JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 FALHAS OCULTAS (HIDDEN FAILURES) EM SISTEMAS DE PROTEÇÃO E SEU IMPACTO NO SISTEMA ELÉTRICO DA CTEEP Daniel Nascimento Barbin Elder Ferreira Kobayashi Bruno Giacomini Isolani Engenheiro SR Análise Departamento de Operação - OP CTEEP - Brasil [email protected] Engenheiro SR Análise Departamento de Operação - OP CTEEP - Brasil [email protected] Engenheiro JR Análise Departamento de Operação - OP CTEEP - Brasil [email protected] Categoría Sistemas de controle, proteção e telecomunicações. RESUMO Com a reestruturação do setor elétrico brasileiro, novos competidores e investidores foram introduzidos no mercado de energia, modificando o comportamento gerencial das empresas. O mercado mais exigente e a busca pela qualidade na prestação dos serviços favoreceram o aumento da competitividade entre as empresas e desencadearam um movimento de otimização nos processos de geração e transmissão de energia elétrica. Em razão deste contexto foi necessário que as empresas discutissem e avaliassem os procedimentos de operação, manutenção e planejamento, com vistas agora à disponibilidade, confiabilidade e significativa redução de custos. Em continuidade ao processo de reestruturação, foi estabelecido pela ANEEL um mecanismo de penalidade denominado Parcela Variável – PV, onde a indisponibilidade dos ativos de transmissão é onerada por um desconto sobre sua receita. O objetivo da criação desse mecanismo é incentivar a maximização da disponibilidade dos equipamentos e instalações e a melhoria dos serviços prestados pelas transmissoras. Diante dessa nova realidade, os desligamentos forçados dos ativos de transmissão (Linhas de Transmissão, Reatores, Transformadores, Compensadores Síncronos etc.) com duração superior a um minuto são passíveis de aplicação da PV. Nesse cenário, a identificação e o tratamento das falhas ocultas presentes nos elementos de proteção dos diversos equipamentos existentes em uma subestação de energia, passam a ser de fundamental importância. PALAVRAS CHAVES. Falhas Ocultas, Proteção, Confiabilidade, Disponibilidade. INTRODUÇÃO Antes de desenvolver a análise de falhas ocultas deve-se notar que este tipo especial de falha é aplicável a todos os elementos do sistema de proteção, tais como transformadores de potencial (TP), transformadores de corrente (TC), cabos, terminais e conectores, todos os tipos de relés, canais, etc.. Assim, uma falha oculta é um defeito a partir do qual qualquer um dos elementos do sistema de proteção pode sofrer. O conceito fundamental é que esses defeitos por si mesmos continuam a passar despercebidos. Falhas ocultas são normalmente desencadeadas por outros eventos no sistema, tais como falhas ou mudanças nas condições do Sistema de Potência. A falha oculta é um defeito permanente no sistema de proteção que fará com que um sistema atue de forma incorreta e inadequada, removendo um elemento de circuito como uma conseqüência direta de outro evento. Seus efeitos podem aparecer em todos os momentos em sistemas de proteção, mas são fundamentais quando o sistema é submetido à uma falta ou sobrecarga. A simples configuração errada de um relé de proteção também pode ser definida como uma falha oculta. Falhas ocultas sempre existiram, e sua eliminação não é possível pela simples realização de manutenções periódicas. Elas são excepcionais e podem contribuir para eventos catastróficos como um apagão em uma determinada região de carga, 1 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 ou ainda promover desligamentos em cascatas no sistema de potência. 