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Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Revista Canavieiros - Maio de 2013
Editorial
A
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Expectativas superadas na
Agrishow 2013
editoria “Feiras & Eventos”
deste mês é sobre a Agrishow
2013 - Feira Internacional de
Tecnologia Agrícola em Ação, realizada em Ribeirão Preto, de 29 de abril
a 03 de maio. Com público recorde,
edição que comemorou os 20 anos de
realização da feira, movimentou R$
2,6 bilhões. E dando continuidade a
reportagem, a editoria “Novas Tecnologias” mostra as novidades em máquinas e equipamentos lançados na
feira. Entre os destaques deste ano estão as empresas CASE IH, Jacto, Valtra, New Holland, Massey Fergusson,
John Deere, Krone e Stara.
Ainda aproveitando as informações obtidas na feira, a Revista Canavieiros entrevistou o empresário
Maurílio Biagi Filho, presidente da
Agrishow. Para ele, a feira é uma
grande vitrine do que está acontecendo atualmente no setor. Quando
questionado sobre o futuro sucroenergético, Biagi foi claro ao afirmar
que o setor está sem horizontes e sem
regras claras para voltar a investir.
A revista de maio também está “recheada” de artigos e informações técnicas. Além da coluna “Caipirinha”
do professor Marcos Fava Neves, a
editoria “Ponto de Vista” conta com
os seguintes artigos: SOS Etanol!,
assinado pela empresária e presidente do Sindicanalcool (Sindicato das
Indústrias de Cana-de-açúcar e Álcool dos Estados do Maranhão e Pará),
Cíntia Cristina Ticianeli; O sucesso
no relacionamento entre usinas e fornecedores de cana, assinado por Luiz
Albino Barbosa (bacharel em Relações Internacionais pela FAAP, Mestre em Agroenergia pela Esalq-USP/
Embrapa/FGV associado ao Nupri-USP, e Coordenador do Centro de Inteligência em Agronegócios da PwC)
e Aline Helen (graduada em Biologia
pela USP, Pós-graduada em Gestão
Ambiental pela UFSCar e Consultora Sênior do Centro de Serviços em
Agronegócio da PwC); e Uma locomotiva chamada Agronegócio, assinado pela diretora presidente da
Biocana (Associação de Produtores
de Açúcar, Etanol e Energia), Leila
Monteiro Alencar de Souza.
Na parte técnica, os artigos são:
Fechamento da safra 2012/2013, assinado por Thiago de Andrade Silva
- Gestor de Planejamento, Controle
e Topografia da Canaoeste; Preços
Médios da Tonelada de Cana para
Pagamento da safra 2012/2013 assinado por Alessandra Durigan - Gestora Técnica Departamento Técnico
Canaoeste; Gustavo de Almeida Nogueira - Gestor Operacional Depar-
tamento Técnico Canaoeste; Luiz
Carlos Tasso Júnior - Diretor da Canaoeste e Thiago de Andrade Silva
- Gestor de Planejamento, Controle
e Topografia da Canaoeste. Também
está publicado o artigo Colheita Mecanizada: uma realidade para o setor,
assinado pelo engenheiro agrônomo
João Francisco Antonio Maciel – Canaoeste Ituverava, com o apoio de
Alessandra Durigan, Gestora Técnica da Canaoeste.
O advogado da Canaoeste, Juliano
Bortoloti, assina a coluna “Assuntos
Legais” e neste mês, ele escreveu
sobre o CAR - Cadastro Ambiental
Rural paulista que está em fase de
implantação.
A Revista Canavieiros de maio
também conta com as informações e
notícias do Sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred, onde os 50
anos da Copercana estão sendo retratados na Reportagem de Capa com
depoimentos de cooperados pioneiros na fundação da cooperativa.
Além disso, o leitor poderá conferir as reportagens de Destaque, as
Informações Setoriais e previsões
climáticas divulgadas pelo consultor,
Oswaldo Alonso e, também, encontrar dicas de leitura e português.
Boa leitura!
Conselho Editorial
RC
Expediente:
Conselho Editorial:
Antonio Eduardo Tonielo
Augusto César Strini Paixão
Clóvis Aparecido Vanzella
Manoel Carlos de Azevedo Ortolan
Manoel Sérgio Sicchieri
Oscar Bisson
Equipe de redação e fotos:
Carla Rodrigues, Fernanda Clariano, Murilo
Sicchieri e Rafael H. Mermejo
Comercial e Publicidade:
Marília F. Palaveri
(16) 3946-3300 - Ramal: 2008
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Impressão: São Francisco Gráfica e Editora
Editora:
Carla Rossini - MTb 39.788
Tiragem DESTA EDIçÃO:
21.000 exemplares
Projeto gráfico e Diagramação:
Rafael H. Mermejo
ISSN: 1982-1530
Revista Canavieiros - Maio de 2013
A Revista Canavieiros é distribuída gratuitamente
aos cooperados, associados e fornecedores do
Sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred.
As matérias assinadas e informes publicitários
são de responsabilidade de seus autores. A
reprodução parcial desta revista é autorizada,
desde que citada a fonte.
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Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Ano VII - Edição 83 - Maio de 2013 - Circulação: Mensal
Índice:
Capa - 16
Copercana comemora 50 anos
Com o slogan “tudo de bom da
cana”, cooperativa
realiza várias ações para
celebrar o aniversário
E mais:
Coluna Caipirinha
.................página 10
05 - Entrevista
Maurílio Biagi Filho
Empresário e presidente da Agrishow
“Não temos uma matriz energética, não temos horizontes”
Ponto de Vista I
.................página 12
Ponto de Vista II
.................página 14
Feiras & Eventos
.................página 28
08 - Artigo
Cíntia Cristina Ticianeli
empresária e presidente do Sindicanalcool
SOS Etanol!
20 - Notícias Copercana
- Projeto Amendoim Copercana, soja e milho – resultados e estimativas
21 - Notícias Canaoeste
- Canaoeste realiza reuniões técnicas em filiais
- Gestores da Canaoeste
- Regularização cadastral dos associados
26 - Notícias Sicoob Cocred
- Balancete Mensal
Novas Tecnologias
.................página 31
Destaque - Canal Rural
.................página 34
Destaque - ABAG
.................página 35
Informações Setoriais
.................página 36
Assuntos Legais
.................página 38
Artigo Técnico I
.................página 40
Artigo Técnico II
.................página 50
46 - Safra
Classificados
.................página 52
Fechamento da safra 2012/2013
Este trabalho tem como objetivo apresentar os dados obtidos quinzenalmente na Safra
2012/2013, em comparação com os obtidos na
Safra 2011/2012.
Agende-se
.................página 53
Cultura
.................página 54
Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Entrevista
“Não temos uma matriz energética, não temos
horizontes”
A frase acima é do empresário Maurílio Biagi Filho, presidente da Agrishow - Feira Internacional de
Tecnologia Agrícola em Ação, realizada em Ribeirão Preto, de 29 de abril a 03 de maio.
Para ele, a Agrishow é uma grande vitrine do que está acontecendo atualmente no setor e traz grandes benefícios para a cidade de Ribeirão Preto e região. Quando questionado sobre o futuro sucroenergético, Biagi foi claro ao afirmar que o setor está sem horizontes e sem regras claras para voltar a
investir.
Acompanhe a entrevista que o empresário concedeu exclusivamente à Canavieiros durante a feira.
Maurílio Biagi Filho
Carla Rodrigues
so prevaleceu, tanto que a atividade está
rodando. Acredito que existe certa implicância com relação à cana-de-açúcar, que
é algo que eu nunca entendi muito bem,
talvez se deva ao sucesso da cultura.
Revista Canavieiros: Os prazos legais para a eliminação da prática da
queima (firmados no Protocolo Agroambiental), está chegando ao fim. O senhor acredita que os produtores estão
preparados para a era da mecanização?
Maurílio: Eu acredito que a queima
da cana nunca terá fim, já que o volume é muito grande e sempre estaremos
correndo o risco de ocorrer imprevistos
e acidentes. A nossa maior preocupação
são os pequenos produtores. Quando chegar 2014, se o bom senso prevalecer, e eu
acredito que vá, pois o governo do Estado
de São Paulo apoia esta atividade, algum
ajuste será feito com sucesso para que
estes produtores não sofram tanto com a
transição da queima para a mecanização.
Revista Canavieiros: As exigências
em relação a preservação ao meio ambiente, de alguma forma, prejudicam a
atividade rural?
Maurílio: Toda exigência em relação ao meio ambiente é benéfica, porém
existem alguns exageros, até na própria
questão da queima da cana. Há municípios proibindo a queima e isso não é algo
que se possa fazer, existe um acordo a ser
cumprido. Durante todo esse período, o
meio ambiente “atropelou” essa questão
de queima, mas felizmente o bom sen-
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Revista Canavieiros: Em 2008 iniciou-se uma grande crise econômica
mundial que atingiu o setor e até hoje
sofremos resquícios dela. O que falta
para o setor voltar a crescer?
Maurílio: O setor está sem horizontes.
O nosso problema foi que desde o momento em que o álcool quebrou a paridade econômica com a gasolina, e não importa de
que lado, o fato é econômico. A partir daquele momento tínhamos que ter acendido
uma luz vermelha e trabalhar em cima disso, não com medidas como esta paliativa
que foi tomada recentemente.
Toda desoneração fiscal é muito bem
vinda. O governo tinha tanta “dor na
consciência”, que é a primeira vez que
vejo o governo desonerar e dizer que o
setor produtivo irá ficar com toda essa
desoneração, o que não é verdade também, porque sabemos que alguma coisa
será repassada para o consumidor.
Acredito que não voltaremos a ter
investimentos no setor enquanto não tivermos uma regra clara. Não temos uma
matriz energética, não temos horizontes.
Quando se vai construir uma usina, é
importante ter um horizonte de 20 anos
pela frente, que era o que tínhamos no
passado, quando o preço do etanol era
tão inferior ao da gasolina, tínhamos um
espaço tão grande, que este espaço demorou 35 anos para ser ocupado.
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Todo ano, temos um custo adicional, ou seja, um aumento de custo que
é inerente a atividade, reajuste de mão
de obra, aumento dos insumos, e não
temos uma deflação. Ano a ano foi encarecendo, fazendo com que chegássemos num ponto em que o etanol não é
competitivo com a gasolina
O etanol é um combustível muito
melhor que a gasolina, ou seja, quando é colocado qualquer quantidade de
etanol na gasolina, há uma melhora na
qualidade e na emissão dos gases de
efeito estufa. Este é um produto que
tem que ser olhado de outra maneira
e o álcool carburante que só existe no
Brasil, precisa de uma política pública
a fim de que ele possa conviver junto
com a gasolina para que o consumidor
brasileiro continue a ter essa opção.
Revista Canavieiros: Como o setor
pode reagir perante o fechamento das
usinas?
Maurílio: As entidades precisam ter
uma preocupação política. Efetivamente
o governo diminuiu o PIS/COFINS diminuiu os juros, deu continuidade no pré-investimento agrícola e passou a mistura
de etanol na gasolina para 25%. São medidas importantes, mas não suficientes.
Desde antes de 2008, quando ficou claro que estávamos investindo sem retorno
suficiente para suportar os investimentos,
50 usinas já fecharam até agora. Desta
maneira, os profissionais que estão trabalhando precisam estar muito equilibrados,
pois ninguém está ganhando dinheiro.
As margens de balanço das usinas têm
sido pequenas e não temos esclarecido isso
com o governo pessoalmente, temos que
criticar quando for necessário e elogiar
também quando medidas são tomadas.
Revista Canavieiros: O que podemos esperar da próxima safra?
Maurílio: A safra é recorde porque
todo mundo quis assim. Dentro da linha para você diminuir custos, uma das
coisas que podem ser feitas, é a unidade produzir dentro da sua capacidade industrial. Se você tem capacidade
de moer 1 milhão de toneladas e está
moendo apenas 600 mil toneladas, seu
custo é muito maior. Se você passa a
moer 1 milhão, seus custos fixos são os
mesmos e você consegue diminuí-los.
Então, aquele produtor que plantou e
renovou seu canavial, vai atingir a capacidade de produção. Vai sobrar um
pouco, o que é ótimo, porque será uma
sobra técnica muito boa.
Agora a produção vai ficar estagnada por aí. Recentemente foi inaugurada
uma usina e as notícias de investimentos
são pequenas, estão investindo para fazer açúcar. Nós precisávamos usar mais
este mix que temos de etanol e açúcar,
mas de comum acordo com o governo.
Este é um jogo bom que possamos fazer
no mercado internacional, diminuindo
a produção de açúcar, aumentando a
de etanol, aumentando a mistura, mas
precisava ter uma comunhão completa
entre setor produtivo e o governo.
Revista Canavieiros: Fale um pouco sobre os 20 anos de Agrishow.
Maurílio: A Agrishow começou como
todas as feiras, pequena e cresceu, che-
gou nos seus primeiros 20 anos, com
um sucesso enorme e recorde histórico
de público.
Esses 20 primeiros anos, são uma
linha divisória para a Agrishow. Com
os 30 anos concedidos vamos começar a fazer investimentos definitivos e
as entidades proprietárias da feira vão
construir sua sede.
Neste ano também, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que está sempre presente na feira,
está comemorando 40 anos. É o maior
instituto de pesquisa da América Latina,
talvez um dos maiores do mundo, que
propiciou ao país esse crescimento enorme, esse avanço, essa expansão da fronteira agrícola do Brasil, através de pesquisas de novas variedades.
Essa feira tem o objetivo de reunir
pequenos, médios e grandes agricultores, de todas as culturas, com o intuito
de levar até eles novos conhecimentos
e tecnologias. É o momento que eles
estão tomando conhecimento dos lançamentos das empresas, que prezam as
suas máquinas e implementos para lançar na Agrishow. É um grande encontro
de reciclagem do setor. RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Artigo
SOS Etanol!
*Cíntia Cristina Ticianeli
A
té quando iremos conseguir
conviver com o contrassenso
que dirige a cabeça de nossos
governantes em relação à política de
preços de combustíveis no Brasil? Para
nossa surpresa, esta política não existe.
Como conseguimos continuar concebendo que o país, líder da tecnologia
em combustíveis renováveis a partir da
biomassa, que, há três décadas criou o
mais importante Programa de Combustíveis renováveis do mundo, o Proálcool,
assista, sem qualquer iniciativa positiva
por parte da opinião pública, o declínio
em sua produção, o fechamento de inúmeras unidades produtivas, a perda de
inúmeros empregos e acima de tudo, os
efeitos negativos ao meio ambiente?
Como podemos entender a estratégia
de crescimento baseado no consumo,
estimulando a renda para aquisição de
carros flex, que hoje abastecem em quase
sua totalidade com gasolina, combustível
este que não produzimos com suficiência
dentro do Brasil desde 2011 e que desde
então, tem levado a Petrobras a importar
e ainda para piorar, a um preço mais caro
do que o preço de venda no país?
O que aconteceu que as nossas refinarias não conseguiram ser concluídas dentro dos prazos inicialmente previstos?
Como o governo obriga a vender
gasolina e diesel abaixo do preço do
mercado internacional, o preço médio
da refinaria necessário para garantir a
remuneração da empresa, não é atingido, gerando problemas de fluxo de caixa
para a Petrobras. Desta forma, importar
gasolina e vender o produto no mercado
doméstico abaixo das cotações internacionais traz perda dupla para a Petrobras.
Será que não demos importância demasiada para o projeto do pré-sal que
dista ainda possivelmente algumas décadas para sua maturidade, enquanto
temos problemas de autossuficiência
energética, no curtíssimo prazo, trazen-
do enormes prejuízos à nação e ainda,
impondo um custo altíssimo ao meio
ambiente e as nossas gerações futuras?
Segundo informações da companhia,
o atual déficit de 300 mil barris/dia de
gasolina e diesel deverá perdurar pelo
menos até 2020, prazo estimado para
que todas as novas unidades de refino
entrem em operação. Com muito pouco
do que a Petrobras destinou ao pré-sal,
poderíamos ter hoje centenas de outras
Itaipus feitas a partir da biomassa, jorrando combustível limpo e orgulhando
uma nação de estar corretamente posicionada em relação aos seus verdadeiros propósitos de políticas nacionais,
com eficácia de longo prazo e acima de
tudo, racionais sob o ponto de vista econômico e sustentável.
Devemos lembrar que os investimentos de uma empresa, como é o
caso da Petrobras, vem da confiança
de seus investidores nas perspectivas
de seus resultados no longo prazo.
Sem esta confiança, sem reduzirmos as
incertezas políticas e regulatórias para
mantermos os níveis de investimento
da Petrobras, ou seja, sem esta perspectiva de longo prazo, dificilmente
haverá interesse da iniciativa privada
em compartilhar os projetos da Petrobras, sobretudo na área de refino.
O mundo caminha de forma inteligente na busca de combustíveis renováveis, cada um ao seu modo, ao seu
tempo, e com uma forte e direcionada
política nacional de substituição de
combustíveis fosseis pelos renováveis.
Por que há 15 anos éramos os líderes
na produção de etanol e em pouco mais
do que uma década, os americanos já
produzem quase o triplo do que produzimos, a partir do milho que concorre
severamente com a política alimentar?
Por que os americanos são mais competentes? Será que os americanos têm
mais terra e clima favoráveis à produção de biomassa do que nós temos?
A resposta é que não somente porque visão é sinônimo de competência,
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Cíntia Cristina Ticianeli
mas acima de tudo porque os americanos são obstinados por políticas de
longo prazo, por políticas que tragam
segurança a uma nação, eles têm visão
e praticam os projetos que trazem benefícios a população ao longo do tempo. Entendem que a política energética
é uma política de segurança nacional,
muito estratégica e que por isso, precisa ser analisada com enorme prioridade pelos governantes. E política de
longo prazo se faz com governança
comprometida com o futuro de uma
nação, que tem um projeto acima de
tudo econômico em bases sustentáveis.
E por que nunca conseguimos fazer o
mesmo? Será pelo imediatismo? Ou será
pelo capricho, pela teimosia, ou pela falta de competência nossa mesmo?
