XIX Congresso Português de Nefrologia - Porto 2005
Abstract Nº PO180
AMPULOMA EM RECÉM-TRANSPLANTADO RENAL
Sandra Melo Sampaio (1) ; Helena S Viana (2) ; João R Andrade (1) ; João F Sousa (2) ;
Cristina M Possante (2) ; Margarida Domingos (2) ; Fernando E Nolasco (2) ; Eduardo Barroso (1) ;
(1) - Unidade de Transplante, Hospital de Curry Cabral, Lisboa, Portugal; (2) - Serviço de Nefrologia,
Hospital de Curry Cabral, Lisboa, Portugal;
Introdução: Um doente imunossuprimido com uma neoplasia do pâncreas têm um
prognóstico reservado,
requerendo ponderação sobre qual a melhor abordagem
terapêutica. Neste contexto a utilização do sirolimus poderá ser benéfica.
Descrevemos o caso de um doente do sexo masculino, 56 anos de idade, IRCT (ADPKD)
com 6 anos de hemodiálise, admitido a 18/11/2004 para transplante renal, sem
intercorrências prévias. Sem intercorrências intra-operatórias, com diurese imediata, sob
protocolo de IS: CsA, MMF e PDN. Às 24 horas pós-transplante apresenta icterícia ligeira,
dor abdominal superior, distensão e timpanismo abdominal com RHA escassos. Verifica-se
elevação das bilirrubinas e da gama-GT. A ecografia abdominal revela dilatação da via biliar
intra e extra-hepática, com provável cálculo no colédoco. Ao 8º dia de pós-transplante (póstx) por farmacocinética errática fez-se switch de CsA para FK, mantendo as alterações
laboratoriais atrás descritas. Realizou CPRE que revelou VBP muito dilatada com interrupção
abrupta e irregular da sua porção terminal por provável lesão neoplásica da VBP justaampular. A citologia e biópsia foram contudo negativas. A AngioTAC revelou dilatação das
vias biliares e lesão neoplásica justa-ampular. A ecoendoscopia confirmou a dilatação da via
biliar e zona peri-papilar com área anecogénica com conteúdo ecogénico, Wirsung dilatado e
restante pâncreas normal. Foi submetido a duodeno-pancreatectomia cefálica. Ao 5º dia
deste pós-operatório teve que ser re-operado (pancreatectomia do pâncreas restante e
esplenectomia) por colecção sub-frénica esquerda secundária a deiscência da WirsungJejunostomia, com pancreatite/necrose do pâncreas restante. O exame anatomo-patológico
foi compatível com ampuloma (foco de carcinoma intramucoso). Estadiamento: T1N0M0. Ao
2 mês de pós-tx e após estabilização do doente procedeu-se ao switch para sirolimus,
mantendo o MMF. Apesar de todas estas complicações, o doente ao 9º mês de pós-tx
encontra-se reabilitado, com boa função renal (creatinina=1,2 mg/dl e ureia=47mg/dl) e
com os exames de controlo sem revelarem recidiva ou metástase.
Conclusão: As neoplasias do pâncreas apresentam um prognóstico limitado. A detecção
precoce deste caso pode ter melhorado o prognóstico, assombrado contudo pela necessidade
de se manter a imunossupressão. No entanto e até à data, a cirurgia radical efectuada,
eventualmente associada à introdução de sirolimus, permitiu o controlo da doença com
manutenção da função renal.
© 2005 Sociedade Portuguesa de Nefrologia
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