Revista Design em Foco
ISSN: 1807-3778
[email protected]
Universidade do Estado da Bahia
Brasil
Campos, Gisela
O design gráfico online e offline da revista Trip
Revista Design em Foco, vol. III, núm. 2, julio-diciembre, 2006, pp. 21-33
Universidade do Estado da Bahia
Bahia, Brasil
Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=66111515003
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Para citar este artigo (ABNT) / Brazilian referencing format for this article:
CAMPOS, G. O design gráfico online e offline da revista Trip. In: Revista Design em Foco,
v. III n.2, jul/dez 2006. Salvador: EDUNEB, 2006, p. 21-33.
O design gráfico online e offline da revista Trip
The online and offline graphic design of Trip magazine
Resumo
Sobre a autora
Gisela Campos
Doutora e mestre em
Comunicação e Semiótica pela
PUC-SP. Professora do Mestrado
em Design, da graduação e pósgraduação em Design Digital da
Universidade Anhembi
Morumbi, São Paulo. Pesquisa
as inter-relações entre Design e
Arte, com ênfase em design
gráfico em mídias impressas e
digitais.Tem artigos publicados
na coleção Faces do Design,
Semiótica da Arte e na revista
Estudos em Design. Faz parte do
Centro de Pesquisa em Design
da Universidade Anhembi
Morumbi.
Este texto discute a relação entre o design gráfico da revista Trip, em
sua versão impressa e em sua versão on line. A análise é feita sobre
a linguagem visual dos respectivos projetos gráficos, identificando as
possíveis contaminações de um meio a outro.
Abstract
This text discusses the relashionship between graphic design of the
Trip Magazine, in this print’s version and its on line version. The
analyses is made under visual language of the both graphics projects
indentifying the problabes contaminations between the mediums.
Palavras-chave
Design gráfico, web design, Revista Trip.
Keywords
Graphic design, web design, Trip Magazine.
1. Introdução
Um meio se transforma com o advento de um outro e contaminações
ocorrem de um a outro, disse Marshal Macluhan já nos anos 1960.
Um exemplo, a linguagem pictórica modificou-se com a fotografia,
e, esta, em seus primórdios, tomou como modelo a pintura de
paisagens.
No design gráfico, temos um exemplo claro nas modificações sofridas
pelos jornais impressos com o advento da televisão, sobretudo a
colorida, e depois com a internet. Nesse caso específico, temos
observado, em grande parte dos jornais brasileiros, a diminuição
progressiva do tamanho dos textos e a valorização crescente das
imagens, seguindo a linha implantada pelo diário norte-americano
USA Today a partir de 1982. A reformulação do jornal americano
contou com um projeto de design eficiente que pudesse ajudar a
sobrevivência do jornal impresso diante da concorrências dos novos
meios:
Este jornal estebeleceu um modelo editorial imediatamente
seguido por seus pares, que se traduzia na diminuição do
espaço de texto, veiculado em pequenos blocos – “pílulas” –
distribuídos pela página em conjunto com grandes fotos e
gráficos informativos (MORAES, 1996, p. 83-84).
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No sentido inverso, um exemplo de contaminação de um meio
novo por meios mais antigos pode ser dado pela televisão brasileira
em suas primeiras décadas que teve como modelo o rádio, o teatro,
o cinema e, até mesmo, as salas de aula. Já em 1971, Décio
Pignatari alertava para a necessidade da televisão desenvolver sua
linguagem através de seus códigos próprios ao referir-se à TV
Cultura e em sua forma de transmitir o ensino através de uma
aula de telecurso:
Violentar um meio como a televisão, forçando-o a comportar-se como
outros meios (livro, rádio, sala de aula, cinema, sala de concertos
etc), a fim de que seja o menos televisão possível, é um erro básico
de comunicação e uma cincada pedagógica (…) a televisão é um
veículo de veículos, é veículo-síntese.(..) o tempo, na televisão, é
um tempo de alta concentração (…) 10 minutos são demais para
uma aula (PIGNATARI, 1971, p. 69-70).
