RELATÓRIO TÉCNICO DE PESQUISAS DO PROJETO GESITI HOSPITALAR.
PROJETO GESITI/HOSPITALAR.=
Tecnologia da Informação em Hospitais Públicos e Universitários: um
diagnóstico em cinco hospitais da cidade do Rio de Janeiro
Saulo Barbará de Oliveira1
Heloísa Guimarães Peixoto Nogueira2
Beatriz QUIROZ Villardi
Gustavo Olivares3
Adriana Soares de Schueler4
Antonio José Balloni5
Resumo
A aplicação da Tecnologia da Informação (TI) no setor de serviços médico-hospitalares
particularmente no Brasil, revela-se ainda lenta e incipiente, devido, principalmente, às
características peculiares deste setor. O presente artigo apresenta resultados de uma pesquisa
visando analisar a aplicação, uso e investimentos desta tecnologia em cinco hospitais públicos
do município do Rio de Janeiro. Os dados de campo foram coletados por meio de questionário
aplicado aos executivos diretamente ligados à gestão da infra-estrutura hospitalar e da
tecnologia de informação destes hospitais. O questionário foi elaborado para mapear, ao todo,
110 características da gestão de tecnologia da informação em cada hospital, as principais
delas apresentadas neste artigo. Os dados coletados foram analisados por meio de estatística
descritiva. O presente estudo possibilitou identificar problemas e carências relativas ao
planejamento, seleção, implantação e uso desta tecnologia e ferramentas de gestão nos
hospitais pesquisados, como, por exemplo, a carência de pessoal de TI qualificado, no que se
refere à inovação tecnológica, ao comércio eletrônico e à tele-medicina, em quatro dos cinco
1
Prof. Adjunto Doutor no PPGEN UFRRJ – Mestrado em Gestão e Estratégica em Negócios
([email protected]).
2
Prof. Adjunto Doutora no PPGEN UFRRJ – Coordenadora do Mestrado em Gestão e Estratégica em
Negócios ([email protected]).
3
Prof. Assistente na UFRRJ/DCAC – Departamento de Ciências Administrativas e Contábeis
([email protected]).
4
Prof. Profa. Adjunta Doutora no IT – DAU / UFRRJ ([email protected]).
5
Pesquisador Doutor do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer
([email protected]).
1
RELATÓRIO TÉCNICO DE PESQUISAS DO PROJETO GESITI HOSPITALAR. PROJETO
GESITI/HOSPITALAR: VOLUME I, ANO 2011. Periodicidade da Publicação: Irregular.
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PROJETO GESITI/HOSPITALAR.
hospitais pesquisados. Possibilitou também conhecer quais destes hospitais fazem melhor uso
da TI no seu processo de gestão, conseguindo tirar melhor proveito dos recursos e facilidades
desta tecnologia de maneira a facilitar e melhorar a rotina e os processos de trabalho dos seus
médicos, pacientes e gestores. Permitiu, ainda, conhecer os principais gastos e investimentos
feitos em TI por estes hospitais no período de 2006 a 2010. Espera-se que este artigo possa
gerar insights que alimentem as políticas e futuras pesquisas no setor de saúde.
1
Introdução
O presente estudo aponta os primeiros insights gerados a partir do levantamento desenvolvido
em cinco hospitais públicos no Rio de Janeiro com vistas a avaliar o “estado da arte” do
processo de gestão em TI nesta região. A pesquisa vincula-se a um projeto nacional,
conduzido pelo Laboratório de Práticas de Gestão de TI e Sistemas de Informação do setor de
Saúde (GESITI/Saúde), do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, subordinado
ao Ministério da Ciência e Tecnologia, do qual participam cerca de vinte e três instituições,
cada uma delas responsáveis pela realização da pesquisa em uma região brasileira. A pesquisa
foi realizada com base em um questionário, com aproximadamente 100 questões interrelacionadas, sendo a maioria to tipo fechada. O questionário, original e inovador, foi
elaborado pelo Projeto GESITI do CTI Renato Archer a partir de adaptações, acréscimos,
modificações e/ou exclusões – visando atender a área hospitalar, na base de dados obtida
através da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development) da UNCTAD
(United Nations Conference on Trade and Development) e do IBGE/PINTEC: se desconhece
até a presente data, a existência de um questionário semelhante ao criado, que tenha o
enfoque ou objeto proposto voltado à realidade brasileira.
O presente documento representa o desdobramento e aprimoramento de estudos
realizados durante o ano de 2010, dos quais os resultados preliminares foram publicados nos
proceedings do VII GESITI e evento acoplado II GESITI/Saúde - 17/18 de junho de 2010.
