1 ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TEOLOGIA ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA A DISTÂNCIA: UM ESTUDO DE CASO São Leopoldo 2010 2 ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA A DISTÂNCIA: UM ESTUDO DE CASO Tese de Doutorado Para obtenção do grau de Doutor em Teologia Escola Superior de Teologia Programa de Pós-Graduação Área de Concentração: Religião e Educação Orientador: Prof. Dr. Manfredo Carlos Wachs São Leopoldo 2010 3 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) E77m Espírito Santo, Eliseu Roque do A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso / Eliseu Roque do Espírito Santo ; orientador Manfredo Carlos Wachs. – São Leopoldo : EST/PPG, 2010. 237 f. : il. Tese (doutorado) – Escola Superior de Teologia. Programa de Pós-Graduação. Doutorado em Teologia. São Leopoldo, 2010. 1. Ensino à distância. 2. Avaliação educacional. 3. Teologia – Estudo e ensino. I. Wachs, Manfredo Carlos. II. Título. Ficha elaborada pela Biblioteca da EST 4 ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO A MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA A DISTÂNCIA: UM ESTUDO DE CASO Tese de Doutorado Para obtenção do grau de Doutor em Teologia Escola Superior de Teologia Programa de Pós-Graduação Área de Concentração: Religião e Educação Data de aprovação: 26 de julho, 2010. 5 AGRADECIMENTOS A Deus que sempre me tem dado oportunidades para crescer... À minha mãe (Antônia) e meu pai (Vicente) que com carinho e atenção construíram em mim o que eu sou hoje... À minha esposa Luciane Sant’Ana Faria do E. Santo que para me dar suporte muito tem tido que suportar... Aos meus filhos que são a minha alegria e meu prazer... À profª. Rosa Dedéa, reitora da UNIGRAN, por sua visão educacional e abertura para pesquisa, o que me permitiu ter autorização para esta pesquisa... Ao meu querido colega prof. Ms. Sergio Nogueira sem o qual também não teria tido acesso a todos os dados desta pesquisa... À minha ex-aluna Geórgia Carla Devecchi Lameira que me auxiliou na pesquisa transcrevendo todos os vídeos-aula... A prof. Gladis Seitz que ajudou na revisão ortográfica... A todos e todas que acreditam na democratização e acesso universal a educação para todos brasileiros e brasileiras... À CAPES que me concedeu bolsa de mestrado e doutorado, sem as quais o filho de um retirante nordestino [eu] não poderia ter chegado até aqui... À EST (administradores, professores, funcionários), que como instituição teológica, tem prestado um grande serviço à sociedade brasileira formando homens e mulheres de Deus com capacidade de reflexão, visão ecumênica, e principalmente amor... Ao meu orientador prof. Dr. Manfredo Carlos Wachs, pela paciência durante a orientação desta tese... À CBRS e seu Seminário que me honrou com o privilégio de trabalhar com a educação teológica e poder, no serviço, adquirir experiência com EAD... Aos meus alunos e minhas alunas que torceram por mim e serviram de inspiração... A todas e todos, muito obrigado. 6 ESPIRITO SANTO, Eliseu Roque do. A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso. Tese de Doutorado. São Leopoldo: Faculdades EST/PPG, 2010. RESUMO Este trabalho trata de analisar a mediação pedagógica na educação teológica na modalidade a distância. Quanto ao método, esta é uma pesquisa qualitativa; quanto à sua especificidade, uma pesquisa pedagógica; e quanto à estratégia, um estudo de caso. Se busca analisar a mediação pedagógica a partir de três ferramentas básicas de um ambiente virtual, que são: os textos em PDF com os conteúdos (web aulas), os vídeos-aula e as atividades de aprendizagem. Como delimitação, foram selecionadas para análise sete disciplinas do currículo do curso de teologia: Aconselhamento cristão, Comunicação e oratória (Homilética), Ensino religioso e Educação Básica, Fundamentos da Teologia Prática, Práticas Ministeriais, Teologia e Liderança, Teologia espiritual (Espiritualidade). Buscou-se em primeiro momento a definição das categorias de análise e a construção dos protocolos de observação. O pesquisador buscou seguir, como parâmetro para análise, as três fases da mediação conforme apresentadas por Gutierrez e Prieto: tratamento com base no tema, tratamento com base na forma e tratamento com base na aprendizagem. Para análise dos vídeos-aula foi preciso a definição de uma nova categoria denominada de tratamento com base na função. A análise da ferramenta web-aula, pelas categorias de tratamento com base no tema e tratamento com base na forma, foi realizada em cinquenta e oito textos com os conteúdos das aulas. Para análise dos vídeos-aula foram selecionados dez vídeos que foram assistidos, transcritos e analisados a partir das categorias de tratamento com base no tema, tratamento com base na forma e tratamento com base na função. As atividades de aprendizagem, incluindo as provas escritas, foram analisadas pela categoria de tratamento com base na aprendizagem. Como resultado da pesquisa, pode-se alistar a predominância de: (1) transposição da forma de ensinar do presencial para a modalidade a distância; (2) reprodução no vídeo-aula de um modelo de aula presencial e, portanto, a necessidade de uma arquitetura pedagógica para que recebam um tratamento do tema e da função, a fim de que os conteúdos transmitidos facilitem a autoaprendizagem e explorem os reais potenciais dessa ferramenta; (3) textos das web aulas serem feitos no formato de um texto acadêmico, apontando para a necessidade de um trabalho pedagógico de forma que favoreça a auto-aprendizagem; (4) atividades de aprendizagem do tipo de apropriação do conteúdo, com raras ocorrências de atividades que promovam a interaprendizagem, atividades de relação texto-contexto e de aplicabilidade. Finalmente, o pesquisador conclui com base na sua pesquisa que, para que haja realmente educação a distância não basta apenas a mediação tecnológica do ensino e da aprendizagem, é preciso uma sólida e bem planejada mediação pedagógica. Palavras-chave: Educação a Distância. Educação Teológica. Mediação pedagógica. 7 ESPIRITO SANTO, Eliseu Roque do. A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso. Tese de Doutorado. São Leopoldo: Faculdades EST/PPG, 2010. ABSTRACT This work analyzes the pedagogical mediation of theological education using distance education. The method is qualitative research with a specialization in pedagogical research using a case study strategy. The work seeks to analyze the pedagogical mediation using three basic virtual environment tools which are web-class texts in PDF, video-classes and learning activities. Seven disciplines from the curriculum of a theological program were selected for analysis: Christian Counseling, Communication and Homiletics, Religious Teaching and Basic Education, Basics in Practical Theology, Practical Ministries, Theology and Leadership, Spiritual Formation (Spirituality). To begin with, a definition of the categories to be analyzed was sought, along with the construction of observation protocols. As a parameter for analysis, the researcher sought to follow three phases of mediation presented by Gutierrez and Prieto: a treatment of the subject matter, a treatment of the form (visual communication) and a treatment of the learning. To analyze the video-classes, it was necessary to define a new category, a treatment of the function. In the case of the web-class tool the content of fifty eight texts was analyzed using the categories of a treatment of the subject matter and a treatment of the form (visual communication). In the case of the video-classes, ten videos were watched and transcribed so they could be analyzed using the categories of a treatment of the subject area, a treatment of the form (visual communication) and a treatment of the function. Learning activities, including written tests, were analyzed under the category a treatment of learning. As a result of the research, it can be noted: (1) the tendency towards a movement from the format of classroom learning to distance education already registered in literature; (2) the tendency for the video-class to replace the classroom experience and, therefore, the necessity for a pedagogical architecture to elaborate the video-classes so that a treatment of the subject matter and the form (visual communication) as well as the content transmitted facilitate auto-learning and explore the real potential of this tool; (3) the tendency of the web-class texts to use the format of an academic text which points to the necessity of a pedagogical framework that favors auto-learning and that carefully elaborates the treatment of the form and subject matter; (4) learning activities predominate the type of appropriation of the content with rare occurrences of activities that promote inter-learning, textual-contextual relationships and applicability. Finally, based on the research, the researcher concluded that for authentic distance education to exist, it is not enough to just have technological mediation for the teaching-learning process. What is needed is a solid and well-planned pedagogical mediation. Keywords: Distance Education. Theological Education. Pedagogical Mediation. 8 LISTA DE ABREVIATURAS ABED – Associação Brasileira de Educação à Distância ASTE – Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos AVA – Ambiente virtual de aprendizagem CES – Câmara de Educação Superior Cf. – confere CNE – Conselho Nacional de Educação EAD – Educação à distância ETAD – Educação teológica a distância EST – Escola Superior de Teologia de São Leopoldo (RS) / Faculdades EST EUA – Estados Unidos da América FTBAW – Faculdade Teológica Batista Ana Wollerman IHMC - Institute for Human and Machine Cognition INEP - Instituto Nacional de Aprendizagem MEC – Ministério de Educação (Órgão do Governo Federal do Brasil) PP – Projeto Pedagógico RS – Rio Grande do Sul SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial STBRS – Seminário Teológico Batista do Rio Grande do Sul TICs – Tecnologias de informação e comunicação UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro ULBRA – Universidade Luterana do Brasil UMESP – Universidade Metodista de São Paulo UNESCO – Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura UNIGRAN – Centro Universitário da Grande Dourados WWW - World Wide Web (Rede de alcance mundial) CEAD – Coordenação de Educação a Distância ILPEC – Instituto Latino-Americano de Pedagogia da Comunicação 9 LISTA DE MAPAS CONCEITUAIS Mapa 2.1: Disciplinas selecionadas para o estudo Mapa 2.2: Métodos de coleta de dados Mapa 2.3: estratégias de abertura Mapa 2.4: estratégias de desenvolvimento Mapa 2.5: estratégias de encerramento Mapa 2.6: Atividades de auto-aprendizagem Mapa 2.7: tratamento com base na forma Mapa 2.8: Tipos de vídeo educativos Mapa 2.9: Categorias de análise para o tratamento com base na aprendizagem Mapa 2.10: Objetos de análise Mapa 4.1: Discussão teórica sobre o uso dos vídeos em educação Mapa 4.2: Critérios para análise dos vídeos-aula Mapa 4.3: Triangulação de atividades Mapa 5.1: Critérios para análise dos textos das web-aulas Mapa 6.1: Tratamento com base na aprendizagem Mapa 6.2: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Aconselhamento Cristão Mapa 6.3: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Aconselhamento Cristão Mapa 6.4: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Aconselhamento Cristão Mapa 6.5: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Aconselhamento Cristão Mapa 6.6: Tratamento com base na aprendizagem – provas 1 e 2 de Aconselhamento Cristão Mapa 6.7: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Comunicação e Oratória Mapa 6.8: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 2 e 3 de Comunicação e Oratória Mapa 6.9: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 4 e 5 de Comunicação e Oratória Mapa 6.10: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Comunicação e Oratória Mapa 6.11: Tratamento com base na aprendizagem – provas 1 e 2 de Comunicação e Oratória Mapa 6.12: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Ensino Religioso e Educação Básica Mapa 6.13: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Ensino Religioso e Educação Básica Mapa 6.14: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Ensino Religioso e Educação Básica Mapa 6.15: Tratamento com base na aprendizagem – atividades 7 e 8 de Ensino Religioso e Educação Básica Mapa 6.16: Tratamento com base na aprendizagem – provas 1 e 2 de Ensino Religioso na Educação Básica Mapa 6.17: Tratamento com base na aprendizagem – atividades 1 e 2 de Fundamentos da Teologia Prática 46 47 54 55 57 58 62 65 70 75 84 86 92 104 120 122 122 123 123 124 127 127 128 128 129 132 133 133 134 135 138 10 Mapa 6.18: Tratamento com base na aprendizagem – atividades da aula 4 de Fundamentos da Teologia Prática Mapa 6.19: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Fundamentos da Teologia Prática Mapa 6.20: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Fundamentos da Teologia Prática Mapa 6.21: Tratamento com base na aprendizagem – Provas 1 e 2 de Fundamentos da Teologia Prática Mapa 6.22: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Práticas Ministeriais Mapa 6.23: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Práticas Ministeriais Mapa 6.24: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Práticas Ministeriais Mapa 6.25: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Práticas Ministeriais Mapa 6.26: Tratamento com base na aprendizagem – prova 1 de Práticas Ministeriais Mapa 6.27: Tratamento com base na aprendizagem – prova 2 da disciplina Práticas Ministeriais Mapa 6.28: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 da disciplina Teologia e Liderança Mapa 6.29: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Teologia e Liderança Mapa 6.30: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Teologia e Liderança Mapa 6.31: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Teologia e Liderança Mapa 6.32: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 9 e 10 de Teologia e Liderança Mapa 6.33: Tratamento com base na aprendizagem – provas 1 e 2 de Teologia e Liderança Mapa 6.34: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Teologia Espiritual Mapa 6.35: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Teologia Espiritual Mapa 6.36: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Teologia Espiritual Mapa 6.37: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Teologia Espiritual Mapa 6.38: Tratamento com base na aprendizagem – prova 1 de Teologia Espiritual Mapa 6.39: Tratamento com base na aprendizagem – prova 2 de Teologia Espiritual Mapa 7.1: Propostas para uso do vídeo na ETAD Mapa 7.2: Propostas para uso do vídeo na ETAD (2) Mapa 7.3: Propostas para uso do vídeo na ETAD (3) Mapa 7.4: Propostas para web-aulas Mapa 7.5: Propostas para atividades de aprendizagem Mapa 7.6: Tipologia dos conteúdos Mapa 7.7: Os quatro pilares da educação Mapa 7.8: Tipologia das atividades de aprendizagem inspirada na obra de Gutierrez e Prieto 139 139 140 140 143 143 144 144 145 146 149 149 150 150 151 151 154 154 155 155 156 157 168 169 170 172 174 176 177 178 11 LISTA DE TABELAS Tabela 1.1: Preocupações de educadores teológicos nos EUA sobre o uso de tecnologias na mediação de educação teológica a distância Tabela 1.2: critérios para oferecimento de educação teológica a distância 37 Tabela 2.1: Estratégias de desenvolvimento – descrição 56 Tabela 2.2: Atividades de apropriação do texto 59 Tabela 2.3: Atividades de relação texto-contexto 60 Tabela 2.4: Atividades de aplicabilidade 60 Tabela 2.5: Atividades de interaprendizagem 61 Tabela 2.6: Protocolo de observação - Tratamento com base no tema 67 Tabela 2.7: Protocolo de observação – Tratamento com base na aprendizagem 69 Tabela 2.8: Protocolo de observação – tratamento com base na forma 71 Tabela 2.9: Protocolo de observação – vídeos-aula 73 Tabela 3.1: Matriz Curricular do curso de teologia da UNIGRAN 82 Tabela 4.1: Número de vídeos-aula por disciplina 87 Tabela 4.2: Vídeos-aula escolhidos para análise com seus códigos de identificação da transcrição e protocolo de análise/observação Tabela 4.3: Síntese das observações do tratamento com base na função dos vídeos 87 Tabela 4.4: Síntese das observações quanto à forma 93 Tabela 4.5: tempo de duração dos vídeos 95 Tabela 4.6: Registro de observações - Estratégias de abertura dos vídeos-aula 96 Tabela 4.7: Registro de observações - Estratégias de desenvolvimento dos vídeos-aula 98 Tabela 4.8: Registro de observações - Estratégias de encerramento dos vídeos-aula 101 Tabela 4.9: Estratégias de encerramento dos vídeos-aula - transcrições de falas 102 Tabela 5.1: Número de páginas por disciplina 105 Tabela 5.2: Registro das estratégias de entrada identificadas nas web-aulas 108 Tabela 5.3: Estratégias de desenvolvimento identificadas nas web-aulas 110 Tabela 5.4: Relação de materiais de apoio e disciplinas analisadas 112 Tabela 5.5: Estratégias de encerramento identificadas nas web-aulas 112 Tabela 5.6: Síntese dos dados da tabela 5.5 113 Tabela 5.7: Registro de observações – Tratamento da forma das web-aulas 115 Tabela 5.8: Incidência de variadas formas de comunicação na web-aula Tabela 6.1: Protocolo de observações Aconselhamento Cristão – tratamento com base na aprendizagem Tabela 6.2: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Aconselhamento Cristão 117 124 125 Tabela 6.3: Atividades de Comunicação e Oratória 129 Tabela 6.4: Protocolo de observações de Comunicação e Oratória – tratamento com base na aprendizagem 130 41 88 12 Tabela 6.5: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Comunicação e Oratória 131 Tabela 6.6: Protocolo de observações do tratamento com base na aprendizagem – Ensino Religioso na Educação Básica Tabela 6.7: Resumo das observações das atividades de aprendizagem da disciplina Ensino Religioso e Educação Básica Tabela 6.8: Registro das observações da disciplina Fundamentos da Teologia Prática – Tratamento com base na aprendizagem Tabela 6.9: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Fundamentos da Teologia Prática Tabela 6.10: Protocolo de observação de Práticas Ministeriais – tratamento com base na aprendizagem Tabela 6.11: Resumo das observações das atividades de aprendizagem da disciplina Práticas Ministeriais Tabela 6.12: Registro de observações de Teologia e Liderança – tratamento com base na aprendizagem Tabela 6.13: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Teologia e Liderança 136 Tabela 6.14: Registro das observações de Teologia Espiritual – tratamento com base na aprendizagem Tabela 6.15: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Teologia e Liderança Tabela 6.16: Tratamento com base na aprendizagem – resumo dos dados colhidos 158 158 159 Tabela 6.17: resumo dos dados da tabela 6.16 160 Tabela 6.18: Atividades de apropriação do texto 161 Tabela 6.19: Disciplinas que incluem no Plano de ensino o fórum como atividades de aprendizagem 164 137 141 142 147 148 152 152 LISTA DE QUADROS/FIGURAS/GRÁFICOS Figura 2.1: interface do ambiente virtual da UNIGRAN 51 Quadro/figura 3.1: botões de comando na parte superior da interface de aula Quadro/figura 3.2: Comandos laterais (imagem capturada) do ambiente de aula da plataforma UNIGRANET Quadro/figura 3.3: Comandos laterais (imagem capturada) do ambiente de aula da plataforma UNIGRANET Figura 3.4: Estúdios de televisão da UNIGRAN Figura 3.5: Interface da página do curso de teologia no site da UNIGRAN Figura 4.1: Imagem capturada do ambiente de aula UNIGRA NET com apresentação de vídeo-aula 78 79 Figura 4.2: Apresentação de slides na vídeo-aula Figura 5.1: Interface da web-aula da UNIGRAN Figura 5.2: Estratégia de encerramento - charge 100 105 114 Figura 5.3: Abertura da web-aula 01 – Aconselhamento Cristão 117 Gráfico 5.1: textos com estratégias de encerramento 113 Gráfico 6.1: Atividades de aprendizagem 161 Gráfico 6.2: Atividades de apropriação do texto 162 Gráfico 6.3: Atividades de interaprendizagem e de auto-aprendizagem 163 79 80 81 85 13 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 16 1. PRESSUPOSTOS DE ANÁLISE 1.1 Educação a distância 1.2 Educação teológica 1.3 Educação teológica a distância 1.4 Mediação pedagógica Conclusão 28 28 31 35 42 44 2. QUESTÕES METODOLÓGICAS 2.1 Coleta de dados 2.1.1 Amostragem 2.1.2 Técnicas e fontes para coleta de dados a) Observação online b) Entrevistas c) Documentos d) Plataforma UNIGRAN NET 2.2 Estratégia analítica geral 2.3 Categorização 2.3.1 Tratamento com base no tema a) Estratégia de entrada b) Estratégia de desenvolvimento c) Estratégia de encerramento 2.3.2 Tratamento com base na aprendizagem a) Auto-aprendizagem b) Interaprendizagem 2.3.3 Tratamento com base na forma 2.3.4 Tratamento com base na função 2.3.5 Os protocolos de observação a) Protocolo de observação de tratamento com base no tema b) Protocolo de observação de tratamento com base na aprendizagem c) Protocolo de observação de tratamento com base na forma d) Protocolo de observação de tratamento com base na função Conclusão 46 47 47 48 49 49 50 51 52 53 54 54 55 56 57 57 60 61 63 67 67 68 71 72 74 3. O CASO: ANÁLISE DO CONTEXTO 3.1 UNIGRAN 3.2 O departamento de EAD 3.3 O curso de teologia 77 77 80 81 14 4. VÍDEOS-AULA: ANÁLISE 4.1 O tratamento com base na função 4.2 O tratamento com base na forma 4.3 O tratamento com base no tema 4.3.1 Estratégias de entrada 4.3.2 Estratégias de desenvolvimento 4.3.3 Estratégias de encerramento Conclusão 84 88 92 95 96 98 101 102 5. AS WEB-AULAS: ANÁLISE 5.1 Tratamento com base no tema 5.1.1 Estratégias de entrada 5.1.2 Estratégias de desenvolvimento 5.1.3 Estratégias de encerramento 5.2 Tratamento com base na forma Conclusão 104 107 107 110 112 115 118 6. ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM: ANÁLISE 6.1 Aconselhamento cristão 6.2 Comunicação e oratória 6.3 Ensino religioso e educação básica 6.4 Fundamentos da teologia prática 6.5 Práticas ministeriais 6.6 Teologia e liderança 6.7 Teologia espiritual 6.8 Análise global do tratamento com base na aprendizagem Conclusão 120 121 126 132 137 142 148 153 159 165 7. CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES DO ESTUDO 166 7.1 O vídeo na EAD 7.1.1 A integração do vídeo às demais atividades da aula e seu tratamento pedagógico 7.1.2 Funções do vídeo: organizar a aprendizagem, ensinar procedimentos e apoiar 7.1.3 Funções do vídeo: simular a experiência, apresentar opiniões de especialistas, motivar a aprendizagem e transmitir aspectos emocionais 7.1.4 A questão da qualidade do vídeo 167 168 7.2 As web-aulas 7.3 As atividades de aprendizagem 7.4 Considerações finais 172 174 179 REFERÊNCIAS 174 ANEXOS 1. Termos de consentimento para pesquisa 2. Protocolo de observação dos vídeos-aula 3. Protocolo de observação das web-aulas 180 185 201 203 169 170 171 15 4. Protocolo de observação das atividades de aprendizagem 5. Identification of Criteria for Delivery of Theological Education Through Distance Education 6. Theological educators and their concerns about technology 7. Plano de ensino - Comunicação e oratória 8. Plano de ensino - Aconselhamento pastoral 9. Plano de ensino - Ensino religioso e educação básica 10. Plano de ensino – Fundamentos da teologia prática 11. Plano de ensino – Práticas ministeriais 12. Plano de ensino – Teologia e liderança 13. Plano de ensino – Teologia espiritual 14. Estudo de caso piloto 15. Lista dos documentos catalogados na pesquisa e seus respectivos códigos 205 206 209 211 213 216 219 222 224 227 229 236 16 INTRODUÇÃO A maioria dos manuais de pesquisa orienta os pesquisadores na escolha de um tema que de fato lhes interesse1. A educação teológica e a educação a distância têm sido meu interesse já há alguns anos. Nem sempre sabemos exatamente quando tudo começa, mas minha primeira experiência com educação teológica foi em 1989 quando, após retornar do campo missionário (Paraguai), iniciei a faculdade de pedagogia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ 2e fui convidado pelo Seminário Bíblico Batista do Rio de Janeiro para lecionar missões3. Meu envolvimento pleno com educação teológica se deu em 2002 4 quando assumi a direção do Seminário Teológico Batista do Rio Grande do Sul - STBRS (Porto Alegre – RS). O Seminário, situado na capital do estado do Rio Grande do Sul (Porto Alegre), tinha dificuldade de atender candidatos do interior, alguns a mais de 500 km de distância da capital. Essas pessoas interessadas na formação teológica queriam estudar, mas não podiam fazê-lo na modalidade presencial. Diante da necessidade, a saída encontrada foi iniciar um programa de formação na modalidade EAD e no formato de estudo por correspondência5. O programa não foi adiante por diversos fatores, sendo o principal a falta de uma equipe que pudesse coordená-lo e executá-lo, e também a falta de recursos tecnológicos que pudessem dar suporte a uma educação de qualidade. A experiência não foi em vão, já que aprendemos que educação a distância é coisa séria e exige muito trabalho e responsabilidade daqueles que a 1 Cf. KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica: teoria e prática da pesquisa. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 1997, p. 128. Veja também: ECO, Humberto. Como se faz uma tese. São Paulo: Perspectiva, 1988, p. 6. 2 Os termos sublinhados nesta tese são hiperlinks que facilitam uma leitura hipertextual no texto digital. 3 Trabalhei no Seminário Bíblico Batista do Rio de Janeiro de 1989-1990. A disciplina “Missões” trata da missão da igreja, estratégias evangelizadoras, comunicação transcultural, entre outros temas relacionados a multiplicação de igrejas e discípulos. 4 Continuo desde esta data na direção do STBRS. 5 O Estudo por Correspondência é considerado pela maioria dos autores como primeira geração da educação a distância (veja: MOORE, Michael; KEARSLEY, Greg. Educação a distância: uma visão integrada. São Paulo: Thompson Learning, 2007, p. 25. GARRISON, D. R. ; ANDERSON, T. El e-learning em el siglo XXI: investigación y práctica. Barcelona: Octaedro, 2005, p. 58. PETERS, Otto. Educação à distância em transição. São Leopoldo: UNISINOS, 2004, p. 30). 17 oferecem. Com a oportunidade de iniciar o doutorado, meu interesse de imediato foi o de estudar a respeito da formação teológica dos pastores batistas, já que este é o meu trabalho. Como é normal no início de um mestrado ou doutorado, o tema é apenas uma ideia geral que vai sendo lapidada no decorrer do curso6. Após várias incursões no tema geral e assuntos afins, fui sendo levado quase que imperceptivelmente para a discussão da educação teológica na modalidade a distância. Na mesma época em que decidi, mesmo que de forma vaga, estudar sobre educação teológica a distância, a instituição em que trabalho firmou contrato de parceria com a UNIGRAN7, um Centro Universitário que oferece, entre outros cursos, o curso de teologia na modalidade à distância. Através desta parceria, em que nos tornamos um polo, começamos como instituição a oferecer um curso de teologia, não somente autorizado pelo MEC, mas também acessível àqueles que estão mais longe da sede do Seminário. Como pesquisador, a parceria com a UNIGRAN me trouxe novas experiências, perguntas e insights sobre como realizar educação teológica na modalidade a distância. A experiência prática com o envolvimento com a educação a distância e a pesquisa de doutorado me levou a iniciar um curso de pós-graduação em EAD na modalidade a distância. Iniciei o curso em 2008 e conclui em 2009 no programa de Pós-Graduação do SENAC. O curso foi fundamental para que eu tivesse acesso tanto às mais recentes discussões teóricas quanto às experimentações práticas no campo da EAD. Foi no curso de Pós-Graduação do SENAC que tive meu primeiro contato com a Plataforma Moodle e, desse modo, pude implantá-la como recurso para produção e distribuição de cursos online. Desde que implantamos a plataforma Moodle no Seminário Batista em Porto Alegre (2008) a utilizamos, não apenas para cursos a distância, mas também como recurso e apoio para os cursos presenciais. O estágio docência do doutorado também me permitiu exercitar a função de tutor de uma disciplina na modalidade a distância do curso de Integralização8 na EST. Foi uma experiência enriquecedora, fora dos limites do Seminário Batista, utilizando novamente a plataforma Moodle. 6 Segundo Humberto Eco, o ideal é que a escolha do tema ocorra por volta do segundo ano de estudo. Cf. ECO, 1988, p. 14. 7 Veja: www.unigran.br/cead 8 O programa de integralização de créditos, regulamentado pelo Parecer 63/2004 do Conselho Nacional de Educação, destina-se a pessoas que concluíram um curso livre de teologia com duração mínima de 1.600 horas aulas e querem validar seu diploma junto ao MEC. 18 Enfim, atividade profissional e formação acadêmica têm me encaminhado para ações e reflexões no campo da EAD. As diversas experiências com EAD, tanto como aluno, professor, tutor, coordenador de polo e administrador, contribuíram para a elaboração das questões e a busca das respostas. Tony Bates, membro fundador da Open University do Reino Unido, resume em três motivos as razões que pressionam as organizações educacionais de ensino superior a adotar a educação a distância: “(1) a necessidade de fazer mais com menos; (2) a necessidade de aprendizagens em constante mudança; (3) o impacto das novas tecnologias no ensino e aprendizagem” [tradução própria]9. Educação a distância no Brasil, pelos motivos apresentados por Bates, tem deixado de ser uma opção para as organizações educacionais para se tornar uma imposição do contexto. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC) houve entre 2003 e 2006 crescimento no Brasil de 571% no número de matrículas e 315% no número de cursos de graduação na modalidade à distância10. Para a maioria dos educadores e dirigentes de organizações educacionais, sejam elas de teologia ou outra área de conhecimento, a EAD como temos hoje é uma novidade. As demandas por esta modalidade de ensino chegaram com a mesma velocidade que as novas tecnologias de informação e comunicação. Não houve tempo para uma reflexão mais profunda ou mesmo para assimilação do impacto das mudanças provocadas nas formas de ensinar e aprender. Como observa Tony Bates, “O impacto destas novas tecnologias na educação é tão profundo como foi o da invenção da imprensa” [tradução própria]11. Para Otto Peters, as “vantagens da educação a distância baseada no computador estão inseparavelmente associadas a um considerável número de problemas”12. Peters aponta os seguintes problemas/desafios que teremos que enfrentar com o advento da educação a distância mediada por computador13: (1) novos métodos de ensino precisam ser desenvolvidos; (2) os conteúdos de ensino também deverão sofrer mudanças; (3) os cursos deverão ser adaptados para atender um público internacional e intercultural; (4) os conteúdos 9 BATES, A. W. (Tony). Cómo gestionar El cambio tecnológico: estratégias para los responsables de centros universitários. Barcelona, Espanha: Gedisa, 2001, p. 26. La necesidad de hacer más com menos; (2) Las necesidades de aprendizage cambiantes de la sociedad; (3) El impacto de las nuevas tecnologias em La enseñanza y El aprendizaje”. 10 SANCHEZ, Fábio. Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância, 2008. 4. ed. São Paulo: Instituto Monitor, 2008, p. 17. 11 BATES, 2001, p. 41. “El impacto de estas nuevas tecnologias en la educación es tan profundo como el de la invención de la imprenta”. 12 PETERS, 2004, p. 25. 13 PETERS, 2004, p. 25. 19 deverão ser adaptados para serem transmitidos de forma digital; (5) as instituições terão que mudar para se adequar a essa nova realidade; (6) a própria natureza do conhecimento científico mudará. Temos grandes mudanças tecnológicas e culturais, uma grande demanda de educação em todos os níveis, um grande crescimento da EAD. Será que a reflexão pedagógica tem acompanhado a evolução nos novos modos de aprender e ensinar? Ninguém duvida da capacidade de transmissão de informação/conteúdos por mídias variadas que as novas TICs oferecem. A grande dúvida é se estamos preparados pedagogicamente para utilizar todos esses recursos de modo a oferecer uma educação de qualidade. A pergunta central desta pesquisa é: como a mediação pedagógica no curso de bacharelado em teologia da UNIGRAN, na modalidade a distância, contribui para a auto e interaprendizagem? Ao fazer esta pergunta, estou interessado em analisar as práticas pedagógicas a partir de uma mediação pedagógica focada na auto e interaprendizagem. É objetivo desta pesquisa, com base em um estudo de caso, identificar, analisar as ações e procedimentos que constituem a mediação pedagógica em um curso de teologia na modalidade a distância. Como desdobramento do objetivo geral, temos os seguintes objetivos específicos: 1. Alistar, com base em literatura relevante, um conjunto de ações pedagógicas que possibilitem a mediação pedagógica na modalidade a distância; 2. Analisar a mediação pedagógica a partir do estudo de caso; 3. Propor estratégias pedagógicas e ações que tornem mais eficaz o processo de mediação pedagógica na educação a distância. Se educar mediado por novas tecnologias de informação e comunicação é um desafio que estamos ainda nos preparando para enfrentar, pesquisar essas ações e procedimentos é ainda mais desafiador. Como grande parte da mediação pedagógica na EAD se dá através de ferramentas tecnológicas em ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs), se faz necessário, da mesma forma, aprender e ensinar novos métodos de pesquisa. Para Waquil e Behar14 o uso de ambientes virtuais na educação exige novas 14 WAQUIL, Marcia Paul; BEHAR, Patrícia Alejandra. Princípios de pesquisa científica para investigar ambientes virtuais de aprendizagem sob o ponto de vista do pensamento complexo. In: BEHAR, Patrícia Alejandra (Org.). Modelos pedagógicos em educação a distância. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 146-177. 20 concepções teórico-metodológicas para pesquisa científica. Afirmam elas: Para compreender essa complexa realidade que vem formando a cibercultura e, em especial, esse novo espaço de aprendizagem que são os AVAs, é fundamental o desenvolvimento de pesquisas nesta área, pesquisas que possam nos auxiliar a compreender as possibilidades e os limites do uso desses ambientes na educação 15. A falta de estratégias e métodos específicos para pesquisa em ambientes virtuais leva as autoras a propor um tipo de pesquisa que denominam “PesquisAVA”16. As principais características desse modelo de pesquisa seriam: 1. Coleta e análise dos dados produzidos pelas interações dos sujeitos que ficam registrados no AVA; 2. Desenvolvimento de uma leitura hipertextual dos dados disponíveis no AVA, considerando os nós, conexões, links e redes que constituem a organização do conhecimento; 3. Atenção aos nós, links, conexões que representam as interações entre os sujeitos. O trabalho de Waquil, que é fruto de sua tese de doutorado 17, traz uma grande contribuição para a reflexão metodológica de pesquisas que considerem ambientes virtuais. No entanto, quando se trata da análise da mediação pedagógica, pode não ser suficiente, para uma melhor compreensão do fenômeno, o pesquisador limitar-se unicamente a dados registrados no ambiente. A mediação extrapola o ambiente virtual (AVA), ainda mais com a ascensão da chamada WEB 2.018, onde a própria web se torna uma plataforma. Hoje é difícil 15 WAQUIL E BEHAR, 2009, p. 147-148. WAQUIL E BEHAR, 2009, p. 173. As autoras utilizam a expressão “PesquisAVA” como aglutinação entre a palavra “pesquisa” e a sigla “AVA” usada para ambiente virtual de aprendizagem. 17 WAQUIL, Marcia Paul. Princípios da pesquisa científica em ambientes virtuais de Aprendizagem: um olhar fundamentado no paradigma do pensamento complexo. 2008. 159 f. Tese (Doutorado) - Programa de PósGraduação em Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Porto Alegre, 2008. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=132656> Acesso em: 26 nov. 2009. 18 A Wikipedia define do seguinte modo a WEB 2.0: “Web 2.0 é um termo criado em 2004 pela empresa estadunidense O'Reilly Media[1] para designar uma segunda geração de comunidades e serviços, tendo como conceito a "Web como plataforma", envolvendo wikis, aplicativos baseados em folksonomia, redes sociais e Tecnologia da Informação”. WIKIPÉDIA. WEB 2.0. Disponivel em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0> Acesso em: 26 nov. 2009. 16 21 pensar na mediação pedagógica na EAD sem utilização de um blog, twiter, MSN, Google Docs, Skype, YouTube, mundos virtuais (ex. Second Life), etc. Para Pinto e colaboradores(as)19, o conceito de Netnografia de V. Kozinets desenvolvido no campo do marketing pode ser útil em outros campos de pesquisa. A etnografia tem ganhado espaço na pesquisa de ambientes virtuais. Há pesquisadores como Mason20 que defendem uma imersão completa e exclusiva no ambiente virtual; já Rutter, Smith21 e Braga22 propõem a mescla entre observação virtual com entrevistas, visitas ao local e análise de documentos. Tanto a netnografia ou etnografia virtual, como a PesquisAVA oferecem excelentes contribuições metodológicas para pesquisas que envolvem sujeitos ou processos em ambientes virtuais. No entanto, são ainda tentativas de sistematização metodológica. Há um longo caminho a percorrer até que tenhamos todos os instrumentos e procedimentos estabelecidos para pesquisa online. Como observam Lanksheare e Knobel 23, a pesquisa online ainda é um campo de estudo metodológico emergente. Novos objetos de pesquisa exigem novos métodos, procedimentos e técnicas. No entanto, não vemos a necessidade de métodos creatio ex nihilo24. A pesquisa online ou em AVAs pode, a partir de métodos e técnicas já existentes25, construir um conjunto de procedimentos que dêem conta de suas especificidades. Esse é o caminho pelo qual optei para essa pesquisa. Como orientação teórico-metodológica, defini a pesquisa quanto ao método, pesquisa qualitativa; quanto aos propósitos, pesquisa pedagógica e quanto à estratégia, estudo de caso. Quanto ao método, esta é uma pesquisa qualitativa, pois possui um viés descritivo e interpretativo que tem como objetivo observar procedimentos que estão diretamente relacionados a tempo, espaço e sujeitos. 19 PINTO, Virgínia Bentes et al. Netnografia: uma abordagem para estudo de usuários no ciberespaço. Disponível em: <http://badinfo.apbad.pt/Congresso9/COM90.pdf> Acesso em: 26 nov. 2009. 20 MASON, B. Ethnographic Presence in Nebulous Settings: A Case Study. Disponível em: <http://digiplay.info/files/brunel.pdf> Acesso em: 26 nov. 2009. 21 RUTTER, Jason; SMITH, Greg. Ethnography presence in nebulous settings: a case study. Disponível em: < http://digiplay.info/files/brunel.pdf > Acesso em: 7 out. 2009. 22 BRAGA, Adriana. Técnica etnográfica aplicada à comunicação online: uma discussão metodológica. Disponível em:< http://www.unirevista.unisinos.br/_pdf/UNIrev_Braga.PDF > Acesso em: 9 out. 2009. 23 LANKSHEAR, Colin; KNOBEL, Michele. Pesquisa pedagógica: do projeto à implementação. Porto Alegre: Artmed, 2008, p. 198. 24 A expressão latina ex nihilo significa "do nada". Muitas vezes aparece em conjunto com o conceito de criação, como no creatio ex nihilo, que significa "criação do nada" - principalmente em contextos filosóficos ou teológicos, mas também ocorre em outros campos. 25 FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 240. 22 Conforme Rampazzo, Os dados da pesquisa qualitativa não são coisas isoladas, acontecimentos fixos, captados em um instante de observação. Eles se dão em um contexto fluente de relações: são “fenômenos” que não se restringem às percepções sensíveis e aparentes, mas se manifestam em uma complexidade de oposições, de revelações e de ocultamentos26. Quanto ao propósito é pesquisa pedagógica, pois trata de contribuir para um ensino e aprendizagem de melhor qualidade. Segundo Lankshear e Knobel, A pesquisa pedagógica pode envolver a observação empírica de salas de aula (a própria ou de colegas), a reflexão sistemática documentada e sobre as próprias experiências ou o engajamento com textos e questões teóricas ou conceituais; pode usar pessoas, textos de manuais, materiais da internet, conjunto de dados secundários, e outros tantos, como fontes de informação; finalmente pode ser fundamentada em dados do presente como do passado e até mesmo em dados relacionados ao futuro. Seu escopo e variedades são enormes27. Quanto à estratégia de pesquisa, é um Estudo de Caso. Segundo Yin, esta é a melhor estratégia quando as questões de pesquisa são do tipo “como” ou “por que” 28. Este tipo de pesquisa: Permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos acontecimentos da vida real – tais como ciclos de vida individuais, processos organizacionais e administrativos, mudanças ocorridas em regiões urbanas, relações internacionais e a maturação de setores econômicos.29 Moore e Kearsley30, ao falar da situação geral relativa à pesquisa em educação a distância, reconhecem que a maioria das pesquisas ou eram relatórios descritivos ou estudos de caso. Para eles alguns desses trabalhos são apenas descrições simples e por isso com pouco valor geral. No entanto, observam os autores, o estudo pode ser interessante quando focado na “aplicação de uma tecnologia não testada anteriormente, ou uma população de alunos, ou um conteúdo que ainda não tenha sido descrito”31. 26 RAMPAZZO, Lino. Metodologia científica. São Paulo: Loyola, 2002, p. 60. LANKSHEAR; KNOBEL, 2008, p. 18. 28 YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005, p. 19. 29 YIN, 2005, p. 20. 30 MOORE, Michael; KEARSLEY, 2007, p. 254. 31 MOORE e KEARSLEY, 2007, p. 256. 