O ANO 19 - Nº 444 1 9 VERBO A serviço da evangelização SEGUNDA QUINZENA DE NOVEMBRO DE 2015 DIOCESE DE JUNDIAÍ - SP CAMPANHA DIOCESANA DO DÍZIMO DÍZIMO: EXPRESSÃO DE AMOR E GRATIDÃO A DEUS “Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho e, como sacerdote de Deus Altíssimo, abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo, criador do céu e da terra. Bendito seja o Deus altíssimo, que entregou os teus inimigos em tuas mãos!” E Abrão entregou-lhe o dízimo de tudo” (Gn 14, 18-20). Cada vez mais os católicos se conscientizam da importância do dízimo e das ofertas. Nesta edição você leitor poderá conferir o verdadeiro significado do dízimo, justo e verdadeiramente cristão, conhecendo alguns aspectos de sua história. O dízimo é uma ferramenta importante para o nosso crescimento no exercício da fé, pois nos permite transformar em ato concreto todo nosso desejo de crescimento espiritual e desapego das coisas materiais. Páginas 2,3,6 e 7 FOTO: ESSENCE FILMS Paróquia Santa Gertrudes celebra Jubileu de Prata Mais de mil fiéis católicos pertencentes à comunidade de Santa Gertrudes reuniram-se para celebrar o seu Jubileu de Prata paroquial. O Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa, presidiu a solene Eucaristia, no dia 18 de novembro, na Igreja Matriz, no FJardim Santa Gertrudes, em Jundiaí. Página 11 Igreja celebra Cristo Rei do Universo Página 11 Diocese investiga fenômeno atribuído a padre Jordan Página 12 O Verbo Editorial “De graça recebestes, de graça deveis dar” (Mt 10,8) Pe. Márcio Felipe de Souza Alves Editor-chefe T ema de destaque desta edição é a Campanha Diocesana do Dízimo 2015, abraçada por algumas paróquias da Diocese de Jundiaí. Exposto o tema, surge um questionamento: frente à crise econômica que o país está enfrentando, qual é a finalidade de uma Campanha do Dízimo, se os fiéis de nossas comunidades vivem concretamente em suas casas os efeitos dessa crise? É um questionamento muito válido. Entretanto, vale lembrar que a finalidade primeira desta Campanha é espalhar o amor e a gratidão a Deus por toda a Diocese. A arrecadação do dinheiro é uma consequência. Pois bem, caro leitor, eis o motivo pelo qual podemos concluir que, se tudo é de Deus, e, se tudo d’Ele recebemos, não podemos ter outra atitude a não ser retribuir a Ele com a nossa gratidão, nosso serviço, nosso dízimo, enfim, se for preciso, com a nossa própria vida por tudo o que Ele tem realizado em nós. Diante dos feitos que Deus realiza em favor do gênero humano, o salmista se questiona: “Que retribuirei ao Senhor por todo bem que me deu?” (Sl 115,12). Retribuir ao Senhor não quer dizer fazer com Ele uma troca. Ao contrário, reconhecendo que Deus é o Senhor de tudo e de todos, as paróquias da Diocese de Jundiaí, através desta campanha, querem suscitar no coração dos diocesanos a importância de assumir a comunidade como a casa comum, onde todos são responsáveis, como nos ensina o Papa Francisco em sua carta encíclica Laudato Si. É preciso ainda vencer algumas barreiras, como por exemplo, a consciência muito presente na vida dos nossos povos: a “bendita” teologia da prosperidade, ou da “retribuição”. “Dou a Deus, porque Ele vai me dar algo. Pago o dízimo, porque a minha vida e da minha família vai ser próspera”. Diretor Responsável Dom Vicente Costa Bispo Diocesano Diretores Fundadores Dom Roberto Pinarello de Almeida Dom Amaury Castanho (In memoriam) Editor-chefe Pe. Márcio Felipe de Souza Alves Coordenador Administrativo Rodrigo Santana 2 Essa mentalidade tem feito cada vez mais com que os nossos fiéis se afastem da Igreja, pois quando não são atendidos em seu pedido, se revoltam contra Deus, ou mudam de religião, pois acabam vendo na Igreja um comércio que vende o produto que vai satisfazer os que vêm ao encontro de Deus. A Igreja não é um comércio, muito menos o lugar para que nos sintamos bem. Igreja, comunidade dos batizados, é um lugar privilegiado de encontro com o ressuscitado, que anima a comunidade, que garante a sua presença frente aos desafios da vida e, portanto, não podemos vir a Ele em busca de nossas necessidades pessoais. Ser Igreja exige do ser humano a disponibilidade de estar sempre ao dispor do Senhor, que não garante uma vida de facilidades. O dízimo é a experiência concreta da partilha. Não é uma troca. É a confiança no Deus fiel, que nos permite doar, devolver a Ele, o que d’Ele recebemos. A Campanha Diocesana do Dízimo quer trazer a todas as paróquias essa beleza: unidos podemos mais. Sozinhos nada podemos fazer. Jornalista Responsável Rua Roberto Mange, 400 - AnhangaDiácono Pedro Fávaro Jr. - MTB 11.659 baú - Cx. Postal 21 CEP 13.208-200 - JUNDIAÍ - SP Fone: (11) 4583-7474, Ramal 7496 Jornalista (Redação e diagramação) E-mail: [email protected] Jussane Cristina da S. C. Rodrigues MTB 26.660 Homepage da Diocese de Jundiaí www.dj.org.br Designer: Guilherme Monico O VERBO ANO 19 - Nº 444 2ª quinzena de novembro de 2015 Redação: Cúria Diocesana Impressão Lauda Editora Consultoria e Comunicações Ltda. Publicação oficial autorizada pela Diocese de Jundiaí. Registrado sob o 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 nº 88.757, Lei 6015/73. Autorizadas transcrições desde que mencionada a fonte. Os artigos são de responsabilidade de seus autores. Podem ser enviados com antecedência à Redação que, todavia, não abre mão de editá-los. O ideal é que sejam enviados à redação por e-mail ou em CD-ROM. A tiragem desta edição é de 15.300 exemplares e a circulação abrange as 66 paróquias e comunidades das cidades de Cabreúva, Cajamar, Campo Limpo Paulista, Itu, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Pirapora do Bom Jesus, Salto, Santana de Parnaíba e Várzea Paulista. O VERBO Palavra do Pastor Dízimo: Compromisso de amor e fé Esta viúva pobre, “da sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha para viver” (Mc 12,44b). Dom Vicente Costa Bispo Diocesano P rezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí: Pela segunda vez a Diocese de Jundiaí lança, no mês de novembro, a Campanha de Conscientização sobre o Dízimo com o tema: “Dízimo: Compromisso de Amor e Fé”. Por que mais uma Campanha de Conscientização sobre o Dízimo? Porque é pelo dízimo e pelas ofertas que a Diocese e as nossas paróquias sustentam a