Câmbio (R$)
Dólar / BC Compra
Venda
Paralelo
1,93
2,17
Comercial
2,026
2,028
Turismo
1,93
2,17
2,5936
2,5947
Euro / BC
Ouro
(R$)
Grama
Variação
105,000
- 1,18%
Blue Chips
BMF Bov. ON
Bradesco PN
Gerdau PN
Itaú Unib. PN
Petrobras PN
Sid Nac. PN
Vale PNA
Ult. cotação
%
R$ 10,20 -2,01
R$ 31,40 +0,8
R$ 17,96 +1,58
R$ 30,41 +1,37
R$ 19,65 +3,95
R$ 12,16 -0,49
R$ 39,71 +2,58
Rio
Três dias antes da
conclusão da Rio+20, o
Brasil apresentou na terça
o documento que deverá
ser aprovado pelos chefes
de Estado na plenária
final. O texto foi avaliado
como extremamente
fraco e pouco ambicioso
por organizações nãogovernamentais. | PÁGINA 5 |
2ª FASE
ANO III
EDIÇÃO Nº 620
1ª FASE
1875 A 1942
WWW.JGN.COM.BR
RIO DE JANEIRO, QUARTA-FEIRA, 20, A SEGUNDA-FEIRA 25 JUNHO DE 2012
SEMINÁRIO
Crise e estabilidade são
tema de debate de Ex-BCs
Tombini acredita que as perspectivas na economia são positivas “nos curto, médio e longo prazos”
Antonio Cruz / ABr
Justiça
A corregedora Nacional
de Justiça, Eliana Calmon
afirmou que discutirá
providências para garantir
a segurança do juiz federal
Paulo Augusto Moreira
Lima, que estava no
comando do processo
contra Cachoeira e que
pediu afastamento depois
de ser ameaçado. | PÁGINA 6 |
Justiça
A Justiça do Trabalho
divulgou nesta terça-feira
a lista das 100 empresas
e 100 pessoas físicas
com maior número de
processos com débitos
trabalhistas. No topo da
lista suja está a falida
companhia aérea Vasp,
seguida pelo Banco do
Brasil. | PÁGINA 6 |
Pedro Marcos Barbosa
Questão
de Justiça
Se, por um lado, é
verdade que a edição
de novas leis não
resolverão os problemas
que tais normas visavam
evitar; por outro, a
famosa “mão invisível”
do mercado também
não hábil, isoladamente,
para extirpar conflitos
sociais. | PÁGINA 6 |
R$ 1,00
Tombini vê emprego, renda em alta e aumento do crédito para consumo e investimentos
Dilma cobra mais
agilidade para
combater a crise
No encontro promovido pela revista IstoÉ
Dinheiro, que recebeu o nome “Guardiões
da Estabilidade”, as opiniões de cinco expresidentes do Banco Central, nos últimos 17
anos,convergiram para o entendimento de
que a estabilidade conquistada nos últimos
anos garante condições para que o Brasil enfrente a crise internacional, mas não é uma
“tarefa encerrada”.
Pérsio Arida, Gustavo Franco, Armínio
Fraga e Henrique Meirelles, além do atual
mandatário Alexandre Tombini conversaram
sobre o processo de estabilização econômica
desde o lançamento do Plano Real em 1994
e listaram os desafios atuais da economia.
Sobre a crise, os ex-dirigentes avaliam
que trata-se de um momento delicado e incerto, mas Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central, acredita que as
perspectivas para a economia brasileira são
positivas “nos curto, médio e longo prazos”.
Na avaliação dele, os fundamentos do sistema financeiro são sólidos e o cenário é de
ampliação dos investimentos com inflação
sob controle.
Para Henrique Meireles o crescimento
terá de ser fomentado pelo ganho de produtividade e por avanços em educação que
permitam qualificar a mão de obra no País.
Nesse ponto, aliás, todos os participantes se
mostraram de acordo. | PÁGINA 3 |
Fabio Motta / AE
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que a Europa será obrigada
a tomar decisões mais rápidas para enfrentar
suas crises financeira e da dívida soberana
e para retomar o crescimento econômico por
pressões “inexoráveis” do mercado, de setores políticos e de sua própria sociedade.
Durante o G20 as presidentes brasileira e
argentina, Cristina Kirchner, uniram posição
contrária às receitas de fortes ajustes que os
países desenvolvidos pretendem impor como
ferramenta para enfrentar a crise. | PÁGINA 3 |
Mistura de
etanol e gasolina
pode aumentar
“Os reguladores do mercado precisam se coordenar”, aconselha Maria Helena Santana
Um aumento do percentual de etanol misturado à gasolina seria “muito importante”
para oferecer uma solução econômica à manutenção de preço dos combustíveis, afirmou
na terça-feira a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. Segundo ela, a questão da elevação da participação do etanol na
mistura da gasolina não está considerada no
Plano de Negócios 2012-2016, aprovado pelo
conselho de administração da companhia na
semana passada. | PÁGINA 4 |
Na opinião da presidente da Comissão de
Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena
Santana, os órgãos reguladores do mercado
financeiro precisam fortalecer os mecanismos de cooperação existentes. “Os reguladores do mercado precisam se coordenar. É
possível surgirem riscos nas fendas onde ninguém está olhando ou ter sobreposição de
atuação com um regulador batendo cabeça
com o outro”, observou ela, que participou
da 2ª Conferência Brasileira de Contabili-
CVM defende cooperação
entre os reguladores
dade e Auditoria Independente, organizada
pelo Instituto dos Auditores Independentes
do Brasil (Ibracon).
Maria Helena também se mostrou favoravel
a uma maior participação do mercado de capitais brasileiro via ofertas públicas no processo de financiamento das empresas de capital
aberto. Entre os anos de 2006 e 2010, essas operações responderam por 18% da captação das
companhias, segundo ela, excluindo a operação
da Petrobras e as ofertas privadas. | PÁGINA 2 |
2
Quarta-feira, 20, a segunda-feira 25 junho de 2012
ECONOMIA
MERCADO
Petrobras ajuda e bolsa
volta aos 57 mil pontos
“O mercado quer algo de bom para ir às compras e puxar a Bolsa para cima”
CVM
Comissão defende
maior cooperação
entre reguladores
Aline Bronzati
Da Agência Estado
Alessandra Taraborelli, Cristina
Canas e Márcio Rodrigues
Da Agência Estado
A Petrobras passou de “vilã”
a “mocinha” e fez a Bovespa registrar a terceira alta seguida e
voltar para os 57 mil pontos, nível que não atingia desde 14 de
maio (57.539,61 pontos). O bom
humor com as ações da petroleira é atribuído à expectativa de
que a empresa promova reajuste nos combustíveis. Aliás, esta
terça-feira foi o dia das expectativas - com o fim da reunião
do Federal Reserve (Fed, banco
central dos EUA) hoje e, com o
G-20, ontem.
O Ibovespa encerrou com ganho de 1,78%, aos 57.195,49 pontos. Na máxima, o índice atingiu
57.567 pontos (+2,44%) e, na
mínima, 56 210 pontos (+),03%).
Com o ganho de ontem, a Bolsa
passou a registrar valorização de
0,78% no ano. No mês, o ganho
foi ampliado para 4,97%. O giro
financeiro ficou em R$ 7,990 bilhões. Os dados são preliminares.
Aliás, segundo operadores, grande parte deste volume é atribuído a volta dos estrangeiros.
Petrobras ON subiu 4,82% e a
PN, +3,97%. Mais cedo, o ministro de Minas e Energia, Edison
Lobão, disse que há preocupação do governo com os efeitos
do congelamento dos preços dos
combustíveis para o caixa da Petrobras. Na semana anterior, Lobão havia negado esta hipótese.
Na sexta-feira, a presidente da
estatal, Maria das Graças Foster,
voltou a afirmar a necessidade
de que a companhia promova
um reajuste. Fontes ouvidas afirmaram que o plano de negócios
da Petrobras recomenda um reajuste de 15% na remuneração
que a companhia recebe por
seus combustíveis.
“Quem vendeu agora está
correndo atrás do papel”, disse
um operador, se referindo ao
fato de que após o anuncio dos
planos da estatal, muitos investidores resolveram se desfazer
de suas ações, preocupados com
o aumento do investimento em
capital fixo (Capex).
As ações da Vale também fizeram bonito e encerraram com
ganho de 2,41% a ON e 2,58% a
PNA. Do lado negativo, o destaque do Ibovespa foram os papéis
da BM&F que caíram 2,02%. Segundo profissionais, as ações reagem a possibilidade de a Bolsa
ter uma concorrente.
“Hoje o mercado viveu de
expectativa. Nada de concreto
aconteceu”, disse um experiente profissional, ressaltando, ainda, a necessidade que o mercado está de ter boas notícias. “O
mercado está carente, querendo
algo de bom para poder ir às
compras e puxar esta Bolsa para
cima”, disse.
Externamente, os investidores
esperam que o Fed anuncie, amanhã, ao fim da reunião, medidas
de estímulo à economia norteamericana. A cada novo indicador
negativo, aumentam as esperanças. Hoje, as atenções estão voltadas para o término do encontro de
líderes do G-20. Os participantes
querem convencer a Alemanha a
aceitar a implementação de medidas para o favorecer o crescimento global. No México, a chanceler
Angela Merkel defendeu ações
de estímulo, mas ponderou que
“crescimento não é apenas dinheiro”. “A tarefa agora é assegurar que os recursos que temos
para crescimento sejam usados de
maneira eficaz”.
Em Nova York, o índice Dow
Jones fechou com ganho de
0,75%, o S&P 500 subiu 0,98% e
o Nasdaq avançou 1,19%.
Europa: alta com expectativa do Fed
As bolsas europeias fecharam
em alta ontem, em meio à expectativa dos investidores com
a possibilidade de o Federal Reserve adotar uma terceira rodada de relaxamento quantitativo.
Além disso, um leilão de dívida
da Espanha, que vendeu mais
do que o pretendido, guiou para
cima as ações em Madri e ajudou os mercados europeus.
O índice Stoxx Europe 600 fechou a sessão em alta de 1,60%,
aos 248,27 pontos.
Ontem, o Tesouro Espanhol
vendeu 3,039 bilhões de euros
em papéis, um montante levemente maior do que a faixa pretendida - que ia de 2,0 bilhões
de euros a 3,0 bilhões de euros.
Isso ajudou não apenas a Bolsa
de Madri - cujo índice Ibex-35
teve alta de 2,67%, aos 6.693,90
pontos - como a de Milão, onde
o índice FTSE MIB fechou com
avanço de 3,35%, para 13.445,46
pontos. A Itália acompanha a
onda da Espanha, já que o país
italiano é visto como a “próximo da fila” a mergulhar na crise
após a nação espanhola.
Além disso, também ajudaram
rumores de que o Banco Central
Europeu (BCE) estaria comprando bônus do governo da Espanha,
segundo alguns operadores. No
entanto, outros participantes dos
mercados disseram que as espe-
culações não são comprovadas e
sempre surgem quando o yield
(retorno ao investidor) dos bônus
soberanos cai. Entre os bancos
espanhóis, Santander subiu 2,8%
e BBVA avançou 2,6%. Iberdrola
saltou 4,8% após ter seus papéis
mais bem avaliados pelo Goldman Sachs.
Em Frankfurt, o índice DAX
registrou ganho de 1,84%, aos 6
363,36 pontos, apesar de as expectativas econômicas na Alemanha
apresentarem em junho a maior
queda em mais de uma década, segundo pesquisa do instituto Zew.
Os investidores estão “olhando
para a Espanha e para os yields,
e aguardam o que vai surgir da
reunião do G-20”, disse Predrag
Dukic, da CM Capital Markets, em
Madri. Bayer avançou 2,8%.
Em Londres, o índice FTSE100 fechou em alta de 1,73%, aos
5 586,31 pontos. BG Group subiu
4,3%, Royal Dutch Shell avançou 1,5% e BP teve ganho de
1,5%. Weir Group saltou 4,6%.
O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, teve alta de 1,69%, fechando
em 3 117,92 pontos, puxado por
Alcatel-Lucent (+5,1%).
O índice ASE, da Bolsa de
Atenas, subiu 3,34%, aos 600,07
pontos O índice PSI-20, da Bolsa de Lisboa, terminou o dia na
máxima, com ganho 0,87%, aos
4.615,36 pontos.
Ásia fecha em queda com fator espanhol
A maioria dos mercados asiáticos encerrou em baixa nesta terçafeira. O aumento da taxa de juros
da dívida espanhola veio como um
balde de água fria no otimismo
dos investidores após o resultado
positivo nas eleições da Grécia.
A Bolsa de Hong Kong, contudo,
encerrou estável. O Hang Seng Index terminou aos 19.416,67 pontos.
Houve modesta realização de lucros, após o rali de 3,3% nos últimos
dois pregões. Os investidores evitaram fazer grandes apostas, embora
tenham esperanças de medidas de
flexibilização monetária por parte
do FOMC, dos Estados Unidos. As
Bolsas da China ficaram no campo
negativo, com as preocupações sobre excesso de liquidez com os planos de lançamento de novas IPOs
por Citic Heavy Industries e China
National Nuclear Power. O Xangai
Composto caiu 0,7% e terminou
aos 2.300,79 pontos. O Shenzhen
Composto também perdeu 0,7%,
aos 958,00 pontos.
Em Taiwan, a Bolsa de Taipé
fechou em baixa ressentindo-se
do custo elevado de empréstimos
à Espanha, o que reavivou as preocupações sobre a dívida soberana
na zona do euro. Os investidores
também aguardam o desdobramento da reunião do FOMC. O índice Taiwan Weighted caiu 0,11%,
aos 7.273,13 pontos.
A Bolsa de Seul, na Coreia
do Sul, encerrou estável com as
preocupações renovadas sobre
a situação na Espanha pesando
no mercado após a forte alta registrada na segunda-feira. O índice Kospi fechou aos 1.891,77
pontos. Os investidores estão focados na reunião de dois dias do
FOMC, que começa hoje.
Na Austrália, a Bolsa de
Sydney fechou em ligeira queda,
também influenciada pelo pessimismo sobre a situação espanhola.
O índice S&P/ASX recuou 0,33%,
aos 4.123,33 pontos. Já a Bosa de
Manila, nas Filipinas, apresentou
alta, ajudada pelas compras em
blue chips no final do pregão.
Bolsa de Tóquio recua
com ‘ressaca’ grega
A Bolsa de Tóquio fechou
em queda nesta terça-feira.
