A IMPORTÂNCIA DA SETORIZAÇÃO DENTRO DE ÁREAS SUJEITAS A RODÍZIOS DE
ABASTECIMENTO – A EXPERIÊNCIA DO SAAE DE GUARULHOS-SP
Luciana Menezes Ruivo Nascimento Andrade * – Engenheira Civil pela FESP – 2001 e Tecnóloga em
Edifícios pela FATEC SP – 1998 – Chefe do Centro Operacional Angélica – Departamento de Manutenção e
Operação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos – SAAE.
Sérgio Braga – Engenheiro Civil e Sanitarista – Departamento de Manutenção e Operação do Serviço
Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos – SAAE.
Luiz Eduardo Mendes – Engenheiro Civil e Tecnólogo em Obras Hidráulicas – Chefe do Centro Operacional
Cidade Martins – Departamento de Manutenção e Operação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de
Guarulhos – SAAE.
José Vandelson Batista da Silva – Chefe de Seção da Distribuição de Água do Centro Operacional Angélica –
Departamento de Manutenção e Operação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos – SAAE.
Cláudio Santos Milagre – Chefe de Seção da Manutenção de Água do Centro Operacional Angélica –
Departamento de Manutenção e Operação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos – SAAE.
Daniel Vinicius de Lima – Tecnólogo em Obras Hidráulicas – Seção de Distribuição de Água Angélica –
Departamento de Manutenção e Operação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos – SAAE.
(*) Rua Telha, número 150 – Jd. Angélica II – Guarulhos – São Paulo – CEP 07272-300 – Tel.: (11) 6484.6177
– (11) 6484.6161. E-mail: [email protected].
Palavras-chave: Blocos de rodízio; setorização; levantamento de pressões.
Declaramos estarmos de pleno acordo com as condições estabelecidas pelo regulamento para apresentação de
Trabalhos Técnicos, submetendo-nos às mesmas.
Luciana M. R. N. Andrade
A Importância da setorização dentro de áreas sujeitas a rodízios de abastecimento – A experiência do SAAE de Guarulhos-SP
2
ÍNDICE
1. Objetivo do Trabalho.........................................................................................................................................3
2. Introdução............................................................................................................................................................3
3. Caracterização do Problema..............................................................................................................................3
4. Metodologia..........................................................................................................................................................3
4.1. Definição dos Blocos de Rodízio..............................................................................................................4
4.2. Trabalho de Campo..................................................................................................................................4
4.2.1. Redes Primárias...........................................................................................................................5
4.2.2. Redes Secundárias.......................................................................................................................5
4.2.3. Setorização dos Blocos de Rodízio.............................................................................................5
4.2.4. Verificação da Estanqueidade dos Blocos.................................................................................5
5. Resultados Obtidos..............................................................................................................................................6
6. Conclusão.............................................................................................................................................................7
7. Anexo....................................................................................................................................................................8
A Importância da setorização dentro de áreas sujeitas a rodízios de abastecimento – A experiência do SAAE de Guarulhos-SP
1.
3
Objetivo do Trabalho
O presente trabalho tem por finalidade apresentar a importância da setorização nas áreas que possuem
rodízio no abastecimento de água, expondo a experiência do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de
Guarulhos – SP no setor do Reservatório Angélica no bairro dos Pimentas, visando uma melhor distribuição
da água disponível e propiciando uma redução no tempo de recuperação das áreas que retornam do rodízio.
2.
Introdução
O SAAE de Guarulhos é uma Autarquia Municipal responsável pelo abastecimento de água e coleta de
esgoto do município, atendendo a uma população de aproximadamente 1.100.000 habitantes. O trabalho em
questão expõe a experiência do SAAE na área do Reservatório Angélica que é responsável pela distribuição
de água para cerca de 193.558 habitantes abrangendo uma área de 22,58 Km².
3.
Caracterização do Problema
O Reservatório Angélica com cota 832, recebe água da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do
Estado de São Paulo) pela entrada do Reservatório de São Miguel através do Booster Pimentas que contém
três conjuntos motobombas de 250 cv cada um e aduzindo uma vazão média de 350 l/s no primeiro trimestre
de 2004.