sua ação evangelizadora. Realmente, a ação evangelizadora exige novos investimentos, pois quanto mais a Igreja assume e aprofunda a sua missão de evangelizar, tanto mais ela necessita de que seus membros sejam fieis e generosos na contribuição do dízimo. Neste momento de graça extraordinária que vive a querida e amada Igreja de Jundiaí, com o Projeto das Santas Missões Populares, os católicos das nossas paróquias e comunidades não podem ficar restritos ao seu “mundinho”, fechados em seus “cantos” e acomodados em seus interesses pessoais e imediatos. Esta é a hora O VERBO de conversão, de bênção, de tornar nossa Igreja, como o Papa Francisco tem insistido, uma Igreja em permanente e definitiva saída missionária. É para isso que ela precisa de mais investimentos para a sua obra missionária e evangelizadora. Queridas irmãs e irmãos diocesanos: tenho certeza de que a questão do dízimo tem muito a que ver com o uso que fazemos do dinheiro e dos bens materiais. Por si, o dinheiro não é bom e nem mau. É o nosso coração, isto é, todo o nosso ser que decide se o dinheiro que está à nossa disposição é usado para o bem ou para o mal. Portanto, o uso do dinheiro está em nossas mãos, sob a nossa responsabilidade. Jesus não condenou o uso do dinheiro e dos bens, mas sim o seu endeusamento, que faz com que nós nos tornemos escravos do dinheiro, adorando-o como “o bezerro de ouro” (cf. Ex 32). Jesus, que viveu uma vida pobre e “não tinha onde repousar a cabeça” (cf. Mt 8,20), para anunciar o Evangelho, precisava de recursos materiais. Lc 8,3 faz referência a muitas mulheres que ajudavam Jesus e seu grupo de discípulos, com seus bens. Um dos apóstolos, Judas Iscariotes, cuidava da “bolsa” e dos bens que ajudavam a financiar o ministério de Jesus (cf. Jo 12,6), o mesmo Judas que roubava o que se depositava naquela “bolsa” e acabou caindo na armadilha do poder do dinheiro, vendendo o Mestre por trinta moedas de prata (cf. Mt 26,15). Entre tantas passagens evangélicas que se referem ao uso do dinheiro e dos bens materiais, quero des- tacar aquela na qual Jesus elogia a verdadeira atitude religiosa da viúva pobre que fazia a sua oferta ao Templo (cf. Mc 12,41-44). Enquanto muitos ricos depositavam grandes somas de dinheiro, a viúva pobre ofertou apenas duas pequenas moedas, que valiam uns poucos centavos. Na verdade, ela “ofereceu tudo o que tinha para viver”, enquanto que os ricos davam do que tinham de sobra, isto é, do que não lhes fazia falta de forma alguma. Queridas irmãs e irmãos diocesanos: dízimo não é oferta de sobra, mas “Compromisso de Amor e Fé” para com Deus e a comunidade. A oferta livre e generosa do dízimo não nos faz ceder à tentação do poder do dinheiro; ao contrário, o dinheiro torna-se forma de edificar e fortalecer a solidariedade, um “Compromisso de Amor e Fé” para com Deus e a comunidade. O Papa Francisco várias vezes tem denunciado, com todas as suas forças, o poder do dinheiro que discrimina, escraviza e corrompe. O dinheiro deve estar a serviço das pessoas e do bem comum, principalmente dos mais fracos e necessitados, e não as pessoas a serviço do dinheiro. “O dinheiro deve servir, e não governar! Eu amo a todos, ricos e pobres; mas tenho o dever de recordar ao rico, em nome de Cristo, que deve ajudar o pobre, respeitá-lo, promovê-lo” (16/05/2013). “Aqueles que querem enriquecer caem na tentação do engano de muitos desejos insensatos e prejudiciais, que fazem com que os homens se afoguem na ruína e na perdição... É o poder do dinheiro que nos faz desviar da fé pura. Priva-nos da fé, debilita-a, e acabamos por perdê-la... Os primeiros Padres da Igreja diziam uma palavra forte: o dinheiro é esterco do diabo. É assim, porque nos torna idólatras e adoece a nossa mente com o orgulho, tornando-nos maníacos de questões ociosas e afasta-nos da fé. Corrompe” (20/09/2013). Sim, queridas irmãs e irmãos diocesanos: a oferta livre e generosa do dízimo não nos faz ceder à tentação do poder do dinheiro; ao contrário, o dinheiro torna-se forma de edificar e fortalecer a solidariedade, um “Compromisso de Amor e Fé” para com Deus e a comunidade. No ano passado, na 52ª Assembleia Geral da CNBB (Aparecida − SP, 30/04 a 09/05), nós, os Bispos do Brasil, aprovamos um documento intitulado: Comunidade de Comunidades: uma nova Paróquia – A Conversão Pastoral da Paróquia (Documentos da CNBB, nº 100). As nossas Paróquias precisam ser renovadas urgentemente, para que se passe de “uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária”, como já afirmava o Documento de Aparecida (n. 370). Uma das maneiras de realizar esta tão sonhada e necessária “conversão pastoral das nossas Paróquias” é justamente o fortalecimento da Pastoral do Dízimo, como os nossos Bispos afirmam no 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 referido documento: “É muito importante que a implantação do dízimo garanta o seu sentido comunitário: ‘Deus ama a quem dá com alegria’ (2Cor 9,7). É a alegria de doar com liberdade e consciência de ser um sinal de partilha. Evite-se, entretanto, o sentido de taxa ou mensalidade e a ideia de retribuição, segundo a qual é preciso doar para receber a bênção” (n. 288). O“Dízimo: Compromisso de Amor e Fé”, enquanto gesto amoroso e corresponsável, possibilitará que a renovação pastoral da nossa Diocese e das nossas Paróquias aconteça verdadeira e plenamente. Queridas irmãs e irmãos diocesanos: é muito difícil, senão impossível, formar discípulos missionários do Senhor Jesus sem investimentos: em pessoas, formação, subsídios, estruturas, entre outros. A Diocese bem como as nossas Paróquias precisam, nessa hora mais do que em outras, de que os dizimistas sejam fiéis e generosos em suas contribuições. Deste modo, o “Dízimo: Compromisso de Amor e Fé”, enquanto gesto amoroso e corresponsável, possibilitará que a renovação pastoral da nossa Diocese e das nossas Paróquias aconteça verdadeira e plenamente. Sejamos todos dizimistas conscientes e responsáveis. A todos eles e aos que ajudam na Pastoral do Dízimo, abençoo. 