Os investidores voltaram a
atenção para o preocupante
estado financeiro da Espanha, após digerir o otimismo
da véspera com os resultados
eleitorais da Grécia. As vendas em peso pesado como Fanuc ofuscaram a fuga para as
compras seguras em Softbank
e Takeda Pharmaceutical.
O Nikkei caiu 65,15 pontos, ou 0,8%, e terminou aos
8.655,87 pontos, após o rali
de 1,8% na segunda-feira,
quando atingiu o maior fechamento em quase um mês. O
volume de negociações seguiu
fraco e em queda, com 1,38
bilhão de ações, mais uma vez
com os investidores à espera
dos desdobramentos das reuniões do G-20 e do FOMC do
Federal Reserve (Fed, o banco
central dos EUA).
A desvalorização do dólar
e do euro frente ao iene também não deram suporte ao
mercado acionário.
“O iene está gradualmente
ganhando terreno, o que é um
pouco preocupante”, disse o dealer de uma das principais corretoras japonesas. “Eu não mudaria uma posição baixista na
ausência de sinais de compra”,
acrescentou, dizendo que um
rali de curto prazo é difícil de
prever, pois há pouca expectativa de flexibilização adicional na
próxima reunião do FOMC.
Petróleo sobe com ‘apetite’ por riscos
Os contratos futuros de petróleo negociados na New York Mercantile Exchange (Nymex) fecharam em alta nesta terça-feira, após
um leilão de bônus relativamente
bem-sucedido da Espanha, que diminuiu um pouco os receios com
a crise da dívida na zona do euro
e reascendeu o apetite dos investidores por ativos de risco. Além disso, há a expectativa com a decisão
de política monetária do Federal
Reserve amanhã.
www.jgn.com.br
O contrato do petróleo WTI
para julho ganhou 0,76 (0,91%),
fechando em US$ 84,03 o barril.
Na plataforma ICE, o Brent para
agosto perdeu US$ 0,29 (0,30%),
fechando a US$ 95,76 o barril.
Nos EUA, o Departamento do
Comércio disse que as construções de moradias caíram 4,8%
em maio na comparação com
abril, para a taxa sazonalmente
ajustada de 708 mil. No entanto,
em relação a maio do ano passa-
do houve aumento de 28,5%. Em
uma indicação de demanda futura por construções, o número de
novas permissões para obras subiu 7,9% em maio, para 780 mil.
Em meio aos crescentes sinais
de uma desaceleração econômica
dos EUA e às atuais preocupações
sobre a crise da dívida europeia,
alguns economistas acreditam
que o Fed anunciará amanhã
uma extensão de sua estratégia
de estender os vencimentos dos
Treasuries que detêm, movimento chamado de Operação Twist.
“Alguns participantes do mercado ainda estão esperando que o
Fed anuncie uma nova rodada de
algum tipo de estímulo que possa
impulsionar os mercados globais”,
afirma Olivier Jakob, analista de
energia da Petromatrix.
Enquanto isso, um novo encontro entre o Irã e as potenciais
ocidentais foi marcado para o
dia 3 de julho, na Turquia
Os órgãos reguladores do
mercado financeiro precisam
fortalecer os mecanismos de cooperação existentes, na opinião
da presidente da Comissão de
Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. Essa foi, segundo ela, uma lição aprendida
após a crise financeira global.
“Os reguladores do mercado
precisam se coordenar. É possível
surgirem riscos nas fendas onde
ninguém está olhando ou ter sobreposição de atuação com um
regulador batendo cabeça com o
outro”, observou ela, que participou da 2ª Conferência Brasileira
de Contabilidade e Auditoria
Independente, organizada pelo
Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).
De acordo com Maria Helena,
a crise trouxe um grau de consciência que os órgãos brasileiros
não tinham em relação à importância da cooperação entre os
mesmos, especialmente em um
mercado como o brasileiro, que
tem mais de um regulador. Além
da CVM, há o Banco Central (BC),
Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), entre outros.
“Ficou mais claro algo que já
se sabia, mas que ainda não era
parte do nosso dia a dia. Não só
as instituições têm um papel em
relação à estabilidade financeira,
mas também o regulador, os produtos, mercados, condutas e também o mau funcionamento de
uma bolsa”, analisou Maria Helena. Diante disso, ela acredita que
as informações sobre esses mercados precisam ser compartilhadas com os órgãos reguladores.
Financiamento - A participação do mercado de capitais
brasileiro via ofertas públicas
no processo de financiamento
das empresas de capital aberto
ainda é baixa, na opinião da presidente da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. Entre os anos de
2006 e 2010, essas operações responderam por 18% da captação
das companhias, segundo ela,
excluindo a operação da Petrobras e as ofertas privadas.
“O mercado de capitais tem
sido útil em financiar o proces-
G-20
UE quer resolver
crise do euro
As autoridades europeias que
participam da cúpula internacional em Los Cabos, no México, disseram aos líderes do G-20 que estão comprometidas em resolver
a crise do euro com uma combinação de consolidação orçamentária e medidas de crescimento,
afirmou na terça-feira a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.
“Do ponto de vista da UE, argumentamos por unanimidade
que estamos empenhados em resolver a crise com uma combinação de consolidação orçamentária, iniciativas de crescimento e
mais cooperação europeia”, afirmou ela. “Precisamos de mais
Europa e os mercados aguardam
que caminhemos juntos.”
Como exemplos, Merkel mencionou as discussões contínuas
sobre o pacto de crescimento e
a supervisão bancária europeia.
“Crescimento não é apenas dinheiro”, disse. “A tarefa agora
é assegurar que os recursos que
temos para crescimento sejam
usados de maneira eficaz.”
Merkel também disse que
era importante assegurar que os
maiores bancos do mundo estejam suficientemente capitalizados para evitar que eles representem uma ameaça à economia
global. Ela disse que a Espanha
deveria pedir ajuda formal para
seus bancos em breve, a fim de
esclarecer a situação. “É importante que tenhamos clareza logo
sobre um pedido de ajuda formal espanhol”, disse. “Os bancos
que não estão suficientemente
capitalizados são uma fonte de
volatilidade e são perigosos para
a economia.”
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so de crescimento das empresas,
mas há um espaço enorme para
elevar a sua participação”, avaliou ela, durante sua palestra
na 2ª Conferência Brasileira de
Contabilidade e Auditoria Independente, no Ibracon.
Neste ano, Qualicorp e Fibria
já acessaram o mercado para fazer ofertas públicas subsequentes. Além delas, a rede de farmácias Brazil Pharma e a Suzano
estão com operações em andamento que devem ser concluídas
este mês. Ambas buscam captar
recursos para melhorar a sua
estrutura de capital, conforme
prospecto preliminar das ofertas.
Em sua apresentação, Maria
Helena ressaltou as vantagens
que as empresas de capital aberto
têm ao acessar o mercado de capitais, tais como maior competitividade em seu setor de atuação e
financiamento do seu crescimento
a um custo menor. Prova disso é,
segundo ela, que o valor de mercado das companhias tem crescido
mais que a taxa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Maria Helena classificou
como uma “escada” para acessar o mercado de ofertas públicas a instrução 476 da CVM, de
esforços restritos para a emissão
de títulos de dívida, tais como
debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), cotas de Fundos de Direitos Creditórios (FDICs). “Após dois anos
da edição desta norma, mais da
metade do volume financeiro e
da quantidade dos instrumentos de dívida emitidos tem sido
feita via a instrução de esforços
restritos”, observou ela.
De acordo com Maria Helena,
a norma permite que inclusive
empresas de capital fechado
captem no mercado de dívida
sem passar pela porta da CVM.
No entanto, ela também destacou o baixo volume de negociações no mercado secundário de
dívida. “Isso tem crescido, mas
em um volume menor do que
deveria ser para financiar as empresas por meio de instrumentos
de dívida. Precisamos ter um
mercado minimamente ativo”,
destacou ela. “Este é ainda um
desafio a ser superado. Ainda
não chegamos lá”, acrescentou.
Para a presidente da CVM, também é necessário alongar os prazos
dos títulos de dívida emitidos.
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Serviço Noticioso
Agências Brasil e Estado
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ECONOMIA
SEMINÁRIO
Ex-BCs e Tombini
debatem crise e
estabilidade
Bianca Ribeiro e Beatriz Bulla
Da Agência Estado
A gestão do Banco Central
(BC) nos últimos 17 anos foi debatida nesta terça-feira, em São
Paulo, por quatro de seus cinco
ex-presidentes: Pérsio Arida,
Gustavo Franco, Armínio Fraga e Henrique Meirelles, além
do atual mandatário Alexandre
Tombini. Eles conversaram sobre
o processo de estabilização econômica desde o lançamento do
Plano Real em 1994 e listaram os
desafios atuais da economia.
No encontro promovido pela
revista IstoÉ Dinheiro, que recebeu o nome “Guardiões da Estabilidade”, as opiniões convergiram para o entendimento de que
a estabilidade conquistada nos
últimos anos garante condições
para que o Brasil enfrente a crise internacional, mas não é uma
“tarefa encerrada”. Eles concordaram que o momento apresenta
desafios como aumento da poupança interna e dos investimentos, bem como da produtividade
e dos níveis de educação.
Obedecendo a sucessão cronológica no comando do BC, Pérsio
Arida, Gustavo Franco e Armínio
Fraga lembraram da formulação
e dos benefícios gerados pelo
Plano Real para a economia, mas
destacaram também o processo
de transformação do momento
econômico do País, inclusive na
gestão da política monetária, que
envolvia apenas o controle inflacionário e agora passa também
pela gestão cambial e atenção ao
crescimento. Meirelles e Tombini
fizeram uma análise mais prospectiva para a economia.
O nível de juros, considerado
ainda alto pelos ex-dirigentes, é
justificado em grande medida
por uma política fiscal ainda deficiente. Para Arida, que comandou o BC entre janeiro e junho
de 1995, a “inconsistência fiscal”
está entre os principais desafios
do Brasil. Ele lembra, que a carga tributária aumentou de 25%
quando da implantação do Plano
Real para os atuais 37% do Produto Interno Bruto (PIB) e os gastos
públicos tiveram crescimento real
ao longo do tempo. Ele também
diz ter dúvidas sobre a eficiência
de medidas macroprudenciais
como ferramentas auxiliares da
política monetária, mas admite
que na crise do México (1994), por
exemplo, lançou mão desse tipo
de mecanismo.
Em meio a um cenário de
menor pressão inflacionária e
necessidade de aceleração do
crescimento, Gustavo Franco destacou as discussões em torno da
redução da taxa Selic, que poderia chegar a 5% ao ano no futuro.
Ele diz, no entanto, que um juro
nesse nível exigirá uma readequação por parte do mercado financeiro e do Tesouro Nacional,
já bastante acostumados com facilidade na rolagem da dívida interna de curto prazo. Juro menor,
nesse caso, significaria retorno
mais baixo e, portanto, um pouco
mais de dificuldade de rolagem.
“É preciso uma curva de juros ampla, longa e líquida. Assim, as entidades financeiras
poderão captar no longo prazo,
com pequenos spreads como nos
mercados desenvolvidos. Mas,
sem aumento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o País
não será capaz de crescer mais
do que de 3,5% a 4%”, concluiu
Franco, estimando o patamar do
PIB potencial do País.
Já Armínio Fraga acredita
que o potencial de expansão
da economia brasileira livre de
pressão inflacionária estaria entre 4% e 5%. “Crescimento de
7,5% (2010) não era condizente com a economia brasileira,
assim como o de 2% (previsto
para este ano) também não é”,
afirmou. Na avaliação dele, que
esteve na presidência do BC entre 99 e 2003, está ocorrendo no
momento uma visão muito pessimista em relação ao Brasil, especialmente da parte do investidor
estrangeiro. “Acho que sempre
houve exagero em relação ao
Brasil”, disse Fraga.
Henrique Meirelles, que sucedeu Fraga e presidiu o BC durante os dois mandatos de Luiz
Inácio Lula da Silva (2002-2010),
concorda com essa avaliação.
Assim como os agentes de mercado exageram no otimismo,
exageram na reversão dessa análise. Na avaliação dele, ambos os
movimentos tendem a ser transitórios. A atual aversão a risco
representa parte de um “ajuste
saudável” em relação à euforia
que o mercado internacional vinha tendo com a temporada de
crescimento sustentável.
Meirelles, que foi responsável pela manutenção do tripé
do Plano Real (meta de inflação, câmbio flutuante e meta de
superávit primário), avalia que
os últimos anos geraram um
“bônus de estabilidade” econômica, cujos efeitos estão sendo
esgotados no momento. Para
ele, agora, o crescimento terá
de ser fomentado pelo ganho de
produtividade e por avanços em
educação que permitam qualificar a mão de obra no País. (Colaboraram Francisco Carlos de Assis
e Ricardo Leopoldo)
Quarta-feira, 20, a segunda-feira 25 junho de 2012
3
G-20
Dilma cobra rápidas
decisões contra a crise
“É mais consistente combinar consolidação fiscal com processo de crescimento”
Denise Chrispim Marin
Da Agência Estado
A presidente Dilma Rousseff
afirmou nesta segunda-feira que
a Europa será obrigada a tomar
decisões mais rápidas para enfrentar suas crises financeira e
da dívida soberana e para retomar o crescimento econômico
por pressões “inexoráveis” do
mercado, de setores políticos e
de sua própria sociedade. Um
compromisso expresso com essa
linha de ação, entretanto, não foi
extraído dos europeus na sétima
reunião de cúpula do G-20. Esse
era o principal objetivo desse
encontro, encerrado na terçafeira, no México.
Dilma recorreu ao personagem Sobrenatural de Almeida,
criado pelo dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues para explicar os gols impossíveis contra
o Fluminense, para descrever
sua expectativa de que os europeus tomem, de forma urgente,
as medidas mais urgentes para
evitar o colapso da economia
mundial. A mensagem do G-20
em San José de los Cabos, para
ela, não cairá no vazio.
“Existe um personagem, e ele
é internacional, que se chama
Inexorável da Silveira. As coisas
não são do jeito que nós escolhe-
mos. Se (os europeus) vão esperar ou não tomar as medidas é
uma combinação de decisões políticas com reações de mercado e
da pressão popular” afirmou.
Segundo Dilma, é preciso chamar as situações, por mais difícil
que seja, por seu nome real. No
caso atual, o “nome” é inexistência de um Estado multinacional
como sustentáculo de uma moeda regional, o euro. Essa omissão
não permite ao Banco Central
Europeu (ECB) ser um emprestador de última instância para os
países e suas instituições. Em sintonia com as avaliações do Fundo
Monetário Internacional (FMI),
do Banco Mundial e dos EUA, o
governo brasileiro acredita ser
necessário para a Europa aprofundar sua integração, por meio
da construção da unificação fiscal
- portanto, também das dívidas
soberanas nacionais - e bancária.
