UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
Instituto de Biociências de Botucatu
Departamento de Educação
XLIV Turma do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas
Dossiê Escolar da
E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.”
Organizadores:
Camila Pereira Gobette
Marília Monteiro Quinalha
Supervisores:
M. Sc. Jaqueline Alves Barea Cantão
Drª Lucia Maria Paleari
Botucatu -SP
2012
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA SEÇÃO TÉC. AQUIS. TRATAMENTO DA INFORM.
DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - CAMPUS DE BOTUCATU - UNESP
BIBLIOTECÁRIA RESPONSÁVEL: ROSEMEIRE APARECIDA VICENTE
Dossiê da E. M. E. F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” / organizadores Camila
Pereira Gobette, Marília Monteiro Quinalha ; supervisores Jaqueline Alves
Barea Cantão, Lucia Maria Paleari. – Botucatu : Universidade Estadual Paulista,
Instituto de Biociências de Botucatu, 2012
197 p.
1. Ensino fundamental. 2. Escolas públicas – Relatórios. 3. Licenciatura. 4.
Prática de ensino. 5. Estágios supervisionados. 6. Ciências (Ensino
fundamental) – Estudo e ensino. I. Título. II. Gobette, Camila Pereira.
III.
Quinalha, Marília Monteiro. IV. Cantão, Jaqueline Alves Barea. V. Paleari,
Lucia Maria.
CDD 371.01
Agradecimentos
Agradecemos à Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, na pessoa de sua
diretora Tânia Regina Baptista Gonçalves, pela oportunidade e espaço cedido para a
realização deste trabalho; à coordenadora do Ensino Fundamental Jaqueline A. Barea
Cantão pela disposição em nos ajudar e pela dedicação no decorrer dos levantamentos;
à professora Lucia Maria Paleari pelo auxílio e orientação durante a realização desse
projeto; aos professores Eliana Alves Pinto, Gilberto Luiz Borges de Azevedo, João
Carlos Figueroa, Meire Gea, Miyoko Inoe, Nilza Rodrigues Lima, Vera Damato Burini e
Vilma Chirinéria, bem como às senhoras Sônia Maria de Barros Almeida Innocenti
(secretária), Zenaide Silva Fructuoso, Marilúcia Coelho da Silva Almeida (inspetoras da
escola), Inês Felipe Rodrigues (merendeira), Magali Aparecida Leite Penteado Chaguri
e Meire pelas valiosas informações que nos permitiram realizar este trabalho.
PREFÁCIO
Este Dossiê, da Escola Municipal de Ensino Fundamental "Dr. João Maria de Araújo
Jr", é resultado de uma conjunção de fatores de especial significado, quando se pretende
uma construção coletiva como esta, que reuniu os trabalhos de levantamento
sócioambiental do ecossistema escolar e as atividades de Prática de Ensino dos Estágios
Supervisionado I (Ciências) e Projeto Temático III.
Concentramos nossos esforços em uma escola municipal, onde fomos recebidos
com apoio para o desenvolvimento dos levantamentos que compõem esta publicação, e,
posteriormente, para as observações e regência de aulas. E não foi apenas isso. Em
atividades desenvolvidas no campus do Instituto de Biociências de Botucatu, com a XLIV
turma do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, pudemos contar com a presença
da diretora da escola profª Tânia Regina Baptista, da assistente de direção Profª Flora
Tereza D’Errico Martins e da coordenadora pedagógica, também Bióloga, Profª Jaqueline
Alves Barea Cantão. Essa aproximação permitiu-nos partilhar experiências e
conhecimentos específicos, que alargaram o campo de visão e suportaram discussões
enriquecedoras, imprescindíveis à compreensão de questões complexas que envolvem a
docência e o ambiente escolar nos dias atuais. A dedicação da Profª Jaqueline, que merece
destaque, foi mais do que a receptividade e o suporte técnico de qualidade que ela nos
ofereceu como conhecedora das coisas da Ciência e do Ensino, foi o exemplo, o referencial
de profissional respeitável, compromissado com a boa formação de adolescentes.
Por outro lado, licenciandos dispostos a encarar o desafio do estágio com a
seriedade, dignidade e entusiasmo, qualidades necessárias àqueles que atuam no ensino,
significou a concretização de possibilidades educacionais idealizadas, que se traduziram
neste Dossiê Escolar e nos resultados das diversificadas e valorosas experiências de
observação e regência de aulas de Ciências, dos 6° s aos 9°s anos do Ensino Fundamental.
Essa condição geral extremamente favorável e rara representou a antítese da
situação costumeira, que o poeta, sem empalmar as agruras de um tempo de incertezas e
desesperanças atrozes, revelou com profunda sensibilidade:
"De repente,
a gente se sente semente,
sem terra pra semear (Adelidia Chiarelli1)"
Que conjunções frutíferas como a deste Estágio Supervisionado de Ciências não
sejam resultado de espera para que o acaso aconteça, mas resultado da ação consciente
de profissionais competentes e empenhados em assegurar as condições adequadas à
formação artístico-científica, atualmente tão comprometida, de crianças e adolescentes.
Lucia Maria Paleari
Responsável pelos Estágios Supervisionados
I (Ciências) e Projeto Temático III
1
http://tudoeespanto.blogspot.com.br/search?q=semente
Sumário
Histórico da formação da Escola ..................................................................6
Estrutura Física da Unidade Escolar ..........................................................29
Gestão Escolar ............................................................................................42
Merenda Escolar .........................................................................................68
Ensino de Ciências .....................................................................................82
Apostilas NAME ..................................................................................96
Material Ciência e Tecnologia com Criatividade – Sangari ...............112
Experimentoteca .................................................................................118
Projetos Extra-Curriculares ......................................................................137
Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo
(SARESP 2011)........................................................................................165
Referências................................................................................................193
6
HISTÓRICO DA FORMAÇÃO DA ESCOLA MUNICIPAL DE
ENSINO FUNDAMENTAL “DR. JOÃO MARIA DE ARAÚJO JR.”
Camila Pereira Gobette
Liane Lima
Mariana Dettmer de Castro Mello
1. Introdução
O Estágio Supervisionado I (Ciências) da XLIV turma do curso de Ciências
Biológicas Licenciatura, da Unesp de Botucatu, aconteceu na Escola Municipal de
Ensino Fundamental "Dr. João Maria de Araújo Jr". Para a aproximação dos
licenciandos do espaço escolar e de sua dinâmica de funcionamento foram previstas
atividades de investigação, anteriores às etapas de observação e regência de aulas, para
conhecimento
de
diversos
aspectos
históricos
e
socioambientais
daquele
estabelecimento de ensino.
Para a concretização do referido trabalho, no que se refere ao histórico de
formação dessa escola, foram duas as linhas de coleta de dados adotadas. Uma delas
deu-se por meio de entrevistas informais com pessoas que tiveram ligação direta ou
indireta com a formação da escola e condução das atividades ao longo dos anos, e a
outra baseou-se na busca e análise de documentos oficiais depositados na Câmara
Municipal, Prefeitura Municipal de Botucatu, Diretoria de Ensino, Secretaria Municipal
de Ensino e Biblioteca do Centro Cultural e do Serviço Social da Indústria (SESI).
Os entrevistados que contribuíram com informações aqui reunidas sobre a EMEF
" Dr. João Maria de Araújo Jr" foram:





Jaqueline Alves Barea Cantão – professora e coordenadora da escola
desde 2008;
João Carlos Figueroa – historiador de Botucatu;
Magali Aparecida Leite Penteado Chaguri – supervisora da Diretoria
de Ensino de Botucatu
Marilúcia Coelho da Silva Almeida- inspetora de alunos do EMEF
Dr. João Maria de Araújo Jr.
Nilza Rodrigues Lima – diretora da escola desde 1975 até 1979;.
7