Muito se tem discutido sobre sustentabilidade. De qual sustentabilidade
estamos falando? De mantermos uma
política de congelamento de preços de
gasolina para mantermos a política inflacionária sob controle? De estimularmos
a aquisição de carros concordando que
os mesmos sejam abastecidos à gasolina
e fortalecendo a tese de que os preços do
etanol não são competitivos com os da
gasolina e por isso, estimulando o consumo de um combustível fóssil?
Ontem ainda vimos, logo após a conclusão da Rio + 20, um compromisso
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mundial de tributar combustíveis fosseis. O que fizemos no dia seguinte?
Desoneramos o preço da gasolina....
E o etanol? Este não pode ser subsidiado! Ouvimos que o Governo não quer
dar subsídio aos usineiros. É certo que
a ideia de um subsídio declarado não
cabe muito bem desde que vivemos o
cenário de abertura de mercado. Precisamos entender que os usineiros, sejam
do Centro-sul, sejam do Norte/Nordeste,
não precisam de subsídios, basta que o
Governo devolva ao setor a enorme renda que transfere anualmente de dentro da
porteira das usinas, para as Distribuidoras, em uma política de preços que, para
manter os preços controlados e buscando manter o déficit de 20% dos preços
internos em relação aos preços internacionais, o produtor não é adequadamente remunerado. O produtor de etanol tem
então, um teto para sua remuneração,
assume todos os riscos da produção, e
quando vai vender o produto final, tem
uma trava que não deixa que o seu preço
real seja exercido na comercialização.
Um tanto quanto injusto este critério.
Mas vejam, os produtores não têm
teto para os seus custos de produção.
Não temos teto para preços dos salários,
para preços de insumos agrícolas (grande parte deles atrelado ao dólar e assim
também sujeitos a política flutuante do
câmbio), para preços de prestação de
serviços e por fim para a carga tributária, o incansável algoz da produção brasileira. E então o que podemos esperar
de um setor altamente capital intensivo,
altamente mão de obra intensivo e ao
qual, além de uma política extremamente severa de encargos e impostos, lhe é
imposto um nível de exigências legais,
ambientais, civis e trabalhistas para
produzir, empregar? Na outra ponta,
estamos sendo severamente cobrados
a pagar nossos impostos, nossos encargos. E para dificultar ainda mais, onde
está a nossa contrapartida? Onde estão
os investimentos em infraestrutura, em
saúde e educação aos nossos empregados? Quando o governo aparelha sua
máquina para fiscalizar produtores, certamente não os enxerga como seus grandes aliados seja quando produz resultados positivos na balança comercial, seja
quando gera empregos, particularmente
em inúmeros Estados com baixo IDH
(Índice de Desenvolvimento Humano),
que produzem em regiões sem alternativa de emprego para uma população. O
governo lembrou muito do setor quando
esteve nas rodas de negócios externas fazendo propaganda do quanto produz, do
quanto emprega, do quanto gera de renda e do quanto orgulha nosso Brasil por
ter uma política de combustíveis renováveis à frente de seu tempo! Mas na prática, este controle de preços só tem uma
verdade, o total desestímulo à produção.
Quem ainda salva a produção de
etanol no país são produtores muito corajosos, persistentes, são uns heróis realmente. Aliás, produzir neste país está
realmente virando questão de heroísmo.
Todos os dias, temos que acordar para
provar o óbvio. De 100, temos 99 motivos que desmotivam continuar acreditando e produzindo, e talvez um para continuar lutando. Por outro lado, somos de
certa forma pacíficos, um pouco acomodados, desunidos. E é em nossa fraqueza
que reside então a fortaleza do governo
para lidar como lida com o produtor. Assistimos a toda esta epopeia calados, com
medo de falar, fazemos pouca propaganda do quanto somos bons, e realmente
somos muito bons. E não estamos aqui
clamando por reconhecimento, somente
entendendo que somos parte de uma política de enorme contrassenso para não dizer ignorante. E entendemos que juntos,
vamos sempre mais longe, mais distantes,
queremos parceria, nada diferente disso.
Queremos um diálogo uníssono, um diálogo em que todos ganham.
Temos que olhar para o futuro de nossos filhos, eles são o futuro desta nação. E
o que eles podem esperar? Podemos dizer a eles que somos um país petroleiro?
Com base em qual fundamento? Filhos
que viram seus pais e netos, que viram
seus avós sustentarem o discurso de que
somos um país rico, de que aqui se plantando dá, de que uma nação é rica pelo
que produz. E o quão bom foi para este
país estes inúmeros filhos que herdaram
esta filosofia, e de seus pais esta formação
do campo, da vontade de produzir etanol,
açúcar, de se trancafiar nas veias desta
imensidão de terras contínuas que temos,
excelentes para produzir. Mas como conseguimos manter esta visão de determinação e de estímulo para as gerações futuras
se o governo parece cada vez mais nos
escutar menos? E o que dizer então para
as futuras gerações, que buscam um caminho para trilhar a vida, seu futuro, e sua
confiança no futuro de um país melhor?
Não temos encontrado nenhum outro fundamento, a não ser o de dizer que estamos
inseridos em um modelo que trabalha
com um projeto que não valoriza a produção do setor sucroalcooleiro. Quando vemos muitos países muito menores e com
mínimas vocações para a produção de
açúcar e etanol, vemos que estes menores
fazem de um limão, uma limonada e nós,
estamos esmagando limões em termos de
apoio justo à quem produz no campo.
Temos interesse em voltar a sermos
lideranças na produção de etanol para o
mundo após 2020, elevando a nossa produção dos atuais 20 bilhões de litros para
60 bilhões de litros, aumentando a nossa
moagem de cana dos atuais 600 milhões
de toneladas para 1,3 bilhões de toneladas. De termos no mínimo mais umas 150
unidades produtoras empregando mão de
obra, cogerando energia, gerando renda e
contribuindo para o meio ambiente. Mas
precisamos recuperar a nossa competitividade. Precisa estar sempre muito claro
para todos nós que qualquer intervenção
no mercado de gasolina interfere no etanol, pois os dois estão intimamente ligados pelo consumo! Para o consumidor e
para os distribuidores, é um mercado que
está funcionando, mas é claro que, em
uma visão macro da economia, há enormes distorções que prejudicam a Petrobras e os produtores de etanol. Temos feito muito bem a nossa parte considerando
a enorme pedra que carregamos em nossas costas que é esta política mascarada
de manter os preços da gasolina controlados e ainda, subsidiados.
E aí vai a pergunta do milhão: quem
paga esta conta? Temos que decidir o
que queremos ser e ter para o futuro de
nossas gerações.
* empresária e presidente do Sindicanalcool (Sindicato das Indústrias de
Cana-de-Açúcar e Álcool dos Estados
do Maranhão e Pará)RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
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E
Coluna Caipirinha
De Fornecedores a Produtores
Integrados de Cana (PIC)
feitos da Macroeconomia: diversos economistas estão fazendo prognósticos... negativos...
Nosso crescimento está muito baixo.
A expansão no primeiro trimestre ficou
aquém do esperado. É o setor manufatureiro principalmente que não consegue reagir, e um dos fatores de maior
impacto é o custo do trabalho, que cresceu acima da produtividade. Ligado ao
custo do trabalho...
Mas o agro vai bem... Em abril o
desempenho da balança comercial do
agro surpreendeu positivamente pela
alavancada e excelente desempenho. As
exportações do agro (US$ 9,65 bilhões)
se comparadas com o mesmo período
de 2012 (US$ 7,03 bi), aumentaram
incríveis 37,3%. O saldo na balança do
agro de abril é de US$ 8,21 bi, um valor
43,9% superior a abril de 2012.
O valor exportado acumulado no
ano (US$ 30,2 bilhões), por sua vez,
aumentou (14,6%) quando comparado
com o mesmo período de 2012 (US$
26,4 bilhões), contribuindo para um
saldo positivo acumulado no ano de
US$ 24,5 bilhões (17,6% maior que o
mesmo período em 2012).
Falta de Oportunidades ou Excesso
de Impunidades: confesso que não consigo entender as pessoas que acham que
o problema da crescente criminalidade
no Brasil é a falta de oportunidade. O
Brasil está praticamente a pleno emprego, recentemente estive em uma empresa que tenta contratar 60 pessoas registradas para um período, na nossa região,
e não encontra. Como então dizer que é
falta de oportunidade? O que temos sim
é excesso de impunidade, que vem desde
lá de cima e reflete no comportamento
da população. Sinto que parte do Brasil
está passando por um processo que chamo de “vagabundização”. O negócio é
ficar pendurado. O problema mais sério
que tenho sentido em parte do país é o
da laborfobia (aversão ao trabalho). Precisamos mudar os valores.
Pessoas Canavieiras (homenagem
do mês): Este mês queria fazer uma homenagem especial ao Hermínio Jacon e
seu maravilhoso trabalho pelo setor e pela
ASCANA (Associação dos Plantadores de
Cana do Médio Tietê) de Lençóis Paulista.
Aprendizado de Viagem: tive oportunidade de fazer uma palestra em Lima
(Peru). O Peru vem crescendo 7% ao ano,
apresenta uma série de desafios, mas um
desenvolvimento incrível. Lima é uma
cidade muito interessante, incrivelmente não chove nada, apesar de ser ao lado
do mar. Dois bairros são muito bonitos,
Miraflores e San Isidro. A culinária é hoje
referência mundial, seu centro histórico
é emocionante e lembrar tudo o que este
país já passou em termos de Governos,
grupos terroristas, é de se tirar o chapéu.
Cana: a colheita vem progredindo bem, o clima ajudando. A UNICA
(União da Indústria de Cana-de-açúcar)
soltou a projeção de safra, com a perspectiva de produção de 589,6 milhões de
toneladas no Centro-Sul. Com uma safra
mais alcooleira, devem ser produzidos
no ciclo 13/14 cerca de 11,2 bilhões de
litros de anidro, 14,17 bilhões de litros
de hidratado e 35,5 milhões de toneladas
de açúcar. As perspectivas para o açúcar
não têm sido boas. Continuam os preços
estagnados e com isto os reflexos no preço do ATR são muito ruins.
Para o etanol, um ligeiro aumento da
gasolina, que poderia até ser uma elevação da CIDE (Contribuição de Intervenção no Dominio Econômico) por quatro
a cinco meses daria uma boa aliviada.
O etanol ficaria competitivo, a frota flex
consumiria em grande volume e com
isto os preços do açúcar subiriam, além
de aliviar mais ainda as importações de
gasolina. Se os 19 milhões de carros flex
no Brasil resolverem abastecer uma única
semana com etanol (50 litros) sabe o que
aconteceria? Consomem 118 mil hectares
de cana em uma semana ou consomem
9,5 milhões de toneladas de cana em uma
semana... Olha que loucura. Pena que o
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Marcos Fava Neves
Governo não consiga entender uma estratégia onde todo o setor e o próprio país
se beneficiaria. Aliás, outra coisa que me
incomoda. O etanol está R$ 1,15 na Usina
enquanto finalizo a coluna e R$ 2,00 nos
postos de Ribeirão Preto. Uma incrível
diferença de 85 centavos.
ORPLANA (Associação dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul
do Brasil): Fica meu registro ao admirável Manoel Ortolan, que será o presidente
da ORPLANA nos próximos três anos,
acompanhado do Pedro Lorenzetti. Dupla de primeira, tenho certeza que continuarão fazendo um ótimo trabalho. Meus
parabéns também ao Ismael Perina pela
dedicação neste período, investimento de
tempo, viagens em prol do setor. Ismael
é um craque da bola da cana, exceto pela
opção futebolística, que tem trazido muitos dissabores ao amigo Ismael.
Dentro das modernizações de nomes,
lanço aqui uma ideia que já venho dizendo nas palestras. O álcool mudou para
etanol, a usina está mudando para central energética, por que não mudarmos
de fornecedor para produtor integrado,
mostrando já a nova cara de modernidade que deve ter o produtor de cana, trabalhando integrado em redes, com alta
tecnologia e controle de custos? Fica
aqui registrada a sugestão, passar a cha-
11
mar de produtor integrado de cana (PIC).
Vida nos EUA: Este mês queria
mostrar a vocês uma bomba de etanol
nos EUA, o chamado E85. Vejam que
interessante. Ela tem um chamativo que
evoca para o milho. Fica lançada a ideia
de decorarmos as bombas de etanol nos
postos do Brasil da mesma forma, com
um design verde, pró cana. Eu também
trabalharia para que uma regulamentação obrigasse a comunicação das
emissões de CO2 por litro nas bombas,
embaixo da identidade de cada combustível. Assim a questão ambiental também vai passando aos consumidores.
Haja limão: finalmente o Governo
atendeu a uma reivindicação de quatro
anos para remoção do PIS e COFINS ao
etanol. Mais uma que deu certo. Agora o
foco deve ser em redução do ICMS nos
Estados e uma ação tributária em cima
do setor de bens de capital para que os
necessários investimentos voltem. Um
plano de longo prazo para o etanol, com
sua missão na matriz energética brasileira em 2020, 2025 acho que podemos
esquecer por parte do Governo.
MARCOS FAVA NEVES é professor
titular de planejamento e estratégia na
FEA/USP Campus Ribeirão Preto e coordenador científico do Markestrat.Em
2013 é Professor Visitante Internacional da Purdue University. RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
12
Ponto de Vista I
O sucesso no relacionamento entre usinas e
fornecedores de cana
Luiz Albino Barbosa¹ e Aline Helen2
A
concorrência por áreas para o
cultivo de cana-de-açúcar vem se
tornando cada vez maior devido
à necessidade de aumento da produção,
proximidade entre as usinas, menor disponibilidade de áreas com viabilidade
agrícola e a expansão das cidades. Para
se ter uma ideia, apenas no Sul de Goiás,
mesmo com o aumento da produtividade,
estima-se que será necessária a expansão
de mais de 500 mil hectares de cana para
atingir a meta de moagem de todas as usinas da região nos próximos anos.
Isso só será realizado através de planejamento estratégico aliado a um bom
modelo de expansão de cada usina. Este
modelo deve considerar quatro temas:
1) Relacionamento com parceiros;
2) Aquisição de novas áreas;
3) Cooperação e relacionamento com
outras usinas;
4) Gestão de portfólio de fornecedores de cana.
Luiz Albino Barbosa
Aline Helen
campo. Embora necessária, essa modificação estrutural burocratizou a comunicação com o fornecedor. Esta comunicação passou a ser feita com uma área
ou pessoa específica, muitas vezes, sem
conhecimento técnico necessário e sem
poder de decisão dentro da empresa.
Falaremos aqui do tema de gestão
dos fornecedores de cana. De acordo
com informações da UNICA (União da
Indústria de Cana-de-Açúcar), o setor
conta hoje com 70 mil fornecedores,
responsáveis por cerca de 30% da cana
processada no país.
A nova perspectiva para o relacionamento entre usinas e seus fornecedores
deve considerar mais do que a negociação do preço a ser pago pela cana. Esse
relacionamento deve estar alinhado com
as necessidades de produção da usina e
expectativas dos seus fornecedores.
cumprimento dos contratos;
- ­A verificação do cumprimento das
leis aplicáveis no campo, especialmente nos âmbitos trabalhista e ambiental, principais alvos de fiscalização
no campo e, sob os quais a usina tem
responsabilidade compartilhada com
os fornecedores, podendo ser autuada
e comprometer sua imagem perante a
opinião pública.
Diante desse cenário, a necessidade
de um relacionamento próximo com os
fornecedores tornou-se estratégica para
as usinas. Esse relacionamento sofreu
mudanças significativas nos últimos
anos. No passado, a característica familiar das usinas facilitava a comunicação
entre a indústria e o campo. Muitas vezes a negociação se dava entre o produtor rural e o dono da usina e, em alguns
casos, nem contrato havia. Isso mesmo!
O contrato era firmado “no fio do bigode”, ou seja, na base da confiança.
Para as usinas, a segurança do fornecimento de cana-de-açúcar é a principal
preocupação. A quantidade de cana a ser
adquirida de seus fornecedores, parceiros e arrendatários, é o primeiro passo da
usina na busca por garantir o suprimento
de cana necessário. A partir dessa definição, é realizado o mapeamento das áreas
de expansão e contato com os atuais e os
potenciais fornecedores.
Veio a profissionalização que formalizou os acordos e setorizou a usina
de acordo com as demandas vindas do
O outro tema importante a ser
considerado é a segurança jurídica, a
qual compreende:
- ­A verificação documental das terras
do fornecedor;
- ­
O estabelecimento e análise de
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Os fornecedores de cana, por sua
vez, buscam apoio técnico, financiamento, transparência na forma de cálculo e, claro, um bom valor por sua
cana. A remuneração da cana envolve a
negociação do valor pago por tonelada,
modelo de contrato, valor do CCT (corte, carregamento e transporte) e condições de pagamento.
Nota-se que a criação do Consecana
(Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de
São Paulo) foi um grande avanço na
relação comercial entre usinas e fornecedores, pois possibilitou um consenso
sobre a forma de cálculo do preço a ser
pago pela cana. A metodologia Consecana é utilizada na maior parte dos
acordos comerciais de cana do país e
apoiada pelas entidades de classe de
usinas e fornecedores.
13
Vemos, portanto, que as necessidades
de usinas e fornecedores se complementam e que é possível encontrar uma solução “ganha-ganha” para ambos. De um
lado temos a usina buscando aumentar
a área de atuação e sua produção e, de
outro, produtores rurais querendo apoio
para produzir mais e com mais qualidade
para obter uma boa remuneração.
No entanto, para alcançar o sucesso no relacionamento “Usina vs. Fornecedor” não existe receita pronta. O
que existe são iniciativas pioneiras de
algumas usinas e consultorias com o
objetivo de melhorar o relacionamento
e atrair novos fornecedores.
