Publicação Especializada em Terapia Intravenosa
ano V • nº 15 • setembro – dezembro de 2005
Veja nesta edição:
UFMG adota programa
educacional do CTAV
A Universidade Federal de Minas Geral (UFMG) é
uma das primeiras instituições a implantar o Programa BD na Universidade com excelentes
resultados educacionais. Veja entrevista com a professora Flávia Latini, coordenadora do Curso
de Atualização em Terapia Intravenosa, vinculado ao programa do CTAV.
Página 2
Por Katia Teixeira
Gerente de produto Infusion Therapy Systems
O
Programa BD na Universidade foi criado este
ano pelo Centro de Treinamento em Acesso VascularCTAV para atender às solicitações de cursos e palestras sobre
assuntos relacionados a terapia
intravenosa, acesso periférico,
cateter central de inserção periférica e sistema fechado. O Centro de Treinamento em Acesso
Vascular quer, com esta iniciativa, firmar parcerias com instituições universitárias brasileiras a
fim de que os alunos recebam informações e conhecimentos sobre novos conceitos, técnicas atualizadas em Terapia Intravenosa. Cada universidade recebe material de apoio que se constitui
de um estojo contendo amostras
de produtos BD e literaturas.
O maior objetivo da BD com
este programa é contribuir para
o aprimoramento e a otimização
da Terapia Intravenosa, onde
quer que seja utilizada. As aulas ministradas pelos consultores educacionais do CTAV compreendem temas sobre o uso de
novos dispositivos de acesso venoso central e periférico, além
das opções do Sistema Fechado
de Infusão Intravenosa.
É importante frisar que embora seja uma iniciativa de uma
empresa privada, o Programa
visa especificamente apoiar o
desenvolvimento acadêmico,
através da difusão de informações e promoção da educação
dos estudantes que estão se preparando para atuar efetivamente nos serviços de saúde.
Na página 2, você encontra
um exemplo como o Programa
BD na Universidade vem sendo
implementado na Universidade
Federal de Minas Gerais.
Centro Cirúrgico látex-livre
Conheça as soluções que Equipe do CC do Hospital Vera Cruz encontrou para prevenir complicações decorrentes de alergia ao látex.
Página 3
Manutenção do acesso
da veia jugular
A consultora educacional do CTAV, Silmara
Malaguti, pesquisou e elaborou um artigo com
uma série de indicações e cuidados sobre o uso
de heparina ou solução salina no acesso de veia
jugular.
Leia nas páginas 4 e 5
PICC em nutrição parenteral
parcial
Leia entrevista com a presidente da CCIH do
CAISM, dra. Roseli Calil.
Página 6
Artigos científicos especiais
Punção, manuseio e cuidados com
a fístula arteriovenosa (FAV)
De autoria da profa Severina Barbosa Lima,
especialista em Nefrologia pela SOBEN.
Páginas 7, 8 e 9
Biofilmes relacionados a cateteres
Para conhecer melhor e participar do Programa BD
na Universidade, basta enviar um e-mail para:
[email protected]
De Elenice Kocssis, enfermeira consultora
educacional da 3M do Brasil - Terapia Endovenosa
e Wound Care.
Páginas 10 e11
UFMG promove atualização dos alunos em Terapia IV
com o Programa BD na Universidade
Profª. Flávia Sampaio Latini
m junho passado, a Faculdade de
Enfermagem da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG)
iniciou o Programa BD na
Universidade, com excelentes
resultados educacionais para seus
alunos. Segundo a enfermeira Flávia
Sampaio Latini, professora e
coordenadora do programa na
instituição, o Curso de Atualização
em Terapia Intravenosa vinculado a
este projeto do Centro de Treinamento
em Acesso Vascular-CTAV, vem
servindo para ampliar os
conhecimentos dos novos conceitos
que estão surgindo na área. Nesta
entrevista, ela comenta a importância
e o valor da iniciativa aos profissionais
de saúde que atuam em Terapia IV.
E
2
Intravenous – Como surgiu o interesse
da UFMG pelo Programa BD na Universidade?
– Flávia Latini: Há alguns meses, o CTAV
entrou em contato conosco para nos apresentar as propostas do Programa e foram
acolhidas com interesse pelos docentes,
pois envolve temas de grande importância aos alunos. A partir daí, transformamos o Programa BD na Universidade em
um Projeto de Extensão, denominado de
Curso de Atualização em Terapia Intravenosa, para que fosse registrado e aprovado no Centro de Extensão da nossa
Unidade Acadêmica. Cabe esclarecer que
o curso foi oferecido para a comunidade
da Escola de Enfermagem da UFMG e
sua aprovação se deu somente no âmbi-
to desta Unidade Acadêmica.
Intravenous – A professora acredita que
este Programa do CTAV possa ajudar na
promoção do conhecimento acadêmico
sobre os novos conceitos citados na pergunta anterior?
– Flávia Latini: Acreditamos. O CTAV
dispõe de material didático bem elaborado e atual, além de material demonstrativo, ou seja, os próprios produtos
para acesso vascular o que permitiu a sua
manipulação pelo alunos.
Intravenous – Na área de Terapia Intravenosa, quais as questões e dúvidas mais
freqüentes dos alunos em relação aos novos conceitos e técnicas surgidas nos últimos anos?
– Flávia Latini: No 5º e no 7º períodos
do curso, a Terapia IV é apresentada e
abordada aos alunos, tanto em teoria
quanto na prática. Atualmente, as questões mais freqüentes são relacionadas à
técnica de punção e fixação do cateter, à
manutenção e à proteção do acesso, à escolha do cateter e à profilaxia de infecção. Durante o curso de atualização ministrado pela consultora educacional do
correram e quais os temas abordados?
– Flávia Latini: O Curso de Atualização
em Terapia Intravenosa, como é denominado o Programa, transcorreu durante o último mês de junho com carga horária total de 16 horas, 4 horas por dia e
foi oferecido aos alunos do curso de Graduação e profissionais de Enfermagem.
As vagas foram insuficientes à demanda
e 50 pessoas participaram, dentre elas alunos da Escola e egressos, que atualmente
estão inseridos em instituições hospitalares. Os temas abordados foram Biossegurança, Acesso Venoso, Material X
Complicações, Complicações da Terapia
IV, Otimização da Terapia IV, Sistema
Fechado Integrado e Cateter Central de
Inserção Periférica (PICC). Observamos
que os alunos demonstraram satisfação e
consideraram o curso coerente com a proposta de atualização. O aspecto mais pontuado foi a respeito dos próprios materiais apresentados, principalmente o sistema fechado, e sobre a PICC.
CTAV em Belo Horizonte, enfermeira
Luciana Bianchini, os questionamentos
mais freqüentes estiveram relacionados aos
produtos BD, aos cateteres de segurança,
ao PICC, à escolha do material e à angulação da punção relacionada ao material
utilizado. Acreditamos que as dúvidas devem-se ao fato de os alunos não encontrarem tais produtos nas instituições de
saúde que freqüentam, seja em atividades curriculares ou extra-curriculares.