27 23 Os manuais que orientam a elaboração de estudos de caso sugerem a realização de um estudo piloto. O objetivo do estudo piloto é testar os procedimentos e instrumentos de coleta de dados, técnicas e plano de análise de dados32. Devido à especificidade do estudo que exigiu a construção criteriosa de caminho para coleta e análise de dados, o estudo piloto33 desta pesquisa foi efetuado em uma das disciplinas do Curso de teologia da UNIGRAN (Comunicação e Oratória) no 1º semestre de 2009. Através deste estudo foi possível ensaiar o processo de análise e apresentação do caso. A partir do estudo piloto foi possível traçar uma estratégia de delimitação, análise e apresentação do caso. A pesquisa através de estudo de caso inclui tanto estudos de caso único quanto de casos múltiplos34. Yin observa que o pesquisador pode escolher entre esses dois tipos, mas deve preferir projetos de casos múltiplos35. Casos múltiplos ampliam as possibilidades de análise, permitem constatações mais contundentes e aumentam a capacidade de generalização36. No entanto, no caso de uma pesquisa pedagógica na modalidade a distância, nos termos que esta pesquisa pretende, impõe-se a necessidade de delimitação a um único caso. São dois os motivos pela opção de estudo de um caso único: (1) a grande quantidade de dados que envolvem a mediação pedagógica na EAD37; (2) a opção por uma análise em profundidade. Segundo Flick, As decisões relativas à amostragem sempre oscilam entre os objetivos de cobrir um campo de forma mais ampla possível e de realizar análises com maior profundidade possível. [...] a última estratégia procura permear ainda mais o campo e sua estrutura, concentrando-se em casos únicos ou em determinados setores do campo 38. Além da delimitação ao estudo de um caso único, o curso de teologia da UNIGRAN, foi preciso também delimitar o número de disciplinas do curso e o tempo de observação. Optei por restringir o campo de análise às disciplinas da área prática denominada na matriz do 32 KÖCHE, 1997, p. 127. O estudo piloto está disponível no anexo 14. 34 YIN, 2005, p. 33. 35 YIN, 2005, p. 75. 36 Waquil e Behar a partir do referencial do pensamento complexo afirmam: “já não possíveis generalizações de um resultado de pesquisa, como defendia a ciência clássica” (WAQUIL; BEHAR, 2009, p. 158). 37 Em sua tese de doutorado Marcia Paul Waquil apresenta como um dos limites da pesquisa em AVA “as dificuldades de organizar uma quantidade muito grande de dados que normalmente são produzidos”. WAQUIL, 2008, p. i. 38 FLICK, 2009, p. 126. 33 24 curso, constituídas pelas disciplinas Fundamentos da Teologia Prática, Comunicação e Oratória, Teologia Espiritual, Ensino Religioso e Educação Básica, Práticas Ministeriais, Aconselhamento Cristão, Teologia e Liderança39. O período de observação estabelecido e de coleta de dados se estendeu de julho de 2009 a janeiro de 2010. As disciplinas analisadas correspondem às oferecidas no 2º semestre de 2009. Ao propor analisar as disciplinas da área prática, faço com base em pesquisas que apontam uma maior desconfiança de educadores teológicos quanto à eficiência da mediação para estas disciplinas na modalidade à distância40. O senso comum é de que disciplinas que exigem prática de procedimentos sejam mais difíceis de desenvolver na modalidade à distância. Será que estas desconfianças das possibilidades da EAD se dão pelo desconhecimento de suas reais potencialidades? A escolha das funcionalidades41 foi uma opção de pesquisa. A mediação na EAD ocorre por diversos caminhos, tais como: material impresso, chat, troca de e-mails, interface da plataforma, mediação do polo, etc. Como já observado, a quantidade de dados produzidos na EAD é muito grande e exige, para uma análise, um recorte. Portanto, busquei delimitar também as funcionalidades/ferramentas que seriam alvo da análise, que foram vídeo-aula, web-aula (conteúdo das aulas em formato digital e PDF) e atividades de aprendizagem (incluí as provas na análise das atividades). Para analisar as atividades de aprendizagem foi preciso recorrer aos dados de outras ferramentas e funcionalidades, tais como: fóruns e materiais de aula. Duas técnicas de análise de dados foram utilizadas nesta pesquisa, que são: correspondência de padrão e mapeamento conceitual. Chamada por Robert Yin de adequação ao padrão42 e por Lankshear e Knobel de correspondência de padrão43, esta técnica busca: 39 Cf. No capítulo 3 deste trabalho temos a matriz curricular do curso de teologia da UNIGRAN. Em estudo realizado no outono de 2003, nos EUA, Steve Delamarter colheu considerações sobre o uso da tecnologia na educação teológica de noventa educadores teológicos que representavam quarenta e cinco Seminários. Segundo Delamarter, “Enquanto se abrem para a possibilidade de certas disciplinas poderem ser bem sucedidas, muitos educadores teológicos são da opinião que outras disciplinas simplesmente não podem ser ensinadas em um ambiente virtual ou eletrônico” [tradução própria]. Dentre estas disciplinas são destacadas pregação, adoração, aconselhamento e línguas bíblicas. DELAMARTER, Steve. Theological educators and their concerns about technology. Teaching Theology and Religion, Malden, USA, vol. 8, n. 3, p. 131-143, 2005. “While open to the possibility that certain online courses may be successful, many theological educators are of the opinion that other courses simply cannot be taught in a virtual or electronic environment” (p. 136). 41 O termo funcionalidade é emprestado da área de engenharia de software, análise de sistemas e informática. No caso de uma plataforma de EAD, são os elementos que permitem a execução de uma ação. Por exemplo: chat, fórum, diário, vídeos, etc. 42 YIN, 2005, p. 145. 43 LANKSHEAR; KNOBEL, 2008, p. 252. 40 25 encontrar padrões significativos – momentos repetidos de uma ação, problema, evento, etc. – dentro de um conjunto de dados. Envolve o pesquisador testar suas previsões teóricas de que alguns padrões poderiam aparecer nos dados [...] Podemos usar a correspondência de padrão na análise de textos, dados falados e dados observados, independentemente de nossa estrutura teórica ou enfoque do estudo 44. No caso específico desta pesquisa, logo após terem sido definidas as categorias de análise foram elaboradas tabelas que facilitaram a identificação da presença ou ausência dos elementos considerados constituintes de um padrão. Veja-se no anexo 2 o exemplo de uma destas tabelas usadas para análise de vídeo-aula. Os mapas conceituais foram usados como técnica auxiliar de pesquisa. Optei por usar os mapas em todas as fases, desde o planejamento, coleta de dados, armazenamento de dados, análise de dados, redação do relatório final da pesquisa, e especialmente na análise do tratamento com base na aprendizagem. Para utilização de mapas conceituais fiz uso do software Cmaps Tools, que é um software de fácil utilização e pode ser baixado gratuitamente45. Este software foi desenvolvido pelo IHMC (Institute for Human and Machine Cognition) da Uni versity of West Florida sob a supervisão do Dr. Alberto J. Cañas46. Alexandra Okada resume bem as razões para utilização de mapas: Nesse sentido, técnicas para mapeamento de redes de conhecimento podem propiciar organização do saber, estruturação da pesquisa e registro da aprendizagem tanto no ensino presencial quanto principalmente na educação online. Mapas para organizar o saber podem favorecer reconstrução e a troca de novos significados 47. Aos motivos para utilização de mapas apresentados por Okada soma-se, no caso de uma pesquisa em EAD, a sua natureza alinear. Na EAD os sentidos são formados na conjugação de diversas ações mediadas por ferramentas ou de forma global pelo ambiente virtual (AVA). Essa alinearidade do processo de ensino-aprendizagem na educação à distância, mediada por novas TICs impõe um esforço do pesquisador, como observam Waquil e Behar, de buscar “trabalhar com os dados conectando-os a uma rede em que os nós, as 44 LANKSHEAR; KNOBEL, 2008, p. 252, 268. Disponível em: <http://cmap.ihmc.us/conceptmap.html> Acesso em: 4 dez. 2009. 46 OKADA, Alexandra. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento? In: OKADA, Alexandra (Org.). Cartografia cognitiva: mapas do conhecimento para pesquisa, aprendizagem e formação docente. Cuiabá: KCM, 2008, p. 48. 47 OKADA, 2008, p. 37-38. 45 26 conexões e os links estão em contínua re(produção) e negociação de sentidos e informações...”48. Os mapas permitem a visualização dos sentidos construídos pela intercessão de processos e ferramentas variados. No primeiro capítulo são apresentados os pressupostos da análise, ou seja, o referencial teórico em que a pesquisa está baseada, que são: educação a distância, educação teológica, educação teológica a distância e mediação pedagógica. A educação a distância é compreendida como uma modalidade de ensino no qual a mediação pedagógica ocorre com a utilização das novas TICs. A educação teológica no grau de Bacharel em Teologia será compreendida como um curso cujo objetivo é a formação do clérigo (pastor, missionário, sacerdote, profissional eclesiástico, etc.), sendo este também o primeiro grau de formação do teólogo. A educação teológica na modalidade a distância, como outras áreas do conhecimento, é apresentada como uma realidade que vem tomando forma no mundo e no Brasil e há necessidade de que as instituições ofertantes se preparem para essa nova realidade. Sobre a mediação pedagógica é explorado o conceito a partir das três fases da mediação: tratamento com base no tema, tratamento com base na forma e tratamento com base na aprendizagem. No segundo capítulo são especificadas algumas questões metodológicas a respeito da coleta e análise dos dados e as fases da mediação são transformadas em categorias de análise. São explicitados os parâmetros de amostragem, as técnicas e fontes para coleta de dados e a estratégia analítica geral. Também no mesmo capítulo são construídos os protocolos de observação. O terceiro capítulo serve como uma introdução da apresentação do caso. Procura situar e descrever de forma sucinta a instituição UNIGRAN e seu curso de teologia. O quarto, quinto e sexto capítulos se encarregam de analisar a mediação pedagógica dos vídeos-aula, textos em PDF das web-aulas e as atividades de aprendizagem. A ferramenta vídeo é analisada a partir das categorias de tratamento com base na função, tratamento com base na forma e tratamento com base no tema. Os textos das web-aulas são analisados a partir das categorias de tratamento com base no tema e tratamento com base na forma. As atividades de aprendizagem são analisadas pela categoria tratamento com base na aprendizagem. O sétimo capítulo se encarrega de realizar uma grande síntese e apresentar as implicações e conclusões do estudo com considerações propositivas referentes à mediação pedagógica através das três ferramentas/funcionalidades analisadas. 48 WAQUIL; BEHAR, 2009, p. 175. 27 Finalmente, cabe-me expressar a alegria e o prazer que esta atividade de pesquisa trouxe. Consultar a teoria, examinar a prática, identificar acertos e erros, descobrir o improvável e o óbvio, abrir caminhos, encontrar saídas. Foram muitas as experiências obtidas durante todo o processo. Não espero ter esgotado o assunto. Há muitos temas que precisam de pesquisas mais aprofundadas. A quantidade de obras que tratam da educação a distância confirma a necessidade de reflexão teórica e prática sobre o assunto. Esse trabalho foi um despretensioso esforço de compreensão e análise em torno do tema. Espero ter dado uma contribuição, ainda que pequena. 28 1. PRESSUPOSTOS DA ANÁLISE Neste capítulo buscamos apresentar os principais pressupostos teóricos deste trabalho. Apesar de conhecidos, estes termos podem, de acordo com o contexto, apresentar sentidos completamente distintos dos adotados. Portanto, é preciso especificar o que entendemos por educação a distância, educação teológica, educação teológica a distância e mediação pedagógica. Começaremos por educação a distância. 1.1 Educação a distância A educação a distância se firma hoje como modalidade educacional, não apenas por causa das novas e eficientes ferramentas tecnológicas, mas muito mais pela ascensão de uma nova cultura mundial globalizada, a cibercultura. Enquanto, a antiga cultura privilegiava uma inteligência territorializada e temporalizada – a figura do mestre, a nova cultura se constitui a partir de uma inteligência coletiva, desterritorializada e atemporal. Esse contexto se harmoniza com os meios e métodos da educação a distância mediatizada pelas novas tecnologias de informação e comunicação. Vivemos na chamada sociedade do conhecimento e da informação, mas não podemos confundir conhecimento e informação. Qual a diferença? Pierre Lévy49 aponta pelo menos duas características que diferenciam informação de conhecimento: (1) A informação depende para sua existência de um suporte físico (papel, CD, Internet, etc.), já o conhecimento depende de pessoas; (2) O conhecimento é fruto de uma aprendizagem, de uma utilização e interpretação da informação. Crawford50 exemplifica do seguinte modo: um 49 LÉVY, Pierre. O que é o virtual? São Paulo: Editora 34, 2007, p. 56-58. CRAWFORD apud LUCCI, Elian Alabi. A Era Pós-Industrial, a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar. Disponível em: <http://www.hottopos.com/vidlib7/e2.htm> Acesso em: 18 jun. 2008. 50 29 conjunto de coordenadas que apontam a posição de um navio é informação, mas a habilidade para utilizar essas coordenadas para determinar uma rota para o navio é conhecimento. Essa distinção entre informação e conhecimento revela o importante papel da educação, pois, diante do aumento da oferta de informação, aumenta também a demanda por mais conhecimento. A Internet só se inicia em 1990, mas de lá para cá, de acordo com a metáfora de Roy Ascott51, experimentamos um segundo dilúvio – uma inundação de informação. Ao entrarmos em qualquer site de busca somos bombardeados por uma imensa onda de informações. Essa abundância de informações cria a ilusão de muito conhecimento, o que de fato não é. O conhecimento, como vimos, depende da informação, mas não se reduz a ela. Conhecimento é saber selecionar essas informações e utilizá-las para o bem pessoal e coletivo. Esse é o grande desafio da educação. Anterior e concomitantemente ao surgimento da Internet temos o surgimento de inúmeras tecnologias de informação e comunicação (TICs). Essas novas ferramentas associadas à WWW (World Wide Web) vão patrocinar uma mudança de relação do ser humano com o saber. Surge, como dissemos anteriormente, uma nova cultura – a cibercultura. Para Pierre Lévy52 essas novas tecnologias favorecem novas formas de acesso à informação e cria novos estilos de raciocínio e de conhecimento. A rapidez em que alguém pode tirar uma dúvida ou acessar uma informação cria um novo perfil de sujeito, principalmente, mais independente e autônomo. Para Lévy isto tem implicação direta nos sistemas de educação e formação. Precisase agora de uma nova pedagogia que valorize aprendizagens personalizadas e aprendizagens coletivas em rede53. Do mesmo modo que temos um novo perfil de educando(a), também necessitamos de um novo perfil de educador(a), de agência educadora, e de política educacional. As possibilidades educacionais que trazem a WWW e as TICs são tão imensas como o volume de informação transmitido por elas. O surgimento de uma nova tecnologia produz imediatamente uma mudança no setor produtivo e ambiente de trabalho. Por um bom tempo as profissões se mantiveram estáveis. Um aprendiz era treinado por um mestre-profissional e utilizava durante toda sua carreira profissional os conhecimentos adquiridos no período de 51 LEVY, Pièrre. Educação e cybercultura. Disponível em: <http://www.forumeja.org.br/node/587> Acesso em: 15 jun. 2009. 52 LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999, p.157-167. 53 LÉVY, 1999, p. 155. 30 aprendizagem. Não havia muita variação. No período da revolução industrial isso era possível, mas na era pós-industrial já não é mais. O profissional de hoje não deixa de ser aprendiz, ele seguirá aprendendo ao longo da vida. Além dessa demanda de uma educação continuada, a Internet e as TICs promovem uma democratização do saber há muito sonhada. Graças a essas novas tecnologias de informação e comunicação, a educação a distância pode alcançar, com alta qualidade pedagógica, inúmeras pessoas que jamais teriam acesso à educação no formato tradicional de educação presencial. É preciso, portanto, operacionalizar mudanças significativas nos sistemas de educação em vista de preparar os/as futuros/as profissionais, os cidadãos e cidadãs, para esse novo modo de aprender e ensinar que estamos inaugurando. Se temos um novo perfil de aprendiz, precisamos de um novo perfil de educador/a. Essa nova relação com o saber também exigirá novos critérios de avaliação e de validação das competências adquiridas. Cabe aos sistemas de educação e seus gestores responderem com eficiência e eficácia a esses grandes desafios. A educação a distância, nos termos que esse trabalho assume, é definida conforme Art. 1º do Decreto nº 5.622 de 19 de dezembro de 2005 que regulamenta a LDB de 1996, que diz: Para fins deste decreto, caracteriza-se a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares e tempos diversos54. A expressão “utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação” aponta para uma educação a distância de quarta e quinta geração de acordo com a terminologia de Moore e Kearsley (foco na tecnologia), ou de terceira geração conforme Garrison e Anderson (foco na interação), ou ainda, o modelo de ensino a distância baseado na rede conforme Peters. Os referenciais de qualidade para a educação superior55 confirmam essa direção. Em certo trecho, o documento diz: 54 DECRETO nº 5.622 de 19 de dezembro de 2005. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5622.htm>. Acesso em: 8 nov. 2008. 55 MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO E CULTURA. Referenciais de qualidade para educação superior a distância. Brasília, 2007. Disponível em: <http:www.portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/referenciaisead.pdf> Acesso em:16 fev. 2009. 31 [...] um curso superior a distância precisa estar ancorado em um sistema de comunicação que permita ao estudante resolver, com rapidez, questões referentes ao material didático e seus conteúdos, bem como aspectos relativos à orientação de aprendizagem como um todo, articulando o estudante com docentes, tutores, colegas, coordenadores de curso e disciplinas e com os responsáveis pelo sistema de gerenciamento acadêmico e administrativo. Para atender às exigências de qualidade nos processos pedagógicos devem ser oferecidas e contempladas, prioritariamente, as condições de telecomunicação (telefone, fax, correio eletrônico, videoconferência, fórum de debate pela Internet, ambientes virtuais de aprendizagem, etc.)56. 1.2 Educação Teológica Há uma grande dificuldade em se definir educação teológica. O Dicionário Brasileiro de Teologia57 publicado pela ASTE (Associação de Seminários Teológicos Evangélicos) no verbete “Educação Teológica” não o define, apenas apresenta um breve histórico da educação teológica no Brasil. A definição de “educação teológica” depende primeiramente de uma definição do que se entende por teologia. Percebe-se nos documentos oficiais do MEC a indefinição do termo. No Parecer Nº:CES 241/9958 que regulamentou o curso de Bacharel em Teologia, a teologia é definida como “uma análise efetuada pela razão sobre os preceitos da fé. Essa definição está mais próxima daquilo que até então os Seminários e Faculdades de teologia entendiam como objeto de seu estudo. No entanto, o novo parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que orienta a Secretaria de Educação Superior, a Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, para fins de avaliações, autorizações, reconhecimentos e renovações de reconhecimento dos cursos de teologia, bacharelado, define de outra forma teologia. Conforme esse novo Parecer do CNE, As teologias são sistemas de símbolos, pressupostos, valores e temas historicamente presentes nas sociedades humanas que se imbricam na cultura, na história, na 56 Referenciais de qualidade da educação superior a distância, 2007, p. 11. BORTOLLETO, Fernando (Org.). Dicionário Brasileiro de Teologia. São Paulo: ASTE, 2008. 58 PARECER Nº:CES 241/99 Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/pareceres/p241.pdf > Acesso em: 02 jul. 2009. 57 32 subjetividade e no comportamento humano, tornando-se referência de modos específicos de significar o mundo e a vida59. Chama a atenção no PARECER CNE/CES Nº: 118/2009 a substituição do termo “teologia”, presente nos pareceres anteriores, pelo termo “teologias”. Não se vê esse tratamento em outras áreas do conhecimento, por exemplo, não se fala de medicinas, biologias, sociologias, filosofias. Ao fazer essa mudança os conselheiros do CNE trouxeram mais dúvida quanto ao estatuto epistemológico da teologia. Ao se referir ao propósito do estudo de teologia, o mesmo Parecer diz que este “possibilita a compreensão da história da humanidade e de nosso País, suas tradições e heranças culturais, assim como os fenômenos sociais e religiosos da atualidade”. A EST (Escola Superior de Teologia- São Leopoldo) se manifestou em relação ao parecer, e especialmente em relação a definição de teologia presente no documento: Pensamos ser necessário e frutífero um debate sobre a definição e a compreensão de Teologia constante no Parecer. A formulação, como está (“As teologias são sistemas de símbolos, pressupostos, valores e temas historicamente presentes nas sociedades humanas...”), remete às religiões e não propriamente à Teologia. A Teologia se constitui como reflexão crítica, inclusive auto-crítica, metodologicamente transparente e refletida, sobre uma religião específica, no nosso caso a fé cristã 60. Aprofundando sua definição de teologia em reação ao Parecer CNE/CES Nº: 118/2009, a EST61 afirma a teologia como tendo como objeto a fé, tanto como crida quanto como conteúdo, o seu caráter descritivo e normativo, sua natureza confessional, sua função hermenêutica e seu permanente diálogo interdisciplinar. Ajuda um pouco na definição do estatuto epistemológico da teologia e da educação teológica a reflexão do teólogo João Batista Libânio que, ao falar sobre o ensino acadêmico de teologia, se apropria da classificação feita por Clodovis Boff para a teologia da libertação dos três níveis de teologia (popular, pastoral e profissional), e propõe usar a classificação para toda teologia62. A teologia popular seria a reflexão de fé realizada pelos cristãos em âmbito pessoal e comunitário e se formaria no âmbito da comunidade; enquanto a acadêmica 59 PARECER CNE/CES Nº: 118/2009. Documenta (570) Brasília, maio 2009. BOBSIN, Oneide. Carta aberta referente ao Parecer CNE/CES 118/2009 [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <[email protected]> São Leopoldo, 19 jun. 2009. 61 Escola Superior de Teologia da Igreja de Confissão Luterana do Brasil (São Leopoldo, RS). 62 LIBÂNIO, João Batista; MURAD, Afonso. Introdução à teologia: perfil, enfoques, tarefas. São Paulo: Loyola, 1996, p. 198. 60 33 (profissional) se formaria nos Seminários, Faculdades de teologia e Centros de PósGraduação. A teologia pastoral seria o meio do caminho entre a teologia popular e a acadêmica (profissional). A questão então seria definir a qual dos três níveis de teologia se ajusta o Bacharelado em Teologia. Há consenso de que a formação teológica de nível de bacharelado esteja acima do primeiro nível (teologia popular). No entanto, não há consenso quanto aos outros dois níveis (pastoral e acadêmico/profissional). Tanto no âmbito Católico como Protestante há questionamentos quanto ao tipo de formação nos cursos de graduação em teologia. Para uns deveria ser dada mais ênfase às práticas de ministério e para outros à reflexão teológica63. Quando se discute o tipo de formação que um curso de Bacharel em Teologia deve oferecer, não se pode esquecer que este não é o único grau na formação teológica. Ao se pensar dessa forma, evita-se a dicotomia entre formação acadêmica e formação pastoral. Em outras partes do mundo esse dilema já foi resolvido como comenta Jaci Maraschin, exSecretário Geral da ASTE: Em 1932, a Associação de Escolas Teológicas dos Estados Unidos e Canadá estabeleceu definições e padrões claros para a concessão de graus teológicos [...] O grau de Bacharel em Teologia representa o primeiro grau de graduação no curso teológico, com a duração, em geral, de três anos e é considerado um “grau profissionalizante” com ênfase no ministério e sua prática [...] Nos anos 60 o grau de Mestre em Teologia (M. Div.) foi aceito como alternativa ao grau de Bacharel em Teologia. Em 1972 esse grau acabou substituindo o grau de Bacharel em Teologia 64 na qualidade de primeiro grau teológico profissionalizante . No Brasil temos os seguintes níveis acadêmicos no Ensino Superior: cursos seqüenciais, de graduação, de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) e cursos 63 O debate sobre o tipo de formação no grau de Bacharel em Teologia vem de longa data. Como exemplo do debate no meio protestante, encontramos na primeira edição (1968) da revista Simpósio (órgão oficial da ASTE – Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos) a fala de Gerson A. Meyer que dizia: “... pastores que saem dos seminários sem estarem preparados para o ministério. Falta-lhes imaginação, inspiração e preparo necessário para enfrentar o ministério num mundo em revolução” (MEYER, Gerson A. Educação cristã em seminário. Simpósio, São Paulo, ano I, n. 1, maio, 1968, p. 54-55. Da perspectiva Católica, também como exemplo, podemos mostrar a reflexão do teólogo Hans Urs Von Balthasar quando em sua obra de 1965 reflete sobre o divórcio entre a teologia e a santidade. Em sua reflexão Balthasar propõe a reaproximação da teologia e espiritualidade, ele quer “um teólogo que também é santo” [tradução própria de “the theologian who is also a Saint”]; cf. BALTHASAR, Hans Urs Von. Word and redemption: ensays in theology 2. New York, Herder end Herder, 1965, p. 57. 64 MARASCHIM, Jaci. Graus acadêmicos e sistema de reconhecimento em educação teológica. Simpósio, vol. 8 (3), ano XXIX, maio de 1996, n. 39, p. 223-241. 34 de extensão65. Quanto à finalidade da educação superior a lei afirma sete fins, dentre estes, “formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua”. O curso de Bacharel em Teologia, se compreendido como primeiro grau de formação teológica, não deveria ser precipuamente um curso de formação pastoral? Como dizem os pareceres Nº:CES 241/99 e CNE/CES Nº: 118/2009, “não se trata de uma profissão regulamentada”. Mesmo sendo o Bacharel em Teologia uma profissão não regulamentada, há certo consenso no Brasil que esses cursos apontam para a formação do clérigo, sacerdote, pastor ou algum profissional eclesiástico. Isso se torna evidente na Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho e Emprego onde aparecem juntos em um grupo as ocupações de Ministro de culto religioso, Missionário e Teólogo e tendo a seguinte descrição sumária: Realizam liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirigem e administram comunidades; formam pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orientam pessoas; realizam ação social junto à comunidade; pesquisam a doutrina religiosa; transmitem ensinamentos religiosos; praticam vida contemplativa e meditativa; preservam a tradição e, para isso, é essencial o exercício contínuo de competências 66 pessoais específicas . Há outras vertentes de pensamentos quanto às finalidades do curso de Bacharel em Teologia. Enquanto alguns defendem um curso para formação do teólogo profissional (teologia acadêmica conforme Libânio), outros defendem a formação do clérigo, sacerdote ou pastor. Há também propostas que ficam no meio termo, tais como a do Prof. Júlio Zabatiero. Zabatiero entende que a questão do paradigma da educação teológica é uma questão que ainda não foi adequadamente resolvida. Segundo ele, tanto as instituições evangélicas de corte ecumênico e evangelical oscilam entre dois paradigmas de educação teológica, formação de teólogos e teólogas e formação pastoral. Zabatiero propõe como superação para essa dicotomia o paradigma da teologia prática, ou seja, nem a formação do teólogo nem do pastor, mas do teólogo prático. Ele esclarece o que entende por teologia prática: 65 LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm> Acesso em: 01 jul. 2009. 66 MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Classificação Brasileira de Ocupações. Disponível em: <http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTituloResultado.jsf > Acesso em: 01 jul. 2009. 35 Teologia prática é discurso crítico e construtivo sobre a ação cristã no mundo presente. Fundamenta-se no discernimento da ação de Deus no mundo presente e se constrói em diálogo-crítico e construtivo com os discursos sobre a ação não-cristã e sobre a ação anti-cristã no mundo presente. Sua racionalidade é a de uma teoria crítico-discursiva da ação; e sua finalidade é contribuir para o aperfeiçoamento da ação cristã no mundo [...] Como eixo norteador do projeto teológico-pedagógico da instituição de ensino teológico, ela coloca a ação67. Diante das diversas opiniões, para fins de fundamento para análise nesta pesquisa se compreenderá a educação teológica no grau de Bacharel em Teologia como um curso com o objetivo de formação do clérigo (pastor, missionário, sacerdote, profissional eclesiástico, etc.), sendo este também o primeiro grau de formação do teólogo. Entende o autor deste trabalho que há diversos níveis de discurso e formação teológica, devendo aqueles e aquelas, que por vocação almejam alcançar outros níveis, prosseguir seus estudos em cursos sequenciais ou de pós-graduação. 1.3 Educação teológica a distância Em 2010, de acordo com dados do MEC, já temos as seguintes instituições autorizadas e/ou reconhecidas pelo MEC para oferecer curso de graduação em teologia na modalidade a distância: Centro Universitário Claretiano (São Paulo), Centro Universitário da Grande Dourados (Mato Grosso do Sul), Centro Universitário Leonardo da Vince (Santa Catarina), Universidade Luterana do Brasil (Rio Grande do Sul), Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), Faculdade Teológica Batista de Paraná (Paraná)68. A educação teológica na modalidade a distância pode parecer novidade, mas já vem de longa data. A história da educação teológica se cruza com a história da educação a distância. Para Otto Peters 67 ZABATIERO, Júlio Paulo Tavares. Em busca de um projeto teológico-pedagógico para a educação teológica. In: KOHL, Manfred Waldemar; BARRO, Antonio Carlos (Orgs.). Educação Teológica Transformadora. Londrina: Descoberta, 2006, p. 161. 68 Informação disponível no sistema eMEC com exceção da Faculdade Teológica Batista do Paraná que ainda não conta no sistema, mas já recebeu autorização. Disponível em: <http://emec.mec.gov.br/> Acesso em: 16 mar. 2010. A autorização para a Faculdade Teológica Batista do Paraná para oferta de curso de graduação em teologia na modalidade a distância foi dada pela Portaria 13 do MEC de 17 de fevereiro de 2010. 36 As primeiras experiências em educação a distância foram singulares e isoladas. No entanto, já eram de profunda importância para as pessoas implicadas, porque o conteúdo era a religião e a controvérsia religiosa, que eram levadas muito a sério naquela época. Estou me referindo aqui a São Paulo, que escreveu suas famosas epístolas a fim de ensinar às comunidades cristãs da Ásia Menor como viver como cristãs em um ambiente desfavorável. Ele usou as tecnologias da escrita e dos meios de transporte a fim de fazer seu trabalho missionário sem ser forçado a viajar. Isso já era claramente uma substituição da pregação e do ensino face a face por pregação e ensino assíncronos e mediados. E foi uma abordagem baseada na tecnologia, ainda que “pré-industrial”69. Peters, ao comentar a respeito dos modelos de ensino e aprendizagem de diversas instituições de educação a distância no mundo, destaca o grande número de alunos na University of South Africa, especialmente os 1.180 (mil cento e oitenta) estudantes de teologia70, que para ele, já seria um número relativamente grande até para uma universidade presencial. Nesta universidade em 2009 foram oferecidas as seguintes opções de estudos teológicos71: 1. Bacharelado em Teologia – curso voltado especialmente para aqueles que querem servir como ministros nas igrejas cristãs. Com duração mínima de três anos, tem seu currículo dividido em trinta módulos, divididos em quatro grandes blocos: Estudo das Escrituras, Teologia em Contexto, Ministério Eclesiástico (congregação) e Ministério Comunitário. 2. Cursos de Especialização (Honours Bachelor of Theology) de duração de 1 ano nas seguintes áreas: Espiritualidade Cristã, História da Igreja, Missiologia, Novo Testamento, Antigo Testamento, Teologia Prática, Ciências da Religião, Teologia Sistemática, Ética, Liderança Cristã. 3. Mestrado em Teologia nas áreas de Novo Testamento e Antigo Testamento. Para esse curso se requer, como pré-requisito, ter cursado os dois níveis anteriores de bacharelado e especialização. A experiência da University South Africa é apenas um dos vários exemplos que mostram que é possível realizar educação teológica na modalidade a distância. Pode-se 69 PETERS, 2004, p. 29. PETERS, 2004, p. 283. 71 UNIVERSITY OF SOUTH AFRICA. Disponível em: <http://brochure.unisa.ac.za/brochure/showlist.aspx?d=_sr> Acesso em: 17 jun. 2009. 70 37 também citar: Baptist Bible Seminary na Pennsylvania72 (EUA), George Fox Evangelical Seminary (EUA)73, instituições sérias trabalhando com educação teológica a distância. Já surgem também importantes pesquisas sobre o tema. Em estudo realizado no outono de 2003, nos EUA, Steve Delamarter colheu considerações sobre o uso da tecnologia na educação teológica de noventa educadores teológicos que representavam quarenta e cinco Seminários. Segundo Delamarter, “muitos educadores teológicos são da opinião que algumas disciplinas simplesmente não podem ser ensinadas em um ambiente virtual de aprendizagem”74. Dentre estas disciplinas são destacadas pregação, adoração, aconselhamento e línguas bíblicas. Delamarter reuniu seus achados em três grupos: preocupações pessoais e práticas, preocupações pedagógicas e educacionais e preocupações filosóficas e teológicas. Na tabela abaixo está a lista das considerações75: Tabela 1.1: Preocupações de educadores teológicos nos EUA sobre o uso de tecnologias na mediação de educação teológica a distância76. Preocupações práticas e pessoais 1. Há muito custo associado com tecnologia, e muitos deles estão ocultos. 2. Tecnologias requerem muito tempo. 3. Tecnologias tomarão o tempo que necessito para minha função. 4. Tecnologia pode se tornar uma histeria e tornar as prioridades muito difíceis de administrar. 5. O corpo docente está sobrecarregado e a comunidade do seminário tem dificuldade de conseguir tempo para falar sobre novos usos da tecnologia. 6. Docentes iriam perder o controle de direitos autorais de seus materiais originais. 7. Pessoas que têm gasto muitos 72 1. 2. 3. 4. 5. Preocupações pedagógicas e educacionais Ambiente eletrônico abre a porta para um mundo de possibilidades para estudantes sem escrúpulos. O ambiente virtual cria o perigo de desenvolvimento de falsa personalidade. O ambiente virtual pode criar oportunidade para comportamento irresponsável dos estudantes. Muitos educadores teológicos expressaram preocupação sobre perder a magia da experiência em sala de aula ao vivo com toda a sua proximidade e interação espontânea. Quem vai ensinar os cursos online? Projetos de tecnologia acabarão sendo conduzido por adjuntos? Preocupações filosóficas e teológicas 1. Alguns crêem que não se pode mentorear e desenvolver o caráter e vida espiritual numa formação online. 2. Há uma concepção comum de que há uma relação direta entre encontro face a face e construção de comunidade. 3. Questões sociológicas não tangíveis (padrões, rituais, valores), mas presentes na comunidade acadêmica de uma instituição, não podem ser transmitidas em uma educação online. 4. Seria frustrar os nossos movimentos para ser BIBLE SEMINARY NA PENNSYLVANIA. Disponível em:< http://www.bbc.edu/seminary/about.asp> Acesso em: 17 jun. 2009. 73 GEORGE FOX EVANGELICAL SEMINARY. Disponível em: <http://www.georgefox.edu/seminary/> Acesso em: 17 jun. 2009. 74 DELAMARTER, Steve. Theological educators and their concerns about technology. Teaching Theology and Religion, Malden, USA, vol. 8, n. 3, p. 131-143, 2005. “While open to the possibility that certain online courses may be successful, many theological educators are of the opinion that other courses simply cannot be taught in a virtual or electronic environment” (p. 136). 75 DELAMARTER, 2005, p. 131-143. 76 O texto em inglês está no anexo 6 deste trabalho. 38 anos trabalhando numa forma de 6. Muitos educadores teológicos são ensinar não querem começar do da opinião que certos cursos zero na tecnologia. (disciplinas) simplesmente não 8. Nós temos bastante estudantes. podem ser ensinados em ambiente Muitos seminários comunicaram virtual (homilética, línguas ter crescimento suficiente sem bíblicas, etc.). ter que optar por ensino online. 7. Educadores teológicos suspeitam 9. Nós não estamos seguros de que que estudantes a distância não temos um mercado para EAD. estão tendo acesso a livros 10. Se isso realmente ocorrer nós importantes como aqueles que teremos que fechar o campus. estão no campus . 8. Alguns educadores teológicos estão preocupados com a capacidade para promover valores e habilidades no ambiente eletrônico. 9. A qualidade da educação teológica é diretamente relacionada a fatores que eles crêem não poder funcionar bem em ambiente virtual (Ex.: relacionamentos). intencionalmente intercultural. 5. Nós queremos preservar o status social da educação teológica. 6. Nós nos opomos a cursos online e limitamos o número dos que podem ser transferidos em nosso programa. Alguns achados dessa pesquisa podem não ter relação com a realidade brasileira, mas com certeza revelam dúvidas e preocupações que também estão presentes entre aqueles que trabalham na educação teológica no Brasil. A grande questão é que EAD mediada pelas novas TICs é algo muito novo, e, como toda novidade, traz consigo dúvidas e incertezas. Muitas das preocupações, expressadas pelos educadores teológicos na pesquisa, revelam provável desconhecimento das potencialidades do uso das novas tecnologias na educação. É preciso ainda muitas pesquisas e experimentação para que certos temores desapareçam. Delamarter77, em outro estudo, classifica em três estágios o processo de utilização da tecnologia na educação teológica. No primeiro estágio os educadores teológicos apenas sobrecarregam com tecnologia alguns aspectos do paradigma clássico. Apresentações com Power Point, contatos via e-mail, acesso eletrônico à biblioteca, etc. Nesse estágio são poucas as iniciativas de superação da barreira de tempo e espaço. O segundo estágio Delamarter divide em duas fases. Na primeira fase há uma tentativa de transferência do que se faz em sala de aula para o ambiente online. O professor procura elaborar uma aula em vídeo ou áudio, ou simplesmente coloca à disposição na plataforma um texto para os estudantes lerem. A segunda fase começa quando os educadores começam a explorar as tecnologias na educação a distância e se dão conta de que os novos 77 DELAMARTER, Steve. A typology of the use technology in theological education. Theaching Theology and Religion, Malden, v. 7, n. 3, p. 136, 2004. 39 meios não são adequados àquela antiga forma de ensinar (face a face). Nesta fase muitos desistem da educação a distância; já os poucos que persistem saem em busca de uma nova pedagogia para essa nova realidade. Nesta fase os educadores começam a debater assuntos relacionados a estilos de aprendizagem, teorias construtivistas, aprendizagem centrada no aluno, comunidades de aprendizagem, aprendizagem colaborativa, etc. O terceiro estágio avança na direção da construção de um currículo inteiro que faça uso das tecnologias, recursos e ferramentas apropriadas. Delamarter propõe, para iniciar, uma forma híbrida78, chamada por outros autores de blended79, onde a intenção é tirar o melhor de cada modalidade de ensino (presencial e a distância). Segundo o autor a forma híbrida evita as críticas e desconfianças que geralmente se manifestam em relação aos programas a distância, e estudos tem demonstrado que formas híbridas de ensino e aprendizagem podem ser mais efetivas quando se explora o que há de melhor de ambas modalidades (presencial e a distância)80. No Brasil essas formas híbridas estão sendo chamadas de “semipresencial”. Emílio Voigt81, ao falar sobre o assunto, diz: Essa opção permite usufruir da eficácia e das vantagens das duas modalidades. A supremacia deste modelo está na mistura e na junção dos benefícios. Em termos de contexto, mantém-se relativa flexibilidade. Embora haja necessidade de deslocamento para momentos presenciais, não há um deslocamento diário. A quantidade e a duração de momentos presenciais devem ser definidas de acordo com disposições legais e com objetivos a serem alcançados. Em vez de encontros semanais, pode-se, por exemplo, optar por intervalos maiores, como encontros mensais de maior duração. A flexibilidade no processo de aprendizagem – ritmo e profundidade – também é resguardada82. 78 DELAMARTER, 2004, p. 138. VAUGHAN, Norman. Investigating how a blended learning approuch can support an inquiry process within a Faculty Learning Community. 2004. 262 f. Tese (Doutorado) – Graduate Division of Education Research, University of Calgary, Alberta – CA, 2004, p. 5. Disponível na Internet em: Disponível em: <http://scholar.lib.vt.edu/theses/available/etd-81197-16953/unrestricted/DISSERTA.PDF> Acesso em: 16 fev. 2009. 80 Há bastante estudos que abordam a temática de blended learning. Podemos citar alguns apenas como exemplo: (1) ROMERO, Tori. Cursos híbridos ou blended learning. In: LITTO, Fredric M; FORMIGA, Marcos (Orgs.). Educação a distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009, p. 121 – 128. (2) ROMERO, Tori. Tecnologias interativas na redução de distância em educação: taxonomia da mídia e linguagem de modelagem. Disponível em: < http://stoa.usp.br/fap0459/files/1073/6045/TORI-teseTecnologias_Interativas_na_Educacao.pdf> Acesso em: 29 abr. 2010. (3) GRAHAM, Charles R. BLENDED LEARNING SYSTEMS: definition, current trends, and future directions. Disponível em: < http://www.publicationshare.com/graham_intro.pdf> Acesso em: 29 abr. 2010. 