O uso crescente de novas e sofisticadas tecnologias nos últimos vinte anos em todos
os setores da economia têm produzido um grau de complexidade organizacional sem
precedente, criando novos desafios para as organizações ao propiciar maior capacidade de
registro, armazenamento, análise, controle e transmissão em tempo real de grandes volumes
de informações. (PINOCHET, 2007)
A TI tem transformado as organizações na sua forma de trabalho, na maneira como
ocorre a decisão, na estrutura organizacional, na cultura empresarial e, enfim, nos paradigmas
centrais que norteiam as organizações do ponto de vista de seus processos e resultados. O uso
da TI na racionalização dos processos de trabalho tem sido objeto de constante atenção nas
empresas visando melhorar o fluxo dos processos e atividades, reduzir o tempo do ciclo de
produção, maximizar o uso de materiais, espaços físicos, procedimentos e recursos humanos,
aumentar a produtividade e qualidade, maximizar o lucro e a competitividade das empresas.
(RESENDE e ABREU, 2001)
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Os sistemas informatizados são cada vez mais empregados nos hospitais com vistas a
melhorar o tratamento e a integração das informações da área médica, informatizando os
processos de todo o trabalho em saúde. Frequentemente, no entanto, a aplicação de TI tem
sido lenta, parcial e gradual porque o setor de serviços médico-hospitalares tem características
peculiares, tanto em sua estrutura quanto na gestão operacional. Tais particularidades exigem
da gestão de TI modelos complexos e, muitas vezes, específicos de fluxo de informação e
processo decisório, o que dificulta a gestão como um todo (RESENDE, 2003).
As interações entre seres os humanos e a informática exigem atenção para o contraste
entre os artefatos tecnológicos e as práticas do mundo organizacional. Assim, a introdução de
novos arranjos tecnológicos em ambientes hospitalares deve levar em conta a maneira como
os diferentes usuários lidarão com as ferramentas, porque são as interpretações, por vezes
divergentes, que determinam os efeitos das tecnologias na prática e não as suas características
técnicas (STUMPF e FREITA, 1997; FREITAS e RECH, 2003; QUEIROZ e MOREIRA,
2007; ALMEIDA e MELLO, 2004; ALBUQUERQUE, 2009)
Os hospitais são lugares de confrontação entre lógicas profissionais diversas
(médicos/farmacêuticos/pessoal da informática) e entre profissionais e doentes, sendo preciso
compatibilizá-las com resultados positivos para a saúde (ZARAMA-VASQUEZ e VINCK,
2008). Além disso, a necessidade do gerenciamento especializado de infra-estruturas de rede e
do processamento e armazenamento de dados em hospitais, devido à complexidade dos
sistemas de suporte à pesquisa médica, colocam em destaque o desenvolvimento e adoção de
softwares especializados, alicerçados em tecnologias de Internet. (OTTO, et al., 2007;
CAPRETZ, et al., 2009)
2
A complexidade do uso da TI nas organizações hospitalares
Hospitais são organizações complexas, pois possuem uma das mais extensas cadeias
de suprimento que envolve os mais variados conjuntos de processos: organizacionais
(processos administrativos, produtivos financeiros, tecnológicos, etc.), de negócios (de
atendimento a clientes, de compra e venda e questões mercadológicas, etc.), médicos
(diagnósticos e tratamentos de enfermidades) e hoteleiros (hospedagem, alimentação e
repouso). Além disso, os custos hospitalares são altos, dadas a natureza e as características
dos seus suprimentos que são intensivos em tecnologia (pela necessidade de usar tecnologia
de ponta) e a formação do seu quadro de pessoal que é intensivo em conhecimento (requer
uma variada gama de especialidades), etc. Como lida com vidas humanas, sua gestão requer
atenção, dedicação e cuidados especiais, visto que uma simples falha ou erro pode ser fatal.
Sua especificidade faz da gestão hospitalar um dos mais caros, desafiantes, vulneráveis e
complexo empreendimento caracterizado pela baixa tolerância a falhas. Por isso requer
atenção e cuidado redobrados na definição de prioridades nos investimentos em tecnologia,
assim como em sua utilização.
Uma vez implantada, a TI torna-se fator crítico na gestão hospitalar. A TI e os
Sistemas de Informação (SI) estão interligados e são interdependentes. A infra-estrutura de TI
é que oferece recursos para que os SI sejam desenvolvidos e usados. Os SI referem-se aos
aplicativos usados pelos clientes da informação. A infra-estrutura de TI, além dos recursos
humanos, é composta por várias tecnologias: de hardware, de software, de redes (Internet,
Intranet, Extranets, redes locais) e de gerenciamento de recursos e de dados (BALLONI,
2006; OBRIEN e MARACAS, 2007).
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As organizações hospitalares diferem dos setores produtivos em vários aspectos,
sendo um deles crucial: convive com o tema vida e morte em 100% das situações. Tal
condição interfere nas demais instâncias administrativas: estrutura de pessoal, organização e
funcionamento, submissão às atividades de regulação e “acreditação”, uso extensivo de
tecnologia e conhecimento, custos altos e crescentes e relacionamentos específicos com
clientes, fornecedores, funcionários, comunidades e outros (LORENZI e RILEY, 1995 apud
RESENDE, 2003).