– Flávia Latini: Trata-se de uma proposta interessante, pois aproxima os
alunos do que há de novo no mercado,
reforça a importância dos novos conceitos, além de tratar-se de um tema
essencial ao processo de trabalho do
enfermeiro, tanto assistencial, quanto
de planejamento. Pretendemos oferecer
o curso semestralmente, mantendo a
parceria com a BD, envolvendo os docentes e a equipe do CTAV.
Intravenous – Quantos alunos participam do Programa BD na Universidade
na UFMG? Quantas horas-aulas já trans-
Intravenous – Como os professores da
Escola de Enfermagem da UFMG avaliam esta iniciativa da BD?
E-mail para contato:
[email protected]
Ano V • nº 15
Hospital Vera Cruz em Campinas cria estrutura
látex-livre no Centro Cirúrgico
Por: Aneci Valéria D. R. Lima, Izaura S. do
Espírito Santo e Thais Marcondes Ferreira
Profissionais do Hospital Vera Cruz que
desenvolveram o projeto látex-livre para o Centro
Cirúrgico: enf. Aneci Valéria Dias Rocha Lima,
supervisora da CME; enf. Thais Marcondes Ferreira,
coordenadora de Enfermagem; dr. José Luís de
Campos, médico anestesista do CC HVC; e enf.
Izaura Santos do Espírito Santo, supervisora do CC.
E
m abril passado, o Centro Cirúrgico do Hospital Vera Cruz detectou a necessidade de montar
uma sala látex-livre, devido ao
aumento no número de pacientes alérgicos durante a consulta pré-anestésica. O fato levou as equipes de Enfermagem e do Serviço de Anestesia a pesquisarem o assunto, a fim de conhecerem melhor o problema e encontrar
soluções. Nossa surpresa foi descobrir
que se trata de um processo alérgico
muito comum em profissionais da saúde, estimado em 14%, embora pouco
conhecido e reconhecido.
O segundo passo foi identificar todo
material e equipamento hospitalar que
fosse composto por látex. Entramos em
contato com algumas instituições buscando auxílio, mas nenhuma possuía experiência no assunto.
O levantamento inicial feito para identificar o que é composto por látex apontou diversas possibilidades, como êmbolo da seringa descartável, manguito do
esfigmomanômetro, luvas de procedimentos e cirúrgicas, balão do aparelho
respiratório da anestesia, extensão de
aspiração, mangueira de oxigênio, tampa dos frascos de antibiótico, bico injetor
lateral do equipo de soro. Enfim, o látex
está presente em nosso dia-a-dia, sem
despertar nossa atenção para seu potencial alergênico.
Ano V • nº 15
Laudo técnico e protocolo
O terceiro passo foi entrar em contato com os fornecedores de cada material e solicitar um laudo técnico. Tais laudos foram arquivados para posterior
montagem do protocolo de látex-livre.
Alguns produtos da BD foram de suma
importância nesse processo. Dispositivos
tais como as seringas descartáveis com
êmbolos de silicone, o sistema Interlink
com os pontos de conexão de silicone,
o garrote e o estetoscópio látex-livre. O
protocolo, inicialmente, atendeu às seguintes áreas: alas de Internação, UTI,
Pronto Socorro, Centro Obstétrico e
Centro Cirúrgico.
Com isso, foi possível criar um kit de
materiais cirúrgicos látex-livre, bem
como uma sala látex-livre onde todos
os materiais e equipamentos foram trocados por componentes de silicone. Todos os materiais não passíveis de troca,
como as bombas de infusão com látex
em seus cabos e o garrote pneumático,
foram envolvidos com atadura crepe
para evitar o contato com a paciente.
Todos os componentes da equipe médica e de enfermagem no centro cirúrgico e setores que atenderam estes pacientes usaram luvas de vinil.
Resultados
O procedimento cirúrgico e o atendimento subseqüente ocorreram livres de
danos e, após esta experiência foram
selecionadas referências bibliografias sobre a alergia ao látex. Além disso, elaboramos um protocolo de atendimento
a pacientes alérgicos ao látex para todos os setores do hospital e montamos
uma sala cirúrgica látex-livre. Atualmente, desenvolvemos procedimentos específicos para manter as acomodações destes pacientes livres de látex.
Em todo este processo, contamos com
o apoio da BD que disponibilizou os serviços do CTAV para nos ajudar no desenvolvimento do protocolo de procedimentos látex-livre.
E-mails para contato:
[email protected]
Para conhecer e utilizar os serviços
do CTAV, basta entrar no site:
www.ctav.com.br
Pelo site você também pode
fazer sua assinatura gratuita do
jornal Intravenous
Intravenous.
3
Heparinização X Salinização
no acesso da veia jugular
A leitora Vera Lucia Figueiredo Tini Cardoso encaminhou carta ao
Intravenous com a seguinte pergunta:
– Existe alguma indicação específica para o uso de solução
heparinizada no acesso de veia jugular, ou pode-se utilizar solução
salinizada?
A consultora educacional do CTAV, Silmara Elaine Malaguti,
pesquisou e elaborou as respostas aqui publicadas.
Silmara Elaine Malaguti
N
o Brasil, ainda há muitas controvérsias sobre o uso de heparina
x solução salina, mas em muitos
países, como nos EUA, há seringas pré-preparadas (Posiflush) com solução salina e também com heparina em
concentrações ideais para cada tipo de
cateter e paciente, bastando adequá-las
de acordo com o cateter.
Por não termos recursos como este,
faz-se necessária a implantação de protocolos de manutenção, como o elaborado pela Infusion Nursing Society
(INS):
4
veias jugulares externas e internas
devem ser usadas como um último recurso ou em situações de urgência, pois o risco de contaminação de cateter é maior que em
outras regiões;
a escolha do tipo de solução (solução salina x heparina) deverá ser
baseada no tipo do cateter (centrais,
periféricos, picc, tunelizados);
deve-se utilizar o protocolo de lavagem (método SASH) para todos
os tipos de cateter, ou seja, antes
de administrar uma medicação, o
cateter deverá ser lavado com solução salina (S), em seguida administra-se a medicação (A), saliniza-se
novamente o cateter (S) e se necessário, hepariniza-se o cateter (H);
o volume de solução salina ou de
heparina a ser infundido, a concentração da solução de heparina
e a freqüência dependerão do tipo
de cateter e procedimento (vide
tabela 1 e 2);
A manutenção de cateteres é uma prática de baixo custo e implantada por
meio de protocolos, contribui para a preservação da rede venosa dos pacientes,
diminuindo recursos financeiros da instituição e prevenindo complicações.
para cateteres centrais, duplo lúmen e cateteres centrais inseridos
perifericamente, o uso solução salina durante 24 horas é uma outra alternativa além do método
SASH; porém para medicamentos
em horários alternativos, a heparina é mais indicada;
Referências bibliográficas:
para cateteres periféricos a solução
salina é indicada desde que o método SASH seja rigoramente utilizado. Estudos mostram que a solução salina tem uma alta eficácia
para evitar obstrução em cateteres
periféricos 22G, principalmente
em pediatria, mas esta eficácia não
é a mesma quando se trata de cateteres mais calibrosos por conta
do alto volume de sangue que poderá refluir para o interior do cateter. Em neonatologia, embora
exista muitas controvérsias sobre
o tema, é recomendado o uso de
heparina para a manutenção de cateteres periféricos, dado à escassez
de acesso venoso e também com o
objetivo de aumentar a durabilidade do cateter.
