UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS, ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS JULIETE ANGELICA SOARES SARTORI ANÁLISE COMPARATIVA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO DA SOJA E DO MILHO IJUÍ (RS) 2014 2 JULIETE ANGELICA SOARES SARTORI ANÁLISE COMPARATIVA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO DA SOJA E DO MILHO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no Curso de Ciências Contábeis da UNIJUI, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Profª Orientadora: Ms. EUSÉLIA PAVEGLIO VIEIRA IJUI (RS), Fevereiro/2014 3 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus pela vida, pelas oportunidades e pela sua proteção. Agradeço meu marido Rafael por todo apoio, paciência, confiança e por ter me acompanhado nesta caminhada. Agradeço aos meus pais e a minha irmã pelo carinho e apoio. Agradeço a todos os professores e colaboradores do DACEC – Departamento de ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação, em especial a professora Euselia Paveglio Vieira, minha orientadora pela atenção, a qual sempre esteve disposta a me atender e a me ajudar. Agradeço também a Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, a UNIJUI pela acolhida. Meu muito Obrigada! 4 “Conserve os olhos fixos num ideal sublime, e lute sempre pelo que deseja, pois só os fracos desistem e só quem luta e digno de vida.” (Autor desconhecido) 5 LISTA DE QUADROS Quadro 1- Diferenças e semelhanças entre o custeio variável e o custeio por absorção .......... 24 Quadro 2 - Quantidade e valor dos insumos utilizados na produção do milho ........................ 48 Quadro 3 - Quantidade e valor dos insumos utilizados na produção da soja ........................... 48 Quadro 4 - Custo da semente da soja ....................................................................................... 50 Quadro 5 - Custo com a mão-de-obra ...................................................................................... 51 Quadro 6 - Rateio Mão-de-obra por área................................................................................. 51 Quadro 7 - Custo com mão-de-obra ......................................................................................... 51 Quadro 8 - Relação dos bens e depreciação anual.................................................................... 53 Quadro 9 - Apuração dos custos indiretos ................................................................................ 54 Quadro 10 - Rateio dos custos indiretos por área ..................................................................... 54 Quadro 11 - Rateio custos indiretos por cultura ....................................................................... 55 Quadro 12 - Custeio por absorção ............................................................................................ 56 Quadro 13 - Custo por saca para cada cultura .......................................................................... 57 Quadro 14 - Custo Total pelo Método de Custeio Variável ..................................................... 59 Quadro 15 - Custo por saca para cada cultura .......................................................................... 60 Quadro 16 - Margem de contribuição unitária e total .............................................................. 61 Quadro 17 - Ponto de equilíbrio ............................................................................................... 62 Quadro 18 - Margem de segurança operacional ....................................................................... 63 Quadro 19 - Demonstração do resultado da cultura do milho safra 2013 ................................ 64 Quadro 20 - Demonstração do resultado da cultura da soja safra 2012/2013 .......................... 64 Quadro 21 - Demonstração do resultado geral das culturas ..................................................... 65 6 LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS Figura 1- Fluxograma da Produção do Milho .......................................................................... 45 Figura 2 - Fluxograma da Produção da Soja ............................................................................ 46 Gráfico 1 - Custo por procedimento na produção do milho e da soja ...................................... 49 Gráfico 2 - Custo com mão-de-obra ......................................................................................... 52 Gráfico 3 - Custos Indiretos das culturas ................................................................................. 55 Gráfico 4 - Custeio por Absorção produção do milho ............................................................. 56 Gráfico 5 - Custeio por Absorção produção da soja................................................................. 57 Gráfico 6 - Comparativo entre o preço de venda e o custo por saca pelo Custeio por Absorção .................................................................................................................................................. 58 Gráfico 7 - Custeio Variável referente a produção do milho ................................................... 59 Gráfico 8 - Custeio Variável referente a produção da soja....................................................... 59 Gráfico 9 - Comparativo entre o preço de venda e o custo por saca pelo Custeio Variável .... 60 Gráfico 10 - Comparativo entre a produção e o ponto de equilíbrio ........................................ 62 Gráfico 11 - Margem de segurança operacional ....................................................................... 63 7 RESUMO Este trabalho refere-se a uma analise comparativa dos custos de produção da soja e do milho de uma propriedade rural situada na região noroeste do estado para auxiliar os proprietários na tomada de decisão, ou seja, na escolha entre a melhor alternativa entre as culturas. A propriedade objeto do estudo necessita de informações mais completas para seu desenvolvimento, como os custos de cada produção e qual o rendimento que cada cultura contribui no resultado geral da propriedade. Neste sentido, um sistema de custos foi criado para poder levantar os custos sejam eles fixos ou variáveis de cada produção e consequentemente a rentabilidade de ambas as produções. A pesquisa se classifica como aplicada, exploratória e descritiva, utiliza-se da entrevista para a coleta dos dados. Após analisar cada cultura, pode-se constatar que ambas as produções contribuíram beneficamente para o resultado da propriedade, ambas com a margem de segurança positiva, com produção acima do ponto de equilíbrio e consequentemente com a margem de segurança operacional favorável. Entretanto, considerando o sistema de custos implantado, a produção do milho representou maior margem de contribuição total e maior margem de segurança operacional, sendo a melhor opção entre as produções. Palavras chave: Custos. Sistema. Métodos. Margens. Resultado. 8 SUMÁRIO LISTA DE QUADROS ................................................................................................... 5 LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS............................................................................. 6 RESUMO ......................................................................................................................... 7 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 11 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ................................................................... 13 1.1 Área de conhecimento contemplada .......................................................................... 13 1.2 Caracterização da propriedade .................................................................................. 13 1.3 Problematização da temática em estudo .................................................................... 13 1.4 Objetivos .................................................................................................................. 14 1.4.1 Objetivo geral ........................................................................................................ 14 1.4.2 Objetivos específicos ............................................................................................. 14 1.5. Justificativa .............................................................................................................. 15 2 REVISÃO TEÓRICA ................................................................................................ 16 2.1 Contabilidade ............................................................................................................ 16 2.2 Contabilidade de custos ............................................................................................ 17 2.3 Classificação de custos ............................................................................................. 19 2.3.1 Custos diretos e indiretos ....................................................................................... 19 2.3.2 Custos fixos e variáveis.......................................................................................... 20 2.4 Custos agrícolas ........................................................................................................ 21 2.5 Métodos de custeio ................................................................................................... 23 2.5.1 Custeio por absorção ou integral ............................................................................ 23 2.5.2 Custeio variável ou marginal .................................................................................. 24 2.5.3 Custeio por atividade ABC..................................................................................... 25 2.6 Analise, custo, volume e resultado ............................................................................ 26 2.6.1 Margem de contribuição ......................................................................................... 26 9 2.6.2 Ponto de equilíbrio ................................................................................................. 27 2.6.2.1 Ponto de equilíbrio contábil ................................................................................ 27 2.6.2.2 Ponto de equilíbrio econômico ............................................................................ 28 2.6.2.3 Ponto de equilíbrio financeiro ............................................................................. 29 2.6.3 Margem de segurança operacional ......................................................................... 30 2.7 Contabilidade agrícola .............................................................................................. 30 2.7.1 Operações agrícolas ............................................................................................... 32 2.7.2 Ciclo das culturas ................................................................................................... 32 2.7.3 Custos com mão-de-obra ........................................................................................ 34 2.7.4 Custos com materiais e insumos ............................................................................. 35 2.7.5 Custos dos produtos vendidos ................................................................................ 36 2.8 Depreciação, amortização e exaustão ........................................................................ 36 2.8.1 Depreciação acelerada ............................................................................................ 37 2.8.2 Depreciação de máquinas e implementos agrícolas ................................................ 37 2.8.3 Taxas de depreciação ............................................................................................. 38 2.9 Resultado da propriedade .......................................................................................... 39 3 METODOLOGIA DA PESQUISA ............................................................................ 40 3.1 Classificação da pesquisa .......................................................................................... 40 3.1.1 Quanto a natureza .................................................................................................. 40 3.1.2 Do ponto de vista dos seus objetivos ...................................................................... 41 3.1.3 Quanto a forma de abordagem do problema ........................................................... 41 3.1.4 Procedimentos técnicos .......................................................................................... 42 3.2 Coleta de dados ......................................................................................................... 43 3.2.1 Instrumentos de coleta de dados ............................................................................. 43 3.3 Análise e interpretação dos dados ............................................................................. 44 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS ................................................................................ 45 10 4.1 Descrição do ciclo operacional das culturas .............................................................. 45 4.1.1 Cultura do milho .................................................................................................... 45 4.1.2 Cultura da soja ....................................................................................................... 46 4.2 Apuração dos custos diretos de produção .................................................................. 47 4.2.1 Levantamento dos custos com insumos .................................................................. 47 4.2.2 Apuração dos custos com mão-de-obra .................................................................. 50 4.3 Apuração dos custos indiretos de produção ............................................................... 52 4.3.1 Custos com depreciação ......................................................................................... 52 4.3.2 Custos indiretos ..................................................................................................... 53 4.4 Custo total ................................................................................................................ 56 4.4.1 Custeio por absorção .............................................................................................. 56 4.4.2 Custeio variável ..................................................................................................... 58 4.5 Análise do custo, volume e resultado ........................................................................ 61 4.5.1 Margem de contribuição unitária e margem de contribuição total .......................... 61 4.5.2 Ponto de equilíbrio ................................................................................................. 62 4.5.3 Margem de segurança operacional ......................................................................... 63 4.6 Informações gerenciais de custos .............................................................................. 65 CONCLUSÃO ............................................................................................................... 