Sônia Maria de Barros Almeida Innocenti – secretária da escola
desde 1994;
Vera DamatoBurini – diretora do SESI desde 1979 até 1982;
Vilma Chirinéia – professora e diretora do SESI de 1983 até 1992.
Zenaide Silva Fructuoso – inspetora de alunos EMEF Dr. João Maria
de Araújo Jr.
Com base nesse conjunto de dados resgatados é que organizamos e
apresentaremos a seguir aspectos históricos da formação da EMEF "Dr. João Maria de
Araújo Jr."
2. Um forasteiro que se tornou ilustre
Dr. João Maria de Araújo Jr é o nome que recebeu uma das escolas municipais de
ensino fundamental de Botucatu, em homenagem ao médico que, nascido em 04 de
janeiro de 1899, na cidade de Niterói – RJ, cursou medicina na Universidade Federal
do Rio de Janeiro em 1918 e adotou Botucatu para residir e atuar profissionalmente
como clínico geral.
Casado com Dona Isabel Falcon Ruiz, com a qual teve cinco filhos (Figuras 1 e
2), o Dr. João Maria chegou a esta cidade em 1932 a convite do Dr. Sebastião de
Almeida Pinto, a fim de integrar o corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia
Botucatuense, onde exerceu o cargo de diretor clínico por dezoito anos.
Em 1941, o Dr. João Maria foi nomeado prefeito municipal de Botucatu pelo Dr.
Fernando Costa, interventor federal no Estado de São Paulo, durante o governo de
Getúlio Vargas. O período de governo de Getúlio Vargas foi de grande ascensão
econômica, devido à fundação da companhia siderúrgica nacional e à criação de leis
trabalhistas, porém, no aspecto político, o Estado Novo caracterizou-se por falta de
democracia, censura, e um governo de caráter populista.
Na gestão desse prefeito a população botucatuense era de 41.408 habitantes,
sendo metade dela urbana. A cidade detinha, nessa época, o título de 16ª cidade em
tamanho populacional e 10ª posição no ranking de atividade industrial.
O Dr. João Maria permaneceu no cargo de prefeito até 10 de junho de 1946, e
neste período do seu mandato criou-se a Cooperativa de Laticínios de Botucatu,
instalou-se no município a Delegacia do Imposto de Renda, e, através de um decreto
8
estadual, houve a criação de uma Comissão Municipal de Bibliotecas e Museus, bem
como melhorias no sistema de abastecimento de água.
Pela sua atuação e realizações relevantes, é que o médico e prefeito de Botucatu, João
Maria de Araújo Jr., como homenagem, teve o nome cedido à primeira escola municipal
de Botucatu e é, até hoje, lembrado na cidade.
Figura 1- Dr. João Maria de Araújo Jr. acompanhado de sua esposa (à esquerda) e
de um colega médico (à direita). Fotos: Centro Cultural de Botucatu
9
Figura 2 - Dr. João Maria de Araújo Jr. acompanhado da esposa e
filhos. Foto: Centro Cultural de Botucatu.
3. Contexto de Fundação da Escola
A criação da escola municipal de ensino de Botucatu, "Dr. João Maria de Araújo
Jr.", deu-se durante uma época em que o Brasil passava pelo governo de ditadura militar
do então general Emílio Garrastazu Médici, que fora escolhido por uma junta militar em
1969. Este foi um período marcado pela mais dura repressão militar, com censura aos
meios de comunicação e denúncias de tortura. Apesar disso, foi uma época de ascensão
econômica, denominada de “o milagre brasileiro”, durante a qual foram desenvolvidas
obras vultosas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói. Na educação,
foi lançado oficialmente o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), criado
em 1967 por meio da lei número 5.379, de 15 de dezembro, para a alfabetização de
adultos.
Foi nesse contexto de Brasil, que, em 08 de fevereiro de 1972, criou-se a primeira
Escola Municipal de 1º grau “Dr. João Maria de Araújo Jr”, por meio de um Projeto de
Lei (Anexo 01) assinado pelo prefeito da época, Luiz Aparecido da Silveira,
popularmente conhecido por "Lico".
O local para a instalação da escola (Figura 3) foi caracterizado como perímetro
urbano no Projeto de Lei (Anexo 01) com denominação de Vila Aparecida. Porém
segundo o historiador entrevistado, João Carlos Figueroa, este bairro sempre foi
denominado como Vila São Lúcio. Esta divergência na designação do bairro se deve,
10
provavelmente, pelo fato de haver nas proximidades a igreja de Nossa Senhora
Aparecida, a qual popularmente servia de referência ao bairro.
Figura 3 - Vista do loteamento onde foi
instalado o prédio da Escola Municipal
"Dr. João Maria de Araújo Jr.". Foto:
Centro Cultural de Botucatu.
A escola fica localizada à rua Carmem Barbosa Garcia, nome este em homenagem
a primeira diretora da escola, cargo que ocupou até 1973. O prédio onde foi instalada a
escola, em 1972, era de construção própria do município, que não contou com qualquer
participação do Governo do Estado (Anexo 01). Ainda que houvesse permissão para o
funcionamento de seis salas de aula, segundo informações da senhora Nilza Rodrigues
Lima, diretora da escola entre 1975 e 1979, somente quatro salas estavam em
funcionamento naquela época.
Desde a criação até 1975, funcionaram na escola apenas os primeiros anos do
ensino de primeiro grau, 1ª a 4ª série, que, anteriormente, era denominado de primário.
Após a lei de 30 de dezembro de 1975 foi criada a quinta série e depois, gradativamente,
as demais séries, até completar o primeiro grau de ensino, com a criação da 8ª série
(Anexo 03). Estas 4 séries finais do primeiro grau integravam o que, anteriormente,
denominava-se de curso ginasial.
Com o risco de perder a unidade escolar para o Serviço Social da Indústria
(SESI), que não dispunha de prédio próprio e atendia a muitos alunos, houve
mobilização de parte da comunidade dessa escola em busca de uma área de 40.000 m2
que pudesse ser obtida para abrigar as instalações do SESI. No entanto, diante das
questões políticas e financeiras, que resultaram no impasse quanto a manutenção da
unidade do SESI em Botucatu, uma decisão paliativa foi tomada em 1977, pelo então
prefeito municipal Luiz Aparecido da Silveira. Ele, usando de um Decreto de lei (Anexo
11
4), concedeu ao SESI, por 3 anos, "a título precário, permissão especial de uso" do
imóvel onde estava instalada a escola "Dr. João Maria”. Esta, foi fechada em 1978 pelo
mesmo prefeito, e seus alunos foram incorporados aos do SESI (Anexo 05), sob a
alegação de que havia grande número de escolas estaduais de primeiro grau na cidade,
com três delas bem próximas ao bairro. Além disso, alegou também que era necessário
dar maior assistência às escolas rurais, que estavam em grande número e eram mantidas
pela prefeitura (Anexo 05 e 06). Na verdade, sobre esse assunto, há pelo menos duas
outras interpretações, não necessariamente excludentes. Uma delas, apresentada por
aqueles que vivenciaram o processo de busca pelo espaço de 40.000m2 para instalação
do SESI, que atesta teria sido de alto custo o espaço possível, próximo ao atual Hotel
Chaillot, sem a contrapartida do destaque político desejado pelo prefeito, uma vez que
toda a estrutura física seria financiada por outra instituição. Uma segunda interpretação,
apresentada por João Carlos Figueroa e Magali Aparecida Leite Penteado Chaguri,
refere-se à irregularidade de funcionamento da escola "Dr. João Maria", devido a
morosidade na entrega da documentação para regulamentação da sua regência.
A
regularização da escola se deu somente após o seu fechamento, em 1985. Com o
processo do Conselho Estadual de Educação, foram convalidadas as práticas escolares
do período de 1972 a 1977 (Anexo 07).
O SESI, que já ocupava o prédio municipal da extinta escola "Dr. João Maria",
ficou autorizado, em 1979, a usar gratuitamente suas dependências, por 10 anos
obrigando-se a cobrir as despesas de manutenção e funcionamento, além do corpo
docente e administrativo (Anexo 08). De acordo com a senhora Nilza Rodrigues Lima,
diretora daquela extinta escola municipal, todos os professores foram demitidos e ela foi
remanejada para outra escola municipal. Ficaram no SESI, além dos alunos da escola
"Dr. João Maria", a sua banda escolar, mais o dentista e a merendeira, apesar de serem
contratados pela prefeitura.
No ano de 1993, saiu publicado no Diário Oficial a mudança do SESI para as suas
novas instalações de funcionamento no Km 247,4 da rodovia Marechal Rondon (Anexo
09), local este doado por Maria Amélia Blasi Toledo Piza, filha de Francisco Blasi.
O reinício de funcionamento da escola municipal no antigo prédio, cedido ao
SESI até 1993, aconteceu em 1994, através do Regimento Comum das Escolas
Municipais, que aprovava o imediato funcionamento da unidade escolar (Anexo 10).
Meses depois, esta autorização foi publicada em Diário Oficial (Anexo 11). Com a saída
da gestão SESI do prédio municipal, apenas 50 alunos dos 600 matriculados,
12
continuaram a fazer parte do corpo discente. Para a profª Vilma Chirinéia, a escassez de
recursos financeiros da comunidade local e a falta de transporte coletivo, que permitisse
o deslocamento dos alunos até a nova sede do SESI, localizada no extremo oposto da
cidade, podem ter sido as razões dessa grande desistência.
Em entrevista concedida pelas funcionárias Marilúcia e Zenaide, soubemos que a
Educação Infantil teve início na Escola "Dr. João Maria de Araújo Jr., no mesmo ano
do seu ressurgimento, em 1993, por solicitação da comunidade local. Denominada de
Pré I e Pré II, a educação infantil atendia alunos de cinco a seis anos, e funcionou no
prédio municipal até o ano de 2010, quando teve de sair por duas possíveis razões: a
demanda de alunos era maior do que o espaço físico comportava e havia necessidade de
reforma das suas dependências. Atualmente, faz parte da Escola Municipal de Educação
Infantil “Dr. Roberto Domingos Andreucci”, sediada em prédio alugado pela prefeitura
e também localizado na Vila São Lúcio.
Pouco depois do reinício de funcionamento da escola municipal “Dr. João Maria
de Araújo Jr.” a secretária de educação, Nilza Maria Silveira Coine, solicitou ao
delegado de ensino, em novembro de 1995, a implantação do 2º grau nesta escola
(Anexo 12). Após esse pedido, uma vistoria foi realizada no local para avaliar as
condições de salas de aula, laboratório, biblioteca, quadra poliesportiva, materiais
didáticos, plano do curso e o regimento escolar (Anexo 13). Àquela época a escola não
dispunha de laboratório e nem de biblioteca que atendessem ao 2° grau, porém, diante
do compromisso do secretário municipal de providenciar essas instalações, a
autorização de funcionamento foi concedida em 1996, nos moldes estabelecidos pelo
Conselho Estadual de Educação. Com isto, a escola passou a se denominar “Escola
Municipal de 1º e 2º graus Dr. João Maria de Araújo Jr” (Anexo 14), decisões essas
publicadas no Diário Oficial de 23 de janeiro de 1996 (Anexo 15).
Em entrevista concedida pela secretária mais antiga da escola, Sônia Maria de
Barros Almeida Innocenti, soubemos que a demanda de alunos para o ensino de
segundo grau não foi suficiente para garantir a sua continuidade. A carência de recursos
financeiros da comunidade local, obrigava as famílias, cujos filhos completavam o
ensino de primeiro grau, a encaminhá-los para o mercado de trabalho, o que resultava
em abandono da escola. Essa situação determinou o fim do ensino médio na escola, até
então denominada de Escola Municipal de 1° e 2° graus “Dr. João Maria de Araújo Jr.”.
O histórico de formação de uma escola, como qualquer outro evento histórico,
exige, para sua reconstituição e interpretação, documentos (fotos, escritos, gravações de
13
rádio, em vídeo etc.) que permitam análises. No entanto, nem sempre esses materiais
são encontrados e, se encontrados, nem sempre estão devidamente arquivados para
consulta. Quando possível, recorre-se a pessoas que vivenciaram determinados
acontecimentos, e que, com seus depoimentos, ajudam a compor os fatos e a construir
novos registros, que devem ser devidamente arquivados. Porém, não podemos nos
esquecer de que cada testemunha ocular não está isenta de interpretações a partir do
recorte da história que ela presenciou e dos seus próprios valores e sentimentos
envolvidos. Sendo assim, é sempre necessário coletar diversos relatos, principalmente
quando há falta de documentações, como aconteceu com a Escola Municipal de Ensino
Fundamental “Dr. João Maria de Araújo Jr.” que nos permitam aclarar os fatos dentro
de um ideal de objetividade, necessário em qualquer busca criteriosa.
Hoje, 2012, a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. João Maria de
Araújo Jr.” permanece no mesmo local de origem. Ela possui classe de alunos do
primeiro ao nono ano, distribuídas nos períodos da manhã e tarde. Dos 740 alunos, 443
deles frequentam o período matutino, do 6º ao 9º ano, e 297, do 1º ao 5º ano frequentam
a escola no período vespertino. No período noturno as instalações são cedidas para
funcionamento do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), mantido pelo
governo estadual, que contempla 600 alunos matriculados. Algumas mudanças na
estrutura física, educacional e administrativa ocorreram ao longo dos anos e serão, em
parte, tratadas nos capítulos a seguir.
14
4. Anexos
Anexo1 - Documento de criação da Escola Municipal de Ensino Fundamental " Dr.
João Maria de Araújo Jr.", lei 1826/72
15
Anexo2 - Mapa do loteamento da Vila São Lúcio, onde foi instalado o prédio municipal
que abrigou a Escola Municipal de Ensino Fundamental "Dr. João Maria de Araújo Jr.".
16
Anexo 3 – Documento de criação da 5ª série de primeiro grau, lei nº2012
17
Anexo 4 - Decreto nº 2528 que cede o prédio para o Serviço de Industria SESI
18
Anexo 5 - Documento de justificativa para o fechamento da escola municipal em 1978,
pelo processo nº 69/78
19
Anexo 6 – Documento de solicitação de cessação das atividades escolares, processo nº
2659/74
20
Anexo 7 – Documento do Conselho Estadual de Educação convalidado os atos
escolares, parecer nº 0033/85.
21
Anexo 8 – Documento de autorização do SESI para utilização do prédio municipal, lei
nº 2194
22
Anexo 9 – Nota do Diário Oficial de 21/12/1992 sobre a mudança do SESI para Km
247,4 da Rodovia Marechal Rondon
23
Anexo 10 – Documento do Conselho Estadual de Educação que encaminha o
Regimento Comum das Escolas Municipais, processo nº 13/91
24
Anexo 11 – Nota do Diário Oficial de 12/07/94 de autorização do funcionamento da
escola municipal “ Dr. João Maria de Araujo Jr.”
25
Anexo 12 – Documento solicitando a instalação do ensino de 2º grau e mudança do
nome para Escola Municipal de 1º e 2º graus “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, ofício nº
59/95
26
Anexo 13 – Documento de vistoria da escola municipal para as instalações do ensino de
2° grau, processo nº 813/95
27
Anexo 14 – Documento autorizando o funcionamento do ensino de 2º grau na unidade
escolar pela Delegacia de Ensino
28
Anexo 15 – Nota do Diário Oficial de 23/01/1996 autorizando o funcionamento do
ensino de 2º grau na escola municipal
29
ESTRUTURA FÍSICA
Adriana Fernandes
Claraline Godoy
Gabriel Mendes
Lucas Borges
Tarsila Franckin
1. Introdução
Os primeiros indícios de arquitetura escolar no Brasil vieram com a Companhia
de Jesus, que tinha por objetivo catequizar os índios e ganhar trabalhadores para a
Coroa Portuguesa (Nascimento et al.). Porém, foi a partir da Proclamação República,
em 1889, que houve maior preocupação com um local específico para a educação.
Segundo Souza (cit. in Dorea, 2000):
"(...) em determinado momento, políticos e educadores passaram a
considerar indispensável a existência de casas
escolares para a
educação de crianças, isto é, passaram a advogar a necessidade de
espaços edificados expressamente para o serviço escolar. Esse momento
coincide com as décadas finais do século XIX e com os
projetos
republicanos de difusão da educação popular."
Neste momento histórico, a escola passou a ser vista como progresso histórico e
a monumentalidade das construções dos grupos escolares tornou-se representativa de
um ideal de modernidade ou de República. E, segundo Souza (cit. in Dorea, 2000),
"a arquitetura escolar haveria, pois, de simbolizar as finalidades sociais,
morais e cívicas da escola pública. O lugar de formação do cidadão
republicano teria que ser percebido e compreendido como tal."
É possível perceber que a arquitetura escolar foi influenciada pelo momento
histórico e cultural da sociedade e sofreu com as mudanças e reformas desses períodos,
como na Proclamação da República com a arquitetura neoclássica, caracterizada por
30
“(...) edifício imponente, hall de entrada primoroso, escadarias,
eixo simétrico, duas alas, pátio interno (como o dos claustros),
corredores internos, janelas verticais grandes e pesadas, acabamento
com materiais nobres.” Um outro momento de transformação na
arquitetura escolar estaria relacionado ao movimento escolanovista , mais
centrado nas questões dos alunos e no quantitativo escolar: “(...) Formas
geométricas simples, uso de novos materiais como o concreto armado,
novas técnicas construtivas, não mais simetria perfeita, ausência de
colunas e ornamentos, pátios internos sob pilotis e grandes aberturas
envidraçadas.” (Buffa, 2005, p. 108).
As décadas de 50 e 60 estiveram relacionadas às políticas públicas e às
necessidades de aumento do número de escolas no Estado e devido à necessidade do
aumento do número de vagas nas escolas, foram projetados edifícios mais utilitários,
baratos e de construção rápida. A partir da década de 1960, houve uma mudança do
“qualitativo” para o “quantitativo”. E possível perceber que este discurso arquitetônico
esteve em todo o Brasil, onde a arquitetura escolar foi também um reflexo das políticas
governamentais, do discurso pedagógico e das necessidades da comunidade local, isto
de acordo com Bencosta (2000) e Buffa (2005).
Sabe-se que para o desenvolvimento de um processo de ensino-aprendizagem
de qualidade, não basta, apenas ter
professores dedicados para ensinar e alunos
interessados em aprender, deve existir um local agradável onde esse encontro possa
acontecer.
A estrutura física de uma escola é de extrema importância para um melhor
desempenho dos alunos, professores, direção, coordenação e funcionários. O lugar onde
essas pessoas passam quase todas as horas de seus dias precisa ser bem estruturado e
conservado por todos que nele trabalham e circulam, para que o ambiente escolar seja
um lugar agradável e que permita o desenvolvimento de trabalhos bons e que eles
possam ser desenvolvidos de forma prazerosa.
Considerando que o estudo de cada ambiente escolar pode ajudar a entender
parte do que nele acontece, além de ajudar a criar e conservar espaços adequados,
propícios as atividades de ensino e convivência, o presente trabalho teve por objetivo
conhecer e analisar a estrutura física, organização dos espaços e a relação destes com
31
a comunidade que faz parte da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) “Dr.
Joao Maria de Araújo Jr.”, pertencente ao município de Botucatu/SP. Este estudo fez
parte do estágio curricular obrigatório da da XLIV turma do curso de Ciências
Biológicas Licenciatura, da Unesp de Botucatu.
2. Etapas de desenvolvimento deste estudo
Para a realização deste trabalho de levantamento e estudo de aspectos da estrutura
física da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. João Maria de Araújo Júnior.”,
visitamos suas dependências, à rua Professora Carmem Barbosa Garcia, número 242,
Vila São Lúcio, no município de Botucatu, SP. Lá observamos e registramos, por meio
de fotos e filmagens, a estrutura externa e interna e as condições atuais do prédio.
Procuramos também ter acesso à planta original da escola e, travamos conversas com
alunos, professores, diretores, coordenadores e funcionários da escola, para saber qual a
opinião deles a respeito das condições que a estrutura física do local possibilitam para
todos que ali trabalham e estudam.
A primeira visita à escola serviu para nos familiarizarmos com as dependências,
que conhecemos e registramos em pormenores nas visitas seguintes. Acreditamos que
os resultados desse trabalho de levantamento e análise de dados acerca do espaço físico
e edificações da escola “Dr. João Maria”, apresentados a seguir, poderão proporcionar
melhor compreensão de toda a organização e dinâmica escolar, conforme fundamentos
teóricos apresentados na introdução deste capítulo.
3. Olhares sobre os espaços escolares construídos
Os princípios que regem as edificações escolares devem seguir recomendações
pedagógicas baseadas nas necessidades das pessoas e das atividades específicas que
estas desenvolverão em cada ambiente escolar. Sendo assim, consideramos, além da
adequação do número e dimensão dos espaços por número de pessoas que os utilizam, a
existência de ambientes específicos e necessários ao desenvolvimento das diversas
atividades de ensino e de recreação, as condições de iluminação, ventilação estética e de
manutenção dos espaços.
Podemos dizer, no geral, que a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr.
João Maria de Araújo Jr.” é constituída de três edificações independentes - que aqui
32
denominaremos de anexo 1, anexo 2 e anexo 3. Além delas, há uma quadra
poliesportiva, sala de atividades complementares e uma construção hoje desativada,
onde antigamente funcionava uma creche. Nos tópicos seguintes detalharemos o que foi
observado em cada local da escola e apresentaremos as nossas considerações a respeito
de cada uma delas.
3.1. Anexo 1
Na figura 1, é possível ver a fachada do prédio mais novo da EMEF “Dr. João
Maria de Araújo Jr.” Nele registramos a melhor infraestrutura do conjunto das
edificações. O prédio é constituído por três
andares, mais o térreo. Nos pisos superiores,
2º e 3º andares, há seis salas e 1 banheiro
feminino e 1 masculino, em cada andar. No
primeiro andar, encontram-se a sala da
direção, sala da coordenação, secretaria,
sala
de
vídeo,
sala
de
informática,
biblioteca, 1 banheiro masculino e 1
feminino para os professores e 1 escada de
Figura 1: Vista da entrada principal d EMEF
"Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP (Foto:
Lucas Borges).
acesso para o 3º e 4º andares.
O acesso a todos os andares pode
ser feito, também, por meio uma rampa
que é extensa e íngreme demais, o que
não permite acessibilidade facilitada para
cadeirantes (figura 2).
Além disto, toda ela é trabalhada
com janelas de vidro que não são
Figura 2: Rampa extensa e íngreme, que liga todos os
andares da escola "Dr. João Maria" (Foto: Gabriel
Mendes).
adequadas para um local com tantas
crianças e, ainda, foi observado que, entre
algumas janelas de vidro e o chão das rampas, há espaços em que uma criança pode,
facilmente, colocar o pé e acabar se machucando.
33
No térreo é onde se localiza o pátio da escola. Em todos os andares há extintores
de incêndio, que encontram-se dentro do prazo de validade, e hidrantes. O anexo 1
também conta com um sistema de
alarme, para o caso de sinistro.
Verificamos em suas paredes a
existência de rachaduras em lugares
variados, como: próximas a sala da
direção (figura 3) e na fachada da escola.
A escola carece de áreas verdes,
contando com apenas um pequeno
Figura 3: Rachadura em parede da escola "Dr. João
Maria", indicadas com as 6 setas (Foto: Lucas Borges).
jardim, que fica ao lado da cozinha
(figura
4).
Verificamos
que
os
bebedouros existentes nas dependências da escola são altos demais para crianças
pequenas.
Na secretaria da escola, não foi observado nenhum problema estrutural. A sala é
ampla e apresenta boa mobília, aparentemente adequada às atividades ali realizadas.
Em conversa com os funcionários,
não houve nenhuma reclamação sobre a
infraestrutura da secretaria, que é bem
organizada e, ao que tudo indica, se trata
de um ambiente agradável às pessoas
que nele trabalham.
Na sala da direção, foi possível
Figura 4: Jardim ao lado da cozinha da escola "Dr. João
Maria" (Foto: Lucas Borges).
observar
que
existem
móveis
e
computadores adequados às atividades
realizadas pelas duas pessoas que ali trabalham, mas a sala fica um tanto pequena
quando é preciso receber alguma visita. Além disto, localizada ao lado da quadra
poliesportiva, a sala não oferece boas condições para o desenvolvimento dos trabalhos
devido ao barulho que os alunos fazem quando estão ali durante as aulas de Educação
Física ou brincando nos horários de intervalo.
A sala da coordenação, é um local pequeno quase todo ocupado pelo mobiliário
não deixando espaço suficiente para as duas coordenadoras que ali trabalham, em meio
a materiais escolares (livros e apostilas, por exemplo) empilhados.
34
A sala de vídeo da escola “Dr. João Maria de Araújo Jr.” é um local amplo que,
segundo relatos, é bastante utilizado para apresentação de vídeos usados como recursos
para aulas ou outras atividades, principalmente quando algum professor falta e não há
professores substitutos. Nestas ocasiões os alunos podem ser levados até lá para assistir
algum filme ou documentário educativo. Nessa sala há um armário, uma televisão, um
datashow, um aparelho de DVD, uma lousa, vários filmes e documentários educativos,
uma mesa e várias cadeiras.
Aproveitando-se da existência desta
mesa e das cadeiras, localizadas mais
ao fundo da sala, os professores as
utilizam para tomar café e conversar
durante seus horários de intervalo.
A sala de informática (figura 5)
é ampla e tem aproximadamente 25
computadores, que seriam suficientes
para que uma sala de aula inteira os
utilizasse para as atividades didáticas
e, no entanto, nunca foram usados. Há,
Figura 5: Sala de informática da escola "Dr. João Maria"
com infiltrações evidentes (Foto: Gabriel Mendes)
aproximadamente, dois anos esta sala recebeu computadores novos, mas com sistema
operacional Linux, que inviabilizou o uso dos computadores devido às dificuldades
encontradas para se trabalhar com este sistema que tem configurações diferentes do
sistema mais usual, além de não permitir a instalação de alguns programas nos
computadores, por ser um sistema que fornece maior segurança ao usuário, dificultando
a facilidade de algumas ações que são feitas normalmente no sistema mais comumente
utilizado. Até o momento, não foi realizada a troca do sistema e a sala encontra-se
desativada, servindo de depósito para alguns materiais.
Neste local a infiltração nas paredes sé de relativamente grande proporção, como
se pode verificar na figura 5.
A biblioteca (figura 6) é um local pequeno, com 4 mesas e menos de 20 cadeiras,
número este insuficiente em relação ao número de alunos da escola, embora o local
receba, no máximo, uma turma de alunos por vez. O acervo de livros chega aos dez mil
exemplares e, assim como na sala de informática, a biblioteca também apresenta
problemas de infiltração nas paredes (figura 6).
35
Ainda no 1º andar do anexo 1,
existem 1 banheiro masculino e 1
feminino, para os professores.
As salas de aula do anexo 1
(localizadas no 2º e 3º andares) são
amplas (7,20m x 7,20m e altura de
3,11m) se considerarmos que há um
2
espaço médio de 1,20m por aluno -
Figura 6: Biblioteca da escola "Dr. João Maria",
com infiltrações nas paredes (Foto: Gabriel Mendes).
as salas têm 51,84m² e, descontando-se a área do professor (aproximadamente 15m²),
obteve-se uma área 36,84m² que foi dividida pelo número de carteiras (30). Sabendo
que a recomendação (Sousa, 1999) é de que haja, no mínimo, 1m² por aluno, as salas da
EMEF "Dr. João Maria" estão adequadas às turmas que as ocupam. Há uma média de
30 carteiras por sala, lousas bem conservadas e armários, sendo um destinado a guardar
o material didático do projeto Sangari. Um problema detectado em relação ao teto de
algumas salas é que estão cedendo, o que oferecem um grande risco aos alunos,
professores e funcionários que frequentam os locais. Por este motivo, elas têm sido
menos utilizadas.
Nos 2º e 3º andares do anexo 1, também há, em cada um deles, 1 banheiro
masculino e um feminino para os alunos. Um problema observado foi que, em algumas
portas dos reservados onde ficam os vasos sanitários, não existiam trancas.
No térreo fica o pátio utilizado pelos alunos nos intervalos de aulas. Neste local é
onde se encontram a cozinha da escola, mesas para refeições e dois banheiros para
alunos, sendo 1 masculino e outro feminino.
3.2. Anexo 2
O anexo 2 (figura 7) foi o local onde se
registrou o maior número de problemas
relacionados à estrutura física. Neste espaço,
estão localizadas as salas de 8º e 9º anos no
período da manhã, e que no período noturno
Figura 7: Vista do anexo 2 da escola "Dr. João
Maria", prédio claro visto ao fundo (Foto:
Gabriel Mendes).
são utilizadas pelos alunos da Educação de
Jovens e Adultos (EJA).
36
O prédio tem dois andares, com
quatro salas de aula por andar, sendo que
no primeiro, além das salas há 1
banheiro masculino e 1 feminino, duas
salas onde são guardados materiais de
limpeza
e
uma
sala
onde
alguns
funcionários guardam seus pertences. O
anexo 2, segundo informações, foi
Figura 8: Teto do anexo 2 da escola "Dr. João Maria",
com evidente ocorrência de fortes infiltrações
(Foto: Lucas Borges).
construído em um ano eleitoral e, por
isto, feito às pressas, sem grande
preocupação com sua estrutura, o que resultou em diversas falhas estruturais. Além
disto, não possui extintores de incêndio e nem hidrantes. Segundo relatos, quando chove
forte ou por um longo período de tempo, entra água nos pontos onde estão colocadas as
luminárias do teto (figura 8), inundando
corredores e salas. Um outro problema
identificado neste prédio, é o da escada que
dá acesso ao 2º andar, que além de estreita, é
íngreme e com degraus pequenos, que não
comportam o pé todo.
Este anexo 2 conta com oito salas de
Figura 9: Ausência de interruptores em salas do
anexo 2 da escola "Dr. João Maria" (Foto: Gabriel
Mendes).
armário
do
Sangari
e
lousa
aulas amplas (6,07m x 6,98 e altura de
3,78m) e tem, em média, 28 carteiras, um
bem
conservada. Nestas salas não havia
interruptores de luz e nem tomadas
(figura
9).
Os
únicos
interruptores
observados foram os dos ventiladores,
instalados em local muito alto, de difícil
acesso. Foram notáveis as pichações
(figura 10) feitas nas paredes e a falta de
fechaduras
nas
portas
(figura
11).
Figura 10: Pichações em parede do anexo 2 da escola
"Dr. João Maria" (Foto: Gabriel Mendes).
Segundo relatos, durante o ano de 2011
foram colocadas quatro vezes fechaduras novas nas portas, que pouco tempo resistiram
ao vandalismo praticado por alunos.
37
Outro problema é o das portas das quatro salas de aula de cada andar serem
situadas uma de frente para a outra (figura
12), o que traz problemas para o trânsito
de pessoas, especialmente em situações de
emergência, além do barulho de uma sala
interferindo diretamente nas atividades
desenvolvidas nas outras.
Os
banheiros do
anexo
2
(1
Figura 11: Porta sem fechadura no anexo 2 da escola
"Dr. João Maria" (Foto: Gabriel Mendes).
feminino e 1 masculino) encontram-se em
condições precárias, com portas sem trancas,
pichações e falta de água, além de não ter
qualquer marca que permita identificar qual é o
banheiro masculino e qual o feminino. Existem,
também, duas salas bem pequenas e simples que
servem para o depósito de materiais de limpeza.
Ambas foram encontradas com os materiais
bem acondicionados e organizados em armários.
Além desta sala, existe uma outra sala que era
utilizada pelos professores, mas que atualmente
serve
de depósito
para alguns
materiais
Figura 12: Portas de salas de aula mal
dispostas (uma de frente para a outra), no
anexo 2 da escola "Dr. João Maria"
(Foto: Gabriel Mendes).
escolares e pertences de funcionários.
3.3.
Anexo 3
Na foto da figura 13 pode-se observar a unidade mais antiga do conjunto de
edificações existente no espaço da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” Foi ela que
abrigou as primeiras séries da escola primária, e, mais tarde, em 1977, o SESI (ver
Histórico de Formação da Escola). Atualmente, funciona nesse prédio, no período
noturno, a Direção da EMEJA (Escola Municipal de Educação de Jovens e Adultos).
38
O prédio possui duas salas de aula, sala de professores, secretaria, sala da direção,
1 banheiro feminino e 1 masculino para professores e 1 banheiros masculino e 1
feminino para alunos, laboratório de Ciências e
Matemática e sala Lego, sendo que estes três
últimos são espaços diferentes numa única sala, e
são utilizados pela escola no período da tarde.
Alguns pontos positivos desse anexo são que,
mesmo sendo o mais antigo e só sendo usado
para a EJA (exceto a sala de laboratórios e Lego),
não apresenta graves problemas estruturais, como
os vistos no anexo 2 e, além disto, possui extintor
e hidrante, que também não foram encontrados
no anexo 2.
Esta unidade da escola “Dr. João Maria” é
Figura 13: Frente do anexo 3, da escola
"Dr. João Maria" (Foto: Lucas Borges).
a que se encontra na condição mais precária de
pintura, o que provavelmente reforça atitudes de desrespeito, que resultam em sujeira,
pichação e depredação.
As salas de aula do anexo 3 são, comparativamente, menores em relação às dos
outros anexos. Elas possuem 2,94m de altura e 6,98 x 6,07 de tamanho, com 18
carteiras e não contém armário com material do Sangari. Das duas salas de aula
existentes, uma delas é atualmente usada como biblioteca da EJA.
A sala dos professores é ampla e pode-se dizer que é bem equipada com mesas,
cadeiras e armários.
A secretaria e a sala da direção ficam localizadas no corredor desse anexo,
próximas à porta de entrada. São salas pequenas, mas são bem equipadas com materiais
de escritório, mesas, cadeiras e computadores.
Os banheiros dos professores (1 masculino e 1 feminino) encontram-se ao lado da
secretaria e são bem pequenos, com apenas um vaso e uma pia, mas estavam
organizados. Os banheiros dos alunos (1 masculino e 1 feminino) ficam no pátio do
anexo 3, mas aparentemente não são muito utilizados, pois encontramos materiais de
limpeza guardados em ambos e, também, os encontramos fechados algumas vezes.
A sala destinada aos laboratórios de Ciência e Matemática e sala Lego, localizadas
neste prédio, é utilizada pelos alunos do período da tarde (1º a 5º anos). O projeto Lego
garante aos alunos um ensino interdisciplinar, com um trabalho voltado ao
39
desenvolvimento do raciocínio lógico, inovação e criatividade. A sala é ampla, com
carteiras unidas de quatro em quatro para poderem ser utilizadas por grupos de quatro
crianças. Possui dois armários com materiais de laboratório de Ciências e de
Matemática, mas que estão trancados por falta de chaves, que foram perdidas. Além
destes armários, há a estante da Experimentoteca, produzida pela da USP, que, apesar
de ser um recurso didático muito interessante e adequado ao ensino de Ciências (ver
capítulo - Ensino de Ciências), foi encontrado mal cuidado e empoeirado devido à falta
de uso.
3.4. Sala de atividades extracurriculares, antiga creche e área verde
A sala de atividades extracurriculares (figura 14) é utilizada para projetos, tais
como o do Coral, que é desenvolvido
pela professora Jaqueline A. Barea
Cantão. O exterior da sala encontra-se
mal cuidado, com problemas nas
paredes - como observado na figura 12
- evidenciando a falta de manutenção.
Internamente, a sala possui várias
Figura 14: Frente da sala de atividades extracurriculares
da escola "Dr. João Maria" (Foto: Lucas Borges).
cadeiras para crianças e uma lousa.
3.5. Quadra poliesportiva
A quadra poliesportiva da EMEF
“Dr. João Maria de Araújo Jr.” (figura
15) é um amplo espaço para as aulas de
educação física, recreação e outras
atividades, como apresentações artísticas
e festas juninas. A quadra faz limite com
a rua, onde se encontram muros altos
contendo obras de grafitagem realizadas
Figura 15: Quadra com poças de água, devido a cobertura
que não a protege totalmente (Foto: Lucas Borges).
pelos alunos; tem arquibancada e é
coberta. Esta cobertura que deveria proteger as pessoas do sol e da chuva, não o faz
porque a cobertura é apenas superior, ficando abertas as laterais. Desta forma, não
40
abriga adequadamente de chuva, vento e nem mesmo do sol. Por não possuir vestiários
e sala de materiais dificulta os trabalhos dos professores de Educação Física.
4. Conclusão
Neste trabalho buscou-se compreender a arquitetura do prédio escolar como um
componente importante, que interfere em diversos aspectos da dinâmica escolar,
precisando, por isso, fazer parte do planejamento para adequações ao currículo escolar,
que implicará no desenvolvimento de certos conteúdos práticas de ensino desenvolvidas
no interior da escola.
Na escola “Dr. João Maria Araújo Jr.” é notável a diferença entre prédios e salas
do anexo mais novo ao mais antigo. Foram observadas evidentes diferenças estruturais.
Neste trabalho buscou-se compreender a arquitetura do prédio escolar como um
componente importante que interfere em diversos aspectos da dinâmica escolar,
precisando, por isso, ser levada em conta no planejamento para adequações ao currículo
escolar, o qual implicará no desenvolvimento de certas práticas de ensino desenvolvidas
no interior da escola.
Os diversos problemas estruturais da escola, que resultaram primeiramente de
planejamento inadequado, somado posteriormente à falta de manutenção e de
vandalismo de alunos, precisam ser encarados com mais atenção e cuidado na busca de
soluções, dado que interferem diretamente no processo de ensino-aprendizagem.
41
5. Anexo
Anexo 1: Planta baixa da EMEF “Dr. João Maria de Araújo
Jr.”, que não representa a estrutura existente atualmente no
local, evidenciando áreas que não foram construídas e áreas
que se encontram em localizações diferentes.
42
Gestão Escolar
Amanda Moreti Rongetta
Amanda Ungari Machado
Camila Fernanda Zorzella Creste
Marcella Gonçalves Mazutti
Nilson Augusto Carnietto Júnior
1. Introdução
A gestão escolar tem como objetivo organizar, mobilizar e articular todas as
condições necessárias, materiais e humanas, que possam gerar avanço dos processos
sócio-educacionais dentro dos estabelecimentos de ensino. Tais avanços visam uma
aprendizagem efetiva pelos alunos, por meio da qual possam inserir-se na atual
sociedade globalizada e com capacidade de enfrentar adequadamente os desafios que
ela impõe (LÜCK, 2000).
Além disso, é por meio do aperfeiçoamento da gestão que se pode ter visão
estratégica e de conjunto do ambiente escolar, pois todas as ações escolares estão
interligadas, funcionando como uma rede.
A gestão precisa ser democrática, portanto, destituída da ideia autoritária de ações
baseadas em poder absoluto, que se fecha às críticas. A gestão democrática tende a
compartilhar decisões e informações, se preocupa com a qualidade da educação e com a
transparência do destino dos recursos escolares (ESTEVÃO, 2001).
O objetivo final da gestão é a aprendizagem efetiva e significativa dos alunos, por
meio principalmente, de um sistema escolar organizado e que permita que os alunos, no
cotidiano escolar, desenvolvam as competências que a sociedade demanda, sem,
contudo, negligenciar os anseios pessoais de realização. Entretanto, sejam quais forem
os ideais individuais, é necessário que os alunos se tornem cidadãos críticos e
competentes. Para tal, precisam adquirir conhecimentos e desenvolver certas
habilidades que os levem a, por exemplo, pensar criativamente; analisar informações e
proposições diversas, de forma contextualizada; expressar ideias com clareza, tanto
oralmente como por escrito; empregar a aritmética e a estatística para resolver
problemas; ser capaz de tomar decisões fundamentadas e resolver conflitos, dentre
muitas outras competências necessárias para a prática de cidadania responsável.
Portanto, o processo de gestão escolar deve voltar-se à aprendizagem dos alunos sobre o
43
seu próprio mundo e sobre si mesmos; qual a relação que desejam ter com esse mundo e
de qual maneira pretendem inserir-se nele. É importante que adquiram conhecimentos e
aprendam a trabalhar com informações da realidade social, econômica, política e
científica (LIBÂNEO, 2001).
Em uma gestão escolar eficaz os dirigentes, ao liderarem as ações da escola,
devem ser orientados por uma visão global e abrangente do seu trabalho. Para tanto, é
necessário que o dirigente conheça quais são os aspectos que, em conjunto, favoreçam o
desenvolvimento da escola e da qualidade de suas ações (ESTEVÃO, 2001).
O presente trabalho objetivou conhecer e analisar como se dá a gestão escolar na
EMEF “Doutor João Maria De Araújo Junior”, conhecendo a opinião da comunidade
escolar em relação à gestão atual, para que o material levantado e a interpretação dos
resultados sirvam como uma ferramenta de auto-análise pelos gestores, ajudando a
levantar seus pontos críticos e realçando os pontos positivos, visando em um gradativo
aperfeiçoamento.
2. Etapas do levantamento realizado
Para a obtenção de dados sobre a gestão atual, na E.M.E.F. Dr. João Maria de
Araújo Júnior, foram elaborados e aplicados questionários aos componentes que
participam das diversas instâncias da gestão escolar (direção, coordenação e auxiliares
de escritório), bem como aos professores da escola.
O questionário aplicado à direção (anexo 1) foi elaborado com base no livro
intitulado “Organização e Gestão da Escola: teoria e prática” (LIBÂNEO, 2001).
Para a coordenação, o questionário também foi baseado no livro de Libâneo
(2001) e acrescido de questões levantadas por alunos do 5º ano, turma XLIV do curso
de Licenciatura em Ciências Biológicas, da UNESP, Botucatu (anexo 2).
O questionário aplicado às auxiliares de escritório foi elaborado a partir de
diversos questionários, que foram adaptados para atender ao interesse de compreender o
papel deste segmento de profissionais na comunidade escolar (anexo 3).
O artigo “Indicadores para a qualidade na gestão escolar e ensino” (LÜCK,
2000), forneceu a base para a elaboração do questionário aplicado a cinco professores
(anexo 4).
Além dos dados obtidos por meio desses questionários preparados por nós,
analisamos também as respostas dadas por pais e alunos às perguntas específicas sobre a
44
gestão (anexo 5), existente no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado
de São Paulo (SARESP, 2010).
3. Os atores e suas respectivas ações em prol do ensino
O grupo gestor da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr", é composto por uma
diretora e uma assistente de direção, duas coordenadoras pedagógicas. A escola conta
também com três auxiliares de escritório. A equipe de gestão tem a responsabilidade de
conduzir a escola de maneira organizada, envolvendo três atribuições: administrativas,
pedagógicas e sociais, por meio de contato direto com os alunos e com toda a
comunidade escolar, com a realização de reuniões periódicas, que envolva todo o corpo
administrativo da escola.
3.1. A direção da escola
A Diretora e a assistente de direção EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." possuem
ensino superior completo em pedagogia e Pós-Graduação (Sistema de Ensino COC) em
gestão escolar. Atuam na educação há 20 e 30 anos, respectivamente, tendo começado
como professora, requisito básico para exercer o cargo de diretor (Tabela 1).
Tabela 1. Dados sobre o diretor e vice-diretor da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr."
Cargo
Sexo
Tempo total de
atuação na
educação
Tempo total de
atuação na escola
Tempo no
cargo atual
Diretora
Feminino
20 anos
5 anos
8 anos
Vice-Diretora
Feminino
30 anos
20 anos
3 anos
Quando pedido para citarem três razões que as levaram a querer exercer os
cargos de direção e vice-direção, ambas apontaram os mesmos motivos: maior salário,
vocação profissional e busca por ascensão profissional. Ambas admitiram também ter
vontade de exercer outras profissões que não estejam ligadas a área escolar.
45
O papel da diretora da presente escola é liderar e reger uma equipe a fim de
cuidar da dinâmica escolar através de leis e normas administrativas.
O papel da
assistente de direção não se resume apenas a substituir a diretora em sua ausência, está
ligado diretamente à coordenação pedagógica geral. A diretora e sua assistente estão
sempre em contato direto, e em caráter de cunho decisório, acionam reuniões de
trabalho coletivo.
Como podemos observar na tabela 2, segundo a diretora e vice-diretora da escola
“Dr. João Maria”, o tema “gestão escolar” é raramente discutido entre os gestores e
demais membros da escola. No entanto, esse assunto deveria ser tratado periodicamente
nas reuniões realizadas pelos gestores, devido a sua importância para a escola. Pois a
gestão é o espelho para a escola, e tem como objetivo propiciar às instituições uma
administração eficiente, além de ser a porta de entrada para os pais participarem de
assuntos da escola.
Tabela 2. Frequência com que alguns temas educacionais são introduzidos em reuniões para
discussão pelo corpo escolar, segundo as resposta dos questionários respondidos pela diretora
e vice-diretora da presente escola. (Participam das reuniões: direção, professores, pais e
funcionários).
Frequência de acontecimento
Temas
Nunca
Raramente
Algumas
vezes
Muitas
vezes
Sempre
Gestão Escolar
( )
(x)
( )
( )
( )
Prática pedagógica do
corpo gestor
Condições de trabalho
( )
( )
( )
(x)
( )
( )
( )
( )
(x)
( )
Formação dos profissionais
do corpo geral da escola
Acesso, permanência e
sucesso escolar dos alunos
( )
( )
( )
(x)
( )
( )
( )
( )
( )
(x)
Avaliação do trabalho dos
membros da escola
Avaliação escolar dos
alunos
Condições escolares
( )
( )
( )
( )
(x)
( )
( )
( )
( )
(x)
( )
( )
( )
( )
(x)
Outro dado levantado com a diretora e com a sua assistente referiu-se à efetivação de
uma gestão democrática. Segundo elas, é difícil de alcançar essa condição, por causa da
46
“Divergência de ideias”; “Visão dos responsáveis (pais) em relação ao papel da escola”;
“Falta de diálogo construtivo entre professores, pais e alunos”.
Com relação ao planejamento geral da escola, que tem por objetivo organizar o
conteúdo a ser aplicado durante o ano letivo, perguntou-se qual a ordem a ser seguida
no planejamento, como é feito organização de cronograma etc. Verificamos que é
realizado após o inicio das aulas e é revisto para ajustes no meio do ano. Ele é efetivado
como componente curricular. Servindo para organizar de forma lógica o conteúdo
anual, que irá ser regido durante o ano letivo, a fim de maximizar o processo ensino
aprendizagem, que é dividido por ano/ciclo nesta escola.
Entende-se por Planejamento Escolar a elaboração de programas, metas para
toda a escola, que envolve a sua organização, funcionamento e a proposta pedagógica
da instituição (BAFFI, 2002). "É um processo de racionalização, organização e
coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do
contexto social” (LIBÂNEO, apud BAFFI, 2002).
Procuramos saber sobre a participação dos membros da comunidade escolar nas
decisões orçamentárias da escola EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr" e os dados
obtidos (Tabela 3) indicam que os pais, os alunos e professores da escola ficam à
margem desse processo. No entanto, deveriam participar dessas decisões já que é uma
de suas funções. De acordo com os dados obtidos no site da Secretaria de Estado de
Educação (www.educacao.sp.gov.br), da Governadoria do Estado de São Paulo, o
conselho de escola é um colegiado, de natureza consultiva e deliberativa, constituído
por representantes de pais, professores, alunos e funcionários, que tem função de atuar,
articuladamente com o núcleo de direção, no processo de gestão pedagógica,
administrativa e financeira da escola.
A eleição do Conselho de Escola é feita anualmente, durante o primeiro mês do
primeiro semestre letivo. Os representantes de professores, especialistas de educação
(diretor, vice-diretor, coordenador), funcionários, pais e alunos serão eleitos pelos seus
pares, através de assembléias distintas, convocadas pelo Diretor de Escola. A eleição
dos membros do Conselho de Escola deve ser lavrada em ata, registrada em livro
próprio, com a assinatura de todos os participantes, e afixada em local visível para toda
a comunidade escolar.
Todas as unidades escolares estaduais deverão encaminhar às Diretorias de
Ensino, a composição do Conselho de Escola até 31 de março de cada ano letivo.
O Conselho de Escola é presidido pelo Diretor da Escola e terá um total mínimo
47
de 20 (vinte) e máximo de 40 (quarenta) componentes. O número de componentes é
fixado proporcionalmente ao número de classes da unidade escolar.
A composição do Conselho de Escola segue a seguinte proporção:
40% de docentes;
5% de especialistas de educação, excetuando-se o Diretor de Escola;
5% dos demais funcionários;
25% de pais de alunos;
25% de alunos.
Tabela 3. Frequência com que cada categoria da comunidade escolar participa das decisões
orçamentárias
Frequência na participação das decisões
Categoria
Nunca
Raramente Algumas Muitas Sempre
vezes
vezes
( )
( )
(x)
( )
Docentes
( )
Alunos
( )
(x)
( )
( )
( )
Grêmio estudantil
(x)
( )
( )
( )
( )
Conselho da escola
(x)
( )
( )
( )
( )
Associação de Pais e
Mestres
Funcionários
(x)
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
( )
(x)
Supervisor escolar
(x)
( )
( )
( )
( )
Coordenador
pedagógico
Dirigente regional
( )
( )
( )
( )
(x)
(x)
( )
( )
( )
( )
Ainda sobre o conselho de escola, foi perguntado à direção sobre a existência
dele na escola, quem são seus participantes, quando se reúne e quais suas funções.
Diretora e vice-diretora responderam que sim e que participam a direção, professores,
pais e funcionários. Elas disseram ainda que alunos não tem participação devido à faixa
etária que é atendida na escola e que o conselho é acionado sempre que necessário, em
“demandas de cunho decisório”.
48
Foram levantados também, dados sobre a existência de APM (Associação de
Pais e Mestres), com que frequência as reuniões ocorrem, e se os pais costumam
participar. As respostas da diretora e da assistente foram similares, informando que há
APM e que dificilmente são feitas reuniões. Acrescentaram que pais, alunos e
professores mantêm contato com a direção e a equipe de professores, o que facilita as
tomadas de decisões.
“A APM é uma entidade jurídica de direito privado, criada com a finalidade de
colaborar para o aperfeiçoamento do processo educacional, para a assistência ao escolar
e para a integração escola-comunidade” (Site da Secretária do Estado de São Paulo –
Coordenadoria do Ensino do Interior - cei.edunet.sp.gov.br). Atualmente, sua principal
função é atuar, em conjunto com o Conselho de Escola, na gestão da unidade escolar,
participando das decisões relativas à organização e funcionamento escolar nos aspectos
administrativos, pedagógicos e financeiros.
A convocação dos pais para reuniões na escola acontece no fim de cada
bimestre, em geral para apoiar campanhas, festas, reuniões pedagógicas. Verificamos
que poucos pais procuram pela escola por iniciativa própria.
3.2. Coordenação Pedagógica
Por meio da coordenadora, soubemos sobre o número de profissionais atuantes
na escola “Dr. João Maria”, seus respectivos cargos e exigências mínimas para ocupálos (tabela 4). Sobre a sua formação, a coordenadora nos informou que fez:
•
Licenciatura - Ciências Biológicas - FC Bauru
•
Aprimoramento em Hematologia - Hemocentro FMB - UNESP
•
Mestrado em Fisiopatologia em Clínica Médica FMB - UNESP
•
Pedagogia – UNINOVE/Botucatu
•
Extensão em Gênero e Diversidade na Escola
•
Cursando Gestão Escolar - especialização - UNISEB Interativo
•
A coordenadora atua na área da Educação desde 1994, na Escola João Maria
desde 2008 e na coordenação desde dezembro de 2009. Além disso, a
coordenadora sempre atuou e ainda atua como professora de Ciências.
49
Tabela 4. Cargos existentes na EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” e formação
mínima exigida para cada um deles.
Cargos
Quantidade
Formação mínima exigida
1
Pedagogia e pelo menos 3 anos no
magistério
Vice-diretor(a)
1
Pedagogia e pelo menos 3 anos no
magistério
Coordenador (a)
2
Pedagogia e pelo menos 3 anos no
magistério
Docentes
36
Ciclo I - Pedagogia
Ciclo II - Licenciatura na área que
ministra
Auxiliar de escritório
3
Ensino Médio completo
Agente de atividades
escolares
1
Ensino Médio completo
Inspetor de alunos
4
Ensino Médio completo
Auxiliar de serviços
gerais
6
Ensino Fundamental completo
Diretor(a)
Questionada sobre as funções exigidas pelo seu cargo e as funções que realmente
exerce na Escola “Dr. João Maria”, ela apresentou:
a) Exigências do cargo
•
Função complexa de articulação entre Direção e professores;
•
Assessoria pedagógica;
•
Organização de espaços e materiais pedagógicos;
•
Gestão de projetos educacionais;
•
Compromisso com a formação continuada dos docentes.
b) Atividades além do que é exigência do cargo
•
Substituir professores;
•
Limpar, organizar;
•
Inspetorar alunos da sala de vídeo;
•
Passar recados nas salas de aula.
Para ela, as maiores dificuldades encontradas para o exercício do cargo são:
50
•
Resistência ao “novo” por parte dos professores e de toda a estrutura
educacional da cidade;
•
Escola se diz inclusiva, mas não oferece condições mínimas necessárias;
•
Dificuldade de comunicação com professores e direção devido às diferenças nos
horários de atividades na escola;
•
Excesso de trabalho;
•
Falta de professores de reforço;
•
Falta de professor para sala de atendimento educacional especializado;
•
Ausência de metade do corpo docente no HTPC, que faz em outras escolas.
Como a coordenadora insistiu em dizer que mesmo com tantos obstáculos
existentes na atualidade, não gostaria de exercer outra profissão a não ser a de
professora, perguntamos o que a levou a assumir a coordenação. Uma das razões foi o
maior salário que recebem os coordenadores e também porque gosta de desafios e
pensou poderia fazer mais pelos alunos.
Como a coordenadora insistiu em dizer que mesmo com tantos obstáculos existentes na
atualidade, não gostaria de exercer outra profissão a não ser a de professora,
perguntamos o que a levou a assumir a coordenação. Uma das razões foi o maior salário
que recebem os coordenadores e também porque gosta de desafios e pensou poderia
fazer mais pelos alunos.
Sobre a inexistência de Grêmio Estudantil na Escola “Dr. João Maria”,
acreditamos que possa ser resultado da dificuldade que se tem de lidar com
posicionamentos políticos e reivindicações dos adolescentes, que, no entanto, precisam
aprender a se manifestar e com atitudes respeitosas. Quanto à Associação de Pais e
Mestres (APM) e o Conselho de Escola, são instituições existentes oficialmente na
escola, mas que, segundo a coordenadora, ainda não tem o papel efetivo e frequente que
os documentos oficiais sobre o assunto apregoam. Ainda acrescentou que nunca viu tal
fato ocorrer em nenhuma das dez escolas em que já trabalhou, independente do sistema
de ensino.
As reuniões de Pais e Mestres acontecem bimestralmente, e os pais de alunos
indisciplinados, com excesso de faltas ou com baixo rendimento frequentam a escola
regularmente e recebem orientações da direção escolar.
A documentação dos alunos é padronizada, com programas de digitação e
organização de dados. As matrículas, transferências e rendimento ao final do ano são
organizados pelo Sistema PRODESP (Companhia de Processamento de Dados do
51
Estado de São Paulo). As notas são acompanhadas pela Secretaria Municipal de
Educação, por meio de planilhas, porque há grande interesse em obter bons índices no
IDEB (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico) e IDESP (Índice de
Desenvolvimento do Ensino do Estado de São Paulo).
Visando esse bom desempenho, duas estudantes de Pedagogia foram contratadas
através Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) como estagiárias. Uma atua
durante as manhãs e outra no período da tarde, para auxiliar no reforço (quando há
formação mínima para tal), organização de materiais e substituição de professores em
sala quando possível.
Falando sobre a Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), a coordenadora
disse acreditar ser estar aí uma das suas principais atribuições, que é a de conduzir uma
reunião semanal com os professores da escola para conversar sobre os alunos e a escola,
como também para orientá-los quanto à formação continuada. Normalmente, a
Secretaria do Municipal da Educação reúne semanalmente os coordenadores de todas as
escolas e a coordenadora dos coordenadores estuda vários textos e conteúdos e sugere
aos coordenadores que usem esse mesmo material nas reuniões de HTPC em suas
respectivas escolas, porém, na escola “Dr. João Maria”, a coordenadora pedagógica
pediu para que os professores sugerissem temas que os interessasse, para serem
discutidos nesses encontros.
O grupo que se reúne às segundas-feiras, composto por quatro professores,
escolheu trabalhar com os temas “identidade do professor e identidade do aluno”, os
mundos diferentes, a inversão de valores. Esses temas estão sendo discutidos com base
em materiais do curso de Pedagogia da UNIVESP e do livro “Nos labirintos da moral”
de Yves de La Taille (2005). O grupo das quintas-feiras, composto por seis professores,
escolheu trabalhar com o tema “educação sexual”. Os professores querem elaborar um
projeto e colocá-lo em prática, porém, eles ainda não têm todo o embasamento teórico
necessário sobre educação sexual. O grupo das sextas-feiras, composto também por seis
professores, escolheu trabalhar com as teorias de desenvolvimento, porém, por
novamente não possuírem todo o embasamento teórico necessário as leituras são
demoradas, para que os esclarecimentos necessários sejam feitos. O tema é muito
interessante, pois mesmo com todas essas dificuldades encontradas pelos professores,
eles conseguem perceber de onde vêm, o que está na base das teorias que fundamentam
o ensino atual. Essas reuniões possibilitam aos professores enxergarem com mais
maturidade o tema, o que enquanto graduandos ainda não conseguiam compreender
52
claramente. O andamento das reuniões está mais lento do que deveria, mas os
professores estão se mostrando interessados, mas queixam-se pelo fato de ter de estudar,
porque alegam não ter tempo disponível para se dedicarem aos estudos ou à leitura.
A coordenadora conta com um quadro composto por 26 professores e, dentre eles
alguns apresentam despreparo até mesmo para o uso de recursos básicos de informática,
como usar o Power Point. Desses 26 docentes, apenas seis são vistos como inovadores,
que buscam por novas práticas de aula. Ela ainda disse que na maioria das vezes, os
professores mais inovadores são os menos compreendidos ou os mais criticados.
3.3. Auxiliares de Escritório
O questionário abordou primeiramente as funções das auxiliares de escritório na
escola, a importância de suas funções e a coerência das atividades realizadas por elas
em relação às que são propostas pelo cargo. As respostas obtidas não foram
aprofundadas, sem muitos detalhes. A respeito da função que exerciam responderam
apenas que tinham a função de secretárias. Já quanto à importância dessa função, duas
delas responderam que essa função era importante e somente uma respondeu que era
parcialmente importante. E com relação à coerência das atividades que faziam, duas
delas responderam que suas atividades eram coerentes com as propostas pelo cargo e
somente uma respondeu que era parcialmente coerente.
Quando abordadas sobre as dificuldades encontradas no cargo responderam que
não existia nenhuma. Também perguntamos para quem elas recorriam na presença de
algum problema, todas responderam que recorriam à direção, porém, somente uma
acrescentou também a coordenação.
Todas avaliaram a gestão da direção e da coordenação como sendo muito boa. E
quando perguntamos sobre a presença de um mural para anexar recados, todas
responderam que existia um mural visível na escola onde eram afixadas as
programações e atividades. Avaliamos também o clima escolar, e as respostas variaram
entre: bom; muito bom; normal.
3.4. Professores
Elaboramos um questionário destinado aos professores no intuito de saber suas
opiniões a cerca da Gestão Escolar e de seus atores. Os professores foram questionados
53
sobre características específicas que os líderes do corpo escolar ou que o conjunto da
comunidade escolar precisa ter para que a Gestão seja eficiente e desenvolva bem suas
funções. No entanto, poucos professores puderam responder a tais perguntas, o que
limitou nosso estudo. Porém, buscamos, mesmo que limitados pela quantidade de
respostas, analisar abaixo os dados recolhidos.
Sabendo que dirigentes de escolas eficazes que desempenham de maneira
adequada sua função na sociedade são líderes que estimulam professores, funcionários
da escola, alunos, pais e comunidade adjacente a desenvolverem seu potencial,
estimulando, para tanto, a criatividade e proatividade na resolução de problemas e
enfrentamento de dificuldades, perguntamos sobre a avaliação da liderança educacional
na escola em questão. De um modo geral, a avaliação foi positiva, pois a maioria dos
professores aos quais aplicamos o questionário elogiaram os dirigentes, dizendo que
colaboram e que são preocupados com o andamento escolar. Somente um professor
avaliou como satisfatório o trabalho desenvolvido pelos dirigentes (primeira pergunta anexo 4).
Falando sobre a escola em si, para que seja considerada competente, as
comunidades, interna e externa, devem assumir certa responsabilidade por seu destino e
ações. Essa autonomia deve ser conquistada pela competência desses participantes em
assumir tais responsabilidades para que o envolvimento na tomada de decisões
transformadoras das práticas escolares seja efetivo e a gestão seja democrática. Sobre
isso, elaboramos duas perguntas (segunda e terceira perguntas - anexo 4), uma quanto a
abertura dada pela gestão da escola à comunidade, interna e externa, para assumir essas
responsabilidades, e a outra, tinha relação com a primeira, onde perguntamos sobre o
retorno da comunidade a essa abertura caso ela existisse.
Analisando as respostas dadas à primeira questão, verificamos certa contradição.
Apesar de a grande maioria responder que existe abertura à comunidade, obtivemos
muitas respostas que afirmavam não existir ou não saber sobre a existência de tal
abertura.
Como a segunda pergunta era relacionada com a primeira, uma boa parte dos
professores não a respondeu, a mesma quantidade que disse não existir ou não saber
sobre a existência da abertura à comunidade. Dentro das respostas obtidas, a maioria
disse que gostaria que o retorno da comunidade fosse maior e somente uma pequena
parte disse que o retorno é positivo.
54
Analisamos, também, a interação existente entre a comunidade e o pessoal da
escola, observando se atuam em conjunto como um elemento de apoio da aprendizagem
e da própria gestão, e não apenas como apoiadores para condições materiais e
financeiras da escola (quarta pergunta - anexo 4). De um modo geral, as respostas foram
negativas, acusando uma interação ruim entre a comunidade e o corpo escolar. A
maioria dos professores respondeu não saber sobre a existência do apoio da comunidade
à escola e a outra parte disse que esse apoio não existe.
Questionando-os sobre o clima escolar que envolve aspectos como: expectativas
dos professores em relação aos alunos; da direção e equipe técnico-pedagógica em
relação aos professores; ordem, disciplina e sistema de premiação e incentivo aos
alunos, onde vivenciando um clima escolar positivo, os alunos aprendem
comportamentos importantíssimos para o seu desenvolvimento como cidadãos,
perguntamos como eles avaliavam esse quesito (quinta pergunta - anexo 4). A maioria
dos professores diz que o clima escolar é satisfatório, parcelas menores porem iguais
entre si dizem que o clima escolar dentro da escola é excelente, médio e insatisfatório.
Pudemos perceber respostas contraditórias quanto a esse assunto também.
Quando falamos sobre processo de ensino-aprendizagem, entendemos que esse
processo se caracteriza por: maximizar o tempo dedicado à aprendizagem, de modo a
evitar desperdício de tempo em atividades de pouco valor formativo e informativo, onde
os alunos sabem o que é esperado deles, recebem orientações específicas e são
acompanhados continuamente no que fazem. Essas são ações que devem ter total
atenção dos dirigentes da escola. E para saber a opinião dos professores sobre a
eficiência dos gestores nessas características, elaboramos uma questão que perguntava
se os dirigentes da escola dão atenção necessária ao processo de ensino – aprendizagem
(sexta pergunta - anexo 4). Ao analisar as respostas, percebemos que a grande maioria
disse que sim, os gestores são eficientes. Porém, alguns professores disseram que não
era satisfatório. Observamos também respostas incoerentes com a pergunta, o que pode
ser um indicador de desatenção ou até mesmo desinteresse.
Como a avaliação do desempenho acadêmico mostraria falhas nesse processo de
ensino-aprendizagem, perguntamos se a avaliação é aplicada de maneira correta (sétima
pergunta - anexo 4). A quantidade de professores que respondeu de maneira inadequada
é grande, apontando mais uma vez uma possível falta de interesse ou falta de atenção.
Outro dado surpreendente é a existência de uma parcela que diz desconhecer sobre
55
avaliação do desempenho acadêmico. E também aparecem respostas contraditórias, uma
parcela diz que a avaliação é feita de maneira correta e outra diz não ser.
Essas falhas até aqui observadas já deveriam ser notadas pelos gestores antes
mesmo de obtermos esses dados. No intuito de conhecer como é feita essas
averiguações pelos dirigentes, fizemos uma questão para saber se a supervisão era feita
de maneira adequada (oitava pergunta - anexo 4).
Quando questionados sobre a supervisão de professores a maioria respondeu que é
feita de maneira adequada. Alguns acreditam não terem condições para responder essa
pergunta e outros responderam de maneira incoerente com a pergunta. Vemos aqui um
possível desconhecimento a cerca dessa supervisão que deve ser feita pelos gestores, e
que apontaria possíveis falhas dos professores e também daria incentivos a eles.
Nesse mesmo panorama que analisa o apoio aos professores no processo ensinoaprendizagem, perguntamos como os professores avaliavam o sistema de uso e as
condições de materiais e textos de apoio pedagógicos na escola (nona pergunta - anexo
4). Alguns professores afirmaram que as condições e o uso desse tipo de material é
satisfatório, porém a mesma quantidade afirmou que há muito pouco desse tipo de
material na escola. Outro resultado intrigante foi uma parcela responder que desconhece
esse tipo de material.
Finalizamos a pesquisa com os professores buscando saber suas opiniões a cerca
do espaço físico. Sabendo que as escolas não necessitam ser grandes, elas apenas
necessitam utilizar de forma criativa o espaço existente, formando ambientes adequados
às diferentes atividades exercidas na escola como: leitura, vídeo, representações, etc.
Elaboramos uma pergunta para avaliar a utilização do espaço físico da escola (décima
pergunta - anexo 4). A grande maioria dos professores afirma que a utilização do espaço
físico não é ideal, porém uma parcela significativa diz que o espaço é bem aproveitado.
Esses dados evidenciam que melhorias precisam ser feitas para melhorar a utilização do
espaço físico.
3.5. Pesquisa de opinião de Pais e Alunos, retirada do Questionário SARESP.
Buscando saber a opinião dos Pais e dos alunos com relação à Gestão Escolar da
Escola João Maria, utilizou-se o questionário SARESP de 2010. Através de algumas
questões desse questionário que são voltadas para a avaliação da gestão escolar, obtevese, superficialmente (visto que seria necessária uma pesquisa mais detalhada e recente
56
para terem-se dados fidedignos), a opinião de pais e alunos quanto à eficiência da gestão
escolar da Escola João Maria. Portanto, todos os resultados dessa parte da pesquisa
foram retirados do questionário SARESP de 2010, e apenas avaliados sem qualquer
alteração nos gráficos e tabelas disponibilizados por este questionário.
Sabendo que a Gestão Escolar é responsável por informar aos pais o progresso de
seus filhos, perguntou-se se eles estavam recebendo estas informações (questão 1 –
anexo 5). Nesta avaliação, a maioria dos pais concordou plenamente (42,71%) ou
parcialmente (41,67%) dizendo que recebiam informações sobre o progresso de seus
filhos. Porém, os pais que responderam negativamente, afirmando que não recebiam
informações sobre o progresso de seus filhos (13,54%) apresenta-se como um dado
importante na avaliação, pois vem contrariar a eficiência dos responsáveis pela gestão
escolar, visto que ainda têm-se pais que não recebem essas informações. Então, é
preciso entender o que leva a tal problema, sabendo que este pode resultar de um
desinteresse ou falta de tempo dos pais para irem às reuniões onde as informações sobre
o progresso dos filhos são apresentadas, ou de uma deficiência de gestão escolar, ao
deixar de realizar reuniões com a colaboração do Conselho de Escola e da APM
(Associação de Pais e Mestres). A APM é uma instituição auxiliar, que tem por
finalidade colaborar para a melhora do processo educacional, dar assistência ao escolar
e atuar na integração família-escola-comunidade.
Nota-se a falta da APM também na importância dada à opinião dos pais, pois
quando questionados sobre a importância que o corpo da gestão escolar dá à opinião dos
pais (questão 3 – anexo 5), já que a opinião deles deve ser levada em conta na tomada
de decisões da escola, a maioria deles avaliou positivamente, como mostra a Figura 1.
No entanto, nota-se que a porcentagem dos pais que discordam, afirmando que suas
opiniões não são levadas em consideração também é grande (17,17%), mostrando que
esse ponto é passível de melhora pelos gestores escolares.
57
Figura 1. Avaliação feita pelos pais de alunos da EMEF
“Dr. João Maria de Araújo Jr.” sobre a existência de
atenção da gestão escolar as suas opiniões para tomada de
decisões na escola.
A opinião dos pais seria mais bem representada diante dos gestores escolares
também se houvesse melhor organização do Conselho Escolar (constituído por
representantes de pais, estudantes, professores, demais funcionários, membros da
comunidade local e o diretor da escola), que deve zelar pela manutenção da escola e
participar da gestão administrativa, pedagógica e financeira, a fim de assegurar a
qualidade de ensino (Portal MEC - http://portal.mec.gov.br/).
Outro dado que seria melhorado com a organização de um Conselho Escolar
atuante é o conhecimento da escola sobre problemas do ensino (questão 4 – anexo 5),
onde 17,97% deram nota média ou abaixo da média para os gestores escolares. Mesmo
assim, nessa mesma questão pode-se notar que apesar das melhoras que podem ser
feitas, a eficiência da gestão escolar no quesito pedagógico é bem avaliada, pois 82,03%
dos pais atribuíram nota a cima da média para os gestores escolares.
No quesito instalações físicas (questão 4 – anexo 5), observa-se também que os
pais avaliaram negativamente, como vemos na Figura 2. Onde a maior porcentagem de
notas atribuídas pelos pais ficou na média ou abaixo dela.
58
Figura 2. Notas dadas pelos pais com relação a adequeação e
manutenção das intalações físicas da Escola João Maria.
No entanto, quando questionados sobre a capacidade do diretor da escola e dos
profissionais (questão 4 – anexo 5) que atendem seus filhos, as notas com maiores
porcentagens de voto são as a cima de sete. O que pode representar a visão da
comunidade com relação à escola, visto na questão 2 (anexo 5), onde buscou-se saber se
a escola é valorizada pela comunidade, 80,43% dos pais apontaram que a escola é sim
valorizada pela comunidade.
Já analisando os resultados do questionário aplicado aos alunos, nota-se que eles
percebem a escola de maneira diferente de seus pais. As porcentagens observadas nas
primeiras questões (questões 5, 6 e 7 – anexo 5) destinadas a eles mostram alguns
problemas que eles apontam como: a participação dos alunos nas decisões da escola
(questão 6 – anexo 5), acusando que 50% dos alunos não se sentem incluídos na tomada
de decisões, contradizendo o papel do grêmio estudantil e do conselho de escola que são
formas de organização que incluem os alunos em todos os âmbitos de decisões
escolares.
Os dados apontam que a maioria deles não veem chances (40,66%) ou veem
poucas chances (39,01%) de organizar o grêmio estudantil inclusive (questão 7 – anexo
5), mostrando que esse pode ser um ponto a favor do sentimento de exclusão das
decisões da escola; Esse dado também pode explicar o que tivemos como resultado na
quinta questão (anexo 5), onde uma porcentagem relevante dos alunos se dizem com
poucas chances de terem suas ideias ouvidas (23,12%). A contradição dos gestores a
cerca da existência ou não do conselho de escola também explicaria isto que os alunos
apontaram, já que na formação do conselho escolar há uma porcentagem de participação
dos alunos.
59
Se o conselho de escola realmente existisse e fosse participativo, os alunos teriam
certo poder de decisão, e se o grêmio estudantil fosse organizado, eles teriam maiores
chances de suas ideias serem ouvidas.
Olhando-se as porcentagens dessas questões, percebe-se que ainda falta um pouco
de conhecimento dos alunos com relação ao que estavam avaliando, pois as questões 5 e
6 são semelhantes e a avaliação deles foi um pouco contraditória. Nota-se isso por na
questão 5 a maioria dos alunos disseram que tem sim chances de serem ouvidos. No
entanto, na questão 6 metade deles discordam dizendo que não tem chances de terem
suas ideias ouvidas.
No geral, mesmo com esses pontos que precisam ser melhorados, na última
questão (anexo 5) as maiores porcentagens de voto dos alunos para indicar a nota dada à
escola e que estudam ficaram na média ou a cima dela, demonstrando, assim, que no
conjunto escolar os alunos avaliaram positivamente a escola João Maria.
4. Anexos
Anexo 1 - Questionário aplicado a Direção
I. FORMAÇÃO PROFISSIONAL:
1) Qual a sua formação acadêmica?
2) Atua a quanto tempo na educação e está a quanto tempo na escola?
3) Qual é a função que exerce na escola e como vê a importância desta função?
4) Já atuou em outro cargo? Qual?
5) Você se sente realizando funções que estejam além do proposto pelo cargo?
6) Assinale até três indicadores que o levou a exercer o cargo de gestão:
( ) Maior salário
( ) Vocação profissional
( ) Influência de amigos
( ) Influência de família
( ) Não gostava de atuar na docência ( ) Ascensão profissional
( ) Outros:___________________________________________________.
7) Você gostaria de exercer outra função profissional?
( ) Não
( ) Sim, qual? _________________________________________________.
II. CONDIÇÕES SOCIOECÔMICAS
8)Esta escola disponibiliza computadores aos docentes?
60
( ) Não
( ) Sim, quantos?______________________________.
9) Esta escola possui projetos de inclusão digital:
( ) Não
( ) Sim, para: ( ) Professores
( ) Funcionários
( ) Alunos
( ) Comunidade
10) Quais as estratégias desta escola para promover a participação dos pais na vida escolar?
11) Com que frequência você convoca os pais para acompanhamento na vida escolar dos
alunos desta escola?
Nenhuma
( )
Quinzenalmente Mensalmente Bimestralmente
( )
( )
( )
12) Com que frequência os pais procuram a escola:
Motivo
Nenhuma Ocasional
Por convocação da escola
( )
( )
Por iniciativa própria
( )
( )
Mensal
( )
( )
Semestralmente
( )
Bimestral
( )
( )
Semestral
( )
( )
13) Indique a frequência com que ocorrem divergência/discordância entre você (Gestor) e o:
Desentendimento com: Nunca Raramente Algumas vezes Muitas vezes Sempre
Professor
( )
( )
( )
( )
( )
Alunos
( )
( )
( )
( )
( )
Funcionário
( )
( )
( )
( )
( )
Responsável pelo aluno
( )
( )
( )
( )
( )
14) Indique as três principais dificuldades vivenciadas por você (Gestor) na presente escola?
( ) Carga horária de trabalho excessiva
( ) Cansaço
( ) Desmotivação pessoal
( ) Falta de apoio pedagógico
( ) Integração nas atividades da escola
( ) Falta de apoio teórico-metodológico
( ) Outras:______________________________________________________________.
61
III. GESTÃO ESCOLAR
15) Indique a frequência com que se discute o andamento e o funcionamento da escola, como
um todo e no que se refere aos seguintes aspectos, considerando os últimos seis meses:
Aspectos
Nunca Raramente Algumas Muitas Sempre
vezes
vezes
Gestão Escolar
( )
( )
( )
( )
( )
Prática pedagógica
( )
( )
( )
( )
( )
Condições de trabalho
( )
( )
( )
( )
( )
Formação dos profissionais
( )
( )
( )
( )
( )
Acesso, permanência e sucesso
( )
( )
( )
( )
( )
escolar dos alunos
Avaliação do trabalho desenvolvido
( )
( )
( )
( )
( )
Avaliação escolar dos alunos
( )
( )
( )
( )
( )
Ambiente escolar
( )
( )
( )
( )
( )
16) A “Gestão Escolar” é um assunto debatido na escola João Maria com que frequência?
Nenhuma
Quinzenalmente Mensalmente
Bimestralmente Semestralmente
( )
( )
( )
( )
( )
17) Indique cinco agentes que participam da discussão sobre a “Gestão Escolar” com maior
frequência:
( ) Coordenador pedagógico
( ) Supervisor
( ) Professores
( ) Funcionários
( ) Alunos
( ) Grêmio estudantil
( ) Conselho escolar
( ) Associação de pais e Mestres
( ) Responsáveis pelos alunos
( ) Membros da comunidade
( ) Dirigente regional
( ) Ex-alunos
( ) Outros:___________________________________________________________________.
18) Cite, na sua opinião, três principais problemas que dificultam a efetivação de uma gestão
democrática.
19) Na escola João Maria, indique a frequência com que cada categoria, abaixo relacionada,
participa das decisões orçamentárias:
Categoria
Nunca Raramente Algumas Muitas Sempre
vezes
vezes
Docentes
( )
( )
( )
( )
( )
Alunos
( )
( )
( )
( )
( )
Grêmio estudantil
( )
( )
( )
( )
( )
Conselho da escola
( )
( )
( )
( )
( )
Associação de Pais e Mestres
( )
( )
( )
( )
( )
Funcionários
( )
( )
( )
( )
( )
Supervisor escolar
( )
( )
( )
( )
( )
Coordenador pedagógico
( )
( )
( )
( )
( )
Dirigente regional
( )
( )
( )
( )
( )
62
20) Em que época é realizado o planejamento na Escola João Maria ?
( ) Antes do início das aulas e no meio do ano letivo
( ) Após o início das aulas e no meio do ano letivo
( ) Antes do início das aulas
( ) Após o início das aulas
21)De que forma é realizado o planejamento no João Maria?
( ) Por Período
( ) Por disciplina
( ) Por série/ciclo
( ) Por período e disciplina
( ) Por período e série/ciclo
( ) Por disciplina e série/ciclo
( ) Por período disciplina e série/ciclo
22) Com que frequência o planejamento é revisto ao longo do ano?
( ) Mensal
( ) Bimestral
( ) Semestral
( ) Não é revisto durante o ano
23) A direção consegue informar toda a comunidade escolar sobre os principais
acontecimentos da escola?
24) Pais, mães, alunos, professores e funcionários em geral discutem as dificuldades de gestão
e de financiamento da escola e participadas iniciativas voltadas à solução destes problemas?
25) A Escola tem grêmio estudantil? Se sim, qual a sua participação na escola e quantos são os
alunos envolvidos?
26) Há conselho escolar? Quem Participa? Como funciona? Quando se reúne e quais suas
funções?
27) Existe APM (Associação de Pais e Mestres) na escola e com que frequência as reuniões
ocorrem? Os pais costumam participar dessas reuniões?
63
Anexo 2 – Questionário aplicado à Coordenação
I . Forneça a formação exigida para cada um dos cargos da gestão escolar :
Cargo
Formação exigida
Diretor(a)
Vice-diretor(a)
Coordenador(a)
Docentes
Auxiliar de
Escritório
Agente de
Atividades
Escolares
Inspetor de
Alunos
Auxiliar de
Serviços Gerais
II. Formação profissional:
1) Qual a sua formação acadêmica?
2) Atua a quanto tempo na educação e está na escola desde quando?
3) Qual é a função que exerce na escola e como vê a importância desta função?
4) Já atuou em outro cargo? Qual?
5) Quais as dificuldades encontradas em seu cargo?
6) O trabalho que você realiza está dentro do que é proposto pelo cargo?
7) Assinale até três indicadores que o levou a exercer o cargo de gestão:
( ) Maior salário
( ) Vocação profissional
( ) Influência de amigos
( ) Influência de família
( ) Não gostava de atuar na docência ( ) Ascensão profissional
( ) Outros:___________________________________________________.
64
8) Você gostaria de exercer outra função profissional?
( ) Não
( ) Sim, qual? _________________________________________________.
III. Gestão escolar:
9) A Escola tem grêmio estudantil? Se sim, qual a sua participação na escola e quantos são os
alunos envolvidos?
10) Existe participação dos pais e /ou da comunidade na gestão escolar? Se sim, como ela
ocorre?
11)Existe APM (Associação de Pais e Mestres) na escola e com que frequência as reuniões
ocorrem? Os pais costumam participar dessas reuniões?
12) Há conselho escolar? Quem Participa? Como funciona? Quando se reúne e quais suas
funções?
13)Como funciona a relação da escola com a Secretária da Educação? (relacionados a
administração escolar com transferência, matrículas, ponto de funcionário e professores.)
14) Tipo de ensino :
( ) Fundamental I
( ) Fundamental II
( ) Ensino Médio
15) A escola possui estagiários? Como funciona?
16) Quais as dificuldades encontradas em seu cargo?
17) O trabalho que você realiza está dentro do que é proposto pelo cargo?
65
Anexo 3 - Questionário aplicado às Auxiliares de Escritório
Idade:
Função:
1. Quais as funções você exerce dentro da escola?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
2. Suas funções realizadas na escola condizem com o que é proposto pelo cargo?
( ) Sim
( ) Não
( ) Parcialmente
3. Como vê a importância de sua função para a escola?
( ) Sim
( ) Não
( ) Parcialmente
4. Quais as dificuldades encontradas no seu cargo?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
5. Já atuou em algum outro cargo? Qual?
( ) Sim
( ) Não
Qual(s):________________________________________________________________
6. Você acumula algum outro cargo?
( ) Sim
( ) Não
Qual(s):________________________________________________________________
7. Como você avalia a gestão da direção?
( ) Muito ruim ( ) Ruim
( ) Regular
( ) Boa ( ) Muito Boa
8. Como você avalia a gestão da coordenação?
( ) Muito ruim ( ) Ruim
( ) Regular
( ) Boa ( ) Muito Boa
9. No caso de necessidade para a resolução de problemas, por quem procura na escola?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
10. O que você acha do clima escolar?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
11. Há um mural em local visível com as programações propostas pela escola?
( ) Sim
( ) Não
66
Anexo 4 - Questionário aplicado aos Professores
1) Como você avalia a liderança educacional na escola em que trabalha?
2) A gestão da escola em que trabalha dá abertura à comunidade, interna e externa,
para assumir tais responsabilidades?
3) Se existe essa abertura, como você avalia a resposta da comunidade a ela?
4) Na escola em que trabalha existe o apoio da comunidade? E esse apoio, se
existir, é efetivo?
5) Como você avalia o clima escolar dentro da escola em que trabalha?
6) Os dirigentes da escola em que você trabalha dão atenção necessária ao processo
de ensino-aprendizagem?
7) A avaliação do desempenho acadêmico na escola onde trabalha é aplicada da
maneira correta?
8) Na escola em que trabalha, a supervisão de professores é feita de maneira
adequada?
9) Como você avalia o uso e condições de materiais e textos de apoio pedagógicos
na escola em que trabalha?
10) Como você avalia a utilização do espaço físico na escola em que trabalha?
67
Anexo 5 - Pesquisa de opinião de Pais e Alunos, retirada do Questionário SARESP
1) Eu recebo informações da escola sobre o progresso do meu filho
2) A escola é valorizada pela comunidade
3) A escola dá importância à opinião dos pais
4) Notas dada pelos pais à:

Capacidade do diretor da
escola

Conhecimento da escola sobre
problemas do ensino

Qualidade dos profissionais
que atendem os alunos

Instalações físicas da escola
5) Na minha escola os alunos tem poucas chances de que alguém escute suas ideias
6) Na minha escola os alunos ajudam a decidir o que acontece na escola
7) Na minha escola os alunos tem chance para organizar o grêmio estudantil
8) Minha escola é um lugar agradável
9) Que nota você daria para a sua escola?
68
Merenda Escolar
Adriana Cristina de Oliveira
Graciette Perissinotto da Silva
Felipe Moraes Barros Eburneo
Maria Vitória Barros Sifuentes
1. Introdução
O movimento pela merenda escolar se iniciou em Nova York, em 1908, para
suplementar a dieta de crianças subnutridas (Stefanini, 1997). Segundo este mesmo
autor, no fim de 1938, quarenta e cinco estados americanos participavam da distribuição
da merenda escolar.
Desde a década de 30, diante da escolarização obrigatória, o Brasil vem
estabelecendo políticas sociais de enfrentamento da fome e desnutrição através da
criação de diversos programas federais, estaduais e municipais (Sobral & Costa, 2008).
Em 1940 foi criado o Serviço de Alimentação de Previdência Social (SAPS) o qual foi
sofrendo modificações ao longo dos anos, transformando-se, em 1955, no Programa
Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) (FNDE, 2011). Segundo esta mesma fonte, o
PNAE tem como objetivo atender as necessidades nutricionais dos alunos matriculados
na Pré-escola, Ensino Fundamental e Médio, por meio de pelo menos uma refeição
diária balanceada, contribuindo para o crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e
rendimento escolar dos estudantes, além de buscar reduzir a evasão escolar e criar bons
hábitos alimentares. Esse programa é coordenado atualmente pelo Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pela normatização,
monitoramento e fiscalização do programa e atende 45,6 milhões de estudantes da
educação básica e de jovens e adultos de todo o país (FNDE, 2011).
A merenda escolar visa fornecer de 15 a 30% das quantidades de diárias de
calorias e nutrientes recomendados, portanto, a escola se apresenta como um espaço de
promoção da saúde, através de hábitos alimentares mais saudáveis, além de
desenvolvimento psicoafetivo e aprendizagem (Costa, Ribeiro & Ribeiro, 2001).
As Unidades de Alimentação Coletiva, conhecidas como Cozinha Piloto, têm o
papel de fornecer um alimento equilibrado do ponto de vista nutritivo, e seguro do
ponto de vista higiênico-sanitário (Munhoz, 2007). A qualidade dos alimentos
oferecidos aos jovens e crianças beneficiadas é de grande importância, porque garante
69
alimentos com valor nutritivo adequado para cada faixa etária, com vitaminas e fibras
essenciais para o crescimento destes jovens. Sendo assim, o alimento comprado por
essas unidades tem de estar em bom estado, com verduras e legumes frescos e outros
itens básicos da dieta, como arroz e feijão, sempre de qualidade, para que a presença
destes componentes essenciais, como vitaminas e fibras, não seja prejudicada.
Convém ressaltar ainda que, para muitas crianças da rede pública, a merenda
escolar pode representar a única refeição diária.
Com base nessa importância social e alimentar da merenda escolar, tivemos como
objetivo nesse trabalho conhecer e avaliar: a) a dinâmica de preparação da merenda feita
pela Cozinha Piloto; b) a infra-estrutura relacionada; c) características do serviço e
rotinas de trabalho na cozinha; d) perfil e comportamento dos usuários da merenda; d)
aspectos relativos à educação alimentar.
2. O trabalho realizado: caminhos e descobertas sobre a preparação e o
consumo de alimentos
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. João Maria Araújo Júnior”,
como acontece com as demais escolas do município, a merenda servida aos alunos é
diariamente preparada em uma cozinha piloto, mantida pelo município. Por esta razão, o
nosso trabalho dividiu-se em duas etapas. Em uma delas, verificamos o que acontece na
escola Dr. João Maria, desde a chegada do alimento ao seu consumo, e na outra,
averiguamos as condições de produção da merenda na Central de Alimentos de
Botucatu,
conhecida
como
Cozinha
Piloto,
onde
investigamos
como
são
acondicionados, preparados e distribuídos os alimentos, bem como o que é considerado
na elaboração do cardápio semanal.
O primeiro passo deste levantamento, realizado na escola Dr. João Maria, foi
observar e registrar as condições gerais da cozinha e do refeitório da escola, quanto à
limpeza, organização, tamanho, utensílios e móveis. Além desses aspectos, observamos
também o comportamento de alunos e funcionários da cozinha durante o processo de
distribuição da merenda. Entrevistamos a merendeira da escola e aplicamos um
questionário (Anexo 3) aos alunos.
Conhecer o local onde é armazenada e distribuída a merenda é de extrema
importância, porque é neste momento que verificamos a higiene, a limpeza e as
condições nas quais esta comida chega até a comunidade escolar. Sendo assim,
70
observamos a cozinha da escola Dr. João Maria, levando em conta parâmetros como:
limpeza da cozinha, dos utensílios utilizados, maneira como a merenda é acondicionada
e distribuída para os alunos e também a limpeza do pátio, local onde os alunos fazem as
refeições.
As nossas observações indicaram que a cozinha é limpa e bem organizada, grande
e espaçosa, além de bem equipada com 2 geladeiras, 1 freezer, 1 fogões e 3 armários
amplos. Os talheres são de metal e os pratos são de vidro. Os alunos alimentam-se com
colheres, já que não há garfos nem facas, para evitar assim acidentes.
Para Dona Inês, merendeira responsável pela cozinha, o alimento que chega até a
escola é de boa qualidade e prático também, porque já vem pronto da cozinha piloto,
aquecido e em recipientes térmicos separados. A salada já vem pronta também,
acondicionada em sacos plásticos com verduras e legumes picados, faltando apenas
temperá-la. A entrevista realizada com a merendeira, cujo roteiro encontra-se no Anexo
1, revelou-nos os seguintes aspectos da rotina desenvolvida na escola:
“Logo que os alunos chegam à escola, por volta das sete da manhã, é
servido leite com pão ou biscoitos, que chegam à escola no dia
anterior. A merenda chega à escola por volta das oito horas da manhã
e é servida aos alunos às nove e meia.
Uma medida padrão foi adicionada na hora de servir a comida para
evitar o desperdício, uma escumadeira de aproximadamente trinta
centímetros de comprimento.
Na hora do recreio, os alunos esperam em fila para pegar a comida,
esta é distribuída em sequência, um funcionário coloca o arroz, outro
coloca o feijão e assim por diante, sempre respeitando a medida
padrão. Os alunos sentam-se nas mesas dispostas pelo pátio, porém
alguns comem em pé. Os restos de comida deixados pelos alunos são
colocados num galão, para posteriormente serem levados por uma
funcionária da escola para alimentar os porcos. Os pratos e talheres
são colocados numa mesa próxima e uma funcionária sempre recolhe
para serem lavados.
O processo de lavagem também é em sequência, uma funcionária lava
e outra enxágua. Os talheres são deixados de molho em bacia
contendo água quente e cloro e posteriormente lavados.
Depois que todos os alunos comeram a comida, o aluno que quiser
comer outra vez, pode. Este, então volta para o fim da fila para pegar a
comida novamente. Após o recreio, se sobrou merenda, os
funcionários podem comer.
O pátio da escola, após o recreio, fica totalmente sujo, com comida
espalhada pelas mesas e pelo chão.”
Para verificar se a merenda tem sido bem aceita, foi aplicado um questionário para
alunos de 6º, 7º, 8º e 9º anos (Anexo 3). Para alunos de cada ano foram aplicados 35
questionários, que resultaram em uma amostra de 140 alunos respondentes. Além de
71
verificar a aceitação da merenda por eles, com questões diretas e objetivas, aplicar o
questionário também teve por finalidade saber se havia quem levasse lanche de casa, do
que era composto, se havia frutas e/ou guloseimas.
Dos 140 alunos amostrados (Figura 1) verifica-se que a maioria consome merenda
(73,57 %). Com base nesse resultado, dividimos os alunos em dois grupos, sendo o
grupo I composto por alunos que consomem merenda e o grupo II o dos alunos que não
a consomem.
Os integrantes do grupo I foram 25 alunos do 6º ano, 28 do 7º ano, 27 do 8º ano e
23 do 9º ano, a maioria deles consome a merenda apenas uma vez na semana (39,80%).
Dos demais, 35,92% consomem-na três vezes na semana e 33,98% duas vezes. Esses
resultados mostram que mais da metade dos alunos comem a merenda mais de uma vez
na semana. Muitos destes relataram comer porque sentem fome e também porque a
comida é gostosa. Nossos resultados mostraram que dos 103 alunos que consomem
merenda 94% gostam dela.
A aparência da comida é uma coisa extremamente importante para todos nós, para
crianças e jovens em idade escolar isso não é diferente. Muitas vezes elas deixam de
comer por conta de uma aparência ruim.
N = 103
Figura 1: Relação entre alunos da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr.", que
ao se alimentar levam em conta ou não a aparência da comida.
O fato dos alunos comerem a merenda que lhes é oferecida pode ter uma grande
importância tanto social quanto nutricional. De um lado, porque para muitos a merenda
é a refeição mais importante do dia, não tendo outras refeições em casa e por outro,
porque os jovens e as crianças precisam contemplar as necessidades qualitativas e
quantitativas de nutrientes e vitaminas necessárias para essas fases do desenvolvimento.
Portanto, não basta saber apenas se os alunos estão comendo a merenda, mas também
72
porque eles a comem. É importante considerar se não tem almoço em casa, se não
comem antes de ir para a escola, se só comem porque não levam lanche para a escola ou
também se comem somente porque acham a comida gostosa e sentem vontade de
comer.
N = 103
Figura 2: Razões pelas quais alunos da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." consomem a
merenda escolar.
Para os alunos respondentes, a comida nutritiva é aquela que possui legumes e
verduras, para 79% destes alunos a merenda servida é nutritiva porque contêm verduras
e legumes presentes quase todos os dias.
Alunos do grupo I, que comem a merenda, 70% (72 alunos) não levam lanche
para a escola o que pode ser um dos fatores pelo qual eles comem a merenda (Figura 2).
N = 31
Figura 3: Número de dias/semana nos quais os alunos levam lanche para a escola.
Saber o que os alunos consomem na hora do recreio além da merenda é
importante, porque um dos objetivos do Projeto Merenda Escolar é diminuir o consumo
de guloseimas como balas e chicletes e estimular uma prática de alimentação saudável.
73
N = 103
Figura 4: Alimentos além da merenda, que alunos da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr."
relataram que consomem na escola.
Em nossa análise vimos que 52,42% dos alunos comem antes de ir para a escola.
Considerando os dados obtidos anteriormente, podemos concluir que os alunos
comem a merenda devido aos seguintes fatores: a) sentem fome (37,86%); b) porque
não comem antes de ir para a escola (52% comem); c) porque gostam da merenda
(94%); d) não levam lanche (70%). Todos esses fatores contribuem para que os alunos
comam a merenda.
Neste momento vamos abordar os dados do grupo II, no qual 26,43% dos alunos
não comem a merenda. Sendo 10 do 6º ano, 7 do 7º ano, 8 do 8º ano e 12 do 9º ano.
Para tentar entender o porquê desses alunos não comerem a merenda, as mesmas
questões do grupo anterior foram analisadas, exceto aquelas que eram exclusivas para
quem comia a merenda como, por exemplo, quantas vezes na semana o aluno comia a
merenda.
Como abordado anteriormente (Figura 1), a aparência da comida é importante
porque pode influenciar na escolha dos alunos em come-la ou não. Dos alunos que não
comem a merenda, 62,16% leva em conta a aparência da mesma antes de come-la.
N = 37
Figura 5: A aparência é importante para a maioria dos alunos, exceto
para alunos do 6º e 9º ano, que a diferença entre eles não foi tão
acentuada.
74
Também foi feita a relação dos alunos que acham que a merenda é nutritiva,com
base na presença de verduras e legumes, na qual 75,67% dos alunos acreditam que a
merenda seja nutritiva e contribui para o crescimento.
Saber se esses alunos levam lanche para a escola é interessante, pois este pode ser
um dos motivos pelo qual eles não comem a merenda. Dos 37 alunos que não comem a
merenda, 56,75% levam lanche para a escola, dos quais, levam em média dois dias na
semana.
A Figura 6 traz a relação do tipo de lanche que os alunos costumam consumir na
hora do recreio, podendo-se verificar o predomínio do consumo de balas e chicletes por
alunos do 8º e 9º ano.
N =37
Figura 6: Total de alunos que consomem alimentos além da merenda.
Por fim, nossos resultados mostraram que 75,67% dos alunos do Grupo II comem
em casa antes de ir para a escola.
Considerando os resultados obtidos dos alunos do Grupo II, podemos considerar
que eles não comem a merenda porque saem de casa alimentados (75,67%), levam
lanche (56,75%) ou não gostam da aparência da merenda, já que estes alunos costumam
levar em conta essa característica dos pratos de comida, na hora de consumir a merenda
(62,16%). O fato de 62,16% dos alunos do Grupo II levar em conta a aparência da
comida é importante, porque se a comida não tiver uma boa aparência, eles podem optar
por não comê-la, por achar que não é gostosa, por exemplo.
75
3. A Cozinha Piloto: Dedicação e qualidade de serviço
Localizada no Setor Oeste da cidade de Botucatu, a Cozinha Piloto existe desde
1989 e é responsável pela produção da merenda escolar que é distribuída as escolas da
rede pública da cidade. Conta com um espaço amplo, dividido em setores: secretaria,
padaria, almoxarifado e cozinha.
A nutricionista Meire Gea é a responsável pela elaboração do cardápio semanal,
inspecionar o funcionamento da cozinha, bem como orientar os funcionários quanto à
produção da merenda e compra dos alimentos.
De acordo com a nutricionista Meire Gea:
“Muitas coisas mudaram na merenda escolar nos últimos anos. Houve
uma melhoria na qualidade e diversidade das refeições, sempre se
preocupando com o aspecto nutricional e social. O prato servido nas
escolas e creches é muitas vezes a principal refeição de algumas
crianças.”
A entrevista realizada com a nutricionista, cujo roteiro encontra-se no Anexo 2,
revelou-nos os seguintes aspectos da rotina desenvolvida na cozinha piloto:
“A Cozinha Piloto conta com 58 funcionários, que atuam com serviço
braçal, auxiliar de serviços gerais, motoristas, gestão e cozinheiros.
São eles os responsáveis pela produção de mais de dois mil litros de
merenda por dia. Na padaria são produzidos 22 mil pães por dia. São
feitos, em média 500 Kg de arroz e 300 Kg de feijão por dia. Grande
parte dos recursos vem do Governo Federal, R$ 3.201.000,00 são
destinados anualmente para a merenda escolar. Essa verba chega até a
prefeitura de Botucatu, passa pela Secretaria da Educação e é
destinada a Cozinha Piloto, onde a Nutricionista Meire, juntamente
com o corpo administrativo, realiza a compra dos alimentos
necessários, prezando sempre a compra de alimentos de qualidade.
Quando os alimentos comprados chegam até a Cozinha, são estocados
em pallets de madeira ou prateleiras e em geladeiras ou freezers, como
no caso das carnes e frios.
São atendidas diariamente, 36 escolas, 28 creches, 29 pré-escolas, da
rede pública de ensino, além de diversos projetos sociais.
O cardápio oferecido aos alunos conta com 16 diferentes refeições,
distribuídas mensalmente, cada semana possui um cardápio próprio
(Anexo 4). A elaboração do cardápio é feita pela nutricionista Meire, a
qual leva em conta o valor nutricional dos alimentos, sendo igual para
todas as escolas que recebem a merenda.
Todas as refeições contam com verduras e legumes, que são
comprados dos produtores rurais do município por Chamada Pública.
A Chamada Pública é um método de compra que visa à participação
dos produtores da região, na qual é divulgada na imprensa (sites ou
jornais locais) a lista de alimentos necessários para a Cozinha Piloto,
posteriormente é feita uma cotação dos alimentos necessários antes de
serem comprados.
76
Primeiramente atende ao município e quando este não possui a cota
necessária de alimentos, é divulgada então a lista a nível estadual e
depois federal. Se acaso não houver o alimento disponível, então é
feita a compra por licitação.
Frutas nem sempre estão presentes nas refeições pela falta de
produtores na região de Botucatu.
Outros alimentos, como arroz, feijão, macarrão, são comprados por
licitação. A licitação é um método de compra que os interessados, no
caso são empresas especializadas na venda de determinado produto,
dão seus lances após divulgação dos produtos solicitados pela Cozinha
Piloto nos sites apropriados para licitações.
A comida é preparada dependendo do período escolar. A primeira
refeição é preparada às 3 horas da manhã, sai às 7 horas da cozinha
para ser servida a partir das 9 horas nas escolas. Já a segunda refeição
é preparada às 09h30min horas da manhã, saindo às 12h30min horas
para ser servida a partir das 14 horas nas escolas. A merenda sai da
Cozinha em furgões, acondicionadas em recipientes térmicos (cubas)
e as saladas (já cortadas) em sacos plásticos.
Para precaução, sempre uma cuba de merenda é separada e deixada na
Cozinha, caso falte merenda em alguma escola. Se essa não for
utilizada, ela é misturada na próxima refeição.
Antigamente, a Cozinha Piloto recolhia os restos de comida
produzidos nas escolas. Esses restos eram destinados a produção de
adubo pela Secretaria da Agricultura. Porém, a quantidade de restos
passou a ser tamanha, que a Secretaria não estava mais dando conta
para a produção de adubos, ficando alguns restos de comida na
Cozinha Piloto. O acúmulo destes passou a atrair moscas para a
Cozinha, que decidiu parar de recolhê-los das escolas, por motivos de
higiene e limpeza.”
A cozinha piloto, que atende diariamente crianças e jovens da rede pública de
Botucatu, preza pela saúde dos beneficiados, oferecendo-lhes refeições nutritivas, que
primam pela qualidade dos alimentos que são oferecidos à população. É um exemplo de
dedicação com qualidade de serviço.
A partir dos dados apresentados, desde o momento em que a comida é preparada
até a hora da refeição dos alunos, podemos observar que a merenda é bem cuidada. Os
dados indicam também que, de maneira geral, é bem aceita pela comunidade escolar da
escola Dr. João Maria.
Também é importante ressaltar que a merenda oferece o suprimento nutricional
adequado, visto que contem quantidades que atendem as necessidades diárias de
adolescentes da faixa etária dos alunos. Esse é um dos cuidados que a nutricionista
Meire Gea tem para com a população beneficiada.
77
4. Anexos
78
79
Anexo 4: Cardápio semanal elaborado pela nutricionista Meire Gea
80
81
82
Ensino de Ciências
Bruna Rossi
Janete Andrade
Lucas Denadai de Campos
Sâmia Mouallem
1. Contexto Atual do Ensino de Ciências
O Ensino de Ciências assim como a educação pública em geral, atravessa um
momento de dificuldades, principalmente nos aspectos relativos à formação de
professores, gestão escolar e baixos investimentos governamentais em recursos
humanos e materiais. A preocupação com a qualidade da educação científica não é
exclusiva do Brasil, considerando que em muitos países a maioria da população não
recebe formação científica e tecnológica adequadas, tendo como resultado o aumento
das desigualdades sociais e o atraso de países no mundo globalizado (UNESCO, 2009).
O Brasil, apesar de notáveis progressos registrados em diversos setores, sofre
com a grande desigualdade social, que tende a se manter enquanto a qualidade do
sistema educacional continuar nos baixos níveis em que se encontra.
São múltiplos os problemas encontrados no sistema educacional em nosso país,
como falta de professores qualificados, desvalorização da profissão, salários baixos, alto
índice de faltas no trabalho, investimentos insuficientes para construir escolas,
condições materiais inadequadas, insuficiência de laboratórios e bibliotecas nos
estabelecimentos de ensino, interesses políticos que se sobrepõem às necessidades da
educação (Hamburger, 2007). É pertinente ressaltar que além das dificuldades
estruturais e daquelas comuns à profissão existem outras também, de cunho individual,
relacionadas à metodologia aplicada em sala de aula e ao planejamento das atividades.
Em se tratando do Ensino de Ciências, este aspecto merece muita atenção, porque pode
implicar em aulas de nenhum significado para os alunos, que deixam de se interessar
pelas matérias científicas. As ciências podem e devem ser ensinadas baseadas na
investigação cientifica, desde as primeiras séries escolares, uma vez que esta prática
facilita a atribuição de significados a partir das demonstrações, enquanto a metodologia
descritiva depende da capacidade de abstração do educando. Há necessidade de o
sistema educacional superar a tradição livresca e a educação bancária e apostar em uma
educação científica emancipatória que ultrapasse as barreiras entre sujeito dominado e
83
dominador (Freire, 1970). Deve-se buscar um ensino abrangente que estimule diversos
tipos de leitura, inclua artes e, que, acima de tudo, propicie o desenvolvimento do
espírito investigativo dos alunos e explore demonstrações de fenômenos físicos,
químicos e biológicos a partir dos elementos cotidiano.
Diante desse contexto teve-se, com o presente trabalho, o objetivo de
caracterizar o Ensino de Ciências na escola Municipal Dr. João Maria de Araújo Jr, a
partir da compreensão de “como se dá” o Ensino de Ciências nessa escola, considerando
elementos como: preferências dos alunos, material disponibilizado, metodologia
utilizada pelos docentes e defasagens de recursos materiais e humanos. Com isso,
pretende-se usar o conhecimento adquirido para adequar estratégias e recursos a serem
utilizados pelos estudantes da quadragésima quarta Turma das Ciências Biológicas
Licenciatura, da UNESP, Botucatu, nas suas aulas de regência.
2. Professores, Alunos e a Realidade Escolar
Para obter as informações com a finalidade de conhecer professores, alunos e a
realidade do ensino de Ciências na Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, foi
necessário buscar as diferentes visões que têm os envolvidos com esse ensino, conhecer
o que pensam alunos, professores e coordenadora pedagógica.
Foram realizadas entrevistas com a coordenadora pedagógica e com as quatro
professoras de Ciências da escola, usando um roteiro pré-estabelecido (Anexo 1).
Procuramos conhecer desde a disponibilidade, forma e frequência de uso de materiais
didáticos e destinados às experimentações dos alunos, até aspectos pedagógicos e
preparações das aulas.
Aos alunos aplicamos um questionário (Anexo 2), que foi respondido por 111
alunos de cinco turmas diferentes, cada uma pertencente a um ano (6°, 7°, 8° e 9°ano).
Uma turma a mais de 6° ano foi incluída, por ser a única a ter aula com uma professora
diferente. O objetivo deste levantamento foi o de saber o que o estudante pensa sobre a
importância aprender Ciências e qual sua relação com o professor.
A Escola conta com três biólogas, que são professoras efetivas de Ciências e uma
pedagoga substituta, que trabalham com as turmas de alunos indicadas na tabela 1.
84
Tabela 1 - Relação de professores de Ciências da Escola
Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu,
SP. e respectivas séries nas quais ministram aulas de
Ciências como efetivo (*) ou atuam como substituto (**)
Como se pode observar na tabela 1, as professoras efetivas (I a III) possuem
habilitação específica para o ensino de Ciências no fundamental II (6° ao 9° ano), sendo
as duas primeiras pós-graduadas, com títulos de doutorado e mestrado, respectivamente.
No entanto, a professora IV (substituta), apesar de ter ensino superior, é graduada em
área não específica para o ensino de Ciências. Trata-se de uma pedagoga, graduada
pelas Faculdades Integradas de Botucatu (UNIFAC), Pós-graduada em Psicopedagogia
e atualmente realiza outra pós-graduação, em Neuropsicopedagogia. Em entrevista ela
nos disse que já era professora desses mesmos alunos durante o período em que
cursaram o ensino fundamental I, e que como a escola estava precisando de um
85
professor de Ciências no ensino fundamental II ela aceitou continuar com esses alunos
para dar aulas de Ciências em substituição aos professores específicos que se
ausentassem.
Todas as professoras de Ciências lecionam na E.M.E.F. “Dr. João Maria de
Araújo Jr.” há mais de um ano (Tabela 2).
Tabela 2 – Relação de escolas em que lecionam e respectivos tempos de atuação das
professoras efetivas e substituta de Ciências, da Escola Municipal “Dr. João Maria de
Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Tempo de docência/escola
Professor
Escola Municipal João Maria
Outras Escolas
I
1 ano
-
II
8 anos
19 anos nos Estado
III
15 anos
32 anos na Prefeitura
IV
1 ano e meio
9 anos
Acreditamos que seja possível estabelecer relação entre a qualidade do ensino de
ciências e a carga horária do professor (Tabela 3), considerando que mais tempo em sala
de aula implica em falta de tempo para estudo, preparação das aulas, organização de
materiais para experimentação e correção cuidadosa de trabalhos dos alunos, maneira
esta de auxiliá-los individualmente. Um professor que compromete mais de 20h
semanais com aulas, não terá tempo suficiente para as atividades de planejamento de
aulas, correção de trabalhos, além de ficar mais propenso a esgotamento físico e mental.
Os conteúdos que cada professora leciona seguem o currículo oficial que é
sugerido pelas apostilas ou livros didáticos utilizados em sala de aula (Tabela 4),
produzidos, respectivamente pela Editora NAME/COC e Sangari Brasil. Estas editoras
possuem contrato com a Prefeitura Municipal de Botucatu para produzir, além do
material impresso, todos aqueles usados para realizar as experimentações. Além disso,
existem os livros didáticos enviados pelo MEC, através do Programa Nacional do Livro
Didático (PNLD).
86
Tabela 3 – Relação do número total de aulas das professoras efetivas e substituta de
Ciências da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Total de aulas/escola
Professor
Escola Municipal
"Dr. João Maria"
Educação de Jovens e
Adultos (EJA)
Outras Escolas
I
24
-
6
II
8
Algumas
25
III
15
24
-
IV
3
-
-
Tabela 4 – Conteúdos lecionados pelas professoras efetivas e substituta de Ciências para os
alunos de 6° a 9° ano da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP
Conteúdo / Ano escolar
Professor
6°s anos
7°s anos
8°s anos
9°s anos
I
Astronomia e
Geologia
-
Seres vivos
-
-
-
Corpo Humano
-
Astronomia e
Geologia
-
Corpo Humano
-
Física e Química
-
II
III
IV
Além dos materiais didáticos Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino
(NAME) e Sangari, a E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” dispõe de outros meios
para auxiliar o professor a desenvolver o Ensino de Ciências (Tabela 5). Como se pode
verificar, cada professora tem preferências diferentes pelos materiais disponibilizados
pela escola.
Nas apostilas da empresa NAME/COC, existe o conteúdo que os alunos devem
aprender e faz parte do currículo oficial, bem como exercícios para fixação. Todas as
professoras dizem usar, porque é um material contratado pela Prefeitura de Botucatu.
O material da Empresa Sangari é bem avaliado pelas professoras de Ciências da
escola, bem como pelos alunos, porque propõe experimentações a cada aula. Uma delas
comentou que: “Os alunos preferem as atividades a ficar copiando da lousa. Porém,
“como não foi renovado o contrato com a empresa responsável (Sangari) pela reposição
de materiais utilizados nas práticas, as professoras tem diminuído o número desse tipo
87
de aula. No entanto, esse problema poderia ser facilmente resolvido porque diversos
materiais podem ser encontrados em supermercados ou na casa de alunos.
A Experimentoteca foi idealizada e produzida pela Universidade de São Paulo
(USP) de São Carlos, é um laboratório de Ciências que tem o objetivo de racionalizar o
uso dos equipamentos e materiais de experimentação. Ela é constituída por 74 caixas, as
quais possuem todo o material necessário para realizar as experimentações propostas,
além dos guias e roteiros para alunos e professores. Esse material foi comprado pela
prefeitura de Botucatu para algumas escolas da rede municipal, das quais a E.M.E.F.
“Dr. João Maria de Araújo Jr.” faz parte. As professoras dizem que a realização das
atividades propostas por esse material, requer um tempo superior ao das aulas, além
disso, até levarem os alunos na sala em que se encontra o material, e começar a aula,
perderiam mais tempo ainda. Segundo elas, “Em uma aula de apenas 50 minutos é
inviável realizar atividades da Experimentoteca”.
Algumas das professoras usam de outras estratégias para trabalhar os assuntos em
sala de aula. A professora I, por exemplo, costuma levar notícias relacionadas às
Ciências provenientes de revistas, textos da internet e jornais, sempre respeitando o
currículo. Segundo ela, tal atividade tem dado frutos, e mesma gostaria de propor um
projeto para os 6°s anos intitulado de “Mural de Ciências".
Tabela 5 – Materiais didáticos e meios de lecionar aulas de Ciências utilizados pelas
professoras efetivas e substituta de Ciências da Escola Municipal “Dr. João Maria de
Araújo Jr.”, Botucatu, SP
Material didático utilizado
Professor
Material
Sangari
Apostilas
NAME/COC
Livros
Didáticos
I