3 O Verbo Voz de Roma A Força do Reino de Cristo é o amor “A realeza de Jesus não nos oprime, mas nos liberta das nossas fraquezas e misérias, encorajando-nos a seguir os caminhos do bem, da reconciliação e do perdão”. Papa Francisco, na Festa de Cristo Rei. Políticos se reúnem na Cúria para refletir sobre “Cidades Sustentáveis” Q ueridos irmãos e irmãs, neste último domingo do ano litúrgico, celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Rei do Universo. O Evangelho de hoje nos faz contemplar Jesus quando se apresenta a Pilatos como rei de um reino que “não é deste mundo” (Jo 18:36). Isto não significa que Cristo é rei de outro mundo, mas que é rei de outra maneira. É uma contraposição entre duas lógicas. A lógica mundana apoiada na ambição e na competição combate com as armas do medo, da chantagem e da manipulação das consciências. A lógica do Evangelho, a de Jesus, ao invés, expressa na humildade e na gratuidade, afirma-se silenciosamente, mas eficazmente com a força da verdade. Os reinos deste mundo, por vezes, são erguidos sobre a prepotência, a rivalidade, a opressão; o reino de Cristo é um “reino de justiça, de amor e de paz”. Quando Jesus se revelou como rei? Na Cruz! Quem olha para a cruz de Cristo não pode deixar de ver a surpreendente gratuidade do amor. Alguém pode dizer: “Mas, padre, isto foi uma falência”! Mas é justamente na falência do pecado – o pecado é uma falência – na falência das ambições humanas, que está o triunfo da Cruz, ali está a gratuidade do amor. Na falência da Cruz se vê o amor, este amor que é gratuito, que Jesus nos dá. Falar de potên- 4 cia e de força para o cristão, significa fazer referência ao poder da Cruz e à força do amor de Jesus. No Calvário, os circunstantes e os líderes ridicularizam Jesus pregado na cruz e lançam o desafio: “Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz” (Mc 15,30). Mas paradoxalmente a verdade de Jesus é aquela que em tom de zombaria seus adversários lançam sobre Ele: “não pode salvar-se a si mesmo!” (v 31). Se Jesus tivesse descido da cruz, teria cedido à tentação do príncipe deste mundo, ao invés, Ele não salva a si mesmo justamente para poder salvar os outros, porque deu a sua vida por nós, por cada um de nós. Dizer: “Jesus deu a vida pelo mundo” é verdadeiro, mas é mais belo dizer: “Jesus deu a sua vida por mim”. E hoje aqui na praça, cada um de nós diga em seu coração: “Deu a vida por mim”, para salvar cada um de nós dos nossos pecados. Quem entendeu isto? Entendeu bem um dos dois malfeitores que foram crucificados com Ele, conhecido como o “bom ladrão”, que suplica: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (Lc 23,42). Ele era um malfeitor, era um corrupto que foi condenado à morte por causa da brutalidade que cometeu na vida. Mas ele viu na atitude de Jesus, na humildade de Jesus o amor. Esta é a força do reino de Cristo: o amor. A força de Reino de Cristo é o amor, por isso, a realeza de Jesus não nos oprime, mas nos liberta das nossas fraquezas e misérias, encorajando-nos a seguir os caminhos do bem, da reconciliação e do perdão. Olhemos para a cruz de Jesus, olhemos para a cruz do bom ladrão e digamos todos juntos aquilo que disse o bom ladrão: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. Pedir a Jesus, quando nos encontramos frágeis, pecadores, derrotados, para nos guardar e dizer: “O Senhor está ai. Não se esqueça de mim”. Diante de tantas dilacerações no mundo e das demasiadas feridas na carne dos homens, peçamos a Nossa Senhora que nos ampare no nosso esforço para imitar Jesus, nosso rei, tornando presente o seu reino com gestos de ternura, de compreensão e de misericórdia. Desejo a todos um bom domingo. Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Papa Francisco Fonte: zenit.org Agentes políticos de toda a região estiveram na Cúria Diocesana para a discussão do tema “Cidades Sustentáveis”. Dom Vicente Costa acolheu prefeitos, deputados, presidentes de Câmaras e vereadores das 11 cidades que formam a Diocese de Jundiaí, no encontro semestral, promovido pela Pastoral Fé e Política, que teve por tema “Cidades Sustentáveis”. “Cada vez mais a sociedade traz questões para a Igreja e nós tratamos de apresentá-las aos políticos”, disse ele, ao iniciar o evento, na Cúria Diocesana, dia 16 de novembro. Foi o segundo encontro de 2015. O primeiro foi em maio, quando foram debatidas a reforma política e eleições limpas. Américo Sampaio, educador em Direitos Humanos e assessor da Secretaria Executiva da “Rede Nossa São Paulo” e do Programa Cidades Sustentáveis, coordenou a reflexão e o debate. Para ele, “precisamos avançar essa pauta por conta dos recursos naturais, e o que chamamos de modelo de consumo, de produção é fundamental que esse debate aconteça nas cidades, pois é nela que a vida acontece”, explicou. “O programa ainda encontra resistência de prefeitos que não acreditam nessa mudança de cultura, porém, a maioria que conhece, fica empolgado e quer participar para construir a gestão com um outro conceito”, completou. Ao final da palestra, os participantes puderam partilhar as ações que já desenvolvem em suas cidades. O educador Américo Sampaio destaca a resistência do programa, de prefeitos que não acreditam na mudança de cultura. 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº444 O VERBO O Verbo Bispo dedica altar da Capela de Nossa Senhora das Graças e deposita relíquia de São João Paulo II O Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa, presidiu missa que marcou a dedicação do altar da capela e a entronização da relíquia na Comunidade Nossa Senhora das Graças, da Paróquia São Francisco de Assis, em Campo Limpo Paulista. “É tradição da Igreja sempre realizar cerimônia de dedicação do altar, que deve ser de pedra e deve ter a relíquia de algum santo. Dom Vicente escolheu o dia 24 de novembro por ser uma data próxima do dia de Nossa Senhora das Graças”, explica o pároco, padre Adeilson Rodrigues dos Santos. Para a ocasião, o ministro e coordenador da comunidade, Adeildo Nogueira A Capela de Nossa Senhora das Graças ficou repleta de fiéis. da Silva, teve a iniciativa de solicitar a relíquia de São João Paulo II. “Por ser um santo atual, que tanto amou a Virgem Maria, e que a maioria dos fiéis conheceu, pensamos ser a relíquia mais indicada. A comunidade se enche de ardor por isso”, afirma o pároco. O processo para a chegada da relíquia foi breve. “Fizemos contato com a Casa dos Santos, que fica em Roma. Foi exigida uma carta minha assinada pelo