1 MECANISMOS DE FALHAS OCULTAS Na seqüência de um evento anormal, como uma falta, uma falha oculta pode levar a um mau funcionamento do sistema de proteção. Esta ligação entre as perturbações no sistema de potência e as falhas nos sistemas de proteção, será relacionada neste capítulo, para cada esquema de proteção contido neste trabalho. O objetivo da análise de falhas ocultas é determinar em que condições uma falha oculta pode levar a uma atuação incorreta da proteção (perda de segurança). Uma falha oculta no temporizador da zona 2 do relé de distância R1 fornece um exemplo desta ligação. Conforme mostrado na Figura 1, duas falhas são consideradas: uma falha (F1) na zona 2 e outra falha (F2) fora da zona 2. O elemento temporizador da zona 2 do R1 está ajustado em 300ms. Embora esta falha oculta esteja em uma área “escondida” (defeito no hardware do relé), acredita-se que uma proporção muito significativa de falhas ocultas estejam escondidas no sistema de lógica. Além disso, com uma maior utilização de relés digitais, os quais são concebidos com capacidade de auto-diagnóstico, a probabilidade de encontrar falhas de hardware escondidas dentro do relé é consideravelmente reduzida. Figura 2 – Esquema Lógico da Falta 1 vista por R1 . Conforme mostrado na Figura 3, a falha em F2 (ver figura 1) faz com que haja a partida correta da zona 3, porém a falha oculta no temporizador 2 não causará o seu mau funcionamento. Isto por que o tempo ajustado para o temporizador T3 é suficiente para que ocorra a atuação da proteção R3, promovendo o desligamento instantâneo do seu disjuntor e conseqüentemente a eliminação da falta. Claramente, neste caso a falha oculta localizada no temporizador T2 não causa o mau funcionamento do sistema de proteção, especificamente para a zona 3. Figura 3 – Esquema Lógico da Falta 2 vista por R1 Figura 1 – Mecanismos das Falhas Ocultas Conforme mostrado no diagrama de lógica na Figura 2, a falta em F1 provocará a partida da zona 2, porém o desligamento do disjuntor em B1 somente ocorrerá após decorrido o tempo ajustado para a zona 2. No entanto, se o temporizador não estiver funcionando corretamente, ou se o temporizador T2 estiver permanentemente fechado, a falta em F1 provocará a atuação da proteção R1, desligando o disjuntor instantaneamente, de maneira descoordenada. Assim, uma falha na linha 2 fará com que ambas as linhas 1 e 2 atuem instantaneamente. 1.1 REGIÃO DA VULNERABILIDADE Os dois últimos exemplos mostram que, dependendo da localização, uma falha oculta pode ou não ser crítica. A região de vulnerabilidade associada à uma falha oculta de um relé, é uma área onde parte do sistema de potência ou todo ele, fica exposta a uma atuação incorreta do relé de proteção. Para cada falha oculta e para cada tipo de relé corresponde uma região de vulnerabilidade. A região de vulnerabilidade de um relé é uma combinação de zonas de vulnerabilidade correspondente a cada um dos modos de falha ocultos. 2 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 1.2 EXEMPLOS DE ELEMENTOS MAIS PRESENTES NOS SISTEMAS DE PROTEÇÃO. Para analisar o potencial das falhas ocultas no sistema elétrico, neste trabalho vamos considerar alguns elementos mais presentes nos sistemas de proteção do sistema elétrico de potência, conforme abaixo: alcançado, com o objetivo de proteger 80-90% de uma linha. Se ocorrer uma falha à 20-10% restantes da linha (ver Figura 5), esta será eliminada instantaneamente pelo relé e disjuntor na subestação remota, e pela zona 2 de proteção na subestação local, com o atraso de 0,4 segundos, ou conforme ajuste definido em estudo. Relés de Distância e suas zonas de proteção. Relés de Sobrecorrente em Linhas de transmissão. Relés diferenciais utilizados na proteção de Barras e Transformadores. Figura 5 – Zona onde as faltas são instantaneamente eliminadas. 1.3 RELÉ DE DISTÂNCIA O princípio de funcionamento do relé de distância baseia-se na relação entre os fasores de tensão e corrente, chamada de impedância aparente: Z = V / I. A impedância da linha de transmissão por quilômetro é conhecida com exatidão. Em caso de uma falha, um cálculo linear permite avaliar com precisão a distância entre o relé e a localização de falhas: a impedância vista pelo relé é proporcional à distância para a falha. Para esta discussão, a forma exata das características em uso não é importante. Eles poderiam muito bem ser todos mhos, todos quadriláteros, ou uma combinação de relés mho e reatância. 