Janeiro 2009 – Este suplemento faz parte integrante da Vida Económica nº 1278, de 02.01.2009 Actualidade p. 4 Sistema de normalização contabilística e formação são questões por resolver Joaquim da Cunha Guimarães avisa Justo Valor implica novas responsabilidades para técnicos e revisores de contas Manuel Patuleia, presidente da APOTEC, lamenta que os profissionais da Contabilidade atravessesm uma fase de profunda intraquilidade e indefinição. Tanto mais grave, quanto a actual situação de crise. As decisões tardam a ser tomadas por parte do poder político, como acontece com a formação profissional e o Sistema de Normalização Contabilística. Considera Patuleia que no actual contexto seria muito importante haver a necessária definição de em termos de actuação e ao nível profissional. Para bem não só do trabalho destes profissionais, como para a própria transparência e governação de todo o sistema fiscal e contabilístico. Fiscalidade p. 6 Técnicos de contas condenam agravamento da tributação autónoma A duplicação da taxa de tributação autónoma, em sede de IRC, de 5% para 10%, foi uma medida governamental que desagradou desagradou à Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (CTOC), como fez saber o seu presidente, Domingues de Azevedo. O aumento da carga fiscal não faz sentido numa altura em que muitas empresas fazem esforços acrescidos para sobreviverem num clima de grandes dificuldades. Lamenta o presidente da CTOC que os profissionais da Contabilidade continuem a não ser ouvidos pela tutela neste tipo de matérias. Com as normas internacionais de contabilidade, de relato financeiro e do futuro Sistema de Normalização Contabilística, ganha nova dimensão a discussão em torno do conceito de Justo Valor. As normas alargam a sua aplicação. Joaquim da Cunha Guimarães lembra que há novas responsabilidades para os técnicos e revisores oficiais de contas. São novas regras, às quais estes profissionais deverão estar particularmente atentos. A problemática do valor ou da valorimetria em Contabilidade continuará a ser uma questão sempre em discussão. Acontece que o Estatuto da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas não dá uma resposta efectiva ao que representa o conceito de Justo Valor em termos profissionais. Já os revisores oficiais de contas têm perante si o problema da auditoria/revisão do balanço e das demonstrações dos resultados do Justo Valor. A OROC emitiu uma directriz sobre este assunto, mas nem por isso deixa de ser determinante que os ROC tomem as devidas cautelas, como faz notar Joaquim da Cunha Guimarães. Fiscalidade Contabilidade Sistema fiscal português afasta investimento estrangeiro p. 7 p. 18 p. 17 Adopção do SNC deveria estender-se a um universo mais vasto Título: Inovação Empresarial no Século XXI Autores: Praveen Gupta Págs: 480 (15,5 x 23 cm) Preço: 22 A A INOVAÇÃO COMO MEIO PARA ALCANÇAR UM CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL Inovação Empresarial no Século XXI oferece uma abordagem abrangente dos processos relacionados com a inovação e um novo enquadramento da inovação – um enquadramento que é sustentável na geração da Internet e na era do conhecimento. Quando se compreende o processo de inovação, e as pessoas percebem as capacidades e viabilidades da inovação, podemos olhar para o futuro mais próximo, sonhar e acelerar mais ainda a inovação. Todavia, é necessária uma abordagem multidisciplinar para poder desenvolver esse processo. Excelente trabalho! Este cativante livro desafia as empresas a compreenderem o que é a inovação. Oferece às empresas um guia de orientação para implementar uma metodologia equilibrada de inovação nas organizações. OUTRAS OBRAS DO AUTOR - Six Sigma Business Scorecard: Creating a Comprehensive Corporate Performance Measurement System, 2nd edition, McGraw Hill; - The Six Sigma Performance Handbook: A Statistical Guide to Optimizing Results, McGraw Hill; - Six Sigma for Transactions and Service, McGraw Hill; - The Six Sigma Black Belt Handbook, McGraw Hill; - Six Sigma Deployment, Butterworth Heinemann; - ISO 9000: 2000 An Implementation Guide (2006), BookSurge Publishing, (An Amazon.com Company). Beth Daley, Director da DePaul University, Antigo Consultor da McKinsey Pedidos para: Vida Económica - R. Gonçalo Cristóvão, 111, 6º esq. • 4049-037 PORTO Tel. 223 399 400 • Fax 222 058 098 • E-mail: [email protected] www.vidaeconomica.pt 4 Actualidade Sistema de normalização contabilística e formação são questões por resolver Medidas fiscais de incentivo às empresas são insuficientes Bruxelas altera regras da tributação da poupança 6 Fiscalidade Técnicos de contas condenam agravamento da tributação autónoma Sistema fiscal português afasta investimento Bruxelas apresenta plano para combater a fraude em sede de IVA Normativo baseado em conceitos é o indicado para o relato financeiro 10 Sectores Medidas propostas no OE vão reduzir carga fiscal no imobiliário 14 Informática na Contabilidade Recessão mundial é uma oportunidade para o cibercrime Tecnologias da Informação garantem avaliação correcta dos indicadores de performance Logiciel lança solução out-of-the-box para pequenas empresas 17 Contabilidade Adopção do SNC deveria estender-se a um universo mais vasto Justo Valor implica novas responsabilidades para técnicos e revisores de contas 20 Consultório Editorial Sumário Guilherme Osswald Necessidade de adaptação só para alguns Terminou um ano que se caracterizou por profundas mudanças aos mais variados níveis, sobretudo em resultado da turbulência dos mercados financeiros. Os profissionais da Contabilidade não constituíram excepção e estão agora muito mais conscientes da necessidade de uma rápida adequação às novas circunstâncias. Entretanto, quem parece pensar de outra maneira é o poder político. Têm razão os profissionais e os responsáveis associativos quando afirma que se vive na confusão. Esta é, de facto, uma profissão que vive grandes incertezas a todos os níveis. Ora, acontece que são os responsáveis primeiros pela apresentação de contas das empresas. Mas raramente são ouvidos. Vamos por partes. O Sistema de Normalização Contabilística foi para consulta pública. Houve grande pressa na sua apresentação. Acontece que os dias vão passando e parece que o referido documento passou para as calendas gregas. O mais grave é que se trata de um sistema que terá mesmo que ser implementado e o tempo começa a escassear para se ter uma noção exacta do que se pretende. Um outro aspecto não menos importante prende-se com a Comissão de Normalização Contabilística. O Estado tem um peso excessivo neste organismo, que deveria, à partida, ser totalmente isento. Como é sabido, as normas internacionais de contabilidade têm suscitado muita polémica, desde a sua influência anglo-saxónica até ao facto de ser um trabalho feito à medida das grandes empresas de auditoria. Colocando de parte estes problemas, seria essencial retirar algum do peso estatal na CNC, a par de um reordenamento das muitas entidades que têm a seu cargo as NIC. Quantos mais forem os envolvidos, maior será a confusão. E a credibilidade será sempre colocada em causa, a partir do momento em que será sempre possível afirmar que é um diploma feito em nome dos interesses do Estado. Os problemas não se ficam por aqui. O poder político continua a rejeitar o apoio das entidades representativas dos técnicos e revisores oficiais de contas. O que não é compreensível. Talvez se contasse mais com estes profissionais evitaria situações pouco éticas como aquelas que tiveram lugar nas últimas semanas do ano agora findo. O caso, em particular, dos recibos verdes deixou um “amargo de boca” a muitos contribuintes. Muitos deles apressaram-se a saldar o incumprimento e agora terão que esperar pelo respectivo reembolso. Entretanto, o Governo garantiu uma receita adicional, ainda que temporariamente. Convém ainda referir que, apesar dos apelos feitos, a relação entre o fisco e o contribuinte (ou os seus representantes) pouco melhorou. Com efeito, há queixas sucessivas de que a administração fiscal vai para além do que é razoável num qualquer Estado de Direito. De tal forma que são muitos os casos em que o contribuinte desiste por temor de eventuais “pressões fiscais”. São aspectos que não se podem aceitar, ainda que se admita que algumas melhorias houve em termos operacionais. É um facto que existem objectivos estipulados para os serviços de finanças. No entanto, a sua obtenção não pode acontecer a qualquer custo. Guilherme Osswald Contabilidade & Empresas Rua Gonçalo Cristóvão, 111 - 6º Esq. 4049-037 Porto Telef.: 223 399 400 • Fax: 222 058 098 Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 3 Actualidade APOTEC Manuel Patuleia, presidente da APOTEC, lamenta Sistema de normalização contabilística e formação são questões por resolver Os profissionais da Contabilidade atravessam uma fase de profunda intranquilidade. Ora, em situações de incerteza, cabe ao poder político responsabilizar-se por encontrar soluções para tornar o contexto fiscal, contabilístico e económico mais adequado às novas realidades. Manuel Patuleia, presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Contabilidade (APOTEC), lamenta que se tenha chegado a uma situação de grande indefinição. As decisões tardam a ser tomadas, como são os casos da formação e do Sistema de Normalização Contabilística (SNC). Os técnicos oficiais de contas querem que exista uma maior definição relativamente à sua profissão. “a s inúmeras notícias vindas a público sobre a situação financeira do país e do mundo e o reflexo que todas estas circunstâncias poderão provocar nas sociedades onde as rupturas já se anunciam irão, certamente, provocar nos profissionais ligados à Contabilidade sensações de mau-estar, já que estes são os primeiros a analisarem e a avaliarem os comportamentos das empresas”, de acordo com Manuel Patuleia. Perante este cenário, importa que os profissionais sejam esclarecidos e que sejam dadas respostas às suas legítimas pretensões. a aPoteC tem motivos para estar particularmente preocupada. desde Julho de 2007 que espera por uma decisão final sobre o abuso da 4 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 O presidente da APOTEC considera inaceitável a falta de resposta às solicitações dos profissionais da Contabilidade por parte das autoridades públicas. posição dominante, derivado de um regulamento sobre formação. “É o anacronismo dos processos, é a lentidão, muitas vezes provocada por quem tudo faz para protelar resoluções que impedem os organismos competentes, em tempo útil, de proferirem as necessárias decisões.” aliás, a questão da formação tem suscitado viva polémica. É um problema que se arrasta há já algum tempo. Considera a associação liderada por Manuel Patuleia que a Câmara dos técnicos oficiais de Contas não pode continuar a impedir, sem fundamento, que outras entidades, devidamente credenciadas, promovam acções de formação profissional, independentemente da carga horária. assim, a aPoteFC continua à espera que a autoridade da Concorrência reconheça a sua formação para efeitos do regulamento da Qualidade daquela câmara. refere a este propósito: “a discriminação da formação ministrada pela aPoteC é