSCar).
Pesquisadores de outros Estados
não vacilam ao apontar o fator que
anaboliza esse desempenho: a
estabilidade na política de
financiamento. Desde a década de
1960, São Paulo tem sua agência de
fomento específica, a Fundação de
Amparo à Pesquisa.
Mantida com dinheiro do
governo estadual, ela financia
trabalhos de qualquer faculdade
paulista, incluindo as privadas.
"Todos gostariam de ser uma
Fapesp", afirma Sergio Gargioni,
presidente da contraparte
catarinense, a Fapesc, e do Confap
(Conselho Nacional das Fundações
de Amparo à Pesquisa).
A agência paulista recebe, por lei,
1% da arrecadação estadual, livre de
contingenciamentos do Executivo. É
algo em torno de R$ 1 bilhão,
equivalente a todo o orçamento da
Federal da Bahia.
As estaduais paulistas ainda
dividem 9,57% do ICMS, livres de
contenção. Só a USP deve receber
neste ano R$ 4,3 bilhões, valor
equivalente à soma dos recursos das
federais do Rio (UFRJ), Minas
(UFMG) e Bahia (UFBa).
Com verba garantida, a USP
consegue manter um programa
próprio de financiamento de
pesquisas, que contou com R$ 200
milhões entre 2010 e 2012.
Há, ainda, dinheiro de empresas.
Para o diretor-científico da Fapesp,
Carlos Henrique de Brito Cruz, a
intensa atividade de pesquisa no
setor produtivo paulista também
influencia os resultados acadêmicos
de São Paulo.
"O percentual de recursos para
pesquisa que vem de empresas para
as estaduais paulistas supera a média
dos EUA", diz.
DESCONCENTRAÇÃO
A concentração já foi pior.
"Em 1993, 70% dos grupos de
pesquisa cadastrados no CNPq eram
paulistas. O número de grupos
aumentou [hoje são quase 28 mil],
mas a concentração diminuiu. São
Paulo tem agora 46%", afirma
Glaucius Oliva, presidente do CNPq,
principal agência de fomento do
governo federal.
Colaborou para a mudança, diz
Oliva, uma lei de 2001 que destina
30% dos recursos dos fundos
setoriais para pesquisa no Norte,
Nordeste e Centro-Oeste.
"Fazíamos um esforço para receber
pedidos de financiamento de
pesquisa nessas regiões. Hoje há
propostas competitivas."
Segundo Oliva, já há polos de
pesquisa em Natal (neurociência) e
Campina Grande (tecnologia).
Colaboraram
TAKAHASHI e
RIGHETTI
FÁBIO
SABINE
09/09/13
2057
ESPECIAL
Maioria das instituições não deveria
receber título de universidade
ROGÉRIO MENEGHINI
ESTÊVÃO GAMBA
A classificação de uma instituição
de ensino superior como UP
(Universidade de Pesquisa) foi
introduzida nos EUA em 1970, pela
Fundação Carnegie, para diferenciar
as instituições extensivamente
engajadas em atividades de
pesquisa. A ideia é que as UPs
fossem responsáveis pela produção
de parte significativa da ciência de
ponta americana.
distribuição de verbas públicas para
pesquisa é satisfatório em volume.
São cerca de 0,6% do PIB (US$ 15
bilhões). A distribuição é
razoavelmente criteriosa, com
avaliação de qualidade. O dispêndio
envolve as agências federais CNPq
e Capes e as FAPs (Fundações
Estaduais de Amparo a Pesquisa),
que
empregam
recursos
significativos, comparáveis aos
aplicados em países como Inglaterra
e Espanha.
UPS NACIONAIS
Entre as 7.300 instituições de
ensino superior dos EUA, o total de
UPs variou entre 50 e 100.
Em 2005, novo modelo de
classificação foi instituído, bem mais
amplo, que destaca as áreas de
ensino, mas o termo universidade de
pesquisa ainda é utilizado.
A importância delas no Brasil é
maior do que em países avançados,
pois aqui a pesquisa realizada pelo
setor empresarial ainda é pouco
numerosa. Nessa linha, é importante
estimular a atuação das UPs na área
de inovação, ainda incipiente.
O sistema brasileiro de
No RUF de 2013, é possível
notar 36 universidades que captaram
um mínimo de R$ 20 milhões para
pesquisa, um montante significativo.
São 26 federais, sete estaduais e três
privadas.
Elas são responsáveis por 70%
de toda a produção científica
brasileira em 2009-2010 e podem
ser consideradas UPs, na medida em
que grande parte de seus docentes
está envolvida nesta atividade e na
formação de doutores.
No outro extremo estão cerca de
dois terços das universidades
brasileiras, com uma fração baixa de
docentes envolvida em produção
científica. Pelos critérios do MEC,
são
reconhecidas
como
universidades, mas seriam mais
propriamente
consideradas
Instituições de Ensino Superior.
Embora tenhamos universidades
de alta qualidade, elas ainda não
fazem parte do time de "world class"
nos rankings internacionais. A USP,
melhor universidade do Brasil de
acordo com o RUF, está em 158º
lugar na lista do THE (Times Higher
Education), muito longe das líderes
Caltech (EUA) e Oxford (Reino
Unido). Faltam-lhe dois ingredientes
importantes: a internacionalização
mais pujante do corpo docente e um
investimento maior voltado à atração
do alunato internacional.
Rogerio
Meneghini
é
coordenador científico do Programa
SciELO (base que reúne 323
periódicos científicos nacionais com
acesso aberto), professor
aposentado da USP e responsável
pela medição científica do RUF.
Estêvão Gamba é doutorando da
Unifesp e corresponsável pela
medição científica do RUF.
09/09/13
2058
ESPECIAL
Internacionalização
Inglês não tem chance nem entre as melhores
Sem aulas em inglês, Brasil só
consegue atrair professores e alunos
estrangeiros da américa latina e de
Portugal
SABINE RIGHETTI
As universidades de elite de todo
o mundo têm pelo menos uma
obsessão comum: a busca por
estudantes e professores
estrangeiros. Egressos de outros
países trazem um repertório
diversificado de ideias, problemas e
soluções, o que enriquece o
ambiente de ensino -e, no caso dos
alunos importados, também o caixa
das instituições.
No Brasil, porém, o movimento
de internacionalização está
engatinhando. Além da falta de uma
política de atração de estrangeiros,
ensinar em português é um grande
empecilho.
inglês é o principal fator de
internacionalização em universidades
de países de língua não-inglesa",
analisa Laura Ripoll, da Universidade
de Girona, na Espanha, que criou
metodologia para analisar a
internacionalização de universidades
de seu país.
A ausência do inglês nas salas de
aula é reflexo da pouca fluência
nacional, como mostra o Ciência sem
Fronteiras, programa federal que já
enviou cerca de 50 mil alunos para o
exterior e planeja chegar a 100 mil.
As seis universidades que mais
receberam bolsistas brasileiros
quando o programa foi lançado eram
portuguesas. A campeã foi a
Universidade de Coimbra (709
alunos). Portugal acabou sendo
retirado do programa.
MOBILIDADE ENGESSADA
Em países como Holanda,
Alemanha e Dinamarca, a maioria
das universidades dá aulas em inglês,
para permitir a o intercâmbio de
alunos e docentes. Recentemente,
até a vetusta Universidade Sorbonne
aderiu a aulas no idioma de
Shakespeare.
"A quantidade de disciplinas em
Enquanto em Harvard, nos EUA,
a média de alunos estrangeiros chega
a 20%, nas estaduais paulistas é de
2%. A maioria vem de países
vizinhos, como Argentina, Colômbia
e Portugal.
A
universidade
mais
"internacional" do Brasil, UFABC, e
a melhor do país, USP, ainda não têm
planos de dar aulas em inglês. A
Unicamp chegou a estudar a
possibilidade, mas o assunto saiu da
pauta do conselho universitário.
A resistência vem da própria
comunidade acadêmica, que alega
que aulas em inglês afetariam a
igualdade nas condições de acesso
e permanência na escola.
As estaduais paulistas já podem
promover concursos para docentes
em outros idiomas. "Nas
universidades federais, no entanto,
um estrangeiro teria de ser
concursado em português para dar
aula", diz Leandro Tessler, excoordenador
de
relações
internacionais da Unicamp.
Avalizado por especialistas, para
quem a inserção internacional é uma
necessidade imposta pela
globalização cada mais acentuada
de pesquisa e ensino, o RUF 2013
incorporou três subindicadores para
aferir o grau de reconhecimento das
universidades brasileiras no exterior.
Entre os líderes da lista desse
indicador, há quatro universidades
públicas e uma privada. Nenhuma
delas têm aulas em inglês.
09/09/13
2059
ESPECIAL
Propriedade Industrial
Universidades são as que mais inovam
USP e UFMG estão lado a lado
com Petrobras na lista de quem mais
pede patente no Brasil
SABINE RIGHETTI
Enquanto ainda se discute se é
papel das universidades fazer
pesquisa para o mercado, no Brasil
são justamente as universidades que
mais inovam.
De acordo com um levantamento
do Inpi (Instituto Nacional da
Propriedade Industrial), USP e
Unicamp estão no topo da lista de
grandes patenteadores do Brasil ao
lado de empresas como a Petrobras
e a Whirpool.
Também conforme o Inpi, a taxa
de aprovação dos pedidos de
patente, que gira em torno de 10%
a 20%, tende a ser maior nas
universidades do que a das
empresas. Isso porque as
universidades estão mais preparadas
para escrever esses pedidos.
"As universidades estimularam o
patenteamento recentemente com
criação dos núcleos de inovação
tecnológica internamente. Já as
empresas não tiveram o mesmo
estímulo adicional para patentear",
explica o engenheiro Bruno Rondani,
da consultoria de inovação Allagi.
Esses núcleos têm profissionais
que auxiliam os pesquisadores a
escrever os pedidos de patentes,
acompanham o trâmite (que leva em
média seis anos) e, se o pedido for
aprovado, buscam empresas para
licenciá-lo.
A participação das universidades
no processo de inovação, dizem os
especialistas, ainda tende a crescer
nos próximos anos.
"As universidades estão buscando
consolidar seu papel como
produtoras de conhecimento",
explica Herica Righi, pesquisadora
da Fundação Dom Cabral.
Unicamp e a UFMG planejam até
a construção de um parque
tecnológico no campus nos moldes
da UFRJ, com laboratórios de
empresas como a Petrobras.
"Já as empresas enfrentam
barreiras para inovar, como riscos
econômicos e elevados custos da
inovação", afirma Righi.
09/09/13
2060
ESPECIAL
Ensino
Enade tira USP do topo da graduação
Única escola do país que não
participa do exame federal, a
Universidade de São Paulo perde
pontos e fica atrás das federais
UFRGS e UFMG
FÁBIO TAKAHASHI
Primeira colocada no ranking geral
do RUF e dona de alguns dos cursos
mais cobiçados do país, a USP perdeu
para as federais UFRGS e UFMG no
indicador de ensino.
A desvantagem da universidade
estadual paulista pode ser explicada
por uma decisão metodológica desta
edição 2013: a inclusão do Enade,
exame nacional do MEC, como
critério para avaliar cursos de
graduação.
A USP é a única escola do país
que até este ano se recusava a
participar da prova, escorada no
argumento das deficiências do exame,
que não permite, por exemplo,
identificar se uma nota baixa é reflexo
de boicote do aluno.
Parte da sociedade, porém,
encarava a decisão como uma recusa
da universidade a se submeter a
avaliações comparativas.
Sem o Enade, a USP perdeu de
largada dois pontos. Como sua
diferença em relação à líder de
ensino, UFRGS, foi de 1,07 ponto, ela
provavelmente assumiria a ponta
também nesse indicador, caso tivesse
feito a prova.
Um dado reforça essa
possibilidade. A estadual paulista ficou
à frente das duas federais nos outros
três subindicadores de ensino (opinião
dos avaliadores do Inep-MEC,
docentes com doutorado e com
dedicação integral).