1.5 ZONA 3 A zona 3 oferece uma função de proteção de backup, possuindo para tanto uma temporização que varia entre 1 e 2 segundos, conforme o estudo realizado. Por exemplo, abrange toda a linha protegida (linha 1, Figura 6) e 150% da linha mais longa conectado no seu terminal remoto, linha 2. A zona 3 deve ter seus ajustes coordenados com as proteções das linhas 2, 3 e 4 (Figura 6). Figura 6 – Fenômenos de “Infeed” A regra para configuração da zona 3 mencionado acima nem sempre atende todas as circunstâncias, mas ilustra bem o objetivo de proteção da zona 3, que é o de superar a linha 2. No entanto, este objetivo pode ser difícil de conseguir quando várias linhas estão ligadas à linha 1 e não há alimentação de outros circuitos. Considere a falta na linha 2, conforme mostrado na Figura 6, e as contribuições de corrente (“infeed”) para a citada falta, provenientes das linhas 1, 3 e 4. A impedância aparente vista pelo relé “R” não será apenas a soma das impedâncias de linhas individuais. Por causa da alimentação das linhas 3 e 4, a impedância vista na localização do relé mudou para: Figura 4 – Zonas de alcance do relé de distância. 1.4 ZONA 1 E ZONA 2 As zonas 1 e 2 de um relé de distância são utilizadas para proteger 100% da linha sem a intervenção do canal de teleproteção. A zona 1 fornece proteção instantânea: uma falha na zona 1 é eliminada sem qualquer atraso intencional. A zona 2 é atrasada a fim de coordenar com a zona 1 dos circuitos adjacentes. O temporização da zona 2 normalmente é fixada em 400ms e em alguns casos destina-se a fornecer uma proteção “back-up” para o barramento da outra extremidade. A zona 1 normalmente possui seu ajuste sub Zline1 ' = Z1+k _Z2 _(1+I4/I1+I3/I1) 3 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 1.7 ZONA VULNERABILIDADE DE UM RELÉ DE DISTÂNCIA Há uma zona de vulnerabilidade associada a cada modo de falha oculta em qualquer relé. Esta zona é uma região física do sistema de potência, de maneira que se uma falha ocorrer na citada região, onde haja um relé com uma falha oculta, o mesmo irá atuar incorretamente. Em geral, quando ocorrer uma falta no sistema, haverá a partida de algum elemento do relé, que conseqüentemente provocará a atuação do circuito de desligamento associado. Claramente, a zona de vulnerabilidade depende do tipo de relé, do arranjo do circuito de controle, e da natureza da falha oculta. A determinação da região de vulnerabilidade é o primeiro passo para proceder à análise das relações entre os desligamentos que levam à contingências múltiplas. Em comparação com a impedância aparente: Zline1 = Z1 + Z2 k Como Zline1 '> Zline1, a impedância aparente Zline1’ é maior do que Zline1. Neste caso, uma configuração comum "linha 1 + 150% da linha adjacente mais longa", linha 2, por exemplo, poderia provocar uma atuação incorreta da proteção. A configuração e o ajuste parametrizado no relé podem ser muito curtos e incorrer no subalcance da extremidade remota da linha 2 1.6 ANÁLISE DE FALHAS OCULTAS (AFO) Vários tipos de relés de distância estão atualmente em uso, como eletromecânicos, eletrônicos e digitais. Em todos os casos funções similares estão presentes, como relés com característica mho, relés de impedância e reatância, relés quadrilaterais, etc. Estes, juntamente com os temporizadores, e bobinas de atuação, formam os circuitos de controle, como mostrado na Figura 7. Como a Análise de Falhas Ocultas é baseada na funcionalidade, o esquema de lógica utilizado viabiliza a análise das possíveis falhas ocultas. 1.8 RELÉ DE SOBRECORRENTE DIRECIONAL A diferença entre uma função de sobrecorrente e uma função direcional de sobrecorrente é que esta última possui uma característica extra associada à direção da corrente medida, e não apenas ao módulo da corrente medida. Para que isto seja possível, deverá haver, para cada relé, uma referência de tensão, ou seja, os mesmos deverão ser polarizados. Há duas funções direcionais de terra: aquela para corrente de fase e aquela para corrente de terra. O código ANSI para a função direcional de sobrecorrente é (67). A figura 8 mostra uma conexão trifásica para 3 relés de sobrecorrente de fase e 1 relé de sobrecorrente de neutro. Figura 7 – Esquema lógico básico de um relé de distância. Tabela 1 – Nomenclatura dos elementos de proteção e controle Figura 8 – Relés de Sobrecorrente Direcional de fase (67A, 67B e 67C) e de neutro (67N). 