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 69 11 INTRODUÇÃO A agricultura é um setor de grande influência no desenvolvimento do país, uma vez que parte da economia depende da agricultura. Diante disto, pode-se dizer, que a agricultura evoluiu muito com o passar dos anos. Como ferramenta fundamental na evolução da agricultura, a contabilidade ganha destaque, sendo fundamental em diversas áreas, inclusive na área rural, ainda mais nos dias atuais, onde que a necessidade por uma gestão eficiente é de suma importância para alcançar o sucesso. A contabilidade gera informações relevantes, aponta itens positivos e negativos, auxiliando no planejamento, controle e na tomada de decisão. Porém, mesmo percebida sua grande importância, a contabilidade rural, ainda não está sendo bem explorada, como deveria, uma vez que é apenas utilizada para fins fiscais. A contabilidade rural auxilia no planejamento, controle, tomada de decisão e avaliação dos resultados, demonstrando as fragilidades e apontando os pontos fortes. Entretanto, para o estudo do presente trabalho, a contabilidade foi a base utilizada, envolvendo principalmente o sistema de custo e produção. O estudo, desenvolveu uma análise comparativa dos custos de produção da soja e do milho capaz de ajudar os proprietários da propriedade na escolha entre as duas produções. O relatório apresenta no primeiro momento a contextualização do estudo, envolvendo o tema, a caracterização da propriedade, a problemática, os objetivos e a justificativa. Na sequencia é relatada a revisão bibliográfica, onde foi buscado um conhecimento mais específico sobre o assunto, contribuindo no desenvolvimento do trabalho, levando-se em consideração a pesquisa de alguns autores em livros, também em artigos e sites específicos. Posteriormente é tratado da metodologia utilizada no desenvolvimento do presente estudo, desde a classificação da pesquisa, a coleta dos dados, a análise e interpretação dos dados, assim como a sistematização do estudo. Após essa busca na base teórica e metodológica foi realizado o estudo de caso, ou seja, a analise da composição dos custos e resultados entre a produção de soja e milho. Foi desenvolvido um sistema de custos para a propriedade, o qual iniciou com a descrição dos processos de produção das culturas, o levantamento dos custos com insumos, pessoal e os custos indiretos fixos e variáveis. Posteriormente, o levantamento de informações, sistematização, analise da Margem de Contribuição, Ponto de Equilíbrio e Margem de Segurança Operacional que contribuíram para a análise. 12 Por fim, consta neste relatório a conclusão do estudo e a bibliografia consultada durante a sua elaboração, relacionando os autores, as obras e endereços consultados. 13 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO Este capítulo apresenta a estrutura do TCC envolvendo o tema, a caracterização da empresa, o problema, os objetivos e a justificativa que deram início a realização do mesmo. 1.1 Área de conhecimento contemplada A contabilidade como papel fundamental para sociedade, envolve vários aspectos entre eles a área rural, contribuindo para a tomada de decisões, gerenciamento e controle. Entretanto, o tema abordado trata-se de uma comparação entre os custos de produção da soja e do milho, para verificar qual das produções é mais vantajosa na região noroeste do Rio Grande do Sul. 1.2 Caracterização da propriedade Para a realização deste trabalho, foram extraídos dados de uma área de vinte hectares de uma propriedade rural situada no município de Nova Ramada RS. Esta propriedade é constituída por uma área total de quatrocentos hectares, porém vinte hectares foram a base de estudo para esta análise comparativa. A propriedade é administrada por três membros de uma mesma família, não possuindo colaboradores. A propriedade destaca-se pelo cultivo da soja, trigo e aveia, utilizando-se o sistema de plantio direto sendo feito rotação de cultura. Além disso, a propriedade utiliza modernas técnicas de plantio e máquinas e equipamentos de última geração. 1.3 Problematização da temática em estudo A contabilidade é fundamental em diversas áreas, ainda mais nos dias atuais, onde que a necessidade por uma gestão eficiente é de suma importância para alcançar o sucesso. A contabilidade gera informações precisas, aponta dados positivos e negativos, auxiliando no planejamento, controle e na tomada de decisão. A contabilidade rural, ainda não está sendo bem explorada, em função de que é utilizada apenas para fins fiscais, porém, já se percebe sua grande importância, mediante ao mercado em que se encontra. Assim como nos demais ramos, a contabilidade rural auxilia no 14 planejamento, controle, tomada de decisão e avaliação dos resultados, demonstrando as informações substanciais para o gerenciamento da atividade. Desta forma, uma maneira de controlar seus negócios, é através de um sistema de custos, capaz de gerar informações quanto ao custo de cada produção, quanto deveria custar, qual o resultado que se espera, além de ser uma forma de reduzir ou melhor utilizar estes recursos. A propriedade objeto do estudo necessita de informações mais completas para seu desenvolvimento, como os custos de cada produção e qual o rendimento que cada cultura contribui no resultado final da mesma. Entretanto, como a propriedade destaca-se pelo cultivo da soja, trigo e aveia, tendo a pretensão de cultivar milho, necessita saber se é vantagem ou não, uma vez que, para plantar milho, não é possível a planta da soja, somente a chamada safrinha. Neste contexto, a partir da analise de custo, volume e resultados, considerando os riscos inerentes a atividade, é possível avaliar se é mais rentável o cultivo do milho ao invés da soja? 1.4 Objetivos A seguir são apresentados o objetivo geral e os específicos que deram suporte a este estudo comparativo das culturas de soja e milho. 1.4.1 Objetivo geral O objetivo geral é desenvolver uma análise comparativa entre a produção da soja e do milho capaz de contribuir com os gestores da propriedade na escolha entre a melhor alternativa. 1.4.2 Objetivos específicos - Fundamentar teoricamente a contabilidade de custos na atividade rural, - Mapear os processos de produção de cada cultura, - Apurar o custo da produção da soja e milho - Analisar a relação de custo, volume e o resultado de cada cultura, 15 - Sistematizar as informações da melhor combinação de produtos e resultados para a gestão da propriedade. 1.5 Justificativa Atualmente, a contabilidade possui um papel fundamental para a sociedade em geral, inclusive na área rural, contribuindo na tomada de decisões e consequentemente para o desenvolvimento da propriedade. Porém, ainda é pouco explorada. Diante disto, este trabalho, demonstrou o quanto é importante o uso da contabilidade também nesta área, dando destaque ao sistema de custos, o qual auxilia no planejamento, controle, tomada de decisão e avaliação dos resultados ao fornecer informações relevantes a tomada de decisão. Para o produtor rural, esta análise comparativa determinou por meio do sistema de custos a ser aplicado, qual das produções, seja a da soja ou a de milho, que terá mais custos com a produção e a qual trará mais benefícios. Além disso, perante este estudo, o produtor rural tornou-se mais confiante para tomar decisões, pois tem um estudo da sua área, com informações úteis, capaz de auxiliar nas suas decisões e no gerenciamento da propriedade. Para mim, a escolha por este tema está diretamente ligado ao interesse que sempre tive em querer ajudar meus familiares na tomada de decisão, além de aplicar os conhecimentos da contabilidade e da contabilidade de custos na gestão de uma atividade e ao gerenciamento da área agrícola. 16 2 REVISÃO TEÓRICA Neste capítulo, baseado na revisão teórica, buscou-se um conhecimento mais abrangente para o desenvolvimento do trabalho. Para isso foram levados em consideração alguns autores que publicaram na área Contábil e na contabilidade de custos, especificamente custos na atividade rural, buscando este conhecimento na pesquisa em livros, também em artigos e sites específicos. 2.1 Contabilidade A contabilidade vem ganhando cada vez mais importância e espaço no mundo. Sendo significativa principalmente nos processos decisórios, no controle, registro e processamento de fatos e relevante na geração de informações. Conforme Toigo (1987) citado por Basso (2011, p. 26), conceitua a contabilidade da seguinte forma: “Contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio sob o ponto de vista econômico-financeiro, observando e registrando seus aspectos quantitativos e qualitativos e as variações por ele sofridas”. Entendemos que contabilidade, como conjunto ordenado de conhecimentos próprios, leis científicas e métodos de evidenciação próprios, é a ciência que estuda, controla e observa o patrimônio das entidades nos seus aspectos quantitativo (monetário) e qualitativo (físico), e que, como conjunto de normas, preceitos, regras e padrões gerais, se constitui na técnica de coletar, catalogar e registrar informações de suas variações e situação, especialmente de natureza econômica e financeira e, complementarmente, controla, registra e informa situações impactantes de ordem socioambiental decorrentes de ações praticadas pela entidade no ambiente em que está inserida, Basso (2011, p. 26). Na mesma linha, Barros (2005, 17), conceitua a contabilidade da seguinte forma: “A Contabilidade é uma ciência social que estuda e pratica as funções de controle e de registro relativas aos atos e fatos da Administração e da Economia. É, desse modo, a ciência que trata do controle do patrimônio das entidades (empresas)”. Para Basso (2011, p. 28), “A finalidade básica da contabilidade é gerar informações de ordem física, econômica e financeira sobre o patrimônio, com ênfase para o controle e o planejamento – processo decisório”. Como núcleo central do controle patrimonial, a Contabilidade registra fatos que nele acontecem, emitindo relatórios qualitativos e quantitativos, permitindo ao usuário da informação contábil, entre outras atividades, comparar previsões e orçamentos com a realidade vivenciada pela entidade, Basso (2011, p. 28). 17 Segundo Basso (2011), a Contabilidade tem o papel de controlar, apurar resultados, evidenciar a situação patrimonial, econômica e financeira das entidade, fornecer informações além de cumprir rigorosamente com as normas e leis. Conforme Soares, Machado e Schumacher (2010, p. 32); “o propósito da Contabilidade é proporcionar informações de cunho econômico-administrativo ao seus diversos usuários. Com isto, essas informações devem ser as mais abrangentes possíveis, evidenciando seus aspectos relevantes”. Tendo em vista que na Contabilidade o objeto é sempre o patrimônio da entidade, Barros (2005, p. 17) relata que: a) O objetivo científico da Contabilidade manifesta-se na correta apresentação do patrimônio e na apreensão e análise das causas das suas mutações; b) Na prática, a aplicação da Contabilidade na empresa tem por finalidade fornecer aos usuários informações sobre aspectos de natureza econômica, financeira e física do patrimônio e suas mutações. Isso compreende registros, demonstrações, análises, diagnóstico e prognóstico expressos sob a forma de relatos, pareceres, tabelas, planilhas e outros meios. Além disso, a contabilidade possui vários campos de atuação, pois tem como objeto o patrimônio. Tendo com objeto o patrimônio, pode-se afirmar que o campo da Contabilidade é o mais amplo possível, pois onde existir um patrimônio definido e perfeitamente delimitado, pode também estar aí se definindo um campo de aplicação da Contabilidade: micros, pequenas, médias e grandes empresas públicas e privadas, entidades sem fins lucrativos de natureza social, cultural, recreativa, desportiva, associações e outras, propriedades rurais e pessoas físicas em geral, representam o amplo campo de aplicação da Contabilidade, Basso (2011, p. 31). Conforme foi exposto, a contabilidade possui grande importância, inúmeras finalidades e um vasto campo de atuação, sendo um deles a contabilidade de custos a qual será apresentada na sequencia. 2.2 Contabilidade de custos A contabilidade de custos evoluiu muito nos últimos anos que pôde ser percebida pela sua importância quanto ao auxilio gerencial, na tomada de decisão, desempenho, planejamento e controle em uma entidade. Para demonstrar essa evolução, cita-se a seguir alguns autores que tratam do assusto. 18 A contabilidade de custos pode ser definida como o processo ordenado de usar os princípios da contabilidade geral para registrar os custos de operação de um negócio. Dessa forma, com informações coletadas das operações e das vendas, a administração pode empregar os dados contábeis e financeiros para estabelecer os custos de produção e distribuição, unitários ou totais, para um ou para todos os produtos fabricados ou serviços prestados, além dos custos das outras diversas funções do negócio, objetivando alcançar uma operação racional, eficiente e lucrativa, Bruni e Famá (2004, p. 24). Conforme Martins (2001, p. 22), “A Contabilidade de Custos acabou por passar, nessas últimas décadas, de mera auxiliar na avaliação de estoques e lucros globais para importante arma de controle e decisão gerencias”. A Contabilidade de custos tem duas funções relevantes: no auxílio ao Controle e na ajuda às tomadas de decisões. No que diz respeito ao Controle, sua mais importante missão é fornecer dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsão e, num estágio imediatamente seguinte, acompanhar o efetivamente acontecido para comparação com os valores anteriormente definidos, Martins (2001, p. 22). A Contabilidade de Custos colhe dados internos e externos, monetários e não monetários, mas quantitativos. Atualmente, em virtude de suas crescentes responsabilidades, diante das novas exigências por parte dos administradores, a Contabilidade de Custos está cada vez mais utilizando dados quantitativos não monetários, colhendo-os, trabalhando-os, organizando-os, combinando-os e produzindo informações gerenciais de alta relevância, baseadas nesses dados, Leone (2008, p. 23). Para Linn e Vieira (2010, p. 17): A gestão de custos é a estrutura de processamento dos custos com a utilização de técnicas e métodos de planejamento, avaliação e aperfeiçoamento, que tem por objetivo buscar a inovação constante dos processos que interagem na composição dos custeio dos produtos da empresa. Sai finalidade é fornecer informações necessárias para proporcionar valor, qualidade e oportunidade aos clientes . Fistarol, Bussmann e Vieira (2009): a Contabilidade de Custos, como campo de abrangência da Contabilidade, fornece informações para Contabilidade Financeira e para a Gerencial, sendo responsável por gerar informações para a tomada de decisão. Ainda conforme Fistarol, Bussmann e Vieira (2009, p. 28 – 29): Para que uma Contabilidade de Custos seja bem estruturada é preciso que o contador de custos realize um processo de acompanhamento do processo produtivo, analise os pontos críticos, medindo tempos de produção, visualizando possíveis gargalos, apontando soluções, pois as decisões tomadas hoje poderão comprometer resultados futuros. Observa-se diante do exposto, que a Contabilidade de Custos, possui grande importância para as entidades, em função de que gera informações, colhe dados, auxiliando na 19 administração destas entidades. Além disso, vale ressaltar, para que a Contabilidade de Custos seja confiável é preciso ser realizada de maneira que o gestor consiga explorar tais informações e consequentemente, tomar decisões benéficas para o desenvolvimento de sua empresa. 2.3 Classificação de custos Existem várias formas de classificar os custos. Segundo Leone (2008), os custos se classificam conforme a relação ao objeto que está sendo estudado, conforme o controle das operações, ao período de aplicação, quanto a determinação da rentabilidade e avaliação do patrimônio, em relação ao comportamento e em relação a tomada de decisão. Já para Bruni e Famá (2004), os custos podem ser classificados quanto à forma de associação dos custos com os produtos fabricados, sendo os primeiros classificados quanto à aplicabilidade; de acordo com o comportamento dos custos em relação a diferentes volumes de produção, sendo classificados quanto à variabilidade; de acordo com a controlabilidade; conforme a necessidade na tomada de decisão e ainda, em relação a base monetária empregada na análise. Martins (2001) classifica os custos em Diretos e Indiretos conforme o produto, em Fixos e Variáveis considerando a relação entre os custos e o volume de atividade, além Custos Primários e Custos de Transformação. E Bertó e Beulke (2006), classificam os custos em diretos, indiretos, variáveis e fixos. Na sequencia, apresenta-se a primeira classificação dos custos em relação ao produto, sendo direto ou indireto. 