Vinicios José Dias REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NO PARANÁ E NO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA Londrina 2010 Vinicios José Dias REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NO PARANÁ E NO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA Monografia apresentada ao curso de Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Geografia. Orientador:Cláudio Roberto Bragueto. Londrina 2010 Vinicios José Dias REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NO PARANÁ E NO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA Monografia de Bacharelado COMISSÃO EXAMINADORA _____________________________________ Orientador: Prof. Dr. Cláudio Roberto Bragueto Universidade Estadual de Londrina _____________________________________ Componente da Banca: Prof. Dr. Márcia Siqueira de Carvalho Universidade Estadual de Londrina _____________________________________ Componente da Banca: Prof. Dr. Ideni Teresinha Antonelo Universidade Estadual de Londrina Londrina, ____ de________________de 2010. RESUMO A partir da década de 1960 o modo capitalista de produção sofreu uma série de transformações que culminaram na transição do modelo de acumulação fordista para o de acumulação flexível. As estruturas engessadas do modelo fordista já não eram capazes de propiciar uma taxa de lucro que permitisse a reprodução saudável do sistema, gerando inúmeros problemas para as grades empresas que se localizavam nos grandes centros. No caso brasileiro nas principais metrópoles nacionais, acentuadamente São Paulo. As diversas empresas passaram então a procurar novos lugares para se instalar. Esses lugares começaram a criar as condições gerais de produção para atrair e acomodar essas empresas. Dentro desse espectro de ações, se destacam as infra-estruturas de transportes, de comunicações e de energia, além de incentivos governamentais, distâncias relativamente próximas dos grandes mercados consumidores nacionais, das vias de exportação, e das matérias-primas, tornaram atrativas diversas regiões do território brasileiro. Assim, o Estado do Paraná e, mais particularmente, a sua porção norte, tornaram-se locais bastante atrativos para as grandes empresas. Nesse aspecto, a infra-estrutura de transportes tem papel fundamental na reprodução do sistema. Os diversos processos produtivos não podem ocorrer sem que o sistema de transportes esteja à altura das necessidades das grandes empresas que operam em determinada área. Assim, objetivamos relacionar a reestruturação produtiva, em especial no Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina (a saber: Municípios de Apucarana, Arapongas, Cambé, Ibiporã, Londrina, Rolândia), com o sistema de transportes do Paraná. Dessa forma, analisamos uma série de dados como, por exemplo, a arrecadação do ICMS; o índice de desempenho econômico do transporte da FIPE; o Sistema de Informações Técnicas de Transportes do GEIPOT; entre outros. Para concluirmos que os sistemas de transportes possuem uma relação bastante próxima com o setor produtivo e que deficiências já se fazem sentir. Palavras-chave: Reestruturação produtiva. Industrialização. sistema de transportes. condições gerais de produção. Circulação de mercadorias. Aglomerado UrbanoIndustrial de Londrina. ABSTRACT From the 1960s the capitalist mode of production has suffered a series of transformations that culminated in the transition from Fordist accumulation model for flexible accumulation. The structures of the Fordist model casts were no longer able to provide a profit rate that allowed the healthy reproduction of the system, creating numerous problems for the grid companies were located in major cities. In the Brazilian case in major national cities, Sao Paulo sharply. The various companies then started to look for new places to settle. These places have begun to create the general conditions of production to attract and accommodate these companies. Within this spectrum of actions, we highlight the infrastructure for transport, communications and energy as well as government incentives, a relatively close distance from major markets domestic consumers, routes of export of raw materials and have made several attractive regions Brazilian territory. Thus the state of Paraná, and more particularly to its north, became very attractive sites for large companies. In this respect, the transport infrastructure has a fundamental role in the reproduction system. The various processes can not occur without the transportation system is commensurate with the needs of large companies operating in that area. Thus, we aimed to relate the restructuring process, particularly in the urban industrial agglomeration of Londrina (namely: Municipalities of Apucarana Arapongas, Cambé, Ibiporã, Londrina, Rolândia) with the transport system of Parana. Thus, we analyzed a series of data, for example, the collection of ICMS, and the index of economic performance of the transport of FIPE; the Technical Information System of Transportation GEIPOT, among others. To conclude that transport systems have a close relationship with the productive sector and that deficiencies are already being felt. Keywords: Economic restructuring. Industrialization. transport system. general conditions of production. Movement of goods. urban industrial agglomeration of Londrina DEDICATÓRIA Aos meus pais que tanto se esforçaram para me dar condições de chegar até aqui. AGRADECIMENTOS À Deus, por me dar mais do que mereço e por conceder mais do que ouso pedir. Aos meus pais, José e Angela, por proporcionarem todas as condições necessárias para que eu prosseguisse nos estudos. Ao meu orientador, Cláudio, pela paciência, incentivo, sugestões e críticas. Aos meus irmãos, Gabriel e Isabella, pois muito ajuda quem pouco atrapalha. À minha namorada, Ediléa, não apenas por me apoiar, mas por exigir o resultado final. À todos os meus queridos amigos, sem exceção, que tornam essa existência suportável e, por vezes, divertida. À todos os docentes do Departamento de Geociências, por desempenharem tão bem o seu trabalho. Às empresas que responderam ao nosso questionário, pela contribuição. LISTA DE TABELAS TABELA 01 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA – AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE APUCARANA.............................................................................................................72 TABELA 02 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE ARAPONGAS.............................................................................................................75 TABELA 03 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE CAMBÉ.......................................................................................................................76 TABELA 04 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE IBIPORÃ.....................................................................................................................77 TABELA 05 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE LONDRINA.................................................................................................................78 TABELA 06 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE ROLÂNDIA.................................................................................................................79 TABELA 07 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – TOTAL........................................................................................................................81 TABELA 08 - ARRECADAÇÃO DE ICMS POR MUNICÍPIOS – 1995 E 2008..........82 TABELA 09 - MODO RODOVIÁRIO DE CARGA TRANSPORTADA POR TERCEIROS (toneladas) - ORIGEM BRASIL - 1996 e 2009.....................................83 TABELA 10 - MODO RODOVIÁRIO DE CARGA TRANSPORTADA POR TERCEIROS (toneladas) - ORIGEM PARANÁ - 1996 e 2009...................................83 TABELA 11 – EMPRESAS DE TRANSPORTE POR TAMANHO SEGUNDO A RAIS – 2009.........................................................................................................................85 TABELA 12 - NÚMERO DE VEÍCULOS DE TRANSPORTE DE CARGAS EXISTENTES NO ESTADO DO PARANÁ, POR ANO DE FABRICAÇÃO – 2000....86 TABELA 13 - MODO FERROVIÁRIO DE CARGA (toneladas) - ORIGEM BRASIL 1996 e 2009................................................................................................................86 TABELA 14 - MODO FERROVIÁRIO DE CARGA (toneladas) - ORIGEM PARANÁ 1996 e 2009................................................................................................................87 TABELA 15 - TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE CARGA - PRINCIPAIS MERCADORIAS TRANSPORTADAS – 2000............................................................87 TABELA 16 - MODO AEROVIÁRIO DE CARGA TRANSPORTADA (toneladas) 1996 e 2009................................................................................................................89 TABELA 17 - MOVIMENTO AEROPORTUÁRIO QUANTIDADE DE CARGA DESEMBARCADA, EM VÔOS NACIONAIS - 1996-00.............................................89 TABELA 18 - MODO AQUAVIÁRIO DE CARGA (toneladas) - 1996 e 2009.............90 TABELA 19 – EMPRESAS DE TRANSPORTE POR TAMANHO SEGUNDO A RAIS – 2009.........................................................................................................................90 TABELA 20 – QUANTIDADE DE EMPRESAS EXPORTADORAS POR MUNICÍPIO DO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA EM 2006...................92 TABELA 21 – QUANTIDADE DE EMPRESAS IMPORTADORAS POR MUNICÍPIO DO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA EM 2006...................92 LISTA DE ILUSTRAÇÕES GRÁFICO 01 – CONCESSÕES NAS RODOVIAS DO PARANÁ – 2010..................70 QUADRO 01 – MALHA RODOVIÁRIA DO PARANÁ – 2009.....................................69 MAPA 01 – DELIMITAÇÃO DO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA.................................................................................................................16 MAPA 02 – REDE DE TRANSPORTES DO ESTADO DO PARANÁ........................67 MAPA 03 – CONCESSÕES DE RODOVIAS ESTADUAIS – PARANÁ.....................70 LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS ABCR – Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias ALL – América Latina Logística CNT – Confederação Nacional dos Tranportes CODEPAR – Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná COPEL - Companhia Paranaense de Energia CTNP – Companhia de Terras Norte do Paraná DER – Departamento de Estradas de Rodagem DNIT – Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes FERROPAR – Ferrovia Paraná FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas GEIPOT - Inventariança da Antiga Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes IBC – Instituo Brasileiro do Café IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços IDET – Índice de Desempenho Econômico do Transporte IPARDES - Instituto Paranaenses de Desenvolvimento Econômico e Social MERCOSUL – Mercado Comum do Sul MTE - Ministério do Trabalho e Emprego PIB – Produto Interno Bruto PPP – Parceria Público-Privada RAIS - Relação Anual e Informações Sociais SANEPAR - Companhia de Saneamento do Paraná SERCOMTEL – Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina T – Tonelada TKU – Toneladas Transportadas por quilômetro TU – Tonelada Útil VIAPAR – Rodovias Integradas do Paraná SUMÁRIO Introdução.................................................................................................................13 1. REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E CONDIÇÕES GERAIS DE PRODUÇÃO...............................................................................................................18 1.1 Redes e Infra-estrutura......................................................................................18 1.2. Reestruturação Espaço-Produtiva...................................................................23 1.2.1. Dispersão Industrial.......................................................................................33 2. FORMAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL BRASILEIRA E O SISTEMA DE TRANSPORTES DO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA.................................................................................................................47 2.1. Considerações Sobre a Formação Sócio-Espacial Brasileira......................47 2.2. A Constituição do Sistema de Transportes....................................................54 2.3. Caracterização da malha rodoviária do Paraná..............................................68 3. FLUXOS DE MERCADORIAS NO PARANÁ E AGLOMERADO URBANOINDUSTRIAL DE LONDRINA....................................................................................71 3.1. Breves considerações sobre as atividades econômicas no Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina................................................................................71 3.2. Fluxos de mercadorias no Paraná e Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina....................................................................................................................81 Conclusão.................................................................................................................94 Referências...............................................................................................................97 Anexos.....................................................................................................................101 13 Introdução Os sistemas de transportes desempenham papel fundamental no modo de produção atual. Sua disponibilidade e sua capacidade de estabelecer conexões dos mais variados tipos e intensidades sempre foram as principais características que os diferenciam de todos os outros feitos da humanidade. Aliás, sem eles, talvez todo o restante jamais fosse possível. O deslocamento de pessoas e, posteriormente, de mercadorias fizeram surgir o comércio e, a partir daí, toda uma gama de causas e conseqüências relacionadas aos transportes. Aglomerados humanos surgem ao longo de estradas e décadas depois, quando a tal estrada já não tem mais a mesma importância, entram em decadência. Uma boa via de comunicação física é tão importante para o surgimento e desenvolvimento de uma cidade (e de uma rede de cidades) quanto um rio. Portanto, os sistemas de transportes possuem uma capacidade de transformar a paisagem e o espaço. Em regiões onde o fluxo dos transportes é mais lento, as transformações serão mais lentas, em contrapartida, quanto mais intensos forem tais fluxos, maiores e mais intensas serão as mudanças. Na atualidade, os mais avançados sistemas de transportes são utilizados em toda a sua capacidade apenas por alguns atores, como as grandes empresas, que utilizam as benesses do desenvolvimento do meio técnico-científicoinformacional de uma tal forma que, por vezes, a ampliação ou o surgimento de uma determinada infra-estrutura de transportes ficam condicionados aos interesses delas. Isto acontece, por exemplo, quando uma determinada região passa, por alguma razão, a interessar esses grandes atores econômicos. É cada vez mais imperativo que todos os processos produtivos se desenvolvam com uma eficiência cada vez maior (diminuindo o tempo e os custos e aumentando a qualidade e o alcance da produção). Desnecessário dizer qual a importância dos sistemas de transportes para que isso ocorra. Conforme a intensidade de relações mudam, as relações entre as cidades próximas ou cidades distantes entres si mudam. Cidades próximas podem ter relações menos intensas do que cidades distantes (LENCIONI, 2006). 14 Dessa forma, objetivamos relacionar a reestruturação produtiva, em especial no Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina, com o sistema de transportes do Paraná. Ambos estão correlacionados e um não se desenvolveria sem o outro. Nosso recorte espacial engloba os seguintes municípios: Londrina, Cambé, Ibiporã, Rolândia, Arapongas e Apucarana. Foram escolhidos por serem os mais representativos economicamente e principalmente por estarem localizados ao longo das principais vias de transporte do norte do Paraná: a BR-369 e a ferrovia que conecta o norte do estado ao interior paulista e à Paranaguá via Apucarana. Em trabalho anterior, Bragueto (2007) utilizou o mesmo recorte denominando-o de Aglomerado Urbano Industrial de Londrina, passaremos, portanto, a adotar essa denominação. No primeiro capítulo, trataremos da reestruturação produtiva ocorrida nas últimas décadas e das condições gerais de produção, tão necessárias para o desenvolvimento capitalista atual. O capitalismo está sempre se adaptando a cada momento histórico, sempre que dificuldades gestadas dentro do próprio sistema se manifestam, o sistema se transforma para evitar o colapso. Foi assim quando o liberalismo clássico foi enterrado na Grande Depressão em 1929, dando origem ao fordismo, ou seja, houve uma reestruturação. Uma nova reestruturação, a que interessa a este trabalho, se deu algumas décadas depois e foi a transição do fordismo para acumulação flexível. O modo de produção tem total correlação com os sistemas de transportes. Quando da industrialização do Brasil, a partir da década de 1930, houve uma concentração de indústrias em São Paulo e Rio de Janeiro. Uma industrialização que tinha o fordismo como estruturador, ou seja, era uma indústria dependente de grandes estruturas, dependência da contiguidade espacial entre os processos produtivos para aproveitar as economias de escala, entre outros que, no conjunto, acabaram favorecendo uma forte concentração e, portanto, o processo de metropolização. 15 Algumas décadas depois, essa infra-estrutura se envelheceu ao mesmo tempo que alguns fatores de produção (como os salários dos trabalhadores) passaram a ser mais caros o que diminuía consideravelmente os ganhos das grandes empresas. Dessa forma, foi necessária uma substituição do modelo concentrador por um desconcentrado, ou seja, as diversas atividades industriais que passavam por dificuldades nas grandes metrópoles nacionais passariam a se localizar de forma dispersa pelo território, onde as deseconomias de aglomeração1 não existiam. Paralelamente, toda uma série de mudanças nos processo produtivos intra fábricas ocorreram, com a substituição do fordismo pela acumulação flexível. Foi o que se chama de reestruturação produtiva. Incluída nessa lógica está a desconcentração vertical das atividades, como o fato de que enquanto a gerência da empresa continua a se localizar nas metrópoles, as produção passa a se localizar em outras regiões, como o norte do Paraná. Mas para atrair essas empresas, os governos locais devem facilitar, incentivar ou mesmo participar da instalação de diversas das condições gerais de produção que são necessárias para cada uma delas. Essas condições possuem a propriedade de condicionar a dispersão do capital pelo território, ora facilitando, ora dificultando. São algumas delas: o grau de qualificação da mão-de-obra; a existência de serviços de ponta que podem ser necessários ao processo produtivo; mercado consumidor; infra-estruturas diversas, principalmente energia e transportes; entre outras. 1 Sobre economias e deseconomias de aglomeração, Araújo (2010) coloca que: “As economias de aglomeração representam uma série de benefícios para as empresas ao favorecer a produção e a reprodução das atividades, com custos relativos diferenciados entre os diversos lugares. A proximidade entre os diversos atores que participam de forma direta ou indireta do processo produtivo permite a redução dos custos de comunicação, de transportes, do nível de estoques, de contratação da força de trabalho, enfim, de uma série de fatores que se tornam cada vez mais importantes diante da rapidez do ciclo de produção, que pressupõe um encadeamento imediato constante entre as inovações tecnológicas e diferenciadas estratégias comerciais. [...]Entretanto, a concentração espacial da produção, que oferece inúmeras vantagens com o crescimento excessivo da aglomeração, pode tornar‐se um obstáculo à continuidade da produção. As deseconomias de aglomeração contribuem para o declínio de antigas regiões industriais e podem modificar as estratégias de localização das organizações. econômicas No interior da metrópole pode ocorrer o incremento do congestionamento das redes de comunicação (estradas, transportes públicos, circulação da informação, entre outros), ao lado da degradação do meio ambiente, da alta excessiva dos preços dos terrenos e do aumento dos custos dos serviços públicos (Diniz:1993). A acumulação desses fatores no solo urbano faz acelerar o processo de descentralização das atividades econômicas [...]. 16 No segundo capítulo, tratamos do papel da constituição da rede de transportes para a formação sócio-espacial brasileira. Através da constituição das 17 Extraído de http://www.itcg.pr.gov.br/ Adaptado por Vinicios José Dias MAPA 01 – DELIMITAÇÃO DO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA 18 redes de transportes cria-se as condições necessárias para o desenvolvimento econômico, político e social de uma determinada região. São os transportes que irão integrar a região às demais e, ser uma conseqüência ou uma expressão das necessidades dos fluxos e dos intercâmbios dessas regiões. Primeiramente tratamos da formação do território brasileiro através dos transportes. Desde o início da colonização até os desdobramentos da construção de Brasília, de grande importância para a interiorização do povoamento no Brasil. Também o Paraná teve todo o seu processo de colonização e posterior desenvolvimento auxiliado pelo progressivo desenvolvimento dos transportes, bem como do Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina que acompanharam o desenvolvimento das diversas atividades no decorrer do tempo. No terceiro capítulo tentamos demonstrar a intensidade da circulação de mercadorias no Paraná e no Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina. Para isso contamos com os dados da Relação Anual e Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com os cadernos estatísticos do Ipardes, com os dados do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), com um estudo detalhado da Fipe sobre os transportes, e com alguns dados do finado Geipot. Também elaboramos e tentamos aplicar questionários às transportadoras, porém obtivemos resposta de apenas duas, daí a necessidade de nos atermos principalmente nos dados secundários disponíveis. Apesar das dificuldades encontradas acreditamos que o tema é importante e atual para o entendimento da produção do espaço, porém, ainda pouco estudado pela Geografia. Desta forma, o mesmo poderá ser melhor desenvolvido em futuros e em outros trabalhos. 