Os profissionais de medicina (médicos, enfermeiras, radiologistas, etc.) e os
pacientes esperam desses sistemas informações precisas e confiáveis e que sejam capazes de
reduzir riscos e incertezas na tomada decisão. Pensando nisso, o setor de medicina e saúde
está em busca de soluções de TI para muitos dos seus problemas. Isto é o que está levando
muitos dos dirigentes de hospitais a investir em TI, como é o caso do hospital C, estudado
nessa pesquisa.
A TI pode ser usada de diversas maneiras para facilitar a vida dos profissionais da
saúde na profilaxia de doenças pré-existentes ou na sua prevenção. Atualmente existe uma
grande variedade de softwares, aplicativos e equipamentos voltados para esta área, que vai
desde o controle de registro de pacientes, passando pelo diagnóstico até a mais recente
aplicação: a tele-medicina. (VIZARD, 2010)
3
Metodologia da Pesquisa
Neste artigo a opção foi estabelecer uma análise comparativa sobre o uso declarado
destas tecnologias entre os hospitais pesquisados, por entender que um estudo dessa natureza
seria relevante para avaliar o estágio de maturidade desses hospitais considerando o uso
destas tecnologias. Por conta desse encaminhamento, a pesquisa define-se como exploratória
e descritiva.
O critério de seleção dos hospitais foi geográfico e se concentrou na Região
Metropolitana da Cidade do Rio de Janeiro / RJ. Foram convidados a participar nove hospitais
ao todo, sendo três de cada setor: público, universitário e privado. A pesquisa foi
desenvolvida nos meses de fevereiro a maio de 2010 e envolveu cinco hospitais públicos,
descritos mais adiante.
Como instrumento de coleta de dados recorreu-se ao uso de um questionário
extensivo com mais de 100 questões fechadas e abertas, aplicado aos dirigentes dos hospitais.
O questionário, elaborado pelo grupo GESITI/Hospitalar e adaptado para a presente pesquisa,
abarcou seis grandes campos temáticos, cada um dos deles contendo subtópicos, na seguinte
sequência: a) caracterização do hospital; b) presença da gestão estratégica nos hospitais,
incluindo neste item: P&D; Inovação e Tecnologia; c) Investimentos em Inovação
Tecnológica e Cooperação para a Inovação; d) presença de recursos de TI, contemplando
programas aplicativos, e aplicativos específicos para contabilidade, RH, controle de estoques
e gestão de ativos, além de Tele-medicina; e) uso de Bases de dados (redes, segurança e
telecomunicações; tecnologias de redes, de segurança de informações e de telecomunicações);
f) identificando a presença de Gestão de TI, em termos de suas soluções.
No presente estudo foram considerados somente os resultados mais expressivos
sobre os temas pesquisados. Também devido ao tamanho da amostra julgou-se conveniente
apresentar a discussão dos resultados sobre a análise comparativa entre hospitais pesquisados
usando números absolutos, ao invés de percentuais.
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4
Análise e discussão dos resultados
4.1
Caracterização dos hospitais
Por questão de confidencialidade os hospitais pesquisados foram identificados como
segue: os hospitais A, B e D são vinculados a universidades públicas, o C é vinculado ao
Governo Federal e o E à Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Os hospitais B e C
são tidos como referência em sua especialidade na região em que atuam. Os hospitais A e B
atendem à população da cidade e do município do RJ, enquanto que os demais, além da
cidade e município, atendem também a população do estado do RJ. Os sujeitos da pesquisa
são dirigentes dos hospitais, responsáveis pela gestão da infra-estrutura hospitalar e de
Tecnologia de Informação, tendo participado um executivo de cada uma destas áreas, num
total de dez dirigentes. A tabela 1 mostra detalhes sobre os hospitais estudados.
Tabela 1 – Caracterização dos hospitais
Hospital
A
B
C
D
E
Ano de fundação
1950
1930
1937
1947
1967
Número de Funcionários
729
690
830
1.090
437
Número de Leitos
600
185
410
540
43
Número de atendimentos
com internação anual
55.000
3.578
35.000
67.000
293
Número de atendimento
laboratorial anual
750.000
136.122
643.000
832.000
486.039
Fonte: Elaboração própria com base na pesquisa de campo
4.2
A Gestão Estratégica
Somente dois dos hospitais pesquisados (A e C) realizam Planejamento Estratégico
(PE) de modo sistemático. Nos demais hospitais não há sistematização do PE e as estratégias
são desenvolvidas com base na intuição dos seus dirigentes e de maneira informal. As
orientações estratégicas, emanadas destes, são captadas em feiras, congressos e seminários
dos quais participam. Também não há periodicidade definida para revisão do PE, o que gera a
percepção de que os planos setoriais são desenvolvidos esporadicamente.