2.3.1 Custos diretos e indiretos Para o cálculo dos custos, é necessário classifica-los em diretos e indiretos, afim de evidenciar informações mais precisas sobre o montante dos custos e consequentemente, para um bom controle da propriedade. Para Bruni e Famá (2004, p. 31), custos diretos “são aqueles diretamente incluídos no cálculo dos produtos. Consistem nos materiais diretos usados na fabricação do produto e mão-de-obra direta. Apresentam a propriedade de serem perfeitamente mensuráveis de maneira objetiva”. 20 Já os custos indiretos, segundo Bruni e Famá (2004, p. 31), são aqueles que: “necessitam de aproximações, isto é, algum critério de rateio, para serem atribuídos aos produtos”. Para Bertó e Beulke (2006, p. 22), custos diretos: “Devem ser identificados diretamente em cada unidade vendida”. Ainda para Bertó e Beulke (2006, p. 23), custos indiretos: “Dão sustentação ao funcionamento das atividades. Apresentam como característica, em geral, a impossibilidade de ser medidos, identificados, quantificados diretamente em cada unidade comercializada”. Segundo Leone (2008, p. 58): A classificação dos custos da empresa, dos produtos, das operações, enfim, do objeto que está sendo examinado e analisado, em diretos e indiretos destina-se a fornecer informações para a determinação do montante mais realístico do custo desse objeto, bem como para o controle dos custos dos centros de responsabilidade e, de modo geral, de todos os segmentos que tiveram seus custos identificados e acumulados. Em resumo, o que se quer dizer é que a diferenciação entre custos diretos e indiretos é necessária para o cálculo mais realístico do custo de qualquer objeto, para verificação da rentabilidade e da eficiência das várias atividades da empresa. Diante do exposto, pode-se dizer, que custos diretos são aqueles diretamente ligados ao produto, que se identificam diretamente com a produção, não necessitando de métodos de rateio. Já os custos indiretos, não se apropriam diretamente ao produto, necessitam de métodos de rateio. A seguir, apresenta-se a classificação dos custos em fixos e variáveis, considerando a relação entre os custos e o volume da atividade. 2.3.2 Custos fixos e variáveis Além dos custos diretos e indiretos, os custos podem ser classificados como fixos ou variáveis, dependendo da relação entre os custos e o volume da atividade. Segundo Martins (2001), levando em consideração a relação entre custos e o volume de atividade numa unidade de tempo, os custos podem ser divididos basicamente entre custos fixos e variáveis. Segundo Bruni e Famá (2004, p. 32) custos fixos: “são custos que, em determinado período de tempo e em certa capacidade instalada, não variam, qualquer que seja o volume de atividade da empresa. Existem mesmo que não haja produção”. 21 Sua característica é a de se manter inalterados face ao volume de atividade, dentro de certos limites de capacidade, ou seja, não se modificam em razão do crescimento ou da retração do volume dos negócios dentro desses limites. Exemplos: depreciação, manutenção, folha de pagamento da administração etc. Numa depreciação unitária, costumam variar inversamente em razão do volume. Quanto maior o montante físico, menor é a parcela de custo/despesa fixa em relação a cada unidade, e vice-versa, Bertó e Beulke (2006, p. 23). Para Bruni e Famá (2004, p. 32), quanto aos custos variáveis: “seu valor total alterase diretamente em função das atividades da empresa. Quanto maior a produção, maiores serão os custos variáveis. Exemplos óbvios de custos variáveis podem ser expressos por meio dos gastos com matérias-primas e embalagens”. Segundo Bertó e Beulke (2006), os custos variáveis estão mais relacionados com o volume vendido, pois seus valores se modificam em relação direta com o volume vendido. Ainda conforme Bruni e Fama (2004), tanto os custos fixos quanto os variáveis, possuem uma característica que vale ressaltar. Os custos fixos são variáveis quando calculados em sua forma unitária e os custos variáveis são tratados como fixos em sua forma unitária. Quanto a agricultura, segundo a (CONAB, 2010, p. 28): Em termos contábeis, os custos variáveis são separados em despesas de custeio da lavoura, despesas de pós-colheita e despesa financeira, esta última incidente sobre o capital de giro utilizado. Da mesma forma, os custos fixos são diferenciados em depreciação do capital fixo e demais custos fixos envolvidos na produção e remuneração dos fatores terra e capital fixo. Sobre os custos fixos, conclui-se então, que são custos que não alteram seu valor diante do aumento ou diminuição da produção. Já os custos variáveis, variam seus valores proporcionalmente ao nível de produção. 2.4 Custos agrícolas Um sistema de custos é de grande importância em várias atividades, inclusive na agropecuária. Um sistema de custos reflete num boa administração de uma propriedade, auxilia na tomada de decisão, no planejamento e controle da mesma. Um sistema de custos completo tem atualmente objetivos amplos e bem definidos, que refletem sua importância como ferramenta básica para a administração de qualquer empreendimento, especialmente na agropecuária, onde os espaços de tempo entre produção e vendas, ou seja, entre custos e receitas, fogem à simplicidade de outros tipos de negócios, exigindo técnicas especiais para 22 apresentação não dos custos, mas dos resultados econômicos do empreendimento, Santos Marion e Segatti (2002, p. 44). Segundo a (CONAB, 2010, p.11): “Os resultados dos custos de produção estão diretamente relacionados com os sistemas de cultivo e o modelo agrícola adotado pelo produtor rural”. Segundo Santos, Marion e Segatti (2002), existem três objetivos fundamentais num levantamento de custos, são eles: - Custos para avaliação dos estoques (Custeio por Absorção): mensura-se monetariamente os custos dos produtos para apurar ao final do exercício, o resultado contábil da empresa. - Custos para avaliação dos estoques (Custeio Variável): neste caso, para determinar os custos de produção, são considerados apenas os custos variáveis, como mão-de-obra direta e insumos agrícolas. - Custos standard ou padrão: compara a realidade com os padrões estabelecidos num planejamento empresarial. Segundo a (CONAB, 2010, p. 09): “O custo de produção agrícola é uma excepcional ferramenta de controle e gerenciamento das atividades produtivas e de geração de importantes informações para subsidiar as tomadas de decisões pelos produtores rurais e, também, de formulação de estratégias pelo setor público”. Segundo Martin et al (1994, p. 97): O custo permite a estimativa de custos de produção para diferentes atividades agropecuárias, considerando vários níveis de tecnologia (processos), várias moedas e para qualquer período desejado, incluindo uma análise simplificada de custos e retornos, fornecendo importantes informações para a tomada de decisão. Além disso, segundo Cézar et al (1991, p. 119): A elaboração e apresentação de estimativas de custos de produção das atividades agropecuárias é de relevante significância para os diversos segmento ligados ao setor agrícola, uma vez que servem a diversas finalidades: ao nível da unidade produtiva, as estimativas de custos de produção permitem que o produtor identifique as melhores alternativas de alocação dos recursos disponíveis, facilitando o processo de tomada de decisão; ao nível de instituições representativas dos produtores, tais como, sindicatos, cooperativas, associações, etc, servem como material básico para reivindicações específicas de interesse da classe; no âmbito governamental, são utilizadas como balizadoras de determinadas decisões de políticas específicas do setor, destacando-se Preços Mínimos e Valor Básico de Custeio (VBC). 23 O que se pode observar, é que um sistema de custos, bem elaborado, é de suma importância na gestão de uma propriedade. Porém, deve-se ter um controle, um planejamento e saber classificar os custos corretamente para usá-los como ferramenta de gestão. 2.5 Métodos de custeio Métodos de custeio são métodos de apropriar os custos, de identificar o custo unitário de um produto. A seguir, serão expostos o Custeio por Absorção ou Integral, Custeio Variável ou Marginal e Custeio por Atividade ABC. 2.5.1 Custeio por absorção ou integral Este é o método mais tradicional e o mais utilizado para fins contábeis, pois é aceito pela legislação brasileira. Conforme Bertó e Beulke (2006), o custeio por absorção é aquele que absorve todos os custos incorridos para se obter a produção de um bem ou serviço, seja custos fixos ou variáveis, diretos ou indiretos. É aquele aceito pela legislação do imposto de renda, legalmente aceito para efeitos de avaliação de estoques, que respeita normas e princípios contábeis, que apura o resultado, além de ser a base para formar o preço de venda. Custeio por absorção é o método derivado da aplicação dos princípios de contabilidade geralmente aceitos, nascido da situação histórica mencionada. Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de fabricação são distribuídos para todos os produtos feitos, Martins (2001, p. 41 e 42). Para Bertó e Beulke (2006, p. 32): “nesse sistema se obtém um custo total do produto/mercadoria ou serviço, que, acrescido de um resultado desejado, aponta um certo preço de venda”. Bertó e Beulke (2006), também relatam que neste método, o preço de venda é função exclusiva do custo. Além disso, vale ressaltar, que do ponto de vista contábil, o custeio por absorção é o único sistema legalmente aceito no país. Diante do exposto, observa-se que o custeio por absorção é usado para fins contábeis, porém não apropriado para fins de gestão. Para isso, usa-se o custeio variável, o qual é apresentado a seguir. 24 2.5.2 Custeio variável ou marginal O custeio variável é aquele que absorve apenas custos variáveis, apura a margem de contribuição, sendo utilizado na área de gestão como auxilio na tomada de decisão. Segundo Leone (2008, p. 390): “O custeamento variável é um critério usado para acumular os custos de qualquer objeto ou segmento da Empresa. Normalmente, o custeamento variável é aplicado ao sistema de acumulação de custos das operações fabris”. O custeio marginal parte do principio de que um produto, uma mercadoria ou um serviço são responsáveis apenas pelos custos e pelas despesas variáveis que geram. Pela conceituação feita anteriormente, os custos e as despesas variáveis são os que variam com o volume de produção e vendas; logo, só existiriam se o produto existisse, e não existiriam em circunstancia contraria. São custos e despesas que surgem com o produto e desaparecem com ele, Bertó e Beulke (2006, p. 34). Conforme Martins (2001, p. 216): “Com base, portanto, no Custeio Direto ou Custeio Variável, só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o resultado; para os estoques só vão, como consequência, custos variáveis”. A seguir, diferenças e semelhanças entre o custeio variável e o custeio por absorção: Quadro 1- Diferenças e semelhanças entre o custeio variável e o custeio por absorção Custeamento variável 1. Classifica os custos em fixos e variáveis. 2. Classifica os custos em diretos e indiretos. 3. Debita ao segmento, cujo custo está sendo apurado, apenas os custos que são diretos ao segmento e variáveis em relação ao parâmetro escolhido em base. 4. Os resultados apresentados sofrem influencia direta do volume de vendas. 5. É um critério administrativo, gerencial, interno. 6. Aparentemente sua filosofia básica contraria os preceitos geralmente aceitos de Contabilidade, principalmente os fundamentos do “regime de competência”. 7. Apresenta a Contribuição Marginal – diferença entre as receitas e os custos diretos e variáveis do segmento estudado. 8. O custeamento variável destina-se a auxiliar, sobretudo, a gerencia no processo de planejamento e de tomada de decisão. 9. Como o custeamento variável trata de custos diretos e variáveis de determinado segmento, o controle da absorção dos custos da capacidade ociosa não é bem explorado. Fonte - Leone (2008, p. 406-407) Custeamento por absorção 1. Não há a preocupação por esta classificação. 2. Também classifica os custos em diretos e indiretos. 3. Debita ao segmento cujo custo está sendo apurado os seus custos diretos e também os custos indiretos através de uma taxa de absorção. 4. Os resultados apresentados sofrem influencia direta do volume de produção. 5. É um critério legal, fiscal, externo. 6. Aparentemente, sua filosofia básica alia-se aos preceitos contábeis geralmente aceitos, principalmente aos fundamentos do “regime de competência”. 7. Apresenta a Margem operacional – diferença entre as receitas e os custos diretos e indiretos do segmento estudado. 8. O custeamento por absorção destina-se a auxiliar a gerencia no processo de determinação da rentabilidade e de avaliação patrimonial. 9. Como o custeamento por absorção trato dos custos diretos e indiretos de determinado segmento, sem cogitar de perquirir se os custos são variáveis ou fixos, apresenta melhor visão para o controle da absorção dos custos da capacidade ociosa. 25 Observa-se diante do exposto, que o custeio variável é de grande importância para a gestão das empresas, auxiliando na tomada de decisões. 2.5.3 Custeio por atividade ABC O custeio ABC, é um método baseado nas atividades desenvolvidas pela empresa na fabricação de seus produtos. Conforme Martins (2001, p. 304): “O ABC é, na realidade, uma ferramenta de gestão de custos, muito mais do que de custeio de produto”. Martins (2001), também relata que o ABC possui duas versões. A primeira refere-se a uma visão exclusivamente funcional e de custeio de produto. A segunda, possibilita a análise de custos sob uma visão econômica de custeio, que apropria os custos aos objetos de custeio através das atividades realizadas em cada departamento e uma visão de aperfeiçoamento, que capta os custos dos processos através das atividades realizadas nos vários departamentos funcionais. Ainda, conforme Martins (2001, p. 100): O primeiro passo, para o custeio ABC, é identificar as atividades relevantes dentro de cada departamento. Nesse ponto, pode ocorrer de a empresa já possuir uma estrutura contábil que faça a apropriação de custos por centro de Custos, por Centros de Trabalho, por Centros de Atividade etc. o que irá possibilitar adaptações importantes. Segundo Bertó e Beulke (2006, p. 70): “uma das grandes diferenças com relação aos sistemas convencionais, é que no sistema ABC os custos operacionais e as despesas administrativas não são setorizadas por centros de custos, mas apropriadas por atividade”. Bertó e Beulke (2006, p. 38), também relatam que: O sistema ABC, em termos de flexibilidade, com vistas à competitividade, está num patamar intermediário entre o de custeio integral e o de custeio marginal. Ele não possui a rigidez do primeiro, tampouco a flexibilidade do segundo. Pode-se dizer que é um sistema medianamente flexível. Admite o preço de venda como função mais de mercado do que de custos, mas considera que o resultado e a competitividade devem ser buscados numa gestão eficiente dos custos. Nesse sentido, ele é um sistema mais voltado para o lado interno da empresa, na busca justamente de sua gestão eficiente. Essa busca fica bem delineada no seu relacionamento com a engenharia de valor. Com efeito, no sistema ABC, as atividades são divididas entre as que agregam e as que não agregam valor ao produto. 26 Ainda conforme Bertó e Beulke (2006, p. 35): “A característica básica do custeio por atividade (ABC) é a apropriação aos produtos, às mercadorias e aos serviços de todos os custos e despesas diretas possíveis, sejam eles fixos ou variáveis”. Conclui-se que o custeio ABC, serve como uma ferramenta interna da empresa no processo de gestão, capaz de garantir uma gestão eficiente. 2.6 Analise, custo, volume e resultado Neste capítulo, são levantados dados referente a análise do custo de produção. Segundo Fistarol, Bussmann e Vieira (2009, p. 31): “Para fins gerenciais a Análise Custo, do Volume de produção e Lucro - CVL – é uma tecnologia muito importante, pois auxilia na determinação do impacto das variações de custos e receitas em relação ao aumento ou diminuição do volume vendido”. A análise do custo de produção é um dos meios de conhecer alguns fatores que estejam prejudicando a rentabilidade econômica da exploração agropecuária. Dessa forma, o custo de produção permite diagnosticar problemas através da análise de sua composição, bem como concluir sobre a situação do rendimento da atividade, Santos, Marion e Segatti (2002, p. 130). Na sequencia, são apresentados a Margem de Contribuição, Ponto de Equilíbrio e Margem de Segurança Operacional, que puderam elucidar o que foi exposto. 