4 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 Figura 9 – Zona protegida por relés de sobrecorrente Figura 10 – Diagrama esquemático de um relé de sobrecorrente direcional 1.9 FILOSOFIA DE ATUAÇÃO E APLICAÇÃO A função direcional de sobrecorrente deve atuar apenas se duas condições forem satisfeitas: Tabela 2 - Nomenclatura e elementos Esquema de Proteção de relés de sobrecorrente direcional. a) Intensidade de corrente acima do limite mínimo de ajuste; b) Corrente em um determinado sentido Sobrecorrente + Elemento Direcional = Direcional de Sobrecorrente Para este caso, dois modos de falhas ocultas são considerados: Os relés são conectados para atuar, por exemplo, para correntes saindo da barra para a linha. Caso haja corrente no sentido inverso, mesmo que de grande intensidade (condição de curto-circuito), essa função direcional de sobrecorrente não atua. Essa característica é muito importante para um esquema adotado de proteção, uma vez que, delimitando as condições com a imposição do fator direção, há maiores facilidades para obter seletividade (isto é, desligar o mínimo de componentes do sistema, para isolar a falha) no menor tempo possível. As funções direcionais de sobrecorrente de fase e de terra são utilizadas principalmente para a proteção de linhas de transmissão e subtransmissão, geralmente como proteção de retaguarda. Em alguns casos raros, também se utiliza para a proteção de transformadores, quando o fator “direção” torna-se necessário para uma boa coordenação da proteção em um sistema elétrico. a) Perda de direção e; b) Falha do temporizador. Figura 11 – Simulação da falta 1. 1.11 PROTEÇÕES DE BARRAS Um sistema elétrico de potência compreende subestações associadas às usinas geradoras, subestações de manobra e subestações transformadoras, interligadas por linhas de transmissão de modo a possibilitar o fluxo de potência elétrica das fontes de suprimento aos centros de carga. Dentro de uma subestação, o conjunto de condutores que tem a finalidade de servir de ligação comum para mais de um circuito é denominado barramento. Assim, a proteção eficiente de barras é um objetivo importante de ser alcançado, visto que, via de regra, os barramentos são o nó de ligação das entradas e saídas dos equipamentos de uma subestação. Por isso, uma proteção ineficiente 1.10 ANÁLISE DE FALHAS OCULTAS (AFO) Como antes, a AFO é baseada na análise funcional do circuito de controle, conforme a seguir: 5 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 pode colocar em risco a integridade de todo o sistema e, dependendo do tempo de recomposição, as conseqüências quase sempre têm alto impacto, quer na segurança, quer na operacionalidade. Figura 13 – Proteção Diferencial de Barras com TC curto-circuitado. 1.12 PROTEÇÃO DIFERENCIAL COM RELÉS DE SOBRECORRENTE A maioria das proteções diferenciais de barras utiliza relés de sobrecorrente no circuito diferencial. Este esquema de proteção é mais confiável do que seguro, podendo o relé atuar para uma falta externa, em caso de saturação do TC. Normalmente, o relé de sobrecorrente é ajustado com um valor baixo de corrente de partida, digamos 0,25 A. Esse ajuste é definido levando-se em conta que, as pequenas desigualdades nos valores de correntes secundárias dos TC’s, não provoquem a atuação da proteção de barras para faltas externas. Conforme explicado acima e ilustrado na figura 13, se o fluxo de corrente no alimentador, cujo TC encontra-se curto-circuitado, for da ordem 0,1 A, não haverá atuação do relé, uma vez que a corrente de partida ajustada é maior que a corrente circulante na malha diferencial. Entretanto, havendo uma falta externa à malha diferencial ou a circulação de uma corrente maior do que a ajustada no relé (0,5 A, ver Figura 14) pode ocorrer a atuação da proteção diferencial. Notar que, ocorrendo a saturação do TC, também podemos considerar que seria uma falha oculta semelhante. Figura 12 – Proteção Diferencial de Barras com relé de sobrecorrente Figura 14 – Proteção Diferencial de Barras com TC curto-circuitado. Nota: a saturação do transformador de corrente leva à mesma falha oculta. 