Bolsa afunda e juros da dívida a 10 anos passam
barreira dos 8%
E M A CT UA L I ZA ÇÃ O ANA RUTE SILVA (HTTP://WWW.PUBLICO.PT/AUTOR/ANA-RUTE-SILVA)
03/07/2013 - 09:11
(actualizado às 11:17)
Mercados reagem no vermelho à demissão de Paulo Portas e à crise política instalada.
(http://imagens6.publico.pt/imagens.aspx/782066?tp=UH&db=IMAGENS)
Mercados reagiram no vermelho à demissão de Paulo Portas RAFAEL MARCHANTE/REUTERS
TÓPICOS (/TOPICOS)
O principal índice da Bolsa de Lisboa abriu o dia a cair 4,60% para 5.275,94
pontos e às 8h23 o PSI 20 derrapava ainda mais: -5,68%, para 5.216,42
Paulo Portas
(http://www.publico.pt/pauloportas)
pontos. A praça lisboeta não parou de cair: cerca de uma hora depois,
descia 6,44% e pouco antes das dez da manhã ultrapassava os 7%.
Bolsa
(http://www.publico.pt/bolsa)
A demissão de Paulo Portas e a iminência de mais demissões dos membros
do CDS-PP no Governo instalaram a crise política em Portugal e os
Mercados
mercados
(http://www.publico.pt/mercados)
Crise
(http://www.publico.pt/crise)
Crise política
(http://www.publico.pt/crisepolitica)
reagiram logo na terça-feira, após o anúncio do ministro dos
Negócios Estrangeiros. Os juros da dívida a dez anos subiram de 6,52%
para 6,62% em apenas meia hora e chegaram aos 6,7871% no final da
sessão.
Na manhã desta quarta-feira o cenário é mais depressivo: os juros
dispararam para 7,14% às 8h47. De acordo com a Bloomberg este é o nível
mais elevado desde 19 de Dezembro. Contudo, às 8h35, os juros já
ultrapassavam a barreira dos 8% e estavam a ser transaccionados a
8,002%, o valor mais alto desde 27 de Novembro.
A dois e a cinco anos, os juros chegaram aos 4,434% e a 6,816%,
respectivamente, depois de ontem terem encerrado nos 3,504% e 5,508%.
“É o alarme da fadiga da austeridade. Este barulho doméstico é
definitivamente negativo”, diz David Schnautz, analista do Commerzbank
AG, em Nova Iorque, citado pela Bloomberg.
Os juros da dívida de Espanha e de Itália também reagiram à turbulência
política e aumentaram 12 pontos base para 4,74%, no caso de Madrid, e
para 4,53% no caso de Roma. Já a dívida a dez anos da Alemanha caiu
quatro pontos base para 4,74%. A actual situação na Grécia, obrigada a
acelerar reformas para receber a nova tranche de ajuda, também está a
afectar negativamente o sentimento dos mercados.
Na Bolsa de Lisboa, a banca é quem protagoniza fortes quebras. Às 8h23 o
BPI derrapava 11,21%, o BCP 11,82% e o Banif 10,88%. O BES caía 9,9% à
mesma hora. Contudo, o cenário global é de descida generalizada. Não
havia, àquela hora, nenhuma empresa em terreno positivo.
Na Europa, as bolsas acompanharam a queda em Lisboa, mas com descidas
muito menos acentuadas. Em Paris, a bolsa caiu 0,90%, em Londres do
FTSE-100 desceu 0,48% e em Frankfurt , o Dax recua 0,88%.
“Portugal é o principal tema do dia hoje os as obrigações periféricas estão
mais fracas. Isto pode afectar Portugal e o seu regresso aos mercados, que
pode ser atrasado ou tornar-se mais difícil. A longo prazo, há o risco de um
segundo pedido de resgate”, analisa Rainer Guntermaann do
Commerzbank, citado pela Bloomberg.
Efeito nos mercados é temporário
Ao PÚBLICO, Filipe Silva, analista do Banco Carregosa diz que a queda da
Bolsa e a alta de juros é sinal de que Portugal já não é o país que “sempre
apresentou estabilidade política”. “Quem olha de fora e quem está a
investir em Portugal prefere neste momento não ter investimento e
vender, esperando que as coisas acalmem”, afirma.