A inclusão do Enade no RUF
atende o objetivo de valorizar a
participação das universidades numa
avaliação nacional e padronizada dos
estudantes.
O entendimento é que a prova
federal, criada em 2004 e feita
anualmente por cerca de 500 mil
formandos, pode dar informações
pertinentes sobre a qualidade da
formação nas instituições.
No mês passado, a USP anunciou
a adesão em caráter experimental,
mas suas notas não serão divulgadas
ao menos nos próximos três anos. Os
alunos também poderão faltar ao teste,
sem qualquer punição -nas federais e
particulares obrigadas por lei a fazer
o exame, os ausentes não conseguem
tirar o diploma.
A pró-reitoria de graduação diz
que "reconhece o Enade como
indicador de qualidade", mas aguarda
aprimoramentos para aderir a ele
integralmente.
A entrada tardia no exame federal
atrapalhou também a Unicamp, que
começou a participar apenas em 2010
e não tem notas em todos os cursos.
A escola de Campinas ficou em 7º no
ensino.
DISCREPÂNCIA
A complexidade do RUF traz uma
situação que pode parecer
contraditória. A USP é 3ª colocada no
indicador geral de ensino, mas é a
universidade com o maior número de
cursos em primeiro lugar (sete).
Para o Datafolha, que tabulou dos
dados, isso pode ocorrer porque a nota
geral leva em conta todos os cursos
das 192 universidades, e não apenas
as 30 carreiras avaliadas
individualmente no RUF. Assim,
alguns dos outros 219 cursos
oferecidos pela USP podem perder
pontos para concorrentes, como as
federais de Minas e do Rio Grande
do Sul.
AS LÍDERES
Primeira colocada no ranking das
graduações, a UFRGS afirma que a
universidade foi impulsionada pela
contratação, nos últimos cinco anos,
de 750 professores, que se somaram
aos então 2.000 docentes, como parte
do programa de expansão das
universidades federais, iniciado em
2007 -95% dos novos educadores têm
titulação de doutor.
"Ganhamos em vitalidade e em
novas ideias. Os recém-contratados
se aliaram a um corpo docente já
consolidado", afirma o reitor Carlos
Alexandre Netto.
A UFMG diz que seu ponto forte
é a integração de ensino e pesquisa.
O reitor Clélio Campolina Diniz cita
como exemplo um acordo recémfechado com a Fiat para
desenvolvimento dos motores a álcool
usados nos veículos da montadora. Os
estudantes poderão participar do
projeto.
09/09/13
2061
ESPECIAL
Perfil dos professores
influencia ranking de ensino
Variáveis como docentes com
doutorado e dedicação integral
podem influir mais na qualidade do
curso do que a infraestrutura
FÁBIO TAKAHASHI
A partir desta edição, o RUF
passa a adotar dois subindicadores
para avaliar a qualidade dos
docentes na graduação: número de
doutores e de professores que
trabalham em regime de dedicação
integral.
A inclusão do primeiro se baseia
na aceitação mundial do critério,
adotado pelos principais rankings
internacionais e consenso de
qualidade entre especialistas.
Já o segundo contempla uma
peculiaridade do cenário nacional o predomínio de instituições com
professores que apenas dão aulas,
sem tempo remunerado para atender
alunos e fazer pesquisas.
Esses fatores podem ser mais
efetivos do que a infraestrutura da
escola, avalia o professor de
economia da USP Reynaldo
Fernandes, que estudou as variáveis
que influenciam a qualidade do
ensino quando era presidente do
Inep, entre 2005 e 2009.
"Testamos todos os dados
disponíveis. Doutorado e dedicação
integral apareceram como os mais
significativos", diz. Em 2008, os dois
quesitos passaram a integrar a lista
oficial que o MEC adota na
fiscalização dos cursos.
O pesquisador pondera, porém,
que esses subindicadores podem não
ter tanto impacto em cursos que
exigem uma ligação mais estreita com
o mercado.
A área de publicidade é um caso
exemplar. Nela, a ESPM é
considerada a melhor tanto pelos
avaliadores do MEC quanto pelos
executivos de RH. Mas, como a
escola aparece na 116ª posição da
lista de docentes com doutorado, cai
para o terceiro no ranking de ensino.
A ESPM tem 31% de doutores; a
USP conta com 99%.
"Buscamos professores que
sejam atuantes no mercado de
trabalho, e dificilmente eles têm
doutorado", afirma o pró-reitor de
graduação da ESPM, Marcelo
D'Emídio. "Mas à medida que haja
mais profissionais com titulação,
vamos atrás deles. É o perfil que
buscamos."
Os dois subindicadores foram
usados em conjunto apenas no
ranking geral de universidades. Na
análise dos 30 cursos que mais
formam, o item dedicação integral
deixou de ser adotado por falta de
dados do Inep-MEC.
09/09/13
2062
ESPECIAL
Emprego
Particulares apostam em convênios
Instituições privadas investem em
estágio e em atualizações nos
currículos para obter sucesso entre
empresas
FERNANDA MENA
Flexibilidade para atualizar projetos
pedagógicos de cursos, avaliação
constante de aulas/professores e
programas de estágios robustos, que
aproximam alunos de empresas e
instituições de ensino.
São essas as três características
comuns às universidades privadas que
estão no ranking das dez instituições
de ensino superior com maior
aceitação no mercado de trabalho nas
30 carreiras analisadas pelo RUF.
O Datafolha perguntou a 1.681
executivos da área de recursos
humanos de empresas de todo o
Brasil de quais universidades eram os
formandos que suas organizações
mais contratavam.
A lista das mais citadas (veja ao
lado), encabeçada pela USP, traz a
Universidade
Presbiteriana
Mackenzie (UPM) na segunda
posição, a Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP) na
quarta colocação, a PUC-Minas no
sexto lugar e a Universidade Paulista
(Unip) em nono lugar do ranking de
mercado.
"Essas instituições têm o benefício
de colocar no mercado um grande
número de alunos. Ainda assim, as
três práticas citadas por elas são, de
fato, importantes para que tenham
preferência no mercado de trabalho",
avalia Romário Davel, consultor
educacional da Hoper.
"Instituições antenadas que
flexibilizam os programas de seus
cursos podem torná-los mais atrativos
a quem emprega. Um sistema de
controle de qualidade do conteúdo
ministrado em aula é, portanto,
fundamental também. E um projeto de
estágios aproxima os alunos de quem
pode empregá-los."
Nona colocada na classificação do
mercado de trabalho, a Unip tem
cerca de 170 mil alunos, dos quais mais
de 70 mil frequentam cursos à
distância. Para o reitor João Carlos
Di Genio, no entanto, não foi o volume
de formandos que colocou a
instituição entre as dez mais citadas
pelas áreas de recursos humanos das
empresas.
"Há outras instituições com tantos
estudantes quanto nós em São Paulo
e que não foram tão citadas", defende.
"Sempre estivemos voltados para o
mercado e o futuro das profissões,
cujas mudanças são ditadas pela
economia e pelas medidas do governo.
Atualizamos nossos cursos em função
dessas diretrizes."
A vice-reitora, Marília Ancona
Lopes, cita o caso do curso de
pedagogia, que ganhou disciplinas
lecionadas via internet para
familiarizar os alunos a novas
plataformas de ensino e de
relacionamento com alunos.
A
UPM
(Universidade
Presbiteriana Mackenzie) credita sua
classificação a uma combinação que
tem como elemento-chave o programa
de estágios.
Foi por meio dele que, em 2012,
mais de 16 mil contratos de estágio
para os cerca de 40 mil alunos do
Mackenzie foram assinados. "Fomos
os primeiros a criar um programa
oficial de estágios no Brasil, ainda nos
anos 1920", conta o reitor Benedito
Guimarães.
Bolsas de auxílio-pesquisa,
laboratórios, incubadora de empresas
júnior e eventos de recrutamento
também são citados como parte deste
resultado.
Para a reitora da PUC-SP, Ana
Cintra, o sistema de avaliação do
corpo docente da universidade, que
passou a incluir pareceres dos alunos,
ajuda a manter a instituição neste
ranking. "A tradição e a história da
PUC pesam bastante também", avalia.
Para a vice-reitora da PUCMinas, Patrícia Bernardes, é preciso
que universidade e mercado dialoguem
mais, já que são as empresas que
lidam com inovação e produtividade
e que geram a renda do país.
"Para aumentar produtividade e
competitividade do Brasil é necessário
que as universidades falem um pouco
mais a linguagem do mercado", diz.
"O desafio da universidade é fazer
com que a aproximação dos alunos
com o mercado se dê com a maior
qualidade possível."
09/09/13
2063
ESPECIAL
É essencial desenvolver informações
melhores da universidade
Ensinar e aprender são mais
difíceis de quantificar. Faltam
ferramentas para comparar a
qualidade do ensino de diferentes
disciplinas
SIMON MARGINSON
Há muito em jogo no ensino
superior. Governos e público
esperam, com razão, que as
universidades elevem o nível nacional
de capacitação, fomentando a
modernização continuada e o
avanço da prosperidade.
Pesquisas produzidas em
universidades enfrentam grandes
problemas humanos, como saúde
pública, projeto urbano, segurança
de alimentos e água e mudança do
clima. Ao mesmo tempo, a pesquisa
tem papel cada vez mais central nas
economias propelidas pelas
inovações em produtos e marketing
-e a ciência e o estudo se tornaram
grandes instrumentos de
desenvolvimento regional e de
melhoria da vida urbana.
O surgimento de ensino e
pesquisa de classe mundial é um dos
traços principais nas duas grandes
zonas de desenvolvimento acelerado
do século 21, a América Latina e o
leste da Ásia. A crescente força das
universidades do Brasil é tanto
sintoma quanto causa da crescente
força do Brasil no cenário mundial.
A USP é uma instituição de
primeira linha em termos de ciência
e desempenho acadêmico. Outras
universidades brasileiras também
estão começando a ganhar
importância internacional. As escolas
de primeira linha são poderosas
concentrações de talento,
criatividade, percepção, ideias e
desenvolvimento de produtos.
É crucial que o Brasil desenvolva
mais instituições como essas. Os
países sem universidades de classe
mundial se verão cada vez mais
sujeitos a agendas determinadas fora
de suas fronteiras. A fraqueza na
educação e na ciência significa
neocolonização e dependência.
Mais e mais famílias desejam
saber quais as melhores
universidades para seus filhos.
Público, governo e empresas querem
saber quais devem ser foco de
investimento e como as instituições
brasileiras se comparam às
universidades de outros países, e
umas às outras.
Tudo isso torna essencial o
desenvolvimento de informações
melhores sobre as universidades.
Trata-se de instituições complexas,
com muitos papéis e muitas formas
de produção. Uma maneira de
enquadrar as informações é
classificá-las em comparação direta,
com critérios determinados pelos
diferentes elementos da atividade
universitária: ensino e aprendizado,
pesquisa, inclusão social, conexões
internacionais e assim por diante.
Com seu ranking de universidades
brasileiras, a Folha fez exatamente
isso. O ranking resume um problema
complexo em termos claros e
simples.
Mas esse processo também tem
seus limites e pontos fracos, e é
importante tê-los em mente.
Muitas vezes, os rankings
combinam dados objetivos -fatos
observáveis, tais como o número de
alunos e de estudos publicados ou
as verbas investidas- a fatores
subjetivos, baseados em pesquisas.
Pesquisas de opinião, quer entre
leigos, quer entre especialistas,
sempre se baseiam em informações
parciais, distorcidas e imprecisas.
Não podemos depender delas para
oferecer comparações precisas entre
instituições. Dados sólidos e
observáveis são muito mais úteis.