Algumas boas práticas no relacionamento “Usina vs. Fornecedor”:
­- Canal aberto de relacionamento com
equipe exclusiva de atendimento ao fornecedor;
­- Financiamento por parte da usina e
análise de crédito do fornecedor;
­- Modelagem personalizada do contrato de fornecimento de acordo com as
possibilidades da usina e do fornecedor;
­- Integração no planejamento agrícola de ambos;
-P
­ alestras técnicas e de mercado;
­- Eventos de integração.
Todas as iniciativas dependem de
um canal de comunicação aberto. Apenas assim será possível o sucesso desta
relação e assegurar que ambos atinjam
seu principal objetivo: o aumento da
produção e produtividade agrícola.
¹ Bacharel em Relações Internacionais pela FAAP, Mestre em Agroenergia pela Esalq-USP/Embrapa/FGV
associado ao Nupri-USP, e Coordenador do Centro de Inteligência em
Agronegócios da PwC.
² Graduada em Biologia pela USP,
Pós-graduada em Gestão Ambiental pela
UFSCar e Consultora Sênior do Centro
de Serviços em Agronegócio da PwC.RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
14
Ponto de Vista II
Uma locomotiva chamada Agronegócio
O
*Leila Monteiro Alencar de Souza
agronegócio está presente no
nosso dia a dia, quer seja na
alimentação, nas roupas ou
no combustível dos meios de
transporte e das indústrias. Um segmento
econômico que impulsiona o desenvolvimento e projeta o Brasil além-fronteiras.
Os números comprovam a força que
o meio rural possui. As atividades ligadas ao campo, principalmente a agricultura e a pecuária, são responsáveis
por 25% de toda a riqueza produzida
no território brasileiro. As exportações
do agronegócio avançam, promovendo a geração de riqueza e também de
oportunidades de trabalho, já que o setor emprega um terço dos trabalhadores
brasileiros com carteira assinada.
E, cada vez mais, o agro brasileiro assume importância internacional. Especialistas estimam que, até 2020, a demanda
mundial por alimentos terá um acréscimo
de 20% e o Brasil será responsável por
atender 40% destas necessidades. Isto em
função do potencial de terras a ser explorado e das técnicas desenvolvidas para
aumentar a produtividade, preservando,
ao mesmo tempo, o meio ambiente.
Dentro deste contexto, o setor sucroenergético se destaca já que é detentor do mais
bem sucedido programa de combustível
alternativo do planeta: o etanol proveniente
da cana-de-açúcar. Além de ser mais competitivo do que os combustíveis de origem
fóssil, o etanol, em todo o seu ciclo de
produção, reduz em até 90% a emissão de
gases causadores do efeito estufa, se comparado a outras fontes de energia.
Não é demais enfatizar a extensa contribuição da agroindústria canavieira para
os diversos segmentos da economia; além
de gerar milhares de empregos, desenvolvimento sustentável, riquezas e divisas
para centenas de municípios, ainda cumpre uma extensa agenda de compromissos socioambientais. Também desempenha um expressivo e estratégico papel na
matriz energética brasileira. É, ainda, o
único setor agroindustrial que tem domí-
nio pleno de tecnologia, nos campos agrícola e industrial, com uma ampla grade
de inovações possíveis de serem implantadas. Potenciais pesquisas progridem no
sentido de dar um novo salto de produtividade. O Brasil tem terra disponível para
expandir o cultivo da cana com equilíbrio
entre o avanço na produção de alimentos
e matéria-prima e a preservação dos recursos naturais.
O setor sucroenergético já deu o exemplo de que isso é perfeitamente possível
com a criação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar, que fornece
subsídios técnicos para formulação de
políticas públicas visando a expansão e
produção sustentáveis da cultura no território brasileiro. Enfim, exemplos de uma
produção sustentável não faltam.
Entretanto, as empresas sucroenergéticas continuam esbarrando em velhos problemas como a alta carga tributária, ausência de mão de obra qualificada e a falta
de investimentos em logística para escoamento da produção. O modelo do sistema
modal brasileiro ainda é um obstáculo a
ser vencido. As nossas malhas rodoviária e ferroviária, a curto prazo, não terão
mais condições de promover a distribuição logística de um setor que representa
20% das riquezas geradas pelo agronegócio, com estimativa de crescimento.
Atualmente, existem, no Brasil, projetos de construção de sistemas multimodais que incluem alcooldutos. A ideia
é que estes dutos liguem as regiões produtoras aos grandes centros consumidores e aos portos, reduzindo os custos com
o transporte rodoviário do etanol. Uma
medida que contribuirá também com a
preservação ambiental, já que com menos veículos nas estradas as emissões de
gás carbônico serão reduzidas.
Outro desafio é a obtenção de novos
investimentos e incentivos para retomar
a produtividade perdida nas últimas duas
temporadas, a fim de diluir os custos fixos
e para obter ganhos com a escala na produção. A meta é recuperar a média histórica
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Leila Monteiro Alencar de Souza
de toneladas colhidas por hectare. E para
isso, também será preciso contar com um
clima mais estável durante toda a safra.
Enfim, a agroindústria canavieira vem,
ao longo dos anos, demonstrando que reúne condições necessárias para voltar a
investir, ampliando a produção e ocupando a capacidade ociosa nas usinas com a
finalidade de obter ganhos de eficiência e
escala. E todo este resultado será consequência de um binômio que inclui investimentos do setor privado aliado à criação
de políticas públicas claras que permitam
um planejamento de longo prazo. Esta
combinação é, extremamente, necessária
a fim de obter os recursos para investir em
pesquisas, novas variedades, capacitação
e gestão de pessoas, projetos e programas
de inovação e tecnologias que permitam o
aumento da produtividade no campo.
O que se almeja é aumentar ainda mais
a competitividade do etanol brasileiro nos
mercados nacional e internacional com
bons resultados para a balança comercial
do país. É fundamental manter uma atenção a este setor que já mostrou ao mundo
sua força, dissemina as boas práticas e, de
forma equilibrada, amplia o debate sobre
o crescimento sustentável, além de valorizar os profissionais ligados ao campo.
São eles que ajudam a alimentar a população mundial, preservam os recursos
naturais e que movimentam esta potente
máquina chamada agronegócio.
*diretora presidente da Biocana
(Associação de Produtores de Açúcar,
Etanol e Energia)
15
Revista Canavieiros - Maio de 2013
1616
Matéria de Capa
Copercana comemora 50 anos
Com o slogan “tudo de bom da cana”, cooperativa
realiza várias ações para celebrar o aniversário
Carla Rossini
H
á 50 anos, no dia 19 de
maio de 1963, agricultores canavieiros se uniram
para fundar uma cooperativa. O
objetivo do grupo era promover
a mais ampla defesa de seus interesses econômicos, através do
fornecimento de produtos agropecuários, das vendas em comum
da produção e da prestação de
serviços agrícolas. Assim nasceu
a Copercana – Cooperativa dos
Plantadores de Cana do Oeste do
Estado de São Paulo.
Graças ao esforço de seus presidentes e diretores e, também,
o apoio dos cooperados, hoje a
Copercana é considerada um modelo de cooperativismo rural que
serve de referência não apenas
para o Brasil, mas para o mundo.
É uma demonstração de pujança
e seriedade, que busca a permanente evolução tecnológica do
agronegócio brasileiro.
Para celebrar os 50 anos da
cooperativa, várias ações de marketing estão sendo realizadas.
Além de um vídeo institucional
sobre a cooperativa, também foram criados dois comerciais que
estão sendo transmitidos em canais de TV e rádio. Como a cooperativa possui veículos próprios
para comunicação com os cooperados e também colaboradores,
reportagens especiais sobre as
cinco décadas de existência estão
sendo divulgadas.
A cerimônia oficial de comemoração aos 50 anos da cooperativa será realizada durante a feira
Agronegócios Copercana, que
ocorrerá de 26 a 28 de junho no
Clube de Campo Vale do Sol.
“É motivo de muito orgulho ser
o presidente da Copercana no seu
aniversário de 50 anos. A nossa
cooperativa é forte, sólida e cumpri o seu papel cooperativista com
rigor, dando todo suporte e apoio
aos seus cooperados. Quero aproveitar a oportunidade e agradecer
aos nossos diretores, gerentes e colaboradores que trabalham com
muita seriedade para a Copercana
ser referência em todas as cidades
em que está inserida. Agradeço
também aos cooperados que acreditam e confiam no nosso trabalho
à frente da cooperativa”.
Antonio Eduardo Tonielo – Presidente da Copercana desde 1.999
Sobre a Copercana
Atualmente, os mais de seis mil
cooperados têm à sua disposição
uma gama de produtos e serviços
para facilitar o dia a dia do campo. A cooperativa ainda conta com
aproximadamente 1.400 colaboradores que estão aptos a atender os
cooperados com excelência.
Revista Canavieiros - Maio de 2013
17
Áreas de Atuação:
Matriz em Sertãozinho e 15 filiais: Campo Florido, Cravinhos,
Descalvado, Frutal, Jaboticabal,
Ituverava, Morro Agudo, Pitangueiras, Pontal, Porto Ferreira,
Santa Cruz das Palmeiras, Santa
Rita do Passa Quatro, Santa Rosa
de Viterbo, Serrana e Severínia.
Além dessas, ainda possui três escritórios regionais nas cidades de
Barretos, Orindiúva e Viradouro.
Magazine
11 lojas (Cravinhos, Descalvado, Ituverava, Jaboticabal, Morro Agudo, Pitangueiras, Pontal,
Serrana, Sertãozinho, Severínia e
Campo Florido).
Produtos disponíveis: produtos
para casa, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, artigos para
cama, mesa e banho, além de uma
linha de presentes.
Lojas de Supermercados: Jaboticabal, Sertãozinho, Pontal,
Pitangueiras e Serrana.
Postos de Combustíveis
Três postos (Pitangueiras, Pontal e Sertãozinho).
Lojas de Ferragem: São 13
lojas no Estado de São Paulo e
duas lojas em Minas Gerais (Cravinhos, Descalvado, Ituverava,
Morro Agudo, Pitangueiras, Pontal, Porto Ferreira, Santa Cruz
das Palmeiras, Santa Rita do Passa Quatro, Santa Rosa de Viterbo,
Serrana, Sertãozinho, Severínia,
Campo Florido e Frutal).
Produtos disponíveis para lavoura: sementes, corretivos, fertilizantes, adubos foliares, ferragens,
defensivos, produtos veterinários,
selaria, máquinas e peças para implementos.
Copercana Seguros (Sertãozinho, Barretos, Batatais, Cajuru,
Cravinhos, Franca, Marília, Morro Agudo, Pitangueiras, Pontal,
Santa Rosa de Viterbo, Serrana,
Severínia, Uberaba e Viradouro).
* seguro automóveis, caminhões
e motos;
* seguro para frota de veículos;
* seguro de vida individual e
empresarial;
* seguro residencial;
* seguro de equipamentos agrícolas: tratores, carregadeiras e colheitadeiras de cana;
* seguro canavial;
* seguro colheita garantida para
milho, soja e amendoim;
* seguro multi-risco rural para
sítios e fazendas;
* seguro de vida em grupo;
* seguro empresarial;
* seguro para aeronave (RETA).
Loja de automotivo
*pneus de carga: linha rodoviário e canavieiro.
*linhas de lubrificantes: linha
pesada e linha leve.
*filtros de combustíveis: linha
pesada e linha leve.
Auto Center (Sertãozinho)
Criado para a manutenção de
veículos, como carros camionetes
e vans, o estabelecimento prestará serviços como: alinhamento,
balanceamento, freios, suspensão, montagem, venda de pneus,
baterias, pastilha, molas, venda
e troca de escapamentos, amortecedores, alinhamento de faróis,
entre outros serviços, além de um
atendimento de primeira.
Revista Canavieiros - Maio de 2013
18
Prestação de Serviços
Uname – Unidade de Grãos da
Copercana
* aplicação de corretivos de solo
(calcário e gesso);
* realização de toda logística na
distribuição dos produtos entre filiais e vendas diretamente;
* entrega de defensivos, veneno, implemento e semente.
Projeto Amendoim Copercana
* proporcionar aos cooperados,
a assistência técnica necessária
para o controle de pragas e doenças e ervas-daninhas.
* parcerias junto aos Municípios
de Bebedouro, Herculândia, Morro Agudo, além de Sertãozinho,
para que o cooperado possa dispor
de mais facilidades na entrega dos
grãos, garantindo qualidade, redução de perdas e segurança.
Laboratório de Solos
*análise de Solos;
* análise de Micronutrientes;
* análise de Fertilizantes;
* análise de Corretivos;
*análises de Vinhaça.
Comércio Eletrônico
Capril
Comercial
* venda de corretivo;
* venda de máquinas e implementos agrícolas que atendem
as necessidades das lavouras de
amendoim, milho, soja e cana;
* vendas de sementes de amendoim, milho e soja.
Departamento Técnico
* assistência no projeto de amendoim e soja.
* armazenamento e distribuição de defensivos comercializados
pela cooperativa.
Recebimento de grãos
* armazenamento/comercialização de soja, milho e amendoim.
* capacidade = 24 mil toneladas
de soja e milho.
* capacidade= 1. 800.000 / sacas de amendoim.
* criação de ovinos;
* venda e comercialização de
matrizes e reprodutores;
* é um confinamento voltado
para os cooperados que criam
ovinos na região;
* comercialização da carne para
o próprio supermercado Copercana;
* ainda há a comercialização da
mudas nativas e frutíferas.
Atividades do Centro de Distribuição
* recebimento de mercadorias;
* armazenamento;
* distribuição / reposição para
ponto de venda destas mercadorias;
Revista Canavieiros - Maio de 2013
O Comércio Eletrônico Copercana é responsável pelas
vendas online dos produtos oferecidos pela Copercana. No site
www.lojascopercana.com.br o cliente encontra os mesmos produtos que
estão disponíveis nas lojas de ferragens, magazine e automotivo.
Departamento Comercial Agrícola
* compra e venda de defensivos
agrícolas e fertilizantes;
* acompanhamento das vendas
e visitas, junto aos RTV’s de campo, no cumprimento de suas metas;
* atendimento aos cooperados
interessados nos produtos e condições oferecidas pela Copercana;
* cotação de fertilizantes junto
às empresas, para repasse aos cooperados;
* atendimento aos representantes comerciais, das empresas parceiras da Copercana (multinacionais do mercado agrícola).
19
Pedro Guidi
78 anos
“Desde o começo quando as atividades
eram, em Piracicaba eu já participava e
passado o tempo veio para Sertãozinho. A
cooperativa foi fundada para facilitar a vida
dos agricultores que na época eram menores
e, portanto mais difícil para comprar, porém,
com o intermédio da cooperativa tornou-se
bem melhor e mais fácil.
Participei de várias reuniões, onde
a cooperativa discutia muito sobre os
interesses de fornecedores de cana e
usinas, tínhamos dificuldades com as
usinas na questão do pagamento de cana
e a cooperativa sempre lutou a favor dos
fornecedores. Antigamente a Copercana
era uma espécie de escritório, como não tinha um armazém, tudo era realizado
diretamente. A cooperativa nos arrumava o adubo e entregava direto nas
propriedades porque não tinha um depósito. Conforme o cooperado ia precisando,
os serviços eram ampliados.
Hoje está bem mais fácil para o produtor adquirir seus produtos e serviços através
do financiamento, onde o juro agrícola é de 5,6% e ainda pode ir direto à Sicoob
Cocred, mas antigamente, o juro era mais alto e a cooperativa era quem ia até o
banco e fazia o intermédio para os fornecedores. A Copercana ajudou muito no
desenvolvimento da agricultura e além da cana, ajudou no desenvolvimento do
amendoim, pois no período em que a terra fica parada, muitos produtores fazem a
rotação de cultura plantando amendoim”.
Celso Ortolan
78 anos
“Trabalhei como diretor na área comercial por quatro anos. Apesar de a loja ser
bem pequena na época, vendíamos adubos, venenos e inseticidas. Me lembro que o
posto de combustível de Sertãozinho era o único da cooperativa, e agora eu sei que
tem vários postos espalhados pela região.
Naquela época, o Fernandes dos Reis brigava direto com os usineiros a favor dos
fornecedores de cana e ele sempre conseguia resultados. Hoje moro na cidade de
Pimenta, em Minas Gerais, e pouco vou à Sertãozinho, mas das últimas vezes que fui,
pude ver o quanto a cooperativa cresceu. É bacana ver esse progresso da Copercana e
saber que a cidade também vem se desenvolvendo junto”, afirmou Celso.
Homenagem:
Arlindo Antonio Sicchieri
Após um ano na presidência da cooperativa, o Sr.
Silvio Borsari solicitou afastamento do cargo em 1964,
sendo eleito como seu sucessor e segundo presidente
da cooperativa, o Sr. Arlindo Antonio Sicchieri, que
ocupou este cargo até 1968.
Revista Canavieiros - Maio de 2013
20
Notícias Copercana
Projeto Amendoim Copercana, soja e milho –
resultados e estimativas
P
*Augusto César Strini Paixão
erto de terminar sua oitava safra,
o Projeto Amendoim Copercana safra 2012/2013 atingiu seus
objetivos de recebimento. A Copercana através da Uname - Unidade de
Grãos, deverá receber cerca de dois milhões de sacas de seus produtores participantes do Projeto, cerca de 100 mil sacas
a mais de sua estimativa inicial e 10% a
mais que a safra 2011/2012.
A área total plantada do Projeto foi de
cerca de 11 mil hectares distribuídos nas
regiões de Ribeirão Preto, Marília, Tupaciguara – MG, Aporé - GO e Paracatu
– MG. No decorrer do ciclo da cultura
não houve falta de chuvas, o manejo de
pragas e doenças foi realizado de forma
adequada pelos produtores, de tal forma
que poderíamos ter obtido uma safra recorde de produção, se não tivesse ocor-
rido um período de chuvas anormal no
mês de abril, fato este que proporcionou
perdas que em alguns casos chegou a
30%. Mesmo com esse problema, a produtividade média do Projeto foi superior
a 175 sacas por hectare, o que foi plenamente satisfatório.