Hankins, J. et al. (Infusion Nursing Society-INS). In:Infusion teraphy in clinical practice. Ed. W.B. Saunders Company, 2004.
Danek, GD, Noris Em. Pediatric I.V.
Catheters: Efficancy of saline flush. Pediatric Nurs, v. 18, p. 111-113, 1992.
Feehery, P.A. et al. Flushing 101: Using
a Focus-PDCA quality improvement
model to reduce catheter occlusions with
standardized protocols. JVAD, 2003.
McGee DC, Gould MK. Preventing complications of central venous catheterization.
N Engl Med, n. 384, v.12, march, 2003.
McMuller, A. et al. Heparinized saline
or normal saline as a flush solution in
intermittent intravenous lines in infants
and children. Matern Child Nurs J, n.18,
p.78, 1993.
Merrer J, et al. Complications of femoral and subclavian venous catheterization in critically ill patients: a randomized controlled trial. JAMA, n.286, p.
700-7, 2001.
Pettit,J. Assessment of the infant with
a peripheral intravenous device. Advantaces in neonatl care, v. 3, n.5, p.230240, 2003.
Ano V • nº 15
Série Práxis
Enfermagem
Tabela 1: Cuidados com o cateter após administração de
medicamentos: método SASH
Cateter
Cuidados após a administração de medicamentos
Periféricos 1 a 2 mL solução salina antes de depois de cada medicação; quando necessário, após a lavagem administra-se 1 a 2 mL de solução de heparina (10 U/mL pediatria ou 10 a 100U/mL em adultos).
Centrais
Manutenção
Após a administração de medicamentos; após coleta de
sangue; após infusão de hemoderivados.
3 mL de solução salina antes e depois de cada medi- Diariamente, a cada 8 – 24
horas; após cada administração de medicamentos; após
ou 10U a 100U/mL em adultos).
coleta de sangue; após infusão de hemoderivados.
(priming:
cação; quando necessário, após a lavagem adminstraaprox. 0,3 mL se 1 mL de de solução de heparina (10 U/mL pediatria
cada lúmen)
Tunelizados 3 mL de solução salina antes e depois de cada medicação; quando necessário, após a lavagem adminstra(priming:
aprox. < 1 mL se 2 a 5 mL de de solução de heparina (10 U/mL pedicada lúmen) atria ou 10U a 100U/mL em adultos).
A cada 7 dias; após cada administração de medicamentos;
após coleta de sangue; após
infusão de hemoderivados.
Totalmente 5 mL de solução salina após cada medicação e em A cada 30 dias; administra-se
Implantados seguida 5 mL de solução de heparina (10 U/mL pedia- 5 mL de solução de heparina;
(volume do tria ou 10U a 100U/mL em adultos).
após cada administração de
reservatório
medicamentos; após coleta de
0,33 a 1mL)
sangue; após infusão de hemoderivados.
PICC
2 a 3mL de solução salina antes de depois de cada
(priming: 0,04 medicação; quando necessário, após a lavagem ada 0,5 mL)
ministra-se 1 a 2 mL de solução de heparina (10 U/mL
pediatria ou 10 a 100U/mL em adultos). * Importante seguir as recomendações de manutenção de
acordo com o fabricante, pois o volume dependerá
do calibre e comprimento do cateter, principalmente neonatos.
No mínimo duas vezes/dia;
após cada administração de
medicamentos; após coleta de
sangue; após infusão de hemoderivados. Em home care/
domicilios esta manutenção
poderá ser alterada e obrigatoriamente a heparina deverá
ser utilizada.
* Segundo INS (2004)
Tabela 2: Cuidados com o cateter após a transfusão sangüínea*
Cateter
Cuidados após transfusão sangüínea
Periféricos 1 a 2 mL solução salina antes de depois da transfusão, em seguida administra-se 1 a 2
mL de solução de heparina (10 U/mL pediatria ou 10 a 100U/mL em adultos).
Centrais
5 a 10 mL de solução salina antes e depois da transfusão, em seguida administra-se 1
a 3 mL de solução de heparina (10 U/mL pediatria ou 10 a 100U/mL em adultos).
Tunelizados 5 a 10 mL de solução salina antes e depois da transfusão, em seguida administra-se 2
a 5 mL de solução de heparina (10 U/mL pediatria ou 10U a 100U/mL em adultos).
Totalmente 5 a 10 mL de solução salina, em seguida administra-se 5 mL de solução de heparina
Implantados (10 U/mL pediatria ou 10U a 100U/mL em adultos).
PICC
Em geral, 5 a 10 mL de solução salina antes de depois de cada medicação; quando
necessário, após a lavagem administra-se 1 a 2 mL de solução de heparina (10 U/mL
pediatria ou 10 a 100U/mL em adultos). * Importante seguir as recomendações de
manutenção de acordo com o fabricante, pois o volume dependerá do calibre e comprimento do cateter, principalmente neonatos.
* Segundo INS (2004)
E-mail para contato:
[email protected]
Ano V • nº 15
Terapia Intravenosa
Jane Banton – Coordenadora de
Terapia IV do Hospital & Clinics,
University of Wisconsin.
Cheryl Brady – Professora de
Enfermagem do Mercy College
Youngstown, Ohio.
Sharon O’Kelley – Enfermeira
em Terapia IV da Duke University
Health Systems.
1ª edição - 240 páginas
Preço: R$ 45,00
Editora LAB
www.editoralab.com.br
Três enfermeiras norte-americanas abordam nesta obra os diversos aspectos envolvidos na Terapia IV, desde os fundamentos, as
técnicas de inserção periférica e
venosa central, os métodos de infusão de medicamentos intravenosos, transfusões, quimioterapia,
nutrição parenteral e controle das
complicações. No final do livro,
há uma tabela de compatibilidade
entre medicamentos intravenosos.
O livro faz parte da Série Práxis
– Enfermagem e trata-se de um
excelente guia de consultas rápidas e uma ótima fonte de referências para estudantes desta categoria profissional que querem se especializar em Terapia IV.
`
Veja outros lançamentos da
Série Práxis na última página
5
Recomendações no uso do cateter central de inserção
periférica (PICC) em nutrição parenteral parcial
(NPP)
– Entrevista com a presidente da CCIH do CAISM, profa dra. Roseli Calil –
Profª. Dra. Roseli Calil
6
Intravenous – Há necessidade de via
exclusiva para NPP? Por quê?
