CONINFRA 2010 – 4º CONGRESSO DE INFRAESTRUTURA DE
TRANSPORTES (CONINFRA 2010 - 4º TRANSPORTATION
INFRASTRUCTURE CONFERENCE)
August 4th to 6th 2010
São Paulo – Brasil
O LEGADO DE INFRAESTRUTURAS FERROVIÁRIAS
CONCEBIDAS EM FUNÇÃO DE GRANDES EVENTOS (LEGACY OF
RAILWAY INFRASTRUCTURE DESIGNED FOR MEGA EVENTS)
MATHEUS
MARQUES1
ISABEL
PIMENTA2
1
Eng. Civil, Analista, VTM–Consultores, Lisboa/Portugal. [email protected]
Eng. Civil, Manager, VTM–Consultores, Lisboa/Portugal. [email protected]
2
RESUMO
Com a divulgação da escolha do Brasil como país sede de dois dos maiores eventos esportivos
mundiais, o país iniciou uma corrida contra o tempo em busca de alternativas de transportes que
assegurem toda a mobilidade e a acessibilidade urbana necessária para atender ao público destes
eventos.
Dentre as obras previstas, as infraestruturas ferroviárias receberão grandes investimentos com o
objetivo de proporcionar um sistema de transporte público mais eficiente. De fato, os modos
ferroviários caracterizam-se por representar um meio de transporte de maior capacidade e rapidez
sobretudo quando comparados aos sistemas de ônibus convencionais.
Atualmente, as redes de metropolitanos representam a espinha dorsal do sistema de transportes
coletivos de grandes centros urbanos possibilitando uma movimentação contínua como poucos
outros modos conseguem proporcionar. Outro sistema de transporte ferroviário cada vez mais usual
e adotado mundialmente é o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) com a característica de constituir
um sistema com vias exclusivas evitando a interação com outros modos de transportes.
Como forma de acomodar o acréscimo de passageiros sobretudo nas ligações entre os complexos
esportivos, aeroportos e setores hoteleiros, prevê-se um grande investimento nestas infraestruturas
de transportes. Entretanto, uma vez que estas infraestruturas requerem grandes investimentos e
apresentam um alto potencial no desenvolvimento urbano, o planejamento destes investimentos não
deve ser limitado apenas em assegurar mobilidade para atender aos grandes eventos.
Dentro deste contexto, este paper apresenta como enfoque principal analisar o impacto das obras de
infraestruturas ferroviárias sobre a sociedade após a realização dos eventos.
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ISSN 1983-3903
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PALAVRAS-CHAVE: Metrô, Veículo leve sobre trilhos, Legado de grandes eventos
ABSTRACT
With the announcement that Brazil was chosen to host two of the greatest world sport events, began
a race against time to find transport solutions to ensure the mobility and urban accessibility
required by the public of these events.
Of the proposed projects, the rail infrastructure will receive great investments, as a transport mode
that can achieve higher capacity and velocity, especially in comparison with conventional bus
systems.
Currently, the subway systems represent the backbone of public transportation in large urban
centers. They have the advantage of providing a continuous flow as only few other modes can offer.
Another railway system, that is becoming more popular worldwide, is the Light Rail Transit (LRT).
Its very important feature is utilization of right-of-way that avoids any interaction with other modes
of transport.
Mega events require great investments in order to ensure transportation system for increased
number of passengers among the main points of interest: sport facilities, airports and hotels.
Nevertheless as the investments have high potential in urban development, the planning of these
projects should take into account ensuring mobility required by these events and the future benefits
for the citizens.
Within this context, this paper presents as its main focus analysis of the impact of the railway
infrastructure projects that will be left to society after the events.
KEY WORDS: Metro, Light rail transit, Legacy of mega events
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INTRODUÇÃO
Após a divulgação oficial confirmando a escolha do Brasil como o país sede da Copa do Mundo de
2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o país iniciou uma corrida contra o tempo para desenvolver
um plano estratégico visando definir as principais necessidades de investimentos em melhorias e
construções de novas infraestruturas; estabelecer um cronograma de acordo os prazos estabelecidos
pelos comitês dos jogos e; definir os meios e fontes de financiamento.
