Estudo Comparativo entre Sistema de Produção Clássico e Sistema com Energias Alternativas Dimensionamento Energético de uma Estação de Telecomunicações Jorge Manuel Martins Albano Dissertação para obtenção de Grau de Mestre em Engenharia Electrotécnica e de Computadores Júri Presidente: Professor Doutor Paulo José da Costa Branco Orientador: Professor Doutor João José Esteves Santana Vogal: Professor Doutor Rui M. G. Castro Dezembro de 2009 Agradecimentos Este trabalho significou um novo regresso à vida académica passados quase 10 anos desde a minha licenciatura. Embora especializado no ramo das telecomunicações, sempre gostei da problemática em torno da geração de energia e com esta pós-graduação quis aproveitar a oportunidade e aprofundar esse ramo. Agradeço assim ao Professor João Santana que após lhe ter exposto o meu interesse em fazer a dissertação na área da energia, disponibilizou-se de imediato como meu orientador, propondo-me um trabalho ainda assim com alguma ligação às telecomunicações. Sempre com boa disposição e disponibilidade, sugeriu-me que frequentasse as aulas de Energia Renováveis do Professor Rui Castro, onde tive a oportunidade de aprender muito sobre esta matéria e ao qual muito lhe tenho a agradecer pelo excelente professor que é. Agradeço também à minha família, em especial à minha namorada, por acreditarem sempre no meu sucesso dando-me coragem para nunca desistir. Querendo aproximar este trabalho o mais próximo da realidade possível, quero ainda agradecer aos meus colegas de trabalho (Nokia Siemens Networks) que me disponibilizaram alguma informação e ideias do que poderia fazer. Não querendo esquecer ninguém, agradeço a todos os que colaboraram para que este trabalho fosse possível. ii Resumo A presente dissertação descreve e dimensiona a concepção física de um sistema de alimentação eléctrico a uma dada aplicação remota que não esteja ligada à rede nacional de energia, como por exemplo uma instalação de telecomunicações. De forma a encontrar qual a melhor solução, serão analisadas as soluções clássicas de produção de energia versus solução baseada unicamente em energias renováveis. Descrevese assim a produção das várias energias, clássicas e renováveis, a caracterização da estação remota (SRA4) em termos de consumo e quais as melhores soluções energéticas para a sua alimentação. Com base nos resultados somos levados a estudar em detalhe a produção fotovoltaica, a produção eólica, e as possíveis alternativas de armazenamentos da energia. Combinando estas possibilidades de produção e armazenamento, e confrontando-as também com o fornecimento ligado ao rede nacional eléctrica, ou via central motor diesel, procura-se encontrar assim a melhor solução na perspectiva técnica e económica (Ca, VAL, TIR). Adicionalmente, e após encontrada a solução ideal, admite-se esta instalada numa habitação a funcionar em Microgeração, tentando-se então perceber em que ano se dá o retorno do investimento. A elaboração deste trabalho envolveu uma profunda pesquisa a diversos fabricantes de forma a identificar os melhores painéis fotovoltaicos, turbinas eólicas, baterias, e componentes de electrónica de potência de acordo com a arquitectura seleccionada (DC Coupled). Palavras-chave: Produção Clássica, Energias Renováveis, Sistemas Híbridos, Estação de Telecomunicações, Eólica, Fotovoltaica, Baterias Estacionárias, DC Coupled, Microgeração iii Abstract The present thesis describes and develops the physical conception of an electrical power supply for a given remote application not connected to the national electrical supplier, as for instance a given telecommunication station. In order to find the best solution for our system several alternatives will be analyzed as the traditional technology solutions, or solely on renewable energy. It describes the production of the various energies, classical and renewable, the characterization of the remote station in terms of power consumption, and the best energetic solutions for its support. Based on the results we are lead to study in detailed the photovoltaic, wind generation, and the possible alternatives for storing energy. Combining these possibilities of production and storage of energy, also comparing it to the electric network solution supplier, or even by means of using a diesel engine station, we look up to find the best solution from a technical and economical perspective (Ca, VAL, TIR). In addition, and after found the ideal solution, it is assumed to be installed at a residence house working in Microgeneration, and trying to understand in which year the return of the investment will come. The realization of this work involved a deeply manufactures research to find out the best photovoltaic panels, wind turbines, batteries, and high power electronic components according with the chosen architecture (DC Coupled). Key-words: Classic Production, Renewable Energy, Hybrid Systems, Telecommunications Station, Wind, Photovoltaics, Stationary Batteries, DC Coupled, Microgeneration iv ÍNDICE Agradecimentos.......................................................................................................... ii Resumo ...................................................................................................................... iii Abstract ...................................................................................................................... iv Lista de Figuras ........................................................................................................ vii Lista de Tabelas....................................................................................................... viii Lista de Siglas............................................................................................................ ix Lista de Símbolos ....................................................................................................... x 1. Introdução ........................................................................................................ xiii 1.1 Estrutura da Dissertação .............................................................................. xiii 2. Produção de Energia Eléctrica........................................................................... 1 2.1 A Produção Eléctrica ...................................................................................... 1 2.1.1 2.1.2 2.1.3 Ciclo Clássico de Produção .................................................................................. 1 Cadeia Eólica ou Hidráulica .................................................................................. 2 Cadeia Solar Fotovoltaica ..................................................................................... 3 2.2.1 2.2.2 2.2.3 2.2.4 2.2.5 Centrais Termoeléctricas....................................................................................... 4 Centrais Nucleares ................................................................................................ 4 Centrais a Gás....................................................................................................... 4 Centrais de Ciclo Combinado................................................................................ 5 Centrais a Motor Diesel ......................................................................................... 5 2.3.1 2.3.2 2.3.3 2.3.4 2.3.5 2.3.6 2.3.7 Eólica ..................................................................................................................... 6 Hidroeléctrica......................................................................................................... 7 Mini-Hídrica ........................................................................................................... 7 Oceanos ................................................................................................................ 7 Energia Geotérmica............................................................................................... 8 Bio-Energia ............................................................................................................ 8 Solar ...................................................................................................................... 9 2.5.1 2.5.2 Evolução e Situação Energética ......................................................................... 11 Custo Médio da Energia Eléctrica ....................................................................... 13 3.1.1 3.1.2 Estação Remota de Telecomunicações.............................................................. 16 Localização da Estação Remota......................................................................... 21 3.2.1 3.2.2 3.2.3 3.2.4 Solução Baseada na Produção Clássica ............................................................ 22 Solução Baseada em Energias Renováveis ....................................................... 23 Armazenamento de Energia................................................................................ 23 Alternativas Possíveis de Produção.................................................................... 23 4.4.1 4.4.2 4.4.3 4.4.4 Desenvolvimento do Modelo 1D+3P ................................................................... 30 Aplicação do Modelo 1D+3P a Módulos/Painéis Fotovoltaicos .......................... 35 Cálculo Simplificado da Energia em Módulos/Painéis Fotovoltaicos.................. 36 Estimativa Rápida da Energia Produzida em Módulos Fotovoltaicos................. 37 2.2 3. 2.3 Fontes de Energia Renováveis ....................................................................... 5 2.4 2.5 Transporte e Distribuição de Energia............................................................ 10 Situação Energética em Portugal.................................................................. 11 2.6 Microgeração (Decreto-Lei nº363/2007) ....................................................... 14 Caracterização da Estação Remota de Telecomunicações ........................... 16 3.1 Caracterização do Consumo da Estação Remota......................................... 16 3.2 4. Produção Clássica de Energia........................................................................ 3 Produção de Energia para a Estação Remota .............................................. 22 3.3 Potência a ser Instalada na Estação Remota ............................................... 24 Produção de Energia Fotovoltaica................................................................... 26 4.1 Utilização de Tracker’s ................................................................................. 26 4.2 Selecção de Painéis Fotovoltaicos ............................................................... 26 4.3 Utilização Anual da Potência e Estimativa do Número de Painéis ................ 28 4.4 Modelo Matemático da Célula Fotovoltaica................................................... 29 4.5 4.6 Estimativa da Radiação Solar Média e Temperatura Mensal........................ 38 Energia Mensal e Anual Produzida e Número Exacto de Painéis ................. 39 v 5. 6. 7. 4.6.1 4.6.2 Estação Remota Localizada em São Pedro Velho, Mirandela ........................... 39 Outras Localizações da Estação Remota de Telecomunicações ....................... 41 5.4.1 5.4.2 5.4.3 5.4.4 Modelo de Vento Quase-Estacionário................................................................. 48 Estimativa do Perfil de Ventos nas Diversas Estações....................................... 50 Rugosidade do Solo (Lei de Prandlt) .................................................................. 52 Energia Eólica Mensal e Anual Produzida nas Estações ................................... 52 6.1.1 6.1.2 6.1.3 Energia Potencial da Água .................................................................................. 56 Pilhas de Combustível......................................................................................... 57 Banco de Baterias ............................................................................................... 59 6.3.1 6.3.2 6.3.3 Arquitectura AC-Coupled..................................................................................... 64 Arquitectura DC-Coupled .................................................................................... 65 Selecção da Arquitectura .................................................................................... 66 6.6.1 6.6.2 6.6.3 Energia Mensal Requerida pelo Sistema ............................................................ 71 Energia Mensal e Anual Produzida nas Estações .............................................. 72 Balanço Mensal Energético na Estação São Pedro Velho, Mirandela ............... 73 7.1.1 7.1.2 7.1.3 Modelo Simplificado do Custo Unitário Médio Actualizado................................. 75 Indicadores de Avaliação de Investimentos (VAL, TIR)...................................... 77 Investimento Inicial Actualizado com Armazenamento....................................... 79 7.2.1 7.2.2 7.2.3 Implementação do Projecto em São Pedro Velho, Mirandela ............................ 80 Solução Híbrida em Substituição dos Repetidores Passivos ............................. 84 Repetidor Activo sem Protecção Instalado em São Pedro Velho ....................... 86 7.3.1 7.3.2 7.3.3 Avaliação da Solução Ligação à Rede Pública Eléctrica.................................... 88 Avaliação da Utilização de um Gerador Diesel ................................................... 90 Utilização da Linha Eléctrica com Redução do Banco de Baterias .................... 91 9.2.1 Previsão da Produção Fotovoltaica, Eólica, Híbrida, e Avaliação Económica ... 99 4.7 Balanço Mensal Energético na Estação de São Pedro Velho, Mirandela...... 41 Produção de Energia Eólica............................................................................. 43 5.1 Utilização Anual da Potência Eólica.............................................................. 43 5.2 Selecção da Turbina e Estimativa da Energia Eólica .................................... 44 5.3 Estimativa Rápida da Energia Produzida por um Gerador Genérico............. 46 5.4 Energia Mensal e Anual Produzida nas Estações Remotas.......................... 47 5.5 Balanço Mensal Energético na Estação de São Pedro Velho, Mirandela...... 55 Dimensionamento do Sistema ......................................................................... 56 6.1 Sistemas de Armazenamento de Energia..................................................... 56 6.2 6.3 Selecção das Baterias a Utilizar ................................................................... 64 Arquitectura do Sistema e Electrónica de Potência....................................... 64 6.4 6.5 6.6 Determinação das Perdas no Sistema.......................................................... 68 Dimensionamento das Baterias .................................................................... 69 Dimensionamento do Sistema Híbrido.......................................................... 70 Avaliação Económica do Projecto ................................................................... 75 7.1 Introdução Económica .................................................................................. 75 7.2 7.3 Sistema Baseado em Energias Renováveis ................................................. 80 Sistema Baseado na Solução Clássica......................................................... 88 7.4 Utilização do Sistema Híbrido Dimensionado em Microgeração ................... 92 Conclusões........................................................................................................ 95 8.1 Perspectivas de Trabalho Futuro .................................................................. 97 9. Referências e Anexos ....................................................................................... 98 9.1 Referências Bibliográficas ............................................................................ 98 9.2 Anexos ......................................................................................................... 99 8. vi Lista de Figuras Figura 2.1 – Ciclo Clássico de Produção Eléctrica...............................................................................2 Figura 2.2 – Cadeia Eólica ou Hidráulica de Produção de Electricidade..........................................2 Figura 2.3 – Cadeia Solar Fotovoltaica de Produção Eléctrica ..........................................................3 Figura 2.4 – Central de Ciclo Combinado (Gás & Vapor) ...................................................................5 Figura 2.5 – Evolução Energética em Portugal por Sectores de Produção ...................................12 Figura 3.1 – Rede Típica de Telecomunicações Móveis em Microondas ......................................17 Figura 3.2 – Componentes da Estação Remota de Telecomunicações (SRA4) ...........................18 Figura 3.3 – Repetidor Activo de Telecomunicações com Links STM-1 (SRA4 1+1)...................19 Figura 3.4 – Mapa das Localizações das Estações Remotas de Telecomunicações ..................22 Figura 3.5 – Energia Consumida Mensalmente na Estação com 30% de Perdas no Sistema ...25 Figura 4.1 – Índice kWh/Wp ( ha expressa em kh) em Sistemas Fotovoltaicos .............................28 Figura 4.2 – Circuito Eléctrico Equivalente de uma Célula Fotovoltaica com Carga Z.................30 Figura 4.3 – Curva I-V de Duas Células Fotovoltaicas Diferentes................................................... 31 Figura 4.4 – Curva I-V e P-V de Uma Célula Típica de Silício Cristalino, condições STC ..........32 Figura 4.5 – Variação da Curva I-V com a Temperatura...................................................................33 Figura 4.6 – Variação da Curva I-V com a Radiação.........................................................................34 Figura 4.7 – Esquema de um Gerador Fotovoltaico Ligado à Rede................................................37 Figura 4.8 – Energia Média Mensal Produzida por 20 Painéis Fotovoltaicos PV 155-M .............40 Figura 4.9 – Energia Fotovoltaica Necessária/Disponibilizada em Mirandela – 30% Perdas .....42 Figura 5.1 – Utilização Anual Equiv. da Potência Instalada para um Gerador de 2MW ..............43 Figura 5.2 – Comparação das Curvas de Potência Entre o Modelo e um Fabricante..................46 Figura 5.3 – Curva de Potência da Turbina Whisper 100 .................................................................49 Figura 5.4 – Perfil de Vento Global em Outeiro dos Fiéis (IN_27)................................................... 50 Figura 5.5 – Parâmetros Mensais de Weibull em Outeiro dos Fiéis (IN_27) .................................51 Figura 5.6 – Perfil de Ventos no mês de Janeiro em São Pedro Velho (Mirandela).....................51 Figura 5.7 – Característica de Potência da Turbina Whisper 100 ................................................... 53 Figura 5.8 – Energia Média Mensal Produzida por 3 Turbinas Whisper 100, em Mirandela.......53 Figura 5.9 – Energia Eólica Necessária e Disponibilizada em Mirandela com 30% de Perdas ..55 Figura 6.1 – Representação Esquemática de uma Pilha de Combustível (FC).............................57 Figura 6.2 – Esquema Simplificado de uma Célula de Bateria ........................................................60 Figura 6.3 – Tempo de Vida Útil das Baterias com a Profundidade de Descarga ........................61 Figura 6.4 – Sistema Híbrido Off-Grid com Arquitectura AC-Coupled ............................................65 Figura 6.5 – Sistema Híbrido Off-Grid com Arquitectura DC-Coupled ............................................66 Figura 6.6 – Arquitectura DC-Coupled Híbrida da Estação Remota de Telecomunicações........67 Figura 6.7 – CARGA, Perdas Conv. e Armazenamento no Sistema Híbrido (DC Coupled) .......71 Figura 6.8 – Balanço Mensal Energético em São Pedro Velho no Sistema Híbrido.....................73 Figura 6.9 – Balanço Energético em S. Pedro Velho com Prod. Mensal acima dos 20% ...........74 Figura 7.1 – Variação do VAL com a Taxa de Actualização, Definição do TIR .............................78 Figura 7.2 – Distribuição de Custos da Solução Híbrida em São Pedro Velho .............................83 Figura 7.3 – Distribuição Energética Anual da Solução Híbrida em São Pedro Velho.................83 Figura 7.4 – Balanço Energético da Solução Híbrida em São Pedro Velho (Ca=250€/MWh) ....84 vii Lista de Tabelas Tabela 2.1 – Potência Instalada em Portugal por Sectores de Fontes de Energia [REN 2008] .12 Tabela 2.2 – Preço de aquisição Médio da PRE por Tecnologia [ERSE, 2008]............................14 Tabela 2.3 – Percentagem da TUR e Limites de Aplicação Consoante a Tecnologia [Jan09] ...15 Tabela 3.1 – Características Ambientais das Unidades IDU e ODU do Sistema SRA4 ..............19 Tabela 3.2 – Consumo Energético das Unidades IDU e ODU do Sistema SRA4.........................20 Tabela 3.3 – Consumo Energético da Estação Remota de Telecomunicações ............................20 Tabela 3.4 – Localização das Estações Remotas de Telecomunicações – Norte Oeste ............21 Tabela 3.5 – Alternativas Possíveis de Produção de Energia para a Estação Remota ...............24 Tabela 4.1 – Características Técnicas dos Painéis Fotovoltaicos SolarWorld e Renewis...........27 Tabela 4.2 – Estimativa da Radiação e Temperatura Média Mensais nas 4 Localizações .........38 Tabela 4.3 – Estimativa Rápida do Modelo (Erro 20%) em São Pedro Velho, Mirandela ...........39 Tabela 4.4 – Cálculo Simplificado do Modelo (Erro 2%) em São Pedro Velho, Mirandela..........39 Tabela 4.5 – Determinação Exacta do Número Painéis em São Pedro Velho, Mirandela ..........40 Tabela 4.6 – Energia Mensal e Anual nas Diversas Localizações da Estação Remota ..............41 Tabela 5.1 – Características Técnicas Principais das Quatro Turbinas – Windpower .................44 Tabela 5.2 – Energia Média Mensal Produzida nas Diversas Estações (Whisper 100)...............54 Tabela 6.1 – Características de diversos Tipos de Pilhas de Combustível (FC)...........................58 Tabela 6.2 – Aplicações Diversas das Pilhas de Combustível (FC)................................................58 Tabela 6.3 – Características Principais da Gama de Baterias Sonnenschein ...............................64 Tabela 6.4 – Características Técnicas Principais do OutbackFlexmax 60 ChargeController......67 Tabela 6.5 – Perdas de Conversão e Armazenamento na Arquitectura DC Coupled ..................68 Tabela 6.6 – Energia Média Mensal Produzida e Balanço Energético nas Diversas Estações..72 Tabela 6.7 – Energia Média Mensal & Balanço Energético acima dos 20% em Mirandela ........74 Tabela 7.1 – Alternativas Possíveis de Investimento em Energias Renováveis ...........................81 Tabela 7.2 – Estrutura e Distribuição de Custos da Solução Híbrida em São Pedro Velho........82 Tabela 7.3 – Custos da Solução Híbrida em Esposade e Vilarinho das Furnas ...........................85 Tabela 7.4 – Custo Estimado do Sistema Activo (SRA4 1+1) Incluindo a Torre Metálica ...........85 Tabela 7.5 – Comparação de Investimentos entre Repetidores Passivos e Activos ....................86 Tabela 7.6 – Consumo Energético do Repetidor Activo sem Protecção (1+0)..............................86 Tabela 7.7 – Estrutura e Distribuição de Custos do Repetidor Activo sem Protecção .................87 Tabela 7.8 – Tarifa Simples 1,15 kVA de Potência Contratada – Tarifário 2009 ..........................88 Tabela 7.9 – Geradores a Gasolina e a Diesel do Fornecedor GenPowerUsa .............................90 Tabela 7.10 – VAL e TIR do Sistema Híbrido em Microgeração .....................................................94 viii Lista de Siglas AC AFC BA DC DOD DWDM EDP EOLOS FC GSM HF HRSG IDU IF INETI JAVA MCFC MIBEL MPPT NOCT NSN O&M ODU PAFC PDH PEFC/PEM PRE PRE-R PRO REN SHD SOFC SRA4 STC STM-1 TIR/IRR TUR UMTS VAL/NPV VRLA XML Corrente Alterna Alkaline Fuel Cell Balanço Actualizado Corrente Contínua Depth of Discharge Dense Wavelength Division Multiplexing Energias de Portugal Base de Dados do Potencial Energético do Vento em Portugal Fuel Cell Sistema Global para Comunicações Móveis Alta Frequência Heat Recovery Steam Generator In-Door Unit Frequência Intermédia Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação Linguagem de Programação Orientada a Objectos. Molten Carbonate Fuel Cell Mercado Ibérico de Energia Maximum Power Point Tracker Normal Operation Cell Temperature Nokia Siemens Networks Operação e Manutenção Out-Door Unit Phosphoric Acid Fuel Cell Plesiochronous Digital Hierarchy Polymer Electrolyte Cell / Proton Exchange Membrane Produção em Regime Especial Produtores em Regime Especial com recursos Renováveis Produção em Regime Ordinário Rede Eléctrica Portuguesa Synchronous Digital Hierarchy Solid Oxid Fuel Cell Split Radio System up to STM-4 Standard Test Conditions Synchronous Transport Module level-1 Taxa Interna de Rentabilidade/Internal Rate of Return Tarifa Única de Referência Universal Mobile Telecommunications System Valor Actual Líquido/Net Present Value Valve Regulated Lead-Acid Batteries eXtensible Markup Language ix Lista de Símbolos TV Tarifa de Venda PS , PE , PH e PB LME PS , LME RP Potência Instalada Solar, Eólica, Hídrica e Biomassa Limites Anuais de Energia, Solar e Restantes Produções Energia Horária e Energia Anual E , Ea P ha f1 e f 2 Pr od ETotal Utilização Anual E aCons Energia Anual Consumida Fot a Energia Anual Fotovoltaica Eol n Potência Nominal Eólica Fotov p P Potência Fotovoltaica de Pico haEol Utilização Anual Eólica haFotov Utilização Anual Fotovoltaica Wp Watt por pico N paineis Número de Painéis E P Painel pico Potência Frequências de Transmissão Energia Anual Total Produzida P Potência de Pico por Painel IS Corrente Eléctrica gerada por Feixe de Radiação Luminosa ID I0 V Corrente num Díodo Corrente inversa de Saturação num Díodo I Tensão Corrente VT Potencial Térmico m K T q Factor de Idealidade do Díodo Constante de Boltzmann Temperatura em Kelvin Carga Eléctrica do Electrão I cc Corrente de Curto-Circuito Vca Tensão em Circuito-Aberto Vmax , I max , Pmax Tensão, Corrente e Potência Máxima ηinv Rendimento do Inversor h med P Potência Media Horária r r Vcar , I ccr ,Vmax , I max Tensão e Corrente Referência r max Potência de Referência P r θ ,T r G , Gmed , G r I r 0 Temperatura de Referência em Graus e Kelvin Radiação Normal, Média e de Referência Corrente Inversa de Saturação de Referência x h ETotal fot Energia Total Horária Fotovoltaica Hiato do Silício ε N SM , N PM Número de Módulos Ligadas em Série, e em Paralelo Eol − Min n Potência Nominal Eólica Mínima Eol a Energia Anual Eólica P E u 0 , u N , u max Velocidade de Corte, Nominal, e Máxima da Turbina c e k, ou a e k Parâmetros de Weibull Pe Potência Eléctrica de um Gerador/Turbina Pmed u (t ) u (t ) u ′(t ) f (u ) Pe (u ) Potência Média Velocidade do Vento Instantânea Velocidade do Vento Média em função do Tempo Turbulência do Vento Descrição Probabilística de Weibull Potência Eléctrica em função da Velocidade Instantânea da Turbina Altura da Turbina Real, e de Referência z, z 0 E Fot Cons ,E Eol Cons Energia Fotovoltaica e Eólica Consumida / DC E ConvDC p Perdas de Energia no Conversor DC/DC Fot Eol E Arm , E Arm Energia Fotovoltaica e Eólica Armazenada E pArmFot , E pArmEol Perdas de Armazenamento Fotovoltaica e Eólica E pSist Perdas totais de Energia no Sistema E Conv p Energia de Perdas de Conversão Econs Energia Consumida para uma dada Autonomia (dias) E Total arm Energia Total a Armazenar (baterias) dod Earm Energia a Armazenar para acautelar a Profundidade de Descarga E pArm Perdas de Armazenamento VnBan Tensão Nominal do Banco de Baterias C Ban n Capacidade Nominal do Banco de Baterias C Cel n Capacidade Nominal de uma Célula (Bateria) EaConsSist F ′ , F0 a ca Energia Anual consumida pelo Sistema Pagamento Futuro, e Actual (hoje) Taxa de Actualização Custo Unitário Médio Actualizado Eact Energia Actualizada I t , I tact , Vr Investimento Total, Actualizado e Valor Residual d omj , I j Despesas de O&M e Investimento no ano j Eaj , haj Energia e Utilização Anual no ano j ka Factor de Actualização no Modelo Simplificado Pi Potência Instantânea xi R j , RLj Receita Bruta e Líquida no ano j Tano1 Tarifa no final do Primeiro Ano E cons mêsm Energia Consumida no Mês m TTotal Tarifa Total Ii Investimento Inicial C bat total Custo Total do Banco de Baterias C AC / DC Custo do Conversor AC/DC Hibrida CTotal Custo Total da Solução Híbrida Lmin I ibat + lin Tcontr Distância Mínima que Rentabiliza a Solução Híbrida C lin + bat total Investimento Inicial da Solução Baterias mais Linha Eléctrica Tarifa da Potência Contratada Custo Total da Solução Linha mais Baterias xii 1. Introdução As estações de telecomunicações são algumas vezes projectadas para locais remotos, muitas vezes elevados e de difícil acesso. A solução convencional para alimentação de energia eléctrica da estação é construir uma linha de distribuição ligando-a ao sistema eléctrico da região. Esta solução, muitas vezes onerosa considerando as distâncias envolvidas e as condições de acesso, fica ainda dependente do grau de fiabilidade do sistema eléctrico da região e da própria linha que, em geral, é bom. Neste sentido, o trabalho desenvolvido pretende dimensionar um sistema de produção eléctrica de forma a alimentar uma estação remota de telecomunicações que não esteja ligada a rede nacional e que seja técnica e economicamente viável. Para esse efeito procurar-se-á a melhor solução tecnológica confrontando-se a solução clássica de produção de energia eléctrica, face a uma solução baseada exclusivamente em energias alternativas. Para além da viabilidade económica com energias alternativas procurada neste trabalho, é importante ter em consideração que estas apresentam vantagens ambientais com a redução de gases nocivos para a atmosfera, contribuindo assim para um desenvolvimento mais sustentável da sociedade actual e futura. 