GABRIELLA LOJA ANELLO
EFEITOS DA LASERTERAPIA SOBRE A NOCICEPÇÃO E
HIPERNOCICEPÇÃO EM RATOS
Monografia apresentada à Universidade
Paulista de Medicina Escola Paulista de
Medicina para a obtenção do título de
ESPECIALISTA em Intervenção fisioterapêutica em Doenças Neuromusculares.
Orientador:
Prof. Henrique Hortêncio Neto
SÃO PAULO
2004
GABRIELLA LOJA ANELLO
EFEITOS DA LASERTERAPIA SOBRE A NOCICEPÇÃO E
HIPERNOCICEPÇÃO EM RATOS
Monografia apresentada à Universidade
Paulista de Medicina Escola Paulista de
Medicina para a obtenção do título de
ESPECIALISTA em Intervenção fisioterapêutica em Doenças Neuromusculares.
Orientador:
Prof. Henrique Hortêncio Neto
SÃO PAULO
2004
Autorizo a reprodução parcial ou total desta obra, para fins acadêmicos, desde que citada a fonte.
FICHA CATALOGRÁFICA
Preparada pela Biblioteca da Universidade Federal de São Paulo.
Gabriella Loja Anello
Efeitos da laserterapia sobre a nociepção e hipernocicepção
em ratos./ Gabriella Loja Anello; Orientador Prof. Henrique
Hortencio Neto. – São Paulo, 2004.
104 p.
Monografia (Especialização) – Universidade Federal de São
Paulo. Especialiazação em Intervenção Fisioterapêutica em
Doenças Neuromusculares (UNIFESP).
1. Laserterapia. 2. Nocicepção. 3. Inflamação.
CDD 615.831
II
GABRIELLA LOJA ANELLO
EFEITOS DA LASERTERAPIA SOBRE A NOCICEPÇÃO E
HIPERNOCICEPÇÃO EM RATOS
Presidente da banca:
Prof. Henrique Hortêncio Neto
Banca examinadora:
Francis Meiri Fávero Hortêncio
Abrahão Alcaim
Aprovado em:
____________
III
DEDICATÓRIA ESPECIAL
A Deus
Aos meus pais,
Norma Loja Anello e Antonio João Anello
pelo amor,
doação e entrega,
para a felicidade de seus filhos.
Aos meus irmãos,
Alexandre Loja Anello e Giovanni Loja Anello.
IV
AGRADECIMENTOS
•
A todos os meus colegas de Pós-Graduação
•
À Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, e à Clínica de Reabilitação
Neuromuscular, local de realização do Curso de Pós-Graduação.
•
À Universidade Bandeirante de São Paulo – UNIBAN, pela oportunidade oferecida
para a realização dos experimentos do trabalho.
•
Ao Professor Mestre Henrique Hortêncio Neto
•
À Professora Doutora Sissy Veloso Fontes
•
Á Professora Mestra Francis Meire Favero
•
Ao Professor Doutor Acary Sousa Bulle de Oliveira
V
LISTA DE TABELAS
página
TABELA 1. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com 3 densidades energéticas (2,3 e 4 J/cm²),
sobre a nocicepção em ratos,observados em diferentes momentos, numa comparação
entre grupos. São Paulo, 2004. ...............................................................................
25
TABELA 2. Efeitos da laserterapia (apliação única) com 3 densidades energéticas (2,3 e 4 J/cm² ),
sobre a nocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa comparação
dentro de cada grupo. São Paulo, 2004 ....................................................................
27
TABELA 3. Efeitos da laserterapia (apliação única) com 3 densidades energéticas (2,3 e 4 J/cm²),
sobre a hipernocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa
comparação entre os grupos. São Paulo, 2004 .......................................................... 29
TABELA 4. Efeitos da serterapia (aplicação única) com 3 densidades energéticas (2,3 e 4 J/cm²),
sobre a hipernocicepção em ratos, observados em diferentes momentos numa
comparação dentro de cda grupo. São Paulo, 2004 ................................................. . 31
VI
LISTA DE FIGURAS
página
FIGURA 1. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com 3 densidades energéticas (2,3 e 4 J/cm²),
sobre a nocicepção em ratos,observados em diferentes momentos, numa comparação
entre grupos. São Paulo, 2004. ...............................................................................
25
FIGURA 2. Efeitos da laserterapia (apliação única) com 3 densidades energéticas (2,3 e 4 J/cm² ),
sobre a nocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa comparação
dentro de cada grupo. São Paulo, 2004 ....................................................................
27
FIGURA 3. Efeitos da laserterapia (apliação única) com 3 densidades energéticas (2,3 e 4 J/cm²),
sobre a hipernocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa
comparação entre os grupos. São Paulo, 2004 .......................................................... 29
FIGURA 4. Efeitos da serterapia (aplicação única) com 3 densidades energéticas (2,3 e 4 J/cm²),
sobre a hipernocicepção em ratos, observados em diferentes momentos numa
comparação dentro de cda grupo. São Paulo, 2004 ................................................. . 31
VII
LISTA DE ABREVIATURAS
µl
-
Microlitros
5-HT
-
Serotonina
AINE
-
Antiinflamatório não esteroidal
As-Ga
-
Arseneto de Gálio
As-Ga-Al
-
Arseneto de Gálio e Alumínio
ATP
-
Adenosina Trifosfato
C
-
Velocidade de Propagação
CAR
-
Carragenina
COX
-
Cicloxigenase
CTR
-
Controle
d
-
Densidade energética
DP
-
Densidade de Potência
E
-
Energia
ev
-
Eletrovolt
f
-
freqüência
He-Ne
-
Hélio Neônio
Hz
-
Hertz
IL – 6
-
Interleucina – 6
IL – 1ß
-
Interleucina - 1ß
IL – 8
-
Interleucina – 8
J
-
Joule
J/cm²
-
Joule por centímetro quadrado
Km/s
-
Quilômetro por segundo
LSR
-
Laser
LSR + AINE
-
Laser + Antiinflamatório não esteroidal
m
-
Metros
ml
-
Mililitros
mW
-
Miliwatts
nm
-
Nanômetros
P
-
Potência
PG
-
Prostaglandina
PMN
-
Polimorfonucleares
S
-
Superfície
T
-
Período
t
-
Intervalo de tempo
TENS
-
Estimulação elétrica nervosa transcutânea
TNF – a
-
Fator de necrose tumoral – alfa
W
-
Watt
VIII
__________________________________________________________________________________________________________
ANELLO. G. L. Efeitos da laserterapia sobre a nocicepção e hipernocicepção em ratos. (Effects of
laser therapy on nociception and hypernociception in rats). 2004. 104 f. Monografia (Especialização em
Intervenção Fisioterapêutica em Doenças Neuromusculares). Universidade Federal de São Paulo
(UNIFESP). São Paulo, 2004.
______________________________________________________________________________________
RESUMO
A utilização da luz com finalidade terapêutica é um procedimento comum desde a antiguidade e a
radiação laser tem sido bastante utilizada pelo seu potencial terapêutico, apesar das controvérsias quanto a
sua aplicação clínica. O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos da laserterapia, sobre a nocicepção na
pata de ratos. Para tal, foram utilizados ratos wistar adultos, machos, nos quais foi induzida a nocicepção
pelo calor e a hipernocicepção pela carragenina. O laser utilizado foi o semicondutor infravermelho portátil,
de 45 Watts de emissão de pico e modelo LIVM 904 (KLD®), na densidade energática 2 Joules/cm², em
aplicação única. A carragenina lambda 1% (sigma®) foi injetada (0,1 ml/rato, via subcutânea) no coxim
plantar da pata posterior esquerda de cada rato. O limiar da nocicepção foi medido por meio do teste Plantar
(Ugo Basile®) antes e após 1,2,3,4,5,6, e 8 horas da indução da nocicepção. O s resultados observados
indicam que a laserterapia na densidade energética 2J/cm² tem bom desempenho na modulaçã da
nocicepção e da hipernocicepção. Vale ressaltar que a irradiação laser é uma boa opção terapêutica para o
tratamento da dor de origem inflamatória e não inflamatória.
SUMÁRIO
Página
LISTA DE TABEAS ............................................................................................................................ V
LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................................ VI
LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................................................ VII
RESUMO .............................................................................................................................................. VIII
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................
01
2. REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................................
02
3. OBJETIVOS ......................................................................................................................................
17
3.1. Geral ................................................................................................................................................ 17
3.2. Específicos ........................................................................................................................................ 17
4. MÉTODO ...........................................................................................................................................
18
4.1. Animais ............................................................................................................................................