ENSINAR E APRENDER
Os rankings medem algumas
formas de produção universitária de
maneira mais completa e precisa que
outras. Os indicadores de pesquisa
em termos de número de estudos
publicados, e do impacto desses
estudos com base no número médio
de citações acadêmicas, são
relevantes e têm base sólida. Mas
esses indicadores não nos dizem
tudo sobre a relevância social e
econômica e o impacto das
pesquisas.
Continua
Continuação
09/09/13
Ensinar e aprender são muito mais
difíceis de quantificar. Faltam-nos
ferramentas para comparar
precisamente a qualidade do ensino
de diferentes disciplinas
universitárias, quanto mais para
comparar uma universidade à outra,
ou países inteiros. Podemos medir os
recursos materiais investidos, mas
não a qualidade das aulas e seus
efeitos a longo prazo sobre o avanço
na capacitação dos estudantes.
Indicadores
de
internacionalização
e
de
contribuições das universidades à
inovação capturam apenas pequena
porção das ricas atividades que
essas rubricas abarcam. Isso não
significa que sejam inválidos, mas que
os rankings devem ser tratados
como uma dentre diversas fontes
possíveis de informação.
Surgem outros problemas quando
esses diferentes elementos são
combinados em um índice e tabela
de classificação únicos. Para
combinar os diferentes elementos, é
preciso desenvolver um sistema de
ponderação. Ponderar é um
processo estimativo, e o ranking
combinado resultante tem pouco
valor objetivo. Essa é uma área na
qual o processo de ranking envolve
simplificação excessiva. É melhor
classificar universidades em termos
de indicadores únicos do que de
indicadores combinados.
A despeito desses problemas, as
comparações
e
rankings
universitários são um setor em
crescimento. O debate sobre a
precisão e validade dos indicadores
fomenta uma cultura de melhora na
mensuração. No futuro, devemos ter
novas formas de rankings
universitários, bem como melhora
continuada na qualidade das
comparações.
SIMON MARGINSON é
professor de educação superior no
Centro de Estudos do Ensino
Superior da Universidade de
Melbourne.
Tradução
de
MIGLIACCI umo da
PAULO
09/09/13
TEC
2064
Crescem sites de venda de aulas virtuais
Udemy, baseado nos EUA e
fundado por turcos, alcança a 1
milhão de estudantes; espanhol
Floqq chega ao país
Professores adaptam material
usado em sala para vídeos curtos;
alunos podem discutir entre si e fazer
questões
YURI GONZAGA DE SÃO
PAULO
Lançado em 2010, o site Udemy,
uma plataforma para que professores
vendam suas aulas em vídeo, vem
ganhando popularidade e crescendo
recentemente.
Em junho, anunciou que havia
chegado a 800 mil estudantes. No
mês passado, a marca atingida foi
de 1 milhão --incremento de 25%
em dois meses.
Um dos fatores que colaboraram
para tal crescimento foi a adição de
nove línguas, inclusive o português -agora, brasileiros compõem a
segunda maior nacionalidade do site,
atrás dos americanos.
"A globalização é um fator muito
importante", diz Eren Bali, 28,
diretor e cofundador do Udemy.
"Diferentemente do que ocorre em
uma sala de aula, quanto mais alunos
há em um curso virtual, melhor: há
mais interação e eles fazem e
respondem perguntas."
Quem decide usar o site para
aprender precisa fazer um rápido
cadastro e escolher entre os 8 mil
cursos disponíveis, que vão de
malabarismo a programação na
linguagem Ruby on Rails. Há
exercícios e, em alguns, certificado.
A maioria é paga e custa de US$
10 a US$ 300, mas também há aulas
grátis, como é o caso do curso em
inglês "Brasil para iniciantes",
lecionado por Marshall Eakin, 50,
professor da Universidade
Vanderbilt, de Nashville, Tennessee
(EUA), que tem 2.847 inscritos.
"Essencialmente, o que fiz foi
adaptar um curso de 15 semanas que
dou sobre história do Brasil para 15
vídeo-aulas de 20 minutos cada",
diz. "Então é bastante denso."
O curso de Eakin faz parte do
Faculty Project, promovido pelo
próprio Udemy, que tem outra dúzia
de cursos gratuitos. "Os comentários
vêm sendo avassaladoramente
positivos", conta.
Já o curitibano Alessio Alionço,
26, optou por cobrar US$ 49 por
cada um de seus cursos de
administração, que adaptou para a
internet durante um período em que
ficou sem trabalhar na empresa que
dirige, a Acessozero, porque estava
doente.
Cerca de um ano e 700 alunos
depois, Alionço elogia a praticidade
do site. "É mais completo que os
treinamentos presenciais que eu fazia,
porque tem conteúdo interativo. O
pessoal gosta muito."
Segundo a empresa, os
professores que criaram os dez
cursos mais populares no site já
faturaram US$ 5 milhões em
conjunto.
FLOQQ
Com cerca de 50 mil usuários na
Espanha, país de origem, o site
Floqq, com uma ideia parecida à do
Udemy, desembarcou no país
recentemente e já tem 32 cursos em
português, segundo o gerente de
operação para o Brasil, Robson
Rodrigues, 28.
"Recomendamos [para os
professores] que o preço não passe
de R$ 50. Queremos democratizar
a educação", diz.
09/09/13
2065
TEC
Google terá serviço
de ensino colaborativo
DE SÃO PAULO
A gigante de buscas está prestes
a lançar uma plataforma que vai
"conectar pessoas que precisam de
ajuda com pessoas que podem
fornecer ajuda, através de
videochamadas ao vivo, a qualquer
hora, em qualquer lugar", segundo
descrição no site oficial da
ferramenta.
Com o serviço, usuários poderão
oferecer aulas e tutoriais em tempo
real sobre diversos temas, de
culinária a física quântica.
Cobrar pela sessão ou ministrála gratuitamente depende do criador
do Helpout. Mas todas as
transações devem ser realizadas por
meio da Wallet, sistema de
pagamento eletrônico do Google --
a empresa sempre ficará com 20%
do valor estipulado.
Além disso, para usar a
plataforma, seja como "professor" ou
espectador, é preciso uma conta na
rede social Google+, que pode ser
criada durante a inscrição no
Helpouts.
As exigências indicam um esforço
do Google em arrebatar mais
usuários para esses serviços,
normalmente ignorados se
comparados a alternativas mais
populares.
Não há previsão para o Helpouts
ir ao ar. Mas a empresa diz estar
convidando especialistas em
diversos temas a fim de preparar o
serviço para o lançamento.
09/09/13
2066
Projeto que ensina crianças
a programar chega ao Brasil
DE SÃO PAULO
O projeto britânico Code Club, criado
no ano passado para ensinar programação
como atividade extracurricular a crianças
de 9 a 11 anos, deve começar a engrenar
no Brasil em breve.
"Tenho tentado mobilizar ao máximo as
coisas, e cada vez mais gente se mostra
interessada", diz o responsável por trazer
a iniciativa ao país, Everton Hermann, 31.
As primeiras aulas estão sendo
coordenadas por voluntários em duas
instituições do Rio de Janeiro e via Skype
por Hermann para uma escola de Braga
(RS).
"Muita gente só consome conteúdo na
internet, em vez de também criar algo,
enquanto a demanda por profissionais da
área só aumenta."
A ideia é que os grupos tenham uma hora
de aula por semana, em grupos de 12
crianças. Todo o trabalho tem como base
o voluntariado.
Segundo Hermann, apesar de o material
(traduzido do inglês) ter sido pensado para
crianças, há bons resultados com
estudantes do ensino médio e mesmo entre
adultos.
Quem quiser tocar um Code Club local
pode saber mais em codeclubbrasil.org.
(YG)
TEC
09/09/13
2067
METRÓPOLE
USP atrasa bolsas e prejudica
acesso de pesquisadores
Paulo Saldanha e Edilson Veiga
A Universidade de São Paulo
(USP) atrasou desde junho o
pagamento de auxílios de pesquisa
a 30 acadêmicos do Brasil e de
outros países que fazem parte de um
projeto da instituição, O Programa
de Pesquisa nos Acervos da USP.
Ao todo, a universidade deveria ter
pago R$ 350 mil aos pesquisadores,
mas até agora ninguém recebeu.
O
programa
é
de
responsabilidade das pró-reitorias
de Pesquisa, de Pós-Graduação e
de Cultura e Extensão da USP e os
auxílios serão pagos com orçamento
da própria universidade. A proposta
do edital, lançado em janeiro, é que
os pesquisadores de nível de
mestrado, doutorado e pósdoutorado pudessem realizar
estudos nos cinco acervos da USP.
As atividades deveriam começar
em junho deste ano e poderiam
variar de 3 a 5 meses, para serem
finalizadas até 30 de novembro.
Como há vários pesquisadores que
ainda não começaram por causa da
não liberação da verba, não será
possível finalizar os projetos no prazo
previsto no edital do programa.
A historiadora brasileira Ana
Claudia Fonseca Brefe, de 46 anos,
foi uma das prejudicadas. Ela mora
há 15 anos na França, ande é próreitora de pesquisa ia Universidade
Paris 10, e foi uma das selecionadas
no programa. "Adiantei do próprio
bolso o valor da passagem e os
custos de estadia, uma prática
recorrente, queria cumprir prazos",
diz. "O auxílio era para ter saído dia
1º de junho, mas nem explicam o
motivo do atraso." Ana Claudia já
realizou seus estudos com acervo do
Museu Paulista (o do Ipiranga) e
voltou na sexta-feira para Paris.
"Parece que estamos esmolando
alguma coisa, mas eu fui selecionada
pela qualidade do meu projeto. O
que nos deixa surpreendidos é que
não tem absolutamente nenhuma
resposta de ninguém da USP."
Há outros pesquisadores renomados que já realizaram a
pesquisa mesmo sem poder contar
com os auxílios. Foi o caso de um
professor de Literatura de Harvard,
o mexicano Sérgio Delgado Moya.
Bolsista no Instituto de Estudos
Brasileiros (IEB), Moya voltou aos
Estados Unidos sem receber nada.
Burocracia - Uma pesquisadora
de São Paulo, doutora pela USP, diz
que até agora não teve nenhuma
notícia de quando vai receber,
apesar de ter entrado em contato
com yários departamentos. "Me
disseram que estava havendo
problemas burocráticos alheios à
USP e que a universidade entraria em
contato quando fosse resolvido",
explica ela, que pediu para não ser
identificada. Com o atraso, ela
resolveu começar a pesquisa neste
mês. "É a primeira vez que vejo
alguém ser aprovado . no edital que
a universidade criou, tem projeto, e
não sabe o que fazer."
Questionada pela reportagem na
sexta-feira, a USP informou que os
pagamentos foram autorizados
naquele dia. "Após receber
informações detalhadas dos
programas das referidas pró-reitorias
e constatado fluxo de caixa positivo,
foram autorizados os pagamentos."
Segundo nota da universidade, as
pró-reitorias estabeleceram o
programa baseando-se em seus
orçamentos, mas "como o orçamento
é uma previsão genérica, é
necessário, para a feitura de
pagamentos, a existência de fluxo de
caixa". Segundo a USP informou, a
maior integração entre as próreitorias e os órgãos centrais da USP,
encarregados da administração e
pagamentos, "eliminaria incômodos
desse tipo".
Continua
Continuação
09/09/13
09/09/13
2068
METRÓPOLE
11/09/13
2
BRASIL
2069 CONFIDENCIAL
por Paulo Moreira Leite
* A Secretaria de Educação do Pará
avalia projeto para incluir na grade do ensino médio noções de fiscalização das contas públicas.
CORREIO BRAZILIENSE
08/09/13
2070
BRASIL
O lento avanço do ensino médio
Apesar das promessas, governo
ainda não consegue atrair estudantes
para as carreiras de professor ou de
pesquisador
GRASIELLE CASTRO
A população brasileira nunca
mais terá tantos jovens quanto agora.