81 Dr. Emílio Voigt foi coordenador da Educação a Distância (EAD) na Faculdades EST, em São Leopoldo, RS. 82 VOIGT, Emílio. A ponte sobre o abismo: educação semipresencial como desafio dos novos tempos. Estudos Teológicos, São Leopoldo, v.47, n. 2, p. 54, 2007. 79 40 Será que essa tendência para o modelo híbrido (semipresencial) não manifesta uma descrença nas possibilidades de uma formação totalmente à distância? Ou um excesso de conservadorismo educacional? Ou será a cautela necessária? Do ponto de vista econômico, qual é mais viável para uma instituição educacional e para um/uma estudante, um modelo semipresencial ou totalmente a distância? Quando falamos da viabilidade da educação teológica necessitamos considerar tanto o aspecto pedagógico como econômico. Um certamente afetará o outro. A evolução nas formas de ensinar e aprender devido à introdução das novas tecnologias (TICs) tem sofrido mudanças tão profundas, que já se cogita nem mais se falar em educação a distância. Fala-se em substituir o termo “educação a distância” por “educação virtual”; “semipresencial” por “educação flexível”. Na verdade, “distância” é um termo fadado a desaparecer quando o assunto for educação. O fato é que falamos em educação a distância, mas pensamos a partir de categorias da educação presencial (Por que falamos “semipresencial” e não “semi-a-distância”?). A nova cultura que está se formando se encarregará de fazer as devidas correções. Numa pesquisa inédita em contexto norte-americano, Gary L. Seevers Jr., em sua tese de doutorado na Faculty of the Virginia Polytechnic and State University, buscou identificar critérios para o oferecimento de educação teológica na modalidade de educação a distância83. Seevers Jr. colheu dados realizando um painel internacional com 74 (setenta e quatro) membros, composto de educadores confessionais e não confessionais, gestores e educadores de educação a distância, representantes denominacionais, representantes do distrito, representantes de organizações certificadoras e representantes da educação de adultos84. Ele identificou critérios em oito categorias que segundo ele pode ajudar a avaliar programas existentes ou guiar no desenvolvimento de novos programas. As oito categorias, que foram alistados os critérios, são: ética, compromisso com o programa de educação a distância, currículo, avaliação, feedback, serviço de apoio ao estudante (suporte), considerações tecnológicas e corpo docente85. 83 SEEVERS Jr., Gary L. Identication of criteria for delivery of theological education through distance education: an international delphi study. 1993, 195 f. Tese (Doutorado) - Faculty of the Virginia Polytechnic and State University, Blacksburg, Virginia. Disponível na Internet em: Disponível em: <http://scholar.lib.vt.edu/theses/available/etd-81197-16953/unrestricted/DISSERTA.PDF> Acesso em: 16 fev. 2009. 84 O termo denominacional se refere ao pertencimento a uma denominação, ou seja, vinculado a uma organização eclesiástica. Não-denominacional significa não vinculado a uma instituição eclesiástica. 85 A lista dos critérios estabelecidos na pesquisa (SEEVERS Jr., 1993, p. 75-79) está no anexo 5 em seu idioma original. 41 Veja na tabela a seguir os critérios distribuídos nas oito categorias: Tabela 1.2: critérios para oferecimento de educação teológica a distância Categorias Ética Compromisso Currículo Avaliação Suporte ao estudante Critérios A administração provê ao estudante informação completa sobre o que é esperado e o que o estudante receberá. A administração assegura a confidencialidade das informações distribuídas tecnologicamente, especialmente quando se tratar de aconselhamento de indivíduos, advertências, e outros assuntos regulados por direito pela lei de privacidade. A administração mantém segurança na transmissão e administração de instrumentos de avaliação. A administração prevê o direito de um aluno ser ouvido em caso de legítimo desacordo. A administração tem o material na mão quando ele é anunciado. A administração oferece um programa comparável em conteúdo e rigor aos programas tradicionalmente oferecidos. A administração oferece uma faculdade de primeira categoria. Compromisso com o propósito do programa a. A administração identifica a necessidade para um programa de educação a distância. b. A administração identifica a população que será servida. Compromisso institucional c. A administração alista o compromisso da direção. d. A administração alista o compromisso do corpo docente com o programa. e. A administração providencia a obtenção e manutenção do reconhecimento do curso (credenciamento) Compromisso financeiro a. A administração tem orçado fundos para o programa de educação a distância. b. A administração provê fundos adequados para completar a missão do programa. c. O orçamento inclui fundos para assegurar a continuação do programa de educação a distância. O currículo contém claras declarações de objetivos. O Currículo inclui realização de atividades (Requer que o estudante faça algo). O currículo é realista quanto ao tempo requerido dos docentes para preparar materiais e apresentações. A avaliação incorpora métodos consistentes com metas e objetivos específicos do programa. A avaliação é sistemática e regular para detectar ineficácias do programa. A avaliação incorpora feedback para os administradores do programa. Há claros critérios para avaliação do avanço do estudante. O suporte ao discente assegura que o estudante tenha acesso aos representantes do conselho e administração da escola. A administração informa aos estudantes o que eles receberão, quando e onde eles receberão, e como obter a instrução ou materiais se eles não chegaram quando esperado. 42 Tecnologia A administração seleciona tecnologias que são confiáveis. A administração providencia suporte para assegurar a reabilitação do programa distribuído. Corpo docente A administração estabelecerá procedimentos para selecionar ou treinar instrutores em educação a distância para assegurar a qualidade do programa. Feedback Há feedback rápido para os questionamentos do estudante e tarefas de casa. Enfim, a educação teológica, como todas as demais áreas da educação, está sob o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação. A cibercultura chegou aos arraiais da educação teológica e a tendência é um grande crescimento da EAD também nesta área. Cabe a todos os envolvidos em oferecer uma educação teológica com qualidade, buscar caminhos e soluções pedagógicas que sejam de fato efetivos e viáveis. 1.4 Mediação pedagógica Esta pesquisa entende mediação pedagógica, conforme definem Gutierrez86 e Prieto87, como “o tratamento de conteúdos e formas de expressão dos diferentes temas, a fim de tornar possível o ato educativo. Isso dentro do horizonte de uma educação concebida como participação, criatividade, expressividade e relacionamento”88. A importância da mediação pedagógica na educação a distância aumenta justamente por causa da distância física entre professor-estudante e estudante-estudante. Enquanto na modalidade presencial a mediação se faz com auxílio da presença, na educação a distância são 86 Francisco Gutiérrez é de Costa Rica e doutor em Educação com especialização em Pedagogia da Comunicação e Mediação Pedagógica. Autor de numerosos livros sobre educação formal, educação popular e comunicação: Pedagogía para el desarrollo sostenible, Sentido y sin sentido en la educación, La mediación pedagógica para la educación popular (com Daniel Prieto), Ecopedagogia e cidadania planetária (com Cruz Prado). Atualmente é presidente do ILPEC, sediado na Costa Rica, Diretor do Instituto Paulo Freire e consultor em educação e comunicação. 87 Daniel Prieto Castillo é argentino e doutor em estudos latino-americanos pela Universidad Autónoma de México. É considerado um dos maiores especialistas da América Latina em comunicação e educação e comunicação para o desenvolvimento. 88 GUTIERREZ, Francisco; PRIETO, Daniel. A mediação pedagógica: educação à distância alternativa. Campinas, SP: Papirus, 1994, p. 8. 43 as estratégias de ensino, os materiais, e as tecnologias que tem grande peso na realização dessa função. É a mediação que torna possível o sentido. Não basta ter um emissor, uma mensagem e um receptor, é necessário uma mediação que dê sentido à mensagem. Certos gestos, entonações, revisões, permitem ao receptor captar o sentido. Como ensina Watzlawick a partir da ciência da comunicação, “todo comportamento, não só a fala, é comunicação”89. Portanto, a mediação pedagógica na educação a distância, que é baseada nos materiais e tecnologias utilizados, terá que ser substancialmente diferente da mediação na modalidade presencial. Segundo Gutierrez e Prieto a mediação pedagógica na EAD deve, primeiramente, preocupar-se com o tratamento do conteúdo que deve ser claro, acessível e bem organizado. Em segundo lugar vem a preocupação com a participação do interlocutor (estudante), deve-se criar atividades, práticas, exercícios. Finalmente, os autores manifestam uma preocupação com a forma (fontes de letra, figuras, cores, etc.). Gutierrez e Prieto defendem uma educação a distância alternativa. Como alternativa, entendem uma educação que rompa com o modelo tradicional marcado pela passividade em vez da participação e pela separação entre comportamentos de ensino e de aprendizagem90. Para eles é preciso diferenciar um modelo pedagógico, cujo propósito é educar, de outro, cujo propósito é ensinar. Quando o propósito é ensinar, a preocupação é com a transmissão de conteúdos. Busca-se, da parte do docente, a transmissão da informação, e do estudante, espera-se a assimilação comprovada através da avaliação. Essa prática é, na verdade, o que Freire chama de educação bancária91. Para que a educação de fato aconteça, exige-se mais que transmissão de conteúdos, é preciso que os estudantes e as estudantes se tornem também protagonistas do processo de ensino e aprendizagem. A mediação pedagógica se constitui de um conjunto de ações e procedimentos (meios) que promovem a educação (fim). Não se tem uma mediação pedagógica correta quando o fim não é educar. Transmitir informação não é educar. Logo, mais importante que os meios é o fim. Por causa do suporte tecnológico da educação a distância, muita ênfase é dada a tecnologia, no entanto a tecnologia por si só não educa. A mediação pedagógica na EAD faz uso dos meios tecnológicos, mas o que a torna de fato “pedagógica” é seu foco no 89 WATZLAWICK, Paul; HELMICK, Beavin; JACKSON, Don D. Pragmática da comunicação humana: um estudo dos padrões, patologias e paradoxos da interação. São Paulo: Cultrix, 2007, p. 19. 90 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 45. 91 FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 37. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, p. 57-58. 44 fim, ou seja, educar. Para Gutierrez e Prieto o ato educativo, que é educar, só se torna possível “dentro do horizonte de uma educação concebida como participação, criatividade, expressividade e relacionalidade”92. Para de fato educar, os autores propõem o tratamento da mediação pedagógica através de três fases: tratamento com base no tema, tratamento com base na aprendizagem e tratamento com base na forma93. O tratamento com base no tema, se refere ao tratamento do conteúdo de modo a torná-lo o mais acessível aos/às educandos(as). O tratamento da aprendizagem refere-se às atividades que permitem a auto-aprendizagem se tornar um ato educativo. O tratamento da forma segundo Gutierrez e Prieto é importante, porque “a forma é a expressão do conteúdo, e quanto mais bela e expressiva for aquela, mais se aproximarão os destinatários do conteúdo, mais facilmente se apropriarão dele”94. Conclusão Neste capítulo buscamos apresentar os pressupostos teóricos para a análise. Foram apresentados os conceitos centrais da pesquisa que são: educação a distância, educação teológica, educação teológica a distância e mediação pedagógica. Educação a distância é compreendida neste trabalho como uma modalidade de educação onde a mediação didáticopedagógica é marcada pela separação física dos envolvidos e envolvidas no processo de ensino e aprendizagem e, portanto, carece de meios que permitam a auto-aprendizagem e interaprendizagem. A educação teológica foi compreendida como um curso voltado à formação do futuro clérigo, pastor, sacerdote, líder eclesiástico, teólogo. Ao assumir esse posicionamento reconhecemos a falta de consenso quanto ao tema. A educação teológica a distância foi apresentada como uma realidade emergente, já contando com alguns trabalhos de pesquisa no exterior e com tendência de crescimento no Brasil e no mundo (tendência observada em outras áreas de formação). O capítulo encerra com a explicitação do termo “mediação pedagógica”, sendo esta compreendida como conjunto de ações e procedimentos que tornam um ato verdadeiramente 92 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 62. GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 62. 94 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 109. 93 45 educativo. É reconhecida a importância da tecnologia, mas se entende que a mediação pedagógica se alcança com foco muito mais no fim (educar) que nos meios (tecnologias). 46 2. QUESTÕES METODOLÓGICAS Para esta pesquisa selecionamos para análise sete (07) disciplinas da matriz curricular do curso de teologia da UNIGRAN. Definimos também três (03) funcionalidades/ferramentas para análise em cada disciplina: vídeo-aulas, web-aulas e atividades. Neste capítulo buscaremos apresentar os procedimentos metodológicos que foram necessários à pesquisa, tais como: técnicas de coleta de dados, a seleção das fontes de informação, a estratégia analítica geral e a construção das categorias e sub-categorias de análise. Veja no mapa a seguir as disciplinas selecionadas para o estudo: Mapa 2.1: Disciplinas selecionadas para o estudo 47 2.1 Coleta de dados Mapa 2.2: Métodos de coleta de dados Nesta pesquisa alguns dados quantitativos colaboraram para análises interpretativas. Conforme Vasconcelos, “a inserção de algumas medições quantitativas em estudos qualitativos pode constituir um bom controle para a tendência frequente de “forçar” dedutivamente interpretações da realidade”95. 1.1.1 Amostragem O processo de amostragem adotado nesta pesquisa é denominado de amostragem teórica. Segundo Uwe Flick, “As decisões relativas à seleção e à reunião de material empírico (casos, grupos, instituições, etc.) são tomadas no processo de coleta de dados e de 95 VASCONCELOS, Eduardo Mourão. Complexidade e pesquisa interdisciplinar: epistemologia e metodologia operativa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002, p. 199. 48 interpretação de dados”96. Inclusive, acrescenta Flick, “As decisões sobre a amostragem visam àquele material que prometa os maiores insights, percebidos à luz do material já utilizado e do conhecimento dele extraído”97. 1.1.2 Técnicas e fontes para coleta de dados Para alcançar os objetivos desta pesquisa foram utilizadas diferentes técnicas de coleta de dados. Esta pesquisa, por sua natureza, fez uso especialmente da análise dos dados registrados no ambiente virtual de aprendizagem (AVA). A mediação pedagógica na educação a distância, com base nas novas tecnologias de informação e comunicação, se dá basicamente (não unicamente) através das ferramentas disponíveis nos ambientes virtuais de aprendizagem e/ou das ferramentas da chamada WEB 2.098. Técnicas convencionais de coleta de dados foram utilizadas como observação direta, entrevistas, análise de documentos e outras fontes de evidências que se fizeram necessárias para elucidar as questões de pesquisa. Como observa Flick, alguns métodos e “princípios da pesquisa qualitativa podem ser transferidos à Web apenas com alguma modificação”99. No entanto, o autor chama a atenção para alguns fatores que dão um contorno especial à pesquisa na Web100: 1. A intertextualidade dos documentos na Web ou seu formato em hipertexto; 2. Os documentos na Web em grande parte são produtos multimídia (som, imagem, texto). Com essas considerações preliminares, vejamos os métodos de coleta de dados. 96 FLICK, 2009, p. 120. FLICK, 2009, p. 120. 98 WEB 2.0 é um novo conceito em EAD onde as ferramentas disponíveis na WEB se transformam em centros de aprendizagem pessoal. Cf. FILATRO, Andrea. Design instrucional na prática. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2008, p. 126-127. 99 FLICK, 2009, p. 240. 100 FLICK, 2009, p. 249-250. 97 49 a) Observação online Segundo Yin101 a observação direta pode ser feita no momento da visita de campo ou durante as entrevistas. No caso específico desta pesquisa, a observação direta foi uma observação online realizada através de visitas virtuais no ambiente virtual de aprendizagem (AVA) com o fim de colher dados, conhecer o ambiente, as ferramentas, enfim, as “interconexões entre os nós”102, que não revelam apenas a interação entre os sujeitos, como Waquil e Behar identificaram, mas a intertextualidade/hipertextualidade da própria mediação pedagógica. Para essa técnica de coleta de dados foi elaborado um protocolo de observação específico para cada funcionalidade analisada que fez parte dos protocolos do estudo de caso (em anexo). Em alguns casos, quando necessário, foram tiradas fotografias e, no caso das visitas virtuais ao ambiente virtual de aprendizagem, foi usado o recurso Print Screen (PrtSCR), que é uma tecla comum nos teclados de computador do sistema Windows. Quando a tecla é pressionada, captura em forma de imagem tudo o que está presente na tela. Com esse recurso foi possível captar imagens da interface do ambiente virtual de aprendizagem. b) Entrevistas As entrevistas constituem fonte essencial de evidências para um estudo de caso. Conforme Yin103, em estudos de caso podem ser usados três tipos de entrevistas. O primeiro tipo é a entrevista espontânea onde o respondente assume um papel mais de informante, sendo estimulado a dar sugestões, apresentar suas percepções e interpretações sobre o assunto. O segundo tipo de entrevista é a focada, onde permanece a espontaneidade, mas há um roteiro de perguntas a ser seguido. O terceiro tipo de entrevistas é mais estruturado, do tipo de um levantamento formal. Para Yin o tipo mais comum é o primeiro, onde prevalece a espontaneidade. 101 YIN, 2005, p. 119-121. WAQUIL E BEHAR, 2009, p. 164. 103 YIN, 2005, p. 117. 102 50 Martins é bem explícito ao falar sobre a forma de utilizar o método de entrevista em um estudo de caso, quando diz: Em um Estudo de Caso, um clima de amistosidade deverá permanentemente ser mantido pelo pesquisador, possibilitando perguntas a respondentes-chave e também solicitação de opiniões sobre determinados fatos, bem como indicações de outros 104 membros da organização que poderão ser entrevistados . Nesta pesquisa as entrevistas serviram apenas para esclarecer dúvidas durante a coleta e análise dos dados e foram realizadas via e-mail. O respondente-chave foi o coordenador do curso. Flick aponta algumas vantagens e desvantagens para condução de entrevistas por e-mail ou por internet105. Como vantagens ele alista: evita-se o custo das transcrições, facilita-se o acesso ao entrevistado, toma-se menos tempo do entrevistado e permitem aos participantes uma maior reflexão sobre suas respostas. Já as desvantagens apontadas são: a ausência da espontaneidade da troca verbal, as dificuldades de transpor e integrar as partes não verbais ou para-linguísticas da comunicação e a disponibilidade e disposição dos entrevistados de usar a comunicação mediada por computador. Para o objetivo desta pesquisa a entrevista por e-mail se mostrou muito eficaz. Foram realizadas cinco entrevistas via e-mail e foram organizadas em arquivos e armazenadas no banco de dados da pesquisa. As questões das entrevistas foram elaboradas de acordo com a necessidade de cada momento. Quando havia dúvida quanto a algum aspecto do que se estava analisando, esta dúvida era expressa em uma ou mais perguntas e enviadas por e-mail ao coordenador do curso que, obtendo as respostas, nos enviava por e-mail. Todos os e-mails enviados foram prontamente respondidos e as principais dúvidas sanadas. c) Documentos Os documentos são as fontes principais desta pesquisa. Alguns deles foram obtidos 104 MARTINS, Gilberto de Andrade. Estudo de caso: uma estratégia de pesquisa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 27. 105 FLICK, 2009, p. 240-243. 51 diretamente da instituição e outros obtidos na plataforma UNIGRAN NET. Na plataforma foram coletados os planos de ensino das disciplinas e diretamente da instituição obtivemos o projeto pedagógico (PP) e as provas presenciais das disciplinas. O projeto pedagógico é importante para esta pesquisa, pois, como observa Vasconcellos, tem “valor de articulação da prática, de memória do significado da ação, de elemento de referência para a caminhada” 106 e pode trazer alguns esclarecimentos quanto ao processo de mediação pedagógica. As provas, elaboradas para realização presencial, tem sua importância como complementação das atividades de aprendizagem de cada disciplina. Todos os documentos de texto foram devidamente codificados com a sigla “H”107 e acrescentado um número. Também foram numeradas as linhas em todas as páginas de modo a facilitar uma identificação mais rápida da informação no documento. d) Plataforma UNIGRAN NET Figura 2.1: interface do ambiente virtual da UNIGRAN 106 107 VASCONCELLOS, 2002, p. 169. A lista com os documentos catalogados na pesquisa está no anexo 15. 52 Os dados obtidos na plataforma UNIGRAN NET constituem fórum principal de análise já que a mediação no curso de teologia e demais cursos EAD da UNIGRAN ocorre principalmente (não unicamente) no AVA. No ambiente/plataforma estão os conteúdos da aula (ferramenta aulas), as atividades de aprendizagem requeridas pela disciplina (ferramenta “atividades”), o plano de ensino (ferramenta “plano de ensino”), os fóruns para debate ou esclarecimentos de dúvidas (ferramenta “fóruns” e “quadro de avisos”), materiais de aula (Arquivos, Ref. Bibliográficas, Links) e os vídeos-aula (ferramenta “vídeos”). Para coleta de dados utilizaram-se vários recursos. Os conteúdos de aula disponíveis no ambiente em formato de arquivo PDF foram baixados para o banco de dados da pesquisa possibilitando análise cuidadosa em momento oportuno. As mensagens dos fóruns e quadro de avisos foram copiadas e arquivadas em arquivo Word com linhas numeradas e classificadas como documento único para cada disciplina. Através de observação online foram registrados os materiais de aula disponíveis no ambiente, como arquivos, referências bibliográficas e links. Os dados da observação foram registrados em arquivos numerados conforme códigos dos documentos da pesquisa. Para análise dos vídeos-aula primeiramente se buscou transcrevê-los, totalizando dezenove transcrições. Depois, através de observação online, foram complementadas a coleta e a análise. Cada vídeo transcrito foi codificado como documento único e arquivado para servir a posterior análise. 2.2 Estratégia analítica geral Lankshear e Knobel classificam os dados para fim de análise como verbais, escritos e observados, mas reconhecem que não há uma regra rígida para classificação de alguns tipos de dados, como, por exemplo, “as interações baseadas na internet” 108. No caso específico desta pesquisa cabe bem a afirmação de Moraes e De La Torre, “o foco na pesquisa não está no sujeito e nem no objeto, mas nas relações e conexões que emergem a partir das interações que ocorrem no processo”109. Nosso olhar está voltado para identificar como cada ação e procedimento contribuem (através de relações e conexões) para uma mediação pedagógica 108 LANKSHEAR; KNOBEL, 2008, p. 151. MORAES, Maria Cândida; DE LA TORRE, Saturnino. Pesquisando a partir do pensamento complexo elementos para uma metodologia de desenvolvimento eco-sistêmico. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/viewFile/440/336> Acesso em: 03 dez. 2009. 109 53 que deseja desenvolver a auto e inter-aprendizagem. Nesta pesquisa, a estratégia de análise dos dados será baseada nas proposições teóricas 110 . Isso significa que a teoria e conhecimentos da educação a distância e da educação teológica darão o pano de fundo das análises que serão feitas. As seguintes proposições nortearão este estudo: Proposições: 1. A educação teológica compartilha os fundamentos pedagógicos com as demais áreas da educação, portanto, nela também, “As pessoas aprendem basicamente realizando atividades (interagindo), apoiadas por conteúdos e ferramentas, com vistas a atingir determinado objetivo”111. 2. O ensino na modalidade EAD exige uma nova pedagogia112 que implica uma forma diferenciada do ensino presencial113. 3. Uma educação de qualidade na modalidade a distância requer processos que conduzam a auto-aprendizagem e interaprendizagem114. 4. O trabalho pastoral exige habilidades cognitivas e sociais. Portanto, na educação teológica a interação entre as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem é fundamental115. 2.3 Categorização Conforme vimos no capítulo 1, utilizaremos neste trabalho, como categorias gerais de análise, as três fases da mediação conforme apresentadas por Gutierrez e Prieto: tratamento com base no tema, tratamento com base na forma e tratamento com base na aprendizagem. Nesta seção do trabalho vamos estabelecer as sub-categorias para análise e os protocolos de observação. 110 111 YIN, 2005, p. 140. FILATRO, Andréa. As teorias pedagógicas fundamentais em EAD. In: LITTO; FORMIGA (Orgs.), 2009, p. 97. 112 PALLOF, Rena M.; PRATT, Keith. Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço: estratégias eficientes para sala de aula on-line. Porto Alegre: Artmed, 2002, p. 115. 113 Otto Peters fala de “pedagogia do ambiente informatizado de aprendizagem”. Cf. PETERS, 2004, p. 150. 114 PETERS, 2004, p. 164. 115 Cf. PETERS, Otto. Didática do ensino a distância. São Leopoldo: UNISINOS, 2006, p. 276. 54 2.3.1 Tratamento com base no tema O tratamento com base no tema nos oferece categorias para análise das web-aulas (em formato PDF) e os vídeos-aula. Interessa nesta fase da mediação o tratamento do conteúdo. O tratamento com base no tema perpassa três etapas: estratégias de entrada, desenvolvimento e encerramento. a) Estratégias de entrada Mapa 2.3: estratégias de abertura As estratégias de entrada visam motivar o estudante, despertar seu interesse pelo assunto a ser estudado. Diversas estratégias podem ser aplicadas tais como: relato de experiências, anedotas, fragmentos literários, perguntas, referência a um acontecimento importante, imagens, recortes de jornais, relação com o contexto, etc. 55 Ao compartilhar a experiência da Fernuniversität116 e falar do processo de produção dos textos didáticos, Peters dá ênfase especial à introdução. Segundo ele, é a partir da introdução que todo o processo de ensino e aprendizagem “pode ser visualizado e o estudo ser preparado, iniciado e dirigido”117. b) Estratégias de desenvolvimento Mapa 2.4: estratégias de desenvolvimento Para definir as estratégias de desenvolvimento adotamos como base as sugestões de Gutierrez e Prieto118: tratamento recorrente, tratamento do assunto a partir de vários enfoques, 116 Universidade Aberta alemã financiada pelo Estado voltada a cursos na modalidade EAD. Site oficial: http://www.fernuni-hagen.de/ . 117 PETERS, 2006, p. 142-143. 118 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 66-69. 56 pôr em experiência, pedagogia da pergunta e materiais de apoio. Veja na tabela a seguir a descrição de cada estratégia. Tabela 2.1: Estratégias de desenvolvimento - descrição Estratégia Tratamento recorrente Tratamento do assunto a partir de vários enfoques Pôr em experiência Pedagogia da pergunta Materiais de apoio Descrição Forma de tratar um assunto que provoca idas e vindas sobre determinado tema aprofundando-o e reiterando-o. O conteúdo é enriquecido em sua significação ao ser abordado por diferentes enfoques, sejam estes: econômico, produtivo, social, cultural, ecológico, religioso, psicológico, antropológico, imaginário, histórico, político, filosófico, ideológico, etc. O conteúdo ou tema é tratado a partir exemplos, relatos, experiências. Apresentar o conteúdo com perguntas bem formuladas que não apenas desafiam o educando a buscar as respostas no conteúdo, como ajudam na compreensão do tema. Os materiais de apoio ajudam na compreensão do tema e possibilitam a formação de opinião do educando. Podem ser quadros estatísticos, recortes de imprensa, gráficos, tabelas, imagens, etc. Um texto didático necessita um desenvolvimento diferenciado de um texto científico. Como observam Peters, Gutierrez e Prieto119, um texto científico tende a ser mais linear enquanto um texto didático exige um tratamento recorrente, ou seja, idas e vindas no intuito de tornar clara a informação e facilitar a aprendizagem. c) Estratégias de encerramento Como estratégias de encerramento, várias são as possibilidades, desde a tradicional recapitulação a outras formas, tais como: generalização, sínteses, perguntas, projeções do futuro, quadros sinóticos, recomendações em relação à prática, anedotas, glossários, relato de uma experiência, desafios, entre outras. O importante aqui é revisar e reforçar a aprendizagem do conteúdo estudado. 119 PETERS, 2006, 148; GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 66. 57 Mapa 2.5: estratégias de encerramento 2.3.2 Tratamento com base na aprendizagem O tratamento com base na aprendizagem busca identificar estratégias de ensino e aprendizagem que buscam desenvolver a auto-aprendizagem e interaprendizagem. Utilizaremos essa categoria geral para analisar as atividades de aprendizagem. a) Auto-aprendizagem Auto-aprendizagem tem a ver com a capacidade do educando e da educanda gerirem sua própria aprendizagem. O educando e a educanda não apenas decidem a hora e o lugar para estudar/aprender, mas também a forma e o grau da aprendizagem que desejam. Como observa Peters, a aprendizagem online estabelece uma mudança de paradigma educacional “de uma 58 teoria dominante de ensino expositivo e aprendizagem receptiva para um sistema dominante de aprendizagem por elaboração”120. A auto-aprendizagem não se limita a assimilação do conteúdo/informação. Segundo Gutierrez e Prieto “o ato de ensinar propriamente dito, tem que coincidir com o ato de produzir conhecimentos”121. Logo, as atividades de aplicação, relação texto-contexto contribuirão para que o/a educando(a) não apenas se aproprie do texto, mas ao relacioná-lo com seus saberes, impressões, experiências, possa de fato elaborar seu próprio conhecimento. A categoria auto-aprendizagem será hierarquizada em dois níveis. No primeiro nível temos as estratégias gerais, que são: atividades de apropriação do texto, atividades de relação texto-contexto e atividades de aplicabilidade. No segundo nível temos as atividades específicas para cada estratégia/grupo de atividades. Veja no mapa a seguir: Mapa 2.6: Atividades de auto-aprendizagem 120 121 PETERS, 2004, p. 341. GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 57. 59 Segundo Gutierrez e Prieto as atividades de apropriação do texto são aquelas que permitem os/as educando(as) se relacionarem com o texto e torná-lo seu122. Os autores sugerem atividades ou exercícios de prospectiva, solução de problemas, ressignificação, significação, autopercepção e expressão. Acrescentamos à lista as atividades de assimilação de conteúdos, pois entendemos serem estas atividades básicas para a apropriação do texto pelo/pela educando(a). Veja na tabela a descrição de algumas atividades de apropriação do texto: Tabela 2.2: Atividades de apropriação do texto Tipo de atividade de apropriação do texto Prospectiva Solução de problema Ressignificação Significação Autopercepção Expressão Assimilação de conteúdo Descrição Atividades voltadas para o futuro, tais como: imaginar, esboçar um cenário, práticas de simulação, etc. Atividades que estimulam o educando a formular perguntas, identificar e buscar soluções para problemas. Atividades que exercitam a imaginação e desafia o educando a buscar novos sentidos para o texto em diferentes circunstâncias. Atividades que exercitam a significação do texto para a vida diária e profissional do educando. Atividades que ajudam a interiorização do tema, que permitem ao educando expressar sua percepção própria do tema. Atividades que estimulam a expressão do educando seja oral, escrita ou imagética. Atividade básica de apropriação do texto e que visa à apropriação da informação. As atividades de relação texto-contexto procuram relacionar o texto com o contexto do educando, segundo Gutierrez e Prieto essa é a forma da educação colocar-se “a serviço da vida e não do tema ou da disciplina”123. Os autores sugerem três tipos de atividades que podem facilitar essa relação: relação intertextual, de observação e interação. No caso da relação intertextual acrescentamos a relação intermídia, já que EAD com base na internet permite não só relações entre textos, mas entre outros tipos de linguagem, tais como áudio, vídeo, etc. Veja na tabela a seguir a descrição de algumas atividades de relação texto-contexto: 122 123 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 85. GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 91. 60 Tabela 2.3: Atividades de relação texto-contexto Atividades Observação do contexto Relação intertextual/intermídia Interação Descrição Atividades que buscam relações do contexto do educando com o temática estudada. Atividades que estimulam o educando a buscar outras fontes de informação para dialogar com o tema em estudo. Atividades que procuram enriquecer o tema com a percepção e as práticas dos outros. Podem incluir interações com o autor do texto, especialistas do tema, opiniões de indivíduos, etc. As atividades de aplicabilidade, como a própria palavra já indica, apontam para aplicação do que foi estudado. Através destas atividades busca-se associar a teoria e a prática. Gutierrez e Prieto sugerem três tipos de atividades, que são reflexão, produção e invenção. Acrescentamos a essa lista mais duas atividades: simulação e experimentação. Veja na tabela a seguir a descrição destas atividades: Tabela 2.4: Atividades de aplicabilidade Atividades Reflexão Descrição Atividades que procuram estimular a reflexão sobre as práticas. Produção Simulação Atividades que estimulam o educando a levar à prática o que foi estudado. Isso pode ser feito através de produção de textos, objetos, elaboração de projetos, transformação de espaços, etc. Atividades que estimulam a criação de novas opções, alternativas, solução novas para problemas antigos, enfim, todo tipo de atividade que estimula a imaginação do educando. Atividade que busca testar a teoria numa situação prática artificial. Experimentação Atividade que busca testar a teoria numa situação prática real. Invenção b) Interaprendizagem A interaprendizagem é uma exigência se buscamos educar e não apenas ensinar. Como observa Freire, “os homens se educam em comunhão”124. Para Gutierrez e Prieto o trabalho em grupo permite o “confronto de idéias e opiniões que põe em jogo as experiências 124 FREIRE, 1995, p. 69. 61 prévias e a possibilidade de se chegar a consensos ou dissensos, num processo de ação, reflexão, ação”125. Aqui temos o aspecto da relacionalidade, dimensão apontada por Gutierrez e Prieto do que constitui o ato educativo126. Vejamos as atividades de interaprendizagem que consideraremos: Tabela 2.5: Atividades de interaprendizagem Atividades Texto compartilhado Produções grupais Redes de interação Descrição Atividades onde educandos e educadores compartilhem entre si suas produções, dúvidas, insights, impressões, sobre determinado tema ou texto. Atividades onde educandos produzem juntos um texto, um projeto, um objeto, etc. Este seria o tradicional trabalho em grupo. Atividades que estimulem a criação de redes de interação que permitam a relação entre indivíduos, intercâmbios de grupos, turmas, etc. 2.3.3 Tratamento com base na forma Alguns educadores, principalmente no ensino superior, se equivocam quando menosprezam a forma de transmissão do conteúdo. O equívoco começa quando se ignora que a forma também é conteúdo. Na EAD o tratamento da forma ganha maior importância, pois a mediação pedagógica acontece principalmente (não unicamente) através dos materiais de ensino-aprendizagem, sejam estes digitais ou físicos. Na EAD é importante adequar todo material da aula para a realidade da auto-instrução127. 125 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 96. GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 62. 127 PETERS, 2006, p. 135. 126 62 Mapa 2.7: tratamento com base na forma Gutierrez e Prieto propõem o tratamento da forma a partir de cinco características que nos servirão como categorias para análise da forma128. 1. Enriquecer o tema e a percepção – a forma deve ser atrativa, sugestiva, orientadora. 2. Tornar o texto compreensível – a imagem deve estar a serviço do texto, complementálo. No caso do vídeo educativo não faria sentido um roteiro que apenas reproduzisse o que está escrito no manual de estudo impresso, deveria ser utilizado para elucidar pontos obscuros do texto. 3. Estabelecer um ritmo – É importante considerar que Gutierrez e Prieto129 falam de ações para estabelecer ritmo na perspectiva de um texto impresso. Mesmo assim as colocações são também importantes para um material com áudio e vídeo estabelecendo-se as respectivas adaptações. Vejamos: Pelas mudanças de intensidade na combinação de elementos formais. Pelos contrastes não apenas no interior de uma imagem, mas também entre imagens. Pelos jogos de tramas. Pela regularidade na diagramação. Pelo jogo com os brancos e as caixas de texto. Pela reafirmação de um mesmo elemento formal. Pela superposição de imagens. Pelo jogo de equilíbrio e compensações. Pela graduação de estímulos até chegar ao clímax. Pela cadência do texto/narração/enredo/cena. 128 129 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 114. GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 117. 63 4. Provocar surpresas e rupturas – para que haja surpresas e rupturas é preciso variações na imagem, subversão da ordem, rompimento de rotinas, em suma, inovações. No caso de um vídeo-aula, este não pode apenas reproduzir uma aula presencial130, pois este seria um uso muito pobre do recurso. 5. Conseguir variedade na unidade – aqui se tem em mente a variedade de imagens, enfoques, recursos técnicos (gráficos, tabelas, imagens, fotos), etc. 2.3.4 Tratamento com base na função A funcionalidade vídeo exigiu uma categoria geral de análise específica – tratamento com base na função. A utilização de vídeo-aula tem crescido graças à tecnologia de vídeos streaming. É comum encontrarmos vídeo-aula na maioria dos cursos a distância via internet. O avanço tecnológico tem sido mais rápido que o avanço pedagógico. Do mesmo modo que o uso do vídeo-aula carece de uma maior reflexão pedagógica, a análise destes vídeos também carece de um conjunto de categorias sistematizado. Para Greicy Spanhol e Fernando José Spanhol, “os vídeos-aula podem ser oferecidos em diferentes formatos de linguagem, entre eles: aula gravada em estúdio com cenografia customizada, em cenários reais ou locações vinculadas ao conteúdo do curso, documentários, entrevistas, debates, matérias pré-produzidas”131. Considerar essas diversas linguagens tornase fundamental para que se evite a redução de vídeo-aulas à filmagem de uma preleção. Moore e Kearsley reconhecem que o uso do vídeo educativo geralmente tem se limitado “a transmitir uma preleção”132, o que segundo eles é uma forma pobre de utilizar um valioso recurso. Araújo Jr. e Marquesi observam que "Na busca da transição da presencialidade para a virtualidade, o fenômeno mais comum é a transposição"133. O vídeoaula, a partir da ótica da transposição, serve como substituto do modelo professor-transmissor 130 Otto Peters critica reiteradamente a transposição direta de métodos de ensino da modalidade presencial para a modalidade a distância (cf. PETERS, 2006, p. 113, 256, 275, entre outras.). 131 SPANHOL, Greicy Kelli; SPANHOL, Fernando José. Processos de produção de vídeo-aula. Disponível em: <www.cinted.ufrgs.br/renote/jul2009/artigos/1a_greicy.pdf > Acesso em: 18 jan. 2010. 132 MOORE; KEARSLEY, 2007, p. 82. 133 ARAUJO Jr, Carlos Fernando de; MARQUESI, Sueli Cristina. Atividades em ambientes virtuais de aprendizagem: parâmetros de qualidade. In: LITTO; FORMIGA (Orgs.), 2009, p. 360. 64 de conhecimento. Ao invés de uma simples preleção, Moore e Kearsley vêem o vídeo como excelente mídia para134: 1. O ensino de aptidões interpessoais; 2. Para o ensino de qualquer tipo de procedimento; 3. Para apresentar as opiniões de especialistas; 4. Transmissão de aspectos emocionais à atitude de uma disciplina. O item número quatro, “transmissão de aspectos emocionais à atitude de uma disciplina”, é de grande importância na aprendizagem de algumas disciplinas teológicas práticas. No caso de Aconselhamento, o vídeo pode ilustrar como a empatia ou a apatia pode interferir numa sessão de aconselhamento ou exemplificar como determinados sentimentos são percebidos; já em uma aula de Homilética135 poderia ser demonstrado como o entusiasmo colabora na transmissão de uma mensagem. Emoções e sentimentos são percebidos melhor com ajuda do vídeo. Arroyo e Giordán136 classificam os vídeos educativos em três categorias: vídeo-aula, vídeo motivador e vídeo de apoio. O vídeo-aula é uma modalidade de exposição de conteúdos de forma sistematizada e deve ser utilizado com muito cuidado para que não se torne cansativo e pouco produtivo. O vídeo motivador serve para interpelar, questionar e despertar o interesse do aluno por um assunto. Já o vídeo de apoio serve como um conjunto de imagens que ilustra o discurso verbal do professor. 