Dentre os investimentos a serem realizados, além de obras e construções de instalações esportivas
para a realização dos jogos, o país necessita ainda de um grande investimento no setor dos
transportes assegurando toda a mobilidade e a acessibilidade urbana necessária para atender ao
público destes eventos.
As preocupações vão desde acomodar o acréscimo do tráfego aéreo previsto nos aeroportos até
assegurar uma rede de transportes públicos sobretudo nas ligações entre aeroportos, setores
hoteleiros, complexos esportivos e os principais pontos turísticos locais.
A SEDIAÇÃO DE GRANDES EVENTOS
A sediação de grandes eventos pode ser vista como uma grande oportunidade para alavancar a
economia e acelerar o desenvolvimento de uma região. No âmbito esportivo, dois grandes eventos
podem ser destacados, nomeadamente os Jogos Olímpicos e a Copa de Futebol, ambos com muito
prestígio e reconhecimento mundial.
Ao longo dos anos, a disputa pela sediação destes eventos tem-se tornado cada vez mais acirrada
por diversos fatores a começar pela sua escassez. Além disso, estes eventos são realizados uma vez
a cada quatro anos e a escolha dos países que irão sediar os jogos tem como hábito ser rotativa
evitando a realização consecutiva em um mesmo local (Andranovich, et al, 2001). Outro fator que
acentua a disputa entre os países para sediar os jogos refere-se ao aumento no número de
candidaturas. Apesar do número e da frequência dos eventos se manterem constantes, nota-se uma
participação mais ativa de países emergentes concorrendo diretamente com os países desenvolvidos
na disputa para sediar estes eventos. (Swinnen e Vandemoortele, 2008).
Um dos principais motivos para a candidatura dos países é a perspectiva da geração de benefícios
econômicos (Porter, 1999). Segundo Cashman (2002) os eventos podem gerar grandes benefícios
para o governo e para indústria do turismo em particular.
Os gastos realizados na divulgação destes eventos são inigualáveis e tem uma abrangência global
configurando-se como uma oportunidade única para a promoção mundial das cidades sedes e pela
atração de um grande número de turistas (Andranovich, et al, 2001). Por atraírem a atenção de todo
o mundo, os países escolhidos para sediar estes grandes eventos devem ter uma preocupação
especial na criação de um marketing positivo para o país. Os investimentos devem ser feitos de
forma a incentivar o turismo, desenvolvendo centros de convenções, hotéis e entretenimentos com o
objetivo de promover uma imagem internacional melhor do que a imagem que os próprios
habitantes têm sobre suas cidades (Eisinger, 2000).
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A estratégia adotada para suportar estes grandes eventos assume um grande risco porque requerem
altos investimentos em busca de alavancar o turismo, criar uma publicidade positiva do país e atrair
investimentos externos mas, em contrapartida, estão sujeitos a alguns fatores que não são facilmente
previstos e controlados, como exemplo os atos terroristas, que podem gerar um efeito inverso
através da criação de um marketing negativo (Andranovich, et al, 2001). Os investimentos devem
ser realizados de forma muito prudente tendo em consideração a provisão de condições adequadas e
infraestruturas mínimas capazes de atender todo o público gerado por estes eventos conciliando os
investimentos com o plano de desenvolvimento estratégico da região de forma a ter uma gestão
sustentável com a preocupação sobre o que ficará para a população após a realização dos eventos.
O impacto gerado pela sediação destes grandes eventos pode ser dividido, segundo Cashman
(2002), em:
•
•
•
•
Preparação na fase de candidatura do país como sede;
Período de preparação para o evento após a divulgação oficial da escolha do país;
Curto período de realização do evento e;
Período pós evento.