18
4.2 Drogas ...............................................................................................................................................
19
4.3 Material .............................................................................................................................................
19
4.4 Procedimentos ...................................................................................................................................
20
4.4.1. Indução da resposta inflamatória aguda ....................................................................................
20
4.4.2. Medida do limiar de nocicepção .................................................................................................. 20
4.4.3. Aplicação da irradiação laser na pata dos ratos ......................................................................... 21
4.4. Delineamento Experimental ............................................................................................................ 21
4.4.1. Experimento 1 ................................................................................................................................ 21
4.4.2. Experimento 2 ................................................................................................................................ 22
4.5. Análise estatística ............................................................................................................................. 23
5. RESULTADOS .................................................................................................................................... 24
6. DISCUSSÃO ........................................................................................................................................ 32
7. CONCLUSÃO ...................................................................................................................................... 35
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................... 36
1. INTRODUÇÃO
A luz tem sido utilizada desde a antigüidade com finalidade terapêutica, sendo
que a aplicabilidade clínica das diversas fontes geradoras de energia luminosa é atribuída à
conformação física do espectro luminoso. Dentre as inúmeras fontes geradoras de energia
luminosa utilizada rotineiramente na prática clínica, pelos profissionais da área de saúde,
nenhuma demonstra potencial tão promissor quanto o laser.
O laser somente pode ser gerado na década de 60, sendo hoje desenvolvido a
partir de inúmeros elementos geradores, e dentre os mais comuns na prática clínica estão
os gasosos (ex: Hélio e o Neônio) e os semicondutores (ex: arseneto de gálio), os quais
podem reduzir o custo atual desta terapia, assim como propiciam o desenvolvimento de
fontes geradoras mais compactas.
A fundamentação científica para a terapêutica com laser baseia-se nas seguintes
características físicas, que o diferenciam da luz comum: monocromaticidade (uma só cor),
coerência espacial e temporal (sincronismo) e colimação (unidirecionalidade). Estas
características físicas atribuem ao laser diferentes propriedades terapêuticas, tais como:
analgésica, antiinflamatória, antiedematosa, regenerativa, bioestimulante e capacidade de
aumentar a microcirculação local e a síntese de colágeno e fibroblastos.
As propriedades terapêuticas do laser vão ao encontro das necessidades cada
vez maiores de desenvolvimento e fundamentação de novas técnicas e recursos eficazes,
porém, menos agressivos, para o tratamento, por exemplo, das reações inflamatórias
agudas, em função principalmente de doenças ou lesões traumáticas que a vida moderna
pode gerar.
Desta forma, uma das áreas de grande interesse na aplicação do laser pode ser
a Traumatologia, dentre outras, uma vez que esta técnica pode favorecer a reabilitação e
diminuir a perda funcional em certos tipos de traumas.
2. REVISÃO DA LITERATURA
A utilização da luz com finalidade terapêutica é um procedimento comum desde a
antigüidade, embora o seu emprego, respaldado por trabalhos científicos, só começou a
acontecer a partir da década de 20 (WIROTIUS, 1999). Albert Einstein, em 1917, delineou a
fundamentação teórico-científica para a amplificação da luz pela emissão estimulada da
radiação, conhecida pelo acrônimo oriundo da língua inglesa LASER (Light Amplification by
Stimulated Emission of Radiation), a qual foi consolidada a partir da década de 30, graças
aos inúmeros avanços científicos no campo da física. Porém, somente em 1950, Townes et
aI. viabilizaram a construção de um oscilador que operava na banda de ondas milimétricas,
chamada MASER (Microwave Amplification by Stimulated Emission of Radiation)
(CRUANES, 1984; VEÇOSO, 1993; BAXTER, 1994; BAXTER, 1998).
Ainda assim, a radiação laser só pode ser concretizada a partir dos experimentos
dos americanos Townes e Schawlow, e dos soviéticos Nikolai Basov e Alexandr Prokhorov,
em 1958, e por Theodore Maiman, em 1960, que produziu o primeiro feixe de luz de laser a
partir de um gerador de rubi, operando em 694,3 nanômetros (nm) (CRUANES, 1984).
A utilização do laser na prática clínica iniciou-se em 1961, no Hospital
Presbiteriano de Nova York, onde foi praticada com êxito a primeira intervenção cirúrgica
utilizando-se o laser como meio substitutivo ao bisturi metálico. A partir desta época
inúmeros materiais foram utilizados como geradores para a radiação laser, destacando-se,
em 1962, a utilização dos semicondutores, ou do CO2, em 1964 (BASFORD, 1989;
VEÇOSO, 1993).
GOLDMAN (1981) fundou em 1961 o primeiro laboratório de faser para
aplicações médicas, onde foram desenvolvidas as primeiras experiências em animais,
possibilitando assim avanços como os de Patel, em 1962, que desenvolveu o primeiro faser
com finalidade terapêutica, um Hélio-Neônio (HeNe) com comprimento de onda de 632,8 nm
(PONTINEN, 1992).
Data marcante para a área de reabilitação foi o ano de 1965, pois nesta época
Sinclair e Knoll adaptaram o laser à prática terapêutica, embasados em estudos prévios in
vitro sobre o aumento do metabolismo celular, que se baseavam no aumento da velocidade
mitótica, em células irradiadas pelo laser (CRUANES, 1984; BAXTER, 1998). Tendo em
vista as inúmeras formas de geração e utilização da laserterapia, foram desenvolvidas
diversas formas de classificação da mesma; uma das mais comuns leva em consideração a
sua potência de emissão: em soft laser, com potência de emissão até 50 mW, mild laser com
potência de emissão acima de 50 mw, e hard laser com potência de emissão acima de 8 w
(CRUANES, 1984; BASFORD, 1989; VEÇOSO, 1993).
Segundo OHSHIRO e CALDERHEAD (1988) e BAXTER (1998), a laserterapia
de baixo nível consiste na aplicação terapêutica de lasers e diodos superluminosos
monocromáticos de intensidade relativamente baixa, abaixo de <35 J/cm2. Além disso, para
RIGAU (1996) os lasers mais utilizados para a terapia com baixa potência têm seu
comprimento de onda entre 600 e 1000 nm, e apresentam uma boa penetração na pele e
nas mucosas.
Os lasers terapêuticos mais utilizados nas décadas de 70 e 80 foram os de HeNe
com emissão na região do visível, mas que apresentavam uma pequena penetração nos
tecidos biológicos, limitando assim sua utilização em lesões mais profundas. Estes são
compostos por uma mistura dos gases Hélio e Neônio, em uma proporção de 90% para o
Hélio e 10% para o Neônio, como elemento gerador para a radiação laser, e sua
aplicabilidade mostrou-se mais efetiva para a área de estética (CRUANES, 1984).
Na década de 90, passou-se a utilizar os fotodiodos emissores como geradores
para a radiação laser, com comprimento de onda próximo a 904 nm, e um formato pequeno
e compacto, podendo operar de forma contínua ou pulsada, além de ter maior penetração
no tecido biológico, pois a profundidade de penetração do laser depende do coeficiente de
absorção tecidual para o comprimento de onda utilizado (BOURGELAISE, 1983; FULLER,
1983; CRUANES, 1984; BAXTER, 1998).
O laser de Arseneto de Gálio (AsGa), segundo BAXTER (1994), e uma radiação
obtida através da estimulação de um diodo semicondutor, formado por cristais de arseneto
de gálio, que é também conhecido como laser semicondutor ou laser diodo. Ainda, de
acordo com este autor, as características básicas do laser AsGa, são: regime de emissão
pulsado, comprimento de onde 904 nm e cor infravermelha (invisível a olho nu).
O laser semicondutor é gerado a partir da passagem de corrente elétrica através
de uma substância que possui uma condutividade inferior a dos metais (ex: o silício, o
germano e o arseneto de gálio); assim, são produzidas sucessivas combinações de
partículas, acompanhadas de desprendimento de energia luminosa (fóton), desde de que a
intensidade da corrente elétrica seja suficiente para a estimulação e recombinação de
partículas necessárias, ocorrendo, portanto, a produção de uma radiação ordenada
(TAVARES, 2002). De acordo com BAXTER (1998), para que haja a produção de laser, é
necessário o "bombardeamento" com energia elétrica de substâncias gasosas (HélioNeônio) ou semicondutoras (arseneto de gálio ou arseneto de gálio e alumínio), emitindo
assim um feixe de luz (visível ou não, dependendo do comprimento de onda).
