UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA
INSTITUTO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO
ISABELLA GENTIL ARRUDA
MENSURAÇÃO DE NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA EM UNIDADES DE TERAPIA
INTENSIVA: COMPARAÇÃO ENTRE UM HOSPITAL PRIVADO E UM HOSPITAL
PÚBLICO
São José dos Campos - SP
2013
ISABELLA GENTIL ARRUDA
MENSURAÇÃO DE NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA EM UNIDADES DE TERAPIA
INTENSIVA: COMPARAÇÃO ENTRE UM HOSPITAL PRIVADO E UM HOSPITAL
ÚBLICO
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia,
como complementação dos créditos necessários
para obtenção do título de Mestre em
Bioengenharia.
Orientadora: Profª. Drª. Maria Belén Salazar Posso
Orientador: Prof. Dr. Paulo Roxo Barja
São José dos Campos - SP
2013
FICHA CATALOGRÁFICA
A817m
ARRUDA, Isabella Gentil
Mensuração de níveis de pressão sonora em unidades de terapia
intensiva: comparação entre um hospital privado e um hospital
público/Isabella Gentil Arruda; orientadora, Profa. Dra. Maria Belén
Salazar Posso; orientador, Prof. Dr. Paulo Roxo Barja. – São José dos
Campos, 2013.
65 p.
Dissertação (mestrado) - Universidade do Vale do Paraíba, Instituto
de Pesquisa e Desenvolvimento. Programa de Pós-Graduação em
Bioengenharia.
Inclui referências
1. Bioengenharia. 2. Enfermagem. 3. Ruído. 4. Terapia intensiva.
I. Posso, Maria Belén Salazar. II. Barja, Paulo Roxo. III. Universidade do
Vale do Paraíba, Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento. Programa de
Pós-Graduação em Bioengenharia. IV. Título.
CDU: 62-533.4
Autorizo exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou
parcial dessa dissertação, por processo fotocopiador ou transmissão eletrônica
desde que citada sua fonte.
Aluna:
Data:
ISABELLA GENTIL ARRUDA
MENSURAÇÃO DE NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA EM UNIDADES DE TERAPIA
INTENSIVA: COMPARAÇÃO ENTRE UM HOSPITAL PRIVADO E UM HOSPITAL
PÚBLICO
Dissertação de mestrado aprovada como requisito parcial à obtenção do grau de
Mestre
em
Engenharia
Biomédica,
do
Programa
de
Pós-Graduação
em
Bioengenharia, do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Vale
do Paraíba, São José dos Campos – SP, pela seguinte banca examinadora:
Presidente: Prof. Dr. Mario Oliveira Lima (UNIVAP):__________________________
Orientador: Profª. Drª. Maria Belén Salazar Posso (UNIVAP): __________________
Orientador: Prof. Dr. Paulo Roxo Barja (UNIVAP):__________________________
Membro externo: Profª. Drª. Ana Maria Barbosa (ANHANGUERA):_______________
Profª. Drª. Sandra Maria Fonseca da Costa
Diretora do IP&D - UNIVAP
São José dos Campos, 05 de julho de 2013.
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos meus filhos amados Davi e Pedro que tornam os meus
dias mais alegres e me ensinam diariamente o que é um verdadeiro amor.
Ao meu marido, Bill sempre companheiro e incentivador.
Aos meus pais, Ricardo e Verônica, que nunca mediram esforços para
proporcionarem a mim boas oportunidades de estudo.
Aos meus irmãos que mesmo, às vezes distantes, o apoio e carinho são uma
constante.
AGRADECIMENTOS
A Deus que fez cumprir o desejo da realização desse trabalho.
A toda minha família.
Ao Magnífico Reitor da Universidade do Vale do Paraíba, Prof. Dr. Jair Cândido de
Melo, pela oportunidade.
À Diretora do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Prof.ª Dr.a Sandra Maria
Fonseca da Costa, por dirigir com competência o IP&D/UNIVAP.
À Coordenadora do Programa de Mestrado em Bioengenharia Profª. Drª. Fernanda
Pupio Silva Lima por sua atenção.
Aos queridos mestres orientadores, Profª. Drª. Maria Belén Salazar Posso e Prof. Dr.
Paulo Roxo Barja, a vocês minha admiração, gratidão, respeito e amizade.
Aos professores pelos ensinamentos.
À Rúbia, dona Ivone, dona Neusa, Valéria e demais funcionários da UNIVAP pela
presteza e disponibilidade durante o período de realização deste mestrado.
A todos os colegas do mestrado pelo apoio, incentivo e companheirismo.
À Indira que de aluna passou a ser companheira de mestrado e nunca poupou
esforços para me ajudar.
Aos amigos Méssia e Edgar Bandeira pela ajuda na pesquisa bibliográfica.
À amiga e arquiteta Ivna Gadelha pelo auxílio e colaboração nas medições e
Gildeane pela execução das plantas baixas.
À querida ex-aluna e hoje colega de profissão, Ana Paula, sempre interessada e
disponível.
Aos diretores e demais funcionários dos hospitais que me acolheram e tornaram
possível a execução dessa pesquisa.
Por fim, agradeço a todos que estiveram ao meu lado.
“Só sei que nada sei”
(Sócrates)
MENSURAÇÃO DE NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA EM UNIDADES DE TERAPIA
INTENSIVA: COMPARAÇÃO ENTRE UM HOSPITAL PRIVADO E UM HOSPITAL
PÚBLICO
RESUMO
As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são locais grandemente afetados por altos
valores de ruídos, principalmente aqueles provocados pela demanda de pessoal e
pelos sinais sonoros dos equipamentos médicos. Com o objetivo de medir os níveis
de pressão sonora existentes em Unidades de Terapia Intensiva Adulto, no presente
trabalho foram analisados os níveis de pressão sonora em UTI em dois hospitais de
um grande centro urbano. A mensuração foi realizada em três pontos diferentes, nos
períodos da manhã, tarde e noite, durante três jornadas consecutivas de trabalho de
uma mesma equipe em cada UTI. Após análise estatística, observou-se diferença
significativa entre os níveis de ruído apresentados em cada hospital, principalmente
à noite, quando ocorre diminuição da influência dos ruídos externos. Houve também
diferença significativa entre os níveis de ruído nos diferentes locais de coleta das
UTI. A UTI do hospital privado apresentou média de 58 (±4) dB(A), variando entre 47
e 70 dB(A) (amplitude de 23 dB(A)), enquanto a UTI do hospital público apresentou
média de 60 (±4) dB(A), variando entre 55 e 75 dB(A) (amplitude de 20 dB(A).
Observa-se que os níveis de pressão sonora das UTI estudadas estão acima do
recomendado em todos os períodos analisados, caracterizando-se poluição sonora
em ambiente hospitalar. Conclui-se que é necessária a adequação e manutenção
dos equipamentos e mudança no comportamento da equipe de saúde de modo a
favorecer a recuperação dos pacientes e a função laborativa dos profissionais que
atuam em tal ambiente.
Palavras-chave: hospital; poluição sonora; ruído; unidades de terapia intensiva.
MEASUREMENT OF SOUND PRESSURE LEVELS IN THE INTENSIVE CARE
UNITS: COMPARISON BETWEEN A PRIVATE HOSPITAL AND A PUBLIC ONE
ABSTRACT
The Intensive Care Units (ICU) are locations greatly affected by high values of noise,
particularly those caused by the demand for personnel and medical equipment sound
signals. In order to measure the sound pressure levels existing in Adult Intensive
Care Units, in this study sound pressure levels in ICUs in two hospitals in a large
urban center were analyzed. The measurement was performed at three different
points, in the morning, afternoon and evening periods, during three consecutive days
of work in the same team of each ICU. After statistical analysis a significant
difference was observed between noise levels presented by each hospital's ICU,
especially at night when there is a decrease of external noises influence. There was
also a significant difference between the noise levels in different sampling sites of
each ICU. The private hospital presented an average of 58 (±4) dB(A), varying
between 47 and 70 dB(A) (range of 23 dB(A)), while the public hospital´s ICU
showed an average of 60 (±4) dB(A), varying between 55 and 75 dB(A) (range of 20
dB(A)). We observe that the sound pressure levels of the studied ICUs are above
recommended for all periods analyzed, characterizing sound contamination in the
hospital environment. We conclude that equipment maintenance and adjustment are
required, as well as changes in the staff behavior in order to favor the recovery of
patients and professionals' work function in such an environment.
