ANAIS DO II SEMINÁRIO INSTITUCIONAL PIBID/URI ISBN 978-85-7892-031-9 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 1 UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES ANAIS DO II SEMINÁRIO INSTITUCIONAL PIBID/URI 24 e 25 de julho de 2012 Realização Pró-Reitoria de Ensino da URI URI Erechim Curso de Ciências Biológicas Curso de Letras Curso de Matemática Curso de Pedagogia Apoio URI ERECHIM – RS 2012 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 2 Os trabalhos publicados nos Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI — no que se refere a conteúdo, correção linguística e estilo — são de inteira responsabilidade dos respectivos autores e autoras. ______________________________________________________________________ S471s Seminário Institucional PIBID - URI (2. : 2012 : Erechim, RS) Anais [recurso eletrônico] : / II Seminário Institucional PIBID – URI. – Erechim, RS : EdiFAPES, 2012. Modo de acesso: <http://www.pibid.uri.br> Título da página da Web (acesso em: nov. 2012). Simpósio realizado na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Câmpus de Erechim. Com a coordenação de Ana Mokva, Denise Sponchiado, Nilce Schaefer e Sônia Zakrzevski. ISBN: 978-85-7892-031-9 1. Educação 2. Formação profissional I. Título CDU: 37 ________________________________________________________________________ Catalogação na fonte: Sandra Milbrath CRB 10/1278 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 3 FICHA TÉCNICA Coordenação Profa. Rosane Vontobel Rodrigues Profa. Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski Profa. Ana Maria Dal Zott Mokva Profa. Denise Aparecida Martins Sponchiado Profa. Nilce Fátima Scheffer Promoção Pró-Reitoria de Ensino da URI Departamento de Ciências Biológicas Departamento de Ciências Humanas Departamento de Ciências Exatas e da Terra Departamento de Linguística, Letras e Artes Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 4 APRESENTAÇÃO O II Seminário do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvido nos dias 24 e 25 de julho de 2012, na URI – Câmpus de Erechim, teve por objetivo proporcionar espaços de debate, diálogo e contato entre pesquisadores, estudantes e professores das escolas de educação básica envolvidas no Projeto e de socializar o trabalho desenvolvido nas escolas de abrangência, promovendo a sua discussão e avaliação. Participaram do evento, além das equipes diretamenta envolvidas nos subprojetos PIBID – URI, estudantes dos cursos de Licenciatura da URI (Ciências Biológicas - Licenciatura, Letras, Matemática e Pedagogia), bem como professores de escolas de educação básica. Nos anais do II Seminário colocamos à disposição os resumos expandidos e trabalhos completos selecionados para apresentação no evento, na modalidade de pôster. Aproveitamos a oportunidade para reiterar e tornar público o nosso reconhecimento e agradecimento à equipe da Pró-Reitoria de Ensino da URI; à Direção do Câmpus de Erechim; às equipes dos diferentes subprojetos do PIBID , cuja contribuição tornou possível o planejamento e a realização deste Evento; ao Ministério da Educação e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo apoio institucional e financeiro na realização do evento. Comissão Organizadora Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 5 PROGRAMAÇÃO DO EVENTO 24 DE JULHO DE 2012 (terça-feira) 13h Credenciamento Local: Auditório - Prédio 8 14h Abertura Oficial Local: Auditório - Prédio 8 14h30min Palestra: Políticas Públicas para a Educação Básica Palestrante: Profa. Dra. Jaqueline Moll (MEC) Local: Auditório - Prédio 8 16h Coffee Break Local: Camarim do Auditório - Sala 8.11 - Prédio 8 16h30min Apresentação de Pôsteres Mostra de trabalhos do PIBID Local: Hall de Entrada do Auditório e Laboratório de Matemática - Prédio 8 18h30min Lançamento de Livros Local: Auditório - Prédio 8 19h15min Palestra: Formação e Emergência de Nova Identidade Docente: dos Desafios da Complexidade do Cotidiano à Reinvenção da Tarefa Educativa Palestrante: Prof. Dr. Arnaldo Nogaro (URI) Local: Auditório - Prédio 8 21h Jantar de Integração Local: AABB 25 DE JULHO DE 2012 (quarta-feira) 08h Recepção e Atividade Cultural Local: Auditório - Prédio 8 08h45min Encontro dos Grupos PIBID por Áreas do Conhecimento - PIBID Ciências Biológicas Local: Sala 8.28 - Prédio 8 - PIBID Letras Local: Sala 8.29 - Prédio 8 - PIBID Matemática Local: Sala 8.30 - Prédio 8 - PIBID Pedagogia / Alfabetização Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 6 Local: Sala 8.31 - Prédio 8 - PIBID Pedagogia / Ensino Médio Local: Sala 8.32 - Prédio 8 13h30min Palestra: O Ser Professor de Licenciatura Palestrante: Profa. Dra. Neila Tonin Agranionih (UFPR) Local: Auditório - Prédio 8 14h30min Painel Socializador das Experiências do PIBID da URI Bolsistas Representantes das Áreas do Conhecimento Local: Auditório - Prédio 8 15h15min Coffee Break Local: Camarim do Auditório - Sala 8.11 - Prédio 8 15h40min Mesa-redonda: A Contribuição do PIBID nas Escolas Debatedores: Supervisores das Escolas Públicas Local: Auditório - Prédio 8 16h30min Apresentação Artística Local: Auditório - Prédio 8 16h45min Encerramento Local: Auditório - Prédio 8 17h Entrega dos Certificados Local: Auditório - Prédio 8 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 7 SUMÁRIO RESUMOS EXPANDIDOS CIÊNCIAS BIOLÓGICAS LICENCIATURA Cine Ciência na Escola Bela Vista ................................................................... 11 Educação sexual para alunos com necessidades educativas especiais.......... 14 Estudantes e professores discutem ações globais para um mundo melhor.... 16 Ecotrilha ........................................................................................................... 18 Interdisciplinaridade no programa Mais Educação: relato de uma prática sobre o bullying na Escola ......................................................................................... 21 Oficina de reciclagem com os alunos de ensino fundamental.......................... 24 Orientação sexual na escola: relato de uma experiência ................................. 26 Vida e obra de Darwin: a história de ciências no ensino de ciências ............... 28 Educação para a gestão de resíduos sólidos junto ao CRAS II – Erechim/RS – relato de uma experiência pedagógica............................................................. 30 PEDAGOGIA PIBID Primeira Experiência Docente: Contribuindo Para a Formação Inicial e a Construção de Saberes Necessários a Prática Pedagógica ............................ 34 Formação docente - vivências práticas das acadêmicas bolsistas de pedagogia – PIBID da URI - Câmpus de Erechim em escola pública................................ 37 PIBID/CAPES, universidade e escola: rede de aprendizagem......................... 38 A constituição do educador reflexivo e a ressignificação da prática docente... 39 O trabalho em sala de aula e a pedagogia de projetos .................................... 42 MATEMÁTICA A contribuição do jogo no estudo de conjutos numéricos ................................ 45 Atividades exploratórias em sala digital: uma proposta desenvolvida no PIBID ensino fundamental .......................................................................................... 48 Estudo das relações matemáticas no quadrado mágico .................................. 50 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 8 Estudo e análise de aspectos matemáticos e suas aplicações e presenças em situações cotidianas ......................................................................................... 54 História em quadrinhos: uma alternativa para o ensino de matemática ........... 57 O PIBID e o laboratório de materiais: uma prática no ensino fundamental .. 60 Utilizando a calculadora científica nas operações de potência e radicais ........ 62 LETRAS Literatura e docência: reflexões pibidianas ...................................................... 66 TRABALHOS COMPLETOS CIÊNCIAS BIOLÓGICAS LICENCIATURA A produção de videodocumentários na investigação de problemas socioambientais locais ..................................................................................... 69 Conhecendo as aves de Santo Ângelo-RS nas aulas de ciências ................... 74 A formação de professores de Ciências Biológicas no programa institucional de bolsas de iniciação a docência (URI-Santo Ângelo)......................................... 78 Percepção e prática docente no Ensino de Ciências ....................................... 83 Educação para saúde na Sociedade Fraternal Cantinho da Luz ..................... 88 CEJA – Erechim: uma experiência em espaços formais e não formais de educação.......................................................................................................... 91 PEDAGOGIA Aspectos relevantes para a formação docente: socialização das vivências no PIBID/URI - Frederico Westphalen................................................................... 99 A formação inicial docente através do PIBID/URI – Frederico Westphalen: um estudo referente às práticas nas disciplinas pedagógicas do curso normal magistério....................................................................................................... 104 A importância da supervisão escolar na formação acadêmica docente através do programa PIBID: a visão da escola campo ............................................... 112 Dinâmicas de grupo: contribuições para a formação docente através do PIBID/URI – Frederico Westphalen................................................................ 121 Jogos cooperativos e formação docente: compreensões necessárias para a prática pedagógica no PIBID/Frederico Westphalen...................................... 126 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 9 A constituição do educador reflexivo e a ressignificação da prática docente. 133 A pedagogia de projetos como facilitador na aprendizagem significativa . 136 Rede colaborativa da formação docente: pibid/capes, universidade e escola 139 Reflexões acerca das contribuições do PIBID enquanto primeira experiência profissional para a construção da identidade docente ................................... 146 Dificuldades de alfabetização/letramento nas séries iniciais na Escola São Vicente de Paula – Erechim/RS sob a ótica das bolsistas do PIBID .............. 152 A relação teoria e prática na formação de professores: programa PIBID Pedagogia – ensino médio ............................................................................. 159 MATEMÁTICA As TIC e a geometria no Ensino de Matemática ............................................ 165 Utilização das tecnologias informáticas nas aulas de matemática: posicionamentos e aproximações em relação à prática docente pibidiana . 173 LETRAS PIBID: ressignificando conhecimentos e práticas linguísticas no contexto escolar............................................................................................................ 180 Do universo linguístico e literário ao fantástico mundo da leitura e da escrita 186 - PIBID - Literatura integrada com redação e estudos linguísticos sob a perspectiva da Linguística Textual ................................................................. 192 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 10 CINE CIÊNCIA NA ESCOLA BELA VISTA Claudiele Carus1 Daiana Maria Bagatini2 3 Édina Elisa Mingotti Adriane Turski4 Aracieli Maria Vanelli5 Nelita Fátima Gempka6 Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski7 INTRODUÇÃO Existem inúmeras possibilidades no desenvolvimento de atividades de educação em Ciências, e uma dela é a possibilidade do uso de vídeos/TV. O uso do vídeo para o Ensino de Ciências constitui-se num apoio precioso à apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos, além de contribuir para aprendizagem necessária da leitura e interpretação de imagens. A confrontação das informações obtidas a partir de filmes com as concepções dos alunos pode conduzir à formulação e à discussão de novos problemas em sala de aula. O professor deve oportunizar meios, criar situações, desenvolver diversas alternativas para que o aluno possa ter uma aprendizagem significativa dos conhecimentos científicos e tecnológicos que levem em conta o desenvolvimento de habilidades, desta forma, este trabalho teve por objetivo divulgar e estimular atividades de Educação Ambiental, por meio da linguagem audiovisual. METODOLOGIA O presente trabalho foi desenvolvido pelas bolsistas do PIBID Biologia da URI-, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista, em Erechim, com estudantes de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. A exibição de vídeos pelo Cine Ciência ocorreu semanalmente, nas sextas-feiras à tarde, sempre em turno contrário à aula dos participantes. Durante a realização do Cine Ciência, foram exibidos vídeos com conteúdo de notícias de TV, documentários produzidos por agentes ambientais, curtas e vídeos caseiros, desenhos animados, filmes de longa-metragem que enfocam a dimensão ambiental. Após cada exibição, eram realizadas dinâmicas de interpretação e discussão dos temas abordados, além de atividades didático-pedagógicas, que propiciaram a expressão de opiniões e posicionamentos pelos estudantes sobre os temas. 1 Ciências Biológicas – URI - Erechim ([email protected]). Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 3 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 4 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 5 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 6 Professora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista. 7 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. Apoio Financeiro: CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 11 RESULTADOS Observou-se durante a realização deste trabalho, que a análise de filmes provoca grande debate, possibilitando também a discussão sobre valores, interesses e preocupações em torno de questões científicas presentes no conteúdo dos filmes. O trabalho desenvolvido estimulou os estudantes a encararem os filmes, os desenhos animados e as notícias divulgadas pela mídia como uma oportunidade de aprendizagem de conteúdos de ciências. Os encontros do Cine Ciência possibilitaram a reflexão sobre as interações entre ciência, tecnologia e sociedade e favoreceram a discussão de idéias acerca da natureza da ciência e do trabalho dos cientistas, desenvolvendo a capacidade de análise crítica da informação pelos sujeitos envolvidos. DISCUSSÃO A apresentação de audiovisuais quebra a rotina da sala de aula, motivando a aprendizagem de conteúdos apresentados pelos professores. Segundo Perrenoud, (2000, p.125) a escola não pode ignorar o que se passa no mundo, pois as novas tecnologias da informação e comunicação “transformam espetacularmente não só, a maneira de comunicação, mas também de trabalhar, de decidir, de pensar”. O autor argumenta que se a escola não ficar atenta a essas modificações, se desqualificará. O desafio atual é enfrentar a chamada ‘era da telemática’, na qual se unem as telecomunicações e a informática, e que, com todas as suas possibilidades técnicas, fortalece o sistema educacional e aponta para uma nova sociedade. Rompendo velhos paradigmas, e abrindo novos espaços para a nova era midiática. Segundo Pfromm Netto (2001, p.34) a tecnologia pode assumir a forma de aprendizagem altamente individualizada ou, na modalidade de educação à distância, alcançar centenas, milhares ou milhões de pessoas ao mesmo tempo. Através dos diversos recursos da tecnologia da informação e comunicação, que estão a serviço dos objetivos de ensino-aprendizagem, a modernidade lança novos desafios à educação. Segundo Correa (2002, p.44), devemos compreender a tecnologia para além do artefato, recuperando sua dimensão humana e social. Para isso, se faz necessário que o professor tenha capacitação continuada acerca de como utilizar as novas tecnologias no cotidiano escolar, utilizando os meios tecnológicos de forma criativa, com bom senso e habilidade, somando sua experiência docente, ele deve ser capaz de perceber em que ocasiões são adequadas ao uso das novas tecnologias na sua prática. CONCLUSÕES O uso das tecnologias é um fenômeno cultural distinto que a escola tem de entender e incorporar para que continue sendo uma instituição social relevante na sociedade (Comunicação & Educação, 2005, p. 37-60). Tanto o vídeo como a mídia televisiva, se bem empregados pelo professor, enriquecem a aula e o ambiente escolar e proporcionam uma aprendizagem mais significativa, considerando que “somos tocados pela comunicação televisa sensorial, emocional e racionalmente” (FIORENTINI; CARNEIRO, 2001, p.25). O uso do vídeo no contexto escolar vem aproximar a sala de aula e a realidade Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 12 da nossa sociedade. Como o vídeo parte do concreto, do visível, do imediato que atua em todos os sentidos, teremos sempre ao nosso alcance, recortes visuais proporcionados por essa tecnologia. O vídeo é um meio tecnológico que nos permite a experiência de sensações do outro, do mundo e de nós mesmos. Portanto, se faz necessário utilizá-lo em espaços educacionais onde se propõe fazer o diferencial nas atividades diversificadas na Escola. AGRADECIMENTOS Agradecemos à CAPES pela oportunidade que nos foi dada, de sermos bolsistas PIBID/Biologia, esta certamente será o diferencial em nossa formação e nos fará futuras docentes empenhadas em fazer o melhor pela Educação em Ciências. REFERÊNCIAS CORREA, Juliane. Novas Tecnologias da informação e da comunicação: novas: novas estratégias de ensino/aprendizagem. In: COSCARELLI, Carla Viana (org) Novas Tecnologias, novos textos, novas formas de pensar. Belo Horizonte: Autêntica, 2002, p.43-50. FIORENTINI, L. M. R.; CARNEIRO, V. L. Q. (org.). TV na escola e os desafios de hoje: Curso de extensão para Professores do Ensino Fundamental e médio da Rede Pública. Unirede e Seed/Mec. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001. v.1, 2 e 3. PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. PFROMM NETTO, Samuel. Telas que ensinam – Mídia e Aprendizagem: do cinema ao computador. Campinas: Alínea, 2001. Revista Comunicação & Educação – Artigo de José Manuel Moran, O vídeo na sala de aula. São Paulo, ECAD – Editora Moderna [2]: 27 a 35, Jan/Abr de 1995 (com bibliografia atualizada). Disponível em: < http://www.eca.usp.br>. Acesso em: 25 abr. 2009. Palavras-chaves: Audiovisual. Educação em ciências. Videodocumentários. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 13 EDUCAÇÃO SEXUAL PARA ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS Gabriele Winter Tumelero1 Inaiara Vieira Dos Santos2 Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski3 O presente trabalho consiste de um relato de uma prática de ensino desenvolvida com educandos com necessidades educativas especiais (NEEs) atendidos pela Escola de Educação Especial Branca de Neve, localizada no Bairro Boa Vista, em Erechim – RS. A Escola atende educandos que apresentam como dado de avaliação multidisciplinar deficiência mental moderada e profunda, provenientes de diversos bairros da cidade, bem como outros municípios da região do Alto Uruguai, tendo por objetivo desenvolver as competências e habilidades, visando a construção da autonomia, dignidade, inclusão social e cidadania dos alunos. Esta instituição presta uma série de serviços para os alunos com NEEs, além do apoio às famílias, sendo mantida pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Tendo em vista a inclusão dos educandos na rede regular de ensino e sua profissionalização, o currículo abrange 70% de conteúdos acadêmicos de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, e 30% de conteúdos específicos das oficinas de artesanato, reciclagem de papel, horta e jardinagem. A educação especial vem lidando com a educação e aperfeiçoamento de pessoas que não se beneficiaram dos métodos e procedimentos usados pela educação regular e dentro deste conceito, inclui-se em Educação Especial desde o ensino de pessoas com deficiências sensoriais, passando pelo ensino de jovens e adultos, até mesmo ensino de competências profissionais (MACIEL, 2000). O trabalho sobre educação sexual foi desenvolvido com os educandos da turma de EJA e oficinas de horta, reciclagem, artesanato e grupo de convivência (com média entre 20 e 30 anos). O tema surgiu de uma demanda da Escola, por ser pouco discutido no ambiente escolar e ainda menos no ambiente familiar. As limitações e as dificuldades sexuais que a pessoa deficiente apresenta são, em parte, impostas pela deficiência. No entanto, seja a deficiência mental, física ou sensorial (auditiva e visual), estas dificuldades tornam-se problemas quando, através das relações sociais, atribui-se a elas representações inadequadas ou preconceituosas (GLAT e FREITAS, 1996). Parece não haver clareza de que a inabilidade social ou os possíveis problemas apontados pelos educadores, em geral, decorrem não da deficiência em si, mas da falta de uma orientação sexual adequada e, em última instância, de um processo deficitário ou inadequado de educação sexual (GHERPELLI, 1995). O trabalho foi organizado em oficinas pedagógicas, totalizando 10 horas de atividades, contemplando os três momentos pedagógicos: problematização inicial, construção do conhecimento e aplicação do conhecimento. A problematização inicial serviu como diagnóstico dos saberes dos educandos sobre o tema a ser trabalhado em cada encontro, possibilitando a adaptação das atividades de 1 Ciências Biológicas – URI - Erechim ([email protected]). Ciências Biológicas – URI - Erechim. 3 Ciências Biológicas – URI Erechim. 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 14 acordo com seus conhecimentos prévios. A construção do conhecimento foi o momento no qual, através de diálogos e atividades práticas e lúdicas, os educandos eram envolvidos nas discussões da temática, merecendo destaque as seguintes atividades: diálogos sobre interações entre gêneros, mudanças no corpo durante a vida, higiene e masturbação; observação de modelos anatômicos do sistema reprodutor; manuseio de diversos tipos de absorventes; e contação de história sobre a gravidez. Por fim, a aplicação do conhecimento foi feita através de construção de linhas do tempo, cartazes, álbuns seriados e atividades práticas, como o preparo de chás. Através das atividades realizadas na Escola Branca de Neve tivemos dificuldades para encontrar maneiras mais lúdicas de trabalhar o tema sexualidade, mostrando uma necessidade de produção de materiais voltados a esse tema e a esse público em especial. REFERÊNCIAS GLAT, R; FREITAS, R. C. Sexualidade e Deficiência Mental: pesquisando, refletindo e debatendo sobre o tema. Questões Atuais em Educação Especial. v. 2. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996. GHERPELLI, M. H. B. V. Diferente, mas não desigual: a sexualidade do deficiente mental. São Paulo: Gente, 1995. MACIEL, M.R.C. Portadores de deficiência: a questão da inclusão social. São Paulo em Perspectiva. v. 14., n. 2, 2000. Palavras-chaves: Sexualidade. Prática pedagógica. Apae. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 15 ESTUDANTES E PROFESSORES DISCUTEM AÇÕES GLOBAIS PARA UM MUNDO MELHOR Daiana Maria Bagatini 1 Claudiele Carus2 Édina Elisa Mingotti3 Araciele Maria Vanelli4 Angélica Salini5 Nelita Fátima Gempka6 Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski7 O bem-estar da humanidade é ligado ao meio ambiente de subsistência que nos sustenta. Economias e sociedades são meios importantes para se atingir o objetivo mais significativo do desenvolvimento sustentável: o bem-estar das pessoas, ao mesmo tempo em que se respeita o meio ambiente. Reconhecese que o desenvolvimento econômico futuro deve estar ligado aos pilares ambiental e social (UNESCO, 2011). Com base nesse enfoque a Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista juntamente com as bolsistas PIBID-URI Biologia e professores da escola, desenvolveram uma mostra de trabalhos com o titulo “O futuro que queremos” alusivo as questões que foram abordadas na Rio+20, voltadas ao desenvolvimento sustentável, incluindo desafios relacionados a cidades, energia, água, alimento e ecossistema. A Rio+20 foi uma das mais importantes reuniões globais sobre desenvolvimento sustentável dos últimos tempos, que se sucedeu no Rio de Janeiro de 13 á 22 de junho de 2012. Tendo como objetivo, soluções que visassem mais cuidado com o meio ambiente, a utilização de energias limpas e renováveis, e a utilização sustentável dos recursos naturais. Os trabalhos realizados pelos alunos tiveram os seguintes temas: Energias Renováveis, gestão de Recursos Hídricos, gestão de resíduos Sólidos, Proteção dos Oceanos, Uso Sustentável das Florestas, Erradicação da Pobreza, Economia Verde e Preservação de Áreas Úmidas. Todo corpo docente da escola se envolveu com essa atividade, voltada às questões ambientais da atualidade. Em reunião realizada com o corpo docente da Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista juntamente com a equipe PIBID-URI-Biologia definiram os temas os quais foram abordados na mostra de trabalhos e em segundo momento lançou-se aos alunos de 5º ano a 8ª série a proposta de elaboração das atividades. Dentre todos os temas abordados na mostra, cada um deles ficou sobre a responsabilidade de dois professores para ser trabalhado em uma turma. Inicialmente realizou-se pesquisa bibliográfica para o aprofundamento do conhecimento a respeito do tema abordado, após iniciaram-se as atividades para a elaboração dos trabalhos em forma de palestras, maquetes, paródias, 1 Ciências Biológicas – URI - Erechim ([email protected]). Ciências Biológicas – URI - Erechim. 3 Ciências Biológicas – URI - Erechim. 4 Ciências Biológicas – URI - Erechim. 5 Ciências Biológicas – URI - Erechim. 6 Professora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista. 7 Ciências Biológicas – URI - Erechim. Apoio Financeiro: CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 16 dramatização, vídeos e músicas, que foram desenvolvidas durante alguns períodos de aula e em turno contrário. Para a realização dos trabalhos houve envolvimento de toda a comunidade escolar composta por alunos, professores e pais que se envolveram contribuindo para uma melhor elaboração das atividades. A culminância dos trabalhos aconteceu no Salão de Atos da URI Câmpus de Erechim, com a presença de alunos e professores da Escola Estadual Bela Vista e de outras escolas do município de Erechim. Cada apresentação de trabalho era “chave” para discussões sobre o tema abordado, voltadas ao desenvolvimento sustentável, além de servir como estímulo para debates em outros espaços.O tema central da mostra proporcionou que os alunos percebessem, que fazem parte do ambiente em que vivem e que suas atitudes o modificam. Levou-os a repensar seus atos, tornando-os mais conscientes da sua relação com os seres vivos. A mostra de trabalhos propiciou, a análise crítica do próprio fazer e a reflexão sobre as possibilidades artísticas, encorajando e estimulando a busca da superação das dificuldades e problemas, uma maneira de provocar a observação da turma sobre sua própria produção. Sendo assim, utilizada no exercício da leitura de imagem e para estimular o aprender com o outro, pois os alunos puderam observar como cada um explorou diferentes soluções para os problemas surgidos. (MARTINS, 1998). Com o desenvolvimento da atividade os alunos puderam perceber a importância e a valorização das questões relacionadas ao meio ambiente. Além disso, os alunos de expuseram suas ideias de modo criativo, demonstraram suas percepções perante aos problemas ambientais, utilizando a criatividade na realização dos trabalhos para mostrar a preocupação com os problemas ambientais mundiais. A mostra de trabalhos proporcionou uma interação e troca de conhecimentos entre toda a comunidade escolar, valorizando o trabalho coletivo de produção do conhecimento. REFERÊNCIAS MARTINS, M.C; PICOSQUE, G e GUERRA, M.T.T. 1998. Didática do Ensino de Artes: A língua do mundo. Poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo, FTD. UNESCO. Modelo para o futuro que nós queremos. 2011. Palavras-chaves: Ações. Globais. Escola. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 17 ECOTRILHA Daniela Sponchiado1 Cristina Güntzel2 Gabriela Vizzotto3 Juciane Pinzon4 Tatiana Rossatto5 INTRODUÇÃO O Programa Institucional de bolsa de iniciação a docência (PIBID) tem por objetivo ampliar o conhecimento do acadêmico em relação ao ensino de ciências desempenhando atividades teóricas, praticas, oficinas e aulas de reforço, bem como insere o licenciando do ensino superior nas escolas de Educação Básica, criando uma interação entre escola e a universidade. Neste sentido o grupo de bolsistas do PIBID de Ciências Biológicas realizou uma trilha ecológica no Parque Municipal da Faguense envolvendo professores e alunos do Ensino Fundamental da escola Estadual de Educação Básica Sepé Tiaraju, de Frederico Westphalen RS. As trilhas servem como um instrumento pedagógico, pois permite que nessas áreas naturais sejam criadas verdadeiras salas de aula ao ar livre e verdadeiros laboratórios vivos, despertando o interesse e a curiosidade dos alunos. Também proporciona o contato com a natureza enfocando a importância da conservação das florestas e das matas ciliares, e a importância das espécies no ecossistema. As trilhas ecológicas são um forte aliado da educação ambiental, auxiliando na formação de cidadãos críticos, capazes de atuarem sobre a realidade, tornando-os menos agressivos para o meio ambiente e aguçando a percepção ambiental da sociedade como forma de aproximar o mundo natural às suas necessidades. Sobretudo, trilhas ecológicas possibilitam que as pessoas desfrutem de todos os aspectos positivos e inerentes do meio ambiente, melhorando a qualidade de vida e aprimorando conhecimentos. A trilha ecológica é uma maneira prática de combinar a observação de flora, fauna e geografia, ao mesmo tempo em que se faz orientação ambiental às crianças. Também se dá noções de comportamento social para que todos tenham a oportunidade de fazer contato com a natureza com todos seus sentidos: ela vê as interações do local, sente os cheiros, toca elementos, ouve sons e o principal: aprende sobre sua real importância. Essa atividade prática faz com que aluno consegue observar as inter-relações entre o meio natural e os seres que nele habitam. Contribui para que o aluno observe a importância da conscientização das pessoas perante os problemas ambientais. Fazendo com que ele seja um agente transformador e participativo na busca de soluções para os problemas. Neste sentido, o presente tema despertou o interesse das bolsistas, juntamente com os professores e alunos para o desenvolvimento de uma trilha ecológica num 1 Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen ([email protected]). Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen. 3 Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen. 4 Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen. 5 Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen. Apoio Financeiro: URI - Frederico Westphalen 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 18 fragmento florestal do município com o objetivo de proporcionar aos alunos um contato maior com o meio ambiente e conhecimentos mais amplos e práticos, do que os aplicados em sala de aula. METODOLOGIA Primeiramente realizou-se uma visita de reconhecimento da área, no Parque Municipal da Faguense, localizado na região Norte do Estado. O local apresenta boa acessibilidade, onde pode se aproveitar os caminhos já semiabertos para a realização da trilha. Procurou-se um biólogo que conhecesse melhor o local para desenvolver uma atividade relevante. Num primeiro momento os participantes recebem informações sobre a interação flora e fauna, que é responsável pela sobrevivência de muitas espécies ameaçadas de extinção, interagindo com a floresta de forma dinâmica e prazerosa. (MENDES, WITHERS, RACHWAL, 2002). “Durante a aula ecológica o público é sensibilizado e motivado para a questão ambiental, sentimento este que dificilmente seria despertado em uma sala de aula.” (MENDES, WITHERS, RACHWAL, 2002). Explica-se também sobre os cuidados básicos a serem tomados durante a caminhada, sobre a formação do “tapete da floresta” ou folhedo, que é a camada de folhas formadas pela queda de folhas velhas e outros tecidos vegetais e sua acumulação na superfície do solo. Durante a caminhada, os alunos são estimulados a observar, a tocar nas árvores, ouvir os sons dos animais, e perceber as diferenças de temperatura e umidade no interior e exterior do fragmento. (MENDES, WITHERS, RACHWAL, 2002). RESULTADOS E DISCUSSÃO A linguagem utilizada pelo biólogo foi muito elogiada pelos professores, por ter se expressado de forma clara, tranquila e objetiva, de modo que os alunos entenderam o conteúdo que lhes foi transmitido, a avaliação aponta para uma aula “muito divertida e agradável”. (MENDES, WITHERS, RACHWAL, 2002). Os professores acharam importantes as explicações e o contato direto com a natureza, durante toda ação. Ressaltaram ainda que foi uma atividade agradável e enriquecedora. As respostas dos alunos da Escola Estadual SEPÉ TIARAJU em relação as mudanças de atitudes e sensibilização ambiental foram bastante significativas. Perceberam a importância de não jogálo no chão ou na rua para que o ambiente possa se manter limpo. Outros ressaltaram o cuidado com a natureza, como não cortar e arrancar folhas e flores das árvores e a importância de preservá-las. O cuidado com os animais também foi bastante citado, como não matar pássaros, formigas e caçar tatu. CONCLUSÃO Este tipo de atividade é bastante importante para os alunos sabe-se que passam a maior parte de seu tempo dentro da sala de aula, naquele espaço restrito, que não os permite conhecer, tocar, visualizar os conteúdos teóricos na natureza e relacioná-los com as imagens e textos que vivenciam na escola. Percebeu-se grande interesse por parte dos estudantes, que fizeram perguntas e prestaram atenção nas explicações. Uma atividade prática é extremamente válida para a aprendizagem, principalmente porque, depois de ter o Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 19 conhecimento teórico, poder vivenciar aquilo, visualizar, tocar, ajuda na fixação daquele conteúdo. Os alunos não devem ficar restritos ao ambiente escolar. Foi uma atividade muito produtiva que rendeu conhecimento, cansaço, muito trabalho, muito estudo, mas foi extremamente gratificante e obteve os resultados esperados, até melhores. A trilha foi avaliada a partir do comportamento dos alunos durante e após sua realização e também por meio de um relatório pós-visita. Palavras-chaves: Educação ambiental. Sensibilização. Natureza. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 20 INTERDISCIPLINARIDADE NO PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO: RELATO DE UMA PRÁTICA SOBRE O BULLYING NA ESCOLA Gabriele Winter Tumelero1 Daiane Pegoraro2 Cheila Milczarek3 Este trabalho apresenta um relato de uma prática bem-sucedida de interdisciplinaridade desenvolvida com os alunos inseridos no programa Mais Educação na Escola Estadual de Ensino Médio Érico Veríssimo, Erechim – RS. O Programa Mais Educação está relacionado à implantação da educação integral, por meio de atividades socioeducativas no contraturno escolar, com vistas a contemplar a ampliação do tempo e do espaço educativo. O Programa é coordenado pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC) e tem por objetivo aumentar a oferta educativa nas escolas públicas por meio de atividades optativas, relacionadas ao acompanhamento pedagógico, meio ambiente, esporte e lazer, direitos humanos, cultura e artes, cultura digital, prevenção e promoção da saúde, educomunicação, educação científica e educação econômica (BRASIL, 2012). Na escola Érico Veríssimo o Programa Mais Educação iniciou no segundo semestre de 2010 envolvendo aproximadamente 100 estudantes, dos turnos da manhã e tarde, oferecendo aos mesmos as oficinas de teatro, dança, informática, acompanhamento pedagógico matemática, acompanhamento pedagógico letramento e futsal. Esta etapa se estendeu até o final do primeiro semestre de 2011. Ainda no ano de 2011, a partir do segundo semestre, a escola ampliou o número de participantes do programa, passando a atender 175 estudantes. Também passou a oferecer outras oficinas: ginástica rítmica, tênis de mesa, acompanhamento pedagógico letramento, acompanhamento pedagógico matemática, acompanhamento pedagógico ciências e comunicação e uso de mídias – jornal escolar. Estas oficinas perdurarão até o final do primeiro semestre de 2012. Cabe salientar que a escolha das oficinas que são oferecidas pela escola é feita pelo SIMEC (Sistema Integrado de Monitoramento) e cumprem um ciclo de dez meses. A cada novo ciclo, a escola possui total autonomia para realizar sua opção e adequar as mesmas as necessidades pedagógicas da instituição. Contudo, o objetivo primordial do Programa Mais Educação é oferecer aos estudantes atividades diferenciadas que estimulem o desenvolvimento de habilidades imprescindíveis ao processo de aprendizagem. Através das mesmas busca-se suporte para o aprimoramento de aspectos que encontram-se em defasagem, suprindo necessidades inerentes ao processo de aprendizagem, uma vez que o fator decisivo da participação da escola no programa está atrelado ao baixo IDEB( índice de desenvolvimento da educação básica) apresentado pela escola em anos anteriores. Todavia, não basta inserir os estudantes em novas atividades, é necessário pensar em uma postura pedagógica que de conta não só da 1 Ciências Biológicas – URI - Erechim ([email protected]). - Escola Estadual de Ensino Médio Érico Veríssimo. 3 - Escola Estadual de Ensino Médio Érico Veríssimo. Apoio Financeiro: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - Programa Mais Educação 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 21 especificidade de cada oficina, mantendo a essência das mesmas, mas principalmente a partir disso pensar a relação entre as mesmas, fugindo da fragmentação dos saberes, tão presente nos períodos regulares de aula. Neste sentido a perspectiva da interdisciplinaridade propicia o desenvolvimento de uma proposta de trabalho que contextualize o conhecimento, preservando os pressupostos centrais de cada área, bem como, as relações entre ambas. A interdisciplinaridade é conhecida como um processo educativo onde reúnem-se várias áreas do conhecimento para que juntas possam construir valores educativos, facilitando assim o processo de ensino-aprendizagem. Rompidas as fronteiras entre as disciplinas, mediações do saber, na teoria e na pesquisa, impõem-se considerar que a interdisciplinaridade é condição também da prática social. Com efeito, toda ação social, atravessada pela análise científica e pela reflexão filosófica, é uma práxis, e, portanto, coloca tanto as exigências de eficácia do agir quanto as de elucidação do pensar (FAZENDA, 2008, p. 41). A educação por si só já é uma prática interdisciplinar, pois norteia a existência do saber, então a interdisciplinaridade deverá levar o estudante do múltiplo ao uno, de forma que este compreenda o processo educativo e seus fundamentos epistemológicos. É neste contexto que ela é vista como uma síntese articuladora de vários elementos cognitivos e valorativos inseridos numa realidade demasiadamente complexa, exigindo um nível de complexidade vindo também do estudante (FAZENDA, 2008). Segundo Pombo (2005) só será possível existir a interdisciplinaridade quando formos capazes de partilhar o nosso pequeno domínio do saber, e termos coragem para abandonar o conforto da linguagem técnica aventurando-se num domínio que é de todos, não sendo exclusivo de ninguém. Não se trata de defender que, com a interdisciplinaridade, se alcançaria uma forma de anular o poder que todo saber implica (o que equivaleria a cair na utopia beata do sábio sem poder), mas de acreditar na possibilidade de partilhar o poder que se tem, ou melhor, de desejar partilhá-lo. Como? Desocultando o saber que lhe corresponde, explicitando-o, tornando-o discursivo, discutindo-o (POMBO, 2005, p. 12). Minayo, 1994, afirma que a interdisciplinaridade é a primeira exigência de comunicação, e irá pressupor a inteligibilidade relacional humana. Se cada ciência possui lógica própria, a compreensão desse pluralismo é essencial para uma inteligência diferenciada, é necessário então que haja a competência nos domínios chamados a cooperar. A interdisciplinaridade só é possível então como forma de conhecimento e prática científica na medida em que a disciplina utilizadora (e igualmente, o sujeito que a prática) se apropria da disciplina utilizada (MINAYO, 1994). O trabalho interdisciplinar foi desenvolvido com todos os alunos da Escola inseridos no Programa, como uma parceria entre os monitores das oficinas das diversas áreas e equipe diretiva. O tema Bullying surgiu de uma demanda percebida na Escola durante as atividades realizadas no contraturno escolar. Com intuito de melhorar a convivência entre os alunos e proporcionar um ambiente de estudo mais agradável, foi realizada a I Gincana Interdisciplinar do Mais Educação, tendo como tema gerador o Bullying na Escola. O planejamento das atividades foi feito em conjunto, envolvendo os monitores de todas as áreas do conhecimento, permitindo, dessa o sucesso da prática interdisciplinar. A Gincana, que aconteceu entre os dias 18 e 27 de junho de 2012, visou difundir a não violência dentro do ambiente escolar. Durante o evento, os alunos foram divididos em equipes, o que lhes serviu como forma de motivação. Entre as atividades realizadas Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 22 merecem destaque a dramatização do tema, através de teatros; palestras ministradas pelos próprios alunos; produção textual; realização de jogos cooperativos; musicalização, através de paródias; e confecção de cartazes de conscientização. Através das atividades realizadas durante a Gincana percebemos que a interdisciplinaridade na escola é possível, tendo o envolvimento dos professores, da equipe diretiva e dos alunos. Acreditamos que a forma interdisciplinar com que o tema foi tratado mostrou aos alunos a importância do tema, permitindo a conscientização, modificando alguns comportamentos inadequados, inclusive no turno escolar normal. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação. Mais Educação. 2012. FAZENDA, I. (org.). Didática e Interdisciplinaridade. 13 ed. Editora Papirus, 2008. POMBO, O. Interdisciplinaridade e integração dos saberes. Liinc em Revista, v.1, n.1, março 2005, p. 3-15. MINAYO, M.C.S. Interdisciplinaridade: funcionalidade ou utopia? Revisa saúde e sociedade. v.3, n. 2, 1994. Palavras-chaves: Interdisciplinaridade. Mais educação. Bullying. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 23 OFICINA DE RECICLAGEM COM OS ALUNOS DE ENSINO FUNDAMENTAL Tatiane Rossatto1 Cristina Guntzel2 Gabriela Vizzotto3 Daniela Sponchiado4 Juciane Pinzon5 Oficina de reciclagem com os alunos de ensino fundamental O Programa Institucional de bolsa de iniciação a docência (PIBID) tem por objetivo ampliar o conhecimento do acadêmico em relação ao ensino de ciências desempenhando atividades teóricas, praticas, oficinas e aulas de reforço, bem como insere o licenciando do ensino superior nas escolas de Educação Básica, criando uma interação entre escola e a universidade. A atividade de materiais recicláveis com garrafas pet desenvolvida com os alunos do ensino fundamental da escola Estadual Sepé Tiarajú de Frederico Westphalen RS teve como objetivo promover a formação de cidadãos éticos e conscientes frente á preservação do meio ambiente, desenvolvendo a criatividade na produção de objetos utilitários e decorativos, a partir do reaproveitamento de materiais recicláveis, ampliando e proporcionando o embelezamento do ambiente escolar. A reciclagem tornou-se uma atividade indispensável devido ao consumo exagerado de materiais não degradáveis, em nosso dia-a-dia, que quando expostos na natureza levam longos períodos de tempo para se decomporem prejudicando o meio ambiente e também ao homem. Através dela é possível economizar energia, reduzir o gasto de recursos naturais e incorporar novamente ao ciclo produtivo o que seria jogado fora. Mas para isso devemos, compreender a reciclagem, modificar nossos conceitos sobre o que é lixo, deixar de vê-lo como uma coisa suja e sem valor e percebe-lo como fonte de riqueza. (BERTOLO, MARTINS & LINK, 2012). E assim, tendo em vista a importância da reciclagem foram produzidos enfeites natalinos como: pinheiros, flores, cordões, guirlandas e arranjos pelos alunos das 6º e 7º séries com faixa etária de 12 a 15 anos e sexo masculino e feminino do ensino fundamental. Sendo que todos os alunos contribuíram ativamente com materiais recicláveis que tinham em suas casas. As turmas foram divididas em pequenos grupos de no máximo cinco pessoas, sendo que cada equipe desempenhou uma atividade com os materiais para formação de um objeto. A árvore natalina foi o principal objeto confeccionado. Para chegar à sua conclusão foram seguidos os seguintes passos: Primeiramente foi feito a limpeza das garrafas pet de preferência de cor verde e tamanho de dois litros. Em seguida com a tesoura cortou-se o fundo das garrafas, na parte maior foram feitos cortes em tiras, sendo utilizadas na montagem do pinheiro. Encaixadas umas em cima das outras em um suporte de madeira, com a parte menor do fundo da garrafa. Os alunos usaram a criatividade e confeccionaram flores e outros enfeites para o 1 Ciências biológicas - URI - Frederico Westphalen ([email protected] ). Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen. 3 Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen. 4 Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen. 5 Ciências Biológicas - URI - Frederico Westphalen. Apoio Financeiro: URI - Frederico Westphalen 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 24 pinheiro. Além destes os alunos criaram guirlandas com CDs, topes com fitas, estrelas com EVA e cordões com retalhos para embelezar a árvore natalina. Entretanto devido à grande quantidade de garrafas transparentes montaram-se mais uma árvore, porém translúcida. Percebeu-se a grande motivação e criatividade dos alunos perante a atividade que foi concluída com êxito. Os objetos não serviram apenas para ornamentação como de subsídio para as pessoas que a escola frequentam refletirem e passarem adiante o quanto é fácil reutilizar materiais recicláveis transformando em algo útil para o seu próprio dia-a-dia. Além de esta ação contribuir para com a natureza também garante que esta se mantenha saudável para as gerações futuras. REFERÊNCIAS BERTOLO, Fernanda de Oliveira de Andrade; MARTINS, Adriana Ferreira; LINK, Dionísio. Percepções da importância de reciclagem nos laboratórios da Fepagro/Sede (Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária). Monografias Ambientais, V. 5. n. 5, 2012.. Disponível em: <http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs2.2.2/index.php/remoa/article/view/4276/27 86>. Acesso em: 10 jul. 2012. Palavras-chaves: Reciclagem. Educação. Conhecimento. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 25 ORIENTAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA Araciele Maria Vanelli1 Daiana Maria Bagatini2 Claudiele Carus 3 Édina Elisa Mingotti4 Angélica Salini5 Nelita Fátima Gempka6 Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski7 Neste trabalho relatamos uma experiência com a orientação sexual de pré adolescentes desenvolvida junto à Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista, situada no município de Erechim. A orientação sexual é um tema transversal na escola brasileira, atendendo ao estabelecido pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ela deve ser trabalhada ao longo de todos os ciclos de escolarização, de duas formas: dentro da programação, através de conteúdos transversalizados nas diferentes áreas do currículo e como extraprogramação, sempre que surgirem questões relacionadas ao tema. (BRASIL, 1998) Crianças e pré-adolescentes possuem inúmeras dúvidas a respeito da sexualidade; estas são muito significativas para a subjetividade, na medida em que se relacionam com o conhecimento das origens de cada um e com o desejo de saber. A satisfação dessas curiosidades contribui para que o desejo de saber seja impulsionado ao longo da vida, enquanto a não satisfação gera ansiedade, angústia e tensão. O trabalho realizado sobre orientação sexual teve como objetivo criar um espaço em que os estudantes conseguissem esclarecer suas dúvidas e curiosidades sobre o tema, mostrando-lhes que a sexualidade envolve muito mais do que o direito ao prazer e ao exercício da sexualidade com responsabilidade, mas envolve as relações de gênero, o respeito a si mesmo e ao outro e à diversidade de crenças, valores e expressões culturais existentes numa sociedade diversificada e democrática. Desde modo a orientação sexual é importante na prevenção da gravidez indesejada na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis/Aids, entre outras questões que geram dúvidas. O trabalho de orientação sexual foi realizado através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/BIOLOGIA/URI) por meio de uma Unidade Didática envolvendo estudantes do ensino Fundamental da Escola Estadual Bela Vista de ErechimRS. Foram realizados oito encontros com uma turma de 7ª série, abordando os seguintes temas: concepção, desenvolvimento intra-uterino e parto; fases da vida e características de cada fase; o corpo de homens e mulheres; a sexualidade em cada fase da vida; mudanças físicas e afetividade na adolescência; doenças transmitidas pelo sexo não seguro e gravidez na 1 Ciências Biológicas – URI - Erechim ([email protected]). Ciências Biológicas – URI - Erechim. 3 Ciências Biológicas – URI - Erechim. 4 Ciências Biológicas – URI - Erechim. 5 Ciências Biológicas – URI - Erechim. 6 Professora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista. 7 Ciências Biológicas – URI - Erechim. Apoio Financeiro: CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 26 adolescência. Nos encontros, que tiveram a duração de aproximadamente duas horas cada um, foram realizados estudos de concepções alternativas dos estudantes sobre a temática, conto de histórias, trabalho com vídeos documentários, leitura e discussão de textos, contos, bulas, tabelas, gráficos; trabalho com modelos do sistema reprodutor feminino e masculino, jogos; entrevistas com gestantes, entre outros, que contribuíram para que os alunos investigassem sobre a temática. Verificamos que os estudantes, mesmo estando na puberdade possuem poucos conhecimentos a sexualidade humana e inúmeras dúvidas (Quais são os riscos de se ter uma relação não segura? Numa primeira relação uma menina pode engravidar? Por que as meninas menstruam?, entre muitas outras). Os conhecimentos no geral são construídos por meio de conversas com outros da mesma idade ou de leituras, realizadas principalmente de materiais disponíveis na internet, nem sempre adequados à idade. Raramente as famílias conversam sobre a temática; mas podemos dizer que mesmo assim a educação sexual, acontece constantemente, em casa, influenciada principalmente pela televisão e internet, pelas revistas e jornais. Concordando com Maistro (2009) entendemos que, se os pais e os educadores se omiti¬rem em relação a tudo que se refere a sexo, essa atitude se refletirá nos adoles¬centes, levando-os a considerarem que sexo é uma coisa secreta e que é vergonhoso falar sobre ele. Quando as pessoas, os pais e a escola se omitem, estão permitindo que esse assunto seja tratado informalmente, na rua, sem uma orientação segura. Durante os encontros realizados, os jovem compartilharam suas experiências, ampliaram seus conhecimentos e esclareceram suas dúvidas. O trabalho foi de extrema importância considerando-se que a atividade sexual está cada vez mais precoce entre adolescentes e que a falta de informações e o desconhecimento sobre questões relacionadas à sexualidade fazem com que experiências sexuais prematuras favoreçam a aquisição de DST e sejam responsáveis por da¬nos emocionais e pela gravidez precoce. Entendemos que na Escola Bela Vista a orientação sexual deve ser processo educacional de caráter preventivo, intencional e sistemático, através de informações e reflexões sobre a sexualidade, sem ter a intenção de concorrer ou substituir a função da família. REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclo: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. INSTITUTO KAPLAN. Jogo de corpo. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Trilha educacional, 2005. MAISTRO, Virginia Iara de Andrade. Desafios para a elaboração de projetos de educação sexual na escola. In: FIGUEIRÓ, Mary Neide Damico (Org.). Educação sexual: em busca de mudanças. Londrina: Ed. da UEL, 2009. Palavras-chaves: Orientação sexual. Sexualidade. Escola. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 27 VIDA E OBRA DE DARWIN: A HISTÓRIA DE CIÊNCIAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS Adriane Turski1 Daiana Maria Bagatini2 Claudiele Carus3 4 Édina Elisa Mingotti Araciele Maria Vanelli5 Nelita Fátima Gempka6 Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski7 No período de outubro a dezembro de 2011 desenvolveu-se um trabalho de elaboração, aplicação e avaliação de uma Unidade Didática Interdisciplinar sobre a temática História da vida e da obra de Darwin, com o objetivo de compreender a teoria da evolução, estabelecendo relações entre a história da ciência e a construção do saber, através da leitura, interpretação, análise, discussão de textos, imagens, vídeos, curiosidades, reportagens, etc., referentes à vida e obra de Charles Darwin, bem como suas contribuições para um novo pensar na ciência. A Unidade Didática foi realizada na Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista, Erechim/RS, em duas turmas de 5ª séries (51 e 52) do Ensino Fundamental, durante 19 períodos de aula. Estas atividades foram desenvolvidas pelas bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID/URI Biologia, Câmpus de Erechim, que busca a aproximação da Universidade com a educação básica por meio da inserção dos licenciandos no cotidiano escolar, contribui no processo de qualificação dos licenciandos em Ciências Biológicas e fortalece o ensino de Ciências Naturais na escola campo. Além disso procura tornar os alunos pessoas mais criticas e que possam tornar-se agentes de transformações do mundo em que vivemos. Nesta Unidade Didática foram abordados os seguintes conteúdos: a) A vida de Charles Darwin; b) A viagem a bordo do Beagle; c) A teoria da evolução de Darwin; d) Outros naturalistas que viveram na época de Darwin e suas contribuições para a Ciência. O planejamento e o desenvolvimento da Unidade Didática Interdisciplinar foi organizado através da dinâmica dos três momentos pedagógicos proposto por DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO (2002). No primeiro momento foram realizadas atividades de Problematização inicial, que abordaram o estudo do vocabulário, compreensão e interpretação de texto, localização no mapa e no globo o país em que Darwin viveu. No segundo momento iniciou-se a atividade de pesquisa sobre o passado e o presente do país de origem de Darwin, organização de um quadro comparativo e ainda a composição e apresentação de um teatro sobre 1 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. ([email protected]) Ciências Biológicas - URI – Erechim. 3 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 4 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 5 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 6 Professora na Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista – Erechim 7 Ciências Biológicas Licenciatura - URI - Erechim. Apoio Financeiro: Capes 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 28 a vida de Charles Darwin. Todas as atividades propostas foram bem aceitas pelos alunos que se envolveram da melhor forma para realizá-las. No terceiro momento trabalhou-se as descobertas realizadas por Darwin a bordo do Beagle, onde os alunos puderam expressar suas opiniões e pensar um pouco mais sobre o assunto. Através de discussões (compreensão e interpretação) oral do texto e pesquisa sobre os locais visitados por Darwin e também confeccionou-se cartazes temáticos. Finalizando, foi realizada a identificação no mapa-múndi e no globo terrestre dos locais visitados por Darwin e os alunos puderam jogar em uma trilha sobre a viagem no Beagle. Por meio da aplicação da Unidade Didática Interdisciplinar, buscou-se o desenvolvimento de competências básicas associadas à leitura, escrita e resolução de problemas, integradas a competências gerais (contextualização sociocultural, representação e comunicação e investigação e compreensão). A Unidade Didática articulou a disciplina de Ciências da Natureza com outras áreas, como Linguagens e Códigos (Língua Portuguesa e Artes) e Ciências Humanas (História e Geografia), de modo a proporcionar a contextualização e diálogos, que ampliem a reflexão dos estudantes em formação e propiciem condições para a interdisciplinaridade. Através da comunicação e interação entre as várias áreas do conhecimento é possível provocar no aluno a compreensão mais eficaz da Ciência e da relação entre a mesma e o meio em que vivemos, conscientizando-o de que é preciso agir e pensar, relacionando as várias áreas do conhecimento para buscar a resolução de situações problemas (LEFF, 2000). Foi pensando numa prática pedagógica, que rompa com as "aulas palestras" onde o conhecimento é "transmitido" a um estudante "passivo", que consideramos relevante o trabalho em sala de aula, com o uso de Unidades Didáticas. Pode-se perceber que essa metodologia proporcionou um grande interesse dos estudantes pelas atividades desenvolvidas, a valorização de seus conhecimentos, a troca de experiências e o desenvolvimento dos conteúdos conceituais de maneira contextualizada. Deste modo, pode-se desempenhar um papel melhor, partindo dos conhecimentos prévios dos alunos, conseguiuse ampliar e desafiar a construção de novos conhecimentos, incentivando os educandos a desenvolverem suas habilidades e competências, despertando nestes a curiosidade científica e a busca pelo saber. Palavras-chaves: História da ciência. Unidade didática. Darwin. REFERÊNCIAS DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002. LEFF, ENRIQUE. Complexidade, Interdisciplinaridade e Saber Ambiental. In: Interdisciplinaridade em Ciências Ambientais. São Paulo: Signus Editora, 2000. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 29 EDUCAÇÃO PARA A GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS JUNTO AO CRAS II – ERECHIM/RS – RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA Adriane Turski1 Suéle Santolin2 Luane Nardi3 Solange Gomes4 Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski5 Vivemos em uma época em que o respeito à diversidade e a garantia ao direito à participação social de cada pessoa (independente do gênero, etnia, condições socioeconômicas, religiosas, físicas e psicológicas), têm emergido como uma questão ética, promovendo a reivindicação por uma sociedade mais justa e igualitária. Nesse sentido, a temática da inclusão social traz, como pressuposto, a ideia de uma sociedade que considera e acolhe a diversidade humana, nos diferentes tipos de atividades e nas diversas redes de relacionamentos, estruturando-se para atender às necessidades de cada cidadão, das maiorias às minorias, dos privilegiados aos marginalizados (RORIZ et al., 2005). A inclusão expressa uma dimensão de direitos humanos e justiça social que pressupõe o acesso pleno e a participação de todos nas diferentes esferas da estrutura social, a garantia de liberdades e direitos iguais e o estabelecimento de princípios de equidade. Essa concepção situa-se na perspectiva de uma sociedade democrática e na compreensão do caráter social das relações, considerando a capacidade humana de desenvolver valores de dignidade e cidadania, de respeitar esses pressupostos e de modificá-los na construção do processo social (DUTRA; GRIBOSKI, 2006). Neste trabalho relatamos uma prática de ensino desenvolvido junto ao Programa Nacional de Inclusão de Jovens (PROJEM) vinculado ao Centro de Referência em Assistência Social II (CRAS II), situado no município de Erechim/RS. Esta prática esteve vinculada à disciplina de Estágio Curricular II do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da URI. O CRAS é uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) que atua como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), sendo responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social. O público-alvo do CRAS são famílias em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, do precário ou nulo acesso aos serviços públicos, da fragilização de vínculos e qualquer outra situação de vulnerabilidade e risco social residentes nos territórios de abrangência do CRAS (BRASIL, 2009). Com objetivos de complementar a proteção social básica à família, mediante mecanismos de garantia da convivência familiar e comunitária, criando condições para a inserção, reinserção e permanência de jovens em 1 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. ([email protected]) Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 3 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 4 Ciências Biológicas Licenciatura - URI - Erechim. 