LEHMANN e LATEUR (1994) descreveram o laser como sendo uma onda
eletromagnética constituída por um feixe de fótons de mesma freqüência em coluna e
comprimento de onda em fase. Segundo VEÇOSO (1993), a onda é uma perturbação ou
distúrbio transmitido através do vácuo ou por meio gasoso, líquido ou sólido. Conforme
relato de HALLlDAY, RESNICK e WALKER (1981), por se tratar de ondas eletromagnéticas;
a radiação laser é transportada por meio de "pacotes", chamados de quantuns ou fótons,
que percorrem o espaço realizando movimentos oscilatórios; o nível de energia dos fótons,
cuja unidade é dada em eletrovolt (ev) ou joule (J), determina as características de
propagação das ondas eletromagnéticas. As ondas eletromagnéticas variam de acordo com
diversos parâmetros físicos, dentre os quais podemos destacar: ciclo, período, comprimento
de onda, freqüência, velocidade de propagação, trabalho e densidade energética. O ciclo é
caracterizado como sendo a menor porção não repetitiva da onda. O período é o tempo
gasto para efetuar um ciclo, sendo representado pela letra “T” e medido em segundos. O
comprimento de onda é a distância percorrida pela onda em um período, sendo
representado pela letra lambida e medido em metros (m). A freqüência é o número de ciclos
realizados em um segundo, representado pela letra “f” e sua unidade é dada em hertz (Hz).
A velocidade de propagação de toda onda eletromagnética no vácuo é fixa, 300.000
quilômetros por segundo (Km/s), sendo representada pela letra "c". A energia é a
capacidade de efetuar um trabalho, sendo representado por "E". A potência ou irradiância é
a quantidade de energia utilizada em um intervalo de tempo (t), simbolizada por "P", e sua
unidade é o watt (W). E, por fim, a densidade de energia (ou fluência) representada pela
letra "d" é a quantidade de energia utilizada em uma determinada superfície “S” (VEÇOSO,
1993; OKUNO; CALDAS; CHOW, 1997).
Segundo BAXTER (1998), o laser terapêutico possui algumas características
que o difere da radiação gerada por outras fontes luminosas, dentre as quais podemos
destacar, a monocromaticidade, a colimação e a coerência. A palavra monocromaticidade
quer dizer "uma só cor"; assim sendo, a maior parte da radiação emitida pelo aparelho de
uso terapêutico agrupa-se em torno de um pico de comprimento de onda, com uma
amplitude limitada. Como o comprimento de onda determina os efeitos terapêuticos
específicos da laserterapia, este parâmetro determina quais as biomoléculas específicas
que absorverão a radiação, ocasionando uma interação fotobiológica subjacente a qualquer
efeito terapêutico específico. A colimação significa que os raios de luz fótons produzidos
pelo laser não promovem nenhuma ou quase nenhuma divergência da radiação emitida ao
longo da distância percorrida, mesmo através dos tecidos; a colimação também foi
denominada por CRUANES (1984) de unidirecionalidade. A coerência é o sincronismo entre
o tempo (coerência temporal) e o espaço (coerência espacial) dos fótons emitidos pelo
laser.Também, foi citado por CRUANES (1984) e por VEÇOSO (1993) que estas três
características (monocromaticidade, unidirecionalidade e coerência) somam-se a uma
quarta, que é o “alto brilho”, sendo esta a propriedade básica do laser como instrumento
terapêutico e cirúrgico. O autor esclareceu ainda que a grande quantidade de energia
produzida é focalizada em uma superfície reduzida permitindo obter das emissões laser uma
elevada potência e densidade energética.Os autores GONZÁLES e CRUANES (1988)
afirmaram que ao adicionar telúrio a um dos cristais de arseneto de gálio, confere-se uma
característica elétrica positiva (onde faltam elétrons). No segundo cristal, acrescentando-se
zinco, resultará na característica elétrica negativa (com excesso de elétrons) e, com esta
união, tem se um diodo semicondutor. A passagem da corrente elétrica nesse diodo
resultará na obtenção de energia que, amplificadas pelas extremidades do diodo, escapam
e formam a radiação a laser
NEMTSEV e LAPSNIN (1997) descreveram duas formas de emissão para a
radiação laser, a forma contínua e a forma pulsada; também, outras variáveis tais como,
potência de emissão de pico, densidade energética e tempo de aplicação variarão de acordo
com o tipo de aparelho, área a ser tratada e potência do aparelho. E, segundo MORRONE et
aI. (1998) e BOLOGNANI et aI. (1993), a radiação contínua apresenta melhores resultados
que a radiação pulsada, para o efeito da foto-bioestimulação. Ainda, nesta direção,
BOURGELAISE (1983) relatou que a forma de aplicação pulsada ainda é pouco utilizada,
tendo um maior emprego na área clínica do que na área terapêutica. Do ponto de vista
terapêutico, CALDERHEAD (1981) relatou a similaridade nas respostas fisiológicas obtidas
entre a aplicação clínica do laser diodo de AsGaAI e o laser diodo de Nd:YAG
(Neodímio:Ytrio-Alumínio-Granada), operando em 1064 nm, como elementos atenuadores
no quadro álgico (dor).
Na laserterapia de baixa intensidade, a luz pode interagir com o tecido de
duas formas básicas. A primeira através do espalhamento da luz incidente, que representa
a mudança na direção de propagação da luz, enquanto esta transita nos tecidos, devido à
variabilidade nos índices refrativos dos componentes do tecido, em
relação à água; este
espalhamento irá provocar um certo "alargamento" do feixe, durante sua passagem no
tecido irradiado, ocorrendo uma rápida perda da coerência. Já, a segunda forma de
interação dar-se-á através da absorção da luz por um cromóforo, ou seja, uma biomolécula
através de sua configuração eletrônica ou atômica pode ser excitada por um fóton ou fótons
incidentes (BAXTER, 1998).
Dentre as duas formas do laser interagir com to tecido, a segunda delas é
considerada a mais importante e é mais bem explicada por GONZÁLES e CRUANES
(1988); segundo estes autores, esta forma é chamada de "absorção seletiva", ou seja, os
tecidos do organismo têm uma função fotorreguladora a partir de certos fotorreceptores
capazes de absorver um fóton de um determinado comprimento de onda e provocar uma
transformação da atividade funcional e metabólica das células.
Dentre as diversas classificações dos efeitos fisiológicos da laserterapia de
baixa intensidade, uma das mais simples é a adotada por CRUANES (1984), na qual os
efeitos do laser são divididos em: primários, secundários e terapêuticos, de acordo com o
princípio de ação do laser. Os efeitos primários ou diretos são discretos, e subdividem-se
em três outros efeitos: bioquímicos, bioelétricos e bioenergéticos.
Os efeitos bioquímicos são subdivididos em duas ações básicas, a partir da
absorção da radiação laser através da absorção de fótons por parte da célula, diretamente
por captação em nível de cromóforos mitocondriais ou por ação em sua membrana celular,
e sua posterior transformação em energia bioquímica utilizada em sua cadeia respiratória
(KARU, 1988). A primeira ação do laser é a liberação de
substâncias pré-formadas, tais como a histamina, e a diminuição da liberação de
neurotransmissores nociceptivos como a serotonina e a bradicinina (ATAKA, 1989;
VEÇOSO, 1993). Já, a segunda é caracterizada pelas modificações estimulatórias ou
inibitórias em reações enzimáticas normais, tais como aquelas envolvidas na produção de
ATP (adenosina trifosfato), inibição da síntese de prostaglandinas, lise da fibrina e
aumento da síntese de endorfinas e, ainda, na ativação da indução de síntese de enzimas
que têm como alvos primários os lisossomos e as mitocôndrias das células (KARU et aI.,
1989; ROCHKIND et aI., 1989; SOLOGNANI et aI., 1993; OSTUNI; PASSARELLA;
QUAGLlANIELLO, 1994; SOL TON; YOUNG; DYSON, 1995).
Os efeitos bioelétricos ocorrem através de alterações no potencial de
membrana causadas pela radiação laser (PASSARELLA et. al., 1984), as quais induzem a
um incremento na síntese de ATP e mobilidade iônica, gerando assim a potencialização da
bomba de sódio e potássio (VEÇOSO, 1993).
Os efeitos bioenergéticos estão baseados na capacidade do laser de
normalizar o contingente energético, que coexiste com o contingente físico de cada
indivíduo, como por exemplo, a normalização e o equilíbrio da energia no local da lesão.
Com a liberação de histamina e bradicinina, ocorre a sensibilização dos receptores
dolorosos, que é corrigida através da permeabilidade de vênulas e das dilatações das
arteríolas (CRUANES, 1984).