19 1. REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E CONDIÇÕES GERAIS DE PRODUÇÃO 1.1 Redes e Infra-estrutura Os estudos geográficos sempre se atentaram ao desenvolvimento dos transportes. A história do desenvolvimento sócioespacial do mundo guarda uma estreita relação com a história dos transportes. Em muitas análises as redes de transporte possuem importância crucial: seja pela sua ausência, seja pela sua deficiência, seja pelo alto grau de desenvolvimento técnico que alcançaram; o fato é que os sistemas de transportes desempenham um papel importantíssimo na constituição do poder político, econômico, social e espacial, principalmente no mundo contemporâneo onde, com a aceleração e fortalecimento do processo de globalização apenas alguns atores estão em condições de utilizarem toda a infraestrutura existente em determinado local. Dessa forma adquirem uma vantagem competitiva que os demais atores menos poderosos não dispõem (SANTOS, 2005). Portanto, para compreender essas relações, faz-se necessário distinguirmos alguns termos. Ruy Moreira, em um artigo de 2007, ressalta que se até a década de 1950 muitos geógrafos consideravam a região e a paisagem como os objetos geográficos por excelência, isto se deve ao fato de que as transformações que ocorriam na paisagem, mesmo considerando os fantásticos avanços técnicos dos séculos antecedentes, ocorriam de maneira tão lenta que “[...] se os geógrafos olhassem a paisagem de um lugar e voltassem a olhá-la décadas depois, provavelmente veriam a mesma paisagem.” (MOREIRA, 2007, p. 57) Dessa forma seria possível dividir o espaço em regiões, identificando-as segundo diferentes critérios. Segundo o mesmo autor, a região seria a forma como o capitalismo nascente encontrou para se desenvolver, dividindo civilizações em países e depois em regiões (MOREIRA, 2007). No entanto, novas formas de organização espacial do Capital foram gradativamente se desenvolvendo conforme os avanços técnicos (nas áreas de transporte, comunicação e transmissão de energia). Foram ocorrendo, sendo que estes avanços foram uma das causas e um dos efeitos dessa necessidade de expansão territorial capitalista. Dessa forma, segundo Moreira (2007), essa organização espacial começa a se desfazer diante da emergência das 20 redes, de modo que já na década de 1970 a relação em rede já é conhecida, sendo o modo a partir do qual o moderno modo de produção capitalista passará a organizar o território, não apenas regionalmente ou nacionalmente, mas mundialmente interligando lugares distantes tão rápido quanto os próximos (DIAS apud MOREIRA, 2007, p. 58). [...] Imaginemos o espaço no passado, quando cada civilização constituía um território organizado a partir de um limite específico e da centralidade de uma cidade principal. De cada cidade parte uma rede de circulação (transportes, comunicações e energia) destinada a orientar as trocas entre as civilizações umas com as outras, a cidade exercendo o papel de arrumadora, organizadora e centralizadora dos territórios. Temos aí uma rede organizando o espaço. Mas não um espaço organizado em rede. Podemos dizer que a rede é um dado da realidade empírica, mas conceitualmente não estamos diante de um espaço organizado em rede. Isto só vai acontecer recentemente. (MOREIRA, 2007, p. 58). As cidades passam a ser os nós de uma trama de relações e desempenham um papel fundamental de integrar lugares cada vez mais interligados em rede (MOREIRA, 2007). As redes urbanas tornaram-se cada vez mais complexas, tanto em âmbito nacional, quanto em âmbito regional e mesmo dentro de uma mesma rede urbana. Seus nós apresentam funções diferentes dependendo de suas inserções na divisão social e territorial de trabalho. Esta, por sua vez, se modifica dependendo da intensidade dos processos de produção, circulação, distribuição e consumo. Isto cria condições para que haja uma intensificação do processo de industrialização realizado em escalas mais amplas, para a intensa modernização e implantação de agroindústrias submetidas à lógica de produção industrial (SANTOS apud FRESCA, 2004, p. 34). Essas redes são de todos os tipos e agilizaram cada vez mais os fluxos de informação, tecnologia, mercadorias, capitais, decisões, gestão e controle do território, a partir das grandes corporações internacionais. Se há uma rede, material em sua existência – a exemplo do sistema de transporte rodoviário e ferroviário que permite a circulação da produção propriamente dita e dos homens – há uma grande diversidade de redes que em sua 21 existência são imateriais e pelas quais emanam os diferentes fluxos (FRESCA, 2004, p. 230). Para Moura e Werneck (2001) a rede urbana deve compreender um conjunto organizado de cidades e de suas zonas de influência, através de fluxos de bens, pessoas e serviços. Sendo “[...] um reflexo social, resultado de complexos e mutáveis processos engendrados por diversos agentes sociais” (CORRÊA apud MOURA; WERNECK, 2001, p. 26-27). É composta por centro de diversos tamanhos, cuja vida de relações varia no tempo e no espaço. “É conseqüência de um dado processo de acumulação, mas passa a ser igualmente determinante ao estabelecer requisitos a esse processo” (CARACTERIZAÇÃO, apud MOURA; WERNECK, 2001, p. 26-27). Cada vez mais torna-se necessário reduzir, devido à maior concentração e centralização do capital, o tempo do ciclo de produção e reprodução do capital, no que os novos meios de transporte, comunicação e informação, cada vez mais eficientes, possuem importância capital, permitindo maior fluidez e flexibilidade na circulação de homens e da produção. Assim, os transportes se destacam devido a sua importância no deslocamento de mercadorias e pessoas. No entanto, os meios de circulação e comunicação referentes às idéias, valores, capital, investimentos, decisões etc. também se desenvolveram enormemente (FRESCA, 2004, p. 35). Não devemos esquecer que muitos agentes geradores e controladores de fluxos podem controlar alguns “locais-nós” privilegiados, sendo responsáveis pelo planejamento de diversas redes (MOURA; WERNECK, 2001). Para Curien (apud SANTOS 2002, p. 262) as redes são: [...] Toda infra-estrutura, permitindo o transporte de matéria, de energia ou de informação, e que se inscreve sobre um território onde se caracteriza pela topologia dos seus pontos de acesso ou pontos terminais, seus arcos de transmissão, seus nós de bifurcação ou de comunicação. 22 As redes expressam principalmente as relações de circulação do capital e, com elas, as empresas, através do seu já característico nomadismo, buscando maiores vantagens para seus negócios, tendem a transformar o espaço num meio e não num lugar. [...] Em outros termos, é como meio e não como lugar que o espaço garante a posição das coisas, ou seja, a localização delas. De modo mais objetivo, é como meio que o espaço garante fluidez, o movimento do capital e a localização das empresas nos territórios. Essas empresas, ao acompanharem o ritmo frenético da velocidade dos fluxos, como errantes, vivem num nomadismo incessante buscando maiores condições e vantagens para seus negócios. Assim, acabam comprovando que o espaço não é simplesmente um lugar onde se instalam empresas, mas um meio no qual a localização das empresas se torna possível (LENCIONI, 2006, p. 66). Por meio das redes, as empresas tecem inúmeras ligações por onde transitam, com grande velocidade e ritmo cada vez mais frenético, os fluxos desde sempre tão necessários à reprodução capitalista. Animadas por fluxos, que dominam o seu imaginário, as redes não prescindem de fixos – que constituem suas bases técnicas – mesmo quando esses fixos são pontos. Assim, as redes são estáveis e, ao mesmo tempo, dinâmicas. Fixos e fluxos são intercorrentes, interdependentes. (SANTOS, 2002, p. 277). Assim, o espaço organizado em rede adquire uma série de novas características qualitativas: se torna paulatinamente mais coeso, através do aumento da intensidade das relações, há uma maior velocidade na mobilidade territorial. E é por isso que a contigüidade, uma característica da região, vai perdendo a sua importância (MOREIRA, 2007). Lencioni (2006, p. 70) identifica novos arranjos territoriais e novas dinâmicas territoriais. Entre eles estão a emergência das redes de proximidade territorial e das redes de proximidade relativa, pois, atualmente, esse fluxo acelerado 23 nas redes fazem com que “alguns lugares se tornem próximos a lugares distantes, enquanto que lugares vizinhos podem conhecer poucas relações entre si”. A rede de proximidade territorial, segundo a autora, é constituída pelas redes materiais, em que as de circulação têm papel de destaque, principalmente as redes de transporte viário. Sua densidade e capacidade de fluidez redimensionam as distancias entre os lugares, tendendo a diminuir, beneficiando algumas centralidades e alterando consideravelmente as relações entre as cidades. Enquanto que a rede de proximidade relativa é formada pelas redes imateriais, como as de fluxo de informação e de comunicação. Para a autora: As redes de proximidade territorial e de proximidade relativa são, em parte, responsáveis pelas possibilidades de mobilidade geográfica do capital que mais ancora no território do que cria raízes. Elas implicam o desenvolvimento de novos arranjos territoriais e, como dissemos, as transformações das relações entre o local, o regional e o global. (LENCIONI, 2006, p. 71) Porém a contigüidade ainda existe, ela atua no conjunto de relações horizontais que auxiliam na formação dos lugares, junto com as verticalidades, que são relações externas, oriundas das redes, sendo que cada local é o resultado desse cruzamento entre horizontalidades e verticalidades (SANTOS apud MOREIRA, 2007). É justamente esse poder que os grandes atores hegemônicos detêm atualmente: Até porque a rede é o auge do caráter desigual-combinado do espaço. Estar em rede tornou-se para as grandes empresas o mesmo que dizer estar em lugar proeminente na trama da rede. Para ela não basta estar inserida. O mandamento é dominar o lugar, dominá-lo para dominar a rede. E vice-versa. Antes de mais, é preciso se estar inserido num lugar, para se estar inserido na geopolítica da rede. Uma vez localizado na rede, pode-se daí puxar a informação, disputar-se primazias e então jogar-se o jogo do poder. Entretanto, para que os interesses de hegemonia se concretizem, é preciso conjugar o segundo mandamento: é o controle da verticalidade que dá o controle da rede. (MOREIRA, 2007, p. 62). 24 Aquela paisagem marcada por transformações lentas, que existia até a década de 1950, desapareceu com o avanço dos meios técnicos e das novas formas de organização do espaço e, assim, passou a ser marcada pela fluidez (MOREIRA, 2007, p. 66). Ainda segundo o autor, este é justamente um dos maiores problemas de muitos dos estudos geográficos realizados nas últimas décadas: houve um foco excessivo na localização. Mas o espaço é dinâmico e é por isso que devemos apreendê-lo em seu movimento, ou seja, devemos nos atentar principalmente nos fluxos sem, contudo, nos esquecermos dos fixos. Dessa forma, poderemos ter a noção de redistribuição da própria localização (MOREIRA, 2007). 1.2. Reestruturação Espaço-Produtiva Para Lencioni (2003, p. 2) “o termo reestruturação produtiva” deve ser “entendido como uma estruturação nova que se impõe à antiga e, ao mesmo tempo contém germes de um futuro.” Um fenômeno em processo e não acabado. Já nas primeiras décadas do século XX, o liberalismo era o credo do capitalismo. Passa, portanto, a ser o meio teórico que sustenta o desenvolvimento da sociedade e do capital. Essa fase chega ao fim no final da década de 1920 e inicio da década de 1930, devido à Grande Depressão que se abateu por sobre o capitalismo: milhares de desempregados em todo o mundo; falências de inúmeras empresas; preços de mercadorias em queda livre; capitais deixando de existir de um momento para o outro. Essa seqüência de eventos se deu a tal ponto que a própria sobrevivência do sistema foi colocada em cheque. Assim, o Estado deixa de ser apenas o “vigia da economia” para agir diretamente na salvação do sistema, apoiando o processo de acumulação capitalista e as políticas sociais compensatórias. Surge então o “modo social-democrático de produção”, que irá vigorar entre a Segunda Grande Guerra e meados da década de setenta (TEIXEIRA, 1998b, p. 211-212). Foram os anos dourados do capitalismo, marcados pelo modo de acumulação que ficou conhecido como fordismo. A principal característica do fordismo é a consciência de que produção de massa indica um consumo de massa e, portanto, novos sistemas de 25 gerência da força de trabalho, uma nova sociedade: racionalizada, modernista e populista (HARVEY, 2004, p. 121). Assim, foi necessário que os trabalhadores ganhassem bem e tivessem tempo de consumir a própria produção em massa, as famosas jornadas de 8 horas a 5 dólares (HARVEY, 2004, p.122). O próprio Estado teve que se adaptar às suas novas funcionalidades, incluindo os modos pelos quais sua intervenção econômica se daria. Foi preciso uma crise da envergadura da crise da década de 1930 para que se começasse a delinear as novas formas de regulamentação que o Estado implementaria a partir dali. Essa questão só foi resolvida após 1945, época em que o fordismo alcançou a maturidade enquanto regime de acumulação, sendo a base de um longo período de expansão da acumulação capitalista no pós-guerra que se estendeu até aproximadamente 1973. Nesse período, segundo o autor, o capitalismo alcançou taxas fortes e estáveis de crescimento, os padrões de vida se elevaram, as tendências de crise terminaram, e as guerras intercapitalistas praticamente cessaram (HARVEY, 2004, p. 124-125). As indústrias que alavancaram esse crescimento foram amadurecidas durante o período entre-guerras: carros, equipamentos de transporte, aço, indústria petroquímica, eletrodomésticos, construção, entre outros (HARVEY, 2007,p.125), que se concentraram, no Brasil, no eixo Rio-São Paulo. Os outros motivos para o acelerado crescimento da economia mundial no período eram a reconstrução dos países arrasados pela guerra, e a “expansão geográfica dos sistemas de transporte e comunicações e no desenvolvimento infra-estrutural dentro e fora do mundo capitalista avançado” (HARVEY, 2004, p. 125). O Estado, por sua vez, assumia uma variedade de obrigações. Na medida em que a produção de massa, que envolvia pesados investimentos em capital fixo, requeria condições de demanda relativamente estáveis para ser lucrativa, o Estado se esforçava por controlar ciclos econômicos com uma combinação de políticas fiscais e monetárias no período pós-guerra. Essas políticas eram dirigidas para as áreas de investimento público – em setores como o transporte, os equipamentos públicos etc. – vitais para o crescimento da produção e do consumo de massa e que também garantiam um emprego relativamente pleno. Os governos também buscavam fornecer um forte complemento ao salário social com gastos de seguridade social, assistência médica, educação, habitação etc. Além disso, o poder estatal 26 era exercido direta ou indiretamente sobre os acordos salariais e os direitos dos trabalhadores na produção. (HARVEY, 2004, p. 129). Todo esse esforço dos governos contribuiu para o surgimento de uma consciência de que as expectativas geradas em torno da necessidade e da produção de um consumo de massa eram infundadas. É muito improvável que todos pudessem ter acesso a um consumo de massa sem um bom emprego. Essas insatisfações eram agravadas devido ao tratamento dado às minorias, que propiciaram o surgimento de movimentos como o dos direitos civis dos negros norteamericanos, do feminismo mais aguerrido da década de 60, entre muitos outros (HARVEY, 2004, p.132). As negociações sindicais se tornaram cada vez mais difíceis, devido à queda da taxa de lucro das empresas. O Estado ainda conseguiu, durante alguns anos, lidar com este descontentamento. Foi necessário tomar medidas redistributivas ou que remediassem as desigualdades, combatendo o empobrecimento e a exclusão das minorias. Para tanto, o Estado deveria ainda ser capaz de oferecer saúde, habitação e educação em larga escala. No entanto, ”a condição do fornecimento de bens coletivos dependia da contínua aceleração da produtividade do trabalho no setor corporativo. Só assim o Estado keynesiano do bem-estar social poderia ser fiscalmente viável.” (HARVEY, 2004, p.133). Contudo, a despeito de todos os descontentamentos e de todas as tensões manifestas, o núcleo essencial do regime fordista manteve-se firme ao menos até 1973, e, o processo, até conseguiu manter a expansão do período pós-guerra – que favorecia o trabalho sindicalizado e, em alguma medida, estendia os “benefícios” da produção e do consumo de massa de modo significativo – intacta. Os padrões materiais de vida para a massa da população nos países capitalistas avançados se elevaram e um ambiente relativamente estável para os lucros corporativos prevalecia. Só quando a aguda recessão de 1973 abalou esse quadro, um processo de transição rápido, mas ainda não bem entendido, do regime de acumulação teve início. (HARVEY, 2004, p.134). Portanto, o fordismo já apresentava problemas na década de 1960, embora o centro do sistema ainda fosse estável, e entre as principais razões estão a recuperação da Europa Ocidental e do Japão, pois seus respectivos mercados 27 internos já estavam saturados e ampliação de seus mercados de exportação, para um volume cada vez maior de excedentes, se faziam necessários (HARVEY, 2004, p. 135). Nos Estados Unidos, o enfraquecimento da demanda efetiva e a queda da taxa de lucros foram compensados pela guerra do Vietnã, por políticas sociais e pelo aumento da inflação (devido à impressão de cada vez mais papel moeda pra garantir as políticas sociais), o que começou a corroer a função do dólar como moeda-reserva internacional. Paralelamente, muitos países do Terceiro Mundo (principalmente na América Latina) iniciaram uma política forte de substituição de importações, além das multinacionais que iniciaram produção em diversos lugares do mundo (principalmente no sudeste asiático) o que ocasionou uma onda de industrializações fordistas que passaram a concorrer com a produção industrial dos principais países capitalistas. Este modelo de acumulação tinha como foco a produção em massa para um consumo de massa. Quando esse modelo começou a dar sinais de cansaço ele passou por um processo de reestruturação produtiva, acompanhado de novas tecnologias, permitindo uma produção flexível. Passou-se a produzir apenas o que se tem certeza que será vendido, alcançou-se estruturas administrativas mais enxutas, etc. É naquele momento que o neoliberalismo encontra um ambiente mais propício para seu (res)surgimento (TEIXEIRA, 1998, p. 213-214). Daí por diante, a competição internacional se intensificou à medida que a Europa Ocidental e o Japão, seguidos por toda uma gama de países recémindustrializados, desafiaram a hegemonia estadunidense no âmbito do fordismo a ponto de fazer cair por terra o acordo de Bretton Woods e de produzir a desvalorização do dólar. A partir de então, taxas de câmbio flutuantes e, muitas vezes, sobremodo voláteis substituíram as taxas fixas da expansão do pós-guerra. (HARVEY, 2004, p.135). Os neoliberais2 passaram a considerar as intervenções estatais na economia como a principal razão para as crises do capitalismo, nas décadas de 2 Para Teixeira (1998. P. 195) “O neoliberalismo nasceu [...] como uma reação teórica e política ao modelo de desenvolvimento centrado na intervenção do Estado [...]. Os neoliberais vão retomar a tese clássica de que o mercado é a única instituição capaz de coordenar racionalmente quaisquer problemas sociais, sejam eles de natureza puramente econômica ou política [...].” 28 1960 e 1970. Para o paradigma neoliberal apenas o estado não é capaz de regulamentar e coordenar racionalmente qualquer problema social, econômico e político, bem como ao tomar decisões nas esferas da produção e dos investimentos sociais (TEIXEIRA, 1998, p. 195-196). Essas políticas neoliberais vão desembocar no fenômeno que chamamos de Globalização. Muito embora o neoliberalismo tenha surgido como uma reação localizada ao Estado intervencionista e de bem-estar, ele nasce como um fenômeno de alcance mundial. Com efeito, depois da Segunda Grande Guerra, assiste-se a um processo crescente de sincronização internacional do ciclo industrial, de tal forma que os movimentos conjunturais de acumulação de capital afetam indistintamente qualquer país. O desdobramento desse processo encontra seu ponto máximo de desenvolvimento com a mundialização dos circuitos financeiros, que criam um único mercado de dinheiro, virtualmente livre de qualquer ação de governos nacionais. De sorte que, assim sendo, dizem, a transnacionalização do sistema capitalista de produção representou a morte do Estado, isto é, seu poder de fazer políticas econômicas e sociais de forma autônoma e soberana. (TEIXEIRA, 1998, p. 196). Para Harvey (2004, p. 135) o período de 1965 e 1973 expôs de forma evidente o quanto o fordismo e o keynesianismo eram incapazes de conter as contradições do capitalismo. Para o autor, havia excesso de rigidez nos “investimentos de capital fixo de larga escala e de longo prazo em sistemas de produção em massa que impediam muita flexibilidade de planejamento e presumiam crescimento estável em mercados de consumo invariantes.” A inflação e a crise do petróleo agravaram o problema. Novas estratégias corporativas se faziam necessárias num momento de crise e de intensificação da competição: racionalização, reestruturação e intensificação do controle do trabalho; mudança tecnológica, automação; busca de novos produtos e nichos de mercado; as fusões e medidas para acelerar o tempo de giro do capital; e a dispersão geográfica (HARVEY, 2004, p. 136-140). Para Meneleu Neto (1998, p. 78-79): Entende-se, assim, por que a crise do fordismo se expressa como uma crise de rentabilidade do capital e da presença de condições institucionais 29 desfavoráveis a uma maior exploração da força de trabalho. Com efeito, na origem da tendência declinante da taxa de lucro, dois fatores estão presentes: em primeiro lugar, a elevação da composição orgânica, do tempo de rotação e da fragilização financeira dos capitais; em segundo, a resistência dos trabalhadores às tentativas de intensificação do ritmo de trabalho para produção. De sorte que, assim sendo, sem reestruturar o perfil do capital total em seu processo de valorização e sem remover o poder dos sindicatos, que travam a intensificação do trabalho, não teria sido possível recuperar a lucratividade das empresas. A forma utilizada pelo capital para superar tais obstáculos é bastante conhecida: desregulamentar o quanto possível a economia. Para tanto, era preciso pôr em prática uma nova política econômica, que criasse as condições para remover as barreiras criadas pelo velho modelo fordista de acumulação. A partir da possibilidade de se aumentar o lucro através dessas políticas desregulamentadoras é que o neoliberalismo passa a ser a base do ideário para a criação das condições para a reestruturação capitalista em escala global. Em meados da década de 1970, o capitalismo mundial conheceu uma transição de regime de acumulação e no modo de regulamentação social e política a ele associado. Para Harvey (2004, p. 117) um regime de acumulação “descreve a estabilização, por um longo período, da alocação do produto líquido entre consumo e acumulação; ele implica alguma correspondência entre a transformação tanto das condições de produção como das condições de reprodução de assalariados”. Para que esse novo regime de acumulação possa funcionar deve haver uma materialização do regime de acumulação,que toma a forma de normas, hábitos, leis, redes de regulamentação etc. que garantam a unidade do processo, isto é, a consistência apropriada entre comportamentos individuais e o esquema de reprodução. Esse corpo de regras e processos sociais interiorizados tem o nome de modo de regulamentação. (LIPIETZ apud HARVEY, 2004, p. 117). Em outras palavras: Aceito amplamente a visão de que o longo período de expansão do pósguerra, que se estendeu de 1945 a 1973, teve como base um conjunto de práticas de controle do trabalho, tecnologias, hábitos de consumo e 30 configurações de poder político-econômico, e de que esse conjunto pode com razão ser chamado de fordista-keynesiano. O colapso desse sistema a partir de 1973 iniciou um período de rápida mudança, de fluidez e de incerteza. Não está claro se os novos sistemas de produção e de marketing, caracterizados por processos de trabalho e mercados mais flexíveis, de mobilidade geográfica e de rápidas mudanças práticas de consumo garantem ou não o título de um novo regime de acumulação nem se o renascimento do empreendimento e do neoconservadorismo, associado com a virada cultural para o pós-modernismo, garante ou não o título de um novo modo de regulamentação. Há sempre o perigo de confundir as mudanças transitórias e efêmeras com os contrastes entre as práticas político-econômicas da atualidade e as do período de expansão do pósguerra são suficientemente significativos para tornar a hipótese de uma passagem do fordismo para o que poderia ser chamado de regime de acumulação “flexível” uma reveladora maneira de caracterizar a história recente. (HARVEY, 2004, p. 119). Portanto, na década de 1970 começaram a ocorrer importantes mudanças no modo de produção capitalista, através da transição do sistema fordista para o regime de acumulação flexível. Essa transição gerou mudanças não apenas nos processos produtivos intra-fábrica, mas em toda a cadeia produtiva, incluindo a própria localização das empresas, a circulação de mercadorias, informações, as relações trabalhistas, etc. Uma primeira abordagem do espaço da indústria, chamada de análise strictu sensu do espaço industrial, privilegiaria a organização interna da fábrica. Embora essa organização esteja se alterando nos últimos anos, não podemos aqui nos restringir somente à análise strictu sensu do espaço da indústria, porque o espaço industrial não se restringe à fração territorial ocupada pelas fábricas, mas englobaria uma rede de fluxos visíveis (mercadorias) e invisíveis (capital, informação) centrada nos pontos de apoio formados pelos aparelhos de produção e de administração, assim como as áreas que a indústria prospecta para seu abastecimento em bens e serviços e para o escoamento de seus produtos, e que organiza as suas necessidades de força de trabalho (BOTELHO, 2000, p. 4). A grave recessão de 1973, que piorou com a crise do petróleo, solapou de vez o fordismo. Como resultado as décadas de 1970 e 1980 foram pródigas na reestruturação econômica, social e política. Essa reestruturação levou a transição para um novo regime de acumulação. (HARVEY, 2004, p. 140). 