Pela comparação das práticas de PE dos hospitais A e C é possível perceber algumas
diferenças e semelhanças significativas, apresentadas a seguir.
Em ambos os casos a periodicidade de revisão do PE é de seis meses a um ano. No
A, o PE envolve a alta direção e a média gerência, e o desdobramento do PE em Planos de
Ação e Projetos Estratégicos acaba sendo de conhecimento parcial dos funcionários do nível
operacional. Neste caso, são poucos, inclusive, os funcionários que declaram saber da
existência do PE. Por outro lado, no hospital C, destacadamente o mais bem estruturado e
informatizado dos cinco hospitais pesquisados, funcionários de todos os níveis hierárquicos
participam e se envolvem no PE.
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As fontes a partir das quais as estratégias de negócio são criadas são menos ricas no
hospital A (a análise da demanda atual e potencial com alto grau de importância do cliente e
médio grau de importância dos recursos – de capacitação, motivação, disponibilidade e etc.)
do que no C, que considera estas outras fontes (análise de cenários, concorrência - ameaças e
oportunidades, grau de satisfação de clientes, realização de benchmarking, missão e
competências reconhecidas).
Para o acompanhamento e reformulação das estratégias o hospital A usa o PDCA
como instrumento de avaliação e controle, enquanto que o C faz uso de um sistema integrado
próprio, sendo esta, possivelmente, a maior diferença entre eles, no que tange ao PE.
Outra diferença que parece significativa entre ambos refere-se ao fato de que o
hospital C recorre ao uso de uma metodologia robusta para lidar com a questão dos
indicadores chave de desempenho (Key Performance Indicators – KPI), enquanto que no A
esta área evidencia a necessidade de melhorias.
4.3
Pesquisa e Desenvolvimento
As atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), no período de 2006 a 2010,
têm importância diferenciada entre os hospitais estudados. Neste caso, quatro destes hospitais
(A, B, D e E) atribuem média importância a estas atividades, enquanto que o hospital C
assume posição de destaque dando alta importância às atividades de P&D.
Quanto à aquisição de conhecimentos externos os hospitais C e D estão na dianteira,
onde esta atividade é considerada de alta importância. Para os demais hospitais (A, B e E) esta
atividade tem média importância. Porém, com relação à periodicidade, em quatro hospitais
esta atividade é realizada de forma contínua, e em apenas no hospital A é que ela ocorre
ocasionalmente.
Para os executivos de todos os hospitais estudados o uso intensivo da TI melhoraria o
seu desempenho competitivo, agilizaria a disseminação de informações e agregaria valor aos
serviços prestados pelos hospitais. Entretanto, os pesquisados foram unânimes em
reconhecerem a existência de dificuldades financeiras para o investimento em TI, embora em
apenas um dos casos (hospital B) foi indicado o tipo de dificuldade, estando esta relacionada à
dotação orçamentária. Na maioria dos hospitais pesquisados (em quatro deles) a direção
considera a qualificação do seu pessoal como sendo suficiente para empreender a implantação
da TI, exceto no se refere à inovação tecnológica, ao comércio eletrônico e Tele-medicina.
Isso, de certa forma, evidencia uma contradição quando se observa a baixa eficiência destes
hospitais no uso da TI.
Também em apenas dois hospitais (C e E) foi relatada a existência de mecanismos de
monitoração do ambiente externo, no que diz respeito às novas tecnologias, interesses dos
clientes e estratégias dos concorrentes. Este resultado, contudo, era esperado, em virtude da
existência formal do Planejamento Estratégico no hospital C. O que surpreende, no entanto, é
que o hospital E não tem PE formalmente instituído, embora afirme ser capaz de monitorar o
ambiente externo.
Com relação às áreas de investimento em inovação tecnológica os hospitais indicam
prioridades diferentes, havendo pouca coincidência entre as suas opções. O hospital A prevê
investir apenas em sistemas de gestão integrada do tipo ERP. O hospital B prevê investir nas
suas operações. O E quer investir na gestão e no controle de estoques (sistema de
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almoxarifado). Já os hospitais C e o D são mais ambiciosos e pretendem investir outras áreas.
No caso do C, está previsto investimento na gestão hospitalar, operações, no ensino a
distância (EAD) e em um sistema específico, conhecido como Picture Architecture System. O
hospital D tem previsão para investir nas seguintes áreas: gestão, operações, sistema de
almoxarifado, ERP, EAD e em tele-medicina.
Considerando os investimentos feitos em inovação tecnológica nos três últimos anos,
não há grande diferença entre os hospitais, em termos percentuais, havendo duas
coincidências entre eles: a) os hospitais A e D investiram entre 2% a 3% do seu faturamento
neste período; b) os hospitais B e C investiram mais de 4% cada um deles. O E investiu entre
1% e 2 %.
