UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA Instituto de Biociências de Botucatu Departamento de Educação XLIV Turma do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas Dossiê Escolar da E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” Organizadores: Camila Pereira Gobette Marília Monteiro Quinalha Supervisores: M. Sc. Jaqueline Alves Barea Cantão Drª Lucia Maria Paleari Botucatu -SP 2012 FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA SEÇÃO TÉC. AQUIS. TRATAMENTO DA INFORM. DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - CAMPUS DE BOTUCATU - UNESP BIBLIOTECÁRIA RESPONSÁVEL: ROSEMEIRE APARECIDA VICENTE Dossiê da E. M. E. F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” / organizadores Camila Pereira Gobette, Marília Monteiro Quinalha ; supervisores Jaqueline Alves Barea Cantão, Lucia Maria Paleari. – Botucatu : Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Botucatu, 2012 197 p. 1. Ensino fundamental. 2. Escolas públicas – Relatórios. 3. Licenciatura. 4. Prática de ensino. 5. Estágios supervisionados. 6. Ciências (Ensino fundamental) – Estudo e ensino. I. Título. II. Gobette, Camila Pereira. III. Quinalha, Marília Monteiro. IV. Cantão, Jaqueline Alves Barea. V. Paleari, Lucia Maria. CDD 371.01 Agradecimentos Agradecemos à Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, na pessoa de sua diretora Tânia Regina Baptista Gonçalves, pela oportunidade e espaço cedido para a realização deste trabalho; à coordenadora do Ensino Fundamental Jaqueline A. Barea Cantão pela disposição em nos ajudar e pela dedicação no decorrer dos levantamentos; à professora Lucia Maria Paleari pelo auxílio e orientação durante a realização desse projeto; aos professores Eliana Alves Pinto, Gilberto Luiz Borges de Azevedo, João Carlos Figueroa, Meire Gea, Miyoko Inoe, Nilza Rodrigues Lima, Vera Damato Burini e Vilma Chirinéria, bem como às senhoras Sônia Maria de Barros Almeida Innocenti (secretária), Zenaide Silva Fructuoso, Marilúcia Coelho da Silva Almeida (inspetoras da escola), Inês Felipe Rodrigues (merendeira), Magali Aparecida Leite Penteado Chaguri e Meire pelas valiosas informações que nos permitiram realizar este trabalho. PREFÁCIO Este Dossiê, da Escola Municipal de Ensino Fundamental "Dr. João Maria de Araújo Jr", é resultado de uma conjunção de fatores de especial significado, quando se pretende uma construção coletiva como esta, que reuniu os trabalhos de levantamento sócioambiental do ecossistema escolar e as atividades de Prática de Ensino dos Estágios Supervisionado I (Ciências) e Projeto Temático III. Concentramos nossos esforços em uma escola municipal, onde fomos recebidos com apoio para o desenvolvimento dos levantamentos que compõem esta publicação, e, posteriormente, para as observações e regência de aulas. E não foi apenas isso. Em atividades desenvolvidas no campus do Instituto de Biociências de Botucatu, com a XLIV turma do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, pudemos contar com a presença da diretora da escola profª Tânia Regina Baptista, da assistente de direção Profª Flora Tereza D’Errico Martins e da coordenadora pedagógica, também Bióloga, Profª Jaqueline Alves Barea Cantão. Essa aproximação permitiu-nos partilhar experiências e conhecimentos específicos, que alargaram o campo de visão e suportaram discussões enriquecedoras, imprescindíveis à compreensão de questões complexas que envolvem a docência e o ambiente escolar nos dias atuais. A dedicação da Profª Jaqueline, que merece destaque, foi mais do que a receptividade e o suporte técnico de qualidade que ela nos ofereceu como conhecedora das coisas da Ciência e do Ensino, foi o exemplo, o referencial de profissional respeitável, compromissado com a boa formação de adolescentes. Por outro lado, licenciandos dispostos a encarar o desafio do estágio com a seriedade, dignidade e entusiasmo, qualidades necessárias àqueles que atuam no ensino, significou a concretização de possibilidades educacionais idealizadas, que se traduziram neste Dossiê Escolar e nos resultados das diversificadas e valorosas experiências de observação e regência de aulas de Ciências, dos 6° s aos 9°s anos do Ensino Fundamental. Essa condição geral extremamente favorável e rara representou a antítese da situação costumeira, que o poeta, sem empalmar as agruras de um tempo de incertezas e desesperanças atrozes, revelou com profunda sensibilidade: "De repente, a gente se sente semente, sem terra pra semear (Adelidia Chiarelli1)" Que conjunções frutíferas como a deste Estágio Supervisionado de Ciências não sejam resultado de espera para que o acaso aconteça, mas resultado da ação consciente de profissionais competentes e empenhados em assegurar as condições adequadas à formação artístico-científica, atualmente tão comprometida, de crianças e adolescentes. Lucia Maria Paleari Responsável pelos Estágios Supervisionados I (Ciências) e Projeto Temático III 1 http://tudoeespanto.blogspot.com.br/search?q=semente Sumário Histórico da formação da Escola ..................................................................6 Estrutura Física da Unidade Escolar ..........................................................29 Gestão Escolar ............................................................................................42 Merenda Escolar .........................................................................................68 Ensino de Ciências .....................................................................................82 Apostilas NAME ..................................................................................96 Material Ciência e Tecnologia com Criatividade – Sangari ...............112 Experimentoteca .................................................................................118 Projetos Extra-Curriculares ......................................................................137 Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP 2011)........................................................................................165 Referências................................................................................................193 6 HISTÓRICO DA FORMAÇÃO DA ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL “DR. JOÃO MARIA DE ARAÚJO JR.” Camila Pereira Gobette Liane Lima Mariana Dettmer de Castro Mello 1. Introdução O Estágio Supervisionado I (Ciências) da XLIV turma do curso de Ciências Biológicas Licenciatura, da Unesp de Botucatu, aconteceu na Escola Municipal de Ensino Fundamental "Dr. João Maria de Araújo Jr". Para a aproximação dos licenciandos do espaço escolar e de sua dinâmica de funcionamento foram previstas atividades de investigação, anteriores às etapas de observação e regência de aulas, para conhecimento de diversos aspectos históricos e socioambientais daquele estabelecimento de ensino. Para a concretização do referido trabalho, no que se refere ao histórico de formação dessa escola, foram duas as linhas de coleta de dados adotadas. Uma delas deu-se por meio de entrevistas informais com pessoas que tiveram ligação direta ou indireta com a formação da escola e condução das atividades ao longo dos anos, e a outra baseou-se na busca e análise de documentos oficiais depositados na Câmara Municipal, Prefeitura Municipal de Botucatu, Diretoria de Ensino, Secretaria Municipal de Ensino e Biblioteca do Centro Cultural e do Serviço Social da Indústria (SESI). Os entrevistados que contribuíram com informações aqui reunidas sobre a EMEF " Dr. João Maria de Araújo Jr" foram: Jaqueline Alves Barea Cantão – professora e coordenadora da escola desde 2008; João Carlos Figueroa – historiador de Botucatu; Magali Aparecida Leite Penteado Chaguri – supervisora da Diretoria de Ensino de Botucatu Marilúcia Coelho da Silva Almeida- inspetora de alunos do EMEF Dr. João Maria de Araújo Jr. Nilza Rodrigues Lima – diretora da escola desde 1975 até 1979;. 7 Sônia Maria de Barros Almeida Innocenti – secretária da escola desde 1994; Vera DamatoBurini – diretora do SESI desde 1979 até 1982; Vilma Chirinéia – professora e diretora do SESI de 1983 até 1992. Zenaide Silva Fructuoso – inspetora de alunos EMEF Dr. João Maria de Araújo Jr. Com base nesse conjunto de dados resgatados é que organizamos e apresentaremos a seguir aspectos históricos da formação da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." 2. Um forasteiro que se tornou ilustre Dr. João Maria de Araújo Jr é o nome que recebeu uma das escolas municipais de ensino fundamental de Botucatu, em homenagem ao médico que, nascido em 04 de janeiro de 1899, na cidade de Niterói – RJ, cursou medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1918 e adotou Botucatu para residir e atuar profissionalmente como clínico geral. Casado com Dona Isabel Falcon Ruiz, com a qual teve cinco filhos (Figuras 1 e 2), o Dr. João Maria chegou a esta cidade em 1932 a convite do Dr. Sebastião de Almeida Pinto, a fim de integrar o corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia Botucatuense, onde exerceu o cargo de diretor clínico por dezoito anos. Em 1941, o Dr. João Maria foi nomeado prefeito municipal de Botucatu pelo Dr. Fernando Costa, interventor federal no Estado de São Paulo, durante o governo de Getúlio Vargas. O período de governo de Getúlio Vargas foi de grande ascensão econômica, devido à fundação da companhia siderúrgica nacional e à criação de leis trabalhistas, porém, no aspecto político, o Estado Novo caracterizou-se por falta de democracia, censura, e um governo de caráter populista. Na gestão desse prefeito a população botucatuense era de 41.408 habitantes, sendo metade dela urbana. A cidade detinha, nessa época, o título de 16ª cidade em tamanho populacional e 10ª posição no ranking de atividade industrial. O Dr. João Maria permaneceu no cargo de prefeito até 10 de junho de 1946, e neste período do seu mandato criou-se a Cooperativa de Laticínios de Botucatu, instalou-se no município a Delegacia do Imposto de Renda, e, através de um decreto 8 estadual, houve a criação de uma Comissão Municipal de Bibliotecas e Museus, bem como melhorias no sistema de abastecimento de água. Pela sua atuação e realizações relevantes, é que o médico e prefeito de Botucatu, João Maria de Araújo Jr., como homenagem, teve o nome cedido à primeira escola municipal de Botucatu e é, até hoje, lembrado na cidade. Figura 1- Dr. João Maria de Araújo Jr. acompanhado de sua esposa (à esquerda) e de um colega médico (à direita). Fotos: Centro Cultural de Botucatu 9 Figura 2 - Dr. João Maria de Araújo Jr. acompanhado da esposa e filhos. Foto: Centro Cultural de Botucatu. 3. Contexto de Fundação da Escola A criação da escola municipal de ensino de Botucatu, "Dr. João Maria de Araújo Jr.", deu-se durante uma época em que o Brasil passava pelo governo de ditadura militar do então general Emílio Garrastazu Médici, que fora escolhido por uma junta militar em 1969. Este foi um período marcado pela mais dura repressão militar, com censura aos meios de comunicação e denúncias de tortura. Apesar disso, foi uma época de ascensão econômica, denominada de “o milagre brasileiro”, durante a qual foram desenvolvidas obras vultosas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói. Na educação, foi lançado oficialmente o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), criado em 1967 por meio da lei número 5.379, de 15 de dezembro, para a alfabetização de adultos. Foi nesse contexto de Brasil, que, em 08 de fevereiro de 1972, criou-se a primeira Escola Municipal de 1º grau “Dr. João Maria de Araújo Jr”, por meio de um Projeto de Lei (Anexo 01) assinado pelo prefeito da época, Luiz Aparecido da Silveira, popularmente conhecido por "Lico". O local para a instalação da escola (Figura 3) foi caracterizado como perímetro urbano no Projeto de Lei (Anexo 01) com denominação de Vila Aparecida. Porém segundo o historiador entrevistado, João Carlos Figueroa, este bairro sempre foi denominado como Vila São Lúcio. Esta divergência na designação do bairro se deve, 10 provavelmente, pelo fato de haver nas proximidades a igreja de Nossa Senhora Aparecida, a qual popularmente servia de referência ao bairro. Figura 3 - Vista do loteamento onde foi instalado o prédio da Escola Municipal "Dr. João Maria de Araújo Jr.". Foto: Centro Cultural de Botucatu. A escola fica localizada à rua Carmem Barbosa Garcia, nome este em homenagem a primeira diretora da escola, cargo que ocupou até 1973. O prédio onde foi instalada a escola, em 1972, era de construção própria do município, que não contou com qualquer participação do Governo do Estado (Anexo 01). Ainda que houvesse permissão para o funcionamento de seis salas de aula, segundo informações da senhora Nilza Rodrigues Lima, diretora da escola entre 1975 e 1979, somente quatro salas estavam em funcionamento naquela época. Desde a criação até 1975, funcionaram na escola apenas os primeiros anos do ensino de primeiro grau, 1ª a 4ª série, que, anteriormente, era denominado de primário. Após a lei de 30 de dezembro de 1975 foi criada a quinta série e depois, gradativamente, as demais séries, até completar o primeiro grau de ensino, com a criação da 8ª série (Anexo 03). Estas 4 séries finais do primeiro grau integravam o que, anteriormente, denominava-se de curso ginasial. Com o risco de perder a unidade escolar para o Serviço Social da Indústria (SESI), que não dispunha de prédio próprio e atendia a muitos alunos, houve mobilização de parte da comunidade dessa escola em busca de uma área de 40.000 m2 que pudesse ser obtida para abrigar as instalações do SESI. No entanto, diante das questões políticas e financeiras, que resultaram no impasse quanto a manutenção da unidade do SESI em Botucatu, uma decisão paliativa foi tomada em 1977, pelo então prefeito municipal Luiz Aparecido da Silveira. Ele, usando de um Decreto de lei (Anexo 11 4), concedeu ao SESI, por 3 anos, "a título precário, permissão especial de uso" do imóvel onde estava instalada a escola "Dr. João Maria”. Esta, foi fechada em 1978 pelo mesmo prefeito, e seus alunos foram incorporados aos do SESI (Anexo 05), sob a alegação de que havia grande número de escolas estaduais de primeiro grau na cidade, com três delas bem próximas ao bairro. Além disso, alegou também que era necessário dar maior assistência às escolas rurais, que estavam em grande número e eram mantidas pela prefeitura (Anexo 05 e 06). Na verdade, sobre esse assunto, há pelo menos duas outras interpretações, não necessariamente excludentes. Uma delas, apresentada por aqueles que vivenciaram o processo de busca pelo espaço de 40.000m2 para instalação do SESI, que atesta teria sido de alto custo o espaço possível, próximo ao atual Hotel Chaillot, sem a contrapartida do destaque político desejado pelo prefeito, uma vez que toda a estrutura física seria financiada por outra instituição. Uma segunda interpretação, apresentada por João Carlos Figueroa e Magali Aparecida Leite Penteado Chaguri, refere-se à irregularidade de funcionamento da escola "Dr. João Maria", devido a morosidade na entrega da documentação para regulamentação da sua regência. A regularização da escola se deu somente após o seu fechamento, em 1985. Com o processo do Conselho Estadual de Educação, foram convalidadas as práticas escolares do período de 1972 a 1977 (Anexo 07). O SESI, que já ocupava o prédio municipal da extinta escola "Dr. João Maria", ficou autorizado, em 1979, a usar gratuitamente suas dependências, por 10 anos obrigando-se a cobrir as despesas de manutenção e funcionamento, além do corpo docente e administrativo (Anexo 08). De acordo com a senhora Nilza Rodrigues Lima, diretora daquela extinta escola municipal, todos os professores foram demitidos e ela foi remanejada para outra escola municipal. Ficaram no SESI, além dos alunos da escola "Dr. João Maria", a sua banda escolar, mais o dentista e a merendeira, apesar de serem contratados pela prefeitura. No ano de 1993, saiu publicado no Diário Oficial a mudança do SESI para as suas novas instalações de funcionamento no Km 247,4 da rodovia Marechal Rondon (Anexo 09), local este doado por Maria Amélia Blasi Toledo Piza, filha de Francisco Blasi. O reinício de funcionamento da escola municipal no antigo prédio, cedido ao SESI até 1993, aconteceu em 1994, através do Regimento Comum das Escolas Municipais, que aprovava o imediato funcionamento da unidade escolar (Anexo 10). Meses depois, esta autorização foi publicada em Diário Oficial (Anexo 11). Com a saída da gestão SESI do prédio municipal, apenas 50 alunos dos 600 matriculados, 12 continuaram a fazer parte do corpo discente. Para a profª Vilma Chirinéia, a escassez de recursos financeiros da comunidade local e a falta de transporte coletivo, que permitisse o deslocamento dos alunos até a nova sede do SESI, localizada no extremo oposto da cidade, podem ter sido as razões dessa grande desistência. Em entrevista concedida pelas funcionárias Marilúcia e Zenaide, soubemos que a Educação Infantil teve início na Escola "Dr. João Maria de Araújo Jr., no mesmo ano do seu ressurgimento, em 1993, por solicitação da comunidade local. Denominada de Pré I e Pré II, a educação infantil atendia alunos de cinco a seis anos, e funcionou no prédio municipal até o ano de 2010, quando teve de sair por duas possíveis razões: a demanda de alunos era maior do que o espaço físico comportava e havia necessidade de reforma das suas dependências. Atualmente, faz parte da Escola Municipal de Educação Infantil “Dr. Roberto Domingos Andreucci”, sediada em prédio alugado pela prefeitura e também localizado na Vila São Lúcio. Pouco depois do reinício de funcionamento da escola municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.” a secretária de educação, Nilza Maria Silveira Coine, solicitou ao delegado de ensino, em novembro de 1995, a implantação do 2º grau nesta escola (Anexo 12). Após esse pedido, uma vistoria foi realizada no local para avaliar as condições de salas de aula, laboratório, biblioteca, quadra poliesportiva, materiais didáticos, plano do curso e o regimento escolar (Anexo 13). Àquela época a escola não dispunha de laboratório e nem de biblioteca que atendessem ao 2° grau, porém, diante do compromisso do secretário municipal de providenciar essas instalações, a autorização de funcionamento foi concedida em 1996, nos moldes estabelecidos pelo Conselho Estadual de Educação. Com isto, a escola passou a se denominar “Escola Municipal de 1º e 2º graus Dr. João Maria de Araújo Jr” (Anexo 14), decisões essas publicadas no Diário Oficial de 23 de janeiro de 1996 (Anexo 15). Em entrevista concedida pela secretária mais antiga da escola, Sônia Maria de Barros Almeida Innocenti, soubemos que a demanda de alunos para o ensino de segundo grau não foi suficiente para garantir a sua continuidade. A carência de recursos financeiros da comunidade local, obrigava as famílias, cujos filhos completavam o ensino de primeiro grau, a encaminhá-los para o mercado de trabalho, o que resultava em abandono da escola. Essa situação determinou o fim do ensino médio na escola, até então denominada de Escola Municipal de 1° e 2° graus “Dr. João Maria de Araújo Jr.”. O histórico de formação de uma escola, como qualquer outro evento histórico, exige, para sua reconstituição e interpretação, documentos (fotos, escritos, gravações de 13 rádio, em vídeo etc.) que permitam análises. No entanto, nem sempre esses materiais são encontrados e, se encontrados, nem sempre estão devidamente arquivados para consulta. Quando possível, recorre-se a pessoas que vivenciaram determinados acontecimentos, e que, com seus depoimentos, ajudam a compor os fatos e a construir novos registros, que devem ser devidamente arquivados. Porém, não podemos nos esquecer de que cada testemunha ocular não está isenta de interpretações a partir do recorte da história que ela presenciou e dos seus próprios valores e sentimentos envolvidos. Sendo assim, é sempre necessário coletar diversos relatos, principalmente quando há falta de documentações, como aconteceu com a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. João Maria de Araújo Jr.” que nos permitam aclarar os fatos dentro de um ideal de objetividade, necessário em qualquer busca criteriosa. Hoje, 2012, a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. João Maria de Araújo Jr.” permanece no mesmo local de origem. Ela possui classe de alunos do primeiro ao nono ano, distribuídas nos períodos da manhã e tarde. Dos 740 alunos, 443 deles frequentam o período matutino, do 6º ao 9º ano, e 297, do 1º ao 5º ano frequentam a escola no período vespertino. No período noturno as instalações são cedidas para funcionamento do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), mantido pelo governo estadual, que contempla 600 alunos matriculados. Algumas mudanças na estrutura física, educacional e administrativa ocorreram ao longo dos anos e serão, em parte, tratadas nos capítulos a seguir. 14 4. Anexos Anexo1 - Documento de criação da Escola Municipal de Ensino Fundamental " Dr. João Maria de Araújo Jr.", lei 1826/72 15 Anexo2 - Mapa do loteamento da Vila São Lúcio, onde foi instalado o prédio municipal que abrigou a Escola Municipal de Ensino Fundamental "Dr. João Maria de Araújo Jr.". 16 Anexo 3 – Documento de criação da 5ª série de primeiro grau, lei nº2012 17 Anexo 4 - Decreto nº 2528 que cede o prédio para o Serviço de Industria SESI 18 Anexo 5 - Documento de justificativa para o fechamento da escola municipal em 1978, pelo processo nº 69/78 19 Anexo 6 – Documento de solicitação de cessação das atividades escolares, processo nº 2659/74 20 Anexo 7 – Documento do Conselho Estadual de Educação convalidado os atos escolares, parecer nº 0033/85. 21 Anexo 8 – Documento de autorização do SESI para utilização do prédio municipal, lei nº 2194 22 Anexo 9 – Nota do Diário Oficial de 21/12/1992 sobre a mudança do SESI para Km 247,4 da Rodovia Marechal Rondon 23 Anexo 10 – Documento do Conselho Estadual de Educação que encaminha o Regimento Comum das Escolas Municipais, processo nº 13/91 24 Anexo 11 – Nota do Diário Oficial de 12/07/94 de autorização do funcionamento da escola municipal “ Dr. João Maria de Araujo Jr.” 25 Anexo 12 – Documento solicitando a instalação do ensino de 2º grau e mudança do nome para Escola Municipal de 1º e 2º graus “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, ofício nº 59/95 26 Anexo 13 – Documento de vistoria da escola municipal para as instalações do ensino de 2° grau, processo nº 813/95 27 Anexo 14 – Documento autorizando o funcionamento do ensino de 2º grau na unidade escolar pela Delegacia de Ensino 28 Anexo 15 – Nota do Diário Oficial de 23/01/1996 autorizando o funcionamento do ensino de 2º grau na escola municipal 29 ESTRUTURA FÍSICA Adriana Fernandes Claraline Godoy Gabriel Mendes Lucas Borges Tarsila Franckin 1. Introdução Os primeiros indícios de arquitetura escolar no Brasil vieram com a Companhia de Jesus, que tinha por objetivo catequizar os índios e ganhar trabalhadores para a Coroa Portuguesa (Nascimento et al.). Porém, foi a partir da Proclamação República, em 1889, que houve maior preocupação com um local específico para a educação. Segundo Souza (cit. in Dorea, 2000): "(...) em determinado momento, políticos e educadores passaram a considerar indispensável a existência de casas escolares para a educação de crianças, isto é, passaram a advogar a necessidade de espaços edificados expressamente para o serviço escolar. Esse momento coincide com as décadas finais do século XIX e com os projetos republicanos de difusão da educação popular." Neste momento histórico, a escola passou a ser vista como progresso histórico e a monumentalidade das construções dos grupos escolares tornou-se representativa de um ideal de modernidade ou de República. E, segundo Souza (cit. in Dorea, 2000), "a arquitetura escolar haveria, pois, de simbolizar as finalidades sociais, morais e cívicas da escola pública. O lugar de formação do cidadão republicano teria que ser percebido e compreendido como tal." É possível perceber que a arquitetura escolar foi influenciada pelo momento histórico e cultural da sociedade e sofreu com as mudanças e reformas desses períodos, como na Proclamação da República com a arquitetura neoclássica, caracterizada por 30 “(...) edifício imponente, hall de entrada primoroso, escadarias, eixo simétrico, duas alas, pátio interno (como o dos claustros), corredores internos, janelas verticais grandes e pesadas, acabamento com materiais nobres.” Um outro momento de transformação na arquitetura escolar estaria relacionado ao movimento escolanovista , mais centrado nas questões dos alunos e no quantitativo escolar: “(...) Formas geométricas simples, uso de novos materiais como o concreto armado, novas técnicas construtivas, não mais simetria perfeita, ausência de colunas e ornamentos, pátios internos sob pilotis e grandes aberturas envidraçadas.” (Buffa, 2005, p. 108). As décadas de 50 e 60 estiveram relacionadas às políticas públicas e às necessidades de aumento do número de escolas no Estado e devido à necessidade do aumento do número de vagas nas escolas, foram projetados edifícios mais utilitários, baratos e de construção rápida. A partir da década de 1960, houve uma mudança do “qualitativo” para o “quantitativo”. E possível perceber que este discurso arquitetônico esteve em todo o Brasil, onde a arquitetura escolar foi também um reflexo das políticas governamentais, do discurso pedagógico e das necessidades da comunidade local, isto de acordo com Bencosta (2000) e Buffa (2005). Sabe-se que para o desenvolvimento de um processo de ensino-aprendizagem de qualidade, não basta, apenas ter professores dedicados para ensinar e alunos interessados em aprender, deve existir um local agradável onde esse encontro possa acontecer. A estrutura física de uma escola é de extrema importância para um melhor desempenho dos alunos, professores, direção, coordenação e funcionários. O lugar onde essas pessoas passam quase todas as horas de seus dias precisa ser bem estruturado e conservado por todos que nele trabalham e circulam, para que o ambiente escolar seja um lugar agradável e que permita o desenvolvimento de trabalhos bons e que eles possam ser desenvolvidos de forma prazerosa. Considerando que o estudo de cada ambiente escolar pode ajudar a entender parte do que nele acontece, além de ajudar a criar e conservar espaços adequados, propícios as atividades de ensino e convivência, o presente trabalho teve por objetivo conhecer e analisar a estrutura física, organização dos espaços e a relação destes com 31 a comunidade que faz parte da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) “Dr. Joao Maria de Araújo Jr.”, pertencente ao município de Botucatu/SP. Este estudo fez parte do estágio curricular obrigatório da da XLIV turma do curso de Ciências Biológicas Licenciatura, da Unesp de Botucatu. 2. Etapas de desenvolvimento deste estudo Para a realização deste trabalho de levantamento e estudo de aspectos da estrutura física da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. João Maria de Araújo Júnior.”, visitamos suas dependências, à rua Professora Carmem Barbosa Garcia, número 242, Vila São Lúcio, no município de Botucatu, SP. Lá observamos e registramos, por meio de fotos e filmagens, a estrutura externa e interna e as condições atuais do prédio. Procuramos também ter acesso à planta original da escola e, travamos conversas com alunos, professores, diretores, coordenadores e funcionários da escola, para saber qual a opinião deles a respeito das condições que a estrutura física do local possibilitam para todos que ali trabalham e estudam. A primeira visita à escola serviu para nos familiarizarmos com as dependências, que conhecemos e registramos em pormenores nas visitas seguintes. Acreditamos que os resultados desse trabalho de levantamento e análise de dados acerca do espaço físico e edificações da escola “Dr. João Maria”, apresentados a seguir, poderão proporcionar melhor compreensão de toda a organização e dinâmica escolar, conforme fundamentos teóricos apresentados na introdução deste capítulo. 3. Olhares sobre os espaços escolares construídos Os princípios que regem as edificações escolares devem seguir recomendações pedagógicas baseadas nas necessidades das pessoas e das atividades específicas que estas desenvolverão em cada ambiente escolar. Sendo assim, consideramos, além da adequação do número e dimensão dos espaços por número de pessoas que os utilizam, a existência de ambientes específicos e necessários ao desenvolvimento das diversas atividades de ensino e de recreação, as condições de iluminação, ventilação estética e de manutenção dos espaços. Podemos dizer, no geral, que a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. João Maria de Araújo Jr.” é constituída de três edificações independentes - que aqui 32 denominaremos de anexo 1, anexo 2 e anexo 3. Além delas, há uma quadra poliesportiva, sala de atividades complementares e uma construção hoje desativada, onde antigamente funcionava uma creche. Nos tópicos seguintes detalharemos o que foi observado em cada local da escola e apresentaremos as nossas considerações a respeito de cada uma delas. 3.1. Anexo 1 Na figura 1, é possível ver a fachada do prédio mais novo da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” Nele registramos a melhor infraestrutura do conjunto das edificações. O prédio é constituído por três andares, mais o térreo. Nos pisos superiores, 2º e 3º andares, há seis salas e 1 banheiro feminino e 1 masculino, em cada andar. No primeiro andar, encontram-se a sala da direção, sala da coordenação, secretaria, sala de vídeo, sala de informática, biblioteca, 1 banheiro masculino e 1 feminino para os professores e 1 escada de Figura 1: Vista da entrada principal d EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP (Foto: Lucas Borges). acesso para o 3º e 4º andares. O acesso a todos os andares pode ser feito, também, por meio uma rampa que é extensa e íngreme demais, o que não permite acessibilidade facilitada para cadeirantes (figura 2). Além disto, toda ela é trabalhada com janelas de vidro que não são Figura 2: Rampa extensa e íngreme, que liga todos os andares da escola "Dr. João Maria" (Foto: Gabriel Mendes). adequadas para um local com tantas crianças e, ainda, foi observado que, entre algumas janelas de vidro e o chão das rampas, há espaços em que uma criança pode, facilmente, colocar o pé e acabar se machucando. 33 No térreo é onde se localiza o pátio da escola. Em todos os andares há extintores de incêndio, que encontram-se dentro do prazo de validade, e hidrantes. O anexo 1 também conta com um sistema de alarme, para o caso de sinistro. Verificamos em suas paredes a existência de rachaduras em lugares variados, como: próximas a sala da direção (figura 3) e na fachada da escola. A escola carece de áreas verdes, contando com apenas um pequeno Figura 3: Rachadura em parede da escola "Dr. João Maria", indicadas com as 6 setas (Foto: Lucas Borges). jardim, que fica ao lado da cozinha (figura 4). Verificamos que os bebedouros existentes nas dependências da escola são altos demais para crianças pequenas. Na secretaria da escola, não foi observado nenhum problema estrutural. A sala é ampla e apresenta boa mobília, aparentemente adequada às atividades ali realizadas. Em conversa com os funcionários, não houve nenhuma reclamação sobre a infraestrutura da secretaria, que é bem organizada e, ao que tudo indica, se trata de um ambiente agradável às pessoas que nele trabalham. Na sala da direção, foi possível Figura 4: Jardim ao lado da cozinha da escola "Dr. João Maria" (Foto: Lucas Borges). observar que existem móveis e computadores adequados às atividades realizadas pelas duas pessoas que ali trabalham, mas a sala fica um tanto pequena quando é preciso receber alguma visita. Além disto, localizada ao lado da quadra poliesportiva, a sala não oferece boas condições para o desenvolvimento dos trabalhos devido ao barulho que os alunos fazem quando estão ali durante as aulas de Educação Física ou brincando nos horários de intervalo. A sala da coordenação, é um local pequeno quase todo ocupado pelo mobiliário não deixando espaço suficiente para as duas coordenadoras que ali trabalham, em meio a materiais escolares (livros e apostilas, por exemplo) empilhados. 34 A sala de vídeo da escola “Dr. João Maria de Araújo Jr.” é um local amplo que, segundo relatos, é bastante utilizado para apresentação de vídeos usados como recursos para aulas ou outras atividades, principalmente quando algum professor falta e não há professores substitutos. Nestas ocasiões os alunos podem ser levados até lá para assistir algum filme ou documentário educativo. Nessa sala há um armário, uma televisão, um datashow, um aparelho de DVD, uma lousa, vários filmes e documentários educativos, uma mesa e várias cadeiras. Aproveitando-se da existência desta mesa e das cadeiras, localizadas mais ao fundo da sala, os professores as utilizam para tomar café e conversar durante seus horários de intervalo. A sala de informática (figura 5) é ampla e tem aproximadamente 25 computadores, que seriam suficientes para que uma sala de aula inteira os utilizasse para as atividades didáticas e, no entanto, nunca foram usados. Há, Figura 5: Sala de informática da escola "Dr. João Maria" com infiltrações evidentes (Foto: Gabriel Mendes) aproximadamente, dois anos esta sala recebeu computadores novos, mas com sistema operacional Linux, que inviabilizou o uso dos computadores devido às dificuldades encontradas para se trabalhar com este sistema que tem configurações diferentes do sistema mais usual, além de não permitir a instalação de alguns programas nos computadores, por ser um sistema que fornece maior segurança ao usuário, dificultando a facilidade de algumas ações que são feitas normalmente no sistema mais comumente utilizado. Até o momento, não foi realizada a troca do sistema e a sala encontra-se desativada, servindo de depósito para alguns materiais. Neste local a infiltração nas paredes sé de relativamente grande proporção, como se pode verificar na figura 5. A biblioteca (figura 6) é um local pequeno, com 4 mesas e menos de 20 cadeiras, número este insuficiente em relação ao número de alunos da escola, embora o local receba, no máximo, uma turma de alunos por vez. O acervo de livros chega aos dez mil exemplares e, assim como na sala de informática, a biblioteca também apresenta problemas de infiltração nas paredes (figura 6). 35 Ainda no 1º andar do anexo 1, existem 1 banheiro masculino e 1 feminino, para os professores. As salas de aula do anexo 1 (localizadas no 2º e 3º andares) são amplas (7,20m x 7,20m e altura de 3,11m) se considerarmos que há um 2 espaço médio de 1,20m por aluno - Figura 6: Biblioteca da escola "Dr. João Maria", com infiltrações nas paredes (Foto: Gabriel Mendes). as salas têm 51,84m² e, descontando-se a área do professor (aproximadamente 15m²), obteve-se uma área 36,84m² que foi dividida pelo número de carteiras (30). Sabendo que a recomendação (Sousa, 1999) é de que haja, no mínimo, 1m² por aluno, as salas da EMEF "Dr. João Maria" estão adequadas às turmas que as ocupam. Há uma média de 30 carteiras por sala, lousas bem conservadas e armários, sendo um destinado a guardar o material didático do projeto Sangari. Um problema detectado em relação ao teto de algumas salas é que estão cedendo, o que oferecem um grande risco aos alunos, professores e funcionários que frequentam os locais. Por este motivo, elas têm sido menos utilizadas. Nos 2º e 3º andares do anexo 1, também há, em cada um deles, 1 banheiro masculino e um feminino para os alunos. Um problema observado foi que, em algumas portas dos reservados onde ficam os vasos sanitários, não existiam trancas. No térreo fica o pátio utilizado pelos alunos nos intervalos de aulas. Neste local é onde se encontram a cozinha da escola, mesas para refeições e dois banheiros para alunos, sendo 1 masculino e outro feminino. 