Dentre os efeitos secundários ou indiretos, VEÇOSO (1993) descreveu os
seguintes efeitos: estímulo a microcirculação e estímulo ao trofismo celular. O primeiro está
ligado à liberação de histamina pelo laser, com paralisação dos esfíncteres pré-capilares e,
como conseqüência, o fluxo sanguíneo é aumentado durante a aplicação e em até 20
minutos após cessar a irradiação com laser, além de aumentar o grau de vascularização do
tecido neoformado, quando se irradia feridas em processo de cicatrização (BENEDICENTI,
1982; MIRÓ et aI., 1984; TRELLES; MAYAYO; IGLESIAS, 1983; MAYAYO; TRELLES;
MESTER, 1984). Este aumento de fluxo estende-se também à circulação linfática
(LIEVENS, 1991). Já, o segundo está associado ao aumento na produção de ATP, e na
velocidade mitótica, o que proporciona aumento da velocidade de cicatrização e também
melhor trofismo dos tecidos. Dentre os efeitos terapêuticos do laser é possível destacar o
efeito analgésico, antiinflamatório, antiedematoso, cicatrizante e imunológico (BAXTER et
aI. 1991; CRUANES, 1984).
O efeito analgésico do laser de baixa potência é citado na literatura (OHSHIRO;
CALDERHEAD, 1988; VEÇOSO, 1993), sendo este explicado por vários fatores, como pela
sua ação antiinflamatória, associada à reabsorção de exsudatos e eliminação de
substâncias alógenas através do estímulo a microcirculação. A redução do limiar de
excitabilidade dos receptores dolorosos, através da redução na síntese de prostaglandinas,
diminui a ação da bradicinina e, como conseqüência, tem-se a manutenção do limiar de
excitabilidade dos receptores dolorosos. Outro ponto importante a ser destacado é a
liberação de beta endorfinas (CRUANES, 1984; VEÇOSO,1993). Nesta mesma direção
BASFORS (1989) descreveu que 60 a 80 % das pessoas respondem com analgesia quando
submetidas a laser terapia na prática clínica.
O efeito antiinflamatório, segundo CRUANES (1984), ocorre pela interferência na
síntese de prostaglandinas, assim como pelo estímulo a microcirculação, que garante um
aporte eficiente de elementos nutricionais e de defesa para a região lesada.
De acordo com TRELLES et al. (1988), a irradiação tecidual com laser de baixa
potência pode incrementar entre 30% a 70% a produção de histamina local e sistêmica. De
fato, EL SAYED e DYSON (1990) escreveram que a utilização de laser de baixa potência
pode produzir um aumento do número de mastócitos, bem como sua respectiva
degranulação.
Os mastócitos e os mediadores biologicamente ativos que são liberados durante
a sua degranulação são importantes durante a primeira fase inflamatória da cicatrização de
feridas, tanto pelo papel que desempenham na permeabilidade vascular, com pela liberação
de substâncias que influenciam na regulação da migração linfocitária e na adesão molecular
das células endoteliais a partir dos capilares venosos (RIGAU, 1996).
Conforme relataram CRUANEs (1984) e SILVA, FILHO e MUSSKOPF (1998), o
efeito antiedematoso do laser acontece também pelo estímulo a microcirculação, que
favorece melhores condições de drenagem do plasma que forma o edema, assim como pela
ação fibronolítica, que proporciona a resolução efetiva do isolamento causado pela
coagulação do plasma, que determina o edema duro.
O efeito bioestimulante ou biomodulador do laser de baixa potência passou a ser
descrito na literatura por MESTER (1966), quando este apresentou os primeiros relatos de
casos clínicos sobre a bioestimulação de úlceras crônicas de membros inferiores usando
lasers de rubi e de argônio. Em 1969, MESTER, GYENES e TOTA comprovaram a ação do
laser como bioestimulador no processo de reparação tecidual. E, em 1975. MESTER
tornou-se uma importante referência sobre a aplicabilidade clínica da radiação laser de
baixa intensidade, que tem como característica básica ser atérmica.
Assim, MESTER (1984), RIGAU (1996) e ABERGEL (1984) demonstraram o
potencial de laserterapia como elemento
modulador para determinados processos
biológicos, em particular para a cicatrização tecidual, por acelerar a divisão celular,
aumentar o número de leucócitos que participam da fagocitose e estimular a síntese de
colágeno por parte dos fibroblastos tratados. Nesta mesma direção SHIROTO et al. (1989)
mostraram que a ação do laser de baixa potencia do tipo diodo de AsGaAl, no sangue
humano, induz a uma maior atividade fagocitária dos neutrófilos, de forma interdependente
da fluência utilizada, assim como, ALMEIDA-LOPES (1999) relatou que os efeitos do laser
são dose dependente,estando assim vinculados à forma de aplicação, tempo de aplicação,
densidade de potência, fluência, etc.
De igual modo, MESTER (1974a, 1974b), TRELLES, MAYAYO e IGLESIAS
(1983) e RODRIGO, LERMA e ZARAGOZA (1985) descreveram a utilização da laserterapia
de baixa potência para tratamentos de forma sistêmica, nos quais a irradiação laser foi
utilizada em uma região diferente da área de lesão, têm por justificativa a ação de fatores
humorais. Em 1974, MESTER irradiou a região renal de ratos Wistar com laser rubi (696,3
nm e 1 J/cm2) e obteve o incremento na ativação da succinato desidrogenase na camada
basal do epitélio intacto perto dos bordos das feridas tratadas com laser e também nas
feridas que serviram como controle e não receberam a irradiação laser. O efeito humoral
atribuído ao laser de baixa potência foi corroborado por MESTER et aI. (1977), TRELLES
(1986) e VÉLEZ-GONZÁLEZ et aI. (1994), porém, ainda de maneira controversa.
BOLTON, YOUNG e DYSON (1995), determinaram que o período de maior ação
do laser sobre a succinato desidrogenase está situada entre as primeiras 24 horas, assim
como a densidade energética mais efetiva é a de 2 J/cm2. Nesta mesma direção, ATAKA
(1989) identificou alteração da temperatura facial, da sudorese e dos níveis das
catecolaminas, após aplicação de laser sobre o gânglio estrelado, sendo que este em outros
estudos, apresentou-se de maneira eficaz sobre o alívio da dor na região oral e maxilo-facial.
ABERGEL (1984) descreveu a ação efetiva do laser de baixa potência no
tratamento de feridas, em concordância com os relatos de CRUANES (1984), HERRERO
(1988), VEÇOSO (1993) e SILVA, FILHO e MUSSKOPF (1998) que apontaram um efeito
cicatrizante para o laser, este efeito foi descrito pelo incremento da produção de ATP
(KARU; PYATIBRAT; KALENDO, 1995; BOLOGNANI et aI., 1993), proporcionando um
aumento da atividade mitótica (CRUANES, 1984; HERRERO, 1988; VEÇOSO, 1993; SILVA;
FILHO; MUSSKOPF, 1998) e aumento da síntese de proteínas, por intermédio das
mitocôndrias (PASSARELLA et aI., 1988; GRECO et aI., 1989). Em conseqüência, há
aumento da regeneração ou reparação tecidual (CRUANES, 1984; HERRERO, 1988;
VEÇOSO, 1993; SILVA; FILHO; MUSSKOPF, 1998).
Além disso, SASAKI e OHSHIRO (1997) descreveram que o laser de baixa
potência induziu mais rapidamente a fase proliferativa da reparação tecidual e aumentou os
níveis de IL-6. Em adição, segundo GÓMEZ-VILLAMANDOS et aI. (1997), a ação do
laserde baixa potência no processo de cicatrização tecidual induz cicatrização mais rápida,
além de reduzir o índice de infecção.
Entretanto, NARA, MATONO e MORIOKA (1991), HUG e HUNTER (1991),
KARU, SMOLYANINOVA e ZELENIN (1991a, 1991b, 1991c) e KARU (1991) estudaram os
efeitos do laser HeNe sobre a suspensão de linfócitos da circulação sangüínea periférica de
humanos, e consideraram que o efeito bioestimulador do laser dependia do estado
fisiológico em que se encontravam as células antes da irradiação, pois no meio pobre em
nutrientes, a irradiação com laser provocou um aumento significativo no índice mitótico,
efeito que não se produziu quando o meio de cultivo foi o adequado para Iinfócitos.