O alerta dado pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) no
mês passado lembrou que o país
deveria lançar mão dos jovens de
hoje para construir a riqueza do
Brasil de amanhã. O primeiro passo,
a melhora da qualidade da
educação, entretanto, está em
marcha lenta. Há um ano, quando
foi divulgado o resultado do Índice
de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb), que revelou a
estagnação do ensino médio, o
governo federal anunciou uma
reforma que, até agora, praticamente
não saiu do papel. No bloco de
propostas do Ministério da
Educação (MEC) e do Conselho
Nacional de Secretários de
Educação (Cosned), estava incluída
a renovação do currículo e a
mudança dos conteúdos para tornálos mais atrativos aos adolescentes.
Os órgãos dizem que trabalham em
um novo desenho para o ensino
médio e que há uma série de ações
em curso. Especialistas pedem
urgência nessa modernização e mais
incentivos aos estudantes que
queiram investir na carreira de
professor.
Autor de um artigo sobre a
reforma feita na década de 1990, o
professor da Universidade Federal
de São Carlos (UFSCar) João dos
Reis Silva Júnior destaca que a
principal mudança tem que ser feita
na formação dos docentes. Ele cita
um estudo da Fundação Carlos
Chagas (FCC) que aponta que os
alunos valorizam a profissão, mas
buscam outra carreira por causa do
baixo prestígio e da remuneração
pouco atraente. “Além de não querer
ser professor, o estudante, quando
chega no ensino superior, não
consegue acompanhar o ritmo, por
melhor que seja o curso de formação
de docentes. E não consegue porque
a formação escolar foi ruim. O índice
de evasão na licenciatura é
elevadíssimo”, avalia. E quem se
forma, segundo ele, não vai dar aulas
no ensino público. “Por isso, pode
reformar o ensino médio o quanto
quiser. Se não melhorar o ensino
superior, não resolve”, diz o
acadêmico, pessimista.
Outra preocupação de Reis Silva
é com o modelo educacional, cada
vez mais alinhado com o mercado de
trabalho. “A prioridade na pesquisa
aplicada em detrimento da ciência
humana e a demanda por
profissionais do setor produtivo
fazem com que as universidades não
sejam boas”, avalia. Segundo o
professor, um exemplo é o Programa
Nacional de Acesso ao Ensino
Técnico e Emprego (Pronatec). “Em
vez de investir no ensino público de
qualidade, o governo dá bolsa para
o aluno cursar em um instituto
privado”, analisa. O professor,
entretanto, destaca que o processo
de renovação dessa fase do ensino
é constante. “No governo Fernando
Henrique, vivemos outro período de
mudanças, que foi da educação
infantil até a pós-graduação”,
acrescenta. Segundo ele, mesmo
com dificuldades, a necessidade de
atualização continua recorrente.
A diretora executiva do
Movimento Todos pela Educação,
Priscila Cruz, reforça os pedidos por
mudanças já. “É evidente que
precisamos mudar. Conseguimos ter
algum avanço, mas muito lento. Não
adianta muito termos bons
indicadores nos anos iniciais para, no
fim, os estudantes perderem o
fôlego.”
A educadora, entretanto, ressalta
que mudanças sólidas como as que
o ensino médio precisam não são
feitas do dia para a noite. “Tem que
ser estruturante porque o sistema tem
um desenho que não tem respondido
às políticas públicas. Essa é uma
responsabilidade dos estados, que
têm uma atuação muito limitada. Por
isso, o governo federal é peçachave.”
Novos programas
O Ministério da Educação, por
outro lado, assegura que tem feito
uma série de ações com o objetivo
de consolidar as políticas de
Continua
Continuação
08/09/13
reformulação do ensino médio.
Destaca a ampliação de escolas em
tempo integral, do Pronatec e do
Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem). Entre as propostas que
devem sair em breve do papel estão
os programas “Quero ser cientista”
e “Quero ser professor”. De acordo
com o MEC, a ideia é estimular o
estudo das disciplinas do ensino
médio e incentivar a prática da
docência. A previsão inicial é ofertar
30 mil bolsas em 2014 para
estudantes do ensino médio.
A pasta acrescenta que tem
debatido a questão com o Consed.
Representante do conselho, a
secretária de Educação do Ceará,
Izola Cela, diz que os indicadores
apontam para a necessidade de
mudanças urgentes. Ela lembra que
os alunos chegam ao 1º ano do
ensino médio com uma base escolar
absolutamente fragilizada. Frisa ainda
que esses estudantes são jovens,
“mais vulneráveis ainda aos
contextos sociais problemáticos e
com demandas de renda e de
sobrevivência”.
O MEC reconhece, porém, que
o ensino médio ainda é um grande
desafio. “Por isso, o ministério
continuará trabalhando intensamente,
em parceria com as redes de ensino,
para superar gargalos históricos,
como a adequação idade/série para
jovens de 15 a 17 anos que ainda
estão no ensino fundamental, bem
como a busca ativa de mais de 900
mil jovens de 15 a 17 anos que ainda
estão fora da escola”, promete a
pasta, em nota.
Continua
Continuação
08/09/13
CORREIO BRAZILIENSE
08/09/13
2071
BRASIL
Estados inovam
recuperação têm a possibilidade de
reforço no chamado contraturno. O
novo sistema, entretanto, é alvo de
severas críticas de especialistas,
diretores de escolas e professores.
O principal argumento é que a
sociedade não foi convidada para
debater as mudanças.
Escola de ensino médio em
Samambaia: Justiça suspendeu a
aplicação do currículo novo a
pedido do MP
Sem diretrizes do governo federal
e diante dos números alarmantes,
alguns secretários de Educação
promoveram reformas por conta
própria no ensino médio, como no
Rio Grande do Sul e no Distrito
Federal. No DF, foi adotada a
semestralidade no pacote de
renovação de toda a educação
básica batizado de Currículo em
Movimento. Com a mudança, os
estudantes passaram a dedicar
metade do ano ao estudo de ciências
exatas e a outra metade a disciplinas
da área das ciências humanas.
Apenas as aulas de português e
matemática continuam sendo
ministradas ao longo de todo o ano
letivo. Os estudantes que ficam de
O Ministério Público moveu uma
ação e, em resposta, a Justiça
suspendeu a aplicação do currículo
novo. Ainda assim, escolas como o
Centro de Ensino Médio 111 do
Recanto das Emas e mais 41
instituições que aderiram às
mudanças permanecem no sistema
novo. A Secretaria de Educação
recorreu da liminar. Em nota, a
secretaria informou que o novo titular
da pasta, Marcelo Aguiar, se reunirá
com o MEC e com a Justiça para
defender a continuidade da
implantação do sistema de
semestralidade na rede pública de
ensino do DF: “A intenção é dar
continuidade à ação, mas
estendendo mais o diálogo com a
comunidade escolar, com o
Ministério Público e com a Justiça”.
No Rio Grande do Sul, as
disciplinas passaram a ser
englobadas em um rol de áreas do
conhecimento. Essa mudança foi
sugerida pelo próprio ministro da
Educação, Aloizio Mercadante. O
secretário de Educação do estado,
José Clóvis de Azevedo, tem
argumentado que a mudança
combate a evasão e a repetência. Ele
acredita que, dessa forma, o ensino
se aproxima da realidade do aluno.
Memória
Reforma na promessa
Em agosto do ano passado, dias
após a divulgação do resultado do
Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb), o ministro
Aloizio Mercadante anunciou que em
dois meses apresentaria uma
proposta de reforma para o ensino
médio com o propósito de reformar
a etapa mais delicada da educação
básica. Na época, a principal
proposta sugerida foi a de redesenho
curricular, com adequação das
disciplinas ao que é exigido no Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem).
O projeto transforma as 13
disciplinas obrigatórias em quatro
áreas do conhecimento. A novidade,
entretanto, já era antiga. Na época,
o Correio informou que a mudança
já tinha sido publicada no Diário
Oficial da União oito meses antes,
em janeiro daquele ano. Uma das
críticas ao sistema integrado de
disciplinas é a dificuldade na
formação
do
professor
multidisicplinar.
CORREIO BRAZILIENSE
08/09/13
2072
CIDADES
Receitas de sucesso nas escolas
resultados também foram notados
após a redução de alunos por turma
e na adequação dos projetos de
ensino às necessidades de cada
região. Guiado por um estudo da
Universidade Católica de Brasília
(UCB), o Correio visitou três
instituições de ensino fundamental
que desenvolveram modelos de
sucesso.
Diretoras e alunos da Escola Classe 314 Sul: incentivo à participação
dos pais na rotina do colégio para alcançar resultados importantes no
aprendizado
Com criatividade e inovações
no projeto pedagógico, alguns
colégios da rede pública alcançam
notas acima da média nacional no
Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb), do
Ministério da Educação. Pelo
menos três instituições são vistas
como exemplos às demais
» MANOELA ALCÂNTARA
É raro encontrar uma família que
confie a educação dos filhos a um
colégio público por escolha e não
por necessidade. Com a degradação
do ensino gratuito no cenário
nacional, muitos acreditam que os
estudantes terão uma formação
deficiente, especialmente nos
primeiros anos de vida escolar. Mas
algumas das 402 instituições de
ensino fundamental do DF provaram
o contrário. Alcançaram notas acima
da média nacional no Índice de
Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb), medido pelo
Ministério da Educação, sem terem
privilégio sobre as demais. Nenhuma
delas recebeu verba extra do governo
ou funciona em palacetes. Trabalham
contra todas as dificuldades. Ainda
assim, encontraram a excelência por
meio do comprometimento de
gestores e professores, além de
apostar em ações criativas.
O segredo é simples. É uma soma
entre o envolvimento ativo dos pais,
as políticas pedagógicas regidas por
metas e as avaliações de erros para
a construção de acertos. Melhores
Uma delas é a Escola Classe 03,
do Paranoá. Mesmo instalada em
uma cidade periférica e pobre, a
instituição alcançou nota 6,7, similar
ao índice médio do ensino privado
no DF, de 6,8. Entre 783 alunos
atendidos, ali, está Luana Cristina
Damasceno, 10 anos. Em oito
meses, ela leu nove publicações. “A
cada livro, conheço um mundo
diferente. Vim de uma escola sem
esse tipo de incentivo. Aqui, aprendi
mais palavras e melhorei a
interpretação”, disse.
A paixão de Luana pelo hábito
nasceu no espaço construído a duras
penas, no centro de ensino sediado
há 20 anos num local que era para
ser provisório. Só saiu do papel com
o dinheiro de bazares e de festas
organizadas pela instituição. O
incentivo à leitura foi uma aposta da
direção para fortalecer a formação
dos estudantes. “Não somos uma
escola de 1.001 projetos.
Escolhemos um, no caso, a leitura,
para ser o ponto forte. Os alunos
devem saber interpretar uma
diversidade de gêneros textuais,
Continua
Continuação
desde a literatura até uma bula de
remédio”, detalha o vice-diretor da
instituição, Cássio de Azevedo
Guedes.
Luana, da Escola Classe 03, do
Paranoá: nove livros em oito meses
A Escola Classe 03 não conta
com vários requisitos necessários
para o bom desempenho. Metade
dos computadores do laboratório de
informática está quebrada,
aguardando uma manutenção do
MEC, que parece não chegar nunca.
Em dias quentes, as telhas de
amianto fazem a temperatura das
salas de aula alcançar os 40 graus.
Ainda assim, o colégio aparece entre
os melhores do DF.
A escola é acompanhada pelo
Núcleo de Ensino, Aprendizagem e
Formação de Professores da UCB.
Coordenadora da pesquisa, a
professora Lêda Gonçalves investiga
o desenvolvimento humano em
contextos socioeducativos diversos
e quis ver de perto o porquê dos
índices positivos. “Em uma das
instituições que concluímos a
pesquisa,
observamos
o
desenvolvimento de um projeto
pedagógico
com
metas,
independentemente da gestão. O
foco é o aprendizado por meio da
provocação dos estudantes,
08/09/13
contribuindo para o desenvolvimento
da autonomia deles. Não é somente
um professor copiando a matéria no
quadro”, detalhou.