3.2. Anexo 2 O anexo 2 (figura 7) foi o local onde se registrou o maior número de problemas relacionados à estrutura física. Neste espaço, estão localizadas as salas de 8º e 9º anos no período da manhã, e que no período noturno Figura 7: Vista do anexo 2 da escola "Dr. João Maria", prédio claro visto ao fundo (Foto: Gabriel Mendes). são utilizadas pelos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). 36 O prédio tem dois andares, com quatro salas de aula por andar, sendo que no primeiro, além das salas há 1 banheiro masculino e 1 feminino, duas salas onde são guardados materiais de limpeza e uma sala onde alguns funcionários guardam seus pertences. O anexo 2, segundo informações, foi Figura 8: Teto do anexo 2 da escola "Dr. João Maria", com evidente ocorrência de fortes infiltrações (Foto: Lucas Borges). construído em um ano eleitoral e, por isto, feito às pressas, sem grande preocupação com sua estrutura, o que resultou em diversas falhas estruturais. Além disto, não possui extintores de incêndio e nem hidrantes. Segundo relatos, quando chove forte ou por um longo período de tempo, entra água nos pontos onde estão colocadas as luminárias do teto (figura 8), inundando corredores e salas. Um outro problema identificado neste prédio, é o da escada que dá acesso ao 2º andar, que além de estreita, é íngreme e com degraus pequenos, que não comportam o pé todo. Este anexo 2 conta com oito salas de Figura 9: Ausência de interruptores em salas do anexo 2 da escola "Dr. João Maria" (Foto: Gabriel Mendes). armário do Sangari e lousa aulas amplas (6,07m x 6,98 e altura de 3,78m) e tem, em média, 28 carteiras, um bem conservada. Nestas salas não havia interruptores de luz e nem tomadas (figura 9). Os únicos interruptores observados foram os dos ventiladores, instalados em local muito alto, de difícil acesso. Foram notáveis as pichações (figura 10) feitas nas paredes e a falta de fechaduras nas portas (figura 11). Figura 10: Pichações em parede do anexo 2 da escola "Dr. João Maria" (Foto: Gabriel Mendes). Segundo relatos, durante o ano de 2011 foram colocadas quatro vezes fechaduras novas nas portas, que pouco tempo resistiram ao vandalismo praticado por alunos. 37 Outro problema é o das portas das quatro salas de aula de cada andar serem situadas uma de frente para a outra (figura 12), o que traz problemas para o trânsito de pessoas, especialmente em situações de emergência, além do barulho de uma sala interferindo diretamente nas atividades desenvolvidas nas outras. Os banheiros do anexo 2 (1 Figura 11: Porta sem fechadura no anexo 2 da escola "Dr. João Maria" (Foto: Gabriel Mendes). feminino e 1 masculino) encontram-se em condições precárias, com portas sem trancas, pichações e falta de água, além de não ter qualquer marca que permita identificar qual é o banheiro masculino e qual o feminino. Existem, também, duas salas bem pequenas e simples que servem para o depósito de materiais de limpeza. Ambas foram encontradas com os materiais bem acondicionados e organizados em armários. Além desta sala, existe uma outra sala que era utilizada pelos professores, mas que atualmente serve de depósito para alguns materiais Figura 12: Portas de salas de aula mal dispostas (uma de frente para a outra), no anexo 2 da escola "Dr. João Maria" (Foto: Gabriel Mendes). escolares e pertences de funcionários. 3.3. Anexo 3 Na foto da figura 13 pode-se observar a unidade mais antiga do conjunto de edificações existente no espaço da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” Foi ela que abrigou as primeiras séries da escola primária, e, mais tarde, em 1977, o SESI (ver Histórico de Formação da Escola). Atualmente, funciona nesse prédio, no período noturno, a Direção da EMEJA (Escola Municipal de Educação de Jovens e Adultos). 38 O prédio possui duas salas de aula, sala de professores, secretaria, sala da direção, 1 banheiro feminino e 1 masculino para professores e 1 banheiros masculino e 1 feminino para alunos, laboratório de Ciências e Matemática e sala Lego, sendo que estes três últimos são espaços diferentes numa única sala, e são utilizados pela escola no período da tarde. Alguns pontos positivos desse anexo são que, mesmo sendo o mais antigo e só sendo usado para a EJA (exceto a sala de laboratórios e Lego), não apresenta graves problemas estruturais, como os vistos no anexo 2 e, além disto, possui extintor e hidrante, que também não foram encontrados no anexo 2. Esta unidade da escola “Dr. João Maria” é Figura 13: Frente do anexo 3, da escola "Dr. João Maria" (Foto: Lucas Borges). a que se encontra na condição mais precária de pintura, o que provavelmente reforça atitudes de desrespeito, que resultam em sujeira, pichação e depredação. As salas de aula do anexo 3 são, comparativamente, menores em relação às dos outros anexos. Elas possuem 2,94m de altura e 6,98 x 6,07 de tamanho, com 18 carteiras e não contém armário com material do Sangari. Das duas salas de aula existentes, uma delas é atualmente usada como biblioteca da EJA. A sala dos professores é ampla e pode-se dizer que é bem equipada com mesas, cadeiras e armários. A secretaria e a sala da direção ficam localizadas no corredor desse anexo, próximas à porta de entrada. São salas pequenas, mas são bem equipadas com materiais de escritório, mesas, cadeiras e computadores. Os banheiros dos professores (1 masculino e 1 feminino) encontram-se ao lado da secretaria e são bem pequenos, com apenas um vaso e uma pia, mas estavam organizados. Os banheiros dos alunos (1 masculino e 1 feminino) ficam no pátio do anexo 3, mas aparentemente não são muito utilizados, pois encontramos materiais de limpeza guardados em ambos e, também, os encontramos fechados algumas vezes. A sala destinada aos laboratórios de Ciência e Matemática e sala Lego, localizadas neste prédio, é utilizada pelos alunos do período da tarde (1º a 5º anos). O projeto Lego garante aos alunos um ensino interdisciplinar, com um trabalho voltado ao 39 desenvolvimento do raciocínio lógico, inovação e criatividade. A sala é ampla, com carteiras unidas de quatro em quatro para poderem ser utilizadas por grupos de quatro crianças. Possui dois armários com materiais de laboratório de Ciências e de Matemática, mas que estão trancados por falta de chaves, que foram perdidas. Além destes armários, há a estante da Experimentoteca, produzida pela da USP, que, apesar de ser um recurso didático muito interessante e adequado ao ensino de Ciências (ver capítulo - Ensino de Ciências), foi encontrado mal cuidado e empoeirado devido à falta de uso. 3.4. Sala de atividades extracurriculares, antiga creche e área verde A sala de atividades extracurriculares (figura 14) é utilizada para projetos, tais como o do Coral, que é desenvolvido pela professora Jaqueline A. Barea Cantão. O exterior da sala encontra-se mal cuidado, com problemas nas paredes - como observado na figura 12 - evidenciando a falta de manutenção. Internamente, a sala possui várias Figura 14: Frente da sala de atividades extracurriculares da escola "Dr. João Maria" (Foto: Lucas Borges). cadeiras para crianças e uma lousa. 3.5. Quadra poliesportiva A quadra poliesportiva da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” (figura 15) é um amplo espaço para as aulas de educação física, recreação e outras atividades, como apresentações artísticas e festas juninas. A quadra faz limite com a rua, onde se encontram muros altos contendo obras de grafitagem realizadas Figura 15: Quadra com poças de água, devido a cobertura que não a protege totalmente (Foto: Lucas Borges). pelos alunos; tem arquibancada e é coberta. Esta cobertura que deveria proteger as pessoas do sol e da chuva, não o faz porque a cobertura é apenas superior, ficando abertas as laterais. Desta forma, não 40 abriga adequadamente de chuva, vento e nem mesmo do sol. Por não possuir vestiários e sala de materiais dificulta os trabalhos dos professores de Educação Física. 4. Conclusão Neste trabalho buscou-se compreender a arquitetura do prédio escolar como um componente importante, que interfere em diversos aspectos da dinâmica escolar, precisando, por isso, fazer parte do planejamento para adequações ao currículo escolar, que implicará no desenvolvimento de certos conteúdos práticas de ensino desenvolvidas no interior da escola. Na escola “Dr. João Maria Araújo Jr.” é notável a diferença entre prédios e salas do anexo mais novo ao mais antigo. Foram observadas evidentes diferenças estruturais. Neste trabalho buscou-se compreender a arquitetura do prédio escolar como um componente importante que interfere em diversos aspectos da dinâmica escolar, precisando, por isso, ser levada em conta no planejamento para adequações ao currículo escolar, o qual implicará no desenvolvimento de certas práticas de ensino desenvolvidas no interior da escola. Os diversos problemas estruturais da escola, que resultaram primeiramente de planejamento inadequado, somado posteriormente à falta de manutenção e de vandalismo de alunos, precisam ser encarados com mais atenção e cuidado na busca de soluções, dado que interferem diretamente no processo de ensino-aprendizagem. 41 5. Anexo Anexo 1: Planta baixa da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, que não representa a estrutura existente atualmente no local, evidenciando áreas que não foram construídas e áreas que se encontram em localizações diferentes. 42 Gestão Escolar Amanda Moreti Rongetta Amanda Ungari Machado Camila Fernanda Zorzella Creste Marcella Gonçalves Mazutti Nilson Augusto Carnietto Júnior 1. Introdução A gestão escolar tem como objetivo organizar, mobilizar e articular todas as condições necessárias, materiais e humanas, que possam gerar avanço dos processos sócio-educacionais dentro dos estabelecimentos de ensino. Tais avanços visam uma aprendizagem efetiva pelos alunos, por meio da qual possam inserir-se na atual sociedade globalizada e com capacidade de enfrentar adequadamente os desafios que ela impõe (LÜCK, 2000). Além disso, é por meio do aperfeiçoamento da gestão que se pode ter visão estratégica e de conjunto do ambiente escolar, pois todas as ações escolares estão interligadas, funcionando como uma rede. A gestão precisa ser democrática, portanto, destituída da ideia autoritária de ações baseadas em poder absoluto, que se fecha às críticas. A gestão democrática tende a compartilhar decisões e informações, se preocupa com a qualidade da educação e com a transparência do destino dos recursos escolares (ESTEVÃO, 2001). O objetivo final da gestão é a aprendizagem efetiva e significativa dos alunos, por meio principalmente, de um sistema escolar organizado e que permita que os alunos, no cotidiano escolar, desenvolvam as competências que a sociedade demanda, sem, contudo, negligenciar os anseios pessoais de realização. Entretanto, sejam quais forem os ideais individuais, é necessário que os alunos se tornem cidadãos críticos e competentes. Para tal, precisam adquirir conhecimentos e desenvolver certas habilidades que os levem a, por exemplo, pensar criativamente; analisar informações e proposições diversas, de forma contextualizada; expressar ideias com clareza, tanto oralmente como por escrito; empregar a aritmética e a estatística para resolver problemas; ser capaz de tomar decisões fundamentadas e resolver conflitos, dentre muitas outras competências necessárias para a prática de cidadania responsável. Portanto, o processo de gestão escolar deve voltar-se à aprendizagem dos alunos sobre o 43 seu próprio mundo e sobre si mesmos; qual a relação que desejam ter com esse mundo e de qual maneira pretendem inserir-se nele. É importante que adquiram conhecimentos e aprendam a trabalhar com informações da realidade social, econômica, política e científica (LIBÂNEO, 2001). Em uma gestão escolar eficaz os dirigentes, ao liderarem as ações da escola, devem ser orientados por uma visão global e abrangente do seu trabalho. Para tanto, é necessário que o dirigente conheça quais são os aspectos que, em conjunto, favoreçam o desenvolvimento da escola e da qualidade de suas ações (ESTEVÃO, 2001). O presente trabalho objetivou conhecer e analisar como se dá a gestão escolar na EMEF “Doutor João Maria De Araújo Junior”, conhecendo a opinião da comunidade escolar em relação à gestão atual, para que o material levantado e a interpretação dos resultados sirvam como uma ferramenta de auto-análise pelos gestores, ajudando a levantar seus pontos críticos e realçando os pontos positivos, visando em um gradativo aperfeiçoamento. 2. Etapas do levantamento realizado Para a obtenção de dados sobre a gestão atual, na E.M.E.F. Dr. João Maria de Araújo Júnior, foram elaborados e aplicados questionários aos componentes que participam das diversas instâncias da gestão escolar (direção, coordenação e auxiliares de escritório), bem como aos professores da escola. O questionário aplicado à direção (anexo 1) foi elaborado com base no livro intitulado “Organização e Gestão da Escola: teoria e prática” (LIBÂNEO, 2001). Para a coordenação, o questionário também foi baseado no livro de Libâneo (2001) e acrescido de questões levantadas por alunos do 5º ano, turma XLIV do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, da UNESP, Botucatu (anexo 2). O questionário aplicado às auxiliares de escritório foi elaborado a partir de diversos questionários, que foram adaptados para atender ao interesse de compreender o papel deste segmento de profissionais na comunidade escolar (anexo 3). O artigo “Indicadores para a qualidade na gestão escolar e ensino” (LÜCK, 2000), forneceu a base para a elaboração do questionário aplicado a cinco professores (anexo 4). Além dos dados obtidos por meio desses questionários preparados por nós, analisamos também as respostas dadas por pais e alunos às perguntas específicas sobre a 44 gestão (anexo 5), existente no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP, 2010). 3. Os atores e suas respectivas ações em prol do ensino O grupo gestor da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr", é composto por uma diretora e uma assistente de direção, duas coordenadoras pedagógicas. A escola conta também com três auxiliares de escritório. A equipe de gestão tem a responsabilidade de conduzir a escola de maneira organizada, envolvendo três atribuições: administrativas, pedagógicas e sociais, por meio de contato direto com os alunos e com toda a comunidade escolar, com a realização de reuniões periódicas, que envolva todo o corpo administrativo da escola. 3.1. A direção da escola A Diretora e a assistente de direção EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." possuem ensino superior completo em pedagogia e Pós-Graduação (Sistema de Ensino COC) em gestão escolar. Atuam na educação há 20 e 30 anos, respectivamente, tendo começado como professora, requisito básico para exercer o cargo de diretor (Tabela 1). Tabela 1. Dados sobre o diretor e vice-diretor da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." Cargo Sexo Tempo total de atuação na educação Tempo total de atuação na escola Tempo no cargo atual Diretora Feminino 20 anos 5 anos 8 anos Vice-Diretora Feminino 30 anos 20 anos 3 anos Quando pedido para citarem três razões que as levaram a querer exercer os cargos de direção e vice-direção, ambas apontaram os mesmos motivos: maior salário, vocação profissional e busca por ascensão profissional. Ambas admitiram também ter vontade de exercer outras profissões que não estejam ligadas a área escolar. 45 O papel da diretora da presente escola é liderar e reger uma equipe a fim de cuidar da dinâmica escolar através de leis e normas administrativas. O papel da assistente de direção não se resume apenas a substituir a diretora em sua ausência, está ligado diretamente à coordenação pedagógica geral. A diretora e sua assistente estão sempre em contato direto, e em caráter de cunho decisório, acionam reuniões de trabalho coletivo. Como podemos observar na tabela 2, segundo a diretora e vice-diretora da escola “Dr. João Maria”, o tema “gestão escolar” é raramente discutido entre os gestores e demais membros da escola. No entanto, esse assunto deveria ser tratado periodicamente nas reuniões realizadas pelos gestores, devido a sua importância para a escola. Pois a gestão é o espelho para a escola, e tem como objetivo propiciar às instituições uma administração eficiente, além de ser a porta de entrada para os pais participarem de assuntos da escola. Tabela 2. Frequência com que alguns temas educacionais são introduzidos em reuniões para discussão pelo corpo escolar, segundo as resposta dos questionários respondidos pela diretora e vice-diretora da presente escola. (Participam das reuniões: direção, professores, pais e funcionários). Frequência de acontecimento Temas Nunca Raramente Algumas vezes Muitas vezes Sempre Gestão Escolar ( ) (x) ( ) ( ) ( ) Prática pedagógica do corpo gestor Condições de trabalho ( ) ( ) ( ) (x) ( ) ( ) ( ) ( ) (x) ( ) Formação dos profissionais do corpo geral da escola Acesso, permanência e sucesso escolar dos alunos ( ) ( ) ( ) (x) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) (x) Avaliação do trabalho dos membros da escola Avaliação escolar dos alunos Condições escolares ( ) ( ) ( ) ( ) (x) ( ) ( ) ( ) ( ) (x) ( ) ( ) ( ) ( ) (x) Outro dado levantado com a diretora e com a sua assistente referiu-se à efetivação de uma gestão democrática. Segundo elas, é difícil de alcançar essa condição, por causa da 46 “Divergência de ideias”; “Visão dos responsáveis (pais) em relação ao papel da escola”; “Falta de diálogo construtivo entre professores, pais e alunos”. Com relação ao planejamento geral da escola, que tem por objetivo organizar o conteúdo a ser aplicado durante o ano letivo, perguntou-se qual a ordem a ser seguida no planejamento, como é feito organização de cronograma etc. Verificamos que é realizado após o inicio das aulas e é revisto para ajustes no meio do ano. Ele é efetivado como componente curricular. Servindo para organizar de forma lógica o conteúdo anual, que irá ser regido durante o ano letivo, a fim de maximizar o processo ensino aprendizagem, que é dividido por ano/ciclo nesta escola. Entende-se por Planejamento Escolar a elaboração de programas, metas para toda a escola, que envolve a sua organização, funcionamento e a proposta pedagógica da instituição (BAFFI, 2002). "É um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social” (LIBÂNEO, apud BAFFI, 2002). Procuramos saber sobre a participação dos membros da comunidade escolar nas decisões orçamentárias da escola EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr" e os dados obtidos (Tabela 3) indicam que os pais, os alunos e professores da escola ficam à margem desse processo. No entanto, deveriam participar dessas decisões já que é uma de suas funções. De acordo com os dados obtidos no site da Secretaria de Estado de Educação (www.educacao.sp.gov.br), da Governadoria do Estado de São Paulo, o conselho de escola é um colegiado, de natureza consultiva e deliberativa, constituído por representantes de pais, professores, alunos e funcionários, que tem função de atuar, articuladamente com o núcleo de direção, no processo de gestão pedagógica, administrativa e financeira da escola. A eleição do Conselho de Escola é feita anualmente, durante o primeiro mês do primeiro semestre letivo. Os representantes de professores, especialistas de educação (diretor, vice-diretor, coordenador), funcionários, pais e alunos serão eleitos pelos seus pares, através de assembléias distintas, convocadas pelo Diretor de Escola. A eleição dos membros do Conselho de Escola deve ser lavrada em ata, registrada em livro próprio, com a assinatura de todos os participantes, e afixada em local visível para toda a comunidade escolar. Todas as unidades escolares estaduais deverão encaminhar às Diretorias de Ensino, a composição do Conselho de Escola até 31 de março de cada ano letivo. O Conselho de Escola é presidido pelo Diretor da Escola e terá um total mínimo 47 de 20 (vinte) e máximo de 40 (quarenta) componentes. O número de componentes é fixado proporcionalmente ao número de classes da unidade escolar. A composição do Conselho de Escola segue a seguinte proporção: 40% de docentes; 5% de especialistas de educação, excetuando-se o Diretor de Escola; 5% dos demais funcionários; 25% de pais de alunos; 25% de alunos. Tabela 3. Frequência com que cada categoria da comunidade escolar participa das decisões orçamentárias Frequência na participação das decisões Categoria Nunca Raramente Algumas Muitas Sempre vezes vezes ( ) ( ) (x) ( ) Docentes ( ) Alunos ( ) (x) ( ) ( ) ( ) Grêmio estudantil (x) ( ) ( ) ( ) ( ) Conselho da escola (x) ( ) ( ) ( ) ( ) Associação de Pais e Mestres Funcionários (x) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) (x) Supervisor escolar (x) ( ) ( ) ( ) ( ) Coordenador pedagógico Dirigente regional ( ) ( ) ( ) ( ) (x) (x) ( ) ( ) ( ) ( ) Ainda sobre o conselho de escola, foi perguntado à direção sobre a existência dele na escola, quem são seus participantes, quando se reúne e quais suas funções. Diretora e vice-diretora responderam que sim e que participam a direção, professores, pais e funcionários. Elas disseram ainda que alunos não tem participação devido à faixa etária que é atendida na escola e que o conselho é acionado sempre que necessário, em “demandas de cunho decisório”. 48 Foram levantados também, dados sobre a existência de APM (Associação de Pais e Mestres), com que frequência as reuniões ocorrem, e se os pais costumam participar. As respostas da diretora e da assistente foram similares, informando que há APM e que dificilmente são feitas reuniões. Acrescentaram que pais, alunos e professores mantêm contato com a direção e a equipe de professores, o que facilita as tomadas de decisões. “A APM é uma entidade jurídica de direito privado, criada com a finalidade de colaborar para o aperfeiçoamento do processo educacional, para a assistência ao escolar e para a integração escola-comunidade” (Site da Secretária do Estado de São Paulo – Coordenadoria do Ensino do Interior - cei.edunet.sp.gov.br). Atualmente, sua principal função é atuar, em conjunto com o Conselho de Escola, na gestão da unidade escolar, participando das decisões relativas à organização e funcionamento escolar nos aspectos administrativos, pedagógicos e financeiros. A convocação dos pais para reuniões na escola acontece no fim de cada bimestre, em geral para apoiar campanhas, festas, reuniões pedagógicas. Verificamos que poucos pais procuram pela escola por iniciativa própria. 3.2. Coordenação Pedagógica Por meio da coordenadora, soubemos sobre o número de profissionais atuantes na escola “Dr. João Maria”, seus respectivos cargos e exigências mínimas para ocupálos (tabela 4). Sobre a sua formação, a coordenadora nos informou que fez: • Licenciatura - Ciências Biológicas - FC Bauru • Aprimoramento em Hematologia - Hemocentro FMB - UNESP • Mestrado em Fisiopatologia em Clínica Médica FMB - UNESP • Pedagogia – UNINOVE/Botucatu • Extensão em Gênero e Diversidade na Escola • Cursando Gestão Escolar - especialização - UNISEB Interativo • A coordenadora atua na área da Educação desde 1994, na Escola João Maria desde 2008 e na coordenação desde dezembro de 2009. Além disso, a coordenadora sempre atuou e ainda atua como professora de Ciências. 49 Tabela 4. Cargos existentes na EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” e formação mínima exigida para cada um deles. Cargos Quantidade Formação mínima exigida 1 Pedagogia e pelo menos 3 anos no magistério Vice-diretor(a) 1 Pedagogia e pelo menos 3 anos no magistério Coordenador (a) 2 Pedagogia e pelo menos 3 anos no magistério Docentes 36 Ciclo I - Pedagogia Ciclo II - Licenciatura na área que ministra Auxiliar de escritório 3 Ensino Médio completo Agente de atividades escolares 1 Ensino Médio completo Inspetor de alunos 4 Ensino Médio completo Auxiliar de serviços gerais 6 Ensino Fundamental completo Diretor(a) Questionada sobre as funções exigidas pelo seu cargo e as funções que realmente exerce na Escola “Dr. João Maria”, ela apresentou: a) Exigências do cargo • Função complexa de articulação entre Direção e professores; • Assessoria pedagógica; • Organização de espaços e materiais pedagógicos; • Gestão de projetos educacionais; • Compromisso com a formação continuada dos docentes. b) Atividades além do que é exigência do cargo • Substituir professores; • Limpar, organizar; • Inspetorar alunos da sala de vídeo; • Passar recados nas salas de aula. Para ela, as maiores dificuldades encontradas para o exercício do cargo são: 50 • Resistência ao “novo” por parte dos professores e de toda a estrutura educacional da cidade; • Escola se diz inclusiva, mas não oferece condições mínimas necessárias; • Dificuldade de comunicação com professores e direção devido às diferenças nos horários de atividades na escola; • Excesso de trabalho; • Falta de professores de reforço; • Falta de professor para sala de atendimento educacional especializado; • Ausência de metade do corpo docente no HTPC, que faz em outras escolas. Como a coordenadora insistiu em dizer que mesmo com tantos obstáculos existentes na atualidade, não gostaria de exercer outra profissão a não ser a de professora, perguntamos o que a levou a assumir a coordenação. Uma das razões foi o maior salário que recebem os coordenadores e também porque gosta de desafios e pensou poderia fazer mais pelos alunos. Como a coordenadora insistiu em dizer que mesmo com tantos obstáculos existentes na atualidade, não gostaria de exercer outra profissão a não ser a de professora, perguntamos o que a levou a assumir a coordenação. Uma das razões foi o maior salário que recebem os coordenadores e também porque gosta de desafios e pensou poderia fazer mais pelos alunos. Sobre a inexistência de Grêmio Estudantil na Escola “Dr. João Maria”, acreditamos que possa ser resultado da dificuldade que se tem de lidar com posicionamentos políticos e reivindicações dos adolescentes, que, no entanto, precisam aprender a se manifestar e com atitudes respeitosas. Quanto à Associação de Pais e Mestres (APM) e o Conselho de Escola, são instituições existentes oficialmente na escola, mas que, segundo a coordenadora, ainda não tem o papel efetivo e frequente que os documentos oficiais sobre o assunto apregoam. Ainda acrescentou que nunca viu tal fato ocorrer em nenhuma das dez escolas em que já trabalhou, independente do sistema de ensino. As reuniões de Pais e Mestres acontecem bimestralmente, e os pais de alunos indisciplinados, com excesso de faltas ou com baixo rendimento frequentam a escola regularmente e recebem orientações da direção escolar. A documentação dos alunos é padronizada, com programas de digitação e organização de dados. As matrículas, transferências e rendimento ao final do ano são organizados pelo Sistema PRODESP (Companhia de Processamento de Dados do 51 Estado de São Paulo). As notas são acompanhadas pela Secretaria Municipal de Educação, por meio de planilhas, porque há grande interesse em obter bons índices no IDEB (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico) e IDESP (Índice de Desenvolvimento do Ensino do Estado de São Paulo). Visando esse bom desempenho, duas estudantes de Pedagogia foram contratadas através Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) como estagiárias. Uma atua durante as manhãs e outra no período da tarde, para auxiliar no reforço (quando há formação mínima para tal), organização de materiais e substituição de professores em sala quando possível. Falando sobre a Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), a coordenadora disse acreditar ser estar aí uma das suas principais atribuições, que é a de conduzir uma reunião semanal com os professores da escola para conversar sobre os alunos e a escola, como também para orientá-los quanto à formação continuada. Normalmente, a Secretaria do Municipal da Educação reúne semanalmente os coordenadores de todas as escolas e a coordenadora dos coordenadores estuda vários textos e conteúdos e sugere aos coordenadores que usem esse mesmo material nas reuniões de HTPC em suas respectivas escolas, porém, na escola “Dr. João Maria”, a coordenadora pedagógica pediu para que os professores sugerissem temas que os interessasse, para serem discutidos nesses encontros. O grupo que se reúne às segundas-feiras, composto por quatro professores, escolheu trabalhar com os temas “identidade do professor e identidade do aluno”, os mundos diferentes, a inversão de valores. Esses temas estão sendo discutidos com base em materiais do curso de Pedagogia da UNIVESP e do livro “Nos labirintos da moral” de Yves de La Taille (2005). O grupo das quintas-feiras, composto por seis professores, escolheu trabalhar com o tema “educação sexual”. Os professores querem elaborar um projeto e colocá-lo em prática, porém, eles ainda não têm todo o embasamento teórico necessário sobre educação sexual. O grupo das sextas-feiras, composto também por seis professores, escolheu trabalhar com as teorias de desenvolvimento, porém, por novamente não possuírem todo o embasamento teórico necessário as leituras são demoradas, para que os esclarecimentos necessários sejam feitos. O tema é muito interessante, pois mesmo com todas essas dificuldades encontradas pelos professores, eles conseguem perceber de onde vêm, o que está na base das teorias que fundamentam o ensino atual. Essas reuniões possibilitam aos professores enxergarem com mais maturidade o tema, o que enquanto graduandos ainda não conseguiam compreender 52 claramente. O andamento das reuniões está mais lento do que deveria, mas os professores estão se mostrando interessados, mas queixam-se pelo fato de ter de estudar, porque alegam não ter tempo disponível para se dedicarem aos estudos ou à leitura. A coordenadora conta com um quadro composto por 26 professores e, dentre eles alguns apresentam despreparo até mesmo para o uso de recursos básicos de informática, como usar o Power Point. Desses 26 docentes, apenas seis são vistos como inovadores, que buscam por novas práticas de aula. Ela ainda disse que na maioria das vezes, os professores mais inovadores são os menos compreendidos ou os mais criticados. 3.3. Auxiliares de Escritório O questionário abordou primeiramente as funções das auxiliares de escritório na escola, a importância de suas funções e a coerência das atividades realizadas por elas em relação às que são propostas pelo cargo. As respostas obtidas não foram aprofundadas, sem muitos detalhes. A respeito da função que exerciam responderam apenas que tinham a função de secretárias. Já quanto à importância dessa função, duas delas responderam que essa função era importante e somente uma respondeu que era parcialmente importante. E com relação à coerência das atividades que faziam, duas delas responderam que suas atividades eram coerentes com as propostas pelo cargo e somente uma respondeu que era parcialmente coerente. Quando abordadas sobre as dificuldades encontradas no cargo responderam que não existia nenhuma. Também perguntamos para quem elas recorriam na presença de algum problema, todas responderam que recorriam à direção, porém, somente uma acrescentou também a coordenação. Todas avaliaram a gestão da direção e da coordenação como sendo muito boa. E quando perguntamos sobre a presença de um mural para anexar recados, todas responderam que existia um mural visível na escola onde eram afixadas as programações e atividades. Avaliamos também o clima escolar, e as respostas variaram entre: bom; muito bom; normal. 3.4. Professores Elaboramos um questionário destinado aos professores no intuito de saber suas opiniões a cerca da Gestão Escolar e de seus atores. Os professores foram questionados 53 sobre características específicas que os líderes do corpo escolar ou que o conjunto da comunidade escolar precisa ter para que a Gestão seja eficiente e desenvolva bem suas funções. No entanto, poucos professores puderam responder a tais perguntas, o que limitou nosso estudo. Porém, buscamos, mesmo que limitados pela quantidade de respostas, analisar abaixo os dados recolhidos. Sabendo que dirigentes de escolas eficazes que desempenham de maneira adequada sua função na sociedade são líderes que estimulam professores, funcionários da escola, alunos, pais e comunidade adjacente a desenvolverem seu potencial, estimulando, para tanto, a criatividade e proatividade na resolução de problemas e enfrentamento de dificuldades, perguntamos sobre a avaliação da liderança educacional na escola em questão. De um modo geral, a avaliação foi positiva, pois a maioria dos professores aos quais aplicamos o questionário elogiaram os dirigentes, dizendo que colaboram e que são preocupados com o andamento escolar. Somente um professor avaliou como satisfatório o trabalho desenvolvido pelos dirigentes (primeira pergunta anexo 4). Falando sobre a escola em si, para que seja considerada competente, as comunidades, interna e externa, devem assumir certa responsabilidade por seu destino e ações. Essa autonomia deve ser conquistada pela competência desses participantes em assumir tais responsabilidades para que o envolvimento na tomada de decisões transformadoras das práticas escolares seja efetivo e a gestão seja democrática. Sobre isso, elaboramos duas perguntas (segunda e terceira perguntas - anexo 4), uma quanto a abertura dada pela gestão da escola à comunidade, interna e externa, para assumir essas responsabilidades, e a outra, tinha relação com a primeira, onde perguntamos sobre o retorno da comunidade a essa abertura caso ela existisse. Analisando as respostas dadas à primeira questão, verificamos certa contradição. Apesar de a grande maioria responder que existe abertura à comunidade, obtivemos muitas respostas que afirmavam não existir ou não saber sobre a existência de tal abertura. Como a segunda pergunta era relacionada com a primeira, uma boa parte dos professores não a respondeu, a mesma quantidade que disse não existir ou não saber sobre a existência da abertura à comunidade. Dentro das respostas obtidas, a maioria disse que gostaria que o retorno da comunidade fosse maior e somente uma pequena parte disse que o retorno é positivo. 