31 A acumulação flexível, como vou chamá-la, é marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apóia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional. A acumulação flexível envolve rápidas mudanças dos padrões do desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas, criando, por exemplo, um vasto movimento no emprego no chamado “setor de serviços”, bem como conjuntos industriais completamente novos em regiões até então subdesenvolvidas (tais como a “Terceira Itália”, Flandres, os vários vales e gargantas do silício, para não falar da vasta profusão de atividades dos países recém-industrializados). Ela também envolve um novo movimento que chamarei de “compressão do espaço-tempo” no mundo capitalista – os horizontes temporais da tomada de decisões privada e pública se estreitaram, enquanto a comunicação via satélite e a queda dos custos de transporte possibilitaram cada vez mais a difusão imediata dessas decisões num espaço cada vez mais amplo e variado. (HARVEY, 2004, p. 140). A organização fordista produziu estruturas espaciais típicas de modelos centralizantes, tais como: grandes estabelecimentos para aproveitar as economias de escala, contigüidade espacial dos processos produtivos, economias de aglomeração, entre outras. Dessa forma a concentração técnica sempre funcionou junto com a concentração espacial, portanto, o regime de acumulação fordista favoreceu o fenômeno de metropolização (PONTES, 2006, p. 329). Porém, o encarecimento de alguns fatores de produção importantes, o amadurecimento dos sindicatos, o aumento dos salários dos trabalhadores, o envelhecimento de algumas infra-estruturas, entre outros; fizeram com que a taxa de lucro do setor industrial sofresse uma longa crise que apenas seria superada com o advento da produção flexível. Este fenômeno implicou em transformações em todos os níveis, desde as modalidades do desenho dos produtos até as formas de organização do processo produtivo, passando pelo próprio conteúdo tecnológico dos novos produtos e de suas características. Deste ponto de vista pode-se visualizar outro conceito chave do novo paradigma, que poderia ser utilizado para denominá-lo: a flexibilidade. Entretanto, para alcançar toda a sua eficácia e eficiência, as novas tecnologias demandavam uma nova organização 32 trabalhista e mudanças profundas nos hábitos e costumes e, particularmente, de consumo. Este contexto requeria uma transformação substancial da concepção de Estado, dos seus papéis e de sua relação com a sociedade. (PONTES, 2006, p. 330). Desde a década de 1970, diversos governos ao redor do mundo iniciam políticas neoliberais, desconstruindo o Estado de bem-estar social keynesiano-fordista. Em verdade, o modelo fordista se mostrava inflacionário, pois enquanto as despesas públicas aumentavam a arrecadação diminuía. A ideologia neoliberal foi propagada para criar a ilusão de que todas essas medidas eram necessárias para reativar as economias. Porém, isso não se deu sem que os salários dos trabalhadores fossem reduzidos, reduzindo o consumo e por isso, transferindo capital da produção para o setor financeiro. (HARVEY, 2004). [...] O livre fluxo do capital na superfície terrestre, por exemplo, põe uma forte ênfase nas qualidades particulares dos espaços para os quais o capital pode ser atraído. O encolhimento do espaço que faz diversas comunidades do globo competirem entre si implica estratégias competitivas localizadas e um sentido ampliado de consciência daquilo que torna um lugar especial e lhe dá vantagem competitiva. Essa espécie de reação confia muito mais na identificação do lugar, na construção e indicação de suas qualidades ímpares num mundo cada vez mais homogêneo, mas fragmentado. (HARVEY, 2004, p. 246-247). Assim, o próprio espaço se torna uma “arma” a mais nas mãos dos capitalistas no dizer de David Harvey (2004, p. 265). Mas a queda de barreiras espaciais não implica o decréscimo da significação do espaço. Vemos hoje, e não é pela primeira vez na história do capitalismo, evidências que apontam para a tese oposta. O aumento da competição em condições de crise coagiu os capitalistas a darem muito mais atenção às vantagens localizacionais relativas, precisamente porque a diminuição de barreiras espaciais dá aos capitalistas o poder de explorar, com bom proveito, minúsculas diferenciações espaciais. Pequenas diferenças naquilo que o espaço contém em termos de oferta de trabalho, recursos, infra-estrutura etc. assumem crescente importância. O domínio superior do espaço é uma arma ainda mais poderosa na luta de classes; ele se torna um dos meios de aplicação da aceleração e da redefinição de habilidades a forças de trabalho recalcitrantes. A mobilidade geográfica e a descentralização são usadas contra um poder sindical que se concentrava 33 tradicionalmente nas fábricas de produção em massa. A fuga de capitais, a desindustrialização de algumas regiões e a industrialização de outras e a destruição de comunidades operárias tradicionais como bases de poder na luta de classes se tornam o pivô na transformação espacial sob condições de acumulação mais flexíveis. Assim, na busca por aumentar a capacidade de competição, as grandes empresas passam a se localizar nas regiões que ofereçam as melhores vantagens localizacionais em regiões que antes não eram tão importantes. No Brasil teremos um fenômeno semelhante. Segundo Teixeira (1998), o desenvolvimento do capitalismo no Brasil também passou por fases parecidas: uma fase liberal, seguida por uma fase onde a intervenção estatal é acentuada, e uma fase onde a economia passa a atravessar uma forte liberalização. A transição da primeira para a segunda fase significou a substituição do modelo agrário-exportador que imperava até então por um modelo centrado na indústria. Houve, todavia, três problemas estruturais que tiveram que ser superados para que essa transição fosse possível: a inadequabilidade do mercado de trabalho; a ausência de financiamento do processo de acumulação industrial; e a ausência de um setor produtor de bens de capital e de insumos básicos. Era óbvio que a burguesia industrial não poderia, sozinha, investir na superação desses problemas e é aí que entra o novo papel que o Estado desempenharia a partir de então. Na década de 1930, visando a implementação de uma política econômica de substituição de importações, o Estado passa a atuar nessas três frentes: formação de mão-de-obra capaz de operar na indústria, financiamento do setor industrial e investimentos na produção de bens de capital e de insumos básicos. (TEIXEIRA, 1998, p. 217-219). O Estado também desempenha um importante papel na regulamentação da economia: através da produção de bens públicos (educação, saúde, transporte, saneamento, seguridade social etc.); e, tão importante quanto, sustentando a “acumulação por meio da intervenção direta nas políticas de inversões privadas” (TEIXEIRA, 1998, p. 220-221). No entanto, cabe ressaltar a diferença entre o Estado interventor brasileiro e o seu equivalente no “mundo desenvolvido”: 34 [...] Esta é a principal razão que diferencia o Estado interventor no Brasil dos seus parceiros do “mundo desenvolvido”. Aqui o Estado nasce para criar uma sociedade capitalista industrializada; lá, surge quando o capitalismo ingressava em sua terceira revolução tecnológica e, assim, com um modelo de distribuição de renda entre capital e trabalho mais equitativo, não marcado pelas desigualdades de renda de um país onde o grosso da população era egresso da escravidão. (TEIXEIRA, 1998, p. 222). Portanto, no Brasil, o Estado fomentou o desenvolvimento da industrialização. Todavia, foram as novas tecnologias, nos setores de comunicações e nos processos produtivos (informatização, robotização, entre outras) que tornaram possível a mudança de paradigma no modelo de acumulação. As transformações das relações intra e interfirmas constituíram outra das chaves das novas formas de produção. As possibilidades abertas pelo desenvolvimento das telecomunicações e o processamento veloz da informação, assim como o custo relativamente baixo destes serviços induziu à reorganização das relações intrafirmas, permitindo uma maior interconexão e integração dos distintos momentos do processo produtivo, conduzindo à integração sistêmica de funções, alterando os padrões de configuração de plantas, papéis, tamanhos e localização das mesmas (PONTES, 2006, p. 331). 1.2.1. Dispersão Industrial O resultado mais importante na nova organização territorial das empresas devido à reestruturação produtiva foi, sem dúvida, a transição da lógica concentradora do modelo fordista por um novo modelo de acumulação que o estava substituindo (PONTES, 2006). As necessidades estruturais do fordismo terminal, as possibilidades de fragmentação do processo produtivo através da introdução de novas tecnologias de produção, circulação e processamento da informação, assim como aspectos favoráveis à radicação do capital em área periféricas, seriam os elementos causais de certa tendência à dispersão geográfica dos meios 35 de produção, seja ela visualizada à escala global ou nacional (PONTES, 2006, p. 333). Portanto, o que ocorreu foi uma desconcentração industrial, em termos relativos ou mesmo em termos absolutos, de áreas de industrialização mais tradicionais, em relação às áreas de desenvolvimento industrial mais incipiente na época do fordismo, que agora sofrem processos de revitalização ou de surgimento de seus parques industriais. Essa flexibilidade e essa mobilidade permitem que as grandes empresas exijam melhores condições de produção, fazendo com que os lugares ofereçam melhores vantagens locacionais. Dessa forma, não é exagero afirmar que os lugares tornaram-se reféns das grandes empresas. Assim, houve uma realocação de empresas para locais que não possuíam tradição industrial forte e, concomitantemente, a implementação de uma desregulação nas áreas de industrialização mais pretérita. Lencioni (2003) nos alerta que para entendermos o processo de reestruturação produtiva devemos compreendê-la historicamente. É sua lógica histórica que nos permite entender fenômenos como a dispersão das unidades produtivas e a concentração da gestão do capital no centro metropolitano, ambos tornados possíveis graças às evoluções técnicas nas comunicações e dos transportes, sendo incentivadas como um novo momento da reprodução do capital. Pois o controle do processo de valorização do capital, que é o que realmente interessa na relocação industrial se concentra e se centraliza ainda mais [...] a concentração do capital [...] ocorre dispersando as unidades produtivas, mas centralizando a decisão, o investimento e, principalmente, o excedente econômico. Este é o significado que damos à reestruturação urbano-industrial, um produto de mudança e um processo de desconcentração sócio-espacial face à situação mundial e às dificuldades econômicas atuais (LENCIONI apud FIRKOWSKI, 1999, p. 140-141). Porém, para Lencioni (2003), essa dispersão ocorre devido a ocorrências de dois movimentos, relacionados ao processo produtivo e, portanto, 36 complementares: a desintegração vertical e a produção das condições gerais de produção. O movimento de desintegração vertical ocorre quando “fases de um mesmo processo produtivo não estão mais integradas numa mesma empresa ou numa mesma fábrica” (LENCIONI, 2003, p.3). Ou seja, o controle do capital permanece centralizado, geralmente no centro metropolitano, enquanto que a produção se localiza onde os resultados mostrarem-se mais rentáveis. A desintegração vertical pode ocorrer através da prática da subcontratação de empresas: quando uma empresa é contratada por outra para desempenhar determinado papel no processo produtivo da empresa contratante. Dessa forma, a contratada perde sua autonomia, já que não decidem o que e nem como produzir, embora sejam juridicamente independentes. Esse processo de desconcentração industrial de São Paulo coincidiu com os esforços do governo do Estado do Paraná em incentivar um processo de industrialização do estado. A economia paranaense sempre esteve relacionada ao setor agropecuário. No entanto, a partir dos anos 70, alguns esforços foram implementados de modo a dinamizar seu parque industrial, dentre eles destacam-se a criação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), a instalação da Refinaria da Petrobrás em Araucária, além do centro produtor de óleos vegetais em Ponta Grossa. A estrutura industrial paranaense caracterizava-se pelo predomínio dos gêneros produtos alimentares, madeira, minerais não metálicos, mobiliário, papel e papelão e têxtil; a partir da década de 80 os gêneros química, metalurgia e mecânica aparecem no rol dos mais representativos dentre aqueles de maior valor de produção. No entanto, as modificações ocorridas não foram capazes de alterar o perfil econômico do estado em relação ao conjunto nacional, sendo ainda tipicamente um estado agrícola. Foi em meados da década de 90 que significativas alterações tiveram início, originando o que pode se denominar de “processo recente de industrialização paranaense” (FIRKOWSKI, 1999, p. 144). O grande marco desse processo foi a instalação da montadora Renault na Região Metropolitana de Curitiba, principalmente por causa dos incentivos fiscais que o governo estadual ofereceu à Renault. Todavia, embora a Região Metropolitana de Curitiba se destaque no contexto paranaense, outras 37 regiões do estado também foram importantes e entre elas a Região Metropolitana de Londrina. Através dos incentivos estaduais: doação de terrenos, terraplanagem, participação dos investimentos, isenção de impostos, além dos incentivos que os próprios municípios deram, houve, nos últimos anos um incremento bastante significativo da produção industrial da Região Metropolitana de Londrina. Abordaremos este processo com mais detalhes mais adiante, no segundo capítulo. O movimento da produção das condições gerais de produção viabiliza a instalação não apenas de uma empresa em si, mas um conjunto de empresas. Elas abarcam uma enorme diversidade, considerando sua finalidade: equipamentos e serviços para a reprodução da força de trabalho; equipamentos para a circulação comercial e financeira; e equipamentos para a circulação de mercadorias e pessoas. Porém, é importante frisar que o alcance da dispersão territorial das indústrias (e demais empresas) é determinada pela disseminação das condições gerais de produção (LENCIONI, 2003, p. 4). As condições gerais de produção que podem facilitar ou limitar a mobilidade do capital no território são, segundo Lencioni (2003, p. 5): Mão-de-obra altamente qualificada, um sistema eficaz de circulação viária e aeroportos internacionais, fluidez das informações, centros de tecnologia, mercado consumidor expressivo e serviços de ponta (hotéis, consultorias, assessorias, seguradoras, propaganda e marketing, etc.). A criação de fixos produtivos leva ao surgimento de fluxos que, por sua vez, exigem fixos para balizar o seu próprio movimento. É a dialética entre a freqüência e a espessura dos movimentos no período contemporâneo e a construção e modernização dos aeroportos, portos, estradas, ferrovias e hidrovias (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 167). Esses serviços, embora não produzam nenhum produto, “estimulam a produção industrial e permitem maior internacionalização da economia” (LENCIONI, 2003, p. 5). 38 Mas se a produção das condições gerais de produção abrem a possibilidade para a modernização industrial, a partir de um determinado momento a concentração pode gerar deseconomias.Tratando destas relações em relação a São Paulo, Lencioni (1999. P. 120), esclarece que Investimentos maciços foram feitos para garantir condições gerais da produção industrial, tais como, energia, estradas, aparelhamento portuário e escolas e serviços de saúde destinados à reprodução da força de trabalho. O binômio fábrica e cidade industrial se consagrou em São Paulo. Mas logo, a massa aglomerativa industrial concentrada nesta cidade acabou por gerar deseconomias fazendo expandir, ainda mais, a mancha urbana, formandose áreas periféricas [...] Mas, como a própria autora sustenta (1999, p. 122), essa concentração de indústrias no entorno da região metropolitana tem um limite, pois essa concentração gera deseconomias de escala (elevação dos preços dos terrenos e dos aluguéis, congestionamento do trânsito, serviços públicos deficitários, entre outros). Essas deseconomias de escala acabam por afetar a rentabilidade das empresas e os custos de produção, dessa forma, a reestruturação espacial é uma das formas que o capital encontrou para escapar dessas deseconomias. O capital passou a deter uma enorme mobilidade pelo território, mudando a localização de suas instalações produtivas com uma freqüência que anteriormente seria impensável. Para entendermos as razões que fazem com que uma determinada indústria se instale em determinada região é necessário que antes entendamos que cada tipo de indústria apresenta necessidades diferentes acerca das condições gerais de produção que se apresentam de formas distintas pelo espaço e, dessa forma, resultam numa maior desigualdade regional. Para Sandra Lencioni “discussão sobre condições gerais de produção assume importância, já que esse conceito permite compreender o nexo entre o processo imediato de produção e o conjunto da produção e circulação do capital.” (LENCIONI, 2007). A autora, no entanto, alerta que as condições gerais de produção não determinam a localização das empresas, nem a reprodução do capital 39 (as causas são as relações sociais de produção), mas criam, sem dúvida, as possibilidades para a reprodução do capital. Muito disso se deve ao processo de desenvolvimento das condições gerais de produção em determinados locais. Sobre isso Lencioni (2006, p. 69) escreve: [...] Essas condições gerais dizem respeito às condições necessárias à reprodução do capital em geral e, nesse sentido, não se constituem em condições que interessam, especificamente, a um capitalista, mas que são importantes para vários capitalistas, ou seja, ao capitalista em geral, como, por exemplo, a instalação de redes de fibra ótica, a implantação de escolas técnicas fornecedoras de trabalhadores qualificados e especializados e o desenvolvimento de infra-estruturas. Não resta dúvida de que as transformações nas condições gerais de produção alteraram os fatores de atração das cidades e das regiões conduzindo à reestruturação de algumas e à marginalização de outras. Lencioni (2007) pensa ser importante utilizar a idéia de consumo coletivo para refletir sobre as condições gerais de produção. O consumo produtivo seria apenas um dos três tipos de consumo identificados por Marx: o consumo produtivo, relacionado à reprodução dos meios de produção; o consumo individual, que é relacionado à reprodução da força de trabalho; e o último é o consumo de luxo, que extrapola as necessidades básicas dos indivíduos, se trata de um consumo supérfluo. O consumo produtivo, por estar relacionado à reprodução dos meios de produção, é uma forma de consumo coletivo, pois corresponde às necessidades que só podem ser supridas coletivamente: trata-se do consumo de rodovias, ferrovias, energia, cabos telefônicos (necessários para a estruturação das empresas); e de hospitais e escolas (que possibilitam a reprodução da força de trabalho). Nesse sentido, o consumo produtivo, é fundamental para o processo de produção e circulação do capital. Porém, ambos são intermediados justamente pelas condições gerais de produção (MARX apud LENCIONI, 2007). Nesse sentido, 40 as condições gerais de produção são as condições que possibilitam que todo um conjunto de capitais se instale em determinada região. Os meios de circulação material, que fazem parte das condições gerais de produção, estão na esfera do consumo produtivo, já que prolongam o processo de produção no processo de circulação. Marx (apud LOJKINE, 1981, p. 124-125) demonstrou que o transporte e a estocagem de mercadorias, embora não criem um produto, geram valor, pois, o trabalho gasto nessas atividades acrescentam um valor de uso ao produto, na medida em que este deixa de ser uma mercadoria em potencial, para ser entregue ao mercado consumidor. Portanto, as condições gerais de produção seriam, segundo Marx (apud LOJKINE, 1981, p. 123), a relação entre o processo de produção, na unidade de produção e o “processo global de produção e de circulação do capital” e seriam produzidas através de uma socialização dos custos, porém sempre com o objetivo de elevar a taxa de lucro do capital. Lencioni (2007) classifica as condições gerais de produção em dois conjuntos: o conjunto daquelas condições que possuem uma interligação direta com o processo de produção (redes de circulação material, redes de circulação imaterial, serviços específicos, etc.); e o conjunto daquelas condições que se conectam de maneira indireta com o processo produtivo (escolas, hospitais, centros de lazer, esportes e cultura, entre outros). As condições gerais de produção que atuam de maneira direta no processo produtivo capitalista, por sua vez, se classificam em materiais (por exemplo, as vias de circulação material para o transporte de mercadorias e pessoas, os oleodutos para transporte do petróleo e de seus derivados, as hidrovias, as rodovias, os aeroportos, etc.) e imateriais (por exemplo, as vias informacionais) (LENCIONI, 2007). Assim, devido a essas condições, o particular é integrado ao geral, ou seja, uma unidade especifica de produção é integrada à produção e circulação do capital em geral. Jean Lojkine (1981, p. 123) classifica as condições gerais de produção de forma bastante similar. São elas: os meios de consumo coletivos, junto 41 com os meios de circulação material; e “da concentração espacial dos meios de produção e reprodução das formações sociais capitalistas” Para Milton Santos (2002), os lugares se diferenciam segundo a capacidade de oferecer rentabilidade aos investimentos. Sendo que essa rentabilidade varia conforme as condições gerais de ordem técnica (infra-estrutura em geral) e organizacional (legislação local principalmente). Todavia, é interessante chamar a atenção para o fato de que os equipamentos de consumo coletivo ligados de forma direta ao processo produtivo se desenvolvem mais depressa do que aqueles ligado de maneira indireta e, segundo Lencioni (2007) isso ocorre: porque os equipamentos que estão em conexão direta com o processo produtivo ao permitirem a circulação da mercadoria possibilitando sua realização no mercado, agregam valor à mercadoria, pois as transformam de mercadorias em potencial à mercadorias reais. E, por isso são os prioritários. Enquanto que os equipamentos coletivos de consumo relacionados indiretamente ao processo de produção ficam relegados a segundo plano. Esse desenvolvimento das condições gerais de produção, principalmente as de alta tecnologia, de trabalho intelectual, e serviços voltados à gestão do capital, permite que as principais regiões metropolitanas incorporem novas áreas às lógicas metropolitanas. E é por isso que as condições gerais de produção em conexão direta com o capital não se dissociam do desenvolvimento de meios de consumo coletivos para a reprodução da força de trabalho, que é muito importante para o capital. Dessa forma, existe uma confusão entre os meios de consumo coletivos e individuais (LOJKINE, 1981, p. 129-130), pois, embora a circulação seja tratada como algo de importância crucial à todos, na verdade ela existe e é financiada pelo Estado, para atender aos interesses da produção capitalista, ou seja, as vias de circulação existem e são construídas com recursos coletivos, mas apenas alguns atores poderão utilizá-las de forma mais contundente, já que foi pra isso que foram construídas. Dessa forma permitem uma diminuição dos custos de circulação do 42 capital, além do que, seu caráter indivisível faz com que se mantenha constante independente da demanda, diferente de outros fatores favoráveis à instalação de indústrias e uma das razões do porque o setor privado prefere não investir ou investir muito pouco na construção da infra-estrutura de transportes. Esse espaço apropriado, de forma desigual por parte dos diversos agentes, e de acordo com a sua capacidade de utilizá-lo em seu próprio benefício é denominado por Santos e Silveira (2002, p. 295) de espaço corporativo. A noção de espaço corporativo deriva de tal mecanismo, que inclui uma utilização privilegiada dos bens públicos e uma utilização hierárquica dos bens privados. É dessa forma que maiores lucros são obtidos por alguns agentes, ainda que trabalhem sobre os mesmos bens e embora estes sejam nominalmente públicos. Quando as corporações encorajam, segundo várias formas de convicção, a construção de sistemas de engenharia de que necessitam, e quando os governos decidem realizar tais obras, o processo de produção do espaço corporativo se fortalece (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 295). Com relação à mobilidade do capital, Lojkine (1981, p. 150), escreve que existem três tipos, que se complementam: A mobilidade social, diz respeito às empresas que não possuem um único ramo de atividades definido, mas que mudam conforme a atratividade de cada ramo, segundo a taxa de lucro que podem angariar. A mobilidade temporal “pode ser definida como a tendência à descontiuidade, no tempo, dos investimentos monopolistas, cada vez mais precários, consideradas as variações rápidas das condições da concorrência e da sobreacumulação dos capitais” (LOJKINE, 1981, p. 150). E, finalmente, a mobilidade espacial, já que o capital possui atualmente uma alta capacidade de se deslocar por sobre a superfície da Terra, encontrando locais cada vez mais atrativos para a instalação de suas unidades produtivas. Há, pois “uma conexão efêmera entre esse capital e o conjunto dos valores de uso dos imóveis e duráveis de determinado território” (LOJKINE, 1981, p. 151). 