Um outro exemplo, e desta vez, da influência da televisão no design
gráfico, é o logotipo da Rede Globo de Televisão projetado por Hans
Donner em 1975-76, que apresenta sugestão de volume, já prevendo
e pensando nas possibilidades que a animação eletrônica em breve
iria oferecer (HOMEM DE MELO, 2003, p. 37).
O conceito tradicional de meio vem deixando de ser um parâmetro
eficaz para qualificar ou definir uma obra de arte, e mesmo uma
peça de design, desde os anos 1960, quando manifestações artísticas
tais como instalações e performances, entre outros, passam a misturar
diferentes técnicas e suportes para realização de obras. Com o advento
das mídias digitais, estas tipologias passam a ser ainda mais obliteradas, graças à tendência a misturar e a fundir um meio ao outro,
como, por exemplo, na hipermídia, que abriga vídeo, áudio, texto,
entre outros.
O conceito tradicional de meio enfatiza as propriedades físicas de
um material e suas capacidades representacionais (isto é, a relação
entre o signo e o referente). Como a estética tradicional de modo
geral, esse conceito nos encoraja a pensar sobre as intenções do
autor, o conteúdo e a forma de uma obra de arte – e não no usuário
(MANOVICH, 2001, p. 6).
Essas colocações e exemplos introdutórios nos servem de apoio para
pensar a internet e que tipo de linguagem ela estaria apta a desenvolver
e como estaria de fato desenvolvendo nesse momento. A grande
crítica que se faz à linguagem da internet é que ela ainda não encontrou seu rumo e que, a maioria dos sites de grande acesso do público,
sobretudo os portais, seguem a linguagem de mídias impressas,
principalmente dos jornais, revistas e livros.
Como aponta Beiguelman (2005, p. 2), “...tão paradigmática é ainda
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a cultura impressa que não se conseguiu inventar um vocabulário
próprio para as práticas de leitura e escrita on line”.
Analisando algumas revistas que têm sua versão on line podemos
observar melhor como estão sendo operados esses trânsitos e
contaminações entre essas duas mídias. A análise recai sobre a
linguagem visual, que é ao lado da linguagem verbal, o elemento
comum entre as duas mídias, e o que caracteriza o design gráfico,
uma vez que podemos definir design gráfico como a atividade de
planejamento e projeto que articula texto e imagem, enfatizando a
linguagem visual.
A configuração ou composição visual é tida normalmente como a
“cara” do design, o “cartão de visita”, aquilo que faz com que o
usuário se sinta estimulado a prosseguir num caminho, rumo ao
desvendamento ou exploração de uma peça, seja ela impressa ou
digital. Essas configurações ou composições constituem interfaces
gráficas.
2. Interfaces, espaços e metáforas
O conceito de interface, mais freqüentemente utilizado em produções digitais, pode também ser usado em mídias impressas e se
refere ao ponto ou pontos de contato entre o usuário e o conteúdo
que se deseja acessar, aquilo que faz com que o primeiro se sinta
disposto a adentrar o mundo de dados contidos na peça. Elementos
de uma interface gráfica são textos, imagens, cores, texturas, e a
própria diagramação. Em um website, além desses elementos, temos
janelas, ícones, menus e botões, lembrando que além da homepage
temos as interfaces seqüenciais, que se desdobram internamente.
São esses elementos que conduzem o usuário para um determinado
conteúdo, seja em mídia impressa ou digital. Quando falamos de
interface gráfica estamos falando de espaço ou ambiente. O espaço
do produto impresso, no caso de uma revista, é um espaço bidimensional, raso, no qual todos os elementos são vistos por contigüidade,
isto é, numa seqüência que, mesmo que não seja linear, está lado a
lado. Já o espaço da Web é o espaço do hipertexto que possui características totalmente diferentes do espaço do papel. É um espaço
profundo e neste sentido, tridimensional e até mesmo tetradimensional, uma vez que inclui o tempo e o movimento. Entretanto, essa
tridimensionalidade não significa que o designer tem, necessariamente, de representar um elemento graficamente com volume em
uma interface da Web. A profundidade, no caso, está no modo de
navegar e nas linkagens possíveis entre conteúdos diversos. Essa
idéia de espaço em profundidade está mais próxima do conceito de
ciberespaço, colocado por Lúcia Leão:
O ciberespaço é um mundo virtual formado por uma base de dados
matemáticos que se apresentam aos nossos sentidos como espaços
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interativos, hipermidiáticos, e interconectados. O ciberespaço é
explorável e visualizável em tempo real (LEÃO, 2001, p. 2).
