FLUTUABILIDADE DOS ÍNDICES DE ARIDEZ NO RIO GRANDE DO NORTE
José Ivaldo Barbosa de Brito (1); Ioneide Alves de Souza; José Oribe Rocha de Aragão
(1) Departamento de Ciências Atmosféricas
Centro de Ciências e Tecnologia
Universidade Federal da Paraíba
58109-970 Campina Grande – Pb
e-mail: ivaldo@dca.ufpb.br
ABSTRACT
The objective of this study is to verify influence of tropical Atlantic Ocean temperature anomalies,
over the fluctuations in the aridity indices on State of Rio Grande do Norte. It is observed that in the
years of Negative South Atlantic Dipole, there is a rise in the aridity indices, which resulted in the
predominance of arid and semi-arid climatic regions practically throughout the State. In the years of
Positive South Atlantic Dipole there is a decrease in the aridity indices, which resulted in the
predominance of sub-humid and humid regions throughout the State.
1. INTRODUÇÃO
A Precipitação média anual, em praticamente, quase todo território, do estado do Rio Grande do Norte
é inferior a 800 mm. Enquanto, as temperaturas médias do ar, próximo da superfície, são elevadas
entre 24º e 29ºC. Portanto, o clima daquele Estado é classificado como sendo semi-árido a sub-úmido.
Contudo, em alguns anos observa-se chuvas bem acima da média climatológica e temperaturas
relativamente mais baixas que a média, nestes anos o clima do Estado torna-se sub-úmido a úmido,
enquanto, em outros anos ocorrem secas intensas e temperaturas elevadas e as condições climáticas
torna-se árido a semi-árido (Souza, 1997).
A variabilidade interanual da precipitação sobre o Nordeste do Brasil, e consequentemente sobre o
estado do Rio Grande do Norte, tomando como mecanismo principal as anomalias de temperatura da
superfície do mar (TSM) do Oceano Atlântico Tropical, tem sido o objetivo de muitas pesquisas sendo
um dos pioneiros Hastenrath e Heller (1977). Contudo, o estudo da dinâmica do clima, ou seja das
flutuações das condições climáticas da região, que varia de árida, em um determinado ano, a úmida em
um outro ano, ainda não foi investigada.
Portanto, o objetivo deste trabalho é investigar o comportamento dos índices de aridez, sobre o Rio
Grande do Norte, para os anos de anomalias positivas de TSM no Atlântico Sul tropical e negativas no
Atlântico Norte tropical - Dipolo Atlântico Sul positivo - (DASP) e para anos de anomalias negativas
no Atlântico Sul tropical e positivas no Atlântico Norte tropical - Dipolo Atlântico Sul negativo (DASN), cada conjunto (DASP ou DASN) de anos é analisado separadamente e comparado os seus
resultados.
Este trabalho tem como objetivo estudar a influência das anomalias de temperatura, no Oceano
Atlântico tropical, sobre as flutuações dos índices de aridez no Rio Grande do Norte. É observado, que
nos anos de anomalias positivas no Atlântico Sul e negativas no Norte, há uma redução nos índices de
aridez, resultando na predominância de clima sub-úmido e úmido em quase todo Estado. Nos anos de
anomalias negativas no Atlântico Sul e positivas no Norte, há um aumento nos índices de aridez,
resultando na predominância de regiões de clima árido e semi-árido em quase todo Estado.
Os índices de aridez foram calculados através do método proposto por Thornthwaite e Mather, de
acordo com Ometto (1981).
A partir das análises dos campos de TSM nos Oceanos Tropicais realizada por da Silva (1993),
selecionou-se os anos que registrou-se ocorrência DASP (1963, 1967, 1971, 1973, 1974, 1985) e
aqueles que verificou-se DASN (1958, 1966, 1970, 1976 e 1982).
2. RESULTADOS
Sabe-se que as ocorrências destes eventos (DASP e DASN) influenciam diretamente no regime
pluviométrico do Nordeste do Brasil (Moura e Shukla, 1982). Quando acontece o DASP, nota-se um
aumento considerável na precipitação da região semi-árida, chegando a ser superior a média
climatológica. Por outro lado, as temperaturas do ar, no estado do Rio Grande do Norte, nos anos de
DASP, apresentam valores abaixo da média climatológica durante o período da quadra chuvosa
(fevereiro a maio), e no cômputo geral, média anual, esta diminuição chega a ser em torno de 0,2 graus
centígrados no interior do continente, no Litoral Oriental o desvio anual é mínimo. Os valores médios
de insolação, em anos de DASP, são inferiores aos valores médios climatológicos. Em conseqüência,
dos decréscimos nas temperaturas e na insolação média mensal e do aumento das precipitações; há
uma redução nas taxas de evapotranspiração potencial, corroborando assim, para que haja um aumento
na quantidade de água armazenada no solo ao longo do ano.
Da Figura 1, observa-se que as áreas com índices de aridez inferiores a 45 encontram-se nas regiões do
Litoral Oriental, Agreste e Oeste (parte sul) aonde estão as maiores elevações do Estado, resultando em
regiões com condições climática úmida. Nas demais regiões, Central e Oeste foram observados índices
de aridez da ordem de 50 a 55, o que representa característica climática sub-úmida.