A região é dividida em dois blocos em esquema de rodízio 1 x 1 (um dia com água e outro sem) sendo o
abastecimento da zona alta por bombeamento através da Estação Elevatória de Água Angélica e o restante
por gravidade.
No Quadro 1 é possível observar, no ano de 2002, um aumento na oferta de água. Isto ocorreu devido a uma
modificação nos conjuntos motobombas com a troca dos rotores e embora tenha ocorrido um aumento na
vazão, essa mudança ocasionou uma alteração na corrente elétrica e a queima dos motores e componentes
elétricos do quadro de comandos. Para garantir o abastecimento contínuo, optou-se por retornar aos rotores
originais. Todavia, continuou-se a busca pela solução dos problemas, sendo, em 2003, instalado um
transformador de maior potência, o que permitirá trabalhar com um conjunto de três motobombas de 300 cv
cada uma, possibilitando um aumento da vazão para 440 l/s.
Quadro 1: Evolução da vazão disponibilizada ao setor Angélica
ANO
VAZÃO (l/s)
4.
2001
382,2
2002
420,8
2003
378
Metodologia
Para a definição dos blocos de rodízio e setorização das áreas teve-se como base de estudo as plantas
cadastrais de rede de água e o trabalho de campo de levantamento de pressões.
A Importância da setorização dentro de áreas sujeitas a rodízios de abastecimento – A experiência do SAAE de Guarulhos-SP
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O Quadro 2 apresenta a caracterização da área em estudo.
Quadro 2: Situação do Sistema de Abastecimento em 2003
ÁREA
(Km²)
22,58
POPULAÇÃO DEMANDA OFERTA
(habitantes)
(l/s)
(l/s)
193.558
929
378
DÉFICIT
(l/s)
551
4.1. Definição dos Blocos de Rodízio
A região, em 2002, era dividida em três áreas de abastecimento com um rodízio de 1 x 2. Devido ao
aumento da vazão, verificou-se a possibilidade de readequar o sistema em dois blocos com rodízio de 1 x 1.
Para a definição desses blocos de rodízio considerou-se:
Divisão das áreas de abastecimento de maneira homogênea e preocupando-se com a densidade da
população;
configuração das redes primárias tendo o cuidado de não seccioná-las;
montagem das áreas de rodízio minimizando as manobras a serem executadas;
proporcionar blocos de rodízio com demandas semelhantes.
O Quadro 3 apresenta as características dos blocos que compõem o rodízio.
Quadro 3: Características dos Blocos de Rodízio em 2003
BLOCO
1
2
ÁREA
(Km²)
12,11
10,47
DEMANDA
(l/s)
507,4
421,6
OFERTA
(l/s)
378
378
DÉFICIT
(l/s)
129,4
43,6
Devido às características topográficas do bloco 2 serem mais desfavoráveis ao abastecimento e tendo em
vista que há um déficit para atender a demanda, foi necessário deixar este bloco com o menor déficit.
Para o cálculo da demanda, houve a necessidade de considerar um acréscimo devido à situação de
intermitência no abastecimento. Conforme experiências do SAM (Sistema Adutor Metropolitano), durante a
década de 90 quando foi necessário colocar grande parte da região metropolitana em rodízio, a Sabesp
verificou que nas áreas sujeitas a intermitências havia o incremento de 25% na demanda reduzida.
4.2. Trabalho de Campo
Para obtenção dos resultados esperados, foi necessário um trabalho detalhado de campo. A seguir
descrevem-se os levantamentos realizados em campo destacando os seguintes aspectos:
Permitir o funcionamento das redes primárias como anéis, obtendo-se uma distribuição homogênea
das perdas de carga nas tubulações;
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configuração das redes secundárias de maneira que não sejam seccionadas para uma melhor
circulação da água;
setorização dos blocos de rodízio garantindo a estanqueidade das áreas e possibilitando o
atendimento da demanda da região definida;
através do levantamento de pressões, verificar a estanqueidade dos blocos definidos.