Em Taguatinga, em meio a tantas
escolas com rendimentos
acadêmicos fracos, a Escola Classe
39 é uma ilustre exceção. O Ideb da
instituição é 6,8, enquanto a avaliação
de outros centros de ensino da
mesma cidade não passa de 4,0. Lá,
um dos fatores de sucesso é o
estabelecimento de metas
educacionais. O projeto pedagógico
é feito a longo prazo e, não,
anualmente. O diagnóstico de
determinados erros acontece
periodicamente, impedindo a
repetição deles no futuro. “Não há
milagre na educação. Uma fórmula
nova não é criada para mudar tudo
como num passe de mágica. As
experiências com questionários
respondidos por professores,
pedagogos, pais e alunos causam
uma reflexão, que, posteriormente,
é transformada em ação”, explicou
a vice-diretora, Karine Silva Pereira.
Luana, da Escola Classe 03, do
Paranoá: nove livros em oito meses
Um exemplo: há dois anos, uma
das avaliações expôs a deficiência no
aprendizado de matemática. A
solução foi matricular os professores
em um curso na Escola de
Aperfeiçoamento dos Profissionais
da Educação (Eape), da Secretaria
de Educação. “Surtiu resultado,
identificamos novos métodos de
ensinar e incentivar os alunos”,
completou Karine.
Participação
Na 4º e na 5º série, o primeiro
lugar no ranking do Ideb no DF ficou
com a Escola Classe 314 Sul. Os 7,1
pontos obtidos na Prova Brasil —
base para formular o exame — são
bem superiores aos 5,0 alcançados
no país e à média de 5,7 do DF (veja
ilustração). Um dos pilares do bom
desempenho é a interação da equipe
e a participação da família no ensino.
Para se ter ideia da intensidade do
envolvimento dos pais com o
ambiente escolar, a frequência de
participação deles em reuniões com
os professores supera 80%, raridade
até mesmo nas escolas particulares.
“Eles complementam o trabalho
realizado em sala de aula, participam
de todas as etapas da vida do aluno
na escola e sugerem melhorias. Isso
aumenta em 60% o aprendizado das
crianças”, exemplificou a diretora,
Sandra Niel de Melo.
Embora seja uma rede, as boas
práticas, no entanto, não se repetem
em todas os colégios. Entre as 336
pesquisadas pelo MEC, 253 apenas
alcançaram a média do DF. A
coordenadora
do
Ensino
Fundamental da Secretaria de
Educação, Kátia Franca, ressalta
que a capacitação dos professores
é feita, mas a direção e as ações
pessoais fazem a diferença. “As
escolas têm autonomia. Alguns
Continua
08/09/13
Continuação
fatores contribuem para isso: as
iniciativas individuais, a formação dos
gestores e a participação da
comunidade no ambiente escolar”,
enumerou.
subordinado à Diretoria de Ensino e
Instrução (DEI), pertencente ao
Corpo de Bombeiros Militar do
Distrito Federal (CBMDF) e não
recebe verba do governo para fazer
manutenção.
Colaborou Ariadne Sakkis
Destaque
Ela está abaixo somente do
Colégio Militar Dom Pedro II, que
adquiriu a média 7,2. Mesmo assim,
a Escola Classe 314 Sul pode ser
considerada a primeira pública
porque a outra tem caráter híbrido
(pública e privada). O colégio é
"As escolas têm autonomia.
Alguns fatores contribuem para isso:
as iniciativas individuais, a formação
dos gestores e a participação da
comunidade no ambiente escolar”
Kátia Franca, coordenadora do
Ensino Fundamental da Secretaria de
Educação
CORREIO BRAZILIENSE
08/09/13
TRABALHO
2073
Caminho para o emprego
Baixa educação escolar básica
compromete a competitividade do
país. Estudantes saem do ensino
médio sem preparação para o
mundo do trabalho
» MARIANA NIEDERAUER
O cargo de operador de
telemarketing não era o emprego dos
sonhos de Lucian Rocha Medeiros,
22 anos. “Mas só com o ensino
médio, foi o que deu para arranjar”,
reconhece. Depois de um ano e meio
na função ele decidiu aprimorar o
currículo e alcançar uma vaga
melhor. Logo surgiu a oportunidade
de fazer o curso técnico de
segurança do trabalho no Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai) de Taguatinga e o jovem
juntou as economias e se matriculou.
“Vou sair daqui tendo uma profissão,
e pretendo conseguir um emprego o
mais rápido possível”, relata. Ele
cursou toda a educação básica em
escola pública e sentiu falta de
conhecimentos que pudessem ser
aplicados na prática.
Esse é o mesmo sentimento de
Gabriella Araújo de Freitas, 18 anos,
estudante do curso de técnico em
edificações. “O ensino superior tem
muito teoria. Na parte prática, o
técnico às vezes sabe até um pouco
mais. Juntando os dois é melhor
ainda”, diz ela, que pretende
emendar o curso técnico com uma
graduação em engenharia civil. Com
o grande número de construções por
toda a cidade, o Senai não para de
receber ligações de empresários em
busca de profissionais qualificados
nesses dois cursos.
Para reduzir a carência de mão
de obra qualificada, a Confederação
Nacional da Indústria (CNI) lançará,
no próximo mês, o projeto
Educação para o Mundo do
Trabalho, um conjunto de ações para
melhorar o desempenho dos jovens
e dos trabalhadores em língua
portuguesa e em matemática. O
projeto é voltado para três grupos:
pessoas de 18 e 24 anos que estão
no ensino médio ou que não estudam
nem trabalham, e trabalhadores da
indústria que não possuem ensino
médio (veja o quadro).
Durante todo o mês de agosto,
foram promovidas reuniões estaduais
para mobilizar empresários,
governos, organizações não
governamentais, jovens e pais a
aderirem à iniciativa. No DF, a
expectativa é de que em outubro já
haja uma definição de onde serão
oferecidos cursos. “Nós queremos
fazer com que quem trabalha com
educação esteja voltado para quem
busca esse profissional para o
mercado de trabalho”, explica
Walquíria Aires, diretora da Fibra e
embaixadora do projeto Educação
para o Mundo do Trabalho em
Brasília.
Meta distante
O coordenador de Educação e
Tecnologia da CNI Rafael Lucchesi
acredita que um dos principais
entraves é fato de a estrutura
educacional brasileira ser muito
diferente
da
de
países
desenvolvidos. Enquanto na
Alemanha 52% da população teve
acesso à educação profissional, no
Brasil, essa taxa é de apenas 9%. Na
opinião do especialista, é preciso que
se estabeleçam pontes mais
significativas entre o sistema
educacional e o mundo do trabalho.
“A maioria dos jovens não vai para
a universidade, e eles não têm uma
porta de saída instrumentalizada. No
Brasil existe um domínio do sistema
academicista, que prepara como se
todos os alunos fossem para a
universidade, mas nem todos vão.”
No governo federal, a orientação
é centralizar todas as ações
relacionadas à educação para o
mundo do trabalho no Programa de
Acesso ao Ensino Técnico e
Emprego (Pronatec), criado em
2011. A meta é ofertar 8 milhões de
vagas em cursos de educação
profissional e tecnológica até 2014.
Até agosto deste ano, foram
oferecidas cerca de 4,2 milhões.
Continua
08/09/13
Continuação
Mesmo o modelo alemão,
considerado uma das referências em
educação profissional no mundo,
passa por um período de
reestruturação. De acordo com a
professora da Universidade Estadual
do Ceará (UECE) Francisca Rejane
Bezerra Andrade, que fez o pósdoutorado sobre o impacto da
política de educação profissional para
os jovens em situação de
vulnerabilidade social no Brasil e na
Alemanha, o sistema dual de
educação profissional do país
europeu — que integra a educação
básica ao ensino profissional — está
em decadência, pois a maioria dos
jovens não se interessa em participar.
O processo de repensar o sistema
educacional deve ser constante,
segunda a especialista. No caso do
Brasil, ela explica que o esforço para
se qualificar a população
economicamente ativa começou na
década de 1990 e agora é o
momento de avaliar os resultados
para ter uma proposta mais sólida no
futuro. “Já temos bastante
experiência para desenvolver uma
política efetiva. O que falta é uma
avaliação continuada, que inclua a
análise do processo de formação, e
não só do egresso”, ressalta.
Francisca destaca, no entanto,
que muitas pessoas saem dos cursos
de qualificação de curta duração e
não conseguem emprego, porque
não adquiriram outras competências
essenciais, como comunicação,
autonomia e conhecimentos sobre a
organização do trabalho. “O que o
mercado está solicitando hoje é um
trabalhador completo e, muitas
vezes, os cursos não atendem essa
demanda”, afirma. Um dos pontoschave para garantir que o trabalhador
adquira essas competências é
oferecer uma educação básica de
qualidade, o que ainda é um dos
gargalos do país. Os resultados da
Prova ABC, divulgados em junho
pelo movimento Todos pela
Educação, mostraram que cerca de
70% dos alunos do 3º ano do ensino
fundamental não dominam o
português nem a matemática.
Recomeço
Para quem não terminou o ciclo
básico de ensino, a Educação de
Jovens e Adultos (EJA) é uma opção
de continuar os estudos e ascender
profissionalmente. A coordenadora
da EJA na Secretaria de Educação
do DF, Leila Maria de Jesus, explica
que essa modalidade de ensino é
pensada justamente para a classe
trabalhadora. O papel da escola é
resgatar o conhecimento que ele tem
e dialogar com as disciplinas básicas,
como matemática e português,
dando um novo sentido ao saber do
próprio indivíduo. “Nós estamos
numa sociedade letrada e
numerizada. No momento em que o
estudante passa a decifrar o código
e a interpretá-lo, ele se sente mais
independente para pegar um ônibus,
escrever uma carta, preencher
formulários. Para o trabalhador, essa
independência gera autoestima e
segurança”, destaca.
É o caso de Elizabeth Martins, 58
anos, dona de uma loja de materiais
esportivos na Feira do Guará. Filha
de comerciante, ela sempre foi uma
boa vendedora, mas com a morte do
marido precisou aprender a gerenciar
o negócio. Matriculou-se no
Programa Nacional de Integração da
Educação Profissional com a
Educação Básica na Modalidade de
Educação de Jovens e Adultos
(Proeja) da Escola Técnica de
Ceilândia, que oferece EJA integrada
à educação profissional em curso a
distância. Esse semestre, ela
receberá a certificação de conclusão
do ensino médio e terá uma nova
profissão: a de técnico em
administração. “Antes, eu não
entendia nada do negócio. Com o
curso, eu mudei meu jeito de negociar
e agora sei lidar com o banco e
cuidar da parte financeira. Já até
expandi o negócio”, conta.
Colega de Elizabeth no Proeja em
Ceilândia, no curso de técnico em
informática, Aldenivea Rodrigues
Sousa, 43 anos, decidiu aproveitar
todas as chances que estão ao seu
alcance. Depois que voltou a estudar,
sentiu-se segura para fazer a prova
do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem) no ano passado e,
além de já ter garantido a certificação
de conclusão do ensino médio,
conseguiu uma das 240 mil vagas
oferecidas pelo Sistema de Seleção
Unificada da Educação Profissional
e Tecnológica (Sisutec) e vai estudar
no curso de técnico em informática
do Centro Universitário Iesb. “O
estudo abre a nossa mente. Nunca é
tarde para isso. Pretendo continuar
estudando sempre”, relata.
Continua
08/09/13
Continuação
Capacite-se
Pronatec
» Engloba atualmente todas as
ações do governo com relação a
educação para o trabalho: Bolsaformação Estudante e Trabalhador,
Brasil Profissionalizado, Proeja
integrado ao ensino técnico e cursos
gratuitos na Rede Federal de
Educação Profisssional e
Tecnológica, na rede e-TecBrasil —
cursos técnicos e de formação inicial
e continuada ou de qualificação
profissional na modalidade a
distância — e no Sistema S.