1.1 Estrutura da Dissertação Este trabalho divide-se em 9 capítulos sendo a introdução, em que se inclui este texto, o primeiro capítulo. O capítulo 2 leva-nos à análise dos vários processos de produção de energia eléctrica e sua aplicação com base em soluções clássicas, ou soluções com energias alternativas. Ainda dentro do mesmo capítulo descreve-se sucintamente a situação energética em Portugal, e a legislação em vigor aplicada à microgeração. Com a entrada no capítulo 3 começamos por caracterizar a estação remota de telecomunicações e a identificação das várias alternativas possíveis de produção para a sua alimentação. Somos então levados, após conhecer a nossa carga (estação de telecomunicações), a estudar em detalhe a produção de energia fotovoltaica e a produção de energia eólica, temas abordados nos capítulos 4 e 5, respectivamente. Com base nesse conhecimento, é possível no capítulo 6 dimensionar a concepção física do sistema de alimentação eléctrico a alimentar a nossa estação remota. Chegamos assim à recta final com a avaliação económica do projecto discutida no capítulo 7. Diversas análises são realizadas do ponto de vista técnico e económico, resultando diversas conclusões concentradas no capítulo 8. Finalmente, o capítulo 9 trata das referências bibliográficas e anexos. xiii 2. Produção de Energia Eléctrica Iniciamos este trabalho com a análise dos vários processos de produção de energia eléctrica e sua aplicação com base em soluções clássicas, ou soluções com energias alternativas (renováveis). Adicionalmente, e de uma forma muito sucinta, são dadas algumas noções de transporte e distribuição de energia, da situação energética em Portugal, e da legislação em vigor aplicada à microgeração, tema hoje tão falado. 2.1 A Produção Eléctrica A chamada crise energética resulta naturalmente da utilização crescente de matérias- primas cuja transformação permite obter energia. Até recentemente não havia a preocupação 1 com o facto de que os combustíveis fósseis (ex. petróleo) tinham reservas limitadas . De facto, estes materiais fósseis são renováveis, mas o tempo de formação é de milhões de anos e o seu consumo é cada vez mais elevado, razão por que se consideram não renováveis, pois a capacidade natural de os repor é em geral mais lenta que o seu consumo. Da crescente necessidade de energia resultou o alargamento da utilização ao gás natural, hoje bastante utilizado. Grande parte da energia eléctrica produzida é consumida na indústria, sendo também largamente utilizada noutras aplicações não industriais. As razões da sua grande utilização derivam da facilidade de a produzir, de a transportar, de a transformar e de a utilizar. Além disso, é não poluente, inodora e sem ruído. Para a produzir utilizam-se todos os processos conhecidos. A maioria deles resulta de três formas básicas de transformação de energia [7]: a partir da energia potencial e cinética (centrais hidroeléctricas), da energia química (centrais termoeléctricas) e da energia radiante (centrais fotovoltaicas). 2.1.1 Ciclo Clássico de Produção O ciclo de produção eléctrica mais comum necessita de dispor de uma fonte de calor que permita aquecer água de modo a obter vapor sob pressão. Este vapor de água ao expandir-se numa turbina acciona um alternador que gera electricidade. Depois de turbinada, este vapor é condensado (normalmente designado de condensador) através de uma fonte fria que é, normalmente, uma fonte de água fria (curso de água, mar) ou constituída por torres de arrefecimento. A Figura 2.1 representa o ciclo de produção clássica de electricidade. 1 Notar que no caso das reservas de carvão estas são praticamente ilimitadas. 1 Figura 2.1 – Ciclo Clássico de Produção Eléctrica Sempre que o calor libertado pela condensação do vapor de água é recuperado para utilizações de aquecimento, fala-se em cogeração. No caso de se gerarem 3 formas úteis de energia (energia eléctrica, calor e frio) num sistema integrado, fala-se em trigeração. A fonte de calor clássica é obtida pela combustão de combustíveis fósseis (petróleo, gás, carvão) ou por uma reacção de cisão nuclear em reactores concebidos para controlar a amplitude dessa reacção. Os combustíveis fósseis ou o urânio utilizado nos ciclos clássicos podem ser substituídos por fontes de energia renovável. A fonte de calor pode, então, ser obtida a partir: • da combustão de biomassa (madeira, biogás, resíduos orgânicos); • do calor que se encontra nas profundezas do nosso planeta, através da bombagem directa de água quente para a superfície ou explorando a temperatura elevada das rochas que se encontram no interior do planeta, utilizando água injectada a partir da superfície geotérmica; do sol, concentrando os seus raios através de espelhos ou explorando a água aquecida • nas superfícies dos mares das zonas tropicais. 2.1.2 Cadeia Eólica ou Hidráulica Com algumas energias renováveis, a cadeia de produção eléctrica não necessita de uma fonte de calor, é o caso da energia eólica, hidráulica e solar fotovoltaico. No caso das energias eólica e hidráulica, é a pressão do vento ou da água que acciona a rotação de uma turbina que, por sua vez, acciona um alternador que produz a electricidade. A Figura 2.2 representa esta cadeia de conversão energética. Figura 2.2 – Cadeia Eólica ou Hidráulica de Produção de Electricidade 2 O interesse dos conversores de potência é permitir que o alternador funcione com velocidade variável e, assim, aumentar o rendimento da conversão energética, reduzindo a necessidade de uma regulação mecânica da turbina ou das válvulas, no caso da produção hidráulica. Este funcionamento a velocidade variável desenvolveu-se no domínio da produção hidráulica (em especial na mini-hídrica) e tende a impor-se na eólica, onde este tipo de funcionamento aparece como natural devido às fortes variações na velocidade do vento. A electricidade pode ser, igualmente, produzida a partir de um motor Diesel ou de uma turbina a gás (derivada de um reactor de um avião) que acciona um alternador. A fonte de energia primária são geralmente os combustíveis fósseis, mas é desejável substituí-los por biocombustíveis ou biogás. 2.1.3 Cadeia Solar Fotovoltaica No caso do solar fotovoltaico, a electricidade é produzida directamente por células de silício a partir da energia contida na radiação solar. Conversores de potência são normalmente utilizados para assegurar a optimização da conversão energética, isto possível através da alteração da tensão de saída no conversor de acordo com as condições ambientais de temperatura e radiação. A Figura 2.3 representa essa cadeia de conversão. Figura 2.3 – Cadeia Solar Fotovoltaica de Produção Eléctrica 2.2 Produção Clássica de Energia Nas centrais clássicas são usados os combustíveis fósseis e nas nucleares usam-se combustíveis radioactivos. Este tipo de centrais são actualmente os que maior quantidade de energia produzem pelo facto de ser possível produzir energia em qualquer local, ao contrário das renováveis que em geral estão limitadas geograficamente. É natural, apesar disto, que são escolhidos os locais mais vantajosos, como sejam os que estão na proximidade de cursos de água e os que têm facilidade de acesso a matérias-primas, por via terrestre ou marítima [7]. 3 2.2.1 Centrais Termoeléctricas Como é sabido, as centrais de turbina a vapor são caracterizadas por empregar a energia térmica do vapor no accionamento das turbinas. Para isso ser possível, possuem geradores de vapor onde o calor resultante da queima do combustível (carvão, petróleo, gás natural, ou reacção nuclear) é utilizado para aquecer a água, até esta se transformar em vapor. O vapor em circulação nas tubagens é levado a alta pressão e temperatura, passando pelas pás e imprimindo-lhe um movimento de rotação (Figura 2.1 – Ciclo Clássico de Produção Eléctrica). Estas centrais devem situar-se em locais de fácil acesso a abastecimento de combustível, e que possuam muita água. 2.2.2 Centrais Nucleares As centrais nucleares são ainda centrais térmicas, diferindo das convencionais essencialmente pelo tipo de combustível utilizado e da forma como é produzido o vapor. Aqui o calor produz-se pela cisão de átomos de urânio. • Cisão nuclear A sua utilização na produção controlada de energia levou a afigurar-se como uma esperança para a humanidade, pelo facto de resolver os problemas energéticos de uma forma mais económica. No entanto, dois problemas se põem em relação a esta forma de energia. Um deles refere-se à da eliminação dos resíduos, e o outro tem a ver com o facto de que a energia nuclear actualmente obtida, por cisão nuclear, utilizar combustíveis também não renováveis (urânio). • Fusão nuclear Outra esperança, sempre adiada, reside na energia nuclear obtida por fusão nuclear. No entanto, existem enormes dificuldades que têm a ver com a necessidade de atingir 50 milhões de ºC num plasma e, próximo deste, ser necessária uma temperatura próxima de -270ºC para os ímanes supercondutores. A grande vantagem da fusão nuclear seria a utilização de um combustível inesgotável, barato e não poluente, o hidrogénio, abundante nos oceanos. Esta forma de energia resolveria, pensa-se, o problema energético. 2.2.3 Centrais a Gás O princípio de funcionamento das centrais de turbina a gás baseia-se na expansão dos gases de combustão de uma mistura gasosa sobre as turbinas. É constituída assim essencialmente por um compressor onde o ar é inspirado e enviado para a câmara de combustão onde se mistura com o combustível. A mistura obtida e a força expansiva dos gases vão actuar sobre as pás da turbina, transformando a energia térmica em energia mecânica, energia esta que se vai transformar em energia eléctrica, pois a turbina está acoplada a um alternador. 4 2.2.4 Centrais de Ciclo Combinado As centrais de ciclo combinado são constituídas por várias unidades produtoras independentes. Nestas centrais estão instalados dois ciclos (Figura 2.4), um de gás e outro de vapor, produzindo ambos energia eléctrica. Os dois sistemas estão ligados por uma caldeira de recuperação de calor (HRSG) onde se aproveita a energia dos gases de escape da turbina a gás, para gerar vapor de água que alimenta a turbina a vapor. Um sistema de ciclo combinado requer consideravelmente menos combustível para produzir a mesma energia eléctrica que seria produzida em dois sistemas simples separados. Com as turbinas modernas o rendimento de uma instalação em ciclo combinado é já superior a 50%. Figura 2.4 – Central de Ciclo Combinado (Gás & Vapor) 2.2.5 Centrais a Motor Diesel As centrais a motor diesel (ou a gasolina) são constituídas por um motor de combustão interna acoplado a um alternador. A sua rápida colocação em serviço, permite a sua utilização em instalações particulares ou públicas como grupos de emergência. Não necessitam de serviços auxiliares e exigem pouca refrigeração. 2.3 Fontes de Energia Renováveis A promoção e utilização de fontes renováveis para a produção de energia surge como necessidade de garantir um desenvolvimento sustentável para a sociedade actual e futura [8]. De facto, os sinais de alerta são frequentes e a consciencialização das forças de intervenção e sociedade em geral para a problemática energética é crescente. 5 A dependência política e económica da energia eléctrica, com a extinção dos combustíveis fósseis, são assuntos que passam despercebidos à maior parte da população. No entanto, e mais recentemente, os impactos ambientais surgiram como o principal motivo de preocupação e consciencialização das populações para os assuntos relacionados com a energia. A realização de várias conferências para a sensibilização dos impactos ambientais provocados pelos combustíveis fósseis, das quais se destaca o protocolo de Quioto (1998), contribuíram de uma forma significativa para a definição de diversas metas no que diz respeito à redução de emissões de CO2 , e consequentemente à redução da utilização de combustíveis 2 fósseis dando assim espaço a um maior desenvolvimento tecnológico em energias renováveis . 2.3.1 Eólica O vento foi, durante muito tempo, a principal fonte de energia do homem, ajudando-o a moer cereais e na navegação marítima. Actualmente, este recurso é utilizado em todo o mundo para a produção de energia eléctrica, sendo que em Portugal existem locais onde o potencial eólico justifica claramente a sua exploração comercial através dos conhecidos aerogeradores. Estes são implantados em parques eólicos, cujas zonas apresentam características eólicas razoavelmente homogéneas. Apenas a título informativo, uma turbina (aerogerador) standard actual pode ser projectada para um potência nominal na ordem dos 2 MW, cujo o diâmetro das pás do rotor é na ordem dos 80m para um mastro com cerca de 70m de altura. A energia eólica tem registado nos últimos anos uma evolução verdadeiramente assinalável. De 1998 até 2009 foram instalados mais de 110 GW de potência eólica perfazendo um total de cerca de 120 GW a nível mundial, em que a esmagadora maioria se encontra na Europa (65 GW actualmente na Europa dos 27). Como líder encontram-se os Estados Unidos da América, com 26 GW instalados, seguido da Alemanha e Espanha com 24 GW e 16 GW instalados, respectivamente. Mesmo assim, Portugal não acompanhou o crescimento que se verificou na maioria dos países desenvolvidos nas décadas de oitenta e noventa. No entanto, a situação da energia eólica em Portugal é hoje completamente diferente, assistindo-se a um dinamismo inédito nos últimos anos face à reestruturação do sector eléctrico, legislação específica, e aprovações de directivas para o desenvolvimento desta energia. Os dados disponíveis mais recentes indicam que no final de 2008, a potência total instalada em aproveitamentos eólicos em Portugal é de cerca de 3 GW, esperando-se a instalação de mais 900 MW em 2009. Posicionando-se assim Portugal em 10º lugar na tabela de ranking mundial [2]. 2 As energias renováveis no âmbito da União Europeia são compostas pelas energias solar, hídrica, eólica, biomassa, geotérmica e resíduos. 6 2.3.2 Hidroeléctrica A hidroelectricidade é hoje uma das formas tradicionais de produção de energia contribuindo ainda com uma parcela significativa para a produção nacional (18% em 2007 e 11% em 2008). É normalmente uma obra de grande envergadura que, tem como objectivo principal reter o caudal do rio de modo a formar-se uma albufeira ou, uma bacia de armazenamento. No entanto, originam lagos e albufeiras de grandes dimensões que por vezes têm associados impactos ambientais e sociais. Por outro lado, os locais disponíveis para a construção de grandes aproveitamentos estão a acabar. O grupo gerador nas hidroeléctricas é assim constituído pelo conjunto turbina-alternador, que ao receber a energia cinética da água a grande pressão nas turbinas provoca o movimento de rotação das suas pás, que é comunicada ao eixo do alternador e consequentemente à geração de energia eléctrica. 2.3.3 Mini-Hídrica Os aproveitamentos hidroeléctricos podem ser feitos em dimensões mais reduzidas, até por vezes sem recorrer a armazenamento de água e assim com impactos ambientais bastante reduzidos. Caso não se recorra ao armazenamento de água, designam-se estes aproveitamentos como centrais de fio de água em que não há a possibilidade de se regularizar o caudal, pelo que o caudal utilizável é o caudal instantâneo do rio. A designação central mini-hídrica generalizou-se assim em Portugal para designar os aproveitamentos hidroeléctricos de potência inferior a 10MW. 2.3.4 Oceanos A possibilidade de se extrair energia dos oceanos tem intrigado as pessoas ao longo dos tempos. Actualmente podemos dividir os aproveitamentos energéticos do oceano em dois: energia das ondas, e energia das marés. O aproveitamento da energia das ondas consiste na transformação da energia resultante do movimento periódico das massas de água para a produção de energia eléctrica. Existem actualmente já algumas tecnologias com aplicabilidade e muitas outras em fase de teste e demonstração. A energia das marés consiste no aproveitamento dos desníveis de água que resultam das subida e descida das marés. O princípio de funcionamento de uma central de maré é bastante semelhante ao funcionamento de uma central hídrica, no que diz respeito ao aproveitamento da energia cinética das massas de água. Nestas centrais, instaladas muito perto da foz dos rios ou já no oceano em locais com características especiais, existe a capacidade de armazenamento de água. Desta forma é possível obter desníveis que resultam dos diferentes níveis das marés. 7 2.3.5 Energia Geotérmica Uma excepção às centrais termoeléctricas clássicas (ciclo de água-vapor), que utiliza energia renovável, é o caso das centrais geotérmicas que utilizam energia térmica existente nas entranhas da terra em regiões vulcânicas, como acontece em Itália e nos Açores (Portugal). O processo de funcionamento é análogo ao das restantes centrais clássicas com algumas adaptações às condições particulares de obtenção do vapor sob pressão. Naturalmente que os locais onde é possível este tipo de aproveitamento estão limitados apenas a algumas regiões. 2.3.6 • Bio-Energia Biomassa Recurso energético com largas tradições em Portugal, a biomassa é uma fonte de energia que deriva do aproveitamento energético das florestas e seus resíduos, e resíduos provenientes de explorações agro-alimentares. Uma importante componente no aproveitamento deste tipo de recurso está relacionada com as políticas de limpeza e conservação da floresta. Este tipo de resíduos que, muitas vezes, são os causadores da rápida propagação dos incêndios florestais, podem ser aproveitados como fonte energética. A limpeza da mata de uma forma sustentada permite que seja alcançado um equilíbrio, e dessa forma, preservar um recurso vital que é a floresta e simultaneamente proceder-se à valorização energética. • Biocarburantes Os Biocarburantes são obtidos a partir duma matéria-prima vegetal. Dois motivos levaram ao seu desenvolvimento: a alta dos preços do petróleo verificada primeiramente em 1973, e a poluição gerada pelos gases de escape resultantes da utilização dos carburantes clássicos. O Brasil desempenhou um papel pioneiro neste domínio quando o governo lançou em 1975 o programa "Proalcool", com a utilização de combustíveis contendo 22% de etanol obtido da cana-de-açúcar (ou do trigo). Há no Brasil 4,5 milhões de veículos assim equipados, verificando-se resultados ecológicos positivos. No entanto, há quem seja de opinião que, embora emitindo menos gases prejudiciais como o dióxido de carbono, o uso generalizado de biocarburantes pode produzir outros efeitos perigosos, nomeadamente os relacionados com a reacção brônquica. • Biogás A decomposição da matéria orgânica dos resíduos dá origem à produção de biogás, um gás composto na sua maioria por metano e dióxido de carbono. Em alguns países a aplicação de tecnologias dispendiosas inviabilizou o aproveitamento deste gás para a produção de energia. O sucesso destes empreendimentos depende de um compromisso consciente entre custos, benefícios e tecnologia. 8 • Biodiesel O biodiesel é um combustível produzido a partir de óleos vegetais, óleos de cozinha usados ou gorduras animais. É não tóxico, biodegradável e renovável, e substitui o gasóleo. As emissões produzidas pela utilização de biodiesel puro são substancialmente menores quando comparadas com as do gasóleo. Pode ser produzido recorrendo a tecnologias simples e não muito dispendiosas, sendo que em Portugal pode alcançar um lugar de destaque na sua produção e utilização, contribuindo para a redução da dependência externa de petróleo bem como para a criação de riqueza e protecção do ambiente. 2.3.7 • Solar Fotovoltaíco Os sistemas fotovoltaícos produzem energia eléctrica a partir da radiação solar. São sistemas de elevada fiabilidade, de baixa manutenção, com ausência de ruído e não poluentes. Constituídos por células fotovoltaicas (dispostas em painel solar) de tensão de saída na ordem dos 0.45V, a sua interligação em série e paralelo permitem obter valores normalizados de tensão (12V, 24V) e aumentos de potência. As características do solar fotovoltaíco fazem com que a instalação deste tipo de sistemas seja bastante atractivo em locais onde não exista rede de distribuição eléctrica, por razões ambientais, ou até por razões de ordem estética. É comum encontrar sistemas fotovoltaícos no dia a dia, nomeadamente para alimentar máquinas de pré-pagamento de estacionamento, ou sistemas de telecomunicações. A grande desvantagem destes sistemas é ainda o custo elevado por MWh, ultrapassando o preço da electricidade da rede pública. Prevê-se no entanto um crescimento na utilização destes sistemas nos próximos anos, face ao aumento da sua competitividade e das aplicações com recurso a esta tecnologia. • Térmico Os colectores solares, vulgarmente conhecidos por painéis solares, não devem ser confundidos com painéis fotovoltaicos e são normalmente utilizados apenas para o aquecimento de águas. A cobertura do colector solar é de vidro, e logo, transparente à radiação visível. Esta radiação ao entrar no colector aquece-o emitindo radiação menos energética, a infravermelha, que fica retida no colector uma vez que o seu interior é “opaco” à radiação infravermelha. Desta forma conseguimos um sistema de alto rendimento com base no efeito de estufa. A elevada temperatura atingida na placa absorsora é assim transferida para uma serpentina de tubos (onde circula um fluído de elevada condutibilidade térmica) que interliga o colector solar a um depósito por cima deste. O fluído aquecido no colector solar sobe até ao depósito que está por cima deste, aquecendo a água para as mais variadas tarefas. Após esta transferência de calor, o fluido terá arrefecido, ficando mais denso e descendo de volta ao colector, onde reiniciará o seu ciclo. 9 Este princípio de circulação do fluído é designado por termossifão, que implica que o depósito esteja por cima do painel, caso não seja essa a situação, teremos então de provocar circulação forçada através de uma bomba de água adicional. Nunca se fica realmente independente, pois em dias enevoados e chuvosos o rendimento é bastante reduzido. À noite não existe luz solar, e no caso de utilização mais intensiva acaba por ser necessário recorrer à resistência eléctrica que se encontra no interior do depósito. Outra variante é a sua utilização do solar térmico para a geração de energia eléctrica, cujo princípio de funcionamento consiste em transformar energia térmica contida no fluido em energia eléctrica, através de um ciclo de água-vapor (ver secção 2.1.1). 2.4 Transporte e Distribuição de Energia Para o transporte de uma dada potência aparente (S=U.I) aumenta-se a tensão U, o que apresenta problemas ao nível de isolamento, reduzindo o valor da corrente e consequentemente a secção dos condutores, economizando material e as perdas por efeito de 2 Joule (P=r.i ). Para cada nível de potência a transportar e distância a vencer, há um nível óptimo de tensão cujo valor pode ir de 10 a 400kV, podendo ainda tomar a forma de corrente monofásica (220V) ou trifásica (380V) de acordo com a aplicação. Sendo feita em corrente alternada, a transmissão da energia eléctrica permite a utilização do transformador como fácil e económico (com reduzidas perdas) de obter o nível de tensão desejado. Define-se como Subestação uma instalação de alta tensão destinada à transformação da corrente eléctrica quando estes se destinam a alimentar postos de transformação ou subestações; e como Posto de Transformação uma instalação de média tensão destinada à transformação da corrente eléctrica quando a corrente secundária for utilizada directamente nos receptores (380/220V). Relativamente às linhas de transporte estas podem ser de Alta Tensão, Média Tensão e de Baixa Tensão. • As linhas de Alta Tensão são aquelas cuja tensão nominal é igual ou superior a 60kV e unem os centros produtores (centrais térmicas, hídricas eólicas, etc.) às subestações. São normalmente aéreas podendo, no entanto, ser subterrâneas. As linhas aéreas são constituídas por apoios, normalmente metálicos, sendo os condutores suspensos ou apoiados por isoladores. • Quanto às linhas de Média Tensão, são aquelas cuja tensão nominal é inferior a 60 kV (tensões mais comuns são 10,15 e 30 kV). Estas linhas ligam as subestações aos Postos de Transformação e podem ser aéreas ou subterrâneas. As aéreas são normalmente em cabo nu, apoiadas em postes de betão (mais comum) ou metálicos, sendo os condutores suspensos ou apoiados por isoladores. 10 Relativamente às linhas de Baixa Tensão, são aquelas cuja tensão nominal é inferior a • 1000 V, e levam a energia eléctrica desde os Postos de Transformação ao longo das ruas e caminhos até aos locais onde é consumida em Baixa tensão. Tal como nos casos anteriores, podem ser aéreas ou subterrâneas, e sendo aéreas são normalmente em condutores nus ou isolados em feixe (cabo torçada). As linhas em condutor nu estão fixas sobre isoladores e apoiados em postes de betão, ou sobre postaletes metálicos fixos na fachada. Os cabos de distribuição de baixa tensão são normalmente constituídos por cinco condutores um dos quais se destina à iluminação pública. No caso de uma instalação de uma linha em baixa tensão (380/220V), e portanto, apropriada para alimentar uma estação de telecomunicações, esta tem um custo médio 3 estimado que varia entre 10€ a 12€ por metro em cabo torçada , assumindo que a fixação dos postes eléctricos não acarreta complicações de maior. 