1.13 ANÁLISE DE FALHAS OCULTAS Normalmente, dependendo do trabalho de manutenção que está sendo realizado no sistema de proteção, é usual que os circuitos de corrente secundária provenientes dos transformadores de corrente (TC’s) sejam curto-circuitados. Em alguns casos pode acontecer que quando o circuito de proteção é recolocado em serviço, inadvertidamente um dos curtos-circuitos colocados seja esquecido. Caso isto aconteça, dependendo da carga do circuito alimentador, cuja entrada de corrente encontra-se curto-circuitada, o relé de sobrecorrente não irá operar. Este defeito, então, permanece sem ser detectado, e constitui uma falha oculta. Assim a corrente proveniente do TC é igual a zero e se a carga do alimentador for alta, capaz de sensibilizar o relé, ou se houver uma falha externa, o relé irá atuar e promover o desligamento da barra. 1.14 RELÉS DIFERENCIAIS DE ALTA IMPEDÂNCIA A filosofia para este tipo de relé é a mesma empregada no item anterior. A diferença entre os dois tipos de relés consiste na larga capacidade de utilização de relés de alta impedância com TC’s saturados (o fenômeno de saturação de TC pode ocorrer quando o primário for percorrido por uma corrente muito elevada, comprometendo a relação de transformação deste equipamento. Neste caso, a corrente refletida no secundário será bem menor que a obtida teoricamente pela relação). Assim sendo, uma falta externa com um alto valor de corrente de curto-circuito, pode levar à saturação do TC. Para evitar este mau funcionamento, são utilizados os relés diferenciais de alta impedância (tensão), os quais possuem um 6 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 circuito LC em série com a sobrecorrente, ajustada para a freqüência de 60 HZ, objetivando evitar que o relé de tensão tenha uma operação errônea devido às componentes DC ou harmônicos. lados de AT e de BT do trafo. Nas filosofias mais atuais, a proteção atua sobre um conjunto de relés auxiliares de desligamento (94) e sobre os relés de bloqueio (86). Figura 15 – Princípio de Operação do relé diferencial de Alta Impedância (tensão) Figura 17 – Esquema de ligação da proteção diferencial 1.15 PROTEÇÕES DE TRANSFORMADORES Os transformadores de força (TF´s) se constituem como um dos mais importantes equipamentos de uma Subestação de Alta Tensão, podendo associar-lhes a responsabilidade maior, qual seja, adequar os níveis de tensões de transmissão e de distribuição da energia elétrica disponibilizada numa dada unidade de produção ou de distribuição e ainda, a de manter com segurança e confiabilidade, o atendimento à uma dada demanda e suprimento dessa energia, a ser realizado através de uma Subestação. Os cuidados maiores requeridos por essa proteção diferencial, dizem respeito às polaridades dos TC’s que a alimentam, da sensibilidade de ajuste (slope), bem como, de seus desempenhos para faltas fora da zona diferencialmente protegida e faltas limitadas por impedâncias de alto valor dentro da própria zona protegida pelo relé (faltas à terra através de arco voltaico nos enrolamentos), além dos comportamentos dos TCs AT e BT com relação aos valores das correntes de CC-trifásicos passantes pelo TF (faltas no lado de BT do TF). Estes aspectos são os grandes contribuintes para as falhas ocultas. 1.17 PROTEÇÃO DE SOBRECORRENTE Os transformadores de correntes (TC´s) que alimentam as proteções de sobrecorrentes devem ser dimensionados em função dos diferentes níveis de correntes de cargas atendidas e em função dos valores das correntes de curtos-circuitos trifásicos (rms) nas respectivas barras, de tal forma, a suportarem as elevadas correntes passantes, sem, contudo atingirem a condição de saturação. (Icc << I saturação ou Isc-nom = 20 x Inom-tc). Figura 16 - Diagrama Unifilar geral da Proteção de Transformadores 1.16 PROTEÇÃO DIFERENCIAL As filosofias de ajustes para os relés diferenciais são perfeitamente definidas, isto é, a proteção diferencial é extremamente seletiva, tal que, uma vez operada, ela atua sobre um relé auxiliar de bloqueio (Nº86), o qual transfere a ordem de desligamento para os disjuntores instalados nos 1.18 ANÁLISE DAS FALHAS OCULTAS Vários tipos de relés de proteção para transformadores são utilizados atualmente, tanto digitais como eletromecânicos. Em todos os casos, o