Keywords: hospital; sound contamination; noise, intensive care units.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Esquema da orelha humana, identificando o ouvido externo, médio e
interno. ...................................................................................................................... 21
Figura 2 – Esquema da orelha externa ..................................................................... 22
Figura 3 – Esquema da orelha média ....................................................................... 23
Figura 4 – Esquema da orelha interna ...................................................................... 24
Figura 5 – Esquema do mecanismo da audição ....................................................... 26
Figura 6 – Representação gráfica de compressão e rarefação de uma onda sonora
.................................................................................................................................. 27
Figura 7 – Faixa de frequência audível ao ser humano ............................................ 28
Figura 8 – Vista dos leitos abertos UTIA do Hospital Público (H Pub) ...................... 38
Figura 9 – Vista do balcão de prescrição médica e posto de enfermagem da UTIA do
Hospital Público (H Pub) ........................................................................................... 38
Figura 10 - Vista geral UTIA do Hospital Privado (H Priv) ......................................... 40
Figura 11 – Medidor de pressão sonora digital, modelo DL - 4100 ICEL (dBA) ........ 41
Figura 12 – Esquema dos locais de medição dos níveis de pressão sonora na UTIA
do Hospital Público .................................................................................................... 42
Figura 13 – Esquema dos locais de medição dos níveis de pressão sonora na UTIA
do Hospital Privado ................................................................................................... 43
Figura 14 – Posicionamento do decibelímetro nos locais leitos A = Hospital Privado
(H Priv); B = Hospital Público (H Pub). ...................................................................... 44
Figura 15 – Gráfico box-plot dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) medidos em dois
hospitais (público e privado) no estado do Piauí. HPriv = Hospital privado; HPub =
Hospital público. Escala em decibéis (dB). ............................................................... 46
Figura 16 – Gráfico box-plot dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) medidos no
período da manhã em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais (público
e privado) no estado do Piauí. HPrivM = Hospital privado manhã; HPubM = Hospital
público manhã. Escala em decibéis (dB). ................................................................. 48
Figura 17 – Gráfico box-plot dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) medidos no
período da tarde em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais (público e
privado) no estado do Piauí. HPrivT = Hospital privado tarde; HPubT = Hospital
público tarde. Escala em decibéis (dB) ..................................................................... 48
Figura 18 – Gráfico box-plot dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) medidos no
período da noite em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais (público e
privado) no estado do Piauí. HPrivN = Hospital privado noite; HPubN = Hospital
público noite. Escala em decibéis (dB). ..................................................................... 48
Figura 19 – Gráfico box-plot comparativo entre os Níveis de Pressão Sonora (NPS)
para o local A nos três períodos (manhã, tarde e noite) em Unidade de Terapia
Intensiva (UTI) em hospital privado no estado do Piauí. HPrivM = Hospital privado
manhã; HPrivT = Hospital privado tarde; HPrivN = Hospital privado noite. Escala em
decibéis (dB) ..............................................................................................................50
Figura 20 – Gráfico box-plot comparativo entre os níveis de pressão sonora (NPS)
para o local A nos três períodos (manhã, tarde e noite) em Unidade de Terapia
Intensiva (UTI) em hospital público no estado do Piauí. HPubM = Hospital público
manhã; HPubT = Hospital público tarde; HPubN = Hospital público noite. Escala em
decibéis (dB) ..............................................................................................................50
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Intensidades de sons cotidianos na comunidade ................................... 30
Quadro 2 – Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente ...................... 32
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Comparação dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) registrados em
diferentes turnos de cada Unidade de Terapia Intensiva em dois hospitais (público e
privado) no estado do Piauí. Turnos Manhã = M; Tarde = T; Noite = N. ................... 51
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANOVA
ABNT
cm
dB
EAS
H Priv
H Pub
Hz
IEC
INSS
ISO
IS
NBR
N/m2
NPS
OMS
Pa
PAIR
PAIRO
PS
UCO
UNIVAP
UTI
UTIA
UTIN
W/m2
Análise de Variância
Associação Brasileira de Normas Técnicas
Centímetro
Decibel
Estabelecimentos de Assistência a Saúde
Hospital Privado
Hospital Público
Hertz
International Electrotechnical Commission
Instituto Nacional do Seguro Socia
International Organization for Standardization
Instituição de Saúde
Norma de Brasileira
Newton por metro quadrado
Nível de Pressão Sonora
Organização Mundial da Saúde
Pascal
Perda Auditiva Induzida pelo Ruído
Perda Auditiva Induzida pelo Ruído Ocupacional
Pressão Sonora
Unidade Coronariana
Universidade do Vale do Paraíba
Unidade de Terapia Intensiva
Unidade de Terapia Intensiva Adulto
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
Watt por metro quadrado
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 16
2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 18
2.1 Objetivo geral ................................................................................................. 18
2.2 Objetivos específicos .................................................................................... 18
3 REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................. 19
3.1 Considerações anátomo-fisiológicas sobre a orelha humana e o
mecanismo da audição ....................................................................................... 19
3.1.1 Orelha externa .......................................................................................... 20
3.1.2 Orelha média ............................................................................................. 20
3.1.3 Orelha interna ........................................................................................... 22
3.1.4 Mecanismo da audição ............................................................................. 23
3.2 Considerações gerais sobre acústica.......................................................... 24
3.3 Ruído............................................................................................................... 27
3.3.1 Intensidade e frequência do ruído ............................................................. 28
3.3.2 Efeitos auditivos causados pelo ruído ....................................................... 29
3.3.3 Efeito extra - auditivos causado pelo ruído ............................................... 31
3.3.4 Ruído hospitalar ........................................................................................ 31
3.3.5 Medição do ruído....................................................................................... 33
4.1 Tipo de estudo ............................................................................................... 35
4.2 Local da pesquisa .......................................................................................... 35
4.3 Ambiente de coleta ........................................................................................ 35
4.3.1 Hospital público ......................................................................................... 35
4.3.2 Hospital privado ........................................................................................ 37
4.4 Instrumentação e pré-teste ........................................................................... 38
4.5 Coleta de dados ............................................................................................. 39
4.6 Instrumento de coleta de dados ................................................................... 43
4.7 Tratamento estatístico................................................................................... 43
4.8 Aspectos éticos ............................................................................................. 43
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 44
7 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS .................................................... 52
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 52
APÊNDICE A – PLANTA BAIXA UTIA HOSPITAL PÚBLICO ................................ 60
APÊNDICE B – PLANTA BAIXA UTIA DO HOSPITAL PRIVADO .......................... 61
APÊNDICE C – INSTRUMENTO DE REGISTRO DE PRESSÃO SONORA ........... 62
ANEXO A – CERTIFIFICADO DE CALIBRAÇÃO DECIBELÍMETRO ICEL DL4100
.................................................................................................................................. 63
16
1 INTRODUÇÃO
O crescente avanço tecnológico trouxe muitos benefícios para a sociedade,
mas fez surgir problemas como o ruído, uma forma de poluição invisível que não
poupou o ambiente hospitalar, especialmente nas Unidades de Terapia Intensiva
(UTI). De todos os agentes que se constituem em risco ocupacional, o ruído é o
mais citado e o que expõe o maior número de trabalhadores (OLIVEIRA, 2006).
Com o crescimento e desenvolvimento acelerado das cidades, muitos
hospitais estão situados em áreas expostas a fontes constantes de ruídos externos,
como o tráfego intenso de ruas e avenidas, de aeroportos, construção civil, entre
outros. Um alto nível de ruído nesses locais entra em conflito com as necessidades
dos pacientes e profissionais de paz e tranquilidade.
A UTI é um espaço hospitalar reservado que tem por função principal a
recuperação da saúde e destina-se à internação de pacientes graves, instavéis
clinicamente e com chances de sobrevida. É um ambiente de alta complexidade,
onde se têm monitoração e vigilância dos pacientes 24 horas por dia (INOUE;
MATSUDA, 2009).
A cada dia mais equipamentos dotados de alarmes sonoros são colocados
em funcionamento nessas unidades, isso trouxe mais eficiência e segurança no
tratamento dos pacientes, mas contribuiu para que os níveis de ruído nesses locais
se tornassem potencialmente danosos (POSSO, 1982; OTENIO; CREMER; CLARO,
2007). Somados a isso há também o ruído criado pela atuação e conversação dos
profissionais. Deste modo o ambiente, que deveria ser calmo e silencioso torna-se
ruidoso e estressante, prejudicando as funções laborativas da equipe e a
recuperação dos pacientes internados (PEREIRA et al., 2003).
Como resultado da alta demanda de pessoal e equipamentos médicos, os
níveis de ruídos nas UTI atingem valores preocupantes e a poluição sonora nesses
ambientes excede os níveis recomendados. A exposição ao ruído contínuo gera
várias manifestações clínicas sistêmicas, tais como: deterioração na qualidade do
sono, prejuízo auditivo, aumento na frequência cardíaca e respiratória, aumento da
pressão arterial e do consumo de oxigênio, estresse, dificuldade de concentração,
entre outros (NEPOMUCENO, 1994; DIAS et al., 2006; PEIXOTO et al., 2011).
17
O controle dos ruídos em hospitais é considerado uma prioridade, devendo-se
investir em estudos que demonstrem o nível de exposição a que estão submetidos
os indivíduos dentro de uma UTI, a fim de prevenir a poluição sonora e possíveis
desordens fisiológicas e psicológicas e se promovam medidas que melhorem a
permanência dentro deste ambiente (POSSO, 1982; GRUMET, 1993).
As atividades desenvolvidas pela autora em Unidade de Terapia Intensiva
Adulto (UTIA) da rede pública do estado do Piauí permitiram observar que
frequentemente muitos pacientes e funcionários queixavam-se do “barulho” nesse
local. Além disso, também se observou a falta de conhecimento e conscientização
por parte dos profissionais acerca desse risco físico que é o ruído, gerando um
comportamento pouco silente e dificultando o seu controle.
Essas observações despertaram o interesse no sentido de conhecer os níveis
de pressão sonora (NPS) nas UTIA, a fim de esclarecer e conscientizar a equipe
profissional envolvida sobre as alterações físicas, fisiológicas e psicológicas
provocadas por níveis elevados de pressão sonora nessa unidade.
18
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Conhecer os níveis de pressão sonora presentes em Unidades de Terapia
Intensiva Adulto de Estabelecimentos de Assistência à Saúde (EAS) público e
privado de um município do estado do Piauí.
2.2 Objetivos específicos
• Medir os níveis de pressão sonora existentes em Unidades de Terapia
Intensiva Adulto de EAS nos períodos manhã, tarde e noite;
• Comparar os níveis de pressão sonora encontrados em UTIA pública e UTIA
privada do município em questão.