43 Os lugares passam a competir entre si, principalmente para tornarem-se cada vez mais atrativos para as grandes empresas globais, mas não apenas, para as grandes empresas nacionais e regionais também, principalmente através de elementos que abrangem “disponibilidade local de recursos materiais, qualidades especiais, diferenças locais da capacidade de empreendimento, capital para associações, conhecimento técnico e científico e de atitudes sociais.” (MOURA e WERNECK, 2001, p. 27). Para Santos e Silveira (2002, p. 116) essa “guerra dos lugares” trás algumas conseqüências negativas: Mas, quando analisamos as condições técnicas e normativas criadas, entendemos que esse processo de criação de valor acaba tendo, para a sociedade como um todo, um alto custo e produz uma alienação advinda da extrema especialização urbana e regional numa produção exclusiva. Mais tarde, a cidade descobre que essa produtividade espacial, esforçadamente criada, não é duradoura e, quando envelhece, o lugar é chamado a criar novos atrativos para o capital. Mas as empresas também convocam o resto do território a trabalhar para seus fins egoístas, mas também inconstantes, de modo a assegurar um enraizamento do capital que é sempre provisório. E, como um capital globalmente comandado não tem fidelidade ao lugar, este é continuamente extorquido. O lugar deve, a cada dia, conceder mais privilégios, criar permanentemente vantagens para reter as atividades das empresas, sob ameaça de um deslocamento (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 116). Assim, os lugares devem se adaptar às necessidades do capital. Para Fischer (2008a, p. 26) a inovação e as novas tecnologias não transformam a atividade industrial apenas no espaço intra-fábrica, mas influencia, cria novas possibilidades de organização espacial da indústria e, portanto, a organização e a estruturação dos espaços geográficos. A grande mobilidade capitalista deve-se, sobretudo, às novas necessidades de produção, mas essa mobilidade só foi possível devido aos desenvolvimentos dos sistemas de informação e das redes de transporte rápidos. O espaço é passível de ser modelado conforme duas variáveis: os níveis administrativos institucionais e pelo sistema de fluxos e redes relacionais das empresas. 44 Para as empresas, o território não é mais um recipiente. Ao se instalar em determinada região, a empresa se insere num determinado contexto socioeconômico de relações que podem tornar aquela localização atrativa devido aos recursos, potenciais e oportunidades que nela se apresentam. Para a empresa a localização da nova unidade deve conter competitividade e a posição concorrencial da firma. A escolha geográfica, portanto, pode ter para ela uma importância estratégica comparável a suas escolhas do centro de produção, da escala de produção, da política de produção, da política tecnológica e da política social. O objetivo “espontâneo” da empresa é o seguinte: minimizar custos da localização e da produção para poder maximizar os lucros, obtendo as respostas mais vantajosas possíveis ao olhar de suas exigências intrínsecas de funcionamento (em matéria de terreno, de energia, mão de obra, transportes, externalidades... como em termos de subvenção e ajudas fiscais ou financeiras diversas) (FISCHER, 2008b, p. 91). Atualmente o pensamento único 3 (SANTOS, 2000) impõe às coletividades a necessidade de se elaborar estratégias de atração de empresas, dando origem à concorrência entre os territórios (FISCHER, 2008c, p. 63) ou Guerra dos Lugares (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 112). Tudo devido ao fato de que a ideologia hegemônica faz com que a sociedade atual priorize o planejamento do crescimento econômico e não o do desenvolvimento (SANTOS, 2007, p. 17). Devido ao processo de globalização, cada vez mais as redes se tornam globais. Contudo, a estrutura hierarquizada de relações entre as diversas cidades de uma dada região ou do território nacional deixem de existir, mas tal processo torna tais relações balizadas por novos determinantes, não raros, externos (MOURA e WERNECK, 2001). E para o desenvolvimento dessas condições gerais de produção voltadas para as atividades de ponta, exige-se a formação de uma maior densidade de profissionais qualificados (meios de consumo coletivos indiretamente ligados à 3 Para Milton Santos (2000) o pensamento único seria uma associação, em termos ideológicos, entre a tirania do dinheiro e a tirania da informação, ou seja, uma universalização dos interesses de forças econômicas, enquanto que os processos sociais, econômicos e políticos não hegemônicos tendem a se adaptar passivamente, tornando-se, gradualmente, hegemonizados. 45 reprodução do capital). É justamente essa integração das vias de circulação material, com as redes de circulação imaterial e com os centros de formação profissional que se desenvolve, de forma aglomerada, possuindo uma dimensão regional inserida globalmente (LENCIONI, 2007). Lojkine (1981, p. 158-159), percebendo que para a ocorrência das condições gerais de produção haveria a necessidade de instalação de uma série de infra-estruturas, classificou-as da seguinte maneira: infra-estrutura de formação (ensino geral e profissional); infra-estrutura sócio-cultural (habitação, saúde, lazer, etc.); Infra-estrutura econômica (zonas industriais, vias de comunicação, energia, telecomunicação). Considerando os níveis de espaço regional temos: infra-estrutura da empresa (terrenos e equipamentos comuns principalmente); infra-estruturas urbanas (centros públicos, zonas residenciais, centros sociais, entre outros); infraestruturas locais para uso industrial (equipamentos escolares, de transporte local); infra-estrutura regional (universidades, institutos de pesquisa, rede regional de transporte e de telecomunicações). Sobre a importância da infra-estrutura de transportes para a instalação de empresas em determinadas localidades, Fischer escreve: De antemão, qualquer dado geral deve ser considerado, pois eles concernem pouco ou muito a todos os intervenientes. Qualquer que seja uma infra-estrutura de transporte, ela leva a se perguntar sobre os gabaritos técnicos, os modos de exploração, as conseqüências dos custos de utilização. A existência de políticas tarifárias específicas, o grau de especificidade de cada modo ou grau de subutilização intermodal, o maior ou menor desenvolvimento dos transportes combinados e as redes de transportes [...] tanto quanto os fenômenos que irão influenciar o nível de utilização da infra-estrutura. Enfim, uma infra-estrutura de transporte é igualmente um itinerário e os acessos que, juntos, induzem os efeitos estruturantes mais ou menos importantes no espaço que atravessa (FISCHER, 2008b, p. 93-94). O desenvolvimento dos transportes possui uma relação de causa e efeito com o desenvolvimento capitalista. Sem o desenvolvimento dos transportes seria impossível para o capital se expandir e englobar mercados cada vez mais amplos, por outro lado, foi justamente essa necessidade do capitalismo que 46 favoreceu esse desenvolvimento dos meios de transporte de cargas e pessoas (MARX apud SPÓSITO, 1999, p. 100). [...] Esses dados referem-se às transformações tecnológicas que aconteceram a partir do século XV, intensificando-se progressivamente, e que tiveram papel decisivo na constituição de uma infra-estrutura mundial diferenciada pela sua incidência e pelo seu papel nos fluxos de mercadorias, de pessoas e de informações. Assim, e ampliando ainda mais nossa escala de enfoque, podemos dizer inicialmente que a mundialização do capital faz-se, primordialmente, baseada nas revoluções logísticas, [...] (SPÒSITO, 1999. p. 105). O fator transporte, apesar do seu desenvolvimento técnico é, portanto, extremamente importante para a determinação final dos preços dos produtos e dos serviços, bem como do maior ou menos lucro das empresas. Os custos dos transportes ainda são importantes tanto nos inputs quanto nos outputs das empresas, é o que Fisher (2008c, p. 115) chama de custo de transferência. Embora o transporte tenha diminuído sua importância diante de outros fatores de produção de caráter técnico, por não ser mais exclusivamente determinante para a localização industrial, continua indispensável ao ótimo funcionamento do processo industrial (FISCHER, 2008d, p. 118) e na reprodução de todo o sistema por conseqüência. [...] O transporte conserva, todavia, sua importância como fator de localização “significativo”, com a mesma importância dos custos de produção, da demanda, das economias externas de aglomeração e dos fatores psicológicos próprios ao empreendedor (GREENHUT apud FISCHER, 2008, p. 117). As condições gerais de produção são, em parte responsáveis, em parte fruto, da emergência das redes, pois permitem a gestão do capital através da ligação “com o que está territorialmente disperso ao estabelecer conexões e nexos entre a reprodução particular de cada capital com a reprodução do capital em geral.” (LENCIONI, 2007) 47 Assim, com a evolução dos meios técnicos de comunicação e transportes, a necessidade que o capital tem de se expandir sempre, buscando as melhores condições de reprodução, contribuíram para a elaboração de um discurso que perpassa o pensamento único, através da qual os lugares são levados a disputar essas indústrias e empresas. Através desse discurso, que é bastante sedutor, os atores hegemônicos conseguiram propagar a idéia de que os lugares vencedores dessas “disputas” contarão com maior desenvolvimento, geração de empregos diretos e indiretos, exportações, maior arrecadação de impostos, etc. (SANTOS; SILVEIRA, 2002). Porém, muito pouco se divulga das estratégias de atração dessas empresas e de suas conseqüências para a localidade: recursos públicos utilizados para o subsídio das atividades, para altera o território de forma que ele fique mais de acordo com as lógicas dessas firmas, incluindo a quase monofuncionalidade de algumas infra-estruturas, utilizadas quase que com exclusividade por algumas empresas de grande porte. 48 2. FORMAÇÃO SÓCIOESPACIAL BRASILEIRA E O SISTEMA TRANSPORTES DO AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA DE 2.1. Considerações Sobre a Formação Sócioespacial Brasileira Muitos autores discorreram acerca da formação sócioespacial brasileira e, em muitas análises, o papel dos sistemas de transporte tem importância crucial. Seja pelo alto grau de desenvolvimento técnico que atingiram, seja pelo seu papel desempenhado na constituição do poder político e econômico no contexto dessa formação sócioespacial. As condições atuais de crescimento capitalista criaram uma forma particular de organização do espaço, indispensável à reprodução das relações econômicas, sociais e políticas. A forma como atualmente se distribuem as infra-estruturas, os instrumentos de produção, os homens – enfim, as forças produtivas – possui até certo ponto um caráter de permanência, isto é, de reprodução ampliada, isso amparado, exatamente,na longevidade de um grande número de investimentos fixos. Tudo, pois, conspira para que a organização do espaço se perpetue com as mesmas características, favorecendo o crescimento capitalista e as suas distorções (SANTOS, 2004, p. 73). Ruy Moreira (2005, p. 7) escreve que: Cinco são as fases da formação espacial brasileira, balizando as formas de relação sociedade – espaço no Brasil no tempo: a dos vetores fundacionais; a dos ciclos de assentamentos; a da redivisão territorial industrial do trabalho; a da privatização da gestão e desintegração espacial do projeto nacional; e a da articulação das sociabilidades e as tendências de uma formação espacial complexa. A fase dos vetores fundacionais seria caracterizada pelos movimentos das bandeiras e da expansão da criação de gado. Ambos se dirigiram 49 para o interior do continente, se afastando gradativamente da costa e expandindo a amplitude territorial da colônia através das vias que iam se formando. Neste sentido o destaque fica mesmo para as bandeiras que se deslocavam em busca de ouro e índios para o trabalho escravo. Ainda segundo Moreira (2005), os ciclos de assentamento, por sua vez, se confundem com os ciclos econômicos: pau-brasil, cana-de-açúcar, mineração, gado, borracha e café. No Ciclo do Pau-brasil, que vigora do século XVI e XVII, ocupou-se boa parte de nossa faixa costeira (do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro). Mas para o autor é apenas com o Ciclo da Cana-de-açúcar que a “ocupação e formação espacial da colônia” realmente se inicia. Terá o seu apogeu na zona da mata nordestina, mas iria instalar-se também no Rio de Janeiro e São Vicente (São Paulo) sendo uma das causas que incentivaram as bandeiras. Mas, conforme Moreira (2005), foi o Ciclo da Mineração o que mais incentivou a instalação de colonos no interior do continente, principalmente no planalto central e mineiro. O Ciclo do Gado é, basicamente, a culminância das ondas de deslocamento de rebanhos provenientes de duas áreas extremas da colônia: O sertão do nordeste e os campos do sul, atraídos para o planalto central-mineiro pela demanda de alimentos criada pelo ciclo da mineração (MOREIRA, 2005, p. 13). Nos seus trajetos, ambos os fluxos, ampliaram a hinterlândia da colônia. Na colonização do vale amazônico, o principal incentivador foi, no final do século XVIII, no século XIX e principalmente no início do século XX o Ciclo da Borracha. Mas o mais importante de todos esses ciclos foi o Ciclo do Café, que domina todo o século XIX e a primeira metade do século XX. Segundo Moreira (2005), a cultura comercial do café no Brasil se instalou inicialmente nas matas dos maciços, no Rio de Janeiro e, daí, se expande sempre para o oeste e para o sul; Serra do Mar e Vale do Paraíba, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, para em seguida alcançar o planalto paulista e, finalmente, o norte do Paraná. 50 Na fase da redivisão territorial do trabalho industrial do trabalho, talvez o dado mais importante a ser levado em conta seja o fato de que, através do desenvolvimento industrial, o Brasil finalmente começaria a ter uma economia voltada para o mercado consumidor interno, e não apenas um grande exportador de matérias-primas para os países industrializados. Esta fase é dividida em duas (...) A primeira divisão territorial do trabalho faz a dissolução da fase da formação espacial onde o campo comanda ainda a cidade, as indústrias são ainda de bens de consumo e por isso encontram-se instaladas em praticamente todas as regiões (coladas em suas respectivas economias agrárias), e a concentração industrial em São Paulo não é um traço distintivo ainda. A segunda divisão territorial do trabalho é a da consolidação do arranjo do campo comandado pela cidade e da indústria e do espaço nacional comandado por São Paulo (MOREIRA, 2005, p. 17). Em seguida, Moreira (2005) lista a fase da privatização da gestão do espaço e desintegração do projeto nacional. Nesta fase destaca-se a modernização da agropecuária e a conseqüente ocupação de novas fronteiras agrícolas: Cerrado e Amazônia. Paralelamente haverá um processo de desconcentração industrial em São Paulo, motivada a partir da década de setenta por “conflitos do trabalho e conflitos ambientais” se dirigindo rumo ao interior (MOREIRA, 2005). As diferentes paisagens do território brasileiro passam a se dissolverem e a se misturarem, no dizer de Moreira (2005). Nessa mesma época a opção pelo transporte rodoviário já estava consolidada. Mas o principal fato dessa fase é a política de privatizações das empresas estatais dos anos 1980-1990 que proporciona uma gestão cada vez mais privada do território nacional. (...) Responsável pelas empresas atuantes nos ramos estratégicos da infraestrutura e de bens intermediários, chaves no comando da economia, a exemplo das empresas estatais organizadoras e gestoras dos pólos míneroindustriais implantados no correr dos anos 80-90, a privatização dessas empresas privatiza a gestão das suas respectivas áreas. Quando somados seus espaços aos da cultura da soja, centrados no poder das grandes propriedades, a escala da privatização da gestão do espaço se torna um fato de abrangência nacional. O poder dessas empresas fatia o controle do 51 território, desvincula sua administração do Estado, define por sua lógica de mercado a lógica da regulação do espaço, e, por essa via, dissocia a formação espacial brasileira do projeto nacional que até determinara o seu conteúdo (MOREIRA, 2005, p. 23-24). E, finalmente, a última fase de desenvolvimento espacial brasileiro, segundo Moreira (2003) é a da articulação das sociabilidades e as tendências de uma formação espacial complexa. Para Moreira (2005), o que difere esta fase da anterior é o advento das agências reguladoras. O papel delas na formação espacial brasileira seria o “arremedo de gestão público-privado com o Estado”. O papel do Estado na constituição de infra-estruturas fica restrito ao de “gestão e levantamento de recursos financeiros” enquanto que o capital privado é responsável pela construção, reforma, administração dessas atividades (seja pela privatização, seja pelas parcerias público-privadas – PPP), enquanto que as tais agências têm a “função da execução e fiscalização das políticas territoriais, num mix de representações ao qual cabe por hipótese a tarefa de pensar e gerir da nova formação espacial assim criada” (MOREIRA, 2005, p. 24-25). Ainda para Moreira (2005, p. 25) a formação espacial brasileira se diferencia em dois modos: o primeiro buscaria proporcionar estabilidade ao “capital na criação de novos nichos de lucro”, e o outro seria a corrente restrição que parte da sociedade compartilha sendo institucionalizada. Outro grande pesquisador que realizou esforços para a compreensão da formação espacial brasileira através do desenvolvimento dos transportes foi Milton Santos. Para Santos e Silveira (2002) o processo de formação espacial brasileiro poderia ser identificado “grosso modo” em três períodos: os meios “naturais”, os meios técnicos e o meio técnico-científico-informacional. Os meios “naturais” eram caracterizados pela forte presença da natureza indomada, onde o homem (principalmente o homem português) terá que aprender a domá-la. 52 Era, desse modo, um território caracterizado pelos tempos lentos, onde as diferenciações enraizavam-se na natureza e um tempo humano buscava timidamente ocupar os alvéolos de um tempo “natural” (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 30). A produção em cada lugar é que ocasionará sucessivas divisões do trabalho e a diferenciações locacionais. Segundo Santos e Silveira (2002) esse é o princípio que gerou o Brasil arquipélago. (...) A máquina de Estado servia para preservar e ampliar as fronteiras, manter o regime e a ordem, assegurar a coleta de impostos e, com a ajuda da Igreja, unificar a língua. A unidade política e lingüística se dava ao mesmo tempo em que as diversas regiões, produzindo para o mercado externo, a este se ligavam praticamente sem intermediário, de modo que sua evolução espacial e econômica era ditada por relações quase diretas. Daí a imagem de um vasto arquipélago formado, na verdade, por um conjunto de “penínsulas” da Europa (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 32). A primeira “ilha” foi a região em que a cultura da cana-de-açúcar primeiro se desenvolveu: A zona da mata nordestina. Santos e Silveira (2002. p. 33) seguem afirmando que “a interiorização do povoamento foi devida, de um lado, à mineração e, de outro, à criação de gado nas fazendas”. A mineração proporcionou o surgimento de vários núcleos urbanos em Minas Gerais, Bahia, Goiás e Mato Grosso. No século XIX, haviam três regiões que desenvolveram a criação de gado: os sertões do norte e nordeste; a zona da mineração, em Minas Gerais; e os campos do sul. Os primeiros sistemas de engenharia que surgiriam no país, segundo Santos e Silveira (2002), seriam os portos, as ferrovias, as estradas de rodagem e as usinas de eletricidade. Porém, todos constituídos de maneira a ligar as regiões produtoras brasileiras diretamente com o mercado externo e não ligá-las entre si. Foi dessa forma, com a produção de borracha, no norte; com o café, em São Paulo; e com o cacau, na Bahia. Portanto, o crescimento urbano foi desigual, conforme às variações das inúmeras economias regionais e de suas influências 53 políticas. Assim, embora houvesse a existência de cidades importantes no território brasileiro, elas não poderiam ser consideradas metrópoles nacionais devido à quase inexistência de uma rede de transportes nacional. Resumindo: Durante quatro séculos vagarosos, o território brasileiro, mas sobretudo algumas áreas, como a Bahia, foram a base de uma produção fundada na criação de um meio técnico muito mais dependente do trabalho direto e concreto do homem do que da incorporação de capital à natureza. Esta, de certo modo, teve ao longo do tempo um papel relevante na seleção das produções e dos homens (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 35). Mas logo chegou o tempo em que a produção industrial brasileira receberia o impulso inicial. Em seguida, Santos e Silveira (2002) discorrem acerca de uma fase de transição entre o “Brasil Arquipélago” e a integração nacional propriamente dita: o meio técnico da circulação mecanizada e dos inícios da industrialização, que teve como principais fatos o processo de formação da “Região Concentrada”; a constituição de uma urbanização interior; e o início da hegemonia de São Paulo. Essa fase pode, segundo Santos e Silveira (2002), se situar, no conjunto do país, entre o começo do século XX e a década de 40. Momento em que há uma aceleração do processo de industrialização. A constituição de novos sistemas de engenharia possibilitaram às cidades beneficiadas o aumento da sua área de influência sobre o espaço regional. Ainda segundo os mesmos autores, até a década de 40 a expansão da rede ferroviária é considerável, porém desigual. Sendo que a exportação de café foi um fator decisivo para a construção dessas ferrovias nessa época, tendo, dessa forma, incorporado regiões como o triângulo mineiro e o norte do Paraná, porém: [...] As especializações regionais em matérias-primas de exportação garantiam sua vinculação aos portos e ao mundo. Mas a busca da 54 integração nacional não era ainda um imperativo da construção dessas redes (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 38). Paralelamente, ainda segundo Santos e Silveira, há um expressivo aumento populacional, devido principalmente aos progressos da medicina, que propiciou uma redistribuição dessa população pelo território brasileiro (o norte do Paraná foi sem dúvida beneficiado), assim, o surgimento e o desenvolvimento de inúmeros centros urbanos foi possível. O último meio técnico possibilitou a integração nacional (SANTOS; SILVEIRA, 2002). Já na década de 1950, São Paulo é indiscutivelmente o pólo industrial brasileiro. Os sistemas de transporte que já tinham conhecido um desenvolvimento importante, agora serão fundamentais: tanto para que as indústrias paulistas possam acessar matérias-primas em diversas regiões do país, quanto para que ela possa vender seus produtos em regiões cada vez mais distantes do território nacional. A modernização do país, já iniciada sob o regime de Getúlio Vargas, facilitara a concentração econômica e espacial. A rápida expansão da indústria no “centro” passava a exigir mais mercados, não apenas fora mas também dentro do país. Tanto para atender às necessidades de uma população de maior nível de vida quanto para dirigir a colheita de produtos exportáveis, surgem inúmeras cidades e outras se desenvolvem. Até então, as cidades maiores situavamse no litoral ou em áreas próximas. É o caso de Manaus, até onde a navegação marítima podia chegar, ou da São Paulo do café, com seu desdobramento do porto de Santos. É num Brasil integrado pelos transportes e pelas necessidades advindas da industrialização que vão nascer importantes cidades no interior. Estas decorrem do crescimento populacional, da elevação dos níveis de vida e da demanda de serviços em número e freqüência maiores que anteriormente (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 44). E é a partir de então que haverá maciços investimentos na construção de uma densa rede de transportes terrestres, principalmente, do rodoviário, sendo que inúmeros fatores levaram a isso: rodovias são mais baratas e rápidas para serem construídas; o transporte rodoviário emprega mais pessoas; a indústria automobilística tinha acabado de se instalar no país e precisava de um 55 impulso; a fabricação de automóveis estimula uma série de outras indústrias em toda a cadeia produtiva; e a construção de Brasília. Essa difusão do transporte rodoviário, o sucateamento e a redução da diminuição da utilização do transporte ferroviário incentivaram a redução da rede ferroviária em benefício da rodoviária. Portanto, para Santos e Silveira (2002), a partir dessa época, o Estado brasileiro vai financiar toda a infra-estrutura necessária para a integração do território. Porém, seria uma integração constituída por recursos modernos voltada para a satisfação das necessidades capitalistas, das grandes firmas multinacionais, privilegiando setores exportadores. Dado que a expansão da indústria dinâmica é acompanhada simultaneamente pela redução absoluta ou relativa do poder aquisitivo das massas, a economia vê-se forçada a procurar mercados em outros lugares ou a reduzir o seu próprio crescimento. Os investimentos dirigem-se aos setores aonde há possibilidade de exportação, isto é, produção de bens para os quais existem compradores estrangeiros potenciais. Essa orientação exige uma constante modernização do equipamento industrial a fim de poder concorrer internacionalmente. Isso agrava a dependência frente aos centros mais avançados do sistema mundial. Por outro lado, a necessidade de importação exige uma política de exportação agressiva (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 51). Assim, o Estado é forçado a adotar políticas que favoreçam as grandes empresas e que não levam em consideração as massas cada vez mais empobrecidas. O capital passa a controlar o território (SANTOS; SILVEIRA, 2002, p. 51-52). 