conjunto composto pelos relés de proteção temporizadores e bobinas de atuação forma os 7 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 Qtde. Eqpto. Desligamentos CS 6 CS 2 8 circuitos de controle, e assim sendo a análise das falhas ocultas se baseia na funcionalidade dos esquemas utilizados. Destaca-se também a importância da análise sobre o comportamento dos TC’s, para que não ocorram saturações e com isso a atuação errônea das proteções. PV (R$) 715 483.45 267 713.76 983 197.21 Descrição da ocorrência Outros Motivos Falha Oculta CS - Compensador Síncrono Qtde. Eqpto. Desligamentos LT 34 LT 6 40 LT - Linha de Transmissão 2. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DO IMPACTO DAS FALHAS OCULTAS NAS SUBESTAÇÕES DA CTEEP Para o levantamento das perdas de receita decorrentes da aplicação da parcela variável e do comprometimento do valor do pagamento base (PB), foram colhidas apenas informações de ocorrências de outros desligamentos (ocorrências forçadas) no período de Janeiro de 2009 até Setembro de 2011, constituindo para o estudo um bom universo de valores. Não foram considerados neste estudo os desligamentos, cujos equipamentos, encontravamse sob franquia, e sim somente aqueles em que houve penalização. Também não foram considerados os desligamentos programados (manutenção), e sim somente, os desligamentos forçados, ou seja, aqueles cujo equipamento se encontrava em operação. As falhas ocultas que deram causa aos desligamentos forçados e conseqüentemente às penalizações pela aplicação da resolução ANEEL nº 270 (Parcela Variável por Indisponibilidade) foram identificadas e analisadas. As tabelas a seguir exibem os dados resumidos dos desligamentos de Linhas de Transmissão, Transformadores, Reatores, Compensadores Síncronos e Módulo Geral (Barras). Qtde. Eqpto. Desligamentos MG 11 MG 1 12 MG - Módulo Geral (Barras) Qtde. Eqpto. Desligamentos RE 15 RE 0 15 RE - Reator Qtde. Eqpto. Desligamentos TR 59 TR 4 63 PV (R$) 3 689 855.36 220 530.73 3 910 386.09 PV (R$) 3 029.74 6 756.65 9 786.39 PV (R$) 468 688.63 0.00 468 688.63 PV (R$) 5680616.09 553919.50 6 234 535.59 Descrição da ocorrência Outros Motivos Falha Oculta Descrição da ocorrência Outros Motivos Falha Oculta Descrição da ocorrência Outros Motivos Falha Oculta Descrição da ocorrência Outros Motivos Falha Oculta TR - Transformadores Tabela 4 – Resumo dos desligamentos em Equipamentos provocados por Falhas Ocultas. 3. RESULTADOS OBTIDOS Com base nos dados constantes nas tabelas anteriormente apresentadas, foi possível verificar Tabela 3 – Desligamentos 8 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 alguns pontos importantes, conforme gráficos abaixo: (8,88%) quando comparado com o valor dos pagamentos totais efetuado para os transformadores (Tabela 3), é importante ressaltar que este valor se “economizado” também poderia ser utilizado para aquisição de relés de proteção, disjuntores, transformadores de corrente, medidores, entre outros equipamentos, necessários para modernização e melhoria das instalações das transmissoras. Observa-se também que os desligamentos provocados por falhas ocultas em linhas de transmissão foram da ordem de 50% em relação ao total de desligamentos (figura 18), entretanto, o valor pago de penalização foi menor que o valor pago para os transformadores (figura 20). Isso se explica porque o tempo de restabelecimento dos transformadores, normalmente é mais demorado, tendo em vista a necessidade de inspeção no equipamento, e como a penalização se dá pelo tempo de indisponibilidade, é certo que o valor seja mais alto. Esse fato evidencia uma necessidade de se aprimorar os processos de manutenção nos transformadores buscando alternativas capazes de mitigar os desligamentos provocados não só pelas falhas ocultas nos sistema de proteção e controle, mas também pelos “Outros Motivos”. Além da penalização pela aplicação da PV, uma das maiores preocupações atualmente, não se limita apenas ao montante a ser pago, mas também a Energia não Suprida aos consumidores, o que impacta negativamente para a imagem da empresa perante a sociedade. É óbvio também que os estudos para redução dos desligamentos provocados