O desafio, para o designer que tem um conjunto de dados, no caso,
os de uma revista, é “conceber e organizar esses dados de forma que
eles não sejam meras ilhas de informação mas sim sistemas
organizados” (LEÃO,2001, p. 2).
Para o usuário, a interface na tela do computador é o único espaço
no momento em que este navega, e o que o coloca em contato com
o mundo infinito gerado pela informática e suas máquinas. A interface
gráfica é aquilo que nos dá acesso à informação que transita no
ciberespaço, faz a ponte entre o que conhecemos e os mecanismos
numéricos e cria a possibilidade de interferirmos neste universo. As
interfaces possuem, portanto, uma carga simbólica que tem por
função representar todo o nosso contato com o vasto mundo
cibernético. Quando uma pessoa pensa neste universo, ou imagina
a utilização de qualquer um destes aparatos digitais, inevitavelmente
estará pensando a partir de uma interface gráfica.
Um computador (…) é um sistema simbólico sob todos os aspectos.
Aqueles pulsos de eletricidade são símbolos que representam zeros
e uns, que por sua vez representam simples conjuntos de instrução
matemática, que por sua vez representam palavras ou imagens,
planilhas e mensagens de e-mail. O enorme poder do computador
digital contemporâneo depende dessa capacidade de autorepresentação.
O mais das vezes, essa representação assume a forma de uma
metáfora. (…) Essas metáforas são o idioma essencial da interface
gráfica contemporânea (…) a interface torna o mundo prolífico e
invisível dos zeros e uns perceptíveis para nós (JOHNSON, 2001,
p. 18-19).
O uso de metáforas visuais e textuais tem sido uma prática constante
desde a popularização dos computadores pessoais na década de
1980, pela necessidade de aproximação e familiaridade entre o
usuário e o ciberespaço.
Os produtos disponibilizados na rede, tais como portais e revistas
online têm usado as metáforas dos meios impressos. No caso de um
website de uma revista impressa, além da aproximação entre usuário
e ciberespaço, há a necessidade de estabelecer uma ponte entre
este último e o espaço impresso.
Giselle Beiguelman aponta para a questão de que as relações de
contigüidade e de semelhança operadas por esses trânsitos off line e
on line por meio de metáforas atrofiam a capacidade de pluralizar os
sentidos, bloqueando as possibilidades que uma leitura no ciberespaço
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é capaz de oferecer : uma leitura distribuida e um diagrama em aberto
(BEIGUELMAN, 2005).
Talvez a metáfora do site (sítio) para designar a situação de nãolocalidade que estrutura o cyberspace esteja na raíz desses
mecanismos metafóricos, que não são inconvenientes por serem
errôneos, mas por mascararem a situação inédita de uma
espacialidade independente da noção de lugar (BEIGUELMAN,
2005, p. 2).
A autora está colocando que as metáforas dos meios impressos,
possibilitam um relacionamento com dados e informações de uma
ordem totalmente distinta dos dados e informações das redes digitais
e do ciberespaço. Porém, no caso analisado aqui, a ponte que deve
ser estabelecida é entre o usuário, a revista impressa, a revista on
line e o ciberespaço, o que, de certa forma, justifica, em parte, o uso
de uma linguagem visual similar em ambos os produtos.
3. Revistas em foco
Para analisar uma revista, on line ou off line, deve-se levar em conta
o conteúdo, a qualidade do texto, a adequação da linguagem (verbal
e visual) ao leitor e à identidade da revista; a qualidade ética e técnica;
o estímulo à leitura; o equilíbrio e a harmonia entre texto, imagem e
diagramação como um todo; o ritmo do espelho, na revista impressa,
isto é, como suas partes são previstas e organizadas e, no caso de
uma revista on line, como está organizado o hipertexto e navegação;
a qualidade das imagens: fotografias e ilustrações bem como do
texto (escolha de fonte); o conteúdo informativo das ilustrações e
fotografias.