atentatória das regras vigentes em toda a união europeia quanto à livre e regular concorrência e, consequentemente, inaceitável.” SNC continua parado Mas Manuel Patuleia também se revela descrente do processo relacionado com o sistema de normalização Contabilística. neste caso, os profissionais do sector continuam à espera que seja promulgado o documento respectivo por parte do poder político. sobretudo, lembra que deverão, eventualmente, ser introduzidas alterações, tendo em conta as actuais condições dos mercados a todos os níveis. Para a aPoteC, é essencial serem feitos esforços acrescidos para serem conhecidos, em definitivo, o snC. “Há que permitir aos profissionais tempo para uma mudança de paradigma, de forma a que a sua implementação garanta os objectivos a que se propõe e não atrofie a a actividade destes peofissionais e o desenvolvimento das empresas.” Considera ainda o dirigente associativo que o incumprimento das leis deve, de facto, ser penalizado. só uma mudança de mentalidades fará com que se encare o cumprimento das normas como uma situação normal. Actualidade INCENTIVOS Medidas fiscais de incentivo às empresas são insuficientes a s medidas fiscais de incentivo à recuperação das empresas nacionais são ainda escassas. a maioria dos fiscalistas considera que o governo tem que ir bastante mais longe para tornar as empresas fiscalmente competitivas. Mesmo as mais recentes medidas, ainda que revelem algumas melhorias, são interpretadas como insuficientes. a realidade é que a carga fiscal continua a ser excessiva, a burocracia é demasiada e há aspectos, em concreto, que asfixiam as empresas de menores dimensões. e nesse aspecto tudo continua por fazer ou o impacto apenas terá efeitos no final da década, o que poderá ser demasiado tarde. a deloitte organizou dois seminários para análise das medidas fiscais constantes do orçamento do estado para o próximo ano e as suas implicações para as empresas. os seminários envolveram mais de 550 participantes e contaram com as intervenções de João César das neves e rui Moreira, a par do depoimanento de A realidade é que a carga fiscal continua a ser excessiva, a burocracia é demasiada e há aspectos, em concreto, que asfixiam as empresas de menores dimensões vários gestores e empresários. o principal objectivo é descodificar, interpretar e avaliar de que forma as alterações introduzidas no oe terão impacto efectivo na gestão fiscal das empresas que operam em Portugal. nas conclusões destes dois encontros ficou evidente a escassez de medidas anticíclicas, considerando o actual contexto excepcional. o que significa que as referidas medidas, pelo menos para já, terão pouca influência em termos de apoio às entidades empresariais, “não fomentando a competitividade da economia portuguesa”. donde se conclui que é preciso ir bastante mais longe para alterar o actual estado de coisas. Pela positiva, embora com impacto apenas em 2010, está a alteração à actual taxa de cálculo do irC, que passará a prever a aplicação de uma taxa de 12,5% à matéria colectável até 12 500 eiros. Foram ainda salientados outros aspectos específicos, como é o caso da criação de medidas de apoio ao arrendamento habitacional. entretanto, o governo anunciou algumas medidas de apoio fiscal às PMe. desde logo, o crédito fiscal ao investimento, para o próximo ano, que poderá atingir 20% do montante investido, dedutível em quatro exercícios. Por outro lado, a autoliquidação do iva na prestação de bens e serviços às administrações públicas de montante superior a cinco mil euros. Foi ainda anunciada a aceleração do reembolso do iva, baixando o seu limiar de 7500 para três mil euros, para além da redução do valor mínimo do Pagamento especial por Conta para mil euros. Bruxelas altera regras da tributação da poupança a Comissão europeia adoptou uma proposta que altera a directiva de tributação da Poupança, com o objectivo de eliminar lacunas existentes e evitar a evasão fiscal. desde 2005, esta directiva pretende garantir que as entidades pagadoras declaram os rendimentos de juros provenientes dos contribuintes residentes noutros estados-membros ou cobram um imposto retido na fonte sobre os juros. a proposta da Comissão pretende melhorar a directiva, de forma a assegurar a tributação nos pagamentos de juros, que são canalizados através de intermediários isentos de impostos. Propõe-se também alargar o âmbito de aplicação da directiva ao rendimento equivalente aos juros obtidos através de investimentos em alguns produtos financeiros complexos, assim como em determinados produtos de seguros de vida. Finalmente, a simplificação do funcionamento técnico desta directiva deve levar à criação de um sistema de utilização mais fácil e de implementação mais eficaz. Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 5 Fiscalidade CTOC Técnicos de contas condenam agravamento da tributação autónoma As alterações introduzidas pelo Governo em sede de tributação autónoma desagradaram à Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas. Domingues de Azevedo fez chegar à Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais uma missiva em que dá conta, expressamente, das suas preocupações neste âmbito. Considera a entidade que neste momento há esforços acrescidos para manter as empresas a funcionarem. Ora, criar maior carga fiscal para as empresas acaba por representar uma contradição que não se entende. Por outro lado, o presidente da CTOC torna a apelar para que os técnicos oficiais de contas sejam ouvidos, especialmente quando se trata de introduzir alterações legislativas em matéria fiscal ou contabilística. “a retroactividade da lei na produção dos seus efeitos ao ano de 2008, no que concerne à tributação autónoma, não é propriamente um exemplo de justiça de que nos possamos valer para incentivar as empresas e os empresários ao cumprimento das suas obrigações fiscais. Com efeito, quem cessou a sua actividade até à data da publicação da lei verá a sua tributação autónoma permanecer em 5%, mas quem continuar a exercer a actividade verá a respectiva tributação autónoma relativa às despesas sobre que incide o ano de 2008 serem tributadas à taxa de 10%. uma diferença que é tão só e apenas o 6 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 cumprimento às disposições de audição prévia previstas no estatuto da Câmara dos técnicos oficiais de Contas. O dever de informar O presidente da CTOC lamenta que sejam tomadas medidas que vão tornar ainda mais complicada a actual situação das empresas dobro do imposto a pagar entre uma e outra empresas”, explica domingues de azevedo. ora, cabe aos toC informarem regularmentre as empresas da evolução dos seus volumes de negócios e o peso que os impostos representam. “Como é natural, sempre consideraram a tributação autónoma à taxa de 5% e não de 10%, pelo que se vêem confrontados com realidades que nunca previram, pois nada antevia nem se justificava que fosse publicada uma lei que viesse a produzir efeitos desde o início do ano.” assim, a CtoC considera da mais elementar justiça que as alterações introduzidas no âmbito do CirC apenas produzam efeitos no ano agora iniciado. Por outro lado, domingues de azevedo apela para a audição prévia dos toC nas iniciativas legislativas que mantenham matérias de natureza contabilística ou fiscal. admite que seria uma mais-valia para a redação final das normas. Coloca-se a CtoC disponível para participar em equipas ou grupos de trabalho que tenham essa missão, até porque se trata também de dar a entidade reguladora da profissão de toC lembra que estes profissionais têm um trabalho muito importante no âmbito declarativo fiscal, a par da sensibilização dos sujeitos passivos para o cumprimento dos seus deveres fiscais. “no Código deontológico estabelece-se mesmo a obrigatoriedade de informação dos profissionais aos seus clientes, no sentido de se atingir uma maior consciência do cumprimento das respectivas obrigações tributárias.” ora, considera o presidente da CtoC que tal sensibilidade tem que assentar em pressupostos de razoabilidade e justiça, sem que se torna muito difícil não só a comunicação da mensagem mas também o seu cumprimento. e dá um exemplo concreto e recente: “a tardia publicação da lei para a antecipação de uma obrigação para o dia 15 de um mesmo mês não é propriamente um bom exemplo de sensatez, dificultando aos profissionais o cumprimento não só do dever declarativo, mas, fundamentalmente, o dever informativo.” naturalmente, a câmara rejeita o envolvimento em áreas que são da responsabilidade do governo, este legitimamente eleito. apenas pretende que os seus profissionais concorram, na medida do possível, para “a estabilidade e o funcionamento da sociedade, por via de uma intervenção positiva no exercício da profissão”, conclui domingues de azevedo. Fiscalidade ADMINISTRAÇÃO FISCAL Lobo Xavier considera Sistema fiscal português afasta investimento A política fiscal portuguesa não é atractiva para o investimento estrangeiro. A que acresce um sistema judiciário arcaico e excesso de burocracia. António Lobo Xavier fala mesmo de uma tríade maldita para o investimento e o desenvolvimento: a fiscalidade, a justiça e a burocracia. O fiscalista é um defensor convicto de uma relação mais positiva entre o contribuinte e a administração fiscal, como faz notar em entrevista à revista TOC. Por sua vez, é mais um nome que se junta aos muitos outros que apoiam a ideia de que o Estado deveria generalizar o sistema de caixa no IVA. a dmite que a máquina fiscal melhorou bastante a sua eficiência e parte da actual conflitualidade decorre dessa circunstância. o que é normal. no entanto, lamenta que os incentivos estejam a ser mal orientados. os funcionários têm incentivos e prémios para a liquidação dos impostos e não sofrem consequências quando têm que os devolver aos contribuintes. não faz sentido, na sua óptica, estimular cobranças temerárias, não fundamentadas, em muitos casos surrealistas. Mas há outras situações que propiciam o afastamento dos investidores estrangeiros. “a administração fiscal não cumpre espontaneamente as sentenças. em geral, há que avançar com acções de execução de sentença. em parte é mau funcionamento, em parte é desadaptação aos novos processos e ao aumento da eficiência, em parte é a cultura que se gerou no estado e que não é combatida. ou seja, quanto mais tarde se devolve o dinheiro ou se paga aos fornecedores, melhor. É uma cultura profundamente negativa, especialmente num momento de crise de liquidez.” a questão que se coloca é se existe, de facto, prepotência por parte da máquina fiscal. lobo Xavier acha que assim é em certas situações. a realidade é que ainda não houve a necessária cabeça fria para equilibrar a relação fisco-contribuinte e torná-la mais suave. e dá um exemplo concreto a este propósito: a taxa de juro a que o estado devolve o dinheiro que cobra a mais é um terço da que cobra aos contribuintes quando estes se atrasam nos pagamentos dos impostos. e há outros factores preocupantes: “Fala-se em aumentar os prazos de caducidade e de prescrição. a eficiência e a cobrança de receitas não podem justificar tudo.” Medidas simples e de longo alcance o fiscalista considera que há aspectos que