DERECHO DEPORTIVO EN LÍNEA
ISSN: 1579-2668
Boletín nº 7
Abril – Agosto 2006
ÍNDICE
Luces y sombras del caso Giovanella Por Álvaro García-Alamán ..........2
Principiologia processual constitucional aplicada na justiça
desportiva Por Emerson Ademir Borges de Oliveira ...............................6
Mutações essenciais realizadas no Código Brasileiro de
Justiça Desportiva Por Álvaro Melo Filho ..................................... 26
La lucha contra el racismo en el fútbol: los casos español y holandés
Por Ronald Olsthoorn y Marcos Caballero ............................................. 31
El racismo y la justicia deportiva: un estudio comparado
(Brasil y España)
Por Emerson Ademir Borges de Oliveira (Brasil) y
Rafael Alonso Martínez (España)......................................................... 34
Direito Futebolístico Brasileiro: uma introdução Por Álvaro
Melo Filho ..................................................................................... 61
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Luces y sombras del caso Giovanella
Por Álvaro García-Alamán
4 SPORTS ABOGADOS
Breve resumen de los hechos
Ex ist e una ú ni ca p rue b a por la qu e se in ició el ex pedient e
s an c i on ad o r y p o r l a q u e s e h a a p a r t ad o d e s u t rab a j o a l S r .
Giov an ella: E l an álisis de orin a realiz ado sobre la mu est ra t omada al
fu tbolista en D iciembre de 2004.
L a a p ar i e n c i a d e bu en d e r ech o d e las cau t elares solicit adas y en
ú lt imo t érmin o la def en s a del ju gador se fun dament a precisament e e n
la A BSOL UTA INVA LID EZ D E E S E A N Á L I S I S. L a c i e n c i a h a
demostrado que es e análisis tenía errores, es decir, que daba como
p o s i t iv o s a l g u n os ca s o s qu e n o e r an t a l e s . E n e f e ct o, s e d e s cu b r ió a
p r i n c i p i o s d e 20 0 5 q u e h a bía c a s os e n q u e l a o r i n a del d e p o rt i s t a
present aba sín t omas de in est a bilidad, y en esos casos el resu lt ado
aparent e era posit iv o aunque no hu biera consumido n ingun a su st an cia
proh ibida.
E n f e c h a 1 3 d e M ay o d e 2 00 5 s e d i o a c on oc e r e s t a
circun st an cia por part e de la Agen cia Mundial Ant idopaje (AMA),
o b l i g a n d o a t o d o s los L ab o r at o r i o s h om o l o g a dos ( c omo el d e l C S D d e
M adrid) a realiz ar un test de esta bilidad, sin el cu al NO SE P ODRÍA
R E P OR TAR E L RE SU LT AD O C O M O P OS IT I V O, d ado qu e p o día d e b e rse a
esa circunst ancia de in estabilidad.
E st a y a es un a r azón s uf ic ient e qu e a c r ed it a la a p a r ienc ia d e
buen derecho de la solicitud de concesión de la cau t elarísima, pu es
pru eba qu e el análisis h ech o al Sr. Giovanella era empíricamente
in suf icient e para det ermin ar su culpabilidad. Hacía falt a más act iv idad
científica para si qu iera pensar qu e se h ab ía dop a do. A un qu e un o s e
p o d r í a p re g u n t a r: ¿ P or qué n o s e h iz o ent on c es el an álisis de
est abilidad?
E st a p a rte t u v o c on oc i m i e n t o d e la comun ic ac ión de 1 3 de ma yo
de la AMA el 6 de junio por motivos prof esionales. Desde lu ego n o l o
c on o c i m os p o r h a bér n os l o com u n i c ado el C SD , la R F EF o la C omis ión
N a c i on a l A n t i d op a je, com o h u b i e r a sid o d e seab l e e n e l c a so, c la r o ,
q u e es o s o r g an i smo s f u n ci o n a r an deb i d a m en t e , es d ec i r , c on u n a
aut oex igen cia profesion al qu e t r ascen d iera los parámet r os polít icos
q u e l e s son i mpu es t os. N i siq u i e r a e l L ab o r at or i o s e h iz o e c o d e e s a
c o mun i c ac i ó n . Y e st a p a rt e , e n c u ant o lo supo, solicit ó por medio de
e s c r it o d i r i g i d o a l C o m it é d e C o m p et ición de la RFEF ( órgan o ant e el
c u a l p o r e n t on c es s e su st anc i a b a e l expediente sancionador) qu e se
l l e v a r a a c a b o cua n t as p ru e b a s f u e ra n n e cesa r i a s p ara a c l a r a r l a
situación. El escrito se presentó en es a m i s m a f e c h a d e 6 d e j u n i o .
C on s t a c om o f o l i o 3 3 3 a 3 35 d e l e x ped i e n t e qu e s e en c u en t r a ant e e l
CEDD .
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Sin embargo no se quiso llevar a cabo ese análisis. Y esta parte reiteró mas
tarde la solicitud de que se llevara a cabo, entregando la cantidad que fuese
necesaria para sufragar los gastos del mencionado análisis, si ello era necesario,
pero fuimos desoídos de nuevo.
C omo consecu en c ia de las reit eradas solicit udes q u e est a p a rt e
h i z o a l os suc e s i v o s C o m it é s ( d e Compet ición y Apelación) de qu e
v alorase la credibilidad de un an álisis in complet o, se solicit ó un
informe al Laboratorio de Control del Dopaje. E st e emit ió un inf orme
d e f e ch a 20 de o ctub re d e 200 5, en el que se manifestaba que “l a
e m i si ón d e l os an ál is is r ea l iz ad os a l a m u es t ra d e ref e r en ci a s e
ef ectu ó con las g arant ías ex ig idas ”.
E sa pru eba es es enc ia l p orqu e en ella el la b or a t or io r ec on oc e
qu e en la f ech a de realización de los an álisis (diciem bre ’04 y
e ne ro ’0 5) e l l a b o r a t or i o s e a j u s t ó a l a n o r m at i v a. Y r e c on o c e
asimismo que en la fecha en que se le pregunta esos criterios han
cambiado, y n o serían v á lidos para emit ir un dict amen posit iv o en un
an álisis de dopaje. E s t an to como desvirtuar, literalmente dejar sin
con t en ido, la ún ica pru eba qu e apunt aba al Sr. Giov an ella como
cu lpable de dopaje.
E sa p ru eba es por tant o fun dament a l para la d efen sa d e nu est r o
r e p r es e n t a d o. Pues b ie n , ese in forme se no s escond ió de sde e l
20 de oc tu bre ha st a e l 13 d e d i ciemb re en q u e est a rep r es ent ac ión
estudia la docu ment ación obrant e en la sede del C EDD, cuando nos
e s t áb a mos pr e p ar an do pa r a h ac e r a le g a c ion es a nt e e l C E D D .
Al l í
comprueba la ex ist en c ia de u n inf or me d el q ue no n os d ier on
n un ca t ra slad o . Es muy sign if icat iv o qu e el mismo CEDD en lu gar de
a d v er t i r el e r r o r , res t ó i mp or t an c ia a l he c ho a le g an d o q ue na d a d e
importancia se decía en definitiva en e l i n f o r me , y q u e p o r t a n t o n o
t en í a t r asc e n d en c i a ju r í d i c a.
P e r o s í l a t en í a , y m u c h a . La r es o lu c ió n d e l C om i t é d e Ap e l a c i ón
d e l a R F E F s e l l e v ó a c a b o sin q u e est a p a rt e p u d i e r a con oc e r y p o r
t an t o v a l o r a r e l a l c a n c e d e t an imp o rt ant e i n f or me . E s o s e r í a
s uf ic ien t e en nu es tra op in ión p a r a anu la r t od o el ex p ed ient e.
S i g a m os c on e l Lab o r at o r i o: j us t o an t e s d e qu e e l C E D D f a l l a r a
def in it ivament e, se solicit ó del L a borat orio qu e respondiera a un
c u est i o n ar i o e n qu e s e sus c i t a b a el t e m a de l a i m por t anc i a d e l
mencionado an álisis de est abilidad. A est e cu est ion ario con t estó el 15
d e f eb r e ro . E n é l dic e ( SE G UND A) :
“E s evi d ent e qu e…a un a mues t ra simil a r a la de r ef er enc i a
se l e real iz arí a un test de estabili dad .”
E s el prop io laboratorio el que reconoce que no se puede dar
por v álido ese an álisis, y de ah í n o cabe sin o deducir que ese posit iv o
se pu do deber a in est ab ilidad de la orin a.
Ni que decir tiene que es ta p a rt e n o qu ed ó s a t isf ech a con
semejante respu est a (por v aga), y solicit ó del Laborat orio en f echa 20
d e f e b r ero d e 2 0 06 qu e c on t e st a r a a u n a s im p l e p r eg u n t a: ¿Ca b e l a
posibilidad de qu e el resu lt ado posit ivo se deba a in est abilidad de la
o rin a? . La r espu es t a f u e c as i i gua l d e va ga , p ero c on una
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t r as c en d en c i a en o rm e : E n s u r e s pu e sta dicen que en su día se llevó a
c a b o c on l a s n o rma s e x ig i d a s en aq u e l m om e n t o. Y q u e s i n o s e
solicit ó en su moment o análisis de est abilidad, qu e no cabe ah ora
“ cu est ionar la v a lidez de los result ados analít icos obt en idos en
aplicación de la norma ant erior”.
P e r o s e d a e l h ec h o
L a b or at o r io n o l o s ab e .
de
q ue
SI
SE
S O L IC IT O,
aun qu e
el
E s muy de d e s t a c ar l a p o s t u r a q ue a nt e t od o es t o mant ien e e l
CEDD , que m a n if ies t a en su r e s o lución que el Laboratorio consider a
q u e pa s ados s e i s mes e s d es de qu e s on d on ad a s, l a s mu est r as n o era n
v álidas, y por t ant o el an álisis de est abilidad n o aport ada n ada nu ev o.
E so es del todo in cierto. Lo que d i c e e l Lab o r at o r io ( r es pue s t a
Q U I NT A) e s qu e l a s m u est r as c on g e l ad a s d e b en d e ac t u a l i z a r s e ca d a
6 meses como máximo, y en es as circunstan cias se puede llevar a
c a b o. P o r t an t o e l L a bora t o r i o, pa r a e mp ez a r, d e b ió c on se r v a r l a s
mu es tr as ( actu aliz ar las ) en p len as fac u lt a d es p a r a ser ev a lua d as en
cualquier momento.
P e r o ad emá s, a unq u e n o o h ub ie s e h e ch o, e st a p a rt e s o lic it ó
a nt e s d e l t r an scu rs o d e es os 6 m es es que se realizara el test ( en e l
docu mento de 6 de junio). Y como vimos la RFEF no quiso.
E s indignante que el CEDD en su resolución (Fundamento de
D e r ech o N O VEN O) d i g a qu e n o s e l l e v ó a c ab o p o r qu e el l a b o r a t or i o
fue requer ido el 11 de julio de 2005 p a r a l l e v ar a c a b o e s e t e st d e
est abilidad, sien do lo ciert o qu e el requ erimient o se h iz o a la RFE F
p o r p r i m er a v ez e l 6 d e jun i o.
H e m o s d e m o s t r a r o t r o p u n t o e s en c i a l: C u an d o e s t a p ar t e s e h a
empeñado en reclamar el análisis, e l L a b or at or io n o h a t en id o m á s
r e m e d i o q u e a c ept ar q u e d estruyó la muestra ! N o d i c e n i c u an d o, n i
p o r qu é, n i qu ién lo h iz o. Per o e l h ec ho e s que lo h iz o, a d e m ás , s i n
c o mun i c a rlo a l C SD .
E s muy llamat iv o nu ev amente qu e en la resolución del CEDD de
1 0 d e ma r z o d e 2 0 06 ( F u n da m en t o d e D e r ec h o SE XTO ) s e que n o
t ien e la cert ez a de qu e se h a ya dest ru ido la mu est ra, qu e son
presunciones de esta parte. O el ponente no se leyó el escrit o qu e
esta parte presentó y no se leyó el informe que es ta parte presentó
c o m o D OC UMEN TO 2 , ( qu e e n su r e sp u est a CU A RT A d ic e “L a mu e st ra
d e r ef er en c ia s e des ech ó en los p la z os... ”, o el p on ent e n o t ien e
capacidad o voluntad de ejercer su cargo con rectitud.
M ás a l l á d e l a at en c i ón, cap a c i dad o b u e n a f e d e l p on en t e d e l
CEDD , la AM A obliga a cu st odiar en con d icion es ópt imas t odas la s
mues tras que estén sujetas a disputa durante el tiempo que ésta
d ur e . E n e s t a n ot a ( d e ob lig a d o cumplimien t o para los laborat orios
a c r ed it ados p or la A MA ) s e ex p r es a a l p unt o 5. 2. 2. 7:
S i el l ab or a t or i o h a s i d o i n f or m a d o p or l a aut o rid a d qu e l a
mues tra objeto de análisis está sien do desafiad a o
d i s pu t a da, l a m u est r a d eb e ser c on s e rv ad a c on g e l a da baj o
c on di ci on e s
a p rop i a d as
y
todos
l os
i n f o rm es
p e r t en eci e n t e s al an ál i s i s d e e s a m u est r a g u a r d a d o s h as t a
l a fin al iz ac i ón d e cua l qui e r dis put a .
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Y la legislación españ ola h ace lo prop io en la Orden de 11 de
e n e r o d e 1 9 96 . E s a O r d en n o p e rmi t e l a d es t r u c c i ón d e mu e st ra s qu e
es t án in cu rs a s en un p r oc edimien t o. M u y a l c on t r a r i o, ex i g e ( a r t íc u l o
50.1) qu e toda la docu mentación quede a disposición de la C omisión
N ac ion a l A nt id op a je. Y ex pres a ment e s ó l o a p ru e ba l a des t ruc c i ón d e
las mu estras que hayan dado n egat ivo, o cuy o cont ra- an á lisis n o se
h ay a solicit ado.
P o r l o t an t o son m u c h a s las c i rcu n s t anc i a s q u e su st ent an l a
postu r a del Sr. Giov an ella:
• L a ún ica pru eba (el an álisis) se h a demost rado qu e es
in út il si no se h a ce el t est de estabilidad. N o es qu e se
in v a lide su resu ltado, es qu e nun ca tuvo cert eza
científica.
• E st a parte se ent eró por su diligencia de la ex istencia y
n e c es i d ad d e es e t es t .
• S in e l t est n o e x ist e p o s iti v o , pu e s ca b e qu e s e d e b a a
in est a bilidad.
• E st a parte solicit ó su realiz ación ant es del t ranscurso de 6
m e s e s d es d e l a t om a d e mue s t ra s.
• E l la b o rat o r io n o c on s e rvó la muest ra en con d icion es
ópt imas para realiz ar el test de est abilidad, lo que
hu biera permit ido h acerla hoy día.
• E l l ab o r at o r i o d est ruy ó in debid a m e n t e l a mu e st ra .
• N o s e d i o t r a s lad o a e s t a part e d e docu m en t os
fu ndament ales.
Situación Actual:
Se ha denegado la adopción de medida s cautelar ísimas.
Se ha abierto pieza separada de cautelares.
Se ha abierto plazo de alegaciones para cuestión de competencia, pues dice el
Magistrado que la RFEF que dictó la resolución (que ha confirmado el CEDD) es
entidad privada, y por ello no encuadrable en el art. 9 de la Ley 29/1998 de la
Jurisdicción Cot.-administrativa. ¿No es increíble a estas alturas?
Se h a pr es en t ad o DE N UNC IA p o r l a posib l e c o m i sió n d e un D ELI T O de
los t ipif icados en el C a pitu lo IV ( d e la Inf idelidad en la Cu st odia de
D oc u m en t o s y V i o la c i ó n d e S e c r et os ) a r t í c u l o s 4 1 3 y s ig u i en t e s d e l
c ó d i g o p en a l , c on t ra e l D i r ect o r d el L ab o r at o r i o d e C on t r ol d e l D op aj e .
A lvaro Gar c ía -Alamán De la Ca l le es abogado, socio de la Firma
4 Sports Abogados que tiene encomendada la defensa de Everton
Giovanella
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Í N D IC E
1 . Int r o du ç ã o
2 . U ma qu e st ão d e p r in c íp i o s
3. C on st itu ição: a lei maior – En s a i os de u m a n ov a s i mb o l o g i a
4. Princípios proc essuais
5 . P r i n c í p io s p r oc e ss u a i s c on s t itucionais ex plícitos n o C BJD
a ) a mp l a d e f es a e c o n t r ad i t ó rio
b ) pub l i c i d a d e d o s a t os p r oce s su a i s
c ) m ot i v aç ã o d as dec i s õ e s
d) celerida de
e) raz oabilidade
f) prop orcionalidade
6 . P r in c í p io s p ro c ess u a i s c on s t i t ucionais n ã o explícit os no C BJD,
mas in erent es ao pro c e ss o d es p o rt i v o
a) ison omia
b) ju iz n atu ral
c) inafastabilidade da jurisdiç ão
d ) dup l o g r au d e ju r i sd i ç ã o
e) proibição da prov a ilícit a
f) presunção da inoc ência
7 . C on c lus ã o
1. IN TROD UÇÃO
C omo é de juízo comum, as normas constitucionais abra ngem
s u a s r a i as s ob r e t o d o s o s r a m o s d o o r d en amen t o ju r íd i c o c a s ei r o ,
o b v iamen t e p or s er o t op o d e no s sa legislação pátria. Toda ma téria
in f raconstit ucional qu e lhe f or cont rária n ascerá prat icament e
con d en ada à d ec l a ra ç ã o d e in c o ns t i t uc i o na l i d a d e d o S T F .
A par de tudo isso, o legislador ao elaborar o Código Brasileiro
de Justiç a Despor tiva tomou os minuciosos cuidados de já deixar be m
claro q u e o p r oc es s o d ev erá o b e d ecer aos princípios constitucionais
c on s ag r ados .
H á q u em d i g a qu e n ã o s e f az n ec e ss ár i o c o n s i gn a r n o C ó d i g o,
n u m a rt i g o ap a rt a d o, t a i s g a ran t i as, pois elas são implícit as ao
o r d en a m en t o ju r í d ic o c o m o u m t od o, d e sd e que e st e j a m p r ev i st a s n a
C onst itu ição F ederal.
fo ra
C l a r o qu e a s s i st e ra z ã o aos q u e as s im p e n s am, p o is , c o m o j á
co l oc a d o, t od a m at ér ia l e g i s l a t i va c ont rá ri a a o o rd ena m ent o
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maior será con s iderada inconst itucion al e
d e i x a rá d e t e r a p l i c a ç ã o n o âmb i t o n ac i o n a l .
tão
logo
queira
o
STF
N ã o ob s t a n t e, d ev e m os d e s t ac a r o q u e já n om e amo s d e
“min u ci osos cu i d a dos” d o l egis l a d o r e m d a r ê nf a s e a o s pr i nc í p i os l o g o
n o a rt ig o 2 º d o CBJD . As s im, nem mesmo sobre o mais desavisado
poderia pa irar qu alquer dú vida sobre o funcionamento da Justiça
D e sp o rt iva . E h á de s e r es sa lt a r qu e devem recair obrigatoriament e
s o b r e o m o d o c om o a J D a t u a, o u , c o m o q u e r - s e r eg i s t rar, s o br e o
proces so.
O a rt i g o 2 º d o C BJ D t r az e m s eu b o j o qu ato r z e p r inc í p i o s,
d en tre os q u a i s a p en a s um a p a rt e é c o ns id e ra d a d a g a m a d o s
p r i n c í p i o s c on st i t u cio n a i s p r oc e ss u a is. Outros também se apresentam
como pr incípios constitucion ais, to d a v i a d e n a t u r ez a m a t e r i a l. E h á
a i n d a aqu e l e s pr i n c í p i os qu e n ã o s ã o c on s i d e r a do s d e n at u rez a
c on st i t u c io n a l.
Ademais, nota-se a au sência de ou tros princípios processu ais
ex plícit os em n ossa Const itu ição, m as qu e, c om o j á c o l o c a m os, n ã o
d e i x a m de p r e st a r a d e v i da a s s is t ên c i a a o p r o c es s o d e s p or t iv o,
mesmo que não estejam arrolados.
N o g ru p o d o s p r in c íp i o s pr o ce s su a is const itucion ais, implícit os e
e x p l í c i t os, q u e g an h a m ê n f ase n o C BJD, c on f e r in do o d ev i d o p r oc es s o
l e g a l , r e la t a mos : a ) a a mp l a d ef e sa; b ) o c on t r a d it ó r i o ; c) a
p u b l i c i d a de d o s a t os p r o c es su a i s; d) a m o t i v açã o d a s d ec i s õ e s; e ) a
celeridade, também relacionada com a econ omia processual; f) a
raz oabilidade; e g) a proporcion alidade.
Nu m s eg u n d o p on t o l e vamos e m c o ns i d e raçã o o s p ri nc í p i o s
p r o c es suais c on st i t u c i on a i s q u e n ão são elen cados claramente no
art igo 2º do C BJD : a) isonomia; b) ju iz n atu ral; c) in af astabilidade da
ju risdição; d) duplo grau de ju risdiç ão; e) proibição da prov a ilícit a; e
f) presunção da inoc ência.
São esses os dois grupos que intere s s am a o t e ma a s er t ra t ad o,
p o i s qu e o o b j et i v o é o e st u d o d o s p ri n c í p i o s p r o c es suais
c on st i t u c io n a i s, o bv i a m en t e s e m d e i xar d e f oc a r a Jus t iç a D es p or t iv a,
p o i s é n est a, em esp e c i a l , que r es i d e n o s s a d i s cu ss ã o.
N ã o h á com o s e f a l a r d e t a i s p r in c íp i o s s em s e d es ga r r a r d o
dev ido processo legal, na opin ião d e m u i t os a u t o r e s a c h a v e m es t ra
q u e a br e a s por t a s d e t o d os o s out r os p r in c í p io s c it a dos . T a l porq u e
u m p ro c es s o qu e se j a l e g a l e p e r t in ent e e m t od a s as g ar a n t i a s t ra r á
e m s eu b o j o, n e ces s ar i a m ent e , u ma g a m a de p r i n c í p io s , c o mo a
ap resen t ad a , p a r a q u e s u a e f et i vaçã o n ã o f i r a a s g a r an t i a s d aq u e l e
que deve enfren tar a ba talha judiciária.
2 . UM A QU ES TÃ O DE P R INC ÍPI OS
P ara o f ilósof o grego Aristót eles, “aquele que v ê as c ois as
c r e sc e r e m d e s d e o i n í c i o t er á a melh or v isão delas” . C ert ament e
p o rqu e aq u el e q u e a s s i m ag e p od e rá vi su a l i z a r t od a a d i m e ns ão e
d e sd o b ram e n t o d as “ c o i s as ” .
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P r in c í p i o, d o l a t i m pr i n c i p iu m ( início) , não sign ific a o começo da
c o i s a, m as s i m a s u a r az ã o d e s e r1. S ã o o s a l i c e r c e s, as b as e s e
fu nd ament os q ue su st ent am d et ermin ad o ramo do conh ec iment o.
Mais
es p ec i f i c am e n t e
d e v em o s
falar
dos
princípios
c on st i t u c io n a i s. Seg u em, o b v i a mente, a definiçã o dado pa ra a
universalidade dos mesmos, com a diferenciação de ap resentarem
f o rç a j u r í d i c a. T a l d i s t in ç ão é m uit o c ab í v el , p o i s pod e m os t e r
divers os princípios morais numa d e t e rmi n ad a c om u n i d ad e , s e m ,
contudo, uma força, ou poder, de coer ção que torn e ob rigatório seu
s e gu i m ent o. As s i m, n a m o ral a qu e l e qu e n ão s eg u e dev e r á s of r e r
d e t e rmi n ad a r ep r e ss ã o d a s pes s o as ao r e d o r, ma s j a ma i s a p on t o d e
obrigá-lo a mudar de at itude.
O s pr i n c í p i o s c on st i t u c i on a is são parte ineren te ao Direito e ao
o r d en a m en t o j u r í d ic o . F az em p a r t e d a s e a ra l e g i s l a t i v a e e s t e n de m
s e u c a mpo d e atu aç ã o pa r a t o do o s is t e ma n or m a t iv o, d e v en d o s e r
respeitados desde a legislação comp lementar até a resolução. Se não
o forem poderão – e deverão – atuar sobre a norma incondizen te com
os mesmos t orn ando- a nu la.
P ara José Afon so da Silva, con st ituem- s e “normas básicas de
o r d en aç ã o c on s t it u cio n a l ” 2.
Atu a lmente, t odav ia, tem-se t rab a l ha d o c om d o i s p rin c í p i o s
esp eciai s , n ã o n orma t i v a d os d i re t am en t e n o t ex t o c on s t it u c i on a l , m a s
de conh eciment o gen eralizado. D ef en d e-se qu e a razoabilidade e a
proporcion alidad e estão in trínsecos ao longo do texto constitucional e
u sam
c om o
o
p a r âmet ro
de
s ua
ação
o
c ont ro l e
de
c on st itu c io n a lid ad e. D on d e n ã o s e p od e n e g ar s ua ex is tên c ia, p o is é
p oss ív el sent ir s eus ef ei t os p rá t i c os. É c o m o o ve nt o , q ue não s e vê ,
mas se pode visualizar sua ação sobre a natureza no momento em que
b a la nç a as f olh as da árv or e.
E tal ef eito t em sido t ã o devastador qu e já é possível v isualiz ar
s e u âmb ito d e a tu aç ã o n a leg is la ç ã o inf r ac on st itu c ion a l. V e r -s e que
há no pr oc esso civil, como ap on ta Lu iz Gu ilherme Marinoni, em seu
M anu al do p r oc ess o d e con h ec iment o. D ifun d id os est ã o, pois , a p art ir
da brev e an álise, mu ito embora – e in sist o n isso – n ã o são palav r as
m a t e r ia lment e in teg r ant e s d o t ext o c ons t itu c ion a l, o q u e n o s
d e m on st ra q u e os p r i n c í p io s d o qu a l f a l a mos e st ã o m u i t o m a i s
expressos na hermenêutica ju rídica d o q u e n u m d i s c o r r er l e g i s l a t i v o ,
p o r m a i s imp o rt ant e qu e se j a .
3 . C O N S T I T U IÇÃ O: A L E I M A IOR – E N SA I OS D E UMA N O V A
SIMBOLOGIA
A r epr esen t a t iv i d ad e da C o ns t i t ui ção F ed e ra l c o m o t o p o d o
o r d en a m en t o j u r í dic o c o mum e n t e v e m e x pre s s a n os c u rs os e
d ou t r in as c on st i t u c i o n a is . Q u as e s empre a simbologia usada traz o
f a m i g er a do “ e squ em a d a p i râm i d e ” , n o m e lh o r e s t i l o Q u eóp s:
1
2
Ver CRETELLA JÚNIOR, José. Comentários à Constituição de 1988, v.1; p.129.
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. P.82.
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O
s en t id o
de
t al
dispos ição é que existe uma
escala hierárquica entre a
Constituição e os produtos
l e g i s l a t i v os , c om o s e p o de
averiguar da figura .
Há, ainda, aqueles que
crêem numa ilustração um
pouco diferente, na qu al a
C onst itu ição
mostra-se
no
topo e abaixo dela todos os
o ut r os ato s , c on junt a m ent e , e e m m es m o n ív e l, f az en d o a d if e r en ça
r e i n a r n o c a m po d e a t u aç ã o d a s n or mas. De tal forma, a diferenciação
n o e sc a l on a m en t o p o d e r i a ser n ot a da p e l a col o r a ç ã o d a p i r â m i d e.