ALMEIDA-LOPES (1999), constatou efeito similar aos relatados na literatura,
onde a laserterapia não apresentou ação quando aplicada em órgãos em condições de
normalidade ou e em estudos in vivo que demonstraram que não havia alteração significante
nos resultados obtidos em tecidos em homeostase, quando realizou experimento a partir do
cultivo primário de fibroblastos de gengiva humana, onde foi evidenciado um aumento
importante na divisão celular no grupo submetido a condições extremas de desnutrição e
irradiado com laser, comparativamente ao grupo controle que não recebeu laser, assim
como a inexistência desta ação quando os grupos recebiam condições nutricionais
adequadas.
FUNK, KRUSE e KIRCHNER (1992) estudaram a produção de citocinas após
irradiação com laser de HeNe sobre cultivos de células mononucleares de sangue
periférico humano, e observaram que as linfocinas aumentaram aos 30 minutos depois
da irradiação, diminuindo, porém, aos 60 minutos. Considerando-se a inflamação,
COTRAN, ROBBINS e KUMAR (1999)
Considerando-se a inflamação, COTRAN, ROBBINS e KUMAR (1999)
caracterizara a inflamação como sendo uma reação dos vasos sangüíneos que ocorre e
é mantida às custas da liberação de mediadores químicos e substâncias vasoativas,
levando a um acúmulo de líquido e de leucócitos extravasculares. Esta reação está
estritamente relacionada com o processo de reparação, quando o tecido agredido é
substituído pela regeneração das células parenquimatosas nativas ou por tecido
fibroblástico, ou ainda, pela combinação destes dois processos.
De acordo com COTRAN, ROBBINS e KUMAR (1999) e STEVENS e LOWE
(2002), o processo inflamatório é normalmente classificado em agudo e crônico. De
modo geral, a inflamação aguda tem curta duração, começando com uma resposta
inicial imediata e duração de alguns minutos até 24 a 48 horas, caracterizando-se por
exsudação de fluidos e de proteínas plasmáticas e pela participação predominante de
células polimorfonucleares (PMN) do tipo neutrófilos. A inflamação aguda é
caracterizada pela presença de anticorpos e leucócitos circulantes na corrente
sangüínea compreendendo três componentes principais:
alteração no calibre vascular, com aumento do fluxo sangüíneo, alterações estruturais
na microvascularização, permitindo que as proteínas plasmáticas e os leucócitos
deixem a circulação, e a emigração dos leucócitos da microcirculação e seu acúmulo
nos focos de agressão. As alterações do fluxo e do calibre vascular ocorrem
precocemente após
a agressão,
desenvolvendo-se em velocidades variáveis,
dependendo da gravidade da agressão. Ocorre a vasoconstrição arteriolar transitória,
seguida de vasodilatação, e aumento do fluxo sangüíneo, causando calor e rubor. Há
aumento da permeabilidade dos vasos da microcirculação, extravasamento dos
exsudatos para o interstício, levando ao acúmulo de líquido extravascular e causando o
edema. Os leucócitos na região da agressão iniciam a fagocitose e, quando ativados, podem
liberar metabólitos tóxicos e proteases para o meio extracelular, causando lesão tecidual.
O processo inflamatório pode seguir para a fase de reparação com a eliminação
do agente causal e a cicatrização, quando há uma evolução favorável do quadro clínico em
questão. Entretanto, se o processo não se resolve, a lesão poderá cronificar-se e haverá a
liberação de muitos mediadores químicos que promoverão a continuidade da inflamação.
Desta forma, o curso de um processo inflamatório é determinado por diversos fatores, entre
os quais: a gravidade da injúria, os tipos de danos teciduais, a persistência do agente causal
e o tipo de órgão envolvido neste processo (COTRAN; ROBBINS; KUMAR, 1999;
STEVENS; LOWE, 2002). Durante a cicatrização, a presença de fluido inflamatório é
indesejável, visto que limita a capacidade das células reparativas migrarem dentro da ferida
e aumenta o risco de infecção (TATARUNAS; MATERA; DAGLI, 1998).
Ainda, conforme relatos de FLOREY, (1970), JORIS et aI. (1987) e COTRAN,
ROBBINS e KUMAR (1999), o componente celular da reação inflamatória é representado
por leucócitos que migram para o tecido adjacente lesionado. Estes leucócitos, mobilizados
a partir da corrente sangüínea e dos compartimentos de reserva, migram para a superfície
dos vãos da microcirculação da área que circunda a lesão e passam a deslizar sobre o
endotélio (comportamento de rolling) e, posteriormente, aderem-se à parede do vaso. A
seguir, essas células migram para o meio externo através de junções interendotelias
(diapedese), locomovendo-se de forma orientada no sítio extravascular em resposta a um
gradiente de concentração de mediadores inflamatórios (quimiotaxia), acumulando-se no
local da lesão.
Segundo FERREIRA e TING (2004), na dor inflamatória os tecidos ficam muito
mais sensíveis a estímulos que normalmente não produziriam ou produziriam pouca dor; tal
fato deve-se à sensibilização dos neurônios nociceptivos (nociceptores), que ocorre pela
ativação da "cascata de citocinas" (ação não imediata). Na inflamação há duas
prostaglandinas sensibilizadoras principais, a PGEz e a PGb (prostaciclina). A prostaciclina
produz uma sensibilização imediata e de curta duração; ao contrário, quando a PGE2 estiver
presente na inflamação, causará uma sensibilização demorada.
Conforme escreveu TRIBIOLl (2003), a dor é uma experiência sensorial e
emocional desagradável, associada a um dano tecidual. A percepção e a resposta do
organismo à dor, é denominada nocicepção, para a qual o organismo possui complexo
sistema nervoso. Pode ser classificada em dor aguda e dor crônica. A dor aguda, um
sintoma derivado de uma lesão tissular, aparece como um sinal de alerta e geralmente é
intensa, mas decresce e desaparece, sendo predominante um quadro de ansiedade durante
a sua duração. Já a dor crônica constitui uma síndrome, um problema clínico em si,
incluindo além de elementos físicos, aspectos psicológicos complexos.
De acordo com KANDEL, SCHWARTZ e JESSEL (2003), existem diferentes
causas e mecanismos de controle para as hiperalgesias periféricas e centrais. Nesta linha,
FERREIRA e TING (2004) relataram, de forma simplificada, a existência de dois diferentes
tipos de dor aguda: a primeira relacionada com o ambiente (alo-nocicepção) e a segunda
relacionada com a percepção de ocorrências no próprio organismo (próprio-nocicepção),
que ocorre de forma tardia, pela necessidade de sensibilização dos nociceptores por meio
da ativação da cascata de citocinas.
Ainda, em seus relatos, TRIBIOLl (2003) informou que a transmissão da
informação nociceptiva pode ser alterada em diferentes locais do sistema nervoso, os quais
podem ser agrupados em cinco níveis: o primeiro nível (N1) ocorre no sistema nervoso
periférico, onde analgésicos não opióides (como o ácido acetilsalicílico) diminuem a síntese
de prostaglandinas, impedindo-as de sensibilizar os receptores da dor; o segundo nível (N2)
ocorre no corno dorsal da medula espinhal, por meio de neurônios inibitórios de encefalinas
ou endorfinas; o terceiro nível (N3) ocorre no sistema neuronal descendente, de ação
rápida, no qual estão envolvidos a substância periaquedutal, os núcleos da rafe e o lócus
cerúleos; o quarto nível (N4) é o sistema hormonal, do qual participam a substância cinzenta
periventricular (no hipotálamo), a glândula hipófise e a medula adrenal e, por fim, o quinto
nível (N5) ou nível cortical, o qual pode ser influenciado por expectativa, excitação, distração
e placebos.
Segundo
CHAVES
e
PIMENTA
(2003),
dentre
os
diversos
recursos
farmacológicos e não farmacológicos que podem atuar como agentes antinociceptivos,
destacam-se os de caráter convencional, como os antiinflamatórios esteroidais ou não
esteroidais e os analgésicos de ação central, assim como os de caráter não convencional,
como a terapia interferencial, estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS), crioterapia
e a laserterapia (KITCHEN; BAZIN, 1998).
Em relação a laserterapia, CRUANES (1984) e VEÇOSO (1993) descreveram
esquemas para a aplicação da densidade energética adequada em função de algumas
variáveis clínicas, sendo o primeiro em função do efeito analgésico (2 a 4 J/cm2) , efeito
antiinflamatório (1 a 3 J/cm\ efeito cicatrizante (3 a 6 J/cm2) e efeito circulatório (1 a 3 J/cm2).