podem ser alterados, com vantagens para as partes. “responder às informações vinculativas a tempo e horas, reduzir a burocracia, garantir que as repartições de Finanças dão informações homogéneas, ter uma forma expedita de resolver os conflitos de elevado montante, através de uma comissão arbitral que decidisse em tempo útil. são pequenas medidas que não significam redução da receita. Mas o discurso continua a ser de ataque, de perseguição de metas para chegar ao fim do ano com determinados resultados. e isso é pouco.” SISTEMA DE CAIXA NO IVA É MEDIDA DE APOIO À ECONOMIA Lobo Xavier é de opinião que o sistema de caixa no IVA seria uma excelente medida de apoio à economia. Como não há crédito neste momento, o mínimo que o Estado poderia fazer era libertar todo o dinheiro que é da economia e que está nos seus cofres. É o dinheiro dos reembolsos do IVA, são as facturas dos contratos celebrados que são pagas muito tarde. Perante este cenário, deveria ser generalizado o sistema de caixa. “O que significa que não se paga ao Estado quando é emitida a factura, mas apenas quando o cliente fornecesse os meios para pagar o IVA. É uma medida com que o Estado, sem perder receita, poderia ajudar à liquidez da economia. Aliás, nalguns estados europeus o sistema de caixa é muito generalizado. “Generalizar este sistema, ainda que de forma temporária, seria uma excelente oportunidade de apoiar a economia”, conclui o fiscalista. relativamente à quebra do sigilo bancário para fins fiscais, tem muitas dúvidas sobre a legalidade do regime. um regime que a partir da desconformidade entre as relações do contribuinte e os sinais de fortuna permite logo o acesso directo às contas bancárias parecelhe profundamente negativo. “o contribuinte deve ter o direito de poder explicar donde resulta essa desconformidade, com que meios a financiou e só se subsistirem dúvidas significativas é que se deve partir para o acesso às contas bancárias.” Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 7 Fiscalidade UE Medidas pretendem garantir uma maior abrangência Bruxelas apresenta plano para combater a fraude em sede de IVA A Comissão Europeia apresentou um plano de acção a curto prazo com uma lista de medidas legislativas, no sentido do reforço da capacidade das administrações fiscais para prevenirem ou detectarem eventuais fraudes em sede de IVA – em especial “operador fictício” – e para recuperarem os impostos. Foram ainda adoptadas duas medidas de alteração da directiva do IVA. Uma pretende evitar a utilização abusiva dos mecanismos existentes de isenção daquele imposto nas importações. A outra pretende dar aos Estadosmembros a possibilidade de exigirem ao fornecedor o IVA pedido pela utilização de um “cliente ausente” num outro país da União Europeia, quando não tenha reportado os seus fornecimentos à respectivas autoridades fiscais. o plano em causa pretende dar uma abordagem global, com o objectivo de garantir as necessárias ferramentas para as administrações fiscais combaterem de forma mais eficaz a fraude no iva nos diferentes estádios do processo. Bruxelas está consciente que um certo número das propostas é bastante substancial e toca o difícil equilíbrio entre a carga fiscal sobre os negócios e a administração fiscal. É uma matéria sensível que tenderá a provocar um debate aceso quando a Comissão 8 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 para as finanças públicas em toda a união europeia. Eficácia e assunção das medidas depende dos governos apresentar as propostas definitivas neste âmbito. aliás, a Comissão não deixa de avisar que certas práticas administrativas há muito estabelecidas terão que ser alteradas e os estados-membros terão que revelar a necessária flexibilidade, bem como o desejo efectivo, para se adaptarem às novas regras. Certas medidas, como o acesso automático aos dados, vai implicar um esforço significativo ao nível técnico. ou seja, os governos nacionais terão que estar preparados com os necessários recursos para colocarem o processo em funcionamento. Quando as medidas são encaradas de uma forma separada, é um facto que nenhuma representa uma solução global para eliminar a fraude em sede de iva. Cada medida, em termos individuais, deve trazer valor acrescentado, mas é apenas a sua implementação como um todo que permitirá às autoridades fiscais disporem de um modelo adequado para combaterem a fraude, que representa um pesado encargo a Comissão europeia não deixa de avisar que o sucesso da estratégia anti-fraude, ao nível da união europeia, vai depender do que for adoptado pelo Conselho Europeu e da rapidez com que as medidas forem depois colocadas em práticas. Como tal, a principal responsabilidade ficará nas mãos dos próprios governos nacionais. Por outro lado, a Comissão também não deixa de referir que este programa de acção será um produto final. encara o plano mais como um primeiro passo no sentido de uma abordagem coordenada para combater a fraude em sede de iva na união europeia. todavia, deixa o aviso que os esforços devem ser continuados. Por isso, apela a que as partes intervenientes continuem a desenvolver esforços para garantir um modelo de combate mais eficaz, como aliás tem sucedido nos anos mais recentes. existem dois aspectos que merecem especial atenção por parte de Bruxelas. Primeiro, as diferenças operacionais entre os países são uma forma de contornar a legislação e criam oportunidades para bloquearem a eficiência de medidas já tomadas por parte da Comissão. Por outro lado, uma legislação mais harmonizada nesta área permitirá reduzir consideravelmente os custos das empresas, por exemplo, através de sistemas informáticas mais abrangentes. Fiscalidade NORMALIZAÇÃO Normativo baseado em conceitos é o indicado para o relato financeiro O debate acerca de qual o melhor sistema de normalização contabilística a adoptar tem ganho especial importância, tendo em conta a iminente adopção generalizada de um novo normativo contabilístico, com base nas normas internacionais de contabilidade. Nos pratos da balança estão as normalizações assentes em regras ou conceitos. Ana Lúcia Ferreira e João Luís Ferreira, em trabalho publicado no “Jornal de Contabilidade”, defendem que o normativo baseado em conceitos se apresenta mais vantajoso para a utilidade da informação financeira. No entanto, importa ter em conta alguns problemas que se colocam a este normativo. É necessário que a prestação de contas e restante informação financeira tenham um enquadramento conceptual consistente. a ampla cobertura permitirá que a substância económica seja destacada e privilegiada. referem os autores a este propósito: “a melhor forma de aplicação de um normativo baseado em conceitos será com a introdução de algumas orientações de implementação, como forma de garantir a consistência e a comparabilidade da informação entre empresas e para a mesma empresa ao longo do tempo. a redução de subjectividade resultante da introdução de orientações práticas nas normas permite a diminuição das possi- bilidades de relato agressivo por parte das empresas, através de um menor leque de alternativas de tratamento existente para cada tipo de transacção.” ora, convém referir que as orientações de implementação não deverão ser quantitativas, mas descritivas, isto para não se perder o realce da substância económica sobre a forma e para que se verifique o efeito disciplinador sobre a estruturação das transacções. no entanto, os dois profissionais assumem que a implementação de um sistema de normalização baseado em conceitos tem inúmeros obstáculos, a maior parte internos ao processo de prestação de informação. “É previsível que preparadores e auditores demonstrem insatisfação pela escolha de um trajecto que lhes exija mais e melhor trabalho, com a aplicação mais frequente do julgamento profissional. Mas, mais importante que as previsíveis resistências à mudança, é a existência de um conjunto de factores críticos de sucesso para a execução eficaz de um normativo com base em conceitos.” Questões éticas e morais a questão da ética e do desenvolvimento moral de gestores, profissionais da contabilidade e auditores pode ser relevante para o sucesso de qualquer estrutura normativa. “ao nível das profissões relacionadas com o relato financeiro, deve ser fomentada uma consciência mais colectiva, de modo a solidificar uma ideia de classe que só há pouco tempo começou a surgir. a participação de um maior número de indivíduos na tomada de decisão colectiva significaria uma aceitação e um interesse mais generalizados dos conteúdos dos códigos de conduta”, adiantam. Por outro lado, defende-se neste trabalho que é importante imputar penalizações àqueles profissionais que não cumprirem com os valores éticos, “em detrimento de uma aceitação geral de comportamentos inadequados tomados por alguns indivíduos, os quais obtêm, muitas vezes, o reconhecimento social e profissional”. um outro ponto que merece destaque, quanto à implementação de um sistema contabilístico assente em conceitos, é a efectiva independência dos profissionais, face às empresas e aos seus gestores. “os interesses destes últimos são, muitas vezes, contrários à demonstração de informação financeira que transmita a imagem verdadeira e apropriada que se pretende. “esta questão coloca-se independentemente do sistema normativo aplicado, mas tornase mais determinante perante um normativo baseado em conceitos, na medida em que exige um maior volume de julgamento profissional, envolvendo, portanto, mis subjectividade e uma maior responsabilização por parte dos profissionais da Contabilidade e dos auditores.” Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 9 Sectores IMOBILIÁRIO Governo garante Medidas propostas no OE vão reduzir carga fiscal no imobiliário O Governo pretende avançar com medidas para acelerar o processo de reabilitação urbana, fomentar o arrendamento urbano e adequar o Código de IRS à realidade do mercado imobiliário, no que respeita às mais-valias decorrentes da alienação da habitação própria e permanente. Quem o garantiu foi o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina Pina, durante o Fórum Confidencial Imobiliário. As medidas de natureza fiscal podem ser encaradas como multifacetadas e traduzem-se num alargamento a novos incentivos ou na ampliação dos prazos daqueles já instituídos. o secretário de estado apontou a previsão de uma tributação liberatória reduzida em irs (5%) sobre maisvalias imobiliárias e rendimentos prediais decorrentes de imóveis situados em áreas de reabilitação urbana (aru), bem como a dedução à colecta, em sede de irs, para despesas em imóveis situados nessas áreas. também está prevista no orçamento do estado a aplicação de uma taxa reduzida do iva nas empreitadas cujos donos da obra sejam empresas municipais que tenham por objecto a reabilitação ou a gestão urbanas. Carlos Costa Pina referiu a extensão da aplicação da taxa reduzida de iva às empreitadas de reabilita- 10 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 ção de imóveis contratadas directamente pelo instituto de Habitação e reabilitação urbana e a introdução de um benefício, em sede de iMt, na primeira transmissão onerosa do prédio reabilitado, quando localizado em aru, desta feita para dinamizar o mercado da reabilitação. destacou ainda a introdução de benefícios em sede de iMi para imóveis localizados naquela área e a realização de acertos nos coeficientes de vetustez, de ajustamento e de localização. Quanto aos prédios em ruínas, também se verificarão alterações em termos fiscais. É o caso da alteração ao CiMi, de modo a permitir a duplicação anual da taxa de iMi para os prédios urbanos em ruínas ou devolutos há mais de um ano. de igual modo, a alteração ao CiMoi, de modo a que a autarquia passe a ter a necessária competência para determinar que os prédios estão em ruínas. Finalmente, a equiparação dos prédios devolutos a prédios em ruínas, por forma a que estes possam ser avaliados a pedido da câmara municipal. Sectores IMOBILIÁRIO Desagravamento fiscal na habitação o secretário de estado garantiu “o desagravamento dos impostos que mais afectam o mercado da habitação, para minorar consequências mais adversas que possam impender sobre as famílias com menores rendimentos”. daí o oe aprovar um conjunto de medidas fiscais, “com vista a suavizar, internamente, os efeitos das crise internacional nos mercados financeiros.” neste âmbito, Costa Pina destaca a alteração ao regime de deduções à colecta, respeitantes a encargos com imóveis, em sede de irs, através da majoração das despesas com habitação própria e permanente, que incluem juros, em função da matéria colectável, “beneficiando os escalões de menor rendimento”. adiantou ainda a redução das taxas máximas, em sede de iMi, relativas aos prédios urbanos e o alargamento do prazo de isenção de iMi para habitação própria e permanente de seis para oito anos, para prédios com valor tributável até 157 500 euros, e de três para quatro anos, para prédios com valor tributável até 236 250 euros. lembrou aos muitos presentes que “o desfecho da vasta reforma do regime do património público criará condições para o alcance de uma gestão mais eficaz e racional dos recursos públicos. as opções legislativas tomadas foram devidamente ponderadas pelo governo, em função de perspectivas de médio e longo prazos na busca da correcta gestão do imobiliário público”. o optimismo e o cenário muito positivo não são encarados da mesma forma pelos agentes de mercado. a Federação da Construção (FePiCoP) admite que houve melhorias nalguns aspectos relacionados com a habitação. no entanto, parece evidente que não é suficiente e há outras medidas que até irão agra- o secretário de Estado apontou a previsão de uma tributação liberatória reduzida em iRs (5%) sobre mais-valias imobiliárias e rendimentos prediais decorrentes de imóveis situados em áreas de reabilitação urbana (ARU) var a situação das empresas, em especial no sector da construção. É o que se passa com o aumento da tributação autónoma, tendo em conta os “graves constrangimentos de tesouraria que as alterações que lhe estão associadas vão provocar às empresas”. o que acontece, como explica a federação, é que são introduzidas modificações com impacto em sede de irC, as quais serão aplicadas retroactivamente, “quebrando as expectativas dos contribuintes, face ao apuramento do lucro tributável”. Pelo que a taxa de tributação autónoma que incide sobre os encargos dedutíveis relativos a despesas de representação e os relacionados com viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, motos ou motociclos foi aumentada de 55% para 10%, excepto se os referidos veículos forem movidos a energia eléctrica ou cumprirem determinados requisitos em matéria de emissões poluentes. de igual modo, adianta a federação que agrega todas as associações do sector da construção, a taxa de tributação autónoma relativa aos encargos dedutíveis com viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, cujo custo de aquisição seja superior a 40 mil euros, quando suportados por contribuintes que apresentem prejuízos fiscais nos dois últimos exercícios àquele a que os referidos encargos digam respeito, passa de 15% para 20%. a estrutura associativa tece duras críticas sobre esta política fiscal: “a intenção do governo de aumentar a tributação destes encargos é perfeitamente desajustada do contexto temporal, quanto mais se mostra descabida no âmbito de um diploma que pretendia introduzir medidas anticíclicas, ou seja, de desagravamento da situação das empresas e das famílias, face à grave crise que a economia nacional atravessa.” Pagamento por conta mantém-se entretanto, a federação avisa que o pagamento por conta se mantém. isto depois do episódio da antecipação do terceiro pagamento, sendo que o governo acabou por recuar nesta matéria, perante os muitos protestos que se fizeram ouvir. a antecipação da sua exigibilidade foi revelador da pouca sensibilidade do governo perante as dificuldades que a maioria das empresas atravessa. Conclui que as medidas, de uma maneira geral, e contrariamente ao desejável, não representam soluções para os problemas que as empresas enfrentam, antes traduzindo um agravamento da situação por elas vivida. Perante este cenário, a maioria das associações, federações e empresas, um pouco de todas as áreas de actividade, continuam a insistir na necessidade de implementar medidas fiscais que permitam criar uma certa margem, de forma a que seja possível estar no mercado de forma competitiva. não basta fazer algumas correcções pontuais, ao mesmo tempo em que são implementadas medidas de sentido contrário. torna-se evidente que o governo não está na disposição de abrir mão de receita fiscal. resta saber se desta forma não acabará por sair a perder. Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 11 Análise AGOSTINHO COSTA Os líderes e a visão estratégica agostinHo Costa 3ª Parte «A cultura da empresa é o comportamento de seus líderes. Os líderes conseguem o comportamento que mostram e toleram. Você muda a cultura de uma empresa mudando o comportamento de seus líderes. Você mede a mudança, avaliando a mudança no comportamento pessoal de seus líderes e o desempenho de seu negócio.» Dick Brown as organizações estão perante épocas de rápidas mudanças. a concorrência é cada vez mais agressiva. Como tal, todos os recursos deverão ser objecto duma gestão mais eficiente. Perante esta situação como reage uma grande parte dos gestores? reage demasiado tarde e demasiado lentamente. Porquê esta reacção tardia? Jean Brilman, um estudioso desta problemática, aponta uma lista causas, para explicar a reacção tardia de muitos gestores: - têm esperança duma melhoria da conjuntura; - Confundem crise estrutural com um simples abrandamento conjuntural; - não têm informação de gestão capaz, que proporcione um conheci- 12 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 mento claro das divisões com lucro e das que têm prejuízo; - utilizam indicadores desfasados (que traduzem uma informação tardia). logicamente que estes aspectos não proporcionam que sejam tomadas as decisões adequadas, no momento certo. os gestores podem reagir, em diferentes momentos, de acordo com a leitura e a interpretação dos factos. Por vezes, reagem apenas…: - Quando as vendas diminuem; - Quando o resultado de exploração diminui; - Quando a tesouraria se degrada. -… Mas reagir nestas circunstâncias é reagir tarde demais. não basta, pois, que uma organização seja eficiente em termos operacionais. É, pois de extrema importância para a sobrevivência e para o crescimento duma organização que esta esteja consciente do que está a acontecer à sua volta e de como se pode adaptar a um ambiente em mudança, mantendo ao mesmo tempo uma forte coesão da sua equipa, rumo a um destino concreto, a um objectivo estratégico, gerindo da melhor forma os recursos á sua disposição. se a equipa tem uma visão, e acredita nela, o seu desempenho irá melhorar. se você possui uma visão organizacional, utilize-a na construção da visão da sua equipa. ainda que não exista visão organizacional, terá de edificar a visão da sua equipa. Por vezes, o trabalho do dia-a-dia absorve a maior parte do tempo disponível. o processo de comunicação da visão empresarial requer tempo. Caso contrário, corremos o risco de ter os nossos colaboradores absorvidos pelas tarefas diárias, mas sem uma perspectiva que os conduza para além do curto prazo. não é dessa forma que se constroem equipas verdadeiramente motivadas e comprometidas para atingir objectivos estratégicos. Para que tal seja conseguido, temos que garantir que a visão estratégica da empresa (a 3 ou a 5 anos) seja perfeitamente entendida, e traduzida em objectivos. Por que é que devemos estabelecer objectivos estratégicos? o estabelecimento de objectivos é importante para dar motivação e mensurabilidade. o ideal será que os mesmos sejam claros e fiquem escritos. Quando temos objectivos claramente definidos, a concentração de energias pelas equipas, para alcançá-los, permitem trazer para o campo das possibilidades, o que no passado parecia impossível. Mas então por que razão as pessoas parecem tão relutantes em estabelecer objectivos específicos? algumas das razões vulgarmente apresentadas poderão ser sintetizadas em expressões que a seguir mencionamos: 1. nunca tivemos necessidade de estabelecer objectivos por escrito, e mesmo assim as coisas funcionam. 2. sabemos o que queremos. são esses os nossos objectivos. Passálos a escrito para quê? 3. estabelecer objectivos por escrito é perda de tempo. as coisas não funcionam melhor por isso. 4. … a inexistência de objectivos claros, escritos e perfeitamente compreendidos por toda a equipa, é um aspecto negativo capaz de condicionar a existência duma liderança Análise AGOSTINHO COSTA eficaz, que sistematicamente possa relembrar ao grupo o propósito a alcançar num determinado período, o evitar desvios de percurso, e, dessa forma, a não desperdiçar tempo, energia e recursos, que em nada contribuam para a construção da visão que o líder deseja para a sua organização. dessa forma, cada membro da equipa vai contribuir para a construção dessa visão empresarial. isso é motivador. o estabelecimento de objectivos é, pois, uma componente vital para definir que estratégia seguir. a estratégia é o caminho a percorrer. o objectivo é o destino do nosso percurso. as diferentes estratégias são, pois diferentes caminhos. Há, pois, que escolher a mais adequada, mas só depois de os objectivos estratégicos estarem perfeitamente definidos. Como poderemos desenvolver um processo de criação de objectivos estratégicos capaz de aglutinar fortes motivações duma equipa? vejamos então os princípios a seguir para criar tais objectivos e não uma multiplicidade de objectivos dispersos, para diferentes áreas, mas que por vezes não contribuem para uma convergência, para um foco comum, contribuindo dessa forma para ineficiências na empresa. Criar objectivos estratégicos o primeiro passo para estabelecer de forma eficaz tais objectivos é criar o pensamento Blue-Sky, como lhe chamam alan Hooper e John Potter. Criar em imagens o tipo de empresa ideal. É a visualização do que vai ser a nossa empresa. nesta fase não deveremos pôr quaisquer limites à visão que desejamos. só assim seremos capazes de esculpir (criar) essa imagem (empresa), ou algo parecido. numa segunda fase, deveremos traduzir essa visão da empresa em objectivos que sejam, pois, a forma quantificada de traduzir a referida imagem da nossa instituição no futuro. em seguida, calendarizar ao longo do tempo estes objectivos e assegurar-se que os mesmos não entram de forma alguma em conflito uns com os outros. uma vez criado um conjunto coerente de objectivos, deveremos rever cada um dos deles, através dum conjunto de questões, sobre o impacto emocional, que o alcance de tais objectivos provocará na equipa. de acordo com a resposta obtida, é que saberei a importância de tais objectivos, na motivação, no empenhamento, no contributo para um alto rendimento da equipa que o estabelecimento de tais objectivos poderá ter. a título de exemplo, apresentamos aqui algumas dessas hipotéticas questões. a lista poderá e deverá ser logicamente desenvolvida e adequada a cada caso concreto. Exemplo de questões para avaliar o impacto emocional que o alcance de tais objectivos provocará na equipa 1. Por que razão queremos alcançar este objectivo? 