A sediação de grandes eventos deve ser vista com um meio de regeneração urbana, o investimento
deve ser acompanhado por mudanças em políticas urbanas. A sediação pode gerar potencialmente
benefícios econômicos diretos e indiretos. Dentre os benefícios diretos, incluem-se capital,
infraestruturas construídas para o evento, benefícios a longo prazo associados com a redução de
custos de transportes decorrentes de melhorias realizadas na malha viária ou em infraestruturas
ferroviárias, além dos benefícios associados ao turismo durante o evento. Relativamente aos
benefícios indiretos, pode-se citar a divulgação da cidade a nível mundial potencializando as
cidades como destino de turismo ou mesmo de negócios. Em contrapartida, também existe
desvantagens resultante da necessidade de um alto investimento, de planejamento inadequado e de
instalações subutilizadas (Zimbalist, 2010).
A organização dos jogos exige uma logística complexa ainda mais ao se conciliar a dinâmica dos
jogos com os padrões de uso do solo e necessidades de mobilidade urbana exigidas pela população.
Os melhoramentos em infraestrutura de transportes podem fornecer um impulso significativo para a
economia local e regional se as empresas locais forem capazes de fazer uso desta melhoria.
ANÁLISE HISTÓRICA
Os grandes eventos apresentam-se muito vantajosos num curto prazo em termos de ganhos com
turismo e impactos econômicos (Getz,1997). A realização e preparação destes eventos normalmente
acarretam em transformações do espaço urbano seja através de novas infraestruturas ou mesmo com
restauros ou revitalizações (Hiller, 2000). Desde os Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona, os
grandes eventos tem sido cada vez mais vistos como uma oportunidade de renovação urbana e
consequentemente como uma ferramenta de crescimento.
A exemplo do que acontece mundialmente, podemos citar a cidade Antenas que sediou os Jogos
Olímpicos de 2004. A regeneração urbana, a construção de vila olímpica, melhorias em
infraestruturas, instalações esportivas com grande valor arquitetônico, melhorias ambientais e
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promoção do turismo a longo prazo são os principais legados dos Jogos Olímpicos de 2004 (Potsiou
e Zentelis, 2004). No setor de transportes, o plano estratégico foi desenhado com objetivos de
reduzir o congestionamento, a poluição e o ruído. Dentro deste contexto, os projetos incluíram
melhorias no tráfego, modernização de sistemas de sinalização, novos corredores de ônibus,
construção de anel viário, novas infraestruturas de sistemas ferroviários, expansão do metrô,
desenvolvimento de linhas de bondes, renovação de estações entre outros (Potsiou e Zentelis, 2004).
Entretanto, todo este investimento exigido para a estruturação do local para receber os Jogos
Olímpicos gerou um grande deficit orçamentário (Gratton e Preuss, 2008) e após a realização dos
Jogos Olímpicos muitas destas instalações têm sido subutilizadas.
A identificação dos impactos econômicos gerados pelos grandes eventos é um assunto de grande
discussão. Dentro da literatura, é possível encontrar diversos autores que questionam a validade da
identificação dos benefícios gerados por acreditarem que muitas vezes os impactos econômicos para
a sociedade são exagerados (Porter, 1999) e desta forma os benefícios previstos nunca se
concretizam. Um estudo recente desenvolvido por Brenke e Wagner (2006) analisou o efeito
econômico gerado pela Copa do Mundo de 2006 na Alemanha e concluiu que os benefícios
econômicos previstos foram superestimados e que parte dos benefícios como geração de empregos,
assumiram um caráter temporário.
A geração de efeitos positivos com a sediação dos jogos tem sido uma grande preocupação do
Comitê Olímpico Internacional (COI) por diversas razões. Ao se criar um legado positivo evita-se
as críticas sobre o COI referentes aos impactos negativos gerados em função do evento. Outra
preocupação, é a utilização de recursos públicos escassos em infraestruturas permanentes mas
concebidas para atender eventos temporários. Além disso, um legado positivo motiva que outras
cidades se candidatem para eventos futuros assegurando a continuidade dos jogos (Gratton e Preuss,
2008).