Com relação ao que os hospitais pretendem investir em inovação tecnológica no
próximo ano, os percentuais não se alteram e ocorrem as mesmas coincidências entre eles em
termos de percentuais de investimento, entre 2 a 3% do faturamento.
Como entraves à inovação tecnológica os hospitais A, B e D indicam a existência de
baixa qualificação do pessoal, sendo que o B e D alegam também a carência de verba. Já para
os hospitais C e E o maior problema é decorrente da burocracia.
As prioridades dos hospitais em relação à inovação tecnológica podem ser
conhecidas consultando-se o quadro 1.
Mediante o exame desse quadro percebe-se como sendo prioridades comuns entre os
hospitais as atividades relacionadas a automação da gestão e ao uso de base de dados para a
armazenagem de informações de clientes. No primeiro caso, a automação da gestão é comum
aos cinco hospitais, enquanto que no segundo caso, o uso de banco de dados não é prioridade
apenas do hospital A.
Quadro 1 – Prioridades dos Hospitais
Hospital/Prioridade
a. Automatizar a gestão
b. Uso de mapas digitais
c. Uso de base de dados para armazenar
informações de clientes
d. Informatizar
A
B
C
D
E
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Fonte: Elaboração própria com base na pesquisa de campo
No que tange ao uso de um sistema da qualidade, ou de certificação, nos moldes das
normas internacionais, no caso a ISO 9000, 14.000 ou de outro sistema semelhante, somente o
hospital C relata possuir. Isto, de certa forma, mostra a debilidade da maioria destes hospitais
(80%) em definir e monitorar a conformidade de seus produtos e serviços.
Por outro lado, é interessante observar que, mesmo no caso do hospital C, que possui
um sistema de qualidade implantado e acreditado, não há relato da existência de ferramentas
da qualidade total como KANBAN, 5S, Programa de Idéias e Sugestões, etc. Isto evidencia
uma aparente contradição.
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7
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A importância da introdução das inovações tecnológicas entre 2006 e 2010 foi
considerada alta para os hospitais A, B, C e E, e média para o D. Neste período, os cinco
hospitais estiveram envolvidos em arranjos cooperativos com outras organizações com vistas
a desenvolver atividades inovadoras.
O quadro 2 mostra a importância de cada categoria de parceiros para o
desenvolvimento de atividades inovadoras.
Quadro 2 – Parceiros dos Hospitais na Inovação Tecnológica
A importância dos parceiros para o desenvolvimento de inovação entre 2006 a 2010
Hospital
A
B
C
D
E
Média
Alta
Alta
Alta
Alta
Clientes ou
consumidores
Média
Alta
Alta
Alta
Alta
Fornecedores
Baixa
Média
Média
Alta
Média
Outro hospital
Não relevante Não relevante
Baixa
Não relevante
Baixa
Empresas de
consultoria
Média
Não relevante
Média
Alta
Média
Universidades e
institutos de pesquisa
Média
Não relevante
Baixa
Baixa
Baixa
Centros de
capacitação
profissional e
assistência técnica
Fonte: Elaboração própria com base na pesquisa de campo.
Conforme se percebe pela análise do quadro 2, o destaque fica por conta das
categorias “Clientes e ou consumidores” e “Fornecedores”. Neste caso, no período de
referência, entre 2006 a 2010, quatro dos cinco hospitais (de B a E) consideram os parceiros
como sendo de alta importância, enquanto que, para o hospital A eles têm média importância.
É interessante observar que no se refere às parcerias com “outros hospitais” e “universidades
e institutos de pesquisa” o único a registrá-las como sendo de alta importância é o hospital D,
quando, na realidade, o que se esperava era encontrar uma completa e intensa parceria de
todos os hospitais com estas categorias, devido à sua importância para o intercâmbio de
conhecimento e experiências.
No caso das categorias “Empresas de consultoria” e “Centros de capacitação
profissional e assistência técnica” a grau de importância varia pouco entre os hospitais, indo
de “não relevante” a “média importância”.
Com relação aos fatores que prejudicam as atividades de inovação nos hospitais a
carência de pessoal qualificado é o mais grave de todos e afeta os cinco hospitais pesquisados
com a mesma intensidade.
Por outro lado, a “falta de informação sobre mercados”, a “escassez de serviços
técnicos externos adequados” e a “centralização da atividade inovadora em outro hospital”
são os fatores que menos prejudicam os hospitais de forma em geral, tendo praticamente o
mesmo grau de importância em todos os eles.
No que se refere aos “riscos econômicos” a percepção de impacto é sentida de forma
diferente pelos hospitais. Neste aspecto, somente os hospitais C e E dão alta importância a
este fator, o hospital A considera de baixa importância, o B média importância e o D não
considera relevante este fator.