Para a próxima safra, os objetivos do
Departamento Técnico de Grãos da Copercana são: realização de experimentos visando capacitar os técnicos para
orientar melhor os produtores, manter
ou até mesmo aumentar a produtividade
média do Projeto, fator este muito importante para que os produtores tenham
uma rentabilidade satisfatória com a
cultura do amendoim, através da parceria com o IAC (Instituto Agronômico),
de Campinas, continuar a desenvolver
novas variedades buscando satisfazer nossos produtores
quanto à produtividade
e controle de doenças,
bem como possam ser
melhores utilizadas em
áreas de rotação com a
cana-de-açúcar e reivindicar junto às empresas
produtoras de defensivos, um número maior
de produtos registrados
para a cultura, o que
lamentavelmente tem
diminuído a cada safra.
Outro fato relevante foi o recebimento
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Augusto César Strini Paixão
de soja e milho pela cooperativa no
segundo ano do projeto, onde as expectativas de recebimento foram plenamente realizadas. Com relação à
soja, foram recebidas cerca de 300
mil sacas, cerca de 30% a mais que
a safra passada. Com a cultura do
milho, o recebimento foi de cerca de
140 mil sacas, 15% a mais que a safra
2011/2012.
Em nome da diretoria da Copercana, gostaria de agradecer a todos que
participaram - cooperados e funcionários - as expectativas foram cumpridas.
*gerente da Uname – Unidade de
Grãos da Copercana RC
21
Notícias Canaoeste
Canaoeste realiza reuniões técnicas em filiais
Com o apoio de empresas parceiras e institutos de pesquisas, Canaoeste reuniu associados para
difundir conhecimentos sobre a cultura da cana-de-açúcar
Carla Rodrigues
C
Viradouro
om o avanço de novas tecnologias, a cultura da cana-de-açúcar exige cada vez mais prática
de aprimoramento e acompanhamento
da evolução, e assim saber aproveitar
ao máximo a capacidade de produção
dos canaviais brasileiros.
Durante os meses de abril e maio,
a Canaoeste em parceria com algumas
empresas e institutos de pesquisas, realizou reuniões técnicas em suas filiais
para os associados com o objetivo de
levar informações e novos conhecimentos aos produtores.
Bebedouro
Ituverava
A Canaoeste com o apoio da empresa Stoller, promoveu no dia 17 de abril,
uma reunião técnica com o tema “Uso
de Micronutrientes e Bioreguladores na
Cultura da Cana-de-açúcar” para associados da região, reunindo 40 pessoas.
O encontro sobre variedades realizado pela Canaoeste em parceria com o
CTC (Centro de Tecnologia Canavieira),
IAC (Instituto Agronômico), UFSCar
(Universidade Federal de São Carlos) e
Syngenta, realizado no dia 11 de abril,
promoveu aos associados e convidados
palestras técnicas sobre variedades de
cana-de-açúcar. O evento também contou a participação das usinas da região,
como Junqueira, Alta Mogiana e Buriti,
reunindo aproximadamente 60 pessoas.
Pontal
Em parceria com a Copercana, Dupont e IAC, a Canaoeste realizou no dia
16 de abril, reunião técnica que contou
com a participação de aproximadamente 50 associados. O Professor Carlos
Alberto Mathias Azania ministrou palestra sobre o “Manejo e Controle de
Plantas Daninhas”.
Com o apoio da empresa Syngenta, a Canaoeste promoveu no dia 25
de abril, reunião técnica sobre o tema
“Ferrugens da Cultura da Cana-de-Açúcar” e contou com a participação
de 90 associados.
Morro Agudo
Cravinhos
Em parceria com a Dupont e o IAC
(Instituto Agronômico), a Canaoeste realizou no dia 18 de abril, reunião
técnica sobre o “Manejo e Controle de
Ervas Daninhas na Cultura da Cana-de-Açúcar”, reunindo aproximadamente
50 pessoas. Os palestrantes foram o
professor Carlos Alberto Mathias Azania (IAC) e o Élcio Daroz (Dupont).
Em parceria com a Basf, a Canaoeste realizou no dia 14 de maio, reunião
técnica sobre o “Manejo e Controle de
Ervas Daninhas na Cultura da Cana-de-Açúcar”, ministrado pelo pesquisador do IAC, Carlos Alberto Mathias
Azania e também a apresentação do
novo produto da Basf, Heat, realizada
pelo representante da empresa, Mauro
Cottas. O evento reuniu aproximadamente 30 associados. RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
22
Notícias Canaoeste
Gestores da Canaoeste
Letícia Meloni Pignata
gestora do departamento de Marketing da Canaoeste
O Departamento de Marketing da Canaoeste tem como principal objetivo atender
à entidade para melhoria e bem estar na receptividade dos associados, agir como um
guia e liderar os outros departamentos e profissionais no desenvolvimento, produção,
execução e suprimento de produtos/serviços e informações, nas questões relacionadas com planejamento da imagem interna e externa da associação juntamente com os
demais departamentos, vitais da organização.
O Departamento de Marketing busca e desenvolve novos meios e ferramentas,
para que haja a melhor integração entre a associação e o associado.
Os objetivos e as diretrizes estabelecidas pelo Departamento de Marketing estão
alinhados com a visão, missão e valores da Associação. O alto escalão administrativo
deve se envolver e estimular a cooperação de todos os departamentos na implantação
do plano estratégico, entregando uma mensagem consistente em todos os canais de
comunicação.
O Departamento de Marketing utiliza-se de quatro princípios básicos:
1. Pesquisar e analisar o mercado, onde a associação está inserida.
2. Planejar e escrever o plano estratégico de Marketing, junto aos demais departamentos.
3. Implantar o plano estratégico de Marketing.
4. Avaliar e mensurar os resultados.
Anúncios: Visando fortalecer a “marca” e a imagem da Associação, são criados anúncios institucionais, que mensalmente são veiculados na Revista Canavieiros e Cred Notícias (veículos da própria), assim como sazonalmente saem
publicados em diversos meios de comunicação, tais como jornais e revistas, de diversas cidades, onde a empresa atua.
Brindes: Todo associado gosta de sentir especial e lembrado. É pensando nisso que a associação se dedica na escolha
certa de brindes. Desde a escolha, assim como a verificação da qualidade e atendimento à necessidade, custos até o recebimento, conferência é realizada pelo Marketing.
Comunicação Visual: Para melhor recepcionar os associados, a matriz da Canaoeste, assim como todas as demais
filiais passam por modernizações de fachadas, padronizações e atualizações na comunicação visual, tanto interna quanto
externa.
Eventos: Inaugurações e reinaugurações das filiais, Feiras de Agronegócios em Sertãozinho e Região, Dia de Campo,
Encontro de Produtores - organização, criação de convites, cartazes e toda a divulgação.
Publicação Editora Canaoeste: Anualmente é publicado o Livro “Relatório de Fechamento das Unidades Produtoras
da Safra”, com intuito de apresentar aos associados, um balanço das atividades e de como foi o ano para o setor.
CD personalizados com trabalhos realizados, ou parceria para distribuir informações a todos.
O Departamento de Marketing participa de todas as etapas, desde a diagramação, passando pelos orçamentos até a
conclusão e entrega.
Juliano Bortoloti
Advogado – gestor jurídico
Assessorar a entidade nas questões administrativas internas, assim como prestar
assistência aos seus associados em diversas áreas do direito, destacando-se a Ambiental, a Agrária, a Fundiária, a Possessória, a Trabalhista, a Cível e a Comercial,
desde que tenham relação para com sua atividade.
Trabalho preventivo na orientação de rotinas, bem como a defesa da associação
nas questões trabalhistas, fiscais e tributárias e perante os diversos órgãos públicos.
Orientação e defesa da associação nas questões cíveis (cobrança e execução contra
unidades industriais e associados inadimplentes).
Orientação, defesa e fiscalização do Hospital Netto Campello, sobre a legalidade
dos seus diversos procedimentos.
Orientação ao departamento técnico e de planejamento da entidade para balizar os procedimentos de obtenção do PEQ (Plano de Eliminação de Queima), Protocolo Agro Ambiental – onde é responsável técnico pelo plano de ação -, CAR (Cadastro Ambiental Rural)
e PRA (Programa de Regularização Ambiental), instituídos pelo novo Código Florestal.
Realização de Projetos de Licenciamentos Ambientais perante os órgãos públicos (Outorga d’água, Reserva Legal,
Corte de árvores isoladas, Plano de Aplicação de Vinhaça, Supressão de vegetação Intervenção em APP, RegularizaRevista Canavieiros - Maio de 2013
23
ção de Auto de Infração / Advertências Ambientais, regularização de várzea, Elaboração do PEQ - Plano de Eliminação
da Queima da Palha de Cana de Açúcar, junto ao Departamento Topográfico, etc.).
Defesa dos associados nas questões ambientais, ligadas à sua produção rural, notadamente em ações civis públicas
ajuizadas pelo Ministério Público, ações penais ajuizadas pela Justiça Pública, execuções fiscais da Fazenda Pública e
autos de infração da Polícia Ambiental, CETESB, DAEE e IBAMA.
Elaboração de laudos técnicos a serem utilizados pelos associados em procedimentos administrativos, processos judiciais cíveis e criminais e, também, para balizar a relação com terceiros.
Acompanhamento de associados perante delegacias de polícia, promotorias de justiça e juízos de direito para assessorá-los nas questões relativas a sua atividade rural.
Confecção a e análise de contratos de fornecimento e/ou compra e venda de cana-de-açúcar, contratos de comodato,
parceria agrícola e arrendamento rural celebrados entre os associados e/ou destes com as unidades industriais, alertando-lhes sobre possíveis problemas e sugerindo-lhes as devidas alterações.
Defesa dos interesses dos associados perante as indústrias (usinas e destilarias) referentes ao fornecimento e/ou compra e
venda de cana-de-açúcar e sobre questões relativas ao não recebimento do produto e do seu preço, assim como dos valores
pactuados em contratos de parceria e arrendamento rural com as indústrias e, inclusive, promove as medidas judiciais cabíveis.
Carla Rossini
Gestora de Comunicação
O Departamento de Comunicação / Assessoria de Imprensa tem como principal
objetivo promover a Canaoeste através da sua imagem e relação com seus públicos
– interno e externo. É o responsável por imprimir a missão da organização em tudo o
que diga respeito ao seu negócio. Também é dever do Departamento de Comunicação,
desenvolver meios e ferramentas (sites, revista e informativos) para que a comunicação
entre a associação e o associado consiga ser alcançada de forma clara e objetiva.
Produtos e Serviços desenvolvidos pelo Departamento de Comunicação:
Revista Canavieiros: Lançada em julho de 2006 a Canavieiros funciona como
um informativo do sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred com o objetivo
de estreitar a relação com os cooperados, associados e profissionais ligados ao setor
sucroenergético.
Site Revista Canavieiros: A manutenção e atualização do site da Revista Canavieiros é realizado diariamente pelo Departamento de Comunicação, para que o
internauta encontre notícias atualizadas do setor, preços e eventos. Ainda no site da Revista o internauta pode ter acesso
a todas as edições da Revista Canavieiros e seus colunistas.
Site Canaoeste: Assim como o site da Revista, o site da Canaoeste é abastecido diariamente pelo Departamento de
Comunicação, com informações atualizadas sobre a associação e também de seus departamentos, além de notícias do setor.
Informe Canaoeste: O Informe Canaoeste é um veículo mensal, produzido com notícias internas da associação, de
interesse dos associados.
Eventos: O Departamento de Comunicação é responsável pela organização e cobertura de eventos que envolvam a
Canaoeste com as seguintes tarefas:
- elaboração de release (quando o convite do evento se estender à imprensa);
- elaboração de projetos e briefing organizacional;
- organização do protocolo de autoridades presentes;
- contratação de palestrantes/profissionais do setor;
- contratação de serviços para desenvolver os materiais necessários e brindes;
- elaboração de pronunciamento da presidência/diretoria;
- captação de imagens;
- divulgação do evento;
- cobertura jornalística.
Serviços Internos
- É de responsabilidade do Departamento de Comunicação a elaboração de artigos e palestras da presidência/diretoria
quando solicitados;
- O departamento de Comunicação também é responsável pela elaboração e desenvolvimento de comunicados internos para facilitar a relação entre os colaboradores;
- Cabe ao Departamento de Comunicação, o atendimento a imprensa em geral, acompanhamento de entrevistas e a
clipagem de todas as mídias de comunicação que contêm notícias e informações sobre a associação;
- Assim como os outros departamentos, a Comunicação também realiza o preenchimento das atividades diárias, através da agenda eletrônica.
Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Notícias Canaoeste
Regularização cadastral dos associados
P
rezado (a) associado (a),
Em função do PEQ (Plano de Eliminação Gradativa da Queima da Palha
da Cana-de-Açúcar) e do CAR (Cadastro Ambiental Rural), é de suma importância
que seja realizada a regularização cadastral de todos os fornecedores associados à
Canaoeste.
Desta maneira, através das secretárias de nossas filiais, se faz necessária a atualização das documentações que comprovem a filiação à Associação, para que esta
possa representá-lo(a) junto a Secretaria do Meio Ambiente de acordo com as novas
exigências. Para isso é imprescindível que o associado tenha em mãos todos os documentos das propriedades e procure nossas secretárias nas filiais correspondentes,
para a realização do procedimento.
O prazo para a adequação destas pendências cadastrais é até o dia 28 de junho
(sexta-feira).
Vale lembrar que nossas secretárias também entrarão em contato para providenciar o agendamento da visita do topógrafo para a aferição de área necessária
para o CAR.
Em razão dessa necessidade, solicitamos a colaboração quando assim solicitado.
Filiais
Cravinhos
Sertãozinho
Morro Agudo
Pitangueiras
Pontal
Serrana
Severínia
Viradouro
Barretos
Bebedouro
Ituverava
Endereço
Rua Manoel G. Santos, 1599
Rua Dr. Pio Dufles, 532
Rua Padre Mansueto, 153
Rua Ceará, 1170
Rua 7 de Setembro, 164
Avenida Habib Jábali, 355
Avenida Nelo Calisse, 267
Praça Major Joaquim, 219
Avenida Engº Necker Carvalho de Camargo, 2135
Avenida Raul Furquim, 1181
Rua Miguel Moisés, 896
TelefoneResponsável
(16) 3951-9400 Elaine
(16) 3946-3316 Regiane
(16) 3851-7000 Aline
(16) 3952-9802 Tatiane
(16) 3953-9200 Gislene
(16) 3987-9300 Carla
(17) 3817-3100 Narrimann
(17) 3392-4041 Juliana
(17) 3323-3366 Silvana
(17) 3342-4454 Mariah
(16) 3729-8100 Denise
ASSOCIAÇÃO DOS PLANTADORES DE CANA DO OESTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
RUA DR. PIO DUFLES, 532 - TELEFONE: (16) 3946-3300 - FAX (16) 3946-3305
CAIXA POSTAL: 142 - www.canaoeste.com.br - CEP 14170-680
SERTÃOZINHO - ESTADO DE SÃO ´PAULO
Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Notícias Sicoob Cocred
Balancete Mensal - (prazos segregados)
Cooperativa De Crédito Dos Produtores Rurais e Empresários do
Interior Paulista - Balancete Mensal (Prazos Segregados)
- Abril/2013 - “valores em milhares de reais”
Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Revista Canavieiros - Maio de 2013
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Feiras & Eventos
Agrishow 2013 supera expectativas
Com público recorde, edição que comemorou os
20 anos de realização da feira, movimentou R$ 2,6 bilhões
Carla Rodrigues e Fernanda Clariano
A
agricultura é responsável por
30% do PIB (Produto Interno
Bruto) brasileiro, para isso é de
suma importância que o setor produtivo
busque por novas tecnologias e serviços
de crédito que atendam as suas necessidades. Foi em busca disso que produtores rurais de todos os elos do agronegócio visitaram a 20ª Agrishow - Feira
Internacional de Tecnologia Agrícola
em Ação, realizada em Ribeirão Preto,
de 29 de abril a 03 de maio.
Para a cerimônia de abertura oficial
da feira, deputados federais e estaduais,
secretários, autoridades e lideranças do
setor estiveram presentes para prestigiar
uma das maiores feiras agrícolas mundial. Entre as autoridades, estiveram o
governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, os ministros da Agricultura Pecuária e Abastecimento do Estado
e do Desenvolvimento Agrário, Antônio
Andrade e Pepe Vargas, respectivamente, a Secretária de Agricultura do Estado,
Mônika Bergamaschi, o líder de Governo na Assembleia Legislativa de São
Paulo, Barros Munhoz, o presidente do
sistema Faesp-Senar, Fábio Meirelles e
a prefeita de Ribeirão Preto, Darcy Vera.
Em seu discurso, o governador destacou o comprometimento do Estado com
o agronegócio. “A agricultura é a base
da nossa economia, que no momento de
perda de competitividade do Brasil, de
preocupação macroeconômica, é a agricultura que, de novo, faz toda a diferença, que agrega valor e distribui renda”.
Alckmin aproveitou o momento para
assinar o Seguro Rural, que paga metade do valor do prêmio e neste ano se
estenderá para suínos e aves. Também
falou sobre o aumento dos programas
Pró-Trator com juros zero, que atinge
desde pequenos tratores até aqueles
cabinados e o Pró-Implemento para o
financiamento de máquinas. Além disso, o governador destacou a redução
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Governador do Estado de São Paulo,
Geraldo Alckmin
do ICMS (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços) do etanol de
25 para 12%.
“O Brasil é um exemplo para o mundo, de energia limpa, energia renovável. Recentemente passamos a mistura
do etanol para 25% na composição da
29
Ministro da Agricultura, Antônio Andrade
gasolina. Em breve iremos inaugurar a
dutovia entre Ribeirão Preto até Paulínia, que vai melhorar a logística e reduzir custos do setor sucroalcooleiro”,
afirmou Alckmin.
O ministro da Agricultura, Antônio
Andrade, disse que a ampliação da estrutura de armazenagem será a prioridade do Plano Agrícola 2013/2014. A falta de espaço para a colheita vem sendo
enfrentada do Nordeste ao Sul do país,
agravando a pressão sobre a estrutura
de transporte. “Vamos lançar um plano
nacional de armazenagem, com juros
mais baixos e maiores prazos de pagamento e de carência”, assegurou.