4. Revista impressa
Olhando mais atentamente para os elementos visuais, observamos
que, em uma capa de revista temos como elementos constituintes:
o formato, o logotipo, as chamadas, as fotografias, as legendas e
pequenos elementos como selos e códigos de barra. Nestes ítens,
entram como elementos de design: a grade, como estrutura compositiva básica; a tipografia e suas variações de forma, estilo e tamanho;
as cores; a diagramação ou distribuição desses elementos visando
uma organização hierárquica, com elementos mais importantes que
outros. A parte interna de uma revista é geralmente composta por
sumário, editorial, anúncios e sessões diversas: cartas do leitor, notas
com informações curtas, colunas assinadas ou não, matérias
principais, matéria de capa, matérias secundárias, que podem utilizar
e adaptar os mesmos elementos de design da capa.
5. Revista Trip (projeto original)
A revista Trip tem seu projeto gráfico original realizado por David Carson
que, antes de ser designer, foi, no final dos anos 1970, surfista e
professor de sociologia. Carson cativou seu público como diretor de
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arte das revistas Transworld skateboarding, Beach Culture e depois
RayGun. Na Trip, Carson realizou um projeto ousado para os produtos
similares da época. Trip é uma revista para o público jovem com seções
de interesses múltiplos: cultura, esporte, lazer, comportamento, moda,
com reportagens com personagens importantes pertencentes a esses
universos e perfis com entrevistas e nús artísticos femininos. A revista
tem a opção de escolher entre duas capas. A edição do mês de
novembro de 2005 apresenta uma capa com o ator Selton Mello e
outra com Lilian Taublid.
A marca registrada de seu projeto inicial e o grande diferencial em
relação a outras revistas consiste no modo como usa a tipografia,
que, basicamente, é utilizada como se estivesse mostrando anúncios
de classificados de jornal. As medidas das colunas ocupam todo o
espaço disponível com margens muito estreitas entre elas; o
entrelinhamento também é pequeno. Nos títulos, intertítulos e olhos,
a revista explora diferenças de corpo da mesma fonte. Um recurso
usado para não confundir uma coluna com outra é usar diferentes
cores de fundo, de preferência um tom de bege amarelado para
contrastar com o branco. Também o desalinhamento horizontal das
alturas das linhas de textos é usado para não confundir as colunas e
as respectivas leituras.
Há o uso de textos e frases sobrepostas e de textos que cortam imagens,
bem como textos usados na vertical ou mesmo encapsulados em
grandes retângulos como se estivessem selecionados por processadores
de textos do tipo Word. O uso de tipografias diferentes na mesma
revista, dependendo do material, também é pródigo. Há páginas em
que o uso da tipografia currier nos remete à máquina de escrever.
Há páginas em que a direção vertical tornou-se totalmente horizontal
ou diagonal, criando blocos de textos muito largos, desafiando
também o padrão de medida de coluna aceito como bom.
As imagens são colocadas bem delimitadas em retângulos que
interrompem os blocos de texto, empurrando os mesmos para as laterais.
Quando se folheia a revista pela primeira vez, há um certo choque
pela falta de respiro, mas aos poucos vamos nos acostumando com
essa nova estética e percebemos que ela encontra correspondência
com o público jovem por seu formato diferente. O uso da tipografia
na Trip desafiou as normas clássicas de legibilidade.
É importante sublinhar que David Carson é um ícone da tendência
pós-modernista em design gráfico que tomou forma no início dos
anos 1980. A irreverência com que Carson e outros designers
desafiaram as regras de legibilidade seguidas até então para o design
gráfico possibilitou que aspectos desses padrões fossem rompidos.
Lançando mão do excelente estudo realizado por Ana Cláudia
Gruszynski (2000) a respeito da tipografia, podemos utilizar o conceito
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elaborado pela autora de transparência tipográfica para garantir
legibilidade e a isenção do designer na comunicação do conteúdo da
peça gráfica. Alguns dos mandamentos consagrados para garantir
legibilidade são:
Escolher tipos clássicos testados e consagrados pelo tempo; não
usar fontes diferentes ao mesmo tempo; não combinar fontes que
tenham aparência similar; dar preferência para o uso de caixa-baixa
e alta e não somente maiúsculas. No corpo do texto usar tamanhos
entre 8 e 12. Evitar o uso de corpos e pesos diferentes ao mesmo
tempo. Use largura de linhas apropriadas, nem muito curtas nem
muito longas porque rompem o processo de leitura. Indicar
claramente os parágrafos (GRUSZYNSKI, 2000, p. 59-60).
