Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC
Psicoterapia: teoria e técnica – Cognitivista
Profa Carla Eloá Ferraz
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É uma teoria sobre o paciente.
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Ajuda o terapeuta a criar um plano de tratamento.
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Busca relacionar as dificuldades que ele apresenta no
momento de forma clara e significativa.
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Procura compreender como o indivíduo desenvolveu e
mantém tais dificuldades, especificando quais os eventos
da vida ativaram crenças para produzir os sintomas e
problemas que o paciente está experimentando.
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Tenta fazer uma previsão de como ele provavelmente se
comportará no futuro diante de determinadas condições.
Finalmente permite, através de uma visão ampla do
funcionamento do cliente, planejar intervenções que
possibilitem as mudanças necessárias e desejadas.
A formulação permite o estabelecimento de uma relação
terapêutica positiva e uma maior adesão dele ao
tratamento.
Sem a formulação a terapia torna-se vaga e imprecisa,
sem saber exatamente para que e para onde se
direcionar.
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Quando há uma boa compreensão do fenômeno
que está sendo apresentado, torna-se muito mais
fácil o planejamento de estratégias para atingir
determinados objetivos.
Somente através de uma boa formulação ou
problemas trazidos para terapia, é que se podem
planejar procedimentos efetivos para alcançar as
mudanças desejadas, e consequentemente ficará
mais fácil escolher as técnicas ou intervenções.
Uma boa compreensão dos fatores que causam
e/ou mantêm distúrbios psicológicos, depende
do planejamento de intervenções clínicas
efetivas e individualizadas para cada sujeito.
Nas entrevistas iniciais o terapeuta deve buscar responder
as seguintes perguntas:
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Quais são os problemas atuais?

Como eles se desenvolveram? Como eles são mantidos?
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Que pensamentos e crenças disfuncionais estão
associadas a essas situações?
Quais são as emoções e comportamentos relacionados
a estes pensamentos?
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
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
Que experiências passadas contribuem para este
problema atual?
Que regras e suposições são subjacentes ao
pensamento?
Que estratégias cognitivas, afetivas e comportamentais
tem sido utilizadas para lidar com as crenças?
Que eventos estressores contribuíram para o
surgimento do problema?
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É uma forma resumida de formulação.
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Mapa Cognitivo da psicopatologia do paciente.
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De fácil compreensão para o terapeuta e paciente.
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Ajuda a organizar o aglomerado de dados
coletados;
Retrata entre outras coisas, a relação entre as
crenças centrais, intermediárias e os pensamentos
automáticos atuais.
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Paciente:_____________________________________________Data__/__/__
Diagnóstico: Eixo I:______________________________Eixo II:____________________
Dados Relevantes da Infância
Que experiências contribuiriam para o desenvolvimento e manutenção
da crença central?
Crença Central
Qual é a crença mais central sobre si mesmo?
Crenças Intermediárias: Atitudes /Regras / Suposições Condicionais
Qual a atitude que ajudou a lidar com essa crença?
Quais as regras que você adquiriu a partir dessa crença?
Que suposição positiva a ajudou a lidar com essa crença central?
Qual a suposição negativa a ajudou a lidar com essa crença central?
Estratégias Compensatórias
Que comportamentos o ajudam a lidar com essa crença?
Situação
Qual foi a situação problemática?
Pensamento Automático
O que passou por sua cabeça?
Emoção
Que emoção esteve associada ao pensamento automático?
Comportamento
O que o paciente fez então?
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Paciente:_____________________________________________Data__/__/__
Diagnóstico: Eixo I: Depressão Maior
Eixo II:____________________
Dados Relevantes da Infância
Mãe o comparava com o irmão mais velho
Mãe crítica, Pai ausente
Crença Central
Eu sou incapaz
Crenças Intermediárias: Atitudes / Regras /Suposições Condicionais
É terrível ser incapaz
Tenho que acertar sempre
(positiva) Quando eu trabalho muito arduamente, eu posso fazer as coisas bem.
(negativa) Se eu não sou perfeito, então é por que falhei.
Estratégias Compensatórias
Desenvolver padrões altos/ Procurar falhas e corrigi-las
Trabalhar muito arduamente
Evitar pedir ajuda/ Preparar-se bem
Situação
Pensando sobre as exigências do curso
Pensamento Automático
“Eu não serei capaz de fazer a pesquisa”
Emoção
Tristeza
Comportamento
Chorei
DIAGRAMA DE CONCEITUAÇÃO COGNITIVA
Dados relevantes da infância
Diagnóstico: Eixo I: Fobia Social
Mãe rígida, 11 irmãos (5 deles são tímidos), não tinha contato com outras crianças, humilhação por ser negro,
abandono da escola na 5ª série.