2.2. A Constituição do Sistema de Transportes Desde muito cedo, o que é hoje chamado de Região Metropolitana de Londrina, contou com o desenvolvimento constante e veloz das rodovias, ferrovias e redes de energia e telecomunicações. 56 A região foi colonizada por algumas companhias de colonização, no entanto, a que mais se destacou foi a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). Para viabilizar e valorizar as suas terras, a CTNP, ao mesmo tempo em que construía rodovias em direção à São Paulo, também tornou-se sócia da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, expandindo as ferrovias até essa região, chegando a Londrina em 1935 (BRAGUETO, 2007, p. 34). Nessa época, já em 1938, 90% do transporte de cargas da região realizados através da ferrovia eram dirigidos a São Paulo (WACHOWICZ apud BRAGUETO, 2007, p. 34), o que demonstra que a região, no inicio, manteve-se longe do centro de poder político e econômico do estado do Paraná, assim, tornou uma espécie de “continuação” da região oeste paulista, marcada pela cafeicultura. Tanto que, conforme as datas de instalação da chegada da ferrovia, segue no sentido do interior de São Paulo para o norte do Paraná: Ourinhos (1908); Cambará (1925); Jataizinho (1932); Ibiporã, Londrina e Cambé (1935); Rolândia (1939), e assim por diante (BRASIL apud BRAGUETO, 2007, p. 35). O planejamento de colonização da Companhia de Terras Norte do Paraná caminhou no sentido a garantir que cada cidade estivesse localizada para atender às exigências de sua população e do mercado consumidor (FRESCA, 2004, p. 50). Os pequenos estabelecimentos rurais tiveram enorme importância para a economia da região, basta atentarmos para o fato que eles representavam aproximadamente a metade dos estabelecimentos rurais, tanto em número quanto em área (FRESCA, 2004, p. 52). As rodovias e as ferrovias foram construídas paralelamente ligando as várias cidades, sendo que as estradas de rodagem foram construídas sempre nos espigões de forma que cada propriedade rural jamais ficasse localizada a mais de três quilômetros de uma estrada importante. As estações ferroviárias exerceram papel semelhante na localização dos centros urbanos (MONBEIG apud BRAGUETO, 2007, p. 35). Assim, houve uma correlação entre as distancias das estações e das aglomerações urbana (média de 15 quilômetros). A agricultura da região se desenvolveu com base num produto de exportação, o café, cujos mecanismos de comercialização estavam em outros locais mais distantes, dessa forma a importância maior da ferrovia foi a de atuar como 57 “elemento de integração econômico-espacial e de geração de novas rodovias, cujos traçados definiram as diretrizes de pavimentação rodoviária durante a década de 1950 e começo da de 1960” (BRAGUETO, 2007, p. 37). Dessa forma, as atividades de beneficiamento, armazenagem e transformação foram localizados preferencialmente ao longo das vias de acesso que estavam sendo implantadas (BRASIL apud BRAGUETO, 2007, p. 37). Segundo Fresca (2004, p. 53), a importância do café era devido a uma série de fatores, tais como: o reaquecimento do mercado consumidor europeu e norte-americano; o fim da cota de sacrifício; a fixação de um preço mínimo; a criação do Instituto Brasileiro do Café (IBC); e a ocorrência de geadas na década de 1950. Todos estes fatores fizeram com que a Região Norte paranaense se tornasse a grade produtora nacional de café na época. A produção de café era destinada à exportação, via Porto de Santos, principalmente. Sendo que a produção de gêneros alimentícios e de matérias-primas se destinavam ao mercado nacional. Parte dessa produção atenda as próprias cidades norte paranaenses e parte atendia ao estado de São Paulo e as indústrias paulistas (FRESCA, 2004, p.56). Regra geral, as cidades da rede urbana, em 1960, desempenhavam a função de coleta, beneficiamento e comercialização da produção rural, cujos produtos eram direcionados em parte a um mercado regional, como o caso dos gêneros alimentícios, voltados para o mercado paulista e o caso do algodão e do café voltados para o mercado externo (FRESCA, 2004, p. 70). O planejamento da CTNP era instalar várias cidades com distâncias de aproximadamente 15 quilômetros entre elas, além de alguns centros mais importantes, que serviriam para o desenvolvimento do comércio e dos serviçoes principalmente: Londrina (1934), Maringá, Cianorte e Umuarama. Isso demonstra a importância dos sistemas de transporte para uma economia voltada para o mercado (FRESCA, 2004, p. 64). Assim, a rede urbana do norte do Paraná adotou um padrão linear de ocupação ao longo das principais vias de transporte. 58 A BR-369 foi pavimentada na região ao longo da década de 1950, em todo o trecho entre Jataizinho e Rolândia, coincidindo com o auge da cultura cafeeira na região, e considerando o grau de desenvolvimento da rede de transportes brasileira na época, podemos dizer que ela foi uma região privilegiada (BRAGUETO, 2007, p. 37-38). No entanto, a região ainda continuava com vínculos estreitos com o Estado de São Paulo, assim, os governos estaduais passaram a se preocupar cada vez mais com a infra-estrutura do estado a fim de que a integração estadual pudesse ocorrer. As primeiras ações nesse sentido se deram na década de 1930 com a construção da Estrada do Cerne. A implantação dessa rodovia teve o objetivo de facilitar o acesso da produção cafeeira ao Porto de Paranaguá. A rodovia parte de Curitiba em sentido noroeste, atravessa os três planaltos e alcança o norte do Estado, nas barrancas do rio Paranapanema. O objetivo dessa entrada é proporcionar o fluxo da produção cafeeira, facilitando o acesso direto ao Porto de Paranaguá [...]. Até então, a estrada de ferro é o único meio de transporte de passageiro e carga para o sul do Paraná. A ferrovia liga Londrina a Ourinhos e daí segue até Ponta Grossa, para atingir Curitiba e o Porto de Paranaguá – um traçado em linha quebrada, que mais parece uma linha em ziguezague inscrita no mapa rodoviário do Estado. A estrada do Cerne reduz pela metade a extensão e o tempo de viagem. [...], corta diversos rios e serras. A execução da obra demanda vários anos e é concluída em 1940. Durante vinte anos, constitui o principal corredor de escoamento da produção cafeeira do norte do Estado, que a partir daí exportaria prioritariamente pelo Porto de Paranaguá. (RONCAGLIO apud BRAGUETO, 2007, p. 38). No entanto, até a década de 1950, o sistema viário estadual era ainda extremamente deficiente, sendo que as melhores estradas eram as que eram imprescindíveis para o escoamento da produção agrícola (BRAGUETO, 2007, p.38). Sendo que mais de dois terços das estradas não eram asfaltadas (RONCAGLIO apud BRAGUETO, 2007, p. 38-39). Nessa década se inicia a execução de planos mais ousados para desviar a produção agrícola norte-paranaense do Porto de Santos e guiá-la rumo ao Porto de Paranaguá. Esse início de uma maior integração do estado do Paraná era objetivado na necessidade de diminuir a distância entre os centros produtores e os centros consumidores no Brasil e no exterior. O plano dava destaque à ligação dos portos do Paraná e ao destaque que Curitiba passaria a ter na rede de transporte paranaense, além da 59 importância da cidade de Apucarana (centro de gravidade da região cafeeira) que passaria a desempenhar o papel de entroncamento rodo-ferroviário do norte do estado (BRAGUETO, 2007, p. 39). Já na década de 1950 a região se destacava pela intensa movimentação de pessoas e cargas nas suas estradas, chegando a 3000 veículos na época da safra (RONCAGLIO apud BRAGUETO, 2007, p. 39). Portanto, tornouse imperativo para o governo do estado asfaltar as estradas da região, interligando as principais cidades do pólo cafeeiro. Em 1954, os 10 quilômetros do trecho Londrina – Cambé foram os primeiros a serem asfaltados. Nos anos seguintes, o DER atinge suas metas prioritárias, construindo e pavimentando três grandes eixos viários: o eixo do cereal (Apucarana – Londrina – Cornélio Procópio – Melo Peixoto); o eixo da madeira (Ponta Grossa – Castro – Piraí do Sul – Sengés) e o eixo do café (Paranavaí – Maringá – Apucarana – Ortigueira – Ponta Grossa – Curitiba – Paranaguá). (RONCAGLIO apud BRAGUETO, 2007, p. 40). Bragueto (2007, p. 40) esclarece que o eixo do cereal é a atual BR369, que ainda segue o traçado que a CTNP estabeleceu, e é a principal ligação do norte do Paraná com o estado de São Paulo. O orçamento que o governo do estado destinava a Secretaria de Viação e Obras Públicas é aumentado significativamente nos anos 1950, sendo que nessa época a arrecadação do estado era dependente das atividades cafeeiras, sendo que elas influenciavam os demais setores da economia do estado. Tanto é assim que a crise financeira que o DER enfrentou em 1955 coincidiu com a queda na produção de café, seriamente afetada por geadas e preços instáveis. O setor de transportes foi um dos mais afetados pois, 69% do parque industrial do estado beneficiava produtos agrícolas e 50% das indústrias beneficiavam café (RONCAGLIO apud BRAGUETO, 2007, p. 40). Assim, justifica-se o fato de que na década de 50, a quase totalidade das estradas asfaltadas do estado localizarem-se no norte do estado, na região cafeeira, tanto que em 1956 a BR-369, principal 60 ligação do norte paranaense com o estado de São Paulo estava quase completamente asfaltada (BRAGUETO, 2007, p. 41). A partir de 1956, o governo estadual dá prosseguimento ao Plano rodoviário de 1951, priorizando-se oito rodovias, escolhidas de acordo com produção (RONCAGLIO apud BRAGUETO. 2007, p.42), incluindo-se a Rodovia do Café, ligando à Paranaguá e a Rodovia dos Cereais, ligando à São Paulo. A partir da década de 1960 essa política de desenvolvimento das infra-estruturas do estado ganha um novo patamar devido ao início de um esforço, por parte do governo do estado de promover uma industrialização do Paraná. Para ilustrar esse fato (RONCAGLIO apud BRAGUETO, 2007, p. 42) diz que a Secretaria de Viação e Obras Públicas recebia mais investimentos que as Secretarias de Agricultura, Saúde Pública, Interior e Justiça e Trabalho juntas. Essa política desenvolvimentista vinha atrelada a um discurso político que relacionava o desenvolvimento da industrialização do estado ao aumento da qualidade de vida da população e a uma pretensa exploração do estado pelo restante do país. [...] Colocaremos a máquina administrativa em condições de atuar com a maior produtividade possível, num programa de desenvolvimento que propicie ao Estado a fixação de suas riquezas, o que ajudará ainda mais o Brasil e possibilitará a elevação do nível de vida do povo paranaense. E este objetivo não vem sendo alcançado, [...] porque parte substancial dos recursos produzidos pelo capital, pelo trabalho e pela terra paranaense, não é aplicado em nosso Estado, mas canalizado para outras regiões do país. [...] Uma das etapas do nosso programa procurará criar as condições necessárias para dar estabilidade à nossa economia e reduzir a fuga de recursos que aqui deveriam ser aplicados. Um Paraná industrializado, cuja estabilidade econômica garanta a agricultura, será possível desde que se prepare, com urgência, a sua infra-estrutura econômica nos setores de energia elétrica e transportes. (NEY BRAGA apud BRAGUETO, 2007, p. 42). Esse projeto de desenvolvimento paranaense trata-se, na verdade, de um produto da integração do mercado interno nacional, numa perspectiva de desenvolvimento desigual e combinado, daí a confusão causada entre transferência de renda interestadual e relação de exploração ou de centro-periferia, pelo contrário, 61 a produção cafeeira estava de tal forma integrada à dinâmica capitalista nacional que o desenvolvimento das infra-estruturas no estado significou uma expansão do “’pólo’ dinâmico capitalista” (AUGUSTO apud BRAGUETO, 2007, p. 44-43). A partir de então, o Estado assumiu o papel de efetivamente investir nas condições para viabilizar a produção e reprodução do capital. Para fomentar essa política de desenvolvimento de cunho industrialista foi criada a CODEPAR (Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná) em 1962. A CODEPAR realizaria, nessa fase, empréstimos, à juros baixos, para “empreendimentos privados que se instalassem no Paraná” (FRESCA, 2004, p. 170-171). A CODEPAR: [...] contém a pretensão de, mantidos os parâmetros em que se enquadram as relações agricultura indústria, recompor no plano estadual essas mesmas relações – que a cafeicultura e a produção agrícola em geral, como fonte de acumulação, cumpram esse papel, mas no âmbito interno do estado (PR). Isso se afigurava possível a partir de uma ação do aparelho (repressivo) estatal que, ao mesmo tempo, proporcionasse as “condições para a industrialização” através do estabelecimento da “infra-estrutura” necessária – basicamente estradas e energia elétrica, configurando-se bastante importante a “integração” das três regiões que compunham o estado – e, subsidiando a indústria, com empréstimo de recursos, a baixas taxas de juros. [...] Se a perspectiva estadualizada do desenvolvimento é falseadora do movimento real, desempenha, ao mesmo tempo, uma função integradora do estado na formação e/ou consolidação de uma “economia nacional”. Em outros termos, se a apreensão do estado do Paraná na condição de satélite ou periferia de São Paulo é falsa, à medida que se atém a critérios geográfico-administrativos, o tipo de proposta e atuação que sugere, mediadas que são pelo processo efetivo mais abrangente, exercem um papel funcional no sentido da integração e unificação, ao mesmo tempo, no âmbito do próprio estado e de sua incorporação na formação brasileira. (AUGUSTO apud BRAGUETO, 2007, p. 45). Contudo ainda existe a necessidade política de interligação e integração geográfica das diversas regiões do Paraná, necessidade que também se mostra presente do ponto de vista econômico e fiscal, pois romper o isolamento da Região Norte em relação à capital proporcionaria uma maior arrecadação de impostos devido ao escoamento da produção se dar por Paranaguá em detrimento de Santos. Nessa época 62 O principal interesse do governo era construir estradas e dar energia. No dar energia está implícito, ainda que nem sempre consciente, um fomento à industrialização. Da mesma forma que em construir estradas, está implícito, de uma forma mais consciente, um fomento à agricultura. (AUGUSTO apud BRAGUETO, 2007, p. 48). Essa preocupação com a infra-estrutura reflete a iniciativa de se consolidar a principal atividade econômica do estado na época: o café, tanto que nos primeiros três anos da CODEPAR a maior parte de seus recursos foram destinado à construção de rodovias ligando o norte do estado à Paranaguá (BRAGUETO, 2007, p. 48-49). A preocupação e os investimentos com infra-estrutura de transportes são, nessa época, sempre maiores que os investimentos na produção de energia elétrica. Tanto que as principais rodovias da porção leste e central do norte do Paraná foram pavimentadas nessa época (FRESCA, 2004, p. 172). Essa aparente discrepância nos investimentos favorecendo os transportes em detrimento dos investimentos em energia elétrica pode ser explicada devido ao fato de que até 1965 a cafeicultura era a principal atividade econômica do estado, dessa forma, os investimentos na infra-estrutura de transportes eram mais necessários a esse tipo de atividade que necessita de via de circulação para o escoamento da produção, além do que, a exportação via Porto de Paranaguá, como já colocado, poderia alavancar a arrecadação do estado. Portanto, os investimentos mais necessários a constituição de um parque industrial, como os em energia elétrica, ficaram em segundo plano por um tempo. O sistema de transportes no norte do Paraná “nos anos 60 era constituído basicamente por uma vasta rede de estradas não pavimentadas, que garantiam as mais distintas ligações internamente a rede urbana, bem como em direção a outros estados e outros lugares do Paraná” (FRESCA, 2004, p. 233). As exceções eram a BR-369 e a BR-376, ligando Cambará à Maringá, sendo o principal eixo de transporte rodoviário e a partir delas partiam várias estradas secundárias. O transporte ferroviário alcançou Cianorte em 1972, momento que coincidiu com a opção, pelo governo federal, de se realizar a integração nacional através do transporte rodoviário. Sob os auspícios do governo federal e estadual, todas as estradas do norte do Paraná foram pavimentadas no decorrer das décadas de 1960, 1970 e 1980, no sentido leste para oeste (FRESCA, 2004, p. 233). 63 A própria distribuição dos fluxos rodoviários na década de 1960 esboçam a importância da Região Norte e da pujança econômica advinda do café.. O próprio movimento de veículos nas estradas do Paraná em 1962, indica a importância daquelas localizadas no norte do Estado, assim como deixam claro que os fluxos ocorriam em especial na direção ao estado de São Paulo. Naquele ano, segundo estatísticas realizadas pelo DER. “[...] trafegam por dia nas estradas do Paraná 23.233 veículos. A BR-87 bate todos os recordes. No trecho Londrina-Cambé, circulam, em média 5.339 veículos por dia e no trecho Jataizinho-Uraí, 2.424 veículos. Segue em volume de tráfego a BR-104, trecho Jandaia do Sul-Apucarana, com circulação de 3.364 veículos”(RONCAGLIO, 1996, p.79). Ou seja, o tráfego se concentrava na atual BR-369. (BRAGUETO, 2007, p. 50). Mas é mais do que óbvio que a construção de estradas, assim como a disponibilidade de energia elétrica, é condição sine qua non para o desenvolvimento da indústria, tanto para o provimento de matérias-primas, quanto para a circulação das mercadorias produzidas. O capital investido em energia elétrica é capital industrial, isto é, capital produtivo. Se bem a mercadoria produzida por essa indústria destine-se também ao consumo individual, é o seu consumo produtivo, a participação da energia elétrica como meio de produção de outras mercadorias, que lhe confere uma importância especial no processo. Para o desenvolvimento industrial, seu papel é decisivo. O aumento da rede rodoviária, de vias de comunicação, tem também um papel fundamental, à medida em que interfere diretamente no escoamento da produção, que tenha origem agrícola ou industrial em sentido estrito; vale dizer, enquanto desempenha um papel importante na circulação de mercadorias, contribui para abreviar o ciclo do capital. Assim, essas duas linhas de investimento aparecem como condição para a industrialização, tomada em seu sentido estrito, isto é, representam a criação, da forma enunciada no projeto desenvolvimentista, da “infra-estrutura” necessária à industrialização do estado. Ou [...] tratavase da intervenção do aparelho estatal, através de um seu organismo, no próprio processo de reprodução e aceleração das condições capitalistas de produção. (AUGUSTO apud BRAGUETO, 2007, p. 51). A partir da década de 1970 há, no interior do governo, um debate sobre qual tipo de transporte será priorizado, se o rodoviário ou se o ferroviário (BRAGUETO, 2007, p. 51-52). Em 1975 é inaugurada a Estrada de Ferro Central do Paraná, que liga Ponta Grossa e Apucarana, possibilitando um enorme 64 encurtamento das distâncias pois, antes os trens saiam pela ferrovia que liga Londrina a Ourinhos e daí, metade ia para o Porto de Santos e a outra metade ia para o Porto de Paranaguá através da ferrovia que liga Ourinhos à Ponta Grossa e daí rumo ao Porto de Paranaguá. As distâncias passaram de 806 quilômetros, entre Apucarana e Santos, e de 866 quilômetros do trajeto antigo, para os 581 quilômetros que separam Apucarana e Paranaguá, dessa forma, já a partir de 1979, o Porto de Paranaguá já concentrava a maior parte das cargas ferroviárias que antes eram escoadas via Porto de Santos (FURTADO apud BRAGUETO, 2007, p. 52). Desse quadro, destacam-se, para o Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina, na terceira fase, a construção do Ramal do Paranapanema, incorporando, à malha ferroviária do estado, a sua porção noroeste, alcançando a Estrada de Ferro Sorocabana em Ourinhos e o Porto de Paranaguá na outra direção (MARTINS apud BRAGUETO, 2007, p. 52). Na quarta fase os trilhos da Estrada de Ferro São Paulo-Paraná alcançam todas as cidades da região já em 1942. E a quinta fase é justamente a da implantação da Estrada de Ferro Central do Paraná (MARTINS apud BRAGUETO, 2007, p. 52). A partir dessa época a preocupação principal passa a ser a geração de energia elétrica para suprir o parque industrial emergente. Com relação ao sistema rodoviário, a partir da década de 1970, há uma ênfase apenas na manutenção do sistema existente, sendo que mais nenhuma grande obra foi realizada e as poucas estradas construídas são estradas vicinais (BRAGUETO, 2007, p. 58). Já na década de 1990, foi lançado o Plano Multimodal de Transportes do Estado do Paraná, que visava integrar todos os sistemas de transporte (rodovias, ferrovias e hidrovias), para reduzir os custos dos transportes de cargas. Dessa forma, as diversas modalidades foram integradas de maneira a formar “corredores de transporte”, que interligam pólos ou centros de importância nacional (BRAGUETO, 2007, p. 58). Três pólos são considerados importantes: o pólo situado a leste (Ponta Grossa, Região Metropolitana de Curitiba e Paranaguá); o pólo situado ao norte (Londrina, Maringá, Apucarana e Campo Mourão); e o pólo situado a 65 oeste (Guairá, Foz do BRAGUETO, 2007, p. 58). Iguaçu e Cascavel). (RONCAGLIO apud Assim, o principal efeito desse programa no norte do Paraná, foi a viabilização da duplicação da BR-369, no trecho entre Ibiporã e Maringá, necessária devido ao intenso tráfego dessa rodovia na época, com mais de 5000 veículos diários (BRAGUETO, 2007, p. 59). Adotando políticas de forte cunho neoliberal, o governo Jayme Lerner, inicia uma série de reformas no que diz respeito às condições gerais de produção no estado do Paraná: tentativa de privatização da COPEL (Companhia Paranaense de Energia), privatização parcial da SANEPAR (Companhia de Saneamento do Paraná) e coloca em prática, no transporte rodoviário, o Anel de Integração, que seria um cinturão de várias infra-estruturas (transportes, energia e telecomunicações), interligando as cidades pólo de Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel e Guarapuava. Seguiram-se as privatizações: no norte do estado, as principais rodovias são entregues à iniciativa privada (BR-369, explorada pela concessionária Econorte, no trecho entre Cambará e Cambé, e pela Viapar no trecho entre Cambé e Cascavel; e BR-376, também explorada pela Viapar no trecho entre Apucarana e Nova Londrina e pela Rodonorte no trecho entre Curitiba e Apucarana) (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, 2008); o mesmo ocorre com as ferrovias já que a Rede Ferroviária Federal S.A. é subdividida em várias partes que são privatizadas: A Malha Sul é privatizada em 1997 e entregue à América Latina Logística (ALL) que passa a deter o controle de quase todas as ferrovias paranaenses. Ainda assim, Cambé teve o primeiro terminal de contêineres do interior do estado, atendendo uma grande região e encaminhando por trilhos as cargas destinadas para exportação via Porto de Paranaguá. (BRAGUETO, 2007, p. 60). Pedagiadas em sua totalidade no norte do Paraná, o equívoco dessa privatização comprova-se: primeiro as empresas vão recolher recursos oriundos dos pedágios para depois, quem sabe, investir em suas melhorias. Até mesmo as estradas que garantem o acesso do norte do Paraná ao Porto de Paranaguá, especializado na exportação de soja e gerador de 66 elevados recursos para o governo, são precárias. Esse sistema de transporte rodoviário, que é de um outro período técnico das redes, ainda carece de um novo patamar qualitativo para atender às demandas da circulação da produção. De qualquer maneira, por esse sistema ainda precário, ocorrem a integração territorial e numerosos fluxos. Situação similar também ocorreu com o transporte ferroviário, privatizado no Paraná em dezembro de 1996, englobando todas as ferrovias estaduais sob a denominação de América Latina Logística. A empresa tem operado [...] exclusivamente com transporte de carga, e não tem sido objeto de reinversões de capital para melhoria, de modo a atender às demandas reprimidas de circulação, especialmente das commodities (FRESCA, 2004, p. 234). Com todo esse desenvolvimento da infra-estrutura de transportes, os fluxos na região aumentaram enormemente, chegando a ser mais intensos que os da própria Região Metropolitana de Curitiba, sendo que o trecho mais movimentado era justamente o que fica entre Londrina e Apucarana com 9.238 veículos por dia já em 1984 (BRASIL apud BRAGUETO, 2007, p. 63). Porém dados mais recentes demonstram que essa tendência permanece. Os dados mais recentes de 2005, referentes ao fluxo de veículos nas praças de pedágio, embora não tão detalhados, permitem concluir que essa situação se mantém, porém com um fluxo de veículos bem mais intenso e com a ampliação do fluxo no segmento próximo a Maringá. [...] na praça de pedágio de Arapongas (Lote 2, praça 1), o movimento de veículos é um dos maiores do Paraná, com mais de 5,5 milhões de veículos anuais, o que representa um média diária de 15.517 veículos. Esta praça está localizada a uma distância intermediária entre Londrina e Apucarana [...]