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4.4
Programas Aplicativos Gerenciais
Para a Gestão empresarial e/ou hospitalar, somente o A não tem sistema. O hospital
B possui um software próprio de Administração Hospitalar, o C possui o software de gestão
hospitalar da Totvs, o D tem o SIAFI (fornecido pela União) e o E conta com os sistemas
Stok e Solução de BI da Microstrategy.
No que se refere à Gestão Integrada apenas o hospital C e o E possuem este tipo de
sistemas. O C tem o Java Development Environment e o Business Planning and Control
System, e o E o Klinicos.
Sobre Sistemas para Contabilidade todos os hospitais possuem soluções. O A e B
contam com o SIAFEM, fornecido pela União, o D e E o SIAFI, fornecido pelo Estado do
Rio. O C é o único que possui um software de contabilidade contratado, que é fornecido pela
Totvs, os outros hospitais não pagam pelo uso do aplicativo que é fornecido sem custo pela
União ou pelo Estado do Rio.
Considerando o número de usuários desse sistema a variação entre os hospitais A, B,
D e E é pequena, sendo a média de 14 usuários. A grande diferença está no hospital C que
registra o seu uso por 350 clientes.
Quatro hospitais registram o uso de Sistema de Controle de Estoque (SCE), ficando
de fora apenas o hospital B. No A e D o software é de desenvolvimento próprio e, portanto,
gratuito. No C e E os sistemas são contratados da Totvs e da Stok, respectivamente.
Quanto ao número de usuários os hospitais A e D têm 5 cada um, o C e E têm o
mesmo número: 10 usuários cada hospital.
4.5
Tele-medicina
Dos hospitais pesquisados somente o D pratica Tele-medicina.
As atividades desta área são realizadas na sede do hospital e envolvem as seguintes
especialidades: cardiologia, medicina intensiva, neurologia, radiologia, patologia, vídeoendoscopia e ginecologia, onde são feitas pesquisas. Além destas a tele-medicina é usada
também em medicina de emergência, dermatologia e oncologia.
O uso mais comum desta tecnologia se dá em diagnósticos e follow-up nessas
especialidades, sendo que a maior parte dos conhecimentos destas práticas é proveniente de
colegas, programa de treinamento formal em tele-medicina e treinamento médico ou pósgraduação.
Os equipamentos periféricos utilizados em vídeo-conferência são: scanner
radiológico, aparelho de ultra-som e monitor tocoginecológico. O conjunto da tele-medicina
utilizada no hospital envolve as especialidades de oncologia e ginecologia e a montagem é
composta por vídeo-interativo, armazenagem e envio de imagens e transmissão de textos, com
o compartilhamento de imagens na tela do computador usando áudio.
4.6
Base de Dados
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Todos utilizam um software de Gerenciamento da Base de Dados que varia entre um
software mais simples, no caso o MySQL e um mais sofisticado, que é o ORACLE. O
hospital A e o B usam o SYBASE, o C o ORACLE, o D e E o MySQL.
Praticamente os mesmos departamentos dos hospitais pesquisados utilizam a Base de
Dados em suas atividades, sendo eles: Administrativo, Financeiro, Hotelaria, Urgência e
Pronto-Socorro e Controle de Estoques. Os servidores das bases de dados destes hospitais
usam o mesmo tipo de sistema operacional que é o Windows.
Apenas um dos hospitais possui Call Center, que é o C.
A previsão de investimentos em dispositivos de armazenamento é a mesma nos cinco
hospitais e fica entre 6 a 12 meses.
4.7
Equipamentos, Tecnologias de Redes e Segurança de Informação
Os cinco hospitais usam as seguintes tecnologias: LAN, Roteadores e Switches. Três
deles usam acesso remoto/WiFi: os hospitais A, B e D. Também três usam VPN: A , C e E.
No que se refere à quantidade de computadores pessoais (PC) que possuem há uma
grande variação entre os hospitais, que vai de 50 (hospital D) a 2.300 (hospital C). O hospital
A possui 500 PCs, o B 260 e o E 157.
A variação também ocorre quanto ao número de PC conectados à rede local,
conforme ilustra o gráfico 1. Nota-se que apenas o hospital C tem a totalidade de seus PC
ligados à rede local. O hospital E tem 80%, o A 70%, enquanto que o B e D tem cada um
deles apenas 40%. Considerando que este é um indicador da integração entre Sistemas,
Pessoas e Processos, mas não o único, conclui-se que apenas no hospital C é possível que haja
plena integração entre estes elementos.
Gráfico 1. Estimativa de investimento em tecnologias de segurança de informação
Fonte: Elaboração própria com base na pesquisa de campo
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GESITI/HOSPITALAR: VOLUME I, ANO 2011. Periodicidade da Publicação: Irregular.