Todos esses princípios elencados acima foram desrespeitados nas
primeiras edições da Trip. Como salienta Gruszynski:
Os princípios acima, se vistos como um conjunto de dogmas a serem
seguidos em toda e qualquer situação, enfatizam apenas o design
como um meio transparente. Os princípios articulam-se para alcançar
a máxima legibilidade, que é nesse caso, elevada a critério de valor
da boa composição de um texto (GRUSZYNSKI, 2000, p. 60).
Entretanto, salienta a autora citando Gerald Unger: Há muitas formas
diferentes de ler, ligadas a objetos de leitura bastante variados. (UNGER
apud GRUSZYNSKI, 2000, p. 60).
A afirmação de Unger enfatiza o fato de que as diferentes situações
de comunicação (contexto) possibilitam também diversos modos de
composição dos signos visuais. A sintaxe gerada pode ser adequada
a um contexto e não a outro (GRUSZYNSKI, 2000, p. 61).
E parece ter sido esse o caso de muitas peças do design pós-moderno.
Os trabalhos de David Carson, incluindo a Trip, foram muito apreciados
e tornaram-se referência para toda uma geração de novos designers,
o que atesta que ele foi compreendido.
6. Trip de novembro de 2005
A edição analisada aqui, de novembro de 2005, está bastante
comportada em relação às primeiras edições da Trip. Os textos estão,
com poucas exceções, colocados em colunas com medidas iguais e
alinhados. Há lembranças sutis do padrão original, como diferenças
de medidas de colunas em algumas matérias e a utilização de textos
grifados em outra cor e em corpo maior como se estivesse usando
canetinhas hidrocor.
De um modo geral, as diagramações estão mais ordenadas, no sentido
tradicional do termo. As grades são respeitadas em sua ortogonalidade
e este é um diferencial básico em relação às primeiras edições.
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A revista mantém, entretanto, as linhas temáticas de matérias e
reportagens e o espírito irreverente originais, que a tornaram uma
revista diferenciada no mercado.
O formato agora é tablóide, provavelmente em razão de custos. O
projeto gráfico guarda ainda alguns resquícios herdados das primeiras
edições, tais como diferentes layouts para cada matéria ou seção e
uma grande variedade no uso de fontes tipográficas.
Um grande diferencial em relação as outras revistas do mercado é o
modo de identificação das páginas. Uma boa parte das páginas da
Trip não é numerada, o que aproxima um pouco a revista do seu
portal, uma vez que o leitor se perde um pouco a percorrê-la.
7. Partes da revista impressa
sumário, as partes constituintes da revista impressa
são:
• Páginas negras
negras- entrevista com o ator Selton Mello, com
projeto gráfico específico para a matéria de 12 páginas, bastante
tradicional com duas colunas de texto, não justificados e
alinhados a esquerda, fotos de diversos momentos da carreira
do ator, colocadas na parte superior das páginas, no meio ou
ocupando página inteira com moldura preta. A única lembrança
aqui de uma Trip “original” é o uso da fonte currier em linhas
finas e olhos. No site a matéria está quase na íntegra com
textos em branco sobre fundo preto e as mesmas fotos com
tamanhos e localizações diferentes.
• Colunas
Colunas- são no total 5 com matérias com uma única página,
sempre no lado esquerdo (página par) da revista, com
ilustrações de Selper. As 4 primeiras estão logo no começo da
revista e a última está bem no final.
• Salada
Salada- são matérias breves sobre temas diversos, como o
nome sugere. Estão elencadas na revista de forma seqüencial,
intercaladas por anúncios. Seguem o mesmo projeto gráfico.
O diferencial fica por conta da indicação das páginas, inserida
em um quadrado amarelo que fica localizado em partes
distintas da página.
