REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN Nomenclatura de diagnóstico e intervenções de enfermagem pela CIPE em consulta ambulatorial às puérperas Diagnosis and classification of nursing interventions by ICNP outpatient visit in the postpartum El diagnóstico y la clasificación de las intervenciones de enfermería por el CIPEambulatorio visita en el postparto Valessa de Lima Ximenes Especialista em Saúde da Mulher e em Saúde da Família, Enfermeira Obstetra. Teresina, Piauí, Brasil. E-mail: [email protected]. Inez Sampaio Nery Doutora em enfermagem, professora do Programa de Pós-graduação em enfermagem, UFPI . Teresina, Piauí, Brasil. E-mail: [email protected]. RESUMO O cuidado humanizado do enfermeiro no ambulatório de pós-natal é de extrema importância, pois visa uma assistência individual e holística, estabelecendo vínculo de confiança com a puérpera e familiares. Com o intuito de socializar experiências bem-sucedidas na realização da consulta de enfermagem às puérperas, relatamos os principais diagnósticos pela Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem - CIPE versão 1. Este trabalho teve como objetivo a elaboração de um plano de cuidados de enfermagem que abranja: investigações precoces para detectar desvios nas mudanças normais; medidas para o alívio da dor, desconforto; medidas de segurança para prevenir a lesão ou a infecção; medidas de orientação e de aconselhamento relativas ao autocuidado; cuidados com o recém-nascido. Para isto foi utilizada a experiência da prática profissional em um hospital de referência, em Recife – PE. Após várias consultas, foram identificados os diagnósticos de enfermagem mais frequentes segundo a CIPE. Acredita-se que a inclusão desta nomenclatura na consulta de pós-natal de baixo risco, melhorará ao serviço acesso aos dados, gerando informações e conhecimento para melhoria na qualidade da assistência, do ensino e da pesquisa. Descritores: Assistência à saúde. Período pós-parto. Enfermagem. ABSTRACT The humanized nursing care in the postnatal clinic is of extreme importance since it refers to an individual and holistic care, establishing a bond of trust with the postpartum and their families. In order to socialize successful experiences in the consultation to nursing mothers, we reported the main diagnoses by the ICNP version 1. This work aimed at developing a nursing care plan covering: early investigations to detect deviations from normal changes, measures to relieve pain, discomfort, security measures to prevent injury or infection, measures of guidance and advice on self-care, care with the NB. For this we used the experience of professional practice in one hospital, in Recife – PE. After several consultations have identified the most frequent nursing diagnoses according to the ICNP. It is believed that the inclusion of this nomenclature in the consultation post-natal low-risk, improve service access to data, creating information and knowledge to improve the quality of care, teaching and research. Descriptors: Delivery of health care. Postpartum period. Nursing. RESUMEN Submissão: 06.02.2012 Aprovação: 03.05.2012 El cuidado de enfermería humanizado en el ambulatorio posterior al parto es de suma importancia ya que se refiere a una atención individual e integral, estableciendo un vínculo de confianza con las madres de recién nacidos y sus familias. Con el fin de socializar experiencias exitosas en la consulta a las madres lactantes, reportamos los principales diagnósticos por la CIPE versión 1. Este estudio tiene como objetivo desarrollar un plan de cuidados de enfermería que incluya: las investigaciones para detectar desviaciones de los primeros cambios normales, las medidas para aliviar el dolor, la incomodidad, las medidas de seguridad para prevenir una lesión o infección, las medidas de orientación y asesoramiento en relación con el auto cuidado, el cuidado del recién nacido. Para ello se utilizó Revista Interdisciplinar UNINOVAFAPI, Teresina. v.5, n.3, p.71-76, Jul-Ago-Set. 2012. 