Mas, neste momento, não há
outra saída senão entender a
complexa posição dos europeus
e suas limitações. O papel do
G-20 não é o de “pontificar” as
ações para a zona do euro nem de
apresentar “fórmulas mágicas” a
países soberanos, insistiu. Questionada se havia entrado em uma
fase “paz e amor”, ela reagiu.
“Adianta alguma coisa não
entender? Sabe o que significa
entender? Não é fácil resolver a
crise de uma moeda que não tem
Estado multinacional por trás”,
afirmou. “Eu estou pagando o
preço de tudo isso e protesto veementemente. Não é que eu seja
paz e amor, mas eu também não
acho que a minha atitude pode
ser a de fazer receitas fáceis
para os outros cumprirem.”
Crescimento - Dilma insistiu
na necessidade urgente de reduzir as exigências de ajuste nas
contas públicas aos países europeus mais endividados para permitir crescimento econômico em
curto prazo na região. Reconheceu que as taxas mais rasas de
expansão da atividade no Brasil
se devem, em parte, à crise na
Europa e à fraca recuperação
dos Estados Unidos. “Não somos
uma ilha. Temos capacidade de
resistir. Mas, outros países em
desenvolvimento não a têm.”
A flexibilização dos compromissos fiscais tem a oposição
da chanceler alemã, Angela
Merkel, com quem a presidente
brasileira conversou na manhã
de terça. Segundo Dilma, o G20
percebe a necessidade de consolidar as contas públicas sem obstruir a possibilidade expansão
das economias. “Essa é a nossa
experiência, afirmou, ao lembrar
as crises fiscal, bancária e cam-
bial sofridas pelo País em décadas passadas.
“Aprendemos a valorizar a
inflação baixa, que tem de ter
bancos sólidos, com o controle
a fiscalização (sobre o setor financeiro) e que os requisitos de
Basiléia são imprescindíveis”,
afirmou, referindo-se aos compromissos internacionais de
maior regulação do setor financeiro, todos cumpridos pelo Brasil. “É muito mais consistente
combinar a consolidação fiscal
com um processo de crescimento. Nem por isso a gente pode
ficar, entre parentes, deitando
regras”, completou
Dilma lembrou como, nos
períodos de crise no Brasil, havia resistência na sociedade às
condições impostas pelo Fundo
Monetário Internacional (FMI)
para aprovar seu socorro financeiro. O mesmo acontece hoje
em dia em países europeus,
como a Grécia, que receberam
ajuda da instituição. Ela completou com um fato curioso: o Brasil pagou o total de sua dívida
com o Fundo na época em que
era dirigido pelo espanhol Rodrigo Rato. Recentemente, Rato
anunciou a falência do Bankia, o
quarto maior banco da Espanha,
e demitiu-se de sua presidência.
“A vida dá voltas.”
Rousseff e Kirchner unidas no G-20
Ed Ferreira / AE
Marina Guimarães
Da Agência Estado
Apesar do conflito interno sobre barreiras comerciais mútuas,
Argentina e Brasil estão unidos na
cúpula do G-20, que ocorre em Los
Cabos, no México. Em um encontro na segunda-feira, antes do início das discussões entre os líderes
mundiais, as presidentes Cristina
Kirchner e Dilma Rousseff fixaram posição contrária às receitas
de fortes ajustes que os países
desenvolvidos pretendem impor
como ferramenta para enfrentar
a crise internacional e decidiram
defender políticas de crescimento
e manutenção dos postos de trabalho, informou o chanceler da Argentina, Héctor Timerman.
Cristina e Dilma querem que
as políticas produtivas e trabalhistas entrem na agenda de debate
da nova ordem econômica mundial. “Houve coincidência entre
as presidentas de manter uma
posição conjunta no G-20 em favor
das políticas de crescimento e desenvolvimento”, disse Timerman.
Segundo ele, “os países emergen-
Timmerman: coincidência em manter posição conjunta
tes e em desenvolvimento têm
consolidado uma posição cada vez
mais sólida nas diferentes cúpulas
do G-20”. “Não seremos nós que
pagaremos as crises dos países desenvolvidos”, arrematou o chanceler em referência às dificuldades
econômicas, financeiras e políticas na Europa.
Ele ressaltou que os países em
desenvolvimento têm enfrentado
as crises dos últimos anos com
políticas proativas. Estímulos
ao crescimento econômico com
geração de emprego, como tem
defendido Cristina Kirchner em
seus discursos, deveriam ser a
solução para que os líderes europeus enfrentem a crise na Europa e estabilizem a zona do euro.
Mercosul - Timerman afirmou que as presidentes não
conversaram sobre os conflitos
bilaterais provocados pelas barreiras argentinas contra importações. As presidentes deixaram
os assuntos domésticos para técnicos que começam a se reunir
no próximo dia 27 em Mendoza,
para preparar a reunião de cúpula dos presidentes dos países do
Mercosul no dia 29. Na ocasião,
os presidentes devem aprovar
medidas para proteger o mercado regional da concorrência dos
importados, por meio da elevação do imposto de importação.
A ideia de aumentar o número de produtos que podem ter
as tarifas elevadas para 35%, a
tarifa máxima consolidada pela
Organização Mundial do Comércio (OMC), foi apresentada em
junho de 2011, por ocasião da
reunião de cúpula realizada no
Paraguai. Em dezembro, na cúpula de Montevidéu, os quatro
sócios do bloco - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - tentaram avançar na definição do tamanho da lista que terá a Tarifa
Externa Comum (TEC) elevada.
Inicialmente, a proposta era de
100 produtos, mas o Brasil está
disposto a chegar a 200. A Argentina, por sua vez, quer uma
lista com 400 produtos.
CIA. AGRO PASTORIL VALE DO RIO UNA
CNPJ 10.950.871/0001-20
RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO: Senhores Acionistas, em cumprimento ao que determina a legislação em vigor e os estatutos desta sociedade, submetemos ao exame e
julgamento de V.Sas. os balanços patrimoniais, contas de resultado e demais demonstrações contábeis relativas aos exercícios findos em 31 de dezembro de 2011e 2010. Nos
colocamos à disposição de Vossas Senhorias para quaisquer esclarecimentos. Rio de Janeiro, 31 de março de 2012. A Diretoria.
BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 31/12/2011 E 2010 (em MR$)
DEMONSTRAÇÕES DOS RESULTADOS EM 31/12/2011 E 2010 (em MR$)
2011
2010 DESPESAS E RECEITAS OPERACIONAIS
2011
2010
ATIVO
29.765
29.436 Despesas Administrativas
(93)
(38)
Circulante
1.777
2.047 Depreciações
(112)
(120)
Caixa e equivalentes de caixa
1.628
1.701 Despesas Financeiras
(3.317)
(212)
Impostos a Recuperar
149
346 Receitas Financeiras
4.284
934
Não Circulante
27.988
27.389 Lucro antes do IRPJ e da CSLL
762
564
Realizável a Longo Prazo - Associadas
22.033
21.322 Provisões p/IRPJ e CSLL
(183)
(110)
120
120 Lucro Líquido do Exercício
Investimentos
579
454
Imobilizado
5.835
5.947 Lucro Líquido Por Lote de Mil Ações (em reais)
16,71
13,11
2011
2010
DEMONSTRAÇÕES DO VALOR ADICIONADO EM 31/12/2011 E 2010 (em MR$)
PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO
29.765
29.436
2011
2010
2.828
122 Descrição
Circulante
Impostos e Contribuições
2.828
122 1 - Receitas
1.1)
Serviços Prestados
Não Circulante
21.319
23.982
2
Insumos
Adquiridos
de
Terceiros
(40)
(6)
Impostos e Contribuições
331
2.831
2.1)
Materiais,
energia,
serviços
de
terceiros
e
outros
(40)
(6)
Contas com Associadas
20.988
21.151
3
Valor
Adicionado
Bruto
(1-2)
(40)
(6)
Patrimônio Líquido
5.618
5.332
(112)
(120)
Capital Realizado e Atualizado
436
436 4 - Retenções
(112)
(120)
Capital Social
433
433 4.1) Depreciações
(152)
(126)
Reserva de CM do Capital
3
3 5 - Valor Adicionado Líquido Produzido pela Entidade (3-4)
4.284
3.433
Reserva de Capital
334
334 6 - Valor Adicionado Recebido em Transferência
113
13
Reserva de Lucros
7
7 6.1) Receitas Financeiras
4.171
3.420
Reserva de Reavaliação
8.172
8.281 6.2) Juros sobre mútuos - Associadas
4.132
3.307
Prejuízos Acumulados
(3.331)
(3.726) 7 - Valor Adicionado Total a Distribuir (5-6)
8 - Distribuição do Valor Adicionado
(4.132) (3.307)
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
8.1) Impostos, Taxas e Contribuições
(254)
(150)
EM 31/12/2011 E 2010 (em MR$)
8.1.1) Federais
(197)
(114)
8.1.2) Estaduais
(12)
Capital Realizado e
ReserLucros
Atualizado Reser- va de (Prejuízos)
8.1.3) Municipais
(45)
(36)
Capital Correção va de Reava- Acumula8.2) Remuneração de Capitais de Terceiros
(3.299) (2.703)
dos Total 8.2.a) Juros sobre Mútuos - Associadas
Social Monetária Capital liação
(3.151) (2.499)
Saldos em 01/01/10
433
3
341 8.302
(4.368) 4.711 8.2.b) Juros sobre Impostos e Contribuições
(148)
(204)
Ajustes de Exercícios Anteriores
167 167 8.3) Remuneração de Capitais Próprios
(579)
(454)
Realização de Res. de
8.3.1) Lucro (Prejuízo) Líquido do Exercício
579
454
Reavaliação
(21)
21
NOTAS EXPLICATIVAS SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES
Lucro Líquido do Exercício
454 454
CONTÁBEIS EM 31/12/2011 E 2010
433
3
341 8.281
(3.726) 5.332
Saldos em 31/12/10
Ajustes de Exercícios Anteriores
(293) (293) 1. Apresentação das Demonstrações Contábeis: As demonstrações contábeis da controladora e consolidadas foram elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas
Realização de Res. de
Reavaliação
(109)
109
- no Brasil. Em conformidade com a Lei nº 6.404/76 (das Sociedades por Ações), alterações
579 579 introduzidas pelas Leis nº 11.638/07 e 11.641/09 e pronunciamentos emitidos pelo CPC
Lucro Líquido do Exercicio
Saldos em 31/12/11
433
3
341 8.172
(3.331) 5.618 (Comitê de Pronunciamentos Contábeis). São os seguintes os principais critérios contábeis utilizados na elaboração dessas demonstrações: a) Resultado do exercício:
As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis.
DEMONSTRAÇÕES DOS FLUXOS DE CAIXA EM 31/12/2011 E 2010 (em MR$)
Atividades Operacionais
2011
2010
Lucro (Prejuízo) do Exercício
579
454
Ajustes para conciliar o resultado ao caixa gerado pelas
atividades operacionais
Depreciações
112
120
Atualização de passivo fiscal
150
207
Juros sobre empréstimos com associadas
(1.020)
(921)
Total
(179)
(140)
(Aumento) Redução de ativos operacionais
Impostos a Recuperar
256
(6)
Outras Contas
45
Total
256
39
Aumento (Redução) de passivos operacionais
Fornecedores
(36)
Impostos e Contribuições
(4)
77
Total
(4)
41
73
(60)
Caixa oriundo(aplicado) das atividades operacionais
Atividades de financiamento
Empréstimos com Associadas
(146) (1.705)
Caixa aplicado nas atividades de financiamento
(146) (1.705)
Aumento (Redução) do Caixa
(73) (1.765)
Caixa e equivalentes no exercício
Disponibilidades no final do exercício
1.628
1.701
Disponibilidades no início do exercício
1.701
3.466
Apurado em conformidade com o regime de competência. b) Investimentos: São avaliados ao custo de aquisição, corrigidos monetariamente até 31/12/95. c) Imobilizado: Os
bens são contabilizados ao custo de aquisição, corrigidos monetariamente até 31/12/95
e reavaliados através de laudos elaborados por peritos avaliadores independentes. d)
Depreciação: É calculada pelo método linear com base no custo histórico e corrigida
monetariamente até 31/12/95. 2 - Empresas Associadas - Contas a Receber (a Pagar):
(em milhares de reais)
Cias.
2011
2010
Othon Empreend. Hoteleiros S/A.
(19.560)
(18.951)
Hotéis Othon S/A
865
2.168
Cia. Açucareira Usina Cupim
(1.178)
1.767
Cia. Açucareira Usina Barcelos
20.947
15.027
Outras
(29)
161
Total
1.045
172
3. O IRPJ e a CSLL: Foram apurados em conformidade com a legislação do lucro real
anual. 4. Capital Social - O capital social subscrito e integralizado está representado por
34.641.273 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal.
A DIRETORIA
Maria Luzia Raphael
Contadora - CRC-RJ 62.046/O-2
4
Quarta-feira, 20, a segunda-feira 25 junho de 2012
ECONOMIA
PETROBRAS
IGP-M
Pode aumentar percentual ,QÀDomRGR
aluguel mantém
da mistura etanol/gasolina GHVDFHOHUDomR
Uma elevação da mistura de para mais de 20% seria “realmente importante”
Vinicius Neder
Da Agência Estado
Um aumento do percentual
de etanol misturado à gasolina
seria “muito importante” para
oferecer uma solução econômica
à manutenção de preço dos combustíveis, afirmou na terça-feira
a presidente da Petrobras, Maria
das Graças Foster. No entanto,
eventual aumento de etanol na
fórmula deve ser feito de forma
sustentável, de forma a garantir
que toda a demanda nacional
seja atendida. “(Um aumento
do etanol na mistura) seria muito bom, mas é preciso confirmar
que esse etanol esteja disponível para atender a demanda em
todo o território nacional”, afirmou a presidente da Petrobras
após participar de evento organizado pela ONU Mulheres em
paralelo à Rio+20, no Riocentro.
Reforçando que uma decisão
sobre o tema cabe ao governo federal e ao Ministério das Minas
e Energia (MME), a executiva
disse entender “que o MME esteja fazendo estudos nesse sentido”. Segundo Graça, uma elevação da mistura de etanol na
gasolina para mais de 20% seria
“realmente importante para que
a gente tenha uma solução econômica mais adequada a quem
tanto investe, como a Petrobras”.
“Agora, o que também é muito importante é que um retorno
do etanol para algum porcentual
acima de 20% seja sustentável.