54 Analisamos, também, a interação existente entre a comunidade e o pessoal da escola, observando se atuam em conjunto como um elemento de apoio da aprendizagem e da própria gestão, e não apenas como apoiadores para condições materiais e financeiras da escola (quarta pergunta - anexo 4). De um modo geral, as respostas foram negativas, acusando uma interação ruim entre a comunidade e o corpo escolar. A maioria dos professores respondeu não saber sobre a existência do apoio da comunidade à escola e a outra parte disse que esse apoio não existe. Questionando-os sobre o clima escolar que envolve aspectos como: expectativas dos professores em relação aos alunos; da direção e equipe técnico-pedagógica em relação aos professores; ordem, disciplina e sistema de premiação e incentivo aos alunos, onde vivenciando um clima escolar positivo, os alunos aprendem comportamentos importantíssimos para o seu desenvolvimento como cidadãos, perguntamos como eles avaliavam esse quesito (quinta pergunta - anexo 4). A maioria dos professores diz que o clima escolar é satisfatório, parcelas menores porem iguais entre si dizem que o clima escolar dentro da escola é excelente, médio e insatisfatório. Pudemos perceber respostas contraditórias quanto a esse assunto também. Quando falamos sobre processo de ensino-aprendizagem, entendemos que esse processo se caracteriza por: maximizar o tempo dedicado à aprendizagem, de modo a evitar desperdício de tempo em atividades de pouco valor formativo e informativo, onde os alunos sabem o que é esperado deles, recebem orientações específicas e são acompanhados continuamente no que fazem. Essas são ações que devem ter total atenção dos dirigentes da escola. E para saber a opinião dos professores sobre a eficiência dos gestores nessas características, elaboramos uma questão que perguntava se os dirigentes da escola dão atenção necessária ao processo de ensino – aprendizagem (sexta pergunta - anexo 4). Ao analisar as respostas, percebemos que a grande maioria disse que sim, os gestores são eficientes. Porém, alguns professores disseram que não era satisfatório. Observamos também respostas incoerentes com a pergunta, o que pode ser um indicador de desatenção ou até mesmo desinteresse. Como a avaliação do desempenho acadêmico mostraria falhas nesse processo de ensino-aprendizagem, perguntamos se a avaliação é aplicada de maneira correta (sétima pergunta - anexo 4). A quantidade de professores que respondeu de maneira inadequada é grande, apontando mais uma vez uma possível falta de interesse ou falta de atenção. Outro dado surpreendente é a existência de uma parcela que diz desconhecer sobre 55 avaliação do desempenho acadêmico. E também aparecem respostas contraditórias, uma parcela diz que a avaliação é feita de maneira correta e outra diz não ser. Essas falhas até aqui observadas já deveriam ser notadas pelos gestores antes mesmo de obtermos esses dados. No intuito de conhecer como é feita essas averiguações pelos dirigentes, fizemos uma questão para saber se a supervisão era feita de maneira adequada (oitava pergunta - anexo 4). Quando questionados sobre a supervisão de professores a maioria respondeu que é feita de maneira adequada. Alguns acreditam não terem condições para responder essa pergunta e outros responderam de maneira incoerente com a pergunta. Vemos aqui um possível desconhecimento a cerca dessa supervisão que deve ser feita pelos gestores, e que apontaria possíveis falhas dos professores e também daria incentivos a eles. Nesse mesmo panorama que analisa o apoio aos professores no processo ensinoaprendizagem, perguntamos como os professores avaliavam o sistema de uso e as condições de materiais e textos de apoio pedagógicos na escola (nona pergunta - anexo 4). Alguns professores afirmaram que as condições e o uso desse tipo de material é satisfatório, porém a mesma quantidade afirmou que há muito pouco desse tipo de material na escola. Outro resultado intrigante foi uma parcela responder que desconhece esse tipo de material. Finalizamos a pesquisa com os professores buscando saber suas opiniões a cerca do espaço físico. Sabendo que as escolas não necessitam ser grandes, elas apenas necessitam utilizar de forma criativa o espaço existente, formando ambientes adequados às diferentes atividades exercidas na escola como: leitura, vídeo, representações, etc. Elaboramos uma pergunta para avaliar a utilização do espaço físico da escola (décima pergunta - anexo 4). A grande maioria dos professores afirma que a utilização do espaço físico não é ideal, porém uma parcela significativa diz que o espaço é bem aproveitado. Esses dados evidenciam que melhorias precisam ser feitas para melhorar a utilização do espaço físico. 3.5. Pesquisa de opinião de Pais e Alunos, retirada do Questionário SARESP. Buscando saber a opinião dos Pais e dos alunos com relação à Gestão Escolar da Escola João Maria, utilizou-se o questionário SARESP de 2010. Através de algumas questões desse questionário que são voltadas para a avaliação da gestão escolar, obtevese, superficialmente (visto que seria necessária uma pesquisa mais detalhada e recente 56 para terem-se dados fidedignos), a opinião de pais e alunos quanto à eficiência da gestão escolar da Escola João Maria. Portanto, todos os resultados dessa parte da pesquisa foram retirados do questionário SARESP de 2010, e apenas avaliados sem qualquer alteração nos gráficos e tabelas disponibilizados por este questionário. Sabendo que a Gestão Escolar é responsável por informar aos pais o progresso de seus filhos, perguntou-se se eles estavam recebendo estas informações (questão 1 – anexo 5). Nesta avaliação, a maioria dos pais concordou plenamente (42,71%) ou parcialmente (41,67%) dizendo que recebiam informações sobre o progresso de seus filhos. Porém, os pais que responderam negativamente, afirmando que não recebiam informações sobre o progresso de seus filhos (13,54%) apresenta-se como um dado importante na avaliação, pois vem contrariar a eficiência dos responsáveis pela gestão escolar, visto que ainda têm-se pais que não recebem essas informações. Então, é preciso entender o que leva a tal problema, sabendo que este pode resultar de um desinteresse ou falta de tempo dos pais para irem às reuniões onde as informações sobre o progresso dos filhos são apresentadas, ou de uma deficiência de gestão escolar, ao deixar de realizar reuniões com a colaboração do Conselho de Escola e da APM (Associação de Pais e Mestres). A APM é uma instituição auxiliar, que tem por finalidade colaborar para a melhora do processo educacional, dar assistência ao escolar e atuar na integração família-escola-comunidade. Nota-se a falta da APM também na importância dada à opinião dos pais, pois quando questionados sobre a importância que o corpo da gestão escolar dá à opinião dos pais (questão 3 – anexo 5), já que a opinião deles deve ser levada em conta na tomada de decisões da escola, a maioria deles avaliou positivamente, como mostra a Figura 1. No entanto, nota-se que a porcentagem dos pais que discordam, afirmando que suas opiniões não são levadas em consideração também é grande (17,17%), mostrando que esse ponto é passível de melhora pelos gestores escolares. 57 Figura 1. Avaliação feita pelos pais de alunos da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” sobre a existência de atenção da gestão escolar as suas opiniões para tomada de decisões na escola. A opinião dos pais seria mais bem representada diante dos gestores escolares também se houvesse melhor organização do Conselho Escolar (constituído por representantes de pais, estudantes, professores, demais funcionários, membros da comunidade local e o diretor da escola), que deve zelar pela manutenção da escola e participar da gestão administrativa, pedagógica e financeira, a fim de assegurar a qualidade de ensino (Portal MEC - http://portal.mec.gov.br/). Outro dado que seria melhorado com a organização de um Conselho Escolar atuante é o conhecimento da escola sobre problemas do ensino (questão 4 – anexo 5), onde 17,97% deram nota média ou abaixo da média para os gestores escolares. Mesmo assim, nessa mesma questão pode-se notar que apesar das melhoras que podem ser feitas, a eficiência da gestão escolar no quesito pedagógico é bem avaliada, pois 82,03% dos pais atribuíram nota a cima da média para os gestores escolares. No quesito instalações físicas (questão 4 – anexo 5), observa-se também que os pais avaliaram negativamente, como vemos na Figura 2. Onde a maior porcentagem de notas atribuídas pelos pais ficou na média ou abaixo dela. 58 Figura 2. Notas dadas pelos pais com relação a adequeação e manutenção das intalações físicas da Escola João Maria. No entanto, quando questionados sobre a capacidade do diretor da escola e dos profissionais (questão 4 – anexo 5) que atendem seus filhos, as notas com maiores porcentagens de voto são as a cima de sete. O que pode representar a visão da comunidade com relação à escola, visto na questão 2 (anexo 5), onde buscou-se saber se a escola é valorizada pela comunidade, 80,43% dos pais apontaram que a escola é sim valorizada pela comunidade. Já analisando os resultados do questionário aplicado aos alunos, nota-se que eles percebem a escola de maneira diferente de seus pais. As porcentagens observadas nas primeiras questões (questões 5, 6 e 7 – anexo 5) destinadas a eles mostram alguns problemas que eles apontam como: a participação dos alunos nas decisões da escola (questão 6 – anexo 5), acusando que 50% dos alunos não se sentem incluídos na tomada de decisões, contradizendo o papel do grêmio estudantil e do conselho de escola que são formas de organização que incluem os alunos em todos os âmbitos de decisões escolares. Os dados apontam que a maioria deles não veem chances (40,66%) ou veem poucas chances (39,01%) de organizar o grêmio estudantil inclusive (questão 7 – anexo 5), mostrando que esse pode ser um ponto a favor do sentimento de exclusão das decisões da escola; Esse dado também pode explicar o que tivemos como resultado na quinta questão (anexo 5), onde uma porcentagem relevante dos alunos se dizem com poucas chances de terem suas ideias ouvidas (23,12%). A contradição dos gestores a cerca da existência ou não do conselho de escola também explicaria isto que os alunos apontaram, já que na formação do conselho escolar há uma porcentagem de participação dos alunos. 59 Se o conselho de escola realmente existisse e fosse participativo, os alunos teriam certo poder de decisão, e se o grêmio estudantil fosse organizado, eles teriam maiores chances de suas ideias serem ouvidas. Olhando-se as porcentagens dessas questões, percebe-se que ainda falta um pouco de conhecimento dos alunos com relação ao que estavam avaliando, pois as questões 5 e 6 são semelhantes e a avaliação deles foi um pouco contraditória. Nota-se isso por na questão 5 a maioria dos alunos disseram que tem sim chances de serem ouvidos. No entanto, na questão 6 metade deles discordam dizendo que não tem chances de terem suas ideias ouvidas. No geral, mesmo com esses pontos que precisam ser melhorados, na última questão (anexo 5) as maiores porcentagens de voto dos alunos para indicar a nota dada à escola e que estudam ficaram na média ou a cima dela, demonstrando, assim, que no conjunto escolar os alunos avaliaram positivamente a escola João Maria. 4. Anexos Anexo 1 - Questionário aplicado a Direção I. FORMAÇÃO PROFISSIONAL: 1) Qual a sua formação acadêmica? 2) Atua a quanto tempo na educação e está a quanto tempo na escola? 3) Qual é a função que exerce na escola e como vê a importância desta função? 4) Já atuou em outro cargo? Qual? 5) Você se sente realizando funções que estejam além do proposto pelo cargo? 6) Assinale até três indicadores que o levou a exercer o cargo de gestão: ( ) Maior salário ( ) Vocação profissional ( ) Influência de amigos ( ) Influência de família ( ) Não gostava de atuar na docência ( ) Ascensão profissional ( ) Outros:___________________________________________________. 7) Você gostaria de exercer outra função profissional? ( ) Não ( ) Sim, qual? _________________________________________________. II. CONDIÇÕES SOCIOECÔMICAS 8)Esta escola disponibiliza computadores aos docentes? 60 ( ) Não ( ) Sim, quantos?______________________________. 9) Esta escola possui projetos de inclusão digital: ( ) Não ( ) Sim, para: ( ) Professores ( ) Funcionários ( ) Alunos ( ) Comunidade 10) Quais as estratégias desta escola para promover a participação dos pais na vida escolar? 11) Com que frequência você convoca os pais para acompanhamento na vida escolar dos alunos desta escola? Nenhuma ( ) Quinzenalmente Mensalmente Bimestralmente ( ) ( ) ( ) 12) Com que frequência os pais procuram a escola: Motivo Nenhuma Ocasional Por convocação da escola ( ) ( ) Por iniciativa própria ( ) ( ) Mensal ( ) ( ) Semestralmente ( ) Bimestral ( ) ( ) Semestral ( ) ( ) 13) Indique a frequência com que ocorrem divergência/discordância entre você (Gestor) e o: Desentendimento com: Nunca Raramente Algumas vezes Muitas vezes Sempre Professor ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Alunos ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Funcionário ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Responsável pelo aluno ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 14) Indique as três principais dificuldades vivenciadas por você (Gestor) na presente escola? ( ) Carga horária de trabalho excessiva ( ) Cansaço ( ) Desmotivação pessoal ( ) Falta de apoio pedagógico ( ) Integração nas atividades da escola ( ) Falta de apoio teórico-metodológico ( ) Outras:______________________________________________________________. 61 III. GESTÃO ESCOLAR 15) Indique a frequência com que se discute o andamento e o funcionamento da escola, como um todo e no que se refere aos seguintes aspectos, considerando os últimos seis meses: Aspectos Nunca Raramente Algumas Muitas Sempre vezes vezes Gestão Escolar ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Prática pedagógica ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Condições de trabalho ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Formação dos profissionais ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Acesso, permanência e sucesso ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) escolar dos alunos Avaliação do trabalho desenvolvido ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Avaliação escolar dos alunos ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Ambiente escolar ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 16) A “Gestão Escolar” é um assunto debatido na escola João Maria com que frequência? Nenhuma Quinzenalmente Mensalmente Bimestralmente Semestralmente ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 17) Indique cinco agentes que participam da discussão sobre a “Gestão Escolar” com maior frequência: ( ) Coordenador pedagógico ( ) Supervisor ( ) Professores ( ) Funcionários ( ) Alunos ( ) Grêmio estudantil ( ) Conselho escolar ( ) Associação de pais e Mestres ( ) Responsáveis pelos alunos ( ) Membros da comunidade ( ) Dirigente regional ( ) Ex-alunos ( ) Outros:___________________________________________________________________. 18) Cite, na sua opinião, três principais problemas que dificultam a efetivação de uma gestão democrática. 19) Na escola João Maria, indique a frequência com que cada categoria, abaixo relacionada, participa das decisões orçamentárias: Categoria Nunca Raramente Algumas Muitas Sempre vezes vezes Docentes ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Alunos ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Grêmio estudantil ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Conselho da escola ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Associação de Pais e Mestres ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Funcionários ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Supervisor escolar ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Coordenador pedagógico ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Dirigente regional ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 62 20) Em que época é realizado o planejamento na Escola João Maria ? ( ) Antes do início das aulas e no meio do ano letivo ( ) Após o início das aulas e no meio do ano letivo ( ) Antes do início das aulas ( ) Após o início das aulas 21)De que forma é realizado o planejamento no João Maria? ( ) Por Período ( ) Por disciplina ( ) Por série/ciclo ( ) Por período e disciplina ( ) Por período e série/ciclo ( ) Por disciplina e série/ciclo ( ) Por período disciplina e série/ciclo 22) Com que frequência o planejamento é revisto ao longo do ano? ( ) Mensal ( ) Bimestral ( ) Semestral ( ) Não é revisto durante o ano 23) A direção consegue informar toda a comunidade escolar sobre os principais acontecimentos da escola? 24) Pais, mães, alunos, professores e funcionários em geral discutem as dificuldades de gestão e de financiamento da escola e participadas iniciativas voltadas à solução destes problemas? 25) A Escola tem grêmio estudantil? Se sim, qual a sua participação na escola e quantos são os alunos envolvidos? 26) Há conselho escolar? Quem Participa? Como funciona? Quando se reúne e quais suas funções? 27) Existe APM (Associação de Pais e Mestres) na escola e com que frequência as reuniões ocorrem? Os pais costumam participar dessas reuniões? 63 Anexo 2 – Questionário aplicado à Coordenação I . Forneça a formação exigida para cada um dos cargos da gestão escolar : Cargo Formação exigida Diretor(a) Vice-diretor(a) Coordenador(a) Docentes Auxiliar de Escritório Agente de Atividades Escolares Inspetor de Alunos Auxiliar de Serviços Gerais II. Formação profissional: 1) Qual a sua formação acadêmica? 2) Atua a quanto tempo na educação e está na escola desde quando? 3) Qual é a função que exerce na escola e como vê a importância desta função? 4) Já atuou em outro cargo? Qual? 5) Quais as dificuldades encontradas em seu cargo? 6) O trabalho que você realiza está dentro do que é proposto pelo cargo? 7) Assinale até três indicadores que o levou a exercer o cargo de gestão: ( ) Maior salário ( ) Vocação profissional ( ) Influência de amigos ( ) Influência de família ( ) Não gostava de atuar na docência ( ) Ascensão profissional ( ) Outros:___________________________________________________. 64 8) Você gostaria de exercer outra função profissional? ( ) Não ( ) Sim, qual? _________________________________________________. III. Gestão escolar: 9) A Escola tem grêmio estudantil? Se sim, qual a sua participação na escola e quantos são os alunos envolvidos? 10) Existe participação dos pais e /ou da comunidade na gestão escolar? Se sim, como ela ocorre? 11)Existe APM (Associação de Pais e Mestres) na escola e com que frequência as reuniões ocorrem? Os pais costumam participar dessas reuniões? 12) Há conselho escolar? Quem Participa? Como funciona? Quando se reúne e quais suas funções? 13)Como funciona a relação da escola com a Secretária da Educação? (relacionados a administração escolar com transferência, matrículas, ponto de funcionário e professores.) 14) Tipo de ensino : ( ) Fundamental I ( ) Fundamental II ( ) Ensino Médio 15) A escola possui estagiários? Como funciona? 16) Quais as dificuldades encontradas em seu cargo? 17) O trabalho que você realiza está dentro do que é proposto pelo cargo? 65 Anexo 3 - Questionário aplicado às Auxiliares de Escritório Idade: Função: 1. Quais as funções você exerce dentro da escola? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 2. Suas funções realizadas na escola condizem com o que é proposto pelo cargo? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 3. Como vê a importância de sua função para a escola? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 4. Quais as dificuldades encontradas no seu cargo? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 5. Já atuou em algum outro cargo? Qual? ( ) Sim ( ) Não Qual(s):________________________________________________________________ 6. Você acumula algum outro cargo? ( ) Sim ( ) Não Qual(s):________________________________________________________________ 7. Como você avalia a gestão da direção? ( ) Muito ruim ( ) Ruim ( ) Regular ( ) Boa ( ) Muito Boa 8. Como você avalia a gestão da coordenação? ( ) Muito ruim ( ) Ruim ( ) Regular ( ) Boa ( ) Muito Boa 9. No caso de necessidade para a resolução de problemas, por quem procura na escola? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 10. O que você acha do clima escolar? _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 11. Há um mural em local visível com as programações propostas pela escola? ( ) Sim ( ) Não 66 Anexo 4 - Questionário aplicado aos Professores 1) Como você avalia a liderança educacional na escola em que trabalha? 2) A gestão da escola em que trabalha dá abertura à comunidade, interna e externa, para assumir tais responsabilidades? 3) Se existe essa abertura, como você avalia a resposta da comunidade a ela? 4) Na escola em que trabalha existe o apoio da comunidade? E esse apoio, se existir, é efetivo? 5) Como você avalia o clima escolar dentro da escola em que trabalha? 6) Os dirigentes da escola em que você trabalha dão atenção necessária ao processo de ensino-aprendizagem? 7) A avaliação do desempenho acadêmico na escola onde trabalha é aplicada da maneira correta? 8) Na escola em que trabalha, a supervisão de professores é feita de maneira adequada? 9) Como você avalia o uso e condições de materiais e textos de apoio pedagógicos na escola em que trabalha? 10) Como você avalia a utilização do espaço físico na escola em que trabalha? 67 Anexo 5 - Pesquisa de opinião de Pais e Alunos, retirada do Questionário SARESP 1) Eu recebo informações da escola sobre o progresso do meu filho 2) A escola é valorizada pela comunidade 3) A escola dá importância à opinião dos pais 4) Notas dada pelos pais à: Capacidade do diretor da escola Conhecimento da escola sobre problemas do ensino Qualidade dos profissionais que atendem os alunos Instalações físicas da escola 5) Na minha escola os alunos tem poucas chances de que alguém escute suas ideias 6) Na minha escola os alunos ajudam a decidir o que acontece na escola 7) Na minha escola os alunos tem chance para organizar o grêmio estudantil 8) Minha escola é um lugar agradável 9) Que nota você daria para a sua escola? 68 Merenda Escolar Adriana Cristina de Oliveira Graciette Perissinotto da Silva Felipe Moraes Barros Eburneo Maria Vitória Barros Sifuentes 1. Introdução O movimento pela merenda escolar se iniciou em Nova York, em 1908, para suplementar a dieta de crianças subnutridas (Stefanini, 1997). Segundo este mesmo autor, no fim de 1938, quarenta e cinco estados americanos participavam da distribuição da merenda escolar. Desde a década de 30, diante da escolarização obrigatória, o Brasil vem estabelecendo políticas sociais de enfrentamento da fome e desnutrição através da criação de diversos programas federais, estaduais e municipais (Sobral & Costa, 2008). Em 1940 foi criado o Serviço de Alimentação de Previdência Social (SAPS) o qual foi sofrendo modificações ao longo dos anos, transformando-se, em 1955, no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) (FNDE, 2011). Segundo esta mesma fonte, o PNAE tem como objetivo atender as necessidades nutricionais dos alunos matriculados na Pré-escola, Ensino Fundamental e Médio, por meio de pelo menos uma refeição diária balanceada, contribuindo para o crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e rendimento escolar dos estudantes, além de buscar reduzir a evasão escolar e criar bons hábitos alimentares. Esse programa é coordenado atualmente pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pela normatização, monitoramento e fiscalização do programa e atende 45,6 milhões de estudantes da educação básica e de jovens e adultos de todo o país (FNDE, 2011). A merenda escolar visa fornecer de 15 a 30% das quantidades de diárias de calorias e nutrientes recomendados, portanto, a escola se apresenta como um espaço de promoção da saúde, através de hábitos alimentares mais saudáveis, além de desenvolvimento psicoafetivo e aprendizagem (Costa, Ribeiro & Ribeiro, 2001). As Unidades de Alimentação Coletiva, conhecidas como Cozinha Piloto, têm o papel de fornecer um alimento equilibrado do ponto de vista nutritivo, e seguro do ponto de vista higiênico-sanitário (Munhoz, 2007). A qualidade dos alimentos oferecidos aos jovens e crianças beneficiadas é de grande importância, porque garante 69 alimentos com valor nutritivo adequado para cada faixa etária, com vitaminas e fibras essenciais para o crescimento destes jovens. Sendo assim, o alimento comprado por essas unidades tem de estar em bom estado, com verduras e legumes frescos e outros itens básicos da dieta, como arroz e feijão, sempre de qualidade, para que a presença destes componentes essenciais, como vitaminas e fibras, não seja prejudicada. Convém ressaltar ainda que, para muitas crianças da rede pública, a merenda escolar pode representar a única refeição diária. Com base nessa importância social e alimentar da merenda escolar, tivemos como objetivo nesse trabalho conhecer e avaliar: a) a dinâmica de preparação da merenda feita pela Cozinha Piloto; b) a infra-estrutura relacionada; c) características do serviço e rotinas de trabalho na cozinha; d) perfil e comportamento dos usuários da merenda; d) aspectos relativos à educação alimentar. 2. O trabalho realizado: caminhos e descobertas sobre a preparação e o consumo de alimentos Na Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. João Maria Araújo Júnior”, como acontece com as demais escolas do município, a merenda servida aos alunos é diariamente preparada em uma cozinha piloto, mantida pelo município. Por esta razão, o nosso trabalho dividiu-se em duas etapas. Em uma delas, verificamos o que acontece na escola Dr. João Maria, desde a chegada do alimento ao seu consumo, e na outra, averiguamos as condições de produção da merenda na Central de Alimentos de Botucatu, conhecida como Cozinha Piloto, onde investigamos como são acondicionados, preparados e distribuídos os alimentos, bem como o que é considerado na elaboração do cardápio semanal. O primeiro passo deste levantamento, realizado na escola Dr. João Maria, foi observar e registrar as condições gerais da cozinha e do refeitório da escola, quanto à limpeza, organização, tamanho, utensílios e móveis. Além desses aspectos, observamos também o comportamento de alunos e funcionários da cozinha durante o processo de distribuição da merenda. Entrevistamos a merendeira da escola e aplicamos um questionário (Anexo 3) aos alunos. Conhecer o local onde é armazenada e distribuída a merenda é de extrema importância, porque é neste momento que verificamos a higiene, a limpeza e as condições nas quais esta comida chega até a comunidade escolar. Sendo assim, 70 observamos a cozinha da escola Dr. João Maria, levando em conta parâmetros como: limpeza da cozinha, dos utensílios utilizados, maneira como a merenda é acondicionada e distribuída para os alunos e também a limpeza do pátio, local onde os alunos fazem as refeições. As nossas observações indicaram que a cozinha é limpa e bem organizada, grande e espaçosa, além de bem equipada com 2 geladeiras, 1 freezer, 1 fogões e 3 armários amplos. Os talheres são de metal e os pratos são de vidro. Os alunos alimentam-se com colheres, já que não há garfos nem facas, para evitar assim acidentes. Para Dona Inês, merendeira responsável pela cozinha, o alimento que chega até a escola é de boa qualidade e prático também, porque já vem pronto da cozinha piloto, aquecido e em recipientes térmicos separados. A salada já vem pronta também, acondicionada em sacos plásticos com verduras e legumes picados, faltando apenas temperá-la. A entrevista realizada com a merendeira, cujo roteiro encontra-se no Anexo 1, revelou-nos os seguintes aspectos da rotina desenvolvida na escola: “Logo que os alunos chegam à escola, por volta das sete da manhã, é servido leite com pão ou biscoitos, que chegam à escola no dia anterior. A merenda chega à escola por volta das oito horas da manhã e é servida aos alunos às nove e meia. Uma medida padrão foi adicionada na hora de servir a comida para evitar o desperdício, uma escumadeira de aproximadamente trinta centímetros de comprimento. Na hora do recreio, os alunos esperam em fila para pegar a comida, esta é distribuída em sequência, um funcionário coloca o arroz, outro coloca o feijão e assim por diante, sempre respeitando a medida padrão. Os alunos sentam-se nas mesas dispostas pelo pátio, porém alguns comem em pé. Os restos de comida deixados pelos alunos são colocados num galão, para posteriormente serem levados por uma funcionária da escola para alimentar os porcos. Os pratos e talheres são colocados numa mesa próxima e uma funcionária sempre recolhe para serem lavados. O processo de lavagem também é em sequência, uma funcionária lava e outra enxágua. Os talheres são deixados de molho em bacia contendo água quente e cloro e posteriormente lavados. Depois que todos os alunos comeram a comida, o aluno que quiser comer outra vez, pode. Este, então volta para o fim da fila para pegar a comida novamente. Após o recreio, se sobrou merenda, os funcionários podem comer. O pátio da escola, após o recreio, fica totalmente sujo, com comida espalhada pelas mesas e pelo chão.” Para verificar se a merenda tem sido bem aceita, foi aplicado um questionário para alunos de 6º, 7º, 8º e 9º anos (Anexo 3). Para alunos de cada ano foram aplicados 35 questionários, que resultaram em uma amostra de 140 alunos respondentes. Além de 71 verificar a aceitação da merenda por eles, com questões diretas e objetivas, aplicar o questionário também teve por finalidade saber se havia quem levasse lanche de casa, do que era composto, se havia frutas e/ou guloseimas. Dos 140 alunos amostrados (Figura 1) verifica-se que a maioria consome merenda (73,57 %). Com base nesse resultado, dividimos os alunos em dois grupos, sendo o grupo I composto por alunos que consomem merenda e o grupo II o dos alunos que não a consomem. Os integrantes do grupo I foram 25 alunos do 6º ano, 28 do 7º ano, 27 do 8º ano e 23 do 9º ano, a maioria deles consome a merenda apenas uma vez na semana (39,80%). Dos demais, 35,92% consomem-na três vezes na semana e 33,98% duas vezes. Esses resultados mostram que mais da metade dos alunos comem a merenda mais de uma vez na semana. Muitos destes relataram comer porque sentem fome e também porque a comida é gostosa. Nossos resultados mostraram que dos 103 alunos que consomem merenda 94% gostam dela. A aparência da comida é uma coisa extremamente importante para todos nós, para crianças e jovens em idade escolar isso não é diferente. Muitas vezes elas deixam de comer por conta de uma aparência ruim. N = 103 Figura 1: Relação entre alunos da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr.", que ao se alimentar levam em conta ou não a aparência da comida. O fato dos alunos comerem a merenda que lhes é oferecida pode ter uma grande importância tanto social quanto nutricional. De um lado, porque para muitos a merenda é a refeição mais importante do dia, não tendo outras refeições em casa e por outro, porque os jovens e as crianças precisam contemplar as necessidades qualitativas e quantitativas de nutrientes e vitaminas necessárias para essas fases do desenvolvimento. Portanto, não basta saber apenas se os alunos estão comendo a merenda, mas também 72 porque eles a comem. É importante considerar se não tem almoço em casa, se não comem antes de ir para a escola, se só comem porque não levam lanche para a escola ou também se comem somente porque acham a comida gostosa e sentem vontade de comer. N = 103 Figura 2: Razões pelas quais alunos da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." consomem a merenda escolar. Para os alunos respondentes, a comida nutritiva é aquela que possui legumes e verduras, para 79% destes alunos a merenda servida é nutritiva porque contêm verduras e legumes presentes quase todos os dias. Alunos do grupo I, que comem a merenda, 70% (72 alunos) não levam lanche para a escola o que pode ser um dos fatores pelo qual eles comem a merenda (Figura 2). N = 31 Figura 3: Número de dias/semana nos quais os alunos levam lanche para a escola. Saber o que os alunos consomem na hora do recreio além da merenda é importante, porque um dos objetivos do Projeto Merenda Escolar é diminuir o consumo de guloseimas como balas e chicletes e estimular uma prática de alimentação saudável. 73 N = 103 Figura 4: Alimentos além da merenda, que alunos da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." relataram que consomem na escola. Em nossa análise vimos que 52,42% dos alunos comem antes de ir para a escola. Considerando os dados obtidos anteriormente, podemos concluir que os alunos comem a merenda devido aos seguintes fatores: a) sentem fome (37,86%); b) porque não comem antes de ir para a escola (52% comem); c) porque gostam da merenda (94%); d) não levam lanche (70%). Todos esses fatores contribuem para que os alunos comam a merenda. Neste momento vamos abordar os dados do grupo II, no qual 26,43% dos alunos não comem a merenda. Sendo 10 do 6º ano, 7 do 7º ano, 8 do 8º ano e 12 do 9º ano. Para tentar entender o porquê desses alunos não comerem a merenda, as mesmas questões do grupo anterior foram analisadas, exceto aquelas que eram exclusivas para quem comia a merenda como, por exemplo, quantas vezes na semana o aluno comia a merenda. Como abordado anteriormente (Figura 1), a aparência da comida é importante porque pode influenciar na escolha dos alunos em come-la ou não. Dos alunos que não comem a merenda, 62,16% leva em conta a aparência da mesma antes de come-la. N = 37 Figura 5: A aparência é importante para a maioria dos alunos, exceto para alunos do 6º e 9º ano, que a diferença entre eles não foi tão acentuada. 74 Também foi feita a relação dos alunos que acham que a merenda é nutritiva,com base na presença de verduras e legumes, na qual 75,67% dos alunos acreditam que a merenda seja nutritiva e contribui para o crescimento. Saber se esses alunos levam lanche para a escola é interessante, pois este pode ser um dos motivos pelo qual eles não comem a merenda. Dos 37 alunos que não comem a merenda, 56,75% levam lanche para a escola, dos quais, levam em média dois dias na semana. A Figura 6 traz a relação do tipo de lanche que os alunos costumam consumir na hora do recreio, podendo-se verificar o predomínio do consumo de balas e chicletes por alunos do 8º e 9º ano. N =37 Figura 6: Total de alunos que consomem alimentos além da merenda. Por fim, nossos resultados mostraram que 75,67% dos alunos do Grupo II comem em casa antes de ir para a escola. Considerando os resultados obtidos dos alunos do Grupo II, podemos considerar que eles não comem a merenda porque saem de casa alimentados (75,67%), levam lanche (56,75%) ou não gostam da aparência da merenda, já que estes alunos costumam levar em conta essa característica dos pratos de comida, na hora de consumir a merenda (62,16%). O fato de 62,16% dos alunos do Grupo II levar em conta a aparência da comida é importante, porque se a comida não tiver uma boa aparência, eles podem optar por não comê-la, por achar que não é gostosa, por exemplo. 75 3. A Cozinha Piloto: Dedicação e qualidade de serviço Localizada no Setor Oeste da cidade de Botucatu, a Cozinha Piloto existe desde 1989 e é responsável pela produção da merenda escolar que é distribuída as escolas da rede pública da cidade. Conta com um espaço amplo, dividido em setores: secretaria, padaria, almoxarifado e cozinha. A nutricionista Meire Gea é a responsável pela elaboração do cardápio semanal, inspecionar o funcionamento da cozinha, bem como orientar os funcionários quanto à produção da merenda e compra dos alimentos. De acordo com a nutricionista Meire Gea: “Muitas coisas mudaram na merenda escolar nos últimos anos. Houve uma melhoria na qualidade e diversidade das refeições, sempre se preocupando com o aspecto nutricional e social. O prato servido nas escolas e creches é muitas vezes a principal refeição de algumas crianças.” A entrevista realizada com a nutricionista, cujo roteiro encontra-se no Anexo 2, revelou-nos os seguintes aspectos da rotina desenvolvida na cozinha piloto: “A Cozinha Piloto conta com 58 funcionários, que atuam com serviço braçal, auxiliar de serviços gerais, motoristas, gestão e cozinheiros. São eles os responsáveis pela produção de mais de dois mil litros de merenda por dia. Na padaria são produzidos 22 mil pães por dia. São feitos, em média 500 Kg de arroz e 300 Kg de feijão por dia. Grande parte dos recursos vem do Governo Federal, R$ 3.201.000,00 são destinados anualmente para a merenda escolar. Essa verba chega até a prefeitura de Botucatu, passa pela Secretaria da Educação e é destinada a Cozinha Piloto, onde a Nutricionista Meire, juntamente com o corpo administrativo, realiza a compra dos alimentos necessários, prezando sempre a compra de alimentos de qualidade. Quando os alimentos comprados chegam até a Cozinha, são estocados em pallets de madeira ou prateleiras e em geladeiras ou freezers, como no caso das carnes e frios. São atendidas diariamente, 36 escolas, 28 creches, 29 pré-escolas, da rede pública de ensino, além de diversos projetos sociais. O cardápio oferecido aos alunos conta com 16 diferentes refeições, distribuídas mensalmente, cada semana possui um cardápio próprio (Anexo 4). A elaboração do cardápio é feita pela nutricionista Meire, a qual leva em conta o valor nutricional dos alimentos, sendo igual para todas as escolas que recebem a merenda. Todas as refeições contam com verduras e legumes, que são comprados dos produtores rurais do município por Chamada Pública. A Chamada Pública é um método de compra que visa à participação dos produtores da região, na qual é divulgada na imprensa (sites ou jornais locais) a lista de alimentos necessários para a Cozinha Piloto, posteriormente é feita uma cotação dos alimentos necessários antes de serem comprados. 