A guerra que não vimos O artista colombiano Juan Manuel Echavarría leva para o programa de residência e pesquisa da Casa Daros seu projeto realizado junto a ex-­‐
combatentes dos conflitos armados na Colômbia nas últimas décadas Casa Daros, Rio Abertura: 22 de junho de 2013, às 12h [Salas expositivas de arte e educação] Até 18 de agosto de 2013 Entrada franca A Casa Daros apresenta, a partir do dia 22 de junho de 2013, o projeto “A guerra que não vimos”, do artista colombiano Juan Manuel Echavarría, que inclui uma exposição e um fórum de debates. A exposição, que será aberta ao público às 12h em uma das salas da mostra “Para (saber) escutar”, vai reunir onze pinturas vinílicas sobre MDF, feitas entre 2007 e 2009 por ex-­‐combatentes dos conflitos armados na Colômbia, em oficinas realizadas dentro do projeto de resgate de memória histórica conduzido pelo artista Juan Manuel Echavarría (1947, Bogotá). A seleção das pinturas que estarão expostas na Casa Daros foi feita por Eugenio Valdés Figueroa, diretor de arte e educação da instituição, e pelo próprio artista, dentro do conjunto de obras exibidas na Colômbia na exposição “La guerra que no hemos visto”, com curadoria de Ana Tiscornia, em 2009, no Museo de Arte Moderno de Bogotá, e que depois itinerou por diversas cidades na Europa e nos Estados Unidos. Por um acordo feito com os participantes do projeto, ex-­‐paramilitares e ex-­‐soldados do exército colombiano, suas identidades estão preservadas, e os nomes identificados por códigos. Para o diretor de arte e educação da Casa Daros, é importante frisar que “não se trata de um trabalho terapêutico”. “Tampouco Juan Manuel pretende ‘usar’ aquelas pessoas para compilar friamente uma documentação desde ‘a outra margem’. Ele quer entender o ser humano, aqueles que fizeram o ‘trabalho sujo’, como diz, e que pintam em suas histórias a tragédia humana em tempos de guerra”, diz. Por ocasião da mostra em Bogotá, em 2009, Juan Manuel Echavarría disse que “após dois anos de distanciamento, sei que tanto o processo quanto o resultado possuem muitas camadas, e creio que o grande aporte deste projeto para a humanidade é ser uma declaração contra a guerra feita por aqueles que fizeram a guerra”. Eugenio Valdés Figueroa observa que na série de oficinas desenvolvidas por Echavarría no projeto “A Guerra que ainda não vimos – Um projeto de Memória Histórica” (La guerra que no hemos visto – Un proyecto de memória histórica), “se tecem histórias pessoais, autorreflexões profundas e o registro de uma época obscurecida pela brutalidade da guerra”. “Seu trabalho mergulha na frágil fronteira entre os papéis de vítima e algoz, deslocando os pontos de vista de ‘quem narra a História’, e prioriza o interesse na complexidade da natureza humana”, explica. Ele ressalta ainda que “as pessoas com as quais Juan Manuel Echavarría realizou os workshops eram todas muito jovens e nunca foram artistas, no entanto as pinturas são de tal qualidade artística que conseguem nos atingir”. “Essas pinturas”, continua Eugenio Valdés, “nos trazem a visão dos ‘atores da guerra’, caracterizada por uma intensidade catártica em seu aspecto vivencial, e portanto uma honestidade dilacerante e mórbida, em que afloram em tensão a inocência mutilada e a culpa irresponsável e confessa”. O OUTRO LADO DA HISTÓRIA Em obras emblemáticas como “Corte de Florero” (1997) e “Bandeja de Bolívar” (1999), presentes na exposição inaugural da Casa Daros “Cantos Cuentos Colombianos”, Juan Manuel Echavarría comenta a realidade da Colômbia. Mas foi a partir de trabalhos como “Bocas de Ceniza” (2002), vídeo em que sobreviventes de chacinas cantam músicas compostas por eles, que o artista passa a ter um contato direto com vítimas da violência em seu país. Em 2006, ele criou a fundação sem fins lucrativos Puntos de Encuentro, para projetos de educação, e com uma linha programática para preservar a memória da guerra por meio de projetos artísticos. Em 2007, ele iniciou o projeto “A guerra que não vimos”, inicialmente com três paramilitares, e rapidamente chegando a oitenta ex-­‐combatentes de outros grupos e do próprio exército colombiano. A condição imposta pelo artista era de que todos fossem ex-­‐combatentes rasos. “Não me interessava a voz dos ideólogos da guerra”, ressalta. Em várias oficinas realizadas em sua Fundação, ele indagava aos que combateram na guerra: “Digam-­‐me