• ACP ou Academia de Cultura P
op
Pop
op- Também dividida em
várias partes localizadas no final da revista. A primeira parte é
uma matéria com Caetano Veloso sobre sua experiência no
Tim Festival no Rio de Janeiro, que tem projeto gráfico e
diagramação, totalmente distintos das outras partes da revista.
O que identifica as matérias pertencerem a essa coluna fixa é
o triângulo preto com o logotipo “academia de cultura pop”
colocado sempre no alto das páginas pares à esquerda. Na
seqüência há uma matéria com o cantor Moacir Santos, que
no site está como Salada.
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• Segue-se matéria intitulada “Los Três amigos” sobre os
cineastas Sergio Machado, Marcelo Gomes e o co-roteirista
Katim Aïnouz que no site entra como nota de Salada. Em
seguida, há uma matéria sobre o quadrinista francês Fréderic
Boilet, que trabalha no Japão fazendo HQ no estilo “nouvelle
manga”– uma nova linguagem de quadrinhos com cunho
erótico. A seção Salada no site é bem mais completa que a
da revista impressa e está dividida em notas com as
denominações: vai lá; volume; peças; cinequanon; links;
nomes adequados; drive-in; literatura; newscotina.
• Na revista impressa segue a matéria: “Arte contra a parede”,
sobre o filme “Infamy” que retrata a vida de grafiteiros
americanos.
• Especial
Especial- Há duas matérias especiais: a primeira sobre o
preconceito, que está na íntegra no site, e a segunda sobre
esportes para deficientes visuais, que também está no site, com
excessão de uma breve artigo do Prof.Norval Baitello Junior.
• Repor
tagem
eportagem
tagem- Há duas: a primeira sobre rock gospel, na
íntegra também no site. A segunda entitulada “Ecomotion”
sobre esportes radicais, que também está na íntegra no site.
• Per
fil
erfil
fil- Ensaio visual e perfil da atriz também deficiente física
que está parcialmente no site.
• Gonzo
Gonzo- Traz uma matéria que é uma espécie de parábola do
Rei Arthur, uma encenação teatral em forma de matéria de
revista. Está quase na integra no site.
• Trip GirlGirl O ensaio de nú artístico que é destaque no site.
• Ensaio
Ensaio- Uma das partes mais bonitas da revista em projeto
gráfico. Ensaios fotográficos de Dimitri Lee com panorâmicas
de estádios de futebol vazios, seguidos de crônicas de 4
“craques” da literatura nacional.
• É no site que essas fotografias realizadas com uma câmera
especial capaz de fotografar paisagens de 140 graus, ficam
mais valorizadas, pois então, as vemos em movimento.
• Ar
tigos
Artigos
tigos- Dois artigos acoplados à matéria sobre preconceitos.
Um é o de Norval Baitello Junior, já comentado, e o outro, da
Profa. Lilia Moritz Schwarcz, antropóloga que também se encontra no site.
8. Website em foco
Para analisar um website devemos levar em conta, além da interface
gráfica que vai possibilitar o acesso ao conteúdo, vários outros
elementos tais como: a navegação e a interatividade dentro do próprio
site ou entre o website e o usuário; a conectividade com outros
websites da rede; a inter textualidade ou possibilidade de
aprofundamento dos textos em camadas; os recursos de animação e
de movimentação dos elementos, os recursos de vídeo e de áudio.
Em relação à interface gráfica, em um website utilizamos alguns
elementos comuns à mídia impressa, tais como o formato da home
page ou das webpages; a grade, como estrutura compositiva básica;
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os logotipos e símbolos que porventura existam, os textos, as
chamadas, as fotografias, ilustrações e gráficos, as legendas e outros
pequenos elementos. Nestes ítens entram como elementos de
design, a tipografia e suas variações de forma, estilo e tamanho; as
cores; a diagramação ou distribuição desses elementos. As páginas
internas do website podem seguir a homepage ou apresentar
estruturas compositivas diferentes, dependendo do website.