-
II



III


IV


Dispositivos
Multimídia

Experimentoteca
(USP)
-
Pouco
-
-
-
-


-
Assim, os alunos teriam a oportunidade de produzir cartazes com conteúdos atuais
de Ciências de forma a chamar a atenção de todos da escola possam ver. Ela apresentou
também um projeto para levar os alunos do 6° ano para uma viajem até a cidade de São
88
Paulo, para conhecer o observatório. Entretanto, o número de alunos teria que ser
reduzido (turmas de 6° ano têm aproximadamente 30 alunos), uma vez que, em saídas
como essa, para cada 10 alunos é preciso que tenha um professor acompanhando, por
este motivo e viajem não ocorreu.
As professoras III e IV também costumam usar outros métodos para ensinar seus
alunos, usando alguns textos extras e vídeos. A professora IV também gostaria de usar a
sala de informática da escola, mas que, infelizmente, encontra-se desativada no
momento.
Já a professora II diz raramente utiliza outros recursos, pois seu tempo é curto,
mas, às vezes, utiliza algum vídeo ou texto. “Ou preparo a aula ou dou atenção para os
filhos.”- disse a professora II, que ministra 33 aulas semanais (Tabela III).
Outro aspecto que as professoras levantaram foi o modo como avaliam o
desempenho dos seus alunos (Tabela 6), que, em geral, lança mão de diversos
instrumentos, tendendo assim a retratar melhor a situação de cada aluno.
Tabela 6 – Meios de avaliação utilizados pelas professoras efetivas e substituta de Ciências
da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP
Meios de avaliação de aluno
Professor
Prova
Trabalho/Pesquisa
Relatório
Participação
I