– Dra. Roseli Calil: A Portaria Nº 272
de 08/04/1998 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde que aprovou o Regulamento Técnico contendo os requisitos mínimos exigidos para Terapia de Nutrição Parenteral determina: “A via de acesso utilizada para a administração da nutrição
parenteral é exclusiva. É vedada a sua
utilização para outros procedimentos.
Casos excepcionais devem ser submetidos à avaliação a Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional”.
A utilização de uma via única para administração de NPP não tem por objetivo cumprir simplesmente a recomendação de uma Portaria Ministerial. Esta
prática tem como fundamento a redução de riscos de interação de drogas administradas pela mesma via e componentes da NPP, além de reduzir a manipulação desta via e, conseqüentemente, o risco de infecção associada ao cateter e ao
uso de NPP.
Quando necessária a administração de
drogas, a utilização de cateter de duplo
lúmen pode ser uma opção. Neste caso,
deve-se utilizar a via mais longa (distal)
para administração de NPP. Em neonatologia não há possibilidade do uso de
cateter com duplo lúmen, sendo assim
o PICC é mantido como via única para
NPP e uma veia periférica é mantida para
administração de outras drogas.
Intravenous – Com que freqüência deve
ser feita a troca das conexões, equipos
etc, após infusão de lipídeos?
– Dra. Roseli: A troca do sistema de infusão tem por objetivo evitar a instalação e multiplicação de microrganismo
no seu interior. Trocas de equipos utilizados para infundir lipídeos ou NPP contendo lipídeos devem ser feitas a cada
24 horas. Trocas anteriores a este período devem ser realizadas quando observadas quebra de técnica ou complicações
mecânicas do sistema de infusão. Por
ocasião das trocas de equipos e conexões, é importante realizar a desinfecção do hub do cateter com álcool a 70%.
; posicionamento adequado do cateter
Intravenous – É adequado realizar lavagem constante do cateter?
– Dra. Roseli: A irrigação do cateter
deve ser evitada por aumentar o risco
de infecção relacionada a este dispositivo, devido manipulação excessiva do
mesmo. Para garantir a permeabilidade do cateter é importante que o fluxo
neste cateter seja constante, daí a necessidade de uma equipe de enfermagem bem treinada e a utilização de bombas de infusão adequadas para a idade,
calibradas e com manutenção realizada
por empresa qualificada.
O uso do PICC como via única para
NPP diminui o risco de obstruções do
cateter decorrente da precipitação de
substâncias no lúmen por interação de
drogas e componentes da NPP. É importante também que a prescrição da NPP
seja adequada evitando a precipitação
dos próprios componentes desta solução. Para isso é importante a avaliação
do farmacêutico responsável pela NPP
quanto a compatibilidade dos componentes prescritos pelo médico.
Intravenous – Como prevenir complicações, como flebites, nessas situações?
– Dra. Roseli: A prevenção de flebites é
feita com adesão da equipe às boas práticas
de inserção e manipulação do cateter e da
NPP, com ênfase nos seguintes tópicos:
; escolha de um cateter compatível
com o calibre do vaso;
; técnica asséptica na inserção, devendo ser evitada punções múltiplas;
Intravenous – Há risco de infecção da
corrente sangüínea quando há salinização e heparinização do cateter central?
– Dra. Roseli: Em nossa prática em recém-nascidos não realizamos salinização
ou heparinização do cateter central.
Quando a criança termina a transição
alimentar e a NPP é suspensa, retiramos
o PICC. Em situações onde houve opção pela manutenção do cateter para administração de drogas, optamos por
manter este cateter com uma infusão mínima 1mL/hora constante com SF 0,9%.
Entendemos que a salinização ou a heparinização a principio não causam infecção, podendo eventualmente, aumentar o risco de infecção por manipulação
excessiva do cateter.
em localização central. Evitar o uso
de soluções com osmolaridade elevada, quando observado que o PICC ficou em localização periférica;
; higienização das mãos antes da manipulação do cateter;
; desinfecção do hub com álcool a
70% por ocasião das trocas de equipos e instalação de NPP ou na desconexão do sistema para administração de droga com seringas/flush;
; técnica adequada na troca de curativos do PICC, evitando contaminação ou deslocamento do cateter.
Referências bibliográficas:
Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção
Hospitalar (APECIH). Infecção relacionada ao uso de
cateteres vasculares, 2ª edição, 1999.
Centers for Disease Control And Prevention. Guidelines
for the prevention of intravascular catheter-related
infections. Recommendations and Reports. MMWR
Morb Mortal Wkly Rep 2002; 51(RR-10).
Kilbride H.W. Evaluation and Development of
Potentially Better Practices to Prevent Neonatal
Nosocomial Bacteremia. Pediatrics (111) Nº 4, 50418, April, 2003.
Ministério da Saúde do Brasil – Secretaria de Vigilância
Sanitária. Regulamento. Técnico para Terapia de Nutrição Parenteral, Portaria Nº 272 de 08/04/1998.
Thiagarajan R. R. et all – Efficacy of Peripheraly Inserted
Central Venous Catheters Placed in Noncentral Veins.
Arch Pediatr Adolesc.Med.(152), 436-439, may 1998.
E-mail para contato:
[email protected]
Ano V • nº 15
Punção, manuseio e cuidados com a fístula
arteriovenosa (FAV)
Por: Profª Severina Barbosa Lima *
A
sobrevida do paciente renal
crônico em hemodiálise depende, de forma imprescindível, de
uma via de acesso à circulação
sangüínea. Através dela o sangue é distribuído ao circuito extracorpóreo,
dialisador e linhas, onde ocorre a depuração das toxinas urêmicas e retorna ao
organismo. O acesso vascular ainda representa um motivo de preocupação, pois
apesar dos avanços no tratamento da
insuficiência renal crônica e da tecnologia ao longo dos anos, poucas mudanças foram feitas nesta área, que garantisse um acesso permanente com índice
reduzido de complicações.
As primeiras vias de acesso foram desenvolvidas no início dos anos 60, pelo
Dr. Scribner e consistiam na anastomose
de um tubo de silastic dividido em dois
segmentos que era interposto entre a artéria radial e a veia umeral e depois exteriorizado. As duas partes do acesso que
ficavam exteriorizadas mantinham-se ligadas entre si por um conector, e no início da diálise, eram abertas e conectadas
às linhas de sangue. Ao término do tratamento os segmentos do Shunt arteriovenoso, denominação desta via, eram
religados ao conector, e o acesso permanecia fechado até a próxima diálise.