71 Ximenes, V. L., Nery, I. S. la experiencia de la práctica profesional en un hospital de referencia en Recife - PE. Después de varias consultas han identificado los diagnósticos de enfermería más frecuentes de acuerdo a la CIPE. Se cree que la inclusión de esta nomenclatura en consulta con el post-parto de bajo riesgo, mejorar el acceso a los servicios de datos, generación de información y el conocimiento para mejorar la calidad de la atención, la docencia y la investigación. Descriptores: Prestación de Atención de Salud. Periodo de Posparto. Enfermería. 1 INTRODUÇÃO Puerpério é o nome dado à fase pós-parto, em que a mulher experimenta modificações físicas e psíquicas, tendendo a voltar ao estado que a caracterizava antes da gravidez. Estes ajustes e adaptações ocorrem não apenas para a mãe, mas para todos os membros da unidade familiar e se inicia no momento em que cessa a interação hormonal entre o ovo e o organismo materno. Geralmente isto ocorre quando termina o descolamento da placenta, logo depois do nascimento do bebê (RICCI, 2008). O puerpério imediato inicia-se após o término da dequitação e estende-se até o 10º dia, que corresponde à chamada crise genital, que prevalecem os fenômenos catabólicos e evolutivo das estruturas hiperatrofiadas ou hiperplasiadas pela prenhez, quando são mais frequentes e graves as complicações hemorrágicas e suas consequências (REZENDE; MONTENEGRO, 2006). O cuidado humanizado do enfermeiro no ambulatório de pós-natal é de extrema importância, pois visa uma assistência individual e holística, estabelecendo vínculo de confiança com a puérpera e familiares. As necessidades educativas devem ser desenvolvidas individualmente e em grupo, como: os cuidados com recém-nascido (RN) e o aleitamento materno, cuidados com a ferida operatória (FO) nos casos de cesariana e episiorrafia, verificação dos sinais vitais, orientações quanto ao sono, alimentação, ingesta hídrica, higienização íntima, eliminações, prescrições de medicamentos e o planejamento familiar. A falta de um vocabulário comum ainda é um dos grandes obstáculos no desenvolvimento de sistemas clínicos na área de saúde no que diz respeito à documentação do cuidado prestado que possa servir de base para análise do custo e benefício deste cuidado e representação desta informação para a saúde da população (LIMA; NÓBREGA, 2009). Atualmente a Enfermagem conta com certo número de sistemas de classificação cujos desenvolvimentos estão relacionados com alguma das fases do processo de enfermagem, entre os quais os mais utilizados e conhecidos são a Taxomonia II da NANDA Internacional; a Classificação das Intervenções de Enfermagem - NIC; a Classificação dos Resultados de Enfermagem - NOC; o Sistema de Classificação de Cuidados Clínicos - CCC, anteriormente denominado de Classificação dos Cuidados Domiciliares de Saúde - HHCC; e a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem - CIPE (NÓBREGA Convite_Casamento_Monica_P, 2003). A Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem é um sistema de linguagem de enfermagem unificado que contempla os fenômenos, intervenções e resultados de enfermagem como elementos primários de sua construção. A necessidade do desenvolvimento desse sistema de classificação internacional foi apresentada ao Conselho Internacional de Enfermeiros (CIE) durante a realização do Congresso Quadrienal, realizado em 1989, em Seul – Coreia do Sul, onde foi votada e aprova72 da a proposta para desenvolver um sistema de Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem - CIPE (NÓBREGA; GUIÉRREZ, 2000). A primeira versão foi a CIPE versão Alfa, publicada em 1996, sobre a qual o próprio CIE estimulou comentários, observações e críticas para o melhoramento e a possibilidade da construção da Versão Beta publicada em 1999. Em continuação ao desenvolvimento, publicou-se a Versão Beta 2 em 2001, Versão 1.0 em 2005. Em 2008, foi disponibilizada, eletronicamente, a Versão 1.1. Esta versão apresentou 389 novos termos e incluiu um rol de diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem, com termos pré-combinados, sugerindo a composição de catálogos para facilitar o uso da CIPE nas diferentes áreas de atuação da profissão. Existe a Versão 1.1 que está disponível na língua inglesa