II


-

III


-

IV


-

-
De uma maneira geral, as professoras também falaram de problemas que
dificultam a aprendizagem de seus alunos. Um desses foi a falta de interesse e
comprometimento de alguns deles, que afeta os colegas da mesma sala que estão
interessados na aula do professor. Outro problema apontado pelas professoras é que os
alunos não têm os fundamentos de português e matemática necessárias ao fundamental
II. Os alunos apresentam alguns problemas de escrita, leitura, interpretação e também
dificuldades com equações básicas de matemática.
Segundo as professoras de Ciências, alguns assuntos exigem um pouco mais de
imaginação do que outros e que para elas alguns alunos não conseguem imaginar
89
assuntos como microrganismos, células e sobre os planetas. Porém, desde que o
microscópio
é
instrumento
corriqueiro
nas
ciências
biológicas,
células
e
microrganismos podem ser observados e não imaginados. Além disso, a escola dispõe
de microscópios que fazem parte da Experimentoteca, portanto, não há razão para que
esses sejam assuntos apenas para uso imaginação. A elaboração de modelos, com
recursos para entendimento de aumentos utilizados, também pode favorecer a
aprendizagem.
As professoras também acham que 50 minutos de aula não são suficientes para
concluir um assunto com os seus alunos e por isso também é muito difícil de realizar
aulas práticas, pois necessitam de mais tempo de preparação e execução. Se fosse
possível também, algumas delas gostariam de um auxiliar de aulas práticas, assim a
questão “tempo” seria mais bem administrada. Esta é uma situação comum e que
precisa ser considerada com mais atenção. Quando se é capaz de definir os conceitos e
ideias fundamentais, evitando informações dispensáveis que podem ser obtidas em
livros e internet, e se prepara bem para conduz experimentos e aulas de diversas
naturezas com precisão e clareza, o tempo deixa de ser empecilho.
A partir de todos os dados obtidos com as professoras e cordenadora da E.M.E.F.
“Dr. João Maria de Araújo Jr.”, também buscamos informações com os alunos do
ensino fundamental II envolvidos com o Ensino de Ciências de 6° a 9° anos dessa
escola, sobre o ensino de Ciências.
Dos 111 alunos respondentes, 48 alunos que fazem parte de duas turmas de 6°
ano, 21 alunos fazem parte de uma turma de 7° ano, 23 alunos fazem parte de uma
turma de 8° ano e 19 alunos fazem parte de uma turma de 9° ano.
Desses alunos que responderam os questionários, 91,9% disseram que gostam de
estudar, 89,2% gostam da matéria de Ciências e 95,5% acham importante estudar
Ciências (Figura 1). Entre os alunos que disseram gostar de Ciências, muitos (Tabela 7)
se identificam com os professores, outros são curiosos sobre o corpo humano e o meio
ambiente (Figura 2), que mostram razões de gostarem da disciplina, já que são assuntos
do dia-a-dia deles, e que podem ver sobre eles em vários meios de comunicação como,
jornais, revistas, internet e muito pela televisão. Dos alunos que dizem que é importante
estudar Ciências, 30,43% demonstraram grande preocupação com o seu futuro,
relacionando o estudo a melhores oportunidades. Estes alunos acham importante
também conhecer o meio em que vivem e as relações entre os seres.
90
Figura 1 - Assuntos de Ciências sobre os quais alunos de duas turmas de 6°,
uma de 7°, uma de 8° e uma de 9° anos da Escola Municipal “Dr. João Maria
de Araújo Jr.”, Botucatu, SP gostam de aprender
Tabela 7 – Natureza do relacionamento dos alunos de duas turmas de 6°, uma de 7°, uma de 8° e
uma de 9° anos com as professoras de Ciências, efetivas e substituta, da Escola Municipal “Dr. João
Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP
Natureza do relacionamento com o professor
Ano escolar
Muito Bom
Bom
Regular
Ruim
Péssimo
6° ano A
96%
4%
-
-
-
6° ano C
68%
27%
5%
-
-
7° ano
62%
19%
9%
5%
5%
8° ano
9%
39%
31%
4%
17%
9° ano
27%
63%
5%
5%
-
91
Figura 2 - Assuntos de Ciências que gostariam de aprender os alunos de
duas turmas de 6°, uma de 7°, uma de 8° e uma de 9° anos da Escola
Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP
Vale a pena ressaltar, que os alunos mais novos de 6°s e 7°s anos mostraram ter
um melhor relacionamento com as professoras do que os alunos mais velhos, de 8°s e
9°s anos (Tabela 7). Nessa faixa de idade dos mais velhos, os alunos estão passando por
um período crítico do desenvolvimento, que pode dificultar o relacionamento.
Em relação ao comportamento em sala de aula, muitos alunos reclamaram da
indisciplina de alguns colegas e disseram que isso poderia ser melhorado, para favorecer
a atenção às aulas e consequentemente a aprendizagem (Figura 3).
Outro item bastante citado pelos alunos foi em relação as aulas práticas, porque é
o momento em que eles participam ativamente. Porém, aulas práticas são raras devido a
alguns motivos como, por exemplo, a falta de materiais e pouco tempo disponível. As
aulas práticas fazem parte, principalmente, da proposta Sangari, mas como atualmente
não está sendo utilizado, o ensino de Ciências perde muito de suas possibilidades, já que
a experimentação é essencial, e que como aparece na figura 3 é uma fator que os alunos
gostariam que melhorasse.
92
Figura 3 – O que poderia ser melhorado nas aulas de Ciências segundo
duas turmas de 6°, uma de 7°, uma de 8° e uma de 9° anos da Escola
Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
3. Considerações finais
Diante das informações encontradas a partir das entrevistas, observações pessoais
do grupo e informações obtidas nos “bastidores” do trabalho de campo, evidencia-se a
necessidade de realizar atividades práticas, como o uso do material da empresa Sangari,
uma vez que esse material possui alternativas de reposição, além da alta aceitação pelos
alunos e viabilidade de uso em um tempo reduzido de aula (50 minutos).
Também o uso da Experimentoteca poderia acontecer se houvesse um empenho
mínimo aos professores. Uma alternativa poderia ser a abertura de projetos de estágio
para alunos de graduação, ou projetos de tutoria entre os alunos, nos quais os mais
velhos auxiliariam os professores com os mais novos.
Com relação à ênfase que as professoras deram ao tempo reduzido de aula, além
de mais atenção à seleção de conteúdos, como já apresentado, poder-se-ia elaborar
tabela de horário das aulas com pelo menos duas aulas em sequência, como acontece em
muitas escolas.
A partir dos dados obtidos nesta parte da pesquisa fica clara a necessidade de se
repensar conceitos, reavaliar posturas, e reconsiderar métodos. Enquanto estagiários
veremos apenas a ponta do iceberg da rotina escolar e disporemos de um tempo muito
reduzido para ver mudanças acontecerem de fato, contudo, isso não nos exime da
responsabilidade de deixar o fruto do nosso estágio de docência disponibilizado como
93
ideias, projetos, críticas e sugestões, afinal a luta pela melhor qualidade da educação se
inicia nas atitudes cotidianas.
4. Anexos
Anexo 1 - Roteiro de Entrevistas destinadas à Coordenadora pedagógica e Professores de
Ciências da E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.”
94
Anexo 2 – Roteiro de Entrevistas destinadas à Coordenadora pedagógica e Professores de
Ciências da E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.”
95
Anexo 3 – Questionário destinado a alunos de 6° a 9° ano da E.M.E.F. “Dr. João Maria de
Araújo Jr.”
96
Avaliação das Apostilas NAME
Danielle Casonato
Ellen Cristina Souza de Oliveira
Vanessa Rafaela de Carvalho
1. Introdução
As apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME) foram
elaboradas pela empresa Editora do Curso Osvaldo Cruz (COC). Esta editora tem como
proposta
levar
educação
de
qualidade
às
escolas
da
rede
pública
(internas.netname.com.br/name/name.asp), através de apostilas padronizadas para todas
as escolas da rede pública, atingindo assim um novo mercado consumidor, representado
pelo Município, que oferece o material a alunos que vão desde a Educação Infantil até o
9º ano do Ciclo II do Ensino Fundamental.
O material didático NAME é composto por apostilas que, ao longo do ano,
cobrem conteúdos bimestrais, para alunos e professores. Faz parte também desse
material um portal na internet que contem todos os conteúdos das apostilas e pode ser
acessado pelos professores, que possuem login e senha personalizados. Existe ainda
uma equipe de apoio pedagógico, que realiza visitas às Unidades Escolares
bimestralmente, a fim de avaliar a utilização da apostila, e oferece encontros anuais com
os gestores e teleaulas para os professores, além de curso de especialização à distância
para professores e coordenadores da rede, com duração de 2,5 anos, por meio do portal
UNISEB interativo.
O NAME está presente em 80 cidades do Estado de São Paulo, atendendo cerca
de 150 mil alunos das redes municipais (internas.netname.com.br/name/HSNAME/quadro:institucional). O que despertou o interesse da Secretaria de Educação de
Botucatu por esse material foi a praticidade e a possibilidade de proporcionar a todos os
estudantes um aprendizado de maior qualidade (www.educatu.com.br/portal/index.php).
O material está sendo utilizado desde 2010 na rede municipal, segundo informações
obtidas junto a Prefeitura Municipal de Botucatu, e neste ano de 2012 atingiu também a
Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Considerando que essas apostilas estão presentes na Escola Municipal “Dr. João
Maria de Araújo Jr.” e é material utilizado por professores, o nosso objetivo com este
97
trabalho, foi o de analisar os conteúdos relativos ao Ensino de Ciências, direcionados
aos alunos do nível Fundamental II, que vai do 6º ao 9º ano. Avaliamos a correção das
informações e conceitos científicos, adequação das propostas aos respectivos anos,
conforme orientação dos PCNs (Brasil, 1998), qualidade e adequação dos textos,
gráficos, diagramas, imagens e exercícios propostos. Ao final, de posse desses
resultados e considerando os objetivos do Município para a implantação da proposta
NAME, confrontamos com os resultados do IDEB, IDESP e SARESP, para avaliar se
os resultados obtidos valeram o investimento feito.
2. Desenvolvimento do trabalho
Para análise das apostilas, disponibilizada pela Profª. Jaqueline A. Barea Cantão,
coordenadora da EMEF. “Dr. João Maria Araújo Jr.”, foi necessário fazer uma
minuciosa leitura de cada uma delas, o que incluiu as apostilas do professor, que contêm
o conteúdo das apostilas dos alunos. Também utilizamos o site do NAME
(www.netname.com.br) onde elas estão disponíveis, e elaboramos dois questionários
sendo um deles destinado às quatro professoras de Ciências da EMEF. “Dr. João Maria
Araújo Jr.” e o outro a 38 alunos de dois 9ºs anos. Estes alunos foram sugeridos pela
coordenadora, que levou em conta o fato de serem eles os que fizeram uso por mais
tempo das apostilas NAME, adotadas na Rede de Ensino Municipal quando essa turma
estava no 7º ano, em 2010. Para a elaboração das questões contamos com o auxílio de
alguns de nossos colegas do Estágio Supervisionado I (Ciências).
Os alunos respondentes foram acompanhados de uma licenciada, que orientou a
atividade de, aproximadamente, dez minutos.
3. Dados obtidos e considerações
As apostilas do professor para cada ano de ensino (Tabelas 1 a 4) apresentam um
objetivo geral sobre o que se pretende para o ensino de ciências do respectivo ano, que
está ajustado às orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), e oferecem
propostas de ensino de acordo com os temas abordados em cada apostila. Dessa forma,
favorece o trabalho do professor, ajudando-o a orientar os alunos para as observações
dos fenômenos de maneira a poderem formular questões e buscar por respostas para
elas, bem como expressar dúvidas. O material traz indicações de como o aluno deve
98
organizar a sequência de informações obtidas, e indicam os pontos de relação com
outros temas já desenvolvidos, acrescentando novas informações, novos conceitos. O
professor deve também acompanhar o desenvolvimento dos alunos quanto ao
aprendizado dos conteúdos já abordados, a fim de favorecer o aprendizado de novos
conteúdos.
Dos objetivos, destacamos aquele que se refere a desenvolver nos alunos a
capacidade de formular questões e explicações, realizar observação crítica dos fatos,
isto é, não ser um mero espectador, que acata opiniões sem questionamentos, mas de ser
capaz de tirar suas próprias conclusões a respeito do que foi constatado. Contudo,
acreditamos que a forma como o conteúdo é tratado não permite que todos esses
objetivos sejam atingidos, e uma evidência disso é que de acordo com as avaliações da
Prova Brasil e SARESP os índices de rendimento dos alunos apresentou queda
significativa após a implantação da proposta NAME (ver Rendimento Escolar).
Verificamos que os temas tratados nas apostilas de cada ano (Tabelas 1 a 4) estão
de acordo com as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1998), no
que se refere à abrangência e aprofundamento, porém, quanto às formas de
desenvolvimento, que permitiriam alcançar os objetivos propostos, consideramos que
não atendem às orientações dos PCN, pois não oferecem condições para que os alunos
vivenciem o método científico permitindo que os mesmos observem, levantem
hipóteses e possam testá-las trabalhando de forma a redescobrir conhecimentos.
99
Tabela 1: Conteúdo de Ciências na apostilas do Núcleo
de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), do 6º
ano do Ensino Fundamental.
Tabela 2 - Conteúdo de Ciências na apostilas do Núcleo
de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), do 7º
ano do Ensino Fundamental.
100
Tabela 3: Conteúdo de Ciências na apostilas do
Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino
(NAME), do 8º ano do Ensino Fundamental.
Tabela 4: Conteúdo de Ciências na apostilas do
Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino
(NAME), do 8º ano do Ensino Fundamental.
101
O tempo, em termos de número de aulas necessário para concluir todo o conteúdo,
também é organizado segundo uma tabela apresentada na primeira página da apostila do
professor, o mesmo sendo feito a cada bimestre.
Os alunos podem levar suas apostilas para casa, o que permite estudo e resolução
de exercícios, porém, uma vez que o material cedido à escola não é reposto os
estudantes precisam ser cuidadosos e responsáveis por mantê-las em bom estado.
Analisando as imagens existentes nas apostilas NAME, que são ricamente
ilustradas e coloridas, verificamos que todas as imagens são acompanhadas de título
(figuras 1 e 2), porém existem alguns diagramas e gráficos que não são autoexplicativos
como podemos observar na figura 3, na qual há um diagrama para explicar como
funciona o metabolismo, mas alguns pontos não são abordados de forma explícita, o que
pode prejudicar a interpretação do aluno em relação ao conceito tratado. Apesar da
capacidade de mobilização que as imagens têm, sozinhas elas não levam,
obrigatoriamente, à compreensão de um conceito (Carneiro 1997), portanto, sem uma
legenda autoexplicativa, mais difícil será compreendê-la. De qualquer forma, cabe ao
professor auxiliar seus alunos a interpretar as imagens, que nem sempre são
transparentes. Segundo Silva, H. C. et al. (2006) ao se trabalhar com imagens no Ensino
de Ciência é importante também levar em consideração os aspectos culturais e
históricos de nossa relação com as imagens, o que possibilita que os alunos se
relacionem com elas, e percebam, entre outros aspectos, os elementos constitutivos da
imagem em questão.
Figura 1- Ilustrações existentes na apostilas do Núcleo de Apoio à
Municipalização do Ensino (NAME), 6º ano, 1º bimestre, página C3, com os
respectivos títulos.
102
Figura 2- Ilustração existente na apostilas do Núcleo de Apoio à
Municipalização do Ensino (NAME), 7º ano, 1º bimestre, página C24
os respectivos título e legendas.
Quais? Como?
Como?
Figura 34- Ilustração de conteúdo de Ciências na apostilas
do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME),
ano1º- bimestre,
1º bimestre
- pág.
C10 (Essa figura não foi
do 7º7ºano,
página
C10.
chamada no texto)
Através das análises realizadas nas apostilas constatou-se ainda que faltam
referências a outros materiais didáticos, que possibilitem complementação dos temas
abordados, o que poderia enriquecer o trabalho do professor e dos alunos ao longo das
aulas. Poderia ser uma maneira da apostila não funcionar como meio exclusivo, de certa
forma cerceando essas aberturas que poderiam despertar novos interesses e
103
questionamentos, estimulando alunos e professores a novas investigações e explicações
mais contextualizadas.
Também se observou que em cada apostila do aluno há resumo de todo o
conteúdo dela ao final dos assuntos, permitindo que ele faça revisão dos conteúdos
trabalhados, do primeiro ao último capítulo.
Nas apostilas do professor, ao início de cada matéria e, às vezes, em meio ao
desenvolvimento do conteúdo, há orientações de como ele deve ser conduzido, trazendo
conceitos importantes, fornecendo exemplos e informações (ver texto a seguir da
apostila do 8º ano, 4º bimestre, página C6-C7), direcionando como as aulas devem ser
dadas e quais assuntos devem ser mais aprofundados.
Trecho da apostilas do Núcleo de Apoio à
Municipalização do Ensino (NAME), 8º ano,
4º bimestre, página C6-C7.
Algumas vezes há sugestões de sites para consulta (ex. apostila do 9º ano, 1º
bimestre na página C8). Porém não se pode considerar que estas orientações sejam
suficientes para que o professor desenvolva seu plano de aula de uma forma satisfatória.
Avaliando, de maneira geral, a linguagem do material NAME, consideramos que
é adequada e clara na maioria das vezes, possibilitando a compreensão do assunto.
Porém, às vezes, os assuntos abordados nos diferentes tópicos e capítulos apresentam
um conteúdo pobre em informações, como no trecho existente na apostila do 7º ano, 3º
bimestre, cujo tema tratando das características dos seres vivos não relaciona à forma
104
como se é feita a nomenclatura das espécies com a sua classificação quanto ao reino,
filo, classe, ordem, família, gênero e espécie, de forma a facilitar o entendimento do
leitor, em particular, do professor e do aluno.
Outro ponto a ser destacado é a disposição do vocabulário no meio do texto
teórico que quebra o raciocínio da leitura (figura 4), quando o mais adequado seria
utilizá-lo ao final do texto teórico ou dentro de uma caixa de texto.
Não há separação entre o
vocabulário e o início de mais
uma definição.
Figura 4: Ilustração de apostila do Núcleo de Apoio à
Municipalização do Ensino (NAME), do 7º ano - 1º bimestrepág. C21.
Observou-se também que aparecem vocábulos de temas complexos como
evolução, extinção, variabilidade genética (Apostila do 7º ano, 1º bimestre, página
C12), não acompanhados das devidas explicações e nem sequer foram assuntos
desenvolvidos na apostila. Há também exemplos que poderiam ser mais bem
explanados ao longo da apostila, podendo até mesmo aparecer em um capítulo a parte.
Este é o caso, por exemplo, dos Vírus, citados apenas para exemplificar que existem
seres que não se enquadram dentro da categoria dos seres vivos. São assuntos
apresentados com brevidade e sem clareza (apostila do 7º ano, 1º bimestre, página C21).
Na apostila do 7º ano, 1º bimestre, página C21, encontramos o termo Carioteca,
nomenclatura esta desatualizada. O ideal seria adequá-lo e usar envoltório nuclear,
termo adotado por melhor definir que o núcleo celular é encerrado por uma membrana
que o protege, e que poderia ser acompanhado da observação de que carioteca era o
105
termo utilizado, e que ainda pode ser encontrado em alguns livros didáticos.
De um
modo geral a leitura dos textos teóricos não estimula os alunos a formular questões,
diagnosticar e propor soluções para problemas, de acordo com o que é indicado nos
objetivos. Também não encontramos estímulo a experimentações, aulas práticas,
comunicação e discussão dos assuntos abordados nos trabalhos em grupo.
As apostilas apresentam vários erros ortográficos, e de espaçamentos, que precisam ser
corrigidos. Alunos em formação precisam de referências corretas, confiáveis, para
garantir o aprendizado adequado. Os erros são tantos e tão grosseiros (Tabela 5), que
foram apontados por alunos e professores como um dos fatores que os desmotivam a
usar a apostila.
Tabela 5 – Erros ortográficos em apostila de
Ciências do Núcleo de Apoio à Municipalização
do Ensino, do 8º ano do Ensino Fundamental.
Os exercícios de cada unidade das apostilas são propostos ao final de cada
apresentação, com alguns exercícios para casa, mas, de um modo geral, há poucos
exercícios para fixação das matérias. Esses exercícios, de acordo com a nossa avaliação,
não favorecem a construção de uma visão de mundo integrado, formado por elementos
inter-relacionados. A maioria deles avalia apenas o que foi mencionado na apostila,
cujas respostas são curtas e geralmente estão em destaque (negrito) no texto, o que
facilita ao aluno responder de forma mecânica sem necessidade de raciocinar sobre o
que aprendeu (figura 5).
106
Gráfico ilustrativo com dados
Gráfico ilustrativo sem os dados, o
aluno só precisará copiar os dados
acima para responder a questão
Figura 5: Conteúdo de Ciências na apostilas
do Núcleo de Apoio à Municipalização do
Ensino, do 6º ano, 4º bimestre, página C5
Encontramos também exercícios cujas respostas não se encontravam na apostila, o
que pode gerar dificuldade para resolução, como observamos na apostila do 7º ano, 1º
bimestre, página C9, na qual pergunta-se sobre populações de seres vivos que não são
visíveis na figura de um ecossistema proposto no exercício. A resposta apresentada
como correta refere-se a seres vivos microscópicos, seres que não foram citados ao
longo do capítulo, além de se tornar uma pergunta vaga, pois populações não visíveis
em uma figura são todas aquelas que não estão ali representadas.
Outro ponto identificado durante a análise das apostilas foi que dentre todos os
anos do Ensino Fundamental II (6º, 7º, 8º e 9º), as apostilas do 7º ano foram as que
apresentaram o maior número de falhas em todos os bimestres, quando comparadas às
demais.
Os questionários aplicados às quatro professoras de Ciências (Anexo 1),
continham quatro questões pessoais, treze questões de múltipla escolha e uma questão
aberta. Os trinta e oito alunos do 9º ano, responderam a três questões pessoais, nove
questões de alternativas e uma questão aberta (Anexo 2). De posse desses dados
analisamos as respostas, tanto dos professores quantos dos alunos, das questões abertas
e de múltipla escolha.
107
Das 4 professoras que lecionam na escola, apenas uma delas considera o material
ruim, uma considera de nível médio, e duas acham o material bom para trabalhar
ciências (figura 6). Considerarem que o material engessa um pouco a aula, e não oferece
muito conteúdo para estudo em casa. Porém, todas consideram que os alunos tem um
aproveitamento médio com o uso das apostilas NAME.
Figura 6
5 - Opinião de 3 professoras de Ciências e uma pedagoga
substituta da
a EMEF.
EMEF. "Dr.
"Dr. João
João Maria
Maria de
de Araújo
Araújo Jr.",
Jr.", sobre a
qualidade das apostilas NAME, no Ensino de Ciências.
As professoras afirmam ainda que o material tem textos de compreensão razoável,
e os alunos tem dificuldades na interpretação e resolução dos exercícios.
Para elas o planejamento de aulas com um cronograma preestabelecido quase
nunca é adequado à realidade da escola (figura 7). Essa situação deve-se ao fato de cada
sala de aula ter suas particularidades, com acontecimentos imprevisíveis. Por outro lado,
o cronograma tem grande importância, pois no caso de transferência de alunos entre
escolas da rede, todos terão chance de estar no mesmo ponto da matéria.
De acordo com as professoras, as imagens gráficas são mal selecionadas e tem
resolução inferior à desejada. Elas deveriam ser atualizadas.
Embora sintam-se pressionadas a utilizar o material fornecido pela prefeitura, elas
utilizam outras fontes para complementar o conteúdo a ser trabalhado.
108
75%
25%
Figura 7: Opinião de 3 professoras de Ciências e uma pedagoga substituta da
EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr.", sobre o cumprimento do cronograma
de aulas estipulado pelo NAME.
As apostilas são consideradas como sendo constituídas de material frágil, sendo
comum, por exemplo, a perda de capas. Por isso, muitos alunos reclamaram da
dificuldade de cuidar bem do material, mas a maioria das professoras afirmaram que
eles cuidam relativamente bem.
N = 38
Figura 8: Opinião de alunos sobre dificuldade para a resolução de
exercícios das apostilas de Ciências do Núcleo de Apoio à Municipalização
do Ensino (NAME).
Nas questões abertas as professoras afirmaram que é ruim utilizar um material
como esse, também por causa dos erros que apresenta. Sobre isso já fizeram reclamação
diretamente à editora, em 2010, mas sem retorno até o momento.
Dos trinta e oito alunos entrevistados, a maior parte afirmou não ter dificuldades
para resolver os exercícios das apostilas sem a ajuda do professor (figura 8), muitas
vezes por não conseguirem interpretar o que é pedido e também porque afirmam que o
material não os incentiva a estudar, outra queixa feita é a falta de espaço para responder
algumas questões.
109
N = 38
5,26%
Figura 9: Frequência com que alunos encontram erros na apostila.
Como podemos observar na figura 9 a maioria dos alunos entrevistados já
encontrou algum tipo de erro nas apostilas NAME, e talvez seja este um dos motivos
pela falta de motivação dos alunos em utilizar o material, pois eles conseguem
identificar as falhas contidas no mesmo. Por outro lado, eles afirmam que a sequência
de ideias, figuras, diagramas e tabelas os auxiliam nos estudos para as provas.
Na questão aberta aos alunos, para que citassem exemplos de erros já encontrados
por eles, a maioria fez críticas em relação à interpretação dos exercícios, erros
conceituais e ortográficos e até mesmo sobre a parte estética da apostila, como capa e
figuras. Também abrimos espaço para que eles dessem uma nota de 0 (zero) a 10 (dez)
para avaliar a apostila e registramos uma média de 5,5 (cinco e meio).
Os resultados obtidos por meio dos questionários indicam que as apostilas NAME
apresentam vários pontos que necessitam ser melhorados para que atinja as expectativas
de professores e alunos da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr".
Dados obtidos na Prefeitura Municipal de Botucatu indicaram que o custo da
apostila NAME para o Município foi orçado em R$ 2.470.000,00 (dois milhões
quatrocentos e setenta mil reais), recurso este oriundo do convênio Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB). No entanto, a
proposta do Município de promover a unificação curricular e, com isso, aumentar a
qualidade de ensino, não tem encontrado apoio nos resultados do IDESP e do IDEB que
apresentam queda nos índices desde 2010, ano da implantação da apostila NAME,
segundo
informações
obtidas
nos
sites
http://ideb.inep.gov.br
e
http://idesp.edunet.sp.gov.br . Dessa forma, podemos concluir que o Município não está
atingindo seus objetivos, e que o valor empregado, portanto o custo, foi maior do que o
benefício esperado.
110
4. Anexos
Anexo 1: Questionário de avaliação da apostila do projeto Núcleo de
Apoio à Municipalização do Ensino (NAME) aplicado ao professor.
111
Anexo 2: Questionário de avaliação da apostila NAME
aplicado a 38 alunos do nono ano da “Escola Municipal de
Ensino Fundamental João Maria de Araújo Jr.”
112
Material Ciência e Tecnologia com Criatividade (CTC Sangari)
Aline Mendes da Cruz
André Cassetari Fernandes
José Antonio Faggian
1. Introdução
Embora nos últimos anos o Brasil venha tentando alargar seu capital científico,
haja vista a criação de grande número de novos cursos superiores e técnicos voltados às
áreas de tecnologia e ciências, implementando programas como o REUNI (Programa de
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que visa dobrar o número de
alunos atendidos nos próximos dez anos (portalmec.gov.br) e a Rede de Ensino Médio
Técnico (www.educacao.sp.gov.br), as iniciativas de aproximar o saber científico da
maioria da população brasileira ainda são insipientes. Não bastasse esta situação
preocupante, temos ainda outra com relação ao ensino fundamental e médio, sobre o
ensino de ciências, que deveria ter papel de destaque e, no entanto o ensino de ciências é
relegado a segundo plano.
O conhecimento científico básico é importante para que o individuo se insira no
mundo do trabalho, realize atividades cotidianas e compreenda minimante o mundo que
o cerca. Vivemos a era da informação e tecnologia na qual jovens e adultos estão cada
vez mais imersos em riqueza de informações, por isso, aqueles que não conseguirem
dominar o novo aparato tecnológico, que foi inserido no dia a dia, estão fadados à
marginalidade social e econômica.
É inevitável, portanto, que investimentos sejam feitos para implementar melhorias
nos níveis de ensino fundamental e médio, responsáveis pela formação básica do
cidadão.
Para Tedesco (2006),
“O principal argumento para justificar a prioridade ao ensino básico é de
natureza sociopolítica. O domínio dos saberes científicos básicos é um
componente imprescíndivel na formação de um cidadão da sociedade da
informação. Essa é a razão pela qual a formação científica deve estar
imcorporada ao conteúdo do ensino universal e obrigatório”
113
Além dos aspectos sociopolíticos, relativos à educação das nossas crianças e
adolescentes, são também importantes as questões ambientais e de preservação do
planeta que estão intimamente ligadas ao ensino de ciências. Os educandos precisam
conhecer o meio em que vivem, conhecer a natureza e as relações existentes entre
elementos bióticos e abióticos,e ter consciência de que são parte integrante dessa
grande rede de vida. Sem esse conhecimento bem sedimentado desde a mais tenra
idade, talvez seja impossivel que as novas gerações entendam a importância de se
respeitar e preservar o meio ambiente e de tomar decisões consciente, bem
fundamentadas sobre assuntos que envolvam ciência e tecnologia.
Outro aspectos, também relevantes, ligados ao ensino de Ciências, dizem respeito
aos cuidados com o próprio corpo e cuidados com a saúde, que elvolvem questões de
higiene pessoal, educação sexual, gravidez e prevenção de doenças sexualmente
transmissiveis, assuntos que devem fazer parte do currículo, pois cumprem papel social
de suma importância.
Outro problema central da crise educacional no Brasil, talvez resida na prática
docente, pois a forma de ensinar não acompanhou a evolução da sociedade, ou seja, os
professores continuam usando métodos antiquados pouco estimulantes aos alunos que
mantem contato diário com tecnologias de ponta, alem disso são raros os professores
que se utilizam de aulas práticas, mais estimulantes. Observa-se que ainda hoje as
principais ferramentas de ensino, na maioria das escolas, são giz e lousa, ferramentas
que também têm sua importância, porém, sozinhas tornam-se insuficientes, o professor
precisa ter a consciência de que é preciso lançar mão de outras ferramentas para
conseguir a atenção dos alunos da era digital. Talvez uma das maiores fontes de novas
ferramentas pedagógicas esteja entre as novas tecnologias eletrônicas como os
coputadores e a internet, alem de outros materiais que hoje estão disponiveis,
principalmente para a execução de aulas pratícas.
Com essas constatações seria de se esperar investimentos para repensar a forma de
transmissão do conhecimento, reavaliar a prática docente, pensar e produzir materiais e
métodos de ensino que incorporem novas tecnologias e que sejam adequados ao novo
perfil dos alunos.
Foi nesse cenário que a Prefeitura Municipal de Botucatu decidiu introduzir em
suas escolas o projeto Ciência e Tecnologia com Criatividade (CTC SANGARI).
A SANGARI é uma empresa inglesa que cria, desenvolve, produz e
implementa metodologias e materiais educacionais para o ensino e aprendizado de
114
Ciências no Ensino Fundamental. Foi trazida em 1997 para o Brasil, pelo físico
inglês Ben Sangari, seu fundador, e hoje conta com uma filial em São Paulo.
A Sangari conta, no Brasil, com um “Centro de Pesquisa e Desenvolvimento”,
onde os materiais são elaborados e produzidos. Esse centro de pesquisa e
desenvolvimento tem no seu quadro técnico principalmente profissionais brasileiros,
esse fato deve ser considerado, pois ajuda conferir ao material caracteristicas nacionais,
já que a Sangari é uma empresa Inglesa.
Considerando que a EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr” integra o grupo de
escolas que recebeu os materiais da SANGARI para o Ensino de Ciências, e que
estamos trabalhando em um diagnóstico que nos permita, ter conhecimentos relevantes
sobre a comunidade escolar onde atuaremos no estágio de regência, conhecimentos
específicos sobre como são desenvolvidas as aulas de ciências e os recursos que delas
fazem parte são imprescindíveis. Por isto, o nosso objetivo foi o de aferir a qualidade
dos materiais didáticos do programa CTC Sangari, tanto em referencia a sua
funcionalidade como ferramenta de ensino de ciências como também sobre as qualidade
dos conceitos.
2. Procedimentos
Realizou-se análise dos módulos “Água, Solo e Rochas”, “Terra, Sol e Lua” e
“Ecossistemas” do material CTC SANGARI referentes ao 6º ano, além de breve leitura
de outros modulos referentes aos 9 anos do ensino fundamental. As apostilas foram
lidas e revisadas com o objetivo de avaliar a qualidade gráfica , conceitual e adequação
do materia às séries as quais são destinados.
Consideramos ainda a opinião da coodenadora da escola municipal “EMEF
Doutor João Maria Araujo junior”, a Profa. Jaqueline A. Barea Cantão (usuária do
material), sobre a qualidade e aplicabilidade dele.
3. Conhecendo e apreciando o programa Ciência e Tecnologia com
Criatividade SANGARI
Os materiais do programa CTC são divididos em três categorias, livros-texto,
vídeos e materiais de investigação científica.
115
O material de investigação, mais os livros e vídeos, têm um armário próprio para
armazenamento e cada sala de aula recebe um, condição esta muito importante, por
tornar os materiais acessíveis ao professor, a qualquer momento, otimizando o tempo
das aulas e evitando o incômodo transporte de diversos materiais a cada aula.
Os livros-texto são divididos em livro do professor e livro dos alunos:
O livro do professor é diagramado de maneira que no centro da página, em uma
imagem reduzida, fique exposta a página do livro do aluno, como um retrato. Em torno
dessa imagem são redigidas recomendações e orientações sobre a forma de introduzir o
assunto a ser desenvolvido, gestão do tempo e execução da prática referente à aula em
questão. Ao final de cada tópico existe um pequeno roteiro que ajuda o professor a
refletir sobre o aproveitamento dos alunos referente ao que foi trabalhado com ele.
O livro dos alunos faz uso de muitas imagens, desde que inicia o conteúdo. Nesta
introdução há sempre uma imagem referente ao tema e uma pergunta, geralmente
inusitada, aspecto que estimula os alunos a refletir, e a fazer relações do tema com
situações cotidianas por eles vivenciadas. Além disso, toda aula tem uma proposta de
prática sobre o assunto que esta sendo desenvolvido, as quais utilizam os materiais de
investigação do programa As orientações para o desenvolvimento da prática são
descritas em detalhes com o acompanhamento de esquemas que demonstram, passo a
passo, o que deve ser feito. Sugerem também os registros que devem ser realizados em
um diário, a partir do qual a confecção de tabelas e gráficos é proposta.
Os materiais de investigação consistem em equipamentos e produtos destinados às
práticas. Eles são divididos em três categorias:
 Materiais não consumíveis:
Permanentes, que podem ser reutilizados, como bússolas, tubos de
ensaio, pipetas, picetas e vários outros
 Materiais consumíveis:
Materiais consumidos em experimentos e reações químicas, como
areia, produtos químicos, sementes entre outros.
 Materiais adicionais:
Materiais simples e de fácil ascesso que os alunos devem trazer de
casa, como jornais, garrafas plásticas, réguas e vários outros.
Utilizando como base para as analises os Parâmetros Curriculares NacionaisPCNs(Brasil, 1998), consideramos que os conteúdos estão adequados para as séries às
quais são direcionados. O material é bastante rico em ilustrações coloridas, pertinentes e
adequadas, o que atrai a atenção do aluno à atividade proposta e facilita a compreenção
dos temas que estão sendo discutidos.
116
O programa CTC da SANGARI tem a possibilidade de ser adaptado ao programa
pedagógico da escola porque pode ser utilizado na ordem que o professor julgar mais
adequada. A ordem de utilização dos módulo pode ser alterada de forma a adequar-se às
necessidades do planejamento do professor, que reflete o seu entendimento de como
organizar o conteúdo, para melhor articular e dar sentido aos assuntos.
Os livros, tanto do professor como do aluno, utilizam linguagem simples, de facil
copreensão, o vocabulário em geral é adequado ao público alvo, e algumas palavras
menos usuais, afiguram-se afiguram como oportunidade de enriquecimento do
vocabulário dos alunos.
Os materiais do CTC SANGARI, propõem a elaboração de textos que relatam e
analisam os resultados dos experimentos, proporcionando o aprimoramento da língua
portuguesa.
Os conceitos são introduzidos de forma simples, a sequência de questionamentos
trazidos no livro do aluno auxiliam o professor a construir junto com os estudantes um
raciocínio lógico que permite desenvolver o conceito.
Algumas legendas, em figuras que demonstram as estações do ano em relação ao
movimento do sol, estão trocadas no módulo“Terra, Sol e Lua” páginas 114 e 115, e
dessa forma induzem a erros de interpretação e compreensão de conceitos fundamentais.
Esses erros, embora pouco encontrados no material, são relevantes e devem ser
comunicados aos editores para que sejam corrigidos.
As práticas proporcionam aos alunos uma vivência real dos fenomenos físicos e
biológicos por meio de experimentação, estimulam o interesse pelo conhecimento e
auxiliam na construção dos conceitos. A forma como são realizados os experimentos,
segundo as orientações especificadas no material, contribuem para o entendimento do
método científico, já que fazem uso de procedimentos e técnicas como elaboração de
hipoteses, observação e registro dos resultados e análise dos dados obtidos.
Um problema detectado refere-se ao tempo para a realização dos experimentos,
que em muitos casos é insuficiente. As aulas com atividades práticas são de longe mais
interessantes e produtivas do que apenas aulas teóricas. Porém, o desenvolvimento delas
demanda muito mais tempo do que aquele convencionalmente disponibilizado no
sistema atual de ensino. Para a realização dessas atividades os alunos devem participar
ativamente montando os experimentos, seguindo as respectivas orientações. Isso, em
geral, demanda muito tempo e bastante habilidade do professor na condução das
atividades que muitas vezes não são possiveis de serem concluidas em 50 minutos.
117
No entanto verificou-se por meio da utilização de certos equipamentos, em duas
classes-piloto, que os materiais CTC Sangari contribuem para a elaboração do
pensamento científico durante a formação dos alunos, estimula ao conhecimento e
facilita o aprendizado.
Segundo o semanário oficial do município de Botucatu número 1041 de 18 de
fevereiro de 2010, no inicio do ano de 2010 Botucatu adquiriu o material didático CTC
da Sangari, com custo de implantação de R$ 9.666.804,84, e custos de manutenção
anual de cerca de R$ 1.500.000,00 (utilizados principalmente para reposição de material
consumível utilizado nos experimentos). Com isso, professores de ciências de Botucatu,
como aqueles que atuam na EMEF “Dr João Maria de Araújo Jr.” Passaram a contar
com até três opções de material para suas aulas, entre elas as apostilas do Nucleo de
Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), a experimentoteca da USP e o material
Ciência e Tecnologia com Criatividade Sangari.
Embora os valores para compra e manutenção do material da Sangari sejam
relativamente altos, sua aquisição terá valido a pena se os professores utilizarem-no
com frequência e adequadamente, uma vez que, de acordo com o que já foi exposto,
trata-se de um material de boa qualidade ao ensino de ciências. Para que ele seja usado
desta forma é preciso investir na capacitação dos professores, a fim de que possam
explorar e usufruir de todas as possibilidades oferecidas pelo CTC Sangari.
A utilização desse material com frequência e adequadamente, sem duvida,
proporcionará melhoras significativas no ensino de ciências em Botucatu, favorecendo o
aprendizado dos alunos por meio da experimentação que facilita a compreensão dos
conceitos científicos, inclusive daqueles mais complexos.
118
Experimentoteca
Juliana Nista
Rafael Takahiro Nakajima
Filipe Santos
Monize Gonçalves
1.
Introdução
O Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), localizado na cidade de São
Carlos, no Estado de São Paulo, e pertencente á Universidade de São Paulo (USP), tem como
principal objetivo estabelecer um vínculo duradouro entre a Universidade e a Comunidade,
facilitando o acesso da população aos meios e aos resultados da produção científica e cultural da
Universidade. Para atingir plenamente seus objetivos, o CDCC promove e orienta atividades
que visam despertar nos cidadãos, em especial nos jovens, o interesse pela ciência e pela
cultura. Como parte das propostas implementadas para atingir estes objetivos, foi criada, em
1984 a Experimentoteca, além de vários outros projetos desenvolvidos em colaboração com o
Instituto de Física de São Carlos (USP), com o Ministério da Ciência e Tecnologia e Centro
Interdisciplinar de Ciências (CIC).
Experimentoteca é o nome dado a um projeto que visa racionalizar o uso de material
experimental para o ensino de Ciências. É destinado, principalmente, a alunos de 5ª à 8ª série do
Ensino
Fundamental,
possibilitando
adaptações
para
outras
faixas
etárias
(www.cdcc.usp.br/exper/fundamental.). Durante o período de cinco anos, a Indústria
Educacional Brink Mobil, obteve a permissão para produzir e comercializar a Experimentoteca
(www.bv.fapesp.br/namidia/noticia/19833/sao-carlos-ganha-novos-equipamentos/.). Foi durante
este período, mais especificamente em 2007, que a Secretaria Municipal de Educação de
Botucatu com o objetivo de incentivar a realização de atividades práticas na rede municipal,
como forma de buscar novas alternativas metodológicas para o ensino, adquiriu quatro
conjuntos, sendo um para cada Escola Municipal (comunicação pessoal).
Buscamos com este trabalho, conhecer e analisar os equipamentos, roteiros e propostas da
Experimentoteca, disponível para o ensino de Ciências na EMEF “Dr. João Maria de Araújo
Jr.”, município de Botucatu, com o objetivo de avaliar suas possibilidades de aplicação e de
contribuição para a melhoria do ensino de ciências.
119
2.
Desvendando a composição e possibilidades dos kits da Experimentoteca da
EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” Botucatu, SP.
Para análise dos materiais experimentais e dos roteiros para professores e alunos foram
elaboradas tabelas-padrão (Anexo I, Anexo II e Anexo III), com itens julgados pertinentes para
avaliar a qualidade dos componentes da Experimentoteca.
Os roteiros para o professor, aluno e os equipamentos para todos os experimentos,
foram observados e lidos com acuidade e registradas as suas principais características nas
tabelas (Tabela 1 - Tabela 21).
As principais características do roteiro do professor (Anexo I), foram assim consideradas:
a) Bem especificado – texto bem escrito, de fácil compreensão; b) Correção gramatical –