Apesar do Shunt arteriovenoso possibilitar o tratamento de pacientes renais crônicos, as muitas complicações
apresentadas induziram os cientistas da
época a criar novas técnicas de confecção de acessos. Em 1966, dois nefrologistas, Cimino e Brescia, desenvolveram a fistula arteriovenosa primária ou nativa, considerada até hoje
o melhor acesso vascular, tomando
como base os mesmos princípios do
Shunt, porém utilizando vasos naturais
do paciente que eram anastomosados
internamente. Posteriormente, surgiram os enxertos vasculares como alternativa para pacientes que possuíam
vasos pouco desenvolvidos, portanto
inadequados para a confecção de uma
FAV, nos quais eram utilizados materiAno V • nº 15
Foto 1:
Fístula artériovenosa (FAV) - visão parcial
Destaque para os pontos de punção
ais diversos, tais como: cordão umbilical, carótida de boi, veia safena e finalmente um material sintético, o
PTFE (politetrafluoretileno), que é
usado atualmente.
Acessos temporários
A partir da década de 70 surgiram os
cateteres venosos, inicialmente muito
simples e com poucos recursos, que foram evoluindo como uma forma alternativa de acesso vascular cada vez mais
utilizado em pacientes com insuficiência renal aguda, ou pacientes sem um
acessso definitivo, necessitando de diálise urgente. Os cateteres podem ser implantados em vasos profundos, capazes
de oferecer fluxos sangüíneos adequados para a realização de uma sessão de
hemodiálise, e geralmente possuem dois
lumes, por onde entra e retorna o sangue do organismo para o sistema extracorpóreo e deste para o organismo.
Os locais de escolha para a implantação
dos mesmos são as veias jugulares interna e externa, a subclávia e a femoral.
Este acesso vascular pode ser utilizado
imediatamente após sua implantação e
não requer procedimento cirúrgico, podendo ser realizada pelo nefrologista em
um simples consultório, porém como
são acessos temporários ou provisórios, têm vida curta e estão sujeitos a um
Foto 2:
Fístula artériovenosa (FAV) - visão total
do braço. Destaque para a anastomose
cirúrgica (cicatriz cirúrgica)
grande número de complicações, sendo a infecção no sítio de punção com
manifestação sistêmica, a mais freqüente, além de outras menos comuns, tais
como: hematomas, trombose, estenose
e os acidentes durante a implantação
que podem levar o paciente a um pneumotórax ou hemotórax. O tempo médio de permanência de um cateter é de
45 dias, isto é, o período necessário
para confecção e maturação do acesso
definitivo.
Acessos definitivos
A fístula arteriovenosa nativa (FAV)
é a maneira mais segura e durável de
acesso vascular permanente. Consiste
na anastomose subcutânea entre uma artéria e uma veia subjacente, o que permite a dilatação da rede venosa superficial, possibilitando a remoção constante de altos fluxos de sangue e a inserção repetida de agulhas.
Segundo a descrição de Dennis e
Rayan em 1990 a fístula arteriovenosa
(FAV) ideal deve apresentar as seguintes
características: trajeto longo e superficial, deve: permitir vários pontos de punção e boa distância entre as punções, economizar vasos e possíveis acessos futuros, propiciar conforto para o paciente
durante as sessões de hemodiálise (posição e local de inserção das agulhas),
7
apresentar boa taxa de perviedade e baixo índice de complicações.
As características apresentadas anteriormente são consideradas vantagens
sobre os outros tipos de acessos, no entanto, a FAV exige um longo tempo de
maturação, isto é, são necessários cerca de 30 dias para o desenvolvimento e
arterialização da veia quando então,
após este período, a FAV ficará apta
para ser puncionada, o respeito ao tempo de maturação e o cuidado nas primeiras punções vão garantir a qualidade de
um do acesso vascular, tornando-o capaz de manter-se pérveo durante vários
anos. Apesar da FAV apresentar-se como
o acesso mais funcional para a hemodiálise de indivíduos com insuficiência renal crônica, nem todos os pacientes possuem vasos que permitem a criação de
uma FAV adequada.
Algumas alterações nas estruturas vasculares são comuns em indivíduos diabéticos, idosos, obesos, com veias muito finas, como as crianças, com múltiplos acessos e que sofreram também
múltiplas punções venosas antes da confecção da FAV. Cabe ao cirurgião a seleção e escolha do local de implantação do acesso e este deve ser confeccionado, idealmente, antes do início do
tratamento dialítico, de preferência no
membro não dominante. A FAV radiocefálica é a que apresenta um menor
índice de complicações, cerca de 10%
de falência precoce e mantém-se pérvea
em 89% dos casos após quatro anos de
uso. Outros tipos de anastomose podem
ser utilizadas de acordo com a rede venosa do paciente e a opção do cirurgião.
As complicações da FAV nativa incluem baixo fluxo de sangue, isquemia,
trombose, estenose, recirculação, infecções e aneurismas entre outras menos
significativas.
8
Apesar dos claros benefícios da FAV
sobre as outras vias de acesso vascular
para hemodiálise, nos Estados Unidos
apenas 15% dos pacientes iniciam um
programa dialítico usando este tipo de
acesso, em contraste com a Europa e o
Japão onde cerca de 65% dos pacientes utilizam a FAV nativa como acesso
primário. O enxerto ou prótese subcutânea de PTFE é o acesso de preferência nos Estados Unidos por causa da
pouca familiaridade e experiência dos
cirurgiões com a confecção da FAV nativa. No Brasil, a FAV é considerada a
primeira opção de acesso vascular definitivo, sendo utilizada por cerca de 80
a 90% dos pacientes em programa de
hemodiálise. Uma alternativa de acesso vascular definitivo pode ser o cateter permanente de silicone com anel de
dacron para a aderência no tecido subcutâneo. Não obstante ser implantado
por via cirúrgica, este cateter incorre
nas mesmas complicações que o cateter temporário, porém o índice de infecções parece ser menor devido à barreira criada pelo túnel subcutâneo e
existe uma maior facilidade para
desobstruí-los quando ocorre formação
de trombos, utilizando-se um trombolítico. Mesmo com algumas vantagens
sobre o cateter temporário, esta via continua sendo utilizada no Brasil como
opção à falta de outro acesso vascular
e o paciente a longo prazo pode tornar-se subdialisado.
O acesso vascular tem importância
crítica na manutenção do paciente com
insuficiência renal crônica (IRC) submetido à hemodiálise. A enfermagem é
a grande responsável pela prevenção de
complicações e preservação destes, a
partir da utilização de medidas corretas que incluem evitar lesões adquiridas, educar pacientes e equipe e manter cuidados para prevenir a falência
plicações e tomar medidas corretivas
rapidamente, pois o tempo é fundamental para salvar a fístula arteriovenosa
(FAV) de uma trombose total.
Punção e cuidados
de enfermagem
A punção da FAV é um procedimento relativamente simples, geralmente realizado pelo enfermeiro ou o técnico
de enfermagem, porém requer habilidade manual e o profissional deve ser
capacitado para compreender o funcionamento do acesso; suas complicações
e seu diagnóstico precoce. A agulha do
ramo arterial costuma ser colocada 3cm
acima da anastomose. A distância entre esta e a agulha do ramo venoso deve
ser mantida em 5cm para a preservação da rede venosa superficial e reduzir a recirculação do sangue. Diferentes calibres e marcas de agulhas podem
ser encontrados no mercado, favorecendo o uso de fluxos de sangue variados
na prescrição da diálise. As agulhas ideais devem ser siliconizadas, apresentar
asa giratória e possuir back eye e pinças nos segmentos, para garantir uma
punção segura, sem riscos para o acesso e o paciente.