» Vagas: até 16 de setembro estão
abertas as inscrições para as vagas
remanescentes do Sisutec. No DF,
há oportunidades para os cursos
técnicos de serviços de restaurante
e bar, panificação, design de jóias,
redes de computadores, cuidados de
idosos, vestuário, informática,
programação de jogos digitais,
design de calçados, agente
comunitário de saúde e informática
para internet. No site do programa
ainda há oportunidades para cursos
técnicos concomitantes e de
qualificação profissional.
» Requisitos: ter cursado ensino
médio em escola pública ou com
bolsa integral na rede particular. Os
inscritos têm o prazo de dois dias
úteis para fazer a matrícula na
instituição.
» Inscrições: pronatec.mec.gov.br
Oportunidades no DF
Qualificopa e
Projovem Trabalhador
Os dois programas são de
responsabilidade da Secretaria de
Trabalho. O Qualificopa oferece
cursos de qualificação com módulos
de inglês e de espanhol. Para ambos,
a previsão é de que o novo período
de inscrições seja aberto no início de
2014. Informações pelo site
www.trabalho.df.gov.br
DF Profissionalizado
Também está incluído no
Pronatec e tem como objetivo fazer
a articulação entre os entes ofertantes
e demandantes do programa.
Informções
no
site
www.dfprofissionalizado.df.gov.br
Instituto Federal Brasília (IFB)
Programa Jovem Aprendiz
Por meio do programa do
Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) o IFB oferece o curso de
auxiliar de mecânico de auto, voltado
para jovens de 18 a 23 anos e que
tenham concluído o ensino médio.
Inscrições até 12 de setembro pelo
site processoseletivo.ifb.edu.br.
Pronatec
O IFB também está com 550
vagas abertas, por meio do Pronatec,
para o cursos como inglês, espanhol,
auxiliar administrativo, recepcionista,
balconista de farmácia, organizador
de eventos. Os interessados devem
fazer uma pré-matrícula no site
pronatec.mec.gov.br/inscricao e
depois levar a documentação na
unidade de ensino escolhida.
Pronatec Copa
Estão abertas 69 vagas nos
cursos de espanhol e inglês aplicados
a serviços turísticos e camareira do
IFB por meio do programa. Os
interessados podem fazer prématrícula no site do Pronatec ou se
inscrever na Diretoria de
Qualificação e Certificação da
Secretaria de Turismo do DF, por
meio dos telefones 3214-2797 ou
3214-2764. Na Setur, também é
possível se candidatar para o
cadastro reserva de turmas futuras
do programa. É preciso ter 18 anos,
ensino fundamental incompleto e
residir no DF.
Senai e Senac
Além dos cursos gratuitos
oferecidos pelo Pronatec, o Senai e
o Senac oferecem cursos pagos de
qualificação
profissional.
Informações
pelos
sites
www.sistemafibra.org.br/senai e
www.senacdf.com.br.
CORREIO BRAZILIENSE
08/09/13
2074
TRABALHO
Futuro incerto
Falta de experiência e de
qualificação dificulta a colocação de
jovens no mercado, mas eles são a
mão de obra de que o país precisa
para garantir o desenvolvimento nas
próximas décadas
» MARIANA NIEDAERUER
Renato faz um curso técnico e
outro tecnológico para melhorar o
currículo
A taxa elevada de desemprego
entre a população jovem surge como
consequência da falta de
qualificação. Enquanto o índice de
desocupação total ficou em 5,8% no
mês de junho, entre os jovens de 18
a 24 anos o número sobre para
14,1%, de acordo com dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). O quadro não é
muito diferente em outros países,
inclusive nas nações desenvolvidas.
A inexperiência dessa faixa da
população compromete a
empregabilidade no início da carreira,
principalmente na hora de encontrar
o primeiro emprego. Porém, diante
da necessidade de se ter mão de
obra qualificada para sustentar o
crescimento brasileiro, esses jovens
surgem como a principal esperança.
Renato Gurgel, 21 anos,
percebeu a dificuldade em entrar no
mercado de trabalho assim que
terminou o ensino médio. A busca
por um emprego foi frustrada e ele
só conseguiu a contratação depois
de ter sido indicado para uma vaga
na área de informática. Mesmo
assim, ficou insatisfeito com as
funções que podia exercer com a
pouca qualificação que tinha. Hoje,
Renato faz o curso de técnico em
informática na Escola Técnica de
Ceilândia e o de tecnólogo em redes
em uma faculdade particular.
“Comecei porque gostava de
trabalhar na área, mas não ganhava
bem, e decidi melhorar o currículo”,
conta.
Mudança
“Nós temos no Brasil um
contingente significativo de jovens
que não estudam nem trabalham.
Não estamos dando perspectiva
para esses jovens”, comenta o
diretor de Educação e Tecnologia da
CNI, Rafael Lucchesi. “Precisamos
ter um modelo educacional que
dialogue melhor com a juventude e
que corrija a nossa matriz
educacional”, completa. Ele lembra
que o país passa por uma veloz
mudança demográfica. A taxa de
natalidade tem caído rapidamente, o
que gera o envelhecimento da
população.
Essa semana, o ministro-chefe
interino da Secretaria de Assuntos
Estratégicos (SAE) e presidente do
Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), Marcelo Neri,
também mostrou preocupação com
a questão. Ele acredita que a
população jovem brasileira, de 15 a
29 anos, que hoje soma 51 milhões,
será a maior da história do país. Esse
bônus demográfico, como é
chamado, deve durar até 2022,
quando o número de jovens
começará a diminuir gradativamente.
Por isso, especialistas destacam a
importância de aproveitar a onda
jovem e qualificar essa parcela da
população para que ajude a aumentar
a produtividade do país. “O Brasil
não pode se dar ao luxo de perder
sucessivas gerações porque o
sistema educacional não prepara a
população”, atesta Lucchesi, da
CNI.
Para Josbertini Virginio
Clementino,
diretor
do
Departamento de Políticas de
Trabalho e Emprego para Juventude
do Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE), é importante que
a qualificação oferecida esteja em
concordância
com
áreas
estratégicas, para que a mão de obra
não seja desperdiçada. Clementino
lembra que o jovem que está fora da
escola e do mundo trabalho tende a
ir para a criminalidade. De acordo
Continua
Continuação
08/09/13
com o Ipea, o país perde R$ 79
bilhões ao ano por causa da morte
de jovens. “Tem que se enxergar o
jovem como um grande sócio do
desenvolvimento que se busca para
o país, porque, se você não investe
na juventude, ela passa a ser um
elemento
impeditivo
do
crescimento.”
A diretora de Juventude da ONG
Ação Educativa, Maria Virgínia,
destaca que a educação para o
mundo trabalho é fundamental para
que os jovens tenham uma inserção
de maior qualidade no mercado.
Porém, ela critica o fato de a oferta
desse tipo de qualificação ter se
concentrado
em
cursos
profissionalizantes, de curta duração.
“A educação para o trabalho deve
permitir aos jovens uma
compreensão mais ampla do
trabalho em nossa sociedade: acerca
de sua organização, dos processos
em
transformação,
das
desigualdades que o caracterizam e
dos diversos tipos de formação
profissional existentes, por exemplo”,
explica. Ela critica ainda a posição
de empresários, que não estariam
dispostos a arcar com o custo de
uma formação profissional, e defende
que o peso de sustentar o
crescimento do país não deve ficar
apenas com os jovens. “Não creio
que a saída esteja nas mãos dos
jovens, pois não se trata de um
problema individual. Esse é um
problema social, que tem de ser
enfrentado enquanto tal, com
políticas adequadas.”
JORNAL DE BRASÍLIA
08/09/13
2075
ECONOMIA
JORNAL DE BRASÍLIA
08/09/13
2076
OLHO NO ECA
JORNAL DE BRASÍLIA
08/09/13
2077
CIDADES
07/09/13
2078
MIRIAM LEITÃO
A festa do livro
A Bienal do Livro do Rio termina
amanhã confirmando seu papel de
principal evento literário do Brasil.
É uma delícia passear nos seus
corredores e entrar nos estandes,
vendo as pessoas carregando suas
sacolinhas; algumas chegam com
mala de rodinha. Só no sábado
passado passaram por lá 90 mil
pessoas com uma enorme presença
de crianças e jovens.
Segundo Sônia Jardim,
presidente
da
Comissão
Organizadora do evento e do
Sindicato Nacional dos Editores de
Livros, o maior desafio nestes 30
anos da Bienal é sempre se renovar.
O negócio do livro está em
transformação com o livro digital
para um futuro ainda desconhecido,
mas quem vai a uma bienal sai com
a impressão de que — qualquer que
seja o formato — o livro não vai
acabar. Estandes de livro físico
predominam, mas os cantos virtuais
ficam lotados de jovens
experimentando as novas
plataformas e fazendo a mesma
busca que se vê nos pontos
tradicionais.
— A tendência é essa e o
brasileiro gosta de tecnologia, mas
hoje os digitais são apenas 0,01%
dos livros vendidos no Brasil. Nos
Estados Unidos, eles já representam
25% das vendas e no Reino Unido,
12% — diz Sônia.
Na Bienal do Rio, a expectativa
é de 600 mil pessoas ao todo nos
onze dias, e venda de dois milhões e
meio de exemplares com R$ 58
milhões de faturamento. Mas com
tudo isso, o dono da rede Travessa,
Rui Campos, não acha que as
bienais, festivais, salões e eventos
literários tirem público das livrarias.
— As livrarias estão num bom
momento porque se renovaram. No
primeiro livro que eu comprei, meu
pai me levou num lugar onde tinha
um balcão e eu pedi ao vendedor
que me entregasse o livro que queria.
Hoje, a livraria é o lugar onde as
pessoas vão para estar conectadas,
ver as tendências, se encontrar, tem
restaurante, um café. A pessoa vai
para ter intimidade com o livro e
assim se cria demanda. Outro dia,
eu estava na loja e vi umas 20
pessoas sentadas lendo, como se
fosse uma biblioteca, e duas estavam
sem sapato, como se estivessem em
casa. As livrarias viraram lugares
lindos.
Conversei com Sônia e Rui
dentro da Bienal, pegando
emprestado o espaço da Mulher e
Ponto, para improvisar um estúdio.
Depois andamos, a equipe da
Globo-news, os entrevistados e eu,
no meio dos corredores e
encontramos todo o tipo de leitor.
O absorto no livro de papel, o
experimentador digital, o
pesquisador, a criançada correndo
atrás do ídolo. Uma festa.
Nessa mudança de modelo de
negócios, as empresas ainda estão
tentando se encontrar e grandes
companhias estão chegando ao
mercado, mas segundo Rui Campos,
a sua loja virtual, que comercializa o
livro de papel, mas vendido online,
já é a terceira maior em faturamento,
e as lojas físicas não reduziram as
vendas.
Mas não e fácil. Muita gente
pensa que não tem custo. Tem sim.
O pessoal mais caro é o que tem o
domínio da tecnologia para fazer
funcionar um sistema que é
complexo.
Sônia Jardim acha que no Brasil
é preciso resguardar os direitos
autorais num mundo que tem a
impressão de que tudo que há na
internet é de graça. Ninguém sabe
muito bem o que será o futuro do
livro, mas Sônia disse que na última
bienal, 49% dos visitantes tinham
entre 14 e 29 anos. Rui afirma que
as pessoas que amam o livro não
sabem viver sem ele e lembrou
Millôr: "um livro leva a outro"
Continua
Continuação
07/09/13
— Se ele acabasse, eu procuraria
um traficante que me entregasse o
mais novo exemplar porque eu quero
ler a vida inteira. Vamos fazer o maior
esforço para que o digital vingue, mas
isso não é o fim do livro.
Minha impressão também é esta.
O livro — digital ou físico — vai
existir sempre. Ele é mais do que a
plataforma em que está.