76 Primeiramente atende ao município e quando este não possui a cota necessária de alimentos, é divulgada então a lista a nível estadual e depois federal. Se acaso não houver o alimento disponível, então é feita a compra por licitação. Frutas nem sempre estão presentes nas refeições pela falta de produtores na região de Botucatu. Outros alimentos, como arroz, feijão, macarrão, são comprados por licitação. A licitação é um método de compra que os interessados, no caso são empresas especializadas na venda de determinado produto, dão seus lances após divulgação dos produtos solicitados pela Cozinha Piloto nos sites apropriados para licitações. A comida é preparada dependendo do período escolar. A primeira refeição é preparada às 3 horas da manhã, sai às 7 horas da cozinha para ser servida a partir das 9 horas nas escolas. Já a segunda refeição é preparada às 09h30min horas da manhã, saindo às 12h30min horas para ser servida a partir das 14 horas nas escolas. A merenda sai da Cozinha em furgões, acondicionadas em recipientes térmicos (cubas) e as saladas (já cortadas) em sacos plásticos. Para precaução, sempre uma cuba de merenda é separada e deixada na Cozinha, caso falte merenda em alguma escola. Se essa não for utilizada, ela é misturada na próxima refeição. Antigamente, a Cozinha Piloto recolhia os restos de comida produzidos nas escolas. Esses restos eram destinados a produção de adubo pela Secretaria da Agricultura. Porém, a quantidade de restos passou a ser tamanha, que a Secretaria não estava mais dando conta para a produção de adubos, ficando alguns restos de comida na Cozinha Piloto. O acúmulo destes passou a atrair moscas para a Cozinha, que decidiu parar de recolhê-los das escolas, por motivos de higiene e limpeza.” A cozinha piloto, que atende diariamente crianças e jovens da rede pública de Botucatu, preza pela saúde dos beneficiados, oferecendo-lhes refeições nutritivas, que primam pela qualidade dos alimentos que são oferecidos à população. É um exemplo de dedicação com qualidade de serviço. A partir dos dados apresentados, desde o momento em que a comida é preparada até a hora da refeição dos alunos, podemos observar que a merenda é bem cuidada. Os dados indicam também que, de maneira geral, é bem aceita pela comunidade escolar da escola Dr. João Maria. Também é importante ressaltar que a merenda oferece o suprimento nutricional adequado, visto que contem quantidades que atendem as necessidades diárias de adolescentes da faixa etária dos alunos. Esse é um dos cuidados que a nutricionista Meire Gea tem para com a população beneficiada. 77 4. Anexos 78 79 Anexo 4: Cardápio semanal elaborado pela nutricionista Meire Gea 80 81 82 Ensino de Ciências Bruna Rossi Janete Andrade Lucas Denadai de Campos Sâmia Mouallem 1. Contexto Atual do Ensino de Ciências O Ensino de Ciências assim como a educação pública em geral, atravessa um momento de dificuldades, principalmente nos aspectos relativos à formação de professores, gestão escolar e baixos investimentos governamentais em recursos humanos e materiais. A preocupação com a qualidade da educação científica não é exclusiva do Brasil, considerando que em muitos países a maioria da população não recebe formação científica e tecnológica adequadas, tendo como resultado o aumento das desigualdades sociais e o atraso de países no mundo globalizado (UNESCO, 2009). O Brasil, apesar de notáveis progressos registrados em diversos setores, sofre com a grande desigualdade social, que tende a se manter enquanto a qualidade do sistema educacional continuar nos baixos níveis em que se encontra. São múltiplos os problemas encontrados no sistema educacional em nosso país, como falta de professores qualificados, desvalorização da profissão, salários baixos, alto índice de faltas no trabalho, investimentos insuficientes para construir escolas, condições materiais inadequadas, insuficiência de laboratórios e bibliotecas nos estabelecimentos de ensino, interesses políticos que se sobrepõem às necessidades da educação (Hamburger, 2007). É pertinente ressaltar que além das dificuldades estruturais e daquelas comuns à profissão existem outras também, de cunho individual, relacionadas à metodologia aplicada em sala de aula e ao planejamento das atividades. Em se tratando do Ensino de Ciências, este aspecto merece muita atenção, porque pode implicar em aulas de nenhum significado para os alunos, que deixam de se interessar pelas matérias científicas. As ciências podem e devem ser ensinadas baseadas na investigação cientifica, desde as primeiras séries escolares, uma vez que esta prática facilita a atribuição de significados a partir das demonstrações, enquanto a metodologia descritiva depende da capacidade de abstração do educando. Há necessidade de o sistema educacional superar a tradição livresca e a educação bancária e apostar em uma educação científica emancipatória que ultrapasse as barreiras entre sujeito dominado e 83 dominador (Freire, 1970). Deve-se buscar um ensino abrangente que estimule diversos tipos de leitura, inclua artes e, que, acima de tudo, propicie o desenvolvimento do espírito investigativo dos alunos e explore demonstrações de fenômenos físicos, químicos e biológicos a partir dos elementos cotidiano. Diante desse contexto teve-se, com o presente trabalho, o objetivo de caracterizar o Ensino de Ciências na escola Municipal Dr. João Maria de Araújo Jr, a partir da compreensão de “como se dá” o Ensino de Ciências nessa escola, considerando elementos como: preferências dos alunos, material disponibilizado, metodologia utilizada pelos docentes e defasagens de recursos materiais e humanos. Com isso, pretende-se usar o conhecimento adquirido para adequar estratégias e recursos a serem utilizados pelos estudantes da quadragésima quarta Turma das Ciências Biológicas Licenciatura, da UNESP, Botucatu, nas suas aulas de regência. 2. Professores, Alunos e a Realidade Escolar Para obter as informações com a finalidade de conhecer professores, alunos e a realidade do ensino de Ciências na Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, foi necessário buscar as diferentes visões que têm os envolvidos com esse ensino, conhecer o que pensam alunos, professores e coordenadora pedagógica. Foram realizadas entrevistas com a coordenadora pedagógica e com as quatro professoras de Ciências da escola, usando um roteiro pré-estabelecido (Anexo 1). Procuramos conhecer desde a disponibilidade, forma e frequência de uso de materiais didáticos e destinados às experimentações dos alunos, até aspectos pedagógicos e preparações das aulas. Aos alunos aplicamos um questionário (Anexo 2), que foi respondido por 111 alunos de cinco turmas diferentes, cada uma pertencente a um ano (6°, 7°, 8° e 9°ano). Uma turma a mais de 6° ano foi incluída, por ser a única a ter aula com uma professora diferente. O objetivo deste levantamento foi o de saber o que o estudante pensa sobre a importância aprender Ciências e qual sua relação com o professor. A Escola conta com três biólogas, que são professoras efetivas de Ciências e uma pedagoga substituta, que trabalham com as turmas de alunos indicadas na tabela 1. 84 Tabela 1 - Relação de professores de Ciências da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. e respectivas séries nas quais ministram aulas de Ciências como efetivo (*) ou atuam como substituto (**) Como se pode observar na tabela 1, as professoras efetivas (I a III) possuem habilitação específica para o ensino de Ciências no fundamental II (6° ao 9° ano), sendo as duas primeiras pós-graduadas, com títulos de doutorado e mestrado, respectivamente. No entanto, a professora IV (substituta), apesar de ter ensino superior, é graduada em área não específica para o ensino de Ciências. Trata-se de uma pedagoga, graduada pelas Faculdades Integradas de Botucatu (UNIFAC), Pós-graduada em Psicopedagogia e atualmente realiza outra pós-graduação, em Neuropsicopedagogia. Em entrevista ela nos disse que já era professora desses mesmos alunos durante o período em que cursaram o ensino fundamental I, e que como a escola estava precisando de um 85 professor de Ciências no ensino fundamental II ela aceitou continuar com esses alunos para dar aulas de Ciências em substituição aos professores específicos que se ausentassem. Todas as professoras de Ciências lecionam na E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” há mais de um ano (Tabela 2). Tabela 2 – Relação de escolas em que lecionam e respectivos tempos de atuação das professoras efetivas e substituta de Ciências, da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Tempo de docência/escola Professor Escola Municipal João Maria Outras Escolas I 1 ano - II 8 anos 19 anos nos Estado III 15 anos 32 anos na Prefeitura IV 1 ano e meio 9 anos Acreditamos que seja possível estabelecer relação entre a qualidade do ensino de ciências e a carga horária do professor (Tabela 3), considerando que mais tempo em sala de aula implica em falta de tempo para estudo, preparação das aulas, organização de materiais para experimentação e correção cuidadosa de trabalhos dos alunos, maneira esta de auxiliá-los individualmente. Um professor que compromete mais de 20h semanais com aulas, não terá tempo suficiente para as atividades de planejamento de aulas, correção de trabalhos, além de ficar mais propenso a esgotamento físico e mental. Os conteúdos que cada professora leciona seguem o currículo oficial que é sugerido pelas apostilas ou livros didáticos utilizados em sala de aula (Tabela 4), produzidos, respectivamente pela Editora NAME/COC e Sangari Brasil. Estas editoras possuem contrato com a Prefeitura Municipal de Botucatu para produzir, além do material impresso, todos aqueles usados para realizar as experimentações. Além disso, existem os livros didáticos enviados pelo MEC, através do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). 86 Tabela 3 – Relação do número total de aulas das professoras efetivas e substituta de Ciências da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Total de aulas/escola Professor Escola Municipal "Dr. João Maria" Educação de Jovens e Adultos (EJA) Outras Escolas I 24 - 6 II 8 Algumas 25 III 15 24 - IV 3 - - Tabela 4 – Conteúdos lecionados pelas professoras efetivas e substituta de Ciências para os alunos de 6° a 9° ano da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP Conteúdo / Ano escolar Professor 6°s anos 7°s anos 8°s anos 9°s anos I Astronomia e Geologia - Seres vivos - - - Corpo Humano - Astronomia e Geologia - Corpo Humano - Física e Química - II III IV Além dos materiais didáticos Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME) e Sangari, a E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” dispõe de outros meios para auxiliar o professor a desenvolver o Ensino de Ciências (Tabela 5). Como se pode verificar, cada professora tem preferências diferentes pelos materiais disponibilizados pela escola. Nas apostilas da empresa NAME/COC, existe o conteúdo que os alunos devem aprender e faz parte do currículo oficial, bem como exercícios para fixação. Todas as professoras dizem usar, porque é um material contratado pela Prefeitura de Botucatu. O material da Empresa Sangari é bem avaliado pelas professoras de Ciências da escola, bem como pelos alunos, porque propõe experimentações a cada aula. Uma delas comentou que: “Os alunos preferem as atividades a ficar copiando da lousa. Porém, “como não foi renovado o contrato com a empresa responsável (Sangari) pela reposição de materiais utilizados nas práticas, as professoras tem diminuído o número desse tipo 87 de aula. No entanto, esse problema poderia ser facilmente resolvido porque diversos materiais podem ser encontrados em supermercados ou na casa de alunos. A Experimentoteca foi idealizada e produzida pela Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, é um laboratório de Ciências que tem o objetivo de racionalizar o uso dos equipamentos e materiais de experimentação. Ela é constituída por 74 caixas, as quais possuem todo o material necessário para realizar as experimentações propostas, além dos guias e roteiros para alunos e professores. Esse material foi comprado pela prefeitura de Botucatu para algumas escolas da rede municipal, das quais a E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” faz parte. As professoras dizem que a realização das atividades propostas por esse material, requer um tempo superior ao das aulas, além disso, até levarem os alunos na sala em que se encontra o material, e começar a aula, perderiam mais tempo ainda. Segundo elas, “Em uma aula de apenas 50 minutos é inviável realizar atividades da Experimentoteca”. Algumas das professoras usam de outras estratégias para trabalhar os assuntos em sala de aula. A professora I, por exemplo, costuma levar notícias relacionadas às Ciências provenientes de revistas, textos da internet e jornais, sempre respeitando o currículo. Segundo ela, tal atividade tem dado frutos, e mesma gostaria de propor um projeto para os 6°s anos intitulado de “Mural de Ciências". Tabela 5 – Materiais didáticos e meios de lecionar aulas de Ciências utilizados pelas professoras efetivas e substituta de Ciências da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP Material didático utilizado Professor Material Sangari Apostilas NAME/COC Livros Didáticos I - II III IV Dispositivos Multimídia Experimentoteca (USP) - Pouco - - - - - Assim, os alunos teriam a oportunidade de produzir cartazes com conteúdos atuais de Ciências de forma a chamar a atenção de todos da escola possam ver. Ela apresentou também um projeto para levar os alunos do 6° ano para uma viajem até a cidade de São 88 Paulo, para conhecer o observatório. Entretanto, o número de alunos teria que ser reduzido (turmas de 6° ano têm aproximadamente 30 alunos), uma vez que, em saídas como essa, para cada 10 alunos é preciso que tenha um professor acompanhando, por este motivo e viajem não ocorreu. As professoras III e IV também costumam usar outros métodos para ensinar seus alunos, usando alguns textos extras e vídeos. A professora IV também gostaria de usar a sala de informática da escola, mas que, infelizmente, encontra-se desativada no momento. Já a professora II diz raramente utiliza outros recursos, pois seu tempo é curto, mas, às vezes, utiliza algum vídeo ou texto. “Ou preparo a aula ou dou atenção para os filhos.”- disse a professora II, que ministra 33 aulas semanais (Tabela III). Outro aspecto que as professoras levantaram foi o modo como avaliam o desempenho dos seus alunos (Tabela 6), que, em geral, lança mão de diversos instrumentos, tendendo assim a retratar melhor a situação de cada aluno. Tabela 6 – Meios de avaliação utilizados pelas professoras efetivas e substituta de Ciências da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP Meios de avaliação de aluno Professor Prova Trabalho/Pesquisa Relatório Participação I II - III - IV - - De uma maneira geral, as professoras também falaram de problemas que dificultam a aprendizagem de seus alunos. Um desses foi a falta de interesse e comprometimento de alguns deles, que afeta os colegas da mesma sala que estão interessados na aula do professor. Outro problema apontado pelas professoras é que os alunos não têm os fundamentos de português e matemática necessárias ao fundamental II. Os alunos apresentam alguns problemas de escrita, leitura, interpretação e também dificuldades com equações básicas de matemática. Segundo as professoras de Ciências, alguns assuntos exigem um pouco mais de imaginação do que outros e que para elas alguns alunos não conseguem imaginar 89 assuntos como microrganismos, células e sobre os planetas. Porém, desde que o microscópio é instrumento corriqueiro nas ciências biológicas, células e microrganismos podem ser observados e não imaginados. Além disso, a escola dispõe de microscópios que fazem parte da Experimentoteca, portanto, não há razão para que esses sejam assuntos apenas para uso imaginação. A elaboração de modelos, com recursos para entendimento de aumentos utilizados, também pode favorecer a aprendizagem. As professoras também acham que 50 minutos de aula não são suficientes para concluir um assunto com os seus alunos e por isso também é muito difícil de realizar aulas práticas, pois necessitam de mais tempo de preparação e execução. Se fosse possível também, algumas delas gostariam de um auxiliar de aulas práticas, assim a questão “tempo” seria mais bem administrada. Esta é uma situação comum e que precisa ser considerada com mais atenção. Quando se é capaz de definir os conceitos e ideias fundamentais, evitando informações dispensáveis que podem ser obtidas em livros e internet, e se prepara bem para conduz experimentos e aulas de diversas naturezas com precisão e clareza, o tempo deixa de ser empecilho. A partir de todos os dados obtidos com as professoras e cordenadora da E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, também buscamos informações com os alunos do ensino fundamental II envolvidos com o Ensino de Ciências de 6° a 9° anos dessa escola, sobre o ensino de Ciências. Dos 111 alunos respondentes, 48 alunos que fazem parte de duas turmas de 6° ano, 21 alunos fazem parte de uma turma de 7° ano, 23 alunos fazem parte de uma turma de 8° ano e 19 alunos fazem parte de uma turma de 9° ano. Desses alunos que responderam os questionários, 91,9% disseram que gostam de estudar, 89,2% gostam da matéria de Ciências e 95,5% acham importante estudar Ciências (Figura 1). Entre os alunos que disseram gostar de Ciências, muitos (Tabela 7) se identificam com os professores, outros são curiosos sobre o corpo humano e o meio ambiente (Figura 2), que mostram razões de gostarem da disciplina, já que são assuntos do dia-a-dia deles, e que podem ver sobre eles em vários meios de comunicação como, jornais, revistas, internet e muito pela televisão. Dos alunos que dizem que é importante estudar Ciências, 30,43% demonstraram grande preocupação com o seu futuro, relacionando o estudo a melhores oportunidades. Estes alunos acham importante também conhecer o meio em que vivem e as relações entre os seres. 90 Figura 1 - Assuntos de Ciências sobre os quais alunos de duas turmas de 6°, uma de 7°, uma de 8° e uma de 9° anos da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP gostam de aprender Tabela 7 – Natureza do relacionamento dos alunos de duas turmas de 6°, uma de 7°, uma de 8° e uma de 9° anos com as professoras de Ciências, efetivas e substituta, da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP Natureza do relacionamento com o professor Ano escolar Muito Bom Bom Regular Ruim Péssimo 6° ano A 96% 4% - - - 6° ano C 68% 27% 5% - - 7° ano 62% 19% 9% 5% 5% 8° ano 9% 39% 31% 4% 17% 9° ano 27% 63% 5% 5% - 91 Figura 2 - Assuntos de Ciências que gostariam de aprender os alunos de duas turmas de 6°, uma de 7°, uma de 8° e uma de 9° anos da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP Vale a pena ressaltar, que os alunos mais novos de 6°s e 7°s anos mostraram ter um melhor relacionamento com as professoras do que os alunos mais velhos, de 8°s e 9°s anos (Tabela 7). Nessa faixa de idade dos mais velhos, os alunos estão passando por um período crítico do desenvolvimento, que pode dificultar o relacionamento. Em relação ao comportamento em sala de aula, muitos alunos reclamaram da indisciplina de alguns colegas e disseram que isso poderia ser melhorado, para favorecer a atenção às aulas e consequentemente a aprendizagem (Figura 3). Outro item bastante citado pelos alunos foi em relação as aulas práticas, porque é o momento em que eles participam ativamente. Porém, aulas práticas são raras devido a alguns motivos como, por exemplo, a falta de materiais e pouco tempo disponível. As aulas práticas fazem parte, principalmente, da proposta Sangari, mas como atualmente não está sendo utilizado, o ensino de Ciências perde muito de suas possibilidades, já que a experimentação é essencial, e que como aparece na figura 3 é uma fator que os alunos gostariam que melhorasse. 92 Figura 3 – O que poderia ser melhorado nas aulas de Ciências segundo duas turmas de 6°, uma de 7°, uma de 8° e uma de 9° anos da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. 3. Considerações finais Diante das informações encontradas a partir das entrevistas, observações pessoais do grupo e informações obtidas nos “bastidores” do trabalho de campo, evidencia-se a necessidade de realizar atividades práticas, como o uso do material da empresa Sangari, uma vez que esse material possui alternativas de reposição, além da alta aceitação pelos alunos e viabilidade de uso em um tempo reduzido de aula (50 minutos). Também o uso da Experimentoteca poderia acontecer se houvesse um empenho mínimo aos professores. Uma alternativa poderia ser a abertura de projetos de estágio para alunos de graduação, ou projetos de tutoria entre os alunos, nos quais os mais velhos auxiliariam os professores com os mais novos. Com relação à ênfase que as professoras deram ao tempo reduzido de aula, além de mais atenção à seleção de conteúdos, como já apresentado, poder-se-ia elaborar tabela de horário das aulas com pelo menos duas aulas em sequência, como acontece em muitas escolas. A partir dos dados obtidos nesta parte da pesquisa fica clara a necessidade de se repensar conceitos, reavaliar posturas, e reconsiderar métodos. Enquanto estagiários veremos apenas a ponta do iceberg da rotina escolar e disporemos de um tempo muito reduzido para ver mudanças acontecerem de fato, contudo, isso não nos exime da responsabilidade de deixar o fruto do nosso estágio de docência disponibilizado como 93 ideias, projetos, críticas e sugestões, afinal a luta pela melhor qualidade da educação se inicia nas atitudes cotidianas. 4. Anexos Anexo 1 - Roteiro de Entrevistas destinadas à Coordenadora pedagógica e Professores de Ciências da E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” 94 Anexo 2 – Roteiro de Entrevistas destinadas à Coordenadora pedagógica e Professores de Ciências da E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” 95 Anexo 3 – Questionário destinado a alunos de 6° a 9° ano da E.M.E.F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.” 96 Avaliação das Apostilas NAME Danielle Casonato Ellen Cristina Souza de Oliveira Vanessa Rafaela de Carvalho 1. Introdução As apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME) foram elaboradas pela empresa Editora do Curso Osvaldo Cruz (COC). Esta editora tem como proposta levar educação de qualidade às escolas da rede pública (internas.netname.com.br/name/name.asp), através de apostilas padronizadas para todas as escolas da rede pública, atingindo assim um novo mercado consumidor, representado pelo Município, que oferece o material a alunos que vão desde a Educação Infantil até o 9º ano do Ciclo II do Ensino Fundamental. O material didático NAME é composto por apostilas que, ao longo do ano, cobrem conteúdos bimestrais, para alunos e professores. Faz parte também desse material um portal na internet que contem todos os conteúdos das apostilas e pode ser acessado pelos professores, que possuem login e senha personalizados. Existe ainda uma equipe de apoio pedagógico, que realiza visitas às Unidades Escolares bimestralmente, a fim de avaliar a utilização da apostila, e oferece encontros anuais com os gestores e teleaulas para os professores, além de curso de especialização à distância para professores e coordenadores da rede, com duração de 2,5 anos, por meio do portal UNISEB interativo. O NAME está presente em 80 cidades do Estado de São Paulo, atendendo cerca de 150 mil alunos das redes municipais (internas.netname.com.br/name/HSNAME/quadro:institucional). O que despertou o interesse da Secretaria de Educação de Botucatu por esse material foi a praticidade e a possibilidade de proporcionar a todos os estudantes um aprendizado de maior qualidade (www.educatu.com.br/portal/index.php). O material está sendo utilizado desde 2010 na rede municipal, segundo informações obtidas junto a Prefeitura Municipal de Botucatu, e neste ano de 2012 atingiu também a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Considerando que essas apostilas estão presentes na Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.” e é material utilizado por professores, o nosso objetivo com este 97 trabalho, foi o de analisar os conteúdos relativos ao Ensino de Ciências, direcionados aos alunos do nível Fundamental II, que vai do 6º ao 9º ano. Avaliamos a correção das informações e conceitos científicos, adequação das propostas aos respectivos anos, conforme orientação dos PCNs (Brasil, 1998), qualidade e adequação dos textos, gráficos, diagramas, imagens e exercícios propostos. Ao final, de posse desses resultados e considerando os objetivos do Município para a implantação da proposta NAME, confrontamos com os resultados do IDEB, IDESP e SARESP, para avaliar se os resultados obtidos valeram o investimento feito. 2. Desenvolvimento do trabalho Para análise das apostilas, disponibilizada pela Profª. Jaqueline A. Barea Cantão, coordenadora da EMEF. “Dr. João Maria Araújo Jr.”, foi necessário fazer uma minuciosa leitura de cada uma delas, o que incluiu as apostilas do professor, que contêm o conteúdo das apostilas dos alunos. Também utilizamos o site do NAME (www.netname.com.br) onde elas estão disponíveis, e elaboramos dois questionários sendo um deles destinado às quatro professoras de Ciências da EMEF. “Dr. João Maria Araújo Jr.” e o outro a 38 alunos de dois 9ºs anos. Estes alunos foram sugeridos pela coordenadora, que levou em conta o fato de serem eles os que fizeram uso por mais tempo das apostilas NAME, adotadas na Rede de Ensino Municipal quando essa turma estava no 7º ano, em 2010. Para a elaboração das questões contamos com o auxílio de alguns de nossos colegas do Estágio Supervisionado I (Ciências). Os alunos respondentes foram acompanhados de uma licenciada, que orientou a atividade de, aproximadamente, dez minutos. 3. Dados obtidos e considerações As apostilas do professor para cada ano de ensino (Tabelas 1 a 4) apresentam um objetivo geral sobre o que se pretende para o ensino de ciências do respectivo ano, que está ajustado às orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), e oferecem propostas de ensino de acordo com os temas abordados em cada apostila. Dessa forma, favorece o trabalho do professor, ajudando-o a orientar os alunos para as observações dos fenômenos de maneira a poderem formular questões e buscar por respostas para elas, bem como expressar dúvidas. O material traz indicações de como o aluno deve 98 organizar a sequência de informações obtidas, e indicam os pontos de relação com outros temas já desenvolvidos, acrescentando novas informações, novos conceitos. O professor deve também acompanhar o desenvolvimento dos alunos quanto ao aprendizado dos conteúdos já abordados, a fim de favorecer o aprendizado de novos conteúdos. Dos objetivos, destacamos aquele que se refere a desenvolver nos alunos a capacidade de formular questões e explicações, realizar observação crítica dos fatos, isto é, não ser um mero espectador, que acata opiniões sem questionamentos, mas de ser capaz de tirar suas próprias conclusões a respeito do que foi constatado. Contudo, acreditamos que a forma como o conteúdo é tratado não permite que todos esses objetivos sejam atingidos, e uma evidência disso é que de acordo com as avaliações da Prova Brasil e SARESP os índices de rendimento dos alunos apresentou queda significativa após a implantação da proposta NAME (ver Rendimento Escolar). Verificamos que os temas tratados nas apostilas de cada ano (Tabelas 1 a 4) estão de acordo com as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1998), no que se refere à abrangência e aprofundamento, porém, quanto às formas de desenvolvimento, que permitiriam alcançar os objetivos propostos, consideramos que não atendem às orientações dos PCN, pois não oferecem condições para que os alunos vivenciem o método científico permitindo que os mesmos observem, levantem hipóteses e possam testá-las trabalhando de forma a redescobrir conhecimentos. 99 Tabela 1: Conteúdo de Ciências na apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), do 6º ano do Ensino Fundamental. Tabela 2 - Conteúdo de Ciências na apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), do 7º ano do Ensino Fundamental. 100 Tabela 3: Conteúdo de Ciências na apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), do 8º ano do Ensino Fundamental. Tabela 4: Conteúdo de Ciências na apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), do 8º ano do Ensino Fundamental. 101 O tempo, em termos de número de aulas necessário para concluir todo o conteúdo, também é organizado segundo uma tabela apresentada na primeira página da apostila do professor, o mesmo sendo feito a cada bimestre. Os alunos podem levar suas apostilas para casa, o que permite estudo e resolução de exercícios, porém, uma vez que o material cedido à escola não é reposto os estudantes precisam ser cuidadosos e responsáveis por mantê-las em bom estado. Analisando as imagens existentes nas apostilas NAME, que são ricamente ilustradas e coloridas, verificamos que todas as imagens são acompanhadas de título (figuras 1 e 2), porém existem alguns diagramas e gráficos que não são autoexplicativos como podemos observar na figura 3, na qual há um diagrama para explicar como funciona o metabolismo, mas alguns pontos não são abordados de forma explícita, o que pode prejudicar a interpretação do aluno em relação ao conceito tratado. Apesar da capacidade de mobilização que as imagens têm, sozinhas elas não levam, obrigatoriamente, à compreensão de um conceito (Carneiro 1997), portanto, sem uma legenda autoexplicativa, mais difícil será compreendê-la. De qualquer forma, cabe ao professor auxiliar seus alunos a interpretar as imagens, que nem sempre são transparentes. Segundo Silva, H. C. et al. (2006) ao se trabalhar com imagens no Ensino de Ciência é importante também levar em consideração os aspectos culturais e históricos de nossa relação com as imagens, o que possibilita que os alunos se relacionem com elas, e percebam, entre outros aspectos, os elementos constitutivos da imagem em questão. Figura 1- Ilustrações existentes na apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), 6º ano, 1º bimestre, página C3, com os respectivos títulos. 102 Figura 2- Ilustração existente na apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), 7º ano, 1º bimestre, página C24 os respectivos título e legendas. Quais? Como? Como? Figura 34- Ilustração de conteúdo de Ciências na apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), ano1º- bimestre, 1º bimestre - pág. C10 (Essa figura não foi do 7º7ºano, página C10. chamada no texto) Através das análises realizadas nas apostilas constatou-se ainda que faltam referências a outros materiais didáticos, que possibilitem complementação dos temas abordados, o que poderia enriquecer o trabalho do professor e dos alunos ao longo das aulas. Poderia ser uma maneira da apostila não funcionar como meio exclusivo, de certa forma cerceando essas aberturas que poderiam despertar novos interesses e 103 questionamentos, estimulando alunos e professores a novas investigações e explicações mais contextualizadas. Também se observou que em cada apostila do aluno há resumo de todo o conteúdo dela ao final dos assuntos, permitindo que ele faça revisão dos conteúdos trabalhados, do primeiro ao último capítulo. Nas apostilas do professor, ao início de cada matéria e, às vezes, em meio ao desenvolvimento do conteúdo, há orientações de como ele deve ser conduzido, trazendo conceitos importantes, fornecendo exemplos e informações (ver texto a seguir da apostila do 8º ano, 4º bimestre, página C6-C7), direcionando como as aulas devem ser dadas e quais assuntos devem ser mais aprofundados. Trecho da apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), 8º ano, 4º bimestre, página C6-C7. Algumas vezes há sugestões de sites para consulta (ex. apostila do 9º ano, 1º bimestre na página C8). Porém não se pode considerar que estas orientações sejam suficientes para que o professor desenvolva seu plano de aula de uma forma satisfatória. Avaliando, de maneira geral, a linguagem do material NAME, consideramos que é adequada e clara na maioria das vezes, possibilitando a compreensão do assunto. Porém, às vezes, os assuntos abordados nos diferentes tópicos e capítulos apresentam um conteúdo pobre em informações, como no trecho existente na apostila do 7º ano, 3º bimestre, cujo tema tratando das características dos seres vivos não relaciona à forma 104 como se é feita a nomenclatura das espécies com a sua classificação quanto ao reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie, de forma a facilitar o entendimento do leitor, em particular, do professor e do aluno. Outro ponto a ser destacado é a disposição do vocabulário no meio do texto teórico que quebra o raciocínio da leitura (figura 4), quando o mais adequado seria utilizá-lo ao final do texto teórico ou dentro de uma caixa de texto. Não há separação entre o vocabulário e o início de mais uma definição. Figura 4: Ilustração de apostila do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), do 7º ano - 1º bimestrepág. C21. Observou-se também que aparecem vocábulos de temas complexos como evolução, extinção, variabilidade genética (Apostila do 7º ano, 1º bimestre, página C12), não acompanhados das devidas explicações e nem sequer foram assuntos desenvolvidos na apostila. Há também exemplos que poderiam ser mais bem explanados ao longo da apostila, podendo até mesmo aparecer em um capítulo a parte. Este é o caso, por exemplo, dos Vírus, citados apenas para exemplificar que existem seres que não se enquadram dentro da categoria dos seres vivos. São assuntos apresentados com brevidade e sem clareza (apostila do 7º ano, 1º bimestre, página C21). Na apostila do 7º ano, 1º bimestre, página C21, encontramos o termo Carioteca, nomenclatura esta desatualizada. O ideal seria adequá-lo e usar envoltório nuclear, termo adotado por melhor definir que o núcleo celular é encerrado por uma membrana que o protege, e que poderia ser acompanhado da observação de que carioteca era o 105 termo utilizado, e que ainda pode ser encontrado em alguns livros didáticos. De um modo geral a leitura dos textos teóricos não estimula os alunos a formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas, de acordo com o que é indicado nos objetivos. Também não encontramos estímulo a experimentações, aulas práticas, comunicação e discussão dos assuntos abordados nos trabalhos em grupo. As apostilas apresentam vários erros ortográficos, e de espaçamentos, que precisam ser corrigidos. Alunos em formação precisam de referências corretas, confiáveis, para garantir o aprendizado adequado. Os erros são tantos e tão grosseiros (Tabela 5), que foram apontados por alunos e professores como um dos fatores que os desmotivam a usar a apostila. Tabela 5 – Erros ortográficos em apostila de Ciências do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino, do 8º ano do Ensino Fundamental. Os exercícios de cada unidade das apostilas são propostos ao final de cada apresentação, com alguns exercícios para casa, mas, de um modo geral, há poucos exercícios para fixação das matérias. Esses exercícios, de acordo com a nossa avaliação, não favorecem a construção de uma visão de mundo integrado, formado por elementos inter-relacionados. A maioria deles avalia apenas o que foi mencionado na apostila, cujas respostas são curtas e geralmente estão em destaque (negrito) no texto, o que facilita ao aluno responder de forma mecânica sem necessidade de raciocinar sobre o que aprendeu (figura 5). 