Não sobreleva, entret anto, a rasteirice de tal ensinamento
extremamente desajustado e limitado, c on st an t e d a s p r ime i r a s l i n h as
d o D ir eito n a s f ac u ld a d es p elo Br as il af or a.
A visã o papelória e de dimensão única mostra ex atamente
aquilo que não se vê. A geometria plan a não é au torizada para
projet ar a imagem do Direito, es paço tão amplo e próspero em
t r an sf or maç ões e atu aç ões.
A s s i m o a f i r m o, con v i ct o de não s er t a l s i m bo l o g i a suf i c i e nt e
p ara exp res s ar os d es í gn i os e e xp an s õ e s d o t o p o c on st i t u c i o n a l . A
v isão ma is a b er t a , a ér ea, e em vári o s â ng ul os , é a únic a q ue p e rmi t e ,
aí sim, enxergar com clareza a abrangência da Constituição Federal e
o s m ot i v os d e s e l h e i n d i c a r c o m o t opo do ord en a ment o ju ríd ic o.
P o i s b e m, a s s i m c ol o c o p o rqu e, c om o p o d e s e d i z e r d a p r ó pr i a
i n t ro du ção, a s g a r ra s d o d i r ei t o c on st i t u c i on a l e sp a l h am- se s o b r e t od a
a legislação infra, numa luta inces s ant e n a t en t a t iv a d e n ã o d ar a
e s t a es pa ç o qu e o c o n t ra rie . D a í on d e s e res u lt a o c o n t r o l e d e
c on st itu c ion alid ad e. Bem r esu me A lexa nd r e d e M ora es:
“ A i d é i a d e c on t r o l e d e c on s t i t u c i o n a l i d ade e st á lig a d a à
Supremacia da Constituição sobre todo o ordenamento jurídico e,
tamb ém, à de rigidez constitucion al e proteç ão dos direitos
fu ndament ais.”1
C o mo f azer ent ã o?
O r a , já n ã o lh e s d i s s e
que
as
g a r r as
do
direito
c on s t i t u c io n a l a d ent r a m a t od o
o direito pátrio? Pois bem, isso
n os j og a a v is u a l i z a r q u e t od a
a
legislação
está
obrigatoriamente
cercada
e
i n f i l t ra d a d en t r o d o es paç o
c on st i t u c io n a l,
qu e
é
um
e s p aç o amp l o e dom i n an t e d e
1
MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. p.486.
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t o do o n os s o s i s t ema j u r íd i c o . Qua l qu e r c o i s a q u e est ej a f o ra des s e
esp aço
ou t r a
coi s a
n ão
p o d erá
ser
além
de
f la g rant e
in const itucion alidade.
Os prof essores Nels on Nery C osta e Geraldo Magela Alves, em
s e u s c o men t á r i o s, i l u s t ra m e s s a “ extrat errit oria lidad e” d a n orma nã o
c on d i z ent e c om a C o n s t i t u i ção1.
Essa
s ea r a
é
o
que
p o d e r í amo s
c h a ma r
de
“ e s p aç o
c on st i t u c io n a l” , eng l o b an do t od o o ordenamento jurídico válido.
D en t r o d es s e es p aço o s p ro du t o s l e g i sla t i v o s r es p e i t a m o c e r c ament o
c on st itu c io n a l qu e lh e c ont ém. É a z on a d e inf lu ên c ia da C on st itu iç ã o
sobre todos eles. Assim, deix a es ta de ser simp lesmen te o “top o” do
o rd en amen t o e p a ss a a s er a d i ret ri z do e sp aç o l e g i s l a t i vo g l ob a l .
N ot e-s e imp ort ante obs er vaç ã o: qu an do d igo “ cont er” n ã o me
refiro simp lesmen te a “guardar dentro d e s i” , o q u e t r a du z i r i a a id éi a
a b st r at a d e h i e r a rq u i a. P r et en d o i r a l é m d i s so , d e m on s t ra n d o qu e
esse “ c ont er” t raduz o sent ido de ev it ar qu e aqu ilo qu e é “ c ont ido”
lhe fuja às raias, lh e sa i a do c a mp o d e at u a ç ão , da s ear a , lh e n eg u e
o u s o l a p e. N o s d iz e r e s d e Au r é l i o Bua r qu e d e H o l a n da , t a l ex p r ess ã o
s e r i a m e l h o r ex p l an ad a p o r “ m od e r a r o í m p et o d e ” .
A C on s t i t u i ç ã o, n u m a m e t áf o r a a na t ômi c a , p od e r i a s e r d i t a o
cérebr o do ordenamento jurídico. Nã o só porque fica mais acima qu e
o s o u t r os ó r g ã os, m a s t a mb ém p o r q u e a eles está ligado diretamente,
c omand and o as aç ões d e t odo o cor p o.
P os t o i ss o:
C F ⊂ {LC , L O, LD, D ec}.
Os ex emplos lei complement ar, lei ordinária, lei delegada e
d ec r et o
es t ão
c ont idos
p ela
C on st itu ição
Federal
(espaço
c on st i t u c io n a l)
C F ⊂ LC <-> (∀ x) (x ∈ C F -> x ∈ LC)
A C on st itu ição F ederal cont ém a Lei C omplement ar.
s e n d o, qua l q u e r at o d es t a d ev e r á r es pe i t a r a qu el a .
Assim
E se uma contém a ou tra, então é ób vio que todos atos devem
res p eit o ao princ íp io primordial: a C ons t itu ição.
L o g o:
1
“A Constituição é a lei maior de um País, sendo, como o próprio nome indica, o que lhe
constitui em termos políticos, social, econômico e cultural. Em geral, quando feito de forma
democrática, por uma Constituinte livremente eleita, aparece como o retrato de uma sociedade
e o compromisso desta com um determinado Estado Democrático de Direito. A Constituição
nasce das decisões dos representantes ou, ainda, de um plebiscito para dar a legitimidade
devida à Carta Magna. A legislação complementar e ordinária que for compatível com o
texto constitucional fica recepcionada, ou seja, convalidada para continuar a ter eficácia.
As normas que forem incompatíveis não são recepcionadas, e, assim, ficam fora do
mundo jurídico, apenas um registro histórico” (Grifei). Nelson Nery Costa e Geraldo Magela
Alves. Constituição Federal Anotada e Explicada. p.268.
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C F ⊂ L O < -> (∀ y) (y ∈ C F -> y ∈ L O)
A C on st itu ição F ederal contém a L ei Ordin á ria. Assim sen d o,
q u a l qu e r a t o d est a d e v er á r es p e i t a r a qu e l a .
E se uma contém a ou tra, então é ób vio que todos atos devem
respeito ao princípio primordial: a C on s t i t u i ç ã o. ( A s s i m c om o o o u t ro
acima)
C F ⊂ LD <-> (∀ z) (z ∈ CF -> z ∈ LD)
C F ⊂ Dec <-> ( ∀w) (w ∈ C F -> w ∈ D ec )
Funciona da mesma forma como os primeiros exemplos.
L D = Lei D elegada
D e c = D ec r e to .
Enf im:
CF = {x, y, z, w, h)
S en d o h = p ar t i c u la r i d a d es c o ns t i t uc i on a i s
A C onstituição circula elementos d e t o d o s e a i n da p o ssu i s u a s
próprias particularid ades, ine r e n t e a o c a m p o c on st ituc io na l su per ior .
E ss e é o s e n t i d o da s n o r m as i n f racon st itucional, recepcion a da
e m s eu s p a r â m et ro s p e l a C on s t i t uição Federal, e trazendo em seu
b o j o, e m a l g u n s cas o s, a e x emp l o d e várias leis e códigos, a repet ição
de vários princípios prev istos n a lei maior. É, n esses t ermos, o
s e n t i d o da pr e v is ão d e p r i n cíp i o s f e i t a l o g o n o ar t i g o 2º do C BJ D .
4 . P R INC ÍP I OS PR OCE SS U AI S
P o i s b e m. J á d i sc o rr e m o s s ob r e os princípios constitucion ais e
i n c l u s i v e s o b r e u ma n ov a s im b o l o g i a d e s eu âmb i t o d e a t u aç ã o. A g o ra
é necessár io adentrar ao camp o proc essual de forma ma is específica e
s e l ev an t a r o q u e p o d e r í amo s ch a ma r d e p ri nc í p i o s p roce s su a i s.
D a m e sma f o r ma c om o s e p ode o l v i d ar d os p ri n c í p i o s
p r o c es suais s ão e le s a r az ão d e s e r d o p ro ce s s o, a m a n e i r a m a i s
b á s i ca e m a i s d i scor r i d a que o p r oc es s o d e v e s e gu i r . É a l i n h a mes t ra ,
o c ã o gu ia , a s e ara d o e s paç o p r oc e ss u a l , a d ir e ç ã o e u m a s é r i e d e
o u t r as a l c u n h as ca r a ct e r í st i c a s as qu a i s n ã o s e p o d e d e m o m e n t o
lev ant ar.
N ã o s e d ev e c on f u n d i - l o s c om o p r oce d i m e n t o q u e é a m a n e i r a
p e l a qu a l o p r oc e sso d ev e d is c o rr e r - m a s aqu i n o s en t i do d e m ét od o .
O s p r i n c í pio s c e r c am t o d o o p r o c es so e d e l e f a z e m p a rt e e m t o d os o s
atos , sem ex c eç ã o, p a r a ga r ant i r a l e ga l i d a d e do m es m o.
T o da v i a, n os s o est u d o n ã o d e v e s e a t e r t ão s o m en t e a o s
p r i n c í p i o s p r o c es su a i s, m as s i m e s t es qu e p o s su em n at u rez a
c on st i t u c io n a l. Ou n os t er m o s d e R o b er t o R o sas: “ p r i n c í pi o s
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c on st i t u c io n a i s a p l ic á v e i s a o p r oc e ss o” 1. S ão obj e t o d o n o s s o e st u d o
a qu e l e s qu e f or a m c i t ad o s n a i n t r odução, já que nosso ob jetivo maior
é f az er a an álise de tais à luz do D ireito D esportiv o.
A s s im, v isa - s e ga r ant ir e m âmb it o d esp o rt iv o o d e v ido pro c e ss o
legal, rech eado de princípios proce ssua i s c on s t it u c i on a i s. N os t e r mo s
de P int o F erreira, “ d ev ido processo legal sign if ica o direit o a regu lar
curso de administra ção da ju st iça pelos ju íz es e tribunais”2.
N elson Nery e Geraldo M agela v ã o mais além, t raduz indo-o
c o m o f o rma d e t or n ar o “ P o d e r J u d i c i á r i o u m i n s t ru m en t o ef i c az d e
con t role da legalidade e dos demais P oderes P olít icos”3.
E n f i m , p od e r í a m os r e su m i - lo n a g a ra n t i a c on c e d i d a à p e ss o a
( f ís i c a ou j u r íd i c a) d e q u e d e v e r á, d en t r o d a leg a l i d a d e, p e r c o r r er o
processo qu e será in st ru ment aliz a do e r od e ad o p o r pr i n c í p i os q u e
g a r ant em a ju st ez a d o f eito.
A g o ra p as s e m os ent ã o a t ra n s c or r e r d e f o r ma m a i s e s p ec í f i c a
em relação ao processo desportivo.
5 . P R INC Í P I OS
N O C B JD
P RO C E SS UA IS
C ON ST I T UC I ONAI S
E XP L ÍC IT O S
A m p l a d ef e s a e c on t r ad i t ó r i o
O s p r i n c í p i o s b a s il a r e s d a a mp l a d e f es a e d o c on t r a d i t ór i o
a n d a m ju n t o s. In clu s i v e p or a m b os e s t a rem d e s cr i t os n o m es m o
in ciso da C onst itu ição F ederal. Assim c on s ign a o in c iso LV d o ar t ig o
5º: “aos lit igant es, em processo judicial ou administrativo, e aos
a cu s ad os e m g e r a l s ã o a ss e gu r ad os o c on t ra d i t ór i o e a a m p l a d e f es a ,
c o m o s mei o s e r ecu rs o s a e la i n e r en t es ” .
O r a , m a s q u a i s s er i a m o s m e i o s e rec u r s os i n e r ent e s à a m p l a
d e f es a? Tod o s os m e i o s d e p r o v as, d e p o d er e x p o r a c on t rad i ção e
s u a v e rs ão s o b r e o f at o d eb at i d o e m f a c e d a out ra p a rt e . O b vi a m ent e ,
q u e n a da d aqu ilo qu e ext r apole o qu e o b om sen so ent en d e por uma
d e f es a jus t a, u m ple i t o d on de n ã o s e s a í a c on de n ad o porq u e n ã o se
p ô d e ca b al m e n t e d em o n s t r a r a sua su pos t a in o cên c i a.
Para Nelson Nery e Geraldo M ag e l a, a amp la d ef e s a é “ a
o p o rt u n ida d e d e se c o n t es t a r a a cu s a ç ão, p ro du z i r p ro v as d e s e u
direit o, acompan har os at os de inst ru ção e ut iliz ar os recursos
c a b ív e i s” 4.
Daí se falar com absoluta razão qu e o princípio do contraditório
e n con t ra - s e i n s e r i do d e n t r o d a a m p l a d e f e sa, j á q u e n ã o s e sup õ e
falar daquele sem estar pratic ando a o m e s m o t em p o e s t a. T o d av i a, h á
1 ROSAS, Roberto. Direito Processual Constitucional: Princípios Constitucionais do Processo Civil. p.
28.
2 FERREIRA, Pinto. Comentários à Constituição Brasileira. p. 175
3 COSTA, Nelson Nery; ALVES, Geraldo Magela. Constituição Federal Anotada e Explicada. p.29.
4 COSTA, Nelson Nery; ALVES, Geraldo Magela. Constituição Federal Anotada e Explicada. p. 30.
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o ut r as f or m a s d e s e p r at ica r es t a sem e st a r d ir et a m ent e v incula d o
àquele.
O con t radit ório demonstra a capacidade e a possibilidade das
p a rt e s exp o r e m ao j u i z a s su as r az õ es d i an t e d o f a t o d is cu t i d o ant e s
q u e s e l h e p r o f i r a a d e c i s ão f i n a l1. O u , n os d iz er e s d e R os e m b er g é o
f az e r- s e ouv ir 2.
C o mo d i s s e m os, a a m p l a d e f es a engloba o contra ditório,
p ass an do a s er poss ív el v isualiz ar numa simbologia algo parecido com
d o i s c í r cu lo s c on cê n t r i c os .
A s s i m:
A = A mp la D ef e s a
C = Contraditório
C ⊂ A <=> (∀x ) ( x ∈ C => x ∈ A }
C on t r ad i t ór i o es t á cont i d o e m Amp l a
Defesa de tal forma que qualquer que seja o
elemento do C ontraditório tamb ém será da
A m p l a D e f e s a.
E m t e r mo s p r in c ip i o l ó g i c o s e j u r í dic o s s e r ia a d i s p o s i çã o
c on f er i d a a o s l i t ig an t es de s e con t r ap o r d e m a n e i r a s au d áv el e
n e c es sá r ia p e ran te o ju ízo . O u se j a , uma d ef in ição c ab ív e l a o
contraditório e que traduz uma das f o rma s c o m o s e a p r e s en t a a
a m p l a d ef e s a.
P os t o is so, p ass emos a an a lis a r efeit os p r át ic os n a J ust iç a
D e s p o rt i v a . O a rt i g o 2º d o C BJ D t ra z a a mp l a d e f es a n o in c is o I ,
e n q u a n t o o c on t r ad i t ó r i o v em d e s c r it o n o i n c i s o I I I. Ob v i a m ent e , a
p a rt i r d a a n á l i s e q u e f or a f e i t o h á u m a c e rt a d esn ec e ss i d a d e d o
relacionamento do contraditório, pois como sabemos já está contido
n a a mp l a d e f es a. Tod av i a , pa r e c e m ais que o legislador quis repetir a
descrição constitucional e reforç ar mais ainda a idéia do devido
p r o c es so leg a l .
O c o n t r adit ó r i o n o p r o c es so d e sp o rt i v o f o r a b em d e s cr i t o n a s
palav ras de M a rcus D onn ici: “ Soment e p ela por ç ã o de parcialidade
d a s p a r t es , u m a ap r e s en t and o a t e s e e o u t r a a a n t í t es e , é q u e o
a u d i t o r des p o rt i v o p o d e f a z er a su a s í n t e s e. E s t e p r oc e d ime n t o s e ria
estabelecer o contraditório entre as partes”3. Ainda nesse sentido é
recomendável a leitura do ar tigo 60 , caput, o qual dispõe sobre o
depoiment o pessoal – leia- s e int errog at ório – da part e in qu irid a,
r e qu e r i d o p e l o P r esi d e n t e d o Ó r g ão J u d i c an t e, par a ex p or- s e s ob r e o s
f at os d a caus a.
A o d ep o is , n ão dei x a d e f az e r p a rt e t a l con d u t a do qu e
chamamos de ampla defesa – creio que seja a razão para ser
caracter izada principalmente como a mp l a . M as v e j a m os o u t r o s en t i d o
q u e a ex põe . L og o a p ó s, o ar t i g o 61 as s i m c o l oc a : “ C o mp e t e à par t e
1
ver LIEBMAN, Enrico Tullio. Princípios Constitucionais.
ROSEMBERG. Normas do processo.
3 SION, Marcus Frederico Donnici. Comentários ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva com
enfoque no futebol. p.180.
2
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interessad a produzir a prov a document al qu e en t enda n ecessária” .
N ã o h á c o m o n eg a r qu e n e st es t er m o s ap res e nt am-s e a s out r as
v e rt en t es d a amp l a d ef es a qu e n ã o pu r a e s i m pl e s m e n t e o
c on t ra d i t ór i o .
Pu blicidade dos at os p r oc essu a is
A af irmação do prin cípio acima na Con st itu içã o s e f az de f or ma
n e ga t iv a, n os d i z e res i n sc r i t o s n o i n c iso LX: “a lei só poderá restringir
a pu blicidade dos at os proces su ais quando a defesa da intimidade ou
o interesse social o ex igirem”1.
P a ra N elson Nery e Geraldo M agela:
“O pr incípio básico dos at os estatais é o da publicidade, qu e
p e r m i t e qu e o c i d ad ã o t en h a c o n h ec i m e n t o p l en o d o que s u ced e n as
q u est õ e s d e s eu in t e resse, s e ja e s t e pa r t icu la r o u g e ra l. A
p u b licid a de, d o pon t o d e v i st a p rocessual, t em o intu it o de que as
p a rt e s pa r t i c i p em d o s at os p r oc e ssu a i s, a l ém d o que p e r m i t e a
c on su l t a d o p r oc e ss o e su a s p e ç as l a v ra d a s” 2. ( Gr i f o n o ss o)
D on de s e a u f er e q u e q u a n d o n ão f o r o c a so d a s e x c e ç õ es
p r e v is t as n ã o h av e r á qua l qu e r i m p ed i m e n t o à pub l i c aç ã o d os a t os
p r o c es suais 3. T od av ia , n ã o n os p a r ec e a s s i m t ã o s i m p l e s. N ã o ca b e
em n osso en t endimen to no p r es ent e in c is o qu e a s inf or maç ões
p r o c es suais e s t a r i am g u ar d ad a s pod en do s e r con s u lt a das qu an d o s e
qu isesse. Ao cont rário, alguns at os proc essuais – não o processo todo
dev ido à impossibilidade lógica – obrigat oriament e dev em ser lev a dos
a público para que o seu conhecimento seja presumidamen te de
t o dos.
É o qu e oc orre qu an do d a c it a ção por ed it al do p r oc ess o c iv il e
n as d ema is oc as iões em qu e o ju iz “ F AZ SA BE R A T OD OS”.
A p u b l i c i d a d e, n es s e s en t i d o , n ã o n o s p ar e c e u ma o p ç ã o
vinculada ao arbítrio do juiz, m as m u i t o a n t e s u ma o b r i g aç ã o d a
p r e st aç ã o d e e s c l ar e c i m en t os à s oc i e d a d e l o cal c o m o u m t o do. É
a t r av és da pu b l i c i da d e d o s at o s p ro c es su a i s que s e t e m c on h ec i men t o
d e c o m o a g e o P o der J u d i c i ár i o , s ob pen a, ao rev és, da d it a dura d est e
p elo as somb ramento d e su as ações.
M u i t o e mb o r a h a j a c a s o s e m q u e o s eg r e d o d e j u s t i ç a i mp e ç a a
publicidade de determinad os atos processuais este empecilho se
e x t in gu e q u a n d o da s en t en ça t ran s i t ad a e m j u lg a d a d o f e i t o , p o i s j á
n ã o mais in t eres sa à soc iedad e a ob scu rid ad e do proc es so.
A publicid ade dos atos proc essuais consta do inciso XIII do
a r t i g o 2º d o C BJD. O a rt i go 3 7 d a re s o l uç ã o a ss i m d is c o rr e : “ N ã o
c o r r e m em s e g r ed o o s pr o c e ss os e m c u rs o p e r an t e a J u st i ç a
D esport iva, salv o as exceções prev is t as em lei” . Assim, além da
disposição
gen eraliz ada,
há
um a
exp la naç ã o
ma is
cond izent e
1
Verificar artigo 155 do Código de Processo Civil.
COSTA, Nelson Nery; ALVES, Geraldo Magela. Constituição Federal comentada e anotada. p.32.
3 “Existem questões em que deve haver segredo de justiça, mas se trata de exceção e não de regra”.
Nelson Nery Costa e Geraldo Magela Alves. Constituição Federal comentada e anotada. p.32.
2
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exatamente com o texto con stitucional, torn ando E XCEÇÃO os casos
em qu e a publicidade f ica restrin g ida.
M as o que m a i s cha m a a ate n çã o, e v a i d e enc on t ro c om n os s a
c on c lu s ã o u m p ou co a c i m a, é o d i sp os t o n o a rt i g o 4 0, s eg u n d o o qu a l
t o da s as d e c i s õe s d a J u sti ç a D es po r t i v a s dev e m s e r p u b l i c a da s ,
d an d o, i n c lu s iv e , a o p ç ão d e f az ê - l o p o r e d i t a l o u In t ern et ,
respeitando assim o pr incípio da celeridade.
c ) M ot i v aç ã o d as dec i s õ e s
E is m a is u m a v e rt ent e d a t utela l e g i s l a t i v a e m f a c e d a t en t a t iv a
de n ão conceder ao Judiciário poderes qu e lh e possibilit assem o
e x c es s iv o a r b í t r i o1. A f u n dame n t aç ã o d a s d e c is õ e s, com o e x p õ e o
a r t i g o 9 3, I X , d a C F , a c on s i d e r a p r ec e it o t ã o f u n d a m ent a l a p on t o d e
n a su a aus ênc ia t orn ar- se nu la .
M u i t o e mb o r a r es t rin j a a p r át i c a d e ato s , e m a lg u n s c as os , at é
mesmo como previsto no tópico an terior, jamais poderá fugir da
publicidade a senten ça como t ambém jamais poderá se ex imir de
fu ndament a ção conv incen t e. Jamais “ f i- lo porque qu i- lo” ! Sempre será
m o t i v a d o p e l a s pro v as c aba i s e p osiç õ e s coer e n t e s e c on c r et as d a s
p a rt e s.
P a ra C a l am a n d r e í , t r at a- s e de g a ran t i a d e jus t iça . N es s e s e n t i d o
Robert o Rosas: “Para informar-se da orientaç ão para solucionar-se
u m c on f l i t o, o á r bit r o d a con t en d a d e v e ex p li c a r a s ra z õ es d o s e u
c on v enc iment o, at é p ar a conv en c er o venc ed or d a s ra z ões d a su a
v it ó r ia”2.
A m ot iv açã o , p o r sua v ez, v em p r ime iram e nt e a rr o lad a n o in c is o
I X , d o art i g o 2 º, d o C BJD. N ã o o bst an t e, o a r t i g o 38 n o v a m en t e
r e s sa l t a
o
dever
da
m o t i v a ç ão
das
dec i s õ e s,
“ainda
que
s u c i n t a ment e ” . Ou s e j a , d á- se a b e rt u ra a o d i spo s t o qu and o o s c asos
em análise tiverem importância resumida, mas não lhes exclui de
portar em si a motivação exig ida.
d) Celerida de
C á es tá u m dos ma is c ont empor âneos p r in cíp ios p r oc ess ua is
c on st i t u c io n a i s. V e i o l h e emba s a r a Eme nd a 45 / 04 a o a l o ng a r o a rt i g o
5 º c r i an d o o i n c i s o L X XV I I I: “ a t o d os , n o â mb i t o j u d i c i al e
a d m i n is t ra t i v o, s ã o a s segu r ad o s a r az o á v e l dura ç ã o d o pr o c e ss o e o s
meio s qu e g ar an t a m a c el er i d a d e d e s ua t ra m it a ç ã o ” .
M as c o m o en c ar a r a d i sp os i ç ão “ r az o áv e l du r aç ão ” ?
A n os so v e r n ã o p o d e s e r n ad a daq u i l o qu e e x t r a po l e o qu e
i n d i qu e o b o m s en so . Ta mb é m n ã o p od e r á d a r a s as m a l i g n as a o
princípio da ampla defesa , torn ando-a parte pr ivilegiada do moroso
p r o c es so l e g a l . Tudo s o b a s g a r r as d a d e f e sa e x a g er a dame n t e a mp l a ,
qu e salt a aos olhos a f a lt a de raz o abilidade n a du ração do processo.
1
“Uma decisão sem lastro de convencimento não significa um juízo e, portanto, vale como força”.
Roberto Rosas. Direito Processual Constitucional: Princípios Constitucionais do Processo Civil. p.45.
2 ROSAS, Roberto. Direito Processual Constitucional: Princípios Constitucionais do Processo Civil.
p.45.
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N esse sent ido, Luiz Gu ilherme Marin on i discorre sobre a
antecipa çã o de tutela, a prin cípio trat a d a c o mo c a u t e l a r: “ É c l a ro q u e
e s s a d i sto r ç ã o f o i f ru t o d a n e c es s id ade de celeridade e da ex igên cia
de ef et ivid ade da tutela dos direitos”.
C o mo s e n ã o b as t as s e, o C BJ D t ra z a t o s p ro c ess u a i s q u e d e v em
s e r gu i a dos p e l a c el e r i d a d e n o s a rt i g o s 3 9 e 4 0 . A l i á s , ex pr e s sam en t e
o f az. I sso s e m c ont a r n o a r rolam e nt o c on st an te d o a rt ig o 2 º, n o qu a l
a c eler id a d e f igu ra n o incis o I I . Ad ema is, o C ód ig o t r az em s i
preceit os in cisiv os e implíci t os qu e direcion am para o princípio em
q u est ã o. A s s i m o é c om o p ra z o g en era l i s t a d o a r t i g o 4 2, d e t r ê s dia s .
I m p ort ant e r es s a lt ar o p raz o m á xi m o p a ra o i níc i o d o p ro c e ss o
desport ivo e a respect iv a decisão, inst itu ído pela própria C on st itu ição
F e d e ral em seu ar t ig o 2 17 , §2 º.
A o d ep o is , n ão pod e - s e des g ar r a r d o p r in c íp i o d a ec on o m i a
processual ( a rt igo 2º, inciso IV, do CBJD ), não const itucion almen te
ex plícit o, mas qu e aqu i podemos lh e dar v az ão. Ora, não f az part e
d os “ meios qu e garan t am a c eleridad e” ? N ão v emos, p ois, c omo
s e p ar a r- l h e s. Sã o c o m o su bst ân c i as h om o gên e as , n a s qu a i s n ã o
i m p o r t a o t a m an h o d a p a rt e, p o i s a p o r çã o t er á s e m pre a s m e sma s
p r o pr i e d ad e s e asp e ct o s d o t o d o. D e s s a v ez , e n t r e t a n t o, v en d o a
e c on o m i a p r oc e ssua l c o m o u m p r in c íp i o d en t ro d a c e ler i d a d e, e m
c ír cu lo s conc ê nt r ico s , aqu e le c om o sub c on jun to d es te .