No segundo esquema, estabeleceram a aplicação em função dos estágios do processo
inflamatório, subdividindo-se em estágio agudo (1 a 3 J/cm2) , subagudo (3 a 4 J/cm2) e
crônico (5 a 7 J/cm2). Ainda, para estes autores, a aplicação pode ser pontual (de forma
estática a cada centímetro quadrado da área a ser tratada), zonal (de forma a atingir toda a
zona a ser tratada), ou por varredura (permitindo movimentos para poder atingir toda a área
a ser tratada).
De acordo com TATARUNAS, MATERA e DAGLI (1998), aos lasers de baixa
potência são atribuídos efeitos analgésico, antiinflamatório e estimulante da cicatrização. O
estudo da interação entre a luz laser e a matéria viva é bastante complexo, pois a energia
depositada nos tecidos sofre fenômenos de absorção, reflexão, difusão e transmissão.
Ainda, para os autores, a pele é extremamente heterogênea do ponto de vista óptico, e à
medida que a luz laser se distancia da sua superfície, menor é a energia absorvida.
Neste aspecto, KOLARI (1985) confirmou que, além de possuir um maior poder
de penetração, em torno de 1,4 milímetros (mm), o laser AsGa tem tamanho reduzido, o
custo do aparelho aplicador é menor (em relação aos outros existentes no mercado), além
de ser seguro e de simples aplicação. De fato, segundo CRUANES (1984), o laser AsGa
tem potência superior à do HeNe, além de possui um maior poder de penetração.
Os lasers diodos e o laser de HeNe rotineiramente utilizados em aplicações
clínicas com finalidade bioestimulativa, e não inibitória, operam com densidades de
potência (DP), abaixo de 1 W, sendo que a densidade de potência média situa-se entre
0,01 e 100 mW/cm2, enquanto que a densidade energética está entre 0,1 e 10 J/cm2
(TRELLES et aL, 1989; MESTER; MESTER, 1989; ROCHKIND et aL, 1989; TERRIBILE et aL,
1992; YU; NAIM; LANZAFAME, 1994; BOL TON; YOUNG; DYSON, 1995).
Em relação ao tempo de aplicação do laser, SILVA, FILHO e MUSSKOPF
(1998) e HERRERO et aI. (1988) relataram que, quanto maior a potência do faser, menor
é o tempo necessário para aplicar uma certa quantidade de energia em uma
determinada área.
E, apesar da elucidação de inúmeros pontos com relação à utilização do laser,
haja vista a grande quantidade de artigos científicos publicados desde 1966, a
laserterapia ainda carece de fundamentação científica, quando utilizada de forma
isolada, ou mesmo associada a outros meios terapêuticos de uso rotineiro na prática
clínica.
Desta forma, a idéia de se fazer um estudo experimental com base em
metodologia científica, torna-se bastante oportuna e justificável pela sua aplicabilidade
no tratamento de inúmeros distúrbios de origem inflamatória, envolvendo a queixa clínica
muito comum, a dor.
3. OBJETIVOS
3.1. Geral
Estudar os efeitos da radiação laser, sobre a nocicepção induzida
experimentalmente em ratos.
3.2. Específicos
3.2.1. Avaliar os efeitos da densidade energética 2 J/cm2, em aplicação única, do laser sobre
a nocicepção em ratos.
3.2.2. Avaliar os efeitos da densidade energética 2 J/cm2, em aplicação única, do laser sobre
a hipernocicepção em ratos.
4. MÉTODO
4.1. Animais
Foram utilizados ratos da linhagem Wistar, machos, com idade ao redor de 2
meses e peso corporal variando entre 200 a 220 gramas (no início dos experimentos), em
conformidade com as normas e procedimentos relativos ao uso de animais de laboratório,
descritas pelo Commitee on Care and Use of Laboratory Animal Resources - National
Research Council (EUA). Para realização de todo o trabalho foram utilizados 36 ratos,
divididos entre os diferentes grupos experimentais (n=9) e controles (n=9) em cada um dos
experimentos. Estes animais foram sempre adquiridos do Biotério Central da Escola Paulista
de Medicina (EPM/UNIFESP - São Paulo).
Os ratos foram sempre alojados em caixas plásticas de polipropileno medindo 41
X 34 X 16 cm (5 ratos por caixa), devidamente acondicionadas em sala de manutenção de
ratos, com temperatura e umidade ambiente relativamente controladas, e sob iluminação
artificial em ciclo de claro-escuro de 12 horas, iniciando-se a fase clara às 8:00 horas.
Água e comida foram fornecidas ad Iibitum aos animais, os quais foram mantidos
nestas condições por um período de adaptação de, no mínimo, 7 dias antes do início de
cada experimento. Neste período, todos os ratos (dos grupos experimentais e controles)
foram manuseados diariamente, a fim de se evitar, ao máximo, a ocorrência de prováveis
situações estressantes durante a fase experimental.
Os tratamentos foram realizados sempre no mesmo período do dia (entre 9:00
horas e 10:00 horas), com o objetivo de minimizar os possíveis efeitos decorrentes de
variações biológicas rítmicas nos parâmetros fisiológicos dos animais.
4.2. Drogas
•
Solução de Ringer (Aster®)
•
Carragenina lambda (Lambda®)
•
Éter etílico (Cinética Química®)
•
Álcool etílico (Nuclear®)
•
Cloridrato de xilazina (Rompum® - Bayer)
•
Cloridrato de ketamina (Ketalar® - Virbac)
4.3. Material
•
Banho sonicador (Marte®)
•
Aparelho de Laser Infravermelho, portátil, de 45 Watts, de emissão de pico modelo L1VM 904 (KLD®).
•
Teste Plantar (Ugo-Basile®)
•
Balança analítica (Marte®)
•
Balança mecânica (Marte®)
•
Seringas descartáveis com agulhas finas 29 G % - 12,7 mm X 0,33 mm
(Becton-Dickinson®)
•
Cuba de vidro grande
•
Caixas de plástico de polipropileno
•
Bebedouros de vidro
•
Ração para ratos (Labina® - Purina)
•
Cama de maravalha
4.4. Procedimentos
4.4.1. Indução da resposta inflamatória aguda
A indução da resposta inflamatória aguda foi realizada pela injeção de uma
suspensão de carragenina (tipo Lambda) na concentração de 1 % (diluída em solução de
Ringer). Este irritante foi sempre preparado imediatamente antes das injeções, e a
suspensão obtida foi dissolvida durante cerca de 5 minutos com o auxílio de um banho
sonicador, a fim de obter-se a mais completa dissolução possível desta droga. O irritante
foi injetado no tecido celular subcutâneo do coxim plantar da pata posterior esquerda de
cada rato (volume de 0,1 ml por animal). A suspensão de carragenina preparada não foi
utilizada em outro experimento.
Todas as injeções de carragenina foram realizadas com seringas descartáveis
(Becton-Dickinson®) contendo agulhas finas (29 G % - 12,7 mm X 0,33 mm), visando-se
minimizar uma eventual agressão física ao tecido alvo.
4.4.2. Medida do limiar de nocicepção
O limiar de nocicepção foi medido pelo método de Hargreaves (HARGREAVES
et aI., 1988; COSTELLO; HARGREAVES, 1989), utilizando-se o Teste Plantar (Plantar
Test - Ugo Basile®), devidamente calibrado (ANEXO A). Para isso, as mensurações das
respostas nociceptivas ao estímulo térmico do Teste Plantar ocorreram antes e 1 - 2 - 3 - 4
- 5 - 6 e 8 horas após a injeção da carragenina, seguindo o procedimento descrito no item
4.4.1.Os resultados foram obtidos avaliando-se a latência para a retirada da pata (em
segundos), antes e após o tratamento com o laser, ou com o antiinflamatório, ou com a
associação dos dois, de tal forma que os animais do grupo controle sempre foram
representados pelos mesmos ratos, antes do tratamento. A aplicação do laser ocorreu no
momento imediatamente após a primeira avaliação no Teste Plantar (Ho).
4.5. Experimento
4.5.2. Experimento 1: Para aplicação do laser foi utilizado um aparelho de laser
semicondutor infravermelho, portátil, de 45 Watts de emissão de pico-modelo lIVM 904
(KLO®), por meio do qual a duração da aplicação é auto-regulada pelo próprio aparelho,
para cada densidade energética empregada.
Em seguida, a resposta nociceptiva foi medida pelo método de Hargreaves,
conforme procedimento descrito no item 4.4.2, porém, sem a injeção de carragen i na.
Os resultados foram obtidos avaliando-se a latência para a retirada da pata (em
segundos), antes e após o tratamento com o laser, de tal forma que os controles foram
representados pelos mesmos ratos, antes do tratamento, assim como pelo grupo controle
que não recebeu radiação Ia ser.