Mas apesar do cenário, Filipe Silva acredita que este é um efeito “do
momento”, provocado pela crise política mas que será ultrapassado assim
que se resolver a situação governativa. “O mercado reage muito rápido,
quer positiva, quer negativamente, e isso faz com que se assista a estes
níveis de vendas”, explica. A temível comparação com a Grécia não tem
razão de ser, continua. “Temos cumprido e somos diferentes”, repetindo
que o comportamento da bolsa é “mais um efeito de mercado”.
Ontem ao final do dia, e depois do anúncio da demissão de Paulo Portas,
Pedro Passos Coelho falou ao país para garantir que se mantém à frente do
Governo, colocando o ónus da responsabilidade pela crise política no seu
parceiro de coligação. Passos Coelho não aceitou a saída de Portas como
ministro dos Negócios Estrageiros, apesar de o líder do CDS-PP ter deixado
claro que a sua posição é incontornável. Foi a demissão de Vítor Gaspar,
segunda-feira, e a sua substituição por Maria Luís Albuquerque que
precipitou o país para a actual situação.
A incerteza governativa está, assim, a ter reflexos na confiança que os
mercados depositam na capacidade de Portugal em conseguir obter o
financiamento necessário para amortizar os seus títulos de dívida pública.
Faltam pouco menos de duas semanas para o início da oitava avaliação da
troika. Para este exame, o Executivo tinha de, entre outras medidas, dar a
conhecer o guião da reforma do Estado (que Paulo Porta teria de entregar)
e detalhar as medidas de redução de 4700 milhões de euros de despesa
pública.
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Anónimo
Tantas crises que já passaram em quase 40 anos. Os vários governos, têm dado beneficios de vária ordem,
às pessoas, ..., mas nem assim, tem estado contentes. Pois é, à dois anos bateu no fundo.
Responder
Há 4 minutos
Anónimo
Há 7 minutos
Não condeno Paulo Portas pelo que fez, aliás, acho que foi sincero da parte dele "cortar" com o que não
acredita. Não podemos esquecer que Portas foi provavelmente o melhor que lá esteve, trouxe imensos
negócios novos para Portugal e mostrou o que temos de melhor lá fora. Não o condeno por ter abandonado
algo em que já não acreditava, ao menos teve coragem de o fazer. Se bem nos recordamos Sócrates só
saiu quando o povo exigiu, o mesmo se passará com Passos Coelho. Portas saiu de livre vontade.
Responder
Anónimo
Investir. Pelo que se passou ao longo de 39 anos, até que não passar a residual, as greves e as pessoas na
rua, ninguém vai criar postos de trabalho.
Responder
Há 9 minutos
Anónimo
Não percebo, mas não era isso que a grande maioria da população queria? Que se lixe a troika e tal, agora
façam um peditório na festa do avante e nas centrais sindicais. As greves, vão sair bem caras. Espero que
os vossos filhos descubram quem são realmente os responsáveis.
Há 11 minutos
Responder
Anónimo
Interessante. Mesmo com todos estes problemas, os Portugueses, estão a fazer grandes poupanças como
já se não via à muitos anos !
Há 14 minutos
Anónimo
Responder
Há 14 minutos Paulo Portas devia de ser banido da políca portuguesa. Tem um problema que é bem conhecido em Portugal.
Internacionalmente, com as redes de espionagem montadas pelos US, todos os detalhes devem ser bem
conhecidos por eles. Os US não querem uma Europa forte, daí a vigilância sobre todas as estruturas da EU e
sobre os governos mais fortes que dela fazem parte. A crise actual, tem potencial para, mais uma vez,
enfraquecer a UE e o Euro. Portas é vulnerável e os USA jogaram a sua cartada no momento certo, sobre a
pessoa certa, para atingir os seus fins. Infelizmente a carneirada continua a votar naqueles que apenas podem
vir a trazer graves problemas ao País.
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