19
3 REVISÃO DA LITERATURA
3.1 Considerações anátomo-fisiológicas sobre a orelha humana e o mecanismo da
audição
De acordo com Guida et al. (2007), o conhecimento da anatomia e fisiologia
do sistema auditivo é um requisito importante para a compreensão do
processamento de estímulos sonoros. O órgão vestibulococlear, ou simplesmente
orelha, é um complexo morfofuncional que está abrigado no osso temporal e
consiste em três partes, cada uma com estruturas e funções diferentes, porém,
complementares: a orelha externa, a orelha média e a orelha interna (ZORZETTO,
2006) (Figura 1).
Esse órgão é responsável pelo equilíbrio estático e dinâmico do corpo e a
localização das fontes sonoras, funcionando como um importante mecanismo de
alerta e defesa. Segundo Maia (2002), as principais funções da orelha são:
• Transmissora: dispõe de mecanismos que permitem a adequada transmissão
da energia acústica captada de uma parte à outra da orelha passando por
diversos meios: ar, líquido e ósseo;
• Protetora: possui elementos capazes de atenuar intensidades sonoras
elevadas, evitando-se assim danos maiores às células sensoriais da orelha
interna:
• Transdutora: transforma energia acústica captada pelo pavilhão auricular em
mecânica na orelha média e em elétrica na orelha interna.
Figura 1 – Esquema da orelha humana, identificando o ouvido externo, médio e interno.
.
Fonte: Ferraro (2010).
20
3.1.1 Orelha externa
A orelha externa abrange duas partes: pavilhão auricular ou pavilhão da
orelha ou pina e meato acústico externo ou conduto auditivo externo (Figura 2).
O pavilhão auricular encontra-se localizado externo e lateralmente a cabeça,
é formado por uma lâmina de cartilagem elástica de formato irregular, recoberta por
uma fina camada de pele com diversas depressões e elevações, em uma forma que
se assemelha a um funil ou concha. Essa forma específica permite a captação,
atenuação e amplificação das ondas sonoras, sendo estas características relevantes
no processo de localização do som (ZORZETTO, 2006).
O meato acústico externo é um curto conduto com aproximadamente 2,5 cm
(centímetro) de comprimento que estabelece a ligação do exterior com a orelha
média, fechado na extremidade interna pela membrana do tímpano. Tem a função
de transmitir os sons captados pelo pavilhão auricular até a membrana do tímpano,
além de servir de câmara de ressonância ampliando algumas frequências do som
(DÂNGELO; FATTINI, 2006; ZORZETTO, 2006).
Figura 2 – Esquema da orelha externa
Fonte: Audioflexx (2013)
3.1.2 Orelha média
A orelha média também designada por caixa timpânica é uma cavidade na
porção petrosa do osso temporal, cheia de ar, constituída pela membrana timpânica
que separa a orelha externa da média, por uma cadeia de três ossículos (martelo,
21
bigorna e estribo), por músculos e ligamentos e pela tuba auditiva, antiga trompa de
Eustáquio (SBORL, 2003) (Figura 3).
A principal função da orelha média é amplificar as ondas sonoras
provenientes da orelha externa de modo a transmiti-las para a orelha interna. Esse
processo consiste na transmissão das ondas sonoras pela membrana timpânica,
que transmite sua vibração a cadeia de ossículos (martelo-bigorna-estribo), o estribo
encontra-se alojado na janela oval e passa informação a cóclea, localizada na orelha
interna (DÂNGELO; FATTINI, 2006).
Como a orelha externa e interna possuem meios diferentes, sendo a
impedância dos fluidos cocleares maiores do que a impedância do ar contido na
cavidade da orelha média, a onda sonora é quase toda refletida ao penetrar na
orelha interna, implicando em uma perda perto de 30 dB (RUSSO, 1999). Para
compensar essa perda, quando as ondas sonoras atingem a janela oval, a cadeia
ossicular age como uma alavanca aumentando a pressão, outro mecanismo de
compensação se dá pelo fato da área do estribo que fica em contato com a janela
oval ser 17 vezes menor que a membrana timpânica, assim a pressão acústica
exercida na janela oval seja amplificada aproximadamente 22 vezes em relação à
efetuada sobre o tímpano (GUYTON; HALL, 2011).
Figura 3 – Esquema da orelha média
Fonte: Manzano (2009)
22
3.1.3 Orelha interna
A orelha interna, também chamada de labirinto, localiza-se no osso temporal,
revestida por membrana e preenchida por líquido. Constituída por duas partes
principais: o labirinto anterior ou cóclea, órgão da audição e o labirinto posterior
responsável pelo equilíbrio do corpo que engloba os canais semicirculares e o
vestíbulo (ZORZETTO, 2006) (Figura 4).
A cóclea consiste em três tubos espiralados colados um ao outro: a rampa
vestibular, a rampa média e a rampa timpânica, contendo líquido em seu interior. A
rampa vestibular e a média são separadas entre si pela membrana de Reissner ou
membrana vestibular; a rampa timpânica e a rampa média são separadas pela
membrana basilar. As rampas vestibular e timpânica contém um líquido denominado
perilinfa e na rampa média encontramos outro líquido, a endolinfa. Na superfície da
membrana
basilar
eletromecanicamente
situa-se
o
sensíveis,
órgão
as
de
células
Corti
que
ciliadas,
contém
responsáveis
células
pela
transformação das vibrações sonoras em impulsos elétricos enviados ao cérebro.
(GUYTON; HALL, 2011).
Os canais semicirculares tem a forma de arco e são em número de três, o
lateral, o superior e o posterior, se comunicam com a cóclea através do vestíbulo,
que é uma cavidade cheia de perilinfa. No interior dessa cavidade, existem duas
bolsas membranáceas contendo outro líquido denominado endolinfa. Essas bolsas
são o utrículo e o sáculo, que contêm células sensoriais encarregadas de informar o
sistema nervoso central sobre a posição da cabeça (DÂNGELO; FATTINI, 2006).
Figura 4 – Esquema da orelha interna.
Fonte: Fonte: Manzano (2009)
23
3.1.4 Mecanismo da audição
De acordo com Dângelo e Fattini (2006), as ondas sonoras são captadas no
pavilhão da orelha e canalizadas para o meato acústico externo chegando até a
membrana do tímpano. Quando elas entram em atrito com a membrana timpânica, a
pressão e descompressão alternadas do ar junto à membrana acabam deslocando o
tímpano, que vibra com a mesma frequência da onda, dessa forma, o tímpano
transforma as vibrações sonoras em vibrações mecânicas enviadas aos ossículos
(martelo, bigorna e estribo).
O movimento realizado pelo cabo do martelo causa no estribo uma
movimentação de vai e vem de encontro à janela oval da cóclea, fazendo com que o
som seja transmitido para o líquido coclear, convertendo a energia mecânica em
energia hidráulica (ZORZETTO, 2006).
À medida que cada vibração sonora adentra na cóclea, a janela oval se move
para dentro, difundindo o líquido presente no vestíbulo numa profundidade maior na
cóclea. Quando a pressão na rampa vestibular encontra-se aumentada, ela desloca
a membrana basilar para dentro da rampa timpânica, fazendo com que o líquido
presente nessa câmera seja lançado na direção da janela oval, provocando o
arqueamento da mesma para fora. Quando ocorre a movimentação do estribo para
trás, provocada pelas vibrações sonoras, ocorre um processo inverso, ou seja, o
líquido é lançado na direção contrária pelo mesmo caminho e a membrana basilar
será deslocada para dentro da rampa vestibular (DÂNGELO; FATTINI, 2006).
A vibração da membrana basilar causa nas células ciliares do órgão de Corti,
uma movimentação para frente e para trás, curvando os cílios nas regiões de
contato com a membrana tectorial, fazendo com que as células sensoriais se
excitem e gerem impulsos nas terminações nervosas filamentares da cóclea que
prendem essas células. Esses estímulos são conduzidos pelo nervo coclear para os
centros auditivos do tronco encefálico, no nível da parte superior do bulbo e córtex
cerebral, na porção média do giro superior do lobo temporal. Assim, a energia
hidráulica é convertida em energia elétrica (GUYTON; HALL, 2011).
Os centros auditivos do encéfalo relacionam-se com a capacidade de detectar
a direção do som e o centro auditivo do córtex cerebral interpreta o significado do
som (GUYTON; HALL, 2011).
24
Figura 5 – Esquema do mecanismo da audição.
Fonte: Nova Escola(2009).
3.2 Considerações gerais sobre acústica
Acústica é uma ciência com origens na Grécia Clássica, é o ramo da física
que estuda a produção, o controle, a transmissão, a recepção e os efeitos do som
(POSSO, 1982; NEPOMUCENO, 1994; TAUBE; BARJA, 2007).
A Acústica pode ser estudada sob dois aspectos: a Acústica Física, que trata
das vibrações e ondas mecânicas e a Psicoacústica ou Acústica Fisiológica, ramo
da Acústica que estuda a relação entre as sensações auditivas e as propriedades
físicas do som (RUSSO, 1999; TAUBE, 2009).
Som é uma forma de energia gerada quando um meio elástico é estimulado
sendo percebido pelo cérebro, que se relaciona com a chegada ao ouvido de ondas
de vibração periódica mecânica (GARCIA, 2009), tratando-se de um fenômeno
acústico que além de ser previsível, pode ter suas características mensuradas e
calculadas, (GONZALEZ, s/d). A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
na Norma Brasileira (NBR) 12.179/1992 define som como, “toda e qualquer vibração
ou onda mecânica que se propaga num meio dotado de forças internas (elástico,
viscoso, ou outro), capaz de produzir no homem uma sensação auditiva” (ABNT,
1992, p.1).