2.5 Situação Energética em Portugal Pretende-se agora perceber qual a situação energética em Portugal, não só em termos de evolução de consumo e potência instalada por sector de produção, mas também qual o seu valor negociado no mercado ibérico de electricidade (MIBEL) [4]. 2.5.1 Evolução e Situação Energética Até sensivelmente finais da década de 90 a produção de energia em Portugal fez-se fundamentalmente com base no carvão, no petróleo, e na energia potencial e cinética da água (hídrica). Só a partir de 1998 é que se dá início à produção com base no gás natural, e uma tendência de diminuição na utilização do petróleo. Actualmente, e como ilustra a Figura 2.5, o consumo anual energético em Portugal ronda os 50TWh com uma tendência de crescimento lento. Esta estabilização do consumo nos últimos anos está em parte associada ao atingimento da fase de maturação na utilização da electricidade por parte dos consumidores, e provavelmente à crise económica que nos últimos anos tem assolado o País. Talvez até as próprias campanhas de sensibilização de poupança energética, ou à utilização de equipamentos cada vez mais eficientes, tenham de alguma forma contribuído também para esta estabilização. A recente aposta nas energias renováveis fez com que fosse definida uma classe onde se encontram estas fontes de energia (eólica, fotovoltaica, etc.), designadas assim de produção 4 em regime especial (PRE ), em contradição às fontes de energia clássicas designadas de produção em regime ordinário (PRO). 3 Estimativa fornecida pela secção de energia do Instituto Superior Técnico Engloba a produção de energia em centrais hidroeléctricas com potência instalada até 10 MVA, em centrais usando outros recursos renováveis, e em centrais de cogeração. 4 11 Figura 2.5 – Evolução Energética em Portugal por Sectores de Produção De realçar o aumento do saldo importador decorrente da liberalização do mercado 5 (MIBEL ), assim como o aumento na produção em regime especial (PRE) relativo à energia eólica (11% em 2008). Quanto à produção hídrica, esta está muito dependente das condições climatéricas que em anos de seca sofre enormes quedas (caso do ano 2005). Relativamente à potência instalada, esta ascende já os 15GW, sendo 10,5GW baseada em produção em regime ordinário (PRO), e o restante em produção de regime especial (PRE). A Tabela 2.1 descreve a repartição de potências instaladas em Portugal por fonte de energia. Tabela 2.1 – Potência Instalada em Portugal por Sectores de Fontes de Energia [REN 2008] 5 Mercado Ibérico de Electricidade 12 Dentro das renováveis (PRE), é o sector eólico que tem apresentado maior crescimento (Figura 2.5) totalizando mais de 1500 geradores instalados, para uma potência conjunta acima dos 2,5GW. Mais de 1000 destes geradores têm uma potência unitária igual ou superior a 2 MW, cujos os principais fabricantes são a Enercon com 45% do mercado, seguido da Vestas com 18%. De salientar que, embora tanto a energia eólica como a fotovoltaica tenham uma carácter altamente probabilístico, numa base anual apresentam uma utilização relativamente constante, ou seja, é gerada anualmente uma energia média que depende apenas da potência instalada, e que no caso da eólica representa entre 2100 a 2400 horas anuais equivalentes de produção para uma dada potência instalada. Contrariamente à hídrica que em anos de seca (ex. 2005) a utilização anual cai para valores nada previsíveis com necessidade de se recorrer a outras fontes energéticas. Além de que, as hídricas originam lagos e albufeiras de grandes dimensões que por vezes têm associados impactos ambientais e sociais, o que poderá resultar na inviabilização da implementação do projecto hidroeléctrico (ex. Foz Côa). O maior problema das energias renováveis é o facto de não serem controláveis, ou seja, a produção de energia depende em cada instante da disponibilidade do recurso. Afaste-se assim a ideia de um dia podermos atingir 100% da energia necessária baseada em recursos renováveis, caso estes tenham uma disponibilidade aleatória. Somos sempre forçados, no limite, a combinar as energias não controladas (renováveis) com energias controladas (clássicas). Adicionalmente, e mesmo que o investimento em renováveis face às energias clássicas não pareça rentável, contribuir-se-á na redução de emissões de CO2 para a atmosfera, e a energia eólica tem sido um bom exemplo dessa contribuição. 2.5.2 Custo Médio da Energia Eléctrica O custo de aquisição de energia eléctrica proveniente de PRE em 2007, por parte do comercializador de último recurso, cifrou-se em 94,5€/MWh, face ao valor médio 54,38€/MWh negociados na MIBEL. A Tabela 2.2 descreve com mais detalhe o preço médio de aquisição da PRE, separado por tecnologia. De notar que a fotovoltaica é de longe a que apresenta maior valor de aquisição. 13 Tabela 2.2 – Preço de aquisição Médio da PRE por Tecnologia [ERSE, 2008] 2.6 Microgeração (Decreto-Lei nº363/2007) Existem actualmente dois tipos de produção de energia injectada na rede pelos 6 “produtores renováveis”: a produção descentralizada (PRE-R ) em unidades de pequena potência dispersas nas redes de distribuição e de transporte, remunerada com base num tarifário Verde; e a microgeração (ou microprodução) integrada no local da instalação eléctrica de utilização, acessível às entidades que disponham de um contrato de compra de electricidade em baixa tensão, sendo esta última o tema a abordar nesta secção [5]. A legislação definida relativa à microgeração aplica-se apenas a instalações de produção monofásica em baixa tensão com potência de ligação até 5,75kW (grupo I), e desde que utilizem recursos renováveis. Adicionalmente, a potência injectada na rede pública não pode ser superior a 50% da potência eléctrica contratada, com excepção aos condomínios. Existem 2 tipos de regime remuneratório que se passam a descrever de uma forma muito sucinta e focada em instalações não integradas em condomínios: • Regime Geral: Instalações com potência até 50% da potência contratada, com máximo de 5,75kW. • Regime Bonificado: Aplica-se a potências de ligação até 50% da potência contratada, com um máximo de 3,68kW. No caso de utilização de fontes de energia renovável, deve-se ainda dispor de colectores solares térmicos para aquecimento de água, com 2 um mínimo de 2 m de área. 7 A legislação define uma tarifa única de referência (TUR=617,5€/MWh ), aplicável à energia produzida no ano da instalação e mantendo esse valor durante cinco anos. 6 7 Produtores em Regime Especial que utilizem recursos Renováveis Portal EDP: Valor resultante da potência acumulada de 3,63 MW a 2 Novembro 2009 14 Após o período de 5 anos previsto e durante o período adicional de 10 anos, aplica-se à instalação de microgeração, anualmente, a tarifa única correspondente à que seja aplicável no dia 1 de Janeiro desse ano a novas instalações equivalentes. Por cada 10 MW adicionais de potência de ligação registada a nível nacional, a tarifa única aplicável é sucessivamente reduzida em 5%. Após o período mencionado (15 anos) aplicar-se-á à instalação de microgeração o regime geral. A Tabela 2.3 explicita o valor da TUR de acordo com a tecnologia. Tabela 2.3 – Percentagem da TUR e Limites de Aplicação Consoante a Tecnologia [Jan09] No caso de sistemas híbridos, a tarifa de venda, TV , de energia do produtor ao comercializador é obtida através de: TV = LMEPS × TUR × PS + LMERP × [70% × TUR × PE + 30% × TUR × ( PH + PB )] Equação 2.1 LMEPS × PS + LMERP × ( PE + PH + PB ) Em que PS , PE , PH e PB respectivamente, e são as potências solar, eólica, hídrica e de biomassa, LME PS , LME RP os limites máximos anuais de energia vendida solar e de restantes produções, respectivamente. 15 3. Caracterização da Estação Remota de Telecomunicações Com vista ao dimensionamento do sistema de produção e possível armazenamento de energia eléctrica, começou-se por caracterizar as exigências de consumo da estação remota de telecomunicações, e quais as possíveis alternativas de produção para este tipo de aplicação. Caracterização do Consumo da Estação Remota 3.1 Nesta etapa, pretende-se estimar o consumo médio diário de energia eléctrica, ou seja, definir a curva de carga tanto em termos diários como sazonais. Com estes dados consegue-se visualizar as características previstas para o consumo de electricidade adequando-se o sistema para que a produção satisfaça sempre o consumo. Esta determinação é em geral complexa porque depende do uso que se fará no futuro do sistema, normalmente vinculado a hábitos e rotinas dos usuários difíceis de determinar e variáveis ao longo do tempo. No entanto, e como se irá ver na secção seguinte, o nosso sistema remoto de telecomunicações é bastante determinístico uma vez que exigirá uma potência relativamente constante e que esteja sempre disponível. O cálculo da energia anual produzida para a nossa estação de telecomunicações facilmente se pode extrair a partir da seguinte expressão: Equação 3.1 E a = P × ha Em que P representa a potência instalada no sistema e ha a utilização anual do recurso energético em causa. Este último representa o número de horas equivalentes, numa base anual, que uma dada potência instalada (eólica, solar, hídrica) é utilizada para geração de energia. Se no entanto nos posicionarmos na carga, este representa o número de horas equivalentes anuais que a carga irá funcionar na sua potência exigida (consumo). 3.1.1 Estação Remota de Telecomunicações A nossa estação remota de telecomunicações em causa insere-se na classe de equipamentos de microondas a funcionar na camada de agregação, ou seja, estabelece a ligação entre a rede de acesso (GSM, UMTS) e a rede Core (SDH, DWDM) através de feixes hertezianos. Notar que a topologia utilizada nas camadas de agregação e Core são normalmente em anel, garantido assim que o tráfego percorre todas as estações envolvidas e cada link entre estações é em geral composto de protecção (redundância). 16 A Figura 3.1 reflecte a situação descrita; notar que os débitos de transmissão são tanto maiores quando mais nos aproximamos da rede Core, e consequentemente há também alteração nas tecnologias de transmissão (GSM, UMTS, PDH, SDH, DWDM). Figura 3.1 – Rede Típica de Telecomunicações Móveis em Microondas A nossa estação remota de telecomunicações, que se posiciona na camada de agregação, está em geral situada em locais isolados e elevados uma vez que se pretende agregar e transmitir informação a longas distâncias recorrendo ao uso das microondas. Nesta classe, as estações mais remotas no que diz respeito ao acesso físico e energético são reconhecidas por repetidores, cuja a sua função passa essencialmente pela regeneração do sinal para que este possa percorrer maiores distâncias. Há essencialmente duas formas de se regenerar o sinal, ou de uma forma passiva recorrendo à utilização de espelhos, ou de uma forma activa por utilização de receptores e transmissores. Esta última, apesar de necessitar de alimentação eléctrica para funcionar apresenta muito maior ganho e menor custo, e consequentemente é a mais utilizada. Basicamente, podemos assumir que o repetidor passivo aplica-se essencialmente a situações onde se pretenda mudar a direcção do feixe hertziano para contornar obstáculos, enquanto que o activo para percorrer longas distâncias onde o aumento do nível de potência é fundamental. Um equipamento de telecomunicações, com as características referidas, pode ser encontrado no fabricante Nokia Siemens Networks (NSN) e é designado por SRA4 (Split Radio System up to STM-4) [9]. A escolha do mesmo tem a ver com a implementação, por parte da 8 REN , de uma rede de agregação com base nos referidos equipamentos e onde se conhece a localização dos mesmos, condição essencial para a concepção física da alimentação eléctrica. Optou-se assim por efectuar um estudo o mais próximo da realidade, e se possível com base em dados reais. 8 Redes Energéticas Nacionais 17 Este equipamento é composto por 2 unidades principais, In-Door Unit (IDU), e Out-Door Unit (ODU). A primeira (IDU) foi desenhada para operar em locais fechados, não estando portanto protegida contra as condições climatéricas, ao contrário da segunda (ODU). A necessidade da existência de uma unidade exterior, para além obviamente da antena de microondas, prende-se à necessidade de deslocar o sinal de alta frequência (HF) recebido na antena de microondas, para uma frequência intermédia (IF), e vice-versa se considerar-mos que estamos a transmitir. O nível de potência de saída do sinal é também controlado por este dispositivo. A ligação entre estes 2 dispositivos, IDU e ODU, faz-se simplesmente através de um cabo coaxial que é percorrido pelo sinal IF e energia providenciada pela unidade IDU. A mais valia desta arquitectura (separação) é o facto de se poder alterar a frequência de transmissão entre antenas trocando apenas as unidades ODU, simplificando assim o projecto caso haja necessidades de alteração de última hora ao plano de frequências reservadas. A Figura 3.2 mostra o aspecto das componentes que constituem a nossa estação remota de telecomunicações, também designada de repetidor activo. Notar que as unidades ODU estão acopladas às antenas de microondas (normalmente em forma de parábola). Figura 3.2 – Componentes da Estação Remota de Telecomunicações (SRA4) O nosso repetidor (Figura 3.3) é assim constituído por 4 unidades ODU e, 2 IDU, optandose assim por um esquema de protecção 1+1 em que o link entre estações é sempre protegido através de um segundo comprimento de onda, ambas as frequências ( f 2 . Ou seja, a mesma informação é enviada em f1 e f 2 ), no entanto, na recepção, apenas um sinal é recolhido. Esta arquitectura não só previne possíveis falhas num dos links, como permite que as unidades receptoras recolham em tempo real o melhor sinal, seja proveniente da frequência 18 f1 , ou f 2 . Optou-se também por enviar e receber as frequências ( f1 e f 2 ) em antenas separadas, tal como ilustra a Figura 3.3. A vantagem desta opção é o facto de provocarmos uma maior diferença nos sinais detectados, f1 e f 2 , e consequentemente recolhermos o melhor sinal de cada uma em tempo real, esquema também conhecido como Frequency Diversity Protection. Notar ainda que os Links de transmissão assentam sobre tecnologia SDH, e onde cada Link é composto por uma trama STM-1 com um débito de transmissão de 155 Mbits/s. ODU A1 ODU B1 f1 STM-1 f1 STM-1 IDU A IDU B f2 STM-1 f2 STM-1 ODU A2 ODU B2 Figura 3.3 – Repetidor Activo de Telecomunicações com Links STM-1 (SRA4 1+1) Normalmente, exige-se, a existência de ar condicionado para o bom funcionamento dos equipamentos de telecomunicações. No entanto, e recorrendo à descrição técnica do 9 fabricante relativa ao equipamento SRA4 dada na Tabela 3.1 , verifica-se que este equipamento ao ser instalado em Portugal Continental funciona perfeitamente bem mesmo na ausência de climatização, uma vez que tanto a temperatura como a humidade ambiental anual se encontram dentro dos parâmetros admissíveis dados pelo fabricante. Donde, na determinação do consumo energético da estação remota de telecomunicações não se deverá incluir consumos energéticos para efeitos de climatização. Tabela 3.1 – Características Ambientais das Unidades IDU e ODU do Sistema SRA4 Temperature Limits: -5 to 50ºC IDU (Indoor Equipment) Humidity Limits: 5% to 95% Maximum Temperature Limits: Up to 55ºC Temperature Limits: -33 to 55ºC ODU (Outdoor Equipment) Humidity Limits: 15% to 100% Maximum Temperature Limits: Up to 55ºC 9 Por questões de CopyRight apenas a brochura do SRA4 é disponibilizada 19 Novamente, da descrição técnica do fabricante (Tabela 3.2) podemos extrair a informação relativa ao consumo de cada componente que constitui o equipamento SRA4. Tabela 3.2 – Consumo Energético das Unidades IDU e ODU do Sistema SRA4 IDU Power (per each unit) SRA4 ‘standard’ Electrical i/f: < 30 W ±10% Power Consumption 1+0 (el. and opt.) Optical i/f: < 32 W ±10% SRA4 ‘standard’ Electrical i/f: < 51 W ±10% Power Cons 1+1(el. & opt.) Optical i/f: < 55 W ±10% SRA4-STM1 (New Model) Electrical i/f: < 24,5 W ±10% Power Consumption 1+0 (el. and opt.) Optical i/f: < 24,8 W ±10% SRA4-STM1 (New Model) Electrical i/f: < 41,8 W ±10% Power Consumption 1+1(el. & opt.) Optical i/f: < 42,2 W ±10% Frequency Band (GHz) 6U/6L 7/8 11/13 15 18 23 26 28 32/38 60 56 60 45 38 38 45 45 45 Total Power Absorbed By ODU (W) (per each unit) Power consumption (from battery -48 V) with ± 10% tolerance Recorrendo à definição da estação remota de telecomunicações (repetidor activo - Figura 3.3), e tendo em consideração as especificações técnicas dadas acima pelo fabricante, optamos assim pelo pior caso, ou seja, para as unidades IDU vamos assumir o SRA4 ‘standard” 1+1, e para as unidades ODU a banda 6U/6L, resultando assim o seguinte consumo da nossa estação de telecomunicações: Tabela 3.3 – Consumo Energético da Estação Remota de Telecomunicações 10 Dispositivos nº ODU 4 IDU 2 TOTAL 6 Potência Total [W] 60x4=240 (55W±10%)x2 =>121 361 Utilização Anual da Pot. ha [h ] Energia Anual E Cons a [MWh ] 8760 2,10 8760 1,06 8760 3,16 Recorrendo à Equação 3.1 20 10 Custo de Referência 4x2.500 =10.000€ 2x15.000 =30.000€ 40.000€ Definimos assim a nossa curva de carga tanto em termos diários como sazonais, que para este caso em particular não é mais que uma constante ao longo do tempo. Facilmente se compreende que o nosso repetidor activo, que exige uma potência relativamente constante, deverá estar sempre disponível na rede de telecomunicações, seja dia, seja noite, caso contrário haverá interrupção de tráfego na rede de agregação, e consequentemente nas comunicações móveis que fazem uso das redes GSM/UMTS na camada de acesso acima mencionada. Do ponto de vista do dimensionamento do sistema de produção a tarefa fica simplificada, uma vez que podemos ajustar a produção ao consumo com relativa facilidade, como mais adiante se verá. Notar ainda que, aquando o dimensionamento energético deste sistema a alimentação do mesmo dever-se-á fazer com base nos -48V ± 10%, corrente continua. 3.1.2 Localização da Estação Remota Como mencionado na secção anterior, a escolha deste sistema de telecomunicações teve a ver com o conhecimento das localizações destas estações, implementados pela REN, e por serem estes os sistemas que se situam na classe dos que estão mais remotos no que diz respeito ao acesso físico e energético. Mais ainda, estamos perante um caso real onde a documentação técnica está disponível (brochura, especificações, etc.), assim como as configurações mais comuns e neste caso implementadas pela REN. É sabido assim que, no que diz respeito ao conjunto de repetidores, as seguintes localizações foram utilizadas na rede de telecomunicações da REN, isto na camada de agregação: Tabela 3.4 – Localização das Estações Remotas de Telecomunicações – Norte Oeste Repetidor Dispositivos Localizações – Norte Oeste São Pedro Velho – Mirandela, Bragança Activo 4 ODU + 2 IDU Passivo 2 Espelhos São Mamede – Viana do Castelo Esposade – Matosinhos, Porto Vilarinho das Furnas – Gerês, Braga/Vila Real A Tabela 3.4 e respectiva Figura 3.4 dá-nos assim a localização de 2 repetidores activos, e de 2 repetidores passivos. Vamos por agora assumir o repetidor activo instalado em São Pedro Velho, concelho de Mirandela, Distrito de Bragança, e com base neste dimensionar o nosso sistema de produção. 21 Figura 3.4 – Mapa das Localizações das Estações Remotas de Telecomunicações Produção de Energia para a Estação Remota 3.2 Pretende-se agora dimensionar o sistema de produção para alimentar a estação remota de telecomunicações. A quantidade de energia produzida anualmente terá que ser superior ao valor da energia consumida anualmente. No total será, no mínimo, igual à soma da energia total consumida, com possíveis perdas que se irão verificar no sistema de armazenamento, conversão (AC-DC-AC) e transporte, caso existam. Se o sistema de produção ficar junto à estação remota facilmente se percebe que as perdas de transporte são desprezáveis. Seguem-se algumas considerações com objectivo de se encontrarem as melhores soluções para o fornecimento energético da estação remota de telecomunicações, seja com base na análise da produção clássica, energia renovável, ou mesmo de armazenamento. 3.2.1 Solução Baseada na Produção Clássica De forma a alimentar o nosso sistema de telecomunicações baseado na produção clássica de energia, e considerando as várias fontes de energia analisadas (Secção 2.2), resulta que o fornecimento energético à nossa estação dever-se-á efectuar via linhas de transmissão de energia, ou recorrendo à utilização do Motor Diesel. A opção Motor Diesel é normalmente mais utilizada em Países onde o fornecimento eléctrico é incerto, como é o caso de Moçambique. Aqui, independentemente da distância onde se encontra a linha de transmissão mais próxima (posto de transformação), é sempre boa política dotar o sistema de redundância energética, caso contrário as comunicações irão oscilar ao ritmo das falhas energéticas, situação não desejada. Felizmente em Portugal Continental, onde está localizada a nossa estação remota de telecomunicações, a necessidade de um sistema de redundância energética é bastante menor. 22 Conhecidas as dificuldades que são o transporte de combustível para o Motor Diesel, associadas a reduzidas autonomias (várias horas) e necessidades de manutenção, apenas devemos considerá-lo como sistema de redundância energética à linha de transmissão eléctrica. 3.2.2 A Solução Baseada em Energias Renováveis viabilidade de projectos relacionados com energias renováveis depende fundamentalmente da disponibilidade dos recursos utilizados na produção de energia (Secção 2.3), diminuindo assim o custo total do projecto que depende, essencialmente, da quantidade de potência a instalar. No projecto em questão os sistemas fotovoltaícos de energia são os mais indicados para uso em estações de telecomunicação isoladas (remotas), onde os consumos de energia eléctrica não são muito elevados e onde se necessita fiabilidade e baixo nível de manutenção. Uma outra hipótese é a utilização de sistemas eólicos já que estas estações de telecomunicações normalmente situam-se em zonas altas para que estejam em linha de vista com as outras estações receptores/emissoras. A combinação desta com a solar pode no entanto reduzir a incerteza da sua inexistência já que ambas têm um carácter probabilístico inerente aos recursos naturais. 3.2.3 Armazenamento de Energia Com objectivo de se garantir o fornecimento ininterrupto de energia a utilização de baterias é essencial, em particular quando se faz uso de recursos naturais e estes estão ausentes (durante a noite e sem qualquer vento). As baterias são também de grande utilidade no que respeita à absorção de distúrbios eléctricos quando o sistema se encontra ligado à linha eléctrica de transmissão, protegendo assim a estação de telecomunicações. 3.2.4 Alternativas Possíveis de Produção Pretende-se agora sintetizar as possíveis alternativas de abastecimento energético à nossa estação remota de telecomunicações. Combinaram-se assim os vários recursos energéticos identificados anteriormente de acordo com o descrito na seguinte Tabela 3.5. As alternativas identificadas assumem sempre a existência de alguma redundância energética, seja através do uso de baterias, Motor Diesel, ou linha eléctrica, de forma a garantir-se um fornecimento ininterrupto de energia à estação remota de telecomunicações. Mais, optou-se por não combinar recursos não renováveis com renováveis, uma vez que para a aplicação em questão, e com base nos recursos energéticos identificados, o sistema de produção de energia ou se baseia na linha eléctrica e sua redundância energética (Motor Diesel e/ou Baterias), ou é direccionado no sentido de ser um sistema energéticamente autónomo com base nas energias renováveis (fotovoltaica, eólica) e sua redundância (Baterias). 23 Obviamente que, e caso a linha de transmissão eléctrica esteja nas proximidades da nossa estação remota, poder-se-ia ainda ponderar a sua utilização no sistema de energias renováveis com objectivo de se reduzir, apenas e só, a capacidade do banco de baterias uma vez que este representa normalmente a maior fatia do investimento (Alternativa 6). Tabela 3.5 – Alternativas Possíveis de Produção de Energia para a Estação Remota Recursos Energéticos Linha Motor Eléctrica Diesel Fotovoltaica Alternativa 1 X Alternativa 2 Alternativa 3 X Alternativa 4 X Alternativa 5 X Alternativa 6 3.3 Eólica Baterias X* X X* X X* X X X X* : Utilização da Linha Eléctrica com redução do Banco de Baterias Potência a ser Instalada na Estação Remota Para determinar a potência a fornecer à nossa estação remota de telecomunicações teremos de calcular a parcela de cada uma das potências a instalar que constitui cada uma das alternativas acima identificadas (Tabela 3.5). Esta determinação deverá seguir um procedimento iterativo para que as estimativas de produção se aproximem cada vez mais dos valores do consumo. Como anteriormente mencionado, a quantidade de energia a fornecer ao nosso sistema deverá ser, no mínimo, igual à soma da energia total consumida, com possíveis perdas que se irão verificar no sistema de armazenamento, conversão (AC-DC-AC) e transporte. No caso do sistema de armazenamento, este deverá actuar apenas em casos pontuais quando a produção é inferior ao consumo, ou não há produção. É normal assumirem-se para as perdas de armazenamento valores na ordem dos 20%, associadas à dissipação, à auto-descarga, e outras, como mais adiante se verá, e para as perdas de conversão um valor em torno dos 10%. Com os dados até agora obtidos não é possível estimar qual a percentagem de energia consumida pelo sistema (perdas) proveniente do sistema de produção (ou armazenamento), e sendo assim, assume-se por agora um valor inicial para as perdas totais de 30%. Só após uma análise detalhada do sistema de produção fotovoltaico, eólico, armazenamento, e respectiva definição da arquitectura, será possível determinar com maior exactidão as perdas no sistema, e concluir-se se o valor assumido é excessivo, ou se pelo contrário é insuficiente. 24 A energia a ser produzida anualmente pode então ser estimada da seguinte forma: Pr od ETotal = E aCons × (1 + 0,3) = 3,16 × 1,3 = 4,12 MWh Equação 3.2 E aCons já havia sido determinada na Tabela 3.3 Onde Facilmente, e a partir deste valor, podemos traçar o perfil da energia consumida mensalmente uma vez que o consumo da carga é aproximadamente constante, tal como ilustra a Figura 3.5. Notar que, as variações presentes nesta figura devem-se exclusivamente ao número de dias de cada mês que varia ao longo do ano. Energia Total sem Armazenamento Energia Média Mensal [kWh] Consumida com 30% de Perdas no Sistema 360 350 349,16 349,16 349,16 337,90 340 349,16349,16 337,90 349,16 337,90 349,16 337,90 330 320 315,37 310 300 Ja ne Fe ir o ve re ir o M ar ço Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh o Ag os to Se te m br O o ut ub N ov ro em b D ez ro em br o 290 Figura 3.5 – Energia Consumida Mensalmente na Estação com 30% de Perdas no Sistema A estimativa da energia anual produzida por cada fonte pode ser obtida recorrendo à Equação 3.1, onde a potência nominal a instalar depende apenas da sua utilização anual e da energia necessária a fornecer. Eol De forma a calcular as respectivas potências nominais ( Pn Eol de cada fonte ( ha , PpFotov ) e utilizações anuais , haFotov ), seguir-se-á uma análise detalhada da produção de energia fotovoltaica, energia eólica e respectivo dimensionamento do sistema. A melhor combinação (alternativa) dos referidos recursos da Tabela 3.5 pode ser determinada com base na viabilidade económica, tema também a abordar. 