05/09/2013 - 03h00
Análise: Fim do tsunami cambial é só uma
parte do problema atual
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ALEXANDRE ESPÍRITO SANTO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Não faz muito tempo, a equipe econômica -e a presidente Dilma- reclamavam da
tsunami cambial.
Brasil registra em agosto maior saída de dólares para o mês desde 1998
A política monetária extremamente frouxa colocada em prática no pós-crise pelos
países centrais, temperada com uma pitada extra de "quantitative easing"
(expansão monetária) do banco central norte-americano (o Fed, Federal Reserve),
provocou um apetite por risco poucas vezes visto na história, direcionando dólares
para os países emergentes.
Essas economias emergentes apresentavam um desempenho bastante
interessante para aquele momento de situação global adversa.
Esses países ofereciam boas oportunidades para os investidores globais -inclusive
os fundos de investimentos-, tanto por perspectivas reais como por taxas de juros
elevadas -como era o caso do Brasil.
Neste momento, entretanto, o quadro se reverteu.
Há uma nítida percepção de que a política monetária do Fed será alterada. O fim
da expansão monetária está próximo e, muito provavelmente, as taxas de juros
subirão em 2014.
Os mercados, que sempre antecipam mudanças, iniciaram, há alguns meses, um
movimento de retorno ao dólar. Assim, há uma realocação de ativos, com os
investidores punindo, principalmente, as moedas dos países mais arriscados.
Nesse rol estão real, rupia indiana, rupia indonésia, rublo (da Rússia), rand (da
África do Sul) e lira turca. Essas divisas sofrem enormes desvalorizações, que
oscilam entre 8% e 20% no ano.
Mas será somente a mudança do Fed a causadora desse estrago?
Somente para citar, Brasil, Índia e Indonésia estão com elevados deficit em
transações correntes, acima de 3% do Produto Interno Bruto.
É natural, pois, que suas moedas sofram um revés, já que o ajuste das contas
externas passa, necessariamente, por uma situação de câmbio mais desvalorizado.
Entendo que a presidente Dilma cobre uma clareza maior dos países sobre o futuro
de suas políticas monetárias. Mas a perda de valor do real não é culpa exclusiva do
Fed; há problemas internos. O certo é que as economias emergentes necessitarão
de ajustes para lidar com essa nova ordem, como sugeriu o FMI (Fundo Monetário
Internacional).
ALEXANDRE ESPÍRITO SANTO é professor do Ibmec/RJ e economista da Simplific Pavarini
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