5 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 30 situação de vulnerabilidade social no sistema educacional, o CRAS II, situado no Bairro Parque Lívia, entre seus serviços, inclui Projovem. Uma modalidade do Programa é o Projovem Adolescente que é um Serviço Socioeducativo que destina-se à jovens de 15 a 17 anos que pertençam à famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família ou que sejam egressos de medidas socioeducativas ou de proteção, do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI; ou jovens vinculados a programas de combate ao abuso e à exploração sexual (BRASIL, 2008). No período de abril e maio de 2012 foi desenvolvido um trabalho pedagógico com os dois grupos do Projovem atendidos nos CRAS II sobre a gestão de resíduos sólidos urbanos, temática selecionada pelos jovens a partir de um estudo da realidade local. A ação educativa teve os objetivos de discutir sobre a problemática socioambiental gerada pelo modelo de desenvolvimento vigente, baseado no consumismo e responsável pela geração de uma grande quantidade de resíduos; analisar os problemas urbanos gerados pela má gestão dos resíduos sólidos (problemas associados a disposição inadequada, precária coleta seletiva, trabalhos insalubres dos catadores e garis, entre outros); promover intervenções na comunidade do Bairro Parque Lívia a fim de sensibilizá-los para a problemática e buscar soluções com vistas à resolução do problema em nível local. Durante estudos da realidade local, os jovens observaram que a falta de cuidados com a destinação adequada dos resíduos produzidos no Bairro, que estava trazendo sérios prejuízos, como o entupimento de bueiros e criação de animais vetores de doenças (ratos, baratas, moscas); as más condições de trabalhos das populações que residiam no Bairro e que dependiam do trabalho com a coleta seletiva, triagem e comercialização do lixo seco. O conhecimento da realidade foi determinante para mobilizar os jovens a investigar sobre a temática, buscando alternativas para amenizar a problemática vivenciada na comunidade. O trabalho foi desenvolvido na forma de Oficinas Pedagógicas, organizadas em três momentos pedagógicos, propostos por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002): Problematização Inicial, Organização do Conhecimento e Aplicação do Conhecimento. Foram desenvolvidas cinco oficinas, abordando os seguintes temas: o problema nacional gerado pelos resíduos sólidos; b) compostagem: uma alternativa para a destinação de resíduos orgânicos; c) minhocultura; e d) animais que vivem no lixo, vetores de doenças. Entre as atividades desenvolvidas merece destaque: aprofundamento teórico através de mini palestras, trabalho com videodocumentários, pesquisas na internet, leitura e discussão de textos informativos sobre a temática; atividades de observação (minhocas, larvas/adultos de moscas, outros animais vetores de doenças); construção de modelos para investigação (montagem de composteira e minhocário); planejamento de uma ação de intervenção e produção de materiais didáticos para desencadear um trabalho com a comunidade (folders e palestras). As atividades desenvolvidas contribuíram para a construção de conhecimentos sobre a realidade local, para a sensibilização dos jovens para a resolução dos problemas, mobilizando-os para uma intervenção responsável junto à comunidade em que residem. Favoreceu o convívio e o trabalho socioeducativo com vistas ao desenvolvimento da autonomia e cidadania do jovem e a prevenção de situações de risco social. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 31 Para as estagiárias do Curso de Ciências Biológicas da URI – Câmpus de Erechim, o contato com esse grupo social possibilitou uma reflexão acerca dos desafios e condições necessárias para o processo de inclusão social de jovens; contribuir para refletir sobre os critérios que excluem as pessoas da relações sociais, muitos destes critérios estabelecidos pelos diferentes grupos ou por nós mesmos. Enquanto educadores, temos por obrigação ética e profissional, que rever nossos valores, atitudes e comportamentos; repensar o que nos coloca como diferentes e como agimos dentro dessa diferença. Concordando com Shruber e Aliciene (2010), é preciso lutar por uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas, espaços educativos e na sociedade, de modo que estas respondam à diversidade de alunos percebendo o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Orientações Técnicas : Centro de Referência de Assistência Social – CRAS. 1. ed. Brasília : 2009. Disponível em : http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/protecaobasica/cras/documentos/orient acoes-tecnicas-centro-de-referencias-de-assistencia-social-cras-1-1.pdf. Acesso em : 15 jun. 2012. BRASIL. Decreto nº 6.629, de 04 de novembro de 2008. Regulamenta o Programa Nacional de Inclusão de Jovens - Projovem, instituído pela Lei no 11.129, de 30 de junho de 2005, e regido pela Lei no 11.692, de 10 de junho de 2008, e dá outras providências. Presidência da República: Casa Civil – subchefia para assuntos jurídicos, Brasília, DF, 04 nov. 2008. DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002. DUTRA, C. P.; GRIBOSKi, C. M. Educação Inclusiva: um projeto coletivo de transformação do sistema educacional. In: Ensaios pedagógicos. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2006. Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000013526.pdf. Acesso em: 24 jun. 2012. RORIZ, T. M. et al. Inclusão social/escolar de pessoas com necessidades especiais: múltiplas perspectivas e controversas práticas discursivas. 2005. Disponível em: http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/psicousp/v16n3/v16n3a09.pdf. Acesso em: 24 jun. 2012. SCHRUBER, Julio; CORDEIRO, Aliciene Fusca Machado. Educação inclusiva: desafios do estágio curricular supervisionado em psicologia escolar/educacional. Psicologia Ensino & Formação. vol.1 n.1. Brasília:2010. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S217720612010000100003&script=sci_arttext. Acesso em: 09 jul. 2012. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 32 AGRADECIMENTOS À professora Alessandra Montemezzo, aos dois grupos de adolescentes do Projovem envolvidos nas atividades e à toda a equipe do CRAS II, por suas contribuições em nossa aprendizagem e apoio durante todas às atividades da prática de ensino desenvolvida. A eles nossa admiração e respeito! Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 33 PIBID PRIMEIRA EXPERIÊNCIA DOCENTE: CONTRIBUINDO PARA A FORMAÇÃO INICIAL E A CONSTRUÇÃO DE SABERES NECESSÁRIOS A PRÁTICA PEDAGÓGICA Andrea Mirela Obens De Bairos1 Tanize Ceolin2 Daiane Fortes3 Michele Rosa4 Cristiéli Wacht5 Adriana Irion6 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem o objetivo de socializar as primeiras experiências das acadêmicas/bolsistas no Programa PIBID/CAPES, realizado na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes. A atividade vem proporcionando a oportunidade de atuar juntamente com as educadoras da escola, viabilizando uma relação de troca de saberes, fundamental para a formação inicial. A experiência amplia a oportunidade de reflexão sobre a compreensão da prática educativa crítica, no sentido da busca de uma troca de conhecimento que leve à transformação social. O fato torna fundamental o estabelecimento de um diálogo com os saberes produzidos nas diversas realidades, considerando as dimensões da vida humana, que recuperam o papel dos sujeitos na prática educativa. Visando refletir sobre a importância das experiências vivenciadas pelas acadêmicas / bolsistas do PIBD/CAPES, que tem contribuído com o processo formativo docente, mediante a relação teórica – prática, escola/campo e universidade. METODOLOGIA ADOTADA A construção metodológica foi construída pensando a melhor direção, o terreno mais apropriado para a pesquisa ser conduzida. O primeiro passo de qualquer atividade humana é o planejamento e iniciamos pela observação atenta do ambiente institucional e da dinâmica da práxis pedagógica, através de uma pesquisa de abordagem qualitativa que para LÜDKE e ANDRÉ. (1986, p.11) “A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento”. Na condução das ações, no primeiro momento houve a participação em uma reunião com a coordenadora/orientadora, para discussão de algumas metas e objetivos 1 Ciências Humanas – URI - Santiago ([email protected]). Ciências Humanas – URI - Santiago. 3 Ciências Humanas – URI -Santiago. 4 Ciências Humanas – URI - Santiago. 5 Ciências Humanas – URI - Santiago. 6 Ciências Humanas - Escola Estadual de Educação Básica Tomás Fortes. Apoio Financeiro: CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 34 referentes ao projeto. As acadêmicas/bolsistas fazem o monitoramento dos alunos, em sala de aula auxiliando a realização das atividades, possibilitando um atendimento especial aos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. Os bolsistas realizam doze horas de atividades semanais na escola, em atendimento direto ao aluno e monitoramento do professor regente, e ainda, oito horas na Universidade, espaço que realizam a elaboração e construção de materiais destinados aos alunos e ainda produção científica. RESULTADOS E DISCUSSÃO O referido Programa contribui para o desenvolvimento de competências e saberes necessários a atuação docente. Neste contexto, o subprojeto de Pedagogia – Alfabetização, visa a (re)significação dos saberes dos Anos Iniciais do Ensino de Nove Anos ( 3º, 4º e 5º), por parte das bolsistas de forma a propiciar a ampliação das competências que envolvem a interface teoria e prática de forma contextualizada e significativa. Coforme nos fala (TARDIF, 2002, p. 49) [...] esses saberes não se encontram sistematizados em doutrinas ou teorias. São saberes práticos (e não da prática: eles não se superpõe a má prática para melhor conhecê-la, mas se integram a ela e dela são partes constituintes enquanto prática docente) e formam um conjunto de representações a partir das quais os professores interpretam, compreendem e orientam sua profissão e sua prática cotidiana em todas as suas dimensões. De fato, o acadêmico/bolsista do Programa tem oportunidade de experienciar através de situações vivenciais a interlocução entre o ideal, o real e suas representações acerca destes sujeitos, exigindo capacidade de análise e compreensão do processo. Por meio das vivências destacamos também o comprometimento e apoio da escola no decorrer do trabalho desenvolvido pelas acadêmicas/bolsistas, resultando na motivação e busca por novos saberes, fomentando o nosso desempenho e qualificação pessoal , acadêmica e profissional, pois é essencial que estejamos em constante reflexão critica sobre nossas práticas cotidianas, a fim de aprimorá-la. CONSIDERAÇÕES FINAIS O programa PIBID/CAPES proposto na formação inicial de professores, visa estimular e ajudar os futuros educadores na construção conjunta de planejamentos cooperando para o conhecimento da realidade escolar. O PIBID é concebido tendo em vista o desenvolvimento de novas competências que possam levar os futuros docentes a produzirem coletivamente conhecimentos, perceber as diferenças, a complementaridade e as possibilidades e limitações de sua profissão, respeitando as diferenças e formas de olhar para o mundo, para reconhecer a sua identidade profissional, buscando a sua realização dentro do que é ser professor. Diante disso para consolidar a formação inicial é fundamental saber - relacionar o - fazer pedagógico com as teorias da educação aprendidas em sala de aula, decorrente disso, o PIBID nos proporciona diferentes olhares acerca das distintas realidades (social, cultural e histórica) encontradas no espaço escolar, no qual se tem oportunidade de estar em um processo permanente e sistemático, tendo sentido histórico, dialético, dialógico e coletivo, visando à transformação social. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRÉ, Marli E. & Ludke, menga. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo/SP: E.P.U,1986. TARDIF, Maurice. Saberes Docentes e Formação de Professores. Petrópolis: Vozes, 2002. Palavras-chaves: Formação inicial. Pesquisa. Família. Características. Saberes. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 Pibid. 36 FORMAÇÃO DOCENTE - VIVÊNCIAS PRÁTICAS DAS ACADÊMICAS BOLSISTAS DE PEDAGOGIA – PIBID DA URI - CÂMPUS DE ERECHIM EM ESCOLA PÚBLICA. Alaise Da Silva De Almeida1 Manoela Oldra2 Angelica Paula Bazzotti3 Maiara Carminatti4 Marindia Vieira De Goes 5 RESUMO O trabalho “Formação docente - vivências práticas das acadêmicas bolsistas de pedagogia da URI- Câmpus de Erechim em escola pública”, tem por objetivo sistematizar experiências vividas pelas acadêmicas do Curso de Pedagogia, bolsistas do CAPES/PIBID, junto às escolas campo de sua atuação. O texto apresenta uma descrição da proposta desenvolvida por cinco acadêmicas em escola pública, bem como sua aplicação na intervenção junto ao espaço escolar e considerações sobre os ganhos para seus processos formativos como estudantes de Pedagogia. O governo federal tem manifestado sua preocupação com a formação de professores e tem expressado e retornado à sociedade com várias ações concretas para solucionar os problemas encontrados nesta área. Redefiniu novos segmentos governamentais e responsabilizado instâncias de poder para gerir metas, ações e acompanhar a formação do docente no Brasil. Uma dessas instâncias é a CAPES (ou nova CAPES como alguns preferem chamar), que criou um Programa denominado PIBID que surge como política pública para amparar e incentivar a formação dos novos docentes. As acadêmicas possuem a oportunidade de experimentar situações práticas de monitoria e docência do dia a dia da escola e refletirem e estabelecerem comparativos com a formação recebida na Universidade. As estudantes de Pedagogia desenvolveram atividades relacionadas a reforço escolar, monitoria e atividades com TICs. No total foram atendidos em torno de 130 estudantes de primeiro a quarto ano do Ensino Fundamental. As bolsistas apontam como ganhos do processo formativo: a experiência vivida nas escolas públicas e a percepção da realidade decorrente disso; a oportunidade de construção de jogos e material pedagógico para trabalhar com os estudantes; o entendimento das dificuldades enfrentadas pelas crianças e como o trabalho das bolsistas auxilia na superação das mesmas; aprendem como enfrentar situações do cotidiano das escolas: conflitos, medos, atitudes de indisciplina; integração e participação em atividades formativas das escolas. Palavras-chaves: Formação docente. Reforço escolar. Vivências práticas. 1 Ciencias Humanas – URI - Erechim ([email protected]). Ciências Humanas – URI - Erechim. 3 Ciências Humanas – URI - Erechim. 4 Ciências Humanas – URI - Erechim. 5 -. Apoio Financeiro: Capes 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 37 PIBID/CAPES, UNIVERSIDADE E ESCOLA: REDE DE APRENDIZAGEM Paola Terezinha Da Silva Martins1 Deise De A. Aleixo2 Gilvana A. N. Rosso3 Maria A. Vieira4 Marluce P. Da Silva5 Lisiane V. Bonotto6 Mara R. S. Melo7 RESUMO A presente discussão vem destacar a importância Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da URI Câmpus de Santiago no Curso de Pedagogia, financiado pela CAPES, tendo como Subprojeto “Alfabetização”, em desenvolvimento na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes/Santiago, compreendendo o período de agosto/2010 a julho/2012. Visa apresentar pontos significativos das atividades desenvolvidas, levando em consideração a experiência dos envolvidos, no processo de análise critica, a respeito das ricas contribuições formativas de “ser professor” construídas pelos pibidianos. O foco das atividades elencadas no subprojeto é desencadear ações que possibilitem aos bolsistas utilizar habilidades e competências que efetivem o processo contínuo da aprendizagem da alfabetização e do letramento. Além das atividades de sala de aula, vivemos “o cotidiano escolar”: participando de reuniões pedagógicas, conselhos de classe, entregas de pareceres de aprendizagem aos pais e responsáveis, e ainda, atividades que envolvam a comunidade. O fato contribui para a construção de vínculo com a escola e com a comunidade.As experiências levam em conta o envolvimento dos bolsistas em cinco turmas de alfabetização da referida escola, duas de primeiro ano, duas de segundo e uma de terceiro. As trocas efetuadas entre a escola campo e o espaço acadêmico vem ampliando os olhares e concretizando laços entre as aprendizagens construídas na universidade e a prática efetivada na educação básica. Como forma de atuação optamos pelo acompanhamento, monitoramento e observação das aulas, visando intervenções que possam desencadear o processo de aprendizagem dos alunos envolvidos. Finalmente, destacamos nossa convicção de que o programa PIBID constitui-se em uma ferramenta significativa para o processo formativo dos futuros professores, e consequentemente para a qualidade do ensino. Palavras-chaves: Pibid. Processo formativo. Qualidade de ensino. 1 Ciencias Humanas - URI - Santiago ([email protected]). Ciências Humanas – URI - Santiago. 3 Ciências Humanas – URI - Santiago. 4 Ciências Humanas – URI - Santiago. 5 Ciências Humanas – URI - Santiago. 6 Ciências Humanas – URI - Santiago. 7 Ciências Humanas – URI - Santiago. Apoio Financeiro: MEC/ CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 38 A CONSTITUIÇÃO DO EDUCADOR REFLEXIVO E A RESSIGNIFICAÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE Renati Kurtz1 Tamara Mucha2 Talissa Do Amaral Pavão Ryscak3 Graziela Puhl4 Charlene Cristiane Pilati5 INTRODUÇÃO O referido estudo objetiva relatar algumas experiências vivenciadas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID), ocorridas no Instituto Estadual de Educação João XXII, no primeiro semestre do ano de 2012. Dentre as vivências significativas destacamos a organização e participação da formação continuada dos professores do Curso Normal, assim como do I Seminário Preparatório para o Estágio. Os encontros foram organizados objetivando promover momentos de reflexão acerca do fazer docente, buscando evidenciar o ato reflexivo como mola propulsora para resignificar a realidade educacional. Nesse sentido, a supervisora do programa de Iniciação a docência (PIBID) na escola campo, sugeriu às bolsistas que preparassem uma formação pedagógica para os professores do curso Normal e um Seminário Preparatório do estágio. Para isso, sugeriu que fosse utilizado como base teórica o livro “O professor Reflexivo em uma escola reflexiva”, de Isabel Alarcão. Imbuídas desse desafio, procuramos realizar a tarefa com empenho e o desejo de que nossa proposta de trabalho permitisse aos envolvidos a capacidade de voltar-se sobre si mesmo, desvelando situações e caminhos que possam ser contornados com maior segurança, efetividade e sem constrangimentos objetivando um crescimento pessoal e profissional ( RIOS . RESULTADOS E DISCUSSÃO O atendimento a demanda da escola gerou inquietações, pois tínhamos o desejo de falar com os professores e não para os professores (FREIRE, 1982). Essa preocupação nos motivou a refazer a leitura da obra várias vezes, objetivando eleger os elementos mais relevantes a serem apresentados e debatidos com o universo de professores e, posteriormente com as (os) alunas (os) normalistas. Desses destacamos: A Era da Informação, da Comunicação e do Conhecimento; O conhecimento pertinente; Os professores na sociedade da Aprendizagem; A escola na sociedade da aprendizagem e o currículo no centro de projeto de escola. Após fazermos esse levantamento, elegemos a 1 Ciencias Humanas – URI - Santo Angelo ([email protected]). Ciências Humanas – URI - Santo Ângelo. 3 Ciências Humanas – URI - Santo Ângelo. 4 Ciências Humanas – URI - Santo Angelo. 5 Ciências Humanas – URI - Santo Angelo. Apoio Financeiro: URI - Santo Angelo 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 39 dramatização e a técnica expositiva dialogada como suportes para nossa ação pedagógica. Fizemos essas opções por acreditarmos na importância do diálogo e da implementação de outras formas de expressão na construção do conhecimento. Nesse formato conduzimos os referidos encontros, os quais foram abertos com uma reflexão de Freire onde ele diz “Ninguém começa a ser educador às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, na prática e na reflexão da prática” (1991, p. 58). Respaldados pelas sábias palavras de Freire desenvolvemos a reflexão acerca da obra de Isabel Alarcão. Inicialmente conversamos sobre a era da informação, da comunicação e do conhecimento. Segundo a referida autora, a construção de conhecimento na contemporaneidade exige competências de acesso, avaliação e gestão da informação oferecida. Tais competências devem ser adquiridas ou reconhecidas e desenvolvidas nas escolas. Nessa perspectiva, inúmeras questões foram levantadas pontuando as diferenças ao acesso à informação e a necessidade de providenciar igualdade de oportunidades para evitar a exclusão social: a info-exclusão. Também, a referida autora salienta que os com excesso de informações, exige do sujeito a habilidade de saber o que procurar e onde procurar. A informação, pela sua grande quantidade e pela multiplicidade de utilizações que permite, tem de ser reorganizada por quem a procura, a quem compete interpretar, selecionar e sistematizar as informações recebidas, pois a informação se não for organizada não se constitui em conhecimento, não é saber e não se traduz em poder. Ainda fazendo referência a questão do acesso à informação, a autora nos diz que só o conhecimento pode organizar o conhecimento. Para conhecer, é preciso pensar, pois em vez de uma cabeça bem cheia, reclama-se uma cabeça bem feita, sendo esta aquela que é capaz de transformar a informação em conhecimento pertinente. Nesse sentido Alarcão faz referência a Morin (2000), o qual fala que “O conhecimento pertinente é o conhecimento que é capaz de situar qualquer informação em seu contexto, e se possível, no conjunto em que está inscrita”. As reflexões realizadas no conjunto de professores permitiu que o grupo percebesse que numa sociedade que aprende e se desenvolve, a escola não detém o monopólio do saber. O professor não é o único transmissor deste e o aluno também já não é mais o receptáculo a deixar-se rechear de conteúdo. Nessa nova conjuntura, ser aluno é ser aprendente em constante interação com as oportunidades que o mundo lhe oferece. Mais do que isso: ser aluno é aprender a ser aprendente ao longo da vida. Da mesma forma que o perfil de aluno está sendo modificado, o papel do educador precisa ser revisto. Conforme Alarcão, os professores são estruturadores e animadores das aprendizagens e não apenas estruturadores do ensino. Frente a essa nova realidade, cabe ao educador conscientiza-se que é mais uma fonte de informação, entre muitas outras. Nessa perspectiva, os educadores devem assumir-se como organizadores e promotores de conhecimentos significativos. Finalizando, Alarcão assevera que a constituição do professor reflexivo, se materializa no momento em que os professores tem claro a importância da elaboração conjunta do projeto político pedagógico, assim como quando compreendem que a elaboração desse documento deve basear-se numa visão prospectiva estratégica do que se pretende para a escola, de uma visão interpretativa da sua missão, a qual deve estar alicerçada valores assumidos pelo coletivo dos atores sociais presentes na vida da escola. Além disso, é Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 40 relevante que tenham ciência que o currículo é o conjunto de aprendizagens proporcionadas pela escola e consideradas socialmente necessárias num dado tempo e contexto, ou seja, são passiveis de mudança de acordo com as necessidades encontradas e as demandas dos alunos. CONCLUSÃO Conforme as práticas desenvolvidas, interações e trocas de conhecimentos, foi possível perceber a interdependência entre práticas pedagógicas significativas e ações reflexivas e interativas. Nessa perspectiva, o processo reflexivo sinaliza caminhos que poderão melhorar a ação pedagógica, desvelando acertos e erros do fazer docente, na perspectiva de construir novas formas de encaminhar o processo educativo. Ao finalizarmos o presente relato, ressaltamos que a efetivação de uma prática pedagógica significativa, inovadora e participativa demanda a constituição de um novo educador. Um educador que se permite pensar o entorno social, assim como pensar-se como sujeito que produz e é produzido pela cultura. Um sujeito que compreenda que a reflexão é a mola mestra que propicia a construção pessoal do conhecimento, assim como permite ao aprendente apropriar-se do conhecimento através da resolução de problemas, habilidade que lhe confere competência para compreender a dinamicidade do mundo, assim como a complexa função do educador nesse contexto. REFERÊNCIAS ALARCÃO, Isabel. Professores Reflexivos em uma Escola Reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003. BECKER, Fernando. Educação e Construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2001. FREIRE, P. Educação e Mudança. 3ª ed Rio de janeiro. Paz e terra, 1981. RIOS TA. Competência ou Competências — o novo e o original na formação de professores. In: Rosa DEG, Souza VTC, org. Didática e práticas de ensino: interfaces com diferentes saberes e lugares formativos. Rio de Janeiro: DP&A; 2002. p.154-72. Palavras-chaves: Professor reflexivo. Pibid . Prática docente. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 41 O TRABALHO EM SALA DE AULA E A PEDAGOGIA DE PROJETOS Ana Luiza Sartor1 Débora Raquel Gonçalves Da Luz2 Franciane Zorzan3 Patrícia Hemsing4 Micheli Weirich Dos Santos5 Marizela Ceretta Silveira6 INTRODUÇÃO Vivemos em uma sociedade que se apresenta, por vezes, um tanto quanto fragmentada, onde seus setores trabalham solitariamente, esquecendose da importância do compartilhamento de saberes e do trabalho coletivo. A lógica social instalada preconiza o “ter” acima do “ser”, fato que gera a fragilização dos valores morais e da ética. Assim sendo, precisamos de ações, em nossa sociedade, que busquem reverter esses fatos. Nesse contexto, a educação tem um papel importante. Ela precisa trabalhar em prol do resgate de uma sociedade que esteja mais voltada ao bem comum. E, pensando desta forma, torna-se necessário criar estratégias pedagógicas de intervenção a essa realidade. Consciente da sua responsabilidade social e do importante papel que possui no processo de formação das futuras professoras, a escola-campo, Instituto Estadual de Educação Odão Felipe Pippi, através do trabalho das bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID), realizou, no primeiro semestre de 2012, oficinas para o grupo de normalistas, objetivando apresentar ferramentas pedagógicas que auxiliem no resgate de importantes valores como cooperação, participação em sociedade, pesquisa, trabalho coletivo, ação crítica, etc. RESULTADOS E DISCUSSÃO Considerando a necessidade de se aprofundar o conhecimento sobre a Pedagogia de Projetos, realizamos uma oficina pedagógica sobre o tema. Optamos em apresentar a referida temática nesse formato por concebermos a oficina como tempo-espaço para vivência, a reflexão, a conceitualização; como síntese do pensar, sentir e agir. Como “o” lugar para a participação, a aprendizagem e a sistematização dos conhecimentos... Gosto da expressão que explica a oficina como lugar de manufatura e mentefatura. A partir das brincadeiras, da troca de experiências entre os participantes, confluem o pensamento, o sentimento e a ação. Dessa forma, a oficina pedagógica constitui o lugar do vínculo, da participação, da comunicação, da produção social de objetos, acontecimentos e conhecimentos (GONZÁLES, apud 1 Pedagogia – URI - Santo Ângelo ([email protected]). Ciências Humanas – URI - Santo Ângelo. 3 Ciências Humanas – URI - Santo Ângelo. 4 Ciências Humanas – URI - Santo Ângelo. 5 Ciências Humanas – URI - Santo Ângelo. 6 Curso Normal de Nível Médio - Instituto Estadual de Educação Felipe Pippi. Apoio Financeiro: URI - Santo Ângelo 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 42 Candau, 1995, p. 117) Na perspectiva de situar as normalistas sobre a temática, realizamos um breve resgate histórico sobre a pedagogia de projetos, apresentando alguns teóricos contemporâneos. Dentre eles temos Hernandes (1998, p. 56), afirmando que: Os projetos de trabalho contribuem para uma resignificação dos espaços de aprendizagem de tal forma que eles voltem para a formação de sujeitos ativos, reflexivos, atuantes e participantes. Na mesma direção Nogueira (2005, p. 98) explicita que: Quando os alunos trabalham com projetos, não precisam receber informações totalmente estruturadas, originadas somente do professor, [...], já que outros instrumentos, recursos e fontes serão acessados. Por este motivo ele consegue ser o facilitador do processo, [...], e ser facilitador é exatamente auxiliar seus alunos a acessar essas novas fontes. Após a explanação inicial, as alunas foram desafiadas a responder questionamentos como: Qual é a estrutura do projeto? De onde surgem os temas? O que são hipóteses? Quem faz a problematização? Qual o tempo de duração de um projeto? As respostas foram delineadas a partir da troca de experiências das normalistas e das acadêmicas, bem como a reflexão teórica encaminhada pelas bolsistas. Na oportunidade enfatizamos que o que caracteriza o trabalho com projetos não é a origem do tema, mas o tratamento dado a esse tema no decorrer do processo de aprendizagem, no sentido de torná-lo uma questão do grupo como um todo e não apenas de alguns alunos ou do professor. Assim sendo, o trabalho com projetos deve gerar uma inquietação no grupo que o faça buscar, sanar suas dúvidas e curiosidades e ir ao encontro de novos conhecimentos através da pesquisa. Assim, de forma igualitária, alunos e professores têm a possibilidade de recriarem conhecimentos pré-estabelecidos através dos seus questionamentos e hipóteses levantadas pelo grupo e, por consequência, a “verificação” das hipóteses, a organização e sistematização dos conhecimentos construídos. Na sequência, o grupo de normalistas foi convidado a participar de uma atividade lúdica, a qual possibilitou vivenciar a construção hipotética de um projeto. Nessa atividade foi solicitado que o grande grupo se subdividisse em grupos menores, de no máximo quatro pessoas, e, ali, montassem um projeto sobre algum tema que teriam alguma curiosidade e no decorrer do trabalho fossem anotadas as dúvidas que surgissem. Ao longo desta atividade, as acadêmicas foram de grupo em grupo orientando a montagem do projeto e discutindo as dúvidas que iam surgindo. Quando todos os grupos terminaram a montagem do seu projeto, foi feita a apresentação dos mesmos para o grande grupo e nova discussão a cerca dos mesmos. Surgiram temas como: “como surgiu a páscoa”, “como é feito o chocolate”, “animais que voam”, “natal”, entre outros. O que mais levantou discussão foi o questionamento sobre o olhar do professor para perceber que assunto os alunos “querem” trabalhar e de que forma ligar o que o alunos demonstram interesse com as habilidades e competências que precisam ser trabalhadas em determinada turma. O ponto que frisamos na discussão foi a respeito de que o professor precisa, sim, trabalhar sobre as curiosidades dos alunos, a partir disso vai propondo atividades que venham de encontro com “o que precisa ser trabalhado nesse ano”, através de atividades lúdicas que busquem unir as duas partes. No decorrer das apresentações, o grupo foi levantando seus questionamentos, mas o ponto central de toda discussão se baseou a respeito do olhar cuidadoso que o professor precisa ter durante o processo de ensino-aprendizagem. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 43 CONCLUSÃO Concluímos que a Pedagogia de Projetos é uma grande aliada dos professores e alunos sendo um avanço na educação, pois torna todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem como aliados na construção do mesmo, possibilitando ao aluno uma maior compreensão dos conteúdos pelas suas experiências, muitas vezes vividas fora dos muros da escola, deixando o professor de ser transmissor e o aluno de ser receptor. Assim, os alunos não só aprendem com o professor, mas também ensinam, onde todos aprendem juntos. Logo, acreditamos na relação educador - educando (re)criada numa perspectiva horizontal. Finalizando, podemos afirmar que o trabalho a partir da pedagogia de projetos, busca contribuir para a construção e consolidação de relações educacionais e sociais baseadas na interação, na solidariedade, na cooperação, no fazer coletivo, na valorização dos saberes e experiências de cada um, e na organização e formação de crianças e adolescentes. Na verdade, ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelos mundos. (FREIRE, 1987, p. 68) REFERÊNCIAS ANTUNES, Celso. Projetos e práticas pedagógicos na Educação Infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e Mudança na Educação: Os Projetos de Trabalho. Porto Alegre. Artmed, 1998. NOGUEIRA, Nilbo R. Pedagogia dos Projetos: etapas, papéis e atores. 3.ed. São Paulo: Érica, 2005. BARBOSA, Maria C. S. e HORN, Maria da Graça S. Projetos Pedagógicos na Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed, 2008. Palavras-chaves: Pedagogia de projetos. Professores. Alunos. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 44 A CONTRIBUIÇÃO DO JOGO NO ESTUDO DE CONJUNTOS NUMÉRICOS Rita Salete Kusiak1 Rosangela Ferreira Prestes 2 Eliane Retzlaff 3 Ben-hur Santos dos Anjos 4 Daniela Schmidt 5 Erondina de Andrade Marafiga 6 INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta algumas contribuições da utilização dos jogos enquanto recurso didático para aulas de matemática no ensino fundamental. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais direcionados a esse nível de ensino “Os jogos constituem uma forma interessante de propor problemas, pois permitem que estes sejam apresentados de modo atrativo e favoreçam a criatividade na elaboração de estratégias de resolução e busca de soluções”. Brasil (1998, p.46). Com base, nesse contexto, o presente trabalho descreve uma atividade elaborada pelos bolsistas integrantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID), subprojeto de Matemática da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - URI, Câmpus de Santo Ângelo, a qual abordou o conteúdo de Conjuntos Numéricos e teve como público alvo os alunos da 7ª série do Ensino Fundamental da EscolaCampo em que o Projeto vem sendo realizado. Para essa atividade utilizou-se um jogo semelhante a um bingo, entretanto com cartelas diferenciadas, objetivando auxiliar os alunos na visualização dos elementos, bem como na identificação do conjunto a que pertence de acordo com suas características. Uma alternativa desafiadora que pode contribuir para a redução do ensino repetitivo da Matemática, baseado muitas vezes, apenas, no arme e efetue. Optou-se pela utilização do jogo devido a sua importância e capacidade de proporcionar além da aprendizagem individual, um espaço para a interação e construção de conhecimentos coletivos, uma vez que todos participam, levantam hipóteses, criam estratégias e são motivados a pensar. A seguir descreve-se as etapas que constituíram o trabalho, a apresentação dos resultados e as ideias conclusivas advindas de seu desenvolvimento. METODOLOGIA Durante a vigência do Programa, antes de qualquer ação concreta, os bolsistas buscam embasamento teórico e realizam leituras e discussões no 1 Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo ([email protected]). Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 3 Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 4 Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 5 Ciências Exatas e da Terra - URI - Santo Ângelo. 6 - Instituto Estadual De Educação Odão Felippe Pippi. Apoio Financeiro: CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 45 grupo sobre as tendências que permeiam a educação matemática. Dentre elas, vários dos autores consultados, tais como Borin (1995), Grando (1997), Moura (1994) e outros, destacam os jogos como um recurso motivacional que não só divertem, mas criam situações que geram conhecimento e contribuem para a aprendizagem. Sustentados nessa ideia, desenvolveu-se, então, oficinas utilizando jogos para trabalhar os conteúdos matemáticos. Objetivando atender todas as séries que constituem o ensino fundamental, sem interferir no planejamento do professor regente de cada turma, os bolsistas organizaram e dividiram-se de modo que cada um ficasse responsável por uma série e desenvolvesse o respectivo conteúdo que estava sendo trabalhado no momento pelo professor. No início do ano letivo, desenvolvia-se na 7ª série, o conteúdo de conjuntos numéricos, como uma forma de revisão da série anterior, levando em conta que os alunos apresentavam dificuldades na classificação dos números. Com base nisso, a oficina construída direcionou-se ao estudo dos conjuntos e foi estruturada em duas partes. A primeira estava direcionada ao desenvolvimento teórico do conteúdo, na qual buscou-se em livros didáticos conceitos e exercícios referentes ao assunto, e a segunda, caracterizou-se pela construção da parte prática, ou seja, construção do jogo semelhante a um bingo, mas com cartelas contendo o diagrama dos conjuntos numéricos que deveriam ser corretamente preenchidas. Na aplicação dessa atividade em sala de aula, realizou-se antes do início do jogo, uma breve explicação do conteúdo para que fossem relembrados conceitos que porventura pudessem ter sido esquecidos, e ainda para discutir possíveis dúvidas. Para jogar, os alunos organizaram-se em duplas e cada uma, recebeu uma cartela diferenciada. O professor fez o sorteio aleatório dos números e os alunos a sua identificação, verificação do conjunto correspondente e devida marcação no diagrama. O grupo que preencheu primeiro e de forma correta a cartela foi o vencedor. A figura 1 representa um dos modelos de cartela utilizado: Figura 1. Cartela contendo o diagrama dos conjuntos numéricos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na realização da oficina, pode-se observar envolvimento dos alunos, que organizaram-se rapidamente nas duplas e ficaram atentos na explicação das regras do jogo e também na revisão do conteúdo. Durante a explicação não tiveram muitas dúvidas e questionamentos, entretanto no decorrer do jogo foi preciso fazer algumas pausas para retomar conceitos e para breves explicações. Ocorreram situações em que os alunos afirmaram ter vencido e disseram “bingo”, mas na verificação do preenchimento da cartela, havia números classificados em conjuntos incorretos, o que fazia com que o aluno retornasse ao jogo. O interesse e a motivação no desenvolvimento da atividade foi bastante notável, os alunos rapidamente visualizavam o número sorteado, marcavam-no na cartela e já pediam para que o jogo continuasse, sem se quer esperar o colega que ainda não tinha feito a identificação do conjunto ao qual o número sorteado pertencia. Acredita-se que o jogo além de ter proporcionado a verificação do conteúdo sobre conjuntos numéricos, auxiliou na aprendizagem e contribuiu para que os alunos percebessem a matemática como uma disciplina que pode ser divertida para estudar e aprender. CONCLUSÕES Dessa experiência verifica-se que a utilização de recursos diferenciados nas aulas de matemática motiva o aluno e contribui para o aumento de suas Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 46 potencialidades. Com relação aos jogos pode-se dizer o educando é levado a pensar e a aprender com seus erros e acertos, estimulando a sua inteligência e o seu raciocínio lógico. Outra característica a ser destacada é a contribuição do trabalho em equipe, pois os alunos fazem exercícios que possibilitam aprender a ouvir a opinião do outro e aceitá-la, ou em caso de discordância, construir o seu argumento. Nessa troca de saberes, mesmo que de forma indireta, o conhecimento matemático estará sendo construído, o que posteriormente poderá auxiliar na compreensão da linguagem matemática. Segundo Grando (1997) essa linguagem, de difícil acesso e compreensão do aluno, pode ser simplificada através da ação no jogo. De forma geral, o trabalho no PIBID tem sido uma experiência bastante enriquecedora para os acadêmicos, pois possibilita o contato com a realidade escolar, conhecendo-se, desde já, as dificuldades, anseios e desejos dos alunos, além de ter uma visão do dia a dia de um professor em sala de aula. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORIN, J. Jogos e Resolução de Problemas: uma estratégia para as aulas de matemática. São Paulo: IME-USP, 1995 - Coleção CAEM, vol. 6. Brasil, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática. Brasília: MEC / SEF, 1998. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/matematica.pdf> [Acesso em: 14 de jun. 2012]. GRANDO, R. C. A Construção do Conceito Matemático no Jogo. Revista de Educação Matemática. SBEM – SP, n. 3, p. 13-17, jan. 1997. MOURA, M. O. A séria busca do jogo: do lúdico na matemática. In: A Educação Matemática em Revista. SBEM – SP, nº 3, 2º sem 1994. Palavras-chaves: Jogos. Matemática. Conjuntos numéricos. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 47 ATIVIDADES EXPLORATÓRIAS EM SALA DIGITAL: UMA PROPOSTA DESENVOLVIDA NO PIBID ENSINO FUNDAMENTAL Daniela Jéssica Veroneze1 Nilce Fátima Scheffer2 Luzielli Franceschi3 O trabalho que iremos relatar refere-se à prática de iniciação docente desenvolvida por acadêmicas do Curso de Matemática da URI Erechim no subprojeto de Matemática do PIBID em uma escola Pública. Este trabalho envolve a exploração geométrica com as tecnologias de informação e comunicação nas séries finais do Ensino Fundamental, em atividades exploratórias com diferentes softwares nas versões Linux e Windows, problematizando os temas de geometria. O objetivo previsto para esta etapa volta-se para um trabalho de exploração de Geometria dinâmica, tendo em vista a visualização, utilizando-se ambientes virtuais de aprendizagem que proporcionam maior dinamicidade no ensino de Matemática e tornam as aulas mais atraentes e produtivas. Com a inserção das tecnologias da informação e comunicação - TIC, a educação passa a receber influências e mudanças na prática pedagógica. No ensino da Matemática propicia melhor visualização e dinamicidade de imagens na tela do computador, tornando as aulas mais atraentes o que pode facilitar o entendimento dos alunos. Com a chegada dos aparatos eletrônicos, segundo Scheffer (2006), os ambientes virtuais assumiram uma função importante na escola e despertaram interesses dos docentes para com o seu uso. Por este motivo podemos dizer que a incorporação das TIC pelos professores de Matemática pode ajudar no desenvolvimento das atividades, nas práticas e na aprendizagem dos conceitos. Para que isso ocorra é fundamental que o professor de Matemática, além de saber o conteúdo, tenha habilidades com tecnologias, tais como softwares, jogos e sites da internet. Desta forma o professor estará em constante atualização, pesquisando novas metodologias para tornar suas aulas mais dinâmicas e interessantes, ao encontrá-las terá condições de avaliá-las criticamente selecionando e estruturando de acordo com seus interesses e objetivos, a fim de organizar a prática pedagógica de modo a agregar novas informações aos conhecimentos que já possui. Com o Programa PIBID, subprojeto de Matemática na Escola Pública, o Curso de Matemática teve a possibilidade de junto aos seus acadêmicos inseridos no contexto escolar, trabalhar com softwares de forma a implementar a compreensão de conteúdos no Ensino Fundamental . A prática desenvolvida no Laboratório de Informática da escola, contemplou a exploração do softwares gratuito uma prática mais dinâmica e investigativa a partir da construção na tela do computador. Nota-se que o trabalho com estes artefatos no ensino, é visto como um ponto positivo porém, não é o suficente para que se possa estruturar a aprendizagem, pois o 1 Ciências Exatas e da Terra – URI - Erechim ([email protected]). Ciências Exatas e da Terra – URI - Erechim. 3 Ciências Exatas e da Terra – URI - Erechim. Apoio Financeiro: CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 48 computador tem o papel de completa-la trazendo para o processo de ensinoaprendizagem experiências mais ricas de movimento e visualização. Esta inserção e utilização tem sido de extrema importância para o ensino de geometria, pois, professores e alunos podem explorar este recurso de modo que as aulas se tornem mais dinâmicas, a partir da aplicação, construção e visualização geométrica por meio de softwares matemáticos. Aprender Geometria é fundamental, pois contribui para o desenvolvimento de outras áreas do conhecimento, esta que deve ser trabalhada desde as séries iniciais, pois ajuda na interpretação de conceitos, sejam eles matemáticos ou não. Para que os alunos compreendam com mais facilidade os conteúdos abordados pela geometria, é preciso familiarizar-se com as figuras geométricas e com suas características, estabelecer relações e inferir as propriedades geométricas com teoremas e aplicações. Consequentemente, experiências desse porte tem valor quanto ao estreitamento da relação da Universidade com a Comunidade Escolar, considerando a formação inicial e continuada de professores, e a elevação de índices do IDEB, porque os alunos passam a construir conceitos de maneira mais sólida. A inserção dos acadêmicos no contexto escolar durante a formação, promove a relação entre teoria e prática, o que é decisivo à futura profissão, atingindo assim, os objetivos previstos pela CAPES com o programa PIBID no país. REFERÊNCIAS SCHEFFER, N. F. O LEM na discussão de conceitos de geometria a partir das mídias: dobradura e softwares dinâmico. In: LORENZATO, S. (Org.). O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. Campinas, SP: Autores Associados, 2006. p. 93-112. Palavras-chaves: Programa pibid. Softwares gratuitos. Ensino fundamental. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 49 ESTUDO DAS RELAÇÕES MATEMÁTICAS NO QUADRADO MÁGICO Rogério Ozinkoski1 Ben-hur Santos Dos Anjos2 Rita Salete Kusiak3 Daniela Schimit4 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo descrever uma das ações desenvolvidas, com os alunos da 5ª série/6º ano do ensino fundamental (turmas 61, 62 e 63), do Instituto Estadual de Educação Odão Felippe Pippi, realizada pelos bolsistas do PIBID - Programa Institucional de Iniciação à Docência, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Câmpus de Santo Ângelo, subprojeto de Matemática, referente ao desenvolvimento de uma oficina com a utilização de um jogo matemático, intitulado QUADRADO MÁGICO, aplicado no conteúdo de Números Naturais. Pouco se conhece ainda hoje em dia sobre a história primitiva dos quadrados mágicos, porém sua origem parece situar-se na China. Existem estudiosos do assunto como DANTE (2003) e JANUÁRIO (2008) que afirmam terem, os mesmos, (quadrados mágicos) surgido há cerca de 3000 anos na China, e ainda, segundo estes, também na Índia. Os quadrados mágicos são arranjos quadrados de numerais em que as linhas, colunas e diagonais têm a mesma soma. E o nome quadrado mágico foi dado a este tipo especial de arranjo geométrico porque se acreditava que tivessem poderes especiais. A atividade em análise teve como intuito promover o estudo e a compreensão das regularidades matemáticas existentes nas figuras geométricas denominadas quadrados mágicos de ordem ímpar 3x3 e ainda, verificar se as relações matemáticas são mantidas ao se procurar novas soluções. Como pré-requisitos para a realização dessa atividade foi estabelecido à necessidade dos alunos possuírem a noção sobre as propriedades operatórias da adição (especialmente distributiva e comutativa) e ainda, da decomposição numérica por meio da soma de parcelas. METODOLOGIA Em face das condições especificadas, o momento escolhido para aplicação da atividade foi o término da Unidade Didática – Adição. A oficina foi planejada e desenvolvida para aplicação em 04 (quatro) horas-aulas. A organização da sala se deu com a distribuição em grupos de três alunos. O material utilizado na oficina foi papel quadriculado, papel sulfite, fichas de trabalho, lápis, régua e borracha. Atividades desenvolvidas no LEM /URI As atividades foram organizadas nas seguintes etapas: 1° momento: Identificação dos conhecimentos prévios dos alunos em relação ao tema proposto. A atividade inicial correspondeu à apresentação para os alunos por meio de um 1 Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo ([email protected]). Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 3 Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 4 Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. Apoio Financeiro: PIBID/CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 50 breve relato da definição e a origem dos quadrados mágicos. 2º momento: Propôs-se aos alunos à realização de uma pesquisa bibliográfica extraclasse sobre quadrados mágicos abordando aspectos históricos e culturais das civilizações que utilizaram o artefato. 3º momento: Após a realização da pesquisa, o conteúdo foi retomado por meio da socialização dos resultados obtidos sobre o assunto pesquisado. Por uma intervenção dialógica, os depoimentos dos alunos foram direcionados na ênfase de ao longo da história os quadrados mágicos estarem relacionados a mitos, crenças, misticismos e ao sobrenatural. .4º momento: Com o intuito de promover o estudo das propriedades e familiaridades existentes tais como: os valores distribuídos nas linhas, colunas, diagonais, a característica do valor do elemento central e ainda dos valores dos elementos posicionados nos extremos dos quadrados, promoveu-se a distribuição da ficha de trabalho. 5º momento: Com a ficha de trabalho, inicialmente os alunos foram incentivados em grupo a tentarem solucionar por si próprios o desafio apresentado de distribuir os números de 1(um) a 9 (nove) em um quadrado de ordem 3x3 de tal forma que a soma de cada linha, coluna e diagonal obtivesse o mesmo valor. Com o surgimento das dúvidas e de forma a contribuir com a construção do conhecimento por parte do próprio aluno e ainda valorizar as diferentes estratégias adotadas pelos mesmos para a resolução da atividade proposta, passei a atuar como interlocutor por meio de questionamentos dirigidos. 6º momento: com o objetivo de verificar o grau de envolvimento, socializar as diferentes estratégias adotadas pelos alunos ou ainda, oferecer subsídios para compreensão do assunto estudado, fazendo uso novamente da técnica do questionamento dirigido, foi elaborado com os alunos um texto que resumia as particularidades de um quadrado de ordem ímpar 3x3, peculiaridades estas que são destacadas a seguir: Primeira: o número que ocupar a célula central do quadrado, o qual é denominado número planetário, ou ainda constante mágica, deve representar a média aritmética da soma de todos os números, incluído ele, existentes no quadrado mágico; Em outras palavras, em um quadrado mágico de nove células o número que ocupa a célula central é igual ao valor da adição de todos os números existentes no quadrado (A) dividido pelo número de células, ou seja, A/9. Segunda: Cada linha ou coluna ou diagonal do quadrado mágico é 1/3 da soma dos números existentes; Terceira: Se o elemento que ocupa a posição central é um número ímpar, as extremidades terão números pares; Quarta: Se o elemento que ocupa a posição central é um número par, as extremidades terão números ímpares; RESULTADO E DISCUSSÕES Das atividades propostas verificou-se uma baixa adesão na realização da pesquisa extraclasse, a qual segundo os alunos teria deixado de ser realizada devido ao período de provas e reduzido prazo de tempo para apresentação da pesquisa, também teria corroborado de acordo com as palavras dos estudantes o fato de ser não ser uma prática freqüente a realização de pesquisas. Em face do exposto, verificou-se a necessidade da inserção em trabalhos futuros de forma gradativa e contínua a questão da pesquisa. Embora o baixo percentual de alunos que efetivamente realizaram a pesquisa, percebeu-se os alunos envolvidos com o trabalho proposto fato este denotado pela disposição dos mesmos em verbalizar e socializar as Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 51 observações regulares encontradas, e ainda pelo desejo de mostrar em aulas subsequentes as novas habilidades adquiridas na construção de quadrados mágicos de ordem 3x3, utilizando valores sequenciais convencionados por eles próprios.Quanto a proposta inicial de preencher o quadrado com números de 1(um) a 9 (nove), de forma que a soma em cada linha, coluna e diagonal fosse igual, os alunos tão logo a receberam se lançaram no objetivo de completá-lo sem preocupação com a adoção de algum procedimento, a estratégia adotada era o uso do método de tentativa e erro. Em face da dificuldade inicial, e utilizando questionamentos dirigidos conceitos foram revisados como: área e perímetro de um quadrado, que a figura geométrica em análise poderia ser também representada como fração e dividida em nove partes iguais, logo cada célula do quadrado representava um 1/9 e que, portanto cada linha representava 1/3 da soma total. Outro óbice se deu para perceber que o número que ocupa a posição central é a média aritmética da soma de todos os números, incluído ele, existentes no quadrado mágico e ainda que a resolução do quadrado mágico se inicia por este elemento único de posição central. CONCLUSÃO Com esta atividade buscou-se oferecer subsídios, para que o estudante por meio da confrontação e da análise de dados levantados, e ainda, da socialização com os demais colegas da turma percebesse as regularidades existentes entre os elementos numéricos constantes do quadrado mágico e, por conseguinte construísse novas habilidades em relação ao conteúdo matemático supracitado. A utilização do binômio (jogo e aspectos históricos da matemática) mostrou-se um canal viável, interessante e atrativo para os estudantes, tornando o aluno sujeito ativo no processo de aprendizagem, fato este denotado pela disposição dos mesmos em verbalizar e socializar as observações regulares encontradas. Cabe sugerir aos professores o uso de novas metodologias e tendências de ensino oferecendo outras possibilidades e caminhos para que os alunos possam aprender novos conhecimentos matemáticos de forma mais agradável, como por exemplo na utilização de jogos e da história da matemática vinculada a aspectos culturais, e a própria necessidade do homem ao longo da história da humanidade. Ademais, a atividade em análise, colaborou no processo de formação acadêmica permitindo a efetiva prática docente, oportunizando ainda, uma reflexão na importância do processo de ensino-aprendizagem por meio de metodologias diferenciadas. REFERÊNCIAS DANTE, Luiz Roberto. Tudo é Matemática/5ª Série. São Paulo: Ática, 2003. GIOVANNI JR, José Ruy. A Conquista da Matemática/6ºAno. São Paulo: FTD, 2009. GIOVANNI JR, José Ruy. Aprendizagem e Educação Matemática. São Paulo: FDT, 1990. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 52 IEZZI, Gelson; DOLCE, Osvaldo; MACHADO, Antonio. Matemática e realidade. São Paulo: Atual,1996. JANUÁRIO, Gilberto. Quadrados Mágicos: uma proposta de aprendizado com enfoque etnomatemático. In: III Congresso Brasileiro de Etnomatemática. Anais. CBEm3: Etnomatemática: novos desafios teóricos e pedagógicos. Niterói:UFF, 2008. TOLEDO, Marília; TOLEDO, Mauro. Didática de Matemática: como dois e dois: a cosntrução da matemática. São Paulo: FTD, 1997. O Quadrado Mágico – IMática http://www.matemática.com.br.[versão 2.0] acessado em 02 Abr 12 Palavras-chaves: Quadrado mágico. Ensino fundamental. Números naturais. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 53 ESTUDO E ANÁLISE DE ASPECTOS MATEMÁTICOS E SUAS APLICAÇÕES E PRESENÇAS EM SITUAÇÕES COTIDIANAS Alex Da Silva1 Eduardo Post2 Carmo Henrique Kamphorst3 INTRODUÇÃO Alguns conhecimentos prévios, relacionados à Matemática são percebidos antes mesmo do estudante ingressar no ambiente escolar, estes conhecimentos necessitam, portanto, de um estudo para uma possível formalização. Trabalhar com que o estudante já conheça, ou ouve falar todos os dias, pode auxiliar na elaboração de conexões entre os conhecimentos matemáticos e os conhecimentos prévios. Na escola, o estudante, juntamente com todos os membros do processo educativo, desenvolve sua criatividade, diferentes formas de soluções a problemas propostos e a formulação de perspectivas frente ao ensino. Isso propiciado pelas ações do professor, com o intuito de não tornar a Matemática algo mecânico. Qual o professor de Matemática que nunca foi indagado com a seguinte questão: “para que eu vou usar isso professor?”