25 4. Produção de Energia Fotovoltaica A produção anual de energia fotovoltaica depende fundamentalmente da disponibilidade energética do recurso utilizado, neste caso a radiação solar, que se pode traduzir na utilização anual da potência instalada e das características técnicas do sistema de conversão, neste caso, dos painéis fotovoltaicos utilizados. Podem ainda associar-se ao sistema de conversão um sistema de seguimento da posição do sol (tracker’s) para optimizar a quantidade de radiação solar que incide nos painéis ao longo do dia. 4.1 Utilização de Tracker’s A fixação dos painéis fotovoltaicos pode ser feita através de estruturas fixas, ou Tracker’s. No caso das estruturas fixas a inclinação deve ser tal que maximize a radiação solar, que normalmente é igual à latitude da localização da instalação do projecto, ou através de Trackers, sistemas estes electromecânicos que seguem o movimento diário do Sol, em torno de um ou dos dois eixos, mantendo o ângulo de incidência da radiação no painel o mais próximo de 90º, maximizando assim a energia produzida. Actualmente, os fabricantes destes equipamentos indicam um aumento de 20 a 25% para sistemas de um eixo e de 35 a 45% para sistemas de dois eixos, dependendo de factores como a latitude da instalação do projecto, quanto mais próximo do equador menor é o aumento da energia conseguida [6]. No projecto em questão, dada a reduzida potência necessária para alimentar o nosso sistema (Tabela 3.3) e querendo evitar-se a manutenção dos sistemas electromecânicos, de certo o investimento não justifica a implementação de trackers, não sendo portanto considerados no projecto. 4.2 Selecção de Painéis Fotovoltaicos Fundamentalmente, os critérios que condicionam a escolha dos painéis fotovoltaicos são: • O custo dos painéis por Watt pico, € w p , que irá influenciar de modo significativo o investimento inicial do projecto. • O rendimento dos painéis, quanto maior for este mais energia é produzida para a mesma área de painel. Os de silício mono-cristalino são os que apresentam maior rendimento. • Para o nosso caso da estação remota de telecomunicações, as dimensões e o número de painéis querem-se também reduzidos e compactos uma vez que a localização destas estações está normalmente em zonas altas onde o vento forte é predominante, e o espaço reservado à sua instalação é normalmente reduzido. • A tensão e a potência a fornecer ao nosso sistema deve também ser tomada em consideração na escolha dos painéis, uma vez que a combinação em serie/paralelo dos mesmos define a tensão e potência a ser entregue ao sistema (normalmente a Charge Controllers). 26 Tendo em consideração os factores acima referidos e recorrendo ao fabricante LoboSolar [10], este sugere a utilização de módulos SolarWorld por serem uma alternativa credível e económica a sistemas de produção baseados em combustíveis fósseis. Mais ainda, este sugere serem os indicados para aplicações de telecomunicações isoladas (off-grid: rede eléctrica isolada), e sendo assim, estes poderão ser os painéis fotovoltaicos a utilizar no projecto em questão. Adicionalmente, considere-se ainda para a nossa análise uma outra gama disponibilizada pelo mesmo fabricante mas esta com uma potência máxima (pico) superior, designados por Renewis. Relativamente ao módulo SolarWorld, o fabricante não disponibiliza de uma forma directa qual o seu rendimento, sendo que e através das outras características disponibilizadas 11 facilmente a podemos deduzir de acordo com a seguinte equação : η= Pp Equação 4.1 Gr A Na Tabela 4.1 indicam-se assim as características principais do painel da gama SolarWorld (SW 80 mono), e 2 modelos da gama Renewis (PV 155-M e PV 185-M), os quais serão considerados na concepção física da alimentação da nossa estação remota de telecomunicações. Relativamente à escolha dos modelos Renewis, optou-se por escolher o de menor, e de maior rendimento. Tabela 4.1 – Características Técnicas dos Painéis Fotovoltaicos SolarWorld e Renewis Características Técnicas (STC) SW 80 mono PV 155-M PV 185-M 80 155 185 4,58 4,5 5,2 17,5 34,6 35,8 5 5,35 5,48 21,9 44,2 44,8 45,5 45,5 45,5 36 72 72 Comprimento [mm] 1200 1622 1622 Largura [mm] 527 814 814 Rendimento 12,7% 11,7% 14,0% Preço Aproximado 350 € 650 € 800 € 4,38 4,19 4,32 p Potência Máxima, pico ( Pmax ) r Corrente máxima ( I max ) r Tensão máxima ( Vmax ) r cc Corrente de curto-circuito ( I ) r Tensão de circuito aberto ( I ca ) Temperatura normal de funcionamento(NOCT) Nº de células em série ( I SM ) € wp 11 G r = 1000 W m 2 27 4.3 Utilização Anual da Potência e Estimativa do Número de Painéis Na Figura 4.1, observa-se que a estimativa da utilização anual da potência fotovoltaica em São Pedro Velho, concelho de Mirandela, Distrito de Bragança, onde ficará localizada a nossa Fotov estação remota de telecomunicações (ver secção 3.1.2), é de aproximadamente ha =1480h para painéis fixos colocados com inclinação a Sul igual à latitude. Este valor representa assim o potencial fotovoltaico que de uma forma geral aumenta quanto menor for a latitude. Figura 4.1 – Índice kWh/Wp ( ha expressa em kh) em Sistemas Fotovoltaicos Sendo assim, a energia a ser produzida anualmente pela parcela fotovoltaica, admitindo por agora a Alternativa 1 da Tabela 3.5, e recorrendo ao resultado da Equação 3.2 será dada por: Pr od E aFotov = ETotal = 4,12 MWh E portanto, a potência da parcela fotovoltaica a instalar será de: Fotov Ppico = E aFotov 4,12 × 1000 = = 2,78 ≈ 2,8kW haFotov 1480 28 O número de painéis fotovoltaicos estimados a utilizar, admitindo módulos SolarWorld, é então de: SW 80 mono : N paineis = Fotov Ppico Painel pico P = 2800 = 35 80 Equação 4.2 Este resultado mostra que o número de painéis aumenta com a diminuição da utilização anual, e que esta é tanto menor quanto mais para o norte do Pais fica situada a nossa estação remota de telecomunicações. A escolha destes painéis para a Alternativa 1 não é no entanto a mais indicada, uma vez que requerem demasiado espaço para a sua instalação dado o elevado número de módulos exigidos derivado à sua reduzida potência máxima de pico (ver critérios na secção anterior). Para o nosso caso devemos optar pela utilização dos painéis Renewis de potência máxima superior, que para os modelos seleccionados resulta na seguinte estimativa: PV 155 − M : N paineis = PV 185 − M : N paineis = Fotov Ppico Painel pico P Fotov Ppico Painel pico P = 2800 = 18,1 ≈ 18 155 Equação 4.3 = 2800 = 15,1 ≈ 15 185 Equação 4.4 De forma a caracterizar o sistema de armazenamento (Alternativa 1), garantindo a disponibilidade permanente da estação remota de telecomunicações, devemos calcular a potência média horária e a partir desta a energia horária produzida pelos painéis fotovoltaicos. Este cálculo é possível com base no modelo matemático da célula fotovoltaica seguidamente Fotov apresentado. Notar ainda que, podemos calcular a energia fotovoltaica total anual ( E a ) adicionando todas as energias horárias, e confrontando-a com a energia total a produzir Pr od ( ETotal 4.4 = 4,12 MWh ). Modelo Matemático da Célula Fotovoltaica O modelo aqui apresentado, conhecido como o modelo de um díodo e de 3 parâmetros (1D+3P), é já por si uma simplificação de outros modelos mais complexos mas que se aproxima muito dos valores experimentais, e sendo assim é dos mais utilizados [1]. 29 Desenvolvimento do Modelo 1D+3P 4.4.1 A célula fotovoltaica pode ser representada de forma simplificada através de um circuito eléctrico equivalente apresentado na Figura 4.2. Figura 4.2 – Circuito Eléctrico Equivalente de uma Célula Fotovoltaica com Carga Z No circuito, I S representa a corrente eléctrica gerada pelo feixe de radiação luminosa ao atingir a superfície activa da célula (efeito fotovoltaico); esta corrente unidireccional é constante para uma dada radiação incidente. O díodo representa o funcionamento da junção p-n que ao lhe ser aplicado uma tensão V (aos terminais da célula) é percorrido por uma corrente interna unidireccional I D . A corrente onde: I D é dada por: mVV I D = I 0 e T − 1 Equação 4.5 I 0 : corrente inversa máxima de saturação do díodo V : tensão aos terminais da célula m : factor de idealidade do díodo (díodo ideal: m = 1 ; díodo real: m > 1) VT : designado por potencial térmico VT = KT q 12; K: constante de Boltzmann ( K = 1,38 x10−23 J / K ) o T: temperatura absoluta da célula em K ( 0 C q: carga eléctrica do electrão ( q = 273,16 o K ) = 1,6 x10 −19 C ) Com base no circuito eléctrico equivalente facilmente se extrai: mVV I = I S − I D = I S − I 0 e T − 1 12 Para T = 298,16K (θ = 25o C ) , obtém-se VT = 25,7 mV 30 Equação 4.6 Duas importantes características das células fotovoltaicas são fornecidas pelos fabricantes, para determinadas condições de radiação incidente e temperatura, estas são a corrente de curto-circuito, I cc , e a tensão em vazio, Vca . Da equação anterior: Curto Circuito ⇒ V = 0 ⇒ I D = 0 ⇒ I = I S = I cc Equação 4.7 I Circuito Aberto ⇒ I = 0 ⇒ Vca = mVT ln 1 + S I0 Equação 4.8 Sendo que a corrente de curto-circuito, I cc , é o valor máximo da corrente de carga igual à corrente gerada por efeito fotovoltaico. A tensão em vazio, Vca , é o valor máximo da tensão aos terminais da célula. As equações características de cada célula fotovoltaica definem a curva característica I-V. A Figura 4.3 representa assim duas dessas curvas características para duas células com factores de forma (m) diferentes. Notar ainda a redução de potência verificada na célula 2 (área total para a potência máxima). Figura 4.3 – Curva I-V de Duas Células Fotovoltaicas Diferentes Das equações anteriores é possível ainda extrair a corrente inversa de saturação, I 0 , assim como a potência eléctrica de saída, P, da célula fotovoltaica: I I0 = e cc Vca mVT Equação 4.9 −1 mVV P = VI = V I cc − I 0 e T − 1 31 Equação 4.10 Adicionalmente, derivando a potência em função da tensão e igualando a zero, podemos extrair a potência máxima, Pmax , resolvendo-a através de métodos iterativos (método de Gauss, ou de Newton): e V mVT A solução desta equação é quando V seja, I max I cc +1 I0 = V 1+ mVT Equação 4.11 = Vmax e a correspondente corrente será I max , ou VmVmax = I cc − I 0 e T − 1 Equação 4.12 O ponto de potência máxima é então: Pmax = Vmax × I max Equação 4.13 As curvas I-V e P-V da Figura 4.4 demonstram facilmente, de uma forma gráfica, o processo matemático descrito no cálculo da potência máxima. Figura 4.4 – Curva I-V e P-V de Uma Célula Típica de Silício Cristalino, condições STC 13 Considerando que os fabricantes disponibilizam sempre os valores de referência, r r r Vcar , I ccr , Vmax , I max e Pmax , valores estes extraídos a uma temperatura e radiação incidente de 13 referência (condições nominais de teste ): 13 • θ r = 25o C ⇔ T r = 298,16 K • G r = 1000 W m 2 Standard Test Conditions - STC 32 É conveniente assim deduzir um conjunto de equações que inclua esses valores. Com base na Equação 4.6, Equação 4.7, Equação 4.8 e Equação 4.9 e mais algumas 14 aproximações , chegamos ao seguinte resultado: V −Vca r I = I 1 − e mVT r r cc Equação 4.14 Aplicando a Equação 4.6 nos pontos de circuito aberto, curto-circuito e potência máxima é possível extrair o factor de forma (m), Vca r Vmax − Vcar r r mVTr = I cc − I o e − 1 ⇔ m = Ir VTr ln1 − max I ccr r r I max Equação 4.15 Este factor, neste modelo, assume-se constante e representa a característica da célula fotovoltaica em questão, que varia de fabricante para fabricante. Uma vez obtido o factor de forma que facilmente se calcula com base nos valores de referência disponibilizados pelos fabricantes, podemos chegar à corrente inversa de saturação nas condições de referência com base na Equação 4.9, I ccr r 0 I = Equação 4.16 Vcar e mVrT −1 A corrente e a tensão gerada pela célula dependem não só das características do painel, mas também da temperatura ambiente e da radiação solar. Resultados experimentais mostram que variações na temperatura da célula, para uma dada radiação constante, está fortemente ligada a variações de tensão na célula, em particular para o valor da tensão em circuito aberto, como é visível na Figura 4.5, Figura 4.5 – Variação da Curva I-V com a Temperatura 14 Considerando que e Vcar V mVTr mVTr 〉〉 1 ; e 〉〉 1 33 Verifica-se também que a corrente de circuito-aberto varia com a temperatura mas de uma forma pouco prenunciada, pelo que no modelo simplificado podemos admitir que a temperatura apenas tem influência sobre o valor Vca , directamente ligado à corrente inversa de saturação, 15 nas condições de referência, dada pela expressão : ε 1 1 T m, VTr −VT I0 = I r e ; m , = m / N SM T 3 r 0 Equação 4.17 Variando agora a radiação e mantendo a temperatura, as alterações significativas verificam-se na corrente de curto-circuito, em contradição ao caso anterior, como é visível na Figura 4.6. Figura 4.6 – Variação da Curva I-V com a Radiação Podemos assim escrever de uma forma simplificada, I= G I max Gr Equação 4.18 O valor da temperatura mencionado na Equação 4.17 refere-se à temperatura da célula que na fase de projecto não está disponível, pode no entanto ser estimada com base na 16 temperatura normal de funcionamento da célula (NOCT ), temperatura ambiente e radiação incidente na célula: θc = θa + G ( NOCT − 20) 800 Equação 4.19 Notar portanto que, o modelo aqui desenvolvido se baseia num díodo cujo o cálculo dos 3 parâmetros se faz de uma forma aproximada admitindo-se o seguinte: 1) m: admite-se constante 2) I cc : admite-se que só varia com a radiação 3) I 0 : admite-se que só varia com a temperatura 15 ε – hiato do silício: ε = 1,12 eV ; 16 NOCT – Normal Operating Cell Temperature , definida como N SM é o número de células ligadas em série 34 θ a = 20 o C e G = 800W m 2 4.4.2 Aplicação do Modelo 1D+3P a Módulos/Painéis Fotovoltaicos A aplicação do modelo matemático simplificado da célula fotovoltaica (1D+3P) deve agora ser estendido aos módulos fotovoltaicos compostos por diversas células, e por sua vez a painéis constituídos por diversos módulos. A potência máxima de uma única célula fotovoltaica não excede 2W, o que é manifestamente insuficiente para a maioria das aplicações. Por este motivo, as células são agrupadas em série, N SM , e em paralelo, N PM , formando módulos. Naturalmente, a associação em série de células resultará num aumento proporcional de tensão, a associação em paralelo num aumento proporcional de corrente. O modelo anterior descrito para uma célula fotovoltaica pode aplicar-se agora ao módulo se o assumir-mos como uma célula fotovoltaica equivalente. Sendo assim, da secção anterior facilmente podemos deduzir o seguinte método de cálculo considerando que os fabricantes r r r r m, = r disponibilizam sempre os valores de referência, Vca , I cc , Vmax , I max e Pmax • Parâmetros constantes m= • r Vmax − Vcar Ir VTr ln 1 − max I ccr G I max Gr Equação 4.21 Parâmetros que dependem da temperatura (de uma forma cúbica) ε 1 1 T m, VTr − VT I0 = I r e T 3 r 0 • Tensão máxima e • Equação 4.22 Corrente em função da tensão mVV I = I S − I D = I S − I 0 e T − 1 • Equação 4.20 Parâmetros que dependem da radiação I= • m N SM Corrente máxima V mVT I cc +1 I0 = V 1+ mVT Vca r mVT = I −I e − 1 Equação 4.23 Equação 4.24 r I r max r cc r o 35 Equação 4.25 Tipicamente, um módulo pode ser constituído por cerca de 33 a 36 células ligadas em série, porque é comum haver necessidade de carregar baterias de 12 V. Os módulos podem também ser associados em série e paralelo para obter mais potência, formando painéis. 4.4.3 Cálculo Simplificado da Energia em Módulos/Painéis Fotovoltaicos No modelo anterior recorreu-se a métodos iterativos para calcular a potência máxima do painel para uma determinada radiação e temperatura. Podemos no entanto simplificar a expressão de cálculo da potência máxima admitindo mais algumas aproximações e assim utilizar apenas expressões algébricas, não sendo necessário portanto o cálculo da equação não linear. Uma vez que a I cc depende fundamentalmente da radiação, admitamos então que a corrente máxima segue a mesma variação, o que resulta: I max = G r I max Gr Equação 4.26 Por outro lado, a tensão máxima, Vmax , pode ser determinada tendo em conta a dependência das correntes de curto-circuito e máxima da radiação da corrente inversa de saturação com a temperatura. Resulta assim: G Ir − I G cc max r V max= mVT ln r T 3 mε , V1r −V1T I0 r e T T ( ) Equação 4.27 A potência máxima é então obtida através da equação: Pmax = Vmax × I max Equação 4.28 Com estas novas simplificações deparamos com um erro inferior a 2% quando comparados com a resolução da equação não linear, o que torna este método preferencial no cálculo da potência uma vez que a obtemos de uma forma directa, sem a necessidade portanto de utilizar métodos iterativos, e com um erro associado francamente reduzido. Na prática, o ponto de funcionamento de um módulo fotovoltaica é sempre na sua potência máxima, Pmax , isto é conseguido à custa de se controlar o valor da tensão à saída do módulo através de um equipamento externo designado por MPPT (Maximum Power Point Tracker), que de acordo com as condições ambientais de temperatura e radiação impostas ajusta a referida tensão. Adicionalmente, e como os sistemas fotovoltaicos geram sempre energia contínua, há que dotar o sistema normalmente de um inversor para o podermos ligar a rede eléctrica pública. Para o caso particular da nossa estação remota de telecomunicações este inversor pode ser dispensando uma vez que o sistema é alimentado por corrente contínua (-48 V ± 10%). 36 A Figura 4.7 descreve exactamente o que foi mencionado relativamente ao sistema completo fotovoltaico ligado à rede: Figura 4.7 – Esquema de um Gerador Fotovoltaico Ligado à Rede Podemos assim escrever para o cálculo da energia produzida à saída dos módulos: n E = η inv ∑ Pmax (G , T ) i ∆t i i =1 Equação 4.29 ηinv é o rendimento do MPPT+inversor Considerando um rendimento do MPPT+inversor próximo de 1, podemos calcular a energia fotovoltaica total (média horária) a partir da potência média horária e do número de painéis associados. h ETotal = E h × N paineis fot [Wh ] h E h = Pmed ×1h Equação 4.30 A energia mensal obtém-se, somando o valor da energia horária de todas as horas do mês. 4.4.4 Estimativa Rápida da Energia Produzida em Módulos Fotovoltaicos Uma estimativa rápida da energia anual desenvolve-se desprezando a influência da temperatura e considerando que o valor médio da potência máxima anual é directamente proporcional à radiação média incidente anualmente. Pmax = Gmed r Pmax Gr Equação 4.31 Donde resulta a seguinte energia produzida anualmente, E a = η inv × 8760 × Pmax × N paineis Equação 4.32 em que Gmed é a radiação incidente média anual e N paineis o número e painéis em uso. Notar que o erro aqui introduzido pode aproximar-se dos 20%, mas como uma primeira estimativa é de grande utilidade, não dispensando obviamente o cálculo mais detalhado após primeira avaliação. 37 4.5 Estimativa da Radiação Solar Média e Temperatura Mensal Como referido anteriormente, devemos calcular a energia média horária produzida pelos painéis fotovoltaicos de forma a dimensionar correctamente o nosso sistema. Recorrendo à base de dados RetScreen [17], esta disponibiliza dados de radiação e temperatura média mensal em localizações próximas das que procuramos (disponíveis por distrito), faremos assim uso das mesmas no cálculo da energia produzida pelos painéis fotovoltaicos. Os dados disponibilizados são no entanto mensais, desejando-se sempre uma análise horária da energia produzida para um correcto dimensionamento do sistema. Uma vez que a nossa carga (estação de telecomunicações) exige uma potência relativamente constante ao longo de todo o ano, e que aquando o dimensionamento do sistema de armazenamento procuraremos uma autonomia de vários dias, a análise baseada no perfil mensal fica assim precavida de não satisfazer as necessidades horárias do consumo da estação remota. Além de que, para efeito de análise de resultados a utilização de valores horários é em tudo semelhante à utilização de valores mensais, com a diferença que a quantidade de dados processados no caso horário é substancialmente superior face aos mensais. A Tabela 4.2 dá-nos assim a estimativa da radiação solar e temperatura média mensais em cada um dos 4 distritos, Bragança, Viana do Castelo, Porto e Vila Real (ver Dimensionamento_Energético.xls em anexo – secção 9.2.1). Tabela 4.2 – Estimativa da Radiação e Temperatura Média Mensais nas 4 Localizações Radiação Solar [kWh/m2/Dia] / Temperatura [ºC] Mês Bragança Viana do Castelo Porto Vila Real Janeiro 1,64 4,5 1,88 9,2 1,70 9,3 1,82 5,1 Fevereiro 2,95 5,9 2,76 10,3 2,68 10,1 2,69 7,3 Março 3,66 8,0 4,08 12,3 4,22 11,5 3,93 9,6 Abril 5,78 10,0 5,39 13,3 5,63 12,9 4,81 11,0 Maio 6,73 13,4 6,36 15,8 6,46 15,1 5,79 14,2 Junho 7,75 17,7 7,10 18,8 7,01 18,1 6,95 18,3 Julho 8,37 21,1 7,02 20,5 7,33 19,9 7,11 21,5 Agosto 6,97 20,8 6,21 20,1 6,45 19,8 6,25 21,0 Setembro 5,22 18,3 4,75 18,9 4,73 19,0 4,65 19,5 Outubro 3,71 13,1 3,10 15,6 3,41 16,2 2,85 13,7 Novembro 2,52 8,0 2,03 12,4 2,29 12,3 1,92 9,4 Dezembro 1,47 5,0 1,56 10,3 1,99 9,9 1,53 6,9 Novamente, o desejável para um correcto dimensionamento do sistema é a utilização de valores climáticos horários lidos nos próprios locais (Tabela 3.4), mas estes infelizmente não estão disponíveis (pelo menos de uma forma gratuita) e como tal faremos uso dos valores mensais nos referidos distritos. 38 Com base nos valores médios mensais da radiação e temperatura durante o ano e nas características técnicas dos módulos fotovoltaicos seleccionados (SolarWorld ou Renewis), é possível calcular o valor mensal e anual da energia fotovoltaica produzida utilizando o modelo matemático que representa a célula fotovoltaica (secção 4.4). 4.6 Energia Mensal e Anual Produzida e Número Exacto de Painéis A energia média mensal (e anual) permitirá dimensionar o banco de baterias necessário (Alternativa 1 da Tabela 3.5) para garantir o funcionamento ininterrupto do sistema, assim como a determinação do número exacto de painéis fotovoltaicos. O cálculo basear-se-á na estimativa rápida do modelo (erro aproximadamente de 20%) apenas como uma primeira aproximação do balanço de energias, e posteriormente utilizando o cálculo simplificado (erro aproximadamente de 2%) a determinação do valor médio mensal e total da energia. Todos estes cálculos encontram-se presente no ficheiro Dimensionamento_Energético.xls (em anexo – secção 9.2.1) para as 4 localizações das estações remotas de telecomunicações (Tabela 3.4), e para os respectivos painéis fotovoltaicos seleccionados (SolarWorld, Renewis). 4.6.1 Estação Remota Localizada em São Pedro Velho, Mirandela Para esta localização (São Pedro Velho, Mirandela) e percorrendo os diversos modelos dos painéis fotovoltaicos, resulta: Tabela 4.3 – Estimativa Rápida do Modelo (Erro 20%) em São Pedro Velho, Mirandela Painéis Potência Máx Média Anual[W] Energia Média Anual [MWh] 35 x SW 80 mono 35 x 15,77 = 551,93 4,83 MWh > 18 x PV 155-M 18 x 30,55 = 549,96 4,82 MWh > 15 x PV 185-M 15 x 36,47 = 547,00 4,79 MWh > Pr od ETotal = 4,12 MWh Esta estimativa diz-nos que o número de painéis propostos (secção 4.3), de acordo com cada modelo, satisfaz as necessidades energéticas da estação de telecomunicações localizada em Mirandela (no que respeita a energia média anual). Avançando agora para o cálculo simplificado, Tabela 4.4 – Cálculo Simplificado do Modelo (Erro 2%) em São Pedro Velho, Mirandela Painéis Produzida-Consumida [kWh] Energia Média Anual [MWh] 35 x SW 80 mono -71,792 4,04 MWh < 18 x PV 155-M -400,87 3,71 MWh < 15 x PV 185-M 14,09 4,13 MWh > 39 Pr od ETotal = 4,12 MWh Resulta que apenas o modelo PV 185-M verifica a estimativa inicial do número de painéis necessários, nos restantes casos há um claro défice energético, como consequência teremos de incremental o número de painéis até que a energia anual produzida satisfaça as necessidades energéticas anuais da estação remota, ficando, Tabela 4.5 – Determinação Exacta do Número Painéis em São Pedro Velho, Mirandela Painéis Produzida-Consumida [kWh] Energia Média Anual [MWh] 36 x SW 80 mono 43,62 4,16 MWh > 20 x PV 155-M 11,38 4,12 MWh = 15 x PV 185-M 14,09 4,13 MWh > Pr od ETotal = 4,12 MWh De acordo com estes resultados a nossa escolha deve recair num dos modelos Renewis (PV 155-M ou PV 185-M), uma vez que para este tipo de aplicação não é desejável um elevado número de módulos pois requerem demasiado espaço para a sua instalação, normalmente não disponível junto às estações de telecomunicações. Dentro desta gama, se considerarmos o critério custo por Watt pico ( € w p ) e os resultados da Tabela 4.1, a opção levar-nos-ia à escolha provável do PV 155-M por apresentar um menor custo por Watt pico, mas essa decisão só deverá ser tomada aquando o estudo da viabilidade económica, a abordar mais adiante. Admitindo por agora o modelo PV 155-M por nos parecer o mais equilibrado de acordo com os critérios mencionados, a Figura 4.8 descreve assim a energia média mensal produzida por este conjunto de painéis (20 x PV 155-M). Energia Média Mensal [kWh] Produção Fotovoltaica (Energia Total) 676,21 594,70 544,53 516,98 800 700 600 415,79 500 372,48 248,31 400 253,97 300 172,47 200 92,92 152,95 81,13 100 Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh o Ag os Se to te m br O o ut ub N ov ro em b D ez ro em br o Fe Ja n ei ro ve re iro M ar ço 0 Figura 4.8 – Energia Média Mensal Produzida por 20 Painéis Fotovoltaicos PV 155-M 40 4.6.2 Outras Localizações da Estação Remota de Telecomunicações Continuando a admitir o uso dos painéis PV 155-M, garantido novamente que não há défice energético anual através da correcção ao número de painéis, a energia média mensal e anual produzida em cada uma das localizações é dada na seguinte Tabela 4.6. Tabela 4.6 – Energia Mensal e Anual nas Diversas Localizações da Estação Remota PV 155-M Mês Energia Média Mensal Produzida [kWh] São Pedro Velho São Mamede => 20 Painéis Esposade Vilarinho das Furnas => 23 Painéis => 22 Painéis => 24 Painéis Janeiro 92,92 127,03 107,28 126,89 Fevereiro 172,47 183,84 169,63 185,34 Março 248,31 327,10 325,47 325,22 Abril 415,79 442,09 445,10 401,55 Maio 516,98 557,93 543,10 519,66 Junho 594,70 617,68 581,40 628,01 Julho 676,21 631,27 634,95 669,65 Agosto 544,53 545,57 545,65 574,35 Setembro 372,48 382,97 364,52 389,86 Outubro 253,97 235,73 253,24 221,64 Novembro 152,95 135,51 150,31 131,67 Dezembro 81,13 100,87 130,41 102,48 4,12 MWh 4,29 MWh 4,25 MWh 4,28 MWh Total [MWh] Notar que, para o caso da localização de Vilarinho das Furnas (Braga/Vila Real) há a necessidade de 4 painéis adicionais em comparação a São Pedro Velho (Mirandela), uma vez que aquela localização apresenta um potencial solar anual menor perante as outras localizações, ou seja, menor utilização anual da potência instalada. Das médias mensais da energia conclui-se também que o mês mais desfavorável para a produção de energia fotovoltaica é o mês de Dezembro, excepto para o caso da localização de Esposade (Porto) em que o mês mais desfavorável corresponde a Janeiro. 4.7 Balanço Mensal Energético na Estação de São Pedro Velho, Mirandela Através da comparação entre os valores de energia necessária para satisfazer as exigências de consumo e energia disponibilizada pelas unidades de produção, será possível determinar quais os requisitos que caracterizam o sistema de armazenamento de forma a garantir a disponibilidade permanente do sistema em estudo. 