INVESTIMENTO EM INFRAESTRUTURAS DE TRANSPORTES
A mobilidade é um bem cada vez mais requerido e pode ser visto como um meio de acelerar o
desenvolvimento econômico. Em consequência do crescimento populacional aliado aos novos
padrões de mobilidade, a maioria das grandes áreas metropolitanas apresentam problemas com
congestionamento, sobrecarga nos transportes públicos, dificuldades de estacionamento entre
outros. Um dos maiores problemas das grandes cidades é proporcionar um transporte público
eficiente capaz de atrair mais passageiros e reduzir o tráfego motorizado e consequentemente
melhorar as condições ambientais.
Com a sediação de grandes eventos, este problema torna-se ainda mais acentuado. Tendo em conta
a previsão do público atraído pelos jogos, o país deve estar preparado para receber todo este
acréscimo de turistas começando pela capacidade aeroportuária. Deve-se assegurar também a
acessibilidade entre aeroportos e os centros hoteleiros e a ligação destes com os complexos
esportivos. Visando a exploração do turismo, a acessibilidade entre estes pontos mencionados e os
principais pontos turísticos também deve ser garantida.
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A revitalização do transporte público é fundamental para suportar o acréscimo pontual previsto no
número de passageiros durante os jogos além de proporcionar condições adequadas para oferecer
um transporte público de qualidade.
Dentre os investimentos previstos em função da sedição dos jogos, estima-se que grande parte seja
realizada com infraestruturas de transportes seja através da renovação do atual sistema ou mesmo da
construção de novos sistemas.
O cronograma fixo dos eventos obriga a necessidade de ações imediatas e que mudanças sejam
realizadas em ritmo acelerado. Muitos projetos previstos serem realizados à longo prazo, e muitas
vezes com um grande fator de incerteza associado à sua execução, passam a ser priorizados.
Ao se tratar de regiões metropolitanas já congestionadas, o planejamento de transportes tem um
grande desafio em conciliar o transporte de grandes massas em regiões já saturadas. Neste âmbito,
os sistemas sobre trilhos apresentam um grande destaque por representarem um meio de transporte
de alta capacidade que favorece a redução do congestionamento sendo também valorizado em
termos ambientais por caracterizar como um meio de transporte menos poluente.
Dentre os sistemas de transportes com a característica de circularem sobre trilhos, são destacados
neste artigo dois modos: os sistemas metropolitanos e os veículos rápidos sobre trilhos (VLT).
A rede de metropolitano é um sistema de transporte adotado em praticamente todas as grandes áreas
metropolitanas e embora cada rede tenha sua particularidade, são caracterizados por representarem
um sistema independente de tráfego, normalmente operados com motores elétricos e em vias
subterrâneas ou em estruturas elevadas, capazes de fornecer um serviço contínuo e frequente para o
transporte de um elevado número de passageiros.
Apesar de ser caracterizado com um serviço rápido e eficiente, a rede de metropolitano é
normalmente complementada por outros tipos de transportes, em especial, pelos serviços de ônibus.
Isto deve-se ao fato da rede de metropolitano atender sobretudo as regiões centrais, havendo a
necessidade de outras ligações entre as estações de metrô e os destinos finais.
Em relação ao veículo leve sobre trilhos (VLT), este pode ser descrito como sendo uma espécie de
metro de menor capacidade e velocidade inferior porém muito mais leve. Normalmente circula em
uma via exclusiva evitando interações com outros modos de transportes. O VLT já é um meio de
transporte muito comum em cidades europeias, americanas e japonesas. Assim como a rede de
metropolitanos, possui um número restrito de estações não sendo possível o acesso e egresso de
passageiros a qualquer local.
Quanto comparados a rede de metropolitanos, os VLTs têm a vantagem de exigirem menos
investimentos, de apresentarem maior flexibilidade em termos de curvaturas de traçado, de serem
menos poluentes, mais silenciosos além de apresentarem melhores condições no caso de evacuação.
Entretanto, por não serem subterrâneos, exigem uma maior interação com o tráfego e o paisagismo
urbano. A sua implantação pode ser muito complexa em cidades com grandes problemas de
congestionamento. Por ter de partilhar muitas vezes o mesmo espaço com outros modos, o VLT
pode ter sua velocidade comercial reduzida em função destas interações.