Agulha de Fístula
Veja Back Eye ampliada no detalhe
dos mesmos, pois esta é a maior causa
de morbidade entre a população de pacientes com IRC submetidos à hemodiálise. A falência do acesso vascular vai
incorrer em redução da dose de diálise, aumento da morbidade e mortalidade, aumento das internações e maior
custo do tratamento, como também
desnutrição, sofrimento para o paciente, aumento do trabalho da equipe e a
piora da uremia e suas complicações. A
estenose da FAV é a intercorrência mais
danosa para o vaso, geralmente evolui
para a falência total do mesmo e pode
ser conseqüência do mau uso do acesso, hipotensão e deficiência vascular do
próprio paciente. Todos os membros da
equipe multidisciplinar devem estar
atentos ao diagnóstico precoce das com-
Cuidados de enfermagem
antes da punção da FAV
; Estimular a higiene do membro da
FAV com água e sabão antisséptico.
; Avaliar o funcionamento do acesso
– frêmito e permeabilidade.
; Inspecionar o aspecto da pele e selecionar os locais de punção.
; Fazer antissepsia local com solução
apropriada.
Cuidados de enfermagem
durante a punção da FAV
; Variar os locais de punção.
; Respeitar a distância da anastomose
e entre as agulhas.
; Utilizar agulhas com calibre de acordo com o fluxo de sangue prescrito.
Ano V • nº 15
; Fixar as agulhas de forma correta.
Cuidados de enfermagem
com a FAV após a sessão de
hemodiálise
; Retirar as agulhas com cuidado e
manter compressão suave até a
hemostasia total
; Fazer curativo compressivo nos locais de punção sem garroteamento
do membro da FAV
; Orientar o paciente quanto aos
cuidados com a FAV no período
interdialítico.
Conclusão
A fístula arteriovenosa (FAV) é sem
dúvida o acesso vascular mais seguro e
durável que se conhece. A equipe multidisciplinar é responsável pela ampliação
e manutenção da sobrevida da FAV e no
que tange aos profissionais de enfermagem em nefrologia, estes devem estar capacitados para cuidar do acesso de forma sistematizada, através de programas
de educação continuada para a equipe,
pois os profissionais devem buscar atualização constante de seus conhecimentos como forma de aprimoramento dos
cuidados prestados.
Os programas educacionais devem ser
extensivos aos pacientes e abranger também os familiares envolvidos na preservação e manutenção do acesso vascular.
A identificação precoce das alterações da
FAV e sua rápida correção poderão prolongar a sobrevida e garantir a qualidade do acesso por vários anos.
Referências bibliográficas:
Cuidados gerais de
enfermagem com a FAV
; Observar a FAV a cada sessão de hemodiálise para detectar possíveis
complicações.
; Informar imediatamente à pessoa
responsável quando houver presença de baixo fluxo sangüíneo, aumento da resistência venosa, sinais de
infecção, diminuição e/ou desaparecimento do frêmito e trombose.
; Orientar o paciente para inspecionar a FAV diariamente e informar à
clínica quando houver alguma das
anormalidades citadas acima.
1. Linardi F, Bevilacqua JL, Morad JFM, Costa
JÁ. Programa de melhoria continuada em
acesso vascular para hemodiálise. Contiuous
quality improvement in vascular access for
hemodialysis.J Vasc Br 2004; 3(3):191-6
2. Tessiore N, Lipare G, Poli A, et al. Can blood
flow and pre-emptive repair of subclinical
stenosis prolong the useful life of arteriovenous
fistulae? A randomized controlled study.
Nephrol Dial Transplant (2004) 19: 2325-2333.
3. Tonelli M, Jhangri GS, Hirsch DJ, et ali. Best
threshold for diagnosis of stenosis or trombosis
within six months of access flow measurement
in arteriovenous fistulae. J Am Soc Nephrol
14: 3264- 3269, 2003.
4. Saran R, Pisoni LR, Young EW. Timing of
cannulatio of arteriovenous fistula: are we
waiting too long? Nephrol Dial Transplant
(2005) 20: 688-690
6. Merril D, Brouwer D, Brioes P. Hemodialysis access: a guide for caregivers and patients.
Dialysis & Tranplantation 2005; 34 (34):
202 -213.
7. Branco JMA. Assistência de enfermagem no
cuidado ao cliente renal crônico com infecção
de fistula arteriovenosa [monografia]. Rio de
janeiro: União Social Camiliana – Faculdade
de Enfermagem Luiza de Marillac – 2003.
8. Hricik DE, Sedor JR, Ganz MB. Segredos de
Nefrologia: respostas necessárias ao dia a dia
em rounds, na clínica, em exames orais e escritos. 1ª ed. São Paulo: Artmed Editora Ltda,
1999, pp 193 – 195.
9. Herrera RV. Hemodiálisis práctica: para
enfermeras y estudiantes de enfermeria. 1ª ed.
Alemania. Pabst Science Publishers, 2003, pp
43 – 101.
10.Dugirdas JT, Black PG, Ing TS. Manual de Diálise. 3ª ed. Rio de Janeiro. Editora Médica e
Cientifica Ltda., 2003, pp 68 – 102.
11.Schor N, Ajzen H. Guia de Nefrologia. 1 ed.Sao
Paulo. Edtora Manole, 2002, pp 231-240.
12.Riella MC Princípios de nefrologia e distúrbios hidroeletroliticos. 4 ed. Rio de Janeiro.
Editora Guanabara Koogan S.A., 2002, pp
883 – 886.
13.Barros E, Manfro RC, Thomé F, Gon; Alves
LFS et ali. Nefrologia rotinas, diagnostico e
tratamento. 2 ed. Porto alegre. Editora Artes
Medicas do Sul Ltda., 1999, pp 531 – 534
14.Valderrábano F. Tratado de Hemodiálisis.
1.ed. Espanha. Editora Medica Jims, 1999,
pp 125 - 149.
* Profª Severina Barbosa Lima
Especialista em Nefrologia pela SOBEN Sociedade Brasileira de Enfermagem em
Nefrologia;
Mestre em Enfermagem em Nefrologia
pela UNI- RIO;
Prof. do Curso de Pós Graduação em
Enfermagem em Nefrologia Universidade Gama Filho;
Papel do Enfermeiro
Professora do Curso de Pós Graduação
em Enfermagem em Nefrologia –
Faculdade São Camilo;
Desenvolver um plano de
cuidados apropriado para
prevenir complicações
Atualmente responde pelo setor de
Educação Continuada em Hemodiálise
da Clínica de Doenças Renais – CDR ,
no Rio de Janeiro;
Traçar plano
de educação
para a
equipe
Traçar plano
de educação
para o auto
cuidado
5. Tokars J, Light P, Anderson J, et ali. A prospective study of vascular access infections at
seven outpatient hemodialysis center. American Journal of Kidney Diseases 2001; 19
(6):1232-1240.