Andrade ainda disse durante seu pronunciamento que a safra 2013/2014 será
novamente recorde, a projeção é para
mais de 184 milhões de toneladas de
grãos. “É preciso garantir renda ao agricultor e, por isso, teremos um plano de
safra mais amplo e efetivo”, concluiu.
Ex-ministro da Agricultura,
Roberto Rodrigues
Presidente da Agrishow,
Maurílio Biagi Filho
A falta de investimentos em logística foi comentada pelo ex-ministro da
Agricultura, Roberto Rodrigues. Para
ele a agricultura vive um momento positivo no país no que diz respeito a custo de produção, tecnologia, conquistas
de mercados e um momento negativo
do ponto de vista logístico. “A logística
é um problema que está parado há 20
anos, enquanto isso, a agricultura cresceu, explodiu na produção e a logística
não acompanhou. Foram 20 anos sem
investimentos, e agora é necessário que
seja feito alguma coisa. O governo,
mesmo que timidamente, está fazendo
alguns gestos positivos como a questão das concessões para infraestrutura
e também a política dos portos, mas os
resultados demoram a aparecer. Infelizmente, ainda teremos alguns anos de
apagão logístico”.
gi Filho. Para ele, a Agrishow é uma
grande vitrine do que está acontecendo
atualmente no setor. Ele destacou os benefícios da feira para a cidade de Ribeirão Preto e região, como um aumento
na economia de R$ 150 milhões antes,
durante e depois do evento.
Assim como em 2012, neste ano o
cargo de presidente da Agrishow foi
ocupado pelo empresário Maurílio BiaForam realizadas mais de 800
demonstrações de campo
“Este evento é na verdade um grande encontro entre pequenos, médios e
grandes agricultores. Recebemos produtores de todas as culturas e de pecuária também, que vêm até aqui para se
reciclarem e adquirirem novos conhecimentos”, disse Biagi.
Durante os cinco dias de feira, 150
mil pessoas visitaram a Agrishow e
conferiram de perto os 790 expositores
dentro de uma área de 440 mil m², gerando cerca de 20 mil empregos diretos
e indiretos.
Para realizar as mais de 800 demonstrações de campo, foram destinados 100
hectares, que foram utilizados para máquinas estacionárias, hortifruticultura,
pulverização, preparo de solo, plantio, colheita, forrageira de milho, cana e capim,
colhedora de forragem, fenação, manejo
anima, soja, sorgo e tecnologias diversas.
Para facilitar o acesso, assim como
nos anos anteriores, a estrutura da feira foi setorizada, dividindo a área em
fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas, insumos, ferramentas,
veículos, associações de classe, instituições financeiras, centros de pesqui-
Revista Canavieiros - Maio de 2013
30
Feiras & Eventos
ocasião representando o presidente
da feira, Maurílio Biagi Filho, o vice-presidente da ABAG (Associação
Brasileira do Agronegócio), Francisco Matturro e o gerente-geral, José
Danhesi Júnior – anunciaram o volume de R$ 2,6 bilhões de negócios
realizados durante os cinco dias, um
crescimento entre 15 e 16% em relação à edição anterior.
Coletiva de encerramento com os dirigentes da feira – gerente-geral, José Danhesi
Júnior, vice-presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas
e Equipamentos), João Carlos Marchesan e o vice-presidente da ABAG (Associação
Brasileira do Agronegócio), Francisco Matturro
sa e universidades. A área também foi
regionalizada por segmentos: agricultura de precisão, irrigação, armazenagem, ferramentas, ônibus/transporte/
transbordo, montadoras, máquinas para
construção, pneus, pecuária e sementes/
defensivos/adubos.
Além disso, várias melhorias foram
realizadas em infraestrutura neste ano,
totalizando investimentos de mais de
R$ 1,2 milhão, como: reservatório de
300 mil litros, renovação de 20 mil m² de
grama em diversas áreas de exposição,
calçamento de mais de 1000 m², melhorias e ampliação nos sistemas de distribuição de água, esgoto e energia elétrica,
implementação de traslados com ônibus
padrão e implementação de variedades
nas praças de alimentação. Para os próximos anos, com a segurança do espaço da
Agrishow por mais 30 anos, serão investidos cerca de R$ 15 milhões.
Na coletiva de encerramento, os
dirigentes da feira – o vice-presidente
da Abimaq (Associação Brasileira
da Indústria de Máquinas e Equipamentos), João Carlos Marchesan, na
João Carlos Marchesan enfatizou a
qualidade dos agricultores que passaram pela feira. “Os produtores estão
focados em busca de inovação tecnológica e sabem que podem encontrar
isso aqui na Agrishow”, disse. De
acordo com Marchesan, os pulverizadores autopropelidos e as plantadeiras
de grande porte foram os grandes destaques da feira.
A Agrishow é uma realização da
ABAG, Abimaq, ANDA (Associação
Nacional para Difusão de Adubos) e
SRB (Sociedade Rural Brasileira).
A Revista Canavieiros também esteve presente na 20ª Agrishow pelo sexto ano
consecutivo, buscando novidades em tecnologias para o agronegócios. O objetivo
da participação é ter conhecimento para informar os leitores dos principais destaques da feira, através de informações precisas e de credibilidade.
O estande da Revista Canavieiros foi visitado pelo gerente do departamento de
compras da Copercana, Ricardo Meloni, pelo assessor das diretorias do Sistema
Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred, Manoel Sérgio Sicchieri e pelo gerente
financeiro da Copercana e Canaoeste, Giovanni Rossanez RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
31
Novas Tecnologias
Agrishow 2013: sucesso em novidades
Edição que marcou os 20 anos de feira contou com
diversos lançamentos de máquinas e produtos
Fernanda Clariano e Carla Rodrigues
A agricultura brasileira vive um
momento de recordes de produção em
razão do aumento de produtividade e a
20ª Agrishow - Feira Internacional de
Tecnologia Agrícola em Ação, realizada em Ribeirão Preto, de 29 de abril a
03 de maio, se consolida como a maior
e principal vitrine do que há de mais
moderno em tecnologia para o desenvolvimento do agronegócio. O avanço
da mecanização no setor sucroenergético e os preços valorizados das principais commodities do agronegócio têm
estimulado as empresas de máquinas
agrícolas a investirem em tecnologia e
em produtos adaptados às necessidades
de cada cultura.
Confira!
Case IH
Entre os destaques deste ano, a CaseIH levou para a feira, sua nova colhedora de cana A4000, modelo 2013.
O modelo chega ao mercado com uma
série de melhorias, garantindo maior
qualidade da matéria-prima e aumento na capacidade produtiva do equipamento. As novidades incluem upgrade
no sistema de alimentação da máquina,
com a inserção de divisores de linha externos, despontador como pratos reunidores, uma nova concepção no sistema
hidráulico, com maior fluxo, aumentando o sistema de transporte através dos
rolos transportadores, um motor mais
potente no exaustor primário, que amplia a capacidade de limpeza.
Outra novidade da Case IH para revolucionar o mercado de colheita de cana-de-açúcar na América Latina é a colhedora de cana de espaçamento variável da
nova série A8800 Multi Row. Projetada
para atender à crescente demanda por
redução de custos operacionais, a nova
Multi Row possui um exclusivo e patenteado sistema de divisores de linha, que
tem como característica a flexibilidade
de atender a colheita em diferentes espaçamentos e pode ser ajustado de acordo
com as necessidades do produtor.
Jacto
A Jacto levou para a feira, a adubadora
Uniport 3000 NPK para a cultura canavieira e o JSS, sensor de fertilidade de solos.
A Uniport 3000 NPK, ganha mais
tecnologia e capacidade operacional,
possibilitando a aplicação de fertilizantes em dez linhas simultaneamente.
Agora, a mesma precisão e qualidade
de aplicação reconhecida pelo mercado canavieiro, poderão ser aplicadas
nas culturas de algodão e grãos com a
nova versão do Uniport 3000 NPK com
15 linhas, alcançando produtividades de
220 ha/dia. Com um vão de 1,25 metros,
permite aplicações mais tardias e facilidade de calibração e ajuste da dosagem.
O resultado é produtividade e economia.
“Em relação ao modelo anterior de
nove linhas, este aumento para dez linhas
JSS (Jacto Soil Sensor)
proporciona uma capacidade operacional 8% maior e com maior facilidade de
operação, pois a barra fica centralizada
na máquina, com cinco bocais do lado
esquerdo e cinco do lado direito”, explica o gerente de Produto da Linha de Pulverizadores Automotrizes e Adubadores
da Jacto, Wanderson Tosta.
Ainda com foco em inovação e na
melhoria contínua de seus produtos e serviços a Jacto apresentou na feira, o JSS
(Jacto Soil Sensor), um novo conceito em
análise de solo para soluções em Agricultura de Precisão. O novo sensor faz a
correção da refletância da luz do solo com
as análises químicas e, por meio de uma
calibração, cria mapas de recomendação
de aplicação de fertilizante.
“Baseado nas amostras analisadas em
laboratórios, geramos uma calibração
para as informações coletadas pelo sensor, que nos permitirá estimar mapas com
resolução muito maior que as práticas
atuais. Com a validação dos mapas medi-
Revista Canavieiros - Maio de 2013
32
Novas Tecnologias
dos (baseado nas análises de laboratório)
e estimados (baseado na leitura contínua
do sensor), o processo de análise de solo
se torna mais rápido e econômico”, explana o coordenador de Projetos de Adubação, Denis Yukio Sakamura.
Valtra
A Valtra apresentou aos visitantes da
Agrishow, os novos tratores da nova linha BH Geração III, incluindo cabine,
sistema hidráulico, design que, além
de moderno e arrojado, melhora muito o raio de giro das máquinas. Os exclusivos modelos fazem parte da linha
que chega para ampliar as opções de
potência, entre eles, o trator BH 135i
(137cv), com motor de quatro cilindros
turbo-intercooler, opção para o agricultor que necessita ter em sua propriedade, máquinas para desempenhar as mais
variadas funções e atividades. Também
integram a família da Geração III os novos tratores BH200 (200cv) e o BH210i
(210cv). As novidades apresentadas na
Agrishow estarão disponíveis ao mercado no segundo semestre deste ano.
“Os três lançamentos são equipados com motor AGCO Power 420DSA,
620DS e 620DSA que trabalham com
Diesel ou Biodiesel B100, ou seja, até
100% de Biodiesel. Possuem ainda intercooler que baixa a temperatura de admissão, melhorando a eficiência na combustão, resultando em economia no consumo
e baixos níveis de emissões de poluentes”, explica o supervisor de marketing
de produto trator Valtra, Winston Quintas.
New Holland
A New Holland expôs as colheitadeiras CR9090 e CR5080, que chegam
ao mercado brasileiro para atender os
mais exigentes produtores, sejam de
grandes ou pequenas propriedades. O
destaque ficou com a CR9090, produzida na Europa e disponível no país
como a maior colheitadeira. Ela é equipada com um motor de 13 litros, o qual
possui um novo sistema de controle de
emissões pós-combustão, garantindo
mais força e menos consumo. Com potência de 530cv, a colhedeira apresenta
capacidade suficiente para plataformas
de até 45 pés, apta a suportar cargas de
12.500 litros de grãos e um sistema opti
spread (controle na cabine de direção e
amplitude da distribuição de resíduos
nos 45 pés).
A colheitadeira CR5080 é a menor
máquina com sistema de duplo rotor do
mercado, que deve atender bem os produtores de grãos. A colheitadeira possui
tanque graneleiro de 7.050 litros e, nas
condições ideais, a máquina opera com
plataformas de 20 e 25 pés. É um equipamento que serve de porta de entrada
para os produtores que possuem áreas
menores e querem deixar de utilizar o
sistema convencional de debulha e aderir ao duplo rotor.
Destaque ainda na Agrishow o trator modelo T7, que tem o menor custo
operacional e consumo de combustível
com sistemas inteligentes que permitem
o aumento de potência; o trator modelo
TL, que vem com novo capô e design; e o
Pulverizador Defensor SP2500, máquina
com predisposição para itens da agricultura de precisão, como piloto automático,
recursos de corte de seção e principalmente o sistema de injeção direta.
Massey Fergusson
A Massey Ferguson segue inovando e mostrou na Agrishow uma linha
completa de soluções com equipamentos que revolucionam o conceito de
precisão no cultivo das principais culturas brasileiras. O Auto Guide 3000,
sistema de direcionamento automático,
chega como um avanço das ferramentas já conhecidas no mercado. O piloto
automático oferece até três níveis de
precisão: submétrico, até 30 cm de pre-
Revista Canavieiros - Maio de 2013
cisão entre as passadas; decimétrico, 10
cm de precisão na passada; e por fim o
centimétrico que por meio de sinal RTK
consegue uma precisão de até 2,5cm na
passagem dos equipamentos. Os comandos são executados em uma tela
touchscreen de 12,1 polegadas.
“O Auto Guide 3000 eleva os ganhos
do produtor de duas maneiras: melhora
a qualidade das operações realizadas na
lavoura e rendimento das máquinas”,
explica o coordenador de marketing de
soluções em tecnologia avançada Massey Ferguson, Niumar Dutra Aurélio.
A série de tratores MF 8600, chega
mais uma vez a Ribeirão Preto com os
maiores e mais modernos modelos. Dotados de tecnologia de ponta, MF 8670
e MF 8690 de 320cv e 370cv, respectivamente, são os primeiros no Brasil a
serem equipados com a transmissão CVT
(Dyna-VT), o mesmo conceito que leva
conforto e economia de combustível aos
carros mais modernos vendidos no mercado. Os tratores contam com piloto automático de série e função DTM, que aperfeiçoa o desempenho durante o trabalho,
gerando economia de combustível.
Os visitantes também puderam conferir a colheitadeira mais versátil do
mercado a MF32 SR, habilitada tanto
para a cultura de arroz quanto para grãos
como soja, milho, e trigo. Equipada com
um sistema híbrido de processamento, a
máquina conta com dois rotores responsáveis pela separação, que substituem a
convencional saca-palha aumentando a
capacidade de colheita.
“A MF32 SR amplia em até 40% o
trabalho, reduzindo os níveis de perdas
totais da colheita a quase zero”, ressalta
o gerente de marketing do produto colheitadeiras da Massey Ferguson, Roberto Ruppenthal.
33
John Deere
máquina tem capacidade diária de enfardamento de 250 fardos de 650 kg,
com dimensoes de 1,20 x 0,9 x 2,4m
(largura x altura x comprimento).
“Esta máquina geralmente é destinada para produção de biomassa, podendo ser usada para enfardamento de
qualquer cultivar, mas o sistema de picagem é muito indicado para a palhada
de cana”, esclarece o representante do
departamento de Marketing da Krone,
Wesley Logstadt.
Cristiano Trevisan
A John Deere também apostou na
mecanização do setor canavieiro e apresentou durante a feira, a versão 2013 da
colhedora de cana 3520.
O que mais chama atenção nesta maquina nova é que agora ela tem controles
eletrônicos para operá-la. Também conta
com novos displays, que auxiliam o operador a fazer suas configurações, como
por exemplo, ajustar a rotação e a performance da máquina em função do tipo do
canavial. Para um canavial forte, o operador pode ajustar a máquina na função
mais potente, com mais velocidade de
extrator. Já para um canavial fraco, ele
pode colocar menos velocidade, e com
isso consegue economizar combustível.
Outra coisa importante é que agora o
operador tem o nível de gestão e o líder
da frente tem outro nível de gestão. Isso
significa que o operador pode tomar
algumas decisões, mas a maior parte
delas fica com o gestor. Por exemplo, a
velocidade máxima de colheita é decidida pelo gestor.
Às vezes se anda muito rápido, colhendo cana e destruindo o canavial, ou
seja, a cana é colhida, mas o canavial e
a soqueira, que precisa estar no chão e
boa para o próximo ano, é destruída. A
vantagem é que com estes novos controles eletrônicos, é possível então limitar algumas operações do operador e ter
uma colheita mais uniforme.
Essa evolução da máquina foi nos
dois modelos da colhedora de cana, então todas as maquina produzidas a partir de 2013 já vem com estas evoluções
eletrônicas.
“A John Deere está sempre evoluindo, todo ano tem novidade em colhedora
de cana porque temos um contato muito
grande com as usinas e as usinas também estão mudando o sistema de colheita delas, então sempre visitamos clientes
e sabemos deles do que mais precisam,
e assim vamos atualizando as máquinas
novas”, diz o gerente de produtos da
John Deere, Cristiano Trevisan.
Stara
Krone
A assessora comercial Nícole Stapelbroek Trennepohl
e o diretor industrial Átila Stapelbroek Trennepohl
A Krone, empresa líder mundial no
segmento de fenação, apresentou novidades em enfardadeiras. A enfardadeira
Big Pack é de origem alemã e começou a
ser aplicada no Brasil há um ano e meio.
Ela tem capacidade para fazer o
fardo com 25% a mais de densidade e
o grande benefício é que ela já leva a
palhada da cana picada para a usina,
aumentando em muito a vantagem em
logística e produtividade. Ou seja, é
possível evitar que um material fique
parado na usina, fazendo com que este
material chegue pronto para ser queimado na geração de bioenergia. Cada
Durante a 20ª edição da Agrishow, a
empresa Stara anunciou o novo projeto em parceria com a empresa italiana
Argo Tractors, que irá resultar no lançamento de um novo produto, a linha de
máquinas agrícolas Stara.
Segundo o diretor industrial da Stara, Átila Stapelbroek Trennepohl, esta
parceria é um divisor de águas para a
empresa, que fabrica somente implementos. Este novo projeto permitirá
que a empresa disponibilize ao mercado
tratores com alta tecnologia, desenvolvida no Brasil, também possibilitando a
Argo Tractors, acesso a sua tecnologia
de Agricultura de Precisão.