e a Versão 2.0 que foi lançada, em julho de 2009, no Congresso Quadrienal do ICN (CUBAS Convite_Casamento_Monica_P, 2011). As justificativas para sua elaboração foram inicialmente vinculadas à falta de um sistema de classificação da linguagem da profissão, necessário para que a enfermagem pudesse contar com dados confiáveis na formulação de políticas de saúde, no gerenciamento de custos, na informatização dos serviços de saúde e no controle de seu próprio trabalho (INTERNACIONAL COUNCIL OF NURSES, 2008). Têm sido apresentadas as seguintes vantagens da CIPE: estabelece uma linguagem comum para a prática de enfermagem, melhorando a comunicação profissional; representa os conceitos usados nas práticas locais, em todos os idiomas e áreas de especialidade; descreve os cuidados de enfermagem prestados às pessoas no âmbito mundial; possibilita a comparação de dados de enfermagem entre populações de clientes, contextos, áreas geográficas e tempos diversos; estimula a pesquisa por meio da vinculação de dados disponíveis em sistemas de informação de enfermagem e de saúde; fornece dados sobre a prática, de modo a influenciar a educação em enfermagem e a política de saúde (CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM, 2003). Com o intuito de socializar experiências bem-sucedidas na realização da consulta de enfermagem às puérperas, relatamos os principais objetivos da consulta, o protocolo de atendimento, os diagnósticos pela CIPE e o plano de cuidado. O principal objetivo da consulta de pós-natal de baixo risco é identificar possíveis alterações no período pós-parto, a fim de agir precocemente, prevenindo as complicações puerperais. Após a detecção de complicações, as pacientes deverão ser encaminhadas com a maior brevidade para os profissionais especializados. Dependendo do grau de gravidade e complicações, a paciente deverá ser encaminhada à emergência obstétrica para avaliação. Dessa forma, o enfermeiro deve oportunizar a consulta do pós-natal para sistematização de ações educativas e assistenciais. O período ideal para consulta pós-natal preconizado e normatizado pelo Programa de Assistência Integral a Saúde da Mulher e da Criança (PAISMC) deverá ocorrer do 7º ao 10º dia pós-parto e tem como objetivo atender as necessidades do binômio mãe-filho, contemplando os aspectos preventivos, educativos e terapêuticos de acordo com as necessidades identificadas na consulta (BRASIL, 2001). Para a elaboração da assistência de enfermagem é primordial a garantia da individualidade da puérpera. O enfermeiro deve considerar que a paciente é uma pessoa única, com problemas distintos e necessidades específicas. Outro fator importante é garantir o uso de uma linguagem de fácil compreensão, bem como orientações práticas e definidas através da proposta de assistência implementada pelo serviço de enfermagem da instituiRevista Interdisciplinar UNINOVAFAPI, Teresina. v.5, n.3, p.71-76, Jul-Ago-Set. 2012. Nomenclatura de diagnóstico e intervenções de enfermagem pela CIPE em consulta ambulatorial às puérperas Foi utilizada a experiência da prática profissional no período de novembro de 2009 até janeiro de 2011, em um ambulatório de pós-natal de baixo risco de um hospital escola de referência na cidade do Recife - PE, o qual é um hospital escola, atuando nas esferas de ensino, pesquisa, extensão e referência terciária em ginecologia e obstetrícia no Estado de Pernambuco, atendendo gestantes, parturientes e puérperas de baixo e alto risco, com residência em enfermagem, e é campo de estágio para graduandos, onde as consultas eram realizadas por enfermeiros, onde foram elaborados, testados e implantados os diagnósticos de enfermagem pela CIPE. A implantação desses diagnósticos e intervenções de enfermagem se faz necessária, pela tentativa de motivar enfermeiros assistenciais e docentes para a prática nessa área, capacitando-os para uma assistência técnico-científica, visando contribuir para o aprendizado dos alunos, oferecendo assim, um atendimento humanizado de melhor qualidade a cada mulher. Todas as puérperas, após o parto são previamente marcadas com o retorno com 7 a 10 dias para a