Que esse etanol esteja disponível
para atender a todos os consumidores”, completou Graça, ressalvando que a questão da elevação
da participação do etanol na
mistura da gasolina não está considerada no Plano de Negócios
2012-2016, aprovado pelo conse-
lho de administração da companhia na semana passada.
Embora tenha reforçado a
importância de haver oferta suficiente de etanol, a presidente
da Petrobrás destacou que o
setor sucroalcooleiro tem sinalizado positivamente sobre sua
capacidade de atender a um
crescimento da demanda. “Tenho ouvido, de usineiros de renome, em algumas reuniões, que
eles estariam prontos a voltar
com a participação maior do etanol. Mas essa é uma decisão do
MME, do governo federal”, afirmou Graça.
O governo reduziu a proporção da mistura de álcool anidro
na gasolina no segundo semestre do ano passado por falta de
oferta do biocombustível. No
entanto, a União da Indústria de
Cana-de-Açúcar (Unica) manifestou recentemente que já há
oferta no mercado para voltar
ao porcentual de 25% de etanol
anidro na mistura.
A executiva não confirmou
a informação, divulgada nesta
terça-feira, de que o plano de
negócios 2012-2016, aprovado
pelo conselho de administração
da companhia, trará a recomendação de reajuste de 15% nos
combustíveis. “As recomendações que são feitas em vários
segmentos do plano são reveladas na hora em que a gente abre
o plano”, afirmou. A presidente
da Petrobras tampouco detalhou
como o reajuste dos combustíveis poderia ser feito. Mas comentou que novas reduções na
Cide não dependeriam da empresa. “Mexer na Cide é uma decisão do Ministério da Fazenda.
A Petrobras não tem ingerência
sobre isso”, disse a executiva.
5HODomRHQWUHRVSUHoRVUHFXDSDUD
Denise Abarca
Da Agência Estado
A relação entre os preços do
etanol e da gasolina na cidade de
São Paulo atingiu 68,38% na segunda semana de junho, informou
nesta terça-feira a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
(Fipe). Com isso, a taxa chegou ao
menor nível desde o fechamento
de fevereiro (67,99%). A relação
ficou abaixo da marca de 68,79%
apurada na semana anterior.
Para especialistas, o uso do
etanol deixa de ser vantajoso
em relação à gasolina quando o
preço do derivado da cana-deaçúcar representa mais de 70%
do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando
que o poder calorífico do motor
a etanol é de 70% do poder dos
motores a gasolina. Entre 70%
e 70,50%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou
etanol no tanque.
Em boa medida, a queda na relação reflete a trajetória dos preços do etanol e da gasolina, ambos em deflação. De acordo com
a Fipe, o etanol mostrou recuo de
1,67% e a gasolina, de 0,09%, na
segunda quadrissemana do mês.
Para a Fipe, o desempenho
dos combustíveis, por sua vez, é
visto como efeito da entrada da
safra de cana-de-açúcar recentemente. “Mas há um ano esta
relação estava em 62,96%, o que
indica que a safra este ano está
pior que em 2011 que também
já não tinha sido boa”, afirmou
o coordenador do IPC.
Sorgo sacarino: governo libera recursos
O governo federal anunciará
em breve a liberação de R$ 270
milhões para financiar o cultivo
de 100 mil hectares de sorgo sacarino em áreas de renovação de
canaviais, que devem proporcionar uma oferta adicional de 300
milhões de litros de etanol na próxima safra. Normalmente, a cada
ano as usinas renovam 20% da
área total e no período de entressafra plantam leguminosas (soja
ou amendoim), para em seguida
replantar a cana. O sorgo é uma
planta da família das gramíneas
O secretário de Produção e
Agroenergia do Ministério da
Agricultura, José Gerardo Fontelles, diz que o objetivo é ampliar por mais dois meses o período de produção de etanol e
biomassa por parte das usinas.
Ele explica que o encurtamento da entressafra resulta em
melhor fluxo de caixa para as
empresas e maior Ebitda, facilitando o pagamento dos investimentos realizados. Ebitda é a
sigla em inglês para earnings before interest, taxes, depreciation
and amortization, que traduzido
para o português significa: “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”
Segundo dados do governo, o
interesse das usinas pelo sorgo
sacarino ampliou a área cultivada
de 3 mil hectares na safra 2010/11
para 20 mil hectares na safra atual. O governo está de olho no potencial de crescimento do plantio
de sorgo para até 120 mil hectares, que correspondem a menos
de 10% dos 956 mil hectares de
canaviais que serão renovados na
próxima safra, segundo estimativa da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab).
Um estudo elaborado pela
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reconhece que a participação do
sorgo sacarino ainda é tímida
ante o mercado de etanol de 27
bilhões de litros. Entretanto, a
empresa aposta que, em poucos
anos, com a melhoria no manejo
e introdução de cultivares mais
produtivas, a área pode atingir
1,5 milhão de hectares e gerar
um volume de etanol na entressafra de 4,5 bilhões de litros.
Para atender à demanda crescente por sementes de sorgo sacarino, já estão disponíveis no
mercado quatro cultivares de
alto potencial produtivo. Neste ano, a Embrapa irá colocar à
disposição das sementeiras de
capital nacional mais dois materiais “com ganhos significativos
em produtividade e qualidade
do caldo”. O plano de metas da
Embrapa prevê para os próximos
três anos o lançamento de híbridos competitivos de alta qualidade e curvas de maturação (planejamento industrial), visando a
atender o mercado de sementes
de empresas licenciadas
Os estudos comparativos mostram que a tonelada de cana rende duas vezes mais etanol que o
sorgo, mas tem custo por hectare
48% superior ao da gramínea. Os
estudos técnicos mostram que a
produção de etanol e energia a
partir do etanol depende de “reengenharia leve” nos processos,
equipamentos e na integração
entre as duas matérias-primas.
Os principais desafios estão na
área agrícola, para o enriquecimento do sorgo, como novas variedades, manejo, aumento de
produtividade e teor de açúcar.
%UDVLOELRFRPEXVWtYHOSDUDDYLDomR
Glauber Gonçalves
Da Agência Estado
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, afirmou nesta terça-feira que o Brasil é o país que tem
melhores condições de ofertar
biocombustível para aviação regularmente ao mercado. “O Brasil é o País do mundo que mais
tem condições de oferecer oferta regular, estável e com preços
competitivos desse produto”, declarou o ministro.
Segundo Pimentel, o País
tem condições de atingir a meta
da Associação Internacional de
Transporte Aéreo (Iata, na sigla
em inglês), que define a utilização de 50% de bioquerosene
misturado ao combustível tradicional no voos até 2040. “O Brasil
tem que sair na frente. 2040 está
longe e o País tem condições de
fazer isso”, disse, depois de participar de entrevista coletiva con-
cedida após um voos experimental da Gol com biocombustível.
De acordo com o presidente
da União Brasileira do Biodiesel
e Bioquerosene (Ubrabio), Juan
Diego Ferrés, o uso comercial do
biocombustível para a aviação
será possível no País em cinco
anos. A meta da entidade é, em
20 anos, suprir 25% do consumo
de combustível das aéreas com
biocombustível. O executivo disse que a demanda, de 6 bilhões
de litros por ano, cresce a uma
média anual de 3% a 5%.
Ferrés defendeu que o governo lance mão de medidas para
incentivar o desenvolvimento
dessa indústria no País. “Para
que as novas fontes de energia
limpa possam surgir e não sucumbir à concorrência do petróleo, é necessária a existência de
políticas públicas que representem isenções tributárias, mas
há outros mecanismos, como (o
estabelecimento de) mercados
obrigatórios de uso.”
BOA VISTA SERVIÇOS
0HWDGHGRVEUDVLOHLURVQmRTXHU
nome no Cadastro Positivo
Metade dos brasileiros não
quer ter seu nome incluído no
sistema do Cadastro Positivo,
sendo que 24% se mostram inflexíveis e 26% abrem a possibilidade de mudar de opinião,
informou pesquisa da Boa Vista Serviços, administradora do
Serviço Central de Proteção ao
Crédito (SCPC). O resultado,
porém, mostra uma maior aceitação do brasileiro pelo banco
de dados de bons pagadores,
já que na pesquisa anterior, de
agosto último, 30% afirmaram
que não aceitavam o cadastro.
Já 50% dos consultados têm
propensão a autorizar a inclusão de seu nome no sistema, o
mesmo porcentual verificado na
pesquisa anterior.
A pesquisa mostra que o
consumidor final ainda tem
dúvidas e receios sobre a operacionalização do Cadastro
Positivo, instituído em julho
do ano passado pela lei nº
12.414. O receio pelo sistema
é motivado por informação
insuficiente sobre o assunto,
segundo 68% dos entrevistados. Outros 49% acreditam
que o temor é pela violação
de privacidade ao permitir a
inclusão dos dados pessoais
no cadastro e 49%, pelo medo
de ser discriminado caso atrasem qualquer conta. O receio
em perder a privacidade é
mais acentuado na base da
pirâmide da classe social. Enquanto 54% dos brasileiros
pertencentes à classe A consultados têm esse temor, nas
classes D e E esse porcentual
sobe para 61%. “Essa situação
poderia ser justificada pelo
fato de que as classes mais altas estão bancarizadas em sua
grande maioria (mais de 95%
na classe A) e, por esse motivo, já estão habituadas com a
necessidade de divulgar informações comportamentais
para concessão de crédito”,
informou o documento.
A segunda prévia de junho da
inflação do aluguel, medida pelo
Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), confirmou a tendência de desaceleração percebida
na primeira leitura do mês. A
taxa ficou em 0,63%, após ter
registrado alta de 1,00% na mesma prévia de maio, informou a
Fundação Getulio Vargas.
O freio no preço da soja contribuiu para uma redução na
variação de preços do atacado.
O Índice de Preços ao Produtor
Amplo caiu praticamente pela
metade (0,65% em junho, após
1,24% em maio). A desaceleração só não foi maior porque ainda houve impacto da desvalorização cambial, principalmente
sobre os bens intermediários.
“Os bens intermediários ainda têm um resíduo do câmbio.
Não temos novas ondas de desvalorização cambial, mas ainda
há um desnível em relação ao
patamar do dólar no mês anterior”, explicou Salomão Quadros, coordenador de Análises
Econômicas da FGV.
O minério de ferro subiu mais
em junho (de 2,87% para 3,59%
no período), puxado por pressões cambiais. Já a soja, embora seja cotada em dólar, reflete
a queda dos preços no mercado
internacional. Após um período
de altas expressivas, o grão reduziu o aumento de 9,45% em maio
para 2,64% em junho. Como resultado, as matérias primas brutas agropecuárias não tiveram
oscilação. “A soja dá um alívio
tremendo (à inflação)”, apontou
Quadros.
Na direção oposta, o automóvel novo ficou ainda mais barato, tanto no atacado (-2,59%)
quanto ao consumidor (-3,88%).
O movimento foi reflexo da redução do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) anunciada
pelo governo, mas também de
descontos praticados por fabricantes. Em consequência, os automóveis usados também caíram
de preço (-2,10%).
Dentro da prévia do IGP-M,
a inflação ao consumidor subiu
0,14%, enquanto a da construção acelerou a 1,58%, graças a
reajustes salariais concedidos
aos trabalhadores do setor, principalmente em São Paulo.
INCENTIVO
BNDES: critérios
para os recursos
A equipe técnica do Banco
Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES)
avançou na segunda-feira, em
reunião com representantes do
Ministério da Fazenda, na definição dos critérios que irão determinar o volume de recurso que
será destinado a cada Estado
brasileiro, dentro do programa
de incentivo ao investimento. A
informação é do presidente do
banco, Luciano Coutinho.
O presidente do banco de
fomento afirmou que foram
reunidas sugestões e subsídios para serem entregues à
presidente Dilma Rousseff e
ao ministro da Fazenda, Guido
Mantega, aos quais caberá a
decisão. A presidente e o ministro estão no México para a reunião do G-20 e ainda não foram
informados sobre as sugestões
do BNDES, segundo Coutinho.
“Um importante passo foi dado
ontem. Estamos muito próximos de uma definição do que
ficou pendente do plano de incentivo ao investimento”, afirmou o executivo.
Coutinho participou na manhã desta terça-feira de reunião
com representantes do International Development Finance
Club (IDF), um grupo de 19 bancos de fomento, do qual a instituição brasileira faz parte. O IDF
aprovou o financiamento de US$
89 bilhões em projeto de economia verde em 2011.
O presidente do BNDES ressaltou que, do total liberado pelo
banco no ano passado, 20% foram para empreendimentos relacionados à sustentabilidade e inclusão social, com destaque para
a geração renovável de energia.
IDV
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apoiado nas redes
Vanessa Stecanella
Da Agência Estado
As vendas no varejo cresceram
5,1% em maio ante igual mês do
ano passado, de acordo com levantamento do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).
A expansão do setor varejista foi
fundamentada, basicamente, pelo
aumento da rede de lojas, uma
vez que no conceito mesma loja
houve recuo de 2,81%. Segundo
Fernando Castro, presidente do
IDV, “ crescimento das vendas do
varejo no último mês sustentou-se
na expansão das redes de lojas e
pela introdução de novos produtos e reflete a perda de ritmo de
crescimento da atividade econômica, já que desde o final do ano
passado, o cenário econômico tem
se mostrado inconstante”.
Para junho, os associados do
IDV estimam alta nas vendas de
8,2% De acordo com Castro, apesar dos resultados pouco animadores da economia, os varejistas acreditam no crescimento sustentável
da economia brasileira e continuam investindo na modernização
dos sistemas de logística, no atendimento e na expansão da rede de
lojas. “Isso permite aos associados
do IDV estimar para julho e agosto
crescimento da ordem de 9,8% e
10,8%, respectivamente”, disse.
O levantamento do IDV aponta aceleração das vendas totais
do varejo (incluídas as novas lojas) a partir de junho em todos
os segmentos, em especial nos de
bens não duráveis e duráveis. A
primeira categoria deve apresentar forte aceleração, com alta de
7,6% em junho. Da mesma forma,
para os meses seguintes, observase que o segmento estima desempenho excepcional, com taxas na
casa dos 15% para julho e agosto.
O varejo de bens duráveis (como
móveis, eletrodomésticos e material de construção) aponta alta de
9,7% para junho, enquanto para
os meses subsequentes as taxas de
crescimento devem ficar em 9,2% e
10,7% em julho e agosto, respectivamente, graças à contínua expansão
da oferta de crédito, somada às medidas de queda da taxa de juros ao
consumidor pelos bancos, acompanhando o movimento dos bancos estatais, explicou o presidente do IDV.