. Já a praça de Mandaguari, localizada entra Arapongas/Apucarana e Maringá [...], teve no ano de 2005, um fluxo de mais de 4 milhões de veículos, o que representa média diária de 11.497 veículos. (BRAGUETO, 2007, p. 63). Boa parte desse enorme fluxo deve-se as vantagens locacionais oferecidas pela região. Considerando uma região que vai de Ibiporã a Apucarana, que foi denominada de Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina, conclui-se que o mesmo localiza-se na intersecção de dois dos quatro grandes eixos viários do Estado: a BR-369 e a BR-376, os quais realizam respectivamente a integração com a metrópole nacional – São Paulo – e com a capital do Estado e seu principal terminal de exportação – o Porto de Paranaguá. 67 Desta forma, a área do Aglomerado localiza-se numa posição estratégica na rede de circulação estadual e mesmo nacional, eqüidistando cerca de 500 km de São Paulo e Curitiba, fazendo parte da rede dos principais corredores de exportação do Estado. (BRASIL apud BRAGUETO, 2007, p. 65). Ainda hoje o fluxo de veículos em direção à São Paulo é maior do que o que vai em direção à Curitiba pois, nas praças de Jataizinho e Sertaneja o volume de veículos é de 2,5 milhões e 1,3 milhões anuais respectivamente, enquanto que na praça de Ortigueira, em direção à Curitiba, o volume é de 1,6 milhões de veículos no ano (BRAGUETO, 2007, p. 65). No mapa 02, podemos visualizar a atual conformação da rede de transportes do Estado do Paraná. A partir dos anos 1980 os governos estadual e municipal passaram a privilegiar os investimentos em geração de energia elétrica, através da COPEL, e em telecomunicações, com destaque para a SERCOMTEL, sendo que os investimentos na infra-estrutura de transportes reduziram-se muito. As rodovias e ferrovias, condições gerais de produção fundamentais para os fluxos materiais do Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina estavam estabelecidas já em meados da década de 1970. Portanto, foram estabelecidas em outro momento histórico, momento este em que a região tinha um peso econômico fundamental para o estado do Paraná, que ainda predominava a cafeicultura como principal atividade econômica do estado. (BRAGUETO, 2007, p. 76). Assim, enquanto a região foi a mais importante e expressiva do estado economicamente falando, não faltaram investimentos no sistema de transportes, privilegiando a exportação. Todavia, investimentos de outras naturezas foram realizados desde então, destacando-se os em energia elétrica e os em telecomunicações, que integraram o estado a uma economia globalizada e cada vez mais flexibilizada. Historicamente praticamente a totalidade das infra-estruturas de transporte constituídas no norte do estado do Paraná foram para atender às necessidades da acumulação capitalista na região, sendo a circulação uma parte 68 Extraído de http://www.guiageo-parana.com/mapa-rodoviario.htm MAPA 02 – REDE DE TRANSPORTES DO ESTADO DO PARANÁ 69 imprescindível para o processo de produção, distribuição e consumo das mercadorias produzidas. Porém uma alerta deve ser dado: assim como diversas áreas do país, o norte do Paraná sofre atualmente com uma grande deficiência qualitativa na sua infra-estrutura de transportes, dessa forma “seus produtos têm tido o custo elevado em relação àqueles produzidos em locais dotados de melhor infra-estrutura de transporte”. (SILVA, 2008, p. 1). 2.3. Caracterização da malha rodoviária do Paraná O Estado do Paraná está localizado em uma região de enorme importância para o comércio do Mercosul (Mercado Comum do Sul) e o norte do Paraná, por sua vez, também tem uma posição estratégica em virtude da relativa proximidade com o grande centro econômico do Brasil. Neste sentido, é óbvio que a rede de transporte desempenha função capital. O estado possui um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 186,457 bilhões, participando com 5,93% do PIB nacional (IBGE/IPARDES – 2009). Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR), o estado possui uma malha rodoviária com 20.240,31 Km de rodovias pavimentadas. (Quadro 01). Sob responsabilidade dos municípios há 102.522,28 km de rodovias, o que é explicado devido às estradas que interligam a zona rural dos municípios. Desse total, 95.025,17 km não são pavimentados. Apenas 12.373,88 km são rodovias estaduais incluindo 1.768,96 km não pavimentados; e 3.422,40 km são rodovias federais, todos pavimentados; totalizando 118.522, 28 km de rodovias no Estado do Paraná. Incluídos neste números estão os trechos em obras: 140,1 km em rodovias federais e 4,2 km em concessões estaduais. Um dos grande gargalos das rodovias é prevalência de trechos com pistas simples: nos trechos estaduais, apenas 266,56 km são duplicados, já nas rodovias estaduais temos 702,1 km duplicados e não existem rodovias municipais duplicadas. As concessões estaduais 70 possuem 585,31 km duplicados, mas a maior parte, 386, 2 km, são trechos federais delegados ao Paraná e concedidas pelo DER. Extraído de http://www.der.pr.gov.br/arquivos/File/tabela.jpg QUADRO 01 – MALHA RODOVIÁRIA DO PARANÁ - 2009 Conforme o gráfico 01 podemos verificar que o governo do Estado, por meio do DER ainda é responsável pela manutenção de um pouco mais de 75% das rodovias do Estado do Paraná, enquanto o DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) é responsável por pouco mais de 7% e as concessionárias nas concessões estaduais respondem por quase 16% e as concessionárias que operam nas rodovias federais respondem por quase 2%, ou seja, a maioria das rodovias intermunicipais do Estado ainda estão sob responsabilidade do setor público. No mapa 03 podemos observar a o Anel de Integração do Estado do Paraná formado pelas rodovias que foram entregues às concessionárias de pedágio na década de 1990. 71 Extraído de http://www.der.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=24 GRÁFICO 01 – CONCESSÕES NAS RODOVIAS DO PARANÁ – 2010 Fonte: Wikipedia MAPA 03 – CONCESSÕES DE RODOVIAS ESTADUAIS - PARANÁ 72 3. FLUXOS DE MERCADORIAS NO PARANÁ E AGLOMERADO URBANOINDUSTRIAL DE LONDRINA Como dito nos capítulos anteriores, os meios de transportes acabam tendo importância fundamental para o desenvolvimento do capitalismo. Eles realizam a distribuição da produção, sem o que não haveria reprodução do capital. Para inferirmos o quanto e como um sistema de transporte está sendo utilizado o primeiro passo é verificarmos a produção da região em estudo, no nosso caso, a região que compreende os municípios que formam o Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina por serem importantes municípios da Região Norte do Paraná. 3.1. Breves considerações sobre as atividades econômicas no Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina Um dos dados mais confiáveis acerca do número de estabelecimentos e do emprego formal de determinado município é a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Nos ateremos mais aos setores: Indústria de Transformação, Comércio e agropecuária, por serem os setores que mais dependem dos transportes em seus processos produtivos. Assim, crescimentos contínuos de pessoas empregadas em determinados setores podem significar um aumento na utilização das vias de transporte por empresas destes seguimentos econômicos. Começaremos com o Município de Apucarana, com 555.395 km² e 115.323 habitantes (IBGE apud IPARDES, 2010). Na agricultura estacam-se a produção de trigo, com 32.000 t colhidas; de soja, com 50.530 t; e milho, com 46.490 t. A criação de aves e de bovinos também é expressiva. No que diz respeito às outras atividades, destacam-se a indústria têxtil e produtos relacionados (tabela 01) como, por exemplo, a produção de bonés; o comércio varejista e a administração pública também são setores que empregam uma parcela significativa da população. 73 Estão registrados 2.081 caminhões, 526 reboques e 985 semi-reboques (IPARDES, 2010). TABELA 01 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA – AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE APUCARANA Indústria de Extração de Minerais Indústria de Produtos Minerais não Metálicos Indústria Metalúrgica Indústria Mecânica Indústria de Materiais Elétricos e de Comunicação Indústria de Materiais de Transporte Indústria da Madeira e do Mobiliário Indústria do Papel, Papelão, Editorial e Gráfica Indústria da Borracha, Fumo, Couros, Peles, Produtos Similares e Indústria Diversa Indústria Química, Produtos Farmacêuticos, Veterinários, Perfumaria, Sabões, Velas e Matérias Plásticas Indústria Têxtil, do Vestuário e Artefatos de Tecidos Indústria de Calçados Indústria de Produtos Alimentícios, de Bebida e Álcool Etílico Serviços Industriais de Utilidade Pública Construção Civil Comércio Varejista Comércio Atacadista Instituições de Crédito, Seguro e de Capitalização Administradoras de Imóveis, Valores Mobiliários, Serviços Técnicos Profissionais, Auxiliar Atividade Econômica Transporte e Comunicações Serviços de Alojamento, Alimentação, Reparo, Manutenção, Radiodifusão e Televisão Serviços Médicos, Odontológicos e Veterinários Ensino Administração Pública Direta e Indireta Agricultura, Silvicultura, Criação de Animais, Extração Vegetal e Pesca Empregos - Total FONTE: MTE-RAIS Disponível em: IPARDES-Base de Dados do Estado Org.: Vinicios José Dias Apucarana Nº 41 203 243 198 753 189 255 442 % 0,12 0,62 0,74 0,60 2,29 0,57 0,78 1,34 1.030 3,13 589 8.963 260 1.219 15 1.108 5.531 1.740 321 1,79 27,24 0,79 3,70 0,05 3,37 16,81 5,29 0,98 956 2,91 1.297 3,94 2.858 339 850 3.018 8,69 1,03 2,58 9,17 484 1,47 32.902 100,00 74 Arapongas, com 381,615 km² e 85.428 habitantes (IBGE apud IPARDES, 2010). Na agricultura estacam-se a produção de trigo, com 27.000 t colhidas; de soja, com 53.550 t; milho, com 41.180 t; e cana-de-açúcar, com 17.023 t. A criação de aves, de bovinos e de suínos é importante. No setor industrial se destaca a indústria de móveis que, como podemos ver na tabela 02, emprega mais de um terço da população do município, e a indústria de alimentos; o comércio varejista, que sempre é um setor representativo, emprega quase 20 por cento da população empregada; e os serviços também são setores importantes. Estão registrados 2.879 caminhões, 652 reboques e 717 semi-reboques (IPARDES, 2010). Cambé, com 496,122 km² e 88.186 habitantes (IBGE apud IPARDES, 2010). Na agricultura estacam-se a produção de trigo, com 57.000 t colhidas; de soja, com 88.200 t; milho, com 74.880 t; e cana-de-açúcar, com 55.795 t.. A criação de aves, de suínos e de bovinos é menos expressiva que nos municípios anteriores, mas ainda assim é considerável. No setor industrial se destaca a indústria metalúrgica, um setor que não é tão forte nas demais cidades contempladas no nosso estudo; o comércio e os serviços são as atividades econômicas que mais empregam no município (tabela 03). Estão registrados 1.582 caminhões, 512 reboques e 388 semi-reboques (IPARDES, 2010). Ibiporã, com 298,870 km² e 42.153 habitantes (IBGE apud IPARDES, 2010). Na agricultura estacam-se a produção de trigo, com 19.800 t colhidas; de soja, com 42.570 t; e milho, com 38.040 t. A criação de aves é a mais importante do município, mas a criação de bovinos e suínos também atingem números relativamente expressivos. No setor industrial se destaca as indústrias químicas, farmacêuticas e similares, observe a tabela 04; o comércio varejista é a atividade econômica mais importante do município ao lado da administração pública. Estão registrados 806 caminhões, 257 reboques e 199 semi-reboques (IPARDES, 2010). 75 TABELA 02 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE ARAPONGAS Arapongas Nº Indústria de Extração de Minerais Indústria de Produtos Minerais não Metálicos Indústria Metalúrgica Indústria Mecânica Indústria de Materiais Elétricos e de Comunicação Indústria de Materiais de Transporte Indústria da Madeira e do Mobiliário Indústria do Papel, Papelão, Editorial e Gráfica Indústria da Borracha, Fumo, Couros, Peles, Produtos Similares e Indústria Diversa Indústria Química, Produtos Farmacêuticos, Veterinários, Perfumaria, Sabões, Velas e Matérias Plásticas Indústria Têxtil, do Vestuário e Artefatos de Tecidos Indústria de Calçados Indústria de Produtos Alimentícios, de Bebida e Álcool Etílico Serviços Industriais de Utilidade Pública Construção Civil Comércio Varejista Comércio Atacadista Instituições de Crédito, Seguro e de Capitalização Administradoras de Imóveis, Valores Mobiliários, Serviços Técnicos Profissionais, Auxiliar Atividade Econômica Transporte e Comunicações Serviços de Alojamento, Alimentação, Reparo, Manutenção, Radiodifusão e Televisão Serviços Médicos, Odontológicos e Veterinários Ensino Administração Pública Direta e Indireta Agricultura, Silvicultura, Criação de Animais, Extração Vegetal e Pesca Empregos - Total 18 181 337 107 61 100 10.175 330 % 0,06 0,59 1,10 0,35 0,20 0,32 33,06 1,07 268 0,87 957 221 67 2.714 9 428 5.401 966 259 3,11 0,72 0,22 8,82 0,03 1,39 17,55 3,14 0,84 1.210 3,93 741 2,41 2.127 456 515 2.194 6,91 1,48 1,67 7,13 934 3,03 30.776 100,00 FONTE: MTE-RAIS Disponível em: IPARDES-Base de Dados do Estado Org.: Vinicios José Dias Londrina, com 1.656,606 km² e 447.065 habitantes (IBGE apud IPARDES, 2010). Na agricultura estacam-se a produção de trigo, com 70.472 t colhidas; de soja, com 115.200 t; milho, com 84.690 t; tomate, 44.211, se destacando ainda o café. A criação de aves, de suínos e de bovinos são as mais importantes da região, se destacando também os rebanhos de ovinos e de equinos. No setor industrial se destaca a indústria têxtil e de alimentos, porém há vários 76 outros setores em ascensão; o comércio varejista sozinho emprega mais de um quinto da população empregada do município, e os serviços dos mais diversos também são muito importantes conforme a tabela 05, polarizando a região. Estão registrados 7.828 caminhões, 3.733 reboques e 2.363 semi-reboques (IPARDES, 2010). TABELA 03 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE CAMBÉ Cambé Nº 149 2.673 448 122 326 440 254 % Indústria de Extração de Minerais Indústria de Produtos Minerais não Metálicos 0,84 Indústria Metalúrgica 15,09 Indústria Mecânica 2,53 Indústria de Materiais Elétricos e de Comunicação 0,69 Indústria de Materiais de Transporte 1,84 Indústria da Madeira e do Mobiliário 2,48 Indústria do Papel, Papelão, Editorial e Gráfica 1,43 Indústria da Borracha, Fumo, Couros, Peles, Produtos Similares e Indústria Diversa 105 0,59 Indústria Química, Produtos Farmacêuticos, Veterinários, Perfumaria, Sabões, Velas e Matérias Plásticas 1.324 7,47 Indústria Têxtil, do Vestuário e Artefatos de Tecidos 959 5,41 Indústria de Calçados 10 0,06 Indústria de Produtos Alimentícios, de Bebida e Álcool Etílico 604 3,41 Serviços Industriais de Utilidade Pública Construção Civil 629 3,55 Comércio Varejista 2.706 15,28 Comércio Atacadista 1.474 8,32 Instituições de Crédito, Seguro e de Capitalização 97 0,55 Administradoras de Imóveis, Valores Mobiliários, Serviços Técnicos Profissionais, Auxiliar Atividade Econômica 447 2,52 Transporte e Comunicações 383 2,16 Serviços de Alojamento, Alimentação, Reparo, Manutenção, Radiodifusão e Televisão 1.833 10,35 Serviços Médicos, Odontológicos e Veterinários 309 1,74 Ensino 217 1,23 Administração Pública Direta e Indireta 1.788 10,09 Agricultura, Silvicultura, Criação de Animais, Extração Vegetal e Pesca 416 2,35 Empregos - Total 17.713 100,00 FONTE: MTE-RAIS Disponível em: IPARDES-Base de Dados do Estado Org.: Vinicios José Dias 77 TABELA 04 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE IBIPORÃ Ibiporã Nº 49 68 106 64 66 522 84 33 % 0,54 0,76 1,18 0,71 0,73 5,80 0,93 0,37 Indústria de Extração de Minerais Indústria de Produtos Minerais não Metálicos Indústria Metalúrgica Indústria Mecânica Indústria de Materiais Elétricos e de Comunicação Indústria de Materiais de Transporte Indústria da Madeira e do Mobiliário Indústria do Papel, Papelão, Editorial e Gráfica Indústria da Borracha, Fumo, Couros, Peles, Produtos Similares e Indústria Diversa 349 3,88 Indústria Química, Produtos Farmacêuticos, Veterinários, Perfumaria, Sabões, Velas e Matérias Plásticas 881 9,80 Indústria Têxtil, do Vestuário e Artefatos de Tecidos 441 4,90 Indústria de Calçados Indústria de Produtos Alimentícios, de Bebida e Álcool Etílico 606 6,74 Serviços Industriais de Utilidade Pública 99 1,10 Construção Civil 297 3,30 Comércio Varejista 1.408 15,65 Comércio Atacadista 482 5,36 Instituições de Crédito, Seguro e de Capitalização 54 0,60 Administradoras de Imóveis, Valores Mobiliários, Serviços Técnicos Profissionais, Auxiliar Atividade Econômica 268 2,98 Transporte e Comunicações 354 3,94 Serviços de Alojamento, Alimentação, Reparo, Manutenção, Radiodifusão e Televisão 582 6,47 Serviços Médicos, Odontológicos e Veterinários 341 3,79 Ensino 328 3,65 Administração Pública Direta e Indireta 1.281 14,24 Agricultura, Silvicultura, Criação de Animais, Extração Vegetal e Pesca 231 2,57 Empregos - Total 8.994 100,00 FONTE: MTE-RAIS Disponível em: IPARDES-Base de Dados do Estado Org.: Vinicios José Dias 78 TABELA 05 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE LONDRINA Indústria de Extração de Minerais Indústria de Produtos Minerais não Metálicos Indústria Metalúrgica Indústria Mecânica Indústria de Materiais Elétricos e de Comunicação Indústria de Materiais de Transporte Indústria da Madeira e do Mobiliário Indústria do Papel, Papelão, Editorial e Gráfica Indústria da Borracha, Fumo, Couros, Peles, Produtos Similares e Indústria Diversa Indústria Química, Produtos Farmacêuticos, Veterinários, Perfumaria, Sabões, Velas e Matérias Plásticas Indústria Têxtil, do Vestuário e Artefatos de Tecidos Indústria de Calçados Indústria de Produtos Alimentícios, de Bebida e Álcool Etílico Serviços Industriais de Utilidade Pública Construção Civil Comércio Varejista Comércio Atacadista Instituições de Crédito, Seguro e de Capitalização Administradoras de Imóveis, Valores Mobiliários, Serviços Técnicos Profissionais, Auxiliar Atividade Econômica Transporte e Comunicações Serviços de Alojamento, Alimentação, Reparo, Manutenção, Radiodifusão e Televisão Serviços Médicos, Odontológicos e Veterinários Ensino Administração Pública Direta e Indireta Agricultura, Silvicultura, Criação de Animais, Extração Vegetal e Pesca Empregos - Total Londrina Nº 70 512 2.152 1.588 1.431 676 1.785 1.922 % 0,05 0,35 1,49 1,10 0,99 0,47 1,24 1,33 827 0,57 3.315 7.226 21 5.254 281 8.148 31.592 5.615 2.894 2,30 5,01 0,01 3,64 0,19 5,65 21,90 3,89 2,01 15.487 10,74 10.734 7,44 14.274 7.240 11.627 6.832 9,90 5,02 8,06 4,74 2.726 1,89 144.229 100,00 FONTE: MTE-RAIS Disponível em: IPARDES-Base de Dados do Estado Org.: Vinicios José Dias Rolândia, com 456,228 km² e 49.410 habitantes (IBGE apud IPARDES, 2010). Na agricultura estacam-se a produção de trigo, com 43.897 t colhidas; de soja, com 66.780 t; a cana-de-açúcar, com 305.516 t; laranja, com 36.640 t; e milho, com 37.536 t. A criação de aves, suíno e de bovinos é 79 consideravelmente expressiva. No setor industrial se destaca a indústria de alimentos, com mais de 30 por cento dos empregados do município; o comércio varejista é uma atividade que também emprega uma parte considerável da população (tabela 06) e os serviços também são muito expressivos. Estão registrados 1.471 caminhões, 381 reboques e 321 semi-reboques (IPARDES, 2010). TABELA 06 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – MUNICÍPIO DE ROLÂNDIA Indústria de Extração de Minerais Indústria de Produtos Minerais não Metálicos Indústria Metalúrgica Indústria Mecânica Indústria de Materiais Elétricos e de Comunicação Indústria de Materiais de Transporte Indústria da Madeira e do Mobiliário Indústria do Papel, Papelão, Editorial e Gráfica Indústria da Borracha, Fumo, Couros, Peles, Produtos Similares e Indústria Diversa Indústria Química, Produtos Farmacêuticos, Veterinários, Perfumaria, Sabões, Velas e Matérias Plásticas Indústria Têxtil, do Vestuário e Artefatos de Tecidos Indústria de Calçados Indústria de Produtos Alimentícios, de Bebida e Álcool Etílico Serviços Industriais de Utilidade Pública Construção Civil Comércio Varejista Comércio Atacadista Instituições de Crédito, Seguro e de Capitalização Administradoras de Imóveis, Valores Mobiliários, Serviços Técnicos Profissionais, Auxiliar Atividade Econômica Transporte e Comunicações Serviços de Alojamento, Alimentação, Reparo, Manutenção, Radiodifusão e Televisão Serviços Médicos, Odontológicos e Veterinários Ensino Administração Pública Direta e Indireta Agricultura, Silvicultura, Criação de Animais, Extração Vegetal e Pesca Empregos - Total FONTE: MTE-RAIS Disponível em: IPARDES-Base de Dados do Estado Org.: Vinicios José Dias Rolândia Nº 1 356 434 247 196 5 943 139 % 0,01 1,78 2,18 1,24 0,98 0,03 4,73 0,70 470 2,36 736 296 90 6.107 3 300 2.304 985 130 3,69 1,48 0,45 30,61 0,02 1,50 11,55 4,94 0,65 735 3,68 330 1,65 946 376 376 1.432 4,74 1,88 1,88 7,18 2.014 10,09 19.951 100,00 80 No conjunto do Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina, as atividades mais importantes, como não poderia deixar de ser são o comércio varejista, com quase 20 por centos dos empregados; os serviços; a indústria têxtil, a indústria alimentícia; a moveleira. Demonstra-se, portanto, que no Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina, há um predomínio de setores econômicos mais tradicionais como nos mostra a tabela 07. Todos estes números contribuem para dar uma idéia da produção total da região e de quantidade de carga que é transportada. O aumento geral do emprego, principalmente nos setores de indústria de transformação e de comércio, atividades que movimentam muita carga, são significativos, pois, podem demonstrar um aumento geral na circulação de mercadorias. No caso da agricultura, uma atividade inegavelmente importante para a região, um componente de sazonalidade que, aliado à continua modernização da agricultura ainda hoje, tendem a tornar seus números de empregados bastante variáveis. A quantidade de caminhões, reboques e semi-reboques existentes na região também permitem conceber todo esse deslocamento de mercadorias. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também é um bom indicador. Sua evolução pode indicar o quanto as mercadorias de determinada região circulam. Interessante notar que em todos os municípios da região houve um aumento da arrecadação, pelo menos em termos absolutos, ou seja, sem considerar a inflação. Porém, a participação relativa da maioria dos municípios, em relação ao total arrecadado, diminuiu, sendo que apenas em Ibiporã houve um tremendo incremento na participação do ICMS da região passando de 2,22% para 15,47%. 81 TABELA 07 - EMPREGOS FORMAIS POR ATIVIDADE ECONÔMICA AGLOMERADO URBANO-INDUSTRIAL DE LONDRINA – 2009 – TOTAL TOTAL Nº 179 1469 5945 2652 2629 1818 13682 3120 - % 0,07 0,58 2,34 1,04 1,03 0,71 5,37 1,23 Indústria de Extração de Minerais Indústria de Produtos Minerais não Metálicos Indústria Metalúrgica Indústria Mecânica Indústria de Materiais Elétricos e de Comunicação Indústria de Materiais de Transporte Indústria da Madeira e do Mobiliário Indústria do Papel, Papelão, Editorial e Gráfica Indústria da Borracha, Fumo, Couros, Peles, Produtos Similares e Indústria Diversa 3049 1,20 Indústria Química, Produtos Farmacêuticos, Veterinários, Perfumaria, Sabões, Velas e Matérias Plásticas 7802 3,06 Indústria Têxtil, do Vestuário e Artefatos de Tecidos 18106 7,11 Indústria de Calçados 448 0,18 Indústria de Produtos Alimentícios, de Bebida e Álcool Etílico 16504 6,48 Serviços Industriais de Utilidade Pública 407 0,16 Construção Civil 10910 4,29 Comércio Varejista 48942 19,23 Comércio Atacadista 11262 4,42 Instituições de Crédito, Seguro e de Capitalização 3755 1,48 Administradoras de Imóveis, Valores Mobiliários, Serviços Técnicos Profissionais, Auxiliar Atividade Econômica 19103 7,50 Transporte e Comunicações 13839 5,44 Serviços de Alojamento, Alimentação, Reparo, Manutenção, Radiodifusão e Televisão 22620 8,89 Serviços Médicos, Odontológicos e Veterinários 9061 3,56 Ensino 13913 5,47 Administração Pública Direta e Indireta 16545 6,50 Agricultura, Silvicultura, Criação de Animais, Extração Vegetal e Pesca 6805 2,67 Empregos - Total 254565 100,00 FONTE: MTE-RAIS Disponível em: IPARDES-Base de Dados do Estado Org.: Vinicios José Dias 82 TABELA 08 - ARRECADAÇÃO DE ICMS POR MUNICÍPIOS – 1995 E 2008 Localidade 1995 2008 VALOR % VALOR % Apucarana 11.794.839,63 6,95 19.776.692,37 3,23 Arapongas 13.666.461,68 8,06 39.667.350,70 6,48 Cambé 21.389.283,68 12,61 46.928.662,14 7,66 Ibiporã 3.759.092,58 2,22 94.727.191,85 15,47 Londrina 109.216.063,99 64,4 390.868.025,92 63,82 Rolândia 9.774.999,72 5,76 20.440.707,96 3,34 TOTAL 169.600.741,28 100 612.408.630,94 100 Fonte:IPARDES – Base de Dados – 2010. 