Com Valéria Maniero
Os pontos chave
1 - Na Bienal, os estandes de livro
físico predominam, mas há leitores de
todas as tribos pelos corredores.
2 - Dois milhões e meio de
exemplares devem ser vendidos, com
R$ 58 milhões de faturamento.
3 - Ninguém sabe muito bem qual
será o futuro do livro, mas digital ou
físico, ele não morrerá.
07/09/13
2 0 7 9 NEGÓCIOS & CIA
P&D
A Statoil, de energia, fechou com
o Ciência Sem Fronteiras, programa
de MCTTe MEC. Na 1ª fase,
financiará 62 bolsas de pósgraduações no exterior.
É aporte de RS 15 milhões.
07/09/13
2080
O PAÍS
Curso da UFRJ inova ao adotar
cotas para mestrado e doutorado
Pós-graduação em Antropologia
Social terá duas vagas para negros
e duas para indígenas
Leonardo Vieira
As cotas para pós-graduação já
são realidade no curso de
Antropologia Social do Museu
Nacional, da UFRJ. Na próxima
semana sairá a lista dos 29
aprovados no concurso para
mestrado e doutorado do curso. Há
uma vaga para negros e outra para
indígenas no mestrado, e uma vaga
para negros e outra para indígenas
no doutorado.
A iniciativa é pioneira na pósgraduação e saiu do papel em
fevereiro deste ano, quando foi
aberto o processo seletivo. As
cadeiras reservadas aos cotistas
foram adicionadas ao total de 25 já
existentes (15 para mestrado e 10
para doutorado), não tendo sido
necessário suprimir vagas dos
candidatos que disputam o concurso
sem estarem inscritos como cotistas.
De acordo com João Pacheco,
subcoordenador de ensino da pós
do Museu Nacional, os cotistas
trarão mais conhecimento e
diversidade cultural aos cursos.
Segundo ele, o departamento optou
pelas cotas após debates entre
professores e alunos, que acabaram
chegando ao consenso. Pacheco
garante que a política de cotas não
reduzirá a qualidade do ensino na
pós-graduação. — Chega a ser até
um pouco de preconceito (esse
pensamento).
Na seleção, nós não avaliamos
só o mérito, mas também sistemas
de exclusão em toda a sociedade.
O mecanismo de exclusão começa
na escola primária, e na pós, onde
trabalho, é o último momento —
disse Pacheco. Mas as regras
mudam para os cotistas. Quem se
declarar negro passará pelo mesmo
processo seletivo, mas terá nota
corte de cinco pontos, dois a menos
que os candidatos da ampla
concorrência. Para os estudantes
indígenas, basta levar um currículo e
fazer uma entrevista com a banca
examinadora do concurso.
07/09/13
2081
COTIDIANO
Ao menos 44 estudantes passam
mal após comer merenda escolar
Segundo pais e alunos de
escola estadual da zona sul, foi
servido um suco de caixinha
vencido
Crianças foram levadas a
hospitais, medicadas e a maioria
foi liberada; secretaria afirma
que vai investigar o caso
DO "AGORA"
Ao menos 44 alunos da Escola
Estadual Condomínio Vargem
Grande 2, em Parelheiros (zona
sul), passaram mal ontem de
manhã, após a distribuição da
merenda.
Segundo pais e estudantes, eles
tomaram um suco que venceu no
dia 27 de julho. Os alunos foram
levados a unidades de saúde,
medicados e liberados. Apenas
três permaneciam em observação
até a conclusão desta edição.
Logo após o recreio, segundo
relato dos alunos, algumas crianças
que tinham tomado o suco de
caixinha, sabor manga, distribuído
com a merenda, começaram a
reclamar de dores abdominais e de
cabeça. Parte delas vomitou.
Segundo
a
Secretaria
Municipal da Saúde, 33 crianças
foram encaminhadas pelo Samu
(Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência) a hospitais e 11 foram
levadas pelos pais à AMA
(Assistência
Médica
Ambulatorial).
"Eu tomei o suco e dez minutos
depois comecei a ter dores de
barriga. Em seguida vomitei",
contou Evelyn Oliveira de Lira, 11,
da 6ª série, que tomou soro no
hospital.
Aluna da tarde, Marília Silva
Queiróz, 15, afirma que tomou
suco de manga anteontem e passou
mal à noite.
"Mesmo assim decidi vir para
a escola. Quando cheguei,
vomitei", conta ela, que estava com
o pai, Francisco Gonçalves
Queiróz, 63, ontem à tarde, na
AMA Parelheiros.
Às 15h, alunos e moradores
exibiam na porta da escola ao
menos três caixas de sucos de
manga com vencimento de 27 de
julho de 2013.
Revoltados, alguns jogaram
pedras e chutaram o portão da
escola, que tem 1.600 alunos. A
Polícia Militar foi chamada e
controlou o protesto. As aulas
foram suspensas ontem.
OUTRO LADO
A Secretaria de Estado da
Educação afirmou, por meio de
nota, que vai apurar a conduta dos
funcionários da escola e da
empresa responsável pela
merenda.
A pasta não divulgou o nome da
empresa nem o valor do contrato
da terceirizada com o governo do
Estado.
De acordo com a secretaria, a
Vigilância Sanitária foi chamada
para analisar a merenda e o suco -o laudo deve sair em 30 dias.
Se
forem
constatadas
irregularidades, diz a pasta, serão
tomadas "todas as medidas
cabíveis, entre elas a suspensão do
contrato".
A secretaria informou ainda
que, logo após os alunos
começarem a passar mal, a direção
do colégio chamou o Samu, que
levou os estudantes para hospitais
da região "por precaução".
Os alunos, de acordo com o
órgão, foram acompanhados por
representantes da escola até serem
liberados pelos médicos.
07/09/13
2082
COTIDIANO
SÃO PAULO
Estado vai ampliar o número de
escolas de período integral em 2014
DE SÃO PAULO - Cerca de
2.000 professores e gestores da
rede estadual de São Paulo serão
selecionados para trabalhar nas
escolas de período integral a partir
de 2014.
Segundo a Secretaria de
Educação, o número de unidades
que seguem esse modelo vai
aumentar dos atuais 69 para 178
no próximo ano.
Os profissionais interessados
deverão se cadastrar pela internet
(www.educacao.sp.gov.br) entre
os dias 11 de setembro e 4 de
outubro.
A pasta aponta que deve
ampliar em 40% o número de
alunos beneficiados pelos
programas que estendem o período
de permanência nas escolas.
Apenas nas escolas com novo
modelo de regime integral, o
número de estudantes atendidos
deverá chegar a 53 mil.
Com outras ações, o total de
alunos que passam média oito
horas na escola será de 596 mil.
07/09/13
2083
NOTAS &
INFORMAÇÕES
Cotas na pós-graduação
Depois de implantar o sistema de cotas para negros e
índios em seus cursos de graduação, as universidades
públicas começam a adotar o mesmo sistema no
mestrado e doutorado. É esse o caso, por exemplo, do
curso de antropologia social do Museu Nacional, da
UFRJ. Em 2014, ele reservará duas vagas para indígenas.
Para os candidatos negros serão reservados 20% das
vagas e a nota de corte será menor do que a dos demais
concorrentes.
Não é só fazer justiça social. É uma experiência
importante para a área de antropologia, que se propõe a
estudar o outro", afirma o professor João Pacheco,
subcoordena-dor do programa de pós-graduação do
Museu Nacional. Na Universidade de Brasília, a reserva
de 20% das vagas para alunos negros no mestrado e
doutorado em sociologia foi aprovada em julho, mas
ainda depende do aval do Conselho de Ensino, Pesquisa
e Extensão. Na Universidade do Estado da Bahia, 40%
das vagas dos cursos de pós-graduação são reservadas
para negros e 5% para indígenas. Apesar de ser
historicamente refratária ao sistema de cotas na
graduação, a USP fixou um terço das vagas de seu
programa de pós-graduação em Direitos Humanos para
negros, indígenas e pobres.
Embora o Ministério da Educação não imponha
políticas de ação afirmativa na pós-graduação, dando às
instituições de ensino superior liberdade para fazer o que
julgarem mais conveniente em matéria de qualificação
para pesquisa científica, as universidades públicas
invocam estatísticas do IBGE para justificar a adoção
de políticas afirmativas na pós-graduação. Segundo o
órgão, apesar de negros e pardos representarem 51% da
população, só 18,8% dos brasileiros com mestrado
pertencem a esse grupo étnico. Entre os doutores, a
proporção é de 14,6%. "É preciso abrir mais portas da
pós-graduação para excluídos. Falta um pacto nacional
para resolver o problema", afirma o coordenador da ONG
Educa-fro, frei David Santos.
Esse argumento, contudo, não procede. Como o
sistema de pós-graduação stricto sensu foi adotado nas
universidades com o objetivo de qualificar o corpo
docente do ensino superior e expandir a pesquisa
científica, para assegurar a inovação tecnológica no País,
o acesso ao mestrado e doutorado está obrigatoriamente
baseado no princípio da competência.
Em outras palavras, se a ênfase no mérito for
abrandada ou relativizada em nome da "justiça social", a
pós-graduação perderá eficiência. Os mecanismos de
avaliação dos mestrados e doutorados implantados nos
últimos 16 anos perderão sentido. A qualidade da
pesquisa científica estará em risco. E as consequências
serão sofridas por toda a sociedade - inclusive pelos segmentos
mais desfavorecidos. Como o País poderá adotar novas
tecnologias, modernizar o parque produtivo e conquistar
mais espaço no mercado internacional -medidas
fundamentais para gerar novos postos de trabalho,
incorporar as novas gerações na economia formal e
assegurar inclusão social - sem as pesquisas científicas
e os programas de qualificação acadêmica de uma pósgraduação baseados no princípio da competência?
Depois da adoção das cotas nos mestrados e doutorados,
quais seriam os próximos passos? Assegurar cotas de
emprego em laboratórios e salas de aula para pósgraduados sem a devida qualificação?
Com a decisão de adotar políticas de ação afirmativa
na pós-graduação, as universidades públicas agitam
bandeiras mais vistosas do que eficazes. Prometem fazer
justiça social, "democratizando" o acesso aos mestrados
e doutorados. Mas se esquecem de que os problemas
de injustiça social têm origem na educação fundamental
e média, e não no ensino superior. O funil do ensino não
está na graduação ou na pós-graduação, mas na formação
deficiente no ensino básico. Se o ensino básico
proporcionasse educação de qualidade, os setores mais
desfavorecidos teriam a formação técnica e o preparo
intelectual necessários para ingressar por mérito próprio
em qualquer curso de pós-graduação.
07/09/13
2084
METRÓPOLE
07/09/13
2085
METRÓPOLE
44 crianças passam mal
em escola de Parelheiros
Secretaria de Educação afirma
que 'uma equipe foi designada
para apurar o que pode ter
ocorrido'
Mônica Reolom - O Estado de
S. Paulo
SÃO PAULO - Quarenta e
quatro crianças entre 10 e 16 anos
tiveram dores abdominais e
vômito na manhã desta sexta-feira,
6, na Escola Estadual Vargem
Grande II, em Parelheiros, zona sul
de São Paulo. A suspeita é de que
os alunos tenham ingerido comida
contaminada na escola. A
Secretaria Estadual de Educação
informou, por meio de nota, que
as crianças passam bem e que "uma
equipe foi designada para apurar
o que pode ter ocorrido". Na
quinta-feira, 5, em Sorocaba, pelo
menos 14 alunos passaram mal
depois de comer a merenda
servida na Escola Estadual Antonio
Miguel Pereira Júnior.
De acordo com a Secretaria
Municipal de Saúde, 33 crianças
foram encaminhadas à AMA
Parelheiros ou foram distribuídas
por três hospitais no Jabaquara, no
Grajaú e em Pedreiras. Até as
19h30 desta sexta-feira, 3 crianças
continuavam internadas no
Hospital Geral do Grajaú.