Veja-se: EP C C <-> (∀x ) ( x ∈ EP => x ∈ C)
Econ omia proces sual está cont ida em celeridade, t a l qu e as
c a r ac t er í st i c as e ele m e n t o s d aqu e l a f az e m par t e o b r ig a t o r i a m ent e
d e st a.
Ora, a economia processual não é essencial da celeridade, a
p on t o q u e e s t a n ã o f o ss e c a p az de e x i s t i r s e m a qu e l a , p o i s a
celerid a d e p ossu i d i v ers a s ve rt en t es Todavia, é indiscutível que o
aux ílio prest ado cont ribu i dev eras para qu e o processo n ão se j a
m o r o s o. P o r out r o l a d o , n ão h á c o mo f a l a r e m e c o n omi a p r o c es s u a l
sem est abelecer- lhe a dev ida ligação com celeridade. Aquela n ã o
e x ist e s e n ã o f o r pa r a s at isfa z e r es t a.
A econ omia processual traduz-se basicament e n a simplificação
d o s at o s p r oc es s u a i s d e f orm a q ue p e rm i t a c o m i s s o a um ent a r a
eficiên ci a d o p r oces s o. É o qu e p od e m o s obs e rva r d a an á l i s e d o
p ro ces s o d es p ort i v o e a s ua s i m p l i f ic a ç ão d e a t os. C ot i d i a na m ent e ,
podemos av erigu ar qu e as denúncias f eit as pelos procu r adores n ã o
t a rd a m em s e r e m a p r e c i ad a s p elo T r ibunal. As que en volvem
in f rações lev es geralment e não tomam mais do qu e u ma seman a para
ju lg ament o. É a c el er i d a d e a p a rt i r d a e c on o m i a p ro c es sual.
e) Raz oabilidade
O princípio da raz oabilidade, com sua origem n o direit o
alienígena, vem aprimorar o ordenamento ju rídico trazendo a sua
p r ot e ç ão p a r a c om o s d e mai s p r in c í p io s . Na v er d a d e, t om a a f o rma
não de um princípio propriament e d i t o, mas u m gu a rd i ã o d o s
p r i n c í p i o s, d o t o p o d o o r d en am e n t o ju ríd i c o .
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Sua aplicabilidade demon st ra- se quando se percebe a t en d ência
à violação da norma ou princípio constitucion al de qualquer natureza
p o r u m a n or ma i n f er i or . N es s e s ent i do , s eu que s t ion a m ent o s e r ia: é
raz oáv e l q u e u m a l ei or d i n á ria , ou qualquer uma que a valha, solape
o s pr i n c ípio s b as i l a r e s con st i t u c i on a i s c on s ag r ados? A r e sp o st a t end e
p a r a a n e g a t iv a, d on d e s e i n f e r e a p r o t eç ã o e x t en s iva f e i t a pel o
princípio.
D e cor r e, p o i s, do d ev i d o p r oc e sso l e g a l s u b st an t i v o. Su a
d e f in i ç ã o p a r a Lu í s R o b e rt o Bar r o so p au t a - s e n o qu e “ s e j a c on f o r m e a
raz ão, supon d o equ ilíbrio, moderação e harmon ia; o qu e n ã o seja
a r b i t rá r i o o u c a pr i c h o s o; o q u e c o rres p ond a a o s en so c o mu m, a o s
v a l o r e s v ig e n t es em da d o mom e n t o ou l u g a r”1.
N a su a forma de atu a r é como se a raz oabilidade f osse u m
c on j u n t o m a i o r ond e f os sem gu a rd ad o s t od o s o s ou t r os p r in c í p io s e
n o r ma s da C on st itu iç ã o. A ss im e st es seriam subcon junt os dent ro
d a qu e l a. A p r ot e ç ão d a a m p la d e f es a, d o c on t r ad i t ó r i o, da c e l e r i d ad e ,
da mot iv ação das decisões etc depende da atu ação da razoabilidade.
N e s t e s t er m o s , e p e l o d e s e n h o a o lado, a t ítulo de ex emplo,
n ot a- s e a Raz oabilidade cont en do ampla def esa (que con t ém o
c on t ra d i t ór i o ) , m ot i v a çã o d as d ec i s ões e c e l e ri d a d e ( que c ont é m a
econ omia proces sual).
P o r ex e mp l o , qu and o u m a lei
ordinária
parece
ferir
qualquer
d ess es
p r i n c í p i os
c on v oca- s e
a
raz oabilidade
para
apu r ar
se
r e a lm e nt e
há
d a n os
ao
c on st i t u c io n a l m en t e p r e v is t o . C as o
p o s i t iv o
p a ss a - s e
e n t ão
aos
in st ru ment os
prev istos
para
a
cessação
da
t en t at i v a
de
i n c ap a c it aç ã o e v i o l a ç ã o da p a rt e
c on st i t u c io n a l qu e f o r a a t in g id a .
C omo se pode conclu ir do
exposto, a razoabilidade não vem
e x p ost a n u m a rt i g o d ef i n id o d a
Constituição, mas vaga pelo ar de toda ela, compon do-lhe a proteção
n e c es sá r ia .
N o específ ico t ocant e à Ju st iça D esport iv a, a raz oabilidade está
e x p re ss a n o i n c i s o X I V , d o a r t i g o 2 º, d o C BJD. A p es a r d i s s o, e d a
m e s m a f or m a c o m o a C o n s t it u i ç ã o, n ão h á l e t r a m a i s a c l a r e a d or a d o
p r i n c í p i o q u e t ra t e d a sua f o rma d e atuação, devendo o mesmo ficar a
c a r go d a a n á l i s e d o s aud i t o r es do t r i bu n a l o u da s c o m iss õ e s
disciplinar es.
“P ara a J ust iça Desport iva, a razoabilidade é um predicado
e x i g í v e l dos m e m bros d as i n s t ânc i a s desport ivas. Sign if ica atu a r com
1
Luís Roberto Barroso. Interpretação e Aplicação da Constituição, p.204.
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p on d e ra ç ão, b o m sen so e p ru d ênc i a ant e a d i v e r s i d ad e d e s it u a çõ e s
d e f er i d a s a o enc a rgo do ju l gad o r” 1.
f) Prop orcionalidade
A dist in ção em relação ao prin cípio da raz oabilidade rest a mu ito
dif icu lt ada, em razão da t ênu e linh a qu e as separa. E m nossa opin ião
t a l s e d á p o rq u e a m b as s e c on fundem na ex t ensa prot eção qu e
c on f er e m a o s p r inc í p i o s c on st i t u c ionais, possuindo apenas algumas
c a r ac t er í st i c as p e cul i a r e s a cad a u m a.
O elo condutor entre ambas é exprimido pela racionalidade e
equ ilíbrio do con t role desenv olv ido sobre o ordenamen to ju rídico n o
bin ômio
proporcionalidade- ra zoabilidade.
É
a
an álise
da
compatibilidade entre meios e fins, p ar a n ão o c o r r e r l e s ão o u a m ea ç a
aos direitos fun dament a is2.
C o mo t a mb é m n ã o é e x p r e ssa , ma s d ec o r r e d o d e v i do p ro c e ss o
legal subst an t iv o, su a at iv idade resid e n o m om en t o d a apl i c a ç ã o p el o
j u i z , p ass an d o e st e a d es e m p enh ar p a p e l t e m po r a r iam e n t e d e
ex p ress ã o sup er i or a o l eg i s l ad o r, c o m o n o s c o loca P au lo Bon av id es3.
P ara In go W olfg ang S a r let , es t e v em sen do o “fio c on dutor d e
t o da a or d e m c ons t ituc io nal” 4, e m ra z ã o d e s u a i m por t ân c i a n a
p r ot e ç ão a o s d e ma i s p r i n c í p io s .
O que lhe con f ere in dependência é seu carát er limitador da
norma que possa vir a ferir os princípios. Não pode permitir
priv ilégios qu e os solapem.
P a ra Robert a P appen da Silva:
“o princípio da pr oporcionalidade ex ige uma ponderaç ão dos
d i r e i t o s f u n d amen t a i s , c on f o r m e o p e s o a ele s a t r i b u í d os . D e s t a
fo rma, a p r i m az i a d o p r in c íp i o s e o pe ra o s op e s am e nt o d e va l ore s
p ara v er i f i c a r- se a m ed i d a q ue t ra rá m a i s b e n ef í c i o s ou p r e ju í z o s ,
o f e r ec en do a o c a so c o n c r et o u m a sol u ç ã o a ju st a d o r a d e c o o rd en a ção
e c omin ação d os b en s em c olis ão”5.
A s s i m, a ex p r essã o
d es enh o e ex p lic a ção:
v is ua l
do
capítu lo
an t erior
ganha
nov o
R ∩ P = {x | x ∈ R e x ∈ P}
A
i n t e r s ec ç ão
é
repres entada
pelos
princípios
c on st i t u c io n a i s
ex e m p l i f ic at i v os
d a amp l a d ef e s a, c on t r a d it ó r i o,
motivação etc. Há também que se
v isu aliz ar n o caso u m es p aç o
p a rt i cu l a ri z a d o d en t r o d o cam p o
1
SCHMITT, Paulo Marcos (Coordenador). Código Brasileiro de Justiça Desportiva comentado. p. 29.
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro.
3 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. p.321.
4 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. p. 374.
5 SILVA, Roberta Pappen da. Algumas considerações sobre o princípio da proporcionalidade.
2
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de abrangência da raz oabilidade e da proporcion alidade,
ex plica pelas suas caract eríst ic a s pecu liares.
qu e
se
É o i n c i s o X I I , d o ar t i g o 2 º do C BJD, qu e p r op õ e a ex i s t ên c i a d a
p r o po r c i on a l i d ad e n a Ju st i ça D es p ort i v a. Ad ema i s , a ss i m c o mo a
raz oabilidade n ão lh e h á parâmet ros det ermin ados ao longo do C BJD –
c o m o n ã o h á s equ er n a C F.
P ara o C ódigo Brasileiro de Just iça D esport iv a coment ado,
coordenado por Paulo Marc os Schmitt, a proporcion alidad e está
expressa na ação que não se exc eda, qu e não in d ique ab us o d o
p o d e r: “ o m a n e j o d o p o der d e c i s ór i o r e q u er , d aqu e l e q u e es t á
in v est ido n a fun ção ju rídico-desport iv a, a ex t erioriz ação de at os
c oer ent es e s en satos”1.
6.
P R INC ÍP I O S
P R OCE SS UA I S
C O N ST I T UC I ONA L
N ÃO
E XP L ÍC I T O S N O C BJ D , M AS INE RE N T E S A O P R OCE SS O D E S P OR T I V O
a) Isonomia
“ Todos são iguais perant e a lei” , referen da o caput do artigo 5º
d a Con s t i t u i ç ão Fed er a l . Seri a s i mp l e s m en t e t r at ar a t od os d e
maneira ig ual? Não é o entender de Rui Barbosa em seus sábios
d i z e r es :
“ A regra de igualdade não consist e sen ão em qu inh oar
d esigu al men t e a os d es i gu a i s, na m ed ida e m q u e s e d es i gua l a m . N ess a
d e s i gu a l da d e s o c i al, p ro p or cio n a da à d es igu aldad e n atu ral, é qu e s e
ach a a v erdadeira lei da igu aldade. Trat ar com desigualdade a iguais,
o u a d es i g u a i s c om i g u a l dad e , ser ia d e s i gu a ld a d e f l a gr a n t e, e n ã o,
igu aldade real. ”2
Alexandre
de
Moraes
traz
em
seu
cu rs o
o
s e gu i n t e
a p on t a m en t o : “ D ess a f o r m a, o q u e se v eda são as d iferenc iaç ões
arbitrárias, as discriminações ab surdas, pois, o t rat ament o desigual
d o s c a sos d e s i gu a is , n a med i d a e m que se desigualam, é exig ên cia
t r ad i c i o n al d o p r ó p rio c o n c e it o d e J u s t iç a” . D ef i n i ç ã o e s t a , p o r t e r mo ,
q u e c on v er g e , e m pr i n c í p i o, com n os s o p o s i c i on ame n t o.
A ison omia t em sido o prin cípio mais discut ido e u m dos men os
c on c o rd es d en t re o s p r i n c í p i o s p ro c e ssu a i s c on st i t u c i o n a is . A t é
mesmo porque o caráter igualador/desigu alad or reside gera lmente
s ob r e a an ális e su bjet iv a daqu ele qu e ap lic a a lei.
No p r oc es s o, a i g u a l d a d e “ l e va a i m p e d i r q ue um a p art e , p o r
mot ivos alh eios à sua v ont ade , n ão possa defen d er-se”3, ou en tão
qu e o f aça de maneira insat isf at ória, também por mot iv os alh eios.
Enfim, recai-se sobre o proc esso d esp o rt i v o, qu e t a m b ém d e v e
e s t ar c on c o r d e c om o p r i n cíp i o d a isonomia processual. “Busca-se a
1
SCHMITT, Paulo Marcos (Coordenador). Código Brasileiro de Justiça Desportiva comentado. p.29.
BARBOSA, Rui. Oração aos moços.
3 ROSAS, Roberto. Direito processual constitucional:Pprincípios Constitucionais do Processo Civil. p.
39.
2
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denominada igualdade real ou substancial, onde se proporcion am as
m e s m as op o rt u n i dad e s às par t e s” 1. Muito embora não seja expresso,
est á implícit o, por ex emplo, quand o se c on f er e à s p ar t es o mesmo
p r az o r ecu rs al. ( art ig o 1 38, C BJD ).
b) Ju iz natural
J u iz n a tural é aqu ele legalment e int egrado ao P oder Judiciário,
“ com t odas as garan t ias in st itu c ion a is e pessoais prev is t as n a
C onst itu ição
F ederal”2.
Analogicament e,
aplica-se
à
Ju st iça
D esport iva, pois h á inst itu ição legalment e prev is t a e garan t ia s
in eren t es à prof is s ão regu lament adas pelo C BJD e demais leis
desport ivas. (v eja-se art igos 11 e segu int es do C BJD e o a r t ig o 5 4 d a
L ei 9. 61 5/9 83) .
Por tal, dá-se preferência à defin i ç ão d e R o bert o R o sa s, p a ra o
qual “ ju iz n atu ral é o ju iz in st itu ído pela lei para ju lg a r c ert as e
d e t e rmi n ad a s qu est õ e s” .
A g a ra n t ia d o Ju iz N at ura l e xp re ss a - s e a i nd a p e l a p ro ib i ç ã o de
T r i bu n a i s d e ex c eç ão ( ar t i go 5 º, X X XV II, CF ). Ao depois, o in ciso L III
garante que “nin guém será processa do nem sentenciado senão pela
aut oridade c omp etent e”.
Assim o é qu ando o C BJD apresent a a f orma de f uncionament o
dos Tr ibunais e Comissões Disciplinares, a forma de atuação dos
Aud it ores e da P rocu r ad oria d a Ju st iç a D esp ort iv a.
Corr el a c i on a- s e, out r o s s i m , a o princípio da independência,
e l e n c ad o n o in c i s o V I , d o ar t i g o 2 º, do C BJD . D e t a l for m a, “ r e qu er -s e
q u e a J u s t i ç a D es p o rt i v a atu e c om i n d ep e n d ên c i a e aut on o m i a d a s
e n t i d a d es d e a d m i n i st r aç ã o d o d espo r t o, s end o p at en te q u e exis t e
vinculação apen as de ordem econômica, porquant o a mant ença da
es t rutu r a d e t ais ins t ânc ias comp et e as a lu d id a s en t ida d es ”.
c) In af astabilidad e da jurisdiç ão
N o s t e rmo s d o a rt i g o 5 º, in c i so X X XV , a a m eaç a ou l es ã o a o
direito não poderá ser excluída por Lei da apreciação do Poder
Judiciário. Obviamente que no tocante à s n o rma s d o d e s p o rt o c a b e r á
tal ap reciação aos Tribunais e Comissões Desportivas4.
P a ra P i n t o F e r r e ir a , o p ri n c í p i o em q u e s t ã o d ec o rr e d a
s e p ar a ç ão d o s pod er e s d o E s t a d o. C o mp l e m e n t a a f i r m an d o q u e a a çã o
e apreciaç ão do Judiciár io fundame nt a m- s e na m at é r ia in e rt e, q u e
p r e c i sa d aq u e l a p a ra ser su bme t i d a a e s t a5.
1
SION, Marcus Frederico Donnici. Comentários sobre o Código Brasileiro de Justiça Desportiva com
enfoque no futebol. p. 180.
2 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. p.99.
3 Artigo 54 – O membro do Tribunal de Justiça Desportiva exerce função considerada de relevante
interesse público e, sendo servidor público, terá abonadas suas faltas, computando-se como de efetivo
exercício a participação nas respectivas sessões.
4 “A inafastabilidade da jurisdição também poderá ser encontrada sob a denominação princípio do direito
de ação e se aplica diretamente ao Processo Desportivo”. Marcus Frederico Donnici Sion, Comentários
ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva com enfoque no futebol, p.181.
5 FERREIRA, Pinto. Comentários à Constituição Brasileira. p.141/142.
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E m es p ec i a l , n o s t e r m os d o a r t i g o 2 1 7, § 1 º, da C F ,
ex cepcionalment e, h á a previsão do acesso à Ju st iça D esport iva, em
m a t é r ias q u e lh e diz e m r es pe it o , t od avi a , s e m e xc ep c i ona r a p rópri a
J ust iç a comum, conf erin d o, ain d a, ao p r ocesso d esp ortiv o o p r az o
m á x i m o de s e s se n t a d i a s ent r e o i n í c io o p r o c es s o e a dec i s ã o ( 21 7 ,
§2º, CF).
d ) D u p l o g r au d e ju r i sd i ç ã o
N ã o s e t ra t a d e p ri n c í p i o o br i g at ór i o , t en d o inc l u s iv e exc e ç õ es
previs tas em leis. Há diversas situações que apontam a falta de
o b r i g at o r ie d a d e d o s e g u n d o g r au d e j u r is d i ç ão. P ar a M a r in on i e
A r en h a rt a i d é i a d o d u plo g r a u de jurisdição “sofre inúmer as
r e s t r i ç õ e s, d et e rmi n ad a s, s ej a p e l a p ró p r i a n at u r ez a d a d e c i s ão , se j a
p o r r e gr as e s p ec í f ic a s qu e d i s c i plinam o t ema”, raz ã o pelo qua l
apon ta o princípio como “gen érico”1.
Mais especificamente, Alexandre de Moraes apon ta para a s
ações de comp et ên cia origin ária dos Tribunais superior es, para as
q u a i s n ão f i c a g ar a n t i d o o r e e x a m e2, j á q u e a n ov a a p r e c i açã o
acabaria sendo para o mesmo grau ju risdicion a l.
O m es m o oc or r e c om o p ro c es s o d es p or t i vo q ue t e m i ní c i o já no
S TJD . Num c a s o c on cr e t o, e e m r e l ac i o n ame n t o c o m a c om p e t ênc i a d o
c a s o, é s a l u t a r r e lem b r a r a a n u l a ç ão d a s p a rti d a s d o C a mp e on at o
Brasileiro de F ut ebol em 2005 qu e envolv eram o “ escândalo do apito”,
s e n d o d ecis ã o d o p ró p r i o T r i bu n a l , d a qu a l n ã o cab e r e cu rs o .
Não obstante, o mesmo STJD pode atuar como ór gão revisor d e
d e c i s ão i n f e r i o r, n os t er m os d o a rt ig o 2 5 , I I, d o C BJD. Ass i m c om o o
próprio TJD (artig o 27, II , CBJD).
H á d e s e c h a m a r a a t en ção par a u m a d i s t in ç ão d e c o mp et ên c i a.
O órgão de primeira instância na Justiça Desportiva é a Comissão
D isciplin ar que age conf orme a ju risdição sobre a qual recai o caso
d e b at i d o. P o r ex e mp l o , e m n í v e l f e d eral a a t uaç ão s up e ri o r é d o S T J D ,
enquanto em nível estadual é do TJD, podendo ser aqu ele revisor
d e st e .
N e st e s t er m o s a dec i s ã o d a C o m i s são D i s c i p l i n a r p od er á s er
recursada perante o TJD ou diretamente perante o ST JD.
E m t er mos p íf ios o S TJD t er ia a tu aç ã o m u i t o p ró x i m a a o S T J , a o
mesmo t em p o q u e o TJ D e s t ari a rel a t i va m ent e c o mpa ra d o a o T J .
E n qu ant o i s s o a s C om i s s õe s D i s c iplinares fariam suas vezes de
primeira in stância, em nível federal ou estadual.
e) P roibição da prov a ilícit a
A proibição da prov a ilícit a é prin cípio basilar ao processo,
c on s ag r ado n a CF no inc is o LV I d o a rtig o 5 º. D out r ina e
ju rispru dên c ia h á mu it o v êm debat en do a con st itu ição da ilicit u d e da
1
MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Manual do processo de conhecimento.
p.544.
2 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. p.94.
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prov a1, sen do inúmeras as conclusões e ju lg ad os def end en do d iv ers os
p o s i c i on ame n t os , sem p r e s e r e s sa l t and o a qu est ã o d o i nt e re s s e soc i a l
f r ent e à prov a obtida de man eira ilícit a. E t ambém o papel dest a,
ain d a qu e in admissív el, n a conv icção do ju iz.
E m t a l sent ido:
“ S a l i en t e-s e , p or ém , qu e a d o u t r i n a c o n s t it u c i o n a l p as s ou a
at enu ar a v edação das provas ilícit as, v isan d o corrigir dist orções a
q u e a r i gid e z da e x c lu s ão p o d e r i a lev a r e m c a s os d e e x c ep c i on a l
g r av i d a de. E s t a a t enu a çã o p r e v ê, c o m ba s e n o P r in c í p i o d a
P r oporcion alidade, h ipót eses em que as provas ilícit as, em carát er
ex cepcional e em casos ext remamen te grav es poderão ser ut iliz adas,
pois n en hu ma liberdade pú blica é absolu t a, h av en do possibilidade, em
c a s os d e lic a d os , em qu e s e p e r c eb e q u e o dir e i t o t u t e l a d o é m a i s
i m p o r t a n t e q u e o d i r e i t o à i n t im i d a d e, s e g r ed o, l i b e r d a de d e
comun icação, por ex emplo, de permit ir- s e sua utiliz ação”2.
N a s e a r a d e sp o rt iva , as p r ov a s e st ã o d e sc r it as e nt r e os a r t ig os
5 6 e 7 2 do C BJ D , n o C ap í t u l o V II I , d o T í t u l o II I, d o L i v r o I .
S a l t a a os o l h os a d i s p os i ç ão d o g en é r i c o a rt ig o 5 6, s eg u n d o o
qual “todos os meios legais, bem assim os moralment e legít imos,
a in d a qu e n ã o e sp ec if ic ad o s n e st e C ódig o , s ã o h áb e i s par a p ro v ar a
verdade dos fatos alegados no proc esso d esp ort iv o” . Donde s e inf ere
duas objeções: as prov as ilícitas ( meios n ã o legais) e as prov as
imorais.
E n t r e t an t o , s egu n d o n os sa c o m p r e en são, e c o m an á li s e n a s
colocações da dout rina mais cu lta, quando houv er relev ant e valor
perante a sociedade a intimidade preju d icada pela prov a ilegít ima f ica
u m t an to d if e r en c ia d a, d ev en do -s e s em p r e leva r e m c on s ide r a ção o
ideal de just iça e de atendimento aos anseios sociais, mesmo em se
f a lan d o de âmbit o desport ivo3.
f ) P r esu nçã o d a in oc ê nc ia
P o r f i m , ch e ga m os a o u t r o p ri n c í p i o bas i l a r d a es f er a p ro ce s su a l
c on st i t u c io n a l. E n con t r a s e u f u n d a m ent o n o i n c i s o LV I I, d o a rt i g o 5 º ,
da
CF.
Muito
embora
trad uza
a
idéia
de
“sentença
penal
c on d en at ór i a ” , o p r in c í p i o ap res e n t a-s e a n a l og i ca m e n t e t a m b é m par a
a c on d en aç ã o d es p or t i v a.
R e ss a l t a- s e a d if e ren c i aç ã o n o b e m ju r í d i c o p ro t e g i do . N o ca s o
e s p ec í f i c o d a C on st i t u i ç ão a p r e su n ç ã o d a i n oc ên c i a é f u n d a m ent o d a
d e f es a da l i b e r d ad e pess oa l 4. N ã o é o q u e o c or r e n o p r oc es s o
1
Para Alexandre de Moraes, em seu Curso Constitucional, à página 114, as provas ilícitas são “aquelas
colhidas em infringência às normas do direito material”.
2 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. p.115.
3 Na verdade, “principalmente em se falando de âmbito desportivo”, pois que estamos no país mais
popular do mundo no futebol. A anulação dos jogos já citados anteriormente gerou discussões em todas as
camadas da sociedade, e foi muito mais amplamente debatida do que importantes questões políticas
nacionais.
4 “Tratou-se de garantir a paz e a liberdade dos cidadãos em nível constitucional, em virtude dos
sobressaltos decorridos do Estado autoritário existente antes”. Pinto Ferreira, Comentários à Constituição
Brasileira, p.182.
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desport ivo, pois suas penalidade s
restritivas de liberdade.
não
se
in c lu em
no
rol
da s
N o p ro c ess o d es p o rt i v o, a pre s u n ç ã o d a i n oc ênc i a r e c a i m u i t o
ant es n a possibilidade do acu sado ser in ocen t e e presumi- lo cu lpado
seria u m arbítrio est at a l. D á- s e muit o mais ênf a se à imagem do
a cu s ad o, p o i s c o mo s e s abe o d es po r t o g an h a n ot or i e d a d e mu i t o
maior na mídia nacional, a ponto qu e a cu lpa in comprovada poderia
p r e ju d i c ar e v en t u a is c on t r at o s e d an i f i c a r a ima g e m d o e s p or t is t a
perante a sociedade.
D iss o resu lt a o art ig o 35 do C BJD, p a ra o qu al a susp ens ã o
p r e v e n t i v a s ó c a b e “ qu an do a g r a v id ad e d o a t o o u f at o i n f r ac i o n a l a
ju st if iqu e”. Assim como a prisão preventiva que deve preen cher
det ermin ados requ is it os, já qu e deve hav er uma séria e fun damen tada
presunção da cu lpa, a ponto de afastar o princípio qu e está sendo
d i s cu t i d o.
7 . C ON C L U S Ã O
N ã o s e t or n a f o r ç oso r e c on h ec e r , d i ant e d o d i s co r r i d o, o a b r aç o
legislat iv o dado pela C onst itu ição F ederal à Just iça D esport iv a. M a is
e s p ec i f i c am e n t e: o en g l o ba m e n t o d o p r o ces s o d es po r t i v o p el o s
p rin cíp i os p roc es sua is c on st i t u c i on a i s.
M e l h o r a in d a : é a p r e s enç a c on s t an t e d o d ev i do p r oc e sso l e g a l .
I s s o s e f a l a n do de u m p ro c e ss o qu e é c on s i d e r ad o d e n a t u rez a
a d m i n is t ra t i v a, p o is s eu s T r i b u n a is n ão s ã o p art e do P o der Ju d ic i á r i o ,
c a b end o, in c lus iv e, o ex ame d est e qu an do f or r eq u er id o.
Mas não é o fato de ser de natureza administrativa que excluilhe de todo o envolv imento dos princípios proc essuais constitucionais.