2. Quais os benefícios que o mesmo nos irá proporcionar? 3. É um objectivo realista? 4. Como nos vamos organizar, para que seja possível alcançá-lo? 5. Por que razão nunca o tentámos fazer anteriormente? 6. Que dificuldades poderemos encontrar no percurso? 7. Que preço a minha equipa está disposta a “pagar” para alcançálo? 8. Qual a motivação, o entusiasmo que encontro na equipa para dar início à “caminhada”? 9. o que precisamos fazer para que o capital de motivação e entusiasmo seja suficiente para a viagem? 10. ... Algumas ideias para o estabelecimento de objectivos estratégicos esses objectivos…: 1. enquadram-se na visão pretendida da empresa? 2. são mensuráveis? 3. são realizáveis? 4. estão calendarizados 5. são claros? 6. são motivadores? 7. … Será que os objectivos que estipulou para a sua empresa têm estas características? se não for o caso, veja o que pode ser feito para melhorá-los. É, pois, fundamental compreender que há vários níveis de processo envolvidos: - definir objectivos estratégicos, enquadrados na visão da empresa; - Criar impacto na equipa, em termos de atitudes, comportamento, entusiasmo; - Criar a direcção estratégica; - implementar a estratégia; - Criar mecanismos de acompanhamento, que não são exclusivamente mecanismos financeiros. É fundamental que as empresas tenham em consideração uma estratégia clara. não podem ser desperdiçados recursos (humanos, materiais e financeiros) em actividades não estratégicas para a empresa, ou, dito de outra forma, em actividades que não contribuam para alcançar os objectivos estratégicos da organização. tudo isto implica a necessidade de promover uma mudança cultural na empresa. e o primeiro passo é defi nir a visão e os valores que a nova cultura vai adoptar. (Continua no próximo número) Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 13 Informática na Contabilidade SEGURANÇA Recessão mundial é uma oportunidade para o cibercrime Os cibercriminosos lucram com a baixa confiança dos consumidores e com os governos “distraídos”. a Mcafee anunciou os resultados do seu estudo anual sobre ciber-segurança, no qual especialistas alertam para o facto de a actual recessão mundial se estar a tornar num “viveiro” para actividades fraudulentas, à medida que os cibercriminosos lucram sobre um clima de receio e ansiedade por parte dos consumidores. o abrandamento económico está a desviar a atenção política à escala mundial, e a ciber-segurança não é suficientemente tida como uma prioridade para alcançar progressos reais contra os autores dos crimes “online”. os especialistas advertem também que, a menos que se registe um compromisso para um esforço internacional no sentido de combater as actividades maliciosas “online”, existe o risco de o cibercrime ter um impacto na confiança dos consumidores, dificultando ainda mais a velocidade de recuperação da economia mundial. o estudo anual “Mcafee virtual Criminology report” analisa as tendências globais emergentes da segurança cibernética, a partir da opinião de líderes académicos, advogados criminais, autoridades policiais e especialistas em segurança de todo o mundo. o relatório deste ano identificou vários desafios. o primeiro prende-se com o “crunch” do cibercrédito. os cibercriminosos estão a aproveitar a ansiedade dos consumidores para lucrar através de esquemas do tipo “fique rico rapidamente”. as pessoas estão a registar-se para adicionar código malicioso a websites, seduzidas 14 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 pela promessa de dinheiro fácil. ao mesmo tempo, aqueles que procuram desesperadamente um emprego são recrutados como “mulas de dinheiro” para branquear os ganhos dos cibercriminosos sob a aparência de “representantes de vendas internacionais” ou “gestores de encomendas”. Com o abrandamento económico a levar cada vez mais pessoas para a Web em busca de melhores negócios, as oportunidades de ataque por parte dos cibercriminosos aumentam à medida que as pessoas ficam mais envolvidas. depois, o relatório fala ainda na “distracção dos governos”. Com os governos cada vez mais focados na recessão económica, a luta contra a cibercrime passa para segundo plano, criando uma oportunidade para uma escalada forte da cibercriminalidade. depois, a escassez de ciberpolícias. as forças policiais da linha da frente carecem muitas vezes de conhecimentos especializados para lutar efectivamente contra o cibercrime. a ausência de formação específica e contínua, de uma remuneração suficiente ou de uma clara definição da carreira profissional está a arrastar estes profissionais para o sector privado ou a atraí-los para economias paralelas. a criminalidade escondida é outro dos problemas salientados neste relatório. a rússia e a China tor- naram-se paraísos seguros para o cibercrime. o Brasil tornou-se num dos países “bode expiatório” com o mais rápido crescimento ao nível da cibercriminalidade onde o tráfego é muitas vezes reencaminhado como uma armadilha para confundir a origem dos ataques. os silos de informações são também referenciados. a aplicação da lei está limitada às respectivas fronteiras nacionais, enquanto os cibercriminosos operam rapidamente através das fronteiras. a comunicação entre países continua inconsistente e limitada. as temáticas e as prioridades locais têm precedência sobre os esforços globais, enquanto as leis internacionais estão a ser implementadas com variações regionais que impedem a capacidade de negociar jurisdições e extradições entre países. dave deWalt, presidente e Ceo da Mcafee, explica em comunicado que “os cibercriminosos estão a explorar a recessão global atraindo vítimas susceptíveis com a promessa de dinheiro fácil. enquanto a atenção dos governos e das entidades judiciais é desviada pela actual crise económica, a porta fica aberta para os cibercriminosos continuarem a atacar os saldos bancários em todo o mundo e a causar potenciais danos à confiança dos consumidores, tão necessária para a recuperação da economia.” e conclui, “os governos necessitam de se comprometer com a consolidação dos recursos necessários ao combate ao cibercrime, optimização dos esforços para a aplicação da lei e coordenação policial no limite das suas fronteiras. todos devem desempenhar o seu papel na batalha global contra o cibercrime, que apenas começou e que vai continuar em 2009 e no futuro se não Informática na Contabilidade EMPRESAS Tecnologias da informação garantem avaliação correcta dos indicadores de performance a s tecnologias da informação têm uma importância fundamental na avaliação do desempenho nas empresas. são as ti que garantem precisamente a avaliação correcta dos diferentes indicadores que medem a performance de uma empresa, permitindo passar à informação de qualidade em tempo e forma que possibilita não só medir o estado da empresa mas também operacionalizar as tomadas de decisões com impacto directo na nossa conta de resultados. Mas Julio agredano, director-geral da Meta4 Portugal, alerta que para que este cenário seja uma realidade há que prestar atenção a duas importantes variáveis: cultura e processo. Primeiro, para a necessidade de uma cultura empresarial baseada na excelência, o que significa, efectivamente, cultura empresarial baseada na medição do desempenho, em áreas, departamentos, empregados, directivos, entre outros. “sem uma cultura realmente focada na procura da excelência torna-se impossível realizar avaliações reais da performance da empresa”, diz Mas Julio agredano. em segundo lugar, chama a atenção para a implementação dos processos adequados para definir, comunicar, seguir, medir, avaliar e redefinir os objectivos empresariais. “sem a definição certa destes processos e a execução metódica dos mesmos, podemos ter uma cultura orientada para a excelência mas sem as ferramentas adequadas o resultado será ‘fracasso”. Para Julio agredano, com cultura e processo, as ti são o veículo necessário para o sucesso. não há empresa hoje que no seu plano de investimentos para os próximos anos não tenham incluído um orçamento significativo para as ti, diz o director-geral da Meta4 Portugal. “as empresas têm consciência que a melhoria na eficácia e eficiência das suas organizações passa por dois investimentos estratégicos: tecnologias de informação e capital humano.” Já para Jorge santos Carneiro, Ceo da sage em Portugal, mais do que para avaliar a performance, as tecnologias da informação têm sim uma efectiva importância no alcançar de uma determinada performance. sendo certo que as ti também ajudam efectivamente na avaliação e nas conclusões relativamente à performance de uma empresa. “a adequada implementação dos sistemas de informação numa determinada organização poderá mesmo ser determinante para a avaliação da sua performance quer em termos absolutos quer em termos relativos”, disse santos Carneiro em declarações à “Contabilidade & empresas”. e para que essa avaliação seja uma realidade, o gestor assume que a principal medida deverá ser a de saber exactamente o que é que queremos medir, o que, parecendo óbvio, nem sempre é uma realidade. a verdade é que, para o Ceo da sage Portugal, as ti ocupam hoje um espaço natural na organização de uma empresa. “Já muito poucas empresas conseguirão hoje desenvolver-se sem um sistema de informação devidamente implementado e capaz de proporcionar a informação desejada no momento certo.” e apesar de poder haver casos (empresas, áreas de negócio) em que as ti podem ter um papel mais relevante do que noutros, sendo que, em quaisquer dos casos, “a performance de uma empresa e, em particular, a melhoria da sua performance está intimamente relacionada com o nível de implementação de um sistema de informação de gestão.” Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 15 Informática na Contabilidade PRODUTOS Logiciel lança solução out-of-the-box para pequenas empresas Apresentando-se como uma solução pronta a utilizar, o Logiciel Gestão Comercial 2009 é uma aplicação completa e intuitiva que pretende responder eficazmente às necessidades de gestão das pequenas empresas. a logiciel, fabricante nacional de sistemas de gestão com 30 anos de experiência no mercado português, apresentou o pacote logiciel gestão Comercial 2009, que incluiu aplicações de gestão de clientes, de fornecedores, de vendedores, de compras, de vendas e de stocks. a empresa avança que a solução está pronta a utilizar, não necessita de apoio de instalação e parametrização de terceiros, e é ideal para pequenas empresas, que têm assim acesso a uma ferramenta de gestão completa, “até agora só ao alcance de médias e grandes companhias”, dizem os responsáveis pela logiciel. este software out-of-the-box permite gerir de forma “simples e eficaz” todo o processo de gestão comercial de uma pequena empresa, proporcionando um ambiente centralizado de gestão administrativa. “as empresas conseguem agora, de uma forma muito fácil e intuitiva, emitir encomendas a fornecedores, actualizar e gerir os stocks em múltiplos armazéns e emitir facturas, vendas a dinheiro, notas de crédito, notas de débito e gerir os créditos de cada cliente”. a solução logigestão gestão Comercial 2009 caracteriza-se essencialmente em quatro pontos-chave, nomeadamente pelo facto de incluir funções de multiutilizador (com controlo de acessos por utilizador), de multiempresa (permite a 16 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 criação de empresas distintas), de multiposto e por ter capacidade de criação do ficheiro saFt-Pt. “Baseando-se num interface bastante intuitivo e fácil de utilizar, o cliente não necessita de formação para tirar total partido de todas as capacidades da aplicação, conseguindo melhorar rapidamente a performance e controlo da sua empresa”. o novo pacote da logiciel irá estar disponível em versão monoposto/multiempresa, podendo ser só manuseada por um utilizador, e em versão multiposto/multiempresa, que inclui licença para cinco postos em simultâneo. segundo rui Beirão, director-geral da logiciel, este pacote “foi desenvolvido a pensar nas pequenas empresas, para que consigam ter acesso a soluções e práticas de gestão identicas às existentes nas médias e grandes instituições”. o mesmo responsável sublinha ainda que através deste software as empresas “passam a usufruir de uma melhor organização e planeamento a nível interno, com uma capacidade de resposta eficaz perante as especificidades de um processo de gestão comercial”, concluiu. Preço e disponibilidade o novo pacote logiciel gestão Comercial 2009 estará disponível a partir de Janeiro de 2009 através da logiciel e da rede de parceiros autorizada da empresa. o preço da gestão Comercial + Pos (licença Monoposto) é de 295 euros. Já a gestão Comercial + Pos (licença Multiposto-Multiempresa com licença até 5 postos) vai custar 460 euros. Contabilidade NIC De acordo com a Associação Portuguesa de Peritos Contabilistas Adopção do SNC deveria estender-se a um universo mais vasto As normas internacionais de contabilidade e de relato financeiro, tal como adoptadas na União Europeia, deveriam ser aplicadas integralmente em Portugal, não só pelas sociedades que já são obrigadas a fazê-lo como também pelas restantes entidades de interesse público e por todas as sociedades, cooperativas e outras entidades que estejam sujeitas à certificação legal das contas. Esta a posição adoptada pela Associação Portuguesa de Peritos Contabilistas (APPC), no âmbito do Sistema de Normalização Contabilística (SNC). Considera ainda a associação que o diploma esteve um tempo demasiado escasso para consulta, facto que não é compreensível, tendo em conta a sua importância e o impacto que vai decorrer das novas regras. a aPPC considera que, estando as empresas nacionais com valores mobiliários admitidos à negociação num mercado regulamentado já obrigadas a aplicarem as ditas normas, tal como adoptadas na união europeia, a grande questão que se coloca é a de saber que referencial contabilístico deve ser adoptado pelas mais de 97% das empresas que têm um volume de negócios inferior a um dos indicadores a partir do qual a lei obriga que as sociedades por quotas tenham as suas demonstrações financeiras certificadas por um revisor oficial de contas. daí a necessidade, como defende a associação, de estender as normas a outras entidades. no entanto, é feito um alerta para as empresas de menor dimensão, as quais representam a maioria, muitas delas não passando de microempresas. defende a este propósito a aPPC: “o referencial contabilístico que se lhes deve aplicar deveria ser substancialmente mais simplificado do que aquele que a Comissão de normalização Contabilística (CnC) aprovou com a designação de norma Contabilística e de relato Financeiro para Pequenas entidades. Por outro lado, a associação representativa dos peritos contabilistas, assumindo que Portugal não poderia ficar de fora deste processo, considera que não faz qualquer sentido aplicar as novas normas sem adoptar, em simultâneo, a estrutura Conceptual para a apresentação de demonstrações Financeiras iasB. “a não ser assim, era como se fosse possível começar a construir um edifício pelo telhado.” Análise foi curta face à importância do documento a associação lamenta o que se passou relativamente à consulta do snC, no nosso país. “Considerando os procedimentos seguidos inter- nacionalmente para a aprovação das normas, com um processo de consulta que permite a melhor adequação possível à realidade do normativo produzido, a apreciação do diploma foi condicionada pelo curto período fixado para a audição pública. não pode este ser considerado o documento que a análise do snC merecia e exigia.” a associação Portuguesa dos Peritos Contabilistas foca outros dois aspectos não menos importantes. na sua óptica, coloca-se a necessidade de uma única estrutura conceptual que suporte a normalização de entidades com ou sem fins lucrativos. o segundo aspecto prende-se com a necessidade de haver, em Portugal, uma única entidade de normalização contabilística. lembra ainda aquela entidade que o processo de normalização contabilística internacional se desenvolve fundamentalmente com o financiamento das grandes empresas de auditoria e ao serviço quase exclusivo dos mercados financeiros. no entanto, é um facto que a Contabilidade tem evoluído no sentido de responder às necessidades de informação bem mais vastas do que as envolvidas nesses mercados. referem os profissionais a este propósito: “não pode aceitar-se que a Contabilidade apenas procure servir interesses limitados, cuja importância resulta do empolamento dado pelos meios políticos, pela comunicação de massas e por uma certa maneira de estar em termos universitários e económicos. subordinar todo um sistema de informação financeira apenas à perspectiva de um determinado tipo de agente, seja ele económico, social ou político, é limitado e limitador.” Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 17 Contabilidade JUSTO VALOR Joaquim da Cunha Guimarães avisa Justo Valor implica novas responsabilidades para técnicos e revisores de contas Com a adopção das normas internacionais de contabilidade e das normas de relato financeiro, bem como das respectivas interpretações e a implentação do futuro Sistema de Normalização Contabilística, ganha nova dimensão e importância a discussão em torno do conceito de Justo Valor, na medida em que essas normas alargam a sua aplicação. Joaquim da Cunha Guimarães, revisor oficial de contas e docente universitário, considera, no entanto, que a sua aplicação tem sido muito reduzida ao nível das PME nacionais. Trata-se de um conceito susceptível de criar muita discussão, como faz notar aquele profissional. a aplicação do Justo valor nos grandes grupos económicos, no âmbito de pressupostos de subjectividade, ao ter provocado a crise financeira nessas empresas e na aeconomia, acaba, por arrastamento, por se repercutir negativamente na situação económico-financeira das PMe, essencialmente pelas maiores dificuldades que estas têm no acesso ao crédito bancário. verifica-se, portanto, um efeito indirecto da aplicação do conceito nas PMe. Para Joaquim da Cunha guimarães, não restam quaisquer dúvidas que a problemática do valor ou da valorimetria (medição, mensuração) em Contabilidade sempre foi – e continuará a ser – um dos principais aspectos conceptuais da mesma. Perante este cenário, não há dúvidas que a questão está intima- 18 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 mente relacionada com o exercício profissional do técnico oficial de contas, nomeadamente quanto à sua responsabilidade pela regularidade técnica nas áreas contabilística e fiscal, no âmbito do estatuto da CtoC. “na verdade, é ao órgão de gestão que compete salvaguardar a valorimetria em termos de Justo valor, ao passo que ao toC apenas incumbe a sua relevação contabilística.” a realidade é que esta questão pode trazer problemas acrescidos ao toC na assunção da referida responsabilidade, já que o valor é um dos principais componentes dos assentos contabilísticos. trata-se de saber qual o âmbito da expressão “regularidade técnica nas áreas contabilística e fiscal”, tendo em conta que, de acordo com o estatuto da CtoC, o profissional valida as demonstrações financeiras, por via da sua assinatura, em conjunto com o representante legal da entidade. “este é um problema estrutural do estatuto que, até à data, não foi devidamente equacionado e esclarecido.” Profissionais devem estar atentos um outro problema profissional que se coloca tem a ver com a auditoria/ revisão do balanço e das demonstrações dos resultados e anexo ao balanço e à demonstração dos resultados do Justo valor, no âmbito dos revisores oficiais de contas, para as empresas sujeitas a revisão legal, estatutária ou contratual. “atenta a tal realidade, a ordem dos roC emitiu a directriz de revisão/auditoria 545, sob a designação “auditoria das mensurações e divulgações ao justo valor”, em que se destaca a afirmação que a gerência é a responsável pelas mensurações e divulgações incluídas nas demonstrações financeiras. ao roC incumbe compreender os seus procedimentos e obter prova de auditoria acerca dos objectivos, intenções e planos da gerência”, adianta Joaquim da Cunha guimarães. além disso, o roC deverá ter em consideração um conjunto de normas de revisão/auditoria significativas e complementares à dra 545. Chama também a atenção para a necessidade da assunção clara e objectiva que a mensuração e a divulgação do Justo valor apresentam dificuldades, incertezas e expectativas que comportam riscos de auditoria, os quais devem ser tidos em consideração pelos revisores oficiais de contas. implica também a necessidade do roC compreender bem o negócio e o sistema de controlo interno da entidade. existe, de facto, um conjunto significativo de procedimentos de auditoria/revisão que o profissional deve ter em consideração aquando da emissão dos seus relatórios, com especial destaque para a certificação legal das contas. em conclusão, “os revisores e os técnicos oficiais de contas deverão acompanhar com muita atenção os desenvolvimentos desta importante temática, de forma a que a auditoria/revisão de contas e a contabilidade aumentem a sua credibilidade e utilidade, em torno do princípio da imagem verdadeira e apropriada”. Coluna do Técnico de Contas O isto homem é um animal de hábitos. Não sei quem foi que disse, mas é das coisas mais reais e chãs que constatamos pela experiência, essa madre renascentista de