3.2. Fluxos de mercadorias no Paraná e Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina A maior parte dos fluxos de mercadorias com origem na Região Sul deslocados por rodovias (48,5 milhões de t.km) se dirigem para as regiões sudeste, centro-oeste e nordeste. Da mesma forma, a maior parte das mercadorias que se dirigem para a Região Sul (87,2 milhões de t.km) têm origem nessas mesmas regiões. Da mesma forma, a maior parte do fluxo de mercadorias ocorre nas rodovias estaduais, como 219,3 milhões de t.km (IDET apud CNT, 2008, p. 32). No transporte de cargas no modal rodoviário transportado por terceiros, o Estado do Paraná foi destino de 52.528.433 t no ano de 2009, como demonstra a tabela 09, enquanto que no Brasil houve 538.593.570 t transportadas na mesma época. A tabela 09 ainda demonstra o quanto as quantidades transportadas eram menores no ano de 1996. Naquele ano, no Brasil, foram transportados 396.839.256 t por terceiros, dessa quantidade a Região Sul recebeu 96.422.747 t e o Paraná foi o destino de 41.557.217,00 t. Interessante notar que apenas as regiões norte, nordeste e centro-oeste aumentaram as suas participações enquanto destinos da produção nacional. 83 TABELA 09 - MODO RODOVIÁRIO DE CARGA TRANSPORTADA POR TERCEIROS (toneladas) - ORIGEM BRASIL - 1996 e 2009 Destino 1996 NORTE NORDESTE CENTRO-OESTE SUDESTE SUL PARANÁ BRASIL toneladas 5.512.064,00 17.032.015,00 10.692.884,00 267.179.547,00 96.422.747,00 41.557.217,00 396.839.256,00 2009 % 1,39 4,29 2,69 67,33 24,30 10,47 100,00 toneladas 8.644.543,00 40.732.493,00 16.185.785,00 344.897.563,00 128.133.184,00 52.528.433,00 538.593.570,00 % 1,61 7,56 3,01 64,04 23,79 9,75 100,00 Fonte: (IDET-FIPE/CNT, 2009). Org.: Vinicios José Dias Quando as cargas que se originam no Paraná, os números continuam com a mesma tendência. Em 2009, o Brasil recebeu do Paraná 110.021.503 t de cargas, desse montante a Região Sul recebeu 92.621.495 t e o próprio estado do Paraná recebeu 79.256.319 t. Notem que em 1996 (tabela 10) o Paraná foi a origem de 106.256.230 t que circularam no Brasil, o sul foi o destino de 82.004.779 t, e o próprio Paraná 69.061.099 t. Entre 1996 e 2009, o grande destaque foi a queda na destinação dos produtos paranaenses rumo à região Sudeste: de 21,53% em 1996 para 14,55% em 2009. TABELA 10 - MODO RODOVIÁRIO DE CARGA TRANSPORTADA POR TERCEIROS (toneladas) - ORIGEM PARANÁ - 1996 e 2009 Destino NORTE NORDESTE CENTROOESTE SUDESTE SUL PARANÁ BRASIL 1996 2009 toneladas % toneladas % 183.520,00 0,17 168.836,00 0,15 980.971,00 0,92 1.005.377,00 0,91 215.082,00 0,20 22.871.878,00 21,53 82.004.779,00 77,18 69.061.099,00 64,99 106.256.230,00 100,00 221.563,00 0,20 16.004.232,00 14,55 92.621.495,00 84,18 79.256.319,00 72,04 110.021.503,00 100,00 Fonte: (IDET-FIPE/CNT, 2009). Org.: Vinicios José Dias A tabela 11 nos mostra que o número de empregados das transportadoras demonstra a prevalência de pequenas transportadoras no Paraná e 84 no Brasil em geral, sendo que o número de empresas vai diminuindo conforme o número de empregados aumenta. Isso demonstra que a quantidade de carga transportada por empresa (terceiros) é, de forma geral, pequena. Segundo o estudo do Geipot (tabela 12), até o ano de 2000, a maioria esmagadora do veículos de transporte de cargas rodoviários tinham mais de dez anos de fabricação, o que pode tornar esse transporte mais oneroso devido ao consumo de combustível maior dos veículos antigos, à necessidade de manutenção constante da frota e o risco de acidentes ocasionados por falhas mecânicas. O sistema ferroviário da Região Sul possui ligações de grande importância com a Argentina e o Uruguai (CNT, 2008). Cerca de 31,5 milhões de toneladas de commodities agrícolas são transportadas pelas ferrovias da Região Sul com produção da Região Centro-Oeste, do Estado do Paraná, de São Paulo e do Rio Grande do Sul). Além de combustíveis como, por exemplo, álcool, diesel, gasolina; e óleo vegetal no Paraná e no Rio Grande do Sul. No Estado do Paraná existem 2.464 km de ferrovias (GEIPOT). Como a pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) mostra na tabela 13, os dados do transporte de cargas por ferrovias em 1996 percebemos que os números são significativamente menores: Naquele ano o total transportado com origem no Brasil foi de 228.280.633 t transportadas; 13.481.082 t ficavam na Região Sul, apenas 6.973.108 t se dirigiam ao Paraná. No ano de 2009, o total de cargas praticamente dobrou com 429.762.106 t em todo o Brasil, sendo 16.340.786 t se dirigindo ao Paraná. A participação paranaense aumentou, no período, de 3,05% para 3,8%. O transporte de cargas ferroviárias com origem no Estado do Paraná teve, em 2009, 18.726.192 t rumando para todo o Brasil. Neste número está incluso os 14.435.051 t que tiveram o próprio Paraná como destino, em seguida foram o restante da Região Sul e a Região Sudeste, como ilustra a tabela 14. 85 TABELA 11 – EMPRESAS DE TRANSPORTE POR TAMANHO SEGUNDO A RAIS – 2009 NÚMERO DE EMPREGADOS DE 1 A 9 ESTAB. DE 50 A 249 DE 250 A 999 1000 OU MAIS TOTAL ESTAB. ESTAB. ESTAB. ESTAB. ESTAB. 137 29 173 16 237 35 78 133 64 238 23 7 64 3 91 13 12 37 26 60 3 2 11 0 16 0 1 10 5 29 0 619 0 92 4 585 384 105 241 93 994 329 Pernambuco 617 94 Alagoas 355 97 Sergipe 1.932 493 Bahia 8.394 1.623 Minas Gerais 1.205 317 Espirito Santo 2.125 945 Rio de Janeiro 16.853 4.320 Sao Paulo 6.897 1.082 Parana 5.840 1.021 Santa Catarina 7.498 1.163 Rio Grande do Sul 1.086 224 Mato Grosso do Sul 1.339 314 Mato Grosso 1.937 401 Goias 576 167 Distrito Federal 61.315 13.928 Total Fonte: BRASIL (2009) - MTE/RAIS 27 22 78 20 12 171 417 93 346 1.122 271 169 270 44 61 102 47 3.608 4 5 16 5 4 49 109 28 130 211 43 21 45 11 10 28 17 813 Rondonia Acre Amazonas Roraima Para Amapa Tocantins Maranhao Piaui Ceara Rio Grande do Norte 456 54 333 48 639 49 207 338 175 743 DE 10 A 49 Paraiba 0 67 1 984 0 97 0 298 1 519 0 270 0 1.070 1 521 0 361 8 1.425 0 736 1 469 5 2.650 9 10.552 4 1.647 30 3.576 45 22.551 6 8.299 0 7.051 6 8.982 0 1.365 0 1.724 1 2.469 5 812 127 79.791 Org.: Vinicios José Dias Em 1996, os números eram bem mais modestos: 7.077.349 t foram distribuídas pelo Brasil, a Região Sul ficou com 7.024.017 t e a Região Sudeste com um pouco apenas 53.332 t; o Estado do Paraná foi o destino de 6.836.140 t. Em termos relativos e absolutos, o intercâmbio do Estado do Paraná com o restante do Brasil via ferrovias aumenta, diminuindo apenas em termos relativos com o próprio Paraná. 86 TABELA 12 - NÚMERO DE VEÍCULOS DE TRANSPORTE DE CARGAS EXISTENTES NO ESTADO DO PARANÁ, POR ANO DE FABRICAÇÃO – 2000 ANO DE FABRICAÇÃO QUANTIDADE até 1990 137.070 1991 4.202 1992 2.362 1993 4.120 1994 5.931 1995 6.797 1996 3.413 1997 5.621 1998 4.932 1999 4.813 2000 4.974 TOTAL 184.235 Fonte: GEIPOT TABELA 13 - MODO FERROVIÁRIO DE CARGA (toneladas) - ORIGEM BRASIL - 1996 e 2009 Destino 1996 toneladas 14.953.102,00 40.358.961,00 NORTE NORDESTE CENTROOESTE SUDESTE SUL PARANÁ BRASIL % 6,55 17,68 2.924.195,00 1,28 156.563.294,00 68,58 13.481.082,00 5,91 6.973.108,00 3,05 228.280.633,00 100,00 2009 toneladas 21.210.775,00 98.239.597,00 % 4,94 22,86 3.938.809,00 0,92 278.139.855,00 64,72 28.233.070,00 6,57 16.340.786,00 3,80 429.762.106,00 100,00 Fonte: (IDET-FIPE/CNT, 2009). Org.: Vinicios José Dias A tabela 15 nos mostra quais as principais mercadorias transportadas pela América Latina Logística (ALL) no ano 2000. Todos são produtos primários ou de pouco valor agregado, destaque para a soja e os farelos. 87 TABELA 14 - MODO FERROVIÁRIO DE CARGA (toneladas) - ORIGEM PARANÁ 1996 e 2009 Destino 1996 toneladas NORTE NORDESTE CENTROOESTE SUDESTE SUL PARANÁ BRASIL 2009 % 0,00 0,00 toneladas % 0,00 0,00 0,00 0,00 53.332,00 0,75 7.024.017,00 99,25 6.836.140,00 96,59 7.077.349,00 100,00 0,00 0,00 0,00 0,00 3.949,00 0,02 1.004.971,00 5,37 17.717.272,00 94,61 14.435.051,00 77,08 18.726.192,00 100,00 Fonte: (IDET-FIPE/CNT, 2009). Org.: Vinicios José Dias A Confederação Nacional dos Transportes (CNT), demonstra, num estudo de 2006, a situação dos principais corredores ferroviários do Brasil. No corredor São Francisco do Sul, que se inicia em Londrina e em Maringá, unindo-se em Apucarana, e termina em São Francisco do Sul, administrado pela América Latina Logística (ALL), são transportados 35 TKUs (toneladas por quilometro útil) e 661 TUs (tonelada útil) somente no trecho de Londrina a Apucarana (CNT, 2006, p. 50). TABELA 15 - TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE CARGA - PRINCIPAIS MERCADORIAS TRANSPORTADAS – 2000 Estrada e Mercadoria AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA DO BRASIL S.A - ALL (EX FSA) Arroz Cimento Clinquer Derivados de petróleo Farelos Soja Trigo Outras Fonte: GEIPOT Toneladas Úteis 10 ³ 17510 360 830 410 1470 3560 3760 760 6360 88 O Outro corredor importante para nosso estudo é o Corredor Paranaguá, partindo de Londrina e Maringá, cujos ramais convergem em Apucarana, e de Cascavel, termina em Paranaguá, ou seja, abarca as principais regiões produtoras do estado ligando-as a um dos principais portos do país. O trecho que liga Cascavel a Guarapuava é administrado pela FERROPAR, e os demais são operados pela ALL. No trecho localizado entre Londrina e Apucarana a movimentação desse corredor é de 145 TKUs e 2732 TUs (CNT, 2006, p. 52). Segundo esse estudo, os principais produtos transportados no corredor São Francisco do Sul são soja, com 66,7% da carga, e produtos industrializados, com 16,7%. No corredor Paranaguá os principais produtos transportados são soja, com 38,7%, produtos industrializados (33,3%), adubos e fertilizantes (23,8%), cimento (2,4%) (CNT, 2006, p. 62). O volume transportado no corredor São Francisco do Sul é de 281500 t e no corredor Paranaguá é de 170649 t (CNT, 2006, p. 66). Os principais problemas apontados, pelas empresas que utilizam o transporte ferroviário, no corredor São Francisco do Sul foi a confiança dos prazos, no corredor Paranaguá, além da confiança dos prazos, o custo do frete é também muito relevante (CNT, 2006, p. 69). Como comparação, enquanto no corredor São Francisco do Sul apenas 16,7% das empresas consideraram as tarifas elevadas, corredor Paranaguá 57,1% consideraram as tarifas elevadas (CNT, 2006, p. 102). A modalidade de transporte aéreo (tabela 16) de cargas, embora tradicionalmente seja o menos importante (principalmente devido aos custos elevados) consegue números expressivos. Em 1996, o total de cargas transportadas no Brasil foi de 435.587 t, em 2009 foi de 429.036 t; no sul foram transportados 26.242 t em 1996 e em 2009 16.281; e no Paraná, em durante todo o ano de 1996, foram transportados 3.929 t e em 2009, 4.601 t, ou seja, diferentemente da realidade brasileira em geral, com exceção da Região Nordeste, e da Região Sul, no Paraná o transporte aéreo de cargas aumentos significativamente no período. Alguns fatores poderiam explicar isso como a instalação do Porto Seco em Londrina. Como a tabela 17 demonstra, embora os números tendam a esboçar um crescimento, eles são deveras oscilantes, não permitindo uma análise mais 89 aprofundada, embora nos aeroportos de Londrina e Foz do Iguaçu a tendência, entre os anos de 1996 e 2000, tenha sido de aumentar cada vez mais. TABELA 16 - MODO AEROVIÁRIO DE CARGA TRANSPORTADA (toneladas) 1996 e 2009 Destino NORTE NORDESTE CENTROOESTE SUDESTE SUL PARANÁ BRASIL 1996 2009 toneladas % toneladas % 59.600,00 13,68 43.187,00 10,07 35.610,00 8,18 53.714,00 12,52 20.946,00 4,81 293.189,00 67,31 26.242,00 6,02 3.929,00 0,90 435.587,00 100,00 24.146,00 5,63 291.708,00 67,99 16.281,00 3,79 4.601,00 1,07 429.036,00 100,00 Fonte: (IDET-FIPE/CNT, 2009). Org.: Vinicios José Dias O modal aquaviário (tabela 18) apresentou uma excelente evolução no período que vai de 1996 a 2009. Em 1996 foram transportados 333.284.333 t pelo Brasil, em 2009 já foram 638.119.834 t. Pela Região Sul, nas mesmas datas, circularam 46.827.908 t e 92.587.861 t respectivamente; e no Paraná 17.193.755 t, em 1996, e 31.226.345 t em 2009. Os números demonstram que o modal aquaviário finalmente começa a ser utilizado da forma de sempre deveria ter sido, satisfazendo as necessidades da economia brasileira por transportes mais baratos. TABELA 17 - MOVIMENTO AEROPORTUÁRIO QUANTIDADE DE CARGA DESEMBARCADA, EM VÔOS NACIONAIS - 1996-00 SUL Paraná Afonso Pena Foz do Iguaçu Londrina 1996 33.258 9.490 1997 34.191 8.337 1998 37.107 9.871 1999 39.079 9.996 2000 35.454 8.384 7.954 6.902 7.970 7.889 6.272 207 1.329 197 1.238 310 1.591 355 1.752 418 1.694 NOTA: Inclui Correio Fonte: GEIPOT 90 TABELA 18 - MODO AQUAVIÁRIO DE CARGA (toneladas) - 1996 e 2009 Destino 1996 2009 toneladas % toneladas % NORTE 15.846.204,00 4,75 51.643.666,00 8,09 NORDESTE 81.356.062,00 24,41 149.560.793,00 23,44 CENTROOESTE 1.116.545,00 0,34 1.500.220,00 0,24 SUDESTE 188.137.614,00 56,45 342.827.294,00 53,72 SUL 46.827.908,00 14,05 92.587.861,00 14,51 PARANÁ 17.193.755,00 5,16 31.226.345,00 4,89 BRASIL 333.284.333,00 100,00 638.119.834,00 100,00 Fonte: (IDET-FIPE/CNT, 2009). Org.: Vinicios José Dias A tabela 19 demonstra a número de empresas de transporte por número de empregados. Assim como nos dados do Brasil (tabela 11) há a prevalência de empresas com poucos empregados. Destacam-se os municípios de Londrina, por ser o município pólo da região, e Apucarana que, além de ser um município importante, está localizado em um importante entroncamento ferroviário e está localizado a curta distância dos centros mais importantes da região. Ao levarmos em consideração todos esses dados juntamente com o fato de que as infra-estruturas de transportes permanecem praticamente as mesmas há décadas, pelo menos no que diz respeito à capacidade de deslocamento, podemos supor que é questão de tempo para que os gargalos comecem a se formar. E isso já acontece em muitos pontos. TABELA 19 – EMPRESAS DE TRANSPORTE POR TAMANHO SEGUNDO A RAIS – 2009 Município Apucarana Arapongas Cambe Ibipora Londrina Rolandia Total DE 1 A DE 10 A DE 50 A 9 49 249 ESTAB. ESTAB. ESTAB. 57 57 40 16 219 48 437 26 14 11 7 61 2 121 Fonte: BRASIL (2009) - MTE/RAIS Org.: Vinicios José Dias 4 2 0 1 14 1 22 DE 250 A 1000 OU 999 MAIS TOTAL ESTAB. ESTAB. ESTAB. 0 0 0 0 3 0 3 0 0 0 0 1 0 1 87 73 51 24 298 51 584 91 As transportadoras que responderam ao nosso questionário foram unânimes em apontar as péssimas condições do modal rodoviário como o problema mais grave para o seguimento, além do volume de tráfego, o risco de acidentes (falta de fiscalização e de sinalização adequada) e os pedágios. Apenas duas transportadoras se prontificaram em responder ao nosso questionário, como combinamos em não expô-las no trabalho, podemos apenas agradecê-las em seu anonimato. Ambas utilizam apenas o modal rodoviário e transportam as seguintes mercadorias: Combustíveis e Lubrificantes, Cargas frias, Resíduos, Confecções em geral, Eletro-Eletrônicos, Auto-Peças, livros. Com relação às origens, se destacam os estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os destinos são: São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais e parte da Região Nordeste. A relação de empresas exportadoras e importadoras do Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina pode demonstrar não apenas a intensidade da utilização do sistema de transportes, mas também ilustrar a atual situação do estado após a reestruturação produtiva. A maior quantidade de empresas exportadoras e importadoras, conforme as tabelas 20 e 21, estão localizadas no município de Londrina, município que, conforme vimos no item 3.1., comporta a maior variedade e intensidade das atividades econômicas da região. É de se notar que as empresas que importam são em maior quantidade que as empresas que exportam o que pode significar um fluxo maior na direção da região do que o contrário. Dentre as principais empresas exportadoras (vide anexo 1) destacam-se: em Apucarana, no setor de alimentos, a King Meat Alimentos, a Kowalski Alimentos; no setor têxtil, a Indústria Têxtil Apucarana; no setor de máquinas e equipamentos, a Batermaq. Em Arapongas, destacam-se, no setor de alimentos, a Lamajo, a Prodasa, a Nutriara, Frango DM; no setor moveleiro, a Vamol, a Irmãos Tudino, a Kits Paraná, a Irmol, entre outras. Em Cambé, no setor agroindustrial se destaca a Integrada; no setor químico, a Resvestsul; no farmacêutico, a Sandoz; no setor de equipamentos, a Automolas. Em Ibiporã, no 92 setor de couros, a Wyny. Em Londrina, os destaques são, no setor de máquinas e equipamentos, a Atlas Schindler, a Thermo King, a Fast Frio, a GNB; no setor agropecuário e agroindustrial, a Integrada, a Milenia, Agropecuária Santa Maria, Seara, Comaves, Cacique, entre outras; no setor têxtil, a Foreman Confecções, a Bratac. Em Rolândia, no setor de couros, a Vancouros, a Britali, no setor agropecuário e agroindustrial, a Corol, a Agrícola Jandelle; no setor de alimentos, a Dori. Tabela 20 – Quantidade de empresas exportadoras por município do Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina em 2006 N° de Municípios empresas % Apucarana 21 13,21 Arapongas 33 20,75 Cambé 12 7,55 Ibiporã 7 4,4 Londrina 68 42,77 Rolândia 18 11,32 Total 159 100 Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Org.: Vinicios José Dias Tabela 21 – Quantidade de empresas importadoras por município do Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina em 2006 N° de Municípios empresas Apucarana 31 Arapongas 24 Cambé 16 Ibiporã 9 Londrina 89 Rolândia 15 Total 184 % 16,85 13,04 8,7 4,89 48,37 8,15 100 Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Org.: Vinicios José Dias Dentre as principais empresas importadoras destacam-se as dos setores de: alimentos, máquinas, têxteis, móveis, químicas e farmacêuticas, entre 93 outras. Os principais setores exportadores coincidem com vários dos principais setores importadores porque várias empresas precisam de produtos importados para o seu processo produtivo. 94 Conclusão Na reestruturação produtiva ocorrida a partir da década de 1970, as cidades passaram a, cada vez mais, desempenhar um papel de nós de densas redes que interligam lugares com fluxos de relações cada vez mais intensos. Os nós dessas redes urbanas tendem a desempenhar papéis diferentes na divisão territorial do trabalho que, dependendo da intensidade dos processos de produção, circulação, distribuição e consumo podem ser mais ou menos evidentes. As transformações que o modelo produtivo atravessou desde então ocorreram em virtude do esgotamento do modelo fordista e sua superação. A produção, no modelo de acumulação flexível, tende a ser mais espalhada pelo território. A gerência pode estar localizada em uma grande metrópole, como São Paulo, enquanto que as diversas etapas do processo produtivo podem estar disseminadas entres várias cidades diferentes e relativamente distantes. Os modernos meios de transporte e comunicação atualmente permitem que isso se dê tranquilamente. As estruturas produtivas engessadas e dispendiosas do fordismo cederam lugar às estruturas mais dinâmicas e baratas da acumulação flexível. As deseconomias de aglomeração foram gradualmente sendo superadas pela desconcentração da produção. Como os industriais não poderiam arcar sozinhos com os custos de construção de grandes projetos de infra-estrutura que os atendessem e pudessem convencê-los de se instalar nas novas regiões, os governos passaram a financiar ou a agir diretamente nesses campos. O Estado passou a criar condições gerais de produção para que tais atividades pusessem se instalar no território. No Paraná a industrialização se acentuou a partir da década de 1970, com o inicio de políticas de incentivo por parte do governo estadual, sendo que até essa época, a indústria paranaense se caracterizava pela produção de produtos alimentares, mineração, madeira e papel. Na década de 1980 já há uma presença considerável de indústrias de setores como: química, metalurgia e 95 mecânica. Mas a maioria dessas indústrias ainda se localizam na região metropolitana de Curitiba. No caso dos transportes, os investimentos se aceleraram a partir da década de 1960, objetivando principalmente a construção de rodovias para interligar o interior, notadamente o norte do estado, ao Porto de Paranaguá. Da mesma forma, na década de 1970, houve a construção de ferrovias que ligavam a Região Norte do estado ao Porto de Paranaguá. Assim, o governo do Estado do Paraná conseguiu integrar todo o estado na medida em que as ligações do norte com a capital e o litoral foram finalmente estabelecidas ao mesmo tempo em que a influência de São Paulo sobre o norte tendeu a diminuir, já que o Porto de Santos, por ser mais distante que o de Paranaguá, já não era mais tão atrativo para a exportação das mercadorias dessa região. Desde então, o governo estadual passou a se concentrar na expansão de outras infra-estruturas importantes, como a energia elétrica. Com a decadência da cafeicultura, algo que coincidiu com a Reestruturação Produtiva, todos os municípios Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina e do norte do Paraná em geral, sofreram com um período de dificuldades econômicas. Porém, a instalação de diversas indústrias, dos mais diversos ramos, em vários municípios fez com que a região voltasse a respirar ares de progresso, mesmo que a um alto custo: os diversos benefícios que os governos estadual e municipal, principalmente forneceram para as indústrias que se instalassem em seus territórios. Paralelamente as atividades agropecuárias continuaram se desenvolvendo. Em Apucarana tivemos o desenvolvimento do setor do vestuário, principalmente ligado à brindes (camisetas e bonés); em Arapongas houve o desenvolvimento de um poderoso parque industrial moveleiro; Em Ibiporã diversas indústrias passaram a se localizar ao longo da BR-369 destacando-se as indústrias químicas e de materiais de transporte; em Cambé destacam-se as agroindústrias, as indústrias químicas e as metalúrgicas; em Londrina, por ser a cidade pólo, o desenvolvimento econômico esteve mais ligado à setores como o de serviços e comércios, mesmo tendo o maior parque industrial dos municípios listados, embora diversificados, nenhum setor industrial isolado concentra empregos como ocorre nos demais municípios analisados; em Rolândia as agroindústrias e setores próximos 96 são, de longe, os mais importantes. Assim, o Aglomerado Urbano-Industrial de Londrina apresenta uma diversificação industrial e agropecuária considerável. Tudo isso contribuiu para que outros indicadores, como ICMS e o transporte de cargas apresentassem desempenhos cada vez maiores. Se considerarmos que a infra-estrutura de transportes – principalmente o rodoviário, que é o principal, e o ferroviário – permanecem praticamente as mesmas nas últimas décadas podemos supor que a região poderá sofrer com debilidades, que já se fazem sentir (como as duas entrevistas revelaram), cada vez mais intensas no setor de transportes. 97 REFERÊNCIAS ABCR, Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias. Concessionárias. 2008. Disponível em: <http://www.abcr.org.br/conc/conc_mappr.php>. Acessado em: 14 de Nov. de 2008. ANEL DE INTEGRAÇÃO. Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Anel_de_integra%C3%A7%C3%A3o_concessio n%C3%A1rias.gif>. Acesso em: 15 de Nov. de 2010. ARAÚJO, Carlos Eduardo Flores de. Segmentos Industriais e de serviços na Região Metropolitana de Belo Horizonte na Década de 90. 