4.2.1. Redes Primárias
Foram encontrados vários registros fechados nas redes primárias impossibilitando uma melhor circulação da
água, totalizando uma quantidade de oito registros.
Primeiramente, a análise foi feita através da planta cadastral e, posteriormente, verificada a situação em
campo, sendo descritas as intervenções executadas na Tabela 1 do anexo.
4.2.2. Redes Secundárias
Na rede de distribuição e interligações em redes primárias foram encontradas redes capeadas ou com
registros fechados, prejudicando a circulação da água, num total de treze intervenções. Verificou-se também,
a necessidade de execução de duas interligações na rede primária para sanar o problema de insuficiência de
entrada de água para uma área de manobra.
Essa análise foi feita através da planta cadastral e de levantamento de pressões. Os levantamentos em campo
mostraram divergências entre a rede e o cadastro, o que implicou em intervenções para correção.
4.2.3. Setorização dos Blocos de Rodízio
Foram feitas várias intervenções nas redes de distribuição para garantir a estanqueidade dos blocos de
rodízio (fechamento e colocação de registros), sendo encontradas falhas no cadastro e registros cobertos.
Tais constatações foram possíveis a partir de levantamento de pressões.
4.2.4. Verificação da Estanqueidade dos Blocos
Foram feitos levantamentos de pressões nas divisas dos setores de abastecimento, para garantir a
estanqueidade da área definida da seguinte forma:
Retirada de pressão nos limites dos setores;
verificação da falta de água no outro setor.
Quando verificada a situação apresentada acima, pode-se garantir a estanqueidade do setor definido.
Ao longo desses levantamentos, foram encontrados pontos de fuga devido às falhas nas plantas cadastrais,
sendo sanado o problema com a instalação de um registro.
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É importante destacar o trabalho permanente da verificação dos limites da setorização, pois pode ocorrer a
necessidade de manobrar algum desses registros, evitando-se assim uma fuga no setor de abastecimento.
5.
Resultados Obtidos
Este trabalho de setorização proporcionou melhoras no abastecimento da região como pode ser verificado
em dois pontos de monitoramento de pressão, através de registrador de pressão, anteriores e posteriores às
intervenções executadas. Esses levantamentos estão ilustrados nos Gráficos 1 e 2 em anexo.
Os locais analisados foram a Rua Barra de Santo Antônio – Jd. Brasil, situada no bloco 1 com cota 810 e a
Rua Brejo Grande – Jd. Santa Maria, situada no bloco 2 com cota 820 (área esta abastecida pela Estação
Elevatória de Água Angélica).
Rua Barra de Santo Antônio – Jd. Brasil:
Está apresentada no Gráfico 1 do anexo a variação das pressões ao longo de três dias, comparando
a situação antes e depois da setorização.
Como características do sistema de abastecimento temos que a região é abastecida por gravidade e
situada na divisa da setorização da zona alta.
Devido à falha na setorização da área bombeada, o local em questão era beneficiado pela
distribuição de água da zona alta e ainda assim com a setorização feita, houve um ganho do tempo
de abastecimento como também da pressão. Na situação anterior obtinha-se uma distribuição por
um período de 7 horas a partir das 22:00h, respeitando a pressão mínima de 10 mca. Na situação
atual, consegue-se uma distribuição por um período de 11 horas a partir das 17:00h, ainda
respeitando a pressão mínima de 10 mca.
Rua Brejo Grande – Jd. Santa Maria:
A comparação das variações das pressões deste local está apresentada no Gráfico 2 do anexo e
como característica do sistema de abastecimento tem-se que a região é abastecida através da
Estação Elevatória de Água Angélica.
Nesta região obteve-se um ganho considerável na eficiência do abastecimento. Antes da
setorização a bomba funcionava 24 horas em rodízio de 1 x 1 e após garantir a estanqueidade da
área foi possível o atendimento da distribuição da água pela bomba por um período de 10 horas e
deixando o abastecimento por gravidade durante a noite, quando o consumo é menor, respeitando a
pressão mínima de 10 mca. Na situação anterior obtinha-se uma distribuição por um período de 9
horas a partir das 21:00h, respeitando a pressão mínima de 10 mca. Na situação atual o
abastecimento passou a ser realizado por um período de 20 horas.