todas as coisas. Assim, o homem vive na maior abastança e sobrevive na maior pobreza; se tiver as carnes do lombo, caviar e vinhos sofisticados, tanto melhor, mas se tiver de se lavar com a água do rio, fica apenas mais apto e rude para os invernos da vida; vive com energia nuclear e com moinhos de vento; vive, celebrando o ambiente, e não morre mesmo injectado pelos transgénicos da produção em série. Em resumo, suba ou desça a esperança de vida, a iliteracia, a higiene e segurança, o homem, mesmo morrendo, está cá para o que der e vier e para se adaptar às boas ou más condições que é capaz de construir, renascendo todos os dias. Ora nós já andamos nisto há um tempito, nascemos no Deus, Pátria e Família de Oliveira Salazar, fugiManuel Benavente mos à manifestação na Rocha do rodrigues Conde de Óbidos ao “Santa Maria TOC está entre nós!” – lembram-se? [email protected] – fomos à procissão nocturna do retorno dos restos mortais de S. Francisco Xavier apalpando umas miúdas e uns largos anos depois, ala para Moçambique, mesmo a tempo de, no regresso, ouvirmos Marcello Caetano dizer nas suas Conversas em Família que “o tempo das vacas gordas já lá vai”… Veio o 25 de Abril a cores, veio 75 a preto e branco, 76, 77 e 78 do mal com os homens por amor de el-rei, mal com el-rei por amor dos homens, os 80’s dos governos épicos de Mário Soares, o novo paradigma da União Europeia, o nunca me engano e raramente tenho dúvidas de Cavaco, as dúvidas das dúvidas de Guterres em ritmo de valsa, a “fuga europeia” de Durão Barroso, até chegarmos a isto. E como o homem é um animal de hábitos e já viajámos por tantos e tantos paradigmas, só temos de nos habituar a isto. E afinal o que é isto? A escada por onde se desce é infindável e este é apenas mais um degrau. Isto, portanto, não é nada de grave se comparado com ontem. Mas a chatice é que temos memória e como temos memória devemos começar já por lembrar que nós, portugueses, desde 1986, não vivemos no mundo bruto e real em que as coisas valem o que valem e muitas vezes a vida humana desgraçadamente não vale nada, mas vivemos sim num aquário de águas tépidas e mansas onde vive, opulenta, dez por cento da humanidade. Antes de falarmos em isto, temos de lembrar portanto este pequeno pressuposto, para o qual isto nada concorreu, nem concorre, bem pelo contrário. Isto que se vive hoje é apenas mais um paradigma, é verdade, mas feito de tantos embustes e faz de conta que é tempo de alguém, mesmo pequenino e desimportante como eu, dizer: BASTA! E este BASTA!, eu sei, não vai parar o comboio da economia, e muito menos das finanças, pois ele só pode ser mais ou menos controlado ou mais ou menos desviado em Bruxelas. E como isto aqui, desde 2005, é apenas um mundo posto de cócoras perante Bruxelas, nada mais posso fazer senão acreditar em Bruxelas, já que o paradigma do federalismo, hoje por hoje, me vem mesmo a matar. Mas este meu basta! é para ao menos tentar desmascarar isto. Porque não há magalhães que cheguem para apagar a emigração em massa, o desemprego sempre a subir, o fecho de empresas galopante. E porquê? Porque temos memória, lembremos que tudo isso foi feito em nome da redução do défice público de 6,8% para pouco mais de 2% em apenas três anos! sim três anos! Isto nada tem a ver com a crise internacional; isto apenas tem a ver com planos egocêntricos, autárcicos, em que cidadãos e as suas aspirações pessoais estão apenas no fim da cadeia, o que vale por dizer que, sem estarmos em economia planificada, cumprimos alguns dos objectivos que apenas têm a ver com poder pessoal e que também se podem realizar formalmente em democracia, bastando para tal ter uma maioria absoluta. Lembremos, em termos de défice, que, há dois, três anos atrás, países muito mais poderosos do que nós, mandaram para as calendas gregas de 2012 a sua resolução. Ponto final. BASTA pois à insensibilidade de tudo isto! E BASTA também à propaganda de isto!, pois estamos cansados de uma utilização intensiva dos meios de comunicação para o anúncio de medidas agradáveis, ficando no limbo, o manancial de medidas desagradáveis. Querem exemplos? Como somos pessoas de fiscalidades, lembremos a medida tomada no Orçamento de Estado para 2009, reduzindo a taxa de IRC em 50% para matérias colectáveis abaixo de 12 mil e 500 euros. Mas não foi dito que essa medida só se repercute no ano de 2010. Não falemos no pagamento especial por conta que agora, com a luz verde de Bruxelas, isto parece ter reduzido para mil euros, uma fartura para isto tudo. Falemos por exemplo na Lei 64/2008 e no aumento de cem por cento! – de 5% para 10% e de 10% para 20% –, na taxa de tributações autónomas para despesas de representação e com os veículos ligeiros de passageiros, a gasolina igual ou a mais dos 120 g/km, ou a gasóleo igual ou a mais de 90 g/km e exceptuando os movidos a energia eléctrica (ah! ah! ah!). Porém, como se diz no circo, quando um funâmbulo ou um mágico se prepara para concretizar algo de impensável, direi, ainda mais difícil! Esta lei é para vigorar já a partir de 1 de Janeiro de 2008! Sim, 1 de Janeiro de 2008 e a lei tem a data de 5 de Dezembro de 2008… As habilidades são tantas, desde fiscais a sintácticas e até ambientais, mas tão parolo e saloio… e ficamos todos tão mal no retrato com isto… E o mais grave: ninguém dá a cara por estas medidas e muitas outras escondidas e desagradáveis, “vis a vis” com os cidadãos. Que saudades da ética dos tempos de bolsos rotos de Mário Soares e Mota Pinto, quando o Ministro das Finanças, João Salgueiro, ia anunciar à televisão um imposto extraordinário sobre os lucros das empresas de 10%… Porque se estas ou outras medidas desagradáveis, são necessárias, por favor, falem com os cidadãos e expliquem olhos nos olhos o que pensam fazer e porquê. Isto, portanto, quanto a falta de ética, diálogo e respeito, estamos conversados. Porém, é perceptível também uma cobertura científica para isto. Por exemplo, nalguns países da Europa, há institutos do Estado que se preocupam em fazer coincidir as políticas públicas com os desejos dos cidadãos, sendo extremamente tentador manipulá-los, para os aproximar mais das políticas que as políticas deles. Isto em Portugal ainda não está a esse nível, mas, pelo andar da carruagem, estamos no bom caminho, pois somos tão eficazes que conseguimos os objectivos sem ter meios. Mas que já há um verdadeiro sacerdócio epistemológico em volta de isto, sem dúvida. Dirão alguns, porventura, “para quem é, bacalhau basta”, mas isto não vai ficar assim. Porque, quero crer, as pessoas têm memória e 2009 está ali já ao virar da esquina. E nem o homem ser um animal de hábitos nem vivermos no tal aquário nos pode fazer esquecer isto. Nem a teoria do mal menor; portanto, força oposição, oponham-se mesmo a isto. BASTA! Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 19 Consultório E xistem novos esclarecimentos da administração Fiscal sobre o Planeamento Fiscal? a administração Fiscal considera que os esquemas e actuações de planeamento fiscal apresentados ao abrigo do novo regime do dever de comunicação têm-se mostrado bastante incompletos. a administração Fiscal veio divulgar que os elementos colhidos sobre as comunicações recebidas respeitantes a esquemas ou actuações de planeamento fiscal efectuadas ao abrigo deste regime (aprovado pelo decreto-lei n.º 29/2008, de 25 de Fevereiro) comportam bastantes insuficiências e inconsistências, relembrando que no regime aprovado se exige uma descrição pormenorizada do esquema ou actuação de planeamento fiscal. nesta conformidade, o fisco revelou que estão em curso os procedimentos necessários para solicitação aos promotores dos esclarecimentos reputados necessários para habilitar, de modo concludente, uma decisão quanto à qualificação ou não como abusivos de certos esquemas, bem como sobre a necessidade de promoção de acções específicas de inspecção tributária. de acordo com o novo regime, um esquema de planeamento fiscal tem de ser comunicado quando satisfaça, cumulativamente, as seguintes condições: • determine, ou se espere que determine, a obtenção de uma vantagem fiscal por sujeito passivo de imposto, considerando-se como vantagem fiscal a redução, eliminação ou diferimento temporal de imposto ou a obtenção de benefício fiscal, que não se alcançaria, no todo ou em parte, sem a utilização do esquema ou a actuação [artigo 1.º, n.º 1 do artigo 2.º e alíneas a) e d) do artigo 3.º]; • a vantagem fiscal constitui a finalidade, exclusiva ou predominante, do esquema [artigo 1.º e alínea a) do artigo 3.º]. as informações a comunicar compreendem os seguintes elementos: • descrição pormenorizada do esquema ou da actuação de planeamento fiscal, incluindo designadamente a indicação e caracterização dos tipos negociais, das estruturas societárias e das operações ou transacções propostas ou utilizadas, bem como da espécie e configuração da vantagem fiscal pretendida; • indicação da base legal relativamente à qual se afere, se repercute ou respeita a vantagem fiscal pretendida; • nome ou denominação, endereço e número de identificação fiscal do promotor. destas informações a prestar apenas estão excluídas as matérias referentes a aconselhamento ou avaliação da situação jurídica de um cliente por parte de advogado ou solicitador ou por sociedade de advogados ou de solicitadores no âmbito da consulta jurídica, no exercício da sua missão de defesa ou representação do cliente num processo judicial, ou a respeito de um processo judicial, incluindo o aconselhamento relativo à maneira de propor ou evitar um processo. Porém, e caso não estejamos perante tais situações, as entidade que não efectuem as comunicações ao director-geral dos impostos podem ser punidas com coimas. o cumprimento destes deveres de informação é efectuado pela «declaração de planeamento fiscal», cujo modelo foi aprovado pela Portaria n.º 364-a/2008, de 14 de Maio. Q ual o entendimento da administração Fiscal relativamente às ajudas de custo atribuídas a trabalhadores temporários? o local de trabalho de uma pessoa contratada ao abrigo de um contrato de trabalho temporário é sempre o da empresa contratante, nomeadamente para efeitos de pagamento de ajudas de custo por deslocações. têm surgido diversas dúvidas e situações de não aceitação de determinadas despesas relacionadas com ajudas de custo relativamente a contratos de trabalho temporário. tendo sido pedidos esclarecimentos à administração fiscal por via de informação vinculativa (informação vinculativa com o processo nº 3993/2002), foi divulgado o seguinte: o contrato de trabalho temporário é meramente instrumental de um contrato de utilização, ou seja, a empresa de trabalho temporário celebra os contratos de trabalho quando tem a perspectiva de celebração de um contrato de utilização. ora, neste contrato de utilização tem de ser identificado o local de trabalho. deste modo, e ainda que os trabalhadores não tenham qualquer vínculo contratual com o utilizador, é o local em que este pretende que seja cumprido o contrato de utilização que constitui o seu local de trabalho. assim, apenas quando a entidade empregadora envia ocasionalmente um trabalhador para outro local é que este deve suportar encargos que a sua remuneração não tem em conta e terá que ser ressarcido a título de ajudas de custo por tais encargos. no entanto, esta deslocação deve ser determinada a partir do local da prestação do trabalho e já “Consultório” é um espaço onde se procura dar resposta, de forma clara e sucinta, às questões jurídico-fiscais que mais frequentemente são colocadas pelos nossos leitores. Assim, os leitores poderão colocar questões do foro jurídico-fiscal que, pelo seu interesse e oportunidade, queiram ver esclarecidas nesta rubrica, as quais deverão ser dirigidas à “Contabilidade & Empresas”. 