Já o setor de bens semiduráveis estima um desempenho
mais comedido para os próximos
meses. “Devido à expectativa do
Dias dos Namorados e, em menor
escala, à chegada do outono/inverno, as vendas devem ter expansão
entre 8,2% e 8,9% de julho a
agosto”, destacou Castro.
PAÍS
Quarta-feira, 20, a segunda-feira 25 junho de 2012
DÍVIDAS
AGU cria grupo
para recuperar
R$ 28 bilhões
Felipe Recondo
Da Agência Estado
Um grupo especial de procuradores terá como missão buscar
mais de R$ 28 bilhões que as
grandes empresas devem a autarquias e fundações públicas. O
Grupo de Cobrança dos Grandes
Devedores (GCGD), formado na
semana passada, fará frente às
grandes bancas de advocacia e
vai monitorar a cobrança dos valores devidos por empresas, inicialmente, à Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel),
Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel), Departamento
Nacional de Produção Mineral
(DNPM) e Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama).
O filtro aplicado pela Procuradoria-Geral Federal, estabelecendo os patamares para saber
quem são os grandes devedores,
mostrou que a Anatel concentra
a lista de maiores devedores,
com R$ 20 bilhões dos R$ 28 bilhões totais. A maior parte desse
dinheiro se refere a multas não
pagas. No caso do DNPM, as dívidas são pelo não pagamento de
taxas e royalties de mineração.
Entre as mais de 400 empresas que estão no foco da cobrança estão grandes grupos econômicos como Vale, Votorantim,
Braskem, TIM, Vivo, Eletropaulo,
Petrobras e Chevron. São empresas que têm à disposição bancas
compostas por advogados renomados e que, normalmente, valem-se de todos os instrumentos
legais para contestar e postergar
o pagamento dessas dívidas.
A Advocacia-Geral da União
(AGU) percebeu que para enfrentar devedores diferenciados era
preciso uma estratégia também
diferenciada. “Esses devedores
não têm um perfil passivo. A cada
fase do processo, eles buscam mover a máquina administrativa e judicial”, avaliou Marcelo Siqueira,
procurador-geral federal. “Como
eles não são passivos, nós também
não podemos ser. Estamos reequilibrando as armas”, acrescentou.
Efeito pedagógico - O grupo
de cobranças será composto por
procuradores federais exclusivamente voltados para acompanhar
cada passo dos processos administrativos e das execuções dessas dívidas. A cada recurso do devedor,
os procuradores deverão atuar
de imediato para evitar que haja
atrasos na recuperação das dívidas. Além de reaver esses recursos, garantindo mais dinheiro para
a União, Siqueira afirmou que a
vigilância terá efeito pedagógico.
Nessa primeira fase de trabalho, somente as dívidas com Anatel, Aneel, Ibama e DNPM serão
monitoradas. Esses órgãos dispõem de sistemas que permitem
com mais facilidade calcular as
dívidas e conhecer os devedores.
Em breve, as empresas com dívidas elevadas com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) entrarão
na mira do grupo de cobrança, que
terá representação em todas as
procuradorias regionais federais.
Para definir quem seriam os
grandes devedores, a AGU estabeleceu patamares distintos, usando como parâmetros os Estados
abrangidos em cada um dos tribunais regionais federais.
5
ELEIÇÕES EM SÃO PAULO
Para Maia, aliança entre
PT e Maluf ‘é natural’
Lula anunciou aliança com o deputado, em apoio à candidatura de Haddad
Da redação, com agências
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), defendeu nesta
terça-feira a aliança de seu partido com o PP do deputado federal
Paulo Maluf (PP-SP) para a disputa da prefeitura de São Paulo. A
ida do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e do candidato Fernando Haddad à casa de Maluf
para oficializar a aliança irritou
a deputada Luiza Erundina (PSBSP), que chegou a ameaçar deixar
o posto de vice na chapa. Mas
para Maia, a aliança é natural.
“O PP faz parte da base aliada
em Brasília e a resolução política
do PT é de procurar aliança com
partidos da base. Não há nenhum
desconforto em uma aliança do
PT com o PP. Teria se fosse com o
DEM, o PSDB ou PPS”, disse Maia.
Maia disse que a aliança com
o PP se insere “na composição
mais ampla que o PT patrocina no campo federal” e que a
composição “não é apenas com
Maluf”. Para Marco Maia a aproximação do PT com Maluf não
terá consequência negativa na
eleição. “O eleitor ao escolher
seus representantes olhará para
propostas, para o projeto para a
cidade. Temos que evoluir na dinâmica de não olhar mais para
as pessoas, mas para o projeto”.
Marina Silva - Em um discurso
na Cúpula dos Povos nesta terçafeira, Marina Silva alfinetou a
aliança. Segundo a ex-senadora,
para alguns políticos “vale misturar água e óleo para ter tempo de
TV.” O pronunciamento, feito em
uma das principais plenárias da
Cúpula, foi aplaudido de pé pelo
público que mais uma vez ovacionou Marina Silva e seu posicionamento contrário aos rumos do
documento oficial da Rio+20.
“Eles acreditam que só existe
a política do pragmatismo, acreditam que vale misturar água e óleo
apenas para ganhar mais tempo
na televisão sem nem saber sobre
o que propor”, afirmou Marina Silva, que foi ministra do Meio Ambiente durante o governo Lula.
Perguntada se o discurso se referia à aliança do PT com Maluf, a
ministra desconversou e preferiu
não comentar o anúncio do apoio
“Desde a minha candidatura à
presidência eu falo sobre o problema das alianças eleitorais e desta
visão de política pragmática”, disse a senadora após o discurso.
Na plenária, a ex-senadora
também cobrou da presidente
Dilma um posicionamento em
relação ao documento oficial da
Rio+20. “Queria mandar um recado para a presidente e dizer para
ela não perder a oportunidade
de fazer a diferença. A primeira
mulher presidente precisa marcar
uma posição e defender objetivos
específicos para a governança do
debate ambiental e pela criação
do fundo de financiamento.”
ANÁLISE
TCU entrega relatório das contas
do governo federal ano base 2011
Marcos Chagas
Da Agência Brasil
O presidente do Tribunal de
Contas da União (TCU), Benjamim Zymler, entregou nesta terça-feira ao presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP), o relatório de análise das contas do governo federal. As ações da presidente
Dilma Rousseff em seu primeiro
ano de gestão foram aprovadas
com 25 ressalvas e 40 recomendações, já encaminhadas ao Executivo. O relator, ministro José Múcio Monteiro, destacou que todas
as ressalvas estão relacionadas a
aspectos de conformidade da receita pública, da dívida pública,
da execução do orçamento e das
demonstrações contábeis.
Entre as recomendações
José Múcio citou, por exemplo,
a necessidade de a Casa Civil,
o Ministério da Fazenda e o do
Planejamento – em conjunto
com órgãos setoriais que executam o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) e o Plano
Brasil sem Miséria – adotarem
medidas que priorizem ações
definidas no Plano Plurianual de
Investimentos 2012-2015.
Também foi recomendado à
Casa Civil da Presidência da República que projetos de lei ou
medidas provisórias que contemplem a concessão ou ampliação
de benefícios tributários, previdenciários, financeiros e creditícios sejam melhor explicitados.
Na avaliação do tribunal é necessário que nessas matérias sejam
identificados o órgão gestor da
renúncia de recursos, bem como
melhor os objetivos, metas, indicadores, formas de avaliação de
resultados e prazos de vigência.
RIO
PESQUISA
RIO+20
Texto é chamado de ‘fraco’
Rio de
Janeiro é a
que mais gera
Único país que comemorou abertamente o resultado do documento final foi o próprio Brasil
empregos
da de terça-feira, após uma con- instrumentos necessários para su- mento condena a Rio+20 a um para apoiar o desenvolvimento
Da redação, com agências
Das sete maiores regiões metropolitanas do Brasil, o Rio de
Janeiro foi a que mais gerou empregos entre março e abril deste
ano. De acordo com a última pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Cadeg) do Ministério do Trabalho,
o Grande Rio apresentou crescimento de 29,5% no período, enquanto cidades como São Paulo
e Minas Gerais aumentaram o
número de postos de trabalho em
9,3% e 24,4%, respectivamente.
Em abril, o estado fluminense
gerou 18.541 empregos formais,
14.235 apenas na Região Metropolitana do Rio. Segundo o vicegovernador e coordenador de
Infraestrutura do Estado, Luiz
Fernando Pezão, o número crescente de postos de trabalho é resultado de investimentos em obras
como a do Maracanã, da Linha 4
do metrô e do Arco Metropolitano.
No total, as três intervenções empregam 11.065 pessoas.
Nos municípios da Região Metropolitana do Rio, algumas obras
se destacam como principais geradoras de trabalho e renda: 5.515
trabalhadores ajudam na modernização do Maracanã, 3.400 na Linha 4, 2.150 no Arco Metropolitano e 260 nas melhorias da Cidade
da Polícia e do Centro Integrado
de Comando e Controle (CICC).
A expectativa é de que investimentos como o Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro
(Comperj), em Itaboraí, e o estaleiro da Marinha, em Niterói
ajudem a aumentar ainda mais
o número de postos de trabalho.
E nos próximos dois anos,
apenas a capital fluminense receberá um volume recorde de
investimentos públicos e privados: R$ 34,4 bilhões.
Três dias antes da conclusão
oficial da Rio+20, o Brasil apresentou na terça-feira o documento que deverá ser aprovado pelos
chefes de Estado na plenária final
de sexta-feira, com as decisões da
conferência. O texto foi avaliado
como extremamente fraco e pouco ambicioso por organizações
não-governamentais e até por algumas das delegações de países
que concordaram com ele.
O único país que comemorou
abertamente o resultado foi o próprio Brasil, classificando o resultado como “estupendo”, “robusto”,
“maravilhoso”. “Foi uma vitória
do multilateralismo”, disse o ministro das Relações Exteriores,
Antonio Patriota. “Estou particularmente muito satisfeita”, disse
a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que chegou ao Rio
tarde da noite de segunda-feira
e teve que se envolver imediatamente nas negociações para evitar um possível fiasco.
O texto final, com 283 parágrafos, foi redigido na madruga-
turbada rodada de negociações,
em que o Brasil foi criticado por
forçar o fechamento do texto de
forma supostamente “prematura” - considerando que, a princípio, ele poderia continuar a ser
negociado até o último dia da
conferência, na sexta-feira. Às
2h30, o Brasil anunciou que tinha
chegado a um texto consolidado
e que ele seria apresentado às
7h, após uma “revisão técnica”.
Pouco antes das 14h, o documento foi aceito em sessão plenária
por todos os países, apesar de
várias delegações terem expressado frustrações com o resultado.
“Isso é uma negociação, todos têm de ceder, todos ganham
e todos perdem um pouco. Encontramos um equilíbrio que
foi suficiente para todo mundo.
É um estupendo texto”, disse
ao jornal O Estado de S.Paulo o
embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, negociador-chefe
do Brasil na conferência.
“O acordo é muito forte em
suas ambições, mas não forte o suficiente no sentido de fornecer os
prir essas ambições”, disse ao Estado o ministro do Meio Ambiente
da Alemanha, Peter Altmaier. “O
pior cenário seria o fracasso da
conferência. O melhor seria sair
daqui com compromissos claros e
prazos bem definidos, mas isso não
foi possível. Então optamos por
uma abordagem passo a passo.”
O diretor de Assuntos Internacionais da Direção Geral para
o Meio Ambiente da Comissão
Europeia, Timo Makela, disse que
o comunicado final tem “forças e
fraquezas”. “Agora há consenso
em torno da economia verde, de
que o crescimento econômico tem
de respeitar os limites da terra”,
disse ao Estado. “É a primeira vez
que isso é endossado globalmente.” Ele lamentou o fato de o texto
ser muito “descompromissado”.
“Ele não usa a palavra ‘nós nos
comprometemos’; apenas ‘nós
reconhecemos’”, criticou. “Queríamos mais compromissos, prazos;
se não, pode ser para sempre. Do
que estamos falando?”
ONG - Para organizações
não-governamentais, o docu-
fracasso quase total. “É assustador. Estamos assassinando o
futuro da próximas gerações”,
disse o diretor executivo do
Greenpeace Brasil, Marcelo
Furtado. “É uma carta meramente burocrática, dizendo
para que as pessoas se virem.”
“É um texto raso, que olha
para frente, mas não traz nenhuma grande decisão”, disse Carlos Rittl, da WWF-Brasil. O texto
levanta uma série de problemas
ambientais, sociais e econômicos que precisam ser resolvidos,
mas não adota nenhuma solução imediata para resolvê-los.
“Tudo que era importante ficou
para ser discutido mais tarde. O
único compromisso é o de continuar negociando.”
Na busca de um consenso entre
os 193 países-membros da ONU
representados na negociação, o
Brasil retirou ou amenizou significativamente vários pontos de
conflito que dificultavam as negociações. Foram removidas, principalmente, questões relacionadas
a ajuda financeira dos países ricos
sustentável nos países pobres.
O documento só poderá ser
oficialmente aprovado na plenária final da conferência, sextafeira, por consenso absoluto.
Nada impede que, até lá, alguma
delegação tente reabrir o documento. Pelas “regras” da diplomacia, porém, é extremamente
improvável que isso aconteça.
Rejeição - A presidente Dilma
Rousseff rejeitou a avaliação de
que o texto reflete o fracasso da
liderança brasileira no processo de
negociação. Depois de participar
da reunião dos líderes das maiores economias do mundo (G20) e
prestes a embarcar ao Rio de Janeiro, onde abrirá na quarta-feira a
Rio+20, ela reconheceu ter sido extraído “o documento possível”. Mas
argumentou ter sido o texto um
“grande avanço”, “uma “vitória”.
“Em Copenhague, era impossível tirar um documento. Eu acredito que o documento da Rio+20,
ao contrário, é um grande avanço,
uma vitória”, afirmou a presidente, referindo-se à Conferência das
Nações Unidas de 2009.
EUA negam bloqueio do acordo sobre oceanos
Vitor Abdala
Da Agência Brasil
Apontado por ambientalistas
como o principal interessado em
não haver acordo sobre o uso dos
recursos dos oceanos, os Estados
Unidos negam que tenham se esforçado nesse sentido. Segundo
o chefe dos negociadores norteamericanos na Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.
Todd Stern, os Estados Unidos
não estavam bloqueando os es-
forços para fechamento de acordo sobre os oceanos.
“Estamos bem focados nessa área. Temos trabalhado, há
muito tempo, em prol do direito do mar (Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do
Mar, que faz 30 anos neste ano).