O proc esso desp ortivo é proc esso! Suas garantias são inerentes. At é
por isso na in t rodução discorremos sobre a não obrigatoriedade de se
a r r o l a r n o C B JD os p r i n c í p i o s qu e f o r am d is cu t i d o s.
“Assim, os pr incípios são proposições qu e su stentam e alicerçam
t o d a a es t ru t u r a d e u m s is t e ma , n o c a s o , a J u s t i ç a D e s p o rt iv a,
n o rt e an d o o s j u l g ame n t os de p r o c es sos d i sc i p l i n a r es. J á s e d i s s e q u e
violar um princípio é muito ma is g r av e do q u e t ra n s g r ed i r u m
p r e c e it o . D ev e m os c on s i d e rar a a p l i c a ç ã o d e p r i n c í p i o s e m t o d a a s
a t i v i da d es d a Ju st i ça D es po rt i v a , c o mo s en d o o c a m i n h o l ó g i c o e i de a l
a ser s egu id o du rant e as inst ru ç ões p roc essu ais”1.
Ress alta-se qu e o descu mprimento dos princípios poderá ser
t r ad u z i do n a n u l i d ad e d o p r oc e ss o d esp o rt i v o. Tal a r az ã o d o cap r i ch o
legislativo de estender no artigo 2º os princípios que regem a Justiç a
D e sp o rt i v a . O u t ros s i m, c om o d e mon s t ra d o n e s se t r ab a l h o , h á
p r inc íp ios n ão descrit os q u e, p or su a cond iç ão cons t ituc ion al, t a mbém
aplacam o processo desport iv o, con f erindo- lh e credibilidade e
legalidade.
1
SCHMITT, Paulo Marcos (Coordenador). Código Brasileiro de Justiça Desportiva comentado. p.24.
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E n f i m , a l c an ç a-s e c o m êx i t o o ob j e t iv o d e st e t ra b a lh o qu e é
traç ar a a p l i c a ç ão d os p ri nc í p i os p ro c es su a i s cons t i t uc i o nais na
Just iça Desportiva. Devido à grande import ân cia que vem sendo dada
a esta, pois lhe confere o julgamento de todas as ações em níve l
desportivo, já que é órgão comp etente e dificilmente recorre-se à
J ust iça comu m, deve adqu irir carát e r es p ec i a l e s e r b e m d e l i n e a da e
abordada nu m anseio de aux iliar ain da mais o órgão ju dican te do
desp orto.
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desport iva:
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Mutações essenciais realizadas no Código Brasileiro de
Justiça Desportiva
Por Álvaro Melo Filho
“No mu ndo do desporto não há espaço
p a r a r eg ra s e n or ma s p et r i f i c a d a s . ”
Álvaro M elo Filh o
O C ódigo Brasileiro de Ju st iça D esportiv a – C BJD, aprovado pela
R e s o lu ç ão n º 1 , d o C on s e l h o Nac io n a l d e Es por te (D. O. U d e
2 4 . 1 2. 20 03 ) , f o i r e c e n t e m ent e a l t e rado pela Resolução nº 11 ( D. O. U
d e 3 1. 03 . 2 0 06 ) - c u j a pub l i c a ç ã o c on s o l i d a d a pod e s e r en c o n t ra d a n o
sit e
www. ibdd.com.br -, visou ao aprimoramen to das regras
c o d if i c a das , ap ó s a e x p e r i ênc i a v iv enciada e colh ida n o decu rso de
dois (2) an os de aplic abilidade, tornando percept íveis t an to os
a v anç o s, q u a n t o às i m p r o p r ie d a d es e e x c es s os a e x i g i r n e c es sá ri a s
d errog ações e in ad iáv eis correç ões e aju st es .
E m r az ão d a d i n a m ic i d a d e d os f at os e do const ant e dev enir dos
co mpo rt am en t os des p ort i v os ,
o D ireit o D esport ivo quadra- s e como
“un a r eg ula c ió n en e t e rn a r efor m a o en cam b io c on t inu o” , a c o mp e lir
mut ações in adiáv eis n o codex sport ivo. P or outro lado, é sabido qu e
os trib unais e órgãos das ju stiças comum e trab alhista, em todo o
mun do, pad ec em da “ ignoran c ia d e los ju eces ant e las realidades del
mun do deport iv o, len t it ud y pesadez de la maqu inaria judicial, y
sobre inadecu ación de las n ormas del derech o est at a l a la s
p a rt i cu l a ri d a d e s d e l a a ct i v id a d d ep o rt i v a”. D i ant e d e ss a r e a l i d a d e, a
C omiss ão d e E stu dos Juríd icos D esp ort iv os do M in ist ério d o Es p ort e,
d a q u a l s ou mem b r o Rel a t o r, deb ru ç ou- se s ob r e a s c r í t i c a s
publiciz adas e analisou as sugest õ es m a t eri a l i z a d as p or d i vers os
ó r g ã os e s e g m ent os . E , d en t r e as sug e st õ e s, c a b e r e a lç a r, por s u a
c on s i st ên c i a , a br an g ênc i a e c o e r ê n c ia t é c ni c o- jurí d i c a, a s jud i c io s a s
proposições oriundas da Comissão de L eg is laç ão e D ir eito D es p or tiv o
d o C on s e lh o F ed e r al d a O r d em d o s Adv o ga d os do B r a s i l , f o r m a l m en t e
en caminhad as
ao
M in ist ério
de
E sp o rt e.
E ss e
c o n junto
de
c on t r ib u içõ e s d e d i v e r s if i c ado s s et o r es d a s o c ie d a d e, por s i s ó, j á
asseguram um mínimo de legitimidad e à s m od i f i c aç õ e s c on c ret iz a d a s
no CBJD, ao percorrer um caminho “ b em mais part icipat iv o e bem
m e n os aut i s t a ” , com o a v er b a o j uri s t a d es p o rt i vo p o rt ug uês J .
M. Meirim.
C ab e r epon t a r, n e s s e p ass o , qu e o C B JD ex e rc i t a u ma
importante função social e pedagógic a n a es f era d a d is c ip l i n a e da s
compet ições desport iv as, sem olv idar o carát er “ c iv iliz at ório” do
desport o ao in cut ir disciplina ( F oucalt , 2002), const itu in do-se, por
isso mesmo, em pilastra fundament a l n a con st rução legal da
c id a da n ia n o B ra s il. D e ou tra p a rt e, o C BJD é in st ru mento ancilar da
J u st i ç a D e s p o rt i v a , c o m s ed e n os § § 1 º e 2 º d o a r t . 2 17 d a
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C onst itu ição F ederal, órgão qu e se revela como meio ideal para, com
p r e st ez a e c e l e r i d a d e, r e s p ond e r à c r e sc en t e m u lti p l i c a ç ã o d e
c on f l i t os d e sp o rt i v o s , a cu sto s m í n i m os e a m o l da d o s à s pec u l i a r i d ad e s
das at iv idades desport ivas.
N e s se con t e x t o, as m o d if i c a çõe s c on c ret i z ad as em 2 8% d os 28 7
disposit ivos do origin al C BJ D buscaram reduz ir a in cidência de
c on du t a s c o m i ss i v as e o m i ss i v a s d os at o r es d esp o rt i v os qu e mal f e re m
a disciplina e distorcem as compet ições desportivas, qu as e semp re
d e f or m ada s p e l a su p er v alo r i z a ç ão d a v it ó r i a , p e los in t eres s e s
ec on ômicos em jogo e pelo av ilt amento dos v a lores jus- desport ivos.
D en t re as alt er aç ões já v ig or a nt es n o C BJD
c o m o i t ens p r i n c i p ai s :
imp en d e des t ac a r
a ) R ep a r aç ã o d as i m p r e ss õ es e qu i v oca d a s e e rr o s g ra ma t i c a i s
qu e con staram do t ext o of icial pu blicado, em 24.12. 2003, n o D iário
Of icial da Un ião, tais como:
Art. 3º , inciso II - su pr essão do termo “dispensáv el”;
A r t . 17 0 - su pr es s ã o d a c r a se n a e x p r essão “ às seg u int e s
p e n a s”;
A r t . 1 8 7, i n c i s o I I - a l t e r aç ã o d o t e r mo p o r e xt en so ( v in te ) p o r
( tr int a) ;
Art. 187, in ciso III - mu dan ça do termo por ext en so (v int e)
p a r a ( s ess e n t a).
b ) A ju st es i n d i s p en sá v e i s n a p art e in icial do C BJD objet iv ando
u m a m e l h o r o r gan i c i d a d e e f u n c i on a l i d a d e à atu aç ã o d os ó rg ã os d a
J ust iça Desport iva e dar mais ef etivid ade aos princípios proc essu ais
ad ot ad o s p el o C BJ D p a r a s anc i o nar os at os desv iant es qu e en volvam
disciplina e compet ições desportivas, matérias qu e se quadra m nas
b a l i z a s c on st i t u c i o n a i s f i x ad as para a Ju st iça D esport iva.
c ) M o d e rn i z aç ã o do p r oc es so d es p or t i v o i n s e r in do m ec an i s m os
mais ágeis e ef i c a zes , p or exe m p l o , ampliando o elenco de atribuições
e p r errogat iv as
da P r ocu r ad oria da J ust iça D esport iva ( a rt . 21),
t o rn and o o I n q u ér i t o ( a rt s. 81 e 8 2 ) uma ferramenta processual mais
h armôn ica com a realidade ju s- desp ortiva e suprimindo o Recurs o
N ec es sár io (ar ts. 14 3 a 14 5) p a ra n ã o d e lon g ar o p r o ce dime n to jus d esp o rt i v o, s ej a p el a c on s c i ên c i a dos e f e i t os p er v e rs o s e i r r e p a r áv e i s
prejuízos que as tardias decisões aca r r eta m ao s ist ema d esp ort iv o,
seja porque a própria Carta Magna f i xa e m 6 0 d i a s o p ra z o m áxi m o
para o deslin de dos lit ígios de competên cia da Ju st iça D esport iva.
d ) A c on v e r sã o pa r c i a l d a p e n a pecun iária em at iv idades de
i n t e r es se p ú b l i c o ( a rt . 1 72, § ú n i c o) , ou p o r m e i o d e m e d i d a d e
i n t e r es se s o c i a l ( a rt . 1 76, § 2 º ) , an t es ad st r it a a u m máx imo d e u m
t e r ço ( 1 / 3 ) f o i amp l i a d a p a r a at é a m e t ad e d a p en a, d an d o m a i s
e s p aç o p a r a o t ra t a m ent o d e s i g ua l d e d e s ig u a i s , s op e s an d o a s
condições econ ômicas dos infrator es e en s ejan d o uma ef etiv a e ma is
j u st a i n d iv i du a l i z açã o d a p en a .
e ) A n ov a r e d a ç ão d o a r t . 175 , § 2º e st a b e l ec e q u e, e m ca s o d e
p e n a l i d a de d e p e rda d o m an d o d e cam p o, f i c a a ex c lu s iv o c r i t é r io d a
en tid ad e or g an i za dor a da c om p e t iç ã o d i s c i p l i nar a f o rma d e ex ec uç ã o
d a p en a, d e s d e qu e f a ça c on st a r, p r é v i a e o b r i g at or i a m e n t e, n o
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Regulamento da compet ição, a sistemát ica de cumprimento da
penalidade de perda de mando de campo. Dess e modo, na
materia l i za ç ã o d a p en a l i d a de , ent ende m o s qu e a ent i d ad e d i ri g ent e
tan to p od e d et er m i n a r a r eali z a ç ão d a p a rt i d a em o ut ro c a m p o, c om o
p o d e, pa ra e v i t a r p r o b l e mas f in an c e ir o s e l o g ís t i c os dec o r r en t e s d a
b u s ca d e u m n ov o c a m po , des i gn a r o m e s m o cam p o, i mp on d o, n es s a
h ip ótese, s u a r ea li za ç ão d e p o rt õ es f e c had os . T a l m o d a l i d a d e nã o
in f ir m a a p en a lid ad e , p o is o c lu b e pun id o f ic a s e m a ren da e s em a
s u a t o rc id a , f u n d ame n t os m a i o r e s d a p e rd a d o m an d o d e c am p o.
Aliás, numa in t erpretação sist emát ica do C BJD é preciso n ã o
con fundir perda de mando de campo com int erdição (art. 174), ún ica
h i p ót e s e e m q u e s e v e da r e a l i z a ç ão d a p a rt i d a n a mes m a
p ra ç a
desport iva.
f) Boa parte das penalidades pecun iárias ou mu lt as f oram
r e du z id a s p a r a a t en d er a u m u n í s s on o c l a m or d e t o da c o m u n i dad e
desportiva que sempre verberou contra os valores excessivos e
desproporcion a is
origin alment e
f ixad os
no
CBJD.
A
redu ção
c on c r et i z ad a at r e l a- s e n ã o s ó à au sên c i a d e e f et i v a c o m pr ov aç ã o
c i e n t í f i c a o u d ou t r in á r i a d e q u e m u lt as a l t as ou p e n a s g ra v es i n i b em,
n a p r át ica , c on duta s c on tr ár ia s à legislação desport iva disciplinar e
c o m p et i t iv a, a l é m d e o b r ig ar o s ó rg ão s ju d i c an t e s d e spo r t i v o s, or a a
conced er longos parcelamen tos, or a a refluir na aplicação das penas
d e m u lt a e m r e a i s v a l o r e s ex i g i d os pel o c a s o c on c r et o. D en t r o des t a
f ilosof ia, e, sem pret en der est imu lar a mais mín ima impun idade, os
v a l o r e s d a s mu l t a s f o ra m r e a d e qu a d o s n os c a s o s e m q u e a
e x p er i ê n c i a n a a p l i c a ç ão d o C BJ D i n d i c ou a n e c es s id ad e d e a ju st e
r e d u t or . E d e n t r o d o c r it é r io a d ot ad o a s mu l t as d e R $ 5. 0 00, 0 0 a R $
50.000,00 com as modificações variam do mínimo R$ 1.000,00 e
máximo R$ 10 .000,00. Já as penas pecuniárias que alcançavam de R$
5 0 . 0 00 , 0 0 ( m í n i m a) e p odia m c h a ga r a R $ 5 0 0. 00 0, 0 0 a g ora
co rresp ond em a o m í n i m o d e R$ 1 0 .0 0 0,0 0 e má xi m o de R$
2 0 0. 00 0, 00 . P e rmane c e u i n a lt e r a d a, c on st itu in d o- s e em ú nic a e xc e ção
à r e d u ç ã o d o s v a l o res p ec u n iá r i o s p r ev i s t o s n o C BJ D , a m u l t a d e a t é
R $ 50 0. 00 0 ,0 0 p rev ist a n o a r t. 23 1 qu e s anc ion a a p ostu la ç ão à
J ust iç a C omu m, ant es d e es gotadas as in st ânc ias d a Ju st iç a
D esport iva, ou aqu ele qu e se ben ef i c i a r d e m e d i d as o bt i d as p o r
terceiros ou “laran ja s”.
g ) O ar t . 1 8 2 pr e v ê a r e du ç ã o d as p en as à m et a d e, n a e s f er a
n ã o p ro f is s i on a l , t a n t o n o c a s o d e a t let as, qu ant o n a h ipót es e d e
e n t i d a d es
de
p rá t i c a
d es p o rt i v a ,
a t end en do
ao
t r at ame n t o
dif erenciado ent r e prof ission al e n ão prof ission al ex igido na Lex
M ag na, sem d escu rar qu e es s a con d ição – p r of is s ion al ou n ã o
p r of i s s i ona l , é d o a t l e t a e n ã o da mod a l i d a d e d e s p or t iv a. P or i s s o
mes mo, o b en ef íc io d a r edu çã o d e penas à metade, quando aplicável
a e n t id a de d e p r áti c a d e sp or t i v a, alberga aquelas que participam de
compet ições envolvendo, tão só, at letas não profissionais.
h) O art. 214 foi modificado para apenar, também, a utilização
pot encial de at let a sem condiç ão legal, sem f icar adst rit o àqu eles qu e
efet ivamente part icipem da part ida ou prov a, ou seja , dora vante,
b a s t a o c or r e r a i n c l u s ã o d o a t l e t a irregu lar n a sú mu la ou docu ment o
e q u iv a l e n t e p ar a g e r a r a ape n aç ã o. As r e s i s t ênc i a s a est a mut a ç ã o
por
in f i rma r
p a rc e l a
ex pr e s s iv a
de
ju r i sp ru d ên c i a
d e sp o rt i v a
e s b o roa m- s e qu ando s e i n d i ca q u e a taxa é uma espécie tributária
ex igida pelo poder público como contraprest ação a serv iços ef et iva ou
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p o t en c i a l m e n t e p re s t ad os , v a l e d i z er, a inclusão do at let a n a súmu la
t orn am- o pot encialment e part ícipe da compet ição, e, por isso mesmo,
n ã o p o de s u a ent i d a d e d e p r át i ca d e sp o rt iv a f ic a r is e nt a d a
penalidade const ant e do art. 214 do CBJD .
i) O art . 253, § 2º foi alt erado para subst itu ir a possibilidade de
p e n a d e spo r t i v a p e rp é t u a d o a t l e t a ag res s o r n a h i p ót e s e d o ag r ed i d o ,
e m r a z ã o d a a g r es s ã o s of ri d a , n ã o o b t e r a t o t a l r e c u p e r aç ã o d a
con tusão e f icar inabilit ado para a prát ica desport iv a pelo rest o da
v i d a. C abe r e ss a l t a r qu e es t e “ t a l i ão d e sp o rt i v o ” , c o mo b at i z amos ,
p o d e r i a res u lt a r n u m a p en a l i d a d e em c a rá t er p e rp é t u o , h i p ót es e
v e d ad a e i n a d m i t id a p e l o a r t . 5 º, i n c i s o XLV I I d a C o n s t i t u i çã o
F e d e ra l . A s s i m, em f ac e de d ú v id as a t é d e c o n st i t u c i o n a l i d ade e
juridicidade exsu rg idas n a a p l i c a ç ão d o r e f e rid o d i t a me, c o l o c ou - s e
uma limitação de 720 dias como prazo máximo desta tipologia penaldesport iva, mesmo qu e o atlet a agredido perman eça impossibilit ado
de ex ercer su a at ividade desport iv a, ou seja, pondo t ermo à carreira
desport iva o qu e equ iv a leria, essen c ialmente, a n egar o próprio
direito ao despor to.
j) Mutações de inegável urgência e alcance sócio- desportivo
e s t ão c on t e m p l ad as n o s ar t i gos 1 87 , 2º e 3 º, 21 3 , § 4 º e 2 5 2, § § 2 º
e 3 º, a lt er a d os pa ra t i p if i c a r e s an c i on a r at l e t as , e n t es d e sp o rt i v o s ,
d irig en t es e t or c i da s qu e pr a t i que m a t os nã o s ó d e ra c i s m o, m a s
out r as f ormas d e man ifest ação d is c r imin at ór ia ou at o int oler a nt e qu e
imp liq u e e m a fr on ta e m en os p r ez o à d ig n id a d e hu m an a. C o m ef e ito, a
d i s c r i m in aç ã o de p es s o as e m f u n ç ã o d e s u a c or , o r i g e m étn i c a, s e x o ,
idade, con d ição de idoso ou de port ad o r d e d ef i c i ê nc i a , s ub o rd i nams e , t a m b ém, a o r egim e s an c ion ad o r d es p o rt i v o , a t é p o rqu e o d e sp or t o
d e v e s e r i n st ru m en t o d e lu t a c on t r a a t os e x p re s s os ou v e l a d os d e
d i s c r i m in aç ã o. P o r i s s o m e smo , o C BJ D pr ev iu p a ra t a is h ip ót eses
c u m u l aç ão d e p en a s d e mu l t a p ecun i á r i a que p od e ch e ga r a R $
2 0 0. 00 0, 00 , p er d a d e m a n d o d e c am p o d e 1 ( u m a) a 1 0 ( d e z )
p a rt i d a s, s u s p ens ão d e 1 a 3 an os, p e r d a d e 6 p on t os , n a pr i m e i r a
i n f ra ç ão, e , e x c l u sã o d a c om p e t iç ã o, e m c a s o d e r e i n c id ê n c i a . D e s s e
m o d o, s em e s t a r e lev an t e m u t a ç ã o , o C BJ D n ã o e s t ar i a r e s p ond e n d o à
c on t emp or a n e i da d e d o s p r ob l e m a s e d e m an da s d es por t i v as, n e m
e s t ar i a ad a p t ad o à r e c en t í s s i m a n ormat iva int ern acional desport iv a.
Aliás, a propósit o, a o C BJD é bem mais rigoroso do qu e a F I FA n a
p un ição a man if estaç ões a at itud es d is c r imin at órias em p a rt id as d e
f u t eb o l . C o m e f e i t o, a s p e n a s p r e v i st as n a n ov a r e d aç ã o do a r t . 5 5 d o
C ódigo D isciplin ar da F IF A (C ircu la r n º 1 . 0 26 , d e 2 8. 03 . 2 0 06 ) s ão ,
c o m p a r at i v a m ent e, m a i s t ím i d a s e m e n os o n e r os as p a r a atl e t a s ,
dirigentes, clubes e torcidas.
Cabe ressaltar, ainda, no plano de ap licação intertemporal do
código
d e sp o rt i v o ,
qu e
as
n ov a s
d i s po s i ç õ es
de
natureza
o r g an i z a c io n a l e p r o c e s s u a l n o C BJD ( a rts . 1 º a 15 2) ap lic a m- s e
imediat ament e, de logo, tant o às comp et iç ões em cu rs o, qu anto às
f u t u ra s com p et i ç õ es . P or out r o l a do, as mut a ções n a s pen a lid ad es e
i n f ra ç õ es c on st an t es d os a r t ig o s 1 56 a 2 8 4 d o C B JD só i n c i d e m s o br e
as c omp etiç ões d esp ort iv as in ic iada s a partir de 01.04.06.
Sublinh e-se, por relev ante, qu e se, por um lado, est a s
alterações no CBJD resolvem alguns prob lemas, de outra parte,
acabam criando outros , passíveis d e s o l u çã o p e l a d ou t r i n a e
j u r i sp ru d ên c i a d esp o rt i v as . O u t ros s im , d ev em o s es t ar c i en t es e
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c on sc i e n t e s d e que a r es o lu çã o d e c on f l i t os d e sp o rt i v o s é m at é r i a
complexa, e, não deslembrar que no p l a n o d o D i r e i t o e d a Jus t i ç a
D e sp o rt iva “ é p r ec is o ap r en de r a n av eg a r e m um o c e an o d e inc e rte z as
em meio a pou c as ilh as de cert ez a” .
E m su m a, as i n d i s p en sáv e is mu t a ç õe s aq u i r e a l ç a das, e m
c a r át e r ex e m p l i f ic at i v o, n a r e f o rma p a r c i a l d o t ec i d o n o r ma t i v o
p r o c es sual e s an c i on ad o r d o d e sp o rt o b r a s i l e i r o , c e rt a m ent e t o rn a rão
o C BJ D m a i s á g i l e p r ag má t i c o n a s u a atu a ç ã o , m a i s a j u s t a d o à s
n ov as c i r c u n s t ân c ia s h i st ó r ic a s, m a i s s e n s í v e l a o s n o v os p a r a d i gma s
ju s- desp ort iv os int ern ac ionais e ma is próximo aos anseios da
s o c i e da d e d es p or t iv i z a d a.
Á lvaro Me lo F il ho e s A dv ogad o . Pro f e ss o r com M es trad o e Li vr e D o cên c ia
em
D ir e i t o
D e sp o rt i vo .
D o c e n te
de
c ur s os
de
e spe c ial iza çã o em D i re it o De sp ortivo em São Pa ulo e R i o Grande
d o S u l . Mem b ro d a F I F A , d a I nte rna ti o nal S p o rt
Law
A ss o cia t ion , d o In s ti tu t o B ra si le iro d e D ire i to D e sp o rt i v o, d a
C om is sã o d e Est ud o s J ur íd i c os E sp o rt i vo s d o M i ni st ér io d e
E sp o rt e e d a C om is sã o d e D ir e it o D e spo r t iv o d o C on se l h o
F e d e ra l d a OA B .
C o nsu l t or da O NU na área d e D ir eit o
D e sp o rt iv o . A ut o r d e 2 1 l iv r o s na á r e a d o D ir e i t o D e sp o rt i v o.
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La lucha contra el racismo en el fútbol:
los casos español y holandés
Por Ronald Olsthoorn y Marcos Caballero
Resumen:
El problema del racismo y de la violencia en el fútbol no es reciente. La
mayoría de las Ligas más importantes de Europa, especialmente la inglesa, la
alemana y la holandesa, se enfrentaron hace años a las manifestaciones xenófobas
con planes contundentes, que han dado sus frutos. A pesar de que en España se
trata de un problema antiguo y, en muchas ocasiones, eludido por las autoridades,
los últimos incidentes relacionados con Samuel Eto’o ha suscitado una reacción de
las autoridades europeas y españolas.
Introducción
El 25 de febrero de 2006 fue una página negra en la historia del fútbol
español. Samuel Eto’o estuvo a punto de abandonar el campo de la Romareda tras
los insultos de los ‘ultras’ del Real Zaragoza, los cuales le tildaron continuamente de
mono. No se trata de un incidente aislado. Los gritos ofensivos y discriminitarios
desde las gradas son un fenómeno que lleva ya algunos años en el fútbol y en el
deporte español. Sin embargo, este acontecimiento causó una ola de indignación e
hizo pensar que algo más hay que hacer que únicamente sancionar al Real
Zaragoza con una multa de 9.000 euros. Las autoridades deportivas han dicho que
van a tomar medidas. ¿Cuáles son los siguientes pasos a tomar para eliminar este
tipo de comportamientos? La liga holandesa ya tiene reglas en este ámbito. Tal vez
una exploración del caso holandés lleve a una aclaración.
Los ecos de los comportamientos racistas españoles en Europa
Lo sucedido en España no ha sido ajeno a las autoridades europeas. Primero
fue la Comisión contra el Racismo y la Intolerancia (ECRI) del Consejo de Europa la
que instó a España a redoblar sus esfuerzos para prevenir y castigar las
manifestaciones racistas y xenófobas en los partidos de fútbol. Posteriormente, a
mediados de marzo, la Eurocámara adoptó formalmente una resolución en la que
reclama medidas contundentes contra los actos de racismo en el fútbol europeo,
incluida la suspensión de partidos o la expulsión de federaciones y clubes reincidentes.
Del mismo modo, el sindicato internacional de jugadores (FIFPro) urgió a la Real
Federación Española de Fútbol (RFEF) a tomar medidas similares en el caso de los
gestos y acciones racistas.
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Todo esto provocó la reacción de Joseph Blatter en Zurich. A finales de
marzo, la FIFA inesperadamente informó a sus miembros de la reforma del código
disciplinario, aumentado las sanciones del artículo 55 del código. De modo que un
futbolista que comete gestos y acciones racistas durante un partido puede ser
automáticamente suspendido con cinco partidos y una prohibición de entrada al
estadio por el mismo periodo, además de ser multado con 14.000 euros. Los
entrenadores, e incluso los árbitros, reciben las mismas penas aunque con una
multa más alta. Los aficionados en las gradas pueden contar con una prohibición de
entrada al estadio durante dos años. Por último, los clubes y las federaciones
pueden cargar con la responsabilidad del compartimiento de sus aficionados y ser
multados con hasta 20.000 euros. Además, cuando haya una relación evidente
entre el infractor y el club o la federación se podrán deducir los puntos ganados.
Tras dos infracciones consecutivas incluso podrían ser descendido de categoría o
descalificado de la competición. La FIFA urgió a sus federaciones afiliadas a adoptar
las nuevas reglas en sus propios estatutos.