“O benefício disso é poder fortalecer
nossas concessionárias, que é muito importante para rede e sem dúvida colocar
a Stara em outro patamar, com outra
visualização pelos produtores e clientes. Vamos iniciar este projeto com um
modelo de 105 cavalos de potência que
vai atender produtores médios e pequenos, mas logo em seguida prevendo já
ampliar essa linha, teremos uma linha
completa desde o pequeno produtor até
o grande produtor do Centro-oeste brasileiro”, explica Trennepohl. RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
34
Destaque I
Presidente da Canaoeste participa de debate
do Canal Rural
Ao lado de lideranças do setor, Manoel Ortolan discutiu sobre os impactos da mecanização
Carla Rodrigues
D
urante a Agrishow 2013, realizada de 29 de abril a 03 de
maio, o presidente da Canaoeste e Orplana, Manoel Ortolan, participou de um debate no estande do Canal
Rural. O tema discutido foi sobre os
impactos da mecanização na cultura da
cana.
Participaram do debate, a diretora
do IEA (Instituto de Economia Agrícola), Marli Dias Mascarenhas Oliveira,
o presidente da SRB (Sociedade Rural
Brasileira), Cesário Ramalho e o presidente da Fetaesp (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de
São Paulo), Braz Albertini.
Para abrir os trabalhos, a diretora
do IEA realizou a apresentação de uma
palestra sobre as “Mudanças ocorridas no sistema de produção decorrentes do incremento da mecanização e
dos impactos ambientais na cultura da
Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste e Orplana
João Batista Olivi (Canal Rural), Manoel Ortolan (Canaoeste e Orplana), Cesário Ramalho
(SRB), Braz Albertini (Fetaesp) e Marli Dias Mascarenhas Oliveira (IEA)
cana-de-açúcar”. Em sua apresentação,
Mascarenhas levou informações importantes sobre os índices de mecanização
nos canaviais brasileiros, fim da queima
e soluções para modificar o atual cenário dos trabalhadores colocando-os em
um patamar mais alto.
Braz Albertini defendeu a ideia de
encontrar soluções para todas as classes, realizando investimentos em extensão rural através de orientações viabilizando as usinas e os trabalhadores.
“Concordo que precisamos preservar o
meio ambiente, mas também a vida e os
nossos trabalhadores que serão prejudicados com a mecanização. É de grande
importância a realização de processo de
qualificação para estes trabalhadores”.
numa posição onde o empresário possa
ter viabilidade para investir. Enquanto
isso não acontece, é importante que os
produtores busquem por novas alternativas que os façam crescer, como a atividade de grãos”, disse Ortolan.
Durante o debate, Ortolan falou sobre a situação do setor, que hoje não é
das melhores. Desde a crise, iniciada
em 2008, ocorreu uma desestruturação no setor, que desencadeou outros
problemas, como clima, falta de investimentos nos canaviais e velocidade
baixa de crescimento. Já com a chegada
da mecanização, houve redução da mão
de obra e fechamento de unidades produtoras. Além disso, o governo tirou a
competitividade do etanol, prejudicando a todos. “É preciso colocar o etanol
Para que nenhuma classe do setor
seja prejudicada, Ramalho defendeu
que é necessária a criação de regras claras e políticas públicas. Para ele, preservar o meio ambiente e desempregar
trabalhadores não é a forma correta de
resolver o problema. “A cana-de-açúcar
tem muita importância no campo, gerou
renda e postos de trabalho. O Brasil não
foi sério ao tratar da questão ambiental/
mecanização, desempregou pessoas e
não teve foco para investimento”, criticou Ramalho. RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
O público presente participou da discussão fazendo
perguntas aos debatedores
35
Destaque II
ABAG/Ribeirão Preto divulga resultado de
pesquisa realizada com a população urbana
sobre o agronegócio
O agronegócio passou a ser visto como orgulho nacional, 83% das pessoas já ouviram falar do
agronegócio e 96% conseguem correlacioná-lo a outros setores da economia.
Fernanda Clariano
N
o dia 19 de abril, a ABAG/RP
(Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão
Preto), reuniu a imprensa em sua sede para
apresentar os resultados da pesquisa realizada sobre,“A percepção dos moradores
da zona urbana da região de Ribeirão Preto sobre o Agronegócio brasileiro”, que incluiu quatro cidades da região: Araraquara,
Franca, Ribeirão Preto e São Carlos; um
complemento a uma grande pesquisa de
opinião pública feita pela ABAG, com
levantamento realizado nas 12 capitais
brasileiras, entre 15 de dezembro 2012 e
15 de janeiro de 2013. Apresentaram os
trabalhos: a diretora executiva da ABAG,
Patrícia Milan, o diretor geral do IPESO
(Instituto de Pesquisa),Victor Trujillo, que
coordenou a pesquisa e o professor da
ESPM (Escola Superior de Propaganda e
Marketing), José Luiz Tejon.
Um dos principais objetivos da pesquisa foi de saber o quanto a população
urbana percebia o agronegócio como
importante ou não, e em que dimensão.
Para a diretora executiva da ABAG/RP,
Patrícia Milan, pesquisa de opinião de
percepção do agronegócio não é uma
novidade na ABAG/RP, que antes mesmo de começar as suas atividades, realizou uma pesquisa de opinião da sociedade sobre o agronegócio.
“Nessa pesquisa, uma das coisas que
a gente pôde constatar é que o produtor
rural não aparecia entre as mais importantes profissões que existia na região sendo que, em 2000 já existia a Agrishow, o
setor era importante economicamente e
gerava emprego da mesma forma. Após
essa pesquisa, o que a gente constatou
através dos resultados é que o agronegócio passou a ser visto como orgulho nacional, passou a ser visto como um setor
campeão no mundo, 83% das pessoas já
Patrícia Milan,
diretora executiva da ABAG
Victor Trujillo, diretor geral da IPESO e
José Luiz Tejon, professor da ESPM
ouviram falar do agronegócio e 96% conseguem correlacioná-lo a outros setores
da economia e quase 100% percebem o
agro como economia importante para o
país. O produtor rural agora aparece em
quarto lugar como a profissão de maior
importância na região. O agronegócio
cresceu e eu acredito que o trabalho da
Abag de Ribeirão Preto fez diferença
neste processo”, afirmou Patrícia.
foi a ótima imagem do agronegócio. “A
pesquisa mostrou que o cidadão, o morador seja da região de Ribeirão Preto,
principalmente dos grandes centros urbanos, possuem uma imagem bem otimista
e importante para o setor na medida em
uma parcela significativa da população
desconhece o setor, desconhece o significado do que é agronegócio e quem conhece tem uma imagem boa”, disse Trujillo.
O coordenador do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM, José
Luiz Tejon, lembrou que a pesquisa da
ABAG/ESPM também revelou que, na
comparação com outros setores da economia, o agronegócio ficou em quinto
colocado no quesito “orgulho do brasileiro”, mas que nas regiões Centro-Oeste e Nordeste ele apareceu em segundo
lugar nesse conceito. “O Centro-Oeste
representa hoje a região brasileira que
mais consciência tem sobre o agronegócio, enquanto o Sudeste é o menos
informado sobre o tema, levando à
conclusão de que o agronegócio exibe
contrastes: é respeitado e valorizado
pela população urbana, mas distante e
desconhecido”, observou Tejon.
Ainda de acordo com Patrícia Milan,
“a ABAG Ribeirão Preto, inovou, foi pioneira, apostou na comunicação e na educação e acertou. Agora é hora de continuar
nesse processo de comunicação e temos
vários desafios, um deles é essa nova geração que vem aí, que está conectada em
diversas outras mídias e a nossa forma de
comunicação precisa estar atenta às mudanças no setor e no comportamento da
sociedade. Dados os resultados dessa pesquisa, agora é hora de absorvermos todas
essas informações, analisar com cuidado
e traçar então as nossas novas diretrizes.
A gente já consegue identificar novas
segmentações na sociedade para poder
comunicar qual a forma a ser utilizada
para melhorar essa percepção sobre o
agro na sociedade. O que eu posso dizer é
que, apostar na educação continua sendo
o caminho”, concluiu Patrícia. RC
Para diretor geral do IPESO, Victor
Trujillo, o surpreendente nessa pesquisa
Revista Canavieiros - Maio de 2013
36
Informações Setoriais
Chuvas de abril de 2013 e previsões
climáticas para junho e julho
Chuvas anotadas ao final do mês de abril de 2013.
Engº Agrônomo Oswaldo Alonso
Consultor
A média das chuvas anotadas durante
abril de 2013 (78mm), foi praticamente
igual à das normais climáticas dos locais observados (76mm). Significativos
volumes de chuvas, acima das respectivas médias históricas, foram observados
na Fazenda Santa Rita, Unidade Biosev
MB e Usina Batatais.
P
or motivo de força maior, o dano
em provedor do sistema de dados do Departamento de Climatologia do IAC-Campinas, não permitiram que mapas temáticos de DAAS
(Disponibilidade de Água Armazenada no Solo) fossem disponiblizados a
tempo desta Edição da Revista Canavieiros. Dados e mapas serão fornecidos para a próxima Edição - Feira de
Agronegócios Copercana.
A partir desta edição, contar-se-á
com considerações da Gestora Técnica, Engª Agrª Alessandra Durigan,
que se propõe a focar as principais
e recentes tecnologias para todas as
fases de produção de cana. Também,
contar com o trabalho diário de coleta de dados de chuvas em todos os
Escritórios Regionais Canaoeste, que
já têm sido disponibilizados em seu
site. Tal como os demais dados habituais de chuvas (Quadro 1 acima),
serão publicadas as somas e médias
mensais destas informações (Vide
Quadro 2). Pode, até, ser considerado
como retrabalho. Entretanto, as somas
mensais e respectivas médias históricas de chuvas constantes do Quadro
1, cobrem toda área de abrangência-filiados Canaoeste; enquanto que os
dos Escritórios Regionais serão sem-
pre dados diários (disponibilizados
no site) de locais próximos e, mesmo,
destes Escritórios.
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Para subsidiar planejamentos futuros, a Canaoeste resume o prognóstico climático de consenso entre
37
INMET-Instituto Nacional de Meteorologia e INPE-Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais para os meses de
junho e julho de 2013, conforme ilustrado no Mapa 1.
Mapa 1:- Adaptação CANAOESTE ao Prognóstico de Consenso entre INMET-INPE
para o bimestre junho e julho de 2013.
• Para estes meses as temperaturas
poderão ser próximas das respectivas
médias históricas para toda região Centro Sul do Brasil. Entretanto, mesmo
sem previsão de ocorrências de temperaturas mínimas extremas, poderão
haver incursões de massas frias nas regiões Sul, Sudeste e no Estado do Mato
Grosso do Sul;
• O consenso INMET-INPE assinala também que, em (quase) toda área
sucroenergética da região Centro Sul,
as chuvas poderão oscilar com iguais
probabilidades para as três categorias,
ou seja, entre acima a abaixo das correspondentes normais climáticas. Exceto na faixa oeste da região Sul, onde
estão previstas chuvas abaixo das médias históricas.
• Para Ribeirão Preto e municípios
vizinhos, tendo como referência o Centro de Cana-Apta IAC, as médias históricas de chuvas de junho e julho, respectivamente, são de 28 e 21mm.
Os diversos modelos climáticos
utilizados pela SOMAR Meteorologia permitem prever que, além das
chuvas deste início de junho, elas poderão ocorrer também entre final de
junho, início de julho e em período
longo entre meados de julho e início
de agosto. Estes mesmos modelos
apontam que ventos (canais) poderão
bloquear entradas de massas mais in-
Acesse nosso site:
www.revistacanavieiros.com.br
tensas de frio na área sucroenergética
da região Centro-Sul.
Alessandra Durigam, analisando o período de plantio deste ano, pode notar que
os produtores atrasaram esta operação devido as chuvas que ocorreram em março
e até meados de abril. Mas, a satisfatória
disponibilidade de água no solo, encorajou a continuidade de plantio.
Deve-se ressaltar que, para o plantio de 18 meses, o período mais indicado para região Centro-Sul é de janeiro
a março, mas na maioria dos anos os
plantios tem se estendido até abril.
Entretanto, para as áreas canavieiras
na região de abrangência da Canaoeste, que tem experimentado estiagem
durante os meses de inverno (julho a
setembro), os plantios mais precoces
(antes do final de fevereiro) tem sofrido fortes estresses, com os entrenós já
expostos se encarretelando que, mesmo após o retorno das chuvas na primavera, tem atrasado a retomada de
crescimento dos canaviais.
Por segurança dos cerca de R$ 5.000,00
investidos nesta operação, os plantios a
partir de meados de abril torna-se indispensável a irrigação. Deve-se, ainda,
considerar que as temperaturas mais
baixas, principalmente as noturnas,
podem comprometer a germinação das
plantas. O emprego de fungicidas e estimuladores de enraizamento e brotação,
tem mostrado que são importantes aliados nestes meses de condições menos
favoráveis à (intensidade e velocidade)
de germinação.
Estes prognósticos serão revisados
nas edições seguintes da Revista Canavieiros. Previsões ou fatos climáticos
relevantes serão noticiados em
www.canaoeste.com.br e
www.revistacanavieros.com.br.
Persistindo dúvidas, consultem os
Técnicos mais próximos ou através do
Fale Conosco Canaoeste. RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
38
Assuntos Legais
CAR - Cadastro Ambiental Rural paulista em
fase de implantação
Juliano Bortoloti
N
o último dia 09 de maio, em
reunião ocorrida na Secretaria
da Agricultura do Estado de
São Paulo, com a participação da Secretária da Agricultura, Mônika Bergamaschi e do Secretário do Meio Ambiente,
Bruno Covas, juntamente com seus assessores, foi apresentado o CAR – Cadastro Ambiental Rural paulista, instituído pela Lei Federal n. 12.651/2012
(novo Código Florestal). Na reunião
teve a participação de representantes do
setor produtivo do agronegócio, entidades de classe do meio rural e industrial
e de instituições financeiras.
Como já dito aqui neste espaço, o
CAR será um cadastro eletrônico (internet) obrigatório que todo proprietário/possuidor rural terá que fazer de seu
imóvel rural, visando adequá-lo às disposições do novo Código Florestal
De acordo com o que foi passado
pelo Governo Estadual, inicialmente
se implantará o CAR para, após, este
instituir-se o PRA (Programa de Regularização Ambiental) de acordo com as
peculiaridades do Estado, o que norteará a regularização dos imóveis rurais
obedecendo ao que determina o Novo
Código Florestal.
Voltando ao CAR, ficou demonstrado tratar-se de um sistema desenvolvido pelo Governo, nos moldes da “declaração anual do imposto de renda”, ou
seja, um modelo “auto-declaratório”,
que deverá ser preenchido com diver-
sas informações do imóvel (perímetro,
área de preservação permanente, nascentes, cursos d’água, remanescente
vegetal nativo, reserva legal de 20%,
áreas consolidadas, etc.) pelo proprietário/possuidor rural e/ou seu procurador
diretamente em um sítio eletrônico que
será disponibilizado até o final do mês
de maio de 2013, segundo propagado
na referida reunião.
No Estado de São Paulo há estimativa de cadastro de mais de 300.000 (trezentas mil) propriedades rurais, no prazo máximo de um ano, através do sítio
eletrônico, com “Login” e Senha para
cada Declarante, ressaltando que uma
vez preenchidos os dados estes poderão
ser retificados em caso de erro.
Pelo sistema mostrado, poder-se-á
proceder ao cadastro de várias propriedades/posses rurais através de entidade
de classe, consultores independentes e
empresas especializadas, sem exceção,
via de consequência, o próprio proprietário/possuidor rural.
Os dados básicos para se efetuar o
referido cadastro são: nome do imóvel
rural; endereço; nº de matrícula; dados do prestador das informações; se
o imóvel é próprio ou de terceiros (arrendamento, parceria, comodato, etc);
perímetro do imóvel rural, através de
levantamento georreferenciado ou um
simples desenho (feito com o “mouse”
do computador) da propriedade na imagem que o próprio sistema disponibilizará, onde é de bom alvitre informar
as servidões, os cursos d’água, nascentes, remanescente de vegetação nativa,
sede, área inaproveitável; área de preservação permanente consolidada (utilizada desde antes de julho de 2008).
O próprio sistema, de posse de tais
informações, emitirá um protocolo que
comprova a inscrição do imóvel rural
no CAR e, ato contínuo, procederá uma
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Juliano Bortoloti
Advogado da Canaoeste
análise espacial do que foi informado e,
encontrando alguma incongruência, notificará o declarante para se manifestar,
Disponibilizado o sistema do CAR,
portanto, terá o proprietário/possuidor
rural o prazo de 1 (um) ano para a inscrição, sob pena de, não o fazendo, sofrer as penalidades legais, tais como:
recusa de financiamentos públicos e
privados, impossibilidade de licenciamento ambiental da propriedade,
ações judiciais promovidas pelo Ministério Público, etc. Até a instauração
do PRA, o proprietário não pode ser
considerado inadimplente
Na aludida reunião, os Secretários
de Estado reconheceram haver controvérsias na aplicação da lei por parte dos
órgãos de controle, dizendo, porém, que
a Procuradoria Geral do Estado (PGE)
está finalizando estudos para harmonizar
e uniformizar a forma de conduta que referidos órgãos públicos deverão ter em
relação ao novo Código Florestal, diminuindo, com isso, a insegurança jurídica.
Por fim, cabe agora aos proprietários/possuidores rurais praticarem a “lição de casa”, levantando dados de seus
imóveis para possibilitar a inscrição do
CAR e, assim, atingirem a legalidade
de seu imóvel rural perante os órgãos
públicos e privados, o que permitirá,
sem dúvida alguma, a continuidade de
sua atividade rural. RC
39
Revista Canavieiros - Maio de 2013
40
Artigo Técnico I
Preços médios da tonelada de cana para
pagamento Safra 2012/2013
Alessandra Durigan
Gestora Técnica Departamento Técnico Canaoeste
Luiz Carlos Tasso Júnior
Diretor da Canaoeste
Gustavo de Almeida Nogueira
Gestor Operacional Departamento Técnico Canaoeste
A
Safra 2012/2013 foi seguida
dos impactos negativos em
produtividade e qualidade resultantes dos efeitos climáticos adversos ocorridos na Safra 2011/2012,
porém a possibilidade de falta de
matéria-prima estava favorecendo o
mercado SPOT o que se inverteu após
chuvas ocorridas no mês de junho.