Membro fundador da SOBEN –
Sociedade Brasileira de Enfermagem em
Nefrologia, no momento faz parte do
DETEN – Departamento de
Especialização e Títulos para
Enfermagem em Nefrologia.
E-mail para contato:
Manejo correto das
complicações
Ano V • nº 15
[email protected]
9
Biofilmes relacionados a
Cateteres
Por: Elenice Kocssis
Enfermeira especialista em Centro de Materiais e Centro Cirúrgico - Tel Aviv University.
Serviços profissionais - 3M do Brasil - Terapia Endovenosa e Wound Care.
B
iofilmes são conhecidos como
uma comunidade de microorganismos fixados a uma superfície
encaixados em uma matriz de polissacarídeos. Eles podem ser encontrados em uma superfície ambiental ou em
materiais onde existe meio apropriado
para crescimento, como umidade e nutrientes. O desenvolvimento é rápido
quando os nutrientes adequados estão
presentes. Eles formam uma matriz sólida em substrato em contato com umidade, em tubulações de água, no meio
ambiente e em instrumentos médicos.
Essas micro-colônias de microorganismos são formadas por:
1. células dos microorganismos;
2. matriz extracelular composta de carboidratos e proteínas de origem
microbiana e do ambiente e incrustações minerais e metálicas.
10
É importante notar que esta matriz
pode ser composta de um tipo ou vários
tipos de microorganismo. A formação é
rápida com os microorganismos aderindo a uma superfície e neste momento os
mesmos mudam química e fisicamente
as suas características.
Segundo Van der Walls essas fixações
a superfícies são influenciadas pelas cargas elétricas das bactérias e forças eletrostáticas de atração. Neste momento
elas podem ser reversíveis. Entretanto se
esta associação de bactérias persistir por
muito tempo, outras mudanças químicas e físicas podem ocorrer tornando o
processo irreversível.
Esse estágio está associado à produção
aumentada da matriz extracelular que
contém açúcares como glicose, frutose,
galactose e outros. É interessante notar
que em alguns casos, as associações de
biofilmes são benéficas, como no caso de
tratamento de água a base de plantas,
Biofilmes relacionados a
cateteres
Biofilmes são responsáveis por uma
série de doenças como otite média,
endocardites e fibroses císticas, entre outras. As fontes de biofilmes relativas às
infecções são cateteres, implantes, curativos e uma variedade material médico.
A formação do biofilme depende do tipo
Biofilme em ponta de cateter
de microorganismo, da adesão do mesmo à superfície do material, das interações hidrofóbicas (S Epidermidis possuem cepas mais hidrófobas), da quantidade de fluxo de fluidos dentro e fora
do cateter. Evidências de formação de
biofilme em cateteres centrais têm sido
amplamente discutidas. A colonização
dos lúmens do cateter na maioria das
vezes está associada à proximidade da
flora microbiana presente na pele.
As superfícies dos cateteres fornecem
o meio para a adesão dos microorganismos. Os materiais absorvem proteínas e outras substâncias quando expostos a fluido. As proteínas sangüíneas fibrinogênio e fibrocetina afetam a adesão de microorganismos gram positivos
nos materiais.
Fatores relacionados a
materiais
A presença de dispositivos aumenta a
virulência bacteriana. Cuidadosa análise dos dados dos materiais e suas superfícies devem ser feitas segundo os princípios abaixo descritos:
1. diferentes bactérias podem fazer aderências no mesmo tipo de material;
2. o mesmo tipo de bactéria pode fazer aderência em diferentes tipos de materiais;
3. a mesma bactéria pode aderir diferentemente ao mesmo material inserido
em diferentes circunstâncias, incluindo
tipo de fluxo e temperatura;
4. as inibições bacterianas realizadas in vitro
não asseguram a anti-efetividade in vivo;
5. existe um número de fatores de risFonte: www.bio-medcen.com/catheter_problems.htm
Enf. Elenice Kocssis
onde as mesmas propiciam a formação
dessas matrizes, ajudando no tratamento. Podem também ser uma proteção
contra predação e ação de agentes antimicrobianos.
Por outro lado, biofilme é um sério
problema para a área da saúde em pacientes submetidos a implantes de cateteres e próteses. Cateteres onde possa
existir a possibilidade de formação de
biofilme podem ser a causa de infecções
recorrentes. A glycocalyx formada por
essa colônia de microorganismo protege-a dos efeitos dos antimicrobianos tornando-a resistente. Experimentos in
vitro sugerem que essas bactérias podem
se tornar de 50 a 500 vezes mais resistentes a antibioticoterapia.
cos relativos a materiais que podem
afetar a aderência bacteriana, incluindo o tipo de material com que o mesmo foi manufaturado, a superfície do
mesmo e a forma do dispositivo.
Tipos de Materiais
• Cateteres de polivinil favorecem mais
a aderência bacteriana do que cateteres de poliuretano.
• Látex favorece mais a aderência
Ano V • nº 15
bacteriana do que poliuretano.
• Polietileno favorece mais a aderência
bacteriana do que silicone.
• Aço inoxidável favorece mais a aderência bacteriana do que titânio.
Fonte dos Materiais
• Materiais sintéticos favorecem mais a aderência bacteriana do que biomateriais.
Superfície dos materiais
• Superfícies irregulares favorecem mais
aderência microbiana do que materiais regulares.
• Materiais hidrofóbicos favorecem mais
a aderência bacteriana do que os materiais hidrofílicos.
Novas estratégias utilizadas
na manufatura dos cateteres
• Modificação da superfície do cateter
- Moléculas hidratadas e propriedades
antiaderentes
• Cateteres ou cuff revestidos de antibióticos
- Cuff impregnados com prata
• Cateteres pulmonares com heparina
• Cateteres impregnados com sulfadiazina de prata
Tabela de Aderência Bacteriana x Material do Cateter e Número de
bactéria X 103/.cm2
S.Aureus
S. Epidermidis
E.Coli
P.Aerug
Látex Siliconizado
27
18
19
24
PVC
42
23
18
41
Teflon
11
07
03
10
Poliuretano
15
4
9
13
- Curta permanência < 2 semanas - relacionados com redução de infecção
- Menos efetivos quando > que 3 semanas
• Cateteres impregnados com antibióticos intra e extra lúmens
- Minociclina e rifanpicina
Referências bibliográficas:
Abraham, S. N., E. H. Beachey, and W. A.
Simpson. 1983. Adherence of Streptococcus
pyogenes, Escherichia coli, and Pseudomonas
aeruginosa to fibronectin-coated and uncoated
epithelial cells. Infect. Immun. 41:1261-1268
[Medline].