escrita de acordo com as normas da Língua Portuguesa; c) Presença de roteiro para todos os
experimentos – se há instrução para execução de todos os experimentos presente no kit; d)
Presença de roteiros específicos e separados para professor e aluno – se em cada experimento
existem roteiros específicos para professor e aluno; e) Com definição de tempo para execução –
se há determinação de tempo para realização da prática descrita nos roteiros; f) Apresenta
ilustrações – presença de imagens e esquemas explicativos; g) Atende o objetivo proposto – se
ao final da atividade cumpriu-se o objetivo elucidado no roteiro; h) Necessita de conhecimento
prévio – se o aluno precisa ter algum conhecimento a respeito do tema proposto para conseguir
realizar a experimentação, ou se aquela prática pode ser dada como introdução ao assunto; i)
Aplicações no cotidiano – se há indicações para relacionar o tema aos fenômenos do cotidiano
do aluno; j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) – se há interação com outros
experimentos disponíveis na Experimentoteca. É possível relacionar experimentos de áreas
distintas, um experimento de física cujo objetivo é ensinar pressão pode ser complementado
com experimentos do Sistema Respiratório ou mesmo do Sistema Cardiovascular.
Na tabela de orientação aos alunos (Anexo II) foram considerados os itens a-h da tabela
de orientação aos professores, descritos acima.
Para análise dos equipamentos experimentais (Anexo III), foram avaliados os seguintes
itens: k) Boa qualidade – se os experimentos são bem feitos e com material de boa qualidade; l)
Traz risco a segurança – se equipamento usado pode trazer algum perigo para os alunos; m)
Duradouro – se o equipamento é resistente; n) Fácil manuseio – se o equipamento é de fácil
utilização; o) Reutilizável – se é possível executar mais que uma vez os experimentos; p)
Completo – se para realizar o experimento não há necessidade de trazer nenhum material fora o
que contém nas caixas; q) Estimula coordenação – necessidade do uso fino da coordenação
motora do aluno; r) Explicações claras para a montagem do(s) experimento(s) – se os materiais
são facilmente identificados e não permitem que haja dúvida na montagem dos experimentos.
120
Além da análise dos materiais experimentais e dos roteiros da Experimentoteca, foi feita
uma breve entrevista com as três professoras e coordenadora da disciplina de Ciências (ver
roteiro de entrevista, Anexo IV). Como complemento à análise do material disponível na
Experimentoteca, verificamos se ele pode dar suporte ao desenvolvimento dos assuntos
presentes nas apostilas dos 6◦ ao 9◦ ano do Ensino Fundamental – Ciclo II, utilizadas pelas
professoras de Ciências da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” (Tabela 22).
Apesar de a Experimentoteca se tratar de um laboratório de Ciências móvel, na EMEF
João Maria, município de Botucatu, o conjunto móvel está localizado em uma sala junto com
outros dois conjuntos de laboratórios da Brink Mobil (materiais de ciências de fabricação
própria da empresa). Entretanto, mesmo não se tratar de um laboratório propriamente dito, e não
dispor de pia e condições adequadas para descarte de substâncias, a sala pode ser muito bem
aproveitada, podendo abranger um total de sete grupos, cada qual com aproximadamente quatro
alunos.
A Experimentoteca é composta por 49 kits (caixas), contendo materiais experimentais
com as respectivas instruções de uso – roteiro para o professor e roteiro diferente para o aluno que podem apresentar de um a três experimentos por kit. Também faz parte da Experimentoteca
uma caixa de reposição de materiais, vídeos, mapas e jogos. A caixa de suporte e reposição
contém diferentes substâncias e materiais utilizados em muitos experimentos, os quais podem
ser repostos. Os 49 kits que formam a Experimentoteca são organizados em sete temas: Ar,
Água, Solo, Seres Vivos, Corpo Humano, Química, e Física. Todos os experimentos das 49
caixas possibilitam trabalhos experimentais simultâneos de 10 equipes de alunos.
A seguir, apresentaremos os resultados obtidos e teceremos considerações a respeito de
cada um dos sete temas seguido de suas respectivas tabelas (as quais são baseadas nas tabelas do
Anexo I, Anexo II e Anexo III).
-Água:
No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que com relação ao texto, não há
ocorrência de erros ortográficos. As instruções para professores, em geral, são claras, sucintas e
apresentam boa discussão (Tabela 1 a, b). Como por exemplo, no roteiro de número 3, para o
experimento “Flutuação e Empuxo”, o texto discute com os alunos a prática contida no kit e
ainda sugere ao professor uma “mágica” (“mágica do ovo”) como complementação
experimental. Assim como no roteiro dos professores, os roteiros referentes ao tema água para
os alunos, em geral, são claros e definidos (Tabela 2 a, b). Todos apresentam ilustrações que
demonstram a montagem dos equipamentos experimentais (Tabela 2 f). No entanto, ambos os
roteiros não especificam o tempo de duração, em aulas, para cada experimento (Tabelas 1 e 2,
e). Quanto às análises dos equipamentos experimentais, verificamos que os roteiros (professor e
aluno) são claros na montagem dos experimentos (Tabela 3, r). Os equipamentos presentes nos
121
kits referentes ao tema água são consistentes e duradouros (Tabela 3, k, m). As práticas podem
apresentar risco a segurança dos alunos (Tabela 3, b), no geral, por envolver o manuseio com a
lamparina (cuidados especificados nos roteiros para os professores).
Tabela 1 - Características dos roteiros do professor (N = 4) existente nos quatro
kits relativos ao tema água, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de
Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
50%
50%
b) Correção gramatical
100%
0%
c) Presença de roteiro para todos os experimentos
75%
25%
d) Presença de roteiros específicos e separados para
100%
0%
professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
0%
100%
f) Apresenta ilustrações
25%
75%
g) Atende ao objetivo proposto
50%
50%
h) Necessita de conhecimento prévio
75%
25%
i) Aplicações no cotidiano
25%
75%
j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s)
25%
75%
Tabela 2 - Características dos roteiros do aluno (N = 4) existente nos quatro
kits relativos ao tema água, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria
de Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
100%
0%
b) Correção gramatical
100%
0%
c) Presença de roteiro para todos os
100%
0%
experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados
100%
0%
para professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
0%
100%
f) Apresenta ilustrações
100%
0%
g) Atende ao objetivo proposto
50%
50%
h) Necessita de conhecimento prévio
75%
25%
Tabela 3 - Características dos equipamentos experimentais existente nos quatro
experimentos (N= 4) dos quatro kits relativos ao tema água, da Experimentoteca da
EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Materiais
Sim
Não
k) Boa qualidade
100%
0%
l) Traz risco a segurança
75%
25%
m) Duradouro
100%
0%
n) Fácil manuseio
100%
0%
o) Reutilizável
100%
0%
p) Completo
100%
0%
q) Estimula coordenação motora
0%
100%
r) Explicações claras para a montagem do(s)
100%
0%
experimento(s)
122
- Ar:
No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que com relação ao texto, não há
ocorrência de erros ortográficos (Tabela 4, b). Das instruções para professores e alunos, 60%,
são claras, e apresentam boa discussão (Tabela 4 a, b). Como por exemplo, no roteiro de número
6 para os professores, o texto propõe a realização do experimento e uma prática alternativa
como complementação experimental. Todos apresentam ilustrações que demonstram a
montagem dos equipamentos experimentais (Tabela 5, f). No entanto, a maioria dos roteiros dos
professores não apresenta ilustrações, já os roteiros dos alunos são todos ilustrados, o que
facilita a montagem dos experimentos. Como exemplo, a prática 1 (Existência do Ar), na qual
há ilustração apenas no roteiro dos alunos. Porém, ambos os roteiros (professor e aluno) não
especificam o tempo de duração, em aulas, para cada experimento (Tabelas 4 e 5, e). Quanto às
análises dos equipamentos experimentais, verificamos que com o auxílio dos roteiros (professor
e aluno) a montagem dos experimentos fica clara (Tabela 6, r). Os equipamentos presentes nos
kits referentes ao tema ar são consistentes e duradouros (Tabela 6, k, m). As práticas podem
apresentar risco a segurança dos alunos (Tabela 6, b), no geral, por envolver o manuseio com
fogo (cuidados especificados nos roteiros para os professores).
Tabela 4 - Características dos roteiros do professor (N = 5) existente nos cinco
kits relativos ao tema ar, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de
Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
60%
40%
b) Correção gramatical
100%
0%
c) Presença de roteiro para todos os experimentos
80%
20%
d) Presença de roteiros específicos e separados para
100%
0%
professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
0%
100%
f) Apresenta ilustrações
40%
60%
g) Atende ao objetivo proposto
80%
20%
h) Necessita de conhecimento prévio
40%
60%
i) Aplicações no cotidiano
0%
100%
j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s)
60%
40%
Tabela 5 - Características dos roteiros do aluno (N = 5) existente nos cinco kits
relativos ao tema ar, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo
Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
60%
40%
b) Correção gramatical
80%
20%
c) Presença de roteiro para todos os
100%
0%
experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados
100%
0%
para professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
0%
100%
f) Apresenta ilustrações
100%
0%
g) Atende ao objetivo proposto
80%
20%
h) Necessita de conhecimento prévio
40%
60%
123
Tabela 6 - Características dos equipamentos experimentais existente nos
experimentos (N=
5) dos cinco kits relativos ao tema ar, da
Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Materiais
Sim
Não
k) Boa qualidade
100%
0%
l) Traz risco a segurança
80%
20%
m) Duradouro
100%
0%
n) Fácil manuseio
100%
0%
o) Reutilizável
100%
0%
p) Completo
100%
0%
q) Estimula coordenação motora
40%
60%
r) Explicações claras para a montagem do(s)
40%
60%
experimento(s)
- Solo:
Nos kits correspondentes a este tema, verificamos que, com relação ao texto, há grande
ocorrência de erros ortográficos, são erros de acentuação gráfica, de concordância, e mal uso de
letras maiúsculas e minúsculas. Os roteiros para professores são superficiais e não apresentam
ilustrações do experimento (Tabela 7, f). Ao passo que os roteiros para os alunos são todos
ilustrados, instruindo na montagem dos experimentos, porém, a maioria deles não é informa o
tempo necessário para o preparo das práticas (Tabela 8, e). Os equipamentos experimentais
apresentam roteiros com explicações claras (Tabela 7, a) e de boa qualidade (Tabela 9, a). Em
geral, os kits não são completos, exigem que alguns materiais sejam levados de casa (como
areia, argila e húmus – no experimento “Permeabilidade do solo”; feijão – no experimento
“Preparação de solo agrícola”; terra de jardim – no experimento “Decomposição do solo”;
folhas e insetos – no experimento decomposição de materiais no solo) (Tabela 9, p). A maior
parte não é reutilizável, mas a maioria deles é duradoura (Tabela 9, m, o, p). Poucas práticas
apresentam risco à segurança dos alunos (Tabela 9, l).
Tabela 7 - Características dos roteiros do professor (N = 5) existente nos cinco
kits relativos ao tema solo, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de
Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
100%
0%
b) Correção gramatical
80%
20%
c) Presença de roteiro para todos os experimentos
100%
0%
d) Presença de roteiros específicos e separados para
100%
0%
professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
20%
80%
f) Apresenta ilustrações
0%
100%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
80%
20%
i) Aplicações no cotidiano
40%
60%
j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s)
60%
40%
124
Tabela 8 - Características dos roteiros do aluno (N = 5) existente nos cinco kits
relativos ao tema solo, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo
Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
80%
20%
b) Correção gramatical
60%
40%
c) Presença de roteiro para todos os
100%
0%
experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados
100%
0%
para professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
20%
80%
f) Apresenta ilustrações
100%
0%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
80%
20%
Tabela 9 - Características dos equipamentos experimentais existente nos
experimentos (N=
5) dos cinco kits relativos ao tema solo, da
Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Materiais
Sim
Não
k) Boa qualidade
100%
0%
l) Traz risco a segurança
40%
60%
m) Duradouro
60%
40%
n) Fácil manuseio
100%
0%
o) Reutilizável
40%
60%
p) Completo
20%
80%
q) Estimula coordenação motora
100%
0%
r) Explicações claras para a montagem do(s)
100%
0%
experimento(s)
- Seres Vivos:
No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que as instruções para
professores (60%) não são superficiais (Tabela 10, a) como no caso do experimento 6 “Cadeia
alimentar” detalhando cada procedimento a ser realizado, e na sua maioria não apresentando
ilustrações do(s) experimento(s) (Tabela 10, f) dificultando a identificação do equipamento
como ocorre na apresentação do microscópio na pratica 2, além disto os experimentos não
fazem relações com cotidiano do aluno e em um experimento, tanto o roteiro do professor como
do aluno, apresenta um erro ortográfico no título do experimento 5 “Metablismo das plantas”
(Tabela 10 e 11, b). As instruções para os alunos, em geral, apresentam uma melhor elaboração
exceto no tempo estipulado para cada atividade (Tabela 11, e) como no experimento 2
“Microscopia”. Quanto as análises dos equipamentos experimentais, obtivemos resultados
positivos, exceto em relação a estimulo da coordenação motora do aluno (Tabela 12, g) na qual
somente 30% obteve resposta positiva e um exemplo presente no experimento 2 em que o
aluno precisa olhar o material com microscópio com um olho e desenhar em uma folha com o
outro olho.
125
Tabela 10 - Características dos roteiros do professor (N = 10) existente nos dez
kits relativos ao tema seres vivos, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria
de Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
60%
40%
b) Correção gramatical
90%
10%
c) Presença de roteiro para todos os experimentos
100%
0%
d) Presença de roteiros específicos e separados para
100%
0%
professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
60%
40%
f) Apresenta ilustrações
30%
70%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
100%
0%
i) Aplicações no cotidiano
10%
90%
j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s)
0%
100%
Tabela 11 - Características dos roteiros do aluno (N = 10) existente nos dez kits
relativos ao tema seres vivos, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de
Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
80%
20%
b) Correção gramatical
90%
10%
c) Presença de roteiro para todos os
100%
0%
experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados
100%
0%
para professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
50%
50%
f) Apresenta ilustrações
70%
30%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
100%
0%
Tabela 12 - Características dos equipamentos experimentais existente nos
experimentos (N=
10) dos dez kits relativos ao tema seres vivos, da
Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Materiais
Sim
Não
k) Boa qualidade
100%
0%
l) Traz risco a segurança
20%
80%
m) Duradouro
80%
20%
n) Fácil manuseio
90%
10%
o) Reutilizável
80%
20%
p) Completo
60%
40%
q) Estimula coordenação motora
30%
70%
r) Explicações claras para a montagem do(s)
100%
0%
experimento(s)
126
- Corpo Humano:
No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que com relação ao texto, não há
ocorrência de erros ortográficos (Tabela 13, b). Na grande maioria dos roteiros dos professores
não há ilustrações (Tabela 13, f), mas nas instruções para os alunos há maior presença de
ilustrações para a montagem dos experimentos (Tabela 14, f). Por exemplo, na prática 1
(Sistema Digestório) não há ilustrações no roteiro dos professores, mas elas estão presentes no
roteiro dos alunos, facilitando a montagem do experimento. Porém, poucos roteiros tanto dos
professores como dos alunos, têm especificação do tempo necessário de duração para o preparo
das práticas (Tabela 13 e 14, e), como por exemplo, a prática do Sistema Digestório que estipula
um tempo de 30 minutos para montagem do experimento. Quanto às análises dos equipamentos
experimentais, verificamos roteiros com explicações claras (Tabela 15, r) como é o caso da
prática 7 (Sistema Nervoso) e boa qualidade do material (Tabela 15, a). Uma parte das práticas
apresenta risco à segurança dos alunos (Tabela 15, l), no geral, por envolver o manuseio com
fogo, ácido e material pontiagudo. É o caso da prática 5 (Estrutura Óssea), na qual os alunos
trabalham com fogo e solução ácida. Poucas práticas estimulam a coordenação motora dos
mesmos (Tabela 15, q).
Tabela 13 - Características dos roteiros do professor (N = 8) existente nos oito kits
relativos ao tema corpo humano, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria
de Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
62,5%
37,5%
b) Correção gramatical
100%
0%
c) Presença de roteiro para todos os experimentos
62,5%
37,5%
d) Presença de roteiros específicos e separados para
87,5%
12,5%
professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
25%
75%
f) Apresenta ilustrações
25%
75%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
87,5%
12,5%
i) Aplicações no cotidiano
50%
50%
j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s)
100%
0%
127
Tabela 14 - Características dos roteiros do aluno (N = 8) existente nos oito kits
relativos ao tema corpo humano, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria
de Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
100%
0%
b) Correção gramatical
100%
0%
c) Presença de roteiro para todos os
100%
0%
experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados
87,5%
12,5%
para professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
25%
75%
f) Apresenta ilustrações
50%
50%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
87,5%
12,5%
Tabela 15 - Características dos equipamentos experimentais existente nos
experimentos (N=
8) dos oito kits relativos ao tema corpo humano, da
Experimentoteca da EMEF “Dr. João
Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Materiais
Sim
Não
k) Boa qualidade
100%
0%
l) Traz risco a segurança
50%
50%
m) Duradouro
37,5%
62,5%
n) Fácil manuseio
100%
0%
o) Reutilizável
12,5%
87,5%
p) Completo
50%
50%
q) Estimula coordenação motora
37,5%
62,5%
r) Explicações claras para a montagem do(s)
100%
0%
experimento(s)
- Química:
Nos kits correspondentes a este tema, verificamos que, com relação ao texto, há
ocorrência de erros ortográficos, geralmente erros de acentuação gráfica. As instruções
para professores são superficiais e não apresentam ilustrações do experimento (Tabela
16, b). Já as instruções para os alunos, em geral, são ilustradas, apenas um dos roteiros
não possui ilustrações para a montagem dos experimentos (experimento sobre “Ácidos e
Bases”), porém não é informado o tempo necessário para o preparo das práticas (Tabela
17, e, f). Os equipamentos experimentais apresentam roteiros com explicações claras
(Tabela 16, a) e boa qualidade do material (Tabela 18, a). Em geral, os kits são
completos e reutilizáveis, mas a maioria deles não é duradoura, visto que apresentam
muitos reagentes, que se esgotam devido ao uso (como magnésio em raspa, tiocianato
de amônio, hidróxido de bário, carbeto de cálcio, e solução de hidróxido de sódio,
solução de sulfato de cobre – no experimento “Processos físicos e químicos”; leite de
magnésia e fenolftaleína- no experimento “Ácidos e bases”; bicarbonato de sódio,
solução de hidróxido de bário 50%, e solução de ácido acético – no experimento
128
“Estequiometria”) (Tabela 18, m, o, p). Poucas práticas apresentam risco à segurança
dos alunos, sempre devido ao uso de fogo. (Tabela 18, l).
Tabela 16 - Características dos roteiros do professor (N = 1) existente nos sete kits
relativos ao tema química, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de
Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
0%
100%
b) Correção gramatical
0%
100%
c) Presença de roteiro para todos os experimentos
0%
100%
d) Presença de roteiros específicos e separados para
100%
0%
professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
0%
100%
f) Apresenta ilustrações
0%
100%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
0%
100%
i) Aplicações no cotidiano
100%
0%
j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s)
0%
100%
Tabela 17 - Características dos roteiros do aluno (N = 7) existente nos sete kits
relativos ao tema química, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de
Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
71,4%
28,6%
b) Correção gramatical
100%
0%
c) Presença de roteiro para todos os
100%
0%
experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados
14,3%
85,7%
para professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
14,3%
85,7%
f) Apresenta ilustrações
85,7%
14,3%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
57,1%
42,9%
Tabela 18 - Características dos equipamentos experimentais existente nos
experimentos (N=
7) dos sete kits relativos ao tema química, da
Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Materiais
Sim
Não
k) Boa qualidade
100%
0%
l) Traz risco a segurança
71,4%
28,6%
m) Duradouro
71,4%
28,6%
n) Fácil manuseio
85,7%
14,3%
o) Reutilizável
28,6%
71,4%
p) Completo
100%
0%
q) Estimula coordenação motora
14,3%
85,7%
r) Explicações claras para a montagem do(s)
100%
0%
experimento(s)
129
- Física:
No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que há apenas um único roteiro
do professor, que contém todos os experimentos a se trabalhar (por isso, analisamos cada
experimento como sendo um roteiro; N=10). Devido a essa divisão, o texto para cada
experimento é reduzido e as discussões tornam-se breves e poucas, muitas vezes ausente
(Tabela 1, d), como no caso dos experimentos de número 2, 3, 4 e 9 (Tabela 1, a). Há, porém,
alguns exemplos do cotidiano dos alunos (Tabela 1, i), como na prática de número 10 de
“Eletromagnetismo”, na qual o texto traz o questionamento do valor, em kw/h, usado em um
banho de 10 minutos. No roteiro do professor referente ao experimento de número 9, é citado a
necessidade de se trabalhar o experimento em mais de uma aula, sendo uma teórica que
antecedesse a prática (Tabela 1 e). Quanto aos roteiros dos alunos, apresentam-se claros e
densos de discussão, bem como muito ilustrativos (Tabela 2 a, f). Em relação aos equipamentos
experimentais dos kits, apresentam-se bem especificados, com a ressalva do experimento de
número 9, que por se tratar de um equipamento não usual para o aluno (fonte: roteiro para o
professor, nº 9, física, Experimentoteca) pode confundi-lo (Tabela 3 r) sem uma aula teórica
prévia.
Tabela 19 - Características dos roteiros do professor (N = 10) existente nos dez
kits relativos ao tema física, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de
Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
60%
40%
b) Correção gramatical
100%
0%
c) Presença de roteiro para todos os experimentos
20%
80%
d) Presença de roteiros específicos e separados para
100%
0%
professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
0%
100%
f) Apresenta ilustrações
10%
90%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
80%
20%
i) Aplicações no cotidiano
50%
50%
j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s)
20%
80%
130
Tabela 20 - Características dos roteiros do aluno (N = 10) existente nos dez kits
relativos ao tema física, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de
Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
80%
20%
b) Correção gramatical
100%
0%
c) Presença de roteiro para todos os
100%
0%
experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados
100%
0%
para professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
0%
100%
f) Apresenta ilustrações
100%
0%
g) Atende ao objetivo proposto
100%
0%
h) Necessita de conhecimento prévio
80%
20%
Tabela 21 - Características dos equipamentos experimentais existente nos
experimentos (N=
10) dos dez kits relativos ao tema física, da
Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
Materiais
Sim
Não
k) Boa qualidade
100%
0%
l) Traz risco a segurança
40%
60%
m) Duradouro
90%
10%
n) Fácil manuseio
60%
40%
o) Reutilizável
100%
0%
p) Completo
90%
10%
q) Estimula coordenação motora
40%
60%
r) Explicações claras para a montagem do(s)
90%
10%
experimento(s)
A partir dos resultados obtidos é possível concluir que as orientações dos roteiros para os
professores são superficiais e com poucas ilustrações. Além disso, na maioria dos experimentos,
não há especificação de tempo para execução das práticas propostas. Fica a cargo do professor
adequar e estipular o tempo que ele acha necessário para realizar as atividades. São poucas as
práticas que podem ser trabalhadas como introdução ao assunto, a maioria delas necessita de
uma apresentação teórica para que a atividade seja compreendida. Poucas práticas relacionam-se
com o cotidiano do aluno ou fazem referência a outros experimentos. Portanto, é função do
professor estudar as atividades propostas, preparar as práticas antecipadamente, determinar
quando e como utiliza-las e adequá-las ao cotidiano dos alunos.
Uma deficiência observada nas orientações para os alunos é a respeito das unidades de
medida. As atividades práticas, principalmente, deveriam estimular o uso das unidades de
medida corretas, para que os alunos possam se familiarizar o quanto antes com essas
denominações.
Após a análise dos materiais experimentais presente em todos os kits da Experimentoteca,
ficou evidente a qualidade dos equipamentos, a organização, a disposição e a diversidade de
materiais disponíveis para os professores trabalharem com os alunos. Os kits, em geral, são
131
completos, não necessitam de nenhum material extra para experimentação. A maioria dos
materiais é duradouro, reutilizável e muitos podem ser repostos (caixa suporte e reposição).
Porém, alguns componentes da Experimentoteca exigem atenção especial por parte do
professor, pois trazem riscos à segurança dos alunos, em especial os experimentos que
trabalham com fogo, ácido e materiais pontiagudos. Os alunos podem apresentar dificuldade de
identificação de alguns materiais (principalmente na área de Física, especificamente na parte
elétrica), pois eles não são devidamente nomeados. Mais uma vez, cabe ao professor se preparar
e ficar atento às dificuldades que possam surgir durante as atividades.
Posteriormente a análise dos roteiros e dos materiais experimentais foi feito um
levantamento para saber se os professores utilizam esse material que lhes é disponível. As
entrevistas realizadas com as professoras indicaram que todas elas conhecem a Experimentoteca
e disseram ter entrado em contato com esta por meio de informação trazida pela coordenadora
de ciências da escola. No entanto, nenhuma delas utilizam e nem pretendem utilizar o material
da Experimentoteca, pois dizem que não há tempo para cumprir com as exigências da apostila e
quando utilizam um material experimental, optam pelo material do SANGARI por esse estar
presente na própria sala de aula. Apenas coordenadora já utilizou os equipamentos da
Experimentoteca quando estava lecionando e ressaltou que assim que voltar à sala de aula
pretende utiliza-lo novamente. Por essa razão, foi relevante comparar o material disponibilizado
na Experimentoteca com a apostila usada pelas professoras. A conclusão foi clara. Inúmeras
experiências se adequam ao que é visto nas apostilas
132
Tabela 22. Material disponibilizado na Experimentoteca e comparação com a apostila
usada pelas professoras de Ciências do Ensino Fundamental Ciclo II na EMEF “Dr.
João Maria de Araújo Jr.”A primeira coluna corresponde ao ano do Ensino
Fundamental Ciclo II, a segunda coluna refere-se as matérias das apostilas de cada ano e
a terceira coluna aos experimentos disponíveis na Experimentoteca.
Ano escolar
o
6 ano
o
7 ano
o
8 ano
o
9 ano
Temas desenvolvidos
Experimentos
Tema de experimentos
Pressão Atmosférica
Pressão Atmosférica A e B
Estados Físicos da Água
Estados Físicos da Água
Empuxo
Flutuação e Empuxo
Tensão superficial da água
Tensão superficial
Doenças transmitidas pela água
Origem e formação do solo
Doenças no Brasil
Decomposição das rochas para formar o
solo
Composição do solo
Permeabilidade do solo
Aproveitamento e cultivo do solo
Preparação de um solo agrícola
Recuperação do solo
Doenças transmitidas por animais e
microorganismos encontrados no solo
Decomposição do solo
Poríferos e Cnidários
Morfologia dos Invertebrados
Vermes
Morfologia dos Invertebrados
Artrópodes
Morfologia dos Invertebrados
Moluscos
Morfologia dos Invertebrados
Equinodermos
Morfologia dos Invertebrados
Fotossíntese
Metasebolismo das plantas: fotossínt
Relação entre os seres vivos
Interações dos seres vivos
Cadeia alimentsr
Interações dos seres vivos
Sistema respiratório
Aparelho respirátorio 1 e 2
Sistema locomotor
Estrutura óssea
Sistema sensorial
Sistema nervoso: órgãos dos sentidos
Sistema glandular
Sistema genital: fecundação
Excreção através da pele
Aparelho reprodutor masculino e
feminino
Organização da matéria
Dimensões do átomo
Substâncias e reações químicas
Estequiometria
Ácido e Base
Energia e movimento
Ácidos e bases
Termometria, Transferência de calor,
Princípios da máquina térmica
Energia elétrica e o magnetismo
Magnetismo e Eletromagnetismo
Eletromagnetismo
Eletromagnetismo
Doenças no Brasil
Além disso, a Experimentoteca é um laboratório de Ciências móvel, é possível que o
professor pegue o kit e leve para sala de aula para complementar sua teoria e assim cumprir o
que é necessário de maneira mais ilustrativa, estimulando o aluno a pensar sobre o tema.
133
É possível concluir que todo material da Experimentoteca é excelente e muito bem
elaborado. Além da diversidade dos materiais, da qualidade e da organização, com essas
atividades práticas é possível estimular o raciocínio e capacidade investigativa dos alunos e
permitir que eles desenvolvam conhecimento científico e se tornem sujeitos capazes de
compreender fenômenos da Natureza e de agir de forma consciente e crítica.
Tabela 23 – Representação do valor total (N = 43) das características analisadas
nos roteiros dos professorres referente aos temas contidos na Experimentoteca da
EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP.
Item analisado
SIM
NÃO
N (roteiros)
Roteiros bem especificados
63%
37%
43
Correção gramatical
91%
9%
43
Presença de roteiro para todos os
67%
33%
43
experimentos
Presença de roteiros específicos e
98%
2%
43
separados para professor e aluno
Com definição de tempo para
21%
79%
43
execução
Apresenta ilustrações
30%
70%
43
Atende ao objetivo proposto
93%
7%
43
Necessita de conhecimento prévio
86%
14%
43
Aplicações no cotidiano
32,5% 67,5%
43
Relaciona-se com outro(s)
21%
79%
43
experimento(s)
Tabela 24 – Representação do valor total (N = 49) das características analisadas nos
roteiros dos alunos referente aos temas contidos na Experimentoteca da EMEF “Dr.
João Maria de Araújo Jr.” Botucatu, SP.
Item analisado
SIM
NÃO
N (roteiros)
Roteiros bem especificados
82%
18%
49
Correção gramatical
92%
8%
49
Presença de roteiro para todos
100%
0%
49
os experimentos
Presença de roteiros específicos
86%
14%
49
e separados para professor e
aluno
Com definição de tempo para
18%
82%
49
execução
Apresenta ilustrações
88%
12%
49
Atende ao objetivo proposto
94%
6%
49
Necessita de conhecimento
77.5%
22,5%
49
prévio
134
Tabela 25 – Representação do valor total (N = 49) das características analisadas
dos equipamentos experimentais contida nos roteiros da Experimentoteca da
EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP.
SIM
NÃO
TOTAL
Boa qualidade
100%
0%
49
Traz risco a segurança
43%
57%
49
Duradouro
69%
31%
49
Fácil manuseio
88%
12%
49
Reutilizável
65%
35%
49
Completo
73%
27%
49
Estimula coordenação
37%
63%
49
motora
Explicações claras para a
92%
8%
49
montagem do(s)
experimento(s)
135
3. Anexos
Anexo I - Tabela utilizada para registros sobre as instruções apresentadas no roteiro do
professor
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
b) Correção gramatical
c) Presença de roteiro para todos os experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados para
professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
f) Apresenta ilustrações
g) Atende ao objetivo proposto
h) Necessita de conhecimento prévio
i) Aplicações no cotidiano
j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s)
Anexo II - Tabela utilizada para registros sobre as instruções apresentadas no roteiro do
aluno
Item analisado
Sim
Não
a) Bem especificado
b) Correção gramatical
c) Presença de roteiro para todos os
experimentos
d) Presença de roteiros específicos e separados
para professor e aluno
e) Com definição de tempo de execução
f) Apresenta ilustrações
g) Atende ao objetivo proposto
h) Necessita de conhecimento prévio
Anexo III - Tabela utilizada para registros sobre as instruções apresentadas no roteiro do
professor
Materiais
Sim
Não
k) Boa qualidade
l) Traz risco a segurança
m) Duradouro
n) Fácil manuseio
o) Reutilizável
p) Completo
q) Estimula coordenação motora
r) Explicações claras para a montagem do(s)
experimento(s)
136
Anexo IV - Roteiro de entrevista para professor de Ciências
1. Você conhece o material da Experimentoteca? Se não, porque não? Se sim, porque se
interessou em conhecer?
2. Você já usou esse material?
3. Pretende usar esse material algum dia?
137
Projetos Extracurriculares Desenvolvidos na
Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”
Fernanda Helena Palermo
Guilherme Roberto Gama
José Ricardo Pires Adelino
Talita de Mello Santos
Thais Cristina Pais
1. Introdução
Os projetos extracurriculares desenvolvidos na Escola Municipal “Dr. João Maria
de Araújo Júnior” são atividades que proporcionam vivências diferentes aos estudantes,
daquelas de sala de aula. Nelas, muitas vezes, têm oportunidade de entrar em contato
com pessoas diferentes de seu cotidiano, assim como com atividades que proporcionam
maior ação de protagonismo juvenil, além de possibilitar-lhes aprimorar habilidades,
contribuindo para o desempenho dentro e fora da sala de aula. Sobre isso, Bronzoni
(2008) destaca que
“As atividades extracurriculares são voltadas ao desenvolvimento das
potencialidades da criança, do adolescente, do jovem e contribuem nos
processos de desenvolvimento pessoal, a promoção social e o
fortalecimento da auto-estima. Ter acesso a atividades extracurriculares
pode representar uma diferença significativa no desempenho escolar.”
Outra razão importante para as atividades extracurriculares é que além do
envolvimento com diferentes saberes, os estudantes podem ficar fora de situações de
vulnerabilidade e risco social, como explicita Matias (2009)
“(...) a participação de crianças e adolescentes (sobretudo as que
vivem nas comunidades menos favorecidas economicamente) em
programas sociais, no horário alternado ao da escola ou nas escolas
de tempo integral, justifica-se pela possibilidade de proteção desse
público, devido a situações de vulnerabilidades sociais, e,
sobretudo, para a não inserção dos jovens no mundo do crime.”
Os projetos tratados neste trabalho são aqueles realizados no ano de 2011 e que
terão continuidade no ano de 2012. Dentre eles há os projetos que classificamos como
internos, aqueles idealizados pela Comunidade Escolar, e os Externos, aqueles
promovidos por pessoas ou Instituições não ligadas à Escola. Dentre os primeiros estão:
138
Construindo um Planeta Melhor; Coral; Lixo nosso de cada dia; Sexta aula; Show de
Talentos e Xilogravura. No segundo grupo, projetos Externos encontramos: Jovens
Construindo Cidadania (JCC) e Óleo fora d’água. No rol das Parcerias encontramos o
Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), Desafio Jovem e o Núcleo de
Apoio à Saúde da Família (NASF).
Neste trabalho tivemos como objetivo conhecer e avaliar aspectos históricos,
dificuldades, necessidades, expectativas e resultados que têm sido obtidos nos Projetos
Extracurriculares da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.” realizados no ano
de 2011 e com continuidade em 2012, visando o enriquecimento do acervo da escola
com dados que poderão também ser usados durante a elaboração do plano político
pedagógico dessa unidade escolar.
2. Projetos Internos: Propostas e realizações
2.1. Construindo um Planeta melhor
O projeto Construindo um Planeta Melhor foi elaborado a partir da ideia de duas
alunas do 7º ano, que, incomodadas com a sujeira presente constantemente na escola e
estimuladas por projetos extracurriculares, decidiram procurar a coordenação para expor
essa insatisfação e tentar conseguir apoio para desenvolverem ações que fizessem da
escola um lugar mais limpo e de reflexão sobre o meio ambiente. Através da
conscientização dos alunos e responsáveis sobre a necessidade do descarte adequado do
lixo para se manter o ambiente escolar mais limpo. Essa iniciativa também estimularia o
protagonismo juvenil, pois os próprios alunos tomariam a frente da proposta
responsabilizando-se pela implementação das ações e coleta de dados necessários às
mudanças almejadas. Os resultados obtidos, podendo ser transmitidos a outros alunos,
seria também uma forma de trabalhar em prol das mudanças de atitudes necessárias às
melhorias.
Esse projeto, desenvolvido pelas alunas em conjunto com a coordenadora
pedagógica, foi iniciado em 2011, com uma apresentação das ideias principais em sala
de aula aos demais estudantes. Nesse momento foi feito o convite aos alunos dos 7ºs e
8ºs para participarem do desenvolvimento da proposta.
As realizações das atividades desse projeto (Figura 1) têm ocorrido às terçasfeiras, das 14 horas às 15 horas, com participação de 20 a 30 alunos, em média, dos 7ºs e
139
8ºs anos. As atividades vão desde a contagem das gomas de mascar espalhadas pelo
chão da escola, em torno de 5000 unidades, até na realização de experimentos, como o
que foi feito sobre a água, que evidenciam os problemas que a poluição desse líquido
pode causar nos ambientes.
Os diversos materiais necessários para o desenvolvimento de experiências práticas
(potes, óleo, álcool, etc.), são disponibilizados pela escola. A necessidade de lixeiras
mais apropriadas na unidade educacional também foi apontada, por uma das
realizadoras do projeto, como sendo de grande importância.
Foi relatado ainda uma falta de apoio da direção da escola, que muitas vezes
reclama da presença dos adolescentes em espaços da escola e não vê com bons olhos a
participação de alunos considerados como “maus alunos”. Um importante fato
observado pela coordenação é que justamente os “maus alunos”, são os que mais se
dedicam e que apresentam os melhores rendimentos, em termos comportamentais e de
boas realizações, nos projetos desenvolvidos em horários diferentes do período escolar.
Cogita-se fazer com que esse projeto se espalhe pelo bairro, divulgando as
principais ideias, para que o entorno da escola se torne também mais limpo e seus
moradores mais consciente. Essa disseminação das idéias alimentadas pelo grupo do
projeto "Construindo um Planeta Melhor" poderia se dar também através de um blog
que seria mantido pelo grupo.
Figura 1 - Alunas do Projeto "Construindo um planeta
melhor", realizando experimento com licenciando das Ciências
Biológicas, da UNESP, Botucatu.
140
O que os idealizadores do projeto esperam dos adolescentes participantes, é que,
além da participação nas reuniões, estabeleçam melhor comunicação com as autoridades
e com os demais envolvidos, aumentem o grau de responsabilidade individual e coletiva
com as atividades do projeto, e principalmente, consigam melhoria nas condições de
limpeza da escola. Esperam também que eles se empenhem na divulgação da proposta e
das realizações, em suas respectivas salas de aula, para que consigam atingir maior
número de estudantes.
Depois do acompanhamento de atividades desenvolvidas no projeto, foi aplicado
um questionário (Anexo 1 ) a 18 alunos participantes, que estavam presentes naquele
dia. Com o questionário procuramos saber qual o tempo de participação de cada um
deles; a assiduidade; sobre a organização do grupo para desenvolvimento das
atividades; quais as melhorias que poderiam ser realizadas no projeto em termos de
estrutura, apoio, organização, materiais ou outras sugestões; qual a influência na vida
dos alunos e se havia alguma participação da escola e de que maneira ocorria.
Quando o projeto começou há um ano, apenas 16,67% dos alunos participavam
das reuniões. Hoje, após um mês, há 50% de participantes (Figura 2), atraídos pelos
colegas para participação das atividades.
N = 18
Figura 2: Porcentagem de alunos e respectivos tempos
participação no projeto "Construindo um mundo
melhor", da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr",
Botucatu, SP.
Mais de 70% dos alunos faltou apenas 1 ou 2 dias no projeto (Figura 3), o que
indica que são participantes assíduos às atividades. Um total de 22% esteve sempre
presente às reuniões e aproximadamente, 6% dos alunos faltaram de 3 a 4 dias.
141
N = 18
Figura 3: Frequência de participação de alunos no
projeto "Construindo um mundo melhor", da escola
"Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP.
Mais de 55% dos alunos considera a organização do projeto plenamente
satisfatória (Figura 4), 44% considera satisfatória e não há qualquer aluno que esteja
insatisfeito com a forma como as coisas são organizadas.
N = 18
Figura 4: Opinião dos alunos quanto à organização do
projeto "Construindo um mundo melhor", da escola
"Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP.
O apoio ao projeto foi o item mais citado (Figura 5) como precisando de
melhoria, com 33% dos votos, seguido da estrutura e a organização com 20%. Os
materiais, com 15% das citações e outras melhorias, que não foram especificadas pelos
estudantes, com cerca de 10%.
142
N = 18
Figura 5: Melhorias necessárias, segundo alunos, ao
projeto "Construindo um mundo melhor", da escola "Dr.
João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP.
Com relação à influência do projeto na vida dos alunos, as citações mais
importantes referiram-se ao cuidado para não poluir a água, separar o lixo seco do lixo
úmido e ter noção de como fazer reciclagem. Já em relação a influência do projeto na
escola as mais importantes referem-se à redução da sujeira jogada no chão da escola,
diminuição a quantidade de lixo e de goma de mascar no chão.
Nós, licenciandos do Curso de Ciências Biológicas, sugerimos que sejam
desenvolvidos experimentos relacionados à drenagem da água, em diferentes tipos de
solos, para que os alunos entendam a necessidade de se manter a vegetação no solo;
experimentos que demonstrem a decomposição do lixo (papéis, plásticos, metais), para
que tenham noção do tempo necessário para a decomposição de embalagens,
principalmente de balas e gomas de mascar; saída para conhecer o destino do lixo em
lixão ou aterro sanitário, para que observem esses locais e tenham a percepção de como
podem afetar diretamente o meio ambiente, além de exibições de vídeos que contenham