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Ambos os sistemas, metropolitano e VLT, não se caracterizam por representar um meio de
transporte ponto-a-ponto, havendo muitas vezes a necessidade de conciliação com outros modos
sobretudo quando a origem ou destino final do trajeto é em torno de áreas periféricas da cidade
normalmente não atendidas por estes sistemas. Desta forma, deve-se prever a interação com outros
modos tais como o sistema de ônibus. Além disso, o sistema de transportes deve ser coordenado de
forma integrada evitando que existam excesso de serviços em algumas ligações e escassez em
outras.
Por se tratar de grandes investimentos, o planejamento de transportes deve ser conciliado com o
desenvolvimento e uso do solo como projetos de novos hospitais, escolas ou centros geradores de
grande fluxo.
Apesar do sistema de transportes estar relacionado com o desenvolvimento de uma região, alguns
autores não estão convencidos que exista uma relação da ligação direta entre investimentos em
transporte e o desenvolvimento econômico. Segundo Crampton (2003), o crescimento econômico é
resultado de vários fatores e não só da implantação de transporte sobre trilhos. Um dos fatores
admitidos é a coerência das políticas urbanas. Os sistemas de transporte sem políticas
complementares são menos eficazes do que o esperado. A política tarifária entre o transporte
metropolitano ou VLT e os sistemas concorrentes e complementares também tem grande influência
na formação da demanda (Babalik-Sutcliffe, 2002). Desta forma, mesmo que existam investimentos
em sistemas sobre trilhos, o desenvolvimento só ocorre quando as condições favorecem o
crescimento econômico, assim, o transporte público não gera crescimento, mas reforça os processos
econômicos que já estão no local (Banister e Berechman, 2000).
O LEGADO DOS GRANDES EVENTOS
Dentro da literatura existem várias interpretações do que pode se considerar como o “legado” de
grandes eventos. O legado de eventos esportivos pode variar desde uma definição mais restrita
admitindo que o legado está associado às instalações esportivas e a todos os melhoramentos
realizados e entregues às comunidades após os jogos (Thorpe, 2002) até a uma definição mais
abrangente que inclui desde os aspectos normalmente reconhecidos como planejamento urbano e
infraestruturas esportivas até a aspectos menos intangíveis, como a revitalização urbana, o reforço
da reputação internacional, o aumento do turismo, a melhoria do bem-estar público, a geração de
empregos, novas oportunidades de negócios locais, a renovação do espírito de comunidade, a maior
cooperação inter-regional, a criação de valores culturais, educação, experiência e know-how.
Entretanto, os legados positivos estão em contraste com os legados negativos, como as dívidas da
construção, infraestruturas com altos custos de oportunidade e que nem sempre terão tanta utilidade
após a realização do evento, o marketing negativo no caso de ocorrem problemas durante o evento,
além da possível distribuição injusta dos investimentos priorizando melhoria de algumas áreas e
favorecendo uma parte da população (Gratton e Preuss, 2008; Potsiou e Zentelis, 2005; Lenskyj,
2000, Ritchie e Aitken, 1984).
Muitos dos estudos sobre o legado de infraestruturas de grandes eventos esportivos são
potencialmente tendenciosos favorecendo a organização dos eventos e, portanto, enfatizando apenas
os efeitos positivos, planejados e tangíveis. Esse problema é constantemente criticado por autores
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que investigam os efeitos econômicos da realização de importantes eventos esportivos (Getz, 1989;
Hall, 1992; Kang e Perdue, 1994).
Ao se tratar do legado de infraestruturas de sistemas metropolitanos ou VLTs concebidos para
grandes eventos, considerou-se neste artigo como sendo o efeito que estas infraestruturas deixarão
para a cidade após a realização dos eventos e os impactos que terão na melhoria de vida da
população.
O primeiro ponto a ser destacado, é a potencialidade que estes sistemas de transportes têm sobre a
reestruturação urbana influenciando o entorno físico e social de suas estações. A criação de
transportes de grandes massas normalmente é acompanhada pelo crescimento da densidade
populacional de uma região, seguido pelo aumento no trânsito e consequentemente pela utilização
de transportes coletivos.