As ondas sonoras implicam numa sucessão de compressão e rarefação das
partículas componentes de um meio elástico como o ar (Figura 6). Partem de um
objeto vibrante (fonte sonora), propagam-se no meio, por ondas mecânicas
longitudinais, perdendo intensidade ao longo do percurso até chegar ao receptor
(LOPES, 2005; GARCIA, 2009).
25
Figura 6 – Representação gráfica de compressão e rarefação de uma onda sonora.
Fonte: Riscos físicos (2012)
Essa oscilação, então, advém da vibração gerada por um objeto e se propaga
através do meio por ondas longitudinais com velocidade (v) definida para cada meio.
Ao completar a repetição da oscilação um ciclo é concluído e o número dos ciclos
por segundo resulta na frequência (f) dessa oscilação. O inverso da frequência é o
período (T), que determina o tempo de duração do ciclo. E, considerando-se a
distância entre as ondas de um ciclo completo tem-se o comprimento de onda ( )
(POSSO, 1980, 1982; NEPOMUCENO,1994). Estas grandezas estão relacionadas
pelas expressões:
v=
[m/s] e T= 1/f
(1)
onde:
v = velocidade do som [m/s];
f = frequência [Hz];
= comprimento de onda [m];
T = tempo [s].
Na propagação do som, o movimento das partículas do ar produz variações
de pressão com amplitude e frequência de oscilação determinadas. Quanto maior a
amplitude da variação de pressão, maior será a energia da onda sonora
correspondente e, consequentemente, maior a intensidade do som (ICHISATO,
2004).
De acordo com Gerges (2002) e Garcia (2009), a velocidade de propagação
do som depende da natureza, da pressão e da temperatura de cada meio. Por ser
uma onda mecânica, o som não se propaga no vácuo. Dessa forma, quanto mais
denso for o meio de propagação, maior a velocidade da onda produzida.
26
Pode-se afirmar que todo som tem duas características básicas: a) a
frequência, que possibilita distinguir os sons agudos (alta frequência) dos graves
(baixa frequência); b) a intensidade (amplitude da onda sonora), que permite que um
som seja classificado de forte ou fraco (OLIVEIRA, 2006; GARCIA, 2009).
Para um som ser percebido, é necessário que esteja dentro da faixa de
frequência captável pelo ouvido humano. Essa faixa, para um ouvido normal, se
situa no intervalo de 20 Hz a 20.000 Hz; estes limites diminuem significativamente
com a idade e com a exposição constante a ruídos, especialmente às frequências
mais altas (NEPOMUCENO, 1994; OLIVEIRA, 2001; GUYTON; HALL, 2011). A zona
de maior sensibilidade auditiva situa-se entre 2000 Hz e 4000 Hz (BEAR et al., 2002;
GARCIA, 2009). Acima do limite superior da audição humana, ficam os ultrassons;
abaixo, os infrassons (GARCIA, 2009) (Figura 7).
Figura 7 – Faixa de frequência audível ao ser humano.
Fonte: Riscos físicos (2012)
Ao se mensurar a intensidade sonora, dois processos físicos estão presentes,
que se relacionam com a intensidade e a pressão (sonora ou efetiva). A intensidade
sonora é dada pela energia que atravessa uma área na unidade de tempo, sendo
expressa pela unidade W/m2 (Watt por centímetro quadrado), já a pressão sonora
reflete a força exercida pelas partículas materiais sobre uma superfície e sua
unidade é o Pa (Pascal), sendo que 1 Pa equivale a 1 N/m2 (Newton por metro
quadrado) (RUSSO, 1999).
Como a intensidade sonora captada pelo ouvido humano pode variar numa
faixa muito grande de valores (entre 10-12 W/m2 e 1 W/m2), frequentemente faz-se
uso de uma medida relativa, com uma unidade logarítmica denominada decibel (dB)
27
em homenagem a Alexander Graham Bell (LOPES, 2005; OLIVEIRA, 2006;
GARCIA, 2009). Pode-se então definir o nível de pressão sonora (NPS) como:
NPS= 20log P/P0
(2)
onde:
P0 = pressão sonora de referência (menor valor de pressão percebida pelo ouvido
humano, que equivale a 2x10-5 N/m², medida relativa);
P = pressão sonora efetivamente medida (medida absoluta).
Por não ser um processo linear ou absoluto de medida de intensidade sonora,
o cálculo do NPS exige o trabalho com logaritmos. Dobrar a pressão sonora significa
acrescentar 6 dB ao NPS (RUSSO, 1999).
3.3 Ruído
O ruído pode ser entendido como um sinal acústico aperiódico originado da
superposição de vários movimentos de vibração com diferentes frequências que não
apresentam relação entre si, cujas características podem afetar de forma negativa o
bem-estar físico e mental do indivíduo (RUSSO, 1999). O ruído também pode ser
definido como “toda vibração mecânica estatisticamente aleatória em meio elástico”
(TAUBE, 2009, p.36).
Sob o ponto de vista da psicoacústica, o ruído seria uma sensação auditiva
desagradável (DREOSSI; SANTOS, 2005), indesejável e potencialmente danosa à
saúde do individuo (DAWSON, 2005). A definição de ruído traz um aspecto
subjetivo, podendo ser influenciada por uma série de variáveis, incluindo fatores
culturais, sociais e a sensibilidade individual (CHRISTENSEN, 2005a).
O ruído é o agente físico nocivo mais comumente encontrado no ambiente de
trabalho (OLIVEIRA, 2001) e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS,
1999) constitui-se em um importante agravo à saúde dos trabalhadores em todo o
mundo. Segundo Posso (1982) e Oliveira e Arenas (2012), excesso de ruído de
forma contínua caracteriza a chamada poluição sonora e seus efeitos podem
provocar desordens físicas, fisiológicas e psicológicas ameaçando a saúde e o bem
estar da coletividade.
28
3.3.1 Intensidade e frequência do ruído
A International Organization for Standardization - ISO 2204/1973 determina
que os ruídos podem ser contínuos, intermitentes, e de impacto ou impulsivos,
classificando-os de acordo com sua variação de nível de intensidade e duração de
tempo. Assim, os ruídos podem ser:
• Contínuos: ruído com variações de níveis desprezíveis, até 3 dB(A) durante o
período de observação;
• Intermitentes: ruído que apresenta variações consideráveis de níveis
superiores a 3 dB(A) durante o período de observação;
• De impacto ou impulsivos: ruído que se apresenta em picos de energia
acústica de duração inferior a um segundo, mais que podem gerar danos
imediatos à audição devido a forte intensidade. É considerado um dos ruídos
mais nocivos à audição.
Considerando-se a classificação acima, o tipo de ruído predominante na UTIA
é do tipo contínuo e de acordo com a OMS (1999), os níveis de ruído permitidos
nessas unidades não devem ultrapassar 30 dB(A) a noite e 40 dB(A) de dia, porém,
a United States Environmental Protection Agency, já em 1974, recomendava que os
níveis de ruído em hospitais não deviam exceder 45 dB(A) no período diurno e 35
dB(A) no período noturno. A ABNT, por meio da NBR-10152/1987 – Níveis de Ruído
para Conforto Acústico, determina 35 dB(A) a 45 dB(A) como níveis aceitáveis para
diferentes setores hospitalares, sendo o primeiro o nível de conforto e o segundo o
limite aceitável.
Partindo da observação do nível máximo de ruído permitido nos hospitais,
percebe-se uma dificuldade na padronização desses valores pelos diferentes
autores, além da desatualização da norma que coloca em vigência os níveis de
ruído permitido nos diversos setores hospitalares, pois, com a utilização crescente
dos mais variados suportes tecnológicos, bem como a conversação da equipe
multiprofissional, eleva-se consideravelmente o nível de ruído em todo hospital
(SOUSA, 2012).
Como já foi citado anteriormente, de acordo com a área de audibilidade, o
ouvido humano é capaz de detectar sons que se encontram na faixa de frequência
de 20 Hz a 20.000 Hz. A partir das faixas de frequência, Russo (1999) classifica os
ruídos em:
29
• Ruído branco: a energia se concentra no espectro de 100 a 10.000 Hz;
• Ruído rosa: energia igualmente distribuída na faixa de frequência de 500 a
4.000 Hz;
• Ruído de fala: faixa de frequência entre 500 e 2.000 Hz;
• Ruído de banda estreita: filtragem seletiva do ruído branco, com a utilização
de filtros eletrônicos ativos.
O ruído pode ainda ser classificado em relação à frequência (alta, média ou
baixa).
3.3.2 Efeitos auditivos causados pelo ruído
Entre as principais consequências da exposição a ruídos estão os efeitos
provocados no sistema auditivo. A principal delas é a perda da audição, devido à
lesão nas células ciliadas do órgão de Corti, principal órgão sensorial da audição
(OLIVEIRA, 2001). De acordo com a OMS (1999), em todo o mundo, a deficiência
auditiva induzida por ruído é o mais prevalente risco ocupacional irreversível. Os
efeitos do ruído na audição sofrem influência de fatores como intensidade,
frequência, tempo e local de exposição, além da suscetibilidade individual (RUSSO,
1999).