Em um website de revista, de modo geral, as partes internas ou
webpages não seguem um padrão, mas de modo geral devem ter
um identidade com a homepage e com o website como um todo. O
conteúdo das páginas internas varia conforme o website, sendo de
modo geral, posicionado de modo diferente das revistas impressas
por usar o recurso do hipertexto. A interface de uma homepage é a
mais importante hierarquicamente falando, pois é a partir dela que
todas as outras partes do website são acessadas e acionadas.
9. Website da revista Trip (acessado em 8 e 10/12/2005)
O website da revista Trip, que pode ser considerado um portal devido
a seu tamanho, está hospedado no Universo on line (Uol). Dessa
forma, quando acessamos a homepage, podemos visualizar, na parte
superior da página uma barra com o cabeçalho padrão do provedor.
Logo abaixo, há uma faixa destinada a anunciantes diversos, inclusive,
com várias chamadas para assinatura da revista que se alternam em
animação e em movimento.
Do lado direito há uma faixa colorida que muda de cor conforme a
edição, destinada à publicidade, que está vazia. No dia 8/12/2005
esta faixa é bege escuro. Esta faixa começa mais estreita e se alarga
à medida em que vamos seguindo a homepage para baixo. Ela é da
mesma cor que as barrinhas laterais à esquerda, indicativas de seções.
Desse modo, proporciona um conjunto harmonioso em termos de
diagramação e configuração visual. O fundo da home é todo branco
o que possibilita bastante clareza de visualização e leitura.
O primeiro elemento que visualizamos é o sumário, que são links,
localizado no canto esquerdo com textos com tipografia serifada em
preto, e símbolos da mesma cor da faixa da direita – bege escuro. Ao
clicar uma vez sobre cada um deles aparece uma faixa horizontal
dessa mesma cor e ao clicar duas vezes, é feita a remissão para uma
outra página. No caso de clicar duas vezes em Nesta Edição
Edição, vamos
a uma outra página com indicativos das seções e matérias da revista.
Entrando nessa outra página, pode-se acessar as respectivas matérias
na íntegra e seções disponibilizadas no site.
• Trip Girls - clicando neste item temos acesso às fotos das garotas
(uma da revista impressa e outra exclusiva do site) dessa edição e
também das 10 últimas edições.
• Colunistas
Colunistas- neste item somos enviados às colunas assinadas da
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revista impressa. Assuntos diversos e, de certa forma polêmicos,
são tratados em textos curtos. No final há a opção de imprimir e
comentar. Quando há comentário, abre-se uma janela no alto à
esquerda com o comentário do leitor e um box para preencher e
tecer seus próprios comentários. À direita uma coluna com todos
os colunistas para remeter de um a outro. A home desta seção é
em fundo branco, com nomes destacados em azul claro e forte, e,
cinza médio nos textos, com uma suave ilustração com essas
mesmas cores. Há fotos de 6 colunistas com os respectivos resumos
de seus textos, mas há, na verdade, 11 colunistas para serem
lidos. Nas páginas com os textos em questão não há ilustração. O
fundo é cinza médio, os textos em cinza um pouco mais escuro e
detalhes em azul. Cinco desses textos estão na revista impressa
em páginas inteiras do lado par com ilustrações de Sesper com
muito grafismo e cores que não ficariam tão boas na Web. Nessa
home, há um ilustração de Sesper em preto e branco.
Salada
Salada- essa seção é diversificada como o nome sugere: há notas
sobre exposições de arte, mostras de cinema e curiosidades. No
website as matérias são mais variadas do que na revista impressa,
por serem atualizadas com mais freqüência. As cores usados no
website são verde claro neutro, cinza e branco. Na edição impressa,
o quadrado amarelo marca cada duas notas por página que tem
numeração, por exemplo: salada 052 053.
Edições anteriores nos remete a uma home de seção que mostra
as últimas 10 capas, da 129 à 139. Clicando em cada uma delas
temos acesso às matérias das respectivas edições.
Trip FM neste item temos as entrevistas e matérias no rádio, com
os horários e matérias de arquivos. Essa home é na cor laranja.
Trip sem fio
fio- conduz a uma propaganda de celular.
Eco trip
trip- leva a uma seção com várias notas sobre ecologia e viagens.
Chat
Chat- clicando temos acesso a um arquivo com chats de edições
anteriores.