A avaliação do limiar nociceptivo frente ao estímulo térmico do Teste Plantar
teve início sempre no intervalo compreendido entre 9:00 e 10:00 horas da manhã.
Nesta fase foram utilizados 18 ratos, divididos em 1 grupo experimental (n=9) e 1
grupo controle (n=9). Os animais do grupo controle foram apenas avaliados no Teste
Plantar, sem aplicação do laser.
4.5.2. Experimento 2: Avaliação dos efeitos da densidade energética de 2 J/cm2 do
laser, em aplicação única, sobre a hipemocicepção.
Neste experimento foram avaliados os efeitos da densidade energética mais
eficaz, em aplicação única, sobre a hipernocicepção. Para tal, os procedimentos foram os
mesmos anteriormente adotados (item 4.5.1.), porém, com a utilização de carragenina. A
indução da resposta inflamatória aguda foi realizada pela injeção de uma suspensão de
carragenina, conforme procedimento descrito no item 4.4.1.
Os animais de cada grupo controle só receberam a injeção de suspensão de
carragenina (tipo Lambda) na concentração de 1 % em um volume de 0,1 ml por animal.
Todos os demais procedimentos foram os mesmos anteriormente citados no item
4.5.1.
Nesta fase foram utilizados 18 ratos, divididos em 1 grupo experimental (n=9) e 1
grupo controle (n=9).
4.6. Análise Estatística
Os dados obtidos foram agrupados, tabulados e analisados estatisticamente
através do software GraphPad Instat V3. 01 (GRAPHPAD, 1998).
Em todos os experimentos, os dados foram inicialmente submetidos ao
teste de Bartlet para definição do tipo de teste (paramétrico ou não-paramétrico) a
ser aplicado para a interpretação dos resultados obtidos.
Para todos os testes estatísticos aplicados, o nível de significância foi de 5%, ou
seja, a probabilidade P<0,05 foi considerada capaz de revelar diferenças estatisticamente
significantes entre os grupos de animais estudados.
5. RESULTADOS
Os resultados obtidos são apresentados nas TABELAS 1 a 4 e estão ilustrados
nas FIGURAS 1 a 4.
A TABELA 1 e FIGURA 1 demonstram os efeitos do faser (2 J/cm2), em aplicação
única, sobre a nocicepção induzida na pata de ratos e observados antes (Ho) e após 1 - 2 - 3
- 4 - 5 - 6 e 8 horas, numa comparação entre os diferentes grupos.
Não foi observada alteração significante (P>O,05) na latência (em segundos) para a
retirada da pata dos ratos, na intensidade de laser utilizada
Ainda, embora não estatisticamente significante (P>O,05), a densidade de 2 J/cm2
pareceu ser eficaz para minimizar a nocicepção nestes animais.
TABELA 1. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com densidade energética de 2
J/cm2, sobre a nocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa
comparação entre grupos. São Paulo, 2004.
Momentos da
avaliação (horas)
Latência para a retirada da pata nos diferentes grupos (em seg)
LSR
CTR
(n=9)
(n=9)a
H0
H1
9,5 ± 3,4(b)
8,8 ± 1,9
7,7 ± 1,9
9,9 ± 3,4
H2
6,9 ± 2,0
8,4 ± 2,8
H3
6,1 ± 1,2
6,4 ± 1,5
H4
6,1 ± 1,2
6,9 ± 1,4
H5
5,9 ± 2,3
7,1 ± 2,0
H6
6,0 ± 1,2
5,4 ± 1,0
H8
6,2 ± 1,2
6,1 ± 1,2
a
número de animais por grupo.
b
média ± desvio-padrão.
Latência para a retirada da pata
(em segundos)
CTR
LSR 2 J/cm2
16
14
12
10
8
6
4
2
0
H0
H1
H2
H3
H4
H5
H6
H8
Momentos da avaliação
(em horas)
FIGURA 1. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com densidade energética de 2
J/cm2, sobre a nocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa
comparação entre grupos. São Paulo, 2004.
OBS: as diferenças estatisticamente significantes estão identificadas na TABELA 1.
A TABELA 2 e FIGURA 2 demonstram os efeitos do laser (2 J/cm2), em aplicação
única, sobre a nocicepção induzida na pata de ratos e observados antes (Ho) e após 1 - 2 - 3
- 4 - 5 - 6 e 8 horas, numa comparação dentro de cada um dos diferentes grupos.
Constatou-se que o calor produziu, nos animais do grupo controle (CTR), uma
diminuição significante (P<O,05) na latência (em segundos) para a retirada da pata dos ratos,
que variou com o tempo, sendo que a latência mínima ocorreu na 58 hora (Hs) após o início
do experimento. No grupo experimental (LSR 2J/cm2) este valor foi obtido na 68 hora (H6).
Os ratos do grupo LSR mostraram um aumento significante (P<O,05) na latência
(em segundos) para a retirada da pata na 18 hora (H1) em relação a H3 até Ha e na 28 hora
(H2) em relação a H6 e Ha.
TABELA 2. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com densidade energética de 2 J/cm2,
sobre a nocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa
comparação dentro de cada grupo. São Paulo, 2004.
Grupos
de ratos
(n= 9)a
a
b
Momentos de avaliação da latência para a retirada da pata (em seg)
H0
H1
H2
H3
H4
H5
H6
H8
CTR
9,5 ± 3,4(b)
7,7 ± 1,9
6,9 ± 2,0*A
6,1 ± 1,2*A
6,1 ± 1,2*A
5,9 ± 2,3*A
6,0 ± 1,2*A
6,2 ± 1,2*A
LSR
8,8 ± 1,9
9,9 ± 3,4*B
8,4 ± 2,8*C
6,4 ± 1,5*A
6,9 ± 1,4
7,1 ± 2,0
5,4 ± 1,0*A
6,1 ± 1,2*A
número de animais por grupo.
média ± desvio-padrão.
A
* P<0,05 (ANOVA seguida pelo teste de Tukey-Kramer) em relação a H0 do mesmo grupo.
*BP<0,05 (ANOVA seguida pelo teste de Tukey-Kramer) em relação a H3 até H8 do mesmo grupo.
*CP<0,05 (ANOVA seguida pelo teste de Tukey-Kramer) em relação a H6 e H8 do mesmo grupo.
H0
Latência para a retirada da pata
(em segundos)
H1
14
H2
H3
12
H4
10
H5
H6
8
H8
6
4
2
0
CTR
LSR 2 J/CM2
Grupos de ratos
FIGURA 2. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com densidade energética de 2
J/cm2, sobre a nocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa comparação
dentro de cada grupo. São Paulo, 2004.
OBS: as diferenças estatisticamente significantes estão identificadas na TABELA 2.
A TABELA 3 e FIGURA 3 demonstram os efeitos do laser (2J/cm²), em aplicação
única, sobre a hipernocicepção induzida na pata de ratos e observados antes (H0) e após 1 – 2 3 – 4 – 5 – 6 e 8 horas, numa comparação entre os diferentes grupos.
Os ratos de grupo LSR 2 J/cm² mostraram um aumento significante (P<0,05) na
latência (em segundos) para a retirada da pata, em relação ao grupo controle (CTR) nos
momentos H1 até H4.
TABELA 3. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com densidade energética de 2 J/cm2,
sobre a hipernocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa comparação ente
os grupos. São Paulo, 2004.
Momentos da
a
b
Latência para a retirada da pata nos diferentes grupos (em seg)
avaliação (horas)
CTR
(n=9)a
LSR
(n=9)
H0
10,3 ± 2,7(b)
13,1 ± 3,0
H1
6,5 ± 1,5
9,7 ± 2,8*A
H2
5,2 ± 1,4
8,6 ± 3,8*A
H3
3,6 ± 0,8
7,3 ± 2,4*A
H4
3,4 ± 0,7
6,0 ± 1,5*A
H5
4,5 ± 1,1
5,0 ± 1,1
H6
3,5 ± 1,4
4,9 ± 0,9
H8
4,4 ± 1,1
5,3 ± 1,2
número de animais por grupo.
média ± desvio-padrão.
A
* P<0,05 (ANOVA seguida pelo teste de Tukey-Kramer) em relação a CTR no mesmo momento.
Latência para a retirada da pata
(em segundos)
16
14
12
CTR
10
LSR 2 J/cm2
8
6
4
2
0
H0
H1
H2
H3
H4
H5
H6
H8
Momentos da avaliação
(em horas)
FIGURA 3. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com densidade energética de 2 J/cm2, sobre
a hipernocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa comparação entre os
grupos. São Paulo, 2004.
OBS: as diferenças estatisticamente significantes estão identificadas na TABELA 3.