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FUJIWARA EQUIPAMENTOS DE PROTECAO INDIVIDUAL LTDA FUJIWARA EQUIPAMENTOS DE PROTECAO INDIVIDUAL LTDA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA KING MEAT ALIMENTOS DO BRASIL S/A BATERMAQ - INDUSTRIA DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS PARA FA APUCARANA FOXPLAST - INDUSTRIA E COMERCIO DE BRINDES LTDA APUCARANA LENIX INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA APUCARANA MASTER CRINAS LTDA FORTRADE COMERCIO INTERNACIONAL & ASSESSORIA EMPRESARIA GAUCHO - COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE POLIMEROS ATLANTICA INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA BONELESKA BONES LTDA MARQUES INDUSTRIA E COMERCIO DE MAQUINAS LTDA ME APUCARANA TANNERY DO BRASIL S/A APUCARANA INDUSTRIA TEXTIL APUCARANA LTDA APUCARANA KOWALSKI ALIMENTOS LTDA APUCARANA C S PESQUISAS E PARTICIPACOES INDUSTRIAIS LTDA APUCARANA DIFRANE ARTEFATOS DE PAPEL LTDA - EPP APUCARANA APUCARANA BUNGE ALIMENTOS S/A APUCACOUROS INDUSTRIA E EXPORTACAO DE COUROS S/A APUCARANA J I FERNANDES E CIA LTDA ME ARAPONGAS LAMAJO COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. ARAPONGAS POLIMAN INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS NUTRIARA ALIMENTOS LTDA ARAPONGAS ARAPONGAS GRAPPA - INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA. CONEX COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA DE MOVEIS S.A ARAPONGAS ETNICA BRASIL - IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA. ARAPONGAS VAMOL INDUSTRIA MOVELEIRA LTDA ARAPONGAS DEMOBILE - INDUSTRIA DE MOVEIS LTDA. ARAPONGAS ARAPONGAS MOVEIS BELO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ARAMOVEIS INDUSTRIAS REUNIDAS DE MOVEIS E ESTOFADOS LTD ARAPONGAS MOVAL MOVEIS ARAPONGAS LTDA Faixa De US$1000001 a US$2000000 De US$2000001 a US$4000000 De US$6001 a US$10000 De US$6000001 a US$10000000 De US$100001 a US$200000 De US$20001 a US$40000 De US$2001 a US$4000 De US$40001 a US$60000 De US$200001 a US$400000 De US$6001 a US$10000 De US$2001 a US$4000 De US$20001 a US$40000 De US$20001 a US$40000 De US$6000001 a US$10000000 De US$2000001 a US$4000000 De US$10000001 a US$20000000 De US$1000001 a US$2000000 De US$10001 a US$20000 De US$1000001 a US$2000000 De US$10000001 a US$20000000 De US$60001 a US$100000 De US$600001 a US$1000000 De US$2000001 a US$4000000 De US$200001 a US$400000 De US$600001 a US$1000000 De US$2000001 a US$4000000 De US$20001 a US$40000 De US$1000001 a US$2000000 De US$4001 a US$6000 De US$60001 a US$100000 De US$400001 a US$600000 De US$4000001 a US$6000000 103 IBIPORA FIBROCEL PRODUTOS BIOTECNOLOGICOS LTDA De US$1000001 a US$2000000 De US$60001 a US$100000 De US$1000001 a US$2000000 De US$600001 a US$1000000 De US$600001 a US$1000000 De US$2000001 a US$4000000 De US$4000001 a US$6000000 De US$400001 a US$600000 De US$1000001 a US$2000000 De US$6001 a US$10000 De US$4000001 a US$6000000 De US$600001 a US$1000000 De US$600001 a US$1000000 De US$1000001 a US$2000000 De US$1000001 a US$2000000 De US$40001 a US$60000 De US$4000001 a US$6000000 De US$60001 a US$100000 De US$400001 a US$600000 De US$20001 a US$40000 De US$60001 a US$100000 De US$400001 a US$600000 De US$6000001 a US$10000000 De US$4000001 a US$6000000 De US$200001 a US$400000 De US$60001 a US$100000 De US$60001 a US$100000 De US$20001 a US$40000 De US$4001 a US$6000 De US$600001 a US$1000000 Acima de US$100000001 De US$1000001 a US$2000000 De US$60001 a US$100000 De US$600001 a US$1000000 De US$20000001 a US$40000000 De US$6001 a US$10000 IBIPORA MULTIBRASIL COMERCIO EXPORTACAO & IMPORTACAO De US$2001 a ARAPONGAS PRODUTOS ALIMENTICIOS ARAPONGAS SA PRODASA ARAPONGAS SIMBAL SOCIEDADE INDUSTRIAL MOVEIS BANROM LTDA ARAPONGAS SOLANA AGRO PECUARIA LTDA ARAPONGAS NICIOLI-INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS PRODUTORA E COMERCIAL AGRICOLA ARAPONGAS LTDA ARAPONGAS IRMAOS TUDINO LTDA ARAPONGAS NIROFLEX IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA ARAPONGAS POQUEMA INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS ARAPONGAS KIT S PARANA-INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA STAR PLAST INDL E COML PARANAENSE DE PLASTICOS LTDA FRANGO DM INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA GRALHA AZUL INDUSTRIA E COMERCIO DE ESTOFADOS LTDA ARAPONGAS FIASINI - IND. E COM. DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS CAEMMUN INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS COLIBRI INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS AZULBRAS INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS IRMOL INDUSTRIAS REUNIDAS DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS FRAZOTTO - INDUSTRIA DE MOVEIS LTDA. ARAPONGAS DJ INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS TECBRIL INDUSTRIA E COMERCIO DE TINTAS LTDA ARAPONGAS LINEA BRASIL IND E COM DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS PENNACCHI & CIA LTDA CAMBE ITAP/BEMIS LTDA. CAMBE INTEGRADA COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL CAMBE WITTUR LTDA CAMBE CAVARSAN & CAVARSAN LTDA - ME CAMBE S.L.O. AGROPECURIA LTDA CAMBE INQUIMA LTDA CAMBE REVESTSUL PRODUTOS QUIMICOS LTDA. CAMBE AMCOR FLEXIBLES BRASIL LTDA CAMBE INCOEX INDUSTRIA COMERCIO E EXPORTACAO LTDA CAMBE AUTOMOLAS EQUIPAMENTOS LTDA CAMBE PADO S A INDUSTRIAL COMERCIAL E IMPORTADORA CAMBE SANDOZ DO BRASIL INDUSTRIA FARMACEUTICA LTDA. WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA ARAPONGAS ARAPONGAS IBIPORA 104 LTDA IBIPORA IBIPORA IBIPORA IBIPORA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA US$4000 De US$100001 a US$200000 De US$2001 a US$4000 BORGES & EIK LTDA De US$100001 a US$200000 PLASTICOS NOVEL DO PARANA SA De US$100001 a US$200000 BIODINAMICA QUIMICA E FARMACEUTICA LTDA De US$20000001 a US$40000000 ELEVADORES ATLAS SCHINDLER S/A. De US$60001 a US$100000 DELTAPLAM EMBALAGENS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA De US$10000001 a US$20000000 ITAP/BEMIS LTDA. ANGELUS INDUSTRIA DE PRODUTOS ODONTOLOGICOS De US$100001 a LTDA US$200000 De US$600001 a US$1000000 SONOCO DO BRASIL LTDA De US$10000001 a US$20000000 INTEGRADA COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL De US$200001 a US$400000 CARTI FIOS LTDA. GRUPON INDUSTRIA E COMERCIO DE SUB-PRODUTOS De US$100001 a FRIGORIFICO US$200000 De US$1000001 a US$2000000 PREMIUM ESPECIALIDADES EM TABACOS LTDA De US$2000001 a US$4000000 HUSSMANN DO BRASIL LTDA De US$2001 a US$4000 I.D.ITALY COMPONENTES DIESEL LTDA De US$20001 a US$40000 PURA MANIA CONFECCOES LTDA De US$4000001 a US$6000000 MILENIA AGROCIENCIAS S.A. De US$200001 a US$400000 FRIGORIFICO RAINHA DA PAZ LTDA. MULTI-FIX DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE De US$20001 a PARAFUSOS L US$40000 SEGER COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA De US$200001 a LTDA US$400000 De US$6001 a US$10000 COMERCIAL RIBALTA LTDA De US$40001 a US$60000 NORTMETTA INDUSTRIA METALURGICA LTDA De US$1000001 a AGROPECUARIA SANTA MARIA DO CERNE LTDA US$2000000 De US$4001 a IASA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA US$6000 De US$100001 a METALURGICA TERCIFRAN LTDA-EPP. US$200000 De US$400001 a A.M. GOLDSTEIN DO BRASIL ALIMENTOS LTDA US$600000 De US$1000001 a G.N.B. INDUSTRIA DE BATERIAS LTDA US$2000000 De US$4000001 a LONDREX ALIMENTOS LTDA US$6000000 De US$1000001 a NOBLE BRASIL LTDA. US$2000000 INTERNATIONAL SEALS TECNOLOGIA EM VEDACOES De US$4001 a LTDA. US$6000 HERBICITRUS - COMERCIO E EXPORTACAO DE PRODUTOS De US$200001 a AGRICOL US$400000 ALL EXPORT COMERCIO E EXPORTACAO DE PRODUTOS De US$200001 a DE INFORMA US$400000 De US$100001 a FOREMAN CONFECCOES LTDA US$200000 SAMEX BRAZIL - COMERCIO, INDUSTRIA, IMPORTACAO, De US$60001 a EXPORTA US$100000 De US$4000001 a US$6000000 TRISTAO COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR De US$20000001 a US$40000000 UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR BAGGIO & GUILHERME LTDA. ME. 105 LONDRINA De US$4000001 a US$6000000 De US$20001 a US$40000 INGERSOLL - RAND DO BRASIL LTDA MARCELLINO MARTINS & E.JOHNSTON EXPORTADORES De US$10000001 a LTDA US$20000000 De US$4000001 a US$6000000 THERMO KING DO BRASIL LTDA De US$40001 a US$60000 PASTIFICIO SELMI SA De US$2000001 a US$4000000 LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S.A. De US$600001 a US$1000000 DIXIE TOGA S/A De US$400001 a US$600000 ITIMURA TEXTIL S/A De US$10000001 a US$20000000 FIACAO DE SEDA BRATAC S A De US$4000001 a VOLCAFE LTDA US$6000000 De US$200001 a MILENIA AGRO CIENCIAS S.A. US$400000 De US$6001 a REBOUCAS INDUSTRIA DE PLASTICOS LTDA US$10000 ARTE NOVA IND E COMERCIO DE MOVEIS E DECORACOES De US$100001 a LTDA US$200000 ESTAMPAR INDUSTRIA E COMERCIO DE MATRIZES LTDA. - De US$10001 a EPP US$20000 SEARA-IND. E COMERCIO DE PRODUTOS AGRODe US$20000001 a PECUARIOS LTDA US$40000000 De US$20001 a INDUSTRIA E COMERCIO DE JUNTAS UNIVERSAL LTDA US$40000 De US$40001 a RONDOPAR ENERGIA ACUMULADA LTDA US$60000 De US$200001 a FAST FRIO EQUIPAMENTOS LTDA US$400000 De US$6001 a JUNTAS SANTA CRUZ LTDA US$10000 De US$100001 a AMADEU BRESSAN CIA LTDA US$200000 Acima de COMPANHIA CACIQUE DE CAFE SOLUVEL US$100000001 INDREL INDUSTRIA DE REFRIGERACAO LONDRINENSE De US$20001 a LTDA US$40000 De US$2001 a US$4000 PEPILON INDUSTRIA DE COSMETICOS LTDA. - EPP De US$200001 a US$400000 LEAO DIESEL LTDA De US$1000001 a US$2000000 ODEBRECHT COMERCIO E INDUSTRIA DE CAFE LTDA De US$6001 a US$10000 ODEBRECHT COMERCIO E INDUSTRIA DE CAFE LTDA De US$40001 a US$60000 INDUSTRIA E COMERCIO HIDROMAR LTDA De US$10000001 a US$20000000 COMAVES INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA De US$400001 a US$600000 LPR LTDA De US$60001 a US$100000 LABORATORIOS VENCOFARMA DO BRASIL LTDA DIVANO-INDUSTRIA E COM.DE MOVEIS E DECORACOES De US$2001 a LTDA ME US$4000 De US$100001 a INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LA-PLAYA LTDA US$200000 De US$400001 a US$600000 GAMA S/A. De US$100001 a US$200000 AEROTER EQUIPAMENTOS AGRO INDUSTRIAIS LTDA De US$100001 a US$200000 SONHART CONFECCOES LTDA De US$6001 a US$10000 PERFIPAR S/A MANUFATURADOS DE ACO ROLANDIA GRANOSIL - SILOS E QUIPAMENTOS LTDA. ME LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX De US$60001 a 106 US$100000 ROLANDIA PLASTMOVEIS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ROLANDIA FORBO AGROPECUARIA LTDA ROLANDIA VANCOUROS COMERCIO DE COUROS LTDA ROLANDIA CURTUME BLUBRAS LTDA ROLANDIA INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS BRITALI LTDA. ROLANDIA DORI ALIMENTOS LTDA ROTAMAX INDUSTRIA E COMERCIO DE EQUIPAMENTOS AGRICOLAS ROLANDIA ROLANDIA ROLANDIA EISA - EMPRESA INTERAGRICOLA S/A DEUTSCHE MEX DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE CALCADOS ROLANDIA AGRICOLA JANDELLE LTDA ROLANDIA ITAMARATY INDUSTRIA E COMERCIO S/A ROLANDIA M. E. GONCALVES INDUSTRIA DE MOVEIS LTDA. ROLANDIA ROLANDIA SIMBAL SOCIEDADE INDUSTRIAL MOVEIS BANROM LTDA SCARAZZATO INDUSTRIA E COMERCIO DE MOLDURAS LTDA ROLANDIA COROL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL ROLANDIA COROL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL ROLANDIA COROL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL SEARA-IND. E COMERCIO DE PRODUTOS AGROPECUARIOS LTDA SERTANOPOLIS SERTANOPOLIS TAMARANA MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A AGROPECUARIA LAFFRANCHI COMERCIO E INDUSTRIA LTDA. TAMARANA PAPELAO APUCARANINHA LTDA Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior De US$20001 a US$40000 De US$20001 a US$40000 De US$10000001 a US$20000000 De US$200001 a US$400000 De US$10000001 a US$20000000 De US$6000001 a US$10000000 De US$600001 a US$1000000 De US$1000001 a US$2000000 De US$20001 a US$40000 De US$40000001 a US$60000000 De US$2000001 a US$4000000 De US$600001 a US$1000000 De US$60001 a US$100000 De US$2001 a US$4000 De US$10000001 a US$20000000 De US$10000001 a US$20000000 De US$6000001 a US$10000000 De US$2000001 a US$4000000 De US$40001 a US$60000 De US$20001 a US$40000 De US$200001 a US$400000 107 ANEXO – 2 - EMPRESAS IMPORTADORAS DO AGLOMERADO URBANOINDUSTRIAL DE LONDRINA POR FAIXA DE VALOR (US$) - (JAN-DEZ/2006) (CRITÉRIO - DOMICÍLIO FISCAL) Município Empresa APUCARANA De US$400001 a US$600000 De US$1000001 a US$2000000 APUCARANA CARAMURU ALIMENTOS S/A. FUJIWARA EQUIPAMENTOS DE PROTECAO INDIVIDUAL LTDA FUJIWARA EQUIPAMENTOS DE PROTECAO INDIVIDUAL LTDA TRANS URUGUAIANA COMERCIO DE CEREAIS LTDA BABYPLAST - INDUSTRIA E COMERCIO DE LATEX E PLASTICOS L APUCARANA CHRYSTIAN - BONES PROMOCIONAIS LTDA De US$4001 a US$6000 APUCARANA GRAFINORTE S/A. VITAGRI INDUSTRIA, COMERCIO E SERVICOS LTDA BORTOLLOTI INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA BORDATEX BORDADOS COMPUTADORIZADOS LTDA LENIX INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA FORTRADE COMERCIO INTERNACIONAL & ASSESSORIA EMPRESARIA GAUCHO - COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE POLIMEROS ATLANTICA INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA De US$60001 a US$100000 APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA APUCARANA Faixa Até US$1000 De US$60001 a US$100000 De US$10001 a US$20000 De US$200001 a US$400000 De US$60001 a US$100000 De US$10001 a US$20000 De US$20001 a US$40000 De US$100001 a US$200000 De US$60001 a US$100000 De US$10001 a US$20000 APUCARANA INTELTEC - EQUIPAMENTOS ELETRONICOS LTDA. De US$10001 a US$20000 RYTEC INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA De US$10001 a US$20000 APUCARANA SANGLASS IND. E COM. DE MAQUINAS LTDA De US$60001 a US$100000 APUCARANA TANNERY DO BRASIL S/A APUCARANA APUCARANA BETUNEL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. ELETRAN INDUSTRIA E COMERCIO DE ACUMULADORES LTDA FAMA DO BRASIL INDUSTRIA DE MOLAS E AUTO PECAS LTDA De US$100001 a US$200000 De US$600001 a US$1000000 APUCARANA INDUSTRIA TEXTIL APUCARANA LTDA De US$60001 a US$100000 De US$600001 a US$1000000 APUCARANA KOWALSKI ALIMENTOS LTDA Até US$1000 APUCARANA De US$20001 a US$40000 De US$10001 a US$20000 APUCARANA BIAZZE ALIMENTOS LTDA ATTACK DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE APARELHOS DE S C S PESQUISAS E PARTICIPACOES INDUSTRIAIS LTDA APUCARANA DIFRANE ARTEFATOS DE PAPEL LTDA - EPP De US$60001 a US$100000 APUCARANA FRUT NORTE IMPORTACAO DE FRUTAS LTDA De US$200001 a US$400000 APUCARANA APUCARANA EDITORA TRIBUNA DO NORTE SA APUCACOUROS INDUSTRIA E EXPORTACAO DE COUROS S/A De US$60001 a US$100000 De US$1000001 a US$2000000 APUCARANA PARAGUACU TEXTIL LTDA De US$40001 a US$60000 ARAPONGAS De US$200001 a US$400000 ARAPONGAS BAPTISTA PNEUS - INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. FABRICADORA DE ESPUMAS E COLCHOES NORTE PARANAENSE LTDA De US$100001 a US$200000 ARAPONGAS LEUCO DO BRASIL COMERCIO E SERVICOS De US$100001 a US$200000 APUCARANA APUCARANA De US$10001 a US$20000 De US$10001 a US$20000 108 TECNICOS LTDA ARAPONGAS NUTRIARA ALIMENTOS LTDA De US$600001 a US$1000000 ARAPONGAS VAMOL INDUSTRIA MOVELEIRA LTDA De US$100001 a US$200000 ARAPONGAS AGRICOLA JANDELLE LTDA De US$60001 a US$100000 ARAPONGAS MOVEIS BELO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ARAPONGAS NORTOX SA De US$400001 a US$600000 De US$20000001 a US$40000000 ARAPONGAS De US$100001 a US$200000 De US$600001 a US$1000000 ARAPONGAS MOVAL MOVEIS ARAPONGAS LTDA PRODUTOS ALIMENTICIOS ARAPONGAS SA PRODASA SIMBAL SOCIEDADE INDUSTRIAL MOVEIS BANROM LTDA ARAPONGAS SOLANA AGRO PECUARIA LTDA De US$4001 a US$6000 ARAPONGAS De US$60001 a US$100000 ARAPONGAS MOINHO DE TRIGO ARAPONGAS S/A De US$100001 a US$200000 ARAPONGAS NICIOLI-INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA DANJOS-COMERCIAL DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA INDUSTRIA E COMERCIO DE PESCADO ARAPONGAS LTDA De US$20001 a US$40000 ARAPONGAS ARAPONGAS ARAPONGAS De US$100001 a US$200000 De US$600001 a US$1000000 De US$2000001 a US$4000000 ARAPONGAS NIROFLEX IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA KIT S PARANA-INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA CAEMMUN INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA COLIBRI INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA GRAMPOS SUL INDUSTRIA E COMERCIO DE GRAMPOS LTDA ARAPONGAS IRMOL INDUSTRIAS REUNIDAS DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS DJ INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA ARAPONGAS PENNACCHI & CIA LTDA CAMBE HYDRONORTH S/A CAMBE WITTUR LTDA Até US$1000 De US$1000001 a US$2000000 De US$1000001 a US$2000000 CAMBE CONFECCOES SCREMIN LTDA De US$10001 a US$20000 CAMBE INQUIMA LTDA GET - GLOBAL ENERGY AND TELECOMMUNICATION LTDA De US$200001 a US$400000 REVESTSUL PRODUTOS QUIMICOS LTDA. EBRP - EMPRESA BRASILEIRA DE RECICLAGENS DE PNEUS LTDA De US$400001 a US$600000 De US$600001 a US$1000000 De US$2000001 a US$4000000 ARAPONGAS ARAPONGAS ARAPONGAS CAMBE CAMBE CAMBE CAMBE De US$200001 a US$400000 De US$1000001 a US$2000000 De US$60001 a US$100000 De US$60001 a US$100000 De US$1000001 a US$2000000 De US$600001 a US$1000000 De US$2001 a US$4000 CAMBE AMCOR FLEXIBLES BRASIL LTDA INCOEX INDUSTRIA COMERCIO E EXPORTACAO LTDA SATRON DO BRASIL INDUSTRIA METAL MECANICA LTDA CAMBE AUTOMOLAS EQUIPAMENTOS LTDA De US$60001 a US$100000 CAMBE BUNGE FERTILIZANTES S/A PADO S A INDUSTRIAL COMERCIAL E IMPORTADORA SANDOZ DO BRASIL INDUSTRIA FARMACEUTICA LTDA. SANDOZ DO BRASIL INDUSTRIA FARMACEUTICA LTDA. De US$400001 a US$600000 De US$4000001 a US$6000000 De US$10000001 a US$20000000 De US$2000001 a US$4000000 IRMAOS MUFFATO CIA LTDA WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA De US$200001 a US$400000 De US$2000001 a US$4000000 CAMBE CAMBE CAMBE CAMBE CAMBE IBIPORA De US$200001 a US$400000 De US$200001 a US$400000 109 IBIPORA WFB DO BRASIL LTDA De US$100001 a US$200000 IBIPORA De US$200001 a US$400000 IBIPORA BAGGIO & GUILHERME LTDA. ME. RODEG ORDENHADEIRAS COMERCIO DE MAQUINAS LTDA IBIPORA M M ORDENHADEIRAS LTDA IBIPORA BAYER CROPSCIENCE LTDA. IBIPORA IBIPORA DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA INDUSTRIA E COMERCIO DE JUNTAS UNIVERSAL LTDA IBIPORA BIODINAMICA QUIMICA E FARMACEUTICA LTDA LONDRINA ELEVADORES ATLAS SCHINDLER S/A. RABBIT INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS DE HIGIENE PESS LONDRINA LONDRINA LONDRINA ITAP/BEMIS LTDA. ANGELUS INDUSTRIA DE PRODUTOS ODONTOLOGICOS LTDA De US$60001 a US$100000 De US$10001 a US$20000 De US$60000001 a US$100000000 De US$20000001 a US$40000000 De US$20001 a US$40000 De US$60001 a US$100000 De US$10000001 a US$20000000 De US$400001 a US$600000 De US$20000001 a US$40000000 LONDRINA BENVENHO & CIA LTDA De US$10001 a US$20000 De US$1000001 a US$2000000 LONDRINA ALLVET QUIMICA INDUSTRIAL LTDA De US$60001 a US$100000 LONDRINA M.C.GRAFICA E EDITORA LTDA De US$60001 a US$100000 LONDRINA SONOCO DO BRASIL LTDA JADE IMPORTACAO E EXPORTACAO DE MANUFATURADOS LTDA De US$20001 a US$40000 De US$1000001 a US$2000000 LONDRINA EUROPISO COMERCIO DE PISO INDUSTRIAL LTDA NORPACK COM. IMPORTACAO E EXPORTACAO DE EMBALAGENS LTDA De US$10001 a US$20000 De US$2000001 a US$4000000 LONDRINA CARTI FIOS LTDA. De US$10001 a US$20000 LONDRINA De US$1001 a US$2000 LONDRINA M. C. R. SANTANA - TRAVAS - ME FUNDACAO APOIO A PESQUISA DESENV. AGRONEGOCIO-FAPEAGRO LONDRINA HUSSMANN DO BRASIL LTDA De US$10001 a US$20000 De US$1000001 a US$2000000 LONDRINA HAYAMAX COMPONENTES ELETRONICOS LTDA De US$100001 a US$200000 LONDRINA I.D.ITALY COMPONENTES DIESEL LTDA LONDRINA MILENIA AGROCIENCIAS S.A. De US$100001 a US$200000 De US$40000001 a US$60000000 LONDRINA LUCIANA KOURI - LAVANDERIA De US$10001 a US$20000 LONDRINA RIZOBACTER DO BRASIL LTDA HAYONIK INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS ELETRONICOS LT DELTA L. INDUSTRIA E COMERCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRONIC MUNDIAL - INDUSTRIA E COMERCIO DE TUBOS E CONEXOES LTDA De US$400001 a US$600000 LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA M.G.A - INDUSTRIAL LTDA. EPP MULTI-FIX DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE PARAFUSOS L De US$100001 a US$200000 De US$40001 a US$60000 De US$100001 a US$200000 De US$20001 a US$40000 De US$200001 a US$400000 De US$1001 a US$2000 LONDRINA J.BORTOTO GRAFICA E EDITORA LTDA SEGER COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA MD COMERCIO DE PRODUTOS DE HIGIENE LTDA EPP LONDRINA MULTIBELT CORREIAS E MANGUEIRAS LTDA De US$400001 a US$600000 LONDRINA COMERCIAL RIBALTA LTDA CELTA INDUSTRIA E COMERCIO DE ARTEFATOS DE ALUMINIO LTD VDMM - COMERCIO DE MATERIAIS DE INFORMATICA LTDA - ME De US$10001 a US$20000 LONDRINA LONDRINA LONDRINA De US$4001 a US$6000 De US$100001 a US$200000 De US$60001 a US$100000 De US$20001 a US$40000 110 LONDRINA RODOSIS - RASTREAMENTO DE VEICULOS LTDA. De US$200001 a US$400000 LONDRINA MULLER DIESEL - COMERCIO DE PECAS LTDA HIGIBAN - COM. IMP. E EXP. DE MATERIAIS PARA CONSTRUCAO De US$20001 a US$40000 LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA G.N.B. INDUSTRIA DE BATERIAS LTDA NUOVAIDEA COMERCIAL EXP. E IMP. DE UTILIDADES DOMESTICA UDI EQUIPAMENTOS DE SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA De US$200001 a US$400000 De US$600001 a US$1000000 De US$20001 a US$40000 De US$20001 a US$40000 ARAMES TOP INDUSTRIAL LTDA INTERNATIONAL SEALS TECNOLOGIA EM VEDACOES LTDA. De US$20001 a US$40000 RODOLFO PICCOLO RUMIATO & CIA LTDA GRITZFI - COMERCIO DE PRODUTOS AGROPECUARIOS LTDA. - ME De US$1001 a US$2000 De US$10001 a US$20000 De US$10001 a US$20000 De US$600001 a US$1000000 LONDRINA SIEGWERK BRASIL INDUSTRIA DE TINTAS LTDA TURBOSOLO COMERCIO E IMPORTACAO DE PRODUTOS AGRICOLAS L LONDRINA VELTRAC TECNOLOGIA EM LOGISTICA LTDA De US$10001 a US$20000 LONDRINA LE MARCHAND - ARTE E DECORACAO LTDA De US$6001 a US$10000 LONDRINA TNR SUPRIMENTOS PARA INFORMATICA LTDA MAXLOG - BATERIAS COMERCIO E LOGISTICA LTDA. De US$6001 a US$10000 LONDRINA LONDRINA De US$200001 a US$400000 De US$10001 a US$20000 LONDRINA FOREMAN CONFECCOES LTDA J.P TRISTAO IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE AUTO PECAS L METAL IMPORT IMPORTACAO E EXPORTACAO DE METAIS LTDA LONDRINA INGERSOLL - RAND DO BRASIL LTDA LONDRINA WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA LONDRINA THERMO KING DO BRASIL LTDA LONDRINA PASTIFICIO SELMI SA LONDRINA BRASINTER PRODUTOS QUIMICOS LTDA LONDRINA DIXIE TOGA S/A De US$200001 a US$400000 De US$10000001 a US$20000000 LONDRINA ITIMURA TEXTIL S/A De US$200001 a US$400000 LONDRINA FIACAO DE SEDA BRATAC S A LONDRINA J.MACEDO S/A LONDRINA MILENIA AGRO CIENCIAS S.A. De US$20001 a US$40000 De US$2000001 a US$4000000 De US$20000001 a US$40000000 LONDRINA VIAGRO VIDOTTI AGRO AEREA LTDA LONDRINA PLANOGRAFICA EDITORA E IMPRESSORA LTDA De US$60001 a US$100000 De US$600001 a US$1000000 LONDRINA UNIAO NORTE DO PARANA DE ENSINO SA De US$6001 a US$10000 LONDRINA INSTITUTO AGRONOMICO DO PARANA IAPAR De US$1001 a US$2000 LONDRINA RIBEIRO S A COMERCIO DE PNEUS De US$10001 a US$20000 LONDRINA RONDOPAR ENERGIA ACUMULADA LTDA De US$200001 a US$400000 LONDRINA SOCIEDADE RADIO EMISSORA PARANAENSE SA COOPERATIVA CENTRAL AGRO - INDUSTRIAL LTDA EMPRESA JORNALISTICA FOLHA DE LONDRINA S A De US$20001 a US$40000 LONDRINA LONDRINA LONDRINA De US$10001 a US$20000 De US$10001 a US$20000 De US$20001 a US$40000 De US$1000001 a US$2000000 De US$400001 a US$600000 De US$6000001 a US$10000000 De US$6000001 a US$10000000 De US$10001 a US$20000 De US$2000001 a US$4000000 LONDRINA TEXSUL COMERCIO E INDUSTRIA TEXTIL LTDA De US$4001 a US$6000 LONDRINA NISHI ELETRO MECANICA LTDA De US$60001 a US$100000 111 LONDRINA MICROSENS LTDA LONDRINA COMPANHIA CACIQUE DE CAFE SOLUVEL LONDRINA LONDRINA COMPANHIA CACIQUE DE CAFE SOLUVEL INDREL INDUSTRIA DE REFRIGERACAO LONDRINENSE LTDA IRMAOS JABUR SOCIEDADE ANONIMA VEICULOS E PERTENCES IRMAOS JABUR SOCIEDADE ANONIMA VEICULOS E PERTENCES De US$100001 a US$200000 De US$1000001 a US$2000000 LONDRINA CURTIDORA IGAPO LTDA De US$20001 a US$40000 LONDRINA LEAO DIESEL LTDA LONDRINA INSTITUTO DE CANCER DE LONDRINA LONDRINA LONDRINA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA AGROPRIMA IMPORT E EXPORT DE ARTIGOS DE DECORACAO LTDA De US$40001 a US$60000 De US$600001 a US$1000000 De US$600001 a US$1000000 LONDRINA LABORATORIOS VENCOFARMA DO BRASIL LTDA De US$20001 a US$40000 LONDRINA SCHIAVON & MORAIS LTDA Até US$1000 LONDRINA GAMA S/A. ARAUCARIA IMPORTACAO E EXPORT DE PRODUCAO ANIMAL LTDA De US$2001 a US$4000 LONDRINA LONDRINA LONDRINA LONDRINA De US$100001 a US$200000 De US$1000001 a US$2000000 De US$200001 a US$400000 De US$4001 a US$6000 De US$40001 a US$60000 De US$200001 a US$400000 De US$20001 a US$40000 LONDRINA SONHART CONFECCOES LTDA IDENTECH - NEXT INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS ELETRO ROLANDIA UNIFIOS - UNIAO DE FIOS LTDA. De US$20001 a US$40000 ROLANDIA VANCOUROS COMERCIO DE COUROS LTDA De US$200001 a US$400000 ROLANDIA CURTUME VANZELLA LTDA De US$20001 a US$40000 ROLANDIA CURTUME BLUBRAS LTDA De US$100001 a US$200000 ROLANDIA De US$100001 a US$200000 De US$200001 a US$400000 De US$1000001 a US$2000000 ROLANDIA B.R. TEXTIL LTDA EUROFRAL INDUSTRIA DE PRODUTOS HIGIENICOS LTDA INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS INTERNACIONAL LTDA. INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS BRITALI LTDA. ROLANDIA DORI ALIMENTOS LTDA De US$400001 a US$600000 ROLANDIA EISA - EMPRESA INTERAGRICOLA S/A De US$20001 a US$40000 ROLANDIA AGRICOLA JANDELLE LTDA De US$200001 a US$400000 ROLANDIA ITAMARATY INDUSTRIA E COMERCIO S/A De US$20001 a US$40000 ROLANDIA M. E. GONCALVES INDUSTRIA DE MOVEIS LTDA. De US$60001 a US$100000 ROLANDIA COROL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL De US$60001 a US$100000 ROLANDIA SERTANOPOLIS GRANJEIRO ALIMENTOS LTDA SEARA-IND. E COMERCIO DE PRODUTOS AGROPECUARIOS LTDA De US$200001 a US$400000 De US$2000001 a US$4000000 SERTANOPOLIS MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A De US$400001 a US$600000 TAMARANA TAMARANA METAIS LTDA De US$100001 a US$200000 ROLANDIA ROLANDIA De US$60001 a US$100000 De US$400001 a US$600000 Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 112 ANEXO – 3 - Questionário aplicado às empresas transportadoras 1 – Nome da transportadora 2 – Quais os principais produtos transportados? Se possível por ordem de importância. 3 – Quais as origens? Se possível por ordem de importância. 4 – Quais os destinos? Se possível por ordem de importância. 5 – Utiliza apenas o transporte rodoviário? Qual outro modal se utiliza? 6 – Quais rodovias são utilizadas? 7 – Qual a porcentagem transportada em cada rodovia ou modal de transporte? 8 – Quais os maiores entraves/dificuldades encontradas para o transporte de cargas na região?