Pode-se caracterizar a perda auditiva em três efeitos distintos: a) trauma
acústico, que é a perda auditiva imediata e permanente devido a exposição de forma
súbita a um ruído de curta duração e grande intensidade (acima de 120 dB), lesando
as estruturas do órgão relacionado à audição; b) perda auditiva temporária, ocorre
após a exposição a ruídos intensos e contínuos, em que ocorre uma diminuição da
acuidade auditiva que retorna ao normal após repouso acústico, as normas
internacionais recomendam esse repouso de 11 a 14 horas (SALIBA, 2011); e c)
perda auditiva permanente ou perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR), causada
pela exposição prolongada a níveis elevados de ruído, tem caráter definitivo e
permanente, sendo o mais comum entre os três tipos de deficiência (OLIVEIRA,
2001).
A PAIR é sabidamente causada por ruído ocupacional, alguns autores tem
então chamado de PAIRO – perda auditiva induzida por ruído ocupacional. O
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) usa a expressão "Perda Auditiva
Neurossensorial por Exposição Continuada a Níveis Elevados de Pressão Sonora de
30
Origem Ocupacional”, mas mantém o uso da sigla PAIR. Repetidas exposições a
ruídos que produzem perdas auditivas temporárias podem progressivamente originar
perdas auditivas permanentes (SALIBA, 2011).
Uma exposição constante a níveis de ruídos contínuos e intermitentes
superiores a 85 dB(A) pode causar perdas permanentes de audição e o Ministério do
Trabalho permite somente 8 horas de exposição a ruídos nesse nível (Quadro 2). A
cada incremento de 5 dB(A) corresponde uma redução do tempo de exposição ao
ruído pela metade (SALIBA, 2011).
Os ruídos contínuos são considerados menos traumatizantes do que os
intermitentes, o mecanismo protetor do ouvido é ativado assim que este recebe um
som intenso. Assim, somente o primeiro impacto sonoro é recebido sem proteção, o
restante é atenuado. No caso de ruído intermitente, todos os impactos sonoros são
recebidos sem atenuação porque entre um som e outro há tempo de desativar-se o
mecanismo de proteção (AURÉLIO, 2009).
Quadro 2 – Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente (NR -15, PORTARIA 3214/78MT).
NÍVEL DE RUÍDO dB (A)
MÁXIMA EXPOSIÇÃO DIÁRIA PERMISSÍVEL
85
8 horas
90
4 horas
95
2 horas
100
1 hora
105
30 minutos
110
15 minutos
115
7 minutos
Fonte: Saliba (2011).
Em relação ao ruído, observou-se que na fase da vigília, o NPS chega até 50
dB(A), sendo que esse tipo de ruído pode provocar alterações comportamentais,
resultando em estresse, que gradativamente progride em maiores alterações
orgânicas, tais como: desequilíbrio bioquímico, elevando o risco de infarto do
miocárdio, acidente vascular cerebral, infecções, osteoporose, dentre outros (65
dBA). Também entre 80 dB(A) e 100 dBA manifestam-se reações orgânicas ligadas
a diferentes sensações (do prazer ao incômodo, dependendo do estímulo) e muitas
vezes causadoras de dependência, além de interferir no padrão do sono,
consequentemente na atenção, tão importante no desempenho de atividades
cotidianas (PIMENTEL-SOUZA, 1992).
31
3.3.3 Efeito extra - auditivos causado pelo ruído
No organismo humano o ruído gera efeitos que não se limitam apenas ao
comprometimento auditivo, abrangem também diversas alterações significantes,
provocando distúrbios fisiológicos e psicológicos no indivíduo. Tais alterações
podem ser compreendidas como efeitos extra-auditivos e dependem diretamente do
tempo de exposição a que o indivíduo está exposto (POSSO, 1982; PEREIRA et al.,
2003; SALIBA, 2011).
Estudos realizados com profissionais de enfermagem constataram que apesar
do ruído ser uma constante nas UTI, esses profissionais pouco o percebem como
risco a sua saúde (FERREIRA, 2003; CHRISTENSEN, 2005b; MIRANDA;
STANCATO, 2008). Sampaio Neto (2010), em estudo realizado em uma UTI em
Recife, constatou que 97,3% dos funcionários dessa unidade consideravam o
ambiente ruidoso, porém somente 50,7% desses profissionais acreditavam que a
exposição ao ruído pudesse ser prejudicial à saúde.
A OMS aponta como principais consequências da exposição ao ruído,
distúrbios do sono, alterações cardiovasculares, desordens mentais como neuroses,
psicoses, mudanças de humor, irritação e histeria (OMS, 1999).
São vários os estudos que relatam os diversos sinais e sintomas
relacionados à exposição ao ruído, tais como: hipertensão arterial leve, alterações
digestivas e sanguíneas, alteração na frequência respiratória e cardíaca, dilatação
da pupila, estreitamento do campo visual, diminuição da percepção das cores e da
visão noturna, vertigem, cefaleia, ansiedade, irritabilidade, estresse e insônia.
Provoca também dificuldade de concentração, aumentando a probabilidade de
acidentes e erros no trabalho (POSSO, 1980, 1982; DIAS, 2006; OLIVEIRA;
ARENAS, 2012)
3.3.4 Ruído hospitalar
A poluição sonora encontra-se presente nos mais diversos ambientes, em
casa, na rua, nas áreas de lazer, essa poluição também atingiu os hospitais,
especialmente as UTI (POSSO, 1980, 1982; PEREIRA et al., 2003). A princípio, o
hospital deveria ser um ambiente silencioso, tranquilo, acolhedor e humanizado a fim
32
de proporcionar as condições necessárias para o pronto restabelecimento da saúde
dos seus usuários.
Os hospitais que antes se encontravam isolados, com a urbanização
crescente e acelerada das cidades passaram a ocupar, em sua grande maioria, o
centro das grandes metrópoles e ficaram sujeitos, portanto, às suas consequências,
como a exposição excessiva ao ruído (DE SOUZA, 2011).
Contudo, a elevação nos NPS nas UTI provém muito mais de dentro do
próprio ambiente, sendo em sua maioria resultante dos equipamentos com alarmes
sonoros usados para monitoramento de pacientes graves e a conversação entre os
profissionais (HOLSBACH; DE CONTO; GODOY, 2001; PEREIRA et al., 2003
CHRISTENSEN, 2007). Saladin, Arnold e Kornadt (2011) corroboram a afirmação
desses autores quando afirmam que o alto nível de ruído nas UTI resulta de três
fatores: elevado nível de ruído de fundo, atividade da equipe e alarmes acústicos de
equipamentos terapêuticos.
Um grande corpo de pesquisas tem avaliado o ruído nos mais diversos
ambientes hospitalares e constataram níveis de ruído acima do recomendado em
todos os setores. Encontram-se entre as principais causas da poluição sonora
hospitalar os equipamentos e conversação da equipe durante suas atividades
laborais (OTENIO; CREMER; CLARO, 2007; MUNIZ; STROPPA, 2009; OLIVEIRA et
al., 2011; DUARTE et al., 2012;).
Estudos demonstram que além de danos à audição, o ruído hospitalar causa
distúrbios psicológicos e fisiológicos, não só ao paciente como também aos
profissionais que exercem suas atividades nesse ambiente, expondo-se por tempo
prolongado a variados níveis de pressão sonora (GARRIDO; MORITZ, 1999;
CARVALHO; PEDREIRA; AGUIAR, 2005).
Os profissionais que trabalham nas UTI podem manifestar hipertensão
arterial, distúrbio do sono e do humor, perda auditiva, irritabilidade, estresse e fadiga
(KAKEHASHI, 2007), o que pode interferir na sua atuação profissional prejudicando
o seu desempenho (PEIXOTO, 2011; WEICH, 2011). O ruído diminui a capacidade
de trabalho, aumenta a probabilidade de erros e de acidentes, na medida em que,
dificulta a audição e a adequada compreensão por parte dos profissionais, se
sobrepõe ao som dos alarmes de alerta de equipamentos, afeta a capacidade de
concentração e torna o ambiente estressante (SALADIN; ARNOLD; KORNADT,
2011; OLIVEIRA; ARENAS, 2012).
33
Carvalho, Pedreira e Aguiar (2005) defendem que os profissionais da saúde
sejam protegidos do risco que o ruído ocupacional representa que compromete seu
desempenho, favorece a ocorrência eventos indesejáveis no cuidado dos pacientes,
diminui a satisfação com o trabalho e ocasiona altas taxas de síndrome de Burnout
entre os profissionais envolvidos. Assim, os níveis de ruído nas UTI tendem a
resultar em má qualidade do sono, piora da resposta imune, diminuição da função
cognitiva e retardo da cura (LAWSON, 2010), além de aumentar o estresse e
prolongar o tempo de internação e retardar o processo de recuperação (HEIDEMAN,
2011).
Outros autores, estudando o NPS em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal
(UTIN), afirmam que exposição diária a elevados NPS nessas unidades pode
desencadear nos recém-nascidos além da perda auditiva, alterações fisiológicas,
imunológicas e psicológicas, retardando o seu processo de recuperação
(CARVALHO, 2000; OLIVEIRA; FRANÇA; MOR, 2003; BREMER; BYERS; KIEHL,
2005; RODARTE et al., 2005).
As características físicas do ambiente têm grande influência na diminuição do
ruído, sendo necessário promover ajustes arquitetônicos e tratamentos acústicos
nas UTI para que haja uma adequação dos NPS, através da utilização de matérias e
estruturas que impeçam a transmissão e reduzam a intensidade do som (TAUBE,
2009). Além disso, é importante que os funcionários sejam orientados e se
conscientizem sobre os efeitos da exposição a níveis elevados de ruído. A ausência
de controle da poluição sonora nos hospitais, particularmente nos setores que
atendem pacientes em estados graves, pode ser, portanto, um fator negativo no
processo de recuperação dos mesmos (HOLSBACH; DE CONTO; GODOY, 2001).