A presença dos sistemas metropolitanos ou VTL também tem um forte impacto relativamente nos
preços imobiliários estimulando projetos locais subsequentes como por exemplo a substituição de
habitações unifamiliares por novos padrões residências de maior densidade. De fato, um dos
principais motivos na escolha do local de habitação é a facilidade de acesso a outras áreas da
cidade, especialmente para fins de trabalho (Knox e McCarthy, 2005). Assim, os proprietários com
imóveis perto das novas estações se beneficiarão de um lucro adicional devido à proximidade de
uma estação (Smith e Gihring, 2006). Uma vez que as estações não estão bem integradas com a
comunidade, é essencial desenvolver novas políticas de planejamento urbano capazes de
acompanhar o desenvolvimento local.
Para o setor público, o transporte de grandes massas apresenta-se como uma poderosa ferramenta
no desenvolvimento econômico aproximando a população dos centros urbanos. Alguns
pesquisadores acreditam que a ampliação na rede de transportes públicos favoreça o
desenvolvimento social permitindo que a população carente tenha melhores condições de acessos a
escolas, unidades de saúdes e a mais empregos (Cervero, Sandoval and Landis, 2002).
Por outro lado, o desenvolvimento no entorno das estações apresenta-se como uma barreira para a
proximidade entre as estações e a população mais carente, desta forma, os sistemas metropolitanos e
VLT podem favorecer um acesso menos equitativo exigindo projetos de coordenação entre outros
modos de transportes que assegurem mobilidade a toda população.
CONCLUSÕES
Os líderes governamentais devem ver os grandes eventos em termos de estratégia como uma
oportunidade única para exposição mundial dos locais de sediação. A organização e preparação para
o evento requerem que muitos projetos já idealizados sejam desenvolvidos em ritmo acelerado
favorecendo o crescimento econômico através dos benefícios consequentes destes investimentos.
A necessidade de investimentos e meios de financiamento, é uma questão que exige máxima
atenção. Muitos países que não adotaram boas estratégias de investimento tiveram como resultado
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infraestruturas super dimensionadas ou mesmo sem utilidade após os eventos e portanto, incapazes
de gerar receitas suficientes para amortização das dívidas.
No âmbito do setor de transportes, todas as infraestruturas projetadas devem ser conciliadas com o
desenvolvimento urbano e de forma a integrar a rede de transportes já existente. No caso particular
de sistemas metropolitanos e VLTs, estes modos caracterizam-se sobretudo por representarem um
modo de transporte mais rápido e de maior capacidade quando comparados aos sistemas de ônibus
convencionais. Em contrapartida, apresentam uma estrutura fixa e limitada.
Por requerem investimentos elevados, o estudo do traçado destes sistemas assume um papel de
extrema importância para a formação da demanda de passageiros e consequentemente para a
viabilidade econômica do projeto. A localização das estações e interação com os demais modos de
transportes deve ser feita com base no plano de expansão e de desenvolvimento urbano de forma a
identificar os principais polos de atração e geração de viagens maximizando o potencial de captação
de passageiros.
Apesar das infraestruturas serem concebidas para realização de grandes eventos esportivos, alguns
investimentos podem assumir funcionalidade apenas no período dos jogos caso não sejam utilizadas
após o evento. A definição do traçado do sistema de metropolitanos e VLTs deve analisar se o
sistema de transportes propulsionará o desenvolvimento urbano no entorno da estação para a
identificação de sua localização.
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04-207
ISSN 1983-3903
CONINFRA 2010 – 4º CONGRESSO DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (CONINFRA 2010 4º TRANSPORTATION INFRASTRUCTURE CONFERENCE)
August 4th to 6th 2010
São Paulo - Brasil
CONINFRA 2010 – 4º CONGRESSO DE INFRAESTRUTURA DE
TRANSPORTES (CONINFRA 2010 - 4º TRANSPORTATION
INFRASTRUCTURE CONFERENCE)
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CONINFRA 2010 – 4º CONGRESSO DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (CONINFRA 2010 4º TRANSPORTATION INFRASTRUCTURE CONFERENCE)
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