consulta de pós-natal, onde a intervenção médica só é efetuada quando solicitada pela enfermeira. A partir dessas considerações, este trabalho se justifica a medida que proporciona reflexão que pode contribuir e despertar o interesse e a atenção dos enfermeiros para a autonomia da sua consulta de pós-natal, oportunizando, ainda, a implementação desse novo modelo de assistência em outras maternidades. de enfermagem (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2002). De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), a Resolução 272/2002 considera a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), como sendo atividade privativa do enfermeiro. Esta Sistematização utiliza método e estratégia de trabalho científico para a identificação das situações de saúde/doença, subsidiando ações de assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família e comunidade (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2002). A Classificação de Fenômenos de Enfermagem é utilizada para criar diagnóstico de enfermagem, intervenções, para facilitar o uso na prática, constituída por sete eixos: foco da prática de enfermagem, Julgamento, meios, ação, tempo, localização e cliente. Nesta classificação, fenômeno de enfermagem é definido como aspecto de saúde de relevância para a prática de enfermagem; e diagnóstico de enfermagem, como um título dado pela enfermeira para uma decisão sobre um fenômeno, que é foco das intervenções de enfermagem (CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM, 2007). Para a etapa de construção da Nomenclatura de Intervenções de Enfermagem para a consulta de pós-natal das puérperas, inicialmente foram observadas as queixas mais frequentes relatadas pelas pacientes na hora das consultas, com isso foram elaborados os diagnósticos de enfermagem pela CIPE versão 1.0, utilizando os eixos, incluindo obrigatoriamente um termo do eixo Foco e um do eixo Julgamento e incluindo, também, outros eixos conforme a necessidade. Para cada diagnóstico de enfermagem, elegeram-se intervenções de enfermagem, resultando de uma lista de 40 intervenções de enfermagem, que, nesta pesquisa, foi denominada de Nomenclatura de Intervenções de Enfermagem para a consulta de pós- natal. Para compor as intervenções de enfermagem foi utilizado obrigatoriamente um termo do eixo Ação e um termo Alvo, que pode ser um termo de qualquer um dos eixos, exceto do eixo Julgamento (CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM, 2007). 3 3.1 Protocolos de Atendimento ção – Procedimento Operacional Padrão – POP (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2007). O plano de cuidados de enfermagem abrangerá investigações precoces para detectar desvios nas mudanças normais; medidas para o alívio da dor, desconforto; medidas de segurança para prevenir a lesão ou a infecção; medidas de orientação e de aconselhamento relativas ao autocuidado; cuidados com o RN. 2 METODOLOGIA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PÓS-NATAL E A SAE De acordo com a Lei no 7.498/86, que regulamenta o exercício profissional da enfermagem, compete ao enfermeiro, como membro da equipe de saúde, prestar assistência à gestante, à parturiente e à puérpera; acompanhar a evolução do trabalho de parto e execução do parto sem distócia (SANTOS; BURNI, 2006). A elaboração da assistência de enfermagem é um dos meios que o enfermeiro dispõe para aplicar seus conhecimentos técnico-científicos e humanos na assistência ao paciente e caracterizar sua prática profissional, colaborando na definição do seu papel (SILVA, 2008). Para que as ações dos enfermeiros, desempenhadas em qualquer área, tenham um maior grau de resolutividade, estes necessitam atuar de forma sistematizada. Uma destas formas é através da elaboração do Processo de Enfermagem (NEEL, 2004). O enfermeiro tem a importante responsabilidade de tomar decisões exatas e apropriadas. A tomada de decisão é uma competência que distingue os enfermeiros dos profissionais técnicos e auxiliares, vistos que o processo de enfermagem capacita o enfermeiro a implementar e organizar o cuidado de enfermagem. O referido processo é utilizado para identificar, diagnosticar e tratar as respostas humanas à saúde e à doença, através do histórico, diagnóstico, prescrição, implementação e evolução Revista Interdisciplinar UNINOVAFAPI, Teresina. v.5, n.3, p.71-76, Jul-Ago-Set. 2012. Para operacionalização da consulta de enfermagem é necessário estabelecer protocolos, objetivando eficiência e eficácia no atendimento como: números de consultas realizadas por enfermeira(o), padronização e prescrição de medicamentos, solicitação de exames e encaminhamentos. 