3.3.5 Medição do ruído
Para mensuração do ruído são utilizados os equipamentos medidores de
NPS, conhecidos popularmente como dosímetro e decibelímetro. O decibelímetro é
um instrumento composto basicamente por microfone (receptor), amplificadores,
circuitos de compensação e mostrador de nível sonoro em dB (MAIA, 2002; SALIBA,
2011). De acordo com Maia (2002), esses equipamentos devem ajustar-se às
normas estabelecidas internacionalmente, como as da International Organization for
Standardization (ISO) e da International Electrotechnical Commission (IEC).
34
O objetivo desse equipamento é simular a resposta do ouvido humano
quando excitado pelas ondas sonoras. Como essa resposta é não linear em relação
à frequência, foram criados circuitos de compensação que alteram a resposta linear
do microfone, para que o instrumento reproduza o comportamento auditivo humano.
Esses circuitos são projetados de acordo com os dados de compensação
estabelecidos pela norma IEC 651-1979 (MAIA, 2002). Os mais comuns e
necessários em equipamentos de mensuração são os circuitos de compensação A e
C; adota-se curva A em avaliações que estejam presentes ruídos contínuos e
intermitentes e curva C para ruídos de impacto. O valor em dB deve vir seguido da
letra correspondente ao circuito de compensação utilizado - dB(A), dB(C) (ARAÚJO;
REGAZZI, 2002; MAIA, 2002).
Além dos circuitos de compensação, os decibelímetros devem dispor ainda de
circuitos de ponderação em relação ao tempo, chamados circuitos de respostas,
classificados em: rápido (fast), lento (slow) e impulsivo ou de impacto. O circuito de
resposta rápida é usado para medir ruídos contínuos e para determinar valores
extemos de ruídos intermitentes. O circuito de resposta lenta é empregado em
situações que o nível de ruído varia excessivamente, obtém-se um valor médio e o
circuito impulsivo é usado para medição de ruídos de impacto (ARAÚJO; REGAZZI,
2002; MAIA, 2002).
35
4 METODOLOGIA
4.1 Tipo de estudo
Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de campo, transversal com
abordagem quantitativa, por ser o que melhor se adapta para obtenção dos objetivos
propostos.
A pesquisa descritiva - exploratória observa, registra, analisa e
correlaciona fatos ou fenômenos, sem manipulá-los, tem por objetivo, familiarizar-se
com esse fenômeno ou obter nova percepção dele (CERVO, BERVIAN; DA SILVA,
2007).
4.2 Local da pesquisa
Após visitar hospitais públicos e privados de um município do estado do Piauí
visando conhecer a disposição física e a dinâmica de trabalho das UTIA, foi feito,
mediante ofício, solicitação à direção de três deles; dois hospitais, sendo um público
e um privado, prontamente autorizaram a execução da pesquisa e a coleta de dados
nos três turnos: manhã, tarde e noite (as autorizações encontram-se em poder do
pesquisador e não são reproduzidas aqui devido ao critério de confidencialidade).
Destes, o hospital público (H Pub) é de médio porte, especializado, desenvolve
atividades de ensino, pesquisa e extensão e está integrado ao Sistema Único de
Saúde (SUS). O hospital privado (H Priv) é classificado como geral, de médio porte e
também desenvolve atividades de ensino e pesquisa. Ambos estão localizados em
áreas urbanizadas de um município do estado do Piauí.
4.3 Ambiente de coleta
4.3.1 Hospital público
A UTIA está localizada no primeiro pavimento do prédio. A área total dos
leitos possui 119,31 m2 e compreende sete leitos, sendo seis em boxes abertos e
um em boxe fechado. A área de cada quarto é de 9 m2. A UTIA possui ainda um
posto de enfermagem e um balcão onde são armazenados prontuários e realizadas
as prescrições médicas (Apêndice A – Planta baixa) (Figuras 8 e 9).
36
O quadro de funcionários é composto por cerca de 10 profissionais e quatro
estudantes, porém existe circulação de mais pessoas no ambiente durante a
realização de exames, visita de médicos especialistas e horário de visita aos
pacientes. No turno da noite tem-se redução no número de pessoas devido à
ausência de estudantes e visitas.
Figura 8 – Vista dos leitos abertos UTIA do Hospital Público (H Pub).
Fonte: Acervo Pessoal. Piauí, 2013.
Figura 9 – Vista do balcão de prescrição médica e posto de enfermagem da UTIA
do Hospital Público (H Pub).
Fonte: Acervo Pessoal. Piauí, 2013.
O padrão físico de acabamento varia de uma Instituição de Saúde (IS) para
outra. Com relação ao acabamento utilizado na UTIA do H Pub, em estudo, destacase (Figura 8 e 9):
a) Piso de granilite com rejunte plástico tamanho 1,0m x 1,0m;
37
b) Teto de forro de gesso;
c) Parede de alvenaria pintada com tinta acrílica semi-brilho lavável e no posto
de enfermagem a parede é revestida com cerâmica;
d) Portas em madeira pintadas com esmalte sintético brilhante lavável;
e) Janelas com esquadria de alumínio com vidro jateado, hermeticamente
fechadas, e com persianas verticais em PVC;
f) Os leitos são separados por paredes de gesso acartonado e fechados com
cortinas de tecido;
g) Um aparelho de ar condicionado Split.
4.3.2 Hospital privado
Esta UTIA possui nove leitos, sendo seis quartos abertos e três quartos
fechados, a área de cada quarto é 12,95 m2 e a área total dos leitos é 195,82 m2
(Apêndice B – Planta baixa). A UTIA situa-se no primeiro pavimento do prédio
hospitalar (Figura 10).
A equipe é composta por cerca de 10 profissionais, devido às atividades de
ensino no período diurno observa-se a presença de estudantes, em torno de sete. O
número de pessoas no local ainda se eleva em alguns horários devido a visita aos
pacientes, visita de médicos assistentes, serviço de nutrição, entre outros. No
período da noite esse número diminui consideravelmente, devido à diminuição do
número de estudantes, ausência de horário de visita e diminuição do número de
procedimentos.
38
Figura 10 - Vista geral UTIA do Hospital Privado (H Priv).
Fonte: Acervo Pessoal. Piauí, 2013.
Com relação ao acabamento adotado nessa UTIA, destacam-se (Figura 10):
a) Piso de granilite tamanho 1,0m x 1,0m;
b) Teto de forro de gesso;
c) Parede de alvenaria pintada com tinta acrílica semi brilho lavável;
d) Portas com revestimento melamínico (fórmica ®);
e) Janelas com esquadria de alumínio com vidro jateado, hermeticamente
fechadas.
f) Os leitos são separados por paredes de alvenaria pintadas com tinta acrílica
semi-brilho e fechados com cortinas de tecido;
g) Ar condicionado central.
4.4 Instrumentação e pré-teste
Para a medição do nível de pressão sonora (NPS) utilizou-se o medidor de
pressão sonora digital (decibelímetro), modelo DL - 4100, fabricado pela ICEL
Manaus, cujo peso é de 350 g, medindo 27,8 cm x 7,6 cm x 5,0 cm, alimentado por
uma bateria de 9 V e os valores são apresentados em dB (Figura 11).
Ainda sobre o medidor, este foi fabricado seguindo o padrão de normas IEC
61672 tipo 2 e ANSI S1.4 tipo 2. Avalia em uma escala de 30 a 130 dB, dividida em
39
quatro faixas, com precisão de 1,4 dB, circuito de ponderação A e C, frequências
compreendidas entre 31,5 Hz e 8 KHz, obtendo-se tempo de resposta rápida e lenta.
. Figura 11 – Medidor de pressão sonora digital, Modelo DL - 4100 ICEL (dBA).
Fonte: Acervo Pessoal. Piauí, 2013
Efetuou-se um pré-teste em cada UTI, com o objetivo de definir os locais para
medição do NPS sem atrapalhar a rotina do ambiente e verificar a eficiência do
equipamento. Os valores de PS obtidos no pré-teste não foram considerados na
pesquisa.
Este pré-teste evidenciou os melhores e possíveis parâmetros em relação ao
local e posicionamento do medidor para avaliações definitivas, garantido a
permanência
da
rotina
do
ambiente,
fornecendo
segurança
para
melhor
operacionalização da coleta e a obtenção do real NPS que pode ser captado pelo
ouvido do paciente e da equipe.
4.5 Coleta de dados
Após ter sido previamente calibrado (ANEXO A – Certificado de Calibração), o
decibelímetro foi configurado para tempo de resposta lenta, escala de medição de 30
a 130 dB, ponderado em A (dBA). Em seguida, foi colocado horizontalmente sobre
uma mesa de Mayo, a 1 m do solo. Os locais definidos para coleta foram: local A –
leito mais próximo da porta de entrada da UTIA; local B – leito mais distante da porta
de entrada da UTIA, ambos em leitos abertos; e local C – ao lado do balcão de
prescrição médica, próximo ao centro da UTIA, conforme as Figuras 12 e 13.
40
Figura 12 – Esquema dos locais de medição dos níveis de pressão sonora na UTIA do Hospital
Público.
Fonte: Acervo Pessoal. Piauí, 2013.
41
Figura 13 – Esquema dos locais de medição dos níveis de pressão sonora na UTIA do Hospital
Privado.
Fonte: Acervo Pessoal. Piauí, 2013.
Nos leitos o decibelímetro foi posicionado a 1m da parede, próximo da cabeça
do paciente quando deitado e perpendicular à orelha (Figura 14).
As medições realizadas no local A e B tinham o objetivo de captar o ruído que
chegava ao paciente e no local C o ruído captado pela equipe multiprofissional.