134 MOORE; KEARSLEY, 2007, p. 82. Na matriz curricular do curso de teologia da UNIGRAN esta disciplina é denominada de “Comunicação e Oratória” e sua ementa descreve a disciplina como “Esta disciplina estuda os vários aspectos da Comunicação aplicada à arte da Pregação e o estudo da Homilética”. Disponível em: Comunicação e oratória, Plano de ensino, anexo 03. 136 ARROYO, Agnaldo; GIORDAN, Marcelo. O vídeo educativo: aspectos da organização do ensino. Disponível em: <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc24/eqm1.pdf> Acesso em: 23 nov. 2009. 135 65 Mapa 2.8: Tipos de vídeo educativos Para fim desta pesquisa preferiu-se não distinguir vídeo educativo de vídeo-aula, portanto se aplicam para o que denominamos vídeo-aula, todas as funções de um vídeo educativo, seja ele para transmissão de conteúdo, para motivação ou apoio. Segundo Giordán e Arroyo esta mídia "se mostra didaticamente eficaz quando desempenha uma função informativa exclusiva, na qual se almeja transmitir informações que precisam ser ouvidas ou visualizadas e que encontram no audiovisual o melhor meio de veiculação"137. São vistos como inadequados quando são excessivamente discursivos, com excesso de linguagem verbal e quando os enunciados não se adaptam às imagens ou ao nível de compreensão dos alunos. O uso do vídeo na educação ou qualquer outra mídia deve seguir o critério da eficiência educativa. Para Peters, o uso correto de uma mídia em EAD exige do especialista em educação bom senso. 137 ARROYO; GIORDÁN, 2009. 66 Pois seria errado, por exemplo, transmitir informação através de imagens animadas se isso puder ser feito de modo mais eficiente simplesmente pela palavra falada ou impressa. E vice-versa, certamente seria um erro se alguém quisesse descrever uma situação complexa com fundo emocional apenas com palavras secas e renunciar a um filme apropriado. A combinação e integração de formas de apresentação tão diferentes serão, sem dúvida, uma tarefa central no desenvolvimento da aprendizagem em ambientes de estudo digital138. Já Morán139, ao falar do vídeo educativo se preocupa com a integração do vídeo às demais dinâmicas da aula. Para o autor, o vídeo, apesar da fascinação que causa, não deve ser um fim em si mesmo, mas estar articulado às outras atividades de aula. No 7º Seminário Nacional da ABED de Educação a Distância (7º SENAED) que ocorreu de 23 a 31 de maio de 2009, na oficina de preparação de aulas em vídeo apresentouse como possibilidade do uso de vídeos-aula abordagens do tipo apresentação do professor e da disciplina, introdução aos principais conceitos, síntese do conteúdo abordado, etc.140 Essas abordagens se enquadram ao que Giordán e Arroyo denominam de organizador da aprendizagem. Com base nas reflexões destes autores141 e nos critérios para tratamento da forma e do tema estabelecidos por Gutierrez e Prieto142, estabelecemos os seguintes critérios de análise do tratamento com base na função dos vídeos: 1. Adequação de linguagem à compreensão dos alunos; 2. Uso em função informativa exclusiva (ensinar procedimentos, simular experiências, transmitir aspectos emocionais, ensinar aptidões interpessoais, organizar a aprendizagem, motivar, apoiar); 3. Integração às outras atividades de aula; 4. Adequação ao critério da forma (estabelece ritmo, torna o texto compreensível, enriquece o tema e percepção, provoca surpresas e rupturas, consegue variedade na unidade). 5. Adequação ao padrão de tratamento do tema (estratégias de entrada, desenvolvimento e encerramento do conteúdo). 138 PETERS, 2006, p. 265. MORÁN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação e educação, São Paulo, (2): 27 – 35 jan. /abr.1995. 140 GALÁXIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. Boletim da ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância. São Paulo: ABED, 2009, p. 5. 141 Moore, Kearsley, Araujo Jr, Marquesi, Giordán, Arroyo, Moran. 142 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 114. 139 67 2.3.5 Os protocolos de observação Para operacionalizar a análise foi preciso construir tabelas (protocolos) onde as categorias gerais de análise tivessem especificadas as subcategorias e estas subcategorias seus elementos identificadores. a) Protocolo para observação do tratamento com base no tema Para a categoria tratamento com base no tema foram elencadas as subcategorias: estratégia de entrada, estratégia de desenvolvimento e estratégia de encerramento. Como estratégia de entrada compreende-se a introdução. A introdução do texto didático ou vídeoaula deve, além de apresentar o assunto da aula, também despertar o interesse do/da educando(a). A estratégia de desenvolvimento é usada no conteúdo do texto ou vídeo e é o esforço para comunicar a mensagem da forma mais didática possível. Finalmente, a estratégia de encerramento tem o propósito de apresentar uma conclusão que contribua para apropriação do conteúdo pelo/pela estudante. Estas subcategorias, com seus elementos identificadores, deram origem à seguinte tabela: Tabela 2.6: Protocolo de observação - Tratamento com base no tema Estratégia de Abertura Elementos identificadores Relato de experiência Perguntas Anedotas Fragmentos literários Referência a um personagem ou acontecimento importante Projeções do futuro Experimentos Imagens do tipo ilustrações, fotos, figuras, desenhos Recortes de jornais ou outras mídias Uma visão panorâmica do que vai ser estudado D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 68 Descrição dos objetivos de ensino e aprendizagem Indicar ligações com outras áreas de ensino Outras Estratégias de desenvolvimento D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Elementos identificadores Pedagogia da pergunta Por em experiência Material de apoio Resumos que concentrem e visualizem os conteúdos Tratamento recorrente Apresenta diferentes enfoques Outras Estratégias de Encerramento Generalização Projeção do futuro Recomendações em relação à prática Recuperação de uma experiência ou problema apresentado no início Anedota Síntese Perguntas Apresentação de quadro sinótico Outras Legenda: D1, D2, D3, D4, D5, D6, D7 – disciplinas práticas do curso de teologia da UNIGRAN. b) Protocolo do tratamento com base na aprendizagem A categoria geral tratamento com base na aprendizagem, cujo objetivo é analisar as atividades de aprendizagem em relação com as demais funcionalidades, ficou estabelecida da seguinte forma: 69 Tabela 2.7: Protocolo de observação – Tratamento com base na aprendizagem Tratamento com base na aprendizagem Atividades INTERAPRENDIZAGEM A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 P1 P2 Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação AUTO-APRENDIZAGEM Assimilação de conteúdos Autopercepção Ressignificação e criação Apropriação do texto Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva Relação intertextual/intermídia Relação texto-contexto Observação do contexto Interação com o contexto Invenção Produção Aplicabilidade Reflexão Simulação Experimentação Legenda: A1, A2, A3... – Aulas das disciplinas Veja no mapa a seguir os três níveis de categorização do tratamento com base na aprendizagem: 70 Mapa 2.9: Categorias de análise para o tratamento com base na aprendizagem 71 c) Protocolo do tratamento com base na forma Para análise do tratamento da forma das web-aulas construímos uma tabela para registro das observações com base nos critérios estabelecidos por Gutierrez e Prieto143. Selecionamos alguns elementos identificadores que consideramos decisivos para alcançar conformidade de acordo com os critérios/categorias estabelecidos. A seleção destes elementos se constitui uma delimitação, ou seja, eles não esgotam as possibilidades da existência de outros. Veja a seguir a tabela para registro e análise da forma das web-aulas: Tabela 2.8: Protocolo de observação – tratamento com base na forma CATEGORIAS GERAIS SUBCATEGORIAS ELEMENTOS IDENTIFICADORES Há imagens/ilustrações atrativas e orientadoras Enriquece o tema e a percepção Há imagens/ilustrações sugestivas A diagramação desperta a percepção do observador Outros Há gráficos Tratamento da forma Há tabelas Consegue variedade na unidade Há fotos, figuras, desenhos O uso de negrito, itálico e outros efeitos é feito em pequenas doses Há variação no tamanho das fontes Outros Tamanho das fontes é adequado Torna o texto compreensível Imagens/ilustrações colaboram para tornar o assunto compreensível Há regularidade na diagramação (títulos, subtítulos, recuos de parágrafos, espaçamentos entre as linhas) Outros Regularidade da diagramação Estabelece ritmo 143 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 114. Variedade da forma D1 72 Há jogo com os brancos e as caixas de texto Há elementos que rompem a rotina Provoca surpresas e rupturas Há elementos que provocam surpresa Há imagens abertas a mais de uma interpretação Há mudança de estímulo visual Outros d) Protocolo do tratamento com base na função Os vídeos-aula, como explicamos anteriormente, exigiram a construção de algumas categorias de análise específicas. Este trabalho descreve o esforço da busca destas categorias para análise de vídeos-aula que poderão ser aperfeiçoadas em trabalhos posteriores. Como se observa no mapa, para definirmos critérios para avaliação/produção de vídeos-aula tivemos que consultar a literatura em busca do que os educadores consideram eficaz na utilização desta mídia (cf. capítulo 1). Com base na literatura consultada (cf. capítulo 1) chegamos à conclusão que os vídeos-aula necessitavam de outra categoria geral de análise além do tratamento com base no tema e na forma. Para dar conta de critérios que extrapolavam o tratamento com base no tema e na forma, definimos uma categoria que denominamos provisoriamente de “tratamento com base na função”. Com as categorias gerais definidas (tratamento com base no tema, tratamento com base na forma e tratamento com base na função) fomos alistando categorias particulares que também poderiam ser denominadas de subcategorias. Para cada subcategoria foram alistados elementos identificadores. A lista de elementos identificadores não é exaustiva, está sempre aberta a novas descobertas e estratégias criativas dos educadores. Desse modo, chegamos à tabela/planilha que mostramos a seguir. 73 Tabela 2.9: Protocolo de observação – vídeos-aula CATEGORIAS GERAIS SUBCATEGORIAS Enriquece o tema e a percepção Consegue variedade na unidade Tratamento da forma O vídeo contribui para tornar o assunto compreensível Estabelece ritmo Provoca surpresas e rupturas Apresenta estratégia de entrada (abertura) Tratamento do tema Apresenta estratégia de desenvolvimento Apresenta estratégia de encerramento (conclusão) ELEMENTOS IDENTIFICADORES As imagens e o sons do vídeo são atrativas As imagens e o som do vídeo são sugestivas O vídeo desperta a percepção do observador Outros Há gráficos Há tabelas Há fotos, figuras, desenhos Há música ou algum efeito sonoro Outros Imagens e sons são lúdicos Imagens e sons colaboram para tornar o assunto compreensível Outros Há variação na cadência da fala Há variação e movimento de imagem Há variação no foco e zoom das imagens No enredo há variação em direção a um clímax Outros Há elementos que rompem a rotina Há elementos que provocam surpresa Há excesso de discurso e de linguagem verbal Outros Fragmentos literários Experimentos Imagens Som (efeito sonoro, música, etc.) Notícias de jornais ou de outras mídias Perguntas Anedotas Relato de experiência Projeções do futuro Referência a algum acontecimento importante Uma experiência pessoal Outros Pedagogia da pergunta Por em experiência (exemplos concretos) Material de apoio (quadro estatístico, recortes de jornais e revistas, mapas, esquemas, etc.) Tratamento recorrente (revisa cada parte do assunto) Apresenta diferentes enfoques relacionados ao mesmo tema Outros Generalização Projeção do futuro Recomendações em relação à prática Recuperação de uma experiência apresentada no início Anedota Síntese Perguntas Apresentação de quadro sinótico Outros SIM NÃO 74 Adequação da linguagem ao público Uso de função informativa exclusiva Tratamento com base na função Integração às demais atividades da aula A linguagem é adequada ao público destinado Ensina procedimentos Simula experiências Transmite de aspectos emocionais Ensina aptidões interpessoais Motiva a aprendizagem (provoca, interpela, questiona, desperta o interesse) Organiza o ensino Outros O vídeo está inserido e integrado às demais atividades da aula Conclusão O processo de definição do viés metodológico deste trabalho não foi de forma nenhuma linear. Ora o método de análise definia o objeto de análise, ora o objeto definia o método. A ordem do relato não expressa a ordem de definição de cada elemento. Buscamos, como se era de esperar, a melhor forma de tratar o assunto. Com base no referencial apresentado no capítulo 1 desta tese, as três categorias centrais para análise (tratamento com base no tema, na aprendizagem e na forma) somadas a uma quarta categoria específica para análise dos vídeos-aula (tratamento com base na função) foram definidas para serem aplicadas na análise, considerando a inter-relação entre as funcionalidades dentro de um sistema de ensino que ganha sentido nas conexões entre as partes. Ao falar sobre pesquisa em ambiente virtual de aprendizagem (AVA) Waquil e Behar reconhecem que A organização hipertextual dos dados é fundamental nesta proposta de pesquisa, pois ela possibilita fazer a relação do fenômeno que está sendo investigado com o seu contexto. Dessa forma, não se busca a fragmentação, o isolamento e a divisão do que é relacional no fenômeno para pesquisá-lo. O que se quer é compreendê-lo na interação, na dinâmica das suas relações, pois acredita-se que, para compreender as partes, é preciso compreender o seu relacionamento com o todo, a sua multidimensionalidade144. Portanto, a aplicação das categorias de análise irá variar de acordo com a 144 WAQUIL; BEHAR, 2009, p. 168. In: BEHAR, 2009. 75 funcionalidade. A análise será feita do seguinte modo: a funcionalidade “ATIVIDADES” que aparece no sistema da EAD UNIGRAN será analisada apenas pela categoria de tratamento com base na aprendizagem; a funcionalidade WEB-AULA, onde estão os arquivos em PDF com os conteúdos das aulas e que não apresenta nenhuma atividade de aprendizagem a não ser a leitura, será analisada apenas pelas categorias de tratamento com base no tema e na forma, os VÍDEOS-AULA serão analisados pelas categorias de tratamento com base no tema, tratamento com base na forma e tratamento com base na função. Veja no mapa a seguir: Mapa 2.10: Objetos de análise Delimitamos as disciplinas e três de suas funcionalidades, que são: atividades de aprendizagem, vídeos-aula e web-aula (conteúdos em formato PDF). Com as funcionalidades e as categorias gerais de análise definidas partimos para a busca de uma estratégia analítica e de técnicas de análise. Definimos como estratégia analítica geral seguir as proposições teóricas e como técnicas de análise a correspondência de padrão e mapas conceituais. Finalmente elaboramos os protocolos de observação para cada funcionalidade/ferramenta que propomos analisar. A técnica de mapeamento ou de construção de mapas conceituais demonstrou ser muito eficiente para análise e construção de todo o processo da pesquisa, desde a organização da teoria, análise dos dados, categorização e estruturação do conhecimento. Os mapas permitiram não só visualizar a informação, analisar os conceitos, hierarquizar as idéias, mas 76 no caso da pesquisa em EAD traçar a trilha da mediação que, como bem observa Waquil e Behar145, não se faz de forma linear. 145 WAQUIL; BEHAR, 2009, p. 155. 77 3. O CASO: ANÁLISE DO CONTEXTO Este é um capítulo introdutório para apresentação do caso que pretende estabelecer o contexto da análise. Para tanto, apresentamos a instituição UNIGRAN, seu departamento de EAD e seu curso de teologia. Muitas outras informações institucionais foram omitidas por já serem disponibilizadas de forma pública pelos canais particulares da instituição, sem a necessidade de serem repetidas neste trabalho. 3.1 A UNIGRAN O Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN) está situado na cidade de Dourados no Estado de Mato Grosso do Sul. Iniciou suas atividades na década de 70 e desde então vem se consolidando como uma sólida instituição educacional na região. A instituição oferece cursos de graduação, pós-graduação e extensão nas modalidades presencial e a distância. A instituição foi credenciada pelo MEC através da Portaria Nº 4.070, De 29 de Novembro de 2005 a oferecer cursos superiores a distância146. Hoje são oferecidos os seguintes cursos de graduação a distância: Administração, Ciências Contábeis, Serviço Social, Letras, Pedagogia, Tecnologia em Agronegócios, Tecnologia de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Tecnologia em Negócios Imobiliários, Tecnologia em Produção Publicitária, e Teologia. A UNIGRAN possui polos para educação a distância no Brasil e no Exterior. No Brasil a EAD da UNIGRAN tem polo nos seguintes estados: Amazonas, Acre, Paraíba, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Mato Grosso, Bahia, Pará, Rondônia e Minas Gerais. No exterior os polos 146 Informação disponível em: <http://www.unigran.br/cead/unigranet/portaria.html> Acesso em: 04 mai. 2010. 78 estão nos seguintes países: Japão e Portugal, sendo que o polo de Portugal atende alunos da Alemanha, Suíça, Espanha e Inglaterra147. A UNIGRAN possui uma plataforma própria chamada UNIGRAN NET construída por sua equipe técnica. O aluno, ao acessar a página principal com seu RGM (Registro de matrícula) e senha, entra na sala de aula virtual onde, na parte superior, se mantém o mesmo designe do site da UNIGRAN, mantendo-se a identidade visual. Aparece na parte superior (centro) o nome do aluno com seu RGM e logo abaixo o nome da disciplina. Quadro/figura 3.1: botões de comando na parte superior da interface de aula No lado direito da parte superior está o nome do professor e aparece também na parte superior o nome da cidade-sede da UNIGRAN e a data do dia em curso. De forma horizontal no topo da página encontram-se comandos para navegação no ambiente (Perfil, Downloads, Ajuda, Webmails, Chat, Logoff, Sair). No ambiente perfil os alunos podem postar sua foto, preencher seus dados, álbum de fotos e criar um ambiente de relacionamento. Veja nas figuras da página a seguir os botões de comando na sala de aula virtual da plataforma UNIGRAN NET: 147 Informações disponíveis no site institucional. Disponível em: <http://www.unigran.br/cead/unigranet/polos/internacionais.html> Acesso em: 30 Jul. 2009. 79 Quadro/figura 3.2: Comandos laterais (imagem capturada) do ambiente de aula da plataforma UNIGRANET. Quadro/figura 3.3: Comandos laterais (imagem capturada) do ambiente de aula da plataforma UNIGRANET. 80 3.2 O departamento de EAD da UNIGRAN Para administração e coordenação da educação a distância a UNIGRAN dispõe de um departamento de EAD (Coordenação de ensino a distância – CEAD). A CEAD se subdivide nos seguintes setores: direção, coordenação, guias de estudo, provas, secretaria, coordenação de informática, suporte técnico, depto. financeiro e contato com os polos. Como muitas outras instituições mistas148, a estrutura de ensino presencial serve de suporte para a educação a distância. Desse modo, a CEAD dispõe de setores de mecanografia, estúdio de televisão, estúdio de rádio, laboratórios, multimídia, profissionais capacitados na área técnica e pedagógica, etc. Figura 3.4: Estúdios de televisão da UNIGRAN 148 São consideradas instituições mistas aquelas que oferecem educação na modalidade presencial e a distância. 81 3.3 O curso de teologia O curso de teologia da UNIGRAN é fruto de uma parceria entre a Faculdade Teológica Batista Ana Wollerman (FTBAW) e UNIGRAN149. O curso conta no 1º semestre de 2010 com 459 (quatrocentos cinqüenta e nove) alunos e alunas 150. A equipe de professores e professoras da FTBAW é responsável pelo conteúdo e mediação das aulas e a UNIGRAN, sendo esta última a responsável final pelo curso. Como principais objetivos do curso de teologia, destacam-se a qualificação teórica e prática de lideranças para comunidades cristãs e promoção de “uma reflexão crítica e humanizadora acerca da produção histórico-teológica, das Escrituras Sagradas e das práticas eclesiásticas contemporâneas”151. O curso está estruturado para duração de 6 (seis) semestres com carga horária total de 3.200 (três mil e duzentas) horas/aula. Figura 3.5: Interface da página do curso de teologia no site da UNIGRAN 149 NOGUEIRA, Sergio. Parceria UNIGRAN/FTBAW. 20 fev. 2010. Entrevista concedida por e-mail a Eliseu Roque do E. Santo. Mensagem recebida por <[email protected]> em 20 fev. 2010. 150 NOGUEIRA, Sergio. Número de alunos do curso de teologia. Entrevista concedida via e-mail a Eliseu Roque do Espírito Santo. Mensagem recebida por <[email protected]> em 23 mar. 2010. 151 PROJETO PEDAGÓGICO – TEOLOGIA. Dourados, MS: UNIGRAN, s/d. 82 A organização curricular considera o Parecer CES118-2009 do MEC/CNE152 que propõe que os currículos dos cursos de graduação em teologia desenvolvam-se a partir de 6 (seis) eixos: filosófico, metodológico, histórico, sócio-político, linguístico e interdisciplinar. Mas, na busca de reiterar a especificidade do curso de teologia cristã, acrescenta mais dois eixos que são: teológico-prático e bíblico153. Veja na tabela a seguir a Matriz Curricular do curso: Tabela 3.1: Matriz Curricular do curso de teologia da UNIGRAN154 Primeiro Semestre DISCIPLINAS CARGA HORÁRIA Introdução Histórico-Literária à Bíblia [A 80 Introdução à Teologia [HT] 80 Métodos e Técnicas de Pesquisa [A] 80 Filosofia Geral e da Religião [B] 100 Língua Portuguesa [A] 80 Hebraico Instrumental [A] 80 TOTAL 500 h/a Segundo Semestre DISCIPLINAS CARGA HORÁRIA Estudos no AT: história de Israel [B] 80 Hermenêutica [B] 80 História do Cristianismo [HT] 100 Estudos no NT: os Evangelhos e Atos [B] 80 Fundamentos da Teologia Prática [P] 80 Grego Bíblico Instrumental [A] 80 TOTAL 500 h/a Terceiro Semestre DISCIPLINAS CARGA HORÁRIA Psicologia Geral e da Religião [A] 80 Comunicação e Oratória [P] 80 História da Teologia [HT] 100 Estudos no AT: estudos nas leis [B] 80 Estudos no NT: as cartas paulinas [B] 80 Teologia Espiritual [P] 80 152 PARECER CES118-2009 do MEC/CNE. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/pces118_09.pdf> Acesso em: 19 fev. 2010. 153 PROJETO PEDAGÓGICO – TEOLOGIA. Dourados, MS: UNIGRAN, s/d. 154 MATRIZ CURRICULAR DO CURSO DE TEOLOGIA. Disponível em:< www.unigran.br/cead > Acesso em: 12 jan. 2010. 83 TOTAL 500 h/a Quarto Semestre DISCIPLINAS CARGA HORÁRIA Estudos no AT: os profetas [B] 80 Estudos no NT: as cartas gerais e a apocalíptica [B] 80 Teologia Sistemática I: Teologia da revelação e Antropologia Teológica [HT] 80 Didática Aplicada ao Ensino Religioso [A] 80 Sociologia geral e da religião [A] 80 Teologia e Liderança [P] 100 TOTAL 500 h/a Quinto Semestre DISCIPLINAS CARGA HORÁRIA Estudos Teológicos 2 [HT] 80 Ensino religioso e Educação Básica [P] 80 Religião e Cultura no Brasil [HT] 80 Teologia Bíblica [B] 80 Ética Cristã [HT] 100 Teologia Latino-Americana [HT] 80 Estágio Supervisionado 100 TOTAL 600 h/a Sexto Semestre DISCIPLINAS CARGA HORÁRIA Trabalho de Conclusão de Curso 100 Estudos Teológicos 3 [HT] 80 Práticas ministeriais [P] 80 Missão Integral [HT] 80 Aconselhamento Cristão [P] 80 Teologia e Direitos Humanos [HT] 80 Estágio Supervisionado 100 TOTAL 600 h/a O curso de teologia, como os demais cursos na modalidade a distância da UNIGRAN, é desenvolvido na forma de disciplinas que são cursadas individualmente (uma após outra) em um prazo que varia de 17 a 31 dias. Três a quatro dias depois da conclusão da disciplina, o/a estudante realiza duas provas presenciais nos polos cujas notas serão somadas às das atividades realizadas a distância. 84 4. VÍDEO-AULAS: ANÁLISE Mapa 4.1: Discussão teórica sobre o uso dos vídeos em educação Foi proposto no início deste trabalho analisar a mediação pedagógica e ver o quanto ela contribui para auto e interaprendizagem. Ao considerar a EAD mediada através de uma plataforma de ensino, concluímos que as funcionalidades deveriam ser analisadas levando em conta que o sentido ou o processo pedagógico se encontra na interconexão entre as partes e não isoladamente. Por esse motivo, as categorias gerais de análise deste trabalho (tratamento com base na forma, tratamento com base no tema, tratamento com base na aprendizagem e tratamento com base na função) não se aplicam a todas as funcionalidades. 85 Figura 4.1: Imagem capturada do ambiente de aula UNIGRA NET com apresentação de vídeo-aula. No caso específico dos vídeos-aula, não faz sentido analisar, na forma como nos propomos neste trabalho, o tratamento com base na aprendizagem (onde na verdade analisamos as diversas atividades de aprendizagem). O vídeo-aula vai configurar-se como atividade de aprendizagem ao ser associado aos outros elementos da aula. Neste trabalho os vídeos-aula são analisados pelas categorias de tratamento com base na forma, tratamento com base no tema e tratamento com base na função. 86 Mapa 4.2: Critérios para análise dos vídeos-aula Antes de passarmos para a análise é importante tecer algumas outras considerações. Apesar da importância do vídeo como mídia para EAD e do acesso que a UNIGRAN facilita ao docente para uso dessa mídia, a utilização é variada entre os docentes. Na tabela a seguir vemos o número de vídeos-aula por disciplina: 87 Tabela 4.1: Número de vídeos-aula por disciplina155. Disciplina Comunicação e oratória Teologia e Liderança Teologia Espiritual Práticas Ministeriais Aconselhamento Cristão Ensino Religioso e Educação Básica Fundamentos da Teologia Prática Total de vídeos-aula Vídeos-aula 05 04 03 00 00 05 02 19 Para a análise que temos a seguir foram transcritos todos os vídeos-aula das 05 (cinco) disciplinas que disponibilizaram este recurso aos/às estudantes. Dos 19 (dezenove) vídeos 10 (dez) foram selecionados para análise de modo que tivéssemos 02 (dois) vídeos de cada disciplina. O critério adotado para seleção dos vídeos foi o seguinte: (1) Seria escolhido o primeiro vídeo de cada disciplina por, provavelmente, apresentar alguma estratégia especial de abertura; (2) O segundo vídeo seria uma escolha aleatória, por sorteio. Os demais vídeos transcritos, mas que não foram selecionados para análise ficaram disponíveis para qualquer eventual necessidade de análise. Tabela 4.2: Vídeos-aula escolhidos para análise com seus códigos de identificação da transcrição e protocolo de análise/observação Vídeos V1 V2 V3 V4 V5 V6 V7 V8 V9 V10 155 Descrição Fundamentos da Teologia Prática aula 1 Teologia e Liderança aula 1-3 Ensino Religiosa e Educação Básica aula 1 Comunicação e oratória aula 2 Comunicação e oratória aula 6 Ensino Religiosa e Educação Básica aula 2 Teologia e Liderança aula 6 Teologia Espiritual aula 5-6 Teologia Espiritual aula 1-4 Fundamentos da Teologia Prática aula 2 Códigos Vídeo H138 H128 H144 H136 H141 H137 H135 H146 H149 H139 Códigos transcrição H070 H013 H083 H076 H080 H084 H015 H064 H066 H071 Dados coletados no ambiente UNIGRAN NET através de observação online. Protocolo de observação H049. 88 Conforme apresentamos no capítulo referente aos aspectos metodológicos, os vídeosaula foram analisados a partir do tratamento com base no tema, na forma e com base na função. Vejamos, portanto, os achados destas análises. 4.1 O tratamento com base na função No capítulo 1 deste trabalho estabelecemos, com base na literatura especializada, as categorias de análise de um vídeo-aula. Observamos que as três categorias gerais de análise que adotamos com base em Gutierrez e Prieto (tratamento com base na forma, tratamento com base no tema e tratamento com base na aprendizagem) não seriam suficientes para uma análise pedagógica mais ampla dos vídeos-aula. Nossa pesquisa fez emergir uma nova categoria que denominamos “Tratamento com base na função”. Com esta categoria emergente queremos analisar o vídeo quanto a sua função na “arquitetura pedagógica”. Vejamos primeiramente o quadro com a síntese das observações quanto ao tratamento com base na função dos vídeos-aula observados: Tabela 4.3: Síntese das observações do tratamento com base na função dos vídeos Categorias Adequação da linguagem ao público Identificadores A linguagem é adequada ao público destinado V1 V2 V3 V4 V5 V6 V7 V8 V9 V10 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Ensina procedimentos Simula experiências Uso de função informativa exclusiva Transmite aspectos emocionais Ensina aptidões interpessoais Motiva a aprendizagem (provoca, interpela, questiona, desperta o interesse) Organiza o ensino Outras Integração às demais atividades da aula O vídeo está inserido nas demais atividades da aula e a elas integrado Legenda: 1 indica presença ou conformidade 1 1 1 89 A concepção pedagógica manifesta no Projeto Pedagógico (PP) que orienta a elaboração de vídeos-aula aponta em direção à função de reforço na apresentação do conteúdo da aula156. O reforço é definido mais adiante no PP como tendo a função de proporcionar uma visão geral da disciplina ou do curso e discutir conteúdos específicos157. Conforme se ilustra na figura 4.1, e se observou nos vídeos-aula, há um esforço de uma transposição do modelo de ensino presencial para o modelo virtual. A lousa de cimento ou madeira é substituída por uma digital, a presença do educador e educadora substituída pelo vídeo, no entanto, a postura do educador e educadora continua o mesmo, o de transmissor(a) de conhecimentos. Das análises realizadas, a função de organização do ensino-aprendizagem foi identificada em quatro de dez vídeos-aula analisados. Vemos no vídeo da disciplina Teologia e Liderança o esforço do docente de apresentar uma visão geral do conteúdo. Gutierrez e Prieto chamam essa ação de “situar a temática”. Uma primeira regra pedagógica fundamental é que o estudante tenha uma visão global do conteúdo. Essa visão permite-lhe situar-se no processo como dentro de uma estrutura compreensível e sólida, de modo que os diferentes subtemas apareçam como parte de um sistema lógico. Por outro lado, essa visão global é um direito de todo estudante, já que lhe indica para onde se pretende ir com o texto. [...] Na visão global, insistir-se-á na coerência das partes e nos pontos-chave ou vínculos temáticos que mostrarão ao estudante a estrutura básica do texto, isto é, sua armação lógica158. O vídeo, ao situar a temática, permite a organização do processo de ensinoaprendizagem veja alguns trechos da transcrição da vídeo-aula: A nossa disciplina Teologia da Liderança consta de dez aulas [...] Como você pode ver no seu monitor na aula um nós trabalharemos a introdução à Administração, aqui nós teremos uma abordagem das definições de diversos autores sobre administração [...] Você vai ter os conceitos de Peter Bruker e tantos outros, como também nós poderemos trabalhar o aspecto da diferença entre da administração e organização [...] Na aula dois, como você pode ver no seu monitor, estamos ai apresentando a figura do administrador que é também o líder empreendedor, o que é que nós vamos trabalhar nesta aula, conceitos de empreendedor e empreendedorismo, as habilidades do empreendedor e a diferença entre o empreendedor e empresário [...] teremos a aula de numero três, nesta aula como você mesmo pode verificar versará sobre o 156 PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE TEOLOGIA. Dourados, MS: UNIGRAN, p. 13, linha 405. PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE TEOLOGIA. Dourados, MS: UNIGRAN, p. 19, linhas 671-673. 158 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 63-64. 157 90 administrador, o líder que planeja. O planejamento é fundamental e o líder deve saber planejar e deve conhecer todas as etapas de um planejamento estratégico. O que nós queremos aqui na aula três é trabalhar com vocês a idéia de que não podemos levar as coisas acidentalmente159. Quatro vídeos de cinco disciplinas que utilizaram a ferramenta aproveitaram o recurso para apresentação do docente. Geralmente essa apresentação é feita no primeiro vídeo de cada disciplina, não se fazendo necessário nos demais. Incluímos essa prática dentro da categoria “transmissão de aspectos emocionais”, pois a auto-apresentação do/da docente aproxima os/as envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Veja um bom exemplo da prática de auto-apresentação: Caros alunos vamos dar inicio neste momento a nossa aula da Teologia disciplina Espiritual. Antes de entrar na disciplina eu quero fazer a minha apresentação, eu sou Eugenio, Pastor Eugenio, eu sou boliviano e eu tenho trabalhado na faculdade Teológica Batista há 11 anos ensinando teologia, esse ano tenho me dedicado mais à parte do ensino teológico na área de teologia pratica e uma das disciplinas dessa área é Teologia Espiritual...160. Estudos apontam que a falta de estímulos visuais reduz as possibilidades de expressão de aspectos sócio-emocionais161. Neste caso, o vídeo onde o docente se apresenta pode favorecer as relações sócio-emocionais. O fato do aluno e aluna ver o professor ou professora ajuda a fortalecer o que Garrison e Anderson chamam de “presença social”. Para Garrison e Anderson a presença social se define como “a capacidade dos participantes de uma comunidade de investigação para projetar-se a si mesmos social e emocionalmente, como pessoas reais” 162. Além dos elementos elencados anteriormente não identificamos nenhum outro tipo de função informativa exclusiva. Vimos que a ementa da disciplina Comunicação e Oratória define o conteúdo da disciplina como aquela que “estuda os vários aspectos da comunicação aplicada à arte da Pregação e o estudo da Homilética”163. Recomenda-se nos vídeos-aula desta disciplina alguma simulação ou apresentação real de um sermão, ou mesmo, uma 159 VÍDEO 2, Teologia da Liderança, aula 1 a 3, Documento H013, linhas 18, 22-24, 28-32, 41-42, 51-54. VÍDEO 9, Transcrição de vídeo-aula, Teologia espiritual – aula 1-4, linhas 3-7, doc. H066. 161 SHORT; WILLIAN; CHRISTIE, 1976 Apud GARRISSON; ANDERSON, 2005, p. 76. 162 GARRISSON; ANDERSON, 2005, p. 76. “La presencia social se define aqui como la capacidad de los participantes de uma comunidad de investigación para proyetarse a sí mismos social y emocionalmente, como personas reales”. 163 PLANO DE ENSINO, Comunicação e oratória. Disponível no anexo 7. 160 91 demonstração de algum procedimento voltado à pregação. No caso, os vídeos se dedicaram apenas em ”reforçar” os conceitos já apresentados nos conteúdos das aulas veiculados de forma impressa e digital. Chamou atenção a falta de vídeos-aula nas disciplinas “Aconselhamento Pastoral” e “Práticas Ministeriais”. O objetivo geral que consta no Plano de Ensino da disciplina Aconselhamento Pastoral propõe: “Oferecer ao educando fundamentação teórica e capacitação no ministério para aconselhar com eficácia as pessoas que vêm a ele para receber orientação espiritual e emocional”164. Seria interessante para os/as educandos/as assistirem uma simulação de uma situação problema onde os/as educandos/as pudessem discutir através de fóruns a utilização de uma ou mais abordagens de aconselhamento. Ao fazer um uso semelhante do vídeo-aula, a mediação pedagógica estimularia tanto a auto-aprendizagem como a interaprendizagem e, seria também, uma forma de integrar o vídeo-aula às demais atividades da aula. Na disciplina Práticas Ministeriais o conteúdo programático, entre outros temas, apresenta o pastorado, ministério com crianças em situação de risco nas ruas, ministério com surdos, capelania escolar e hospitalar. O recurso audiovisual seria interessante para motivação para estes campos de trabalho, apresentação de reportagens sobre estas situações específicas e desafiadoras, entrevistas com profissionais que atuam nestas áreas, compartilhamento de experiências, testemunhos, etc. Mesmo diante das inúmeras possibilidades, a disciplina não fez uso da funcionalidade vídeo-aula. A integração às demais atividades da aula/curso, como sugerido nos parágrafos anteriores, é fundamental para que o vídeo contribua na produção do conhecimento, ou em outras palavras, a aprendizagem. Gutierrez e Prieto entendem que, para que ocorra a transmissão de conhecimentos “o ato de ensinar propriamente dito, tem que coincidir com o ato de produzir conhecimentos”165. Como assegurar que o vídeo-aula transmita, nestes termos, conhecimentos? Os vídeos-aula poderiam fazer parte de uma triangulação de atividades que incluiria o conteúdo impresso ou digital das aulas e as atividades e/ou exercícios de aprendizagem. Veja no mapa: 164 165 PLANO DE ENSINO da disciplina Aconselhamento pastoral. Disponível no anexo 8. GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 57. 92 Mapa 4.3: Triangulação de atividades Estava ausente nos planos de ensino das cinco disciplinas que disponibilizaram vídeo-aula, qualquer vínculo dos vídeos com as demais atividades de aprendizagem166. No conteúdo das disciplinas da web-aula167 não há qualquer relação com os vídeos-aula. Na perspectiva como se apresenta, o vídeo-aula aparece como um canal opcional de acesso ao conteúdo da disciplina. Para os vídeos-aula se aplica bem o que Morán fala acerca do uso em geral de vídeos em sala de aula, “necessitamos prestar atenção para estabelecer novas pontes entre vídeo e as outras dinâmicas da aula"168. Quanto à adequação da linguagem ao público, todas os vídeos-aula manifestaram conformidade com esse critério. 4.2 O tratamento com base na forma Para Gutierrez e Prieto “A forma é um momento-chave da mediação. Dela dependem a possibilidade do gozo estético e a intensificação do significado [...] A mediação passa pelo gozo, pela apropriação e pela identificação; sem eles não há relação educativa possível”169. Essas palavras bem se aplicam às produções na linguagem audiovisual. Um vídeo de má qualidade é obstáculo para a educação, principalmente quando temos um público acostumado 166 Nos anexos 7 - 13 estão os planos de ensino de todas as disciplinas analisadas. Conteúdo das aulas em arquivo em formato PDF disponível na plataforma UNIGRAN NET. 168 MORÁN, José Manuel. O vídeo em sala de aula. Comunicação e educação, São Paulo, (2): 27 a 35, jan./abr. 1995. 169 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 109. 167 93 com a qualidade das produções televisivas. Assistir um vídeo-aula não é o mesmo que assistir uma aula presencial. No vídeo há a necessidade, para captar e manter a atenção, de muito mais dinâmica. Para análise foram estabelecidas cinco categorias que apontaram o padrão a ser buscado: enriquece o tema e a percepção, consegue variedade na unidade, contribui para tornar o assunto compreensível, estabelece ritmo, provoca surpresas e rupturas. Para cada categoria foram alistados diversos elementos identificadores, o que permitiu uma análise com maior objetividade. Tabela 4.4: Síntese das observações quanto à forma Enriquece o tema e a percepção Consegue variedade na unidade O vídeo contribui para tornar o assunto compreensível Estabelece ritmo Provoca surpresas e rupturas V1 1 V2 1 V3 1 V4 1 V5 1 V6 1 V7 1 V8 1 V9 1 V10 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Há gráficos 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Há tabelas 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Há fotos, figuras, desenhos 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 Há música ou algum efeito sonoro Outras 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Imagens e sons são lúdicos 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Imagens e sons colaboram para tornar o assunto compreensível Outras 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Há variação na cadência da fala 0 1 0 0 0 0 1 1 1 0 Há variação e movimento de imagem Há variação no foco e zoom das imagens No enredo há variação em direção a um clímax Outras 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Há elementos que rompem a rotina Há elementos que provocam surpresa Há excesso de discurso e de linguagem verbal Outras 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 As imagens e os sons do vídeo são atrativas As imagens e o som do vídeo são sugestivas O vídeo desperta a percepção do observador Outras 94 Legenda: V – Vídeo-aula 1 – Indica presença ou conformidade ao padrão 0 – Indica ausência ou não-conformidade ao padrão Alguns problemas foram detectados no tratamento da forma dos vídeos analisados. A questão da transposição do presencial para distância se observa claramente no aspecto do tratamento da forma dos vídeos. A utilização de imagens variadas, música, efeitos sonoros, gráficos, tabelas, enriquecem a percepção do tema estudado, e isso não identificamos nos vídeos. A variedade de recursos utilizados na produção audiovisual contribui não apenas para despertar o interesse, mas ajuda numa melhor compreensão do assunto que é abordado. No caso dos vídeos analisados a imagem e o som são de qualidade, mas estão a serviço da palestra do docente. A imagem se restringe ao docente e aos slides apresentados na lousa digital. Mesmo os slides, com uma exceção, apresentam imagens de textos. Veja o exemplo na transcrição da fala do docente onde a imagem de figuras aparece nos slides: [...] aqui nós temos pelo menos dois ícones acerca da liderança exemplificados nesta gravura, à esquerda temos Jesus Cristo, ou seja, uma figura daquilo que as pessoas imaginam que seria a figura de Jesus Cristo ensinando a multidão. Nessa do lado de cá, também uma outra figura, um desenho de Moisés, que naquele momento em que exercendo a liderança ele convoca o povo à saída do cativeiro do Egito para ultrapassar o Mar Vermelho170. Observou-se pouco ritmo nas apresentações dos vídeos, com exceção da variação da cadência da fala que encontramos em quatro vídeos. Os demais elementos identificadores de ritmo, tais como variação e movimento de imagem, variação do enredo em direção a um clímax, variação do foco e zoom das imagens, estão quase ausentes nos vídeos analisados. A ausência de ritmo se deu também pela falta de elementos que provocassem surpresas e rupturas. O que se observou em todos os vídeos foi o excesso de discurso e de linguagem verbal e escrita (linguagem escrita nos slides apresentados). Não foram identificados efeitos sonoros, música, jogo de imagens, ou qualquer outro recurso que rompesse com a monotonia de um longo discurso. Veja na tabela a seguir o tempo de duração dos 10 vídeos analisados: 170 VÍDEO 7, Transcrição de vídeo-aula, Teologia da liderança, aula 6, linhas 5-10, Doc. H015. 