. Este questionamento causa muitas inquietações e coloca o professor e futuro professor de Matemática em um impasse, que dará início a uma reflexão de como fará a partir de então, para superar tal dificuldade. Nesse intuito, os licenciandos-bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) – Subprojeto de Matemática da URI, Câmpus de Frederico Westphalen, procuram desenvolver suas atividades na Escola de Educação Básica, levando em consideração, tais posicionamentos. Neste trabalho, são apresentadas algumas ponderações da oficina realizada com os estudantes de três turmas de 8º série do Ensino Fundamental, que se denominou: “Presenças Matemáticas”, que teve como objetivo primordial, perceber a presença e a aplicabilidade de conhecimentos matemáticos em diversas situações do cotidiano. Logo nesta discussão, apresentam-se aspectos da relação da matemática cotidiana com as aulas de matemática desenvolvidas pelos licenciandos-bolsistas, fazendo uma reflexão sobre a utilização deste encaminhamento na prática pedagógica destes licenciandos. METODOLOGIA Nesta atividade, desenvolvida pelos licenciandos-bolsistas, utilizou-se artigos de revistas que envolviam temas relacionados à Matemática. Alguns títulos foram os seguintes: “Ano de eleições, ano de estatística”, que estabelecia relações de alguns tópicos da estatística presentes nas eleições; “A próxima fronteira da matemática”, que procura estabelecer interlocuções entre biologia e matemática; “Entre na rede e fique rico”, que consiste na presença 1 Ciências Exatas e da Terra – URI - Frederico Westphalen ([email protected]). Ciências Exatas e da Terra – URI - Frederico Westphalen 3 Ciências Exatas e da Terra – URI - Frederico Westphalen. Apoio Financeiro: CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 54 da Matemática nos jogos de azar e sobre fórmulas mágicas que poderiam garantir o acerto em algum jogo; entre outros. A proposta do desenvolvimento desta oficina tomou como ponto de partida o cotidiano discutido com algum conteúdo matemático, tendo como intenção a mobilização de aspectos pelos estudantes, a fim de perceber seus posicionamentos frente à Matemática. O desenvolvimento da atividade deu-se em quatro momentos: • Divisão dos grupos e distribuição dos textos; • Com o texto selecionado, procedeu-se a leitura crítica do mesmo, com o intuito de selecionar as ideias principais contidas e a percepção de quais conteúdos matemáticos estavam presentes; • A partir dos aspectos percebidos anteriormente, o terceiro momento consistia na elaboração de um texto, descrevendo todo o seu entendimento, o detalhamento de suas opiniões e outros enfoques possíveis; • E, num quarto momento, a socialização com os colegas, visto que eram vários textos e vários grupos diferentes. Neste momento, os estudantes poderiam optar a forma de socialização, seja ela por apresentações de slides, resumos, materiais concretos, etc. RESULTADOS E DISCUSSÕES A prática pedagógica dos licenciandos-bolsistas do PIBID objetivou pensar os estudantes, como sujeitos de sua própria aprendizagem e mobilizadores de seu próprio raciocínio, visto que o papel dos licenciandosbolsistas, nesta oficina, é ser um orientador, traçando princípios norteadores para o sucesso da atividade, onde o estudante é o centro de todo o processo. Na proposição de atividades procurou-se despertar nos estudantes, a presença da Matemática em determinadas situações, fazendo com que eles possam perceber os problemas, as soluções, para poder então compreender as aplicações do conhecimento matemático na vida cotidiana. Na medida em que é o aluno que constrói seu conhecimento num processo singular que se desenvolve no coletivo da sala de aula, o professor é organizador do ambiente e das situações de aprendizagem, é questionador, incentivador, facilitador, mediador, avaliador desse processo. (RIO GRANDE DO SUL, p. 45, 2009). O trabalho em grupo é um componente essencial, para que estes aspectos sejam percebidos: É fundamental que a sala de aula seja organizada ora para o trabalho em pequenos grupos, ora em duplas, ora no grande grupo, para que se promovam discussões, troca de ideias, o desenvolvimento da autoconfiança para argumentar e defender ideias e respeitar as ideias e os argumentos dos outros. (RIO GRANDE DO SUL, p. 44, 2009). Com o estudo e divulgação de diversos métodos que possam significar o ensino, o PIBID - Subprojeto de Matemática, através de seus licenciandos-bolsistas e professores orientadores, buscam integrar-se em uma reformulação, um novo posicionamento, destes métodos na concretização da ação docente, ou seja, considerando as possibilidades oriundas do aproveitamento dos contextos em quais a Matemática se insere. Perceberam-se aspectos diversos, no que se refere à pesquisa. A percepção sobre as dificuldades em selecionar as ideias principais e a elaboração do novo texto detalhando seus próprios posicionamentos. A utilização de ferramentas computacionais neste caso, o Power Point e a socialização foram situações encaradas com facilidade. O engajamento dos estudantes em relação à oficina desenvolvida fora plenamente satisfatório, visto que, os temas abordados são situações em que a Matemática está Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 55 inserida, e que muitas vezes passa despercebida aos olhos desses estudantes. Mas quando, objetiva-se pensar a respeito dessas situações é inegável a íntima relação da Matemática, quer seja de uma forma mais específica, quer seja de forma mais geral. CONCLUSÃO Vivenciar ações pedagógicas diferenciadas denota a formação inicial de professores, novos significados. É na formação inicial, através da licenciatura e da união de todos os componentes curriculares, que o futuro professor adquire seus modos de pensar, as metodologias e os pressupostos que poderão nortear sua ação docente futura. Ao munirem-se de novas metodologias os licenciandos-bolsistas, futuros professores, mobilizaram diversos aspectos, dentre eles, o novo posicionamento frente ao ensino de Matemática. Isto pode ser percebido, quando da realização das oficinas, esses puderam se engajar no interior da escola, de modo a efetivar com eficácia as ações propostas pelo PIBID. Os estudantes da Escola de Educação Básica quando instigados a trabalharem de maneira inovadora, neste caso com a ligação da Matemática com a vida cotidiana, podem socializar-se com maior facilidade a produção de textos, perdendo o receio do falar em público, entre outras percepções. Enfim, ensinar exige novos e constantes desafios. Significar a Matemática como uma disciplina aplicável a diversas situações, que objetive o estudante a entender sua própria realidade, é requisito primordial para que sua aprendizagem aconteça. REFERÊNCIAS RIO GRANDE DO SUL. Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: Matemática e suas tecnologias. Porto Alegre: SE/DP, 2009. Palavras-chaves: Pibid. Ensino de matemática. Situações cotidianas. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 56 HISTÓRIA EM QUADRINHOS: UMA ALTERNATIVA PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA Jéssica Freitas Avrella1 Aline Danelli2 Rosane Fontana Garlet3 Eliane Miotto Kamphorst4 INTRODUÇÃO Atualmente o educador necessita estar em constante aperfeiçoamento, buscando sempre novas metodologias e novas técnicas que objetivem um ensino de Matemática mais significativo. Felizmente, essa disciplina nos abre um leque de possibilidades, permitindo aos docentes a utilização de várias ferramentas importantes que visam tornar as aulas interessantes, envolventes e, sobretudo, produtivas do ponto de vista da construção/aquisição de conhecimentos. Dentre as alternativas disponíveis pode-se ressaltar o trabalho com Tecnologias nas aulas de Matemática, munindo o professor com diversas estratégias para significar os conteúdos. Há inúmeras opções de softwares capazes de facilitar o processo de ensino-aprendizagem, os quais podem ser empregados no contexto escolar, podendo facilitar a compreensão e reduzir a aversão dos alunos em relação aos conceitos trabalhados em sala de aula. Visando a introdução de ambientes informatizados às aulas de Matemática, os bolsistas do PIBID/Subprojeto de Matemática da URI, Câmpus de Frederico Westphalen, realizaram diversas oficinas que focaram a utilização das tecnologias informáticas. Uma dessas oficinas, aplicadas às turmas de 6ª série e 6º ano consistiu em construir histórias em quadrinhos envolvendo fatos relacionados a origem das frações, tendo como principal ferramenta o software HagáQuê. O HagáQuê é um software gratuito, desenvolvido na UNICAMP, que permite a criação e edição de histórias em quadrinhos. Possui em seu banco de imagens diferentes opções de cenários, objetos e personagens, além de possibilitar a busca de outras figuras existentes no computador ou até mesmo da internet para incrementar a história (UNICAMP, 2012). Assim, esse programa dá ao aluno a possibilidade de desenvolver sua inventividade e o familiariza com o conteúdo de uma forma diferenciada e divertida. Diante disso, neste trabalho falar-se-á da experiência vivenciada a partir da aplicação da oficina Explorando a História das Frações. Serão destacados a metodologia e os resultados obtidos, dando ênfase aos aspectos visualizados a cerca dessa oficina. 1 Ciências Exatas e da Terra – URI - Frederico Westphale ([email protected]). Ciências Exatas e da Terra – URI - Frederico Westphalen. 3 Ciências Exatas e da Terra – URI - Frederico Westphalen. 4 Ciências Exatas e da Terra – URI - Frederico Westphalen. Apoio Financeiro: CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 57 METODOLOGIA Visando o desenvolvimento de uma atividade relacionada ao estudo da história das frações, propôs-se o planejamento e a aplicação de uma oficina abordando o tema a partir de uma pesquisa bibliográfica e em sites de busca, bem como a posterior elaboração de uma história em quadrinhos com auxílio do software HagáQuê. Com esse intuito, primeiramente realizou-se a explanação oral da atividade, seguida da apresentação do software HagáQuê e demonstração de seus recursos. Posteriormente, em duplas, os alunos buscaram informações relativas à origem das frações. Usando de sua capacidade criadora os discentes construíram a história em quadrinhos baseados em suas pesquisas. Por fim, sucedeu-se a apresentação de cada uma das histórias por seus respectivos autores, finalizando a oficina. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os Referenciais Curriculares de Matemática (Lições do Rio Grande) abordam de forma significativa o trabalho em relação ao ensino das frações: O estudo das frações explora a história da Matemática, mostrando que elas surgiram da necessidade do homem de medir no Egito Antigo. [...] evitou-se um trabalho com ênfase em regras, pelo contrário, enfatizou-se a compreensão. Partindo da análise de situações, o aluno tem a oportunidade de estabelecer relações e chegar a conclusões com autonomia. (RIO GRANDE DO SUL, p. 57, 2009). Partindo desse pressuposto, pensou-se num trabalho que investigasse aspectos relevantes da história e suas ligações com o contexto do ensino das frações. O trabalho com a história pode dar significado a diversos conteúdos matemáticos, neste caso, as frações. Quando os estudantes conhecem o passado do conteúdo estudado, passam por consequência disso, a perceber que a Matemática é extremamente importante, com inúmeras aplicações ao longo da história. Transformar a história da Matemática em um recurso didático contribui significativamente para a valorização do aprendizado em Matemática, pois esta está presente no desenvolvimento das civilizações. Resgatar os fatos e os processos históricos pode se tornar um importante aliado no processo educativo, além de se constituir em um ótimo recurso para o trabalho interdisciplinar, em virtude dos aspectos culturais presentes. Diversos objetivos foram pensados e discutidos durante a elaboração e desenvolvimento desta oficina, dentre eles destacam-se: a pesquisa na internet e em livros que abordavam a temática em questão; a construção, desenvolvimento e apresentação da história em quadrinhos; despertar o interesse e o gosto pela Matemática e, incentivar a criatividade. Percebeu-se um grande interesse e empenho dos estudantes no desenvolvimento de toda a atividade, em especial, a motivação dos mesmos para a elaboração da história no HagáQuê. Salienta-se ainda que a maior dificuldade consistiu na realização da pesquisa e a sua transposição para a história em quadrinhos, o que proporcionou discussões sobre viabilidades e possibilidades. Cabe destacar também que essa oficina evidenciou que o uso da metodologia adotada neste trabalho, contribuiu para a compreensão dos conceitos envolvidos de um modo atrativo. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 58 CONCLUSÕES O professor sempre deve se adaptar aos avanços da ciência, deixando de lado o uso exclusivo de metodologias tradicionais, visto a importância da utilização de procedimentos diferenciados e criativos de ensino para despertar um maior interesse dos alunos pela disciplina. Nesse contexto destacam-se as tecnologias informáticas como recursos didáticos que, usadas de modo adequado, podem contribuir para a melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem (PAIS, 2002). O software HagáQuê, em particular, torna as aulas de Matemática mais enriquecedoras, a partir da proposição de atividades voltadas ao desenvolvimento da criatividade. A metodologia proposta no presente trabalho proporcionou ainda a realização de estudos bibliográficos e/ou em ambientes virtuais e, consequentemente a aquisição de conhecimentos básicos para o estudo das frações. REFERÊNCIAS PAIS, Luiz Carlos. Educação Escolar e as Tecnologias da Informática. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. RIO GRANDE DO SUL. Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: Matemática e suas Tecnologias. Porto Alegre: SE/DP, 2009. UNICAMP. Novidades. Disponível em: . Acesso em: 11 jun. 2012. Palavras-chaves: História em quadrinhos. Ensino de matemática. Pibid. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 59 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 60 O PIBID E O LABORATÓRIO DE MATERIAIS: UMA PRÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL Daniela Jéssica Veroneze 1 Simone Fátima Zanoello 2 Camila De Aguiar 1 Larissa Ronsoni 1 Nelize Fracaro 1 Este trabalho apresenta a prática desenvolvida pelo Curso de Matemática da URI Câmpus de Erechim, que faz parte do Programa PIBID desenvolvido em uma Escola Pública, abrangendo as quatro séries finais do Ensino Fundamental. A prática envolve a construção de materiais alternativos para o Laboratório de Ensino de Matemática aplicado na escola que darão suporte ao trabalho desenvolvido em sala de aula. O trabalho vem sendo realizado em uma escola pública de Erechim que teve início no ano de 2010 com o programa PIBID na URI. Após a apresentação das propostas do subprojeto de Matemática na escola iniciou a prática contextualizada junto aos alunos e professores do Ensino Fundamental. Os objetivos estabelecidos para a prática na escola, foram: implementar o Laboratório de Ensino de Matemática; munir a escola de materiais; desenvolver Oficinas de Matemática em sala digital com alunos das séries finais do Ensino Fundamental e proporcionar uma nova proposta pedagógica tendo em vista auxiliar no processo de ensino e de aprendizagem. Com isso quer se incentivar os professores de Matemática a desenvolverem aulas mais dinâmicas e inovadoras, na busca de uma prática amparada por materiais concretos do Laboratório de Ensino de Matemática, para o Ensino Fundamental. Nos tempos atuais o professor cada vez mais busca alternativas que auxiliem na aplicação e desenvolvimento dos conteúdos, o que proporciona ao aluno a aprendizagem de forma que desenvolva a capacidade de analisar, conjecturar, tomar decisões e resolver diferentes problemas. Nesse sentido o Laboratório de Matemática pode ser visto como um espaço de construção do conhecimento, pois pode possibilitar melhorias e desenvolver habilidades fundamentais a aprendizagem matemática dos alunos, além de proporcionar atividades práticas, com os materiais concretos construídos tanto pelas acadêmicas quanto pelos alunos das séries. Por muito tempo, o ensino da Matemática foi caracterizado pela repetição, memorização de fórmulas e, a metodologia se baseava na transmissão de informações pelos professores, hoje com progresso de teorias cognitivas e metodológicas, a realidade mudou. O Ensino de Matemática, em todos os níveis, identifica-se com a aprendizagem a partir do concreto. É de extrema importância que o professor desenvolva um planejamento definindo os objetivos a serem alcançados com a utilização do material concreto, fornecendo condições de aprendizagem. Isso implica que a maioria dos materiais concretos despertam curiosidades, como descobrir diferenças e semelhanças, a chegar as próprias soluções. Considerando a importância de propiciar isso aos alunos, torna-se necessário buscar uma formação para os professores, que, de acordo com Scheffer (2006). Discutir diferentes alternativas para a sala de aula gera certa preocupação com os objetivos da 1 2 Acadêmicas do Curso de Matemática da URI - Erechim Professora do Curso de Matemática da URI - Erechim Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 61 matemática, sua apropriação, e com aspectos didáticos pedagógicos que abrangem o fazer do professor. Essa é uma das atribuições que envolvem o trabalho no LEM presente na escola (p. 92). Ao longo dos quatro semestres de desenvolvimento deste projeto foram confeccionados jogos para as quatro séries finais Ensino Fundamental, com o objetivo de auxiliar o processo de ensino e aprendizagem da Matemática, no qual foi se desenvolvendo e construindo jogos perante a necessidade trabalhada em sala de aula. Com esse trabalho, os acadêmicos do Curso de Matemática, professores em formação tem a oportunidade de vivenciar a prática pedagógica no contexto escolar e auxiliar professores de Matemática em sala de aula, desenvolvendo oficinas digitais e práticas com materiais alternativos para contribuir de forma exploratória no ensino e na aprendizagem da Matemática. Contudo, um trabalho com essas características de abrangência, como é o caso, do Programa PIBID, vai ao encontro dos anseios dos professores e motiva ainda mais os sujeitos envolvidos a aprender e a ensinar a Matemática contextualizada. Palavras Chave: Material Concreto. Programa PIBID. Laboratório de Ensino de Matemática. REFERÊNCIAS SCHEFFER, N. F. O LEM na discussão de conceitos de geometria a partir das mídias: dobradura e software dinâmico. In: LORENZATO, S. Org. O Laboratório de Ensino de Matemática na formação de professores. Campinas, SP: Autores Associados, 2006. 94-113. Palavras-chaves: Material concreto. Programa pibid. Laboratório de ensino de matemática. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 62 UTILIZANDO A CALCULADORA CIENTÍFICA NAS OPERAÇÕES DE POTÊNCIA E RADICAIS Ben-hur Santos Dos Anjos1 Rosangela Ferreira Prestes2 Rita Salete Kusiak3 Daniela Schmidt4 Adriano Walczynski5 Eliane Retzlaff6 Erondina De Andrade Marafiga7 INTRODUÇÃO A matemática é uma das disciplinas da Educação Básica apontada pelos alunos como uma das mais temidas, de difícil compreensão e também é a que apresenta um dos maiores índices de reprovação. Neste sentido, utilizar em sala de aula recursos que possibilitem o aprendizado dos conteúdos dessa disciplina, torna-se uma necessidade evidente. Atualmente, diversas são as possibilidades e recursos disponíveis para uso pedagógico, os quais têm grande contribuição a oferecer, portanto sua escolha e utilização devem ser realizadas pelo professor de acordo com o conteúdo a ser trabalhado e objetivo a serem alcançados. A calculadora, por exemplo, é um dos recursos de fácil acesso, muito utilizada em diferentes situações do cotidiano e encontrada numa variedade de modelos e preços. No setor comercial é considerado um instrumento facilitador de cálculos e ainda uma ferramenta de trabalho. Na escola, se utilizada de forma reflexiva e bem planejada pode contribuir para o aprendizado de diversos conteúdos matemáticos, levando os alunos desenvolverem a capacidade de investigação, resolução de problemas, formulação e teste de hipóteses, promover a comunicação e argumentação de suas idéias com clareza. Em nosso entendimento a escola deve preparar o aluno para o futuro e isso inclui incorporar os avanços tecnológicos desde as séries inicias, de forma gradativa e consciente. Para D’Ambrosio (1986, p. 42), a escola “deve se antecipar ao que será o mundo de amanhã. É impossível conceber uma escola cuja finalidade maior seja dar continuidade ao passado. Nossa obrigação primordial é preparar gerações para o futuro”. O foco das discussões passa a ser o como utilizar-se dessas tecnologias de forma a contribuir para o desenvolvimento do pensamento matemático dos alunos. Nesse contexto, o uso da calculadora em sala de aula, implicará em mudanças na postura do professor e que o mesmo esteja ciente de que não basta 1 Departamento de Ciências Exatas e da Terra - URI - Santo Ângelo ([email protected]). Departamento de Ciências Exatas e da Terra - URI - Santo Ângelo. 3 Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 4 Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 5 Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 6 Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. 7 Departamento de Ciências Exatas e da Terra – URI - Santo Ângelo. Apoio Financeiro: CAPES 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 63 incorporar o uso dessa ferramenta ou apenas permitir que os alunos façam uso desta nas aulas de matemática. Esta tomada de decisão requer ser precedida de reflexões, e compete ao professor incentivar e utilizar de forma consciente em suas aulas. Para Silva (1989 p. 3), “a calculadora se introduzida na aula de Matemática sem qualquer projecto educativo que a sustente será mais um ‘modernismo’ que nada mudará para além de poder criar grande insegurança em professores e alunos.” A calculadora deve ser utilizada pelo professor em sala de aula para promover situações de aprendizagem que levem os alunos “a refletir sobre a construção do conhecimento matemático e a socialização do saber, transformando a sala de aula em um ambiente propício à discussão, troca de experiências e de elaboração de estratégias para se construir uma nova sociedade brasileira” (OLIVEIRA, 1999, p 144). Diante do exposto, este trabalho descreve uma das ações realizadas pelos bolsistas acadêmicos do PIBID da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões Câmpus de Santo Ângelo na área de Matemática. A atividade tem como objetivo utilizar como recurso a calculadora científica no estudo das operações de potência e radical com alunos da oitava série. O trabalho foi desenvolvido com auxilio dos professores regentes das turmas 81, 82, 83 e 84 no Instituo Estadual de Educação Odão Felippe Pippi. Justifica-se a escolha deste recurso para o desenvolvimento de atividades com estas turmas devido ao fato de que muitos alunos estão ingressando no ensino médio sem ter ao menos um contato com esta ferramenta. O trabalho proposto foi realizado por meio de uma revisão bibliográfica em artigos e outros materiais já publicados que abordam este assunto. A seguir apresenta-se uma breve descrição do processo realizado. METODOLOGIA Atividades desenvolvidas no LEM /URI As atividades foram organizadas nas seguintes etapas: A primeira etapa compreende ao estudo teórico sobre as contribuições das tecnologias no ensino da Matemática, subsidiadas por autores como D’Ambrosio (1986, p. 42), Oliveira (1999), Ponte (1999), Silva (1991). Esse estudo teve como objetivo investigar o uso da calculadora no desenvolvimento de conteúdos no ensino da matemática, bem como proporcionar aos acadêmicos, reflexões para as suas atividades de sala de aula. A segunda etapa refere-se ao estudo teórico sobre potências e radicais, realizadas com base em autores como Giovanni (2002), Volpino (1986). A terceira etapa compreende a construção do material didático e análise no grupo, por meio de testes realizados com os acadêmicos bolsistas do projeto e professores colaboradores no LEM. Atividades desenvolvidas na EscolaCampo A atividade intitulada “Calculadora Científica nas operações de potência e radicais” teve como objetivo auxiliar os alunos na utilização da calculadora cientifica para resolução de operações envolvendo potencias e radicais. O público alvo deste trabalho foi os alunos da 8ª série, divididos nas turmas 81, 82, 83 e 84 da Escola-Campo que vem sendo desenvolvido o projeto. Utilizouse para a realização de tal proposta um período de 2 horas/aula com cada turma e disponibilizou-se aos alunos calculadoras do modelo BELL´S Kc-108. Em relação à organização da sala, os alunos trabalharam em duplas, para que pudessem discutir entre si os assuntos referentes ao conteúdo, mas solicitando sempre que necessário o auxilio dos acadêmicos para fazer questionamentos Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 64 relacionados ao modo de efetuar os cálculos na máquina, ou ainda, para esclarecer dúvidas referentes às suas funcionalidades. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados da oficina mostram para nos acadêmicos que as maiores dificuldades dos alunos não concentrou-se na utilização da ferramenta e sim na resolução dos cálculos. Das atividades propostas verificou-se que os alunos demonstraram grande interesse e envolvimento em aprender como se utilizava a calculadora científica, havendo uma grande interação dos mesmos com os acadêmicos. Destaca-se também que as atividades desenvolvidas proporcionaram momentos de discussões e reflexões, fato este que proporcionou o enriquecimento do trabalho proposto pelos bolsistas. Em nosso entendimento, essa atividade prática e explicativa, contribuiu para que os alunos além de se familiarizarem-se com essa ferramenta puderam entender melhor a aplicação em situações do cotidiano. Diante desses resultados, podese afirmar que a oficina teve o resultado positivo, fato este comprovado por meio dos relatos do grupo de trabalho, os quais serão evidenciados em trabalhos futuros e os quais incentivaram o grupo a retomada dos trabalhos nesse próximo semestre. CONCLUSÃO Ao finalizar esta atividade pode-se observar que é possível ensinar a matemática de forma dinâmica, tornando as aulas mais atrativas e instigantes, porém, para que isso ocorra, considera-se que a escola não pode ficar imune das conquistas tecnológicas, mas temos a percepção de que somente a ferramenta não resolverá todos os problemas relacionados com a aprendizagem da matemática. Com relação aos acadêmicos e futuros educadores, verificou-se que a atividade pode contribuir para a construção de novas habilidades e potencialidades desse grupo, pois proporcionou vivenciar de forma prática atividades e atribuições de um profissional docente e assim obter uma visão do trabalho cotidiano realizado pelo professor em sala de aula. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS D’AMBROSIO, U. Da realidade à ação: reflexões sobre Educação e Matemática. São Paulo: Summus: Unicamp, 1986. GIOVANNI, J. R. A Conquista da Matemática/ 8ª série. São Paulo: FTD, 2002. OLIVEIRA, J.C.G. A visão dos professores de Matemática do Estado do Paraná em relação ao uso de calculadoras nas aulas de Matemática. Tese de doutorado. Campinas, SP. 1999. PONTE, J. P. A calculadora e o processo de ensino-aprendizagem. Educação Matemática, n. 11, 3º bimestre. Lisboa. Portugal, 1989. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 65 SILVA, A. V. Calculadoras na Educação Matemática: contributos para uma reflexão. Revista Educação e Matemática. Lisboa, n. 11, p. 3-6, jul./set. 1989. ___________. A calculadora no percurso de formação de professores de Matemática, Portugal, 1991. VOLPINO, H. Matemática/8ª série. São Paulo: IBEP, 1986. Palavras-chaves: Tecnologias. Calculadora científica. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 66 LITERATURA E DOCÊNCIA: REFLEXÕES PIBIDIANAS Bibiane Trevisol1 Adriane Ester Hoffmann2 RESUMO O presente trabalho apresenta a explanação da unidade temática Literatura, as práticas educativas desenvolvidas e os resultados obtidos nas oficinas do PIBID na Escola de Educação Básica Sepé Tiaraju, de Frederico Westphalen. Na unidade temática escolhida tivemos como norte as literaturas fantástica e realista e o teatro. As atividades foram desenvolvidas com o intuito de promover a reflexão sobre questões do cotidiano, crítica social e desenvolver a criatividade dos alunos. Além disso, objetivamos abordar diferentes habilidades para a leitura literária. Os recursos tecnológicos utilizados foram também o de uso cotidiano dos alunos para que eles se sentissem familiarizados com o estudo da literatura. Os resultados foram plenamente satisfatórios, a procura de livros para a leitura por parte dos alunos aumentou em virtude dos temas trabalhados nas oficinas. As atividades também melhoraram a criticidade e o posicionamento crítico dos mesmos. Palavras-chave: PIBID, literatura, docência. INTRODUÇÃO A quarta unidade temática do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), tem como tema norteador a literatura. As oficinas foram desenvolvidas a partir de escolas literárias que foram estudadas para que as atividades não se tornassem maçantes e ao mesmo tempo atrativas para os alunos. Foram desenvolvidas quatro oficinas que receberam os nomes de “Literatura Fantástica”, “Literatura Realista”, “Conhecendo autores” e “Esquete teatral”, que serão mais detalhadas na metodologia. A literatura fantástica tem por principal característica originar-se da imaginação, do que não existe no mundo real. É o tipo de literatura em que não tem a menor preocupação em relatar fatos que existem na realidade, fatos que consideramos como próprio deste mundo que estamos inseridos. Na leitura da narrativa fantástica percebemos que, no início os fatos narrados, aparentemente fazem parte do mundo real, todavia, no decorrer da leitura nos deparamos com fatos irreais, misteriosos, inexplicáveis, e esses acontecimentos estranhos em si mesmos são próprios desse gênero, sem eles o fantástico não aconteceria. A literatura realista é de caráter social e psicológico, abordando temas polêmicos para a sociedade. As instituições sociais são criticadas, assim como a Igreja Católica e a burguesia. Nas obras literárias deste período, os escritores também criticavam o preconceito, a intolerância e a exploração. Sempre utilizando uma linguagem direta e objetiva. O teatro é a expressão mais antiga do espírito lúdico da humanidade, é uma arte cênica peculiar, pois embora tome quase sempre como ponto de partida um texto literário (comédia, drama, e outros 1 2 Linguística, Letras e Artes – URI - Frederico Westphalen. ([email protected]). Linguística, Letras e Artes – URI - Frederico Westphalen. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 67 gêneros), exige uma segunda operação artística: a transformação da literatura em espetáculo cênico, a criação de uma personalidade dos personagens e interação direta com a plateia. Todos estes conceitos nos dão ideia de interatividade tanto com a sociedade e a imaginação. Por conta disto, as atividades foram desenvolvidas com este princípio. METODOLOGIA Para a realização das oficinas, foram utilizados recursos tecnológicos e audiovisuais, além de obras literárias e artes plásticas. Na primeira oficina sobre literatura fantástica, foi utilizado o curta gaúcho com a direção de Frederico Cabral e publicado pela RBS Produções com o título de “Traz outro amigo também”. Este curta tem como história um detetive que recebe um trabalho inusitado de um senhor de idade. Este idoso pede para que ele ache o amigo imaginário que ele perdeu há mais de trinta anos. A segunda parte da oficina consistia em um comentário a respeito da literatura fantástica, enredo, foco narrativo, nó, clímax e desfecho desta obra. Na terceira e última parte da oficina, foram distribuídos fotos de personagens famosos do cinema, desenhos animados e televisão (Wolverine, Hommer Simpsom, Capitão América entre outros). A atividade proposta seria a criação de um conto fantástico utilizando este personagem sorteado como amigo imaginário, onde o aluno juntamente com este ser deveriam passar por alguma situação inusitada. A segunda oficina que tinha como tema a literatura realista, teve como recurso o clipe musical “Você pode ir na janela” da banda Gram. O clipe é feito em desenho animado e conta a história de um gato descobre que tem sete vidas, se casa com uma gata que só possui mais uma. Ele faz de tudo para ficar com apenas uma vida e descobre uma traição. Também teve a audição da música “O inferno vai ter que esperar” da banda Rosa Tatooada que tem como tema um relacionamento que terminou drasticamente e quando o homem vê sua exnamorada com outro pensa em matar ambos, mas se arrepende. A oficina seguia com a discussão do tema da música e a explicação da escola realista, a crítica social que possuía em suas obras. A última parte da oficina consistia na visualização de obras Expressionistas, que possuem um tema parecido com o realismo. Materiais como jornais, revistas velhas, cola e cartolina foram disponibilizados para os alunos construírem uma obra de arte expressionista com algum tema polêmico. As oficinas seguintes denominadas “Conhecendo autores” e “Esquete Teatral” tinham o mesmo foco: o teatro. A primeira citada acima teve como primeira atividade o conhecimento da biografia de um autor específico, escola literária que pertencia, se possuía manias, maneira com que se vestia. Os alunos tiveram acesso aos materiais de teatro do Curso de Letras da URI/FW para fazer a caracterização do autor escolhido. Em seguida, tiveram que interpretar utilizando as informações antes vistas. A oficina da “Esquete Teatral” teve como roteiro “A cartomante” de Machado de Assis, conto que foi escolhido pelo fato de ter uma linguagem acessível e história simples. Uma cópia do conto foi dada para a turma e em conjunto deveriam formar uma peça de teatro. Foram estipulados quesitos para a peça: caracterização dos personagens, interpretação, fidelidade com o teto, criatividade, e emotividade. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 68 RESULTADOS E DISCUSSÃO Sem exceções, as oficinas foram desenvolvidas com entusiasmo pela maioria dos alunos. Por serem oficinas que são apresentadas de maneira diferente do corriqueiro da sala de aula, faz com que inconscientemente os discentes prestassem mais atenção por se tratar de algo novo. A utilização do Youtube (website de hospedagem de vídeos) e o Grooveshark (website para ouvir musicas online) como auxílio tecnológico nas aulas trouxe o benefício de que os alunos estão em constante contato com esses recursos e principalmente gostando de utilizar estes meios na escola, pois já utilizam em casa. CONCLUSÕES Acreditamos em um trabalho educativo que conjuga três princípios básicos: conhecer os alunos em termos de suas expectativas, interesses, necessidades e aptidões; dominar os fundamentos do método que o docente elegeu como mais adequado aos propósitos de seu grupo de alunos; e saber qual a finalidade educacional que o move. Só assim a tarefa educativa poderá contribuir para a formação de leitores capazes de transformarem a sociedade. O papel da escola, nesta perspectiva, deixa de ser o de mero transmissor de conhecimentos específicos sobre o fato literário e se amplia rumo ao aprimoramento da sensibilidade de época, trazendo à discussão leituras muito diversificadas, em que se presentificam os valores em sua evolução histórica. Acreditamos ser este o papel do ensino da literatura, que parte do deleite e do prazer pelo ato de ler para a análise ideológica dos signos linguísticos e para a ampliação dos horizontes de expectativas dos alunos. REFERÊNCIAS ASSIS, Machado de. Contos. 25. ed. São Paulo: Atica, 1998 GRAM. Você pode ir na janela. Disponível em . Acesso em 26 jun. 2012. ROSA TATOOADA. O inferno vai ter que esperar. Disponível em Acesso 26 jun. 2012. TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM. Direção de Frederico Cabral. Animake Imagem Virtual. Brasil: 2010. Porto Alegre, RBS Produções: 2011. DVD (14 min.), color. Palavras-chaves: Pibid. Literatura. Docência. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 69 A PRODUÇÃO DE VIDEODOCUMENTÁRIOS NA INVESTIGAÇÃO DE PROBLEMAS SOCIOAMBIENTAIS LOCAIS Édina Elisa Mingotti1 Adriane Turski2 Claudiele Carus3 Araciele Maria Vanelli4 Nelita Fátima Gempka5 Sônia Beatris Balvedi Zakrzevski6 RESUMO O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID/URI busca a aproximação da Universidade com a educação básica por meio da inserção dos licenciandos no cotidiano escolar. Em Erechim/RS o PIBID – Biologia foi implementado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista. Dentre diversas atividades realizadas, destacamos o Cine Ciência. Esta atividade exibiu documentários ambientais com potencial de estimular o debate, reflexão e compreensão da comunidade escolar sobre os processos da gestão ambiental pública e educação ambiental. Após, os estudantes participaram de um projeto de elaboração de videodocumentários; a intenção deste foi estimular a investigação de temas socioambientais. Através das atividades que são realizadas pelo PIBID na Escola Campo, buscamos a melhoria no ensino de Ciências ofertado na Escola. Entendemos que o ensino de Ciências Naturais deve contribuir para que os estudantes sejam pessoas críticas e que possam tornar-se agentes de transformações do mundo em que vivemos. Palavras-chave: Cine Ciência; Educomunicação Ambiental; Ensino de Ciências. INTRODUÇÃO As Ciências Naturais no Ensino Fundamental deve contribuir para que o aluno desenvolva competências que lhe permitam compreender o mundo e atuar como indivíduo e como cidadão, utilizando conhecimentos de natureza científica e tecnológica. Não ensinar Ciências na escola, impede aos alunos apropriar-se da cultura elaborada pelo conjunto da sociedade para utilizá-la na explicação e na transformação do mundo que os cerca (WEISSMANN, 1998). Com o intuito de fortalecer o Ensino de Ciências Naturais nas Escolas de Educação Básica, o Curso de Ciências Biológicas Licenciatura da URI – Câmpus de Erechim, desde agosto de 2010 vêm participando do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/URI). O PIBID – Biologia 1 Ciências Biológicas Licenciatura- URI - Erechim. Ciências Biológicas Licenciatura- URI - Erechim. 3 Ciências Biológicas Licenciatura- URI - Erechim. 4 Ciências Biológicas Licenciatura- URI - Erechim. 5 Professora na Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista – Erechim 5 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim. 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 70 está sendo implementado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Bela Vista, envolvendo estudantes e professores que atuam nas séries finais do Ensino Fundamental. Um dos projetos desenvolvidas no ano de 2010 foi a produção coletiva de videodocumentários ambientais, uma importante ferramenta de ensino-aprendizagem para o Ensino de Ciências Naturais, onde o aluno tem a oportunidade de construir seu próprio conhecimento, investigando, interagindo, produzindo e criando. Neste trabalho descrevemos e avaliar o projeto desenvolvido. CINE CIÊNCIA: PROJETO MOTIVADOR PARA A ELABORAÇÃO DOS VIDEODOCUMENTÁRIOS AMBIENTAIS O Cine Ciência foi um projeto que exibiu documentários produzidos por agentes ambientais, curtas de animação e vídeos caseiros sobre projetos de educação ambiental. Os filmes tinham o potencial para estimular o debate na comunidade escolar, contribuindo para a reflexão, e trazendo uma importante contribuição para compreender como as comunidades tomam parte nos processos da gestão ambiental pública. Também foram exibidos filmes de longa-metragem sobre a questão ambiental. Ao término de cada filme eram realizadas discussões e atividades (produção de cartazes, peças teatrais, debates, etc.) para a discussão dos mesmos. O Cine Ciência foi realizado todas as sextas-feiras, das 13h30min às 15h e 30min e atendeu alunos de 5ª a 8ª série. Por meio da linguagem audiovisual, o Cine Ciência colaborou no processo de educomunicação ambiental na escola. Os filmes e os desenhos animados também se constituíram como uma oportunidade para: a) explorar os conteúdos de ciências envolvidos; b) estimular as crianças e pré-adolescentes a refletir sobre as interações ciência – tecnologia – sociedade; c) discutir ideias acerca da natureza da ciência e dos cientistas; d) desenvolver a capacidade de análise crítica da informação. Produção de videodocumentários ambientais Durante o 2º semestre de 2011 os estudantes participantes do Cine Ciência foram convidados a participar de um projeto de elaboração de videodocumentários. A intenção do trabalho foi estimular a investigação de temas socioambientais por meio da elaboração de pequenos videodocumentários. O projeto contou com a participação de 32 estudantes de 5ª a 8ª séries. Inicialmente foram desenvolvidas Oficinas sobre a elaboração de videodocumentários ambientais (Figura 1), nas quais foram trabalhados os seguintes temas: a) noções básicas de fotografia e filmagem e aquisição/captura de imagens e sons; b) Importação das tomadas de vídeo, com tecnologia digital, utilizando o computador e as câmeras fotográficas; c) Decupagem semi-automática (procedimento pelo qual a imagem e som contidos nas câmeras fotográficas são transferidos para o computador). Cada filmagem foi digitalizada integralmente e segmentada em cenas gravadas em arquivos individuais; d) Montagem dos vídeos documentários de forma que cenas inteiras fossem incluídas na linha de montagem e cortadas, aceleradas ou desaceleradas de acordo com a necessidade; a técnica também possibilita Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 71 a escolha das melhores cenas, visto que muitas delas representam repetições de tomadas. Adicionalmente verificaram que nas cenas em que sons de fundo mostraram-se inadequados (ruídos de vento, vozes de membros da equipe de produção, etc.), haverá a possibilidade de utilização de som de outra cena. Figura 1 – Oficina sobre produção de videodocumentário. A partir da realização das oficinas os estudantes: a) dividiram-se em grupos de trabalho e levantaram possíveis temas para a construção de um videodocumentário ambiental; b) realizaram pesquisas sobre o assunto com o intuito de definir o tema mais adequado ao grupo; c) desenvolveram um aprofundamento teórico sobre o tema definido para o videodocumentário por meio de pesquisa bibliográfica e na internet; d) construíram a sinopse e a idéia original do vídeo que foi traduzida em um projeto audiovisual e elaboraram a argumentação da relevância do tema escolhido, a fim de justificar a importância de transformá-lo em um produto audiovisual; e) elaboraram um roteiro, organizando a estrutura do vídeodocumentário e cronograma de trabalho; f) capturaram as imagens e realizaram as entrevistas seguindo o cronograma previsto. (Figuras 2 e 3). Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 Figura 2 – Captação de imagens para montagem do videodocumentário sobre o Lixo. 72 Figura 3 – Captação de imagens para montagem do videodocumentário sobre a Araucária. Na sequência foi realizada a importação de tomadas de vídeo; o conteúdo das filmagens foi transcrito e foram selecionadas as cenas e depoimentos para compor o material. Por ultimo aconteceu a edição e montagem dos videodocumentários. Posteriormente os grupos realizaram alguns ajustes ajustes relacionados ao volume e equalização do som, inserção de música, pequenos ajustes de brilho, contraste e saturação de algumas cenas e geração de caracteres (legendas e créditos). Foram gerados quatro videodocumentários pelos estudantes da Escola Bela Vista: Lixo e Reciclagem; O Estado de Conservação das Praças de Erechim; Nosso Rio Tigre; Araucária: o pinheiro do sul do Brasil. Exibição dos videodocumentários Os videocumentários foram exibidos na I Mostra Audiovisual Independente do Alto Uruguai Gaúcho, no início do ano letivo escolar de 2012, juntamente com outros produzidos na região. Neste momento as comunidade s escolares da região (alunos, professores, direção, funcionários e familiares dos alunos) tiveram a oportunidade de visualizar o resultado final do Cine Ciência. Participaram da Mostra aproximadamente 500 pessoas da comunidade local, entre elas estudantes de Escolas de Educação Básica, professores, profissionais da área ambiental e lideranças municipais. Na Mostra também aconteceu o lançamento oficial do filme “Um ano sem Primavera”, produzido por cineastas residentes no município de Erechim. Neste evento ficou estabelecido a realização da II Mostra de Cinema Ambiental do Alto Uruguai Gaúcho estará acontecendo no dia 17 de outubro de 2012, na URI. Ela fará parte da programação do VI Simpósio Sul de Gestão e Conservação Ambiental, XXI Semana Alto Uruguai do Meio Ambiente (Sauma) e Encontro do Coletivo Educador do Alto Uruguai Gaúcho, previsto para o período de 16 a 19 de outubro do corrente ano. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho de investigação por estudantes sobre temas de importância socioambiental para a produção audiovisual no ambiente escolar potencializou a reflexão, a aprendizagem e construção coletiva de novos conhecimentos. A experiência desenvolvida mostra que a produção de videodocumentários pode ser uma atividade interdisciplinar, constituindo-se em uma fonte de estudo para as diversas áreas do conhecimento onde o aluno se torna sujeito ativo na produção dos saberes. O conhecimento pode ser transmitido para além do ambiente escolar quando professores e alunos se apossam das tecnologias para gerar conhecimento sobre questões de relevância para a comunidade. Trabalhar com a produção de vídeos além de possibilitar a construção de saberes e transmissão de informações, forma sujeitos observadores e críticos em relação à mídia, aos seus objetivos e resultados. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 73 REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais/Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro04.pdf. Acesso em 15 fev. 2012. COSTA, R. N.; SANTANA, H. O. A produção de documentários no ambiente escolar. In: Visões – Revista Científica da Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora. Macaé, n.7, p. 36-45, jul./dez. 2009. Disponível em www.fsma.edu.br/visoes/ed07/Edicao_7_artigo_5.pdf. Acesso em 3 jan. 2012. SHEWBRIDGE, W.; BERGE, Z. L. The role of theory and technology in learning video production: the challenge of change. International Journal on ELearning, 3.1, p. 31-39, jan/mar. 2004. WEISSMANN, H. O que ensinam os professores quando ensinam ciências naturais e o que dizem querer ensinar. In: WEISSMANN, H. (Org.) Didática das Ciências Naturais: Contribuições e Reflexões. Porto Alegre: Artmed, 1998, p. 31-56. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 74 CONHECENDO AS AVES DE SANTO ÂNGELO-RS NAS AULAS DE CIÊNCIAS Jessica Giovelli1 Maiara Dall’ Aqua2 Marcia Zschornack Marlow Santos3 Briseidy Marchesan Soares4 Carla Camargo Reginaldo5 Alfieri Roberto Callegaro6 Daiane Krewer Oliveira7 INTRODUÇÃO No ensino de Ciências existe uma ampla diversidade de materiais e métodos à disposição dos professores que podem contribuir para a melhoria do trabalho e consequente interesse dos alunos (BIZZO, 2002). Como método alternativo no ensino dos conteúdos formais e na integração e aplicação da educação ambiental - de caráter interdisciplinar - a observação de aves surge como prática pedagógica, oferecendo a possibilidade de ser empregada sob diferentes enfoques e abordagens, reunindo diversas áreas do saber de forma integrada (COSTA, 2007). O grande desafio para a educação é tornar oportuno e garantir uma aprendizagem significativa, criando nos educandos, comportamentos e ações ditas “ambientalmente corretas”, com práticas apreendidas no dia-a-dia da escola. Segundo Costa (2007) as aves servem como uma boa e importante ferramenta para a educação, especialmente a ambiental. O desenvolvimento de projetos que oferecem oportunidades para que os alunos investiguem o mundo que vivem, torna-se uma alternativa metodológica viável, que auxilia não só o professor na exposição de temas atuais, como também, desperta o interesse do aluno pela ciência e pela prática cientifica (SANTOS et al, 2005). As aves são conhecidas por todos e despertam interesse, são fáceis de observar e consegue manter uma ligação com as práticas da educação ambiental, a qual segundo Oliveira-Junior (2005) contribui para evitar a perda da diversidade biológica. Para conseguir realizar um bom trabalho é necessário expor os alunos à natureza para que, observando os pássaros e a vegetação, adquiram amor por elas e preservem o meio ambiente. Tornar comum e frequente a prática de observação de aves, despertando a curiosidade de crianças e jovens para o tema é garantir a preservação dessa diversidade, assumindo significado e grande relevância no cotidiano dos alunos, possibilitando a união da classe aves com o ensino de ciências nas escolas (ESPÍNOLA, 2007). Neste sentido, as aves constituem, como objeto de investigação, uma excelente maneira dos alunos estudarem e entenderem o ecossistema em que vivem. Com apenas o auxílio de um binóculo (ou mesmo a olho nú), um guia de aves e um caderno de campo, estudantes de qualquer idade podem conhecer espécies, estudar seus hábitos de reprodução e nidificação, bem como suas preferências alimentares. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 75 METODOLOGIA A observação de aves foi uma das oficinas desenvolvidas pelos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID-Ciências), no Instituto Estadual de Educação Odão Felippe Pippi que envolveu os alunos do 6º ano e da 6ª série. Os estudantes foram convidados a participar da oficina e estes foram organizados em grupos de 20 alunos que aconteceu no turno inverso da aula. A oficina de observação de aves foi realizada em quatro etapas nas quais foram desenvolvidas as seguintes atividades: Atividade 1 – Palestra. Apresentação das principais aves que ocorrem na região (espécies, gêneros, famílias). Nesta atividade foi abordado as características gerais das aves, aspectos biológicos e a identificação. Para a identificação foram utilizados guias de observação de aves da região e sites da internet. Atividade 2 – Pesquisa. Em grupo os alunos pesquisaram sobre uma espécie de ave a qual gostariam de obter mais conhecimento. Esta pesquisa foi realizada no laboratório de informática, livros e revistas a respeito de aves. Os alunos socializaram os dados da pesquisa em um seminário e confeccionaram cartazes que foram afixados no laboratório de ciências da escola. Atividade 3 - Confecção do Guia de Observação de Aves. Foi elaborado um guia de observação de aves com a descrição das principais características das aves pesquisadas. Este guia foi utilizado na saída de campo, e serviu como auxilio para a identificação das aves observadas. Atividade 4 - Saída de Campo. Os alunos foram realizar a observação das aves, em uma área verde, na Praça dos Três Mártires, próxima ao arroio Itaquarinchim. Com o auxilio do guia confeccionado pelos próprios alunos, foi realizada a identificação das aves observadas. Foram utilizados também binóculo, luneta e câmera fotográfica para fotografar as aves vistas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os alunos que participaram da palestra sobre as Aves e fizerem muitas considerações sobre as espécies de aves que eles conheciam, estas intervenções contribuíram para o bom andamento do trabalho. Percebemos que muitos alunos tinham um bom conhecimento sobre os aspectos biológicos das aves mais comuns da região. Na realização da pesquisa sobre as aves de seu interesse os alunos buscaram dados relacionados as características, aos aspectos biológicos, a reprodução e as curiosidades sobre a ave escolhida. A apresentação da pesquisa foi muito produtiva, cada grupo utilizou-se da sua criatividade, confeccionaram cartazes nos quais colocaram imagens do pássaro e relataram sobre seus aspectos biológicos e morfológicos. Durante o seminário realizamos um trabalho de sensibilização com os alunos em relação os cuidados que devem ter com a natureza, preservando-a na sua integralidade, bem como Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 76 possibilitou a discussão a respeito dos problemas ambientais nos centros urbanos. A confecção do Guia de Observação de Aves realizada pelos alunos com os dados obtidos na pesquisa. No guia consta a descrição das espécies de aves locais pesquisadas e as fotos. Este material foi utilizado para a identificação das aves nas saídas de campo. Durante as saídas de campo realizadas na praça próxima a escola, observamos várias espécies de aves, e percebermos o entusiasmo dos alunos durante a observação, conseguindo ver os detalhes da morfologia do corpo das aves com auxílio da luneta. Nas saídas de campo além de observar as aves foi trabalhado com os alunos o respeito que devemos ter com a natureza e formas de preservá-la. Os alunos utilizaram máquina fotográfica, uma vez que a imagem mostra com delicadeza os detalhes. E desta forma Estimular o aluno a se tornar um apreciador da natureza, especialmente das aves, contribuindo para sua formação ética. A oficina de aves proporcionou-se aos alunos uma aprendizagem mais significativa partindo das considerações de senso comum de cada aluno e, buscando através da leitura, da pesquisa e da observação em ambiente natural construir um conhecimento escolar mais próximo do seu cotidiano relacionando o meio ambiente, os seres vivos e a sociedade. A discussão e o aprofundamento do conteúdo a serem trabalhados nas saídas de campo permite um ganho de qualidade durante a realização da atividade. Durante a realização da atividade os alunos devem ser estimulados a realizarem observações cuidadosas, o que poderá despertar diversos questionamentos que poderão ser discutidos em sala de aula (CARVALHO, 1989) A observação de aves, para Costa (2007), é uma metodologia que mostra resultados positivos na apreensão facilitada de conteúdos formais previstos nos currículos escolares por contrapor-se ao desânimo provocado nos alunos pelos métodos tradicionais de ensino e pela falta de conectividade com a realidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Constatamos que a oficina de aves, através da utilização de diversas modalidades didáticas como a aula expositiva, pesquisa, seminário e saída de campo, contribuíram no processo de construção do conhecimento dos alunos, tornando-se um importante instrumento na motivação dos alunos. O aluno quando se torna participante no processo e tem ampliado o seu campo de conhecimento de forma mais prática e significativa, tem o seu aprendizado facilitado e construído de forma mais prazerosa. A utilização de atividades de campo, no ensino de Ciências, constituiuse de uma metodologia eficiente que permite o desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes do ensino fundamental. As atividades desenvolvidas demonstraram ser de grande importância, pois possibilitaram o estabelecimento de relações entre o conteúdo das aves e o meio ambiente através da prática, contribuindo, portanto, no processo de formação de conceitos científicos pelos alunos. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 77 A participação dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é uma oportunidade de conhecer as atividades escolares, participar desse processo tão importante que é a educação, bem como, de fortalecer o desejo de ser professor. Esta aproximação com a escola de educação básica facilita a nossa formação enquanto licenciando, através da inserção no dia-a-dia da escola e aliado a inúmeros objetivos pessoais. A relação universidade-escola se fortalece proporcionando mudanças que podem ocorrer na melhoria da qualidade do ensino de nossas escolas, especialmente públicas; uma vez que acreditamos na profissão e por isso cursamos uma Licenciatura. REFERENCIAS: CARVALHO, L. M. A Temática Ambiental e a Escola do 1º Grau. São Paulo, 1989. 286 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. COSTA, R. G. de A. Observação de aves como ferramenta didática para educação ambiental. Revista Didática Sistêmica, v. 6, 2007. OLIVEIRA-JUNIOR, S. B. Educação ambiental mediatizando os conhecimentos locais e universais. Programa de pós-graduação em educação. Instituto de Educação Universidade Federal de Mato Grosso. 2005. VIEIRA-DA-ROCHA, M.C.; MOLIN, T. A aceitação da observação de aves como ferramenta didática no ensino formal. Disponível em:<http://www.pantanalecoturismo.tur.br/fotos/arquivos/486.pdf>, acesso em 12 julho 2012. SANTOS, A. M. P.; FRANZOLIN, F.; FEJES, M. E. Projeto Aves: um exemplo de ensino de ciências aliado ao uso das novas tecnologias. In: V ENPEC Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 2005, Bauru. Atas do V ENPEC - Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Bauru: ABRAPEC, 2005. v. 5. CD-ROM. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 78 A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS NO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO A DOCÊNCIA (URI-SANTO ÂNGELO) Marcia Zschornack Marlow Santos1 Carla Camargo Reginaldo2 Jéssica Giovelli3 Maiara Dall’ Aqua4 Briseidy Marchesan Soares5 Dania Maria Hannel6 Alfieri Roberto Callegaro 7 RESUMO A educação contemporânea não deve se limitar a formar acadêmicos para somente dominar determinados conteúdos, mas sim que saibam pensar, refletir, propor soluções sobre problemas e questões atuais, trabalhar e cooperar uns com os outros. A formação inicial é um espaço adequado para promover reflexões neste sentido, pois oferece a possibilidade de interações entre professores formadores e alunos da graduação, num processo de significação e resignificação da profissão docente. O aprender contínuo é essencial para o exercício da profissão, devendo o professor se basear em sua pessoa enquanto sujeito e na escola enquanto lugar de crescimento profissional permanente. Neste sentido o projeto do PIBID de Ciências Biológicas proporcionou a inserção dos licenciandos nas escolas de Educação Básica na perspectiva da melhoria na qualidade da formação inicial e visando articular escola e IES, na busca de uma melhoria na qualidade do ensino de ciências e do aprendizado dos alunos das escolas. As atividades foram realizadas durante todo o semestre letivo com os alunos do 6º ao 9º do ensino fundamental envolvendo um total de 373 participantes, sendo que participavam 30 alunos por oficina. Os alunos também foram orientados para desenvolver os projetos de pesquisa, elaboração do relatório e na construção das maquetes que foram apresentados na Feira de Ciências. A inserção dos graduandos na escola de Educação Básica proporcionou aos bolsistas uma noção real das dificuldades, do planejamento e das atividades que fazem parte do cotidiano da escola. O contato direto como o aluno, através das oficinas,diversas atividades extracurriculares na escola, proporcionou um aprendizado mútuo, já que no processo ensino-aprendizagem há uma troca de conhecimentos. A realização do projeto favorece aos bolsistas envolvidos bem como para os professores de Ciências, uma oportunidade de ver e refletir sobre a sua prática acadêmica e profissional enriquecendo o cotidiano e o fazer pedagógico. Palavras chaves: Ensino de Ciências, formação inicial, educação básica. INTRODUÇÃO Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 79 A educação contemporânea não deve se limitar a formar acadêmicos para somente dominar determinados conteúdos, mas sim que saibam pensar, refletir, propor soluções sobre problemas e questões atuais, trabalhar e cooperar uns com os outros. A universidade deve favorecer a formação de seres críticos e participativos, conscientes de seu papel nas mudanças sociais. O mundo atual, com tantas mudanças e novas demandas, exige dos indivíduos, habilidades e atitudes diferentes das observadas em épocas anteriores. A formação inicial é um espaço adequado para promover reflexões neste sentido, pois segundo Echeverría et. al. (2006), oferece a possibilidade de interações entre professores formadores e alunos da graduação, num processo de significação e resignificação da profissão docente. Ensinar no contexto atual implica não só a “aquisição de destrezas e de conhecimentos técnicos” como afirma Flores (2010), apud Flores (2004), mas também pressupõe um processo reflexivo e crítico a respeito da prática pessoal, sobre o que significa ser professor e sobre os propósitos e valores implícitos nas próprias ações e nas instituições em que se trabalha. Freire (1998), já dizia, que a experiência enquanto licenciando é basilar para o exercício da docência, onde somente a teoria terá pouca utilidade, caso não se faça uma reflexão global sobre a vida enquanto acadêmico e profissional. Em decorrência, o professor torna-se responsável, em grande parte, por sua própria formação, sendo o aprender contínuo essencial para o exercício da profissão, devendo o professor se basear em sua pessoa enquanto sujeito e na escola enquanto lugar de crescimento profissional permanente (BANDEIRA, 2006). No contexto atual, formar professores capazes de atuar de forma crítica, a partir de uma percepção da complexidade da prática docente no sistema educacional brasileiro, constitui uma meta muito difícil (VILLANI et. al., 2008, MEDEIROS; CABRAL, 2006). O problema torna-se ainda mais complexo quando a meta é acoplar a autonomia com a originalidade nas propostas didáticas. Um dos grandes desafios para as universidades está na formação de educadores para o nível de educação básica, ou seja, na formação de professores que vão atuar no ensino formal, contribuindo para que os nossos jovens exerçam conscientemente a sua cidadania, no que diz respeito a sua formação técnico-científico-cultural (SANTOS et al., 2006). Neste sentido o projeto do PIBID de Ciências Biológicas proporcionou a inserção dos licenciandos nas escolas de Educação Básica na perspectiva da melhoria na qualidade da formação inicial e visando articular escola e IES, na busca de uma melhoria na qualidade do ensino de ciências e do aprendizado dos alunos das escolas. METODOLOGIA O Projeto PIBID de Ciências é desenvolvido no Instituto Estadual de Educação Odão Felippe Pippi, que pertence à 14ª Coordenadoria Regional de Educação/RS, no município de Santo Ângelo desde agosto de 2010. Estão envolvidos no projeto um grupo composto por cinco bolsistas do Curso de Ciências Biológicas da URI - Câmpus Santo Ângelo, uma professora de Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 80 Ciências, a supervisora da escola e uma professora responsável da URI-Santo Ângelo. Os bolsistas juntamente com o supervisor planejaram e elaboram as atividades a serem desenvolvidas por semestre letivo e conforme as necessidades dos professores de ciências. Para o planejamento das oficinas e monitorias os bolsistas precisaram buscar subsídios através de pesquisas bibliográficas, aprofundando seus conhecimentos e, com isso, incrementando suas estratégias de ação com objetivo de prover maior segurança e habilidade na transmissão dos conteúdos aos alunos da escola. Além de abordar os vários aspectos das ciências biológicas, buscando proporcionar uma interdisciplinaridade entre estes conteúdos e efetivar um aprendizado por assimilação e não mera repetição do conhecimento alienado. Todo o cronograma foi posto em prática no turno inverso, dentro da sala de aula, no laboratório da escola, nos ambientes naturais de maneira concomitante aos assuntos abordados. Além disso, foram realizadas pelos bolsistas atividades extracurriculares, como palestras, saídas de campo, Olimpíadas de Ciências, organização de Feira de Ciências, com o objetivo de acrescentar ou esclarecer os temas mais debatidos em Ciências. As atividades foram realizadas durante todo o semestre letivo com os alunos do 6º ao 9º do ensino fundamental envolvendo um total de 373 participantes, sendo que participavam 30 alunos por oficina. Os alunos também foram orientados para desenvolver os projetos de pesquisa, elaboração do relatório e na construção das maquetes que foram apresentados na Feira de Ciências. RESULTADOS E DISCUSSÃO A inserção dos graduandos na escola de Educação Básica durante o período de formação inicial proporcionou aos bolsistas do PIBID de Ciências uma noção real das dificuldades, do planejamento e das atividades que fazem parte do cotidiano da escola. O contato direto como o aluno, através das oficinas, monitorias, saídas de campo, orientação de pesquisa e participação em atividades extracurriculares na escola, proporcionou um aprendizado mútuo, já que no processo ensino-aprendizagem há uma troca de conhecimentos. A presença do licenciando no cotidiano da escola permite que ele possa realizar a aplicação dos conhecimentos teóricos estudados na universidade e verificar as dificuldades encontradas na sala de aula, podendo assim fazer a reflexão da sua própria prática. As oficinas, bem como as atividades diferenciadas realizadas, provocaram reações tanto nos professores, quanto nos alunos. Nos professores por perceberem que não basta ministrar apenas aulas teóricas, mas que devem procurar introduzir novas modalidades didáticas estimulando a motivação dos alunos. Já os alunos, mostraram mais interesse pelas aulas diferentes porque a monotonia das aulas já não os estimulava e motivava a estudar. Além de servirem como uma pratica interdisciplinar, pelo fato de que sempre envolvem mais que uma disciplina, e não só a ciências. Desenvolvendo no aluno o pensar, e a problematização de assuntos referentes a diferentes situações. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 81 A inserção de acadêmicos na escola de educação básica é de grande valia na sua formação inicial, pois, ao entrarem em contato com a realidade escolar, estão dinamizando sua formação profissionalizante, construindo uma postura docente crítica e em constante transformação. As atividades realizadas pelos bolsistas na escola incentivam os professores já em exercício a utilizar diversas técnicas de ensino ou modalidades didáticas que são promotoras de melhoria da educação científica. Assim, tem-se percebido que os professores mais motivados, utilizam modalidades didáticas que permitam associar os conteúdos teóricos tradicionais a temas atuais em aulas expositivas; realizam aulas demonstrativas e promovem discussões por meio de filmes e documentários; realizam uma aprendizagem lúdica por meio da utilização de jogos didáticos; desenvolvem projetos como modo de instigar a pesquisa (SCHEID; SORAES; FLORES, 2009). A realização destas atividades, as dificuldades encontradas e enfrentadas levaram os bolsistas a desenvolver diversas competências profissionais entre elas podemos citar: a paciência, a valorização da carreira docente, o desenvolvimento de novas estratégias para ensinar diferentes conteúdos; melhor compreensão da relação teoria e prática; conhecimento da dinâmica de funcionamento de uma escola pública; melhoria da autoconfiança e valorização do trabalho em grupo. O PIBID é uma importante ferramenta, que pode apontar novos caminhos capazes de solucionar os problemas da atual situação de ensino da nossa sociedade. O professor ideal é alguém que deve conhecer sua matéria, sua disciplina e seu programa, além de possuir certos conhecimentos relativos às ciências da educação e à pedagogia, e desenvolver um saber prático baseado em sua experiência cotidiana com os alunos (TARDIF, 2002). CONSIDERAÇÕES FINAIS O Projeto PIBID/CIÊNCIAS, tem proporcionado uma significante melhoria na formação pessoal e profissional dos licenciandos de Ciências Biológicas. Destaca-se a importância da reflexão em relação teoria-prática vivenciada no cotidiano da sala de aula que os licenciandos realizam tanto na escola como na Universidade como que é de fundamental importância na formação dos futuros professores. O PIBID pode ser considerado o maior desafio posto aos cursos de formação de professores e implica, necessariamente, uma convivência e uma responsabilização mútua pelos processos formativos que não se dão apenas no interior dos cursos de graduação, mas que se efetivam no contato direto e permanente com a realidade da escola básica, campo potencial de aprendizagem da docência. Constatou-se que o PIBID proporcionou uma melhoria na formação inicial dos professores, na qualidade do ensino de ciências da escola e uma aproximação da Universidade com a escola fortalecendo a prática acadêmica no cotidiano escolar. Pode-se verificar resultados positivos como a melhoria do desempenho teórico, prático e pedagógico dos envolvidos no projeto contribuindo com o processo de formação acadêmica, formação continuada dos professores e no processo educacional dos alunos das Escolas de Educação Básica contribuindo para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 82 A realização do projeto favorece aos bolsistas envolvidos bem como para os professores de Ciências, uma oportunidade de ver e refletir sobre a sua prática acadêmica e profissional, de analisá-la sob outras perspectivas que não só a nossa e principalmente aproveitar a experiência de todos os envolvidos para valorizar e enriquecer o cotidiano e o fazer pedagógico. E através das reflexões proporciona uma oportunidade de construção do futuro respeitando o que já historicamente se construiu e dá-nos oportunidade de fortalecer a formação inicial dos acadêmicos e qualificar o fazer dos professores das escolas buscando construir formas de trabalhar o ensino de Ciências que favoreçam a pesquisa e a inovação nas práticas pedagógicas. REFERÊNCIAS BANDEIRA, H. M. M. Formação de professores e prática reflexiva. In: IV Encontro de Pesquisa em Educação da UFPI. A pesquisa como mediação de práticas socioeducativas. Teresina: EDUFPI, 2006. ECHEVERRÍA, A. R.; OLIVEIRA, A. S. DE; TAVARES, D. B.; SANTOS, J. D. A. DOS; SILVA, K. R.; SILVA, R. DE M. A pesquisa na formação inicial de professores de Química: abordando o tema drogas no Ensino Médio. Revista Química Nova na Escola, n. 24, 2006. FLORES, M. A. Algumas reflexões em torno da formação inicial de professores. Revista Educação, Porto Alegre, v. 33, n. 3, p. 182-188, 2010. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 9. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1998. MEDEIROS, M. V.; CABRAL, C. L. de O. Formação docente: da teoria à prática, em uma abordagem sócio-histórica. Revista E-Curriculum, v. 1, n. 2. São Paulo, 2006. SANTOS, W. L. P.; MORTIMER, E. F. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-T-S (Ciência – Tecnologia –Sociedade) no contexto da educação brasileira. Revista Ensaio – Pesquisa em Educação em Ciência, vol. 2, n. 2, 2002. SANTOS, W. L. P.; GAUCHE, R.; MÓL, G. de S.; SILVA, R. R.; BAPTISTA, J. de A. Formação de professores: uma proposta de pesquisa a partir da reflexão sobre a prática docente. Revista Ensaio- Pesquisa em Educação em Ciências, v. 8, n. 1, 1-14, 2006. TARDIF, Maurice. Saberes Decentes e Formação Profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. VILLANI, A.; FRANZONI, M.; VALADARES, M. Desenvolvimento de um grupo de licenciandos numa disciplina de prática de ensino de física e biologia. Revista Investigações em Ensino de Ciências, v. 13, n. 2,143-168, 2008. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 83 PERCEPÇÃO E PRÁTICA DOCENTE NO ENSINO DE CIÊNCIAS Alisson Obens de Melo ¹ Moisés dos Santos Dutra ² Felipe Teixeira³ Pamela da Silva 4 SANTOS, D.D. 5 Ana Cristina Sapper Biermann 6 RESUMO O cenário atual tem se caracterizado por rápidas mudanças. As descobertas científicas e os avanços tecnológicos no âmbito da sustentabilidade fazem emergir novos conceitos sobre educação, tendo proporcionado ao sujeito docente uma renovação significativa sobre suas vivencias didático-pedagógicas. Existe uma relação entre educadoreseducandos, orientadas para a prática do diálogo político-pedagógico e nas virtudes éticas, para que se estabeleçam as condições que abram a possibilidade de ambos se existenciarem na autonomia, na cidadania responsável e na apropriação crítica do conhecimento e sua recriação. O PIBID tem como objetivo desenvolver um trabalho em conjunto com bolsistas, alunos e professores, com o objetivo de promover o crescimento pessoal e profissional dos bolsistas, diagnosticando as dificuldades e facilidades do desenvolvimento das aulas, tendo como temas norteadores a sustentabilidade, abordando a reciclagem de materiais, o uso racional da água e a separação do lixo, sendo que as oficinas pedagógicas tem se constituído como estratégia que valoriza a construção de conhecimentos de forma totalmente participativa. A proposta metodológica foi desenvolvida da seguinte forma: No início do ano letivo foi feito um levantamento junto aos alunos em relação aos conhecimentos que estes detinham em relação à ciência de forma geral. A partir daí os conteúdos foram trabalhados sempre iniciando-se pela apresentação teórica pela professora regente e posteriormente uma atividade prática, afim de motivar, propiciar e facilitar a conversação didática. Além do programa ter papel importante na escola, junto aos alunos, os bolsistas são privilegiados por estar inseridos dentro do contexto escolar desde o processo formativo, vivenciando o cotidiano e a realidade da mesma. Com o acompanhamento das aulas do professor regente e através das aulas práticas é possível adquirir experiências, aperfeiçoando a formação dos futuros professores de Ciências, refletindo sobre as condições reais de trabalho do professor, da situação física da escola e das possibilidades objetivas que esta oferece para concretizar o fenômeno ensinoaprendizagem. Com o PIBID obteve-se um intercâmbio entre Escola e Universidade promovendo aos bolsistas de Ciências Biológicas a oportunidade de vivenciar a realidade de uma sala de aula, pois o grande desafio não é apenas abordar os assuntos relacionados as áreas do conhecimento, mas principalmente aprender a organizar situações didáticas adequadas à realidade social e cultural do contexto escolar. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 84 Palavra Chave: Educação. Aulas Práticas. Oficinas. INTRODUÇÃO O educador em Ciências tem sido historicamente exposto a uma série de desafios, os quais incluem acompanhar as descobertas científicas e tecnológicas, constantemente manipuladas e inseridas no cotidiano, e tornar os avanços e teorias científicas palatáveis a alunos do ensino fundamental, disponibilizando-as de forma acessível. Isto requer profundo conhecimento teórico e metodológico, e dedicação para (tentar) se manter atualizado no desempenho de sua profissão. (KÊNIO, 2006) O cenário atual tem se caracterizado por rápidas mudanças. As descobertas científicas e os avanços tecnológicos no âmbito da sustentabilidade fazem emergir novos conceitos sobre educação, tendo proporcionado ao sujeito docente uma renovação significativa sobre suas vivencias didático-pedagógicas. A formação teórico-prática do profissional docente trará consequente contribuição para melhorar a operacionalização do fazer pedagógico, visto que são eixos indissociáveis. Conforme Smith (1975) a importância do trabalho prático é inquestionável na Ciência e deveria ocupar lugar central no seu ensino. É através dele que o homem atua sobre a natureza. O homem é um ser social e histórico e é a satisfação de suas necessidades que o leva a trabalhar e transformar a natureza, estabelecendo relações com seus semelhantes, produzir conhecimentos, construir a sociedade e fazer a história. (REGO, 1999) Para Borges (1997), os professores de Ciências, tanto de nível fundamental quanto de nível médio, em geral acreditam que o Ensino poderia ser muito melhor com a introdução de aulas práticas. Posicionamento similar lê-se em Miguens & Garret (1991), os quais escrevem que a educação em Ciências deveria dar, através de trabalhos práticos, oportunidades para aquisição de conhecimentos e sua compreensão. Existe uma relação entre educadores-educandos, orientadas para a prática do diálogo político-pedagógico e nas virtudes éticas, para que se estabeleçam as condições que abram a possibilidade de ambos se existenciarem na autonomia, na cidadania responsável e na apropriação crítica do conhecimento e sua recriação. Pretendeu-se com o projeto desenvolver um trabalho em conjunto com bolsistas, alunos e professores, com o objetivo de promover o crescimento pessoal e profissional dos bolsistas, diagnosticando as dificuldades e facilidades do desenvolvimento das aulas, tendo como temas norteadores a sustentabilidade, abordando a reciclagem de materiais, o uso racional da água e a separação do lixo, sendo que as oficinas pedagógicas tem se constituído como estratégia que valoriza a construção de conhecimentos de forma totalmente participativa. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 85 OBJETIVO GERAL Evidenciar através de estudos e pesquisas assuntos essenciais no processo de mudanças da sociedade, relacionados ao conhecimento da área, tendo clareza do cidadão que queremos formar, propiciando-lhes o desenvolvimento humano, científico, cultural e tecnológico para enfrentar situações do mundo contemporâneo. OBJETIVO ESPECÍFICO Confrontar situações cotidianas dos educandos aliando o conhecimento teórico e prático, na perspectiva de serem cidadãos conscientes e decididos no ambiente em que vivem a fim de consolidar a prática docente. Efetivar o ensino como prática social de forma crítica, compreendendo o contexto histórico, social, cultural e organizacional que faz parte a prática docente, propiciando formas de estudos e problematização dos saberes praticados. METODOLOGIA As atividades foram realizadas no primeiro semestre do ano de 2012. As ações estão vinculadas ao PIBID – Programa Institucional de Bolsas para a Iniciação à Docência e desenvolvidas por Bolsistas do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Câmpus Santiago. Foram construídas oficinas e palestras com temas ligados a sustentabilidade para alunos do Ensino Fundamental da Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes, a fim de promover uma atividade dinâmica que envolva a comunidade escolar. Nossa proposta metodológica foi desenvolvida da seguinte forma: No início do ano letivo foi feito um levantamento junto aos alunos em relação aos conhecimentos que estes detinham em relação à ciência de forma geral. A partir daí os conteúdos foram trabalhados sempre iniciando-se pela apresentação teórica pela professora regente e posteriormente uma atividade prática, afim de motivar, propiciar e facilitar a conversação didática. Os recursos foram apresentados sempre se buscando a relação com o conhecimento anterior dos estudantes e trabalhados de forma a possibilitar sua reconstrução a partir de aulas práticas e oficinas. Os alunos foram convidados a participar de atividades, que envolveram o reaproveitamento de materiais, com a confecção de móveis, horta vertical, artesanatos e luminárias. Além disso, foram desenvolvidas aulas práticas Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 86 conforme a solicitação das professoras regentes, para aperfeiçoar o ensinoaprendizagem, proporcionando assim, atividades diferenciadas que possam contribuir, tanto para formação docente, quanto para o fortalecimento dos alunos. RESULTADOS E DISCUSSÃO As atividades práticas tem papel fundamental e inquestionável na disciplina de ciências, onde os alunos foram fortalecidos com o programa os bolsistas privilegiados por estarem inseridos na escola dede o processo formativo. O interesse dos alunos nas aulas da disciplina de ciências é notável, aumentando a participação geral das turmas que participam do projeto, nas atividades sugeridas pelos bolsistas. Essa atividade foi de grande valia, para nós bolsistas, pois através destas experiências foi nos proporcionado um grande crescimento pessoal e profissional. Para FREIRE (2011) Ensinar não é apenas “transferir conhecimento”, mas sim “criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção”, onde o professor aprende a ensinar e o aluno ensina ao a apreender. Além do programa ter papel importante na escola, junto aos alunos, os bolsistas são privilegiados por estar inseridos dentro do contexto escolar desde o processo formativo, vivenciando o cotidiano e a realidade da mesma. Com o acompanhamento das aulas do professor regente e através das aulas práticas é possível adquirir experiências, aperfeiçoando a formação dos futuros professores de Ciências, refletindo sobre as condições reais de trabalho do professor, da situação física da escola e das possibilidades objetivas que esta oferece para concretizar o fenômeno ensino-aprendizagem. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo em vista a formação dos bolsistas, estas experiências começam a produzir mudanças nas atitudes dos futuros professores em relação à prática da docência, promovendo uma aprendizagem consistente com formação de cidadãos mais críticos na sociedade. Todas as ações realizadas se mostraram de grande importância tanto na formação dos alunos bolsistas como dos alunos da escola envolvido e beneficiada com o projeto. Os objetivos do PIBID foram alcançados, tanto em relação aos bolsistas que puderam ter contato com a realidade escolar, quanto o reflexo produtivo perante alunos e professores envolvidos, que se sensibilizaram sobre a importância da sustentabilidade. As aulas práticas geram um maior interesse em sala de aula, tornando o ensino mais participativo, dando mais estímulo para os discentes e também aos professores da escola. As oficinas trabalhadas contribuem para uma consciência ecológica, onde as atitudes ali desenvolvidas podem ser utilizadas Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 87 fora do ambiente escolar, como a separação do lixo, o uso racional da água, e o reaproveitamento de materiais. Com o PIBID obteve-se um intercâmbio entre Escola e Universidade promovendo aos bolsistas de Ciências Biológicas a oportunidade de vivenciar a realidade de uma sala de aula, pois o grande desafio não é apenas abordar os assuntos relacionados as áreas do conhecimento, mas principalmente aprender a organizar situações didáticas adequadas à realidade social e cultural do contexto escolar. A partir disso, o projeto além de nos ter permitido refletir criticamente sobre a prática docente de um professor de Ciências, também tem nos possibilitado o desenvolvimento de competências possíveis de serem adquiridas apenas no exercício da profissão. Portanto procurou-se fazer de maneira segura realizar um trabalho adequado a nossa área de atuação, direcionando sempre ao cuidado com a vida e a educação dos futuros cidadãos de nosso país. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS REGO, Tereza Cristina. Vigotsky: Uma perspectiva histórico cultural da educação. Petrópolis: Vozes, 1999. MIGUENS, M. & GARRET, R.M. Práticas em La Enseñanza de lãs ciências. Problemas e Possibilidades. Revista Enseñanza de lãs ciências, n.3, v.6, Novembro/1991. BORGES, A.T. O papel do laboratório no ensino de ciências. In Moreira, M.A. Kênio Erithon Cavalcante Lima, Simão Dias Vasconcelos Análise da metodologia de ensino de ciências nas escolas da rede municipal de Recife Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006 FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2011. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 88 EDUCAÇÃO PARA SAÚDE NA SOCIEDADE FRATERNAL CANTINHO DA LUZ Carina Silva Rodrigues1 Camila Langa2 Sônia Beatris Zakrzevski3 Palavras chave: Educação. Saúde. Vulnerabilidade social Neste trabalho relatamos uma prática de ensino desenvolvida com crianças atendidas pela Sociedade Fraternal Cantinho da Luz, uma entidade filantrópica, localizada no Bairro Frinape, em Erechim – RS. A Entidade possui uma equipe técnica e junto à ela, professores voluntários amparam crianças, adolescentes, pais e mães em situação de fragilidade, de pobreza e vulnerabilidade social. A vulnerabilidade, refere-se à relação entre pobreza, risco e esforços para o gerenciamento desse risco; vulnerabilidade é a perda de bem-estar causada pela incerteza de eventos. Os lugares em que as famílias residem são vulneráveis, ou seja, apresentam riscos para os indivíduos, com a impossibilidade de acesso e condições habitacionais, sanitárias, educacionais e trabalho, participação e acesso diferencial à informação e às oportunidades (KATZMAN, 2005). A Entidade em que desenvolvemos a prática, mantém seus serviços, quadro funcional e despesas mensais com doações de pessoas da comunidade, das contribuições dos associados, recursos provenientes de projetos sociais, bem como da realização de promoções que visam obtenção de recursos para a sustentabilidade econômica da Organização. Atualmente o Cantinho da Luz atende 55 crianças, 19 adolescentes e 72 famílias, auxiliando na promoção da cidadania, na reflexão para resolução de problemas e fortalecimento de vínculos, visando construir uma sociedade igualitária. Também se propõe a ser um espaço para auxiliar na superação de conflitos, de ser um elo de uma rede de enfrentamento das adversidades, contribuindo para a estruturação das famílias (privilegiando o fortalecimento dos vínculos familiares). O trabalho desenvolvido na área de Ciências Naturais priorizou as questões da higiene pessoal, um tema de grande relevância para o grupo social envolvido (crianças de seis a 12 anos). O tema foi proposto pela entidade em função de problemas de saúde apresentados pelas crianças (piolho, bicho-de-pé, verminoses, entre outros) decorrentes da precariedade da higiene pessoal e ambiental. A educação para a saúde tem sido um desafio no que se refere à possibilidade de garantir uma aprendizagem efetiva e transformadora de 1 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim 3 Ciências Biológicas Licenciatura – URI - Erechim 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 89 atitudes e hábitos de vida. As experiências mostram que transmitir informações a respeito do funcionamento do corpo e das características das doenças, bem como de um elenco de hábitos de higiene, não é suficiente para que os alunos desenvolvam atitudes de vida saudável. A educação para a Saúde não cumpre o papel de substituir as mudanças estruturais da sociedade, necessárias para a garantia da qualidade de vida e saúde, mas pode contribuir decisivamente para sua efetivação. Educação e saúde estão intimamente relacionadas e, em especial, a educação para a Saúde é resultante da confluência desses dois fenômenos. A despeito de que educar para a saúde seja responsabilidade de muitas outras instâncias, em especial dos próprios serviços de saúde, a escola ainda é a instituição que, privilegiadamente, pode se transformar num espaço genuíno de promoção da saúde. A educação para a Saúde cumprirá seus objetivos ao promover a conscientização dos alunos para o direito à saúde, sensibilizá-los para a busca permanente da compreensão de seus condicionantes e capacitá-los para a utilização de medidas práticas de promoção, proteção e recuperação da saúde ao seu alcance (BRASIL, 1997). O trabalho foi organizado em oficinas pedagógicas, cada uma delas constituídas por três momentos, propostos por Delizoicov e Angotti e Pernambuco (1990). No Primeiro Momento, denominado de problematização inicial são apresentadas questões e/ou situações para discussão com os alunos. Mais do que simples motivação para se introduzir um conteúdo específico, a problematização inicial visa à ligação desseconteúdo com situações reais que os alunos conhecem e presenciam, mas que não conseguem interpretar completamente ou corretamente porque provavelmente não dispõem de conhecimentos científicos suficientes (DELIZOICOV e ANGOTTI, 1990). Tais questões são chamadas de questões problematizadoras. Num segundo momento, “os conhecimentos necessários para a compreensão do tema central e da problematização inicial serão sistematicamente estudados nesse momento, sob a orientação do professor.” (DELIZOICOV e ANGOTTI, 1990, p. 55). As atividades desenvolvidas no Segundo Momento tiveram caráter lúdico, favorecendo o envolvimento das crianças na discussão sobre a temática, sempre associada ao cotidiano das crianças. Algumas atividades desenvolvidas merecem destaque: observação de exemplares de animais vetores de doenças (com o objetivo de identificar anatomicamente as principais estruturas), dramatizações com o auxílio de fantoches, leitura e discussão de histórias, visualização e discussão do conteúdo de vídeo documentários, trabalho com músicas, atividades experimentais, entre outras. O Terceiro Momento destinou-se “sobretudo, a abordar sistematicamente o conhecimento que vem sendo incorporado pelo aluno para analisar e interpretar tanto as situações iniciais que determinaram o seu estudo, como outras situações que não estejam diretamente ligadas ao motivo inicial, mas que são explicadas pelo mesmo conhecimento” (DELIZOICOV e ANGOTTI, 1990, p. 55). Foram desenvolvidos cartazes, folders para campanhas, realização de atividades práticas de higienização bucal e higienização adequada das mãos, construção de maquetes, entre outras. As atividades realizadas contribuíram para a formação de cidadãos para uma vida saudável, exercendo um papel na formação de protagonistas Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 90 capazes de valorizar a saúde, discernir e participar de decisões relativas à saúde individual e coletiva. A formação enfatizou a motivação e o desenvolvimento da capacitação para o auto-cuidado, assim como a compreensão da saúde como direito e responsabilidade pessoal e social. REFERÊNCIAS BRASIL, Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Saúde Temas Transversais. Brasília, 2000. CONFORTIN, Helena (Et al.). Trabalhos acadêmicos: da concepção à apresentação. 2. ed. Erechim: EdiFAPES, 2006. HOGAN, D. J e MARANDOLA JR. E. ; Para uma conceituação interdisciplinar de vulnerabilidade. In: CUNHA, J. M. P. (Org). Novas Metrópoles Paulistas: população, vulnerabilidade e segregação. Campinas: NEPO/ Unicamp, 2006. AGRADECIMENTOS Às professoras Alzira V. Zambonatto e Luciana Piran, Presidente e Coordenadora pedagógica da Sociedade Fraternal Cantinho da Luz, pelo acolhimento, contribuições em nossa aprendizagem e apoio durante todas às atividades da prática de ensino desenvolvida. A elas nossa admiração e respeito! Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 91 CEJA – ERECHIM: UMA EXPERIÊNCIA EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS DE EDUCAÇÃO Vivian Destri1 Claudia Smuk da Rocha2 Carolina Destri3. RESUMO Este artigo tem como objetivo apresentar a experiência de educação ofertada pelo Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos – CEJA – Erechim/RS, em espaços formais e não formais de educação. Para isso, buscamos primeiramente traçar uma breve contextualização histórica da EJA, bem como resgatar alguns dos amparos legais desta modalidade de ensino. Também procuramos conceitos para caracterizar a educação formal e não formal em seus respectivos espaços de atuação, para revelarmos a forma como se desenvolve o processo ensino-aprendizagem proporcionado pelo CEJA em tais espaços, visando esclarecer como ocorre a flexibilidade do tempo exigida pela modalidade e a necessidade de adequação dos conteúdos mínimos sugeridos pelo Sistema Público Municipal de Ensino às características dos estudantes, que formam um público heterogêneo, de diferentes faixas etárias, origens, crenças e costumes. Expomos aqui a forma como uma escola itinerante como o CEJA é capaz de verificar a realidade dos estudantes, contribuindo para que estes articulem os conhecimentos escolares, técnicos e de suas experiências de vida, resultando no seu reconhecimento como sujeitos históricos, capazes de intervir na realidade e transformá-la. Palavras-chave: EJA; espaços formais e não formais de educação; experiência. INTRODUÇÃO O CEJA é uma proposta construída pela Divisão de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria Muncipial de Educação de Erechim/RS. Traz como filosofia a crença na educação como processo humanizador e participativo, para a construção de uma escola transformadora. 1 Professora de Ciências da Natureza do CEJA, licenciada em Ciências Biológicas pela URI – Frederico Westphalen, pós-graduada em Educação do Ensino de Ciências e Biologia pela Faculdade IDEAU e mestranda em Ecologia pela URI – Câmpus Erechim. 2 Professora de Ciências Humanas do CEJA, licenciada em História e pós-graduada em História da América Latina pela URI - Erechim. 3 Professora da Assami - Erechim, pedagoga pela URI - Frederico Westphalen. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 92 Em seus dois primeiros anos de atividades (2010 - 2011), o CEJA ofertou aos jovens e adultos, a continuidade dos estudos no Ensino Fundamental, já que a demanda verificada no município era bem maior neste aspecto do que no 1 da alfabetização . Isso resulta da necessidade dos adultos em abandonar seus estudos por questões de sobrevivência, para trabalhar e contribuir no sustento de suas famílias. Muitos deles frequentaram os antigos cursos ginasiais em escolas de comunidades rurais, e após migrarem para a cidade e inserirem-se nas atividades econômicas urbanas, foram compelidos a concluir a primeira etapa da Educação Básica para garantirem suas vagas no mercado de trabalho. Outro aspecto que fez grande a demanda da oferta dos Anos Finais do Ensino Fundamental em Erechim são os numerosos jovens em situação de distorção idade-série, resultado da repetência e da evasão escolar. O CEJA constitui-se em um centro de educação que desenvolve suas atividades de forma itinerante, em diversos espaços da sociedade (escolas, sindicatos, órgãos não governamentais, etc.). As escolas caracterizam-se como espaços formais da educação, e os sindicatos e outras organizações como espaços não formais, sendo, portanto, esses espaços, os objetos de atenção 2 do presente artigo . Para alcançar o objetivo da reflexão sobre o ensino na modalidade EJA em espaços formais e não formais, verificou-se necessário abordar sobre os aspectos históricos da EJA, as definições de educação formal e não formal, e por fim, como se dá essa experiência no CEJA. A EJA SOB UM OLHAR HISTÓRICO A Educação de Jovens e Adultos é definida por conceitos diferenciados, entre eles temos: Educação Popular, educação não formal e educação comunitária (GADOTTI, 2001). O contexto histórico em que a EJA perpassa entre formal e não formal, diante de suas tendências educacionais, pode ser sintetizado da seguinte maneira: Década de 1950: foi concebida como educação de base, para um desenvolvimento comunitário. Surgem duas tendências significativas para a educação de adultos: uma delas compreende a educação de adultos como educação funcional (profissionalizante) enquanto a outra entende a educação de adultos como educação libertadora, ligada aos princípios freireanos de conscientização. 1 Neste ano de 2012, formou-se a primeira turma de alfabetização, atendida na Obra Promocional Santa Marta, portanto, em um espaço não formal de educação. Embora o Projeto Político-Pedagógico do CEJA contemple as séries iniciais do Ensino Fundamental desde a sua criação, não houve número de alunos suficiente para formar turmas nos dois primeiros anos de funcionamento. 2 Vale ressaltar, neste momento, que esta é uma proposta inovadora no município de Erechim, que, pela primeira vez pode contar com a educação, na modalidade de EJA. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 93 Década de 1970: as duas tendências citadas anteriormente continuam presentes com a educação formal, desenvolvendo-se esta no Brasil com o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). A educação como prática libertadora foi entendida como educação não formal, alternativa à escola. No Brasil, a história da educação de adultos pode ser dividida em três períodos, que vai de 1946 a 1958 (Primeiro Período), 1958 a 1964 (Segundo Período) e o Terceiro em que o governo militar trabalhava em campanhas como a Cruzada do ABC (Ação Básica Cristã) e depois, com o MOBRAL. Com a redemocratização do país, a definição da EJA e a reflexão de suas práticas pedagógicas foram ficando cada vez mais aprimoradas. No decorrer destes períodos, a sociedade vivencia constantemente novas realidades, que resultam do avanço tecnológico e da globalização. Surge um mercado de trabalho exigente, que requer pessoas cada vez mais qualificadas, com competência profissional, conhecimentos gerais, habilidades e atitudes que serão determinantes para sua inclusão ou exclusão neste mundo competitivo. Então, são necessárias condições para que as pessoas tenham acesso ao conhecimento que possibilite a sua participação no mercado de trabalho. Diante deste contexto, foram sugeridas algumas formas de atuação, que devem ser adequadas a cada realidade, para que as práticas pedagógicas em EJA constituam-se como apropriadas. Para isso destaca-se que na EJA deve haver participação coletiva nas discussões, sistematizando os assuntos, integrando as disciplinas, aproveitando o saber trazido pelos jovens e adultos. Tendo a participação coletiva, os jovens e adultos terão a oportunidade de expor seus pensamentos, seus conhecimentos construídos ao longo da vida, e desta forma estará valorizando os saberes trazidos por esses e os sistematizando. (FUCK, 1994). Nesta sistematização, deve estar presente a integração das disciplinas, superando-se assim formas unitárias e hierárquicas de conhecimentos. E, como sugerem as Diretrizes Político-Pedagógicas para a EJA (2003-2006), a metodologia para a modalidade de ensino da EJA deve basear-se no desenvolvimento das subjetividades, e buscar a interdisciplinaridade. Frente à conjuntura legal, vale ressaltar a Constituição Federal de 1988, que traz em seu texto, a educação como um “direito de todos e dever do Estado e da família”. Esta deve ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando atingir o desenvolvimento completo da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mundo do trabalho (art. 203). O ensino deve ter por base o princípio de “igualdade de condições” para que ocorra o acesso do educando e sua permanência na escola (art. 206, I). A EJA destina-se a pessoas que não tiveram acesso a escolarização na idade considerada certa. Por isso, é essencial destacar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº. 9394/96, onde se reafirma o direito aos jovens e adultos ao Ensino Básico, considerando o dever do poder público de oferecer esta educação de forma gratuita. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 94 Para concluir a análise de alguns aspectos legais da EJA, vale contemplar as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, que trazem três aspectos imprescindíveis para essa modalidade de ensino: a) Função reparadora: busca reparar uma dívida social histórica com a população brasileira que não teve a oportunidade de frequentar a escola pública de qualidade. Por isso, o foco da função reparadora é a igualdade perante a lei, sendo este um desafio diante das poucas oportunidades da complexa realidade. (Parecer nº 11 CNE/CEB). b) Função equalizadora: possibilita a reentrada do jovem e do adulto ao sistema educacional, pelos vários motivos que os levaram a interromper a sua escolaridade. Essa função possui como objetivo aproveitar as habilidades e competências dos educandos jovem/adulto/idoso para uma formação profissional que possibilite a inserção no mundo do trabalho. c) Função qualificadora: leva em consideração que o educando desenvolve o seu conhecimento em qualquer ambiente, sendo este escolar ou não. Para isso essa função visa uma educação solidária, tratando dos jovens/adultos/idosos como iguais, respeitando a diversidade de contextos e histórias presentes nessa modalidade. Para essa função, em qualquer momento da vida é possível aprender. EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO FORMAL E SEUS ESPAÇOS DE REALIZAÇÃO Pode-se perceber que a Educação de Jovens e Adultos é considerada, em um primeiro momento, como uma educação não formal, sendo que a sua concepção é ressignificada com ampla participação social, passando a ser vista como modalidade de ensino. Por sua vez, esta modalidade de ensino deve ser organizada adequando os seus currículos, requerendo uma flexibilidade, concentrando-se no aluno e em seu processo de ensinoaprendizagem, que exige materiais, procedimentos, metodologias e conteúdos apropriados às faixas etárias. Para Moacir Gadotti, a educação formal tem objetivos claros e específicos e é representada principalmente pelas escolas e universidades. Ela depende de uma diretriz educacional centralizada, como o currículo, com estruturas hierárquicas e burocráticas, determinadas em nível nacional, com órgãos fiscalizadores do Ministério da Educação. Já a educação não formal é mais difusa, menos hierárquica e menos burocrática. Nesse sentido vale ressaltar um exemplo claro e contextualizado, onde o autor afirma que: Toda educação é, de certa forma, educação formal, no sentido de ser intencional, mas o cenário pode ser diferente: o espaço da escola é marcado pela formalidade, pela regularidade, pela sequencialidade. O espaço da cidade (apenas para definir um cenário da educação nãoformal) é marcado pela descontinuidade, pela eventualidade, pela informalidade. A educação não-formal é também uma atividade educacional organizada e sistemática, mas levada a efeito fora do sistema formal. Daí também alguns a chamarem impropriamente de “educação informal”. São múltiplos os espaços da educação nãoformal (GADOTTI, 2005, p.2). Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 95 A ênfase deste artigo nos espaços formais e não formais da educação, deve-se ao fato de o CEJA-Erechim oferecer uma educação formal, no sentido legal, embora também ocupe espaços não formais para a realização de sua prática pedagógica. A utilização de espaços não formais de educação é uma experiência nova no município de Erechim, visto que o ensino noturno, através da oferta de cursos supletivos, acontecido no passado, ocorria no espaço formal das escolas, distanciado, muitas vezes, da realidade e das necessidades dos estudantes. A EXPERIÊNCIA DO CEJA EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS DE EDUCAÇÃO A flexibilidade em relação ao tempo e aos espaços é uma das características da educação na modalidade de EJA. Podemos afirmar que o CEJA Erechim está de acordo com esta peculiaridade, pois consegue articular o tempo entre aulas presenciais das áreas do conhecimento (Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática, Linguagens e Ensino Religioso) com os trabalhos à distância (não presencial) e ainda com o conhecimento técnico, por meio dos cursos de Iniciação Profissional, preparando-os para o mundo do trabalho. Em sua proposta, que a experiência do CEJA Erechim contempla a educação formal e não formal, onde em seu Projeto Político Pedagógico, consta como diretriz o cumprimento legal da carga horária mínima destinada à EJA Ensino Fundamental, resultando em certificação de conclusão deste nível. Ao mesmo tempo, ela também ocorre em espaços formais (escolas, laboratórios e oficinas do ensino técnico) e não formais (nos sindicatos e outras organizações não-governamentais). Há também a preocupação com a flexibilidade do tempo, no sentido de adaptar os horários, especialmente nos espaços não formais (sindicatos), para que sejam respeitados os esforços dos estudantes em suas jornadas de trabalho, e para que acima de tudo, possam conciliar trabalho e estudo. No caso do processo de ensino-aprendizagem que se desenvolve nos espaços não formais - Sindicatos da Alimentação e dos Metalúrgicos - há um esforço da equipe de professores em adaptar os conteúdos mínimos exigidos pelo Sistema Público Municipal de Ensino às realidades dos estudantes. Outro objetivo que se busca alcançar nestes espaços é o de proporcionar diferentes atividades que levem os estudantes a refletir sobre aspectos do cotidiano, criando um espaço de discussão e aprimoramento do conhecimento já existente. Tanto o Sindicato dos Metalúrgicos quanto o Sindicato da Alimentação de Erechim são filiados à CUT, Central Única dos Trabalhadores, a maior central sindical da América Latina. Tomamos o conceito de educação utilizado pela CUT como comum aos trabalhadores a ela filiados, subentendendo que estejam de acordo com suas posições político-ideológicas, para tentar compreender o que os trabalhadores buscam ao voltarem às salas de aula: A CUT utiliza o conceito de qualificação por entender ser este mais abrangente, por englobar o conjunto de relações sociais nas quais os Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 96 trabalhadores estão envolvidos. Esse conceito é remetido para o que a CUT chama de educação integral. [...] A abrangência da formação integral significa, para a CUT, oferecer um tipo de formação que propicie aos trabalhadores a capacidade de questionar e intervir na sua realidade. É uma proposta que se fundamenta nos pressupostos da escola unitária (PIOLLI, 2004, p.131-132). A partir desse conceito, percebemos que o retorno dos trabalhadores às salas de aula está ligado à consciência da necessidade de aprimorar conhecimentos, frequentar um espaço de socialização, e assim, constituir-se em um cidadão atuante na sociedade. Nele também aparece um conceito de Antonio Gramsci, o de escola unitária, que seria aquela que eliminaria a separação entre trabalho intelectual e manual, através de um currículo que privilegiasse tanto as disciplinas escolares clássicas quanto conteúdos ligados à preparação para o trabalho, igualando a valorização do trabalho intelectual e a valorização do trabalho manual. Os sindicatos como espaços não formais de educação, por terem a politização inerente à sua existência, contribuem para que jovens e adultos retomem seu processo de aprendizagem com conscientização, reconhecendose como sujeitos históricos capazes de intervir em sua realidade, e não apenas para terem um certificado. Esta conscientização que buscamos, é um conceito que constitui uma das ideias centrais do pensamento de Freire sobre a educação. Segundo ele, “A conscientização implica, pois, que ultrapassemos a esfera espontânea de apreensão da realidade, para chegarmos a uma esfera crítica na qual a realidade se dá como objeto cognoscível e na qual o homem assume uma posição epistemológica” (FREIRE, 1979, p.15). Contudo, isso não quer dizer que o objetivo de conscientizar os estudantes seja um privilégio dos espaços não formais. Pelo contrário, os espaços formais, escolas que atendem predominantemente jovens no turno da manhã, talvez tenham mais urgência na questão da conscientização, pois como diz o velho e verdadeiro clichê “é nas mãos dos jovens que está o futuro do país”. E também podemos reafirmar essa necessidade de conscientização através da frase de Freire: "Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda" (FREIRE, 2000, p.31). CONSIDERAÇÕES FINAIS Concentrando-se, nesta parte final, a rever o estudo até aqui redesenhado, nota-se que o CEJA tem trazido importantes contribuições à sociedade erechinense, à medida que busca cumprir as três funções mencionadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos – função reparadora, equalizadora e qualificadora. Nossos esforços são concentrados no intuito de proporcionar aos estudantes um processo de formação para a cidadania, de capacitação para o trabalho, de participação comunitária e de aprendizagem dos conteúdos escolares em ambientes distintos, sejam eles espaços formais ou não formais. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 97 O que diferencia a atuação do CEJA é sua característica itinerante, que consegue se inserir na realidade do estudante, permitindo que toda a equipe de profissionais que atuam junto ao Centro, vivenciem com os estudantes as aspirações e angústias das comunidades dos diferentes bairros. Tudo isso vem a colaborar com o resgate da identidade dos estudantes e com a valorização da escola e da sociedade. Assim, em seus espaços formais e não formais, o CEJA proporciona o encontro de um grupo bastante heterogêneo, com diferentes faixas etárias, origens, crenças e costumes, onde a troca de experiências é um fator significativo. O CEJA, como tantas outras experiências da mesma modalidade no Brasil, procura seguir as ideias de Paulo Freire, adaptando-as às nossas necessidades e realidade. Queremos desenvolver uma proposta pedagógica voltada para a libertação, para a conscientização dos jovens e adultos, homens e mulheres, como sujeitos capazes de transformar a realidade social. Lutamos diariamente para superar as contradições que permanecem como resquícios da escola tradicional, para construir uma educação comprometida com a realidade social, econômica e cultural dos que foram historicamente oprimidos. Por isso acreditamos que “a educação, como prática da liberdade, é um ato de conhecimento, uma aproximação crítica da realidade” (FREIRE, 1979, p.15). REFERÊNCIAS FREIRE, Paulo. Conscientização. São Paulo: Cortez & Moraes, 1979. Disponível em:<http://www.paulofreire.ce.ufpb.br/paulofreire/Controle?op=detalhe&tipo=Liv ro&id=1370> FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 23 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000. Disponível em: <http://www.paulofreire.ce.ufpb.br/paulofreire/Controle?op=detalhe&tipo=Livro& id=1359> FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de adultos: relato de uma experiência construtivista. 2 ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1994. GADOTTI, Moacir. A questão da Educação Formal / Não-formal. In: Droit à l’éducation: solution à tous les problèmes ou problème sans solution? Institut International Des Droits Del’Enfant (IDE). Sion (Suisse), 18 au 22 octobre 2005. Disponível em: http://siteantigo.paulofreire.org/pub/Institu/SubInstitucional1203023491It003Ps0 02/Educacao_formal_nao_formal_2005.pdf GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José. Educação de Jovens e Adultos: Teoria e Prática. São Paulo: Cortez, 2001. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 98 NASCIMENTO, Maria I. M.; SBARDELOTTO, Denise K.. A escola unitária: educação e trabalho em Gramsci. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.30, p.275-291, jun.2008. Disponível em: <http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/30/art17_30.pdf> PIOLLI, Evaldo. Educação e Sindicalismo: o discurso sindical no contexto da reestruturação produtiva. Dissertação de Mestrado. Campinas-SP: UNICAMP, 2004. Disponível em: <http://www.bdae.org.br/dspace/bitstream/123456789/433/1/Evaldo_Piolli.pdf> RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Educação. Departamento Pedagógico. Divisão de Educação de Jovens e Adultos. Diretrizes Político-Pedagógicas: ressignificando a educação de jovens e adultos. Porto Alegre: DEJA/DP/SE, 2003-2006. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 99 ASPECTOS RELEVANTES PARA A FORMAÇÃO DOCENTE: SOCIALIZAÇÃO DAS VIVÊNCIAS NO PIBID/URI - FREDERICO WESTPHALEN Cristina Enderli1 Daiane Eberchart2 Luci Mary Duso Pacheco3 RESUMO O artigo aqui descrito vem a demostrar a importância da prática pedagógica através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, o qual se apresenta como uma proposta de incentivo à docência e à formação inicial. O subprojeto desenvolvido pelo Curso de Pedagogia do URI-Câmpus de Frederico Westphalen contempla a modalidade do Magistério no Instituto Estadual de Educação 22 de Maio, em Palmitinho. Para tanto ressaltamos através deste artigo, os aspectos relevantes à formação do professor, evidenciando a importância da prática dinâmica como parte fundamental para o desenvolvimento e aprendizado do aluno. Palavras-chave: formação docente, relação teoria e prática. INTRODUÇÃO O presente artigo busca apresentar pontos relevantes para a formação docente, destacando a importância que as oficinas pedagógicas, que são desenvolvidas através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID4, subprojeto do Ensino Médio. Vigente na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Câmpus de Frederico Westphalen, no Curso de Pedagogia – vem a nos demostrar que, a prática docente é de suma importância para o desenvolvimento tanto do educador quanto do educando, para isso, vale ressaltar a formação além da sala de aula. 1 Acadêmica do V semestre do Curso de Pedagogia da URI – Frederico Westphalen e bolsista do PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência 2 Acadêmica do I semestre do Curso de Pedagogia da URI – Câmpus de Frederico Westphalen e bolsista do PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência 3 Coordenadora de área do PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência do Curso de Pedagogia e orientadora do projeto em questão. Professora do Departamento de Ciências Humanas da URI – Câmpus de Frederico Westphalen – Doutora em Educação pela UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos/São Leopoldo - [email protected] ¹ O programa tem como foco a valorização do magistério e a melhoria da qualidade da educação básica brasileira. Oferece bolsas para estudantes de licenciatura, professores universitários e de escolas públicas. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 100 REFERENCIAL TEÓRICO ASPECTOS RELEVANTES PARA SOCIALIZAÇÃO DAS VIVÊNCIAS A FORMAÇÃO DOCENTE: Devemos encontra diversos elementos importantes que influenciem na educação e na formação do professorado entre eles se destacam vários aspectos: uma sociedade multicultural e multilíngue na qual o diálogo entre culturas suporá um enriquecimento global, um educador que compartilha o poder da transmissão do conhecimento com outras instâncias socializadoras. Dentre isso, a formação do professor é influenciada tanto pelo contexto interno (escola) como pelo contexto externo (a comunidade). Toda a prática profissional e pessoal necessita de uma situação de análise e reflexão que pode se realizar de forma solitária. Um dos procedimentos para ajudar a romper com esse individualismo é a formação permanente de duas formas: Realizar uma formação colaborativa do coletivo docente, com o compromisso e a responsabilidade coletiva. Desenvolver uma formação permanente em que a metodologia de trabalho e o clima afetivo sejam pilares do trabalho coletivo. Na educação e na formação do professorado temos atualmente diversos conceitos de comunidade: de prática ou de conhecimento, desaprendizagem, formativas etc. Uma comunidade prática são grupos constituídos com a finalidade de desenvolver um conhecimento especializado, com o fim de informar e comunicar experiências práticas, compartilhando aprendizagens baseadas na reflexão partilhada sobre experiências práticas. Hoje o ambiente escolar se une ao conceito de gestão do conhecimento ou prática reflexiva como processo de prática compartilhada. Os requisitos, segundo Wenger(2001), ele nos passa a ideia de uma comunidade prática são o compromisso mútuo, o trabalho em conjunto que nos possibilitam um conhecimento aperfeiçoado, e através deste adquirindo os resultados positivos perante a prática. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 101 Trabalhar conjuntamente com a comunidade persegue de modo central desenvolver habilidades: sócias afetivas, cognoscitivas e psicolinguísticas nos alunos através de sua participação ativa em comunidades educativas, cujos membros realizam atividades inseridas num ambiente de aprendizagem. A formação move-se sempre entre a dialética de aprender e desaprender; o formador (a) pode ajudar a ele transformar a reflexão docente de aplicação de técnicas didáticas em uma reflexão de desenvolvimento social. Seguindo essa tessitura percebemos que a formação deve estender-se as terreno das capacidades, das habilidades e das atitudes, com uma aprendizagem da colegialidade participativa, aprendendo de forma colaborativa, dialógica, participativa, ao analisar, modificar aspectos pertinentes e avalia-lo como um todo. Assim torna-se possível uma análise reflexiva da situação problematizadora. O trabalho que deve ser feito para realizar uma formação colaborativa do coletivo docente, é trabalhar com uma formação compromissada e responsabilizada coletivamente, essa formação coletiva supõe também uma atitude constante de diálogo, debate. É necessário desenvolver uma formação permanente em quem a metodologia d trabalho e o clima afetivo sejam pilares do trabalho colaborativo. A formação permanente deve estender-se ao terreno das capacidades e atitudes: aprendendo de forma colaborativa, dialógica, participativa, isto é, analisar, testar, avaliar e modificar em grupo, propiciar uma aprendizagem da colegialidade participativa e não uma colegialidade artificial. É preciso que através da prática o aluno possa aprender mediante a reflexão e a resolução de situações problemáticas da prática, aprendendo num ambiente de colaborações, de diálogo profissional e de interação social, elaborar projetos de trabalho conjunto, conhecer as diversas culturas da instituição. Existe aí uma formação institucional de forma colaborativa, onde se visa isolar o individualismo, partindo assim do diálogo colaborativo entre os membros do grupo. No entanto a formação colaborativa é um processo que leva tempo e requer um considerável esforço; aí o profissional da educação precisa saber respeitar-se e confrontar-se para saber construir alternativa conjuntamente, isto contribuí para que possamos construir nos alunos um espírito transformador, pois, através com as oficinas podemos unir o grupo de trabalho, e com todos unidos podemos romper com a cultura profissional tradicional. Uma alternativa de formação que trabalhe a prática contribuiu e muito para a subjetividade de cada um, pois ela estará baseada na reflexidade que será um elemento importante para analisar o que são, ou que acreditam ser e o que faz e como se faz. Contudo podemos dizer que a identidade pessoal encontra-se inter-relacionada com a identidade coletiva ou o desenvolvimento profissional coletivo ou institucional, ou seja, o desenvolvimento de todo o pessoal que trabalha num centro educativo, já que estes compartilham trabalhos coletivos, mas com diferentes conhecimentos baseados nas vivências de cada um. A formação deve passar da ideia de outros ou eles, para a ideia de nós. Então é percebido que temos atualmente diversos conceitos de comunidade, aqui relativamente destacamos a comunidade prática, que são grupos constituídos com a finalidade de desenvolver um conhecimento especializado. A comunidade prática seria então um grupo onde os alunos Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 102 intercambiam, refletem e aprendem mutuamente com a prática, onde eles aprendem com compromisso mútuo, conjuntamente e com um repertório compartilhado. O professor que se propõe a mudar, a reavaliar e a elaborar de uma forma diferenciada a sua prática, consegue modificar e inovar nos conhecimentos através de uma prática reflexiva. A profundidade dessa mudança ocorrerá quando a formação passar de processo de atualização. Os saberes de um professor são uma realidade social materializada através de uma formação, de programas, de práticas coletivas, de uma pedagogia institucionalizada, com as oficinas compartilham-se diferentes saberes, através daí manifestam-se diversos saberes diferentes e algumas problemáticas relacionadas ao trabalho em grupo, por isso torna-se fundamental analisar a práxis educativa buscando o crescimento de todo grupo. A epistemologia da prática afirma que a atividade profissional representa uma fonte espontânea de aprendizagem e de conhecimento. TARDIF (2002) Se assumirmos o postulado de que os professores são atores competentes, sujeitos ativos, deveremos admitir que a prática deles não é somente um espaço de aplicação de saberes provenientes da teoria, mas também um espaço de produção de saberes específicos oriundos dessa mesma prática. (p.234) Portanto, professores são sujeitos do conhecimento e para isso devem ir em busca das informações e compartilhar assuntos relevantes com os colegas de profissão, favorecendo a aprendizagem dos alunos, criar laços de afetivos com colegas e educandos para que o trabalho seja mais fácil de aplicar. METODOLOGIA Em suma, usamos os seguintes métodos e recursos para realizar o estudo sobre o assunto tratado com os docentes e com os alunos, para isso utilizamos os livros teóricos pedagógicos, dos autores Tardif, Imbernón e Vasconcellos, para a aplicação das oficinas pedagógicas utilizamo-nos da teoria destes autores, através de recursos áudio visuais, relacionando teoria e prática. Com os docentes e discentes vivenciamos dialogicamente práticas dinâmicas, que nos proporcionaram diversos saberes educacionais através das oficinas pedagógicas, realizadas com todos os alunos e professores que fazem parte do Curso Normal da Escola Campo. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS Os resultados obtidos com as oficinas pedagógicas foram: ─ Reconhecimento do trabalho desenvolvido; ─ Obtenção de conhecimentos teórico/práticos; ─ Experiência como profissional da educação atuante no âmbito educativo do Curso Normal. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 103 CONCLUSÃO O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID como proposta do governo em direção de incentivo às licenciaturas e a profissão docente demostra-se uma oportunidade única para à formação superior do educando de Pedagogia, o projeto estabelece uma aliança educativa compromissada com a relação entre escola pública e universidade, visando então que através da junção destes dois âmbitos educacionais construa-se uma prática significativa aos sujeitos a quem se destina. Ao destacar os aspectos contribuintes à formação profissional faz-se necessário evidenciar que a prática docente está intimamente relacionada com a formação do professorado, entendendo então que a realidade educacional exige do docente uma postura de compromisso, responsabilidade e dinamismo com a prática pedagógica. Desta forma a formação docente no nível acadêmico vem ao encontro de tal necessidade educacional. Seguindo está tessitura retratamos então que a prática docente, vem a estar interligada com a teoria educacional de vários autores educacionais, que abordam em seus livros a importância da formação do professor estar baseada no diálogo, na reflexão, na socialização das vivencias, e também na prática educacional que vem a manifestar-se através das oficinas pedagógicas, que são realizadas no contexto escolar na qual, o docente e o discente estão inseridos. Levando em conta à formação do professor para o “ser docente”, é sabido então que a teoria deve ser aplicada na prática, e que é somente por meio destes que o público alvo será atingido. Diante disso percebemos que a formação docente voltada para a prática educacional, baseada em teorias pedagógicas, irá possibilitar ao docente que ele consiga desenvolver plenamente os saberes educativos necessário para uma formação profissional, que venha a contribuir para o desenvolvimento de todo um contexto social e educativo em que este educador esteja inserido, e para que ele venha a contribuir então de forma significativa para a realidade em que ele se encontra. Deparamo-nos por fim como nos relatam os autores aqui citados, que o professor é um ser educativo, competente e ativo, compromissado com a praticada docente, que busca desenvolver o ser humano plenamente de uma forma em que ele venha a se tornar um ser autônomo. REFERÊNCIAS TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 2ª Edição. Petrópolis: ed. Vozes, 2002. IMBERNÓN, Francisco. Formação permanente do professorado, novas tendências. ed. Cortez,2009. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 104 A FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE ATRAVÉS DO PIBID/URI – FREDERICO WESTPHALEN: UM ESTUDO REFERENTE ÀS PRÁTICAS NAS DISCIPLINAS PEDAGÓGICAS DO CURSO NORMAL MAGISTÉRIO Ana Paula Noro Grabowski 1 Luana Novakowski 2 Luci Mary Duso Pacheco 3 RESUMO O presente artigo intitulado “A formação inicial docente através do PIBID: um estudo referente às práticas nas disciplinas pedagógicas do Curso Normal – Magistério” é resultado do desenvolvimento de estudos e das ações pedagógicas realizadas através do PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência vigente no Curso de Pedagogia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Câmpus de Frederico Westphalen. O objetivo deste trabalho é abordar a formação docente através do PIBID contemplando especificamente as aquisições e construções à formação acadêmica mediante as intervenções realizadas nas disciplinas pedagógicas do Curso Normal da escola campo. As intervenções pedagógicas contemplaram em sua totalidade momentos constantes de observação, diagnóstico, planejamento, aplicação e reflexão sob as ações juntamente com as supervisoras da escola campo e a orientadora do Programa na universidade. Entende-se que, a inserção do acadêmico no ambiente educacional e o constante contato com os sujeitos de ensino possibilita a aquisição e desenvolvimento de habilidades e competências que vão além do conteúdo programático, pois vem imbuído ao sentido da pesquisa do contexto em que se está inserido e da melhoria de ações para este mesmo contexto, criando condições de ensino-aprendizagem para os professores e para os alunos, além do desenvolvimento cognitivo e da experienciação que é oportunizado aos acadêmicos enriquecendo assim a sua formação. Desta forma, o presente trabalho é fruto de ações conjuntas e interligadas que ambicionam não somente uma formação mais qualitativa, como também uma maior integração entre escola pública e ensino acadêmico na busca de uma educação mais digna, emancipatória e cidadã. Palavras-chave: formação docente, PIBID, intervenções pedagógicas. ABSTRACT This article entitled "The initial teacher training through PIBID: a study concerning pedagogical practices in the disciplines of the Normal Course Teaching" is the result of the development of pedagogical studies and actions undertaken by PIBID - Institutional Bursary for New Teachers prevailing at the 1 Acadêmica do VII semestre do Curso de Pedagogia da URI – Frederico Westphalen, e, bolsista do PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – [email protected] 2 Acadêmica do III semestre do Curso de Pedagogia da URI –Frederico Westphalen, e, bolsista do PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – [email protected] 3 Coordenadora de Área do PIBID e Orientadora do Projeto no Curso de Pedagogia da URI – Frederico Westphalen – [email protected] Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 105 School of Education at the University Regional Integrated High Uruguay and Missions - Frederick Câmpus. The objective of this study is to discuss teacher training through PIBID specifically contemplating the purchase and construction through the academic disciplines in the educational interventions Course Normal School field. The pedagogical interventions contemplated in its entirety moments constant observation, diagnosis, planning, implementation and reflection on the actions together with the supervisory school field and guiding the program at the university. It is understood that the integration of academic and educational environment in constant contact with the subjects of teaching allows the acquisition and development of skills and competencies that go beyond the syllabus, as has been imbued with the sense of the research context in which it is inserted and improvement actions for this same context, creating conditions for teaching and learning for teachers and students, as well as cognitive development and experiencing that is oportunizado to enriching their academic training. Thus, this work is the result of joint actions and interwoven that aim not only a more qualitative training, as well as greater integration between public school and academic education in search of a more worthy education, emancipation and citizenship. Key-Words: teacher training, PIBID, pedagogical interventions. INTRODUÇÃO O artigo em pauta vem tratar da formação inicial docente através do PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência desenvolvido na URI – Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões/ Câmpus de Frederico Westphalen desde agosto de 2010 no Curso de Pedagogia. O PIBID é um Programa desenvolvido pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) de apoio e incentivo às licenciaturas e de valorização ao Magistério. Tem por objetivo propiciar uma formação de maior qualidade para os acadêmicos dos cursos de licenciatura através da inserção destes no contexto educacional, preconizando práticas para sua futura profissão, além de propiciar o aprofundamento teórico e a compreensão da realidade educacional das escolas públicas nas quais são desenvolvidas as atividades. Neste trabalho propõe-se explicitar a relevância da formação inicial docente e sua relação com o Programa PIBID, aprofundando o diálogo no que tange o desenvolvimento de atividades práticas na escola campo. Através do PIBID várias atividades são efetuadas na escola campo, Instituto Estadual de Educação 22 de Maio, localizado no município de Palmitinho, as quais oportunizam o contato entre cotidiano escolar e ensino acadêmico. Dentre as atividades a que será foco de estudo define-se por intervenção pedagógica. A intervenção pedagógica é uma prática que envolve o trabalho com as disciplinas pedagógicas do curso Normal (Didática Geral, Política Educacional, Filosofia da Educação, Sociologia da Educação e Psicologia da Educação), envolve também a observação e o diagnóstico de determinada turma para que seja possível então, efetuar um planejamento coerente e que possa auxiliar o professor no desenvolvimento de determinado conteúdo. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 106 É neste sentido que as ações desenvolvidas através do PIBID oportunizam o estreitamento de laços entre os sujeitos educacionais e os bolsistas do Programa, oferecendo subsídios para sai futura prática. Ensinar não é uma tarefa fácil, é sim, complexa, pois, o trabalho docente envolve um conjunto de fatores que são determinantes para o processo de formação humana e cidadã, exigindo responsabilidade, compromisso e uma formação de qualidade. Desta forma, entende-se a docência como um compromisso complexo que exige dedicação, e, como dito “Ensinar não é tarefa fácil”, é necessário que a formação acadêmica seja um sustentáculo à profissão e à busca de novos conhecimentos e pesquisa. Expomos na sequência a influência do PIBID nesta formação e na busca por aprendizagens que venham a fazer diferença no cenário educacional, como forma de melhoria no pensar, no agir, no ensinar e no aprender. REFERENCIAL TEÓRICO FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE Para uma profissão docente qualitativa é necessário considerar um conjunto de conhecimentos e aptidões a serem desenvolvidas durante a formação acadêmica. Não basta somente o domínio do conteúdo programático, é necessário que a pesquisa seja um suporte para que os acadêmicos possam perceber melhor a realidade educacional e afeiçoar-se a sua futura prática subsidiando experiências escolares e conhecimentos que venham a orientar as ações pedagógicas. É durante a graduação que o acadêmico tem a oportunidade de construir/aperfeiçoar seus conhecimentos teóricos e também experienciar vivências práticas a fim de projetar ações que visem seu trabalho profissional futuro. Também, é nesta etapa de formação inicial que a pesquisa tem um papel importante na formação, pois, possibilita a atuação como pesquisador (a), o desenvolvimento intelectual e o didático, o que torna-se ponto essencial para a prática em sala de aula. De acordo com Pires (2002) é durante o processo de investigação que o acadêmico ao mesmo tempo em que ensina também aprende, pois está constantemente reestruturando o seu conhecimento e relacionando-se com os sujeitos do processo de ensino. Desta forma, entende-se que a pesquisa além de significar acréscimo cognitivo, também, é um meio de contato com a realidade educacional, propiciando a relação teoria-prática, a aquisição de novas experiências, a troca de vivências e conhecimentos, enriquecendo assim, a formação acadêmica. Neste sentido, é que o professor deve compreender-se em constante formação, concebendo este período não com um fim em si, mas, como uma qualificação mínima e exigida para preconizar seu trabalho profissional. Neste compasso é que o acadêmico amplia seu conhecimento, qualitativizando sua formação, construindo também sua identidade profissional, a qual irá sendo reconstruída permanentemente durante sua caminhada docente. Convém destacar aqui, que essa construção recebe muita influência das mudanças sociais, Imbernón (2009) elenca alguns elementos que influenciam na educação e na formação docente, tanto inicial quanto permanente, à saber, Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 107 a aceleração do desenvolvimento e descobertas científicas, mudanças nas formas de convivência social, novas estruturas familiares que repercutem na transformação do pensar, sentir e agir; a vivência num cenário de diversidade cultural e multilíngue, as informações em massa e ditames midiáticos difundidos através dos meios de comunicação e informação fazendo com que o professorado divida a “poder da transmissão de conhecimento”; a relevância da bagagem sociocultural que cada sujeito possuí no que tange a educação para além da aquisição científica; a dinamicidade existente nos instrumentos, métodos, experiências e habilidades para o trabalho com a educação e uma desregulação do estado oportunizando que a educação e as políticas governamentais venham imbuídas pelo caráter mercadológico econômico. É necessário, portanto, que a formação docente esteja diretamente ligada a permanente reflexão das ações e práticas que envolvem o sentido pedagógico, visto que, este, assume proporções que ultrapassam as paredes da sala de aula e da escola, estão vinculadas às modificações sociais, as quais por vezes são divergentes ao processo educativo. Com o PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência os acadêmicos tem a oportunidade de ir construindo sua identidade profissional, reconstruindo suas práticas docentes a partir do contato com a sala de aula e o contexto escolar/universitário. É nesta perspectiva que Bolzan (2002 p. 22) afirma que “a construção do papel de ser professor é coletiva, se faz na prática da sala de aula, exercício da atuação cotidiana da escola”. Mion e Bastos (2001) entendem que o trabalho em sala de aula viabiliza o exercício e a construção da cidadania, desde que o professor tenha ciência da organização e do redimensionamento das práticas educacionais. Nota-se, portanto, a significação que o contato com o contexto escolar durante a formação inicial tem para a aquisição profissional do acadêmico. A este sentido é que o Programa PIBID contempla a formação inicial, oferecendo subsídios para a prática pedagógica acadêmica inserida no universo escolar, estreitando laços entre escola pública e ensino acadêmico. A PRÁTICA DA FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE ATRAVÉS DO PIBID O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID é uma ação conjunta do Ministério da Educação, por intermédio da Secretaria de Educação Superior - SESu, da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES , e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE. Através de ofertas de bolsas para acadêmicos de cursos de licenciaturas, professores universitários e de escolas públicas, o PIBID visa à construção de uma educação de qualidade na educação básica a nível nacional e uma maior valorização dos profissionais da educação. O PIBID estreita os laços entre a universidade e a comunidade, visando a formação dos acadêmicos da URI, que dispõem da oportunidade de conhecer e desenvolver práticas de iniciação à docência com a participação em escolas públicas da região. A URI, como uma instituição que visa a indissociabilidade entre o ensino, pesquisa e extensão, busca através do PIBID uma melhor disseminação de uma cultura prática docente que sirva como impulso para os acadêmicos escolherem a profissão docente como alternativa e que possam transformar a realidade que estão inseridos. Busca-se também realizar trocas de saberes Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 108 entre os acadêmicos envolvidos e as escolas campo, possibilitando assim, a identificação de problemas e necessidades sobre as quais deve agir para melhorar a educação e estimular o desenvolvimento humano Partindo da realidade e das necessidades da escola campo no que tange a Formação Magistério e planejamento inicial, os alunos realizam observações nas escolas campo onde obtém o conhecimento a cerca do Projeto Político Pedagógico, dos Planos de estudos, Regimento, bem como a participação nas atividades desenvolvidas no dia a dia da escola, como reuniões planejamento da escola e do Curso de Formação Magistério. São desenvolvidas atividades de formação inicial de diferente cunho, específicas de cada área. È de relevância citar as oficinas, palestras, seminários, gincanas que atendem o diagnóstico inicial, onde são desenvolvidas tanto com os alunos quanto com os professores, onde os mesmos podem aprimorar seus saberes visando a melhoria na qualidade de ensino através das diferentes atividades oportunizadas, bem como dialogar sobre as diferentes realidades pedagógicas, buscando conhecer as práticas docentes, as necessidades didáticas, dificuldades de aprendizagem existentes neste universo educacional. Também se pode destacar os grupos de estudos realizados na escola campo com os professores das matérias pedagógicas do Ensino Médio Formação Magistério, acadêmicos bolsistas, professores supervisores e professores da URI envolvidos no projeto. Através destes grupos tanto professores, bolsistas, supervisores e coordenador ampliam seus horizontes a cerca das metodologias dos conteúdos que são trabalhados e aprofundam seus conhecimentos da práxis educativa. RELEVÂNCIA DA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA Toda proposta de intervenção pedagógica, surge da análise e pesquisa criteriosa do corpo docente e discente, da forma, do modo, do modelo, do método, do mecanismo de ensino e do conteúdo programático de cada disciplina. Intervenção quer dizer ação responsável, consciente do que é capaz de produzir, e não na ação cega, firmada apenas no senso comum e na intuição. Então, entende-se que intervenções pedagógicas são concebidas como: instrumentos para ajudar o aluno a aprender e parte integrante do trabalho realizado (no instante ou não da aprendizagem), oferecendo também subsídios didáticos aos docentes a fim de aperfeiçoar a sua prática, como inovações metodológicas e de instrumentos educacionais. Portanto, é imprescindível considerar a bagagem sociocultural dos sujeitos, bem como, estabelecer um mínimo de conhecimento referente à seu nível cognitivo e psicológico, pois somente com estes precedentes, se poderá partir para um planejamento que auxilie o professor na dinamização de um conteúdo que seja de difícil compreensão por parte dos alunos. Também torna-se fundamental considerar que ao adentrar no universo educacional compreendido através de uma sala de aula, que neste, existe um mediador, por isso, as sugestões e ideias que possam ser significadas no concreto para os sujeitos devem passar pela professora regente, pois é m processo de melhoramento da aprendizagem, portanto, o professor conhece de forma mais aprofundada a turma e poderá indicar caminhos e forma de trabalho para que a intervenção seja efetuada com êxito. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 109 METODOLOGIA Metodologicamente o presente trabalho está pautado em estudos teóricos referentes à formação inicial docente, bem como, aos objetivos do Programa PIBID, os quais contemplam: ações gerais que envolvem os acadêmicos bolsistas, supervisores e coordenadores de área do projeto, como palestras, seminários, relatos. Também envolve ações ligadas a identificação do contexto escolar na qual o aluno bolsista irá desenvolver os trabalhos, revisão das bibliografias e dos conteúdos, bem como a elaboração do material didático. Ações interdisciplinares que envolvem atividades, conteúdos ou conhecimentos comuns as diferentes áreas do conhecimento envolvidas. Ações específicas que são elaboradas, desenvolvidas e avaliadas pelos acadêmicos bolsistas e coordenador da respectiva área do conhecimento, atendendo às necessidades de cada área. E as ações integradoras que envolvem atividades de socialização de conteúdos, metodologias, materiais e resultados, envolvendo áreas afins ou todas as áreas. Desta forma, inicialmente buscou-se compreender o contexto educacional da escola, com estudos referentes aos seus documentos: Projeto Político Pedagógico, Planos de Estudos e Regimento do Curso Normal, para então poder entender de que forma a escola trabalhava e qual tipo de cidadão procurava formar. Após este primeiro momento de estudos teóricos, partiu-se para o diálogo e as observações em sala de aula a fim de diagnosticar através deste cotidiano como desenvolve-se o processo de ensino aprendizagem. Através das observações das aulas pode-se identificar a forma que o professor conduz a construção do conhecimento, a relação existente entre professor e aluno, aluno e aluno, professor e conteúdo e aluno e conteúdo, também existem os diálogos que oportunizam um conhecimento mais próximo das evidências e lacunas que necessitam ser atencionadas no planejamento pata então realizar a intervenção. Num segundo momento, realiza-se então o planejamento, considerando o diagnostico realizado, buscando elencar atividades que possam dinamizar e facilitar a construção do conhecimento por parte dos alunos. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS O trabalho desenvolvido na escola campo através do PIBID contempla atividades diversificadas com as alunas do Curso Normal e os docentes do educandário. É possível elencar as Oficinas Pedagógicas (Leituras de Paulo Freire, Claudius Ceccon e Ruben Alves; Oficina de Jogos Matemáticos, Oficinas com os Docentes referente as temáticas Planejamento, Metodologia e Avaliação, entre outras), o acompanhamento das Práticas pedagógicas das alunas (estágio supervisionado, aplicação de aulas, planejamentos, préestágios), desenvolvimento de grupos de estudos e intervenções pedagógicas. As intervenções pedagógicas, como já abordadas anteriormente, constituem-se ponto fundamental para a prática desenvolvida através do Programa, pois, contemplam a parte que os acadêmicos trabalham diretamente com as disciplinas pedagógicas, as quais sairão do Curso de Pedagogia habilitados para ministrar. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 110 Durante este processo de intervenções foram realizadas várias etapas de observação das aulas e trocas com os professores. É relevante destacar aqui, que para o desenvolvimento desta atividade é necessário determinado cuidado no ambiente educativo, pois representamos um indivíduo diferente do cotidiano das alunas e professora, por isso, é necessário realizar a prática de forma coerente e objetiva, a fim de proporcionar um ambiente harmonioso e de construção de conhecimento. Nas observações foram diagnosticados os instrumentos didáticos, metodologias, planejamento e relação entre os sujeitos. É interessante salientar que o diálogo constituiu-se fundamental no processo, bem como o uso de explanações e questionamentos que aguçam o pensamento reflexivo à cerca dos conteúdos. Os professores utilizam-se de esquemas em slides, no quadro, textos, vídeos e filmes, entre outros elementos, a fim de realizar as aulas. CONCLUSÃO O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) está proporcionando aos acadêmicos, o primeiro contato com o ambiente escolar, oferecendo a oportunidade de vivenciar diversas experiências na prática, tendo como objetivo, a melhor capacitação dos futuros professores. Portanto, para os bolsistas, o PIBID será mais que uma experiência acadêmica, será uma experiência de vida. Dentro do projeto estão previstas ações no intuito de oferecer melhorias no ensino, bem como, promover a integração entre a comunidade escolar entre si e também entre alunos, bolsistas, supervisores e coordenadores. É de grande importância à inclusão do licenciando no contexto escolar desde o início de sua formação, para que a iniciação à docência ocorra antes mesmo de chegar o estágio. E não menos importando também é a formação continuada dos professores da rede. O PIBID vem oferecendo essa experiência a todos os envolvidos no projeto (professores, supervisores, coordenadores, acadêmicos bolsistas e alunos) a oportunidade de intensificar e qualificar o processo de formação e iniciação à docência através de participação em pesquisas, planejamento e execução de metodologias inovadoras, além de ao vivenciar o ambiente escolar, suas rotinas e dinâmicas. Através da formação inicial, os acadêmicos se tornam mais críticos e inovadores a cerca das práticas pedagógicas, pois é um momento de socialização e configuração profissionais, quando os professores são instruídos para o domínio dos saberes que precisam dominar para mobilizar na ação: os saberes das disciplinas, dos conteúdos curriculares e das disciplinas de formação pedagógica. A formação inicial é fundamental porque possibilita que os professores em formação vivenciem experiências que terão impacto bastante significativo em termos da apropriação de uma cultura docente, do modo de ser e de agir dos professores, ou seja, da uma base da constituição do saber da experiência e que se relaciona, fundamentalmente, ao que acontece durante a Prática de Ensino. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 111 REFERÊNCIAS BASTOS, Fábio da Purificação; MION, Rejane Aurora. Investigação-ação e a concepção de cidadania ativa. In: MION, Rejane Aurora e SAITO, Carlos Hiroo. Investigação-ação: Mudando o trabalho de formar professores. Ponta Grossa: Gráfica Planeta, 2001. BOLZAN, Dóris Pires Vargas. Formação de professores: compartilhando e reconstruindo conhecimentos. Porto Alegre: Mediação, 2002. IMBERNÓN, Francisco. Formação permanente do professorado, novas tendências. São Paulo: Cortez, 2009. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 112 A IMPORTÂNCIA DA SUPERVISÃO ESCOLAR NA FORMAÇÃO ACADÊMICA DOCENTE ATRAVÉS DO PROGRAMA PIBID: A VISÃO DA ESCOLA CAMPO Dilvana Zanatta Spagnol ¹ Vanderléia Gimenez Covatti ² RESUMO O presente artigo apresenta a visão da escola campo no que tange à relevância do trabalho de orientação que as supervisoras realizam com as acadêmicas e bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID – Subprojeto de Pedagogia da URI – Câmpus de Frederico Westphalen. Tal programa é vinculado ao órgão CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), e compreende uma iniciativa do Governo Federal de incentivo às licenciaturas e à formação docente. Tendo por base o objetivo do Programa, que é desencadear ações que possibilitem aos bolsistas de Pedagogia desenvolver habilidades e competências condizentes à construção do conhecimento, compreende-se que estes saberes contribuam na formação e na atuação do profissional pedagogo, além de estreitar laços entre o ensino acadêmico e a educação básica. Neste sentido, é papel do supervisor fazer o elo entre a teoria e a prática através de sugestões e orientações de atividades, além de oportunizar e direcionar o contato das alunas bolsistas com todos os sujeitos do espaço escolar através do desenvolvimento das ações previstas no Programa PIBID. Dessa forma, a supervisão do PIBID fortalece e acompanha a formação inicial das futuras pedagogas através da experiência prática, sendo que o programa também contribui para a qualidade do trabalho desenvolvido no Curso Normal mediante as trocas entre escola campo e universidade, tendo em vista a formação continuada docente. Palavras-chaves: Supervisoras, formação inicial, teoria e prática. ABSTRACT This article presents the vision of the school field with regard to the relevance of the work that the supervisory guidance to the conduct and academic fellows Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID - Activity Pedagogy by URI - Frederico Westphalen Câmpus . Such a program is linked to the agency CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) and comprises a Federal Government initiative to encourage undergraduate and teacher training. Based on the objective of the program, which is to trigger actions that enable the fellows of Education to develop skills and competencies consistent with the construction of knowledge, it is understood that this knowledge will help in training and performance of professional educator, and closer ties between the academic education and basic education. In this sense, the role of the supervisor to make the link between theory and practice through guidelines and suggestions for activities, and create opportunities and direct contact with scholars of the students all subjects of the school through the development of the actions foreseen in the PIBID. Thus, the supervision of PIBID strengthen and monitor the training of Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 113 future educators through practical experience, and the program also contributes to the quality of work done in the normal course through the exchanges between school and university field, with a view to training continued teaching. Key- words: Supervisory, training, theory and practice. INTRODUÇÃO O presente artigo tem como objetivo relatar a importância da supervisão escolar na formação acadêmica docente através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência- PIBID- Subprojeto do Curso de Pedagogia Ensino Médio, URI/Câmpus FW : abordando a visão da escola campo. As atividades previstas no referido programa são realizadas com os alunos e professores do Curso Normal do Instituto Estadual de Educação 22 de Maio de Palmitinho, orientado pelas professoras supervisoras Dilvana Zanatta Spagnol e Vanderléia Gimenez Covatti. Abordaremos o trabalho de supervisão escolar realizado na escola campo, cientes de que é papel do supervisor estabelecer o elo entre a teoria aprendida na universidade e a prática realizada na Instituição, através do acompanhamento, sugestões e orientações das ações educacionais contempladas no Subprojeto do Curso de Pedagogia - Ensino Médio; além de oportunizar às acadêmicas bolsistas a vivência do cotidiano escolar, tais como: observações, monitorias e intervenções nas Disciplinas de Formação Profissional, oficinas pedagógicas, gincanas, seminários, minicursos, acompanhamentos das práticas de ensino, projetos e estágio supervisionado, coordenação e orientação do Projeto de Leituras Pedagógicas, participações em reuniões administrativas e pedagógicas, grupos de estudos de formação continuada com os professores, seminários, entre outras atividades previstas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência realizadas na escola campo. Da mesma forma que o planejamento inicial é importante para o êxito do trabalho, a vivência do cotidiano escolar e a reflexão mediante a práxis pedagógica é fundamental para o percurso da formação docente. Quando se trata de educar, de ensino e de conhecimento, esse repensar e questionar-se é imprescindível para a concretização de uma educação mais qualitativa e de significação social. Na atuação como professoras supervisoras, percebemos a importância do programa que constitui-se numa experiência significativa e momento de construção de aprendizagem para todos os envolvidos: acadêmicas, professores e alunos do Curso Normal. Enquanto escola campo inserida no Programa, constatamos a importância da universidade, referência educacional, especialmente do Curso de Pedagogia, atuando de forma positiva e sólida na formação pedagógica dos alunos e professores do Instituto. Percebe-se a importância da cooperação entre os envolvidos, aproximando a educação básica da universidade através da relação teoria e prática necessárias para a preparação de novos profissionais; proporcionando a interação e aprendizagem compartilhadas. Certamente, a partilha dos conhecimentos pedagógicos resulta na construção de novos saberes e vivências de novas experiências. Através da interação universidade-escola, refletimos sobre o fazer pedagógico, pois quando se trata de educar, de ensino e de conhecimento, Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 114 este repensar e questionar-se constantemente é fundamental. A escola deve ensinar para a autonomia, para a aprendizagem útil e significativa, não como saber instituído e obrigatório, mas como saber que transforma, que interage, que enriquece e aponta caminhos. Dessa forma, evidencia-se que o trabalho desenvolvido pela supervisão escolar contribui para a formação inicial das futuras pedagogas e também está contribuindo para promover a melhoria da qualidade de ensino da escola campo. A receptividade do Instituto provocou uma interação com a comunidade escolar, que abre cada vez mais espaço para a continuidade e ampliação da proposta de trabalho desenvolvida para que todos os objetivos previstos continuem sendo alcançados. Sendo assim, a supervisão escolar proporciona um envolvimento maior com os alunos e professores do Curso Normal; uma vez que é de suma importância que as acadêmicas vivenciem os problemas reais da prática docente, para que conheçam o ambiente escolar de forma crítica e reflexiva, contribuindo significativamente na sua formação profissional. REFERENCIAL TEÓRICO 1. FORMAÇÃO DOCENTE A formação docente é um processo desafiador, pois nos faz reviver as inquietudes e perplexidades na busca de significados do que é ser professor no mundo de hoje. Professor, sujeito que professa saberes, valores, atitudes, que compartilha relações e, junto com o outro, elabora a interpretação e reinterpretação do mundo. Formar professor com qualidade social e compromisso político de transformação tem se mostrado um grande desafio às pessoas que compreendem a educação como um bem na construção da identidade e no exercício da cidadania. Vivemos um momento histórico da educação brasileira quanto à formação de professores, momentos de incertezas ao mesmo tempo em que exige o resgate do valor do educador diante da sociedade, pois corremos o risco de num futuro próximo, termos salas de aula sem profissionais. Assim é possível dizer que: “Sem um mínimo de esperança não podemos sequer começar o embate, mas, sem o embate a esperança se desarvora [...]. Daí a precisão de uma certa educação da esperança.(FREIRE,1994.pg.11). A esperança e o otimismo na possibilidade da mudança são um passo gigante na construção e formação científica do professor e professora que deve coincidir com sua formação ética. Baseado nas ideias de Paulo Freire buscamos como Supervisoras do PIBID oportunizar às alunas bolsistas, uma visão da importância da formação do professor enriquecida pela esperança que nos move, fazendo a relação da teoria estudada na Universidade e a prática vivenciada na escola campo em todos os seus aspectos. As condições da construção do educador são baseadas no diálogo verdadeiro com todos os envolvidos no processo do ensinar e aprender, pois é no respeito com os saberes diferentes que nos construímos e que aprendemos a trabalhar em equipe. Com base nos pensamentos de Philippe Perrenoud, de que as aprendizagens essenciais e necessárias ao longo da formação do professor é Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 115 aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto com os outros e aprender a ser, elencamos em todas as atividades desenvolvidas no PIBID a vivência desses pilares. Planejamento, estudo, pesquisa, desenvolvimento, avaliação, reflexão e ação é o que permeia todas as atividades propostas e as ações vivenciadas e desenvolvidas no cotidiano da escola campo pelas bolsistas. Arroyo (2010.p.67) também nos faz pensar sobre a formação do professor quando nos fala da humana docência: “Aprendi, aprendemos que educar é revelar saberes, significados, mas antes de mais nada, revelar-nos como docentes, educadores em nossa condição humana. É nosso ofício. E nossa humana docência” Dessa forma, compreendemos que ser educador é um modo de ser, um dever ser. E este deve cuidar de seu percurso na vida social, profissional e pessoal, pois a valorização social do educador depende, antes de tudo, da autovalorização. Concluímos que a formação inicial do professor é muito complexa e de suma importância para a construção de sua autoimagem positiva e que esta terá grande influência na construção do Ser Professor, idealizado por todos nós, competente, comprometido, idealista e transformador, pois como afirma Freire (2000): “ Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas Transformam o mundo.” O PAPEL DA SUPERVISÃO DA ESCOLA CAMPO NO DESENVOLVIMENTO DO PIBID O aperfeiçoamento é parte intrínseca da profissão docente, mas ela não acontece sem um diálogo constante entre todos os envolvidos no fazer pedagógico. O papel do Supervisor é de através do diálogo oportunizar e construir as pontes necessárias para o aluno bolsista realizar a travessia, fazendo as relações entre a teoria e a prática e experienciar a vivência de sala de aula, de práticas pedagógicas, de projetos, de estágios, oficinas pedagógicas, grupos de estudos, ou seja em todos os aspectos. Segundo IBERNÓN a formação para a inovação tem de se estender a esfera das competências, habilidades e atitudes, e se fundamentar no aprendizado da colaboração participativa, e o aprendizado se dá com base na reflexão e na resolução de questões diretamente relacionadas à prática. Nesse sentido que a Supervisão contribui na formação das alunas, abrindo as portas e mostrando os caminhos do mundo da escola, com suas limitações, expectativas, dificuldades, valores, experiências e trabalho. BOLZAN (2002 P.22) afirma que “a construção do papel do ser é coletiva, se faz na prática da sala de aula, exercício da atuação cotidiana da escola.” Baseado nessa afirmação destacamos que nesse espaço ocorre crescimento em todos os sentidos e de todos os envolvidos nesse processo acadêmicas, gestores, coordenadores pedagógicos, supervisores, professores e alunos. FORMAÇÃO PERMANENTE: UMA REALIDADE NECESSÁRIA Diante das perplexidades e das incertezas do tempo em que vivemos, a escola e seus profissionais precisam ressignificar o seu tempo e seus espaços, Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 116 mas essas mudanças não acontecerão sem projetos existenciais dos sujeitos que nela habita e recriam constantemente, através da formação permanente. Segundo Brzezinski, (2006): “Quem sabe faz, quem compreende ensina”. Compreender o mundo da escola em toda sua complexidade e diante de tantas mudanças que ocorrem e que interferem diretamente no cotidiano, escola requer um profissional aberto e comprometido com sua formação permanente. O professor, na qualidade de profissional da educação, necessita de uma formação continuada, que inclua sua área do conhecimento específico, a área pedagógica e a dimensão política. Incentivado a trabalhar em equipe e coletivamente com seus colegas. É preciso que o professor deixe de ser um expert em uma disciplina para se transformar em um mediador de aprendizagens, que saiba construir um clima de confiança, de abertura, de corresponsabilidade, de parceria com seus alunos, visando à educação e formação profissional. IBERNÓN, diz que o professor é o maestro de toda escola, que precisa aprender a desaprender a trabalhar isoladamente, pois o maestro precisa gerar o conhecimento pedagógico no coletivo, tendo tolerância profissional e sabendo conviver com os outros, com os diferentes. Afirma ainda, que se o professor quiser sobreviver precisa aprender a trabalhar em grupo, pois é no grupo que ele se fortalece, compartilha dúvidas, problemas, desenvolve a capacidade reflexiva e de pesquisa, incrementando a consciência da complexidade e diversidade do ensino. A formação permanente do professor oportuniza que ele se requalifique como profissional da educação e tenha um novo papel no processo de ensino aprendizagem: intelectual transformador, crítico e emancipador; planejador de situações de aprendizagem; mediador e incentivador dos alunos e seus colegas em suas aprendizagens; trabalhando em equipe e em parceria com os alunos e seus colegas professores, superando o individualismo e a solidão tão presentes na docência. A mudança somente acontecerá diante a partir do diálogo, da articulação, segundo FREIRE (1987. p. 79-82). O educador é um dos principais agentes da mudança do ensino, pois é ele quem está em contato com os alunos, onde ocorrem os problemas. Esta tarefa é desafiante e comprometedora. Não podemos mais ficar acomodados; o que se vislumbra é o comprometimento de cada setor com a parcela que lhe cabe no processo de transformação, atuando e mudando a escola em sua totalidade. METODOLOGIA A metodologia de trabalho terá como referência o planejamento e o desenvolvimento de ações previstas no Subprojeto de Pedagogia Ensino Médio da URI/Câmpus de Frederico Westphalen; procurando trabalhar de modo coletivo e compartilhado, com compromissos e responsabilidades estabelecidos entre bolsistas, supervisoras, subcoordenadora de área e coordenadora do programa. Dessa forma, a supervisão escolar da escola campo está realizando o trabalho de: - Acolhida às alunas bolsistas, orientando-as segundo o planejamento do programa PIBID; - Supervisão e orientação das atividades, buscando aprimorar o desenvolvimento das ações das bolsistas PIBID; Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 117 - Orientação e acompanhamento das práticas pedagógicas; - Organização de seminários, palestras, minicursos, gincanas e grupos de estudos; - Atividades de formação docente junto às acadêmicas de Pedagogia e demais professores da escola campo; - Participação de reuniões periódicas de planejamento e avaliação junto a coordenação de área do projeto na universidade. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Apresentamos a seguir as ações realizadas na escola campo contempladas na 1ª e 2ª etapas do PIBID com a orientação e acompanhamento da supervisão escolar: - Explanação das professoras supervisoras do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID URI-FW à Direção, Coordenação Pedagógica, professores e alunos do Curso Normal; - Reunião das professoras supervisoras e alunas bolsistas para planejamento das ações previstas no PIBID; - Atualização dos Dados Cadastrais e informações sobre a Ficha de Controle de Frequência; - Participação ativa em todas as vivências do espaço escolar do Instituto Estadual de Educação 22 de Maio; - Conhecimento do espaço escolar e da infraestrutura da Instituição; - Participação em reuniões administrativas e pedagógicas; - Leituras e debates do Projeto Político Pedagógico, do Regimento Escolar e dos Planos de Estudos do Curso Normal; - Análise e estudo da Estrutura e do Funcionamento do Curso Normal; - Monitorias e intervenções nas disciplinas de Formação Profissional: Didática Geral, Estrutura e Funcionamento da Escola Básica; Psicologia, Sociologia e Filosofia da Educação; e, nas disciplinas pedagógicas Didática da Matemática e da Geografia; - Participação nos projetos pedagógicos desenvolvidos no Curso Normal; - Participação nas atividades extracurriculares como palestras, filmes... - Participação ativa nas atividades do Dia da Normalista no Instituto 22 de Maio; - Planejamento de atividades e coordenação de Gincana de Integração com alunos e professores do Curso Normal; - Participação no Seminário sobre Desenvolvimento Humano; - Visita com os alunos do Curso Normal da Amostra Pedagógica no município de Vista Alegre; - Participação no Seminário Integrador do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência ( PIBID) no Câmpus da URI-FW; compartilhar os conhecimentos desenvolvidos e avaliar os resultados obtidos no projeto que iniciou em agosto de 2010; - Participação em palestras promovidas pelo Instituto; - Participação ativa nas reuniões com as alunas estagiárias na orientação da Prática de Ensino do Estágio Supervisionado; - Explanação das supervisoras das Fichas de Avaliação do Pré-estágio e do Estágio Supervisionado; Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 118 - Acompanhamento da orientação do Planejamento de Ensino às alunas estagiárias; - Acompanhamento das visitas com as professoras da Comissão de Orientação de Estágio às estagiárias no pré-estágio e no estágio supervisionado; - Planejamento, coordenação e orientação do Projeto de Leituras Pedagógicas do Curso Normal; - Organização e aplicação de atividades cooperativas com os alunos e professores do Curso Normal; - Acompanhamento das professoras supervisoras e das alunas bolsistas do PIBID, na visita dos alunos do Curso Normal ao Câmpus da URI FW, no mês de junho de 2011; com o objetivo de participar das apresentações de diversos temas educacionais que fazem parte do Estágio das acadêmicas do Curso de Pedagogia; e também de conhecer a infraestrutura, biblioteca e os laboratórios da Universidade; - Participação no I Seminário Institucional do PIBID no Câmpus da URI – FW; nos dias 14 e 15 de julho de 2011. Tema principal “Formação dos Professores: A Construção Coletiva da Docência – palestras, mesa-redonda, painéis, sessões de pôsteres, troca de experiências, plenárias, entre outros; - Organização da programação das atividades do 1º Encontro das Escolas de Curso - Normal promovido pelo Instituto Estadual de Educação 22 de Maio; - Pesquisas, planejamento de atividades, orientação e coordenação das Oficinas Pedagógicas com os alunos do Curso Normal: Oficina de Artes, Oficina de Aprendizagem Cooperativa, Oficina de Contação de Histórias, Oficina da Poesia, Oficina de Jogos Pedagógicos Matemáticos, Oficina de Construção de Brinquedos com materiais alternativos e Oficina do Tangram; - Grupos de Estudos abordando os temas Planejamento, Metodologia e Avaliação na Formação Continuada dos Professores; - Acompanhamento das estagiárias com os respectivos alunos na Feira de Ciências organizada no Instituto Estadual de Educação 22 de Maio; - Participação no 17º Seminário de Relatos da Prática de Ensino do Estágio Supervisionado; - Divulgação do Curso de Pedagogia da URI/Câmpus de Frederico Westphalen para as alunas do 3º ano do Curso Normal da escola campo; - Orientação do planejamento e acompanhamento da aplicação de aulas de Ensino Religioso e de Educação Física na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental; - Participação no projeto de Educação Inclusiva; - Participação no VII Simpósio Nacional de Educação e I Colóquio Internacional de Políticas Educacionais e Formação de Professores, na URI/Câmpus de Frederico Westphalen, de 14 a 16 de junho de 2012. - Participação de reuniões na escola campo e na universidade para avaliação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência- PIBID – URI/FW. CONCLUSÃO O programa desenvolvido na escola campo iniciou no segundo semestre de 2010 proporcionando inicialmente formação às acadêmicas com o conhecimento do Regimento Escolar, da Estrutura e Funcionamento do Curso Normal, análise dos Planos de Estudos, observações, monitorias e intervenções nas disciplinas de formação profissional; planejamento e Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 119 coordenação de oficinas pedagógicas, grupos de estudos com os professores, dentre outras ações educacionais; buscando inseri-las em todas as vivências do cotidiano escolar. Na vivência dos problemas reais da prática docente, conhecem o ambiente escolar de forma crítica e reflexiva; contribuindo significativamente na formação do futuro professor. O PIBID pela dinâmica estabelecida parte do conhecimento da escola campo, de leituras, encontros semanais para discussão, socialização e planejamento de atividades, proporcionando à supervisão escolar momentos importantes de partilha de conhecimentos, construção de novos saberes e vivência de novas experiências; fazendo-nos que repensemos o fazer pedagógico, pois: “poder refletir, repensar no que se fez é um privilégio e uma maneira de fazer o melhor sempre.” Outro fator importante e que qualifica a ação da supervisão do PIBID é a oportunidade de participar de seminários, apresentação de pôster, elaboração de relatórios e artigos, relatos de experiências, mesas-redondas com outras escolas inseridas no programa, aumentando os conhecimentos, a experiência e a formação continuada docente das professoras supervisoras. Sendo assim, como supervisão escolar contribuímos para o êxito do programa, uma vez que o acompanhamento e assessoramento pedagógico das alunas bolsistas contribui para a formação de futuros profissionais; o desenvolvimento de novas práticas educativas proporcionam a aprendizagem dos alunos da escola campo e, consequentemente para a melhoria da qualidade do ensino público. Enquanto professoras supervisoras ressaltamos que a integração universidade-escola campo é uma experiência significativa para todos os envolvidos: acadêmicas, professores e alunos do Curso Normal. REFERÊNCIAS FARIAS, Isabel Maria Sabino de; SALES, Josete de Oliveira Castelo Branco; BRAGA, Maria Margarete Sampaio de Carvalho; FRANÇA, Maria do Socorro Lima Marques. Didática e docência: aprendendo a profissão. Brasília: Líder Livro, 2009. GAUTHIER, Clermont et al. Por uma teoria da Pedagogia. Ijuí:Unijuí. KINCHELOE, Joel L. A formação do professor como compromisso político. Mapeando o Pós Moderno. Porto Alegre: Artmed, 1997. ANTUNES, C. Como desenvolver as competências em sala de aula. 3.ed.Petrópolis, Vozes, 2001. ARROYO,M.G. Ofício de Mestre: Imagens e autoimagens. Petrópolis, Vozes,2000. BECKER,F. A epistemologia do professor: o cotidiano da escola. Petrópolis: Vozes,2004. FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 19.ed. São Paulo: Paz e Terra,1996. IBERNÓN,F. Formação docente e profissional. São Paulo: Cortez,2007. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 120 PERRENOUD, P. Novas competências para ensinar. 1.ed. São Paulo Aretmed,2000. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 121 DINÂMICAS DE GRUPO: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DOCENTE ATRAVÉS DO PIBID/URI – FREDERICO WESTPHALEN Alessandra Maschio1 Katiucia Daniela Poletto Magahim 2 Luci Mary Duso Pacheco3 RESUMO O artigo aqui descrito corresponde ao relato das atividades embasado nas dinâmicas de grupo desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, o qual se apresenta como uma proposta de incentivo à docência e à formação inicial. O subprojeto desenvolvido pelo Curso de Pedagogia do URI - Câmpus de Frederico Westphalen contempla a modalidade do Magistério no Instituto Estadual de Educação 22 de Maio, município de Palmitinho. Objetiva-se através deste artigo os aspectos relevantes a formação docente através das dinâmicas pedagógicas. Nesse sentido, compreende-se que as dinâmicas têm o intuito de desenvolver os saberes e competências que vêm a contribuir com a formação e atuação do profissional pedagogo. Destaca-se, dessa forma, a contribuição do Programa PIBID para a Universidade e também para a formação acadêmica dos bolsistas, pois, conhecer o contexto de atuação pedagógica é importante para uma formação contextualizada e reflexiva. Palavras-chave: formação docente, relação teoria e prática, dinâmicas de grupo. ABSTRACT The article described herein corresponds to the account of the activities grounded in group dynamics developed in Institutional Bursary for New Teachers - PIBID, which is presented as a proposal to encourage the teaching and training. The sub-project developed by the School of Education of the URI Câmpus Frederick contemplates the modality of the Magisterium in the State Institute of Education May 22, city of Palmitinho. The purpose is through this article the relevant aspects of teacher education through dynamic teaching. In this sense, it is understood that the dynamics are intended to develop the knowledge and skills that are contributing to the formation and performance of the professional educator. It is noteworthy, therefore, the contribution of PIBID Program for the University and also for training of academic scholars, therefore, know the context of pedagogical action is important for a training context and reflective. Key-words: teacher training, theory and practice, group dynamics. 1 Acadêmica do V semestre do Curso de Pedagogia da URI –Frederico Westphalen, e, bolsista do PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – [email protected] 2 Acadêmica do V semestre do Curso de Pedagogia da URI – Frederico Westphalen, e, bolsista do PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – [email protected] 3 Coordenadora de Área do PIBID e Orientadora do Projeto no Curso de Pedagogia da URI – Frederico Westphalen – [email protected] Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 122 INTRODUÇÃO O presente artigo busca apresentar pontos relevantes das atividades desenvolvidas através de dinâmicas pedagógicas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID1, vigente na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Câmpus de Frederico Westphalen, no Curso de Pedagogia – Subprojeto Ensino Médio – que vem a nos demonstrar que as dinâmicas de grupo são de suma importância para o desenvolvimento tanto do educador quanto do educando. Destacamos então a formação além da sala de aula. Através do PIBID várias atividades e dinâmicas são efetuadas na escola campo, Instituto Estadual de Educação 22 de Maio, localizado no município de Palmitinho, as quais oportunizam o contato entre cotidiano escolar e ensino acadêmico. Neste trabalho propõe-se mencionar a importância da formação inicial docente e sua relação com o Programa PIBID, aprofundando o diálogo no que tange o desenvolvimento de atividades práticas na escola campo. Dentre as atividades a que será foco de estudo define-se por dinâmicas de grupo. As dinâmicas pedagógicas são vistas como um instrumento ou ferramenta que podem ser usados dentro de um processo de formação. Ou seja, a mesma pode auxiliar o professor na organização de um bom planejamento, bem como, dar possibilidades de criação e recriação do conhecimento. Para que a mesma seja usada como uma técnica pedagógica e como uma ferramenta educativa, deve-se sempre ser utilizada de formas específicas, com objetivos claros e definidos e aplicados da forma em que os participantes possam acrescentar em seu conhecimento. Todas essas abordagens se complementam na tentativa de que uma aula bem dinâmica é capas de unir a teoria/prática de uma forma mais descontraída e atrativa para os alunos. REFERENCIAL TEÓRICO 1 DINÂMICAS DE GRUPO: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DOCENTE Na atual sociedade o professor tem um papel afetivo muito significativo na vida dos educandos. Sem a afetividade não há uma dinâmica escolar eficaz que garanta aos alunos uma oportunidade de crescimento e aprendizagem integral. Pode-se constatar que os alunos que tem uma boa relação professor/aluno têm também outras dimensões quando pautadas no respeito, carinho e principalmente quando humanizadas. A realidade atualmente tem mostrado que a escola tem realizado um papel que vai além da educação. Hoje em dia a educação e a psicologia têm dado uma maior atenção aos estudos da afetividade na dinâmica entre professor/aluno. A importância do tema está em levantar uma questão que parece ser essencial, tendo em vista que nos dias de hoje a escola não presta 1 O programa tem como foco a valorização do magistério e a melhoria da qualidade da educação básica brasileira. Oferece bolsas para estudantes de licenciatura, professores universitários e de escolas públicas. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 123 apenas o papel de instituição de ensino, mas também de família e de formadores de cidadãos para o mundo. Refletir sobre a formação docente remete-nos a pensar em diversos espaços de aprendizagens, e, isto se dá pelo fato de que existem diferentes formas de se aprender e de construir o conhecimento. A formação acadêmica para atuação na rede regular de ensino visto essa diversidade, no que tange a construção de um ser social, perde-se pelas suas sinuosidades preparatórias, isto é, necessita-se um melhoramento no trabalho com o intelectual acadêmico, no desenvolvimento de aptidões e saberes básicos ao exercício docente, para que a prática possa resultar em um trabalho dinâmico e de visão emancipatória. Condizente ao referido acima pode-se dizer que a dinâmica de grupo deve-se iniciar-se durante a graduação dos acadêmicos de licenciatura a prática nas instituições de ensino, para que possam inteirar-se da realidade educacional diagnosticando as necessidades e dificuldades do processo de ensino aprendizagem, bem como, para que possam pensar e executar alternativas para sanar tais evidências, endossando a ligação entre universidade e escola pública e a relação entre teoria e prática. Tardif (2002, p. 36), destaca que os saberes docentes são um conjunto que não se restringem à transmissão de conhecimentos já constituídos, para o autor, a prática docente integra diferente saberes e mantém diferentes relações com eles, sendo definida “[...] como um saber plural formado pelo amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e experienciais”. Neste viés, destacam-se os saberes profissionais dos professores sob o foco de suas experiências, denotando-se então, uma valorização da pluralidade e heterogeneidade, isto é, saberes carregados de marcas do ser humano. Neste sentido de competências e saberes da formação inicial docente, compreende-se então que as dinâmicas pedagógicas tornam-se relevantes para uma constante formação, ou formação continuada que deve ser exercida pelo professor, buscando diferentes formas de efetuar a natureza do ensinoaprendizagem, e, melhorar os processos pelos quais se dá a construção do sujeito por meio de uma visão autônoma e emancipatória. A busca e a pesquisa devem constituir pontos inatos do ser professor, considerando-se seu caráter incentivador e instigador em relação à aprendizagem dos alunos, através disso percebe-se a importância das dinâmicas na interação educacional. Assim, toda e qualquer reflexão sobre os saberes e prática docente adentram um elenco de argumentos e ideias contrárias à formação inicial do professor, Imbernón (2009) elenca alguns elementos que influenciam na educação e na formação docente, tanto inicial quanto permanente, a aceleração do desenvolvimento e descobertas científicas, mudanças nas formas de convivência social, novas estruturas familiares que repercutem na transformação do pensar, sentir e agir; a vivência num cenário de diversidade cultural e multilíngue, as informações em massa e ditames midiáticos difundidos através dos meios de comunicação e informação fazendo com que o professorado divida a “poder da transmissão de conhecimento”; a relevância da bagagem sociocultural que cada sujeito possuiu durante a educação para além da aquisição científica; a dinamicidade existente nos instrumentos, métodos, experiências e habilidades para o trabalho com a educação. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 124 O que se precisa impreterivelmente é que o professor, em sua formação permanente, não perca seu caráter pesquisador e indagador, que saiba utilizarse destes aparatos, saberes e competências, na promoção de uma aprendizagem mais real e significativa. METODOLOGIA O presente trabalho está pautado em estudos teóricos referentes à formação inicial docente, bem como, aos objetivos do Programa PIBID, os quais contemplam: ações gerais que envolvem os acadêmicos bolsistas, supervisores e coordenadores de área do projeto, como palestras, seminários, relatos. Também envolve ações ligadas a identificação do contexto escolar na qual o aluno bolsista irá desenvolver os trabalhos, revisão das bibliografias e dos conteúdos, bem como a elaboração do material didático. Desta forma, primeiramente buscou-se compreender o contexto educacional da escola campo, com estudos referentes aos seus documentos: Projeto Político Pedagógico, Planos de Estudos e Regimento do Curso Normal, para então poder entender de que forma a escola trabalhava e qual tipo de cidadão procurava formar. Após este primeiro momento de estudos teóricos, partiu-se para a prática e as observações nas disciplinas pedagógicas do curso Normal (Didática Geral, Política Educacional, Filosofia da Educação, Sociologia da Educação e Psicologia da Educação) a fim de diagnosticar através deste cotidiano como desenvolve-se o processo de ensino aprendizagem. Através das observações das aulas pode-se identificar a forma que o professor conduz a construção do conhecimento, a relação existente entre professor e aluno, aluno e aluno, professor e conteúdo e aluno e conteúdo, também existem os diálogos que oportunizam um conhecimento mais próximo das dinâmicas pedagógicas utilizadas no planejamento do professor. Num segundo momento, realiza-se então o planejamento das atividades realizadas na escola campo, considerando o diagnostico realizado, buscando elencar as dinâmicas de grupo e outras ludicidades que possam dinamizar e facilitar a construção do conhecimento por parte dos alunos. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS O trabalho desenvolvido na escola campo através do PIBID contempla atividades diversificadas com as alunas do Curso Normal e os docentes da escola. É possível destacar as Oficinas Pedagógicas (Leituras de Paulo Freire, Claudius Ceccon e Ruben Alves; Oficina de Jogos Matemáticos, Oficinas com os Docentes referentes às temáticas de Planejamento, Metodologia e Avaliação, Dinâmicas de grupo entre outras), o acompanhamento das Práticas pedagógicas das alunas (estágio supervisionado, aplicação de aulas, planejamentos, pré-estágios), desenvolvimento de grupos de estudos e dinâmicas pedagógicas. As dinâmicas pedagógicas, como já abordadas anteriormente, contribuem para a construção de um bom planejamento visando contribuir no ensino aprendizado dos educandos. Destaca-se aqui, que para o desenvolvimento desta atividade é necessário um maior cuidado no ambiente educativo, uma vez que Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 125 representamos um indivíduo diferente do cotidiano das alunas e professora, por isso, é necessário realizar a prática de forma coerente e objetiva, a fim de proporcionar um ambiente agradável e de edificação do conhecimento. Neste presente artigo teve ainda como objetivo mencionar a importância da formação inicial docente e sua relação com o Programa PIBID, mostrando de uma maneira mais ampla e aprofundada. CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante a realização deste artigo buscamos demonstrar a importância do professor utilizar a dinâmica em seus planejamentos. Para que isso fosse possível, foi necessário estarmos envolvidos diretamente no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID – no qual a proposta do governo é de incentivo às licenciaturas e a profissão docente oportunizando assim uma análise mais completa em relação aos planejamentos de uma aula. Pensando nisso, é importante salientar os compromissos que se estabelecem na relação entre escola pública e universidade bem com a construção de uma prática significativa e almejadora. Consideramos, sem dúvidas, que o grande "facilitador" durante todo o trabalho desenvolvido foi às atividades dinâmicas realizadas na escola campo. Neste sentido, ficou evidente que no decorrer das atividades a importância do professor ser dinâmico em suas aulas tem mostrado resultados satisfatórios, pois as aulas tornam-se mais atrativas para os alunos. Pensando nisso, as atividades dinâmicas realizadas com os (as) alunos (alunas) do Curso Normal demonstraram na prática que a realidade educacional é o espelho da postura que um profissional da educação deve ter perante sua escolha, estando assim, ciente do compromisso e responsabilidade correspondente na sua prática pedagógica. Deste modo o trabalho com a formação docente em nível acadêmico vem a contribui de tal forma com a prática educacional. Considera-se ainda, que o objetivo deste artigo aqui descrito, é demonstrar que as atividades desenvolvidas na escola campo por meio de dinâmicas pedagógicas são de suma importância para a formação do professor, pois possibilita acadêmicos bolsistas uma maior compreensão do que o professor quer ensinar, instigando aos mesmos a participação nas atividades, uma vez que sabemos a existência de uma relação precisa entre uma educação dinamizadora e eficácia. REFERÊNCIAS IMBERNOM, Francisco. Formação permanente do professorado, novas tendências. São Paulo: ed. Cortez, 2009. TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 2. Ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2002. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 126 JOGOS COOPERATIVOS E FORMAÇÃO DOCENTE: COMPREENSÕES NECESSÁRIAS PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NO PIBID/FREDERICO WESTPHALEN Anilce Ângela Arboit1 Janaine Souza 2 Luci Mary Duso Pacheco 3 RESUMO O estudo em tela, intitulado “Jogos Cooperativos e Formação Docente: compreensões necessárias para a prática pedagógica no PIBID/Pedagogia de Frederico Westphalen”, visa analisar a Formação Docente, atentando para um ensaio conceitual, enfatizando os dois modelos existentes, assim como, evidenciando sua importância na qualificação das práticas educativas. Analisarse-ão, também, os Jogos Cooperativos, instrumentos didático-pedagógicos, abordando a concepção e a importância de tal ferramenta de ensino, pretendese relacionar, sob um viés pedagógico, os aspectos da formação docente relevantes para a articulação da utilização dos Jogos Cooperativos junto às atividades cotidianas docentes. Objetiva-se, com esta investigação, recrudescer os estudos nesta área, explicitando suas influências, a fim de fornecer elementos para as decisões cotidianas no planejamento da educação. A pesquisa tem caráter qualitativo e descritivo, amparada pelo estudo bibliográfico e tornou-se possível por meio de atividades desenvolvidas através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID/Pedagogia-Ensino Médio, do Câmpus de Frederico Westphalen. Tornase perceptível que o papel do educador é o de ser o “[...] alavancador de novos rumos, motivador para a mudança, auto-conhecimento, auto-transformação e reformulação de valores.” (FRIEDMANN apud PIEROTTI, 1992). Neste sentido, a lógica atual da competição torna-se presente, sendo, pois, necessário o resgate da lógica cooperativa e dialógica que busca uma sinergia para o processo de ensino e aprendizagem. Diante disso, tem-se a preocupação de (re)pensar e (re)criar um espaço em que seja possível (re)avaliar a prática docente. Palavras-chave: Formação Docente. Jogos Cooperativos. Prática Educativa. INTRODUÇÃO O presente estudo apresenta considerações acerca da Formação Docente, perpassando pela articulação entre formação inicial e formação continuada de docentes, suas concepções e relevância no processo educativo. Analisar-se-ão, como foco da pesquisa, os Jogos Cooperativos como um 1 Acadêmica e Bolsista do IV Semestre do Curso de Pedagogia da URI – Frederico Westphalen. E-mail: [email protected]. 2 Acadêmica e Bolsista do IV Semestre do Curso de Pedagogia da URI – Frederico Westphalen. E-mail: [email protected]. 3 Doutora em Educação, Professora do Departamento de Ciências Humanas, Coordenadora e Orientadora do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) da URI – Frederico Westphalen. E-mail: [email protected]. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 127 método aplicável no cotidiano docente, que possuem no seu âmago de desenvolvimento a cooperação; que permitem o desenvolvimento do viver e do conviver em grupo, do aprender para cooperar e do cooperar para aprender, exercitando o compartilhar como instrumento de crescimento pessoal. Por fim, serão relacionados os aspectos citados, com vistas a aprimorar o entendimento de que se faz urgente a inserção de uma diversidade de técnicas metodológicas no dia a dia docente, dentre as quais os Jogos Cooperativos ocupam um lugar de destaque na prática educativa. Tal abordagem tornou-se possível, tendo em vista as atividades práticas desenvolvidas através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência – PIBID/PedagogiaEnsino Médio do Câmpus de Frederico Westphalen. METODOLOGIA A presente investigação, com vistas à apresentação dos resultados, propôs-se a um estudo qualitativo e descritivo, baseado em leituras bibliográficas de autores renomados, com o intuito de aprimorar a base teórica das próprias pesquisadoras. Pesquisa qualitativa entende a realidade social como dinâmica, na qual interagem sujeito e objeto, já que ambos são de mesma natureza. Intencionalmente, percebendo a importância deste assunto e a diminuta teoria nesta área, optou-se pela análise anunciada, atentando para uma maior abrangência de tal tema, no tocante, especialmente, a acrescentar e aprofundar os conhecimentos, anexando-os à gama de saberes docentes; tal contribuição, entendida como fundamental à prática profissional docente. Com base nestas perspectivas, o estudo centrou a atenção na possibilidade de ressignificação destes valores no âmbito da educação escolar, na perspectiva de promoção de novas atitudes. RESULTADOS E DISCUSSÃO Aspectos relevantes acerca da Formação Docente A formação de professores é um campo muito amplo que requer, para sua compreensão, visualizá-la como um espaço constituído por diversas ideologias, concepções e práticas culturais, políticas e educacionais. Num campo mais restrito, são necessários os entendimentos de escola, professor e de formação de professores, temática que passamos a refletir com referência à formação inicial e continuada de professores. A Formação Docente assume dois modelos: a formação inicial e a formação continuada. É relevante que, antes de nos reportarmos à formação continuada, consideremos a formação inicial que atua como sendo a base para o saber docente. A formação inicial ofertada, especialmente, pelos cursos de licenciaturas, vem ao encontro das primeiras necessidades dos ingressantes em educação, e dos que almejam seguir nessa área, pois sabemos da sua flexibilidade e do vasto raio que abrange. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 128 A formação inicial prima pelos conhecimentos básicos, por isso é a base. Esses conhecimentos são fortalecidos pela busca constante de coletar informações e transformá-las em conhecimentos e, estes, em experiência. Contudo, sabe-se da não facilidade de ter esse discernimento e saber selecionar as muitas informações lançadas diariamente. Por isso, deve-se manter um cuidado muito especial para não deixar-se cair em alusão, ou seja, não haver uma referência vaga e difusa do que se quer realmente, ser objetivo, procurando não dissimular, suprimir ou, até mesmo, ocultar “aparências”. Afinal, hoje com o “avançado” processo de produção dos saberes “os conhecimentos tendem a se impor como um fim em si mesmos [...]; as atividades de formação e de educação parecem passar progressivamente para o segundo plano.” (TARDIF, 2004. p. 34). O correto não é armazenar o conhecimento, criando “estoques”, mas partilhá-lo e problematizá-lo. O que cabe fazer, portanto, é questionar se o saber provém de uma única fonte e de um único momento da vida de sua carreira. Importa, também, refletir se os professores refletem sua prática e de que forma a refletem. Refletir a prática é consequentemente avaliar seus saberes pedagógicos. Assim: A construção da identidade profissional possui relações estreitas com o ambiente de formação oferecido. Nesse sentido, formar professores é estimular o pensamento críticoreflexivo e fornecer aos professores meios para que haja o desenvolvimento da autonomia e colaboração. (SÓL, 2010) A formação continuada, por sua vez, faz-se necessária para possibilitar a construção de uma identidade profissional, bem como para renovar os saberes docentes, sendo que estes podem servir de subsídios para o aperfeiçoamento de sua prática pedagógica, já que para exercer a profissão docente na atualidade, é preciso estar atento às novas transformações pelas quais passa o contexto escolar. Assim, no convívio cotidiano em sala de aula, é necessário que o professor esteja atento às constantes inovações, problematizando-as em sua prática para que possa desempenhar o seu trabalho de maneira coerente. Tomando isso como princípio, pode-se afirmar, segundo Tardif (2004), que o saber do professor é um saber social, porque é uma prática social e se dá num coletivo. Destarte, de acordo com Cunha (1989, p. 128), “saber teorias é importante, mas é preciso saber aplicá-las à nossa realidade e ainda criar coisas novas de acordo com nossos interesses e recursos”. Devemos considerar que as práticas pedagógicas que correspondem às técnicas utilizadas em sala de aula, derivam de concepções de mundo, isto é, “toda prática educativa implica uma teoria educativa (FREIRE, 1982). Tal relação entre teoria e prática se dá através de um método, afinal, métodos orientam práticas. Jogos Cooperativos: conceito(s) e importância(s) Os conceitos atribuídos ao jogo são complexos e dependem de inúmeras concepções teóricas. O jogo pode estar associado a uma brincadeira ou propriamente ao brinquedo, o que dá a ideia de diversão. Todavia, não devemos nos precipitar diante desse conceito, pois o jogo assume novos Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 129 contornos à medida se modificam os conceitos já estabelecidos. O jogo é intrinsecamente motivado, espontâneo, voluntário e prazeroso, tendo um fim em si mesmo. Neste horizonte, destacam-se os Jogos Cooperativos, na perspectiva de atenderem à necessidade de promoção de habilidades interpessoais e de autoestima, possuindo uma estrutura que favorece o jogo com o outro e não contra o outro, conforme evidencia-se (BROTTO apud PIEROTTI, s/d, p. 08): “Creio que quanto tratamos o Jogo Cooperativo, o propósito essencial é nos ajudar a lembrar da importância de Tocar-Despertar-Trocar-Reencontrar uns COM os outros”. Os quatro sustentáculos dos Jogos Cooperativos evidenciam ações desencadeadoras do processo de desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social. Neste quesito, torna-se possível através dos Jogos Cooperativos visualizar a possibilidade da inclusão e da interação social de todos os educandos, valorizando a unidade na diversidade, com o intuito de divertir-se com a experiência do jogo. Por meio dos Jogos Cooperativos promove-se a aceitação mútua entre os participantes, pois, todos são vencedores e crescem juntos. Assim, desenvolve-se a autoestima e a autoconfiança, visto que “[...] todos são bem aceitos ao serem eliminados o medo e o sentimento de fracasso” (MOURA, s/d). Ao mesmo tempo em que há o aprendizado com suas próprias potencialidades e deficiências, há a aceitação e reconhecimento que o colega, assim como ele, é possuidor de diversas qualidades e que as diferenças precisam ser aceitas para que contribuam para o crescimento de todos. Os Jogos Cooperativos representam uma abordagem filosóficopedagógica criada para a promoção de uma nova ética de cooperação, visando a melhoria da qualidade existencial. A principal característica destes é o aperfeiçoamento das habilidades de relacionamento e, com estas, a possibilidade de afetar toda a sociedade, transformando atitudes, uma vez que a vida em sociedade representa um grande exercício de solidariedade e de cooperação (Orlick, 1989; Brotto, 2001). A base dos princípios que regem a ação cooperativa é centrada no processo de compartilhamento de ações, onde os resultados apresentam-se de forma benéfica a todos, repercutindo positivamente na concepção de um grupo, no momento da ação e posteriormente, com a disseminação destes valores no âmbito da vida diária, o que salienta sua importância no contexto escolar. Ademais, um dos locais em que tem sido presenciada essa maneira de viver é a escola, na qual sem perceber tem reforçado valores como: ser o melhor, colocar o foco no resultado (ganhar ou perder) e não no processo e na qualidade. Com isso, reforça atitudes e posturas competitivas. Esta visão competitiva que se aflora acerca dos Jogos Cooperativos são defendidos por alguns profissionais como um elemento importante na educação das crianças, tendo como fundamento de que assim ficariam melhores preparadas para viverem num mundo competitivo como o nosso. Porém, a competição – quando trabalhada em excesso – diminui a autoestima e aumenta o medo de falhar, reduzindo a expressão das capacidades pessoais e o desenvolvimento da criança. Um ambiente competitivo aumenta a tensão e a frustração, podendo desencadear comportamentos agressivos (FERNANDES, 2006). Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 130 Neste sentido, ao oposto, os Jogos Cooperativos podem semear as possibilidades de construção de relações mais humanas, num desenvolvimento integral, através da valorização do potencial individual e podem ser implementados facilmente na escola; como um instrumento de articulação, podem oportunizar o contato do aluno com ele mesmo. Por meio deles, há possibilidades de intervenção na formação profissional e na trajetória pessoal de vida, com base na reflexão e consciência crítica, necessárias para a mudança, melhorando a formação do ser humano. Jogos Cooperativos e Formação Docente: uma articulação necessária A ponto de articularmos a reflexão acerca dos Jogos Cooperativos e a Formação Docente é necessário desvencilhar-nos de algumas ideias preconcebidas, buscando compreender os novos paradigmas que se apunham à formação de docentes. Brougere (1999) afirma que o jogo é um fim em si mesmo para a criança, porém, para os educadores, deve ser um meio, pois o jogo educativo é aquele em que a criança age, aprende, e educa-se sem o saber, por meios de exercícios que recreiam, preparando o esforço do trabalho propriamente dito, ou seja, trata-se de reconciliar a criança e a educação, de maneira que o jogo cumpra seu papel educativo. Em face do exposto, é possível considerar que as evoluções que o próprio conceito de jogo perpassa, transcende o imaginário do simples “passatempo” para a distração dos alunos, e assume uma nova importância no lócus escolar, isto é, corresponde a uma profunda exigência do organismo, capaz de estimular o crescimento, a coordenação muscular, o desenvolvimento de habilidades motoras, as faculdades intelectuais e o espírito de coletividade. Diante desse emaranhado, cabe aos profissionais da educação a responsabilidade de mediar tais aptidões sócio-formativas, orientados pela forte influência de sua formação, no que diz respeito ao desenvolvimento das competências necessárias que irão refletir com exatidão no processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, confirma-se a ideia defendida por Tezani (2004) de que os “profissionais da área educacional, comprometidos com a qualidade da sua prática pedagógica, reconhecem a importância do jogo como um veículo para o desenvolvimento social, emocional e intelectual dos alunos”. Segundo Cortez (1999), para transformar essa realidade e tornar a escola um ambiente alegre, agradável de estar e aprender, é necessário mudar a prática pedagógica, utilizando atividades que valorizam as experiências e desejos dos alunos e jogos que criam oportunidades para seu desenvolvimento físico, moral e intelectual garantindo, dessa forma, a formação de um indivíduo com consciência social, crítica, solidária e democrática. Por isso, um grande desafio para o professor é modificar sua prática de ensino e cumprir seu papel de mediador, mostrando aos alunos que aquele é um espaço de aprendizagem. CONCLUSÕES Diante desta tessitura, evidencia-se que os melhores resultados no trabalho coletivo sentindo a interdependência entre todos os envolvidos e Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 131 apreciando a contribuição que cada um pode dar ao trabalho comum. Percebese, pois, a necessidade urgente em se proporcionar momentos para que os alunos desenvolvam o trabalho cooperativo, num processo social e de interação humana, a partir dos momentos enriquecedores, promovidos por meio de atividades cooperativas. De antemão, faz-se necessário ao educador, buscar recursos que possibilitem ainda o trabalho escolar contextualizado à vida real do aluno, justificado por valores sociais marcados pelo desenvolvimento do homem na história da humanidade, ou seja, planejar, sistematizar e desenvolver atividades com o objetivo de promover, na escola, a socialização de nossos jovens, utilizando como recurso pedagógico os Jogos Cooperativos. Acerca disso, enfatizamos a ideia de que o professor que está em permanente formação deve “revisar” e atualizar seu saber, a fim de torná-lo cada vez mais inovador e com qualidade. Ou seja, está retratado em Imbernón (2009, p. 12), a preocupação que deve ser dada à formação permanente do professorado, ao que se afirma que o professor deve ter: [...] a inquietude por saber como [...], de que modo, com quais pressupostos, com que modelos, quais modalidades formativas podem gerar maior inovação e, sobretudo, a consciência de que o que pretendemos saber deve ser revisto e atualizado à luz dos tempos atuais [...] A partir do momento que o próprio educador ter consciência de que é indispensável que ele assuma a responsabilidade de zelar pela renovação do seu conhecimento e, consequentemente, de que em sua prática deve enfatizar a práxis pedagógica, ou seja, a tríade: ação-reflexão-ação, só assim será possível atentar para mudanças mais profundas. REFERÊNCIAS BROTTO, F. O. Jogos Cooperativos – O jogo e o esporte como um exercício de convivência. Satos: Projeto Cooperação, 2001. BROUGERE, G. Jogo e educação. Porto Alegre: Artmed, 1999. CORTEZ, R.N.C. Sonhando com a magia dos jogos cooperativos na escola. Dissertação (Mestrado em educação física). Rio Claro: Universidade de Rio Claro, UNESP, Instituto de Biociências, 1999. CUNHA, Maria Isabel da. O Bom Professor e sua Prática. 10. ed. Campinas, SP: Papirus, 2000. FERNANDES, A. P. C. Mudança de comportamento das crianças através da prática de jogos cooperativos. Fortaleza, 2006. 70p. Monografia (Especialização) – Universidade de Brasília, Centro de Ensino a distância. FREIRE, Paulo. Ação Cultural Para a Liberdade. 6 ed., Rio de Janeiro, Paz e Terra,1982. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 132 IMBERNÓN, Francisco. Formação permanente do professorado: novas tendências. São Paulo: Cortez, 2009. MOURA, F. L. Benefícios da prática dos jogos cooperativos nas Aulas de educação física. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1129-4.pdf. Acesso em: 02/07/2012. ORLICK, T. Vencendo a Competição. São Paulo: Círculo do Livro, 1989. PIEROTTI, Juliana Assef (Org.). Caderno de Jogos Cooperativos. s/d. Indisponível em site. Acesso em 2012. SÓL, Vanderlice dos Santos Andrade. Formação de Professores e Identidade Profissional. Disponível em: http://www.ichs.ufop.br/memorial/conf/mr7d.pdf. Acesso em: 01/07/2012, às 14h30min. TARDIF, Maurice. Saberes Docentes e Formação Profissional. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. TARDIF, Maurice; Raymond, Danielle. Saberes, tempo e aprendizagem do trabalho no magistério. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v21n73/4214.pdf. Acesso em: 20/06/2012, às 16h00min. TEZANI, T.C.R. O jogo e os processos de aprendizagem e desenvolvimento: Aspectos cognitivos e afetivos. In: Psicopedagogia Online. Educação e Saúde Mental, 2004. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 133 A CONSTITUIÇÃO DO EDUCADOR REFLEXIVO E A RESSIGNIFICAÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE Charlene Cristiane Pilati Graziela Puhl Renati Kurtz Talissa do Amaral Pavão Ryscak Tamara Mucha1 Heloisa Appel Mazo2 INTRODUÇÃO O referido estudo objetiva relatar algumas experiências vivenciadas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID), ocorridas no Instituto de Educação João XXII, no primeiro semestre do ano de 2012. Dentre as vivências significativas destacamos a organização e participação da formação continuada dos professores do Curso Normal, assim como do I Seminário Preparatório para o Estágio. Os encontros foram organizados objetivando promover momentos de reflexão acerca do fazer docente, buscando evidenciar o ato reflexivo como mola propulsora para resignificar a realidade educacional. Nesse sentido, a supervisora do programa de Iniciação a docência (PIBID) na escola campo, sugeriu às bolsistas que preparassem uma formação pedagógica para os professores do curso Normal e um Seminário Preparatório do estágio. Para isso, sugeriu que fosse utilizado como base teórica o livro “O professor Reflexivo em uma escola reflexiva”, de Isabel Alarcão. Imbuídas desse desafio, procuramos realizar a tarefa com empenho e o desejo de que nossa proposta de trabalho permitisse aos envolvidos ia capacidade de voltar-se sobre si mesmo, desvelando situações e caminhos que possam ser contornados com maior segurança, efetividade e sem constrangimentos objetivando um crescimento pessoal e profissional. RESULTADOS E DISCUSSÃO O atendimento a demanda da escola gerou inquietações, pois tínhamos o desejo de falar com os professores e não para os professores (FREIRE, 1982). Essa preocupação nos motivou a refazer a leitura da obra várias vezes, objetivando eleger os elementos mais relevantes a serem apresentados e debatidos com o universo de professores e, posteriormente com as alunas normalistas. Desses destacamos: A Era da Informação, da Comunicação e do Conhecimento; O conhecimento pertinente; Os professores na sociedade da Aprendizagem; A escola na sociedade da aprendizagem e O currículo no centro de projeto de escola. Após fazermos esse levantamento, elegemos a dramatização e a técnica expositiva dialogada como suportes para nossa ação pedagógica. Fizemos essas opções por acreditarmos na importância do diálogo e da implementação de outras formas de expressão na construção do conhecimento. Nesse formato conduzimos os referidos encontros, os quais foram abertos com uma reflexão 1 2 Acadêmicas do Curso de Pedagogia da URI - Santo Ângelo. Professora coordenadora do Curso de Pedagogia URI - Santo Ângelo e orientadora local do PIBID. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 134 de Freire onde ele diz “Ninguém começa a ser educador às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, na prática e na reflexão da prática” (1991, p. 58). Respaldados pelas sábias palavras de Freire desenvolvemos a reflexão acerca da obra de Isabel Alarcão. Inicialmente conversamos sobre a era da informação, da comunicação e do conhecimento. Segundo a referida autora, a construção de conhecimento na contemporaneidade exige competências de acesso, avaliação e gestão da informação oferecida. Tais competências devem ser adquiridas ou reconhecidas e desenvolvidas nas escolas. Nessa perspectiva, inúmeras questões foram levantadas pontuando as diferenças ao acesso à informação e a necessidade de providenciar igualdade de oportunidades para evitar a exclusão social: a info-exclusão. Também, a referida autora salienta que os com excesso de informações, exige do sujeito a habilidade de saber o que procurar e onde procurar. A informação, pela sua grande quantidade e pela multiplicidade de utilizações que permite, tem de ser reorganizada por quem a procura, a quem compete interpretar, selecionar e sistematizar as informações recebidas, pois a informação se não for organizada não se constitui em conhecimento, não é saber e não se traduz em poder. Ainda fazendo referência a questão do acesso à informação, a autora nos diz que só o conhecimento pode organizar o conhecimento. Para conhecer, é preciso pensar, pois em vez de uma cabeça bem cheia, reclama-se uma cabeça bem feita, sendo esta aquela que é capaz de transformar a informação em conhecimento pertinente. Nesse sentido Alarcão faz referência a Morin (2000), o qual fala que “O conhecimento pertinente é o conhecimento que é capaz de situar qualquer informação em seu contexto, e se possível, no conjunto em que está inscrita”. As reflexões realizadas no conjunto de professores permitiu que o grupo percebesse que numa sociedade que aprende e se desenvolve, a escola não detém o monopólio do saber. O professor não é o único transmissor deste e o aluno também já não é mais o receptáculo a deixar-se rechear de conteúdo. Nessa nova conjuntura, ser aluno é ser aprendente em constante interação com as oportunidades que o mundo lhe oferece. Mais do que isso: ser aluno é aprender a ser aprendente ao longo da vida. Da mesma forma que o perfil de aluno está sendo modificado, o papel do educador precisa ser revisto. Conforme Alarcão, os professores são estruturadores e animadores das aprendizagens e não apenas estruturadores do ensino. Frente a essa nova realidade, cabe ao educador conscientizando-se que é mais uma fonte de informação, entre muitas outras. Nessa perspectiva, os educadores devem assumir-se como organizadores e promotores de conhecimentos significativos. Finalizando, Alarcão assevera que a constituição do professor reflexivo, se materializa no momento em que os professores tem claro a importância da elaboração conjunta do projeto político pedagógico, assim como quando compreendem que a elaboração desse documento deve basear-se numa visão prospectiva estratégica do que se pretende para a escola, de uma visão interpretativa da sua missão, a qual deve estar alicerçada valores assumidos pelo coletivo dos atores sociais presentes na vida da escola. Além disso, é relevante que tenham ciência que o currículo é o conjunto de aprendizagens proporcionadas pela escola e consideradas socialmente necessárias num dado Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 135 tempo e contexto, ou seja, são passiveis de mudança de acordo com as necessidades encontradas e as demandas dos alunos. CONCLUSÃO Conforme as práticas desenvolvidas, interações e trocas de conhecimentos, foi possível perceber a interdependência entre práticas pedagógicas significativas e ações reflexivas e interativas. Nessa perspectiva, o processo reflexivo sinaliza caminhos que poderão melhorar a ação pedagógica, desvelando acertos e erros do fazer docente, na perspectiva de construir novas formas de encaminhar o processo educativo. Ao finalizarmos o presente relato, ressaltamos que a efetivação de uma prática pedagógica significativa, inovadora e participativa demanda a constituição de um novo educador. Um educador que se permite pensar o entorno social, assim como pensar-se como sujeito que produz e é produzido pela cultura. Um sujeito que compreenda que a reflexão é a mola mestra que propicia a construção pessoal do conhecimento, assim como permite ao aprendente apropriar-se do conhecimento através da resolução de problemas, habilidade que lhe confere competência para compreender a dinamicidade do mundo, assim como a complexa função do educador nesse contexto. REFERÊNCIAS ALARCÃO, Isabel. Professores Reflexivos em uma Escola Reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003. BECKER, Fernando. Educação e Construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2001. FREIRE, P. Educação e Mudança. 3ª ed Rio de janeiro. Paz e terra, 1981. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 136 A PEDAGOGIA DE PROJETOS COMO FACILITADOR NA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA Ana Luiza Sartor1 Débora Raquel Gonçalves da Luz¹ Franciane Zorzan¹ Micheli Weirich dos Santos¹ Patrícia Hemsing¹ Heloisa Helena Appel Mazo2 INTRODUÇÃO Vivemos em uma sociedade que se apresenta, por vezes, um tanto quanto fragmentada, onde seus setores trabalham solitariamente, esquecendose da importância do compartilhamento de saberes e do trabalho coletivo. A lógica social instalada preconiza o “ter” acima do “ser”, fato que gera a fragilização dos valores morais e da ética. Assim sendo, precisamos de ações, em nossa sociedade, que busquem reverter esses fatos. Nesse contexto, a educação tem um papel importante. Ela precisa trabalhar em prol do resgate de uma sociedade que esteja mais voltada ao bem comum. E, pensando desta forma, torna-se necessário criar estratégias pedagógicas de intervenção a essa realidade. Consciente da sua responsabilidade social e do importante papel que possui no processo de formação das futuras professoras, a escola-campo, Instituto Estadual de Educação Odão Felipe Pippi, através do trabalho das bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID), realizou, no primeiro semestre de 2012, oficinas para o grupo de normalistas, objetivando apresentar ferramentas pedagógicas que auxiliem no resgate de importantes valores como cooperação, participação em sociedade, pesquisa, trabalho coletivo, ação crítica, etc. RESULTADOS E DISCUSSÃO Considerando a necessidade de se aprofundar o conhecimento sobre a Pedagogia de Projetos, realizamos uma oficina pedagógica sobre o referido tema. Optamos em apresentar a referida temática nesse formato por concebermos a oficina como tempo-espaço para vivência, a reflexão, a conceitualização; como síntese do pensar, sentir e agir. Como “o” lugar para a participação, a aprendizagem e a sistematização dos conhecimentos... Gosto da expressão que explica a oficina como lugar de manufatura e mentefatura. A partir das brincadeiras, da troca de experiências entre os participantes, confluem o pensamento, o sentimento e a ação. Dessa forma, a oficina pedagógica constitui o lugar do vínculo, da participação, da comunicação, da produção social de objetos, acontecimentos e conhecimentos (GONZÁLES, apud Candau, 1995, p. 117) Na perspectiva de situar as normalistas sobre a temática, realizamos um breve resgate histórico sobre a pedagogia de projetos, apresentando alguns teóricos contemporâneos. Dentre eles temos Hernandes (1998, p. 56), 1 2 Acadêmicas do Curso de Pedagogia da URI - Santo Ângelo. Professora coordenadora do Curso de Pedagogia URI - Santo Ângelo e orientadora local do PIBID. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 137 que diz que “os projetos de trabalho contribuem para uma resignificação dos espaços de aprendizagem de tal forma que eles voltem para a formação de sujeitos ativos, reflexivos, atuantes e participantes”. Assim, observa-se que no decorrer do trabalho com Projetos, os alunos vão construindo aprendizagens significativas e, consequentemente, tornam-se mais ativos na (re)construção do conhecimento. Na mesma direção Nogueira (2005, p. 98) explicita que: Quando os alunos trabalham com projetos, não precisam receber informações totalmente estruturadas, originadas somente do professor, [...], já que outros instrumentos, recursos e fontes serão acessados. Por este motivo ele consegue ser o facilitador do processo, [...], e ser facilitador é exatamente auxiliar seus alunos a acessar essas novas fontes. Desse modo, enfatizamos que o que caracteriza o trabalho com projetos não é a origem do tema, mas o tratamento dado a esse tema no decorrer do processo de aprendizagem, no sentido de torná-lo uma questão do grupo como um todo e não apenas de alguns alunos ou do professor. Assim sendo, o trabalho com projetos deve gerar uma inquietação no grupo que o faça buscar, sanar suas dúvidas e curiosidades e ir ao encontro de novos conhecimentos através da pesquisa. Assim, de forma igualitária, alunos e professores têm a possibilidade de recriarem conhecimentos pré-estabelecidos através dos seus questionamentos e hipóteses levantadas pelo grupo e, por consequência, a “verificação” das hipóteses, a organização e sistematização dos conhecimentos construídos. Após a explanação inicial, as alunas foram desafiadas a responder questionamentos como “Qual é a estrutura do projeto?”, “De onde surgem os temas?”, “O que são hipóteses?”, “Quem faz a problematização?”, “Qual o tempo de duração de um projeto?”, entre outras. As respostas foram delineadas a partir da troca de experiências das normalistas e das acadêmicas, bem como a reflexão teórica encaminhada pelas bolsistas. Na sequência, o grupo de normalistas foi convidado a participar de uma atividade lúdica, a qual possibilitou vivenciar a construção hipotética de um projeto. Nessa atividade foi solicitado que o grande grupo se subdividisse em grupos menores, de no máximo quatro pessoas, e montassem um projeto sobre algum tema de interesse deles, anotando as dúvidas que surgissem. Ao longo desta atividade, as acadêmicas foram de grupo em grupo orientando e discutindo as dúvidas. Surgiram temas como “o surgimento da páscoa”, “como é feito o chocolate”, “animais que voam”, “Natal”, entre outros. A discussão baseou-se no questionamento sobre a importância do olhar do professor para os temas de interesses dos seus alunos, e como o professor pode trabalhar esses temas em relação às habilidades e competências que precisam ser trabalhadas em determinada turma. O ponto que frisamos na discussão foi a respeito de que o professor precisa, sim, trabalhar sobre as curiosidades dos alunos e, a partir disso propor atividades que venham ao encontro dos conhecimentos que precisam ser construídos na escola. Nessa dinâmica, os projetos foram sendo estruturados e posteriormente socializados com o grande grupo. CONCLUSÃO Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 138 Concluímos que a Pedagogia de Projetos é uma grande aliada dos professores e alunos, sendo um avanço na educação, pois torna todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem como aliados na construção do mesmo. Possibilitando ao aluno uma maior compreensão dos conteúdos pelas suas experiências, muitas vezes vividas fora dos muros da escola. Deixando o professor de ser transmissor e o aluno de ser receptor. Assim, os alunos não só aprendem com o professor, mas também ensinam, onde todos aprendem juntos. Logo, acreditamos na relação educador-educando (re)criada numa perspectiva horizontal. Para finalizar, como afirma Freire (1987, p. 68) “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelos mundos.” Da mesma forma, podemos alegar que o trabalho a partir da pedagogia de projetos, busca contribuir para a construção e consolidação das relações educacionais e sociais baseadas na interação, na solidariedade, na cooperação, no fazer coletivo, na valorização dos saberes e experiências de cada um, na organização e formação de crianças e adolescentes. BIBLIOGRAFIA ANTUNES, Celso. Projetos e práticas pedagógicos na Educação Infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e Mudança na Educação: Os Projetos de Trabalho. Porto Alegre. Artmed, 1998. NOGUEIRA, Nilbo R. Pedagogia dos Projetos: etapas, papéis e atores. 3.ed. São Paulo: Érica, 2005. BARBOSA, Maria C. S. e HORN, Maria da Graça S. Projetos Pedagógicos na Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed, 2008. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 139 REDE COLABORATIVA DA FORMAÇÃO DOCENTE: PIBID/CAPES, UNIVERSIDADE E ESCOLA Maria Aparecida da Rosa 1 Mara Rubia Santos Melo 2 Marluce Pires da Silva Paola Terezinha da Silva Martins Deise de Almeida Gilvana Aparecida Nicola Rosso Lisiane Viero Bonotto Redes constituem a nova morfologia social de nossas sociedades, e a difusão da lógica de redes modifica de forma substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência, poder e cultura. (CASTELLS,Manuel) RESUMO O artigo visa apresentar pontos significativos das atividades desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da URI Câmpus de Santiago no Curso de Pedagogia, financiado pela CAPES, tendo como Subprojeto “Alfabetização”, em desenvolvimento na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes/Santiago, compreendendo o período de agosto/2010 a julho/2012. A presente discussão vem destacar a importância do referido projeto para a universidade e para a escola campo, levando em consideração os relatos dos envolvidos no processo de análise critica a respeito das ricas contribuições formativas para os envolvidos e para a concretização de políticas públicas de formação de professores. As questões pontuadas levam em consideração as experiências vivenciadas em cinco turmas de alfabetização da referida escola, duas de primeiro ano, duas de segundo e uma de terceiro. O foco das atividades elencadas no subprojeto é desencadear ações que possibilitem aos bolsistas utilizar habilidades e competências que efetivem o processo contínuo da aprendizagem da alfabetização e do letramento. Na referida dinâmica entendemos que as trocas efetuadas entre a escola campo e o espaço acadêmico possam ampliar os olhares e concretizar laços entre as aprendizagens construídas na universidade e a prática efetivada na educação básica. Quanto ao aspecto metodológico adotado optamos pelo acompanhamento, monitoramento e observação das aulas, visando intervenções que possam desencadear o processo de aprendizagem dos alunos envolvidos. Desta forma, os bolsistas além das atividades em sala de aula, vivem o cotidiano escolar, participando de reuniões 1 Bolsistas do PIBID do Curso de Pedagogia –URI - Santiago. Bolsista do PIBID na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes. [email protected]. 2 Professora Mestre em Educação – URI - Santiago, Professora e Supervisora do PIBID na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes. [email protected] Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 140 pedagógicas, conselhos de classe, entregas de pareceres de aprendizagem aos pais e responsáveis, e ainda, atividades que envolvam a comunidade. Para concluir consideramos o programa um excelente instrumento para a formação de professores, pois contribui para a construção de vínculo com a escola e a busca de práticas que possam qualificar as aprendizagens e consequentemente a qualidade da escola. Palavras Chave: PIBID. Processo Formativo. Iniciação à Docência Um pouco de História: PIBID no espaço das Universidades Comunitárias [...] a subjetividade é produzida através da cooperação e da comunicação, e por sua vez esta subjetividade produzida vem a produzir novas formas de cooperação e comunicação, que por sua vez produzem nova subjetividade e assim por diante. Nessa espiral, cada momento sucessivo da produção da subjetividade para a produção do comum é uma inovação que resulta numa realidade mais rica.Talvez devamos identificar nesse processo de metamorfose e constituição a formação do corpo da multidão [...] (HARDT, M.; NEGRI, A.) O PIBID é uma iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) que oferece bolsas aos estudantes de licenciatura para a valorização do magistério. O primeiro edital foi publicado em 2007 e na prática o programa começou a ser efetivado em 2008, com o anúncio de 3.088 bolsas. No ano de 2009 foram lançadas mais 10.606 bolsas e em 2010 mais 3.200 novos beneficiados foram contemplados, sendo que, o referido edital abria espaço para bolsistas das Universidades Comunitárias e do Sistema Municipal de Educação Superior que não faziam parte do programa. No referido período a URI consegue a inserção no projeto. Aproveitando o espaço promovido pela CAPES, a Universidade lança o olhar, no sentido de atender os objetivos do programa: elevação da qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos cursos de licenciatura das instituições públicas de educação superior, assim como, a inserção dos estudantes de licenciatura no cotidiano de escolas da rede pública, promovendo a integração entre educação superior e educação básica. Na oportunidade os referidos objetivos foram considerados, pelos responsáveis pela organização do projeto na URI, como contribuição destacável e significativa para o processo formativo dos acadêmicos do Curso de Pedagogia. Desta forma, em agosto de 2010 iniciamos as atividades na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes com o objetivo de atender as finalidades do projeto, proporcionando aos futuros professores a participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar, tendo como meta a busca de superação de problemas identificados no processo de ensino e de aprendizagem. A proposta em questão busca romper com a concepção redutora das relações entre teoria e prática, onde a teoria representava o saber e a prática representava um saber sem valor ou até mesmo falso. Neste sentido trazemos as ideias de Tardif (2002) que postula que os saberes docentes traduzem uma nova possibilidade de estabelecer a relação entre teoria e prática, dizendo que: Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 141 (...) Os professores são atores competentes, sujeitos ativos, isso significa que a prática deles não é somente um espaço de aplicação de saberes provenientes da teoria, mas também um espaço de produção de saberes específicos oriundos dessa mesma prática. Noutras palavras, o que proponho é o trabalho dos professores de profissão seja considerado como espaço prático específico de produção, de transformação e de mobilização de saberes e, portanto, de teorias, de conhecimento e de saber-fazer específicos ao ofício de professor. Essa perspectiva equivale a fazer do professor – tal como o professor universitário ou o pesquisador da educação – um sujeito do conhecimento, um ator que desenvolve e possui sempre teorias, conhecimentos e saberes de sua própria ação. TARDIF,(2002, p.119). Reafirmando a posição anterior, destacamos que participamos de forma integrada nas atividades da escola até o presente momento, solicitamos pedido de renovação do projeto para mais um ano e ficamos felizes (escola e universidade) com a aprovação da renovação, pois a comunidade escolar tem se constituído em uma protagonista no processo formativo dos acadêmicos envolvidos e os professores vêm mobilizando todas as suas energias no sentido de serem parceiros e co-formadores dos futuros professores, atendendo outra iniciativa do programa PIBID/CAPES. PIBID/Universidade/Escola: Rede Colaborativa e espaços de Aprendizagem Formativa da Ação Docente (...) a ideia de que a formação transcende a etapa escolar e os conteúdos convencionais da formação acadêmica, constituindo um processo intimamente ligado à realização pessoal e profissional dos indivíduos ZABALZA, M. A (2004, p.53). O Subprojeto Alfabetização, realizado na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes tem se revelado de grande importância para a formação dos acadêmicos do Curso de Pedagogia da URI/Santiago, pois é inegável a afirmativa de que a prática docente constitui-se atividade imprescindível no processo formativo do futuro professor. O bolsita do PIBID no desenvolvimento de suas atividades é desafiado a realizar um olhar acadêmico na busca de aplicar as teorias socializadas no curso e desenvolver estratégias eficazes para o ensino de qualidade, mirando as metas na busca permanente de aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O que buscamos enquanto grupo de estudos, vai ao encontro da busca da qualidade e ensino que segundo Enricone defende (2001, p.49): A qualidade do ensino depende da autonomia construída, da liderança conquistada e da responsabilidade assumida pelos participantes. Quando se fala em responsabilidade social, falase também da responsabilidade na tomada de decisões. A responsabilidade pelas decisões que afetam a vida de outras pessoas dependem de escolhas, de reflexões. Ser responsável significa ser coerente com princípios. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 142 O subprojeto tem como objetivo: Acompanhar as reuniões de planejamento, ensino e avaliação das práticas pedagógicas realizadas na escola, aprofundar estratégias inovadoras do desenvolvimento da aquisição do sistema da escrita bem como habilidade de leitura e escrita (alfabetização/letramento), alfabetização de conceitos matemáticos, auxiliar o professor regente na elaboração de materiais pedagógicos necessários para a aquisição da alfabetização/ letramento nas diferentes áreas do conhecimento. Durante a realização das atividades somos enquanto bolsistas incentivados a discutir e refletir sobre os pressupostos teóricos e práticos vivenciados na escola e orientados a mirar o olhar para a avaliação e acompanhamento dos resultados da escola no desempenho nas avaliações externas. Em parceria com o professor regente, organizamos de forma colaborativa, atividades e jogos pedagógicos com diferentes recursos e textos, objetivando a ampliação da alfabetização e Letramento. Levando em consideração as oportunidades vividas no contexto escolar procuramos sistematizar e avaliar os resultados e as ações desenvolvidas na escola, aprimorando a forma de ver e produzir o conhecimento de ser professor alfabetizador, realizando a prática pedagógica utilizando diferentes formas de expressão (desenho, pintura, dança, canto, modelagem, literatura e diferentes gêneros textuais), no intuito de auxiliar e buscar estratégias pedagógicas que visem minimizar dificuldades de aprendizagem. Realizamos durante três dias na semana o acompanhamento e monitoramento das atividades de sala de aula no sentido de colaborar com a regente da classe ao atendimento dos alunos com dificuldades de aprendizagem e dos alunos incluídos nas classes regulares de ensino O contexto de trabalho docente nos três primeiros anos do ensino Fundamental de nove anos constituem o ciclo de alfabetização e letramento. De acordo com as orientações das novas diretrizes curriculares nacionais não devem ser passíveis de interrupção e, caso a escola opte pelo regime seriado, deverá considerar os três anos como um bloco pedagógico ou um ciclo sequencial sem interrupção, almejando a oportunidade para que todos os alunos possam sistematizar e aprofundar as aprendizagens básicas. Levando em consideração as orientações temos que destacar como significativa a experiência e aprendizagem construídas de forma colaborativa com os professores, a supervisora e o diretor. A equipe gestora, nos últimos anos, tem procurado encontrar alternativas no sentido de qualificar as aprendizagens realizadas. Os cinco primeiros anos do ensino fundamental foram reestruturados, e a ênfase dos conteúdos voltaram-se para o processo alfabetização e letramento, e resolução de problemas. Além disso, a comunidade escolar foi ampliando o foco do olhar, no sentido de respeitar o ritmo e tempo de aprendizagem das crianças, visando uma educação humanizadora e inclusiva. O desafio da busca incessante do sucesso dos alunos tem surtido resultado e a reprovação até o 5º ano já é quase nula, proporcionando aos alunos o princípio da continuidade de estudos e de aprendizagem. Durante o ano de 2011, até o presente momento, a escola vem trabalhando com um olhar diferenciado para o 6º ano, estudos e reflexões vem sendo elaboradas, no sentido de sensibilizar os professores na efetivação de uma ação docente que respeite a individualidade e capacidade do sujeito aprendente. Desta forma, os conteúdos visam uma aprendizagem contextualizada e significativa e o sistema Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 143 avaliativo é visto como processo formativo, participativo, cumulativo, contínuo e diagnóstico. A Aprendizagem Colaborativa: Marca da Experiência Pibidiana No dia a dia monitoramos junto com as professoras regentes atividades que promovem maior mobilidade das crianças no sentido de que possam explorar formas diversificadas de comunicação, utilizando diferentes linguagens, os recursos materiais que favoreçam o raciocínio lógico. A reflexão do modo de produzir dentro e fora da sala de aula tem se constituído fonte inspiradora do grupo no sentido de pensar o processo formativo de ser professor, e desta forma, o cotidiano vai sendo problematizado, tornando-se elemento de indagação e pesquisa. Neste aspecto, as disciplinas de Fundamentos Teóricos Metodológicos que fazem parte do currículo do curso de Pedagogia, tem se constituído fonte de busca teórica e de aprofundamento para as respostas que emergem na prática vivenciada. Os professores da Universidade têm buscado promover trocas de experiência com os professores da escola e estendendo as reflexões para os acadêmicos do curso, no último encontro, participamos da mesa redonda na Universidade com o tema “Discutindo a Interface Teoria e Prática na Alfabetização em Contextos de Letramento”, estiveram presentes docentes do 1º ao 2º anos da escola, onde participamos como bolsista do PIBID. O encontro foi extremamente significativo para todos os envolvidos, ainda mais pelo fato de que os professores palestrantes são todos egressos do Curso de Pedagogia da URI. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 144 Encontro de professores regentes da escola Thomás Fortes com acadêmicos do Curso de Pedagogia/Santiago A lógica da atividade proposta pelo Curso de Pedagogia é a de reforçar a ideia de Tardif (2002), ao destacar que se faz necessário abrir espaço para que os alunos sejam vistos durante o processo de formação profissional como sujeitos do conhecimento. Essa lógica profissional segundo o presente ideário deve ser baseada: Na análise das práticas, tarefas e dos conhecimentos dos professores de profissão; ela deve proceder por meio de um enfoque reflexivo, levando em conta os condicionantes reais do trabalho docente e as estratégias utilizadas para eliminar esses condicionantes na ação. TARDIF (2002, p 126). A lógica colaborativa também leva em conta o pensamento de Lèvy, 1993,p.72-73: Trabalhar, viver, conversar fraternalmente com outros seres, cruzar um pouco por sua história, isto significa, entre outras coisas, construir uma bagagem de referências e associações comuns, uma rede hipertextual unificada, um contexto compartilhado, capaz de diminuir os riscos de incompreensão. Finalmente relatamos que muitas aprendizagens temos construído, conhecimentos são elaborados e ressignificados na Escola e na Universidade. De forma muito significativa referendamos as aprendizagens realizadas com os alunos, os professores regentes, os supervisores do PIBID e os gestores da Escola. Não podemos deixar de destacar as trocas de ideias compartilhadas com os professores da Universidade. A atitude dialógica constitui antes de tudo segundo Freire, (1987,p.81): “uma atitude de amor, humildade e fé nos homens, no seu poder de fazer e de refazer, de criar e de recriar”. Sendo assim, entendemos a nossa participação no projeto PIBID/CAPES, como um espaço rico de experiência e de possibilidade de construção real do “ser professor”. REFERÊNCIAS LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência - o futuro do pensamento na era da informática. trad. de Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Ed.34, 1993. FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 29ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2006 CASTELLS, Manuel. A Era da Informação. vol. 1, São Paulo: Paz e terra, 1999. ENRICONE, Délcia. O professor e as inovações. In: ENRICONE, Délcia. Ser Professor (Org.) 2.ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 145 HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Multidão: guerra e democracia na era do império. Rio de Janeiro: Record, 2005. TARDIF, Maurício. Os professores enquanto sujeitos do conhecimento: subjetividade, prática e saberes no magistério. In: CANDAU, Vera Maria (Org.) Didática, currículo e saberes escolares. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. ZABALZA, Miguel A. O Ensino Superior: seu cenário e seus protagonistas. Porto Alegre: Artmed, 2004. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 146 REFLEXÕES ACERCA DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIBID ENQUANTO PRIMEIRA EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL PARA A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE Cristieli Monteiro Andrea Mirela Obens de Bairro Tanize Wacht Ceolin Daiane Correa Fortes Michele Correa da Rosa 1 Adriana Carlosso Irion 2 RESUMO O referido artigo tem como objetivo relatar as experiências vivenciadas pelas acadêmicas/bolsistas no Programa PIBID/CAPES, realizado na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes. A atividade vem proporcionando a oportunidade de atuar juntamente com as educadoras da escola, viabilizando uma relação de troca de saberes, fundamental para a formação inicial. A experiência amplia a oportunidade de reflexão sobre a compreensão da prática educativa crítica, no sentido da busca de uma troca de conhecimento que leve à transformação social. O fato torna fundamental o estabelecimento de um diálogo com os saberes produzidos nas diversas realidades, considerando as dimensões da vida humana, que recuperam o papel dos sujeitos prática educativa. Acreditamos que se faz necessário discutir a verdadeira construção da identidade da docência, questionar o que é ser professor dentro de uma sociedade em permanente transformação do conhecimento, Palavras-chave: PIBID, construção e saberes docentes. O INÍCIO DE UMA APRENDIZAGEM DOCENTE [...] o saber não é uma coisa que flutua no espaço: o saber dos professores é o saber deles e está relacionado com a pessoa e a identidade deles, com a sua experiência de vida e com a sua história profissional, com as suas relações com os alunos em sala de aula e com os outros atores escolares na escola. TARDIF, (2002, p.11) A educação, na contemporaneidade, mobiliza muitas inquietações nos seus mais diversos setores, sejam de cunho administrativo ou didático pedagógico, e até mesmo de relações interpessoais que nos instigam a criar mecanismos de ação para uma intervenção eficaz. Isso só se torna possível por meio do contato direto com as instituições de ensino, pela própria aproximação com o campo de atuação. Nesse contexto, o presente trabalho 1 Bolsistas do PIBID do Curso de Pedagogia – URI - Santiago. Bolsista do PIBID na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes. [email protected] 2 Professora Mestre em Educação da URI - Santiago, Professora e Supervisora do PIBID na Escola de Educação Básica Thomás Fortes. [email protected] Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 147 tem o objetivo de socializar as primeiras experiências das bolsistas/PIBID, que ainda em formação inicial no curso de Pedagogia, encontram-se atuando em espaços escolares, experenciando saberes docentes de forma diversificada. O artigo visa refletir sobre a importância das experiências vivenciadas pelas acadêmicas / bolsistas do PIBD/CAPES, que tem contribuído com o processo formativo docente, mediante a relação teórica – prática, escola/campo e universidade. A discussão em torno da formação inicial e continuada dos professores vem se ampliando no cenário nacional por meio de avaliações externas e internas, controles propostos pelas políticas públicas, às condições indignas de salário e de trabalho dos docentes, a lógica neoliberal vem propondo medidas simplistas para o desenvolvimento profissional da docência, situando-os sempre fora das decisões, das reestruturações curriculares, do repensar da escola, considerando-os como meros executores de propostas construídas e idealizadas por outras instâncias. Ao longo dessa trajetória no PIBID na escola, os bolsistas vêm realizando entendimentos conceituais acerca do aprender e do ensinar docente, focam o desejo de aprender na busca de reconhecimento de como se dá a produção de ser e de se fazer professor. As reflexões sobre os processos da construção do ser professor vêm ocorrendo através das experiências que o Programa de Iniciação a Docência- CAPES (PIBID) tem possibilitado. CONTEXTUALIZANDO A EXPERIÊNCIA O programa PIBID está sendo realizado na Escola Estadual de Educação Básica Thomás Fortes, tendo como público alvo do trabalho em questão turmas do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental de Nove Anos, tendo como subprojeto o tema Alfabetização. Entendemos que os profissionais da educação devem estar atentos no sentido de promover a continuidade do primeiro ciclo de alfabetização, dando ênfase na atividade docente, que deve levar em conta a ampliação do processo de alfabetização e letramento, nos anos posteriores (4º ao 5º ano). A escola tem procurado nos últimos anos, desenvolver diferentes práxis pedagógicas, experiências inovadoras e comprometidas com o processo de uma aprendizagem significativa e contextualizada. A inserção na escola através do programa PIBID/CAPES tem se constituído em uma oportunidade de efetivação de aprendizagens para os bolsistas, levando em conta que a escola no ano de 2009 obteve índice de IDBE (6,5). Nesta perspectiva o referido Programa contribui para o desenvolvimento de competências necessárias à atuação docente. As atividades desenvolvidas no PIBID na Escola/Campo priorizam o atendimento aos alunos com dificuldades de aprendizagem e o atendimento dos alunos incluídos no ensino regular. Durante as o acompanhamento e monitoramento em sala de aula, procuramos mediar coletivamente com a professora regente, atividades que possam favorecer a aprendizagem (jogos, material concreto, literatura infantil, etc). O subprojeto de Pedagogia – Alfabetização visa a (re) significação dos saberes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de Nove Anos (3º, 4º e 5º), por parte das bolsistas. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 148 O processo de construção da docência necessita realizar-se pela interface teoria e prática, oportunizando vivências pedagógicas nos espaços escolares, pois estes são lugares permeados de afetividade, inquietações e desafios constantes. Desta forma, o espaço escolar dá sentido à constituição do ser professor, possibilitando novas reflexões e instigando a pesquisa no contexto da universidade e a construção de novas formas de pensar e fazer a práxis pedagógica, ato que implica em aprender a aprender permanentemente. Conforme Nóvoa (1997, p.28): Formar um professor é possível? Formar não, formar-se! O professor forma a si mesmo através das suas inúmeras interações, não apenas com o conhecimento e as teorias aprendidas nas escolas, mas com a prática didática de todos os seus antigos mestres e outras pessoas, coisas e situações com as quais interagiu em situações de ensino durante toda a sua vida. O programa colabora para a construção da trajetória profissional, e proporciona a construção de novos conhecimentos e experiências representando um aspecto primordial na formação de futuros docentes. Possibilita o contato com a realidade escolar, os problemas que a escola vivencia, o convívio com professores já formados, com seus saberes, partilhando as alegrias e dificuldades que a docência suscita. CONSTRUINDO O CAMINHO: METODOLOGIA ADOTADA “A vida acadêmica é essencial para nos mostrar a base teórica da profissão que queremos seguir, mas somente na prática do dia-a-dia é que colocaremos à prova tudo aquilo que os mestres nos ensinaram e muitas vezes veremos que não era bem daquela maneira.” (Luís Alves). A construção metodológica foi construída pensando a melhor direção, o terreno mais apropriado para a pesquisa ser conduzida. O primeiro passo de qualquer atividade humana é o planejamento e iniciamos pela observação atenta do ambiente institucional e da dinâmica da práxis pedagógica, através de uma pesquisa de abordagem qualitativa que para LÜDKE e ANDRÉ. (1986, p.11) A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. Supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via de regra através do trabalho intensivo de campo. Na condução das ações, no primeiro momento houve a participação em uma reunião com a coordenadora/orientadora, para discussão de algumas metas e objetivos referentes ao projeto. O referido espaço é fundamental para a atuação dentro do Programa PIBID, pois se trata de uma inserção na dinâmica pedagógicas do contexto escolar, buscando conhecer as práticas docentes, necessidades didáticas, dificuldades de aprendizagem existentes Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 149 nesse universo educacional. Além de proporcionar aos futuros professores a participação em experiências metodológicas diversificadas. Paralelamente, foi realizada uma revisão teórica que alicerçam o processo do aprender/ensinar, realizando então uma investigação bibliográfica no sentido de fazer uma revisão teórica epistemológica, que fosse ao encontro das questões conceituais, discutidas na interlocução dos saberes pedagógicos (universidade) e dos saberes da experiência (escola – campo) para construção de aprendizagens e dizeres contextualizados pela intervenção pedagógica. Conforme comenta MINAYO APUD THIOLLENT (2004 pg. 26) A pesquisa-ação é um tipo de investigação social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. A metodologia adotada busca fazer o monitoramento dos alunos, em sala de aula auxiliando a realização das atividades, possibilitando um atendimento especial aos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. Os bolsistas realizam doze horas de atividades semanais na escola, em atendimento direto ao aluno e monitoramento do professor regente, e ainda, oito horas na Universidade, espaço que realizam a elaboração e construção de materiais destinados aos alunos e ainda produção científica. Dessa forma realizam-se doze horas semanais na escola / campo acompanhando os alunos, a professora e auxiliando os educandos que possuem dificuldades, sempre que necessário confeccionamos matérias didáticos para atender as demandas apresentadas, além disso, participamos dos projetos da escola que visam a integração entre escola e comunidade. Na Universidade, cumprimos oito horas completando assim nossa carga horária; na instituição, participamos de reuniões semanais com a coordenadora do PIBID, realização de estudos sobre estratégias que serão adotadas na escola para um melhor desenvolvimento das atividades. RESULTADOS E DISCUSSÃO Acredita-se que uma das principais contribuições do PIBID/CAPES é aproximar os futuros docentes das condições de desenvolvimento dos alunos com os quais irão atuar, tomando para si a compreensão desses processos de aprender realizando dessa forma a interface teoria e prática. O confronto com situações discutidas no curso de Pedagogia e que nos espaços escolares temse a possibilidade de realizar o contraponto quanto à criança que não aprende dentro dos padrões considerados “normais”, que apresenta dificuldades de aprendizagem e ainda, com alunos de inclusão. De fato, o acadêmico bolsista do Programa tem oportunidade experienciar através de situações vivenciais a interlocução entre o ideal, o real e suas representações acerca destes sujeitos, exigindo capacidade de análise e compreensão do processo. A construção da identidade profissional é pautada no modelo de autoformação, exigindo que se assuma uma postura reflexiva sobre a prática docente, como dimensão do processo de formação. Neste sentido, o programa PIBID é um espaço, por excelência, catalisador da experiência de investigação da práxis educativa e do fazer docente. É a prática pedagógica desenvolvida Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 150 no cotidiano da sala de aula, que vai suscitar desafios e questões na busca e aquisição de novas alternativas que propiciem a construção do conhecimento. Jogo da árvore Dominó da multiplicação por 2 CONSIDERAÇÕES FINAIS Acompanhando a sociedade da informação e do conhecimento que a cada dia sofre constantes mudanças, a formação de educadores requer, então, sujeitos atualizados, capazes de dialogar com as novas tecnologias, mas também com capacidade para refletir sobre sua prática e dispostos a aprender sempre, daí constitui-se um grande desafio diante das implicações históricas, políticas, culturais, sociais e pedagógicas que atravessam, de maneira muito significativa e singular, sobretudo se considerarmos a concepção de cidadãos que a escola pretende formar. Diante disso para consolidar a formação inicial é fundamental saber relacionar o - fazer pedagógico com as teorias da educação aprendidas em sala de aula, decorrente disso, o PIBID nos proporciona diferentes olhares acerca das distintas realidades (social, cultural e histórica) encontradas no espaço escolar, no qual se tem oportunidade de estar em um processo permanente e sistemático, tendo sentido histórico, dialético, dialógico e coletivo, visando à transformação social. Constituiu-se ainda em um espaço permanente de reflexão, troca, pesquisa, planejamento, sistematização, avaliação e produção de novos conhecimentos, servindo para construir o percurso formativo coletivamente. Portanto o programa PIBID/CAPES proposto na formação inicial de professores, visa estimular e ajudar os futuros educadores na construção conjunta de planejamentos cooperando para o conhecimento da realidade escolar. O PIBID é concebido tendo em vista o desenvolvimento de novas competências que possam levar os futuros docentes a produzirem coletivamente conhecimentos, perceber as diferenças, a complementaridade e as possibilidades e limitações de sua profissão, respeitando as diferenças e formas de olhar para o mundo, para reconhecer a sua identidade profissional, buscando a sua realização dentro do que é ser professor. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 151 REFERÊNCIAS ANDRÉ, Marli E. & Ludke, menga. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo/SP: E.P.U,1986 ARROYO, M.G. Ofício de Mestre- Imagens e auto-imagens. 2ªed.Petrópolis, RJ: Vozes,2000. MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8. ed. São Paulo: Hucitec, 2004. NÓVOA, A. (coord.) Formação de Professores e profissão docente. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 3 ed. 1997. PIMENTA, S. G. Formação de professores: identidade e saberes da docência. In: ______. Saberes pedagógicos e atividade docente. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2000. TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 152 DIFICULDADES DE ALFABETIZAÇÃO/LETRAMENTO NAS SÉRIES INICIAIS NA ESCOLA SÃO VICENTE DE PAULA – ERECHIM/RS SOB A ÓTICA DAS BOLSISTAS DO PIBID Camilla de Abreu Simoni Kelly Fátima Tobaldini Marcieli Paula Moro Priscila Maria Sostisso Menegatti Taize Leila Manica 1 Márcia Ceron Denise Aparecida Martins Sponchiado 2 RESUMO O presente artigo relata a experiência das acadêmicas do curso de Pedagogia que atuam como bolsistas do projeto PIBID nas séries iniciais do Ensino Fundamental da Escola Estadual São Vicente de Paula em Erechim/RS. Procura relacionar teoria e práxis no atendimento às crianças com dificuldades de aprendizagem, realizadas através de aulas de reforço e monitoria escolar. Sendo assim, relata o trabalho realizado com objetivo de auxiliar a melhoria do processo de aprendizagem nas turmas atendidas pelas bolsistas. Palavras Chave: Alfabetização. Letramento. Dificuldades de Aprendizagem. INTRODUÇÃO O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID3 está complementando a formação dos acadêmicos em Pedagogia, colocandoas em contato direto com turmas de 1º ao 4º do Ensino Fundamental, em escolas públicas do município de Erechim. Esta prática demonstrou às acadêmicas a existência de estudantes com dificuldades de aprendizagem em diversas áreas do conhecimento, o que fica evidenciado no trabalho de monitoria e nos encaminhamentos realizados pelos professores das turmas para o reforço escolar. O presente artigo tem como objetivo identificar dificuldades de aprendizagem dos estudantes atendidos pelas bolsistas do PIBID na Escola Estadual São Vicente de Paula do município de Erechim. METODOLOGIA A execução deste trabalho foi planejada diante das dificuldades observadas in situ diretamente na escola, a partir de então se reúnem para planejar atividades com a professora regente da turma. É tarefa de uma das bolsistas desenvolver atividades de monitoria enquanto no turno contrário, com auxílio de outra bolsista, são oferecidas atividades de reforço. O registro das 1 Bolsistas PIBID Acadêmicas Curso Pedagogia – URI - Erechim Coordenadora do Subprojeto PIBID Alfabetização – URI - Erechim 3 Colaboradora do Subprojeto PIBID Pedagogia – URI - Erechim 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 153 atividades planejadas e desenvolvidas são registrada em caderno de campo para tal fim. As turmas atendidas pelas bolsistas PIBID na Escola Estadual São Vicente de Paula são formadas por 77 estudantes entre 1º e 5º ano. Neste ano de 2012, a escola atende 194 estudantes matriculados desde o 1º ano até a 8ª série, nos turnos da manhã e tarde no ensino regular. Oferece também Educação Especial – atendimento educacional especializado em sala de recursos multifuncional para estudantes com necessidades educacionais especiais. Nesta sala multifuncional são atendidos 11 estudantes de 6º a 8ª série e 13 estudantes de 2º a 5º ano. A escola localiza-se no bairro Presidente Vargas, na periferia do município de Erechim e atende estudantes de baixa renda e em situação de vulnerabilidade social. Neste bairro existe um número expressivo de pequenas empresas, e uma indústria de balas. Os moradores organizam-se em grupos, dos quais destaca-se: Associação de Moradores, Associação dos Vicentinos e o Salão Comunitário Nossa Senhora Aparecida. Essas associações atuam com a função de organizar e acompanhar as famílias do bairro. Há também um grupo teatral denominado Geração Arte, que contribui com o desenvolvimento da cultura, tendo como componente alguns estudantes e pais desta escola. Observa-se que a comunidade não dispõe de muitas opções de lazer, pois não há ambientes suficientes que ofereçam atividades esportivas, recreativas e culturais. A mesma divide-se em várias opções religiosas tendo algumas pessoas que trabalham na Pastoral da saúde e outras na Pastoral da criança. Os estudantes, em sua maioria, são oriundos de famílias carentes, com pais desempregados, ou assalariados; tal conjuntura tem influenciado no nível de aprendizagem destes estudantes. REFERENCIAL TEÓRICO Concepções de Dificuldade de Aprendizagem Analisando os problemas de aprendizagem, chega-se a variados termos e definições sobre este. O fato de existirem crianças que não conseguem alcançar sucesso na aprendizagem escolar sempre causou impacto nos estudiosos e nas diversas áreas do saber. Embasando-se nesta abordagem, o educando, para poder demonstrar que sabe algo, tem que apresentar uma determinada nota, o que reforça um princípio quantitativo da aprendizagem. Esta nota é estipulada arbitrariamente pela escola na qual a criança ou adolescente está inserida. O estudante que não alcança esta nota é rotulado como fracassado. Professores, pais e sociedade começam por aí a batalha, uns empurrando para os outros, pois o estudante que não alcança determinada nota é um "problema" para a escola. Segundo Campos (1997), os termos mais utilizados na escola são dificuldade ou problemas de aprendizagem. A dificuldade de aprendizagem refere-se a alguma desordem na aprendizagem geral da criança, que provém de fatores como a influência da família, da escola e do ambiente da comunidade. Para se falar de dificuldade de aprendizagem precisa-se entender o que é aprendizagem. De acordo com Pain (1985) a aprendizagem ocorre a partir da Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 154 transmissão de conhecimentos através de um intermediário, entendido como um sinal de conhecimento. O aprendente reconstrói o conhecimento por intermédio de esforço pessoal e próprio. Para Rubinstein (1996, p. 131) o conhecimento só é possível a partir dos seguintes fatores: a) O aprendiz reconstrói o conhecimento por um processo de identificação com o ensinante, enquanto representante do conhecimento, e isso remete ao processo de constituição subjetiva do sujeito; b) Para aprender, o sujeito utiliza-se das seguintes estruturas: organismo, corpo, estrutura simbólica e estrutura cognitiva. Estas estruturas relacionam-se com os aspectos orgânicos, cognitivos, afetivos e culturais que influem no processo de aprender. Fica expresso, no pensamento de Rubinstein que a aprendizagem depende de diversos aspectos, não sendo um processo cerebral isolado, mas integrado ao todo do sujeito aprendente. Por outro lado, dificuldades de aprendizagem são problemas, também de ordem neurológica, que acabam prejudicando a capacidade de entender, recordar ou comunicar as informações. Muitas vezes os educandos são rotulados por adultos que não compreendem as dificuldades como tendo baixa inteligência, insolência, preguiça, entre outras, por não apresentar seu desempenho escolar satisfatório. Sabe-se que não existe uma única causa para o fracasso escolar. A família, a escola e a sociedade fazem parte deste processo ensinoaprendizagem e não podem se omitir ou tirar suas responsabilidades neste processo. O professor enquanto mediador do processo ensino-aprendizagem, bem como protagonista na resolução e estudo das dificuldades de aprendizagem deve obter orientações específicas para que desenvolva um trabalho consciente e que promova o sucesso de todos os envolvidos no processo. "A interação entre o mestre e o estudante é essencial para a aprendizagem, e o mestre consegue essa sintonia, levando em consideração o conhecimento das crianças, fruto de seu meio.” (FREINET, 2002, p. 25) O problema de aprendizagem não está vinculado apenas há uma dificuldade especifica, mas sim abordando vários fatores que afetam diretamente a vida discente do educando, fazendo assim o ambiente social em que a criança está inserida uma diferença impressionante no seu progresso. As dificuldades de aprendizagem às vezes passam despercebidas ou são minimizadas em seus efeitos tanto pela escola quanto pela família. Aparentemente pode parecer que a criança não agrega problema algum, porém demonstrar uma inteligência a cima ou abaixo do nível é um empecilho à aprendizagem escolar. Segundo Smith e Strick (2001) existem outros comportamentos problemáticos como, por exemplo: fraco alcance da atenção, dificuldade para seguir instruções; imaturidade social; dificuldade com conversação; inflexibilidade; fraco planejamento e habilidade organizacionais, distração; falta de destreza; falta de controle dos impulsos entre outros. Muitas vezes os problemas de aprendizagem surgem em função das condições neurológicas citadas acima, sendo assim reconhecidos e compreendidos como tal. As questões educacionais que mais têm preocupado os profissionais ligados ao ensino, referem-se aos altos índices de evasão e Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 155 reprovação escolar que têm sido registrados nas escolas municipais e estaduais e o grande número de criança que têm recorrido a tratamento psicopedagógico com dificuldade de aprendizagem (MORAES, 2001, p.29) Através das ações realizadas em sala de aula pode-se diagnosticar e compreender as necessidades e dificuldades de cada aluno fazendo com que ocorra uma diminuição do fracasso escolar. Pelegrini e Golfeto (1998) também demonstraram a preocupação com as dificuldades de aprendizagem das crianças, destacam que, no meio escolar, as crianças, nos seus níveis correspondentes podem realizar todas as atividades solicitadas, porém não alcançando sucesso em todos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Reforço escolar Nas aulas de reforço, devido a um acompanhamento mais individualizado, é possível constatar as dificuldades presentes no processo de aprendizagem dos alunos que demonstram dificuldades no acompanhamento regular das aulas. Destarte, através de atividades diferenciadas que envolvam os estudantes de forma participativa, deve-se considerar como pressuposto básico que essas dificuldades não podem ser encaradas como limitação, nem por professores e tão pouco pelos estudantes. É importante levar em conta que ambos – professores e estudantes – devem sentir-se capazes de compreender que o ritmo de aprendizagem que é diferente e não as pessoas nela envolvidas. Dentro de cada ritmo, todos são únicos e capazes de aprender. Isto posto, as aulas de reforço escolar são desenvolvidas nas turmas de 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental. Nelas são desenvolvidas diversas atividades para que se reforcem conteúdos/conhecimentos que o professor regente de cada turma está trabalhando em sala de aula, com o objetivo de auxiliar na aprendizagem. As atividades realizadas são diversas. Muitas são lúdicas, como jogos e brincadeiras confeccionados pelas bolsistas e que são de uso coletivo. De uma aula para outra percebe-se que os estudantes vão aprimorando as aprendizagens nas diversas áreas do conhecimento. Isto evidencia-se na contagem, relação dos conteúdos trabalhos no seu cotidiano, identificação de número/quantidade, entre outras. Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas bolsistas são as faltas frequentes, pois impedem uma sequência das atividades desenvolvidas. Os pais são pouco comprometidos com a aprendizagem dos filhos, e, por outro lado, querem resultados imediatos. Há ainda por parte dos pais uma descrença em relação aos resultado do reforço extra-classe e um certo fatalismo em relação às dificuldades dos filhos. Pode-se afirmar que as crianças que frequentam o reforço demonstram sensíveis melhoras inclusive na auto-estima por sentirem seus avanços Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 156 valorizados pelas estagiárias que estão também envolvidas afetivamente com os alunos. Entrar em contato com a prática pedagógica e com o contexto da realidade da educação tem sido muito importante para as alunas bolsistas. As experiências vivenciadas no cotidiano da escola levam a diferenciação entre teoria e prática. Por sua vez, para a escola, o PIBID proporciona um contato mais próximo entre escola e Universidade e os cursos formadores de professores. As teorias desenvolvidas na Universidade ganham vida na escola e os problemas enfrentados pela escola passam a ser, conhecidos na Universidade. Monitoria Monitoria é o auxilio dado aos estudantes em sala de aula juntamente com o professor regente. O mesmo é de extrema importância tendo em vista a realidade da turma. As atividades nas quais os estudantes são auxiliados são as que estão no planejamento do professor regente. O desenvolvimento de atividades de monitoria tem contribuído com o processo ensino-aprendizagem e auxiliado sobremaneira o docente na condução do planejamento didático-pedagógico e na construção de material de apoio (jogos, instrumentalização da linguagem, fantoches, alfabeto móvel, entre outros) Dificuldades mais comuns encontradas no público atendido pelas bolsistas do PIBID Ao analisar as dificuldades de leitura, escrita e letramento, raciocínio lógico percebe-se que um grande número de alunos que estão concluindo o 3º ano do ensino fundamental sem condições de ler e escrever, tiveram interferência por variáveis que vão desde a qualidade do ensino, aliado a desestrutura familiar, muito mais decorrente de fatores socioeconômicos, problemas de saúde física, emocional, cognitivo e pedagógico. Segundo Ferreiro (1987, p.36-37) “Não são as crianças que estão obrigadas a chegar quase alfabetizadas à escola; é a escola que tem a obrigação social de alfabetizar (...)” As dificuldades identificadas na escola campo são: atraso na aquisição das competências da leitura e escrita. leitura silábica, decifratória,nível de leitura abaixo do esperado para sua série e idade, soletração de palavras ao ler em voz alta diante da turma, supressão de letras: cavalo /caalo;-. biblioteca/bioteca; - bolacha / boacha , repetição de sílabas: pássaro / passassaro; camada / camamada ,seqüência de letras em palavras e inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras (ai-ia; per-pré; fla-fal; me-em), fragmentação incorreta: o menino joga bola - omeninojo gabola, planejar, organizar ,elaboração de textos escritos e expressão oral. A aprendizagem escolar é considerada um processo natural, que resulta de uma complexa atividade mental, na qual o pensamento, a percepção, as emoções, a memória, a motricidade e os conhecimentos prévios estão envolvidos e onde a criança deva sentir o prazer em aprender. Para um aluno ter um desempenho razoável na escola é necessário desde a alimentação saudável até ter a condição emocional e cultural para levar a escola com a devida seriedade. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 157 Os alunos com dificuldades de aprendizagem processam as informações mais lentamente que seus companheiros típicos. Como resultado, precisam de mais tempo tanto para entender as tarefas quanto para completá-las. Embora o tempo adicional necessário seja, em geral, de apenas alguns segundos, tal deficiência possui um impacto significativo sobre a capacidade dos alunos para competirem na sala de aula. (SMITH e STRICK, 2001, p. 25). É importante considerar que um atraso nem sempre indica deficiência. As crianças muitas vezes não se desenvolvem de acordo com os calendários rígidos, e, na maioria das áreas do desenvolvimento, existe uma ampla gama de comportamentos considerados normais. Os alunos com dificuldades de aprendizagem em geral estão bem. Se os problemas escolares parecerem assustadores, é importante relembrar isso. Inspire profundamente, leve a criança para um passeio e faça algo divertido. Em um determinado tempo, o que pode se fazer como pai ou mãe especialista é ter prazer e apreciar seu filho como um ser único. Para a maioria das crianças, a auto-estima depende amplamente de como se sentem sobre a pessoa que vêem refletidas nos olhos de seus pais. CONCLUSÕES A partir das observações e do trabalho realizado na escola campo, podese perceber que o trabalho das bolsistas PIBID, que atuaram como facilitadoras da aprendizagem, está aprimorando o desenvolvimento da atenção, leituraescrita, raciocínio lógico, matemática, psicomotricidade fina, limite, concentração nas aulas e nas atividades desenvolvidas na escola campo. Constatou-se que as crianças estão aprendendo a trabalhar com o seu lado emocional, estabelecendo um controle sobre suas ações. Dentre vários aspectos, destaca-se o nível de complexidade dos conteúdos, sendo que o estudante está compreendendo melhor através da metodologia utilizada (monitoria e reforço escolar). Percebe-se inclusive a interação da criança com seu mundo real e social. Salienta-se que o papel das bolsistas consiste em auxiliar o trabalho realizado pelas professoras regentes na construção de atividades diferenciadas, como a hora do conto, jogos pedagógicos, atividades de letramento. Ao trabalhar conjuntamente com as professoras regentes, as bolsistas ajudaram a tornar as aulas mais motivadoras, lúdicas e dinâmicas; não rotulando o estudante, mas dando-lhe a oportunidade de descobrir e aprimorar suas potencialidades. A escola deveria se aproximar mais das famílias. É preciso que alguém ensine porque os pais precisam respeitar o professor, dar a devida importância para as tarefas escolares, ensinar os filhos a terem cuidado com o patrimônio das escolas, e sobre a importância dos livros. Se os pais não sabem, eles não vão saber por que fazer e como fazer. Muitas vezes o professor diz para os pais que o filho está tendo problemas de aprendizagem. Mas os pais não sabem o que fazer. Um responsabiliza o outro. Além disso, as políticas educacionais vêm de cima para baixo sem uma base segura. Quem ocupa os cargos mais importantes politicamente na educação nunca é um educador, Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 158 mas um advogado ou economista, que certamente não tem a sensibilidade, percepção e visão de um educador. REFERÊNCIAS GOLBERT, C. S. ; MOOJEN, S. M. P. Dificuldades de aprendizagem escolar. In: SUKIENNIK, Paulo Berél : O aluno Problema: Transtornos Emocionais de crianças e adolescentes. 2ª edição – Porto Alegre: Mercado Aberto, 2000. FERRERO, E. Alfabetização em processo. São Paulo: Cortez, 1986. Fonte de SP.,1982 p.19-21. FERRERO, E. e TEBEROSKY, A. A psicogênese da linguagem escrita. Porto Alegre: Arte Medica 1985. FONSECA, V. Introdução às dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. FREINET. C. Uma escola ativa e cooperativa. São Paulo. 2002. Disponível em http://www.novaescola.abril.com.br. PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem.Artes Médicas,1985. SOARES, M. B., Artigo - Letramento, 29 de Agosto de 2003. Diário do Grande ABC. SOUZA, E. M. Problemas de aprendizagem – Crianças de 8 a 11 anos. Bauru: EDUSC, 1996. STRICK, C. e SMITH, L. Dificuldades de aprendizagem de A a Z. http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/05/fracassoescolar-e-o-fracasso-do-sistema-educacional- diz-especialista.html http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/viewFile/436/332 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 159 A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: PROGRAMA PIBID - PEDAGOGIA – ENSINO MÉDIO Luci Mary Duso Pacheco 1 Heloisa Helena Appel Mazo2 Juliane Claudia Piovesan3 RESUMO O artigo: A relação teoria e prática na formação de professores: Programa PIBID - Pedagogia – Ensino Médio busca apresentar as atividades desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, vigente na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Câmpus de Frederico Westphalen e Câmpus de Santo Ângelo, sendo realizado com o Curso Normal do Instituto Estadual de Educação 22 de Maio em Palmitinho - RS e Instituto Estadual de Educação João XXIII em Giruá – RS. A proposta de atividades tem como objetivo desencadear ações que possibilitem aos bolsistas desenvolver as habilidades e competências necessárias à formação de professores, através da realização de estágio de iniciação à docência nas disciplinas pedagógicas, buscando conhecer as práticas docentes, as necessidades didáticas e as dificuldades de aprendizagem existentes neste universo educacional. O programa trabalhou com o Curso Normal desses Institutos através do desenvolvimento de oficinas que envolvem práticas auxiliares na formação inicial docente tanto das alunas do Curso, quanto das bolsistas, pois representam uma forma de estreitar laços de conhecimento com um dos campos de atuação do pedagogo além de proporcionar um embasamento teórico mais sólido. Assim as atividades desenvolvidas giraram em torno da realização de oficinas, palestras, minicursos seminários e gincanas com estudantes das escolas, auxiliando na ação pedagógica dos professores dos Curso de Formação Magistério das escolas campo; preparação de materiais para as aulas práticas e realização de encontros de estudos com os alunos que apresentaram dificuldades de aprendizagem. Desta forma, reitera-se a importância do desenvolvimento deste programa pelo seu caráter formador o qual privilegia a relação teoria e prática que se estabelece entre Universidade-escola campo, bolsistas-orientadores, bolsistas-alunas a fim de uma melhoria na qualidade educacional. INTRODUÇÃO O presente artigo busca apresentar pontos relevantes das atividades desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – 1 Doutora em Educação. Professora do Departamento de Ciências Humanas da URI – Frederico Westphalen – Coordenadora de área do PIBID – Pedagogia Ensino médio e orientadora do Programa no Curso.– [email protected] 2 Mestre em Educação. Coordenadora do Curso de Pedagogia – URI – Santo Angelo – Orientadora do Programa PIBID – Subprojeto Pedagogia Ensino Médio – [email protected] 3 Mestre em Educação. Coordenadora do Curso de Pedagogia – URI – Câmpus de Frederico Westphalen – Orientadora do Programa PIBID – Subprojeto Pedagogia Ensino Médio – [email protected] Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 160 PIBID1, vigente na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Câmpus de Frederico Westphalen e Câmpus de Santo Ângelo, no Curso de Pedagogia –Subprojeto Ensino Médio. O Subprojeto do curso de Pedagogia, que contempla a modalidade Ensino Médio formação Magistério, tem como objetivo desencadear ações que possibilitem aos bolsistas desenvolver as habilidades e competências necessárias à formação de professores, através da realização de estágio de iniciação à docência nas disciplinas pedagógicas, buscando conhecer as práticas docentes, as necessidades didáticas e as dificuldades de aprendizagem existentes neste universo educacional. Consta nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da Educação em Nível Superior (Parecer CNE/CP Nº1, de 18 de fevereiro de 2002) a aquisição de determinadas competências e saberes necessários à prática educativa, as quais devem ser contempladas na formação oferecida pelo curso de Pedagogia mediante uma ação teóricoprática. As competências referidas dizem respeito à construção do conhecimento: o comprometimento com os valores de uma sociedade democrática; a compreensão do papel social da escola, domínio dos conteúdos e sua contextualização, domínio do conhecimento pedagógico, conhecimento de processos de investigação, atitude de disponibilidade e flexibilidade para mudança e aperfeiçoamento profissional. As práticas realizadas através do Projeto PIBID fundamentam-se na formação acadêmica oferecida pelo Curso de Pedagogia da Universidade, bem como, possibilitam a vivência e aplicação deste aporte teórico pelo fato de existirem atividades de contato das acadêmicas com a instituição escolar pública, o que esta determinado no Programa. A formação acadêmica deve estar diretamente ligada aos diferentes ambientes educacionais a fim de propiciar uma formação diversificada e ao mesmo tempo qualificada ao trabalho em espaços escolares e não escolares(IMBERNÓN, 2009). A instituição em destaque corresponde a duas escolas da rede pública de ensino, designadas Instituto Estadual de Educação 22 de Maio, em Palmitinho e Instituto Estadual de Educação João XXIII, em Giruá, ambas do estado do Rio Grande do Sul, apresentando-se como espaço direto de aprendizagem para a formação superior e de formação inicial docente. A ação/intervenção acadêmica em tais ambientes objetiva elevar a qualidade do ensino-aprendizagem, na medida em que possibilita a interação dos acadêmicos junto à escola pública, um campo de trabalho a ser constantemente construído. Existe uma troca de conhecimentos entre os sujeitos destes espaços, de forma a contribuir tanto ao saber escolar, quanto à formação profissional docente básica. É neste sentido que se busca abordar o desenvolvimento do Projeto PIBID na escola campo e na universidade de forma a destacar o contato criado entre estes ambientes e os sujeitos que os permeiam. Desde o início, o trabalho é realizado com o Curso Normal do Instituto Estadual de Educação 22 de Maio2 e Instituto Estadual de Educação João XXIII3 através do 1 O programa tem como foco a valorização do magistério e a melhoria da qualidade da educação básica brasileira. Oferece bolsas para estudantes de licenciatura, professores universitários e de escolas públicas. 2 Escola Campo de Palmitinho – RS. Atendida pela URI – Frederico Westphalen 3 Escola Campo de Giruá – RS. Atendida pela URI – Santo Ângelo Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 161 desenvolvimento de oficinas que envolvem práticas auxiliares na formação inicial docente tanto das alunas do Curso, quanto das bolsistas, pois representam uma forma de estreitar laços de conhecimento com um dos campos de atuação do pedagogo, além de proporcionar um embasamento teórico mais sólido e necessário à formação acadêmica. Esta iniciativa do Governo Federal constitui, então, uma forma de incentivo à profissão docente e aos cursos de licenciatura, além de significar uma maior qualificação acadêmica e contato com a realidade educacional externa. As atividades realizadas objetivaram: valorizar o magistério (Projeto PIBID-CAPES/2010) como atividade profissional estimulando a formação de professores para a educação básica e para o ensino médio – Curso Normal; aperfeiçoar a qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial dos professores nos cursos de licenciatura da URI; inserir os licenciandos no cotidiano das escolas da rede pública de educação, promovendo a integração entre educação superior e educação básica; contribuir para a formação continuada dos professores das escolas de educação básica envolvidas no Projeto. Na continuidade do trabalho com o Programa, em seu segundo ano, foram previstas as seguintes atividades: oficinas, palestras, minicursos seminários e gincanas com estudantes da escola, auxiliando na ação pedagógica dos professores dos Curso de Formação Magistério das escolas campo; preparação de materiais para as aulas teórico-práticas; realização de encontros de estudos com os alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem, e estudos coletivos entre os bolsistas para abordagem teórica do Programa e das atividades do processo de formação docente. Desta forma, reitera-se a importância do desenvolvimento deste programa pelo seu caráter formador o qual privilegia a relação teoria e prática que se estabelece entre Universidade-escola campo, bolsistas-orientadores, bolsistas-alunas a fim de uma melhoria na qualidade educacional. METODOLOGIA Metodologicamente a proposta está pautada no conhecimento do Curso Normal através do estudo do Projeto Político Pedagógico, Regimento e Planos de estudos; na observação das aulas e intervenções nas disciplinas pedagógicas do ensino médio formação magistério; no desenvolvimento e aplicação de oficinas, seminários, palestras, minicursos e grupos de estudos contemplando as necessidades diagnosticadas através das observações. As práticas realizadas através do Projeto fundamentam-se na formação acadêmica oferecida pelo Curso de Pedagogia da Universidade aos estudantes, bem como, possibilitam a vivência e aplicação deste aporte teórico pelo fato de existirem atividades de contato das acadêmicas com a instituição escolar, o que consta imprescindivelmente nas determinações do Programa. RESULTADOS E DISCUSSÕES No intuito de apresentar no concreto algumas das ideias argumentadas é que explicitam-se algumas atividades desenvolvidas pelas bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID – do Curso de Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 162 Pedagogia da URI – Câmpus de Frederico Westphalen e URI – Câmpus de Santo Ângelo nas escolas campo, Instituto Estadual de Educação 22 de Maio de Palmitinho e Instituto Estadual de Educação João XXIII de Giruá, tendo por base o contato com a modalidade Ensino Médio Formação Magistério. O início do Programa na universidade veio marcado pelo conhecimento do mesmo por parte das bolsistas e demais envolvidos no projeto, em agosto de 2010, através do estudo e discussão da 1ª etapa do subprojeto do Curso de Pedagogia – Ensino Médio, e de uma maior interação quanto à formação docente e sua repercussão no aspecto sócio educacional. Desta forma, leituras de artigos cuja abordagem aportavam a formação docente, tornou-se foco de estudos das bolsistas, que, individualmente elaboraram esquemas de apresentação ao grande grupo. Este primeiro momento do Programa na Universidade, caracterizou-se mais pelos estudos e conhecimentos à cerca do funcionamento e das ações que deveriam ser realizadas. O próximo passo, foi estabelecer contato com a escola cujas atividades seriam desenvolvidas. Para maior conhecimento das tarefas e objetivos do programa, as bolsistas realizaram visitas as escolas campo, contando com a apresentação das alunas bolsistas do PIBID às professoras regentes das Disciplinas de Formação Profissional – Didática Geral, Filosofia, Sociologia, Psicologia da Educação e Estrutura e Funcionamento da Educação Básica – e a todo corpo docente escolar, desta maneira, teve início a ligação entre universidade e escola, preconizando assim o trabalho que estava por vir. Na mesma medida em que o conhecimento do corpo escolar teve que ser travado, tornou-se necessário conhecer o histórico da instituição, documentos como o Projeto Político Pedagógico, Regimento escolar e Planos de Estudos, para obter maiores informações sobre o Curso Normal, além das fichas de avaliação das estagiárias, dos materiais e diários de estágio, matérias essenciais para realização do estágio supervisionado. Tais conhecimentos sempre foram mediados pelas supervisoras das escolas campo, apoiadas pela direção. A atuação no Ensino Médio – Curso Normal requer uma amplitude de conhecimentos elaborados de forma teórico-prática, e, como previsto no Programa PIBID os estágios e práticas nas disciplinas pedagógicas do Curso Normal imbricaram essa necessidade, sendo que as observações das aulas constituíram-se nas disciplinas de Didática Geral, Didática da Linguagem, Estrutura, Filosofia da Educação, Sociologia da Educação e Psicologia. Para melhor aproveitamento de tais observações, necessitou-se de um estudo coletivo, cuja finalidade maior foi elencar pontos de análise ao decorrer das aulas, destacam-se destes os seguintes aspectos: metodologia do professor, relação professor-aluno, professor-conteúdo, aluno-aluno, diálogo, socialização, recursos didáticos, espaços de aprendizagem, relevância dos conteúdos e aplicabilidade. Estabelecidos os aspectos, as observações definiram-se a partir de um ponto comum às bolsistas, bem como, após, as intervenções realizadas nas turmas. A cada observação, a bolsista tinha oportunidade de intervir num momento posterior a fim de modificar algumas ações observadas com a sequencia do roteiro, assim, a interação entre professores-bolsistas-alunas refletia em um maior conhecimento tanto a nível intelectual, quanto humano. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 163 Essas ações além de estreitar laços no quesito relacionamento, permitiram às acadêmicas uma maior autonomia em relação aos conteúdos didáticos, pelo fato de realizar a observação, o diagnóstico, identificar e elencar outra forma de aplicação do conteúdo, para então contatar com a titular apresentando a proposta. Desta feita, após a confirmação da titular, as bolsistas desenvolviam o conteúdo conforme o planejado. No que tange às atividades desenvolvidas pelo próprio curso normal, também ocorreu a participação do PIBID, seja através de acompanhamentos ou de intervenção. Neste sentido, alguns projetos podem ser citados como referência na organização e funcionamento do Curso: Hora do Conto; Aplicação das aulas de Educação Física; Recreio orientado; Oficina de teatro; Projetos de leituras pedagógicas de estudiosos da educação, Puericultura e Oficinas Pedagógicas. Salienta-se então, além de tais projetos, o acompanhamento nas reuniões de estágios, na gincana de integração entre o Curso Normal, nas Horas do Conto, o acompanhamento nos estágios e outras práticas do curso, que perfazem o currículo proposto para tal formação. O desenvolvimento do Projeto também se deu ante reflexões referentes às práticas e demais ações veiculadas nas escolas campo, como ponto imprescindível do trabalho docente a busca pelo saber torna o fazer mais dinâmico resultando em ações positivas. Considerando-se tais precedentes, os diálogos na universidade compreendidos através das reuniões de avaliação das observações, de planejamento, orientação, e os estudos grupais compuseram um dos eixos de desenvolvimento do PIBID. Atividades que exemplificam a docência como uma prática de compromisso, responsabilidade e amor puderam ser explicitadas para as alunas do Curso Normal através de filmes e da realização do I Seminário Institucional PIBID, sediado pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Câmpus de Frederico Westphalen. Destacou-se a relevância do Projeto para a Universidade, comunidade e para os acadêmicos de licenciatura que integravam-se à tal. Uma formação de qualidade requer além da aquisição de saberes a interação entre meio acadêmico e meio social. A universidade precisa interagir com a escola, possibilitando que os acadêmicos exerçam sua prática durante a graduação para desenvolver seu apreço pela mesma e desenvolver meios de sanar as dificuldades e necessidades de aprendizagens percebidas nas instituições. A guisa de conclusão remete-nos destacar o desenvolvimento de oficinas pedagógicas nas escolas campo. As oficinas procedem das análises e discussões realizadas após o período inicial de diagnóstico como forma de melhorar alguns dos pontos observados. Destacam-se então as oficinas: de Movie Macker, cuja aprendizagem se dá como uma ferramenta de trabalho para o docente; oficina de Contação de Histórias, Leituras Pedagógicas, Jogos Pedagógicos, Poesia, Oficina de Arte e Oficina com temáticas debatidas com os docentes (Metodologia, Planejamento e Avaliação). Re-significando o olhar sobre a ação pedagógica é possível denotar o sentido da educação quando existe interação entre os sujeitos envolvidos, num processo onde não se busca resultados, mas se espera construir um caminho, a busca pelo final é uma constante, variável e paulatinamente gradual. O programa PIBID como incentivo à docência, contempla além desta valorização esse “ressignificado” à prática, na busca por melhoria do processo de aprendizagem e maior interlocução com os espaços formais de ensino. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 164 CONCLUSÕES O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID como proposta do governo de incentivo às licenciaturas e a profissão docente constitui-se inicialmente uma oportunidade ímpar à formação superior, e, aliado ao compromisso que se estabelece na relação entre escola pública e universidade compõe fator pertinente à construção de uma prática significativa aos sujeitos a quem se destina. Refletindo à cerca desta etapa de trabalho com o Programa foi possível elencar pontos pertinentes de desenvolvimento deste, tanto para a universidade/bolsistas, quanto para a escola campo/alunas do Curso Normal, sendo que destaca-se: a contribuição para o crescimento profissional e pessoal das bolsistas na formação acadêmica e também pela iniciativa à pesquisa, a relação pertinente entre teoria e prática, o conhecimento da realidade educacional além de um entendimento maior sobre a organização e funcionamento do Curso Normal, o qual é de fundamental importância pois representa a formação inicial para profissão docente. Ao colocar em destaque tais aspectos contribuintes à formação profissional faz-se necessário evidenciar que a realidade educacional hodierna exige do docente uma postura de compromisso, responsabilidade e dinamismo com a prática pedagógica. Desta forma o trabalho com a formação deste docente no nível acadêmico vem ao encontro de tal necessidade educacional. É válido salientar que existe uma grande distância entre as universidades e suas produções científicas fazendo paralelo com a realidade educacional das escolas públicas. Através do Programa buscou-se estreitar mais os laços de conhecimento e trocas entre a escola campo e o modelo acadêmico. Em virtude de tais precedentes, é necessário desenvolver o sentido de comprometimento com o processo de ensino-aprendizagem, favorecendo uma educação mais qualitativa e de relevância social condizente à realidade destinada e por isso constituindo-se uma práxis significativa. Dessa forma, a iniciativa da universidade para uma escola pública oferece sustentação à melhoria educacional enfatizando a busca por uma construção docente mais crítica, dinamizadora e coerente. REFERENCIAS IMBERNÓN, Francisco. Formação permanente do professorado, novas tendências. São Paulo: Cortez, 2009. MEC, Ministério da Educação e Cultura. Resolução CNE/CP Nº 01, de 18 de fevereiro de 2002. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/res1_2.pdf. Acessado em 30/06/2012. CAPES. Projeto PIBID. 2010. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 165 AS TIC E A GEOMETRIA NO ENSINO DE MATEMÁTICA Nilce Fátima Scheffer 1 Simone Fátima Zanoello 2 Camila de Aguiar 3 Daniela Jéssica Veroneze 4 Larissa Ronsoni 5 Luzielli C. Franceschi 6 Nelize Fracaro 7 RESUMO O presente artigo relata experiências desenvolvidas com as TIC para ensinar Geometria nas séries finais do Ensino Fundamental em uma escola pública, que fez parte do programa PIBID da URI Câmpus de Erechim. Apresenta-se na metodologia deste trabalho exploratório atividades com o software GeoGebra nas versões Linux e Windows, problematizando o tema ângulos. O trabalho foi desenvolvido no Laboratório Digital da escola, contou com a participação de alunos e professores que demonstraram interesse e satisfação com o trabalho, a cada atividade apresenta-se uma breve análise, o que influenciou e foi determinante nos resultados apresentados e para finalizar nas considerações finais destaca-se a importância que o trabalho assumiu no contexto escolar. Palavras-chave: Programa PIBID. Software Gratuito GeoGebra. Estudo de ângulos. INTRODUÇÃO O trabalho que iremos relatar neste artigo refere-se a prática de iniciação docente desenvolvida por acadêmicas do Curso de Matemática da URI de Erechim no subprojeto de Matemática do PIBID, em uma escola Estadual. Este trabalho envolve a exploração geométrica com as tecnologias nas séries finais do Ensino Fundamental. Apresenta-se atividades sobre o tema ângulos com a utilização do software GeoGebra, através de prática contextualizada. O objetivo previsto para esta etapa volta-se para um trabalho de exploração do tema ângulo com software de Geometria dinâmica, tendo em vista a visualização, utilizando-se ambientes virtuais de aprendizagem que proporcionam maior dinamicidade no ensino de Matemática e tornam as aulas mais atraentes e produtivas. 1 Professora do DCET- URI - Erechim, Av. 7 de setembro 1624, [email protected] Professora do DCET- URI - Erechim, Av. 7 de setembro 1624, [email protected] 3 Acadêmica do Curso de Matemática – URI - Erechim 4 Acadêmica do Curso de Matemática – URI - Erechim 5 Acadêmica do Curso de Matemática – URI - Erechim 6 Acadêmica do Curso de Matemática – URI - Erechim 7 Acadêmica do Curso de Matemática – URI - Erechim 2 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 166 Cabe ressaltar que o conhecimento do professor para trabalhar com as tecnologias e com a geometria é de fundamental importância para proporcionar aprendizagem com a utilização de ambiente virtual, bem como na aplicação dos conceitos. As atividades aqui apresentadas foram desenvolvidas com a 6ª série, problematizando o tema ângulos. As construções ocorreram com o software GeoGebra, que institui uma formalização de conceitos de maneira mais prática e dinâmica despertando assim o interesse dos alunos. Este artigo apresenta uma breve reflexão sobre a Importância das TIC e da Geometria no ensino e depois descreve atividades práticas desenvolvidas com o software, problematizando o tema ângulos, bem como, no final apresenta uma breve análise das atividades e as considerações finais. A importância das TIC e da geometria no ensino Com a inserção das tecnologias da informação e comunicação TIC, a educação passa a receber influências e mudanças na prática pedagógica, no ensino da Matemática propicia melhor visualização e dinamicidade de imagens na tela do computador, tornando as aulas mais atraentes o que pode facilitar o entendimento dos alunos. Com a chegada dos aparatos eletrônicos, segundo Scheffer (2006), os ambientes virtuais assumiram uma função importante na escola e despertaram interesses dos docentes para com o seu uso. Por este motivo podemos dizer que a incorporação das TIC pelos professores de Matemática pode ajudar no desenvolvimento das atividades, nas práticas e na aprendizagem dos conceitos. Para que isso ocorra é fundamental que o professor de Matemática, além de saber o conteúdo, tenha habilidades com tecnologias, tais como softwares, jogos e sites da internet. Desta forma o professor estará em constante atualização, pesquisando novas metodologias para tornar suas aulas mais dinâmicas e interessantes, ao encontrá-las terá condições de avaliá-las criticamente selecionando e estruturando de acordo com seus interesses e objetivos, a fim de organizar a prática pedagógica de modo a agregar novas informações aos conhecimentos que já possui. A inserção e utilização dos diversos artefatos informáticos em ambientes virtuais de aprendizagem tem sido de extrema importância para o ensino de geometria, pois, professores e alunos podem explorar este recurso de modo que as aulas se tornem mais dinâmicas, a partir da aplicação, construção e visualização geométrica por meio de softwares matemáticos Aprender Geometria é fundamental, pois contribui para o desenvolvimento de outras áreas do conhecimento, esta que deve ser trabalhada desde as séries iniciais, pois ajuda na interpretação de conceitos, sejam eles matemáticos ou não. Para que os alunos compreendam com mais facilidade os conteúdos abordados pela geometria, é preciso familiarizar-se com as figuras geométricas e com suas características, estabelecer relações e inferir as propriedades geométricas com teoremas e aplicações. Corroborando com isso os Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática (BRASIL, 2000) destacam que o trabalho com a geometria deve proporcionar ao aluno a compreensão do mundo em que vive, aprendendo a descrevê-lo, a representá-lo e a localizar-se nele. Reforçando essa ideia, Bairral (2009), acredita ainda, que a publicação dos Parâmetros Curriculares Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 167 Nacionais no Brasil, retoma o trabalho com a geometria que havia sido praticamente abandonado do currículo por influência do Movimento da Matemática Moderna. Na Geometria as atividades de manipulação de objetos geométricos são essenciais, porém, de acordo com Costa, Janzen e Rolkouski (2006), há várias possibilidades de se trabalhar com a geometria que vão além de papel, lápis e instrumentos de desenho geométrico, recursos como softwares matemáticos que possibilitam construir com mais facilidade e perfeição objetos geométricos, possibilitando a generalização de conceitos matemáticos. Como um dos desafios do ensino, é tornar as aulas mais interativas e motivadoras, o PIBID dentro do subprojeto aqui mencionado trabalha com as TIC no ensino da Matemática, o qual vem englobando a Geometria em aulas exploratórias com tecnologias. Uma das metas das práticas-docentes do PIBID nesta etapa é trabalhar com a Geometria no ensino fundamental, dada à importância do tema no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. A prática no Laboratório de Informática- Utilizando o software GeoGebra na discussão do conceito de Ângulo O software gratuito utilizado no trabalho é o GeoGebra que foi criado por Markus Hohenwarter no ano de 2002, é um software de matemática dinâmica que reúne recursos e ferramentas para explorar a geometria, álgebra e cálculo. Este software encontra-se disponível no site: www. geogebra.org. O programa contempla todas as ferramentas tradicionais de um software de geometria dinâmica tais como: pontos, segmentos, retas e seções cônicas, e a alteração dinâmica deles. Por outro lado, equações e coordenadas podem ser inseridas diretamente. O GeoGebra tem a vantagem didática de apresentar, ao mesmo tempo, duas representações diferentes de um mesmo objeto que interagem entre si: sua representação geométrica e sua representação algébrica. Apresenta-se aqui algumas atividades desenvolvidas a respeito do tema ângulos realizadas com o software dinâmico, que foram trabalhadas com a 6º série no Laboratório Digital como atividade do subprojeto de Matemática do PIBID. Construindo ângulos Conceitos: Definição e construção do ângulo Objetivos: - Reconhecer e definir ângulos; - Construir ângulos na tela do computador; - Comparar ângulos. 1- Ângulo agudo: Faça uma semirreta qualquer, lembrando que para construir uma semirreta deve-se clicar na 3ª opção e em semirreta definida por dois pontos , após faça dois pontos, agora construa outra semirreta, mas que inicie no mesmo ponto de origem da anterior, e que não seja oposta a ela. Após clique na 8ª opção e em ângulo , agora clique no sentido Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 168 horário nos três pontos, verificando que o ponto A é o vértice do ângulo e os e Conforme pode-se observar na Figura 1. lados são as semirretas Figura1 – Construção de um ângulo agudo Fonte: Software GeoGebra – Relatório PIBID 2012 Análise: O ângulo agudo tem por característica principal ser menor que 90º, sendo que esta atividade não necessita necessariamente do plano cartesiano para sua representação. Ângulo agudo . 2- Ângulo Obtuso: Faça uma semirreta qualquer, lembrando que para construir uma semirreta deve-se clicar na 3ª opção e em semirreta definida por dois pontos , após faça dois pontos, agora construa outra semirreta, mas que inicie no mesmo ponto de origem da anterior, e que não seja oposta a ela. Após clique na 8ª opção e em ângulo , agora clique no sentido horário nos três pontos, verificando que o ponto A é o vértice do ângulo e os lados são as e , conforme pode-se observar na Figura 2. semirretas Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 169 Figura 2 – Construção de um ângulo obtuso Fonte: Software GeoGebra – Relatório PIBID 2012 Análise: Com as construções na tela do computador os alunos observaram que as definições de ângulo agudo e ângulo obtuso relacionam-se diretamente com a definição de ângulo reto, ou seja, o ângulo será maior ou menor que 90º. Ângulo agudo e ângulo obtuso . 3- Ângulos congruentes: A partir da construção de dois ângulos, cada um com 45°,discutiu-se a idéia de congruência. Para isso clicar no 8º botão , e escolher: a opção ângulo com amplitude fixa , em seguida clicar em 2 pontos da tela, ao fazer isso aparecerá uma janela na qual deve-se digitar a medida do ângulo que neste caso é 45º e aplicar. Essa atividade leva a conclusão de que ângulos iguais, ou seja, de mesma medida são chamados de ângulos congruentes, como pode-se observar na Figura 3. Figura 3 – Construção de ângulos congruentes Fonte: Software GeoGebra – Relatório PIBID 2012 Análise: A partir da construção de ângulos de mesma medida, embora em locais diferentes na tela do computador os alunos poderão observar e construir a ideia de congruência. é congruente a se e somente se . 4- Ângulo raso: Clicar em “Exibir – Malha”, após traçar duas semirretas opostas, em seguida escolher a opção ângulo e clicar nos três pontos no sentido horário para visualizar o ângulo formado, lembrando que uma circunferência tem 360°, então meia circunferência tem 180°. Desta forma podemos concluir que o ângulo formado por duas semirretas opostas é de 180°, conhecido também como ângulo raso, conforme pode-se observar na Figura 4. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 170 Figura 4 – Construção de ângulo raso Fonte: Software GeoGebra – Relatório PIBID 2012 Análise: A definição de ângulo raso, ou seja ângulo que mede 180º, chega a partir da observação da tela do computador, como aquele que equivale a metade do ângulo de 360º que equivale a volta completa. Ângulo raso . 5- Ângulo nulo e de volta completa: Após clicar no 8º botão , e escolher a opção ângulo com amplitude fixa , em seguida clicar em 2 pontos na tela, ao fazer isso aparecerá uma janela na qual deve-se digitar a medida do ângulo que neste caso é 0º e aplicar. Concluindo então que quando duas semirretas são coincidentes o ângulo formado por elas pode apresentar duas situações: o ângulo nulo, ou seja, de 0° e o ângulo de uma volta completa, de 360°. O que podemos visualizar na tela do computador conforme a Figura 5. Figura 5 – Construção de ângulo nulo e de volta completa Fonte: Software GeoGebra – Relatório PIBID 2012 Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 171 Análise: O resultado de duas semirretas coincidentes pode ser o ângulo nulo ou o ângulo de uma volta completa de 360º. Ângulo nulo ou ângulo de uma volta completa . 6- Ângulo Reto: Para dar seguimento a construção deve-se construir uma semirreta e em seguida escolha a 4ª opção e clicar em reta perpendicular e após nos dois pontos da semirreta para construir a reta perpendicular e na opção ângulo e clicar nas duas retas para mostrar o ângulo formado. Um ângulo reto é um ângulo de 90° que corresponde a metade do ângulo raso, conforme Figura 6. Figura 6 – Construção de ângulo reto Fonte: Software GeoGebra – Relatório PIBID 2012 Análise: A partir desta atividade os alunos puderam comparar e caracterizar os três tipos mais importantes de ângulo que são o agudo, obtuso e reto, na tela do computador, estabelecendo assim as principais características de cada um . e suas relações com o ângulo reto. Ângulo reto RESULTADOS O trabalho foi desenvolvido com três turmas de 6ª série da escola em momentos diferentes que contemplaram a construção geométrica do software GeoGebra, a definição dos diferentes tipos de ângulos, sua notação e estudo comparativo entre eles, de forma que todos os alunos tiveram a oportunidade de discutir, comparar e estabelecer diferenças entre eles, transferindo para a tela do computador a construção até então feita com régua, compasso e transferidor. CONSIDERAÇÕES FINAIS As atividades descritas neste artigo demonstram inúmeras possibilidades para explorar o tema ângulos com o Software GeoGebra nas séries finais do Ensino Fundamental, como complementação para aulas de Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 172 matemática desenvolvidas com o lápis e papel em sala de aula. A visualização que se estabelece neste tipo de atividade com TIC, torna a situação ensinoaprendizagem mais dinâmica, clara e atraente à compreensão do aluno. Com o Programa PIBID, subprojeto de Matemática na Escola Pública, o Curso de Matemática teve a possibilidade de junto aos seus acadêmicos inseridos no contexto escolar, trabalhar com o software GeoGebra, de forma a implementar a compreensão de conteúdos de geometria no Ensino Fundamental . A prática desenvolvida no Laboratório de Informática da escola, contemplou a exploração do software gratuito GeoGebra, uma prática mais dinâmica e investigativa a partir da construção na tela do computador. Nota-se que o trabalho com estes artefatos no ensino da Geometria, é visto como um ponto positivo porém, não é o suficente para que se possa estruturar a aprendizagem, pois o computador tem o papel de completa-la trazendo para o processo de ensino-aprendizagem experiências mais ricas de movimento e visualização. Consequentemente, uma experiência desse porte tem valor quanto ao estreitamento da relação da Universidade com a Comunidade Escolar, considerando a formação inicial e continuada de professores, e a elevação de índices do IDEB, porque os alunos passam a construir conceitos de maneira mais sólida. A inserção dos acadêmicos no contexto escolar durante a formação, promove a relação entre teoria e prática, o que é decisivo à futura profissão, atingindo assim, os objetivos previstos pela CAPES com o programa PIBID no país. REFERÊNCIAS COSTA, D. M. B.; JANZEN, E. A.; ROLKOUSKI, E. Diferentes mídias na Exploração de Alguns Conceitos Geométricos. In: Anais do III Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, 2006. BAIRRAL, M. A. Tecnologias da Informação e Comunicação na Formação e Educação Matemática. Rio de Janeiro: Ed. da UFRRJ, 2009. Brasil, Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. – Brasilia: Ministério da Educação, 1999. SCHEFFER, N. F. O LEM na discussão de conceitos de geometria a partir das mídias: dobradura e softwares dinâmico. In: LORENZATO, S. (Org.). O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. Campinas, SP: Autores Associados, 2006. p. 93-112. Software GeoGebra. Disponível em <http://www.geogebra.org/>. Acesso em: 16/01/2010. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 173 UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS INFORMÁTICAS NAS AULAS DE MATEMÁTICA: POSICIONAMENTOS E APROXIMAÇÕES EM RELAÇÃO À PRÁTICA DOCENTE PIBIDIANA Alex da Silva 1 Aline Danelli 2 Eduardo Post 3 Jéssica Freitas Avrella 4 Rosane Fontana Garlet 5 Carmo Henrique Kamphorst 6 Eliane Miotto Kamphorst 7 RESUMO Neste artigo são apresentadas reflexões sobre a vivência didático-pedagógica dos Licenciandos em Matemática constituintes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) – Subprojeto de Matemática com a integração das Tecnologias Informáticas ao Ensino de Matemática. As atividades propostas pelos licenciandos-bolsistas desenvolvem-se em uma Escola Pública do município de Frederico Westphalen/RS e estas compreendem o planejamento e o desenvolvimento de atividades sobre diferentes conteúdos matemáticos tais como, Geometria e Álgebra o auxílio do software de geometria dinâmica GeoGebra. As análises aqui feitas são baseadas nas implicações acarretadas a partir de planejamentos através do uso de tecnologia informática e de apontamentos sobre a ação docente. As contribuições do artigo para a área de Educação Matemática se referem às especificidades do planejamento, a dinâmica propiciada pelas atividades e ao uso adequado de tecnologia informática no processo de ensino/de apropriação de conceitos matemáticos. Palavras-chave: Informáticas. PIBID; Licenciandos em Matemática; Tecnologias INTRODUÇÃO A integração das tecnologias informáticas tanto na formação inicial e continuada de professores e especialmente no que tange o processo de ensinar e aprender Matemática são um dos desafios da área de Educação 1 Licenciando em Matemática, Bolsista PIBID, URI – Frederico Westphalen, [email protected] 2 Licencianda em Matemática, Bolsista PIBID, URI – Frederico Westphalen, [email protected] 3 Licenciando em Matemática, Bolsista PIBID, URI – Frederico Westphalen, [email protected] 4 Licencianda em Matemática, Bolsista PIBID, URI – Frederico Westphalen, [email protected] 5 Licencianda em Matemática, Bolsista PIBID, URI – Frederico Westphalen, [email protected] 6 Professor Orientador, PIBID – Subprojeto de Matemática, URI – Frederico Westphalen, [email protected] 7 Professora Orientadora, PIBID – Subprojeto de Matemática, URI – Frederico Westphalen, [email protected] Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 174 Matemática e de seus pesquisadores e professores como um todo (PENTEADO, 1999; BORBA e PENTEADO, 2001; ZULATTO, 2002; MISKULIN, 2003; COSTA, 2004; PENTEADO, 2004; BITTAR, 2006; BAIRRAL, 2009; PAZUCH, 2010). Esta integração necessita reflexão e muito comprometimento, desde o primeiro momento ao qual se pensa em adotá-la como prática pedagógica, para que sua utilização seja dotada de significado. Diante a estes posicionamentos, a prática pedagógica pibidiana possui vários objetivos, dentre eles, estabelecer reflexões e discussões entre os licenciandos-bolsistas sobre a apropriação de conceitos matemáticos, a respeito da elaboração de atividades com o uso de softwares e aspectos da prática efetiva em sala de aula dos mesmos, visando uma concretização das ações do projeto no contexto da Educação Básica. É de extrema importância essa reflexão e discussão sobre como potencializar a qualidade do ensino diante das contribuições das tecnologias informáticas. Os cursos de formação básica e continuada de professores de matemática necessitam privilegiar condições para que esses futuros professores não recebam somente instruções de conhecimento a respeito do uso destes recursos, mas que sejam desenvolvidas possibilidades didáticas e formativas a partir dessas tecnologias, complementando e enriquecendo o processo de ensino. Portanto, neste trabalho são contempladas, discussões, reflexões e análises da elaboração de planejamentos e ação docente na Educação Básica a partir da utilização/investigação/apropriação de recursos tecnológicos (softwares), propiciadas pela interação entre os licenciandos-bolsistas e seus supervisores, suas articulações com a formação inicial de professores de Matemática e com o posicionamento dos mesmos frente à constituição da profissão professor. METODOLOGIA As tecnologias informáticas constituem-se num importante auxílio nas atividades vivenciadas pelos licenciandos-bolsistas do curso de Matemática visa-se discutir a real importância do PIBID na constituição do futuro profissional docente. Estes licenciandos-bolsistas quando engajados numa concepção desta magnitude, devem considerar o papel de todas as disciplinas que permeiam a licenciatura (disciplinas específicas, pedagógicas, articuladoras e estágios), tomando como referência diversos pressupostos teóricos que possibilitem a tomada de decisões frente aos problemas e dilemas da profissão docente. Pois, na formação inicial, é onde os licenciandos adquirem formas de posicionar-se enquanto sujeitos dotados de possibilidades. A formação inicial é considerada muito importante para a incorporação de uma cultura profissional, ou seja, para a aquisição de características essenciais do professor de matemática, por ser um período em que as virtudes, os vícios e as rotinas, se assumem como processos usuais da profissão. (PEREZ, 1999, p. 268). Sendo, portanto, a formação inicial, etapa primordial para a discussão, levantamento de conjecturas e possibilidades de ação para a significação de todo o processo pelo qual passa o ensino de matemática na Educação Básica. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 175 RESULTADOS E DISCUSSÕES As aceleradas transformações pelas quais o Ensino de Matemática vem passando, incumbem ao docente e futuro professor de Matemática novos posicionamentos frente às mesmas. Nem todos os professores conseguem se adequar com facilidade a novas metodologias e recursos diferenciados que possibilitem a melhoria das ações educativas. Grande maioria dos docentes sente-se despreparados para a utilização de tais recursos – talvez sua formação inicial não objetivasse o estudo destas abordagens. O novo, geralmente causa desconforto e trás consigo muitas dúvidas e inquietações, características essas, não percebidas quando o trabalho é baseado em modalidades refletidas e desenvolvidas a um determinado tempo. A utilização do Laboratório Digital, através do uso e manipulação de softwares de Geometria Dinâmica (pois apresentam régua e compasso virtuais, contrapondo as construções estáticas construídas em quadro-negro), dão novos significados e características ao trabalho do professor, que necessita planejar suas aulas de forma cuidadosa, para que possa compilar estratégias entre o software tomado como referência e o conteúdo matemático que abordará. Utilizar os recursos tecnológicos através de Softwares Educativos requer do professor um pouco de coragem, sair do tradicional e confortável para enfrentar algo novo. Mas poderá consistir-se de uma tarefa muito gratificante, devido ao seu posicionamento e a mobilização do enfrentamento de desafios. Sandholtz, Ringstaff, Dwyer (1997) apontam os princípios fundamentais de apoio à integração da tecnologia: A tecnologia é vista como um catalisador e uma ferramenta que reativa a empolgação de professores e alunos pelo aprender e que torna a aprendizagem mais relevante ao século XXI. Mas a tecnologia é utilizada de forma mais poderosa como uma ferramenta para apoiar a indagação, composição, colaboração e comunicação dos alunos. Ao invés de ser ensinada separadamente, a tecnologia deveria ser integrada na estrutura instrucional e curricular mais geral. Os alunos precisam de um acesso adequado à tecnologia, incluindo máquinas na sala de aula e recursos portáteis adicionais que possam ser compartilhados entre as classes. A tecnologia é melhor aprendida no contexto de tarefas significativas (p.174). Sugere-se pensar a tecnologia, não sendo o centro do processo educativo, via computador, nem tampouco, a difusão assídua de conhecimentos usuais da profissão do professor, trata-se, portanto, em pensar na melhor forma de conseguir que o estudante possa mobilizar seus conhecimentos, para poder, enfim chegar a uma sistematização do conhecimento matemático abordado. O trabalho com as Tecnologias Informáticas mune tanto o professor, como o estudante de inúmeras possibilidades, pois, num primeiro momento, é proporcionada uma visível interação entre aluno e professor, visto que no Laboratório de Informática muitas disparidades entre os membros do processo Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 176 de ensino e aprendizagem são equilibradas, em virtude que em sala de aula convencional, muitas vezes, alguns estudantes não levantam seus questionamentos frente ao tema abordado, este fato, pode ser revertido, no Laboratório Digital. Num segundo momento, o trabalho com essas tecnologias, especialmente com os Softwares Educacionais faz com que as aulas tornem-se mais atrativas, pois vivemos em uma era totalmente tecnológica e faz-se cada vez mais necessário potencializar e incrementar as atividades das aulas de Matemática com a grande contribuição que esses recursos possibilitam. Nesse intuito, a utilização das Tecnologias Informáticas aliadas às aulas do PIBID, permitiram o envolvimento/a interação dos estudantes nas atividades, em que o objetivo não foi apenas resolver problemas propostos, mas sim, encontrar caminhos para se chegar à solução, sem obrigatoriedade de encontrá-la. Os estudantes da Escola de Educação Básica puderam tornar-se sujeitos da aprendizagem e mobilizaram seus aspectos cognitivos e afetivos, o que favoreceu, efetivamente, o envolvimento/a participação no desenvolvimento de todas as atividades propostas. Além disso, as aulas foram propícias em acontecimentos inesperados, não previstos anteriormente, possibilitando, não só aos estudantes, mas também aos licenciandos-bolsistas, um bom aproveitamento das Tecnologias Informáticas, sustentado pela dinâmica do ambiente computacional e as possibilidades e investigações/construções geradas pelas atividades. Nesse sentido, a intenção principal fora a aprendizagem do estudante e a percepção/mobilização/apropriação de competências e habilidades matemáticas. A aprendizagem é um processo ativo e social que ocorre melhor em ambientes centrados no aluno, nos quais os professores assumem papéis facilitadores para orientar os alunos em indagações significativas, nos quais as atividades construtoras de conhecimento são balanceadas com o uso sensato da prática orientada e da instrução direta. Novas competências, como as habilidades de colaborar, reconhecer e analisar problemas com sistemas, de adquirir e utilizar grandes quantidades de informação e de aplicar a tecnologia na solução de problemas do mundo real são resultados valorizados (SANDHOLTZ, RINGSTAFF, DWYER, 1997, p.174). As aulas do PIBID – Subprojeto de Matemática, nesta perspectiva, contrapõem o isolamento docente, incentivam a colaboração entre estudantes, licenciandos-bolsistas e professores supervisores, revelando assim, o trabalho coletivo sem deixar de lado a autonomia de todos os envolvidos no contexto educacional. Dessa maneira, a negociação/a interação entre esses componentes, contrapondo alguns aspectos do ensino tradicional, em que os conhecimentos se restringem apenas na figura do professor. Nestas considerações um novo cenário é criado (PENTEADO, 2004), em que os estudantes também são integrados ao processo de investigar e de aprender. Cabe salientar que as vivências propiciadas pela interação do PIBID e as Tecnologias Informáticas oportunizaram refletir sobre a prática docente, na perspectiva do uso de Tecnologias Informáticas, nesse caso, o computador e os Softwares de Geometria Dinâmica (GeoGebra, Régua e Compasso, Poly, entre outros), no processo de ensinar e aprender Matemática. Percebe-se uma Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 177 nítida mudança no cenário da escola e na possibilidade de aprendizagem também com Tecnologias Informáticas; a insegurança de outros professores, em relação a esse novo ambiente de aprendizagem e a oportunidade de investigação/produção de conhecimento pelos próprios estudantes. Novas relações entre novas formas de ensinar e aprender, só podem ser possibilitadas através de novos posicionamentos em relação à ação docente. Nesse sentido é que surgem novas percepções que podem ser reveladas a fim de propiciar uma melhor qualidade de ensino, através da corroboração entre todas as pessoas responsáveis pelo processo de aprendizagem, pois quando ocorrem discussões comprometidas e produtivas a respeito, toda a estrutura escolar se impulsiona. Os professores ficam mais dispostos a adotar e adaptar novas ideias quando veem modelos em salas de aula ativas onde os alunos participam de forma bem-sucedida. O crescimento profissional é acelerado em contextos nos quais os professores trabalham como equipes e participam de padrões de trabalho em que há estudo, que enfatizam a elaboração de novas tarefas de aprendizagem, situações, interações, ferramentas e avaliações para suas próprias salas de aula. A aplicação de novas habilidades nas salas de aula dos próprios professores é mais provável quando um acompanhamento – instrução e oportunidades para reflexão – tem início logo após a experiência de aperfeiçoamento profissional. O crescimento contínuo ocorre quando os professores desenvolvem equipes de apoio em quais discutem e criticam a prática regularmente (SANDHOLTZ, RINGSTAFF, DWYER, 1997, p. 174). Todavia, a utilização das Tecnologias Informáticas nas aulas de Matemática não são obrigatoriedades e únicas perspectivas de mobilizar/produzir saber, mas, são oportunidades para que os professores possam melhorar o planejamento e a ação docente em suas aulas. Há momentos em que a utilização de tais recursos seja significativa, em outros talvez não. A partir de alguns apontamentos feitos neste trabalho, é necessário cada vez mais discutir, não só nos cursos de formação inicial de professores, mas nas escolas em geral, com outros professores, com outras disciplinas, a importância de integrar atividades com o uso de Tecnologias Informáticas, pois estas, desde que sendo conduzidas e encaminhadas de forma adequada, podem provocar transformações não só no processo de produção do conhecimento matemático, mas estreitar as relações e as interações entre estudantes e os licenciandos-bolsistas, futuros professores. CONCLUSÃO A reflexão e análise das percepções e ações das atividades dos licenciandos-bolsistas permitiram uma aproximação de metodologias diferenciadas ao processo de ensinar e aprender matemática na Educação Básica. Possibilitaram perceber quais posicionamentos e/ou encaminhamentos, os licenciandos-bolsistas, futuros professores, dão a Matemática x Tecnologias Informáticas, tanto no seu planejamento como na sua ação docente em sala. Além da comparação de suas percepções frente aos saberes da docência, estes aos quais são provindos de diversas interações, das vivências Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 178 pessoais, individuais e coletivas, da própria vida cotidiana, do trabalho, e que quando constituem uma unidade formam o professor enquanto educador que é. É imprescindível a discussão sobre a dimensão e o contexto onde estas metodologias e suas relações com a Licenciatura em Matemática, que entre outros motivos, visa à formação de futuros professores, a partir da avaliação do modo como licenciandos, posicionam-se antes e após a realização dessas vivências, uma vez que os mesmos, no universo da Educação Básica, ao término da graduação, serão os protagonistas das ações de ensino e aprendizagem de matemática, levando como experiência estas práticas. A partir de todos os aspectos considerados, cabe-se citar um posicionamento de Freire (1991, p. 58), que retrata com clareza, as percepções que devem ser abordadas no contexto da formação de futuros professores: “ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira, às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador, permanentemente na prática e na reflexão sobre a prática”. REFERÊNCIAS BAIRRAL, Marcelo Almeida. Tecnologias da Informação e Comunicação na Formação e Educação Matemática. Rio de Janeiro: UFRRJ, 2009. BITTAR, Marilena. Possibilidades e Dificuldades da Incorporação do Uso de Softwares na Aprendizagem da Matemática. Um estudo de um caso: o Software Aplusix. In: Anais do Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática, Águas de Lindóia/SP, 2006. p. 91-102. BORBA, Marcelo do Carvalho; PENTEADO, Miriam Godoy. Informática e Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. COSTA, Gilvan Luiz Machado. O Professor de Matemática e as Tecnologias de Informação e Comunicação: abrindo caminho para uma nova Cultura Profissional. 2004. 221 f. Tese (Doutorado em Educação: Educação Matemática) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004. FREIRE, Paulo. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991. MISKULIN, Rosana Giaretta Sguerra. As possibilidades didático-pedagógicas de ambientes computacionais na formação colaborativa de professores de matemática. In: FIORENTINI, Dario (org.). Formação de Professores de Matemática: explorando novos caminhos com outros olhares. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2003. p. 217-248. PAZUCH, Vinícius. Produção e mobilização de saberes a partir das práticas de professoras que ensinam matemática com tecnologia informática. Ijuí, 2010. (Mestrado em Educação nas Ciências) – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. PENTEADO, Miriam Godoy. Novos atores, novos cenários: discutindo a inserção dos computadores na profissão docente. In: BICUDO, Maria Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 179 Aparecida Viggiani (org.). Pesquisa em Educação Matemática: Concepções & Perspectivas. São Paulo: UNESP, 1999. p. 297- 313. PENTEADO, Miriam Godoy. Redes de Trabalho: Expansão das Possibilidades da Informática na Educação Matemática Básica. In: BICUDO, Maria Aparecida Viggiani; BORBA, Marcelo Carvalho (orgs.). Educação Matemática: pesquisa em movimento. São Paulo: Cortez, 2004. p. 283-295. PEREZ, Geraldo. Formação de professores de matemática sob a perspectiva do desenvolvimento profissional. In: BICUDO, Maria Aparecida Viggiani. Pesquisa em educação matemática: concepções e perspectivas. São Paulo: Ed. Unesp, 1999, p. 263-282. SANDHOLTZ, Judith Haymore; RINGSTAFF, Cathy; DWYER, David C. Ensinando com tecnologia: criando salas de aula centradas nos alunos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. ZULATTO, Rúbia Barcelos Amaral. Professores de Matemática que Utilizam Softwares de Geometria Dinâmica: suas características e perspectivas. 2002. 316 f. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2002. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 180 PIBID: RESSIGNIFICANDO CONHECIMENTOS E PRÁTICAS LINGUÍSTICAS NO CONTEXTO ESCOLAR Anne Luersen Piaia Bibiane Trevisol Cristiane T. Mossmann Quevedo Fátima Blasczikieviez Vanderlei Atalíbio Machado1 Adriane Ester Hoffmann Marines Ulbriki Costa2 RESUMO O presente trabalho relata as atividades realizadas pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) – Subprojeto de Letras – desenvolvido na Escola Estadual de Educação Básica Sepé Tiaraju, no município de Frederico Westphalen, no período de agosto de 2010 a julho de 2012, com alunos de Ensino Médio. O referido Programa tem como foco estabelecer conexões entre os conhecimentos construídos na universidade e os saberes das práticas pedagógicas acerca dos estudos linguísticos e literários. As oficinas realizadas centraram-se na leitura e compreensão de gêneros textuais, a partir dos seguintes aspectos: propósito comunicativo, composição, unidade temática e estilo. Na produção textual, propomos o estabelecimento de interlocuções, visando à adequação às funções comunicativas. Quanto à análise linguística, os aspectos refletidos relacionam-se aos usos da língua e os sentidos que adquirem em diferentes textos e contextos de interação. No que tange à literatura, os aspectos que observamos foram os conhecimentos da diversidade sociocultural, acompanhados do desenvolvimento ético e estético. Constatamos, após o desenvolvimento das atividades, que os alunos testaram suas habilidades e competências com referência às estruturas textuais e linguísticas e que ampliaram seus repertórios linguísticos e culturais. Procuramos a efetivação dos objetivos elencados no subprojeto que tem por finalidade inserir o graduando em licenciatura no ambiente escolar adquirindo conhecimento com relação à docência, além de propiciar aos discentes participantes das oficinas novas maneiras de interagir com o texto, despertando o interesse em leitura, a consequente produção de textos, análise dos mesmos e a inserção destes no universo literário. Palavras-chaves: PIBID; Letras; práticas de linguagem. INTRODUÇÃO O presente artigo tem por objetivo apresentar os resultados do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - subprojeto de Letras), no período de agosto de 2010 a julho de 2012, com alunos de Ensino 1 Acadêmicos do Curso de Letras, bolsistas do Projeto PIBID da URI – Frederico Westphalen. 2 Orientadoras, professoras mestre do Projeto PIBID da URI – Frederico Westphalen. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 181 Médio. O referido Programa tem como foco estabelecer conexões entre os conhecimentos construídos na universidade e os saberes das práticas pedagógicas acerca dos estudos linguísticos e literários. Nessa perspectiva, afeto à área de Letras, a formação inicial do acadêmico deverá estar alicerçada no desenvolvimento de habilidades e competências linguísticas, desafios estes que se impõem à complexidade dos olhares sobre a teoria e a prática. Tais aspectos inerentes à constituição do ser professor requerem ações junto às escolas de educação básica, visando a uma ressignificação nas práticas de letramento, de forma a propiciar a ampliação das competências de leitura e de escrita dos alunos. Sob esta ótica, o artigo tece reflexões teóricas acerca da compreensão leitora, processo de interlocução na produção textual, análise linguística e reescrita e questões inerentes à literatura. À posteriori, estão descritas as oficinas desenvolvidas com vistas à aplicabilidade das teorias apresentadas. REFLEXÕES TEÓRICAS O objeto que pautou o estudo partiu do princípio de que a linguagem é vista como processo de interação entre sujeitos socio-historicamente situados. Estudar a linguagem, nesta perspectiva, significa ir além da estrutura imanente da língua para analisar o sentido de um discurso como processo dinâmico, produzido em uma situação discursiva. Assim, o texto foi constituído pelos apontamentos preconizados pelos teóricos dos gêneros textuais e suas implicações na compreensão leitora, na produção e reescrita de textos relacionados aos aspectos concernentes à análise linguística e focados ao universo literário. Conforme Bakhtin (2003: 261) toda atividade humana está ligada ao uso da linguagem e que: “compreende-se perfeitamente que o caráter e as formas desse uso sejam tão multiformes quanto os campos da atividade humana”. Acrescenta, ainda, que o emprego da língua efetua-se em forma de enunciados, que podem ser orais e escritos, concretos e únicos, ditos pelas pessoas. De acordo com Marcuschi (2002: 19) afirma que já está consolidada a ideia de que os gêneros textuais são fenômenos históricos e que eles contribuem para “ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia a dia. São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa”. É importante que se diferenciem gêneros e tipos textuais para que o trabalho de produção e de compreensão textuais seja efetivado. Marcuschi (2002: 22) define tipos textuais como “uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas”. Ele afirma que os tipos textuais abrangem apenas algumas categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição e injunção. Também, os PCNs (BRASIL, 1998: 23) ressaltam que os textos selecionados favorecem a reflexão crítica, o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas, bem como a fruição estética dos usos artísticos da linguagem. Ao nos reportarmos à competência leitora, evidenciamos a importância de que o aluno saiba localizar informações, inferir sentidos e estabelecer Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 182 relações entre textos. Para isso, é preciso desenvolver habilidades de localização de informações implícitas ou explícitas e identificação da temática. Segundo Leffa (1996), leitura é interação: o ato de ler implica diálogo entre sujeitos históricos. Desse modo, as atividades de leitura, desde as primeiras etapas escolares, visam ao desenvolvimento de competências que permitam compreender que todo texto tem um autor e, como tal, é a manifestação de um ponto de vista, a partir de um determinado contexto histórico e concreto. Visam também ao desenvolvimento de competências para colocar o aluno em interação com o ponto de vista e o conjunto de valores expressos no texto, ou seja, para reagir diante dele e tomar posição. Ler implica uma atitude responsiva; implica responder ao texto por meio de novas ações, de linguagem ou não. Sem o ponto de vista do leitor, não há diálogo nem leitura. Os PCNs (1998: 23) corroboram a importância dos diferentes usos da linguagem, que é determinada historicamente. Na atualidade, a exigência por níveis de leitura e de escrita diferenciados auxiliam para que o aluno possa ampliar sua competência discursiva na interlocução.A atividade metalinguística, nessa perspectiva, necessita ser instrumento de apoio para discussão dos aspectos da língua. Assim, “não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado das práticas de linguagem”. (BRASIL, 1998: 26). Segundo Travaglia (2000), esse desenvolvimento deve ser entendido como a progressiva capacidade de realizar a adequação do ato verbal às situações de comunicação. A competência comunicativa implica em outras competências: a gramatical ou linguística e a textual. A autora Neves (2004:18) defende a necessidade de que os professores valorizem o uso linguístico e do usuário da língua, “propiciando-se a implementação de um trabalho com a língua portuguesa que vise diretamente àquele usuário submetido a uma relação de ‘aprendiz’”. Nessa perspectiva, o norte da análise é a construção de sentido do texto, isto é, o cumprimento das funções da linguagem, especialmente regidas pela função textual. Isso posto, constatamos que a abordagem temática e a multiplicidade de gêneros, a serem trabalhados de forma intensiva no espaço da sala de aula, constituem referências de leitura como prática social e formação de patrimônio cultural. METODOLOGIA Para fins de exemplificação, detalharemos duas oficinas de cada unidade, realizadas durante o período vigente do PIBID. Quanto à leitura, a partir do texto “Duas peças”, de Luís Fernando Veríssimo, realizamos a ordenação da crônica. Para essa tarefa, os alunos foram divididos em cinco grupos, que receberam o texto fragmentado em tiras de papel pardo para ser organizado. Ao realizar a atividade, os alunos precisavam contextualizar, observando aspectos estruturais, estilísticos, comunicativos e discursivos. A escolha do autor foi devido à vinda do escritor Luís Fernando Veríssimo à Feira do Livro do município de Frederico Westphalen. No decorrer da atividade, observamos que os alunos tiveram dificuldade para encontrar os Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 183 conectivos necessários à organização do texto. Após, discutimos o texto e sua sequência correta. Aspectos de coesão e de coerência foram retomados para justificar a temática sugerida pelo autor. Ainda em relação à leitura, desenvolvemos uma atividade em que se acrescentou palavras aleatórias para cada texto apresentado. O objetivo desta oficina foi o de oportunizar aos alunos uma atividade que possibilitasse o desenvolvimento da habilidade de análise e compreensão dos elementos constitutivos dos textos. Aos alunos coube a tarefa de analisar cada texto e identificar a palavra que estava em desacordo com o sentido. Dessa forma, aspectos coerentes e coesivos auxiliaram para a identificação da temática exposta em cada texto. Quanto à produção textual, a oficina teve como objetivo principal desenvolver o raciocínio lógico dos alunos. Isso devido ao fato de que cada grupo deveria escolher uma letra. Após a escolha, era necessária a realização de uma sentença em que a letra deveria estar presente no início de todas as palavras escolhidas para a elaboração do parágrafo. Durante a realização da tarefa, os alunos puderam manusear o dicionário para escolher verbetes adequados à letra escolhida e condizente ao sentido do texto. Para a realização desta atividade foram disponibilizadas folhas de oficio, lápis, borrachas e um dicionário para cada grupo. O desafio era elaborar um pequeno texto coeso e coerente. Além disso, solicitamos que a atividade deveria ter, no mínimo, quinze palavras. O resultado foi surpreendente, pois os grupos elaboraram textos criativos com até quarenta e cinco palavras. Para auxiliar na aplicação da outra oficina de produção textual foram escolhidos um videoclipe com a música “Até quando”, do artista Gabriel O Pensador e um cartoon de Quino (criador da Mafalda). Para o desenvolvimento dessa tarefa, deslocamos os alunos para o auditório da escola para assistir ao vídeo e visualizar o cartoon. Objetivamos desenvolver a oralidade através de discussões acerca das temáticas expressas nos textos: direitos humanos, honestidade e moral. Na sequência, solicitamos uma produção textual escrita, relacionada aos valores debatidos. Os gêneros escolhidos foram poesia e cartoon. Finalizada a tarefa, os grupos apresentaram suas produções e expuseram-nas nos corredores da Escola para mostrar aos demais alunos seus pontos de vista em relação às temáticas exploradas. Quanto à análise linguística, realizamos uma oficina para retomar as mudanças ocorridas na ortografia. As novas regras foram aplicadas em frases, pequenos textos e questões objetivas. Outra oficina relacionada às questões linguísticas foi referente a textos copiados das páginas das redes sociais. O intuito foi mostrar que a variação linguística está presente nos textos e que cada estrutura textual requer uma linguagem específica, que lhe é peculiar. Assim como a língua muda em decorrência das influências de outras culturas, a escrita manifesta estas mudanças e as variações podem ser tanto de ordem ortográfica quanto de expressões linguísticas. Quanto à literatura, em uma das oficinas realizadas foram discutidos os elementos da narrativa: foco narrativo, personagens, espaço e tempo. Após, revisamos aspectos estruturais do gênero conto. Depois da revisão teórica assistimos ao curta gaúcho “Traz outro amigo também”. Durante a discussão, foram identificados aspectos da narrativa e os aspectos fantásticos do filme assistido. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 184 Em seguida, foram distribuídas, aos alunos, imagens de seres fantásticos para a elaboração individual de um conto fantástico. Objetivamos revisar conhecimentos literários para que os alunos pudessem utilizá-los na criação de um conto e, de que forma eles poderiam valer-se desses aspectos para a construção da modalidade fantástica. Na segunda oficina de literatura, ouvimos a música “O inferno vai ter que esperar” da banda Rosa Tatooada. Assistimos ao clipe musical “Você pode ir na janela” da banda Gram, e visualizamos obras de arte expressionistas. Discutimos aspectos temáticos e estruturais expressos nas três artes apresentadas. Objetivamos apresentar outras formas de arte, além da literatura, para demonstrar a contemporaneidade desta arte que, mesmo sendo veiculada no século XVIII, no período realista, está presente nos dias de hoje. CONCLUSÃO Considerando o cronograma de atividades propostas para as unidades didáticas, com duração de seis meses cada, englobando a leitura, produção textual, análise linguística e literatura, concluímos que os resultados foram satisfatórios tendo em vista a participação e o rendimento dos alunos nas oficinas, bem como o comprometimento da Coordenação do subprojeto de Letras e respectivos bolsistas. Procuramos a efetivação dos objetivos elencados no subprojeto, que tem por finalidade inserir o graduando de licenciatura no ambiente escolar, adquirindo conhecimento com relação à docência, além de propiciar aos discentes, participantes das oficinas, novas maneiras de interagir com o texto, despertando o interesse em leitura, a consequente produção de textos, análise dos mesmos e a inserção destes no universo literário. Retomando os propósitos do PIBID, que é a promoção do diálogo entre a universidade e a escola pública, oportunizando a relação entre o saber e o fazer, atestamos que a proposta foi extremamente positiva. Nós, pibidianos, construímos saberes inerentes à prática docente através do exercício da leitura, da escrita, refletindo sobre os usos linguísticos e textuais dos enunciados. REFERÊNCIAS ASSIS, Machado de. Contos. 25 ed. São Paulo: Ática, 1998. BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF,1998. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o minidicionário da língua portuguesa. 7. ed. Curitiba-PR:Positivo, 2008. GABRIEL O PENSADOR. Até quando. Disponível em http://www.youtube.com/ watch?v=KGjTdt2AeGA. Acesso em: 15 mai. 2011. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 185 GRAM. Você pode ir na janela. Disponível em < http://www.youtube.com/ watch?v=E0MF8jA16Io>. Acesso em: 26 jun. 2012. LEFFA, Vilson J. Aspectos da leitura: uma visão psicolinguística. Porto Alegre R/S: Sagra: DC Luzzatto, 1996. ROSA TATOOADA. O inferno vai ter que esperar. Disponível em http://www.youtube.com/ watch?v=gCds66RO7U0. Acesso em: 26 jun. 2012. SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora. (orgs.) Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. __________. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. NEVES, Maria Helena de Moura. Que gramática estudar na escola?: norma e uso na Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Contexto, 2004. TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. 5 ed. São Paulo: Cortez, 2000. TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM. Direção de Frederico Cabral. Animake Imagem Virtual. Brasil: 2010. Porto Alegre, RBS Produções: 2011. DVD (14 min.), color. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 186 DO UNIVERSO LINGUÍSTICO E LITERÁRIO AO FANTÁSTICO MUNDO DA LEITURA E DA ESCRITA Alan Ricardo Martins da Veiga Ana Maria Dal Zott Mokva Êmile Jane Piccoli Jonny Alex Guimarães Karine Liliane Lamb dos Reis Rosangela Fatima Pedott Cornelio. RESUMO O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID, em seu Subprojeto de Letras, ao oportunizar a inserção dos acadêmicos no contexto escolar, possibilita o desenvolvimento dos fundamentos de leitura, produção textual, análise e funcionamento linguístico e literatura aos estudantes do Magistério da Escola Estadual Normal José Bonifácio, tendo em vista o aperfeiçoamento da competência comunicativa. Para lograr êxito neste objetivo, os acadêmicos fazem uso de uma metodologia que consiste na aplicação de uma sondagem diagnóstica em cada unidade trabalhada, além de seleção de textos, definição de procedimentos, aplicação destes e avaliação, objetivando a conexão dos conhecimentos linguísticos e literários. Após isso, dá-se a construção e a execução de oficinas relativas às unidades didáticas. Os quatro momentos citados têm como função a supressão das necessidades dos discentes, conduzindo-os do universo linguístico e literário ao fantástico mundo da leitura e da escrita. Os principais resultados obtidos apontam para a superação de dificuldades ortográficas, reflexão acerca dos aspectos gramaticais, aperfeiçoamento da habilidade de ler e compreender diferentes gêneros textuais, produções textuais e dramatização. Palavras-chave: Leitura funcionamento linguístico. e Literatura. Produção textual. Análise e INTRODUÇÃO A linguagem permeia o conhecimento e as formas de conhecer, o pensamento e as formas de pensar, a comunicação e os modos de comunicar, a ação e os modos de agir. Ela é a roda inventada que movimenta o homem e é movimentada pelo homem. Produto e produção cultural, nascida por força das práticas sociais, a linguagem é humana e, tal como o homem, destaca-se pelo seu caráter criativo, contraditório, pluridimensional, múltiplo e singular, a um só tempo. (PCN, 2002, p.14). Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 187 Ao conceber a linguagem como prática, historicamente constituída e dinâmica, através da qual os sujeitos se constituem e interagem nos mais diferentes contextos sócio, histórico e cultural, estabelecer a interrelação teoria prática, em sala de aula, define propósitos para a vida estudantil e profissional. Sob tal pressuposto, as práticas pedagógicas desenvolvidas com alunos do Magistério da Escola Estadual Normal José Bonifácio, resultado de estudos e planejamentos dos acadêmicos do curso de Letras no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID, colocam em evidência atividades de leitura, produção textual, análise e funcionamento linguístico e literatura. Unidades didáticas estas que, além de permitirem a inserção dos acadêmicos no ambiente escolar, fundamentam a prática de subsídios teóricos desenvolvidos no meio acadêmico. Ao possibilitar aos sujeitos o aprendizado de saberes e o contato com as mais diferentes leituras, a escola promove o estímulo da curiosidade, do raciocínio e a capacidade de interpretar e interferir no mundo. Nesse sentido, o papel que a mesma exerce na vida de cada estudante é fundamental, uma vez que permite o acesso ao conhecimento e o exercício da cidadania. Dentro dessa perspectiva, os alunos devem ser instigados a construir significados e produzir sentido a todas as ações que se voltam à leitura e à escrita. Assim sendo, a prática pedagógica do professor de Língua Portuguesa e Literatura deve alicerçar-se em textos, tendo em vista que é por meio destes que as pessoas estabelecem relações comunicativas, internalizam expressões, concretizam trocas linguísticas, elaboram pensamentos autônomos e críticos, exercitam, enfim, a competência comunicativa. Por meio do PIBID, a prática de unidades didáticas, desde a habilidade de ler e de escrever ao exercício da leitura e da escrita verdadeiramente, condiciona a docência a um novo olhar, a uma vivência de uma prática educativa diferenciada. METODOLOGIA A realização de um bom trabalho fundamenta-se em um planejamento coerente à realidade dos alunos, em pressupostos teóricos e em estratégias metodológicas condizentes ao desenvolvimento de habilidades e competências. As unidades didáticas, configuradas em oficinas, reúnem aspectos que embasam os conhecimentos linguísticos e literários. Sob tal pressuposto, a metodologia utilizada nas unidades didáticas de leitura, produção textual, análise e funcionamento linguístico e literatura, no decorrer das oficinas desenvolvidas com os alunos do Magistério partiu de sondagem diagnóstica, seleção de textos, definição de procedimentos, aplicação destes e avaliação, tendo em vista a conexão dos conhecimentos linguísticos e literários. Ao desenvolver um trabalho que fomentasse a competência leitora nos alunos, propiciando-lhes a noção de que a leitura nada mais é do que uma troca de vivências, informações e conhecimentos entre leitor e texto, vai-se ao encontro do verdadeiro propósito da palavra interação, conforme palavras de Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 188 Antunes (2008, p. 20) “somos, especialmente pela linguagem, centelha de uma grande e ininterrupta chama, que confere sentido a tudo que existe”. A construção de sentidos envolve a presença de um leitor ativo que verifica e interpreta o texto, uma vez que sempre há um objetivo para uma leitura, seja por lazer, necessidade de adquirir informações e/ou conhecimentos, entretenimento, entre outros (SOLÉ, 1998). A formação de um aluno crítico, capaz de ler e produzir textos de forma autônoma e competente, em conformidade com Liberato e Fulgêncio (2010), exige o contato com diversos gêneros textuais que circulam socialmente. Como cada gênero possui uma função específica e apresenta características próprias, por meio destas, é possível focar o verdadeiro significado da leitura, diferentemente da simples decodificação de signos. Ao configurar a leitura como processo cognitivo, interativo e criativo, o trabalho em sala de aula deve voltar-se à postura crítica do aluno, em consonância com Solé (1998, p. 47) “[...] se ensinarmos um aluno a ler compreensivamente e a aprender a partir da leitura, estamos fazendo com que ele aprenda a apreender, isto é, com que ele possa aprender de forma autônoma em uma multiplicidade de situações”. Ao partir do texto como um todo para estudar, analisar e explicar a prática linguística, utilizada nas mais diversas situações de interação, contribuise para a formação de sujeitos independentes, pensantes e críticos da própria linguagem. O fato de não considerar os alunos meros receptores de informações, mas sim, capacitados a criarem seu próprio conhecimento, oriundo de um caminho de aprendizado que contemple as variedades linguísticas e interprete uma realidade que é múltipla, reforça os princípios adotados na prática pedagógica contextualizada conforme asseveram as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio: . O tratamento contextualizado do conhecimento é o recurso que a escola tem para retirar o aluno da condição de espectador passivo. Se bem trabalhado, permite que, ao longo da transposição didática, o conteúdo do ensino provoque aprendizagens significativas que mobilizem o aluno e estabeleçam entre ele e o objeto do conhecimento uma relação de reciprocidade. A contextualização evoca por isso áreas, âmbitos ou dimensões presentes na vida pessoal, social e cultural, e mobiliza competências cognitivas já adquiridas. (Parecer 15/98 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, apud REFERENCIAIS CURRICULARES DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, 2009, p. 23). Prática esta que tem o texto como objeto de estudo, e, por ser efetivamente centro das unidades didáticas, permite ao aluno o entendimento do uso e funcionalidade da língua, ao contrário deste aprender a classificar um repertório gramatical. Além de estabelecer interação, possibilitar a construção de sentidos, dialogar com as mais diferentes linguagens, o texto é o retrato vivo da linguagem. Partindo desse pressuposto, um bom texto deve estar alicerçado pelos fatores apontados por Beaugrande e Dressler (1981, apud KOCH e TRAVAGLIA, 1996) como responsáveis pela textualidade: situacionalidade, intencionalidade, aceitabilidade, informatividade, intertextualidade, coesão e Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 189 coerência. Esses vão ao encontro das ações sociais movidas pela interrelação leitura e escrita, as quais promovem as atividades sociointerativas. Nessa interrelação, a Literatura insere-se por oferecer aos leitores um espaço em que o imaginário e a ludicidade encontram aceitação. Assim sendo, a Literatura deve operar sobre as mentes, que definem anseios, emoções, desejos e sentimentos, uma vez que é no encontro com a mesma que os alunos têm a oportunidade de expandir, modificar e enriquecer suas experiências de vida de forma ampla em consonância com o pensamento de Todorov (2009 apud REFERENCIAIS CURRICULARES DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, 2009, p. 83): Mais densa e mais eloquente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneira de concebê-lo e organizá-lo. Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente. Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quando o planejamento da prática pedagógica alia-se à vontade de aprender do estudante, os resultados são, incontestavelmente, promissores e recompensam o intenso trabalho desenvolvido ao longo do período. A consciência da contribuição efetiva para o aprimoramento das competências comunicativas, orais ou escritas, dos estudantes, por meio de uma prática reflexiva de estudo do texto, é prazerosa e motivadora. Disso resultam a força e a persistência que se aprimora a cada dia nesta, por vezes difícil, função de ensinar. A prática pedagógica desenvolvida pelos acadêmicos tem possibilitado um novo olhar à docência e o exercício da relação teoria-prática. Da mesma forma, a relevância do trabalho se dá pelo envolvimento dos alunos do Ensino Médio, os quais têm a oportunidade de vivenciar uma prática educativa diferenciada. Em uma escala de valores, a inserção dos acadêmicos no contexto escolar, por meio de práticas interdisciplinares, ganha destaque. Além deste, é relevante salientar os principais resultados observados durante as práticas e avaliações das unidades previstas no subprojeto de Letras: a superação de dificuldades ortográficas, reflexão acerca dos aspectos gramaticais, aprimoramento da habilidade de ler diferentes gêneros textuais, reestruturação da biblioteca escolar, dramatização e expressividade em poemas e histórias infantis, produções textuais, tais como diário de bordo, poemas, poesia concreta, fábulas, painéis integrados, entre outros. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 190 CONCLUSÕES O foco principal de todo trabalho pedagógico deve ser a reflexão que contribua para uma visão crítica de situações, de problemas, e, especialmente, para o desenvolvimento da autonomia e da capacidade de escolha. Para isso, é preciso ter uma visão de conjunto sobre o que se transmite e sustentar, no fazer pedagógico, alternativas de ensino e aprendizagem criativas, inovadoras e libertadoras, para que não predominem técnicas, métodos, tarefas e conhecimentos essencialmente repetitivos, coercitivos, domesticadores. Mas, para que isso se concretize, é necessário um professor competente e engajado com o processo ensino-aprendizagem e com a escola. Confirmando essas premissas, o PIBID oferece a oportunidade para que os acadêmicos exerçam atividades pedagógicas em escolas públicas, aprimorando sua formação e contribuindo para a melhoria da qualidade do ensino. Ao valorizar a Educação Básica, o PIBID tem promovido a integração da universidade com a comunidade. Esta, além de oportunizar a vivência com a iniciação à docência, tem despertado o espírito investigativo teórico-prático, incentivando os alunos de Ensino Médio a cursarem uma licenciatura. O privilégio e a corresponsabilidade em participar do Programa antecipam, de forma significativa e desafiadora, o vínculo entre os futuros docentes e o corpo discente, em um trabalho constante de formação humana e profissional. AGRADECIMENTOS Agradecimentos especiais devem ser feitos neste momento: - às instituições que viabilizaram a inserção dos bolsistas no contexto escolar: CAPES, URI – ERECHIM e Escola Estadual Normal José Bonifácio – JB. - à Professora Marlene Campesatto Festugato, Coordenadora do Projeto na Escola participante, pelo suporte oferecido aos bolsistas para que a prática pedagógica obtivesse êxito. - aos alunos do Curso Normal, pelo constante envolvimento nas atividades propostas. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 191 REFERÊNCIAS ANTUNES, Irandé Costa. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem pedras no caminho. 3. ed. São Paulo: Parábola, 2008. BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação e Cultura, 2002. LIBERATO, Yara Goulart; FULGÊNCIO, Lúcia. É possível facilitar a leitura: um guia para escrever claro. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2010. KOCH, Ingedore G. Villaça & TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Coerência Textual. São Paulo: Contexto, 1996. RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Porto Alegre: SE/DP, 2009. SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Porto Alegre: ArtMed, 1998. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 192 - PIBID Literatura integrada com redação e estudos linguísticos sob a perspectiva da Linguística Textual Ana Helena Dias¹ Dinalva Agissé Alves de Souza² Andressa Freitas3 Fabiana Pavão3 Edenise Meneghetti3 Jocelaine Spatt dos Santos3 Letícia Lírio Rodrigues3 RESUMO O presente artigo “Literatura integrada com redação e estudos linguísticos sob a perspectiva da Linguística Textual” é resultante das atividades do PIBID, realizadas pela área de Letras no Colégio Estadual Onofre Pires, no município de Santo Ângelo, RS. Dando sequência ao projeto nessa escola, a etapa referente ao primeiro semestre de 2012 contemplou o ensino da Literatura, considerando para isso a necessidade de integrar os estudos literários, a produção textual e os estudos linguísticos, tendo como fundamento para essa análise as Teorias Literárias e a Linguística Textual. Para desenvolver as oficinas referentes a essa proposta, as alunas bolsistas propuseram estratégias metodológicas inovadoras, usando o texto como eixo principal das oficinas. Palavras-chave: Literatura, Texto e Linguística INTRODUÇÃO Todos nós sabemos da importância e dos benefícios que a leitura e a produção textual propiciam em sala de aula. É a partir de atividades de produção que o aluno reflete sobre a realidade, as coisas que o cercam e, igualmente, sobre os valores sociais e culturais relacionados ao cotidiano em que está inserido. Com base nesse pressuposto é que, ao desenvolvermos a quarta etapa do projeto PIBID, procuramos integrar os estudos literários, a redação e os estudos linguísticos, sob a perspectiva da Línguística Textual, já que a unidade didática prevista para o primeiro semestre de 2012 era de Estudos Literários. ____________ 1 Professora supervisora do PIBID no Colégio Estadual Onofre Pires – Santo Ângelo – RS. Graduada em Letras e Especialista em Letras. 2 Professora supervisora do PIBID na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Santo Ângelo – RS. Graduada em Letras, Especialista e Mestre em Letras – Linguística Aplicada. 3 Acadêmicas do Curso de Letras – Habilitação em Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Alunas bolsistas do PIBID. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 193 Ao percebermos que a necessidade dos alunos da terceira série do Ensino Médio incide na redação, a alternativa foi aliar a literatura e a produção textual na mesma oficina. Isso também porque os alunos demonstraram maior interesse pela produção textual em relação à literatura, justificando esse aspecto pelo baixo número de questões de literatura (ou mesmo a ausência delas) em provas de vestibular. As oficinas de Literatura e Redação foram ministradas no Colégio Estadual Onofre Pires, localizado na cidade de Santo Ângelo - RS, nas turmas do 3º ano do ensino médio, em horário vespertino. Em vista disso, foi preciso pensar em uma maneira de incorporar essas duas disciplinas de forma que os temas abordados na literatura pudessem ser trabalhados na produção textual. Como o público-alvo do projeto é constituído por alunos do 3º ano, que estão em fase de preparação para o vestibular e para o Exame Nacional do Ensino Médio(ENEM), o foco das oficinas foi centrado no texto de tipologia dissertativa e na literatura. Por isso, foi feita uma “ponte” entre o tema trabalhado na literatura com a produção textual, possibilitando aos alunos associarem a literatura dos diferentes períodos literários aos temas da atualidade. Paralelamente às oficinas com os alunos da terceira série, foram desenvolvidas oficinas com os alunos da segunda série do Ensino Médio, centradas na unidade didática Estudos Linguísticos. Nestas, após a interpretação de textos de gêneros diversificados e interação das ideias pelo grupo de estudos, foi proposta a produção textual da mesma tipologia e estrutura do gênero abordado no momento. PROBLEMATIZAÇÃO Nas oficinas da terceira série, o problema foi aliar os temas abordados nos diferentes períodos literários, como Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Parnasianismo e Simbolismo, à discussão, relação com textos atuais e consequente produção textual. Nas oficinas da segunda série, o problema foi trabalhar os fatos gramaticais no texto, já que a maioria dos livros didáticos apresenta atividades descontextualizadas que, em vez de privilegiar o uso efetivo da gramática, prendem-se à gramática normativa. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Ter conhecimento da língua(gem) que se fala revela a identidade e o meio social em que o indivíduo está inserido. A linguagem possibilita novas formas de pensar, agir e de se comunicar. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio “a Língua Portuguesa é um produto de linguagem e carrega dentro de si uma história de acumulação/redução de significados sociais e culturais” (PCN, p. 20, 2000). Tanto a Língua Portuguesa quanto a Literatura estão presentes em tudo que se passa no dia a dia, mesmo que isso não seja percebido. Ter domínio da oralidade e escrita da língua materna é indispensável nos dias de hoje e seu estudo é de suma importância para o desenvolvimento de leitores críticos e com seu próprio ponto de vista. É a partir de textos literários e não literários que o aluno irá desenvolver essa criticidade. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 194 De acordo com Geraldi (2003), o texto serve como base para qualquer estudo e atividade em sala de aula, e é através da produção de textos, tanto orais como escritos, que o indivíduo expressa suas ideias, seu ponto de vista e é capaz de interagir com situações que ocorrem na vida cotidiana. Além da produção de textos, a troca de ideias sobre o que foi produzido é importante para a compreensão do interlocutor, ajudando assim na interação entre os sujeitos. Essa importância dada ao texto como ponto de partida para qualquer estudo em sala de aula também é apresentada nos PCN’s, enfatizando que “o texto é único como enunciado, mas múltiplo enquanto possibilidade aberta de atribuição de significados, portanto, ser objeto também único de análise/síntese” (PCN, p. 19, 2000). Da mesma forma que os Referenciais Curriculares da Educação Básica do Rio Grande do Sul, os Parâmetros Curriculares Nacionais focalizam a necessidade de dar ao aluno, na área de Língua Portuguesa e da Literatura, condições de ampliar o domínio da língua e da linguagem, tendo como base textos orais e escritos, que podem ser usados como unidade norteadora do trabalho pedagógico. Para os PCN’s, a leitura de textos literários e não literários possui uma função de extrema importância no ensino-aprendizagem dos alunos, uma vez que, a partir do desenvolvimento da competência leitora, esse aluno poderá tornar-se proficiente em todas as disciplinas. Essa competência será desenvolvida em sala de aula com o intuito de preparar leitores aptos a ler diversos gêneros textuais, formando leitores críticos e com o próprio ponto de vista. A Literatura contribui para formação social e pessoal do indivíduo, pois seus textos abrangem os mais variados assuntos, mantendo viva a história de várias gerações. Segundo os Referenciais Curriculares da Educação Básica do Rio Grande do Sul, A literatura é exercício de liberdade que se constitui através da linguagem e responde a demandas subjetivas que proporcionam a um só tempo, satisfação pessoal e conhecimento do mundo. Também estimula a interação com o meio social, possuindo o potencial de transformá-lo, uma vez que desenvolve o senso crítico e a capacidade de refletir a respeito da realidade (p.83, 2009). No Ensino Médio, o foco de ensino está voltado para a Literatura Brasileira, com o objetivo de estudar a estética de cada época através de textos que contribuem para a compreensão da história social e cultural do nosso país, despertando no aluno a reflexão a respeito da língua(gem) como objeto de cultura. Como já citado anteriormente, nos PCN’s do ensino médio os conteúdos das disciplinas de Língua Portuguesa e Literatura passam a integrar-se juntamente com a leitura, interpretação e produção de textos, propiciando, dessa forma, questionamentos e debates em sala de aula. Partindo dos pressupostos apresentados neste referencial, as oficinas do projeto foram desenvolvidas a partir da integração da Língua Portuguesa com a Literatura, buscando sempre fazer com que o aluno desenvolvesse sua capacidade intelectual e senso crítico e fazendo com que seus Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 195 questionamentos, acerca da realidade em que vive, despertassem a vontade de obter conhecimento. Se, por um lado, havia o desafio de trabalhar com a unidade didática Estudos Literários, por outro havia o de trabalhar a unidade didática de Estudos Linguísticos sob a perspectiva da Linguística Textual. Foi preciso, então, rever os conceitos teóricos propostos por alguns linguistas no que se refere à preparação dos alunos para a competência linguística. Soares (1998) afirma que “o uso da linguagem adequada às mais diversas situações comunicativas em que eles estão inseridos, que vão além das situações escolares e se estendem para quaisquer situações de sua vivência no meio social”, é que pode fazer com que realmente os alunos tenham condições de interagir linguisticamente em seu entorno social. O ensino dos fatos gramaticais não pode prender-se ao estudo da regra gramatical pela regra, simplesmente, em situações descontextualizadas. A frase ou a expressão analisada deve ser observada em seu uso real no texto. Também não há a possibilidade de trabalhar em frases e palavras copiadas de um texto num ensino normativo e classificatório, usando o texto apenas como um pretexto para ensinar gramática, centrada em normas e regras de aplicação, sem uma relação efetiva com a gramática de uso. Segundo Prestes (1996), “é preciso atentar para que esse ensino mais sistematizado da gramática seja visto em uso e para o uso, constatando-se sua funcionalidade e procurando-se inseri-lo em situações reais ou que se aproximem o máximo possível dessa realidade.” Possenti (1997) deixa claro que se faz necessário distinguir o domínio das regras de análise linguística e fazer o uso da língua de forma eficaz. Quanto a isso, ele afirma que “a escola deve trabalhar para que todos os seus alunos, ao término de alguns anos, tornem-se capazes de ler e escrever, na língua padrão, textos das mais variadas tipologias. E não se consegue isso apenas por exercícios, mas através de práticas significativas”. Essas práticas significativas constituíram, desde a elaboração à aplicação das oficinas da unidade de Estudos Linguísticos, o objetivo maior nas aulas do Projeto. Surgiu, então, a dúvida: Quais gêneros seriam apropriados ao estudo das classes gramaticais? Que classes gramaticais seriam priorizadas? Optou-se, então, por uma seleção, primeiramente, dos conteúdos a serem abordados, embora constasse no planejamento a realização de oficinas sobre a maioria dos conteúdos linguísticos selecionados para a série. Através de uma consulta ao público-alvo, foram selecionados os conteúdos que ofereciam mais dificuldade de aprendizagem. A partir daí, as oficinas foram oferecidas, não antes de verificar e analisar se o gênero textual escolhido para as mesmas estava estruturado de forma a permitir a investigação da ocorrência do fato gramatical selecionado. Muitas vezes foi necessário mudar a rota planejada e, em vez de determinado texto e conteúdo gramatical, foi escolhido outro, já que a situação real dos alunos demonstrava a prioridade para tal fato gramatical que seria um pré-requisito para o entendimento do subsequente. Não haveria sucesso no ensino-aprendizagem dos termos da oração, por exemplo, se havia dificuldade em reconhecer oração, frase e período. Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 196 Por isso, é necessária a flexibilidade dos conteúdos em um projeto em andamento; é preciso que haja a atenção à reação dos alunos a determinados conteúdos e mudar a estratégia de abordá-los, se preciso. E é essa instabilidade e essa busca constante de conhecimentos e de novas estratégias que faz o estagiário aprender com o público-alvo e repensar cada momento na condução do processo-aprendizagem. METODOLOGIA As oficinas dessa etapa do projeto PIBID foram realizadas durante o primeiro semestre de 2012, com encontros semanais, em que foram oferecidas oportunidades de reflexão dos fatos literários e linguísticos, juntamente às turmas de 2ª e 3ª séries do ensino médio. Os estudos voltados aos fatos linguísticos foram desenvolvidos com a 2ª série e os literários junto à 3ª, considerando que os alunos estão em fase de preparação para o processo vestibular e para o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. Durante a realização das oficinas de Literatura foi feita uma revisão dos períodos literários, utilizando a temática abordada para promover a produção textual, contemplando a dissertação argumentativa. Quanto aos estudos linguísticos, a abordagem foi feita centrada no texto a partir dos pressupostos da Linguística Textual. RESULTADOS Com relação à unidade didática de estudos linguísticos, as oficinas foram aplicadas durante o primeiro semestre de 2012, com o intuito de revisar o conteúdo já visto pelo público-alvo no ensino regular, além de propor estratégias metodológicas inovadoras e tendo o texto como eixo principal das oficinas. Com a aplicação dessa unidade didática foi possível observar nos alunos um a dificuldade de entendimento dos fatos gramaticais, possivelmente devido à forma como os estudos linguísticos são tratados na maioria nos livros didáticos. Esse desafio também esteve presente no momento da elaboração das oficinas, já que as fontes de pesquisa da gramática textual são escassas e foi preciso usar a criatividade para fazer a relação das ocorrências gramaticais no texto, de forma que os alunos entendessem e refletissem sobre seu uso. Cita-se como exemplo a ocorrência de uma palavra (vocábulo a), ora empregada como artigo em determinado contexto, como preposição em outro e, em um terceiro contexto, como pronome pessoal do caso oblíquo. Quanto às oficinas de Literatura, integradas à redação para vestibular e ENEM, cabe dizer que, na verdade, não apenas propuseram uma revisão dos períodos literários, mas também possibilitaram a elaboração de textos de forma reflexiva. A proposta de se fazerem redações argumentativas evidenciou a dificuldade que os alunos apresentam na elaboração de parágrafos, uso dos sinais de pontuação e uma leve carência com relação ao uso dos conectores. De acordo com a proposta de educação para o Ensino Médio, o ensino da Língua Portuguesa deve estar voltado para a formação de um cidadão autônomo, que seja capaz de interagir com a realidade do mundo em que vive. Assim, nos diferentes campos que abrange - leitura, produção de textos e estudos lingüísticos - o ensino da língua precisa oferecer situações de aprendizagem de forma que o aluno possa participar ativamente do processo de construção de suas práticas leitoras. O trabalho, centrado no texto, envolvendo o estudo dos fatos gramaticais deve desenvolver as habilidades de Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 197 reflexão e de crítica, de argumentação, de leitura e de escrita. Através de tipologias, de gêneros textuais diversificados e de situações concretas de aprendizagem, é possível tornar significativos para o aluno os conteúdos que integram o currículo de sua formação básica. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pelo caminho percorrido pelos alunos do curso de Letras, pode ser observado que houve um grande avanço no sentido de, mesmo sendo uma experiência de contato com a comunidade escolar não considerada como estágio, os acadêmicos depararem-se frente a situações que exigem deles atitudes de verdadeiros profissionais. E é isso que faz com que o PIBID seja um sucesso, não apenas para o aluno da educação básica, que tem possibilidade de rever o conteúdo dado em sala de aula com estratégias diferenciadas, mas, principalmente, para o aluno dos Cursos de Licenciatura, que tem a oportunidade de trabalhar no projeto, de conhecer suas potencialidades, exercitar suas habilidades e, assim, melhor preparar-se para exercer a profissão escolhida. Participar do PIBID exige discernimento, persistência e, sobretudo, preparo didático e isso tudo representa um significativo aprendizado para a prática profissional. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - GERALDI, João Wanderley. Portos de Passagem. São Paulo. Ed. Martins Fontes, 2003. - Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Médio): Linguagens, Códigos e suas tecnologias. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/14_24.pdf.POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola? In: PEREIRA, Maria Teresa G. (Org.). Língua e linguagem em questão. Rio de Janeiro : EDUERJ, 1997. p. 109-128. - PRESTES, Maria Luci de Mesquita. Ensino de português como elemento consciente de interação social: uma proposta de atividade com texto. Ciências & Letras. Porto Alegre: FAPA, n. 17, p.189-198, 1996. - Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias /Secretaria do Estado da Educação. Disponível em: http://www.educacao.rs.gov.br/dados/refer_curric_vol1.pdf. - SOARES, SOARES, Magda. Linguagem e escola: uma perspectiva social. 5. ed. São Paulo : Ática Anais do II Seminário Institucional PIBID/URI - 24 e 25 de julho de 2012 198