106 Gráfico ilustrativo com dados Gráfico ilustrativo sem os dados, o aluno só precisará copiar os dados acima para responder a questão Figura 5: Conteúdo de Ciências na apostilas do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino, do 6º ano, 4º bimestre, página C5 Encontramos também exercícios cujas respostas não se encontravam na apostila, o que pode gerar dificuldade para resolução, como observamos na apostila do 7º ano, 1º bimestre, página C9, na qual pergunta-se sobre populações de seres vivos que não são visíveis na figura de um ecossistema proposto no exercício. A resposta apresentada como correta refere-se a seres vivos microscópicos, seres que não foram citados ao longo do capítulo, além de se tornar uma pergunta vaga, pois populações não visíveis em uma figura são todas aquelas que não estão ali representadas. Outro ponto identificado durante a análise das apostilas foi que dentre todos os anos do Ensino Fundamental II (6º, 7º, 8º e 9º), as apostilas do 7º ano foram as que apresentaram o maior número de falhas em todos os bimestres, quando comparadas às demais. Os questionários aplicados às quatro professoras de Ciências (Anexo 1), continham quatro questões pessoais, treze questões de múltipla escolha e uma questão aberta. Os trinta e oito alunos do 9º ano, responderam a três questões pessoais, nove questões de alternativas e uma questão aberta (Anexo 2). De posse desses dados analisamos as respostas, tanto dos professores quantos dos alunos, das questões abertas e de múltipla escolha. 107 Das 4 professoras que lecionam na escola, apenas uma delas considera o material ruim, uma considera de nível médio, e duas acham o material bom para trabalhar ciências (figura 6). Considerarem que o material engessa um pouco a aula, e não oferece muito conteúdo para estudo em casa. Porém, todas consideram que os alunos tem um aproveitamento médio com o uso das apostilas NAME. Figura 6 5 - Opinião de 3 professoras de Ciências e uma pedagoga substituta da a EMEF. EMEF. "Dr. "Dr. João João Maria Maria de de Araújo Araújo Jr.", Jr.", sobre a qualidade das apostilas NAME, no Ensino de Ciências. As professoras afirmam ainda que o material tem textos de compreensão razoável, e os alunos tem dificuldades na interpretação e resolução dos exercícios. Para elas o planejamento de aulas com um cronograma preestabelecido quase nunca é adequado à realidade da escola (figura 7). Essa situação deve-se ao fato de cada sala de aula ter suas particularidades, com acontecimentos imprevisíveis. Por outro lado, o cronograma tem grande importância, pois no caso de transferência de alunos entre escolas da rede, todos terão chance de estar no mesmo ponto da matéria. De acordo com as professoras, as imagens gráficas são mal selecionadas e tem resolução inferior à desejada. Elas deveriam ser atualizadas. Embora sintam-se pressionadas a utilizar o material fornecido pela prefeitura, elas utilizam outras fontes para complementar o conteúdo a ser trabalhado. 108 75% 25% Figura 7: Opinião de 3 professoras de Ciências e uma pedagoga substituta da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr.", sobre o cumprimento do cronograma de aulas estipulado pelo NAME. As apostilas são consideradas como sendo constituídas de material frágil, sendo comum, por exemplo, a perda de capas. Por isso, muitos alunos reclamaram da dificuldade de cuidar bem do material, mas a maioria das professoras afirmaram que eles cuidam relativamente bem. N = 38 Figura 8: Opinião de alunos sobre dificuldade para a resolução de exercícios das apostilas de Ciências do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME). Nas questões abertas as professoras afirmaram que é ruim utilizar um material como esse, também por causa dos erros que apresenta. Sobre isso já fizeram reclamação diretamente à editora, em 2010, mas sem retorno até o momento. Dos trinta e oito alunos entrevistados, a maior parte afirmou não ter dificuldades para resolver os exercícios das apostilas sem a ajuda do professor (figura 8), muitas vezes por não conseguirem interpretar o que é pedido e também porque afirmam que o material não os incentiva a estudar, outra queixa feita é a falta de espaço para responder algumas questões. 109 N = 38 5,26% Figura 9: Frequência com que alunos encontram erros na apostila. Como podemos observar na figura 9 a maioria dos alunos entrevistados já encontrou algum tipo de erro nas apostilas NAME, e talvez seja este um dos motivos pela falta de motivação dos alunos em utilizar o material, pois eles conseguem identificar as falhas contidas no mesmo. Por outro lado, eles afirmam que a sequência de ideias, figuras, diagramas e tabelas os auxiliam nos estudos para as provas. Na questão aberta aos alunos, para que citassem exemplos de erros já encontrados por eles, a maioria fez críticas em relação à interpretação dos exercícios, erros conceituais e ortográficos e até mesmo sobre a parte estética da apostila, como capa e figuras. Também abrimos espaço para que eles dessem uma nota de 0 (zero) a 10 (dez) para avaliar a apostila e registramos uma média de 5,5 (cinco e meio). Os resultados obtidos por meio dos questionários indicam que as apostilas NAME apresentam vários pontos que necessitam ser melhorados para que atinja as expectativas de professores e alunos da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr". Dados obtidos na Prefeitura Municipal de Botucatu indicaram que o custo da apostila NAME para o Município foi orçado em R$ 2.470.000,00 (dois milhões quatrocentos e setenta mil reais), recurso este oriundo do convênio Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB). No entanto, a proposta do Município de promover a unificação curricular e, com isso, aumentar a qualidade de ensino, não tem encontrado apoio nos resultados do IDESP e do IDEB que apresentam queda nos índices desde 2010, ano da implantação da apostila NAME, segundo informações obtidas nos sites http://ideb.inep.gov.br e http://idesp.edunet.sp.gov.br . Dessa forma, podemos concluir que o Município não está atingindo seus objetivos, e que o valor empregado, portanto o custo, foi maior do que o benefício esperado. 110 4. Anexos Anexo 1: Questionário de avaliação da apostila do projeto Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME) aplicado ao professor. 111 Anexo 2: Questionário de avaliação da apostila NAME aplicado a 38 alunos do nono ano da “Escola Municipal de Ensino Fundamental João Maria de Araújo Jr.” 112 Material Ciência e Tecnologia com Criatividade (CTC Sangari) Aline Mendes da Cruz André Cassetari Fernandes José Antonio Faggian 1. Introdução Embora nos últimos anos o Brasil venha tentando alargar seu capital científico, haja vista a criação de grande número de novos cursos superiores e técnicos voltados às áreas de tecnologia e ciências, implementando programas como o REUNI (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que visa dobrar o número de alunos atendidos nos próximos dez anos (portalmec.gov.br) e a Rede de Ensino Médio Técnico (www.educacao.sp.gov.br), as iniciativas de aproximar o saber científico da maioria da população brasileira ainda são insipientes. Não bastasse esta situação preocupante, temos ainda outra com relação ao ensino fundamental e médio, sobre o ensino de ciências, que deveria ter papel de destaque e, no entanto o ensino de ciências é relegado a segundo plano. O conhecimento científico básico é importante para que o individuo se insira no mundo do trabalho, realize atividades cotidianas e compreenda minimante o mundo que o cerca. Vivemos a era da informação e tecnologia na qual jovens e adultos estão cada vez mais imersos em riqueza de informações, por isso, aqueles que não conseguirem dominar o novo aparato tecnológico, que foi inserido no dia a dia, estão fadados à marginalidade social e econômica. É inevitável, portanto, que investimentos sejam feitos para implementar melhorias nos níveis de ensino fundamental e médio, responsáveis pela formação básica do cidadão. Para Tedesco (2006), “O principal argumento para justificar a prioridade ao ensino básico é de natureza sociopolítica. O domínio dos saberes científicos básicos é um componente imprescíndivel na formação de um cidadão da sociedade da informação. Essa é a razão pela qual a formação científica deve estar imcorporada ao conteúdo do ensino universal e obrigatório” 113 Além dos aspectos sociopolíticos, relativos à educação das nossas crianças e adolescentes, são também importantes as questões ambientais e de preservação do planeta que estão intimamente ligadas ao ensino de ciências. Os educandos precisam conhecer o meio em que vivem, conhecer a natureza e as relações existentes entre elementos bióticos e abióticos,e ter consciência de que são parte integrante dessa grande rede de vida. Sem esse conhecimento bem sedimentado desde a mais tenra idade, talvez seja impossivel que as novas gerações entendam a importância de se respeitar e preservar o meio ambiente e de tomar decisões consciente, bem fundamentadas sobre assuntos que envolvam ciência e tecnologia. Outro aspectos, também relevantes, ligados ao ensino de Ciências, dizem respeito aos cuidados com o próprio corpo e cuidados com a saúde, que elvolvem questões de higiene pessoal, educação sexual, gravidez e prevenção de doenças sexualmente transmissiveis, assuntos que devem fazer parte do currículo, pois cumprem papel social de suma importância. Outro problema central da crise educacional no Brasil, talvez resida na prática docente, pois a forma de ensinar não acompanhou a evolução da sociedade, ou seja, os professores continuam usando métodos antiquados pouco estimulantes aos alunos que mantem contato diário com tecnologias de ponta, alem disso são raros os professores que se utilizam de aulas práticas, mais estimulantes. Observa-se que ainda hoje as principais ferramentas de ensino, na maioria das escolas, são giz e lousa, ferramentas que também têm sua importância, porém, sozinhas tornam-se insuficientes, o professor precisa ter a consciência de que é preciso lançar mão de outras ferramentas para conseguir a atenção dos alunos da era digital. Talvez uma das maiores fontes de novas ferramentas pedagógicas esteja entre as novas tecnologias eletrônicas como os coputadores e a internet, alem de outros materiais que hoje estão disponiveis, principalmente para a execução de aulas pratícas. Com essas constatações seria de se esperar investimentos para repensar a forma de transmissão do conhecimento, reavaliar a prática docente, pensar e produzir materiais e métodos de ensino que incorporem novas tecnologias e que sejam adequados ao novo perfil dos alunos. Foi nesse cenário que a Prefeitura Municipal de Botucatu decidiu introduzir em suas escolas o projeto Ciência e Tecnologia com Criatividade (CTC SANGARI). A SANGARI é uma empresa inglesa que cria, desenvolve, produz e implementa metodologias e materiais educacionais para o ensino e aprendizado de 114 Ciências no Ensino Fundamental. Foi trazida em 1997 para o Brasil, pelo físico inglês Ben Sangari, seu fundador, e hoje conta com uma filial em São Paulo. A Sangari conta, no Brasil, com um “Centro de Pesquisa e Desenvolvimento”, onde os materiais são elaborados e produzidos. Esse centro de pesquisa e desenvolvimento tem no seu quadro técnico principalmente profissionais brasileiros, esse fato deve ser considerado, pois ajuda conferir ao material caracteristicas nacionais, já que a Sangari é uma empresa Inglesa. Considerando que a EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr” integra o grupo de escolas que recebeu os materiais da SANGARI para o Ensino de Ciências, e que estamos trabalhando em um diagnóstico que nos permita, ter conhecimentos relevantes sobre a comunidade escolar onde atuaremos no estágio de regência, conhecimentos específicos sobre como são desenvolvidas as aulas de ciências e os recursos que delas fazem parte são imprescindíveis. Por isto, o nosso objetivo foi o de aferir a qualidade dos materiais didáticos do programa CTC Sangari, tanto em referencia a sua funcionalidade como ferramenta de ensino de ciências como também sobre as qualidade dos conceitos. 2. Procedimentos Realizou-se análise dos módulos “Água, Solo e Rochas”, “Terra, Sol e Lua” e “Ecossistemas” do material CTC SANGARI referentes ao 6º ano, além de breve leitura de outros modulos referentes aos 9 anos do ensino fundamental. As apostilas foram lidas e revisadas com o objetivo de avaliar a qualidade gráfica , conceitual e adequação do materia às séries as quais são destinados. Consideramos ainda a opinião da coodenadora da escola municipal “EMEF Doutor João Maria Araujo junior”, a Profa. Jaqueline A. Barea Cantão (usuária do material), sobre a qualidade e aplicabilidade dele. 3. Conhecendo e apreciando o programa Ciência e Tecnologia com Criatividade SANGARI Os materiais do programa CTC são divididos em três categorias, livros-texto, vídeos e materiais de investigação científica. 115 O material de investigação, mais os livros e vídeos, têm um armário próprio para armazenamento e cada sala de aula recebe um, condição esta muito importante, por tornar os materiais acessíveis ao professor, a qualquer momento, otimizando o tempo das aulas e evitando o incômodo transporte de diversos materiais a cada aula. Os livros-texto são divididos em livro do professor e livro dos alunos: O livro do professor é diagramado de maneira que no centro da página, em uma imagem reduzida, fique exposta a página do livro do aluno, como um retrato. Em torno dessa imagem são redigidas recomendações e orientações sobre a forma de introduzir o assunto a ser desenvolvido, gestão do tempo e execução da prática referente à aula em questão. Ao final de cada tópico existe um pequeno roteiro que ajuda o professor a refletir sobre o aproveitamento dos alunos referente ao que foi trabalhado com ele. O livro dos alunos faz uso de muitas imagens, desde que inicia o conteúdo. Nesta introdução há sempre uma imagem referente ao tema e uma pergunta, geralmente inusitada, aspecto que estimula os alunos a refletir, e a fazer relações do tema com situações cotidianas por eles vivenciadas. Além disso, toda aula tem uma proposta de prática sobre o assunto que esta sendo desenvolvido, as quais utilizam os materiais de investigação do programa As orientações para o desenvolvimento da prática são descritas em detalhes com o acompanhamento de esquemas que demonstram, passo a passo, o que deve ser feito. Sugerem também os registros que devem ser realizados em um diário, a partir do qual a confecção de tabelas e gráficos é proposta. Os materiais de investigação consistem em equipamentos e produtos destinados às práticas. Eles são divididos em três categorias: Materiais não consumíveis: Permanentes, que podem ser reutilizados, como bússolas, tubos de ensaio, pipetas, picetas e vários outros Materiais consumíveis: Materiais consumidos em experimentos e reações químicas, como areia, produtos químicos, sementes entre outros. Materiais adicionais: Materiais simples e de fácil ascesso que os alunos devem trazer de casa, como jornais, garrafas plásticas, réguas e vários outros. Utilizando como base para as analises os Parâmetros Curriculares NacionaisPCNs(Brasil, 1998), consideramos que os conteúdos estão adequados para as séries às quais são direcionados. O material é bastante rico em ilustrações coloridas, pertinentes e adequadas, o que atrai a atenção do aluno à atividade proposta e facilita a compreenção dos temas que estão sendo discutidos. 116 O programa CTC da SANGARI tem a possibilidade de ser adaptado ao programa pedagógico da escola porque pode ser utilizado na ordem que o professor julgar mais adequada. A ordem de utilização dos módulo pode ser alterada de forma a adequar-se às necessidades do planejamento do professor, que reflete o seu entendimento de como organizar o conteúdo, para melhor articular e dar sentido aos assuntos. Os livros, tanto do professor como do aluno, utilizam linguagem simples, de facil copreensão, o vocabulário em geral é adequado ao público alvo, e algumas palavras menos usuais, afiguram-se afiguram como oportunidade de enriquecimento do vocabulário dos alunos. Os materiais do CTC SANGARI, propõem a elaboração de textos que relatam e analisam os resultados dos experimentos, proporcionando o aprimoramento da língua portuguesa. Os conceitos são introduzidos de forma simples, a sequência de questionamentos trazidos no livro do aluno auxiliam o professor a construir junto com os estudantes um raciocínio lógico que permite desenvolver o conceito. Algumas legendas, em figuras que demonstram as estações do ano em relação ao movimento do sol, estão trocadas no módulo“Terra, Sol e Lua” páginas 114 e 115, e dessa forma induzem a erros de interpretação e compreensão de conceitos fundamentais. Esses erros, embora pouco encontrados no material, são relevantes e devem ser comunicados aos editores para que sejam corrigidos. As práticas proporcionam aos alunos uma vivência real dos fenomenos físicos e biológicos por meio de experimentação, estimulam o interesse pelo conhecimento e auxiliam na construção dos conceitos. A forma como são realizados os experimentos, segundo as orientações especificadas no material, contribuem para o entendimento do método científico, já que fazem uso de procedimentos e técnicas como elaboração de hipoteses, observação e registro dos resultados e análise dos dados obtidos. Um problema detectado refere-se ao tempo para a realização dos experimentos, que em muitos casos é insuficiente. As aulas com atividades práticas são de longe mais interessantes e produtivas do que apenas aulas teóricas. Porém, o desenvolvimento delas demanda muito mais tempo do que aquele convencionalmente disponibilizado no sistema atual de ensino. Para a realização dessas atividades os alunos devem participar ativamente montando os experimentos, seguindo as respectivas orientações. Isso, em geral, demanda muito tempo e bastante habilidade do professor na condução das atividades que muitas vezes não são possiveis de serem concluidas em 50 minutos. 117 No entanto verificou-se por meio da utilização de certos equipamentos, em duas classes-piloto, que os materiais CTC Sangari contribuem para a elaboração do pensamento científico durante a formação dos alunos, estimula ao conhecimento e facilita o aprendizado. Segundo o semanário oficial do município de Botucatu número 1041 de 18 de fevereiro de 2010, no inicio do ano de 2010 Botucatu adquiriu o material didático CTC da Sangari, com custo de implantação de R$ 9.666.804,84, e custos de manutenção anual de cerca de R$ 1.500.000,00 (utilizados principalmente para reposição de material consumível utilizado nos experimentos). Com isso, professores de ciências de Botucatu, como aqueles que atuam na EMEF “Dr João Maria de Araújo Jr.” Passaram a contar com até três opções de material para suas aulas, entre elas as apostilas do Nucleo de Apoio à Municipalização do Ensino (NAME), a experimentoteca da USP e o material Ciência e Tecnologia com Criatividade Sangari. Embora os valores para compra e manutenção do material da Sangari sejam relativamente altos, sua aquisição terá valido a pena se os professores utilizarem-no com frequência e adequadamente, uma vez que, de acordo com o que já foi exposto, trata-se de um material de boa qualidade ao ensino de ciências. Para que ele seja usado desta forma é preciso investir na capacitação dos professores, a fim de que possam explorar e usufruir de todas as possibilidades oferecidas pelo CTC Sangari. A utilização desse material com frequência e adequadamente, sem duvida, proporcionará melhoras significativas no ensino de ciências em Botucatu, favorecendo o aprendizado dos alunos por meio da experimentação que facilita a compreensão dos conceitos científicos, inclusive daqueles mais complexos. 118 Experimentoteca Juliana Nista Rafael Takahiro Nakajima Filipe Santos Monize Gonçalves 1. Introdução O Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), localizado na cidade de São Carlos, no Estado de São Paulo, e pertencente á Universidade de São Paulo (USP), tem como principal objetivo estabelecer um vínculo duradouro entre a Universidade e a Comunidade, facilitando o acesso da população aos meios e aos resultados da produção científica e cultural da Universidade. Para atingir plenamente seus objetivos, o CDCC promove e orienta atividades que visam despertar nos cidadãos, em especial nos jovens, o interesse pela ciência e pela cultura. Como parte das propostas implementadas para atingir estes objetivos, foi criada, em 1984 a Experimentoteca, além de vários outros projetos desenvolvidos em colaboração com o Instituto de Física de São Carlos (USP), com o Ministério da Ciência e Tecnologia e Centro Interdisciplinar de Ciências (CIC). Experimentoteca é o nome dado a um projeto que visa racionalizar o uso de material experimental para o ensino de Ciências. É destinado, principalmente, a alunos de 5ª à 8ª série do Ensino Fundamental, possibilitando adaptações para outras faixas etárias (www.cdcc.usp.br/exper/fundamental.). Durante o período de cinco anos, a Indústria Educacional Brink Mobil, obteve a permissão para produzir e comercializar a Experimentoteca (www.bv.fapesp.br/namidia/noticia/19833/sao-carlos-ganha-novos-equipamentos/.). Foi durante este período, mais especificamente em 2007, que a Secretaria Municipal de Educação de Botucatu com o objetivo de incentivar a realização de atividades práticas na rede municipal, como forma de buscar novas alternativas metodológicas para o ensino, adquiriu quatro conjuntos, sendo um para cada Escola Municipal (comunicação pessoal). Buscamos com este trabalho, conhecer e analisar os equipamentos, roteiros e propostas da Experimentoteca, disponível para o ensino de Ciências na EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, município de Botucatu, com o objetivo de avaliar suas possibilidades de aplicação e de contribuição para a melhoria do ensino de ciências. 119 2. Desvendando a composição e possibilidades dos kits da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” Botucatu, SP. Para análise dos materiais experimentais e dos roteiros para professores e alunos foram elaboradas tabelas-padrão (Anexo I, Anexo II e Anexo III), com itens julgados pertinentes para avaliar a qualidade dos componentes da Experimentoteca. Os roteiros para o professor, aluno e os equipamentos para todos os experimentos, foram observados e lidos com acuidade e registradas as suas principais características nas tabelas (Tabela 1 - Tabela 21). As principais características do roteiro do professor (Anexo I), foram assim consideradas: a) Bem especificado – texto bem escrito, de fácil compreensão; b) Correção gramatical – escrita de acordo com as normas da Língua Portuguesa; c) Presença de roteiro para todos os experimentos – se há instrução para execução de todos os experimentos presente no kit; d) Presença de roteiros específicos e separados para professor e aluno – se em cada experimento existem roteiros específicos para professor e aluno; e) Com definição de tempo para execução – se há determinação de tempo para realização da prática descrita nos roteiros; f) Apresenta ilustrações – presença de imagens e esquemas explicativos; g) Atende o objetivo proposto – se ao final da atividade cumpriu-se o objetivo elucidado no roteiro; h) Necessita de conhecimento prévio – se o aluno precisa ter algum conhecimento a respeito do tema proposto para conseguir realizar a experimentação, ou se aquela prática pode ser dada como introdução ao assunto; i) Aplicações no cotidiano – se há indicações para relacionar o tema aos fenômenos do cotidiano do aluno; j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) – se há interação com outros experimentos disponíveis na Experimentoteca. É possível relacionar experimentos de áreas distintas, um experimento de física cujo objetivo é ensinar pressão pode ser complementado com experimentos do Sistema Respiratório ou mesmo do Sistema Cardiovascular. Na tabela de orientação aos alunos (Anexo II) foram considerados os itens a-h da tabela de orientação aos professores, descritos acima. Para análise dos equipamentos experimentais (Anexo III), foram avaliados os seguintes itens: k) Boa qualidade – se os experimentos são bem feitos e com material de boa qualidade; l) Traz risco a segurança – se equipamento usado pode trazer algum perigo para os alunos; m) Duradouro – se o equipamento é resistente; n) Fácil manuseio – se o equipamento é de fácil utilização; o) Reutilizável – se é possível executar mais que uma vez os experimentos; p) Completo – se para realizar o experimento não há necessidade de trazer nenhum material fora o que contém nas caixas; q) Estimula coordenação – necessidade do uso fino da coordenação motora do aluno; r) Explicações claras para a montagem do(s) experimento(s) – se os materiais são facilmente identificados e não permitem que haja dúvida na montagem dos experimentos. 120 Além da análise dos materiais experimentais e dos roteiros da Experimentoteca, foi feita uma breve entrevista com as três professoras e coordenadora da disciplina de Ciências (ver roteiro de entrevista, Anexo IV). Como complemento à análise do material disponível na Experimentoteca, verificamos se ele pode dar suporte ao desenvolvimento dos assuntos presentes nas apostilas dos 6◦ ao 9◦ ano do Ensino Fundamental – Ciclo II, utilizadas pelas professoras de Ciências da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” (Tabela 22). Apesar de a Experimentoteca se tratar de um laboratório de Ciências móvel, na EMEF João Maria, município de Botucatu, o conjunto móvel está localizado em uma sala junto com outros dois conjuntos de laboratórios da Brink Mobil (materiais de ciências de fabricação própria da empresa). Entretanto, mesmo não se tratar de um laboratório propriamente dito, e não dispor de pia e condições adequadas para descarte de substâncias, a sala pode ser muito bem aproveitada, podendo abranger um total de sete grupos, cada qual com aproximadamente quatro alunos. A Experimentoteca é composta por 49 kits (caixas), contendo materiais experimentais com as respectivas instruções de uso – roteiro para o professor e roteiro diferente para o aluno que podem apresentar de um a três experimentos por kit. Também faz parte da Experimentoteca uma caixa de reposição de materiais, vídeos, mapas e jogos. A caixa de suporte e reposição contém diferentes substâncias e materiais utilizados em muitos experimentos, os quais podem ser repostos. Os 49 kits que formam a Experimentoteca são organizados em sete temas: Ar, Água, Solo, Seres Vivos, Corpo Humano, Química, e Física. Todos os experimentos das 49 caixas possibilitam trabalhos experimentais simultâneos de 10 equipes de alunos. A seguir, apresentaremos os resultados obtidos e teceremos considerações a respeito de cada um dos sete temas seguido de suas respectivas tabelas (as quais são baseadas nas tabelas do Anexo I, Anexo II e Anexo III). -Água: No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que com relação ao texto, não há ocorrência de erros ortográficos. As instruções para professores, em geral, são claras, sucintas e apresentam boa discussão (Tabela 1 a, b). Como por exemplo, no roteiro de número 3, para o experimento “Flutuação e Empuxo”, o texto discute com os alunos a prática contida no kit e ainda sugere ao professor uma “mágica” (“mágica do ovo”) como complementação experimental. Assim como no roteiro dos professores, os roteiros referentes ao tema água para os alunos, em geral, são claros e definidos (Tabela 2 a, b). Todos apresentam ilustrações que demonstram a montagem dos equipamentos experimentais (Tabela 2 f). No entanto, ambos os roteiros não especificam o tempo de duração, em aulas, para cada experimento (Tabelas 1 e 2, e). Quanto às análises dos equipamentos experimentais, verificamos que os roteiros (professor e aluno) são claros na montagem dos experimentos (Tabela 3, r). Os equipamentos presentes nos 121 kits referentes ao tema água são consistentes e duradouros (Tabela 3, k, m). As práticas podem apresentar risco a segurança dos alunos (Tabela 3, b), no geral, por envolver o manuseio com a lamparina (cuidados especificados nos roteiros para os professores). Tabela 1 - Características dos roteiros do professor (N = 4) existente nos quatro kits relativos ao tema água, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 50% 50% b) Correção gramatical 100% 0% c) Presença de roteiro para todos os experimentos 75% 25% d) Presença de roteiros específicos e separados para 100% 0% professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 0% 100% f) Apresenta ilustrações 25% 75% g) Atende ao objetivo proposto 50% 50% h) Necessita de conhecimento prévio 75% 25% i) Aplicações no cotidiano 25% 75% j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) 25% 75% Tabela 2 - Características dos roteiros do aluno (N = 4) existente nos quatro kits relativos ao tema água, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 100% 0% b) Correção gramatical 100% 0% c) Presença de roteiro para todos os 100% 0% experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados 100% 0% para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 0% 100% f) Apresenta ilustrações 100% 0% g) Atende ao objetivo proposto 50% 50% h) Necessita de conhecimento prévio 75% 25% Tabela 3 - Características dos equipamentos experimentais existente nos quatro experimentos (N= 4) dos quatro kits relativos ao tema água, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Materiais Sim Não k) Boa qualidade 100% 0% l) Traz risco a segurança 75% 25% m) Duradouro 100% 0% n) Fácil manuseio 100% 0% o) Reutilizável 100% 0% p) Completo 100% 0% q) Estimula coordenação motora 0% 100% r) Explicações claras para a montagem do(s) 100% 0% experimento(s) 122 - Ar: No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que com relação ao texto, não há ocorrência de erros ortográficos (Tabela 4, b). Das instruções para professores e alunos, 60%, são claras, e apresentam boa discussão (Tabela 4 a, b). Como por exemplo, no roteiro de número 6 para os professores, o texto propõe a realização do experimento e uma prática alternativa como complementação experimental. Todos apresentam ilustrações que demonstram a montagem dos equipamentos experimentais (Tabela 5, f). No entanto, a maioria dos roteiros dos professores não apresenta ilustrações, já os roteiros dos alunos são todos ilustrados, o que facilita a montagem dos experimentos. Como exemplo, a prática 1 (Existência do Ar), na qual há ilustração apenas no roteiro dos alunos. Porém, ambos os roteiros (professor e aluno) não especificam o tempo de duração, em aulas, para cada experimento (Tabelas 4 e 5, e). Quanto às análises dos equipamentos experimentais, verificamos que com o auxílio dos roteiros (professor e aluno) a montagem dos experimentos fica clara (Tabela 6, r). Os equipamentos presentes nos kits referentes ao tema ar são consistentes e duradouros (Tabela 6, k, m). As práticas podem apresentar risco a segurança dos alunos (Tabela 6, b), no geral, por envolver o manuseio com fogo (cuidados especificados nos roteiros para os professores). Tabela 4 - Características dos roteiros do professor (N = 5) existente nos cinco kits relativos ao tema ar, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 60% 40% b) Correção gramatical 100% 0% c) Presença de roteiro para todos os experimentos 80% 20% d) Presença de roteiros específicos e separados para 100% 0% professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 0% 100% f) Apresenta ilustrações 40% 60% g) Atende ao objetivo proposto 80% 20% h) Necessita de conhecimento prévio 40% 60% i) Aplicações no cotidiano 0% 100% j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) 60% 40% Tabela 5 - Características dos roteiros do aluno (N = 5) existente nos cinco kits relativos ao tema ar, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 60% 40% b) Correção gramatical 80% 20% c) Presença de roteiro para todos os 100% 0% experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados 100% 0% para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 0% 100% f) Apresenta ilustrações 100% 0% g) Atende ao objetivo proposto 80% 20% h) Necessita de conhecimento prévio 40% 60% 123 Tabela 6 - Características dos equipamentos experimentais existente nos experimentos (N= 5) dos cinco kits relativos ao tema ar, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Materiais Sim Não k) Boa qualidade 100% 0% l) Traz risco a segurança 80% 20% m) Duradouro 100% 0% n) Fácil manuseio 100% 0% o) Reutilizável 100% 0% p) Completo 100% 0% q) Estimula coordenação motora 40% 60% r) Explicações claras para a montagem do(s) 40% 60% experimento(s) - Solo: Nos kits correspondentes a este tema, verificamos que, com relação ao texto, há grande ocorrência de erros ortográficos, são erros de acentuação gráfica, de concordância, e mal uso de letras maiúsculas e minúsculas. Os roteiros para professores são superficiais e não apresentam ilustrações do experimento (Tabela 7, f). Ao passo que os roteiros para os alunos são todos ilustrados, instruindo na montagem dos experimentos, porém, a maioria deles não é informa o tempo necessário para o preparo das práticas (Tabela 8, e). Os equipamentos experimentais apresentam roteiros com explicações claras (Tabela 7, a) e de boa qualidade (Tabela 9, a). Em geral, os kits não são completos, exigem que alguns materiais sejam levados de casa (como areia, argila e húmus – no experimento “Permeabilidade do solo”; feijão – no experimento “Preparação de solo agrícola”; terra de jardim – no experimento “Decomposição do solo”; folhas e insetos – no experimento decomposição de materiais no solo) (Tabela 9, p). A maior parte não é reutilizável, mas a maioria deles é duradoura (Tabela 9, m, o, p). Poucas práticas apresentam risco à segurança dos alunos (Tabela 9, l). Tabela 7 - Características dos roteiros do professor (N = 5) existente nos cinco kits relativos ao tema solo, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 100% 0% b) Correção gramatical 80% 20% c) Presença de roteiro para todos os experimentos 100% 0% d) Presença de roteiros específicos e separados para 100% 0% professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 20% 80% f) Apresenta ilustrações 0% 100% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 80% 20% i) Aplicações no cotidiano 40% 60% j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) 60% 40% 124 Tabela 8 - Características dos roteiros do aluno (N = 5) existente nos cinco kits relativos ao tema solo, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 80% 20% b) Correção gramatical 60% 40% c) Presença de roteiro para todos os 100% 0% experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados 100% 0% para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 20% 80% f) Apresenta ilustrações 100% 0% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 80% 20% Tabela 9 - Características dos equipamentos experimentais existente nos experimentos (N= 5) dos cinco kits relativos ao tema solo, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Materiais Sim Não k) Boa qualidade 100% 0% l) Traz risco a segurança 40% 60% m) Duradouro 60% 40% n) Fácil manuseio 100% 0% o) Reutilizável 40% 60% p) Completo 20% 80% q) Estimula coordenação motora 100% 0% r) Explicações claras para a montagem do(s) 100% 0% experimento(s) - Seres Vivos: No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que as instruções para professores (60%) não são superficiais (Tabela 10, a) como no caso do experimento 6 “Cadeia alimentar” detalhando cada procedimento a ser realizado, e na sua maioria não apresentando ilustrações do(s) experimento(s) (Tabela 10, f) dificultando a identificação do equipamento como ocorre na apresentação do microscópio na pratica 2, além disto os experimentos não fazem relações com cotidiano do aluno e em um experimento, tanto o roteiro do professor como do aluno, apresenta um erro ortográfico no título do experimento 5 “Metablismo das plantas” (Tabela 10 e 11, b). As instruções para os alunos, em geral, apresentam uma melhor elaboração exceto no tempo estipulado para cada atividade (Tabela 11, e) como no experimento 2 “Microscopia”. Quanto as análises dos equipamentos experimentais, obtivemos resultados positivos, exceto em relação a estimulo da coordenação motora do aluno (Tabela 12, g) na qual somente 30% obteve resposta positiva e um exemplo presente no experimento 2 em que o aluno precisa olhar o material com microscópio com um olho e desenhar em uma folha com o outro olho. 125 Tabela 10 - Características dos roteiros do professor (N = 10) existente nos dez kits relativos ao tema seres vivos, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 60% 40% b) Correção gramatical 90% 10% c) Presença de roteiro para todos os experimentos 100% 