41 A Figura 4.9 descreve assim o balanço energético entre a energia necessária (consumida) e a energia disponibilizada (produzida) utilizando 20 painéis PV 155-M. É visível que, embora do ponto de vista anual haja equilíbrio de energia (entre a produzida e consumida), mensalmente, entre Outubro e Março, a energia produzida está sempre em défice perante a consumida. Esta situação terá de ser resolvida, que para Alternativa 1 (da Tabela 3.5) passará por um correcto dimensionamento do banco de baterias, e possivelmente por um incremento no número de Painéis Fotovoltaicos. Energia Produzida/Consumida sem Armazenamento 600 400 200 ei ro ve re iro M ar ço Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh Ag o o Se sto te m b O ro ut N ubr ov o em br D ez o em br o 0 Ja n -200 Fe Energia Média Mensal [kWh] 800 -400 Energia Produzida Consumida com 30% de Perdas no Sistema Balanço Energético Figura 4.9 – Energia Fotovoltaica Necessária/Disponibilizada em Mirandela – 30% Perdas 42 5. Produção de Energia Eólica A produção anual da energia eólica depende essencialmente do potencial energético do Eol vento (que se reflecte no valor de utilização anual da potência instalada - ha ) e das características técnicas do conversor eólico utilizado [2]. 5.1 Utilização Anual da Potência Eólica A Figura 5.1 apresenta a estimativa da utilização anual equivalente da potência instalada para um gerador de 2 MW instalado a 80m de altura em Portugal Continental. Com base nestes resultados é possível extrair uma primeira estimativa inicial da potência da turbina a utilizar no projecto em questão, obviamente, no decorrer do planeamento detalhado identificar-se-á com maior exactidão as suas características, seja na potência, ou mesmo no valor de utilização anual equivalente da potência instalada. Sendo assim, a potência da turbina (aerogerador) a utilizar neste projecto pode ser estimada tendo como referência o valor da utilização anual da potência equivalente indicada na Figura 5.1, que na zona de São Pedro Velho (Mirandela) é de aproximadamente 2200h. Figura 5.1 – Utilização Anual Equiv. da Potência Instalada para um Gerador de 2MW 43 5.2 Selecção da Turbina e Estimativa da Energia Eólica Uma vez estimada a utilização anual de referência da potência eólica, proceder-se-á à determinação do modelo e potência da turbina a instalar. Caso esta seja a única fonte de energia considerada (Alternativa 2 da Tabela 3.5), e com base na utilização anual da potência equivalente atrás determinada, para satisfazer o consumo anual da estação remota de telecomunicações a turbina eólica teria que apresentar, no mínimo, a seguinte potência nominal: Pr od E aEol = ETotal = 4,12 MWh 17 => PnEol − Min = Pr od ETotal 4,12 × 1000 = = 1,87 ≈ 1,9kW Eol ha 2200 A decisão acerca da potência da turbina a instalar terá que ter também em conta a oferta disponibilizada pelos fabricantes de turbinas e a relação custo/potência nominal. Das turbinas pesquisadas concluiu-se que para potências até 20kW existe uma grande diversidade de ofertas, no entanto, o fabricante Southwest Windpower apresenta propostas mais adequadas do ponto de vista do leque de variedades de acordo com a aplicação. Este sugere assim, para aplicações remotas de telecomunicações, um dos seguintes 4 modelos: Air Industrial, Whisper 100/200 e Whisper 500. Na Tabela 5.1 indicam-se as características principais das quatro turbinas. Tabela 5.1 – Características Técnicas Principais das Quatro Turbinas – Windpower Características das Turbinas Potência Nominal [kW] Produção Nominal (Rated Wind Speed) [m/s] Diâmetro [m] Início de Produção (Cut-In Wind Speed) [m/s] Fim de Produção (Cut-Out Wind Speed) [m/s] Limite do System (Survival Wind Speed) [m/s] Preço Aproximado € wp 17 Whisper Air Whisper Industrial 100 200 500 0,4 0,9 1 3 12,5 12,5 11,6 10,5 1,15 2,1 2,7 4,5 2,7 3,4 3,1 3,4 None None None None --- 55 55 55 700€ 1300€ 1600€ 4800€ 1,75 1,44 1,6 1,6 Recorrendo ao resultado da Equação 3.2 44 Uma vez que o modelo Whisper 100 se enquadra numa boa relação custo potência ( € w p =1,44), e que segundo o fabricante é possível associar até 3 turbinas desta classe 18 utilizando o mesmo Controller , atingindo assim uma potência nominal de grupo de aproximadamente 0,9kWx3=2,7kW e que está acima da potência nominal mínima calculada de 1,9kW, vamos por agora assumi-la como a turbina ideal para o nosso projecto. Esta turbina tem um início de produção para velocidades do vento acima dos 3,4 m/s, funcionando mesmo assim com ventos muito moderados. Obviamente, a produção da sua potência máxima (nominal), 0,9kW, só se verifica quando esta está submetida a ventos na ordem dos 12,5 m/s, o que apenas pontualmente se verifica. Com base na energia anual produzida, para uma dada localização (admitamos São Pedro Velho, Mirandela), é que será possível avaliar se a turbina em questão satisfaz ou não as necessidades energéticas da nossa estação remota de telecomunicações. Numa estimativa inicial a energia produzida anualmente por três Whisper 100 instaladas em Mirandela é de, PnEol = 3 × 0,9kW = 2,7 kW Pr od E nEol = 2,7 kW × 2200h = 5,94 MWh >> E aEol = ETotal = 4,12 MWh Donde se conclui desta primeira estimativa que a energia gerada anualmente por 3 turbinas Whisper 100, em Mirandela, é suficiente para satisfazer as necessidades energéticas da estação, isto obviamente admitindo a existência de um banco de baterias. Poder-se-ia ainda considerar a hipótese de se utilizarem duas Whisper 200 que produzem 4,4 MWh, satisfazendo assim as necessidades energéticas anuais com apenas 2 turbinas. No entanto, esta representa um maior custo por Watt pico (1,6), e como se verá adiante numa análise energética mensal, meses de menor produção de energia eólica terão de ser colmatados com um aumento da potência eólica, e consequentemente um aumento no número de turbinas. Sendo que, é ainda prematuro duvidarmos da turbina Whisper 100 por agora seleccionada. Estando agora disponíveis dados referentes às características técnicas da turbina a utilizar (Whisper 100 com a sua curva de potência), pode recorrer-se a um método mais preciso para prever a energia anual produzida, conhecido como Modelo de Vento Quase-Estacionário. No entanto, e antes de avançarmos para o referido modelo, é possível ainda obter uma estimativa melhorada da energia produzida por um gerador eólico genérico, partindo simplesmente do conhecimento do perfil de ventos no local (parâmetros de Weibull, c e k), e de algumas características da turbina ( u 0 , u N , u max , PN ). Notar que, a estimativa anterior apenas se baseou na utilização anual da energia eólica do local e da potência nominal da turbina candidata, sendo portanto muito menos precisa que a estimativa rápida apresentada seguidamente. 18 Em que o rectificador se encontra incorporado 45 5.3 Estimativa Rápida da Energia Produzida por um Gerador Genérico Este método é baseado no conhecimento da função densidade de probabilidade de Weibull que caracteriza o perfil de ventos do local (com base nos parâmetros c e k) e no estabelecimento de um modelo da variação da potência de saída do aerogerador, Pe , em função da velocidade do vento, u, que possa ser aplicado, com generalidade, a qualquer sistema eólico [3]. A parte da característica eléctrica do aerogerador que interessa modelar é, naturalmente, a que corresponde às velocidades do vento compreendidas entre a velocidade de arranque, u 0 , e a velocidade nominal, u N . O modelo mais simples de todos seria considerar esta variação como sendo linear. No entanto, é melhor adoptar, à partida, um modelo um pouco mais sofisticado. Nestas circunstâncias, vamos estabelecer o modelo da potência eléctrica de um gerador eléctrico de acordo com a seguinte equação: Pe Pe Pe P e =0 = a + bu = PN =0 u < u0 k em que : u0 ≤ u ≤ u N u N ≤ u ≤ u max u 〉 u max ´ u 0k a = PN k u N − u Nk b = PN Equação 5.1 1 u − u 0k k N O modelo apresentado fornece assim uma representação razoável da característica eléctrica de um gerador eólico como é visível na Figura 5.2. Figura 5.2 – Comparação das Curvas de Potência Entre o Modelo e um Fabricante O cálculo da potência média horária obtém-se assim, pela potência eléctrica dada pelo modelo acima referido para cada velocidade do vento, multiplicando pela fracção do tempo dada pela função de densidade de probabilidade de Weibull em que a velocidade ocorre. 46 ∞ Pmed = ∫ Pe (u ) f (u ) du 0 k u f (u ) = cc k −1 e Equação 5.2 u k − c Efectuando as integrações e manipulações respectivas, resulta: Pmed u k − u0 k N − k u c c − max c e −e = PN −e k k u N − u 0 c c = PN × FC Equação 5.3 Em que FC é designado como o factor de carga. A energia anual produzida calcula-se, como se sabe, através de: E a = Pmed × 8760 = PN × ha Equação 5.4 Com base neste modelo, e assumindo para a zona de São Pedro Velho (Mirandela) um perfil de ventos 19 caracterizado por k=2,04 e c=8m/s, e 3 turbinas Whisper 100 identificadas na secção anterior, com u 0 =3,4m/s, u N =12,5m/s, u max =55m/s, e uma potência nominal, PN , de 3x0,9=2,7kW, resulta assim uma Pmed =884W, e uma E a =7,74MWh. Verifica-se que este resultado está acima da estimativa calculada na secção anterior (5,94MWh), o que poderá significar que apenas 2 turbinas Whisper 100 são suficientes para satisfazer as necessidades energéticas anuais (4,12MWh), a confirmar portanto mais adiante no decorrer da utilização do referido modelo de vento quase-estacionário. 5.4 Energia Mensal e Anual Produzida nas Estações Remotas Nas secções anteriores, determinamos, a energia anual eólica aproximada produzida seguindo dois processos diferentes, através da utilização anual, e usando um modelo de um gerador eólico genérico. No entanto, é possível ainda obter melhor precisão deste valor recorrendo ao modelo de vento Quase-Estacionário, isto quando já conhecemos as características técnicas da turbina a utilizar (Whisper 100 com a sua curva de potência). Tal como na produção fotovoltaica, é necessário ainda determinar a energia mensal produzida por este sistema eólico de forma a dimensionar-se o banco de baterias, em particular se optarmos pela Alternativa 2 da Tabela 3.5. Obviamente, esta análise dever-se-ia realizar diariamente para um correcto dimensionamento do sistema, mas uma vez que não existem dados diários disponíveis (pelo menos de uma forma gratuita), e por outro lado sabemos que a nossa carga é de potência relativamente constante (aproximadamente 360W - Tabela 3.3) e que aquando o dimensionamento do sistema de armazenamento procuraremos uma autonomia de vários dias, utilizaremos apenas dados mensais extraídos da base de dados EOLOS [11] sem prejuízo de análise no dimensionamento do sistema. 19 Assumindo o mesmo perfil de vento de Outeiro dos Fiéis (Figura 5.4) 47 5.4.1 Modelo de Vento Quase-Estacionário Para efectuar uma previsão da produção com base neste modelo é necessário dispor de uma descrição matemática da velocidade do vento e da característica eléctrica do conversor eólico [2]. A velocidade do vento u (t ) pode ser caracterizada por um escoamento quase- estacionário representado por uma velocidade média u (t ) , perturbada pela turbulência u ′(t ) . Estas componentes podem ser tratadas separadamente: u (t ) = u (t ) + u ′(t ) Equação 5.5 A turbina não reage a variações rápidas da velocidade do vento devido à sua inércia elevada (funciona como um filtro passa-baixo), pelo que usualmente se simplifica o modelo do vento, despreza-se a componente correspondente à turbulência e considera-se um modelo quase-estacionário em que apenas se tem em conta a velocidade média do vento. Notar no entanto que a componente flutuante do vento, designada por turbulência u ′(t ) , pode conter energia significativa em frequências próximas das frequências de oscilação da estrutura da turbina eólica, pelo que, há que ter em atenção os esforços a que a turbina irá ser submetida. Assunto este, hoje em dia, já bem dominado pelos fabricantes que na sua concepção as preparam para condições extremas de vento. Normalmente, e através do espectro de energia do vento, são facilmente identificadas as frequências associadas a um nível superior de energia projectando-se a turbina para funcionar fora dessas frequências. Para caracterizar a componente do vento u (t ) (escoamento quase-estacionário), recorre- se a funções estatísticas que indicam a probabilidade média do vento ser igual a um determinado valor (funções de densidade de probabilidade). A descrição probabilística considerada mais adequada para descrever o regime de ventos é a de Weibull: k u f (u ) = aa k −1 e u k − a Equação 5.6 Em que k é um parâmetro de forma adimensional, a é um parâmetro de escala com as dimensões da velocidade, e u a velocidade média do vento. Na base de dados EOLOS [11] encontram-se os valores mensais destes parâmetros referentes à estação anemométrica de Outeiro dos Fiéis (Figura 5.5). A velocidade média anual do vento, u ma , calcula-se através de: ∞ u ma = ∫ u f (u ) du 0 48 Equação 5.7 Na prática têm-se distribuições discretas da velocidade do vento em classes de 1 m/s, pelo que a velocidade média anual se calcula, de forma aproximada, por: umax u ma = ∑ u f (u ) Equação 5.8 u =0 A função Gamma 20 relaciona os parâmetros c e k da distribuição de Weibull com as características da velocidade do vento, média anual e variância, através das relações seguintes: 1 u ma = cΓ1 + k Equação 5.9 2 2 1 σ = c Γ1 + − Γ1 + k k 2 Equação 5.10 2 No documento que caracteriza a turbina Whisper 100 [12] podemos encontrar a curva de potência (Figura 5.3) que caracteriza a conversão eólica-eléctrica. Esta característica indica o valor da potência que é possível produzir em função da velocidade, Pe (u ) . Figura 5.3 – Curva de Potência da Turbina Whisper 100 São indicadas também as velocidades a partir das quais a turbina entra em funcionamento (Cut-in Wind Speed = 3,4 m/s), atinge a potência nominal (Rated Wind Speed = 12,5 m/s), e o limite para o qual a turbina entra em modo de sobrevivência (Survival Wind Speed=55m/s) uma vez que esta não se desliga (Cut-Out Wind Speed). 20 A função Gamma pode ser obtida no Excel® através do comando EXP(GAMMALN(x)) 49 Uma vez obtida a representação do perfil de ventos e a característica eléctrica do gerador, o valor esperado para a energia eléctrica produzida anualmente pela turbina obtém-se da seguinte forma: u max E a = 8760 ∑ f (u ) Pe (u ) Equação 5.11 u0 Onde f (u ) é a função densidade de probabilidade da velocidade média do vento, Pe (u ) a característica eléctrica do sistema aerogerador (turbina), Speed e u 0 é a velocidade de Cut-in Wind u max a velocidade de Cut-Out Wind Speed, que para este aerogerador corresponde à velocidade de Survival Wind Speed. 5.4.2 Estimativa do Perfil de Ventos nas Diversas Estações Recorrendo à base de dados EOLOS (disponibilizada pelo INETI) [11], é possível consultar (entre outros) os dados referentes a 2 estações anemométricas (IN_25,IN_27) a norte do Pais, entre os distritos de Braga e Bragança. Se compararmos de uma forma acrítica os dados destas duas estações anemométricas, notamos que a estação de Outeiro dos Fiéis (IN_27) apresenta menor potencial eólico, e como tal a seleccionada como referência de forma a evitarmos um sub-dimensionamento do sistema. As Figura 5.4 e Figura 5.5 dão-nos assim a distribuição global de Weibull, e a distribuição mensal, na referida estação. Figura 5.4 – Perfil de Vento Global em Outeiro dos Fiéis (IN_27) 50 Figura 5.5 – Parâmetros Mensais de Weibull em Outeiro dos Fiéis (IN_27) Além da inexistência de dados climáticos horários em qualquer uma das estações anemométricas referidas, não estão também disponíveis dados mensais nas localizações das nossas estações remotas de telecomunicações (Tabela 3.4). Vamos assim admitir, em qualquer uma das estações remotas, exactamente as mesmas características eólicas reflectidas na estação anemométrica Outeiro dos Fiéis (IN_27). Mais uma vez, é desejável para um correcto dimensionamento do sistema a utilização de valores climáticos horários lidos nos próprios locais, mas estes infelizmente não estão disponíveis (pelo menos de uma forma gratuita). Recorrendo à função densidade de probabilidade de Weibull (Equação 5.6) e admitindo a localização São Pedro Velho (Mirandela), é possível assim obter para cada mês do ano o respectivo perfil de ventos (que se admite igual a Outeiro dos Fiéis). A Figura 5.6, gerada para o caso particular do mês de Janeiro (a=8m/s e k=2,10), representa assim, a probabilidade de uma dada velocidade média (m/s) ocorrer na referida localização, e no referido mês. Perfil de Ventos (Weibull) - Janeiro São Pedro Velho 12% Probabilidade [%] 10% 8% 6% 4% 2% 0% 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Velocidade do Vento [m/s] Figura 5.6 – Perfil de Ventos no mês de Janeiro em São Pedro Velho (Mirandela) 51 5.4.3 Rugosidade do Solo (Lei de Prandlt) É já sabido, que quanto mais alto estiver o aerogerador, menor será o atrito gerado pela rugosidade do solo (obstáculos), razão pela qual existem cada vez mais parques eólicos em off-shore (no mar). Recorrendo assim à lei de Prandtl [2] é possível entrar em consideração com a rugosidade do solo, u (t ) = em que u0 z ln k z 0 Equação 5.12 u (t ) é a velocidade média do vento à altura z, u 0 a velocidade de atrito, k a constante de Von Karman (cujo valor é 0,4), e z 0 é conhecido por comprimento característico da rugosidade do solo (depende do tipo de terreno). Esta lei traduz a variação da velocidade do vento com a altura, que se deve ao atrito entre a superfície terrestre e o vento que provoca a diminuição da velocidade do vento para alturas mais baixas. A velocidade de atrito é um valor que depende da rugosidade do solo, da velocidade do vento e das forças que se desenvolvem na atmosfera, pelo que é difícil de calcular. Para ultrapassar essa dificuldade e visto que o que se pretende é obter o valor médio da velocidade do vento a uma determinada altura a partir dos valores a uma altura de referência, usa-se com mais frequência a equação: z ln z u ( z) = 0 u ( zr ) z ln r z0 Equação 5.13 Uma vez que pretendemos instalar a nossa turbina em zonas substancialmente elevadas (picos de serras), o que minimiza o atrito dada a possível inexistência de obstáculos, optaremos por desprezar este efeito. Até porque, para este tipo de turbinas de pequenas dimensões é prática a sua instalação na própria torre de telecomunicações, e estando assim a uma altura próxima das leituras do anemómetro (30 metros). 5.4.4 Energia Eólica Mensal e Anual Produzida nas Estações Como no caso da produção fotovoltaica (secção 4), a energia média mensal (e anual) permitirá dimensionar o banco de baterias necessário (Alternativa 2 da Tabela 3.5) para garantir o funcionamento ininterrupto do sistema. Recorrendo assim ao modelo de vento quaseestacionário descrito na secção 5.4.1, e fazendo uso das estimativas dos parâmetros de Weibull em Outeiro dos Fiéis (que se assumem iguais em cada uma das 4 localizações), e das características da turbina Whisper 100, é assim possível determinar a energia média mensal produzida, por exemplo, em São Pedro Velho (Mirandela). 52 Para o caso particular da turbina Whisper 100, a Figura 5.7 retrata a sua característica de potência em função da velocidade média do vento com intervalos coincidentes aos utilizados no perfil de ventos (Figura 5.6). C urva de P otênc ia Ins tantânea da T urbina W his per 100 1.000 900 P otênc ia [W] 800 700 600 500 400 300 200 100 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Velocidade da T urbina [m/s ] Figura 5.7 – Característica de Potência da Turbina Whisper 100 O somatório do produto desta característica (potência) com o perfil de ventos de um dado mês, para cada velocidade média, dá-nos assim a energia média, que multiplicada por sua vez pelo número de horas do respectivo mês, resulta na energia média mensal. A Figura 5.8 retrata assim a energia média mensal produzida por 3 turbinas Whisper 100 em São Pedro Velho, calculada com base em cada perfil de vento mensal, onde o cálculo anual da energia se faz simplesmente somando todas as contribuições mensais. Ab ve Ja ne Fe ril M ai o Ju nh o Ju lh Ag o o Se st o te m b O ro ut N ubr ov o em D br ez o em br o 1000 877,98 900 800 710,59 679,56 651,97 700 624,81 576,75 600 523,06 468,27 474,39 445,15 433,67 500 423,91 400 300 200 100 0 iro re ir o M ar ço Energia Média Mensal [kWh] Produção Eólica (Energia Total) Figura 5.8 – Energia Média Mensal Produzida por 3 Turbinas Whisper 100, em Mirandela 53 Aplicando o mesmo procedimento a cada uma das localizações das estações remotas de telecomunicações, que se assumem iguais à localização Outeiro dos Fiéis, garantindo que não há défice energético, ou seja, que a energia média anual produzida é sempre igual ou superior Pr od à carga, ETotal = 4,12 MWh , e continuando a fazer uso das turbinas Whisper 100, obtemos o seguinte resultado dado na Tabela 5.2. Tabela 5.2 – Energia Média Mensal Produzida nas Diversas Estações (Whisper 100) Whisper 100 Energia Média Mensal [kWh] Mês => 2 Turbinas Janeiro 416,54 Fevereiro 384,50 Março 585,32 Abril 473,72 Maio 289,11 Junho 312,18 Julho 282,61 Agosto 316,26 Setembro 434,65 Outubro 296,76 Novembro 453,04 Dezembro 348,71 Total [MWh] 4,59 MWh A conclusão mais importante é que, face à estimativa inicial com base na utilização anual (secção 5.2) que nos apontava para a necessidade de 3 turbina Whisper 100 em São Pedro Velho, com este modelo (vento quase-estacionário) concluímos que apenas 2 turbinas são necessárias para satisfazer as necessidades energéticas anuais da nossa estação remota. Obviamente, assumindo um perfil de vento exactamente igual ao de Outeiro dos Fiéis. Notar ainda que aquando a utilização da estimativa rápida da energia produzida por um gerador genérico (secção 5.3), o resultado já nos mostrava uma energia anual produzida (7,74MWh) excessiva com a utilização de 3 turbinas Whisper 100, perante as necessidades energéticas (4,12MWh). Das médias mensais da energia pode-se ainda concluir que o mês mais desfavorável para à produção de energia eólica é o mês de Julho. Todos estes cálculos encontram-se presente no ficheiro Dimensionamento_Energético.xls (em anexo – secção 9.2.1) para as 4 localizações das estações remotas de telecomunicações (Tabela 3.4), e para as 4 turbinas sugeridas pelo fabricante Southwest Windpower (secção 5.2) 54 5.5 Balanço Mensal Energético na Estação de São Pedro Velho, Mirandela Novamente, através da comparação entre os valores de energia necessária para satisfazer as exigências de consumo e energia disponibilizada pelas unidades de produção, será possível determinar quais os requisitos que caracterizam o sistema de armazenamento de forma a garantir a disponibilidade permanente do sistema em estudo. A Figura 5.9 descreve assim o balanço energético entre a energia necessária (consumida) e a energia disponibilizada (produzida) utilizando 2 turbinas Whisper 100. É visível que, embora do ponto de vista anual haja equilíbrio de energia (entre a produzida e consumida), mensalmente, entre Maio e Agosto fundamentalmente, a energia produzida está sempre em défice perante a consumida. Esta situação terá de ser resolvida, que para a Alternativa 2 (da Tabela 3.5) passará por um correcto dimensionamento do banco de baterias, e possivelmente por um incremento no número de turbinas. Fe ne ir o ve re iro M ar ço Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh o Ag os Se to te m br O o ut N ubr ov o em b D ez ro em br o 700 600 500 400 300 200 100 0 -100 Ja Energia Média Mensal [kWh] Energia Produzida/Consumida sem Armazenamento Energia Produzida Consumida com 30% de Perdas no Sistema Balanço Energético Figura 5.9 – Energia Eólica Necessária e Disponibilizada em Mirandela com 30% de Perdas 55 Dimensionamento do Sistema 6. Pretende-se nesta secção avaliar algumas soluções possíveis para o armazenamento da energia, optando-se pela melhor. Seguindo-se o dimensionamento do sistema (em Off-Grid), que exige, uma clara definição da arquitectura de forma a seleccionarmos quais os componentes a utilizar, e quais as suas características. Descrevem-se assim as possíveis arquitecturas, optando-se pela mais indicada, o que nos levará à caracterização detalhada das perdas no sistema e respectivo dimensionamento do banco de baterias. Admitindo ainda o sistema híbrido como a solução mais indicada, far-se-á uma análise detalhada da energia mensal produzida face às necessidades energéticas, ficando assim o sistema perfeitamente definido em todas as suas vertentes. 6.1 Sistemas de Armazenamento de Energia Com objectivo de se garantir o fornecimento ininterrupto de energia à nossa estação remota de telecomunicações, o armazenamento de energia (baterias) é essencial, em particular quando se faz uso de recursos naturais e estes estão ausentes (eólico e solar). Além de que, são muito úteis na absorção de distúrbios eléctricos quando o sistema se encontra ligado à linha eléctrica de transmissão, protegendo assim a estação de telecomunicações. Seguem-se assim algumas soluções possíveis para o armazenamento da energia, e com base nas características principais exigidas pelo nosso sistema, tais como, fiabilidade, eficácia, rapidez de resposta, custo aceitável, optar-se pela melhor solução [6]. 6.1.1 Energia Potencial da Água Uma técnica para o armazenamento da energia é através da água, aumentando a sua energia potencial quando a produção de energia é superior ao consumo (elevando-a para um reservatório colocado à cota h), e recuperando posteriormente esta energia quando a produção não satisfaz o consumo (através de uma turbina acoplada a um gerador, micro-hídrica). Obviamente, esta solução só é viável quando está disponível um curso de água, que recorrendo à construção de uma albufeira é possível criar desníveis de água e extrair posteriormente a sua energia potencial. Para o nosso projecto está solução não é viável, nem do ponto de vista económico, nem ambiental, uma vez que os locais de instalação das estações remotas, em geral, encontram-se em zonas altas estando portanto distanciadas dos cursos de água. De salientar no entanto que, está solução é aplicada em algumas centrais hidroeléctricas uma vez que durante a noite o consumo é francamente inferior ao realizado durante o dia, e como tal aproveita-se o excedente de energia produzida durante a noite para bombear água novamente para a albufeira (barragem), conseguindo-se assim algum equilíbrio energético, armazenando o excedente produzido durante a noite, para ser consumido mais tarde durante o dia. 56 6.1.2 Pilhas de Combustível As pilhas de combustível (FC – Fuel Cell) são uma forma de produzir energia a partir de um combustível (hidrogénio) e com reduzido impacto ambiental. Armazenando o combustível utilizado, que pode ser produzido a partir de fontes renováveis, fazem com que as FC se comportem como autênticos sistemas de armazenamento. No entanto, é uma tecnologia ainda em fase de maturação mas muito promissora. As FC são compostas por um ânodo e um cátodo porosos, cada um revestido num dos lados por uma camada catalisadora de platina, e separados por um electrólito (Figura 6.1). Figura 6.1 – Representação Esquemática de uma Pilha de Combustível (FC) Durante o processo de conversão liberta-se calor, o que implica que uma parte da energia química não é convertida em electricidade e portanto o processo tem um rendimento que varia entre os 35% e 60%, dependendo da tecnologia. Existem actualmente cinco tipos de FC: • AFC – Alkaline Fuel Cell • PEFC/PEM – Polymer Electrolyte Cell / Proton Exchange Membrane • PAFC – Phosphoric Acid Fuel Cell • MCFC – Molten Carbonate Fuel Cell • SOFC – Solid Oxid Fuel Cell Na Tabela 6.1 apresenta-se as principais características de cada tipo de FC. 57 Tabela 6.1 – Características de diversos Tipos de Pilhas de Combustível (FC) A característica que aumenta o interesse por esta tecnologia é a elevada flexibilidade de utilização do combustível (hidrogénio) em diversas aplicações que se encontram descritas na Tabela 6.2: Tabela 6.2 – Aplicações Diversas das Pilhas de Combustível (FC) Se forem usadas fontes de energia renováveis na obtenção do combustível utilizado pelas FC (a partir da água), então este será um sistema de armazenamento de energia praticamente isento de emissões poluentes. A constituição de um sistema de armazenamento baseado em pilhas de combustível teria que prever o dimensionamento, além da pilha de combustível, de elementos que realizem os seguintes processos: 58 • Produção de Hidrogénio Um dos processos para a produção de hidrogénio, aproveitando a energia produzida em excesso, é a electrólise da água (fornecimento de uma tensão e corrente através de eléctrodos entre os quais existe um meio condutor iónico). • Armazenamento do Hidrogénio O hidrogénio é mais frequentemente produzido, armazenado, transportado e utilizado no estado gasoso. O seu armazenamento é feito em cilindros pressurizados (entre 6 e 3 10 Nm ) com suporte ao uso de compressores, e consequente gasto de energia. • Sistemas de Segurança O hidrogénio exige a tomada de medidas de segurança adequadas uma vez que é altamente inflamável. O mesmo tratamento requerido, na produção, transporte e armazenamento de gás natural e GPL deve ser aplicado ao hidrogénio. Na ocorrência de fugas, este gás sobe uma vez que é de pouca densidade e como tal é conveniente serem instalados em locais bem ventilados e com abertura na parte superior da edificação. Notar ainda que, a sua presença no ambiente é só detectável via sistemas próprios de detecção. Sendo que, além dos sistemas acima referidos o sistema de armazenamento necessita ainda de outros equipamentos auxiliares, como se percebe. O armazenamento baseado em pilhas de combustível apresenta assim várias desvantagens, em telecomunicações. particular aquando Desvantagens como, a sua o utilização tempo de em vida estações útil ainda remotas de relativamente desconhecido, o custo elevado desta tecnologia, rendimentos inferiores a 50%, e o tempo de latência para o início de produção que pode ir de minutos a horas. Somos assim levados a adoptar para o nosso sistema de armazenamento uma solução mais tradicional, a utilização de um banco de baterias. Notar no entanto que, a utilização das pilhas de combustível (FC) tem vindo a ganhar cada vez mais terreno na indústria automóvel com o aparecimento dos carros eléctricos, que pouco a pouco vão substituindo os actuais veículos dependentes dos combustíveis fósseis. Especulase que, a utilização destes veículos eléctricos, num futuro próximo, possam vir a contribuir para o equilíbrio energético, armazenando energia durante a noite quando há excedente, e disponibilizando energia durante o dia quando há défice. 