2.6.1 Margem de contribuição A Margem de Contribuição é a diferença entre o preço de venda e a soma dos custos e despesas variáveis de cada produto. Martins (2001, p. 195) conceitua Margem de Contribuição da seguinte forma: “é a diferença entre a Receita e o Custo Variável de cada produto; é o valor que cada unidade efetivamente traz à empresa de sobra entre sua receita e o custo que de fato provocou e lhe pode ser imputado sem erro”. Padoveze (1994, p.243) completa: “...em cada unidade vendida a empresa lucrará determinado valor. Multiplicado pelo total vendido, teremos a contribuição marginal total do produto para a empresa”. Padoveze (1994, p. 255) ainda relata que:”...o estudo da margem de contribuição rotineiramente possibilita inúmeras análises objetivando a redução dos custos, bem como 27 políticas de incremento de quantidade de vendas e redução dos preços unitários de venda dos produtos”. Santos, Marion e Segatti (2002, p. 126) relatam referente a margem de contribuição: Esta técnica nos possibilita conhecer a real alocação dos custos variáveis na atividade, bem como mostrar as perspectivas de competição entre as diversas atividades de uma empresa. É utilizada também para se conhecer a eficiência na utilização dos recursos diretos, sendo que para determina-la diminuem-se a Receita Bruta os custos e despesas variáveis. Como visto, a Margem de Contribuição é a diferença entre o preço de venda e o custo e despesa variável de determinado produto, o que pode ser representado pela seguinte fórmula: MC = PV – CV e DV Onde: MC = Margem de Contribuição PV = Preço de venda CV = Custos Variáveis DV = Despesas Variáveis 2.6.2 Ponto de equilíbrio O Ponto de Equilíbrio evidencia o volume de produção que a empresa deve ter para cobrir seus custos, sejam eles fixos ou variáveis, ocorridos na fabricação ou venda do produto. Bertó e Beulke (2006, p. 340) relatam que: “O ponto de equilíbrio expressa o mínimo de faturamento que uma empresa necessita para cobrir a totalidade de seus custos”. Martins (2001, p. 273) diz que: “O Ponto de Equilíbrio (também denominado Ponto de Ruptura – Break-even Point) nasce da conjunção dos Custos Totais com as Receitas Totais”. O ponto de equilíbrio pode ser dividido em ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro. 2.6.2.1 Ponto de equilíbrio contábil O Ponto de Equilíbrio Contábil representa o quanto a empresa deve vender para cobrir todos os seus custos, não havendo nem lucros, nem prejuízo. 28 Conforme Martins (2001), o Ponto de Equilíbrio será obtido quando a soma da Margem de Contribuição for suficiente para cobrir todos os custos e despesas fixas, não havendo nem lucro, nem prejuízo, este é o Ponto de Equilíbrio Contábil. Segundo Perez Jr., Oliveira e Costa (2001, p. 201) ponto de equilíbrio contábil é: “Nível de produção e vendas em que o Lucro Líquido do Exercício (LLE) é igual a zero”. Percebe-se então, que o Ponto de Equilíbrio Contábil refere-se ao faturamento necessário que a empresa precisa obter, ou seja, que precisa produzir e vender a médio prazo, o que pode ser representado pela seguinte fórmula: PEC = CF + DF/MCu Onde: PEC = Ponto de Equilíbrio Contábil CF = Custos Fixos DF = Despesas Fixas MCu = Margem de Contribuição Unitária 2.6.2.2 Ponto de equilíbrio econômico Diferentemente do Ponto de Equilíbrio Contábil visto anteriormente, o Econômico visa obter lucros que pode ser estipulado pela empresa. Segundo Martins (2001), o Ponto de Equilíbrio Econômico refere-se a um lucro mínimo desejado pela empresa, sendo obtido quando a Margem de Contribuição totalizar o valor dos custos e despesas fixas e sobrar o valor esperado. Nível de produção e vendas em que o Lucro Líquido do Exercício (LLE) é predeterminado. Representa a quantidade de vendas necessárias para atingir determinado lucro. Geralmente, o lucro líquido predeterminado é o custo de oportunidade, ou seja, a lucratividade mínima esperada pelo investidor, Perez Jr., Oliveira e Costa (2001, p. 203). O Ponto de Equilíbrio nos fornece a quantidade ideal a ser vendida de certo produto e a longo prazo para se obter o lucro desejado. A fórmula para chegar ao Ponto de Equilíbrio Econômico é a seguinte: PEE = CF + DF + Lucro desejado/ MCu 29 Onde: PEE = Ponto de Equilíbrio Econômico CF = Custos Fixos DF = Despesas Fixas MCu = Margem de Contribuição Unitária 2.6.2.3 Ponto de equilíbrio financeiro O Ponto de Equilíbrio Financeiro, além dos custos e despesas fixas, leva em consideração a depreciação, exaustão e amortização que não estão incluídos nos custos. Pode ser classificado em Ponto de Equilíbrio Financeiro Parcial e Total. Ponto de Equilíbrio Financeiro Parcial segundo Perez Jr., Oliveira e Costa (2001, p. 204): Nível de produção e vendas em que o saldo de caixa é igual a zero. Representa a quantidade de vendas necessária para cobrir os gastos desembolsáveis, tanto operacionais quanto não operacionais. Nesse ponto, a empresa apresenta prejuízo contábil, mas não estará recuperando o investimento feito no imobilizado. Ponto de Equilíbrio Financeiro Total segundo Perez Jr., Oliveira e Costa (2001, p. 205): Nível de produção e vendas em que o saldo de caixa é predeterminado. Representa a quantidade de vendas necessárias para cobrir os gastos desembolsáveis, tanto operacionais quanto não operacionais, e gerar um saldo de caixa determinado para desembolsos futuros com reposição de imobilizado, novos investimentos, pagamento de dividendos ou de outras obrigações que não transitam pelo resultado, como, por exemplo, empréstimos contraídos em períodos anteriores. Segundo Martins (2001), O Ponto de Equilíbrio é alcançado, quando é considerado parcelas financeiras de desembolso obrigatório que não estejam computadas nos custos e despesas. O Ponto de Equilíbrio Financeiro apura o valor ou número de unidades para situações a curto prazo. A fórmula para se chegar ao Ponto de Equilíbrio Financeiro é a seguinte: PEF = CF + DF – Depreciações/MCu Onde: PEF = Ponto de Equilíbrio Financeiro 30 CF = Custos Fixos DF = Despesas Fixas MCu = Margem de Contribuição Unitária 2.6.3 Margem de segurança operacional A margem de segurança representa o volume de vendas superiores às vendas calculadas no ponto de equilíbrio. A margem de segurança consiste na quantia ou índice das vendas que excedem o ponto de equilíbrio da empresa. Representa o quanto as vendas podem cair sem que a empresa incorra em prejuízo, podendo ser expressa em quantidade, valor ou percentual. Pode ser calculada em quantidade, Bruni e Famá (2004, p. 262). Bruni e Famá (2004, p. 264), relatam que: “a margem de segurança indica, a distancia física em que a empresa está trabalhando em relação a seu ponto de equilíbrio contábil”. Para calcular a margem de segurança é necessário primeiramente calcular o ponto de equilíbrio. A fórmula de calcular é a seguinte: MSO = quantidade vendida – quantidade do ponto de equilíbrio 2.7 Contabilidade agrícola A contabilidade agrícola apresenta um papel muito importante para o gerenciamento de determinada propriedade. Entretanto, ainda é pouco explorada pelos produtores. Ela é capaz de gerar informações relevantes para a tomada de decisões, colhe dados, apontando desde os pontos fracos, até os pontos fortes de qualquer produção. A seguir, serão apresentados alguns autores que tratam do assunto. Para Marion (2005, p. 26): “Contabilidade Agrícola: é a Contabilidade Geral aplicada às empresas agrícolas.” O autor relata que: “Contabilidade Rural: é a Contabilidade Geral aplicada às empresas rurais”. Nesta linha, Crepaldi (2009, p. 76) conceitua da seguinte forma: A Contabilidade Rural é um dos principais sistemas de controle e informação das Empresas Rurais. Com a análise do Balanço Patrimonial e da Demonstração do 31 Resultado do Exercício é possível verificar a situação da empresa, sob os mais diversos enfoques, tais como análises de estrutura, de evolução, de solvência, de garantia de capitais próprios e de terceiros, de retorno de investimento etc. A Contabilidade Rural também fornece informações sobre condições de expandir-se, sobre necessidades de reduzir custos ou despesas, necessidades de buscar recursos etc. Está aí outra finalidade da Contabilidade Rural: o planejamento. Crepaldi (2009, p. 77) ainda relata que: “A Contabilidade Rural também apura os valores devidos pelas empresas rurais ao governo”. A Contabilidade Rural tem as seguintes finalidades segundo Crepaldi (2009, p. 77): - orientar as operações agrícolas e pecuárias; - medir o desempenho econômico-financeiro da empresa e de cada atividade produtiva individualmente; - controlar as transações financeiras; - apoiar as tomadas de decisões no planejamento da produção, das vendas e dos investimentos; - auxiliar as projeções de fluxos de caixa e necessidades de crédito; - permitir a comparação da performance da empresa no tempo e desta com outras empresas; - conduzir as despesas pessoais do proprietário e de sua família; - justificar a liquidez e a capacidade de pagamento da empresa junto aos agentes financeiros e outros credores; - servir de base para seguros, arrendamentos e outros contratos; - gerar informações para a declaração do Imposto de Renda. Crepaldi (2009, p. 79) também relata que: “A Contabilidade Rural auxilia sobremaneira na geração de informações para o planejamento e o controle das atividades...”. Considerando que a contabilidade é de suma importância na área agrícola, Saueressig (2011) relata a carência de informações dos produtores ao gerenciar suas propriedades e que consequentemente negligenciam sua gestão, como por exemplo, a ausência de planejamento, adoção de tecnologias inadequadas, uso inadequados de insumos e a falta de controle das atividades o que ao invés de trazer benefícios, resultam em prejuízos para as propriedades. Neste contexto, Verde (2011, p. 35) relata que: “O planejamento antecipado e a boa gestão são fundamentais para obtenção de altas produtividades com manutenção dos níveis em várias safras (estabilidade)”. Quanto ao cultivo da soja e do milho, as quais são instrumento do estudo em questão, dependem da contabilidade ao tomar decisões, pois conforme Nascimento (2013), o mercado do milho oscila muito, enquanto que o mercado da soja é mais estável. Nascimento também relata que a cotação do milho vai depender das exportações e da disponibilidade do produto. No segundo trimestre deste ano, a produção do milho no Mato Grosso e no Paraná foi recorde resultando na queda dos preços, além dos problemas com estocagem e os elevados custos com 32 transportes. Quanto a soja, Nascimento acredita que a próxima safra favorecerá os produtores. Carneiro e Carneiro (1933), difere contabilidade agrícola da contabilidade rural, para eles, a contabilidade rural é mais ampla, abrangendo diversas modalidades, desde a cultura dos campos, criação de animais e industrias rurais. Já a contabilidade agrícola, refere-se unicamente a cultura do campo, a agricultura propriamente dita. Diante do exposto, pode-se dizer, que a contabilidade agrícola é de suma importância para as propriedades agrícolas, uma vez que auxilia na tomada de decisão, fornecendo dados para o planejamento, controle e gerenciamento da propriedade. Enquanto que a contabilidade rural, além de auxiliar a agricultura, auxilia também no desenvolvimento das diversas modalidades que área rural abrange. 2.7.1 Operações agrícolas Operações agrícolas são as fases de produção, de acordo com cada tipo de cultura. Segundo Santos, Marion e Segatti (2002, p. 23) definem operações agrícolas da seguinte maneira: São as fases necessárias do processo produtivo, de acordo com o tipo de cultura. Essa separação traz diversos benefícios à administração, por exemplo: na programação e distribuição das tarefas do pessoal e máquinas; possibilita medir o desempenho e comparar com outras áreas; identificar os custos de cada operação ou sub operação de acordo com sua relevância em termos de valor etc. Santos, Marion e Segatti (2002), também relatam que as operações agrícolas são divididas em etapas, entre as quais, pode-se destacar o preparo do solo, o plantio com a adubação, a adubação, o tratamento fitossanitário, a irrigação, o cultivo manual e mecânico, cultivo químico, a ralação e desbaste, a poda a colheita entre outros. Diante do que foi visto, pode-se dizer que as operações agrícolas além de necessárias, são de grande importância para a administração da propriedade, trazendo mais controle através de uma programação e distribuição de atividades, medindo o desempenho e identificando os custos das produções. 2.7.2 Ciclo das culturas Ciclo das culturas significa o tempo de produção a contar desde a planta até a colheita. 33 Conforme Santos, Marion e Segatti (2002, p. 24), ciclo das culturas: “é a principal característica genealógica da planta, é o tempo de vida produtiva, a contar da data em que se coloca a semente ou a muda no solo até a data da última colheita em nível comercial”. Tanto para Marion (2005) quanto para Crepaldi (2009), o ciclo das culturas classificam-se em temporárias ou permanentes. Já para Santos, Marion e Segatti (2002), além das culturas temporárias e permanentes, existe também a semipermanentes. Para Crepaldi (2009, p. 89-90) referente às culturas temporárias: “São aquelas sujeitas ao replantio após cada colheita, como milho, trigo, feijão, arroz, cebola etc. Nesse caso, os dispêndios para a formação da cultura serão considerados, no período de sua realização, despesa de custeio”. Desta forma, Santos, Marion e Segatti (2002, p. 24) relatam que as culturas temporárias são: “são cultivos cujo ciclo é de máximo 1 (um) ano e se caracteriza somente por uma colheita, por exemplo: soja, trigo, arroz, tomate, aveia e outros”. Ainda para Crepaldi (2009, p. 90) referente às culturas permanentes: “ São aquelas não sujeitas a replantio após cada colheita”. Para Marion (2005, p. 41) referente às culturas permanentes: São aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de uma colheita ou produção. Normalmente atribui-se às culturas permanentes uma duração mínima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas a cultura durar mais de um ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Para Santos, Marion e Segatti (2002, p. 25) culturas permanentes são: “são cultivos cujo ciclo de produção é de longo prazo, considerando o tempo necessário para formação do viveiro, formação e manutenção da planta e colheita. Por exemplo: café, laranja, pêssego, uva e outros”. Para Santos, Marion e Segatti (2002, p. 24) referente as culturas semipermanentes: “são cultivos cujo ciclo de produção é menor que 10 (dez) anos, entre o plantio e a última colheita, por exemplo: abacaxi, cana-de-açúcar e outros”. Observa-se que existem três classificações de ciclo de cultura, dependendo da produção, seja de curto, longo ou médio prazo. A produção em análise neste trabalho, a da soja e de milho, é de curto prazo, porém, classifica-se como cultura temporária. 