Estamos bem comprometidos
com a questão dos mares. Há
bons avanços no documento de
hoje”, disse Stern, que também
é enviado especial do governo
dos Estados Unidos para Mudanças Climáticas.
De acordo com o norte-americano, o documento da Rio+20 tem
pontos que desagradam a todas as
delegações, e com os Estados Unidos não é diferente. Para ele, o texto poderia ter levado a discussão
sobre financiamento mais para o
lado das diferentes possibilidades
que existem hoje no mundo.
Por exemplo, em vez da criação
de fundos globais, há alternativas
como investimentos privados e cooperação entre países em desenvolvimento. “A orientação poderia ter sido um pouco mais como
a gente vê em outras circunstâncias, em que o foco poderia ser
mais nas assistências tradicionais,
do país doador ao recebedor, mas
também reconhecendo as mudanças rápidas que vem acontecendo no mundo, onde diferentes
tipos de fluxos financeiros têm
se tornado importantes. Há importantes fluxos Sul-Sul, por
exemplo”, explicou Stern.
Por outro lado, os Estados Unidos ficaram satisfeitos com a forma como ficou decidido o fortalecimento do Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente
(Pnuma) e com a criação do Fórum
Político de Alto Nível para discutir
desenvolvimento sustentável.
Segundo Stern, o desenvolvimento sustentável é uma das
prioridades dos Estados Unidos. Ele justificou a ausência
do presidente Barack Obama na
conferência dizendo que a representante americana, a secretária de Estado, Hillary Clinton,
é uma “figura mundial”. Então,
os Estados Unidos estarão bem
representados, afirmou.
6
Quarta-feira, 20, a segunda-feira 25 junho de 2012
JUSTIÇA
INVESTIGAÇÃO
Pedro Marcos Barbosa
CNJ discutirá proteção
a juiz do caso Cachoeira
Eliana Calmon diz que o CNJ irá apurar os tipos de ameaças sofridas pelo magistrado
Da redação, com agências
A corregedora Nacional de
Justiça, Eliana Calmon, afirmou
nesta terça-feira que discutirá
providências para garantir a segurança do juiz federal Paulo
Augusto Moreira Lima, que estava no comando do processo contra o contraventor Carlinhos Cachoeira e que pediu afastamento
do caso depois de ser ameaçado.
Calmon disse que o juiz relatou
ao Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) as ameaças sofridas. Ela
afirmou que pediu então à Polícia
Federal que garantisse a segurança do magistrado. Por isso, a saída
dele do caso surpreendeu a ministra. Mesmo sob a vigilância da PF,
Lima relatou que ele e sua família
eram alvo de ameaças veladas.
“Eu pretendo chamar o juiz
Paulo Lima aqui no CNJ para saber que tipo de ameaça ele sofreu
e quais as providências o tribunal
pode tomar”, afirmou Calmon. A
ministra lembrou que o CNJ discute uma proposta de resolução
para instituir o Sistema Nacional
de Segurança do Poder Judiciário
(Sinaspj). A proposta seria estabelecer medidas de segurança institucional e pessoal dos magistrados
e familiares em situação de risco.
O presidente do Supremo
Tribunal Federal, Carlos Ayres
Britto, afirmou serem de “gravidade incomum” e “qualificada”
as ameaças veladas feitas ao juiz
federal. “Não se pode ameaçar
do ponto de vista físico, moral
ou psicológico nenhum julgador
e sua família”, afirmou.
Já a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) divulgou nota
nesta terça-feira em apoio ao juiz.
Além de oferecer apoio e assistência ao juiz, o presidente da
Ajufe, Nino Toldo, considera grave
o vazamento do ofício que o magistrado enviou à Corregedoria
Regional da Justiça Federal da 1ª
Região, no qual relata a insegurança de continuar atuando na vara.
A Ajufe ainda informa que
já entrou em contato com o Departamento de Polícia Federal e
com a CNJ para tratar da situação do magistrado. “A magistratura Federal brasileira não se
vergará a qualquer tipo de ameaça”, finaliza Toldo.
No dia 13 de junho, Moreira
Lima enviou um ofício ao corregedor do Tribunal Regional Federal
da 1ª Região, Carlos Olavo, responsável pela correição judiciária
na região Centro-Oeste. O magistrado lembrou sua trajetória na
vara criminal, iniciada em 2009,
e a condenação de vários criminosos que não escondem o descontentamento com seu trabalho.
Segundo Moreira Lima, desde
que assumiu a Operação Monte
Carlo, ele foi informado de atentados e vem seguindo um rígido
esquema de segurança.
Suspensa - Com a saída de
Moreira Lima, a ação pena que
investiga o caso deveria ser encaminhado ao titular da vara, juiz
Leão Aparecido Alvez. No entanto, ele é suspeito de ter ligação
com um dos investigados. Na terça, ele recusou atuar no processo
por motivo de foro íntimo.
BALANÇO
Vasp lidera primeira lista
suja da Justiça do Trabalho
Akemi Nitahara
Da Agência Brasil
A Justiça do Trabalho divulgou
nesta terça-feira a lista das 100
empresas e 100 pessoas físicas
com maior número de processos
com débitos trabalhistas. É a primeira lista feita com base na Lei
12.440/2011, que entrou em vigor
em janeiro. De acordo com a lei,
todo os tribunais regionais do
Trabalho passaram a alimentar o
Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), criado este ano.
No topo da lista suja está a
falida companhia aérea Vasp, seguida pelo Banco do Brasil. Outras grandes empresas públicas
também estão na parte de cima
da lista suja da Justiça do Trabalho, como Caixa Econômica Federal (4º) e Petrobras (13º). Entre
as pessoas físicas, o ex-dono da
Vasp, Wagner Canhedo Azevedo,
lidera o rol de devedores, seguido
de três pessoas da família dele,
todas ligadas à companhia aérea.
Ao todo, foram identificados
1,1 milhão de devedores cadastra-
dos, entre empresas e pessoas físicas. Juntos, os integrantes da lista
suja respondem por 1,7 milhão de
processos transitados em julgado.
Ou seja, a Justiça já reconheceu
os direitos dos trabalhadores, mas
as dívidas ainda não foram pagas.
Com o nome no cadastro de
devedores, a empresa ou pessoa
física fica impossibilitada de participar de licitações. Mas, se fizer
um depósito que garanta o valor
da dívida ou penhore um bem,
pode conseguir a certidão para fazer negócios com o Poder Público.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do
Conselho Superior da Justiça do
Trabalho, João Oreste Dalazen, reconhece que a medida poderia ser
mais dura, mas diz que o BNDT é
um avanço, pois pode garantir o pagamento da dívida ao trabalhador.
“No projeto que saiu do TST, estava
previsto que o devedor seria ‘positivado’ (sairia do cadastro negativo).
Mas, no Congresso Nacional, foi
atenuado o rigor da lei, permitindo
o depósito garantidor. Isso restringe a eficácia coercitiva da lei”.
De acordo com Dalazen, este
ano, com a exigência da quitação
de dívidas trabalhistas para participar de licitações, 37.135 empresas inscritas no BNDT quitaram os
débitos com funcionários e ex-funcionários para sair da lista suja. E
9.633 fizeram depósito garantidor
em dinheiro ou ofereceram bens
para penhora e, assim, conseguiram a certidão que permite a participação em processos licitatórios.
O ministro explicou que, entre
os 100 maiores devedores, incluindo pessoas físicas jurídicas, 61%
têm como atividade econômica a
prestação de serviços e 20% são
da indústria de transformação.
Entre as dez primeiras empresas
do ranking, cinco são de terceirização de serviço e de mão de obra.
“Isso demonstra que a terceirização é um fenômeno que mostra
uma das facetas mais cruéis no
direito trabalhista, em que não há
a quitação do débito”.
O ministro divulgou também o
balanço da 2ª Semana Nacional de
Execução Trabalhista, que ocorreu de 11 a 16 de junho. De acordo
GUYRAROKÁS
MPF: União terá
que indenizar índios
Alex Rodrigues
Da Agência Brasil
O Ministério Público Federal
no Mato Grosso do Sul (MPFMS) ajuizou ação civil pública na Justiça Federal contra a
União e a Fundação Nacional
do Índio (Funai). No processo,
o procurador da República em
Dourados (MS), Marco Antonio
Delfino de Almeida, pede uma
indenização de R$ 170 milhões
por danos morais e materiais sofridos pelos índios guyrarokás,
vítimas da “remoção forçada de
suas terras” e da “demora da
União em demarcar as terras
tradicionais indígenas”.
O MPF quer que o valor da
indenização que for obtida na
Justiça seja integralmente destinado a políticas públicas que
beneficiem os guyrarokás e seu
território, reconhecido como terra indígena em 2009.
“O importante é que isso sirva para que os governos repensem suas ações. A mera devolução das terras aos indígenas,
embora seja um primeiro passo
importantíssimo, não é o bastante. Quando são devolvidas,
a maior parte delas está desmatada, erodida e esgotada pelo
uso agrícola intensivo. Acusar
os índios que obtém a demarcação de suas terras de não trabalhar é fácil, mas a verdade é
que para recuperar (a produtividade de) suas terras, de forma que elas garantam meios de
subsistência à população, são
necessários recursos de que os
índios não dispõem”, disse Delfino à Agência Brasil.
Em 2011, o procurador já
havia antecipado à Agência
Brasil que ajuizaria uma série
de ações individualizadas para
tentar fazer com que a Justiça Federal responsabilizasse a
União pela atual situação dos
índios sul-matogrossenses, especificamente os cerca de 50
mil índios guarani kaiowá.
Segundo o procurador, a partir do início do século passado,
as diversas comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul passaram a sofrer com o processo de
colonização do estado. Para dar
lugar à agropecuária, que contava com o incentivo da União e
do então estado do Mato Grosso,
os índios foram sendo expulsos à
força de seus territórios e reunidos em pequenas áreas, passando, então, a depender de políticas compensatórias.
Hoje, o estado tem a segunda maior população indígena
do país (cerca de 70 mil pessoas), enquanto as disputas por
terras sul-matogrossenses ocasionam os mais altos índices
de homicídios do país. Segundo
relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário
(Cimi), na semana passada, dos
51 assassinatos de indígenas registrados em 2011, 32, ou 63%,
ocorreram no Mato Grosso do
Sul. O estado também lidera o
ranking das tentativas de assassinatos contra índios, com 27
das 30 ocorrências registradas
no ano passado.
Embora esta primeira ação
tenha sido protocolada na 1ª
Vara Federal de Dourados (MS)
em abril, só hoje o MPF divulgou
a iniciativa. Para chegar ao valor
pedido de indenização, o MPF
usou um conceito parecido com
o de lucros cessantes, tomando
por base o tamanho da área da
Terra Indígena Guyraroká - pouco mais de 11 mil hectares localizados em Caarapó (MS) – e o
valor anual do arrendamento da
área e juros, desde 1927.
Procuradas pela reportagem,
a AGU informou que ainda não
foi notificada sobre a ação. Já a
Funai prometeu comentar o assunto tão logo tenha reunido as
informações necessárias.
com Dalazen, há no país 2,86 milhões de processo, mas apenas um
terço dos trabalhadores recebem
os valores determinados pela Justiça. Os processos representam demandas de, em média, R$ 15 mil.
“Muitas vezes, a empresa reconhece o débito mas questiona o valor. Então, o trabalhador
ganha, mas não leva. A Semana
de Execução é uma forma de a
Justiça do Trabalho mostrar que
está tomando providências para
apertar o cerco aos devedores”.
No multirão, foram feitas 37
mil audiências com a homologação de 16 mil processos. Os
acordos fechados representaram
o pagamento de R$ 398,9 milhões em indenizações, além do
bloqueio de R$ 213 milhões e a
arrecadação de R$ 69,5 milhões
em leilões de bens penhorados.
A maioria dos débitos trabalhistas é referente a horas extras
não pagas, aviso prévio, diferenças salariais, indenização por
dano moral e adicionais, como os
de insalubridade, periculosidade e trabalho noturno.
PINHEIRINHO
CNJ deve
investigar
desocupação
Carolina Sarres
Da Agência Brasil
Representantes das famílias
que saíram do Pinheirinho, em São
José dos Campos (SP), em janeiro
deste ano, devido à reintegração
de posse do terreno da empresa
falida Selecta, entregaram nesta
terça-feira à corregedora nacional
do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), Eliana Calmon, pedido de
investigação da conduta da Justiça
de São Paulo no episódio. Diversos
juristas assinam o documento.
“A corregedora recebeu bem
a nossa denúncia e disse que vai
trabalhar com afinco sobre a questão, que está disposta a estudar o
caso. Nós achamos que a Justiça
de São Paulo foi parcial, o que é
irregular. Queremos que o CNJ
possa investigar”, informou o advogado da associação das famílias
do Pinheirinho, Antônio Ferreira.
Segundo Ferreira, o pedido
de investigação menciona possíveis irregularidades que podem
ter ocorrido durante a reintegração de posse da área. Por isso, as
famílias pedem a investigação
da conduta disciplinar de Sartori, do assessor do presidente,
juiz Rodrigo Capez; da juíza de
São José dos Campos, Márcia
Loureiro; e do juiz da falência da
Selecta, Luiz Beethoven.
Questão
de Justiça
[email protected]
Law and economics
ara aqueles menos afeitos às tendências norte-americanas, ou talvez mais adeptos ao léxico da língua portuguesa do que a estrangeirismos, “Law and Economics”
é a metodologia utilizada para designar uma ótica analítica
do direito economicamente eficaz. A palavra chave, portanto,
seria a de envidar “eficiência” alocativa na aplicação jurídica, de modo a catalisar melhores efeitos sócio-econômicos
para cada lide dirimida, para cada acordo privado encerrado.
Factualmente o divórcio estudantil-propedêutico entre um
núcleo tópico especializado e outro, acaba formando profissionais monologuistas. Um exemplo de tal problema é a conhecida utilização de vocabulário (e ideologias tópicas) construtivo
de jargões que distanciam profissionais d’outros, por “castas
de bacharéis” (dai vem o “juridiquês”, o “economiquês”, e diversas outras linguagens “separadas e separatistas”).
Não é, portanto, nenhuma novidade a aproximação
intelectual entre disciplinas que resulte na ampliação
cognitiva dos estudantes, e esta tendência acadêmica é
cognominada de interdisciplinaridade. A riqueza da tal
interdisciplinaridade está em evitar isolamentos teóricos
entre sistemas sociológicos e jurídicos, entre feixes antropológicos e econômicos, perante enfoques psicológicos e
medicinais clássicos. E, pragmaticamente, a conjunção
entre teoria e praticidade de duas – ou mais – ênfases distintas, minora as possibilidades de que um aprendizado
“morra na praia” por ser completamente incompatível
fora do “modelo”, da utopia, na vida propriamente dita.