20 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 Consultório não da sede da empresa de trabalho temporário, uma vez que, se assim acontecesse, levaria a que se considerasse que quase todos os trabalhadores contratados pelas empresas de trabalho temporário teriam direito a ajudas de custo, acabando por receber parte da contrapartida pelo seu trabalho sob aquela designação. a deslocação entre a empresa de trabalho temporário e a empresa contratante do trabalhador nunca pode ser considerada para efeitos de ajudas de custo. a retribuição do trabalhador deve ser acordada em função das despesas adicionais que o mesmo vai ter de suportar, nomeadamente, se o local de trabalho for em país diverso. deste modo, a remuneração, assim determinada, é considerada retribuição e, como tal, está sujeita a tributação como rendimento da categoria a do irs. Q uais as regras de atribuição do subsídio de natal? os trabalhadores por conta de outrem, incluindo os trabalhadores rurais, a bordo e de serviço doméstico, têm direito a subsídio de natal de valor igual a um mês de retribuição, devendo ser pago até 15 de dezembro. no caso de trabalhadores abrangidos por instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho que prevejam a concessão do subsídio de natal de valor inferior a um mês de retribuição, têm sempre direito a receber um montante correspondente a um mês de retribuição. o montante do subsídio de natal é proporcional ao tempo de serviço prestado no ano civil, nas seguintes situações: - no ano de admissão do trabalhador; - no ano da cessação do contrato de trabalho; - em caso de suspensão do contrato de trabalho por facto respeitante ao trabalhador (ex. doença). Cálculos dos proporcionais do subsídio de Natal os proporcionais do subsídio de natal poderão ser calculados recorrendo à regra de três simples, da seguinte forma: exemplos: • ano de admissão do trabalhador: • trabalhador que aufira de retribuição mensal 1000 euros, e tenha sido admitido em 1.6.2008, ou seja, que tenha trabalhado nesse ano 214 dias, o cálculo do subsídio de natal deverá ser efectuado da seguinte forma: • se pelo ano completo (366 dias) o trabalhador receberia 1000 euros de subsídio de natal, por 214 dias terá direito: 1000 euros : 366 x 214 = 584,22 euros • ano da cessação do contrato de trabalho: • trabalhador que aufira de retribuição mensal 1200 euros, e o respectivo contrato tenha cessado em 20.11.2008, ou seja, que tenha trabalhado nesse ano 325 dias, o cálculo do subsídio de natal deverá ser efectuado da seguinte forma: • se pelo ano completo (366 dias) o trabalhador receberia 1200 euros de subsídio de natal, por 325 dias terá direito: 1200 euros : 366 x 325 = 1066 euros • suspensão do contrato de trabalho por impedimento prolongado: • trabalhador que aufira de retribuição mensal 800 euros, e tenha apenas trabalhado até 15.5.2008, ou seja, trabalhou nesse ano 136 dias devido a impedimento prolongado por motivo de doença, o cálculo do subsídio de natal deverá ser efectuado da seguinte forma: • se pelo ano completo (366 dias) o trabalhador receberia 800 euros de subsídio de natal, por 136 dias terá direito: 800 euros : 366 x 136 = 297,84 euros Retenção na fonte de IRS sobre o subsídio de Natal a retenção de irs é efectuada sobre as remunerações mensalmente pagas ou colocadas à disposição dos seus titulares, mediante a aplicação das taxas que lhe correspondam. o subsídio de natal é sempre objecto de retenção autónoma, não podendo, para o cálculo do imposto a reter, ser adicionado à remuneração do mês em que é pago ou colocado à disposição. se o referido subsídio for pago fraccionadamente, será retida, em cada pagamento, a parte proporcional do imposto total a reter. Contribuições para a Segurança Social respeitantes ao subsídio de Natal o montante do subsídio de natal está sujeito a descontos para a segurança social, sendo aplicável, no regime geral, a taxa de 11% ao trabalhador e 23,75% à entidade empregadora. Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 - 21 Breves Livros Comissão publica texto consolidado das normas contabilísticas O MOVIMENTO DA QUALIDADE EM PORTUGAL a Comissão europeia publicou o texto consolidado de todas as normas internacionais de contabilidade. a nova versão consolidada reúne todas as normas iFrs aprovadas até agora, incluindo as últimas alterações de meados de outubro. Permite às partes interessadas consultar e fazer referência a um único texto júrido. de acordo com a Comissão, trata-se de uma etapa importante do programa de simplificação para reduzir o encargo administrativo das empresas da união europeia. entretanto, foram realizadas emendas às ias 39 e iFrs 7, com a aprovação unânime de todos os países. estas emendas às normas contabilísticas têm como objectivo reduzir as consequências da turbulência dos mercados financeiros, sendo que não se encontram incluídas no texto consolidado atrás referido. CtoC deixa de investir em fundo de pensões a Câmara dos técnicos oficiais de Contas (CtoC) decidiu dotar o fundo de pensões dos profissionais com uma verba de um milhão de euros, em 2008. valor que foi acrescido por via da renda mensal recebida por via do arrendamento da sua antiga sede. trata-se de um fundo aberto, de risco médio. garante a direcção da câmara que a sua rentabilidade foi sempre seguida, tendo-se, entretanto, constatado que o fundo tinha deixado de ser positivo, passando a rentabilidade negativa. Perante esta situação, foi tomada a decisão de não proceder a mais entregas até se verificar a estabilização do referido fundo. a CtoC decidiu manter a verba destinada ao fundo, no INOVAÇÃO EMPRESARIAL NO SÉCULO XXI entanto, em vez de a entregar, foi feito um depósito a prazo. o montante será transferido para o fundo, quando as condições de mercado se revelarem mais propícias. Finanças disponibilizam balcão único para regularização de dívidas o balcão único do Ministério das Finanças – que garante a regularização das dívidas do estado a fornecedores – iniciou a sua actividade. Podem aceder ao balcão, para efeitos do processo de regularização extraordinária de dívidas, os credores privados dos serviços e organismos da administração central do estado, excluindo aqueles inseridos no sns. o acesso é efectuado através de requerimento de pagamento de dívidas apresentado pelos credores, por via electrónica (em www.sgmf.pt/rede). o o grupo editorial vida económica apresentou a obra “o Movimento da Qualidade em Portugal”, da autoria de rui Fazenda Branco. Pretende-se dar o necessário contributo da gestão da qualidade para a gestão global das organizações, ao longo das suas 472 páginas. o livro retrata alguns dos assuntos relacionados com o tema, inclui opiniões das principais partes interessadas e apresenta os resultados de um inquérito sobre os prós e os contras do desenvolvimento de programas de melhoria. Como testemunho do contributo da gestão da qualidade para a gestão global apresenta uma selecção de “case studies” de organizações de variados sectores de actividade, que acabam por reflectir um resumo dos benefícios obtidos. Mais do que uma obra de carácter técnico e teórico, “o Movimento da Qualidade em Portugal” pretende ser prático e útil para quem desempenha funções relacionadas com a gestão da qualidade e, sobretudo, com a gestão no seu sentido mais lato. o autor é licenciado em Química aplicada e exerce a actividade de consultoria na área da gestão da qualidade há quase duas décadas. o preço de venda ao público é de 33 euros. prazo termina no final deste mês. o pagamento das dívidas associadas aos requerimentos recebidos no balcão único será efectuado ao longo dos próximos quatro meses, pelo que o processo deverá estar concluído em meados de abril. o recurso a este mecanismo diz respeito apenas a dívidas de natureza comercial, certas, líquidas e exigíveis que se encontrem suportadas por factura ou documento equivalente, cuja data limite de pagamento não ultrapasse o dia 31 de dezembro de 2008. 22 - Contabilidade & Empresas - Janeiro 2009 esta obra, da responsabilidade editorial do grupo vida económica e da autoria de Praveen gupta, faz uma abordagem abrangente dos processos relacionados com a inovação e um enquadramento da inovação, este sustentável na geração da internet e na era do conhecimento. o livro cria um enquadramento que permite dar resposta a algumas questões sobre inovação. de forma a institucionalizar a inovação, são referidos vários aspectos sobre a inovação, desde a sua história às estratégias de implementação. Quando se compreende o processo de inovação e se percebem as capacidades e as viabilidades da inovação, pode-se proceder à sua aceleração. no entanto, torna-se necessária uma abordagem multidisciplinar para que o processo possa ser desenvolvido. a obra está dividida em três partes. a primeira incide sobre o desenvolvimento da inovação. a segunda prende-se com a sua compreensão e a última tem a ver com a institucionalização da inovação. as considerações finais respeitam à inteligência da inovação. NOVIDADE ESTRATÉGIAS EMPRESARIAIS Uma obra que ajudar a esclarecer, ampliar e consolidar o conhecimento sobre esta matéria e estimula nos leitores a intuição estratégica. estratégica Autores: Carlos López Navarra, Navarra Ángel Martin Soteras, António Nogueira da Costa Formato: 15.5 x 23 cm Págs.: 382 P.V.P.: A 18 Este livro pretende regressar à origem clássica do termo, e quer destacar que quando se compram produtos ou serviços a uma empresa, é porque os seus clientes encontraram nestes “algo diferente” do que a concorrência oferece, estando esta diferença na origem de um maior valor percebido. Os autores tentam contribuir para os empreendedores, directores e profissionais com uma visão organizada de diferentes estratégias, todas elas aplicáveis à pequena, média e grande empresa. Combinando a teoria sobre estratégias empresariais com exemplos da prática habitual, retirados das notícias publicadas na imprensa económica especializada e, inclusive, na imprensa diária generalista, demonstram a aplicação real das teorias expostas. Ilustrado com dezenas de casos de empresas portuguesas. Pedidos para: Vida Económica - R. Gonçalo Cristóvão, 111, 6º esq. • 4049-037 PORTO Tel. 223 399 400 • Fax 222 058 098 • E-mail encomendas: [email protected] Nome Morada ESTRATÉGIAS EMPRESARIAIS C. Postal Nº Contribuinte SIM. Solicito o envio de E-mail exemplar(es) do livro Estratégias Empresariais. Para o efeito envio cheque/vale nº Debitem A emitido em nome de , no meu cartão , s/ o , no valor de A com o nº , Cód. Seg. e válido até Solicito o envio à cobrança. (Acrescem A 4 para despesas de envio e cobrança). ASSINATURA / .