42
.
Figura 14 – Posicionamento do decibelímetro nos locais leitos A = Hospital Privado (H Priv); B =
Hospital Público (H Pub).
A
B
Fonte: Acervo pessoal. Piauí, 2013.
A coleta dos dados sonoros foi realizada nos períodos da manhã, tarde e
noite, nos horários de 9h, 16h e 22h, respectivamente, durante uma semana em
cada UTIA, acompanhando três jornadas de trabalho consecutivas de uma mesma
equipe nesse período.
Vale ressaltar que a escolha dos horários deu-se pela variação de pessoas no
ambiente, pelo grande número de procedimentos executados pelos profissionais e
pelas visitas aos pacientes, refletindo dessa forma os picos de ruído. Diante da
possibilidade de existirem possíveis variações nos NPS, devido as diferentes
atividades executadas na UTIA, incluíram-se três períodos de coleta.
Os dados foram coletados por um período de 10 minutos em cada local,
começando sempre pelo local A, depois B e em seguida C, anotando-se o valor a
cada minuto. Esses valores foram devidamente registrados em impressos
especialmente elaborados para esse fim.
No momento da medição do ruído, o pesquisador permaneceu em silêncio no
ambiente, registrando todos os valores, assim como quaisquer eventos ou
acontecimentos que pudessem ser importantes (como, por exemplo, intercorrências
clínicas, alarmes, procedimentos no paciente). Para garantir a fidedignidade dos
dados, apenas a chefia médica e de enfermagem das UTIA tinham conhecimento do
43
procedimento de coleta, os demais profissionais apenas sabiam que se tratava de
uma obtenção de dados, de forma inespecífica.
Durante o período de coleta de dados a UTIA do hospital público estava com
uma média de ocupação de cinco leitos nos três turnos e a UTIA do hospital privado
apresentou uma média de oito leito nos 3 turnos.
4.6 Instrumento de coleta de dados
As anotações das medições sonoras foram documentadas em instrumento de
registro da pressão sonora produzido especificamente para esse fim (Apêndice C).
4.7 Tratamento estatístico
Após a tabulação dos dados, foi efetuado tratamento estatístico utilizando o
programa GraphPad InStat 3.0 e os gráficos resultantes foram construídos através
do programa MicroCal Origin 8.0. Para a comparação dos níveis gerais de ruídos e
os turnos de coleta entre as UTI dos hospitais público e privado foi utilizado o teste
“t” não pareado. Uma análise de variância (ANOVA) foi utilizada, com aplicação de
teste a posteriori Tukey, para comparar os níveis de ruídos entre os turnos de coleta
para cada um dos hospitais e para comparação entre os turnos de coleta no local A.
4.8 Aspectos éticos
A pesquisa foi iniciada após a autorização dos diretores responsáveis pelos
campos da pesquisa. Essa autorização se deu após análise do projeto de pesquisa
e foi encaminhada ao Comitê de Ética da Universidade do Vale do Paraíba –
UNIVAP para registro e arquivamento, pois se trata de uma pesquisa de campo cuja
coleta de dados não oferece nenhum tipo de risco aos pacientes e membros da
equipe de saúde e nem faz uso de dados de seus funcionários em consonância com
RESOLUÇÃO CONEP 196/96 (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) (BRASIL,
1996).
44
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A comparação dos dados de pressão sonora medidos nas UTI dos hospitais
evidenciou uma diferença significativa (p < 0,0001) entre o público e o privado,
quando consideradas conjuntamente as medidas efetuadas em todos os períodos e
locais de coleta para cada hospital, apontando que o hospital público apresenta
maiores níveis de ruídos (Figura 15). O hospital privado apresentou média de 58±4
dB(A), variando entre 47 e 70 dB(A) (amplitude de 23 dB(A)), quando comparados
com os valores apresentados na UTI do hospital público que apresentou média de
60±4 dB(A), variando entre 55 e 75 dB(A) (amplitude de 20 dB(A)). Esses valores
coincidem com os resultados registrados por Taube e Barja (2008) no estado de São
Paulo, onde os valores médios de NPS observados nas UTI dos hospitais públicos
foram maiores que os encontrados na UTI do hospital privado.
Figura 15 - Gráfico box-plot dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) medidos em dois hospitais (público
e prIvado) no estado do Piauí. HPriv = Hospital privado; HPub= Hospital público. Escala em decibéis
(dB).
Os níveis de ruído observados nas duas UTI estão acima dos valores
máximos recomendados pela ABNT (1987), que estipula o limite máximo de 45
dB(A), e pela OMS (1999) que preconiza o valor máximo de 40 dB(A) para o período
diurno e 30 dB(A) para o período noturno. Elevados níveis de pressão sonora em
ambientes de terapia intensiva, contudo, são frequentes também em outros países,
como os encontrados por Christensen (2007), em UTI do Reino Unido, onde foi
registrado um valor médio de 56 dB(A), e por Qutub e El-Said (2009) em UTI da
Arábia Saudita, onde o valor médio atingiu 60,4 dB(A). Valores semelhantes foram
45
encontrados por Diniz, Gomes Júnior e Araújo (2007) em Belo Horizonte e Macedo
(2009) na cidade de Jundiaí-SP, onde os valores médio foram de 60 db(A) e 64,1
dB(A), respectivamente.
Sabe-se que ruídos acima de 45 dB(A) dificultam a inteligibilidade da fala,
levando as pessoas a falarem em voz mais alta e a partir de 50 dB(A) provocam
perturbação do sono e irritabilidade. Exposições prolongadas a níveis de ruído de 65
a 70 dB(A) podem levar a doença isquêmica do coração e hipertensão e acima de
80 db(A) podem aumentar o comportamento agressivo (OMS, 1999). A partir de 100
dB(A) pode haver perda auditiva (PIMENTEL-SOUZA, 1992). Deste modo, os NPS
encontrados nas UTI estudadas, nesta pesquisa podem provocar diversos efeitos
adversos à saúde de profissionais e pacientes.
Vale destacar que nas UTI pesquisadas o sistema de refrigeração é diferente
de um hospital para o outro: sistema central para hospital privado e "split" para
hospital público. Este é um ponto importante porque a maior parte dos ruídos na UTI
é continua e o ar condicionado se configura uma importante fonte desse tipo de
ruído, afetando assim todas as medições e influenciando nos valores encontrados
na UTI pública.
Essa assertiva encontra ressonância nos estudos de Sousa (2012) quando
mensurou os NPS em UTI geral de hospital público no estado do Maranhão em
cinco locais distintos: entrada principal, centro da UTI, entre leitos (lado direito),
entre leitos (lado esquerdo) e próximo ao ar condicionado. O autor encontrou índices
de pressão sonora mais elevados em todos os turnos de coleta (manhã, tarde e
noite) no local próximo ao ar condicionado.
Em relação à comparação entre os turnos, ficaram evidentes também
diferenças significativas entre os dois hospitais, com níveis maiores no hospital
público (manhã: p = 0,0303; tarde: p = 0,0014; noite: p < 0,0001) (Figuras 16, 17 e
18).
46
Figura 16 - Gráfico box-plot dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) medidos no período da manhã em
Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais (público e privado) no estado do Piauí. HPrivM.
= Hospital privado manhã; HPubM = Hospital público manhã. Escala em decibéis (dB).
Figura 17 - Gráfico box-plot dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) medidos no período da tarde em
Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais (público e privado) no estado do Piauí. HPrivT =
Hospital privado tarde; HPubT= Hospital público tarde. Escala em decibéis (dB).
Figura 18 - Gráfico box-plot dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) medidos no período da noite em
Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais (público e privado) no estado do Piauí. HPrivN =
Hospital privado noite; HPubN = Hospital público noite. Escala em decibéis (dB).
47
Neste caso, a maior diferença entre os valores foi observada à noite quando a
influência de fontes externas de ruído e movimentação de pessoas diminui. Isso
mostra que sem a influência externa, os ruídos internos da UTI do hospital privado,
sejam ele de equipamentos ou de procedimentos, são menores. Pode-se atribuir
esse resultado ao comportamento mais silente da equipe profissional do hospital
privado, já que o hospital privado tem um número maior de leitos e um número
similar de funcionários. Esta assertiva corrobora a de Corrêa et al. (2004), a partir de
estudo efetuado em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). No trabalho, os
autores apontaram NPS de 59,9 dB(A) pela manhã, 62 dB(A) à tarde e 59,1 dB(A) à
noite, apontando que as conversações de visitantes (geralmente no período da
tarde) e da equipe de saúde somaram-se às demais fontes geradoras de ruídos. Já
em 1995, estudando conversas e risos em UTIN, Elander e Hellsttrom (1995) haviam
encontrado NPS em torno de 70 dB(A), qualificando-os como mais perturbadores do
que os NPS emitidos pelos equipamentos eletromédicos.
Durante a coleta em ambas UTI estudadas observou-se que na ausência de
funcionários no setor, o nível de ruído caia consideravelmente, isso permite se
concluir que a principal fonte geradora de ruídos são os profissionais. Porém mesmo
sem a presença da equipe de saúde na UTI, o setor não atingiu o nível de ruído
recomendado pelos órgãos normalizadores. Em estudo recente, ao analisar os NPS
em duas UTIN de um hospital universitário do município de São Paulo, Peixoto
(2011) verificou que em uma delas os NPS mostraram-se menores no período
noturno, atribuindo a diferença ao menor número de profissionais e a redução dos
procedimentos realizados nesse período. Taube (2009), após estudar duas UTI de
hospitais públicos e uma em hospital privado, encontrou NPS menores na UTI
privada tanto no turno da manhã como no turno da tarde, atribuindo os elevados
valores encontrados nas UTI públicas ao comportamento da equipe e de alunos
durante o manuseio de instrumentos. Na UTI privada, as maiores contribuições aos
índices de ruído foram o sistema de ar condicionado e o telefone.