Mas tal diálogo entre um “sistema” e seu par demanda,
é verdade, muito mais esforço de pesquisa, a derrocada
de um elitismo narcisista existente em cada área, além de
não fornecer, em todos os casos, respostas de um binômio
do tipo “certo” ou “errado”. A metodologia de apenas um
professor em sala de aula, também não contribui para o
aprendizado dual ou plural, posto que cada status-fático
estudado poderá ganhar soluções antagônicas dependendo
da formação acadêmica
do interlocutor.
Se os tribunais
Assim, dentro de uma
premissa mais globalizacontinuarem a usar a
da, dois pólos de excelência universitária nos Estaescola de Chicago do
dos Unidos da América se
aprofundaram na aborda“law and economics”,
gem econômico-jurídica
de forma a permitir alteperigamos entrar
rações na vida jurígena
estanque. Na escola de
numa das eras mais
Harvard, de forma simplista, poder-se-ia afirmar
desumanas
que haveria uma ponderação mais balanceada entre eficiência-econômica e
necessidades sociais; enquanto na escola de Chicago o voto
de minerva sempre caberia a predominância econômica.
Dessa forma, ao enveredar pela pesquisa de soluções jurídicas que não sejam “paridas de costas” para a realidade
econômica, o direito teria uma participação maior na redistribuição e facilitação nas finanças. Não há como negar que
a “trilogia do poder” composta pela política, economia, e
pelo direito, ficaria mais equilibrada e eficiente se houvesse
uma intercomunicação construtiva entre todos os alicerces.
No entanto, pelo menos perante o Supremo Tribunal
Federal norte-americano, a escola – com certa dose de
maldade – xiita de Chicago é que vem encontrando mais
“eco”; e também entre os doutrinadores pelo mundo afora. Como sinal de tal afirmação, é cotidiana a perspectiva
de que o endeusamento da economia e da eficiência acabam sendo transfiguradas para setores que, nitidamente,
são incompatíveis, com tal aplicação.
No Brasil, por exemplo, a responsabilidade civil tem
sido vítima de aplicações levianas da análise econômica do
direito, em especial no tocante à complexa discussão sobre danos morais. Quando algum cidadão tem seu núcleo
existencial ferido por terceiro, como não se fala em peculiaridades fungíveis (como dinheiro), muitos defendem que
compensações em pecúnia significariam o “enriquecimento sem causa” da vítima. Ou seja, trocando a miúdos, se o
causador do dano fosse obrigado a entregar “bananas” por
ter “estragado a maçã” de fulano, não haveria satisfação
em tal transação, e quiçá tal não seria eficiente.
Ambos sairiam insatisfeitos da aplicação legal: a vítima por não poder ter sua existência retornada ao status
quo ante, e o réu, condenado, por ter sido compelido a dar,
em dinheiro, algo “financeiramente desproporcional”. No
tocante às violações existenciais coletivas, contudo, a escola da análise econômica do direito traz pertinente crítica, pois não se deve ultrapassar a esfera individual no momento de alocar as responsabilidades, quando o sujeito
ativo/credor/autor não dispõe de legitimidade econômica.
E de tais corruptelas teóricas do “law and economics”,
alguns manualistas do direito acabaram endossando a
chamada “indústria do dano moral”, na crítica de que
se deveria usar timidamente do sistema compensatório
(financeiro); não se dando conta que tal proposta acaba
– agora sim – por dar uma carta-de-alforria aos grandes
violadores sociais, em geral, grandes empresas.
Se, por um lado, é verdade que a edição de novas leis
não resolverão, per se, os problemas que tais normas visavam evitar; por outro, a famosa “mão invisível” do mercado
(proposta por Adam Smith) também não hábil, isoladamente, para extirpar conflitos sociais. Se os Tribunais e doutrinadores brasileiros continuarem no uso, sem as devidas
adaptações, da escola de Chicago do “law and economics”,
perigamos entrar numa das eras mais desumanas do direito.
P
Pedro Marcos Barbosa é mestre em Direito Civil, epecialista em Propriedade Intelectual, professor da Graduação e Pós-Graduação em Direito
da PUC-RIO, sócio de Denis Borges Barbosa Advogados, eleito Diretor
Cultural do IAB para o biênio 2012-2014.
MUNDO
7
Quarta-feira, 20, a segunda-feira 25 junho de 2012
IRÃ
Negociações
continuarão
em Istambul
A chefe da diplomacia da
União
Europeia,
Catherine
Ashton, informou que as negociações de alto nível entre o Irã e representantes dos Estados Unidos,
China, Rússia, Alemanha, França
e Reino Unido foram suspensas,
mas especialistas dos dois lados
vão se reunir no mês que vem para
tentar estabelecer um terreno comum para novas negociações.
“Ficou claro que há lacunas
significativas entre as duas posições”, disse Ashton aos jornalistas. Ela disse que uma reunião
de especialistas vai acontecer
em 3 de julho em Istambul e depois disso haverá uma reunião de
alto nível da qual ela e o principal negociador iraniano, Saeed
Jalili, vão participar, embora a
data para tal encontro ainda não
tenha sido definida. Segundo
ela, é necessário que ocorra antes uma reunião de especialistas
para quebrar o impasse que persiste desde a retomada das negociações em abril. Só após isso é
que uma reunião de representantes graduados será possível.
Ashton lidera a equipe de representantes do grupo de potências ocidentais, também conhecido como P5+1 - os cinco membros
permanente do Conselho de Segurança mais da Alemanha.
“Nós esperamos que o Irã
decida se está disposto a fazer
com que a diplomacia funcione,
se concentre no alcance de um
acordo para chegarmos a um
processo de construção de con-
fiança e trate das preocupações
da comunidade internacional.”
Ashton disse, que pela primeira vez durante as negociações, o
lado iraniano tratou do cerne da
crise, embora tenha deixado claro que não houve sinal de avanço
na reunião de Moscou.
“A última sessão, Jalili e
eu falamos sobre o fato de que
ninguém naquela sala queria
conversar por conversar”, disse
ela. “E o fato é que eles (o Irã)
começaram a tratar da questão
central pela primeira vez, mas
ainda há muito o que avançar.”
Ashton disse que as potências mundiais reafirmaram suas
exigências para que o Irã pare
de enriquecer urânio a 20%,
exporte seu estoque atual desse
material e feche a instalação de
enriquecimento de Fordo.
As declarações de Ashton foram
feitas nesta terça-feira, após dois
dias de negociações nos quais houve pouco progresso na definição de
ações que pudessem acalmar os
temores internacionais de que o
Irã pode transformar seu programa
nuclear num programa de armas.
O Irã nega tais suspeitas e
afirma que suas atividades atômicas têm como objetivo apenas
a produção de combustível nuclear para a obtenção de energia
elétrica e a produção de isótopos médicos. Teerã quer que as
sanções internacionais contra o
país sejam levantadas antes de
considerar a interrupção de seu
enriquecimento de urânio.
LONDRES
Assange busca refúgio em
embaixada equatoriana
Editor-chefe do site Wikileaks pediu asilo político. Equador avalia pedido
O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo
Patiño, disse nesta terça-feira
que o editor-chefe do website
WikiLeaks, o australiano Julian
Assange, de 40 anos, buscou refúgio na embaixada equatoriana
em Londres e pediu asilo político. Patiño afirmou que o Equador
avalia o pedido. Patiño disse que
a decisão equatoriana respeitará
a lei internacional e o apoio que
o país dá aos direitos humanos.
Assange tomou a medida algumas semanas após a Suprema
Corte da Grã-Bretanha rejeitar o
pedido para que sua extradição
à Suécia fosse reconsiderada. Assange é procurado pela Justiça da
Suécia após duas mulheres o terem acusado de estupro, durante
uma visita que ele realizou a Estocolmo em 2010. Assange nega ter
estuprado as duas mulheres, que
segundo ele aceitaram fazer sexo.
Patiño disse que Assange
escreveu para o presidente do
Equador, Rafael Correa, e afirmou sofrer perseguição política
na Grã-Bretanha e que por isso
procurava asilo. O chanceler do
Equador disse que Assange afirmou que as autoridades australianas “não defenderiam seus
direitos mínimos frente a qualquer governo ou ignorariam a
obrigação de proteger um cidadão politicamente perseguido”.
Divulgação
Julian Assange: luta já dura dois anos
Assange também teria dito
a Patiño que para ele seria impossível regressar à Austrália,
porque o governo australiano po-
deria extraditá-lo “para um país
estrangeiro que aplique a pena
de morte pelo crime de espionagem e revolta”. A referência pre-
sumível são os Estados Unidos.
Assange afirma que o governo
norte-americano o indiciou secretamente porque o WikiLeaks
divulgou milhares de segredos
dos departamentos de Estado e
de Defesa. Assange afirma que,
se for extraditado à Suécia, estará ainda menos protegido do que
na Grã-Bretanha contra possíveis ações do governo dos EUA.
O WikiLeaks publicou em
2010 centenas de milhares de
telegramas diplomáticos do governo dos Estados Unidos. O
website também publicou um
vídeo que mostrava soldados
norte-americanos atirando contra civis e jornalistas iraquianos,
que os militares confundiram
com insurgentes. As autoridades
australianas colaboraram com as
norte-americanas nas investigações à conduta do WikiLeaks e
concluíram que Assange transgrediu a lei australiana.
A luta de Assange para ficar
na Grã-Bretanha já dura quase
dois anos e ofuscou o trabalho
do seu website, que se dedicou
a expor segredos do governo dos
Estados Unidos e também da
diplomacia de outros países. No
dia 30 de maio, a Suprema Corte rejeitou o pedido feito pelos
advogados de Assange e afirmou
que a extradição poderá levar
dez dias, a partir de 28 de junho.
VIOLÊNCIA
Brasil aprova edital
de intercâmbio
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes), do Ministério
da Educação do Brasil, aprovou
um edital de intercâmbio entre
universidades de países falantes de língua portuguesa da
África e do Timor Leste.
O anúncio foi feito durante
o encontro anual da Associação
das Universidades de Língua
Portuguesa (Aulp), que começou na segunda-feira na capital
de Moçambique.
A verba é de 1 milhão de euros por ano – cerca de R$ 2,6
milhões – e poderá beneficiar
400 professores e alunos de
cursos em instituições brasileiras e do exterior. O dinheiro
servirá para pagar passagens
aéreas e bolsas para estada
pelo período de um a quatro
meses, nos projetos de ensino
e pesquisa das universidades.
De acordo com o reitor da
UFMG e vice-presidente da
Aulp, Clélio Campolina, “o Brasil tem com a África uma dívida
social desde a escravidão”, e
essa é uma forma de integrar e
promover o desenvolvimento da
pesquisa nos países africanos, ao
mesmo tempo em que aproxima
o Brasil de um continente em
forte ritmo de crescimento.
EGITO
6KD¿TD¿UPDTXH
general venceu
O porta-voz da campanha de
Ahmed Shafiq afirmou nesta
terça-feira que o candidato foi o
vencedor da eleição presidencial
do Egito, contrariando a Irmandade Muçulmana que declarou
seu candidato, Mohammed Mursi, o vencedor do pleito. Shafiq
foi o último primeiro-ministro do
ex-presidente Hosni Mubarak,
derrubado pela revolta popular
em fevereiro de 2011.
O porta-voz Ahmed Sarhan
disse em uma conferência para
jornalistas que Shafiq venceu
com 51,5% dos votos. Ele afirma
que a alegação de vitória da Irmandade Muçulmana é “falsa”.
“O general Ahmed Shafiq é
o próximo presidente do Egito”,
afirmou Sarhan, dizendo também que o candidato conseguiu
500 mil votos a mais que seu adversário na eleição.
O resultado oficial da votação, que ocorreu no último fim
de semana, será anunciado na
quinta-feira.
Governo sírio diz estar pronto
para retirar famílias sitiadas
O governo do presidente sírio
Bashar Assad disse nesta terçafeira que está pronto para acatar um pedido da Organização
das Nações Unidas (ONU) para
a retirada de civis da cidade de
Homs, que há mais de uma semana não conseguem deixar o local,
mas responsabilizou os rebeldes
por obstruírem os esforços para a
evacuação dessas pessoas.
O major-general Robert Mood,
chefe da missão de observadores
da ONU no país, exigiu que todos
os lados do conflito permitam a
passagem de mulheres, crianças e
doentes que precisam sair da cidade e de outras zonas de combate.
Ativistas disseram que bombardeios e confrontos entre
combatentes rebeldes e tropas
em Homs não diminuíram nesta
terça-feira, destacando a dificuldade em organizar qualquer tipo
de retirada. Há relatos de violentos bombardeios em distritos
tomados pelos rebeldes como
Khaldiyeh e Jouret el-Shayeh e
em áreas próximas.
Tropas apoiadas por helicópteros, armados com metralhadoras,
também atacavam a cidade de Rastan, ao norte de Homs, e que também é controlada pelos rebeldes.
O Observatório Sírio pelos
Direitos Humanos reiterou seu
apelo urgente para que os líderes mundiais intervenham para o
encerramento dos bombardeios,
que impedem o deslocamento de
mais de 1.000 famílias e “os sistemáticos assassinatos que o povo
sírio em Homs está submetido”.
Um comunicado do Ministério de Relações Exteriores divulgado pela agência estatal de
notícias Sana diz que o governo
entrou em contato com a missão
de observadores da ONU e com
autoridades locais em Homs
para iniciar os trabalhos para a
retirada dos civis.
“Os esforços da missão de monitoramento da ONU fracassaram em atingir seu objetivo por
causa das obstruções impostas
pelos grupos terroristas”, diz o
comunicado, que acusa os grupos
armados de usarem civis inocentes como “escudos humanos”.
O governo sírio costuma se referir aos rebeldes como terroristas
A missão da ONU não comentou
as afirmações do governo sírio.
No último domingo, Mood disse que os observadores haviam
tentado, na semana anterior, retirar famílias e feridos de Homs,
sitiadas pelos ataques do regime.
Ativistas dizem que cerca de
1.000 famílias não podem deixar
Homs por causa dos ataques do
governo à cidade. O Observatório
disse que dezenas de feridos, que
não têm acesso a medicamentos
e remédios estão impedidos de
se deslocar em Home e em outras
áreas controladas por rebeldes.
No sábado, a ONU disse que
seus 300 observadores na Síria
suspenderam todas as missões
por causa de temores em relação
à segurança do grupo, depois
que os confrontos se intensificaram nos dez dias anteriores. Mas
os monitores disseram que permanecerão em Damasco.