3.1.1 Consulta de pós-natal O manual de pré-natal e puerpério do Ministério da Saúde propõe ao enfermeiro os seguintes tópicos: Acolhimento da mulher na consulta do pós-natal, Entrevista, Exame físico no pós-natal (BRASIL, 2006) a) Acolhimento da mulher na consulta do pós-natal: É o momento em que o enfermeiro identifica-se, recebe a paciente com respeito e gentileza, informa sobre os passos da consulta, acolhendo dentro dos princípios de humanização. b) Entrevista: Compreende uma técnica comum às atividades profissionais, onde o profissional interage com a paciente, fazendo um questionamento sobre a história obstétrica pregressa da puérpera e suas queixas. As principais 73 Ximenes, V. L., Nery, I. S. queixas apresentadas pelas puérperas na consulta de pós-natal são: • Cefaleia – queixa comum entre mulheres submetidas à cesárea com precoce deambulação ou a elevação da cabeça. Outra causa da cefaleia pós-raqui se relaciona com a técnica na punção da dura-máter. Pode também estar relacionada ao aumento da pressão arterial na gestação, insônia, fadiga e cansaço característicos do período pós-parto (BARROS; MARIM; ABRÃO, 2002). . Dor - a dor segundo a CIPE é um tipo de percepção sensorial de partes do corpo, normalmente acompanhado por experiência subjetiva de intenso sofrimento, alterações do tônus muscular e associada à dificuldade de dormir (NEEL, 2004). As puérperas queixam-se frequentemente de dores nas mamas, em ferida operatória (FO), episiotomia, perineais e cólicas abdominais. A contração uterina que ocorre fisiologicamente após o parto pode ser bastante dolorosa. Em alguns casos pode ser necessária a administração de analgésicos (CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM, 2003). É importante destacar que a dor pode causar ansiedade, depressão, irritabilidade, alteração no sono e apetite. • Alterações no sistema urinário. Os principais distúrbios encontrados na consulta do trato urinário são: disúria, dor lombar, polaciúria e urgência miccional. Estas podem estar relacionadas a distúrbios inflamatórios da bexiga. A dor no canal uretral pode ser devido à retenção da urina vesical, à cateterização ou ao traumatismo vesical durante o parto. A incontinência urinária no pós-parto geralmente é devida à distensão da bexiga com fluxo excessivo ou ao relaxamento dos músculos do assoalho pélvico (BRANDEN, 2000; CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM, 2003). c) Exame físico no pós-natal O exame físico segue as diretrizes padrão com avaliação no sentido craniocaudal, que possibilita a identificação do aspecto geral, as condições de higiene, a integridade da pele e mucosas, além da presença de anormalidades geral e específicas. 3.2 Diagnósticos e intervenções de enfermagem pela CIPE Após várias consultas, foram identificados os diagnósticos de enfermagem mais frequentes segundo a CIPE versão 1: Dor leve, dor moderada, dor severa em locais diversos, cólica nível alto ou baixo, cefaleia nível alto ou baixo, Padrão alimentar prejudicado, amamentação prejudicada, padrão de eliminação urinária prejudicado, edema, sono prejudicado, ansiedade, autocuidado prejudicado, suporte familiar prejudicado, risco para infecção de ferida cirúrgica. Em seguida foi elaborado um plano de cuidado às puérperas para atendimento na consulta pós-natal. Diagnóstico de Enfermagem Intervenções de Enfermagem para a consulta de pós-natal. Dor ( ) Local:____________ Intensidade: ( )Leve ( ) Moderada ( ) Severa ( ) Registrar faces da dor; ( ) Registrar características e intensidade da dor; ( ) Outros. Cólica ( ) Nível: Alto ( ) Baixo ( ) ( ) Orientar sobre involução