34 2.7.3 Custos com mão-de-obra Existem vários tipos de mão-de-obra na área rural e ela pode ser classificada também em direta e indireta. Para Martins (2001, p. 141): “Mão-de-obra Direta é aquela relativa ao pessoal que trabalha diretamente sobre o produto em elaboração, desde que seja possível a mensuração do tempo despendido e a identificação de quem executou o trabalho, sem necessidade de qualquer apropriação indireta ou rateio”. Para Crepaldi (2009, p. 97) referente a mão-de-obra direta: “ representa custos relacionados com pessoal que trabalha diretamente na produção, por exemplo, o empregado que opera uma plantadeira”. Considera-se mão-de-obra direta na agropecuária as pessoas que prestam serviços de forma direta e mensurável, e com gastos relevantes, nas operações agrícolas e no manejo de animais. É possível, portanto, identificar quem executou o trabalho, as quantidades de horas trabalhadas e/ou volumes de tarefas executadas, Santos, Marion e Segatti (2002, p. 53). Segundo Perez Jr., Oliveira e Costa (2001), a mão-de-obra indireta é aquela representada pelos trabalhos que não são mensuráveis em nenhum produto ou serviço. Segundo Santos, Marion e Segatti (2002, p. 54): “Existem vários tipos de mão-deobra na agropecuária. As denominações variam de propriedade para propriedade e de região para região, mas as funções são semelhantes”. Ainda para Santos, Marion e Segatti (2002, p. 54 – 55), os principais tipos de mãode-obra na agropecuária são: a)Trabalhador Rural. Enquadram-se nesta denominação todos os trabalhadores empregados nas atividades agrícola e pecuária, diretamente no campo. São remunerados na proporção do volume das respectivas tarefas (capinas, poda, colheita), sendo-lhes garantida a remuneração correspondente ao salário mínimo vigente ou com remuneração mensal, independentemente do volume de trabalho. b) Campeiro. Sua função é promover o manejo de animais no campo, bem como identificar, diariamente, através de apontamentos, os nascidos, mortes, animais doentes, ganho de peso, aquisições, vendas e dados sobre alimentação. c) Retireiro. É o trabalhador que presta serviços no manejo de vacas leiteiras, acompanhando a produção de leite, seja a ordenha manual ou mecânica. A legislação em que se enquadra é a mesma dos tipos anteriores. d)Tratorista ou operador de máquinas. Sua função é operar tratores de pneus ou esteiras na execução de serviços mecanizados, como gradeação do solo, aração, fertilização, pulverização, escoamento da produção anterior da propriedade rural, terraplanagem, carregamento, transporte de pessoal etc. Como se deduz, presta serviços tanto na agricultura como na pecuária e criação de outros tipos de animais. 35 Ainda Santos, Marion e Segatti (2002), ao implantar o sistema de custos, é necessário, analisar as funções de cada empregado, definir os empregados e determinar o trabalho de acordo com a unidade de tempo estabelecida e ao final de cada período de tempo, verificar o total de horas trabalhadas por dia de mão-de-obra. Os autores relatam que a composição do custo da mão-de-obra direta, representa os encargos sobre a folha para pessoa jurídica e mais 2,7% sobre a receita bruta operacional. Conforme Crepaldi (2011, p. 103): O Cálculo do custo da hora – de mão de obra (quer direta, quer indireta) deve levar em conta todos os encargos sociais, como IAPAS, FGTS, 13º salário, etc., e também deve ser feito um ajuste para considerar as horas efetivamente trabalhadas e o tempo improdutivo decorrente de férias, fim de semana remunerado, feriados, etc. Como visto, a mão-de-obra pode ser direta ou indireta, porém, em ambos os tipos, deve-se considerar todos os encargos sociais no seu cálculo. Levando em consideração também, a função de cada empregado, o tempo trabalhado e o tempo improdutivo. 2.7.4 Custos com materiais e insumos Assim como nas demais atividades, a atividade rural também deve ter um controle de seus estoques, afim de que a produção não sofra com a falta destes materiais por exemplo. Segundo Perez Jr., Oliveira e Costa (2001, p. 24), materiais diretos são: “matériasprimas, materiais de embalagem, componentes e outros materiais necessários à produção, ao acabamento e à apresentação final do produto”. Também para Perez Jr., Oliveira e Costa (2001, p. 25) materiais indiretos são: “são materiais empregados nas atividades auxiliares de produção, ou cujo relacionamento com o produto é irrelevante”. Segundo Santos, Marion e Segatti (2002, p. 71): “Materiais são os insumos rurais produzidos ou adquiridos durante o ciclo produtivo: no cultivo das plantas e na criação de animais”. No contexto da administração de materiais, a política de estoques é de fundamental importância. Sua finalidade é determinar os limites de estoques mínimos, máximos e o ponto de pedido, para que o processo de produção não sofra interferências por falta de insumos ou peças de reposição dos equipamentos, Santos, Marion e Segatti (2002, p. 71). Pode-se observar, o quanto o controle dos estoques é importante para a propriedade, uma vez que se consegue facilitar a produção, não havendo falhas por falta de algum material. 36 Porém, vale ressaltar, que esse controle deve ser feito corretamente, de maneira que possa auxiliar realmente a administração da propriedade. 2.7.5 Custos dos produtos vendidos O custo do produto vendido representa a baixa no estoque por determinada venda. Segundo Santos, Marion e Segatti (2002, p. 96): “O custo dos produtos vendidos a serem computados no exercício devem ser correspondente às receitas de vendas dos produtos reconhecidas no mesmo período”. Quanto ao custo dos produtos vendidos na agricultura, Santos, Marion e Segatti (2002, p. 96) relatam que: “Na agricultura, normalmente o exercício fiscal não coincide com as safras, principalmente quando se trata de cultivos de ciclo curto intercalados”. Para Santos, Marion e Segatti (2002, p. 96), o custo dos produtos vendidos é determinado da seguinte forma: a) Projetam-se os gastos da referida cultura ou área (Centro de Custos). b) Solicita-se do técnico a estimativa da produção em volumes. c) Efetua-se a somatória dos custos reais até o período mais os valores estimados. d) Divide-se o custo total real + estimado de produção pela quantidade total real + estimada e obtém-se o custo unitário do produto. e) Multiplica-se o custo unitário pela quantidade vendida e determina-se o custo do produto vendido. Como visto, o custo do produto vendido na agricultura é obtido desde a projeção dos gastos, do volume de produção, a soma dos custos com os valores estimados, até que se obtenha o custo unitário de produção, o qual multiplicado pela quantidade vendida, resulta no custo do produto vendido. 2.8 Depreciação, amortização e exaustão A seguir são expostos conceitos referentes a depreciação, amortização e exaustão, considerando que seus processos iniciam quando o bem está em condições de uso e seguem até que o valor contábil do bem se iguala ao valor residual. Conforme a Resolução do CFC nº 1,136 de 2008, a Amortização é: “a redução do valor aplicado na aquisição de direitos de propriedade e quaisquer outros, inclusive ativos intangíveis, com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado”. 37 Segundo Crepaldi (2009, p. 121) a amortização: “aplica-se somente aos bens intangíveis. Exemplos: marcas e patentes”. Também conforme Resolução do CFC nº 1.136 de 2008, a Depreciação é: “a redução do valor dos bens tangíveis pelo desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência”. Crepaldi (2009, p.121) relata que a depreciação: “aplica-se somente aos bens tangíveis. Exemplos: máquinas, equipamentos etc”. Ainda conforme a Resolução do CFC nº 1.136 de 2008, Exaustão é: “a redução do valor, decorrente da exploração, dos recursos minerais, florestais e outros recursos naturais esgotáveis”. Crepaldi (2009, p. 121) também relata que a exaustão: “aplica-se somente aos recursos naturais exauríveis. Exemplos: reservas florestais, petrolíferas etc”. 2.8.1 Depreciação acelerada A depreciação, pode ser denominada de depreciação acelerada, quando o valor de um bem diminuir rapidamente. Segundo Crepaldi (2009, p. 130): “A depreciação acelerada consiste em reconhecer e registrar contabilmente a diminuição acelerado do valor dos bens móveis, resultante do desgaste pelo uso em regime de operação superior ao normal”. Observa-se que, um bem pode diminuir seu valor rapidamente, dependendo da maneira que for usado. Neste caso, resulta-se pelo uso em regime de operação superior ao normal. 2.8.2 Depreciação de máquinas e implementos agrícolas A seguir, será apresentada a forma de depreciação dos implementos agrícolas, os quais exigem tratamento diferenciado das industrias por exemplo, uma vez que seus equipamentos não são utilizados continuamente. Implementos agrícolas como tratores, colheitadeiras, aparelhos agrícolas etc. não são utilizados ininterruptamente durante o ano (como normalmente são os equipamentos industriais) em virtude de entressafra, chuvas, geadas, ociosidades etc. Dessa forma, recomenda-se a apropriação da depreciação em decorrência do uso às respectivas culturas ou projetos. Daí a necessidade de se calcular a depreciação por hora, estimando-se um número de horas de trabalho por equipamento, em vez da quantidade de anos de vida útil, Marion (2005, p. 67). 38 Na sequencia, são apresentadas as taxas de depreciação, a qual, traz mais detalhes do que foi exposto. 2.8.3 Taxas de depreciação Para se obter a taxa de depreciação, primeiramente deve-se prever a vida útil dos bens. O Agrônomo, o veterinário, os técnicos agropecuários... são as pessoas mais indicadas para prever a vida útil dos itens que compõem o Ativo Permanente de uma fazenda, considerando-se o clima, o solo, o tipo de manejo, a raça (no caso da pecuária) etc., que varia de região para região. O próprio Imposto de Renda assegura à empresa o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação dos seus bens, desde que faça a prova da vida útil do bem determinado, por meio do laudo técnico, Santos, Marion e Segatti (2002, p. 90). Conforme Resolução do CFC nº 1.027 de 2005, os fatores a serem considerados ao se estimar a vida útil, período de uso e volume de produção de um ativo são os seguintes: a) o uso esperado do ativo, que deve ser avaliado com base na capacidade esperada ou na produção física do ativo; b) o desgaste físico esperado, que depende de fatores operacionais, tais como o número de turnos durante os quais o ativo será usado, o programa de reparo e manutenção, inclusive enquanto estiver ocioso; c) a obsolescência tecnológica resultante de mudanças ou aperfeiçoamentos na produção ou mudanças na demanda no mercado pelo produto ou serviço produzido pelo ativo; e d) os limites legais ou semelhantes sobre o uso do ativo, tais como dados de expiração dos respectivos arrendamentos, permissões de exploração ou concessões. De acordo com o item 57 do pronunciamento técnico 27 do CPC (2009, p.13-14): A vida útil de um ativo é definida em termos da utilidade esperada do ativo pra a entidade. A política de gestão de ativos da entidade pode considerar a alienação de ativos após um período determinado ou após o consumo de uma proporção específica de benefícios econômicos futuros incorporados no ativo. Por isso, a vida útil de um ativo pode ser menor do que a sua vida econômica. A estimativa da vida útil do ativo é uma questão de julgamento baseado na experiência da entidade com ativos semelhantes. Conforme a resolução do CFC nº 1.027 de 2005, dentre os métodos de cálculo dos encargos de depreciação, amortização e exaustão destacam-se os seguintes: a) o método linear que resulta numa despesa constante durante a vida útil, se o valor residual do ativo não mudar; b)o método dos saldos decrescentes que resulta em despesa decrescente durante a vida útil; 39 c) o método das unidades produzidas que resulta em despesa baseada na expectativa de produção. Segundo o pronunciamento técnico 27 do CPC (2009), o método de depreciação deve refletir o valor consumido pela entidade e deve ser revisado pelo menos ao final de cada exercício, devendo ser modificado quando houver alteração significativa. 2.9 Resultado da propriedade O resultado da propriedade como em qualquer entidade, é apurado por meio da Demonstração do Resultado do Exercício, a qual, utiliza as contas de resultado, ou seja, as receitas, despesas e os custos. Segundo Basso (2011, p. 306):“A Demonstração do Resultado do Exercício é o relatório contábil que sintetiza as operações que deram origem ao resultado de um determinado período ou exercício social”. Basso (2011, p. 307) ainda relata que: “A demonstração do resultado, observado o princípio da competência, deve evidenciar a formação dos vários níveis de resultados mediante confronto entre as receitas e os correspondentes custos e despesas”. Conforme Crepaldi (2011, p. 87-88): A Demonstração do Resultado do Exercício, conforme a Lei nº 11.941/09, junto ao Balanço Patrimonial, constitui-se num relatório sucinto das operações realizadas por uma empresa rural durante determinado período de tempo, constatando nele um dos valores mais relevantes: o resultado líquido. Com essas duas demonstrações, a Contabilidade Rural alcança o objetivo de ilustrar a situação patrimonial, econômica e financeira da empresa rural. Portanto, a apuração do resultado demonstra aos proprietários, se a propriedade em determinado período obteve um resultado positivo ou negativo, além de demonstrar a situação da propriedade neste período. 40 3 METODOLOGIA DA PESQUISA A metodologia significa os métodos utilizados ao elaborar uma pesquisa. Para Gil (2000), método é a identificação dos passos para chegar à verdade dos fatos. Para Andrade (2003, p. 129): “Metodologia é o conjunto de métodos ou caminhos que são percorridos na busca do conhecimento”. Na sequencia, são apresentados os passos percorridos neste estudo. 3.1 Classificação da pesquisa A pesquisa pode ser classificada quanto sua natureza, do ponto de vista dos seus objetivos, quanto a forma de abordagem do problema e quanto aos procedimentos técnicos. Gil (2000, p. 44) define pesquisa como: “processo que tem por finalidade descobrir respostas para os problemas mediante a utilização de procedimentos científicos”. A pesquisa se classifica da seguinte forma: 3.1.1 Quanto a natureza Este estudo quanto a natureza classifica-se como pesquisa aplicada, pois conforme o autor Vergara (2004, p. 47): “A pesquisa aplicada é fundamentalmente motivada pela necessidade de resolver problemas concretos, mais imediatos, ou não”. Já para Munhoz (1989), citado por Gil (2000, p. 45): “As pesquisas aplicadas são as mais frequentes no campo econômico e relacionam-se tanto com o setor público quanto com o privado”. No setor privado, as pesquisas aplicadas podem voltar-se, por exemplo, para investigar as perspectivas do mercado com vistas no lançamento de um novo produto, para conhecer as condições de oferta de mão-de-obra segundo diferentes qualificações ou para conhecer o impacto da empresa diante de diferentes alternativas de localização, Munhoz (1989), citado por Gil (2000, p. 45). Marconi e Lakatos (1996, p. 19) relatam que a pesquisa aplicada: “caracteriza-se por seu interesse prático, isto é, que os resultados sejam aplicados ou utilizados, imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na realidade”. Portanto, como o estudo foi realizado em uma propriedade rural, onde foi realizada uma pesquisa de análise comparativa entre os custos de produção da soja e do milho, foi classificada como pesquisa aplicada. 41 3.1.2 Do ponto de vista dos seus objetivos Este estudo, do ponto de vista dos seus objetivos, é descritiva, a qual descreve os processos de produção, conforme os seguintes autores: A pesquisa descritiva expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno. Pode também estabelecer correlações entre variáveis e definir sua natureza. Não tem compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação. Pesquisa de opinião insere-se nessa classificação, Vergara (2004, p. 47). Conforme Andrade (2003, p. 124) quanto a pesquisa descritiva: “os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. Isto significa que os fenômenos do mundo físico e humano são estudados, mas não manipulados pelo pesquisador”. Entretanto, como a pesquisa foi realizada em uma propriedade rural, foram descritos os processos de produção para poder fazer a análise comparativa entre estas produções, a da soja e a do milho, sendo desta forma, a pesquisa classificada em descritiva. 3.1.3 Quanto a forma de abordagem do problema Quanto a forma de abordagem do problema, a pesquisa é qualitativa, pela qual, devese descrever minuciosamente a opinião de diversos autores para se chegar a um ponto de vista conclusivo. Para Oliveira (1998) a abordagem qualitativa não emprega dados estatísticos como centro do processo de análise de um problema nem tem a pretensão de numerar categorias homogêneas. Além disso, tendo como objetivo, situações complexas e estritamente particular. As pesquisas que se utilizam da abordagem qualitativa possuem a facilidade de poder descrever a complexidade de uma determinada hipótese ou problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos experimentados por grupos sociais, apresentar contribuições no processo de mudança, criação ou formação de opiniões de determinado grupo, e permitir, em maior grau de profundidade, a interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes doa indivíduos, Oliveira (1998, p. 117). Entretanto, observa-se que a abordagem qualitativa, exige muita leitura e consequentemente, nos permite chegar a um ponto conclusivo sobre determinado problema. 