0% d) Presença de roteiros específicos e separados para 100% 0% professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 60% 40% f) Apresenta ilustrações 30% 70% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 100% 0% i) Aplicações no cotidiano 10% 90% j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) 0% 100% Tabela 11 - Características dos roteiros do aluno (N = 10) existente nos dez kits relativos ao tema seres vivos, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 80% 20% b) Correção gramatical 90% 10% c) Presença de roteiro para todos os 100% 0% experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados 100% 0% para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 50% 50% f) Apresenta ilustrações 70% 30% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 100% 0% Tabela 12 - Características dos equipamentos experimentais existente nos experimentos (N= 10) dos dez kits relativos ao tema seres vivos, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Materiais Sim Não k) Boa qualidade 100% 0% l) Traz risco a segurança 20% 80% m) Duradouro 80% 20% n) Fácil manuseio 90% 10% o) Reutilizável 80% 20% p) Completo 60% 40% q) Estimula coordenação motora 30% 70% r) Explicações claras para a montagem do(s) 100% 0% experimento(s) 126 - Corpo Humano: No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que com relação ao texto, não há ocorrência de erros ortográficos (Tabela 13, b). Na grande maioria dos roteiros dos professores não há ilustrações (Tabela 13, f), mas nas instruções para os alunos há maior presença de ilustrações para a montagem dos experimentos (Tabela 14, f). Por exemplo, na prática 1 (Sistema Digestório) não há ilustrações no roteiro dos professores, mas elas estão presentes no roteiro dos alunos, facilitando a montagem do experimento. Porém, poucos roteiros tanto dos professores como dos alunos, têm especificação do tempo necessário de duração para o preparo das práticas (Tabela 13 e 14, e), como por exemplo, a prática do Sistema Digestório que estipula um tempo de 30 minutos para montagem do experimento. Quanto às análises dos equipamentos experimentais, verificamos roteiros com explicações claras (Tabela 15, r) como é o caso da prática 7 (Sistema Nervoso) e boa qualidade do material (Tabela 15, a). Uma parte das práticas apresenta risco à segurança dos alunos (Tabela 15, l), no geral, por envolver o manuseio com fogo, ácido e material pontiagudo. É o caso da prática 5 (Estrutura Óssea), na qual os alunos trabalham com fogo e solução ácida. Poucas práticas estimulam a coordenação motora dos mesmos (Tabela 15, q). Tabela 13 - Características dos roteiros do professor (N = 8) existente nos oito kits relativos ao tema corpo humano, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 62,5% 37,5% b) Correção gramatical 100% 0% c) Presença de roteiro para todos os experimentos 62,5% 37,5% d) Presença de roteiros específicos e separados para 87,5% 12,5% professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 25% 75% f) Apresenta ilustrações 25% 75% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 87,5% 12,5% i) Aplicações no cotidiano 50% 50% j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) 100% 0% 127 Tabela 14 - Características dos roteiros do aluno (N = 8) existente nos oito kits relativos ao tema corpo humano, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 100% 0% b) Correção gramatical 100% 0% c) Presença de roteiro para todos os 100% 0% experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados 87,5% 12,5% para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 25% 75% f) Apresenta ilustrações 50% 50% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 87,5% 12,5% Tabela 15 - Características dos equipamentos experimentais existente nos experimentos (N= 8) dos oito kits relativos ao tema corpo humano, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Materiais Sim Não k) Boa qualidade 100% 0% l) Traz risco a segurança 50% 50% m) Duradouro 37,5% 62,5% n) Fácil manuseio 100% 0% o) Reutilizável 12,5% 87,5% p) Completo 50% 50% q) Estimula coordenação motora 37,5% 62,5% r) Explicações claras para a montagem do(s) 100% 0% experimento(s) - Química: Nos kits correspondentes a este tema, verificamos que, com relação ao texto, há ocorrência de erros ortográficos, geralmente erros de acentuação gráfica. As instruções para professores são superficiais e não apresentam ilustrações do experimento (Tabela 16, b). Já as instruções para os alunos, em geral, são ilustradas, apenas um dos roteiros não possui ilustrações para a montagem dos experimentos (experimento sobre “Ácidos e Bases”), porém não é informado o tempo necessário para o preparo das práticas (Tabela 17, e, f). Os equipamentos experimentais apresentam roteiros com explicações claras (Tabela 16, a) e boa qualidade do material (Tabela 18, a). Em geral, os kits são completos e reutilizáveis, mas a maioria deles não é duradoura, visto que apresentam muitos reagentes, que se esgotam devido ao uso (como magnésio em raspa, tiocianato de amônio, hidróxido de bário, carbeto de cálcio, e solução de hidróxido de sódio, solução de sulfato de cobre – no experimento “Processos físicos e químicos”; leite de magnésia e fenolftaleína- no experimento “Ácidos e bases”; bicarbonato de sódio, solução de hidróxido de bário 50%, e solução de ácido acético – no experimento 128 “Estequiometria”) (Tabela 18, m, o, p). Poucas práticas apresentam risco à segurança dos alunos, sempre devido ao uso de fogo. (Tabela 18, l). Tabela 16 - Características dos roteiros do professor (N = 1) existente nos sete kits relativos ao tema química, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 0% 100% b) Correção gramatical 0% 100% c) Presença de roteiro para todos os experimentos 0% 100% d) Presença de roteiros específicos e separados para 100% 0% professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 0% 100% f) Apresenta ilustrações 0% 100% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 0% 100% i) Aplicações no cotidiano 100% 0% j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) 0% 100% Tabela 17 - Características dos roteiros do aluno (N = 7) existente nos sete kits relativos ao tema química, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 71,4% 28,6% b) Correção gramatical 100% 0% c) Presença de roteiro para todos os 100% 0% experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados 14,3% 85,7% para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 14,3% 85,7% f) Apresenta ilustrações 85,7% 14,3% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 57,1% 42,9% Tabela 18 - Características dos equipamentos experimentais existente nos experimentos (N= 7) dos sete kits relativos ao tema química, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Materiais Sim Não k) Boa qualidade 100% 0% l) Traz risco a segurança 71,4% 28,6% m) Duradouro 71,4% 28,6% n) Fácil manuseio 85,7% 14,3% o) Reutilizável 28,6% 71,4% p) Completo 100% 0% q) Estimula coordenação motora 14,3% 85,7% r) Explicações claras para a montagem do(s) 100% 0% experimento(s) 129 - Física: No(s) kit(s) correspondente(s) a este tema, verificamos que há apenas um único roteiro do professor, que contém todos os experimentos a se trabalhar (por isso, analisamos cada experimento como sendo um roteiro; N=10). Devido a essa divisão, o texto para cada experimento é reduzido e as discussões tornam-se breves e poucas, muitas vezes ausente (Tabela 1, d), como no caso dos experimentos de número 2, 3, 4 e 9 (Tabela 1, a). Há, porém, alguns exemplos do cotidiano dos alunos (Tabela 1, i), como na prática de número 10 de “Eletromagnetismo”, na qual o texto traz o questionamento do valor, em kw/h, usado em um banho de 10 minutos. No roteiro do professor referente ao experimento de número 9, é citado a necessidade de se trabalhar o experimento em mais de uma aula, sendo uma teórica que antecedesse a prática (Tabela 1 e). Quanto aos roteiros dos alunos, apresentam-se claros e densos de discussão, bem como muito ilustrativos (Tabela 2 a, f). Em relação aos equipamentos experimentais dos kits, apresentam-se bem especificados, com a ressalva do experimento de número 9, que por se tratar de um equipamento não usual para o aluno (fonte: roteiro para o professor, nº 9, física, Experimentoteca) pode confundi-lo (Tabela 3 r) sem uma aula teórica prévia. Tabela 19 - Características dos roteiros do professor (N = 10) existente nos dez kits relativos ao tema física, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 60% 40% b) Correção gramatical 100% 0% c) Presença de roteiro para todos os experimentos 20% 80% d) Presença de roteiros específicos e separados para 100% 0% professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 0% 100% f) Apresenta ilustrações 10% 90% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 80% 20% i) Aplicações no cotidiano 50% 50% j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) 20% 80% 130 Tabela 20 - Características dos roteiros do aluno (N = 10) existente nos dez kits relativos ao tema física, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado Sim Não a) Bem especificado 80% 20% b) Correção gramatical 100% 0% c) Presença de roteiro para todos os 100% 0% experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados 100% 0% para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução 0% 100% f) Apresenta ilustrações 100% 0% g) Atende ao objetivo proposto 100% 0% h) Necessita de conhecimento prévio 80% 20% Tabela 21 - Características dos equipamentos experimentais existente nos experimentos (N= 10) dos dez kits relativos ao tema física, da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. Materiais Sim Não k) Boa qualidade 100% 0% l) Traz risco a segurança 40% 60% m) Duradouro 90% 10% n) Fácil manuseio 60% 40% o) Reutilizável 100% 0% p) Completo 90% 10% q) Estimula coordenação motora 40% 60% r) Explicações claras para a montagem do(s) 90% 10% experimento(s) A partir dos resultados obtidos é possível concluir que as orientações dos roteiros para os professores são superficiais e com poucas ilustrações. Além disso, na maioria dos experimentos, não há especificação de tempo para execução das práticas propostas. Fica a cargo do professor adequar e estipular o tempo que ele acha necessário para realizar as atividades. São poucas as práticas que podem ser trabalhadas como introdução ao assunto, a maioria delas necessita de uma apresentação teórica para que a atividade seja compreendida. Poucas práticas relacionam-se com o cotidiano do aluno ou fazem referência a outros experimentos. Portanto, é função do professor estudar as atividades propostas, preparar as práticas antecipadamente, determinar quando e como utiliza-las e adequá-las ao cotidiano dos alunos. Uma deficiência observada nas orientações para os alunos é a respeito das unidades de medida. As atividades práticas, principalmente, deveriam estimular o uso das unidades de medida corretas, para que os alunos possam se familiarizar o quanto antes com essas denominações. Após a análise dos materiais experimentais presente em todos os kits da Experimentoteca, ficou evidente a qualidade dos equipamentos, a organização, a disposição e a diversidade de materiais disponíveis para os professores trabalharem com os alunos. Os kits, em geral, são 131 completos, não necessitam de nenhum material extra para experimentação. A maioria dos materiais é duradouro, reutilizável e muitos podem ser repostos (caixa suporte e reposição). Porém, alguns componentes da Experimentoteca exigem atenção especial por parte do professor, pois trazem riscos à segurança dos alunos, em especial os experimentos que trabalham com fogo, ácido e materiais pontiagudos. Os alunos podem apresentar dificuldade de identificação de alguns materiais (principalmente na área de Física, especificamente na parte elétrica), pois eles não são devidamente nomeados. Mais uma vez, cabe ao professor se preparar e ficar atento às dificuldades que possam surgir durante as atividades. Posteriormente a análise dos roteiros e dos materiais experimentais foi feito um levantamento para saber se os professores utilizam esse material que lhes é disponível. As entrevistas realizadas com as professoras indicaram que todas elas conhecem a Experimentoteca e disseram ter entrado em contato com esta por meio de informação trazida pela coordenadora de ciências da escola. No entanto, nenhuma delas utilizam e nem pretendem utilizar o material da Experimentoteca, pois dizem que não há tempo para cumprir com as exigências da apostila e quando utilizam um material experimental, optam pelo material do SANGARI por esse estar presente na própria sala de aula. Apenas coordenadora já utilizou os equipamentos da Experimentoteca quando estava lecionando e ressaltou que assim que voltar à sala de aula pretende utiliza-lo novamente. Por essa razão, foi relevante comparar o material disponibilizado na Experimentoteca com a apostila usada pelas professoras. A conclusão foi clara. Inúmeras experiências se adequam ao que é visto nas apostilas 132 Tabela 22. Material disponibilizado na Experimentoteca e comparação com a apostila usada pelas professoras de Ciências do Ensino Fundamental Ciclo II na EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”A primeira coluna corresponde ao ano do Ensino Fundamental Ciclo II, a segunda coluna refere-se as matérias das apostilas de cada ano e a terceira coluna aos experimentos disponíveis na Experimentoteca. Ano escolar o 6 ano o 7 ano o 8 ano o 9 ano Temas desenvolvidos Experimentos Tema de experimentos Pressão Atmosférica Pressão Atmosférica A e B Estados Físicos da Água Estados Físicos da Água Empuxo Flutuação e Empuxo Tensão superficial da água Tensão superficial Doenças transmitidas pela água Origem e formação do solo Doenças no Brasil Decomposição das rochas para formar o solo Composição do solo Permeabilidade do solo Aproveitamento e cultivo do solo Preparação de um solo agrícola Recuperação do solo Doenças transmitidas por animais e microorganismos encontrados no solo Decomposição do solo Poríferos e Cnidários Morfologia dos Invertebrados Vermes Morfologia dos Invertebrados Artrópodes Morfologia dos Invertebrados Moluscos Morfologia dos Invertebrados Equinodermos Morfologia dos Invertebrados Fotossíntese Metasebolismo das plantas: fotossínt Relação entre os seres vivos Interações dos seres vivos Cadeia alimentsr Interações dos seres vivos Sistema respiratório Aparelho respirátorio 1 e 2 Sistema locomotor Estrutura óssea Sistema sensorial Sistema nervoso: órgãos dos sentidos Sistema glandular Sistema genital: fecundação Excreção através da pele Aparelho reprodutor masculino e feminino Organização da matéria Dimensões do átomo Substâncias e reações químicas Estequiometria Ácido e Base Energia e movimento Ácidos e bases Termometria, Transferência de calor, Princípios da máquina térmica Energia elétrica e o magnetismo Magnetismo e Eletromagnetismo Eletromagnetismo Eletromagnetismo Doenças no Brasil Além disso, a Experimentoteca é um laboratório de Ciências móvel, é possível que o professor pegue o kit e leve para sala de aula para complementar sua teoria e assim cumprir o que é necessário de maneira mais ilustrativa, estimulando o aluno a pensar sobre o tema. 133 É possível concluir que todo material da Experimentoteca é excelente e muito bem elaborado. Além da diversidade dos materiais, da qualidade e da organização, com essas atividades práticas é possível estimular o raciocínio e capacidade investigativa dos alunos e permitir que eles desenvolvam conhecimento científico e se tornem sujeitos capazes de compreender fenômenos da Natureza e de agir de forma consciente e crítica. Tabela 23 – Representação do valor total (N = 43) das características analisadas nos roteiros dos professorres referente aos temas contidos na Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr., Botucatu, SP. Item analisado SIM NÃO N (roteiros) Roteiros bem especificados 63% 37% 43 Correção gramatical 91% 9% 43 Presença de roteiro para todos os 67% 33% 43 experimentos Presença de roteiros específicos e 98% 2% 43 separados para professor e aluno Com definição de tempo para 21% 79% 43 execução Apresenta ilustrações 30% 70% 43 Atende ao objetivo proposto 93% 7% 43 Necessita de conhecimento prévio 86% 14% 43 Aplicações no cotidiano 32,5% 67,5% 43 Relaciona-se com outro(s) 21% 79% 43 experimento(s) Tabela 24 – Representação do valor total (N = 49) das características analisadas nos roteiros dos alunos referente aos temas contidos na Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.” Botucatu, SP. Item analisado SIM NÃO N (roteiros) Roteiros bem especificados 82% 18% 49 Correção gramatical 92% 8% 49 Presença de roteiro para todos 100% 0% 49 os experimentos Presença de roteiros específicos 86% 14% 49 e separados para professor e aluno Com definição de tempo para 18% 82% 49 execução Apresenta ilustrações 88% 12% 49 Atende ao objetivo proposto 94% 6% 49 Necessita de conhecimento 77.5% 22,5% 49 prévio 134 Tabela 25 – Representação do valor total (N = 49) das características analisadas dos equipamentos experimentais contida nos roteiros da Experimentoteca da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Botucatu, SP. SIM NÃO TOTAL Boa qualidade 100% 0% 49 Traz risco a segurança 43% 57% 49 Duradouro 69% 31% 49 Fácil manuseio 88% 12% 49 Reutilizável 65% 35% 49 Completo 73% 27% 49 Estimula coordenação 37% 63% 49 motora Explicações claras para a 92% 8% 49 montagem do(s) experimento(s) 135 3. Anexos Anexo I - Tabela utilizada para registros sobre as instruções apresentadas no roteiro do professor Item analisado Sim Não a) Bem especificado b) Correção gramatical c) Presença de roteiro para todos os experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução f) Apresenta ilustrações g) Atende ao objetivo proposto h) Necessita de conhecimento prévio i) Aplicações no cotidiano j) Relaciona-se com outro(s) experimento(s) Anexo II - Tabela utilizada para registros sobre as instruções apresentadas no roteiro do aluno Item analisado Sim Não a) Bem especificado b) Correção gramatical c) Presença de roteiro para todos os experimentos d) Presença de roteiros específicos e separados para professor e aluno e) Com definição de tempo de execução f) Apresenta ilustrações g) Atende ao objetivo proposto h) Necessita de conhecimento prévio Anexo III - Tabela utilizada para registros sobre as instruções apresentadas no roteiro do professor Materiais Sim Não k) Boa qualidade l) Traz risco a segurança m) Duradouro n) Fácil manuseio o) Reutilizável p) Completo q) Estimula coordenação motora r) Explicações claras para a montagem do(s) experimento(s) 136 Anexo IV - Roteiro de entrevista para professor de Ciências 1. Você conhece o material da Experimentoteca? Se não, porque não? Se sim, porque se interessou em conhecer? 2. Você já usou esse material? 3. Pretende usar esse material algum dia? 137 Projetos Extracurriculares Desenvolvidos na Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.” Fernanda Helena Palermo Guilherme Roberto Gama José Ricardo Pires Adelino Talita de Mello Santos Thais Cristina Pais 1. Introdução Os projetos extracurriculares desenvolvidos na Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Júnior” são atividades que proporcionam vivências diferentes aos estudantes, daquelas de sala de aula. Nelas, muitas vezes, têm oportunidade de entrar em contato com pessoas diferentes de seu cotidiano, assim como com atividades que proporcionam maior ação de protagonismo juvenil, além de possibilitar-lhes aprimorar habilidades, contribuindo para o desempenho dentro e fora da sala de aula. Sobre isso, Bronzoni (2008) destaca que “As atividades extracurriculares são voltadas ao desenvolvimento das potencialidades da criança, do adolescente, do jovem e contribuem nos processos de desenvolvimento pessoal, a promoção social e o fortalecimento da auto-estima. Ter acesso a atividades extracurriculares pode representar uma diferença significativa no desempenho escolar.” Outra razão importante para as atividades extracurriculares é que além do envolvimento com diferentes saberes, os estudantes podem ficar fora de situações de vulnerabilidade e risco social, como explicita Matias (2009) “(...) a participação de crianças e adolescentes (sobretudo as que vivem nas comunidades menos favorecidas economicamente) em programas sociais, no horário alternado ao da escola ou nas escolas de tempo integral, justifica-se pela possibilidade de proteção desse público, devido a situações de vulnerabilidades sociais, e, sobretudo, para a não inserção dos jovens no mundo do crime.” Os projetos tratados neste trabalho são aqueles realizados no ano de 2011 e que terão continuidade no ano de 2012. Dentre eles há os projetos que classificamos como internos, aqueles idealizados pela Comunidade Escolar, e os Externos, aqueles promovidos por pessoas ou Instituições não ligadas à Escola. Dentre os primeiros estão: 138 Construindo um Planeta Melhor; Coral; Lixo nosso de cada dia; Sexta aula; Show de Talentos e Xilogravura. No segundo grupo, projetos Externos encontramos: Jovens Construindo Cidadania (JCC) e Óleo fora d’água. No rol das Parcerias encontramos o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), Desafio Jovem e o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Neste trabalho tivemos como objetivo conhecer e avaliar aspectos históricos, dificuldades, necessidades, expectativas e resultados que têm sido obtidos nos Projetos Extracurriculares da Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.” realizados no ano de 2011 e com continuidade em 2012, visando o enriquecimento do acervo da escola com dados que poderão também ser usados durante a elaboração do plano político pedagógico dessa unidade escolar. 2. Projetos Internos: Propostas e realizações 2.1. Construindo um Planeta melhor O projeto Construindo um Planeta Melhor foi elaborado a partir da ideia de duas alunas do 7º ano, que, incomodadas com a sujeira presente constantemente na escola e estimuladas por projetos extracurriculares, decidiram procurar a coordenação para expor essa insatisfação e tentar conseguir apoio para desenvolverem ações que fizessem da escola um lugar mais limpo e de reflexão sobre o meio ambiente. Através da conscientização dos alunos e responsáveis sobre a necessidade do descarte adequado do lixo para se manter o ambiente escolar mais limpo. Essa iniciativa também estimularia o protagonismo juvenil, pois os próprios alunos tomariam a frente da proposta responsabilizando-se pela implementação das ações e coleta de dados necessários às mudanças almejadas. Os resultados obtidos, podendo ser transmitidos a outros alunos, seria também uma forma de trabalhar em prol das mudanças de atitudes necessárias às melhorias. Esse projeto, desenvolvido pelas alunas em conjunto com a coordenadora pedagógica, foi iniciado em 2011, com uma apresentação das ideias principais em sala de aula aos demais estudantes. Nesse momento foi feito o convite aos alunos dos 7ºs e 8ºs para participarem do desenvolvimento da proposta. As realizações das atividades desse projeto (Figura 1) têm ocorrido às terçasfeiras, das 14 horas às 15 horas, com participação de 20 a 30 alunos, em média, dos 7ºs e 139 8ºs anos. As atividades vão desde a contagem das gomas de mascar espalhadas pelo chão da escola, em torno de 5000 unidades, até na realização de experimentos, como o que foi feito sobre a água, que evidenciam os problemas que a poluição desse líquido pode causar nos ambientes. Os diversos materiais necessários para o desenvolvimento de experiências práticas (potes, óleo, álcool, etc.), são disponibilizados pela escola. A necessidade de lixeiras mais apropriadas na unidade educacional também foi apontada, por uma das realizadoras do projeto, como sendo de grande importância. Foi relatado ainda uma falta de apoio da direção da escola, que muitas vezes reclama da presença dos adolescentes em espaços da escola e não vê com bons olhos a participação de alunos considerados como “maus alunos”. Um importante fato observado pela coordenação é que justamente os “maus alunos”, são os que mais se dedicam e que apresentam os melhores rendimentos, em termos comportamentais e de boas realizações, nos projetos desenvolvidos em horários diferentes do período escolar. Cogita-se fazer com que esse projeto se espalhe pelo bairro, divulgando as principais ideias, para que o entorno da escola se torne também mais limpo e seus moradores mais consciente. Essa disseminação das idéias alimentadas pelo grupo do projeto "Construindo um Planeta Melhor" poderia se dar também através de um blog que seria mantido pelo grupo. Figura 1 - Alunas do Projeto "Construindo um planeta melhor", realizando experimento com licenciando das Ciências Biológicas, da UNESP, Botucatu. 140 O que os idealizadores do projeto esperam dos adolescentes participantes, é que, além da participação nas reuniões, estabeleçam melhor comunicação com as autoridades e com os demais envolvidos, aumentem o grau de responsabilidade individual e coletiva com as atividades do projeto, e principalmente, consigam melhoria nas condições de limpeza da escola. Esperam também que eles se empenhem na divulgação da proposta e das realizações, em suas respectivas salas de aula, para que consigam atingir maior número de estudantes. Depois do acompanhamento de atividades desenvolvidas no projeto, foi aplicado um questionário (Anexo 1 ) a 18 alunos participantes, que estavam presentes naquele dia. Com o questionário procuramos saber qual o tempo de participação de cada um deles; a assiduidade; sobre a organização do grupo para desenvolvimento das atividades; quais as melhorias que poderiam ser realizadas no projeto em termos de estrutura, apoio, organização, materiais ou outras sugestões; qual a influência na vida dos alunos e se havia alguma participação da escola e de que maneira ocorria. Quando o projeto começou há um ano, apenas 16,67% dos alunos participavam das reuniões. Hoje, após um mês, há 50% de participantes (Figura 2), atraídos pelos colegas para participação das atividades. N = 18 Figura 2: Porcentagem de alunos e respectivos tempos participação no projeto "Construindo um mundo melhor", da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. Mais de 70% dos alunos faltou apenas 1 ou 2 dias no projeto (Figura 3), o que indica que são participantes assíduos às atividades. Um total de 22% esteve sempre presente às reuniões e aproximadamente, 6% dos alunos faltaram de 3 a 4 dias. 141 N = 18 Figura 3: Frequência de participação de alunos no projeto "Construindo um mundo melhor", da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. Mais de 55% dos alunos considera a organização do projeto plenamente satisfatória (Figura 4), 44% considera satisfatória e não há qualquer aluno que esteja insatisfeito com a forma como as coisas são organizadas. N = 18 Figura 4: Opinião dos alunos quanto à organização do projeto "Construindo um mundo melhor", da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. O apoio ao projeto foi o item mais citado (Figura 5) como precisando de melhoria, com 33% dos votos, seguido da estrutura e a organização com 20%. Os materiais, com 15% das citações e outras melhorias, que não foram especificadas pelos estudantes, com cerca de 10%. 142 N = 18 Figura 5: Melhorias necessárias, segundo alunos, ao projeto "Construindo um mundo melhor", da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. Com relação à influência do projeto na vida dos alunos, as citações mais importantes referiram-se ao cuidado para não poluir a água, separar o lixo seco do lixo úmido e ter noção de como fazer reciclagem. Já em relação a influência do projeto na escola as mais importantes referem-se à redução da sujeira jogada no chão da escola, diminuição a quantidade de lixo e de goma de mascar no chão. Nós, licenciandos do Curso de Ciências Biológicas, sugerimos que sejam desenvolvidos experimentos relacionados à drenagem da água, em diferentes tipos de solos, para que os alunos entendam a necessidade de se manter a vegetação no solo; experimentos que demonstrem a decomposição do lixo (papéis, plásticos, metais), para que tenham noção do tempo necessário para a decomposição de embalagens, principalmente de balas e gomas de mascar; saída para conhecer o destino do lixo em lixão ou aterro sanitário, para que observem esses locais e tenham a percepção de como podem afetar diretamente o meio ambiente, além de exibições de vídeos que contenham uma abordagem geral em relação ao tema, como o Documentário Lixo Extraordinário de Vik Muniz, que trabalha a idéia de que o lixo pode ser reutilizado para fazer arte, e um vídeo produzido pelos alunos do curso de Ciências Biológicas da UNESP de Botucatu, produzido durante uma disciplina de estágio obrigatório no ano de 2011, que retrata a realidade de um “lixão”. Outra proposta é que assistam e discutam o filme Super Size Me e Criança Alma do Negócio. 143 2.2. Coral “Erasmina Celi Gobette” O projeto Coral Escolar “Erasmina Celi Gobette” teve início no ano de 2010, por iniciativa da Coordenadora Pedagógica do Colégio, ao perceber que a preferência musical de muitos dos estudantes era restrita às músicas produzidas atualmente, com falta de informações relevantes e construtivas. Nosso país ao contrário do que é presenciado recentemente possui um patrimônio musical rico, no qual diversos compositores valorizaram o senso poético e popularizaram várias questões artísticas através da música. Nas atividades do Coral (Figura 6) os alunos são apresentados e podem ter contato mais profundo com diferentes estilos musicais da Cultura Brasileira e estrangeira. Dessa maneira o projeto tem a finalidade de oferecer conhecimento de músicas diferentes da midiática atual. Figura 6 - Ensaio do Coral Erasmina Celi Gobette, da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP., com participação especial de uma profissional da voz. O canto coral proporciona ambiente positivo de integração interpessoal, fortalecendo o caráter coletivo dos estudantes e estreitando o contato com conhecimento cultural, independente da faixa etária na qual se encontram. Espera-se que com a prática regular, assídua e interessada haja melhora da autoestima e formação de laços de amizade, laços mais fraternos entre os estudantes de diferentes idades. Esta proximidade de relações é benéfica e reflete em sala de aula com melhoria no rendimento escolar e incentivo à participação de outros colegas. Os ensaios são feitos todas as segundas e quartas-feiras das 14horas às 15h30min, em um anexo do prédio antigo da Escola, com a participação de 15 estudantes, todos do 144 Ensino Fundamental II da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr.”. A orientação do Coral é feita pela Coordenadora Pedagógica da escola e por um profissional da área musical, porém não possui auxílio de um educador vocal ou regente. Foi realizada uma entrevista com todos os integrantes do Coral, com o objetivo de levantar as informações referentes à visão dos alunos sobre o projeto, sua importância e como esta atividade os influencia no cotidiano. (Anexo 2 ) Das informações obtidas conclui-se que os estudantes veem o projeto de modo plenamente satisfatório (Figura 7). N=9 Figura 7: Como os participantes do Coral “Erasmina Celi Gobette entendem a sua organização e desenvolvimento na escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. Quanto ao aspecto de melhorias para o projeto, 100% dos participantes sentem-se insatisfeitos com a estrutura física que o colégio oferece para as práticas de ensaios semanais (Figura 8), ressaltando a elevada temperatura da sala de ensaio em dias quentes e a baixa temperatura em dias frios, a ausência de cadeiras adequadas para o tamanho dos alunos, a falta de controle adequado da iluminação do local e a péssima aparência externa da sala; 78% acham que o projeto necessita de mais apoio, como a orientação de profissionais da voz e na aquisição de instrumentos no colégio favorecendo assim o tempo utilizado nas práticas; 67% acreditam que os materiais apresentados no projeto são insuficientes para a prática, sendo sugerida a presença de material próprio para estudos e 56% dizem que a organização geral do projeto é insuficiente, destes 11% acreditam ser necessárias outras modificações, porém não houve citação de quais melhorias seriam necessárias. 145 N=9 Figura 8 – Melhorias almejadas para o desenvolvimento, com mais qualidade, das atividades do Coral “Erasmina Celi Gobette" Os resultados indicam que o projeto é de grande importância para os alunos, que aumentam interesse pelo canto, com vontade de aprender a cantar, de melhorar o uso da voz, de aprender músicas novas e de ter contato com outras culturas através da prática de um novo idioma, geralmente o inglês. A participação do coral também é relevante na vida social dos membros do grupo, dado que vem fortalecendo laços de amizade, trabalho em equipe com cooperação. Sugerimos que paralelamente às atividades propostas aos alunos participantes do Coral “Erasmina Celi Gobette”, para uma melhor compreensão da dinâmica vocal desenvolvam conhecimentos científicos de diversas áreas. Poderiam ser criados espaços adequados para desenvolvimento de conhecimentos fundamentais de Física clássica (ex.ondas), Biologia (ex. estrutura e funcionamento do aparelho fonador, diafragma), Matemática (ex. relação entre notas musicais) e Letras (ex. interpretações das letras musicais, rimas). Algumas das possibilidades de que podemos detalhar para estudos relativos à: BIOLOGIA Região abdominal: mostrando a disposição dos órgãos nessa região e suas finalidades para o corpo humano, finalizando com a apresentação do diafragma e sua importância na respiração e por consequência no ato de cantar. Região torácica: mostrar o aparato ósseo e demais órgãos localizados na região torácica assim como suas funções no corpo, diferenciando a respiração média (abdominal) da respiração torácica (peitoral), ilustrando seus benefícios, relacionando as afirmações com a atividade vocal. 146 Região da cabeça: Falar sobre a magnitude do cérebro, e sua relação coma a concentração. Analisar a anatomia da boca, posições da língua e articulação da mesma. Perceber a contração muscular na região do pescoço, deslocamento de ar pela região da faringe na formação do som gerado ao contato com as pregas vocais. Desta maneira favorecendo uma percepção anatômica espacial das regiões mais importantes ao cantar. Atividade respiratória e fisiologia da respiração: Consiste em ilustrar os processos celulares, químicos, bioquímicos, envolvidos no processo de respiração, mostrando o trajeto do ar a partir da inalação até o momento de chegada aos alvéolos, e realização da hematose. Hidratação e relações com alcoolismo e tabagismo: Ressaltar a significância da hidratação para o corpo humano e por consequência para a prática vocal, ressaltando as propriedades biológicas da água, como a de ser um solvente universal, e que 70% do corpo contém água. Através disto mostrar os efeitos danosos do uso de bebidas alcoólicas e tabaco para o nosso organismo, sendo essa prática ao canto e ao organismo. Estados mentais: Consiste em trabalhar o nervosismo através de práticas de relaxamento provenientes do Yoga, com isso apresentando a divisão do sistema nervoso em Central e Periférico, tendo como foco no SNC, caracterizando-o como responsável pelo estado mental, relacionando-o com a contração e o relaxamento muscular, para isso sendo necessária a abordagem celular de músculos, diferenciando musculatura lisa, estriada cardíaca e estriada esquelética, assim como seus mecanismos celulares de contração, relacionando com a tensão gerada na região da cabeça quando se fica nervoso, ansioso etc. Apresentar a ideia de que a sensação de bem estar após atividade vocal mantém relações hormonais, com aumento de hormônios do bem- estar como serotonina e endorfina, sendo necessária a abordagem de conceitos como: os hormônios, suas ações e suas relações com o Sistema Nervoso Central. Prevenção contra acidentes vocais: Mostrar consequências do uso abusivo e errôneo da voz, resultando em calos, rouquidão, sendo muitas vezes irreversíveis. FÍSICA Conceitos de ondulatória: Conceituar o som a partir da perspectiva da física clássica, como uma onda, apresentar suas propriedades e suas unidades fundamentais, como crista, vale e comprimento e frequência de onda, as características dos sons como intensidade de som (forte/fraco), altura (grave/agudo), timbre. 