De uma maneira geral, verificou-se uma diminuição nos valores médios dos índices de aridez em todo
Território norte-riograndense, em relação aos índices médios climatológicos e conseqüentemente, uma
redução nas áreas afetadas pela deficiência hídrica. Portanto, as condições observadas em anos de
DASP, são as melhores, para um bom desenvolvimento natural das atividades biológicas da fauna e
flora do Estado.
Por outro lado, a evidência de que DASN inibe os movimentos convectivos sobre o Oceano Atlântico
e, em decorrência disto, há redução no transporte de umidade para atmosfera e conseqüentemente, na
formação de nuvens e como resultados de tudo isto, diminuição na precipitação pluviométrica sobre a
região Nordeste do Brasil. Esta variabilidade no regime pluviométrico atinge principalmente, a parte
semi-árida, aonde os déficit registrados em algumas localidades chegam a ser superiores a 50%,
quando comparados com valores médios. Os valores observados se assemelham as condições
verificadas em anos de El Niño, sendo que, em algumas localidades coincidentes os valores observados
de precipitações são bastantes díspares. Em muitas localidades os valores pluviométricos observados
em anos de DASN, são inferiores aos registrados em anos de El Niño, situações inversas foram
também observadas (Souza, 1997). Quanto as temperaturas do ar e a insolação média mensal,
observou-se uma elevação bastante significativa no período da quadra chuvosa (fevereiro a maio), isto
em relação as média climatológica.
A Figura 2 demonstra que houve um aumento bastante significativo nos valores médios dos índices de
aridez em anos de eventos de DASN, quando comparados com a média climatológica. Desta forma,
áreas em situação não crítica (índice de aridez inferior a 45) foi detectada apenas numa estreita faixa da
região do Litoral Oriental. Enquanto, que índeces entre 45 e 65 foram observados na região do Agreste
e na parte sul do extremo oeste. Condições muito crítica (índices superiores a 75) foram observadas nas
regiões Central e Oeste. De um modo geral, observa-se que em uma grande área do Estado os índices
de aridez foram superiores a 65, o que mostra característica de clima árido.
Assim, pode-se concluir que a atuação do DASN em muitas localidades, ou praticamente em todo
Território norte-riograndense, aumenta as condições de aridez, fazendo com que quase todo Estado
fique predominantemente árido. Tendo situação mais grave na parte central do Estado, onde foram
registrados índices de aridez superiores à 75 conforme Figura 2.
-4 .5 0
85
81
77
-5 .0 0
73
69
65
-5 .5 0
61
Latitude
57
53
49
-6 .0 0
45
41
37
33
-6 .5 0
29
25
21
-7 .0 0
17
-3 8 .5 0
-3 8 .0 0
-3 7 .5 0
-3 7 .0 0
-3 6 .5 0
-3 6 .0 0
-3 5 .5 0
-3 5 .0 0
L o n g itu d e
Figura 1 - Índices de aridez em anos de DASP para o estado do Rio Grande do Norte.
3. CONCLUSÃO
Observou-se que nos anos de anomalias negativas de TSM no Atlântico Sul tropical e negativas no
Atlântico Norte ocorreu um aumento nos índices de aridez em quase todo o Estado. Como
conseqüência, as condições climáticas de praticamente do estado converteu-se para árido e semi-árido,
expandindo as áreas sujeitas aos processos de desertificação.
Por outro lado, nos anos de ocorrência de anomalias positivas de TSM no Atlântico Sul tropical e
positivas no Atlântico Norte foi observado uma diminuição nos valores dos índices de aridez em todo
o estado do Rio Grande do Norte. Consequentemente as condições climáticas sub-úmida e úmida, são
observadas e há uma diminuição das áreas sujeitas aos processos de desertificação.
Finalmente, pode concluir que está variabilidade climática observada, no Rio Grande do Norte,
juntamente com o uso inadequado do solo pode leva a uma diminuição da atividade biológica de áreas
produtivas.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
da SILVA, A. M. Anomaly Atlas - sst - sea surface temperature. UW-M. Milwakke.
version UWM 1.05, approach, 1993. (DRAF).
HASTENRATH, S.; HELLER. Dynamics of climatic hazards in Northeast Brazil.
Quarterly Journal Royal Meteorological Society. 102(435):77-92. 1977.
MOURA, A. D.; SHUKLA, J. On the dynamics of drought in Northeast Brazil:
observations, theory and numerical experiments with a general circulation model.
Journal of the Atmospheric Sciences, 38(12):2653-2675. 1981.
OMETTO, J. C. Bioclimatologia Vegetal. Editora Ceres. São Paulo. 1981. 220p.
SOUZA, I. A. Influência da variabilidade climática no avanço e recuo dos processos
de desertificação no estado do Rio Grande do Norte. Universidade Federal da
Paraíba. Campina Grande. 94 p. (Dissertação de Mestrado DCA/CCT Universidade
Federal da Paraíba).
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-3 8 .0 0
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-3 6 .0 0
-3 5 .50
-3 5 .0 0
L o n g itud e
Figura 4.5 - índices de aridez em anos de DASN, para o estado do Rio Grande do Norte.
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souza josé