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Quanto ao uso de Sistema de gerenciamento de rede, são apenas dois hospitais a
usar: o A e o C. Desse modo, esses hospitais se destacam no uso de tecnologias de rede, onde
das dez tecnologias listadas para pesquisa, nove são usadas. A tecnologia não usada se refere
aos serviços avançados de rede.
Contudo, os cinco hospitais têm a mesma previsão de investimentos em Tecnologias
de Redes, que é de 6 a 12 meses.
Sobre segurança da informação todos os hospitais utilizam Software Antivírus e
Login único.
No que se refere à gestão de identidade de acesso somente os hospitais A e D são
usuários.
Sistema de Detecção Intruso (IDS) tem também dois usuários apenas: os hospitais A
e C.
E por último, software do tipo Firewall, apenas dois hospitais não usam: B e E.
Conclusão: das sete tecnologias pesquisadas sobre segurança de informação o
hospital A está na dianteira com o uso de seis delas, o C vem em segundo lugar com o uso de
cinco tecnologias e o D com 4. Os hospitais B e E estão empatados com o uso de duas
tecnologias somente.
Uma vez que a Segurança de Informação é um dos fatores mais críticos da TI, o
investimento nesta área torne-se estratégico. Porém, conforme mostra a gráfico 2, é correto
fazer as seguintes observações:
a) os hospitais A e B só pretendem investir em segurança depois de 12 meses. Para
A, isto pode ser justificado, pois este hospital demonstra estar bem neste aspecto
ao usar seis das sete tecnologias de segurança. Mas, no caso do B, que usa
somente duas destas tecnologias, este fato é preocupante, evidenciando que para
este hospital a segurança de informação não é estratégica;
b) os hospitais C e D têm previsão de 6 a 12 meses para investir em segurança. No
caso do C isto até que justifica, uma vez que este hospital conta com cinco destas
tecnologias. Porém, no caso do D, que usa pouco mais da metade delas, a previsão
de investimento deveria ter um prazo menor;
c) já no caso do E a previsão de investimento parece estar coerente com a situação
em que vive este hospital que, por contar apenas com duas tecnologias de
segurança, considera estratégica a decisão de investir no prazo de 3 a seis meses.
Gráfico 2. Estimativa de investimento em tecnologias de segurança de informação
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4.8
A Gestão de TI
Quanto ao uso de sistemas mais sofisticados de gestão os hospitais, de um modo em
geral, não andam bem. Apenas o hospital A e C se destacam. Das dez tecnologias que
compõem este item, o hospital C está mais bem equipado, detendo oito destas tecnologias
(Enterprise Resource Planning – ERP, Collaboration, Sistema de Apoio a Decisão, Business
Intelligence, Data Mining, Software Financeiro, Software de RH e Software de Gestão
Patrimonial), deixando de usar apenas Sistema de Integração de Aplicativos e Ballanced
Scorecard.
O hospital A vem em segundo lugar com o uso de seis tecnologias (ERP, Sistema de
Apoio a Decisão, software financeiro, software de RH, software de gestão patrimonial e
Sistema de Integração de Aplicativos).
Os hospitais D e E ocupam o terceiro lugar. O primeiro usa software financeiro e
software de RH, e o segundo usa ERP e software financeiro.
O hospital B ocupa a posição de lanterninha com o uso de software financeiro
apenas.
A previsão de investimentos em soluções de Gestão de TI é igual nos hospitais A, C
e E, que é de 6 a 12 meses. No hospital B a previsão é mais que 12 meses, e no D de 3 a 6
meses.
4.9
Informações Gerais sobre Tecnologias de Informação
Todos os hospitais usam computadores pessoais (PCs) e estações de trabalho.
Igualmente em todos eles se utiliza e-mails e Intranet, desde 2001.
No caso do número de servidores, o hospital A possui 10, o B e D têm 4 cada um
deles, o E 5 e o C se destaca com 65 servidores instalados.
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O percentual de empregados que usa PCs e estações em rotina normal de trabalho é
igual nos hospitais B e D, que é de 30 a 40%. No A este percentual é de 60 a 70%, no E é de
70 a 80% e apenas no C todos os empregados usam PCs.
Quanto ao percentual de PCs conectados a Internet só há variação nos hospitais A e
E. O primeiro tem de 70 a 80% deles ligados a Internet e o segundo tem de 90 a 100%. Os
três restantes têm 100% dos seus PCs conectados a esta rede.
Em todos eles o início de uso da Internet se deu em 2001, ou antes. E apenas um
deles, o hospital E, não possui Site na Internet.
Sobre o tipo de conexão externa à Internet em 2002, apenas o hospital usava Modem
e XDLS, enquanto que os restantes usavam ISDN. Mas todos eles tinham links de
comunicação de 560 kbps de velocidade de transmissão, naquela época.