Crença Central
“As pessoas são preconceituosas” / “O mundo é injusto” / “Eu sou incapaz” “Eu sou inadequado”
Suposições Condicionais / Crenças / Regras
“É horrível viver num mundo injusto” “Tenho que ficar alerta pois as pessoas me acusaram de algo ruim”
“Se eu falo em público, posso passar uma vergonha” / “Se eu não falo, evito passar uma vergonha”
Estratégia Compensatória
Hipervigilância; Evita olhar nos olhos das pessoas, Evita falar em público; Evita locais mais sofisticados,
dependência da esposa.
Numa palestra em SSA, tendo que
representar a pastoral
Pensamento Automático1:
“Todo mundo está olhando p mim”
“ vou errar”
Emoção 1:
Ansiedade (100%)
Comportamento 1:
Comecei a gaguejar e não consegui
concluir a fala
Fui barrado na portaria do
clube quando era
pequeno
Na rua, todo mundo foi convidado p
aniversário de 15 anos, menos eu
“Eu sou um lixo”
“ela não me convidou por que sou
negro”
Pensamento Automático 2:
Emoção 2:
Tristeza (90%)
Comportamento 2:
Voltou chorando p casa
Pensamento Automático 3:
Emoção 3:
Tristeza (90%)
Comportamento 3:
Ficava constrangido ao encontrá-la
Diagrama de Conceituação Cognitiva
Diagnóstico: Eixo I: Pânico
Dados Relevantes da Infância
Conflitos com irmãos / Pai, irmãos e tios dependentes do álcool / Irmã com doença mental (medo intenso) /
Casamento aos 15 anos / Abandono do marido quando estava grávida / Casamento com homem alcoolista / 7
filhos aos 30 anos.
Crença Central
“Os homens são perigosos” / “O mundo é muito perigoso” / “Eu sou incapaz”
Suposições Condicionais / Crenças / Regras
“É terrível viver num mundo perigoso ” / “Tenho que ficar alerta para não ter uma nova crise”
“Se eu bebo, então o meu medo diminui” / “Se eu bebo, então eu consigo dormir”
“Se eu não tivesse viajado, minha mãe estava viva”
Estratégia Compensatória
Hipervigilância; Evitação de velórios e enterros; Evita a televisão quando passa cenas de morte.
Situação 1:
Em casa sozinha começa a sentir
falta de ar
Pensamento Automático1:
Vou morrer aqui e ninguém vai
achar o meu corpo
Emoção 1:
Ansiedade (100%)
(Tontura, hiperventilação)
Comportamento 1:
Sai correndo para a rua e senta na
calçada
Situação 2:
Limpando a estante, se sente
tonta
Situação 3:
Lavando a roupa no tanque, começa
a suar
Pensamento Automático 2:
Pensamento Automático 3:
Vou desmaiar (100%)
Vou morrer (100%)
Emoção 2:
Emoção 3:
Ansiedade (90%)
Asfixia e tontura
Ansiedade (90%)
(Tontura e Sudorese)
Comportamento 2:
Senta no chão para não cair
Comportamento 3:
Sai correndo e chama as filhas pra
perto
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Uma vez estruturada a formulação, é importante ressaltar
que ela não é fechada.
Ela será vista e revista ao longo da terapia.
O paciente é convidado a comentar, avaliar, confirmar ou
refutar os aspectos da formulação.
Ela é uma hipótese sobre o paciente e não a verdade
absoluta.
O terapeuta deve preferencialmente discutir suas
hipóteses sempre com o paciente, tentando validá-las ou
não.
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Araújo, C.F.; Shinohara, H. Avaliação e Diagnóstico em
Terapia Cognitivo-Comportamental. Interação em
Psicologia, 2002. v.6. n.1 p.37-43 Disponível
em:<http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/
article/viewFile/3191/2554> Acesso em: 08 Jul 2009.
Beck, J. (1997). Terapia Cognitiva – Teoria e
Prática (S. Costa, trad.), Porto Alegre: Artmed.
(Obra original publicada 1995)
DSM IV – TR (2002), Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais (4ª ed. rev) (C. Dornelles
trad.), Porto Alegre: Artmed.
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Crença Central