Apesar de haver a sensação de falta de matéria-prima, havia também a
preocupação de ficar cana sem colher.
Isso ocorreu porque no início da Safra
ocorreram muitos períodos com chuva, inviabilizando a colheita. Os pre-
Thiago de Andrade Silva
Gerente de Planejamento, Controle e Topografia da Canaoeste
ços não foram satisfatórios como na
Safra 2011/2012, pois apesar de não
termos excedente de matéria-prima,
tivemos os preços “controlados” pelo
mercado de açúcar, etanol e também
da gasolina.
O valor em R$/kg ATR, o fechamento para a safra 2012/13 foi de R$
0,4728 para o estado de São Paulo,
contra R$ 0,5018 da safra anterior, ou
seja, um decréscimo próximo de 5,8%.
A Tabela 1 traz a quantidade de cana
e o teor médio de ATR entre os valores do ATR de fechamento da Safra
Tabela 1 – Entrega de cana por associados Canaoeste na safra 2012/2013 e preços de
fechamento do ATR por região.
Revista Canavieiros - Maio de 2013
2012/2013 de acordo com os mix de
produção de cada Unidade Industrial.
Embora a região 2 tenha tido a
maior média no preço médio por tonelada de cana de açúcar, teve sua média aumentada devido ao resultado do
Grupo Bazan e Toniello.
Na Tabela 2, observa-se o ranking
entre as Unidades Industriais em função do valor do ATR de fechamento,
em R$ por kg (Mix de Produção Industrial) e seu percentual de variação
entre o valor de fechamento CONSECANA-SP.
Tabela 2 - Classificação das unidades industriais em função do
valor do ATR de fechamento
41
As Unidades que mais se destacaram em relação ao valor do
kg de ATR pago aos fornecedores, foram: Bazan, Bela Vista e
Pitangueiras, pois todas tiveram um diferencial acima de 4% em
relação à média do estado.
Tabela 3 - Classificação das unidades industriais em função do preço
médio da tonelada de cana de açúcar
Vale ressaltar que todas as Unidades Industriais que tiveram
seu fechamento abaixo da média do estado, R$ 0,4728/kg de ATR,
corrigiram espontaneamente para a média do estado e muitas Unidades Industriais dão subsídios a seus Fornecedores.
Outro fator importante que compõe o preço da tonelada de
cana paga ao fornecedor envolve a questão da qualidade da matéria prima, para que o valor seja formado, partindo disso a tabela 3
apresenta o ranking das Unidades Industriais em função do preço
médio da tonelada de cana para pagamento.
Nesta tabela encontra-se outro perfil, pois este valor é resultado
da multiplicação do valor do ATR, expresso em R$/kg de ATR,
pelo teor de ATR médio, expressa em kg/t.
As Unidades Industriais que tiveram o maior preço médio da
tonelada de cana paga aos fornecedores foram as Unidades: Bela
Vista, Bazan, Santa Inês, Virálcool e Pitangueiras.
Pode-se notar que embora algumas unidades estivessem em posições inferiores no ranking do mix de fechamento (Tabela 2), melhoraram seu índice em função da qualidade média de teor de ATR.
Conforme Tabela 4 contendo todas as Unidades Industriais da
região de abrangência da Canaoeste mostra que as sete Unidades
Industriais que mais remuneraram foram: Bela Vista (Grupo Bazan), Bazan (Grupo Bazan), Destilaria Santa Inês (Grupo Toniello),
Virálcool (Grupo Toniello), Pitangueiras Açúcar e Álcool, Junqueira (Grupo Raízen) e Carolo; e, as sete
Unidades Industriais que menos remuTabela 4 – Unidades industriais da região de abrangência da Canaoeste
neraram foram: Vertente (Grupo Guarani), Buriti (Grupo Pedra), Santa Elisa
(Grupo BIOSEV), Continental (Grupo
BIOSEV), Severínia (Grupo Guarani),
Vale do Rosário (Grupo BIOSEV) e
Cruz Alta (Grupo Guarani). Nesta safra
os fornecedores associados da Canaoeste
forneceram cerca de 9,7 milhões de toneladas de cana com teor médio de 137,25
kg de ATR e valor médio do ATR de R$
0,4805, contraindo um preço médio de
R$ 65,97 por tonelada.
Esta classificação resultou dos valores em kg de ATR/t e R$/kg de ATR.
As sete Unidades Industriais com maior
valor do kg do ATR foram: Bela Vista e Bazan (Grupo Bazan), Pitangueiras, Usina Virálcool e Destilaria Santa
Inês (Grupo Toniello), Carolo e Santo
Antonio (Grupo Balbo); enquanto que
as Unidades Industriais com menor valor do kg do ATR foram: Grupo Pedra,
Vertente e Mandu (Grupo Guarani),
Junqueira (Grupo Raízen), as quais pagaram pelo MIX de produção e comercialização do estado de São Paulo.
Revista Canavieiros - Maio de 2013
42
Artigo Técnico I
Perfil de Produção das sete Unidades Industriais que mais remuneraram
- A Unidade Bela Vista tem o perfil
de produção mais voltado para açúcar branco e etanol anidro e hidratado, posicionando esta com o primeiro
maior valor do kg do ATR da região
da Canaoeste, ou seja, R$ 0,4976, e
com 142,46 kg de ATR, resultando em
R$ 70,89/t.
- A Unidade Bazan tem o perfil de
produção mais voltado para açúcar
branco e etanol anidro e hidratado,
posicionando esta com o segundo
maior valor do kg do ATR da região
da Canaoeste, ou seja, R$ 0,4976 e
com 140,14 kg de ATR, resultando
em R$ 69,73/t.
- A Destilaria Santa Inês tem o perfil
de produção voltado para etanol hidratado, posicionando esta com o terceiro
maior valor do kg do ATR da região da
Canaoeste, ou seja, R$ 0,4869 e com
140,11 kg de ATR, resultando em R$
68,22/t.
- A Unidade Virálcool tem o perfil
de produção mais voltado para açúcar
branco e etanol anidro, posicionando
esta, com o quarto maior valor do kg
do ATR da região da CANAOESTE,
ou seja, R$ 0,4869 e com 139,97 kg de
ATR, resultando em R$ 68,15/t.
- A Pitangueiras Açúcar e Álcool tem
o perfil de produção mais voltado para
açúcar branco e etanol anidro e hidratado, com o valor do kg do ATR, R$
0,4937 e com 138,01 kg de ATR, resultando em R$ 68,14/t.
- A Unidade Junqueira (Grupo Raízen) com o valor do kg do ATR, R$
0,4728 e 141,61 kg de ATR, resultando
em R$ 66,95/t.
- A Unidade Carolo tem o perfil de
produção mais voltado para açúcar
branco e etanol hidratado, com o valor
do kg do ATR, R$ 0,4839 e com 137,18
kg de ATR, resultando em R$ 66,38/t.
Perfil de Produção das sete Unidades Industriais que menos remuneraram
- A Unidade Vertente (Grupo Guarani) tem o perfil de produção mais
voltado para açúcar VHP, e etanol hidratado e anidro, com o valor do kg
do ATR, R$ 0,4728 e 130,31 kg de
ATR, resultando em R$ 61,61/t.
- A Unidade Buriti tem o perfil de
produção voltado para etanol hidratado e anidro, com o valor do kg do
ATR, R$ 0,4728 e com 131,41 kg de
ATR, resultando em R$ 62,13/t.
- A Unidade Santa Elisa tem o perfil de produção mais voltado para açúOs Grupos, Toniello e Bazan, efetuaram os pagamentos dos seus Fornecedores respectivamente, pelo mix de produção da Unidade Virálcool e Unidade
Bela Vista, ou seja, pelo maior valor do
kg do ATR entre suas Unidades. Isso
possibilitou que o Fornecedor fosse
melhor remunerado, viabilizando utilizar esse rendimento extra na renovação
dos canaviais, no cultivo da cana, melhorando assim seus resultados econômicos e produtivos.
O Grupo Balbo tem procurado trazer o mix desfavorável da Unidade São
Francisco pelo valor do kg do ATR médio do Estado de São Paulo.
car VHP e etanol hidratado e anidro,
com o valor do kg do ATR, R$ 0,4738
e 132,93 kg de ATR, resultando em
R$ 62,98/t.
- A Unidade Continental tem o perfil de produção voltado para açúcar
VHP, e etanol hidratado, com o valor
do kg do ATR, R$ 0,4738 e 133,58 kg
de ATR, resultando em R$ 63,29 / t.
- A Unidade Severínia (Grupo Guarani) tem o perfil de produção mais
voltado para açúcar Branco, e etanol
hidratado e anidro, com o valor do kg
do ATR, R$ 0,4743 e 134,07 kg de
ATR, resultando em R$ 63,59/t.
- A Unidade Vale do Rosário tem o
perfil de produção voltado para açúcar branco e VHP, e etanol anidro e
hidratado, com o valor do kg do ATR,
R$ 0,4738 e 134,28 kg de ATR, resultando em R$ 63,62/t.
- A Unidade Cruz Alta tem o perfil
de produção mais voltado para açúcar
VHP, e etanol hidratado, com o valor
do kg do ATR, R$ 0,4743 e 134,71 kg
de ATR, resultando em R$ 63,89/t.
Gráfico 1 - preço médio por tonelada de cana de açucar da unidade industrial x custo de produção fonte: custo de produção da Orplana - safra 2012/2013
Tabela 5 - custo de produção
Fonte: Custo de Produção da Orplana - Safra 2012/2013
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Observa-se no Gráfico 1 que, com exceção das Unidades Bazan,
Bela Vista, Pitangueiras, Virálcool e Destilaria Santa Inês, o preço
médio da tonelada paga ao Fornecedor de todas as demais Unidades
Industriais não remuneraram o Custo Total.
43
Na Tabela 6, é apresentada a diferença, em ordem decrescente, entre o preço
médio da tonelada de cana de açúcar e o
Custo de Produção da Orplana (Tabela
5), nas Unidades industriais da área de
abrangência da Canaoeste.
Tabela 6 - preço médio por tonelada de cana de açucar da unidade industrial x custo de produção
Pode-se destacar que o melhor resultado foi verificado na Unidade Bela
Vista, onde o preço médio ficou 2,94%
acima do Custo Total. Ao contrário o
pior resultado foi obtido na Unidade
Vertente, onde o preço médio por tonelada ficou 6,34% abaixo do Custo Total.
A Canaoeste é imparcial em todo
conteúdo publicado neste artigo, não
agindo assim de forma tendenciosa
afim de favorecer qualquer Unidade
Industrial.
Fonte: Custo de Produção da Orplana - Safra 2012/2013
Gráficos de cana entregue e qualidade da cana de fornecedor e cana
própria por unidade industrial que aplicou o ATR relativo
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Revista Canavieiros - Maio de 2013
44
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Artigo Técnico I
RC
45
Revista Canavieiros - Maio de 2013
46
Safra
Fechamento da safra 2012/2013
E
ste trabalho tem como objetivo apresentar os dados obtidos quinzenalmente na
safra 2012/2013, em comparação com os
obtidos na safra 2011/2012.
ATabela 1 contém o ATR médio acumulado
(kg/tonelada)desta safra 2012/2013, em comparação com o obtido na safra 2011/2012, sendo que o ATR desta safra ficou 2,81 Kg abaixo
do obtido na safra 2011/2012.
Tabela 1 –ATR (kg/t) médio da cana entregue pelos
Fornecedores de Cana da Canaoeste nas safras2011/2012e 2012/2013
As tabelas 2 e 3, mostram detalhes da qualidade tecnológica da matéria-prima nas safras
2011/2012 e 2012/2013, respectivamente.
Tabela 2 – Qualidade da cana entregue pelos Fornecedores de
Cana da Canaoeste, na safra 2011/2012.
Thiago de Andrade Silva
Gestor de Planejamento, Controle
e Topografia da Canaoeste
O Gráfico 1 mostra o comportamento do BRIX do caldo da safra
2012/2013 em comparação com a safra 2011/2012.
Tabela 3 – Qualidade da cana entregue pelos Fornecedores de
Cana da Canaoeste na safra 2012/2013
O BRIX do caldo da safra 2012/2013
ficou abaixo, no período da segunda
quinzena de maio à primeira de novembro, em relação à safra 2011/2012, sendo de forma mais acentuada da segunda
quinzena de julho à primeira quinzena
de outubro, se equiparando na segunda
quinzena de novembro. Nos demais períodos ficou acima com acentuação no
mês de abril. Na média o BRIX do caldo
da safra 2012/2013 (19,04%) foi 3% inferior ao da safra 2011/2012 (19,63%).
No Gráfico 2 pode-se verificar o
comportamento da POL do caldo na
safra 2012/2013 em comparação com a
safra 2011/2012.
Pode-se observar que a POL do caldo apresentou comportamento parecido
do BRIX do Caldo.
Gráfico 1 – BRIX do caldo obtido nas safras 2012/2013 e 2011/2012
Revista Canavieiros - Maio de 2013
Gráfico 2 – POL do caldo obtida nas safras 2012/2013 e 2011/2012
47
Gráfico 3 – pureza do caldo obtida nas safras 2012/2013 e 2011/2012
Gráfico 4 – Comparativo das Médias de fibra da cana
Gráfico 5 – POL da cana obtida nas safras 2012/2013 e 2011/2012
Gráfico 6 – ATR obtido nas safras 2012/2013 e 2011/2012
Revista Canavieiros - Maio de 2013
48
O Gráfico 3 mostra o comportamento da pureza do caldo na safra
2012/2013 em comparação com a safra
2011/2012.
A pureza do caldo da safra
2012/2013 ficou igualada em relação a
obtida na safra 2011/2012 no período
de junho à setembro, ficando acima no
restante da safra, com maior acentuação no mês de abril.
No Gráfico 4, encontra-se o comportamento da fibra da cana na safra
2012/2013 em comparação com a da
safra 2011/2012.
De modo geral, a fibra da cana na
safra 2012/2013 ficou abaixo da obtida na safra 2011/2012, com exceção
da primeira quinzena de maio, ficando bem abaixo no período de julho
à novembro e primeira quinzena de
abril. Na média a fibra da cana da safra
2012/2013 (12,56%) foi 1,8% inferior
à da safra 2011/2012 (12,79%).
O Gráfico 5 contém o comportamento da POL da cana na safra
2012/2013 em comparação com a safra
2011/2012.
A POL da cana obtida na safra
2012/2013ficou muito abaixo daquela obtida na safra 2011/2012 em todas as quinzenas, sendo a diferença
mais acentuada na segunda quinzena
de julho e mês de agosto, exceto em
Safra
abril, primeira quinzena de maio, segunda quinzena de outubro e segunda
quinzena de novembro, tendo ficado
acima nessas quinzenas. Na média
a POL da cana da safra 2012/2013
(13,89%) foi 2% inferior à da safra
2011/2012 (14,17%).
No Gráfico 6 pode-se observar
o comportamento do ATR na safra
2012/2013 em comparação com a safra 2011/2012.
Como o ATR é calculado a partir da
POL e do ARC da cana, observa-se um
comportamento semelhante ao da POL da
Cana, por apresentar maior participação
no teor de ATR. Na média o ATR da safra
2012/2013 (138,82 kg/t) foi 2% inferior
ao da safra 2011/2012 (141,63 kg/t).
O Gráfico 7 mostra o comportamento daprecipitação pluviométrica(mm de
chuva) registrada na Safra 2012/2013
em comparação com a Safra 2011/2012.
A precipitação pluviométrica média
ficou acima dos valores observados
em 2011, nos meses de janeiro, maio,
junho e julho de 2012, sendo que nos
meses de maio, junho e julho a precipitação pluviométrica ficou muito acima, quando comparada com a de 2011;
Nos meses de fevereiro, março, abril,
agosto, setembro, outubro, novembro
e dezembro a precipitação pluviométrica desta safra ficou abaixo daquela
observada em 2011, de forma mais
Gráfico 7 –Precipitação pluviométrica (mm de chuva) registrada nas
safras 2012/2013 e 2011/2012
Revista Canavieiros - Maio de 2013
acentuada nos meses de fevereiro,
março, outubro e novembro e com menor acentuação em abril e dezembro.
O Gráfico 8 contém o comportamento da precipitação pluviométrica acumulada por trimestre na safra
2012/2013 em comparação com a safra
2011/2012.
Em 2012, observa-se um volume de
chuva muito abaixo no primeiro trimestre e quarto trimestre e muito acima no
segundo trimestre, se comparado aos
volumes médios de 2011. O terceiro
trimestre, praticamente se igualou ao
volume médio observado em 2010.
O déficit hídrico observado na safra
2012/2013 se assemelha com o ocorrido na safra 2010/2011, porém há uma
expectativa de melhora na produtividade para a safra 2013/2014, levando
em conta que mesmo com precipitação pluviométrica inferior à da safra
2011/2012, não houveram prejuízos
causados a partir de efeitos climáticos
como geadas, ventos fortes, entre outros que ocorreram na safra 2011/2012.
A precipitação pluviométrica na safra 2012/2013 ocorreu em momentos
importantes para o desenvolvimento
vegetativo da cana-de-açúcar, porém
com grande volume no mês de junho
que contribuiu para a queda da qualidade da matéria-prima e mudança do
cenário de venda SPOT. Todas as condições fez com que o ATR médio ficasse 1,98% (2,81 kg/t) abaixo do obtido
na safra 2011/2012. RC
Gráfico 8 – Precipitação pluviométrica (mm de chuva) por Trimestre,
nas safras 2012/2013 e 2011/2012
49
Revista Canavieiros - Maio de 2013
50
Artigo Técnico II
Colheita Mecanizada: uma realidade para o setor
Engenheiro Agrônomo João Francisco Antonio Maciel – Canaoeste Ituverava,
com o apoio de Alessandra Durigan, gestora técnica da Canaoeste
A
tendendo a exigências sociais e
ambientais, a colheita mecanizada é atualmente uma prática
que solidifica a sustentabilidade da cultura de cana-de-açúcar. Com as leis de
eliminação gradual da queima, proibição definitiva em 2014 em propriedades
com áreas superiores a 150 hectares e
em 2017, em propriedades com áreas
inferiores a 150 hectares, a mecanização é irreversível devido a inviabilidade
do corte manual da cana crua pelos custos altíssimos de mão de obra.