A TABELA 4 e FIGURA 4 demonstram os efeitos do de Ia ser (2 J/cm2), em
aplicação única, sobre a hipernocicepção induzida na pata de ratos e observados antes (Ho)
e após 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 e 8 horas, numa comparação dentro de cada um dos diferentes
grupos.
Observou-se uma diminuição significante (P<O,05) na latência (em segundos)
para a retirada da pata dos ratos, que variou com o tempo; a latência mínima ocorreu na 6a
hora (H6) após o início do experimento, para o grupo laser 2 J/cm2.
Os ratos do grupo LSR 2 J/cm2 mostraram um aumento significante (P<O,05) na
latência (em segundos) para a retirada da pata na 1a hora (H1) em relação a H4 até Ha e na 2a
hora (H2) em relação a Hs até Ha.
TABELA 4. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com densidade energética de 2 J/cm2,sobre
a hipernocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa
comparação dentro de cada grupo. São Paulo, 2004.
Grupos
de ratos
(n= 9)a
a
b
Momentos de avaliação da latência para a retirada da pata (em seg)
H0
H1
H2
H3
H4
H5
H6
H8
CTR
10,3 ± 2,7(b)
6,5 ± 1,5*AB
5,2 ± 1,4*A
3,6 ± 0,8*A
3,4 ± 0,7*A
4,5 ± 1,1*A
3,5 ± 1,4*A
4,4 ± 1,1*A
LSR
13,1 ± 3,0
9,7 ± 2,8*AC
8,6 ± 3,8*AD
7,3 ± 2,4*A
6,0 ± 1,5*A
5,0 ± 1,1*A
4,9 ± 0,9*A
5,3 ± 1,2*A
número de animais por grupo.
média ± desvio-padrão.
A
* P<0,05 (ANOVA seguida pelo teste de Tukey-Kramer) em relação a H0 do mesmo grupo.
*BP<0,05 (ANOVA seguida pelo teste de Tukey-Kramer) em relação a H3 até H8 do mesmo grupo.
*CP<0,05 (ANOVA seguida pelo teste de Tukey-Kramer) em relação a H4 até H8 do mesmo grupo.
*DP<0,05 (ANOVA seguida pelo teste de Tukey-Kramer) em relação a H5 até H8 do mesmo grupo.
H0
Latência para a retirada da pata
(em segundos)
H1
H2
16
H3
14
H4
12
H5
10
H6
8
H8
6
4
2
0
CTR
LSR 2 J/CM2
Grupos de ratos
FIGURA 4. Efeitos da laserterapia (aplicação única) com densidade energética de 2 J/cm2, sobre
a hipernocicepção em ratos, observados em diferentes momentos, numa comparação dentro de
cada grupo. São Paulo, 2004.
OBS: as diferenças estatisticamente significantes estão identificadas na TABELA 4.
6. DISCUSSÃO
A dor é sinal desagradável que aparecE*M na prática clínica, geralmente
associada a distúrbios de origens variadas e que podem ser tratados por meio de
terapêutica medicamentosa ou não.
Dentre os diversos recursos terapêuticos de origem não farmacológica para
o tratamento da dor, pode-se destacar a laserterapia (BAXTER, 1998; CHAVES;
PIMENTA, 2003).
Neste trabalho, estudou-se a influência da laserterapia (laser semicondutor
ou diodo a base da AsGa) na modulação da nocicepção e da hipernocicepção.
Para quantificar a nocicepção foi empregado o modelo do teste
plantar, que utiliza uma fonte de calor padrão (500 C), que é considerado como uma
agressão de intensidade moderada (HARGREAVES et aI., 1988; COSTELLO;
HARGREAVES, 1989).
Com relação aos momentos de avaliação de cada animal no teste plantar,
seguiu-se a sistemática utilizada por PAULlNO (1997) para o estudo do processo
inflamatório agudo, visando realizar inferências em relação à liberação seqüencial dos
diversos mediadores químicos durante a inflamação.
Sobre o tipo de laser utilizado, de acordo com TATARUNAS, MATERA e
DAGLI (1998), a literatura é controversa neste aspecto e também nas doses mais
efetivas para as várias espécies animais e diferentes afecções. Todavia, o tipo de
laser que melhor se enquadrava no trabalho aqui realizado era o laser semicondutor
(ou diodo a base de AsGa), frente a sua maior penetração nas densidades energéticas entre 1 a
4 J/cm² além da sua segurança, economia e facilidade de aplicação. Estas informações somamse aos relatos de CRUANES (1984) e VEÇOSO (1993), como sendo estas as densidades
eficazes para ações antiinflamatória, analgésica e antiedematosa do laser.
Neste trabalho, a densidade energética 2J/cm² (aplicação única) de laser diodo a
base de AsGa foi utilizada,frente aos achados de ALMEIDA-LOPES (1999) e HORTÊNCIO
NETO (2004a,2004b).
O efeito antinociceptivo (CALDERHEAD, 1981; ROCHKING et al., 1989; OSHIRO;
CALDERHEAD, 1988; VEÇOSO, 1993) pode serproveniente da liberação de histamina, que
proporciona
uma
paralisação
dos
esfíncteres
pré-capilares,
potencializando
assim
a
microcirculação, durante a aplicação e em até 20 minutos após cessar a irradiação laser, tanto
para os lasers que têm como elemento gerador os gases HeNe, como para o laser diodo a base
de AsGa, na densidade energética de 3 J/cm² e de forma pontual. (BENEDICENTI< 1982;
TRELLES; MAYAYO; IGLESIAS.1983; MIRÒ et al., 1984; MAYAYO; TRELLES,1984
VEÇOSO,1993).
Para quantificar a hipernocicepção foi empregado o modelo do teste plantar após uma
injeção substância de carragenina na pata dos t]ratos. Sabe-se que a carragenina é um irritante
químico capaz de induzir uma resposta inflamatória ahuda, pois estimula a liberação da citocina
TNF-α que, por sua vez, induz a liberação de outras citocina ou interleucinas (IL´s), como IL -1β e
IL - 8. A IL -1β promove a ativação da cicloxigenase (COX), responsável pela produção de
prostaglandinas e a IL – 8 promove a produção local de aminas simpatomiméticas. AS
prostaglandinas e as aminas simpatomiméticas atuam nos receptores dos neurônio sensitivos
primários (NSP) induzindo a sua sensibilização (FERREIRA;TING,2004).
Também a laserterapia 2J/cm², em aplicação única, demonstrou ser a eficaz, como
moduladora da hipernocicepção, com aumento do limiar nociceptivo da 1ª até a 4ª horas de
avaliação em relação ao grupo controle,
Tal resultado pode ser justificado, em parte, na sua fase inicial, pelo mesmo
mecanismo
descrito
(BENEDICENTI,1982;
anteriormente,
TRELLES;
relativo
MAYAYO;
ao
aumento
IGLESIAS,
na
liberação
1983;
MIRÒ
de
et
histamina
al.,
1984;
VEÇOSO,1993), assim como , em uma fase mais avançada, evitando a redução do limiar de
excitabilidade dos receptores de dor (nociceptores) por meio da redução na síntese de
protaglandinas, diminuição da ação da bradicinina com a manutenção do limiar de excitabilidade
dos nociceptores e liberação de beta-endorfinas (CRUANES,1984;VEÇOSO,1993).
De forma geral, a laserterapia na densidade energética 2 J/cm2 foi importante na
modulação da nocicepção e hipernocicepção, em aplicação única, no modelo experimental
utilizado neste trabalho.
E, finalmente, vale ressaltar que que a importância da laserterapia como um recurso
praticamente sem efeito colateral e que produziu uma melhora do sinal de dor num tempo menor
do que aquele observado para o grupo controle. Contudo, novos estudos são ainda necessários
para se tentar explicar de forma mais definitiva os possíveis mecanismos antinociceptivo
antiedematogênico produzidos pelo laser.
7. CONCLUSÃO
7.1. A laserterapia produziu efeito antinociceptivo em estudo experimental com ratos Wistar.
7.2. O laser na densidade energética 2 J/cm2 (em aplicação única), demonstrou potencial
terapêutico sobre a nocicepção, em modelo experimental em ratos, e este efeito ocorreu no
período entre a 1 a e sa horas.
7.3. O laser na densidade energética 2 J/cm2 (em aplicação única), foi eficaz sobre a
hipernocicepção, em modelo experimental em ratos, e este efeito ocorreu no período entre a
1 a e 4a horas.
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GABRIELLA LOJA ANELLO EFEITOS DA LASERTERAPIA SOBRE