147 Ressonância: Trabalhar o conceito de ressonância, muito aplicado na afinação vocal, e na qualidade vocal. Tensão: Ilustrar as forças físicas relacionadas à tensão muscular na garganta. Matemática: Estudos de leitura musical, desenvolvendo o raciocínio de proporção, compassos simples e composto. Confecção de instrumentos: Trabalhar em conjunto com as disciplinas de artes e matemática ou em contraturno, executando a construção de instrumentos mais simples como flautas, monocórdio e instrumentos de percussão, por meio de atividades. Para essa confecção é necessário a aplicação de proporções matemáticas, como distância entre os orifícios geradores das notas nas flautas, a relação com formas e áreas geométricas, tamanho da flauta, e o tom da mesma, além dos trabalhos dentro da estética do instrumento. A monocórdio, instrumento de uma corda só, que consiste na geração de sons através da vibração de uma única corda que pode ser apoiada em um cavalete que desliza pelo comprimento da corda. Esse instrumento serve para a aplicação dos conceitos de sons gerados por vibração de cordas, sendo possível a alteração das frequências geradas de acordo com o comprimento da corda. 2.2. Lixo nosso de cada dia O projeto “lixo nosso de cada dia” foi elaborado a partir de observações feitas na escola João Maria de Araújo Junior, onde foi constatado que o descarte inadequado de lixo era feito de forma frequente pelos alunos, mesmo com a escola dispondo de quantidade razoável de lixeiras, tanto nas salas de aula quanto no pátio e quadra. Outro fator que poderia contribuir para a sujeira na escola é o pequeno número de funcionários responsáveis pela limpeza, apenas cinco, sendo que os mesmos são responsáveis pela Merenda Escolar que exige bastante tempo de trabalho, o que poderia gerar uma sobrecarga de funções, visto que a escola possui um espaço físico muito grande para a limpeza diária. A idealização do projeto foi feita pela Professora Jaqueline Alves Barea Cantão, atual coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental II da Escola João Maria de Araújo Junior. Para a realização das atividades estão incluídos professores de educação artística, ciências, educação física, matemática e outras parcerias. A maneira escolhida para trabalhar as questões de conscientização com relação ao descarte inadequado de lixo foi através da proposição de ações junto à comunidade 148 escolar, estimulando o protagonismo juvenil, essas ações, que serão mostradas a baixo, acontecem desde 2011 e outras atividades estão previstas para este ano. 2.3.1. Atividades desenvolvidas em 2011 No segundo semestre de 2011 foi produzido um Telejornal, intitulado "JM Notícias" (Figura 9), cujo tema foi o lixo. Isto foi possível devido a uma parceria entre a Escola e graduandos do curso de Ciências Biológicas do Instituto de Biociências da UNESP. Neste trabalho, alunos do 6º ao 9º ano fizeram parte da elaboração das pautas para o Telejornal, além de participarem como repórteres, trazendo o problema do lixo vivenciado na escola. Além desta atividade, em outubro, foi realizada uma gincana com todos os alunos da escola, que envolveu paródias, danças e desfiles de roupas com materiais reciclados (Figura 10). Figura 9: Alunos apresentando o Telejornal “JM Notícias” na escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. 149 Figura 10: Aluna da com roupa produzidas de material reciclável, durante a Gincana, na escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. 2.3.2. Atividades previstas para 2012 No início do primeiro semestre, houve a apresentação oficial do Telejornal JM Notícias, na tele-sala da Secretaria Municipal de Educação de Botucatu. Este foi um evento para mostrar as atividades realizadas pela escola durante o ano de 2011. Está previsto para este ano de 2012 que todos os alunos da escola assistam ao telejornal e que este sirva de base para as discussões aprofundadas sobre o descarte inadequado de lixo na escola. Concomitantemente, será instalado um “lixômetro”, confeccionado em EVA e fixado em local de grande circulação dos estudantes. Neste, serão colocadas informações sobre a quantidade de lixo produzida na escola. Orientados por um estagiário, um grupo de cinco alunos, serão responsáveis por recolher todo o resíduo do chão da quadra, das rampas, do pátio e do anexo II da escola, para que posteriormente seja classificado de acordo com sua procedência para as informações serem devidamente anotadas no mural do “lixômetro”. As informações coletadas serão repassadas para o professor de ciências que trabalhará este conteúdo, através da discussão dos dados. Nesta etapa do projeto todas as salas do Ensino Básico II deverão participar, sendo que dos cinco estudantes escolhidos para compor o grupo de trabalho, dois 150 deverão ser alunos participantes do projeto Jovens Construindo a Cidadania (JCC). Como forma de avaliação desta fase, levar-se-á em conta a quantidade de lixo produzida. Se ao final de um mês a quantidade de lixo descartado inadequadamente diminuir, o projeto poderá ser encerrado. Outra atividade a ser realizada com os alunos será a confecção de lixeiras ecológicas trabalhadas artisticamente, para isto seriam reutilizadas as caixas de papelão nas quais o material didático do Sangari veio embalado à escola. Os alunos dos 9ºs anos ficariam responsáveis por essa atividade. A coordenação da escola também pretende incluir palestras de entidades ligadas ao Meio Ambiente para reforçar conteúdos trabalhados dentro da sala de aula. As motivações para participar do projeto do telejornal, citadas pelos estudantes foram a de ver a reação das pessoas ao assistirem ao telejornal pronto; tentar mudar os hábitos dos outros estudantes da escola; deixar a escola mais limpa e porque acharam que era algo interessante, diferente e poderiam aprender coisas novas. Algumas mudanças comportamentais que tiveram foram: mudar sua alimentação, não comprando mais goma de mascar e consumindo menos salgadinhos industrializados, reparar mais nas pessoas e sempre pensar antes de jogar algum lixo fora de forma inadequada, sentirse na obrigação de dar o exemplo, pois tinha participado da construção do trabalho. Quanto à organização do Telejornal “JM Notícias”, 50% dos alunos a classificou como plenamente satisfatória, para estes alunos o apoio da Coordenadora Pedagógica, Jaqueline Alves Barea Cantão, foi essencial e sentiram um clima fraternal durante as gravações, que os deixou a vontade para realizar o trabalho. (Figura 11). N=4 Figura 11: Opinião dos alunos quanto à organização do Telejornal “JM Notícias”, da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. 151 Os alunos que consideraram a organização do projeto satisfatória, disseram que mais reuniões poderiam ter sido feitas e que eles gostariam que os alunos que sujam as áreas da escola pudessem ser entrevistados. Apenas um aluno disse que poderia ter participado mais das reuniões, os outros disseram que participaram bastante. Também acham que o projeto vai influenciar na escola, principalmente quando o Telejornal for mostrado nas salas de aula. Para a aplicação do questionário (Anexo 3 ) aos alunos não participantes do telejornal, foram escolhidos aleatoriamente três alunos de cada ano escolar do 7º ao 9º ano, totalizando nove alunos. N=9 Figura 12. Porcentagem de alunos entrevistados que conhecem o projeto “Lixo nosso de cada dia”, da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. Quando perguntados se haviam participado da gincana, seis alunos responderam que sim, mas não sabiam que tinha sido realizada pelos alunos desse projeto. Todos os alunos comentaram que gostaram muito, pois foi divertido, diferente e que deveria ser feita mais vezes. Quanto à influência na escola, a maioria respondeu que o projeto influencia na escola, estimulando os alunos a pensarem sobre o assunto, porém alguns estudantes responderam que mudanças significativas no comportamento dos alunos não tinham sido notadas ainda. Sobre a limpeza na escola, três alunos responderam que era boa, um aluno respondeu que poderia ser melhor, mas que havia poucos funcionários e a escola era muito grande, o restante disse que não era boa, por falta de consciência dos próprios alunos. Além disso, segundo um dos entrevistados, o anexo II, o mais antigo da escola, 152 aparenta ser mal cuidado em relação ao prédio mais novo, devido as condições piores de conservação da estrutura da construção, que desmotiva manter o local limpo. Cinco estudantes não souberam indicar sugestões para resolver o problema do descarte inadequado do lixo, os outros alunos sugeriram que poderiam acontecer atividades mais dinâmicas, como a gincana, com mais frequência, outro sugeriu a utilização de um controle de limpeza que desse um ponto aos alunos na média final (esse tipo de controle já acontece em salas do 9º ano). Duas professoras entrevistadas ( Anexo 3) sobre o problema do lixo, uma de artes e a outra de português, conheciam o projeto “Lixo nosso de cada dia” e apenas uma participou das atividades que já aconteceram. Ainda comentaram que esperam que estes projetos influenciem as pessoas a manter a escola em boas condições, porém uma das professoras acredita que estes projetos fornecem a informação, porém não estimulam o desenvolvimento de atitudes adequadas, o que pode ser a razão da falta de melhores resultados. Uma dessas professoras acha que a limpeza não é satisfatória porque falta de funcionários e falta de estímulo devido às condições do prédio antigo, sem reformas, até os locais que já estão sujos, como a quadra, com muitos chicletes. Dos cinco funcionários existentes na escola, que participam da limpeza, entrevistamos (Anexo 4) quatro, dos quais 75% conhecem o projeto “Lixo nosso de cada dia” (Figura 13). N=4 Figura 13: Porcentagem de funcionários que conheciam o projeto “Lixo nosso de cada dia”, da escola "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP. A única funcionária que disse que não conhecia o projeto justificou que era porque estava de licença, quando ele foi criado. 153 Todos os funcionários disseram que não notaram mudanças significativas na atitude dos alunos, ainda disseram que já observaram que a escola fica mais suja em determinadas épocas do mês, como por exemplo, perto do pagamento dos pais. Mostrando que isso poderia ser trabalhado com os responsáveis pelos alunos, visando também à melhoria da alimentação dos estudantes, porque grande parte das embalagens descartadas de forma inadequada são de produtos industrializados. Como sugestão, os funcionários acham que o mais importante seria que os professores orientassem os alunos, pois passam bastante tempo em contato com eles. Para trabalhar as questões de descarte indevido de resíduos nós propomos algumas ações, descritas anteriormente no projeto “Construindo um planeta melhor” que poderiam ser feitas em conjunto com o pessoal deste projeto, visto que são complementares. Os alunos, orientados devidamente por um professor, poderiam confeccionar lixeiras específicas para a coleta de chicletes, os "papa chicletes", visto que este é um problema apontado frequentemente pelos alunos. Esta atividade poderia contar com a participação de professores de diversas áreas, por exemplo, das professoras de educação artística para a confecção dos “papa chicletes”. 2.4. Sexta aula O projeto Sexta Aula surgiu por solicitação da Direção Escolar que desejava o aumento de aprovados no Vestibulinho da ETEC “Dr. Domingos Minicucci Filho”, onde são oferecidos Ensino Médio e Ensino Técnico. Outro motivo foi a queixa de estudantes dizendo que somente as aulas regulares não estavam fornecendo os subsídios necessários para a realização das provas de seleção aos cursos mencionados. Alegaram que os professores estavam envolvidos com a Apostila NAME e poderiam não conseguir atender a essa demanda em sala. O público alvo do Projeto Sexta aula são os alunos dos 9º anos, para os quais as inscrições foram abertas. A procura foi muita, o que exigiu que se fizesse um processo seletivo. Este se deu através de uma prova envolvendo exercícios do vestibulinho da ETEC que continham conteúdos já estudados pelos alunos em aulas de Ciências e de Geografia. Então por ordem de classificação 35 alunos iniciaram nas atividades do Projeto. Depois, abriu-se uma segunda turma, seguindo a lista de classificação inicial. 154 O projeto consiste em aulas de ciências realizadas duas vezes por semana no período matutino, das 11h35min às 12h30min. Os principais assuntos desenvolvidos até agora foram os Ciclos biogeoquímicos; Processos de produção e consumo de energia pelos seres vivos; Cadeias e teias alimentares; Poluição ambiental; Tipos de energia e as transformações; Estados físicos da matéria e as mudanças de estado; Velocidade média e Transformações de unidades; entre outros. No ano de 2011 alunos da escola obtiveram boas colocações nas provas. Foram elas: Três (3) das dez (10) primeiras colocações do vestibulinho para Ensino Médio, a 1º e a 3ª colocação para o Ensino Médio Integrado em Eletrônica, 2º lugar no Ensino Médio Integrado para Mecânica, sendo ao todo 24 estudantes aprovados. Devido a este número de aprovações conseguiu-se cumprir a meta desejada por 20% dos alunos dos 9º anos que, no questionário para Pais e Alunos do SARESP de 2010, explicitaram o desejo de ingressar na Escola Técnica. Entrevistamos cinco alunos que participaram do Projeto Sexta Aula em 2011 e estudam atualmente na ETEC “Dr. Domingos Miniccuci Filho”. Dentre eles 60% iniciaram na primeira turma da Sexta Aula, e 40% integraram a segunda turma. A maioria dos alunos acredita que a proposta da sexta aula é boa (Figura 14). N=5 Figura 14: Opinião dos alunos sobre o projeto "Sexta Aula", da EMEF " Dr. João Maria de Araújo Jr. Os três assuntos destacados como melhorias necessárias são apoio, organização e materiais para os trabalhos (Figura 15), todos com cerca de 33%. O apoio é citado pelo fato de que apenas uma Professora, a atual Coordenadora Pedagógica da Escola, ministra as aulas, sendo elas apenas de Ciências, mas havendo necessidade de outras matérias também. 155 N=5 Figura 15: Melhorias desejadas pelos alunos para o projeto "Sexta Aula", da EMEF " Dr. João Maria de Araújo Jr. . Outra melhoria seria quanto aos materiais utilizados durante as aulas (Figura 15). Segundo os alunos experimentos, demonstrações e outras atividades práticas, são boas ferramentas para facilitar o aprendizado, sugerindo que atividades destes tipos sejam mais utilizadas. Os alunos se mostraram assíduos, com cerca de 80% dos entrevistados tendo faltado apenas em 1 ou 2 aulas no período de seis meses (Figura 16). Tal resultado pode ser justificado pelo fato dos pais ou responsáveis acompanharem e incentivarem a participação dos alunos. N=5 Figura 16: Assiduidade dos alunos nas atividades do projeto "Sexta Aula", da EMEF " Dr. João Maria de Araújo Jr. . Os estudantes que participaram do projeto no ano de 2011 afirmam que o projeto influenciou positivamente na aquisição de conhecimento, porque aprimoraram conhecimentos de Física e Química. Salientam ainda, que o projeto foi essencial para o 156 ingresso na ETEC “Dr. Domingos Miniccuci Filho” pelo fato de alguns conceitos exigidos na Prova de Seleção foram trabalhados nas atividades do Projeto. Alguns dos entrevistados contestam e concluem que os conteúdos trabalhados não foram necessários para a realização da Prova da ETEC, mas contribuíram para que ampliassem seus conhecimentos, que inclusive são utilizados atualmente nas disciplinas regulares do Ensino Médio e Ensino Técnico. Uma problemática apontada pelos ex-participantes seria a implantação de mais Disciplinas no Projeto, a fim de revisarem ou adquirirem mais conhecimento. Outra questão apontada é a dificuldade apresentada pela professora ministrante do projeto em cumprir os horários programados para as atividades. Contribuições As contribuições a seguir foram pensadas pelos alunos do Curso de Ciências Biológicas após entrevista com antigos participantes do Projeto Sexta aula, segundo estes a realização de experimentos, demonstrações e aulas práticas foram mais efetivas para o aprendizado, portanto, é de interesse o uso destas modalidades didáticas. Na Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Jr.” estão disponíveis materiais experimentais da Experimentoteca da USP, que englobam utensílios e equipamentos para a realização de experimentos englobando determinados conteúdos de Ciências, dentre eles estão alguns dos temas propostos pelo Projeto Sexta aula, devido a este fato a Experimentoteca da USP pode ser uma ferramenta durante a realização das aulas. Uma ação necessária é a ampliação dos conteúdos trabalhados no Projeto, sendo assim imprescindível à divulgação do Projeto aos Professores da Escola na tentativa de aquisição de voluntários, para que haja o acréscimo de disciplinas, o que beneficiaria a realização da prova pelos estudantes, pois, todo o conteúdo do Ensino Fundamental é exigido no Vestibulinho da ETEC. Outra medida a ser tomada é a divulgação deste à Secretaria da Educação do Município de Botucatu, assim como a outros Órgãos ou Instituições do Município de Botucatu ressaltando a importância do Projeto, afim do recebimento de apoio financeiro para a obtenção e manutenção de materiais para as aulas. 157 2.5. Show de Talentos O Show de Talentos é um projeto que tem como objetivo conhecer e desenvolver os talentos dos alunos que, normalmente, não são reconhecidos em sala de aula. Então, através de um evento realizado na Escola, os alunos mostram seus talentos, seja música, dança, recitação de poemas, entre outros. A partir da Proposta sugerida pela Apostila do Estado de São Paulo, a Professora de Educação Artística Rosângela de Almeida Rocha decidiu explorar mas a fundo realizando um evento e a Direção apoiou, o projeto foi então desenvolvido no ano de 2011. Os participantes são os alunos do Ensino Fundamental II, porém os organizadores do evento são os alunos do 9º ano. Eles elaboram cartazes para a divulgação e são responsáveis pelas inscrições dos participantes. Essas tarefas fazem parte das aulas de artes e os alunos recebem nota de acordo com o desempenho nas atividades. Este projeto conta com a participação da comunidade, que além de assistir ao show, pode participar do projeto com apresentações. No entanto, para que um grupo não pertencente à escola se apresente é necessária à participação de pelo menos um aluno que esteja matriculado. Para a realização do Show de Talentos a Escola conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Botucatu, a qual paga o aluguel dos equipamentos de som utilizado nas apresentações. Esta é uma dificuldade encontrada pela Professora responsável, porque nem sempre é fácil conseguir a aparelhagem. A idealizadora avalia que este projeto é de grande valia devido à melhora do ambiente escolar, pois os alunos interagem entre eles melhorando o convívio social. No ano de 2012 serão realizados dois eventos, um para os alunos do período da manhã e outro para os alunos do período da tarde. 2.6. Xilogravura O projeto teve início em outubro de 2011, quando a Professora de Educação Artística Eloísa Bueno que decidiu aprofundar o conteúdo didático sobre o artista Esher presente nas apostilas NAME, desde então as turmas dos 8º anos começaram o estudo e produção de Xilogravuras, que continuou a ser trabalhado no início de 2012, com os mesmos alunos que agora constituíam os 9º anos. 158 Em paralelo com a execução das atividades, os alunos participaram de uma viagem didática para a cidade de São Paulo para visitarem a Exposição “O mundo mágico de Esher” realizada no Centro Cultural Banco do Brasil. No Projeto foram utilizadas técnicas de Xilografia e Xilogravura, que consistem na marcação de signos nas placas de madeira e a impressão das grafias em papel, esses processos foram utilizados para uma melhor compreensão das obras de Esher entendendo como o artista confeccionava suas gravuras e quais ideias e técnicas foram utilizadas em suas obras. Durante a fabricação das xilogravuras a participação dos alunos foi favorável, pois a atividade despertou o interesse, gerando grande aceitação das turmas com um número mínimo de alunos que recusaram participar das atividades. Em contrapartida ocorreram dificuldades devido à falta de um ambiente adequado as práticas necessárias, assim como ausência de estrutura física para os trabalhos manuais, pois envolvem solventes e tintas, e a dificuldade em encontrar materiais, sendo que materiais como Goivas, Tintas, Rolos, Madeiras, Papel Canson ou Arroz, foram providenciados e / ou financiados pela Professora de Artes e alunos. O encerramento será feito com uma exposição das obras produzidas no Município de Botucatu. 3. Projetos Externos 3.1. Jovens Construindo a Cidadania (JCC) Esse projeto iniciou no Município de Botucatu no ano de 2002, e na Escola Municipal “Dr. João Maria de Araújo Júnior” foi implantado em 2004. A idealização foi da Polícia Militar do Estado de São Paulo e as atividades são desenvolvidas em conjunto com a Coordenação da escola. As reuniões do projeto acontecem uma vez por semana, durante os horários de aula, com duração de 01h30min, de terças-feiras ou quartas-feiras, sendo sempre em dias pares. O grupo é composto por 30 alunos dos 7° s e 8°s anos, que são eleitos em votação pelos próprios colegas de turma. O JCC em Botucatu é desenvolvido atualmente nas Escolas Estaduais “Professor Francisco Guedelha” (Parque Marajoara) e “Dom Lúcio Antunes de Souza” (Vila dos Lavradores); Escolas Municipais de Ensino Fundamental “Professor Jonas Alves de 159 Araújo” (Comerciários III) e “Dr. João Maria de Araújo Júnior” (Vila São Lúcio), além da Escola Estadual “Professor Américo Virgínio dos Santos” (CECAP), compartilhada entre o Estado e Município. No total, o JCC reúne em Botucatu cerca de 270 jovens a partir dos 12 anos. O maior objetivo do programa é resgatar a autoestima dos adolescentes e proporcionar que eles se expressem através de atividades de cidadania dentro e fora da unidade educacional, também atua contra violência de maneira geral nas escolas, formando jovens mais participativos e conscientes. 3.2. Óleo fora d’água Este projeto começou a ser realizado em 2007 e foi idealizado pelo Professor Silvio V. Prearo (autor) e a Professora Silvana Prearo Pedroso (co-autora). Tem como objetivos mudar hábitos domiciliares com relação ao destino do óleo de fritura sujo que, via pia de cozinha, chega às redes de esgoto e causa degradação do meio ambiente, assim conservando os recursos hídricos, através da despoluição das águas dos rios; promover a sensibilização para as causas ambientais e contribuir para conservação do Aquífero Guarani. Este projeto atende às Escolas Municipais e Estaduais de Botucatu, um total de 50, além dos munícipes em geral e algumas empresas como a Induscar, Eucatex, Duratex, Technout e Globo Usinagem. O trabalho consiste em recolher o óleo de cozinha usado e a partir daí destinar 10% para a produção de sabão através de oficinas realizadas nas Escolas, na Sede do Projeto, Associações de Bairros e Empresas. E 90% para a Usina de Biodiesel que ainda esta em processo de construção e atenderia à frota escolar do Município de Botucatu e da Sabesp. A cada litro de óleo usado entregue nos pontos de coleta, recebe-se em troca uma pedra de sabão. 4. Parcerias 4. 1. Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) É uma unidade de Proteção Social Básica do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, que tem por objetivo prevenir a ocorrência de situações de vulnerabilidade e riscos sociais nos territórios, por meio do desenvolvimento de potencialidades e 160 aquisições, do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e da ampliação do acesso aos direitos de cidadania. No ano de 2012 em parceria com a Escola o CRAS central do Município de Botucatu está trabalhando o Projeto Grupo de Convivência e Fortalecimento de Vínculos com Adolescentes- Programa Projovem Adolescente, no qual alunos indicados pela Coordenação da Escola participam de atividades no CRAS Central com Profissionais da Assistência Social e Psicologia, participando de grupos de conversa e reflexão, e oficinas que abordam temas como: Convivência; Integração; Identidade; Comunidade; Saúde e Sexualidade; Educação, Cidadania e Meio Ambiente; Estatuto da Criança e Adolescente; entre outros. 4.2. Desafio Jovem O Desafio Jovem de Botucatu surgiu de uma Instituição Religiosa que possui uma Casa de Reabilitação para dependentes químicos do gênero masculino. A partir da vivência com esta realidade a Assistente Social e um Monitor da Instituição criaram um Projeto que visa à realização de atividades com crianças e adolescentes sem ocupação no contraturno escolar ou com vulnerabilidade social. A parceria com a Escola João Maria surgiu no ano de 2011, após a Instituição ceder espaço para aulas de danças de um grupo da Escola. Atualmente alunos da Escola João Maria participam das atividades como aulas de artesanato e xadrez. 4.3. Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) O NASF é o Núcleo de Apoio a Saúde da Família, que faz parte de uma equipe de apoio à Unidade Básica de Saúde (UBS São Lúcio) que atende às necessidades no que se refere à atenção primária. A atenção primária é um procedimento preventivo e promotor de saúde, daí seus operadores não cumprem só as tarefas internas da Unidade, mas tentam assistir, na medida do possível, às organizações comunitárias da área onde atuam. Essa equipe de apoio é composta por equipe multiprofissional (Farmacêuticos, Assistentes Sociais, Terapeutas Ocupacionais, Educadores Físicos, Nutricionistas, Psicólogos, Fisioterapeutas e Médicos de algumas especialidades, entre eles um Psiquiatra). 161 Após a equipe instalar-se na UBS São Lucio, ocorrido em janeiro de 2012, foram mapeadas as possibilidades de ação nessa área e em visita à Escola João Maria se observou que havia grande demanda de atendimento às crianças no que se referiam à saúde mental, dificuldades psicopedagógicas, assistência social, entre outras. Então, periodicamente, através de encontros com coordenadora pedagógica da Escola, foram discutimos casos de alunos que após sua avaliação cuidadosa, pareceram merecer atenção, principalmente sob a perspectiva de sua saúde mental, sua situação social e/ou seu desempenho psicopedagógico. Após essas reuniões procurou-se priorizar os casos aparentemente mais urgentes e tomaram-se principalmente algumas dessas condutas como: Convocação dos pais para uma entrevista na Unidade de Saúde; Visitas domiciliares caso os pais não atendam ao convite ou necessitem de alguma modalidade de apoio que seja contemplado pelo NASF; Atendimentos na Unidade os casos cuja demanda se enquadre nos serviços ali prestados; Encaminhamento de casos para outras instituições, se sua natureza ou gravidade fugir do alcance (por ex: Setor de Psiquiatria da UNESP; programa “Saúde do Escolar”; grupos terapêuticos que aconteçam no Espaço Saúde; Conselho Tutelar etc.). Não há tempo previsto para a duração desta parceria com a escola e as principais dificuldades que são encontradas referem-se ao fato da equipe estar atuando recentemente no Município, ainda construindo métodos de interlocução com outras organizações instituídos, atendimento que, uma vez possibilitarão um mais ágil às necessidades deste público. 5. Fluxograma O fluxograma elaborado (Figura 17), representa possíveis interações entre Extracurriculares os da Projetos Área de Ciências executados na E. M. E. F. “Dr. João Maria de Araújo Jr.”, Figura 17: Fluxograma de possíveis relações entre os diferentes Projetos Extracurriculares de Ciências, desenvolvidos na EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr", Botucatu, SP., que podem resultar em interessantes atividades interdisciplinares. 162 que indicam possibilidades de comunicação e aprimoramento dos trabalhos, por meio de atividades interdisciplinares. Alguns temas como o do Lixo pode ser tratado como um Tema transversal, integrando diversos conhecimentos, que podem ser estudados nos Projetos Extracurriculares da Escola. A partir desta idéia é possível combinar os diferentes Projetos Extracurriculares de Ciências, tomando como exemplo as gomas de mascar que é muito utilizada pelos alunos do Colégio, que além de ter difícil processo de degradação um tema que pode ser aprofundado no Projeto Construindo um Planeta Melhor e Lixo nosso de cada dia, podem estar relacionada a questões de saúde como que é abordada no Projeto Sexta aula. As propostas das atividades científicas apresentadas no Projeto Coral, junto com os demais projetos podem ser trabalhadas em conjunto no Projeto Sexta aula. 163 6. Anexos Anexo 1: Questões elaboradas para serem respondidas pelos integrantes do Projeto Construindo um Planeta Melhor 1 – Há quanto tempo participa do projeto? 2 – Você participa regularmente dos ensaios? 3 – A organização do projeto é: Plenamente Satisfatório Satisfatório Não Satisfatório 4 – O que poderia melhorar no projeto? Estrutura Apoio Materiais Outros: Organização 5 – Qual a importância do coral em sua vida? 6 – O projeto te influencia na Escola? Como? Anexo 2: Questões elaboradas para serem respondidas pelos integrantes do Projeto Coral “Erasmina Celi Gobette” 1 – Há quanto tempo participa do projeto? 2 – Você participa regularmente dos ensaios? 3 – A organização do projeto é: Plenamente Satisfatório Satisfatório Não Satisfatório 4 – O que poderia melhorar no projeto? Estrutura Apoio Materiais Outros: 5 – Qual a importância do coral em sua vida? 6 – O projeto te influencia na Escola? Como? Organização 164 Anexo 3: Questões elaboradas para serem respondidas pela Comunidade Escolar sobre o Projeto "Lixo Nosso de Cada Dia" 1. Você conhece o projeto “Lixo nosso de cada dia”? 2. Já participou de alguma atividade realizada por esse projeto? 3. Em sua opinião, o projeto influencia na escola de alguma forma? 4. O que você acha da limpeza na escola? 5. Teria alguma sugestão de como trabalhar a questão da sujeira com os estudantes? Anexo 4: Questões elaboradas para serem respondidas pelo funcionários da limpeza sobre o Projeto "Lixo Nosso de Cada Dia" 1. Você conhece o projeto “lixo nosso de cada dia” 2. Percebeu alguma mudança de atitude nos alunos quanto à sujeira na escola? 3. Em sua opinião, quais medidas poderiam ser adotadas para trabalhar este tema? 165 EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr." no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) 2011 João Manuel Fogaça Marília Monteiro Quinalha Rodrigo Santiago Oliveira Carvalho 1. Introdução O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – Saresp é uma proposta da Secretaria de Educação (SEE), que desde 1996 procede a uma coleta anual de dados para avaliar o desempenho das escolas da rede pública, no que se refere ao ensino de nível básico (SÃO PAULO, 2011). Para isso, além de provas específicas sobre matérias do currículo escolar, são aplicados questionários para pais e alunos avaliarem aspectos do contexto e práticas escolares, bem como reunir dados sobre o perfil daqueles que respondem os questionários. Dessa forma, é possível realizar um diagnóstico amplo, cujos dados servem de base para melhor compreensão de cada comunidade escolar, e fornecem subsídios para ações dos gestores, em busca de melhorias que elevem a qualidade do ensino. No ano de 2011, ano de interesse do nosso estudo, a Escola Municipal de ensino Fundamental "Dr. João Maria de Araújo Jr." teve os alunos de 7º e 9º ano avaliados em Língua Portuguesa, Redação, Matemática e Ciências Humanas (História e Geografia). Além das provas específicas, foram aplicados questionários para caracterização dos pais e alunos das referidas séries. Considerando que a proposta deste trabalho é subsidiar a coordenadora da escola em seu estudo sobre a evolução do rendimento dos alunos frente a novas orientações didáticas, o nosso objetivo foi fazer a análise de um conjunto de dados obtidos por meio do Saresp de 2011 e compará-los com os resultados dos questionários de 2009. 2. Procedimento Questionários do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) de 2009, respondidos por pais e alunos de 7º e 9º ano da Escola Municipal "Dr. João Maria de Araujo Jr.", Botucatu-SP, foram analisados. Para este trabalho foram pegos, aleatoriamente, dez questionários de cada turma, que tinha, 166 aproximadamente, 30 alunos, totalizando cinquenta questionários para o 7º anos (7º A 7º E) e quarenta para o 9º anos (9º A - 9º D). Cada questionário era constituído por 59 questões, sendo que algumas apresentavam subitens, o que totalizou 278. Porém, para a realização desde trabalho, de acordo com seu objetivo, foram selecionadas 40 questões que, incluindo os respectivos subitens, resultou em 97 questões analisadas sobre: a) situação socioeconômica dos pais e alunos; b) atividades culturais e de lazer; c) desempenho dos alunos e c) relações interpessoais entre pais, alunos e comunidade escolar. 3. Resultados e Discussão Sobre as questões respondidas por responsáveis pelos alunos Em mais da metade dos casos, as mães foram as responsáveis por responder o questionário (Tabela 1). Wagner et al. (2005) mostram que o tempo de convívio diário entre os pais e as mães com seus filhos varia, porém as mães convivem diariamente mais com seus filhos do que os pais, os quais, em geral, são os que saem de casa para trabalhar. Essa pode ser a razão de 51% das mães terem sido as respondentes do questionário. Tabela 1 - Adulto responsável (N = 90) pelo aluno da EMEF “Dr. João Maria de Araújo Jr”, que respondeu ao questionário do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) 2011. % por ano Responsável pela informação 7º 9º Pai. Mãe. Os dois (pai e mãe). Outro responsável. 8% 51% 37% 4% 12% 60% 25% 3% Sobre como o adulto respondente percebe a atuação da escola quanto a interação com as famílias e com os estudantes, 7 questões foram analisadas e os resultados encontram-se nas tabelas de 2 a 8. Na primeira questão, sobre a participação aos pais acerca dos progressos realizados pelos respectivos filhos, verificamos que os adultos respondentes consideram satisfatório o grau de informação que recebem da escola (Tabela 2). Isto indica que os pais têm acesso aos assuntos escolares, e que há um diálogo entre a escola e os pais. 167 Tabela 2 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem a comunicação feita pela EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr" sobre o progresso dos respectivos filhos. % por ano Natureza da comunicação feita pela escola aos responsáveis 7º 9º Plenamente satisfatória. Parcialmente satisfatória. Não satisfatória. Não sabe. 47% 45% 6% 2% 50% 47% 3% 0% Quanto ao respeito que os professores têm pelos alunos (Tabela 3), os resultados indicam que os pais estão plenamente ou, pelo menos, em parte satisfeitos com a maneira dos professores tratarem seus filhos podendo indicar confiança na atuação profissional do professor. Tabela 3 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem o respeito dos professores pelos alunos da EMEF " Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Grau de respeito dos professores pelos alunos 7º 9º Plenamente satisfatório. Parcialmente satisfatório. Não satisfatório. Não sabe. 50 40 6 4 47 45 5 3 Em relação ao bem estar do aluno na escola (Tabela 4), muitos pais declaram estar satisfeitos, porém, existe uma porcentagem que não avalia positivamente esta questão, sendo assim, seria desejável que os gestores da escola, procurassem conhecer o que se passa. Caso sejam fatos relevantes para o bem-estar e formação dos estudantes, medidas para resolver os problemas poderiam ser estudadas e implementadas. Quando se referem à preparação dos alunos para o futuro (Tabela 5), a maioria dos pais declara estar satisfeita com as orientações que seus filhos recebem na escola, indicando que há boa atuação profissional dos gestores e professores. 