"A Secretaria da Educação do
Estado esclarece que a direção da
Escola Estadual Vargem Grande II
acionou o Samu por precaução
após alguns alunos apresentarem
mal-estar na manhã desta sextafeira. Os pais também foram
chamados à unidade. As crianças
foram atendidas e passam bem.
Uma equipe foi designada para
apurar o que pode ter ocorrido",
diz a pasta em nota.
07/09/13
2 0 8 6 DIRETO DA FONTE
Sonia Racy
Sala de aula
O governo federal quer que os
professores do ensino técnico
passem por aperfeiçoamento da
formação pedagógica - e firmou
parceria com o Centro Paula
Souza. O órgão do governo de São
Paulo será responsável pelo curso,
que terá 600 vagas este ano.
CORREIO BRAZILIENSE
07/09/13
2087
BRASIL
SÃO PAULO » Intoxicação leva
dezenas de alunos para hospital
Mais de 40 alunos de uma escola
pública de São Paulo foram
hospitalizados com sintomas de
intoxicação alimentar. De acordo
com as apurações iniciais, os
estudantes — que vomitaram muito
e reclamaram de fortes dores
abdominais — podem ter passado
mal após ingerir algum alimento
contaminado no horário da merenda.
Outra suspeita recai sobre o prazo
de validade do suco de caixinha que
foi oferecido.
Os sintomas apareceram depois
que as crianças, que têm entre 12 e
14 anos, fizeram um lanche na manhã
de ontem na Escola Estadual Vargem
Grande II, no bairro de Parelheiros,
Zona Sul da capital paulista. A
Secretaria de Educação do estado
anunciou que vai apurar a conduta
dos funcionários da escola e da
empresa contratada para distribuir a
merenda escolar.
Em nota, a Secretaria de
Educação estadual alerta que a
vigilância sanitária foi acionada e que,
caso
sejam
constatadas
irregularidades, “todas as medidas
cabíveis serão tomadas, entre elas,
até a suspensão do contrato (da
empresa que fornece a merenda)”.
“A Secretaria da Educação do
estado esclarece que a direção da
Escola Estadual Vargem Grande II
acionou o Samu por precaução, após
alguns alunos apresentarem mal-estar
na manhã desta sexta-feira. Os pais
também foram chamados à unidade.
As crianças foram atendidas e
passam bem. Uma equipe foi
designada para apurar o que pode
ter ocorrido”, destaca a Secretaria
em nota enviada à imprensa.
Segundo informações da Polícia
Militar, uma funcionária da escola
pode ter dado aos estudantes, por
engano, um lote vencido de suco
industrializado. Esse foi o segundo
episódio de intoxicação de crianças
registrado esta semana, em São
Paulo. Na quinta-feira, 14 estudantes
da Escola Estadual Antônio Miguel
Pereira Júnior também passaram mal
depois de consumir a merenda.
CORREIO BRAZILIENSE
07/09/13
2088
ECONOMIA
Taxa de inscrição rende R$ 400 milhões a bancas
Empresas que organizam
concursos públicos cobram caro,
mas, na maioria das vezes,
oferecem serviços de baixa
qualidade
» ANTONIO TEMÓTEO
» LORENA PACHECO
Do Correioweb
Alexandre e Rafael dizem que o
despreparo das empresas é um dos
assuntos mais comentados entre os
concurseiros
Organizar concursos públicos no
país se transformou em algo tão
lucrativo quanto a exploração de
minas de ouro. De 2011 até meados
deste ano, cinco bancas faturaram
90% dos R$ 404,6 milhões
arrecadados apenas com o
pagamento de inscrições de
candidatos que almejam uma vaga
no serviço público federal (veja
arte). Levantamento feito pelo
Correio aponta que o Cespe, a
Cesgranrio, a Fundação Carlos
Chagas (FCC), a Fundação Getulio
Vargas (FGV) e a Escola de
Administração Fazendária (Esaf)
concentram o mercado desse tipo de
seleção.
Denominado como “empresa sem
fins lucrativos”, o Cespe foi o
campeão de faturamento entre as
empresas que organizam certames.
Recebeu R$ 118,3 milhões no
período, 29,2% do total. Em
segundo lugar, está a Cesgranrio,
com uma arrecadação de R$ 101,2
milhões, mais de 25%. Somente as
duas detêm mais de 50% da indústria
dos concursos e são consideradas
referências na elaboração de
processos seletivos para cargos
federais. Para chegar aos números
apresentados, a reportagem
multiplicou o valor médio das
inscrições pelo número de
candidatos que garantiram o direito
de concorrer a uma vaga.
Na avaliação da diretora
executiva da Associação Nacional
de Proteção e Apoio aos Concursos
(Anpac), Maria Thereza Sombra, o
custo elevado das inscrições e o
faturamento das bancas não
correspondem à qualidade dos
exames. Para ela, as empresas não
têm mão de obra qualificada e ainda
oferecem aos candidatos
acomodações desconfortáveis
durante as provas.
Maria Thereza não vê solução
para o problema enquanto não
houver normas que acabem com os
custos elevados e com a
desorganização dos concursos.
“Existem no país mais de 100 bancas.
Esse número é exorbitante. Faltam
critérios até para se montar uma
entidade com essa finalidade. Isso se
reflete em provas com qualidade
duvidosa e abre precedente para
fraudes”, completa.
Fiscalização
O advogado e especialista em
concursos públicos Alessandro
Dantas Coutinho defende que os
órgãos de controle, como o
Ministério Público Federal (MPF) e
o Tribunal de Contas da União
(TCU), além das próprias instituições
que contratam as organizadoras,
fiscalizem a conduta delas. “Medidas
enérgicas precisam ser tomadas. A
primeira é proibir as bancas de
elaborarem certames quando o
histórico for de baixa qualidade”, diz.
Enquanto nada é feito, a dentista
Renata de Vasconcelos, 33 anos,
decidiu abrir mão de concursos com
preços abusivos. Ela ressalta que é
cada vez mais difícil arcar com os
custos para estudar e com os boletos
que dão direito a disputar uma vaga.
“Gostaria de fazer todas as provas,
mas não é possível, porque é muito
caro”, ressalta.
Continua
Continuação
07/09/13
Por meio de nota, a FGV afirma
que concursos de caráter estadual ou
nacional exigem forte infraestrutura
logística e equipamentos de alta
tecnologia para a segurança. A
organizadora também ressalta que a
ocorrência de problemas está bem
abaixo dos parâmetros esperados
para exames de tamanha
abrangência.
O Cespe afirmou que o montante
arrecadado com as taxas de
inscrição é usado para cobrir as
despesas dos concursos públicos e
para manter a estrutura do centro. A
Cesgranrio informou apenas que não
recebe repasse do governo federal
para organizar certames e que os
valores das inscrições estabelecidos
nos editais são gastos na elaboração
e na aplicação das provas.
Procuradas, a Fundação Carlos
Chagas e a Esaf não se pronunciaram
até o fechamento desta edição.
CORREIO BRAZILIENSE
07/09/13
CIDADES
2089
EDUCAÇÃO » MEC descredencia a Alvorada
Decisão do ministério será
publicada no Diário Oficial da União
de segunda-feira. Com isso, a
faculdade perde os direitos de
funcionamento. A pasta convocará
instituições de ensino para
absorverem os cerca de 4 mil alunos
» MANOELA ALCÂNTARA
A Faculdade Alvorada chegou a
anunciar, no site oficial, a retomada
das atividades acadêmicas, o que
não foi autorizado pelo MEC
A Faculdade Alvorada foi
descredenciada. Na segunda-feira,
o Ministério da Educação publicará
no Diário Oficial da União (DOU)
dois despachos: um para expor a
perda dos direitos de funcionamento
e outro para facilitar a transferência
dos cerca de 4 mil alunos que
estudam no local. A decisão foi
tomada devido às denúncias de
problemas trabalhistas e
administrativos, e por conta das
reclamações dos estudantes.
A ação de despejo do prédio da
516 Norte, em 26 de julho, em
decorrência de uma dívida de R$ 30
milhões, também influenciou o MEC.
A instituição de ensino superior
precisava decidir novos locais onde
as atividades letivas seriam
retomadas, mas apresentou
endereço sem comprovação, o que
gerou mais um motivo para o
entendimento de que a Alvorada não
tem condições de voltar a ministrar
aulas.
915 Sul, entre outros. Porém, nada
disso está autorizado pelo MEC. No
segundo despacho a ser publicado
na segunda-feira, o órgão procura
uma solução para todos os que
iniciaram um curso na Alvorada, mas
não sabem o que farão para
aproveitar os créditos já terminados
e concluir o nível superior.
Todas as informações foram
colhidas pelo MEC após abertura de
um processo administrativo. Em
nota, o órgão explicou a decisão. “É
decorrente da qualidade acadêmica
deficiente da instituição, do
comprometimento da sua situação
econômico-financeira, da ausência
de condições adequadas de
instalações físicas, da falta de um
plano viável para continuar
ofertando seus cursos e do
descumprimento das normas de
regulação da educação superior”, diz
o documento. Além disso, foi
apurado que aulas estavam
ocorrendo em endereços que não
eram os mesmos apresentados ao
MEC.
Um novo procedimento pode
agilizar a vida dos que desconhecem
o destino. A Política de Transferência
Assistida (PTA) será uma das
possibilidades abertas pelo MEC
para que outras instituições
credenciadas
absorvam
imediatamente os estudantes. Em até
cinco dias úteis, a partir da
publicação do despacho, será
divulgado edital convocando as
instituições de educação superior do
DF. “Essa iniciativa tem o objetivo
de garantir a continuidade dos
estudos, o aproveitamento curricular,
a permanência em programas
federais, e as condições satisfatórias
de qualidade de oferta da educação
superior e economicamente
compatíveis aos estudantes em
situação de transferência
acadêmica”, informa a nota do
ministério.
A decisão diverge do anunciado
no site da Alvorada. Em letras
garrafais, a instituição informa a
retomada das atividades acadêmicas
no mesmo dia em que o
descredenciamento ocorrerá. O
reinício dos trabalhos prevê aulas no
Colégio Imaculada Conceição, na
606 Sul, no Edfício Parlamundi, na
Dilema
A situação atual dos que iniciaram
um curso na faculdade é difícil. De
acordo com o diretor de
universidades da União Nacional dos
Estudantes (UNE), Wanderson
Continua
Continuação
Maia, o dilema está em conseguir a
documentação para se matricularem
em outras instituições. “A Justiça
acompanha o caso e já solicitou a
liberação de históricos, das
declarações. Porém, o prédio onde
funcionava a Alvorada está fechado,
a área administrativa não funciona.
Eles vivem um dilema”, informou.
Maia lembra que a UNE auxilia os
estudantes e formou grupos para
ingressar com ações coletivas. Eles
vão pedir, pelo menos, os danos
morais pelos transtornos causados.
O representante ressalta a
necessidade de verificar a situação
da próxima faculdade que essas
pessoas escolherão para concluir o
ensino superior. “Existem muitas com
pendências. A Uneb, que ocupará o
prédio na Asa Norte, é uma delas.
Tem dívidas a serem pagas. Eles
devem analisar para não sofrerem o
07/09/13
mesmo problema depois”, indicou.
Procurado para comentar a situação,
o advogado da Alvorada, Raul
Fernandes, informou que estava em
Vitória (ES) e não poderia responder
pela faculdade.
Histórico
Em 19 de julho, o Despacho nº
134 da Secretaria de Regulação e
Supervisão da Educação Superior,
do Ministério da Educação, já havia
determinado medidas cautelares para
a faculdade. Entre elas, estava a
suspensão imediata da admissão de
novos alunos, seja por meio de
processo seletivo (vestibular), seja
por transferência de outras
instituições de ensino superior, bem
como a suspensão de todos os
processos regulatórios para abertura
de novas vagas, unidades, cursos,
entre outros.
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