95 Tabela 4.5: tempo de duração dos vídeos. Vídeo Tempo V1 53'36'' V2 7'19'' V3 8'47'' V4 14'17'' V5 13'57'' V6 8’20’’ V7 15'36'' V8 21'00'' V9 32'00'' V10 30'44'' Para aquele que assiste um vídeo-aula excessivamente discursivo, à medida que o tempo se alonga, pode tornar desmotivador e até penoso o processo de estudo. Não há uma regra para duração de um vídeo. Um vídeo de 50 minutos pode ser motivador enquanto outro com poucos minutos pode se tornar tedioso. A diferença não está necessariamente no tempo de duração do vídeo, mas na riqueza como o tema é tratado e no ritmo em que o enredo se desenrola. 4.3 Tratamento com base no tema Um enredo deve ter começo, meio e fim. Em se tratando de vídeo-aula a mesma regra se aplica. Cada parte do vídeo tem seu lugar e importância. As estratégias de entrada servem para captar a atenção e interesse do/da estudante, as estratégias de desenvolvimento se ocupam de tornar o conteúdo/tema mais atrativo e assimilável, as estratégias de enceramento procuram, como toda conclusão, encerrar a discussão seja com desafios, recomendações, reflexões e sínteses. Tão importante como começar, é terminar bem. 96 4.3.1 Estratégias de entrada Certo autor comparou a introdução de um discurso à decolagem de um avião. Apesar da pouca duração a decolagem exige muita perícia do piloto e atenção a diversos procedimentos. O mesmo acontece na elaboração de um texto, palestra, ou mesmo um vídeo. A atenção pode ser conquistada ou perdida nos primeiros segundos. O vídeo-aula é para ser assistido, portanto deve ser produzido de tal modo que conquiste a atenção do telespectador/educando. Veja na tabela a seguir as estratégias de entrada identificadas na análise: Tabela 4.6: Registro de observações - Estratégias de abertura dos vídeos-aula Estratégias de entrada V1 V2 V3 V4 V5 V6 V7 V8 V9 V10 Fragmentos literários 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Experimentos 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Imagens 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 Som 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Notícias de jornais e outras mídias 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Perguntas 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 Anedotas 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Relato de experiência 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Projeções do futuro 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Referência a algum acontecimento importante 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Uma experiência pessoal 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Outras / tocar numa necessidade 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 Outras/ Apresentação pessoal do docente 1 1 1 0 0 0 0 0 1 0 Legenda: 1 indica a presença de algum tipo de estratégia 0 indica ausência de algum tipo de estratégia Pela tabela acima percebemos o pouco uso de estratégias de entrada nos vídeos-aula analisadas. Sendo o vídeo-aula um recurso audiovisual, estranhamos a completa ausência do uso de som e imagem como estratégia de abertura. Apenas um vídeo utiliza imagens diferentes de slides com texto como recurso didático, conforme observamos na análise da forma. Dois vídeos usaram perguntas como estratégia de entrada. Uma pergunta bem feita sempre provoca/desafia alguém a apresentar uma resposta e assim responder ao convite de 97 participar da aula. Veja os exemplos nestes vídeos: “Por que é importante conhecermos as leis de ensino?”171 ou... [...] que legado eu deixarei para as pessoas que lidero? Como que você gostaria de ser lembrado? O que você gostaria que as pessoas mais próximas de você escrevessem na sua lápide? Aqui jaz..., o que? Aqui jaz um grande lutador, aqui jaz o líder que impactou a geração, aqui jaz alguém que foi um vencedor, que não temeu os obstáculos, o que você gostaria que as pessoas escrevessem na sua lápide? 172 Cinco vídeos apresentaram estratégias não alistadas na nossa planilha de análise – denominamos “tocar numa necessidade” e "apresentação pessoal do docente”. Sempre que nos identificamos com o que vemos ou ouvimos nossa atenção é despertada. Como afirmam Gutierrez e Prieto, “A mediação passa pelo gozo, pela apropriação e pela identificação; sem elas não há relação educativa possível”173. O docente no vídeo fala do medo de falar em público, experiência quase universal e que nos chama a atenção pelo processo de identificação. Veja na transcrição: O medo de falar em público é o maior medo do ser humano não é só seu, nem apenas meu, mas de muita gente, ou pelo menos da maioria. O medo de falar em público está entre os maiores medos da humanidade, ocupa o topo da lista junto com outros medos maiores da humanidade174. A apresentação do docente através de uma mídia audiovisual, como já comentamos anteriormente, reforça o laço afetivo entre este e seus alunos e esta ação pode ser considerada como estratégia de entrada, principalmente no primeiro vídeo-aula da disciplina. O professor ou professora, ao apresentar-se em um vídeo, se mostra mais real, mais próximo. Esta ação reforça a presença social fazendo com que os/as estudantes se sintam bem-vindos e bemvindas e seguros e seguras de participar do grupo de estudo. Nossa busca por estratégias de entrada revela o pouco cuidado e atenção para uma parte fundamental do vídeo-aula – sua abertura. É verdade que se espera motivação do/da estudante a distância, mas não se pode colocar toda a responsabilidade sobre ele/ela. A equipe 171 VÍDEO 6, Transcrição de vídeo-aula, Ensino religioso e educação básica, aula 2, linhas 6-7. VÍDEO 7, Transcrição de vídeo-aula, Teologia da liderança, aula 6, linhas 12-17. 173 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 109. 174 VÍDEO 5, Transcrição de vídeo-aula, Comunicação e oratória, aula 6, linhas 6-9. 172 98 pedagógica responsável pela preparação do material educativo deve fazer sua parte elaborando materiais atrativos e a atratividade deve manifestar-se logo no começo. 4.3.2 Estratégias de desenvolvimento A variedade de formas de discussão de um tema é o que traz dinâmica e riqueza a uma aula ou vídeo-aula. No caso de um vídeo-aula a edição permite inclusão de fotos, animações, mapas, slides, cenas de filmes, apresentação de tabelas, esquemas, revisões, etc. Tudo precisa ser previamente planejado e registrado em um storyboard. Nos vídeos-aula analisados pôde-se identificar as seguintes estratégias de desenvolvimento: Tabela 4.7: Registro de observações - Estratégias de desenvolvimento dos vídeos-aula Estratégias de desenvolvimento V1 V2 V3 V4 V5 V6 V7 V8 V9 V10 Pedagogia da pergunta 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Pôr em experiência (exemplos concretos) 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Material de apoio 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Tratamento recorrente 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Apresentação de diferentes enfoques 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Outras / tocar numa necessidade 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 Legenda: V – vídeo-aula 1 indica a presença de algum tipo de estratégia 0 indica ausência de algum tipo de estratégia Apenas em um vídeo identificamos o que Gutierrez e Prieto chamam de “pedagogia da pergunta”175. A “pedagogia da pergunta” convida e envolve o/a estudante na aula, desafia a reflexão e a construção conjunta durante todo o desenvolvimento do tema. Veja como docente trabalha o conteúdo: O que eu quero dizer com isto? [...] O que é uma interlocução? [...]O que significa pra nós hoje neoliberalismo? O que significa pra nós hoje violência urbana? O que 175 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 68. 99 significa pra nós hoje estarmos inseridos enquanto comunidade de fé na cidade? Eu quero que vocês se atentem a esta palavra cidade. Esta palavra cidade ou na verdade esta instância, a cidade, ela permeia toda a bíblia. Em especial Antigo e Novo Testamento. Você já deve por certo ter ouvido falar de Sodoma e Gomorra? Vocês por certo devem ter ouvido falar de Babel? [...] O que Tillich na verdade quer dizer com isso? [...] O que é fé cidadã? [...] Fé cidadã é uma fé que tem um compromisso, compromisso com quem? [...] O que é uma fé encarnacional? [...] Professor, mas o que é medíocre?176. Por em experiência, exemplificar com situações e casos concretos ajuda na compreensão de conceitos e desperta o interesse do/da estudante pela temática. Principalmente experiências pessoais ganham um contorno de realismo e se tornam muito eficazes na formação teológica e pastoral. Em apenas um vídeo identificamos o uso dessa estratégia/recurso. Veja o exemplo: Eu quero contar pra vocês uma historia verídica em que eu passei. Nós temos um trabalho aqui na cidade de Dourados chamado Pequeninos do Reino. É um trabalho com crianças de 2 a 12 anos. E nesse trabalho nós contamos parábolas de Jesus, e depois de nós contarmos as parábolas de Jesus para as crianças nós temos dois outros processos. O primeiro processo é eles contarem aquilo que eles entenderam da parábola e o segundo é eles desenharem aquilo que eles entenderam após contarem a parábola. E teve um dia num desse encontros que eu contei a parábola daqueles dois filhos que o pai chama para trabalhar na vinha. [...] Aí a pergunta do texto é: quem cumpriu a vontade do pai? aí eu fiz a interação com as crianças e comecei a perguntar: foi o primeiro? Eles dizem: não, o primeiro não foi. Mas porque que não foi o primeiro? Por que o primeiro foi mentiroso e nós não podemos mentir, Deus não gosta que nós mintamos. Então foi o segundo? Eles disseram olha foi o segundo porque embora ele tenha pisado na bola de inicio ele se arrependeu e foi, Deus trabalha com arrependimento. Passada essa fase, rica, haja vista que foram com crianças, nós passamos a fase do desenho, e uma um desenho especial me chamou a atenção e é com esse pano de fundo que eu quero que vocês se aproximem da nossa disciplina Fundamentos da Teologia Prática. Um, um aluno, uma criança começou a perguntar pra mim professor, pastor: eu posso na verdade desenhar um caminhão? Pode, você pode desenhar um caminhão, eu posso desenhar uma fábrica? Pode, desenhe uma fábrica. Então ele começou a desenhar, passado algum tempo, 5 a 10 minutos ele me apresentou o seu desenho, o entendimento que ele tinha tido a cerca daquela parábola. Ele desenhou um caminhão com a caçamba toda cheia de uvas, desenhou uma fabrica e o nome da fábrica foi aquilo que mais me surpreendeu, nesses anos todos de estudo acadêmico, nesses anos todos de formação acadêmica, o nome que esta criança deu à fábrica foi o que mais me surpreendeu. Ele colocou na frente da fábrica: Casa de Vinho Dois Irmãos. O que eu quero dizer com isto? Muitas vezes nós somos acostumados a fechar as questões do texto bíblico. Muitas vezes nós já estamos acostumados a estar dentro da postura do certo e do errado, e na verdade pra que nós tenhamos um bom aproveitamento tanto da teologia, em especial da teologia prática nós temos que estar abertos. Esta criança abriu a minha visão acerca de parábolas. Deus nunca fecha as questões, e nós, enquanto alunos de teologia, também não podemos fazê-lo, sob pena de não nos 176 VÍDEO 1, Transcrição de vídeo-aula, Fundamentos da Teologia Prática, aula 01, linhas 114, 126, 136-141, 180, 202-203, 206-207, 217, 254. 100 enriquecermos, ao contrário não acrescentarmos nosso, nada ao nosso conhecimento e em especial a nossa fé, que é uma fé comunitária, que é uma fé prática 177. Exemplificar é importante em qualquer situação, mas em disciplinas práticas torna-se essencial. Melhor que definir um conceito, o que pode ser feito em qualquer outra mídia, é exemplificar. Ao invés de definir o que é falar com emoção, a mídia áudio-visual permite demonstrar. Entre definir o que é um bom sermão, pode-se apresentá-lo através de uma pregação. Observou-se pouco esforço de exemplificação e uma preocupação maior em apresentar o conteúdo já disponível na forma escrita. Quanto à utilização de material de apoio todos os vídeos-aula utilizaram a apresentação de slides. No entanto, os slides eram, na sua maioria, de textos (com exceção de um). Observou-se a ausência quase total de uso nos slides de imagens, gráficos, mapas, quadros estatísticos ou qualquer outro recurso. Veja na figura a seguir: Figura 4.2: Apresentação de slides no vídeo-aula 177 VÍDEO 1, Transcrição de vídeo-aula, Fundamentos de Teologia Prática, aula 01, linhas 82-122. 101 4.3.3 Estratégias de encerramento Se a abertura/introdução pode ser comparada à decolagem de um avião, o encerramento/conclusão pode ser comparado à aterrissagem. É, portanto, outro momento que requer procedimentos cuidadosos. Como bem observam Gutierrez e Prieto, nesse momento o que se busca é “envolver o estudante num processo que tem uma lógica e conduz a algo, a resultados, conclusões, compromissos para a prática”178. Veja na tabela a seguir as estratégias de encerramento identificadas na análise: Tabela 4.8: Registro de observações - Estratégias de encerramento dos vídeos-aula Estratégias de encerramento V1 V2 V3 V4 V5 V6 V7 V8 V9 V10 Generalização 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 Projeção do futuro 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Recomendações em relação à prática 1 1 1 1 1 0 1 0 0 1 Recuperação de uma experiência apresentada no início 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Anedota 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Síntese 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 Perguntas 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 Apresentação de quadro sinótico 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Outras 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Legenda: V – vídeo-aula; 0 – Ausência; 1 – Presença Na tabela a seguir apresentamos algumas falas transcritas que exemplificam os achados: 178 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 69. 102 Tabela 4.9: Estratégias de encerramento dos vídeos-aula - transcrições de falas Elementos identificadores Generalização Trechos das transcrições “Jesus teve como base, na sua formação educacional, a sua casa, sua família e a sua comunidade na pequena aldeia de Nazaré [...] Podemos então, nos nossos trabalhos, primeiro considerar a base educacional de Jesus a partir do lar, da família e da comunidade”179. Recomendações em relação à prática “Hoje, nos dias de hoje, você e eu, nós como educadores termos a responsabilidade de prosseguir na história e tornar o ensino religioso o ensino religioso que faz a diferença na vida dos alunos, o ensino religioso onde haja o respeito, evitando proselitismos, evitando o desrespeito da crença”180. “O método usado por Jesus como vimos é o método ver, julgar e agir; sua pratica pedagógica parte da observação, é aquilo que nós chamamos de pastoral da escuta, observação da realidade, do cotidiano. O pensamento construído assim leva a pessoa a pensar e ele coloca entre parêntesis a palavra julgar, a pensar dentro de uma lógica diferente. Jesus então comunica o reino de Deus e a sua justiça, levando o seu discípulo e a sua discípula a buscar a sua justiça, ou seja, a buscar a justiça do reino, e isso nos leva ao terceiro passo do método, o agir. Ele completa dizendo o principal é entender que o reino de Deus a ser construído é para ser experimentado, deve ser no espaço da comunidade humana”181. “[...] qual é a tua filosofia de vida? Como que você vai encarar esse mundo em que nós estamos? Então as disciplinas espirituais nos ajudam, nos desafiam para que nós possamos lembrar, para que nós possamos ter justamente essas armas eu posso dizer para enfrentar o mundo: meditação, oração, jejum e estudo”182. Síntese Perguntas Mesmo apresentando uma ou outra estratégia de encerramento, notamos a falta de alguns elementos que tornam a conclusão, a partir de um discurso pedagógico, um momento chave na apresentação de um tema, tais como: uma boa revisão dos principais enunciados, ou a retomada de um desafio ou questionamento inicial. Destaca-se um elemento importante da educação em quase todos os vídeos (8 de 10): recomendações em relação à prática. Conclusão Neste capítulo analisamos a mediação pedagógica dos vídeos-aula. Fizemos a 179 VÍDEO 10, Transcrição de vídeo-aula, Fundamentos de Teologia Prática, aula 2, linhas 380-382, 392-393. VÍDEO 3, Transcrição de vídeo-aula, Ensino religioso e educação básica, aula 1 – Fundamentos históricos, linhas 74-77. 181 VÍDEO 10, Transcrição de vídeo-aula, Fundamentos de Teologia Prática, aula 2, linhas 383-390. 182 VÍDEO 8, Transcrição de vídeo-aula, Teologia espiritual, aula 5 e 6, linhas 166-170. 180 103 análise a partir de três categorias gerais: tratamento com base no tema, tratamento com base na forma e tratamento com base na função. Dos dezesseis vídeos transcritos, dez foram selecionados para análise. Observou-se a boa qualidade de imagem e som dos vídeos; há, no entanto, uma tentativa de transposição do modelo de aula presencial para o ambiente virtual, com excesso de linguagem verbal e o uso limitado dos recursos de áudio e vídeo. Concluímos que os vídeos são importantes para o processo de ensino-aprendizagem, mas para que alcancem o objetivo de auxiliar na mediação pedagógica na EAD precisam ser bem planejados no aspecto do tratamento do tema, da forma e da função. 104 5. AS WEB AULAS: ANÁLISE Mapa 5.1: Critérios para análise dos textos das web aulas. A UNIGRAN disponibiliza para os/as estudantes não apenas os conteúdos em material impresso, mas também no ambiente virtual de aula (UNIGRAN NET) em formato PDF. Os/As estudantes podem baixar os arquivos e assim ter acesso aos mesmos tanto online como off line. O conteúdo das web-aulas é o mesmo do material impresso. Conforme nosso plano de análise, as web-aulas foram analisadas a partir do tratamento com base no tema e tratamento com base na forma. Não foram feitas análises a partir do tratamento com base na aprendizagem por motivo destas não incluírem atividades de aprendizagem. 105 Figura 5.1: Interface da web-aula da UNIGRAN Foram analisadas 58 (cinquenta e oito) web-aulas. Veja na tabela a seguir o número de páginas das web-aulas por disciplina: Tabela 5.1: Número de páginas por disciplina Nº de páginas por disciplina Web-aulas D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Aula 1 6 4 4 5 6 6 5 Aula 2 6 14 4 3 8 5 4 Aula 3 6 6 4 4 7 4 4 Aula 4 3 12 5 5 8 13 4 Aula 5 8 7 4 4 7 12 5 Aula 6 7 11 3 5 8 13 6 Aula 7 5 8 5 4 7 12 6 Aula 8 10 7 4 5 7 15 6 Aula 9 0 0 0 0 0 13 0 Aula 10 0 0 0 0 0 11 0 51 69 33 35 58 104 40 Total Legenda: D - disciplina 106 As web-aulas foram analisadas a partir das categorias gerais de tratamento com base no tema e com base na forma. Para facilitar a análise dos dados, foram elaboradas tabelas onde foram alistados os elementos identificadores das categorias. Quando um elemento não era identificado, o registro na tabela era zero; se fossem encontradas quatro evidências, o registro seria quatro. Foi elaborado um protocolo de análise constituído pela tabelas e pelos registros dos dados identificados nas notas de rodapé. O referencial desta análise aponta para um texto no formato de um discurso pedagógico, diferente de um discurso científico. Como afirmam Gutierrez e Prieto, “O autor do texto-base parte de recursos pedagógicos destinados a tornar a informação acessível, clara e bem organizada, em virtude da auto-aprendizagem”183. O próprio Projeto Pedagógico do curso de Teologia da UNIGRAN também prevê uma adequação pedagógica do texto com vistas a uma melhor aprendizagem. Esse conteúdo utiliza-se de um formato híbrido entre linguagem formal e linguagem oral, possibilitando ao aluno, por meio do texto escrito, a interação com o conteúdo a ser apreendido. A linguagem utilizada possibilita uma comunicação com o aluno próxima à linguagem oral, pretendendo estabelecer um diálogo com o aluno a partir de questionamentos e resolução de problemas. Além da linguagem escrita, subsidiariamente utiliza-se a linguagem visual, como possibilidades de ampliação da compreensão por parte do aluno. Desta forma, vem se conseguindo estabelecer bons padrões de comunicação entre alunos e professores, já atestados nas avaliações empreendidas184. A questão do estilo da linguagem, de redação e de organização do texto didático aparece em diversas literaturas185. Fernandez resume bem o que se pode ser considerado consenso quanto à produção de material didático em forma de texto: Adotar uma linguagem direta, clara, expressiva e dialogada é a opção para que o educando se sinta um interlocutor do professor ao estudar. Isso é conseguido quando ao ser produzido o texto, o autor do material considera o fato de que, portanto, necessitará de orientações. Em relação a esse aspecto em particular, um problema comumente percebido e considerado como o maior defeito desse tipo de material, principalmente em cursos de EAD para educandos de nível superior, é que, em vez de elaborar um material didático impresso, o autor envereda pela produção de um artigo de caráter científico e passa a escrever para seus pares e não para futuros alunos, inserindo informações que exigem conhecimentos anteriores e explicações no nível de compreensão de um especialista 186. 183 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 62-63. PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE TEOLOGIA. Dourados, MS: UNIGRAN, 2009. 185 Veja: MOORE; KEARSLEY, 2007, p. 78-81; PETERS, 2006, p. 142-149; GUTIERREZ; PRIETO, 1994. 186 FERNANDEZ, Consuelo Teresa. Os métodos de preparação de material impresso para EAD. In: LITTO; FORMIGA (Orgs.), 2009, p. 400. 184 107 Peters também reforça a tese da diferenciação entre um texto científico e um texto 187 didático . Para ele, na educação a distância [...] a arte de ensinar dos professores não mais se baseia em qualidades retóricas, como ocorre no ensino com presença, mas, sim na maneira como se combinam funções de comunicar, do explicar e do orientar seus textos didáticos, estruturandoos adequadamente – e isso com vistas às necessidades cognitivas dos estudantes. Decisiva é a passagem da mera exposição dos conteúdos a serem ensinados para a disponibilização e iniciação de processos cognitivos e de aprendizagem188. Como texto pedagógico com fins didáticos, buscamos nas web-aulas as estratégias de abertura, desenvolvimento e encerramento. 5.1 Tratamento com base no tema Como tratamento com base no tema, buscamos identificar as estratégias utilizadas para entrada (apresentação do tema), desenvolvimento e encerramento (conclusão da aula). 5.1.1 Estratégias de entrada Veja na tabela a seguir os elementos identificados que constituem estratégias de entrada ou introdução: 187 188 PETERS, 2006, p. 148. PETERS, 2006, p. 148. 108 Tabela 5.2: Registro das estratégias de entrada identificadas nas web-aulas Estratégias de entrada D7 Total 1 0 D1 D2 D3 D4 D5 D6 Relato de experiência 0 1 0 0 0 0 Perguntas 1 1 0 0 0 1 0 3 Anedotas 0 0 0 0 0 0 0 0 Fragmentos literários Referência a um personagem ou acontecimento importante 0 0 1 7 0 1 0 9 0 0 0 0 0 1 0 Projeções do futuro 0 1 0 0 0 0 0 1 Experimentos 0 0 0 0 0 0 0 0 Imagens do tipo ilustrações, fotos, figuras, desenhos 8 8 8 8 8 8 0 48 Recortes de jornais ou outras mídias 0 0 0 0 0 0 0 0 Uma visão panorâmica do que vai ser estudado 1 2 2 1 1 0 2 9 Descrição dos objetivos de ensino e aprendizagem 0 0 1 0 0 0 0 1 Indicar ligações com outras áreas de ensino 0 0 0 0 0 0 0 0 Outras / Referência à realidade atual 0 0 1 1 0 0 0 2 1 Legenda: o número indica quantas vezes aparece o elemento que constitui “Estratégia de entrada”. Seis das sete disciplinas usaram algum tipo de imagem de fotos, figuras ou desenhos. Essas imagens coloridas trazem uma beleza e expressividade para a abertura do texto e desse modo, convidam o/a leitor/a à leitura. Observamos pouca presença de relatos de experiência, referência à realidade atual e recortes de notícias veiculadas nas mídias. Gutierrez e Prieto observam acertadamente que “boa parte da educação está voltada para o passado”189. O presente e o futuro, em alguns casos, parecem ignorados. Identificamos um exemplo de referência ao futuro na forma de uma projeção, simulação, ou análise prospectiva. Veja como o professor projeta o/a educando/a numa situação futura: Quando deixamos o Seminário para assumirmos um campo, presumimos, muitas vezes, que sabemos o suficiente a respeito das disciplinas estudadas e não nos damos conta de que a nossa preparação acadêmica foi o primeiro dos impulsos em direção a novos estudos. Assim, ao nos voltarmos para um estudo mais atencioso dos textos bíblicos vamos, inevitavelmente, descobrir aspectos estruturais que jogam, repetidas vezes, nossos pressupostos homiléticos por terra190. 189 190 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 90. WEB-AULA, Comunicação e oratória, aula 04, p.39. 109 Referências ao presente foram identificadas em três disciplinas, seja à experiência pessoal ou à realidade atual. Veja um exemplo: Vivemos em um mundo onde as mudanças são radicais no que diz respeito às relações sociais, pessoais, organizacionais, familiares, econômicas, educacionais e tecnológicas. As pessoas estão mais criativas. Por todo lado, vemos a ação da tecnologia que inova assustadoramente, fazendo com que o homem fique mais exigente e crítico191. Acontecimentos ou personagens importantes da história costumam chamar atenção dos/das leitores/as e se tornam boa estratégia de abertura para um texto. Uma disciplina utilizou esse recurso ao fazer referência a Nelson Mandela e Margaret Thatcher192. Uma estratégia simples e eficaz para despertar o interesse do/da leitor/a pelo tema é provocar-lhe a atenção através de perguntas. As perguntas convidam o/a leitor/a à participação. Três disciplinas usaram pelo menos uma vez este recurso. Veja um exemplo: Uma importante pergunta surge quando reconhecemos nossa tarefa de Líderes: que legado eu deixarei para as pessoas que lidero? Como você gostaria de ser lembrado? O que você gostaria que as pessoas mais próximas de você escrevessem em sua lápide?193. A abertura/introdução de um texto didático não cumpre apenas a função de despertar o interesse do/da educando/a. A introdução colabora na organização do processo de ensino e aprendizagem. Nesse momento, colabora para este fim a apresentação de uma visão panorâmica do que vai ser estudado, dos objetivos de ensino e aprendizagem e as interligações com outras áreas de ensino e aprendizagem. Estes recursos de abertura que organizam o processo de ensino e aprendizagem foram pouco usados. Apenas nove textos de cinqüenta e seis se ocuparam de apresentar uma visão panorâmica do tema a ser estudado. Nenhum texto se ocupou de mostrar a interligação do tema com outras áreas de ensino. Apenas um texto/aula apresentou de forma explícita os seus objetivos. Veja o exemplo: 191 WEB-AULA, Ensino Religioso e Educação Básica, aula 08, p. 43. WEB-AULA, Teologia e Liderança, aula 05, p. 45-46. 193 WEB-AULA, Teologia e liderança, aula 06, p. 59. 192 110 Nosso objetivo é conhecer os pontos importantes dessas leis e assim facilitar o nosso posicionamento na prática pedagógica do Ensino Religioso e cumprir com propriedade os deveres e direitos nelas prescritos194. Nossas observações das estratégias de abertura das web-aulas revelam a necessidade de maior elaboração didática das introduções dos textos didáticos das disciplinas da área prática do curso de teologia da UNIGRAN. As ilustrações/figuras coloridas são um ponto positivo identificado na maioria dos textos analisados, no entanto, reconhecemos que as introduções dos textos poderiam ser enriquecidas com outras estratégias de entrada somadas às ilustrações. Os aspectos relacionados à organização do processo de ensino e aprendizagem também carecem de maior cuidado e atenção. A identificação de diferentes estratégias de abertura no conjunto de todas as disciplinas pode revelar que os/as docentes têm à disposição recursos pedagógicos, o não uso destes pode ser uma falha de planejamento. 5.1.2 Estratégias de desenvolvimento Vejamos as estratégias identificadas na análise: Tabela 5.3: Estratégias de desenvolvimento identificadas nas web-aulas Estratégias de desenvolvimento D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Pedagogia da pergunta 0 0 0 0 0 0 0 Pôr em experiência 0 1 0 0 0 0 0 Material de apoio 0 2 1 0 0 5 8 Tratamento recorrente 0 0 0 0 0 0 0 Resumos que concentrem e visualizem os conteúdos 0 0 0 0 0 0 0 Apresentação por diferentes enfoques 0 0 0 0 0 0 0 Hiperlinks 0 0 0 0 0 0 0 Outras 0 0 0 0 0 0 0 Legenda: o número indica quantas vezes aparece uma estratégia de desenvolvimento na web-aula de cada disciplina. Não identificamos no desenvolvimento dos textos das aulas nenhuma evidência do 194 WEB-AULA, Ensino religioso e educação básica, aula 01, p. 11. 111 que poderíamos chamar de pedagogia da pergunta. Há uma ou outra pergunta esporádica, mas que não chega constituir uma estratégia de linguagem. Um texto que não indaga, que não provoca o/a leitor/a a uma reflexão ou resposta, estimula a passividade. Esses materiais de ensino, dizem Gutierrez e Prieto, “carregam em si comportamentos de ensino separados dos comportamentos de aprendizagem”195. Pôr em experiência é uma ação pedagógica fundamental para tornar um tema acessível à aprendizagem. O desenvolvimento do conteúdo – ou dos diferentes temas de estudo – será processado pedagogicamente. O ingrediente pedagógico implica saturar o conteúdo de exemplos, casos, anedotas, vivências, experiências etc. que tornem mais compreensível um conceito, uma doutrina, um discurso científico. Os exemplos ajudam a viver o conteúdo, a assimilá-lo, a iluminar seu sentido e o significado do tema196. Com exceção da disciplina Comunicação e Oratória, onde há exemplos de desenvolvimento textual, dicas para oratória e outras orientações práticas para elaboração do sermão, dos cinqüenta e seis textos de aulas analisados não identificamos a presença de casos, anedotas, vivências, experiências como estratégias para explicação ou transmissão do conteúdo. Na verdade, notamos uma inclinação para abstração em todo o desenvolvimento dos temas. Quatro disciplinas das sete analisadas apresentaram material de apoio diversificado no desenvolvimento dos textos de algumas aulas. Encontramos tabelas, organogramas197, resumos de livros como recurso de apoio198, esquemas199, acróstico200, figuras201 etc. Chama a atenção o fato de três disciplinas não apresentarem nenhum material de apoio ao texto. Compare na tabela a seguir o total de materiais de apoio com o número de disciplinas, de textos/aulas: 195 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 45. GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 56. 197 WEB-AULA,Teologia e Liderança, aula 01, p. 16. 198 WEB-AULA, Teologia e Liderança, aula 06, p. 65-71. 199 WEB-AULA, Teologia e Liderança, aula 06, p. 78, 81. 200 WEB-AULA, Teologia e Liderança, aula 01, p. 98. 201 WEB-AULA, Teologia Espiritual; Teologia e liderança (páginas diversas). 196 112 Tabela 5.4: Relação de materiais de apoio e disciplinas analisadas Total de materiais de apoio identificados 17 Total de textos/aula analisados 58 Total de disciplinas 7 Disciplinas com material de apoio no desenvolvimento 4 Disciplinas sem material de apoio no desenvolvimento 3 Os números mostram a escassez de material de apoio no desenvolvimento dos textos “didáticos”. Não foram identificados resumos, sínteses parciais, revisões que garantissem o processamento, a assimilação, a apropriação da informação e finalmente o aprendizado. Também não identificamos links, nem tratamento sob diversos enfoques. Os enfoques se restringiram ao campo específico da disciplina. Tratar um tema pedagogicamente parece ser o grande desafio, não somente para os/as docentes na modalidade EAD, mas também na modalidade presencial. A dificuldade da transposição do discurso científico para o discurso pedagógico parece não haver sido superada. A análise do desenvolvimento do tema revela a necessidade de tratamento pedagógico de grande parte dos textos analisados. 5.2.3 Estratégias de encerramento O encerramento ou conclusão aparece como uma parte muito negligenciada nos textos observados. Pelas tabelas comparativas a seguir podemos perceber que em mais de 67% dos textos não foi possível identificar uma das estratégias de encerramento. Tabela 5.5: Estratégias de encerramento identificadas nas web-aulas Disciplinas Estratégias de Encerramento D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Generalização 0 0 0 0 0 0 0 Projeção do futuro 0 0 1 0 0 0 0 Recomendações em relação à prática Recuperação de uma experiência ou problema apresentado no início 0 0 1 0 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 113 Anedota 0 0 0 0 0 0 0 Síntese 0 0 0 0 4 0 2 Perguntas 0 0 0 0 0 0 0 Apresentação de quadro sinótico 0 0 0 0 0 0 0 Outras /charges 0 8 0 0 0 0 0 Legenda: o número indica as vezes em que aparece uma estratégia de desenvolvimento. Tabela 5.6: Síntese dos dados da tabela 5.5 Total de disciplinas Total de web-aulas/textos Total de estratégias de encerramento identificadas Total de web-aulas/textos sem presença de qualquer estratégia de encerramento 07 58 19 39 100 % 100 % 32,8 % 67,2 % Veja no gráfico a seguir a relação entre o número total de textos e os textos que não apresentam nenhuma estratégia de encerramento: Gráfico 5.1: textos com estratégias de encerramento Nos textos onde identificamos estratégias de encerramento nos chama a atenção uma disciplina que fez uso de charges202. Estas ilustrações trazem para o processo de ensino e 202 Segundo a definição da Wikipedia, “Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar, por meio de uma caricatura, algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. A palavra é de origem francesa e significa carga, ou seja, exagera traços do caráter de alguém ou de algo para tornálo burlesco.” Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Charge> Acesso em: 9 fev. 2010. 114 aprendizagem a dimensão do lúdico, do humor, da alegria. A charge, especificamente, por sua típica ironia, provoca a reflexão. Figura 5.2: Estratégia de encerramento - charge Fonte: WEB-AULA, Comunicação e oratória, Estrutura do sermão - aula 03. Uma forma muito convencional e eficiente de conclusão de um texto, seja ele didático ou não, é a apresentação de uma síntese ou resumo do que foi tratado. Apenas seis textos dos cinqüenta e oito fizeram uso desta estratégia. Pela tabela vemos que uma disciplina fez bom uso desse recurso. Veja um exemplo: Diante da necessidade de uma boa liderança para o exercício do ministério vimos o grande desafio de ser um líder de caráter com características que garantam um ministério eficiente e eficaz. Concluímos, portando, que o líder cristão é uma pessoa que dá exemplo e possui uma visão influenciadora; transfere essa visão, influenciando, desafiando, motivando e capacitando seus liderados para exercerem novas lideranças203. Recomendações em relação à prática também é uma boa forma de concluir os textosaulas. Apenas quatro textos apresentaram o uso dessa estratégia. A seguir veja um bom exemplo desta prática: 203 WEB-AULA, Práticas Ministeriais. A prática ministerial requer liderança cristã. Aula 03, p. 31. 115 É tarefa do educador, pautar sua ação pedagógica na legislação estabelecida pelo sistema educacional, buscando atender aos anseios e necessidades de seus educandos, contribuindo assim para a formação de um cidadão capaz de construir a partir de uma reflexão consciente de suas crenças204. A projeção do futuro foi identificada apenas em um texto. É uma forma de concluir um texto-aula apontando para o futuro, projetando ações. Ainda há muitas barreiras a serem derrubadas e caminhos a serem alargados. Durante todo o período da história, idéias, paradigmas e conceitos foram discutidos, considerados, descartados e reavaliados, mas ainda há muito que rever para prosseguirmos na tarefa de construir uma pedagogia do Ensino Religioso menos conflituosa e mais integradora das várias crenças em nosso país e no mundo205. 5.2 Tratamento com base na forma A forma das web-aulas de cada disciplina tende a uma uniformidade com pequenas e quase nulas variações. As web-aulas (textos) começam com uma imagem atrativa e sugestiva conforme vemos na figura 5.3. e segue com um texto semelhante a um artigo acadêmico. Tabela 5.7: Registro de observações – Tratamento da forma das web-aulas Tratamento com base na forma – web-aulas SUBCATEGORIAS Enriquece o tema e a percepção D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 ELEMENTOS IDENTIFICADORES Há imagens/ilustrações atrativas e orientadoras 1206 1207 1 1 1 1 1208 Há imagens/ilustrações sugestivas 1209 1 1 1 1 1 1 A diagramação desperta percepção do observador Outros 1210 1211 0 0 0 1 0 0 0 1212 0 0 1 0 Há gráficos 204 a WEB-AULA, Ensino Religioso e Educação Básica, O ensino religioso: área de conhecimento (legislação), aula 1, p. 14. 205 WEB-AULA, Ensino Religioso e Educação Básica. Os fatos históricos do ensino religioso. Aula 2, p. 18. 206 As imagens/ilustrações se encontram apenas no início de cada aula. No restante não há qualquer tipo de imagem. 207 No início e fim do texto há uma imagem 208 Única disciplina onde figuras e fotos foram usadas em todas as aulas (textos). 209 As imagens usadas na abertura da aula são sugestivas. 210 A diagramação segue o padrão de um texto acadêmico 211 A diagramação segue o padrão de um texto acadêmico 116 Consegue variedade na unidade Há tabelas 0 1 0 0 0 1 0 Há fotos, figuras, desenhos 0 0 0 0 0 0 0 O uso de negrito, itálico e outros efeitos é feito em pequenas doses Há variação no tamanho das fontes 1213 1214 1 1 1 1 1 1215 1216 1 1 1 1 1 Tamanho das fontes é adequado 1 1 1 1 1 1 1 Imagens/ilustrações colaboram para tornar o assunto compreensível Há regularidade na diagramação (títulos, subtítulos, recuos de parágrafos, espaçamentos entre as linhas) Outros 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 Regularidade da diagramação 0 0 0 0 0 0 0 Variedade da forma 0 0 0 0 0 0 0 Há jogo com os brancos e as caixas de texto 0 0 0 0 0 0 0 Há elementos que rompem a rotina 0 1217 0 0 0 1 0 Há elementos que provocam surpresa 0 0 0 0 0 0 0 Há imagens abertas a mais de uma interpretação 0 0 0 0 0 0 0 Há mudança de estímulo visual 0 0 0 0 0 1 0 Outros Torna o texto compreensível Estabelece ritmo Provoca surpresas e rupturas Outros Legenda: 0 – indica ausência 1 – indica presença 212 Aparece apenas na aula 07 um gráfico. O uso de negrito se observa apenas nos subtítulos. 214 O uso de negrito se observa apenas nos subtítulos. 215 A variação das fontes se vê apenas nas citações, segue-se o padrão de um texto acadêmico. 216 A variação das fontes se vê apenas nas citações, segue-se o padrão de um texto acadêmico. 217 Alguns quadros são intercalados no texto. 213 117 Figura 5.3: Abertura da web-aula 01 – Aconselhamento Cristão Fonte: Aconselhamento Cristão, aula 1, p. 11. Na tabela a seguir apresentamos alguns dados observados que demonstram a incidência de alguns elementos identificadores de tratamento formal do conteúdo das webaulas: Tabela 5.8: Incidência de variadas formas de comunicação nas web-aulas D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Totais Total de textos/aulas observados Total de páginas 08 51 08 69 08 33 08 35 08 58 10 104 08 40 58 390 Figuras / ilustrações / fotos Tabelas / quadros Gráficos/esquemas Caixas de texto 08 0 0 0 16 11 0 03 08 0 01 0 08 0 0 07 08 0 0 0 10 02 05 04 16 0 0 0 74 13 06 14 Observa-se na tabela 5.8 a pouca incidência de formas variadas de comunicação visual no texto das web-aulas. Observa-se que a maioria dos textos possui apenas uma figura ou ilustração. A exceção é a disciplina D7 que apresenta duas figuras por texto. Se dividimos o número total de páginas dos textos das aulas pelo número de figuras identificadas teremos a média de uma figura para cada cinco páginas de texto. Outra relação que pode ser feita é entre o número total de páginas dividido pelo número de tabelas, quadros, gráficos, esquemas e caixas de texto. Se somamos os gráficos, as caixas de texto e tabelas e dividimos pelo número de páginas total das disciplinas teremos uma média de um destes recursos a cada onze 118 páginas. Esses dados revelam a falta de variedade na comunicação visual do conteúdo veiculado pelos textos das web-aulas. Os dados apresentados na tabela 5.8 e na tabela 5.7 confirmam a falta estímulo visual, de ritmo e de elementos que rompam com a monotonia do texto. A forma dos textos das web-aulas se aproxima mais do padrão de textos acadêmicos do que de um texto didático. Conclusão Na ferramenta web-aula estão os arquivos em formato PDF com os conteúdos das disciplinas em forma de texto. Analisamos as web-aulas a partir das categorias gerais de tratamento com base na forma e no tema. Partimos do pressuposto que o texto para fim pedagógico deve receber um tratamento diferenciado de um texto de divulgação acadêmica. Deve haver um tratamento do conteúdo e da forma que facilite e provoque a aprendizagem. A introdução é importante em qualquer texto. Nela captamos a atenção do leitor para o assunto que queremos tratar. Um texto pedagógico exige uma atenção maior nesta parte de elaboração. Queremos não apenas atrair a atenção do aluno e da aluna, mas facilitar a compreensão do que está por vir. A introdução apresenta o assunto, desperta o interesse e oferece as pistas para se entender o restante do texto. Portanto, deve ser cuidadosamente elaborada e planejada. Observamos no desenvolvimento dos textos das web-aulas pouco uso de figuras, gráficos, tabelas e uma diagramação mais próxima de um texto acadêmico/científico do que de um texto pedagógico. O insuficiente tratamento do tema através de estratégias de entrada, desenvolvimento e encerramento sinaliza que educadores estão escrevendo para EAD com a mesma lógica da modalidade presencial, ou seja, escrevem um texto que será posteriormente explicado. Não se nota a preocupação em facilitar a auto-aprendizagem do aluno e da aluna. Essa tendência é confirmada pelos dados colhidos e lançados em uma tabela (cf. tabela 5.4). Quatro das sete disciplinas analisadas não apresentaram nenhum recurso pedagógico (estratégias) no desenvolvimento do texto. Em cinqüenta e oito (58) textos foram identificados apenas dezessete (17) materiais de apoio. Chamou a atenção a ausência de hiperlinks nos textos. Para Peters, “O trabalho em hipertexto representa uma forma de aprendizagem que se localiza entre a aprendizagem 119 heterônoma e a autônoma e se estende para ambas as formas”218. A Internet trouxe essa grande vantagem para a educação. É consenso que as pessoas aprendem em ritmo diferente e possuem também interesses distintos, mas a educação presencial sempre teve dificuldade em se ajustar a este fato. A possibilidade do hipertexto e hipermídia abre espaço para uma aprendizagem autônoma, de acordo com o ritmo e interesse do/da estudante. Observamos que nos textos das web-aulas houve pouca elaboração da conclusão do texto didático e em 67% dos textos analisados não foi possível identificar uma estratégia de encerramento. Como texto pedagógico que se preocupa em facilitar e orientar a aprendizagem do aluno e da aluna a conclusão deve considerar estratégias pedagógicas para este fim. Algumas das estratégias apresentadas são comuns, mas nem por isso deixam de ser importantes quando se trata de reforçar o aprendizado, tais como: quadro sinótico, generalização, recomendações em relação à prática. 