pelas falhas ocultas nos sistema de proteção e controle devem se estender à todos os equipamentos existentes nas subestações, de forma a melhorar a confiabilidade desta como um todo. Falhas Ocultas por Equipamento 14 120,00% 12 83,33% 99,99% 91,66% 12 100,00% 10 80,00% 50,00% 8 6 60,00% 6 4 40,00% 4 2 20,00% 1 1 CS MG 0 0,00% LT TR Nº DESLIGAMENTOS TOTAL % Figura 18 – Falhas Ocultas por Equipamento No gráfico acima é possível notar que os desligamentos provocados em linhas de transmissão e em transformadores são os que mais contribuem para o número de ocorrências forçadas. Isso era de se esperar considerando o tamanho da empresa e a grande quantidade de km de circuitos de linha. Desligamentos por Falhas Ocultas e por Outros Motivos 140 127 102,0% 100,0% 100,0% 120 98,0% 96,0% 94,0% 92,0% 100 80 60 91,4% 40 0 Outros Motivos % 90,0% 88,0% 86,0% 12 20 DESLIGAMENTOS Falhas Ocultas Figura 19 – Desligamentos por Falhas Ocultas e por Outros Motivos Valores pagos somente para Falhas Ocultas R$ 600.000,00 R$ 553.919,50 R$ 400.000,00 120,0% 99,2% 86,3% R$ 500.000,00 100,0% 100,0% 61,7% R$ 300.000,00 80,0% 60,0% R$ 220.530,36 R$ 200.000,00 40,0% R$ 116.300,02 R$ 100.000,00 R$ 6.756,65 R$ - 20,0% 0,0% TR LT VALOR PAGO PV CS MG 4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Com este trabalho foi possível perceber a importância e a necessidade em se conhecer as falhas ocultas nos sistemas de proteção existentes nas subestações. Isto porque os desligamentos provocados pelas citadas falhas, além de trazer prejuízos financeiros à empresa pela aplicação da % acum Figura 20 – Valores pagos somente para Falhas Ocultas Como se pode observar na figura 20, os desligamentos ocorridos nos transformadores foram os principais oneradores da aplicação da parcela variável entre os ativos da transmissão. Embora o valor de R$ 553.919,50 seja pequeno 9 JORNADAS TÉCNICAS ISA - 2012 DADOS BIOGRÁFICOS DOS AUTORES. parcela variável, traz conseqüências perigosas para operacionalidade do sistema elétrico. Além disso, cada vez mais a sociedade está dependente da energia elétrica e a interrupção do seu fornecimento para grandes blocos de carga causa transtornos, que muitas vezes demandam muito tempo para o seu restabelecimento, prejudicando inclusive a imagem da empresa. Nesse contexto, entender as falhas ocultas, onde se localizam e com freqüência ocorrem, certamente é um passo grandioso para melhoria da confiabilidade de uma subestação. Outro fato importante é que, atualmente as empresas concessionárias de energia que desejam se destacar no âmbito do setor elétrico devem se valer das melhores estratégias de operação e manutenção, para assegurar um excelente nível de disponibilidade dos equipamentos e também um excelente índice de comprometimento de sua receita, principalmente quanto à redução dos impactos da parcela variável. Elder Ferreira Kobayashi Engenheiro Especialista em Proteção de Sistemas Elétricos. Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Itajubá - MG, Cargo Atual: Engenheiro Sênior de Analise, Departamento de Operação - CTEEP. Jundiaí, São Paulo, Brasil. Bruno Giacomini Isolani Engenheiro Eletricista. Faculdade Politécnica de Jundiaí, Jundiaí - SP, Cargo Atual: Engenheiro Júnior de Analise, Departamento de Operação - CTEEP. Jundiaí, São Paulo, Brasil. Daniel Nascimento Barbin Engenheiro Especialista em Proteção de Sistemas Elétricos. Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Itajubá - MG, Cargo Atual: Engenheiro Sênior de Analise, Departamento de Operação - CTEEP. Jundiaí, São Paulo, Brasil. 5. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS. [1] ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Resolução Normativa 270 de 26 de Junho de 2007. [2] ARAUJO, C.A.S. Proteção de Sistemas Elétricos. 1ª edição. Rio de Janeiro – Editora Interciência, 2002 [3] EPRI – Power System Reliability Assessment Incorporation Protection System Hidden Failures. [4] MAMEDE F. J. Manual de equipamentos elétricos. 3ª edição. Rio de Janeiro – LTC, 2005. [5] ELIZONDO, D.C. A Methodology to Assess and Rank the Effects of Hidden Failures in Protection Schemes base don Regions of Vulnerability and Index of Severity. 10