Para a colheita mecanizada obter
sucesso, é importante que a operação
seja realizada de maneira que não
comprometa a produtividade agrícola
e a qualidade da matéria-prima. Problemas decorrentes de pisoteio na linha de cana, provocando muitas vezes
falhas de brotação, arranquio de soqueira, redução de vigor, compactação
do solo, são ainda muito comum nos
canaviais e dependem de adaptações e
investimentos em equipamentos e treinamento de equipes.
Vários fatores devem ser considerados: sistematização da área, características varietais, homogeneidade do
canavial, qualidade da operação, maquinários envolvidos, treinamento de
equipes, entre outros.
A sistematização é a etapa mais importante e envolve a preparação inicial do terreno. São retirados os tocos,
pedras e restos de materiais estranhos
realizando o nivelamento da área, dimensionados o formato e comprimento dos talhões, locação de estradas e
carreadores, sistemas conservacionistas e planejamento de sulcação. Portanto, a sistematização da área para a
colheita mecanizada deve ter grande
atenção, pois dela depende uma colheita bem sucedida.
A transição da colheita manual para
colheita mecanizada acarretou além de
mudanças e adaptações ao processo de
colheita, consequências como perdas
altas de matéria-prima que podem chegar de 10 a 15 toneladas por hectare em
Agrônomo João Francisco Antonio Maciel
Agrônomo da Canaoeste de Ituverava
casos extremos e, o aumento das impurezas minerais e vegetais na indústria.
Na cana crua a quantidade de matéria
vegetal (ponteiros, palha e folhas verdes) é bem maior quando comparado a
cana queimada.
Perdas na colheita mecanizada
As perdas podem ser classificadas
em visíveis e invisíveis. As perdas visíveis podem ser vistas no campo na
forma de cana inteira, cana ponta, toletes, tocos, pedaços de cana e lascas.
São facilmente identificadas, coletadas
e quantificadas. Valores aceitáveis são
próximos a 3 toneladas/ha. As invisíveis
(caldo, serragem, pequenos estilhaços)
envolvem o processamento interno da
cana na colhedora provenientes de impactos mecânicos do sistema de corte,
picagem, transporte e limpeza.
Perdas visíveis
As perdas visíveis são associadas
às características da área a ser colhida
que são: varietais (produtividade, tombamento, teor de fibra, comprimento do
palmito, quantidade de palha, isoporização, etc.), preparação da área (padronização, comprimento da área, sistematização, qualidade do cultivo, quebra
lombos etc.) e a própria operação de
colheita que envolve desde a capaci-
Revista Canavieiros - Maio de 2013
51
tação profissional da equipe envolvida
até a colhedora (modelos, velocidade
de operação, altura de corte, manutenção, altura da carga, sincronismo com
reboque ou caminhão, situação dos
equipamentos como exaustores, facas
de corte, base, rolo picador).
A quantificação das perdas é uma
ferramenta importante para subsidiar e
garantir a qualidade do processo de colheita. Permite a correção de falhas operacionais e humanas e também a redução
de custos diante de um cenário onde se
encontra altos índices de preços de CCT
(corte, carregamento e transportes).
Existem várias metodologias de
amostragem para a quantificação de
perdas visíveis. Os materiais são separados no campo em áreas (m²) previamente estabelecidas, são classificados
em toco, cana inteira, cana ponta, toletes, lascas e pedaços e posteriormente é
realizada a pesagem e o cálculo, obtendo assim, os índices de perdas expres-
sos em porcentagem (%) ou tonelada de
cana por hectare (ton/ha).
Impurezas minerais e vegetais
A cana-de-açúcar colhida mecanicamente e levada para as usinas apresenta
materiais indesejáveis denominados de
impurezas. Podem ser de origem mineral ou vegetal. A presença desse tipo de
material prejudica o processo de fabricação de açúcar e etanol. Interferi significativamente na qualidade final do produto, causa desgastes de equipamentos
e aumentos dos custos de produção.
A impureza mineral é composta de
pedras e terra. Já a vegetal é composta de palhas, folhas verdes e ponteiros
oriundos da matéria-prima. A impureza
vegetal causa um menor peso de carga
e perda de eficiência na extração de caldo na indústria, interferindo, principalmente na qualidade da matéria-prima
(teor de sacarose). As impurezas também são quantificadas e apresentadas
percentualmente ou em quilo/tonelada
de cana colhida, também com o objetivo de dar suporte para a melhora contínua do processo de colheita.
Conclusões
A colheita mecanizada é um sistema
integrado que quando bem conduzido e
monitorado apresenta ótimos resultados
e atende as exigências legais e ambientais do setor. Para otimização dos custos e garantia da qualidade da matéria-prima devemos estar atentos as perdas
e as impurezas decorrentes do processo.
A Canaoeste, através do seu Departamento Técnico, orienta os seus associados através de suporte técnico nas áreas
de mecanização (plantio e colheita) e novas tecnologias (agricultura de precisão).
Os interessados podem procurar o engenheiro agrônomo André Volpe da filial
de Bebedouro para obter informações. O
objetivo é auxiliar os associados no esclarecimento de dúvidas e acompanhamentos diários no campo, a fim de assegurar a
rentabilidade de suas lavouras. RC
Revista Canavieiros - Maio de 2013
52
VENDE-SE ou TROCA-SE
- Trator JOHN DEERE 7210-J com
apenas 600 horas, pronto para GPS,
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rodovia Rondon. Topografia 100% plana, toda mecanizada, com 600 alqueires de cana, arendamento 55 toneladas
alqueire ano. Possui cede com casa de
caseiro e piscina. Valor: R$ 55.000,00
o alqueire.
- Fazenda de 286 alqueires, localizada em Araçatuba a 10 quilômetros
de usina, com 200 alqueires de cana arrendada e 30 alqueires de cana própria.
Possui casa de caseiro, barracão, curral,
confinamento e pasto; topografia 100%.
Valor: R$ 55.000,00 o alqueire.
- 500 alqueires em cana própria,
localizados na beira da pista Euclides
da Cunha a 8 km da cidade, próxima a
usina. Valor: R$ 75.000,00 o alqueire.
Valor total: R$ 37.500.000,00.
- 252 alqueires em cana, localizados na região de Jales. Valor: R$
55.000,00 o alqueire. Valor total: R$
13.860.000,00.
- Fazenda com 100 alqueires na região de Paulo de Faria, sendo aproximadamente 93 alqueires agricultáveis.
Está em lavoura de soja. Valor: R$
65.000,00 o alqueire.
- Fazenda com 131 alqueires localizada em Araraquara, sendo 116 alqueires para plantio de cana; fornecer/
arrendar para Usina Santa Cruz. Valor:
R$ 75.000,00 o alqueire.
- Fazenda com 100 alqueires na região de Rincão/SP, sendo 80 alqueires
em cana própria, boa localização, topografia plana, solo misto de cultura,
20 alqueires de reserva e APP’s. Valor:
R$ 9.000.000,00.
- Fazenda com 84 alqueires na região
de Rincão, sendo toda em cana própria.
Valor: R$ 7.500.000,00.
- Fazenda com 365 alqueires na
região de Araraquara (883 ha), sendo
292 alqueires (707 ha) (livre de carreadores) em cana própria. Valor: R$
75.000,00 o alqueire.
- 107 alqueires na região de Rincão,
com aproximadamente 85 alqueires em
cana. Valor: R$ 9.000.000,00.
- 11 alqueires em São José da Bela
Vista e planta 09 alqueires de cana. Valor: R$1.000.000,00.
- 203 alqueires na região de Serrana
e planta 160 alqueires de cana. Valor:
R$ 75.000,00 o alqueire.
- 115 alqueires na região de Viradouro e planta 96 alqueires; renda de 60 t/
ano. Valor: R$ 85.000,00 o alqueire.
Tratar com Amaral ou Wilson pelos
telefones: (16) 9174-8183/9739-9340/
8217-1255.
VENDEM-SE
- VW 15180/08, comboio para lubrificante e abastecimento, Gascom,
6.000 l;
- VW 16170bt/95 comboio para lubrificante e abastecimento, Gascom,
4.000 l;
- VW 26260/08, tanque de água com
20.000 l, Gascom, pipa bombeiro;
- VW 13180/06, tanque de água com
10.000 l, pipa bombeiro;
- VW 26260/08, basculante de
12m³;
- VW 26260/06, batoneira de 8m³;
- VW 26260/08, no chassi, com
44.000 km originais;
- MB LA 1418/98, no chassi e 4x4;
- MB L 2214/88, tanque de água com
14.000 l, Gascom, pipa bombeiro;
- MB L 2318/94, tanque de água com
16.000 l, pipa bombeiro;
- MB 2428/02, 6x4, tanque de água
com 18.000 l, pipa bombeiro;
- MB L 2013/75, 6x2, munk madal,
mod. 10.000;
- Ford F 12000/99, tanque de água
com 10.000 l, pipa bombeiro;
- Ford F 11000/92, tanque de água
com 9.000 l, pipa bombeiro;
- Ford Cargo 1317/07, 4x2, munk
cng, mod. 20.000;
- Ford Cargo 2622e/09, no chassi,
79.000 km original;
- Munk Hincol mod. 43.000;
- Munk Hincol mod. 31.000;
- Munk HG mod. 20.000;
- Munk Masal mod. 12.000;
- Caçamba Basculante de 12m³;
- Carroceria madeira e ferro fachinni
6.50x2.50;
- Caçamba Basculante de 5m³;
- Baú para caminhão toco e truck.
Tratar com Alexandre Monteiro pelos telefones: (16) 3945-1250 / 97669243 oi / 7813-3866 id 96*81149 nextel ou pelo e-mail: trecaminhoes@
yahoo.com.br.
VENDEM-SE
- 01 lança de carregar bag de laranja
para ser acoplada na carregadeira Santal Master 1200;
- 01 carregadeira de cana Santal
Master 1200 com trator Massey 290,
4x4 e ano 2004.
Tratar pelo telefone (17) 9141-2290 ou
pelo e-mail: [email protected].
Viradouro/SP.
VENDEM-SE
- 01 transformador de 45 KVA . Valor: R$ 1.500,00;
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Cabe ao consumidor assegurar-se de que o negócio é idôneo antes de realizar qualquer transação.
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exclusivamente de disponibilização de mídia para divulgação. A transação é feita diretamente entre as partes interessadas.
Revista Canavieiros - Maio de 2013
53
- Arame farpado usado;
- Telha francesa usada;
- Cabo de alumínio para alta tensão
usado. Valor: R$ 6,00/kg;
- Braços para iluminação usados;
- Apartamento no Guarujá, localizado na praia de Astúrias, com quatro
suítes, três salas, copa, cozinha, quarto de empregada, piscina na sacada do
apartamento e quatro vagas na garagem. Possui também área comum com
piscina aquecida, salão de jogos e festa,
churrasqueira, quadra e sauna. Valor:
R$ 1.500.000,00;
- 01 arado Iveca de quatro hastes.
Valor: R$ 2.500,00;
- 01 gaiola de cana para plantio. Valor: R$ 2.500,00;
- 01 arado Massey Fergusson de quatro bacias. Valor: R$ 1.500,00;
- 01 caminhão MB 2215, ano 86,
traçado e com caçamba. Valor: R$
65.000,00;
Tratar com Wilson pelo telefone (17)
9739-2000 – Viradouro/SP.
VENDEM-SE
- Silagem de milho disponível para
uso, feita em janeiro de 2013;
- 01 égua mangalarga bem mansa de
sela;
Tratar com Júnior pelo telefone (17)
9124-9217 – Viradouro/SP.
VENDE-SE
- Trator de esteira caterpillar D4E
1985. Rodante 0km e revisado.
Tratar com Rodrigo pelos telefones:
(11) 2361-7424 / (11) 98319-9913 ou
pelo e-mail: [email protected]
Santa Rita do Passa Quatro/SP.
VENDE-SE
- Mudas de seringueira dos clones
RRIM 600 e PR 255, clones de alta
produção de látex, com um lançamento (esporinha) ou lançamento maduro.
Semente/cavalo utilizado: gt l. Local: Orindiúva/SP. Viveiro de Mudas
credenciado no RENASEM Nº SP 14225/2013.
VENDEM-SE
- 02 carrocerias de ferro de oito metros para plantio de cana, ano 2000 e
2008;
- 01 carroceria de ferro cana inteira,
marca Fachini com cabos de aço e cambão, ano 2000;
- 01 moto bomba elétrica de 15 HP.
Valor: R$ 800,00;
- 01 moto bomba de alta pressão saída de três e saída com duas. Adaptada
em motor com carrinho;
- 02 rolos compactadores para serem adaptados em escalificadores (sem
uso);
- 04 cambões para descarga de cana
inteira de sete e dez metros com ou sem
cabos de aço;
- 01 carreta de duas rodas para 2.000
kilos;
- 01 fiação de alta tensão de cabos de
alumínio;
- 01 geladeira semi-nova adaptável
para ônibus (elétrica ou a bateria) para
serviços rurais;
- 02 balcões de quatro metros sendo
um com 30 gavetas de 30x40 cm e outro com prateleiras internas com portas
de correr com ótimo acabamento.
Tratar com Marcus ou Nelson pelos telefones: (17) 3281-5120 ou (17)
8158-999.
Eventos de Junho 2013
Expocafé
Início do Evento: 12/06/13
Término do Evento: 14/06/13
Promoção: EPAMIG – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais
Local: Fazenda Experimental da EPAMIG
Endereço: Rodovia Três Pontas/Santana da Vargem –
km 06
Mais informações: www.expocafe.com.br
ISSCT Congress 28ª Exposição e Congresso de Tecnologia Sucroenergética
Início do Evento: 24/06/13
Término do Evento: 27/06/13
Promoção: Reed Exhibitions Alcantara Machado
Local: Transamérica Expo Center – São Paulo/SP
Mais informações: www.issct2013.com.br
9ª Feira Agronegócios Copercana
Início do evento: 26/06/13
Término do evento: 28/06/13
Horário: das 10h às 18h
Local: Clube de Campo Vale do Sol
Endereço: Rodovia Atílio Balbo, km 331 – Sertãozinho/SP
Mais informações: www.agronegocioscopercana.com.br
Acesse nosso site:
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Revista Canavieiros - Maio de 2013
54
“General Álvaro
Tavares Carmo”
A gricuLtura no BrasIL
dO Século XXI
Cultivando
a Língua Portuguesa
Esta coluna tem a intenção de maneira didática, esclarecer
algumas dúvidas a respeito do português.
“O conhecimento fala,
mas a sabedoria escuta.”
J.Hendrix
1) Se Maria “dispor” de tempo...
Hum... Maria precisa de tempo para estudar o Português!
Renata Sborgia
O correto é: dispuser.
Regra fácil: não se conjuga a forma regular dos verbos derivados de ter, vir e pôr.
2) Pedro fará um “mini-curso” de Português.
...e com urgência!
O correto é: minicurso - sem hífen
Regra fácil: Segundo a Nova Ortografia, as palavras formadas pelo prefixo
mini apresentam hífen nos seguintes casos:
“AGRICULTURA DO BRASIL DO SÉCULO XXI é o mais completo panorama
do moderno ciclo produtivo da agricultura
brasileira e combina de maneira bem orquestrada dois olhares distintos: um, analítico-sistêmico, do cientista e escritor Evaristo
Eduardo de Miranda, e outro, um retrato
visual garimpado na Pulsar Imagens, do fotógrafo Delfim Martins. Complementado por
imagens de satélite state os art.
A obra aproxima o público urbano das
complexidades do campo e, ao mesmo tempo, revela a nova identidade do setor agrícola
nos primeiros anos do século XXI.”
Referência:
MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Agricultura no Brasil do Século XXI. Pesquisa e
texto Evaristo Eduardo de Miranda; fotografia Pulsar Imagens; apresentação Roberto
Rodrigues. São Paulo: Metalivros, 2013.
a) diante de palavra iniciada por H
Ex.: mini-hotel
b) quando a segunda palavra se inicia com a letra (I) - a mesma letra com que
o prefixo mini termina
Ex.: mini-instrumento
Fora isso, as palavras formadas pelo prefixo mini não apresentam hífen.
Obs.: se a segunda palavra começar por r ou s, dobram-se essas letras.
Ex.: minissaia
3) Quantas letras passa a ter o nosso alfabeto?
Segunda a Nova Grafia, passa a ter 26 letras, com reinteração oficial do K,W e
Y, que nunca deixaram de ser usados.
Curiosidade: As letras K,W,Y são consideradas consoantes ou vogais???
a) o Y é uma vogal, já que foi traduzido do alfabeto grego como i e mantém esse
som nas palavras em que é usado, como em ioga. Quando aportuguesada, a palavra originalmente grafada com y passa a ser grafada com (i) - como em iene, moeda japonesa
b) o K corresponde, em português, ao som do (c) ou (qu) - como vemos em
Kuait, sendo considerado consoante
c) já o W deve ser empregado de acordo com sua pronúncia na língua original,
isto é, ora com som de (u), quando de origem inglesa (caso de web). Com isso, a
letra W é considerada consoante ou vogal, conforme o uso
Os interessados em conhecer as sugestões
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Revista Canavieiros - Maio de 2013
Coluna mensal
* Advogada, Prof. de Português, Consultora e Revisora, Mestra USP/RP, Especialista em Língua
Portuguesa, Pós-Graduada pela FGV/RJ, com MBA em Direito e Gestão Educacional, autora de
vários livros como a Gramática Português Sem Segredos (Ed. Madras), em co-autoria.
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