218 PETERS, 2004, p. 170. 120 6. ATIVIDADES DE ENSINO E APRENDIZAGEM: ANÁLISE As atividades, fóruns e materiais de aula são funcionalidades disponíveis na plataforma UNIGRAN NET. No sistema de EAD da UNIGRAN o/a aluno(a) só tem acesso às atividades de aprendizagem219 no ambiente UNIGRAN NET. Ao acessar o ambiente e a ferramenta “Atividades” o/a estudante tem acesso ao(s) arquivo(s) com as atividades programadas para a disciplina. Estas atividades devem ser realizadas dentro dos prazos especificados e enviadas através da ferramenta portfólio. Nesta pesquisa, para análise do tratamento com base na aprendizagem, incluímos às atividades de aprendizagem as provas presenciais realizadas nos polos de apoio presencial. Gutierrez e Prieto vêem o tratamento com base na aprendizagem como uma fase da mediação pedagógica na EAD onde o educador e educadora elaboram exercícios ou atividades que provocam a auto-aprendizagem e interaprendizagem220. Mapa 6.1: Tratamento com base na aprendizagem 219 Atividades que são avaliadas e que junto com as provas presenciais somam notas para aprovação ou reprovação na disciplina. 220 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 63. 121 Nosso objetivo nesta fase do trabalho é analisar as atividades propostas pelos/pelas docentes a partir das categorias propostas por Gutierrez e Prieto, que neste trabalho constituem o padrão pelo qual a análise é feita. No capítulo 2221 construímos um protocolo de observação para a fase da mediação denominada tratamento com base na aprendizagem e vamos utilizá-lo nesta etapa do trabalho. Conforme Zabala222, a atividade ou tarefa constitui a unidade elementar do processo de ensino-aprendizagem. No entanto, ele mesmo reconhece que para análise da prática educativa é preferencial abordar uma sequência de atividades. Seguiremos em parte este caminho. Buscaremos identificar com auxílio de mapas conceituais as estratégias de aprendizagem expressas em cada atividade e, após isso, faremos uma análise global por disciplina considerando a sequência de atividades ou unidade didática. Para que não se torne demasiadamente repetitiva a análise, procuraremos apresentar um breve comentário por disciplina com base nos dados registrados no protocolo de observação e deixaremos parte da reflexão para uma análise global. 6.1 Aconselhamento Cristão A disciplina Aconselhamento Cristão teve início em 28/07/09 e se estendeu até 22/08/09 (data das provas). Este calendário ofereceu 26 dias corridos entre o início das aulas e o encerramento com as provas. Neste período de tempo os/as estudantes tiveram que realizar 16 (dezesseis) atividades de aprendizagem (incluindo as provas e considerando cada prova como uma atividade). Para facilitar a visualização e análise reunimos as atividades de duas aulas em cada mapa. 221 222 Cf. p. 68 ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998, p. 17. 122 Mapa 6.2: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Aconselhamento Cristão Mapa 6.3: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Aconselhamento Cristão 123 Mapa 6.4: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Aconselhamento Cristão Mapa 6.5: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Aconselhamento Cristão 124 Mapa 6.6: Tratamento com base na aprendizagem – provas 1 e 2 de Aconselhamento Cristão Na tabela a seguir procuramos registrar os tipos de atividades dentro de dois grandes grupos: atividades de interaprendizagem e auto-aprendizagem. As atividades consideradas de interaprendizagem são as que promovem: produções grupais, textos compartilhados e redes de interação. As atividades de auto-aprendizagem foram divididas em três grupos: atividades de apropriação do texto, relação texto-contexto e aplicabilidade. No protocolo de observação o número indica a quantidade de atividades/exercícios constantes em cada aula. Com esse tipo de registro podemos identificar como se dá o tratamento com base na aprendizagem em cada disciplina. Tabela 6.1: Protocolo de observações Aconselhamento Cristão – tratamento com base na aprendizagem Tratamento com base na aprendizagem Aconselhamento Cristão INTERAPRENDIZAGEM Atividades Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 P1 P2 125 AUTO-APRENDIZAGEM Assimilação de conteúdos 1 Autopercepção 1 2 2 1 2 1 2 1 2 1 3 2 1 1 1 1 Ressignificação e criação Apropriação do texto Significação Solução de problemas Expressão 2 2 2 2 Prospectiva Relação intertextual/intermídia Relação texto-contexto 1 Observação do contexto Interação com o contexto Invenção Produção Aplicabilidade Reflexão 1 Simulação Experimentação Legenda: A – aula; P1 – prova 1; P2 – Prova 2 Os números indicam quantas vezes a atividade é solicitada em cada aula Veja uma síntese dos dados na tabela a seguir: Tabela 6.2: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Aconselhamento Cristão Atividades de inter-aprendizagem nº 00 00 00 Atividades de relação textocontexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Atividades de apropriação do texto Assimilação de conteúdos Auto-percepção Ressignificação e criação Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva nº 01 00 00 nº Atividades de aplicabilidade nº 14 06 00 00 00 13 00 Invenção Produção Reflexão Simulação Experimentação 00 00 01 00 00 1 126 Ao analisarmos o conjunto de atividades da disciplina Aconselhamento Cristão observamos a ausência de atividades que estimulam a interaprendizagem. Não identificamos atividades de produção grupal (trabalho de grupo). O fórum, que é uma funcionalidade da plataforma UNIGRAN NET e que poderia ser utilizado como espaço para compartilhamento de textos e opiniões, não foi usado na disciplina com propósito de troca e construção do conhecimento. A disciplina foi concluída em 22 de agosto de 2009 e o registro de acessos em 24 de setembro de 2009 indicava um total de 38 acessos em uma turma de 20 alunos, menos de dois acessos por aluno223. Quanto às atividades de auto-aprendizagem predominam aquelas voltadas à apropriação do texto. Dentre estas atividades predominam as de assimilação de conteúdos 224 e de expressão. Praticamente não há atividades de relação texto-contexto e aplicabilidade. 6.2 Comunicação e Oratória A disciplina Comunicação e oratória teve seu início em 13/08/2009 e concluiu em 29/08/2009 (data das provas). Esse período compreende um total de 17 (dezessete) dias e foram 24 (vinte quatro) atividades propostas. Vejamos os mapas das atividades de comunicação e oratória: 223 Dados colhidos em observação online e registrados no banco de dados da pesquisa. Protocolo de observação H150. 224 Os conteúdos trabalhados na disciplina são conceituais, caso utilizássemos na análise a tipologia de conteúdos que Zabala faz referência como conteúdos factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais (Cf. ZABALA, 1998, p. 41-48. 127 Mapa 6.7: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Comunicação e Oratória Mapa 6.8: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 2 e 3 de Comunicação e Oratória 128 Mapa 6.9: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 4 e 5 de Comunicação e Oratória Mapa 6.10: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Comunicação e Oratória 129 Mapa 6.11: Tratamento com base na aprendizagem – provas 1 e 2 de Comunicação e Oratória A disciplina Comunicação e oratória, também chamada Homilética, “é a arte de preparar e pregar sermões”225. No Plano de ensino da disciplina apresentam-se como objetivos226: 1. Desenvolver a habilidade para uma comunicação com correção; 2. Capacitar o educando com a habilidade de preparar um bom sermão; 3. Ensinar as técnicas de uso da voz, dos gestos e do corpo no processo comunicativo. Para compreender melhor, veja na tabela: Tabela 6.3: Atividades de Comunicação e Oratória Sugestão de links e leituras complementares Sugestão de postagem de dúvidas no fórum Fazer uma auto-avaliação Fazer um esboço de sermão Fazer um resumo Fazer um discurso Provas 1 e 2 Total de atividades 225 226 14 04 01 01 01 01 02 24 WEB AULA, Comunicação e oratória, aula 01, p. 11. PLANO DE ENSINO, Comunicação e oratória, disponível no anexo 7. 130 Das vinte quatro atividades, oito foram apenas sugestões de links a serem visitados pelos alunos e alunas e seis foram leituras solicitadas e em dez delas os/as estudantes tiveram que elaborar algum trabalho. Destaca-se nesta disciplina o uso que o docente faz dos conteúdos disponíveis na rede e utilização dos fóruns como parte planejada de sua mediação, inclusive no plano de ensino é atribuída nota pela participação nos fóruns227. Um ponto preocupante é o curto período para consolidação da aprendizagem (a disciplina tem duração de 17 dias). Outro aspecto que chama a atenção é o predomínio de aprendizagem conceitual, já que procedimentos se aprendem fazendo228. No campo da comunicação e oratória apenas quatro atividades (sendo duas nas provas) foram de fato voltadas a desenvolver a habilidade de preparar um sermão. Na tabela a seguir (Protocolo de observação) vemos o registro do tratamento com base na aprendizagem da disciplina Comunicação e Oratória: Tabela 6.4: Protocolo de observações de Comunicação e Oratória – tratamento com base na aprendizagem Tratamento com base na aprendizagem Comunicação e Oratória Interaprendizagem Atividades A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 P1 P2 Produções grupais Texto compartilhado 1 1 1 1 Redes de interação Auto- aprendizagem Assimilação de conteúdos 2 1 Auto-percepção 1 1 1 1 Ressignificação e criação Significação Apropriação do texto 1 1 1 1 1 Expressão 1 1 1 1 2 1 1 Relação intertextual/intermídia 2 Observação do contexto Interação com o contexto 227 228 1 2 1 Solução de problemas Prospectiva Relação texto-contexto 2 Cf. PLANO DE ENSINO, Comunicação e oratória, disponível no anexo 7. ZABALA, 1998, p. 45. 2 2 2 2 131 Invenção Aplicabilidade Produção 1 Reflexão 1 1 1 1 Simulação Experimentação Legenda: A – aula Os números indicam a quantidade de ocorrência desta atividade na aula. Vejamos estes dados numa tabela de síntese: Tabela 6.5: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Comunicação e Oratória Atividades de inter-aprendizagem nº 00 04 00 Atividades de relação textocontexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Atividades de apropriação do texto Assimilação de conteúdos Auto-percepção Ressignificação e criação Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva nº 14 00 00 nº Atividades de aplicabilidade nº 05 02 00 08 00 07 00 Invenção Produção Reflexão Simulação Experimentação 00 04 01 00 00 Observamos nesta disciplina alguns passos em direção à interaprendizagem através do recurso de textos compartilhados nos fóruns e nas sugestões de links para leituras complementares (04). Não identificamos atividades grupais, muito menos atividades que fomentassem a formação de redes de interação. Quanto às atividades de apropriação do texto identificamos atividades de assimilação de conteúdos (05), auto-percepção (02), significação (08), expressão (07). As atividades de relação texto-contexto identificadas foram de relação intertextual ou intermídia (14). Nas atividades de aplicabilidade, foram identificadas atividades de produção (04) e atividades de reflexão (01). 132 6.3 Ensino religioso e educação básica A disciplina Ensino Religioso e Educação Básica iniciou-se em 13 de agosto de 2009 e encerrou-se com as provas em 29 de agosto de 2009 (duração de 17 dias). Em seu Plano de Ensino estabeleceu os seguintes objetivos229: 1. 2. 3. 4. 5. Discutir e compreender os aspectos históricos do ensino religioso na educação básica; Interpretar e analisar criticamente a legislação vigente contribuindo assim para que a mesma tenha significado na pratica pedagógica; Refletir sobre sua fundamental contribuição na formação do educando nos aspectos: social, cognitivo, emocional e espiritual; Entender o valor de sua prática pedagógica; Discutir de forma critica e inovadora e conteúdo proposto para o ensino religioso bem como propor novas metodologias e atividades. Vejamos os mapas das atividades de aprendizagem: Mapa 6.12: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Ensino Religioso e Educação Básica 229 PLANO DE ENSINO, Ensino Religioso e Educação Básica, disponível no anexo 5. 133 Mapa 6.13: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Ensino Religioso e Educação Básica Mapa 6.14: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Ensino Religioso e Educação Básica 134 Mapa 6.15: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Ensino Religioso e Educação Básica 135 Mapa 6.16: Tratamento com base na aprendizagem – provas 1 e 2 de Ensino Religioso e Educação Básica 136 Vejamos os registros do tratamento com base na aprendizagem apresentados nos mapas, agora na tabela a seguir: Tabela 6.6: Protocolo de observações do tratamento com base na aprendizagem – Ensino Religioso e Educação Básica Tratamento com base na aprendizagem Ensino Religioso na Educação Básica Inter-Aprendizagem Atividades A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 P1 P2 Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Auto-aprendizagem Assimilação de conteúdos 1 1 1 1 1 1 1 Autopercepção 1 2 1 2 1 1 2 3 3 3 2 1 1 3 3 1 2 3 2 1 1 Ressignificação e criação Significação Apropriação do texto 1 Solução de problemas Expressão 1 1 2 1 2 1 Prospectiva Relação texto-contexto Relação intertextual/intermídia 1 Observação do contexto 1 Interação com o contexto 1 Invenção Aplicabilidade Produção Reflexão 1 1 1 1 Simulação Experimentação Legenda: A – aula Os números indicam a quantidade de ocorrência desta atividade na aula. Podemos visualizar melhor esse resultado observando-o em uma tabela comparativa. Vejamos: 137 Tabela 6.7: Resumo das observações das atividades de aprendizagem da disciplina Ensino Religioso e Educação Básica Atividades de interaprendizagem nº Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação 0 0 0 Atividades de apropriação do texto Assimilação de conteúdos Auto-percepção Ressignificação e criação Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva 13 15 0 9 1 15 0 Atividades de relação textocontexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Atividades de aplicabilidade Invenção Produção Reflexão Simulação Experimentação nº 1 1 1 0 3 3 0 0 De acordo com o que vemos nesta tabela há ausência de atividades de interaprendizagem, tais como: produções grupais, texto compartilhado e redes de interação. Predominam as atividades de apropriação do texto, sendo as mais freqüentes: atividades de expressão, auto-percepção, assimilação de conteúdos e significação. Estão presentes também atividades de relação texto-contexto e de aplicabilidade. É interessante notar, se olhamos com mais atenção o mapa 6.12, que na atividade de pesquisa solicitada pôde-se, em único trabalho, desenvolver atividades de relação textocontexto e aplicabilidade. Se no enunciado da questão o/a docente acrescentasse um item como, por exemplo, “análise a partir do conteúdo estudado”, já teríamos mais um aspecto pedagógico sendo atendido, no caso, a apropriação do texto. Se o trabalho fosse feito em grupo alcançaríamos também a interaprendizagem. Uma única atividade solicitada pelo/pela docente, se bem planejada, pode ter seu alcance pedagógico intensificado. 6.4 Fundamentos da Teologia Prática A disciplina Fundamentos da Teologia Prática teve seu início em 25 de outubro de 2009 e encerrou com suas provas no dia 14 de novembro de 2009 (duração de 21 dias). Como disciplina tem por objetivo “Apresentar e refletir sobre os principais aspectos da Teologia 138 Prática como saber teológico e sua aplicação ao ministério pastoral e demais ministérios eclesiásticos”230. Vejamos os mapas das atividades de aprendizagem: Mapa 6.17: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Fundamentos da Teologia Prática 230 PLANO DE ENSINO, Fundamentos da Teologia Prática, Disponível no anexo 10. 139 Mapa 6.18: Tratamento com base na aprendizagem – atividades da aula 4 de Fundamentos da Teologia Prática Mapa 6.19: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Fundamentos da Teologia Prática 140 Mapa 6.20: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Fundamentos da Teologia Prática Mapa 6.21: Tratamento com base na aprendizagem – Provas 1 e 2 de Fundamentos da Teologia Prática 141 Vejamos o registro dos dados na tabela a seguir: Tabela 6.8: Registro das observações da disciplina Fundamentos da Teologia Prática – Tratamento com base na aprendizagem. Tratamento com base na aprendizagem Fund. Teologia Prática Interaprendizagem Atividades A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 P1 P2 Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Auto-aprendizagem Assimilação de conteúdos 1 1 Autopercepção 1 1 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Ressignificação e criação Significação Apropriação do texto 3 1 Solução de problemas Expressão 2 1 3 1 1 Prospectiva Relação texto-contexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Invenção Aplicabilidade Produção Reflexão 1 1 Simulação Experimentação Legenda: A – aula Os números indicam a quantidade de ocorrência desta atividade na aula. Podemos, para facilitar nossa análise, resumir estes dados em outra tabela: 142 Tabela 6.9: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Fundamentos da Teologia Prática Atividades de interaprendizagem nº Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação 0 0 0 Atividades de apropriação do texto Assimilação de conteúdos Auto-percepção Ressignificação e criação Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva 11 5 0 7 0 8 0 Atividades de relação textocontexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Atividades de aplicabilidade Invenção Produção Reflexão Simulação Experimentação nº 0 0 0 0 0 2 0 0 A partir desta tabela-resumo, pode-se tecer algumas considerações. Não identificamos nenhuma atividade de interaprendizagem do tipo produções grupais, texto compartilhado e redes de interação. Atividades de relação texto-contexto estão ausentes e, como aplicabilidade, encontramos apenas duas atividades. Predominam as atividades de apropriação do texto do tipo assimilação de conteúdos, expressão, significação e autopercepção. 6.5 Práticas Ministeriais A disciplina Práticas Ministeriais teve seu início no dia 13 de setembro de 2009 e foi concluída com as provas presenciais em 03 de outubro de 2009 (duração de 21 dias). A disciplina propõe “Introduzir os alunos a um conhecimento panorâmico da prática ministerial por meio da reflexão sobre os aspectos relacionados a vocação e das exigências e oportunidades de práticas ministeriais que se nos apresentam”231. Vejamos os mapas das atividades de aprendizagem: 231 PLANO DE ENSINO, Práticas Ministeriais, disponível no anexo 11. 143 Mapa 6.22: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Práticas Ministeriais Mapa 6.23: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Práticas Ministeriais 144 Mapa 6.24: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Práticas Ministeriais Mapa 6.25: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Práticas Ministeriais 145 Mapa 6.26: Tratamento com base na aprendizagem – prova 1 de Práticas Ministeriais 146 Mapa 6.27: Tratamento com base na aprendizagem – prova 2 da disciplina Práticas Ministeriais 147 Na tabela a seguir registramos os dados apresentados nos mapas. Tabela 6.10: Protocolo de observação de Práticas Ministeriais – tratamento com base na aprendizagem Tratamento com base na aprendizagem Práticas Ministeriais Interaprendizagem Atividades A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 P1 P2 Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Auto-aprendizagem Assimilação de conteúdos Auto-percepção 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 9 1 10 2 Ressignificação e criação Significação Apropriação do texto Relação texto-contexto 1 1 1 Solução de problemas Expressão 1 1 Prospectiva 1 1 1 1 1 Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Invenção Aplicabilidade 2 1 Produção Reflexão 1 Simulação Experimentação Legenda: A – aula Os números indicam a quantidade de ocorrência desta atividade na aula. 1 1 1 1 2 148 Vejamos os dados na tabela de síntese: Tabela 6.11: Resumo das observações das atividades de aprendizagem da disciplina Práticas Ministeriais Atividades de interaprendizagem nº Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação 0 0 0 Atividades de apropriação do texto Assimilação de conteúdos Auto-percepção Ressignificação e criação Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva Na disciplina Práticas 25 11 00 06 00 10 03 nº Atividades de relação textocontexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto 0 0 0 Atividades de aplicabilidade Invenção Produção Reflexão Simulação Experimentação Ministeriais não identificamos 00 00 01 00 00 atividades de interaprendizagem, nem de relação texto-contexto. Só identificamos uma atividade de aplicabilidade do tipo atividade de reflexão. Praticamente 100% das atividades são de apropriação do texto, predominam as atividades de assimilação de conteúdos (25), autopercepção (11), expressão (10), significação (06) e prospectiva (03). 6.6 Teologia e liderança A disciplina “Teologia e Liderança” inicia em 29 de outubro de 2009 e se estende até 29 de novembro de 2009 (duração de 32 dias). Conforme seu Plano de ensino, a disciplina tem por objetivo “Introduzir os alunos a um conhecimento introdutório sobre os aspectos da Administração e oferecer instrumentos capazes de auxiliar a compreensão do estilo de liderança e contribuir efetivamente para o exercício de uma liderança moderna”232. 232 PLANO DE ENSINO, Teologia e Liderança, disponível no anexo 12. 149 Vejamos as atividades propostas e sua análise nos mapas: Mapa 6.28: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 da disciplina Teologia e Liderança Mapa 6.29: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Teologia e Liderança 150 Mapa 6.30: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Teologia e Liderança Mapa 6.31: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Teologia e Liderança 151 Mapa 6.32: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 9 e 10 de Teologia e Liderança Mapa 6.33: Tratamento com base na aprendizagem – provas 1 e 2 de Teologia e Liderança 152 Tabela 6.12: Registro de observações de Teologia e Liderança – tratamento com base na aprendizagem Tratamento com base na aprendizagem P1 P2 Teologia e Liderança Interaprendizagem Atividades A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Auto aprendizagem Assimilação de conteúdos 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Autopercepção 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 4 1 Ressignificação e criação Apropriação do texto Significação 1 1 1 1 1 1 1 Solução de problemas Expressão 1 1 1 Prospectiva Relação textocontexto 1 1 1 1 1 1 1 1 Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Invenção Produção Aplicabilidade 1 Reflexão 1 Simulação 1 1 Experimentação Legenda: A – aula Os números indicam a quantidade de ocorrência desta atividade na aula. Vejamos na próxima tabela a síntese dos dados: Tabela 6.13: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Teologia e Liderança Atividades de interaprendizagem nº 00 00 00 Atividades de relação textocontexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Atividades de apropriação do texto Assimilação de conteúdos Auto-percepção Ressignificação e criação nº 00 00 00 nº Atividades de aplicabilidade nº 17 11 00 Invenção Produção Reflexão 00 01 02 1 153 Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva 07 00 11 01 Simulação Experimentação 01 00 Observamos na disciplina “Teologia e Liderança” ausência de atividades de interaprendizagem e de relação texto-contexto. Identificamos quatro atividades de aplicabilidade do tipo simulação, reflexão e produção. Predominaram as atividades de apropriação do texto dos tipos: assimilação de conteúdos (17), auto-percepção (11), expressão (11), significação (07) e prospectiva (01). 6.7 Teologia Espiritual A disciplina “Teologia Espiritual” teve seu início em 15 de novembro e encerramento no dia 05 de dezembro de 2009 (duração de 21 dias). Em seu Plano de ensino apresenta como objetivo geral “Desenvolver momentos de estudo, reflexão, discussão, elaboração individual, de maneira ampla, visando ao aprendizado teórico e prático da tradição espiritual da comunidade cristã”233. Vejamos nos mapas a seguir a análise de suas atividades de aprendizagem: 233 PLANO DE ENSINO, Teologia Espiritual, disponível no anexo 13. 154 Mapa 6.34: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 1 e 2 de Teologia Espiritual Mapa 6.35: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 3 e 4 de Teologia Espiritual 155 Mapa 6.36: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 5 e 6 de Teologia Espiritual Mapa 6.37: Tratamento com base na aprendizagem – atividades das aulas 7 e 8 de Teologia Espiritual 156 Mapa 6.38: Tratamento com base na aprendizagem – prova 1 de Teologia Espiritual 157 Mapa 6.39: Tratamento com base na aprendizagem – prova 2 de Teologia Espiritual 158 Tabela 6.14: Registro das observações de Teologia Espiritual – tratamento com base na aprendizagem Tratamento com base na aprendizagem Teologia Espiritual Interaprendizagem A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 P1 P2 Atividades Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Auto aprendizagem Assimilação de conteúdos 1 1 1 1 1 1 1 1 5 7 Auto-percepção 1 1 1 1 1 1 1 1 4 6 1 1 1 1 1 1 1 1 3 8 1 1 1 1 1 1 1 1 8 8 Ressignificação e criação Apropriação do texto Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva Relação texto-contexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Invenção Produção Aplicabilidade Reflexão 1 1 Simulação Experimentação Legenda: A – aula Os números indicam a quantidade de ocorrência desta atividade na aula. Vejamos os dados numa tabela de síntese: Tabela 6.15: Resumo das observações das atividades de aprendizagem de Teologia e Liderança Atividades de interaprendizagem nº 00 00 00 Atividades de relação textocontexto Relação intertextual/intermídia Observação do contexto Interação com o contexto Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação Atividades de apropriação do texto Assimilação de conteúdos Auto-percepção nº 00 00 00 nº Atividades de aplicabilidade nº 20 18 Invenção Produção 00 00 159 Ressignificação e criação Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva 00 19 00 24 00 Reflexão Simulação Experimentação 02 00 00 Conforme observamos na tabela de síntese a disciplina “Teologia Espiritual” não apresenta nenhuma atividade de interaprendizagem e relação texto-contexto. Reconhecemos apenas duas atividades de aplicabilidade do tipo “atividade de reflexão”. Nesta disciplina predominam, também, atividades de apropriação do texto dos tipos: expressão (24), assimilação de conteúdos (20), significação (19), auto-percepção (18). 6.8 Análise global do tratamento com base na aprendizagem Com o objetivo de não sermos excessivamente repetitivos optamos por tecer um comentário geral sobre a análise do tratamento com base na aprendizagem. Na tabela a seguir temos a documentação dos dados registrados nos mapas com as atividades de aprendizagem das sete disciplinas da área prática do curso de teologia da UNIGRAN. Tabela 6.16: Tratamento com base na aprendizagem – resumo dos dados colhidos Tratamento com base na aprendizagem Categorias Interaprendizagem subcategorias D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Produções grupais Texto compartilhado 04 Redes de interação Auto-aprendizagem Apropriação do texto Assimilação de conteúdos 14 05 13 11 25 17 20 Auto-percepção 06 02 15 05 11 11 18 08 09 07 06 07 19 08 10 11 24 03 01 Ressignificação e criação Significação Solução de problemas Expressão Relação textocontexto Prospectiva Relação intertextual/intermídia Observação do contexto 01 13 01 07 14 15 01 01 160 Interação com o contexto 01 Invenção Produção Aplicabilidade Reflexão 01 04 03 01 03 01 02 01 Simulação 02 02 01 Experimentação Legenda: D1 – Aconselhamento Cristão; D2 – Comunicação e Oratória; D3 – Ensino Religioso e Educação Básica; D4 – Fundamentos da Teologia Prática; D5 – Práticas Ministeriais; D6 – Teologia e Liderança; D7 – Teologia Espiritual. A tabela a seguir resume os dados da tabela anterior reunindo-os pelas categorias gerais de atividades de interaprendizagem, apropriação do texto, relação texto-contexto e aplicabilidade. Tabela 6.17: resumo dos dados da tabela 6.16 Atividades de aprendizagem D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Atividades de interaprendizagem 0 4 0 0 0 0 0 Atividades de apropriação do texto 18 8 16 12 17 17 16 Atividades de relação texto-contexto 1 15 2 0 0 0 0 Atividades de aplicabilidade 1 5 6 1 1 3 2 Veja no gráfico a seguir a comparação, com base nos dados da tabela anterior, entre os tipos de atividades de aprendizagem. Gráfico 6.1: Atividades de aprendizagem Atividades de interaprendizagem 04 Atividades de apropriação do texto 104 Atividades de relação texto-contexto 18 Atividades de aplicabilidade 19 161 Percebe-se nitidamente a predominância de atividades de apropriação do texto em relação aos demais tipos de atividades. Se fizermos uma análise mais fina nas atividades de apropriação (tabela 6.18), veremos que predominam as atividades de assimilação de conteúdos, vindo logo em seguida as atividades de expressão, auto-percepção, significação e prospectivas. A presença de atividades prospectivas é quase nula, o que comprova a tese de Gutierrez e Prieto de que “boa parte da educação está voltada para o passado, trabalha com matéria morta”234. Tabela 6.18: Atividades de apropriação do texto Assimilação de conteúdos Auto-percepção Ressignificação e criação 105 68 0 Significação 48 Solução de problemas 01 Expressão 88 Prospectiva 04 234 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 90. 162 Gráfico 6.2: Atividades de apropriação do texto Atividades de ressignificação são importantes, como afirmam Gutierrez e Prieto235, porque quebram com o autoritarismo do texto e abrem espaço para imaginação. Elas também desenvolvem a autonomia do/da educando(a), lhes atribui responsabilidade e autoridade, elementos importantes para a auto-expressão. Chama nossa atenção a ausência de atividades de solução de problemas. Inclusive porque as disciplinas analisadas são classificadas na matriz curricular como “Práticas”, o que as torna mais apropriadas para atividades de aprendizagem baseadas em problemas (PBL – Problem-Based Learning). Para Garrison e Anderson, atividades de aprendizagem baseadas em problemas “animam aos estudantes a se envolverem ativamente em sua aprendizagem” [Tradução própria]236. A falta de atividades de solução de problemas mostra também um descompasso com o Projeto Pedagógico do curso que propõe na sua metodologia desenvolver o curso “pautado na resolução de estudos de casos, construídos a partir de dados reais”237. Veja no gráfico a seguir a pouca ênfase na interaprendizagem: 235 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 87-88. “Animam a los estudiantes a implicarse activamente en su aprendizage”. (GARRISON; ANDERSON, 2005, p. 139). 237 PROJETO PEDAGÓGICO. Curso de teologia, Dourados, MS: UNIGRAN, S/d, p. 8, linhas 188-190. 236 163 Gráfico 6.3: Atividades de interaprendizagem e de auto-aprendizagem Atividades de interaprendizagem 04 Atividades de auto-aprendizagem 141 Os fóruns são espaços para discussão dos conteúdos das aulas e para interação entre todos/as os/as participantes do processo de ensino e aprendizagem da disciplina. Na perspectiva da interaprendizagem os fóruns são espaços privilegiados. Neles, docentes e discentes podem trocar opiniões e informações, interagir uns com outros de forma assíncrona. O fórum é uma funcionalidade própria para desenvolver o diálogo, elemento tão importante para educação e para a ciência. Trocando idéias diferentes, colocando opinião contra opinião, assumindo posições, pondo sempre de novo em dúvida conclusões e exercendo crítica, os estudantes adquirem nova relação com o conteúdo discutido, ao contrário do que ocorre quando tomam conhecimento dele apenas por leitura e reflexão e somente assimilam verdades238. No caso específico desta análise buscamos identificar a relação do fórum com as demais atividades de aprendizagem conforme especificado no planejamento das atividades da disciplina. 238 PETERS, 2006, p. 78. 164 Duas disciplinas não fizeram uso da funcionalidade “Fórum”. Se considerarmos especialmente o aspecto da interaprendizagem, o fórum é uma funcionalidade fundamental para esse processo. Cabe examinar se os planos de ensino e a relação das atividades (funcionalidade atividades) consideram a participação nos fóruns como estratégia de mediação. Veja na tabela as disciplinas que consideraram a funcionalidade fórum em seu planejamento (plano de ensino e relação de atividades de aprendizagem): Tabela 6.19: Disciplinas que incluem no Plano de ensino o fórum como atividades de aprendizagem Referências no Plano de ensino e/ou na relação de atividades acerca da participação nos fóruns Aconselhamento pastoral Comunicação e oratória Ensino Religioso e Educação Básica Fundamentos da Teologia Prática Práticas Ministeriais Teologia e Liderança Teologia espiritual Atividades 0 1 0 0 0 0 0 Plano de ensino 0 1 1 0 0 0 0 Pela tabela 6.19 vemos que apenas duas disciplinas fizeram referência ao uso do fórum em seu planejamento. A disciplina Comunicação e oratória não apenas mencionou no seu plano de ensino, mas atribuiu valor na avaliação. Veja o exemplo: Fórum: Em sua opinião, existe um tipo de Sermão melhor do que o outro? Coloque sua resposta no Fórum239. [...] 10 pontos para a avaliação final escrita e 10 pontos para a participação online distribuídos da seguinte maneira: 5,0 pontos pelas postagens no Fórum 2,5 pontos pelo envio das Atividades 2,5 pontos pelas postagens no Portfólio240. Inserir a participação no fórum no planejamento da disciplina pode ser fator decisivo para motivação dos/das educandos(as). Harasim considera a inclusão no currículo um fator importante para participação regular dos/das educandos(as) nos fóruns. 239 240 RELAÇÃO DAS ATIVIDADES, Comunicação e oratória. Disponível no banco de dados da pesquisa. PLANO DE ENSINO, Comunicação e oratória., disponível no anexo 7. 165 Quando os moderadores se envolviam ativamente - respondendo com regularidade, publicando material novo, estimulando as atividades e as discussões -, os alunos respondiam com entusiasmo e participação regular. Outro fator importante é a relação com o currículo: os estudantes eram mais ativos nas conferências que tratavam assuntos pelos quais nutriam um forte interesse pessoal ou que estavam relacionados ao currículo241. De acordo com observações no ambiente, das cinco disciplinas que não fizeram menção do uso de fóruns no plano de ensino e na relação de atividades, apenas uma utilizou a ferramenta. Como espaço de trabalho colaborativo, o fórum facilita atividades que buscam incentivar a interaprendizagem, o diálogo entre os/as participantes do processo de ensino e aprendizagem (docentes e discentes). Conclusão No capítulo seis deste trabalho buscamos mapear, apresentar e analisar as atividades de aprendizagem das sete disciplinas selecionadas para esta pesquisa. As atividades foram analisadas a partir da categoria denominada por Gutierrez e Prieto de “tratamento com base na aprendizagem”242. Ao submeter as atividades ao crivo de um padrão que buscava atividades de interaprendizagem e auto-aprendizagem observamos a falta de atividades de interaprendizagem e o predomínio de atividades de auto-aprendizagem do tipo de apropriação de texto. Os mapas conceituais serviram como vitrine das atividades de aprendizagens e possibilitaram observar as relações e implicações de uma atividade e seu respectivo resultado pedagógico. Ao transferirmos os dados dos mapas para as tabelas foi possível compreender de forma mais global a unidade didática, ou seja, o conjunto de atividades de aprendizagem de uma disciplina. 241 HARASIM, Linda (et al.). Redes de aprendizagem: um guia para ensino e aprendizagem on-line. São Paulo: SENAC São Paulo, 2005, p. 68. 242 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 62. 166 8. CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES DO ESTUDO O objetivo deste capítulo final é refletir de forma mais sistematizada sobre alguns achados do caso que analisamos (muitas das nossas conclusões estão no corpo da análise). Um dos objetivos desta pesquisa foi propor estratégias pedagógicas e ações que tornassem mais eficaz o processo de mediação pedagógica na educação a distância. Partimos do pressuposto que a mediação pedagógica é fator decisivo em qualquer processo educativo. Na EAD a mediação ganha ainda mais importância devido à separação temporal e espacial entre os envolvidos no processo de ensinoaprendizagem. Se o planejamento pedagógico já era importante na modalidade presencial, na EAD é ainda mais. Como nos fala Behar, é necessário uma “arquitetura pedagógica”243. Este capítulo toma subsídios da análise do caso com uma intenção prospectiva e propositiva. Queremos aprender com a experiência e avançar na busca de novas formas de ensinar e aprender. Não é o caso de fazermos generalizações, como bem colocam Waquil e Behar, Já não são possíveis generalizações de um resultado de pesquisa, como defendia a ciência clássica. Isso ocorre porque não podemos mais afirmar que existe uma única realidade independente daquilo que observamos. Existem múltiplas realidades em função de múltiplas interações e interpretações que acontecem entre indivíduo e meio, sujeito e objeto. Cada observador revela a realidade de acordo com a sua interpretação244. Conscientes destas múltiplas realidades o que podemos fazer com os achados é torná-los ponto de partida para uma reflexão e esta, esperamos, em diálogo com o interlocutor (leitor), possa se materializar em ações, conscientização e, conseqüentemente, melhor educação para todas e todos. Para sermos coerentes vamos seguir o mesmo esquema adotado com o caso estudado, focaremos nas funcionalidades vídeo, web-aulas e atividades. Como já afirmamos anteriormente, o processo de mediação pedagógica na EAD é muito mais abrangente e ocorre 243 244 BEHAR, 2009, p. 24-25. WAQUIL; BEHAR. In: BEHAR, 2009, p. 158. 167 por outros caminhos além destes. No entanto, a análise da mediação através destas três funcionalidades já oferece insights sobre fatores que afetam a mediação em outras instâncias. Comecemos pela funcionalidade vídeo. 7.1 O vídeo na EAD Neste trabalho optamos por considerar todos os vídeos educativos como vídeo-aula. Qualquer vídeo pode servir para fins de aula, dependendo de como é feita a mediação ou arquitetura pedagógica. Quando nos referirmos a vídeo estamos pensando em vídeo-aula, ou seja, vídeo utilizado na aula. Na verdade, o termo “vídeo-aula” não é muito adequado, já que traz consigo uma herança da modalidade presencial, a idéia do professor e da professora transmissores de conhecimento. Em quase todos os vídeos observados nesta pesquisa prevaleceu a postura de transmissão de conteúdos, conteúdos estes que já estavam ao alcance do/da estudante em forma escrita. O vídeo é para a EAD uma questão de oportunidade e de risco. Quando bem usado o vídeo potencializa o processo de ensino-aprendizagem, mas se mal usado pode repetir os mesmos erros da educação presencial. As diversas tecnologias que hoje permitem a gravação e a publicação de um vídeo de forma simples, rápida e de razoável qualidade, podem, por falta de reflexão pedagógica, desfigurar o processo de ensino-aprendizagem na modalidade a distância. O risco de imitar o presencial se torna patente quando do uso da funcionalidade vídeo. Sobre o risco de imitar formas de ensinar do presencial, nos fala Peters: Ainda há uma forte tendência de transplantar formas convencionais de ensino para o espaço virtual de aprendizagem. Isso significa que os tradicionais ensino expositivo e aprendizagem receptiva são mesmo intensificados. Este, no entanto, é o modo errado. O extraordinário poder didático do ambiente informatizado de aprendizagem e aprendizagem distribuída não pode ser explorado, e não se aproveita das novas oportunidades de ser capaz de operar fora do âmbito dos limites de tempo e de 245 local . 245 PETERS, 2004, p. 279. 