El caso español
Por lo que respecta a España, hace un año se implantó ‘el Protocolo de
Actuaciones contra el Racismo, la Xenofobia y la Intolerancia en el Fútbol’,
aprobado por la Secretaría de Estado para el Deporte y firmado por la Federación,
la Liga, los clubes, la Asociación de Futbolistas y los árbitros. Se trata de un
documento de 31 artículos y lleno de propósitos buenos. Sólo falta el cumplimiento.
Después de un año hay que sacar en conclusión que, salvo el saludo de los
jugadores de ambos equipos antes del inicio del partido, los firmantes han hecho
pocos esfuerzos en su promesa de aplicar medidas disciplinarias y de sensibilización
para prohibir y prevenir la difusión de mensajes, símbolos o consignas xenófobos.
El caso holandés
Ya en 1992 fue el holandés Guus Hiddink, por aquel tiempo entrenador del
Valencia, el que ordenó retirar una pancarta con símbolos nazis en el estadio de
Mestalla. Su país de origen cuenta con más experiencia en este ámbito. Holanda
tiene un modelo de actuación que más o menos funciona. En primer lugar es
importante señalar que la política holandesa contra la violencia no sólo se ciñe a los
gritos racistas, sino que se extiende a cualquier grito de carácter insultante o
discriminatorio. En el ámbito deportivo, la Federación Holandesa de Fútbol parte de
una intensa colaboración con los clubes, las peñas, las autoridades locales, la
policía y las Fiscalías. Si bien son los árbitros los encargados de aplicar las medidas
contra la violencia verbal durante los partidos. Según la directiva ‘Violencía Verbal’
el árbitro puede parar el partido inmediatamente, ya sea de forma temporal o
definitiva, tan pronto como los himnos y cánticos de las gradas tengan un carácter
‘insultante, amenazador, discriminatorio o racista’. Para interpretar esta expresión
en 2005 se publicó una lista de términos inadmisibles, entre los cuales figuran
emitir sonidos de la jungla, sisear (refiriéndose a las cámaras de gas), imitar a las
cabras o aludir a los genitales y a la prostitución. Este poder del árbitro no es pura
formalidad, considerando que en la temporada 2004/2005 catorce partidos fueron
paralizados o suspendidos. En la práctica, cuando se paraliza un encuentro, el
árbitro se pone en contacto con el delegado del campo y el club anfitrión, los cuales
a través de la megafonía dan un último aviso al público para que corrija su
comportamiento. Si los gritos continúan, se suspende el partido.
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En cualquier caso, lo más importante es que la responsabilidad se está
cargando sobre los clubes. Según las reglas de la Federación, tienen que hacer todo
lo que sea posible para contrarrestar la violencia verbal. De hecho, los clubes junto
con las peñas se están esforzando en localizar y castigar a los autores de este tipo
de ofensas a través de las cámaras internas de vigilancia y de la presencia de
personal de seguridad en las gradas. Si se determina la responsabilidad del club por
los desórdenes, el órgano disciplinario de la Federación le impone sanciones, que
incluyen multas de hasta 90.750 euros. Por todo esto existe una gran dedicación de
los clubes para combatir los desmanes. Además, muchos clubes han adoptado sus
propias pautas de actuación para suprimir este tipo de comportamiento.
Conclusiones
Nos queda la pregunta de cómo hacer efectivo el Protocolo de Actuaciones
contra el Racismo, la Xenofobia y la Intolerancia en España. Hasta ahora faltan la
colaboración entre las partes implicadas, el establecimiento de una estructura
apropiada y, sobre todo, la adopción de penas efectivas. Es más, aún se hace
esperar el primer encuentro suspendido. Pero en el fondo son los clubes los que
tendrán que atreverse a ser duros con sus ‘ultras’ en lugar de darles privilegios
porque la lucha contra el racismo en el deporte mundial está en marcha y para
España ya no hay vuelta atrás.
Ronald Olsthoorn & Marcos Caballero (Larrauri & López Ante, Abogados)
N ot a : E x is t e un a t ra du cc ió n d e e st e art ícu lo a l id iom a portu gu é s. Pa r a
solicit arla, escriba a la dirección postmast er@ dd - el. c om.
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El racismo y la justicia deportiva: un estudio comparado
(Brasil y España)
Por Emerson Ademir Borges de Oliveira (Brasil) y Rafael Alonso Martínez (España)
INTRODUCCIÓN
Cuando nos propusimos trabajar en este tema, mi colega Rafael y yo
sabíamos que nos encontrábamos ante un tema susceptible de múltiples debates.
No por su naturaleza en sí, pues, unánimemente, las personas con sentido común
reconocen lo absurdo e irracional del prejuicio racial o étnico y el reproche que
merecen tales actos.
Lo que se ha debatido ampliamente son las formas de minimizar ese
problema de dimensión mundial y cómo la legislación deportiva lo ha tratado
cuando ha tenido lugar durante la práctica deportiva.
Se buscan soluciones, surgen debates, se contagian las conciencias
generalizadas, ya sea por la prensa en sí, ya por el choque que supone para los
pueblos la demostración de desigualdad en virtud de raza, etnia, etc. Los
legisladores buscan la ayuda de los más profundos conocedores del tema e intentan
combatir, a cualquier precio, el racismo, la xenofobia y otros actos análogos sobre
la idea de que no es posible que en pleno siglo XXI todavía haya quien sustente
manifestaciones tan arcaicas e irracionales, incluso siendo consciente de las
mismas.
Imbuidos de esa misión, comienza este breve estudio que hunde sus raíces
en dos países: Brasil y España. Ambos notoriamente conocidos en el ámbito
mundial por movimientos y actitudes racistas en el campo deportivo que precisan
ser combatidas y ya lo están siendo.
Emerson
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PARTE PRIMERA – BRASIL
1.1 INTRODUCCIÓN AL RACISMO EN EL CÓDIGO BRASILEÑO DE JUSTICIA
DEPORTIVA
Nos adentramos ahora en el específico tratamiento de la legislación
deportiva brasileña en relación a la represión de actitudes discriminatorias, en
especial, en nuestro caso, del racismo.
Para Aurélio Buarque de Holanda, el racismo se caracteriza por ser una
“doctrina que sustenta la superioridad de ciertas razas”. Es decir, quien comete un
acto racista cree encontrarse en una situación superior respecto de aquélla de quien
sufre su acción. No existe ningún fundamento jurídico, sociológico o filosófico que
pueda sustentar con vigor el racismo, cayendo éste en el campo de la
irracionalidad. Es contrario a la razón. No tiene respaldo en el raciocinio, en el sano
juicio, en la inteligencia, en la comprensión, en el sentido común, en la prudencia,
en la ley moral, en la justicia y en el derecho1. De esa manera, no existe
justificación plausible para la actitud discriminatoria en general.
“El racismo sirvió, históricamente, para justificar la sumisión de pueblos
enteros a otros pueblos. Sirvió para sustentar nacionalismos delirantes, para llevar
a cabo expolios coloniales, para legitimar guerras y masacres...”2.
La manifestación racista en Brasil es problema derivado, sobre todo, del
tráfico negrero, en siglos pasados, para trabajos, principalmente, en las
plantaciones de caña de azúcar, a pesar de que muchos eran destinados a otras
áreas, o se convertían en empleados particulares de sus señores.
El tiempo transcurrido no puede evitar que se sigan costumbres de tal
época. Aún hoy lidiamos con la cuestión racista en gran medida, hasta el punto de
que debatimos la viabilidad o no de los cupos de negros en las universidades
públicas.
A continuación, ningún campo puede escapar de lo que está generalizado,
principalmente, en el ámbito laboral. Porque, frecuentemente, escuchamos los
clamores de razas, etnias, seguidores de otras opciones, deficientes, etc. que son
minimizados, discriminados y despreciados en el ejercicio de sus funciones.
Así sucede también el campo deportivo, en particular, en el fútbol. Esto es
así porque el fútbol concentra a un gran número de negros y afro-descendientes en
Brasil, ya que es el deporte más popular y no podemos sustraernos de la realidad
de que, entre las clases más bajas, la raza negra representa la gran mayoría, un
“legado” que heredamos de nuestro tipo de colonización3.
Ante ese panorama, ya se adivina que los problemas racistas que suceden
en los estadios de fútbol y, más concretamente, dentro del propio terreno de juego,
se convierten en habituales, pero inaceptables.
A pesar de todo, el Código Brasileño de Justicia Deportiva (CBJD), fruto de
la resolución nº 01 del Consejo Nacional del Deporte (CND), de 2003, pese a su
1
La “razão” según Aurélio Buarque de Holanda.
José Geraldo Couto. Jornal Folha de São Paulo, 18 de marzo de 2006, p.D3.
3 “O meu palpite é que existe um racismo inercial, que herdamos sem perceber de nossos antepassados,
do meio em que crescemos, e que só deixa de existir quando nos damos conta dele e resolvemos combatêlo de forma consciente”. José Geraldo Couto. Jornal Folha de São Paulo, 18 de marzo de 2006, p.D3.
2
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gran importancia, no preveía expresamente la tipificación de actos discriminatorios
en general, debiendo soportar duras críticas y algunos casos prácticos
extremadamente problemáticos durante algún tiempo.
Transcurrido un periodo de distintas solicitudes en ese sentido,
provenientes, principalmente, de los medios de comunicación, una recientísima
reforma del Código trajo consigo lo que era tan esperado. Incluso, mientras se
discutía la plasmación de este texto, una resolución del CND de 29 de marzo de
2006 introdujo diversas modificaciones en el CBJD, añadiendo la tipificación
expresa de actitudes discriminatorias y la sanción ejemplar a deportistas y clubes,
las cuales se examinan a continuación sin más demora.
1.2 LEGISLACIÓN ESPECÍFICA
Como se olvidó resaltar en esta breve introducción, ya existía un clamor,
desde la elaboración del Código Brasileño de Justicia Deportiva, de una parte del
mismo que atendiese en especial a los actos discriminatorios.
Con el tiempo, los casos prácticos habían comenzado a aparecer y, además
de no existir disposiciones al respecto en el CBJD, tampoco existía legislación
deportiva específica para estos casos, con previsión de las sanciones a imponer al
infractor.
En consecuencia, era necesario proceder a nuevos estudios con el fin de
afrontar abiertamente el problema. Así se comenzó a hacer, aunque por otros
problemas la incorporación no salía adelante, hasta que el caso Antonio Carlos, en
el sur del país, se convirtió en la gota que hizo colmar el vaso1 para que el
Ministerio del Deporte efectuase esa y otras modificaciones.
Valed Perry, en entrevista al site Futebol Interior, explicó que la reunión de
la Comisión que decidiría las modificaciones del CBJD ya estaba señalada hacía
tiempo. El problema del racismo justificaba aún más la urgencia de la reunión y de
las modificaciones.
Sobre esto trataremos a continuación.
1.2.1 PROBLEMAS PRECEDENTES A LA ELABORACIÓN
El diario Folha de São Paulo de 17 de marzo de 2006, en su bloque de
Deportes, se hacía eco de la falta de presupuesto para afrontar la reforma. La
afirmación partía de las declaraciones de los miembros de la Comisión Jurídica del
Ministerio.
Álvaro Melo Filho explicaba así la paralización de los trabajos: “Parece que
el Ministerio tiene problemas presupuestarios”. La opinión de Valed Perry era en el
mismo sentido: “Creo que la confusión en Brasilia terminó afectando a la liberación
de los fondos”.
Ya hacía un año que Melo Filho, Perry y otros notables juristas deportivos
trabajaban en la reforma del CBJD, incluyendo la cuestión de la lucha contra los
actos discriminatorios. El borrador del nuevo texto ya estaba preparado en la fecha
de la citada noticia. Por fin, el Consejo Nacional de Deportes consiguió dar
1
“La decisión del Ministerio tiene por objetivo minimizar el malestar provocado por el caso de Antonio
Carlos, defensa del Juventude”. Así se pronunció el site Máquina do Esporte, el 20 de marzo de 2006,
respecto de la convocatoria de la Comisión para las modificaciones del CBJD.
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continuidad a los trabajos y presentó el nuevo texto del CBJD el 29 de marzo de
2006.
En fecha 20 de marzo, el site Máquina do Esporte informó de la reciente
convocatoria de los miembros de la Comisión para continuar los trabajos. Así se
hizo en Brasilia los días 23 y 24 de marzo de 2006 en la Comisión formada por los
siguientes juristas: Álvaro Melo Filho, Valed Perry, Marcílio Krieger, Heraldo
Panhoca, José Cácio Tavares da Silva, Alberto Puga, Paulo Schmitt, Carlos Eugênio
Lopes, Luiz Zveiter y Francisco Xavier da Silva Guimarães.
1.2.2 ENTRADA EN VIGOR DE LA NUEVA LEGISLACIÓN
Finalmente, ¿qué tratamiento se dispensa al racismo en la nueva
legislación?
De forma unísona la legislación deportiva, en lo concerniente al racismo,
fue receptiva a las modificaciones del Código Disciplinario de la FIFA, con medidas
más combativas que no deberían permitir que aún se diese el racismo dentro del
ámbito deportivo.
Así, el nuevo artículo 187 del CBJD:
“Ofender moralmente:
I - ...
II - ...
III - ...
§ 1º ...
§ 2º La ofensa moral que consista en acto discriminatorio derivado de
prejuicios por razón de origen étnico, raza, sexo, color, edad, condición de
persona mayor o con deficiencia será sancionada con suspensión de 01
(uno) a 03 (tres) años, no siendo de aplicación lo dispuesto en el párrafo
único del Art. 172 de este Código.
§ 3º El club al que perteneciese la persona física autora de la conducta
descrita en el párrafo anterior, será sancionado con multa de R$ 10.000,00
(diez mil reales) a R$ 200.000,00 (doscientos mil reales) y clausura del
terreno de juego de uno a diez encuentros, pruebas o equivalentes en
cuanto participación de una competición oficial y pérdida del doble del
número de puntos previstos en el reglamento de competición para el caso
de victoria y, en caso de reincidencia, con la exclusión del campeonato o
torneo.
§ 4º Cuando no fuese posible aplicar la regla prevista en el párrafo anterior
por la forma de disputa de la competición, el club será sancionado con la
exclusión de la competición o torneo.
§ 5º En el caso de aplicación de la sanción de pérdida del doble del número
de puntos prevista en el § 3º de este artículo, se mantendrá el resultado
del encuentro, prueba o equivalente a todos los efectos previstos en el
reglamento de competición y el club que aún no hubiera obtenido puntos
suficientes, quedará con puntos negativos.”
A efectos comparativos, las modificaciones en el Código Disciplinario de la
FIFA van en la siguiente dirección: privación de tres puntos para el club implicado
en un primer caso de racismo; privación de seis puntos en caso de reincidencia; y
exclusión del club del campeonato la tercera vez que se produzcan los hechos.
Además, el artículo 55 prevé multas a partir de 10 mil francos suizos. Sin perjuicio,
obviamente, de la sanción particular al deportista que estuviese implicado en actos
racistas.
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Nuestro CBJD presenta una punición ejemplar para el implicado entre uno
y tres años. Y también se ocupó del club. La entidad sufre una multa pecuniaria
entre diez y doscientos mil reales, además de la clausura del terreno de juego entre
uno y diez encuentros. Además, pérdida del doble del número de puntos previstos
para la victoria en el campeonato (cabiendo incluso la posibilidad de puntos
negativos) y exclusión de la competición en caso de reincidencia (que también
puede darse de manera directa en caso de que la estructura del campeonato
imposibilite la aplicación de la sanción en los términos del §3º).
Una cuestión suscitada por la FIFA y que ha sido ampliamente debatida es
la relativa a la sanción al club por causa de manifestaciones racistas de su
hinchada. La Gazeta do Povo Online, en noticia publicada el 8 de marzo de 2006,
resaltó la temeridad del Presidente Luiz Inácio Lula da Silva en relación con las
actitudes de los aficionados hacia los jugadores, ya que el Presidente llegó a exigir
en carta a la FIFA sanciones para los clubes ante tales hechos, e incluso también
para las propias selecciones.
Debe resaltarse que nuestro CBJD no omitió esta cuestión sino que trató el
asunto con severidad en el artículo 213, §4º: “El club cuyos seguidores cometan
actos discriminatorios derivados de prejuicios por razón de origen étnico, raza,
sexo, color, edad, condición de persona mayor o con deficiencia será sancionado
con la sanción prevista en este artículo y pérdida del doble del número de puntos
previstos en el reglamento de la competición para el caso de victoria y, en caso de
reincidencia, con la exclusión del campeonato o torneo.
Álvaro Melo Filho, uno de los autores del Código, apunta que las
modificaciones del CBJD tienen por objeto “tipificar y sancionar a deportistas, entes
deportivos, dirigentes e hinchadas que practiquen actos, no sólo de racismo, sino
también de cualesquiera otras formas de manifestación discriminatoria o acto
intolerante que implique ofensa o menosprecio a la dignidad humana”1 (el
subrayado es nuestro).
Finalmente, debe destacarse un hecho plausible. Mientras que el Código
Disciplinario de la FIFA – a pesar de que la entidad ha exigido su aplicación a las
federaciones de fútbol y al margen de su jerarquía normativa respecto del
ordenamiento deportivo local – sólo resulta aplicable al fútbol, el CBJD, en cambio,
resulta de aplicación a todas las actividades deportivas del país.
1.2.3 CONSTITUCIÓN FEDERAL
CÓDIGO PENAL
E INJURIA CUALIFICADA EN EL
Es importante resaltar que la lucha contra el racismo no nació en la Justicia
Deportiva. Mucho antes del CBJD, y sin perjuicio de la punición administrativodeportiva, ya existían previsiones penales para aquellos que cometiesen actos
racistas, incluso durante un encuentro.
Ello ocurre porque la esfera constitucional, y también la penal, alcanza a
todos los acontecimientos con relevancia jurídica ocurridos dentro del territorio
nacional, sin perjuicio de que exista previsión de punición deportiva. Debe tenerse
presente que ambos ámbitos son independientes, razón por la cual el infractor
puede ser sancionado en las dos esferas.
La Constitución Federal de 1988 ya se ocupaba de la cuestión en su
artículo 5º, XLII: “la práctica del racismo constituye delito inafianzable e
imprescriptible, sujeto a la pena de reclusión, en los términos de la ley”.
1
Álvaro Melo Filho, Mutações essenciais realizadas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
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Recientemente fue añadida al Código Penal el tipo cualificado del delito de
injuria: “Si la injuria consiste en la utilización de elementos referentes a la raza,
color, etnia, religión u origen”.
Cabe recordar que la injuria depende de la denuncia del ofendido, sin que
quepa la retractación, por tratarse de un delito que ofende el honor subjetivo.
El mejor ejemplo de extensión de la injuria cualificada por racismo a
hechos producidos durante la práctica deportiva es el caso de los jugadores Grafite
e Desábato, ampliamente tratado por la prensa local e internacional. En este caso,
el jugador argentino había cometido una ofensa mediante la utilización de palabras
despectivas hacia la raza y color del jugador brasileño, quien presentó denuncia,
saliendo el jugador ofensor del campo arrestado y permaneciendo preso durante
algunos días en Brasil.
Por tanto, se evidencia claramente que la tendencia legislativa brasileña ya
se orientaba hacia la lucha contra el racismo, faltando únicamente la sanción
administrativa. No obstante, debe destacarse que la punición penal siempre fue
más gravosa para el ofensor. Con todo, la punición deportiva busca impedir de
forma más expresa y ejemplarizante los actos racistas, quizás tratando de evitar,
incluso, que tales actos lleguen a la esfera penal, como en un intento de demostrar
la independencia cada vez mayor de la Justicia Deportiva.
1.2.4 LA
BRASILEÑOS
PREVENCIÓN
DEL
RACISMO
EN
OTROS
CÓDIGOS
La tendencia antes relacionada ya había surtido también efectos dentro de
ámbitos específicos de la Justicia Deportiva, como se infiere de las siguientes
consideraciones, mientras que la previsión expresa del CBJD ha sido muy reciente.
A título de mera curiosidad, desatacaremos dos cuestiones interesantes:
1) El Código de Ética de la Confederación Brasileña de Futvôlei contempla,
dentro de sus fundamentos éticos, en su artículo 10, la prevención del racismo en
los siguientes términos: “Prevenir y desalentar demostraciones de racismo en el
deporte, teniendo en cuenta el respeto a las etnias, a los símbolos nacionales, al
estímulo y a la confraternización de la humanidad”.
En el artículo 1º del Capítulo VIII, que trata de las infracciones y sanciones
disciplinarias, nos encontramos con las siguientes conductas tipificadas: “actitudes
desleales y antiéticas” y “mantener conducta ética incompatible con los principios
de este Código”, para las que se prevén sanciones disciplinarias de la siguiente
naturaleza: I – advertencia escrita; II – amonestación; III – suspensión; y IV –
exclusión.
2) El Código de Ética de la Confederación Brasileña de Deportes de Hielo –
también prevé en su artículo 17: “Extinguir el racismo, en sus diferentes
manifestaciones, en todos los tipos de competiciones y modalidades de los
Deportes de Hielo, apoyando iniciativas del mismo cuño en el País y en el exterior”.
También su artículo 33, consagra como deber del deportista “rechazar
enérgicamente cualquier tendencia o manifestación” de racismo.
Incluso, en su artículo 40, es deber y responsabilidad del técnico “impedir
actos de violencia y racismo”. Finalmente, de acuerdo con su artículo 47, también
los colaboradores y funcionarios deben colaborar “evitando actitudes de violencia,
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racismo (...)”. Ello sin perjuicio del deber del árbitro de respeto a los deportistas y a
las normas del Código.
No se prevén en el Código sanciones. De ahora en adelante, en presencia
de circunstancias como las descritas, con certeza habrá una sanción por parte de la
Confederaciones Brasileña de Deportes de Hielo.
Recientemente, el estado de Paraná se colocó a la vanguardia de la lucha
contra el racismo en el deporte. El Consejo de Estado de Deporte y Ocio aprobó el
Código de Organización de la Justicia y Disciplina Deportiva, el cual prevé que los
prejuicios de origen, raza, sexo, color, edad, condición de persona mayor o con
deficiencia y cualquier otra discriminación serán sancionados con suspensión de uno
a tres años. Debe advertirse, no obstante, su competencia para ocuparse
exclusivamente de procedimientos dentro de su ámbito territorial.
Para Paulo Marcos Schmitt, asesor jurídico de la Paraná Esporte, es hora de
dejar de lado la alarma provocada por la prensa en los casos de racismo y
prepararse para una “conducta mejor tipificada para tratar los prejuicios”1.
1.3 EL CASO ANTONIO CARLOS
“La gota que colmó el vaso” es la expresión que mejor puede resumir el
caso del defensa Antonio Carlos, del Juventude, en sus ofensas a Jeovânio, jugador
del Gremio.
Esa expresión obedece a la opinión – casi unánime entre los juristas,
periodistas y demás estudiosos de la cuestión – de que ese caso condujo,
finalmente, a la tan ansiada reforma del CBJD.
Para quienes no recuerden los hechos, no está de más hacer un breve
recordatorio. Antonio Carlos está acusado de ofensas verbales racistas durante el
encuentro a Jeovânio, deportista de color. Al ser expulsado, Antonio Carlos,
además, hizo ciertos gestos con el brazo (el defensa restregó reiteradamente su
mano derecha sobre el brazo izquierdo) que, supuestamente, haría referencia
despreciativa al color de la piel del ofendido.
Cuando ocurrieron los hechos todavía no se contaba con legislación
deportiva específica en base a la que sancionar administrativamente al defensa.
Merced a la repercusión del hecho se retomó la posibilidad de realizar las
modificaciones necesarias en el CBJD, en particular, las relativas a la punición de
los actos discriminatorios en la práctica deportiva.
Ante tal vergonzoso suceso, Antonio Carlos no debería escapar impune con
sólo uno, dos o tres encuentros de suspensión. Se produjo entonces una verdadera
“chapuza” del Tribunal Deportivo, traducida en una gran adaptación sin atender a la
verdadera finalidad de la punición, como destacó José Eduardo Rondon na Folha de
São Paulo: “Defensa es castigado, pero el racismo se desvanece”.
1.3.1 LA SUSPENSIÓN CAUTELAR
El primer acto punitivo ante los hechos fue una suspensión cautelar de
sesenta días adoptada el 7 de marzo de 2006, después de ser denunciado por
agresión física y ofensas morales, a las que seguidamente se hará referencia.
1
Paulo Marcos Schmitt, Paraná pune racismo no esporte. Noticia ofrecida por la Agencia Estatal de
Noticias.
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Ante la gravedad de la suspensión el TJD de Rio Grande do Sul resolvió
tomar la decisión de carácter provisional hasta la resolución que culminó con la
sanción a Antonio Carlos.
La
suspensión
cuando la
suspensión
suspensión se fundó en el antiguo artículo 35 del CBJD: “cabe
cautelar cuando la gravedad del acto o hecho ilícito la justifique y
solicite la Fiscalía”, advirtiéndose que el plazo de duración de la
será computado como cumplimiento de la sanción.
Lo que permitió, sin embargo, su fijación en sesenta días fue que el artículo
35 no establecía limitaciones al lapso temporal de la suspensión. En cambio, la
nueva redacción del referido artículo, en su §1º trata el tema con más cautela, no
dejando más el plazo a mercedes del TJD, y limitando su duración máxima a treinta
días.
A pesar de estas consideraciones, debemos congratularnos de que la
suspensión en el procedimiento deportivo no alteró las circunstancias ni produjo
notables efectos, teniendo en cuenta la celeridad del procedimiento.
1.3.2 LAS ADAPTACIONES DEL TRIBUNAL DEPORTIVO PARA LA
PUNICIÓN
Ciento veinte días y cuatro encuentros fue la sanción impuesta al defensa,
pero no por conducta racista, sino por agresión física y actitud antideportiva a la luz
del antiguo Código.
“Los fiscales querían una sanción ejemplar por supuestas ofensas racistas,
pero la mayor parte de la sanción que Antonio Carlos recibió ayer está vinculada a
una agresión”1.
Para hacerse una idea, un codazo del defensa hacia el ofendido fue la
causa, con base en el artículo 253 del CBJD – agresión física – del ciento veinte
días de suspensión. Debe resaltarse que la sanción por agresión física en el artículo
varía entre 120 (ciento veinte) y 540 (quinientos cuarenta) días.
Los cuatro encuentros de suspensión se justificaron por actitud
antideportiva, en los términos del artículo 258 del CBJD, tras no tenerse en cuenta
las ofensas morales denunciadas (artículo 187). Esta sanción se basó en la
conducta del jugador durante el encuentro.
El artículo 258 sanciona “Asumir actitud contraria a la disciplina o a la
moral deportiva” con suspensión de uno a diez encuentros. El tipo infractor es
abstracto y debe acudirse a él “solamente en casos excepcionales que no estén
previstos y tipificados con mayor especificidad en el Código”2. Ello es así porque el
rigor de las infracciones del CBJD ya conllevan inherentemente en sí mismas una
necesaria carga de actitud contraria a la disciplina o moral deportiva.
La resolución, basada en una adaptación que buscaba disuadir de la
práctica de actitudes racistas, se adoptó por cuatro votos frente a ninguno, por la
2ª Comisión Disciplinaria del TJD-RS.
1
José Eduardo Rondon, Zagueiro leva gancho, mas racismo some. Folha de São Paulo, 17 de marzo de
2006.
2 Paulo Marcos Schmitt, Código Brasileiro de Justiça Desportiva comentado. p.328.
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No obstante, no podemos reputar errónea la punición del defensa en base
a los dos artículos. Aunque fuese una adaptación, teniendo en cuenta la ausencia
de un tipo infractor específico en el que encuadrar la conducta de Antonio Carlos
que convulsionó el país. Rondon, en su noticia de la Folha de São Paulo tiene toda
la razón al afirmar que, a pesar de la sanción, el racismo desapareció del caso.