uterina; ( ) Registrar características dos lóquios; ( ) Outros. Cefaleia ( ) Nível: Alto ( ) Baixo ( ) ( ) Orientar repouso em decúbito dorsal; ( ) Estimular ingesta hídrica; ( ) Outros. Padrão alimentar prejudicado ( ) Nível: ( ) Aumentado ( ) Diminuído ( ) Registrar aceitação da dieta; ( ) Instruir quanto à dieta correta; ( ) Outros. Amamentação Prejudicada ( ) Nível: ( ) Aumentado ( ) Diminuído ( ) Registrar características e as anormalidades mas_____________________________________; ( ) Orientar amamentação , pega correta, massagem... ( ) Solicitar orientação do BHL (Banco de Leite Humano); ( ) Outros. das ma- Fonte: Pesquisa Direta 74 Revista Interdisciplinar UNINOVAFAPI, Teresina. v.5, n.3, p.71-76, Jul-Ago-Set. 2012. Nomenclatura de diagnóstico e intervenções de enfermagem pela CIPE em consulta ambulatorial às puérperas ( ) Descrever características da diurese; ( ) Registrar distúrbios de eliminação urinária: Disúria( ) Bexigoma( ) Incontinência ( ) Oligúria( ) ( ) Estimular quanto à ingesta hídrica; ( ) Outros. Padrão de eliminação urinária prejudicado ( ) Nível: ( ) Aumentado ( ) Diminuído ( )Registrar frequência e características da eliminação intestinal; ( ) Estimular quanto à ingesta hídrica; ( ) Outros. Padrão de eliminação intestinal prejudicado ( ) Nível: ( ) Aumentado ( ) Diminuído ( ) Descrever as características do edema; ( ) Manter MMII ( Membros Inferiores) elevados; ( ) Outros. Edema ( ) Local:_________ Nível: ( ) Aumentado ( ) Diminuído Sono prejudicado ( ) Nível: ( ) Aumentado ( ) Diminuído ( ) Orientar quanto ao melhor horário do sono e a importância do ambiente adequada; ( ) Outros. Ansiedade ( ) Nível: Alto ( ) Baixo ( ) ( ) Escutar quais as angústias e medos; ( ) Orientar e tirar as dúvidas; ( ) Encaminhar à psicologia s/n; ( ) Outros. Autocuidado Prejudicado ( ) ( ) Orientar quanto à higiene íntima; ( ) Orientar quanto à troca de absorvente a cada 4h; ( ) Orientar a importância do asseio após ir ao banheiro; ( ) Outros. Suporte familiar Prejudicado ( ) ( ) Reforçar / Estimular a importância do apoio familiar a puérpera; ( ) Estimular a participação do pai no cuidado ao RN ( Recém-Nascido): ( ) Outros. Risco para infecção de ferida cirúrgica ( ) ( ) Registrar características da F.O (Ferida Operatória). ( ) Registrar características da episorrafia; ( ) Outros Fonte: Pesquisa Direta Tabela 1 – Principais diagnósticos e intervenções de enfermagem às puérperas na consulta de pós-natal, segundo a CIPE versão 1. O esforço despendido na elaboração de sistemas de classificação dos termos da linguagem profissional pode contribuir para promover a autonomia dos enfermeiros no julgamento sobre as necessidades humanas da clientela, para facilitar o uso de conhecimentos específicos e para a realização de estudos sobre a qualidade do cuidado de enfermagem. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Acredita-se que a inclusão desta nomenclatura na consulta de pós-natal de baixo risco, melhorará ao serviço acesso aos dados, gerando Revista Interdisciplinar UNINOVAFAPI, Teresina. v.5, n.3, p.71-76, Jul-Ago-Set. 2012. informações e conhecimento para melhoria na qualidade da assistência, do ensino e da pesquisa. A utilização deste diagnóstico de intervenções de enfermagem na consulta pós-natal tornou o atendimento mais completo, ágil e dinâmico. Reconhece-se que os diagnósticos e as intervenções de enfermagem podem ser passíveis de inclusão, revisão, modificação ou exclusão, pelo fato de um sistema de classificação ser considerado um processo em contínuo desenvolvimento. Diante disto, esta proposta pode oferecer subsídios tanto para a otimização do atendimento às puérperas bem como para a geração de conhecimento dentro da assistência em enfermagem. 75 Ximenes, V. L., Nery, I. S. REFERÊNCIAS BARROS, S. M.; MARIM, H. F.; ABRÃO, A.C. Enfermagem Obstétrica e Ginecológica: Guia para a Prática Assistencial. São Paulo: Roca, 2002. BRANDEN, P. S. Enfermagem Materno – Infantil. 2. ed. Rio de Janeiro: Reichmann e Affonso Editores, 2000. BRASIL. Parto, Aborto e Puerpério: Assistência Humanizada à Mulher. 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