como é a guerra por dentro; o que foi que vocês vivenciaram? Como vocês entraram nisso? O que sentiram”? “Sempre busquei um relato pessoal, porque essa era uma voz pouco ouvida e me era bastante distante”, explica. “As vítimas sempre estiveram presentes em meus trabalhos”, relata Juan Manuel Echavarría. “Mas eu sentia a necessidade de conhecer os agentes da guerra. Em 2001, quando fiz um trabalho com sete mulheres sequestradas na igreja de La María (em Cáli, Colômbia), deparei com a inquietude de saber como poderiam ser as histórias dos guerrilheiros que as haviam sequestrado e mantido em custódia, conhecer o outro lado da história”, conta. RESIDÊNCIA DE PESQUISA E CRIAÇÃO A residência de pesquisa de Juan Manuel Echavarría na Casa Daros abrange o Fórum “A guerra que não vimos”, que reunirá em quatro sessões de discussões instituições brasileiras convidadas, que trabalham com arte e cultura em ações de transformação de grupos expostos à violência. Desta maneira, Juan Manuel Echavarría tomará contato com grupos diversificados fora de seu território natal, a Colômbia, em uma plataforma de reflexão que não pretende chegar a uma resposta definitiva, mas abrir espaço para a fala e para a escuta. Esta é a segunda residência de pesquisa e criação oferecida pela Casa Daros. A primeira foi realizada pela artista Iole de Freitas, que desenvolveu o tema central de seu trabalho “Para que servem as paredes do museu?”. Eugenio Valdés Figueroa explica que “o programa de residência de pesquisa e criação da Casa Daros está diretamente relacionado com a filosofia que permeia a Coleção Daros Latinamerica, de se constituir em um projeto de permanente investigação, e de acompanhar os processos criativos e as inquietações dos artistas ali representados”. “O programa não pretende encomendar obras aos artistas, mas sim ‘visitar’ e ‘acompanhar’ uma obra em progresso, criando as condições para que o trabalho possa acontecer”, explica. JUAN MANUEL ECHAVARRÍA Em 1995, às vésperas de completar 50 anos, Juan Manuel decidiu abandonar a bem-­‐
sucedida carreira de escritor – são dele os romances “Moros en la costa” (Ancora Editores, 1991) e “La gran catarata” (Editorial Arco, 1981) – e se expressar a partir das artes visuais. Escolheu a fotografia, depois os vídeos. Seu primeiro projeto como artista visual foi a série “Retratos” (1996), fotografias de rostos de manequins desfigurados em vitrines. “Não trabalho mais entre quatro paredes”, afirma. “Descobri que o mais importante para mim é a pesquisa. É escutar, andar em zonas afastadas de Bogotá, em distantes áreas rurais onde acontece a guerra, é ver a geografia, é compartilhar com as pessoas”. Sua primeira exposição individual ocorreu em Nova York, na B&B International Gallery, em 1998. Um ano depois, participou de “Arte y violência em Colombia desde 1948”, no Museo de Arte Moderno de Bogotá. Em 2005, sua série “Bocas de ceniza” foi exibida na Bienal de Veneza e, no ano seguinte, realizou uma individual no Weather spoon Art Museum, em Nova York. A exposição “Juan Manuel Echavarría: mouths of ash” circula por várias cidades dos EUA. Em 2011, participa da VIII Bienal do Mercosul – “Ensaios de geopoética”, em Porto Alegre, Brasil,e, em 2012, da XVIII Bienal de Sidney, na Austrália, dentre outras exposições na América Latina, Europa e EUA. Para saber mais sobre a Fundación Puntos de Encuentro e o projeto “A guerra que não vimos”, visite o site http://www.laguerraquenohemosvisto.com. Serviço: “A guerra que não vimos – Projeto de Juan Manuel Echavarría” Abertura: 22 de junho de 2013, às 12h [Salas de exposição de arte e educação] Entrada franca Casa Daros, Rio Rua General Severiano, 159, Botafogo, Rio, CEP 22290-­‐040 Telefone: 21.2138.0850 De quarta a sábado, das 12h às 20h Domingos e feriados, das 12h às 18h Exposição “Cantos Cuentos Colombianos” Até 08 de setembro de 2013 Ingresso: R$12,00 / Idosos e estudantes com mais de 12 anos: R$6,00 Bilheteria fecha meia hora antes de encerrar o horário de visitação Quartas-­‐feiras: entrada gratuita Mostra paralela “Para (saber) escutar” Até 28 de julho de 2013 Entrada Franca http://www.casadaros.net Mais informações: CW&A Comunicação Claudia Noronha / Marcos Noronha / Beatriz Caillaux Telefone: +55 21 2286 7926 e +55 21 3285 8687 [email protected] / [email protected] / [email protected] 
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