168 Tabela 4 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem o bem estar dos alunos na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Grau de bem estar do aluno na escola 7º 9º Plenamente satisfatório. Parcialmente satisfatório. Não satisfatório. Não sabe. 38 54 8 0 52 38 10 0 Tabela 5 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem a preparação dos alunos para o futuro na EMEF "Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Grau de aceitação sobre a preparação dos alunos para o futuro 7º ano 9º ano Plenamente satisfatório. Parcialmente satisfatório. Não satisfatório. Não sabe. 45 51 2 2 52 45 0 3 Quanto a compreensão do conteúdo das lições de casa (Tabela 6), a maioria dos pais diz compreender o que os professores pedem nas tarefas de casa, solicitada aos seus filhos, porém uma porcentagem de 16% de respondentes do 7°s e 9°s anos, não concordam com isto. Este é um assunto que caberia aos responsáveis buscarem esclarecimentos junto aos professores. Tabela 6 - Resultados de como os adultos respondentes (N = 90) vêem o conteúdo das lições de casa aplicadas pelos professores da EMEF " Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Grau de compreensão do conteúdo das lições de casa do filho 7º 9º Plenamente satisfatório. Parcialmente satisfatório. Não satisfatório. Não sabe. 43 41 16 0 38 38 16 8 Quando os responsáveis pelos alunos foram questionados se gostariam que seus filhos estudassem em outra escola, mais que 50% dos responsáveis pelos alunos do 7º ano mostraram-se satisfeitos com a escola (Tabela 7), porém, uma porcentagem relativamente grande de pais dos alunos do 9º ano, gostaria que seus filhos estudassem em outra escola. Reforçando esta ideia, muitos pais declararam que pagariam por uma 169 escola particular para seus filhos se pudessem (Tabela 8), demonstrando que valorizam o ensino privado. Tabela 7 – Adultos respondentes (N = 90) que gostariam que seu filho estudasse em outra escola. % por ano escolar Grau de aceitação de que o filho estude em outra escola. 7º 9º Plenamente satisfatório. Parcialmente satisfatório. Não satisfatório. Não sabe. 22 12 58 8 43 25 30 3 Tabela 8 – Adultos respondentes (N = 90) que pagaria uma escola particular para seus filhos se pudesse. % por ano escolar Grau de investimento em uma escola particular 7º 9º Pleno. Parcial. Inexistente. Não sabe. 48 6 46 0 32 32 35 8 Em geral, os pais avaliam positivamente a escola (Tabela 9) e os dados indicam que a capacidade da Diretora de realizar bem o seu trabalho (médias 8,0 e 7,3 nos 7º e 9º anos, respectivamente) é fator importante, segundo os responsáveis pelos alunos. Quanto a disciplina dos estudantes, consideraram como sendo satisfatória (média de 6,2 em ambos os anos). Para os responsáveis pelos alunos, portanto, é fundamental que a escola tenha uma boa gestão escolar em conjunto com uma boa disciplina dos estudantes. Para a maioria dos responsáveis pelos alunos, as lições de casa não são muito comuns (Tabela 10), informação esta reforçada pelos alunos (ver tabela 32). Quanto ao fato dos filhos fazerem lição de casa em frente à televisão (Tabela 11), a maioria dos pais afirma que isso não acontece, informação que vai ao encontro do que apresentaram os alunos (ver Tabela 33). Tanto nos 7°s como nos 9°s anos, pelo menos metade dos pais declaram que seus filhos têm um lugar adequado para fazer as lições de casa (Tabela 12). Esses aspectos são importantes, pois indicam que os alunos têm condições de dispor de um lugar 170 tranquilo para realizar as lições de casa, podendo concentrar-se nas atividades a serem realizadas. Tabela 9 - Média das notas (0-10) atribuídas pelos adultos respondentes (N = 90) a EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” Média por ano Itens avaliados escolar 7º 9º Capacidade dos professores. Capacidade do Diretor ou Diretora . Disciplina dos alunos. Interesse do seu filho pelos estudos. Conhecimento que a escola tem sobre os problemas do ensino. Qualidade dos Profissionais que atendem do alunos. Localização da escola. Instalações físicas da escola (prédio, quadras, etc.). Segurança da escola 7,8 8,0 6,2 7,2 7,5 7,9 8,7 7,2 7,3 8,1 7,3 6,2 7,4 7,2 8,0 8,7 6,8 7,0 Tabela 10 - Frequência com que são dadas lições de casa para os alunos da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”, adultos responsáveis (N = 90). % por ano escolar Frequência da lição de casa 7º 9º Sempre, todo dia ou quase todo dia; Algumas vezes, de vez em quando; Pouca, quase nunca; Nunca Não sabe. 17 51 28 2 2 7 57 28 5 3 Tabela 11- Forma de execução da lição de casa pelos alunos da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”, segundo seus responsáveis respondentes (N = 90). % por ano escolar Execução da lição de casa em frente a televisão 7º 9º A)Sim. B)Não. C)Não sei. 20 80 0 30 65 5 171 Tabela 12- Avaliação da adequação do local de estudo dos alunos da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”, pelos adultos responsáveis (N = 90). % por ano escolar Lugar adequado para fazer as lições de casa. 7º 9º A)Sim. B)Não. 66 34 50 50 C)Não sei. 0 0 A maioria dos pais afirmou ter em casa como bens culturais: dicionário, livros educativos, enciclopédia e livros de romance e poesia (Tabela 13). É importante que os alunos tenham acesso a materiais como estes, que podem complementar o que é aprendido na escola. Tabela 13- Bens culturais a que os adultos respondentes (N = 90) têm acesso. % por ano escolar Bens culturais 7º Jornal diário em casa. A) Sim B) Não 9º 18 82 12 88 A)Sim B)Não Dicionário em casa. 30 70 50 50 A)Sim B)Não Livros (romance, poesias, contos,etc.). 84 16 93 7 A)Sim B)Não Livros educativos, enciclopédia. 62 38 75 25 A)Sim B)Não 82 18 62 38 Informação geral (Veja, Época, etc.). Em geral, as famílias dos estudantes possuem duas televisões em cores, um rádio, um automóvel e um computador com internet (Tabela 14). Isto indica que a maioria dos alunos tem acesso aos principais meios de comunição, que podem ser utilizados como fontes de pesquisa e trabalho. 172 Tabela 14- Bens materiais que os adultos respondentes (N = 90) possuem em suas casas. Bens materiais % por ano escolar 7º 9º 0 16 44 24 16 0 10 54 18 18 A)Não tem B)Um C)Dois D)Três E)Quatro ou mais Automóvel (de passeio). 10 60 20 8 2 18 40 25 12 5 A)Não tem B)Um C)Dois D)Três E)Quatro ou mais Computador. 28 54 14 2 2 17 60 20 3 0 A)Não tem B)Um C)Dois D)Três E)Quatro ou mais Internet. 20 64 12 4 0 20 60 17 0 3 A)Não tem B)Um C)Dois D)Três E)Quatro ou mais 32 66 2 0 0 25 72 3 0 0 Televisão em cores. A)Não tem B)Um C)Dois D)Três E)Quatro ou mais Rádio. A maioria dos pais participou da vida escolar indo a reuniões de pais e conversando com seu respectivo filho sobre a escola (Tabela 15), com poucos deles tendo declarado que não participam de atividades escolares. Isso indica que os pais recebem informações sobre os assuntos da escola relacionados à educação de seus filhos, como se pode constatar na tabela 2. 173 Tabela 15 - Participação dos responsáveis (N = 90) na vida escolar dos alunos da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Participação dos responsáveis 7º 9º Participação em atividades promovidas pela escola. A) Reuniões de pais. B) Festa (por exemplo: dia das mães, festa junina, etc.). C) Campeonatos esportivos. D) Passeios. E) Outras atividades. F) Nenhuma. Participação da vida escolar do aluno. 50 20 10 4 6 10 56 23 8 2 3 8 A) Participei das reuniões de pais. B) Conversei com meu filho sobre a escola. C) Conversei com os professores do meu filho. D) Acompanhei as lições de casa. E) Outras formas de participação. F) Não participei. 27 31 20 20 2 0 30 28 20 16 3 2 Mais de 70% dos alunos levam até meia hora no trajeto casa-escola (Tabela 16), portanto, a maioria das famílias dos estudantes deve residir em local próximo à escola. Tabela 16 - Resultado sobre o deslocamento dos alunos até a EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”, declarada pelos adultos respondentes (N = 90). % por ano escolar Tempo no trajeto de casa até a escola. 7º 9º A)Até meia hora. B)De meia hora a 1 hora. C)De 1 a 2 horas. D)Mais de 2 horas. 78 14 8 0 83 12 5 0 A maioria dos pais dos alunos encontra-se empregados em indústria ou comércio e possui ensino médio completo (Tabela 17). Percentuais baixos entre 0 a 12% indicam pais desempregados, pais que não estudaram e pais que concluíram ensino superior. Por esses resultados podemos concluir que muitos alunos são filhos de pais alfabetizados, que, portanto, podem auxiliar e apoiar os estudantes em suas atividades escolares. 174 Tabela 17- Resultado da situação de trabalho e escolaridade dos pais, declarada pelos adultos respondentes (N = 90). % por ano escolar Pais 7º 9º A)Empregado B)Autônomo C)Dono de próprio negócio D)Trabalhador temporário E)Aposentado F)Desempregado G)Outra situação Lugar de trabalho do pai ou responsável. 52 14 14 2 10 6 2 60 20 12 0 0 3 5 A)Indústria B)Comércio C)Prestação de serviços D)Órgão da administração pública E)Empresa estatal/pública F)Entidade beneficente, filantrópica, ONG G)Agricultura/pesca/pecuária H)Outra situação I)Não sabe/ não quer responder J)Não trabalha Grau de escolaridade do pai (ou responsável). 28 18 16 4 2 0 4 14 2 12 25 25 20 5 5 0 5 7 3 5 A)Não estudou B)Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) incompleto C) Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) completo D)Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) incompleto E) Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) completo F)Ensino médio (antigo 2º grau) incompleto G) Ensino médio (antigo 2º grau) completo H)Ensino superior (faculdade) incompleto I) Ensino superior (faculdade) completo J)Não sabe 0 12 12 6 10 6 38 6 6 4 0 5 5 5 7 3 55 3 12 5 Situação de trabalho do pai (ou responsável). A maioria das mães dos alunos encontra-se empregadas em comércio, prestação de serviços e outras situações, e possuem ensino médio completo (Tabela 18). Em relação aos pais, podemos notar que a taxa de desemprego e a porcentagem de mães que não estudaram é maior entre as mulheres. Este dado pode sugerir que as mães convivem mais diariamente com seus filhos, pelo fato de não trabalharem, tendo uma participação mais ativa na vida escolar dos filhos em relação aos pais, como discutido na tabela 1. Em relação a situação socioeconômica das famílias dos alunos, foram analisadas 3 questões, que nos permitiram verificar que existe certa estabilidade financeira, já que a maioria possui casa própria e bens materiais como carro, computador entre outros (Tabela 14 e 19), embora haja um intervalo grande no ganho daqueles que possuem os 175 menores e os maiores rendimentos mensais, que foram, respectivamente de R$851,00 a R$4250,00 (Tabela 20). A maioria das famílias possui de 3 a 5 integrantes (Tabela 21). Tabela 18 - Resultado da situação de trabalho e escolaridade das mães, declarada pelos adultos respondentes (N = 90). % por ano escolar Mães 7º 9º A)Empregada B)Autônoma C)Dona de próprio negócio D)Trabalhadora temporária E)Aposentada F)Desempregada G)Outra situação Lugar de trabalhão da mãe ou responsável. 50 10 10 2 4 14 10 62 18 5 0 0 12 3 A)Indústria B)Comércio C)Prestação de serviços D)Órgão da administração pública E)Empresa estatal/pública F)Entidade beneficente, filantrópica, ONG G)Agricultura/pesca/pecuária H)Outra situação I)Não sabe/ não quer responder J)Não trabalha Grau de escolaridade da mãe (ou responsável). 4 14 20 0 8 0 0 34 0 20 7 25 15 12 5 3 3 20 3 7 A)Não estudou B)Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) incompleto C) Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) completo D)Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) incompleto E) Ensino Fundamental (1ª a 8ª série) completo F)Ensino médio (antigo 2º grau) incompleto G) Ensino médio (antigo 2º grau) completo H)Ensino superior (faculdade) incompleto I) Ensino superior (faculdade) completo J)Não sabe 4 12 10 6 8 10 36 4 8 2 5 3 8 8 5 15 41 3 12 0 Situação de trabalho da mãe (ou responsável). 176 Tabela 19 - Resultado de como os adultos respondentes (N = 90) avaliam a residência onde moram. % por ano escolar Situação da casa 7º ano 9º ano A)Própria, já paga. B)Própria, financiada,ainda pagando. C)Alugada. D)Outra condição (emprestada, casa de família, etc.). 46 16 30 8 40 12 28 20 Tabela 20 - Resultado declarado pelos adultos respondentes (N = 90) sobre a renda familiar . % por ano escolar Renda familiar 7º 9º A)Ate R$850,00. B)De R$ 851,00 a R$1275,00. C)De R$1276,00 a R$2125,00. D)De R$2126,00 a R$4250,00. E)Mais de R$4250,00. F)Nenhuma renda. G)Não sabe/não quer responder. 8 28 32 18 4 0 10 3 15 32 30 8 0 12 Tabela 21 - Resultado indicado pelos adultos respondentes (N = 90) sobre a quantidade de moradores na casa. % por ano escolar Quantidade de pessoas que moram na casa A)1 pessoa. B)2 pessoas. C) 3 pessoas. D) 4 pessoas. E) 5 pessoas. F) 6 pessoas. G) 7 pessoas. H) 8 pessoas. I) 9 pessoas. J) 10 pessoas. K) Mais de 10 pessoas. 7º 9º 2 4 18 42 22 4 4 4 0 0 0 3 5 22 32 18 20 0 0 0 0 0 Sobre as respostas fornecidas pelos alunos Foram analisadas 4 questões sobre a relação do aluno com a escola. Uma delas indica ser a escola um lugar relativamente agradável (Tabela 22). Mais de 50% dos alunos concordaram em parte com as afirmações “Eu me considero um bom aluno (Tabela 23)” e “Eu gosto das atividades que faço na classe (Tabela 24)”, em ambos os 177 anos escolares. No geral, muitos alunos mantêm uma relação satisfatória com escola e estão conscientes da importância de estudar. Porém, 2% e 8% dos alunos dos 7º e 9º anos, respectivamente, pensam que a escola perda de tempo (Tabela 25). Embora sejam minoria, caberia aos gestores e professores, verificar quais os possíveis fatores que os impedem estabelecer uma boa relação com a escola, uma vez que isso pode dificultar a aprendizagem. Novos projetos e atividades que estimulem o interesse desses alunos poderia favorecer um maior envolvimento com melhor desempenho durante a escolaridade básica. Tabela 22- Como os alunos respondentes (N = 90) definem a escola EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”. % por ano escolar Condição do ambiente escolar 7º 9º A) Plenamente agradável B) Agradável em parte C) Não agradável 36 56 8 30 60 10 Tabela 23- Resultado de como os alunos respondentes (N = 90) definem-se na escola EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Definição 7º 9º A) Excelente aluno B) Bom aluno C) Regular 24 72 4 38 55 7 Tabela 24- Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90), sobre as atividades realizadas na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”. % por ano escolar Afirmativas 7º 9º A)Gosto das atividades que faço na classe B)Gosto em parte das atividades que faço na classe C)Não gosto das atividades que faço na classe 36 54 10 25 65 10 178 Tabela 25- Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90) sobre a EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Afirmativas 7º 9º A) Minha escola é perda de tempo. B) Em parte, minha escola é perda de tempo. C) Minha escola não é perda de tempo. 2 18 80 8 12 80 Relação Professor-Aluno Quanto a relação entre os alunos e os professores, foram analisadas 3 questões (Tabelas 26 a 28). Em geral, os alunos avaliam positivamente seus professores, indicando que estes mantêm um bom relacionamento com os alunos (Tabela 26), porém 22% dos alunos dos 7º anos declaram ter professores autoritários (Tabela 27), indicando que ainda há melhorias a fazer no diálogo professor/aluno. Diante da afirmação “Meus professores me ajudam quando eu preciso” (Tabela 28), mais de 60% dos alunos, de ambos os anos, concordam plenamente, mostrando que a maioria dos professores está sempre disposta a auxiliá-los nas atividades. Tabela 26 – Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90) sobre a relação professor/aluno na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Afirmativas 7º 9º A)Professores e alunos mantém uma boa relação. B) Em parte, professores e alunos mantém uma boa relação. C)Professores e alunos não mantém uma boa relação. 38 56 6 53 40 7 Tabela 27- Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90) sobre o autoritarismo dos professores na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Afirmativas 7º 9º A)Meus professores são autoritários. B)Meus professores são autoritários em parte. C)Meus professores não são autoritários. 22 22 56 0 28 72 179 Tabela 28- Afirmativa dos alunos respondentes (N = 90) sobre a ajuda que recebem dos professores para realização das atividades na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Afirmativas 7º 9º A)Meus professores me ajudam. B)Meus professores me ajudam em parte. C)Eu não recebo ajuda dos meus professores. 68 30 2 70 25 5 Participação no Processo Decisório Escolar Quanto a participação dos alunos nos processos decisórios da escola, foram analisadas 2 questões (Tabelas 29 e 30). Os resultados indicaram que na percepção deles, a participação que têm não é muito efetiva. Alguns alunos declararam não ter chance de organizar um grêmio estudantil (Tabela 29), e um percentual ainda maior declara não participar das decisões feitas em sala de aula (Tabela 30), dado este, que pode indicar certo autoritarismo por parte de alguns professores, como mencionado na tabela 27. A partir desses resultados, caberia à escola abrir um espaço maior para ouvir e estudar formas de ampliar a participação dos alunos nos processos decisórios. Tabela 29 - Resultado sobre a oportunidade de organizar o grêmio estudantil na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”, alunos respondentes (N = 90). % por ano escolar Oportunidade de organizar grêmio estudantil. 7º 9º A)Plenamente satisfatória. B)Parcialmente satisfatória. C)Não satisfatória. 14 52 34 15 38 47 Tabela 30 – Resultados sobre as decisões e regras em sala de aula, declarada pelos alunos respondentes (N = 90) da escola EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”. % por ano escolar Decisões tomadas em sala de aula por alunos e professores 7º 9º A)Plenamente satisfatória. B)Parcialmente satisfatória. C)Não satisfatória. 28 24 48 12 35 53 180 Ambientes de Ensino A biblioteca e a sala de multimídia da escola foram apontadas como os ambientes mais utilizados pelos professores para darem aulas. No geral, os diversos locais são pouco utilizados e a frequência de uso é inversamente proporcional ao avanço dos anos de escolaridade, exceto no caso da sala de multimídia (Tabela 31). Tendo em vista a estrutura física que a escola dispõe para a realização de projetos extraclasse, como por exemplo a Experimentoteca (capítulo 9), é possível aos professores explorarem novos ambientes de ensino e organizarem atividades práticas e experimentos científicos que despertem a curiosidade e o interesse dos alunos favorecendo o ensino de ciências. Tabela 31 – Frequência de uso dos ambientes de ensino da escola EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”, alunos respondentes (N = 90). Ambientes de ensino % por ano escolar 7º 9º 0 14 62 24 0 10 78 12 A)Sempre B)Às vezes C)Nunca D)Não existe na minha escola Uso da Biblioteca. 12 36 34 18 3 27 55 15 A)Sempre B)Às vezes C)Nunca D)Não existe na minha escola Uso da sala de multimídia. 38 50 12 0 7 68 25 0 A)Sempre B)Às vezes C)Nunca D)Não existe na minha escola Uso da área verde. 8 36 30 26 15 45 7 33 A)Sempre B)Às vezes C)Nunca D)Não existe na minha escola 14 16 46 24 5 7 55 33 Uso do laboratório de informática. A)Sempre B)Às vezes C)Nunca D)Não existe na minha escola Uso do laboratório de Ciências. 181 Práticas de Lição de Casa Em relação às lições de casa foram analisadas 6 questões (Tabelas 32 a 37). Os resultados mostram que professores normalmente verificam as lições de casa que foram solicitadas (Tabelas 32 e 34). Quanto aos pais, as porcentagens demonstram que eles se interessam em saber sobre as lições de casa dos filhos (Tabela 35), mas nem sempre os ajudam a fazê-las (Tabela 36). É possível que isso aconteça devido a pouca dedicação ou mesmo por falta de conhecimento para isso. Durante a execução das tarefas, a maior porcentagem de alunos, indica não assistir televisão (Tabela 33), resultados este confirmado pelos pais (ver tabela 11). Em relação ao tempo, a maior porcentagem de alunos do 7º anos gasta menos de 20 minutos com as lições de casa, enquanto que alunos do 9º gastam entre 20 e 40 minutos (Tabela 37). Esses dados podem indicar que os alunos dos 9º anos se dedicam mais as lições de casa, ou que os professores responsáveis pelas turmas investem mais em atividades extraclasse desses alunos do que daqueles de 7º s anos. A partir dos resultados apresentados verificamos que os professores investem bastante em tarefas de casa, que podem servir para reforçar os conteúdos abordados em aula e favorecer o desempenho dos alunos. Tabela 32 - Resultado da frequência com que os professores passam lições de casa, declarada pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Frequência das lições de casa 7º 9º A)Sempre. B)Algumas vezes. C)Nunca. 18 72 10 5 83 12 Tabela 33 - Resultado da frequência que os alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”, fazem lição de casa assistindo televisão. % por ano escolar Frequência das lições de casa feitas em frente a televisão 7º 9º A)Sempre. B)Algumas vezes. C)Nunca. 16 30 54 20 32 48 182 Tabela 34 - Resultado da frequência que os professores verificam as lições de casa, declarada pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr”. % por ano escolar Frequência da verificação das lições de casa pelos professores 7º 9º A)Sempre B)Algumas vezes C)Nunca 48 42 10 52 38 10 Tabela 35 - Resultado da frequência com que os pais perguntam sobre as lições de casa, declarada pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr”. % por ano escolar Frequência com que os pais perguntam pelas lições de casa dos alunos 9º 7º A) Sempre B) Algumas vezes C) Nunca 60 30 10 45 30 25 Tabela 36 - Resultado da frequência com que os pais ajudam nas lições de casa, declarada pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Frequência do auxílio dos pais em lições de casa 7º 9º A)Sempre B)Algumas vezes C)Nunca 26 44 30 27 35 38 Tabela 37 - Resultado do tempo que alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” se dedicam as lições de casa. % por ano escolar Tempo dedicado às lições de casa 7º 9º A)Menos de 20 minutos B)Entre 20 e 40 minutos C)Entre 40 minutos e 1 horas D)Mais de 1 hora E)Eu não faço lição de casa 42 40 14 2 2 25 47 18 3 7 Uso da Internet Um elevado percentual de alunos declarou utilizar a internet para propósitos escolares, bem como para lazer. Muitos alunos utilizam a internet em casa (Tabela 38), indicando fácil acessibilidade a esse meio de comunicação, que pode auxiliá-los durante 183 as atividades escolares. Porém, na escola, o uso desse meio é muito restrito, indicando que poucas atividades são elaboradas para serem realizadas na sala de informática. A partir disto, podemos sugerir que haja melhor organização, por parte dos professores, para que preparem atividades que facilitem a aprendizado por este meio. Tabela 38 - Resultado sobre o uso da internet, alunos respondentes (N = 90). Internet % por ano escolar 7º 9º 74 26 75 25 A)Sim B)Não Uso da internet em outro lugar. 6 94 2 78 A)Sim B)Não Pesquisas da escola. 66 34 62 38 A)Sim B)Não Trabalhos da escola. 84 16 90 10 A)Sim B)Não Conversar com seus amigos. 88 12 95 5 A)Sim B)Não Jogar. 80 20 90 10 A)Sim B)Não 78 22 68 32 Uso da internet em casa. A)Sim B)Não Uso da internet na escola. Bullying Em geral, o percentual relacionado à prática de bullying não é alto na escola, porém existe (Tabela 39). Nota-se que em todas as afirmativas, alunos mais novos (7º anos) possuem uma tendência maior de sofrer bullying que alunos do 9° ano. O bullying é um problema mundial que acomete crianças ou adolescentes, que sofrem com essa prática e podem desenvolver problemas sérios de relacionamento como, por exemplo, desenvolvendo comportamentos agressivos. Diante deste fato, é de extrema importância a supervisão e atenção de gestores e professores em relação ao comportamento dos alunos, principalmente comportamentos agressivos dos mais velhos em relação aos mais 184 novos, e quando tal prática for detectada, é imprescindível que atitudes sejam tomadas para evitar a prática do bullying no ambiente escolar. Tabela 39 – Frequência da prática de bullying na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr”, alunos respondentes (N = 90). % por ano escolar Bullying 7º 9º Frequência com que o aluno foi insultado A) Muitas vezes, quase sempre. B) Alguma vezes. C) Nunca. Frequência com que aluno teve suas coisas estragadas por alguém 12 54 34 12 38 50 A) Muitas vezes, quase sempre. B) Alguma vezes. C) Nunca. Frequência com que o aluno foi vítima de roubo 14 38 48 10 22 68 A) Muitas vezes, quase sempre. B) Alguma vezes. C) Nunca. Frequência com que o aluno foi intimidado por alguém 14 24 62 5 18 77 A) Muitas vezes, quase sempre. B) Alguma vezes . C) Nunca. Alguém agrediu você fisicamente 6 10 84 3 5 92 A) Muitas vezes, quase sempre B) Alguma vezes C) Nunca. 6 14 80 3 3 94 Planos sobre o Futuro Em relação à visão dos alunos sobre o futuro, foram analisadas 2 questões (Tabelas 40 e 41). Na tabela 40 pode-se observar que a maioria dos alunos pretende continuar estudando no futuro, sendo que mais de 50% deles, de ambos os anos escolares, pretendem ingressar em uma universidade, mostrando que há um interesse, de continuar os estudos após o ensino médio. Quanto às impressões sobre o futuro, a resposta mais frequente é a de que eles precisarão trabalhar enquanto estudam (Tabela 41). Este fato pode estar relacionado à maioria dos alunos pertencerem a famílias com renda mensal relativamente baixa, como ficou constatado na tabela 20. 185 Tabela 40 - Como alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” planejam o futuro. % por ano escolar No futuro 7º 9º A)Eu não quero mais estudar, só quero trabalhar. B)Eu quero me formar e continuar estudando até entrar na universidade. C)Eu quero concluir meu ensino fundamental e entrar em uma escola técnica. D)Não sei. 0 60 5 53 20 20 35 7 Tabela 41 - O que alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” pensam do próprio futuro. % por ano escolar Impressões sobre o futuro 7º 9º A)Vou continuar só estudando. B)Vou precisar trabalhar enquanto estudo. C)Vou parar de estudar para trabalhar. D)Eu não vou mais estudar, não gosto da escola, vou fazer outra coisa. E)Não sei. 22 44 2 4 28 30 50 3 0 17 Lazer Em relação ao lazer, foram analisadas 2 questões (Tabelas 42 e 43). As atividades preferidas dos estudantes são ouvir música, assistir televisão e ficar na internet (Tabela 42). Quanto a preferências por gêneros literários, os mais citados foram histórias em quadrinhos, poemas e contos, mitos e lendas (Tabela 43). 186 Tabela 42 - Sobre atividades de casa realizadas por alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”. % por ano escolar Atividades (Lazer) 7º 9º A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Ouvir música. 24 26 50 7 25 68 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Assistir televisão. 74 24 2 88 5 7 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Brincar com jogos eletrônicos. 74 24 2 80 15 5 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Ler (livros de histórias, gibis, revistas). 48 30 22 50 30 20 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Ficar na internet. 42 52 6 20 30 50 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Ajudar em casa. 56 26 18 68 17 15 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Estudar (fazer a lição, pesquisar, etc.). 32 54 14 30 55 15 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Conversar com as pessoas da minha família. 34 54 12 18 64 18 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto Ouvir histórias da família. 64 28 8 45 38 17 A)Gosto muito B)Gosto só um pouco C)Não gosto 48 40 12 25 38 38 Xadrez, jogo de botões, etc. 187 Tabela 43 - Preferências literárias dos alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”. % por ano escolar Preferências por gêneros literários A) Curiosidades. B) Literatura de autoajuda. C) Contos, mitos e lendas. D) Crônicas. E) Poemas. F) Romances de ficção. G) Romances de aventura. H) Romances de amor. I) Romances policiais. J) Biografias. K) Livros de História do Brasil ou do Mundo. L) Revistas e Jornais. M) Histórias em quadrinhos. N) Não gosto de ler. 7º 9º 9% 1 13 7 13 4 9 8 1 3 4 11 15 2 10% 1 12 6 14 7 8 7 3 5 1 9 15 2 Visitas Promovidas pela Escola Em relação a visitas e passeios promovidos pela escola (Tabela 44), os percentuais foram relativamente baixos. Visitas ao museu de ciências foram as atividades mais mencionadas pelos alunos dos 7º anos. Podemos notar que os alunos dos 9º anos têm percentuais menores em participação de atividades providas pela escola que alunos dos 7º anos, exceto visita a fábricas ou empresas. Por esses dados, podemos notar um baixo investimento, por parte da escola, em promover atividades extraclasses. Neste caso, caberia aos professores, organizar aulas mais dinâmicas, com práticas, fora ou dentro da escola, que estimulassem a curiosidade e o interesse dos alunos em aprender. 188 Tabela 44 - Participação de alunos de 7º e 9º (N = 90) em atividades extraclasse da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” % por ano escolar Excursões promovidas pela escola 7º 9º Visita ao museu de ciências A) Sim. B) Não, porque na escola não teve essa atividade. C) Não, por outro motivo. 38 40 22 5 83 12 24 52 24 10 90 0 0 78 22 7 75 18 Visita a sítio ou fazenda A)Sim. B) Não, porque na escola não teve essa atividade. C) Não, por outro motivo. Visita a fábrica ou empresa A) Sim. B) Não, porque na escola não teve essa atividade. C) Não, por outro motivo. Preparação para as Provas Quanto às avaliações, a resposta mais frequente, de alunos de ambos os anos, foi a de que eles estudam alguns dias antes ou na véspera das provas (Tabela 45). Desta maneira, caberia aos professores aplicar atividades que estimulassem o interesse ao estudo rotineiro. Uma proposta é a de que se façam avaliações constantes, junto a atividades de casa. Tabela 45 - Formas de alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” prepararem-se para provas % por ano escolar Preparação para as provas 7º 9º A) Eu estudo um pouco todos os dias B) Eu estudo alguns dias antes ou na véspera das provas C) Eu estudo apenas no dia das provas D) Eu não estudo para as provas 20 50 24 6 25 55 15 5 189 Frequência às aulas Mais de 80% dos alunos de 7º e 9º anos da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” afirmaram não faltar muito às aulas (Tabela 46) e, quando faltam, o principal motivo é por doença (Tabela 47), resultado que nos leva a acreditar que as faltas não representam problema desempenhos insatisfatório. Tabela 46 - Resultado da frequência às aulas que os alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” declaram ter. % por ano escolar Faltas frequentes 7º 9º A)Sim. B)Não. 12 88 5 95 Tabela 47 - Resultado dos motivos citados pelos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” para as faltas. % por ano escolar Motivos para as faltas 7º 9º A)Quando estou doente. B)Quando alguém da família está doente. C)Quando chove muito. D)Quando não estou com vontade de ir à escola. E)Quando não tem ninguém para me levar à escola. F)Outros motivos. G)Eu não falto às aulas. 68 2 8 6 2 10 4 70 3 12 0 0 10 5 Trabalho Mais de 60% dos alunos dos 9º anos não trabalham, enquanto que o maior percentual de alunos dos 7º anos trabalha apenas ajudando nas tarefas de casa (Tabela 48). De modo geral, em ambos os anos, o percentual de alunos que trabalha fora de casa nos dias de aula foi baixo, sugerindo que a maioria não tem outras ocupações que possam atrapalhar os estudos. 190 Tabela 48 - Relação de alunos de 7º e 9º (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” com trabalho % por ano escolar Trabalho 7º 9º A) Não trabalho, só estudo. B) Trabalho em casa, ajudando nas tarefas de casa. C) Trabalho fora de casa. 44 52 4 63 27 10 Avaliação da Escola Alunos de 7º e 9º da escola "Dr. João Maria de Araujo Jr." fizeram uma avaliação positiva de sua escola, que recebeu 7,0 como média mais alta (Tabela 49), indicando que o conjunto de atividades que lá desenvolvem e a forma como interagem com os demais membros da comunidade escolar os está satisfazendo. Tabela 49 – Avaliação da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.” feita pelos alunos respondentes (N = 90). Média por ano Avaliação da escola escolar 7º 9º Média. 7,3 7,1 Cor autodeclarada Mais de 60% dos alunos se assumem como sendo de cor branca (Tabela 50). Tabela 50 - Cor autodeclarada dos alunos respondentes (N = 90) da EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr.”. % por ano escolar Cor autodeclarada 7º 9º A)Branco(a). B)Negro(a). C)Pardo(a) ou mulato(a). D)Amarelo(a)/ de origem oriental. E)Indígena. 72 8 16 4 0 65 3 32 0 0 191 Considerações finais Com base nos resultados das análises realizadas consideramos que, de modo geral, os dados do SARESP 2011 não diferiram muito dos dados de 2009, tendo havido algumas melhorias como aconteceu com a renda familiar que aumentou e deve ser o fator responsável pelo maior acesso à internet e aquisição de outros bens materiais. As famílias possuem um nível socioeconômico que permite aos filhos manterem-se estudando e tendo em casa, além de espaços adequados para isso, acesso a cultural e lazer. Considerando que os alunos têm em casa computador e mais fácil acesso à internet, acreditamos que é tempo da escola investir em melhorar as condições para que também lá seja possível preparar e desenvolver atividades estimulantes com o uso desse recurso, inclusive auxiliando os alunos a ter critérios de busca e escolha de sites confiáveis. No geral a escola é considerada como um local agradável onde boas relações interpessoais são desenvolvidas, assim como a comunicação estabelecida entre escola e família tem sido considerada satisfatória. Apenas a participação em processos decisórios precisa ser revista e pode ser importante abrir espaço para que os estudantes aprendam como atuar de forma efetiva, séria, respeitosa e comprometida com o bem comum. Os únicos pontos que nos chamaram a atenção referem-se à redução no número de alunos que, de 2009 para 2011, estudam para provas, realizam as tarefas de casa e não avaliam bem, embora as faltas às aulas tenham diminuído. Como essa falta de disposição pode ter resultado no que se está ensinando e na forma como isso é feito, seria importante que os gestores investigassem melhor as possíveis causas, para redirecionar as propostas em busca de maior envolvimento dos alunos. É possível que as apostilas NAME, implantadas em 2010, possam ter desestimulado os alunos devido ao direcionamento fechado e desenvolvimento superficial com que os assuntos são tratados (ver o capítulo sobre as Apostilas NAME). Acreditamos que a escola não pode descuidar da questão do bullying que, apesar de não ser frequente na EMEF “Dr. João Maria de Araujo Jr” existe e pode se transformar em problema sério. Como não houve, ao longo dos anos, investimento da escola para melhorar a condição da área verde, e de estimular atividades práticas, utilização de ambientes de ensino como sala de informática, laboratório de ciências, e visitas didáticas, que são formas de dinamizar e enriquecer principalmente as aulas de ciências, talvez sejam essas, metas a serem consideradas nas reuniões de planejamento 192 para elaboração do próximo Plano Político Pedagógico da EMEF "Dr. João Maria de Araújo Jr.". 193 Referências AZANHA, J.M.P. Uma reflexão sobre a formação do professor da escola básica. Educ. Pesqui., v. 30, n. 2, 2004. BAFFI, M. A. T. O planejamento em educação: revisando conceitos para mudar concepções e práticas. In: BELLO, J. L. P. Pedagogia em Foco. Petropólis, 2002. Disponível em <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/>. Acesso em: 25 jun. 2012. BARROS, C.; PAULINO, W. Ciências: os seres vivos. 4. ed. São Paulo: Ática, 2010. BENCOSTTA, L. M. (Org.). 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