42 3.1.4 Procedimentos técnicos Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa se classifica como bibliográfica, documental, de levantamento e estudo de caso. A seguir, são apresentados os procedimentos desenvolvidos na elaboração de ambas as pesquisas, conforme autores citados. Quanto a pesquisa bibliográfica Gil (2000, p. 56): “A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Para Vergara (2004, p. 48): “Pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral”. Para Gil (2000, p. 57) referente a pesquisa documental: ... a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam tratamento analítico ou que podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa. Entre esse materiais estão os dados censitários, os documentos oficiais, os registros de arquivo das empresas e toda sorte de documentos pessoais. Vergara (2004, p. 48) também sobre pesquisa documental: Investigação documental é a realizada em documentos conservados no interior de órgãos públicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas: registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, balancetes, comunicações informais, filmes, microfilmes, fotografias, videoteipe, informações em disquete, diários, cartas pessoais e outros. Segundo Marconi e Lakatos (1996, p. 57): “ A característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias”. Sobre a pesquisa de levantamento, Gil (2000, p. 58) relata que: “As pesquisas desse tipo caracterizam-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer”. Quanto ao estudo de caso, Gil (2000, p. 58) relata que: “O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados”. Segundo Yin (1989), citado por Gil (2000, p. 59): “o estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro de seu contexto de realidade, quando as 43 fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidos, e no qual são utilizadas várias fontes de evidencias”. Entretanto, pode-se observar, que os documentos pesquisados no estudo foram relatórios e NFs, sendo base do levantamento dos dados para a análise do estudo de caso em questão. 3.2 Coleta de dados O plano de coleta de dados, representa os meios para se obter os dados necessários na elaboração da pesquisa. Os dados foram coletados através de entrevistas, conversas informais, além das consultas de relatórios, verificação das NFs e acompanhamento da produção de milho, considerando que a produção da soja já foi acompanhada. Para Andrade (2003, p. 152): “Para a coleta de dados deve-se elaborar um plano que especifique os pontos de pesquisa e os critérios para a seleção dos possíveis entrevistados e dos informantes que responderão aos questionários ou formulários”. Depois de coletar os dados, os mesmos foram analisados e interpretados para então, elaborar a pesquisa. 3.2.1 Instrumentos de coleta de dados Quanto aos instrumentos de coleta de dados, pode-se destacar os instrumentos quanto a observação, a qual é sistemática, não participante, individual e na vida real. Além da observação, destaca-se a entrevista, a qual é despadronizada, conforme os autores a seguir. Segundo Gil (2000), a observação procura garantir a objetividade à pesquisa. Além disso, Gil (2000, p. 133) relata que : “A observação nada mais é do que o uso dos sentidos para obter conhecimentos necessários para o quotidiano”. A observação neste estudo, classifica como sistemática, pois conforme Gil (2000, p. 133): “A observação sistemática é utilizada em pesquisas que tem como objetivo a descrição precisa dos fenômenos”. Para Marconi e Lakatos (1996, p. 81): “ Na observação sistemática o observador sabe o que procura e que carece de importância em determinada situação; deve ser objetivo, reconhecer possíveis erros e eliminar sua influencia sobre o que vê ou recolhe”. 44 Pode-se dizer também, que a observação neste sentido é não participante, é uma observação simples, que segundo Vergara (2004) quer dizer que o pesquisador é um espectador não interativo. Segundo Marconi e Lakatos (1996, p. 82): “ Na observação não participante, o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrarse a ela: permanece de fora”. Quanto a observação individual, Marconi e Lakatos (1996, p. 82-83) relatam que: “Como o próprio nome indica, é a técnica de observação realizada por um pesquisador. Nesse caso, a personalidade dele se projeta sobre o observado, fazendo algumas interferências ou distorções, pela limitada possibilidade de controles”. Há ainda, a observação na vida real, onde Marconi e Lakatos (1996, p 83) relatam: “Normalmente, as observações são feitas no ambiente real, registrando-se dados à medida que forem ocorrendo, espontaneamente, sem a devida preparação”. Já referente a entrevista, segundo Vergara (2004, p. 55): “A entrevista é um procedimento no qual você faz perguntas e alguém que, oralmente, lhe responde”. Gil (2000, p. 142) conceitua entrevista da seguinte maneira: “Pode-se definir entrevista como a técnica em que o pesquisador se apresenta ao pesquisado e formula-lhe perguntas, com o objetivo de obter os dados que interessam à pesquisa”. Segundo Marconi (1990), citado por Andrade (2003, p. 146-147), quanto a entrevista despadronizada ou não estruturada: “Consiste em uma conversação informal, que pode ser alimentada por perguntas abertas, proporcionando maior liberdade para o informante”. Ainda para a mesma autora, há três maneiras de se conduzir a entrevista não padronizada: entrevista focalizada, entrevista clínica e entrevista não dirigida. É neste sentido, que a coleta de dados do estudo em questão, foi classificada quanto a observação em sistemática, não participante, individual e na vida real, além de envolver a entrevista desestruturada como vista anteriormente. 3.3 Análise e interpretação dos dados Após o levantamento dos dados, os mesmos foram passados para planilhas, que foram analisados e transformados em relatórios, identificando qual das produções, a da soja ou a do milho apresenta o melhor resultado para a propriedade. 45 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS Este capítulo refere-se ao desenvolvimento aplicado do trabalho, iniciando com o desenvolvimento de um sistema de custos na propriedade e posterior levantamento de informações que contribuíram para a análise. As culturas em questão é a da soja e a do milho, onde o ciclo inicial foi em 2012 com a planta do milho e o término previsto para abril de 2013 com a colheita da soja. 4.1 Descrição do ciclo operacional das culturas Na sequencia, apresentam-se a descrição do processo de cultivo de cada produto. 4.1.1 Cultura do milho O cultivo do milho conta com plantio direto e mecanizado, além do uso de adubos químicos e agrotóxicos. A área cultivada foi de 20 hectares. A planta ocorreu em setembro de 2012 e a colheita em janeiro de 2013. A seguir o fluxograma referente a produção do milho. Figura 1- Fluxograma da Produção do Milho Define a área de ser plantada Compra da semente e insumos Aplicação da ureia Colheita 1ª aplicação, dessecação Entrega do produto Plantio, semente e adubo Dessecação 2ª aplicação, com fungicida, via pulverização aérea Venda Fonte - Dados conforme pesquisa Para o cultivo do milho, ao definir a área a ser plantada, foram adquiridas vinte e cinco sacas de semente de 20 kg cada tratadas com fungicida CRUISER, com tecnologia BT RR PRÓ (resistente a herbicidas), além dos fertilizantes adubo de seis toneladas e a ureia de duas toneladas para a área de vinte hectares. Após ocorre a revisão do pulverizador e foram necessárias duas dessecações do solo, a qual foi utilizada 1,5 l/ha de Gramoxone em cada dessecação. 46 Na sequencia, ocorre a regulagem e revisão da plantadeira e iniciado o plantio, onde é necessário duas pessoas, um para operar o trator e outro para monitorar a plantadeira. No plantio o adubo é largado juntamente com a semente. Aproximadamente um mês depois foi aplicado ureia a lanço, com um distribuidor mecânico. A primeira aplicação de agrotóxico ocorreu um mês após o plantio, para o controle de ervas daninha. A segunda aplicação foi de fungicida sendo necessário aplicar via pulverização aérea. Posteriormente é feita a revisão da colheitadeira iniciando a colheita, sendo necessárias duas pessoas, onde um opera a máquina e outro é responsável pelo transporte do produto até as cooperativas. Vale ressaltar, que a plataforma para colheita é emprestada. 4.1.2 Cultura da soja A planta da soja ocorreu em novembro de 2012 e a colheita em abril de 2013. O cultivo da mesma conta com plantio direto e mecanizado, além do uso de adubos químicos e agrotóxicos. A área cultivada foi de 20 hectares. A seguir o fluxograma referente a produção da soja. Figura 2 - Fluxograma da Produção da Soja Define a área a ser plantada Cuidados e tratamento da semente Plantio, semente e adubo 3ª aplicação, tratamento Compra dos insumos 1ª aplicação, dessecação 4ª aplicação, tratamento Colheita Dessecação 2ª aplicação, com inseticida fisiológico Entrega do produto Venda Fonte - Dados conforme pesquisa Como visto, ao definir a área a ser plantada, a semente é classificada e posteriormente tratada em uma tratadora elétrica de semente, onde são utilizados produtos químicos, para combater as pragas do solo, doenças, fungos da semente e do solo e é também aplicado um micronutriente. Também é comprado o adubo ou fertilizante correspondente a quatro toneladas para a área de 20 hectares. Após, ocorre a revisão do pulverizador para o preparo do solo através da dessecação, onde é usado um herbicida para controle de ervas 47 daninha e outro especialmente para controle da buva, juntamente com estes herbicidas é usado um inseticida de contato para controle de lagarta pré existente na palhada. Esta dessecação é feita com um pulverizador Max Spray com capacidade de 2000 litros e volume de calda de 100 litros por hectare. Neste caso uma pessoa é necessário. Na sequencia, ocorre a regulagem e revisão da plantadeira e iniciado o plantio, onde são necessárias duas pessoas, um para operar o trator e outro para monitorar a plantadeira. No plantio o adubo é largado juntamente com a semente. Após um mês aproximadamente ou quando a planta atinge o terceiro trifólio ocorre a primeira aplicação, onde é feito outra dessecação, mas apenas para controle de ervas daninha. Após sessenta dias do plantio ocorre a segunda aplicação, para o controle das pragas, utilizando apenas um inseticida, pois o ataque não é muito severo, logo após ocorre a terceira aplicação, usando inseticida fisiológico e um fungicida. A quarta aplicação, utiliza-se os inseticidas para controle dos percevejos e ácaros e um para controle da lagarta, além do fungicida para controle da ferrugem. Posteriormente é feita a revisão da colheitadeira iniciando a colheita, sendo necessárias duas pessoas, onde um opera a máquina e outro é responsável pelo transporte do produto até as cooperativas. 4.2 Apuração dos custos diretos de produção Na apuração dos custos diretos de produção, foram levantados todos os insumos utilizados em cada produção, além da mão-de-obra utilizada na preparação do solo, plantio e colheita. 4.2.1 Levantamento dos custos com insumos Os insumos são de suma importância, na falta dos mesmos, não seria possível uma produção de qualidade, cada item tem sua função, uns de proteger a planta das ervas daninha, outros contra insetos, fungos, além dos fertilizantes para dar força e sustentabilidade a planta. Neste processo de levantamento dos insumos tanto para a cultura do milho quanto para a cultura da soja, foram apuradas as quantidades e o valor de cada insumo por hectare, apurando também a quantidade e o valor total dos mesmos para a área de 20 hectares, ou seja, a área em estudo. Para a aquisição dos insumos, é realizado sempre uma pesquisa de preços pelos gestores da propriedade. Na sequencia, o quadro demonstrando o levantamento dos insumos e os respectivos valores. 48 Quadro 2 - Quantidade e valor dos insumos utilizados na produção do milho MILHO Processo 20,0 há Produto Dose/há 1,25 UM Quant. Total sacas 25 Vlr unit 500,00 Vlr/há 625,00 Vlr Total 12.500,00 Semente Semente Adubo Fertilizante Adubo 300,00 kg 6.000 1,47 441,00 8.820,00 Ureia Fertilizante Ureia 100,00 kg 2.000 1,24 124,00 2.480,00 1ª Dessecação Gramaxone 1,50 L 30 14,00 21,00 420,00 2ª Dessecação Gramaxone 1,50 L 30 14,00 21,00 420,00 1ª Aplicação Herbicida Atanor 1,50 L 30 12,00 18,00 360,00 Fungicida Opera TOTAL Fonte - Dados conforme pesquisa 0,50 L 10 72,00 36,00 720,00 1.286,00 25.720,00 2ª Aplicação Conforme o quadro anterior foram levantadas as quantidades e valores dos insumos utilizados durante o ciclo de produção do milho, com um custo total de R$ 25.720,00 e um custo por hectare de R$ 1.286,00. A semente teve maior destaque com o custo por hectare de R$ 625,00 e o com custo total de R$ 12.500,00, vale ressaltar, que a semente do milho será adquirida todo ano, pois não é possível armazenar, classificar e tratar esta semente, para isto seria necessário uma produção diferenciada, própria para o comércio da semente. Em seguida, os fertilizantes, onde o adubo apresentou um custo de R$ 441,00 por hectare e de R$ 8.820,00 do custo total e a ureia com um custo por hectare de R$ 124,00 e um custo total de R$ 2.480,00. Posteriormente a dessecação, considerando que foram necessárias duas aplicações, onde cada uma teve um custo total de R$ 420,00, ou seja, R$ 840,00 no custo total. E o menor custo foi com as aplicações de fungicida com um custo total de R$ 720,00 e herbicida após o plantio, com um custo total de R$ 360,00. Na sequencia, o quadro demonstrando o levantamento dos insumos e os respectivos valores da produção da soja. Quadro 3 - Quantidade e valor dos insumos utilizados na produção da soja SOJA Processo 20,0 Há Trat. Semente Standak Top Dose/há 100,0 Trat. Semente MicroXisto 50,0 Ml 1.000 0,92 46,00 920,00 Adubação Fertilizante 200,0 Kg 4.000 1,14 228,00 4.560,00 Dessecação Herbicida Atanor 2,00 L 40 12,00 24,00 480,00 Contr. Buva - Clorim 120,0 G 2.400 0,06 7,20 144,00 Inseticida Fastac 100,0 Ml 2.000 0,03 3,00 60,00 1ª Aplicação 2ª Aplicação Produto Um Ml Quant. Total 2.000 Vlr unit 0,43 Vlr/há 43,00 Vlr Total 860,00 Herbicida Atanor 1,5 L 30 12,00 18,00 360,00 Inseticida Fastac 100,0 Ml 2.000 0,03 3,00 60,00 49 3ª Aplicação 4ª Aplicação Inseticida Nomolt 50,0 Ml 1.000 0,11 5,50 110,00 Fungicida Opera 0,5 L 10 72,00 36,00 720,00 0,600 Kg 12 25,00 15,00 300,00 0,50 L 10 72,00 36,00 720,00 464,70 9.294,00 Inseticida Cefanol Fungicida Opera TOTAL Fonte - Dados conforme pesquisa Conforme o quadro anterior, foram levantadas as quantidades e valores dos insumos utilizados durante o ciclo de produção da soja, com um custo total de R$ 9.294,00 e um custo por hectare de R$ 464,70. O fertilizante teve maior destaque com o custo por hectare de R$ 228,00 e um custo total de R$ 4.560,00. Em seguida, as aplicações de herbicidas, fungicidas e inseticidas após o plantio com um custo por hectare de R$ 113,50, e um custo total de R$ 2.270,00, somando todos os produtos. O tratamento da semente teve um custo por hectare de R$ 89,00 considerando os dois produtos utilizados e um custo total de R$ 1.780,00. Com menor custo, a dessecação com um custo por hectare de R$ 34,20 considerando todos os produtos e um custo total de R$ 684,00. Gráfico 1- Custo por procedimento na produção do milho e da soja 60,00% 50,00% 49,06% 48,60% 43,93% 40,00% 30,00% 24,42% 19,15% 20,00% 10,00% 4,20% 3,27% 7,36% 0,00% MILHO SOJA Dessecação/plantio Semente Fertilizantes Fung, herb e inset pós plantio Fonte - Dados conforme pesquisa Conforme o gráfico anterior, na produção do milho, o maior custo foi com aquisição da semente representando 48,60%, em seguida os fertilizantes com 43,93%, e bem abaixo, os fungicidas e herbicidas utilizados após o plantio com 4,20% e a dessecação com 3,27%. Quanto a produção da soja, o maior custo foi com o fertilizante, representando 49,06%, após os fungicidas, herbicidas e inseticidas com 24,42% utilizados após o plantio, 19,15% com o tratamento de semente e 7,36% com a dessecação. 