bispo. Enviamos e vinte dias depois recebemos um fio de cabelo de São João Paulo II”, detalhou o padre Padre Adeílson recebe relíquia vinda de Roma, um fio de cabelo de São João Paulo II. Adeilson. A missa foi acompanhada por cerca de 300 fiéis e pelos diáconos permanentes Manoel Messias Silva e Paulo Morais de Oliveira. Afrodescendentes celebram Zumbi dos Palmares A Catedral Nossa Senhora do Desterro, em Jundiaí, recebeu fiéis vindos de várias regiões da Diocese para a Missa Afro, presidida por Dom Vicente Costa, Bispo Diocesano, e concelebrada pelo vigário geral, padre João Estêvão da Silva. A celebração foi realizada no dia 19 de novembro, em ação de graças pelo Dia da Consciência Negra, comemorado dia 20. A história do Brasil, marcada pela escravidão, foi lembrada com pedidos de igualdade e de paz na sociedade. A primeira leitura, do Livro dos Macabeus 4,36-37.52-59 foi proclamada pelo prefeito da cidade Pedro Bigardi O VERBO (PCdoB). A procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi realizada ao som da canção “Maria, Maria”, entoada pelo Coral Afro 28 de Setembro. A Missa Afro, organizada pelo Círculo Palmarino, abriu oficialmente a Virada Negra, promovida pela Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial. Já em Louveira, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, a missa em ação de graças pelo Dia da Consciência Negra foi presidida, no dia 20, pelo padre José Renilton Fontes e concelebrada pelo padre João Benedito Pires das Neves, FOTO: DORIVAL PINHEIRO FILHO Missa em ação de graças pelo Dia da Consciência Negra foi celebrada por Dom Vicente na Catedral. pároco local. Um dos momentos marcantes da celebração foi a encenação feita pelas crianças mostrando a luta de Zumbi dos Palmares pela liberdade e retratando que a humanidade continua escrava. “São inúmeras as FOTO: JASSO SOUZA Os padres João Benedito (à esquerda) e José Renilton (ao centro) com irmãs missionárias, após celebração em Louveira. formas atuais de escravidão, das drogas à tecnologia, e precisamos nos libertar delas através do amor de Deus”, reflete Márcia Leme, que contribuiu com a organização e cantou no coral da missa. Além dos 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 paroquianos, um grupo de capoeira, um bloco carnavalesco e outros movimentos de Louveira foram convidados e participaram da celebração. Textos desta página: COMpasso Comunicação 5 O Verbo Dízimo uma questão de fidelidade e amor a Deus e a Igreja N a Diocese de Jundiaí, pelo segundo ano consecutivo, uma campanha publicitária foi desenvolvida para intensificar o trabalho de conscientização sobre o Dízimo nas paróquias. O tema de 2015 é “Dízimo: Compromisso de amor e fé” e tem por finalidade conscientizar a respeito do dever dizimal, principalmente àqueles que fazem parte da comunidade, são engajados e ainda não são dizimistas. Para este ano, a estratégia é levar as pessoas a fazerem a experiência, em primeiro lugar ,como sendo um desafio pessoal de conversão e depois, num segundo momento, a sua fidelização” declara o assessor diocesano da Pastoral do Dízimo, diácono Húdele Fabrício da Silva. O Santuário Nacional de Aparecida sediou entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, o Seminário Nacional da Pastoral do Dízimo. Representantes da Pastoral do Dízimo de todos os regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se reuniram no Centro de Even- Um pouco da história tos Padre Vitor Coelho de Almeida. A Diocese de Jundiaí esteve representada pelo coordenador e assessor diocesano da Pastoral do Dízimo, Marcos Bueno e diácono Húdele Fabrício, respectivamente. A proposta do encontro foi discutir o futuro da Pastoral do Dízimo abordando temas como a implantação, promoção e manutenção do Dízimo na Igreja. O Arcebispo de Salvador e vice-presidente da CNBB, Dom Murilo Krieger, falou sobre o principal objetivo do seminário e destacou a importância da Pastoral do Dízimo. Segundo o Arcebispo, durante a 52ª Assembleia Geral da Conferência, realizada em 2014, houve um momento de reflexão sobre a unidade entre os grupos do Dízimo das diferentes dioceses. Na ocasião, outros bispos manifestaram interesse em pensar novas metodologias para a Pastoral. A ideia é ter no Brasil “uma linguagem comum, uma metodologia própria, semelhante em todas as dioceses, um ‘caminhar juntos’, porque tem muita experiência rica no Dízimo”, explica. “O dízimo é a melhor maneira de a pessoa mostrar: ‘eu sou católico, eu participo da minha comunidade, eu ajudo na manutenção da minha comunidade, ajudo a olhar pelos os pobres, a cuidar daquilo que é necessário para o culto divino, para a evangelização’. Mas a Igreja, durante muitos séculos, buscou sobreviver por meio de festas, de quermesses, de rifas, mas tudo isso está superado”, considera Dom Murilo. As conclusões tiradas no encontro deverão ser publicadas em um novo documento da CNBB. Dinheiro que garante a missão da Igreja Para melhor compreensão do destino do dízimo e das ofertas, é necessário lembrar que a Igreja é comunidade de fé, culto e caridade. Segundo o Apóstolo Paulo, a fé vem da preparação. Para ajudar as pessoas a darem uma resposta à fé e para se manter viva esta resposta nas pessoas que entram na 6 comunidade, a Igreja precisa anunciar o Evangelho. O anúncio do Evangelho às pessoas que não despertaram para a fé em Cristo é a ação missionária. A animação da fé das pessoas que já deram seu sim a Cristo e integram a comunidade é a ação pastoral. Para realizar sua ação missionária e pastoral, a Igreja precisa de recursos, tanto para formar evangelizadores quanto para material de evangelização. É a dimensão missionária do dízimo. Como comunidade de culto, a Igreja celebra o louvor a Deus. Precisa de um lugar para que a comunidade celebre e de meios diversos para realizar as celebrações. É a dimensão religiosa do dízimo. Como comunidade de caridade, a Igreja deve realizar a promoção humana. A promoção humana vai além do dar coisas, procura conhecer as causas da pobreza e desenvolver ações para eliminá-las. É a dimensão social do dízimo. Para evangelizar, para celebrar o culto agradável a Deus, para promover a caridade, a Igreja precisa de 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 uma infra-estrutura mínima: templo, casa