6.1.3 Banco de Baterias De forma a seleccionar e dimensionar o banco de baterias a ser utilizado pela nossa estação remota de telecomunicações, seguir-se-á uma breve introdução dos conceitos necessários sobre baterias. A Figura 6.2 retrata assim um esquema simplificado de uma célula de bateria. 59 Figura 6.2 – Esquema Simplificado de uma Célula de Bateria Estas são compostas por um eléctrodo negativo (ex. chumbo - Pb) que durante a descarga fornece electrões à carga ligada a bateria, e um eléctrodo positivo (ex. dióxido de chumbo – PbO 2 ) que aceita electrões da carga. O electrólito completa o circuito interno da bateria fornecendo iões ao eléctrodo positivo e negativo, que se encontram separados por um separador (em plástico poroso ou fibra de vidro) para impedir que haja curto-circuito, mas que no entanto é volátil aos iões. Normalmente cada célula de bateria gera uma tensão de 2V, sendo que se associam várias células em série e paralelo para se obter a tensão e corrente desejadas. As características relevantes à selecção e dimensionamento do banco de baterias são então: • Capacidade da Bateria Quantidade de energia que uma bateria consegue fornecer quando descarregada de uma forma uniforme ao longo do tempo. É medida em ampere-hora (Ah). Portanto, se uma dada bateria indicar uma capacidade de 2000 Ah, C100, 25ºC, 1.75 VpC significa que a uma temperatura ambiente de 25ºC poderá fornecer 20A durante 100h, após o que a tensão em cada célula passará a 1,75V. o Devemos ter em atenção também que quanto mais elevada for a descarga, menor será a capacidade; o devemos limitar a corrente máxima de cargas/descargas a um valor 10% inferior à capacidade da bateria em Ah; o a temperatura afecta a capacidade das baterias, assim como a sua capacidade diminui com a idade e uso. • Profundidade de Descarga (DOD – Depth of Descharge) A profundidade de descarga indica, em termos percentuais, quanto da capacidade nominal da bateria foi retirada a partir do estado de plena carga. Por exemplo, a remoção de 25 Ah de uma bateria de capacidade nominal de 100 Ah resulta em uma profundidade de descarga de 25%. 60 • Tempo de Vida Útil É dada em número de ciclos de carga/descarga. Esta depende muito das condições de funcionamento, e considera-se que a bateria atingiu o seu tempo de vida útil quando a capacidade está reduzida a 80% da capacidade nominal. É de salientar ainda que este tempo de vida útil diminuí de uma forma exponencial com o aumento da profundidade de descarga, como demonstra a Figura 6.3. Figura 6.3 – Tempo de Vida Útil das Baterias com a Profundidade de Descarga • Auto Descarga É resultante das correntes internas na bateria mesmo quando não utilizada. Os fabricantes indicam a carga perdida por dia ou mês. • Densidade de Energia Quantidade de energia armazenada por unidade de volume ou peso, e usualmente medida em Watt-hora por quilograma (Wh/kg). • Rendimento das Baterias Embora de rendimentos elevados, é frequente considerar no dimensionamento perdas na ordem dos 20% para acautelar a auto descarga, a dissipação de energia em forma de calor, entre outras. Dentro das características gerais enumeradas anteriormente, as baterias são ainda classificadas em não recarregáveis, e recarregáveis. Obviamente, para o projecto em questão apenas interessam estas últimas, sendo que seguir-se-á uma breve análise das cinco tecnologias mais utilizadas no contexto das baterias recarregáveis, e suas vantagens e desvantagens. • Baterias de Prata-Zinco (AgZn) É uma das baterias que possui uma densidade de energia (75Wh/kg) e fiabilidade mais elevada, frequentemente utilizada na indústria militar e aeroespacial. No entanto, apresentam um custo elevado e de manuseamento perigoso derivado à sua composição. Sendo que, são pouco atractivas para o uso comercial. 61 • Baterias de Iões de Lítio (Li-ion) Possuem uma densidade de energia elevada (>100Wh/kg), e com excelentes rendimentos, mas em contrapartida têm um tempo de vida útil reduzido e um preço também elevado. Além de que, durante a descarga, se a tensão da célula descer abaixo dos 2,5V, a bateria poderá ficar permanentemente danificada, e como tal exigese sempre na sua utilização um controle de carga preciso. São utilizadas fundamentalmente em telemóveis e computadores portáteis, onde o volume, peso, e autonomia, são as características mais importantes. • Baterias de Níquel - Cádmio (NiCd) De densidade de energia elevada (50Wh/kg) e de longa durabilidade, estas são normalmente utilizadas em aplicações domésticas (máquinas de filmar). A maior desvantagem é a redução da capacidade de recarga ao longo da sua vida útil (“efeito memória”), e prejudicar o meio ambiente pelo facto do Cádmio ser altamente tóxico. • Baterias de Níquel – Metal Hidreto (NiMH) Consideradas como uma extensão tecnológica das anteriores (NiCd), de forma a eliminar o “efeito de memória”, apresentam no entanto custo elevado e uma taxa de auto descarga relativamente elevada. • Baterias de Chumbo Ácido (Pb-Ácido) Baterias fabricadas à décadas e como tal de tecnologia bem dominada. Apresentam inúmeras vantagens, desde a elevada fiabilidade, disponibilidade, durabilidade, custo reduzido, e de rendimentos em torno dos 85%. O maior inconveniente nestas baterias é o seu peso e volume, uma vez que apresentam baixa densidade de energia (35Wh/kg), e portanto aplicáveis onde este factor não é determinante. Das cinco tecnologias descritas a opção recaí, obviamente, nas baterias de Chumbo ácido uma vez que o seu peso e volume não são, em geral, obstáculo quando utilizadas em estações remotas de telecomunicações. Dependendo do tipo de aplicação, as baterias de chumbo ácido podem ser classificadas como automotoras, traccionárias ou estacionárias. O tipo de aplicação determina a solução construtiva de cada tipo de bateria. • Baterias Automotoras Utilizadas fundamentalmente no accionamento dos motores de arranque dos automóveis. Destaca-se assim como característica mais importante a elevada corrente que é necessária disponibilizar num intervalo de tempo reduzido. Projectadas para funcionar para descargas pouco profundas (5% da capacidade nominal), caso contrário o seu tempo de vida útil é fortemente reduzido. 62 • Baterias Traccionárias Usualmente utilizadas em veículos de tracção como empilhadoras eléctricas, carrinhos de golfe, ou veículos industrias. Projectadas para profundidades de descarga na ordem dos 80%, com o inconveniente de necessitarem de manutenção frequente (adição de água destilada para completar o volume do electrólito). Comercialmente, só são encontradas como baterias de grande volume e tensões de no mínimo 48V, sendo geralmente fabricadas por encomenda. • Baterias Estacionárias Encontram-se posicionadas entre as baterias automotoras e traccionárias, e apresentase com 3 tipos de electrólito: o Electrólito de Gel: Apresenta como vantagem a segurança uma vez que o electrólito é em gel e portanto não derrama (ácido sulfúrico). A desvantagem está na diminuição da corrente máxima de carga/descarga suportada. o AGM (Absorved Glass Mat): Electrólito composto por uma espécie de fibra de vidro, sendo portanto muito semelhante à anterior. o Electrólito Fluido: Electrólito composto por ácido sulfúrico diluído com água ( H 2 SO 4 ), quando completamente carregada apresenta 75% de Água, e 25% de ácido sulfúrico. Estas podem ou não ter manutenção, mas existem quase sempre válvulas de regulação da pressão interna, e como tal são designadas de VRLA (Valve Regulated Lead-Acid Batteries). A maior desvantagem é a redução do seu tempo de vida útil com o aumento da temperatura, mas colmatada pela variante SPV que utiliza membranas de permeabilidade selectiva reduzindo as perdas em 95%, e portanto fica a bateria pouco sensível às variações da temperatura e consequentemente reduzida ou mesmo eliminada a manutenção. Seguindo a tendência mundial da utilização das baterias VRLA, derivado às suas características técnicas e mecânicas, e à enorme diversidade de oferta de acordo com a aplicação, a opção para o nosso sistema de armazenamento vai assim ao encontro das baterias Chumbo Ácido, Estacionárias, na classe das VRLA. 63 6.2 Selecção das Baterias a Utilizar A escolha da marca e modelo das baterias a utilizar no sistema de armazenamento da nossa estação remota de telecomunicações deve ter em conta a capacidade, o preço, e em especial a ausência de manutenção. Constata-se que, o fabricante da EXIDE Technologies disponibiliza uma variedade enorme de baterias, consoante a aplicação em causa. Seguindo as suas indicações no que respeita a sistemas de telecomunicações, este sugere a utilização da marca Sonnenschein [13] com diversos modelos, dos quais alguns especificamente vocacionados para utilização conjunta com sistemas fotovoltaicos e eólicos. Na Tabela 6.3 apresentam-se as características principais desta gama de baterias. Tabela 6.3 – Características Principais da Gama de Baterias Sonnenschein Características Técnicas Solar Series Solar Block A600 Solar 12 6 e 12 2 6.60 a 230 60.0 a 330 288 a 3924 Corrente de Descarga [A] ; I100h 0.06 a 2.30 0.60 a 3.30 2.90 a 38.2 Peso Máximo por Célula [kg] 2.60 a 67.0 19.0 a 62.5 19.5 a 240 Tensão Nominal [V] Capacidade Nominal [Ah] T=20º; V pC =1.80V; C100h A selecção da capacidade nominal a utilizar, e da a escolha precisa do modelo, só pode ser efectuada depois de conhecida a arquitectura do sistema e respectivos componentes a utilizar, tema a abordar seguidamente. 6.3 Arquitectura do Sistema e Electrónica de Potência Existem actualmente dois tipos de arquitectura que diferem essencialmente no tipo de interligação entre os vários componentes constituintes. A arquitectura mais antiga, com um estado de maturação mais avançado, é conhecida por DC-Coupled, em que os sistemas são interligados através de um bus comum em corrente contínua. A outra alternativa é utilizar uma arquitectura AC-Coupled, e neste caso, os componentes estão interligados em corrente alterna [6]. 6.3.1 Arquitectura AC-Coupled A arquitectura AC-Coupled é constituída fundamentalmente por inversores DC/AC que impõe valores de frequência e tensão apropriados, criando assim um bus comum AC. Podemos assim acoplar diversos sistemas de produção independentes, ou mesmo cargas, como se observa na Figura 6.4. 64 Figura 6.4 – Sistema Híbrido Off-Grid com Arquitectura AC-Coupled As principais vantagens desta arquitectura, é sem dúvida, a escalabilidade. Necessidades de expansão da rede fazem-se simplesmente ligando mais unidades produtoras do lado AC e respectivos inversores, sem necessidade assim de se modificarem os outros equipamentos. Apenas o sistema que impõe e controla as características da rede (Inversor/Carregador) é específico desta arquitectura, todos os outros são também utilizados em sistemas On-Grid, e como tal muito vulgarizados e de reduzido custo. Como referido, o sistema que impõe e controla as características da rede é o elemento central desta arquitectura. Este controla o nível de tensão e frequência no bus AC a que está ligado, injectando potência proveniente das baterias quando o consumo é superior à produção, ou carregando as baterias quando existe excesso de energia a ser produzida na rede. Como exemplo, o fabricante SMA [14] detém um portfólio extenso destes produtos para diversas potências de utilização (Sunny Island, Sunny Boy, Sunny Wind, em trono de vários kW), mas que para o caso da nossa estação remota de telecomunicações, dadas as características e potência exigida, não parece ser a solução técnica e economicamente mais viável. 6.3.2 Arquitectura DC-Coupled Nesta arquitectura, os vários elementos constituintes do sistema híbrido estão interligados através de um bus DC (Figura 6.5) havendo um inversor responsável pela conversão de toda a energia gerada de DC para AC caso queiramos ligar o sistema a rede pública (On-Grid). Eventualmente, todos estes equipamentos de conversão podem ser agrupados num único equipamento, incluindo a gestão de grupos gerador Diesel. Como exemplo, o fabricante Ingeteam disponibiliza um destes inversores de ligação à rede pública (Ingecon Hybrid [14]) com potências entre os 3kW e 12kW, e que reúne todos os conversores necessários a aplicar à energia proveniente de diversas fontes (fotovoltaica, eólica, motor Diesel), e respectivo armazenamento (baterias). 65 Figura 6.5 – Sistema Híbrido Off-Grid com Arquitectura DC-Coupled A vantagem desta arquitectura é a qualidade da energia fornecida aos consumidores uma vez que depende apenas do inversor que faz a conversão DC/AC. Além de que, e como já havia sido referido, é uma arquitectura mais antiga e de tecnologia muito desenvolvida, e consequentemente de custo substancialmente mais reduzido. Embora exija diversos conversores AC/DC, DC/DC, com redução no rendimento global, para o nosso caso particular da estação remota de telecomunicações que é alimentada com corrente continua (-48V ± 10%, secção 3.1.1), o conversor DC/AC é dispensado, e como tal esta parece ser a melhor opção arquitectural para alimentar a nossa estação remota. 6.3.3 Selecção da Arquitectura Dado que o nosso sistema remoto de telecomunicações exige pouca potência (Tabela 3.3, aproximadamente 360W), e é alimentado por uma corrente continua (-48V ±10%), devemos assim optar por uma arquitectura DC Coupled dispensando o inversor DC/AC de ligação à rede eléctrica pública, e utilizando conversores independentes para cada uma das fontes renováveis (fotovoltaica, eólica). O agrupamento de todos estes sistemas de conversão num único sistema (exemplo: Ingecon Hybrid [14]), para o nosso caso particular, só iria encarecer o custo total do projecto. Na secção 4.6.1 admitiu-se para o nosso projecto a utilização de painéis PV 155-M por apresentar um menor custo por Watt pico. A ligação destes painéis ao bus DC faz-se interligando um MPPT Solar Charge Controller (Figura 4.7) para que dada uma tensão gerada pelo conjunto de painéis fotovoltaicos fornecida à entrada deste dispositivo (que varia conforme a radiação solar e temperatura), este gera uma tensão constante à saída maximizando sempre a potência (MPPT), permitindo assim alimentar correctamente a nossa carga, e com segurança carregar o nosso banco de baterias e também proteger os painéis da carga das baterias quando estes pouco ou nada produzem (durante a noite). 66 Existem inúmeros fabricantes com estes produtos, mas procurou-se um que tivesse alguma diversidade de forma a encontrar-se um dispositivo a baixo custo, e com uma saída configurável de 48V. Recorrendo assim ao revendedor Altestore, este apresenta o modelo Outback Flexmax 60 Charge Controller com saídas configuradas (incluindo os 48V) e com um preço relativamente competitivo (a rondar os 400€). Esta unidade tem as seguintes características técnicas principais dadas na Tabela 6.4. Tabela 6.4 – Características Técnicas Principais do OutbackFlexmax 60 ChargeController Características Técnicas Tensão Nominal das Baterias Outback Flexmax 60 Charge Controller 12, 24, 36, 48, or 60 VDC (Single model - selectable via field programming at start-up) Corrente Máxima de Saída Número Máximo de Arrays Número Recomendado de 6amps @ 104 F (40C) with adjustable current limit 12 VDC systems 90Watts / 24 VDC systems 180Watts / 48 VDC systems 360Watts / 6VDC Systems 450Watts 12 VDC systems 75Watts / 24 VDC systems 150Watts / Arrays 48 VDC systems 300Watts / 6VDC Systems 375Watts Eficiência 98,1% Para o caso da turbina eólica, de acordo com as características do nosso sistema, admitiuse a utilização da turbina Whisper 100 (secção 5.2). O mesmo fabricante sugere a utilização do equipamento Whisper 100/200 Controller, de reduzido custo (a rondar os 500€), e com diversas saídas DC configuráveis. Uma destas saídas satisfaz exactamente as nossas necessidades, 48V contínuos. É possível ainda e como anteriormente referido, através deste controlador, ligar até 3 turbinas Whisper em simultâneo e daí aumentarmos a potência do nosso sistema sem termos de alterar a sua arquitectura. A Figura 6.6 exemplifica assim a arquitectura DC-Coupled a utilizar com a respectiva interligação entre os dispositivos, caso a alternativa seleccionada seja a híbrida (fotovoltaico e eólico, Alternativa 3 da Tabela 3.5) Figura 6.6 – Arquitectura DC-Coupled Híbrida da Estação Remota de Telecomunicações 67 Uma vez seleccionada a arquitectura a utilizar no projecto em questão e os respectivos dispositivos conversores, seguir-se-á o dimensionamento do banco de baterias, e o número de painéis e turbinas exactos necessários para satisfazer a alimentação da nossa estação remota de telecomunicações. 6.4 Determinação das Perdas no Sistema Na secção 3.3, já havíamos considerado para o cálculo aproximado da energia total a produzir 30% de energia adicional à requerida pela carga de forma a contemplar as perdas totais no sistema. Uma vez definida a arquitectura (Figura 6.6) e os componentes a utilizar, podemos agora determinar com maior exactidão as perdas totais no sistema e daí dimensionar o sistema com maior precisão. Recorrendo aos dados dos fabricantes é possível elaborar a seguinte Tabela 6.5: Tabela 6.5 – Perdas de Conversão e Armazenamento na Arquitectura DC Coupled Perdas Conversão Função Electrónica de Potência Conversor DC/DC Outback Flexmax 60 Charge Controller 2% Conversor AC/DC Whisper 100/200 Controller 3% Armazenamento e Armazenamento 21 Sonnenschein 20% Admitindo novamente a Alternativa 3 da Tabela 3.5 representada pela Figura 6.6, podem deduzir-se as seguintes equações: em que Pr od ETotal = E aFot + E aEol Fot / DC Fot E aFot = E Cons + E ConvDC + E Arm + E pArmFot p Eol Eol ConvAC / DC Eol + E Arm + E pArmEol E a = E Cons + E p Equação 6.1 Equação 6.2 Ou seja, à energia a produzir por cada uma das parcelas (fotovoltaica e eólica) para satisfazer a nossa carga devem ainda ser somadas as perdas de conversão e de armazenamento, assim como a energia necessária para carregar as baterias, isto na situação em que a produção é superior ao consumo. A Equação 6.2 reflecte assim uma situação em que as baterias estão praticamente descarregadas, sendo portanto necessário produzir energia não só para alimentar a carga, mas ao mesmo tempo carregar as baterias. No caso do consumo ser superior à produção devem actuar as baterias, e no limite, caso não haja qualquer produção de energia fotovoltaica ou eólica (à noite e sem vento) apenas teríamos perdas de armazenamento. No entanto, e para o dimensionamento do nosso sistema, optaremos obviamente pela situação de maiores perdas. 21 O fabricante não fornece dados concretos da eficiência mas refere estarem acima dos padrões normais 68 Podemos ainda determinar as perdas totais no sistema por correcção à energia consumida pela carga, ou seja, / DC / DC E pSist = E aCons (% E ConvDC + % E ConvAC + E pArm ) p p Equação 6.3 E pSist = E aCons × 0,25 = 3,16 × 0,25 = 0,79 MWh Significa isto que, comparativamente ao cálculo aproximado da energia total (secção 3.3) onde se assumiu 30% para as perdas, verifica-se agora que este valor deve ser corrigido para os 25%. Como referido anteriormente, a energia total a produzir deve não só colmatar estas perdas, como deve gerar energia adicional para carregar as baterias como se irá verificar mais à frente. 6.5 Dimensionamento das Baterias O cálculo da energia a armazenar pelas baterias é geralmente efectuada com base em informações pouco detalhadas acerca da produção aquando a utilização de energias renováveis, dadas as suas características probabilísticas. Se no entanto optarmos por um sistema híbrido (fotovoltaico e eólico – Alternativa 3 da Tabela 3.5), este apresentará uma vantagem adicional derivado ao facto de recorrer a duas fontes de energia cujas disponibilidades, apesar de serem variáveis aleatórias, são independentes o que reduz a probabilidade de inexistência da produção de energia tornando assim menos exigentes as especificações do sistema de armazenamento. Para o cálculo da capacidade do sistema de armazenamento, admite-se, que o armazenamento deve satisfazer o consumo do nosso sistema remoto de telecomunicações como se de a única fonte de energia se tratasse, durante vários dias consecutivos, que aqui se assume serem de 3 dias. Como já anteriormente descrito, nem toda a energia contida pelo sistema de armazenamento pode ser disponibilizada à carga, teremos de aumentar em 20% a capacidade nominal do sistema de armazenamento para acautelar a profundidade de descarga (que assumimos 80% para as baterias seleccionadas). Donde resulta que a energia a armazenar deverá ser corrigida de acordo com a Equação 6.4, Total dod Earm = Econs (1 + Earm + E pArm ) = Econs (1 + 0,2 + 0,2) ≈ 36,4kWh Equação 6.4 em que Econs = 361 * 3 dias ≅ 26kWh 69 De acordo com a arquitectura seleccionada (secção 6.3.3) e admitindo a utilização de células (blocos) de 12V ligadas em série (Solar Series ou Solar Block - Tabela 6.3), resulta que necessitamos de associar 4 baterias em série para perfazer a tensão definida para o bus DCCoupled (que corresponde também à tensão da carga), ou seja, VnBan = 12V × 4 = 48V Pelo que a capacidade nominal, em ampere-hora, do banco de baterias pode ser dada pela equação seguinte: C nBan = Total E arm 36,4 KWh = = 758,33 Ah Ban 48 Vn Cada bateria deve contribuir assim com a seguinte capacidade aproximada, C nCel = C nBan 758,33 Ah = = 189,58 Ah 4 4 Consultando as características técnicas do fabricante com objectivo de se encontrar a capacidade mais próxima possível da calculada (em 12V), dentro de um preço razoável, identificou-se assim o modelo SB12/185A de 185Ah de capacidade na gama Solar Block (Tabela 6.3), e com um preço aproximado de 700€. Notar que, a determinação da capacidade para o banco de baterias se fez com base na energia total a armazenar, e que esta por sua vez contempla já as perdas de armazenamento também consideradas na Equação 6.3. Deve-se assim corrigir a Equação 6.3 entrando em consideração apenas com as perdas de conversão, donde resulta: E Conv = EaCons × 5% = 3,16 MWh × 0,05 ≅ 158kWh p 6.6 Equação 6.5 Dimensionamento do Sistema Híbrido A selecção da melhor Alternativa (Tabela 3.5) para o fornecimento energético à nossa estação remota de telecomunicações deve passar por uma avaliação económica, tema a abordar mais adiante. No entanto, e após as várias análises realizadas no decorrer deste trabalho, tecnicamente, a opção de se combinar a fonte fotovoltaica e eólica parece ser a mais vantajosa, vejamos: Durante a análise da produção fotovoltaica (secção 4) verificou-se que a maior concentração da produção de energia se encontrava fundamentalmente nos meses de Verão (Abril a Setembro), como demonstra a Figura 4.9, e que fora desses meses a produção fotovoltaica não satisfaz o consumo (embora na perspectiva anual se verifique). 70 Por outro lado, e da análise da produção eólica (secção 5) verificou-se que, durante os meses de Inverno a produção é em geral superior (Figura 5.9), e mais equilibrada ao longo do ano do que a fotovoltaica. Facilmente se percebe que, a combinação destas duas fontes de energia não só reduzem a probabilidade de inexistência de produção, como energéticamente se complementam e apresentam assim uma energia média mensal mais regular. Segue-se assim uma análise detalhada do sistema híbrido (Alternativa 3 da Tabela 3.5), admitindo como anteriormente o modelo PV 155-M de painéis fotovoltaicos, turbinas Whisper 100, e o respectivo armazenamento suportado por 4 baterias SB12/185A de 185Ah. 6.6.1 Energia Mensal Requerida pelo Sistema Fazendo uso da Equação 6.4 e Equação 6.5 podemos facilmente traçar o perfil mensal da energia requerida pelo sistema que é composto pela carga, perdas de conversão, e energia a armazenar (que incluí as perdas de armazenamento). A Figura 6.7 dá-nos assim a energia mínima que o sistema de produção deverá produzir em cada mês. A soma de todas estas energias mensais dá-nos a energia anual consumida pelo sistema, EaConsSist = 3,76MWh . 350 CARGA Perdas de Conv Armaz. Total 300 250 200 150 100 50 Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh Ag o o Se s t o te m b O ro ut N ubr ov o em D br ez o em br o 0 Ja n Fe eir o ve re ir o M ar ço Energia Média Mensal [kWh] CARGA, Perdas de Conversão, e Armazenamento Figura 6.7 – CARGA, Perdas Conv. e Armazenamento no Sistema Híbrido (DC Coupled) 71 6.6.2 Energia Mensal e Anual Produzida nas Estações Mais uma vez, com base no ficheiro Dimensionamento_Energético.xls (em anexo – secção 9.2.1), percorreu-se cada uma das 4 localizações da estação remota de telecomunicações fixando o número de turbinas de acordo com os resultados da Tabela 5.2, e incrementando ou decrementando o número de painéis mínimo que satisfaça mensalmente a energia requerida pelo sistema (secção anterior). Esta opção teve em consideração o facto de que os painéis fotovoltaicos representam uma menor fatia energética face às turbinas eólicas, e portanto devemos primeiramente fixar o número de turbinas, e só depois refinar o equilíbrio energético entre a produção e o consumo através da alteração ao número de painéis. A Tabela 6.6 reflecte assim o resultado final das diversas simulações efectuadas com a energia mensal produzida em cada estação, e o respectivo balanço energético face às necessidades de consumo do sistema. Tabela 6.6 – Energia Média Mensal Produzida e Balanço Energético nas Diversas Estações Energia Média Mensal Produzida [kWh] & Balanço Energético [%] Mês São Pedro Velho São Mamede Esposade Vilarinho das Furnas Whisper 100 => 2 Turbinas => 2 Turbinas => 2 Turbinas => 2 Turbinas PV 155-M => 2 Painéis => 2 Painéis => 2 Painéis => 3 Painéis Janeiro 425,83 34% 427,58 34% 426,29 34% 432,40 36% Fevereiro 401,75 38% 400,49 38% 399,92 37% 407,67 40% Março 610,15 92% 613,76 93% 614,91 93% 625,97 97% Abril 515,30 67% 512,17 66% 514,19 66% 523,92 69% Maio 340,81 7% 337,63 6% 338,48 6% 354,07 11% Junho 371,65 20% 365,89 18% 365,03 18% 390,68 26% Julho 350,23 10% 337,50 6% 340,33 7% 366,32 15% Agosto 370,71 16% 363,70 14% 365,87 15% 388,05 22% Setembro 471,89 53% 467,95 51% 467,78 51% 483,38 56% Outubro 322,16 1% 317,26 0% 319,79 0% 324,47 2% Novembro 468,33 51% 464,82 50% 466,70 51% 469,50 52% Dezembro 356,82 12% 357,48 12% 360,56 13% 361,52 14% 33% 4,97MWh 32% 4,98MWh 33% 5,13MWh 36% Total [MWh] 5,01MWh Deste resultado percebe-se que no caso da localização de Vilarinho das Furnas há a necessidade de um painel adicional, isto porque, e como se havia concluído na secção 4.6.2, aquela localização apresenta um potencial solar anual menor perante as outras localizações, ou seja, menor utilização anual da potência fotovoltaica instalada. Recorde-se que apenas existem dependências, de localização para localização, no que respeita à energia solar, uma vez que assumimos na secção 5.4.2 o mesmo potencial eólico igual à localização de Outeiro dos Fiéis. 