Seguindo pela home abaixo, sobrepostos em barras da mesma cor
bege escuro horizontais bem no estilo gráfico bauhausiano, temos
alguns indicativos de seções, a saber:
Trip do mês - que não é link.
Só no site que contém 4 chamadas na mesma tipografia do sumário
que são links
Em destaque
destaque- um concurso da grife Red Nose e outro da festa de
19 anos da revista Trip patrocinado pela pepsi twist.
Trip na sua tela-Alterna
tela
matérias da revista impressa, que, no
website, estão praticamente iguais quanto ao texto e às fotos, com
pequenas diferenças, tais como a de Danielle Freitas – um dos
ensaios de nú artístico da edição 139. No site a reportagem está
quase na íntegra, mas as fotos da garota são diferentes. A matéria
de Arthur Veríssimo está quase na íntegra, com uma adaptação na
diagramação e no lay-out.
Interativos
Interativos- Forum; Downloads; SAC; Busca; Quem somos.
10. Revista impressa x revista online
Revista Design em FFoc
oc
.III nº2 • Jul/De
ocoo • vv.III
Jul/Dezz 2006
32
O website da Trip é bastante completo podendo ser considerado um
portal, uma vez que estabelece links com os websites de edições
anteriores, e por conter vários sites menores inseridos num maior.
Na realidade, ele tem um projeto gráfico próprio, independente da
revista impressa, porém abriga as matérias principais seguindo as
características gráficas das mesmas.
O projeto gráfico se aproxima de uma linha modernista e funcionalista:
segue uma grade ortogonal, utiliza tipografia com bastante legibilidade,
usa combinações de cores muito discretas para não sobrepujar o
conteúdo. Os padrões são seguidos nas páginas internas de cada
seção apenas mudando de cor, em geral combinando com cinza ou
branco.
Se analisarmos com atenção percebemos que a Trip on line ganha
alguns pontos em relação a Trip off line e vice-versa. A maior vantagem
do site é poder armazenar um conteúdo muito maior que a revista
impressa. É possível colocar tudo o que a edição impressa coloca e
mais um pouco, com excessão dos anúncios. O hipertexto e o espaço
em profundidade possibilitam uma profusão de textos e imagens,
inimagináveis em uma única edição em papel.
Também é possível interagir muito mais com os leitores e essa prática
traz benefícios para a revista impressa. A maior desvantagem fica
mesmo com matérias com muita exuberância gráfica, que no meio
impresso ganham vida e no digital sofrem um redução devido ao
pequeno tamanho da tela.
10. Referências
BEIGUELMAN, Giselle. Admirável mundo cíbrido, 2005 in <http://
www.pucsp.br/~gb/texts/cibridismo.pdf> acessado em 01 de
novembro de 2005.
GRUSZINSKI, Ana Cláudia. Design gráfico: do invisível ao ilegível.
Rio de Janeiro: 2AB, 2000.
HOMEM DE MELO, Chico. Do plano ao volume. Revista ADG, São
Paulo: n.28, 2003, p. 36-38.
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface: como o computador
transforma nossa maneira de criar e comunicar. Trad. Maria Luísa
X.de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
LEÃO, Lúcia. O Labirinto e a arquitetura do ciberespaço. Revista ADG,
São Paulo: n.22, 2001, p.51-54.
MANOVICH, Lev. Post-media Aesthetis, 2001 in <http://
www.manovich.net/> acessado em 10 de dezembro de 2005.
MORAES, Ary. O redesenho de jornais impressos e seus atores. Revista
Estudos em Design, v.IV.n.1. Rio de Janeiro: ago.1996, p.81-87.
PIGNATARI, Décio. Contracomunicação. São Paulo: Perspectiva, 1971.
Revista Design em FFoc
oc
.III nº2 • Jul/De
ocoo • vv.III
Jul/Dezz 2006
33
Revista TRIP, São Paulo: n.82, ano14. set.2000.
Revista TRIP, São Paulo: n.139, ano 17. nov.2005.
Revista TRIP in <http://revistatrip.uol.com.br/ > Acesso em 13.nov.,
8 e 10 dez.2005.
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