paroquial com residência dos padres, secretaria, funcionários, salas para catequese e reuniões, equipamentos e demais necessidades. O dízimo voluntário, generoso e consciente é a colaboração de cada família com a Igreja para ela continuar sua missão. Na história do Dízimo entre os cristãos, podem-se distinguir 3 fases: 1ª - até o século V; Embora a legislação sagrada dos judeus impusesse a Israel a prática do dízimo, entre os cristãos dos primeiros séculos prevalecia a consciência de que o Evangelho havia levado à consumação as obrigações rituais e disciplinares da Lei de Moisés, colocando o definitivo em lugar do provisório. Os pastores da Igreja, portanto, não pensaram, a princípio em impor aos cristãos o pagamento do dízimo. Todavia, a antiga literatura cristã registra exortações dirigidas pelas autoridades eclesiásticas aos fiéis, no sentido de oferecerem algo de seus haveres ou das primícias de suas colheitas aos ministros do Senhor e aos irmãos necessitados, a fim de sustentá-los. Tais obrigações procederiam da caridade do povo de Deus e não de uma imposição propriamente jurídica. O total das diversas contribuições (dízimos, primícias e outras oferendas) dos fiéis para a Igreja, equivale, geralmente, a um terço das rendas de cada cristão; dar a metade das mesmas não seria exagerado. Até o século V os documentos eclesiásticos apelam para a generosidade dos fiéis e supõem certa correspondência da parte dos mesmos no tocante ao sustento da Igreja, dos ministros do culto e dos irmãos. Todavia, não se encontra menção de sanção ou de penas canônicas para quem se subtraia às oblações praticadas na Igreja. 2ª – Do século VI à Revolução Francesa (1789) O VERBO ta. Tanto no Antigo Testamento como na história da Igreja de Cristo, sempre vigorou o critério dessa variada adaptação aos tempos. A praxe de contribuir para cobrir as necessidades da Igreja ia se difundindo no Ocidente. Havia, porém, exceções da parte dos contribuintes. Em vista disto, os Concílios foram intervindo nesse setor. Na Europa do século VI, as invasões bárbaras, a queda do Império Romano havia acarretado o caos e a insegurança entre as populações. Daí a necessidade de que os bispos despertassem mais vivamente os fiéis para participarem dos interesses de subsistência das suas comunidades. 3ª – A partir da Revolução Francesa (1789) No século XVIII, o Dízimo havia caído no franco desagrado dos fiéis cristãos. Já quase não preenchia as suas finalidades. Com efeito, destinado a atender as paróquias e ao seu clero, os Dízimos, em sua maior parte, iam beneficiar o alto clero e instituições estranhas ao serviço paroquial. Os grandes arrecadadores de dízimos eram prósperos, ao passo que vultoso número de presbíteros recebia uma “côngrua” insuficiente. Em suma, as quantias arrecadadas não eram devidamente aplicadas aos fins estipulados pela legislação eclesiástica e civil. Motivos que justificam a prática do Dízimo 1. A história desse costume dá-nos a ver que o Dízimo foi na literatura patrística, justificado pelas premissas lançadas nos livros do Antigo Testamento. A terra e todos os bens naturais pertencem ao Senhor. Em consequência, uma parte desses bens deve periodicamente reverter a Deus. 2. O cristão reconhece o domínio universal do Criador sobre todas as criaturas; dele procedem todos os bens e a ele devem ser dirigidos. Esse domínio universal do Senhor se estende, sem dúvida, aos bens materiais. Assim, os cristãos mantiveram a consciência de que deveriam exprimir sua dependência e reverência a Jesus, mediante a oblação de dádivas naturais ou monetárias. Estas serviriam ao sustento do culto sagrado, dos respectivos ministros e dos irmãos indigentes. Através dos primeiros séculos, verificou-se que o cumprimento de tal obrigação era negligenciado. Em consequência, os concílios regionais, a partir do século VI, foram impondo, sob sanção, a práticas dos dízimos. 3. A prestação de contribuições aos serviços do culto e dos irmãos vem a ser também o testemunho, dado ao mundo, de que os cristãos reconhecem sentido social e comunitário dos bens a eles confiados. 4. Mediante as suas contribuições materiais, os cristãos atestam também a sua consciência de que são membros vivos do povo de Deus e corresponsáveis pela missão que Cristo confiou à sua Igreja. 5. É justo e conveniente que a autoridade eclesiástica regulamente esse dever natural e cristão. Evidentemente, a regulamentação desse dever varia com os tempos e a eles se adap- 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 No Brasil, inicialmente, no tempo da colônia e Império, vigorava a contribuição do Dízimo, cobrado e em parte administrado pelo Estado, então oficialmente unido à Igreja. Quando do advento da República se deu a separação de Igreja e Estado, viu-se a Igreja privada dos recursos materiais ordinários para o cumprimento de sua missão evangelizadora. Daí ter tomado maior vulto e importância o processo que, de modo geral, até hoje vigora, de se exigirem dos fiéis, por ocasião dos serviços religiosos, contribuições determinadas, ditas “taxas, espórtulas e coletas”. Entre os anos de 1969 e 1972, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou um estudo sobre o Dízimo, oferecendo às Dioceses um Plano para a Implantação do Dízimo em âmbito Nacional, mas só em 1974 iniciaram as atividades de implantação nos Regionais. Em 1975, a CNBB lança o Documento 8, que é, até os dias atuais de utilidade para as Dioceses, paróquias e comunidades. Nas últimas décadas muito tem se refletido e investido no reavivamento da prática. Na Diocese de Jundiaí, a Pastoral do Dízimo atua na propagação, implantação e acompanhamento das Campanhas anuais do Dízimo. (Trechos do Documento 8 – Estudos da CNBB). 