Biofilm Formation by Gram-Negative Bacteria on Central Venous Catheter Connectors:
Effect of Conditioning Films in a Laboratory
Model R. Murga, J. M. Miller, and R. M.
Donlan. Journal of Clinical Microbiology, June
2001, p. 2294-2297, Vol. 39, No. 600951137/01/ DOI: 10.1128/JCM.39.6.22942297.2001.
Battling Biofilm: Surface Science, Antimicrobials Help Combat Medical Device-Related
Infections. By Kelly M. Pyrek –Infection Control Today.
The Biofilm Institute- Universidade de Montana-USA- www.biofilm.org
Center for Biofim Engeneering-Montan
University - http://www.erc.montana.edu/
CBEssentials-SW/bf-basics-99/default.htm
E-mail para contato:
[email protected]
Fórum da Santa Casa de Sorocaba enfocou IRC
no tratamento de lesões de pele
Da esquerda para direita: coordenadora de Enfermagem da Santa Casa de Sorocaba,
Maria Aparecida Vidal da Silveira; enfermeira SCIH do Hospital Samaritano de Campinas,
Mônica Ricarte; professora de Enfermagem da Unifeso e Uninove, Lore Cecília Marx;
consultora educacional da 3M, enfermeira Elenice Kocssis; enfermeiro chefe da CCIH do
Incor, Dirceu Carrara.
F
oi realizado no dia 11 de agosto
passado no Hospital Santa Casa
de Sorocaba a II Jornada de Prevenção e Tratamento de Lesões
de Pele: Fórum de Discussão de Infecções Relacionados à Cateteres. O evento reuniu 80 profissionais da região e
envolveu uma programação de grande
Ano V • nº 15
interesse para quem trabalha na área de
Terapia Intravenosa e Biossegurança.
A jornada foi iniciada com a professora da Unifeso e Uninove, Lore Cecilia Marx, que explicou aspectos da Gestão do Conhecimento: Impulsionando
Novas Expectativas Profissionais e Sedimentando a Qualidade na Assistên-
cia. Na seqüência, a enfermeira do
SCIH do Hospital Samaritano de Campinas, Mônica Ricarte, falou sobre Uso
de Antisséptico no Preparo de Pele - Relato de Experiência. Depois foi a vez
da consultora educacional da 3M,
Elenice Kocssis, apresentar o tema Cobertura de Cateteres e Suas Implicações
na Infecção de Corrente Sanguínea Relacionada a Cateteres. O enfermeiro
chefe da CCIH do Incor, Dirceu
Carrara deu seqüência ao programa falando sobre Sistema Fechado – Relato
de Experiência.
Após o almoço foi a vez da enfermeira da UTI neonatal da Santa Casa de
Sorocaba e do Conjunto Hospitalar de
Sorocaba, Déborah Grohmann Tondo
Haro, apresentar PICC - Relato de
Caso. O encontro teve no encerramento a abordagem da supervisora de treinamento técnico Safety da BD, enfermeira Silvana Torres, sobre Conceito de
Biossegurança. Os participantes receberam certificados da instituição promotora da jornada.
11
Evento
Publicações e lançamentos
educacionais da INS-EUA
Infusion Nurses Society – INS
disponibiliza diversas publicações e material educacional ao
profissional de Terapia IV. No
site da organização, você encontra diversos livros, manuais, jornais perió-
A
2º Encontro de Profissionais em Acesso
Vascular por PICC e Terapia Intravenosa
dicos e artigos sobre políticas e procedimentos nesta especialidade da Enfermagem. Todas as publicações e
materiais educacionais da INS dos Estados Unidos são disponibilizados apenas em língua inglesa.
Intravenous recomenda:
Data: 26 a 28 de outubro
Local: Centro Empresarial FIRJAN, Rio de Janeiro-RJ.
Será realizado o Curso de Capacitação a Implantação e
Manutenção de PICC (Resolução COFEN nº. 258/01)
Informações e inscrições: (21) 2425-8845 / 6432 (fax)
[email protected]
Ferramentas da Série Práxis
para o dia-a-dia da
Enfermagem
Cuidados Intensivos
De Nancy H. Diepenbrock
Fundamentals of Infusion Therapy
– Your One-stop Source for Infusion Information –
Um guia eletrônico em CD-ROM minucioso e abrangente, com vídeo, animação e gráficos para demonstrar os
fundamentos da infusão venosa a estudantes de enfermagem e profissionais
da área que estão iniciando na especialidade. De fácil consulta, o guia é dividido em capítulos que apresentam as várias interfaces da terapia IT, desde ana-
tomia da pele e
dos vasos, princípios de administração parenteral, dispositivos e equipamento de infusão periférica, cuidados e manutenção, complicações (causas e prevenção).
Infusion Therapy and You
– Pacient Handbook for Self-Administration of Infusion Therapy –
Uma ferramenta de grande utilidade
que o profissional de Terapia IT pode recomendar ao
paciente com
um cateter implantado e faz
o tratamento domiciliar. O material é
constituído de manual e planilha de tarefas. O manual descreve com uma linguagem simples e de fácil compreensão os passos para manutenção e cuidados com o cateter. A planilha de tarefas permite a personalização das prescrições de infusões e de procedimentos tais como flushing e troca de curativos num dispositivo intermitente.
Para conhecer e solicitar as
publicações e material educativo da
INS basta se cadastrar no site
www.ins1.org
Ou então escreva para Infusion Nurses
Society: 220 Norwood Park South,
Norwood, MA 02062, USA.
Enfermeira chefe do
Wausau Heart Institute e
do Saint Mary’s Hospital,
Wisconsin, EUA.
O livro apresenta
de forma prática e
objetiva soluções
atualizadas em capítulos referentes a
cada sistema corporal.
419 páginas
Interpretação do ECG
Linda S. Bass
Professora da University
of Cincinnati College of
Nursing, Ohio (EUA) e
colaboradores.
Como interpretar
os traçados eletrocardiográficos, atra265 páginas
vés de uma abordagem
prática para o profissional agir de forma adequada em diferentes situações.
Fisiopatologia Básica
Susan E. Antczak
Instrutora clínica do
Program Fox Chase Câncer Center, Filadélfia
(EUA) e colaboradores.
Os autores abordam como as doenças se desenvolvem
340 páginas
e propõem soluções
de tratamento para cada caso.
Editora LAB • www.editoralab.com.br
é uma publicação da BD. Diretor da Publicação: Maurício Grimoni. Coordenadores: Katia
Teixeira, Marina Peres e Eric Massaharu
Nishimura. Coordenadoras Científicas: Silmara Malaguti e Rita Helena da Rocha
Pereira. Jornalista Responsável: Milton Nespatti (MTb-SP 12.460). Revisão: Sérgio Cides. Projeto Gráfico e Diagramação: Alvo Propaganda & Marketing. Os
artigos podem ser publicados desde que citada a fonte. As opiniões e conceitos
publicados são de inteira reponsabilidade dos autores e entrevistados.
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ABRINQ PELOS
DIREITOS
DA CRIANÇA
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