1.4 CONCLUSIÓN DE LA PRIMERA PARTE
Como se ha visto, no podía esperar más la tipificación de los actos
discriminatorios, entre los que se incluye el racismo, en el CBJD y su correlativa
punición administrativa. Antes, los actos de racismo se ignoraban o perdían
totalmente su sentido ante adaptaciones para que los infractores no quedasen
impunes.
No se pueden admitir más en una sociedad evolucionada expresiones tan
arcaicas e irracionales de comparaciones y desprecios entre seres humanos iguales.
Y así se deben comprender todas las esferas en el intento de disuadir a los
ofensores e impedir cualquier conducta discriminatoria, ya sea en el seno de la
sociedad, ya sea en la práctica deportiva. El acto de racismo debe ser combatido
por la Justicia Común y por la Justicia Deportiva con la misma intensidad.
Brasil está, al fin, obteniendo éxitos en la punición de los actos de racismo.
Se nota un clamor de la sociedad y una presión de la prensa siempre que se tiene
noticia de cualquier conducta discriminatoria. Existen resultados reales. Y ahora con
esta nueva previsión normativa se consigue una sensible mejora en la lucha contra
el racismo.
Ahora debe mostrarse al infractor que su sanción deriva de un acto de
racismo por el cual deberá responder en el ámbito deportivo, civil y penal, de
manera que surta efecto ejemplarizante para todos aquellos que aun mantengan
tan vil mentalidad.
Personalmente, lo que considero más importante es saludar la nueva
tendencia de sancionar al colectivo cuya hinchada se comporta de manera
discriminatoria. Los actos de racismo no deben ser tolerados ni dentro ni fuera del
campo y, aunque sea con base en la coerción, la hinchada debe ser educada y
comportarse de manera respetuosa y ética.
1.5 BIBLIOGRAFÍA DE LA PRIMERA PARTE
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS. Paraná pune racismo no esporte. Bondenews,
Londrina, 16 mar. 2006. Disponible en:
<http://www.bonde.com.br/bondenews/bondenewsd.php?id=266&dt=20060316>.
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BARAN, Leonardo. Racismo deve ser incluído no Código Desportivo. Futebol
Interior, Campinas, 21 mar. 2006. Disponible en:
<www.futebolinterior.com.br/news/futgeral.php?nid=103307>. Acesso el: 04 abr.
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LIMA, Eliomar de. Justiça garante que Clodoaldo “não se safará” de punição.
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<http://www.noolhar.com/esportes/578368.html>. Acesso el: 03 abr. 2006.
MATTOS, Rodrigo. Ato racista passa a valer até a eliminação de clubes. Folha de
São Paulo, São Paulo, 17 mar. 2006. Caderno de Esportes, p.D1.
Falta de verba emperra reforma sobre o assunto. Folha de São Paulo, São Paulo,
17 mar. 2006. Caderno de Esportes, p.D1.
MBPress. Decodificado. Máquina do Esporte, São Paulo, 20 mar. 2006. Disponible
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<http://maquinadoesporte.uol.com.br/sitemaquina/noticia.aspx?cdcategoria=25&c
dnoticia=2170>. Acesso el: 03 abr. 2006.
MELLO FILHO, Álvaro. Mutações essenciais realizadas no Código Brasileiro de
Justiça Desportiva. Derecho Deportivo en línea, La Coruña, 03 abr. 2006.
Disponível em: <http://nuke.ddel.com/LinkClick.aspx?link=mutacoes.pdf&tabid=60&mid=492>. Acesso el: 09 abr.
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O GLOBO. Em carta à Fifa, Lula pede punição severa para o racismo. Gazeta do
Povo online, Curitiba, 08 mar. 2006. Disponible en:
<http://canais.ondarpc.com.br/esportes/>. Acesso el: 03 abr. 2006.
OLIVEIRA, Emerson Ademir Borges de. Principiologia processual constitucional
aplicada na Justiça Desportiva. Derecho Deportivo en línea, La Coruña, 31 mar.
2006. Disponible en: <http://nuke.ddel.com/LinkClick.aspx?link=Principiologia.pdf&tabid=60&mid=492>. Acesso el: 08
abr. 2006.
RONDON, José Eduardo. Zagueiro leva gancho, mas racismo some. Folha de São
Paulo, São Paulo, 17 mar. 2006. Caderno de Esportes, p.D1.
SCHMITT, Paulo Marcos (Coordinador). Código Brasileiro de Justiça Desportiva
comentado. São Paulo: Quartier Latin, 2006.
SION, Marcus Frederico Donnici. Comentários sobre o Código Brasileiro de
Justiça Desportiva com enfoque no futebol. Rio de Janeiro: Mauad, 2004.
NOTA FINAL: La presente traducción del original en portugués al español abarca tanto el
texto del autor como los preceptos normativos y citas de entrevistas y noticias periodísticas,
para su más fácil lectura por personas de habla hispana. Disculpen por aquellas partes de la
traducción que no sean todo lo correctas que sería deseable.
Rafael Alonso
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PARTE SEGUNDA – ESPAÑA
LA LUCHA CONTRA EL RACISMO EN LA LEGISLACIÓN
DEPORTIVA ESPAÑOLA
Siempre es un placer recibir propuestas como la que, recientemente, me
dirigió Emerson Ademir Borges de Oliveira, autor de otras publicaciones en Derecho
Deportivo en línea, dd-el.com, para elaborar un comentario conjunto sobre el
tratamiento del racismo en la justicia deportiva de nuestros respectivos países, que,
por supuesto, acepté gustoso. Las publicaciones científicas en Internet, además del
atractivo de la publicación inmediata de las aportaciones de los autores, ofrecen
esta clase de posibilidades de colaboración, permitiendo la interrelación de
personas de diferentes países que comparten intereses comunes, que son más
difíciles de alcanzar a través de las tradicionales publicaciones en papel. Confío en
que dd-el.com siga fomentando en el futuro el contacto internacional de los juristas
del deporte.
Rafael
2.1 LA AUSENCIA DE TRATAMIENTO DEL RACISMO EN LA LEY DE LA
CULTURA FISICA Y EL DEPORTE DE 1980 Y SU NORMATIVA DE
DESARROLLO
El tratamiento represivo del racismo en la legislación deportiva española es
reciente. Analizando, cronológicamente, la legislación deportiva postconstitucional
en nuestro país, nos encontramos, en primer lugar, con un total silencio en la Ley
13/1980, de 31 de marzo, de la Cultura Física y el Deporte, como no podía ser de
otra manera, ya que dicha Ley no contenía ningún catálogo de infracciones, ni
administrativas ni disciplinarias. En desarrollo de dicha Ley se dictó en un primer
momento el Real Decreto 2690/1980, de 17 de octubre, sobre el régimen
disciplinario deportivo, en cuyo catálogo de infracciones disciplinarias – artículos 5 a
7 – tampoco se recogía ninguna tendente a combatir, específicamente, el racismo
en el deporte. Este Real Decreto fue derogado por un posterior Real Decreto
642/1984, de 28 de marzo, por el que se aprueba el Reglamento de Disciplina
Deportiva, cuyo artículo 4 enumera ciertas conductas que, en todo caso, deberán
considerarse infracciones disciplinarias, sin que tampoco ninguna de ellas se pueda
entender expresamente referida al racismo1.
2.2 EL TRATAMIENTO DEL RACISMO EN LA VIGENTE LEY DEL
DEPORTE DE 1990. LA AUSENCIA INICIAL DE TRATAMIENTO DEL
RACISMO EN LA LEY.
A continuación, la vigente Ley 10/1990, de 15 de octubre, del Deporte va a
contemplar ya con rango legal unos catálogos de infracciones, si bien de distinta
naturaleza. Junto al régimen disciplinario deportivo, la Ley se ocupa también del
régimen sancionador en la prevención de la violencia en los espectáculos
deportivos, en su Título IX2. A pesar de ello, en aquel momento, ni en el régimen
1
Sobre la tipicidad de las infracciones disciplinarias bajo la vigencia de estas normas, vid. CARRETERO
LESTÓN, J.L. Régimen disciplinario en el ordenamiento deportivo español, Málaga, 1985, pp. 149-153 y
176-181.
2 La Exposición de Motivos de la Ley justifica la inclusión de este Título en los siguientes términos: “La
creciente preocupación social por el incremento de la violencia en los espectáculos deportivos o en torno
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disciplinario deportivo ni en el régimen sancionador tendente a la prevención de la
violencia en los espectáculos deportivos se tipificaba ninguna conducta
directamente relacionada con el racismo.
En este punto, debe destacarse que se acaba de hacer referencia a un
régimen disciplinario y a un régimen sancionador que son diferentes y no deben
confundirse. Como decíamos en otra ocasión, la diferencia fundamental entre
ambos regímenes estriba en sus sujetos pasivos, esto es, en quienes pueden ser
objeto de sanción. En el caso del régimen sancionador se está ante una relación de
sujeción general, lo que significa que el destinatario de esta regulación es la
generalidad de personas y que cualquiera puede ser responsable de una infracción
administrativa de este tipo: tanto el club encargado de adoptar las medidas que
aseguren el normal desarrollo del espectáculo como el espectador, individual y
aisladamente considerado, que es identificado tras la comisión de un ilícito. En
cambio, la disciplina deportiva hace referencia a una relación de sujeción especial
en la que sólo podrán ser sujetos pasivos quienes se hallen vinculados de un modo
especial a la organización deportiva; por ejemplo, los clubes, deportistas, técnicos y
jueces o árbitros integrados en una determinada federación deportiva1.
Tampoco las posteriores modificaciones que sufrió la Ley 10/1990 del
Deporte en los años 1995 y 1998 introdujeron ninguna novedad al respecto2.
2.3 LOS ACONTENCIMIENTOS DEL FINAL DE LA TEMPORADA
2001/2002 COMO CAUSA DIRECTA DE LA REFORMA DE LA LEY DEL
DEPORTE
La eclosión del tratamiento punitivo del racismo en nuestra legislación
deportiva no se produciría hasta finales del año 2002. La causa de la última
modificación que se ha operado en la Ley del Deporte es perfectamente
identificable y a buen seguro será recordada por más de un lector. Los compases
finales del Campeonato de la Liga Nacional de Fútbol 2001/2002, tanto en Primera
como en Segunda División, habían sido especialmente convulsos. Las actuaciones
de la Comisión contra la Violencia en los Espectáculos Deportivos en aquellas fechas
dan fe del gran número de incidentes producidos en fechas próximas y en lugares
muy dispares3. A la conclusión de un encuentro celebrado el 28 de abril de 2002,
Lussenhoff, jugador del C.D. Tenerife, S.A.D. recibió el peligrosísimo impacto de
una piedra de grandes dimensiones sobre su coche, reaccionando el jugador
intentando atropellar a un aficionado. Con ocasión del encuentro celebrado el 4 de
mayo de 2002 entre el Gimnastic de Tarragona y el Polideportivo Egido, además de
a los mismos, justifica que la Ley incorpore determinadas medidas para luchar contra el fenómeno de la
violencia en este ámbito. Con ello la Ley pretende, por una parte, adoptar los preceptos del Convenio
Europeo sobre la Violencia, elaborado por el Consejo de Europa y ratificado por España en 1987; y, por
otro, incluir algunas recomendaciones y medidas propuestas por la Comisión Especial sobre la Violencia
en los espectáculos deportivos y aprobadas por el Senado unánimemente. Entre ellas destaca la creación
de una Comisión Nacional contra la Violencia en estos espectáculos y la tipificación de las infracciones
administrativas relativas a las medidas de seguridad, así como las sanciones correspondientes a tales
infracciones.”
1 ALONSO MARTÍNEZ, R. Modificación de la Ley del Deporte para reforzar la prevención de la
violencia, en Derecho Deportivo en línea, boletín Ddel nº 2 (2002-2003), p. 12, accesible en
http://nuke.dd-el.com/Portals/0/Ddel%202.pdf
2 Reformas operadas por Ley 43/1995, de 27 de diciembre, del Impuesto sobre Sociedades y Ley
50/1998, de 30 de diciembre, de Medidas Fiscales, Administrativas y del Orden Social.
3 La nota de prensa relativa a la reunión de 9 de mayo de 2002, accesible en
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Ministerio_Interior/2002/np050903.htm, muestra la gran
cantidad de incidentes registrados.
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una invasión masiva del terreno de juego a la finalización del encuentro, también
fueron arrojadas numerosas botellas de agua, alcanzando una de ellas a un jugador
del equipo visitante, causándole una herida sangrante en la cabeza. En la misma
fecha, en el encuentro Xerez C.D., S.A.D. – U.D. Salamanca, S.A.D, fueron
arrancados asientos y lanzados al terreno de juego sobre los jugadores suplentes
del equipo visitante, dándole en la cabeza a uno de ellos y teniendo que ser
suspendido el encuentro. En el encuentro Villareal C.F., S.A.D. – Real Zaragoza
S.A.D. otra invasión del campo dio paso a agresiones mutuas entre jugadores y
aficionados, captando con todo detalle las cámaras de televisión al “Toro Acuña”,
jugador del Real Zaragoza, en persecución de un aficionado al que finalmente
derribaría a patadas. Ello sin olvidar incidentes producidos en otros encuentros que,
no por más habituales, dejan de ser reprobables.
Lo cierto es que, en medio de estas inusuales manifestaciones de violencia,
el racismo no ocupó un lugar destacado, pero las actuaciones legislativas motivadas
por estos hechos aprovecharían la coyuntura para tipificar las conductas racistas. A
raíz de los hechos antes referidos, durante ese mismo mes de mayo se constituyó
por el Ministerio del Interior un grupo de trabajo cuya labor cristalizó en un
programa de actuaciones y medidas contra la violencia en el deporte, que fueron
directamente asumidas como compromiso por el Ministerio, el Consejo Superior de
Deportes, la Real Federación Española de Fútbol, la Liga Nacional de Fútbol
Profesional y la Asociación de Futbolistas Profesionales. En el documento de
formalización de compromiso futuro de esas actuaciones, al abordar la necesaria
modificación de la Ley 10/1990 del Deporte para atajar estas conductas, se alude
por primera vez a la necesidad de impedir también la simbología xenófoba y
racista. Se expresa en el documento que “Ante la proliferación de proclamas y
simbología de este tipo exhibidas coincidiendo con la celebración de espectáculos
deportivos, se propone la modificación de su actual tratamiento en la Ley del
Deporte, ampliando y concretando los supuestos en los que se prohíbe la
introducción y exhibición de este tipo de simbología violenta, xenófoba, racista,
terrorista o de desprecio a los participantes en el espectáculo deportivo1”.
2.4 LA REFORMA DE 30 DE DICIEMBRE DE 2002 DE LA LEY DEL
DEPORTE
Esa modificación de la Ley del Deporte se llevó a cabo a finales de ese año
2002, a través de la Ley 53/2002, de 30 de diciembre, de Medidas Fiscales,
Administrativas y del Orden Social. En la Exposición de Motivos de esta Ley se
explica el objeto de la reforma de la Ley del Deporte en los siguientes términos: “En
lo que atañe a la acción administrativa en materia de deportes, se incluye una
importante modificación de la Ley 10/1990, de 15 de octubre, del Deporte,
introduciendo un conjunto de medidas tendentes a la erradicación de la violencia en
el deporte. Así se amplían las competencias de la Comisión Nacional contra la
Violencia en los espectáculos deportivos, se regula la asunción de responsabilidades
por daños y desórdenes originados en eventos deportivos, se amplían los ilícitos
administrativos tipificados, concretando las competencias para la imposición de
sanciones, y se incorporan nuevas infracciones a las ya existentes en el ámbito de
la disciplina deportiva.”
Se comprueba así cómo la propia Ley que por vez primera introducirá el
tratamiento punitivo del racismo en la legislación deportiva española no destaca
este aspecto sino que en ella se alude, en general, a un conjunto de medidas
tendentes a erradicar la violencia en el deporte. El racismo se considera, por tanto,
1
El texto de este y otros documentos figura, bajo el título “Actuaciones en materia de prevención de la
violencia deportiva” en la sección Crónicas de la Revista Jurídica del Deporte, nº 8, 2002, pp. 257-271.
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un factor más que contribuye a generar violencia en los eventos deportivos, pero al
que no es necesario dispensar un protagonismo esencial en ese momento.
El nuevo tratamiento punitivo del racismo en la Ley del Deporte, tratamiento
en vigor a partir del 1 de enero de 2003, se concentró en los siguientes preceptos.
El artículo 66.1, incardinado en el Título IX de la prevención de la violencia
en los espectáculos deportivos, que prohibía las pancartas, símbolos, etc. que
implicasen una incitación a la violencia quedó redactado de una forma que aclara
que, entre esas pancartas, símbolos, emblemas o leyendas prohibidas han de
entenderse incluidas también todas aquellas “que, por su contenido o por las
circunstancias en las que se exhiban o utilicen pueda ser considerado como un acto
que incite, fomente o ayude a los comportamientos violentos, xenófobos, racistas o
terroristas, o como un acto de manifiesto desprecio deportivo a los participantes en
el espectáculo deportivo”.
También fue objeto de modificación, el artículo 69.3.A.g), perteneciente al
mismo Título IX, que tipifica como infracción administrativa muy grave el
incumplimiento de las prohibiciones a las que se refieren los artículos 66 y 67.1 de
la Ley – relativas a las citadas pancartas y símbolos (art. 66.1), armas y objetos
arrojadizos, explosivos o inflamables (art. 66.2) y bebidas alcohólicas y sustancias
estupefacientes, psicotrópicas o estimulantes (art. 67.1) – cuando concurran
circunstancias de especial riesgo o cuando el incumplimiento de estas prohibiciones
implique “un acto de exaltación xenófoba, racista o de apoyo y justificación de las
acciones violentas o terroristas, o menosprecio de sus víctimas o familiares”.
Estas dos primeras modificaciones afectan al régimen sancionador y, por lo
tanto, tienen como destinatario a cualquier persona, aunque no pertenezcan a la
organización deportiva. Se prohíbe la introducción y exhibición de símbolos con
contenido xenófobo o racista y se tipifica como infracción administrativa muy grave
el incumplimiento de dicha prohibición cuando de ese incumplimiento resulte un
acto de exaltación xenófoba o racista, correspondiendo una sanción de multa que
puede ir desde los 60.100,01 a los 650.000 euros, a la que puede unirse la
prohibición de acceso a recintos deportivos por un periodo de entre cinco meses y
cinco años. Cuando la introducción o exhibición del símbolo xenófobo o racista no
implique la realización de un acto de exaltación de la xenofobia o el racismo, la
acción se tipifica como infracción grave, correspondiendo una multa de 3.000,01 a
60.100 euros y cabiendo también la imposición de la sanción de prohibición de
acceso a los recintos deportivos por un periodo no superior a cinco meses.
El tercer precepto modificado en relación con el tratamiento del racismo en
el deporte no afecta al régimen sancionador general sino al régimen disciplinario.
Se trata del artículo 76.1, ubicado en el Título XI de la Ley, relativo a la disciplina
deportiva. La modificación consistió en añadir un nuevo apartado h) a ese precepto,
a través del cual, se tipifica como infracción disciplinaria muy grave “La
participación, organización, dirección, encubrimiento o facilitación de actos,
conductas o situaciones que puedan inducir o ser considerados como actos
violentos, racistas o xenófobos”. Esta nueva infracción disciplinaria afecta
únicamente a las personas sujetas a la disciplina deportiva.
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2.5 APLICACION DE LAS NUEVAS INFRACCIONES ADMINISTRATIVAS
Atendiendo a la actividad de la Comisión Nacional contra la Violencia en los
Espectáculos Deportivos durante la presente temporada deportiva 2005/20061 se
evidencia que la represión administrativa del racismo en el deporte se ha centrado,
principalmente, en proponer sancionar, mayoritariamente, los gritos y gestos
racistas por parte de espectadores de encuentros de fútbol, proponiendo por tales
conductas la imposición de sanciones de multa que rondan los 6.000 euros, tras
considerar dichas conductas constitutivas de infracciones graves.
Así, por ejemplo, se propusieron sanciones de multa de 6.000 euros para los
dos espectadores que, respectivamente, profirieron insultos racistas en los
encuentros Villareal F.C., S.A.D. – Valencia C.F., S.A.D.2 y Málaga C.F., S.A.D. –
R.C.D. Español, S.A.D.3, para los cuatro espectadores que profirieron gritos racistas
contra un jugador en el encuentro Real Zaragoza S.A.D – Real Madrid C.F.4, para el
espectador que profirió iguales gritos
a través de un megáfono portátil en el
encuentro U.E. Lleida – Polideportivo Ejido S.A.D.5, para seis espectadores que
profirieron insultos racistas y realizaron gestos obscenos a otros aficionados
durante el encuentro C. Atlético de Madrid, S.A.D. – Real Madrid C.F.6 y para el
aficionado al que, en el control de acceso al campo, en el encuentro Elche C.F.,
S.A.D. – Albacete Balompié, SAD, le fueron intervenidas quince pegatinas de
contenido racista y xenófobo7. 6.300 euros de multa fueron propuestos para el
aficionado que profirió insultos racistas y realizó gestos obscenos hacia otros
aficionados una hora después de haber sido expulsado del estadio por lanzar una
bufanda envuelta en llamas durante el partido C. Atlético de Madrid, S.A.D. – Real
Madrid C.F.8, igual cuantía que fue propuesta en el baloncesto, al aficionado que,
en el encuentro de la Liga ACB de baloncesto entre el Pamesa Valencia y el
Winterthur F.C. Barcelona realizó varios gestos de carácter racista y xenófobo con
la intención de provocar a la afición visitante, interviniéndosele además sustancias
estupefacientes cuando los funcionarios policiales procedieron a su identificación9.
En otras ocasiones, la actividad de la Comisión tiene incidencia en el ámbito
disciplinario, bien sea haciendo uso de la legitimación para recurrir ante el Comité
Español de Disciplina Deportiva las resoluciones dictadas por los órganos
disciplinarios federativos en materias de la competencia de la Comisión – como
sucedió respecto de la propuesta de sanción de multa de 9.000 euros al Real
1 En la dirección de internet http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/
pueden consultarse las notas de prensa relativas a las reuniones de la citada Comisión durante la presente
temporada.
2 Reunión de 16 de noviembre de 2005.
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/2005/np111604.htm
3 Reunión de 21 de septiembre de 2005.
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/2005/np092105.htm
4 Reunión de 30 de marzo de 2006.
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/2006/np033005.htm
5 Reunión de 8 de febrero de 2006.
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/2006/np020804.htm
6 Reunión de 11 de enero de 2006.
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/2006/np011103.htm
7 Reunión de 23 de marzo de 2006.
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/2006/np032306.htm
8 Vid. nota al pie nº 20.
9 Vid. nota al pie nº 18.
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Zaragoza S.A.D. por los gritos proferidos en el encuentro disputado en su estadio
frente al F.C. Barcelona, sanción que la Comisión consideró demasiado benévola1 –
bien sea instando de la Federación española competente la incoación de
procedimientos disciplinarios, como se verá en el epígrafe siguiente, facultades que
expresamente le atribuye a la Comisión el artículo 33.4, párrafo segundo, del Real
Decreto 1591/1992, de 23 de diciembre, por el que se aprueba el Reglamento de
Disciplina Deportiva2.
2.6 APLICACION DE LA NUEVA INFRACCION DISCIPLINARIA
Como decíamos, la reforma operada en 2002 sobre la Ley del Deporte
introdujo nuevas infracciones administrativas relacionadas con el racismo y la
xenofobia y una nueva infracción disciplinaria muy grave en relación con los actos
violentos, racistas y xenófobos cometidos por aquellos sujetos sometidos a la
disciplina deportiva. Atendiendo, por ejemplo, a las más recientes actuaciones
seguidas por los órganos disciplinarios de la Real Federación Española de Fútbol al
respecto, se evidencia que es frecuente que este tipo de procedimientos sean
incoados a instancia de la propia Comisión Nacional contra la Violencia en los
Espectáculos Deportivos.
2.6.1 EL “CASO ARAGONÉS”
Uno de los procedimientos que tuvo más eco en los medios de comunicación
fue el seguido frente al seleccionador nacional de fútbol D. Luis Aragonés. Los
hechos se produjeron el día 6 de octubre de 2004, durante un entrenamiento de la
selección nacional, con presencia de la prensa, en el que, en un momento dado, el
seleccionador quiere motivar al jugador D. José Antonio Reyes – compañero, en el
club inglés Arsenal F.C., del francés de raza negra D. Thierry Henry, considerado
uno de los mejores futbolistas del mundo – y se dirige a él en los siguientes
términos, que son captados por las cámaras de televisión y reproducidos en los
espacios informativos de mayor audiencia: “Reyes, venga aquí. El negro no le dice
nada y tal. ¡Juegue por su cuenta! Mándele y dígale de mi parte a ese negro de
mierda que no es mejor que usted. ¡Dígale que es mejor!”3.
La Comisión Nacional contra la Violencia en los Espectáculos Deportivos instó
a la Real Federación Española de Fútbol a incoar procedimiento disciplinario frente a
D. Luis Aragonés, señalando que, a juicio de dicha Comisión, las declaraciones del
seleccionador nacional eran constitutivas de la infracción de actos racistas y
xenófobos tipificada en el antes citado artículo 76.1.h) de la Ley del Deporte. Previa
incoación e instrucción del correspondiente expediente disciplinario, el Comité de
Competición de la citada federación acordó imponer a D. Luis Aragonés una multa
de 3.000 euros, pero no como autor de la infracción denunciada – que se
correspondería con la infracción muy grave tipificada en el artículo 101.1.g) de los
Estatutos federativos – sino como autor de la infracción del artículo 120.b) de esos
1
Reunión de 1 de marzo de 2006.
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/2006/np030104.htm
2 Establece este precepto: “En materias de su competencia, la Comisión Nacional contra la Violencia en
los Espectáculos Deportivos y la Comisión Nacional Antidopaje estarán legitimadas para instar de las
Federaciones deportivas la apertura de procedimientos disciplinarios así como para recurrir ante el
Comité Español de Disciplina Deportiva las resoluciones que recaigan. En cualquier caso será obligatoria
la comunicación a las respectivas comisiones de cualquier hecho que pueda ser constitutivo de infracción
en las materias de su competencia y de los procedimientos que en las mismas se instruyan, en un plazo
máximo de diez días a contar, según corresponda, desde su conocimiento o incoación.”
3 Diario ABC del 7 de octubre de 2004.
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Estatutos, consistente en “actos notorios y públicos que atenten a la dignidad o
decoro deportivos”, imponiendo la sanción dentro de su grado máximo. La Comisión
Nacional contra la Violencia en los Espectáculos Deportivos recurrió dicho acuerdo
ante el Comité de Apelación de la misma federación, al igual que D. Luis Aragonés,
siendo ambos recursos desestimados por dicho Comité, confirmándose la resolución
impugnada. Tanto la Comisión como el seleccionador – cada uno con diferentes
pretensiones, obviamente – recurrieron de nuevo esta resolución ante el Comité
Español de Disciplina Deportiva, el cual, mediante resolución de 22 de julio de
2005, desestimó el recurso del seleccionador pero, en cambio, estimó el de la
Comisión y, en su virtud, aunque mantuvo la misma sanción de multa de 3.000
euros, declaró que la conducta del Sr. Aragonés era constitutiva de la infracción del
artículo 101.1.g) de los Estatutos federativos y el artículo 76.1.h) de la Ley del
Deporte, es decir, consideró el Comité que los hechos debían calificarse como un
acto racista.