168 Se considerarmos evitar a apresentação de uma aula expositiva tradicional em formato de vídeo, então como usaremos o vídeo na mediação pedagógica? A literatura consultada (ver mapa 7.1) apresentou excelentes opções, vejamos: 7.1.1 A integração do vídeo às demais atividades da aula e seu tratamento pedagógico Mapa 7.1: Propostas para uso do vídeo na ETAD É importante que o vídeo seja integrado ao planejamento da aula. Deve-se buscar o maior proveito dessa funcionalidade. Para que isso aconteça é preciso integrar o vídeo às atividades de aula. Não basta o vídeo estar disponível no ambiente de aula, é preciso que os estudantes saibam o que precisam fazer com ele. Parece razoável que o vídeo seja acompanhado de alguma tarefa, quem sabe um comentário no fórum, um debate, um questionário. 169 Outrossim, o vídeo deve ser elaborado/utilizado de acordo com uma arquitetura pedagógica. Com isso queremos dizer que um cuidadoso planejamento pedagógico deve anteceder e acompanhar a produção ou utilização do vídeo. 7.1.2 Funções de vídeo: organizar a aprendizagem, ensinar procedimentos e apoiar Mapa 7.2: Propostas para uso do vídeo na ETAD (2) O vídeo pode servir como uma abertura de um curso onde o/a docente apresenta uma visão geral do conteúdo, situa o/a estudante no processo de ensino-aprendizagem, ou mesmo se apresenta para se fazer conhecidos por todos e todas envolvidos/as no processo de ensinoaprendizagem. Ensinar e explicar procedimentos é outra forma eficaz de utilizar o vídeo. No caso do estudo teológico onde, por exemplo, o/a docente quer explicar numa aula de oratória como se faz uma introdução de um discurso, pode usar a linguagem escrita para explicar e definir conceitos e a mediação do vídeo (imagem e som) para ilustrar e exemplificar na ação a introdução de um discurso. O mesmo acontece na apresentação de um sermão, o vídeo será melhor usado se o/a docente apresentar um sermão ao invés de uma explicação que poderia 170 ser feita em um manual de estudo. Um professor ou professora de aconselhamento, ao invés de utilizar o vídeo para explicar teorias psicológicas, o que se faz muito bem através da linguagem escrita, poderia demonstrar como o conselheiro se posiciona numa sessão de aconselhamento, ou, apresentar através de um vídeo uma situação real ou simulada que permita aprendizagem de procedimentos e discussões de conceitos. O vídeo como apoio permite comunicar através da imagem em movimento o que o/a docente intentou transmitir ou provocar através da linguagem verbal. Não podemos esquecer que a linguagem pictórica (de imagens) antecedeu a linguagem escrita. Ainda somos, e talvez sejamos mais que nunca, dependentes da linguagem pictórica. O vídeo permite explorar o máximo o potencial da linguagem pictórica. 7.1.3 Funções do vídeo: simular a experiência, apresentar opiniões de especialistas, motivar a aprendizagem e transmitir aspectos emocionais. Mapa 7.3: Propostas para uso do vídeo na ETAD (3) O vídeo traz grande vantagem na simulação de experiências. Pode apresentar a realidade mesma, como um documentário, mas pode também simular situações e experiências que posteriormente podem ser analisadas pelos alunos e alunas. 171 Também graças às novas TICs têm criado a possibilidade da flexibilização dos limites de tempo e espaço na educação. Hoje, através de teleconferência e/ou vídeos estudantes podem ter acesso aos mais renomados especialistas de diversas áreas. Um curso numa pequena vila do interior do Amazonas pode dispor da presença virtual de um/uma desses/dessas especialistas. Um vídeo pode atuar como um elemento motivador da aprendizagem. Isso acontece quando o vídeo é de boa qualidade e toca em alguma área de interesse do/da estudante. Uma reportagem, um documentário, um bom filme, podem desencadear um processo de ensinoaprendizagem. O vídeo é excelente para a transmissão de aspectos emocionais. Toda a educação lida com aspectos emocionais. A EAD carece de estímulos sócio-afetivos. O professor e professora não se encontram fisicamente com seus alunos e alunas. Falamos da importância da apresentação do/da docente como fator gerador de presença social. Portanto, um pequeno vídeo onde o/a docente se apresenta e saúda seus alunos e alunas, tem uma grande importância. Uma cena, uma imagem, um som podem falar muito mais alto que um longo discurso. A web-aula da disciplina “Práticas ministeriais” trata da “prática ministerial com crianças e adolescentes em situação de risco nas ruas”. Há vídeos disponíveis na web sob esse tema, reportagens de jornais televisivos. Esses vídeos podem ser linkados na plataforma ou o código de HTML ser copiado. Em casos onde há maior recurso para produção do vídeo, basta ir às ruas e fazer um breve documentário. A imagem da vida real trabalha mais com a emoção que o texto escrito, portanto esse recurso deveria ser usado para motivação da aprendizagem. . 7.1.4 A questão da qualidade do vídeo Finalmente precisamos discutir sobre a qualidade de produção dos vídeos. É importante considerar qualidade de produção incluindo a qualidade pedagógica quando o vídeo é para uso exclusivo em educação (vídeo educativo). Moore e Kearsley manifestam certa preocupação com a má qualidade de produção dos vídeos. A atual geração de software de edição de áudio e vídeo digitais para computadores pessoais tem provado ser ao mesmo tempo uma bênção e um obstáculo para a 172 educação a distância. Por um lado, tornou possível para quase todos a produção de materiais audiovisuais [...] A desvantagem dessa liberdade técnica é uma grande 246 produção de filmes extremamente amadores para exibição em casa . Ao nos referirmos à qualidade pedagógica de um vídeo devemos considerar não apenas a qualidade de imagem e som, mas sua arquitetura pedagógica. Um filme pode até ter baixa qualidade de imagem e som e ser muito efetivo pedagogicamente (isso não deve ser uma regra). Nossa pesquisa buscou analisar os vídeos considerando três fatores de mediação: tratamento com base na forma, tratamento com base no tema e tratamento com base na função. A forma requer beleza, bom gosto, equilíbrio, rupturas, ritmo, variedade. As estratégias de introdução (uma vinheta, uma pergunta, uma música, uma imagem, uma cena, uma notícia), desenvolvimento (diálogo, tratamento recorrente, apresentação de enfoques variados, por em experiência, tocar numa necessidade) e encerramento (quadro sinótico, generalização, recomendações em relação à prática) são fundamentais no tratamento do tema (assunto). Finalmente a escolha da função que o vídeo vai exercer (ensinar procedimentos, simular experiências, transmissão de aspectos emocionais, motivador da aprendizagem, organizador do ensino). 7.2 As web-aulas Mapa 7.4: Propostas para web-aulas 246 MOORE; KEARSLEY, 2007, p. 83. 173 A segunda funcionalidade alvo da pesquisa foi a web-aula. Esse recurso da plataforma UNIGRAN NET permite a publicação dos textos com os conteúdos das disciplinas. Nossa pesquisa analisou cinqüenta e oito textos (cada texto referente a uma aula). Os textos das aulas foram analisados a partir do tratamento com base na forma e tratamento com base no tema de acordo com as categorias gerais definidas (não fizemos análise com tratamento com base na aprendizagem porque no sistema analisado as atividades de aprendizagem estão separadas do texto da web-aula). Fomos buscar no texto aquilo que o torna verdadeiramente pedagógico, ou seja, sua clareza, atratividade, organização e, principalmente, ênfase na auto-aprendizagem. Nossa conclusão a respeito dos textos das web-aulas a partir da análise do caso e da literatura consultada foi a seguinte: 1. Os textos das web-aulas devem ser elaborados de forma que facilitem a autoaprendizagem. Mesmo com as novas TICs que possibilitam a realização de diversas atividades de forma síncrona, uma boa parte das atividades de aprendizagem será simplesmente feita de forma individual e autônoma. 2. Elaborar textos com propósito de facilitar a auto-aprendizagem exige uma arquitetura pedagógica que considere o interlocutor de modo a produzir diálogo, reflexão, esclarecimentos, previsão de dificuldades, revisões, destaques, etc. 3. Textos publicados em ambientes virtuais devem explorar as possibilidades de um hipertexto. Os ambientes virtuais de aprendizagem e outras TICs com base na Internet criam condições favoráveis para uma aprendizagem autônoma, auto-dirigida e auto-organizada. Chama a atenção a crítica de Peters à tendência de se utilizar os ambientes virtuais como simplesmente repositório de textos didáticos e recursos audiovisuais. Para ele isso é um erro247, isso seria uma forma de intensificar o modo de ensino expositivo e diretivo tradicional. Quanto mais hipertextual e/ou hipermídia for a aprendizagem maior respeito se terá com o ritmo individual, estilo de aprendizagem, motivação, autonomia e nível cognitivo de cada aluno e aluna. 247 PETERS, 2004, p. 113. 174 7.3 As atividades de aprendizagem Mapa 7.5: Propostas para atividades de aprendizagem Nosso estudo identificou a predominância de atividades de assimilação de conteúdos (tabela 6.18 e gráfico 6.2). Essa parece ser uma característica da educação brasileira, a transmissão de conteúdos. Esse tipo de educação, onde “não há estímulos para trabalhar em cima do próprio contexto, para buscar informação, para situar, analisar e resolver problemas, para criar e para construir conhecimentos”248, de fato não prepara para a vida, instrui, mas não educa. Outro aspecto a ser destacado é o processo de interaprendizagem. O gráfico 6.3 mostra a quase ausência destas atividades (3%). Consideramos atividades de interaprendizagem textos compartilhados, produções grupais (trabalho de grupo) e redes de interação. Das sete disciplinas analisadas nenhuma solicitou qualquer trabalho de grupo 248 GUTIERREZ; PRIETO, 1994, p. 27. 175 (produção grupal). É verdade que, devido à predominância de atividades assíncronas, não é fácil a produção grupal na EAD. Harasim (et al) sugere, do ponto de vista da logística, grupos pequenos ou até duplas de modo que facilite o processo decisório e participativo249. O importante é que haja atividade grupal, coletiva. Quanto aos fóruns (consideramos seu uso como categoria de texto compartilhado), foram pouco usados já que duas disciplinas simplesmente não fizeram uso da ferramenta, apenas uma disciplina o relaciona à sua lista de atividades e somente duas disciplinas incluem o fórum no seu plano de ensino (cf. Tabela 6.19). Os fóruns são úteis não só para interação entre os/as participantes do processo de ensino-aprendizagem, mas também para o compartilhamento de textos e idéias, troca de informação, construção conjunta do conhecimento e, inclusive, para o/a docente identificar o nível de conhecimento dos alunos e alunas em relação a um determinado tema. A interaprendizagem é um requisito mencionado nos Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância, que estabelece: em um curso a distância o estudante deve ser o centro do processo educacional e a interação deve ser apoiada em um adequado sistema de tutoria e de um ambiente computacional, especialmente implementados para atendimento às necessidades do estudante. Como estratégia, a interação deve proporcionar a cooperação entre os estudantes propiciando a formação de grupos de estudos e comunidades de aprendizagem250. O curso analisado apresenta no perfil de egressos as competências que se pretende desenvolver, dentre estas algumas que dependem basicamente para serem desenvolvidas de atividades do tipo de produção grupal, são elas251: 1. Capacidade para dialogar construtivamente, com outras perspectivas religiosas, filosóficas e teológicas. 2. Qualificação para formar lideranças eclesiásticas, assessorar grupos religiosos e grupos de promoção humana. 3. Capacidade para discutir políticas públicas da educação religiosa. 249 HARASIM (et al.), 2005, 171. REFERENCIAIS DE QUALIDADE PARA A EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA. Brasília, DF: MEC. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/legislacao/refead1.pdf> Acesso em: 10 mai. 2010. 251 CURSO DE TEOLOGIA. Perfil do egresso. Dourados, MS: UNIGRAN. Disponível em: < http://www.unigran.br/cead/unigranet/graduacao/cursos/teologia.html?tp=pp> Acesso em: 12 mai. 2010. 250 176 Não se desenvolvem competências do tipo “dialogar”, “assessorar”, “discutir” apenas assimilando conteúdos conceituais. Para Perrenoud “as competências mobilizam conhecimentos, mas não se reduzem a eles. Manifestam-se na capacidade de um sujeito de mobilizar diversos recursos cognitivos para agir com discernimento diante de situações complexas, imprevisíveis, mutáveis e sempre singulares”252. Em outras palavras, as competências se formam na ação. Portanto, o trabalho de grupo, textos compartilhados e redes de interação são fundamentais para a formação de um profissional com o perfil acima descrito. Para uma arquitetura pedagógica das atividades de um curso, paradigmas253 de educação ou tipologias podem ser de grande ajuda. Como exemplo de paradigmas ou tipologia, temos: a tipologia dos conteúdos de Zabala254 e “Os quatro pilares da educação da UNESCO”. Veja no mapa a seguir a tipologia dos conteúdos segundo Zabala: Mapa 7.6: Tipologia dos conteúdos 252 PERRENOUD, Philippe. Escola e cidadania: o papel da escola na formação para a democracia. Porto Alegre: Artmed, 2005, p. 69. 253 Usamos paradigma neste texto com o sentido literal da palavra que é “modelo”. 254 ZABALA, 1998, p. 79 – 86. 177 A tipologia dos conteúdos é uma ferramenta muito útil no planejamento pedagógico, pois oferece as bases para o planejamento das atividades considerando a diversidade de tipos de conteúdos e de formas de ensinar e aprender. Como referencial para mediação, tem o seu lugar, no entanto apenas pela tipologia dos conteúdos não podemos assegurar a atenção à atividades de auto e interaprendizagem. Outro paradigma de educação para uma arquitetura pedagógica são “Os quatro pilares da educação da UNESCO”255. Veja no mapa a seguir: Mapa 7.7: Os quatro pilares da educação Os quatro pilares da educação da UNESCO oferecem um excelente paradigma de educação para qualquer área do conhecimento. É o ideal de uma educação humanizadora, contextualizada, relevante e preocupada por uma educação integral. Como ferramenta para planejamento da mediação serve como um tipo de tipologia dos objetivos educacionais que para serem alcançados demandam necessariamente atividades de auto e interaprendizagem. A partir das categorias de análise do tratamento com base na aprendizagem podemos sugerir uma tipologia das atividades de aprendizagem. Veja no mapa a seguir: 255 DELORS, Jacques (Coord). Os quatro pilares da educação. In: Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Disponível em: < http://4pilares.net/text-cont/delorspilares.htm> Acesso em: 12 mai. 2010. 178 Mapa 7.8: Tipologia das atividades de aprendizagem inspirada na obra de Gutierrez e Prieto Mapas, plantas, esquemas são úteis no planejamento de um edifício, na montagem de uma máquina e na elaboração de processos, e podem ser úteis na educação. A educação é um processo complexo e exige um planejamento que considere as diversas variáveis envolvidas. O que é feito na educação, seja ela presencial ou a distância, não deve ser feito na intuição ou pela força do hábito do/da docente. Por que solicitar um resumo e não uma resenha? Por que um trabalho individual e não de grupo? Por que um questionário de múltipla escolha e não de perguntas que exigem respostas dissertativas? Estas são questões que o docente e a docente precisam questionar na hora de seu planejamento. Paradigmas, modelos, tipologias podem sim ajudar os/as docentes na elaboração das sequências didáticas de seus cursos. A tipologia de atividades de aprendizagem serve como ferramenta para uma arquitetura pedagógica de cursos na modalidade a distância. Desse modo, ao serem planejadas as atividades, de acordo com a especificidade de cada curso, o professor e professora podem, como referencial para seu trabalho, considerar a tipologia dos conteúdos, tipologia dos objetivos educacionais (Quatro Pilares da Educação) e a tipologia das atividades de aprendizagem. O equilíbrio entre atividades de auto-aprendizagem e interaprendizagem dependerá dos objetivos de cada curso. 179 7.4 Considerações finais Começamos este trabalho nos perguntando como a mediação pedagógica no curso de bacharelado em teologia da UNIGRAN, na modalidade a distância contribuía para a autoaprendizagem e interaprendizagem. Para responder essa pergunta inicial buscamos delimitar o campo de análise, para isso foram escolhidas sete disciplinas e três ferramentas básicas. Com base nos textos das web-aulas, dos vídeos-aula e das atividades de aprendizagem efetuamos a análise usando como categorias gerais as três fases da mediação segundo Gutierrez e Prieto: tratamento com base no tema, tratamento com base na forma e tratamento com base na aprendizagem. Ao analisar os vídeos-aula sentimos falta de uma categoria que pudesse tratar com a função do vídeo e optamos por acrescentá-la, denominando-a de tratamento com base na função. Concluímos que a educação a distância, com uma boa e eficiente mediação pedagógica, poderá tornar acessível a todos e todas uma educação teológica ou geral de qualidade. Para isso, não basta um bom suporte tecnológico. A mediação tecnológica carece de uma mediação pedagógica. A EAD é, por sua própria natureza, um campo de conhecimento interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar; no entanto, a EAD é antes de tudo educação. Cabe aos educadores e educadoras dar a esse campo sua contribuição. Terminamos este trabalho com a mesma esperança de quando iniciamos - a de vivermos um novo tempo, com novas e excelentes oportunidades de ensinar e aprender. 180 REFERÊNCIAS ARROYO, Agnaldo; GIORDAN, Marcelo. O vídeo educativo: aspectos da organização do ensino. Disponível em: http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc24/eqm1.pdf Acesso em: 23 nov. 2009. BALTHASAR, Hans Urs Von. Word and redemption: ensays in theology 2. New York, Herder end Herder, 1965. BATES, A. W. (Tony). Cómo gestionar El cambio tecnológico: estratégias para los responsables de centros universitários. Barcelona: Gedisa, 2001. BEHAR, Patrícia Alejandra (Org.). Modelos pedagógicos em educação a distância. Porto Alegre: Artmed, 2009. BOBSIN, Oneide. Carta aberta referente ao Parecer CNE/CES 118/2009 [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <[email protected]> São Leopoldo, 19 jun. 2009. BORTOLLETO, Fernando (Org.). Dicionário Brasileiro de Teologia. São Paulo: ASTE, 2008. BRAGA, Adriana. 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Nome do (a) Orientador (a): Prof. Dr. MANFREDO CARLOS WACHS 1) Natureza da pesquisa: o sra (sr.) está sendo convidada (o) a participar desta pesquisa que tem como finalidade realizar uma análise crítica e prospectiva da educação teológica na modalidade a distância no Brasil. 2) Participantes da pesquisa: a) Coordenador do curso de Teologia b) Professores do curso de teologia 3) Envolvimento na pesquisa: ao participar deste estudo a sra (sr) permitirá que o pesquisador Prof. Ms. Eliseu Roque do Espírito Santo obtenha informações que permitam descrever como se faz educação teológica na sua instituição. A sra (sr.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem qualquer prejuízo para a sra /sr. Sempre que quiser poderá pedir mais informações sobre a pesquisa através do telefone do (a) pesquisador (a) do projeto e, se necessário através do telefone do Comitê de Ética em Pesquisa. 4) Sobre as entrevistas: As entrevistas serão gravadas e você receberá a cópia transcrita da gravação. Seu nome será omitido no relatório da pesquisa e substituído por um código que só você além do pesquisador e orientador terão acesso. 5) Sobre fotos: Caso seja necessário fotos no decorrer da pesquisa estas respeitarão o direito de privacidade de cada pessoa e só serão feitas fotos e divulgadas após as mesmas serem vistas e autorizadas por responsável da instituição. 6) Sobre acesso a documentos: O pesquisador terá necessidade de acesso a documentos e registros que ajudem a elucidar as questões da pesquisa. A sra (sr) terá toda a liberdade de recusar o acesso quando achar necessário. 7) Riscos e desconforto: a participação nesta pesquisa não traz complicações legais. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução no. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à sua dignidade. 8) Confidencialidade: todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente o (a) pesquisador (a) e o (a) orientador (a) terão conhecimento dos dados. 189 190 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título da Pesquisa: A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso. Nome do (a) Pesquisador (a): Ms. ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO Nome do (a) Orientador (a): Prof. Dr. MANFREDO CARLOS WACHS 1) Natureza da pesquisa: o sra (sr.) está sendo convidada (o) a participar desta pesquisa que tem como finalidade realizar uma análise crítica e prospectiva da educação teológica na modalidade a distância no Brasil. 2) Participantes da pesquisa: a) Coordenador do curso de Teologia b) Professores do curso de teologia 3) Envolvimento na pesquisa: ao participar deste estudo a sra (sr) permitirá que o pesquisador Prof. Ms. Eliseu Roque do Espírito Santo obtenha informações que permitam descrever como se faz educação teológica na sua instituição. A sra (sr.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem qualquer prejuízo para a sra /sr. Sempre que quiser poderá pedir mais informações sobre a pesquisa através do telefone do (a) pesquisador (a) do projeto e, se necessário através do telefone do Comitê de Ética em Pesquisa. 4) Sobre as entrevistas: As entrevistas serão gravadas e você receberá a cópia transcrita da gravação. Seu nome será omitido no relatório da pesquisa e substituído por um código que só você além do pesquisador e orientador terão acesso. 5) Sobre fotos: Caso seja necessário fotos no decorrer da pesquisa estas respeitarão o direito de privacidade de cada pessoa e só serão feitas fotos e divulgadas após as mesmas serem vistas e autorizadas por responsável da instituição. 6) Sobre acesso a documentos: O pesquisador terá necessidade de acesso a documentos e registros que ajudem a elucidar as questões da pesquisa. A sra (sr) terá toda a liberdade de recusar o acesso quando achar necessário. 7) Riscos e desconforto: a participação nesta pesquisa não traz complicações legais. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução no. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à sua dignidade. 8) Confidencialidade: todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente o (a) pesquisador (a) e o (a) orientador (a) terão conhecimento dos dados. 191 192 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título da Pesquisa: A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso. Nome do (a) Pesquisador (a): Ms. ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO Nome do (a) Orientador (a): Prof. Dr. MANFREDO CARLOS WACHS 1) Natureza da pesquisa: o sra (sr.) está sendo convidada (o) a participar desta pesquisa que tem como finalidade realizar uma análise crítica e prospectiva da educação teológica na modalidade a distância no Brasil. 2) Participantes da pesquisa: a) Coordenador do curso de Teologia b) Professores do curso de teologia 3) Envolvimento na pesquisa: ao participar deste estudo a sra (sr) permitirá que o pesquisador Prof. Ms. Eliseu Roque do Espírito Santo obtenha informações que permitam descrever como se faz educação teológica na sua instituição. A sra (sr.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem qualquer prejuízo para a sra /sr. Sempre que quiser poderá pedir mais informações sobre a pesquisa através do telefone do (a) pesquisador (a) do projeto e, se necessário através do telefone do Comitê de Ética em Pesquisa. 4) Sobre as entrevistas: As entrevistas serão gravadas e você receberá a cópia transcrita da gravação. Seu nome será omitido no relatório da pesquisa e substituído por um código que só você além do pesquisador e orientador terão acesso. 5) Sobre fotos: Caso seja necessário fotos no decorrer da pesquisa estas respeitarão o direito de privacidade de cada pessoa e só serão feitas fotos e divulgadas após as mesmas serem vistas e autorizadas por responsável da instituição. 6) Sobre acesso a documentos: O pesquisador terá necessidade de acesso a documentos e registros que ajudem a elucidar as questões da pesquisa. A sra (sr) terá toda a liberdade de recusar o acesso quando achar necessário. 7) Riscos e desconforto: a participação nesta pesquisa não traz complicações legais. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução no. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à sua dignidade. 8) Confidencialidade: todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente o (a) pesquisador (a) e o (a) orientador (a) terão conhecimento dos dados. 193 194 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título da Pesquisa: A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso. Nome do (a) Pesquisador (a): Ms. ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO Nome do (a) Orientador (a): Prof. Dr. MANFREDO CARLOS WACHS 1) Natureza da pesquisa: o sra (sr.) está sendo convidada (o) a participar desta pesquisa que tem como finalidade realizar uma análise crítica e prospectiva da educação teológica na modalidade a distância no Brasil. 2) Participantes da pesquisa: a) Coordenador do curso de Teologia b) Professores do curso de teologia 3) Envolvimento na pesquisa: ao participar deste estudo a sra (sr) permitirá que o pesquisador Prof. Ms. Eliseu Roque do Espírito Santo obtenha informações que permitam descrever como se faz educação teológica na sua instituição. A sra (sr.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem qualquer prejuízo para a sra /sr. Sempre que quiser poderá pedir mais informações sobre a pesquisa através do telefone do (a) pesquisador (a) do projeto e, se necessário através do telefone do Comitê de Ética em Pesquisa. 4) Sobre as entrevistas: As entrevistas serão gravadas e você receberá a cópia transcrita da gravação. Seu nome será omitido no relatório da pesquisa e substituído por um código que só você além do pesquisador e orientador terão acesso. 5) Sobre fotos: Caso seja necessário fotos no decorrer da pesquisa estas respeitarão o direito de privacidade de cada pessoa e só serão feitas fotos e divulgadas após as mesmas serem vistas e autorizadas por responsável da instituição. 6) Sobre acesso a documentos: O pesquisador terá necessidade de acesso a documentos e registros que ajudem a elucidar as questões da pesquisa. A sra (sr) terá toda a liberdade de recusar o acesso quando achar necessário. 7) Riscos e desconforto: a participação nesta pesquisa não traz complicações legais. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução no. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à sua dignidade. 8) Confidencialidade: todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente o (a) pesquisador (a) e o (a) orientador (a) terão conhecimento dos dados. 195 196 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título da Pesquisa: A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso. Nome do (a) Pesquisador (a): Ms. ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO Nome do (a) Orientador (a): Prof. Dr. MANFREDO CARLOS WACHS 1) Natureza da pesquisa: o sra (sr.) está sendo convidada (o) a participar desta pesquisa que tem como finalidade realizar uma análise crítica e prospectiva da educação teológica na modalidade a distância no Brasil. 2) Participantes da pesquisa: a) Coordenador do curso de Teologia b) Professores do curso de teologia 3) Envolvimento na pesquisa: ao participar deste estudo a sra (sr) permitirá que o pesquisador Prof. Ms. Eliseu Roque do Espírito Santo obtenha informações que permitam descrever como se faz educação teológica na sua instituição. A sra (sr.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem qualquer prejuízo para a sra /sr. Sempre que quiser poderá pedir mais informações sobre a pesquisa através do telefone do (a) pesquisador (a) do projeto e, se necessário através do telefone do Comitê de Ética em Pesquisa. 4) Sobre as entrevistas: As entrevistas serão gravadas e você receberá a cópia transcrita da gravação. Seu nome será omitido no relatório da pesquisa e substituído por um código que só você além do pesquisador e orientador terão acesso. 5) Sobre fotos: Caso seja necessário fotos no decorrer da pesquisa estas respeitarão o direito de privacidade de cada pessoa e só serão feitas fotos e divulgadas após as mesmas serem vistas e autorizadas por responsável da instituição. 6) Sobre acesso a documentos: O pesquisador terá necessidade de acesso a documentos e registros que ajudem a elucidar as questões da pesquisa. A sra (sr) terá toda a liberdade de recusar o acesso quando achar necessário. 7) Riscos e desconforto: a participação nesta pesquisa não traz complicações legais. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução no. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à sua dignidade. 8) Confidencialidade: todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente o (a) pesquisador (a) e o (a) orientador (a) terão conhecimento dos dados. 197 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título da Pesquisa: A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso. Nome do (a) Pesquisador (a): Ms. ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO Nome do (a) Orientador (a): Prof. Dr. MANFREDO CARLOS WACHS 1) Natureza da pesquisa: o sra (sr.) está sendo convidada (o) a participar desta pesquisa que tem como finalidade realizar uma análise crítica e prospectiva da educação teológica na modalidade a distância no Brasil. 2) Participantes da pesquisa: a) Coordenador do curso de Teologia b) Professores do curso de teologia 3) Envolvimento na pesquisa: ao participar deste estudo a sra (sr) permitirá que o pesquisador Prof. Ms. Eliseu Roque do Espírito Santo obtenha informações que permitam descrever como se faz educação teológica na sua instituição. A sra (sr.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem qualquer prejuízo para a sra /sr. Sempre que quiser poderá pedir mais informações sobre a pesquisa através do telefone do (a) pesquisador (a) do projeto e, se necessário através do telefone do Comitê de Ética em Pesquisa. 4) Sobre as entrevistas: As entrevistas serão gravadas e você receberá a cópia transcrita da gravação. Seu nome será omitido no relatório da pesquisa e substituído por um código que só você além do pesquisador e orientador terão acesso. 5) Sobre fotos: Caso seja necessário fotos no decorrer da pesquisa estas respeitarão o direito de privacidade de cada pessoa e só serão feitas fotos e divulgadas após as mesmas serem vistas e autorizadas por responsável da instituição. 6) Sobre acesso a documentos: O pesquisador terá necessidade de acesso a documentos e registros que ajudem a elucidar as questões da pesquisa. A sra (sr) terá toda a liberdade de recusar o acesso quando achar necessário. 7) Riscos e desconforto: a participação nesta pesquisa não traz complicações legais. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução no. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à sua dignidade. 8) Confidencialidade: todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente o (a) pesquisador (a) e o (a) orientador (a) terão conhecimento dos dados. 198 199 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título da Pesquisa: A mediação pedagógica na educação teológica a distância: um estudo de caso. Nome do (a) Pesquisador (a): Ms. ELISEU ROQUE DO ESPÍRITO SANTO Nome do (a) Orientador (a): Prof. Dr. MANFREDO CARLOS WACHS 1) Natureza da pesquisa: o sra (sr.) está sendo convidada (o) a participar desta pesquisa que tem como finalidade realizar uma análise crítica e prospectiva da educação teológica na modalidade a distância no Brasil. 2) Participantes da pesquisa: a) Coordenador do curso de Teologia b) Professores do curso de teologia 3) Envolvimento na pesquisa: ao participar deste estudo a sra (sr) permitirá que o pesquisador Prof. Ms. Eliseu Roque do Espírito Santo obtenha informações que permitam descrever como se faz educação teológica na sua instituição. A sra (sr.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem qualquer prejuízo para a sra /sr. Sempre que quiser poderá pedir mais informações sobre a pesquisa através do telefone do (a) pesquisador (a) do projeto e, se necessário através do telefone do Comitê de Ética em Pesquisa. 4) Sobre as entrevistas: As entrevistas serão gravadas e você receberá a cópia transcrita da gravação. Seu nome será omitido no relatório da pesquisa e substituído por um código que só você além do pesquisador e orientador terão acesso. 5) Sobre fotos: Caso seja necessário fotos no decorrer da pesquisa estas respeitarão o direito de privacidade de cada pessoa e só serão feitas fotos e divulgadas após as mesmas serem vistas e autorizadas por responsável da instituição. 6) Sobre acesso a documentos: O pesquisador terá necessidade de acesso a documentos e registros que ajudem a elucidar as questões da pesquisa. A sra (sr) terá toda a liberdade de recusar o acesso quando achar necessário. 7) Riscos e desconforto: a participação nesta pesquisa não traz complicações legais. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução no. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à sua dignidade. 8) Confidencialidade: todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente o (a) pesquisador (a) e o (a) orientador (a) terão conhecimento dos dados. 200 201 ANEXO 2 PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO DE VÍDEO-AULA Vídeo: _________________________________________________________________ Disciplina: ______________________________________________________________ Duração: _________________ Data de Observação: ____________________________ Documento: ____________________________________________________________ CATEGORIAS Enriquece o tema e a percepção Consegue variedade na unidade Tratamento da forma O vídeo contribui para tornar o assunto compreensível Estabelece ritmo Provoca surpresas rupturas e Apresenta estratégia de entrada (abertura) Tratamento do tema Apresenta estratégia de desenvolvimento ELEMENTOS IDENTIFICADORES As imagens e o sons do vídeo são atrativas As imagens e o som do vídeo são sugestivas O vídeo desperta a percepção do observador Outras Há gráficos Há tabelas Há fotos, figuras, desenhos Há música ou algum efeito sonoro Outras Imagens e sons são lúdicos Imagens e sons colaboram para tornar o assunto compreensível Outras Há variação na cadência da fala Há variação e movimento de imagem Há variação no foco e zoom das imagens No enredo há variação em direção a um clímax Outras Há elementos que rompem a rotina Há elementos que provocam surpresa Há excesso de discurso e de linguagem verbal Outras Fragmentos literários Experimentos Imagens Som (efeito sonoro, música, etc.) Notícias de jornais ou de outras mídias Perguntas Anedotas Relato de experiência Projeções do futuro Referência a algum acontecimento importante Uma experiência pessoal Outras Pedagogia da pergunta Por em experiência (exemplos concretos) Material de apoio (quadro estatístico, recortes de jornais e revistas, mapas, esquemas, etc.) Tratamento recorrente (revisa cada parte do assunto) SIM NÃO 202 Apresenta estratégia de encerramento (conclusão) Adequação da linguagem ao público Uso de função informativa exclusiva Tratamento funcional Integração às demais atividades da aula Apresenta diferentes enfoques relacionados ao mesmo tema Outras Generalização Projeção do futuro Recomendações em relação à prática Recuperação de uma experiência apresentada no início Anedota Síntese Perguntas Apresentação de quadro sinótico Outras A linguagem é adequada ao público destinado Ensinar procedimentos Simular experiências Transmitir de aspectos emocionais Ensinar aptidões interpessoais Motivar a aprendizagem (provoca, interpela, questiona, desperta o interesse) Organiza o ensino Outras O vídeo está inserido e integrado às demais atividades da aula Observações gerais: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 203 ANEXO 3 PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO DAS WEB AULAS Texto/aula: _________________________________________________________________ Disciplina: __________________________________________________________________ Data de Observação: ____________________________ Documento: ___________________________________ Tratamento com base no tema Estratégias de entrada Relato de experiência Perguntas Anedotas Fragmentos literários Referência a um personagem ou acontecimento importante Projeções do futuro Experimentos Imagens do tipo ilustrações, fotos, figuras, desenhos Recortes de jornais ou outras mídias Uma visão panorâmica do que vai ser estudado Descrição dos objetivos de ensino e aprendizagem Indicar ligações com outras áreas de ensino Outras / Referência à realidade atual Outras Outras Estratégias de desenvolvimento Pedagogia da pergunta Por em experiência Material de apoio Tratamento recorrente Resumos que concentrem e visualizem os conteúdos Apresenta diferentes enfoques Hiperlinks Outras Outras D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 Total Outras observações quanto ao tratamento com base no tema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 204 Tratamento com base na forma: Tratamento com base na forma – web aulas D1 SUBCATEGORIAS Enriquece o tema e a percepção D2 D3 D4 D5 D6 D7 ELEMENTOS IDENTIFICADORES Há imagens/ilustrações atrativas e orientadoras Há imagens/ilustrações sugestivas A diagramação desperta a percepção do observador Outros Há gráficos Há tabelas Consegue variedade na unidade Há fotos, figuras, desenhos O uso de negrito, itálico e outros efeitos é feito em pequenas doses Há variação no tamanho das fontes Outros Torna o texto compreensível Tamanho das fontes é adequado Imagens/ilustrações colaboram para tornar o assunto compreensível Há regularidade na diagramação (títulos, subtítulos, recuos de parágrafos, espaçamentos entre as linhas) Outros Regularidade da diagramação Estabelece ritmo Variedade da forma Há jogo com os brancos e as caixas de texto Provoca surpresas e rupturas Há elementos que rompem a rotina Há elementos que provocam surpresa Há imagens abertas a mais de uma interpretação Há mudança de estímulo visual Outros Outras observações da web aula: ___________________________________________________________________________ 205 ANEXO 4 PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO DAS ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM Texto/aula: _________________________________________________________________ Disciplina: __________________________________________________________________ Data de Observação: ____________________________ Documento: ___________________________________ Tratamento com base na aprendizagem Atividades INTERAPRENDIZAGEM A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 P1 P2 Produções grupais Texto compartilhado Redes de interação AUTO-APRENDIZAGEM Assimilação de conteúdos Autopercepção Ressignificação e criação Apropriação do texto Significação Solução de problemas Expressão Prospectiva Relação intertextual/intermídia Relação texto-contexto Observação do contexto Interação com o contexto Invenção Produção Aplicabilidade Reflexão Simulação Experimentação Observações: ________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 206 ANEXO 5 SEEVERS Jr., Gary L. Identification of Criteria for Delivery of Theological Education Through Distance Education: An International Delphi Study. Disponível em: <http://scholar.lib.vt.edu/theses/available/etd-81197-16953/unrestricted/DISSERTA.PDF> Acesso em: 18, fev. 2010, p. 74-79. The criteria identified by this study for delivery of theological education through distance education were divided into eight categories: ethical concerns, commitment to the distance education program, curriculum, evaluation, feedback, student support services, technological considerations, and faculty matters. The category "ethical concerns" included eight criteria. The criteria were related to standards in two areas: standards of conduct and standards of quality. Six were standards of conduct: • The administration is truthful in advertising. • The administration provides the student full information on what is expected and what the student will receive. • The administration assures the confidentiality of technologically delivered information, especially when dealing with counseling of individuals, advisement, and other matters regulated by the right to privacy laws. • The administration maintains security in the transmission and administration of course evaluation instruments. • The administration provides for the right of a student to be heard in the event of legitimate disagreement. • The administration has the materials on hand when they are advertised. Two criteria were ethical standards of quality: • The administration offers a program comparable in content and rigor to traditionally offered programs. • The administration provides for a first-rate degree program. The category "commitment" included eight criteria in three areas: commitment to the purpose of the distance education program, institutional commitment to the distance education program, and financial commitment to the distance education program. Two criteria were related to commitment to the purpose of the program: • The administration has identified a need for the distance education program. 