72 Conclui-se também que no caso do sistema apenas eólico (Tabela 5.2), em que o mês mais desfavorável correspondia ao mês de Julho, no sistema híbrido o mês mais desfavorável passou a ser Outubro. Como já referido, é durante o Inverno que o potencial fotovoltaico é menor, e se no sistema híbrido aumentarmos o número de painéis a utilizar, o mês mais desfavorável é arrastado para a estação do Inverno. 6.6.3 Balanço Mensal Energético na Estação São Pedro Velho, Mirandela Como verificado na secção anterior, para o caso particular da estação remota estar localizada em São Pedro Velho (Mirandela), necessitamos de pelo menos 2 turbinas Whisper 100 e 2 painéis PV155-M para satisfazer as necessidades mensais energéticas de todo o sistema (consumo, perdas de conversão, armazenamento, etc.). A Figura 6.8 descreve o balanço energético entre a energia total mensal necessária e a energia mensal disponibilizada pelas fontes produtoras (eólica e fotovoltaica). Produzida/Consumida no Sistema DC Coupled Energia Consumida Balanço Energético 700 600 500 400 300 200 100 0 Ja n Fe eir ve o re ir o M ar ço Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh Ag o Se ost te o m b O ro ut N ub ov ro e D mb ez ro em br o Energia Média Mensal [kWh] Energia Produzida Figura 6.8 – Balanço Mensal Energético em São Pedro Velho no Sistema Híbrido Com esta configuração, não só satisfazemos as necessidades energéticas mensais de todo o nosso sistema, como garantimos que o balanço anual da energia produzida está aproximadamente 33% acima da energia requerida. No entanto, considerando o mês mais desfavorável que para este caso corresponde ao mês de Outubro, a produção está apenas 1% acima do requerido pelo sistema. É desejável assim aumentar esta diferença e garantir mais segurança no dimensionamento do sistema, pelo menos uma produção acima dos 20% (aproximadamente). Uma vez que a contribuição da maior fatia energética parte da produção eólica, e querendo apenas pequenos incrementos energéticos, vamos aumentar assim o número de painéis fotovoltaicos até atingirmos uma produção acima dos referidos 20% nos meses mais desfavoráveis. 73 A Tabela 6.7 dá-nos assim o balanço energético entre a produção e a energia requerida pelo sistema considerando a utilização de 2 turbinas Whisper 100, 8 painéis fotovoltaicos PV 155-M, e 4 baterias SB12/185A de 185Ah. Tabela 6.7 – Energia Média Mensal & Balanço Energético acima dos 20% em Mirandela Energia Média Mensal Produzida & Mês Balanço Energético em São Pedro Velho => 2 Turbinas Whisper 100 => 8 Painéis PV 155-M Janeiro 453,70 42% Fevereiro 453,49 56% Março 684,64 115% Abril 640,04 107% Maio 495,90 56% Junho 550,06 78% Julho 553,09 74% Agosto 534,07 68% Setembro 583,64 89% Outubro 398,35 25% Novembro 514,22 66% Dezembro 381,16 20% 6,24MWh 66% Total [MWh] Esta deve ser possivelmente a escolha, do ponto de vista técnico, o sistema de produção de energia a alimentar a nossa estação remota de telecomunicações localizada em São Pedro Velho (Figura 6.9); a validar no entanto com a análise económica que se segue. Produzida/Consumida no Sistema DC Coupled Energia Consumida Balanço Energético 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Ja n Fe eiro ve re ir o M ar ço Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh Ag o Se ost o te m b O ro ut N ub ov ro e D mb ez ro em br o Energia Média Mensal [kWh] Energia Produzida Figura 6.9 – Balanço Energético em S. Pedro Velho com Prod. Mensal acima dos 20% 74 7. Avaliação Económica do Projecto De forma a avaliarmos economicamente o sistema projectado, em particular decidirmos qual a melhor alternativa de produção de energia para a nossa estação remota de telecomunicações (Tabela 3.5), faremos uma análise económica com base no investimento inicial, em actividades requeridas de operação e manutenção (O&M), e nas receitas caso as haja. 7.1 Introdução Económica A avaliação económica de investimentos projectados para longos períodos de vida (vários anos) deve forçosamente considerar que um pagamento realizado hoje, é diferente se for realizado daqui a vários anos. É assim necessário efectuar a actualização desses valores com base numa taxa de actualização. Com base no custo unitário médio actualizado, no VAL, e no TIR, é possível de uma forma mais ou menos expedita avaliar economicamente os nossos investimentos [5]. 7.1.1 Modelo Simplificado do Custo Unitário Médio Actualizado O custo unitário médio anual é significativo para cada ano. Contudo, é menos significativo se o período de avaliação se estende desde a decisão do investimento até ao fim de vida útil da instalação, isto porque não têm o mesmo valor, pagamentos e recebimentos iguais feitos em momentos diferentes. Devemos assim determinar qual o custo unitário médio actualizado, e com base neste será possível tomar decisões relativamente a investimentos a efectuar. Facilmente se percebe que um pagamento F0 feito hoje equivale a um pagamento (maior) feito ao fim de t anos e ajustado com base numa taxa de actualização, a. Podemos assim escrever: F ′ = F0 (1 + a ) t Equação 7.1 Inversamente podemos dizer que um pagamento F ′ feito no prazo de t anos equivale a um pagamento (menor) F0 feito hoje, ou seja: F0 = F′ (1 + a ) t Equação 7.2 Sendo assim, para se obter o custo unitário médio actualizado, actualizam-se separadamente os encargos (de investimento, de operação e manutenção, de combustível, e outros) e a produção total, durante a vida útil da instalação. Podemos assim escrever: ca = c a1 + c a 2 + ... + c an E act 75 Equação 7.3 Que para o caso particular dos custos actualizados de operação e manutenção (O&M), e que correspondem normalmente a uma percentagem do investimento total I t , onde d omj são as despesas em cada ano j, pode-se escrever: d omj n c a1 = c aO & M = I t ∑ j =1 Equação 7.4 (1 + a ) j O mesmo princípio se aplica ao cálculo do valor acumulado actualizado da produção de energia, n E act = ∑ j =1 E aj haj n = Pi ∑ (1 + a ) j j =1 Equação 7.5 (1 + a ) j De forma a simplificar o modelo de actualização do custo unitário médio admita-se ainda o seguinte: 1) O investimento concentra-se no instante inicial, t=0, representado por It 2) A utilização anual da potência instalada é constante ao longo da vida útil e igual a que para a mesma potência instalada, ha , Pi , é o mesmo que dizer que a energia anual produzida é constante ao longo da vida útil e representada por Ea 3) Os encargos de O&M são constantes ao longo da vida útil e iguais a d om (normalmente uma percentagem do investimento inicial) 4) Não há encargos com combustível 5) Os encargos diversos são nulos ou podem ser incluídos nos encargos de O&M Definindo agora os factores k a e i como: n ka = ∑ j =1 1 (1 + a ) n − 1 = (1 + a ) j a (1 + a ) n 1 a (1 + a ) n i= = k a (1 + a ) n − 1 Equação 7.6 Equação 7.7 O custo unitário médio actualizado pode assim ser calculado através da seguinte expressão: ca = I t (1 + d om k a ) I t (i + d om ) = Eaka Pi × h a 76 Equação 7.8 7.1.2 Indicadores de Avaliação de Investimentos (VAL, TIR) Para além do custo unitário médio actualizado descrito na secção anterior que nos possibilita uma avaliação dos investimentos a efectuar, far-se-á também uso para a avaliação económica do sistema projectado dois dos indicadores mais utilizados na avaliação de projectos de investimento. Estes indicadores são designados por Valor Actual Líquido (VAL) ou Balanço Actualizado (BA) e a Taxa Interna de Rentabilidade (TIR). O VAL é a diferença entre as entradas (receitas) e saídas (investimento) de dinheiro devidamente actualizados durante toda a vida útil de empreendimento, e que pode ser expresso da seguinte forma: n VAL = ∑ j =1 n −1 R Lj (1 + a ) j −∑ j =0 Ij (1 + a ) j + Vr (1 + a ) n Equação 7.9 Onde n corresponde à vida útil do empreendimento, R Lj é a receita líquida que se obtém para o ano j, e Vr o valor residual da instalação no fim da sua vida útil, caso exista. Relativamente à receita líquida, esta calcula-se pela diferença entre a receita bruta anual ( R j ) e os encargos de Operação e Manutenção (O&M), RLj = R j − d om j Equação 7.10 A determinação dos encargos de operação e manutenção faz-se normalmente assumindo uma dada percentagem do investimento inicial (usualmente considera-se 1% para sistemas de On-Grid). Nas hipóteses do modelo simplificado introduzido na secção 7.1.1 e desprezando o valor residual, a Equação 7.9 toma a seguinte forma: VAL = R L K a − I t 77 Equação 7.11 O VAL diminui assim com o aumento da taxa de actualização porque quanto maior é o rendimento mínimo exigido, menor a rentabilidade do projecto para além do retorno do investimento e desse mínimo exigido. Figura 7.1 – Variação do VAL com a Taxa de Actualização, Definição do TIR Relativamente ao TIR, este é por definição a taxa de actualização que anula o Valor Actual Líquido, ou seja, VAL=0. De acordo com este indicador (TIR) pode concluir-se acerca do interesse do empreendimento no contexto do mercado financeiro. Novamente, nas condições do modelo simplificado introduzido na secção 7.1.1, o TIR pode ser extraído da seguinte equação fazendo uso do método de Gauss (com 4 ou 5 iterações): TIR ( k +1) = R L (1 + TIR ( k ) ) n − 1 I t (1 + TIR ( k ) ) n Equação 7.12 Notar que a determinação do VAL e do TIR pode efectuar-se fazendo uso do Microsoft Excel através das funções NPV(Net Present Value) e IRR(Internal Rate of Return), respectivamente. 78 7.1.3 Investimento Inicial Actualizado com Armazenamento Relativamente a custos, estes podem ser agrupados da seguinte forma: • Investimento Inicial: Corresponde à soma do preço de todos os equipamentos, custos do projecto (estudo e implementação), das infra-estruturas, e dos equipamentos de electrónica de potência. • Operação e Manutenção (O&M): Estas despesas referem-se a operações de verificação do correcto funcionamento do sistema (ex. verificação e manutenção do nível do electrólito das baterias) e substituição de equipamentos que verifiquem qualquer mau funcionamento. • Substituição do Sistema de Armazenamento: Representa os encargos referentes à substituição do banco de baterias que têm um tempo de vida útil esperado normalmente em torno dos 5 anos. Deve-se assim, numa fase inicial, determinar qual o investimento inicial destinado à implementação do projecto, após o que se devem calcular os custos actualizados do projecto ao longo do seu tempo de vida útil esperado (sistema de armazenamento), e os custos anuais relacionados com as despesas de Operação e Manutenção. De acordo com esta análise, deverá ser possível determinar qual a melhor alternativa de investimento de acordo com o definido na secção 3.2.4. Para a análise do nosso investimento vamos então considerar um tempo de vida útil de 20 anos, uma vez que é expectável que tanto os painéis fotovoltaicos como as turbinas eólicas tenham esse tempo de vida útil máximo. Relativamente à taxa de actualização e considerando a situação económica actual, considerar-se um valor em torno dos 5%. Querendo fazer uso do modelo simplificado do custo unitário médio actualizado dado na secção 7.1.1, vamos assumir para o caso do sistema de armazenamento, a ser reposto de 5 em 5 anos, como fazendo parte do investimento inicial actualizado. Quanto às despesas anuais de Operação & Manutenção assume-se aqui 1,5% do investimento total inicial actualizado. Podemos assim escrever, d arm d arm d arm ′ I tact = I t + d arm + + + 5 10 (1 + a ) (1 + a ) (1 + a )15 Onde Equação 7.13 I t' corresponde ao investimento inicial no instante t=0, excluindo o sistema de armazenamento. A actualização do custo do sistema de armazenamento, d arm , faz-se assim de 5 em 5 anos que ao ser adicionado ao anterior resulta no investimento inicial actualizado, I tact . Notar que, para efeitos de simplificação, admitimos d arm constante ao longo do tempo de vida útil do empreendimento não contabilizando assim qualquer alteração de preço. 79 7.2 Sistema Baseado em Energias Renováveis Após uma rápida introdução a conceitos económicos, vamos avançar para a análise económica das diversas alternativas de produção baseadas em energias renováveis para alimentar a nossa estação remota de telecomunicações. Começar-se-á com a análise da implementação do projecto em São Pedro Velho (Mirandela), seguindo-se a avaliação da possível substituição de repetidores passivos (espelhos) por repetidores activos em duas das estações, e finalmente uma nova análise assumindo que o nosso repetidor não tem protecção e consequentemente menores exigências energéticas. 7.2.1 Implementação do Projecto em São Pedro Velho, Mirandela Retomando novamente as várias alternativas possíveis de produção no contexto das energias renováveis (Tabela 3.5), vamos começar por analisar as 3 primeiras alternativas no que diz respeito à viabilidade económica em São Pedro Velho (Mirandela). Notar que, e uma vez que pretendemos instalar o nosso sistema de produção em infra-estruturas já existentes, junto e na estação de telecomunicações, vamos neste caso considerar apenas os custos de aquisição relativos ao equipamento descrito em secções anteriores na concepção física da alimentação à nossa estação. A selecção do número total de painéis fotovoltaicos, ou turbinas eólicas, ou a combinação dos dois na arquitectura DC Coupled, far-se-á procurando sempre que a produção no mês mais desfavorável esteja acima da energia requerida em cerca de 20%, garantindo-se assim mais segurança no dimensionamento do sistema. Com base no ficheiro Dimensionamento_Energético.xls em anexo (secção 9.2.1), percorremos de uma forma iterativa cada uma das combinações dadas na Tabela 7.1 de forma act a obtermos o investimento inicial Actualizado ( I t ), o custo unitário médio actualizado ( ca ), e o respectivo VAL. Notar que as receitas são nulas uma vez que não estamos a vender a energia eléctrica produzida. 80 Tabela 7.1 – Alternativas Possíveis de Investimento em Energias Renováveis Componentes Painéis Turbinas Invest. Ca Neces. Neces. Inicial Act [€/MWh] VAL Alternativa 1 (Fotovoltaico+Armazenamento) SW 80 mono 147 --- 59.910€ 336€ -71.109€ PV 155-M 92 --- 68.260€ 343€ -81.020€ PV 185-M 60 --- 56.460€ 326€ -67.014€ Alternativa 2 (Eólico+Armazenamento) Air Industrial --- 7 13.460€ 211€ -15.976€ Whisper 100 --- 3 12.460€ 172€ -14.789€ Whisper 200 --- 2 11.760€ 143€ -13.958€ Whisper 500 --- 1 13.360€ 118€ -15.857€ Alternativa 3 (Híbrido+Armazenamento) Air Industrial+SW 80 mono 5 6 14.910€ 245€ -17.597€ Air Industrial+PV 185-M 12 5 20.260€ 283€ -24.047€ Whisper 100+SW 80 mono 13 2 16.110€ 252€ -19.121€ Whisper 100+PV 155-M 8 2 16.760€ 256€ -19.893€ Whisper 100+PV 185-M 6 2 16.360€ 250€ -19.418€ Whisper 200+PV 155-M 19 1 22.910€ 278€ -27.192€ Whisper 200+SW 80 mono 30 1 21.060€ 272€ -24.996€ Embora tenhamos extraído diversos indicadores económicos, a análise do custo unitário médio actualizado (Ca) é suficiente uma vez que nos permite perceber quanto custa cada MWh a produzir em cada uma das soluções apresentadas. Como seria de esperar, soluções baseadas unicamente em energia eólica têm um menor custo por MWh, uma vez que é uma tecnologia mais barata e com uma produção energética bem acima da fotovoltaica. No entanto, e como anteriormente referido, é desejável a implementação de um sistema híbrido uma vez que a combinação destas duas fontes de energia não só reduzem a probabilidade de inexistência de produção, como energéticamente se complementam e apresentam assim uma energia média mensal mais regular. Dentro das soluções híbridas, a solução mais económica apresenta um custo médio unitário actualizado de 245€/MWh, mas neste caso a fatia fotovoltaica tem um peso energético de apenas 10% face à eólica de 90%, que é o mesmo que dizer que estamos perante um sistema essencialmente eólico, e portanto, a evitar. Se optarmos no entanto pela solução com custo de 250€/MWh, aqui a fatia energética fotovoltaica representa 26% aproximadamente face à eólica de 74%, e portanto estamos perante um sistema híbrido mais equilibrado. 81 Adicionalmente, quantas mais componentes discretas (turbinas e painéis) existirem no nosso sistema, menor será a probabilidade de falha completa do sistema. Ou seja, caso se avarie um painel ou uma turbina, o sistema continuará a funcionar embora produzindo menos energia de acordo com a componente avariada, até que sejam substituídas ou reparadas as respectivas componentes. Embora a solução com custo 245€/MWh apresente mais componentes discretas (turbinas e painéis), o critério equilíbrio energético referido é de maior relevância, optando-se assim pela solução de custo 250€/MWh por satisfazer ambos os critérios. Comparativamente ao que havia sido anteriormente assumido, utilização de painéis PV 155-M por estes apresentarem um menor custo por Watt pico (secção 4.6.1), verifica-se agora que do ponto de vista do investimento global do projecto (Ca) a opção vai de encontro à utilização do modelo PV185-M. Este resultado compreende-se, na medida em que este último apresenta maior rendimento para a mesma área de painel (Tabela 4.1). Notar ainda que na secção 6.6.3 se admitiu, do ponto de vista técnico, a utilização de painéis PV155-M, mas que agora se conclui que é melhor solução a utilização de painéis PV185-M. Concluímos assim que a melhor solução dentro das 3 alternativas aqui analisadas, em termos técnicos e económicos, é optarmos por uma solução híbrida (Alternativa 3) constituída por 2 turbinas Whisper 100, 6 painéis fotovoltaicos PV 185-M, e 4 baterias SB12/185A. A Tabela 7.2 e a Figura 7.2 descrevem a estrutura e distribuição de custos da solução híbrida em São Pedro Velho para um tempo de vida útil estimado em 20 anos. Tabela 7.2 – Estrutura e Distribuição de Custos da Solução Híbrida em São Pedro Velho Solução Híbrida em São Pedro Velho (20 anos de Vida Útil) Ca=250€/MWh / Ea=6,24MWh => 2 Turbinas Whisper 100 PV 185-M => 6 Painéis SB12/185A => 4 Baterias Componentes Custos Distribuição Fotovoltaica (Ea=26,4%): 5.200€ 26,8% - Custo dos Painéis 4.800€ 24,7% - Conversor DC/DC 400€ 2,1% Eólica (Ea=73,6%): 3.100€ 16,0% - Custo das Turbinas 2.600€ 13,4% - Conversor AC/DC: 500€ 2,6% Custo das Baterias Act: 8.060€ 41,5% Custos O&M (20 anos): 3.058€ 15,7% TOTAL (-VAL) 19.418€ 100% 82 Distribuição de Custos no Sistema Híbrido O&M; 3.058 €; 16% Fotovoltaica; 5.200 €; 27% Eólica; 3.100 €; 16% Baterias; 8.060 €; 41% Figura 7.2 – Distribuição de Custos da Solução Híbrida em São Pedro Velho Claramente se percebe que o sistema de armazenamento tem um enorme peso na factura a pagar, ou seja, corresponde a cerca de 41% do valor total que se irá investir durante o tempo de vida útil do projecto (20 anos). No entanto, o investimento inicial no arranque do projecto (em t=0) é na verdade inferior (2800€) uma vez que a primeira substituição do banco de baterias só ocorrerá daí a 5 anos. Adicionalmente também se percebe que, e embora o investimento nas componentes fotovoltaicas (27%) seja superior aos das componentes eólicas (16%), a energia fotovoltaica produzida corresponde sensivelmente a um quarto da energia eólica produzida (Figura 7.3); mais uma vez fica reforçada a ideia que os sistemas fotovoltaicos têm um preço por MWh substancialmente superior aos sistemas eólicos. Notar ainda que, embora os encargos de operação e manutenção correspondam apenas a 1,5% do investimento inicial actualizado, este valor acaba por reflectir-se no projecto ao longo do seu tempo de vida útil com um peso de 16% face ao investimento total. Distribuição Energética Anual no Sistema Híbrido [MWh] Fotovoltaica; 1,65; 26% Eólica; 4,59; 74% Figura 7.3 – Distribuição Energética Anual da Solução Híbrida em São Pedro Velho 83 A Figura 7.4 reflecte assim o balanço energético entre o sistema de produção híbrido e a nossa estação remota de telecomunicações em São Pedro Velho da nossa solução híbrida, com 20% de produção adicional no mês mais desfavorável (Dezembro), Produzida/Consumida no Sistema DC Coupled Energia Consumida Balanço Energético 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Ja n Fe eir ve o re ir o M ar ço Ab ril M ai o Ju nh o Ju lh Ag o Se ost te o m b O ro ut N ub ov ro e D mb ez ro em br o Energia Média Mensal [kWh] Energia Produzida Figura 7.4 – Balanço Energético da Solução Híbrida em São Pedro Velho (Ca=250€/MWh) 7.2.2 Solução Híbrida em Substituição dos Repetidores Passivos É sabido que a solução implementada com repetidores passivos (espelhos) nas estações remotas de Esposade e Vilarinho das Furnas (secção 3.1.2) tiveram um investimento inicial, em cada uma das estações, de cerca de 160.000€. Pretende-se agora avaliar a solução de se utilizar um repetidor activo baseado em energias renováveis, face ao repetidor passivo instalado. Obviamente, a solução para estes casos tem que ser completamente independente da rede pública eléctrica, razão pela qual a REN optou por repetidores passivos. Seguindo a mesma linha de raciocínio da secção anterior e percorrendo novamente o ficheiro Dimensionamento_Energético.xls em anexo (secção 9.2.1), encontramos a solução óptima dada na Tabela 7.3 com 20% de energia adicional no mês mais desfavorável. 84 Tabela 7.3 – Custos da Solução Híbrida em Esposade e Vilarinho das Furnas Esposade Vilarinho das Furnas Ca=250€/MWh;Ea=5,63MWh Ca=256€/MWh;Ea=5,80MWh Whisper 100 => 2 Turbinas => 2 Turbinas PV 185-M => 4 Painéis => 5 Painéis SB12/185A => 4 Baterias => 4 Baterias Solução Híbrida Componentes Custos Distribuição Custos Distribuição Fotovoltaica: 3.600€ 20,6% 4.400€ 23,9% - Custo dos Painéis 3.200€ 18,3% 4.000€ 21,7% - Conversor DC/DC 400€ 2,3% 400€ 2,2% Eólica: 3.100€ 17,7% 3.100€ 16,8% - Custo das Turbinas 2.600€ 14,8% 2.600€ 14,1% - Conversor AC/DC: 500€ 2,9% 500€ 2,7% Custo Baterias Act: 8.060€ 46,0% 8.060€ 43,6% O&M(20 anos): 2.759€ 15,7% 2.909€ 15,7% TOTAL (-VAL) 17.519€ 100% 18.468€ 100% Vejamos agora qual o valor estimado do investimento relativo à implementação do sistema activo descrito na Figura 3.3. A Tabela 7.4 dá-nos o custo estimado do sistema activo, ainda sem o sistema híbrido acoplado. Tabela 7.4 – Custo Estimado do Sistema Activo (SRA4 1+1) Incluindo a Torre Metálica Dispositivos nº Custo de Referência Repetidor Activo (SRA4) --- 40.000€ => ODU 4 4x2.500 =10.000€ => IDU 2 2x15.000 =30.000€ Torre Metálica 1 15.000€ Bastidor 1 750€ Diversos --- 250€ TOTAL Estimado --- 56.000€ 85 Adicionando o custo estimado do sistema activo dado na Tabela 7.4, com a solução híbrida proposta na Tabela 7.3, podemos concluir que seria substancialmente rentável instalar nas localizações de Esposade e Vilarinho da Furnas repetidores activos, em contradição aos repetidores passivos instalados, como demonstra a Tabela 7.5. Tabela 7.5 – Comparação de Investimentos entre Repetidores Passivos e Activos Investimentos Esposade Vilarinho das Furnas Repetidor Passivo 160.000€ 160.000€ 17.519€+56.000€ = 73.519€ 18.468€+56.000€ = 74.468€ 2,18 2,15 Repetidor Activo Rácio [Passivo/Activo] 7.2.3 Repetidor Activo sem Protecção Instalado em São Pedro Velho O repetidor activo até agora considerado envolveu sempre a existência de um esquema de protecção 1+1, constituído assim por 4 unidades ODU e 2 unidades IDU (Figura 3.3). Se abdicarmos no entanto da protecção definindo assim uma configuração 1+0, o nosso repetidor activo vem assim definido por apenas 2 unidades ODU, e 1 unidade IDU, e consequentemente com um consumo substancialmente inferior dado na Tabela 7.6. Tabela 7.6 – Consumo Energético do Repetidor Activo sem Protecção (1+0) Utilização Anual Energia Anual Dispositivos nº Potência Total [W] ODU 2 60x2=120 8760 1,05 IDU 1 32W±10%=> 35,2 8760 0,31 TOTAL 3 155,2 8760 1,36 da Pot. ha [h ] E aCons [MWh ] Após se ter recorrido ao ficheiro Dimensionamento_Energético.xls em anexo (secção 9.2.1) para nova simulação nas condições já anteriormente referidas, mas utilizando agora uma nova potência de carga, a estrutura e distribuição de custos do repetidor activo sem protecção vem assim dado na Tabela 7.7. 86 Tabela 7.7 – Estrutura e Distribuição de Custos do Repetidor Activo sem Protecção Solução Híbrida em São Pedro Velho (20 anos de Vida Útil) Ca=316€/MWh / Ea=3,11MWh => 2 Turbinas Air Industrial PV 185-M => 5 Painéis 22 => 4 Baterias S12/85A Componentes Custos Distribuição Fotovoltaica (Ea=44,2%): 4.400€ 35,9% - Custo dos Painéis 4.000€ 32,6% - Conversor DC/DC 400€ 3,3% Eólica (Ea=55,8%): 1.900€ 15,5% - Custo das Turbinas 1.400€ 11,4% - Conversor AC/DC: 500€ 4,1% Custo das Baterias Act: 4.030€ 32,9% Custos O&M (20 anos): 1.931€ 15,7% TOTAL (-VAL) 12.261€ 100% Mais uma vez, embora o peso da factura fotovoltaica (35,9%) esteja bem acima da eólica (15,5%) e portanto encarecendo mais o projecto, do ponto de vista técnico esta solução é preferível uma vez que apresenta um equilíbrio entre as energias fotovoltaica (44,2%) e eólica (55,8%) a produzir, reduzindo assim a incerteza da não existência em simultâneo dos referidos recursos naturais. Dado o reduzido consumo deste repetidor activo sem protecção, a capacidade exigida por cada bateria foi assim fortemente reduzida dos anteriores 185Ah para os 85Ah, mantendo-se no entanto a autonomia nos 3 dias. Esta redução no consumo implicou também a escolha de uma nova turbina (Air Industrial) com uma potência nominal inferior (400W), o que permitiu assim encontrar uma verdadeira solução híbrida (equilíbrio de energias). Por fim, e com base no custo unitário médio actualizado (Ca), verificamos que a solução híbrida encontrada para alimentar um repetidor activo em configuração 1+1 (Tabela 7.2) tem um custo inferior de 250€/MWh, face aos actuais 316€/MWh em configuração 1+0. No entanto, o investimento deste último é inferior (-VAL=12.261€) e só fará sentido optarmos pela solução 1+1 se for previsível que a configuração 1+0 aqui assumida venha a evoluir mais cedo ou mais tarde para uma configuração 1+1. 22 O custo unitário de cada bateria S12/85A é de aproximadamente 350€ 87 7.3 Sistema Baseado na Solução Clássica Nas secções anteriores finalizou-se a análise relativa às 3 primeiras alternativas de produção de energia à estação remota de telecomunicações, como descrito na Tabela 3.5. Pretende-se agora analisar as restantes alternativas e optar-se pela melhor solução técnica e económica, seja com base em energias renováveis, ou produção clássica. Segue-se assim a avaliação da solução ligação à rede pública eléctrica, da possível utilização de um gerador diesel, e novamente a utilização da linha eléctrica mas agora com objectivo de se reduzir o banco de baterias. 