Também foi efetuada a comparação entre os períodos de coleta de cada local
(A, B e C) em ambos os hospitais. Chama atenção o comportamento observado
para o local A (proximidades da porta de entrada). A Análise de Variância (ANOVA)
realizada com os NPS observados nos diferentes períodos do dia deste local foi
significante em ambos os hospitais. Neste caso, houve uma diminuição progressiva
48
dos NPS ao longo do dia (manhã, tarde e noite). Com isso, o nível de ruído durante
a manhã foi significativamente maior que a tarde e a noite, tanto para o hospital
público quanto para o privado, contudo, apesar de menor o nível de ruído nos
períodos da tarde e noite, esse valores foram bastante semelhantes em ambos os
hospitais, não havendo diferenças significativas. Os valores de p para as
comparações entre pares de períodos (teste de Tukey) aparecem nas figuras 19 e
20. Apesar de haver mudança nos níveis de ruídos nos locais B e C, estes não
foram significantes (p > 0,05).
Figura 19 - Gráfico box-plot comparativo entre os Níveis de Pressão Sonora (NPS) para o local A
nos três períodos (manhã, tarde e noite) em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospital privado
no estado do Piauí. HPrivM = Hospital privado manhã; HPrivT = Hospital privado tarde; HPrivN =
Hospital privado noite. Escala em decibéis (dB).
Figura 20 - Gráfico box-plot comparativo entre os níveis de pressão sonora (NPS) para o local A nos
três períodos (manhã, tarde e noite) em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospital público no
estado do Piauí. HPubM = Hospital público manhã; HPubT = Hospital público tarde; HPubN = Hospital
público noite. Escala em decibéis (dB).
49
Observa-se redução nos NPS no decorrer do dia em ambos os hospitais. A
redução entre o turno da tarde e noite não apresentou nível de significância nos dois
hospitais. Acredita-se que os níveis mais elevados no período da manhã sejam
reflexos da maior movimentação de pessoas no hospital, principalmente no corredor
próximo à UTI. É nesse período que se observa maior movimentação devido ao
fluxo intenso de funcionários, pacientes em cadeira de rodas e macas, pacientes
aguardando a realização de exames.
Esses achados são corroborados por Sousa (2012), pois também encontrou
NPS elevados próximo à entrada da UTI por ele estudada, porém, na sua pesquisa o
horário mais crítico foi no turno da tarde, esta constatação diverge deste estudo,
onde os NPS foram mais elevados no período da manhã.
Apesar da coleta desta pesquisa no turno da tarde ter sido feita no horário de
visita e nesse horário ter uma movimentação maior de entrada e saída de pessoas
nesse ambiente, constatou-se que os visitantes têm um comportamento silencioso,
pouco falam com os pacientes ou quando falam, falam com voz baixa e que é
também nesse horário que alguns funcionários se ausentam do ambiente e que se
evita realizar procedimentos. Com isso, apesar da movimentação de pessoas, os
NPS não se elevaram em relação ao período da manhã.
Além da diferença entre os hospitais, houve também diferença nos valores
quando comparados os turnos para cada hospital separadamente, como pode ser
observado na Tabela 1, contudo, apenas a comparação entre os períodos da tarde e
da noite no hospital público não foi significativa (p > 0,05).
Tabela 1. Comparação dos Níveis de Pressão Sonora (NPS) registrados em diferentes turnos de
cada Unidade de Terapia Intensiva em dois hospitais (público e privado) no estado do Piauí. Turnos
Manhã = M; Tarde = T; Noite = N.
Comparação/turnos
HPriv
HPub
MxTxN
< 0.0001
< 0.0001
MxT
< 0.001
< 0.001
MxN
< 0.001
< 0.01
TxN
< 0.01
ns*
* valor não significativo
50
Esses resultados corroboram aqueles encontrados por Christensen (2007) que
também não encontrou diferença ao comparar os níveis de ruído entre o turno da
tarde e noite. Nogueira, Ramos e Peixoto (2011) encontraram valores de NPS
significativamente maiores de manhã (66,7 dB(A)) do que à tarde (63,1 dB(A)) em
UTIN. Entretanto, nos estudos de Otenio, Cremer e Claro (2007) e Qutub e El-Said
(2009) não houve diferença significativa entre o nível de exposição ao ruído diurno e
noturno, apenas uma tendência a ser menor no período noturno. Essa tendência, no
presente estudo, se confirma apenas para a UTI privada.
Durante a execução deste estudo observou-se que o ruído presente nas UTI
pesquisadas tem origens variadas, proveniente de equipamentos, particularmente de
seus alarmes, de causas operacionais, como abertura e fechamento de lixeiras,
portas e cortinas, movimentação de mobília, toque de telefones, entres outros e
causas comunicativas, como conversas entre a equipe. Estes achados são
semelhantes aos encontrados por Holsbach, De Conto e Godoy (2001), em estudo
realizado em UTI de Porto Alegre.
Quando se analisa os picos de ruído e suas respectivas causas observadas
durante a coleta de dados, observa-se que grande parte dos ruídos verificados
poderia ser evitada. Estes ruídos referem-se a ocorrências como: barulho da lixeira
ao ser acionada por pedal, manipulação brusca de equipamentos e móveis, falta de
manutenção dos rodízios de equipamentos e móveis portáteis, conversas a distância
entre profissionais. Assim, os equipamentos eletromédicos não são as fontes de
ruído mais relevantes.
Os resultados obtidos encontram suporte em vários estudos. Muniz e Stroppa
(2009) e Duarte et al. (2012) em estudos realizados em um município do interior de
Minas Gerais e no municípios de Cascavel, respectivamente, afirmam que as fontes
de ruído mais relevantes nas UTI se originavam na própria equipe. Kakehashi (2007)
e Nogueira, Ramos e Peixoto (2011) afirmaram que a conversação é a fonte mais
significativa de ruído, seguida pelos alarmes dos aparelhos de suporte de vida e pelo
choro dos recém-nascidos dentro das UTIN, além de outros equipamentos como
alarmes dos ventiladores e oxímetros.
A conscientização, por parte de equipes de saúde, dos níveis de tolerância à
pressão sonora e dos cuidados necessários (não apenas quanto aos equipamentos
mas principalmente quanto aos procedimentos), certamente tornará o ambiente da
UTI mais tranquilo e seguro para todos.
51
6 CONCLUSÃO
Os resultados encontrados no presente estudo reforçam a importância da
realização contínua de trabalhos ligados à avaliação de ruído em ambientes
hospitalares, uma vez que a exposição ao ruído, principalmente dentro das UTI
continua a ser um problema. A redução dos níveis de ruído nessas unidades precisa
ser encarada como prioridade.
Os níveis de pressão sonora medidos nas UTI dos hospitais estudados
superam os recomendados pela NBR 10.152/1987 e OMS, em todos os
períodos/locais considerados no estudo. Na UTI do hospital privado, os níveis de
pressão sonora tendem a ser inferiores àqueles encontrados no hospital público.
Apesar dos ruídos provenientes dos alarmes sonoros de equipamentos
médicos configurarem uma fonte de ruído dentro das UTI, observou-se que a maior
causa de elevação nos níveis de pressão sonora foi a própria equipe
multiprofissional.
Esta constatação aponta para a necessidade de se tomar medidas educativas
para tornar o ambiente da terapia intensiva mais favorável à recuperação dos
pacientes, bem como ao próprio desempenho dos profissionais. Somente uma
equipe consciente dos efeitos da exposição ao ruído poderá atuar de modo efetivo
na sua redução.
Também não se pode excluir a importância da concepção arquitetônica do
local, com o planejamento acústico dos diversos setores hospitalares e a
manutenção preventiva de equipamentos. A realização e avaliação conjunta dessas
medidas são imprescindíveis para que os NPS sejam reduzidos nos ambientes das
unidades de terapia intensiva.
52
7 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS
Sugere-se a realização de estudos adicionais sobre as normas de tolerância a
os diferentes níveis de pressão sonora e possíveis formas de redução da poluição
sonora hospitalar nos programas de educação dos hospitais.
Parece evidente (e urgente) a necessidade de revisão e atualização da NBR10.152/1987 da ABNT para que as exigências quanto ao conforto acústico sejam
praticáveis e claramente expostas, a fim de que todos tenham conhecimento e
possam agir dentro das normas.
53
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60
APÊNDICE A – PLANTA BAIXA UTIA HOSPITAL PÚBLICO
61
APÊNDICE B – PLANTA BAIXA UTIA DO HOSPITAL PRIVADO
62
APÊNDICE C – INSTRUMENTO DE REGISTRO DE PRESSÃO SONORA
NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA (DBA) POR MINUTO, PARA CADA LOCAL DE
COLETA, NAS UTIA PRIVADA E PÚBLICA.
LOCAL A
TURNO
1min
2min
3min
4min
5min
6min
7min
8min
9min
10min
6min
7min
8min
9min
10min
6min
7min
8min
9min
10min
MANHÃ
TARDE
NOITE
LOCAL B
TURNO
1min
2min
3min
4min
5min
MANHÃ
TARDE
NOITE
LOCAL C
TURNO
MANHÃ
TARDE
NOITE
1min
2min
3min
4min
5min
63
ANEXO A – CERTIFIFICADO DE CALIBRAÇÃO DECIBELÍMETRO ICEL DL4100
64
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