50 Quadro 4 - Custo da semente da soja Qtd de scs 25 Fonte: Dados conforme a pesquisa Valor Total R$ 54,00 R$ 1350,00 A grande diferença de custos entre as produções está na aquisição da semente do milho, que precisa ser adquirida todo ano, ela não é armazenada, classificada e tratada pela propriedade, uma vez que para que isto ocorra, é necessário uma produção diferenciada, específica para a comercialização da semente. Já com a soja, os gestores armazenam as sementes, classificam e tratam as mesmas para o plantio, não é necessária a compra, tornando uma cultura mais barata em comparação ao milho. Porém, conforme o quadro 04, a semente armazenada e destinada para o plantio não deixa de representar um custo já que deixou de ser comercializada. Há uma diferença também significativa em relação as aplicações após o plantio, considerando que para o milho foram necessários apenas duas aplicações enquanto que para a soja foram necessárias quatro aplicações, onde duas destas correspondia ao tratamento da planta, a qual encarece mais, como mostrou o quadro anterior. Em seguida, foram apurados os custos com a mão-de-obra. 4.2.2 Apuração dos custos com mão-de-obra Como a propriedade possui três sócios-proprietários, é necessária apenas uma pessoa para ajudar na produção das culturas. Para o plantio, duas pessoas são necessárias, um para operar o trator e outro para monitorar a plantadeira, assim como na colheita são necessárias duas pessoas, onde um opera a máquina e outro é responsável pelo transporte do produto até as cooperativas, já as pulverizações não ocorrem no mesmo momento da planta ou da colheita, ou seja, não é necessário uma pessoa apenas para pulverizar, os próprios proprietários se responsabilizam por esta tarefa. Na sequencia, o quadro representativo da mão-de-obra. 51 Quadro 5 - Custo com a mão-de-obra Cálculo Hora Funcionário salario bruto adicionais(quinquênios gratificação) Funcionário 1 1.017,00 203,40 20% Outros (insalubridade/periculosidade) Sub – Total Obrigações Trabalhistas 13º Salário Férias 1.220,40 1/3 Férias Sub Total Previsões 7% Obrigações sociais Previdência Social 1/12 1/12 1/3 101,66 101,66 33,93 7% 1.457,65 102,04 2,7% 8% FGTS 39,36 116,61 1.715,65 Total p/ Colaborador 20.587,79 TOTAL ANUAL Fonte - Dados conforme pesquisa Conforme o quadro anterior, o funcionário recebe um salário mínimo e meio e juntamente com os encargos, o custo com a mão-de-obra totaliza R$ 20.587,79 anualmente. Este valor, refere-se a área total da propriedade que é de 400 (quatrocentos) hectares, sendo necessário então, ratear este valor por hectare para encontrar o custo com a mão-de-obra relativo aos 20 (vinte) hectares do estudo e destinar ao custo de cada produção, como mostra o quadro a seguir. Quadro 6 - Rateio Mão-de-obra por área Total da área 400 Fonte - Dados conforme pesquisa Custo M.O 20.587,79 Custo por há 51,47 Após o rateio do custo com M.O por área, foi possível encontrar o custo com a mãode-obra relativo aos 20 (vinte) hectares base deste estudo. Quadro 7 - Custo com mão-de-obra RATEIO POR CULTURA ÁREA (há) CUSTO ANUAL M.O. MILHO 20,0 1.029,39 SOJA 20,0 1.029,39 TOTAL: Fonte - Dados conforme pesquisa 40,0 2.058,78 52 Como visto, foi encontrado primeiramente o custo da mão-de-obra por hectare, dividindo o custo total anual de R$ 20.587,79 pela área total de 400 hectares, encontrando então, o custo por hectare da mão-de-obra de R$ 51,47, o qual foi multiplicado pelos 20 hectares, resultando em R$ 1.029,39 o custo com a mão-de-obra para cada produção, como mostra o gráfico a seguir. Gráfico 2 - Custo com mão-de-obra R$ 1.200,00 R$ 1.029,39 R$ 1.029,39 R$ 1.000,00 R$ 800,00 R$ 600,00 R$ 400,00 R$ 200,00 R$ MILHO SOJA Fonte - Dados conforme pesquisa Como o trabalho refere-se a uma análise comparativa dos custos de produção utilizando 20 (vinte) hectares para ambas as culturas, os valores se igualam em função do critério utilizado, que é o custo de mão-de-obra por hectare. Não foi possível utilizar um outro critério, como por exemplo, o tempo de produção de cada cultura, o que fica como sugestão para o desenvolvimento das novas planilhas, levantar os tempos de produção de cada etapa de cada cultura, o que pode-se apresentar diferentemente. 4.3 Apuração dos custos indiretos de produção Na apuração dos Custos Indiretos, foram levantados todos os custos indiretos diversos que a propriedade possui ao ano, além da depreciação de máquinas e implementos agrícolas e do galpão. 4.3.1 Custos com depreciação A depreciação refere-se a redução do valor dos bens, os quais estão sujeitos ao desgaste ou perda de sua utilidade. Desta forma, é necessário calcular a depreciação destes bens. No caso da propriedade em questão, primeiramente foi realizado um levantamento das máquinas e implementos e posteriormente realizado o cálculo da depreciação dos mesmos, além do galpão como mostra o quadro a seguir. 53 Quadro 8 - Relação dos bens e depreciação anual Relação de bens e o valor da depreciação anual Maquinas e Equipamentos Vlr dos Bens Vlr Residual Vlr a ser depr Taxa Vlr depr a.a. Trator Valmet 128 - 1990 45.000,00 9.000,00 36.000,00 10% 3.600,00 Trator Valmet 128 4x4 - 1989 55.000,00 11.000,00 44.000,00 10% 4.400,00 Trator Ford - 1979 30.000,00 6.000,00 24.000,00 10% 2.400,00 Pulverizador Max Sprey 85.000,00 17.000,00 68.000,00 10% 6.800,00 Plantad MF - 2011 50.000,00 10.000,00 40.000,00 10% 4.000,00 Colheitad John Deere - 2013 690.000,00 138.000,00 552.000,00 10% 55.200,00 Carreto para transp. Plataforma 12.000,00 2.400,00 9.600,00 10% 960,00 Caminhão Mercedes 1113 - 1979 40.000,00 8.000,00 32.000,00 10% 3.200,00 Tornado Stara - 2009 7.000,00 1.400,00 5.600,00 10% 560,00 Classificador/pré limpeza 7.000,00 1.400,00 5.600,00 10% 560,00 Tratadeira de semente - 2001 1.000,00 200,00 800,00 10% 80,00 Guincho/big bag - 2008 8.000,00 1.600,00 6.400,00 10% 640,00 Reboke Stara - 2009 28.000,00 5.600,00 22.400,00 10% 2.240,00 Carreta tanker Jan - 2004 12.000,00 2.400,00 9.600,00 10% 960,00 TOTAL Benfeitorias 214.000,00 Vlr dos Bens Galpão Alvenaria Vlr Residual 856.000,00 85.600,00 Vlr a ser depr Taxa Vlr depr anual 80.000,00 8.000,00 72.000,00 4% 2.880,00 TOTAL 80.000,00 8.000,00 72.000,00 2.880,00 TOTAL Benf. + Maq e Equip Fonte - Dados conforme pesquisa 80.000,00 222.000,00 928.000,00 88.480,00 Para o calculo da depreciação das máquinas e implementos agrícolas, usou-se 20% (vinte por cento) de valor residual e 10% (dez por cento) a taxa de depreciação. Já para o galpão usou-se 10% (dez por cento) de valor residual e 4% (quatro por cento) a taxa de depreciação. Como mostrou o quadro anterior, o valor da depreciação anual das máquinas e implementos agrícolas é de R$ 85.600,00 e do galpão de R$ 2.880,00 totalizando R$ 88.480,00 de depreciação anual. 4.3.2 Custos indiretos Os custos indiretos são aqueles que não estão diretamente ligados com as culturas, eles podem ser fixos e variáveis, como mostra o quadro a seguir. 54 Quadro 9 - Apuração dos custos indiretos CUSTOS INDIRETOS DESCRIÇÃO FIXOS VARIÁVEIS 7.428,90 Manutenção de Máquinas e Equipamentos 1.820,00 Manutenção de Benfeitorias 16.970,00 Combustível e lubrificantes Taxas e emolumentos Energia Elétrica/água/telefone Imposto de Renda ITR Pulverização aérea Equipamentos de segurança/uniforme Revistas/Jornais/ Material de Pesquisa Curso Ferramentas Parcela financiamento plantadeira Depreciação Parcela financiamento colheitadeira TOTAL TOTAL CUSTOS INDIRETOS: Fonte - Dados conforme pesquisa 1.200,00 2.400,00 9.579,30 500,00 950,00 105,00 290,00 600,00 184,00 7.770,00 88.480,00 84.000,00 183.895,00 222.277,20 38.382,20 Taxas e emolumentos se referem às taxas da FARSUL, CNA e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Não foi atribuído aos custos indiretos os valores de pró-labore aos sócios, porque do resultado obtido, os sócios deixam como reserva 30% e o restante dividem em três partes iguais. Assim como a mão-de-obra, os custos indiretos referem-se a área total de 400 (quatrocentos) hectares, sendo necessário fazer o rateio por hectare para encontrar o valor do custo indireto relativo aos 20 (vinte) hectares do estudo e destinar ao custo de cada produção, como mostra o quadro a seguir. Quadro 10 - Rateio dos custos indiretos por área Total área Custos Indiretos Fixos por hectare Custos Indiretos Variáveis por hectare Total Custos Indiretos por hectare Fonte - Dados conforme pesquisa 400 459,74 % 83% 95,96 17% 555,69 100% Como demonstra o quadro anterior, utilizando-se o critério do número de hectare para o rateio, o custo indireto por área é de R$ 555,69, onde 83% refere-se aos custos 55 indiretos fixos e 17% refere-se aos custos indiretos variáveis. Após o rateio por área, é necessário fazer o rateio por cultura como mostra o quadro a seguir. Quadro 11 - Rateio custos indiretos por cultura RATEIO POR CULTURA: ÁREA (há) CUSTO INDIRETO CIF CIV MILHO 20,0 11.113,86 9.194,75 1.919,11 SOJA 20,0 11.113,86 9.194,75 1.919,11 40,0 TOTAL: Fonte - Dados conforme pesquisa 22.227,72 18.389,50 3.838,22 Após o rateio por área, foi possível encontrar o valor dos custos indiretos dos 20 (vinte) hectares, referente ao estudo. Os custos indiretos representam R$ 11.113,86, sendo R$9.194,75 os custos indiretos fixos e R$ 1.919,11 os custos indiretos variáveis, ambos para cada produção, como demonstra o gráfico a seguir. Gráfico 3 - Custos Indiretos das culturas 12.000,00 10.000,00 11.113,86 11.113,86 9.194,75 9.194,75 8.000,00 6.000,00 4.000,00 2.000,00 1.919,11 1.919,11 MILHO CUST O INDIRET O SOJA CIF CIV Fonte - Dados conforme pesquisa Portanto, percebe-se pelo gráfico que os custos indiretos fixos tem uma maior representatividade, tanto na cultura da soja quanto na do milho. 56 4.4 Custo total Após o levantamento de todos os custos com insumos, mão-de-obra, custos indiretos fixos e variáveis, apresenta-se na sequencia a apuração do custo total por cultura, soja e milho, utilizando-se do custeio por absorção e do custeio variável. 4.4.1 Custeio por absorção O custeio por absorção é aquele que absorve todos os custos incorridos na produção seja custos fixos ou variáveis, diretos ou indiretos, entretanto, os custos apurados foram com os insumos, com pessoal, custos indiretos fixos e variáveis. Quadro 12 - Custeio por absorção CUSTO TOTAL - ABSORÇÃO PRODUTO INSUMOS 25.720,00 MILHO 9.294,00 SOJA 35.014,00 TOTAL Fonte - Dados conforme pesquisa PESSOAL 1.029,39 1.029,39 2.058,78 CIF 9.194,75 9.194,75 18.389,50 CIV 1.919,11 1.919,11 3.838,22 CT 37.863,25 21.437,25 59.300,50 Apurados os custos com os insumos, com pessoal, custos indiretos fixos e variáveis, o custo total da produção do milho foi de R$ 37.863,25 e a da soja de R$ 21.437,25. A seguir o gráfico expressando o percentual que cada produção representa deste custo total. Gráfico 4 - Custeio por Absorção produção do milho 5% 24% 3% 68% INSUMOS Fonte - Dados conforme pesquisa PESSOAL CIF CIV 57 Os insumos apresentam maior proporção devido ao custo da semente, a qual deve ser adquirida em todos os exercícios, diferentemente da soja a qual é armazenada e tratada pelos sócios-proprietários. Os custos variáveis diferem significativamente em relação aos custos fixos devido a depreciação e a parcela do financiamento da colheitadeira. Em menor proporção, são os custos com pessoal, considerando que a propriedade possui apenas um colaborador. Gráfico 5 - Custeio por Absorção produção da soja 9% 43% 43% 5% INSUMOS PESSOAL CIF CIV Fonte - Dados conforme pesquisa Como visto, tanto os insumos quanto os custos indiretos fixos representam 43% do custo total. Os insumos da soja diferem do milho devido a semente, a qual possui um valor mais elevado em relação aos produtos utilizados tanto na dessecação como nas aplicações após o plantio. Se analisarmos pelo custo total, o milho representa 63,85% e a soja 36,15% do custo total pelo método de absorção, ou seja, a produção do milho possui um custo bem mais elevado em comparação a soja. Após apurado o custo total, pode-se calcular o custo por saca. Quadro 13 - Custo por saca para cada cultura CUSTO POR SACAS PARA CADA CULTURA Produto Area Custo Ha Produção (kg) Produção (scs) 1.893,16 168.000 2.800 MILHO 20,0 1.071,86 60.000 1.000 SOJA 20,0 Fonte - Dados conforme pesquisa Media sacas/há Custo saca 140,00 13,52 50,00 21,44 O custo total apurado anteriormente dividido pelos 20 (vinte) hectares chega-se ao custo por hectare, onde o milho custa R$ 1.893,16 este dividido pela média de sacas por hectare, representa um custo por saca de R$ 13,52. A média das sacas se dá pelo total da 58 produção em sacas dividido pela área de 20 (vinte) hectares. Da mesma forma ocorre com a produção da soja a qual representa um custo por saca de R$ 21,44. O milho tem um custo total superior ao da soja e seu custo por saca é inferior pelo fato de que a média de sacas do milho é bem superior ao da soja, tornando seu custo menor. Vale ressaltar, que para o comércio, tanto a saca do milho quanto a da soja correspondem a 60 kg. A produção do milho rende muito mais em comparação a soja. A seguir a comparação do preço de venda com o custo por saca de cada produção. Gráfico 6 - Comparativo entre o preço de venda e o custo por saca pelo Custeio por Absorção Fonte - Dados conforme pesquisa O preço de venda exposto no gráfico foi o da venda do produto, representa o preço do período, neste caso já descontado o Funrural de 2,3%. Como se pode observar, do peço de venda, praticamente a metade destina-se ao custo por saca, ou seja, o custo do milho representa 46% sobre o preço de venda e o da soja 41%. 4.4.2 Custeio variável Pelo método de custeio variável apenas os custos que variam conforme o volume de produção é que são apropriados à produção, servindo como ferramenta de auxilio no processo de gerenciamento. Neste caso foram apurados os custos com insumos, com pessoal e os custos indiretos variáveis, como mostra o quadro a seguir. 59 Quadro 14 - Custo Total pelo Método de Custeio Variável PRODUTO INSUMOS CUSTO TOTAL - VARIAVEL PESSOAL CIV CT 25.720,00 1.029,39 1.919,11 28.668,50 9.294,00 1.029,39 1.919,11 12.242,50 35.014,00 TOTAL Fonte - Dados conforme pesquisa 2.058,78 3.838,22 40.911,00 MILHO SOJA Apurados os custos com os insumos, com pessoal e custos indiretos variáveis, o custo total da produção do milho foi de R$ 28.668,50 e o da soja R$ 12.242,50. A seguir, apresenta-se o gráfico expressando o percentual que cada produção representa deste custo total. Gráfico 7 - Custeio variável referente a produção do milho 4% 7% 89% INSUMOS PESSOAL CIV Fonte - Dados conforme pesquisa Assim como pelo custeio por absorção, os insumos se destacam, neste caso com 89% e o custo com pessoal com menor proporção, ou seja, de 4%. Gráfico 8 - Custeio variável referente a produção da soja 16% 8% 76% INSUMOS Fonte - Dados conforme pesquisa PESSOAL CIV 60 Como visto o custo com insumos destaca-se também na cultura da soja com 76% devido ao fato de que não são considerados os custos fixos da produção. Com menor proporção esta o custo com pessoal, ou seja, com 8%. Se analisarmos pelo custo total, o milho representa 70% e a soja 30% do custo total pelo método variável, ou seja, a produção do milho possui um custo bem mais elevado em comparação a soja. Após apurado o custo total, pode-se calcular o custo por saca. Quadro 15 - Custo por saca para cada cultura CUSTO POR SACAS PARA CADA CULTURA 1.433,42 168.000 2.800 Media sacas/ha 140 SOJA 20,0 612,12 Fonte - dados conforme pesquisa 60.000 1.000 50 Produto MILHO Area Plantada 20,0 Custo Ha Produção (kg) Produção (scs) Custo saca 10,24 12,24 Assim como pelo custeio por absorção, após ter encontrado o custo total este é dividido pelos 20 (vinte) hectares chega-se ao custo por hectare, onde o milho custa R$ 1.433,42 este dividido pela média de sacas por hectare, representa um custo por saca de R$ 10,24. A média das sacas se dá pelo total da produção em sacas dividido pela área de 20 (vinte) hectares. Da mesma forma ocorre com a produção da soja a qual representa um custo por saca de R$ 12,24. O milho tem um custo total superior ao da soja e seu custo por saca é inferior pelo fato de que a média de sacas do milho é bem superior ao da soja, tornando seu custo menor. A produção do milho rende muito mais em comparação a soja. A seguir a comparação do preço de venda com o custo por saca de cada produção. Gráfico 9 - Comparativo entre o preço de venda e o custo por saca pelo custeio variável Fonte - Dados conforme pesquisa 61 Neste caso, considerando apenas os custos variáveis, o custo da saca de ambos os produtos é bem inferior ao preço de venda, onde o custo do milho representa 35% sobre o preço de venda e o da soja 23%. Na sequencia, a análise do custo, volume e resultado. 