uma abordagem geral em relação ao tema, como o Documentário Lixo Extraordinário
de Vik Muniz, que trabalha a idéia de que o lixo pode ser reutilizado para fazer arte, e
um vídeo produzido pelos alunos do curso de Ciências Biológicas da UNESP de
Botucatu, produzido durante uma disciplina de estágio obrigatório no ano de 2011, que
retrata a realidade de um “lixão”. Outra proposta é que assistam e discutam o filme
Super Size Me e Criança Alma do Negócio.
143
2.2. Coral “Erasmina Celi Gobette”
O projeto Coral Escolar “Erasmina Celi Gobette” teve início no ano de 2010, por
iniciativa da Coordenadora Pedagógica do Colégio, ao perceber que a preferência
musical de muitos dos estudantes era restrita às músicas produzidas atualmente, com
falta de informações relevantes e construtivas. Nosso país ao contrário do que é
presenciado recentemente possui um patrimônio musical rico, no qual diversos
compositores valorizaram o senso poético e popularizaram várias questões artísticas
através da música. Nas atividades do Coral (Figura 6) os alunos são apresentados e
podem ter contato mais profundo com diferentes estilos musicais da Cultura Brasileira e
estrangeira. Dessa maneira o projeto tem a finalidade de oferecer conhecimento de
músicas diferentes da midiática atual.
Figura 6 - Ensaio do Coral Erasmina Celi Gobette, da escola
"Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP., com
participação especial de uma profissional da voz.
O canto coral proporciona ambiente positivo de integração interpessoal,
fortalecendo o caráter coletivo dos estudantes e estreitando o contato com conhecimento
cultural, independente da faixa etária na qual se encontram. Espera-se que com a prática
regular, assídua e interessada haja melhora da autoestima e formação de laços de
amizade, laços mais fraternos entre os estudantes de diferentes idades. Esta proximidade
de relações é benéfica e reflete em sala de aula com melhoria no rendimento escolar e
incentivo à participação de outros colegas.
Os ensaios são feitos todas as segundas e quartas-feiras das 14horas às 15h30min,
em um anexo do prédio antigo da Escola, com a participação de 15 estudantes, todos do
144
Ensino Fundamental II da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”. A orientação do Coral
é feita pela Coordenadora Pedagógica da escola e por um profissional da área musical,
porém não possui auxílio de um educador vocal ou regente.
Foi realizada uma entrevista com todos os integrantes do Coral, com o objetivo de
levantar as informações referentes à visão dos alunos sobre o projeto, sua importância e
como esta atividade os influencia no cotidiano. (Anexo 2 )
Das informações obtidas conclui-se que os estudantes veem o projeto de modo
plenamente satisfatório (Figura 7).
N=9
Figura 7: Como os participantes do Coral “Erasmina Celi Gobette
entendem a sua organização e desenvolvimento na escola "Dr. João
Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP.
Quanto ao aspecto de melhorias para o projeto, 100% dos participantes sentem-se
insatisfeitos com a estrutura física que o colégio oferece para as práticas de ensaios
semanais (Figura 8), ressaltando a elevada temperatura da sala de ensaio em dias
quentes e a baixa temperatura em dias frios, a ausência de cadeiras adequadas para o
tamanho dos alunos, a falta de controle adequado da iluminação do local e a péssima
aparência externa da sala; 78% acham que o projeto necessita de mais apoio, como a
orientação de profissionais da voz e na aquisição de instrumentos no colégio
favorecendo assim o tempo utilizado nas práticas; 67% acreditam que os materiais
apresentados no projeto são insuficientes para a prática, sendo sugerida a presença de
material próprio para estudos e 56% dizem que a organização geral do projeto é
insuficiente, destes 11% acreditam ser necessárias outras modificações, porém não
houve citação de quais melhorias seriam necessárias.
145
N=9
Figura 8 – Melhorias almejadas para o desenvolvimento, com mais qualidade, das
atividades do Coral “Erasmina Celi Gobette"
Os resultados indicam que o projeto é de grande importância para os alunos, que
aumentam interesse pelo canto, com vontade de aprender a cantar, de melhorar o uso da
voz, de aprender músicas novas e de ter contato com outras culturas através da prática
de um novo idioma, geralmente o inglês. A participação do coral também é relevante na
vida social dos membros do grupo, dado que vem fortalecendo laços de amizade,
trabalho em equipe com cooperação.
Sugerimos que paralelamente às atividades propostas aos alunos participantes do
Coral “Erasmina Celi Gobette”, para uma melhor compreensão da dinâmica vocal
desenvolvam conhecimentos científicos de diversas áreas. Poderiam ser criados espaços
adequados para desenvolvimento de conhecimentos fundamentais de Física clássica
(ex.ondas), Biologia (ex. estrutura e funcionamento do aparelho fonador, diafragma),
Matemática (ex. relação entre notas musicais) e Letras (ex. interpretações das letras
musicais, rimas).
Algumas das possibilidades de que podemos detalhar para estudos relativos à:
BIOLOGIA
Região abdominal: mostrando a disposição dos órgãos nessa região e suas
finalidades para o corpo humano, finalizando com a apresentação do diafragma e sua
importância na respiração e por consequência no ato de cantar.
Região torácica: mostrar o aparato ósseo e demais órgãos localizados na região
torácica assim como suas funções no corpo, diferenciando a respiração média
(abdominal) da respiração torácica (peitoral), ilustrando seus benefícios, relacionando as
afirmações com a atividade vocal.
146
Região da cabeça: Falar sobre a magnitude do cérebro, e sua relação coma a
concentração. Analisar a anatomia da boca, posições da língua e articulação da mesma.
Perceber a contração muscular na região do pescoço, deslocamento de ar pela região da
faringe na formação do som gerado ao contato com as pregas vocais. Desta maneira
favorecendo uma percepção anatômica espacial das regiões mais importantes ao cantar.
Atividade respiratória e fisiologia da respiração: Consiste em ilustrar os
processos celulares, químicos, bioquímicos, envolvidos no processo de respiração,
mostrando o trajeto do ar a partir da inalação até o momento de chegada aos alvéolos, e
realização da hematose.
Hidratação e relações com alcoolismo e tabagismo: Ressaltar a significância da
hidratação para o corpo humano e por consequência para a prática vocal, ressaltando as
propriedades biológicas da água, como a de ser um solvente universal, e que 70% do
corpo contém água. Através disto mostrar os efeitos danosos do uso de bebidas
alcoólicas e tabaco para o nosso organismo, sendo essa prática ao canto e ao organismo.
Estados mentais: Consiste em trabalhar o nervosismo através de práticas de
relaxamento provenientes do Yoga, com isso apresentando a divisão do sistema nervoso
em Central e Periférico, tendo como foco no SNC, caracterizando-o como responsável
pelo estado mental, relacionando-o com a contração e o relaxamento muscular, para isso
sendo necessária a abordagem celular de músculos, diferenciando musculatura lisa,
estriada cardíaca e estriada esquelética, assim como seus mecanismos celulares de
contração, relacionando com a tensão gerada na região da cabeça quando se fica
nervoso, ansioso etc. Apresentar a ideia de que a sensação de bem estar após atividade
vocal mantém relações hormonais, com aumento de hormônios do bem- estar como
serotonina e endorfina, sendo necessária a abordagem de conceitos como: os hormônios,
suas ações e suas relações com o Sistema Nervoso Central.
Prevenção contra acidentes vocais: Mostrar consequências do uso abusivo e
errôneo da voz, resultando em calos, rouquidão, sendo muitas vezes irreversíveis.
FÍSICA
Conceitos de ondulatória: Conceituar o som a partir da perspectiva da física
clássica, como uma onda, apresentar suas propriedades e suas unidades fundamentais,
como crista, vale e comprimento e frequência de onda, as características dos sons como
intensidade de som (forte/fraco), altura (grave/agudo), timbre.
147
Ressonância: Trabalhar o conceito de ressonância, muito aplicado na afinação
vocal, e na qualidade vocal.
Tensão: Ilustrar as forças físicas relacionadas à tensão muscular na garganta.
Matemática: Estudos de leitura musical, desenvolvendo o raciocínio de
proporção, compassos simples e composto.
Confecção de instrumentos: Trabalhar em conjunto com as disciplinas de artes e
matemática ou em contraturno, executando a construção de instrumentos mais simples
como flautas, monocórdio e instrumentos de percussão, por meio de atividades. Para
essa confecção é necessário a aplicação de proporções matemáticas, como distância
entre os orifícios geradores das notas nas flautas, a relação com formas e áreas
geométricas, tamanho da flauta, e o tom da mesma, além dos trabalhos dentro da
estética do instrumento. A monocórdio, instrumento de uma corda só, que consiste na
geração de sons através da vibração de uma única corda que pode ser apoiada em um
cavalete que desliza pelo comprimento da corda. Esse instrumento serve para a
aplicação dos conceitos de sons gerados por vibração de cordas, sendo possível a
alteração das frequências geradas de acordo com o comprimento da corda.
2.2. Lixo nosso de cada dia
O projeto “lixo nosso de cada dia” foi elaborado a partir de observações feitas na
escola João Maria de Araújo Junior, onde foi constatado que o descarte inadequado de
lixo era feito de forma frequente pelos alunos, mesmo com a escola dispondo de
quantidade razoável de lixeiras, tanto nas salas de aula quanto no pátio e quadra. Outro
fator que poderia contribuir para a sujeira na escola é o pequeno número de funcionários
responsáveis pela limpeza, apenas cinco, sendo que os mesmos são responsáveis pela
Merenda Escolar que exige bastante tempo de trabalho, o que poderia gerar uma
sobrecarga de funções, visto que a escola possui um espaço físico muito grande para a
limpeza diária.
A idealização do projeto foi feita pela Professora Jaqueline Alves Barea Cantão,
atual coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental II da Escola João Maria de
Araújo Junior. Para a realização das atividades estão incluídos professores de educação
artística, ciências, educação física, matemática e outras parcerias.
A maneira escolhida para trabalhar as questões de conscientização com relação ao
descarte inadequado de lixo foi através da proposição de ações junto à comunidade
148
escolar, estimulando o protagonismo juvenil, essas ações, que serão mostradas a baixo,
acontecem desde 2011 e outras atividades estão previstas para este ano.
2.3.1. Atividades desenvolvidas em 2011
No segundo semestre de 2011 foi produzido um Telejornal, intitulado "JM
Notícias" (Figura 9), cujo tema foi o lixo. Isto foi possível devido a uma parceria entre a
Escola e graduandos do curso de Ciências Biológicas do Instituto de Biociências da
UNESP. Neste trabalho, alunos do 6º ao 9º ano fizeram parte da elaboração das pautas
para o Telejornal, além de participarem como repórteres, trazendo o problema do lixo
vivenciado na escola.
Além desta atividade, em outubro, foi realizada uma gincana com todos os alunos
da escola, que envolveu paródias, danças e desfiles de roupas com materiais reciclados
(Figura 10).
Figura 9: Alunos apresentando o Telejornal “JM Notícias”
na escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP.
149
Figura 10: Aluna da com roupa
produzidas de material reciclável,
durante a Gincana, na escola "Dr. João
Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP.
2.3.2. Atividades previstas para 2012
No início do primeiro semestre, houve a apresentação oficial do Telejornal JM
Notícias, na tele-sala da Secretaria Municipal de Educação de Botucatu. Este foi um
evento para mostrar as atividades realizadas pela escola durante o ano de 2011.
Está previsto para este ano de 2012 que todos os alunos da escola assistam ao
telejornal e que este sirva de base para as discussões aprofundadas sobre o descarte
inadequado de lixo na escola.
Concomitantemente, será instalado um “lixômetro”, confeccionado em EVA e
fixado em local de grande circulação dos estudantes. Neste, serão colocadas
informações sobre a quantidade de lixo produzida na escola. Orientados por um
estagiário, um grupo de cinco alunos, serão responsáveis por recolher todo o resíduo do
chão da quadra, das rampas, do pátio e do anexo II da escola, para que posteriormente
seja classificado de acordo com sua procedência para as informações serem
devidamente anotadas no mural do “lixômetro”. As informações coletadas serão
repassadas para o professor de ciências que trabalhará este conteúdo, através da
discussão dos dados.
Nesta etapa do projeto todas as salas do Ensino Básico II deverão participar,
sendo que dos cinco estudantes escolhidos para compor o grupo de trabalho, dois
150
deverão ser alunos participantes do projeto Jovens Construindo a Cidadania (JCC).
Como forma de avaliação desta fase, levar-se-á em conta a quantidade de lixo
produzida. Se ao final de um mês a quantidade de lixo descartado inadequadamente
diminuir, o projeto poderá ser encerrado.
Outra atividade a ser realizada com os alunos será a confecção de lixeiras
ecológicas trabalhadas artisticamente, para isto seriam reutilizadas as caixas de papelão
nas quais o material didático do Sangari veio embalado à escola. Os alunos dos 9ºs anos
ficariam responsáveis por essa atividade.
A coordenação da escola também pretende incluir palestras de entidades ligadas
ao Meio Ambiente para reforçar conteúdos trabalhados dentro da sala de aula.
As motivações para participar do projeto do telejornal, citadas pelos estudantes
foram a de ver a reação das pessoas ao assistirem ao telejornal pronto; tentar mudar os
hábitos dos outros estudantes da escola; deixar a escola mais limpa e porque acharam
que era algo interessante, diferente e poderiam aprender coisas novas. Algumas
mudanças comportamentais que tiveram foram: mudar sua alimentação, não comprando
mais goma de mascar e consumindo menos salgadinhos industrializados, reparar mais
nas pessoas e sempre pensar antes de jogar algum lixo fora de forma inadequada, sentirse na obrigação de dar o exemplo, pois tinha participado da construção do trabalho.
Quanto à organização do Telejornal “JM Notícias”, 50% dos alunos a classificou
como plenamente satisfatória, para estes alunos o apoio da Coordenadora Pedagógica,
Jaqueline Alves Barea Cantão, foi essencial e sentiram um clima fraternal durante as
gravações, que os deixou a vontade para realizar o trabalho. (Figura 11).
N=4
Figura 11: Opinião dos alunos quanto à organização do
Telejornal “JM Notícias”, da escola "Dr. João Maria de
Araújo Jr", Botucatu, SP.
151
Os alunos que consideraram a organização do projeto satisfatória, disseram que
mais reuniões poderiam ter sido feitas e que eles gostariam que os alunos que sujam as
áreas da escola pudessem ser entrevistados.
Apenas um aluno disse que poderia ter participado mais das reuniões, os outros
disseram que participaram bastante. Também acham que o projeto vai influenciar na
escola, principalmente quando o Telejornal for mostrado nas salas de aula.
Para a aplicação do questionário (Anexo 3 ) aos alunos não participantes do
telejornal, foram escolhidos aleatoriamente três alunos de cada ano escolar do 7º ao 9º
ano, totalizando nove alunos.
N=9
Figura 12. Porcentagem de alunos entrevistados que
conhecem o projeto “Lixo nosso de cada dia”, da escola "Dr.
João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP.
Quando perguntados se haviam participado da gincana, seis alunos responderam
que sim, mas não sabiam que tinha sido realizada pelos alunos desse projeto. Todos os
alunos comentaram que gostaram muito, pois foi divertido, diferente e que deveria ser
feita mais vezes.
Quanto à influência na escola, a maioria respondeu que o projeto influencia na
escola, estimulando os alunos a pensarem sobre o assunto, porém alguns estudantes
responderam que mudanças significativas no comportamento dos alunos não tinham
sido notadas ainda.
Sobre a limpeza na escola, três alunos responderam que era boa, um aluno
respondeu que poderia ser melhor, mas que havia poucos funcionários e a escola era
muito grande, o restante disse que não era boa, por falta de consciência dos próprios
alunos. Além disso, segundo um dos entrevistados, o anexo II, o mais antigo da escola,
152
aparenta ser mal cuidado em relação ao prédio mais novo, devido as condições piores de
conservação da estrutura da construção, que desmotiva manter o local limpo.
Cinco estudantes não souberam indicar sugestões para resolver o problema do
descarte inadequado do lixo, os outros alunos sugeriram que poderiam acontecer
atividades mais dinâmicas, como a gincana, com mais frequência, outro sugeriu a
utilização de um controle de limpeza que desse um ponto aos alunos na média final
(esse tipo de controle já acontece em salas do 9º ano).
Duas professoras entrevistadas ( Anexo 3) sobre o problema do lixo, uma de artes
e a outra de português, conheciam o projeto “Lixo nosso de cada dia” e apenas uma
participou das atividades que já aconteceram. Ainda comentaram que esperam que estes
projetos influenciem as pessoas a manter a escola em boas condições, porém uma das
professoras acredita que estes projetos fornecem a informação, porém não estimulam o
desenvolvimento de atitudes adequadas, o que pode ser a razão da falta de melhores
resultados. Uma dessas professoras acha que a limpeza não é satisfatória porque falta de
funcionários e falta de estímulo devido às condições do prédio antigo, sem reformas, até
os locais que já estão sujos, como a quadra, com muitos chicletes.
Dos cinco funcionários existentes na escola, que participam da limpeza,
entrevistamos (Anexo 4) quatro, dos quais 75% conhecem o projeto “Lixo nosso de
cada dia” (Figura 13).
N=4
Figura 13: Porcentagem de funcionários que conheciam o
projeto “Lixo nosso de cada dia”, da escola "Dr. João Maria de
Araújo Jr", Botucatu, SP.
A única funcionária que disse que não conhecia o projeto justificou que era
porque estava de licença, quando ele foi criado.
153
Todos os funcionários disseram que não notaram mudanças significativas na
atitude dos alunos, ainda disseram que já observaram que a escola fica mais suja em
determinadas épocas do mês, como por exemplo, perto do pagamento dos pais.
Mostrando que isso poderia ser trabalhado com os responsáveis pelos alunos, visando
também à melhoria da alimentação dos estudantes, porque grande parte das embalagens
descartadas de forma inadequada são de produtos industrializados.
Como sugestão, os funcionários acham que o mais importante seria que os
professores orientassem os alunos, pois passam bastante tempo em contato com eles.
Para trabalhar as questões de descarte indevido de resíduos nós propomos
algumas ações, descritas anteriormente no projeto “Construindo um planeta melhor”
que poderiam ser feitas em conjunto com o pessoal deste projeto, visto que são
complementares.
Os alunos, orientados devidamente por um professor, poderiam confeccionar
lixeiras específicas para a coleta de chicletes, os "papa chicletes", visto que este é um
problema apontado frequentemente pelos alunos.
Esta atividade poderia contar com a participação de professores de diversas áreas,
por exemplo, das professoras de educação artística para a confecção dos “papa
chicletes”.
2.4. Sexta aula
O projeto Sexta Aula surgiu por solicitação da Direção Escolar que desejava o
aumento de aprovados no Vestibulinho da ETEC “Dr. Domingos Minicucci Filho”,
onde são oferecidos Ensino Médio e Ensino Técnico. Outro motivo foi a queixa de
estudantes dizendo que somente as aulas regulares não estavam fornecendo os subsídios
necessários para a realização das provas de seleção aos cursos mencionados. Alegaram
que os professores estavam envolvidos com a Apostila NAME e poderiam não
conseguir atender a essa demanda em sala.
O público alvo do Projeto Sexta aula são os alunos dos 9º anos, para os quais as
inscrições foram abertas. A procura foi muita, o que exigiu que se fizesse um processo
seletivo. Este se deu através de uma prova envolvendo exercícios do vestibulinho da
ETEC que continham conteúdos já estudados pelos alunos em aulas de Ciências e de
Geografia. Então por ordem de classificação 35 alunos iniciaram nas atividades do
Projeto. Depois, abriu-se uma segunda turma, seguindo a lista de classificação inicial.
154
O projeto consiste em aulas de ciências realizadas duas vezes por semana no
período matutino, das 11h35min às 12h30min. Os principais assuntos desenvolvidos até
agora foram os Ciclos biogeoquímicos; Processos de produção e consumo de energia
pelos seres vivos; Cadeias e teias alimentares; Poluição ambiental; Tipos de energia e as
transformações; Estados físicos da matéria e as mudanças de estado; Velocidade média
e Transformações de unidades; entre outros.
No ano de 2011 alunos da escola obtiveram boas colocações nas provas. Foram
elas: Três (3) das dez (10) primeiras colocações do vestibulinho para Ensino Médio, a 1º
e a 3ª colocação para o Ensino Médio Integrado em Eletrônica, 2º lugar no Ensino
Médio Integrado para Mecânica, sendo ao todo 24 estudantes aprovados. Devido a este
número de aprovações conseguiu-se cumprir a meta desejada por 20% dos alunos dos 9º
anos que, no questionário para Pais e Alunos do SARESP de 2010, explicitaram o
desejo de ingressar na Escola Técnica.
Entrevistamos cinco alunos que participaram do Projeto Sexta Aula em 2011 e
estudam atualmente na ETEC “Dr. Domingos Miniccuci Filho”. Dentre eles 60%
iniciaram na primeira turma da Sexta Aula, e 40% integraram a segunda turma. A
maioria dos alunos acredita que a proposta da sexta aula é boa (Figura 14).
N=5
Figura 14: Opinião dos alunos sobre o projeto "Sexta Aula", da
EMEF " Dr. João Maria de Araújo Jr.
Os três assuntos destacados como melhorias necessárias são apoio, organização
e materiais para os trabalhos (Figura 15), todos com cerca de 33%. O apoio é citado
pelo fato de que apenas uma Professora, a atual Coordenadora Pedagógica da Escola,
ministra as aulas, sendo elas apenas de Ciências, mas havendo necessidade de outras
matérias também.
155
N=5
Figura 15: Melhorias desejadas pelos alunos para o projeto "Sexta
Aula", da EMEF " Dr. João Maria de Araújo Jr.
.
Outra melhoria seria quanto aos materiais utilizados durante as aulas (Figura
15). Segundo os alunos experimentos, demonstrações e outras atividades práticas, são
boas ferramentas para facilitar o aprendizado, sugerindo que atividades destes tipos
sejam mais utilizadas.
Os alunos se mostraram assíduos, com cerca de 80% dos entrevistados tendo
faltado apenas em 1 ou 2 aulas no período de seis meses (Figura 16). Tal resultado
pode ser justificado pelo fato dos pais ou responsáveis acompanharem e incentivarem a
participação dos alunos.
N=5
Figura 16: Assiduidade dos alunos nas atividades do projeto "Sexta
Aula", da EMEF " Dr. João Maria de Araújo Jr.
.
Os estudantes que participaram do projeto no ano de 2011 afirmam que o projeto
influenciou positivamente na aquisição de conhecimento, porque aprimoraram
conhecimentos de Física e Química. Salientam ainda, que o projeto foi essencial para o
156
ingresso na ETEC “Dr. Domingos Miniccuci Filho” pelo fato de alguns conceitos
exigidos na Prova de Seleção foram trabalhados nas atividades do Projeto. Alguns dos
entrevistados contestam e concluem que os conteúdos trabalhados não foram
necessários para a realização da Prova da ETEC, mas contribuíram para que ampliassem
seus conhecimentos, que inclusive são utilizados atualmente nas disciplinas regulares do
Ensino Médio e Ensino Técnico.
Uma problemática apontada pelos ex-participantes seria a implantação de mais
Disciplinas no Projeto, a fim de revisarem ou adquirirem mais conhecimento. Outra
questão apontada é a dificuldade apresentada pela professora ministrante do projeto em
cumprir os horários programados para as atividades.
Contribuições
As contribuições a seguir foram pensadas pelos alunos do Curso de Ciências
Biológicas após entrevista com antigos participantes do Projeto Sexta aula, segundo
estes a realização de experimentos, demonstrações e aulas práticas foram mais efetivas
para o aprendizado, portanto, é de interesse o uso destas modalidades didáticas. Na
Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.” estão disponíveis materiais
experimentais da Experimentoteca da USP, que englobam utensílios e equipamentos
para a realização de experimentos englobando determinados conteúdos de Ciências,
dentre eles estão alguns dos temas propostos pelo Projeto Sexta aula, devido a este fato
a Experimentoteca da USP pode ser uma ferramenta durante a realização das aulas.
Uma ação necessária é a ampliação dos conteúdos trabalhados no Projeto, sendo
assim imprescindível à divulgação do Projeto aos Professores da Escola na tentativa de
aquisição de voluntários, para que haja o acréscimo de disciplinas, o que beneficiaria a
realização da prova pelos estudantes, pois, todo o conteúdo do Ensino Fundamental é
exigido no Vestibulinho da ETEC.
Outra medida a ser tomada é a divulgação deste à Secretaria da Educação do
Município de Botucatu, assim como a outros Órgãos ou Instituições do Município de
Botucatu ressaltando a importância do Projeto, afim do recebimento de apoio financeiro
para a obtenção e manutenção de materiais para as aulas.
157
2.5. Show de Talentos
O Show de Talentos é um projeto que tem como objetivo conhecer e desenvolver
os talentos dos alunos que, normalmente, não são reconhecidos em sala de aula. Então,
através de um evento realizado na Escola, os alunos mostram seus talentos, seja música,
dança, recitação de poemas, entre outros. A partir da Proposta sugerida pela Apostila do
Estado de São Paulo, a Professora de Educação Artística Rosângela de Almeida Rocha
decidiu explorar mas a fundo realizando um evento e a Direção apoiou, o projeto foi
então desenvolvido no ano de 2011. Os participantes são os alunos do Ensino
Fundamental II, porém os organizadores do evento são os alunos do 9º ano. Eles
elaboram cartazes para a divulgação e são responsáveis pelas inscrições dos
participantes. Essas tarefas fazem parte das aulas de artes e os alunos recebem nota de
acordo com o desempenho nas atividades.
Este projeto conta com a participação da comunidade, que além de assistir ao
show, pode participar do projeto com apresentações. No entanto, para que um grupo não
pertencente à escola se apresente é necessária à participação de pelo menos um aluno
que esteja matriculado.
Para a realização do Show de Talentos a Escola conta com o apoio da Prefeitura
Municipal de Botucatu, a qual paga o aluguel dos equipamentos de som utilizado nas
apresentações. Esta é uma dificuldade encontrada pela Professora responsável, porque
nem sempre é fácil conseguir a aparelhagem.
A idealizadora avalia que este projeto é de grande valia devido à melhora do
ambiente escolar, pois os alunos interagem entre eles melhorando o convívio social.
No ano de 2012 serão realizados dois eventos, um para os alunos do período da
manhã e outro para os alunos do período da tarde.
2.6. Xilogravura
O projeto teve início em outubro de 2011, quando a Professora de Educação
Artística Eloísa Bueno que decidiu aprofundar o conteúdo didático sobre o artista Esher
presente nas apostilas NAME, desde então as turmas dos 8º anos começaram o estudo e
produção de Xilogravuras, que continuou a ser trabalhado no início de 2012, com os
mesmos alunos que agora constituíam os 9º anos.
158
Em paralelo com a execução das atividades, os alunos participaram de uma
viagem didática para a cidade de São Paulo para visitarem a Exposição “O mundo
mágico de Esher” realizada no Centro Cultural Banco do Brasil.
No Projeto foram utilizadas técnicas de Xilografia e Xilogravura, que consistem
na marcação de signos nas placas de madeira e a impressão das grafias em papel, esses
processos foram utilizados para uma melhor compreensão das obras de Esher
entendendo como o artista confeccionava suas gravuras e quais ideias e técnicas foram
utilizadas em suas obras.
Durante a fabricação das xilogravuras a participação dos alunos foi favorável, pois
a atividade despertou o interesse, gerando grande aceitação das turmas com um número
mínimo de alunos que recusaram participar das atividades. Em contrapartida ocorreram
dificuldades devido à falta de um ambiente adequado as práticas necessárias, assim
como ausência de estrutura física para os trabalhos manuais, pois envolvem solventes e
tintas, e a dificuldade em encontrar materiais, sendo que materiais como Goivas, Tintas,
Rolos, Madeiras, Papel Canson ou Arroz, foram providenciados e / ou financiados pela
Professora de Artes e alunos.
O encerramento será feito com uma exposição das obras produzidas no Município
de Botucatu.
3. Projetos Externos
3.1. Jovens Construindo a Cidadania (JCC)
Esse projeto iniciou no Município de Botucatu no ano de 2002, e na Escola
Municipal “Dr. João Maria de Araújo Júnior” foi implantado em 2004. A idealização foi
da Polícia Militar do Estado de São Paulo e as atividades são desenvolvidas em
conjunto com a Coordenação da escola.
As reuniões do projeto acontecem uma vez por semana, durante os horários de
aula, com duração de 01h30min, de terças-feiras ou quartas-feiras, sendo sempre em
dias pares. O grupo é composto por 30 alunos dos 7° s e 8°s anos, que são eleitos em
votação pelos próprios colegas de turma.
O JCC em Botucatu é desenvolvido atualmente nas Escolas Estaduais “Professor
Francisco Guedelha” (Parque Marajoara) e “Dom Lúcio Antunes de Souza” (Vila dos
Lavradores); Escolas Municipais de Ensino Fundamental “Professor Jonas Alves de
159
Araújo” (Comerciários III) e “Dr. João Maria de Araújo Júnior” (Vila São Lúcio), além
da Escola Estadual “Professor Américo Virgínio dos Santos” (CECAP), compartilhada
entre o Estado e Município. No total, o JCC reúne em Botucatu cerca de 270 jovens a
partir dos 12 anos.
O maior objetivo do programa é resgatar a autoestima dos adolescentes e
proporcionar que eles se expressem através de atividades de cidadania dentro e fora da
unidade educacional, também atua contra violência de maneira geral nas escolas,
formando jovens mais participativos e conscientes.
3.2. Óleo fora d’água
Este projeto começou a ser realizado em 2007 e foi idealizado pelo Professor
Silvio V. Prearo (autor) e a Professora Silvana Prearo Pedroso (co-autora). Tem como
objetivos mudar hábitos domiciliares com relação ao destino do óleo de fritura sujo que,
via pia de cozinha, chega às redes de esgoto e causa degradação do meio ambiente,
assim conservando os recursos hídricos, através da despoluição das águas dos rios;
promover a sensibilização para as causas ambientais e contribuir para conservação do
Aquífero Guarani.
Este projeto atende às Escolas Municipais e Estaduais de Botucatu, um total de
50, além dos munícipes em geral e algumas empresas como a Induscar, Eucatex,
Duratex, Technout e Globo Usinagem. O trabalho consiste em recolher o óleo de
cozinha usado e a partir daí destinar 10% para a produção de sabão através de oficinas
realizadas nas Escolas, na Sede do Projeto, Associações de Bairros e Empresas. E 90%
para a Usina de Biodiesel que ainda esta em processo de construção e atenderia à frota
escolar do Município de Botucatu e da Sabesp. A cada litro de óleo usado entregue nos
pontos de coleta, recebe-se em troca uma pedra de sabão.
4. Parcerias
4. 1. Centro de Referência da Assistência Social (CRAS)
É uma unidade de Proteção Social Básica do Sistema Único de Assistência Social
– SUAS, que tem por objetivo prevenir a ocorrência de situações de vulnerabilidade e
riscos sociais nos territórios, por meio do desenvolvimento de potencialidades e
160
aquisições, do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e da ampliação do
acesso aos direitos de cidadania. No ano de 2012 em parceria com a Escola o CRAS
central do Município de Botucatu está trabalhando o Projeto Grupo de Convivência e
Fortalecimento de Vínculos com Adolescentes- Programa Projovem Adolescente, no
qual alunos indicados pela Coordenação da Escola participam de atividades no CRAS
Central com Profissionais da Assistência Social e Psicologia, participando de grupos de
conversa e reflexão, e oficinas que abordam temas como: Convivência; Integração;
Identidade; Comunidade; Saúde e Sexualidade; Educação, Cidadania e Meio Ambiente;
Estatuto da Criança e Adolescente; entre outros.
4.2. Desafio Jovem
O Desafio Jovem de Botucatu surgiu de uma Instituição Religiosa que possui uma
Casa de Reabilitação para dependentes químicos do gênero masculino. A partir da
vivência com esta realidade a Assistente Social e um Monitor da Instituição criaram um
Projeto que visa à realização de atividades com crianças e adolescentes sem ocupação
no contraturno escolar ou com vulnerabilidade social. A parceria com a Escola João
Maria surgiu no ano de 2011, após a Instituição ceder espaço para aulas de danças de
um grupo da Escola. Atualmente alunos da Escola João Maria participam das atividades
como aulas de artesanato e xadrez.
4.3. Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF)
O NASF é o Núcleo de Apoio a Saúde da Família, que faz parte de uma equipe de
apoio à Unidade Básica de Saúde (UBS São Lúcio) que atende às necessidades no que
se refere à atenção primária. A atenção primária é um procedimento preventivo e
promotor de saúde, daí seus operadores não cumprem só as tarefas internas da Unidade,
mas tentam assistir, na medida do possível, às organizações comunitárias da área onde
atuam.
Essa equipe de apoio é composta por equipe multiprofissional (Farmacêuticos,
Assistentes Sociais, Terapeutas Ocupacionais, Educadores Físicos, Nutricionistas,
Psicólogos, Fisioterapeutas e Médicos de algumas especialidades, entre eles um
Psiquiatra).
161
Após a equipe instalar-se na UBS São Lucio, ocorrido em janeiro de 2012, foram
mapeadas as possibilidades de ação nessa área e em visita à Escola João Maria se
observou que havia grande demanda de atendimento às crianças no que se referiam à
saúde mental, dificuldades psicopedagógicas, assistência social, entre outras.
Então, periodicamente, através de encontros com coordenadora pedagógica da
Escola, foram discutimos casos de alunos que após sua avaliação cuidadosa, pareceram
merecer atenção, principalmente sob a perspectiva de sua saúde mental, sua situação
social e/ou seu desempenho psicopedagógico.
Após essas reuniões procurou-se priorizar os casos aparentemente mais urgentes e
tomaram-se principalmente algumas dessas condutas como: Convocação dos pais para
uma entrevista na Unidade de Saúde; Visitas domiciliares caso os pais não atendam ao
convite ou necessitem de alguma modalidade de apoio que seja contemplado pelo
NASF; Atendimentos na Unidade os casos cuja demanda se enquadre nos serviços ali
prestados; Encaminhamento de casos para outras instituições, se sua natureza ou
gravidade fugir do alcance (por ex: Setor de Psiquiatria da UNESP; programa “Saúde
do Escolar”; grupos terapêuticos que aconteçam no Espaço Saúde; Conselho Tutelar
etc.).
Não há tempo previsto para a duração desta parceria com a escola e as principais
dificuldades que são encontradas referem-se ao fato da equipe estar atuando
recentemente no Município, ainda construindo métodos de interlocução com outras
organizações
instituídos,
atendimento
que,
uma
vez
possibilitarão
um
mais
ágil
às
necessidades deste público.
5. Fluxograma
O
fluxograma
elaborado
(Figura 17), representa possíveis
interações
entre
Extracurriculares
os
da
Projetos
Área
de
Ciências executados na E. M. E. F.
“Dr. João Maria de Araújo Jr.”,
Figura 17: Fluxograma de possíveis relações entre os
diferentes Projetos Extracurriculares de Ciências,
desenvolvidos na EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr",
Botucatu, SP., que podem resultar em interessantes
atividades interdisciplinares.
162
que indicam possibilidades de comunicação e aprimoramento dos trabalhos, por meio
de atividades interdisciplinares. Alguns temas como o do Lixo pode ser tratado como
um Tema transversal, integrando diversos conhecimentos, que podem ser estudados nos
Projetos Extracurriculares da Escola.
A partir desta idéia é possível combinar os diferentes Projetos
Extracurriculares de Ciências, tomando como exemplo as gomas de mascar que é muito
utilizada pelos alunos do Colégio, que além de ter difícil processo de degradação um
tema que pode ser aprofundado no Projeto Construindo um Planeta Melhor e Lixo nosso
de cada dia, podem estar relacionada a questões de saúde como que é abordada no
Projeto Sexta aula.
As propostas das atividades científicas apresentadas no Projeto Coral, junto com
os demais projetos podem ser trabalhadas em conjunto no Projeto Sexta aula.
163
6. Anexos
Anexo 1: Questões elaboradas para serem respondidas pelos integrantes do Projeto
Construindo um Planeta Melhor
1 – Há quanto tempo participa do projeto?
2 – Você participa regularmente dos ensaios?
3 – A organização do projeto é:
Plenamente Satisfatório
Satisfatório
Não Satisfatório
4 – O que poderia melhorar no projeto?
Estrutura
Apoio
Materiais
Outros:
Organização
5 – Qual a importância do coral em sua vida?
6 – O projeto te influencia na Escola? Como?
Anexo 2: Questões elaboradas para serem respondidas pelos integrantes do Projeto
Coral “Erasmina Celi Gobette”
1 – Há quanto tempo participa do projeto?
2 – Você participa regularmente dos ensaios?
3 – A organização do projeto é:
Plenamente Satisfatório
Satisfatório
Não Satisfatório
4 – O que poderia melhorar no projeto?
Estrutura
Apoio
Materiais
Outros:
5 – Qual a importância do coral em sua vida?
6 – O projeto te influencia na Escola? Como?
Organização
164
Anexo 3: Questões elaboradas para serem respondidas pela Comunidade Escolar sobre
o Projeto "Lixo Nosso de Cada Dia"
1. Você conhece o projeto “Lixo nosso de cada dia”?
2. Já participou de alguma atividade realizada por esse projeto?
3. Em sua opinião, o projeto influencia na escola de alguma forma?
4. O que você acha da limpeza na escola?
5. Teria alguma sugestão de como trabalhar a questão da sujeira com os estudantes?
Anexo 4: Questões elaboradas para serem respondidas pelo funcionários da limpeza
sobre o Projeto "Lixo Nosso de Cada Dia"
1. Você conhece o projeto “lixo nosso de cada dia”
2. Percebeu alguma mudança de atitude nos alunos quanto à sujeira na escola?
3. Em sua opinião, quais medidas poderiam ser adotadas para trabalhar este tema?
165
EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." no Sistema de Avaliação de
Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) 2011
João Manuel Fogaça
Marília Monteiro Quinalha
Rodrigo Santiago Oliveira Carvalho
1. Introdução
O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – Saresp
é uma proposta da Secretaria de Educação (SEE), que desde 1996 procede a uma coleta
anual de dados para avaliar o desempenho das escolas da rede pública, no que se refere
ao ensino de nível básico (SÃO PAULO, 2011). Para isso, além de provas específicas
sobre matérias do currículo escolar, são aplicados questionários para pais e alunos
avaliarem aspectos do contexto e práticas escolares, bem como reunir dados sobre o
perfil daqueles que respondem os questionários. Dessa forma, é possível realizar um
diagnóstico amplo, cujos dados servem de base para melhor compreensão de cada
comunidade escolar, e fornecem subsídios para ações dos gestores, em busca de
melhorias que elevem a qualidade do ensino.
No ano de 2011, ano de interesse do nosso estudo, a Escola Municipal de ensino
Fundamental "Dr. João Maria de Araújo Jr." teve os alunos de 7º e 9º ano avaliados em
Língua Portuguesa, Redação, Matemática e Ciências Humanas (História e Geografia).
Além das provas específicas, foram aplicados questionários para caracterização dos pais
e alunos das referidas séries.
Considerando que a proposta deste trabalho é subsidiar a coordenadora da escola
em seu estudo sobre a evolução do rendimento dos alunos frente a novas orientações
didáticas, o nosso objetivo foi fazer a análise de um conjunto de dados obtidos por meio
do Saresp de 2011 e compará-los com os resultados dos questionários de 2009.
2. Procedimento
Questionários do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São
Paulo (SARESP) de 2009, respondidos por pais e alunos de 7º e 9º ano da Escola
Municipal "Dr. João Maria de Araujo Jr.", Botucatu-SP, foram analisados. Para este
trabalho foram pegos, aleatoriamente, dez questionários de cada turma, que tinha,
166
aproximadamente, 30 alunos, totalizando cinquenta questionários para o 7º anos (7º A 7º E) e quarenta para o 9º anos (9º A - 9º D).
Cada questionário era constituído por 59 questões, sendo que algumas
apresentavam subitens, o que totalizou 278. Porém, para a realização desde trabalho, de
acordo com seu objetivo, foram selecionadas 40 questões que, incluindo os respectivos
subitens, resultou em 97 questões analisadas sobre: a) situação socioeconômica dos pais
e alunos; b) atividades culturais e de lazer; c) desempenho dos alunos e c) relações
interpessoais entre pais, alunos e comunidade escolar.
3. Resultados e Discussão
Sobre as questões respondidas por responsáveis pelos alunos
Em mais da metade dos casos, as mães foram as responsáveis por responder o
questionário (Tabela 1). Wagner et al. (2005) mostram que o tempo de convívio diário
entre os pais e as mães com seus filhos varia, porém as mães convivem diariamente
mais com seus filhos do que os pais, os quais, em geral, são os que saem de casa para
trabalhar. Essa pode ser a razão de 51% das mães terem sido as respondentes do
questionário.
Tabela 1 - Adulto responsável (N = 90) pelo aluno da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr”, que
respondeu ao questionário do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São
Paulo (SARESP) 2011.
% por ano
Responsável pela informação
7º
9º
Pai.
Mãe.
Os dois (pai e mãe).
Outro responsável.
8%
51%
37%
4%
12%
60%
25%
3%
Sobre como o adulto respondente percebe a atuação da escola quanto a interação
com as famílias e com os estudantes, 7 questões foram analisadas e os resultados
encontram-se nas tabelas de 2 a 8. Na primeira questão, sobre a participação aos pais
acerca dos progressos realizados pelos respectivos filhos, verificamos que os adultos
respondentes consideram satisfatório o grau de informação que recebem da escola
(Tabela 2). Isto indica que os pais têm acesso aos assuntos escolares, e que há um
diálogo entre a escola e os pais.
167
Tabela 2 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem a comunicação feita pela
EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr" sobre o progresso dos respectivos filhos.
% por ano
Natureza da comunicação feita pela escola aos responsáveis
7º
9º
Plenamente satisfatória.
Parcialmente satisfatória.
Não satisfatória.
Não sabe.
47%
45%
6%
2%
50%
47%
3%
0%
Quanto ao respeito que os professores têm pelos alunos (Tabela 3), os resultados
indicam que os pais estão plenamente ou, pelo menos, em parte satisfeitos com a
maneira dos professores tratarem seus filhos podendo indicar confiança na atuação
profissional do professor.
Tabela 3 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem o respeito dos
professores pelos alunos da EMEF " Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Grau de respeito dos professores pelos alunos
7º
9º
Plenamente satisfatório.
Parcialmente satisfatório.
Não satisfatório.
Não sabe.
50
40
6
4
47
45
5
3
Em relação ao bem estar do aluno na escola (Tabela 4), muitos pais declaram
estar satisfeitos, porém, existe uma porcentagem que não avalia positivamente esta
questão, sendo assim, seria desejável que os gestores da escola, procurassem conhecer o
que se passa. Caso sejam fatos relevantes para o bem-estar e formação dos estudantes,