Analisando a oferta de água em 2001 (382,2 l/s) e 2003 (378 l/s), pode-se perceber a importância da
setorização nas áreas sujeitas a rodízio, pois a situação em 2001 era o abastecimento precário para três
blocos com rodízio de 1 x 2 e, com a mesma vazão fornecida, atende-se a população, satisfatoriamente, com
dois blocos de rodízio de 1 x 1.
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Outro dado que permite observar a melhoria do abastecimento à população é a redução em 50% da entrega
de água através de caminhão tanque no primeiro trimestre de 2004 comparando-se ao mesmo período de
2003.
6.
Conclusão
Mesmo com o déficit na oferta de água no setor citado, através da implantação das ações descritas verificase o aumento do número de horas de abastecimento nos pontos críticos e redução de entrega de água através
de caminhões tanque, possibilitando aos usuários programarem suas tarefas que incluem o uso da água e
melhorando os serviços prestados à população.
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7.
8
Anexo
Tabela 1: Intervenções nas Redes Primárias
LOCAL DO REGISTRO
DIÂMETRO
(mm)
SITUAÇÃO
DO
REGISTRO
SITUAÇÃO
SITUAÇÃO
DO
REGISTRO ENCONTRADA
EM CAMPO
(ANTES)
(DEPOIS)
OBSERVAÇÕES
R. PIRAJUSSARA X R. JACUTINGA - PQ. JUREMA
200
F
A
Normal
-
R. JACUTINGA X AV. JUREMA - PQ. JUREMA
AV. JUREMA X ESTR. PRES. JUSCELINO K. DE OLIVEIRA - PQ.
JUREMA
R. ANTÔNIO DOS SANTOS X ESTR. PRES. JUSCELINO K. DE
OLIVEIRA - PQ. SÃO MIGUEL
ESTR. PRES. JUSCELINO K. DE OLIVEIRA X R. MANGA - V.
DINAMARCA
ESTR. DA ÁGUA CHATA - JD. HARAMY
200
F
A
Com entulho
-
200
F
A
Normal
-
200
F
A
Coberto
-
200
A (6 voltas)
A
Normal
-
200
A (4 voltas)
A
Normal
-
R. GUARAPIRANGA X R. JACUTINGA - PQ. STELLA
200
F (p/ Bloco 1)
A
Normal
O
registro
era
fechado p/ o Bloco
1 passando a ficar
sempre aberto.
R. SÃO BRÁS X R. FEIRA GRANDE - JD. BRASIL
200
F
A
Coberto
-
Legenda: F - fechado / A - aberto
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Gráfico 1: Levantamento de Pressão – Jd. Brasil
LEVANTAMENTO DE PRESSÃO
RUA BARRA DE SANTO ANTÔNIO - JD. BRASIL - SETOR 094 - COTA 815
25
20
PRESSÃO
(mca)
15
10
5
0
-5
-10
00:00:00
12:00:00
00:00:00
12:00:00
00:00:00
12:00:00
00:00:00
12:00:00
00:00:00
PERÍODO
(horas)
S ITUAÇÃO ANTES DA S ETORIZAÇÃO (FEV/03)
S ITUAÇÃO APÓS A S ETORIZAÇÃO (MAR/04)
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Gráfico 2: Levantamento de Pressão – Jd. Santa Maria
LEVANTAMENTO DE PRESSÃO
RUA BREJO GRANDE - JD. SANTA MARIA - SETOR 094 - COTA 820
40
35
30
PRESSÃO
(mca)
25
20
15
10
5
0
00:00:00
12:00:00
00:00:00
12:00:00
00:00:00
12:00:00
00:00:00
12:00:00
-5
PERÍODO
(horas)
SITUAÇÃO ANTES DA SETORIZAÇÃO (MAR/03)
SITUAÇÃO APÓS A SETORIZAÇÃO (ABR/04)
00:00:00
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