4.5 Análise do custo, volume e resultado Após levantados todos os custos com a produção da soja e do milho, foram calculadas a margem de contribuição unitária e total, o ponto de equilíbrio e a margem de segurança operacional. 4.5.1 Margem de contribuição unitária e margem de contribuição total A margem de contribuição unitária é a diferença entre o preço de venda e a soma dos custos e despesas variáveis de cada produto. Serve para cobrir os custos e despesas fixas totais e para gerar o resultado real da propriedade no período de análise. O valor da margem de contribuição unitária multiplicado pelo volume total vendido, encontra-se a margem de contribuição total. Quadro 16 - Margem de contribuição unitária e total Produto Análise Margem de Contribuição Unitária e total pelo Custeio Variável PV medio Custo Variavel Despesa Mcu Qtde Produzida Mercado p/sc Variável (sc) 30,00 MILHO 54,00 SOJA Fonte - Dados conforme pesquisa 10,24 12,24 0,69 1,24 19,07 40,52 2.800 1.000 MCT 53.399,50 40.515,50 Como dito anteriormente, a margem de contribuição unitária é a diferença entre o preço de venda e a soma dos custos e despesas variáveis de cada produto. As despesas variáveis representam 2,3% correspondente ao FUNRURAL. Neste caso, quanto a produção do milho, o preço de venda é de R$ 30,00, os custos variáveis de R$ 10,24 e as despesas variáveis de R$ 0,69, resultando uma margem de contribuição unitária de R$ 19,07 que multiplicado pela quantidade produzida e posteriormente vendida encontra-se a margem de contribuição total de R$ 53.399,50. Da mesma forma ocorre com a produção da soja onde o preço de venda é de R$ 54,00, os custos variáveis de R$ 12,24 e as despesas variáveis de R$ 1,24, resultando uma margem de contribuição unitária de R$ 40,42 que multiplicado pela quantidade produzida e posteriormente vendida encontra-se a margem de contribuição total de R$ 40.515,50. 62 A margem de contribuição unitária do milho representa 64% sobre o preço de venda e a da soja, 75%, percentual bem elevado, sendo vantajoso para a propriedade, isto quer dizer, que da produção do milho, se tem 64% pra cobrir os custos fixos e gerar lucros e da produção da soja se tem 75%. Como pode-se observar, a soja possui margem de contribuição unitária superior ao milho, porém o milho representa maior produtividade e consequentemente maior margem de contribuição total, a qual, ao se fazer uma análise, deve-se levar em consideração. Dessa forma, pela margem de contribuição total, o milho é a melhor opção. 4.5.2 Ponto de equilíbrio O Ponto de Equilíbrio determina a produção necessária para cobrir todos os custos e despesas fixas, além dos custos e despesas variáveis, não havendo nem lucros, nem prejuízos. Quadro 17 - Ponto de equilíbrio Ponto de Equilíbrio Contábil - pelo Custeio Variável Produto CIF MCU PE sc 9.194,75 19,07 482 MILHO 9.194,75 40,52 227 SOJA Fonte - Dados conforme pesquisa PE R$ 14.463,79 12.254,98 Para o calculo do ponto de equilíbrio, foram somados os custos fixos e divididos pela margem de contribuição unitária. Para o milho, o ponto de equilíbrio é de 482 sacas, ou seja, a produção necessária para cobrir todos os custos, sem gerar lucros corresponde a 482 sacas, estas sacas multiplicadas pelo preço de venda de R$ 30,00, resulta no ponto de equilíbrio em reais, neste caso de R$ 14.463,79. Já para a soja, o ponto de equilíbrio é de 227 sacas e em reais de R$ 12.254,98. A seguir, o gráfico comparativo com a produção e o ponto de equilíbrio. Gráfico 10 - Comparativo entre a produção e o ponto de equilíbrio Fonte: Dados conforme pesquisa 63 Percebe-se que a produção e venda superou o ponto de equilíbrio de maneira significativa em ambas as produções, principalmente na produção de milho o que é muito bom para a propriedade. Consequentemente, a margem de segurança operacional será benéfica, uma vez que quanto maior o volume de vendas acima do ponto de equilíbrio, maior a margem de segurança, como mostra na sequencia. 4.5.3 Margem de segurança operacional Margem de segurança operacional representa o volume de produção e vendas que excede o ponto de equilíbrio. A seguir o quadro com o calculo da margem de segurança operacional. Quadro 18 - Margem de segurança operacional Margem de Segurança Operacional-em sacas Produto Qtd Vendida Qtd pto equilib. 2.800 482 MILHO 1.000 227 SOJA Fonte - Dados conforme pesquisa MSO (sc) 2.318 773 MSO% 82,78% 77,31% A margem de segurança operacional do milho representa 82,78% em relação a produção, indicando um índice benéfico, pois quanto maior seu percentual, melhor para a propriedade, pois representa o quanto foi produzido e vendido acima da quantia necessária para cobrir os custos. O mesmo ocorre com a soja a qual representa 77,31%. A seguir um gráfico para melhor visualizar a margem de segurança em relação a quantidade produzida. Gráfico 11- Margem de Segurança Operacional Fonte - Dados conforme pesquisa Pode-se observar diante deste quadro, que a margem de segurança é alta favorecendo a propriedade que obteve boa produtividade. 64 Para melhor entendimento, foi elaborada a Demonstração do Resultado do Exercício de cada produção inclusive a Demonstração Geral das Culturas como segue. Quadro 19 - Demonstração do resultado da cultura do milho safra 2013 Demonstração do Resultado da Cultura do Milho Safra 2013 Receita Operacional 84.000,00 100,0% Custos Variáveis 28.668,50 34,1% 1.932,00 2,3% 53.399,50 63,6% 9.194,75 10,9% 44.204,75 52,6% Funrural Margem de Contribuição Custos Fixos Totais Resultado Fonte - Dados conforme pesquisa Considerando a receita Operacional de 100%, a Margem de Contribuição representa 63,6% após serem descontados os custos variáveis e o Funrural que representa 2,3% e o resultado de 52,6%, destes descontados os custos fixos totais. Quadro 20 - Demonstração do resultado da cultura da soja safra 2012/2013 Demonstração do Resultado da Cultura da Soja Safra 2012/2013 Receita Operacional 54.000,00 100,0% Custos Variáveis 12.242,50 22,7% 1.242,00 2,3% 40.515,50 75,0% 9.194,75 17,0% 31.320,75 58,0% Funrural Margem de Contribuição Custos Fixos Totais Resultado Fonte - Dados conforme pesquisa Da mesma forma, considerando a receita operacional de 100%, a margem de contribuição representa 75% após serem descontados os custos variáveis e o Funrural e o resultado de 58%, destes descontados os custos fixos totais. Em percentual, tanto a margem de contribuição quanto o resultado, representam mais em relação ao milho devido a receita operacional do milho e os custos variáveis serem superiores. Entretanto, ao analisar financeiramente, percebe-se que o milho gera um resultado maior, ou seja, de R$ 44.204,75 e a soja de R$ 31.320,75. 65 Quadro 21 - Demonstração do resultado geral das culturas Demonstração do Resultado Geral das Culturas 138.000,00 100,0% 40.911,00 29,6% 3.174,00 2,3% Margem de Contribuição 93.915,00 68,1% Custos Fixos Totais 18.389,50 13,3% Resultado Fonte - Dados conforme pesquisa 75.525,50 54,7% Receita Operacional Custos Variáveis Funrural Na demonstração do resultado geral das culturas, foi considerada cada produção, somando a receita operacional de ambas, assim como os custos variáveis, o Funrural e os custos fixos totais. Considerando a receita Operacional de 100%, a Margem de Contribuição representa 68,1% após serem descontados os custos variáveis e o Funrural e o resultado de 54,7%, destes descontados os custos fixos totais. Do resultado final, os sócios-proprietários, destinam 30% como uma reserva e a sobra dividem em três partes iguais. Neste caso, R$ 22.657,65 foi destinado como reserva, restando R$ 17.622,62 para cada sócio. Se analisarmos mensalmente, cada sócio possui uma renda mensal de R$ 1.468,55. Pode-se dizer diante do exposto, que ambas as produções foram favoráveis, uma vez que cobriram com todos os custos, geraram uma margem de contribuição positiva e consequentemente um resultado benéfico. 4.6 Informações gerenciais de custos Após levantamento de todos os custos de produção, constatou-se que a cultura do milho possui 68% de insumos, 24% de custos indiretos fixos, 5% de custos indiretos variáveis e 3% referente a mão-de-obra. Já a cultura da soja representa 43% tanto de insumos quanto de custos indiretos fixos, 9% de custos indiretos variáveis e 5% referente a mão-de-obra. A grande diferença está nos insumos, onde que a cultura do milho possui um percentual bem elevado em comparação a soja, isso ocorre devido a compra da semente do milho que encarece e que deve ser adquirida todo o exercício, não é possível armazenar e trata-la como ocorre com a soja. Observa-se que estes resultados foram obtidos em função de que, neste estudo não foi considerado o custo da semente armazenada destinada a planta da soja, assim, os valores apurados apresentam um resultado expressivo. Caso fosse incluído o custo da semente, os percentuais dos resultados seriam menores. 66 Em relação a margem de contribuição unitária, o milho representa 64% sobre o preço de venda e a da soja, 75%. Como pode-se observar, a soja possui margem de contribuição unitária superior ao milho, porém o milho representa maior produtividade e consequentemente maior margem de contribuição total, a qual, ao se fazer uma análise, devese levar em consideração. Dessa forma, pela margem de contribuição total, o milho é a melhor opção. Além disso, a produção e venda superou o ponto de equilíbrio de maneira significativa em ambas as produções, principalmente na produção de milho o que é muito bom para a propriedade. Consequentemente, a margem de segurança operacional é favorável, uma vez que quanto maior o volume de vendas acima do ponto de equilíbrio, maior a margem de segurança. No estudo, a margem de segurança operacional do milho representa 82,78% em relação a produção e a soja representa 77,31% ambas indicando um índice benéfico, pois quanto maior seu percentual, melhor para a propriedade, pois representa o quanto foi produzido e vendido acima da quantia necessária para cobrir os custos. Diante da demonstração do resultado, em percentual, tanto a margem de contribuição quanto o resultado, representam mais em relação a soja. Entretanto, ao analisar financeiramente, percebe-se que o milho gera um resultado maior, ou seja, de R$ 44.204,75 e a soja de R$ 31.320,75. Após analisar cada cultura, pode-se constatar que ambas as produções contribuíram beneficamente para o resultado da propriedade, pois representaram uma margem de contribuição positiva, produção acima do ponto de equilíbrio e consequentemente com a margem de segurança operacional favorável. Entretanto, a produção do milho representou maior margem de contribuição total e maior margem de segurança operacional, sendo a melhor opção entre as produções considerando o sistema de custos. Porém, vale ressaltar que o custo da produção do milho é significativamente maior em relação a soja, além disso, é uma cultura com maior risco, uma vez que passa por um período em que há possibilidades de geadas e na formação da espiga, pode passar por uma estiagem não sendo resistente. Por outro lado, riscos existem em todo ramo de negócios e assim não se pode deixar de inovar. Existem formas de garantir ao menos o custo da produção, não havendo prejuízos, porém nem lucros que é o caso de seguros e proagros. Na produção do milho em estudo, não foi feito seguro, nem mesmo proagro, teve uma pequena estiagem o que afetou a produção, mas foi pouca coisa, de modo geral, o clima favoreceu e a produção foi benéfica. 67 A propriedade pode continuar com a produção da soja, porém não descartar a produção do milho o qual representou maior lucratividade. Além disso, conforme o período ainda há possibilidades de produzir a soja após a colheita do milho, a chamada safrinha, trazendo ainda mais rentabilidade para a propriedade. 68 CONCLUSÃO A agricultura é um setor de grande influência no desenvolvimento do país e que vem evoluindo com o passar do tempo. Como ferramenta fundamental na evolução da agricultura, a contabilidade ganha destaque, sendo fundamental em diversas áreas, inclusive na área rural, ainda mais nos dias atuais, onde que a necessidade por uma gestão eficiente é de suma importância para alcançar o sucesso. A contabilidade gera informações relevantes, aponta itens positivos e negativos, auxiliando no planejamento, controle e para a tomada de decisão. O trabalho teve como objetivo, desenvolver um sistema de custos para uma propriedade rural, a fim de comparar a produção do milho e da soja para auxiliar os produtores na tomada de decisão uma vez que a propriedade em questão era deficiente de informações relevantes, o qual foi plenamente contemplado durante a realização do estudo. Referente aos objetivos específicos do estudo, todos foram alcançados. Iniciou-se em fundamentar teoricamente a contabilidade de custos na atividade rural, o qual foi alcançado através da revisão bibliográfica, onde foi buscado um conhecimento mais específico sobre o assunto, levando-se em consideração a pesquisa de alguns autores em livros, também em artigos e sites específicos contribuindo para elaboração do estudo aplicado. Foram mapeados todos os processos de produção de cada cultura, através de entrevistas e até mesmo acompanhamento da produção, sendo possível compreender melhor as etapas. Foram apurados os custos da produção da soja e milho, tanto de insumos, custos fixos e variáveis e os custos com pessoal, através de consultas em notas fiscais, gerando um custo total pelo método de custeio por absorção e pelo variável. Após, foi possível analisar a relação de custo, volume e o resultado de cada cultura, onde cada cultura representou uma margem de contribuição positiva, produção acima do ponto de equilíbrio e consequentemente com a margem de segurança operacional favorável. Diante de todas as informações obtidas, foi possível sistematizar as informações da melhor combinação de produtos e resultados para a gestão da propriedade. Diante deste estudo, ficou ainda mais clara a necessidade da contabilidade na área rural, especificamente na área de custos para auxilio na tomada de decisões. O trabalho ajudou os proprietários a visualizar de forma mais abrangente todos os custos, inclusive com depreciação o qual eles não davam importância. Foi possível perceber o quanto a propriedade é carente de informações e isso deve acontecer em outras propriedades também, que entendem que contabilidade serve apenas para calcular o Imposto de Renda. 69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2003. 174 p. BARROS, Sidney Ferro. Contabilidade Básica. 2ª ed. São Paulo: IOB Thomson, 2005. 269 p. BASSO, Irani Paulo. Contabilidade Geral Básica. 4ª ed. Ijuí: Unijuí, 2011. 376 p. BERTÓ, Dalvio José e BEULKE, Rolando. Gestão de Custos. São Paulo: Saraiva, 2006. 390 p. BRUNI, Adriano Leal e FAMÁ, Rubens. Gestão de Custos e Formação de Preços. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2004. 551 p. CARNEIRO, Juvenal. CARNEIRO Eryma. Tratado de Contabilidade v. 3. Contabilidade Rural. 2ª ED. Editor Calvino Filho, 1933. <<http://www.livrosgratis.com.br/arquivos_livros/me003030.pdf>> Disponível acesso dia em 12 de setembro, às 16:10 horas. CÉZAR, Sérgio Augusto Galvão, ARRUDA, Silvia Toledo, MASCARENHAS, Marli Dias, MELLO, Nilda Tereza Cardoso. Sistemas de Produção Dentro de uma Abordagem Metodológica de Custos Agrícolas. Agricultura em São Paulo Revista Científica do Instituto de Economia Agrícola. Ano 38 (2), p. 117 – 149, 1991. 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