medidas para resolver os problemas poderiam ser estudadas e implementadas. Quando
se referem à preparação dos alunos para o futuro (Tabela 5), a maioria dos pais declara
estar satisfeita com as orientações que seus filhos recebem na escola, indicando que há
boa atuação profissional dos gestores e professores.
168
Tabela 4 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem o bem estar dos alunos
na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Grau de bem estar do aluno na escola
7º
9º
Plenamente satisfatório.
Parcialmente satisfatório.
Não satisfatório.
Não sabe.
38
54
8
0
52
38
10
0
Tabela 5 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem a preparação dos alunos
para o futuro na EMEF "Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Grau de aceitação sobre a preparação dos alunos para o futuro
7º ano
9º ano
Plenamente satisfatório.
Parcialmente satisfatório.
Não satisfatório.
Não sabe.
45
51
2
2
52
45
0
3
Quanto a compreensão do conteúdo das lições de casa (Tabela 6), a maioria dos
pais diz compreender o que os professores pedem nas tarefas de casa, solicitada aos seus
filhos, porém uma porcentagem de 16% de respondentes do 7°s e 9°s anos, não
concordam com isto. Este é um assunto que caberia aos responsáveis buscarem
esclarecimentos junto aos professores.
Tabela 6 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem o conteúdo das lições de
casa aplicadas pelos professores da EMEF " Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Grau de compreensão do conteúdo das lições de casa do filho
7º
9º
Plenamente satisfatório.
Parcialmente satisfatório.
Não satisfatório.
Não sabe.
43
41
16
0
38
38
16
8
Quando os responsáveis pelos alunos foram questionados se gostariam que seus
filhos estudassem em outra escola, mais que 50% dos responsáveis pelos alunos do 7º
ano mostraram-se satisfeitos com a escola (Tabela 7), porém, uma porcentagem
relativamente grande de pais dos alunos do 9º ano, gostaria que seus filhos estudassem
em outra escola. Reforçando esta ideia, muitos pais declararam que pagariam por uma
169
escola particular para seus filhos se pudessem (Tabela 8), demonstrando que valorizam
o ensino privado.
Tabela 7 – Adultos respondentes (N = 90) que gostariam que seu filho estudasse em outra
escola.
% por ano escolar
Grau de aceitação de que o filho estude em outra escola.
7º
9º
Plenamente satisfatório.
Parcialmente satisfatório.
Não satisfatório.
Não sabe.
22
12
58
8
43
25
30
3
Tabela 8 – Adultos respondentes (N = 90) que pagaria uma escola particular para seus filhos se
pudesse.
% por ano escolar
Grau de investimento em uma escola particular
7º
9º
Pleno.
Parcial.
Inexistente.
Não sabe.
48
6
46
0
32
32
35
8
Em geral, os pais avaliam positivamente a escola (Tabela 9) e os dados indicam
que a capacidade da Diretora de realizar bem o seu trabalho (médias 8,0 e 7,3 nos 7º e
9º anos, respectivamente) é fator importante, segundo os responsáveis pelos alunos.
Quanto a disciplina dos estudantes, consideraram como sendo satisfatória (média de 6,2
em ambos os anos). Para os responsáveis pelos alunos, portanto, é fundamental que a
escola tenha uma boa gestão escolar em conjunto com uma boa disciplina dos
estudantes.
Para a maioria dos responsáveis pelos alunos, as lições de casa não são muito
comuns (Tabela 10), informação esta reforçada pelos alunos (ver tabela 32).
Quanto ao fato dos filhos fazerem lição de casa em frente à televisão (Tabela
11), a maioria dos pais afirma que isso não acontece, informação que vai ao encontro do
que apresentaram os alunos (ver Tabela 33).
Tanto nos 7°s como nos 9°s anos, pelo menos metade dos pais declaram que seus
filhos têm um lugar adequado para fazer as lições de casa (Tabela 12). Esses aspectos
são importantes, pois indicam que os alunos têm condições de dispor de um lugar
170
tranquilo para realizar as lições de casa, podendo concentrar-se nas atividades a serem
realizadas.
Tabela 9 - Média das notas (0-10) atribuídas pelos adultos respondentes (N = 90) a EMEF “Dr.
João Maria de Araujo Jr.”
Média por ano
Itens avaliados
escolar
7º
9º
Capacidade dos professores.
Capacidade do Diretor ou Diretora .
Disciplina dos alunos.
Interesse do seu filho pelos estudos.
Conhecimento que a escola tem sobre os problemas do ensino.
Qualidade dos Profissionais que atendem do alunos.
Localização da escola.
Instalações físicas da escola (prédio, quadras, etc.).
Segurança da escola
7,8
8,0
6,2
7,2
7,5
7,9
8,7
7,2
7,3
8,1
7,3
6,2
7,4
7,2
8,0
8,7
6,8
7,0
Tabela 10 - Frequência com que são dadas lições de casa para os alunos da EMEF “Dr. João
Maria de Araujo Jr.”, adultos responsáveis (N = 90).
% por ano escolar
Frequência da lição de casa
7º
9º
Sempre, todo dia ou quase todo dia;
Algumas vezes, de vez em quando;
Pouca, quase nunca;
Nunca
Não sabe.
17
51
28
2
2
7
57
28
5
3
Tabela 11- Forma de execução da lição de casa pelos alunos da EMEF “Dr. João Maria de
Araujo Jr.”, segundo seus responsáveis respondentes (N = 90).
% por ano escolar
Execução da lição de casa em frente a televisão
7º
9º
A)Sim.
B)Não.
C)Não sei.
20
80
0
30
65
5
171
Tabela 12- Avaliação da adequação do local de estudo dos alunos da EMEF “Dr. João Maria de
Araujo Jr.”, pelos adultos responsáveis (N = 90).
% por ano escolar
Lugar adequado para fazer as lições de casa.
7º
9º
A)Sim.
B)Não.
66
34
50
50
C)Não sei.
0
0
A maioria dos pais afirmou ter em casa como bens culturais: dicionário, livros
educativos, enciclopédia e livros de romance e poesia (Tabela 13). É importante que os
alunos tenham acesso a materiais como estes, que podem complementar o que é
aprendido na escola.
Tabela 13- Bens culturais a que os adultos respondentes (N = 90) têm acesso.
% por ano escolar
Bens culturais
7º
Jornal diário em casa.
A) Sim
B) Não
9º
18
82
12
88
A)Sim
B)Não
Dicionário em casa.
30
70
50
50
A)Sim
B)Não
Livros (romance, poesias, contos,etc.).
84
16
93
7
A)Sim
B)Não
Livros educativos, enciclopédia.
62
38
75
25
A)Sim
B)Não
82
18
62
38
Informação geral (Veja, Época, etc.).
Em geral, as famílias dos estudantes possuem duas televisões em cores, um
rádio, um automóvel e um computador com internet (Tabela 14). Isto indica que a
maioria dos alunos tem acesso aos principais meios de comunição, que podem ser
utilizados como fontes de pesquisa e trabalho.
172
Tabela 14- Bens materiais que os adultos respondentes (N = 90) possuem em suas casas.
Bens materiais
% por ano escolar
7º
9º
0
16
44
24
16
0
10
54
18
18
A)Não tem
B)Um
C)Dois
D)Três
E)Quatro ou mais
Automóvel (de passeio).
10
60
20
8
2
18
40
25
12
5
A)Não tem
B)Um
C)Dois
D)Três
E)Quatro ou mais
Computador.
28
54
14
2
2
17
60
20
3
0
A)Não tem
B)Um
C)Dois
D)Três
E)Quatro ou mais
Internet.
20
64
12
4
0
20
60
17
0
3
A)Não tem
B)Um
C)Dois
D)Três
E)Quatro ou mais
32
66
2
0
0
25
72
3
0
0
Televisão em cores.
A)Não tem
B)Um
C)Dois
D)Três
E)Quatro ou mais
Rádio.
A maioria dos pais participou da vida escolar indo a reuniões de pais e
conversando com seu respectivo filho sobre a escola (Tabela 15), com poucos deles
tendo declarado que não participam de atividades escolares. Isso indica que os pais
recebem informações sobre os assuntos da escola relacionados à educação de seus
filhos, como se pode constatar na tabela 2.
173
Tabela 15 - Participação dos responsáveis (N = 90) na vida escolar dos alunos da EMEF “Dr.
João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Participação dos responsáveis
7º
9º
Participação em atividades promovidas pela escola.
A) Reuniões de pais.
B) Festa (por exemplo: dia das mães, festa junina, etc.).
C) Campeonatos esportivos.
D) Passeios.
E) Outras atividades.
F) Nenhuma.
Participação da vida escolar do aluno.
50
20
10
4
6
10
56
23
8
2
3
8
A) Participei das reuniões de pais.
B) Conversei com meu filho sobre a escola.
C) Conversei com os professores do meu filho.
D) Acompanhei as lições de casa.
E) Outras formas de participação.
F) Não participei.
27
31
20
20
2
0
30
28
20
16
3
2
Mais de 70% dos alunos levam até meia hora no trajeto casa-escola (Tabela 16),
portanto, a maioria das famílias dos estudantes deve residir em local próximo à escola.
Tabela 16 - Resultado sobre o deslocamento dos alunos até a EMEF “Dr. João Maria de Araujo
Jr.”, declarada pelos adultos respondentes (N = 90).
% por ano escolar
Tempo no trajeto de casa até a escola.
7º
9º
A)Até meia hora.
B)De meia hora a 1 hora.
C)De 1 a 2 horas.
D)Mais de 2 horas.
78
14
8
0
83
12
5
0
A maioria dos pais dos alunos encontra-se empregados em indústria ou comércio
e possui ensino médio completo (Tabela 17). Percentuais baixos entre 0 a 12% indicam
pais desempregados, pais que não estudaram e pais que concluíram ensino superior. Por
esses resultados podemos concluir que muitos alunos são filhos de pais alfabetizados,
que, portanto, podem auxiliar e apoiar os estudantes em suas atividades escolares.
174
Tabela 17- Resultado da situação de trabalho e escolaridade dos pais, declarada pelos adultos
respondentes (N = 90).
% por ano escolar
Pais
7º
9º
A)Empregado
B)Autônomo
C)Dono de próprio negócio
D)Trabalhador temporário
E)Aposentado
F)Desempregado
G)Outra situação
Lugar de trabalho do pai ou responsável.
52
14
14
2
10
6
2
60
20
12
0
0
3
5
A)Indústria
B)Comércio
C)Prestação de serviços
D)Órgão da administração pública
E)Empresa estatal/pública
F)Entidade beneficente, filantrópica, ONG
G)Agricultura/pesca/pecuária
H)Outra situação
I)Não sabe/ não quer responder
J)Não trabalha
Grau de escolaridade do pai (ou responsável).
28
18
16
4
2
0
4
14
2
12
25
25
20
5
5
0
5
7
3
5
A)Não estudou
B)Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) incompleto
C) Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) completo
D)Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) incompleto
E) Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) completo
F)Ensino médio (antigo 2º grau) incompleto
G) Ensino médio (antigo 2º grau) completo
H)Ensino superior (faculdade) incompleto
I) Ensino superior (faculdade) completo
J)Não sabe
0
12
12
6
10
6
38
6
6
4
0
5
5
5
7
3
55
3
12
5
Situação de trabalho do pai (ou responsável).
A maioria das mães dos alunos encontra-se empregadas em comércio, prestação
de serviços e outras situações, e possuem ensino médio completo (Tabela 18). Em
relação aos pais, podemos notar que a taxa de desemprego e a porcentagem de mães que
não estudaram é maior entre as mulheres. Este dado pode sugerir que as mães convivem
mais diariamente com seus filhos, pelo fato de não trabalharem, tendo uma participação
mais ativa na vida escolar dos filhos em relação aos pais, como discutido na tabela 1.
Em relação a situação socioeconômica das famílias dos alunos, foram analisadas 3
questões, que nos permitiram verificar que existe certa estabilidade financeira, já que a
maioria possui casa própria e bens materiais como carro, computador entre outros
(Tabela 14 e 19), embora haja um intervalo grande no ganho daqueles que possuem os
175
menores e os maiores rendimentos mensais, que foram, respectivamente de R$851,00 a
R$4250,00 (Tabela 20). A maioria das famílias possui de 3 a 5 integrantes (Tabela 21).
Tabela 18 - Resultado da situação de trabalho e escolaridade das mães, declarada pelos adultos
respondentes (N = 90).
% por ano escolar
Mães
7º
9º
A)Empregada
B)Autônoma
C)Dona de próprio negócio
D)Trabalhadora temporária
E)Aposentada
F)Desempregada
G)Outra situação
Lugar de trabalhão da mãe ou responsável.
50
10
10
2
4
14
10
62
18
5
0
0
12
3
A)Indústria
B)Comércio
C)Prestação de serviços
D)Órgão da administração pública
E)Empresa estatal/pública
F)Entidade beneficente, filantrópica, ONG
G)Agricultura/pesca/pecuária
H)Outra situação
I)Não sabe/ não quer responder
J)Não trabalha
Grau de escolaridade da mãe (ou responsável).
4
14
20
0
8
0
0
34
0
20
7
25
15
12
5
3
3
20
3
7
A)Não estudou
B)Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) incompleto
C) Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) completo
D)Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) incompleto
E) Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) completo
F)Ensino médio (antigo 2º grau) incompleto
G) Ensino médio (antigo 2º grau) completo
H)Ensino superior (faculdade) incompleto
I) Ensino superior (faculdade) completo
J)Não sabe
4
12
10
6
8
10
36
4
8
2
5
3
8
8
5
15
41
3
12
0
Situação de trabalho da mãe (ou responsável).
176
Tabela 19 - Resultado de como os adultos respondentes (N = 90) avaliam a residência onde
moram.
% por ano escolar
Situação da casa
7º ano
9º ano
A)Própria, já paga.
B)Própria, financiada,ainda pagando.
C)Alugada.
D)Outra condição (emprestada, casa de família, etc.).
46
16
30
8
40
12
28
20
Tabela 20 - Resultado declarado pelos adultos respondentes (N = 90) sobre a renda familiar .
% por ano escolar
Renda familiar
7º
9º
A)Ate R$850,00.
B)De R$ 851,00 a R$1275,00.
C)De R$1276,00 a R$2125,00.
D)De R$2126,00 a R$4250,00.
E)Mais de R$4250,00.
F)Nenhuma renda.
G)Não sabe/não quer responder.
8
28
32
18
4
0
10
3
15
32
30
8
0
12
Tabela 21 - Resultado indicado pelos adultos respondentes (N = 90) sobre a quantidade de
moradores na casa.
% por ano escolar
Quantidade de pessoas que moram na casa
A)1 pessoa.
B)2 pessoas.
C) 3 pessoas.
D) 4 pessoas.
E) 5 pessoas.
F) 6 pessoas.
G) 7 pessoas.
H) 8 pessoas.
I) 9 pessoas.
J) 10 pessoas.
K) Mais de 10 pessoas.
7º
9º
2
4
18
42
22
4
4
4
0
0
0
3
5
22
32
18
20
0
0
0
0
0
Sobre as respostas fornecidas pelos alunos
Foram analisadas 4 questões sobre a relação do aluno com a escola. Uma delas
indica ser a escola um lugar relativamente agradável (Tabela 22). Mais de 50% dos
alunos concordaram em parte com as afirmações “Eu me considero um bom aluno
(Tabela 23)” e “Eu gosto das atividades que faço na classe (Tabela 24)”, em ambos os
177
anos escolares. No geral, muitos alunos mantêm uma relação satisfatória com escola e
estão conscientes da importância de estudar. Porém, 2% e 8% dos alunos dos 7º e 9º
anos, respectivamente, pensam que a escola perda de tempo (Tabela 25). Embora sejam
minoria, caberia aos gestores e professores, verificar quais os possíveis fatores que os
impedem estabelecer uma boa relação com a escola, uma vez que isso pode dificultar a
aprendizagem. Novos projetos e atividades que estimulem o interesse desses alunos
poderia favorecer um maior envolvimento com melhor desempenho durante a
escolaridade básica.
Tabela 22- Como os alunos respondentes (N = 90) definem a escola EMEF “Dr. João Maria de
Araujo Jr.”.
% por ano escolar
Condição do ambiente escolar
7º
9º
A) Plenamente agradável
B) Agradável em parte
C) Não agradável
36
56
8
30
60
10
Tabela 23- Resultado de como os alunos respondentes (N = 90) definem-se na escola EMEF
“Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Definição
7º
9º
A) Excelente aluno
B) Bom aluno
C) Regular
24
72
4
38
55
7
Tabela 24- Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90), sobre as atividades realizadas na
EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”.
% por ano escolar
Afirmativas
7º
9º
A)Gosto das atividades que faço na classe
B)Gosto em parte das atividades que faço na classe
C)Não gosto das atividades que faço na classe
36
54
10
25
65
10
178
Tabela 25- Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90) sobre a EMEF “Dr. João Maria de
Araujo Jr.”
% por ano escolar
Afirmativas
7º
9º
A) Minha escola é perda de tempo.
B) Em parte, minha escola é perda de tempo.
C) Minha escola não é perda de tempo.
2
18
80
8
12
80
Relação Professor-Aluno
Quanto a relação entre os alunos e os professores, foram analisadas 3 questões
(Tabelas 26 a 28). Em geral, os alunos avaliam positivamente seus professores,
indicando que estes mantêm um bom relacionamento com os alunos (Tabela 26), porém
22% dos alunos dos 7º anos declaram ter professores autoritários (Tabela 27), indicando
que ainda há melhorias a fazer no diálogo professor/aluno. Diante da afirmação “Meus
professores me ajudam quando eu preciso” (Tabela 28), mais de 60% dos alunos, de
ambos os anos, concordam plenamente, mostrando que a maioria dos professores está
sempre disposta a auxiliá-los nas atividades.
Tabela 26 – Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90) sobre a relação professor/aluno na
EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Afirmativas
7º
9º
A)Professores e alunos mantém uma boa relação.
B) Em parte, professores e alunos mantém uma boa relação.
C)Professores e alunos não mantém uma boa relação.
38
56
6
53
40
7
Tabela 27- Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90) sobre o autoritarismo dos professores
na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Afirmativas
7º
9º
A)Meus professores são autoritários.
B)Meus professores são autoritários em parte.
C)Meus professores não são autoritários.
22
22
56
0
28
72
179
Tabela 28- Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90) sobre a ajuda que recebem dos
professores para realização das atividades na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Afirmativas
7º
9º
A)Meus professores me ajudam.
B)Meus professores me ajudam em parte.
C)Eu não recebo ajuda dos meus professores.
68
30
2
70
25
5
Participação no Processo Decisório Escolar
Quanto a participação dos alunos nos processos decisórios da escola, foram
analisadas 2 questões (Tabelas 29 e 30). Os resultados indicaram que na percepção
deles, a participação que têm não é muito efetiva. Alguns alunos declararam não ter
chance de organizar um grêmio estudantil (Tabela 29), e um percentual ainda maior
declara não participar das decisões feitas em sala de aula (Tabela 30), dado este, que
pode indicar certo autoritarismo por parte de alguns professores, como mencionado na
tabela 27. A partir desses resultados, caberia à escola abrir um espaço maior para ouvir
e estudar formas de ampliar a participação dos alunos nos processos decisórios.
Tabela 29 - Resultado sobre a oportunidade de organizar o grêmio estudantil na EMEF “Dr.
João Maria de Araujo Jr.”, alunos respondentes (N = 90).
% por ano escolar
Oportunidade de organizar grêmio estudantil.
7º
9º
A)Plenamente satisfatória.
B)Parcialmente satisfatória.
C)Não satisfatória.
14
52
34
15
38
47
Tabela 30 – Resultados sobre as decisões e regras em sala de aula, declarada pelos alunos
respondentes (N = 90) da escola EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”.
% por ano escolar
Decisões tomadas em sala de aula por alunos e professores
7º
9º
A)Plenamente satisfatória.
B)Parcialmente satisfatória.
C)Não satisfatória.
28
24
48
12
35
53
180
Ambientes de Ensino
A biblioteca e a sala de multimídia da escola foram apontadas como os ambientes
mais utilizados pelos professores para darem aulas. No geral, os diversos locais são
pouco utilizados e a frequência de uso é inversamente proporcional ao avanço dos anos
de escolaridade, exceto no caso da sala de multimídia (Tabela 31). Tendo em vista a
estrutura física que a escola dispõe para a realização de projetos extraclasse, como por
exemplo a Experimentoteca (capítulo 9), é possível aos professores explorarem novos
ambientes de ensino e organizarem atividades práticas e experimentos científicos que
despertem a curiosidade e o interesse dos alunos favorecendo o ensino de ciências.
Tabela 31 – Frequência de uso dos ambientes de ensino da escola EMEF “Dr. João Maria de
Araujo Jr.”, alunos respondentes (N = 90).
Ambientes de ensino
% por ano escolar
7º
9º
0
14
62
24
0
10
78
12
A)Sempre
B)Às vezes
C)Nunca
D)Não existe na minha escola
Uso da Biblioteca.
12
36
34
18
3
27
55
15
A)Sempre
B)Às vezes
C)Nunca
D)Não existe na minha escola
Uso da sala de multimídia.
38
50
12
0
7
68
25
0
A)Sempre
B)Às vezes
C)Nunca
D)Não existe na minha escola
Uso da área verde.
8
36
30
26
15
45
7
33
A)Sempre
B)Às vezes
C)Nunca
D)Não existe na minha escola
14
16
46
24
5
7
55
33
Uso do laboratório de informática.
A)Sempre
B)Às vezes
C)Nunca
D)Não existe na minha escola
Uso do laboratório de Ciências.
181
Práticas de Lição de Casa
Em relação às lições de casa foram analisadas 6 questões (Tabelas 32 a 37). Os
resultados mostram que professores normalmente verificam as lições de casa que foram
solicitadas (Tabelas 32 e 34). Quanto aos pais, as porcentagens demonstram que eles se
interessam em saber sobre as lições de casa dos filhos (Tabela 35), mas nem sempre os
ajudam a fazê-las (Tabela 36). É possível que isso aconteça devido a pouca dedicação
ou mesmo por falta de conhecimento para isso. Durante a execução das tarefas, a maior
porcentagem de alunos, indica não assistir televisão (Tabela 33), resultados este
confirmado pelos pais (ver tabela 11).
Em relação ao tempo, a maior porcentagem de alunos do 7º anos gasta menos de
20 minutos com as lições de casa, enquanto que alunos do 9º gastam entre 20 e 40
minutos (Tabela 37). Esses dados podem indicar que os alunos dos 9º anos se dedicam
mais as lições de casa, ou que os professores responsáveis pelas turmas investem mais
em atividades extraclasse desses alunos do que daqueles de 7º s anos.
A partir dos resultados apresentados verificamos que os professores investem
bastante em tarefas de casa, que podem servir para reforçar os conteúdos abordados em
aula e favorecer o desempenho dos alunos.
Tabela 32 - Resultado da frequência com que os professores passam lições de casa, declarada
pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Frequência das lições de casa
7º
9º
A)Sempre.
B)Algumas vezes.
C)Nunca.
18
72
10
5
83
12
Tabela 33 - Resultado da frequência que os alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João
Maria de Araujo Jr.”, fazem lição de casa assistindo televisão.
% por ano escolar
Frequência das lições de casa feitas em frente a televisão
7º
9º
A)Sempre.
B)Algumas vezes.
C)Nunca.
16
30
54
20
32
48
182
Tabela 34 - Resultado da frequência que os professores verificam as lições de casa, declarada
pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr”.
% por ano escolar
Frequência da verificação das lições de casa pelos professores
7º
9º
A)Sempre
B)Algumas vezes
C)Nunca
48
42
10
52
38
10
Tabela 35 - Resultado da frequência com que os pais perguntam sobre as lições de casa,
declarada pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr”.
% por ano escolar
Frequência com que os pais perguntam pelas lições de casa dos alunos
9º
7º
A) Sempre
B) Algumas vezes
C) Nunca
60
30
10
45
30
25
Tabela 36 - Resultado da frequência com que os pais ajudam nas lições de casa, declarada pelos
alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Frequência do auxílio dos pais em lições de casa
7º
9º
A)Sempre
B)Algumas vezes
C)Nunca
26
44
30
27
35
38
Tabela 37 - Resultado do tempo que alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de
Araujo Jr.” se dedicam as lições de casa.
% por ano escolar
Tempo dedicado às lições de casa
7º
9º
A)Menos de 20 minutos
B)Entre 20 e 40 minutos
C)Entre 40 minutos e 1 horas
D)Mais de 1 hora
E)Eu não faço lição de casa
42
40
14
2
2
25
47
18
3
7
Uso da Internet
Um elevado percentual de alunos declarou utilizar a internet para propósitos
escolares, bem como para lazer. Muitos alunos utilizam a internet em casa (Tabela 38),
indicando fácil acessibilidade a esse meio de comunicação, que pode auxiliá-los durante
183
as atividades escolares. Porém, na escola, o uso desse meio é muito restrito, indicando
que poucas atividades são elaboradas para serem realizadas na sala de informática. A
partir disto, podemos sugerir que haja melhor organização, por parte dos professores,
para que preparem atividades que facilitem a aprendizado por este meio.
Tabela 38 - Resultado sobre o uso da internet, alunos respondentes (N = 90).
Internet
% por ano escolar
7º
9º
74
26
75
25
A)Sim
B)Não
Uso da internet em outro lugar.
6
94
2
78
A)Sim
B)Não
Pesquisas da escola.
66
34
62
38
A)Sim
B)Não
Trabalhos da escola.
84
16
90
10
A)Sim
B)Não
Conversar com seus amigos.
88
12
95
5
A)Sim
B)Não
Jogar.
80
20
90
10
A)Sim
B)Não
78
22
68
32
Uso da internet em casa.
A)Sim
B)Não
Uso da internet na escola.
Bullying
Em geral, o percentual relacionado à prática de bullying não é alto na escola,
porém existe (Tabela 39). Nota-se que em todas as afirmativas, alunos mais novos (7º
anos) possuem uma tendência maior de sofrer bullying que alunos do 9° ano. O bullying
é um problema mundial que acomete crianças ou adolescentes, que sofrem com essa
prática e podem desenvolver problemas sérios de relacionamento como, por exemplo,
desenvolvendo comportamentos agressivos. Diante deste fato, é de extrema importância
a supervisão e atenção de gestores e professores em relação ao comportamento dos
alunos, principalmente comportamentos agressivos dos mais velhos em relação aos mais
184
novos, e quando tal prática for detectada, é imprescindível que atitudes sejam tomadas
para evitar a prática do bullying no ambiente escolar.
Tabela 39 – Frequência da prática de bullying na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr”, alunos
respondentes (N = 90).
% por ano escolar
Bullying
7º
9º
Frequência com que o aluno foi insultado
A) Muitas vezes, quase sempre.
B) Alguma vezes.
C) Nunca.
Frequência com que aluno teve suas coisas estragadas por alguém
12
54
34
12
38
50
A) Muitas vezes, quase sempre.
B) Alguma vezes.
C) Nunca.
Frequência com que o aluno foi vítima de roubo
14
38
48
10
22
68
A) Muitas vezes, quase sempre.
B) Alguma vezes.
C) Nunca.
Frequência com que o aluno foi intimidado por alguém
14
24
62
5
18
77
A) Muitas vezes, quase sempre.
B) Alguma vezes .
C) Nunca.
Alguém agrediu você fisicamente
6
10
84
3
5
92
A) Muitas vezes, quase sempre
B) Alguma vezes
C) Nunca.
6
14
80
3
3
94
Planos sobre o Futuro
Em relação à visão dos alunos sobre o futuro, foram analisadas 2 questões
(Tabelas 40 e 41). Na tabela 40 pode-se observar que a maioria dos alunos pretende
continuar estudando no futuro, sendo que mais de 50% deles, de ambos os anos
escolares, pretendem ingressar em uma universidade, mostrando que há um interesse, de
continuar os estudos após o ensino médio. Quanto às impressões sobre o futuro, a
resposta mais frequente é a de que eles precisarão trabalhar enquanto estudam (Tabela
41). Este fato pode estar relacionado à maioria dos alunos pertencerem a famílias com
renda mensal relativamente baixa, como ficou constatado na tabela 20.
185
Tabela 40 - Como alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
planejam o futuro.
% por ano escolar
No futuro
7º
9º
A)Eu não quero mais estudar, só quero trabalhar.
B)Eu quero me formar e continuar estudando até entrar na universidade.
C)Eu quero concluir meu ensino fundamental e entrar em uma escola
técnica.
D)Não sei.
0
60
5
53
20
20
35
7
Tabela 41 - O que alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” pensam
do próprio futuro.
% por ano escolar
Impressões sobre o futuro
7º
9º
A)Vou continuar só estudando.
B)Vou precisar trabalhar enquanto estudo.
C)Vou parar de estudar para trabalhar.
D)Eu não vou mais estudar, não gosto da escola, vou fazer outra coisa.
E)Não sei.
22
44
2
4
28
30
50
3
0
17
Lazer
Em relação ao lazer, foram analisadas 2 questões (Tabelas 42 e 43).
As atividades preferidas dos estudantes são ouvir música, assistir televisão e ficar
na internet (Tabela 42). Quanto a preferências por gêneros literários, os mais citados
foram histórias em quadrinhos, poemas e contos, mitos e lendas (Tabela 43).
186
Tabela 42 - Sobre atividades de casa realizadas por alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr.
João Maria de Araujo Jr.”.
% por ano escolar
Atividades (Lazer)
7º
9º
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Ouvir música.
24
26
50
7
25
68
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Assistir televisão.
74
24
2
88
5
7
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Brincar com jogos eletrônicos.
74
24
2
80
15
5
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Ler (livros de histórias, gibis, revistas).
48
30
22
50
30
20
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Ficar na internet.
42
52
6
20
30
50
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Ajudar em casa.
56
26
18
68
17
15
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Estudar (fazer a lição, pesquisar, etc.).
32
54
14
30
55
15
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Conversar com as pessoas da minha família.
34
54
12
18
64
18
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
Ouvir histórias da família.
64
28
8
45
38
17
A)Gosto muito
B)Gosto só um pouco
C)Não gosto
48
40
12
25
38
38
Xadrez, jogo de botões, etc.
187
Tabela 43 - Preferências literárias dos alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de
Araujo Jr.”.
% por ano escolar
Preferências por gêneros literários
A) Curiosidades.
B) Literatura de autoajuda.
C) Contos, mitos e lendas.
D) Crônicas.
E) Poemas.
F) Romances de ficção.
G) Romances de aventura.
H) Romances de amor.
I) Romances policiais.
J) Biografias.
K) Livros de História do Brasil ou do Mundo.
L) Revistas e Jornais.
M) Histórias em quadrinhos.
N) Não gosto de ler.
7º
9º
9%
1
13
7
13
4
9
8
1
3
4
11
15
2
10%
1
12
6
14
7
8
7
3
5
1
9
15
2
Visitas Promovidas pela Escola
Em relação a visitas e passeios promovidos pela escola (Tabela 44), os
percentuais foram relativamente baixos. Visitas ao museu de ciências foram as
atividades mais mencionadas pelos alunos dos 7º anos.
Podemos notar que os alunos dos 9º anos têm percentuais menores em
participação de atividades providas pela escola que alunos dos 7º anos, exceto visita a
fábricas ou empresas.
Por esses dados, podemos notar um baixo investimento, por parte da escola, em
promover atividades extraclasses. Neste caso, caberia aos professores, organizar aulas
mais dinâmicas, com práticas, fora ou dentro da escola, que estimulassem a curiosidade
e o interesse dos alunos em aprender.
188
Tabela 44 - Participação de alunos de 7º e 9º (N = 90) em atividades extraclasse da EMEF “Dr.
João Maria de Araujo Jr.”
% por ano escolar
Excursões promovidas pela escola
7º
9º
Visita ao museu de ciências
A) Sim.
B) Não, porque na escola não teve essa atividade.
C) Não, por outro motivo.
38
40
22
5
83
12
24
52
24
10
90
0
0
78
22
7
75
18
Visita a sítio ou fazenda
A)Sim.
B) Não, porque na escola não teve essa atividade.
C) Não, por outro motivo.
Visita a fábrica ou empresa
A) Sim.
B) Não, porque na escola não teve essa atividade.
C) Não, por outro motivo.
Preparação para as Provas
Quanto às avaliações, a resposta mais frequente, de alunos de ambos os anos, foi a
de que eles estudam alguns dias antes ou na véspera das provas (Tabela 45). Desta
maneira, caberia aos professores aplicar atividades que estimulassem o interesse ao
estudo rotineiro. Uma proposta é a de que se façam avaliações constantes, junto a
atividades de casa.
Tabela 45 - Formas de alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
prepararem-se para provas
% por ano escolar
Preparação para as provas
7º
9º
A) Eu estudo um pouco todos os dias
B) Eu estudo alguns dias antes ou na véspera das provas
C) Eu estudo apenas no dia das provas
D) Eu não estudo para as provas
20
50
24
6
25
55
15
5
189
Frequência às aulas
Mais de 80% dos alunos de 7º e 9º anos da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”
afirmaram não faltar muito às aulas (Tabela 46) e, quando faltam, o principal motivo é
por doença (Tabela 47), resultado que nos leva a acreditar que as faltas não representam
problema desempenhos insatisfatório.
Tabela 46 - Resultado da frequência às aulas que os alunos respondentes (N = 90) da EMEF
“Dr. João Maria de Araujo Jr.” declaram ter.
% por ano escolar
Faltas frequentes
7º
9º
A)Sim.
B)Não.
12
88
5
95
Tabela 47 - Resultado dos motivos citados pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr.
João Maria de Araujo Jr.” para as faltas.
% por ano escolar
Motivos para as faltas
7º
9º
A)Quando estou doente.
B)Quando alguém da família está doente.
C)Quando chove muito.
D)Quando não estou com vontade de ir à escola.
E)Quando não tem ninguém para me levar à escola.
F)Outros motivos.
G)Eu não falto às aulas.
68
2
8
6
2
10
4
70
3
12
0
0
10
5
Trabalho
Mais de 60% dos alunos dos 9º anos não trabalham, enquanto que o maior
percentual de alunos dos 7º anos trabalha apenas ajudando nas tarefas de casa (Tabela
48). De modo geral, em ambos os anos, o percentual de alunos que trabalha fora de casa
nos dias de aula foi baixo, sugerindo que a maioria não tem outras ocupações que
possam atrapalhar os estudos.
190
Tabela 48 - Relação de alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” com
trabalho
% por ano escolar
Trabalho
7º
9º
A) Não trabalho, só estudo.
B) Trabalho em casa, ajudando nas tarefas de casa.
C) Trabalho fora de casa.
44
52
4
63
27
10
Avaliação da Escola
Alunos de 7º e 9º da escola "Dr. João Maria de Araujo Jr." fizeram uma avaliação
positiva de sua escola, que recebeu 7,0 como média mais alta (Tabela 49), indicando
que o conjunto de atividades que lá desenvolvem e a forma como interagem com os
demais membros da comunidade escolar os está satisfazendo.
Tabela 49 – Avaliação da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” feita pelos alunos respondentes
(N = 90).
Média por ano
Avaliação da escola
escolar
7º
9º
Média.
7,3
7,1
Cor autodeclarada
Mais de 60% dos alunos se assumem como sendo de cor branca (Tabela 50).
Tabela 50 - Cor autodeclarada dos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de
Araujo Jr.”.
% por ano escolar
Cor autodeclarada
7º
9º
A)Branco(a).
B)Negro(a).
C)Pardo(a) ou mulato(a).
D)Amarelo(a)/ de origem oriental.
E)Indígena.
72
8
16
4
0
65
3
32
0
0
191
Considerações finais
Com base nos resultados das análises realizadas consideramos que, de modo
geral, os dados do SARESP 2011 não diferiram muito dos dados de 2009, tendo havido
algumas melhorias como aconteceu com a renda familiar que aumentou e deve ser o
fator responsável pelo maior acesso à internet e aquisição de outros bens materiais. As
famílias possuem um nível socioeconômico que permite aos filhos manterem-se
estudando e tendo em casa, além de espaços adequados para isso, acesso a cultural e
lazer. Considerando que os alunos têm em casa computador e mais fácil acesso à
internet, acreditamos que é tempo da escola investir em melhorar as condições para que
também lá seja possível preparar e desenvolver atividades estimulantes com o uso desse
recurso, inclusive auxiliando os alunos a ter critérios de busca e escolha de sites
confiáveis.
No geral a escola é considerada como um local agradável onde boas relações
interpessoais são desenvolvidas, assim como a comunicação estabelecida entre escola e
família tem sido considerada satisfatória. Apenas a participação em processos decisórios
precisa ser revista e pode ser importante abrir espaço para que os estudantes aprendam
como atuar de forma efetiva, séria, respeitosa e comprometida com o bem comum.
Os únicos pontos que nos chamaram a atenção referem-se à redução no número
de alunos que, de 2009 para 2011, estudam para provas, realizam as tarefas de casa e
não avaliam bem, embora as faltas às aulas tenham diminuído. Como essa falta de
disposição pode ter resultado no que se está ensinando e na forma como isso é feito,
seria importante que os gestores investigassem melhor as possíveis causas, para
redirecionar as propostas em busca de maior envolvimento dos alunos. É possível que
as apostilas NAME, implantadas em 2010, possam ter desestimulado os alunos devido
ao direcionamento fechado e desenvolvimento superficial com que os assuntos são
tratados (ver o capítulo sobre as Apostilas NAME).
Acreditamos que a escola não pode descuidar da questão do bullying que, apesar
de não ser frequente na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr” existe e pode se
transformar em problema sério. Como não houve, ao longo dos anos, investimento da
escola para melhorar a condição da área verde, e de estimular atividades práticas,
utilização de ambientes de ensino como sala de informática, laboratório de ciências, e
visitas didáticas, que são formas de dinamizar e enriquecer principalmente as aulas de
ciências, talvez sejam essas, metas a serem consideradas nas reuniões de planejamento
192
para elaboração do próximo Plano Político Pedagógico da EMEF "Dr. João Maria de
Araújo Jr.".
193
Referências
AZANHA, J.M.P. Uma reflexão sobre a formação do professor da escola básica. Educ.
Pesqui., v. 30, n. 2, 2004.
BAFFI, M. A. T. O planejamento em educação: revisando conceitos para mudar
concepções e práticas. In: BELLO, J. L. P. Pedagogia em Foco. Petropólis, 2002.
Disponível em <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/>. Acesso em: 25 jun. 2012.
BARROS, C.; PAULINO, W. Ciências: os seres vivos. 4. ed. São Paulo: Ática, 2010.
BENCOSTTA, L. M. (Org.). História da educação, arquitetura e espaço escolar. São
Paulo: Cortez, 2005.
BOTUCATU. Secretaria Municipal de Educação. Merenda escolar. Disponível em
<http://www.educatu.com.br>. Acesso em: 1 maio 2012.
BRASIL
ESCOLA.
Bullying.
Disponível
em
<
http://www.brasilescola.com/sociologia/bullying.htm>. Acesso em 17 jun. 2012.
BRASIL. Governo Federal. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
Curriculares Nacionais do Ensino de Ciências. Brasília: MEC/SEF, 1998.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Parâmetros básicos
de infraestrutura para instituições de educação infantil. Brasília: MEC/SEB, 2006.
BRONZONI, V. B. Escola Municipal de Ensino Fundamental Antonio Prevedelo.
Projeto: Atividades Extracurriculares na Escola. Cruz Alta, 2008. p.3.
BRONZONI, V. B. Projeto - Atividades extracurriculares na escola. Disponível
em <http://pt.scribd.com/doc/49393275/projetos-atividades-extracurriculares>. Acesso
em: 08 jun. 2012.
BUFFA, E. Práticas e fontes de pesquisa em história da educação. GATTI, J. D.,
INÁCIO, F.G. (Orgs.). História da educação em perspectiva: ensino, pesquisa,
produção e novas investigações. 2 ed. Campinas: Autores Associados-EDUFU, 2005,
cap.3, p.105-116.
194
CANTO, E. L. Ciências Naturais: aprendendo com o cotidiano 3. ed. São Paulo:
Moderna, 2009.
COC SISTEMA DE ENSINO. Apostilas Núcleo de Apoio à Municipalização do
Ensino (NAME). Ribeirão Preto: COC, 2010.
COC SISTEMA DE ENSINO. Núcleo de apoio à municipalização do ensino
(NAME). Disponível em <www.coc.com.br>. Acesso em: 22 abr. 2012.
COSTA, E.Q.; RIBEIRO, V.M.B.; RIBEIRO, E.C.O. Programa de alimentação escolar:
espaço de aprendizagem e produção do conhecimento. Rev. Nutri., v. 14, n. 3, p. 225229, 2001.
DEPARTAMENTO DE SUPRIMENTO ESCOLAR. O programa de alimentação
escolar. Disponível em < http://www.dse.edunet.sp.gov.br>. Acesso em: 1 maio 2012.
DÓREA, C. R. D. Anísio Teixeira e a arquitetura escolar: planejando escolas,
construindo sonhos. Rev. Faeba, n.13, p.151-160, 2000.
ESCOLA ESTADUAL CARDOSO DE ALMEIDA BOTUCATU, SP. Carme
Barbosa Garcia. Disponível em <http://www.ybytucatu.net.br/eeca/cbb/index.html>.
Acesso em: 15 jun. 2012.
ESTÊVÃO, C. A. V. Gestão educacional e formação. Gestão em Ação, Salvador, v.4,
n.2, p. 87-105, 2001.
FAPESP NA MÍDIA. São Carlos ganha novos experimentos. Disponível em
<http://www.bv.fapesp.br/namidia/noticia/19833/sao-carlos-ganha-novosequipamentos/> Acesso em: 2 maio 2012.
FIGUEROA, J.C. Botucatu: cidade dos bons ares e das boas escolas. São Paulo: Ed.
Nova América, 2008.
FILHO F. M. L.,VIDAL D. G. Os tempos e os espaços escolares no processo de
institucionalização da escola primária no Brasil. Rev. Bras. Educ., n 14, p.19-34,
2000.
195
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970. Cap. 2,
p. 65-87.
FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (FNDE):
Alimentação Escolar. Disponível em <http://www.fnde.gov.br>. Acesso em 2 de maio
2012.
GODOY, O.P. Registro Biográfico dos Prefeitos de Botucatu. Botucatu: Criação
Indústria de artes gráficas, Ed. Limitada, 2008.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Programa Qualidade da Escola.
Disponível em <http://idesp.edunet.sp.gov.br>. Acesso em: 20 jun. 2012.
HAMBURGER, E.W. Apontamentos sobre o ensino de ciências nas séries escolares
iniciais. Estud. Avanç., v. 21, n. 60, 2007.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
TEIXEIRA. Índice de desenvolvimento da educação básica – IDEB. Disponível em
<http://ideb.inep.gov.br >. Acesso em: 20 jun .2012.
JUSBRASIL.
Política.
Disponível
em
<http://pref-
botucatu.jusbrasil.com.br/politica?4552546/professores-participam-da-apresentacao-doprojeto-name-coc>. Acesso em: 17 abr. 2012.
LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos
conteúdos. São Paulo: Loyola, 1992.
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 4. ed. Goiânia:
Editora Alternativa, 2001.
LÜCK, H. Indicadores para a qualidade na gestão escolar e ensino. Gestão em Rede,
Salvador, n. 25, 2000.
LÜCK, H. Perspectiva da Gestão Escolar e implicações quanto à formação de seus
gestores. Em Aberto, Brasília, v.17, n.72, p.1-195, 2000.
196
MACHADO,
C.
Direção
Escolar.
Disponível
em< http://www.webartigos.com/artigos/direcao-escolar/52969/> Acesso em: 15 maio
2012.
MATIAS, N. C. F., Escolas de tempo integral e atividades extracurriculares: Universos
à espera da psicologia brasileira. Psicol. Rev., v.15, n.3, p.120-139, 2009.
MINISTÉRIO
DA
EDUCAÇÃO.
Gestão
Escolar.
Disponível
em< http://portal.mec.gov.br/> Acesso em: 08 maio 2012.
MUNHOZ, P.M.. Qualidade higiênico-sanitária de alimentos e avaliação dos
conhecimentos sobre boas práticas por parte dos manipuladores de alimentos da
Rede Municipal de Ensino. 2007. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Biociências,
Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2007.
NASCIMENTO, M. I. M., et al. Instituições Escolares no Brasil Colonial e Imperial.
Disponível
em
<http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_075.html>.
Acesso em: 10 maio 2012.
NÚCLEO DE APOIO À MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO. Materiais didáticos.
Disponível em <www.netname.com.br>. Acesso em: 20 abr. 2012.
PARADA, S. Educação mostra melhorias na qualidade da merenda escolar.
Botucatu Semanário Oficial, 28 set. 2006. v. 16, n.864, p.1.
SÃO PAULO. Secretaria da Educação. Fundação para o desenvolvimento da educação.
Relatórios dos estudos do SARESP 2009. São Paulo: FDE, 2011. 205p.
SÃO PAULO. Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Disponível em
<http:// www.educacao.sp.gov.br> acesso em 24 jun. 2012.
SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação. Coordenadoria do Ensino do Interior.
Gestão Escolar. Disponível em <http://cei.edunet.sp.gov.br/>. Acesso em: 22 maio
2012.
SCHIEL,
A.
D.
Experimentoteca
pública.
Disponível
<http://www.cdcc.usp.br/exper/fundamental.>. Acesso em: 2 maio de 2012.
em:
197
SILVA, H. C. et al. art. Cautela ao usar imagens em aulas de Ciências. Ciênc. Educ.,
v.12,n.2, p.219-233, 2006.
SILVA, J.A. Os presidentes e a república: Deodoro da Fonseca a Luiz Inácio Lula da
Silva. 4. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: O Arquivo, 2009.
SOBRAL, F.; Costa, V.M.H.M.. Programa nacional de alimentação escolar:
sistematização e importância. Rev. Aliment. Nutri., v. 19, n.1, p.73-81, 2008.
SOUSA, M. C. A. Carta ao Exmo. Sr. Dr. Juiz de direito da vara da infância e
juventude
do
fórum
regional.
Disponível
em<
http://www.abmp.org.br/textos/1571.htm.>. Acesso em: 13 maio 2012.
STEFANINI, M.L.R.. Merenda escolar: história, evolução e contribuição no
atendimento das necessidades nutricionais da criança. Tese (Doutorado). Faculdade
de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.
TEDESCO, J. C., Prioridade ao ensino de ciências: uma decisão política. Madrid:
Organização dos Estados Ibero-Americanos, 2006. (Cadernos da Ibero-América).
WAGNER, A., PREDEBON, J., MOSMANN, C., VERZA, F. Compartilhar tarefas?
Papéis e funções de pai e mãe na família contemporânea. Psicol. Teoria Pesqui., v. 21,
n. 2, p. 181-186, 2005.
WERTHEIN, J.; CUNHA, C. (Orgs.). Ensino de ciências e desenvolvimento: o que
pensam os cientistas. São Paulo: Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (UNESCO), 2009.
Download

Dossiê Escolar "Dr. João Maria de Araújo Jr."