4.10 Uso da Internet e Comércio Eletrônico
Todos os hospitais usam a Internet desde 2001, ou antes, para as seguintes
finalidades: busca de informações, comunicação com autoridades públicas, banco e serviços
financeiros.
Para monitorar o mercado (acompanhar preço) apenas o hospital C não faz uso da
Internet, bem como não planeja usá-la, pelo menos por enquanto. Os demais fazem uso deste
serviço desde 2001, ou antes.
Sobre a busca de informações em sites na Internet, recebimento de produtos digitais,
facilidades do ensino a distância EAD todos os hospitais fazem uso desde 2001, ou antes.
No que se refere a site na Internet apenas o E não possui, embora tenha planos de
desenvolvimento nos próximos 5 anos para atividades relacionadas à venda de bens e
serviços.
Quanto ao uso da Internet para atividades de marketing de produtos do hospital, o
único a usar é o hospital C e faz isto desde 2001, ou antes. Os hospitais B, D e E têm plano de
uso nos próximos 5 anos e somente o A não pensa em usar este recurso nos próximos anos.
Para as atividades de enquete/contato, página customizada para clientes (com apresentação
personalizada de produtos), integração com backend systems e prover assistência pós-venda,
dois dos cinco hospitais utilizam a Internet: o A (desde 2008) e o C (desde 2001, ou antes). Os
demais têm plano de uso nos próximos 5 anos.
5
Conclusões e perspectivas de desdobramento
No âmbito geral, os hospitais pesquisados parecem empregar as TI como ferramentas
importantes e necessárias, porém vistas numa perspectiva funcionalista. Ainda é pouco
presente o alinhamento da TI aos objetivos estratégicos e as necessidades organizacionais do
negócio. Assim a primeira conclusão que se pode tirar é que, em geral, três hospitais (B, D e
E) se encontram praticamente no mesmo nível quanto ao uso das tecnologias estudadas, não
havendo grandes diferenças entre eles. Um pouco à frente destes vem o hospital A. Neste caso
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é possível que a realização do planejamento estratégico do qual participa a alta direção e a
média gerência, e o seu desdobramento em Planos de Ação e Projetos Estratégicos tenham
uma boa contribuição no desempenho deste hospital. Porém, o hospital C se destaca dos
demais no uso de tecnologias, no que tange a elaboração e execução do planejamento
estratégico, qualificação do pessoal e infra-estrutura. Porém, vale a pena lembrar que estes
dois últimos são os únicos hospitais pesquisados que realizam Planejamento Estratégico de
modo sistematizado e que, no caso do C, este planejamento envolve funcionários de todos os
níveis hierárquico, é bem desdobrado em Projetos e Planos de Ações e se encontra
completamente integrado ao modelo de gestão do hospital. Contudo, em todos os cinco
hospitais percebe-se que ainda há muito a ser feito, especialmente no que se refere ao da
tecnologia de informação que, se bem administrada, poderia contribuir para a melhoria do
desempenho administrativo e operacional destes hospitais. No que se refere à tele-medicina há
ainda uma grande lacuna a ser preenchida, até mesmo no único hospital que a usa, dada a alta
potencialidade desta tecnologia, especialmente em terapias.
Outro fator que sugere o muito a ser feito visando melhorar o desempenho dos
hospitais diz respeito à falta de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) formalmente
instituído, nos moldes das normas das normas ISO-9000, exceto no caso do hospital C, o
único a possuir acreditação. Por outro lado, é interessante observar que, mesmo no caso desse
hospital, que possui um SGQ implantado, não há relato sobre o uso de ferramentas da
qualidade total como KANBAN, 5S, Programa de Idéias e Sugestões, Seis Sigma, etc. Isto
evidencia uma aparente contradição para um hospital que tem acreditação. Estas observações,
de certa forma, mostram a debilidade da maioria destes hospitais (80%), senão de todos eles,
em definir e monitorar a conformidade de seus produtos e serviços.
Finalmente uma última questão apontada pela pesquisa diz respeito ao nível de
qualificação do pessoal no trato com as ferramentas tecnológicas. Na maioria dos hospitais
investigados (80%), o pessoal é considerado suficiente para empreender a implantação da TI;
porém, do ponto de vista da inovação tecnológica, o mesmo pessoal é percebido com tendo
baixa qualificação.
Enfim, além dos aspectos apontados nesta conclusão, são inúmeros os dados
preliminares que sugerem maior aprofundamento desse projeto visando a realização de novas
pesquisas e análises comparativas com outras unidades hospitalares da região, na perspectiva
de visualizar o “estado da arte” do processo de gestão em TI em hospitais do estado do Rio de
Janeiro.
Dessa forma, o presente projeto conta a perspectiva de desdobramento da pesquisa a
outras unidades hospitalares, bem como a sua ampliação nas unidades estudadas.
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Tecnologia da Informação em Hospitais Públicos e Universitários