207 • The administration has identified a population to be served. Six criteria were related to institutional commitment: • The administration has enlisted the commitment of the governing board. • The administration has enlisted the commitment of the faculty for the program. • The administration has obtained and maintained recognized accreditation. Three criteria were related to financial commitment: • The administration has budgeted funds for the distance education program. • The administration provides adequate funds to fulfill the program's mission. • The budget includes funds to assure the continuation of the distance education program. The category "curriculum" included three criteria in two areas: curriculum areas related to students and curriculum areas related to faculty. Two criteria related to students were: • The curriculum contains clear statements of objectives. • The curriculum includes performance activities (requires the students to do something). The curriculum criterion related to faculty matters was: • The curriculum is realistic in the time required of faculty to prepare materials and presentations. The category "evaluation" included four criteria in two areas: program evaluation and student evaluation. Three criteria were related to program evaluation: • An evaluation procedure is used which incorporates methods consistent with the specific goals and objectives of the program. • An evaluation procedure is used which includes systematic, regular evaluations to determine the effectiveness of the program. • An evaluation procedure which incorporates feedback to program administrators. The criterion related to student evaluation was: • The evaluation and grading procedures include clear criteria for the evaluation of student achievement. The category "student support" included three criteria: • The administration • Student support is provided by ensuring the student has access to a school representative for advice and council. • The administration has informed students of what they will receive, when and where they will receive it, and how to obtain the instruction or materials if they do not arrive when expected. The category "technological considerations" included two criteria: 208 • The administration has selected technologies which are dependable. • The administration has provided support staff to ensure the reliability of program delivery. The category "faculty" included one criterion. • The administration has established procedures for screening distance learning instructors to ensure quality delivery. Finally, the category "feedback" included one criterion: • Feedback for student questions and assignments is rapid (turn-around of completed lessons). 209 ANEXO 6 Fonte: DELAMARTER, Steve. Theological educators and their concerns about technology. Teaching Theology and Religion, Oxford, USA, v. 8, n. 3, 2004, p. 131-143. Practical and Personal Concerns 1. There are a lot costs associated with technology and many of them are hidden. 2. Technology requires a lot of time and much of it ends up being open-ended and ongoing. 3. Technology will take time from what I need to do get tenured. 4. Technology hype can breed a hysteria that makes priorities very difficult to manage. 5. Faculty members are overloaded and seminary communities have a hard time even making time to talk about new uses of technology. 6. Faculty would lose copyright control of their original materials. 7. People who have spent a lot of years working out one way of teaching can’t or don’t want to do it all over again with technology. 8. We have more than enough students already. Some seminaries reported substantial growth in their student bodies without recourse to developing online options. 9. We’re not sure we have a distance market. 10. If it succeeded too much, we would end up closing our physical campus. Pedagogical and Educational Concerns 1. Electronic environment somehow opens a world of unscrupulous possibilities for students. 2. Most would acknowledge that the prevalence of mask wearing and the adoption of false or misleading personae are too common even in the traditional classroom. But some theological educators believe that the virtual environment is particularly susceptible to these dangers. 3. Some theological educators are concerned that the online environment creates special opportunity for irresponsible behavior from students. 4. Many theological educators expressed concern about losing the magic of the live classroom experience with all of its immediacy and spontaneous interaction. 210 5. Will technology initiatives end up being driven by adjuncts? 6. Many theological educators are of the opinion that other course simply cannot be taught in a virtual or electronic environment. 7. Theological educators suspect that distance students are not getting access to substantive books at nearly the same level as on-campus students. 8. Some theological educators are concerned about the capacity to foster such values and skills in the electronic environment. 9. The quality of theological education is directly related to factors which they currently believe cannot function well in a virtual environment. Philosophical and Theological Concerns 1. You can’t do mentoring and character development and spiritual formation online. 2. One common assumption is that there is a fundamental link between face-to-face encounters and community building. 3. Online education cannot capture our sociology. 4. It would thwart our moves to be intentionally cross cultural. 5. We want to preserve the social location of theological education. 6. We’re opposed to online courses and limit the number that can be transferred. 211 ANEXO 7 PLANO DE ENSINO CURSO: Teologia DISCIPLINA : Comunicação e Oratória CARGA HORÁRIA : 80 ANO: 2009 SEMESTRE: 3 PROFESSOR(A): PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO: 13/08 – 27/08 1 EMENTA Esta disciplina estuda os vários aspectos da Comunicação aplicada à arte da Pregação e o estudo da Homilética. 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Capacitar o estudante a desenvolver habilidades nas técnicas de comunicação eficaz e eficiente. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 4. Desenvolver a habilidade para uma comunicação com correção; 5. Capacitar o educando com a habilidade de preparar um bom sermão; 6. Ensina as técnicas de uso da voz, dos gestos e do corpo no processo comunicativo. 3 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES Estão descritas no item 2.2 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Introdução Aula 01 – Homilética – Definição e Conceituação Aula 02 – Tipologia de Sermões Aula 03 – Estrutura do Sermão Aula 04 – Estruturas Textuais e Homilética Aula 05 – Desenvolvimento do Sermão 212 Aula 06 – Técnicas para uma boa Oratória Aula 07 – Exercícios de Oratória Aula 08 – Dicas Gerais e Avaliação 5 METODOLOGIA Elaboração de material pedagógico teórico, relacionado com as web aulas para pesquisa acadêmica; Atendimento personalizado individual, de orientação e esclarecimentos de dúvidas no acompanhamento das atividades semanais, e através de chat agendado previamente; Devolutiva das atividades corrigidas e devidamente avaliadas segundo os critérios de avaliação (notas). 6 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A avaliação da disciplina será composta de duas notas: 10 pontos para a avaliação final escrita e 10 pontos para a participação online distribuídos da seguinte maneira: 5,0 pontos pelas postagens no Fórum 2,5 pontos pelo envio das Atividades 2,5 pontos pelas postagens no Portfólio As duas notas serão somadas e divididas por dois, resultando na média final. 213 ANEXO 8 PLANO DE ENSINO CURSO: Teologia a Distancia DISCIPLINA : Aconselhamento Pastoral CARGA HORÁRIA: 80 H/A ANO: 2009 SEMESTRE: 6º. PROFESSOR: PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO: 28 de Julho a 20 de Agosto de 2009. PROVA: 22 de Agosto de 2009 PROVA SUBSTITUTIVA: 29 de Agosto de 2009 1. EMENTA Esta disciplina constitui-se de reflexão, estudo e preparação do educando para seu ministério de aconselhamento eclesiástico, em todas as suas ramificações com pessoas de todas as idades e de diversos problemas de ordem emocional e espiritual. 2. OBJETIVO: 2.1 OBJETIVO GERAL Oferecer ao educando fundamentação teórica e capacitação no ministério para aconselhar com eficácia as pessoas que vêm a ele para receber orientação espiritual e emocional. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Desafiar o aluno a ter hábitos para desenvolver processos de aconselhamento na comunidade que faz parte. Desafiar o aluno a colocar em prática o conhecimento teórico-prático no processo de aconselhamento junto às pessoas carentes emocional e espiritual. Capacitar o aluno para desenvolver técnicas de aconselhamento encorajando o crescimento espiritual das pessoas. 214 3 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES O aluno deverá cumprir com todas as exigências que esta dentro do plano de ensino, respeitando e observando as datas de entrega das atividades, que é muito importante. O aluno ao estudar e refletir cada lição terá condições de responder a cada atividade solicitada, sendo que desta maneira será mais fácil para atingir a meta de entregar todas as atividades nos prazos requeridos pelo professor. 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Aula 01 - Definições de Aconselhamento Pastoral Aula 02 - Objetivos do Aconselhamento Pastoral Aula 03 - Os Alvos e Metas do Aconselhamento Geral e Pastoral Aula 04 - Considerações Gerais do Aconselhamento Pastoral Aula 05 - As pessoas Envolvidas no Aconselhamento Pastoral Aula 06 - O Aconselhando e suas necessidades Aula 07 - Deus e o Ambiente Aula 08 - A arte de escutar, a arte da empatia e a arte de avaliar o caráter dentro do Aconselhamento Pastoral 5 METODOLOGIA As aulas serão ministradas na modalidade a distancia, sendo que a avaliação, como: Prova, Prova Substitutiva e Exame Final serão na modalidade presencial. O atendimento será personalizado, individual, para orientação e esclarecimentos de possíveis dúvidas que o aluno poderá vir a ter no desenvolvimento das atividades através de chat agendado previamente; Gravação de aula em vídeo; Devolução das atividades agendadas corrigidas e devidamente avaliadas segundo os critérios de avaliação. Recepção de atividades com o objetivo de avaliar e responder a cada atividade que vira a ser útil para a avaliação presencia. 215 6 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A nota da disciplina será composta da seguinte forma: * Atividades da web aulas, a participação nas atividades agendadas através da plataforma e o cumprimento de prazos, somam 10 pontos, enviadas através do portfólio; * Prova 1 e Prova 2 (P1 e P2): realizadas presencialmente no dia: 22 de Agosto de 2009, com o valor de 10 pontos cada uma (o conteúdo da Prova 1 compreenderá as aulas 01 a 04, e o conteúdo da Prova 2 as aulas 05 a 08). * A média da disciplina será calculada pela soma da nota das Atividades com o valor de 10 pontos e das duas provas (P1 e P2), com o valor de 10 pontos cada uma, divididas por três, que virá a ser a: NOTA FINAL. OBS.: O aluno receberá a Prova 1 e a Prova 2 ao mesmo tempo no dia: 22 de Agosto de 2009 e terá até, 3 horas, para realização das duas provas, não havendo limite de tempo para cada uma individualmente. O Aluno que NÂO realizar as provas 1 e 2 nas datas determinadas no calendário do curso poderá requerer a prova substitutiva (esta prova será diferente e um pouco mais complicado). Ao final da disciplina, o aluno que não atingir a media igual ou superior a 7,0 devera realizar exame no final do semestre. 216 ANEXO 9 PLANO DE ENSINO CURSO: Teologia DISCIPLINA: Ensino Religioso e Educação Básica CARGA HORÁRIA : 80h ANO: 2009 SEMESTRE: 5º PROFESSOR(A): 1 - EMENTA Esta disciplina estuda a prática do Ensino Religioso como parte integrante da educação básica. Tem como meta refletir sobre sua fundamental contribuição na formação do indivíduo nos aspectos: social, cognitivo, emocional e espiritual. Também discute a prática pedagógica, conteúdo e metodologia do ensino religioso no contexto da escola bem como trocas de sugestões e atividades que contribuirão na ação do docente. 2 - OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Promover junto aos educandos a reflexão sobre a contribuição do Ensino Religioso na formação do homem nos aspectos: social, cognitivo, emocional e espiritual. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conforme as competências e habilidades teóricas e práticas a serem desenvolvidas, explicitadas logo a seguir: 3 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES 8 Discutir e compreender os aspectos históricos do ensino religioso na educação básica; 9 Interpretar e analisar criticamente a legislação vigente contribuindo assim para que a mesma tenha significado na pratica pedagógica; 10 Refletir sobre sua fundamental contribuição na formação do educando nos aspectos: social, cognitivo, emocional e espiritual; 11 Entender o valor de sua prática pedagógica; 217 12 Discutir de forma critica e inovadora e conteúdo proposto para o ensino religioso bem como propor novas metodologias e atividades. 4 - Conteúdo programático 1 - O ensino religioso: área de conhecimento (legislação) 2 – Fatos históricos do ensino religioso 3 – Formação do professor de ensino relogioso 4.2.1 – social 4 - O ensino religioso no preparo integral do educando 4.2.1 - Social 4.2.3 - Emocional 4.3.1 - Ético 4.3.2 - Espiritual 5 – A prática pedagógica do ensino religioso nas escolas 6 – Metodologias para o ensino religioso 7 - Sugestões didáticas para o ensino religioso 8 – Ensinando com projetos 5 - METODOLOGIA Elaboração de material pedagógico teórico, relacionado com as web aulas para pesquisa acadêmica; Atendimento personalizado individual, de orientação e esclarecimentos de dúvidas no acompanhamento das atividades semanais, e através de chat agendado previamente; Utilização de recursos da plataforma da Unigran virtual, tais como o Fórum, os web vídeos, áudios e chat; Devolutiva das atividades corrigidas e devidamente analisadas, dentro do prazo prescrito, segundo os critérios de avaliação (notas) 6 - CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A nota da disciplina será composta da seguinte forma: 218 - Atividades da web aulas, a participação nas atividades extras agendadas através da plataforma e o cumprimento de prazos, somam 10 pontos; - Provas 1 e 2: realizadas presencialmente no dia 29/08 com o valor de 10 pontos cada uma (o conteúdo da Prova 1 compreenderá as aulas 01 a 04, e o conteúdo da Prova 2 as aulas 05 a 08). A média da disciplina será calculada pela soma da nota dos trabalhos e das duas provas, divididas por três. 219 ANEXO 10 PLANO DE ENSINO CURSO: Teologia a Distancia DISCIPLINA: Fundamentos de Teologia prática. CARGA HORÁRIA : 80 H/A ANO: 2009 SEMESTRE: 2º. PROFESSOR: PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO: 25 de Outubro de 2009 á 12 de Novembro de 2009. 1 EMENTA: Esta disciplina é um estudo do surgimento, desenvolvimento e métodos da teologia prática como saber teológico, com especial destaque para os fundamentos teológicos e os aspectos hermenêuticos. Apontamento para as contribuições diretas possíveis da teologia para o exercício do ministério pastoral e de outros ministérios da igreja. 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Apresentar e refletir sobre os principais aspectos da Teologia Prática como saber teológico e sua aplicação ao ministério pastoral e demais ministérios eclesiásticos. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Desenvolver no aluno alguns métodos de teologia prática. Desenvolver no aluno a resignificação da fé para uma teologia prática. Capacitar o aluno para o desenvolvimento de uma teologia prática na sua comunidade. 3 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES O aluno deverá cumprir com todas as exigências que esta dentro do plano de ensino, respeitando e observando as datas de entrega das atividades. O aluno ao estudar e refletir cada lição terá condições de responder a cada atividade solicitada, sendo que desta maneira poderá atingir a meta de entregar todas as atividades nos prazos requeridos pelo professor. 220 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Aula 01 – Considerações de caráter genérico acerca da concepção e alguns métodos da Teologia pratica. Aula 02 – Fé e Teologia: a tarefa da teologia prática. Aula 03 – Concepções contemporâneas de Teologia Prática. Aula 04 – Circulo hermenêutico da fé: religião, religiosidade e fé. Aula 05 – Cidadãos da cidade de Deus. Aula 06 – Uma fé cidadã, uma fé missionária: Teologia Pratica e praticas educativas na comunidade. Aula 07 – O que já foi pensado¿ Aula 08 – Teologia Pratica a Pastoral urbana: novos e antigos caminhos. 5 METODOLOGIA As aulas serão ministradas na modalidade a distancia, sendo que a avaliação final será na modalidade presencial. O atendimento será personalizado individual, de orientação e esclarecimentos de dúvidas no acompanhamento das atividades diárias, e através de chat agendado previamente; Devolução das atividades agendadas corrigidas e devidamente avaliadas segundo os critérios de avaliação. 6 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A nota da disciplina será composta da seguinte forma: * Atividades da web aulas, a participação nas atividades extras agendadas através da plataforma e o cumprimento de prazos, somam 10 pontos, enviadas através do portfólio; * Provas 1 e 2 (P1 e P2): realizadas presencialmente no dia: 14 de Novembro de 2009, com o valor de 10 pontos cada uma (o conteúdo da Prova 1 compreenderá as aulas 01 a 04, e o conteúdo da Prova 2 as aulas 05 a 08). * A média da disciplina será calculada pela soma da nota das Atividades com o valor de 10 pontos e das duas provas, com o valor de 10 pontos cada uma, divididas por três, que virá a ser a: NOTA FINAL. Exemplo: Nota das Atividades = 8,5 221 Nota da Prova 1 (P1) = 8,0 Nota da Prova 2 (P2) = 9,5 SOMA = ATIV. 8,5 + P1 8,0 + P2 9,5 = 26 / 3 = 8,6 (Oito, Seis) 8,6 (OITO, SEIS) SERÁ A NOTA FINAL. OBS.: O aluno receberá a Prova 1 e a Prova 2 ao mesmo tempo no dia: 14 de Novembro de 2009 e terá até, 3 horas, para realização das duas provas, não havendo limite de tempo para cada uma individualmente. A disciplina Fundamentos de Teologia Prática faz parte da grade curricular do curso de Teologia a distancia, a qual nos vamos encontrar durante este modulo. A disciplina Fundamentos de Teologia Prática faz parte da grade curricular do curso de Teologia a distancia, a qual nos vamos encontrar durante este modulo. 222 ANEXO 11 PLANO DE ENSINO CURSO: Teologia DISCIPLINA : Práticas Ministeriais [P] CARGA HORÁRIA : 80h/a ANO: 2009/II SEMESTRE: 6º PROFESSOR: PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO: 13/09/2009 à 01/10/2009 PROVA: 03/10/2009 PROVA SUBSTITUTIVA: 10/10/2009 EMENTA Nesta disciplina nosso estudo enfoca diversos aspectos da prática ministerial. Partindo de uma fundamentação bíblico-teológica sobre vocação, suas exigências e do desafio ministerial diante da realidade enfrentada pelo teólogo. OBJETIVOS Introduzir os alunos a um conhecimento panorâmico da prática ministerial por meio da reflexão sobre os aspectos relacionados a vocação e das exigências e oportunidades de práticas ministeriais que se nos apresentam. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO INTRODUÇÃO 1 – Entendendo as Práticas Ministeriais 2 – A Vocação nas Práticas Ministeriais 3 – A Prática Ministerial Requer Liderança Cristã 4 – O Pastorado como Prática Ministerial 5 – A Prática Ministerial com Crianças e Adolescentes em situação de risco nas ruas 6 – A Prática Ministerial com Surdos 7 – O Ministério de Capelania Escolar 8 – A Capelania Hospitalar como Prática Ministerial 223 METODOLOGIA Elaboração de material pedagógico teórico, relacionado com as web-aulas para pesquisa acadêmica; Atendimento personalizado individual, de orientação e esclarecimentos de dúvidas no acompanhamento via internet; Devolutiva das atividades corrigidas e devidamente avaliadas segundo os critérios de avaliação (notas). CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A nota da disciplina será composta da seguinte forma: Somatória das notas das atividades + Prova 1 + Prova 2 = X Divido por 3 = X (nota final). - Cada atividade vale 1,25 pontos. As 08 atividades somam um total de 10 pontos; Como teremos a disciplina ministrada entre os dias 13 de setembro à 01 de outubro, receberei as atividades das unidades 1 e 2 até o dia 18/09, as atividades 3 e 4 até o dia 22/09, as atividades 5 e 6 até o dia 27/09 e as atividades das unidades 7 e 8 até o dia 01/10. - Provas 1 e 2: Serão realizadas presencialmente no seu pólo, no dia 03/10 com o valor máximo de 10 pontos cada uma. (O conteúdo da Prova 1 compreenderá as aulas 01 a 04, e o conteúdo da Prova 2 as aulas 05 a 08). 224 ANEXO 12 PLANO DE ENSINO CURSO: Teologia DISCIPLINA : Teologia e Liderança CARGA HORÁRIA : 100h/a ANO: 2009 SEMESTRE: 4º PROFESSORES: PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO: 29/10/2009 a 26/11/2009 PROVA: 28/11/2009 PROVA SUBSTITUTIVA: 05/12/2009 EXAME: 19/12/2009 EMENTA Esta disciplina estuda aspectos introdutórios da Administração e busca identificar o perfil Líder Empreendedor e sua tarefa de planejamento. Estuda sobre liderança, suas definições, seus diversos estilos, buscando compreender as exigências do líder moderno. Estuda também as perspectivas Bíblico-Teológica sobre a liderança. OBJETIVOS Introduzir os alunos a um conhecimento introdutório sobre os aspectos da Administração e oferecer instrumentos capazes de auxiliar a compreensão do estilo de liderança e contribuir efetivamente para o exercício de uma liderança moderna. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES Nosso planejamento considerou que os acadêmicos deverão desenvolver as seguintes competências e habilidades gerais: 1. Compreensão dos aspectos introdutórios da Administração; 2. Compreensão das características do líder empreendedor e do líder que planeja; 3. Compreensão das diferentes definições sobre a liderança e como estimular o exercício da liderança moderna em seus diversos estilos; 4. Capacidade de compreender as perspectivas bíblico-teológicas da liderança e aplicá-las no seu cotidiano; 5. Capacidade de impactar as vidas das pessoas através do exercício efetivo da liderança baseada nos ensinos e praticas de Jesus, cooperando para a extensão dos valores do Reino de 225 Deus. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Introdução Aula 1 - Introdução à Administração: Aula 2 - Administrador – Líder Empreendedor: Aula 3 - Administrador – Líder que Planeja: Aula 04 - Liderança e suas Definições Aula 05 - A liderança evidenciada no Exemplo: Aula 6 - Estilos de Liderança Aula - O Líder Moderno Aula 8 - A Liderança – Perspectivas Bíblico Teológica Aula 09 - Princípios Bíblicos sobre a Liderança Aula 10 - Como impactar os outros METODOLOGIA Elaboração de material didático e pedagógico com conteúdo teórico, gravação de web aulas e incentivo à pesquisa acadêmica; Atendimento individual, de orientação e esclarecimentos de dúvidas no acompanhamento das atividades semanais, todas as terças e quintas no período da tarde via internet; Devolutiva das atividades corrigidas em 48 horas e devidamente avaliadas segundo os critérios de avaliação (notas). CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A nota da disciplina será composta da seguinte forma: - As atividades das 10 aulas somam um total de 10 pontos; Como teremos a disciplina ministrada entre os dias 29/10/2009 a 26/11/2009, os alunos deverão enviar através do Portfólio as atividades das unidades 1 e 2 até o dia 05/11, as atividades 3 e 4 até o dia 10/11, as atividades 5 e 6 até o dia 15/11, as atividades das unidades 7 a 8 até o dia 20/11 e as atividades das aulas 9 e 10 até o dia 25/11. Farei as devolutivas em 226 até 48 horas após o seu envio e assim você poderá acompanhar suas notas e ainda teremos tempo hábil para corrigir as provas e dar a nota final. - Prova 1 e 2: serão realizadas presencialmente no dia 28/11 com o valor de 10 pontos cada uma (o conteúdo da Prova 1 compreenderá as aulas 01 a 05, e o conteúdo da Prova 2 as aulas 06 a 10). A média final da disciplina será calculada pela média da soma da notas das atividades e das notas das duas provas, divididas por três. OBS.: O aluno receberá a Prova 1 e a Prova 2 ao mesmo tempo no dia 28/11 e terá até, 3 horas, para realização das duas provas, não havendo limite de tempo para cada uma individualmente. - Prova Substitutiva: será realizada no dia 05/12, de forma presencial nos pólos. O aluno/a que não atingir a média final 7.0 fará o Exame cuja data será 19/12, sendo a última oportunidade para alcançar a aprovação na disciplina. (Para o aluno ter a oportunidade de fazer o Exame, é necessário que tenha a média mínima de 3,0). 227 ANEXO 13 PLANO DE ENSINO CURSO: Teologia a Distancia DISCIPLINA: Teologia Espiritual CARGA HORÁRIA : 80 H/A ANO: 2009 SEMESTRE: 3º. PROFESSOR: PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO: 15 de Novembro a 03 de Dezembro de 2009. PROVA: 05 de Dezembro de 2009 PROVA SUBSTITUTIVA: 07 de Dezembro de 2009 1 EMENTA Esta disciplina é um estudo teórico e prático da vida espiritual segundo a tradição Cristã. Abordaremos assuntos teóricos incluindo uma breve história da espiritualidade cristã, as várias tradições cristãs de espiritualidade, os fundamentos bíblicos e teológicos da espiritualidade cristã, e as práticas cristãs que visam crescimento espiritual. 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Desenvolver momentos de estudo, reflexão, discussão, elaboração individual, de maneira ampla, visando ao aprendizado teórico e prático da tradição espiritual da comunidade cristã. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Desenvolver no aluno o hábito de envolver-se no processo de devoção espiritual, busca diária da presença de Deus nas nossas vidas, visando o crescimento espiritual. Desafiar o aluno a colocar em prática o conhecimento teórico prático no processo de direção espiritual na sua própria vida. Capacitar o aluno para crescer na vida espiritual e encorajar o crescimento espiritual entre outras pessoas. 3 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES 228 O aluno deverá cumprir com todas as exigências que esta dentro do plano de ensino, respeitando e observando as datas de entrega das atividades, que é muito importante. O aluno ao estudar e refletir cada lição terá condições de responder a cada atividade solicitada, sendo que desta maneira será mais fácil para atingir a meta de entregar todas as atividades nos prazos requeridos pelo professor. 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Aula 01- Breve Historia da Teologia Espiritual Aula 02- O que Entendemos por Espiritualidade Aula 03- Alguns Modelos de Espiritualidade no Antigo Testamento Aula 04- Alguns Modelos de Espiritualidade no Novo Testamento Aula 05 - Como Desenvolver a Espiritualidade Aula 06 - As Disciplinas Espirituais: Disciplinas Interiores Aula 07 - Uma Virtude da Espiritualidade: Autonegação Aula 08 - Teologia para a Formação Espiritual 5 METODOLOGIA As aulas serão ministradas na modalidade a distancia, sendo que a avaliação, como: Prova, Prova Substitutiva e Exame Final serão na modalidade presencial. O atendimento será personalizado individual, de orientação e esclarecimentos de dúvidas no acompanhamento das atividades semanais, e através de chat agendado previamente, se o aluno tiver alguma dúvida poderá entrar em contato diretamente com o professor através do “Quadro de Avisos” do portal da UNIGRAN; Gravação de aula em vídeo; Devolução das atividades agendadas corrigidas e devidamente avaliadas segundo os critérios de avaliação. 6 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO A nota da disciplina será composta da seguinte forma:* Atividades 8 (oito atividades) da web aulas, a participação nas atividades extras agendadas através da plataforma e o cumprimento de prazos, somam 10 pontos, enviadas através do portfólio; 229 ANEXO 14 ESTUDO DE CASO PILOTO Observações sobre as atividades propostas pelo docente: 1. O docente, numa perspectiva hipertextual, apresenta uma boa variedade de links que permitem ao aluno aprofundar seu conhecimento do assunto. 2. Não foi utilizado em nenhum momento o chat disponível na plataforma. 3. O vídeo é utilizado para preleção acerca do conteúdo da aula. Cada vídeo tem duração de 30 minutos. Não há um vídeo com a apresentação de uma pregação. 4. Atividades propostas na disciplina: Aula Atividades 01 1. Leitura Complementar: NOVO LINK!!! Técnicas de Pregação 2. Fórum: Não esqueça de postar suas dúvidas no “Fórum: Dúvidas sobre Conteúdo/Aula 01” 3. Link Interessante: recursos para Pregadores e Pregadoras 02 1. Leitura Complementar: Ler a resenha do livro “Pregação Bíblica” 2. Fórum: Em sua opinião, existe um tipo de Sermão melhor do que o outro? Coloque sua resposta no Fórum "Assuntos Diversos/Aula 02 - Dê sua Opinião". 3. Link Interessante: recursos para Pregadores e Pregadoras 03 1. Leitura Complementar: Leia um artigo sobre homilética 2. Tarefa: Escolha um dos tipos de sermão estudados acima, faça um esboço e envie para o Portfólio. 3. Link Interessante: Vida e Obra de grandes pregadores 04 1. Leitura Complementar: Leia o artigo “Pregação Evangélica - Sérgio Biagi Gregório” 2. Tarefa: Faça um resumo com as principais teses do texto “O Declínio da Pregação Contemporânea” de John F. MacArthur, Jr., e envie para o Portfólio 3. Link Interessante: Site com ilustrações para serem utilizadas em sermões 05 1. Leitura Complementar: Leia o artigo “Como falar em público” do pastor Jones 230 Ross. 2. Fórum: Não esqueça de postar suas dúvidas e sugestões no Fórum "Dúvidas sobre o Conteúdo/Aula 05". 3. Link Interessante: Outro site com ilustrações para sermões 06 1. Leitura Complementar: Treinamento completo de como falar em público, de Vera Iris Paternostro.2. Fórum: Não esqueça de postar suas dúvidas e sugestões no Fórum "Dúvidas sobre o Conteúdo/Aula 06". 3. Link Interessante: Sermões dos Pastores da 1ª IPI de Londrina 07 1. Leitura Complementar: “Pregação no Antigo Testamento: É mesmo necessária?” de Mauro Meister. 2. Tarefa: Fazer um breve discurso sobre o seu plano de ministério para uma Igreja local e enviar para o Portfólio. 3. Link Interessante: Carta aos Pregadores. 08 1. Leitura Complementar: “Memória discursiva: sentidos e significações nos discursos religiosos da TV”, de Karla Regina Macena Pereira Patriota e Alessandra Navaes Turton. 2. Tarefa: Fazer a autoavaliação impressa. 3. Link Interessante: Recursos para Pregadores As atividades se dividem em: 1. Leituras de textos sugeridos (leitura complementar) – 08 textos 2. 05 participações de fóruns 3. 01 elaboração de esboço de sermão 4. Preencher uma avaliação impressa 5. Fazer um breve discurso 6. Fazer resumo de um texto 5. Sobre as participações nos fóruns Observa-se um declínio acentuado no número de mensagens dos fóruns da 1ª aula à 8ª aula. O fórum com maior número de mensagens e exibições é o primeiro e o que mais manifesta presença docente. É importante considerar que muitos estudantes e também os docentes podem participar do fórum de forma “vicária”, ou seja, não enviam mensagens, mas as lêem. 231 Gráfico 1: número de mensagens nos fóruns da 1ª à 8ª aula. Tabela: participações nos fóruns Comunicação e oratória 1S2009 Fóruns Mens. Professor Dúvidas sobre aulas e provas Mens. alunos Total de respostas 6 6 12 Aula 01 10 83 93 aula 02 1 47 48 aula 03 0 24 24 aula 04 4 23 27 aula 05 3 41 44 aula 06 2 42 44 aula 07 1 20 21 aula 08 1 22 23 Assuntos diversos 6 78 94 Dúvidas sobre conteúdo Observa-se nos fóruns a pouca participação do professor. Em um fórum com 24 mensagens não há nenhuma mensagem do professor. Talvez a diminuição de participação no fórum possa em parte ser atribuída a pouca participação do professor como moderador. Veja o gráfico que mostra a evolução do processo de participação entre a aula 01 e aula 08. Sabe-se que no início de qualquer curso há maior motivação e, portanto, maior número de mensagens. Manter a motivação em um nível ideal não é tarefa fácil e exige, como 232 Garrison e Anderson256 chamam, de presença docente. Esta presença docente não se limita apenas no desenho e organização dos conteúdos e atividades, mas se estende à facilitação do discurso que envolve acompanhar a discussão, moderá-lo, motivá-lo, orientá-lo. Para estes estudiosos, “A comunidade deve ser, em certa medida, auto-sustentável; portanto, demasiada presença docente ou pouca demais pode afetar negativamente o discurso e o processo de compreensão”257. Calibrar essa participação do docente é um grande desafio. Para Harasim o feedback do docente é em muitos casos a chave para a participação dos estudantes nos fóruns de discussão. Diz a autora: Quando os moderadores se envolviam ativamente respondendo com regularidade, publicando material novo, estimulando as atividades e as discussões, os alunos respondiam com entusiasmo e participação regular. Outro fator importante é a relação com o currículo: os estudantes eram mais ativos nas conferências que tratavam de assuntos pelos quais nutriam um forte interesse pessoal ou que estavam relacionados ao seu currículo258. A questão do feedback do docente extrapola a esfera da boa vontade ou paixão do docente e alcança a dimensão administrativa e filosófica do curso; não se pode entregar ou confiar elemento tão fundamental da mediação pedagógica à atitudes voluntaristas. Sem carga horária suficiente e remuneração correspondente a presença docente não se torna eficaz. O interesse econômico tem condenado muitos programas de formação na modalidade a distância com propostas construtivistas e de designer (DI) contextualizado à total descaracterização. Geralmente depois do início do curso, os estudantes são entregues à própria sorte. Figura: Fóruns das lições de Comunicação e oratória 1º Semestre 2009. 256 GARRISON; ANDERSON, 2005, p. 95 – 1005. GARRISON; ANDERSON, 2005, p. 101. “La comunidad debe ser, em cierta forma, autosostenible; por tanto, demasiada presencia docente o demasiado poça puede afectar negativamente aL discurso y al proceso de comprensión”. 258 HARASIM, Linda (ET. AL.). Redes de aprendizagem: um guia para ensino e aprendizagem on-line. São Paulo: SENAC/ SP, 2005. 257 233 6. Sobre os vídeos O vídeo é utilizado para preleção acerca do conteúdo da aula. Cada vídeo tem duração de 30 minutos. Não há um vídeo com a apresentação de uma pregação, o que há é uma aula tradicional gravada em vídeo. Sobre esse aspecto é importante observar aquilo que é chamado por Otto Peters como modelo de reprodução, ou seja, a tentativa de reproduzir a prática de ensino presencial no ambiente virtual259. Para Peters, essa prática não é recomendável porque impede a exploração das “extraordinárias possibilidades pedagógicas do ambiente informatizado de aprendizagem”260. Moore e Kearsley vêem o vídeo como uma boa mídia para o ensino de aptidões interpessoais, ensino de procedimentos e apresentação de opiniões de especialistas, como por exemplo, uma entrevista ou palestra de um erudito no assunto261. No caso do ensino de comunicação e oratória seria interessante um vídeo demonstrativo da apresentação de um discurso ou sermão, ou uma breve palestra sobre o assunto com um renomado especialista da área, ou uma encenação da reação de um auditório à apresentação de um discurso ou sermão. Outra possibilidade que poderia ser aventada para utilização do vídeo na aula de comunicação e oratória seria os alunos elaborarem pequenos vídeos de sua própria prática de 259 PETERS, 2004, p. 267. PETERS, 2004, p. 268. 261 MOORE; KEARSLEY, 2007, p. 82. 260 234 pregação e, desse modo, colocar a disposição dos colegas e professor para análise crítica. A apresentação com áudio e vídeo pode ser feita hoje praticamente sem custo nenhum, caso o usuário tenha internet com banda larga e uma webcan, através de serviços gratuitos como MSN e Skype. 7. O material impresso ou Guia de Estudo A UNIGRAN oferece ao aluno material impresso com o conteúdo das aulas de cada disciplina. O mesmo conteúdo é disponibilizado na plataforma em forma de arquivo PDF. Cada volume do manual de estudo reúne os conteúdos de três disciplinas e para cada uma são reservadas entre 50 à 75 páginas. O conteúdo é transmitido de forma não muito diferente de um livro, predominando uma linguagem formal com poucos estímulos visuais. Especialistas em EAD como Moore e Kearsley262, Fernandez263, Peters264, destacam que os materiais de estudo devem ser redigidos em linguagem simples, a modo de conversação, na primeira pessoa em vez da terceira, com gráficos, figuras, referências remissivas e cruzadas, e outros mais recursos que facilitem a compreensão e apreensão do conteúdo estudado. Sua finalidade é substituir as eventuais explicações que os professores dão em sala de aula. 8. O tempo de curso da disciplina As disciplinas dos cursos de graduação na modalidade EAD da UNIGRAN tem duração de 18 a 20 dias. Desse modo, o estudante cursa seis disciplinas durante um semestre. Após os dias letivos da disciplina o estudante tem ainda em torno de quatro dias para a preparação para a avaliação escrita. É um calendário muito apertado. A questão do tempo de curso de uma disciplina é complexo. Não envolve apenas o estudante como indivíduo, mas o grupo que participa da disciplina. Mesmo as atividades assíncronas dependem de um calendário conjunto para serem efetivas. Um fórum de discussão só faz sentido se as mensagens forem postadas dentro de um limite de prazo, caso contrário 262 MOORE; KEARSLEY, 2007, p. 118. FERNANDEZ, Consuelo Teresa. Os métodos de preparação de material impresso para EAD. In: LITTO, Fredric M.; FORMIGA, Marcos (orgs.). Educação a distância: o estado da arte, São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009, p. 395-402. 264 PETERS, 2006, p. 145-149. 263 235 não há discussão, apenas postagens. Outras atividades síncronas como chat, tele-conferência via web ou qualquer outro tipo de transmissão ao vivo obrigam um calendário fechado. Filatro265 diferencia duração e período de um curso. A duração seria a carga horária necessária para realização das atividades da disciplina e período seria o tempo em que o ambiente ficaria disponível para o aluno realizar suas atividades. Um período longo disponível para o aluno realizar as atividades envolve outra variável, que é carga horária do docente. Questões de custo tendem a frustrar uma das promessas da EAD que era a flexibilidade. 265 FILATRO, 2008, p. 53. 236 ANEXO 15 Código H001 H002 H003 H004 H005 H012 H013 H014 H015 H023 H024 H025 H026 H027 H028 H029 H030 H031 H032 H033 H034 H035 H036 H037 H038 H039 H040 H041 H042 H043 H044 H045 H046 H047 H048 H049 H050 H051 H052 H053 H054 H055 H056 H064 H065 H066 H070 H071 H076 H077 H078 Documentação Entrevistas Entrevistas Entrevistas Entrevistas Entrevistas Orientações institucionais Transcrição Vídeo Teologia e liderança aula 1 a 3 Transcrição Vídeo Teologia e liderança aula 5 Transcrição Vídeo teologia e liderança aula 6 Mensagens dos fóruns teologia Espiritual Mensagens dos fóruns amentos da Teologia Prática Mensagens dos fóruns Comunicação e Oratória Mensagens dos fóruns Ensino Religioso e Educ. Básica Mensagens dos fóruns Práticas Ministeriais Mensagens dos fóruns Aconselhamento Mensagens dos fóruns Teologia e Liderança Manual do aluno Projeto Pedagógico Plano de ensino teologia Espiritual Plano de ensino Fundamentos da Teologia Prática Plano de ensino Comunicação e Oratória Plano de ensino Ensino Religioso e Educ. Básica Plano de ensino Práticas Ministeriais Plano de ensino Aconselhamento Plano de ensino Teologia e Liderança Material Impresso das aulas comunicação e oratória Aula na plataforma Interface do ambiente Atividades teologia Espiritual Atividade Fundamentos da Teologia Prática Atividade Comunicação e Oratória Atividade Ensino Religioso e Educ. Básica Atividade Práticas Ministeriais Atividades Aconselhamento Atividades Teologia e Liderança Registro de Observação Quadro de aviso teologia Espiritual Quadro de aviso Fundamentos da Teologia Prática Quadro de aviso Comunicação e Oratória Quadro de aviso Ensino Religioso e Educ. Básica Quadro de aviso Práticas Ministeriais Quadro de aviso Aconselhamento Quadro de aviso Teologia e Liderança Transcrição de vídeo teologia Espiritual aula 5 e 6 Transcrição de vídeo Teologia Espiritual aula 7 e 8 Transcrição de vídeo Teologia Espiritual aulas 1 a 4 Transcrição de vídeo Fundamentos da Teologia Prática aula 1 Transcrição de vídeo Fundamentos da Teologia Prática aula 2 Transcrição de Vídeo Comunicação e Oratória aula 2 Transcrição de vídeo Comunicação e oratória aula 3 Transcrição de vídeo Comunicação e oratória aula 5 237 H079 H080 H083 H084 H085 H086 H087 H108 H109 H110 H111 H112 H113 H114 H115 H116 H117 H118 H119 H120 H121 H127 H128 H135 H136 H137 H138 H139 H140 H141 H142 H143 H144 H146 H147 H148 H149 H150 H151 Transcrição de vídeo Comunicação e oratória aula 4 Transcrição de vídeo Comunicação e oratória aula 6 Transcrição de vídeo Ensino Religioso e Educ. Básica aula 1 Transcrição de vídeo Ensino Religioso e Educ. Básica aula 2 Transcrição de vídeo Ensino Religioso e educ. Básica aula 3 e 4 Transcrição de vídeo Ensino Religioso e educ. Básica aula 5 e 6 Transcrição de vídeo Ensino Religioso e educ. Básica aula 7 e 8 Web aula teologia Espiritual Web aula Fundamentos da Teologia Prática Web aula Comunicação e Oratória Web aula Ensino Religioso e Educ. Básica Web aula Práticas Ministeriais Web aula Aconselhamento Web aula Teologia e Liderança Provas teologia Espiritual Provas Fundamentos da Teologia Prática Provas Comunicação e Oratória Provas Ensino Religioso e Educ. Básica Provas Práticas Ministeriais Provas Aconselhamento Provas Teologia e Liderança aula 6 Observação na sala de aula Aconselhamento Observação na sala de aula Teologia e Liderança 1 a 3 Vídeo-aula 6 Teologia e liderança (Observação) Vídeo-aula 2 Comunicação e oratória (Observação) Vídeo-aula 2 ensino religioso “Legislação” (Observação) Vídeo-aula Fund. Teol. Prática “Apontamentos gerais” (Observação) Vídeo-aula Fund. Teol. Prática “aula 2 Fundamentos” (Observação) Vídeo-aula 3 Comunicação e oratória (Observação) Vídeo-aula 6 Comunicação e oratória (Observação) Vídeo-aula Comunicação e oratória “desenvolvimento dos sermão” (Observação) Vídeo-aula 5 Teologia e liderança (Observação) Vídeo-aula 1 Ensino religioso e Ed. Básica “Fatos históricos..” (Observação) Vídeo aula 5 e 6 de Teologia espiritual (Observação) Imagem de vídeo aula Imagem de vídeo aula Vídeo-aula Teol. Espiritual aula 1-4 (Observação) Acesso à ferramentas – aconselhamento cristão Calendário das disciplinas 2º Semestre de 2009