Todos los aficionados pudieron ver los hechos en televisión. El debate pronto
trascendió de lo estrictamente jurídico y pasó a ocupar las editoriales de distintos
diarios. Sirva como muestra el siguiente párrafo del artículo “Traducción y racismo”
de Javier Marías1:
“Lo que Aragonés soltó a su pupilo, para picarlo en su amor propio y "motivarlo",
fue algo así como: "Dígale, demuéstrele a ese negro de mierda que usted es mejor
que él". Se refería al famoso compañero de Reyes, Thierry Henry; ambos en el
Arsenal londinense, y yo creo que cualquier español conocedor de las hablas
coloquiales que la gente emplea aquí muy a menudo, supo, desde el momento en
que trascendió el comentario, que en la frase de Aragonés no había – o no por
fuerza, desde luego – racismo alguno, y que lo mismo podía haberse referido a Van
Nistelrooy como a "ese holandés de mierda", a Shevchenko o a Kahn como a "ese
rubio de mierda", o a Adriano o Kaká como a "ese brasileño de mierda". Se trataba
tan sólo de una manera (ruda) de hablar, que todos conocemos bien y que nunca
hay que tomar al pie de la letra, igual que no se nos ocurre tomar de ese modo
insultos objetivos que sin embargo se dicen en tono cariñoso, o envidiosoadmirativo: "Qué suerte tienes, cabrón", o "Qué bien juega el hijoputa", son cosas
perfectamente habituales que no encierran injuria pese a las apariencias: y "ese
negro de mierda" pertenece a la misma gama -ya digo, envidioso-admirativa-, y la
traducción explicativa de las palabras de Aragonés vendría a ser esta: "Demuéstrele
a ese negro del que se hablan tantas maravillas (estoy hasta los cojones de oír su
alabanza, y bien que es merecida), que usted es incluso mejor que él". Yo apostaría
a que la expresión "de mierda" llevaba el elogio implícito, y lo justo que a Luis le
parecía ese elogio, esto es, lo envidiable. No es nada infrecuente que cuando
alguien hace algo muy bien, se diga o piense de él: "Qué hijoputa el tío, cómo
remata, cómo escribe, cómo toca el piano".
El asunto, en cuestión aún fue objeto de un posterior recurso contenciosoadministrativo, por lo que es posible que los tribunales de justicia hayan de tener la
última palabra para determinar si la expresión del seleccionador nacional fue un
simple acto contrario a la dignidad o el decoro deportivos o, en cambio, un
auténtico acto racista.
2.6.2 EL “CASO PITERMAN”
Otro asunto en el que la Comisión Nacional contra la Violencia en los
Espectáculos Deportivos instó a la Real Federación Española de Fútbol a incoar un
procedimiento disciplinario por hechos que pudieran ser constitutivos de los actos
1
Publicado en “El País Semanal” del 12 de diciembre de 2004.
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racistas o xenófobos tipificados en el artículo 76.1.h) de la Ley del Deporte fue el
protagonizado por el Presidente del Deportivo Alavés, S.A.D., D. Dimitri Piterman.
Durante un encuentro Deportivo Alavés, S.A.D. – Real Madrid C.F.,
celebrado el 25 de septiembre de 2005, tras la consecución de un gol por el equipo
visitante, los jugadores brasileños de raza negra conocidos popularmente como
“Ronaldo”, “Robinho” y “Roberto Carlos” celebraron el gol tirándose en el suelo y
agitando en alto las piernas y las manos en lo que, posteriormente, explicaron a la
prensa que era “la cucaracha” y que habían decidido hacer esa celebración por
causa de una apuesta. Aquello enfadó mucho al Presidente del club local quien
compareció voluntariamente ante la prensa en los días posteriores al encuentro
para arremeter contra los citados futbolistas por su actuación. En los medios de
comunicación tuvieron reflejo las siguientes declaraciones del dirigente alavesista:
“Hubo tres jugadores del Madrid que tras el gol de Ronaldo decidieron actuar como
payasos y decidieron presentarse como ‘cucarachas’ vistiendo de blanco (...) Todo
el mundo sabe que las cucarachas son negras (...) Puede que sea divertido para
ellos pretender ser cucarachas vestidas de blanco pero parecían ridículos (...) Los
jugadores del Madrid son muy monos (...) Si lo hiciera uno del Alavés le reventaría
la cabeza (...) Sinceramente, actos de este tipo son propios de payasos indignos
sobre un campo de fútbol (...) Estos niñatos tienen que entender, y si no alguien
deberá explicárselo en el club blanco, que, cuando se pretende ser uno de los
mejores equipos del mundo, luego tienen jugadores que están actuando en el
campo de payasos (...) Hoy en día cualquier persona llega al Madrid desde la jungla
y se pone su camiseta aunque luego debe aprender a saber comportarse con
dignidad, por llevar ese mismo uniforme (...) Voy a repasar el vídeo del encuentro
de ayer en Mendizorroza para ver si realmente hay base para impugnarlo, o así, ya
que me parece que durante un momento de ese partido entró un jabalí al campo,
corriendo por todo el terreno de juego. Vamos a ver si es verdad, o si, quizás, yo
estaba soñando (...) Ahora dicen que quieren hacer una urraca y, en vez de una
urraca, tienen que salir como pingüinos, ya que al menos les corresponderá por
colores (...) Está claro que eso demuestra su falta de desarrollo mental y por eso,
quizás, no les suele aguantar una novia más de dos semanas (...) Sigo soñando con
un búfalo corriendo por las calles, intentando pillar una mujer y no puede. A ver si
entienden buen humor y se ríen también todos nosotros y con toda España sobre
ellos (...) Perfecto. Cuando abran expediente oirán todo lo que dije, y siempre voy
a mantenerlo, que es que tres jugadores del Real Madrid actuaron como payasos.
Cuando unos jugadores actúan como payasos, hay que clasificarlos como tal, y si
alguien puede demostrarme que no fue así, hasta ese momento voy a mantener
mis declaraciones. Actuaron como payasos y es verdad. (...) Antiviolencia tiene su
trabajo, perfecto. Que estudien bien las raíces del problema y que impongan unas
normas para ser respetuosos con todo el mundo. Cuando unos actúan como
payasos, no veo problemas en llamarles así. Esas actuaciones tenían que ser
limitadas, y no hay daño en decir que estas actuaciones son merecedoras de este
tipo de nombramientos.”
La Comisión Nacional contra la Violencia en los Espectáculos Deportivos instó
nuevamente a la Real Federación Española de Fútbol a incoar expediente
disciplinario, en esta ocasión frente a D. Dimitri Piterman, por unos hechos que
también se consideraron como actos racistas o xenófobos de los tipificados en el
artículo 76.1.h) de la Ley del Deporte. Tras la instrucción del correspondiente
procedimiento disciplinario – instrucción que en este caso corrió, precisamente, a
cargo de quien suscribe estas líneas – el Comité de Competición acordó sancionar al
dirigente con amonestación pública – por su condición de directivo no cabía
imponer sanción de multa – como autor de una infracción muy grave tipificada en
el artículo 101.1.h) de los Estatutos federativos, consistente en actos notorios y
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públicos que afecten a la dignidad o decoro deportivos y que revistan una especial
gravedad. En la propuesta de resolución se razonaba que, si bien podría llegar a
advertirse un componente violento o racista en alguna frase concreta de las
proferidas por el expedientado, tras una valoración global del conjunto de las
declaraciones y el lugar, modo, ocasión y forma en que fueron ejecutadas, se
consideró que en ellas primaba su carácter despectivo, vejatorio e injurioso hacia
determinados jugadores del equipo rival, por lo que su encaje más adecuado sería
el de los actos que afectan a la dignidad o decoro deportivos, si bien de especial
gravedad, por prevalerse el autor de su condición de dirigente y la especial atención
que le dispensan los medios de comunicación para llevar a cabo el ataque verbal a
los jugadores de otro club, por la prolongación en el tiempo de las sucesivas
comparecencias voluntarias ante la prensa en los días posteriores al encuentro con
ánimo de dar publicidad a sus declaraciones y por la trascendencia de las mismas.
Al igual que sucedió en el caso de D. Luis Aragonés, el acuerdo del Comité de
Competición fue impugnado tanto por el sancionado como por la Comisión Nacional
contra la Violencia en los Espectáculos Deportivos ante el Comité de Apelación, el
cual desestimó los recursos y confirmó el acto impugnado. Tras los nuevos recursos
del sancionado y de la Comisión, el asunto se halla pendiente de resolución por el
Comité Español de Disciplina Deportiva. Mientras que el dirigente solicita la
anulación de la sanción impuesta, la Comisión solicita que los hechos se califiquen
como actos racistas ya que, a su juicio, si las frases proferidas son despectivas,
vejatorias e injuriosas hacia los jugadores ello es, precisamente, por el carácter
racista de las declaraciones.
2.6.3 EL “CASO CLEMENTE”
Por último, para finalizar este repaso de asuntos relacionados con la
aplicación de la infracción disciplinaria del artículo 76.1.h) de la Ley del Deporte, ha
de hacerse referencia a los hechos protagonizados por el ex-seleccionador nacional
y actual técnico del Athletic Club de Bilbao, D. Javier Clemente. En un encuentro
que el 15 de enero de 2006 este equipo disputó en el campo del Fútbol Club
Barcelona, el jugador camerunés de raza negra D. Samuel Eto’o escupió al jugador
del Athletic Club D. Unai Expósito, acción que no fue reflejada en el acta arbitral del
encuentro pero sí captada por las cámaras de televisión En la rueda de prensa
posterior al encuentro, el Sr. Clemente, preguntado por este lance, manifestó que
“escupen los que bajan del árbol”.
En su reunión de 18 de enero de 2006 la Comisión Nacional contra la
Violencia en los Espectáculos Deportivos acordó instar de la Real Federación
Española de Fútbol la incoación de un expediente disciplinario frente a D. Javier
Clemente por la citada manifestación.
En su Acuerdo de 7 de marzo de 2006, el Comité de Competición de la
Federación decidió archivar la denuncia formulada por la Comisión, decisión que
recurrida por la Comisión y confirmada por el Comité de Apelación el pasado 20 de
abril.
2.6.4 VALORACION
Las actuaciones disciplinarias comentadas ponen de manifiesto que la
infracción disciplinaria del artículo 76.1.h) de la Ley del Deporte – actos racistas o
xenófobos – constituye un tipo infractor cuya aplicación no resulta exenta de
complejidad, comparada con otros ilícitos disciplinarios en los que la conducta no
admite más que una única calificación jurídica. La falta de definición de lo que ha de
considerarse un acto racista o xenófobo en el ámbito de la disciplina deportiva y los
difusos límites entre el acto racista o xenófobo y el acto indigno o indecoroso en
determinados supuestos no facilitan la tarea de los órganos disciplinarios. Quizás
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por ello el Anteproyecto de Ley contra la Violencia, el Racismo, la Xenofobia y la
Intolerancia en el Deporte, al que se hará referencia más adelante, intenta definir
las que, a efectos de dicho anteproyecto legal, pueden considerarse conductas
racistas, xenófobas e intolerantes.
2.7 EL PROTOCOLO DE ACTUACIONES CONTRA EL RACISMO, LA
XENOFOBIA Y LA INTOLERANCIA EN EL FÚTBOL DE 18 DE MARZO DE
2005
A iniciativa del Consejo Superior de Deportes, diversos colectivos del fútbol
español – como la Real Federación Española de Fútbol, la Liga de Fútbol
Profesional, representantes de jugadores, árbitros, entrenadores y peñas de
aficionados – y otros órganos de la Administración General del Estado suscribieron
el 18 de marzo de 2005 un documento por el que se comprometieron a instaurar,
cumplir y hacer cumplir 31 medidas concretas contra el racismo, la xenofobia, la
intolerancia y la violencia en el fútbol. Este protocolo es el germen del posterior
Anteproyecto de Ley, que se comentará a continuación. La Exposición de Motivos
del Anteproyecto aclara que con él se pretende que el Parlamento refuerce la
cobertura legal sancionadora y la idoneidad social de la iniciativa plasmada en el
Protocolo. No obstante, a diferencia del Anteproyecto legal que tiene vocación de
aplicación a todo el deporte, el Protocolo estaba destinado únicamente a prevenir el
racismo en el fútbol.
Entre las medidas más destacables pueden ser citadas la previsión de
medidas disciplinarias internas que los clubes habrían de aplicar a su personal,
asociados, abonados y/o clientes causantes de incidentes racistas – medidas que
deberían ser parte integrante de los vínculos jurídicos asumidos por los clubes con
sus asociados –; el compromiso de difundir a través de la megafonía y sistemas
audiovisuales de los estadios mensajes reprobatorios de todo tipo de actos racistas,
recordando la posibilidad de eludir sanciones disciplinarias para el club o atenuar su
responsabilidad cuando la participación de los asistentes a los encuentros
permitiese localizar a los autores de actos racistas; el compromiso de la Real
Federación Española de Fútbol de instruir a los árbitros para que las actas arbitrales
de los encuentros reflejen todo tipo de incidentes racistas protagonizados por los
participantes o el público, reservar a los árbitros la facultad de interrumpir
temporalmente los encuentros en que se produzcan actos racistas, pudiendo, en
última instancia, llegar a decidir la suspensión del encuentro cuando los actos
racistas revistan suma gravedad; el compromiso de la asociación Aficiones Unidas –
aglutinadora de diversas agrupaciones de peñas y aficionados – de expulsar de las
organizaciones de aficionados a quien incumplan las medidas previstas en el
Protocolo; el compromiso del Ministerio del Interior y las Fuerzas y Cuerpos de
Seguridad del Estado de optimizar la utilización de las videocámaras y sistemas de
videovigilancia de los estadios para permitir la identificación de los autores de
conductas racistas y poner estos medios a disposición de los clubes para que éstos
puedan tomar medidas disciplinarias internas frente a sus asociados, socios,
abonados y/o clientes implicados en incidentes racistas; promover las reformas
legislativas precisas para tipificar, con la especificidad que merecen, los brotes de
racismo en los espectáculos deportivos – medida que habría de cristalizar en el
mencionado Anteproyecto posterior – y velar porque los órganos disciplinarios de la
Real Federación Española de Fútbol y la Liga Nacional de Fútbol Profesional
aplicasen de forma inflexible la normativa disciplinaria que califica como infracción
muy grave los actos, conductas u ofensas racistas en el marco de lo dispuesto en el
artículo 76 de la Ley del Deporte – medida directamente relacionada con la
aplicación de dicha infracción disciplinaria a la que se hizo referencia en el epígrafe
anterior –; el compromiso de los clubes de condicionar la expedición de abonos de
temporada y la venta de entradas a la ausencia de sanción por incidentes racistas
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y, en general, contrarios a la normativa sobre prevención de la violencia en los
espectáculos deportivos, así como incluir en sus normas de régimen interno la
facultad de impedir el acceso o expulsar de los recintos deportivos a quien
participen en tales incidentes y confiar, finalmente, el seguimiento y control del
cumplimiento de las medidas previstas en el Protocolo al Observatorio del racismo,
la xenofobia y la violencia en el deporte creado en el seno de la Comisión Nacional
contra la Violencia en los Espectáculos Deportivos.
Asimismo, en el Protocolo tanto el Consejo Superior de Deportes como la
Secretaría de Estado de Inmigración y Emigración se comprometieron a promover
la modificación de las reglamentaciones deportivas – no sólo del fútbol sino de
todos los deportes – para permitir la participación de deportistas extranjeros
aficionados residentes en España, si bien esta medida, que habría de aplicarse sin
excepción en categorías inferiores, podría ser modulada en las restantes categorías
en función de las particularidades de cada deporte.
En fecha muy reciente, el Gobierno ha efectuado una valoración sobre los
resultados de la aplicación de este Protocolo1 en respuesta a una previa pregunta
parlamentaria2. En ella se manifiesta que la aplicación de las 31 medidas del
Protocolo se está realizando en la actualidad con total aceptación y compromiso por
parte de los estamentos del fútbol español siendo sus resultados, en general,
satisfactorios, “aunque el Consejo Superior de Deportes sigue incidiendo en asuntos
tales como las barreras que dificultan la participación en competiciones deportivas
de deportistas aficionados extranjeros, no comunitarios, que estén residiendo en
nuestro país, y en el control de la violencia y el racismo en los estadios”. También
se informa de que la Oficina Nacional de Deportes ha tenido conocimiento de la
comisión de 24 actos de carácter racista, entre los meses de julio de 2005 y febrero
de 2006, consistiendo la inmensa mayoría de los incidentes en la imitación, por
espectadores, del sonido de los simios y estando dirigidos a jugadores de raza
negra del equipo rival, habiendo sido identificadas por las Fuerzas y Cuerpos de
Seguridad 17 personas por la comisión de hechos de esta naturaleza.
2.8 LA COMISIÓN ESPECIAL DEL SENADO DE ESTUDIO PARA
ERRADICAR EL RACISMO Y LA XENOFOBIA DEL DEPORTE ESPAÑOL
Asimismo, el 7 de junio de 2005 se constituyó en el Senado una Comisión
Especial de Estudio para erradicar el racismo y la xenofobia del deporte español3.
Esta Comisión ha celebrado 13 sesiones desde su constitución, siendo la última del
pasado 18 de mayo de 2006, y ha contado con las comparecencias de diversas
personalidades del deporte español, habiendo pasado por ella hasta la fecha el
Presidente del Consejo Superior de Deportes, D. Jaime Lissavetzky Díez, el Director
General de Deportes y Vicepresidente de la Comisión Nacional contra la Violencia en
los Espectáculos Deportivos, D. Rafael Blanco Perea, el Presidente del Observatorio
de la Violencia, el Racismo y la Intolerancia en el Deporte, D. Javier Durán
González, el Presidente del Movimiento contra la Intolerancia, D. Esteban Ibarra
Blanco, el Secretario General de la Coalición Española contra el Racismo, la
Xenofobia y Discriminaciones Relacionadas (CECRA), D. Carlos Ferreira Núñez, el
Presidente de la Liga Nacional de Fútbol Profesional, D. José Luis Astiazarán
Iriondo, el Presidente de la Federación Española de Baloncesto (FEB), D. José Luis
1
Boletín Oficial de las Cortes Generales, Congreso de los Diputados, de 22 de mayo de 2006, Serie D,
núm. 390, pp. 251 y 252.
2 Boletín Oficial de las Cortes Generales, Congreso de los Diputados, de 27 de marzo de 2006, Serie D,
núm. 358, pp. 353 y 354.
3 Boletín Oficial de las Cortes Generales, Senado, de 22 de junio de 2005, Serie I, núm. 260, p. 6.
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Sáez Regalado, el Secretario General de la Asociación de Federaciones Españolas de
Peñas de Fútbol (AFEPE),Aficiones Unidas, D. José Hidalgo Pitarch, el árbitro de
fútbol, D. Arturo Daudén Ibáñez, el Presidente del Real Zaragoza, S.A.D., D.
Alfonso Solans Solans, el árbitro de fútbol y Delegado de campo del Villarreal Club
de Fútbol S.A.D., D. Juan Ansuátegui Roca, el Diputado y Delegado de Deportes de
la Diputación Provincial de Castellón, D. Manuel Gual Ribes, el Presidente del Club
Atlético de Madrid, S.A.D., D. Enrique Cerezo Torres, el árbitro de fútbol, D. Antonio
Martín Navarrete, el Presidente del Real Madrid Club de Fútbol, D. Fernando Martín
Álvarez, el Viceconsejero del Deporte de la Junta de Comunidades de Castilla-La
Mancha, D. Francisco Javier Martín del Burgo Simarro y el Jefe de Área de Deportes
de la Agencia EFE, S.A., D. Luis Villarejo Alonso.
2.9 EL ANTEPROYECTO DE LEY CONTRA LA VIOLENCIA, EL RACISMO,
LA XENOFOBIA Y LA INTOLERANCIA EN EL DEPORTE
Como punto culminante de este recorrido por el tratamiento del racismo en
la legislación deportiva española debe prestarse atención, por último, al
Anteproyecto de Ley contra la Violencia, el Racismo, la Xenofobia y la Intolerancia
en el Deporte que fue aprobado en la reunión del Consejo de Ministros del pasado
17 de marzo de 2006, a propuesta del Consejo Superior de Deportes. Se trata del
primer texto legislativo específicamente dirigido a la represión del racismo en el
deporte español.
El anteproyecto consta de 37 artículos, 8 disposiciones adicionales, una
disposición transitoria, una disposición derogatoria y 2 disposiciones finales.
Pretende la derogación expresa de todo el vigente Título IX de la Ley del Deporte,
dedicado a la prevención de la violencia en los espectáculos deportivos, y de las
infracciones disciplinarias tipificadas en los artículos 76.1, apartados e) y g) y 76.2,
apartado g). Asimismo, aunque no tenga que ver propiamente con la materia
objeto del anteproyecto, también resultaría modificado por el mismo el artículo
32.2 de la Ley del Deporte en el sentido de derogar el actual inciso final de ese
precepto, relativo a la integración y representatividad de las federaciones
autonómicas en las federaciones españolas. El inciso que quedaría sin efecto es el
que, actualmente, establece que los presidentes de las federaciones autonómicas
formarán parte de las asambleas generales de las federaciones españolas,
ostentando la representación de aquéllas.
Ciñéndonos estrictamente a lo que atañe al racismo, la Exposición de
Motivos del anteproyecto señala que, si en la sociedad española ninguna raza,
religión, creencia política o grupo étnico puede considerarse superior a las demás,
el deporte ha de ser un reflejo de la sociedad. Recuerda también que en los últimos
20 años, la española dejó de ser una sociedad emigrante para pasar a ser receptora
de inmigración, razón por la que la irrupción del racismo en el deporte español es
reciente.
El anteproyecto consta de 5 títulos. El Título Preliminar delimita el objeto y
ámbito de aplicación de la Ley. El incumplimiento de los deberes y obligaciones
establecidos se sanciona tanto en el ámbito de la potestad general sancionadora, al
que está sometido, por ejemplo, cualquier asistente a un evento deportivo, como
en el de la potestad disciplinaria deportiva, que se proyecta sobre aquellas
personas integradas en la organización del deporte federado de ámbito estatal,
ámbito al que el artículo 1.c) limita la aplicación del régimen disciplinario deportivo
regulado en el anteproyecto. El artículo 2 se dedica a la definición de lo que, a
efectos de esa Ley, habrá de entenderse por actos violentos o que inciten a la
violencia y por actos racistas, xenófobos o intolerantes en el deporte, definiéndose,
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para cada una de las dos clases de actos, seis tipos diferentes de conductas que
tendrán consideración de tales actos violentos o racistas.
El Título Primero relaciona las obligaciones de los organizadores y del público
asistente a los espectáculos deportivos. Entre las medidas de prevención reguladas
en este título se reconocen las adoptadas en el Protocolo de Actuaciones de 18
marzo de 2005. Así, por ejemplo, el artículo 3.3 exige que las disposiciones
reglamentarias de todas las entidades deportivas establezcan la posibilidad de
privar de los abonos vigentes y de la inhabilitación para obtenerlos a las personas
sancionadas por conductas violentas o racistas. Dentro de este mismo título, el
artículo 4.3 exige que tanto en el reverso de las entradas como a través de carteles
se advierta a los espectadores de las medidas control y vigilancia implantadas,
como la grabación a través de circuitos cerrados de televisión, la realización de
registros de los espectadores u otras medidas adicionales complementarias, si bien
los espectadores están obligados a soportar la aplicación de estas medidas, tal
como establece el artículo 8.2. El artículo 6.1, por su parte, obliga a los clubes a
llevar un libro de registro en el que han de reflejar la actividad de sus peñas y
grupos de aficionados. El artículo 9.3 señala que el incumplimiento de sus
obligaciones por un espectador permite su expulsión inmediata del recinto
deportivo por las fuerzas de seguridad, sin perjuicio de la posterior imposición de
sanción administrativa sobre esa misma persona.
Merece especial atención dentro de este título el artículo 15, dedicado
íntegramente a regular la facultad de los árbitros para suspender los encuentros, de
manera provisional o definitiva, así como para acordar, de mutuo acuerdo con el
Coordinador de Seguridad, el desalojo total o parcial de las gradas, facultades que
se califican como medidas provisionales para el mantenimiento de la seguridad y el
orden público y que se hacen recaer en los árbitros o jueces de las diferentes
modalidades deportivas.
También debe prestarse atención al artículo 18 que impone a las entidades
deportivas el deber de promover la depuración de las reglas técnicas del juego y
sus criterios de aplicación por los jueces y árbitros deportivos para evitar
situaciones que inciten a la violencia o al racismo a los participantes en la prueba o
a los espectadores. Se trata de un mandato impuesto en unos términos poco claros,
que sería aconsejable precisar durante la tramitación parlamentaria del texto. La
regla técnica del juego es un concepto de difícil determinación y sobre el que
mucho ha escrito la doctrina1. Si entendemos que la regla técnica del juego es
aquella que fija el desarrollo del juego, ha de tenerse presente que en muchas
ocasiones, este tipo de reglas vienen determinadas por la correspondiente
Federación Internacional de ese deporte, entidad que no necesariamente estará
sometida al ámbito de aplicación de esta Ley, razón por la que este mandato puede
quedar vacío de contenido.
El Título Segundo consta de un único artículo que crea y regula las funciones
de la nueva Comisión Nacional contra la Violencia, el Racismo, la Xenofobia y la
Intolerancia en el Deporte que habrá de sustituir a la actual Comisión Nacional
contra la Violencia en los Espectáculos Deportivos.
El Título Tercero establece el régimen sancionador general previsto frente a
las conductas violentas o racistas protagonizadas por cualquier sujeto, pertenezca o
no a la organización deportiva federada. En este título se contiene un catálogo de
infracciones administrativas y las correlativas sanciones que podrán ser impuestas.
Las sanciones económicas van desde los 150 euros de multa del grado mínimo de
1
Acerca de las “reglas técnicas del juego”, las reglas del juego y las reglas de la competición, cfr.
GAMERO CASADO E. Las sanciones deportivas, Barcelona, 2003, pp. 138 y ss.
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las infracciones leves hasta los 650.000 euros del grado máximo de las infracciones
muy graves. Además, los organizadores de competiciones y espectáculos
deportivos podrán afrontar la imposición de otras sanciones accesorias a las multas
como la inhabilitación temporal para organizar espectáculos deportivos por un
periodo de hasta dos años o la clausura temporal del recinto deportivo por igual
periodo máximo. A las personas físicas también se les podrán imponer sanciones
accesorias de prohibición temporal de acceso a cualquier recinto deportivo por un
periodo de hasta cinco años.
Los dos últimos apartados del artículo 24 prevén lo que, aparentemente, no
son sanciones sino medidas de reposición de la legalidad, es decir actos
desfavorables para el interesado que imponen una obligación de hacer pero que no
tienen propiamente naturaleza sancionadora. El artículo 24.4 prevé la posibilidad de
imponer, a quienes realizasen declaraciones en medios de comunicación que inciten
a la violencia en eventos deportivos, la obligación de publicar a su costa en esos
mismos medios y con la misma amplitud rectificaciones públicas o anuncios que
promocionen la deportividad y el juego limpio. Por su parte, el artículo 24.5
contempla la posibilidad de imponer, a quienes difundiesen contenidos que
fomenten la violencia, el racismo o la intolerancia en el deporte a través de medios
informáticos o tecnológicos, la obligación de mantener a su costa, durante un plazo
de hasta cinco años, medios similares a los utilizados en la comisión de la infracción
con contenidos que fomenten la tolerancia, el juego limpio y la integración
intercultural en el deporte. El primer supuesto de medida de reposición de la
legalidad podrá ser impuesto además de la correspondiente sanción económica o en
lugar de la misma; no así el segundo supuesto, para el que únicamente se
contempla su imposición adicional a la sanción económica.