7.3.1 Avaliação da Solução Ligação à Rede Pública Eléctrica Facilmente se percebe que o investimento em energias renováveis analisado nas secções anteriores para alimentar a nossa estação remota está fortemente dependente da distância onde se encontra o ramal de acesso mais próximo em baixa tensão. Segue-se assim uma análise económica comparativa entre os custos de se instalar uma linha de baixa tensão até a estação remota, incluindo a factura a pagar à rede pública eléctrica durante o tempo de vida útil do empreendimento, e os custos obtidos na Tabela 7.2 da solução híbrida em São Pedro Velho. Da secção 2.4, onde se fez uma abordagem superficial do transporte e distribuição da energia, estimou-se que o custo médio de um cabo torçada de baixa tensão ronda os 12€ por metro em instalações de dificuldade média. Uma vez que são esperadas complicações na passagem da linha à estação remota, porque esta se encontra numa localização de difícil acesso, iremos assumir um custo médio de 15€ por metro. Quanto ao custo mensal da energia eléctrica a pagar à rede pública ao longo do tempo de vida útil do empreendimento, vamos recorrer ao fornecedor EDP 23 que sugere para aplicações de baixo consumo a utilização de tarifas em baixa tensão até 2,3 kVA [15], e dentro desta gama, a potência a contratar que mais se adequa corresponde à tarifa simples de 1,15 kVA (da Tabela 7.2: 6,24MWh/8760h=0,71kW). A Tabela 7.8 resume assim os encargos mensais de se contratar a potência 1,15 kVA à EDP para o fornecimento energético à nossa estação remota. Tabela 7.8 – Tarifa Simples 1,15 kVA de Potência Contratada – Tarifário 2009 Tarifa Simples 1,15 kVA de Potência Contratada – Tarifário 2009 Encargos de Potência Contratada [€/Mês] Preço da Energia [€/kWh] 23 2,05 0,1151 Energias De Portugal 88 Donde facilmente se deduz a tarifa a pagar no final do primeiro ano, ainda não considerando a taxa de actualização, 12 ( ) cons Tano 1 = ∑ 2,05 + E mês × 0,1151 ≅ 743 Euros m Equação 7.14 m =1 Em que cons E mês corresponde à energia consumida pela nossa estação remota de m telecomunicações, em cada mês; aqui assumimos ser igual à energia produzida da solução híbrida em São Pedro Velho (Ea=6,24MWh, Tabela 7.2). Devemos agora calcular o valor total da tarifa para o tempo de vida útil do 24 empreendimento (20 anos) com base na taxa de actualização (5%), ou seja , Tano1 20 TTotal = ∑ j =1 TTotal = Tano1 (1 + a ) j ⇔ (1 + a ) 20 − 1 ≅ 9 .262 Euros a (1 + a ) 20 Equação 7.15 Notar que, a alternativa 4 da Tabela 3.5 aqui em análise envolve também um conjunto de baterias a funcionar como protecção, isto é, em caso de falha da linha eléctrica deverá actuar o banco de baterias, além de que são muito úteis na absorção de distúrbios eléctricos protegendo assim a estação remota. Dada a elevada fiabilidade da rede pública eléctrica em Portugal devemos reduzir a autonomia do sistema face ao sistema híbrido dimensionado, e com isso diminuir o investimento. Admitamos assim, 6 horas de autonomia com a utilização de baterias da mesma marca Sonnenschein [13] e o modelo S12/17 G5 com custo aproximado de 80€ cada. Seguindo o mesmo raciocínio do sistema híbrido, devemos assim adicionar 827€ para adquirir o banco de baterias (4 x S12/17 G5, substituídas de 5 em 5 anos), mais 250€ para adquirirmos o conversor AC/DC a ligar entre a rede pública eléctrica de baixa tensão (AC) e a estação remota (DC). Relativamente a este último, poder-se-ia utilizar o modelo PBDR480S48A de 480W comercializado pela powerbox [14]. Quanto aos encargos de operação e manutenção vamos desprezá-lo uma vez que esta solução é constituída de reduzidas componentes (abdica dos painéis e das turbinas). O investimento inicial actualizado vem assim dado por, bat I i = C total + C AC / DC = 1 .077 Euros 24 Equação 7.16 Com base nos conceitos dados nas Equação 7.4 e Equação 7.6 e admitindo preços constantes 89 Adicionando agora os custos do investimento inicial, da construção da linha eléctrica de baixa tensão, e da tarifa total, e uma vez que procuramos perceber a partir de que distância o investimento na solução híbrida em São Pedro Velho se torna rentável face à ligação à rede pública eléctrica, a distância mínima vem assim dada por: L min Em que Hibrida C Total − I i − TTotal = = 605 , 24 ≈ 600 m 15 Equação 7.17 Híbrida CTotal corresponde ao custo total da solução híbrida (-VAL) dado na Tabela 7.2. Concluímos assim que, para distâncias acima dos 600 metros aproximadamente entre a estação remota de telecomunicações e a rede pública eléctrica, a aposta no investimento da solução híbrida em São Pedro Velho dada na secção 7.2.1 torna-se mais rentável, e portanto deve ser a opção a tomar. Mais, é pouco provável que as localizações destas estações remotas tenham o ramal de acesso de baixa tensão acessível a menos de 600m, o que reforça a decisão de se optar pela solução híbrida. 7.3.2 Avaliação da Utilização de um Gerador Diesel Vejamos agora com mais detalhe a alternativa 5 da Tabela 3.5, ou seja, exactamente a situação da secção anterior mas considerando adicionalmente um gerador diesel. Como mencionado na secção 3.2.1, a utilização deste sistema deve fazer-se, apenas e só, como sistema redundante onde o fornecimento eléctrico é incerto, e onde nem o banco de baterias consegue dar resposta. Após algumas pesquisas a fabricantes de motores diesel, também designados de geradores a gasolina ou a diesel, verifica-se que o fornecedor GenPowerUsa [16] detém uma extensa gama destes produtos. Tendo em consideração a ordem de potência requerida pela nossa carga (aproximadamente 360W - Tabela 3.3), identificaram-se assim os seguintes geradores que correspondem às menores potências disponibilizadas por este fornecedor: Tabela 7.9 – Geradores a Gasolina e a Diesel do Fornecedor GenPowerUsa Gama KIPORGENERATOR KGE2000Ti KIPORGENERATOR KGE3500Ti SDMOGENERATOR DX450 Potência [kW] Combustível Autonomia Preço [h] Aprox. 2 Gasolina 4 650€ 3,5 Gasolina 5 850€ 4 Diesel 90 10,9 1.100€ Embora os preços sejam convidativos para as potências apresentadas, estes sistemas apresentam uma autonomia extremamente reduzida para a aplicação em questão onde se exige uma produção constante de energia. Além de que, não é de todo exequível transportarmos diariamente combustível para alimentar este gerador. A opção de se instalar um enorme depósito de combustível também não é aceitável, seja pelo investimento, ou por razões ambientais. Notar ainda que esta solução acarreta manutenção regular a zonas por vezes muito tortuosas, como é o caso das estações remotas de telecomunicações. Podemos concluir assim que a alternativa 5 não é solução em Portugal uma vez que a anterior, constituída pela linha eléctrica e baterias, satisfaz com fiabilidade a alimentação da nossa estação remota de telecomunicações. No entanto, em Países como Moçambique a opção deveria ser a sua utilização, com um custo adicional (relativo à secção anterior) do gerador a gasolina, ou a diesel, e pelo menos mais um controlador (electrónica de potência) que faça actuar o gerador quando necessário. 7.3.3 Utilização da Linha Eléctrica com Redução do Banco de Baterias Pretende-se agora perceber até que ponto a utilização da linha eléctrica, que se assume estar junto à estação remota de São Pedro Velho, pode reduzir a capacidade do banco de baterias e assim diminuir o investimento. Tema este referente à alternativa 6 da Tabela 3.5, mas aplicável apenas ao sistema híbrido descrito na secção 7.2.1 uma vez que foi identificado como a melhor solução dentro das 3 primeiras alternativas de produção. Assumindo assim o sistema híbrido descrito na secção 7.2.1, a implementação da linha eléctrica ao sistema exigirá ainda o conversor AC/DC de ligação entre a rede eléctrica e a estação, e a tarifa a pagar à EDP durante o tempo de vida útil do empreendimento. Notar que, e comparativamente à análise efectuada na secção 7.3.1, a tarifa a pagar aqui corresponde essencialmente ao encargo da potência contratada uma vez que se espera que o sistema híbrido seja energéticamente autónomo. Passa-se assim a dispor de 2 sistemas de redundância (baterias e linha eléctrica), sendo que, podemos reduzir a autonomia do sistema relativo às baterias para apenas 6 horas (utilizando o mesmo modelo S12/17 G5 da secção 7.3.1), sem perca de fiabilidade. A actuação de toda a autonomia corresponderá a uma situação em que não há qualquer energia a ser produzida pelo sistema híbrido, e a linha eléctrica está em baixo, o que é muito pouco provável acontecer. Seguindo o mesmo procedimento da ligação à rede pública eléctrica (secção 7.3.1), devemos assim adicionar 827€ para adquirir o banco de baterias (4 x S12/17 G5, substituídas de 5 em 5 anos), mais 250€ para adquirirmos o conversor AC/DC, mais a factura a pagar à EDP apenas relativa ao encargo de potência contratada. Mais uma vez, e por simplificação de cálculo, desprezamos os encargos de operação e manutenção sobre estas componentes, donde resulta: 91 bat I ibat + lin = C total + C AC / DC = 1 .077 Euros 25 lin + bat C total = I ibat + lin + Tcontr = 1 .077 + 335 = 1 .412 Euros Equação 7.18 Fazendo nova simulação no ficheiro Dimensionamento_Energético.xls em anexo (secção 9.2.1) para um armazenamento nulo, uma vez que está contemplado no cálculo anterior, o sistema híbrido seleccionado (secção 7.2.1) apresenta assim um investimento actualizado (VAL) de 9.852€, que ao ser adicionado ao anterior resulta num total de 11.264€, francamente inferior ao valor encontrado para o sistema híbrido sem ligação à rede eléctrica (19.418€). Donde se conclui que, a utilização da linha eléctrica nesta solução reduz fortemente o sistema de armazenamento que corresponde normalmente a maior fatia do investimento, sendo portanto economicamente melhor solução desde que a linha eléctrica esteja junto à estação remota de telecomunicações. Obviamente, e como se verificou na secção 7.3.1, se tivermos que construir uma linha de baixa tensão a uma distância superior a 600m, a solução técnica e economicamente mais rentável é a da utilização isolada do sistema híbrido descrito na secção 7.2.1. 7.4 Utilização do Sistema Híbrido Dimensionado em Microgeração Entende-se por microgeração um sistema isolado e independente que produza energia para a rede pública eléctrica até um determinado nível de potência, baseado em energias renováveis, e que disponha de um contrato de compra de electricidade em baixa tensão [5]. Embora o sistema híbrido dimensionado (secção 7.2.1) tenha tido como base a alimentação de uma estação remota de telecomunicações, e portanto, fora do âmbito da microgeração, é interessante perceber até que ponto seria rentável instalarmos a nossa solução híbrida em nossas casas e aproveitar assim a legislação em vigor descrita na secção 2.6. Comecemos por calcular a tarifa remuneratória que dentro da potência gerada pelo nosso sistema híbrido (da Tabela 7.2: 6,24MWh/8760h=0,71kW) nos situa no regime bonificado (no máximo 3,68kW para potências de ligação até 50% da potência contratada). Esta bonificação aplicar-se-á durante 5 anos após início de produção, e durante um período adicional de 10 anos vamos assumir uma redução de 5% na TUR, admitindo que em todos os anos são atingidos 10MW adicionais de potência de ligação a nível nacional. Após os 15 anos aplicar-seá o regime geral uma vez que projectamos o sistema para um tempo de vida útil de 20 anos. Mais, a legislação obriga para acesso ao regime bonificado que sejam instalados colectores 2 solares térmicos para aquecimento de água (mínimo 2 m de área), que neste exercício vamos admitir já existentes; até porque toda a nova construção de habitação a partir de 2009 obriga à existência dos referidos colectores a bem da eficiência energética. 25 Mesmo resultado obtido na Equação 7.16 92 Recorrendo à Equação 2.1 e uma vez que estamos perante um sistema híbrido (solar, eólico), resulta para a tarifa bonificada a aplicar nos 5 primeiros anos, TV = LMEPS × TUR × PS + 70% × LMEPE × TUR × PE ≅ 466Euros / MWh LMEPS × PS + LMEPE × PE Equação 7.19 Onde PS = 185Wp x 6 Painéis = 1,11 kWp PE = 0,9 kW x 2 Turbinas = 1,8 kW LMEPS = 1,65 MWh LMEPE = 4,59 MWh TUR = 617,5€/MWh Relativamente aos últimos 5 anos e recorrendo ao tarifário em vigor para instalações de consumo em baixa tensão com potências até 20,7 kVA [15], devemos optar por uma potência contratada de 3,45 kVA uma vez que corresponde à potência mínima dentro da melhor das 2 tarifas possíveis, ou seja, o custo da energia é assim de 121,1€/MWh. Conhecida a energia anual produzida, 6,24MWh, facilmente se extraí a receita anual bruta que deve ser actualizada a partir dos primeiro ano de produção com base na taxa de actualização (5%). A implementação do sistema híbrido dimensionado (Tabela 7.2) implica ainda a inclusão de um inversor DC/AC de forma a ligá-lo a rede pública eléctrica. Novamente, o fabricante SMA detém vários modelos de inversores (Grid-Tied) que para os requisitos do nosso sistema optaremos pelo Sunny Boy 700U [14] de versão europeia (220V a 60Hz) e com custo a rondar os 800€. Relativamente ao banco de baterias, e uma vez que nesta solução qualquer valor de energia produzida é enviada para a rede pública e facturada, devemos eliminar o armazenamento e assim reduzir fortemente o investimento. Do ponto de vista de investimento inicial o sistema híbrido em microgeração deve assim incluir os custos das componentes fotovoltaicas (5.200€), das componentes eólicas (2.600€), e do inversor DC/AC mencionado anteriormente (800€). Sobre este valor deve ainda incidir 1,5% para gastos de operação e manutenção. Recorrendo novamente ao ficheiro Dimensionamento_Energético.xls em anexo (secção 9.2.1) e fazendo uso das funções NPV e IRR do Microsoft Excel para o cálculo do valor actual líquido (NPV) e da taxa interna de rentabilidade (IRR), conseguimos geral a Tabela 7.10: 93 Tabela 7.10 – VAL e TIR do Sistema Híbrido em Microgeração MICROGERAÇÃO (Excel@ NPV & IRR) Bat. O&M Cash Flow VAL(NPV) TIR (IRR) 0€ -129,0 € -5.820,52 € -5.820,52 € 39% 2.908,48 € -129,0 € 2.779,48 € -3.173,39 € 3 2.908,48 € -129,0 € 2.779,48 € -652,32 € 465,84 € 4 2.908,48 € -129,0 € 2.779,48 € 1.748,71 € 465,84 € 5 2.908,48 € -129,0 € 2.779,48 € 4.035,39 € 442,55 € 6 2.763,06 € -129,0 € 2.634,06 € 6.099,25 € 420,43 € 7 2.624,91 € -129,0 € 2.495,91 € 7.961,73 € 399,40 € 8 2.493,66 € -129,0 € 2.364,66 € 9.642,25 € 379,43 € 9 2.368,98 € -129,0 € 2.239,98 € 11.158,36 € 360,46 € 10 2.250,53 € -129,0 € 2.121,53 € 12.525,92 € 342,44 € 11 2.138,00 € -129,0 € 2.009,00 € 13.759,27 € 325,32 € 12 2.031,10 € -129,0 € 1.902,10 € 14.871,39 € 309,05 € 293,60 € 278,92 € 121,10 € 13 14 15 16 1.929,55 € 1.833,07 € 1.741,42 € 756,08 € -129,0 € -129,0 € -129,0 € -129,0 € 1.800,55 € 1.704,07 € 1.612,42 € 627,08 € 15.874,00 € 16.777,71 € 17.592,09 € 17.893,72 € 121,10 € 17 756,08 € -129,0 € 627,08 € 18.181,00 € 121,10 € 18 756,08 € -129,0 € 627,08 € 18.454,59 € 121,10 € 19 756,08 € -129,0 € 627,08 € 18.715,16 € 121,10 € 20 756,08 € -129,0 € 627,08 € 18.963,32 € Receitas Inv. Inicial TUR Ano 465,84 € 1 2.908,48 € -8.600 € 465,84 € 2 465,84 € 0€ 0€ 0€ A Tabela 7.10 mostra-nos assim que o retorno do investimento se dá ao 4 ano de operação do sistema, e que atingido o fim de vida útil do projecto lucramos com este aproximadamente 18.950€. Este rápido retorno no investimento está fortemente ligado ao facto de termos eliminado nesta solução o sistema de armazenamento, e de usufruirmos do regime bonificado com uma tarifa de venda muito acima do regime geral (466€/MWh face a 121,1€/MWh). Com base no indicador TIR consegue-se também perceber que este projecto é de elevada rentabilidade, uma vez que VAL=0 verifica-se para uma taxa de actualização de 39%, podemos portanto exigir mais rentabilidade do que aquela que se definiu (5%). Poder-se-ia ainda pensar em aumentar as unidades fotovoltaicas de forma a aumentarmos as receitas no regime bonificado, uma vez que a TUR para esta tecnologia está definida em 100%, contrariamente à eólica definida em 70%. No entanto, e como exemplificado anteriormente, é uma tecnologia mais cara (maior despesa) e que gera muito menos energia que a eólica, e portanto menores receitas. De salientar que não se assumiram, neste exercício, despesas associadas ao facto de estarmos ligados à rede pública eléctrica e consequentemente à existência de uma taxa de contratação de potência. Isto porque, admitimos, um utilizador já com esse encargo por ser ele próprio um consumidor, com a existência ou não de microprodução. 94 8. Conclusões Da análise da produção clássica de energia, e sistemas com energias renováveis, identificaram-se as possíveis alternativas de produção de energia a alimentar uma estação remota de telecomunicações. Dentro do estudo dos diversos sistemas de produção clássica existentes ou conhecidos, identificou-se a linha eléctrica e o motor diesel (sistema redundante) como os sistemas de transporte e produção mais indicados para a nossa aplicação. Por outro lado, e dentro das inúmeras energias renováveis hoje conhecidas e exploradas, optou-se pelos sistemas de produção fotovoltaicos e eólicos uma vez que são os mais indicados para este tipo de aplicação. Adicionalmente, e de forma a garantir-se o fornecimento ininterrupto de energia à estação, analisaram-se as possíveis soluções de armazenamento conhecidas, tendo-se assim optado por baterias Chumbo Ácido, Estacionárias, na classe das VRLA. Com base na caracterização do consumo da estação remota, baseada em dados reais, uma vez que é conhecida a implementação física de 4 destas estações remotas (2 repetidores activos, e 2 repetidores passivos) e suas localizações (Norte Oeste), foi possível traçar o perfil de carga e confrontá-lo com os diversos sistemas produtores identificados. Dentro da produção renovável concluiu-se que tecnicamente a melhor solução seria optarmos por um sistema híbrido (fotovoltaico e eólico), uma vez que lidamos com fontes naturais de características aleatórias, mas independentes entre si. De facto, verificámos que a produção de energia eólica é em média superior durante o Inverno, enquanto que no Verão é a fotovoltaica que mais produz, complementado-se portanto. Mais, da análise da produção eólica mensal verificámos que esta é mais regular durante os vários meses do ano, ao contrário da fotovoltaica que é bem mais irregular e com meses muito desfavoráveis do ponto de vista energético. Da avaliação económica de investimentos, tendo como base um tempo de vida útil de 20 anos, verificou-se que a solução dentro das energias renováveis com menor custo médio unitário actualizado (Ca) é aquela que utiliza apenas aerogeradores (turbinas), mas tecnicamente e como foi referido, há todo o interesse em combinar estas duas fontes de energia, eólica e fotovoltaica; donde, a solução híbrida final que satisfaz as necessidades ConsSist energéticas da nossa estação de telecomunicações ( E a = 3,76MWh ), localizada em São Pedro Velho (Mirandela), e com menor custo médio unitário actualizado (250€/MWh), é composta por 2 turbinas Whisper 100, 6 painéis fotovoltaicos PV 185-M, e 4 baterias SB12/185A que garantem uma autonomia do sistema em 3 dias, a serem substituídas de 5 em 5 anos. Esta combinação de componentes em arquitectura DC-Coupled, uma vez que a carga é alimentada por uma corrente contínua (-48V), corresponde a uma energia fotovoltaica produzida (1,65MWh) que é sensivelmente um quarto da energia eólica produzida (4,59MWh), o que é um bom compromisso do ponto de vista do equilíbrio energético mensal. Economicamente é também uma solução muito interessante, dado que os painéis fotovoltaicos são ainda de custo elevado e produzem muito menos energia do que as turbinas eólicas. 95 O valor actual líquido (VAL) deste empreendimento rondou assim os -19.418€, uma vez que não se consideraram receitas pois toda a energia produzida é consumida pelo nosso sistema. Relativamente à distribuição de custos deste investimento, 27% são dedicados às componentes fotovoltaicas, 16% às componentes eólicas, 16% para encargos de operação e manutenção, e finalmente 41% para o banco de baterias que corresponde de longe à maior fatia do orçamento. Dentro desta solução híbrida, ainda se avaliou economicamente a substituição dos 2 repetidores passivos (espelhos), por 2 repetidores activos, que surpreendentemente concluímos que seria mais rentável a utilização dos repetidores activos alimentados com base no nosso sistema híbrido. Tendo completado a análise em energia renováveis, avaliou-se a produção clássica na mesma localização (São Pedro Velho) com base na solução de ligação à rede pública eléctrica. Concluiu-se que, a construção de uma linha eléctrica em baixa tensão acima dos 600 metros aproximadamente, torna a solução híbrida mais rentável do que a ligação da estação à rede eléctrica pública (EDP). Avaliou-se também a utilização da linha eléctrica combinada com o sistema híbrido, com objectivo de se reduzir a capacidade do banco de baterias já que este representa a maior fatia do investimento. Os resultados mostram que efectivamente é melhor solução desde que a linha eléctrica esteja junto à estação, caso contrário caímos na situação anterior (rentável apenas acima dos 600m). Quanto à solução Gerador Diesel (ou gasolina), não é de todo aplicável em Portugal dada a fiabilidade da rede eléctrica nacional, uma vez que apenas serve como sistema de backup dada a sua reduzida autonomia (várias horas) e necessidade de manutenção regular. Países como Moçambique, onde o fornecimento eléctrico público é extremamente irregular, a utilização deste sistema redundante assume um papel importante. Finalizamos, tentando perceber até que ponto seria rentável instalarmos a nossa solução híbrida em nossas casas e aproveitar a legislação em vigor relativa à microgeração. Abdicamos assim do sistema de armazenamento pois toda e qualquer energia produzida é escoada para a rede eléctrica pública, no entanto devemos incluir um conversor DC/AC pois passamos de um sistema off-grid, para um on-grid (ligado a rede pública). Uma vez que a legislação bonifica fortemente as energia renováveis, em particular a fotovoltaica e eólica de forma a incentivar a aposta nestas energias alternativas, concluímos que ao 4 ano de operação atingimos o retorno do investimento (VAL=1.749€), e que ao fim do tempo de vida útil do projecto (20 anos) atingimos uma elevada taxa interna de rentabilidade (TIR=39%). Para além da viabilidade económica dos projectos relacionados com energias alternativas, é importante reter que estes apresentam vantagens ambientais importantes com a redução de emissões CO2 , contribuindo assim para um desenvolvimento mais sustentável da sociedade actual e futura. 96 8.1 Perspectivas de Trabalho Futuro O estudo apresentado baseou-se num complexo cálculo concentrado numa folha de Excel com múltiplos parâmetros de entrada, desde características de fabricantes, a potenciais fotovoltaicos e eólicos, tornando assim a aplicação (Excel) difícil de gerir. Sugere-se assim o desenvolvimento de um programa em Web Based (JAVA) que permita inserir múltiplos equipamentos de fabricantes relacionados com as características fotovoltaicos, eólicas, baterias, etc., possivelmente utilizando ficheiros em XML. Adicionalmente, deverá ser possível inserir o potencial eólico e fotovoltaico da localização desejada, ou ainda melhor, permitir que o programa extraia esses dados de uma forma automática de um qualquer servidor público. O utilizador deverá assim, de uma forma simples, efectuar múltiplas simulações verificando quais os resultados e diferenças entre elas, onde o próprio programa poderá sugerir qual a melhor alternativa para uma determinada aplicação, apoiando assim o utilizador na decisão quando à melhor solução. Sugere-se então este trabalho, não só na vertente off-grid (sistema isolado) como em ongrid, aproveitando a legislação de Microgeração em vigor e avaliando assim a rentabilidade do investimento. Dada a elevada bonificação da Microgeração é esperado uma elevada procura destes sistemas (híbridos), e consequentemente a necessidade de termos uma boa ferramenta de planeamento. 97 9. Referências e Anexos 9.1 Referências Bibliográficas [1] Castro, Rui M. G., “Introdução à Energia Fotovoltaica”, Energias Renováveis e Produção Descentralizada, IST, Edição 3, Maio 2009 https://fenix.ist.utl.pt/disciplinas/erpd/2008-2009/2-semestre/bibliografia-on-line [2] Castro, Rui M. G., “Introdução à Energia Eólica”, Energias Renováveis e Produção Descentralizada, IST, Edição 4, Março 2009 [3] Castro, Rui M. G., “Energia Eólica - Anexo”, Energias Renováveis e Produção Descentralizada, IST, Março 2009 [4] Castro, Rui M. G., “Breve Caracterização do Sistema Eléctrico Nacional”, Energias Renováveis e Produção Descentralizada, IST, Edição 0, Fevereiro 2009 [5] Castro, Rui M. G., “Introdução à Avaliação Económica de Investimentos”, Energias Renováveis e Produção Descentralizada, IST, Edição 5, Fevereiro 2009 [6] Martins, Nuno Luís Paulino, “Sistema Integrado de Produção e Armazenamento de Energia a partir de Fontes Renováveis - Autonomização de uma Povoação de 150 Habitantes”, IST, Dezembro 2007 https://dspace.ist.utl.pt/bitstream/2295/166873/1/dissertacao.pdf [7] A Energia Eléctrica, http://energiaelectrica.no.sapo.pt/index.htm [8] Portal da Energias Renováveis, http://www.energiasrenovaveis.com [9] SRA4 Microwave Radio – Synchronous radio for split applications (Brochuras) http://www.siemens.com.br/templates/get_download2.aspx?id=3200&type=FILES ; http://www.micdata.fr/uploads/pdf/catalogue-nokia/fh/sdh/SRA_4_Datasheet.pdf Ficheiros: SRA4_Brochure.pdf ; SRA_4_Datasheet.pdf; MicroWave_Network.ppt [10] LoboSolar, http://www.lobosolar.com/ http://www.lobosolar.com/images/stories/produtos/DB_MO_SW_80_mono_R5E_2007_05_en1. pdf ; http://www.lobosolar.com/images/stories/produtos/renewis_pv155etc_mono_english.pdf Ficheiros: DB_MO_SW_80_mono_R5E_2007_05_en1.pdf; renewis_pv155etc_mono_portugues.pdf [11] EOLOS - Base de Dados do Potencial Energético do Vento em Portugal http://www.ineti.pt/viewDoc.aspx?src=C7B3D76B5EFCE7DA832880EEAD374110 Ficheiros: eolos_v2000.zip ; eolos_v2000.txt [12] Southwest Windpower, http://www.windenergy.com/ http://www.windenergy.com/products/air_industrial.htm http://www.windenergy.com/products/whisper_100.htm http://www.windenergy.com/products/whisper_200.htm http://www.windenergy.com/products/whisper_500.htm Ficheiros: AirX_Industrial_Brochure_5-06.pdf ; 0054 REV E - AIR Industrial Manual - Unreg.pdf ; 3-CMLT-1347-01_whisper_brochure.pdf; 0211_REV_C_w100_Manual_w_Controller.pdf ; 3CMLT-1346-01_Whisper_spec.pdf ; 0023_REV_C_w500_maual.pdf ; 3-CMLT-134601_Whisper_spec.pdf 98 [13] EXIDE – Sonnenschein , http://industrialenergy.exide.com/index_r.asp?lng=en&area=np http://industrialenergy.exide.com/products/range_select.asp?range=SOLAR&sub_id=21&lng=en &cl=np_brands Ficheiro: tech_sonnenschein_solar_overview_en.pdf [14] DC- Coupled: SMA, Ingecon, Powerbox, DRA http://www.sma-australia.com.au/en_AU/products/overview.html http://www.pyrosolar.com/Ingecon_Hybrid_B.pdf Ficheiros: Ingecon_Hybrid_B.pdf ; SI4248U_Flyer_020105.pdf ; AC_DC_Converters_PBDR_powerbox.pdf ; SUNNYBOY700-DUS085211.pdf ; SB700U-11SE3207.pdf [15] EDP, Tarifários 2009, http://www.edp.pt/EDPI/Internet/PT/Group/Clients/Regulated_market/Tariffs/BTN_tariffs/BTN_ta riffs_upto_2.3.htm Ficheiro: AF_edp_tarifarios2009_AZUL_6_16 jan[1].pdf [16] GenPowerUsa; http://www.genpowerusa.com/ Ficheiros: 2KWKIPORGENERATOR_KGE2000Ti_Gasolina_4Horas_650Euros.pdf ; 3.5KWKIPORGENERATOR_KGE3500Ti_Gasolina_5Horas_850Euros.pdf ; 4KWSDMOGENERATOR_DX4500_Diesel_10.9Horas_1100Euros.pdf [17] RetScreen Internacional – Empowering Cleaner Energy Decisions http://www.retscreen.net/ang/home.php Ficheiro: RETScreen4.exe 9.2 9.2.1 Anexos Previsão da Produção Fotovoltaica, Eólica, Híbrida, e Avaliação Económica Dimensionamento_En ergético.xls 99