7 Igreja na Diocese Agentes da Pascom se reúnem no Santuário Nossa Senhora Aparecida P ropagar a palavra de Deus e evangelizar pelo uso dos meios de comunicação é um dos objetivos da Pastoral da Comunicação (Pascom) e foi assunto do encontro realizado na manhã de sábado, dia 14 de novembro, na Paróquia – Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, em Jundiaí. Padre Márcio Felipe de Souza Alves, assessor da Pascom Diocesana desde fevereiro de 2015, e 35 agentes da Pastoral estiveram reunidos para falar sobre o papel do comunicador cristão, trazer perspectivas e projetos para o próximo ano, além de refletirem sobre o trabalho que desenvolvem em suas paróquias. “Demos o primeiro passo e, a partir de agora, caminharemos juntos nessa missão”, afirma padre Márcio Para decidir as ações do ano que vem e avaliar o que foi realizado este ano, 35 agentes da Pascom se encontraram em Jundiaí. Felipe. Renato Braz Gomes, agente da Pascom da Paróquia São Paulo Apóstolo, em Cajamar, avaliou o encontro como uma injeção de ânimo. “Foi muito bom ouvir que podemos ser agentes de mudança em nossas paróquias, tendo como missão transmitir a palavra de Deus. Precisamos deixar que a imagem de Cristo transpareça em nossas ações e não nos vangloriarmos por aquilo que Renato Braz Gomes fazemos”, explicou. O próximo encontro está previsto para acontecer no primeiro trimestre de 2016. Novo Horizonte recebe Dom Vicente de braços abertos Entre os dias 12 e 15 de novembro, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, localizada no Jardim Novo Horizonte em Jundiaí, recebeu a Visita Pastoral Missionária do Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa. Um almoço foi servido para recepcionar o Bispo, que em seguida partiu para conhecer o bairro e as quatro comunidades: Nossa Senhora do Carmo, São Judas Tadeu, São Paulo e São João Paulo II. Nos quatro dias, Dom Vicente presidiu missa e o pároco, padre Adriano Ferreira Rodrigues, concelebrou. “Ele ficou agradecido pela enorme dedicação dos paroquianos e também os incentivou a continuar a missão em comunidade”, conta o presbítero. 8 Na programação da visita, aconteceram encontros com ministro extraordinários da comunhão, catequistas e membros dos conselhos da Ação Evangelizadora, e de Economia e Administração. Além disso, Dom Vicente visitou e abençoou entidades assistenciais, famílias carentes e idosos, principalmente, aqueles que não tinham condições de ir até a Igreja. “Cerca de 500 pessoas tiveram contato pessoal com o Bispo”, contabiliza o pároco. Na sexta-feira, dia 13, a Comunidade Missionária da Trindade e a Comunidade Filhos da Esperança, a qual cuida da reabilitação de dependentes químicos, ambas no Bairro Bom Jardim, em Jundiaí, receberam Dom Vicente. “A visita foi muito Irmãs da Comunidade Missionária da Trindade receberam Dom Vicente e padre Adriano. Os assistidos da Comunidade Filhos da Esperança, que fica no Bairro Bom Jardim, acolheram o Pastor da Diocese. aguardada por aqueles que estão passando por reabilitação. Ter o pastor tão próximo é muito significativo para eles”, agradece padre “Durante as visitas, cerca de 500 pessoas tiveram contato pessoal com o Bispo”, contabiliza o pároco , padre Adriano. Adriano. A Visita Pastoral Missionária a Paróquia Nossa Senhora Aparecida terminou com missa na Comunidade 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 São Judas Tadeu, no bairro do Poste, na manhã do domingo, dia 15. Textos desta página: COMpasso Comunicação O VERBO O Verbo Espiritualidade Laudato Si, capítulo 6: Educação e espiritualidade Pe. Enéas de Camargo Bête C aros amigos, retornamos ao resumo da Encíclica Laudato Si do Papa Francisco. No sexto capítulo, dedicado à “Educação e espiritualidade ecológicas”, o Pontífice convida-nos a apostar em outro estilo de vida, numa educação para a aliança entre a humanidade e o meio ambiente e para uma conversão ecológica, pois, como cristãos sabemos que por conta da ressurreição de Cristo a glorificação da cria- ção está associada à nossa: “Com efeito, o mundo criado aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois as criaturas foram sujeitas à vaidade, não voluntariamente, mas pela vontade daquele que as sujeitou, na esperança de serem também elas libertadas do cativeiro da corrupção para participarem da liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação até agora geme e sente dores de parto. E não somente ela, mas também nós que temos as primícias do Espírito gememos dentro de nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção de nosso corpo” (Rm 8,18-23). O Papa, convencido de que qualquer mudança requer motivação e educação, propõe algumas linhas de amadurecimento humano inspirado no tesouro da experiência espiritual cristã. A mudança para os cristãos deve fazer cumprir a nova evangelização numa transformação do ambiente (pessoa-próximo-criação): “Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas antes de tudo é a humanidade que precisa de mudar. Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração” (Papa Francisco. Laudato Si, §202). Viver a vocação de ser protetores da obra de Deus é uma parte essencial de uma vida virtuosa e não é um aspecto secundário de uma experiência cristã. Esta consciência básica permite o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e modos de vida, pois a preocupação com o meio ambiente abre as pessoas para questões profundas, que só a fé pode dar uma resposta satisfatória. O Papa sustenta assim, que a educação ambiental deve preparar-se para dar um salto para o mistério de Fé, onde uma ética ecológica adquire o seu significado mais profundo tendo como raiz Deus criador, providente e salvador. Essa ecologia integral deve também ser realizada por simples gestos cotidianos que quebram a lógica da violência, da exploração e do egoísmo. Os santos são testemunhas disso. Assim, além de citar várias vezes São Francisco, a encíclica recorda igualmente São Bento, Santa Teresa de Lisieux e o Beato Charles de Foucauld como paradigmas cristãos diante do respeito à criação. Enfim, o texto papal nos impulsiona a “tomar a nosso cargo esta casa que nos foi confiada, sabendo que aquilo de bom que há nela será assumido na festa do céu. Juntamente com todas as criaturas, caminhamos nesta terra à procura de Deus, porque, se o mundo tem um princípio e foi criado, procura quem o criou, procura quem lhe deu início, aquele que é o seu Criador. Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança” (§244). Irmãs Concepcionistas recebem Visita Canônica No último dia 5 de novembro, o Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa, esteve em Visita Canônica às Irmãs Concepcionistas do Convento Nossa Senhora das Mercês, na cidade de Itu. Nesta comunidade de vida contemplativa vivem 10 monjas que abnegaram tudo para se consagrarem plenamente a Cristo através de uma vida austera e silenciosa. Acompanhou nesta visita o assessor Diocesano da Vida Religiosa, padre Alberto Simionato, como também o padre Fernando Augusto Meira, pároco da Paróquia São Luis Gonzaga. O VERBO Este foi um momento muito significativo para as monjas, recorda a Madre Maria Angélica, pois pela primeira vez Dom Vicente se fez presente nesta comunidade. Acolher o Bispo é acolher o próprio Cristo. A visita de Dom Vicente simboliza primeiramente a comunhão entre o Convento e a Diocese, pois, mesmo sendo de vida contemplativa, as monjas não estão isoladas da realidade da Diocese, mas como exortou o Papa Francisco às Monjas Clarissas em Assis, no dia 4 outubro de 2013: “As religiosas de clausura são chamadas a ter uma grande hu- manidade, uma humanidade como aquela da Mãe-Igreja; humanas, para compreender todas as realidades da vida, para ser pessoas que sabem entender os problemas humanos, que sabem perdoar, que sabem rezar ao Senhor pelas pessoas”. Estar em um claustro, recordou Dom Vicente: “é deixar o mundo, mas não se esquecer que as suas orações são preciosas e necessárias para aqueles que estão no mundo”. O Pastor da Diocese exortou as religiosas a viverem uma “perfeita co- Dom Vicente e padres visitaram as Irmãs Concepcionistas, em Itu. 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 munhão espiritual e missionária”, pois a vida contemplativa significa uma força espiritual na Diocese, a decisão de recolherem-se em contemplação não significa que estão isoladas do mundo, mas procuram viver mais profundamente a vida de oração e contemplação. A Visita Canônica do Bispo consiste em conhecer a vida das monjas e através de conversas particulares com cada religiosa, deixar sua palavra de Pastor e Pai Espiritual. Colaboração: Padre Alberto Simionato 9 Igreja na Diocese Calendário Diocesano da Ação Evangelizadora 1º a 13 de Dezembro de 2015 DATA HORA 9h 1º 19h30 1º/12 PARTICIPANTES LOCAL Reunião Extraordinária Geral dos Presbíteros Dom Vicente e padres Cúria Diocesana - Jundiaí Encer. da Escola Dioc. Bíblico-Cateq. São José de Anchieta Dom Vicenete Costa Cúria Diocesana - Jundiaí 20h Reunião do Cons.Reg. da Ação Evangel. Ampliado – Reg. Past. 4 Membros Paróquia Santa Rita de Cássia - Jundiaí 3/12 20h Missa em Ação de Graças no Centro Catequético Diocesano – Núcleo Teológico Dom Gabriel Paulino Bueno Couto Alunos e Convidados Paróquia Santo Antônio - Jundiaí 4 a 6/12 18h 28º Reencontro Israel – Movimento Israel Convidados Casa do Senhor - Campo Limpo Paulista 4 a 6/12 - Retiro Missionário Paroquial - Paróquia Nossa Senhora da Alegria - Cajamar 4 a 6/12 - Retiro Missionário Paroquial - Paróquia Nossa Senhora do Rosário - Campo Limpo Paulista 4 a 6/12 - Retiro Missionário Paroquial - Paróquia São Francisco de Assis - Várzea Paulista 4/12 7h30 Visita ao Seminário São José Dom Vicente Costa Seminário São José - Várzea Paulista 4/12 19h30 Missa em Ação de Graças no Centro Catequético Diocesano – Núcleo Teológico Maria, Sede de Sabedoria Alunos e Convidados Paróquia Nossa Senhora da Piedade - Várzea Paulista 5/12 8h Encontro Vocacional Diocesano Vocacionados Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro - Jundiaí 5/12 9h Encontro de Atualização dos Diáconos Permanentes Diáconos e Esposas Cúria Diocesana - Jundiaí 5/12 - Retiro Missionário Paroquial - Paróquia Jesus de Nazaré - Cabreúva 5 a 6/12 - Retiro Missionário Paroquial - Paróquia Beato Frederico Ozanam Jundiaí - Jundiaí 5 a 6/12 - Retiro Missionário Paroquial - Paróquia São José - Jundiaí 6/12 10h Missa do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência Convidados Catedral Nossa Senhora do Desterro - Jundiaí 6/12 7h30 Festa Reg. em Louvor a Nossa Senhora da Imaculada Conceição Vicentinos e Convidados Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus - Jundiaí 6/12 9h Celebração do Sacramento da Crisma Crismandos e Povo Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Jundiaí 6/12 19h Celebração do Sacramento da Crisma Crismandos e Povo Paróquia São João Batista - Jundiaí 8/12 20h Reunião do Conselho Regional da Ação Evangelizadora da Região Pastoral 5 – Avaliação das Visitas Pastorais Membros Paróquia São José - Jundiaí 8/12 20h Missa em Ação de Graças no Centro Catequético Diocesano – Núcleo Teológico Santo Agostinho Alunos e Convidados Paróquia Santa Ana - Santana de Parnaíba 8/12 9h Manhã de Espiritualidade – Movimento Regnum Christi Convidados Aprendizado “Dom José Gaspar” - Jundiaí 9/12 9h Encontro do Bispo com padres e pastores Dom Vicente Costa a definir 11/12 19h30 Ordenação Diaconal André A. Monteiro e Celso R. João Povo Paróquia-Santuário Dioc. Nossa Senhora Aparecida - Jundiaí 12/12 8h30 Reunião do Cons. Dioc. da Ação Evangelizadora Ampliado Membros Cúria Diocesana - Jundiaí 12/12 20h Celebração do Sacramento da Crisma Crismandos e Povo Paróquia Sagrada Família – Itu 13/12 8h30 Profissão de Votos - Missão Belém Povo Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Jundiaí 13/12 15h Celebração do Sacramento da Crisma Crismandos e Povo Paróquia Santo Antônio - Várzea Paulista 13/12 18h30 Abertura da Porta Santa Povo Catedral Nossa Senhora do Desterro - Jundiaí 14/12 19h30 Envio de Jovens da Renovação Carismática Católica Dom Vicente Costa Catedral Nossa Senhora do Desterro - Jundiaí 14/12 20h Penitencial por ocasião do Jubileu da Misericórdia Dom Vicente Costa Catedral Nossa Senhora do Desterro - Jundiaí 10 1º ATIVIDADE 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 O VERBO Igreja na Diocese Paróquia Santa Gertrudes celebra Jubileu de Prata A Diocese de Jundiaí está em festa, pois entre os dias 13 e 22 de novembro, a Paróquia Santa Gertrudes, no Jardim Santa Gertrudes em Jundiaí, realizou Novena em comemoração a Festa da Padroeira. Vários padres convidados participaram dos momentos celebrativos. No dia 18 de novembro, a comunidade comemorou os seus 25 anos de existência. Centenas de fiéis e devotos de Santa Gertrudes vieram ouvir a Palavra de Deus na missa, que foi presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa, que falou aos fiéis sobre a padroeira Santa Gertrudes, que foi modelo de santidade, caridade e amor: “ É hora de nos empenhar para que a igreja cresça, uma igreja de missionários