Una salvedad importante se contiene también en el artículo 26.2. En él se
establece que las personas sometidas a la potestad disciplinaria deportiva estarán
sujetos a responsabilidad disciplinaria, por las infracciones de las normas relativas a
la prevención de la violencia deportiva que cometan, cuando los hechos hayan sido
cometidos con ocasión del ejercicio de su función deportiva, mientras que si los
hechos fuesen cometidos en condición de espectadores quedarán sujetos a la
responsabilidad administrativa general. Es decir, la opción escogida en el
anteproyecto es la de que el sometimiento a uno u otro régimen va a depender de
si en el momento de la comisión de los hechos el sujeto estaba ejerciendo o no su
función deportiva. Al respecto cabe decir que se echa en falta que no se aluda más
que al incumplimiento de las normas o actuaciones preventivas de la violencia
deportiva, olvidando las relativas a la prevención del racismo, la xenofobia y la
intolerancia, lo que puede dar lugar a interpretaciones erróneas, así como que
también podría haberse elegido la opción consistente en compatibilizar la sanción
administrativa y la sanción disciplinaria, si las mismas respondiesen a diferentes
intereses protegidos, aun cuando los hechos no fuesen cometidos por estos sujetos
con ocasión del desempeño de su función deportiva, ya que es lógicamente exigible
que la plena instauración de los valores de respeto y pacífica convivencia que
persigue esta norma comience por la exigencia de un especial celo a los propios
integrantes de la organización deportiva federada. De hecho, el propio artículo 30
del anteproyecto, que regula con exhaustivo detalle la posible concurrencia de
procedimientos penales, administrativos y disciplinarios, prevé en su apartado
segundo que a una misma persona le resulten de aplicación sanciones
administrativas y disciplinarias, si bien una lectura conjunta de los artículos 26.2,
30.2 y 32.3 parece revelar que esta concurrencia de sanciones administrativas y
disciplinarias sólo podrá darse en el caso de personas jurídicas como los clubes, las
federaciones o las ligas, pero no así cuando se trate de jugadores, técnicos,
directivos y demás personas sometidas a la disciplina deportiva, en cuyo caso,
responderán únicamente en uno de los dos regímenes – administrativo o
disciplinario – dependiendo de la función que estuviesen desempeñando al cometer
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el ilícito. Esto es así porque, de todos los sujetos sometidos a la disciplina
deportiva, son las personas jurídicas las únicas que nunca podrán cometer una
infracción en su condición de espectadores de un evento, por lo que, a diferencia de
lo que sucederá con las personas físicas, a las personas jurídicas como los clubes sí
se les podrán imponer cumulativamente sanciones administrativas y disciplinarias si
su conducta constituye infracción en ambos ámbitos.
Por último, el Título cuarto regula el régimen disciplinario deportivo contra la
violencia y el racismo en el deporte. El artículo 32 abre este título limitando el
ámbito de aplicación de esta regulación disciplinaria a las competiciones de ámbito
estatal. En cuanto a las infracciones, resulta plausible que el anteproyecto no
establezca una responsabilidad disciplinaria objetiva1 de los clubes por la
producción de cualquier incidente violento o racista protagonizado por los
espectadores, siendo necesario para integrar el supuesto de hecho de alguna de las
infracciones disciplinarias tipificadas en los artículos 34 y 35 que concurra al menos
una omisión de medidas de seguridad, falta de diligencia o colaboración o conducta
de tolerancia o pasividad. Llama la atención el hecho de que, a diferencia de lo que
sucede con las infracciones administrativas, en las que el artículo 23.3 tipifica como
infracciones leves las conductas violentas o racistas que no estén calificadas en la
Ley como infracciones graves o muy graves, en relación con las infracciones
disciplinarias no se ha previsto un precepto semejante, de manera que sólo se
tipifican infracciones disciplinarias graves y muy graves, sin que existan
infracciones disciplinarias leves en este ámbito.
En el plano de las sanciones, el artículo 36 del anteproyecto se presta a
varios comentarios. En primer lugar, cabe destacar su indeterminación, en el
sentido de que no se anudan determinadas sanciones para cada infracción o clases
de infracciones sino que se prevé un amplio elenco de sanciones posibles. Es muy
diferente, por ejemplo para un club, ser sancionado con una multa, con la clausura
del recinto deportivo o con la pérdida de categoría. Esta indeterminación propicia
que haya de ser la normativa federativa – que habrá de ser adaptada a la Ley
dentro de los seis meses posteriores a su entrada en vigor, aunque durante ese
periodo las infracciones y sanciones disciplinarias previstas en la Ley habrán de ser
directamente aplicadas por las federaciones – la que trate de ajustar, dentro de
cada modalidad deportiva, las sanciones correspondientes para cada infracción,
para evitar cualquier posible discrecionalidad en el ejercicio de la potestad
disciplinaria en relación con hechos violentos o racistas. Así, es de suponer que, en
la mayoría de los casos, sanciones tan duras como el descenso de categoría se
reserven, por ejemplo, para casos de reincidencia en conductas tipificadas como
infracciones disciplinarias muy graves. Es posible que esta mayor concreción de las
sanciones aplicables a cada conducta también se opere, desde el propio Gobierno, a
través del desarrollo reglamentario de la Ley, al que se refiere la Disposición
Adicional Primera del anteproyecto. Así se hizo, por ejemplo, en el Reglamento de
Disciplina Deportiva, aprobado mediante Real Decreto 1591/1992, de 23 de
diciembre, dictado en desarrollo del Título XI de la Ley del Deporte; el párrafo
segundo del apartado i) del artículo 21 de este Reglamento limita la aplicación de la
sanción de inhabilitación o privación de licencia a perpetuidad en los siguientes
términos: “Las sanciones previstas en este último apartado únicamente podrán
acordarse, de modo excepcional, por la reincidencia en infracciones de
extraordinaria gravedad”; los subsiguientes artículos 22 y 23 de este Reglamento
también constituyen ejemplo de un esfuerzo de concreción de las sanciones
aplicables para cada conducta.
1
Acerca de la responsabilidad objetiva en la disciplina deportiva vid. GAMERO CASADO E. Las
sanciones deportivas, Barcelona, 2003, pp. 46 y ss y FERNANDEZ ARRIBAS J. Una ocasión perdida.
Reflexiones sobre las sanciones por incidentes de público, al hilo de la STS de 30 de octubre de 1998,
accesible en http://www.iusport.es/OPINION/joseba1298.htm.
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En segundo lugar, las sanciones contempladas en los artículos 36.A.c) y
36.B.c) se apartan del régimen sancionador actualmente previsto en relación con
las multas en el artículo 79.1.c) de la Ley del Deporte. Este precepto establece que
las sanciones de carácter económico podrán ser impuestas a todos aquellos que
intervengan o participen en las competiciones declaradas profesionales por el
Consejo Superior de Deportes, declaración que, actualmente, sólo recae en la
Primera y Segunda División de la Liga de Fútbol y en la Liga ACB de Baloncesto. En
el resto de competiciones, señala el comentado artículo, las sanciones económicas
sólo podrán ser impuestas a aquellos deportistas, técnicos, jueces o árbitros que
perciban retribución por su labor. Los antes mencionados artículos del anteproyecto
obvian esta última puntualización, por lo que de su dicción literal se desprende que
en el caso de infracciones disciplinarias por conductas violentas o racistas
tipificadas en dicho texto sí podrán ser impuestas también sanciones económicas a
los deportistas, jueces y árbitros de competiciones estatales no profesionales, aun
cuando no perciban retribución por su labor. Asimismo, en comparación con el
precepto de la Ley del Deporte que regula las sanciones disciplinarias económicas,
se observa también que el anteproyecto olvida a los técnicos y, en cambio, incluye
a los directivos. Finalmente, la versión conocida del anteproyecto1 contiene lo que,
sin duda, han de ser erratas, pues la cuantía de estas sanciones económicas son
prácticamente idénticas – artículos 36.A.b y 36.A.c en relación con los artículos
36.B.b y 36.B.c – ya respondan a la comisión de infracciones muy graves o graves.
El artículo 36.C) contiene una saludable aclaración, que contribuye a
delimitar los límites de la materia disciplinaria, al señalar que otras medidas que
puedan acordarse por los órganos disciplinarios federativos, tras la producción de
actos violentos o racistas, como pueden ser las decisiones sobre la continuación o
no del encuentro, su repetición, celebración a puerta cerrada o decisiones relativas
a los resultados no son sanciones disciplinarias.
Finalmente, el artículo 37.3 establece una duración máxima de un mes,
prorrogable por otro más, para la resolución de los procedimientos disciplinarios
que tenga por objeto actos violentos o racistas regulados en esta Ley. Transcurrido
ese plazo, no se produce la caducidad del expediente sino que la competencia para
continuar la instrucción y resolución pasará al Comité Español de Disciplina
Deportiva, sin que se señale un plazo máximo de resolución cuando se dé este
supuesto. Asimismo, surge la duda de cuáles serán los posteriores recursos que
asistan a los interesados cuando se cumpla ese cambio de competencia, ya que,
ante una resolución de un órgano disciplinario federativo de primera instancia
puede caber recurso ante el órgano disciplinario federativo de segunda instancia –
en caso de que exista –, posterior recurso ante el Comité Español de Disciplina
Deportiva, cabiendo finalmente la posibilidad del recurso contencioso-administrativo
en vía judicial, previo uso o no del recurso potestativo de reposición. Cuando la
competencia para resolver el procedimiento disciplinario pase del órgano
disciplinario federativo de primera instancia al Comité Español de Disciplina
Deportiva, por el transcurso del plazo máximo de resolución, se ignora si la
resolución que por éste se dicte será impugnable como si se tratase de un acto del
órgano disciplinario o si únicamente cabrán los recursos previstos contra los actos
del Comité Español de Disciplina Deportiva, supuesto en el que el interesado habrá
podido perder hasta dos recursos – el que pudiese caber ante el órgano disciplinario
de segunda instancia y el recurso ante el propio Comité Español de Disciplina
Deportiva – por un retraso en la tramitación no imputable a él.
1
La publicada en la página web del Consejo Superior de Deportes, accesible en
http://www.csd.mec.es/CSD/Deporte/PreViolencia/proyecviolencley.htm
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2.10 CONCLUSIÓN DE LA SEGUNDA PARTE
Como se ha podido comprobar a lo largo de las anteriores líneas, el
tratamiento del racismo en la legislación deportiva española es muy reciente, no
contemplándose ninguna norma ni precepto específico hasta la reforma de la Ley
del Deporte a través de la Ley 53/2002. El análisis de las diversas actuaciones
administrativas y legislativas sobre el tema desde entonces revelan también que,
en nuestro país, el racismo en el deporte ha sido tratado indisolublemente junto a
la violencia. Así sucedió al abordarse la citada reforma de la Ley del Deporte y se
ha confirmado con el posterior Protocolo de Actuaciones contra el Racismo, la
Xenofobia y la Intolerancia en el Deporte, de 18 de marzo de 2005, origen del
Anteproyecto de Ley contra la Violencia, el Racismo, la Xenofobia y la Intolerancia
en el Deporte que habrá de constituir el primer texto legal específicamente dirigido
a la prevención y represión de estas conductas en el deporte español. Es de esperar
que todos estos esfuerzos den su fruto en el futuro, consiguiendo desterrar
definitivamente de nuestro deporte esta clase de comportamientos.
2.11 BIBLIOGRAFÍA DE LA SEGUNDA PARTE
ALONSO MARTÍNEZ, R. Modificación de la Ley del Deporte para reforzar la
prevención de la violencia, en Derecho Deportivo en línea, boletín Ddel nº 2 (20022003), accesible en http://nuke.dd-el.com/Portals/0/Ddel%202.pdf
BOLETÍN OFICIAL DE LAS CORTES GENERALES
- Congreso de los Diputados, de 27 de marzo de 2006, Serie D, núm. 358.
- Congreso de los Diputados, de 22 de mayo de 2006, Serie D, núm. 390.
- Senado, de 22 de junio de 2005, Serie I, núm. 260.
CARRETERO LESTÓN, J.L. Régimen disciplinario en el ordenamiento deportivo
español, Málaga, 1985
COMISION NACIONAL CONTRA LA VIOLENCIA EN LOS ESPECTACULOS
DEPORTIVOS. Notas de prensa
http://www.mir.es/DGRIS/Notas_Prensa/Comision_Nacional_Antiviolencia/
CONSEJO SUPERIOR DE DEPORTES. Anteproyecto de Ley contra la Violencia, el
Racismo, la Xenofobia y la Intolerancia en el Deporte, accesible en
http://www.csd.mec.es/CSD/Deporte/PreViolencia/proyecviolencley.htm
DIARIO ABC del 7 de octubre de 2004.
FERNANDEZ ARRIBAS J. Una ocasión perdida. Reflexiones sobre las sanciones por
incidentes de público, al hilo de la STS de 30 de octubre de 1998, accesible en
http://www.iusport.es/OPINION/joseba1298.htm
GAMERO CASADO E. Las sanciones deportivas, Barcelona, 2003
MARÍAS, J. Traducción y racismo, en “El País Semanal” del 12 de diciembre de 2004
REVISTA JURIDICA DEL DEPORTE, nº 8, 2002, Crónicas, Actuaciones en materia de
prevención de la violencia deportiva.
N ot a : E x is t e un a t ra du cc ió n d e e st e art ícu lo a l id iom a portu gu é s. Pa r a
solicit arla, escriba a la dirección postmast er@ dd - el. c om.
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Direito Futebolístico Brasileiro: uma introdução
Por Álvaro Melo Filho
O futebol transfundiu-se num “jogo universal” (“mais universal que a
democracia, a Internet ou a economia de mercado”), que fascina e se categoriza
como um fato social total e transversal na “sociedade desportivizada”, em razão de
sua mediatização, profissionalização e mercantilização. Aduza-se, por relevante,
que o futebol com sua força integrativa tornou-se, no plano dos atletas e
treinadores, um eficaz instrumento de inclusão social e de favorecimento de
ascensão social, e, no plano dos espectadores e telespectadores, enseja uma
verdadeira catarse social quando projetam nos times e nos “atores desportivos”
seus sentimentos de alegria pela vitória ou de tristeza pela derrota, de amor aos
seus ídolos ou de ódio aos adversários.
De outra parte, ao abolir fronteiras e limites o futebol possibilitou a simbiose
entre a globalização unificadora e as resistências identitárias do mundo de hoje, até
porque não há fenômeno mais global que equilibre a identidade nacional e a
diversidade planetária. À evidência, o futebol transfundiu-se num idioma universal,
apesar de não ser uma língua, sendo que sua popularidade e “mobilização massiva”
decorrem da regras simples, claras e praticamente imutáveis que garantem
liberdade e igualdade efetiva dentro do campo, valendo para todos, em todo o
mundo. E por ser praticado em todos os países, por todas as raças e religiões, o
futebol tem inspirado o surgimento de um novo conceito de homem, o “homo
futbolisticus”.
Amando-se ou odiando-se o futebol, este jogo realmente global não é
indiferente a ninguém, até porque o futebol é uma metáfora da sociedade
contemporânea, ora reproduzindo as condições de sucesso na atualidade, ora
expressando nos estádios as alegrias, tristezas, sonhos e frustrações de cada um
de nós. Em suma, o lugar que o futebol ocupa no mundo de hoje ultrapassa a
racionalidade, porquanto a emoção industrializada do futebol como espetáculo
lúdico e quase circense marca o ritmo de adeptos e não adeptos, sem possibilidade
de fuga.
O futebol que a todos contamina e contagia como autêntica epidemia ou “vírus
sem vacina à vista” recebeu, nos últimos anos, um tratamento sem precedentes na
esfera jurídica, como decorrência da “necesaria acomodación del Derecho al
fenómeno deportivo”. De fato, o futebol tem vínculos estreitos e indissociados com
o direito, na medida em que não pode subsistir sem regras de jogo e sem leis, ou
seja, alheio à “reglès du droit pour dire qui gagne et qui perdu”. Com efeito, sem o
direito, o futebol carece de sentido como exemplificam os estatutos de clubes e
entes dirigentes, os códigos de justiça desportiva, os regulamentos das
competições, as “leis de transferência de atletas”, os normativos sobre dopping,
etc. Nesse diapasão pode afirmar-se que o desporto, com realce para o futebol,
talvez seja dentre todas as atividades humanas aquela em que a regra jurídica
ocupa um lugar de maior relevo, sem olvidar que “futebol e direito realizam-se sob
os mesmos signos: o da lei e o do juiz”. E a convergência entre futebol e direito é
tão expressiva e transcendente que já há quem proponha a criação de um “derecho
futbolístico”.
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Por sugestão e redação nossa, foi inserido o vigente art. 217 na Constituição
Federal de 1988 que outorgou ao desporto o status constitucional e condensou os
postulados que constituem a estrutura de concreto armado da legislação desportiva
brasileira. Nesse mister, o dever do Estado de fomentar as práticas desportivas
como “direito de cada um”, de garantir a autonomia desportiva das entidades de
administração e de prática desportiva e de reconhecer da Justiça Desportiva,
tornaram-se princípios cardeais desportivos cristalizados na Carta Magna. Repontese, dentre estes postulados, com sede constitucional, que o princípio da autonomia
desportiva, no plano do Legislativo, impõe limites à elaboração das leis versando
sobre desporto, na esfera do Executivo estabelece o parâmetro delimitador de sua
discricionariedade e, no tocante ao Judiciário, condiciona a interpretação das
normas do ordenamento jus-desportivo. Pontue-se, ainda, que esta consagração
autonomia dos entes desportivos dirigentes e de prática quanto a sua organização e
funcionamento - como cláusula pétrea da lex sportiva - buscou exatamente
preservar o desporto, destacadamente o futebol, “das paixões exacerbadas e das
injunções políticas circunstanciais”. Por isso mesmo, aos contumazes retóricos de
plantão que fazem uso blogs e sites na Internet para, patologicamente, satanizar e
demonizar os dirigentes desportivos como fundamento principal para implodir e
fraudar o postulado constitucional da autonomia desportiva, lembra-se que esta
saída é um salto rumo a um passado sombrio, marcado pelo autoritarismo e
intervencionismo estatal, inclusive no desporto. E mais, não é vilipendiando-se com
imposições pirotécnicas nem diluindo-se com artifícios hermenêuticos os princípios
desportivos constantes do Texto Constitucional que se vai melhorar o futebol
brasileiro.
E no “país do futebol” o interesse e a paixão até desmedidas “monopolizaram” e
impuseram uma visão futebolizada à lex sportiva, deixando, em segundo plano,
mais de cem modalidades desportivas praticadas de modo profissional ou não
profissional, ou seja, o desporto rei tornou-se o rei dos desportos. De fato, cinco
(5) anos após ter sido o desporto alçado ao patamar constitucional, foi promulgada
a Lei nº 8.672, de 06 de julho de 1993, promovendo e concretizando a
“desintoxicação autoritária” da legislação desportiva. Vale dizer, foi a conhecida “Lei
Zico” - elaborada e proposta pelo autor deste artigo - que instituiu normas gerais
sobre desporto com diretrizes mais democráticas, reservando espaço para a
autonomia desportiva e a liberdade de associação, ambas com sede constitucional,
fazendo perpassar por todos os seus 71 dispositivos a filosofia do pode. Com a “Lei
Zico” o conceito de desporto, antes adstrito e centrado apenas no rendimento, foi
ampliado para compreender o desporto na escola e o desporto de participação e
lazer; a Justiça Desportiva ganhou uma estruturação mais consistente; facultou-se
o clube profissional transformar-se, constituir-se ou contratar sociedade comercial;
em síntese, reduziu-se drasticamente a interferência do Estado fortalecendo a
iniciativa privada e o exercício da autonomia no âmbito desportivo, exemplificada,
ainda, pela extinção do velho Conselho Nacional de Desportos, criado no Estado
Novo e que nunca perdeu o estigma de órgão burocratizado, com atuação cartorial
e policialesca no sistema desportivo, além de cumular funções normativas,
executivas e judiciais. Ou seja, removeu-se com a “Lei Zico” todo o entulho
autoritário desportivo, munindo-se de instrumentos legais que visavam a facilitar a
operacionalidade e funcionalidade do ordenamento jurídico-desportivo, onde a
proibição cedeu lugar à indução.
Surge, posteriormente, em 24.03.98, a “Lei Pelé” (Lei nº 9.615/98), dotada de
natureza reativa, pontual e errática, que, a par de fazer a “clonagem jurídica” de
58% da “Lei Zico”, trouxe como inovações algumas “contribuições de pioria”: o fim
do “passe” dos atletas profissionais resultando numa predatória e promíscua
relação empresário/atleta; o reforço ao “bingo” que é jogo, mas não é desporto,
constituindo-se em fonte de corrupções e de “lavagem de dinheiro”, geradoras
inclusive de CPI; e, a obrigatoriedade de transformação dos clubes em empresas,
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quando mais importante que a roupagem jurídica formal é a adoção de mentalidade
empresarial e profissional dos dirigentes desportivos. Ou seja, a “Lei Pelé”, produto
de confronto e não de consenso, com ditames que usaram a exceção para fazer a
regra, restabelece, de forma velada e sub-reptícia, o intervencionismo estatal no
desporto, dissimulada pela retórica da modernização, da proteção e do “elevado
interesse social” da organização desportiva do País. Certamente, em razão dos
vícios de inconstitucionalidades e de irrealidades que continha, a Lei nº 9.615/98 foi
objeto de várias e sucessivas alterações legislativas decorrentes da Lei nº
9.981/00, da Lei nº 10.264/01 e da Lei nº 10.672/03, que a modificaram, ora
minorando efeitos nocivos, ora aumentando danos colaterais, tanto que, da versão
original, remanesce apenas 6% “Lei Pelé”, ainda pendente de substanciais reparos
e indispensáveis ajustes. Em suma, não se pode olvidar que a Lei nº 9.615/98 (Lei
Pelé) na sua versão atual, decantada inicialmente como a panacéia do desporto,
especialmente do futebol, prometeu sonhos, mas entregou apenas pesadelos,
muitos deles ultrapassando limites e atropelando princípios constitucionais.
Sinale-se, ainda, a Lei nº 10.671, de 15 de maio de 2003 (Estatuto de Defesa
do Torcedor), ou se preferirem, o “código do consumidor desportivo” ou o código do
torcedor do futebol, tem sido fonte mais de problemas do que de soluções, a partir
do momento em que o desporto deixa de ser concebido como direito e passa a ser
considerado serviço ou “produto”. Rica em inconstitucionalidades e atecnias é
objeto de ADIN, em curso no Supremo Tribunal Federal, onde apontamos 29 vícios
jurídicos tanto indutores da “desobediência desportiva”, quanto ensejadores do
denuncismo e da “chantagem desportiva”. Com efeito, o “ET” é um “monstrengo”
jurídico-desportivo que afronta o princípio da isonomia ao incidir apenas sobre o
desporto profissional (leia-se futebol); “engessa” por dois anos os Regulamentos
das competições, vedando alterações mesmo que para corrigir enganos
involuntários; impõe o sorteio de árbitros com 48 horas de antecedência das
partidas, inibindo a profissionalização ao sujeitar seu exercício à aléa, blindando o
árbitro sorteado de substituição ou afastamento mesmo que se venha a constatar
que ele “negociou” ou apostou no resultado da partida, além de premiar o “sortudo”
e punir o competente; obriga a constituição de órgão formado por torcedores nãosócios e cria a punição de afastamento compulsório para dirigentes desportivos
vulnerando os princípios da presunção da inocência, da ampla defesa e do devido
processo legal. Ademais, entra em detalhes típicos de regulamentação infralegal
quando, por exemplo, obriga que as súmulas tenham 3 vias, sendo a 1º via
acondicionada em envelope lacrado, exige “sanitários limpos”, determina o número
de ambulâncias, médicos e enfermeiros, e outros quejandos que, à evidência, não
se categorizam como normas gerais sobre desporto, sendo, nessa ótica, írritas, e
nulas. Enquanto isto, em frente aos estádios assiste-se, impunemente, a venda de
camisas pirateadas, de bebidas alcoólicas a menores e de ingressos por cambistas,
atestando que o Estatuto do Torcedor é uma lei que, literalmente, “jogou para a
platéia”.
Cumpre aduzir com relevante parte do arcabouço jurídico do futebol o Código
Brasileiro de Justiça Desportiva - CBJD que se categoriza como um instrumento que
condensa uma lógica jurídica amoldada ao fenômeno desportivo, nomeadamente ao
futebol e que dá operacionalidade à Justiça Desportiva para, com presteza e
celeridade, responder à crescente multiplicação de conflitos desportivos, a custos
mínimos e amoldados às peculiaridades das atividades futebolísticas. Os ditames do
CBJD - elaborados por Comissão de Juristas Desportivos da qual fui o Relator buscaram reduzir a
incidência
de condutas
comissivas e omissivas dos
atores desportivos que malferem a disciplina e distorcem as competições
desportivas, quase sempre deformadas pela supervalorização da vitória, pelos
interesses econômicos em jogo e pelo aviltamento dos valores jus-desportivos.
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Ressalte-se que no plano da lege ferenda sportiva está aprovado, na Câmara e
no Senado, pendente apenas de votação de três destaques, o PL nº 5541/05
instituindo a Timemania, um concurso de prognósticos que fará uso da
denominação, marca ou símbolo dos clubes de futebol profissional, remunerando
esta cessão com 22% da receita obtida em cada rodada lotérica. Com esse
mecanismo criativo, sem envolver ou comprometer dinheiro público, os clubes de
futebol profissional, na sua maioria em regime pré-falencial – em face da evasão
massiva dos craques para o exterior e da atuação oportunista e predatória dos
empresários desportivos desde a extinção do “passe” -, regularizarão sua situação
fiscal, previdenciária e fundiária, a par de incrementar a própria arrecadação
tributária federal, possibilitando à União recuperar receitas públicas potencialmente
impagáveis até porque os recursos hauridos pelos clubes irão diretamente para os
cofres públicos, sem sequer transitar pelos seus caixas.
Já advertia James Thurber que “não podemos olhar para trás com angústia nem
para frente com temor, mas em volta com consciência”. E é com este animus que
se deve avaliar o ordenamento jus-desportivo aplicável ao futebol buscando
verificar a dose de presente que deve deixar de subsistir no futuro, onde as
virtudes e os defeitos da “estatização” ou da “privatização” da lex desportiva
brasileira devem ser sopesados, levando em conta a spécificitè sportive, a
complexidade da codificação desportiva e o alcance de ditames desportivos
internacionais, sobretudo os promanados do arcabouço jurídico da FIFA - a “United
Nations of Football” -, até porque olvidá-los corresponde a “suicídio desportivo” ou
a auto-exílio da maior comunidade internacional com 207 países filiados.
A lex sportiva para estar na vanguarda, e não na retaguarda, gerando mais luzes
do que sombras, não pode fugir ao combate das três pragas principais que
atualmente debilitam e malferem o futebol – violência, corrupção e dopping. E
nesse diapasão, cabe à Legislação Desportiva brasileira estabelecer normas
assecuratórias da credibilidade do espetáculo e dos atores desportivos, e, à Justiça
Desportiva adotar, com celeridade, decisões que afastem o vírus contaminador da
impunidade desportiva. Por isso mesmo, num mundo desportivo sem fronteiras e
com o futebol cada vez mais penetrado por imperativos jurídicos, impende manter
o ordenamento jus-desportivo sempre ajustado à singularidade dos fatos
desportivos, amoldada aos novos paradigmas jus-desportivos internacionais e
jungida aos anseios da sociedade desportivizada.
Alfim, é difícil imaginar o futebol sem direito, assim como o Brasil e o mundo sem
futebol.
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