Mood deve falar ao Conselho de Segurança pessoalmente nesta terça-feira, em meio
a crescentes temores de que a
violência possa encerrar a missão de monitoramento, parte do
plano de paz apresentado pelo
enviado especial da ONU e da
Liga Árabe, Kofi Annan.
PAQUISTÃO
3UHPLHUQmRSRGH¿FDUQRFDUJR
O principal tribunal do Paquistão decidiu nesta terça-feira que o
primeiro-ministro Yousuf Reza Gilani não pode permanecer no cargo em razão de uma condenação
anterior de obstrução à Justiça.
O veredicto da Suprema Corte foi
um grande golpe para Gilani, que
estava suspenso havia meses.
Gilani e seu partido, o maior
da coalizão de governo, realizavam
uma reunião de emergência para
discutir o veredicto. No passado, o
partido disse que teria apoio suficiente no Parlamento para eleger
um novo premiê caso Gilani fosse
derrubado por um decisão judicial.
Mas alguns auxiliares disseram
que o primeiro-ministro pode tentar se manter no poder. Se Gilani
resistir à ordem, a ação pode dar
início a um impasse constitucional e a agitações sociais, chegando
mesmo à possibilidade de um gol-
pe militar, algo que já aconteceu
três vezes no país no passado.
Em sua decisão, a Suprema
Corte ordenou a comissão eleitoral do país a demitir formalmente Gilani e afirmou que ele não é
legalmente o premiê do país desde 26 de abril, quando o tribunal
o condenou por obstrução por
ele ter se recusado a abrir uma
investigação por corrupção contra o presidente Asif Ali Zardari
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Todo conteúdo do jornal está disponível em nosso site, antes de o jornal estar nas bancas.
“O cargo de primeiro-ministro deve ser considerado vago”,
disse o juiz que preside o tribunal, Iftikhar Chaudry, que também ordenou Zardari a iniciar
o processo para a eleição de um
novo primeiro-ministro.
O veredicto foi o fim de um
processo que teve início em 2009,
que ordenou o governo a pedir
para as autoridades da Suíça reabrirem os casos contra Zardari.
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8
Quarta-feira, 20, a segunda-feira 25 junho de 2012
ARTES
CINEMA
João Marcos Cavalcanti
Ridley Scott fala
VREUHVHXQRYR¿OPH
MPB & outras
histórias
João Marcos Cavalcanti de Albuquerque é
advogado formado pela PUC, ex-secretário chefe
do gabinete de Cesar Maia, escritor bissexto e estudioso da MPB. [email protected]
“Prometheus” foi lançado para responder ao enigma de Alien e lança novas perguntas
Divulgação
Luiz Carlos Merten
Da Agência Estado
Ridley Scott nunca gastou
tanto dinheiro em sua carreira,
mas estava sereno ao conversar
com a reportagem, na capital
inglesa, sobre “Prometheus”.
Durante muito tempo se falou
no retorno do diretor a seu filme
mítico, “Alien - O Oitavo Passageiro”, de 1979. O próprio título, Scott reconhece, é simbólico.
Prometheus, o herói mitológico,
roubou o fogo de Zeus para dálo aos homens e foi punido pelo
deus. “Prometheus”, o filme,
parece que vai responder ao
enigma de “Alien” e lança novas perguntas. O filme promete
mais que cumpre, mas impressiona, principalmente pelo visual. “Prometheus” é uma aposta
grande da distribuidora Fox.
Por que voltar a “Alien”, 33
anos depois?
Ridley Scott — De todas as
minhas criações, Alien foi a que
mais se instalou no imaginário
coletivo. Concebi-o como um
personagem aterrador, uma encarnação da psicose e, embora
lisonjeado com a popularidade
que alcançou, nunca me senti
muito confortável com as sequências nem com os filmes da
outra franquia, quando Alien
enfrenta o predador. Há algum
tempo comecei a conversar com
a Fox, propondo uma retomada da série. A conversa era no
rumo de uma sequência, mas
quando comecei a trabalhar
seriamente no projeto percebi
que teria de tomar o caminho
inverso. Saiu uma prequel.
estrelas. Ela organiza uma expedição em busca de repostas.
Encontra o desconhecido.
No primeiro filme, ele nascia
do ventre do homem. Aqui, do
ventre do homem das estrelas. Por
que a fixação?
— É o aspecto mais intrigante e não vou lhe dar nenhuma
resposta específica. Tem a ver
com a construção dramática
dos filmes como unidades de
espaço e tempo. Mas digamos
que, obviamente, há aí uma crítica ao machismo, num sentido
amplo. O poder do falus, Tanatos, Marte, a guerra.
O filme tem muita ação, mas à
maneira de Stanley Kubrick, em
2001, carrega indagações filosóficas sobre o significado da existência. Como veio isso?
— O roteiro foi concebido dessa maneira. Foi escrito em oito
meses, o que me parece um prazo
curto, considerando-se a amplitude do projeto. Mas não pensava
- vou fazer o meu 2001. Seria muita presunção, mesmo que Alien e
Blade Runner sejam consideradas duas das ficções científicas
mais influentes já feitas.
Scott: “O homem está sendo chamado para ir às estrelas”
E por que esse formato?
— Por que o filme nasce da
indagação. Se estava insatisfeito com os rumos de Alien, precisava voltar à origem. Quem
é ele? Todas as culturas ancestrais manifestam o temor e a
ESPORTES
reverência perante o desconhecido. Na trama do filme, Noomi
Rapace (Elizabeth Shaw) acredita que os signos que encontra
em diferentes culturas apontam para um convite. O homem
está sendo chamado para ir às
O que o gênero tem de tão
atraente?
— É a possibilidade de projetar, como fantasia, questões que
são relevantes sobre o nosso presente e futuro. A ficção científica
é um campo muito amplo - existem os autores que viajam na
imaginação, os que se mantêm
dentro das possibilidades reais
da ciência e os que buscam extrapolar as indagações.
Vasco acerta a compra
dos direitos de Eder
Luis e Fellipe Bastos
por quase R$ 8 milhões
N
O homem também
é um avião
a ótica de nós homens quando vemos
uma linda mulher dizemos: Que avião! Entretanto, uma amiga me disse que
também nos olhos das mulheres os homem também
podem ser um avião. Fiquei
curioso e ela exemplificou:
O homem até os 20 anos
é um avião de papel, apenas voos rápidos e de curta
duração.
Dos 20 aos 30 pode ser
comparado a um caça militar. Sempre a postos os sete
dias da semana. Ataca qualquer objetivo. Capaz de executar várias missões, mesmo quando separadas por
curtos intervalos de tempo.
Dos 30 aos 40 é um avião
comercial. Opera em horário
regular. Destinos de alto nível.
Voos longos, com raros sobressaltos. A clientela chega com
grande expectativa; ao final,
sai cansada, mas satisfeita.
Dos 40 aos 50 é uma aeronave comercial de voos
regionais. Mantém horários
regulares. Destinos bastante
C
U
conhecidos e rotineiros. Os
vôos nem sempre saem no
horário previsto, o que demanda mudanças e adaptações que irritam a clientela.
Dos 50 aos 60 é um avião
cargueiro. Preparação intensa
e muito trabalho antes da decolagem. Uma vez no ar, manobra lentamente e proporciona menor conforto durante
a viagem. A clientela é composta majoritariamente por
malas e bagulhos diversos.
Dos 60 aos 70 pode ser comparado a uma asa delta. Exige
excelentes condições externas
para alçar vôo. Dá um trabalho enorme para decolar e, depois, evita manobras bruscas
para não cair antes da hora.
Após aterrissagem, desmonta
e guarda o equipamento.
Dos 70 aos 80 equiparase a um planador. Só voa
eventualmente e com auxílio. Repertório de manobras
extremamente limitado e
uma vez no chão precisa de
ajuda para voltar ao hangar.
Depois dos 80 torna-se
modelo antigo.
R
T
A
Banda Strokes começa a gravar
seu novo disco em Nova York
Depois de muita especulação, a banda Strokes finalmente começou
a gravar seu próximo disco no Eletric Lady Studios, em Nova
York, criado por Jimi Hendrix nos anos 70. Segundo a revista
“Billboard”, os roqueiros estão trabalhando com o produtor Gus
Oberg, que mixou algumas faixas de “Angles” (2011).
Sem regras, Flamengo
deixa Adriano à vontade
durante o tratamento.
Clube evitará cobranças
Flagrado no exame
antidoping surpresa,
Alistair Overeem diz que
voltará para disputar o UFC
Divulgação
TABELA
Vôlei brasileiro vai
DEULUGLVSXWDROtPSLFD
Seleção feminina joga dia 28/7 contra a Turquia. A masculina contra a Rússia, dia 30
A Federação Internacional
de Vôlei (FIVB) divulgou nesta
terça-feira a tabela completa
da primeira fase dos torneios
masculino e feminino da modalidade nos Jogos Olímpicos de
Londres. Na semana passada, a
entidade havia confirmado os
grupos da competição, mas agora o Brasil conheceu a rota que
irá traçar na Olimpíada e soube que terá rivais considerados
mais fracos em suas estreias.
Atual campeã olímpica, a
seleção feminina iniciará sua
campanha em Londres contra a
Turquia, em 28 de julho. E, no
dia seguinte, o time comandado
pelo técnico Bernardinho come-
çará diante da Tunísia a sua busca pelo terceiro ouro da história
do vôlei masculino brasileiro já ganhou em Barcelona/1992 e
Atenas/2004, tendo sido prata na
última edição, em Pequim/2008.
A equipe comandada pelo técnico José Roberto Guimarães está
no Grupo B do torneio feminino
de vôlei dos Jogos Olímpicos e
terá pela frente já no seu segundo
desafio na capital inglesa a forte
seleção dos Estados Unidos, em
30 de julho. Na sequência, o Brasil medirá forças contra Coreia do
Sul, em 1º de agosto, antes de encarar a China no dia 3 e fechar a
sua participação na primeira fase
contra a Sérvia, no dia 5.
A seleção brasileira masculina, assim como a feminina, terá o
seu primeiro grande duelo nesta
Olimpíada já na segunda rodada
da primeira fase, na qual jogará
contra a Rússia em 31 de julho.
O time de Bernardinho, por sinal, caiu no “grupo da morte” da
competição, o B, pois logo em seguida enfrentará os atuais campeões olímpicos Estados Unidos,
em 2 de agosto, antes de ter pela
frente a também forte Sérvia no
dia 4 e encerrar a fase inicial contra a Alemanha, dois dias depois.
Os torneios de vôlei masculino e feminino dos Jogos de
Londres têm o mesmo regulamento, segundo o qual as quatro
seleções mais bem colocadas de
cada chave se classificarão para
as quartas de final. A decisão
da medalha de ouro entre as
mulheres será em 11 de agosto,
enquanto a grande final da competição entre os homens acontecerá no dia seguinte, quando
também acaba a Olimpíada.
Curiosamente, o Brasil fará o
último jogo dos dois primeiros
dias de disputa do vôlei em Londres. As brasileiras irão encarar
a Turquia em duelo previsto para
começar às 18h (horário de Brasília) de 28 de julho, enquanto o
time masculino estreará contra
os tunisianos no mesmo horário
do dia seguinte.
MOVIMENTAÇÃO
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Com a abertura da janela de
transferências internacionais
nesta quarta-feira, a movimentação no mercado começa a esquentar. E um dos clubes mais
ativos é o Botafogo. Os atacantes
argentino Herrera e uruguaio
Loco Abreu e o meia Maicosuel
estão expostos na prateleira de
General Severiano e podem deixar o clube nos próximos dias.
Todos participaram da atividade desta terça-feira, no
Engenhão, enquanto aguardam uma definição de seu futuro. Herrera é cobiçado por
um clube dos Emirados Árabes
Unidos e o clube alvinegro espera receber R$ 6 milhões. Os
cartolas cogitam até retirar
o argentino do jogo contra a
Ponte Preta, neste domingo, no
Engenhão. O temor é por uma
lesão que derrube o negócio.
“Ele ainda não está vendido.
Houve a proposta, e está tudo
bem encaminhado, mas faltam
exames e assinaturas. A negociação está em evolução”, disse
o gerente Anderson Barros.
Maicosuel desperta o interesse da Udinese e os dirigentes
botafoguenses já liberaram o
agente do meia, Lê, para negociar com o clube italiano.
O caso mais complicado é o de
Loco Abreu. O veterano atacante
uruguaio está insatisfeito com a
reserva e fala abertamente em
deixar o Botafogo. No entanto, o
clube não recebeu uma proposta
oficial por ele e até mesmo o Vasco, contactado por pessoas ligadas a Abreu, rejeitou o jogador.
Antecipando a saída de seus
homens de frente, a diretoria trabalha para adquirir o atacante
Rafael Marques, do Omiya Ardija,
do Japão. O jogador, de 29 anos, é
uma indicação do técnico Oswaldo de Oliveira, que trabalhou na
liga japonesa por cinco anos.
Salário de Kaká é impossível de ser pago
CONTRATAÇÃO
Galliani: Kaká
não deve voltar
para o Milan
O vice-presidente do Milan,
Adriano Galliani, garantiu que o
clube não tem interesse em contratar Kaká, que teve passagem
de grande sucesso pela equipe
italiana antes de se transferir
para o Real Madrid. O dirigente
ressaltou que o meio-campista
não poderia retornar ao clube
neste momento também por causa da questão financeira. Ele destacou que hoje o salário do brasileiro é “impossível” de ser pago
não apenas pelo Milan, mas por
qualquer outro time da Itália.
A possível saída de Kaká do
Real voltou a ser especulada depois de o meio-campista exibir,
no final da última temporada
europeia, lampejos do futebol
que o consagrou. O atleta, porém,
seguiu como reserva da equipe
espanhola, dando sinais de que
ele não tem muito crédito com o
técnico José Mourinho.
Mas o Milan não parece ser
um destino possível. “Kaká tem
um salário impossível para os
clubes italianos e, além disso,
tem três anos de contrato (com
o Real) a condições altíssimas”,
ressaltou Galliani, em entrevista
coletiva. “Ele pode ir para outros
países, mas não vem aqui para a
Itália, onde custaria o dobro.”
Além de negar a possibilidade
de Kaká retornar ao Milan, Galliani negou as especulações que dão
conta de que o Real Madrid teria
feito uma oferta para contratar
Kevin Prince Boateng. O dirigente, porém, admitiu que houve “alguns contatos” entre os dois clubes, “mas nenhum importante”.
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Crise e estabilidade são tema de debate de Ex-BCs