de Jesus, vamos olhar para o futuro com esperança, confiança, por que Deus nos acompanha”, finalizou o Pastor da Diocese. O pároco, padre Wagner Ferreira Pereira, NDS, agradeceu os presentes e manifestou a sua gratidão aos diáconos, agentes de pastorais e movimentos, e aos párocos que marcaram a história da comunidade. São eles: padres João Lúcio do Prado Neto, Edélcio Ferreira Neto, Antônio Carlos Gonçalves e Magnaldo Vicente da Silva, NDS. “Celebrar os 25 anos de história de nossa comunidade paroquial, é poder celebrar a vida de cada irmão e irmã que abraçaram esta paróquia como a nossa casa comum”, reforçou o presbítero. Após a celebração da Eucaristia, Dom Vicente, os padres, diáconos e fiéis se confraternizaram no salão paroquial. Texto e fotos: Renato dos Santos A comunidade paroquial se reuniu para celebrar os 25 anos de Instalação da Paróquia Santa Gertrudes. Aos fiéis e devotos o BIspo Diocesano, Dom Vicente, disse que “é hora de nos empenhar para que a igreja cresça, uma igreja de missionários de Jesus”. Padre Wagner afirmou que “celebrar 25 anos de história é poder celebrar a vida de cada irmão e irmã que tornou essa paróquia a nossa casa comum”. Solenidade de Cristo Rei encerra ano litúrgico Nos dias 21 e 22 de novembro, nas paróquias do mundo todo, foi celebrada a festa de Cristo Rei, a qual encerra o ano litúrgico. Na Paróquia Jesus de Nazaré, em Cabreúva, a missa festiva foi celebrada às 9h do domingo, pelo pároco, padre João Brito Campos. “Além de ser Cristo Rei, ainda foi o encerramento da nossa novena, a qual atraiu muitos fiéis. Foi magnífico”, comemora. Segundo padre João, a principal motivação da festa foi unir todas as comunidaO VERBO des da Igreja. “Essa comunhão é importante para a partilha de valores e a homenagem a Jesus, nosso caminho, verdade e vida, o qual nos chama a sermos seus missionários”, explica. Na ocasião, a Paróquia também inaugurou o salão de festas que estava em reforma e que agora tem capacidade para receber 500 pessoas. As missas da novena, iniciada no dia 13 de novembro, foram presididas por padres convidados, na sequência: Flávio Lima da Silva, Na Paróquia Jesus de Nazaré, em Cabreúva, a Solenidade de Cristo Rei finalizou a novena e foi presidida pelo padre João Brito. SDS, vindo de São Paulo; Leandro Megeto; Ivan de Oliveira; João Estevão da Silva; Lúcio Carlos Savieto; João Batista dos Santos; Geraldo da Cruz Bicudo de Almeida; Robinson Adolfo Veronezze, OSA; e Alberto Simionato. Já na Paróquia Cristo Rei, em Salto, a comemoração teve tríduo entre os 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 dias 18 e 20 de novembro. No dia 22, missa e procissão marcaram a festa litúrgica. Centenas de pessoas estiveram reunidas na comemoração social. Diversos prêmios foram sorteados. A Paróquia ainda continua em festa no fim de semana dos dias 28 e 29 de novembro, quando acontece uma cavalgada em direção à comunidade Nossa Senhora das Neves e almoço com leilão. COMpasso Comunicação 11 Igreja na Diocese Bispo constitui tribunal para investigar graça atribuída a padre Jordan O Bispo de Jundiaí, Dom Vicente Costa, instituiu um tribunal diocesano para o qual nomeou padres e leigos a fim de abrir processo diocesano para investigar fato extraordinário atribuído à intercessão de padre João Batista Jordan, mais tarde padre Francisco Maria da Cruz Jordan, fundador da Sociedade do Divino Salvador, SDS, em 1881. O tribunal deve escutar todos os envolvidos com o assunto, parentes, amigos ou médicos além de realizar exames médicos. O caso ocorreu em 2014. Um casal de salvatorianos esperava a chegada da filha quando foi surpreendido pela notícia de que o bebê seria portador de nanismo. Procurou ajuda médica e o caso foi encaminhado para diagnósticos mais detalhados. Descobriu-se também que a mãe estava com um tumor na placenta e tanto ela quanto a bebê corriam risco de morte. Diante da enfermidade, o casal rezou pedindo a intercessão do fundador dos salvatorianos. A partir de decisão médica, o parto, que seria em outubro do ano passado, foi adiantado para 8 de setembro, data em que se celebra a natividade de Maria e a morte do padre Jordan, ocorrida em 1918. A criança nasceu sem a displasia óssea predita e não foi encontrado tumor na mãe, contrariando diag- 12 nósticos e exames. A partir do fenômeno, tido como milagre pela família, o fato foi comunicado à Sociedade Divino Salvador. Foram juntados laudos médicos e todas as conclusões indicaram não haver explicações científicas para o ocorrido. Seguindo o processo de comprovação necessária, no mês de setembro, Dom Vicente recebeu o postulador oficial da causa, padre Adam Teneta, SDS, vindo de Roma, que o informou oficialmente sobre os acontecimentos. Para o tribunal diocesano que examinará o assunto, o bispo nomeou padre Paulo Eduardo Ferreira de Souza, juiz delegado; padre Adriano Ferreira Rodrigues, promotor de justiça; Márcia Simão Miranda Lima, notária; Rita Solange Rodrigues, notária adjunta; e doutor Eurico Alonço Malagoli, médico pericial. Da parte dos salvatorianos, o postulador oficial da causa, padre Adam, nomeou como vice-postulador da causa, na Diocese, o padre Francisco Sydney de Macedo Gonçalves, SDS. Cautelas no processo Antes de se decretar uma graça alcançada como milagre a Igreja tem alguns cuidados. “É necessário que a cura seja instantânea - logo que se pede -, duradoura e sem sequelas, O tribunal é composto por dois padres e três leigos. Eles vão entrevistar envolvidos e colher exames para continuidade de processo de comprovação do milagre. Pe. Francisco Maria da Cruz Jordan, SDS. O Bispo Diocesano assina Decreto para constituição do tribunal. sem explicação científica e que tenha sido atendida pela intercessão de apenas um candidato: no caso, que os pais tenham rezado pedindo o auxílio apenas de padre Jordan”, esclarece o vice postulador. Para ele, é uma alegria poder acompanhar um caso como esse de perto, mas é necessário ter cautela e oração de todos, principalmente, dos salvatorianos. “Esse é um início de processo, muitas etapas ainda precisam ser concluídas até a comprovação. A última palavra é do Papa”, explica. COMpasso Comunicação Dom Vicente faz juramento no tribunal, para inquérito diocesano. 2ª QUINZENA - NOVEMBRO/2015 - Nº 444 O VERBO